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Numero do processo: 13508.000361/2008-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/01/2000
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 31/01/2000 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 8. 00 03 61 /2 00 8- 52 Fl. 84DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13508.000361/200852 Acórdão n.º 2202004.243 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.908244/2011-46
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.179
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
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PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Recorrente GREEN STAR PEÇAS E VEÍCULOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 82 44 /2 01 1- 46 Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10850.908244/201146 Acórdão n.º 9303006.179 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao acórdão nº 3803006.723, que decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário por ausência de prova efetiva da existência do direito creditório pleiteado. A decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Não conformada com tal decisão a Contribuinte interpôs o presente recurso. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial apontou como paradigmas os Acórdãos nºs 3801004.317 e 3801004.318. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF foi dado seguimento ao recurso. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões nas quais requer o nãoconhecimento do recurso especial interposto pela Contribuinte. Alternativamente, requer, no mérito, que seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.174, de 13/12/2017, proferido no julgamento do processo 10850.900064/201205, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.174): Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10850.908244/201146 Acórdão n.º 9303006.179 CSRFT3 Fl. 4 3 "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial. A divergência suscitada pela Contribuinte diz respeito à comprovação de seu direito creditório, e trouxe os seguintes acórdãos paradigmas, 3801004317 e 3801004318, que tratam em tese da mesma matéria, diferindo a solução. Pelas ementas não se pode reconhecer a divergência, todavia, se examinar os votos dos paradigmas verseá a que não há identidade de (conjunto probatório) e diversidade das soluções. Verificase que o voto condutor da decisão recorrida, o recurso voluntário não mereceu provimento sob o fundamento de que: "Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório por ausência de provas hábeis a demonstrar e comprovar o suposto recolhimento a maior, considerando que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. O Recorrente alega que, junto às Manifestações de Inconformidade, havia trazido aos autos planilhas de cálculo, cópias do balancete e do livro Razão, documentos esses que, segundo ele, seriam bastantes para a comprovação do direito pleiteado. A par das decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP, em que a questão da prova do indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, tendo sido ressaltada pelo julgador de piso a necessidade de se comprovar o faturamento do período para fins de apuração da contribuição efetivamente devida no período, o contribuinte nada acrescenta aos autos em grau de recurso para fins de demonstrar inequivocamente a base de cálculo da contribuição. Não se pode olvidar que, de acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. Conforme já dito, os elementos trazidos aos autos por cópias pelo contribuinte na primeira instância não eram aptos, por si sós, a comprovar o direito reclamado, dado que restritos às informações relativas às receitas financeiras e a outras receitas, situação em que não se tem por comprovada a base de cálculo da contribuição devida (faturamento), o que impede o confronto entre os valores recolhidos aos cofres públicos e aqueles efetivamente devidos. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10850.908244/201146 Acórdão n.º 9303006.179 CSRFT3 Fl. 5 4 Abrir a possibilidade de produção de novas provas, a meu ver, ainda que em consonância com o princípio da verdade material, configura afronta à obrigatoriedade de atuação da Administração em conformidade com a lei e o Direito e à adequação entre meios e fins (art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999), assim como ao dever do administrado de apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado antes das decisões administrativas e de prestar todas as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos (art. 3º, III, e 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 1999). Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios da base de cálculo da contribuição (faturamento), com vistas a se apurar o alegado crédito pleiteado, o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância de forma efetiva, dado que nenhum documento contábilfiscal foi acrescentado aos autos". Como se observa, a decisão recorrida, acompanhou o fundamento esposado pela DRJ de origem, no sentido de que: “A planilha contendo as receitas financeiras e a cópia de parte do balancete contendo tais receitas não permitiriam apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido, pois tais documentos permitem vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante”. Por outro lado, o acórdão paradigma nº 3801004.317, analisou tão somente a questão de mérito, dando provimento ao Recurso por entender que a Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Sem embargo, o Colegiado decidiu o direito creditório da contribuinte com fundamento no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral. Como se vê, o acórdão paradigma não trouxe outro fundamento com relação as provas, e não se verifica demonstrada semelhança fática e divergência jurisprudencial. Vejamos: "No mérito, entendo que assiste razão à recorrente, senão vejamos: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Neste sentido, entendo estarmos diante da hipótese prevista no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, conforme colacionado acima. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente caso exista, em seu favor, crédito oriundo de recolhimentos efetuados a título de COFINS na forma da Lei nº 9.718/98, excluindose da sua base de cálculo as receitas não compreendidas no conceito de Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10850.908244/201146 Acórdão n.º 9303006.179 CSRFT3 Fl. 6 5 faturamento nos moldes da Lei Complementar nº 70/91, nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal". No mesmo sentido, o acórdão paradigma nº 3801004.316, mesmo relator do acórdão, nº 3801004.317, deu provimento ao Recurso Voluntário,para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. Como se observa, o acórdão paradigma nada tratou sobre provas, e não se comprova semelhança fática e divergência jurisprudencial. Vejamos: "É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998". Como visto, contexto fático e jurisprudencial exposto nas decisões paradigmas e no acórdão recorrido, patente pela leitura das passagens acima transcritas, demanda do mesmo modo, que o recurso especial não seja conhecido em face da ausência de demonstração de que, discutindo casos similares, foi dada interpretação jurídica diversa. Neste sentido, O Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (versão atualizada, pg.30) estabelece que: O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabeleceu, em seu art. 67, § 1º, do Anexo II: "§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente." Em 15 de fevereiro de 2016, foi publicada a Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, com a seguinte redação: “§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente.” Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte, em razão de não ter sido comprovada divergência, e similitude fática, nos termos do § 1º da Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 315DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.006016/2005-00
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO
Devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar a omissão reconhecendo a existência do Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR
Numero da decisão: 9202-006.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificando o Acórdão nº 9202-005.186, de 26/01/2017, com efeitos infringentes, sanar a omissão apontada para, por unanimidade conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, quanto à Área de Preservação Permanente - APP e Área de Reserva Legal - ARL e, no mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecilia Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: Patricia Silva
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ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO Devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar a omissão reconhecendo a existência do Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, reratificando o Acórdão nº 9202005.186, de 26/01/2017, com efeitos infringentes, sanar a omissão apontada para, por unanimidade conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, quanto à Área de Preservação Permanente APP e Área de Reserva Legal ARL e, no mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 60 16 /2 00 5- 00 Fl. 890DF CARF MF 2 Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecilia Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de embargos de declaração de iniciativa deste membro do Colegiado, com fulcro no previsto no art. 65, §1o. inciso I, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Referese ao Acórdão nº 9202005.186, deste Colegiado, julgado na sessão plenária de 26 de janeiro de 2017. Transcrevese a ementa e decisão do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, não tendo ocorrido tal apresentação, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR . ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Incabível a manutenção da glosa da ARL Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel efetuada antes da ocorrência do fato gerador. Decisão: por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, quanto à Área de Preservação Permanente (APP) e Área de Reserva Legal (ARL) , no mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para restabelecer a glosa da área de Fl. 891DF CARF MF Processo nº 10183.006016/200500 Acórdão n.º 9202006.285 CSRFT2 Fl. 891 3 preservação permanente, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. A propósito, notase omissão a ser sanada na decisão constante da ata da sessão e reproduzida na parte dispositiva do Acórdão formalizado, uma vez que: a) O voto vencedor do recorrido assim afirma: "(...) No caso em questão, não há menção, no Relatório do presente, à existência de ADA entregue pelo contribuinte anteriormente ao início da ação fiscal e, assim, diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional quanto à matéria, restabelecendose a glosa de 10.092,4 ha. de área de preservação permanente, inicialmente declarada pelo autuado como exclusão da base de cálculo do ITR/2001. (...)" b) Todavia, verificase a existência, nos autos, de ADA (fls. 158, Vol. 1 e 230, Vol. 2) datado de 30/09/2004, assim anterior ao início da ação fiscal, cujo primeiro termo de intimação foi lavrado em 16/06/2005 (fls. 317 a 320, Volume 2), caracterizada, assim, a omissão do embargado quanto à análise dos documentos supra. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Pressupostos de Admissibilidade Conforme consta do despacho de admissibilidade, foi acatado como Embargos de Declaração sobre omissão existente na existência dos autos de ADA, anterior ao início da ação fiscal. Assim, passar a apreciar a questão trazida. Da Análise dos Embargos Com efeito, o Conselheiro tem razão quanto à omissão, de modo que encaminho com as seguintes redações: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Fl. 892DF CARF MF 4 Exercício: 2001 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) APRESENTADO ANTES DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. Assim, in casu, é possível a exclusão da área declarada de APP da base de cálculo do ITR. Considero presentes todos os requisitos de admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Tratase de exigência de ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2001, tendo em vista a desconsideração do VTN lançado pelo contribuinte e o consequente arbitramento do valor total do imóvel com base no SIPT, bem como o reconhecimento de área de preservação ambiental com apresentação de ADA tempestiva. O acórdão recorrido deu provimento parcial ao Recurso Voluntário restabelecendo as áreas de preservação permanente, de reserva legal e VTN declarado pelo Contribuinte. Com relação a primeira temática, todavia, verificase a existência, nos autos, de ADA (fls. 158, Vol. 1 e 230, Vol. 2) datado de 30/09/2004, assim anterior ao início da ação fiscal, cujo primeiro termo de intimação foi lavrado em 16/06/2005 (fls. 317 a 320, Volume 2). Entendo deve ser o acórdão a quo ser mantido, por cumprimento de todos os requisitos, com a apresentação do ADA tempestivamente. Ressalto a posição pessoal desta Conselheira, o ADA é condição dispensável para fins de desoneração do ITR e considerando que há nos autos considerável arcabouço de prova da existência de área de preservação ambiental mediante Laudo Técnico acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica, conforme exigências das Normas da ABNT, deve ser reconhecido ao contribuinte o direito a não incidência do ITR Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso do Procurador, mantendo os termos do acórdão recorrido quanto ao VTN e à área de preservação ambiental declarados pelo Contribuinte Face o exposto, voto por ACOLHER os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 893DF CARF MF Processo nº 10183.006016/200500 Acórdão n.º 9202006.285 CSRFT2 Fl. 892 5 Fl. 894DF CARF MF
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Numero do processo: 13005.722696/2013-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
SIMULAÇÃO.
Desencontro entre a verdade declarada e a verdade real satisfaz ao conceito de simulação. No caso, a vontade real era a criação de ágio amortizável, ao passo que a vontade declarada era a de aquisição de pessoa jurídica.
ÁGIO INTERNO. RAZOABILIDADE.
Não é razoável o argumento de reconhecimento de valor de mercado da empresa ante o benefício - e consequente prejuízo a terceiro - decorrente da criação fictícia do ágio.
ÁGIO INTERNO.
É rechaçada a criação de ágio por operações societárias dentro do mesmo grupo econômico, em especial quando não há movimentação financeira, apenas havendo alterações na escrituração contábil e notarial.
JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO (JCP). PATRIMÔNIO LÍQUIDO. CORREÇÃO DO BALANÇO.
O registro de supostos equívocos na escrita contábil de ano anterior nas notas explicativas às demonstrações financeiras de 2008, feitos por auditoria independente, por si só, não permite a desconsideração do balanço patrimonial do ano de 2007 pela fiscalização, sem o aprofundamento e detalhamento dos motivos da autoridade fiscal.
JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO (JCP). INEFICÁCIA DE AUMENTO DE PATRIMÔNIO LÍQUIDO.
Tendo sido considerado no resultado aumento de patrimônio líquido decorrente de operação cuja ineficácia tributária foi reconhecida (ágio inoponível ao Fisco), há que se corrigir os cálculos efetuados.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
A simulação de operação societária operada dentro do mesmo grupo econômico com a criação de ágio amortizável caracteriza fraude, por atitude dolosa tendente a reduzir o montante do tributo devido, e justifica a aplicação da multa qualificada.
Numero da decisão: 1302-002.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogerio Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimaraes da Fonseca. Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 SIMULAÇÃO. Desencontro entre a verdade declarada e a verdade real satisfaz ao conceito de simulação. No caso, a vontade real era a criação de ágio amortizável, ao passo que a vontade declarada era a de aquisição de pessoa jurídica. ÁGIO INTERNO. RAZOABILIDADE. Não é razoável o argumento de reconhecimento de valor de mercado da empresa ante o benefício - e consequente prejuízo a terceiro - decorrente da criação fictícia do ágio. ÁGIO INTERNO. É rechaçada a criação de ágio por operações societárias dentro do mesmo grupo econômico, em especial quando não há movimentação financeira, apenas havendo alterações na escrituração contábil e notarial. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO (JCP). PATRIMÔNIO LÍQUIDO. CORREÇÃO DO BALANÇO. O registro de supostos equívocos na escrita contábil de ano anterior nas notas explicativas às demonstrações financeiras de 2008, feitos por auditoria independente, por si só, não permite a desconsideração do balanço patrimonial do ano de 2007 pela fiscalização, sem o aprofundamento e detalhamento dos motivos da autoridade fiscal. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO (JCP). INEFICÁCIA DE AUMENTO DE PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Tendo sido considerado no resultado aumento de patrimônio líquido decorrente de operação cuja ineficácia tributária foi reconhecida (ágio inoponível ao Fisco), há que se corrigir os cálculos efetuados. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A simulação de operação societária operada dentro do mesmo grupo econômico com a criação de ágio amortizável caracteriza fraude, por atitude dolosa tendente a reduzir o montante do tributo devido, e justifica a aplicação da multa qualificada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Gustavo Guimarães da Fonseca. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogerio Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimaraes da Fonseca. Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 SIMULAÇÃO. Desencontro entre a verdade declarada e a verdade real satisfaz ao conceito de simulação. No caso, a vontade real era a criação de ágio amortizável, ao passo que a vontade declarada era a de aquisição de pessoa jurídica. ÁGIO INTERNO. RAZOABILIDADE. Não é razoável o argumento de reconhecimento de valor de mercado da empresa ante o benefício e consequente prejuízo a terceiro decorrente da criação fictícia do ágio. ÁGIO INTERNO. É rechaçada a criação de ágio por operações societárias dentro do mesmo grupo econômico, em especial quando não há movimentação financeira, apenas havendo alterações na escrituração contábil e notarial. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO (JCP). PATRIMÔNIO LÍQUIDO. CORREÇÃO DO BALANÇO. O registro de supostos equívocos na escrita contábil de ano anterior nas notas explicativas às demonstrações financeiras de 2008, feitos por auditoria independente, por si só, não permite a desconsideração do balanço patrimonial do ano de 2007 pela fiscalização, sem o aprofundamento e detalhamento dos motivos da autoridade fiscal. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO (JCP). INEFICÁCIA DE AUMENTO DE PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Tendo sido considerado no resultado aumento de patrimônio líquido decorrente de operação cuja ineficácia tributária foi reconhecida (ágio inoponível ao Fisco), há que se corrigir os cálculos efetuados. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 26 96 /2 01 3- 53 Fl. 1551DF CARF MF 2 A simulação de operação societária operada dentro do mesmo grupo econômico com a criação de ágio amortizável caracteriza fraude, por atitude dolosa tendente a reduzir o montante do tributo devido, e justifica a aplicação da multa qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Gustavo Guimarães da Fonseca. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogerio Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimaraes da Fonseca. Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Em julgamento Recurso Voluntário interposto ante o acórdão proferido nestes autos pela 13ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto, que considerou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo integralmente os lançamentos realizados, conforme ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São considerados nulos somente atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), não havendo que se falar em nulidade quando observados, nos lançamentos formalizados, os requisitos contidos no art. 142 do CTN bem como o disciplinamento do Processo Administrativo Fiscal (PAF). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 Fl. 1552DF CARF MF Processo nº 13005.722696/201353 Acórdão n.º 1302002.387 S1C3T2 Fl. 1.552 3 OPERAÇÕES DE REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. CRIAÇÃO DE ÁGIO AMORTIZÁVEL. SIMULAÇÃO. GLOSA DAS EXCLUSÕES INDEVIDAS DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. As operações de reorganização societária, para serem legítimas, devem possuir causa negocial real, inalterável ao arbítrio de quem o pratica, e decorrer de atos efetivamente existentes, e não serem artificiais e apenas formalmente registrados nos contratos sociais e na escrituração contábil. Desse modo, há simulação quando os atos negociais são realizados com finalidade não correspondente exatamente a sua causa legítima. Confirmada a simulação dos atos negociais que possibilitaram o aparecimento do ágio amortizável, é cabível a glosa das exclusões da base de cálculo do IRPJ e da CSLL decorrentes da amortização do ágio. ÁGIO. SIMULAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. Constatada a simulação na criação de ágio, é cabível a glosa da sua dedução da base de cálculo do IRPJ e CSLL. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. LIMITES. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE. Na forma do disposto no artigo 9º, da Lei nº 9.249/1995, a pessoa jurídica poderá deduzir do IRPJ devido no período os juros pagos ou creditados individualizadamente a sócios, a título de remuneração do capital próprio calculados sobre contas do Patrimônio Líquido, calculado de acordo com as normas contábeis vigentes, limitados à variação pro rata dia da TJLP e desde que haja lucros, computados antes da dedução dos mesmos, ou lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO. Na vigência do Regime Tributário de Transição, quando do cálculo da parcela a deduzir prevista no art. 9º da Lei nº 9.249, de 1995, deverão ser considerados a composição e valor do patrimônio líquido definidos segundo os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Não há que se cogitar da produção de efeitos tributários decorrentes da adoção de métodos e critérios destinados a promover a harmonização das normas contábeis brasileiras às normas internacionais, se não vigentes naquela data, inclusive no que diz respeito ao cálculo do montante dedutível a título de Juros sobre Capital Próprio. Fl. 1553DF CARF MF 4 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PATRIMÔNIO LÍQUIDO REDUZIDO. Verificado que o sujeito passivo aumentou indevidamente o patrimônio líquido, mediante a dedução de parcelas glosadas pela fiscalização, é correta a apuração de infração relativa à parcela de juros sobre o capital próprio calculada sobre o montante inexistente de patrimônio líquido. SIMULAÇÃO. DESPESA DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. Constatada a simulação com o propósito de prejudicar a fazenda pública, correto o fisco, em relação aos negócios jurídicos viciados, não aceitar os seus efeitos tributários mediante adição da despesa de juros sobre capital próprio ao Lucro Real do período. MULTA QUALIFICADA. Constatado o dolo na prática de fraude e conluio que resultaram na geração de ágio artificial, criado de forma consciente e deliberada, é cabível qualificação da multa de ofício, aplicada no percentual de 150%. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 LANÇAMENTO REFLEXOS. CSLL. A decisão relativa ao auto de infração do IRPJ deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração da CSLL, uma vez que ambos os lançamentos, do IRPJ e da CSLL, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Passo a resumir os fatos que levaram à lavratura do auto de infração: tratase de lançamento que reduz o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa de CSLL, declarados no período; Para exata compreensão dos fatos ocorridos nos anos 2004 e 2005 é necessária a apresentação resumida das participantes e dos atos formais societários que serão objeto de análise pela fiscalização. Os fatos descritos revelam as seguintes partícipes e suas coadjuvantes, conforme Relatório de Atividade Fiscal: DIMON DO BRASIL TABACOS LTDA, CNPJ nº 33.876.145/000100, atual ALLIANCE ONE BRASIL EXPORTADORA DE TABACOS LTDA, a contribuinte. Sociedade empresária que estava sediada em Vera Cruz – RS à época dos fatos e mantinha filiais em outros municípios dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Atua no Brasil desde 10/1971. Sua participação nos atos de criação do ágio é resumida abaixo: era subsidiária no Brasil do grupo multinacional DIMON INCORPORATED e controlada pela holding internacional INTABEX NETHERLANDS B.V.; Fl. 1554DF CARF MF Processo nº 13005.722696/201353 Acórdão n.º 1302002.387 S1C3T2 Fl. 1.553 5 em 16/05/2005, com a criação do novo grupo multinacional, alterou sua denominação para ALLIANCE ONE EXPORTADORA DE TABACOS LTDA; em 30/08/2005 teve suas quotas “vendidas” pela controladora direta (INTABEX) para a empresa MERIDIONAL TABACOS LTDA, por R$507.000.000,00, que passou a ser por ela controlada, momento da geração do ágio; em 31/08/2005 a INTABEX passou a ser sua controladora indireta, pois ato contínuo à compra da MERIDIONAL deliberou pelo aumento de capital social e pela capitalização da dívida contraída pela MERIDIONAL na “aquisição das quotas da ALLIANCE”, passando a INTABEX controlar diretamente a própria MERIDIONAL; em 30/09/2005 incorporou a empresa MERIDIONAL TABACOS LTDA pelo valor do Patrimônio Líquido, e alterou sua denominação para ALLIANCE ONE BRASIL EXPORTADORA DE TABACOS LTDA. com a extinção da MERIDIONAL em 30/09/2005, a INTABEX passou a ser novamente a sua controladora direta. MERIDIONAL DE TABACOS LTDA CNPJ nº 87.329.074/000154, extinta por incorporação pela ALLIANCE, sociedade empresária que estava sediada em Santa Cruz do Sul – RS à época dos fatos, mantinha filiais em outros municípios dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Atuou desde 11/1974. Sua participação nos atos de criação do ágio é resumida abaixo: era subsidiária no Brasil do grupo multinacional STANDART COMMERCIAL CORPORATION e controlada pelas holdings TRANSCONTINENTAL LEAF TOBACCO CORPORATION LIMITED e STANDART COMMERCIAL TOBACCO CO. INC. em 29/06/2005 a nova empresa originada da a incorporação internacional da STANDART pela DIMON, ALLIANCE ONE INTERNATIONAL INC, passou a deter participação em seu capital em substituição à extinta sócia. em 30/08/2005 passou a ser detentora das quotas da ALLIANCE ONE EXPORTADORA DE TABACOS LTDA que foram “alienadas a título oneroso” pela controladora INTABEX por R$507.000.000,00. Transformouse em controladora direta; em 31/08/2005 admitiu como sócia a própria INTABEX que passou a ser sua controladora direta através da conversão da dívida de R$507.000.000,00 contraída na “aquisição” das quotas da ALLIANCE em capital social; em 30/09/2005 foi extinta através de ato de incorporação pela sua controlada ALLIANCE ONE BRASIL EXPORTADORA DE TABACOS LTDA; ALLIANCE ONE INTERNATIONAL INCORPORATED CNPJ nº 07.546.234/000188 com data do registro em 22/08/2005, nova empresa resultante da incorporação internacional da Standart Commercial Corporation pela DIMON Incorporated criada em 13/05/2005; Fl. 1555DF CARF MF 6 INTABEX NETHERLANDS B.V. – CNPJ nº 05.523.985/000153, holding internacional da DIMON Incorporated e conseqüentemente da ALLIANCE ONE INTERNATIONAL, INC. No Brasil, é a controladora direta da ALLIANCE ONE BRASIL EXPORTADORA DE TABACOS LTDA. Este era o quadro no dia anterior à operação considerada simulada e que fez nascer o ágio: Em 30/08/2005 é realizado o primeiro ato simulado: a única sócia da Alliance One Exportadora de Tabacos Ltda, Intabex Netherlands B.V., retirase da sociedade e cede, “a título oneroso”, a totalidade da sua participação naquela sociedade para a empresa Meridional de Tabacos Ltda conforme Alteração do Contrato Social de 30/08/2005; A Meridional Tabacos, então, passa a ser devedora da Intabex Netherlands no valor de R$507.000.000,00, desdobrados em R$268.324.917,57, equivalente ao valor nominal do Patrimônio Líquido registrado na contabilidade de ALLIANCE e R$238.675.082,43 a título de ágio na aquisição; ato contínuo, a Meridional aumenta o capital social em R$507.000.000,00 e na 40ª alteração do contrato social admite no seu quadro societário a Intabex Netherlands B. V. com participação no capital social de R$507.000.000,00. O capital fica assim distribuído: Intabex (R$507.000.000,00), Trans Continental (R$31.041.621,00) e Alliance One Internacional (R$11,00); o Grupo fica assim configurado: Fl. 1556DF CARF MF Processo nº 13005.722696/201353 Acórdão n.º 1302002.387 S1C3T2 Fl. 1.554 7 Finalmente, a Meridional, única sócia e controladora de Alliance, em conjunto com o Intabex, Trans Continental e Alliance One Internacional resolvem pela incorporação da Meridional pela Alliance One Exportadora de Tabacos Ltda. que passa a denominarse Alliance One Brasil Exportadora de Tabacos Ltda.: Com essas operações a Alliance One Brasil Exportadora de Tabacos Ltda. passou a amortizar pelo período de cinco anos o ágio de R$238.675.082,43. A fiscalização, por sua vez, operou a glosa dessas despesas de ágio e, ainda, em função da apuração do patrimônio líquido da empresa sem as operações consideradas fictícias,valor este que foi menor que o apurado com essas operações, deuse um excesso de despesa com JCP. As infrações são assim descritas no Auto de Infração AI: 0001 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCESSO DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO excesso de juros Valor indedutivel de juros pagos ou creditados a título de remuneração do capital próprio não adicionado ao Lucro Líquido do período, para a determinação do Lucro Real, conforme relatório fiscal em anexo. Fato Gerador Valor Apurado (RS) Multa (%) 31/12/2008 17.000.000,00 150,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2008 e 31/12/2008: art. 3o da Lei n° 9.249/95. Arts. 247, 249, inciso I, e 347, do RIR/99 Fl. 1557DF CARF MF 8 0002 EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCLUSÕES INDEVIDAS valor ágio amortizado fiscalmente Valor excluído indevidamente do Lucro Líquido do período, na determinação do Lucro Real, conforme relatório fiscal em anexo. Fato Gerador Valor Apurado (RS) Multa (%) 31/12/2008 47.735.016,48 150,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2008 e 31/12/2008: art. 3o da Lei n° 9.249/95. Arts. 247 e 250 do RIR/99 ......... Fazem parte do presente auto de infração todos#os*termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados. Em seu relatório, a Fiscalização destaca os seguintes pontos: a presente fiscalização tem como referência o procedimento no qual foi lavrado auto de infração relativo aos períodos de 2005, 2006 e 2007 e controlados no PAF 13005001065/200911; (...) "41. Rememorando os principais fatos ocorridos até 29/O8/2005. sem perder a noção que o foco da fiscalização esta na geração de ágio numa operação societária simulada, temos que: a) negociações entre os grupos Dimon Incorporated e Standard Commercial Corporation começaram em 2004 e tiveram desfecho no exterior em 13 05 2005. conforme registro na Securities and Exchange Commission SEC. Estados Unidos da América (cópias traduzidas fls. 119.135 do processo administrativo fiscal n° 13005001065 200911); b) reflexos da fusão internacional com a incorporação da Standard pela Dimon. passando a denominarse Alliance One. foram formalizados nas subsidiárias brasileiras na mesma data e/ou nos dias seguintes ao ato internacional, através das alterações dos contratos sociais para penhor das quotas de capital; c) enominação social da Dimon do Brasil Tabacos Ltda foi alterada para Alliance One Exportadora de Tabacos Ltda. e também substituída a sócia da Meridional, de Standard Commercial Tobacco CO. INC. para Alliance One International Inc.; d) iretor da ALLIANCE designado para América Latina anuncia ao mercado brasileiro que a fusão estava concluída e que até setembro haverá um período de transição. Na data de 17/05/2005 todos os funcionários foram comunicados oficialmente que ocorrera a fusão entre as empresas; e) fim. em 29/08/2005 os capitais sociais das duas subsidiárias: Alliance One Exportadora de Tabacos Ltda (antiga Dimon do Brasil) e Meridional de Tabacos Ltda. foram aumentados com reservas de capital e lucros acumulados. 42. Depois de todas as formalizações e ajustes aqui mencionados, inclusive a alteração do nme da sociedade Dimon do Brasil Tabacos Ltda ao reconhecer a identidade do novo grupo conômico (Alliance One)? um único episódio era necessário para seguir a sequência lógica e sperada: a ALLIANCE iria incorporar a sociedade Meridional de Tabacos Ltda na mesma linha dotada internacionalmente. (...) Fl. 1558DF CARF MF Processo nº 13005.722696/201353 Acórdão n.º 1302002.387 S1C3T2 Fl. 1.555 9 E foi exatamente isso que realmente aconteceu, conforme a previsão divulgada na imprensa em 17/05/2005, atribuída ao executivo da Alliance One para a América do Sul, Sr. Hílton Kappaun. A incorporação formal da Meridional de Tabacos Ltda pela Alliance One Exportadora de Tabacos Ltda concretizouse em 30/09/2005. No entanto, aqui reside o ponto crucial deste procedimento fiscal. Ao invés da incorporação ser levada a efeito através dos devidos registros em seus atos societários, as sociedades registraram uma operação de compra e venda de participação societária da ALLIANCE ONE EXPORTADORA DE TABACOS LTDA com ágio na aquisição. Os elementos mostrados provam que a operação de compra e venda registrada em 30/08/2005 não passou de mera simulação para gerar um ágio interno para aproveitamento fiscal ilícito, já que a incorporada de fato em 13/05/2005 (MERIDIONAL) pela operação internacional, é trazida aos olhos do FISCO como controladora fictícia de sua futura incorporadora de fato (ALLIANCE ONE), para que no segundo ato, ao efetivar a incorporação de direito, benefícios fiscais ilícitos fossem alcançados através do ágio criado." a geração do ágio interno é baseada em fatos materialmente inexistes. Sua criação deriva de ato simulatório de compra e venda de quotas da incorporadora pela incorporada, com posterior incorporação reversa da sociedade controladora. Por força de ato de reorganização empresarial materialmente existente e realizada no exterior que produziu efeitos diretos no Brasil, a fiscalização apurou que a sociedade sucessora no Brasil (ALLIANCE) já se encontrava definida em data anterior ao ato de compra e venda entabulado pela controladora no exterior com a sociedade a ser incorporada no Brasil; a reorganização societária apresentada no Brasil antes da incorporação formal definida no exterior foi de encontro com a verdade material apurada e teve como fins: gerar o ágio; implementar uma condição apenas exigida pela Lei Tributária para usufruir sua amortização fiscal; e, por conseqüência, apenas reduzir os tributos devidos; a fiscalização também constatou que a ALLIANCE creditou juros sobre o capital próprio calculados sobre um patrimônio líquido irreal em 01/01/2008. Também não respeitou os limites legais exigidos para sua dedutibilidade na apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Os juros sobre capital próprio pagos/creditados em desconformidade com os limites legais estabelecidos não são dedutíveis na determinação do Lucro Real; a Meridional, numa operação de aquisição de capital tão relevante, foi representada por sua Diretoria no Brasil, a qual tinha competência apenas para representála na administração dos negócios sociais em geral, e a prática dos atos necessários ou convenientes para tanto, nos termos do artigo 11 do Contrato Social, conforme 36º alteração e consolidação de 16/06/2004; o destaque realizado que se faz é em razão do Contrato Social da MERIDIONAL não trazer no rol dos objetos sociais a atividade de participação em outras empresas, conforme o disposto no art. 3º do Contrato Social: “A sociedade tem por objetivos: a industrialização e comercialização de fumo em folha; o comércio e importação de fertilizantes, corretivos, inoculantes ou biofertilizantes e defensivos agrícolas; compra e exportação de fumos em folha.” Fl. 1559DF CARF MF 10 assim, a diretoria não estaria apta a participar de negócios alheios ao objeto social da sociedade, e esta vedação não estava só restrita à diretoria, mas a qualquer representante da sociedade. Tal vedação estava bem explícita no art. 13 – Vedações do contrato social, o qual reproduzimos abaixo: (...) a operação de compra e venda, registrada com total de R$ 507.000.000,00, não gerou qualquer movimentação financeira, ficando simplesmente adstrita aos registros contábeis e às alterações dos contratos sociais; foi realizada diligência para obter informações sobre a operação considerada simulada junto ao Diretor Presidente da Meridional de 06/2003 a 09/2005. Ele informa que em abril de 2005 teria sido realocado para a Trans Continental, embora tenha assinado as operações de agosto e setembro. Isso deixa evidente que o novo grupo econômico já estava no comando da Meridional, que, apesar disso se mostrava como independente; descreve os lançamentos contábeis realizados na Meridional de Tabacos Ltda., concluindo que os efeitos contábeis foram nulos; a fiscalização realiza os cálculos do resultado do exercício (31/08/2005) sem a operação simulada, excluindo do resultado nãooperacional a provisão sobre o ágio e ajustando as provisões da CSLL e IRPJ para retirar os valores diferidos calculados sobre a realização do ágio, chegando a um lucro líquido de R$17.384.041,84, em contrapartida a um prejuízo líquido de R$140.141.512,59 apurado pela empresa com a operação simulada; sobre o Capital Social assim se manifesta a Fiscalização: 141. A explanação por meio dos demonstrativos de encerramento do exercício ajustados apenas reforça o que já tinha sido evidenciado anteriormente. Assim, com base neste estudo, podemos ainda fazer um comparativo entre o capital social resultante da incorporação da Meridional de Tabacos Ltda pela Alliance One Exportadora de Tabacos Ltda operacionalizado pela fiscalizada com base no seu balanço, e o capital social resultante da incorporação, caso não tivesse ocorrido a operação simulada de compra e venda de quotas. a) Capital social apurado pela empresa a fiscalizada adotou os saldos dos primeiros demonstrativos acima, conforme Protocolo de Incorporação e Justificação (fls 168'175) teve a seguinte formatação: Capital Social Registrado na Incorporadora (Alliance) 254.311.930.00 Valor Patrimônio Liquido na Incorporada (Meridional) .133.659029.00 Novo Capital Social coin operação simulada 387.970.959,00 142. Chegouse ao valor de 133.659.029.00 como patrimônio líquido da Meridional, diminuindo o valor da participação que a Incorporada detinha na Incorporadora (268.324.917,57) do patrimônio líquido apurado no balanço (401.983.947,28). b) Capital Social apurado pela fiscalização adotado os saldos ajustados dos demonstrativos aciina. como se não tivesse sido registrada a operação ficta. Capital Social Registrado na Incorporadora (Alliance) 254.311.930.00 Valor Patrimônio Liquido na Incorporada (Meridional) 52.509.501.71 Novo Capital Social sem operação simulada 306.821.431.71 Fl. 1560DF CARF MF Processo nº 13005.722696/201353 Acórdão n.º 1302002.387 S1C3T2 Fl. 1.556 11 143. A diferença verificada entre o novo capital, pós incorporação, apurado pela empresa levando em consideração a operação simulada (387.970.959,00) e o valor de capital apurado pela fiscalização desconsiderando os efeitos da operação ficta (306.821.431.71). equivale exatamente à soma das provisões do IRPJ e CSLL calculadas sobre a despesa de ágio. Esse total de RS 81.149.528.00. como demonstrado anteriormente, é transitório e passará a reduzir o resultado do exercício nos próximos cinco anos. a Fiscalização demonstra que o principal efeito da operação dita simulada é o tributário, com a Alliance One Brasil Exportadora de Tabacos Ltda (empresa resultante da incorporação da Meridional pela Alliance One Exportadora) passando a deduzir em cinco anos o suposto ágio gerado pela aquisição da Alliance One Exportadora pela Meridional, ou seja, o último ato é a incorporação da controladora (Meridional) pela controlada Alliance One Exportadora); descreve e efetiva a desconsideração para fins tributários da operação de compra e venda de quotas com ágio da Alliance pela Meridional realizada em 30/05/2005; além dos reflexos na amortização do ágio, há consequências, também, no cálculo dos juros sobre capital próprio creditados no ano de 2008. sobre o pagamento de juros sobre o capital próprio, a fiscalização descreve duas situações: (i) incorreção dos cálculos do PL de R$ 481.951.000,00 apresentados pela Empresa, primeiro por descumprimento das regras da Lei 6.404/76 que implicou sua redução para R$R$265.668.000,00 (como demonstrado pela própria Contribuinte) e, segundo, pelos ajustes contábeis às novas regras societárias da Lei nº 11.638, 2007, que elevou este PL ao patamar de R$280.138.000,00, o que permitiria uma distribuição de R$9.702.837,30; e, (ii) não atendimento da condição de existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reserva de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. Isto porque após os ajustes para adequar as demonstrações financeiras aos dispositivos da Lei nº 6.404/76 é na conta de lucros acumulados que os efeitos de todos os ajustes ficam espelhados. Esta conta, que antes dos ajustes tinha saldo credor (lucro), passa a ter saldo devedor (prejuízo). Quanto ao Lucro do Exercício, verificase que o Declarado na Ficha 06A Demonstração do Resultado da DIPJ 2009 foi um prejuízo de R$34.041.404,49. Ainda que fossem creditados os juros passíveis de creditamento com base no PL ajustado (R$9.702.837,30), aos lucros (prejuízos) antes da provisão para o IRPJ, não seriam alcançados valores positivos. Portanto, o valor total dos juros sobre capital próprio creditados (17.000.000,00) não atende aos limites legais permissivos para sua dedutibilidade; salienta que já foi demonstrada a existência de dolo por parte do contribuinte que utilizouse de simulação para alcançar redução de tributos, o que implica incidência do inciso I do artigo 173 do CTN para fins de determinação do termo inicial do cálculo decadencial; qualifica a multa de ofício por ter ficado demonstrado que o contribuinte atuou com dolo, reduzindo o tributo devido por meio de ato simulado de compra e venda de participação societária, todavia, como se trata de lançamento para redução de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL, salienta que os reflexos da qualificação da multa advirão quando do aproveitamento fictício de prejuízo fiscal ou de base negativa de CSLL em futuras compensações; Fl. 1561DF CARF MF 12 informa que está apresentando Representação Fiscal para Fins Penais por encontrar indício de Crime Contra a Ordem Tributária; destaca, finalmente, que o procedimento fiscal continua em execução em relação aos anoscalendário de 2009 e 2010. Interposta impugnação, a 13ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto a julgou improcedente, conforme ementas já reproduzidas, cujos fundamentos serão relembrados no voto, caso necessário. Inconformada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, alegando o seguinte: transcreve o artigo 167 do Código Civil (CC), que dispõe sobre simulação, afirmando que nenhum dos fundamentos apresentados na decisão recorrida se subsume à definição nele contida, na medida em que cada uma das operações descritas acima, realizadas no âmbito da reestruturação societária refletiu exatamente a vontade entre as partes envolvidas e foi baseada em documentos válidos e declarações verdadeiras; as evidências apontadas pela autoridade fiscal para a ocorrência de simulação são a inexistência de propósito negocial, o resultado econômicofinanceiro nulo, a prática de atos entre partes ligadas, a proximidade temporal dos atos e o desfazimento dos efeitos do ato simulado, sendo que nenhuma delas dá sustentação para a alegada simulação e, ao analisar a decisão recorrida verificase que as autoridades julgadoras invocam o artigo 167 do CC, sem identificar qual dos incisos do artigo é aplicável ao caso; concorda com as conclusões das autoridades fiscais em relação à operação internacional , destacando os seguintes aspectos: 1) foi decidido que a empresa sobrevivente seria a Dimon Incorporated, que passaria a denominarse Alliance One Internacional Inc. após a incorporação da Standart Commercial Corporation; 2) as razões do negócio foram a formação de empresa mais sólida, redução de custos, combinação de experiências, maior capitalização e liquidez; 3)cada ação da Standart seria trocada por três ações da Dimon, refletindo essencialmente o preço de mercado das ações; 4)no momento da incorporação, os ativos e passivos da Standart seria registrados pela Dimon com base em seu justo valor de mercado, com base em avaliações de auditores independentes; e a conclusão da incorporação dependeria do refinanciamento de dívidas das empresas, que teriam seu vencimento antecipado em função da incorporação ou cujos termos as empresas não poderiam cumprir após a incorporação; aponta como propósito negocial da operação de compra da AOB pela Meridional refletir o valor de mercado da Recorrente nas demonstrações financeiras anteriores e posteriores à integração com a Meridional. O valor do Patrimônio Líquido da Recorrente no momento da operação era de R$268.324.917,57, enquanto os auditores independentes atestaram, com base em estudos de rentabilidade futura, que o valor de mercado das quotas da Recorrente era de R$507.000.000,00. Assim, havia uma discrepância de R$238.675.082,43 entre o valor de livros e o valor de mercado, e seu valor de mercado deveria ser reconhecido, de acordo com as diretrizes estabelecidas na integração mundial das empresas; o maior objetivo desse procedimento consistiu em refletir nas demonstrações financeiras pósintegração o valor real das empresas do grupo Alliance One Internacional Inc., informação de suma relevância não só para os acionistas da nova companhia, como, também, para outras entidades interessadas no desenvolvimento econômico do grupo, como, por exemplo, os bancos que refinanciaram as dívidas das empresas; Fl. 1562DF CARF MF Processo nº 13005.722696/201353 Acórdão n.º 1302002.387 S1C3T2 Fl. 1.557 13 ante as alternativas possíveis para o reconhecimento do valor de mercado decidiuse, em estrita observância à legislação comercial e fiscal, que a operação de compra e venda das quotas da REcorrente para a Meridional, com o registro do ágio, seguida de capitalização dos valores a receber, seria a opção mais adequada; verificase que, não só havia um propósito negocial como, ainda, esse procedimento visava observar um critério adotado globalmente; em que pese isso, as autoridades julgadoras deixaram clara a predisposição de rejeitar os esclarecimentos da Recorrente, simplesmente afirmando que a razão apresentada seria periférica e, em seguida, concluir não haver um "sólido propósito negocial", sem sequer justificar as razões pelas quais esse real e válido motivo negocial foi descartado; ao contrário do que alegaram as autoridades fiscais, os efeitos dessa compra e venda não foram anulados nas operações subsequentes: o valor do ágio no investimento da Meridional na Recorrente, posteriormente incorporado por esta, foi mantido nos demonstrativos financeiros da empresa pósincorporação, o que era justamente o objetivo da Recorrente; a proposta defendida pelas autoridade fiscais, de incorporação lateral a valor de livros teria resultados econômicos totalmente diferentes: na primeira hipótese, tendo como sobrevivente a AOB, obterseia patrimônio líquido consolidado de R$285.353.562,00, sendo a participação da Itambex de 89,12% e a participação da TransContinental e AOInt de 10,88; na segunda, tendo como sobrevivente a Meridional, o patrimônio líquido consolidado seria de R$314.188.936,59, sendo a participação da Itambex de 90,12% e da TransContinental e AOInt de 9,88%; a despeito disso, o aspecto mais importante das projeções consiste na substancial diferença entre os resultados de uma incorporação lateral em relação a alternativa eleita pela Recorrente, em que o patrimônio líquido consolidado ficou em R$416.806.334,30 e a participação da Intabex em 94,23% da empresa consolidada, como demonstrado abaixo: Fl. 1563DF CARF MF 14 por outro lado, o fato de a Meridional não ter efetuado o pagamento do preço das quotas em moeda corrente não serve para sustentar eventual simulação. Diferentemente do quanto quer a autoridade fiscal, a Meridional efetivamente pagou a dívida assumida junto a Itambex através da emissão de novas quotas de seu capital social, citando nesse ponto, a previsão em legislação própria, como prevê o artigo 50 do Decreto nº 55.762/65 e o artigo 8º da Circular BACEN nº 2.997/2000; ressaltese que a proposta das autoridades fiscais e julgadoras no sentido de que as operações deveriam ter sido realizadas exatamente da mesma forma como nos Estados Unidos não tem qualquer cabimento, pois a estrutura adotada de troca de ações entre empresas abertas simplesmente não era possível no Brasil por se tratar de duas empresas fechadas; a Meridional tinha fortes razões para evitar o desembolso dos R$507.000.000,00. Caso o valor tivesse sido remetido à Itambex no exterior, essa operação teria gerado enorme descapitalização da Meridional e, posteriormente, para a própria Recorrente, sem falar na incidência de CPMF sobre essa operação de remessa e o custo para a obtenção de recursos para financiar as operações no País; ao mesmo tempo a Itambex tinha interesse em voltar a participar de forma majoritária no quadro societário da empresa consolidada no País; as autoridades lançadoras e julgadoras afirmam que foi adotada uma operação mais complexa escolhida em detrimento de uma mais simples. Tratase de opinião dessas autoridades, sem respaldo legal sobre o que seria uma operação complexa e o que seria uma simples, ou, ainda, sobre a necessidade de se optar pela considerada mais simples (se de fato o fosse), ainda que não se obtivessem os resultados pretendidos; afirma que em nenhum momento o Prof. Ricardo Mariz de Oliveira, em seu parecer, afirma que os atos praticados na reorganização seria desnecessários como tentam afirmar as autoridades julgadoras. O trecho transcrito no Acórdão recorrido foi mencionado pelo Professor como uma das justificativas para afastar a acusação de simulação. Transcreve excerto do parecer que conclui pela inexistência de simulação; além disso, afirma que, estando o contribuinte em frente a mais de uma espécie de operação inteiramente lícita para a consecução de objetivo empresarial igualmente legítimo, a opção pelo negócio jurídico de que resulte tributação mais branda jamais pode ser afastada ou tachada, só por isso, de simulação; a Recorrente não se valeu de qualquer subterfúgio para alcançar economia fiscal, não usou "empresas veículo", pois ambas eram empresas operacionais e concorrentes diretas, a existência do ágio se baseou em laudo de auditores independentes e a consolidação das atividades consistia em diretriz mundial do grupo; ante isto, não é dado à administração pública a faculdade de, através de convicções pessoais de seus agentes, emitir juízo de valor quanto a escolha de determinadas formas de negócio jurídico pelos empresários (cita doutrinador e decisões do CARF); dessa forma, fica claro que no caso concreto a livre escolha da estrutura empresarial e societária, com os reflexos tributários próprios, mais ou menos onerosos, é direito do contribuinte, não podendo as dd. autoridades fiscais, sem que seja comprovada a presença de atos praticados ao arrepio da legislação aplicável, interferir nessa escolha livre e autorizada pelo ordenamento jurídico, seja através de sua invalidação, seja, ainda, através da proposição de qual seria, a seu ver, a estrutura "mais adequada" em uma determinada situação; Fl. 1564DF CARF MF Processo nº 13005.722696/201353 Acórdão n.º 1302002.387 S1C3T2 Fl. 1.558 15 com base em todo o exposto, a Recorrente entende estar plenamente demonstrado que (i) não houve simulação em qualquer de suas operações; (ii) o cenário global de integração das operações da Dimon e da Standart consiste na principal razão negocial para a consolidação das atividades da Recorrente e da Meridional; (iii) a estrutura adotada para essa operação também tinha razões negociais claras e lícitas e foi realizada em estrita observância da legislação fiscal; e (iv) a Recorrente e as demais empresas tinham direito de optar pela estrutura que melhor atendesse às suas necessidades e o fato de ela ter menor carga tributária não autoriza o questionamento das autoridades fiscais; justificando a inexistência de simulação, cita o parecer do Prof. Ricardo Mariz de Oliveira: "Assim, por exemplo, são elementos levados em conta pela jurisprudência e alguns pela doutrina; (...) a motivação para simular, isto é, não se simula se não for necessário, ou, em outras palavras, não há simulação quando o mesmo resultado passa a ser alcançado, por outros meios inequivocamente legais, principalmente (mas não necessariamente) quando estes envolvem o próprio ato que se julga estar dissimulado pelo ato simulado." passa à análise pontual das acusações fiscais secundárias: (i) operações realizadas entre partes ligadas; é absolutamente irrelevante à validade dos negócios o fato de empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico. O que é determinante é o previsto no artigo 164 do CC, qua transcreve, afirmando que os agentes eram capazes, o objeto lícito, possível e determinado e adotouse uma forma prevista em lei. Estáse, portanto, diante de um negócio jurídico válido; (ii) a proximidade dos atos no Brasil; as autoridades indicam a proximidade temporal das operações no Brasil como indício de simulação. Ora, as operações empreendidas foram minuciosamente estudadas pelas diretorias das empresas Dimon e Standart, sendo que já havia um único grupo econômico quando deram início as operações no País. Estava tudo planejado e não havia motivos para se prolongar o processo de unificação no Brasil. Os atos praticados em um curto período de tempo, portanto, não têm o significado pretendido pelo fisco, e apenas demonstram agilidade nas medidas há muito tempo estudadas e decididas, não só em nível local quanto global; (iii) O objeto social da Meridional e a sua administração; nos termos do artigo 2º, § 3º da Lei nº 6.404/76, a companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades; ainda que não prevista no estatuto, a participação é facultada como meio de realizar o objeto social ou para beneficiarse de incentivos fiscais". O contrato social da Meridional prevê que, em casos omissos, aplicase a lei que rege as sociedades anônimas; Da amortização do ágio interno Fl. 1565DF CARF MF 16 diz da inocorrência do chamado "ágio interno" na operação, pois se tratam de dois grupos empresariais até então não relacionados e concorrentes diretos no Brasil. A, ad argumentandum, se o presente caso versasse sobre "ágio interno" é de se notar que este foi vedado pela lei apenas com a edição da Lei nº 12.973, de 2014, em seu artigo 22, o que demonstra que até então não havia proibição à amortização de ágio entre partes relacionadas, caso contrário estaríamos diante de uma lei desnecessária. Transcreve ementas de julgados do CARF. do pagamento dos juros sobre capital próprio (JCP); As autoridades fiscais apontam incorreção no pagamento dos JCP, uma vez que (i) o patrimônio líquido e o lucro acumulado adotados como base para o cálculo foram determinados sem a observância das novas normas contábeis e (ii) o ativo diferido decorrente relativo ao benefício de IRPJ e CSLL sobre a amortização do ágio deveria ser excluído do patrimônio líquido da Recorrente, por ser "irreal para fins tributários". A Recorrente demonstrou (i) o equívoco no enquadramento da suposta infração, (ii) que a Lei nº 11.638/2007 não determinou qualquer alteração no balanço patrimonial de 31/12/2007 e de 1º/01/2008 e que as alterações contábeis nela previstas não devem ter efeitos tributários, e (iii) que não há amparo legal para o recálculo do patrimônio líquido da Recorrente. As autoridades julgadoras decidiram pela manutenção da acusação fiscal apontando que (i) o enquadramento estava correto, (ii) para o cálculo dos juros deve ser considerado o patrimônio líquido ajustado pelas regras contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007 e (iii) que não há que se considerar no cálculo dos juros e dos limites a ele aplicáveis os efeitos gerados no patrimônio líquido por operações simuladas. Do enquadramento incorreto da infração: As autoridades fiscais enquadraram como adições não computadas na apuração do lucro real, forte no artigo 249 do Regulamento do Imposto de Renda, que transcreve. Ficou claro que a fiscalização entende que os juros sobre o capital próprio seriam despesas deduzidas na apuração do lucro líquido e que a recorrente teria deixado de adicionar tais valores na apuração do lucro real. O artigo 9º da Lei nº 9.249/95 dispõe claramente que os juros sobre capital próprio podem ser deduzidos para fins de apuração do lucro real, isto é, tem efeitos essencialmente fiscais, não havendo que se falar em despesas contábeis. A própria Receita Federal confirma esse entendimento na resposta à pergunta 148 do Perguntas e Respostas Pessoa Jurídica 2014, que transcreve. Assim, a única acusação possível seria "dedução indevida na apuração do lucro real" e não de adições não computadas na sua apuração. Transcreve ementas do CARF. Da absoluta regularidade do balanço patrimonial do ano de 2007: De acordo com as autoridades fiscais e julgadoras, a Recorrente teria, no ano de 2007, um PL constituído de acordo com as regras do imposto de renda e outro PL apurado de acordo com as regras contábeis previstas na Lei nº 6.404/76. Essa conclusão é tirada em função dos ajustes de exercício anteriores mencionados pela empresa de auditoria nas notas Fl. 1566DF CARF MF Processo nº 13005.722696/201353 Acórdão n.º 1302002.387 S1C3T2 Fl. 1.559 17 explicativas das demonstrações financeiras de 2008, que indicavam uma redução do patrimônio líquido de 2007 de R$481.951.000,00 para R$265.668.000,00. Ocorre que: (i) As demonstrações do exercício de 2008 auditadas não têm o condão de alterar o balanço patrimonial do ano de 2007 Tendo sido elaboradas as demonstrações financeiras do ano de 2008 com base na Lei nº 11.638/2007, a Recorrente contratou auditoria independente da Deloitte para analisar essas demonstrações financeiras, com o objetivo de tornar possível a comparação com as demonstrações financeiras do ano de 2007, realizando os ajustes que considerava necessários no patrimônio líquido deste ano e demonstrando os efeitos que as alterações trazidas pela Lei nº 11.638/07 ocasionariam caso essas alterações fossem adotadas de forma retrospectiva. As demonstrações financeiras retrospectivas não eram obrigatórias e, dessa forma, não representaram, de nenhuma forma, alteração nas demonstrações financeiras da Recorrente encerradas em 31 de dezembro de 2007, conforme as regras contábeis então vigentes. (ii) As demonstrações financeiras de 2007 foram corretamente elaboradas pela Recorrente, nos termos das regras contábeis vigentes à época o balanço patrimonial de 2007 da Recorrente foi elaborado em obediência às regras contábeis vigentes à época e apresentou um patrimônio líquido de R$481.951.531,48; com base na manifestação da auditoria independente contratada Deloitte nas notas explicativas (abaixo transcrita), a fiscalização considerou que não foram cumpridas as regras contábeis e societárias nessa apuração e que o PL a ser considerado deveria ser de R$265.557.000,00. Vejamos a manifestação: os comentários da Deloitte não foram corretamente interpretados. O objetivo da Deloitte em mencionar as regras do Imposto de Renda era de consignar que, antes da vigência da Lei nº 11.638/2007, a Recorrente utilizava práticas contábeis e fiscais à época aplicáveis às empresas limitadas, sem atendimento integral das regras da Lei nº 6.404/76 que, até 2007, eram aplicáveis única e exclusivamente às sociedades anônimas. Fl. 1567DF CARF MF 18 fica evidenciado que a Recorrente não utilizou somente as regras fiscais quando se verifica que foi constituída provisão para contingências no valor de R$57.621.780,72, provisão esta cuja dedutibilidade não é autorizada pela legislação tributária; nesse sentido, também, o esclarecimento prestado pela Recorrente nas notas explicativas das demonstrações financeiras de 2007: "2. APRESENTAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS: As demonstrações contábeis estão sendo apresentadas de acordo com os princípios contábeis emanados pela legislação societária brasileira e foram elaboradas seguindo princípios, métodos e critérios uniformes em relação àqueles adotados no encerramento do último exercício social." não resta dúvida de que o balanço de 2007 está em linha com as regras contábeis vigentes à época. (iii) Os ajustes propostos pela Deloitte na introdução às demonstrações financeiras de 2008 referemse a provisões de constituição nãoobrigatória a maior parte dos ajustes propostos pela Deloitte diz respeito a provisões, ou seja, com base em seus critérios e juízo de valor a auditoria contratada considerou que a Recorrente deveria ter registrado outros valores de provisões não originariamente lançados; as provisões são expectativas de obrigações ou de perdas de ativos efetuadas com o objetivo de apropriar no resultado de um período de apuração, segundo o regime de competência, custos ou despesas que provável ou certamente ocorrerão no futuro; embora não vigente à época dos fatos, apresenta os esclarecimentos do CPC 25, segundo o qual uma provisão deve ser reconhecida quando: (i) a entidade tem uma obrigação presente (legal ou formalizada) como resultado de evento passado; (ii) seja provável que será necessária uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos para liquidar a obrigação; e (iii) possa ser feita uma estimativa confiável do valor da obrigação. Apresenta quadro ilustrativo preparado pelo CPC; embora estabelecidas as condições, é certo que existe um grau de subjetividade, uma vez que as provisões são "incertas quanto ao seu prazo e valor" como consta no próprio CPC 25; assim, enquanto a Deloitte considerou que as condições para as provisões estavam presentes, a Recorrente não considerava provável ocorrerem determinadas obrigações futuras; todavia, essa observação da Deloitte não permite concluir que a Recorrente não observou as regras contábeis nas demonstrações financeiras de 2007 e que as preparou de maneira incorreta; assim, fica demonstrado que houve obediência às regras contábeis na elaboração das demonstrações financeiras de 2007;; Do patrimônio líquido considerado pela fiscalização para o cálculo dos juros sobre o capital próprio Fl. 1568DF CARF MF Processo nº 13005.722696/201353 Acórdão n.º 1302002.387 S1C3T2 Fl. 1.560 19 a fiscalização se utilizou do patrimônio líquido apurado de acordo com os ajustes contábeis previstos na Lei nº 11.638/2007 (R$280.138.000,00) para apurar os JCP que seria supostamente devidos e não o patrimônio líquido ajustado pelas regras da Lei nº 6.404/76 (R$265.668.000,00); sendo optante pelo Regime Tributário de Transição (RTT) para o ano de 2008, os ajustes contábeis decorrentes da Lei nº 11.638/2007 não poderiam produzir efeitos tributários, conforme artigo 16 da Lei nº 11.941/2009 que transcreve; esse é também o mandamento da Instrução Normativa RFB nº 1.397/2013: Art. 14. A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). Parágrafo único. No cálculo da parcela a deduzir prevista no caput, deverá ser considerado o valor do patrimônio líquido segundo os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007 as dd. autoridades julgadoras também reconhecem tal regra, conforme trecho a seguir reproduzido: A partir da Nota e Parecer acima reproduzidos, em especial nas partes em que se referem aos itens 7 e 8 da Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 449, de 2008 (posteriormente convertida na Leinº 11.941/09), decorre a necessidade legal de expurgo de qualquer efeito tributário eventualmente causados por novos métodos ou critérios contábeis não existentes em 31 de dezembro, aqui inclusa qualquer modificação no montante a ser reconhecido (contabilizado) como despesa financeira, a fim de que se admita sua dedutibilidade para fins tributários quando da contabilização de JCP, na forma prevista pelo artigo 30, parágrafo único da Instrução Normativa SRF n. 11, de 21 de fevereiro de 1996. o equívoco foi observado pelas autoridades julgadoras: "Uma vez que a autoridade fiscal afronta (e a própria contribuinte demonstra) que o valor do PL ajustado pelo cumprimento fiel das regras contábeis societárias vigentes em 31/12/2007 (RS 265.668.000,00) seria inferior ao por ela considerado na determinação dos JCP suscetíveis de pagamentos no período (RS 280.138.000,00), posto que considera o PL resultante de segundo ajuste, agora pelas regras contábeis contidas na Lei 11.638 de 2007, nada há que se reparar no tocante a este tópico. A autoridade fiscal agiu de forma mais benéfica à contribuinte, não cabendo reparo à glosa fundamentada no caput do art. 9." Fl. 1569DF CARF MF 20 Da desconsideração do ativo diferido relativo ao ágio não há nenhum amparo legal para a exclusão do ativo diferido relativo à provisão para a realização do ágio e consequente recálculo do patrimônio líquido da Recorrente; a operação de compra das quotas foi descaracterizada para fins tributários e todas as operações descritas são válidas para todos os fins societários e contábeis, não cabendo às dd. autoridades fiscais modificar a situação patrimonial da recorrente; Da impossibilidade de aplicação da multa qualificada de 150% para suportar a aplicação da referida multa qualificada, as dd. autoridades fiscais indicaram o artigo 44, II da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11,488/2007, bem como os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, (transcreve); o fundamento seria a prática de atos simulados com o único intuito de lesar o Fisco Federal, sendo que a contribuinte já comprovou que não houve simulação e é evidente que não foi demonstrado qualquer intuito de fraude a justificar a multa aplicada, cita Marco Aurélio Greco: "Se não houve intuito de enganar, esconder, iludir, mas se, pelo contrário, o contribuinte agiu de forma clara, deixando explícitos seus atos e negócios, de modo a permitir a ampla fiscalização pela autoridade fazendária. e se agiu na convicção e certeza de que seus atos tinham determinado perfil legalmente protegido que levava ao enquadramento em regime ou previsão legal tributariamente mais favorável não se trata de caso regulado pelo inciso II do artigo 444. mas sim de divergência de qualificação jurídica dos fatos: hipótese completamente distinta da fraude a que se refere o dispositivo. transcreve ementas de julgados administrativos do antigo Conselho de Contribuintes onde se destaca o evidente intuito de fraude, afirmando que é uma obrigação imposta às autoridades fiscais comprovar esta evidente intenção; no presente caso, afirma, as operações foram realizadas sob o estrito amparo da legislação tributária e comercial, com claro e evidente intuito negocial e com absoluta transparência perante as autoridades fiscais; por fim invoca a interpretação benigna do artigo 112 do CTN, uma vez que não se está diante de uma aplicação inequívoca da qualificação da multa; Do Pedido Pede a reforma integral da decisão recorrida, reconhecendose a improcedência do lançamento fiscal; o reconhecimento do incorreto enquadramento legal no tocante à glosa de juros sobre capital próprio, determinando o cancelamento imediato do lançamento; caso assim não entendam os Ilustres Julgadores, requer o reconhecimento da regularidade do pagamento e a dedução dos juros sobre capital próprio; adicionalmente, na remota hipótese de manutenção do lançamento fiscal, que seja reconhecida a impossibilidade da multa qualificada de 150%. A Procuradoria da Fazenda Nacional, em suas contrarazões, alega o seguinte: Fl. 1570DF CARF MF Processo nº 13005.722696/201353 Acórdão n.º 1302002.387 S1C3T2 Fl. 1.561 21 não obstante as ações do contribuinte visarem a reorganização societária imposta pela unificação dos negócios dos grupos econômicos, a realização de uma operação societária com o único objetivo de reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSSL a serem deduzidos pela empresa resultante da reorganização, exorbita esse propósito negocial; destaca ser um caso de "ágio em si mesmo", uma vez que as operações se dão dentro do grupo empresarial criado (Alliance One), que simula a aquisição de participação societária entre suas empresas com a única finalidade de gerar uma redução fiscal; em que pese haver declaração das partes de que houve uma aquisição de participação societária com pagamento de ágio, aferese que não houve a participação de terceiros estranhos ao grupo a fim de justificar a existência da operação com base na circulação de riquezas entre partes independentes e na alteração do controle societário do investimento que é negociado; a própria Comissão de Valores Mobiliários (CVM) repudia o "ágio em si mesmo" como se vê no OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 1/2007 (transcereve); registra o item 50 da Orientação Técnica OCPC 02/2008 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis: É importante lembrar que só pode ser reconhecido o ativo intangível ágio por expectativa de rentabilidade pitara se adquirido de terceiros, nunca o gerado pela própria entidade (ou mesmo conjunto de empresas sob controle comum). E o adquirido de terceiros só pode ser reconhecido, no Brasil, pelo custo, vedada completamente sua reavaliação. (grifo nosso) em face da completa ausência de participação de terceiros na operação que dá ensejo ao "ágio em si mesmo" a única transferência de riqueza é do Estado para o contribuinte, em consequência dos tributos que deixa de recolher; apresenta o esquema abaixo para bem demonstrar o "ágio em si mesmo", uma vez que ao invés de promover uma simples reavaliação de suas empresas, aproveitou o intuito de fundir para gerar um ágio dedutível: não houve, em nenhum momento, negociação entre partes independentes. No momento em que o ágio foi registrado pela Meridional, as empresas do Grupo Aliiance localizadas no exterior detinham tanto o controle da alienante quanto da adquirente; Fl. 1571DF CARF MF 22 o fundamento alegado pela Recorrente para o surgimento do ágio é a reavaliação de seu patrimônio dentro do grupo econômico. Ao firmar que o propósito negocial foi a reorganização societária (consolidação de suas atividades no Brasil), a recorrente assume que não houve nenhuma aquisição de investimento pelo grupo Alliance; reproduz várias ementas de acórdãos do CARF que tratam do "ágio interno"; Da qualificação da multa segundo o contribuinte, a reorganização societária se deu no contexto da consolidação das atividades do grupo empresarial criado no exterior e na necessidade de refletir o justo valor de mercado da Alliance Brasil no processo de unificação empresarial. Em que pese essas razões, a despesa amortizada por ele foi criada de forma simulada, por meio de sonegação, fraude e conluio; quanto a criação do ágio evidenciase duas vontades do grupo Alliance: uma vontade declarada, que fora a aquisição da integralidade das quotas da Alliance Brasil com ágio pela Meridional com base na previsão de rentabilidade futura daquela empresa; e, uma vontade real, que fora o aumento artificial de capital da Meridional com ágio, para reduzir a tributação a ser paga pela empresa resultante da incorporação; essa diferença entre vontades caracteriza a simulação praticada pelo contribuinte com o fim exclusivo de conseguir um indevido benefício fiscal. Nos termos do artigo 167, parágrafo 1º, inciso II, do CC o negócio foi simulado em razão de seu conteúdo não ser verdadeiro. A operação não traduziu a aquisição de um investimento pela Meridional com supedâneo na previsão de rentabilidade futura da Alliance Inc.. Com a incorporação final, a aquisição foi anulada, porém com direito à amortização do ágio mantida. notese que, individualmente, as operações não configuram nenhum ilícito cível ou tributário, todavia, ao serem analisadas em conjunto, vêse que o aumento de capital da Meridional com as quotas da Alliance Brasil foi realizado sabendose que a futura incorporação anularia esse investimento, ou seja, esse investimento tinha condição resolutiva implícita e só ocorreu pela despesa de ágio criada; o evidente intuito doloso está claro, pois o contribuinte sabia, desde o início, que a Meridional seria incorporada por ele e que o objetivo era a criação do ágio, que seria mantido; o intuito de fraude fica mais evidente quando se observa que o laudo que embasou o valor de mercado das quotas da Alliance Brasil fora utilizado em condições diversas daquela previstas em sua elaboração. Embora o laudo tenha sido produzido com o intuito de calcular, como investimento, o valor da Alliance Brasil com base em sua rentabilidade futura, e esse valor tenha sido previsto para uma negociação de livre iniciativa, em um mercado livre e aberto, onde nenhuma das partes tenha motivos especiais para comprar ou para vender, o aumento de capital da Meridional com as quotas da Alliance Brasil foi realizado, segundo confessado pelo contribuinte, para refletir o valor de mercado da Alliance Brasil. Aliás, ele não foi realizado em um ambiente de livre iniciativa a operação não foi realizada em um mercado livre e aberto e tanto Meridional como Alliance tinham inúmeros interesses especiais na realização do negócio (criação das quotas, manutenção da titularidade das cotas, ausência de desembolso, etc.); Fl. 1572DF CARF MF Processo nº 13005.722696/201353 Acórdão n.º 1302002.387 S1C3T2 Fl. 1.562 23 a Meridional foi utilizada com verdadeira empresa veículo, pois o aumento de capital visou unicamente a criação do ágio. O pequeno lapso temporal (um mês) entre a aquisição das quotas da Alliance pela Meridional e a incorporação da Meridional pela Alliance demonstra que o primeiro negócio não se revestia da natureza de investimento; além disso, a Recorrente realizou lançamento contábil com base em documento inexistente, pois em 30/08/2005 efetuou o lançamento contábil da subscrição e integralização do aumento de capital da Meridional e a alteração contratual correspondente só se deu em 31/08/2005; com a reorganização societária realizada, o contribuinte em epígrafe tornou certa uma rentabilidade futura e incerta, além de têla excluído da tributação da CSLL e do IRPJ. Em outras palavras, considerou como perda o cancelamento de um lucro que ela sequer havia auferido e essa não é a intenção da legislação tributária; a fraude pela atitude dolosa em reduzir o montante do imposto devido está mais do que provada, dentre outros fatos, pela utilização de laudo para finalidade diversa e criação de ágio cuja origem seria depois cancelada; por fim, quanto ao conluio, isto é inegável, pois a reorganização societária envolveu pessoas jurídicas pertencentes ao mesmo grupo econômico internacional e não fosse o esforço dessas partes envolvidas o fim não seria atingido; A Procuradoria destaca o julgamento do presente caso com relação aos lançamentos dos anoscalendário de 2005 a 2007, reproduzindo a ementa do acórdão que manteve integralmente a autuação. Do indevido pagamento de JCP defende como correto o enquadramento legal apresentado pela autoridade fiscal; que o questionamento da fiscalização não é quanto ao pagamento de JCP, mas quanto a dedutibilidade conforme normas vigentes; tendo sido o ágio considerado como oriundo de um negócio simulado, a despesa com o pagamento de juros sobre a parcela do capital decorrente da amortização desse ágio também deve ser considerada inexistente; fundamenta a possibilidade de desconsideração dos efeitos do negócio jurídico simulado no artigo 167 do CC, e nos arrtigos 118, 149, VII e 150, § todos do Código Tributário Nacional que reproduz; Requer que seja negado provimento in totum ao recurso voluntário, mantendose o lançamento. Quanto ao PAF 13505.001065/200911, relativo à mesma operação societária e lançamentos sobre a amortização do ágio atinentes aos anoscalendário de 2005 a 2007, registrese que houve o trânsito em julgado administrativo e que ele encontrase com a exigibilidade suspensa por decisão judicial (ação anulatória de lançamento de ofício com medida antecipativa deferida, Procedimento Comum nº 500680577.2016.4.04.7111/RS) É o relatório. Fl. 1573DF CARF MF 24 Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, assim, dele conheço. Análise da Validade das Operações Societárias A autoridade fiscal informa que houve a união internacional de dois grandes grupos econômicos do setor fumageiro, com a incorporação da Standart Commercial Corporation pela Dimon Incorporated em 13/05/2005, resultando na Alliance One International, Inc.. No Brasil, a consequência desta incorporação seria sentida nas subsidiárias Dimon do Brasil Tabacos Ltda., cujo nome foi alterado para Alliance One Exportadora de Tabacos Ltda. com o objetivo de identificar o novo grupo que se formava, e Meridional de Tabacos Ltda.. Assim, como decidido internacionalmente, esperavase que a Dimon do Brasil Tabacos Ltda. incorporasse a Meridional, o que efetivamente ocorreu em 30/09/2005, após operações societárias anteriores do novo grupo, cujo resultado foi o reconhecimento de um ágio passível de amortização pela sociedade resultante. Portanto, um mês antes da operação acima citada, em 30/08/2005, a holding Intabex (Dimon), única sócia de Alliance One Exportadora de Tabacos Ltda. (antiga Dimon Brasil) cede à Meridional de Tabacos Ltda., a título oneroso, a totalidade de sua participação na empresa, com registro de ágio baseado em previsão de resultados de exercícios futuros atestada em Relatório de Avaliação Econômica elaborado pela auditoria independente PricewaterhouseCoopers. A adquirente, Meridional, nada desembolsa, realizando aumento de seu capital social em idêntico valor da dívida e oferecendo a participação societária ao credor (Intabex), ficando, assim, quites. Graficamente temos: a) situação após a incorporação internacional: b) aquisição da Alliance One pela Meridional: Fl. 1574DF CARF MF Processo nº 13005.722696/201353 Acórdão n.º 1302002.387 S1C3T2 Fl. 1.563 25 c) incorporação da Meridional pela Alliance One: De um lado, a Fiscalização, a 13ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto e a Procuradoria da Fazenda Nacional afirmam que a operação "b" acima foi simulada, por divergência entre a vontade real (criação de ágio amortizável e redução da carga tributária) e a vontade externada (aquisição da Alliance pela Meridional), assim, aponta a Procuradoria, como descrito pelo inciso II do § 1º do artigo 167 do Código Civil de 2002: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: (...) II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; (...) Vários são os fundamentos e indícios que destacam para a referida conclusão, dentre os quais: operações dentro do mesmo grupo econômico; falta de propósito negocial; proximidade temporal dos fatos; nulidade dos efeitos contábeis da operação; operações açodadas a ponto de registros serem feitos sem lastro. De outro lado, a Recorrente afirma que não houve operação simulada, tendo sido demonstrada às claras toda a atividade do Grupo, coincidência da verdade declarada com a verdade real, e que não teria sido informado o inciso do artigo 167 do CC/2002 que daria fundamento à conclusão de simulação, entendimento corroborado por parecer de ilustre doutrinador. Que o propósito negocial era realizar o reconhecimento do real valor de mercado Fl. 1575DF CARF MF 26 das empresas do grupo, para que este, ao final, fosse de conhecimento de interessados, em especial dos bancos, uma vez que seriam renegociadas as dívidas das empresas. Refuta as demais alegações, defendendo que foram operações legítimas inatacáveis pelo Fisco. Não vejo como esta operação possa ter eficácia tributária. Empresas integrantes de um mesmo grupo econômico decidem intercalar operação de alienação, sem movimentação financeira alguma, apenas registros escriturais e notariais, cujo resultado é prejuízo para terceiro, no caso, a União, para, um mês depois realizar a operação societária que realmente pretendiam. Como única justificativa possível afirmam que queriam reconhecer na contabilidade o valor real da empresa para conhecimento dos interessados, em especial bancos credores, pois as obrigações seriam renovadas. Nesse sentido, poderiam ter apresentado o laudo da auditoria independente contratada, pois certamente os bancos e demais interessados reconheceriam e considerariam o valor real das empresas resultantes pela projeção de seus resultados no futuro, sendo desnecessária a criação de um ágio amortizável irreal. Mas não se pretende indicar o caminho melhor ou pior para qualquer das partes, mesmo porque seria invasivo à esfera privada. Ao contribuinte cabe agir como lhe aprouver e como melhor satisfaça seus interesses, sabedor que a eficácia tributária, por óbvio, não deixará de ser analisada. O que se pretende é apontar que a real vontade do grupo econômico não era a de realizar a aquisição da Alliance One pela Meridional, se não apenas a de criar o ágio para economia tributária, o que justifica a caracterização de ato simulado. E digo "vontade do grupo econômico" porque não há como entender que haja vontade entre partes, haja vista que a Alliance e Meridional já integravam o grupo resultante da incorporação da Standart pela Dimon, operada meses antes no exterior. As evidências da real vontade do grupo podem ser vistas na própria avença feita no exterior, quando da união dos dois conglomerados: a Dimon incorporaria a Standart; a Dimon, com o novo nome de Alliance One, representaria o resultado da junção. A cessão da Alliance One para a Meridional foi circunstancial, açodada e direcionada ao objetivo de reduzir a carga tributária daquela que seria a resultante final, a Alliance One, após a incorporação da Meridional. A desproporcionalidade entre o objetivo supostamente colimado pela empresa em suas alegações (espelhar o valor real de mercado) e a vantagem obtida com a economia tributária decorrente do ágio criado, a par de prejuízo causado a terceiro, torna absolutamente inverossímil a versão apresentada. Há mais de duas décadas vem ocorrendo uma transformação na interpretação e aplicação do direito civil, consolidada no novo Código, publicado em 11 de janeiro de 2002 e em vigor um ano após. Nas palavras do Professor Rui Rosado de Aguiar Júnior (AGUIAR JÚNIOR, Ruy Rosado de. O direito das obrigações na contemporaneidade. In: MELGARÉ, Plínio (Org.). O direito das obrigações na contemporaneidade: estudos em homenagem ao Ministro Ruy Rosado de Aguiar Júnior. Porto Alegre: Livr. do Advogado, 2014. p. 1118): A realidade social, política e econômica mudou profundamente desde o tempo em que fora pensado o nosso Direito Civil no século XIX ao tempo posterior à Segunda Guerra Mundial. O positivismo mostrouse insuficiente para resolver os litígios que surgiram. Não era mais aceitável o extremo patrimonialismo da Fl. 1576DF CARF MF Processo nº 13005.722696/201353 Acórdão n.º 1302002.387 S1C3T2 Fl. 1.564 27 velha ordem, mais preocupada com os bens do que com as pessoas; a liberdade meramente formal e a igualdade apenas jurídica consagravam situações de extrema injustiça; o arcabouço legal não se ajustava às necessidades do dinamismo da vida econômica. A família de duzentos anos atrás não era a família da pósmodernidade. (...) Aquele impulso à Constituição, a que me referi no início, do qual resultaram trabalhos jurídicos que defendiam o que se chamou de "constitucionalização do direito civil", esse retorno à Constituição arrefeceu de algum modo a partir de 2003, quando entrou em vigor o novo Código Civil. Principalmente no que diz com as relações negociais. É que a nova codificação veio com ares de prestigiar a socialidade e a solidariedade. Tem princípios e cláusulas gerais que atendem às exigências básicas de uma sociedade que queira ser justa e solidária. É nesse diapasão que o professor Marco Aurélio Greco questiona a literalidade e a rigidez com que se pretende interpretar os negócios jurídicos com consequências tributárias benéficas ao contribuinte e prejudiciais à União, os chamados planejamentos tributários, com a aplicação de novos institutos de direito civil antes não codificados: o abuso de direito, a fraude à lei e a simulação como nulidade (Planejamento Tributário, Greco, Marco Aurélio, Dialética). Desta forma, descabida a análise unitária dos atos societários, em si mesmos muitas vezes formalmente legais, mas a verificação dos atos como um todo, da vontade real subjacente, da boafé objetiva. É o que o professor Greco chama de análise do filme e não da foto. E nesse contexto, a própria origem dos negócios em questão aponta para uma distorção da vontade real, haja vista que a intenção sempre foi a incorporação da Standart pela Dimon. Aspecto que também se mostra fundamental é a necessidade, para o reconhecimento de ágio, de a operação ser realizada entre partes independentes, tendo como ponto de partida a posição de instituições desinteressadas nos prejuízos decorrentes para terceiros, mas sim na demonstração da real situação patrimonial das empresas. Senão vejamos como se o que diz o OFÍCIOCIRCULAR/CVM/SNC/SEP nº 01/2007: Rio de Janeiro, 14 de fevereiro de 2007 Aos Senhores Diretores de Relações com Investidores e Auditores Independentes ASSUNTO: Orientação sobre Normas Contábeis pelas Companhias Abertas Fl. 1577DF CARF MF 28 (...) 20.1.7 “Ágio” gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio”. Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. Já o PRONUNCIAMENTO TÉCNICO CPC 04 (R1), do COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, informa o seguinte: Ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente 48. O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. Fl. 1578DF CARF MF Processo nº 13005.722696/201353 Acórdão n.º 1302002.387 S1C3T2 Fl. 1.565 29 49. Em alguns casos incorrese em gastos para gerar benefícios econômicos futuros, mas que não resultam na criação de ativo intangível que se enquadre nos critérios de reconhecimento estabelecidos no presente Pronunciamento. Esses gastos costumam ser descritos como contribuições para o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente, o qual não é reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com confiabilidade ao custo. Como se vê, nem a Comissão de Valores Mobiliários, nem o Comitê de Pronunciamentos Contábeis, reconhece o ágio gerado internamente em grupos econômicos, pois não é possível reconhecer uma maisvalia de um investimento quando originado de transação dos sócios com eles mesmos, haja vista a ausência de substância econômica na operação e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias. Sobre este ponto a Recorrente afirma que a proibição legal só veio com a edição da Lei nº 12.973, de 2014, que prevê: Art. 22. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detinha participação societária adquirida com ágio por rentabilidade futura (goodwill) decorrente da aquisição de participação societária entre partes não dependentes, apurado segundo o disposto no inciso III do caput do art. 20 do DecretoLei n 1.598, de 26 de dezembro de 1977, poderá excluir para fins de apuração do lucro real dos períodos de apuração subsequentes o saldo do referido ágio existente na contabilidade na data da aquisição da participação societária, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração. (grifei) O fato de a proibição legal só advir em 2014 não altera ou proíbe a utilização do argumento como mais um indício da simulação que se demonstra. O que se busca com o argumento é consagrar a interpretação de que o ágio criado entre empresas dependentes não tem substância real, não há confiabilidade em sua geração por não ter substância financeira, tendo em conta a situação particular de meras alterações escriturais. Assim, com o devido respeito às eminentes opiniões contrárias, não tenho dúvidas de que nesta operação intermediária há o conflito entre a vontade externada e a vontade real do grupo econômico, o que configura declaração não verdadeira suficiente à incidência do artigo 167, § 1º, inciso II. Apenas para não deixar sem comentários, embora não seja o fundamento da constatação da simulação, fala o acórdão recorrido da simulação sob a perspectiva da causa do negócio jurídico. Em que pese nem o código de 1916, nem o de 2002, terem feito menção à causa do negócio jurídico, esse anticausalismo é atribuído, por inúmeros autores, muito mais às dificuldades de se fixarem o conceito e o papel jurídico da causa do que a importância da sua noção. Fl. 1579DF CARF MF 30 Sobre o tema já se debruçou o mais ilustre dos civilistas pátrios, Pontes de Miranda, que, sobre o anticausalismo citado afirmou que esse comportamento seria equivalente ao de um professor de Obstetrícia que, chegando à unidade onde estivessem internadas parturientes, exigisse que todos os bebês nascessem sem pernas (PONTES DE MIRANDA, Tratado de direito privado, t.. 3, São Paulo: Revista dos Tribunais, 1984, 3. ed., p. 100). A professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UERJ) Doutora Maria Celina Bodin de Moraes, em acurado artigo sobre o tema, assim se pronuncia: (BODIN DE MORAES, Maria Celina. A causa do contrato. Civilistica.com. Rio de Janeiro, a. 2, n. 4, out.dez./2013. Disponível em: http://civilistica.com/wpcontent/uploads/2015/02/Bodinde Moraescivilistica.coma.2.n.1.2013.pdf. Acessado em 13/09/2017); O direito brasileiro ignorou não apenas o exame da causa em concreto, como condição para a validade de um determinado negócio jurídico, mas, principalmente, a análise da causa em abstrato – elemento de qualificação e de diferenciação dos tipos negociais –, da função do negócio em tese, elemento que oferece a sua justificação normativa e desvenda a natureza jurídica propriamente dita do ato. A causa também serve para isto: é através dela que se individualizam os elementos essenciais a um determinado contrato e a partir daí se pode proceder à investigação da presença (ou ausência) de tais elementos no concreto regulamento de interesses estabelecido pelas partes.14 A causa permite, portanto, que se qualifique o negócio jurídico. Desta forma, ainda que o elemento causal, como requisito do contrato, não esteja expresso no ditado do Código Civil, ele lhe é inerente uma vez que “a causa é a função que o sistema jurídico reconhece a determinado tipo de ato jurídico, função que o situa no mundo jurídico, traçandolhe e precisandolhe a eficácia". E arremata em suas conclusões abordando os três papéis inerentes ao conceito de causa, dos quais destaco o de limitador da autonomia privada: Já a terceira utilidade do termo causa, agora enfim como elemento de restrição da autonomia dos privados, como a função propriamente social do negócio, esta tende a se consolidar com a mais apurada interpretação de alguns dispositivos do Código de 2002, em particular, a melhor compreensão do teor do art. 421. A este respeito, propõese a seguinte interpretação: quando a lei determina que “a liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato”, a expressão “em razão” serve a opor justamente autonomia privada à utilidade social. Assim, a liberdade de contratar não se dará, pois, em razão da vontade privada, como ocorria anteriormente, mas em razão da função social que o negócio está destinado a cumprir. Do mesmo modo, os limites da liberdade de contratar não mais estão, como já se tratou de explicar, na autonomia dos privados, mas são estabelecidos pelo ordenamento, estando a lei encarregada de prescrever, ou recepcionar, justamente a função social dos institutos jurídicos. Quando a causa é típica, é porque foi previamente determinada e aprovada pela lei; quando é atípica, deve obedecer às normas Fl. 1580DF CARF MF Processo nº 13005.722696/201353 Acórdão n.º 1302002.387 S1C3T2 Fl. 1.566 31 gerais do Código (art. 425, CC) bem como à tipicidade social (tipicità sociale, segundo BETTI), contida na tábua axiológica constitucional. No caso em julgamento, a causa da aquisição de um investimento seria obter ganho com sua operação, pela economia de meios que duas empresas do mesmo ramo podem obter com a troca de experiência e redução dos custos, como seria o verificado caso houvesse sido seguido o rumo previamente estabelecido no exterior, com a incorporação da Standart pela Dimon. Quando a operação visa a criação de ágio, a causa não condiz com o proteção que o sistema jurídico dedica ao contrato. E isto põe em destaque o fator temporal, pois, caso fosse esta a causa real do negócio, efetivamente controlar e administrar a empresa adquirida, ele não seria desfeito 30 dias após a primeira união (a não ser que fosse negócio especulativo, do que não se trata). E não se fale em negócio indireto, pois, nesse caso, estaríamos diante de um negócio típico, querido pelas partes (independentes) e cujas consequências, todas, são, pelas partes, assumidas, sem o que o professor Marco Aurélio Greco chama de afastamento das cláusulas indesejadas. No caso concreto o desfazimento do negócio em si, no curto intervalo de tempo caracteriza este afastamento, não das cláusulas, mas da totalidade de um negócio não querido pelas partes se não para a criação do ágio. Mas a causa aqui não é o fundamento, mas apenas mais um argumento. Creio que no futuro próximo, de lege ferenda, será apreciada a função social do contrato com este fundamento. Superada e reconhecida a simulação (167, § 1º, II do CC/2002) devo destacar a natureza de despesa da amortização do ágio, que, como tal, não pode escapar à observância das regras de necessidade, usualidade e normalidade, como destacado no julgamento do processo 13005.001065/200911, acórdão de recurso especial que aborda a mesma operação deste processo, da relatoria do Conselheiro André Mendes de Moura, que foi assim ementado: DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO. A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constituise em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendose aos testes de necessidade, usualidade e normalidade. DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. Outro aspecto apontado pelo ilustre Conselheiro foi o fato de não ter havido movimentação financeira que permita determinar a existência de investidora ou investida, na Fl. 1581DF CARF MF 32 medida em que a alienante é, ao mesmo tempo, financiadora do investidor, situação só possível em operações dentro do mesmo grupo econômico. Isso ocorreu em função do aumento de capital social da investidora em valor igual ao da aquisição e a quitação por atribuição à alienante da participação societária ao aumento correspondente. Assim se manifesta o relator: ALIENAÇÃO FICTÍCIA. INEXISTÊNCIA DE INVESTIDOR OU INVESTIDA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. Alienação fictícia no qual o alienante é o financiador do adquirente, passa a integrar o quadro societário do adquirente e a gerir indiretamente o investimento que já era de sua propriedade, descaracteriza por completo a operação. A valorização do investimento deuse especificamente para o registro do ágio, meramente escritural e sem nenhum pagamento. Tratase de caso em que não há que se falar de investidor ou investida, inexistindo subsunção aos arts. arts. 385 e 386 do RIR/99. Com fundamento na simulação e nos demais argumentos, que acolho, mantenho a ineficácia para fins fiscais da operação em julgamento. Da glosa de despesas com juros sobre o capital próprio (JCP) A Recorrente afirma que houve erro no enquadramento legal, pois o artigo 9º da Lei nº 9.249/95 diz que os juros sobre o capital próprio podem ser deduzidos para fins de apuração do lucro real, ou seja, os JCP têm efeitos essencialmente fiscais, não sendo deduzidos para fins contábeis. Neste aspecto, a simples verificação de que, na demonstração do resultado do exercício , Ficha 06A da DIPJ, linha 39 é abatido do lucro líquido do exercício o valor de R$17.000.000,00 a título de JCP, não há como não concluir que a forma de retirar os efeitos desta dedução contábil é adicionar o valor ao lucro real como fez a fiscalização. Ainda que estivesse incorreto o enquadramento, já se solidificou o entendimento de que a descrição correta dos fatos, com o perfeito entendimento da infração cometida e das consequências fiscais dela decorrentes supera eventuais equívocos relativos ao enquadramento legal. Só o erro do qual advenha preterição do direito de defesa dá azo à declaração de nulidade, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1976. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. (...) Fl. 1582DF CARF MF Processo nº 13005.722696/201353 Acórdão n.º 1302002.387 S1C3T2 Fl. 1.567 33 Desta forma afasto a preliminar de nulidade por erro no enquadramento legal dos fatos. Vencida esta preliminar. verificase que foram dois os motivos para a glosa de despesas financeiras pelo pagamento de juros sobre capital próprio, segundo o Relatório da Atividade Fiscal: (a) Patrimônio Líquido superavaliado, sendo que o recalculado pela Fiscalização, considerando os três tópicos abaixo, permitiria a distribuição de R$9.702.837,30, e não os R$17.000.000,00 distribuídos: 1) existência de nota explicativa afirmando que havia incorreções na elaboração do balanço patrimonial de 2007, que reduziam de R$481.951.000,00 para R$265.668.000,00, em sua maioria por não terem sido constituídas provisões; 2) ajuste às normas da Lei nº 11.638, de 2007, que elevaram de R$265.668.000,00 para R$280.138.000,00; 3) IRPJ e CSLL diferidos levados a resultado aumentando o lucro da Empresa e, consequentemente, seu patrimônio líquido, em função da desconsideração da operação de aquisição da Alliance One pela Meridional para fins fiscais, o que leva à inexistência do ágio gerado; (b) não atendimento aos limites exigidos pela lei, ou seja: Instrução Normativa 93, de 24/12/1997, Art. 29. O montante dos juros remuneratórios do capital passível de dedução para efeitos de determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social limitase ao maior dos seguintes valores: I 50% (cinqüenta por cento) do lucro líquido do exercício antes da dedução desses juros; ou II 50% (cinqüenta por cento) do somatório dos lucros acumulados e reserva de lucros. Parágrafo único. Para os efeitos do inciso I, o lucro líquido do exercício será aquele após a dedução da contribuição social sobre o lucro líquido e antes da dedução da provisão para o imposto de renda. 1) o saldo da conta lucros acumulados que era credor antes dos ajustes implementados de forma retrospectiva por parte do contribuinte para adequação à Lei nº 6.404, de 1976, após estes ajustes, passa a ser devedor. Os efeitos desses ajustes são espelhados na conta de lucros acumulados; não há saldo de lucros acumulados ou reserva de Lucros que ampare o limite exigido pela lei; 2) Na DIPJ Ficha 06A consta um lucro líquido antes do imposto de renda negativo de R$34.041.404,49, que não atingiria valor positivo pela soma do montante passível de dedução pelos cálculos das autoridades fiscais, R$9.702.837,30. Fl. 1583DF CARF MF 34 Pelo não atendimento aos limites legais de dedutibilidade é operada a glosa do total das despesas. (a) 1) Notas Explicativas O primeiro ponto a ser considerado é o valor probante do ajuste às regras da Lei nº 6.404, de 1976, constante das notas explicativas às demonstrações financeiras do ano de 2008, apurado por auditoria independente, contratada pela Recorrente em função da exigência veiculada pelo artigo 3º da Lei nº 11.638/2007, verbis: Art. 3o Aplicamse às sociedades de grande porte, ainda que não constituídas sob a forma de sociedades por ações, as disposições da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sobre escrituração e elaboração de demonstrações financeiras e a obrigatoriedade de auditoria independente por auditor registrado na Comissão de Valores Mobiliários. Parágrafo único. Considerase de grande porte, para os fins exclusivos desta Lei, a sociedade ou conjunto de sociedades sob controle comum que tiver, no exercício social anterior, ativo total superior a R$ 240.000.000,00 (duzentos e quarenta milhões de reais) ou receita bruta anual superior a R$ 300.000.000,00 (trezentos milhões de reais). Esses ajustes informam que a Recorrente não teria aplicado integralmente as normas da Lei nº 6.404, de 1976, na elaboração das demonstrações financeiras de 2007. Vejamos: Fl. 1584DF CARF MF Processo nº 13005.722696/201353 Acórdão n.º 1302002.387 S1C3T2 Fl. 1.568 35 A fiscalização, com base unicamente nesse registro, desconsidera o patrimônio líquido apurado em 2007, assumindo o valor após os ajustes para fins de cálculo dos JCP. A Recorrente afirma que as demonstrações financeiras do exercício de 2008 não tiveram o condão de alterar o balanço patrimonial preparado para o ano de 2007; que as demonstração financeiras de 2007 foram regularmente elaboradas, nos termos das regras contábeis vigentes à época; e, que os ajustes propostos pela Deloitte nas notas explicativas de 2008 referemse a provisões de constituição não mandatória. Diz que antes da vigência do artigo 3º da Lei nº 11.638, de 2007, a Empresa utilizava as práticas fiscais aplicáveis às empresas limitadas, sem atendimento integral das regras da Lei nº 6.404, de 1976. Em verdade, independentemente de serem ou não sociedades anônimas, as demonstrações financeiras devem seguir as regras contábeis e a apuração do lucro líquido tem que atentar às disposições da Lei nº 6.404, de 1976. Vejamos o que diz o artigo 274 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99): Seção IX Demonstrações Financeiras Art. 274. Ao fim de cada período de incidência do imposto, o contribuinte deverá apurar o lucro líquido mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do período de apuração e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º, § 4º, e Lei nº 7.450, de 1985, art. 18). § 1º O lucro líquido do período deverá ser apurado com observância das disposições da Lei nº 6.404, de 1976 (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 67, inciso XI, Lei nº 7.450, de 1985, art. 18, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 5º). Contudo devese avaliar a força probante dos ajustes propostos pela Deloitte e transcritos nas notas explicativas. A questão que se coloca é se elas seriam suficientes à comprovação de que a Alliance infringiu regra a ponto de suportar o lançamento de tributo. O artigo 276 do mesmo RIR/99 nos indica a forma com que a autoridade tributária verificará a correção da determinação do lucro real: CAPÍTULO IV VERIFICAÇÃO PELA AUTORIDADE TRIBUTÁRIA Art. 276. A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita à verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos de sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova, observado o disposto no art. 922 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º). Fl. 1585DF CARF MF 36 Para a verificação do lucro real a fiscalização deve estar cercada de provas necessárias, como acima apontado. No caso das demonstrações de 2007, em específico do valor do patrimônio líquido, não estamos falando de simples ajustes conforme a lei fiscal. Não estamos tratando de adições ou exclusões ao lucro líquido, tampouco compensações. Falamos da própria contabilidade da empresa. Quanto à questão da prova, nos instruem os artigos abaixo do RIR/99: Seção VIII Da Prova Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Ônus da Prova Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 2º). Ao que se vê, exceção feita aos casos em que a lei impõe, por disposição especial, a inversão do ônus da prova, cabe à autoridade fiscal provar as irregularidades capazes de dar suporte ao lançamento de crédito tributário. A prova a favor do contribuinte, atribuída à regular escrita contábil, só o é acompanhada das provas documentais. No caso em pauta existe uma prova, apresentada pela própria empresa em suas notas explicativas, de que havia necessidade de serem constituídas provisões relativas às demonstrações de 2007. São provisões obrigatórias? Não, não são obrigatórias por disposição legal expressa, mas uma vez comprovado que seguindo os princípios contábeis, como o da prudência, a partir de análise dos compromissos, contratos, ações, etc que justificam a composição de cada provisão, poderiam tornarse necessárias e obrigatórias. O registro nas notas explicativas não é prova desprezível, mas entendo ser uma prova indiciária, a partir da qual caberia ao fiscal demonstrar a real necessidade de cada um dos ajustes apontados pelos auditores independentes, sua composição e valor. No caso atual apenas foi aproveitada a conclusão reproduzida nas notas explicativas, sem sequer se conhecer os motivos ou fundamentos que levaram àquela conclusão qualitativa e quantitativa em relação aos ajustes. Exaurindo meu entendimento, e tratando de exemplo concreto, é apresentado, nos ajustes das notas explicativas, o valor de R$94.250.000,00 que deveria ser constituído a título de provisão para perda com adiantamentos a produtores, reduzindo o patrimônio líquido. Para se constituir em prova suficiente para sustentar um lançamento tributário, por reduzir o patrimônio líquido para fins de cálculo do JCP, permitindo a glosa da despesa correspondente, entendo que a autoridade tributária deveria ter aprofundado a atividade fiscalizatória a ponto de apontar os fundamentos que o levaram à conclusão de que a provisão teria que ser constituída e de que o valor deveria ser o apontado, e não simplesmente emprestar as conclusões de terceiro, ainda que absorvidas pelas notas explicativas. Fl. 1586DF CARF MF Processo nº 13005.722696/201353 Acórdão n.º 1302002.387 S1C3T2 Fl. 1.569 37 Os reflexos da ausência deste detalhamento são sentidos na limitação do exercício pleno do direito de defesa, pois não há como contraditar motivos que não são conhecidos. Ante a insuficiência probatória, entendo que deve ser considerado o patrimônio líquido antes dos ajustes apontados como base para o cálculo dos JCP. (a) 2) Ajustes à Lei nº 11.638, de 2007 (R$280.138.000,00). Considerando a decisão acima, perde objeto a presente discussão, na medida em que será utilizado o PL sem os referidos ajustes. Anteriormente a esta conclusão, a decisão da DRJ considerou, corretamente, a meu ver, o ajuste benéfico ao contribuinte, uma vez que aumentava o patrimônio líquido, permitindo, assim, a distribuição de JCP em maior valor. Certo é que o ajuste previsto no CPC 13 visa unicamente adequar as demonstrações de 2007 às novas regras, para permitir aos interessados uma comparação com as demonstrações financeiras de 2008, apuradas conforme a Lei nº 11.638/76. Não altera ou aponta incorreções nas demonstrações anteriores, feitas sobre as regras vigentes até 31/12/2007, motivo pelo qual devem ser consideradas neutras para fins tributários. (a) 3) Reflexos da ineficácia do ato simulado de aquisição da Alliance pela Merdional; IRPJ e CSLL diferidos aumentando o resultado e, consequentemente, o patrimônio líquido. Tratase de puro reflexo da decisão já anteriormente demonstrada, referente à conclusão de que a cessão da participação da Intabex em Alliance One Brasil para a Meridional; o aumento de capital de Meridional, a admissão de Imtabex como sócia na proporção do aumento de capital e a criação de ágio nesta operação foram todas operações simuladas. Assim, a consequência no cálculo do JCP é a redução do patrimônio líquido em relação ao IRPJ e CSLL levados a resultado como receita, conforme calculado e demonstrado pela autoridade fiscal. (b) 1) Insuficiência de saldo de lucros acumulados ou reserva de lucros. Conforme relata a fiscalização, o saldo de lucros acumulados, que era credor, com os ajustes relativos à Lei nº 6.404, de 1976, passou a ser devedor. Neste caso o valor deve ser recomposto, haja vista que os ajustes da lei citada foram exatamente os constantes das notas explicativas e apurados pelos auditores da Deloitte e que foram considerados sem força probante suficiente, por si só, para sustentar o lançamento de crédito tributário. Assim, a glosa de despesas de JCP devem ser recalculadas em execução do acórdão. (b) 2) Na DIPJ Ficha 06A consta um lucro líquido antes do imposto de renda negativo de R$34.041.404,49, que não atingiria valor positivo pela soma do montante passível de dedução pelos cálculos das autoridades fiscais, R$9.702.837,30. Este ponto deve ser levado em consideração na execução deste acórdão quando da aplicação do artigo 29 da Instrução Normativa nº 93, de 1997, que é alternativo, todavia, ainda que sejam distribuídos os R$17.000.000,00 originais de JCP, a consideração Fl. 1587DF CARF MF 38 desta despesa não elevará o resultado a saldo credor. Assim, deverá ser levada em consideração para limite de despesa artigo 29, inciso II, reconstituído conforme item anterior. Da multa qualificada A recorrente afirma que no caso em julgamento não houve o evidente intuito de fraude, mas, nas palavras de Marco Aurélio Greco, "divergência de qualificação jurídica dos fatos, uma vez que agiu "na convicção e certeza de que seus atos tinham determinado perfil legalmente protegido". Transcreve várias ementas de acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes enfatizando o evidente intuito de fraude, requerendo, por fim e em caso de dúvida, a aplicação do artigo 112 do CTN que impõe a interpretação benigna. Inicialmente aponto para o fato de que a lei atual não mais fala ou exige o "evidente intuito de fraude" como elemento necessário à qualificação da multa de ofício. Indispensável é que o fato infracional esteja no rol das situações previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, que transcrevo: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Tenho claro que a simulação perpetrada com a operação societária intermediária àquela que seria a realmente querida foi feita com o intuito doloso de reduzir o tributo devido, criando uma despesa de ágio absolutamente irreal e fictícia. Essa atitude se amolda perfeitamente ao conceito de fraude descrito no artigo 72 da Lei nº 4.502/1964. O ajuste realizado pelo grupo teve a participação de vários atores, caracterizando, também, o conluio descrito o artigo 73 da mesma lei. Desta forma, mantenho a multa qualificada. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade por erro no enquadramento legal e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o valor do patrimônio líquido para fins de cálculo do JCP de R$481.951.000,00, ajustado pelos reflexos da operação simulada (redução da provisão IRPJ e CSSL sobre ágio e soma dos Fl. 1588DF CARF MF Processo nº 13005.722696/201353 Acórdão n.º 1302002.387 S1C3T2 Fl. 1.570 39 valores já revertidos, fl. 925), respeitados os limites legais reconstituídos, nos termos do voto proferido. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filhos Relator Fl. 1589DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.015392/2008-64
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. TESE ADOTADA NO VOTO VENCIDO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, relativamente a posicionamento adotado no voto vencido, por absoluta falta de interesse recursal.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM IDENTIFICAÇÃO DE ORIGEM. ATIVIDADE RURAL. ALTERAÇÃO DA BASE LEGAL DA AUTUAÇÃO.
Incabível a alteração, na fase de julgamento, da base legal da autuação, mormente no caso em que se cria regra-matriz de incidência híbrida, absolutamente inexistente no ordenamento jurídico em vigor.
Numero da decisão: 9202-006.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à aplicação da tributação favorecida decorrente da atividade rural no percentual de 20% para toda a base de cálculo remanescente. No mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, para restabelecer a base de cálculo dos depósitos bancários no valor de R$ 464.337,36, a ser tributada conforme determina o art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. TESE ADOTADA NO VOTO VENCIDO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, relativamente a posicionamento adotado no voto vencido, por absoluta falta de interesse recursal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM IDENTIFICAÇÃO DE ORIGEM. ATIVIDADE RURAL. ALTERAÇÃO DA BASE LEGAL DA AUTUAÇÃO. Incabível a alteração, na fase de julgamento, da base legal da autuação, mormente no caso em que se cria regra-matriz de incidência híbrida, absolutamente inexistente no ordenamento jurídico em vigor.
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PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. TESE ADOTADA NO VOTO VENCIDO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, relativamente a posicionamento adotado no voto vencido, por absoluta falta de interesse recursal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM IDENTIFICAÇÃO DE ORIGEM. ATIVIDADE RURAL. ALTERAÇÃO DA BASE LEGAL DA AUTUAÇÃO. Incabível a alteração, na fase de julgamento, da base legal da autuação, mormente no caso em que se cria regramatriz de incidência híbrida, absolutamente inexistente no ordenamento jurídico em vigor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à aplicação da tributação favorecida decorrente da atividade rural no percentual de 20% para toda a base de cálculo remanescente. No mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, para restabelecer a base de cálculo dos depósitos bancários no valor de R$ 464.337,36, a ser tributada conforme determina o art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 53 92 /2 00 8- 64 Fl. 560DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem. Em sessão plenária de 23/08/2011, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 210201.466 (efls. 496 a 509), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10120.015392/200864 Acórdão n.º 9202006.007 CSRFT2 Fl. 561 3 comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. (Súmula CARF nº 30, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES. Excluemse da tributação os depósitos/créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física e os referentes a resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTRIBUINTE COM FONTES DE RENDIMENTOS PROVENIENTES EXCLUSIVAMENTE DA ATIVIDADE RURAL. EXCLUSÃO DE 80% DO VALOR TOTAL DOS DEPÓSITOS NÃO COMPROVADOS OU COMPROVADOS NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Caso o conjunto probatório dos autos comprove que o contribuinte somente tem rendimentos provenientes da atividade rural, devese reduzir a quinta parte a base tributável decorrente da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, conciliando os ditames do art. 42 da Lei nº 9.430/96 e do art. 5º da Lei nº 8.023/90. Recurso Voluntário Provido em Parte” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade, e, no mérito, por voto de qualidade, em DAR provimento parcial ao recurso para reduzir a base de cálculo da infração para R$ 464.337,36, reduzindo esta base de cálculo remanescente para 20% desse total, já que o contribuinte tem todos os rendimentos provenientes da atividade rural. Vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura (relatora), Rubens Maurício Carvalho e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti que somente reduziam a base de cálculo da infração para R$ 444.702,74, nos termos do voto da relatora. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos.” O processo foi encaminhado à PGFN em 22/05/2012 (Despacho de Encaminhamento de efls. 510), Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a ciência presumida do Procurador ocorreu em 21/06/2012, podendo a Fazenda Nacional interpor Recurso Especial até 06/07/2012, o que foi feito em 04/07/2012 (efls. 511 a 518), conforme o Despacho de Encaminhamento de efls. 519. O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visava rediscutir: a) existência de erro material; Fl. 562DF CARF MF 4 b) considerarse comprovado o valor de R$ 39.269,24 como de atividade rural, sob a justificativa de que a maior parte dos depósitos tinha esta origem; e c) aplicação da tributação favorecida decorrente da atividade rural no percentual de 20% para toda a base de cálculo remanescente. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, apenas em relação às matérias "b" e "c", conforme despacho de 17/07/2013 (efls. 520 a 524), o que foi mantido pelo Despacho de Reexame de mesma data (efls. 525 a 526). Relativamente às matérias que tiveram seguimento, a Fazenda Nacional alega: a presunção legal relativa de omissão de receitas ou rendimentos, prevista no art. 42 da Lei 9.430, de1996, somente pode ser afastada no caso de o Contribuinte, por meio de documentação hábil e idônea, comprovar a origem dos valores depositados/creditados em sua conta bancária; portanto, o citado diploma atribui ao particular o ônus da prova quanto à origem dos valores que circulam, em seu nome, em instituições bancárias; verificase, assim, que a referida presunção legal é a favor do Fisco; no caso de o contribuinte não lograr êxito em comprovar a origem dos valores que movimentam sua conta bancária, haverá presunção absoluta de renda tributável, com a consequente ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, sujeitandose o Contribuinte à etiqueta do referido tributo; não parece acertado, com toda vênia, o entendimento firmado no âmbito colegiado a quo, no sentido de que a natureza da atividade é motivo suficiente para mitigar ou mesmo afastar do Contribuinte o ônus de provar a origem dos valores depositados em conta, e essa afirmação representa evidente ofensa ao artigo 42 da Lei 9.430, de 1996; de fato, se a regra é expressa no sentido de atribuir ao interessado o ônus de demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados, qualquer interpretação que mitigue esse comando configura ofensa intolerável à lei, o que se busca reparar com o presente recurso; não é a natureza da atividade majoritária do contribuinte, ou qualquer outro fator, motivo suficiente para afastar a presunção legal e a consequente inversão do ônus da prova; aceitar que os depósitos proviriam todos da atividade rural, é partir da premissa de que todos os rendimentos do contribuinte resultam desta atividade, tratase de um raciocínio temerário (pois configura mero juízo de probabilidade) que configuraria uma forma oblíqua e odiosa de afastar a aplicação da norma que exige incondicionalmente a comprovação individualizada dos depósitos; mas como a premissa não foi comprovada, não procede também a conclusão, logo, continua válida a exigência legal de comprovação da origem dos depósitos; a Turma Julgadora aceitou os valores declarados na atividade rural como justificativa para a origem dos depósitos bancários; Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10120.015392/200864 Acórdão n.º 9202006.007 CSRFT2 Fl. 562 5 os valores dos depósitos movimentados pelo Contribuinte, tidos como de origem rural e que foram devidamente declarados, foram excluídos da autuação, conforme se depreende da decisão de primeira instância e da própria decisão recorrida, na parte em que comprovada a origem dos recursos; o que não se pode admitir é que ao valor remanescente de R$ 39.269,24, faltante para atingir o valor de atividade rural declarado pelo contribuinte, confirase a presunção de que estes detém a mesma origem somente pelo fato de que a maior parte dos valores comprovados pelo contribuinte decorriam desta atividade; em outro contexto, quanto à aplicação da tributação favorecida de 20% para todos os valores ainda mantidos decorrentes de omissão de rendimentos de depósitos bancários de origem não comprovada, temos que este também não pode prevalecer; no caso de o Contribuinte não lograr êxito em comprovar a origem dos valores que movimenta em sua conta bancária, haverá presunção absoluta de renda tributável, com a consequente ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, sujeitandose o contribuinte às etiquetas do referido tributo; na hipótese dos autos, restou patente que o contribuinte não conseguiu comprovar a origem dos recursos depositados em sua conta bancária, razão pela qual, acertadamente, a e. Turma a quo julgou parcialmente procedente o lançamento, lavrado com fundamento na presunção legal de omissão de receitas, prevista nos art. 42 da Lei 9.430, de 1996; por outro lado, o ordenamento jurídico posto estabelece, para o produtor rural que não possui escrituração regular, a tributação via arbitramento de sua receita bruta, declarada ou não, ao limite máximo de vinte por cento; há que se ressaltar, contudo, que os preceitos legais devem ser interpretados conjuntamente; ora, o parágrafo 2º, do art. 42, da Lei 9.430, de 1996, é expresso em estabelecer que os depósitos bancários que forem comprovados e que não houverem sido computados na base de cálculo do imposto a que está sujeito, deverão ser submetidos à tributação específica; salientese que, em momento algum, os depósitos tidos como não comprovados, como é o caso dos autos, foram abrangidos ou mencionados pela norma; dessa forma, não se pode chegar a outra conclusão senão a de que, somente os depósitos bancários de origem comprovada podem ser submetidos à tributação específica da atividade rural, com base no arbitramento da receita bruta; já os depósitos cuja origem não foi comprovada pelo contribuinte, deverão ser tributados normalmente, como simples caso de omissão de rendimentos; com efeito, não há como se admitir como correta a conclusão a que chegou o acórdão recorrido, ao determinar a tributação especial da atividade rural dos depósitos bancários que não tiveram sua origem comprovada pelo recorrido, ao arrepio da lei e das provas carreadas aos autos. Fl. 564DF CARF MF 6 Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido e mantendose a tributação regular do IRPF para os depósitos de origem não comprovada, inclusive para o valor de R$ 39.269,24. Cientificado em 04/03/2015 (Termo de Ciência Eprocesso de efls. 532), o Contribuinte ofereceu, em 17/03/2015, as Contrarrazões de efls 549 a 553 (protocolo aposto às efls. 549), contendo os seguintes argumentos: a da Procuradora da Fazenda Nacional subscritora é totalmente insustentável para a hipótese deste processo, uma vez que todas as receitas que transitaram pelas contas do autuado e de sua esposa são provenientes da atividade rural; aliás, a própria DIRPF do Contribuinte, relativa ao anocalendário fiscalizado de 2004, em conjunto com a documentação juntada ao processo ao longo de toda a auditoria atestam essa assertiva de que, efetivamente, todas as suas receitas advêm da atividade rural; todos os documentos carreados aos autos dão mostras de que se referem a transações envolvendo a atividade rural, única fonte de renda do Contribuinte, e que realmente os valores respectivos transitaram pelas contas bancárias auditadas, inclusive empréstimos para fomento deste atividade; é o que se vê, por exemplo, nos documentos de fls. 125/161; 289/292; 295/322, 352/374 e 377/414 do processo, aliás, não existe nos autos outro documento que venha atestar o contrário; está demonstrado, pelos meios de prova existentes nos autos, que a movimentação financeira do Contribuinte é totalmente decorrente do exercício de atividade rural, e, restando comprovado que todas as suas fontes de rendimentos são originárias da atividade rural, deve a tributação ser feita na forma do artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, em conformidade com o artigo 5º, da Lei nº 8.023, de 1990; por outro lado, no caso deste processo, o fisco não conseguiu provar o contrário, ou seja, de que as receitas do recorrido são decorrentes de atividade outra que não a rural, razão pela qual se mostra acertada a decisão vergastada; sobre este tema, vejamos o entendimento da Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF: "IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRODUTOR RURAL. EXCLUSIVA ATIVIDADE RURAL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO ESPECIAL/ESPECÍFICO. Os contribuintes que, comprovadamente, exercem exclusivamente atividades rurais, estão submetidos à regime de tributação especial/específico, contemplado pela Lei n° 8.023/1990, impondo a compatibilização desta norma com o disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430. Recurso Especial do Procurador negado." (Ac. 2a Turma, CSRF n° 9202001.6944, Rei. Cons. Marcelo Oliveira, sessão de 27/11/11). desta forma, demonstrado que o recorrido somente tem rendimentos provenientes da atividade rural, bem andou a decisão recorrida ao ajustar a base tributável a Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10120.015392/200864 Acórdão n.º 9202006.007 CSRFT2 Fl. 563 7 20% do valor total dos rendimentos caracterizados por depósitos bancários sem comprovação de origem, devendo, pois, ser mantida por seus próprios e judiciosos fundamentos. Ao final, o Contribuinte pugna pela manutenção integral da decisão recorrida. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. O Recurso Especial tratava de três matérias, sendo que o seguimento à Instância Especial foi autorizado apenas para duas delas: considerarse comprovado o valor de R$ 39.269,24 como de atividade rural, sob a justificativa de que a maior parte dos depósitos tinha esta origem; e aplicação da tributação favorecida decorrente da atividade rural no percentual de 20% para toda a base de cálculo remanescente. De plano, constatase que, relativamente à primeira matéria, a Fazenda Nacional parte de uma premissa equivocada, qual seja, a de que o Colegiado entendeu que, uma vez que a maior parte dos depósitos teria origem na atividade rural, ao saldo remanescente, no valor de R$ 39.269,24, também deveria ser atribuída tal origem. Entretanto, a exclusão desse valor da base de cálculo foi feita no voto vencido, e assim mesmo não se tratou da tese atacada pela Fazenda Nacional e sim da tese que defende a exclusão, da base de cálculo dos depósitos bancários, dos valores constantes da Declaração de Ajuste Anual. Nesse passo, após a comprovação, pelo Contribuinte aceita pela Fiscalização e pela DRJ de que 90% das receitas da atividade rural declaradas coincidiam com depósitos bancários, considerouse que os 10% restantes (do total de receitas da atividade rural declarada) R$ 39.269,24 poderiam ser considerados também como oriundos da atividade rural, de sorte que a base de cálculo dos depósitos bancários foi reduzida a R$ 444.702,74 (50% de R$ 889.405,48). Confirase: "Receitas da atividade rural declaradas Durante o procedimento fiscal o contribuinte comprovou que alguns depósitos havidos em suas contascorrentes, que perfaziam o somatório de R$ 212.600,02, advinham da atividade rural. Ocorre que o contribuinte e sua esposa informaram em suas DAA receita da atividade rural, cujo somatório é de R$ 404.332,40, consideradas as duas DAA e, em assim sendo, a defesa solicita que a diferença entre a receita da atividade rural e a quantia de R$ 212.600,02, seja excluída do montante dos depósitos não comprovados. De pronto, vale destacar que na decisão recorrida foi reconhecido que outros depósitos, cujas origens não haviam sido comprovadas anteriormente, também eram provenientes da Fl. 566DF CARF MF 8 atividade rural, de sorte que foram excluídos do montante dos depósitos não comprovados os seguintes créditos: R$ 4.404,33 (28/12/2004), R$ 41.950,81 (27/02/2004), R$ 38.000,00 (22/03/2004), R$ 23.000,00 (28/04/2004) e R$ 45.108,00 (13/05/2004), cuja soma é R$ 152.463,14. Desta forma, somadas as quantias consideradas pela autoridade fiscal (R$ 212.600,02) com a excluída pela decisão recorrida (R$ 152.463,14), temse que já foram excluídos do montante dos créditos a comprovar o valor de R$ 365.063,16, de modo que para chegar ao montante das receitas da atividade rural declaradas resta R$ 39.269,24. Veja que o contribuinte conseguiu identificar em suas contas bancárias, com coincidência de data e valor, 90% das receitas declaradas. Logo, a solicitação do contribuinte de ver excluída a diferença remanescente dos depósitos não comprovados é razoável. Frisese que o contribuinte e sua esposa tiveram todas as suas contas bancárias examinadas no procedimento fiscal, sendo certo que é bastante razoável admitirse que os 10% restante também transitaram pelas contas dos contribuintes. Desta maneira, deve excluir do montante dos depósitos não comprovados a quantia de R$ 39.269,24. (...) Da totalização dos valores a excluir Da planilha, fls. 421/423, inferese que da decisão recorrida restaram não comprovados depósitos que totalizam a quantia de R$ 1.224.314,72, da qual devem ser excluídos os seguintes valores: R$ 133.640,00 (créditos havidos nas contas mantidas junto à Caixa Econômica Federal e à Cooperativa de Crédito), R$ 12.000,00 (transferências entre contas com a mesma titularidade), R$ 150.000,00 (empréstimos ) e R$ 39.269,24 (receitas da atividade rural). Logo, feitas as exclusões, a totalidade dos depósitos não comprovados é de R$ 889.405,48, sendo a base de cálculo do imposto devido de R$ 444.702,74, que corresponde a 50% dos depósitos não comprovados. (grifei) Assim, ainda que houvesse interesse em recorrerse de tese vencida, o paradigma colacionado não trata de exclusão, da base de cálculo de depósitos bancários, de valores constantes da Declaração de Ajuste Anual, como ocorreu no caso do recorrido. Tampouco trata de atribuição de origem de depósitos bancários à atividade rural, como entendeu a Fazenda Nacional. Com efeito, para essa primeira matéria a Fazenda Nacional indicou como paradigma o Acórdão nº 10422.436, colacionando a respectiva ementa, conforme a seguir: "DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º/01/97, a Lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10120.015392/200864 Acórdão n.º 9202006.007 CSRFT2 Fl. 564 9 nessas operações. IRPF RECEITA DA ATIVIDADE RURAL PROVA Por ser submetido a regime de tributação favorecido, o resultado da atividade rural deve ser comprovado com documentos hábeis e idôneos. Sem essa prova, é lícito ao Fisco reclassificar as receitas declaradas para rendimentos comuns, sujeitos à tabela progressiva. IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Está sujeito ao Imposto o acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos isentos, tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE IMPOSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO A fraude deve ser comprovada de forma inequívoca, vedada sua presunção. A rejeição de documentos apresentados pelo contribuinte, durante a ação fiscal, como hábeis a comprovar fatos por ele declarados, por si só, não autoriza a conclusão de que esses documentos foram forjados, para fins de qualificação da multa de ofício. Recurso parcialmente provido." (destaques da Recorrente) Embora esse paradigma trate também de omissão de depósitos bancários, o trecho destacado pela Fazenda Nacional não se refere a essa infração e sim a "classificação indevida de rendimentos na DIRPF" como oriundos da atividade rural, tratada separadamente da infração ligada aos depósitos bancários. Confirase o paradigma: Relatório "As infrações estão assim descritas no Auto de Infração: 1) ACRÉSCIMO PATRIONIAL A DESCOBERTO Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovadas, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal que integra este Auto de Infração. 2) DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidos em instituições financeiras, em relação às quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal que integra este Auto de Infração. 3) CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS NA DIRPF. RENDIMENTOS CLASSIFICADOS INDEVIDAMENTE NA DIRPF O Contribuinte classificou indevidamente na Declaração de Ajuste os rendimentos recebidos de pessoa física, supostamente oriundos de atividade rural, sem a devida comprovação, conforme Termo de Verificação Fiscal que integra o Auto de Infração." (grifei) Fl. 568DF CARF MF 10 Voto "Quanto à reclassificação como rendimentos sujeitos à tributação normal dos valores declarados como receitas da atividade rural, o fundamento da autuação é de que o Contribuinte não comprovou com documentos hábeis e idôneos a efetividade das receitas e das despesas da atividade rural, não podendo fazer jus, portanto, à tributação favorecida reservada aos rendimentos da atividade rural. O Contribuinte, por sua vez, questiona as conclusões da Fiscalização que, segundo afirma, teriam se baseado apenas no fato de os compradores não terem sido localizados. Por estar beneficiada com tributação favorecida a efetividade as receitas da atividade rural deve ser comprovada com documentos hábeis e idôneos. No caso de receitas da atividade rural, em especial da venda de gado a pessoa física, o documento hábil a comprovar a receita é a nota fiscal de produtor ou certidão expedida pela repartição fiscal competente, conforme dispõe o art. 61, § 5° do RIR/99, verbis: Art. 61. A receita bruta da atividade rural é constituída pelo montante das vendas dos produtos oriundos das atividades definidas no art. 58, exploradas pelo próprio produtorvendedor. (...) 5°. A receita bruta, decorrente da comercialização de produtos, deverá ser comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. No caso, o Contribuinte apresenta como prova meros recibos, sem nenhuma outra formalidade, com a circunstância agravante de que a autoridade fiscal não conseguiu localizar os supostos adquirentes. Acrescentese que o art. 18 da Lei n° 8.023, de 1990 classifica como fraude a inclusão indevida, como receita da atividade rural, de rendimentos auferidos em outra atividade, o que justifica a qualificação da multa neste caso, a saber:" (grifei) Assim, ao mencionar a atividade rural, o paradigma não trata da matéria efetivamente debatida no acórdão recorrido, tampouco da matéria suscitada pela Fazenda Nacional. O paradigma trata de situação em que supostas receitas da atividade rural, que tem tributação favorecida, foram declaradas e não comprovadas, sendo então esses supostos rendimentos reclassificados para tributação comum (e não deduzidos da base de cálculo dos depósitos bancários, como se fez no voto vencido do recorrido, ou apontados como justificativa para a origem de tais depósitos, como aventou a Fazenda Nacional), considerandose inclusive a ocorrência de fraude, com manutenção de multa qualificada. Ademais, repitase que nesse paradigma as receitas declaradas não foram comprovadas como sendo efetivamente de atividade rural, daí a atribuição de fraude (art. 18 da Lei nº 8.023, de 1990), enquanto que no recorrido quase todas as receitas de atividade rural declaradas foram comprovadas, tanto assim que foram excluídas da base de cálculo dos depósitos bancários. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10120.015392/200864 Acórdão n.º 9202006.007 CSRFT2 Fl. 565 11 Destarte a divergência, ainda que em face de tese constante de voto vencido, não restou demonstrada, razão pela qual não se conhece da primeira matéria considerarse comprovado o valor de R$ 39.269,24 como de atividade rural, sob a justificativa de que a maior parte dos depósitos tinha esta origem. Cabe agora resgatar o que foi efetivamente decidido, conforme o voto vencedor. A tese do voto vencido foi rejeitada porque haviam sido exonerados liminarmente alguns depósitos (mediante exclusão por falta de intimação ao cotitular), de sorte que não haveria certeza se, nessa exoneração, já teriam sido contemplados os R$ 39.269,24, que remanesceram das receitas de atividade rural declaradas pelo casal. Nesse passo, no voto vencedor reintegrouse referido valor à base de cálculo remanescente e, indo bem além do voto vencido, considerouse que todos os depósitos seriam oriundos da atividade rural, transmudandose a autuação com base na Lei nº 9.430, de 1996, para incidência com base na Lei nº 8.023, de 1990. Confirase o voto vencedor: "No caso destes autos, restou comprovado que todas as fontes de rendimentos do contribuinte proviam da atividade rural, devendo a tributação, na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/96, ser conciliada com o art. 5º da Lei nº 8.023/90. (...) Com todas as considerações acima, entendo que a base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, quando restar iniludível que o contribuinte somente tem rendimentos provenientes da atividade rural, como se viu nestes autos, deve ser reduzida para a quinta parte, conciliando os ditames do art. 42 da Lei nº 9.430/96 com o art. 5º da Lei nº 8.023/90. Além do ponto de divergência acima em relação ao voto vencido, entendo ainda que não se pode excluir a metade de R$ 39.269,24, referente às receitas totais da atividade rural, quando consideradas as declarações do recorrente e de seu cônjuge, não porque as receitas da atividade rural não possam ser abatidas da base de cálculo da infração, pois, ordinariamente, isso seria possível, porém nestes autos diversas contas bancárias foram excluídas in totum da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/96, em decorrência da ausência da intimação de todos os cotitulares e, assim, não se tem qualquer certeza de que as receitas da atividade rural acima informadas tenham transitado pelas contas bancárias mantidas na autuação. Acima estão os dois únicos pontos de divergência dos vencedores em face dos vencidos neste julgamento desta Turma. Por tudo, voto no sentido de reconhecer o montante de R$ 464.337,36 ( que representa R$ 444.702,74 + R$ 464.337,36: 2, na forma do voto vencido) como depósitos de origem não comprovada, os quais devem ser reduzidos para a quinta parte, daí se apurando a base de cálculo da infração decorrente da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada." Fl. 570DF CARF MF 12 Assim, adentrando ao mérito da única matéria sobre a qual foi demonstrada divergência aplicação da tributação favorecida decorrente da atividade rural no percentual de 20% para toda a base de cálculo remanescente constatase não ser possível acolher tal tese, pelas razões a seguir explicitadas. Tanto o Redator do voto vencedor do acórdão recorrido como a Fazenda Nacional concordam no seguinte ponto: o Contribuinte não logrou comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos bancários no total de 464.337,36. Isso fica claro na conclusão do voto, remarcandose que inclusive foi reintegrado o valor de R$ 39.269,24, exatamente por não se ter certeza de que já não teria sido excluído em momento anterior: "Por tudo, voto no sentido de reconhecer o montante de R$ 464.337,36 ( que representa R$ 444.702,74 + R$ 464.337,36: 2, na forma do voto vencido) como depósitos de origem não comprovada, os quais devem ser reduzidos para a quinta parte, daí se apurando a base de cálculo da infração decorrente da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada." (grifei) A divergência entre o posicionamento do voto vencedor e o da Fazenda Nacional reside no desdobramento dessa premissa, em face da atividade exercida pelo Contribuinte: o Redator do voto vencedor do acórdão recorrido entende que o fato de o Contribuinte exercer exclusivamente a atividade rural autorizaria uma presunção acerca da origem dos depósitos bancários, aplicandolhes a tributação favorecida, prevista na Lei nº 8.023, de 1990; a Fazenda Nacional, por sua vez, não concorda com tal conclusão, requerendo a manutenção da tributação com base na Lei n° 9.430, de 1996, conforme o Auto de Infração. O art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, é bem claro ao estabelecer a presunção de que depósitos bancários de origem não identificada caracterizam omissão de rendimentos, porém permitindo que os depósitos de origem identificada sejam tributados conforme a respectiva natureza dos valores depositados. Ora, se o próprio Redator do voto vencedor reconhece que a origem dos depósitos não foi comprovada, não há outra conclusão senão manter a tributação do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996. Por outro lado, se entende que o fato de o Contribuinte declarar unicamente rendimentos de atividade rural tem o condão de conferir essa origem aos depósitos bancários, então já não há que se falar em falta de comprovação da origem, portanto o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, deveria ser afastado, concluindose que haveria uma tributação específica (como atividade rural) e não genérica (como depósitos bancários). Constatase, assim, a contradição do posicionamento adotado no acórdão recorrido, mesclando duas regrasmatrizes de incidência absolutamente específicas, cada qual com suas características e nuances, para ao final aplicar uma nova regramatriz, não prevista em lei, combinando dois regimes de tributação absolutamente distintos. Com efeito, não há previsão legal para que depósitos bancários sejam tributados considerandose apenas 20% da base de cálculo, eis que o comando legal é no sentido de que sejam tributados mediante a aplicação da tabela progressiva ao valor total dos depósitos. E a aplicação de 20% à base de cálculo, por sua vez, faz parte de tributação favorecida da atividade rural, regulamentada pela Lei nº 8.023, de 1990, que pressupõe a identificação de receitas e despesas. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10120.015392/200864 Acórdão n.º 9202006.007 CSRFT2 Fl. 566 13 Configurase, assim, situação inusitada, em que depósitos bancários reconhecidamente sem identificação de origem são excluídos da presunção do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, que foi a base legal do Auto de Infração, aplicandoselhes, em sede de julgamento em segunda instância, a tributação favorecida, específica para rendimentos identificados oriundos de atividade rural, transmudandose a incidência originária em nova incidência, sem previsão legal. Ademais, verificase que a tese preconizada pelo acórdão recorrido trata desigualmente Contribuintes que se encontrem na mesma situação, qual seja, a de enquadramento no critério material da regramatriz de incidência contida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, se dois Contribuintes apresentam depósitos bancários de origem não identificada, não há qualquer sentido ou fundamento legal para que se cobre de um deles o tributo apurado sobre a base de cálculo plena, e do outro, simplesmente por exercer uma determinada atividade, se lhe cobre o imposto apenas sobre a quinta parte da base de cálculo. Acrescentese que, no presente caso, restou ainda sem comprovação, como expressamente reconheceu o voto vencedor, o valor de R$ 464.337,36, enquanto que as receitas de atividade rural comprovadas somaram R$ 365.063,16, ou seja, menos da metade do total dos depósitos bancários, o que de forma alguma autorizaria a conclusão de que todos os depósitos seriam provenientes dessa atividade. Diante do exposto, conheço parcialmente do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, na parte conhecida, doulhe provimento, restabelecendo a base de cálculo dos depósitos bancários no valor de R$ 464.337,36, a ser tributada conforme determina o art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 572DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15165.000108/2003-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2001
EMBARGOS INONIMADOS. POSSIBILIDADE. RITO PRÓPRIO.
Não há que se falar em aplicação subsidiária da Lei nº 9.784/99 quando o Decreto 70.235/72 regulamenta completamente o rito processual do processo administrativo fiscal.
Estando comprovada a existência do vício apontado em sede de embargos inonimados, estes devem ser acolhidos para saneamento do erro material apontado.
Numero da decisão: 9303-006.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os Embargos Inominados opostos pela Inspetoria da Receita Federal em Curitiba e, no mérito, por maioria de votos, em acolhê-los para anular o acórdão embargado, vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (relator), que lhes rejeitou. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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POSSIBILIDADE. RITO PRÓPRIO. Não há que se falar em aplicação subsidiária da Lei nº 9.784/99 quando o Decreto 70.235/72 regulamenta completamente o rito processual do processo administrativo fiscal. Estando comprovada a existência do vício apontado em sede de embargos inonimados, estes devem ser acolhidos para saneamento do erro material apontado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os Embargos Inominados opostos pela Inspetoria da Receita Federal em Curitiba e, no mérito, por maioria de votos, em acolhêlos para anular o acórdão embargado, vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (relator), que lhes rejeitou. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 01 08 /2 00 3- 48 Fl. 243DF CARF MF Processo nº 15165.000108/200348 Acórdão n.º 9303006.040 CSRFT3 Fl. 244 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório A Inspetoria da Receita Federal em Curitiba interpôs embargos de declaração, em face do Acórdão nº 930301.166, de 28/09/2010, proferido pela 3ª Turma da CSRF, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001 II IPI FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. Tendo em vista que a Recorrente socorreuse ao Poder Judiciário para ser apreciado o pleito de imunidade quanto ao II e ao IPI sobre os chamados dicionários eletrônicos, e havendo transitado em julgado decisão que reconheceu tal direito, não é cabível a presente autuação para a exigência dos tributos aduaneiros incidentes por ocasião da importação realizada através da DI n. 01/04433315. Não é devida a multa pela falta de apresentação da Licença de Importação, uma vez que não consta no processo prova de que a mercadoria importada estava sob controle administrativo obrigatório. Recurso Especial do Contribuinte Provido. A Embargante sustenta que, conforme registra a parte dispositiva do acórdão embargado, a Turma deu provimento ao recurso especial. Contudo, na ata da sessão de 28 de setembro de 2010, que foi retificada (fls. 216), conta que se negou provimento ao recurso. Os embargos foram admitidos pelo presidente do CARF como inominados (fls. 241/242). É o que importa relatar. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 15165.000108/200348 Acórdão n.º 9303006.040 CSRFT3 Fl. 245 3 Voto Vencido Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Com efeito, o acórdão embargado trouxe entendimento oposto ao que fora decidido pela Turma no julgamento. Na ata da sessão de 28 de setembro de 2010, consta, como resultado do julgamento do presente processo administrativo, o seguinte: Relator(a): JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Processo: 15165.000108/200348 Recorrente: POSITIVO INFORMÁTICA LTDA. e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão n°9303001.166 Decisão: Por maioria de votos, negouse provimento ao recurso especial. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que dava provimento. Questionamento: RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE. Na formalização do voto, porém, a Conselheira relatora equivocouse e registrou voto contrário ao que ela mesma dera na sessão: deu provimento ao recurso especial, consignando, como vencida, a mesma Conselheira Nanci Gama, que, conforme registrado no acórdão, teria negado provimento ao recurso. Sabese, por outro lado, caber à Administração Pública anular os atos quando eivados de vício de legalidade, como no caso, em que a decisão formalizada não corresponde ao que efetivamente fora decidido, e pode fazêlo no prazo de cinco anos, contados da data em que praticados: Lei nº 9.784, de 1999: Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada máfé. (g.n.) Fl. 245DF CARF MF Processo nº 15165.000108/200348 Acórdão n.º 9303006.040 CSRFT3 Fl. 246 4 Notese que, não obstante a sessão tenha sido realizada em 28/09/2010, a contribuinte somente foi cientificada da decisão em 19/10/2015 (mesma data da interposição dos embargos; fls. 236/237), conforme consta do TERMO DE REGISTRO DE MENSAGEM NA CAIXA POSTAL de fl. 234. Sendo esse o cenário, perguntase: o ato foi praticado em 28/09/2010, ou somente pode ser assim considerado em 19/10/2015, data da ciência do acórdão pela contribuinte? Entendemos que, para os efeitos processuais, como a interposição de recursos, obviamente é a data da intimação da contribuinte a que deve ser considerada. Todavia, a data na qual praticado o ato é, a nosso juízo, a data em que realizada a sessão de julgamento – que, como se sabe, é pública e aberta às partes interessadas na solução dos litígios, razão por que, depois de proclamado, o resultado não pode ser alterado. Assim, ultrapassado o prazo de cinco anos contados da data de julgamento e não havendo, nos autos, prova de máfé, não há mais como reverter a decisão. Ante o exposto, e sem maiores delongas, REJEITO os embargos opostos pela Inspetoria da Receita Federal em Curitiba. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 246DF CARF MF Processo nº 15165.000108/200348 Acórdão n.º 9303006.040 CSRFT3 Fl. 247 5 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Com todo respeito ao voto do ilustre relator, mas discordo de suas conclusões. O ilustre relator confirmou a existência do vício processual grave no acórdão embargado, porém entendeu não ser possível anular a decisão pelo fato de já se ter transcorrido o prazo de 5 anos para que a própria Administração possa anular os seus atos, entendendo ser aplicável ao caso o disposto nos art. 53 e 54 da Lei nº 9.784/99. Ocorre que entendo que referidos dispositivos da Lei nº 9.784/99 não são aplicáveis no âmbito do processo administrativo fiscal, uma vez que esse é regido por lei própria no caso o Decreto nº 70.235/72, o qual tem força normativa de lei ordinária. Assim mesmo dispõe a Lei nº 9.784/99 em seu art. 69: Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Portanto é indubitável que o Decreto nº 70.235/72 dispõe de normas próprias para o regramento e funcionamento do processo administrativo fiscal, sendo possível a aplicação da Lei nº 9.784/99, somente em caráter subsidiário, caso não haja regra própria prevista no processo administrativo fiscal. Porém, o que vemos é que na situação dos presentes autos, o processo estava em seu curso de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal. Não havia transitado em julgado pois havia ainda a possibilidade de ambas as partes apresentarem embargos de declaração, o que de fato ocorreu, sendo que a Inspetoria da Receita Federal em Curitiba constatando a contradição existente de pronto atacou o acórdão por meio de embargos, os quais foram recebidos pelo Presidente da CSRF como embargos inonimados. Todos estes atos estão previamente regulados pelas normas que regem o processo administrativo fiscal, não cabendo portanto a aplicação da Lei nº 9.784/99. Assim dispõe o Decreto nº 70.235/72 quanto ao julgamento dos processos administrativos fiscais: Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: Fl. 247DF CARF MF Processo nº 15165.000108/200348 Acórdão n.º 9303006.040 CSRFT3 Fl. 248 6 I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; (...) II – em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial. § 1o O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais será constituído por seções e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. (...) Art. 37. O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno. § 2o Caberá recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, no prazo de 15 (quinze) dias da ciência do acórdão ao interessado: II – de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, turma de Câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como se vê, o processo estava em seu trâmite normal e o acórdão embargado foi proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme competência legal estabelecida pelo Art. 37, § 2º, inc. II, do Decreto nº 70.235/72, acima transcrito. Sendo que o Regimento Interno do CARF prevê os seguintes recursos administrativos de suas decisões, conforme abaixo transcrito. Regimento Interno do CARF Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade,omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; Fl. 248DF CARF MF Processo nº 15165.000108/200348 Acórdão n.º 9303006.040 CSRFT3 Fl. 249 7 III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; ou V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. (...) Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. § 1º Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar a inexatidão ou o erro. § 2º Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele. § 3º Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, darseá ciência ao requerente. Constatase a existência de um vício insuperável apontado pelo embargante, pelo qual o Presidente do CARF, usando das prerrogativas previstas no caput do art. 66 do RICARF, acatou os embargos como inonimados e devolveu para julgamento da 3ª Turma da CSRF. Ou seja, o rito de julgamento está totalmente exaurido pelos dispositivos legais citados não havendo qualquer razão para a utilização dos art. 53 e 54 da Lei nº 9.784/99. Está devidamente comprovado nos autos de que o resultado do julgamento foi registrado em ata da seguinte forma: Relator(a): JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Processo: 15165.000108/200348 Recorrente: POSITIVO INFORMÁTICA LTDA. e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão n°9303001.166 Decisão: Por maioria de votos, negouse provimento ao recurso especial. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que dava provimento. Questionamento: RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 15165.000108/200348 Acórdão n.º 9303006.040 CSRFT3 Fl. 250 8 A turma julgadora por maioria dos votos de seus membros decidiu por negar provimento ao recurso especial apresentado pelo contribuinte. Porém, a relatora formalizou um acórdão que não reflete o resultado deste julgamento, trazendo fundamentos no sentido de dar provimento ao recurso especial. Portanto, voto por acolher os embargos de declaração para declarar a nulidade do Acórdão nº 9303001166 e que outro seja proferido por esta 3ª turma da CSRF. Dêse ciência do presente acórdão ao embargante e ao contribuinte interessado. Após o presente processo deve ser redistribuído por sorteio a um novo relator da 3ª turma da CSRF para novo julgamento do recurso especial apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 250DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11050.000043/99-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. MONTANTE SOBRE O QUAL INCIDE A TAXA SELIC.
Consoante entendimento majoritário desta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, "constatada a oposição ilegítima do fisco em negar direito a ressarcimento de crédito presumido do IPI, em decorrência de reversão de entendimento pelas instâncias julgadoras administrativas, autoriza a incidência da taxa Selic sobre os valores do ressarcimento que não foram devolvidos em face do óbice estatal".
Numero da decisão: 9303-005.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificando o Acórdão nº 9303-004.567, de 08/12/2016, com efeitos infringentes, declarar a incidência da Selic somente sobre a parcela deferida pela instância julgadora.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. MONTANTE SOBRE O QUAL INCIDE A TAXA SELIC. Consoante entendimento majoritário desta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, "constatada a oposição ilegítima do fisco em negar direito a ressarcimento de crédito presumido do IPI, em decorrência de reversão de entendimento pelas instâncias julgadoras administrativas, autoriza a incidência da taxa Selic sobre os valores do ressarcimento que não foram devolvidos em face do óbice estatal".
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificando o Acórdão nº 9303-004.567, de 08/12/2016, com efeitos infringentes, declarar a incidência da Selic somente sobre a parcela deferida pela instância julgadora. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1503; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 391 1 390 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11050.000043/9966 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9303005.799 – 3ª Turma Sessão de 21 de setembro de 2017 Matéria EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado INDÚSTRIAS ALIMENTÍCIAS LEAL SANTOS LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. MONTANTE SOBRE O QUAL INCIDE A TAXA SELIC. Consoante entendimento majoritário desta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, "constatada a oposição ilegítima do fisco em negar direito a ressarcimento de crédito presumido do IPI, em decorrência de reversão de entendimento pelas instâncias julgadoras administrativas, autoriza a incidência da taxa Selic sobre os valores do ressarcimento que não foram devolvidos em face do óbice estatal". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, reratificando o Acórdão nº 9303004.567, de 08/12/2016, com efeitos infringentes, declarar a incidência da Selic somente sobre a parcela deferida pela instância julgadora. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 00 43 /9 9- 66 Fl. 391DF CARF MF Processo nº 11050.000043/9966 Acórdão n.º 9303005.799 CSRFT3 Fl. 392 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos, tempestivamente, pela Fazenda Nacional (fls. 381 a 383) em face Acórdão nº 9303003.233 (fls. 363 a 367), rerratificado pelo Acórdão nº 9303004.567 (fls. 374 a 378), proferido em sede de julgamento de embargos de declaração opostos pela Delegacia da Receita Federal em Pelotas RS, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999 EMENTA: PRODUTO INTERMEDIÁRIO TAXA SELIC. O avental de napa tornase material imprescindível na fase de beneficiamento do produto final. A resistência do Fisco ao creditamento está comprovada nos autos. Recurso da Fazenda negado. Recurso do contribuinte provido. Conforme consignado no despacho que deu seguimento aos embargos de declaração, "a Embargante alega ter incorrido o acórdão de recurso especial nos vícios de obscuridade e contradição quanto aos seus fundamentos pois, ao reconhecer a incidência da taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI, nos termos das decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo e da Súmula nº 411 da Corte Especial, que exigem oposição estatal à utilização do crédito de IPI, deixou de considerar que houve o deferimento de parte do crédito em sede de despacho decisório pela DRF, não havendo de incidir, nessa parte, a taxa Selic." Os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, portanto, foram recebidos para sanar os vícios de obscuridade e contradição presentes no acórdão embargado, devendo delimitarse a abrangência da incidência da taxa Selic sobre o crédito tributário pleiteado pela Contribuinte. A fundamentação do despacho de admissibilidade dos aclaratórios deuse nos seguintes termos: Fl. 392DF CARF MF Processo nº 11050.000043/9966 Acórdão n.º 9303005.799 CSRFT3 Fl. 393 3 [...] A análise dos recursos especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Sujeito Passivo teve por objeto os seguintes pontos: "[...] I) Se os aventais de napa, utilizados pelos funcionários do sujeito passivo no processo de produção, podem ser considerados insumos e gerar direito ao crédito presumido de IPI quando da sua aquisição, matéria esta prequestionada através do Recurso Especial da Fazenda Nacional; II) Se os créditos presumidos de IPI submetemse à atualização monetária pela Taxa Selic, insurgência oriunda do Recurso Especial do Contribuinte." Os embargos de declaração ora examinados direcionamse à matéria relativa à incidência da taxa Selic. Nesse ponto, no voto constante do acórdão embargado, ficou delimitado o entendimento do Colegiado no sentido de ser cabível a correção do crédito tributário pela taxa Selic frente à oposição estatal ao seu aproveitamento, in verbis: [...] Já pacificada a matéria na direção de que deve incidir correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco, tudo na conformidade da Súmula 411 do E. STJ. A resistência do Fisco está comprovada na fl.149 onde consta o Acórdão DRJ/POÁ nº 3.091/2003. Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional para reconhecer os créditos referentes as aquisições de avental de napa e de dar provimento ao Recurso da Contribuinte no sentido de fazer incidir a taxa Selic com o fim de atualizar o crédito ao qual fez jus. [...] (grifouse) De fato, da análise do despacho decisório (fls. 48 e 49) e do Acórdão da DRJ/POA nº 3.901/2003 (fls. 162 a 168), extraise ter havido o deferimento parcial do crédito tributário, no montante de R$ 14.845,69 (quatorze mil, oitocentos e quarenta e cinco reais e sessenta e nove centavos ) a favor de INDÚSTRIAS ALIMENTÍCIAS LEAL SANTOS LTDA., CNPJ n.° 01499844/000191, não tendo sido feita a ressalva na decisão embargada quanto ao referido montante em que alegadamente não houve ato de oposição estatal. Portanto, presentes os vícios de obscuridade e contradição a ensejarem a via dos embargos de declaração. [...] É o Relatório. Fl. 393DF CARF MF Processo nº 11050.000043/9966 Acórdão n.º 9303005.799 CSRFT3 Fl. 394 4 Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional são tempestivos e atendem aos demais requisitos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, reproduzido no art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. A questão a ser resolvida por meio de embargos de declaração é definirse o montante sobre o qual incidirá a taxa Selic no ressarcimento, se sobre a totalidade do crédito pleiteado ou somente sobre o montante inicialmente indeferido e reconhecido no pelo órgão julgador. Na esteira do que decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Resp nº 993.164, pela sistemática dos recursos repetitivos, o entendimento desta Conselheira é de que a taxa Selic incide sobre o crédito de IPI a ser ressarcido, desde a data do protocolo do pedido, sobre a totalidade do montante pleiteado. No entanto, a posição majoritária neste Colegiado é no sentido de que, interpretandose o Resp nº 993.164, incidirá a taxa Selic, desde a data do protocolo do pedido de restituição/ressarcimento, somente sobre o montante que foi posteriormente deferido pela instância julgadora, e não sobre a totalidade do débito. Embora esta Conselheira tenha entendimento diverso, foi acatada para o presente julgado o entendimento que prevalece na 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, determinandose a incidência da taxa Selic, desde a data do protocolo do pedido, mas apenas sobre a quantia inicialmente indeferida e reconhecida posteriormente pelo CARF. Nesse sentido, foi o julgado consubstanciado no Acórdão nº 9303005.259, cuja ementa se deu nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STJ. A restrição imposta pela IN/SRF nº 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo admissível o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas. Precedente do STJ retratado no REsp nº 993.164 (MG), julgado sob o rito de recursos repetitivos, apto, portanto, para vincular este Tribunal Administrativo, nos termos do art. 62, §2° do RICARF. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 11050.000043/9966 Acórdão n.º 9303005.799 CSRFT3 Fl. 395 5 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as aquisições de insumos utilizados na exportação de produtos com notação "NT" na Tabela do IPI TIPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Constatada a oposição ilegítima do fisco em negar direito a ressarcimento de crédito presumido do IPI, em decorrência de reversão de entendimento pelas instâncias julgadoras administrativas, autoriza a incidência da taxa Selic sobre os valores do ressarcimento que não foram devolvidos em face do óbice estatal. (grifouse) Diante do exposto, são acolhidos os embargos de declaração com efeitos infringentes para ficar estabelecida a incidência da taxa Selic, desde a data do protocolo, tão somente sobre o montante do crédito cujo direito foi reconhecido posteriormente no âmbito das instâncias julgadoras. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 395DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.001901/2007-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
CRÉDITO. CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO.
As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento.
CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA.
Mantém-se a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.
É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.833
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO. CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO. As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA. Mantém-se a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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DIREITO A CRÉDITOS. Recorrente FERTIMOURAO AGRICOLA EIRELI EM RECUPERACAO JUDICIAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO. CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO. As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA. Mantémse a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 19 01 /2 00 7- 18 Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10950.001901/200718 Acórdão n.º 9303005.833 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3801004.394, da 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que negou provimento ao recurso, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RESSARCIMENTO. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não cumulatividade das contribuições sociais, excluise da proporção as receitas de exportação decorrentes das aquisições de mercadorias com fim específico de exportação. VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. A determinação do crédito pelo rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno, aplicase somente aos custos, despesas e encargos que sejam vinculados às receitas de mercado interno e exportação. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. COMPROVAÇÃO. Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não cumulativa, todavia o reconhecimento dos créditos está condicionado a efetiva comprovação de que as aquisições de combustíveis são utilizadas efetivamente no processo produtivo. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. VEDAÇÃO. Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10950.001901/200718 Acórdão n.º 9303005.833 CSRFT3 Fl. 4 3 Há vedação legal ao aproveitamento do crédito presumido para as cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal. VENDAS COM SUSPENSÃO. VIGÊNCIA. DO ART. 9º DA LEI Nº 10.925, DE 2004. O art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004 teve eficácia a partir de 4 de abril de 2006, data prevista na norma regulamentadora, in casu, a Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006. RESSARCIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CORREÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. VEDAÇÃO EXPRESSA. É incabível, por expressa vedação legal, a incidência de atualização monetária pela taxa Selic sobre o ressarcimento de créditos de contribuição não cumulativa. Recurso Voluntário Negado. ” Irresignado, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração, alegando que a decisão prolatada incorreu em contradição entre a decisão e seus fundamentos. Todavia, os embargos foram rejeitados. O sujeito passivo interpôs, então, Recurso Especial suscitando divergência em relação às seguintes matérias: · Rateio dos créditos apurados; · Glosa das aquisições de combustíveis; · Aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial; · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido; · Vendas efetuadas com suspensão; e · Atualização monetária. Mediante Despacho do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento parcial ao recurso. Foram admitidas as matérias “rateio dos créditos apurados”, “glosa das aquisições de combustíveis”, “aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial”, “possibilidade de ressarcimento do crédito”, e “atualização monetária (SELIC)”. Apenas a matéria “vendas efetuadas com suspensão – eficácia do art. 9º da Lei 10.925/04” teve o seguimento negado. Contrarrazões ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo foram apresentadas pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10950.001901/200718 Acórdão n.º 9303005.833 CSRFT3 Fl. 5 4 Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303 005.815, de 17/10/2017, proferido no julgamento do processo 10950.001882/200720, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.815): Da Admissibilidade "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, na parte admitida em Despacho, eis que atendidos os critérios de conhecimento trazidos pelo art. 67 do RICARF/2015 – com alterações posteriores. O que concordo com o despacho de exame de admissibilidade. Ora, em relação à discussão acerca: · Do rateio dos créditos apurados, foi comprovada a divergência, vez que a decisão recorrida entendeu pela exclusão das receitas de exportação decorrentes das aquisições de mercadorias com fim específico de exportação do cálculo do rateio proporcional e o acórdão indicado como paradigma de nº 3202001.618 concluiu pela não exclusão dos valores de receita que se originaram de operações com o fim específico de exportação; · Das aquisições de combustíveis, foi comprovada a divergência, eis que enquanto o aresto recorrido adotou um conceito restritivo de insumo e o indicado como paradigma de nº 203.12.896 reconheceu o direito de aproveitar créditos decorrentes de aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo e nas operações de vendas e entrega direta da produção; · Do crédito presumido da atividade agroindustrial, foi comprovada a divergência, vez que o aresto recorrido entendeu pela vedação legal ao aproveitamento do crédito presumido por enquadrar o sujeito passivo como cerealista que exerce cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal e o acórdão indicado como paradigma de nº 3202001.618 divergiu da interpretação relativa ao processo produtivo de grão e o conceito de agroindústria, sem a restrição ao direito creditório; · Da possibilidade de ressarcimento do crédito presumido, também foi comprovada a divergência, eis que o aresto recorrido não conheceu das alegações em relação à forma de utilização do crédito presumido, divergindo, assim, da interpretação adotada no acórdão paradigma de nº 3803002.336 que, por sua vez não aplicou a restrição prevista na IN SRF 660/06 quanto ao direito a compensação e/ou ressarcimento do Crédito Presumido de PIS e COFINS; · Da atualização monetária, foi comprovada a divergência, vez que o aresto recorrido entendeu não ser cabível a aplicação de correção Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10950.001901/200718 Acórdão n.º 9303005.833 CSRFT3 Fl. 6 5 monetária, com base na taxa Selic, nos casos de pedidos de ressarcimento de contribuição nãocumulativa, por expressa vedação legal, enquanto que o acórdão paradigma de nº 3802001.418 entendeu pela possibilidade de atualização do crédito pela taxa Selic. Em vista do exposto, entendo que devo conhecer o recurso especial em relação às matérias admitidas em Despacho de Exame de Admissibilidade – ou seja, sobre as seguintes matérias: · Rateio dos créditos apurados; · Glosa das aquisições de combustíveis; · Aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial; · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido; · Atualização monetária. Contrarrazões devem ser consideradas, eis que tempestivas." Do Mérito "Antes de se adentrar a cada matéria, importante trazer breve histórico do caso vertente: · O sujeito passivo desenvolve atividades agroindustriais e produz as mercadorias de NCM dos capítulos 8 a 12 referidas no art. 8º da Lei 10.925/074, realizando operações no mercado interno e exportações diretas e indiretas; · Observa a sistemática não cumulativa das contribuições, nos termos da Lei 10.833/03 e da Lei 10.637/02, sendo que para a sua atividade, adquire de fornecedores pessoas físicas residentes no país e jurídicas situadas no mercado interno, bens e serviços – insumos – para a produção de mercadorias; · Tendo acumulado créditos por aquisições – custos, despesas e demais encargos, protocolou pedido de ressarcimento do saldo de crédito. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer a priori sobre o critério de rateio dos créditos apurados e em seguida sobre as demais matérias conhecidas." (...)1 "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. A discussão gira em torno das seguintes matérias: i) rateio das receitas de exportação; ii) glosa de créditos sobre combustíveis; iii) aproveitamento do crédito presumido da agroindústria; iv) ressarcimento/compensação do crédito presumido da agroindústria; e, v) atualização monetária do ressarcimento do saldo credor. i) rateio das receitas de exportação 1 Deixouse de transcrever, do voto do paradigma, a parte na qual a relatora enfrentou as questões admitidas no recurso, pois todos os entendimentos foram vencidos na votação, não se aplicando, portanto, na solução do presente litígio (íntegra do voto no acórdão do processo paradigma). Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10950.001901/200718 Acórdão n.º 9303005.833 CSRFT3 Fl. 7 6 O contribuinte questionou o critério utilizado pela autoridade administrativa para o rateio das receitas, utilizado para apuração dos créditos da Cofins, passiveis de desconto e/ ou ressarcimento. Conforme demonstrado nos autos e não impugnado pelo contribuinte, as receitas de exportação decorrem de vendas de mercadorias próprias e de mercadorias adquiridas de terceiros com o fim específico de exportação. A Lei nº 10.833, de 29/12/2003, assim dispõe sobre os créditos da Cofins não cumulativa, vinculados às exportações: "Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...). III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3o. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação."(destaque não original). Ora, nos termos deste dispositivo, é vedado o aproveitamento (desconto) de créditos vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, por da parte da exportadora (comercial/trading). Assim, se tais receitas não geram créditos para a exportadora, obviamente, que não podem integrar as receitas de exportação, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado para a apuração dos créditos da contribuição a que o contribuinte faz jus. No mês de outubro de 2006, as receitas de exportação do contribuinte decorreram integralmente da exportação de mercadorias adquiridas de terceiros com o fim específico de exportação. Portanto, neste mês, o índice apurado foi de zero, caso contrário, estaria permitindo o aproveitamento com base num índice de 100,0%, em total desacordo com o § 4º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, citado e transcrito anteriormente. ii) glosa de créditos sobre combustíveis. A Lei nº 10.833, de 2003, prevê o aproveitamento de créditos sobre custos com combustíveis, desde que utilizados na produção ou fabricação dos bens vendidos, conforme estabelece o art. 3º, inciso II, literalmente: Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10950.001901/200718 Acórdão n.º 9303005.833 CSRFT3 Fl. 8 7 "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...). II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; " (...)." No presente caso, conforme demonstrado nos autos e não impugnado pelo contribuinte as glosas foram efetuadas sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados/consumidos no processo de produção ou fabricação dos produtos vendidos e sim em outros setores da empresa. Comprova esta afirmativa excertos transcritos do relatório produzido pela fiscalização, abaixo transcrito: iii) aproveitamento do crédito presumido da agroindústria O contribuinte pleiteia créditos presumidos da Cofins sobre as aquisições de produtos agrícolas (soja e milho) adquiridos de produtores rurais pessoas físicas, beneficiados e vendidos por ele. No entanto, somente faz jus a esse crédito as pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal e vegetal, conforme estabelece a Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004, que assim dispõe: "Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10950.001901/200718 Acórdão n.º 9303005.833 CSRFT3 Fl. 9 8 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (...); III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...). § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; (destaques não originais) (...)." No presente caso, do exame da Trigésima Quarta Alteração do Contrato Social às fls. 129/138, constatase que o contribuinte exerce, dentre outras, as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, bem como a atividade agrícola, o que o enquadra no § 4º, inciso I, do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, que veda o aproveitamento de crédito presumido da agroindústria para tais atividades. Além disto, segundo o disposto no art. 8º, citado e transcrito anteriormente, a pessoa jurídica para ter direito ao crédito presumido da agroindústria deve produzir mercadorias classificadas nos capítulos e códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul elencados no caput do artigo; as mercadorias devem ser destinadas à alimentação humana ou animal; e as pessoas jurídicas produtoras devem adquirir os insumos (conforme alusão ao inciso II do art. 3o da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e ao inciso II do art. 3o da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003) de pessoas físicas, de cerealista ou de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, o que não é o caso em discussão. iv) ressarcimento/compensação do crédito presumido da agroindústria. Embora o julgamento desta matéria tenha ficado prejudicado, em virtude do não reconhecimento do direito de o contribuinte aproveitar os créditos presumidos da agroindústria, ora reclamados, demonstrase, a seguir, a falta de amparo para o ressarcimento/compensação de tais créditos. Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10950.001901/200718 Acórdão n.º 9303005.833 CSRFT3 Fl. 10 9 O crédito presumido da agroindústria referente ao PIS e à Cofins foi inicialmente instituído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, § 11, foi extinto pela Lei nº 10.925, de 23/07/2004, art. 16, convertida da MP nº 183, de 30/4/2004. Contudo, esta mesma lei o reinstituiu, nos termos do art. 8º, já citado e transcrito anteriormente, e art. 15, que assim dispõe: "Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaque não original) [...]." Ora, segundo o disposto nos art. 8º e 15, citados e transcritos anteriormente, o crédito presumido da agroindústria somente pode ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, inexistindo previsão legal para o ressarcimento/compensação. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 6º da Lei n° 10.833, de 2003, contemplam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º daquela lei, assim dispondo: "Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art 3º, para fins de: (destaque não original) [...]." Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe em seu art. 21: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637. de 30 de dezembro de 2002. e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: (destaque não original) [...].” Segundo, estes dispositivos legais, apenas os créditos apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, podem ser objeto de pedido de restituição/compensação, ou seja, os créditos sobre insumos adquiridos com incidência da contribuição cujo ônus do pagamento efetivo é do adquirente. Os créditos presumidos da agroindústria não são apurados na forma daquele artigo, mas sim nos termos do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925, de 23/07/2004. Já suas utilizações estão previstas no próprio art. 8º e no art. 15, desta mesma lei, citados e Fl. 697DF CARF MF Processo nº 10950.001901/200718 Acórdão n.º 9303005.833 CSRFT3 Fl. 11 10 transcritos anteriormente, ou seja, podem ser utilizados apenas e tão somente para dedução da contribuição devida em cada período de apuração. v) atualização monetária do ressarcimento do saldo credor. A atualização monetária do ressarcimento de saldo credor da Cofins não cumulativa, calculados à taxa Selic, é expressamente vedado pela própria Lei nº 10.833, de 2003, que instituiu o regime nãocumulativo, assim dispondo: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores.” Contra disposição expressa da lei não é cabível aplicar analogias com decisões judiciais não aplicáveis ao caso concreto, como pretende a relatora. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 698DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.014604/2009-86
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/05/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 46 04 /2 00 9- 86 Fl. 514DF CARF MF Processo nº 15504.014604/200986 Acórdão n.º 9202005.903 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 15504.014604/200986 Acórdão n.º 9202005.903 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 516DF CARF MF Processo nº 15504.014604/200986 Acórdão n.º 9202005.903 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 15504.014604/200986 Acórdão n.º 9202005.903 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 518DF CARF MF Processo nº 15504.014604/200986 Acórdão n.º 9202005.903 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 519DF CARF MF Processo nº 15504.014604/200986 Acórdão n.º 9202005.903 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 520DF CARF MF Processo nº 15504.014604/200986 Acórdão n.º 9202005.903 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 521DF CARF MF Processo nº 15504.014604/200986 Acórdão n.º 9202005.903 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 522DF CARF MF Processo nº 15504.014604/200986 Acórdão n.º 9202005.903 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 523DF CARF MF Processo nº 15504.014604/200986 Acórdão n.º 9202005.903 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 524DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.902292/2009-43
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.236
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/01/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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PROVA DO INDÉBITO. Recorrente TOTAL ALIMENTOS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 22 92 /2 00 9- 43 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10660.902292/200943 Acórdão n.º 9303005.236 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 380302.073, de 7 de novembro de 2011, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF. A discussão dos presentes autos tem origem em PER/DCOMP apresentada para compensar os débitos nela declarados com crédito oriundo pagamento a maior de PIS/Cofins. A DRFVarginha/MG não homologou as compensações declaradas sob o argumento de que o pagamento foi utilizado para quitação de outros débitos do Contribuinte, espontaneamente confessados, não restando saldo disponível para compensação. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que após a declaração de inconstitucionalidade do § 1º o do artigo 3ºo da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, pelo STF, recalculou a contribuição devida no período, excluindo da base de cálculo as receitas financeiras. A diferença apurada foi usada como crédito na Dcomp. A DRJ/JFA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. O Colegiado do CARF, por unanimidade de votou, negou provimento ao recurso, em face da falta de retificação da DCTF e da ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito alegado, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2003 Ementa: ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10660.902292/200943 Acórdão n.º 9303005.236 CSRFT3 Fl. 4 3 É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência em face do acórdão recorrido. Suscitou divergência quanto à necessidade de apresentação de retificadora de DCTF em momento anterior à transmissão do PER/DCOMP, apresentando, como paradigmas, os acórdãos 3302001.805 e 3302001.797. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido conforme despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, que entendeu ter sido comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestandose pelo não provimento do recurso especial, para manter o v. acórdão recorrido. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.226, de 20/06/2017, proferido no julgamento do processo 10660.902282/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.226): Da Admissibilidade O Recurso Especial é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O Contribuinte suscita divergência quanto à incumbência de provar a liquidez e certeza do direito de crédito pleiteado, indicando como paradigmas os Acórdãos 3302 001.805, nº 3302001.797 e nº 140200.926, cuja cópia de inteiro teor foi anexada à peça recursal. Do voto condutor deste acórdão, extraio o seguinte trecho, que evidencia que a decisão fundamentouse em entendimento divergente do adotado na decisão recorrida: "A existência de pagamento indevido ou a maior em nenhum momento foi avaliada pela DRF, que se limitou a informar que o alegado crédito estava totalmente alocado a outros débitos conforme informado em DCTF. Ora, como tenho me manifestado em diversas ocasiões, no âmbito do processo administrativo impera o princípio da verdade material, que obriga a autoridade administrativa a analisar exaustivamente os fatos alegados pelos contribuintes, Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10660.902292/200943 Acórdão n.º 9303005.236 CSRFT3 Fl. 5 4 solicitando inclusive diligencias e apresentação de novas provas das alegações existentes no processo administrativo fiscal. (...) Nesta linha de pensar, a autoridade preparadora deve promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários tendo por norte o principio da verdade material, e, no caso de serem os créditos suficientes, homologar as compensações efetuadas. Caso contrário, sejam compensados os débitos declarados até o limite dos créditos existentes e intimada a contribuinte para a apresentação de manifestação de inconformidade contra a homologação parcial das compensações." Assim, no paradigma entendeuse que incumbe à Administração Tributária aquilo que, na decisão recorrida, foi atribuído ao Contribuinte, restando comprovada e demonstrada a divergência suscitada, motivo pelo qual do conheço o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Do Mérito Com a devida vênia ao bem fundamentado voto da Ilsutre Conselheira Relatora, a maioria do Colegiado divergiu do seu entendimento, pelas razões que serão consignadas no presente voto vencedor. O mérito do recurso especial cingese à necessidade (ou não) de apresentação de retificadora de DCTF em momento anterior à transmissão do PER/DCOMP referente aos valores envolvidos na compensação, bem como ser ônus da Autoridade Fiscal a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário. A compensação de créditos decorrentes do pagamento indevido ou a maior é prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96, e regulamentada por meio da IN RFB nº 1.717/2017, atualmente em vigor. Indispensável à homologação do pedido de compensação é a existência de crédito líquido e certo do Contribuinte, bem como esteja devidamente demonstrado nos autos do processo administrativo. No recurso especial, a Contribuinte insurgese face à não homologação de seu pedido de compensação, alegando ser dispensável a apresentação de DCTF retificadora para tanto. Além disso, alega que tendo sido transmitidas as declarações obrigatórias pelo Sujeito Passivo, o dever de buscar outros documentos que eventualmente entenda necessários à comprovação da certeza e liquidez do crédito é do julgador administrativo. De fato, o crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nasce com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário deve restar comprovada por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10660.902292/200943 Acórdão n.º 9303005.236 CSRFT3 Fl. 6 5 RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10660.902292/200943 Acórdão n.º 9303005.236 CSRFT3 Fl. 7 6 administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. e processo 11170.720001/201442 No caso dos autos, da fundamentação do acórdão recorrido depreendese ter sido explicitado o entendimento para manutenção da glosa das compensações, pois, além de não ter havido prova da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado na compensação pela Contribuinte, por meio de documentos fiscais, não foi transmitida a DCTF retificadora prévia e espontaneamente ao despacho decisório, conforme autorizado pelo art. 10 da IN SRF nº/2004, vigente à época. Segundo a decisão combatida, tivesse a Contribuinte apresentado a DCTF retificadora, seria transferido para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Embora se entenda que a apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é uma condição para a homologação das compensações, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, quando da sua apresentação, deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, providência não adotada no caso em exame. De outro lado, no que concerne ao ônus da prova da certeza e liquidez do crédito tributário, devese ter claro que, pelo princípio da verdade material, norteador do processo administrativo, o julgador tem o poderdever de buscar o esclarecimento dos fatos, adotando providências no sentido de conduzir o processo à busca da verdade real dos fatos. No entanto, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complemenares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações. Nesse sentido, é a disposição do art. 373 do Código de Processo Civil de 2015, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10660.902292/200943 Acórdão n.º 9303005.236 CSRFT3 Fl. 8 7 nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no §1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o §3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Dentro do princípio da cooperação no processo, mudança significativa introduzida pelo Novo Código de Processo Civil, as partes envolvidas na lide podem solicitar provas e buscálas, sendo concebido o processo para todos os envolvidos, inclusive o juiz da causa. No entanto, não se pode interpretar referida diretriz como total transferência do ônus probatório. A providência só poderá ocorrer mediante decisão devidamente fundamentada. No caso em exame, com a manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, limitouse a contribuinte a juntar a DCTF e DACON, não trazendo quaisquer outros elementos de prova que comprovem a certeza e liquidez do crédito tributário. Portanto, nesse caso, não cabe se falar em ônus do julgador em solicitar providências complementares, pois sequer foram juntados documentos fiscais e contábeis, de sua posse, para essa comprovação. Diante do exposto, negouse provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 159DF CARF MF
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