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Numero do processo: 10950.006287/2007-81
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito.
Numero da decisão: 1002-000.230
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: 05751001842 - CPF não encontrado.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 62 87 /2 00 7- 81 Fl. 148DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra decisão da DRJ Curitiba, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte acima qualificada. A interessada apresentou PER/DCOMP em 11/2007 (e.fls. 6), pleiteando créditos constantes do processo 13956.000170/200641, que a legislação considera não ter natureza tributária, por ter origem em títulos públicos das Centrais Elétricas Brasileiras S/A. A DRF de origem indeferiu o pleito, sob argumento de não existir previsão legal para extinção de créditos tributários mediante compensação com títulos públicos emitidos pela Eletrobrás. Devido à proibição normativa à compensação desse tipo de crédito, foi formalizado no presente processo lançamento de multa de ofício isolada de 75%, com base no art. 18 da Lei n.° 9.430/1996. Por bem descrever os fatos ocorridos até este momento processual, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: "Trata o processo de lançamento de R$ 3.848,10 de multa de 75%, exigida isoladamente, por meio do auto de infração de fls. 16/19, em virtude de compensações consideradas não declaradas, conforme Despacho Decisório da DRF/Maringá, emitido no Processo Administrativo n.° 13956.000842/200707 (fls. 11/14), decorrente de crédito que adviria de cautela de obrigações das Centrais Elétricas Brasileiras S/A, cuja restituição foi solicitada em processo administrativo distinto (n.° 13956.000170/200641); o fundamento legal da autuação encontrase descrito às fls. 18. Cientificada em 12/12/2007 (fl. 19), a interessada, por intermédio de responsável legal, apresentou, em 20/12/2007, a impugnação de fls. 21/40, trazendo os argumentos sintetizados a seguir. Após falar, sinteticamente, sobre os fatos que levaram à autuação, no item 'Da suposta compensação indevida', contesta o entendimento do fisco de ser indevida a compensação declarada, tecendo considerações, com menções à doutrina e à jurisprudência, sobre o instituto da compensação, e diz que a sua previsão legal validaria suas ações nesse sentido. A seguir, no item 'Da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil para administrar empréstimo compulsório', efetua comentários sobre ser a Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB competente para administrar, e, portanto, restituir empréstimo compulsório, dizendo que não há como dissociar esse órgão (RFB) da pessoa jurídica União Federal; alega que a IN SRF n.° 600, de 2005, em seu art. 15, contemplaria a possibilidade da restituição, e conseqüente compensação, de receita não administrada pela RFB, acrescentando: 'É de se observar que a IN/SRF 600/05, em seu art. 15 permite a restituição e compensação de tributos não Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10950.006287/200781 Acórdão n.º 1002000.230 S1C0T2 Fl. 3 3 administrados pela RFB, desde que recolhidos mediante guia DARF. Contudo, diz em seu art. 31, § 1°, 'e', que não pode realizar restituição e compensação de tributos não administrados pela RFB. Em que pese à divergência aparente, tal não ocorre, uma vez que a interpretação dos dispositivos nos leva à conclusão de que tributos federais não administrados pela RFB podem ser objeto de restituição e compensacão, enquanto tributos estaduais e municipais não podem. (...) A questão não diz quanto aos tributos recolhidos mediante DARF, mas sim tributos recolhidos e destinados à União, como o empréstimo compulsório materializado em obrigações da Eletrobrás.'. Na seqüência, sob o titulo 'Da extinção do crédito tributário — art. 156, II, CTN', afirma que o valor apontado pelo fisco para imposição da multa é feito de forma arbitrária, posto que os débitos fiscais estariam extintos (art. 156, II, do CTN), sob condição resolutória de ulterior homologação, ante a existência de 'pedido de compensação', ou, caso não seja este o entendimento, que seja reconhecida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, III do CTN, uma vez que há procedimento administrativo pendente de decisão definitiva, tema, aliás, sobre o qual faz mais digressões no tópico 'Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário — art. 151, III, CTN', o qual finda falando que: 'assim, mais do que demonstrado que o valor constante do auto de infração é objeto de discussão administrativa, sendo direito liquido e certo da impetrante que tais débitos não sejam cobrados ou que se aplique qualquer multa.'. No item 'Da solidariedade passiva da União', reafirma a responsabilidade solidária da União quanto ao alegado empréstimo compulsório, e conclui: 'Assim, uma vez que a responsabilidade solidária da União ante o adimplemento de obrigação emitida por entidade de economia mista aconteceu por força de lei (artigo 4º, §3º, da Lei n.° 4.156/62), lei esta recepcionada pela Constituição Federal vigente (art. 34, § 12 dos ADCT) não se pode limitar sua restituição apenas coresponsável Eletrobrás.'. Por seu turno, no titulo 'Da alegada compensação indevida', argúi que não pode ser 'penalizada' com a imposição de multa isolada de 75%, sob o pretexto de compensação indevida, uma vez que não haveria dolo em sua conduta, além de que o fisco não estaria inibido, após o exaurimento da discussão administrativa, de exigir os valores que lhe são devidos, sustentando, ainda, que sua compensação não se amoldaria às hipóteses arroladas no art. 18 da Lei n.° 10.833, de 2003, pois, primeiro, inexistiria disposição legal expressa impossibilitando a compensação com obrigações da eletrobrás; segundo, o crédito é de natureza tributária; e, terceiro, não teria omitido nenhum dos elementos do fato gerador, fracionando ou retardando o pagamento do tributo. Prosseguindo, no item 'Da vedação ao confisco', faz breves considerações sobre o principio constitucional do nãoconfisco Fl. 150DF CARF MF 4 (art. 150, IV, CF/1988), depois do que diz: 'a cobrança de multa no valor de 75%, demonstra a ilegalidade e a abusividade na cobrança de eventual crédito tributário, impondo ao contribuinte excessiva carga econômica que pode ser traduzido como a implicância do indesejado efeito confiscatório.'; fala, ainda, que a redução da multa em até 50%, no caso de 'pagamento até o vencimento da intimação', evidenciaria que 'a mensuração da alíquota sobre a multa administrativa foi estabelecida por um critério amoral, ou seja, sem qualquer correlação econômico financeira pela falta de pagamento no momento oportuno'. Sob o titulo 'Do expurgo da multa', defende que a extinção dos débitos tributários indicados em declaração de compensação deve persistir enquanto o pedido de restituição, protocolizado em processo distinto, estiver pendente de decisão administrativa final, o que tornaria o auto de infração em comento desprovido de conteúdo material; diz, também, que: 'outro ponto relevante é que os procedimentos adotados pela impugnante foram observados e estão consentâneos com a legislação tributária vigente e, com espeque no parágrafo único do art. 100 do CTN, exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.'. Por fim, requer que: (a) seja considerado improcedente o lançamento da multa isolada de oficio, posto que 'o crédito utilizado na compensação declarada possui natureza tributaria (oriundo de empréstimo compulsório sobre energia elétrica, instituído pela União através da Lei n.° 4.156/62 e recepcionado pela Constituição Federal de 1988, nos moldes do artigo 34, ,¢ 12 do ADCT)'; (b) caso seja diverso o entendimento, se considere improcedente o lançamento, com espeque no art. 100, parágrafo único do CTN, uma vez que seu procedimento seria consentâneo com as normas complementares da RFB; (c) seja reconhecida e declarada a extinção da obrigação sob a condição resolutória de ulterior homologação, nos termos do art. 150, §§ 1° e 40, c/c art. 156, II, ambos do CTN, ou, subsidiariamente, seja reconhecida e declarada a suspensão do procedimento administrativo até decisão final do pedido de restituição, nos termos do art. 151, III, do CTN; (d) a decisão seja prolatada nos moldes do art. 31 do Decreto n.° 70.235, de 1972, devendo, dentre outros requisitos, referirse expressamente às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências, sob pena de se incorrer em cerceamento do direito de defesa, protestando, ainda, pela eventual produção adicional de provas, tais como juntada de documentos, oitiva de testemunhas, depoimentos pessoais, perícias." Inconformado com a decisão de primeira instância, o Recorrente apresenta o Recurso Voluntário de efl. 104, do qual foram extraídos os principais argumentos, abaixo reproduzidos: "(...) O Relator, ao proferir seu voto, anunciou que não cabe à administração pública verificar a constitucionalidade das leis e Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10950.006287/200781 Acórdão n.º 1002000.230 S1C0T2 Fl. 4 5 nem de seus atos. Afirma estar a fazenda vinculada somente à legalidade. Ledo engano. O Supremo Tribunal Federal em dois momentos já pronunciou de forma sumulada a possibilidade da administração verificar a constitucionalidade e legalidade de seus atos, analise: 'Súmula 346: A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos.' 'Súmula 473: A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornem ilegais, porque deles não se originam direitos, ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial'. Isto quer dizer que toda a sua atuação pode ser pautada pelos princípios constitucionais, retirando a força normativa infraconstitucional quando verificado contraposição aos nortes magnos definidos na carta maior. No presente caso, não há duvidas da natureza tributária do empréstimo compulsório, e como tal, sua devolução também deve possuir a mesma característica. Se esse não for o entendimento estaria o Estado enriquecendose ilicitamente e encampandose nos privilégios que crédito tributário possui, para receber antes de pagar o que deve. De tal maneira, considerar a impossibilidade da compensação por não dar natureza tributária aos valores a serem restituídos, em razão de estarem estampados em um titulo da Eletrobrás, é o mesmo que esquecer a essência do direito, qual seja, empréstimo compulsório. Analisando que a compensação é forma de exteriorização da proteção da propriedade dos participantes, evitando a vantagem de um receber e não pagar, a ordem taxativa legal deve ser flexibilizada diante magnitude dos princípios constitucionais. Ainda, não existe normativo que direcione quem administra os empréstimos compulsórios, sendo calhado para a Receita Federal do Brasil, podendo perfeitamente, ser aceita a compensação." Ao final requer a reforma do acórdão recorrido e a improcedência da autuação. É o Relatório. Fl. 152DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Conforme se demonstrará a seguir, o Recurso é manifestamente intempestivo, e, portanto, dele não se toma conhecimento. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias o prazo para interposição do Recurso Voluntário contra decisão de DRJ Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, a contar da ciência da decisão: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A Regra Geral de contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal Federal é estabelecida pelo art. 5º, do Decreto nº 70.235/72: Art. 5º: Os prazos serão contínuos, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o dia do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Considerando que o Recorrente tomou ciência da decisão da DRJ na terça feira, dia 08/12/2009 (efl. 102) e apresentou seu recurso voluntário somente na sextafeira, dia 08/01/2010 (efl. 104), portanto, um (01) dia após o vencimento do prazo, o Recurso Voluntário é intempestivo e não deve ser conhecido por este colegiado, tornandose definitiva a decisão de primeira instância no âmbito administrativo, a teor do que dispõe o artigo 42 do Decreto n° 70.235/1972: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] Assim, descumprido o pressuposto de admissibilidade previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário por considerálo intempestivo. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 153DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.001432/2004-83
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Data do Fato Gerador: 01/01/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso na matéria inovada.
MÉRITO. ATIVIDADE VEDADA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. EXCLUSÃO.
Não podem optar pelo Simples as pessoas jurídicas que exercem atividades de locação de mão de obra, de cessão de mão-de-obra ou de empreitada exclusivamente de mão de obra. Enquadram-se como serviços realizados mediante cessão de mão-de-obra os serviços de instalação e manutenção de peças, máquinas e equipamentos, mesmo quando prestados por mão-de-obra sem qualificação técnica, quando tal atividade é exercida como atividade-fim da contribuinte, notadamente mediante formalização de Contrato de Locação de Mão-de-Obra.
Recurso Voluntário Negado
Sem crédito em Litígio
Numero da decisão: 1002-000.203
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer no que diz respeito a irretroatividade dos efeitos jurídicos do ato de exclusão, bem como em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Data do Fato Gerador: 01/01/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso na matéria inovada. MÉRITO. ATIVIDADE VEDADA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. EXCLUSÃO. Não podem optar pelo Simples as pessoas jurídicas que exercem atividades de locação de mão de obra, de cessão de mão-de-obra ou de empreitada exclusivamente de mão de obra. Enquadram-se como serviços realizados mediante cessão de mão-de-obra os serviços de instalação e manutenção de peças, máquinas e equipamentos, mesmo quando prestados por mão-de-obra sem qualificação técnica, quando tal atividade é exercida como atividade-fim da contribuinte, notadamente mediante formalização de Contrato de Locação de Mão-de-Obra. Recurso Voluntário Negado Sem crédito em Litígio
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer no que diz respeito a irretroatividade dos efeitos jurídicos do ato de exclusão, bem como em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
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PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso na matéria inovada. MÉRITO. ATIVIDADE VEDADA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. EXCLUSÃO. Não podem optar pelo Simples as pessoas jurídicas que exercem atividades de locação de mão de obra, de cessão de mãodeobra ou de empreitada exclusivamente de mão de obra. Enquadramse como serviços realizados mediante cessão de mãodeobra os serviços de instalação e manutenção de peças, máquinas e equipamentos, mesmo quando prestados por mãodeobra sem qualificação técnica, quando tal atividade é exercida como atividadefim da contribuinte, notadamente mediante formalização de Contrato de Locação de MãodeObra. Recurso Voluntário Negado Sem crédito em Litígio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 14 32 /2 00 4- 83 Fl. 109DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer no que diz respeito a irretroatividade dos efeitos jurídicos do ato de exclusão, bem como em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 91/104) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, estando estes autos (13888.001432/200483) apensados ao Processo nº 13888.001719/200411 (efl. 33), relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância, datada da sessão de 24/04/2006, consubstanciada no Acórdão n.º 1412.440 (efls. 50/55), da 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação (e fls. 35), que pretendia desconstituir o Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/PCA nº 34, de 02 de agosto de 2004 (efl. 29), que exclui, de ofício, a contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), Simples Federal, com efeitos retroativos a 1º de janeiro de 2002, com fulcro no artigo 14, inciso I, da Lei nº 9.317, de 1996, por exercício de atividade vedada (art. 9°, inciso XII, alínea "f", da Lei nº 9.317, de 1996; e artigo 20, inciso XI, alínea "e", da IN SRF nº 355/2003), tendo sido assim ementada a decisão vergastada: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2004 Ementa: EXCLUSÃO. LOCAÇÃO E/OU CESSÃO DE MÃODE OBRA. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13888.001432/200483 Acórdão n.º 1002000.203 S1C0T2 Fl. 110 3 É vedado o ingresso no Simples de pessoa jurídica que exerce atividades que envolvem locação de mãodeobra ou cessão de mãodeobra. Solicitação indeferida. Em representação (efls. 5/6) foi consignado que o contribuinte havia sido indicado para exclusão do SIMPLES por exercício de atividade vedada pela legislação do Regime Especial. O sujeito passivo foi intimado do ADE nº 34, de 2004 (efl. 29), conforme Aviso de Recebimento (AR), em 13/08/2004 (efl. 32), para no prazo de 30 (trinta) dias apresentar sua manifestação de inconformidade, oportunidade na qual alegou (efl. 35), em síntese, que os serviços de mãodeobra eram prestados de forma complementar à atividade fim de comercialização de peças e máquinas, sendo prestado por prepostos da contribuinte sem qualificação técnica, não se caracterizando enquanto atividade exclusiva de profissional habilitado (engenheiro), o que permitia o seu enquadramento no Simples. Pediu, ao final, o cancelamento do ato de exclusão. A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ que entendeu que a contribuinte efetivamente realizava cessão de mãodeobra como uma atividade lucrativa, paralelamente aos serviços de comercialização de peças e máquinas. Para tanto, fundamentouse em um Contrato de Fornecimento de MãodeObra Especializada (efls. 21/26) firmado pela contribuinte com a empresa ISC SCREENS LTDA e as notas ficais de serviços emitidas pela contribuinte (efls. 19/20). O recurso voluntário, inconformado com a decisão a quo, apresenta, em resumo, preliminar de nulidade da intimação inicial comunicando a decisão da DRJ (efls. 81/82 relata o fato) e, por isso, requer, igualmente, a nulidade das autuações. No mérito, sustenta a ilegalidade do ato declaratório executivo de exclusão reiterando os argumentos lançados na impugnação. Diz que sua atividade de instalação e montagem é complementar a atividadefim de comercialização de peças e máquinas, prestada por mãodeobra sem qualificação técnica (sem engenheiro). Acrescenta, em inovação recursal, tese de irretroatividade dos efeitos jurídicos do ato de exclusão. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator O Recurso Voluntário apresentase tempestivo (efls. 86 e 91; 81/82), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Isto por cuidar os autos de exclusão do Simples desvinculada de exigência de crédito tributário, a indicar a aplicação do art. 23 B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Fl. 111DF CARF MF 4 No entanto, o recurso não atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos. O recurso é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade, inexiste fato impeditivo ou modificativo do poder de recorrer, mas, em contra fluxo, existe fato extintivo do poder de recorrer relativo a preclusão consumativa que se operou quanto a matéria não apresentada em impugnação e discutida no recurso voluntário, qual seja, a alegação de irretroatividade dos efeitos jurídicos do ato de exclusão. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou a impugnação, contendo as matérias que delimitam expressamente os limites da lide, sendo elas submetidas à primeira instância para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Se não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventála em sede de recurso voluntário como uma inovação. O CARF não pode apreciar matéria não deliberada pela DRJ, caso contrário, estarseia, inclusive, diante de uma evidente supressão de instância. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13888.001432/200483 Acórdão n.º 1002000.203 S1C0T2 Fl. 111 5 Nesse sentido, o Egrégio CARF tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, a teor dos Acórdãos ns.º 9303004.566 (3.ª Turma/CSRF), bem como precedentes desta Colenda 2.ª Turma Extraordinária da Primeira Seção de Julgamentos a exemplo dos Acórdãos ns.º 1002000.101, 1002000.102, 1002000.103, 1002000.084, 1002.000.136 e 1002.000.137. Por conseguinte, não conheço o recurso neste ponto, no que diz respeito a irretroatividade dos efeitos jurídicos do ato de exclusão, por se tratar de inovação recursal trazida no recurso voluntário e não discutida na impugnação e, portanto, não apreciada a tese na DRJ. Quanto a preliminar de nulidade da intimação inicial comunicando a decisão da DRJ (efls. 81/82 relata o fato) e, por isso, a nulidade das autuações, não assiste razão a recorrente. É que o processo foi saneado e o prazo do recurso voluntário devolvido (efls. 81/82), de modo que não há prejuízo para o sujeito passivo, tanto que o recurso voluntário está sendo aqui apreciado e foi admitido face a sua tempestividade, inclusive tendo efeito suspensivo, a despeito de não se discutir nestes autos crédito tributário, limitandose a discutir o controle de legalidade do ato declaratório executivo de exclusão. De toda sorte, registrese que não há se falar em nulidade dos atos realizados no âmbito dos Autos de Infração nsº 13888002905/200893, l3888.002906/200838, 13888002907/200882 e l3888.002908/200827, haja vista que a contribuinte compareceu espontaneamente para deles tomar ciência, ficando os efeitos dos mencionados autos, por imperativo lógico, suspensos até que seja resolvida a questão atinente à manutenção ou não da recorrente no Simples. De mais a mais, a nulidade da intimação da comunicação do teor da decisão da DRJ, que já foi sanada, não tem o condão de anular todos os atos do processo. Não há como prosperar este pleito, por falta de amparo legal. Logo, rejeito a preliminar. Quanto ao mérito, entendo que não assiste razão a recorrente. Deveras, no que diz respeito à atividade exercida pela recorrente, não encontro motivos para infirmar a conclusão obtida pela DRJ/RPO. Defende a recorrente que os serviços de montagem, reparo e manutenção de máquinas e equipamentos são prestados, com fornecimento de mãodeobra sem qualificação técnica, de forma complementar à sua atividadefim de comercialização desses equipamentos. Afirma que a DRJ não poderia ter se fundamentado em contrato firmado em momento anterior à filiação da recorrente ao Simples. Com efeito, o citado contrato, denominado "Contrato de Fornecimento de MãodeObra Especializada" (efls. 21/26) firmado pela contribuinte com a empresa ISC SCREENS LTDA, foi assinado em 1º de outubro de 1995; por outro lado, a recorrente só ingressou no Simples em 1º de janeiro de 1997, ou seja, dois anos depois. Ocorre que, referido contrato foi firmado com prazo de vigência indeterminado, consoante Cláusula Sétima, assim redigida: Fl. 113DF CARF MF 6 Não contam dos fólios processuais qualquer documento indicativo de rescisão do instrumento em questão; ao contrário, as Notas Fiscais emitidas em 1999 (efls. 19/20) contra a empresa tomadora cujo domicílio empresarial é o mesmo daquela constante no indigitado contrato, com indicativo de horas de mãodeobra cedidas, na forma expressamente prevista na Cláusula Terceira do contrato, indicam que a vigência do referido negócio jurídico, por se tratar de contrato de trato sucessivo, se manteve desde sua formalização até período posterior ao ingresso da contribuinte no Simples. O objeto do contrato em questão denota, sem margem para dúvidas, cuidarse de cessão de mãode obra, sem fazer menção à qualquer equipamento que tenha sido comercializado ou adquirido pela contratante junto à contratada. Nesse sentido, faço alusão ao Acórdão nº 180301.363, da 3ª Turma Especial, sessão de 13 de junho de 2012, assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 CESSÃO DE MÃO DE OBRA. VEDAÇÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE DIGITAÇÃO E PREPARAÇÃO DE DADOS PARA PROCESSAMENTO. ENQUADRAMENTO. Não podem optar pelo Simples as pessoas jurídicas que exercem atividades de locação de mão de obra, de cessão de mãodeobra ou de empreitada, exclusivamente de mão de obra. Enquadramse como serviços realizados mediante cessão de mãodeobra os serviços de digitação e preparação de dados para processamento. Não é o caso, portanto, de serviços complementares e eventuais de instalação de máquinas e equipamentos, o qual, de fato, permitira o enquadramento no SIMPLES. Pelo que dos autos consta, a atividade de locação de mãodeobra é exercida de forma independente e autônoma pela contribuinte. Tratase, portanto, de atividade vedada pela Lei nº 9.317/1996, razão pela qual vislumbro irretocável, nesse aspecto, a decisão colegiada combatida. De fato, no momento em que a fiscalização constata que a contribuinte está enquadrada em uma das condições elencadas nos incisos do artigo 9º da Lei 9.317, de Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13888.001432/200483 Acórdão n.º 1002000.203 S1C0T2 Fl. 112 7 1996, é consectário lógico da atividade fiscalizatória atentarse para a realidade concreta dos fatos, no dever que possui em sua atividade vinculada. Demais disto, a ninguém é permitido alegar o desconhecimento da lei, o descumprimento das condições para enquadramento no Simples enseja a exclusão de ofício, nos termos do artigo 14, inciso I, combinado com o artigo 9º, inciso XII, alínea "f", da Lei nº 9.317/1996. Destarte, à luz da documentação constante nos autos, resta demonstrado que o sujeito passivo, por ocasião de sua exclusão, na forma do ADE em referência, de fato se enquadrava em atividade vedada pela legislação de regência do Simples, circunstância que resulta na correta exclusão. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer no que diz respeito a irretroatividade dos efeitos jurídicos do ato de exclusão, bem como em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em lhe negar provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.003033/2009-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO.
Para fins de apuração de crédito do PIS/Pasep e da Cofins não-cumulativos, há de se observar o rol de deduções previstos no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, adotando-se, no que tange ao seu inciso II, a interpretação intermediária construída no CARF quanto ao conceito de insumo, tornando-se imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise acerca da sua essencialidade.
No caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com (a) embalagens e (b) fretes, porém, mantida a glosa no que tange às despesas com condomínio.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-004.498
Decisão: Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: por unanimidade de votos, em dar provimento para admitir o creditamento de embalagens e fretes das embalagens e, por maioria de votos, em negar provimento para manter a glosa relativa à despesa com condomínio, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada) e Semíramis de Oliveira Duro.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. Para fins de apuração de crédito do PIS/Pasep e da Cofins não-cumulativos, há de se observar o rol de deduções previstos no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, adotando-se, no que tange ao seu inciso II, a interpretação intermediária construída no CARF quanto ao conceito de insumo, tornando-se imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise acerca da sua essencialidade. No caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com (a) embalagens e (b) fretes, porém, mantida a glosa no que tange às despesas com condomínio. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: por unanimidade de votos, em dar provimento para admitir o creditamento de embalagens e fretes das embalagens e, por maioria de votos, em negar provimento para manter a glosa relativa à despesa com condomínio, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada) e Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Recorrente POMAGRI FRUTAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. Para fins de apuração de crédito do PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos, há de se observar o rol de deduções previstos no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, adotandose, no que tange ao seu inciso II, a interpretação intermediária construída no CARF quanto ao conceito de insumo, tornandose imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise acerca da sua essencialidade. No caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com (a) embalagens e (b) fretes, porém, mantida a glosa no que tange às despesas com condomínio. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: por unanimidade de votos, em dar provimento para admitir o creditamento de embalagens e fretes das embalagens e, por maioria de votos, em negar provimento para manter a glosa relativa à despesa com condomínio, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada) e Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 30 33 /2 00 9- 80 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10925.003033/200980 Acórdão n.º 3301004.498 S3C3T1 Fl. 3 2 Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10925.003033/200980 Acórdão n.º 3301004.498 S3C3T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase o presente processo de pedido de ressarcimento, cumulado com declarações de compensação, relativo a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep Não Cumulativa, vinculado a receitas de vendas submetidas à alíquota zero (produção e comercialização de maçãs), deferido parcialmente por Despacho Decisório exarado pela unidade de origem. Dessa forma, apenas parte das compensações declaradas foi homologada. Conforme Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal constante nos autos, o reconhecimento parcial do crédito decorreu de glosas efetuadas em itens diversos de custo e despesa que compunham o crédito demonstrado pelo contribuinte no Dacon. Cientificado do decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual pede o reconhecimento integral do crédito de ressarcimento, com base nas seguintes razões: (i) Os materiais de embalagens (cantoneiras, bandejas, fitas adesivas, pallets, papelseda, plástico bolha, tampas, fundos, caixas de papelão etc) são indispensáveis ao acondicionamento do produto, não exclusivamente com o fim de transporte, porquanto utilizados para assegurar a integridade da fruta até o seu destino; (ii) O papelseda, fita, cantoneira e outros são insumos na produção da maçã, conforme item acima, de modo que gera creditamento a despesa com o serviço de transporte para adquirilos; (iii) A despesa com condomínio deve ser creditada da mesma forma que a despesa com aluguel, pois o acessório segue o principal; (iv) Não existe lei formal determinando a aplicação do conceito de insumo do IPI à apuração das contribuições nãocumulativas; (v) O critério de insumo utilizado na decisão recorrida não está em conformidade com Soluções de Consulta emanadas das Superintendências da Receita Federal do Brasil (Processo de Consulta nº 99/09 da SRRF6ªRF), com decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Recurso Voluntário nº 146.778) e com a jurisprudência judicial (Acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, de 26 de março de 2009; Agravo Regimental no REsp nº 1.125.253/SC, de 15 de abril de 2010). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, nos termos do Acórdão nº 08033.948. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão e, insatisfeito com o seu teor, interpôs Recurso Voluntário, através do qual requereu: (i) recebimento do recurso voluntário; ii) procedência do recurso para reformar o acórdão recorrido, com o reconhecimento do direito ao crédito de PIS requerido no pedido de ressarcimento. É o breve relatório. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10925.003033/200980 Acórdão n.º 3301004.498 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.488, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10925.003010/200975, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.488): "Voto Vencido O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1) Do direito ao creditamento de COFINS linhas gerais Consoante acima indicado, a presente demanda versa sobre o direito ao creditamento de COFINS em razão da análise do conceito de insumos disposto na legislação de regência. A DRJ seguiu a legislação do IPI, entendendo que, para que fosse concedido o crédito, seria essencial o desgaste físico no produto no processo produtivo da empresa. Esse entendimento, contudo, encontrase superado por este Conselho, que construiu uma corrente intermediária própria, fugindo tanto às normas atinentes ao IPI quanto às normas atinentes ao IRPJ. E é com base nesta corrente intermediária, com a qual me alinho, que serão analisados a seguir os itens que foram objeto de glosa por parte da fiscalização. Importante destacar que o embasamento da glosa realizada pela fiscalização foi a ausência de previsão legal para autorização do creditamento realizado, e não a falta de comprovação da sua origem. Logo, a questão deve ser apreciada sobre o aspecto de direito. Sobre o creditamento, o art. 3º da Lei nº 10.833/2003 assim dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10925.003033/200980 Acórdão n.º 3301004.498 S3C3T1 Fl. 6 5 exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Grifos apostos). No que tange à alínea II acima, embora ciente que alguns julgadores deste Conselho adotam interpretação restritiva do conceito de insumos para fins de admissão do crédito, inclusive acolhendo em alguns casos o conceito de insumos inserto na legislação do IPI, tem prevalecido nas decisões proferidas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais uma posição menos engessada, por meio da análise dos créditos aplicáveis em cada caso concreto, em razão da atividade desempenhada pela empresa. A análise do presente caso, portanto, em determinadas situações, perpassa pela definição do conceito de insumos para o PIS e a COFINS. Nos termos dos recentes julgados proferidos por este Conselho, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10925.003033/200980 Acórdão n.º 3301004.498 S3C3T1 Fl. 7 6 construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Logo, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade à atividade desempenhada pela empresa, direta ou indiretamente. Esta, inclusive, também é a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento daquela Corte pode ser visualizado no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques, proferido nos autos do Recurso Especial nº 1.246.317MG: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10925.003033/200980 Acórdão n.º 3301004.498 S3C3T1 Fl. 8 7 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Quanto ao tema, filiome à corrente intermediária acima indicada, pelo que entendo merecer reforma a decisão recorrida quanto aos seus fundamentos, uma vez que, para a compreensão do direito à apuração de créditos de PIS e COFINS no sistema da nãocumulatividade, não deve ser adotado o conceito estrito de insumos constante da decisão recorrida. 2) Dos itens em que o direito ao creditamento restou afastado pela DRJ A empresa em questão planta, produz e comercializa frutas. O recorrente se insurge contra o entendimento da DRJ, argumentando que as despesas com aquisições de embalagens, frete das embalagens e condomínio devem gerar crédito de COFINS por serem todas diretamente necessárias à comercialização do produto. Afirma que tais despesas se relacionam diretamente com a preservação da integridade do produto, transporte de insumos e armazenamento. Com relação ao condomínio, afirma que este é acessório que deve seguir a sorte do principal, que é o aluguel, devendo todas essas despesas gerar créditos de COFINS. A decisão da primeira instância analisou a legislação que trata do conceito de insumo para fins de creditamento da COFINS, e concluiu que o caso dos presentes autos não se enquadra no conceito legal, visto que as embalagens utilizadas pelo contribuinte têm a finalidade única de servir ao transporte das frutas, não havendo comprovação de que acompanham o produto em sua apresentação final ao consumidor, de modo a agregarlhe valor. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10925.003033/200980 Acórdão n.º 3301004.498 S3C3T1 Fl. 9 8 Manteve a glosa do crédito referente ao frete das embalagens por terem sido desconsideradas como insumo. Quanto aos gastos com condomínio, rejeitou o argumento de que o acessório segue o principal em razão de não haver a alegada relação de acessoriedade, visto que o pagamento do condomínio independe da existência de relação locatícia, e que o acolhimento de um brocardo para alargar a hipótese de creditamento iria de encontro ao princípio da legalidade. Além disso, a utilidade decorrente do condomínio é deslocada espaçotemporalmente do processo produtivo da maçã. Por fim, manteve as glosas dos créditos sobre as despesas com gás combustível para as empilhadeiras, por não ter havido a desconstituição pelo contribuinte da constatação de que as empilhadeiras possuem uso geral para transporte de objetos, não estando sua utilidade adstrita à produção das maçãs. Entendo que assiste razão ao contribuinte em seus argumentos, consoante restará devidamente demonstrado nos tópicos a seguir. 2.1. Das embalagens As embalagens aqui analisadas são as seguintes: bandejas (utilizadas nas caixas de papelão para separar e acondicionar as maçãs), cantoneiras (utilizadas nas caixas de papelão, para proteger o produto, durante o transporte até o cliente, evitando o amassamento da caixa e das maçãs), fitas adesivas (para lacrar o fundo das caixas), pallets e seus acessórios (tais como pregos e etiquetas, utilizados no armazenamento e transporte das caixas de maçãs), papelseda (utilizado para embrulhar a maçã), plástico bolha (empregado para envolver a maçãs, evitando o atrito entre elas), caixa e fundos (usados no acondicionamento das frutas), tampas (utilizadas para proteger a fruta do contato com o ambiente externo), cola (utilizada para colar os rótulos nas caixas de madeira), filme PVC (usado para segurar as caixas nos pallets), termógrafo (usado para controlar a temperatura das caixas quando transportadas). Quanto às embalagens, entendo que a legislação admite o direito ao crédito no caso concreto ora analisado, ainda que as embalagens utilizadas. Isso porque, em razão da especificidade dos produtos produzidos pela Recorrente, é inconteste que as embalagens servem não apenas para o mero transporte, mas também para o seu acondicionamento, apresentandose essenciais à conservação da integridade e qualidade do produto. Conforme fundamentos constantes do tópico anterior, entendo desnecessário que as embalagens sejam incorporadas ao produto durante o processo de industrialização para que seja reconhecido o seu direito ao crédito. É imprescindível, na verdade, identificar se o insumo em questão é essencial à atividade produtiva desempenhada pela empresa, direta ou indiretamente, tendo concluído no caso dos presentes autos que sim. Até porque, ainda que se entendesse que as embalagens em questão seriam destinadas apenas ao transporte, o que não é o caso, a legislação atinente à COFINS não acoberta a restrição realizada pela fiscalização para fins de tomada de crédito, a qual levou em consideração a legislação do IPI, cuja aplicável há de ser afastada. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10925.003033/200980 Acórdão n.º 3301004.498 S3C3T1 Fl. 10 9 Estes custos com embalagens para acondicionamento e transporte, em razão da especificidade dos produtos que a Recorrente comercializa, são essenciais a que o produto produzido pela empresa seja colocado à venda, pelo que se insere no conceito de insumo que adoto, nos termos acima analisados. Entendo, ainda, que este item específico também se insere no inciso IX, que expressamente autoriza o creditamento relativo à armazenagem de mercadoria e frete na importação de vendas, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Isso porque, verificase que a adoção da embalagem em questão é necessária tanto para a armazenagem quanto para o transporte dos produtos que a recorrente industrializa e comercializa, em razão das suas especificidades. Há de se destacar, inclusive, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caso análogo, já se manifestou pelo direito ao crédito em tal caso. É o que se infere da decisão a seguir transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CREDITAMENTO. Para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS/PASEP, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido) TAMBORES UTILIZADOS COMO EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. GÁS EMPREGADO EM EMPILHADEIRAS. É legítima a apropriação do crédito da contribuição ao PIS/PASEP nãocumulativo em relação às aquisições de tambores empregados como embalagem de transporte e sobre o gás empregado em empilhadeiras, tendo em vista a relação de pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CREDITAMENTO. Para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10925.003033/200980 Acórdão n.º 3301004.498 S3C3T1 Fl. 11 10 menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido) TAMBORES UTILIZADOS COMO EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. GÁS EMPREGADO EM EMPILHADEIRAS. É legítima a apropriação do crédito da contribuição à COFINS nãocumulativa em relação às aquisições de tambores empregados como embalagem de transporte e sobre o gás empregado em empilhadeiras, tendo em vista a relação de pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo. (Acórdão n. 9303004.192, de 04/08/2016). Logo, entendo que a decisão recorrida também deverá ser reformada neste ponto, para fins de admitir o direito ao crédito também no que concerne aos tambores utilizados para acondicionamento e transporte. Sendo assim, entendo que deverá ser reconhecido o direito ao crédito no que concerne às embalagens. 2.2. Dos fretes das embalagens A segunda glosa objeto da presente demanda incidiu sobre o serviço de transporte de material não considerado insumo na produção da maçã, tais como papelseda, fitas, filmes, cantoneira, cola, termógrafo etc. O contribuinte defende que, uma vez considerado insumo o material de embalagem utilizado, a despesa com frete na sua aquisição é capaz de gerar creditamento. No que tange aos fretes das embalagens, uma vez admitido o crédito no que concerne às embalagens, entendo que há de ser admitido o direito ao crédito também no que tange aos fretes das referidas embalagens. Até porque, penso que o gasto com frete pago ou creditado pelo comprador à pessoa jurídica domiciliada no País incorporase ao custo de aquisição do insumo, além de encontrar previsão de desconto de crédito no artigo 3º, inciso IV da Lei nº 10.833/2003, cumulado com o inciso II deste mesmo dispositivo legal. (...) Voto Vencedor (...) Quanto às despesas com condomínio, concluise que não assiste razão ao contribuinte em seu pleito, em razão da ausência de respaldo legal para o creditamento de tal despesa. Por concordar com os fundamentos constantes da decisão recorrida no que concerne a tal despesa, transcrevoo a seguir: 42. Em contraparte, o manifestante sustenta a possibilidade de creditamento com base nas despesas de condomínio, à Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10925.003033/200980 Acórdão n.º 3301004.498 S3C3T1 Fl. 12 11 semelhança do que sucede em relação às despesas de aluguel, invocado o velho brocardo de que o acessório segue o principal (accessorium seguitur principale). 43. De fato, o inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, prevê a possibilidade de as despesas incorridas com aluguel gerarem crédito na apuração nãocumulativa das contribuições. Entretanto, a máxima não se aplica à espécie, por dois motivos básicos. 44. Em primeiro lugar, não há acessoriedade entre aluguel e encargo de condomínio, uma vez ausente vínculo de causalidade entre eles. Com efeito, pagase condomínio não porque o imóvel é alugado, mas porque se usufrui de utilidades compartilhadas pelos proprietários ou usuários de prédios. 45. Pelo contrato de locação, uma das partes se obriga a ceder o uso e gozo de coisa não fungível, mediante certa retribuição. As despesas de condomínio, por sua vez, são destinadas a gastos relativos ao imóvel respectivo como, por exemplo, salários de empregados, materiais de consumo, equipamentos, serviços prestados ao condomínio, podendo, até mesmo, haver sobra em um mês determinado. Dessa forma, percebese que despesas de condomínio não se relacionam com aluguel. 46. Em segundo lugar, a aplicação de um brocardo não pode resultar na ampliação, por analogia, de hipóteses de creditamento que interferem na determinação da base de cálculo da contribuição, sob pena de ofensa ao princípio da legalidade tributária. 47. Resta verificar se os gastos com condomínio podem ser considerados insumo. 48. Dado que deles resultam utilidades imateriais para o contribuinte, seriam insumos se assim caracterizados sob o aspecto funcional. Entretanto, os serviços de condomínio são completamente deslocados espaçotemporalmente do processo produtivo da maçã. 49. Por essa razão, correta está a glosa das despesas de condomínio. Nesse mesmo sentido, já se manifestou este Conselho, consoante se extrai do Acórdão nº 3302.001.491, a seguir colacionado: (...). COFINS NÃO CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. Os bens e serviços que geram direito a crédito da contribuição são aqueles conceituados como insumos, assim entendidos os que sejam diretamente utilizados ou consumidos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Despesa de condomínio incorrida por Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10925.003033/200980 Acórdão n.º 3301004.498 S3C3T1 Fl. 13 12 indústria de beneficiamento de carnes não enquadra neste conceito. Nego, portanto, o direito creditório quanto a tal item." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário, para admitir o creditamento de embalagens e fretes das embalagens, e para manter a glosa relativa à despesa com condomínio. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.900757/2013-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito.
NÃO-CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime não-cumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-004.565
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2011 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. NÃO-CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime não-cumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
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PIS/COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. Recorrente Dona Francisca Energética S/A Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime nãocumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 90 07 57 /2 01 3- 30 Fl. 341DF CARF MF Processo nº 11060.900757/201330 Acórdão n.º 3301004.565 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria RS pela não homologação da compensação declarada, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados na Dcomp. Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o crédito declarado é legítimo, decorrente de pagamento a maior, não sendo utilizado para quitação de outros débitos. Explica a interessada que, em razão de sua atividade, por estar sujeita ao regime cumulativo e não cumulativo, faz jus aos créditos previstos no artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.637/2002 e artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.833/2003, podendo, assim, descontar créditos, relativos às operações de compra e aquisição de energia revendida, do valor apurado a título de débito de PIS e de Cofins, respectivamente, escriturandoos conforme determinam as normas aplicáveis nos campos próprio do Dacon. E que, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2012, realizou apuração dos débitos das contribuições sociais sem o desconto dos créditos permitidos na legislação tributária. Entretanto, posteriormente, decidiu pelo exercício extemporâneo de seu direito, retificando a apuração do período, para o fim de apropriar os créditos no mês de competência em que deveriam ter sido apropriados; para tanto, retificou e transmitiu o Dacon correspondente, em 29 de janeiro de 2013, acompanhado da respectiva DCTF, também retificadora. Em tópico específico – Princípio da verdade material – a contribuinte argumenta que, em razão dos princípios da estrita legalidade, da verdade material e do inquisitório na investigação dos fatos tributários, a negativa de homologação de compensação deve irrestrita obediência à lei. Desta forma, entende que o Fisco tem o dever jurídico de investigação, em busca da verdade material, mesmo nas hipóteses de compensação. A contribuinte solicita, ainda, a reunião dos processos que relaciona, para que tramitem em conjunto e sejam objeto de um único julgamento ou para que as decisões proferidas, ainda que separadamente, sejam todas no mesmo sentido, em atenção ao princípio da economia e eficiência processual e ao princípio da segurança, a fim de evitar a existência de decisões conflitantes ou divergentes sobre a mesma matéria e pressupostos fáticos e jurídicos. Por fim, a contribuinte requer que, para evitar a ciência por edital, as intimações sejam encaminhadas ao endereço do escritório administrativo, que menciona. A Recorrente apontou os seguintes motivos que legitimam o recolhimento indevido do PIS/COFINS: Fl. 342DF CARF MF Processo nº 11060.900757/201330 Acórdão n.º 3301004.565 S3C3T1 Fl. 4 3 · Suas atividades estatutárias envolvem a geração, comercialização e transmissão de energia elétrica. Para tanto, realiza operações de venda e comercialização de energia originária de seu próprio processo de geração ou adquirida de outras geradoras para revenda. · Para as operações de revenda, o regime de apuração do PIS e COFINS é o não cumulativo. · Sustenta que o contrato de compra e venda de energia elétrica foi celebrado entre a Recorrente e a Gerdau em 03 de maio de 2011. · Então faz jus aos créditos do art. 3º, I da Lei n° 10.637/2002 e art. 3º, I da Lei n° 10.833/2003. · Todavia, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2002, a empresa apurou PIS e COFINS, sem o abatimento dos créditos referentes a aquisição e energia elétrica para revenda. · Em seguida, ao constatar que a existência de créditos de PIS e COFINS não apropriados, retificou sua apuração nos meses de competência (aproveitamento extemporâneo). · No presente caso, anexou a nota fiscal de aquisição de energia elétrica, sobre a qual incidiriam PIS e COFINS passíveis de creditamento. · Após a reapuração os novos e menores débitos de PIS e COFINS foram devidamente informados em DACON retificadora transmitida em 29/01/2013. Foi feita a retificação da DCTF posteriormente. A 4ª Turma da DRJ/FNS negou provimento à manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07037.035. Em seu recurso voluntário, a Recorrente: · Em preliminar, requer a vinculação e julgamento em conjunto deste processo com outros 33 recursos voluntários contra acórdãos idênticos da DRJ de Florianópolis, uma vez que os processos decorrem dos mesmos pressupostos de fato e direito; · Reitera os fundamentos de sua impugnação; · Acosta novas provas; · Afirma que o Direito à restituição via compensação decorre do pagamento indevido, e não da declaração do crédito em DCTF; · Assevera que, por imposição do princípio da verdade material, a análise quanto à existência do crédito deve se sobrepor à declaração formal do mesmo (em DCTF) ao tempo da apresentação da DCOMP; · Ataca a decisão da DRJ, ao defender que deixou de verificar a procedência do crédito para fazer análise meramente formal quanto à existência do crédito em DCTF ao tempo da transmissão da DCOMP; · Sustenta que a prova produzida é suficiente para atestar a existência do crédito; · Por isso, requer que o próprio CARF ateste a veracidade do crédito, considerandose a suficiência da prova já apresentada; ou, alternativamente, que baixe o processo em diligência para que a DRF o faça. Em petição datada de janeiro de 2016, a empresa pugna pela aplicação do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 11060.900757/201330 Acórdão n.º 3301004.565 S3C3T1 Fl. 5 4 Esta turma de julgamento converteu o feito em diligência, Resolução n° 3301000.422, de 28 de junho de 2017, para que a unidade de origem analisasse a documentação apresentada pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, com vistas a esclarecer a existência do crédito passível de ser utilizado na compensação pretendida. Assim, foi solicitado à autoridade que: a) aferisse a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informasse se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) esclarecesse se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada e d) elaborasse relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. A diligência foi realizada, cujo despacho segue acostado nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.545, de 17 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11060.900738/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.545): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Creditamento sobre a aquisição de energia elétrica para revenda Dispõem os art.3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003 que: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: A energia elétrica adquirida para revenda subsomese à previsão normativa de creditamento sobre “bens adquiridos para revenda”, porquanto a energia elétrica foi equiparada no sistema constitucional à mercadoria (art. 155, parágrafo 2º, X, alínea “b” e parágrafo 3º, CF/88). Fl. 344DF CARF MF Processo nº 11060.900757/201330 Acórdão n.º 3301004.565 S3C3T1 Fl. 6 5 Diante disso, observase que há suporte legal que legitima o crédito de PIS sobre a energia elétrica adquirida para revenda. Dessa forma, com razão a Recorrente ao pleitear o creditamento no regime da nãocumulatividade. Fundamentação do acórdão da DRJ Como relatado, a Recorrente apresentou DCOMP em 30/01/2013 para compensar débito de IRPJ com crédito de pagamento indevido de PIS, decorrente da aquisição de energia elétrica para revenda. A DACON foi retificada em 29/01/2013 e a DCTF retificada em 05/09/2013. A DRJ ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade o fez com fundamento único: antes da apresentação da DCOMP, a empresa deveria ter retificado regularmente a DCTF. Entendo que assiste razão à Recorrente, quando afirma que a compensação via PER/DCOMP não está vinculada à retificação de DCTF. Isso porque o indébito tributário decorre do pagamento indevido, nos termos dos art. 165 e 168 do CTN, a retificação da DCTF não “cria” o direito de crédito. Nesse sentido, o CARF já se manifestou: Acórdão n° 3403002.370, 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária: DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO (DCOMP). RETIFICAÇÃO POSTERIOR DE DADOS DA DCTF. A retificação da DCTF, para demonstrar a diferença entre valor confessado e recolhido, não é condição prévia para a transmissão da DCOMP, nem é ato que, por si mesmo, cria o direito de crédito do contribuinte. A existência do indébito depende da demonstração, por meio de provas, pelo contribuinte. Recurso provido. Ademais, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, publicado no DOU de 01/09/2015, esclarece: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA Fl. 345DF CARF MF Processo nº 11060.900757/201330 Acórdão n.º 3301004.565 S3C3T1 Fl. 7 6 RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em Fl. 346DF CARF MF Processo nº 11060.900757/201330 Acórdão n.º 3301004.565 S3C3T1 Fl. 8 7 PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Assim, discordo da decisão de piso que manteve a não homologação da compensação sobre o argumento de que a DCTF retificadora deveria ter sido transmitida antes da Dcomp. Por conseguinte, se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Ônus da prova – recolhimento indevido No presente caso, a interessada trouxe elementos fiscais e societários para comprovar o valor pleiteado: estatuto social no qual consta a atividade de comercialização de energia elétrica; cópia do contrato de fornecimento de energia elétrica, celebrado em 03/05/2011, com a destinatária da energia nas operações de revenda; cópia da nota fiscal de compra de energia; DCTF e DACON retificadoras. Ressalta a empresa que o contrato de compra e venda de energia elétrica, que revendeu energia adquirida por meio da Nota Fiscal acostada aos autos, é suficiente para comprovação do direito de crédito de PIS. Em seu recurso voluntário, objetivando comprovar que a energia elétrica adquirida foi objeto de revenda, anexou: 1 planilha demonstrativa dos volumes comprados, que equivalem exatamente aos volumes vendidos; 2 o Relatório CCEE demonstrando que o balanço de energia elétrica negociada pela recorrente apresenta volumes idênticos na posição de compradora e vendedora e 3 as notas fiscais de venda de energia elétrica com os mesmos volumes apresentados nos demonstrativos. Além disso, acosta aos autos a DACON original para demonstrar que o crédito objeto da nota fiscal referida não havia sido considerado na apuração da contribuição originalmente. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 11060.900757/201330 Acórdão n.º 3301004.565 S3C3T1 Fl. 9 8 As DACON e DCTF retificadoras (acostadas na manifestação de inconformidade) se voltam a comprovar que o crédito calculado sobre a energia adquirida através da nota fiscal apresentada, gerou a apuração de PIS com valor inferior ao recolhimento do DARF, representando pagamento indevido. Toda a documentação da Recorrente foi analisada em diligência fiscal, tendo a autoridade despachado o seguinte: 7. A contribuinte apresentou cópia dos registros contábeis, livro razão e Diário, fls. 314/382388/428, onde consta registro da compra de energia elétrica, com creditamento de PIS, com base no art. 3º, inciso I, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Com resumo dos lançamentos contábeis à folha 429. 8. Conforme NFE série 1, nº 189, de 21/03/2012, fl. 53, ou no portal da Nota Fiscal Eletrônica, fls. 383/387, foi adquirido energia elétrica pela Dona Francisca Energética S.A – RS da Gerdau Aços Longos S.A., CNPJ 07.358.761/005632, localizada no município de Cachoeira Alta – GO, dentro do sistema integrado de energia, valor R$ 2.684.844,00 com destaque de PIS em R$ 44.299,93. 9. Declaração de compensação com base legal no art. 170 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966 (CTN); art. 74 da Lei nº 9.430, de 27.12.1996; art. 49 da Lei nº 10.637, de 30.12.2002; art. 17 da Lei nº 10.833, de 29.12.2003; art. 4º da Lei nº 11.051, de 29.12.2004; art. 30 da Lei nº 11.941, de 27.05.2009; IN RFB nº 1.300, de 20.11.2012; IN RFB nº 1.717, de 17.07.2017. 10. Crédito acrescido de juros equivalentes à taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia para títulos federais, nos termos do artigo 39, § 4º da Lei n.º 9.250, de 26.12.1995 e do artigo 73 da Lei nº 9.532, de 10.12.1997, e conforme inc. V do art. 143 da IN RFB nº 1.717, de 17.07.2017. 11. De acordo com o art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2002; com o art. 142 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966; Portaria RFB nº 1.453, de 29.09.2016; com a Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 e o art. 241, inc. I do Regimento da SRFB, foi constatado que a DACON retificadora de março de 2012, está em conformidade com os registros contábeis e amparada em documentação, sendo confirmado crédito de PIS não cumulativo, código 6912, pago a maior em 25/04/2012, no valor de R$ 44.299,92 e conforme indicado pela contribuinte, o valor de R$ 42.126,22 (quarenta e dois mil, cento e vinte e seis reais com vinte e dois centavos), com o acréscimo da taxa Selic acumulada, foi lançado em planilha de cálculo SAPO junto com o débito, que foi satisfeito, fls. 430/433. A diligência confirmou o crédito pleiteado e, ao cotejar com o débito apontado, reconheceu que foi suficiente para a sua satisfação, logo deve ser homologada a compensação. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 11060.900757/201330 Acórdão n.º 3301004.565 S3C3T1 Fl. 10 9 Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 349DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15868.000111/2009-30
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
IRPJ/CSLL. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA.
Súmula CARF nº 105: "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício". De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
Numero da decisão: 9101-003.500
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 IRPJ/CSLL. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. Súmula CARF nº 105: "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício". De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 IRPJ/CSLL. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. Súmula CARF nº 105: "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício". De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 00 01 11 /2 00 9- 30 Fl. 4841DF CARF MF Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 9101003.500 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto ao afastamento da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 120100.475, de 01/04/2011, por meio do qual a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu, entre outras questões, por unanimidade de votos, afastar a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLl.. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005, 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Com o advento da Lei 9.430/96, a presunção de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários adquiriu status legal e só é infirmada pela apresentação de documentação especifica para cada depósito. DEPÓSITOS BANCÁRIOS INTERPOSTA PESSOA MULTA QUALIFICADA. As inúmeras provas colhidas pela autoridade fiscal são congruentes com a acusação de que o autuado movimentou recursos à margem de sua escrituração em contas de terceiros, o que legitima, uma vez não comprovada a origem dos recursos, o lançamento tributário com base em omissão presumida de receita, bem como a aplicação da sanção punitiva no seu patamar majorado. MULTAS ISOLADAS. A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo principio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem, o que ocorreu integralmente no presente lançamento. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA CISÃO. Fl. 4842DF CARF MF Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 9101003.500 CSRFT1 Fl. 4 3 As empresas resultantes de cisão ou as que absorverem parte do patrimônio advindos dessas operações de reorganização societária respondem solidariamente pelos créditos tributários relativos a fatos geradores pretéritos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial ao recurso para afastar as multas isoladas concomitantes com a multa proporcional. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos a seguir: insurgese a União (Fazenda Nacional) contra o r. acórdão proferido pela e. Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF, na parte em que deu provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a exigência das multas isoladas, lançadas com base no art. 44, parágrafo 1º, inciso IV da Lei 9.430/96, em função do descumprimento, pelo contribuinte, do modo de pagamento do IRPJ e da CSLL sobre base de cálculo estimada (art. 2º da Lei 9.430/96); sendo assim, o presente recurso visa, tão somente, discutir a possibilidade de se aplicar, de forma acumulada, a multa de oficio devida em razão da omissão de rendimentos tributáveis e a multa isolada, devida pelo não pagamento de estimativas mensais do tributo; DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL EXISTENTE. o acórdão ora recorrido, proferido pelo e. colegiado a quo, afastou a aplicação da multa isolada prevista no art. 44, parágrafo 1º, inciso IV da Lei 9.430/96, com base no principio penal da consunção ou da absorção, por entender que referida penalidade fora absorvida pela multa de oficio aplicada sobre o valor do tributo não recolhido em definitivo; diferentemente, a e. 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, em análise da incidência concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa, com a multa de oficio sobre o tributo devido no final do ano, considerou que não se aplica o principio penal da consunção ou absorção; eis a ementa do acórdão paradigma n. 1802 00.205, abaixo transcrita em sua integralidade: [...]; na mesma linha do aresto supra, a Segunda Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento proferiu outro acórdão paradigma sob n. 180200.392, cuja ementa abaixo se reproduz integralmente: [...]; nas duas hipóteses, tanto na analisada pelo colegiado a quo, quanto na examinada pela Segunda Turma Especial da Primeira Seção do CARF, os fatos são similares. Entretanto, as soluções dadas pelos colegiados são inteiramente diferentes; Fl. 4843DF CARF MF Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 9101003.500 CSRFT1 Fl. 5 4 notese que o acórdão recorrido não aceita a incidência concomitante da multa de oficio e da denominada multa isolada prevista originalmente no art. 44, parágrafo 1º, inciso IV da Lei 9.430/96, com base no principio penal da consunção ou da absorção. Por outro lado, os acórdãos paradigmas, em divergência com a decisão impugnada, afastam a aplicação do aludido princípio penal para considerar plenamente legitima a aplicação da multa de oficio em concomitância com a multa isolada prevista para penalizar o contribuinte que não cumpre a sistemática de recolhimento mensal do tributo com base no regime de estimativa; dessa forma, uma vez evidenciado o dissídio jurisprudencial existente entre o colegiado a quo e a e. 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF, passase a demonstrar doravante as razões pelas quais merece ser adotado o entendimento exarado no paradigma, reformandose, assim, o v. acórdão ora recorrido no ponto impugnado; DAS RAZÕES PARA A REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO. o cerne do presente recurso consiste em perquirir se a multa isolada por falta de recolhimento de estimativa, originalmente disciplinada no art. 44, parágrafo 1º, inciso IV da Lei 9.430/96, pode ser afastada pela aplicação do principio da consunção ou absorção em comparação com a multa de oficio incidente sobre o imposto devido ao final do ano, à proporção que suas bases de calculo se identificarem; vale dizer, inicialmente, em suma, que não é legitima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito; por outro lado, vale destacar que não ha óbice a que sejam aplicadas ao contribuinte faltante, diante de duas infrações tributárias, duas penalidades distintas; o que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito; sendo assim, na hipótese dos autos, a legitimidade, ou não, da cumulação entre a multa de oficio e a multa isolada dependerá do exame acerca das infrações que motivaram a aplicação das mesmas; dessa forma, temse como ocorrido o bis in idem se as referidas multas decorrerem de uma mesma infração; por outro lado, será lícita a concomitância se as multas resultarem de infrações diversas, ainda que possuam bases de calculo idênticas (o que, aliás, não ocorre in casu); analisandose os autos, vêse que a aplicação da multa de oficio, prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96, resultou de infrações às regras de determinação do lucro real praticadas pelo sujeito passivo. Por outro lado, a denominada multa isolada, originalmente prevista no art. 44, parágrafo 1º, inciso IV da Lei 9.430/96, foi aplicada em razão do descumprimento, pelo contribuinte, do modo de pagamento do IRPJ e da CSLL sobre base de cálculo estimada (art. 2º da Lei 9.430/96); observese, nesse ponto, que essa sistemática de recolhimento se justifica diante da necessidade que possui a União de auferir receitas no decorrer do ano, precisamente a fim de fazer face as despesas em que incorre também nesse período. Caso não ocorresse essa Fl. 4844DF CARF MF Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 9101003.500 CSRFT1 Fl. 6 5 antecipação mensal, a União apenas teria acesso às receitas decorrentes da arrecadação do IRPJ e CSLL ao final do anocalendário, ou no exercício seguinte, por ocasião do Ajuste Anual; vêse, portanto, que com a sistemática de pagamento do IRPJ e da CSLL sobre base de calculo estimada, o contribuinte desses tributos auxilia a União a fazer frente às despesas incorridas durante o anocalendário, o que não ocorreria se a referida exação apenas fosse paga no exercício seguinte; sob essa ótica, percebese que o não pagamento de referidos tributos sobre bases estimadas é infração bastante diversa daquela consistente em desrespeito às regras de determinação do lucro real praticada pelo sujeito passivo. Sendo assim, nada impede que dessas infrações resultem penalidades distintas: da infração às normas de determinação do lucro real decorre a multa de oficio prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96, enquanto que do descumprimento da sistemática de pagamento do IRPJ e da CSLL sobre base de cálculo estimada decorre a multa isolada prevista no art. 44, parágrafo 1º, inciso IV da mesma Lei; notese, nesse ponto, que a multa de oficio somente será devida caso exista imposto a pagar por ocasião do Ajuste Anual. Por outro lado, a multa isolada será devida ainda que, ao final do período, não reste imposto a recolher, já que a infração da qual resulta essa multa consiste, simplesmente, no descumprimento da sistemática de pagamento por estimativa do IRPJ e CSLL, não possuindo qualquer relação com o pagamento em si do imposto. É o que se extrai do art. 44, parágrafo 1º, inciso IV da Lei 9.430/96, segundo o qual a multa isolada será devida ainda que o contribuinte tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no anocalendário correspondente; sendo assim, com a multa isolada o contribuinte está sendo penalizado por não auxiliar a União a fazer frente às despesas incorridas no decorrer dos anos, pelo regime de pagamento de estimativas, e não, propriamente, por não pagar o IRPJ e a CSLL, até porque, como se percebe da Lei 9.430/96, tal multa será devida ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para tais tributos; por fim, importa destacar que a multa de oficio e a multa isolada possuem bases de cálculos distintas. Com efeito, a multa de oficio deve incidir sobre o tributo efetivamente devido pelo sujeito passivo, que, no caso, é apurado no momento em que ocorre o Ajuste Anual; já a multa isolada deve incidir sobre as bases de cálculo estimadas; essas antecipações, como o próprio nome diz, não equivalem ao tributo efetivamente devido, mas, consoante a jurisprudência pacificada dos Conselhos de Contribuintes, são meros adiantamentos do tributo, que será calculado ao final do ano. Como se sabe, nem sempre o conjunto dessas antecipações pagas equivalerá ao tributo efetivamente devido, já que, no cálculo do imposto, feito por ocasião do Ajuste Anual, o contribuinte poderá deduzir determinadas despesas incorridas no decorrer do ano; em suma, as multas de oficio e isolada não decorrem da mesma infração, e não incidem sobre a mesma base de cálculo. São multas inteiramente diversas, previstas em lei, e não configuram nenhum bis in idem; se não há nenhuma dúvida de que o contribuinte cometeu o ilícito acusado pela fiscalização, não há que se falar em dispensa da punição, apenas porque do contribuinte já Fl. 4845DF CARF MF Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 9101003.500 CSRFT1 Fl. 7 6 havia sido exigida multa em decorrência de outro ilícito. Essa mão pode ser a ratio da Lei 9.430/96; em abono à tese exposta, é importante transcrever o seguinte aresto do TRF 5ª Região que se pronunciou sobre o assunto: [...]; o voto condutor do acórdão recorrido manifestou o entendimento de que a cumulação das multas no caso em apreço não poderia ocorrer, uma vez que a sanção mais grave absorve a outra, menos grave, em virtude da aplicação do principio da consunção, comum no Direito Penal; acontece que tal principio, utilizado para resolver conflito aparente de normas no referido ramo jurídico, não pode ser transposto e ter aplicação no caso em tela; a aplicação do princípio da consunção para a solução da controvérsia instaurada neste processo não pode prosperar, porquanto as normas que prevêem a sanção pela falta de recolhimento do tributo devido (multa de oficio) e a sanção pela falta de antecipação do tributo estimado (multa isolada) regulam condutas diversas, ou seja, não há unidade de conduta ou de fato que enseje dúvidas na aplicação de determinada norma jurídica em detrimento de outra. Tampouco há relação de hierarquia ou de dependência entre as normas que fixaram a multa de oficio vinculada e a multa de oficio isolada; o Código Tributário Nacional prevê, em seu art. 97, o seguinte, verbis: “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades”. o fato de estar sendo exigido do contribuinte a multa de oficio decorrente do não pagamento de tributo não impede a incidência da multa prevista no art. 44, parágrafo 1º, inciso IV da Lei 9.430/96, uma vez que a lei não dispensa a cobrança de penalidade nesses casos. Sob essa ótica, vêse que o e. Colegiado a quo criou nova hipótese de dispensa da multa isolada, não prevista na legislação, qual seja, a cobrança, concomitante, de multa de oficio decorrente do não pagamento do tributo, o que não pode ser admitido; inferese que o e. Colegiado a quo procurou atenuar o suposto "rigor" do art. 44, §1º, inciso IV da Lei 9.430/96, mediante o uso dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, com o raciocínio de que a multa seria excessivamente gravosa; data maxima venia, este raciocínio não deve prevalecer à medida que cria nova hipótese de dispensa de multa isolada, inovando no ordenamento jurídico; o próprio CTN, em seu art. 108, IV, § 2º, dispõe que o emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Como o art. 108 está inserido no capítulo sobre a interpretação da lei tributária, e também face ao art. 172 do CTN, podese concluir que o Código está consentâneo com o art. 127 do CPC. A eqüidade somente pode ser utilizada pelo intérprete para a dispensa de crédito tributário quando existe previsão legal que o permita. Fora dessa hipótese, o intérprete não poderá se valer do juízo de eqüidade para dispensar a exigência de crédito tributário; Fl. 4846DF CARF MF Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 9101003.500 CSRFT1 Fl. 8 7 aqui resta claro o óbice para a dispensa da multa exigida do contribuinte. Não há, no presente caso, norma especifica que permita ao aplicador da lei relevar a cobrança da multa isolada prevista originalmente no art. 44, parágrafo 1°, inciso IV da Lei 9.430/96, atendendo "a considerações de eqüidade, em relação com as características pessoais ou materiais do caso"; corno inexiste norma que permite a dispensa da multa prevista no art. 44, parágrafo 1º, inciso IV da Lei 9.430/96, por considerações de eqüidade, a posição adotada no acórdão recorrido, portanto, incorre em conflito com o art. 172 do CTN; por fim, no presente caso, restou plenamente configurado o desrespeito do sujeito passivo à Lei 9.430/96, devendo portanto ser mantido o lançamento da multa isolada; a União (Fazenda Nacional) requer seja conhecido e provido o presente recurso para reformar o respeitável acórdão recorrido no ponto impugnado, com o conseqüente restabelecimento da multa isolada. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1200 00.132, exarado em 22/07/2014, deu seguimento ao recurso, fundamentando essa decisão na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Segundo alega a PFN, para fatos similares, recorrido e paradigmas teriam dado soluções inteiramente diferentes. No recorrido não se aceitou a incidência concomitante da multa de ofício e da denominada multa isolada prevista originalmente no art. 44, § 1º, inciso IV da Lei 9.430/96, com base no princípio penal da consunção ou da absorção, ao passo que nos acórdãos paradigmas, afastouse a aplicação do aludido princípio penal para considerar plenamente legitima a aplicação da multa por falta de pagamento do devido no final do ano em concomitância com a multa isolada, prevista para penalizar o contribuinte que não observa o regime de recolhimento mensal de estimativas. Verificouse que no recorrido decidiuse que a multa não poderia ser aplicada em concomitância com a multa de ofício porque deveria ser observado o princípio da consunção ou da absorção; resultando na absorção dessa pela multa pela falta de pagamento do tributo devido no encerramento do exercício até o montante em que suas bases se identificarem. Já nos paradigmas decidiuse que esse princípio não existe no Direito Tributário, e que a multa por falta de recolhimento de estimativa não se confunde com multa pela falta de recolhimento do tributo devido no final do ano. A PFN, portanto, demonstrou com bastante clareza a divergência de entendimentos que resultou em decisões antagônicas Demonstrada a divergência de entendimentos na aplicação de mesmo dispositivo legal e atendidos os pressupostos de tempestividade e legitimidade, considerase que deve ser dado SEGUIMENTO do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional (arts. 67 e 68 do RICARF). Em 01/09/2014, a contribuinte foi intimada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, e em 12/09/2014, ela apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: Fl. 4847DF CARF MF Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 9101003.500 CSRFT1 Fl. 9 8 o tema dispensa maiores comentário quanto à impossibilidade de prevalência do buscado pela PFN, bastando lembrar o quanto vem decidindo essa colenda CSRF: [...]; em anexo segue o quanto decidido pela CSRF, envolvendo um dos julgados utilizados pela PFN em seu recurso de especial, como peça paradigma, assim identificado: Acórdão n° 9101001.788 [...]; num dos julgados indicados agora pela Recorrida para oporse à pretensão recursal, onde afastada a multa isolada, se referindo o julgador ao mesmo acórdão que serviu de fundamento para o recurso especial, assim se expressou: "A Fazenda Nacional, em suas razões recursais, afirmou que o acórdão diverge da jurisprudência deste Conselho e trouxe como paradigma o acórdão n° 180200.205, assim ementado: [...] Esta Câmara consolidou o entendimento de impossibilidade de aplicação conjunta, sobre mesma base de cálculo, das multas previstas nos incisos I e II do art. 44 da lei 9.430/96, que se tomaram conhecidas simplesmente por "multas de lançamento de oficio", com a relativa à ausência de recolhimento mensal por estimativa, (art. 44, IV). De igual modo, encontra se pacificada a interpretação de que esta multa não pode ser exigida na hipótese de o contribuinte ter declarado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, quanto a autuação levada a efeito após o encerramento do ano calendário de referência. Entendese que após o encerramento do ano calendário e da apuração do resultado anual, dispõese do valor reconhecido como devido pelo contribuinte, e não mais de estimativas, portanto, descabe punição por falta de recolhimento a esse título. Eventuais diferenças de IRPJ ou CSLL apuradas pela fiscalização devem ser exigidas conjunta e unicamente com aplicação da multa de lançamento de ofício (art. 44, I ou II)". acórdão anexo por outro lado há que ser considerado mais. Que o Recurso Especial envolve tão só a Fuga Couros Jales Ltda., não fazendo qualquer referência à Fuga Couros S/A, incluída na qualidade de solidária no lançamento de ofício, segundo arts. 121 e 124, I, do CTN, resultando que quanto a esta resta preclusa a matéria multa isolada; as decisões da CSRF nos julgados indicados nesta peça de contrarrazões se deram a favor dos contribuintes por expressiva maioria, pedindo vênia a Recorrida para incorporar a estas os seus fundamentos nesta oportunidade, suficientes para a negativa de provimento do recurso especial interposto pela PFN; considerando que no lançamento inicial foi incluída a Fuga Couros S/A, na qualidade de responsável por solidariedade segundo arts. 121 e 124, I, do CTN, "ad cautelam", a referida empresa também subscreve o todo posto nesta peça, na eventualidade de se entender dispensável que o recurso especial da PFN tivesse que ser contra ela também dirigido. Fl. 4848DF CARF MF Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 9101003.500 CSRFT1 Fl. 10 9 Em 03/09/2014, a empresa Fuga Couros S.A., na condição de responsável solidária pelos créditos tributários formalizadas nestes autos, também foi intimada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, e em 12/09/2014, ela apresentou tempestivamente uma petição registrando que o recurso especial da PGFN não tinha sido dirigido contra ela, e que ela tinha subscrito as contrarrazões apresentadas pela Fuga Couros Jales Ltda., alertando para esse fato. Cabe ainda registrar que a contribuinte (Fuga Couros Jales Ltda.), além das contrarrazões acima mencionadas, também apresentou recurso especial contra a parte do Acórdão nº 120100.475 que lhe foi desfavorável, mas esse recurso não foi admitido, conforme o despacho exarado em 29/09/2015 pelo Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF. E a negativa de seguimento desse recurso especial da contribuinte foi confirmada pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caráter definitivo, conforme o despacho de reexame de admissibilidade exarado em 01/10/2015. É o relatório. Fl. 4849DF CARF MF Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 9101003.500 CSRFT1 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo tem por objeto lançamento para constituição de crédito tributário a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS), relativamente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. A autuação fiscal foi motivada pela constatação de omissão de receita apurada a partir de depósitos bancários com origem não comprovada. A mesma omissão de receita ensejou ainda a aplicação de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL nos referidos anoscalendário. A decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido) deu provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, para fins de excluir a exigência da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, e o recurso especial da PGFN objetiva restabelecer a cobrança dessa multa isolada. O problema da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/1996, ser exigida concomitantemente com a multa de ofício sobre o tributo apurado no ajuste anual já suscitou muita controvérsia no âmbito do CARF. Contudo, essa matéria encontrase atualmente sumulada: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. No caso destes autos, a concomitância das multas se deu em relação aos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, quando o suporte legal para a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas era justamente o dispositivo acima mencionado, que vigorava antes das alterações implementadas pela Lei nº 11.488/2007. Não há, portanto, como deixar de aplicar a referida súmula. De acordo com o art. 5º da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, o exame de admissibilidade dos recursos especiais deverá observar o nela disposto, o que alcança inclusive os recursos que já haviam sido apresentados antes dela. Essa mesma portaria estabelece no § 3º do art. 67 de seu Anexo II que: Art. 67 [...] [...] Fl. 4850DF CARF MF Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 9101003.500 CSRFT1 Fl. 12 11 § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assim, tratandose de matéria já sumulada pelo CARF, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 4851DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.905277/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
TEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA POSTAL. AUSÊNCIA DE JUNTADA DO AVISO DE RECEBIMENTO - AR. ÔNUS DA FISCALIZAÇÃO.
A lei processual exige a prova do recebimento, vale dizer, a assinatura do recebedor (o art. 23 do Decreto nº 70.235/1972), de modo que é ônus da fiscalização provar se e quando a intimação foi realizada. Não tendo sido juntado aos autos o AR assinado, mas apenas informação unilateral extraída do site dos Correios acerca da data da entrega, não há prova de que a intimação tenha sido recebida pelo contribuinte.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217.
Conforme a tese firmada no Tema 217 Repetitivo do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
Matéria que não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o § 5o do art. 19 da Lei 10.522/2002.
A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009.
Numero da decisão: 1401-002.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
(assinado digitamente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Recorrente E.J IMAGEM SERVICOS DE RADIOLOGIA S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 TEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA POSTAL. AUSÊNCIA DE JUNTADA DO AVISO DE RECEBIMENTO AR. ÔNUS DA FISCALIZAÇÃO. A lei processual exige a prova do recebimento, vale dizer, a assinatura do recebedor (o art. 23 do Decreto nº 70.235/1972), de modo que é ônus da fiscalização provar se e quando a intimação foi realizada. Não tendo sido juntado aos autos o AR assinado, mas apenas informação unilateral extraída do site dos Correios acerca da data da entrega, não há prova de que a intimação tenha sido recebida pelo contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. Conforme a tese firmada no Tema 217 Repetitivo do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." Matéria que não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o § 5o do art. 19 da Lei 10.522/2002. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 52 77 /2 00 9- 31 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10875.905277/200931 Acórdão n.º 1401002.380 S1C4T1 Fl. 3 2 A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (assinado digitamente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de PER/DCOMP em que o contribuinte pretende compensar crédito próprio com crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ. O despacho decisório não homologou a compensação ante constatação de que o pagamento indicado pelo contribuinte foi integralmente utilizado para quitação de débitos de sua responsabilidade, não restando crédito disponível para compensação. Apresentada manifestação de inconformidade, esta foi assim julgada pela DRJ: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10875.905277/200931 Acórdão n.º 1401002.380 S1C4T1 Fl. 4 3 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE ERRO MATERIAL. O erro do valor do débito apontado na DCTF, de cuja retificação resulte crédito ao sujeito passivo, precisa ser comprovado mediante apresentação de documentos hábeis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado da decisão de primeira instância, em 13 de janeiro de 2014, apresentou recurso voluntário em 13 de fevereiro de 2014, alegando, em síntese: preliminarmente: incompetência da DRJ em Recife para julgar a manifestação de inconformidade no mérito, sustenta que efetuou pagamento do IRPJ a maior que o devido, visto que utilizou percentual de presunção do lucro de 32%, enquanto faz jus ao percentual reduzido de 8%, consoante Solução de Consulta nº 63, SRRF/8ª Região Fiscal, de 23 de março de 2004, a qual anexa, e que retificou a DIPJ em questão, razão pela qual não existe motivo por parte da RFB para não homologar a compensação em questão. Defende que a ausência de retificação da DCTF não pode impedir o reconhecimento de seu direito. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.372, de 12.04.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10875.905274/200906, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.372): "Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, constatase que tal apelo é aparentemente intempestivo. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972, das decisões de primeira instância caberá a interposição de recurso voluntário, no prazo de 30 dias, a contar da ciência da decisão. O artigo 5o deste mesmo diploma esclarece que os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Sobre a data da ciência da decisão, o artigo 23 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a intimação pode ser feita via postal ou por meio eletrônico. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10875.905277/200931 Acórdão n.º 1401002.380 S1C4T1 Fl. 5 4 No caso, a ciência foi postal e, como se observa às fl. 88, o rastreamento do objeto pelos Correios indica que o contribuinte foi intimado em 13/01/2014, uma segundafeira. Assim, o prazo para interposição do recurso iniciouse dia 14/01/2014, findando em 12/02/2014, uma quartafeira. Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado dia 13/02/2014, quintafeira, como comprovam a solicitação de juntada de fl. 104, assim como o carimbo oficial da repartição da RFB, na primeira folha das suas razões (fl. 90). Nas razões recursais, não há tópico, nem qualquer comentário ou alegação sobre a sua tempestividade. Com base nas informações acima, a constatação necessária seria de que o prazo recursal foi extrapolado em 1 dia. Ocorre que, não obstante tenha sido juntado aos autos o status de rastreamento dos Correios, não há comprovação de que tal documento foi efetivamente recebido, por ausência de juntada do respectivo Aviso de Recebimento AR. Uma vez que não foi anexado aos autos o AR correspondente, mas apenas informação unilateral, extraída do site dos Correios, de que a entrega teria ocorrido em 13/01/2014, considero não haver nos autos prova de que a intimação tenha sido recebida no endereço cadastral da Recorrente em tal data. A lei processual exige a prova do recebimento, vale dizer, a assinatura do recebedor que não necessariamente precisa ser o representante legal do contribuinte, sendo perfeitamente válida a intimação mesmo que o AR tenha sido firmado por membro de sua família ou pelo porteiro do prédio onde mora ou onde funciona o seu estabelecimento. É o que estabelece o art. 23 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) O simples histórico da entrega do AR extraído do sítio eletrônico dos Correios até pode ser tomado como início de prova, especialmente quando nenhuma das partes questiona a data ali consignada. Mas este não é o documento oficial dotado de fé pública que atesta a entrega. Até porque, em um caso extremo em que o contribuinte alegue não ter sido intimado, exigir deste prova em contrário que infirme o conteúdo dessa declaração unilateral dos Correios significaria demandar a apresentação de prova negativa do fato da intimação, algo absolutamente impossível de ser realizado. Em outra ocasião já votei por converter o julgamento em diligência, a fim de que (i) a unidade de origem anexe aos autos Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10875.905277/200931 Acórdão n.º 1401002.380 S1C4T1 Fl. 6 5 cópia do AR assinado correspondente à intimação da Recorrente acerca do acórdão 1144.008, proferido pela 4ª Turma da DRJ/RecifePE (Código de Rastreamento JG106969555BR); e (ii) se por qualquer motivo não houver possibilidade de tal documento ser juntado pela unidade de origem, diligenciar aos Correios para obter 2a via do AR assinado, ou documento equivalente, que comprove a data da entrega da correspondência à Recorrente, sendo que, não sendo possível obter a 2a via do AR ou documento equivalente, solicitar aos Correios que este informe a data da entrega da correspondência objeto do AR Código de Rastreamento JG106969555BR, conforme seus registros internos, fornecendo a documentação pertinente. Em tal diligência considerei também que deveria ser intimada a contribuinte para provar, se entender necessário, a ocorrência de justa causa que a tenha impedido de recorrer no prazo legal, nos termos do § 1º do art. 223 do Código de Processo Civil: Art. 223. Decorrido o prazo, extinguese o direito de praticar ou de emendar o ato processual, independentemente de declaração judicial, ficando assegurado, porém, à parte provar que não o realizou por justa causa. § 1o Considerase justa causa o evento alheio à vontade da parte e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário. § 2o Verificada a justa causa, o juiz permitirá à parte a prática do ato no prazo que lhe assinar. Não obstante, a experiência demonstra que em casos como tais a diligência resta infrutífera porque nem a unidade de origem nem os Correios guardam por tanto tempo tas registros. Neste sentido, considerando que é ônus da fiscalização provar se e quando a intimação foi realizada, havendo dúvida quanto à data da intimação e tendo esta sido supostamente ultrapassada em apenas 1 dia, considero que o recurso deve ser tido por tempestivo. Concluo que o recurso voluntário preenche os requisitos para a sua admissibilidade e portanto dele tomo conhecimento. Passo ao mérito. A DRJ não homologou a compensação pleiteada sob o argumento de que, como não houve retificação da DCTF por ocasião da ciência da Solução de Consulta, cabia ao interessado o ônus de provar seu direito. Considerou que a Solução de Consulta cuida da matéria em tese, de forma que não haveria nos autos comprovação de que a interessada efetivamente faz jus ao percentual de presunção reduzido de 8%. A razão para negar a retificação das declarações seria a não concordância com matéria que já foi julgada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10875.905277/200931 Acórdão n.º 1401002.380 S1C4T1 Fl. 7 6 No caso, verificase a existência do Tema no. 217 em sede de Recurso Repetitivo do STJ, que assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido: Tema/Repetitivo 217 Situação do Tema Trânsito em Julgado Ramo do Direito DIREITO TRIBUTÁRIO Questão submetida a julgamento Questionase a forma de interpretação e o alcance da expressão serviços hospitalares, prevista no artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei 9.429/95, para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL com base em alíquotas reduzidas. Tese Firmada Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. Anotações Nugep Incide o Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSSL com alíquotas reduzidas, na forma do art. 15, § 1º, III, da Lei 9.249/1995, sobre a receita proveniente da prestação de 'serviços hospitalares' (não receita bruta total da empresa), neles compreendidas as atividades de natureza hospitalar essenciais à população, independente da existência de estrutura para internação, excluídas as consultas realizadas por profissionais liberais em seus consultórios médicos. Informações Complementares "As modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95." Repercussão Geral Tema 353/STF Enquadramento de pessoas jurídicas da área de saúde na qualidade de prestadoras de serviço hospitalar para fins de obtenção do benefício de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro líquido (CSLL) e do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) com base de cálculo reduzida. Observese que o critério apresentado pelo STJ para a interpretação da Lei nº 9.249/1995 é simples e objetivo: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009, segundo a qual o percentual reduzido será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. Vejase (grifamos): Art. 15 ... III trinta e dois por cento, para as atividades de: Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10875.905277/200931 Acórdão n.º 1401002.380 S1C4T1 Fl. 8 7 a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)" Observo que tal questão não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o disposto no § 5o do art. 19 da Lei 10.522/2002: Lei nº 10.522/02 Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) ... V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) De fato, a matéria está na lista de temas em relação aos quais se aplica o disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/02 e nos arts. 2º, V, VII, §§ 3º a 8º, 5º e 7º da Portaria PGFN Nº 502/2016, publicada pela a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (disponível em http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoenormas/documentos portaria502/listadedispensadecontestarerecorrerart2ovviie a7a73oa8odaportariapgfnno5022016, acesso em 15 de outubro de 2017): "Alíquotas reduzidas Serviços hospitalares Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10875.905277/200931 Acórdão n.º 1401002.380 S1C4T1 Fl. 9 8 REsp 1.116.399/BA (tema nº 217 de recursos repetitivos) Resumo: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Para fins de redução da alíquota, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Ficou consignado que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. OBSERVAÇÃO: O benefício não se aplica às consultas médicas, nem mesmo quando realizadas no interior de hospitais, de modo que só abrange parcela das receitas da sociedade que decorre da prestação de serviços hospitalares propriamente ditos. Ressaltamos que o STF não reconheceu repercussão geral com relação a este tema (AI 803.140). OBSERVAÇÃO 2: Deve ser apresentada contestação e interposto recurso quando se tratar de sociedade simples, tendo se em vista a alteração introduzida pela Lei 11.718/08* no art 15, III, da Lei 9.249/95, segundo a qual a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária." *Nota desta Relatora: na verdade tratase da Lei 11.727/08 que estabelece alíquota de 32% para " a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)" Dispositivo Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10875.905277/200931 Acórdão n.º 1401002.380 S1C4T1 Fl. 10 9 Ante o exposto, oriento meu voto para julgar procedente o recurso voluntário, determinando que o crédito pleiteado nas compensações seja analisado sob a premissa de que os percentuais de presunção aplicáveis à contribuinte são de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL conforme decidido no Tema 217 Repetitivo do STJ. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por julgar procedente o recurso voluntário, determinando que o crédito pleiteado nas compensações seja analisado sob a premissa de que os percentuais de presunção aplicáveis à contribuinte são de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL conforme decidido no Tema 217 Repetitivo do STJ. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 116DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.904616/2016-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2011
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.508
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso voluntário. Votou pelas conclusões a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Ficou de apresentar declaração de voto os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/02/2011 CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido
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DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso voluntário. Votou pelas conclusões a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Ficou de apresentar declaração de voto os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 46 16 /2 01 6- 79 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10680.904616/201679 Acórdão n.º 3201003.508 S3C2T1 Fl. 3 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada em razão da não homologação da compensação declarada por meio do PER/Dcomp, de nº 15962.88346.230215.1.3.049255, contendo crédito decorrente do pagamento indevido ou a maior de COFINS, código 2172, do período de apuração de 31/01/2010, no valor originário de R$ 34,02 – com documento de arrecadação de valor total de R$ 100,73. Concluída a análise do PER/Dcomp, deuse a emissão do despacho decisório em 05/04/2016, formalizado no sentido da não homologação da compensação declarada, conforme adiante transcrito: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. A ciência do Despacho Decisório se deu em 18/04/2016, tendo a contribuinte apresentado a Manifestação de Inconformidade tempestivamente. Esclarece a manifestante que em 31/03/2014 transmitiu o pedido de restituição nº 39452.15834.310314.1.2.044815 para garantir o direito ao crédito de pagamento a maior de R$ 100,73 realizado em 28/02/2011. Por sua vez, em 23/02/2015, transmitiu a presente Dcomp utilizando o crédito que havia solicitado no PER. Informa, ainda, que o número do PER não foi informado na Dcomp devido à incompatibilidade do programa gerador, conforme a tela copiada a seguir: Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.904616/201679 Acórdão n.º 3201003.508 S3C2T1 Fl. 4 3 Diante do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do presente despacho decisório, requer que esse seja desconsiderado, anulando assim a presente decisão para cancelar integralmente os valores cobrados e homologar a compensação efetuada e pleiteada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte, mantendose a não homologação da compensação declarada na referida Dcomp. A decisão foi assim ementada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 28/02/2011 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO EM PER. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Correto o despacho decisório que não homologou a declaração de compensação transmitida após a ciência do deferimento integral de pedido de restituição e a manifesta discordância do contribuinte quanto aos procedimentos de compensação de ofício, tendo em vista que o direito creditório reconhecido encontrase retido até que os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública sejam liquidados. Constatou a DRJ, em consulta aos sitemas da Receita Federal, que o crédito solicitado encontravase reconhecido administrativamente, contudo, tal crédito teria por objeto a liquidação de débitos do sujeito passivo para com a RFB. Procedida comunicação ao interessado para manifestação quanto à concordância com o procedimento de compensação de ofício, expressou sua disconrdância. Desse modo, a restituição permaneceria retida até a liquidação dos débitos, inexistindo saldo disponível para a compensação pretendida. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10680.904616/201679 Acórdão n.º 3201003.508 S3C2T1 Fl. 5 4 Inconformada com a decisão, a contribuinte apresenta recurso voluntário, no qual aduz: 1. Inicialmente entendera que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da RFB, fato esclarecido somente na decisão da DRJ; 2. A decisão recorrida sustentouse na premissa equivocada de que a não homologação do direito creditório decorreu da discordância da contribuinte no procedimento de compensação de ofício; 3. Colaciona excerto de julgado do STJ o REsp nº 1.213.082/PR , ao qual foi aplicada a sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão foi no sentido de a compensação de ofício não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa. 4. Conclui que a decisão do STJ deverá ser observada pelo CARF por força do art. 62 do Regimento. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10680.904616/201679 Acórdão n.º 3201003.508 S3C2T1 Fl. 6 5 Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.04 4815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Paulo Roberto Duarte Moreira. Declaração de Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta declaração de voto. O relator possui razão na sua proposta de solução do litígio, contudo, entendo ser necessário esclarecer alguns pontos. Ao analisar os autos, verifiquei que o crédito existe e a compensação deveria perdurar homologada. Logo após o pedido de restituição e compensação (per/Dcomp), a Receita verificou que haviam outros débitos e informou que pretendia realizar uma compensação de ofício, ou seja, ela iria utilizar os créditos do contribuinte para quitar aqueles débitos que ela identificou, sem fazer a compensação que o contribuinte solicitou. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10680.904616/201679 Acórdão n.º 3201003.508 S3C2T1 Fl. 7 6 O problema é que não sabemos quais são esses débitos, se já decaíram ou não, se estão inscritos em dívida ativa ou não, e demais determinantes variáveis. Nos moldes de um precedente desta Turma de julgamento em um caso em que fui relator, propus uma diligência para entrar no mérito do pedido de compensação original e verificar que débitos estranhos são esses, se podem ser utilizados no cálculo ou não. O precedente foi realizado com fundamento no Art. 2.º da lei n. 9.784/99, Art. 165 e 170 do CTN, oportunidade em que determinouse diligência para fosse verificado se houve notificação da cobrança do débito utilizado na "compensação de ofício", assim como foi determinado, entre outros pontos, para que a autoridade de origem conferisse na diligência se os débitos utilizados para a mencionada "compensação de ofício" se encaixariam nas hipóteses permitidas ou não, conforme segue: É valor informado pelo sujeito passivo em Declaração de Compensação apresentada à RFB, a título de crédito para com a Fazenda Nacional, que não tenha sido reconhecido pela autoridade competente da RFB, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa? É valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento indeferido pela autoridade competente da RFB, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa? É débito que já tenha sido encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União? É débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela RFB? É débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada ou considerada não declarada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa? Em virtude da alegação de ocorrência da homologação tácita, apresentar coluna com os períodos dos débitos utilizados para a mencionada "compensação de ofício", apresentados em confronto com a data limite para cobrança ou lançamento e em confronto com a data em que a autoridade de origem realizou tal procedimento. Diante de tal explanação, durante o presente julgamento, esta Turma de julgamento decidiu por não conhecer o Recurso Voluntário, posição que também foi acatada pelo relator e que, da mesma forma, atende a minha análise e serve como solução, uma vez que o crédito do contribuinte já foi reconhecido e que a presente lide administrativa trata mesmo de uma questão de liquidação, rito processual divergente do permitido à este Conselho. Diante do exposto, voto para acompanhar o relator. Declaração de voto proferida. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10970.720304/2012-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITANTE. RENUNCIA TÁCITA. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SUMULA CARF N° 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura de ação judicial por associação coletiva da qual o sujeito passivo é filiado, quando desde o lançamento o mesmo busca valer-se da referida ação para determinar a improcedência do lançamento, desde que possua o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 9202-006.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITANTE. RENUNCIA TÁCITA. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SUMULA CARF N° 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura de ação judicial por associação coletiva da qual o sujeito passivo é filiado, quando desde o lançamento o mesmo busca valer-se da referida ação para determinar a improcedência do lançamento, desde que possua o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1740; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10970.720304/201215 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202006.835 – 2ª Turma Sessão de 22 de maio de 2018 Matéria CSP MULTA ISOLADA GLOSA DE COMPENSAÇÃO Recorrente VELOSO TRADING NEW COFFEE COMERCIAL EXPORTADORA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITANTE. RENUNCIA TÁCITA. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SUMULA CARF N° 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura de ação judicial por associação coletiva da qual o sujeito passivo é filiado, quando desde o lançamento o mesmo busca valerse da referida ação para determinar a improcedência do lançamento, desde que possua o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 03 04 /2 01 2- 15 Fl. 1433DF CARF MF 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de processo de Autos de Infração lavrados em razão do descumprimento de obrigações tributárias previdenciárias, a saber: AI DEBCAD 37.354.5142: lançamento de contribuições sociais (quota patronal), destinadas à Seguridade Social e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural adquirida de produtores rurais pessoas físicas, cuja responsabilidade pelo recolhimento é da notificada, na qualidade de pessoa jurídica adquirente, nos termos da Lei 10.256/2001 (subrogação), no valor consolidado de R$929.000,43 (novecentos e vinte e nove mil reais e quarenta e três centavos); AI DEBCAD 37.354.5150: lançamento de contribuições devidas a Terceiros (SENAR), incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural adquirida de produtores rurais pessoas físicas, cuja responsabilidade pelo recolhimento é da notificada, na qualidade de pessoa jurídica adquirente, nos termos da Lei 10.256/2001 (subrogação), no valor consolidado de R$87.168,12 (oitenta e sete mil, cento e sessenta e oito reais e doze centavos); e AI DEBCAD 37.354.5134: multa por descumprimento de obrigação acessória, no valor de R$97.027,20 (noventa e sete mil e vinte e sete reais e vinte centavos), aplicada com fundamento no art. 32, IV, § 5º da Lei nº 8.212, de 1991 (FL 68), considerando o disposto no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), por informar a menor, em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), o valor da comercialização da produção rural. Conforme Relatório Fiscal, fls. 43/51, a empresa adquiriu CAFÉ EM GRÃOS diretamente de produtores rurais pessoas físicas, tendo sido apurados os fatos geradores através dos levantamentos “PR, PR1 e PR2 – Comercialização de Produção PF” e “PP e PP1 – Comercialização de Produção Rural NF Inidôneas”. Nos levantamentos PR, PR1 e PR2 foram lançadas as diferenças de contribuições devidas, conforme Anexo I, aferidas com base nas notas fiscais de entrada relacionadas no Anexo II, comparadas com os valores declarados em GFIP. Em relação aos levantamentos “PP e PP1 – Comercialização de Produção Rural NF Inidôneas”, o citado Relatório Fiscal explicita o que segue: 1.3.1. O contribuinte, com a intenção de se eximir da Responsabilidade tributária quanto a contribuição incidente sobre a produção rural (subrogação) e de se apropriar indevidamente de crédito de PIS/COFINS, com vistas ao posterior pedido de ressarcimento desses valores junto à RFB, formalizou as aquisições de café negociados diretamente com produtores rurais pessoas físicas como se fossem aquisições de pessoas jurídicas, mediante a utilização de notas fiscais inidôneas Fl. 1434DF CARF MF Processo nº 10970.720304/201215 Acórdão n.º 9202006.835 CSRFT2 Fl. 3 3 emitidas por empresas de “fachada”, conforme demonstrado no Termo de Constatação em anexo. 1.3.2 Na análise do processo nº 10675.720799/201055 – Pedido de Ressarcimento de PIS e Processo nº 10675.720867/201086 Pedido de Ressarcimento de COFINS, os AuditoresFiscais responsáveis pelo procedimento fiscal concluíram que o contribuinte realizou o “aproveitamento de créditos relacionados à aquisição de café no mercado interno passíveis de glosa” nas operações relacionadas a aquisições de atacadistas, por se tratarem de empresas inexistentes de fato. 1.3.3 O próprio contribuinte, diante das evidências das irregularidades apuradas, providenciou, em 26/04/2011, a transmissão de PERDCOMP retificadoras referentes ao período de apuração 1º trimestre de 2006 ao 4º trimestre de 2009, excluindo o “crédito” originalmente informado relativo às operações com as empresas “atacadistas”. 1.3.4 Originalmente havia sido pleiteado ressarcimento de PIS/COFINS no montante de R$ 4.180.285,97. Após a transmissão das PER retificadoras o valor total do crédito foi reduzido para R$ 631.237,30, tendo sido excluído, pelo contribuinte, créditos indevidos no valor de R$ 3.549.048,67. 1.3.5 Diante desta constatação, foram formalizadas representações para baixa de ofício do CNPJ das empresas inexistentes de fato utilizadas pelo contribuinte, cuja medida ainda não havia sido adotada, conforme Termo de Constatação em anexo. 1.3.6 Dessa forma, os valores das aquisições de café formalizados através de notas fiscais inidôneas emitidas por estas empresas inexistentes de fato foram considerados como aquisições de produtores rurais pessoas físicas, com base no art. 33, § 3o da Lei 8.212/91 e art. 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que dispõe que na hipótese de apresentação de informação diversa da realidade, a RFB lançará de ofício a importância devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (...) 1.3.6 Os valores da comercialização da produção rural foram extraídos dos Livros Contábeis, Notas Fiscais de Produtor, Notas Fiscais de Entrada e de Registro de Entrada de Mercadorias. A autoridade lançadora informa que o interessado apresentou decisão judicial proferida no processo nº 000752856.2010.4.01.3400, movida pelo CONSELHO DE EXPORTADORES DE CAFÉ DO BRASIL – CECAFÉ em benefício de seus associados, com o seguinte dispositivo: “Ante o exposto, concedo a segurança para declarar o direito dos filiados do impetrante a se absterem de reter e recolher, por subrogação, a contribuição denominada FUNRURAL incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural e empregadores, pessoas naturais, fornecedores de café, instituída pela Lei nº 8.212/95, com redação dada pela Lei nº 8.540/95.” Neste item, o Relatório Fiscal informa o que vem abaixo: 1.4.2. De fato, o Supremo Tribunal Federal – STF, ao apreciar o Recurso Extraordinário – RE nº 363.852/MG, decidiu que a alteração introduzida no artigo 25 da Lei nº 8.212/91 pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92 contribuição sobre a comercialização da produção rural infringiu o § 4º do art. 195 da Constituição, por instituir nova fonte de custeio da Previdência Social sem a observância da obrigatoriedade de lei complementar. Fl. 1435DF CARF MF 4 1.4.2.1. Na decisão proferida no RE nº 363.852/MG, no entanto, o relator Ministro Marco Aurélio ressalvou a declaração de inconstitucionalidade até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, viesse a instituir a contribuição. (...) 1.4.2.2 Ocorre que com a edição da Lei nº 10.256/2001, que deu nova redação ao artigo 25 da Lei nº 8.212/91, restou superada a inconstitucionalidade da contribuição, uma vez que foi instituída na vigência da Emenda Constitucional nº 20/98, nos exatos termos da decisão do STF. 1.4.2.3 Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita”. Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade. 1.4.2.4 Neste sentido, decidiu a Egrégia 1ª Turma do Tribunal Regional Federal TRF 4ª Região, na APELAÇÃO CÍVEL Nº 2007.70.03.0049589/PR: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. LEGITIMIDADE ATIVA. COMPENSAÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUMULAS 512 DO STF E 105 DO STJ. (...) 3 O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 4 – Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 5 – Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade.” 1.4.2.5 Assim, são devidas as contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta da comercialização de produtos pelo empregador rural pessoa física a partir da entrada em vigor da Lei nº 10.256/01, em 10.07.2001, sendo a empresa responsável, por substituição tributária, pela retenção e recolhimento. 1.4.2.6 Dessa forma, não há demanda judicial da empresa quanto à contribuição instituída pela Lei nº 10.256/2001, fazendose necessário o lançamento tributário do valor devido para resguardar o direito da fazenda pública. Em relação ao prazo decadencial para efetuar o lançamento, foi aplicado o disposto no art. 173, I, do CTN, em razão da ocorrência de dolo, fraude e simulação, tendo em vista a utilização de notas fiscais de compra de café inidôneas, emitidas por empresas inexistentes de fato. A base de cálculo considerada foi o somatório mensal do valor dos produtos adquiridos de produtores rurais pessoas físicas, inclusive os formalizados mediante utilização Fl. 1436DF CARF MF Processo nº 10970.720304/201215 Acórdão n.º 9202006.835 CSRFT2 Fl. 4 5 de notas fiscais de empresas inexistentes de fato, conforme Anexos I, II, III e IV, deduzidos os valores declarados em GFIP. Tendo em vista a edição da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, e o disposto no art. 106, II, “c” do CTN, foi aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte. Foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais pela prática, em tese, dos crimes previstos no art. 337A do Código Penal e art. 1º da Lei nº 8.137/90. O autuado apresentou impugnação, tendo Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG julgado a impugnação procedente em parte, mantendo em parte o crédito tributário. Apresentado Recurso Voluntário pelo autuado, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 10/05/2016, não foi conhecido o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2201003.128 (fls. 1.281/1.311), com o seguinte resultado: "ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com a ação judicial. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Carlos Alberto Mees Stringari (Relator). Designado para elaboração do voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Realizou sustentação oral pelo Contribuinte a Dra. Barbara Cristina Ronani Silva, OAB DF nº 43792. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITANTE. RENUNCIA TÁCITA. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SUMULA CARF N° 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido Intimado em 29/06/2016, o contribuinte opôs em 04/07/2016, portanto, tempestivamente, Embargos de Declaração (fls. 1.320/1.334), alegando obscuridade e omissão no Acórdão embargado. Diz que a decisão embargada padece de uma obscuridade quanto ao fundamento pela negativa de conhecimento do Recurso Voluntário interposto em favor da Embargante; e alega que houve omissão no acórdão embargado, tendo em vista que não houve por parte da Embargante qualquer tipo de negligência na apuração das referências comerciais e fiscais das empresas fornecedoras de café, sendo, por essa razão, ilegal e arbitrário classificar como inidôneas as notas fiscais de aquisição de tais mercadorias, já que para todos os efeitos as empresas fornecedoras existiam ou ainda existem de fato e de Direito. Tais embargos foram Fl. 1437DF CARF MF 6 rejeitados, conforme Despacho s/nº, da 1ª TO da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, de 23/08/2016 (fls. 1.339/). Mais uma vez intimado, em 15/09/2016, o contribuinte interpôs em 29/09/2016, portanto, tempestivamente, Recurso Especial (fls. 1.349/1.379). Ao Recurso Especial do Contribuinte foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº da 2ª Câmara, de 11/11/2016 (fls. 1.417/1.424) com fundamento nos paradigmas · Em seu recurso visa rediscutir o conhecimento do recurso voluntário em razão de não aplicação, ao caso dos autos, do instituto da concomitância da discussão objeto da autuação nas esferas administrativa e judicial. · Preliminarmente, destaca que o fato de a Recorrente e a Impetrante do Mandado de Segurança Coletivo nº 000752856.2010.4.01.3400 não serem a mesma pessoa está incontroverso nos autos. Ressalta que, conforme narrado na autuação às fls. 46 e no acórdão proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção, o referido Mandado de Segurança foi interposto pelo CONSELHO DE EXPORTADORES DE CAFÉ DO BRASIL – CECAFÉ; e em razão disso, mostrase desarrazoado entenderse pela concomitância de discussão na esfera administrativa e judicial, quando não há identidade de partes. · Traz o Parecer Normativo COSIT nº 7 de 22 de agosto de 2014 que demonstra importante manifestação sobre o tema, como também excerto do Parecer PGFN/COCAR nº 2/2013, além de trecho do Acórdão nº 9101001.107, que trata da questão da seguinte forma: · Argumenta que o acórdão recorrido, ao indicar, exclusivamente, o verbete da Súmula nº 1 do CARF como razão de decidir, aplica o dispositivo legal invocado pela maioria dos julgadores dos acórdãos paradigmas apresentados, que consubstanciaram a referida súmula, qual seja, o art. 38 da Lei 6.830/80, in verbis: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. · Ressalta que o principal fundamento contido nos acórdãos paradigmas da Súmula nº 1 do CARF, além do dispositivo legal supracitado, é no sentido de o controle do Poder Judiciário se sobrepor ao controle administrativo do lançamento (efetuado no âmbito do Processo Administrativo), em razão de não se poder excluir da apreciação do Poder Judiciário qualquer lesão, ou ameaça de lesão a direito individual, nos termos do art. 5º, XXXV da CF/88; dessa forma, como os atos administrativos se sujeitam ao controle judiciário, qualquer Fl. 1438DF CARF MF Processo nº 10970.720304/201215 Acórdão n.º 9202006.835 CSRFT2 Fl. 5 7 decisão administrativa não possui eficácia diante de decisão judicial, que a ela se sobrepõe, razão pela qual o processo administrativo, quando concomitante a processo judicial, se mostraria inócuo. · Observa, contudo, que o aludido conflito entre a decisão judicial e a administrativa não ocorre em relação ao Mandado de Segurança Coletivo pela sua simples impetração, em razão dele, nos termos do art. 22, § 1º da Lei 12.016/096, não impedir a propositura de ações individuais. · Afirma que resta evidente que, caso o resultado do Mandado de Segurança Coletivo seja a não concessão da segurança, aquele que foi representado poderá permanecer discutindo o mesmo objeto do mandamus já julgado improcedente, o que sem sombra de dúvidas, pode ocorrer na esfera administrativa, retirando o caráter inócuo da discussão na esfera administrativa mesmo quando a questão está sendo discutida na esfera judicial mediante ação coletiva. · Acrescenta que a entidade de classe não depende da autorização de todos os seus membros para impetrar o Mandado de Segurança Coletivo, o que retira o caráter facultativo da discussão na esfera administrativa ou judicial por parte da Recorrente. · Conclui que, caso prevaleça o entendimento adotado pelo acórdão recorrido, a Recorrente não terá opção de impedir a entidade de classe de ajuizar a ação coletiva e tampouco poderá se defender na esfera judicial, o que acarretaria ter o seu direito ao contraditório e ampla defesa, insculpido no art. 5º, LV da CF/88, negado. · Traz ainda ementa do Acórdão nº 330101.316, in verbis: PROCESSO ADMINISTRATIVO E FISCAL SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, ou qualquer outra medida judicial proposta pelo sindicato da categoria econômica, por substituição processual, não se encontra entre as hipóteses previstas em que deva ser reconhecida a renúncia à esfera administrativa, prevista no art. 1º, § 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979 e art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/80 e art. 78, § 1º do Anexo II, do RICARF. Recurso Parcialmente Provido. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 22/11/2016 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional apresentou em 05/12/2016, portanto, tempestivamente, contrarrazões (fls. 1.426/1.431). § Em suas contrarrazões, a Fazenda Nacional ressalta que a opção pela via judicial implica a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de recurso formulado; inicialmente, para se evitar decisões conflitantes; ademais, porque é inquestionável a autoridade do pronunciamento do Fl. 1439DF CARF MF 8 Poder Judiciário em relação aos decisórios proferidos por órgãos administrativos, em razão do Princípio da Inafastabilidade da Jurisdição. § Afirma que, tanto o Decretolei n.º 1.737/1979, em seu art. 1º, § 2º, bem como a Lei n.º 6.830/1980, art. 38, parágrafo único, estabelecem que a propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência de recurso acaso interposto. § Lembra que foi editado Ato Declaratório Normativo (ADN) N.º 3/1996, da COSIT, nos seguintes termos: § “a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial – por qualquer modalidade processual – antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto;”(...) § Salienta que, na hipótese em tela, o contribuinte propôs, judicialmente, demanda com o mesmo objeto versado no feito administrativo fiscal, incorrendo na alínea “a” do citado Ato Declaratório Normativo (“a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial – por qualquer modalidade processual – antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto”). § Conclui que “se a pessoa jurídica está amparada por decisão judicial, então não há discussão administrativa a ser travada. Tratase de simples cumprimento da decisão pelos órgãos de execução” e que “na via administrativa, não há o que ser debatido ou decidido. Este Conselho não pode “ordenar” os órgãos de execução a cumprirem uma decisão judicial. Esta competência é do próprio Poder Judiciário”. § Diz que o entendimento da Câmara a quo encontra amparo na jurisprudência do CARF, conforme comprova o seguinte aresto: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1991, 1992 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. A propositura de ação judicial afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre mesma matéria objeto da pretensão judicial, razão pela qual não se conhece do recurso interposto. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. É o relatório. Fl. 1440DF CARF MF Processo nº 10970.720304/201215 Acórdão n.º 9202006.835 CSRFT2 Fl. 6 9 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 1417. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão Do Mérito Em face dos pontos trazidos no Recurso especial e do conteúdo do acórdão recorrido entendo que a apreciação do presente recurso cingise a discussão em relação a existência ou não de concomitância quando o contribuinte busca beneficiarse de ação coletiva impetrada por associação da qual é filiado. Assim, argumenta para ter acatado seu pedido: · Preliminarmente, destaca que o fato de a Recorrente e a Impetrante do Mandado de Segurança Coletivo nº 000752856.2010.4.01.3400 não serem a mesma pessoa está incontroverso nos autos. Ressalta que, conforme narrado na autuação às fls. 46 e no acórdão proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção, o referido Mandado de Segurança foi interposto pelo CONSELHO DE EXPORTADORES DE CAFÉ DO BRASIL – CECAFÉ; e em razão disso, mostrase desarrazoado entenderse pela concomitância de discussão na esfera administrativa e judicial, quando não há identidade de partes. · Traz o Parecer Normativo COSIT nº 7 de 22 de agosto de 2014 que demonstra importante manifestação sobre o tema, como também excerto do Parecer PGFN/COCAR nº 2/2013, além de trecho do Acórdão nº 9101001.107, que trata da questão da seguinte forma: · Argumenta que o acórdão recorrido, ao indicar, exclusivamente, o verbete da Súmula nº 1 do CARF como razão de decidir, aplica o dispositivo legal invocado pela maioria dos julgadores dos acórdãos paradigmas apresentados, que consubstanciaram a referida súmula, qual seja, o art. 38 da Lei 6.830/80, in verbis: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Fl. 1441DF CARF MF 10 Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. · Ressalta que o principal fundamento contido nos acórdãos paradigmas da Súmula nº 1 do CARF, além do dispositivo legal supracitado, é no sentido de o controle do Poder Judiciário se sobrepor ao controle administrativo do lançamento (efetuado no âmbito do Processo Administrativo), em razão de não se poder excluir da apreciação do Poder Judiciário qualquer lesão, ou ameaça de lesão a direito individual, nos termos do art. 5º, XXXV da CF/88; dessa forma, como os atos administrativos se sujeitam ao controle judiciário, qualquer decisão administrativa não possui eficácia diante de decisão judicial, que a ela se sobrepõe, razão pela qual o processo administrativo, quando concomitante a processo judicial, se mostraria inócuo. · Observa, contudo, que o aludido conflito entre a decisão judicial e a administrativa não ocorre em relação ao Mandado de Segurança Coletivo pela sua simples impetração, em razão dele, nos termos do art. 22, § 1º da Lei 12.016/096, não impedir a propositura de ações individuais. · Afirma que resta evidente que, caso o resultado do Mandado de Segurança Coletivo seja a não concessão da segurança, aquele que foi representado poderá permanecer discutindo o mesmo objeto do mandamus já julgado improcedente, o que sem sombra de dúvidas, pode ocorrer na esfera administrativa, retirando o caráter inócuo da discussão na esfera administrativa mesmo quando a questão está sendo discutida na esfera judicial mediante ação coletiva. · Acrescenta que a entidade de classe não depende da autorização de todos os seus membros para impetrar o Mandado de Segurança Coletivo, o que retira o caráter facultativo da discussão na esfera administrativa ou judicial por parte da Recorrente. · Conclui que, caso prevaleça o entendimento adotado pelo acórdão recorrido, a Recorrente não terá opção de impedir a entidade de classe de ajuizar a ação coletiva e tampouco poderá se defender na esfera judicial, o que acarretaria ter o seu direito ao contraditório e ampla defesa, insculpido no art. 5º, LV da CF/88, negado. · Traz ainda ementa do Acórdão nº 330101.316, in verbis: PROCESSO ADMINISTRATIVO E FISCAL SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, ou qualquer outra medida judicial proposta pelo sindicato da categoria econômica, por substituição processual, não se encontra entre as hipóteses previstas em que deva ser reconhecida a renúncia à esfera administrativa, prevista no art. 1º, § 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979 e art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/80 e art. 78, § 1º do Anexo II, do RICARF. Recurso Parcialmente Provido. Fl. 1442DF CARF MF Processo nº 10970.720304/201215 Acórdão n.º 9202006.835 CSRFT2 Fl. 7 11 Embora o recorrente entenda restar equivocada a interpretação adotada pelo acórdão recorrido, entendo que razão não lhe assiste. Na verdade, assim como trazido em um dos paradigmas existe concomitância na ação judicial com o presente lançamento, considerando a situação sob análise. Com efeito, conforme consta do relatório fiscal a autoridade lançadora informa que o interessado apresentou decisão judicial proferida no processo nº 000752856.2010.4.01.3400, movida pelo CONSELHO DE EXPORTADORES DE CAFÉ DO BRASIL – CECAFÉ em benefício de seus associados, a o fim de ser reconhecida a inconstitucionalidade e a ilegalidade da exigência de contribuição previdenciária incidente sobre a aquisição de produção rural de pessoas físicas, com o seguinte dispositivo: “Ante o exposto, concedo a segurança para declarar o direito dos filiados do impetrante a se absterem de reter e recolher, por subrogação, a contribuição denominada FUNRURAL incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural e empregadores, pessoas naturais, fornecedores de café, instituída pela Lei nº 8.212/95, com redação dada pela Lei nº 8.540/95.”, Conforme consta da decisão recorrida os fundamentos para declarar a concomitância foram assim expressados: Como já informado pelo Ilustre Relator, a recorrente alega a desnecessidade da retenção e recolhimento das contribuições ao chamado Funrural e ao RAT com base no Mandado de Segurança nº 000752856.2010.4.01.3400, que tem por objeto a contribuição prevista no art. 12, V, e VII, art. 25, I e II, e art. 30, IV, da Lei n° 8.212/91, com redações dadas pelas Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97, declarada inconstitucional no RE 363.852/MG. Ao contrário do Relator, tenho o entendimento que resta clara a concomitância entre o referido processo judicial e o presente processo administrativo. É que foi juntada pela Recorrente decisão do Tribunal Regional da Primeira Região no seguinte sentido (doc. pág. 1191 dos autos); in verbis: [...] Como se observa, o Poder Judiciário está sim apreciando a constitucionalidade da contribuição, objeto do lançamento, prevista no art. 25, I e II, §§3º e 4º da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 10.256/2001. Não restam dúvidas, portanto, que o objeto da ação judicial guarda identidade com o objeto do presente lançamento, sendo aplicável, à espécie, a Súmula CARF n° 1, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Deste modo, já que o resultado da ação judicial tem repercussão direta no processo administrativo fiscal de lançamento, é dever considerar prejudicado o exame do mérito, não conhecendo do recurso apresentado, devendo prevalecer o que for decidido pelo Poder Judiciário. Fl. 1443DF CARF MF 12 É que, nos termos da Súmula CARF n° 1, de aplicação obrigatória para os conselheiros, há a renuncia às instâncias administrativas; in verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por não conhecer do recurso, por concomitância com a ação judicial. Ao contrário dos pontos trazidos pelo recorrente, entendo que a citada medida judicial versa sobre a mesma matéria tratada nos ora debatidos Autos de Infração de Obrigação Principal, e que a decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa, adquirindo inclusive o atributo da coisa julgada formal e material. Na verdade, resulta que, qualquer que seja o veredictum proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, bem como por esta Corte Administrativa, acerca da matéria objeto do litígio, será tido como letra morta diante da decisão judicial transitada em julgado, que digase busca o recorrente, na sua interpretação, ver aplicado ao presente lançamento. A releitura da norma encartada no §3º do art. 126 da Lei nº 8.213/91, numa interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual, conduz ao entendimento de que a propositura de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia dos beneficiários acobertados pelos resultados de tal demanda ao direito de recorrer na esfera administrativa e à desistência do eventual recurso interposto. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Registrese, por relevante, que o Recorrente ab initio invoca em seu favor os frutos que lhe são positivos dimanados dos provimentos obtidos na Instância Judicial acima referidas. Diante desse quadro, atraindo para si o Recorrente os efeitos da demanda judicial, qualquer que seja a decisão proferida na esfera Administrativa, esta não surtirá qualquer consequência perante o provimento judicial. Discordo da alegação de que a existência de medida judicial coletiva, ajuizada por associação da qual a Recorrente faz parte, não induz à renúncia da discussão administrativa pelo contribuinte individual. Fl. 1444DF CARF MF Processo nº 10970.720304/201215 Acórdão n.º 9202006.835 CSRFT2 Fl. 8 13 O Mandado de Segurança ora em apreço houvese por impetrado pelo CONSELHO DE EXPORTADORES DE CAFÉ DO BRASIL – CECAFÉ, não em defesa de seus direitos próprios, mas, sim, em defesa dos direitos individuais homogêneos de suas associadas, eis que pertinentes às suas finalidades empresariais, representandoas judicialmente. Assim, dispõe a Lei nº 12.016, de 7 de agosto de 2009 em seu art. 21: Art. 21. O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por partido político com representação no Congresso Nacional, na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária, ou por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há, pelo menos, 1 (um) ano, em defesa de direitos líquidos e certos da totalidade, ou de parte, dos seus membros ou associados, na forma dos seus estatutos e desde que pertinentes às suas finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial. Parágrafo único. Os direitos protegidos pelo mandado de segurança coletivo podem ser: I coletivos, assim entendidos, para efeito desta Lei, os transindividuais, de natureza indivisível, de que seja titular grupo ou categoria de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica básica; II individuais homogêneos, assim entendidos, para efeito desta Lei, os decorrentes de origem comum e da atividade ou situação específica da totalidade ou de parte dos associados ou membros do impetrante. Notese que, nos termos do art. 21, caput, da Lei nº 12.016/2009, acima transcrito, a defesa dos direitos individuais homogêneos dos associados, mediante Mandado de Segurança Coletivo, pela sua associação legalmente constituída, quando pertinentes às suas finalidades, dispensa a autorização especial dos associados. Dessarte, o Órgão Julgador de 1ª Instância conheceu da impugnação não pela ausência de concomitância quanto ao sujeito, mas por entender que não haveria identidade de matéria, o que foi defendido de forma diversa pelo recorrente em seu recurso voluntário. Diante desse quadro, versando as Demandas Judiciais invocadas pelo Recorrente sobre a suposta inconstitucionalidade e a ilegalidade da exigência de contribuição previdenciária incidente sobre a aquisição de produção rural de produtor rural pessoa física, inviável se torna o seu conhecimento por esta Corte, que deve restringir sua apreciação e julgamento, tão somente, sobre as questões não incluídas nas ações judiciais em relevo, assim, como feito no acórdão recorrido. Dessarte, pugnamos igualmente pelo não conhecimento dos temas levados à apreciação do Poder Judiciário, e reiterados nos vertentes Instrumentos Recursais interpostos perante este Colegiado, com fundamento no preceito esculpido no art. 126, §3º, da Lei nº 8.213/91, em interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual. Reiterese que, a renúncia ora em voga, independe de ato volitivo da parte, ou mesmo de ato de vontade do Recorrente. Ela decorre ex lege, e de forma objetiva, independentemente do motivo ou do tempo em que Fl. 1445DF CARF MF 14 Importante ressaltar, que outro ponto trazido no paradigma descreve com muita propriedade qual a situação em que a existência de acão judicial coletiva implica concomitância: Quanto ao conhecimento do recurso voluntário O Ilustre Relator não conheceu do recurso voluntário ante a existência de discussão judicial acerca da imunidade, que é objeto do presente recurso voluntário, por meio do Mandado de Segurança nº. 2005.61.00.0251305, onde figura como impetrante União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo Unica, da qual a recorrente é associada, em trâmite perante a 8ª Vara Federal de São Paulo, onde se pleiteia ser reconhecida a inconstitucionalidade e a ilegalidade da exigência de contribuição previdenciária incidente sobre as exportações realizadas de forma indireta. Como assentado, a autora do madamus é a associação a qual a recorrente está filiada. Assim, resta evidente que não é a recorrente (Usina Santo Antonio S/A), mas sim a associação a qual está vinculada. Inegável que as decisões que decorram do referido processo irradiem seus efeitos aos filiados/associados daquela autora. Todavia, o fato da existência do referido processo judicial não pode servir de óbice a ora recorrente de, por conta própria, poder discutir a referida matéria em sede administrativa. Assim, ante o simples fato de não ser a própria recorrente a autora do referido mandado de segurança, entendo que inaplicáveis os dispositivos legais e infralegais colacionados pelo nobre relator como fundamentos para não conhecimento do recurso, os quais se aplicam aos casos em que ações são ajuizadas pelo próprio contribuinte/sujeito passivo: Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portaria RFB n°10.875, de 16 de agosto de 2007. Art. 35. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao Fl. 1446DF CARF MF Processo nº 10970.720304/201215 Acórdão n.º 9202006.835 CSRFT2 Fl. 9 15 lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Parágrafo único. Quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. Vale destacar que, houvesse no presente caso uma comprovação, pela autoridade fiscal, de filiação expressa, via manifestação, da recorrente ao processo judicial, diferente seria a presente situação. Todavia, não é o que se encontra. Assim, existindo a manifestação expressa da recorrente em sentido contrário, qual seja, em apresentar suas peças impugnatórias e recursais no presente caso, está clara a sua intenção de discutir diretamente o mérito da demanda no presente processo administrativo fiscal, defendendo o seu direito individual, razão pela qual não vejo como adotarse o entendimento da renúncia à esfera administrativa. Portanto, entendo que o recurso voluntário deve ser conhecido e, assim, reproduzo a seguir as razões do voto vencedor quanto ao mérito. Ou seja, concordo com a manifestação transcrita acima, uma vez que ela mesma destaca que, se o contribuinte manifestarse sobre a existência da referida ação, inclusive tentando valerse dela para afastar a tributação, não há como não entender pela existência da concomitância. Senão vejamos, trecho do recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo: EMBARGOS II OBSCURIDADE – NEGATIVA DE CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO POR RENÚNCIA A ESFERA ADMINISTRATIVA EM VISTA DA PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL PELO SUJEITO PASSIVO De acordo com o voto vencedor, o fato de ter sido proposto um Mandado de Segurança por meio do qual o Conselho de Exportadores de Café, entidade da qual a Embargante faz parte, que discute a constitucionalidade da contribuição ao FUNRURAL mesmo após o advento da Lei nº 10.256/01, enseja o não conhecimento do Recurso Voluntário em comento por suposta renúncia da Embargante à esfera administrativa. Isso, em vista da concomitância da discussão em questão tanto em âmbito judicial quanto administrativo. Ocorre que a decisão embargada padece de uma obscuridade que necessariamente deve ser sanada sob pena de flagrante prejuízo da Embargante. Com efeito, a despeito dessa concomitância, é fato incontroverso que a autuação foi lavrada justamente pelo fato de a Fiscalização ter entendido que o objeto do Mandado de Segurança nº 000752856.2010.4.01.3400 não abarca a discussão acerca da constitucionalidade da contribuição ao Fl. 1447DF CARF MF 16 FUNURURAL instituída pela Lei inº 10.256/01, conforme se verifica pelo seguinte trecho do relatório fiscal: O contribuinte apresentou decisão judicial proferida no Processo Nº 0007528 56.2010.4.01.3400, movida pelo CONSELHO DE EXPORTADORES DE CAFÉ DO BRASIL – CECAFÉ em benefício de seus associados, com o seguinte dispositivo: (...) Ocorre que com a edição da Lei nº 10.256/01, que deu nova redação ao artigo 25 da Lei nº 8.212/91, restou superada a inconstitucionalidade da contribuição, uma vez que foi instituída na vigência da Emenda Constitucional nº 20/98, nos exatos termos da decisão do STF. (...) Dessa forma, não há demanda judicial da empresa quanto à contribuição instituída pela Lei nº 10.256/01, fazendose necessário o lançamento tributário para resguardar o direito da fazenda pública.(destaques no original) Ou seja, não obstante, desde o procedimento fiscalizatório, a Embargante ter comprovado que a exigência em âmbito administrativo da contribuição ao FUNRURAL com base na Lei nº 10.256/01 era inviável, posto que a ação mandamental ajuizada pelo CECAFÉ também teve como objeto a constitucionalidade dessa exação mesmo após o advento da Lei nº 10.256/01, a Fiscalização lavrou autuação em comento. Do mesmo modo que a Fiscalização, a decisão da DRJ ignorou o fato de que a ação judicial tem o mesmo objeto dessa discussão, mesmo tendo sido reiterada em sede de Impugnação a informação acerca da existência da ação judicial a se ver do seguinte trecho do acórdão proferido por aquele órgão: Não podem prosperar as alegações relativas à desnecessidade de retenção e recolhimento das contribuições incidentes sobre a comercialização da produção rural adquirida de produtores pessoas físicas. Isso porque a decisão judicial no Mandado de Segurança n° 0007528 56.2010.4.01.3400 tem por objeto a contribuição prevista no art. 12, V, e VII, art. 25, I e II, e art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91, com redações dadas pelas Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97, declarada inconstitucional no RE 363.852/MG. A inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação ao art. 25 da Lei nº 8.212/91, foi reconhecida também no RE 596.177/RS, citado pelo impugnante, o qual aguarda decisão em Embargos de Declaração. A contribuição objeto do lançamento é, contudo, aquela prevista no art. 25, I e II, §§3º e 4º da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 10.256/2001, a qual não foi objeto das decisões judiciais mencionadas. Desta forma, não há demanda judicial da empresa quanto à contribuição instituída pela Lei nº 10.256/2001, fazendose Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 10970.720304/201215 Acórdão n.º 9202006.835 CSRFT2 Fl. 10 17 necessário o lançamento tributário do valor devido para resguardar o direito da fazenda pública, conforme já explicitado no Relatório Fiscal. (destacouse) Assim, foi necessário reiterar o argumento acerca da existência de ação e decisão judicial favorável às filiadas do CECAFÉ em relação à inconstitucionalidade/legalidade da contribuição ao FUNRURAL mesmo após o advento da Lei nº 10.256/01. Demonstrado o fato de que o entendimento equivocado da Fiscalização e da DRJ em relação ao objeto do Mandado de Segurança nº 000752856.2010.4.01.3400 ensejou à autuação e a manutenção da exigência da contribuição ao FUNRURAL e demais autuações, vale destacar a obscuridade quanto ao fundamento pela negativa de conhecimento do Recurso Voluntário interposto em favor da Embargante. Com efeito, se não foi a Embargante que deu azo à autuação e ainda à manutenção da autuação, o seu Recurso Voluntário deveria ser provido de modo a ser cancelada essa autuação justamente em razão da Fiscalização ter ignorado causa impeditiva para a exigência dos valores autuados. Aliás, foi justamente esse o entendimento consignado nos autos do PTA nº 10970.720001/201383 correlato a auto de infração também para a contribuição ao FUNRURAL para o período de fevereiro de 2009 a fevereiro de 2010, com base na mesma fundamentação da presente autuação. De fato, naquela ocasião, a 3ª Turma Especial da Segunda Seção, deu provimento àquele recurso, estando o acórdão assim ementado: CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL. INCONTITUCIONALIDADE. A Suprema Corte, no julgamento do RE 363.852, declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92 que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. Indevido o recolhimento da contribuição para o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (FUNRURAL) sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores, pessoas naturais. Recurso voluntário provido. Vale destacar que nesse acórdão, o relator, Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, destacou que a inconstitucionalidade da contribuição ao FUNRURAL permaneceu mesmo após o advento da Lei nº 10.256/01, inclusive citando a jurisprudência do STF para justificar o seu ponto de vista: Fl. 1449DF CARF MF 18 Assim, na linha do precedente suso, requer a Embargante que o presente aclaratório seja acolhido com efeitos infringentes, com o cancelamento da exigência da contribuição do FUNRURAL, bem como das multas correlatas a essa exação, tendo em vista a sua patente inconstitucionalidade. Com efeito, tendo sido comprovado que a Embargante não deu causa à autuação e que tanto a Fiscalização quanto a DRJ se equivocaram quanto ao objeto do Mandado de Segurança nº 000752856.2010.4.01.3400, não pode ser ela prejudicada com o não conhecimento do seu Recurso Voluntário e a conseqüente exigência dos valores autuados. Se assim for, ocorrerá uma situação sui generis, qual seja, a Embargante, por meio de decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 0007528 56.2010.4.01.3400 tem decisão judicial que lhe garante o não recolhimento da contribuição ao FUNRURAL mesmo após o advento da Lei nº 10.256/01, mas será obrigada a recolher o valor discutido nessa autuação, por conta do não conhecimento de seu Recurso Voluntário. Por essa razão, caso entenda essa Colenda Turma pela impossibilidade de acolhimento desse recurso com efeito infringente com o cancelamento da autuação, requerse sucessivamente que seja determinado o sobrestamento dessa autuação até decisão definitiva vinculada ao Mandado de Segurança nº 0007528 56.2010.4.01.3400, sob pena de se obrigar à Embargante a recolher valores considerados indevidos pelo próprio Poder Judiciário. DESPACHO DE EMBARGOS Assim solicita, caso entenda essa Colenda Turma pela impossibilidade de acolhimento desse recurso com efeito infringente com o cancelamento da autuação, requerse sucessivamente que seja determinado o sobrestamento dessa autuação até decisão definitiva vinculada ao Mandado de Segurança nº 000752856.2010.4.01.3400, sob pena de se obrigar à Embargante a recolher valores considerados indevidos pelo próprio Poder Judiciário. Alega ainda que houve omissão no acórdão embargado, tendo em vista que não houve por parte da Embargante qualquer tipo de negligência na apuração das referências comerciais e fiscais das empresas fornecedoras de café, sendo, por essa razão, ilegal e arbitrário classificar como inidôneas as notas fiscais de aquisição de tais mercadorias, já que para todos os efeitos as empresas fornecedoras existiam ou ainda existem de fato e de Direito. No acórdão paradigma 2401004.305 Processo 15956.000112/201029, bem enfatizou o redator a situação em que aplicaria o instituto da concomitância: Vale destacar que, houvesse no presente caso uma comprovação, pela autoridade fiscal, de filiação expressa, via manifestação, da recorrente ao processo judicial, diferente seria a presente situação. Todavia, não é o que se encontra. Fl. 1450DF CARF MF Processo nº 10970.720304/201215 Acórdão n.º 9202006.835 CSRFT2 Fl. 11 19 Assim, existindo a manifestação expressa da recorrente em sentido contrário, qual seja, em apresentar suas peças impugnatórias e recursais no presente caso, está clara a sua intenção de discutir diretamente o mérito da demanda no presente processo administrativo fiscal, defendendo o seu direito individual, razão pela qual não vejo como adotarse o entendimento da renúncia à esfera administrativa. Com relação ao segundo paradigma apresentado, basta uma leitura de seu relatório, para verificar que, diferente da situação aqui abordada em momento algum o sujeito passivo arguiu a existência de ação para afastar a exação, mas tão somente discuti o mérito da questão. Vejamos os termos do próprio voto proferido que ensejaram o afastamento da concomitância: Preliminarmente, vale notar que não existe nenhuma matéria, na orbe do presente lançamento, sujeita à apreciação do Poder Judiciário, uma vez a defesa, em nenhum momento, alegou questões relativas à imunidade à incidência tributária da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido ou propôs ação judicial onde se discuta a mesma matéria tratada lançamento em questão. De outro lado, ainda que a defesa tivesse lastreado suas abordagens no plano da imunidade, ainda assim, não haveria a propalada concomitância, uma vez que a ora recorrente não propôs qualquer ação judicial nesse sentido, na forma capitulada no parágrafo 2° do artigo 1° da Lei 1737/79 e no artigo 38, parágrafo único da Lei n° 6.830/80. O que existe é um mandado de segurança coletivo, impetrado por um substituto processual no caso a ABRAPP ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR, o qual não tem o condão de caracterizar a concomitância, eis que não foi a contribuinte quem propôs a referida ação. Com efeito, o mandado de segurança coletivo não se encontra elencado entre as hipóteses em que se deva ser declarada a renúncia à esfera administrativa,previstas no artigo 1°, § 2° do DecretoLei n° 1.737, de 1979 e no artigo 38, parágrafo único, da Lei n° 6.830/80 , os quais determinam que o próprio contribuinte figure no pólo passivo de ação anulatória, declaratória, mandado de segurança ou ação de repetição do indébito, fato que a toda evidência não ocorreu no presente caso Destarte, como a decisão recorrida deixou de apreciar as duas primeiras razões colocadas na impugnação, ao argumento da existência de concomitância entre as matérias, está caracterizado o cerceamento do direito de defesa, devendo, por via de conseqüência, anularse de decisão recorrida, determinando que outra seja proferida, apreciando toda a matéria de defesa. Ora, resta patente que desde o Recurso Voluntário o contribuinte busca e assume valerse de ação judicial para eximirse do pagamento da contribuição sobre a aquisição de produtor rural. Não se trata aqui, de buscar o contribuinte desde a autuação Fl. 1451DF CARF MF 20 discutir o mérito da incidência de contribuição, mas tão somente demonstrar que a medida liminar impetrada pela associação o beneficia e por conseguinte a autuação não deve prevalecer. Neste caso, parecenos até engraçado avaliar sua argumentação, posto que a todo momento quer valerse da decisão para determinar a improcedência da autuação, mas quando o acórdão recorrido encaminha pela concomitância já que a decisão judicial é que dará a palavra final acerca do mérito da autuação, busca argumentação no sentido de inexistência de concomitância por não ter sido o autor direto da referida ação judicial. Ou seja, para beneficiar se da ação vale e a cita a todo momento, já para ter sua matéria apreciada, vislumbrando a possibilidade do julgamento lhe ser favorável, busca afastarse da existência da referida ação. Não entendo plausível tal entendimento, razão pela qual entendo que a argüição pelo sujeito passivo, desde a autuação, de existência de ação, acaba por ser determinante para que se declare a concomitância, passando a decisão final acerca do tema a ser do poder judiciário. Conclusão Face todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial do Sujeito Passivo, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1452DF CARF MF Processo nº 10970.720304/201215 Acórdão n.º 9202006.835 CSRFT2 Fl. 12 21 Declaração de Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. Não obstante o bem fundamentado voto da Relatora, ouso divergir, com a devida vênia, acerca da aplicabilidade do Enunciado de Súmula CARF n.º 1 ao presente caso. Entendeu a Relatora, acompanhada pela maioria do Colegiado, que o Mandado de Segurança Coletivo impetrado pela ABRAPP ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS ENTIDAS FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR enseja a aplicação da Súmula referida, em razão da concomitância da via judicial com a via administrativa relativamente à discussão constante do objeto dos autos. Por outro lado, insta destacar o meu entendimento sobre a inexistência de concomitância entre ação coletiva e processo administrativo fiscal. A respeito da tutela coletiva, cabe transcrever o entendimento de Leonardo Carneiro da Cunha (Livro A Fazenda Pública em Juízo, 2017): A sentença coletiva faz coisa julgada pro et contra, atingindo os legitimados coletivos, que não poderão propor a mesma demanda coletiva. Segundo dispõe, os §§ 1º e 2º do art. 103 do CDC, a extensão da coisa julgada poderá beneficiar, jamais prejudicar os direitos individuais. Eis aí a extensão secundum litis da coisa julgada coletiva. Julgado procedente o pedido, ou improcedente após instrução suficiente, haverá coisa julgada para os legitimados coletivos, podendo ser propostas as demandas individuais em defesa dos respectivos direitos individuais. Em caso de improcedência por falta de provas, não haverá coisa julgada, podendo qualquer legitimado coletivo repropor a demanda coletiva, sendo igualmente permitido a qualquer sujeito propor sua demanda individual. Quer dizer que a coisa julgada é pro et contra e secundum eventum probationis, de sorte que há coisa julgada tanto na procedência como na improcedência, somente não se produzindo quando a improcedência for por falta de provas. Já a extensão subjetiva da coisa julgada pode ser erga omnes ou ultra partes, alcançando todos os indivíduos titulares de direitos difusos ou coletivos, secundum eventum litis, é dizer, somente quando julgado procedente o pedido coletivo. Esse é o regime da coisa julgada nas ações coletivas, tal como previsto no art. 103 do CDC. Aplicase esse regime ao mandado de segurança coletivo. Notase que, tendo em vista a ausência de trânsito em julgado do MS Coletivo impetrado pela ABRAPP, não se pode afirmar a extensão dos efeitos da decisão judicial final ao Contribuinte, de modo que não se mostra possível extrair que o pleito do Sujeito passivo restará apreciado, definitivamente, na via judicial. Fl. 1453DF CARF MF 22 Ora, se a decisão em sede da ação coletiva for contrária ao Contribuinte, em razão do microssistema peculiar ao tema, a coisa julgada não será extensível ao Sujeito passivo. Nesse cenário, caso seja reconhecida a renúncia à instância administrativa, em decorrência do MS Coletivo, no qual sequer é necessária a manifestação da contribuinte quanto à adesão à ação, teriase a impropriedade de afastamento da apreciação administrativa em uma situação na qual inexiste tutela judicial aplicável ao Contribuinte. Corroborando o exposto, acrescenta Leonardo Carneiro: Denegada a segurança, mesmo sendo suficientes as provas, a coisa julgada atingirá apenas os legitimados coletivos, não podendo haver repropositura do Mandado de Segurança coletivo. Não haverá, contudo, extensão subjetiva da decisão aos titulares de direitos individuais. Em outras palavras, a extensão subjetiva da coisa julgada é secundum eventum litis, só alcançando os indivíduos que integrem o grupo, em caso de procedência. Havendo improcedência, os titulares de direitos individuais poderão intentar suas demandas. Portanto, tendo em vista que não há prejuízo algum à Fazenda Nacional (interesse público) em razão da manutenção do trâmite do processo administrativo e, eventualmente, pode haver prejuízo à contribuinte, entendo razoável a desconsideração da existência de concomitância apta a ensejar o reconhecimento de renúncia à instância administrativa. Considerando o exposto, não há que se falar na aplicação do Enunciado de Súmula CARF nº1, quando a ação judicial tratar de tutela coletiva, diante dos efeitos peculiares da coisa julgada, nos casos em que há representação ou substituição processual, em demanda coletiva. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 1454DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002361/2007-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO.
É cabível a exclusão, da base de cálculo do Imposto de Renda incidente sobre depósitos bancários sem identificação de origem, dos valores dos rendimentos comprovadamente tributados na Declaração de Ajuste Anual correspondente.
Numero da decisão: 9202-006.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. É cabível a exclusão, da base de cálculo do Imposto de Renda incidente sobre depósitos bancários sem identificação de origem, dos valores dos rendimentos comprovadamente tributados na Declaração de Ajuste Anual correspondente.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. É cabível a exclusão, da base de cálculo do Imposto de Renda incidente sobre depósitos bancários sem identificação de origem, dos valores dos rendimentos comprovadamente tributados na Declaração de Ajuste Anual correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 23 61 /2 00 7- 01 Fl. 565DF CARF MF 2 Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física dos exercícios de 2003 e 2004, com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem. Em sessão plenária de 16/07/2014, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2802002.922 (efls. 498 a 509), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n.° 9.430/1996, vigente a partir de 1° de janeiro de 1997, estabeleceu, em seu artigo 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Aplicação da Súmula CARF nº 26. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA. IMPOSSIBILIDADE DE SALDO DE DINHEIRO DECLARADO COMPROVAR ORIGEM DE DEPÓSITOS AO LONGO DO ANO ANTERIOR SEM VINCULAÇÃO INDIVIDUALIZADA AOS DEPÓSITOS. IMPOSSIBILIDADE DE DEPÓSITOS ANTERIORES COMPROVAREM A ORIGEM DOS POSTERIORES. SÚMULA CARF Nº 30. Para afastar a presunção legal de omissão de rendimentos amparada no art. 42 da Lei 9.430/1996 a comprovação há de ser individualizada, não basta comprovar disponibilidade financeira ou declaração de disponibilidade de dinheiro em espécies na declaração de ajuste, sem apresentação de vinculação com os depósitos objeto da intimação fiscal. De acordo com a Súmula CARF nº 30, na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. IRPF. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO VALOR DOS RENDIMENTOS DECLARADOS PELO CONTRIBUINTE. Quando da utilização da presunção legal contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96, devem ser excluídos da base de cálculo os valores dos rendimentos declarados pelo contribuinte quando Fl. 566DF CARF MF Processo nº 19515.002361/200701 Acórdão n.º 9202006.828 CSRFT2 Fl. 566 3 houver evidências de que os rendimentos recebidos e declarados possam ter transitado pelas contas bancárias do contribuinte. Precedentes da CSRF. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS COTITULARES. NULIDADE. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Aplicação da Súmula CARF nº 29. A informação do contribuinte de que era o único responsável pelos recursos movimentados não dispensa o Fisco de realizar a referida intimação. Recurso provido em parte.” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento por depósitos bancários e, no mérito, por unanimidade, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da autuação (a) os valores de R$76.255,00, em 2002, e R$68.397,05, em 2003 e (b) o somatório dos depósitos na conta conjunta mantida no Banco Itaú menos o valor de R$6.225,77, já excluído em primeira instância, nos termos do voto do relator. Vencido, em preliminar, o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández que suscitou de ofício a nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para requisição de informações bancárias.” O processo foi encaminhado à PGFN em 05/08/2014 (Despacho de Encaminhamento de efls. 510) e, em 28/08/2014 (Despacho de Encaminhamento de efls. 513), a Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de fls. 511/512, rejeitados conforme despacho de 22/09/2014 (efls. 514 a 516). Foram os autos novamente encaminhado à PGFN em 23/09/2014 (Despacho de Encaminhamento de efls. 517) e, na mesma data, foi interposto o Recurso Especial de efls. 518 a 527 (Despacho de Encaminhamento de efls. 528), fundamentado no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir as seguintes matérias: aceitação, como origem de recursos, dos valores informados na Declaração de Ajuste Anual, sem a vinculação entre cada depósito e os rendimentos declarados; e natureza do vício que acarreta a nulidade do lançamento, no caso da aplicação da Súmula CARF nº 29, se formal ou material. Fl. 567DF CARF MF 4 Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, unicamente em relação à primeira matéria, conforme Despacho de Admissibilidade de 29/04/2016 (efls. 529 a 537), o que foi mantido pelo Despacho de Reexame de efls. 538/539. Em seu apelo, quanto à matéria que obteve seguimento, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: de conformidade com o acórdão recorrido, o valor declarado pelo sujeito passivo como rendimento em Declaração de Ajuste Anual seria suficiente para demonstrar a origem de depósitos bancários, ou melhor, os valores tributáveis declarados pelo sujeito passivo comporiam pelo menos parte os depósitos bancários tidos como de origem não comprovada; ocorre que no voto condutor não é explicitado quais depósitos bancários, especificadamente, foram considerados como de origem comprovada pelo valor declarado como rendimento em DAA; o dispositivo legal da presunção de omissão de receitas por depósito bancário de origem não comprovada é exato quanto à presunção que cria: não se presume como renda omitida a soma dos valores depositados na conta bancária no anocalendário, porém, cada depósito é considerado individualizadamente; como se vê, o que se presume como omissão de renda é um valor determinado (específico) creditado em conta, e não um somatório de valores para um período; cumpre ao sujeito passivo demonstrar que os valores individualmente especificados ali depositados não são renda omitida, a partir de explicação da origem para cada um dos depósitos; ainda que se admita uma certa discricionariedade quanto a valores e datas, que para alguns julgadores não precisam ser exatos, mas aproximados, pela aplicação do princípio da razoabilidade, não se pode, por isso, aceitar uma explicação deveras genérica, que englobe todo o anocalendário, sem especificação do depósito que se pretende comprovar; foi esse o posicionamento tomado pela Câmara a quo, isto é, aceitou como justificação de origem de depósitos bancários valor global declarado como rendimento em Declaração de Ajuste Anual, sem especificar qual seria o respectivo depósito bancário por ele justificado; pela redação do texto legal esse posicionamento não é possível, vez que mister a identificação de cada um dos depósitos listados pelo fiscal cuja origem foi considerada como comprovada; diante disso, não podem ser simplesmente excluídos das bases de cálculo os valores de R$ 76.255,00 e R$ 68.397,05, porque não foram associados a depósitos bancários específicos sobre os quais vige presunção de renda omitida; ademais, lembrando que o ônus da prova é do sujeito passivo, teria ele facilidade em demonstrar a correlação entre os rendimentos declarados e depósitos bancários; se não o fez, é muito provável que os depósitos a eles não correspondam e, na dúvida, prevalece a presunção legal; Fl. 568DF CARF MF Processo nº 19515.002361/200701 Acórdão n.º 9202006.828 CSRFT2 Fl. 567 5 por isso, se há dúvida com relação ao fato de o valor declarado justificar algum depósito bancário, prevalece o Auto de Infração, certo que calcado numa presunção legal, que só pode ser afastada por efetiva demonstração concreta, isenta de dúvida, de que não há omissão de renda. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido. Cientificado, o Contribuinte quedouse silente. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física dos exercícios de 2003 e 2004, com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem. No acórdão recorrido, deuse provimento parcial ao Recurso Voluntário, excluindose da base de cálculo os valores registrados na Declaração de Ajuste Anual. A Fazenda Nacional, por sua vez, argumenta que tal exclusão não poderia ser efetuada de forma genérica, sem a especificação do depósito que se pretende comprovar. A exclusão de rendimentos constantes das Declarações de Ajuste Anual foi assim resumida no acórdão recorrido: "Na fase de fiscalização o contribuinte informou que os depósitos não justificados pelas razões acima decorriam de sua atividade profissional e a forma como os rendimentos tributáveis foram declarados pelo contribuinte (fls. 304 e 311) torna verossímil a premissa de que os rendimentos declarados tenham transitado pelas suas contas correntes/poupança o que justifica aplicar o entendimento sufragado no Acórdão 9202002.930, de 05/11/2013 da 2ª Turma da CSRF, cujo excerto de ementa transcrevese: (...) IRPF. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO VALOR DOS RENDIMENTOS DECLARADOS PELO CONTRIBUINTE. Quando da utilização da presunção legal contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96, devem ser excluídos da base de cálculo os valores dos rendimentos declarados pelo contribuinte sempre que os rendimentos recebidos e declarados (e por isso já oferecidos à tributação) possam ter transitado pelas contas bancárias do contribuinte. (...) Fl. 569DF CARF MF 6 Devese excluir do lançamento os valores de R$76.255,00, em 2002, e R$68.397,05, em 2003." A jurisprudência do CARF é no sentido de que, apesar da não identificação individualizada dos depósitos com os rendimentos tributados na declaração, é cabível a exclusão do valor a eles correspondente da base de cálculo do lançamento, sob o fundamento lógico de que, se o Contribuinte movimenta os rendimentos omitidos nas suas contas bancárias, não haveria de deixar de movimentar os rendimentos declarados. Com efeito, o objetivo da exclusão da base de cálculo dos depósitos bancários, dos valores tributados na Declaração de Ajuste Anual, é evitar que haja dupla tributação. Entretanto, esse raciocínio somente pode ser aplicado aos rendimentos que, sem sombra de dúvida, foram efetivamente submetidos à tributação na declaração. Assim, relativamente à única questão submetida à Instância Especial – exclusão, da base de cálculo dos depósitos bancários, dos valores de R$ 76.255,00 e R$ 68.397,05, nos anoscalendário de 2002 e 2003, respectivamente, referentes a rendimentos recebidos de pessoa jurídica (fls. 306 a 311), não vejo reparos a fazer na decisão recorrida, já que não seria razoável presumir que o Contribuinte teria feito circular na rede bancária o que foi omitido, e não o que foi declarado ao Fisco. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 570DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000781/2005-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2002, 2003, 2004
DIF-PAPEL IMUNE. INSCRIÇÃO NO REGISTRO ESPECIAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO.
A pessoa jurídica possuidora de estabelecimento inscrito no Registro Especial está obrigada a apresentar a DIF-Papel Imune, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período.
MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE. PREVISÃO LEGAL.
É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada DIF - Papel Imune, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001.
VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIF - PAPEL IMUNE.
Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIF - Papel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001.
RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA.
Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.
Numero da decisão: 3201-003.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para adequar-se a multa aplicada ao que dispõe o texto da Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2002, 2003, 2004 DIF-PAPEL IMUNE. INSCRIÇÃO NO REGISTRO ESPECIAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. A pessoa jurídica possuidora de estabelecimento inscrito no Registro Especial está obrigada a apresentar a DIF-Papel Imune, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada DIF - Papel Imune, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIF - PAPEL IMUNE. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIF - Papel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para adequar-se a multa aplicada ao que dispõe o texto da Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1821; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 214 1 213 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.000781/200574 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.741 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2018 Matéria IPI Recorrente REBOUÇAS EDITORA E REPRODUÇÕES GRÁFICAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2002, 2003, 2004 DIFPAPEL IMUNE. INSCRIÇÃO NO REGISTRO ESPECIAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. A pessoa jurídica possuidora de estabelecimento inscrito no Registro Especial está obrigada a apresentar a DIFPapel Imune, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158 35/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 07 81 /2 00 5- 74 Fl. 214DF CARF MF Processo nº 18471.000781/200574 Acórdão n.º 3201003.741 S3C2T1 Fl. 215 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para adequarse a multa aplicada ao que dispõe o texto da Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Tratase de auto de infração para exigência da multa regulamentar no valor de R$ 297.000,00, lavrado em decorrência da constatação de ausência na entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIFPapel Imune). O lançamento foi amparado nos dispositivos legais relacionados na descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração, merecendo destaque a Instrução Normativa (IN) SRF n° 71 ; de 2001, bem como os arts. 212 e 505 do Decreto n° 4.544, de 2002 (RIPI/02), os quais têm. como matrizes legais, respectivamente, o art. 16 da Lei n° 9.779, de 1999; e o art. 57, inciso I da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. Cientificada pela.via,postal em 02/06/2005 (fl. 24), a autuada apresentou em 28/06/2005 sua impugnação de fl. 26, na qual solicitou o cancelamento do auto de infração e da sua inscrição GP07190/251 sob os argumentos, em síntese, de que: desde a sua inscrição para operar com papel imune até a data da impugnação nunca havia feito qualquer operação com o aludido papel, tendo sido feita a inscrição apenas para estar habilitada se no, futuro viesse a operar; . seu porte era modesto, tratandose de microempresa inscrita do SIMPLES, "que ora pede o cancelamento da inscrição em Fl. 215DF CARF MF Processo nº 18471.000781/200574 Acórdão n.º 3201003.741 S3C2T1 Fl. 216 3 questão pelo fato de nunca ter funcionado com a atividade em tela e nem pretender funcionar no futuro."; "não houve períodos sem operação, mas sim, não funcionamento em nenhum período, razão pela qual não apresentou nos períodos em apreço a DIFPapel Imune.." A decisão recorrida julgou improcedente a impugnação e apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2002, 2003, 2004 DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A nãoapresentação, ou a apresentação da DIFPapel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista no art. 57 da MP n° 2.15834, de , 2001, e reedição. Lançamento Procedente" O recurso voluntário da recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) é uma microempresa inscrita no SIMPLES; (ii) promoveu, junto aos órgãos competentes, sua inscrição sob o n° GP 071901/251 no Registro Especial para Utilização de Papel Imune em 10.05.2002, objetivando o crescimento de sua atividade com a edição de livros, revistas e periódicos, o que jamais ocorrera, em face de novas tecnologias, com a popularização do computador, internet, palmtop, cupom fiscal, nota fiscal eletrônica, tornandose inviável concorrer num mercado sofisticado, o que levou sua direção a promover em 28.06.2005 a solicitação de cancelamento de Inscrição no Registro Especial para Operações com Papel Imune; (iii) se está diante de uma sanção injusta e ilegal que prevalecendo essa tese, não só inviabiliza totalmente a atividade empresarial, não só por tornála insolvente, como provocará a miserabilidade aos seus funcionários e representante legal, que no interregno de seu funcionamento, jamais deixou de cumprir com toda carga tributária incidente sobre o seu negócio; e (iv) se jamais operou com papel imune não está obrigada a apresentar as DIF Papel Imune. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Fl. 216DF CARF MF Processo nº 18471.000781/200574 Acórdão n.º 3201003.741 S3C2T1 Fl. 217 4 Com relação ao argumento de que em momento algum se utilizou de papel imune, ao passo que nunca sequer praticou quaisquer das operações sujeitas ao cumprimento da obrigação acessória, o que inclusive motivou o pedido de cancelamento desse registro, tal alegação não merece prosperar. Neste sentido, é de se reportar ao contido em decisão proferida em 1ª instância no processo nº 10855.000851/200578, a qual, acertadamente assim consigna: "Ora, a obrigatoriedade de entrega das DIFPapel Imune decorre do simples fato de o sujeito passivo estar devidamente inscrito no Registro Especial de que trata o art. 1° da mesma IN SRF n° 71/2001. Do referido ato, transcrevo os dispositivos normativos pertinentes, in verbis: Art. 1° Os fabricantes, os distribuidores, os importadores, as empresas jornalísticas ou editoras e as gráficas que realizarem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos estão obrigados à inscrição no registro especial instituído pelo art. 1° do Decretolei n° 1.593, de 21 de dezembro de 1977, não podendo promover o despacho aduaneiro, a aquisição, a utilização ou a comercialização do referido papel sem prévia satisfação dessa exigência. ... Art. 10. Fica instituída a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF Papel Imune), cuja apresentação é obrigatória para as pessoas jurídicas de que trata o art. 1°. Vejase, assim, que toda empresa que estiver inscrita no Registro Especial (de que trata o art. 1°) está obrigada à. entrega da DIFPapel Imune nos prazos fixados no art. 11 da mesma norma, que segue transcrito in verbis: Art. 11. A DIFPapel Imune deverá ser apresentada até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores, em meio magnético, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado pela SRF. Parágrafo único. A DIFPapel Imune, relativa ao período de fevereiro a março de 2002, poderá, excepcionalmente, ser apresentada até o dia 31 de julho de 2002. (...) Enquadrandose, portanto, na hipótese de obrigatoriedade, deveria o sujeito passivo ter entregado as reportadas declarações, nos prazos fixados no art. 11 da IN SRF n° 71/2001. Destarte, como as declarações foram entregues após os prazos fixados no art. 11 da IN SRF n° 71/2001, a aplicação da multa decorreu do disposto no art. 12, da mesma norma, que se Fl. 217DF CARF MF Processo nº 18471.000781/200574 Acórdão n.º 3201003.741 S3C2T1 Fl. 218 5 reportou, por sua vez, ao art. 57 da Medida Provisória (MP) n° 2.1583 (última reedição), verbis: IN SRF n° 71/2001: Art. 12. A não apresentação da DIFPapel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória n° 2.158 34, de 27 de julho de 2001. ................................................................................................ MP n° 2.15835/2001: Art. 57.0 descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei n° 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente as pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; (...) Cabe consignar, nesse passo, que a instituição da obrigação acessória de entrega da DIFPapel Imune visa prover a Administração Tributária de informações acerca das operações havidas (ou não havidas) com aquela mercadoria, sujeitas à imunidade de tributos. Assim sendo, de posse do cadastro de empresas inscritas no Registro Especial, que pretendem realizar operações com a referida mercadoria, a fiscalização passa a acompanhar a movimentação do Papel Imune por meio da entrega das DIFs. A inscrição no Registro Especial, realizada por solicitação do próprio contribuinte, é condição para a realização de operações com o Papel Imune. Uma vez inscrito, deve ele entregar as DIFs tempestivamente, sob pena de incidência da multa regulamentar. Não deveriam restar dúvidas aos contribuintes de que a obrigatoriedade do Registro Especial s6 atinge "os fabricantes, os distribuidores, os importadores, as empresas jornalísticas ou editoras e as gráficas que realizarem operações com papel destinado impressão de livros, jornais e periódicos". Esta é a disposição literal do comando normativo. Se o sujeito passivo solicitou sua inscrição é porque se enquadrava naquela situação. E se, posteriormente, até por razões de mercado, decidiu que, definitivamente, não irá realizar operações com papel imune, poderá solicitar o cancelamento da sua inscrição, a qualquer tempo. Mas enquanto assim não proceder, permanecerá obrigado à entrega das DIFs." Correta a decisão recorrida quando pontua: Fl. 218DF CARF MF Processo nº 18471.000781/200574 Acórdão n.º 3201003.741 S3C2T1 Fl. 219 6 "É importante ressaltar que as empresas autorizadas a operar com papel imune, ainda que não tenham efetuado operações com esse papel em um dado período, permanecem obrigadas a apresentar a declaração em comento para esse período (parágrafo único do art. 2° da IN SRF n° 159, de 2002), sujeitandose, por conseguinte, no caso de descumprimento, à sanção normativa para tanto. Ou seja, se a pessoa jurídica obteve o deferimento do registro especial para operar com papel imune, passou aquela a ter que cumprir as obrigações tributárias respectivas , dentre as quais a de apresentar a DIFPapel Imune. Isso porque, tendo a empresa, por sua iniciativa própria, protocolado o pedido de registro especial para operar com papel abrangido pela imunidade tributária e, após a análise do Órgão competente (Delegacia da Receita Federal), obtido deste, por meio de ato normativo dotado de validade e eficácia (ato declaratório executivo publicado no Diário Oficial da União), a concessão para tanto, passou a ter de cumprir todas as obrigações normativas relacionadas com a obtenção do registro especial, dentre elas a obrigação acessória de apresentar, nos prazos devidos, as DIFsPapel Imune. Vale lembrar que a natureza da obrigação acessória é instrumental, visando dar meios de conhecimento e de controle ao Fisco sobre a atividade praticada pelo contribuinte e seus reflexos tributários. Com efeito, não é o fato de ter ou não operado efetivamente com papel imune que enseja a obrigação tributária acessória de apresentação da DIFPapel Imune, mas sim o fato de a empresa terse enquadrado no "modelo" normativo fundado no animus presumido das pessoas detentoras de registro especial para operar com esse tipo de papel, passando, assim, a sujeitarse às implicações jurídicotributárias de tal enquadramento." Tratase no caso, a DIF Papel Imune de uma declaração instituída com fundamento na Lei 9.779/99, de caráter acessório e geral, cujo descumprimento sujeita ao contribuinte ao disposto no art. 505 do RIPI/2002, de acordo com o previsto no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/01. Constatase, então, que possui previsão legal. O entendimento do CARF sobre a legalidade da exigência, pode ser ilustrado com a seguinte decisão: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 DECLARAÇÕES ESPECIAIS DE INFRAÇÕES FISCAIS RELATIVAS AO CONTROLE DE PAPEL IMUNE (DIF PAPEL Fl. 219DF CARF MF Processo nº 18471.000781/200574 Acórdão n.º 3201003.741 S3C2T1 Fl. 220 7 IMUNE). MULTA POR ATRASO OU FALTA NA ENTREGA. LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA. DIF Papel imune é obrigação acessória amparada no artigo 16 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999. O atraso na entrega da declaração sujeita ao infrator à pena cominada no 505 no RIPI/2002 (cfr. artigo 57 da Medida Provisória 2.15834, de 27 de julho de 2001) c/c artigo 12 da IN SRF 71, de 24 de agosto de 2001, com a retroatividade benigna do artigo 12, inciso II e parágrafo único da IN SRF 976/2009. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte" (Processo 10830.001378/200613; Acórdão 9303001.456; Relatora Conselheira Nanci Gama; sessão de 31/05/2011) O Superior Tribunal de Justiça assim entende: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DIF PAPEL IMUNE. NÃO APRESENTAÇÃO NO PRAZO LEGAL. PENALIDADES. IN/SRF N. 71/2001. ART. 57 DA MEDIDA PROVISÓRIA 2.158/2001. 1. A Fundação Universidade de Passo Fundo ajuizou ação ordinária com vista à repetição de indébito de valores referentes ao pagamento de multa imposta com base no art. 57, I, da Medida Provisória 2.15834/2001, por descumprimento da obrigação acessória de apresentar a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF Papel Imune). (...) 4. A legislação tributária não deixa dúvidas de que a Fundação recorrente estava obrigada à apresentação da "DIFPapel Imune", independentemente de qualquer notificação por parte da Receita Federal, sob pena de sujeitarse à aplicação da penalidade pecuniária. Assim, ao descumprir a referida obrigação acessória, a recorrente ficou à mercê das sanções dispostas no art. 57 da MP 2.15834/2001. 5. O art. 57, I, da MP 2.15834/2001 estabeleceu a multa por descumprimento de obrigações acessórias em R$ 5.000,00 por mêscalendário. 6. Na hipótese dos autos, tem aplicação a Instrução Normativa da SRF 71/2007, que instituiu obrigação tributária acessória consistente na apresentação da DIFPapel Imune à Secretaria da Receita Federal, que deverá ser feita até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores. (...) (REsp 1222143/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/02/2011, DJe 16/03/2011) Ocorre que, sobreveio a Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009, resultado da conversão da Medida Provisória n° 451/2008, que tratou da matéria nos seguintes termos: Fl. 220DF CARF MF Processo nº 18471.000781/200574 Acórdão n.º 3201003.741 S3C2T1 Fl. 221 8 "Art. 1° Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1° A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2° O disposto no § 1° deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2° do art. 2° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2° do art. 2° e no § 15 do art. 3° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8° da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3° Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4° O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3° deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5° Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4° deste artigo será reduzida à metade." Fl. 221DF CARF MF Processo nº 18471.000781/200574 Acórdão n.º 3201003.741 S3C2T1 Fl. 222 9 Assim, temse que a nova legislação estipulou penalidade mais benéfica ao contribuinte. O Código Tributário Nacional CTN, em seu artigo 106, inciso II, alínea c, dispõe, expressamente, que "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." O dispositivo aplicase ao caso concreto, em razão de se tratar de norma mais benigna ao contribuinte, em matéria de penalidade. Anteriormente, a multa aplicada equivalia ao número de mesescalendário em atraso, o que resultava na aplicação de multa (penalidade) por demais gravosa ao contribuinte, a depender, inclusive, da demora, por parte do Fisco, em aplicála. Com a superveniência da Lei n° 11.945/2009, a penalidade passou a ser exigida levandose em conta cada obrigação acessória isolada, e não mais a quantidade de meses em atraso. Por se tratar de penalidade, é evidente e cristalina a sua natureza de matéria de ordem pública, fato que torna possível a sua apreciação por este órgão de julgamento,sendo lícita e legítima a aplicação do novo texto legal à hipótese versada, ainda que não instada a tanto. No caso concreto, aplicouse a multa no valor total de R$ 297.000,00, de multa pela não apresentação no prazo estabelecido da Declaração Especial de Informações relativas ao Controle de Papel Imune (DIF PAPEL IMUNE), referente aos 2°, 3° e 4º trimestres de 2002; 1°, 2°, 3° e 4º trimestres de 2003 e 1° e 2° trimestres de 2004. No cálculo, considerouse, por mês em atraso, a multa de R$ 1.500,00, resultando no valor de R$ 297.000,00. Com a sistemática mais benéfica, estabelecida pela Lei n° 11.945/2009, a multa de R$ 2.500,00 deve ser exigida em relação a cada obrigação em atraso, no caso, 9 (nove) trimestres. No total, portanto, a multa que deverá incidir, conforme o exposto, será no valor de R$ 22.500,00 (vinte e dois mil e quinhentos reais 9 trimestres x R$ 2.500,00). Fl. 222DF CARF MF Processo nº 18471.000781/200574 Acórdão n.º 3201003.741 S3C2T1 Fl. 223 10 Nestes termos, tem decidido o CARF, através da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme decisões a seguir colacionadas: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/10/2002, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal nos seguintes comandos normativos: art. 16 da Lei nº 9.779/99; art. 57 da MP nº. 2.15835/ 2001; arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIFPAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Recurso Especial do Procurador negado." (Processo 11080.001057/200601; Acórdão 9303005.273; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; sessão de 21/06/2017) "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004, 31/10/2004, 10/02/2005 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.158 35/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 18471.000781/200574 Acórdão n.º 3201003.741 S3C2T1 Fl. 224 11 VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte." (Processo 19515.000759/200533; Acórdão 9303004.953; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 10/04/2017) Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto, para que a multa seja adequada ao que dispõe o texto da Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009, no valor de R$ 22.500,00 (vinte e dois mil e quinhentos reais 9 trimestres x R$ 2.500,00). (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 224DF CARF MF
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