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Numero do processo: 13204.000063/2005-34
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos: serviços de decapeamento, de lavra, de locação de máquinas e equipamentos e o óleo combustível A-BPF.
Numero da decisão: 9303-005.630
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen. Ausente, justificadamente, a conselheira Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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INSUMOS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado IMERYS RIO CAPIM CAULIM S/A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos: serviços de decapeamento, de lavra, de locação de máquinas e equipamentos e o óleo combustível ABPF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento parcial. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 00 63 /2 00 5- 34 Fl. 365DF CARF MF 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen. Ausente, justificadamente, a conselheira Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 340301.500, 21/03/2012, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. ACEPÇÃO. Consoante dicção das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, consideramse insumos os bens ou serviços utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, donde se depreende que aludida utilização deve se dar de forma direta sobre o processo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se manifestar acerca de inconstitucionalidade de normas, havendo expressa vedação legal neste sentido, ex vi do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, com a redação alterada pela Lei nº 11.941/09. Recurso voluntário provido em parte. No recurso especial, a Recorrente insurgese contra o entendimento adotado na decisão recorrida que considerou alguns itens como insumos: decapeamento, lavra, locação de máquinas e equipamentos e óleo combustível ABPF. Visando comprovar a divergência, apresentou, como paradigmas, os Acórdãos nº 20312.448; 380100.470 e 380100.487. O recurso especial foi admitido através do despacho de fls. 358/360. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 13204.000063/200534 Acórdão n.º 9303005.630 CSRFT3 Fl. 366 3 Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 242/261). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão recorrido aplicou conceito mais largo para insumos, de forma a ensejar o creditamento quanto aos itens referidos no recurso especial, o primeiro paradigma, o Acórdão de nº 20312.448, aplicou o conceito mais estrito, nos moldes em que adotado nos atos normativos expedidos pela RFB. Conhecido, passamos à análise do mérito do litígio. Depois de longos debates, passamos a adotar, para o conceito de insumos do PIS/Cofins no regime da não cumulatividade, o entendimento hoje majoritário que, entre outras decisões, se encontra encartado no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), daí por que passamos a transcrever os seus fundamentos e adotálos como razão de decidir. Eilos: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/2003 61, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização Fl. 367DF CARF MF 4 aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...]As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Acrescentamos, ainda, o fato de que a própria RFB parece indicar uma alteração no seu entendimento (conceito próprio da legislação do IPI), uma vez que, na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23 de agosto de 2016, após a reprodução dos atos legais e infralegais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo, concluiu que, no conceito de Fl. 368DF CARF MF Processo nº 13204.000063/200534 Acórdão n.º 9303005.630 CSRFT3 Fl. 367 5 insumos, incluemse os bens ou serviços que "vertam sua utilidade" sobre o bem ou o serviço produzido. Confirase: 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matériaprima); a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. (g.n.) Passemos ao caso concreto. A Câmara baixa reconheceu o crédito de PIS/Cofins sobre os seguintes itens: Fl. 369DF CARF MF 6 Serviço de locação: consiste na locação de equipamentos para extração do minério. Por sua especificidade e alta exigência técnica a extração de minério não pode ser realizada a contento sem maquinário apropriado. (...) Serviço de decapeamento: consiste na retirada de vegetação e solo para expor o minério. (...) Serviço de lavra: consiste na extração do minério da natureza. (...) Óleo combustível TP ABPF: utilizado na fase da "evaporação" (redução do teor de água contida na polpa através de passagem por evaporadores, que são aquecidos por caldeiras alimentadas pela queima de combustível). (...) A decisão está em sintonia com o entendimento que aqui adotamos e encontrase encartado na decisão antes reproduzida: os insumos devem compreender todos os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada, ou seja, tudo o que é pertinente e necessário à produção (mas insumo só pode ser, como regra, aquilo que vem antes, não depois de concluído o processo). . Analisada a atividade da Recorrente – empresa mineradora dedicada à extração do caulim (minério utilizado na fabricação de cerâmica, tintas, cimento etc.) –, e considerando tudo o que aqui foi exposto, entendemos que, de fato, cabe a apropriação de créditos da contribuição sobre todos os itens contestados no recurso especial, porquanto integram, a nosso juízo, como demonstra a descrição de cada qual, a produção. Sobre os dispêndios com a locação de equipamentos empregados na produção (extração do minério), a própria RFB já a entende cabível o creditamento, conforme dispôs na Solução de Consulta Cosit nº 2, de 14 de janeiro de 2016: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ALUGUEL DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. UTILIZAÇÃO NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. IMÓVEL LOCADO PARA ALOJAMENTO DE TRABALHADORES EM LOCALIDADE ONDE A PESSOA JURÍDICA NÃO POSSUI SEDE OU FILIAL. As despesas relativas a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos admitem a apuração de créditos para os fins previstos no art. 3o , IV da Lei nº 10.833, de 2003, desde que atendidos todos os requisitos normativos e legais, entre eles, o de serem efetivamente utilizados nas atividades da empresa. Para tanto, é irrelevante se a locação e a utilização dos bens se dão em localidade onde a pessoa jurídica possua sede ou filial. Para os fins mencionados, os imóveis locados para alojamento de trabalhadores não são considerados como “utilizados nas atividades da empresa” e, portanto, não admitem crédito na hipótese aventada. (g.n) Fl. 370DF CARF MF Processo nº 13204.000063/200534 Acórdão n.º 9303005.630 CSRFT3 Fl. 368 7 Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 371DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.003254/2010-06
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LEGALIDADE. ATO ADMINISTRATIVO.
Em se tratando de obrigação tributária acessória, a lei estabelece as linhas gerais, cabendo ao ato administrativo especificar conteúdo, forma e periodicidade.
DCTF. MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
Numero da decisão: 1001-000.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LEGALIDADE. ATO ADMINISTRATIVO. Em se tratando de obrigação tributária acessória, a lei estabelece as linhas gerais, cabendo ao ato administrativo especificar conteúdo, forma e periodicidade. DCTF. MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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ATRASO NA ENTREGA DA DCTF Recorrente COMÉRCIO DE METAIS LINENSE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LEGALIDADE. ATO ADMINISTRATIVO. Em se tratando de obrigação tributária acessória, a lei estabelece as linhas gerais, cabendo ao ato administrativo especificar conteúdo, forma e periodicidade. DCTF. MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 32 54 /2 01 0- 06 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 11610.003254/201006 Acórdão n.º 1001000.002 S1C0T1 Fl. 84 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Campo Grande (MS), mediante o Acórdão nº 0429.905, de 06/11/2012 (efls. 30/33), objetivando a reforma do referido julgado. O crédito tributário lançado se refere à exigência de multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao mês de fevereiro de 2006, conforme Notificação de Lançamento (efl. 24). Em homenagem à economia processual, adotarei parte do Relatório constante no referido Acórdão de primeira instância, pelo que peço vênia para transcrevêlo: A impugnante arguiu a ilegalidade da DCTF e da imposição da multa, porquanto instituídas por ato administrativo, expedido pela Receita Federal. Sustentou que as obrigações acessórias, em atenção ao princípio da legalidade, devem ser necessariamente instituídas por lei. Ademais, quanto à multa, alegou no caso concreto os efeitos da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional – CTN. Ao final, pediu o cancelamento do auto de infração. A DRJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LEGALIDADE. ATO ADMINISTRATIVO. Em se tratando de obrigação tributária acessória, a lei estabelece as linhas gerais, cabendo ao ato administrativo especificar conteúdo, forma e periodicidade. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Ciente da decisão de primeira instância em 22/04/2015, conforme Aviso de Recebimento à efl. 42, a recorrente apresentou recurso voluntário em 18/05/2015, conforme carimbo de recepção à efl. 44. No recurso interposto (efls. 44/51), a recorrente reitera os argumentos trazidos em sede de impugnação. É o Relatório. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11610.003254/201006 Acórdão n.º 1001000.002 S1C0T1 Fl. 85 3 Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Observo, inicialmente, que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. De igual modo, não há qualquer contestação quanto ao cálculo do valor da multa exigida. Os argumentos da recorrente, a exemplo do que ocorreu em primeira instância, se baseiam na denúncia espontânea, por ter entregue a declaração antes de qualquer procedimento fiscal e nas ilegalidades da instituição da entrega da DCTF e da multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto, a seguir, do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: O fato que deu ensejo à aplicação da multa ora impugnada foi o atraso na entrega da DCTF. Não resignada, a impugnante alegou ofensa ao princípio da legalidade e invocou também os efeitos da denúncia espontânea. Não procede a alegação de ofensa ao princípio da legalidade, pois, em se tratando de obrigação tributária acessória, à lei cabe definir genericamente a obrigação, deixando ao ato administrativo o detalhamento da conduta a ser exigida do contribuinte. Vale dizer, a lei estabelece a obrigação de prestar informações à Fazenda, enquanto o ato administrativo especifica o conteúdo, a forma e a periodicidade. Nesse sentido decidiu o E. Superior Tribunal de Justiça – STJ, como se vê da ementa abaixo transcrita: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MULTA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. A instrução normativa 73/96 estabelece apenas os regramentos administrativos para a apresentação das DCTF's, revelandose perfeitamente legítima a exigibilidade da obrigação acessória, não havendo que se falar em violação ao princípio da legalidade. 2. Embargos de declaração acolhidos. (EDcl no AgRg no Resp nº 507.467, DJ 09/12/2003) Do voto condutor da decisão, proferido pelo Ministro Luiz Fux, colhese o seguinte trecho: Deveras, a questão a ser debatida consiste em saber se subsiste respaldo legal para a edição da obrigação de entrega de Declaração de Contribuições Federais e da aplicação da penalidade imposta decorrente do atraso na entrega da DCTF. Entende o embargante ser descabida a multa, porquanto a Instrução Normativa 73 de 18/12/96 não poderia ter instituído a Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11610.003254/201006 Acórdão n.º 1001000.002 S1C0T1 Fl. 86 4 penalidade, uma vez que se trata de matéria reservada à lei, consoante dispõe o art. 97, V do CTN. A exigibilidade de multa pelo atraso na entrega das informações imposta pelo Regulamento do Imposto de Renda de 1980, decorre do Decreto nº 1.968/82 que, em seu art. 11, assim preceitua: "Art. 11 A pessoa física ou física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o Imposto de Renda que tenha retido. §1º (...) §2º Será aplicada multa em valor equivalente ao de uma ORTN para(..) §3º Apresentada a informação fora do prazo e antes de qualquer procedimento exofficio, ou se, após a intimação, for apresentada no prazo nela fixado, a multa prevista no parágrafo anterior será reduzida a metade" Posteriormente, o dispositivo acima restou alterado pelo Decretolei nº 2.065/83, que assim assentou: "Art. 11. A pessoa física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o Imposto de Renda que tenha retido. §1º A informação deve ser prestada nos prazos fixados e em formulário padronizado aprovado pela Secretaria da Receita Federal. §2º Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma OTRN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. §3º Se o formulário padronizado (§ 1º) for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 ORTN, ao mês calendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. (grifo nosso) Destarte, forçoso concluir que a instrução normativa 73/96 (fl.42) estabelece apenas os regramentos administrativos para a apresentação das DCTF's, revelandose perfeitamente legítima a exigibilidade da obrigação acessória, não havendo que se falar em violação do princípio da legalidade. Isto posto, acolho os embargos para sanar a omissão apontada. Inexiste, por outro lado, ofensa à legalidade no que tange à multa, uma vez que há previsão expressa no art. 7º da Lei nº 10.426/2002 tanto da DCTF, quanto da multa pelo não cumprimento da obrigação acessória. No que tange à ultima alegação, é pacífico no âmbito do Superior Tribunal de Justiça o entendimento segundo o qual os efeitos da denúncia espontânea não se aplicam às chamadas obrigações acessórias, conforme se percebe pelo teor da ementa abaixo reproduzida. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11610.003254/201006 Acórdão n.º 1001000.002 S1C0T1 Fl. 87 5 TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 11340 / SC 2011/01079325, Segunda Turma, Relator Ministro Castro Meira, julgado em 13/09/2011, Dje 27/09/2011) Quanto às ilegalidades levantadas pela recorrente, tanto da instituição, quanto da aplicação da multa pelo não cumprimento da obrigação acessória, reproduzo, a seguir, a base legal do lançamento, o referido artigo 7º da Lei nº 10.426, de 2002, que criou uma regra específica de sanção para o descumprimento da obrigação acessória relativa às declarações DIPJ, DCTF, DIRF e DACON: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3; [...] § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; [...] § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Por fim, em relação ao instituto da denúncia espontânea, tema que versa os autos, suscitado pela recorrente, é respaldado por entendimento sumulado do CARF: Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11610.003254/201006 Acórdão n.º 1001000.002 S1C0T1 Fl. 88 6 Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, diante da especificidade da Súmula CARF nº. 49 e conforme Regimento Interno deste Conselho, que prevê a obrigatória observância das Súmulas CARF pelos conselheiros, não havendo que se falar, portanto, em benefícios da denúncia espontânea. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.000229/2005-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. EXISTÊNCIA. ACOLHIMENTO.
Reconhecendo-se a necessidade de sanar o vício de contradição apontado nos embargos de declaração e efetivamente existente no acórdão que negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, devem ser acolhidos os aclaratórios, sem efeitos infringentes, para que seja mantido o resultado do julgamento, no entanto, com a fundamentação adequada ao litígio em apreço.
Numero da decisão: 9303-006.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificar o Acórdão nº 9303-004.344, de 06/10/2017, sem efeitos infrigentes.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. EXISTÊNCIA. ACOLHIMENTO. Reconhecendo-se a necessidade de sanar o vício de contradição apontado nos embargos de declaração e efetivamente existente no acórdão que negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, devem ser acolhidos os aclaratórios, sem efeitos infringentes, para que seja mantido o resultado do julgamento, no entanto, com a fundamentação adequada ao litígio em apreço.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificar o Acórdão nº 9303-004.344, de 06/10/2017, sem efeitos infrigentes. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
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CONTRADIÇÃO. EXISTÊNCIA. ACOLHIMENTO. Reconhecendose a necessidade de sanar o vício de contradição apontado nos embargos de declaração e efetivamente existente no acórdão que negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, devem ser acolhidos os aclaratórios, sem efeitos infringentes, para que seja mantido o resultado do julgamento, no entanto, com a fundamentação adequada ao litígio em apreço. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, reratificar o Acórdão nº 9303004.344, de 06/10/2017, sem efeitos infrigentes. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 02 29 /2 00 5- 09 Fl. 759DF CARF MF Processo nº 10940.000229/200509 Acórdão n.º 9303006.043 CSRFT3 Fl. 760 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos, tempestivamente, pela Fazenda Nacional (fls. 743 a 746) em face Acórdão nº 9303004.344 (fls. 718 a 722), proferido em sede de julgamento de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, e que foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 MULTA DE OFÍCIO. AFASTAMENTO PELA RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICABILIDADE. A lei que inova o ordenamento jurídico, deixando de penalizar a conduta que se encontra pendente de julgamento deve ser aplicada retroativamente. Inteligência do art. 106, II, “a” do Código Tributário Nacional. Conforme consignado no despacho que deu seguimento aos embargos de declaração, a Fazenda Nacional interpôs os aclaratórios por vício de contradição no julgado, tendo em vista tratar o caso dos autos de lançamento referente à multa isolada aplicada nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, diversa, portanto, da fundamentação adotada no acórdão de negativa de provimento do recurso especial, o qual embasouse na multa de ofício do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, por declaração inexata em DCTF. Demonstrada a existência de contradição no julgado, tendo em vista a fundamentação ter restado dissociada dos fatos que deram origem ao lançamento, os embargos de declaração da Fazenda Nacional foram admitidos por meio de despacho (fls. 754 a 758) prolatado nos seguintes termos: [...] Na análise do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, incorreu o acórdão recorrido em contradição. Isso porque a matéria em exame dizia Fl. 760DF CARF MF Processo nº 10940.000229/200509 Acórdão n.º 9303006.043 CSRFT3 Fl. 761 3 respeito às hipóteses de aplicação da multa isolada do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, tendo, no entanto, a decisão ora embargada equivocadamente analisado a pretensão recursal sob o viés da aplicação da multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Diante do exposto, demonstrada a ocorrência de contradição no julgado, nos termos do art. 65 do RICARF, propõese seja dado seguimento aos Embargos de Declaração, opostos pela Fazenda Nacional. [...] É o Relatório. Fl. 761DF CARF MF Processo nº 10940.000229/200509 Acórdão n.º 9303006.043 CSRFT3 Fl. 762 4 Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional são tempestivos e atendem aos demais requisitos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, devendo, portanto, ter prosseguimento. Constatada a existência de contradição no julgado, pois, como relatado: (a) tratase o caso dos autos de lançamento referente à multa isolada aplicada nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, combinado com os artigos 43, 44, §1º, inciso II, e 74, todos da Lei nº 9.430/96 por compensação indevida de débitos tributários com créditos financeiros de natureza não tributária, cedidos por terceiros, mediante DCOMP´s protocoladas em 11/12/2003; 28/01/2004 e 22/03/2004, que não foram homologadas pela DRF; (b) a fundamentação adotada no acórdão embargado, que negou provimento ao recurso especial, por sua vez, centrouse equivocadamente na multa de ofício do art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, por declaração inexata em DCTF. Nessa oportunidade, reconhecendose a necessidade de sanar o vício de contradição apontado nos embargos de declaração e efetivamente existente no acórdão que negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, são acolhidos os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para que seja mantido o resultado do julgamento, no entanto, com a fundamentação adequada ao litígio, conforme as seguintes razões. Quando da transmissão dos pedidos de compensação em 11/12/2003, 28/01/2004 e 22/03/2004, estava vigente a redação do art. 18 da Lei nº 10.833/2033, resultante da conversão da MP nº 135, de 30/10/2003, segundo a qual seria aplicável a multa de ofício somente na hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática de dolo, fraude ou simulação, previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964. Com a superveniência da Lei nº 11.488/07, em seu art. 18, foi alterado o dispositivo em questão e excluída a aplicação da multa isolada para compensações indevidas, remanescendo a exigência da penalidade somente para os casos em que reste comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo Sujeito Passivo. Também por meio da Lei nº 11.488/07, foram alterados os incisos I e II, do art. 44 da Lei nº 9.430/96, que tratam dos percentuais da multa isolada. Fl. 762DF CARF MF Processo nº 10940.000229/200509 Acórdão n.º 9303006.043 CSRFT3 Fl. 763 5 Assim, não sendo mais prevista a aplicação da multa isolada para compensações indevidas, como é a hipótese dos autos, deve ser extinta a sua exigência consoante prevê o art. 106, II, "a" do Código Tributário Nacional. Aplicase retroativamente a nova redação do art. 18 da Lei nº 10.833/03 e do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em atenção ao princípio da retroatividade benigna. Nesse sentido, é o entendimento majoritário desta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, expresso na ementa do Acórdão nº 9303004.676, de 16 de fevereiro de 2017, de relatoria da Ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 MULTA ISOLADA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI 10.833/2003. Com a edição da MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, não cabe mais a imposição de multa de ofício, desde que não se trate das hipóteses descritas em seu art. 18. Tal dispositivo seria aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP 135/03 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, "c" do CTN). Portanto, são acolhidos os embargos de declaração, para adequar a fundamentação do acórdão embargado, sem efeitos modificativos, permanecendo o resultado de negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Diante do exposto, são acolhidos os embargos de declaração, sem efeitos infringentes. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 763DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.904424/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.054
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá-los com o recolhido, apurando-se, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. (SUCESSORA DE BELÉM DIESEL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Campinas que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: (...) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 04 42 4/ 20 11 -6 1 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10280.904424/201161 Resolução nº 3402001.054 S3C4T2 Fl. 186 2 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito de contribuição não cumulativa, o qual foi indeferido pela DRF de origem, em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235, com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, sob os seguintes fundamentos: A autoridade a quo procedeu corretamente ao indeferir o pleito da interessada, eis que existem débitos, confessado pela própria contribuinte por meio de DCTF e outro PER/DCOMP, no valor igual ao do recolhimento objeto do pedido de restituição, de forma que inexiste saldo passível de restituição. Seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. Como não o fez, não havia saldo de pagamento sobre o qual a autoridade fiscal tivesse que se manifestar. No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada. Tampouco se questiona a vinculação do CARF à decisão proferida no RE julgado na sistemática de repercussão geral, conforme prevê seu regimento. Sobre a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, pela Lei nº 11.941, apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise. Ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10280.904424/201161 Resolução nº 3402001.054 S3C4T2 Fl. 187 3 maior, e em que montante. E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Cientificada, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando e requerendo o que se segue: a) Requer a recorrente a reunião dos processos apontados de modo a haver seu julgamento conjunto em face da existência de conexão entre os mesmos. b) Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12. A DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. Nem o art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratandose de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. c) Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado. O valor recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, nos termos do art. 230 do RIR/99. d) Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea "c" do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72 possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nesse passo, para corroborar os fatos já demonstrados pela documentação carreada à manifestação de inconformidade, e também com vistas a contrapor os argumentos da decisão recorrida, requer a juntada do livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado. e) Quanto ao mérito, a discussão encontrase totalmente superada na jurisprudência do STF que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 no julgamento do RE nº 390840/MG em 9.11.2005. Não há dúvida de que esse entendimento do STF, com repercussão geral reconhecida, deve ser aplicado ao caso dos autos. Assim é que na base de cálculo do PIS e da Cofins somente deveriam ter sido incluídos pela recorrente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem as suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, razão pela qual a decisão a quo deve ser reformada a fim de que seja deferido o direito creditório pleiteado. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.050, de 27 de setembro de 2017, proferida no julgamento do processo 10280.900096/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10280.904424/201161 Resolução nº 3402001.054 S3C4T2 Fl. 188 4 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.050: "Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido1. Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal2 . No que concerne à possibilidade de reconhecimento do direito creditório independentemente da retificação da DCTF, este CARF já decidiu favoravelmente à própria contribuinte, mediante o Acórdão nº 3302004623 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 27 de julho de 2017, no processo nº 10280.905792/201126, no qual foi apurado, em diligência, que a recorrente demonstrou cabalmente a existência do crédito. 1 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006)Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). 2 Acórdão nº 9303002.444– 3ª Turma, de 08 de outubro de 2013 Relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS PIS E COFINS. ALARGAMENTO. EMPRESAS INDUSTRIAIS E DE SERVIÇOS. Nos termos do quanto decidido pelo Pleno do STF no julgamento dos recursos extraordinários nºs 357.950, 390840, 358273 e 346084, deve ser repudiada a ampliação do conceito de faturamento intentado pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Em conseqüência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições PISe PASEP enquanto aplicável aquele ato legal. Acórdão nº 3401003.828– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 29 de junho de 2017 Relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. As receitas que não se caracterizam como próprias da atividade da entidade, tal como estabelecido pelo estatuto ou contrato social, não compõem o seu faturamento, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ao declarar a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Devese, assim, ser acolhido o resultado da diligência constante no Relatório de Diligência Fiscal. Considerando a comprovação documental da validade do crédito, consistente em recolhimento indevido ou a maior de Cofins sobre receitas financeiras, deve o sujeito passivo ter atendido o seu pleito creditório. Recurso Voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10280.904424/201161 Resolução nº 3402001.054 S3C4T2 Fl. 189 5 Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 3ª Seção/4ª Câmara/1ªTurma Ordinária, de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, não obstante a preclusão do art. 16, §4° do Decreto nº 70.235/72, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. No presente processo, embora a recorrente não tenha produzido a prova necessária por ocasião da apresentação de seu pedido ou da manifestação de inconformidade, apresentou, posteriormente, no Recurso Voluntário, outros documentos na tentativa de comprovação do direito alegado. Assim, resguardando eventual julgamento posterior do Colegiado na linha dos entendimentos acima apontados, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 200DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679816/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 05/09/2006
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.109
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 05/09/2006 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 05/09/2006 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 16 /2 00 9- 01 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10880.679816/200901 Acórdão n.º 3401004.109 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de despacho decisório eletrônico, emitido pela Delegacia de Administração Tributária que não homologou as compensações declaradas em virtude de não ter havido apuração de pagamento indevido, uma vez que o pagamento foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. 2. Intimada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou, em síntese: (i) possuir "elevada quantia creditícia" perante a RFB, a título de IRRF, CIDE, PISImportação e COFINSImportação, que teria utilizado para quitar débitos de COFINS, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PER/DCOMP; (ii) alega que juntamente com o Despacho Eletrônico em comento, foram emitidos outros 147 Despachos Decisórios, todos decorrentes da falta de homologação de PER/DCOMP, apresentados pela contribuinte; (iii) reconhece que deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, CIDE, PISImportação e COFINSImportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações; (iv) alega que mero equívoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB; (v) discorre a respeito do efeito suspensivo dos débitos declarados em compensações, citando dispositivos legais para defender sua tese; (vi) alega carência de fundamentação do despacho decisório, violação ao princípio do contraditório e ampla defesa, alegando que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida no despacho decisório, entendendo ser nulo o ato impugnado; (vii) discorre sobre o principio da verdade material para alegar que o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da Fazenda Nacional, reclamando que "se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta" (sic); (viii) alega que qualquer agente fiscal que "(...) analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tão somente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa" em apreço; (ix) ter declarado em DCTF débito que foi pago em DARF que, após revisão interna teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido; (x) a necessidade da observância aos princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material para afirmar que não se admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alega, além de acórdão do Conselho de Contribuintes e doutrina; (xi) exigüidade do prazo para apresentar 148 defesas em apenas trinta dias e informa que "(...) já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito"; (xii) a necessidade de suspensão da cobrança dos débitos declarados em PER/DCOMP; (xiii) a nulidade do despacho decisório; e (xiv) a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10880.679816/200901 Acórdão n.º 3401004.109 S3C4T1 Fl. 4 3 3. A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) proferiu o Acórdão DRJ nº 16027.656, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, em conformidade com a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PIS Data do fato gerador: 05/09/2006 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÔS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL — NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Creditório Não Reconhecido 4. A contribuinte, intimada, interpôs, recurso voluntário tempestivo, no qual reiterou as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10880.679816/200901 Acórdão n.º 3401004.109 S3C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.105, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.679797/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.105): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 6. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: "A manifestação de inconformidade apresentada atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Dela tomase conhecimento. Primeiramente, esclarecese à douta manifestante que, ao contrário do que alega, o despacho decisório do presente processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterimento do direito de defesa da contribuinte. Realmente, o caso presente se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. A analise eletrônica do despacho decisório de fls. 01, demonstra que os alegados pagamentos indevidos foram utilizados para quitar débitos declarados em DCTF , não restando qualquer crédito para ser compensado. A contribuinte alega falta de fundamentação para a não homologação mas deveria ser obvio até mesmo para contribuinte que ela apresenta DCTF informando determinado débito e efetua recolhimento desse debito , em DARF, no exato valor declarado em DCTF, não há apuração de qualquer pagamento a maior, estando essa informação perfeitamente clara no citado despacho decisório e a contribuinte pode se defender amplamente como o fez. Assim, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não há qualquer nulidade no despacho decisório em comento, não assistindo razão a reclamante. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.679816/200901 Acórdão n.º 3401004.109 S3C4T1 Fl. 6 5 Relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros , haveria o crédito que utilizou nas PER?DCOMP , observase que a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova do que alega. De fato, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer DCOMP retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório. A retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e de compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais , tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório. Ora, como a própria manifestante reconhece, não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Somente na manifestação de inconformidade é que o Fisco teve ciência que agora a contribuinte entende ter havido erro no preenchimento das DCTF. Cabe lembra à douta reclamante que a conduta Fisco Federal é pautada em documentos formais e oficiais e, se a contribuinte resta inerte e não promove a tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas. Não e demais ressaltar que a RFB não está à disposição de particulares para satisfazer interesses privados e a comprovação que qualquer direito creditório alegado, é tarefa exclusiva dos contribuintes, não sendo tarefa do Fisco promover alterações em declarações fiscais para reconhecer suposto direito creditório que a contribuinte julga possuir. Aliás a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equívoco cometido na elaboração da declaração original.. Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Ao final da manifestação de inconformidade, a requerente protesta pela produção de todos os meios de prova, apresentação Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.679816/200901 Acórdão n.º 3401004.109 S3C4T1 Fl. 7 6 de documentos, inclusive diligencias, para corroborar sua argumentação. O processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/1972 que em seu art. 16, I1I assim dispõe, in verbis: Conforme expressamente previsto no Decreto n° 70.235/1972, em seu artigo 16, § 4% somente na ocorrência de algumas das hipóteses nele ventiladas é que será possível deferir a juntada de provas documentais posteriormente ao prazo de apresentação da impugnação. A impugnante trouxe os documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de documentos, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal pedido. Como se vê do dispositivo transcrito, a ocasião para apresentação de provas, visando a comprovar o equívoco cometido no preenchimento da DCTF, é no ato de apresentação da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a contribuinte fazêlo em outra oportunidade. Cabe ressaltar que, até a presente data, dez meses após a apresentação da manifestação de inconformidade , nenhuma documentação foi apresentada nela contribuinte, que se limitou a apresentar DCTF retificadora , não embasada por qualquer documentação comprobatória. Tratandose de exibição de documentos, cuja guarda e apresentação compete à contribuinte, desnecessária se revela também a realização de diligencias, que se presta mais a elucidar detalhes cuja prova cabe ao Fisco Federal, não aplicável ao presente caso, conforme infere dos dispositivos do Decreto n° 70.235/1972 que tratam da matéria: (...). (...) No caso presente, sendo obrigação da contribuinte apresentar provas do que alega , preferindo não fazêlo, a Receita Federal não promove qualquer ação a respeito, limitando a julgar o processo com os documentos constantes no processo. Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, considerandose que essa DCTF retificadora foi apresentada após o despacho decisório, que apreciou as compensações declaradas. Em face do exposto, e para concluir, VOTO por considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não reconhecendo qualquer direito creditório e não homologando a PER/DCOMP" (seleção e grifos nossos). 7. Aduz a decisão a quo que, na DCTF original, foi declarado débito em montante igual ao recolhido, motivo pelo qual não encontrou a autoridade fiscal saldo de pagamento Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.679816/200901 Acórdão n.º 3401004.109 S3C4T1 Fl. 8 7 disponível. A identidade entre valor declarado e recolhido se deve à crença da contribuinte, no momento da declaração e do pagamento respectivos, de que se tratava de operação tributada regularmente pelas contribuições em comento. 8. Apenas em momento posterior ao do despacho decisório que indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte, ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação não teria produzido efeitos, pois, nos termos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, o procedimento fiscal já havia se iniciado e, portanto, pretendeu a contribuinte alterar débitos de contribuições de maneira indevida, nos termos do inciso II do § 2º e do § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. 9. Entendemos que tais obstáculos procedimentais possam ser plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação de seus registros contábeis e fiscais, em conformidade com o art. 147 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 10. Tal, no entanto, não ocorreu, tendo a contribuinte realizado defesa genérica com fundamento de que teria tido de se defender de um grande número de despachos decisórios em um exíguo espaço de tempo. Contudo, reservouse a ora recorrente a repetir os mesmos argumentos em suas razões de recurso voluntário, demorandose longamente em questões doutrinais ou de constitucionalidade, o que inviabiliza, de todo, até mesmo a proposta de eventual conversão do feito em diligência para que se verifique a procedência de suas alegações, uma vez que não há de se realizar questionamento genérico em tal momento processual. 11. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".1 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.679816/200901 Acórdão n.º 3401004.109 S3C4T1 Fl. 9 8 12. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 13. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.902191/2011-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Não se admite a compensação/restituição se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo.
RETIFICAÇÃO DE DACON PARA REDUÇÃO DE DÉBITO SEM A CORRESPONDENTE RETIFICAÇÃO DA DCTF. INEFICÁCIA.
Não produz efeito a retificação do Dacon para redução de base de cálculo sem a correspondente retificação da DCTF ou comprovação do novo valor reduzido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.662
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação/restituição se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. RETIFICAÇÃO DE DACON PARA REDUÇÃO DE DÉBITO SEM A CORRESPONDENTE RETIFICAÇÃO DA DCTF. INEFICÁCIA. Não produz efeito a retificação do Dacon para redução de base de cálculo sem a correspondente retificação da DCTF ou comprovação do novo valor reduzido. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado.
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente I.J.G. SUPERMERCADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação/restituição se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. RETIFICAÇÃO DE DACON PARA REDUÇÃO DE DÉBITO SEM A CORRESPONDENTE RETIFICAÇÃO DA DCTF. INEFICÁCIA. Não produz efeito a retificação do Dacon para redução de base de cálculo sem a correspondente retificação da DCTF ou comprovação do novo valor reduzido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 21 91 /2 01 1- 39 Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10925.902191/201139 Acórdão n.º 3302004.662 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação – PERDCOMP, com base em suposto crédito de contribuição social (PIS/Cofins), sendo que a DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico não reconhecendo o direito creditório/não homologando a compensação, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição e compensação dos débitos informados no PerDcomp. Cientificado do Despacho Decisório o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, inicialmente, que a empresa se dedica ao comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios, tendo verificado que estava tributando PIS e Cofins de produtos sujeitos à alíquota zero. Diante disso, constatouse pagamento indevido ou a maior em alguns meses. Assevera que foram retificados os Dacon e feito um pedido de restituição do crédito referente ao pagamento do Darf e, posteriormente, feito um pedido de compensação vinculado ao pedido de restituição. Assim, o manifestante não pode ter a DCOMP indeferida sem que se analise o crédito que lhe deu origem como demonstra comprovante em anexo, tendo destacado que não se justifica a não homologação da compensação, já que não foi analisado o pedido de restituição referente ao Darf pago a maior. Ao final, requer seja homologada a compensação, cujo crédito está demonstrado em Dacon e objeto de pedido de restituição e, se assim não for decidido, que seja determinada a apreciação e julgamento do pedido de restituição mencionado, para que se confirme o crédito pleiteado na forma da legislação. O Acórdão a quo manteve o indeferimento do pleito, nos termos do Acórdão 02056.306. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos apresentados na primeira instância, e acrescenta que não apresentou a DCTF retificadora correspondente ao Dacon retificador, com débito reduzido, porque não sabia desta exigência. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.659, de Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10925.902191/201139 Acórdão n.º 3302004.662 S3C3T2 Fl. 4 3 29 de agosto de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.902188/201115, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.659): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Segundo a decisão recorrida, os fatos ocorreram na seguinte sequência: Vêse que para a retificação do Dacon em 22/11/2007 não houve a correspondente retificação obrigatória da DCTF1. Em 04/10/2007 foi transmitido o PER pedindo restituição de R$ 608,37, antes mesmo de ser retificado o Dacon acima, restando sem análise. Em 17/10/2007, também antes de ser entregue o Dacon retificador, foi transmitida a Dcom indicando como valor original do crédito o mesmo valor de R$ 608,37. finalmente, em 05/07/2011 foi emitido o despacho decisório correspondente à PerdComp 29929.28859.171007.1.3.040235, constante na fl. 2 indicando a não homologação e consequente emissão de DARF para pagamento. 1 Instrução Normativa SRF nº 590, de 22 de dezembro de 2005 Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 4ºA pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Fl. 42DF CARF MF Processo nº 10925.902191/201139 Acórdão n.º 3302004.662 S3C3T2 Fl. 5 4 Na análise da matéria, inicialmente verificase que está correta a decisão a quo quando afirma que a Dcomp anula o Per anterior, pois evidentemente o mesmo crédito não pode ser restituído e compensado simultaneamente, pois constituiria dupla repetição de indébito. Evidenciase que o erro cometido pela recorrente ao deixar de apresentar a DCTF retificadora vinculada ao Dacon retificador prejudicou a análise tanto do seu pedido de restituição (Per) quanto da declaração de compensação (Dcomp), estranhamente transmitidos antes do Dacon retificador, uma vez que o débito anteriormente declarado na DCTF original não foi alterado e com isso ele absorveu todo valor do DARF, nada havendo a restituir ou a compensar. Nos autos não existe prova de que a Recorrente teria direito ao crédito pleiteado, pois a retificação do Dacon em si mesmo não produz efeito probatório, mormente quando desacompanhada da correspondente retificação da DCTF que levaria o fisco a intimar a declarante para comprovação. Pedido de reconhecimento de crédito realizado sem as formalidade acima exigem que a requerente desde o início carreie para os autos as provas das suas alegações. A simples menção à legislação que reduziu à zero a alíquota do PIS e da Cofins para determinados produtos não é suficiente para comprovar erro nas informações prestadas na DCTF, não retificada, de forma a evidenciar a existência de pagamento indevido. Assim sendo, por falta de provas sobre a existência de crédito líquido e certo, não há como se admitir a compensação pleiteada. Conclusão Isto posto voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a Recorrente não retificou a DCTF e nem trouxe aos autos escrituração e/ou documentos fiscais, não logrando comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Pasep e Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 43DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.000942/2009-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IRPF. PERDCOM . DISCUSSÃO JUDICIAL CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA A INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 9202-005.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes, que lhe deu provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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PERDCOM . DISCUSSÃO JUDICIAL CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA A INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes, que lhe deu provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 09 42 /2 00 9- 97 Fl. 761DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Pedido de Restituição (PER) e de Declarações de Compensação (DCOMP) protocolizados pelo contribuinte onde se pleiteia/utiliza pretenso direito creditório advindo de pagamento indevido/a maior de IRRF. Transcrevo trechos do voto da relatora do processo, que em julgamento em instância na DRJ Belo Horizonte/MG, muito bem sintetizou a questão, a saber: “O Pedido de Restituição foi formalizado nos termos da legislação tributária vigente. A Declaração de Compensação à fl. 01, apesar de apresentada em desacordo com esta legislação, foi recepcionada pelo fisco em decorrência de liminar em Mandado de Segurança, concedido pelo Poder Judiciário em demanda ainda não definitivamente julgada. As demais DCOMP’s foram enviadas eletronicamente à RFB sem interferência do Poder Judiciário, considerando que nos termos da legislação vigente. A DRF aferiu o direito de crédito pleiteado pelo contribuinte, concluindo que o indébito invocado pelo contribuinte é inexistente. Como conseqüência, NÃO HOMOLOGOU as compensações declaradas. O contribuinte se insurge quanto ao decidido pela DRF, propugnando pela legitimidade do crédito pleiteado e a homologação das compensações em comento. Nesse contexto, verificase que o processo trata de dois procedimentos distintos: Pedido de Restituição e Declaração de Compensação. Considerando a insurgência do contribuinte quanto à denegação de ambos os procedimentos pelo fisco, temse: (...) Em síntese, o litígio instaurado neste processo diz respeito à legitimidade do crédito pleiteado pelo contribuinte no pedido de restituição e posteriormente utilizado nas DCOMP’s e a NÃO HOMOLOGAÇÃO das DCOMP’s eletrônicas. Nesse contexto, apreciase as razões apresentadas pelo impugnante: O pretenso indébito pleiteado pelo contribuinte advém do DARF recolhido aos 20/01/2009, no importe de R$ 427.727,94, destinado ao IRRF0561 apurado em 31/12/2008 (fl.25). A DRF não reconheceu o indébito considerando que o pagamento efetuado foi utilizado para extinção de débito do contribuinte, conforme informação por ele prestada em DCTF. Por sua vez, o contribuinte argumenta o preenchimento equivocado desta declaração, identificando em sua impugnação os créditos vinculados ao IRRF0561 apurado em 12/2008, no intuito de comprovar a procedência do indébito pleiteado. Então vejamos: (...) Fl. 762DF CARF MF Processo nº 13603.000942/200997 Acórdão n.º 9202005.733 CSRFT2 Fl. 3 3 Diante do acima descrito, constatase a legitimidade do indébito pleiteado pelo contribuinte do PER (pedido de restituição) em análise neste processo. Assim sendo, cabe então reconhecer ao contribuinte o direito à restituição do crédito pleiteado. A planilha de cálculos anexadas às fls. 270 a 273 indica que o crédito pleiteado é suficiente para extinguir os débitos constantes das DCOMP’s cadastradas neste processo. Contudo, a homologação da compensação do débito declarado na DCOMP apresentada em formulário não será apreciada por este Órgão julgador, considerando a demanda intentada pelo contribuinte no Poder Judiciário. Concluindo, à vista de tudo acima descrito, voto julgar PROCEDENTE EM PARTE a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte para: Reconhecer o direito à restituição do indébito no importe de R$ 424.727,94, pleiteado no PER à fl. 24. Reconhecer a suficiência do crédito a restituir para extinção da totalidade dos débitos declarados nas DCOMP’s cadastradas neste processo. Homologar as compensações declaradas nas DCOMP’s de nºs 30909.48371.100309.1.3.04415 e 01004.49891.120309.1.3.044280. Não conhecer da solicitação de homologação da DCOMP anexada à fl. 01, considerando que o assunto está em apreciação no Poder Judiciário (ADN COSIT nº 03, de 14/02/1996).” Cientificado do Acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, quando os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. O Acórdão do Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, não conheceu do recurso, por concomitância com ação judicial. Portanto, em sessão plenária de 19/11/2013, não conheceuse do recurso, prolatandose o Acórdão nº 2201002.283, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Renuncia o direito à instância administrativa o contribuinte que ingressa no Judiciário com ação, cujo objeto é o mesmo do processo administrativo. Aplicação da Súmula CARF nº 1. Devidamente cientificado da decisão proferida em 18/06/2014 – data da ciência por decurso de prazo, uma vez que a mesma foi disponibilizada na sua Caixa Postal em 03/06/2014, o contribuinte opôs Embargos de Declaração (fls. 642/649) em 09/06/2014, portanto, tempestivamente, alegando contradição e obscuridade no acórdão embargado que deixou de apreciar o pedido de homologação da DCOMP apresentada pelo contribuinte em Fl. 763DF CARF MF 4 formulário por julgar que esta matéria estava sendo discutida concomitantemente na via judicial, o que para o contribuinte, está incorreto, uma vez que não existe essa concomitância entre eles – processo administrativo e processo judicial. Tais embargos foram rejeitados pelo Despacho s/nº da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, de 19/01/2015 (fls. 653/655). Intimado da rejeição de seus Embargos de Declaração em 24/02/2016 (fls. 657/659), o contribuinte interpôs, em 10/03/2016 (carimbo aposto às fls. 661), tempestivamente, o Recurso Especial de fls. 661 a 680, visando rediscutir a concomitância entre processo administrativo e judicial. Ao Recurso Especial do contribuinte foi dado seguimento, conforme o Despacho s/n da 2ª Câmara, de 05/04/2017. A recorrente traz como alegações, que: · o acórdão inferiu a existência de concomitância pelo simples fato de a compensação ter sido declarada com autorização em processo judicial, todavia, a conclusão alcançada não se ajusta à questão posta no processo administrativo, que não versa sobre a autorização para a declaração de compensação, mas sobre a existência (ou não) do crédito pleiteado; assim, enquanto o processo judicial discute a vedação contida no inciso IX, §3º, do art. 74 da Lei nº 9.430/96, introduzida pelo art. 29 da Medida Provisória nº 449/08 (ou seja, a possibilidade de proceder à compensação para extinguir débitos de estimativa de IRPJ e CSLL), o processo administrativo – que se iniciou com a transmissão de DCOMP com base na autorização concedida judicialmente – tem como controvérsia a existência ou não do crédito utilizado para a compensação (IRRF da competência de dez/2008, código de receita: 0561). · porém, se o processo administrativo contém objeto mais abrangente do que o processo judicial ou se o judicial discute questões preliminares e procedimentais (e não o mérito da controvérsia propriamente dita), o órgão administrativo deve julgar a matéria não submetida ao Poder Judiciário; caso assim não o faça, o administrado não obterá resposta para esta matéria nem no Poder Judiciário nem no órgão Administrativo. · é nesse mesmo sentido a inteligência contida no Parecer Normativo COSIT nº 7/2014, que trata da concomitância entre processos administrativos e processos judiciais: · o acórdão recorrido errou ao consignar a existência de concomitância ao verificar os objetos do processo judicial (possibilidade de compensação de débitos de IRPJ e CSLL estimativa) e deste processo administrativo (existência dos créditos de IRRF pleiteados para a compensação de débitos de IRPJ e CSLL estimativa); ou seja, a partir de pedidos completamente diferentes, fundamentados em razões também distintas, concluiuse pela aplicabilidade da Súmula nº 1 do CARF, e mais: mesmo sem a semelhança dos efeitos práticos pretendidos por um e por outro, Fl. 764DF CARF MF Processo nº 13603.000942/200997 Acórdão n.º 9202005.733 CSRFT2 Fl. 4 5 entendeuse que a questão debatida no feito administrativo deveria se submeter à conclusão alcançada no processo judicial. · o que há, na verdade, é uma relação de dependência temporal do processo administrativo ao processo judicial: a compensação administrativa apenas foi feita porque havia autorização judicial anterior; a decisão judicial apenas permitiu a compensação, agora, feita a compensação, cabe à autoridade administrativa decidir se o crédito existe ou não, tarefa esta que não está no bojo no feito judicial. · se confirmada a concomitância, o desacerto do aresto se torna mais evidente, uma vez que o trânsito em julgado da decisão judicial favorável ao contribuinte não homologará a compensação declarada (que é o objeto deste processo administrativo), e assim, a homologação da declaração de compensação não será apreciada nem pela instância administrativa (que se afasta do dever de analisála sob o fundamento de concomitância), nem pelo Poder Judicial (uma vez que a matéria não lhe foi submetida). · se houve alguma renúncia à instância administrativa (pela concomitância), foi em relação à discussão sobre a possibilidade de compensação de débitos de IRPJ e CSLL estimativas (decidida de forma favorável à Recorrente no processo judicial), sendo que a parte da controvérsia que vai além dessa questão – a verificação da existência de créditos suficientes à homologação da compensação declarada – deve ter seu normal prosseguimento, exatamente nos termos das alíneas “a” (parte final) e “b” do Parecer Normativo COSIT nº 7/2014 e da já mencionada Súmula CARF nº 1; e nesse sentido, tendo sido reconhecido o direito ao crédito pela DRJ/BHE, decisão esta irreformável, a homologação da declaração de compensação apresentada em formulário de papel é medida imperativa. Cientificada do Recurso Especial do contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou suas Contrarrazões, onde, preliminarmente, requer o não conhecimento do Recurso Especial do contribuinte, uma vez que o art. 67, §3º do RICARF determina que “não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso”, e o acórdão recorrido nº 2201002.283 expressamente empregou ao caso o conteúdo da Súmula CARF nº 1, a qual assim enuncia: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 765DF CARF MF 6 Alega, ainda, que o recorrente não realizou o devido cotejo jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigmas, não tendo demonstrado qual dispositivo legal teria sido interpretado diversamente pelos Colegiados do CARF, além do que o contexto fatídico jurídico em que os paradigmas foram proferidos é diverso do observado nos presentes autos, restando inservíveis para demonstrar a alegada divergência jurisprudencial. Acrescenta que o recurso especial de divergência se presta a uniformizar a jurisprudência do Conselho no que toca à interpretação da legislação tributária, não cabendo à CSRF proceder à reanálise das provas dos autos, como pretende o contribuinte. Argumenta que, mesmo que não se aceite o entendimento demonstrado preliminarmente, o Recurso Especial do contribuinte não merece provimento, uma vez que a opção pela via judicial implica renúncia às instâncias administrativas e que nessa mesma esteira foi editado o ADN nº 3/1996 COSIT e várias jurisprudências do CARF, restando inclusive, a Súmula CARF nº 1. É o relatório. Fl. 766DF CARF MF Processo nº 13603.000942/200997 Acórdão n.º 9202005.733 CSRFT2 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende, em princípio, aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 741. Contudo, existe solicitação, em sede de contrarrazões pelo não conhecimento do recurso, razão pela qual passo a reexaminar a questão. Do Conhecimento Quanto a alegação de não conhecimento, importante observamos a alegação da PGFN em sede de contrarrazões, quais sejam: · requer o não conhecimento do Recurso Especial do contribuinte, uma vez que o art. 67, §3º do RICARF determina que “não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso”, e o acórdão recorrido nº 2201002.283 expressamente empregou ao caso o conteúdo da Súmula CARF nº 1, a qual assim enuncia: · Alega, ainda, que o recorrente não realizou o devido cotejo jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigmas, não tendo demonstrado qual dispositivo legal teria sido interpretado diversamente pelos Colegiados do CARF, além do que o contexto fatídicojurídico em que os paradigmas foram proferidos é diverso do observado nos presentes autos, restando inservíveis para demonstrar a alegada divergência jurisprudencial. Acrescenta que o recurso especial de divergência se presta a uniformizar a jurisprudência do Conselho no que toca à interpretação da legislação tributária, não cabendo à CSRF proceder à reanálise das provas dos autos, como pretende o contribuinte. Contudo, em que pesem as considerações acima colacionadas, entendo que os argumentos não merecem prosperar. Primeiramente, não existe óbice ao conhecimento de recurso especial quando o que se busca é afastar a aplicação de súmula, justamente o que se vê no caso dos autos. Entendeu o recorrente que a matéria levada ao judiciário é mais restrita que aquela apresentada no presente processo, razão pela qual deveria o colegiado manifestarse em relação aos pontos não concomitantes. Também em relação a ausência de cotejamento, discordo dos argumentos colacionados pela PGFN. Vejamos, como foi apreciado a divergência pelo despacho de admissibilidade, fls. 741: Fl. 767DF CARF MF 8 A divergência jurisprudencial foi assim descrita pela Contribuinte (destaques da Recorrente): Entretanto, em que pese o fato de as decisões terem partido da interpretação de idêntica questão de direito (existência ou não de concomitância entre a discussão judicial que autoriza a compensação e a discussão administrativa que examina o direito creditório pleiteado), a conclusão dos órgãos julgadores foi distinta. Conforme decidido no acórdão recorrido, haveria concomitância entre o processo judicial que autoriza que o contribuinte proceda com a compensação e o processo administrativo que analisa o direito creditório pleiteado por este contribuinte. De acordo com os acórdãos paradigmas, por outro lado, inexiste concomitância nesta situação, na medida em que cabe apenas à Administração fazer a análise do direito pleiteado (ainda que a compensação tenha sido permitida em processo judicial). Confiraser, abaixo, a demonstração da divergência das interpretações adotadas: (...) Ao apreciar os pontos trazidos pelo recorrido em confronto com o paradigma 3202001.005, encaminhou o despacho pelo seguimento por entender evidenciada a divergência jurisprudencial, senão vejamos: Com efeito, o cotejo entre o recorrido e o primeiro paradigma evidencia a existência da divergência jurisprudencial alegada, haja vista que, diante de situações fáticas similares, os resultados obtidos divergiram. No recorrido, em que pese a declaração ter sido considerada nãohomologada em virtude da suposta inexistência de crédito a restituir, o Colegiado concluiu pelo não conhecimento do recurso por concomitância com ação judicial, cujo objeto era o direito de compensar créditos com débitos relativos a estimativas de IRPJ e CSLL. No paradigma, diferentemente, concluiuse que a discussão sobre a existência do direito creditório não se confunde com aquela atinente ao direito de compensar, de forma que o recurso foi conhecido, tendo sido provido em parte. Importante ressaltar que a divergência entre os julgados repousa não em interpretação de lei específica, mas em norma geral, tendo o sujeito passivo demonstrado por meio do paradigma, que a concomitância que impede o julgamento, repousa apenas em relação a matérias com identidade de pedidos. Assim, não identifico óbice ao seguimento do recurso, tendo em vista a demonstração de divergência entre os julgados. A apreciação da concomitância em si, só será averiguada quando da análise do recurso especial. Face o exposto, conheço do Recurso Especial do Contribuinte. Do Mérito Notese que a base do recurso especial descrito pelo contribuinte em sua peça encontrase assim delimitado: "(...) o presente recurso Especial voltase, tão somente, à demonstração do equivoco cometido pela instância inferior ao decidir que haveria concomitância entre o presente PTA e o MS impetrado pela Recorrente. Com efeito, considerando que o processo administrativo contém objeto mais abrangente do que o judicial, demonstrase a inexistência da renúncia à discussão administrativa devendo ser, por conseguinte, homologada a DCOMP (via formulário de papel) vinculada ao PER nº 09290.91804.200209.1.2.041452." Fl. 768DF CARF MF Processo nº 13603.000942/200997 Acórdão n.º 9202005.733 CSRFT2 Fl. 6 9 Em que pese os argumentos trazidos pelo recorrente em seu recurso entendo que não existe reparo a ser feito no acórdão recorrido, vez que ao ingressar em juízo para afastar a vedação de compensação de débitos relativos ao pagamento mensal de IRPJ e da CSLL e obter liminar nos termos abaixo transcritos acabou por levar ao judiciário a homologação de sua compensação, senão vejamos trecho da decisão liminar: Ou seja, resta claro que o recorrente buscou perante o judiciário decisão para que a autoridade coatora se abstenha de considerar como não declaradas ou não homologadas as compensações realizadas pelas impetrantes para pagamento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL, alegando a inconstitucionalidade. Dessa forma, a "homologação" ao contrário do que entendeu o recorrente, foi sim levada ao judiciário, não podendo o autoridade julgadora fazer juízo de valor acerca desse tema. Notese, que o direito a compensação foi efetivamente julgado pela DRJ, contudo, a homologação em si, será objeto de decisão no âmbito judiciário. Aliás, esse foi o encaminhamento dado pelo acórdão recorrido ao qual me filio e trasncrevo em parte, adotando como razões de decidir. O acórdão da DRJ entendeu que a matéria é objeto de ação judicial (mandado de segurança) e, portanto, restou caracterizada a desistência da esfera administrativa pelo Contribuinte, restando a discussão da matéria apenas no âmbito do Judiciário. Destacase que a decisão da DRJ enfrentou a questão da validade do crédito de IRRF (código 0561) para fins de homologação da compensação (fls. 557 a 560 – item 19),conforme a seguir: “19. A planilha de cálculo anexada às fls. 251 a 253 indica que o crédito pleiteado é suficiente para extinguir os débitos constantes da DCOMP cadastrada neste processo. Contudo, a homologação da compensação do débito declarado na DCOMP apresentada em formulário não será apreciada por este Órgão julgador, considerando a demanda intentada pelo contribuinte no Poder Judiciário.” Em resumo, a DRJ reconhece que o crédito de IRRF (código 0561) existe e é válido, porém não homologa a DCOMP (fls. 2), pois entende que essa matéria foi objeto de mandado de segurança impetrado pelo Contribuinte no Judiciário, havendo, portanto, concomitância de instâncias. Fl. 769DF CARF MF 10 O Contribuinte possui sentença em sede de mandado de segurança concedendo a segurança para determinar à autoridade impetrada que se abstenha de considerar como “não declaradas” ou “não homologadas” as compensações realizadas pela impetrante para o pagamento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL, sob a alegação de vedação nos termos do § 3º do inciso IX, do art. 14 da Lei nº 9.430/96. O Contribuinte ingressou com o referido mandado de segurança para restar garantida a possibilidade de compensação de débitos de IRPJ e CSLL estimativa, por meio de declaração, que fora vedada por dispositivo legal trazido pela MP nº 449/08, alterando a Lei nº 9.430/96, confirase: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (...) IX os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL apurados na forma do art. 2º. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008)”(grifos nossos) [...] Ou seja, o acórdão proferido pela 3ª Turma da DRJ/BHE, não deixou de homologar a compensação porque os créditos referentes ao Imposto de Renda Retido na Fonte (código receita 0561) não eram passíveis de compensação, mas sim porque entendeu que o Contribuinte renunciou à esfera administrativa ao levar a matéria a ser decida ao Judiciário. A alínea “b” do ADN COSIT nº 03/96 bem como o parágrafo único do art. 87 do Decreto nº 7.574/11 determinam que o processo administrativo terá prosseguimento quando versar sobre matéria distinta da constante do processo judicial. Entretanto, não parece ser esse o caso ora em análise. Quando o Contribuinte ingressa no Judiciário com vistas a garantir o seu direito de compensação acaba por retirar da instância administrativa a apreciação do tema. Isso porque, caso fosse possível que a instância administrativa apreciasse questão que já está sob apreciação do Judiciário, poderia haver a existência de duas decisões válidas e divergentes sobre o mesmo Fl. 770DF CARF MF Processo nº 13603.000942/200997 Acórdão n.º 9202005.733 CSRFT2 Fl. 7 11 caso. Logo, a via administrativa apenas atua quando ainda não acionado o Judiciário. Sendo assim, entendo que resta prejudicada a análise do caso em questão por esse Colegiado, tendo em vista que o pleito do recurso voluntário (possibilidade de compensação de crédito de IRRF em face de débitos de IRPJ) é objeto de ação judicial. A Corte Administrativa já pacificou o referido entendimento através do enunciado nº 01 da Súmula do CARF: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Observe que o próprio contribuinte narra em seu recurso especial que respaldado por decisão liminar, apresentou a Declaração de Compensação discutida no presente recurso (via formulário papel), a fim de quitar o débito de estimativa mensal de IRPJ da competência jan/2009 (código de receita 2362), com crédito de IRRF da competência de dez/2008 (código de receita 0561) informado no pedido de Restituição (PER). Ao contrário do que tenta demonstrar o recorrente, o mérito do direito a restituição, bem como, a suficiência de crédito a restituir para a extinção da totalidade dos débitos declarados nas DCOMP's cadastrados no presente processo, restaram apreciados, justamente, porque, pelo entender da autoridade administrativa, encontravamse fora da lide judicial. Todavia, não procedeu a Homologação da DCOMP anexada à fls. 01, considerando a concomitância na esfera judicial. Nesse sentido transcrevo a conclusão do acórdão da DRJ: Assim, caso transite em julgado a ação judicial, a compensação será apreciada pela DRF considerando: (a) a existência do direito creditório, à luz do que foi apreciado pela decisão de primeira instância e (b) a decisão judicial, sobre a questão da compensação de estimativas. Fl. 771DF CARF MF 12 Notese, por fim, que ao ingressar em juízo, não mais compete a autoridade administrativa manifestarse sobre qualquer questão, mesmo que posteriormente a lei venha a ser declarada inconstitucional, posto que a decisão final deve ser dada nos autos da ação judicial, subsumindose a autoridade administrativa à decisão judicial. Conclusão Face o exposto, voto por CONHECER do Recurso Especial do Sujeito Passivo para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 772DF CARF MF Processo nº 13603.000942/200997 Acórdão n.º 9202005.733 CSRFT2 Fl. 8 13 Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes. Em que pese o brilhante voto da relatora ouso discordar do entendimento dado por ela, no tocante a aplicação da Súmula Carf. 01 ao presente caso. O Contribuinte a meu ver logrou êxito em comprovar seu interesse recursal, quando esclarece pormenorizadamente que a questão discutido judicialmente não é exatamente a mesma discutida no processo administrativo perante este Tribunal. Os argumentos do Contribuinte que são relevantes são os seguintes: o acórdão inferiu a existência de concomitância pelo simples fato de a compensação ter sido declarada com autorização em processo judicial, todavia, a conclusão alcançada não se ajusta à questão posta no processo administrativo, que não versa sobre a autorização para a declaração de compensação, mas sobre a existência (ou não) do crédito pleiteado; assim, enquanto o processo judicial discute a vedação contida no inciso IX, §3º, do art. 74 da Lei nº 9.430/96, introduzida pelo art. 29 da Medida Provisória nº 449/08 (ou seja, a possibilidade de proceder à compensação para extinguir débitos de estimativa de IRPJ e CSLL), o processo administrativo – que se iniciou com a transmissão de DCOMP com base na autorização concedida judicialmente – tem como controvérsia a existência ou não do crédito utilizado para a compensação (IRRF da competência de dez/2008, código de receita: 0561). porém, se o processo administrativo contém objeto mais abrangente do que o processo judicial ou se o judicial discute questões preliminares e procedimentais (e não o mérito da controvérsia propriamente dita), o órgão administrativo deve julgar a matéria não submetida ao Poder Judiciário; caso assim não o faça, o administrado não obterá resposta para esta matéria nem no Poder Judiciário nem no órgão Administrativo. é nesse mesmo sentido a inteligência contida no Parecer Normativo COSIT nº 7/2014, que trata da concomitância entre processos administrativos e processos judiciais: o acórdão recorrido errou ao consignar a existência de concomitância ao verificar os objetos do processo judicial (possibilidade de compensação de débitos de IRPJ e CSLL estimativa) e deste processo administrativo (existência dos créditos de IRRF pleiteados para a compensação de débitos de IRPJ e CSLL estimativa); ou seja, a partir de pedidos completamente diferentes, fundamentados em razões também distintas, concluiuse pela aplicabilidade da Súmula nº 1 do CARF, e mais: mesmo sem a semelhança dos efeitos práticos pretendidos por um e por outro, entendeuse que a Fl. 773DF CARF MF 14 questão debatida no feito administrativo deveria se submeter à conclusão alcançada no processo judicial. o que há, na verdade, é uma relação de dependência temporal do processo administrativo ao processo judicial: a compensação administrativa apenas foi feita porque havia autorização judicial anterior; a decisão judicial apenas permitiu a compensação, agora, feita a compensação, cabe à autoridade administrativa decidir se o crédito existe ou não, tarefa esta que não está no bojo no feito judicial. se confirmada a concomitância, o desacerto do aresto se torna mais evidente, uma vez que o trânsito em julgado da decisão judicial favorável ao contribuinte não homologará a compensação declarada (que é o objeto deste processo administrativo), e assim, a homologação da declaração de compensação não será apreciada nem pela instância administrativa (que se afasta do dever de analisála sob o fundamento de concomitância), nem pelo Poder Judicial (uma vez que a matéria não lhe foi submetida). se houve alguma renúncia à instância administrativa (pela concomitância), foi em relação à discussão sobre a possibilidade de compensação de débitos de IRPJ e CSLL estimativas (decidida de forma favorável à Recorrente no processo judicial), sendo que a parte da controvérsia que vai além dessa questão – a verificação da existência de créditos suficientes à homologação da compensação declarada – deve ter seu normal prosseguimento, exatamente nos termos das alíneas “a” (parte final) e “b” do Parecer Normativo COSIT nº 7/2014 e da já mencionada Súmula CARF nº 1; e nesse sentido, tendo sido reconhecido o direito ao crédito pela DRJ/BHE, decisão esta irreformável, a homologação da declaração de compensação apresentada em formulário de papel é medida imperativa. Reconheço a vinculação deste colegiado a aplicação das súmulas CARF, contudo, observo que o caso em tela não se enquadra num caso análogo a àqueles precedentes que deram origem a súmula. O que temos aqui é uma ação judicial que resolveu uma questão incidental, a qual viabilizou que o Contribuinte compensasse créditos de IRPJ e CSLL. A questão central no entanto, no que se refere a existência ou não do crédito restou para a esfera administrativa. Me parece que negar o direito da discussão administrativa a respeito do tema estaria suprimindo direito do Contribuinte de resolver uma parte da questão ainda perante a Administração Pública. Dizer que em razão disso não há interesse recursal consistiria em dizer que somente se pode recorrer quando o resultado útil esperado pode ser verificado. Mas reside aí uma grande discussão. O que resultado útil? Para o Contribuinte toda questão que lhe for favorável na via administrativa lhe aproveita, pois independentemente do resultado final, tratase de uma questão a menos para ser revolvida no judiciário. Fl. 774DF CARF MF Processo nº 13603.000942/200997 Acórdão n.º 9202005.733 CSRFT2 Fl. 9 15 Desse modo, vejo que a questão que restou sendo discutida nestes autos não foi levada pra a esfera judicial e ainda num segundo momento, mesmo que a decisão dada aqui não resolva completamente a demanda do Contribuinte, ela é útil, pois diminui a questão a ser devolvida para discussão no âmbito judicial. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para no mérito darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes. Fl. 775DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.721297/2012-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZO DE 05 ANOS.
Considera-se homologada tacitamente a declaração de compensação que não tenha sido objeto de despacho decisório dentro do prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido.
IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO NO BRASIL. REQUISITOS PREVISTOS EM LEI. COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO RECONHECIDO PELA AUTORIDADE FISCAL ESTRANGEIRA. TRIBUTAÇÃO DO LUCRO DA EMPRESA SEDIADA NO EXTERIOR.
O art. 26 da Lei n. 9.249/95 e a Instrução Normativa 213/02 trazem como condições para utilização do imposto pago no exterior apenas a i-) tributação do lucro da empresa no exterior para fins de IRPJ/CSLL e ii-) comprovação dos recolhimentos devidamente reconhecidos pelo órgão arrecadador local.
Não há dispositivo legal que obrigue o contribuinte a demonstrar aos fisco brasileiro a correlação direta entre os valores constantes nas obrigações acessórias estrangeiras e o valor informado no Brasil, não podendo tal alegação servir de base para glosa da utilização do imposto pago no exterior.
Numero da decisão: 1201-001.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a preliminar de homologação tácita dos PERDCOMPs nº 06950.55832.140307.1.3.021530, 29583.79692.300307.1.3.024859 e 36454.70988.150208.1.3.022849 e, no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer: a) o crédito decorrente de imposto pago no exterior no montante de R$ 23.582.489,44, como passível de compensação com o IRPJ devido no Brasil e b) o valor do saldo negativo nos limites do quanto julgado nos autos do processo administrativo 16327.720327/2011-10.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZO DE 05 ANOS. Considerase homologada tacitamente a declaração de compensação que não tenha sido objeto de despacho decisório dentro do prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO NO BRASIL. REQUISITOS PREVISTOS EM LEI. COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO RECONHECIDO PELA AUTORIDADE FISCAL ESTRANGEIRA. TRIBUTAÇÃO DO LUCRO DA EMPRESA SEDIADA NO EXTERIOR. O art. 26 da Lei n. 9.249/95 e a Instrução Normativa 213/02 trazem como condições para utilização do imposto pago no exterior apenas a i) tributação do lucro da empresa no exterior para fins de IRPJ/CSLL e ii) comprovação dos recolhimentos devidamente reconhecidos pelo órgão arrecadador local. Não há dispositivo legal que obrigue o contribuinte a demonstrar aos fisco brasileiro a correlação direta entre os valores constantes nas obrigações acessórias estrangeiras e o valor informado no Brasil, não podendo tal alegação servir de base para glosa da utilização do imposto pago no exterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a preliminar de homologação tácita dos PERDCOMPs nº 06950.55832.140307.1.3.021530, 29583.79692.300307.1.3.024859 e 36454.70988.150208.1.3.022849 e, no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer: a) o crédito decorrente de imposto pago no exterior no montante de R$ 23.582.489,44, como passível de compensação com o IRPJ devido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 12 97 /2 01 2- 40 Fl. 1684DF CARF MF 2 no Brasil e b) o valor do saldo negativo nos limites do quanto julgado nos autos do processo administrativo 16327.720327/201110. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório 2.21. O Recorrente, supra qualificado, entregou por via eletrônica os PER/DCOMP relacionados de fls. 04 a 33,nos quais pleiteia as compensações de pretenso crédito de saldo negativo de IRPJ, referente ao período de apuração findo em 31/12/2006. 2. No Despacho Decisório de fls. 779 a 800, a autoridade fiscal consigna, em síntese, o seguinte: 2.1 O presente processo analisa PER/DCOMP com crédito de "Saldo Negativo do IRPJ" apurado na DIPJ 2007, AnoCalendário 2006, no valor de R$ 135.803.100,68 (informado nos PER/DCOMP) ou de R$ 135.718.891,48 (informado na DIPJ retificadora ativa) para a compensação de débitos. 2.1.1 Tal crédito, foi informado na ficha 12B da DIPJ 2007, resumidamente, da seguinte maneira: Fl. 1685DF CARF MF Processo nº 16327.721297/201240 Acórdão n.º 1201001.894 S1C2T1 Fl. 3 3 2.2 Na DIPJ retificadora, entregue em 31/05/2010 (nº 1564057) verificase o registro de lançamento de ofício tratado no processo 16327.720.327/201110, no qual, segundo sistema SAPLI (fls. 38), houve a alteração do lucro real declarado na ficha 09B de R$ 222.304.834,21 para R$ 238.784.594,70. No mesmo processo consta a redução do saldo negativo de R$ 135.718.891,48 para R$ 131.598.951,37, conforme "Demonstrativo de .Compensação de Valores" do Auto de Infração (fls. 743). 2.3 Com relação ao Imposto de Renda Retido na Fonte o contribuinte aproveitou parte do crédito relativo ao IRRF JCP (código 5706) do qual era beneficiário para compensar com débitos de IRRF sobre JCP que o mesmo tinha que recolher e constava também na DIRF como beneficiário de IRRF sob o código 3426, conforme tabela resumo abaixo: 2.3.1 As fontes pagadoras e de retenção pagaram e/ou compensaram os débitos informados. O valor recebido a título de JCP foi oferecido à tributação, conforme se observa na linha 37 da ficha 06B da DIPJ (fls. 37) 2.3.2 Do exposto comprovase a existência de IRRF em nome do Recorrente, no valor total de R$ 154.191.440,91, insuficiente para suportar a dedução de IRRF no valor de R$ 154.197.395,59 efetuada no ajuste anual do IRPJ da DIPJ 2007. 2.4 Os débitos do IRPJ Estimativa informadas na DIPJ correspondem a compensações registradas no sistema SIEF(fls. 66 a 73), no valor total de R$ 1.198.809,84, as quais foram homologadas, conforme telas de fls. 69 a 73. Fl. 1686DF CARF MF 4 2.5 No cálculo do IRPJ Estimativa referente ao mês de dezembro (fls. 44) o Recorrente informou a dedução de R$ 35.867.638,05 como "Imposto pago no exterior sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital"e no cálculo da CSLL estimativa do mesmo período (fls. 51) a dedução de R$ 3.250.940,01 a este título. Na ficha 34 e 35 da mesma DIPJ (fls. 53 a 60) o contribuinte informou as empresas, lucros disponibilizados e o imposto, alegadamente pago, incidente sobre tais lucros, conforme tabela resumo abaixo: 2.5.1 O Recorrente foi Intimado através dos Termos de Intimação 134/2012 a apresentar a comprovação documental dos Lucros, Rendimentos e Ganhos de Capital auferidos no exterior e os registros contábeis probatórios da inclusão destes valores no Lucro Real apurado em 31/12/2006. Em resposta à intimação foi apresentada planilha com as empresas controladas contendo lucro bruto, imposto alegadamente pago e lucro liquido (fls. 108); planilhas denominadas “REP – conciliação acumulada – 31/12/2006” (fls. 111 a 152); planilha com saldo da conta COSIF 7323.000.000.0005 “Receitas de ajustes – Investimentos no exterior” (fls. 109) e cópias dos balancetes (fls. 153 a 157). 2.5.4 Com relação aos comprovantes dos lucros das empresas do grupo Chile Holdings o Recorrente apresentou Demonstrativo Consolidado às fls. 162/165 e cópias digitalizadas de péssima qualidade das "Declaracion Mensal Y Pago Simultâneo de Impuestos Formulário 29" e cópias digitalizadas dos formulários 22 “ Impuestos anuales a la Renta”( fls. 328/525). Ambos os formulários foram obtidos pela internet, sendo que os formulários 29 contem carimbo do com as informações “Servicio de Impuestos Internos – www.sii.cl” e “Recibida e Pagadas por Internet”. Os valores mensais do IR pago no exterior de fls. 162/163 corresponde à soma do campo 62 do formulário 29 denominado PPM Neto Det., já o valor anual no mesmo demonstrativo deveria representar o valor do campo 20 dos formulários 22. Através de pesquisa realizada no sítio do "Servicio de Impuestos Internos" do Chile, no endereço http://www.sii.cl/formularios/form.htm percebese que o Formulário 29 é utilizado para a Declaração e Pagamento Mensal de IVA (Imposto sobre o valor agregado). Os formulários que tratam do imposto de renda são o 22 e o 22.1. Nos formulários apresentados não foi possível identificar os lucros disponibilizados auferidos pelas empresas do grupo Chile Holding, sendo só possível verificar a base de cálculo sobre a qual incide o imposto sobre a renda no campo 18 do formulário 22. Apesar de intimado a comprovar documentalmente os lucros auferidos no exterior, na moeda local e a sua conversão para Reais, o Recorrente restringiu sua resposta com a apresentação dos formulários 22 e 29, de forma que não foi possível verificar e comprovar o valor dos lucros disponibilizados pelas empresas do grupo Chile Holdings no ano de 2006. 2.5.4 Sobre a comprovação dos lucros das empresas localizadas no Uruguai (BKB Uruguay, Boston Directo, Oca Casa Financiera e Oca S/A) o Recorrente apresentou Demonstrativo Consolidado às fls. 164/165 e cópias digitalizadas das "Declaración de Impuestos Formulário 2/176" mensais, que contêm marca de recibo indicando “total”, e das “Declaracion Jurada Y Pago – Formulário 2/149” anuais, que referemse, entre outros impostos, ao “Impuesto a Las Rentas de Industria y Comercio” IRIC (fls. 526 a 740). A base de cálculo do IRIC anual é informada no campo 155 do formulário 2/149 e o imposto é calculado Fl. 1687DF CARF MF Processo nº 16327.721297/201240 Acórdão n.º 1201001.894 S1C2T1 Fl. 4 5 com a aplicação da alíquota de 30% sobre este campo. Apesar de intimado o Recorrente não apresentou demonstrativo com a conversão dos valores dos Lucros auferidos de Pesos Uruguaios para Reais. Utilizandose a taxa média informada pelo contribuiNte às fls. 164/165 (11,24) resultaram nas divergências apontadas no quadro abaixo: 2.5.4 Não foi apresentado nenhum documento probatório referente aos lucros auferidos pela Itaú Holding Cayman. 2.6 Com relação aos comprovantes de pagamento dos impostos apurados no exterior, o Recorrente não apresentou nenhum documento reconhecido pelo órgão arrecadador e nem pelo Consulado da Embaixada brasileira no país de incidência do imposto, conforme determina o § 2º do artigo 26 da Lei 9.249/95. O Recorrente apresentou legislações tributárias do Uruguai (fls. 208/230) e do Chile (fls. 231/320); A Lei n° 9430/96 determina a possibilidade de dispensa da obrigação a que se refere o § 2° do art. 26 da Lei n° 9.249/1995, quando se comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital faça previsão expressa da incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. 2.6.1 Os valores dos impostos pagos no exterior constantes dos demonstrativos de fls. 162 a 165 foram obtidos pela soma dos valores dos campo 062 – PPM Neto Det dos formulários 29 (fls. 328/525) para as empresas do Chile e pela soma dos campos 34 dos formulários 2/176 (fls. 526/740) para as empresas do Uruguai. Tomando por base os demonstrativos de fls. 162 a 165 e comparando com os valores constantes nos formulários 22 do Chile e nos formulários 2/149 do Uruguai, utilizando a taxa média de conversão dos mesmos demonstrativos, obtêmse divergências nos impostos anuais apurados, a maior nos demonstrativos, de R$ 13.820.979,99 para as empresas do Grupo Chile Holdings e de R$ 868.998,44 para as empresas do Uruguai, conforme visto nas planilhas de fls. 789 e 790. Como os valores dos demonstrativos serviram de base para o cálculo do imposto pago no exterior informado na DIPJ 2007, observase um aproveitamento indevido no Brasil na monta destas divergências. 2.7 A compensação do imposto pago no exterior com aquele devido no Brasil tem como base legal o artigo 26 da Lei 9.249/2005, o artigo 16, I da Lei 9.430/96 e é regulamentada pela instrução Normativa SRF nº 213/2002. 2.8 O cálculo da compensação do imposto de renda pago no exterior com o imposto de renda e a CSLL devidos no Brasil, utilizandose das regras dispostas nos artigos 13, 14 e 15 da IN SRF nº 213/2002, se devidamente comprovadas, foram calculadas e poderiam ser utilizadas conforme planilhas de fls. 773 e 778, nas quais se verifica que o limite compensável para o ano de 2006 seria de R$ 35.867.638,05 e R$ 3.250.940,01 para a CSLL. Assim, mesmo ignorando a Lei e a legislação que regulam a compensação do imposto pago no exterior, ainda assim restaria indevida a utilização de R$ 2.311.382,18 para compensar débito de IRPJ em 2008, conforme consta na resposta da intimação 134/2012, item 6 (fls. 109). 2.9 Com base em todo o analisado e do saldo negativo declarado na ficha 12 B da DIPJ 2007, chegouse à seguinte tabela: Fl. 1688DF CARF MF 6 3. Em razão do acima descrito foi reconhecido parcialmente o direito creditório no valor original de R$ 95.725.458,64, relativo ao saldo negativo do anocalendário 2006. 3.1 Desta feita foi proposto e decidido: pela homologação expressa das Declarações de compensação constantes dos PER/DCOMP nº 33146.02693.280207.1.3.023051 e 06950.55832.140307.1.3.021530 até o limite do crédito reconhecido pela homologação por disposição legal, prevista no § 5º do artigo 74 da Lei 9.430/96, dos saldos não compensados dos débitos informados nos PER/DCOMP nº 06950.55832.140307.1.3.021530 e 29583.79692.300307.1.3.024859 e pela não homologação das compensações declaradas nos PER/DCOMP nº 36454.70988.150208.1.3.022849, 09014.67359.020311.1.7.029103, 17069.36482.250411.1.7.023557 e 31033.57283.150611.1.7.029034. 4. O contribuinte foi cientificado da decisão supra em 17/04/2013, conforme AR (Aviso de Recebimento) de fls. 819. 5. Irresignado, o Recorrente apresentou, em 17/05/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 862 a 876, informando e alegando, em síntese, o seguinte: 5.1 Transmitiu os PERDCOMPS n°s 30650.03217.060207.1.3.023674 (original) e 17069.36482.250411.1.7.023557 (retificador), visando o reconhecimento do crédito do Saldo Negativo de 1RPJ anocalendário de 2006 no valor original de R$ 135.718.891,48 e foi surpreendido pela prolação do despacho decisório reconhecendo parcialmente o Saldo Negativo pleiteado no valor de R$ 95.725.458,64, restando não homologada uma parcela de R$ 39.993.532,84. Embora conste no despacho decisório a Homologação total das compensações n°s 06950.55832.140307.1.3.021530 e 29583.79692.300307.1.3.024859, foram mantidos saldos em cobrança relacionados a esses pedidos, nos valores de R$ 1.880.605,40, R$ 1.858.377,63 e R$ 581.039,51 (fls. 799). 5.2 Sobre a homologação tácita dos PERDCOMPs nº 06950.55832.140307.1.3.021530, 29583.79692.300307.1.3.024859 e 36454.70988.150208.1.3.022849: Levando em consideração que tais compensações só foram analisadas pela RFB a partir do recebimento do despacho decisório, cuja intimação ocorreu em 17/04/2013, resta patente o decurso de prazo para a homologação nos termos do artigo 74 da Lei 9.430/96, ou seja a Receita Federal do Brasil possuía prazo de 5 (cinco) anos para fiscalizar os pedidos de compensação da Manifestante e, eventualmente, indeferir o crédito pleiteado, entretanto, só realizou tal procedimento em abril de 2013. É de se salientar que a própria RFB reconhece a homologação das compensações transmitidas no ano de 2007 (conforme fls. 799 dos autos), mas mantém saldos dos débitos em cobrança e, não bastasse isso, ainda houve o recebimento da carta cobrança nº 43 na qual são exigidos os débitos relativos, inclusive, às Fl. 1689DF CARF MF Processo nº 16327.721297/201240 Acórdão n.º 1201001.894 S1C2T1 Fl. 5 7 compensações homologadas. Assim, o despacho decisório deve ser reformado em razão da homologação tácita do crédito levado a efeito pela Manifestante nos PERDCOMPs n°s 06950.55832.140307.1.3.021630, 06950.55832.140307.1.3.021530, 29583.79692.300307.1.3.024859 e 36454.70988.150208.1.3.022849. 5.3 Da leitura do despacho decisório, percebese que não foi reconhecido o direito creditório no montante de R$ 39.993.532,84 decorrentes, principalmente, da não confirmação do imposto pago no exterior (R$ 35.867.638,05) e da redução do saldo negativo em decorrência do crédito tributário constituído no processo nº 16327.720327/201110 (R$ 4.119.940,11). O que não merece prosperar 5.4 Sobre a comprovação do imposto pago no exterior: O manifestante apurou como imposto pago no exterior o montante de R$ 41.429.960,24 e utilizou R$ 35.867.638,05 para deduzir do imposto apurado no Brasil, conforme informado na ficha 11 da DIPJ 2007. 5.4.1 No item 35 do despacho decisório a fiscalização afirma que o Recorrente, apesar de intimado, não apresentou a comprovação documental dos lucros auferidos pelas empresas do grupo Chile Holdings, na moeda local e a sua conversão para Reais, de maneira que não foi possível verificar e comprovar o valor dos lucros disponibilizados pelas empresas do grupo em 2006, entretanto o lucro dessas empresas foi devidamente tributado para fins de apuração do Lucro Real, conforme demonstrativo abaixo: 5.4.1.1 A empresa Chile Holdings foi adquirida quando da aquisição do grupo Bank Boston em maio de 2006. Assim, o resultado acima referese tão somente ao período compreendido entre maio e dezembro de 2006. 5.4.2 No item 40 do despacho decisório a autoridade fiscal afirma que, apesar de intimado, o Recorrente não apresentou a comprovação documental dos lucros auferidos pelas empresas localizadas no Uruguai, na moeda local e a sua conversão para Reais, no entanto parece que a RFB extrapola os requisitos fixados na legislação ao tentar, numa análise fria dos formulários, encontrar correlação entre o lucro adicionado no lucro real e o declarado nas obrigações estrangeiras, isto porque a legislação (artigo 26 da Lei 9.249/95 e IN 213/02) só exige a tributação do lucro no exterior e os comprovantes de recolhimento no exterior reconhecidos pelo respectivo órgão arrecadador. Além disso considerando que o resultado tributado se refere ao período compreendido entre maio e dezembro de 2006, os valores informados a título de “Renda Anual Fiscal” se referem a todo o anocalendário de 2006. Ressaltase ainda que as divergências ora identificadas não foram objeto de questionamento ao manifestante no decorrer da fiscalização. 5.4.3 No item 41 do despacho decisório há informações de que foram encontradas divergências entre o Resultado Fiscal Anual (Lucro), declarado nos Formulários 2149 (Fisco Uruguaio) e o valor do Lucro declarado nas fichas 35 da DIPJ 2007 e na resposta a Intimação (carta de fls. 108). Com relação a este assunto esclarecese que foi compensado o imposto pago no exterior para as seguintes empresas localizadas no Uruguai: Banco Itau Uruguay S/A (ExBKB Uruguay) (R$ 10.707.786,57), Oca Casa Financeira (R$ 287.642,65) e Oca S/A (R$ 5.398.325,35), foram apresentados os comprovantes de imposto pagos no Uruguai (IRIC e/ou IRAE, às fls. 304 a 510) e apresentase o demonstrativo abaixo que comprova a tributação dos lucros dessas empresas na base de cálculo do IRPJ: Fl. 1690DF CARF MF 8 5.4.4 No item 42 do despacho decisório a autoridade fiscal afirma que não houve a comprovação documental do lucro auferido pela Itau Holding Cayman, entretanto para a legislação vigente (lei n° 9.249/95), os comprovantes de recolhimento e as disposições legais do país de origem, são suficientes para a compensação do imposto pago no exterior com o Imposto de Renda devido no Brasil não estabelecendo, como requisito para a compensação, a comprovação da relação entre o imposto recolhido e devido. 5.5 Nos itens 43 e 49 do despacho decisório a autoridade fiscal afirma que as cópias digitalizadas dos Formulários 29 e 22 não comprovam os pagamentos dos impostos incidentes no Chile sobre os Lucros Disponibilizados, no que, primeiramente, cumpre esclarecer que nesses formulários, são declarados os PPM (Pagos Provisionales Mensuales) e o Impuesto de la Renta de Primeira e Segunda Categoria respectivamente. Conforme disposto no “Decreto Ley nº 824” o imposto declarado e pago ao longo do ano de 2006 é informado no formulário 29 e segundo consta no sítio da internet do “Servicio de Impuestos Internos”, tais pagamentos são deduzidos do imposto de renda apurado ao final do ano, tal como ocorre no Brasil. Também no mesmo diploma legal o “Impuesto de la Renta” é declarado no formulário 22, o qual informa, além do imposto recolhido ao longo do ano, o imposto pago ao final do período. Foram anexadas as legislações do Chile e do Uruguai, em atendimento ao disposto no artigo 16, § 2º da Lei 9.430/96 e nos formulários apresentados consta carimbo do Fisco chileno com informação de tributo recolhido pela internet razões pelas quais resta demonstrada a comprovação do pagamento dos impostos incidentes sobre lucro. 5.6 Nos itens 48 e 49 do despacho decisório a fiscalização afirma que foram encontradas grandes divergências entre os valores, em Pesos Chilenos, do Imposto de Renda Anual declarado nos Formulários 22 e os valores informados como pagos no Demonstrativo de fls. 162/163 o que demonstraria o aproveitamento indevido no Brasil de imposto, alegadamente pago pelas empresas do Grupo Chile Holdings, no valor estimado de R$ 13.820.979,99. Tais divergências tiveram origem no cruzamento entre os formulários F29 e F22, isto porque no Formulário F22 (campo 36), o contribuinte preenche o valor do imposto recolhido no mês de dezembro, a título de antecipação e o Fisco entendeu que deveria ser preenchido com o valor do imposto recolhido durante todo o ano calendário. Além disso a RFB não considerou o tributo objeto de restituição por parte da Receita Federal Chilena que foram recolhidos pelo Manifestante, sem contar que a RFB ultrapassou os limites e critérios para a utilização do IR pago no exterior ao apontar divergências de apuração fiscal que não é de sua competência. 5.7 Nos itens 50 e 56 do despacho decisório o Fisco afirma que as cópias digitalizadas dos Formulários 2176 e 2149 das empresas localizadas no Uruguai não comprovam os pagamentos dos impostos incidentes sobre os Lucros Disponibilizados, no entanto, segundo informação do sítio da internet do Fisco Uruguaio, a liquidação dos impostos se dão por meio de declaração do contribuinte realizada por meio dos formulários apresentados, de forma que fica comprovado o pagamento dos impostos no Uruguai. 5.8 Nos itens 55 e 56 do despacho decisório consta terem sido encontradas divergências para a empresa OCA, localizada no Uruguai, entre o valor, em Pesos Uruguaios, do Imposto de Renda Anual declarado no Formulário 2/149 e o valor informados como pago no Demonstrativo fls. 164/165; o que comprovaria um aproveitamento indevido no Brasil de imposto, alegadamente pago pela empresa OCA, no valor estimado de R$ 868.998,44. No "formulário 2/149" são declaradas todas as antecipações de imposto (IRIC) que constam no "formulário 2/176". Ocorre que, o total antecipado informado pela empresa OCA no "formulário 2/149" divergiu da soma das antecipações do formulário 2/176, contudo a RFB aqui também ultrapassou os limites e critérios para a utilização do IR pago no exterior, conforme já explicado anteriormente. Fl. 1691DF CARF MF Processo nº 16327.721297/201240 Acórdão n.º 1201001.894 S1C2T1 Fl. 6 9 5.9 Sobre a compensação integral do imposto alegadamente pago no exterior, desrespeitando os limites estabelecidos pela legislação, conforme mencionado no item 65 do despacho decisório, os esclarecimentos e documentação apresentadas nos itens anteriores rechaçam tais apontamentos. 5.10 Sobre a indevida redução do saldo negativo: Outro motivo que levou a autoridade fiscal a homologar parcialmente o crédito pleiteado pelo Manifestante foi a redução do Saldo Negativo de 2006, efetuada de ofício pela RFB, em razão da constituição de crédito tributário levado a efeito nos autos do processo administrativo n° 16327.720327/201110, cujo auto de infração foi lavrado para a exigência de multa isolada, por suposta falta de recolhimento das estimativas de CSLL e IRPJ do período de dezembro de 2006 e 2007, bem como a exigência de CSLL pela suposta ausência de tributação sobre receitas decorrentes de investimentos no exterior avaliados pelo método de equivalência patrimonial. O processo está em discussão junto ao CARF, razão pela qual tal parcela (R$ 4.119.940,11) não poderia ser reduzida do Saldo Negativo do ano de 2006 até o encerramento da lide. Ressaltese que no referido processo a Receita Federal verificou todos os pagamentos efetuados no exterior e não glosou nenhum deles, o que corrobora com todo o aqui alegado. 5.11 Por fim, requer seja reformado o despacho decisório com a consequente homologação da compensação e também o cancelamento da carta cobrança 43/2013, emitida nos autos do processo administrativo nº 16327.720441/201323, no qual se exige débitos dos pedidos de compensação em tela. Protesta ainda pela juntada dos documentos anexos e de outros que se fizerem necessários. Da decisão da DRJ/SPI Através do acórdão n. 1651.813 de 17/10/13, a 8. Turma da DRJ/SPI, por maioria de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da ora Recorrente. Recurso Voluntário Diante da decisão desfavorável, foi apresentado Recurso Voluntário através do qual a Recorrente ratificou suas alegações expostas em Manifestação de Inconformidade. Da Conversão do Julgamento em Diligência Por meio da Resolução 1201000.234 de 24 de janeiro de 2017, esta Turma de Julgamento resolveu converter o julgamento em diligência nos seguintes termos: "Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a Delegacia de origem faça a análise dos comprovantes dos recolhimentos efetuados no Chile e Uruguai, apresentados na forma consularizada pela Recorrente e apresente relatório conclusivo acerca da correspondência e suficiência de tais recolhimentos com o imposto utilizado no Brasil no ano calendário de 2006." Fl. 1692DF CARF MF 10 Da resposta à diligência Em resposta à diligência solicitada, a DEINF/DIORT trouxe aos autos extensa documentação apresentada pelo contribuinte em resposta às intimações efetuadas e ao final apresentou relatório com a seguinte conclusão: É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário apresentado é tempestivo e preenche todos os requisitos previstos em lei, portanto, merece ser conhecido. Resumo dos fatos Fl. 1693DF CARF MF Processo nº 16327.721297/201240 Acórdão n.º 1201001.894 S1C2T1 Fl. 7 11 O objeto do presente processo é o pedido de compensação do saldo negativo do anocalendário de 2006 no valor de R$ 135.718.891,48, cuja análise da Receita Federal resultou no Despacho Decisório da DEINF que reconheceu apenas o valor de R$ 95.725.358,64. Assim, resta em discussão o valor de R$ 39.993.532,84 que é composto por valores de imposto pago no exterior (R$ 35.867.638,05) e redução de ofício do saldo negativo no montante de R$ 4.119.940,11 em razão de cumprimento de decisão proferida nos autos do processo n. 16327.720327/201110. Preliminar Da Homologação Tácita das Compensações Aduz a Recorrente a ocorrência de homologação tácita de todos os pedidos de compensação transmitidos antes de 17/04/2008. Isso porque, a ora Recorrente fora intimada do despacho decisório que não homologou ou homologou parcialmente os PerDComps, apenas em 17/04/2003. Considerando que os PerDComps foram transmitidos dentro do período de 14/03/07 e 15/02/08, já havia transcorrido o prazo de 05 anos previsto no § 5°do art.74 da Lei n. 9.430/96. Compartilho do entendimento da Recorrente. Isso porque, a função mais importante do Direito que é a pacificação social, somente é possível de ser cumprida através de instrumentos que garantam a aplicação da justiça e a manutenção da segurança, estabilidade e ordem. Neste sentido, dentre os instrumentos utilizados para se buscar a segurança, temos a consolidação de determinadas situações jurídicas pelo simples decurso do tempo, ainda que tais situações se mostrem injustas ou indevidas. O Princípio Constitucional da Segurança Jurídica requer a estabilização das relações jurídicas pela inércia do titular de um determinado direito em exercêlo. Assim é a lição do Prof. Paulo de Barros Carvalho: " O direito, tomado como instrumento de ação social para ordenar as condutas intersubjetivas, orientadose para os valores que a sociedade pretende ver realizados, não se compadece com a indeterminação, com a incerteza, com a permanência de conflitos irresolvíveis e com o perdurar no tempo sem a definição jurídica adequada" (Extinção da Obrigação Tributária nos Casos de Lançamento por Homologação in: MELLO, Celso Bandeira de. Estudos em homenagem a Geraldo Ataliba Direito Tributário, vol. I, São Paulo, Malheiros, 1997, p.220) Fl. 1694DF CARF MF 12 No Direito Tributário Brasileiro, temos como instrumentos de estabilização da segurança jurídica, a decadência e a prescrição, que são causas de extinção do crédito tributários nos moldes do art. 156, V do CTN. Assim, uma vez decorrido o prazo decadencial ou prescricional previsto em lei, não pode o contribuinte ser cobrado. Por ocasião da instituição da sistemática da declaração de compensação, ainda não havia previsão legal de prazo para que a Fazenda procedesse à respectiva homologação. Tal lacuna foi preenchida por ocasião da edição da Lei n. 10.833/03 que alterou o art. 74 da Lei n. 9.430/96 que passou a ter a seguinte previsão: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 5° O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação." Neste sentido, são vários os julgados neste Conselho, dentre os quais destaco recente decisão da CSRF: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelecese como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerandose pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. (Acórdão n. 9303003.900 da 3° Turma da CSRF) Desta forma, procedente a alegação preliminar da Recorrente, devendo ser consideradas tacitamente homologadas todas as compensações apresentadas antes de 17/04/2008, vez que a intimação acerca do despacho decisório fora recebido em 17/04/2013. Mérito Fl. 1695DF CARF MF Processo nº 16327.721297/201240 Acórdão n.º 1201001.894 S1C2T1 Fl. 8 13 Como já destacado no relatório, o objeto de discussão nos autos se refere à compensação do saldo negativo de IRPJ de 2006 no valor de R$ 135,7 milhões, no qual fora reconhecido pela DEINF/SP apenas o valor de R$ 95,7 milhões. O valor em litígio, portanto, se refere a exatos R$ 39.993.532,84 que pode ser dividido em duas partes distintas: i) imposto pago no exterior no valor de R$ 35.867.638,05 e ii) redução de ofício do saldo negativo no valor de R$ 4.119.940,11, decorrente de lançamento efetuado com base no que fora decidido nos autos do processo n. 16327.720327/201110. Assim, para melhor entendimento, tais pontos serão abordados em capítulos distintos deste voto. Do Imposto Pago no Exterior A Recorrente efetuou a dedução no Brasil de parte (R$ 35.867.638,05) do imposto de renda pago por suas subsidiárias estabelecidas no Chile e no Uruguai, cujo valor total é de R$ 41.429.960,24. O valor compensado de R$ 35.867.638,05 foi declarado na ficha 11 da DIPJ da Recorrente, conforme consta nos autos. A Receita Federal no Brasil não reconheceu os mencionados recolhimentos efetuados no Chile e Uruguai em razão de ausência de comprovação não somente dos lucros auferidos por tais empresas em 2006, mas também dos recolhimentos efetuados. Neste ponto, me parece que a questão é mais fática que jurídica, ou seja, o que deve ser aqui avaliado é se, realmente, estão nos autos as comprovações necessárias para o aproveitamento do imposto pago no exterior. Para uma análise completa dos créditos discutidos, é necessário se fazer uma análise de cada item no Despacho Decisório combatido pela ora Recorrente. Primeiramente, cabe enfrentar o item do despacho decisório relacionado à alegada ausência de comprovação dos lucros auferidos pelas empresas controladas pela Chile Holdings em 2006. Em análise deste este ponto, pude localizar nos autos do processo (fls 934 e seguintes), os devidos registros tanto em Livro Diário quanto em Balanço das Demonstrações Financeiras da empresa Chile Holdings que é a entidade que consolida o resultados de suas subsisdiárias. Conforme documentos de fls. 923, o resultado da empresa Chile Holdings, o lucro líquido antes do IR no valor R$ 104.477.671,89, bem como, o montante do imposto de renda de R$ 28.293.349,28 e, por fim, o lucro líquido do período no montante de R$ 76.184.322,61 foram devidamente informados na Ficha 35 da DIPJ/06. Assim, pela documentação acostada, me parece não restar dúvidas acerca do oferecimento dos lucros auferidos pela empresa Chile Holdings e controladas à tributação. Na seqüência, cabe avaliar o ponto do Despacho Decisório relacionado à alegação de que não houve comprovação dos lucros auferidos pelas empresas estabelecidas no Uruguai na moeda local e a correspondente conversão em Reais. Fl. 1696DF CARF MF 14 A discussão aqui se refere à correlação direta entre os valores de lucro informados nas declarações uruguaias e o valor do lucro adicionado para fins de apuração do Lucro Real no Brasil. Aqui, a ora Recorrente traz informação de que o valor oferecido à tributação no Brasil se refere tão somente ao período compreendido entre os meses de maio e dezembro de 2006, momento posterior à aquisição das empresas no Uruguai, ao passo que os montantes informados como Renda Anual Fiscal na declaração uruguaia se refere a todo o ano de 2006 (janeiro a dezembro), o que explica a divergência. Além da explicação matemática trazida pela Recorrente aos autos, que justifica a diferença encontrada entre os valores declarados no Uruguai (período integral de 2006) e no Brasil (período parcial maio a dezembro), me parece que a exigência de demonstração desta correlação direta de valores não possui fundamento legal, o que indica desrespeito ao Princípio da Legalidade. Isso porque, o art. 26 da Lei n. 9.249/95 e a Instrução Normativa 213/02, trazem como condições para utilização do imposto pago no exterior apenas a i) tributação do lucro da empresa no exterior para fins de IRPJ/CSLL e ii) comprovação dos recolhimentos devidamente reconhecidos pelo órgão arrecadador local. Tenho convicção de que não há dispositivo legal que obrigue o contribuinte a demonstrar aos fisco brasileiro a correlação direta entre os valores constantes nas obrigações acessórias estrangeiras e o valor informado no Brasil, não podendo tal alegação servir de base para glosa da utilização do imposto pago no exterior. Ainda com relação às empresa sediadas no Uruguai, consta no Despacho Decisório ora combatido que foram encontradas divergências entre o Resultado Fiscal Anual declarado no Formulário 2149 (Uruguai) e o valor do lucro declarado na ficha 35 da DIPJ/06. Informa a Recorrente que compensou imposto pago no Uruguai pelas empresas Banco Itau Uruguay S/A (BKB Uruguay), Oca Casa Financeira e Oca S/A e traz aos autos (fls 304 a 510), os devidos comprovantes de recolhimento. Em sede de Impugnação, a ora Recorrente traz o seguinte quadro que demonstra os lucros apurados pelas mencionadas empresas uruguaias: Também me parece, neste ponto, que restou comprovada a tributação do lucro no Uruguai e o devido registro em DIPJ, restando aqui pendente a análise da validade dos comprovantes de recolhimento apresentados. Fl. 1697DF CARF MF Processo nº 16327.721297/201240 Acórdão n.º 1201001.894 S1C2T1 Fl. 9 15 Cabe ressaltar, a Recorrente juntou aos autos a versão traduzida das legislações tributáveis do Chile e do Uruguai, aplicáveis ao caso em questão em sede de Recurso Voluntário, não obstante tais legislações já tivessem sido apresentadas à autoridade fiscal , contudo, no idioma local. Em suma, me parece até aqui que a ora Recorrente demonstrou fortes evidências de que cumpriu as exigências legais para aproveitamento do imposto pago no exterior (Chile e Uruguai), pois, apresentou: i) declarações do Chile (Formulário 22 anual e 29 estimativas) e Uruguai (Formulários 2149 anual e 2176 estimativas); ii) transcrição das demonstrações financeiras das empresas no exterior em Livro Diário e Balanço no Brasil; iii) registro dos lucros das empresas no Chile e Uruguai em DIPJ (fichas 34 e 35) e iv) legislação tributária do Chile e do Uruguai aplicável ao IRPJ e v) comprovantes de recolhimento. Contudo, restou ainda, dúvida acerca da validade dos comprovantes de recolhimento (Uruguai e Chile) apresentados, vez que não haviam sido autenticados pelo consulado do Brasil em tais jurisdições e, este foi um fator explorado com ênfase na decisão da DRJ ora Recorrida. Neste sentido, não obstante os comprovantes já houvessem sido juntados aos autos por ocasião da Impugnação, veio a ora Recorrente apresentar em momento posterior à apresentação do Recurso Voluntário, os comprovantes de recolhimento devidamente consularizados, o que reforça seus argumentos no sentido de efetiva comprovação do que fora pago no exterior. Dada a importância de tais documentos para final comprovação das evidências que já haviam sido trazidas aos autos e em homenagem à busca da verdade material tão valorizada neste Conselho, entendeu esta Turma pela conversão do julgamento em diligência para que para que a autoridade fiscal fizesse uma análise dos comprovantes dos recolhimentos efetuados no Chile e Uruguai, apresentados na forma consularizada pela Recorrente e apresentasse relatório conclusivo acerca da correspondência e suficiência de tais recolhimentos com o imposto utilizado no Brasil no anocalendário de 2006. Conforme relatório apresentado pela DEINF/DIORT em resposta à diligência solicitada, a Recorrente apresentou documentos na forma de cópias dos originais, autenticadas, nos quais não foram detectadas rasuras ou quaisquer outros motivos que pusesse em dúvida suas autenticidades/idoneidades. Fora observado pela autoridade que os formulários não foram objeto de peritagem técnica específica e que, para alguns deles, a autenticidade das assinaturas dos emitentes não foram objeto de reconhecimento de firma. Em relação à Chile Holding, concluiu a autoridade fiscal que o valor possível de ser reconhecido é de R$ 14.211.622,07, inferior, portanto, ao pleiteado pelo contribuinte na ficha 35 – pág 23 da DIPJ ac 2006. Segundo a DEINF/DIORT, tal diferença se deve a duas razões: 1 Não foram apresentados os originais e nem cópias autenticadas, consularizadas de acordo com a exigência do § 2º do art. 26 da Lei nº 9.249 de 26/12/1995, para comprovação dos recolhimentos mensais da empresa Banco Itaú Chile (BankBoston), referente aos meses de janeiro a novembro de 2006. Foram apresentadas apenas cópias simples, de difícil leitura e até mesmo com valores ilegíveis. Há divergência de endereços e incompatibilidade de número do RUT (Rol Unico Tributário), sendo o 76645030K Fl. 1698DF CARF MF 16 (formulário 22 de ajuste anual) pertencente ao Banco Itaú Chile S/A e o nº 970410007 pertencente ao Bankboston NA (formulários 29 – declarações mensais). Não foi encontrado também o formulário 22 (ajuste anual) que levasse em consideração os recolhimentos mensais efetuados pelo BankBoston RUT nº 970410007. 2 o contribuinte não observou a correta aplicação da legislação brasileira no que faz referência ao imposto efetivamente pago no exterior, ou seja, o valor pago a maior que o devido, objeto de devolução por parte do governo onde a pessoa jurídica se encontra domiciliada, não deve compor a parcela a ser aproveitada no Brasil (nesta auditoria: empresas Boston Chile Securitizadora e Itaú Chile Inversiones). O Relatório Fiscal apresenta o seguinte quadro em relação à Chile Holding: Para a empresa BKB Uruguay, o relatório fiscal traz a seguinte conclusão: Para esta empresa, houve uma retificação na Declaração de Ajuste anual, em 11/07/2007. Os valores utilizados para o cálculo do total recolhido são os da Declaração retificadora. Assim o valor possível de ser reconhecido como efetivamente Fl. 1699DF CARF MF Processo nº 16327.721297/201240 Acórdão n.º 1201001.894 S1C2T1 Fl. 10 17 recolhido é de R$ 6.257.461,27 (cálculo demonstrado na tabela de fls 1651). Já em relação à empresa Oca Casa Financiera (Urugai), o relatório tras as seguintes informações: Para a empresa Oca S/A (Uruguai), há informação (resposta à Intimação 65/2017) de que o formulário de ajuste anual compreende o período entre 1/10/2005 a 30/9/2006, divergindo, portanto, do valor correspondente ao declarado no exercício fiscal de 2006 da controladora no Brasil (janeiro a dezembro). Por esta razão, para fins de cálculo do valor total dos tributos pagos no Uruguai, o contribuinte adiciona os valores de antecipações dos meses de outubro a dezembro de 2006 e retira os valores de antecipações dos meses de outubro a dezembro de 2005. Considero que as antecipações devam acompanhar os meses envolvidos na apuração anual, conforme determina art 25 § 4º da IN RFB nº 1520/14. Consequentemente, os valores utilizados para o cálculo do total recolhido são os das Declarações 2/149 (ajuste anual) apenas, visto que nela constam o valor das antecipações mensais referente ao exercício de outubro 2005 a setembro de 2006. Assim o valor possível de ser reconhecido como efetivamente recolhido é de R$ 5.435.026,46 (cálculo demonstrado na tabela de fls. 1652). Por fim, foram trazidos os seguintes quadros demonstrativos: Fl. 1700DF CARF MF 18 Ao final, conclui o relatório fiscal que o valor de imposto recolhido no exterior passível de compensação no presente caso é de R$ 23.582.489, inferior ao montante utilizado pelo contribuinte de R$ 35.867.638. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para RECONHECER a PRELIMINAR de homologação tácita dos PERDCOMPs nº 06950.55832.140307.1.3.021530, 29583.79692.300307.1.3.024859 e 36454.70988.150208.1.3.022849 e, no MÉRITO DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer: a) o crédito decorrente de imposto pago no exterior no montante de R$ 23.582.489,44, como passível de compensação com o IRPJ devido no Brasil e b) o valor do saldo negativo nos limites do quanto julgado nos autos do processo administrativo 16327.720327/201110. Fl. 1701DF CARF MF Processo nº 16327.721297/201240 Acórdão n.º 1201001.894 S1C2T1 Fl. 11 19 É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 1702DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.001755/2010-90
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte.
Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço.
COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. PALLETS DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO STRETCH. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO.
Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os pallets utilizados para armazenagem e movimentação das matérias-primas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte - plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" - são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens.
Numero da decisão: 9303-006.059
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. EMBALAGENS DE TRANSPORTE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA SANTA CLARA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" são insumos pois indispensáveis ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 17 55 /2 01 0- 90 Fl. 304DF CARF MF Processo nº 11020.001755/201090 Acórdão n.º 9303006.059 CSRFT3 Fl. 3 2 adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3802001.632, proferido em 28/02/2013, que possui ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. CUSTO DE PRODUÇÃO. DESPESAS DE VENDA. EXIGÊNCIAS REGULATÓRIAS INDISPENSÁVEIS AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA. O conceito de insumo, ressalvadas as exceções expressamente previstas na Lei nº 10.833/2003, abrange o custo de produção (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 11020.001755/201090 Acórdão n.º 9303006.059 CSRFT3 Fl. 4 3 LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. AQUISIÇÃO DE “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO RECONHECIDO. Não cabe, à luz das disposições da Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004, restringir o direito ao crédito às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. No segmento de laticínios, a paletização que envolve o acondicionamento no “pallet”, plástico de coberto e colocação do filme “strecht” não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem do produto no estabelecimento industrial. Decorre ainda de normas de controle sanitário na área de alimentos (Portaria SVS/MS nº 326, de 30 de julho de 1997), que exigem o acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1). Tratandose, assim, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias, deve ser reconhecido o direito ao crédito. RECEITAS DECORRENTES DA VENDA DE PRODUTOS SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. CRITÉRIO DE RATEIO PROPORCIONAL. O critério de rateio proporcional, nos termos do art. 3º, §§ 7º e 8º, II, da Lei nº 10.883/2003, deve considerar a totalidade da receita bruta auferida no mês, e não apenas as receitas do estabelecimento produtor de bens sujeitos à alíquota zero. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Em face da referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao reconhecimento do direito de crédito das contribuições não cumulativas com relação a materiais de embalagem, acondicionamento e transporte – empregados na “palletização” – concedidos em sede de julgamento de recurso voluntário. Colacionou como paradigmas os acórdãos 3302002.027 e 310100.795. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido por meio de despacho proferido pelo Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época. A Cooperativa Santa Clara apresentou contrarrazões postulando a negativa de provimento ao recurso especial. Na mesma oportunidade apresentou recurso especial, que, todavia, teve o seguimento negado, razão pela qual não será objeto de exame por este Colegiado. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fl. 306DF CARF MF Processo nº 11020.001755/201090 Acórdão n.º 9303006.059 CSRFT3 Fl. 5 4 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.045, de 12/12/2017, proferido no julgamento do processo 11020.001732/201085, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.045): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação se pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de PIS/Pasep os gastos incorridos com os materiais utilizados para a “palletização” – material de embalagem, acondicionamento e transporte dos produtos finais para a venda. Cumpre observar ter sido deferido nos presentes autos o direito ao creditamento das aquisições de matérias de embalagem (pallets de madeira), plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch”, com fulcro na atividade econômica desempenhada pela Contribuinte; na essencialidade dos referidos insumos para a produção e, ainda, nas exigências sanitárias correspondentes para o processo produtivo e de transporte, além da própria estocagem no estabelecimento industrial. Para o reconhecimento do direito ao crédito e reforma da decisão proferida pela DRJ, o acórdão recorrido passou ao largo da apresentação de provas pela Contribuinte, razão pela qual esse aspecto encontrase superado na presente demanda. Portanto, a discussão a ser travada no recurso especial referese à possibilidade de deferimento de créditos de PIS/Pasep dos valores relativos à aquisição de “pallets” de madeira, plástico de coberto e colocação do plástico filme “stretch”. Inicialmente, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 11020.001755/201090 Acórdão n.º 9303006.059 CSRFT3 Fl. 6 5 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 308DF CARF MF Processo nº 11020.001755/201090 Acórdão n.º 9303006.059 CSRFT3 Fl. 7 6 operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processo no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo Fl. 309DF CARF MF Processo nº 11020.001755/201090 Acórdão n.º 9303006.059 CSRFT3 Fl. 8 7 de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo únic o, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações Fl. 310DF CARF MF Processo nº 11020.001755/201090 Acórdão n.º 9303006.059 CSRFT3 Fl. 9 8 se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema está novamente em julgamento no recurso especial nº 1.221.170 PR, pela sistemática dos recursos repetitivos, contendo votos pelo reconhecimento da ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério amplo/próprio na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. O julgamento não foi concluído até a presente data. A posição do Superior Tribunal de Justiça, para definição de insumo, mantémse pela adoção de critério próprio/amplo em função da receita, atendendo aos requisitos da pertinência, relevância e essencialidade. Embora existam casos isolados cujas decisões adotaram o critério restritivo (IPI), não há fato novo ou mudança de entendimento do Tribunal da Cidadania suficiente para acarretar mudança de posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do contrário, estarseia adotando premissa de julgamento equivocada e, ainda, violando frontalmente o princípio da segurança jurídica. Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. De posse do critério a ser adotado para definição dos insumos aptos a gerar créditos de PIS e COFINS não cumulativos, adentrarseá a análise do caso concreto. A Contribuinte é pessoa jurídica que, nos termos do art. 2º do seu Estatuto Social (fls. 41 a 63), exerce atividade econômica na área de alimentos e tem por objetivos sociais: Art. 2º A Sociedade objetiva, com base na colaboração recíproca a que se obrigam seus associados, promover: I o estímulo, o desenvolvimento e a defesa de suas atividades econômicas de caráter comum; II A importação, a exportação, a industrialização e a comercialização em comum de sua produção agrícola, produção animal em geral, pecuária e de hortifrutigranjeiros, industrializada ou em espécie, tais como carnes, ovos, peixes, frutas, cereais, verduras, legumes, gorduras, condimentos em geral; café e ervas para infusão, laticínios, margarinas e derivados de soja, massas alimentícias, farinhas e fermentos em geral; doces, pós para fabricação de doces, açúcar e adoçantes em geral, bebidas alcoólicas e não alcoólicas, xaropes e sucos em geral; animais vivos e ovos para incubação; alimentos para animais; plantas e flores naturais, etc, nos mercados locais, nacionais ou internacionais; Fl. 311DF CARF MF Processo nº 11020.001755/201090 Acórdão n.º 9303006.059 CSRFT3 Fl. 10 9 [...] Em razão de sua atividade econômica, sujeitase a controles e exigências de diversos órgãos públicos, exemplificativamente: Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA, Ministério da Agricultura, Serviço de Inspeção Federal, Ministério da Saúde. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. No que concerne às embalagens utilizadas para transporte no processo produtivo da Contribuinte, uma vez essenciais, pertinentes e relevantes para obtenção do produto final, há de se considerarem as mesmas como insumos. As embalagens são realmente necessárias à armazenagem/conservação do produto nas diversas fases do processo produtivo. Considerandose a atividade própria da Contribuinte, temse que os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, também devem ser considerados como insumos. Para atendimento das exigências sanitárias impostas pelos órgãos públicos responsáveis pelo controle e fiscalização, na movimentação e na armazenagem das matériasprimas e dos bens a serem utilizados na fabricação do produto final, e dos produtos finais em si, não pode haver contato com o chão, justamente para se evitar a contaminação por microorganismos, constituindose em mais uma das razões pelas quais é imprescindível a utilização dos “pallets” na cadeia produtiva. Levandose em conta a significativa quantidade de matériasprimas e produtos que serão empregados no processo produtivo e que precisam ser armazenados e transportados no ambiente fabril, é indispensável à Contribuinte utilizarse de mecanismos e ferramentas que, além de garantirem a observância das normas de higiene e limpeza, impostas pela ANVISA, otimizem o seu processo produtivo. Há de ser destacada, nesse aspecto, a desnecessidade do consumo do produto em contato direto com o bem produzido, admitindose o emprego indireto no processo de produção para caracterizarse determinado bem como insumo. Assim, os pallets guardam nítida relação de pertinência, relevância e essencialidade com a atividade produtiva do Sujeito Passivo, constituindose em insumos do processo produtivo e da fase de comercialização passíveis de creditamento de PIS e COFINS não cumulativos. Com relação a esse item, essa 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu decisão em casos análogos, nos processos administrativos nºs 10925.720046/2012 12 e 10925.720686/201222, na sessão realizada, em que receberam a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INDÚSTRIA AVÍCOLA. INDUMENTÁRIA. A indumentária de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito DO PIS/COFINS. PIS/COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA. Após a alteração veiculada pela Lei nº 12.865, de 2013, expressamente interpretativa, indiscutivelmente, os insumos da indústria alimentícia que processem produtos de origem animal classificados Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos Fl. 312DF CARF MF Processo nº 11020.001755/201090 Acórdão n.º 9303006.059 CSRFT3 Fl. 11 10 códigos 15.17 e 15.18, adquiridos de não contribuintes farão jus ao crédito presumido no percentual no percentual de 60% do que seria apurado em uma operação tributada. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS As leis instituidoras da sistemática nãocumulativa das contribuições PIS e COFINS, ao exigirem apenas que os insumos sejam utilizados na produção ou fabricação de bens, não condicionam a tomada de créditos ao "consumo" no processo produtivo, entendido este como o desgaste em razão de contato físico com os bens em elaboração. Comprovado que o bem foi empregado no processo produtivo e não se inclui entre os bens do ativo permanente, válido o crédito sobre o valor de sua aquisição. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Nos termos do § 4º do art. 3º das Leis 10.637 e 10.833 "o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes". Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. REP Provido em Parte e REC Provido em Parte Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento parcial aos recursos especiais da Fazenda Nacional e do sujeito passivo, nos seguintes termos: I) recurso especial da Fazenda Nacional: a) limpeza e desinfecção: por maioria, em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto; b) embalagens utilizadas para transporte: por maioria em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Carlos Alberto Freitas Barreto; c) despesas de períodos anteriores: por maioria, em negar provimento. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres; d) serviços de lavagem de uniformes: pelo voto de qualidade, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López; e) percentual de crédito presumido: por unanimidade, em negar provimento; f) juros sobre multa de ofício: por maioria, em dar provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López; e II) recurso especial do sujeito passivo: a) indumentária: por maioria, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto; e b) pallets: por maioria, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designados para redigir os votos vencedores o Conselheiro Júlio César Alves Ramos em relação às letras "a", “b” e “c” do item I e letra “b” do item II; e o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho em relação à letra a do item II. (grifouse) Há, ainda, de se examinar a caracterização dos materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch” – como insumos passíveis de gerar crédito de PIS/Pasep. Na linha relacional traçada no presente voto, considerandose que as mercadorias para serem devidamente armazenadas e transportadas após a produção, até chegarem ao consumidor final, exigem a utilização do plástico de coberto e do filme plástico do tipo “stretch”, é nítida a relação de pertinência, relevância e essencialidade com o processo produtivo, sendo imprescindível o seu reconhecimento como insumo. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 11020.001755/201090 Acórdão n.º 9303006.059 CSRFT3 Fl. 12 11 Por fim, cumpre consignar que os itens, analisados no presente recurso especial, são empregados na “palletização” dos produtos a serem estocados e transportados pela Contribuinte, procedimento indispensável à correta armazenagem dos produtos face ao tamanho reduzido das embalagens individuais e, mais ainda, ao atendimento de exigências das normas de controle sanitário da área de alimentos, consoante Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326/1997. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendose o reconhecimento ao direito creditório da Contribuinte. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 314DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.720478/2015-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011
EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. RECAPAGEM, RESTAURAÇÃO OU RECONDICIONAMENTO DE PNEUS USADOS. INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IPI.
Não caracteriza operação de industrialização para fins de incidência do IPI, a recapagem, ou atividade assemelhada de restauração ou recondicionamento, realizada em pneus usados para atender encomenda de terceiro não comerciante do produto. Exclusão do conceito de industrialização por força do art. 5º, XI do RIPI/2010.
Não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratar-se de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto quanto à atividade de recapagem de pneus usados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.217
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto.
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. RECAPAGEM, RESTAURAÇÃO OU RECONDICIONAMENTO DE PNEUS USADOS. INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IPI. Não caracteriza operação de industrialização para fins de incidência do IPI, a recapagem, ou atividade assemelhada de restauração ou recondicionamento, realizada em pneus usados para atender encomenda de terceiro não comerciante do produto. Exclusão do conceito de industrialização por força do art. 5º, XI do RIPI/2010. Não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratar-se de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto quanto à atividade de recapagem de pneus usados. Recurso Voluntário Negado
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RECAPAGEM, RESTAURAÇÃO OU RECONDICIONAMENTO DE PNEUS USADOS. INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IPI. Não caracteriza operação de industrialização para fins de incidência do IPI, a recapagem, ou atividade assemelhada de restauração ou recondicionamento, realizada em pneus usados para atender encomenda de terceiro não comerciante do produto. Exclusão do conceito de industrialização por força do art. 5º, XI do RIPI/2010. Não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratarse de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto quanto à atividade de recapagem de pneus usados. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto. Paulo Roberto Duarte Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 04 78 /2 01 5- 28 Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10865.720478/201528 Acórdão n.º 3201003.217 S3C2T1 Fl. 3 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o presente de Despacho Decisório, revisor de ofício do Despacho anteriormente emitido para a presente PERDCOMP, que não reconheceu o direito creditório apresentado na presente PERDCOMP e, conseqüentemente, não homologou as compensações declaradas. Fundamentouse a revisão de ofício em ação fiscal que teria constatado que o estabelecimento não era indústria, na medida que suas operações de restauração de pneus usados eram executadas por encomenda de terceiros não estabelecidos com o comércio de tais produtos, ou seja, as operações do interessado enquadravamse nas exclusões ao conceito de industrialização previstas no artigo 5º, inciso XI do RIPI/2010 (Lei nº 4.502/1964, art. 3º, parágrafo único, inciso I), conforme ilustrado pela Solução de Consulta nº 62/2009SRRF/6ª RF/DISIT, sendo que o artigo 254, inciso I, alínea “e’, do Regulamento citado determina que deve ser estornado o crédito decorrente das aquisições tributadas pelo IPI que foram empregadas nas operações de conserto, restauração, recondicionamento ou reparo previstas no inciso XI. Por conseguinte, considerando que o estabelecimento não seria industrial, ou equiparado a industrial, não há direito ao crédito relativo a aquisição do material empregado nas indigitadas operações. Tempestivamente, o contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que: 1. Preliminarmente, haveria divergência entre a Solução de Consulta nº 62/2009SRRF/6ª RF/DISIT, utilizada pela fiscalização, e as Soluções de Consulta nº 188/2008, 242/2007 e 245/2007 que considerariam como industrializadas as operações encomendadas ao contribuinte, na medida que tais atividade não se realizaram no âmbito da residência do preparador ou em oficina, conforme o art. 5º, inciso V, conjugado com o art. 7º, inciso II, alíneas “a” e “b”, todos do RIPI/2002. Conseqüentemente, entende que seria ato vinculado da administração a apresentação de Consulta sobre tal divergência à COSIT, sem o que não poderia fundamentar o Despacho Decisório, até porque foi reconhecido pela Receita Federal que o fato do serviço em questão ser tributado pelo ISS é irrelevante para determinar a incidência do IPI. 2. Também em preliminar, alega que a 1ª Declaração de Compensação apresentada foi devidamente fiscalizada por agente fiscal de rendas e as compensações expressamente homologadas, portanto, o presente Despacho Decisório Revisor Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10865.720478/201528 Acórdão n.º 3201003.217 S3C2T1 Fl. 4 3 fere os princípios constitucionais da segurança jurídica, da irretroatividade tributária e do direito adquirido. 3. No mérito, inicia recordando a regra matriz do IPI, conforme princípios constitucionais, competência tributária, critérios estabelecidos pela legislação, tipos de industrialização segundo o RIPI e a exclusão do conceito de industrialização previsto no art. 5º, inciso V do citado Regulamento. 4. Entende que a fiscalização distorceu a aplicação da legislação, bem como das Soluções de Consulta, ao descaracterizar a industrialização exercida sobre produto usado, deteriorado ou inutilizadado, a ser renovado ou restaurado, pois, somente se descaracterizaria a industrialização se o interessado estivesse consertando pneus que ainda possui vida útil, como numa borracharia. Para isso demonstrar, aponta as diferenças técnicas entre pneu recachutado e, sobretudo, remoldado, conforme classificação na TIPI e descreve os processos de recapar, remoldar e recauchutar. 5. Além disso, demonstra que sua atividade industria, além de assim se caracterizar na escrituração fiscal, é reconhecida pelo IBAMA, CETESB, COAMA, RECEITA FEDERAL, SECRETARIA DA FAZENDA ESTADUAL DE SÃO PAULO e pelas diversas bandas de pneus, na medida que a recapagem altera sigficativamente o uso do pneu, portanto, aperfeiçoandoo para consumo, conforme artigo 46, parágrafo único. 6. Quanto à exclusão do conceito de industrialização previsto no art. 5º, inciso V, conjugado com o art. 7º, inciso II, alíneas “a” e “b”, todos do RIPI/2002, afirma que não se enquadra na definição legal de oficina, tanto pela quantidade de empregados, como pelo consumo de energia elétrica conforme documentos que junta. Encerrou requerendo a homologação das PERDCOMPs transmitidas, a suspensão da exigibilidade/devolução do numerário, provar o alegado por todos meios de prova admitidos em direito e que lhe seja dada a oportunidade de sustentação oral. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte. A decisão foi assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 RESSARCIMENTO DO IPI. REVISÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. O direito da Administração de revisar seus próprios atos administrativos, previsto no regramento do processo administrativo federal, aplicase ao despacho decisório de Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10865.720478/201528 Acórdão n.º 3201003.217 S3C2T1 Fl. 5 4 pedido de ressarcimento e decai em cinco anos, contados da data do despacho. IPI. RENOVAÇÃO OU RECAUCHUTAGEM DE PNEUS SOB ENCOMENDA DE CONSUMIDOR FINAL. EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. O direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99 decorre do saldo credor do IPI incidente na aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos que estejam dentro do campo de incidência do imposto, o que não ocorre quando a atividade de recauchutagem ou regeneração de pneus é efetuada exclusivamente para consumo final do destinatário encomendante [excludente do conceito de industrialização, na forma do art. 5º, inciso XI, do RIPI/1998 ou do RIPI/2002], situação esta não afastada pela interessada, mediante apresentação de provas documentais. Inconformada com a decisão, a contribuinte apresenta recurso voluntário, no qual repisa os mesmos argumentos da peça impugnatória e suscita novos para rebater o despacho decisório e a decisão recorrida, com destaque aos tópicos: 1. Irrelevância do destinatário do produto para a incidência do IPI nos casos de recauchutagem; 2. A Regramatriz de incidência tributária do imposto sobre produtos industrializados; 3. O reconhecimento da atividade industrial da recorrente por outros órgãos governamentais; 4. Principio da isonomia: as diferenças técnicas entre o pneu recauchutado e e o remoldado; 5. Divergência entre as Soluções de Consulta da RFB: 38/2009, 22/2009, 188/2008. 242/2007 e 245/2007; 6. A industrialização por encomenda por usuário final. Consultas no âmbito da Fazenda Paulista: 562/2010 e 395/2009; 7. A atividade vinculada no âmbito da RFB e a necessidade de edição de Solução de Divergência; 8. O reconhecimento da RFB que recapagem é industrialização mesmo que encomendada por usuário final: Solução de Consulta Disit/SRRF 08 nº 14/2013; 9. O reconhecimento como indústria de recapagem independente de figurar na Lei Complementar n° 116: Parecer n° 18/2013; 10. Homologação expressa do PER/DCOMPs n°s 21075.74956.231209.1.1.018760 e 25529.47001.290811.1.5.019293. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10865.720478/201528 Acórdão n.º 3201003.217 S3C2T1 Fl. 6 5 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Ressaltase que questão versada na manifestação de inconformidade e decidida no acórdão recorrido não fora repisada neste recurso recaindolhe, portanto, a preclusão, a saber: a legitimidade do procedimento de revisão de ofício que resultou no cancelamento da restituição indevida realizada no Pedido de Ressarcimento o Despacho Decisório do presente processo. De outra banda, matéria não questionada na manifestação de inconformidade e suscitada no recurso voluntário, à luz do que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.23572 (PAF), não será enfrentada, a saber, a irrelevância da natureza do encomendante da recapagem, se consumidor final ou usuário, para a incidência do IPI Em que pese a recorrente aduzir novas razões de defesa em sua peça recursal, a matéria cujo contraditório fora instaurado na manifestação de inconformidade cingese tão somente decidir quanto à adequação ao conceito de industrialização, para fins de tributação de IPI, e o corresponde direito ao crédito de que trata o art. 11 da lei nº 9.779/99, a atividade de recapagem de pneus usados, encomendados por pessoas jurídicas não comerciantes do produto. O ponto de divergência entre Fisco e contribuinte reside na fundamentação legal e em soluções de consulta no âmbito da RFB para afirmar ou infirmar a subsunção da atividade de recapagem de pneus usados ao conceito de industrialização. A legislação em que recai a discórdia é a Lei nº 4.502/1964, regulamentada à época dos fatos pelo Decreto nº 7.212/2010 RIPI/2010: Art.5o Não se considera industrialização: (...) V o preparo de produto, por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, desde que, em qualquer caso, seja preponderante o trabalho profissional; (...) XI o conserto, a restauração e o recondicionamento de produtos usados, nos casos em que se destinem ao uso da própria empresa executora ou quando essas operações sejam executadas por encomenda de terceiros não estabelecidos com o comércio de tais produtos, bem como o preparo, pelo consertador, restaurador ou recondicionador, de partes ou peças empregadas exclusiva e especificamente naquelas operações(Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso I); Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10865.720478/201528 Acórdão n.º 3201003.217 S3C2T1 Fl. 7 6 (...) Art. 7º Para os efeitos do art. 5º: (...) II nos casos dos seus incisos IV e V: a) oficina é o estabelecimento que empregar, no máximo, cinco operários e, caso utilize força motriz, não dispuser de potência superior a cinco quilowatts; e b) trabalho preponderante é o que contribuir no preparo do produto, para formação de seu valor, a título de mãodeobra, no mínimo com sessenta por cento. O Fisco que não se fundamenta na Solução de Consulta nº 62 SRRF/6ª Região, pois afirma que os argumentos nela expostos apenas corroboram os seus entende que a atividade exercida pela contribuinte encontrase fora do alcance da incidência do IPI por expressa exclusão do conceito prescrita no art. 3º, parágrafo único, inciso I da Lei nº 4.502/1964, reproduzido no art. 5º, inciso XI do Decreto nº 7.212/2010 RIPI/2010. Importa salientar que a fiscalização não afirmou que a atividade não se trata de industrialização, somente que a legislação do IPI não a considera para efeitos de sua tributação. Transcrevo o excerto que dirige o raciocínio da autoridade fiscal: 5 Em tese, se a atividade descrita em “4” se amoldasse puramente ao conceito de industrialização, o contribuinte estaria apto ao pedido de ressarcimento. Ocorre que há exceções à regra, e o contribuinte se enquadra perfeitamente à essas exceções (excludentes do conceito de “industrialização”) existentes na legislação que regulamenta o IPI, como veremos a seguir. 6 A solução de consulta nº 62/2009, da DISIT SRRF/6ª RF, cuja ementa, a seguir copiamos, vem corroborar nosso entendimento (...) A recorrente assevera que sua atividade exercida sobre os pneus usados é uma industrialização assim considerada à luz de toda a legislação do IPI, com supedâneo na Constituição Federal, transitando pelo CTN e Regulamentos e, inclusive, nas Soluções de Consultas da Receita Federal que menciona. No tocante às exclusões previstas nos incisos do art. 5º do RIPI, aduz que a descrição das características da operação preconizada no inciso V a faz permanecer compulsoriamente no campo de incidência do Imposto, pois que somente se aplica se cumulativamente atender ao disposto nas alíneas "a" e "b" do inciso II do art. 7º do RIPI/2010, o que não é o seu caso. Infrutífera toda a argumentação da recorrente no sentido de incluir sua operação no conceito de industrialização por entender que não atende aos requisitos de exclusão do conceito pertinente à situação descrita no inciso V do art. 5º do RIPI, exclusivamente em relação à segunda parte, que dispõe o local e quem realizará a atividade. A interpretação da recorrente é equivocada. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10865.720478/201528 Acórdão n.º 3201003.217 S3C2T1 Fl. 8 7 Primeiro, porque parte da premissa errônea de que a recapagem de pneus usados, e as atividades assemelhadas de recuperação ou remoldagem, é operação de industrialização a ser tributada pelo IPI e, segundo, por conceber que é tributada em razão de não reunir duas das condições de exclusão do conceito de industrialização, quais sejam, seu trabalho não é preponderantemente profissional nem realizado em oficina, como entende requerer a literalidade do inciso II do art. 7º do RIPI/2010. A operação de recapagem para encomendante consumidor ou usuário não se enquadra na exclusão do inciso V e o motivo não se deve ao local de realização residência ou oficina nem à inexistência de preponderância de trabalho profissional. Em verdade, o motivo primeiro e suficiente à referida exclusão devese à atividade de recapagem não se constituir um "preparo de produto", expressão que se encontra fora da materialidade do fato gerador do IPI. Conforme o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa1, preparo é o mesmo que preparação, esta definida como "medida ou ação preliminar para a efetuação de qualquer coisa". Em síntese, a primeira parte do inciso V do art. 5º do RIPI "o preparo de produto, por encomenda direta do consumidor ou usuário ..." caracterizase uma atividade preliminar efetuada em qualquer produto constituindose uma etapa antecedente à outra, posterior, que será executada (esta possivelmente tributada pelo IPI). Optou o legislador pela não incidência do IPI nesta etapa antecedente (o preparo), servindose de um inciso/artigo isolado na legislação o V do 5º do RIPI para disciplinála. Não por coincidência, impende analisar a aparição do termo "preparo" na legislação do IPI, em especial no trato das hipóteses de incidência e nãoincidência. Constata se que "preparo" não é utilizado em qualquer das ações/operações consideradas industrialização no RIPI (art. 4º e incisos), mas que exsurge 05 (cinco) ocorrências do termo no art. 5º que trata de atividades ou situações que estão fora do alcance da incidência, por exclusiva vontade do legislador: nos incisos I, II, III, V e XI (restrita a utilização em partes e peças) do art. 5º do RIPI. Firmado nesses fundamentos entendo que a recapagem de pneus usados encomendada por consumidor ou usuário final, à luz do art. 5º, incisos V do RIPI/2010 não se insere no campo de incidência do IPI. Contudo, e também corretamente aplicado pela fiscalização à situação dos autos, o dispositivo legal que retira a operação praticada pelo contribuinte da incidência do IPI é o inciso XI, do art. 5º do RIPI, em razão de sua especificidade e alcançar mais precisamente a atividade (restauração e o recondicionamento), o produto (pneu usado), a aplicação (destinado ao uso) e o beneficiário da operação (encomendante é terceiro que não comercializa o pneu usado). Neste mesmo sentido tenho por consolidada a posição deste Conselho acerca a exclusão do conceito de industrialização as operações que visam a recuperação de pneus usados por encomenda de consumidor final, não comerciante do produto. Eis os acórdãos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI 1 HOUAISS, Antônio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, 1ª ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 2.289. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10865.720478/201528 Acórdão n.º 3201003.217 S3C2T1 Fl. 9 8 Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 OPERAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. RECONDICIONAMENTO OU RENOVAÇÃO DE PRODUTOS USADOS. INOCORRÊNCIA. Na caracteriza operação de industrialização para fins de incidência do IPI, o recondicionamento ou a renovação de produtos usados, quando não se destinem à revenda pelo encomendante. INCIDÊNCIA DO IPI. RECAUCHUTAGEM DE PNEUS USADOS SOB ENCOMENDA POR CONSUMIDOR FINAL. IMPOSSIBILIDADE. A atividade de recauchutagem ou recapagem de pneus usados quando efetuada por encomenda direta do proprietário, na condição de consumidor final, não se enquadra na definição de operação de industrialização, o que a exclui do conceito de operação de industrialização e do campo de incidência do IPI. DIREITO DE CRÉDITO. ESTABELECIMENTO NÃO CONTRIBUINTE DO IPI. IMPOSSIBILIDADE. O estabelecimento não contribuinte do IPI, por não realizar operação de industrialização, não faz jus a crédito do imposto pago na aquisição de insumo tributado aplicado na industrialização de produto isento ou tributado à alíquota zero. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. A não comprovação da existência do crédito utilizado na compensação constitui motivo suficiente para não homologação do respectivo procedimento compensatório. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão 3102002.240. Processo nº 13609.000614/200345. Sessão de 24/07/2014, decisão unânime. Rel. Cons. José Fernandes do Nascimento) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 RECAUCHUTAGEM OU RECAPAGEM DE PNEUS PARA CONSUMO DE DESTINATÁRIO ENCOMENDANTE. EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IPI. Atividade de recauchutagem ou recapagem de pneus quando efetuada exclusivamente para consumo final do destinatário encomendante, temse como excludente do conceito de industrialização, inteligência do art. 5º, inciso XI, do RIPI/1998 ou do RIPI/2002. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10865.720478/201528 Acórdão n.º 3201003.217 S3C2T1 Fl. 10 9 Logo, não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratarse de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto. O regime da nãocumulatividade do IPI permite o creditamento referente ao tributo incidente sobre as aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que integram o produto ou sejam consumidos no processo de industrialização, o que não é o caso. Recurso Voluntário ao qual se nega. (Acórdão 3802002.878. Processo nº 13609.000536/200389. Sessão de 23/04/2014, decisão unânime. Rel. Cons. Mércia Helena Trajano D´Amorim) Consoante os argumentos ante expostos, percebese inócua a discussão sobre a prevalência de uma solução de consulta sobre outra, vez que as respostas aos consulentes têm fundamentos diferentes, umas com base no inciso V, outras no XI, ambos do art. 5º do RIPI/2010. Ainda em relação às soluções de consultas no âmbito da RFB nenhum efeito é produzido e conferido à recorrente pois não foi a consulente. As consultas no âmbito do fisco Estadual tratam do ICMS, matéria estranha à presente lide e, igualmente, não produz qualquer efeito na esfera dos tributos federais. As discussões atinentes à legislação do ISS que confrontam as materialidades do tributo municipal com as do IPI são periféricas e não resolvem a presente lide. Também despiciendos todos os demais argumentos de discussão para considerar tributadas pelo IPI a atividade realizada pela recorrente, pois assentada alhures os fundamentos para a sua exclusão do conceito de industrialização nos termos do art. 5º, inciso XI do RIPI/2010. Conclusão Por fim, se a recorrente não era contribuinte do IPI na operação, certamente, ela não podia se creditar do valor imposto pago na aquisição de insumos utilizados na atividade de recapagem de pneus usados com base no art. 11 da Lei 9.779/99, que se aplica apenas aos estabelecimento industriais ou equiparados que praticam fatos geradores do IPI, o que não era o seu caso. Por essas razões, acertada a decisão do Fisco em cancelar o ressarcimento do valor pago por intermédio do PER nº 2475423733.251011.1.1.016548, referente ao 3º Trimestre de 2011. Diante do exposto, voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10865.720478/201528 Acórdão n.º 3201003.217 S3C2T1 Fl. 11 10 Fl. 317DF CARF MF
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