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Numero do processo: 13826.000613/2007-60
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 6. 00 06 13 /2 00 7- 60 Fl. 275DF CARF MF Processo nº 13826.000613/200760 Acórdão n.º 9202005.864 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 13826.000613/200760 Acórdão n.º 9202005.864 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 277DF CARF MF Processo nº 13826.000613/200760 Acórdão n.º 9202005.864 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 278DF CARF MF Processo nº 13826.000613/200760 Acórdão n.º 9202005.864 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 279DF CARF MF Processo nº 13826.000613/200760 Acórdão n.º 9202005.864 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 280DF CARF MF Processo nº 13826.000613/200760 Acórdão n.º 9202005.864 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 281DF CARF MF Processo nº 13826.000613/200760 Acórdão n.º 9202005.864 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 282DF CARF MF Processo nº 13826.000613/200760 Acórdão n.º 9202005.864 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 283DF CARF MF Processo nº 13826.000613/200760 Acórdão n.º 9202005.864 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 284DF CARF MF Processo nº 13826.000613/200760 Acórdão n.º 9202005.864 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 285DF CARF MF
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Numero do processo: 10825.900051/2008-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
DIREITO CREDITORIO. ONUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis. da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1401-000.626
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Fernando Luiz Gomes de Mattos
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DIREITO CREDITORIO. ONUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis. da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias. Fl. 77DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 38): Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/12, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos próprios com crédito decorrente de Saldo Negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, relativo ao 4º trimestre de 2004, no valor de R$ 18.007,25 (fl. 02). Por intermédio do despacho decisório de fl. 15, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e. por conseguinte, nãohomologadas as compensações declaradas nas PER/Dcomp de nº 24903.19627.50905.1.3.03 2614 e 04079.42057.150306.1.3.031669. ao fundamento de que "não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/Dcomp”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 21/22, na qual alega. em síntese, que: a) em momento algum houve máfé da empresa em créditos indevidos, tanto que na Declaração de Compensação foi declarado os valores das retenções das Pessoas Jurídicas. cm notas fiscais de prestação de serviços, e como também informada na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ), foram declarados os valores retidos; b) o que de fato ocorreu é que a empresa, na DIPJ/2006, anocalendário 2005, deixou de lançar na Ficha 17— Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido; c) para sanar o erro, efetuou a retificação da DIPJ; d) no mérito, alega que parte dos tributos questionados já foram pagos. anexando os documentos comprobatórios de tais recolhimentos. Ao final, requer que seja acolhida a presente impugnação, cancelandose o débito fiscal reclamado. A 5ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, por unanimidade, indeferiu a solicitação da interessada, por meio do Acórdão 1428.327, assim ementado (fls. 37): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DIREITO CREDITORIO. ONUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis. da composição e a existência do crédito que Fl. 78DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10825.900051/200859 Acórdão n.º 140100.626 S1C4T1 Fl. 68 3 alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. CSLL. SALDO NEGATIVO. PROVA DO INDÉBITO. O reconhecimento de direito creditório a titulo de saldo negativo de CSLL reclama efetividade no pagamento ou compensação das antecipações calculadas por estimativa ou das retenções na fonte pagadora. a oferta tributação das receitas que ensejaram as retenções e a comprovação contábil e fiscal do valor do tributo apurado no trimestrecalendário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada do Acórdão em 02/06/2010 (fls. 45), a contribuinte, em 05/07/2010, interpôs o recurso voluntário de fls. 5058, alegando, em síntese, que a contribuinte cometeu simples erros de fato (não materiais), na medida em que “nos formulários de [...] PER/DCOMP foram regularmente declarados os valores das retenções das Pessoas Jurídicas, em notas fiscais de Prestação de Serviços. No mesmo sentido, foram igualmente informados na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Juridica (DIPJ) correspondente ao período base de sua apuração. apresentados em sua manifestação de inconformidade” (v. fls. 5455). Discorreu longamente sobre “aspectos técnicoscontábeis”, analisando a função e o funcionamento de contas contábeis (fls. 5355). Apresentou, outrossim, vasta jurisprudência administrativa, fls. 5557, versando sobre temas bastante diversificados. Nestes termos, requereu que seja dado provimento ao presente recuso voluntário. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS 4 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Tempestividade A contribuinte tomou ciência do Acórdão 1428.327 da DRJ Ribeirão Preto por meio de Aviso de Recebimento anexado às fls. 45, no qual consta como data de recebimento o dia 02 de junho de 2010, data esta firmada de próprio punho pela pessoa que recebeu aquela comunicação postal. Compulsando os autos, verificase que o recurso somente foi protocolizado em 05/07/2010, conforme se verifica à fl. 50 (carimbo de protocolo). Esta informação é confirmada pela própria data aposta na peça recursal (fls. 51 e 58). Sobre o tema, dispõe o art. 33 do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A contagem do referido prazo deve ser realizada nos termos do art. 52 do mesmo diploma legal, verbis: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na .sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Assim, tendo em vista que o dia 02/06/2010 foi uma quartafeira, e que o dia subsequente também foi dia de expediente normal, a contagem do prazo para interposição de recurso voluntário iniciouse na sextafeira, dia 03/06/2010, devendo expirar no dia 02/07/2010, sextafeira. O referido dia 02/07/2010, contudo, não foi um dia de expediente normal nas diversas unidades da Receita Federal do Brasil, em razão da realização de um jogo da seleção brasileira, válido pela Copa do Mundo. O expediente diferenciado para o referido dia foi formalizado por meio da Portaria nº 491, de 7 de junho de 2010, da Secretaria Executiva do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Por esta razão, o termo final do prazo para apresentação do recurso voluntário passou para o dia 05/07/2010, segundafeira. Verificase, portanto, que foi tempestiva a apresentação do presente recurso, o qual merece ser conhecido. Mérito Fl. 80DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10825.900051/200859 Acórdão n.º 140100.626 S1C4T1 Fl. 69 5 A contribuinte baseou seu recurso na alegação de que teria cometido simples erros de fato (não materiais), na medida em que “nos formulários de [...] PER/DCOMP foram regularmente declarados os valores das retenções das Pessoas Jurídicas, em notas fiscais de Prestação de Serviços. No mesmo sentido, foram igualmente informados na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Juridica (DIPJ) correspondente ao período base de sua apuração. apresentados em sua manifestação de inconformidade” (v. fls. 5455). Sobre o tema, assim se pronunciou o acórdão recorrido, fls. 3941 (grifado): Nesse sentido, em 08/03/2007. foi entregue à interessada o Termo de Intimação de fl. 13, solicitando retificação da DIPJ correspondente ou apresentação de PER/Dcomp retificadora. nos seguintes termos: "Solicitase retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o valor do saldo negativo apurado no período e. se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composiçõo. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação". Nesse particular. cumpre registrar que a recorrente, embora devidamente intimada, não apresentou à autoridade de origem quaisquer esclarecimentos. A par disso, o Despacho Decisório de fl. 15 não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte, uma vez que a contribuinte não apurou saldo negativo de CSLL em sua DIPJ, diferentemente do que informado em sua PER/Dcomp. 0 pleito da interessada, segundo sua manifestação de inconformidade, é direcionado à restituição de retenções de CSLL sobre importâncias pagas por pessoa jurídica a titulo de remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica, no anocalendário de 2005, que por equivoco não foi lançada na ficha 17 — Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. linha 50. CSLL Retida p/ pessoa jurídica de direito privado. Antes de mais nada. ressaltese que incorreu em erro a contribuinte ao informar em sua manifestação de inconformidade que. para comprovar a origem do crédito sob exame, retificou sua DIPJ/2006. anocalendário de 2005. pois o indébito informado em sua PER/Dcomp decorre de saldo negativo de CSLL atinente ao 4° trimestre de 2004 e não de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2005. Como se depreende. é de ser considerado, à luz do disposto na legislação de regência, se o pedido de restituição/compensação ora em exame encontrase devidamente instruido, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza do crédito pleiteado. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS 6 [...] Portanto. a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, no caso, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de CSLL, apurado no final de cada período. Assim, ao apresentar a manifestação de inconformidade, não basta ao interessado informar a retenção da CSLL na fonte, mas também comprovar a efetiva apuração de saldo negativo de CSLL ao final de cada período e, para tanto, deve demonstrar que as receitas sobre as quais incidiram as retenções foram oferecidas à tributação, condição sine qua non para que o CSLL retida na fonte possa ser aproveitada na compensação da CSI,L apurada no final do período, originando, se for o caso, o saldo negativo de CSLL. Mais ainda, para fins de repetição tributária, a certeza e a liquidez do crédito apurado não se configuram em razão do quantum do tributo declarado como devido no ano calendário, mas em relação ao quantum comprovado pela contabilidade e outros documentos fiscais, conjuntamente. sendo a declaração de rendimentos apenas elemento indicativo da apuração do tributo e não prova suficiente do direito creditório, como quer crer a interessada. No caso em tela, a contribuinte deixou de trazer aos autos os comprovantes dos rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras dos rendimentos, bem como a prova contábil de que as receitas sobre as quais incidiram as retenções foram oferecidas à tributação. [...] Dai porque é imprescindível que venham aos autos as provas, notadamente contábeis, mesmo porque a contribuinte é pessoa jurídica sujeita ao regime do Lucro Real, para a qual a lei exige contabilidade regular. Dentre outras provas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, etc., tudo a dar sustentação à veracidade do saldo negativo de CSLL declarado. [...] Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 82DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10825.900051/200859 Acórdão n.º 140100.626 S1C4T1 Fl. 70 7 Da simples leitura deste trecho da decisão recorrida, facilmente se constata que a contribuinte, ora Recorrente, não cometeu “meros erros de fato (não materiais)” no preenchimento dos formulários de PER/DCOMP e/ou no preenchimento da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Juridica (DIPJ). As falhas cometidas foram muito mais graves, uma vez que que a contribuinte sequer apurou saldo negativo de CSLL em sua DIPJ, diferentemente do que foi informado em sua PER/DCOMP. Antes mesmo da apreciação do PER/DCOMP pela unidade de origem, foi solicitado à contribuinte que retificasse a DIPJ correspondente ou apresentasse PER/DCOMP retificador, indicando corretamente o valor do saldo negativo apurado no período e. se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composiçõo. Quaisquer outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período também poderiam ser sanadas, mediante apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido naquela intimação. No entanto, a contribuinte quedouse inerte, abstendose de retificar a DIPJ e/ou o PER/DCOMP. Esgotado o prazo daquela intimação, e diante da total inconsistência dos dados constantes em suas declarações, o pedido de compensação foi indeferido, por ausência de comprovação da liquidez e certeza dos créditos supostamente passíveis de compensação. Em sua manifestação de inconformiade, a contribuinte abstevese de apresentar qualquer elemento de prova, capaz de compovar a existência do crédito que afirmava possuir. Tais provas, conforme bem indicadas no despacho denegatório, consistiam principalmente nos comprovantes dos rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras dos rendimentos, bem como a prova contábil de que as receitas sobre as quais incidiram as retenções foram oferecidas à tributação. Diante da ausência de comprovação, a DRJ Ribeirão Preto indeferiu o pleito da contribuinte, deixando de reconhecer o direito creditório pleiteado. Vale dizer que o colegiado julgador a quo foi bastante específico, ao enumerar os elementos de prova que deveriam ter sido apresentados pela interessada, fls. 41: Dentre outras provas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, etc., tudo a dar sustentação à veracidade do saldo negativo de CSLL declarado. Por fim, em sede de recurso voluntário, mais uma vez deixou a contribuinte de trazer aos autos qualquer elemento de prova, tendente a demonstrar a existência do crédito supostamente passível de compensação. Não constam dos autos os comprovantes de retenções supostamente emitidos pelas fontes pagadoras. Não constam dos autos nenhum balanço, balancetes ou demonstração Fl. 83DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS 8 de resultado do exercício, capaz de demonstrar a apuração de saldo negativo de CSLL. Também não constam dos autos quaisquer elementos de provas visando demonstrar que as supostas receitas, sobre as quais incidiram as supostas retenções, tenham sido oferecidas à tributação. A este quadro de absoluta carência de provas, somese o fato de que a contribuinte não apurou saldo negativo de CSLL em sua DIPJ, diferentemente do que foi informado em sua PER/DCOMP. Diante destes fatos, é forçoso concluir pela impossibilidade de reconhecimento do direito creditório pleiteado. Por fim, vale dizer que as extensas considerações da Recorrente sobre “aspectos técnicoscontábeis” (fls. 5355), bem como a vasta jurisprudência administrativa versando sobre temas diversificados (fls. 5557) em nada contribui para dar sustentação à veracidade do saldo negativo de CSLL declarado. Afinal, meras alegações são completamente insuficientes para suprir a ausência de provas documentais, capazes de comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 84DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10925.903939/2012-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Não se admite a compensação/restituição se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo.
RETIFICAÇÃO DE DACON PARA REDUÇÃO DE DÉBITO SEM A CORRESPONDENTE RETIFICAÇÃO DA DCTF. INEFICÁCIA.
Não produz efeito a retificação do Dacon para redução de base de cálculo sem a correspondente retificação da DCTF ou comprovação do novo valor reduzido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.671
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente I.J.G. SUPERMERCADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação/restituição se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. RETIFICAÇÃO DE DACON PARA REDUÇÃO DE DÉBITO SEM A CORRESPONDENTE RETIFICAÇÃO DA DCTF. INEFICÁCIA. Não produz efeito a retificação do Dacon para redução de base de cálculo sem a correspondente retificação da DCTF ou comprovação do novo valor reduzido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 39 39 /2 01 2- 00 Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10925.903939/201200 Acórdão n.º 3302004.671 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação – PERDCOMP, com base em suposto crédito de contribuição social (PIS/Cofins), sendo que a DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico não reconhecendo o direito creditório/não homologando a compensação, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição e compensação dos débitos informados no PerDcomp. Cientificado do Despacho Decisório o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, inicialmente, que a empresa se dedica ao comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios, tendo verificado que estava tributando PIS e Cofins de produtos sujeitos à alíquota zero. Diante disso, constatouse pagamento indevido ou a maior em alguns meses. Assevera que foram retificados os Dacon e feito um pedido de restituição do crédito referente ao pagamento do Darf e, posteriormente, feito um pedido de compensação vinculado ao pedido de restituição. Assim, o manifestante não pode ter a DCOMP indeferida sem que se analise o crédito que lhe deu origem como demonstra comprovante em anexo, tendo destacado que não se justifica a não homologação da compensação, já que não foi analisado o pedido de restituição referente ao Darf pago a maior. Ao final, requer seja homologada a compensação, cujo crédito está demonstrado em Dacon e objeto de pedido de restituição e, se assim não for decidido, que seja determinada a apreciação e julgamento do pedido de restituição mencionado, para que se confirme o crédito pleiteado na forma da legislação. O Acórdão a quo manteve o indeferimento do pleito, nos termos do Acórdão 02056.315. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos apresentados na primeira instância, e acrescenta que não apresentou a DCTF retificadora correspondente ao Dacon retificador, com débito reduzido, porque não sabia desta exigência. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.659, de Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10925.903939/201200 Acórdão n.º 3302004.671 S3C3T2 Fl. 4 3 29 de agosto de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.902188/201115, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.659): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Segundo a decisão recorrida, os fatos ocorreram na seguinte sequência: Vêse que para a retificação do Dacon em 22/11/2007 não houve a correspondente retificação obrigatória da DCTF1. Em 04/10/2007 foi transmitido o PER pedindo restituição de R$ 608,37, antes mesmo de ser retificado o Dacon acima, restando sem análise. Em 17/10/2007, também antes de ser entregue o Dacon retificador, foi transmitida a Dcom indicando como valor original do crédito o mesmo valor de R$ 608,37. finalmente, em 05/07/2011 foi emitido o despacho decisório correspondente à PerdComp 29929.28859.171007.1.3.040235, constante na fl. 2 indicando a não homologação e consequente emissão de DARF para pagamento. 1 Instrução Normativa SRF nº 590, de 22 de dezembro de 2005 Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 4ºA pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10925.903939/201200 Acórdão n.º 3302004.671 S3C3T2 Fl. 5 4 Na análise da matéria, inicialmente verificase que está correta a decisão a quo quando afirma que a Dcomp anula o Per anterior, pois evidentemente o mesmo crédito não pode ser restituído e compensado simultaneamente, pois constituiria dupla repetição de indébito. Evidenciase que o erro cometido pela recorrente ao deixar de apresentar a DCTF retificadora vinculada ao Dacon retificador prejudicou a análise tanto do seu pedido de restituição (Per) quanto da declaração de compensação (Dcomp), estranhamente transmitidos antes do Dacon retificador, uma vez que o débito anteriormente declarado na DCTF original não foi alterado e com isso ele absorveu todo valor do DARF, nada havendo a restituir ou a compensar. Nos autos não existe prova de que a Recorrente teria direito ao crédito pleiteado, pois a retificação do Dacon em si mesmo não produz efeito probatório, mormente quando desacompanhada da correspondente retificação da DCTF que levaria o fisco a intimar a declarante para comprovação. Pedido de reconhecimento de crédito realizado sem as formalidade acima exigem que a requerente desde o início carreie para os autos as provas das suas alegações. A simples menção à legislação que reduziu à zero a alíquota do PIS e da Cofins para determinados produtos não é suficiente para comprovar erro nas informações prestadas na DCTF, não retificada, de forma a evidenciar a existência de pagamento indevido. Assim sendo, por falta de provas sobre a existência de crédito líquido e certo, não há como se admitir a compensação pleiteada. Conclusão Isto posto voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a Recorrente não retificou a DCTF e nem trouxe aos autos escrituração e/ou documentos fiscais, não logrando comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Pasep e Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 42DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001229/2005-62
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004
PIS/COFINS. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
A observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02, eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-006.125
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 PIS/COFINS. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. A observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02, eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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CRÉDITO. FRETE. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. Recorrente PRIME LUMBER INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 PIS/COFINS. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. A observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02, eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 12 29 /2 00 5- 62 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 11020.001229/200562 Acórdão n.º 9303006.125 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 3801001.528, que decidiu por não reconhecer o direito ao creditamento das contribuições não cumulativas (PIS e COFINS) sobre despesas com fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. Não conformada com tal decisão a Contribuinte interpõe o presente Recurso. Requer a reforma do acórdão recorrido para que seja reconhecido o crédito pleiteado, uma vez que os valores relativos aos fretes de transferência estão contemplados no artigo 3º, inciso II e IX, da lei nº 10.833/03. O recurso foi admitido mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara competente. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões requerendo que seja negado provimento ao Recurso Especial da Contribuinte, mantendose o acórdão proferido pela e. Turma a quo. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.110, de 12/12/2017, proferido no julgamento do processo 11020.001230/200597, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.110): Fl. 178DF CARF MF Processo nº 11020.001229/200562 Acórdão n.º 9303006.125 CSRFT3 Fl. 4 3 "O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Com efeito, a discussão posta a esta E. Câmara Superior, diz respeito exclusivamente ao direito de aproveitamento de créditos de PIS/COFINS não cumulativos, sobre despesas com fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. Sem embargo, a decisão recorrida negou provimento ao recurso voluntário, por entender de que seria impossível o creditamento das contribuições não cumulativas (PIS e COFINS) sobre despesas com fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, por não se relacionar com operação de venda. Para melhor compreensão dos fatos, verifico que a Contribuinte é uma sociedade que se dedica à industria e ao comércio , exercendo também atividade de exportação de madeira. Nada obstante, verifico que os fretes relacionados a transferência entre filiais, ocorrem em razão da Contribuinte possuir unidades produtivas em diversas localidades do Brasil, embora, para se fazer a exportação necessita transferir as mercadorias para as filiais localizadas junto aos portos de Paranaguá, Itajaí e Rio Grande. A transferência se faz necessária para a formação de lotes para a exportação (venda). Há também uma unidade produtiva destinada ao mercado interno, localizada distante do mercado consumidor, no município de Bom Jesus, interior do Estado do Rio Grande do Sul, desta unidade as mercadorias são transferidas para a matriz localizada em Caxias do Sul, de onde são feitas as vendas, uma vez que a matriz está localizada próxima do mercado consumidor. Dessa forma, os fretes de transferência ocorrem unicamente por questão de logística. Neste sentido, adoto como fundamento em minhas razões de decidir o voto condutor do acórdão nº 9303005.116, de 17 de maio de 2017, julgado pela sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, de Relatoria da Ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama, versando sobre a mesma matéria, que passa a fazer parte integrante deste voto. Vejamos: "Eis que, pela leitura do acórdão recorrido e do indicado como paradigma, é de se constatar a divergência jurisprudencial, pois, no acórdão recorrido, entendeuse que não há previsão legal para crédito de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores de fretes de produtos acabados realizados entre os estabelecimentos da mesma empresa, somente tendo direito de crédito o frete contratado para entrega de mercadorias aos clientes, na venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Enquanto, no acórdão indicado como paradigma, concluiuse que as despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos, pagas e/ou creditadas às pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos de PIS e Cofins, passiveis de dedução da contribuição devida e/ou de ressarcimento/compensação. Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e de Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das referidas Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Eis que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 11020.001229/200562 Acórdão n.º 9303006.125 CSRFT3 Fl. 5 4 O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, notase que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo, afastando o entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF nº 247/02. Não obstante a esses pontos, ressurgindome à questão posta, passo a discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): Fl. 180DF CARF MF Processo nº 11020.001229/200562 Acórdão n.º 9303006.125 CSRFT3 Fl. 6 5 “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, a não cumulatividade relacionase ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, constatase que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admitese também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11020.001229/200562 Acórdão n.º 9303006.125 CSRFT3 Fl. 7 6 produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio do ilustre Prof. Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: ∙ O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matéria prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11020.001229/200562 Acórdão n.º 9303006.125 CSRFT3 Fl. 8 7 a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinadas à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11020.001229/200562 Acórdão n.º 9303006.125 CSRFT3 Fl. 9 8 Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/ Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. ” Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11020.001229/200562 Acórdão n.º 9303006.125 CSRFT3 Fl. 10 9 Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS NºS 10.637/2002 E 10.833/2003 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Dessa forma, para fins de se elucidar a atividade do sujeito passivo, importante recordar que é pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz. Os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização, são essenciais para a sua atividade de “comercialização”, eis que: ∙ Sua atividade impõe a transferência de seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade; caso contrário, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradores das Regiões Sudeste, CentroOeste e Nordeste do país; Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; O que, impõese para fins de comercialização e sobrevivência da empresa, os Centros de Distribuição; O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, considerando a localidade dos maiores demandantes de seus produtos. Considerando, então, a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicandose o critério da essencialidade, é de se dar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer que, tendo em vista que: A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do produto, para conseguir atender a sua demanda de pedidos, o sujeito passivo, Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11020.001229/200562 Acórdão n.º 9303006.125 CSRFT3 Fl. 11 10 devido à demora no trânsito das mercadorias, já transacionou as mercadorias, sendo que ao chegarem as mercadorias ao destino muitas já se encontram vendidas; A mercadoria já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento". Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Contribuinte, para reconhecer o direito ao crédito de COFINS sobre despesas com fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento, para reconhecer o direito ao crédito das contribuições não cumulativas sobre despesas com fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 186DF CARF MF
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Numero do processo: 16707.005391/2004-73
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, para considerar todas as matérias e paradigmas apresentados, nos termos do voto da relatora. Depois, retornem-se os autos à relatora, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, para considerar todas as matérias e paradigmas apresentados, nos termos do voto da relatora. Depois, retornemse os autos à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 67 07 .0 05 39 1/ 20 04 -7 3 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 16707.005391/200473 Resolução nº 9202000.147 CSRFT2 Fl. 216 2 Relatório: Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração que nos termos do relatório fiscal de fls. 51/52, referese à cobrança de Imposto de Renda Pessoa Física decorrente da omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas na qualidade de tomadoras de serviços odontológicos. Laçouse, ainda, multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido à título de CarnêLeão. O lançamento referese a recebimentos ocorridos nos meses de janeiro à outubro de 1999. Contribuinte foi intimado por AR em 12.11.2004 (fls. 55). Após o trâmite processual, foi apresentado Recurso Voluntário (fls. 110/127) contra decisão da DRJ (fls. 91/106) que manteve em parte o lançamento. Entre os argumentos de defesa foi suscitada a decadência do lançamento considerando: i) a existência de pagamento parcial do imposto, ii) a aplicação do art. 150, §4º do CTN e iii) o fato gerador do IRPF ser mensal. Por meio do acórdão nº 19400.131, a 4ª Turma Especial do então Primeiro Conselho de Contribuintes, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para rejeitar as preliminares e, no mérito, excluir da base de cálculo da multa isolada do carnêleão o valor dos rendimentos omitidos de R$ 1.659,07. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 2000 DECADÊNCIA OMISSÃO DE RENDIMENTOS O direito de a Fazenda Nacional lançar o imposto de renda pessoa física sobre rendimentos omitidos segue a regra de contagem do artigo 173, inciso I, do CTN. MULTA ISOLADA NÃO CUMULATIVIDADE COM A MULTA DE OFÍCIO Se aplicada a multa de oficio ao tributo apurado em lançamento de oficio, não e cabível de forma cumulativa a multa isolada sobre a mesma base de cálculo, evitandose a dupla penalização do contribuinte. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. Destacamos que, embora haja uma contradição entre a ementa, a qual cita em relação à decadência a aplicação do art. 173, I do CTN, e as razões de decidir constantes do voto que reconhece a existência de pagamento parcial do imposto, aplica expressamente o art. 150, §4º do CTN e, em razão do fato gerador do IRPF ser anual, afasta a decadência pleiteada pelo Contribuinte, as partes legitimadas não apresentaram Embargos de Declaração. Intimado o Contribuinte apresentou Recurso Especial de fls. 146/172. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 16707.005391/200473 Resolução nº 9202000.147 CSRFT2 Fl. 217 3 Em um primeiro exame de admissibilidade, por meio do despacho nº 2200 00.486 (fls. 176/181) o recurso foi recebido para rediscussão da seguinte matéria: Do simples confronto das ementas e dos votos do acórdão recorrido com os acórdãos paradigmas, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudential na matéria apontada pelo Recorrente — forma de contagem do prazo decadencial, se pela regra do art. 173, inciso I ou pelo art. 150, § 4º ambos do CTN. No acórdão recorrido a decisão foi no sentido de considerar a contagem do prazo decadencial pela regra do art. 173, inciso I do CTN, ao passo que nos arestos colacionados como paradigmas, em se tratando de lançamento por homologação, a contagem iniciase em 31 de dezembro do ano em que ocorre o fato gerador, conforme art. 150, § 4º do CTN. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões requerendo a manutenção do acórdão para tanto concluiu: "no presente caso, não havendo o que homologar, está correta a decisão a quo que nos termos do art. 173, I, do CTN não reconheceu a decadência dos tributos lançados no presente auto de infração". Pautado o processo para sessão de julgamento 11.09.2013, por meio do Despacho nº 220000.486 (fls. 205/206), o Colegiado determinou a realização da complementação do exame de admissibilidade haja vista omissão em relação à segunda matéria suscitada pelo Recorrente: nulidade da decisão recorrida. O despacho (fls. 194/197) de complemento de admissibilidade do Recurso Especial negou seguimento a este segundo ponto, fato confirmado pelo reexame de fls. 202/203. Contribuinte devidamente intimado por carta conforme AR juntado às fls. 210. É o relatório. Voto: Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Conforme citado no relatório e conforme se depreende dos despachos de admissibilidade, tratase de Recurso Especial interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº acórdão nº 19400.131 proferido pela 4ª Turma Especial do então Primeiro Conselho de Contribuintes. O Colegiado deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para rejeitar as preliminares e, no mérito, excluir da base de cálculo da multa isolada do carnêleão o valor dos rendimentos omitidos de R$ 1.659,07. Em que pesa já ter havido exame complementar quanto a admissibilidade da matéria "nulidade da decisão", entendo ser necessária uma nova avaliação quanto a matéria recebida pelo primeiro despacho, o de nº 220000.486 (fls. 176/181). Segundo consta da análise feita, "o recurso está manejado quanto à forma de contagem do prazo decadencial, se pela regra do art. 173, inciso I, ou pela do art. 150, §4º ambos do CTN". E conclui: Fl. 217DF CARF MF Processo nº 16707.005391/200473 Resolução nº 9202000.147 CSRFT2 Fl. 218 4 Do simples confronto das ementas e dos votos do acórdão recorrido com os acórdãos paradigmas, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudential na matéria apontada pelo Recorrente — forma de contagem do prazo decadencial, se pela regra do art. 173, inciso I ou pelo art. 150, § 4º ambos do CTN. No acórdão recorrido a decisão foi no sentido de considerar a contagem do prazo decadencial pela regra do art. 173, inciso I do CTN, ao passo que nos arestos colacionados como paradigmas, em se tratando de lançamento por homologação, a contagem iniciase em 31 de dezembro do ano em que ocorre o fato gerador, conforme art. 150, § 4º do CTN. Ocorre que, no entender desta Relatora o recurso especial tem como objetivo devolver a esta Câmara Superior a discussão acerca do momento da ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física, se anual ou mensal e suas conseqüências em relação a contagem do prazo decadencial. Tal conclusão é obtida pelos seguintes trechos da peça recursal: "9. Passemos, agora à análise de cada ementa divergente, em cotejo com a decisão em comentário, e seus fundamentos pertinentes. II.2.1 — ACÓRDÃO 10245.914, de 29/01/2003: EMENTA: IRPF — OMISSÃO DE RENDIMENTOS — DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS — AUTO DE INFRAÇÃO — TRIBUTAÇÃO MENSAL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO — FATO GERADOR —• DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL — DECADÊNCIA Com e edição da Lei n° 7.713, de 1988, e legislação superveniente, entre outras, as Leis n°s 8.134/1990 e 8.38311991, o Imposto de Renda das Pessoas Físicas passou a ser devido mensalmente, a medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Nas situações aventadas pelos citados diplomas legais o fato gerador da obrigação tributária —principal — ocorre por ocasião da percepção, mensal, dos rendimentos sejam eles do produto do capital, do trabalho, da combinação de ambos ou proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais. Ipso fato, o crédito tributário é constituído através do lançamento por homologação na forma prescrita no art. 150 da Lei n° 5.172. de 25 outubro de 1966 — Código Tributário Nacional. Declaração de Ajuste Anual das Pessoas Tísica constituise em simples instrumento de acerto de contas a fim de apurar eventuais saldos de imposto a pagar ou valores a restituir e não se presta a nem pode ser utilizada como base para o lançamento e a constituição do crédito tributário pelo regime de declaração conforme preconizado no art. 147 do CTN. A omissão de rendimentos apurada em procedimento fiscal, com a lavratura de auto de infração, deve, ser imputada nos meses de sua incorrência e reportase a data da ocorrência do fato gerador da forma do disposto no art. 144 do CTN. Portanto, o prazo decadencial começa a fluir a partir do fato gerador da obrigação tributária, "exvi" do disposto no § 4° do art. 150 do CTN. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 16707.005391/200473 Resolução nº 9202000.147 CSRFT2 Fl. 219 5 Preliminar acolhida." (Destaques não da transcrição; op. cit., em 29/01/2003, Relator —Cons. Amaury Maciel)." 15. A posição, forte e insistente do Recorrente, é de que, em tendo havido pagamento do IRPF no curso do ano calendário 1999, o • lançamento é por homologação — artigo 150, § 4° do CTN. Considerando que no Imposto de Renda Pessoa Física, o fato gerador dos rendimentos sujeito ao carnêleão, entre outros, ocorrem mês a mês, consoante a Lei n° 7.713/88, e legislação superveniente — Leis 8.134/1990 e 8.383/1991, os valores recebidos/percebidos nos meses de janeiro a outubro de 1.999, já estavam decaídos quando da constituição do crédito tributário em 12/11/2004, conforme jurisprudência interativa divergente ora transcritas. "II.2.3 — ACÓRDÃO CSRF/0104.621 19. Esta ementa se refere especificamente à decadência dos rendimentos sujeitos ao regime tributário do CarnêLeão, tendo sido transcrita no recurso voluntário em lide. Neste decisum, a CSRF negou provimento por unanimidade ao recurso de divergência do Sr. Procurador da Fazenda Nacional, conforme se transcreve, in verbis: "IRPF — DECADÊNCIA — RENDIMENTOS SUJEITOS AO CARNÊ LEÃO — Para os rendimentos sujeitos ao recolhimento na modalidade carnêleão, por expressa disposição legal (art. 6° da Lei 7.713/88) o pagamento deve ser realizado no mês subseqüente a percepção dos rendimentos. Desse modo, o lançamento pode ser efetuado a partir desta data. Recurso improvido." Assim, entendo ser necessária a conversão do julgamento em diligência com a devolução dos autos à Câmara competente para realização de um novo juízo de admissibilidade. Destaco, pela pertinência, as considerações feitas pela Dra. Maria Helena Cotta Cardozo quando da apresentação de seu ‘voto vista’ na sessão de julgamento: O Contribuinte declarou como rendimentos recebidos de pessoa jurídica o valor de R$ 24.907,00, que na verdade foram recebidos de pessoas físicas pela prestação de serviços de odontologia, denominando a "fonte pagadora" como "diferença livrocaixa", sem que fosse efetuada qualquer antecipação a título de carnêleão (fls. 22). A fiscalização considerou os rendimentos declarados como "diferença livrocaixa" como recebidos de pessoas físicas, como efetivamente o foram, e apurou omissão dessa mesma natureza de rendimentos no valor de R$ 1.659,07, recebidos no mês de outubro/1999 (item 1 do Auto de Infração). Assim, quanto aos rendimentos declarados como "diferença livro caixa" no anocalendário de 1999, a Fiscalização exigiu a multa isolada do carnêleão no percentual de 75% nos meses de janeiro a Fl. 219DF CARF MF Processo nº 16707.005391/200473 Resolução nº 9202000.147 CSRFT2 Fl. 220 6 outubro (item 2 do Auto de Infração), sendo que nesse último mês o valor declarado (R$ 1.970,84) foi somado ao valor omitido (R$ 1.659,07), o que totalizou como base de cálculo da multa o valor de R$ 3.629,91 (fls. 51). A DRJ, aplicando a retroatividade benigna, reduziu a multa isolada do carnêleão ao percentual de 50%. O acórdão recorrido, por sua vez, excluiu o valor omitido em outubro/1999 da base de cálculo da multa isolada do carnêleão, eliminando a concomitância (restou exigida apenas a multa de ofício de 75%, sobre a omissão dos rendimentos item 1 do Auto de Infração). Constatase, assim, que se trata de tipos de incidência tributária, cuja ciência do Auto de Infração ocorreu em 12/11/2004: IRPF sobre omissão de rendimentos recebidos de pessoa física no valor de R$ 1.659,07, sujeitos ao ajuste anual; multas isoladas do carnêleão, relativas aos rendimentos recebidos e declarados, de janeiro a outubro de 1999, cujo fato gerador não é atrelado ao ajuste anual. Relativamente à decadência, o acórdão recorrido assim se pronuncia: Ementa "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 2000 DECADÊNCIA OMISSÃO DE RENDIMENTOS O direito de a Fazenda Nacional lançar o imposto de renda pessoa física sobre rendimentos omitidos segue a regra de contagem do artigo 173, inciso I, do CTN. Voto "Não deve prosperar a alegação do contribuinte de que os fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a outubro de 1999 não poderiam ser objeto de autuação em novembro de 2004, uma vez que abrangidos pela decadência à data do lançamento, 12/11/2004, conforme previsto no art. 150, § 4% do CTN. Dessa forma, aplicandose a regra do artigo 150, § 4§, CTN e tendo como a ciência do lançamento a data de 12/11/2004, concluise que não houve decadência." Assim, constatase a ocorrência de contradição entre a ementa e o conteúdo do julgado, já que na primeira abordouse apenas o IRPF sobre os rendimentos omitidos, aplicandose o art. 173, inciso I, do CTN; por outro lado, no voto aplicouse o art. 150, § 4º, do CTN, mencionandose os fatos geradores ocorridos de janeiro a outubro de 1999, que dizem respeito essencialmente à multa isolada do carnêleão. A despeito do vício verificado no acórdão, o Contribuinte não opôs os necessários Embargos de Declaração, vindo a mencionálo somente em sede de Recurso Especial (fls. 149): "Destaquese, por pertinente, que a divergência/dissimetria entre a ementa e o voto do Cons. Relator constitui óbice ao recurso de divergência cerceamento ao direito de defesa, na medida em que o Recorrente não contradiz com segurança o decisum de segundo grau, nos seguintes termos: Se ataca o prazo decadencial à teor do inciso I, Fl. 220DF CARF MF Processo nº 16707.005391/200473 Resolução nº 9202000.147 CSRFT2 Fl. 221 7 artigo 173 do CTN lançamento por declaração; § 4% artigo 150 lançamento por homologação." Com efeito, no Recurso Especial o Contribuinte suscita as seguintes matérias: nulidade do acórdão recorrido, por cerceamento do direito de defesa; dispositivo do CTN aplicável e momento de ocorrência do fato gerador, para efeito de aferição da decadência. A despeito da efetiva ocorrência de lapso no julgado, repitase que o remédio processual adequado seria a oposição de Embargos de Declaração, o que não foi feito pelo Contribuinte. Ainda assim, não há óbice a que se examine o Recurso Especial, a ver se efetivamente o Contribuinte teria indicado paradigmas que, examinando situação similar à do acórdão recorrido, teriam apresentado solução diversa, relativamente às matérias suscitadas: nulidade e decadência. Relativamente à nulidade, não foi indicado paradigma, fato que levou ao não conhecimento do recurso nos termos do despacho de fls. 194/197 e reexame de fls. 202/203. No caso da decadência, tendo em vista que o acórdão recorrido trata da decadência de duas infrações, cada qual regida por uma legislação específica, poderiam ser indicados até dois paradigmas para cada uma. Nesse passo, os paradigmas aptos a demonstrarem a alegada divergência seriam representados por julgados que: examinando exigência de IRPF sobre rendimentos omitidos, sujeitos ao ajuste, aplique o art. 150, § 4º, do CTN, sobre o fato gerador considerado ocorrido mensalmente e não em 31 de dezembro do ano calendário; isso porque, no caso do acórdão recorrido, tratandose de omissão de rendimentos sujeitos ao ajuste no anocalendário de 1999, considerandose o fato gerador ocorrido em 31/12/1999, não se verifica a ocorrência de decadência, ainda que se aplique o art. 150,§ 4º, do CTN, já que a ciência do Auto de Infração ocorreu em 12/11/2004; examinando exigência de multa isolada do carnêleão, considere o fato gerador ocorrido mensalmente e aplique o art. 150, § 4º, do CTN; isso porque, ainda que os fatos geradores sejam considerados ocorridos mensalmente, a aplicação do art. 173, inciso I, afastaria por completo a ocorrência de decadência. Com estas considerações, verificase que o Contribuinte alega em seu Recurso Especial que, como a ciência da autuação ocorreu em 10/11/2004, os fatos geradores de janeiro a outubro de 1999 já estariam abarcados pela decadência. Repitase que, no que tange à nulidade, não foi indicado paradigma. Quanto à decadência, observe se que o Contribuinte não faz qualquer diferenciação entre as duas espécies de incidências tributárias tratadas no presente processo. Como paradigmas, indica quatro julgados para a decadência: Acórdãos nºs 10245.914, 10245.998, CSRF/0104.621 e 10615.712. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 16707.005391/200473 Resolução nº 9202000.147 CSRFT2 Fl. 222 8 Nesse contexto, não haveria óbice a que fossem analisados os quatro paradigmas, já que poderiam ter sido indicados dois paradigmas para cada modalidade de incidência. Entretanto, no Despacho de Admissibilidade nº 220000.486, de 09/08/2011 (fls. 175 a 180), sem qualquer justificativa, foram analisados apenas o segundo e o quarto paradigmas Acórdãos nºs 10245.998 e 10615.712. Quanto ao Acórdão nº 10245.998, o Contribuinte limitase a colacionar a respectiva ementa, conforme a seguir: "EMENTA. IRPF PRELIMINAR DE DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO O critério de apuração do tributo é que define a modalidade do lançamento. Por ser o IRPF tributo ao qual a legislção atribui ao sujeito passivo o dever de apurar e antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa amoldase sistemática de lançamento por homologação, aplicandose o prazo decadencial previsto no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN., cujo termo inicial é a data da ocorrência do fato gerador. Expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. Neste ponto, procedente o Recurso." (destaques do Recorrente) Como se pode constatar, esse segundo paradigma também trata de IRPF sobre omissão de rendimentos sujeitos ao ajuste e aplica o art. 150, § 4º, porém o trecho colacionado pelo Contribuinte não permite concluir que o fato gerador seria considerado ocorrido mensalmente ou em 31 de dezembro do anocalendário, portanto a divergência não restou demonstrada. Ainda que a pesquisa no inteiro teor desse paradigma revelasse que o fato gerador foi considerado ocorrido mensalmente, isso em nada socorreria o Recorrente, uma vez que esse paradigma também foi reformado antes da interposição do Recurso Especial, em 15/10/2009, exatamente na parte em que aproveitaria ao Recorrente. Tratase do Acórdão nº CSRF/0105.158, de 29/11/2004 (publicado no sítio do CARF na Internet em 29/11/2004), que negou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Apenas para especificar a situação tratada no paradigma, colacionase trecho do voto do Relator na CSRF: Voto do Relator na CSRF "A matéria objeto de decisão desta Turma de Julgamento é a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir em março de 2000, o crédito tributários relativo a fatos geradores do IRPF ocorridos no anocalendário de 1994." Ementa: "IRPF DECADÊNCIA TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. O pagamento do tributo é irrelevante para a caracterização da natureza do lançamento tributário. O imposto de renda pessoa física é tributo que se amolda à sistemática prevista no art. 150 do CTN, chamado lançamento por homologação, de forma que o prazo decadencial é o previsto no parágrafo 4° do referido dispositivo. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 16707.005391/200473 Resolução nº 9202000.147 CSRFT2 Fl. 223 9 Recurso especial negado." Conclusão do voto vencedor da CSRF: "No caso do IRPF, o entendimento deste Conselho é de que é tributo 'complexivo', ou seja, cujo fato gerador é complexo, finalizando apenas no dia 31.12 de cada ano. Em assim sendo, o marco temporal contido na regramatriz é a data de 31.12 de cada ano. Nenhum outro elemento, estranho a regramatriz, é capaz de afetar o prazo decadencial, de modo que o pagamento, como elemento estranho que é, não é suficiente para afetar a contagem do prazo decadencial. Destarte, pagamento ou sua ausência não é elemento formador da regra de incidência do tributo, de modo que nenhuma informação pode trazer para a contagem do prazo decadencial. ANTE O EXPOSTO voto no sentido de negar provimento ao recurso." Assim, concluise que esse paradigma não se presta a demonstrar a alegada divergência, já que, ao tempo da interposição do Recurso Especial, já fora reformado pela CSRF, na parte que aproveitaria ao Recorrente fato gerador mensal para o IRPF sujeito ao ajuste. Nesse passo, constatase que, aplicada a lógica do acórdão reformador da CSRF ao caso em julgamento, a conclusão seria de que efetivamente não ocorreu a decadência, conforme decidiu o acórdão recorrido. Quanto ao Acórdão nº 10615.712, o Contribuinte colaciona os seguintes trechos: Ementa "Lançamento por Homologação. Decadência. Após o advento do Decretolei nº 1968/1982 (art. 7°), que estabelece o pagamento do tributo sem o prévio exame da autoridade administrativa, o lançamento do imposto de renda das pessoas físicas passou a ser do tipo estatuído no artigo 150 do CTN. Nos termos do art. 43 do CTN o fato gerador do imposto sobre a renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica. Ultrapassado o prazo de cinco anos da ocorrência do fato gerador o crédito tributário extinguese por decadência (CTN, art. 156, V). Recurso provido." Voto "§ 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública, se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (Destaques acrescidos). (...) "a) lançamento por declaração, o contribuinte informa e, utilizandose doa dados declarados, à autoridade lançadora expede a notificação; b) lançamento de ofício, por iniciativa única exclusiva da autoridade lançadora, com ou colaboração do sujeito passivo; Fl. 223DF CARF MF Processo nº 16707.005391/200473 Resolução nº 9202000.147 CSRFT2 Fl. 224 10 c) lançamento por homologação, que na ver é apenas e tão somente a confirmação de atividade exercida pelo contribuinte. (Destaques acrescidos; op. cit.)." (destaques do Recorrente) Embora os trechos colacionados pelo Contribuinte não permitam verificar qual seria a incidência tratada, compulsandose o inteiro teor do julgado constatase que se trata do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Confirase: Relatório "A infração apurada foi descrita como omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada no anocalendário 1997." Voto "Enquanto a norma inserida no § 4° do art. 42 da Lei 9.430 de 1996 estiver em vigor, pelo princípio da legalidade consagrado nos artigos 5°, II, 37 e 150, I da Constituição Federal, cabe aos órgãos administrativos de julgamento aplicála. (...) Assim, embora a regra de contagem do prazo para o lançamento do imposto sobre a renda de pessoa física seja ANUAL, no caso específico de omissão de rendimentos apurada na forma do art. 42, anteriormente transcrito, passa a ser mensal." Assim, além de o paradigma não tratar de nenhuma das incidências em julgamento no presente processo, ele vaza claramente o entendimento no sentido de que, no caso de IRPF, a regra de contagem do prazo decadencial é anual, o que em nada socorre a Recorrente. Ademais. Acrescentese que, ainda a incidência em julgamento fosse a do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996 (depósitos bancários sem identificação de origem), a questão do momento de ocorrência do fato gerador já foi sumulada: Súmula CARF nº 38 (VINCULANTE): O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Destarte, nenhum dos paradigmas analisados logrou demonstrar a alegada divergência, porém restaram sem análise dois paradigmas relativos à decadência Acórdãos nº 10245.914 e CSRF/0104.621. Diante do exposto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, para considerar todas as matérias e paradigmas apresentados. Após, retornemse os autos a esta relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14333.000164/2007-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2001 a 31/01/2003
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
1.0 = *:*
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 33 3. 00 01 64 /2 00 7- 64 Fl. 1467DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 1468DF CARF MF Processo nº 14333.000164/200764 Acórdão n.º 2202004.252 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 1469DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.903544/2013-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ARTIGO 151, III DO CTN.
O inciso III do artigo 151 do CTN, prevê que "as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário".
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO QUANTO À MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE CONTESTADA. PRECLUSÃO.
Face à ausência de contestação quanto a desconsideração fiscal dos custos inerentes ao consumo de gás, quando da apuração do crédito presumido do IPI, em sua manifestação de inconformidade, no julgamento de primeiro grau, a matéria quedou preclusa, sendo vedado à parte inovar no pedido ou na causa de pedir nesta instância recursal.
IPI. BENEFÍCIO FISCAL. SUSPENSÃO. VENDAS A EMPRESAS COMERCIAL EXPORTADORAS COM FINS ESPECIFICO DE EXPORTAÇÃO.
Somente considera adquirido com o fim específico de exportação o produto remetido diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE.
Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei 9.363 de 1996.
RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. SÚMULA DO STJ. INAPLICABILIDADE.
Inaplicável ao caso sob exame, que trata de litígio acerca da integração da base de cálculo os custos correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrentes de industrialização por encomenda, a Súmula 494 do Superior Tribunal de Justiça, na medida que seu enunciado reporta-se ao "benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias-primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP".
DIREITO TRIBUTÁRIO. REGRAS ISENTIVAS. INTERPRETAÇÃO LITERAL.
No direito tributário, as regras sobre isenção devem ser interpretadas literalmente, não cabendo fazer interpretação extensiva e/ou ampliativa dos dispositivos, conforme disciplina o artigo 111 do CTN.
Numero da decisão: 3001-000.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ARTIGO 151, III DO CTN. O inciso III do artigo 151 do CTN, prevê que "as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário". NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO QUANTO À MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE CONTESTADA. PRECLUSÃO. Face à ausência de contestação quanto a desconsideração fiscal dos custos inerentes ao consumo de gás, quando da apuração do crédito presumido do IPI, em sua manifestação de inconformidade, no julgamento de primeiro grau, a matéria quedou preclusa, sendo vedado à parte inovar no pedido ou na causa de pedir nesta instância recursal. IPI. BENEFÍCIO FISCAL. SUSPENSÃO. VENDAS A EMPRESAS COMERCIAL EXPORTADORAS COM FINS ESPECIFICO DE EXPORTAÇÃO. Somente considera adquirido com o fim específico de exportação o produto remetido diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE. Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei 9.363 de 1996. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. SÚMULA DO STJ. INAPLICABILIDADE. Inaplicável ao caso sob exame, que trata de litígio acerca da integração da base de cálculo os custos correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrentes de industrialização por encomenda, a Súmula 494 do Superior Tribunal de Justiça, na medida que seu enunciado reporta-se ao "benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias-primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP". DIREITO TRIBUTÁRIO. REGRAS ISENTIVAS. INTERPRETAÇÃO LITERAL. No direito tributário, as regras sobre isenção devem ser interpretadas literalmente, não cabendo fazer interpretação extensiva e/ou ampliativa dos dispositivos, conforme disciplina o artigo 111 do CTN.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ARTIGO 151, III DO CTN. O inciso III do artigo 151 do CTN, prevê que "as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário". NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO QUANTO À MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE CONTESTADA. PRECLUSÃO. Face à ausência de contestação quanto a desconsideração fiscal dos custos inerentes ao consumo de gás, quando da apuração do crédito presumido do IPI, em sua manifestação de inconformidade, no julgamento de primeiro grau, a matéria quedou preclusa, sendo vedado à parte inovar no pedido ou na causa de pedir nesta instância recursal. IPI. BENEFÍCIO FISCAL. SUSPENSÃO. VENDAS A EMPRESAS COMERCIAL EXPORTADORAS COM FINS ESPECIFICO DE EXPORTAÇÃO. Somente considera adquirido com o fim específico de exportação o produto remetido diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE. Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei 9.363 de 1996. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 35 44 /2 01 3- 41 Fl. 131DF CARF MF 2 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. SÚMULA DO STJ. INAPLICABILIDADE. Inaplicável ao caso sob exame, que trata de litígio acerca da integração da base de cálculo os custos correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrentes de industrialização por encomenda, a Súmula 494 do Superior Tribunal de Justiça, na medida que seu enunciado reportase ao "benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP". DIREITO TRIBUTÁRIO. REGRAS ISENTIVAS. INTERPRETAÇÃO LITERAL. No direito tributário, as regras sobre isenção devem ser interpretadas literalmente, não cabendo fazer interpretação extensiva e/ou ampliativa dos dispositivos, conforme disciplina o artigo 111 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 112 a 129) interposto contra o Acórdão 0131.568, da 3ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA DRJ/BEL, em sessão de julgamento realizada em 03.03.2015 (fls. 92 a 97), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo recorrente (fls. 02 a 14), mantendo, por conseguinte, a decisão exarada pela autoridade administrativa na repartição de origem. Do Pedido de Ressarcimento O requerente, por meio dos "Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação" PER/DCOMP 32228.19438.301009.1.1.014405, na qual informa possuir um saldo credor de IPI no montante de R$ 28.854,63, em que solicita o ressarcimento do tributo, referente ao 3º trimestrecalendário do ano de 2009. Vinculou ao citado ressarcimento, o PER/DCOMP 09594.66576.010210.1.3.015142 (fls. 54 a 88). Do Despacho Decisório Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10783.903544/201341 Acórdão n.º 3001000.068 S3C0T1 Fl. 132 3 Em face do referido pedido, foi exarado despacho decisório Número de Rastreamento 076068232 que, com arrimo no Parecer SEFIS 190/2013, não reconheceu o direito creditório pleiteado pelo ora recorrente. Para uma melhor compreensão, transcrevo, a seguir, seu item 3 (fl. 81): 3FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 29.789,81 Valor do crédito reconhecido: R$ 0,00 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em procedimento fiscal. Redução do saldo credor do trimestre, passível de ressarcimento, resultante de débitos apurados em procedimento fiscal. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. Diante do exposto: NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 09594.66576.010210.1.3.015142 INDEFIRO o pedido de restituição/ressarcimento apresentado no(s) PER/DCOMP: 32228.19438.301009.1.1.014405 Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 28/02/2014. PRINCIPAL MULTA JUROS 26.079,88 5.215,94 9.969,13 Para informações complementares da análise de crédito, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMP Despacho Decisório". Fl. 133DF CARF MF 4 Enquadramento Legal: Art. 11 da Lei nº 9.779/99; art. 164, inciso I, e art. 179 do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI). Leis nº 9.363/96 e nº 10.276/2001. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Da Manifestação de Inconformidade Diante da decisão supra, o contribuinte apresentou, em 25.03.2014, manifestação de inconformidade para aduzir, em apertada síntese: Em preliminar, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto da compensação, nos termos do inciso III do artigo 151 do CTN. No mérito: (a) discordando da argumentação da autoridade fiscal, quando esta afirma que para se aproveitar, na apuração da base de cálculo do tributo, dos valores referentes à industrialização por encomenda e combustível (gás), deveria o impugnante ter optado pela apuração do crédito presumido através do regime instituído pela Lei 10.276/2001, aduz que para seu aproveitamento nem mesmo se faz necessário ser contribuinte do imposto, consoante prescreve a súmula 494 do STJ, entendimento, inclusive, já pacificado pela CSRF, conforme dispõem as ementas dos acórdãos CSRF/0201.905, CSRF/0201.857 e CSRF/0201.754; (b) quanto a acusação de descumprimento dos prérequisitos estipulados na legislação de regência, para que determinada operação seja aceita como venda para empresa comercial exportadora com fim específico de exportação, aduz que sobressai incontroverso, não obstante admitir não ter seguido "passoapasso" as normas que a legislação impõem para a caracterização desta modalidade de exportação, que, consoante a documentação apresentada à fiscalização, comprovou que encaminhou sua produção para exportação por meio de empresa comercial exportadora, bem como que referidas mercadorias foram efetivamente exportadas, razão pela qual reafirma seu direito a homologação do crédito de IPI que apropriara em decorrência das exportações realizadas. Em face do exposto, requer seja acolhida a provida a manifestação de inconformidade para ver declarada as compensações realizadas, vez que se encontram de acordo com os preceitos legais e regulamentares de regência; e a inclusão no benefício em questão dos valores referentes à operação de industrialização por encomenda, bem como as aquisições de mercadorias para industrialização realizadas no exterior, nos moldes como antes explicitado. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio a decisão contida no voto condutor do acórdão recorrido, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a decisão proferida pela autoridade administrativa na repartição de origem, cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 RESSARCIMENTO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10783.903544/201341 Acórdão n.º 3001000.068 S3C0T1 Fl. 133 5 Os créditos presumidos do IPI somente poderão ter seu ressarcimento requerido à SRF após a entrega, pela pessoa jurídica cujo estabelecimento matriz tenha apurado referidos créditos, de demonstrativo referente à fruição do benefício. COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Destarte, a passagem desses produtos por outros estabelecimentos intermediários, descaracteriza a aquisição com o fim específico de exportação. CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO. OPÇÃO. Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do IPI, na forma da Lei nº 10.276, de 2001, valendo essa opção por todo o anocalendário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário Irresignado com a decisão formalizada pelo acórdão vergastado, o requerente interpôs recurso voluntário, reprisando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Para demonstrar a absoluta identidade das alegações suscitadas em ambas as peças recursais, é suficiente transcrevermos o trecho denominado "3 DO PEDIDO": (...) À vista do exposto, demonstrada a insubsistência da autuação fiscal em comento, requer que seja acolhido e provido o presente Recurso para: 3.1 declarar que as compensações realizadas se encontram de acordo com os preceitos legais e normatização de regência; e 3.2 incluir no benefício em questão os valores referentes às exportações indiretas e industrialização por encomenda. Nestes Termos, Pede Deferimento. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Fl. 135DF CARF MF 6 Prolegômeno O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3001000.074 de 31 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 15586.721132/201254, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3001000.074): "Da Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Preâmbulo 1 Contextualizando o presente litígio, cabe ressaltar que, como já explicitado no relatório supra, o contribuinte reitera seus argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, na qual, em síntese, defende a possibilidade de utilização dos custos de serviços de industrialização por encomenda e, no caso das vendas para comercial exportadora, alega que embora não tenha cumprido com as normas administrativas e procedimentais impostas pela legislação de regência, entende ser inconteste o direito pleiteado, haja vista ter comprovado a exportação das mercadorias. Preâmbulo 2 O cotejo entre a manifestação de inconformidade e a presente peça recursal, ora examinada, revela que, quando da apresentação do primeiro recurso, é induvidoso que o contribuinte em nenhum momento se defendeu quanto a desconsideração, quando da elaboração do cálculo da base de cálculo dos valores referentes aos combustíveis (gás); tal como efetuada pela fiscalização. É o que se depreende do subitem 4.2 do item 4 "DO PEDIDO" da sua manifestação de inconformidade, na medida em que requer, tal como está escrito, "incluir no benefício em questão os valores referentes à operação de industrialização por encomenda, bem como aquisições de mercadorias para industrialização realizadas no exterior, nos moldes como explicitado na presente peça". Mister notar que o recorrente não pode modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso, sob pena de violação do princípio da congruência e ofensa aos artigos 16 e 17 do Decreto 70.235 de 1972, bem como aos artigos 141, 223, 329 e 492 do Código de Processo Civil (CPC). Cumpre, destarte, não conhecer da inconformidade baseada na referida divergência, por estar tal razão recursal preclusa, por força de expressa disposição legal. Preâmbulo 3 Sem embargo, embora neste processo não se aprecia qualquer discussão acerca da suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto da compensação, tratarei do tema, em breves linhas, tendo em vista a preocupação demonstrada pelo recorrente, a fim de não dar margem a eventual alegação de cerceamento de defesa. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10783.903544/201341 Acórdão n.º 3001000.068 S3C0T1 Fl. 134 7 É fato que a partir de 31.10.2003, com a edição da MP 135 convertida na Lei 10.833 de 2003, a suspensão da exigibilidade de débito compensado tornouse possível uma vez que a declaração de compensação feita pelo contribuinte passou a ter caráter de confissão de dívida e ser instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Neste passo, o inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional CTN, norma complementar, dispõe que: as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. Nestes termos, reafirmo a suspensão da exigibilidade dos débitos informados até o julgamento definitivo na esfera administrativa do presente litígio. Mérito Das vendas para comercial exportadora. Fim específico de exportação O indeferimento do pleito, neste tópico, deveuse pelo descumprimento do “fim específico de exportação” na venda para a comercial exportadora. Alega o recorrente em seu recurso premissas que diz consistirem de aspectos não controvertidos no caso concreto os quais seriam capazes de conduzir à correta conclusão no sentido de que realizou a exportação, mesmo que, sem cumprir com os ditames legais e regulamentares que regem a matéria e de forma indireta, por meio da venda com fim específico. A fiscalização, com base nas notas fiscais apresentadas e demais informação prestada pelo contribuinte, verificou que nas respectivas operações de vendas os produtos eram enviados para o estabelecimento do próprio adquirente, que não é recinto alfandegado. Esclarecendo que juntamente com a relação das exportações feitas através de comerciais exportadoras e das notas fiscais que comprovassem estas vendas, o contribuinte apresentou “memorandos de exportações”, a fim de comprovar a efetiva exportação das mercadorias. Diante dos fatos apontados, o Fisco constatou que o contribuinte descumpriu o disposto no artigo 42, inciso V, alínea "a", parágrafo 1º, do Decreto 4.544 de 2002 RIPI, bem como o artigo 39, inciso I, parágrafo 2º, da Lei 9.532 de 1997, que determinam que a remessa direta dos produtos a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, é condição necessária para a fruição da suspensão do IPI na saída dos produtos do estabelecimento industrial. Nesse contexto, para avaliar se as operações de venda efetuadas pelo “produtor/vendedor” estão ou não cobertas pela suspensão do IPI, há que se perquirir as normas relativas às operações de comércio exterior, que regulamentam as empresas comerciais exportadoras (ECE), bem como as suas aquisições de mercadorias no mercado interno para o fim específico de exportação. Adianto desde já que o benefício fiscal de que aqui se trata não é o previsto na Constituição Federal (imunes à incidência de contribuições, por força do inciso I, § 2º, do artigo 149, da CF) para as operações de exportação, mas sim o previsto em Lei e sua regulamentação, para as operações de vendas realizadas pelo produtor/vendedor às empresas Fl. 137DF CARF MF 8 comerciais exportadoras, quando os produtos sejam adquiridos com o fim específico de exportação. Desta forma, quanto ao imposto tratado nestes autos (IPI), temos que o artigo 42 do Decreto 4.544 de 2002, assim dispõem: Art. 42 Poderão sair com suspensão do imposto: (...) V os produtos, destinados A exportação, que saiam do estabelecimento industrial para (Lei nº 9.532, de 1997, art. 39): a) empresas comerciais exportadoras, com o fim especifico de exportação nos termos do parágrafo único deste artigo (Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, inciso I); (...) § 1º No caso da alínea a do inciso V, consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora (Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º). (grifei) Destacase que os dispositivos acima citados, regulamentaram o artigo 39 da Lei 9.532 de 1997, que estabelece: Art. 39 Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I adquiridos por empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II remetidos a recintos alfandegados ou a outros locais onde se processe o despacho aduaneiro de exportação. § 1º Fica assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização dos produtos a que se refere este artigo. § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Para melhor deslinde da presente questão, trago, por oportuno, a manifestação da Divisão de Tributação da SRRF/9ª RF, por meio da Nota Disit 8 de 25.08.2004, da qual transcrevo, com as devidas adaptações, alguns excertos, adotandoas como razão de decidir, com fundamento no § 1º do artigo 50 da Lei 9.784 de 1999. Pois bem. Observase que o artigo 14, inciso VIII, da Medida Provisória 2.15835 de 2001, ao tratar das empresas comerciais exportadoras, restringeas àquelas do DecretoLei 1.248 de 1972, sendo que, logo em seguida, o inciso IX do mesmo artigo se refere a “empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior”. Os demais artigos da Lei falam Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10783.903544/201341 Acórdão n.º 3001000.068 S3C0T1 Fl. 135 9 simplesmente em “empresa comercial exportadora”, sem apontarlhe qualquer característica especial. E, em todas as hipóteses, condicionase a fruição dos benefícios fiscais em tela (isenção ou nãoincidência do IPI, nas vendas à comercial exportadora) ao “fim específico de exportação” da venda. Disso isto, e se valendo, ainda, da conhecida regra de hermenêutica segundo a qual o intérprete não deve distinguir onde a lei não o fez, decorre que quando a lei não é expressa em sentido contrário (como ocorre na norma antes referenciada), a alusão que faz a empresa comercial exportadora abrange qualquer pessoa jurídica do gênero e não apenas aquelas disciplinadas pelo DecretoLei 1.248 de 1972. Com efeito, existem, no ordenamento jurídico pátrio, duas espécies de empresas comerciais exportadoras: (i) a empresa comercial exportadora que poderíamos chamar de comum, e (ii) a constituída nos termos da mencionada norma legal, também conhecida como trading company. A primeira (ECE comercial exportadora comum) é regida pelo Código Civil, não se diferenciando, em seus aspectos formais, das demais pessoas jurídicas, entre as quais se individualiza tãosomente em função do seu objeto social. À segunda (trading company), ao contrário, aplicamse requisitos especiais de constituição e funcionamento, previstos no artigo 2º do citado DecretoLei, quais sejam: (a) exigência de registro especial na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S/A (Cacex) (hoje cadastro do Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex), da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), e na Receita Federal do Brasil, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda e veiculadas na Portaria/MF 438 de 26.05.1992; (b) constituição sob a forma de sociedades por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; e (c) exigência de capital mínimo, fixado pelo Conselho Monetário Nacional e tornado público pela Resolução/Banco Central do Brasil 1.928 de 26.05.1992. As empresas comerciais exportadoras comum (ECE) ou não trading, sujeitamse às regras gerais a que estão submetidos todos os exportadores, entre elas a inscrição no Registro de Exportadores e Importadores (REI), da SECEX, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, inscrição essa disciplinada por Portaria da SECEX, que consolida as disposições regulamentares das operações de exportação. Essa mesma Portaria dispõe, que “o registro especial para operar como Empresa Comercial Exportadora, de que trata o DecretoLei e legislação complementar, deverá observar os procedimentos previstos em Comunicado DECEX”. Em termos de legislação tributária, a menção a empresa comercial exportadora deve ser entendida, em regra, como abarcando tanto aquelas sujeitas a registro especial, como as demais, inscritas somente no REI. A Coordenação do Sistema de Tributação (CST), no Parecer Normativo 42 de 1975, reconhecia que o DecretoLei 1.248 de 1972, não revogara as demais disposições legais atinentes a empresas exportadoras não trading, aduzindo o que segue: (...) Fl. 139DF CARF MF 10 9. Diante dessas considerações tornamse claras as diferenças, para os efeitos da legislação reguladora de estímulos fiscais à exportação de manufaturados, entre Empresa Comercial Exportadora de que trata o DecretoLei nº 1.248/72 e as empresas exportadoras ou que operam no comércio exterior referidas no art. 8º do Decreto nº 64.833/69 e no artigo 7º, inciso X, letra “a”, do RIPI. Diferenças advindas, principalmente, das formas de operações que executam, resultando em momento e condições diversas de gozo de incentivos fiscais. 10. A conclusão que se impõe, pois, é a de que, tratandose de empresas sujeitas a normas reguladoras diferentes, as atividades exercidas por uma não atingem e nem limitam ou excluem as atividades da outra. (...) Assim sendo, no presente caso, como a indústria estava lidando com comercial exportadora comum (não trading), para valerse da isenção do imposto (IPI) na operação de venda, deveria remeter os produtos diretamente, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, enquanto que se a venda estiver sendo feita a comercial exportadora do DecretoLei 1.248 de 1972 (trading), ela (a indústria) poderia enviar os produtos, ainda, ao recinto de uso privativo da comercial exportadora de que trata o artigo 14 da IN SRF 241 de 2002, por sua conta e ordem. A única dúvida que se poderia suscitar diz com a interpretação do que seria, no caso, o “fim específico de exportação”. No entanto, a definição dada pelo § 2º do artigo 39 da Lei 9.532 de 1997 não deixa margem de dúvidas. Vejase. Art. 39. Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I (...) § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (grifei) Nesse sentido, o § 1º do artigo 42 do Decreto 4.544 de 2002, que regulamenta o IPI (RIPI), adotou expressamente o texto fixado no § 2º do artigo 39 da Lei 9.532 de 1997, para efeito de condicionar a isenção prevista no artigo 14 da MP 2.15835 de 2001. Portanto, foi o próprio artigo 39 da citada lei que sujeitou a suspensão em tela à condição de que a aquisição tivesse o “fim específico de exportação”, caracterizado esse “fim específico” pela remessa direta dos produtos, pelo estabelecimento industrial vendedor, a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, norma incorporada pelos regulamentos do IPI, editados a partir de 1997 (§ 2º do inciso VI do artigo 40 do Decreto 2.637 de 1998 (RIPI/1998), e § 2º do inciso V do artigo 42 do Decreto 4.544 de 2002 (RIPI/2002). Desta forma, a suspensão do IPI está condicionada à remessa direta dos produtos vendidos ao embarque de exportação ou a recinto alfandegado, tratandose de providência da alçada da indústria (produtora), ainda que por conta e ordem da comercial Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10783.903544/201341 Acórdão n.º 3001000.068 S3C0T1 Fl. 136 11 exportadora e, nem poderia ser diferente, pois é com essa obrigatoriedade que o Fisco consegue manter controle dos benefícios fiscais auferidos pelos contribuintes, dificultando eventuais desvios na destinação dos produtos, evitando que sejam comercializados indevidamente no mercado interno. Ocorre que o contribuinte, conforme consta dos dados das notas fiscais e sua própria informação, entregou os produtos no endereço do próprio adquirente, que não é recinto alfandegado, infringindo a determinação legal. Em que pese a seu pleito, não há como prosperar a argumentação do recorrente, haja vista que a legislação tributária (a lei e o regulamento do IPI) estabelece que “consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora”, devendo tal norma, uma vez que concede suspensão do IPI, ser interpretada de forma literal, consoante o que dispõe o artigo 111 do CTN, não cabendo, pois, interpretação ampliativa, como defende o recorrente. Serviços de industrialização por encomenda O indeferimento do pleito, neste tópico, deveuse ao fato de o contribuinte não ter optar pelo regime alternativo instituído pela Lei 10.276 de 2001, cujos incisos I e II do § 1º do seu artigo 1º traz textualmente quais os custos que poderão ser aproveitados na base de cálculo do crédito presumido. Alega o recorrente, basicamente, que faz jus ao aproveitamento desses créditos, pois além de a norma não exigir sequer que seja contribuinte do IPI, para gozar do referido benefício, a questão já foi pacificada, a seu favor, no âmbito do STJ, consoante prescreve a súmula 494 daquela corte. Esta matéria, qual seja, a da possibilidade de inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei 9.363 de 1996, os valores pagos a título de industrialização por encomenda, não é nova no âmbito do processo administrativofiscal. Neste sentido esclareço, desde já, que me filio à corrente de que no regime estatuído pela citada norma tal apropriação não encontra amparo legal. Como antes já manifestado, entendo que qualquer modalidade de incentivo ou benefício fiscal deve estar sujeito a regras de interpretação literal da legislação que o concede. Para tanto, esclareço que discordo do entendimento segundo o qual as formas de exclusão do crédito tributário sejam somente as previstas no artigo 175 do CTN, pois, partilho da opinião de que referida prescrição somente estabeleceu que a isenção e a anistia excluem o crédito tributário, mas por evidente, não podem ser consideradas as únicas formas existentes de exclusão do crédito tributário. A concessão de crédito presumido de IPI é uma forma indireta de excluir o crédito tributário, na medida em que permite se apropriar de um crédito antes inexistente para ser compensado com tributos devidos. Fosse correta a conclusão de que as únicas formas de exclusão do crédito tributário são a isenção e a anistia, intuo que a redação do artigo 111 do CTN seria, no mínimo, inaplicável quando prever no seu inciso II uma regra que já se encaixava no próprio inciso I, ou seja, seria desnecessário constar no inciso II que se interpreta literalmente as Fl. 141DF CARF MF 12 regras de outorga de isenção já que esta é uma forma de exclusão do crédito tributário já contemplado no inciso I. Vejamos a redação do artigo 111 do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. É neste sentido que no presente caso deve se dar interpretação literal à norma tributária que concede o benefício fiscal nos exatos termos de que dispõe a norma retro reproduzida. Em verdade, entendo que a concessão de isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção, na medida em que escampa às regras do que seria o tratamento tributário ordinário. Me permito, a fim de corroborar meu entendimento quanto ao tema, transcrever, a seguir, trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (grifei) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Estabelecido a presente premissa, vejamos então como o crédito presumido do IPI está disciplinado na Lei 9.363 de 1996: Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10783.903544/201341 Acórdão n.º 3001000.068 S3C0T1 Fl. 137 13 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8 de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (grifei) Portanto, a interpretação literal que se extrai do comando normativo acima transcrito é que gera direito ao crédito presumido do IPI os valores decorrentes da aquisição no mercado interno de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para aplicação no processo produtivo das empresas produtoras e exportadoras. A industrialização por encomenda é um serviço prestado ao industrial e não se identifica definitivamente com qualquer dos itens citados na norma, quais sejam matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Logo, ainda que nessa prestação de serviço possa se agregar algum insumo ou mesmo que do serviço resulte uma matériaprima a ser utilizada no seu processo produtivo próprio, concluo que a lei não permitiu essa apropriação. Tanto que posteriormente à edição do referido benefício fiscal sobreveio, com a edição da Lei 10.276 de 2001, uma forma alternativa de apuração do crédito presumido, desta feita prevendo expressamente a possibilidade de se apropriar do valor correspondente aos serviços com industrialização por encomenda. Segue transcrição do dispositivo legal, na parte que interessa ao presentes exame: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: Fl. 143DF CARF MF 14 I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. (...) § 5º Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei nº 9.363, de 1996. Evidente que se o contribuinte quisesse se apropriar dos valores gastos com industrialização por encomenda, obrigatoriamente, deveria ter feito a opção pelo cálculo do crédito presumido do IPI na forma alternativa proposta pela Lei 10.276 de 2001, o que, como sabido, não fez. Logo, ao ter optado pela fórmula de cálculo da Lei 9.363 de 1996 impossível fazer uso desse benefício, por absoluta falta de previsão legal. Então é de se afastar a tese defendida pelo recorrente de que neste caso, a industrialização por encomenda teria dado suporte a aquisição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem para posterior utilização no seu processo produtivo. Noutros termos, rechaçasse a ideia de que a industrialização por encomenda seria uma forma de aquisição destes insumos para utilização no processo produtivo e atenderia então ao disposto no artigo 1º da Lei 9.363 de 1996. Da Súmula 494 do STJ Por fim, o recorrente avoca, em assento aos seus argumentos de defesa, a aplicação dos ditames contidos no enunciado da súmula 494 do STJ, relativamente a não aceitação, para fins do aproveitamento na base de cálculo do crédito presumido do IPI, dos custos inerentes a prestação de serviços decorrentes de industrialização por encomenda. No entanto, o que foi sumulado pelo Superior Tribunal de Justiça, por meio da mencionada súmula, diz respeito a tema diverso do tratado nos presentes autos. Vejamos, pois seu enunciado: "O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP." Naquela oportunidade o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento, quanto a sistemática do recurso repetitivo previsto no artigo 543C do CPC, quanto ao condicionamento para fins de aplicação de incentivo fiscal aos insumos adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/Pasep, na apuração do cálculo do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei 9.363 de 1996. Portanto, descabida a pretensão do recorrente, no que se refere a Súmula 494 do STJ, o que torna impossível suscitar a cominação da alínea "b" do inciso II do § 1º do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10783.903544/201341 Acórdão n.º 3001000.068 S3C0T1 Fl. 138 15 Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do RICARF (Portaria MF 343 de 09.06.2015), nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11052.720016/2014-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
DISPÊNDIO COM A EMISSÃO PRIMÁRIA DE AÇÕES. GLOSA. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO. DESCABIMENTO.
Anteriormente à introdução do Regime Tributário de Transição - RTT, o tratamento tributário relativo às despesas com a emissão de novas ações era de conta redutora do resultado. Durante a sua vigência, o Contribuinte deveria reverter/neutralizar, para efeitos tributários, os novéis expedientes contábeis, de forma que a apuração de seu resultado refletisse o quadro normativo existente até 31/12/2007. Findo o RTT, estabeleceu-se através da MP nº 627/2013, convertida na Lei nº 12.973/2014, a garantia do proveito do dispêndio com os gastos na emissão primária de ações. A exposição de motivos da referida norma demonstra a intenção inequívoca de manter o mesmo tratamento tributário até então dado aos contribuintes que tivessem incorrido em tais despesas. Assim, por decorrência lógica, se a intenção manifesta era de garantir o mesmo tratamento tributário até então existente, significa dizer que desde antes da edição da Lei nº 12.973/14 já lhe era garantido tal tratamento. Incabível, portanto, a exigência de exclusão de tais despesas na apuração do Lucro Real.
DISPÊNDIO COM JUROS REMUNERATÓRIOS DE DEBÊNTURES (1ª EMISSÃO). PROVA.
Não comprovado pela Contribuinte o valor efetivamente incorrido com o pagamento de juros sobre debêntures emitidas por ela, não resta outra alternativa senão manter a glosa dos valores apurados pela Fiscalização. Glosa mantida.
DISPÊNDIO COM JUROS REMUNERATÓRIOS DE DEBÊNTURES (2ª EMISSÃO). PROVA.
Comprovado nos autos a efetiva captação dos recursos oriundos da emissão de debêntures, incabível a glosa dos encargos financeiros suportados pelo Contribuinte e vinculados à emissão desses títulos.
RATEIO DE DESPESAS. GLOSA. CRITÉRIOS PARA RATEIO. DEMONSTRAÇÃO INSUFICIENTE. CABIMENTO.
A falta de comprovação, com documentação hábil e idônea, da mensuração dos custos efetivamente experimentados no período objeto da auditoria e que teriam sido rateados entre as empresas do grupo econômico é condição necessária para seu aproveitamento na apuração do Lucro Real. No caso concreto, tal demonstração deveria se dar através da apresentação de folhas de tempo e/ou outra metodologia, conforme consta do Acordo de Custos Administrativos Compartilhados, firmado entre as empresas do grupo econômico para estabelecer os critérios de rateio de custos. Glosa mantida.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010
CSLL. CRITÉRIOS DE DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS EM SUA APURAÇÃO. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA.
A CSLL tem como base de cálculo o lucro líquido do período, com os ajustes determinados na legislação de regência. Neste sentido, os artigos 248 e 277, ambos do RIR/99. O lucro operacional traduz-se no resultado do confronto entre as receitas operacionais e as despesas operacionais (artigo 299 do RIR/99). Da interpretação sistemática destes dispositivos, deduz-se que somente poderão reduzir o lucro líquido as despesas operacionais que preencham os requisitos previstos no artigo 299, quais sejam, as despesas necessárias e devidamente comprovadas. Os dispêndios glosados afetam o próprio resultado do exercício e, consequentemente, também a base de cálculo da Contribuição Social, como definida no art. 2º da Lei 7.689, de 1988, com as alterações do art. 2º da Lei 8.034, de 1990. Além disso, o art. 13 da Lei nº 9.249/95, quando trata das despesas indedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, é taxativo ao dispor que tais vedações de dedutibilidade se aplicam independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.502/64, justamente a base legal do art. 299 do RIR/99. Portanto, dada a relação de causa e efeito entre as glosas efetuadas para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, mantém-se a glosa realizada pela Fiscalização.
Numero da decisão: 1401-002.113
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário no que diz respeito à glosa das despesas incorridas na emissão de debêntures. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário no tocante à i) glosa das despesas de rateio intra-grupo; e ii) aplicabilidade à CSLL das glosas de despesas que não atendam os critérios de dedutibilidade relativos ao IRPJ. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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GLOSA. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO. DESCABIMENTO. Anteriormente à introdução do Regime Tributário de Transição RTT, o tratamento tributário relativo às despesas com a emissão de novas ações era de conta redutora do resultado. Durante a sua vigência, o Contribuinte deveria reverter/neutralizar, para efeitos tributários, os novéis expedientes contábeis, de forma que a apuração de seu resultado refletisse o quadro normativo existente até 31/12/2007. Findo o RTT, estabeleceuse através da MP nº 627/2013, convertida na Lei nº 12.973/2014, a garantia do proveito do dispêndio com os gastos na emissão primária de ações. A exposição de motivos da referida norma demonstra a intenção inequívoca de manter o mesmo tratamento tributário até então dado aos contribuintes que tivessem incorrido em tais despesas. Assim, por decorrência lógica, se a intenção manifesta era de garantir o mesmo tratamento tributário até então existente, significa dizer que desde antes da edição da Lei nº 12.973/14 já lhe era garantido tal tratamento. Incabível, portanto, a exigência de exclusão de tais despesas na apuração do Lucro Real. DISPÊNDIO COM JUROS REMUNERATÓRIOS DE DEBÊNTURES (1ª EMISSÃO). PROVA. Não comprovado pela Contribuinte o valor efetivamente incorrido com o pagamento de juros sobre debêntures emitidas por ela, não resta outra alternativa senão manter a glosa dos valores apurados pela Fiscalização. Glosa mantida. DISPÊNDIO COM JUROS REMUNERATÓRIOS DE DEBÊNTURES (2ª EMISSÃO). PROVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 72 00 16 /2 01 4- 57 Fl. 692DF CARF MF 2 Comprovado nos autos a efetiva captação dos recursos oriundos da emissão de debêntures, incabível a glosa dos encargos financeiros suportados pelo Contribuinte e vinculados à emissão desses títulos. RATEIO DE DESPESAS. GLOSA. CRITÉRIOS PARA RATEIO. DEMONSTRAÇÃO INSUFICIENTE. CABIMENTO. A falta de comprovação, com documentação hábil e idônea, da mensuração dos custos efetivamente experimentados no período objeto da auditoria e que teriam sido rateados entre as empresas do grupo econômico é condição necessária para seu aproveitamento na apuração do Lucro Real. No caso concreto, tal demonstração deveria se dar através da apresentação de folhas de tempo e/ou outra metodologia, conforme consta do “Acordo de Custos Administrativos Compartilhados”, firmado entre as empresas do grupo econômico para estabelecer os critérios de rateio de custos. Glosa mantida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 CSLL. CRITÉRIOS DE DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS EM SUA APURAÇÃO. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. A CSLL tem como base de cálculo o lucro líquido do período, com os ajustes determinados na legislação de regência. Neste sentido, os artigos 248 e 277, ambos do RIR/99. O lucro operacional traduzse no resultado do confronto entre as receitas operacionais e as despesas operacionais (artigo 299 do RIR/99). Da interpretação sistemática destes dispositivos, deduzse que somente poderão reduzir o lucro líquido as despesas operacionais que preencham os requisitos previstos no artigo 299, quais sejam, as despesas necessárias e devidamente comprovadas. Os dispêndios glosados afetam o próprio resultado do exercício e, consequentemente, também a base de cálculo da Contribuição Social, como definida no art. 2º da Lei 7.689, de 1988, com as alterações do art. 2º da Lei 8.034, de 1990. Além disso, o art. 13 da Lei nº 9.249/95, quando trata das despesas indedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, é taxativo ao dispor que tais vedações de dedutibilidade se aplicam independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.502/64, justamente a base legal do art. 299 do RIR/99. Portanto, dada a relação de causa e efeito entre as glosas efetuadas para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, mantémse a glosa realizada pela Fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário no que diz respeito à glosa das despesas incorridas na emissão de debêntures. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário no tocante à i) glosa das despesas de rateio intragrupo; e ii) aplicabilidade à CSLL das glosas de despesas que não atendam os critérios de dedutibilidade relativos ao IRPJ. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Fl. 693DF CARF MF Processo nº 11052.720016/201457 Acórdão n.º 1401002.113 S1C4T1 Fl. 693 3 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Fl. 694DF CARF MF 4 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração relativo ao ano calendário de 2010, através do qual se exige IRPJ e seus reflexos, conforme o demonstrativo abaixo: TRIBUTO VALOR ORIGINÁRIO MULTA DE OFÍCIO (150%) JUROS DE MORA TOTAL IMPOSTO DE RENDA IRPJ 3.693.261,80 2.769.946,35 1.324.773,01 10.261.516,97 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL CSLL 1.338.214,25 1.003.660,69 480.017,45 3.716.325,28 TOTAL 5.031.476,05 3.773.607,04 1.804.790,46 13.977.842,25 A Fiscalização apontou 3 infrações, a saber: 1) Exclusão indevida na apuração do Lucro Real, com gastos incorridos na emissão de ações pagos ao Banco de Investimentos Credit Suisse S/A, decorrentes de serviços prestados por esse na captação de novos investidores para a Autuada; 2) Glosa de despesas objeto de rateio entre as empresas integrantes do Grupo EBX, por falta de comprovação de critérios razoáveis e objetivos para o respectivo rateio intragrupo; 3) Glosa de despesas decorrentes da emissão de debêntures por ausência de comprovação do ingresso de novos recursos financeiros decorrentes da negociação dos citados títulos. Impugnado o lançamento (v. efls. 421/478), sobreveio o Acórdão nº 16 70.142 (v. efls. 615/649), proferido pela 1ª Turma da DRJ de São Paulo, cuja ementa reproduzo abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ DATA DO FATO GERADOR: 31/12/2010 DISPÊNDIO COM A EMISSÃO PRIMÁRIA DE AÇÕES. PROVEITO COMO ELEMENTO REDUTOR DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. O dispêndio com a emissão primária de ações mereceu: (1) antes do Regime Tributário de Transição RTT, o registro em conta de resultado (despesa); (2) durante e após a extinção do dito regime, o lançamento em conta patrimonial redutora do patrimônio líquido, mas já aí, com o respectivo proveito tirado pelo Contribuinte pela via de sua exclusão da base de cálculo do IRPJ e da CSLL no Lalur. DISPÊNDIO COM SERVIÇOS COMPARTILHADOS. PROVA. IMPACTO SOBRE O LUCRO CONTÁBIL. ESTÁDIO ANTERIOR AO AJUSTE DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL Como já assentado pela Solução de Divergência nº 23, expedida pela Coordenação Geral de Tributação, de 23/09/2013, é, sim, "possível a concentração, em uma única empresa, do controle dos gastos referentes a departamentos de apoio administrativo centralizados, para posterior rateio dos custos e despesas administrativos comuns Fl. 695DF CARF MF Processo nº 11052.720016/201457 Acórdão n.º 1401002.113 S1C4T1 Fl. 694 5 entre empresas que não a mantenedora da estrutura administrativa concentrada". Porém, entre outros, uma tal possibilidade de rateio está vinculada à demonstração de que a porção de despesa então imputada corresponda "ao efetivo gasto de cada empresa". No caso, como previsto em contrato, o gasto efetivamente atribuível ao Contribuinte estava na dependência da vinda aos autos das nomeadas "folhas de tempo e/ou outra metodologia". Também, certo que se trata de importe já lançado contra a apuração do lucro contábil, estáse em estádio anterior aos ajustes que, previstos em legislação tributária, redimensionam tal lucro para efeito de se chegar às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. DISPÊNDIO COM JUROS REMUNERATÓRIOS DE DEBÊNTURES (1ª EMISSÃO) E OUTRAS CAUSAS. PROVA. IMPACTO SOBRE O LUCRO CONTÁBIL. ESTÁDIO ANTERIOR AO AJUSTE DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. Inquirido sobre o todo lançado a título de "Juros Pagos ou Incorridos" (conta contábil sob nº 4.2.01.01.0002), reconhecido como procedente pela Fiscalização a porção atinente aos juros remuneratórios de debêntures (1ª emissão), permanece a incumbência ao Interessado de explicar a parte faltante, que assim se daria (nos exatos moldes da documentação colacionada e respeitante à referida 1ª emissão de debêntures) com a apresentação da documentação de suporte aos negócios jurídicos aí vistos. Também, certo que se trata de importe já lançado contra a apuração do lucro contábil, estáse em estádio anterior aos ajustes que, previstos em legislação tributária, redimensionam tal lucro para efeito de se chegar às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. DISPÊNDIO COM JUROS REMUNERATÓRIOS DE DEBÊNTURES (2ª EMISSÃO). PROVA. Autuado o Contribuinte à razão de não ter demonstrado o ingresso de novo recurso financeiro assim oriundo da colocação de debêntures (2ª emissão), isso pela via da glosa do respectivo encargo com o pagamento de juros aos credores debenturistas, vindo ele a colacionar a evidência do recebimento de tal recurso, conforme a documentação já presente nos autos e que também faz juntar, não há mais espaço para a exigência tributária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DATA DO FATO GERADOR: 31/12/2010 DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO. Não cabe conversão do julgamento em diligência quando o ponto de discórdia versa matéria de direito ou, ainda, mesmo que toque matéria de fato, esta já se encontre suficientemente esclarecida nos autos. Demais disso, a prova documental deve ser apresentada desde logo em impugnação (a menos de específicas e determinadas exceções, de todo não ocorrentes no caso). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Exonerado Conforme se infere da ementa acima, o lançamento foi considerado procedente em parte, tendo, para cada uma das infrações apontadas, o seguinte resultado: Fl. 696DF CARF MF 6 1) Glosa das despesas com emissão de ações (R$46.459.767,56) – procedente a impugnação in totum, cancelandose a exigência relativamente a essa glosa; 2) Glosa de despesas decorrente do rateio entre as empresas do Grupo EBX (R$9.430.616,60) – impugnação não provida; 3) Glosa de despesas incorridas na emissão de debêntures (R$10.040.853,19) impugnação provida em parte, para reconhecer o montante de R$9.010.811,50 gastos com a respectiva emissão de títulos. Assim, do total de R$65.931.237,35 glosados pela Fiscalização, remanesceram tão somente R$10.460.658,29. O cancelamento das respectivas glosas pela decisão de piso teve o efeito de exonerar totalmente o crédito tributário, haja vista que, após os respectivos ajustes na base de cálculo dos tributos ora exigidos, permaneceu a Autuada com prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL. Outrossim, à Contribuinte restou interesse recursal, haja vista que os valores remanescentes de glosa impactaram o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL que havia apurado quando encerramento do períodobase objeto da auditoria. O referido Acórdão foi cientificado à Contribuinte (v. efls. 657) em 13/01/2016, tendo a mesma apresentado seu Recurso Voluntário (v. efls. 665/683) em 21/01/2016. Em suas razões recursais, a Contribuinte contesta a parte em que foi vencida na decisão a quo, relativamente ao rateio de despesas do Grupo EBX, as despesas incorridas com a emissão de debêntures e à alegação de que os critérios de dedutibilidade aplicáveis ao IRPJ não seriam cabíveis em relação à CSLL. Alega, em seu Recurso Voluntário: Fl. 697DF CARF MF Processo nº 11052.720016/201457 Acórdão n.º 1401002.113 S1C4T1 Fl. 695 7 Fl. 698DF CARF MF 8 Afinal, vieram os autos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 699DF CARF MF Processo nº 11052.720016/201457 Acórdão n.º 1401002.113 S1C4T1 Fl. 696 9 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Do Recurso de Ofício Primeiramente, faremos a análise do Recurso de Ofício proposto pela DRJ/SPO. A primeira questão recorrida diz respeito à glosa com despesas relativas à prestação de serviços realizados pelo Banco de Investimentos Credit Suisse S/A à Autuada na captação de novos investidores através da emissão de novas ações ofertadas ao mercado pela Contribuinte, no valor de R$46.843.892,27. Também diz respeito ao recurso de ofício a glosa de despesas com juros remuneratórios de debêntures (na sua 2ª emissão), no importe de R$9.010.811,50, igualmente afastada pela decisão de piso. Assim se posicionou a DRJ/SPO na decisão recorrida: 5. Razão ao Contribuinte. 6. Para balizar o discurso, tomese a implantação do já mencionado Regime Tributário de Transição RTT, isso com a edição da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Discursarseá sobre a questão em epígrafe antes, durante e após (porque extinto) dito regime de transição. 7. Antes do RTT, como já adiantado pelo Contribuinte (e permissa venia à retomada da argumentação), havia expressa orientação da Comissão de Valores Imobiliários CVM, por duas de suas Superintendências, a de Normas Contábeis e de Auditoria SNC e a de Relações com Empresas SEP, por meio do dito Ofício Circular/CVM/SNC/SEP nº 01, de 22 de fevereiro de 2006, a pautar o seguinte (disponível em http://www.cvm.gov.br/legislacao/circ/sncsep/ocsncsep 0106.html; consulta feita em 14/09/2015; exceto a mudança de fonte para Batang 11, os demais destaques são do original; texto entre colchetes acrescido): Os OfíciosCirculares emitidos pela área técnica da CVM têm como objetivo principal divulgar os problemas centrais observados na aplicação das normas emitidas pela CVM e fornecer orientação mais detalhada sobre a aplicação dessas mesmas normas. Nesse sentido, esse ofíciocircular propõese, ainda, alertar o mercado sobre desvios verificados pela CVM, e esclarecer dúvidas sobre a aplicação das Normas de Contabilidade pelas Companhias Abertas [é o caso do Contribuinte] e das normas relativas aos Auditores Independentes. Esse ofíciocircular também procura incentivar a adoção de novos procedimentos e divulgações, bem como antecipar futura regulamentação por parte da CVM e, em alguns casos, esclarecer questões relacionadas às normas internacionais emitidas pelo IASB [International Accounting Standards Board]. Esses comentários têm como objetivo mais geral o aperfeiçoamento da informação contábil para o mercado e a conseqüente convergência com as normas internacionais de contabilidade. Fl. 700DF CARF MF 10 A CVM vem, ao longo dos anos da sua atuação, buscando aperfeiçoar e manter atualizado o seu arcabouço normativo contábil, sempre com a participação de segmentos interessados do mercado ou da profissão contábil. Cumpre destacar, na elaboração desse ofício circular, a importante colaboração recebida da Comissão Consultiva de Normas Contábeis da CVM, que conta com representantes da ABRASCA, APIMEC, CFC, IBRACON e FIPECAFI/USP e dos professores Ariovaldo dos Santos (USP), José Augusto Marques (UFRJ) e Natan Szuster (UFRJ). [...] Conceitos [...] Atividades de financiamento: são atividades que resultam em mudanças no tamanho e na composição do patrimônio líquido e empréstimos a pagar da entidade, que representam exigências impostas a futuros fluxos de caixa pelos fornecedores de capital à entidade. Exemplos são o numerário proveniente da emissão de ações ou instrumentos de capital, pagamento a investidores para adquirir ou resgatar ações da entidade, numerário proveniente da emissão de debêntures, tomada de empréstimo a curto e longo prazo, amortização de empréstimos e, pagamento de arrendamento (lease). [...] 24.3 Gastos com colocação de ações – operação de subscrição (underwriting) Esse tema foi motivo de grande discussão no ano de 2005, devido a divergências em relação ao entendimento do tratamento contábil a ser dispensado aos gastos em questão. É conveniente destacar que esse assunto já foi objeto de divulgação no OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2005, onde no item 24.1 a CVM, a título de exemplo sobre o tratamento contábil dos ativos intangíveis no Brasil, externou sua posição técnica sobre o tema, qual seja: "...operação de subscrição (underwriting), para o lançamento de novas ações ao público. Esses gastos, tipicamente compostos com a elaboração de prospectos, relatórios, honorários profissionais, publicações legais, publicidade, comissão dos intermediários financeiros, devem ser reconhecidos como despesa no resultado do exercício em que elas são incorridas, já que não existe uma clara vinculação com um ativo qualificável e com resultados futuros". (Grifo nosso) Essa posição da CVM tem como subsídio técnico, basicamente, o Princípio Contábil da Confrontação das Despesas com as Receitas e os Períodos Contábeis. A motivação principal da discussão decorre do fato de o tratamento contábil a ser dispensado aos gastos relacionados à abertura de capital e colocação de ações não estar previsto na legislação societária brasileira, tampouco nos normativos contábeis nacionais, gerando, conseqüentemente, julgamento de valor sobre o tratamento contábil mais adequado para registro dessa transação. Ressaltese que o exercício de julgamento de valor proporciona, não raro, entendimentos e posicionamentos distintos sobre um mesmo tema. Entretanto, todas as análises e interpretações devem ser efetuadas a luz da estrutura conceitual básica da contabilidade e Fl. 701DF CARF MF Processo nº 11052.720016/201457 Acórdão n.º 1401002.113 S1C4T1 Fl. 697 11 orientados no sentido da convergência com as normas internacionais de contabilidade. A questão referese, de um modo geral, à capitalização ou não dos gastos com a colocação de ações. Sugeriuse, mais especificamente, que tais gastos fossem tratados no grupo de "Despesas Antecipadas", sendo apropriado ao resultado na proporção da expectativa de auferimento de receitas futuras. A CVM entende que os referidos gastos configuramse como despesas em função de seus fatos geradores já terem sido incorridos (muitas vezes até mesmo pagos). Essa afirmação nos leva ao entendimento inicial de que o patrimônio da entidade deve ser reduzido em montante idêntico às despesas incorridas com a abertura de capital e a colocação de ações. Entretanto, analisandose essa operação orientados para a convergência com as normas internacionais de contabilidade que versam sobre o tema, temos que fazem referência aos gastos com a abertura de capital e colocação de ações as normas contábeis emitidas tanto pelo IASB quanto pelo o FASB, quais sejam, o IAS 32 (revisado em 2003 – incorporou o SIC 17) e o FAS 141/01 (substituiu o APB 16), respectivamente. Em ambos os normativos tem se que o valor dos gastos incorridos na abertura de capital e colocação de ações devem ser reconhecidos em conta retificadora do Patrimônio Líquido. O raciocínio subjacente a esse posicionamento é que os custos incorridos na operação patrimonial são necessários para completar a transação, fazendo, portanto, parte dela. Sob a ótica da entidade emissora dos recursos, o que importa é o montante líquido captado, cujo montante será utilizado no financiamento de suas atividades. Os gastos incorridos nesse processo vinculamse exclusivamente a ele, devendo ser encarados como um sacrifício necessário para a captação dos recursos pretendidos e, portanto, retificadores do montante ingressado no PL da entidade. Como citado no início desse item, nossa legislação societária e contábil é omissa sobre esse tema. No que se refere à redução do PL temos procedimentos contábeis específicos previstos para transações patrimoniais, tais como reembolso, resgate e amortização de ações, bem como os casos [de] prejuízo do exercício e de ações em tesouraria. De um modo geral, a aquisição de ações de emissão da própria companhia deve ser evidenciada como retificadora da rubrica que serviu de base para sua aquisição, ou a própria conta de capital, nos casos de redução do capital social. De tudo o que foi exposto, sob o ponto de vista puramente técnico, nossa posição é de que o tratamento contábil mais adequado, isentandose de aspectos legais, seria o registro dos gastos com abertura de capital e colocação de ações em rubrica(s) específica(s)do Patrimônio Líquido, retificadora(s) daquela(s) onde foi registrado o montante aportado pelos acionistas (capital e/ou ágio na emissão de ações – se houver). Essa posição fundamentase na convergência com as normas internacionais de contabilidade e, principalmente, por crermos que o efeito líquido da transação representa os recursos que efetivamente financiarão as atividades da companhia e, em sendo ambos registrados no Patrimônio Líquido, ratificam a decisão de financiamento exercida pela companhia. Entretanto, enquanto não houver norma contábil brasileira nesse sentido, entendemos que tais gastos devem ser registrados no resultado do período em que forem incorridos, em item específico que caracterize sua não recorrência. Fl. 702DF CARF MF 12 8. Conclusão: antes do RTT, a orientação da CVM era no sentido de registrar o dispêndio com a emissão primária de ações em conta de resultado (verdadeira despesa). 9. Observese, por oportuno, que a chamada, com destaque negrejado, ao item 81 da Orientação OCPC 02 Esclarecimentos sobre as Demonstrações Contábeis de 2008, expedida pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC em 30/01/2009 (para conferir o documento, consultese http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos Emitidos/Orientacoes, acesso em 10/09/2015), que assim fez a Fiscalização em seu arrazoado (fl. 299), ao dizer da incorreção de se lançar "os custos incrementais com a emissão de novas ações" em "despesas a apropriar": (a) primeiro, não fez diferente do que já havia sido reconhecido no corpo do OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01, de 2006 (como visto, em tal ofício, mesmo tendose presente que, no caso de dispêndio com a emissão primária de ações, o correto seria o seu lançamento em conta patrimonial redutora do patrimônio líquido, a CVM orientava os destinatários do normativo a registrarem o dispêndio em referência em conta de resultado); e (b), segundo, não se dava notícia que fosse (na dita Orientação OCPC 02) da superação/revogação do entendimento até então apregoado (lançamento de dispêndio com a emissão primária de ações em conta de resultado), o que seria de se esperar visto a coincidência de entidades que tem assento no CPC e que apuseram sua chancela no referido OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01, de 2006 (no caso, ABRASCA – Associação Brasileira das Companhias Abertas; APIMEC NACIONAL – Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais, IBRACON – Instituto dos Auditores Independentes do Brasil e FIPECAFI – Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras; vide trecho inicial acima reproduzido do OfícioCircular em testilha e se o coteje com o art. 1º do Regimento Interno do CPC, disponível em http://www.cpc.org.br/CPC/CPC/Regimento Interno; consulta em 14/09/2015). 10. Em tempo de dizer, também, que a fundamentação da autuação, nesse ponto, não foi a descaracterização intrínseca (de natureza) como dispêndio (custo/despesa) do importe pago pelo Contribuinte ao Banco de Investimentos Credit Suisse S.A. pelo serviço de captação de novos investidores (que se concretizou com a aquisição de ações novas do Contribuinte por parte de Wuhan Iron and Steel Co. WISCO). O senão da Fiscalização foi de ordem temporal. Está no item 17 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 294/308): "A previsão legal para exclusão do L.R. de Despesas com Emissão de Ações, passou a vigorar a partir da Medida Provisória nº 627/2013, em seu art. 2º, [...]". Mais, é fora de contexto a chamada ao que decido no Acórdão sob nº 1321.624, tirado pelo então 1º Conselho de Contribuintes, Terceira Câmara, sessão de 12/05/2004, isso com pretensão de fundamento para a autuação (vide reprodução da ementa, logo a seguir). Naquele caso o recurso que aportava vinha em função de "despesas de avaliação do patrimônio líquido" e/ou pela "venda da empresa", que concorre a benefício dos sócios e não da sociedade. No caso presente o recurso externo veio pelo ingresso de novo sócio que adquiriu ações novas (para esse propósito emitidas), com proveito imediato do próprio negócio societário (rectius, da pessoa jurídica). Reparese na ementa: DESPESAS DE AVALIAÇÃO PATRIMONIAL GLOSA As despesas incorridas ora para avaliação do patrimônio líquido e corolários de despesas legais para o preparo de contrato de venda da empresa são despesas que pertinem aos sócios e não à sociedade, refugindo assim do caráter de normalidade e usualidade. DESPESAS DE PROMOÇÃO E PATROCÍNIO GLOSA Não guardam os requisitos de normalidade e usualidade encargos pagos que não se demonstrem necessários à manutenção da fonte produtora (aluguel de navio, grupo para show e doação de “home theater”) ou de resto verdadeiramente despesas que possam incrementar o volume de vendas do sujeito passivo. BENS ATIVÁVEIS GLOSA COMO DESPESA OPERACIONAL São necessariamente ativáveis os bens que Fl. 703DF CARF MF Processo nº 11052.720016/201457 Acórdão n.º 1401002.113 S1C4T1 Fl. 698 13 impliquem no aumento da vida útil do bem por sua descrição, qualificação e propriedades. DESPESAS FINANCEIRAS GLOSA São glosáveis as despesas financeiras apropriadas fora do regime de competência, principalmente quando o sujeito passivo, antes da ação fiscal, reconheceu o ilícito mediante o devido estorno contábil. A apropriação fora do regime de competência não gera postergação do tributo quando o exercício posterior demonstra prejuízo. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUANTIFICAÇÃO Na hipótese de lançamento de ofício , sem fraude ou dolo, o percentual aplicável, segundo a legislação de regência, é de 75%. (Publicado no D.O.U. nº 120 de 24/06/04). (destacouse). 11. Agora, já no curso de vigência do RTT, particularmente para o anocalendário de interesse, isto é, 2010, em que referido regime de transição se tornou obrigatório (foi optativo para o biênio 2008/2009; vide art. 15, §§ 2º e 3º, da Lei nº 11.941, de 2009), sendo certo que, a partir de então (digase, com as inovações contábeis trazidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e mais pronunciamentos do CPC, em particular o hodiernamente referenciado por CPC 08 (R1), disponível em http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=39, consulta feita em 09/09/2015), definitivamente, alteravase o critério de reconhecimento do dispêndio com a colocação primária de ações (de conta de resultado para conta patrimonial retificadora do patrimônio líquido), estava também obrigado o Interessado a reverter o novel expediente contábil. Assim: (a) primeiro, o Contribuinte deveria de seguir os novos preceitos contábeis (Lei nº 11.638, de 2007, e mais pronunciamentos do CPC); (b) depois, para fins fiscais, deveria reverter o que era novidade contábil no Lalur, isso feito aos parâmetros da legislação contábiltributária vigente em 31/12/2007; (c) enfim, seguiria o Contribuinte, como de costume, às exclusões, adições e compensações ao lucro líquido, prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. Era o que se previa no art. 17, incisos I a III, da Lei nº 11.941, de 2009: Art. 17. Na ocorrência de disposições da lei tributária que conduzam ou incentivem a utilização de métodos ou critérios contábeis diferentes daqueles determinados pela Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, com as alterações da Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e dos arts. 37 e 38 desta Lei, e pelas normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários com base na competência conferida pelo § 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e demais órgãos reguladores, a pessoa jurídica sujeita ao RTT deverá realizar o seguinte procedimento [isto é, a pessoa jurídica que sujeita ao RTT, ao se deparar com a legislação tributária vigente até 31/12/2007, obrigada que ficava a dar consequência a essa legislação, consoante art. 16 da Lei em referência]: I – utilizar os métodos e critérios definidos pela Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, para apurar o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda, referido no inciso V do caput do art. 187 dessa Lei, deduzido das participações de que trata o inciso VI do caput do mesmo artigo, com a adoção: a) dos métodos e critérios introduzidos pela Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e pelos arts. 37 e 38 desta Lei; e b) das determinações constantes das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, com base na competência conferida pelo § 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, no caso de companhias abertas e outras que optem pela sua observância; Fl. 704DF CARF MF 14 II – realizar ajustes específicos ao lucro líquido do período, apurado nos termos do inciso I do caput deste artigo, no Livro de Apuração do Lucro Real, inclusive com observância do disposto no § 2º deste artigo, que revertam o efeito da utilização de métodos e critérios contábeis diferentes daqueles da legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 16 desta Lei; e III – realizar os demais ajustes, no Livro de Apuração do Lucro Real, de adição, exclusão e compensação, prescritos ou autorizados pela legislação tributária, para apuração da base de cálculo do imposto. 12. Ora, se o Contribuinte, como no caso, estava obrigado a reverter, no Lalur, o efeito da nova contabilidade (Lei nº 11.638, de 2007, e mais pronunciamentos do CPC), ali há a surgir como de fato surgiu, sem discrepância entre o que afirmam Contribuinte e Fiscalização a exclusão do importe pago ao Banco de Investimentos Credit Suisse S.A. pelo serviço de captação de novos investidores, pois o que vigente em 31/12/2007, segundo interpretação alinhavada no OfícioCircular Ofício Circular/CVM/SNC/SEP nº 01, de 2006, era ter o dispêndio com a emissão primária de ações lançado em conta de resultado. Recuperar um tal efeito, permitido a 31/12/2007, se o faria via exclusão no Lalur. 13. A Instrução Normativa RFB nº 949, de 16 de junho de 2009, que regulamentou o RTT, reafirmou tal inteligência: Art. 1º. As pessoas jurídicas sujeitas ao Regime Tributário de Transição (RTT), instituído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, devem observar as disposições desta Instrução Normativa. Art. 2º. As alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e pelos arts. 37 e 38 da Lei nº 11.941, de 2009, que modifiquem o critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na escrituração contábil, para apuração do lucro líquido do exercício definido no art. 191 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, não terão efeitos para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. [...] Art. 3º. A pessoa jurídica sujeita ao RTT, para reverter o efeito da utilização de métodos e critérios contábeis diferentes daqueles previstos na legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2º, deverá: I utilizar os métodos e critérios da legislação societária para apurar, em sua escrituração contábil, o resultado do período antes do Imposto sobre a Renda, deduzido das participações [nova contabilidade]; II utilizar os métodos e critérios contábeis aplicáveis à legislação tributária, a que se refere o art. 2º, para apurar o resultado do período, para fins fiscais [velha legislação fiscal, a vigente em 31/12/2007]; III determinar a diferença entre os valores apurados nos incisos I e II; e IV ajustar, exclusivamente no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), o resultado do período, apurado nos termos do inciso I, pela diferença apurada no inciso III. Fl. 705DF CARF MF Processo nº 11052.720016/201457 Acórdão n.º 1401002.113 S1C4T1 Fl. 699 15 § 1º. Para a realização do ajuste específico, de que trata o inciso IV do caput, deverá ser mantido o controle definido nos arts. 7º a 9º. § 2º. O ajuste específico no LALUR, referido no inciso IV, não dispensa a realização dos demais ajustes de adição e exclusão, prescritos ou autorizados pela legislação tributária em vigor, para apuração da base de cálculo do imposto. § 3º. Os demais ajustes a que se refere o § 2º devem ser realizados com base nos valores mantidos nos registros do controle previsto nos arts. 7º a 9º. [...] Art. 7º Fica instituído o Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) para fins de registros auxiliares previstos no inciso II do § 2º do art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, destinado obrigatória e exclusivamente às pessoas jurídicas sujeitas cumulativamente ao lucro real e ao RTT. Art. 8º O FCONT é uma escrituração, das contas patrimoniais e de resultado, em partidas dobradas, que considera os métodos e critérios contábeis aplicados pela legislação tributária, nos termos do art. 2º. § 1º A utilização do FCONT é necessária à realização dos ajustes previstos no inciso IV do art. 3º, não podendo ser substituído por qualquer outro controle ou memória de cálculo. § 2º Para fins de escrituração do FCONT, poderá ser utilizado critério de atribuição de custos fixos e variáveis aos produtos acabados e em elaboração mediante rateio diverso daquele utilizado para fins societários, desde que esteja integrado e coordenado com o restante da escrituração, nos termos do art. 294 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. § 3º O atendimento à condição prevista no § 2º impede a aplicação do disposto no art. 296 do Decreto nº 3.000, de 1999. § 4º A elaboração do FCONT é obrigatória, mesmo no caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2º. [Redação dada pelo Instrução Normativa RFB nº 1.139, de 28 de março de 2011] Art. 9º O FCONT deverá ser apresentado em meio digital até às 24 (vinte e quatro) horas (horário de Brasília) do dia 30 de novembro de 2009, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado no dia 15 de outubro de 2009, no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, no endereço. Parágrafo único. Para a apresentação do FCONT é obrigatória a assinatura digital mediante utilização de certificado digital válido. (destacouse) 14. À margem, anotese que o Interessado, mesmo admitindo não "ter procedido ao correspondente ajuste no FCONT" (fl. 439/440), circunstância que atentaria contra o art. 8º, §1º, da IN RFB nº 949, de 2009, acima reproduzido, não poderia ele, agora em julgamento, responder pela consequência da glosa, assim considerado o quadro da acusação que lhe pesou glosa da exclusão discutida em função de ser ela, segundo a Fiscalização, só admissível após a MP nº 627, de 2013, convertida na Lei nº 12.973, de 2014 (o que fortemente direcionou a linha defensória). No estádio em que se encontra, tal expediente corresponderia à verdadeira inovação na Fl. 706DF CARF MF 16 fundamentação da autuação. Por outra, difícil é assimilar a perda d'um direito por desrespeito d'uma forma (descompasso esse que não foi desde logo imputado). Quando muito, poderseia então cogitar do nascimento d'uma condição suspensiva ao gozo dessa direito, cuja satisfação/concretização ficaria à espera do adimplemento da forma obrigada. Mas, como se disse, não foi por essa linha não apresentação/transmissão de FCONT que se pautou a autuação. A motivação da exigência, no ponto, não foi essa. 15. Enfim, após a extinção do RTT, assim promovida pela MP nº 627, de 2013, convertida na Lei nº 12.973, de 2014 (art. 117, inciso X, desse último normativo), para efeito de continuar a garantir o proveito do dispêndio com gasto na emissão primária de ações (com o fim do RTT, os Contribuinte restariam desarmados dessa possibilidade), o art. 2º da Lei em comento fez acrescer o art. 38A ao DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: Art. 38A. Os custos associados às transações destinadas à obtenção de recursos próprios, mediante a distribuição primária de ações ou bônus de subscrição contabilizados no patrimônio líquido, poderão ser excluídos, na determinação do lucro real, quando incorridos. 16. E a dizer que o propósito foi exatamente esse garantir o proveito de dispêndio que tal está, como já também adiantado pelo Contribuinte, a exposição de motivos que acompanhou a edição da MP nº 627, de 2013. Reproduzase (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato20112014/2013/Exm/EMMPv627.doc; consulta em 17/09/2015): EM nº 00187/2013 MF Brasília, 7 de Novembro de 2013 Excelentíssima Senhora Presidenta da República, Submeto à apreciação de Vossa Excelência a Medida Provisória que altera a legislação tributária federal e revoga o Regime Tributário de Transição RTT instituído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, bem como dispõe sobre a tributação da pessoa jurídica domiciliada no Brasil, com relação ao acréscimo patrimonial decorrente de participação em lucros auferidos no exterior por controladas e coligadas e de lucros auferidos por pessoa física residente no Brasil por intermédio de pessoa jurídica controlada no exterior; e dá outras providências. 1. A Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, alterou a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 Lei das Sociedades por Ações, modificando a base de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. A Lei nº 11.941, de 2009, instituiu o RTT, de forma opcional, para os anoscalendário de 2008 e 2009, e, obrigatória, a partir do anocalendário de 2010. 2. O RTT tem como objetivo a neutralidade tributária das alterações trazidas pela Lei nº 11.638, de 2007. O RTT define como base de cálculo do IRPJ, da CSLL, da Contribuição para o PIS/PASEP, e da COFINS os critérios contábeis estabelecidos na Lei nº 6.404, de 1976, com vigência em dezembro de 2007. Ou seja, a apuração desses tributos tem como base legal uma legislação societária já revogada. 3. Essa situação tem provocado inúmeros questionamentos, gerando insegurança jurídica e complexidade na administração dos tributos. Além Fl. 707DF CARF MF Processo nº 11052.720016/201457 Acórdão n.º 1401002.113 S1C4T1 Fl. 700 17 disso, traz dificuldades para futuras alterações pontuais na base de cálculo dos tributos, pois a tributação tem como base uma legislação já revogada, o que motiva litígios administrativos e judiciais. 4. A presente Medida Provisória tem como objetivo a adequação da legislação tributária à legislação societária e às normas contábeis e, assim, extinguir o RTT e estabelecer uma nova forma de apuração do IRPJ e da CSLL, a partir de ajustes que devem ser efetuados em livro fiscal. Além disso, traz as convergências necessárias para a apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. [...] 15. O art. 2º altera o DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, visando refletir o tratamento tributário dos novos métodos e critérios contábeis trazidos pela legislação societária. Os dispositivos alterados e acrescentados são os seguintes: [...] 15.18. O 38A, uma vez que, conforme as novas regras contábeis, os custos incorridos na emissão de ações e bônus de subscrição deixaram de ser reconhecidos como despesa e passaram a ser registrados como conta do patrimônio líquido. A fim de manter o mesmo tratamento tributário, o art. 38A autoriza a exclusão desses valores da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. (destacouse) 17. Em conclusão última desse tópico, o dispêndio com a emissão primária de ações mereceu, antes do RTT, o registro em conta de resultado (despesa); durante e após a sua extinção, o lançamento em conta patrimonial redutora do patrimônio líquido, mas já aí, com o respectivo proveito tirado pelo Contribuinte pela via de sua exclusão no Lalur. Cancelada a autuação, portanto, nesse ponto. Conforme pudemos depreender da decisão a quo, anteriormente à introdução do RTT, o tratamento tributário relativo às despesas com a emissão de novas ações era de conta redutora do resultado. Durante a vigência do RTT, o Contribuinte deveria reverter, ou melhor dizendo, neutralizar, para efeitos tributários, os novéis expedientes contábeis, de forma que a apuração de seu resultado refletisse o quadro normativo existente até 31/12/2007. In casu, deveria a Recorrente excluir no LALUR as despesas com a emissão de novas ações, que segundo as disposições contidas na Lei nº 11.638/2007, tinha o tratamento de conta retificadora do patrimônio líquido. Findo o RTT, estabeleceuse através da MP nº 627/2013, convertida na Lei nº 12.973/2014, a garantia do proveito do dispêndio com os gastos na emissão primária de ações; vimos em sua exposição de motivos, a justificar tal medida, a intenção clara de manter o mesmo tratamento tributário até então dado aos contribuintes que tivessem incorrido em tais despesas. Assim, por decorrência lógica, se a intenção manifesta era de garantir o mesmo tratamento tributário até então existente, significa dizer que desde antes da edição da Lei nº 12.973/14 já lhe era garantido tal tratamento. Portanto, perfeita a análise empreendida pela DRJ/SPO, com a qual me coaduno na sua íntegra, para negar provimento ao recurso de ofício. Fl. 708DF CARF MF 18 Em relação à glosa das despesas de juros com a emissão de debêntures, assim se manifestou a DRJ/SPO: 28. Agora, quanto à glosa de R$ 9.010.811,50 respeitante a encargos financeiros suportados pelo Contribuinte e vinculados à nomeada 2ª emissão de debêntures, os quais (encargos) a Fiscalização reputou sem razão de ser à vista da não comprovação da "efetiva captação de novos recursos financeiros inerentes à emissão desses títulos" (fls. 304/305; destaques do original), há de se reconhecer razão ao Interessado. Por outra, agora em impugnação, traz ele elementos probatórios conducentes a se firmar que, sim, experimentara recursos atinentes à dita emissão de debêntures. Vejase: 28.a) Como alegado pelo Contribuinte, na "ESCRITURA PARTICULAR DA 2ª EMISSÃO DE DEBÊNTURES SIMPLES, NÃO CONVERSÍVEIS EM AÇÕES, DA MMX MINERAÇÃO E METÁLICOS S.A., SOB REGIME DE GARANTIA FIRME, COM ESFORÇOS RESTRITOS DE COLOCAÇÃO" (fls. 215/251), assinada em 27/11/2009, em sua cláusula 3.3, registrase que o "valor da Emissão é de R$ 96.445.858,56 [...], na Data de Emissão", valor esse correspondente a "192 (cento e noventa e duas) Debêntures" (cláusula 3.4) ao "valor nominal unitário [...]" de R$ 502.322,18 (cláusula 4.1.1), sendo certo que dito "Valor Nominal Unitário" haveria de ser, primeiro, "atualizado pelo fator resultante da variação da cotação de fechamento da Taxa de venda de câmbio de reais por dólares dos Estados Unidos da América, [...], desde a Data de Emissão [...], até o Vencimento [...], tomando por base a taxa do dia útil imediatamente anterior à Data de Emissão" (cláusula 4.2.1) e, depois de assim atualizado, ser contemplado com a incidência de juros "correspondentes a 8,5% [...] ao ano, base 360 dias, calculados linearmente, de forma pro rata temporis [...] a partir da Data de Emissão [...]" (cláusula 4.2.3). E propriamente quanto à subscrição e integralização, tais operações se dariam "no mercado primário, pelo seu Valor Nominal Unitário, acrescido da Remuneração, calculada pro rata temporis desde a Data de Emissão até a Data de Subscrição" (cláusula 4.3.1). Ainda em vistas do documento em causa, anunciase na sua cláusula 3.7 que as "Debêntures serão objeto de distribuição pública, [...], com intermediação de instituição financeira [...] ('Coordenador'), observados os termos estipulados no 'Instrumento Particular do Contrato de Distribuição Pública, com esforços restritos de colocação, sob o regime de garantia firme, de debêntures simples, não conversíveis em ações, da 2ª Emissão da MMX Mineração e Metálicos S.A.', celebrado em 27 de novembro de 2009, entre a Emissora e o Coordenador, o Banco Votorantim S.A." 28.b) Já o "CONTRATO DE DISTRIBUIÇÃO PÚBLICA COM ESFORÇOS RESTRITOS DE COLOCAÇÃO, SOB REGIME DE GARANTIA FIRME, DE DEBÊNTURES, NÃO CONVERSÍVEIS EM AÇÕES, DA 2ª EMISSÃO DA MMX MINERAÇÃO E METÁLICOS S.A." (fls. 576/603; colacionado em impugnação), firmado entre o Contribuinte e o Banco Votorantim S.A. (ali nomeado "Votorantim" ou "Coordenador Líder"), dispõe que as debêntures em causa "deverão ser integralmente subscritas e integralizadas no prazo de até 5 (cinco) dias úteis contados da data" de seu respectivo registro junto à CETIP S.A. Mercados Organizados (cláusula 4.4), dito "Prazo de Colocação". Mais, dispõese que na hipótese em que "as Debêntures não sejam integralmente subscritas e integralizadas por Investidores Qualificados durante o Prazo de Colocação, o Coordenador Líder estará obrigado a subscrever e integralizar as Debêntures não colocadas no âmbito da Oferta Restrita, pelo Preço de Subscrição", devidamente atualizado e remunerado (cláusula 5.2). Enfim, sobre o procedimento de liquidação, estatuise que "A transferência, à Emissora, dos valores obtidos pelo Coordenador Líder com a colocação das Debêntures no âmbito da Oferta Restrita será realizada na da Data de Liquidação ('Liquidação')" (cláusula 9.1), tomada essa última como aquela "em que ocorrer a subscrição e integralização das Debêntures ou último dia Fl. 709DF CARF MF Processo nº 11052.720016/201457 Acórdão n.º 1401002.113 S1C4T1 Fl. 701 19 útil do Prazo de Colocação, o que ocorrer primeiro" (cláusula 9.1.1), sendo certo ainda que a "Liquidação será realizada por meio de depósito, Transferência Eletrônica Disponível TED ou outro mecanismo de transferência equivalente, na conta corrente de titularidade da Emissora mantida junto ao Coordenador Líder, quando for o caso, ou em conta corrente de titularidade da Emissora mantida junto a outra instituição financeira, se a Emissora não mantiver conta corrente junto ao Coordenador Líder, [...]" (cláusula 9.1.2). 28.c) Por fim, traz o Contribuinte aos autos (fls. 552/572; em impugnação), justamente, um extrato de conta corrente bancária de sua titularidade (a cobrir o período de 01/10/2009 a 28/02/2010), mantida junto ao Banco Itaú S.A., agência 0911, conta corrente 048239, no qual se apanha um crédito no importe de R$ 94.868.375,04, havido em 04/12/2009, sob o histórico "TED 655.0000BCO VOTORANT" (fl. 560). 29. Ora, sob esse cenário, a história defendida pelo Interessado tem fio e meada, pois: 29.a) Há conformidade entre a data de emissão das debêntures em causa, isto é, 27/11/2009, o "Prazo de Colocação" (cinco dias úteis a partir do registro delas junto à CETIP S.A. Mercados Organizados), e o crédito (parágrafo 28.c acima) anotado em conta corrente bancária de titularidade do Contribuinte, assim ocorrido em 04/12/2009. 29.b) As avenças acima (a escritura de emissão das debêntures e o contrato de sua colocação no mercado) previam a intermediação do Banco Votorantim S.A. e é justamente dessa a instituição financeira que provém o expediente de transferência bancária TED especificamente previsto em tais avenças. 29.c) No que importa à valoração, em 26/11/2009 (dia útil imediatamente anterior à data de emissão das debêntures; retomese o parágrafo 28.a acima), R$ 96.445.858,56 correspondiam a US$ 55.399.999,17 (= 96.445.858,56/1,7409), os quais, à sua vez, em 04/12/2009, representavam R$ 94.905.738,58 (= 55.399.999,17*1,7131), conversões essas procedidas em conformidade com as taxas de venda de câmbio de reais por dólares dos Estados Unidos da América, assim retiradas de http://www4.bcb.gov.br/pec/taxas/port/ptaxnpesq.asp?id=txcotacao&=txcotacao (consulta feita em 05/10/2015), como previsto nas cláusulas 4.2.1 da escritura de emissão das debêntures sob consideração e 2.2 do contrato de sua colocação no mercado (vide consulta ao sítio eletrônico do Banco Central do Brasil reproduzida logo a seguir). A menos de detalhe pontual respeitante à compreensão deste Relator sobre a exata data de valoração e/ou incidência de juros (previsto nas formas negociais referidas nos parágrafos 28.a e 28.b acima), é bem de ver a compatibilidade de grandeza entre esse último valor, isto é, R$ 94.905.738,58, e o monte efetivamente depositado em conta corrente bancária de titularidade do Interessado, a dizer, R$ 94.868.375,04 (uma diferença de R$ 37.363,54; parágrafo 28.c acima). Fl. 710DF CARF MF 20 30. Disso tudo, sim, demonstrou o Contribuinte, ao contrário da linha defendida pela Fiscalização, a efetiva captação e o respectivo ingresso de novos recursos financeiros inerentes à emissão de debêntures em causa. Também não tenho nenhum reparo a fazer em relação ao decidido pela DRJ/SPO neste ponto, haja vista a acuidade com que demonstrou de forma inequívoca a razão defendida pela Recorrente ao se defender da autuação neste ponto. Portanto, também em relação a este ponto, nego provimento ao recurso de ofício. Do Recurso Voluntário O recurso voluntário possui 03 vertentes: 1) Glosa de despesas decorrente do rateio entre as empresas do Grupo EBX, no valor de R$9.430.616,60; 2) Glosa de despesas incorridas na emissão de debêntures, no valor de R$1.030.041,69; 3) O entendimento da Recorrente de que não se aplicaria à CSLL as glosas de despesas que não atendessem aos critérios de dedutibilidade aplicáveis ao IRPJ. Vamos por partes, analisando cada caso. 1) Glosa de despesas decorrente do rateio entre as empresas do Grupo EBX A Fiscalização, neste ponto, glosou o valor de R$9.430.616,60, relativos a despesas que teriam sido rateadas pelas empresas do Grupo EBX. A Fiscalização efetuou as glosas haja vista que a Recorrente não teria demonstrado a aplicação de “critérios razoáveis e objetivos para o rateio” (v. TVF às efls. 303). Assim se manifestou a Fiscalização: Fl. 711DF CARF MF Processo nº 11052.720016/201457 Acórdão n.º 1401002.113 S1C4T1 Fl. 702 21 A DRJ/SPO manteve a glosa, ao argumento de que a Recorrente não teria comprovado, com documentação hábil e idônea, a mensuração dos custos efetivamente experimentados no período objeto da auditoria e que teriam sido rateados entre as empresas do Grupo EBX. Tal demonstração, segundo a DRJ/SPO deveria se dar através da apresentação de “folhas de tempo e/ou outra metodologia”, conforme consta do item 4.1, alínea “b”, do “Acordo de Custos Administrativos Compartilhados”, firmado entre as empresas do Grupo EBX para estabelecer os critérios de rateio de custos. Abaixo reproduzo o citado Acordo de Custos Compartilhados, naquilo que nos interessa: Também não teria sido apresentado e/ou comprovado ter sido realizado, pela Recorrente, aquilo que havia sido estabelecido no item 4.1, alínea “c”, que diz respeito ao Fl. 712DF CARF MF 22 estabelecimento dos percentuais predefinidos de rateio, utilizáveis no caso de não ser possível a aferição direta dos custos a serem rateados, no prazo ajustado pela alínea “b” (trinta dias). No raciocínio expendido pela Decisão Recorrida, se tais percentuais não foram definidos, então a única forma aceitável e condizente com o Acordo de Custos Administrativos Compartilhados para a aferição dos valores a serem rateados, seria através de aferição direta, lastreada em documentação hábil, no caso, as tais “time sheets”, ou “folhas de tempo”, que não foram apresentadas, nem à Fiscalização, nem no momento da impugnação. No seu Recurso Voluntário, a Contribuinte reitera ter adotado o critério de aferição direta das despesas efetivamente incorridas, nos exatos termos do acordo de rateio. Aduz que o percentual atribuível à Recorrente, com relação a cada um dos itens de despesa variava, mas reforça a sua convicção de que a sistemática utilizada para a respectiva aferição era razoável, objetiva e consistente. Quanto à necessidade de apresentação da documentação que daria suporte ao critério de divisão do custo adotado, argui que se trataria de verdadeira inversão do ônus da prova, por parte da Fiscalização e da Autoridade Julgadora a quo. Vejam o que diz a Recorrente a respeito: Creio não assistir razão à Recorrente. O acordo de rateio é claríssimo ao estabelecer os critérios para a divisão dos custos. Aliás, como bem disse a Recorrente em seu recurso voluntário, em nenhum momento a Fiscalização ou a Autoridade Julgadora de piso questionaram a validade do acordo. Isso é certo. O que foi questionado foi justamente o seu cumprimento. Como vimos, o combinado era a aferição direta dos custos, com base em “folhas de tempo e/ou outra metodologia que seja considerada adequada” (v. cláusula 4.1, “b”), a ser realizada em até 30 dias após o fim do mês anterior à realização das despesas, com a consequente emissão de notas de débito para a MMX. Em não sendo feita a aferição direta no prazo previamente ajustado, deveria a EBX aplicar os percentuais de rateio estabelecidos para cada exercício fiscal, raltivos a cada um dos custos gerais e administrativos orçados, emitindo as notas de débito com base nesses valores e compensando eventuais diferenças em meses posteriores, conforme estabelecido na cláusula 4.1, “c” e “d”. Fl. 713DF CARF MF Processo nº 11052.720016/201457 Acórdão n.º 1401002.113 S1C4T1 Fl. 703 23 Ora, não foram apresentadas as “folhas de tempo e/ou outra metodologia que seja considerada adequada”; também não foram estipulados os percentuais predefinidos de rateio para o exercício fiscal. Então, de todo o exposto considero que o Acordo de Custos Administrativos Compartilhados não foi cumprido, razão pela qual considero acertada a decisão recorrida e não dou guarida às alegações da Recorrente neste ponto. 2) Glosa de despesas incorridas na emissão de debêntures, no valor de R$1.030.041,69 O valor de R$1.030.041,69, glosado pela Fiscalização a título de despesa incorrida com a emissão de debêntures, referese a diferença entre o informado pela Recorrente em sua DIPJ, na ficha 06A, conta 4.2.01.01.0002 Juros Pagos ou Incorridos R$36.544.544,53, e o efetivamente comprovado por ela após solicitação da Autoridade Fiscal, no caso, R$35.514.502,84. A decisão recorrida não deu guarida às justificativas apresentadas pela Contribuinte. Abaixo reproduzo suas conclusões, que podem ser encontradas às efls. 642/643 deste processo: 27. Conforme termo de intimação de fl. 86, cientificado ao Contribuinte em 25/03/2014 (fl. 87), foi ele instado a apresentar, entre outros, a "Escritura de emissão de debêntures (ou documentação semelhante) referente à operação que gerou os juros de que trata a conta de resultado 'Juros Pagos ou Incorridos' nº 4.2.01.01.0002, valor de R$36.544.544,53", bem que a "Relação dos titulares debenturistas, informando data e valores de aquisição, referente à operação citada no item [...] acima" Ora, vindo aos autos a documentação então solicitada (fls. 118/133) e mais quadro demonstrativo (fl. 117) a título de suma dos valores transacionados com respeito à emissão de debêntures e respectiva remuneração (despesa com juros), a Fiscalização deu por bom/justificado o importe de despesa, sob o título em causa, no valor de R$ 35.514.514,84. Faltou o Contribuinte explicar, pois, a diferença de R$ 1.030.041,69 (R$ 36.544.544,53 R$ 35.514.514,84). A esse propósito, digase, ainda que a Fiscalização, por equívoco, tivesse em estimativa que a explicação do todo (correspondente ao importe de R$ 36.544.544,53, como anotado na criticada conta de despesa) se daria a partir d'uma sua parte constitutiva, isto é, a partir da nomeada primeira emissão de debêntures, isso não resolve a evidência por ela levantada: o Interessado impactou a apuração do lucro líquido com a anotação de despesa financeira da ordem de R$ 36.544.544,53; explicou ele, com base em tratativas vinculadas à emissão de debêntures e correspondente encargo com o pagamento de juros aos debenturistas, o monte de R$ 35.514.514,84. Então, R$1.030.041,69, é despesa lançada sem lastro documental. E, enfim, aquilo que o Contribuinte traz em impugnação (fls. 550), sobre ser cópia "extraída do razão contábil da referida subconta [...]" (fl. 454), não se convola no próprio documentário que, este sim e tal qual na experiência vivenciada com a escritura da emissão de debêntures e boletins de subscrição (fls. 118/133), seria suficiente a evidenciar/justificar o que anotado, por exemplo, como "Resultado JUR Por Opr.#355", sob múltiplos valores, "JUROS LEASING SET/2010", no patamar de R$ 55.555,12 (exemplos como colhidos à já citada fl. 550). Fl. 714DF CARF MF 24 Irresignada com tal decisão, a Contribuinte alega em seu Recurso Voluntário (v. efls. 680/682) o seguinte: Novamente, a Recorrente lança mão do argumento de que caberia à Fiscalização o ônus de comprovar a indedutibilidade da despesa que, segundo ela, se referiria a "outras operações financeiras celebradas pela RECORRENTE", nas suas próprias palavras. Ora, a Fiscalização solicitou através do Termo de Início de Procedimento Fiscal que a Contribuinte relacionasse as contas contábeis que compõem o item "outras despesas financeiras", informado na DIPJ, Ficha 06A (v. efls. 46). Em resposta, a Contribuinte apresentou os documentos de efls. 56/58, em que detalha a composição do referido item informado na DIPJ; claramente se depreende que o valor de R$36.544.544,53 referese a juros pagos ou incorridos com debêntures (v. efls. 58). Ato contínuo, através da Intimação de efls. 86, a Fiscalização solicitou da Recorrente a apresentação da Escritura de emissão de Debêntures que gerou os juros de R$36.544.544,53 (vide abaixo): Em resposta, a Recorrente apresentou, juntamente com a escritura de emissão de debêntures, o demonstrativo de efls. 117, através do qual detalha os juros incorridos com a respectiva emissão, cuja soma total importou em R$35.514.502,84. Fl. 715DF CARF MF Processo nº 11052.720016/201457 Acórdão n.º 1401002.113 S1C4T1 Fl. 704 25 Em seu recurso voluntário a Recorrente repete o que já havia arguido quando da impugnação para rechaçar o lançamento, dando a entender que a Fiscalização teria "inferido" ou "suposto" que o montante de R$1.030.041,69 estaria contido no valor de R$36.544.544,53 informado em sua DIPJ a título de outras despesas financeiras. Ora, a Fiscalização não "inferiu" ou "supôs" absolutamente nada. As conclusões a que chegou decorreram das próprias informações prestadas pela Fiscalizada durante o procedimento fiscal, conforme vimos acima. Também neste caso, quis a Recorrente jogar sobre os ombros da Fiscalização o ônus de provar a indedutibilidade da despesa, quando na realidade ela, a Contribuinte, é que deve demonstrar que as despesas que escritura em sua contabilidade e informa em suas declarações ao Fisco são legalmente dedutíveis. Junto com a impugnação, a Recorrente apresentou o documento de efls. 550 que, segundo ela, comprovaria as despesas de R$1.030.041,69. Entretanto, se analisarmos o referido documento, assim como o fez a DRJ/SPO, chegaremos à mesma conclusão constante do Acórdão Recorrido, ou seja, que tal demonstrativo nada prova. Abaixo reproduzo o citado documento: Fl. 716DF CARF MF 26 No recurso voluntário, a Recorrente alega que a decisão recorrida teria mantido a glosa por ausência de lastro documental; em seu entendimento, a ausência de lastro documental seria consequência direta da inação da Fiscalização, que em sua visão deveria ter buscado esclarecer a razão para a existência das divergências de informações que geraram as glosas. A Fiscalização, como vimos, intimou a Recorrente a demonstrar a composição da conta "juros pagos ou incorridos". A própria Contribuinte fez a demonstração e não conseguiu, durante o procedimento fiscal, confirmar a totalidade dos valores deduzidos. Apenas em sede de impugnação a Recorrente apresentou alguma justificativa para a referida diferença, entretanto, juntou aos autos uma planilha que não tem força probatória nenhuma; alega simplesmente que foi extraída do razão contábil da subconta contábil nº 4.2.01.01.0002. Por que não apresentou a referida planilha durante o procedimento fiscal? Por que não anexou a íntegra do razão da subconta nº 4.2.01.01.0002, ao invés disso, juntou apenas um extrato da mesma? São perguntas que não consigo responder com os elementos constantes dos autos, razão pela qual, nego provimento ao recurso voluntário também neste ponto. 3) Dos critérios de dedutibilidade das despesas na apuração do IRPJ e CSLL No recurso voluntário, alega a Recorrente que as despesas glosadas que não atendam aos critérios de dedutibilidade aplicáveis ao IRPJ, devem ser consideradas na base de cálculo da CSLL, haja vista a ausência de regramento na legislação da referida Contribuição que condicione a dedução dessas despesas à comprovação de sua necessidade, normalidade ou usualidade. Também aduz a Recorrente que o Acórdão da DRJ/SPO teria concluído pela validade da glosa sob o argumento de que as despesas em discussão não teriam tido sua existência devidamente comprovada; ou seja, a decisão recorrida teria reconhecido que a indedutibilidade das despesas não resultaria propriamente da falta de comprovação do requisito da necessidade da despesa, e sim de sua própria existência, o que seria relevante também para fins da CSLL. Arremata dizendo que "Assim, (i) não tendo os AUTOS sido lavrados sob o fundamento de ausência de comprovação da existência das despesas em discussão, e, ainda, (ii) sendo a tese esposada pela RECORRENTE em sua impugnação corroborada pela DECISÃO, devese reconhecer a dedutibilidade das despesas para fins de CSLL". Na realidade, o Auto de Infração glosou as despesas objeto deste recurso por dois motivos diferentes (v. efls.320): a glosa de despesas decorrentes de rateio com a EBX teve por motivo a sua desnecessidade; já a glosa de despesas financeiras foi objeto de falta de comprovação. Portanto, o raciocínio esposado pela Contribuinte acima reproduzido já cai por terra. Já a decisão recorrida, em nenhum momento reconheceu como acertada a tese da Contribuinte de que não se aplica à CSLL os mesmos critérios de dedutibilidade utilizados na apuração do IRPJ. Fl. 717DF CARF MF Processo nº 11052.720016/201457 Acórdão n.º 1401002.113 S1C4T1 Fl. 705 27 A decisão recorrida simplesmente colacionou excertos de Acórdão do CARF para demonstrar que "uma coisa é despesa não comprovada (minimamente, é este o caso das glosas que até esse ponto do presente Voto sobrevivem; vide ITEM 02 e primeira parte do ITEM 03), outra, bem distinta, é a despesa comprovada mas que, sob a ótica do IRPJ, não é dedutível de sua base de cálculo, merecendo, pois, a sua adição ao lucro líquido (regra essa cuja extensão à CSLL é questionada pelo Interessado)" (v. efls. 645). Em nenhum momento a decisão recorrida faz juízo de valor para concordar ou discordar do entendimento esposado nos respectivos acórdãos. O Acórdão Recorrido simplesmente assentou que ao caso em apreço as glosas ainda vigentes "remanescem à conta da não comprovação de suas próprias existências", justamente para rebater a tese da Contribuinte, embasada que é nos mesmos termos constantes dos acórdãos citados pela decisão recorrida. Ademais, independentemente dos erros de avaliação da Recorrente em relação ao efetivamente decidido pela Autoridade Julgadora a quo, sua tese principal não tem como prosperar, haja vista que a CSLL tem como base de cálculo o lucro líquido do período, com os ajustes determinados na legislação de regência. Neste sentido, determinam os artigos 248 e 277, ambos do RIR/99: Art. 248. O lucro líquido do período de apuração é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais, e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 1º, Lei nº 7.450, de 1985, art. 18, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 4º). Art. 277. Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11). Assim, o lucro operacional traduzse no resultado do confronto entre as receitas operacionais e as despesas operacionais. Vejamos o que nos diz o artigo 299 do RIR/99: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). Da interpretação sistemática destes dispositivos, podemos deduzir que somente poderão reduzir o lucro líquido as despesas operacionais que preencham os requisitos previstos no artigo 299, acima transcrito, quais sejam, as despesas necessárias e, por óbvio, devidamente comprovadas. Fl. 718DF CARF MF 28 Portanto, os dispêndios contabilizados que venham a violar as regras de dedutibilidade do IRPJ não podem reduzir o lucro líquido, mesma base de cálculo da CSLL, com os ajustes previstos na sua legislação específica. Assim, o que torna esses dispêndios/despesas/custos indedutíveis também da base de cálculo da Contribuição Social é o próprio conceito de resultado do exercício, apurado com observância da legislação comercial. Os dispêndios glosados afetam o próprio resultado do exercício e, consequentemente, também a base de cálculo da Contribuição Social, como definida no art. 2º da Lei 7.689, de 1988, com as alterações do art. 2º da Lei 8.034, de 1990. Além disso, o art. 13 da Lei nº 9.249/95, quando trata das despesas indedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, é taxativo ao dispor que tais vedações de dedutibilidade se aplicam independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.502/64, justamente a base legal do art. 299 do RIR/99. Portanto, dada a relação de causa e efeito entre as glosas efetuadas para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, voto por negar provimento ao recurso também em relação a este ponto. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 719DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.905686/2006-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA.
Não se conhece de recurso especial quando a situação tratada pelo acórdão recorrido é diversa daquela analisada pelos acórdãos paradigmas e tais diferenças justificam a divergência de entendimento entre os colegiados.
Numero da decisão: 9101-003.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em na~o conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Arau´jo e Rodrigo da Costa Po^ssas, que conheceram do recurso. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substitui´da pelo conselheiro Jose Eduardo Dornelas Souza.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Po^ssas Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luis Flávio Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Jose Eduardo Dornelas Souza (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Po^ssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo.
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AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece de recurso especial quando a situação tratada pelo acórdão recorrido é diversa daquela analisada pelos acórdãos paradigmas e tais diferenças justificam a divergência de entendimento entre os colegiados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pelo conselheiro Jose Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luis Flávio Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Jose Eduardo Dornelas Souza (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 56 86 /2 00 6- 11 Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10768.905686/200611 Acórdão n.º 9101003.300 CSRFT1 Fl. 1.765 2 e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”), em face do acórdão n. 140200.768 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela então 2a Turma Ordinária, 4a Câmara, desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”), que tem por interessado por REXAM BEVERAGE CAN SOUTH AMERICA S/A (doravante “contribuinte” ou “recorrida”). O acórdão apresenta a seguinte síntese dos fatos relevantes ao caso (efls. 507 e seg.): “Tratase de DCOMP Eletrônica n° 06287.56444.151203.1.7.024299, onde a interessada declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito: Crédito – Saldo Negativo de IRPJ Exercício: 2002 (anocalendário de 2001) Valor do Saldo Negativo: R$ 9.014.729,23 Crédito Original da Data da Transmissão: R$ 9.014.729,23 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 33.856,63 Posteriormente, foram apresentadas as seguintes DCOMP utilizando o mesmo crédito: 26225.20056.151203.1.3.027406; 05405.56221.151203.1.3.029724; 41268.33802.151203.1.3.029509; 24481.12247.140104.1.3.026545 e 02026.10291.140104.1.3.026786. Em 25/09/2008, a interessada tomou cien̂cia da intimação de fls. 99/101, com a solicitação de esclarecer a qual anocalendário o crédito se referia, considerando que o valor de R$ 9.014.729,23 coincide com o saldo negativo informado na DIPJ/2003, anocalendário de 2002. Caso tivesse ocorrido inexatidão material, a interessada deveria apresentar comprovante do pagamento do IRPJ no exterior, relativo ao imposto de renda mensal – mês de julho de 2002, acompanhado das respectivas demonstrações contábeis como extratos do Livro Diário e Livro Razão. Também deveria informar em que Linha da Ficha 06 A da DIPJ do Exercício 2003 (ano calendário de 2002) foram oferecidos à tributação os rendimentos que deram causa ao pagamento de IRPJ no exterior. Decorrido o prazo sem atendimento à Intimação, em 02/12/2008, as DCOMP foram analisadas, sendo proferido o Despacho Decisório de fls. 107, com base no Parecer Conclusivo 484/2008, fls. 104/107, reconhecendo parcialmente o direito creditório no valor de R$ 5.408.320,34, a título de saldo negativo de IRPJ do Exercício 2003/Anocalendário de 2002, homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido. O reconhecimento parcial do direito creditório teve a seguinte fundamentação: • Como não houve resposta à intimação, considerou que o crédito seria decorrente de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002. • A interessada efetuou deduções do Imposto de Renda Retido na Fonte no montante de R$ 7.954.866,42, sendo que o valor de IRRF confirmado nas DIRF é de R$ 7.954.865,15, com rendimentos de R$ 41.771.125,51. • Foi oferecido à tributação, a título de Juros sobre o Capital Próprio, o montante de R$ 8.429.301,22, valor confirmado pelas fontes pagadoras, com IRRF no valor de R$ 1.264.395,18. Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10768.905686/200611 Acórdão n.º 9101003.300 CSRFT1 Fl. 1.766 3 • Por falta de comprovaca̧õ, restou prejudicada a dedução do Imposto de Renda Pago no Exterior sobre Lucros de Rendimentos e Ganhos de Capital, tanto na estimativa do mês de julho de 2002 (R$ 1.523.490,19), quanto na apuração anual (R$ 2.028.918,70). • Excluindo os valores não confirmados do saldo negativo apurado pela interessada na DIPJ/2003 (R$ 9.014.729,23), apurouse o crédito no montante de R$ 5.408.320,34. Efetuados os procedimentos de compensaçaõ, conforme Despacho de fls. 126/127, concluiuse pela homologação integral das DCOMP de no 06287.56444.151203.1.7.024299, 05405.56221.151203.1.3.029724, 41268.33802.151203.1.3.029509, 26225.20056.151203.1.3.027406, homologação parcial da DCOMP no 02026.10291.140104.1.3.026786, e não homologação da DCOMP no 24481.12247.140104.1.3.026545. A interessada teve ciência, em 29/12/2008, do inteiro teor do Parecer Conclusivo no 484/2008 (fls. 104/107), do Despacho Decisório (fls. 109), dos demonstrativos de compensação (fls. 109/125), do despacho de fls. 127.” O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 DCOMP. NULIDADE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Não é nula a decisão de 1a. primeira instância que enfrenta adequadamente as mateŕias efetivamente impugnadas, ainda que também tenha tratado de outras matérias não pertinentes ao litígio. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em homologação tácita de DCOMP que foi objeto de retificação antes do prazo de 5 anos, hipótese em que a contagem é recomeçada. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lanca̧mento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN. Esse prazo decadencial também é aplicável nas revisões do Lucro Real apurado e declarado pelo contribuinte, para fins de apuração do direito creditório concernente ao Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ/CSLL. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. A Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento pelo contribuinte. Essa revisão deve partir do lucro real declarado/apurado pelo contribuinte e pode contemplar a verificação da efetividade dos recolhimentos, das retenções do IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações, enfim a própria formação do saldo. Todavia, após o prazo decadencial de 5 anos, contados do lanca̧mento original, ou retificado pelo contribuinte, não é possível alterar o lucro real regularmente apurado e declarado, sob pena de, por vias transversas, levar a efeito procedimento fiscal em relação a período já atingido pela decadência. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido. Em face do aludido acórdão, a PFN opôs embargos de declaração, (efls. 518 e seg.), os quais, contudo, foram rejeitados (efls. 524 e seg.; efl. 528) A PFN, então, interpôs recurso especial, requerendo a reforma do acórdão recorrido (efls. 531 e seg.). Em especial, sustenta que: Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10768.905686/200611 Acórdão n.º 9101003.300 CSRFT1 Fl. 1.767 4 “Diferentemente do acórdão recorrido, os vv. acórdãos paradigmas, da lavra dessa eg. Câmara Superior de Recursos Fiscais e da eg. Quarta Câmara do 1o Conselho de Contribuintes, defendem que é perfeitamente cabível a revisão/retificação, pela fiscalização, de valores apropriados a título de prejuízo fiscal, ainda que estes tenham origem em anocalendário abarcado pela decadência. Isso porque, em verdade, os prazos decadenciais destinamse exclusivamente ao lançamento tributário. Não abrangem, pois, a revisão de valores relativos a prejuízos fiscais advindos de períodos anteriores, ainda que estes tenham influência nos valores do lançamento relativo ao anocalendaŕio não decadente.” O despacho de admissibilidade deu seguimento ao recurso especial interposto (efls. 552 e seg.). O contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial do contribuinte (efls. 564 e seg.), pugnando, preliminarmente, pelo não conhecimento do recurso e, no mérito, pela manutenção do acórdão recorrido. Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. Em contrarrazões, o contribuinte se opõe ao conhecimento do recurso especial, sob o fundamento de que os acórdãos paradigmas apresentados pela PFN (acórdãos n. 0400.054 e 10419.219) seriam muito antigos, “ultrapassados” e “obsoletos”, tendo em vista que teriam sido superados pela jurisprudencia mais atual deste tribunal. Na tribuna, por sua vez, o patrono do contribuinte acrescentou que o não conhecimento do recurso especial poderia também ser acolhido por outros fundamentos, entre os quais que o contexto fático dos paradigmas e do recorrido seriam diversos, citando que essa mesma conclusão foi alcançada por este Colegiado da CSRF no acórdão n. 9101.002526, bem como que haveria insuficiência recursal pela existência de fundamentos autônomos na decisão recorrida não enfrentados pelo recurso especial. Compreendo que não deve ser acolhida a preliminar de não conhecimento trazida em sede de contrarrazões, por não preencher nenhuma das hipóteses regimentais de imprestabilidade dos acórdãos paradigmas de divergencia (RICARF, art. 67). Notese que o recurso especial foi interposto em 2012 e a Portaria 256/2009 previa, à época, a seguinte redação: Art. 67, § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. Mesmo se considerarmos o referido dispositivo, não me parece possível afirmar de forma peremptória que a tese adotada pelos acórdãos paradigmas já se encontrava superada pela CSRF. Contudo, assiste razão ao contribuinte quando aponta que a situação tratada pelo acórdão recorrido é diversa daquela analisada pelos acórdãos paradigmas, bem como que tais diferenças justificam a divergência de entendimento entre os colegiados. Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10768.905686/200611 Acórdão n.º 9101003.300 CSRFT1 Fl. 1.768 5 De fato, este Colegiado recentemente analisou a mesma questão, envolvendo inclusive os mesmos acórdãos indicados como paradigmas (Acórdãos n. 0400.054 e 104 19.219), concluindo pela impossibilidade de conhecimento do recurso especial em caso muito semelhante ao ora sob julgamento (acórdão n. 9101.002526). Naquela oportunidade acompanhei o voto da i. Conselheira Relatora, que peço vênia para transcrevêlo, in verbis: “Vejamos, uma vez mais, o que constou da ementa do Acórdão nº 140200.767: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN. Esse prazo decadencial também é aplicável nas revisões do Lucro Real apurado e declarado pelo contribuinte, para fins de apuração do direito creditório concernente ao Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ/CSLL. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. A Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento pelo contribuinte. Essa revisão deve partir do lucro real declarado/apurado pelo contribuinte e pode contemplar a verificação da efetividade dos recolhimentos, das retenções do IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações, enfim a própria formação do saldo. Todavia, após o prazo decadencial de 5 anos, contados do lançamento original , ou retificado pelo contribuinte, não é possível alterar o lucro real regularmente apurado e declarado. Já, os paradigmas, veicularam as seguintes ementas: Acórdão nº CSRF/04¬00.054 IRPF ¬ ANOSCALENDÁRIO DE 1996 E 1999 ATIVIDADE RURAL COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS ¬ DECADÊNCIA ABRANGÊNCIA ¬ O prazo decadencial vinculase direta e exclusivamente aos fatos geradores objeto do lançamento tributário, não se aplicando a elementos advindos de anocalendário anterior, ainda que este já tenha sido atingido pela decadência. Assim, constatando¬se que o ano¬calendário fiscalizado encontrase passível de revisão, é perfeitamente cabível o lançamento resultante da retificação do valor apropriado, a título de prejuízo da atividade rural a compensar, mesmo que este tenha origem em anocalendário abarcado pela decadência. Acórdão nº 104¬19.219 IRPF RESULTADO DA ATIVIDADE AGRÍCOLA REVISÃO DE PREJUÍZO, COMPENSÁVEL ¬ DECADÊNCIA ABRANGÊNCIA O conceito decadencial, quer do artigo 150, § 4º, quer do artigo 173, ambos do CTN, vinculase direta e exclusivamente ao lançamento tributário a que se referencia; não abrange a revisão de valores advindos de período anterior, já abrangido pela decadência, que influem na apuração do resultado de anocalendário não decadente, restrita a revisão a essa circunscrita e especifica influência, respeitadas as apropriações efetuadas, ainda que incorretamente, em períodos já decadentes. IRPF ¬ ATIVIDADE RURAL PREJUÍZOS COMPENSÁVEIS ¬ CORREÇÃO MONETÁRIA Os prejuízos da atividade rural e excesso de redução por investimentos, nos termos da legislação pertinente — Lei n° 8.23/90, artigos. 14 e 15 , são compensáveis, corrigidos monetariamente, constituindo ilícito enriquecimento do Estado, o óbice administrativo à sua correção plena, por índices legalmente admitidos, para efeitos de sua compensação. Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10768.905686/200611 Acórdão n.º 9101003.300 CSRFT1 Fl. 1.769 6 Como visto, o acórdão recorrido tratou de apreciar PERDCOMPs apresentadas pela interessada, pelas quais foi pleiteado o reconhecimento de direito creditório no valor de R$ 60.443.862,41, a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, para ser utilizado na compensação dos débitos indicados nos referidos PERDCOMP. O órgão de origem analisou as parcelas de composição do saldo negativo basicamente IRRF e estimativas. Parcela do IRRF utilizado como dedução do imposto apurado foi glosada, sob a justificativa de que as receitas que deram origem às retenções não foram totalmente oferecidas à tributação. Da mesma forma, a quitação, via compensação, de parcela das estimativas não se confirmou. Assim, o saldo negativo de IRPJ reconhecido foi de R$ 42.529.960,23, que não foi suficiente a fazer frente a todas as compensações declaradas. O colegiado a quo entendeu que o órgão de origem não poderia ter auditado a apuração do lucro real da interessada do anocalendário de 2002, e, por conseguinte, ter concluído, somente em 2009, que as receitas financeiras não foram oferecidas a tributação em sua totalidade. Assentou que a Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos contados do aproveitamento desse pelo contribuinte. Porém, não pode haver auditoria do lucro líquido ou lucro real apurado, cujo prazo continuaria sendo contado na forma do art. 150 c/c 173 do CTN. Após o prazo decadencial de 5 anos, contados do lançamento original, não seria possível alterar o lucro real regularmente apurado e declarado. Nessas condições, em 2009, a administração tributaria somente poderia verificar a efetividade das retenções em fonte, bem como os recolhimentos por estimativas do anocalendário 2002. Discordou da glosa do valor da estimativa afirmando que a compensação, apesar de não informada em DCTF, fora informada na DIPJ e que o artigo 7º da Lei 9.430/96 estabelece que o Saldo Negativo de Recolhimentos pode ser compensado com as estimativas devidas a partir dos períodos de apuração do anocalendário seguinte. E, ao final, reconheceu a integralidade do direito creditório. O primeiro paradigma indicado pela PFN, Acórdão nº CSRF/0400.054, tratou de apreciar Auto de Infração cientificado que teve por fundamento omissão de rendimentos verificada nos anoscalendário de 1996 e 1999, em decorrência de compensação indevida de prejuízos da atividade rural. Verificouse que o prejuízo da atividade rural fora incorretamente apurado na declaração do exercício de 1995, com indevida utilização nas declarações dos exercícios posteriores (1996 a 2000). A incorreção seria decorrente de atualização monetária indevida dos saldos de prejuízos e de incentivos fiscais nos anos calendário de 1989 e 1990. A defesa alegou que teria ocorrido a decadência do direito de rever a apuração de períodos anteriores àqueles lançados, para o fim de alterar o valor dos prejuízos compensados. Ao apreciar a questão, o colegiado entendeu que os anoscalendário fiscalizados não haviam sido atingidos pela decadência, e não haveria óbice à exigência de comprovação acerca dos elementos que de alguma forma influenciaram os respectivos lançamentos, ainda que vinculados a exercícios anteriores. Ressaltou que os anoscalendário anteriores aos autuados, em que teria ocorrido o alegado lapso na correção dos saldos de prejuízo a compensar estes sim alcançados pela decadência não foram revistos, tendo havido somente a retificação do valor do prejuízo a compensar, apropriado nos exercícios fiscalizados. Situação semelhante se deu com o segundo paradigma, o Acórdão nº 104 19.219, que também analisou auto de infração fundamentado em glosa de Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10768.905686/200611 Acórdão n.º 9101003.300 CSRFT1 Fl. 1.770 7 prejuízos da atividade rural, oriundos de períodos base alcançados pela decadência. Aqui, também, assentouse que o prazo decadencial do CTN aplicase, exclusivamente, aos lançamentos para exigência de tributo, e não abrange a revisão de valores advindos de período anterior, já abrangido pela decadência. Do confronto entre esses dois paradigmas e acórdão recorrido, entendo que não está caracterizada a divergência, haja que o acórdão recorrido não tratou de um lançamento tributário efetuado em um determinado período, porém com reflexos advindos de fatos jurídicos ocorridos em períodos anteriores. Vêse que a essência dos acórdãos paradigmas é no sentido de afirmar que a decadência se conta do fato gerador, "não se aplicando a elementos advindos de anos calendários anteriores, ou, em outras palavras, que o que importa é o ano calendário fiscalizado. Contudo, se o que importa é o anocalendário fiscalizado, no caso do acórdão recorrido, a situação era a seguinte: o ano para o qual a Fiscalização efetuou a sua análise foi o de 2002. Foi para este ano que constatouse que as receitas financeiras não foram oferecidas à tributação. E foi para este ano que o contribuinte pleiteou a compensação do saldo negativo. Esse saldo negativo não foi reconhecido justamente porque se refez a apuração que o sujeito passivo deveria ter feito corretamente. Ocorre que como toda essa análise ocorreu por meio de um despacho decisório datado de 2009, o colegiado a quo entendeu ter ocorrido a decadência. Para demonstrar isso, colaciono o seguinte trecho do acórdão recorrido: (...) Ora, com a devida vênia, para que restasse caracterizada a divergência, deveria a Fazenda ter trazido como paradigma um acórdão que entendesse que, por se tratar de uma análise de direito creditório, e portanto, não de um lançamento, é que descabia falar em decadência. A situação trazida nos paradigmas não refletem essa discussão e essa diferença entre lançamento e reconhecimento de direito creditório; tratam de uma outra discussão afeta a decadência, que seria lançamentos que tomam por base apurações de fatos econômicos ou jurídicos, ocorridos em períodos anteriores, com reflexos no fato gerador que não estava atingido pela decadência. São, portanto, situações diferentes, motivo pelo qual não se pode dizer que o acórdão recorrido interpretou de forma diversa dos paradigmas a legislação afeta à decadência. Em face ao exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto.” No presente caso, da mesma forma, com a devida vênia, para que restasse caracterizada a divergência jurisprudencial necessárias à interposição do recurso especial, deveria a recorrente ter trazido como paradigma um acórdão que entendesse que, por se tratar de uma análise de direito creditório, e portanto, não de um lançamento, seria descabido falar em decadência, o que não ocorreu. Portanto, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso especial. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10768.905686/200611 Acórdão n.º 9101003.300 CSRFT1 Fl. 1.771 8 Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10768.905686/200611 Acórdão n.º 9101003.300 CSRFT1 Fl. 1.772 9 Fl. 634DF CARF MF
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Numero do processo: 11030.002379/2004-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Sat Jan 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE.
Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI.
Numero da decisão: 9303-005.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI TIPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito – Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 23 79 /2 00 4- 93 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11030.002379/200493 Acórdão n.º 9303005.893 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra acórdão nº 380301760, proferido pela 3º Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para acatar o cálculo do crédito presumido de IPI em relação às aquisições de insumos comercializadas por pessoas físicas e aos produtos adquiridos e exportados em bruto,mantendose apenas a glosa efetuada pela Fiscalização quanto aos produtos consumidos no processo industrial que não se enquadram no conceito de insumos (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem), bem como os utilizados na fabricação de produtos destinados ao mercado interno. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "O contribuinte acima identificado transmitiu à Receita Federal Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMPs) relativa a crédito presumido de IPI do primeiro trimestre de 2004 (fls. 2 a 9). Em Termo de Verificação da Ação Fiscal (fls. 22 a 23), a Fiscalização da repartição de origem, em procedimentos realizados pelo critério de amostragem, registrou que a sociedade empresária havia incluído, indevidamente, no cálculo do crédito presumido do IPI, as aquisições que não davam direito ao referido crédito, por se referirem a compras realizadas junto a pessoas físicas, não tributadas pelas contribuições Cofins e para o PIS, e outras que não se encontravam abrangidas no conceito de insumos, nos termos da legislação tributária de regência. Consignouse, ainda, que o contribuinte não havia excluído do cálculo do crédito presumido o valor das saídas de matériasprimas não aplicadas na produção, relativas às exportações de produtos em bruto, tendo sido excluídos do cálculo do crédito presumido os valores relativos a essas revendas de mercadorias e incluídos os valores dos insumos com direito ao crédito aplicados em produtos em elaboração e acabados não vendidos que haviam sido excluídos do cálculo do crédito presumido no 4° trimestre de 2003. O Acórdão da decisão recorrida, restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11030.002379/200493 Acórdão n.º 9303005.893 CSRFT3 Fl. 4 3 A inovação dos argumentos de defesa em sede de recurso, sem que tenha havido fato novo que os justificasse, impede a sua apreciação por afronta ao princípio do contraditório, dado que a matéria não fora apreciada na primeira instância administrativa. RECURSOS REPETITIVOS. REsp 993.164. Consoante o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática prevista no art. 543C da Lei nº 5.869/1973 (Código de Processo Civil) devem ser reproduzidas nos julgamentos do CARF. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. As contribuições COFINS e para o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidas no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição, gerando, portanto, direito ao crédito presumido de IPI calculado sobre as aquisições de insumos comercializados por pessoas físicas. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. CONCEITUAÇÃO. O direito ao crédito presumido de IPI restringese às aquições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo e consumidos a partir de contato direto sobre o produto em fabricação (Súmula CARF nº 19). EXPORTAÇÃO DE PRODUTO EM ESTADO BRUTO. DIREITO AO CREDITAMENTO. Os produtos não tributados (NT) adquiridos pelo contribuinte e exportados em bruto podem ser computados no cálculo do crédito presumido de IPI. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração, fls. 153/154. Em seguida, o colegiado a quo rejeitou os embargos, fls. 160/163. Irresignada, a Fazenda Nacional interpõe o presente recurso especial, suscitando divergência jurisprudencial quanto à impossibilidade de direito a crédito presumido de IPI sobre exportação de produtos não tributados. Para respaldar a dissonância jurisprudencial, aponta como paradigmas os acórdãos nºs 930301.743 e 20180.363. Em seguida, por ter sido comprovada a divergência, o Presidente da 3º Seção de julgamento deu seguimento ao recurso especialmente quanto ao direito ou não crédito presumido sobre exportações de produtos não tributados pelo IPI, fls. 175/177 Não localizei contrarrazões da Contribuinte. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11030.002379/200493 Acórdão n.º 9303005.893 CSRFT3 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Portanto, a matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito quanto à possibilidade ou não de direito a crédito presumido de IPI sobre exportação de produtos não tributados NT. Com efeito, foi instituído por meio da Lei nº 9.363/96, o benefício fiscal com o objetivo de desonerar as exportações de mercadorias nacional, com o ressarcimento, na forma de crédito presumido de IPI, das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS incidentes sobre os insumos adquiridos empregados na produção de bens nacionais destinados ao mercado externo. Conforme dispõe o art. 1º da norma em referência. Nada obstante, tal benefício fiscal garante o direito ao crédito sobre mercadorias nacionais, tributadas ou nãotributadas pelo IPI, mediante o ressarcimento do valor do PIS e da COFINS das empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais. Não há restrição ao aproveitamento do crédito presumido do IPI. O crédito presumido do IPI instituído pela Lei nº 9.363/96 tem por escopo o ressarcimento das contribuições para o PIS e a COFINS que incidem nas etapas anteriores da cadeira produtiva, não sendo relevante se o produto é ou não tributado pelo IPI na saída. Além disso, a legislação do IPI foi utilizada de forma subsidiária para os conceitos de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. É o que se vê da redação do artigo 2° da lei 9.363/96, in verbis: Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11030.002379/200493 Acórdão n.º 9303005.893 CSRFT3 Fl. 6 5 "Art. 2° A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador." Sem embargo, ressaltase que o crédito presumido de IPI ( Exportação) não se confunde com o crédito básico de IPI, não podendo se aplicar a sistemática da não cumulatividade do IPI em sua apuração, pois constituise em incentivo à exportação a partir do afastamento dos efeitos da cumulatividade da Cofins e da Contribuição para o PIS, independentemente de haver ou não incidência do IPI. Portanto, a Contribuinte tem o direito ao crédito presumido de IPI Exportação do que a Lei nº 9.363/96, mediante o ressarcimento das contribuições incidentes sobre as etapas anteriores da cadeia produtiva, o PIS e a COFINS, não importando se o produto sofrerá ou não a incidência do IPI na saída. Diante do que foi exposto, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional.. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao ilustre relator, discordo de seu entendimento quanto ao direito de o contribuinte aproveitar crédito presumido do IPI sobre aquisições e revenda para o exterior de produtos não tributados . No presente caso, tratase de exportações de pedras preciosas que não sofreram quaisquer industrialização, por parte do exportador, mas apenas beneficiamento, ou seja, no máximo, passaram por processo de desbaste ou lapidação. Tratase de matéria antiga no âmbito do contencioso administrativo e a controvérsia resumese em saber se há a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, na produção e exportação de produtos classificados na Tabela do IPI com notação "NT" (não tributados). Preliminarmente é importante ressaltar que entendo que o crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, é um benefício fiscal concedido aos Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11030.002379/200493 Acórdão n.º 9303005.893 CSRFT3 Fl. 7 6 produtores/exportadores de produtos nacionais, e, nessa circunstância impõese a interpretação literal dos dispositivos legais nos termos do art. 111 do CTN. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Na verdade a concessão de isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Analisemos então o que consta da Lei nº 9.363/96 que instituiu o benefício do crédito presumido: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11030.002379/200493 Acórdão n.º 9303005.893 CSRFT3 Fl. 8 7 intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3º .... Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Nesse momento é importante destacar que a lei determinou o benefício para a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Se quisesse abarcar todos os exportadores, não necessitaria de incluir a palavra produtora. Seria inócuo. E ao incluir a palavra produtora, determinou no parágrafo único do art. 3º que deve ser utilizada a legislação do IPI para a busca da definição do que se entende por produção. Sendo assim, a legislação do IPI não considera estabelecimento industrial, ou produtor, para fins do tributo, aqueles que produzem produtos que estão fora do seu campo de incidência. Veja como o Regulamento do IPI disciplina a matéria. Transcrevese abaixo artigos do RIPI/2002 que era o vigente à época dos fatos, mas nada mudou a respeito deste assunto no atual regulamento: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 10.451,de 10 de maio de 2002, art. 6º). (...) Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Do conjunto dessa leitura, concluise que os produtos "NT" (NÃO TRIBUTADOS) estão fora do conceito de produtos industrializados estabelecidos pela legislação do IPI. Assim, quem os produz, não são considerados estabelecimentos industriais para fins dessa legislação. Assim vem decidindo este colegiado. Para um melhor entendimento transcrevo abaixo trecho de um voto do exConselheiro Henrique Pinheiro Torres proferido no Acórdão nº 20216.066: Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11030.002379/200493 Acórdão n.º 9303005.893 CSRFT3 Fl. 9 8 (...) A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei n° 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque os estabelecimentos processadores de produtos NT não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do art. 3º da Lei nº 4.502/1964, considera se estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtoresexportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal beneficio, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à aliquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto créditoprêmio de IPI conferido ao industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o beneficio alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do art. 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI. (...) Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11030.002379/200493 Acórdão n.º 9303005.893 CSRFT3 Fl. 10 9 Por sua vez, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se pronunciou sobre a possibilidade de apropriação de crédito presumido de IPI na exportação de produtos não tributados, conforme o seguinte precedente: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ERRO MATERIAL. SANEAMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. POSSIBILIDADE. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O decisum agravado deixou de conhecer do recurso especial na parte em que alegada a impossibilidade de inclusão, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, dos valores relativos a exportação de produtos não tributados, ao fundamento de que o apelo raro padecia de deficiência de fundamentação recursal. 2. Compulsandose novamente o caderno processual, é de se afastar a incidência ao caso da Súmula 284/STF, devendo, pois, ser analisado o mérito do apelo raro nesse particular. 3. O Superior Tribunal de Justiça já se posicionou no sentido de que não há ilegalidade na limitação imposta pelas Instruções Normativas da SRF nº 313/2003 e nº 419/2004 do cômputo dos valores referentes à exportação de produtos não tributados na base de cálculo do crédito presumido do IPI, tendo em vista que a própria Lei nº 9.363/96 admitiu a possibilidade de ampliação ou restrição do conceito de "receitas de exportação" por norma de hierarquia inferior. 4. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes para dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, a fim de reconhecer a impossibilidade de se computarem os valores referentes a exportação de produtos não tributados na base de cálculo do crédito presumido do IPI. (EDcl no AgRg no REsp 1241900/RS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2014, DJe 11/12/2014) (grifei) Cumpre lembrar também recente decisão desta CSRF no Acórdão nº 9303 003.462, de 23/02/2016, relatoria do Presidente da 3ª Seção de Julgamento, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.363/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 11030.002379/200493 Acórdão n.º 9303005.893 CSRFT3 Fl. 11 10 Diante de tudo exposto, voto por dar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 194DF CARF MF
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