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Numero do processo: 10840.904922/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
RESSARCIMENTO. PENDÊNCIA JUDICIAL.
É vedado o ressarcimento à pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado.
RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR.
Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é este (novo) saldo que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp.
Numero da decisão: 3301-004.474
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância entre as esferas administrativa e judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques DOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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PENDÊNCIA JUDICIAL. É vedado o ressarcimento à pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é este (novo) saldo que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância entre as esferas administrativa e judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri Presidente Substituto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Liziane Angelotti Meira Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 49 22 /2 01 1- 11 Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10840.904922/201111 Acórdão n.º 3301004.474 S3C3T1 Fl. 310 2 Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida (fls. 177/183), abaixo transcrito: Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório Eletrônico de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil que não homologou a compensação declarada, no valor de R$ 31.489,74, por ser inexistente o crédito utilizado nesta compensação, em decorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. O Fisco esclareceu que a ação fiscal, que deu origem ao auto de infração (processo administrativo nº 13603.724419/201174), teve por objeto a verificação de créditos e compensações referentes a diversos pedidos de ressarcimento de créditos de lPI apresentados pelo contribuinte. Relatou que a empresa em comento ingressou com Ação de Rito Ordinário com pedido de Antecipação de Tutela em face da União (Fazenda Nacional) distribuída perante a 6a vara da Justiça Federal de São Paulo em 16/10/2003, sob n° 2003.61.00.0295233, visando o não recolhimento do IPI incidente sobre os produtos destinados à alimentação de cães e gatos fabricados por ela e acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10Kg, alegando flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade do Decreto n° 4.542/02 e posteriores, que viessem em dissonância ao Decreto Lei n° 400/68. Obtida a tutela antecipada e sentença favorável, o Fisco decidiu proceder ao lançamento para evitar o transcurso do prazo decadencial, já que a empresa não fez o destaque nem escriturou o IPI devido nas saídas em comento. Os valores de IPI não destacados em cada período foram utilizados no procedimento de reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, de modo a apurar os verdadeiros saldos devedores e/ou credores que deveriam estar escriturados nos Livros de Registro de Apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados (LAIPI) no período fiscalizado.Os valores de IPI não destacados em cada período foram utilizados no procedimento de reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, de modo a apurar os verdadeiros saldos devedores e/ou credores que deveriam estar escriturados nos Livros de Registro de Apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados (LAIPI) no período fiscalizado. Em decorrência do auto de infração, verificouse alterações nos saldos da escrita fiscal, resultando no aparecimento de saldos devedores até então inexistentes ou na redução de saldos credores apurados pelo contribuinte, o que teve influência nos valores de ressarcimento pleiteados. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10840.904922/201111 Acórdão n.º 3301004.474 S3C3T1 Fl. 311 3 Regularmente cientificada da nãohomologação da compensação, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, encaminhada pelo órgão de origem como tempestiva, na qual, em síntese, fez as seguintes considerações: 1. No que tange a saída de produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10Kg, a requerente, a partir do 3o decêndio de outubro/03, buscou autorização judicial para não incidência do IPI sobre esses produtos, face a flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação que o instituiu, qual seja, Decreto n° 4.542/02. Em razão disso, a requerente acumulou saldo credor de IPI, o que lhe permite, a cada trimestre calendário, utilizálo em compensações com débitos de outros tributos federais administrados pela Receita Federal do Brasil. Portanto é legítima a compensação, nos termos autorizados pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional, combinado com o artigo 74 da Lei n° 9.430/96, com redação conferida pela Lei n° 10.637/02 e artigo n°. 26 e seguintes da Instrução Normativa SRF n° 600/2005, vigente à época das compensações. Deveria ser, portanto, declarada homologada a compensação dos créditos de IPI que a requerente efetuou com seu débito de COFINS de junho de 2006, vez que possuía saldo credor suficiente. 2. A Delegacia da Receita Federal, em 09/12/2011, lavrou o Auto de Infração e Imposição de Multa Processo Administrativo MPF n° 0611000/00639/11, visando prevenir a decadência do crédito tributário de IPI sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos fabricados pela requerente, acondicionados em embalagens com capacidade superiora 10Kg, sendo assim, imperioso que o julgamento da presente Manifestação de Inconformidade aguarde o julgamento da referida Impugnação Administrativa, pois, certamente a mesma será julgada totalmente procedente, com o conseqüente cancelamento do Auto de Infração e o restabelecimento da Escrita Fiscal, o que ensejará a homologação da presente compensação em sua integralidade. 3. A Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233 em nada poderá alterar os valor pleiteado na presente compensação, vez que, conforme bem demonstrado anteriormente, o saldo credor utilizado pela requerente foi derivado de aquisição de matérias primas, produtos industrializados e materiais de embalagem, nos termos do artigo 11 da Lei n° 9.779/99, não tendo nenhuma pertinência com a referida Ação. É certo que se ao final a Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233 for julgada improcedente, a DRF terá o direito de exigir os valores de IPI não destacados nas Notas Fiscais de saída, motivo pelo qual a legislação prevê a possibilidade de se lavrar o Auto de Infração com a exigibilidade suspensa, com a finalidade de prevenir a decadência. 4. Evidente que a requerente, mediante autorização judicial a qual foi concedida em sede de antecipação de tutela, não deveria proceder ao destaque do IPI em suas Notas Fiscais de saída e por conseqüência, deveria seguir com sua Escrita Fiscal, sob pena de perder o objeto a referida Ação. Totalmente descabida a Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10840.904922/201111 Acórdão n.º 3301004.474 S3C3T1 Fl. 312 4 pretensão da DRF no sentido de que a Requerente não poderia utilizar os saldos credores apresentados ao final dos trimestres calendários, pois se assim fosse, estaria desconsiderando a decisão judicial que lhe foi concedida. 5. Da mesma forma, resta cristalino que a DRF está descumprindo determinação judicial contida na Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233, qual seja, absterse de exigir da Requerente o IPI sobre alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens acima de dez quilos. 6. Verificase que a compensação procedida pela Requerente está em consonância com a legislação pertinente sobre a matéria, haja vista ser o crédito legítimo. Por fim, solicitou seja recebida e acolhida a Manifestação de Inconformidade apresentada a fim de reformar integralmente o Despacho Decisório proferido nos autos, uma vez que amplamente comprovado que a Requerente possuía crédito de IPI passível de ser compensado e protestou pela produção de todas as demais provas admitidas em direito, inclusive, a oral. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), julgou improcedente, conforme Acórdão nº 1448.974 8ª Turma da DRJ/RPO, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 01/07/2008 a 30/09/2008 RESSARCIMENTO. PENDÊNCIA JUDICIAL. É vedado o ressarcimento à pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é este (novo) saldo que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Foi apresentado Recurso Voluntário, no qual se alegou, em síntese: · que a Recorrente estava amparada por decisão judicial que autorizava a não incidência do IPI sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10 kg; · indevida reconstituição da escrita fiscal em razão da não incidência do IPI sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10 kg; · impossível a glosa dos créditos de IPI em razão da mencionada decisão judicial; e Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10840.904922/201111 Acórdão n.º 3301004.474 S3C3T1 Fl. 313 5 · não incidência de IPI sobre produtos enquadrados na posição 2309.10.00 da TIPI; · inaplicabilidade do art. 20 da IN RFB no 600/2005; · necessidade de julgamento simultâneo ao processo no 0611000/639/11 Posteriormente, a Recorrente junta aos autos a informação de que, após a interposição do Recurso Voluntário, a Ação Anulatória no 0029523662003.4.03.6100 transitou em julgado de forma favorável às suas pretensões. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Quanto ao pedido de de julgamento simultâneo do processo no 0611000/639/11 (na verdade, este é o número do Mandado de Procedimento Fiscal), cumpre anotar que os processos conexos estão sendo julgamos neste mesma sessão, a saber: 13603.724419/201174 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904913/201120 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904915/201119 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904916/201163 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904917/201116 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904918/201152 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904919/201105 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904920/201121 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904921/201176 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904922/201111 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904923/201165 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904924/201118 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904925/201154 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904926/201107 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904927/201143 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904928/201198 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904929/201132 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904930/201167 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA A Recorrente alegou que o fato de possuir tutela antecipada na Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233 lhe garante o não destaque do IPI nas notas fiscais, a não escrituração destes valores no livro de apuração de IPI e o conseqüente saldo credor nele Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10840.904922/201111 Acórdão n.º 3301004.474 S3C3T1 Fl. 314 6 apurado para ressarcimento, ou seja, que tem o direito líquido e certo ao ressarcimento em discussão. Defende, nesse sentido, inaplicabilidade do art. 20 da IN RFB no 600/2005, e o seu direito de destacar o IPI em suas notas fiscais de saída, em decorrência da ação judicial. Cabe, contudo, colacionar o art. 20 da IN mencionada (que regulava a matéria na época): Art. 20. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Parágrafo único. Ao requerer o ressarcimento, o representante legal da pessoa jurídica deverá prestar declaração, sob as penas da lei, de que a pessoa jurídica não se encontra na situação mencionada no caput. Importante também transcrever o artigo que exige, mesmo para o caso de decisão judicial definitiva, a habilitação do crédito: Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo V desta Instrução Normativa, devidamente preenchido; II a certidão de inteiro teor do processo expedida pela Justiça Federal; III a cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; IV cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; V a cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10840.904922/201111 Acórdão n.º 3301004.474 S3C3T1 Fl. 315 7 VI a procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. § 2º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV foi formalizado no prazo de 5 anos da data do trânsito em julgado da decisão; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas e os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 3º Constatada irregularidade ou insuficiência de informações nos documentos a que se referem os incisos I a V do § 1º, o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de ciência da intimação. § 4º No prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da protocolização do pedido ou da regularização de pendências de que trata o § 3º, será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I não forem atendidos os requisitos constantes nos incisos I a V do § 2º; ou II as pendências a que se refere o § 3º não forem regularizadas no prazo nele previsto. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. Seguimos o entendimento da decisão recorrida de não há qualquer direito ao ressarcimento deferido pela sentença judicial não definitiva. De acordo com o art. 170A do CTN, é defeso efetuar compensações de débitos mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial em trâmite, ou seja, ainda não julgado definitivamente. Ou seja, só há crédito oponível à Fazenda Pública com o desfecho em definitivo favorável ao particular da demanda judicial. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10840.904922/201111 Acórdão n.º 3301004.474 S3C3T1 Fl. 316 8 Conforme se destacou na decisão recorrida, o direito pretendido com a ação judicial somente será liquido e certo quando a sentença, se favorável ao contribuinte, transitar em julgado e operar seus efeitos. No entanto, este direito, não respaldava o ressarcimento, que era expressamente vedado pelo art. 20 da IN SRF nº 600, de 2005 (disposição idêntica encontrase vigente no art. 42 da IN RFB nº 1717, de 2017). Dessa forma, adotase o entendimento da decisão recorrida de que somente é permitido o ressarcimento do imposto após a utilização dos créditos de IPI escriturados pelo contribuinte na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados, além de ser vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Portanto, a matéria discutida na ação judicial altera o valor do saldo de IPI apurado nos trimestres em referência e, consequentemente, correto o procedimento do Fisco que refez a escrita fiscal, incluindo os débitos discutidos judicialmente, para calcular o real saldo (devedor/credor) dos trimestres analisados. Por outro lado, mesmo que se concordasse com a Recorrente, contrariamente a determinação expressa da legislação, que ela poderia utilizar créditos com fulcro em decisão judicial não transitada em julgado, ela estaria sujeita à habilitação do seu crédito, o que não efetuou. O cumprimento dessa obrigação acessória é imprescindível para que o Fisco tenha conhecimento e controle deste crédito e é condição para o exercício do direito de creditamento. Portanto, ainda que se adotasse este entendimento, defendido pela Recorrente o qual não adotamos deveria ser mantida a glosa por falta de habilitação do crédito. Dessarte, mantémse, por seus próprios fundamentos, o entendimento constante da decisão recorrida. Quanto à informação juntada pela Recorrente de que houve trânsito em julgado em seu favor na Ação Anulatória no 0029523662003.4.03.6100, não há efeito direto sobre o presente processo administrativo. Não se pode tratar aqui do mérito levado ao Judiciário, pois, conforme a Súmula nº 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, proponho manter integralmente a decisão recorrida e voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10840.904922/201111 Acórdão n.º 3301004.474 S3C3T1 Fl. 317 9 Fl. 317DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.721897/2011-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 173, INC. I, DO CTN.
O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 173, inc. I, do CTN, se inexistir recolhimento antecipado do tributo a que se referir a autuação.
LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência.
A administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento, para evitar o transcurso do prazo decadencial.
É cabível a inclusão de multa de mora nos lançamentos preventivos da decadência, observando-se o disposto no § 2º do art. 63 da Lei n. 9.430/1996.
Precedentes do CARF e do STJ.
Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos destinados a prevenir a decadência (Súmula CARF n. 17).
GUIA DE RECOLHIMENTO DO FGTS E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL (GFIP). OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CUMPRIMENTO NA VIGÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL QUE SUSPENDE A OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO. CÓDIGO DE FUNDAMENTO LEGAL 68. MANUAIS GFIP/SEFIP. VIGÊNCIA. MODULAÇÃO DE EFEITOS.
Decisão judicial proferida em caráter liminar que suspende a exigibilidade do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias ou contribuições devidas a terceiros não dispensa o sujeito passivo da obrigação de informar, no campo próprio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), os valores das contribuições cuja exigibilidade foi suspensa. Ausentes tais informações, e não cabível a retificação da GFIP em virtude de perda de espontaneidade (art. 138 do CTN), deverá a Fiscalização proceder ao lançamento de multa de ofício sob código de fundamento legal 68, observando-se, todavia, a modulação dos efeitos da aplicação dos procedimentos vinculados aos Manuais GFIP/SEFIP vigentes nas diferentes competências abrangidas no referido período de apuração.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL PELO EMPREGADOR RURAL PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO SUBSTITUTIVA. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA PROVENIENTE DE PRODUÇÃO PRÓPRIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE PRODUÇÃO DE TERCEIROS.
A leitura do art. 25, I e II, e § 1°, da Lei n. 8.870/1994 deve ser feita de forma sistêmica com o disposto no art. 240, II, da Instrução Normativa n. 03/2005, vigente à época dos fatos, observando-se, inclusive, as circunstâncias específicas de cada caso concreto para a definição do que seja produção própria e produção de terceiros.
Restando caracterizada a confusão entre o processo de produção dos frutos do produtor adquirente com aqueles teoricamente produzidos por terceiros produtores, verifica-se que os produtos atribuídos a terceiros estão submetidos, desde o início do ciclo produtivo, à total ingerência daquele, que controla todo o processo produtivo, inclusive com fornecimento de insumos e tecnologia, necessários à produção dos frutos que adquire, materializando-se o disposto no art. 240, II, da Instrução Normativa n. 03/2005, vigente à época dos fatos.
A mera existência na contabilidade da Recorrente de classificação em separado das receitas provenientes da comercialização de produção própria daquelas provenientes da comercialização de frutas adquiridas de terceiros, não atrai, necessariamente, a incidência do art. 25, I e II, e § 1°, da Lei n. 8.870/1994, para fins de definição de receita decorrente de produção própria ou da venda de produtos de terceiros, vez que, no caso concreto, tal discriminação vincula-se unicamente à apuração dos custos por unidade de produção (no caso, os diferentes pomares).
Numero da decisão: 2402-006.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do pedido de sobrestamento suscitado da tribuna e por maioria de votos, em conhecer do Recurso, vencido o conselheiro Luis Henrique Dias Lima. Acordam, ainda, (i) por unanimidade de votos, em afastar a decadência e excluir do lançamento a multa de ofício; (ii) por maioria de votos, em cancelar a multa por falta de declaração de fatos geradores em GFIP até a competência 10/2008 (AI DEBCAD nº 37.202.202-2), vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza e Gregorio Rechmann Junior, que deram provimento ao recurso em relação a esta matéria e (iii) por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à exclusão da receita bruta proveniente da venda de produtos tidos por adquiridos de terceiros da autuação, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Henrique Dias Lima.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 173, INC. I, DO CTN. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 173, inc. I, do CTN, se inexistir recolhimento antecipado do tributo a que se referir a autuação. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência. A administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento, para evitar o transcurso do prazo decadencial. É cabível a inclusão de multa de mora nos lançamentos preventivos da decadência, observandose o disposto no § 2º do art. 63 da Lei n. 9.430/1996. Precedentes do CARF e do STJ. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos destinados a prevenir a decadência (Súmula CARF n. 17). GUIA DE RECOLHIMENTO DO FGTS E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL (GFIP). OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CUMPRIMENTO NA VIGÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL QUE SUSPENDE A OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO. CÓDIGO DE FUNDAMENTO LEGAL 68. MANUAIS GFIP/SEFIP. VIGÊNCIA. MODULAÇÃO DE EFEITOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 18 97 /2 01 1- 06 Fl. 871DF CARF MF 2 Decisão judicial proferida em caráter liminar que suspende a exigibilidade do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias ou contribuições devidas a terceiros não dispensa o sujeito passivo da obrigação de informar, no campo próprio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), os valores das contribuições cuja exigibilidade foi suspensa. Ausentes tais informações, e não cabível a retificação da GFIP em virtude de perda de espontaneidade (art. 138 do CTN), deverá a Fiscalização proceder ao lançamento de multa de ofício sob código de fundamento legal 68, observandose, todavia, a modulação dos efeitos da aplicação dos procedimentos vinculados aos Manuais GFIP/SEFIP vigentes nas diferentes competências abrangidas no referido período de apuração. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL PELO EMPREGADOR RURAL PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO SUBSTITUTIVA. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA PROVENIENTE DE PRODUÇÃO PRÓPRIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE PRODUÇÃO DE TERCEIROS. A leitura do art. 25, I e II, e § 1°, da Lei n. 8.870/1994 deve ser feita de forma sistêmica com o disposto no art. 240, II, da Instrução Normativa n. 03/2005, vigente à época dos fatos, observandose, inclusive, as circunstâncias específicas de cada caso concreto para a definição do que seja produção própria e produção de terceiros. Restando caracterizada a confusão entre o processo de produção dos frutos do produtor adquirente com aqueles teoricamente produzidos por terceiros produtores, verificase que os produtos atribuídos a terceiros estão submetidos, desde o início do ciclo produtivo, à total ingerência daquele, que controla todo o processo produtivo, inclusive com fornecimento de insumos e tecnologia, necessários à produção dos frutos que adquire, materializandose o disposto no art. 240, II, da Instrução Normativa n. 03/2005, vigente à época dos fatos. A mera existência na contabilidade da Recorrente de classificação em separado das receitas provenientes da comercialização de produção própria daquelas provenientes da comercialização de frutas adquiridas de terceiros, não atrai, necessariamente, a incidência do art. 25, I e II, e § 1°, da Lei n. 8.870/1994, para fins de definição de receita decorrente de produção própria ou da venda de produtos de terceiros, vez que, no caso concreto, tal discriminação vinculase unicamente à apuração dos custos por unidade de produção (no caso, os diferentes pomares). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do pedido de sobrestamento suscitado da tribuna e por maioria de votos, em conhecer do Recurso, vencido o conselheiro Luis Henrique Dias Lima. Acordam, ainda, (i) por unanimidade de votos, em afastar a decadência e excluir do lançamento a multa de ofício; (ii) por maioria de votos, em cancelar a multa por falta de declaração de fatos geradores em GFIP até a competência 10/2008 (AI DEBCAD nº 37.202.2022), vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza e Gregorio Rechmann Junior, que deram provimento ao recurso em relação a esta matéria e (iii) por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à exclusão da receita bruta proveniente da venda de Fl. 872DF CARF MF Processo nº 19515.721897/201106 Acórdão n.º 2402006.186 S2C4T2 Fl. 3 3 produtos tidos por adquiridos de terceiros da autuação, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Henrique Dias Lima. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Inicialmente, adotase parte do relatório do acórdão de recurso de ofício e de recurso voluntário de fls. 690/710, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: São integrantes do presente processo os seguintes Autos de Infração (AI’s) lavrados, pela fiscalização, contra a empresa retro identificada: • (1) AI DEBCAD n.º 37.202.2030, no montante de R$ 14.497.542,77 (quatorze milhões, quatrocentos e noventa e sete mil e quinhentos e quarenta e dois reais e setenta e sete centavos), consolidado em 12/12/2011, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, previstas no artigo 25, incisos I e II da Lei n.º 8.870, de 15/04/1994, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural para o mercado interno, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, relativas aos estabelecimentos 91.501.783/000657, 91.501.783/000738 e 91.501.783/000819, e a competências de 01/2006 a 12/2008; • (2) AI DEBCAD n.º 37.202.2154, no montante de R$ 1.393.994,48 (um milhão, trezentos e noventa e três mil e novecentos e noventa e quatro reais e quarenta e oito centavos), consolidado em 12/12/2011, referente a contribuições destinadas a terceiros – SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), previstas no artigo 25, parágrafo 1º da Lei n.º 8.870, de 15/04/1994, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural para o mercado interno, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, relativas Fl. 873DF CARF MF 4 aos estabelecimentos 91.501.783/000657, 91.501.783/000738 e 91.501.783/000819, e a competências de 01/2006 a 12/2008; • (3) AI DEBCAD n.º 37.202.2162, no montante de R$ 463.179,41 (quatrocentos e sessenta e três mil e cento e setenta e nove reais e quarenta e um centavos), consolidado em 12/12/2011, referente a contribuições destinadas a terceiros – SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), previstas no artigo 25, parágrafo 1º da Lei n.º 8.870, de 15/04/1994, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural para o mercado externo, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, relativas ao estabelecimento 91.501.783/000819, e a competências de 02/2006 a 09/2008; • (4) AI DEBCAD n.º 37.202.2022, com código de fundamento legal 68, e multa no valor originário de R$ 1.867.426,75 (um milhão, oitocentos e sessenta e sete mil e quatrocentos e vinte e seis reais e setenta e cinco centavos), por infração ao disposto no artigo 32, inciso IV e parágrafo 5º da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.528, de 10/12/1997, e no artigo 225, inciso IV e parágrafo 4º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999, abrangendo competências de 01/2006 a 11/2008. O Relatório do Processo Administrativo Fiscal [...] traz as seguintes informações: [...] • que a empresa é enquadrada como produtora rural pessoa jurídica e tem como principal atividade o cultivo de maçãs; • que a contribuição devida pela pessoa jurídica que comercializa a produção rural incide sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, em substituição às instituídas pelos incisos I e II do art. 22 da Lei n.° 8.212, de 1991; • que a empresa [...] deve informar na GFIP [...] o valor da receita bruta da comercialização e se enquadrar no FPAS 744, indicando a incidência das alíquotas de 2,5% (Rural patronal), 0,1 % (SAT/RAT) e 0,25% (SENAR) sobre a receita bruta da venda da comercialização da produção rural; • que os fatos geradores foram comprovados através da análise dos arquivos digitais das notas fiscais de vendas e da contabilidade; [...] • que os comparativos dos cálculos das multas estão demonstrados no Demonstrativo da Comparação das Multas mais Benéfica, em anexo; Fl. 874DF CARF MF Processo nº 19515.721897/201106 Acórdão n.º 2402006.186 S2C4T2 Fl. 4 5 • que, para o cálculo da contribuição, foi considerado o total das receitas de vendas de produtos rurais para o mercado interno e externo, extraídos dos razões contábeis: a) mercado interno R$ 324.506.262,49; b) mercado externo R$ 109.548.810,72; • que as vendas de frutas adquiridas de terceiros classificadas pela empresa, foram desconsideradas como tal, e consideradas como vendas de produtos rurais próprio, pelos motivos a seguir relacionados: a) a Agropecuária Schio faz parte do processo de produção rural dos pequenos produtores, onde ela acompanha desde o preparo, plantio (formação de pomares), controle de pragas, colheita, etc, com seus técnicos dando todo o suporte necessário sem custos para estes, e determina e fornece os defensivos e fertilizantes que serão aplicados, sendo estes pagos após a venda das frutas sem juros pelo valor de custo (valor de aquisição da época da compra); b) quando recebe os frutos de origem de pomares de terceiros, são enviados para a unidade de beneficiamento, onde é feita uma préclassificação e armazenado em câmaras refrigeradas com sistema de atmosfera dinâmica (câmara com baixo oxigênio e isenta de etileno); c) na época da venda dos produtos, os frutos são retirados das câmaras refrigeradas, voltando para o beneficiamento, onde são lavados e feito um tratamento para descontaminação e limpeza e após são embalados em caixas de papelão de 18 kg ou em sacos plásticos lacrados de 1 kg; d) no processo de beneficiamento, muitas vezes os produtos de origem de pomares de terceiros são misturados com os de pomares próprios, sendo quase impossível indicar quais os frutos são de origem de pomares próprios ou de terceiros, gerando assim o produto final para venda, onde todos os frutos (próprios e de terceiros) passaram por um processo para obtenção do produto rural a ser vendido; e) a Schio quando recebe estas frutas in natura, ela agrega valores com o beneficiamento (selecionamento, lavagem, descontaminação e armazenamento especial) e com a industrialização rudimentar (embalagens), de modo que todos os frutos recebidos passaram pelo processo da produção rural da empresa, juntamente com os de seus pomares, formando a produção rural da empresa; f) as fases da colheita do fruto in natura, o beneficiamento e a industrialização rudimentar, fazem parte do processo da produção rural, conforme o art. 240, inciso II da IN 03/2005 – “II produção rural, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetido a processos de beneficiamento ou de industrialização rudimentar, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos por esses processos”; • que, assim, todas as receitas de venda de produtos rurais foram consideradas base de cálculo para os autos de infração; [...] • que, após o comparativo do cálculo da multa, se apurou o valor de R$ 1.867.426,75 de multa a ser aplicada no AI DEBCAD 37.202.2022 (CFL 68), sendo o valor deste auto de Fl. 875DF CARF MF 6 infração atualizado pela SELIC, na forma da Portaria Conjunta PGFN/SRF n.º 10/2008, de 14/11/2008, publicada no D.O.U. de 17/11/2008; • que o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional; • que o presente levantamento está sendo objeto de discussão judicial – a empresa detém sentença em 1ª instância, no processo n.° 1999.71.00.0212805, que suspendeu o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita bruta da comercialização da produção, prevista no art. 25 da Lei n.° 8.870/94 – razão pela qual se procedeu à constituição do crédito com o objetivo de se evitar eventual ocorrência de período decadencial. [...] Inconformada com as autuações [...] a empresa apresentou [...] impugnação [...]. [...] a DRJ, por unanimidade de votos, julgou a impugnação procedente em parte, [...] sendo excluídos os valores referentes à multa de mora e à multa de ofício. Outrossim, determinouse o cancelamento da multa exigida por meio do AI DEBCAD n.º 37.202.2022, referente ao descumprimento de obrigação acessória. [...] recorreu de ofício a Presidente da Turma Julgadora [...]. A recorrente foi intimada da decisão [...], tendo apresentado Recurso Voluntário [...], no qual alega, em síntese: * decadência do lançamento efetuado em 14/12/2011, relativamente aos fatos geradores anteriores a dezembro de 2006 (janeiro a novembro de 2006), nos termos do recurso repetitivo REsp 973.733/SC, sendo de se ressaltar que, conforme “DD – Discriminativo de Débito”, a recorrente efetuou o recolhimento de contribuições previdenciárias; * não incidência de contribuições previdenciárias sobre a receita de venda de produtos adquiridos de terceiros (outros produtores). Em sessão de julgamento realizada em 18 de março de 2014, este Conselho, por maioria de votos, não conheceu do recurso voluntário e deu provimento ao recurso de ofício, conforme decisão assim ementada: FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. NECESSIDADE. No sistema do livre convencimento motivado, adotado em nosso ordenamento jurídico, inclusive nos processos administrativos, o julgador forma livremente o seu convencimento, porém deve fundamentar a decisão de forma clara a impedir que não seja cerceado o direito de defesa do contribuinte. Fl. 876DF CARF MF Processo nº 19515.721897/201106 Acórdão n.º 2402006.186 S2C4T2 Fl. 5 7 Foi, então, anulada a decisão de primeira instância. Nos termos do voto vencedor: Neste contexto, na decisão de piso, a ausência de manifestação a respeito da vigência da Lei nº 10.256/01, implica no cerceamento do direito constitucional de defesa do contribuinte (art. 5º, inciso LV, CF/88), porquanto tem ele o direito de saber precisamente os fundamentos legais que resultaram aquele julgamento de modo a possibilitarlhe elaborar defesa e apresentar a sua versão, contradizendo as alegações do Fisco (quando indeferido o pleito) ou mesmo sustentar a validade da decisão (na hipótese de deferimento do pedido). A contribuinte foi intimada da decisão via eCAC (fl. 772), mas não interpôs recurso. Os autos foram encaminhados à DRJ para novo julgamento, no qual se decidiu pela improcedência da impugnação, conforme ementa abaixo: CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. É devida pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, as contribuições previstas no artigo 25, incisos I e II, e parágrafo 1º da Lei n.º 8.870, de 15/04/1994, na redação dada pela Lei n.º 10.256, de 09/07/2001, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.º 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.º 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias e às contribuições de terceiros, mencionadas no artigo 3º da Lei n.º 11.457/07 será regido pelo Código Tributário Nacional. O lançamento foi realizado no prazo qüinqüenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência. FATO GERADOR. RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. No tocante à relação tributária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer. MULTAS DE MORA E DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DOS FATOS GERADORES. A inclusão de contribuições em lançamento fiscal dá ensejo à incidência, até a competência 11/2008, de multa de mora, Fl. 877DF CARF MF 8 prevista no artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, sobre o valor das contribuições lançadas; e, a partir da competência 12/2008, à incidência de multa de ofício, capitulada no artigo 44 da Lei n.º 9.430/96, ao qual remete o artigo 35A da Lei n.º 8.212/91, incluído pela Medida Provisória n.º 449/2008, também sobre o valor das contribuições apuradas. À autoridade administrativa, cuja atividade é vinculada à previsão normativa, não é permitido excluir a multa estabelecida na legislação, quando da subsunção do fato à hipótese normativa. JUROS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. No lançamento do crédito tributário, é obrigatória a aplicação dos juros moratórios, previstos na legislação, sob pena de responsabilidade funcional da autoridade administrativa. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória é aplicada e cobrada em virtude de determinação legal. A contribuinte foi intimada da decisão em 05/02/2015 (fl. 759) e interpôs recurso voluntário em 03/03/2015 (fls. 762 e seguintes), no qual deduziu as seguintes teses de defesa: Preliminarmente 1. as decisões judiciais proferidas em favor da recorrente no Mandado de Segurança tem o efeito de suspender (impedir) a exigibilidade e/ou incidência das contribuições previdenciárias patronal, GIILRAT e destinada ao SENAR, objeto dos Autos de Infração (DEBCADs) ns. 37.202.2030, 37.202.2154, 37.202.2162 e 37.202.2022; 2. da extinção da exigibilidade, pela decadência, das contribuições correspondentes aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e novembro de 2006; No mérito 3. da não incidência de contribuições previdenciárias sobre a receita de venda de produtos adquiridos de terceiros (outros produtores); 4. a multa de mora e de ofício, aplicadas à ora recorrente, sobre as contribuições previdenciárias que lhe estão sendo exigidas indevidamente, além de afrontar a legislação de regência, contrariam os próprios limites dos autos de infração em referência, por, Fl. 878DF CARF MF Processo nº 19515.721897/201106 Acórdão n.º 2402006.186 S2C4T2 Fl. 6 9 notadamente, não observar as situações fáticas ali delimitadas pelos Auditores Fiscais; 5. considerando que, nos autos da ação mandamental, a recorrente está questionando a exigibilidade das contribuições previdenciárias de que trata o art. 25, incisos I e II e § 1º, da Lei 8.870/94, cujos efeitos das decisões daí decorrentes, em nada se alteraram após o advento da Lei n. 10.256/2001, não há como prosperar a multa imposta por descumprimento de obrigação acessória referente ao AI DEBCAD N. 37.202.2022. Em sessão de julgamento realizada em 06 de junho de 2017, este colegiado resolveu converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem informasse se houve pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, nas competências janeiro a novembro de 2006, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. A unidade de origem, através da informação fiscal de fls. 832/843, relatou que: [...] houve recolhimentos em GPS referente as contribuições previdenciárias retidas de seus empregados, de contribuintes individuais e das retenções referente a produtos rurais adquiridos de produtos rurais pessoas físicas, e NÃO houve recolhimentos da empresa referente a Contribuição Previdenciária substituta, que deveriam ter sidas custeadas pela empresa, e nem mesmo houve a declaração em GFIP desta obrigação. Intimada, a empresa apresentou manifestação, na qual alegou que nada teria sido recolhido a título de contribuição previdenciária substituta porque ela estaria amparada por decisão judicial, que ocorreram recolhimentos de contribuições previdenciárias no período em tela e que o prazo decadencial seria contado de acordo com o art. 150, § 4º, do CTN. Sem contrarrazões ou manifestação pela PGFN. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. A propósito, as teses suscitadas no recurso voluntário são diferentes da tese ventilada na ação judicial. Isto é, a ação judicial não tem o mesmo objeto da insurgência recursal, que, nessa toada, deve ser conhecida e julgada por este Conselho. Fl. 879DF CARF MF 10 2 Das questões preliminares 2.1 DA DECADÊNCIA A recorrente pleiteia a extinção da exigibilidade, pela decadência, das contribuições correspondentes aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e novembro de 2006. Pois bem. Em 2008, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante nº 08, segundo a qual são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, prevalecendo, quanto ao prazo de constituição, aquele previsto no Código Tributário Nacional, em seus arts. 150 ou 173. Como sabido, súmula de tal natureza tem efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, ex vi do art. 103A da Constituição Federal. O RICARF, em seu art. 62, § 1º, inc. II, alínea a, combinado com o seu art. 45, inc. VI, claramente obriga o conselheiro a observar o enunciado de súmula vinculante. Em sendo assim, não há dúvidas de que o prazo de constituição do crédito tributário é de cinco anos, e não de dez anos. Resta aferir, pois, se o lustro deve ser contado na forma do art. 150, § 4º, ou na forma do art. 173, inc. I. Nesse quadro, observase que o critério de determinação da regra decadencial é, basicamente, a constatação acerca da existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. Se o sujeito passivo antecipa o montante, mesmo que em valor inferior ao efetivamente devido, o prazo para a autoridade administrativa manifestar se concorda ou não com o recolhimento tem início; em não havendo concordância, deve haver lançamento de ofício no prazo determinado pelo art. 150, § 4º, salvo a existência de dolo, fraude ou simulação, casos em que se aplica o art. 173, inc. I. Expirado o prazo, considerase realizada tacitamente a homologação pelo Fisco, de maneira que essa homologação tácita tem natureza decadencial. Especificamente quanto às contribuições devidas à seguridade social, deve ser citado o verbete sumular abaixo reproduzido: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fl. 880DF CARF MF Processo nº 19515.721897/201106 Acórdão n.º 2402006.186 S2C4T2 Fl. 7 11 Sobreleva ressaltar, ainda, o entendimento do colendo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso representativo de controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). Fl. 881DF CARF MF 12 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (destacouse) Neste caso concreto, lembrese que o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência exatamente para se apurar se houve o recolhimento antecipado do tributo, ainda que parcial, nas competências janeiro a novembro de 2006. Em cumprimento à aludida resolução, a autoridade fiscal informou que houve o recolhimento das contribuições incidentes sobre a folha e sobre as aquisições de produtores rurais pessoa física (Funrural pessoa física), mas não recolhimentos, nem mesmo parciais, das contribuições substitutivas devidas pelo produtor rural pessoa jurídica. Realmente, e diante da ação proposta pelo sujeito passivo, faz todo o sentido que ele não tenha efetuado qualquer recolhimento, mormente porque ele estava ao abrigo de decisão judicial. Todavia, a inexistência de pagamento parcial das contribuições ora lançadas impede a aplicação da Súmula CARF 99, que é atinente ao "fato gerador a que se referir a autuação", havendo clara e indubitável distinção entre os fatos geradores das contribuições recolhidas e o fato gerador das contribuições constituídas neste PAF. Por outro lado, a falta de recolhimento antecipado das contribuições substitutivas afasta a aplicabilidade do art. 150, § 4º. Esse dispositivo, como já afirmado, cuida da homologação tácita do recolhimento antecipado pelo transcurso do tempo, homologação esta de natureza decadencial. Inexistindo o recolhimento antecipado do tributo correspondente ao específico fato gerador exigido pela fiscalização, entendese, salvo melhor juízo, que não há recolhimento a ser homologado pelo fisco e, consequentemente, deve ser aplicada a regra geral prevista no art. 173, inc. I. Nesses termos, deve ser rejeitada a preliminar de decadência. 2.2 DOS EFEITOS DO MANDADO DE SEGURANÇA A recorrente assevera que as decisões judiciais proferidas em seu favor no Mandado de Segurança tem o efeito de suspender (impedir) a exigibilidade e/ou incidência das contribuições previdenciárias patronal, GILRAT e destinada ao SENAR, objeto dos Autos de Fl. 882DF CARF MF Processo nº 19515.721897/201106 Acórdão n.º 2402006.186 S2C4T2 Fl. 8 13 Infração (DEBCADs) 37.202.2030, 37.202.2154 e 37.202.2162, assim como da multa objeto do Auto de Infração 37.202.2022, por descumprimento de obrigação acessória. Conforme se observa à fl. 282, item 4, o presente lançamento é preventivo da decadência, tendo em vista que, nos dizeres da acusação fiscal, foi prolatada sentença em favor da empresa, que suspendeu o recolhimento das contribuições previstas no art. 25 da Lei 8870/1994, autos nº 1999.71.00.0212805. A propósito, (i) como os lançamentos foram efetuados sob a égide da Lei 10256/2001; (ii) como os fatos geradores também ocorreram na vigência do citado diploma normativo; e (iii) como a própria autoridade fiscal afirmou ser o lançamento preventivo da decadência, equivocouse a decisão recorrida ao concluir que as contribuições lançadas não se encontrariam abrangidas pela ação judicial. Não é possível fazer tal digressão para obstar os efeitos da ação judicial, pois isso equivaleria a alterar o lançamento efetuado pela autoridade fiscal, que de forma textual asseverou que estava efetuando o lançamento com o "objetivo de se evitar eventual ocorrência do período decadencial". É evidente que se o Poder Judiciário decidir pela constitucionalidade das exações, após as alterações introduzidas pela Lei 10256/01, deverá prevalecer o comando judicial. Mas não se poderá negar os efeitos do lançamento preventivo da decadência quanto à multa de ofício (conforme se verá no mérito), sob pena de se admitir que os órgãos de julgamento tem o poder de alterar a constituição do crédito tributário. De toda forma, este colegiado tem o entendimento uníssono de que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência. Vejase: LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. 1. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência. 2. A administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento, para evitar o transcurso do prazo decadencial. 3. Precedentes do CARF e do STJ. [...] (Acórdão 2402005.437, Recurso Voluntário, Rel. João Victor Ribeiro Aldinucci, data da sessão 16/08/2016) É sabido que a decadência não se interrompe, nem se suspende, de maneira que, na pendência da suspensão da exigibilidade do crédito, o Fisco deve realizar o lançamento preventivo. Fl. 883DF CARF MF 14 A existência de tal ato ou procedimento está prevista, inclusive, no art. 63 da Lei 9.430/1996, cuja redação é a seguinte: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Desta forma, a administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento para evitar o transcurso do prazo decadencial. Outro não é o entendimento da doutrina: Assim, promovida a ação declaratória ou impetrado o mandado de segurança, pode e deve a Fazenda Pública fazer o lançamento respectivo. Seus agentes fiscais obterão junto ao contribuinte os elementos materiais necessários à quantificação do tributo, cuja cobrança será feita a final, se a decisão lhe for favorável. (HUGO DE BRITO MACHADO, Revista de Direito Tributário, 68, p. 48) A suspensão regulada pelo artigo 151 do Código Tributário Nacional paralisa temporariamente o exercício efetivo do poder de execução, mas não suspende a prática do próprio ato administrativo de lançamento, decorrente de atividade vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142 do mesmo Código, e necessária para evitar a decadência do poder de lançar. (ALBERTO XAVIER, Do lançamento – Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário, 2ª ed, p. 428) A Primeira e a Segunda Turma do C. STJ têm o mesmo entendimento: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. PRAZO DECADENCIAL. ART. 150, § 4º, DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE ÓBICE. DECADÊNCIA CONFIGURADA. [...] 3. A suspensão da exigibilidade do crédito, apesar de impedir o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito. Precedentes: REsp 1129450/SP, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe de 28.2.2011; AgRg no REsp 1183538/RJ, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 24.8.2010; REsp 1168226/AL, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe de 25.5.2010. [...] Fl. 884DF CARF MF Processo nº 19515.721897/201106 Acórdão n.º 2402006.186 S2C4T2 Fl. 9 15 (REsp 1259346/SE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/12/2011, DJe 13/12/2011) .... RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ART. 151 DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE O FISCO REALIZAR ATOS TENDENTES À SUA COBRANÇA, MAS NÃO DE PROMOVER SEU LANÇAMENTO. ERESP 572.603/PR. RECURSO DESPROVIDO. 1. O art. 151, IV, do CTN, determina que o crédito tributário terá sua exigibilidade suspensa havendo a concessão de medida liminar em mandado de segurança. Assim, o Fisco fica impedido de realizar atos tendentes à sua cobrança, tais como inscrevêlo em dívida ativa ou ajuizar execução fiscal, mas não lhe é vedado promover o lançamento desse crédito. 2. A Primeira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, dirimindo a divergência existente entre as duas Turmas de Direito Público, manifestouse no sentido da possibilidade de a Fazenda Pública realizar o lançamento do crédito tributário, mesmo quando verificada uma das hipóteses previstas no citado art. 151 do CTN. Na ocasião do julgamento dos EREsp 572.603/PR, entendeuse que "a suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede a Administração de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à sua regular constituição para prevenir a decadência do direito de lançar" (Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005). [...] (REsp 736.040/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/05/2007, DJ 11/06/2007, p. 268) A existência do lançamento efetuado para prevenir a decadência está prevista na Súmula CARF nº 17: Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Logo, é cabível o presente lançamento, negandose provimento ao recurso nesse ponto. Quanto à aplicação da multa de ofício e à multa por descumprimento de obrigação acessória, elas serão apreciadas no mérito, muito embora a recorrente as tenha questionado em razões preliminares. Fl. 885DF CARF MF 16 3 Mérito 3.1 DA RECEITA RELATIVA À PRODUÇÃO RECEBIDA DE TERCEIROS A contribuinte defende a não incidência de contribuições sobre a receita de venda de produtos adquiridos de terceiros (outros produtores). Pois bem. Vale lembrar que as contribuições devidas pelo produtor rural pessoa jurídica têm como base de cálculo apenas a "receita bruta proveniente da comercialização de sua produção" ou a "receita bruta proveniente da venda de mercadorias de produção própria", na dicção literal dos incs. I e II do art. 25 da Lei 8.870/1994, e também do seu § 1º. Art. 25. A contribuição devida à seguridade social pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991,passa a ser a seguinte: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) I dois e meio por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho. § 1º O disposto no inciso I do art. 3º da Lei nº 8.315, de 23 de dezembro de 1991, não se aplica ao empregador de que trata este artigo, que contribuirá com o adicional de zero vírgula vinte e cinco por cento da receita bruta proveniente da venda de mercadorias de produção própria, destinado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) Isto é, as contribuições controvertidas não podem, de conformidade com os dispositivos instituidores, incidir sobre a produção adquirida de terceiros. Exemplificativamente, vejase que o § 21 do art. 201 do Regulamento da Previdência Social preleciona que, nas operações relativas à prestação de serviços a terceiros, a pessoa jurídica continuará contribuindo sobre o total das remunerações, a exigir que o fiscal identifique, de forma indene de dúvidas, os fatos geradores, as bases de cálculo e os sujeitos passivos. A despeito disso, o ilustre agente autuante incluiu a receita de produção não própria ("vendas de frutas adquiridas de terceiros") na base de cálculo das contribuições, arvorandose nos seguintes argumentos: As vendas de frutas adquiridas de terceiros classificadas pela empresa, foram desconsideradas como tal, e consideradas como vendas de produtos rurais próprio, pelos motivos abaixo relacionado: a) A Agropecuária Schio faz parte do processo de produção rural dos pequenos produtores, onde ela acompanha desde o preparo, plantio (formação de pomares), controle de pragas, Fl. 886DF CARF MF Processo nº 19515.721897/201106 Acórdão n.º 2402006.186 S2C4T2 Fl. 10 17 colheita, etc, com seus técnicos dando todo o suporte necessário sem custos para estes e determina e fornece os defensivos e fertilizantes que serão aplicados, e serão pagos após a venda das frutas sem juros pelo valor de custo (valor de aquisição da época da compra); b) Quando recebe os frutos de origem de pomares de terceiros, são enviados para a unidade de beneficiamento, onde é feita uma préclassificação e armazenado em câmaras refrigeradas com sistema de atmosfera dinâmica (câmara com baixo oxigênio e isenta de etileno). c) Na época da venda dos produtos, os frutos são retirados das câmaras refrigeradas, voltando para o beneficiamento, onde são lavados e feito um tratamento para descontaminação e limpeza e após são embalados em caixas de papelão de 18 kg ou em sacos plásticos lacrados de 1 kg. d) No processo de beneficiamento, muitas vezes os produtos de origem de pomares de terceiros, são misturados com os de pomares próprios, assim, sendo quase impossível de indicar quais os frutos são de origem de pomares próprios ou de terceiros, gerando assim o produto final para venda, onde todos os frutos (próprios e de terceiros) passaram por um processo para obtenção do produto rural a ser vendido. e) A Schio quando recebe estas frutas in natura, ela agrega valores com o beneficiamento (selecionamento, lavagem, descontaminação e armazenamento especial) e com a industrialização rudimentar (embalagens), assim todos os frutos recebidos passaram pelo processo da produção rural da empresa, juntamente com os de seus pomares, formando a produção rural da empresa. f) As fases da colheita do fruto in natura, o beneficiamento e a industrialização rudimentar, fazem parte do processo da produção rural, conforme o Art. 240 inciso II da IN 03/2005 "II produção rural, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetido a processos de beneficiamento ou de industrialização rudimentar, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos por esses processos". Das assertivas acima, destacase aquela constante do item "d", segundo a qual seria "quase impossível de indicar quais os frutos são de origem de pomares próprios ou de terceiros", demonstrando, sem sombra de dúvidas, que as contribuições lançadas incidiram sobre valores que não poderiam compor a sua base de cálculo e que o agente fiscal não empreendeu maiores esforços para identificar a efetiva receita bruta proveniente da comercialização de produção própria. Ora, examinandose os autos e o próprio relatório fiscal, observase que a recorrente classificou, separadamente, as receitas provenientes da comercialização de produção própria da receita proveniente da comercialização de frutas adquiridas de terceiros, sendo elucidativo transcrever os seguintes trechos do relatório fiscal com destaques : Fl. 887DF CARF MF 18 Para o calculo da contribuição previdenciária sobre a venda da produção rural, foi considerada o total das receitas de vendas de produtos rurais para o mercado interno, extraídos dos razões contábeis. [...] As vendas de frutas adquiridas de terceiros classificadas pela empresa, foram desconsideradas como tal, e consideradas como vendas de produtos rurais próprio, pelos motivos abaixo relacionado: (redação como no original) Vejase, ademais, que o sujeito passivo, atendendo à determinação fiscal de fl. 123, apresentou as planilhas de fls. 203 e 204, as quais retratam, respectivamente, as vendas de mercadorias adquiridas de produtores e as vendas de mercadorias de produção própria. A própria autoridade fiscal, aliás, afirmou à fl. 278, tópico B1, que a composição da receita da venda de produtos rurais no mercado interno foi extraída dos razões contábeis, demonstrados nas planilhas. Havendo demonstração adequadamente contabilizada, segundo se depreende da própria acusação fiscal, de venda de produtos adquiridos de terceiros, entendese que deve ser decotado do lançamento a receita bruta dela advinda, mantendose apenas a receita oriunda da produção própria, nos termos da legislação de regência. Não se concorda, portanto, com as assertivas constantes dos itens "a" a "f" do relatório fiscal, fl. 278, mormente porque se entende que elas não são hábeis a desacreditar as planilhas e a contabilização levada a cabo pela recorrente. Nessa toada, deve ser dado provimento ao recurso voluntário nesse tocante, para excluir do lançamento a receita bruta proveniente da venda de produtos adquiridos de terceiros, constante da planilha de fl. 203. 3.2 DA INAPLICABILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO, DA MULTA DE MORA E DO AUTO DE INFRAÇÃO 37.202.2022 Como dito no tópico 2.3, o presente lançamento é meramente preventivo da decadência, tendo em vista que, nos dizeres da acusação fiscal, foi prolatada sentença em favor da empresa, que suspendeu o recolhimento das contribuições, autos nº 1999.71.00.0212805. Conforme preceitua a Súmula CARF nº 17 e o art. 63 da Lei 9.430/1996, não cabe a exigência de multa de ofício na hipótese, devendo ser dado provimento ao recurso, para cancelar as multas de ofício aplicadas nos Autos de Infração DEBCAD nºs 37.202.2030 e 37.202.2154. Quanto ao Auto de Infração DEBCAD nº 37.202.2022, que abriga o lançamento da multa de ofício por descumprimento de obrigação acessória, salientese que a recorrente não estava obrigada a informar em GFIP os fatos geradores que entendeu não terem ocorrido, mormente porque ela estava sob o abrigo de decisão judicial que entendeu pela inconstitucionalidade das contribuições. Ademais, e como bem frisado pela recorrente, o Manual GFIP/SEFIP 8.0, vigente até outubro de 2008, expressamente previa que a GFIP/SEFIP teria natureza de Fl. 888DF CARF MF Processo nº 19515.721897/201106 Acórdão n.º 2402006.186 S2C4T2 Fl. 11 19 confissão de dívida e que o empregador que decidisse discutir judicialmente alguma obrigação deveria informar apenas os valores que entenderia devidos. Salientese que o item 7 do Manual GFIP/SEFIP 8.4, aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 880, de 16/10/2008, não é aplicável ao caso vertente, pois a hipótese por ele regulada é relativa à discussão judicial na qual não tenha sido concedida tutela suspendendo a exigibilidade do crédito discutido. Vejase: 7 – INFORMAÇÃO DE OBRIGAÇÕES DISCUTIDAS JUDICIALMENTE Caso o empregador/contribuinte decida discutir judicialmente alguma obrigação, deve informar a GFIP/SEFIP normalmente de acordo com a legislação. Não deve elaborar a GFIP/SEFIP de acordo com o que entende ser devido. Caso a decisão judicial altere a obrigação, o empregador/contribuinte deverá retificar as GFIP/SEFIP de acordo com a sentença, sendo passível de autuação a falta de correção após a referida decisão. O referido procedimento aplicase também às contribuições destinadas a outras entidades e fundos, arrecadadas pela RFB. Logo, entendese que devem ser canceladas as multas de ofício e o Auto de Infração DEBCAD nº 37.202.2022. Portanto, equivocouse a DRJ ao negar os efeitos das decisões proferidas na ação judicial, sobretudo porque a própria autoridade fiscal foi expressa e textual no sentido de ter efetuado o lançamento para evitar o transcurso do prazo decadencial. De outro vértice, o contribuinte não tem melhor sorte quanto à multa de mora. Consoante já decidido pelo colendo Superior Tribunal de Justiça, "o art. 63, caput e § 2º, da Lei 9.430/96 afasta tão somente a incidência de multa de ofício no lançamento tributário destinado a prevenir a decadência na hipótese em que o crédito tributário estiver com sua exigibilidade suspensa por força de medida liminar concedida em mandado de segurança ou em outra ação ou de tutela antecipada"1. Isto é, a lei veda a incidência da multa de ofício, mas não da multa de mora, o mesmo se podendo afirmar em relação à Súmula CARF nº 17. Eis o entendimento deste Colegiado a respeito da matéria: LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência. 1 EREsp 839.962/MG, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/02/2013, DJe 24/04/2013 Fl. 889DF CARF MF 20 2. A administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento, para evitar o transcurso do prazo decadencial. 3. É cabível a inclusão de multa de mora nos lançamentos preventivos da decadência, observandose o disposto no § 2º do art. 63 da Lei 9.430/1996. 4. Precedentes do CARF e do STJ. [...] (CARF, acórdão 2402005.441, julgado em 16/08/2016, por unanimidade, relator João Victor Ribeiro Aldinucci) Em síntese, devem ser canceladas as multas de ofício e o Auto de Infração DEBCAD nº 37.202.2022, mas deve ser mantida a multa de mora. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer do recurso voluntário, para rejeitar as preliminares e darlhe parcial provimento, a fim de (i) excluir do lançamento a receita bruta proveniente da venda de produtos adquiridos de terceiros, constante da planilha de fl. 203; e (ii) cancelar as multas de ofício e o Auto de Infração DEBCAD nº 37.202.2022. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Voto Vencedor Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Redator Designado. Não obstante o bem elaborado voto do i. Relator, dele divirjo em dois pontos específicos: cancelamento das multas de ofício por falta de declaração de fatos geradores em GFIP (AI DEBCAD n. 37.202.2022) e exclusão da receita bruta proveniente da venda de produtos tidos por adquiridos de terceiros da autuação. Muito bem. No que diz respeito ao lançamento da multa de ofício por descumprimento de obrigação acessória, consignada no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.202.2022, preliminarmente cabem as seguintes considerações: i) o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação (principal ou acessória) e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou alterada, nos termos do art. 144 do CTN. ii) o período de apuração relativo ao lançamento da multa de ofício em litígio (AI DEBCAD n. 37.202.2022) compreende as competências 01/2006 a 12/2008. iii) até a competência 10/2008, os procedimentos de informação em GFIP de qualquer obrigação tributária de natureza previdenciária em discussão judicial eram aqueles disciplinados no Manual GFIP/SEFIP 8.0 aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP n. Fl. 890DF CARF MF Processo nº 19515.721897/201106 Acórdão n.º 2402006.186 S2C4T2 Fl. 12 21 09/2005, com as alterações promovidas pela Instrução Normativa SRP n. 11/2006 e pela Instrução Normativa SRP n. 19/2006. iv) a partir da competência 11/2008, os referidos procedimentos passaram a ser disciplinados pelo Manual GFIP/SEFIP 8.4 aprovado pela Instrução Normativa RFB n. 880, de 16 de outubro de 2008 DOU de 17/10/2008. v) a Recorrente questionou a exigibilidade das contribuições de que trata o art. 25, incisos I e II e § 1º da Lei 8.870/94, mediante o Mandado de Segurança n. 1999.71.00.0212805. Nesse contexto, é oportuno resgatar que o Manual GFIP/SEFIP 8.0, em seu item 7 (fl. 115), estabelecia que: a) A GFIP/SEFIP tem natureza de confissão de dívida e que o empregador/contribuinte, ao prestar as informações, manifesta a sua concordância com a legitimidade das obrigações declaradas. b) Caso o empregador/contribuinte decida discutir judicialmente alguma obrigação, deve informar a GFIP/SEFIP de acordo com o que entende devido. c) Caso a decisão judicial seja denegatória, o empregador/contribuinte deverá retificar as GFIP/SEFIP informadas de acordo com o pedido judicial, sendo passível de autuação a falta de correção após a referida decisão. d) O referido procedimento aplicase também às contribuições destinadas a outras entidades e fundos, arrecadadas pela Previdência Social. Ocorre que, consoante já informado, os procedimentos acima foram revogados a partir da competência 11/2008, inclusive, com o advento da Instrução Normativa RFB n. 880, de 16 de outubro de 2008, que aprovou o Manual GFIP/SEFIP 8.4, passando a valer , a partir de 22/11/2008, a seguinte regra (item 7 (fl. 125): Caso o empregador/contribuinte decida discutir judicialmente alguma obrigação, deve informar a GFIP/SEFIP normalmente de acordo com a legislação. Não deve elaborar a GFIP/SEFIP de acordo com o que entende ser devido. Caso a decisão judicial altere a obrigação, o empregador/contribuinte deverá retificar as GFIP/SEFIP de acordo com a sentença, sendo passível de autuação a falta de correção após a referida decisão. O referido procedimento aplicase também às contribuições destinadas a outras entidades e fundos, arrecadadas pela RFB. (grifei) É dizer, os procedimentos em apreço sofreram significativa alteração a partir da competência 11/2008, inclusive, após a aprovação do Manual GFIP/SEFIP 8.4 pela IN RFB n. 880/2008, vez que a decisão judicial proferida em caráter liminar, ou que antecipe os efeitos da tutela, suspende a exigibilidade do crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias e às devidas a terceiros, mas não dispensa o sujeito passivo da obrigação de informar, no campo próprio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), os valores das contribuições cuja exigibilidade foi suspensa. Ausentes tais informações, e não cabível a retificação da GFIP em virtude de perda de espontaneidade (art. Fl. 891DF CARF MF 22 138 do CTN), deverá a Fiscalização proceder ao lançamento de multa de ofício sob código de fundamento legal 68. Nesse sentido, a Solução de Consulta n. 279 Cosit, de 02/06/2017, conforme entendimento sumarizado na ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS GUIA DE RECOLHIMENTO DO FGTS E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL (GFIP). OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CUMPRIMENTO NA VIGÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL QUE SUSPENDE A OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. Decisão judicial proferida em caráter liminar que suspende a exigibilidade do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias ou contribuições devidas a terceiros não dispensa o sujeito passivo da obrigação de informar, no campo próprio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (Gfip), os valores das contribuições cuja exigibilidade foi suspensa. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 113, §§ 2º e 3º, e art. 175, parágrafo único; Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, art. 32, inciso IV; Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, art. 47, inciso VIII; Instrução Normativa RFB nº 880, de 2008, que aprova o Manual da Gfip, Capítulo IV, item 7. Todavia, considerando a abrangência do período de apuração em lide (01/01/2006 a 31/12/2008), impõese a modulação dos efeitos da aplicação dos procedimentos vinculados aos manuais vigentes nas diferentes competências abrangidas no referido período de apuração. Nesse contexto, os procedimentos previstos no Manual GFIP/SEFIP 8.0 item 7 (fl. 115) aplicamse às competências contemporâneas à sua vigência, ou seja, até 10/2008. A partir da competência 11/2008, inclusive, devem ser observados os procedimentos estabelecidos no Manual GFIP/SEFIP 8.4 item 7 (fl. 125), ex vi art. 1°., § 1°., da IN RFB n. 880/2008. Desta forma, impõese o cancelamento da multa por falta de declaração de fatos geradores em GFIP, abrigada no lançamento consignado no AI DEBCAD n. 37.202.202 2, até a competência 10/2008, inclusive. Concluise então que a decisão recorrida merece reparo neste aspecto, vez que acolheu o lançamento em lide em todo o período de apuração (01/2006 a 12/2008). Por sua vez, com relação à exclusão da receita bruta proveniente da venda de produtos de terceiros, é relevante destacar que as circunstâncias fáticas identificadas pela Fiscalização e enumeradas na efl. 278 do Relatório Fiscal são suficientes para respaldar o lançamento em lide, conforme se destaca, verbis: As vendas de frutas adquiridas de terceiros classificadas pela empresa, foram desconsideradas como tal, e consideradas como vendas de produtos rurais próprio, pelos motivos abaixo relacionado: a) A Agropecuária Schio faz parte do processo de produção rural dos pequenos produtores, onde ela acompanha desde o preparo, plantio (formação de pomares), controle de pragas, colheita, etc, com seus técnicos dando todo o suporte necessário sem custos para estes e determina e fornece os defensivos e fertilizantes que serão Fl. 892DF CARF MF Processo nº 19515.721897/201106 Acórdão n.º 2402006.186 S2C4T2 Fl. 13 23 aplicados, e serão pagos após a venda das frutas sem juros pelo valor de custo (valor de aquisição da época da compra); b) Quando recebe os frutos de origem de pomares de terceiros, são enviados para a unidade de beneficiamento, onde é feita uma préclassificação e armazenado em câmaras refrigeradas com sistema de atmosfera dinâmica (câmara com baixo oxigênio e isenta de etileno). c) Na época da venda dos produtos, os frutos são retirados das câmaras refrigeradas, voltando para o beneficiamento, onde são lavados e feito um tratamento para descontaminação e limpeza e após são embalados em caixas de papelão de 18 kg ou em sacos plásticos lacrados de 1 kg. d) No processo de beneficiamento, muitas vezes os produtos de origem de pomares de terceiros, são misturados com os de pomares próprios, assim, sendo quase impossível de indicar quais os frutos são de origem de pomares próprios ou de terceiros, gerando assim o produto final para venda, onde todos os frutos (próprios e de terceiros) passaram por um processo para obtenção do produto rural a ser vendido. e) A Schio quando recebe estas frutas in natura, ela agrega valores com o beneficiamento (selecionamento, lavagem, descontaminação e armazenamento especial) e com a industrialização rudimentar (embalagens), assim todos os frutos recebidos passaram pelo processo da produção rural da empresa, juntamente com os de seus pomares, formando a produção rural da empresa. f) As fases da colheita do fruto in natura, o beneficiamento e a industrialização rudimentar, fazem parte do processo da produção rural, conforme o Art. 240 inciso II da IN 03/2005 "II produção rural, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetido a processos de beneficiamento ou de industrialização rudimentar, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos por esses processos". Com efeito, devese proceder à leitura do art. 25, I e II, e § 1°, da Lei n. 8.870/1994 de forma sistêmica com o disposto no art. 240, II, da Instrução Normativa n. 03/2005, vigente à época dos fatos, observandose, inclusive, as circunstâncias específicas de cada caso concreto para a definição do que seja produção própria e produção de terceiros. No caso em tela, a Fiscalização caracteriza de forma bastante elucidativa a confusão do processo de produção dos frutos da Recorrente com aqueles teoricamente produzidos por terceiros produtores, conforme denunciado nas alíneas "a" a "f", supra referidas, restando constatado que, na verdade, os produtos atribuídos a terceiros estão submetidos, desde o início do ciclo produtivo, à total ingerência da Recorrente, que controla todo o processo produtivo, inclusive com fornecimento de insumos e tecnologia, necessários à produção dos frutos que adquire, restando plenamente caracterizado o disposto no art. 240, II, da Instrução Normativa n. 03/2005, vigente à época dos fatos. É dizer, no caso concreto, os terceiros produtores, não vendem a sua produção à Recorrente na forma estrita do conceito desse instituto, mas sim funcionam como verdadeiros longa manus do processo produtivo daquela, e é nessa condição que são remunerados. Fl. 893DF CARF MF 24 Assim, na receita bruta da Recorrente na comercialização de produtos agrícolas (frutas) não se caracteriza receita proveniente da venda de produtos tidos por adquiridos de terceiros. É relevante destacar que a mera existência na contabilidade da Recorrente de classificação em separado das receitas provenientes da comercialização de produção própria daquelas provenientes da comercialização de frutas adquiridas de terceiros, não atrai, necessariamente, a incidência do art. 25, I e II, e § 1°, da Lei n. 8.870/1994, para fins de definição de receita decorrente de produção própria ou da venda de produtos de terceiros, vez que, no caso concreto, tal discriminação vinculase unicamente à apuração dos custos por unidade de produção (no caso, os diferentes pomares). Nessa perspectiva, não merece reparo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 894DF CARF MF
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Numero do processo: 15521.000290/2009-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006
DECLARAÇÃO DE EXTINÇÃO CRÉDITO EM RAZÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
Não estão entre as competências do CARF a análise de demandas relacionadas a extinção de parte do crédito tributário que não foi objeto de litígio.
ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. BENFEITORIAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
Podem integrar o custo de aquisição os dispêndios com a construção, ampliação, reforma e pequenas obras, no caso de bens imóveis, quando discriminados na Declaração de Ajuste Anual e comprovados com documentação hábil e idônea.
GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS COMUNS. SOLIDARIEDADE.
O imposto relativo ao ganho de capital decorrente da alienação de bens adquiridos no âmbito da sociedade matrimonial pode ser lançado contra todos ou um dos cônjuge em razão da solidariedade.
RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA.
Os valores recebidos de pessoas jurídicas, em relação aos quais não se faça prova inconteste serem advindos do pagamento de lucros ou dividendos, estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda das pessoas físicas.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO PROCEDENTE
Caracteriza omissão de rendimentos a constatação da existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente.
Numero da decisão: 2402-006.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Não estão entre as competências do CARF a análise de demandas relacionadas a extinção de parte do crédito tributário que não foi objeto de litígio. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. BENFEITORIAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Podem integrar o custo de aquisição os dispêndios com a construção, ampliação, reforma e pequenas obras, no caso de bens imóveis, quando discriminados na Declaração de Ajuste Anual e comprovados com documentação hábil e idônea. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS COMUNS. SOLIDARIEDADE. O imposto relativo ao ganho de capital decorrente da alienação de bens adquiridos no âmbito da sociedade matrimonial pode ser lançado contra todos ou um dos cônjuge em razão da solidariedade. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. Os valores recebidos de pessoas jurídicas, em relação aos quais não se faça prova inconteste serem advindos do pagamento de lucros ou dividendos, estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda das pessoas físicas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO PROCEDENTE Caracteriza omissão de rendimentos a constatação da existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 02 90 /2 00 9- 26 Fl. 488DF CARF MF 2 quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. Fl. 489DF CARF MF Processo nº 15521.000290/200926 Acórdão n.º 2402006.091 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I – DRJ/RJ1 (fls. 427/447), que julgou procedente em parte Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF (fls. 3/16), relativo aos anoscalendário 2004 e 2005 / exercícios 2005 e 2006, o qual resultou crédito tributário no valor de R$ 1.131.278,32, aí incluídos multa de ofício e juros moratórios. Por retratar as razões contidas no Auto de Infração e na impugnação, reproduzse trechos correspondentes do Acórdão 1253.353 da 20ª Turma da DRJ/RJ1: Auto de Infração Foram verificadas as seguintes infrações: Ganho de capital na alienação de imóveis em 27/01/04, 03/10/05 e 05/10/05, conforme DIRPFs e certidões dos cartórios R$ 7.150,00 (31/01/04) e R$ 295.469,24 (31/10/05) fl. 5; Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, referentes às contascorrentes nos bancos do Brasil, Unibanco, Unicred e Bradesco R$ 422.507,00 (2004) e R$ 1.039.258,46 (2005) fls. 6/7; Omissão de rendimentos R$ 164.568,00 (2004) e R$ 62.048,58 (2005) fl. 8. As Declarações de Ajuste Anual constam às fls. 133/138 (2004) e 149/159 (2005). O Contribuinte foi intimado à apresentação de documentos, através dos termos às fls. 62/64, 71/80, 83/100, 111/122, 124/126, 128/129, relativos a seus rendimentos e deduções; a 6 imóveis adquiridos ou alienados, e suas benfeitorias (escrituras, comprovantes dos valores pagos ou recebidos, justificativas para a divergência entre valores, e ganho de capital); a veículos e bens móveis passíveis de registro; aos extratos bancários, seus depósitos e saídas (depositantes e favorecidos, origens e motivações); à aquisição, contratos/alterações/1ivros contábeis, e à distribuição de lucros e dividendos de participações societárias (Tomografia Macaé, Ultrasom Médico Macaé, Exames Radiológicos Irmãos Alexandre e Cinticedi Medicina Nuclear); e à disponibilidade de R$ 120.000,00 em espécie ao final de cada ano. Foram apresentados os seguintes esclarecimentos e documentos: Rendimentos e deduções (fls. 68, 140/148, 160/166); Extratos bancários (Banco do Brasil fls. 167/191, 213/238; Unicred –fls. 192/206, 239/250; Bradesco – fls. 207/212, 251/255; Unibanco – fls. 256/258); Depósitos bancários: anexa planilha (fls. 103/110) e comprovantes da distribuição de lucros da empresa Tomografia Macaé (cheques compensados fls. 267, 272/295), e de transferências entre contas de sua titularidade (fls. 259/266, 268/271). Alega ser certo que, pelo decurso do tempo, alguns depósitos não foram identificados (fl. 81) e que há dificuldade em obter informações dos bancos; Fl. 490DF CARF MF 4 Débitos bancários: alega que não há disposição legal que o obrigue a identificar os débitos em suas contas bancárias; Imóveis e benfeitorias: apresenta registros (R. dos Advogados, 28/301 fls. 296/297, R. Nicodemes de Souza Ribeiro, 421/403 – fl. 300) e escrituras (terreno Imboassica – fls. 298/299, terreno R. Cel. Olivier, 102 – fls. 301/302). Afirma que os valores de alienação são os constantes desses documentos, não lhe cabendo se posicionar quanto à avaliação fiscal referente ao ITBI. Alega que efetivamente foram realizadas as benfeitorias, esforçandose para levantar comprovantes (fl. 81); Empresa Tomografia Macaé: esclareceu que a aquisição de suas cotas se deu através do Instrumento Particular de Compra e Venda, de 17/06/05; que os pagamentos ao exsócio Aluízio dos Santos não foram efetivados, sendolhe dados cheques em garantia para negociação futura do adimplemento; e que a aquisição das cotas do exsócio Luiz da Penha se deu pelo valor escritural (fl. 81). Apresentados os livros Diário e Razão (fls. 303/379), solicitados através de MPF à empresa (fl. 132); Repasse de lucros e dividendos: houve erro material quanto ao anteriormente declarado, haja vista que, de fato, apenas houve a distribuição pela empresa Tomografia Macaé (fl. 81); Dinheiro em espécie: observa que o saldo ao final do ano de 2005 foi de R$ 18.000,00, e não R$ 120.000,00 constante da intimação, acrescentando que a prova de tal recurso decorre dos próprios rendimentos declarados. A partir dessas informações e documentos, a Fiscalização assim concluiu: O Contribuinte não comprovou os recebimentos decorrentes das alienações de imóveis, não podendo tais operações justificarem parte dos depósitos bancários. Ademais, os depósitos ocorridos nas mesmas datas das operações não foram identificados pelo Contribuinte como decorrentes destas últimas, inclusive por se tratarem de valores superiores; Os cheques emitidos pela empresa Tomografia Macaé foram confrontados com os lançamentos contábeis dos livros Razão, sendo considerados como distribuição de lucros aqueles emitidos em data anterior ou na mesma data do respectivo depósito de valor coincidente. Os cheques emitidos que não corresponderam aos lançamentos contábeis, por não terem sido emitidos em data anterior aos depósitos ou de valores diferentes, e que não encontraram respaldo nos rendimentos declarados em DIRPF, foram considerados omitidos, sendo identificados nas planilhas às fls. 39/57; Os demais depósitos não identificados pelo Contribuinte, para os quais não foram encontrados registros nos livros Razão (Distribuição de Lucros e contrapartida bancária), foram considerados rendimentos omissos decorrentes de depósitos com origem não comprovada, identificados nas planilhas às fls. 39/57; Apurados ganhos de capital referentes às alienações dos seguintes imóveis: a) Área de terra em copropriedade com Antonio Severino dos Santos, alienada em 27/01/04, do qual somente foi apresentada cópia de certidão de inteiro teor, que indicam o valor de aquisição de R$ 12.000,00 e de alienação de R$ 26.300,00 (fl. 298). Em razão do regime de comunhão parcial e do fato de sua esposa Claudia constar como sua dependente, o ganho de capital de R$ 7.150,00 foi apurado proporcionalmente à participação do casal no imóvel (50%); b) Apartamento 403 da R. Nicomedes de Souza Ribeiro, alienado em 03/10/05, cujo valor de aquisição e das benfeitorias declaradas nas DIRPFs nos Fl. 491DF CARF MF Processo nº 15521.000290/200926 Acórdão n.º 2402006.091 S2C4T2 Fl. 4 5 valores de R$ 55.000,00 (2004) e R$ 155.000,00 (2005) não foram comprovadas, limitandose o Contribuinte a afirmar a efetiva realização das benfeitorias e seus esforços para levantar documentos e informações. Valorou se assim o custo de aquisição em R$ 2.500,00, correspondente à metade do valor declarado na DIRPF (ano 2003) de parte do terreno onde foram construídos os imóveis, não sendo acatados os valores das benfeitorias (art. 17, I, a, da IN SRF nº 84/01). Tendo em vista o art. 22 da mesma IN, acerca da apuração do ganho de capital de um bem comum em relação ao bem como um todo, determinouse o ganho de R$ 177.500,00, resultante do valor de alienação de R$ 180.000,00 (certidão fl. 300) e do custo de aquisição; c) Apartamento 301 da Rua dos Advogados, 28, alienado em 05/10/05, pelo valor de R$ 300.000,00 (fl. 296). O custo de aquisição e as benfeitorias declaradas nos valores de R$ 60.000,00 (2004) e R$ 80.000,00 (2005), tal como no item anterior, não foram comprovados. Determinouse o custo de aquisição no valor de R$ 182.030,76, constante da DIRPF (2003), resultando no ganho de R$ 117.969,24. Impugnação Consta a ciência pessoal no Auto de Infração, em 18/12/09 (fl. 4), sendo a impugnação apresentada em 19/01/10 (fls. 383/393), acompanhada dos anexos I – planilhas de depósitos (fls. 394/401), comprovantes referentes ao ganho de capital (fls. 408/410), e livros fiscais (fls. 411/423). Preliminarmente, alega a nulidade do lançamento, motivada por irregularidades na constituição do crédito tributário e o cerceamento do direito de defesa, ao ter a Fiscalização procedido à glosa de todas as deduções declaradas (previdência oficial e privada, dependentes, instrução e médicas) e comprovadas durante a ação fiscal, sem a descrição do fato e a disposição legal infringida, em desobediência aos incs. III, IV e V do art. 10 do Decreto nº 70.235. Descreve tal glosa como resultante do lançamento do valor total das deduções de R$ 37.521,04 (ano 2004) e R$ 42.859,21 (ano 2005) como valores integrantes da base de cálculo para o levantamento do crédito tributário. Alega a constatação de outro erro correspondente às bases de cálculo consideradas pela Fiscalização nos valores de R$ 131.944,51 e R$ 129.792,74 sem a exclusão das deduções, já adicionadas à base de cálculo, resultando mais uma vez na tributação dos valores glosados. Quanto ao ganho de capital relativos ao apartamento 403 da R. Nicodemos de Souza Ribeiro, 421, bairro Costa do Sol, e ao apartamento 301, R. dos Advogados, 28, confirma as benfeitorias de construção realizadas nos lotes de nos 135 e 136 da R. 02 do Loteamento Costa do Sol, e em 1/16 do edifício na R. dos Advogados, dos quais era proprietário em construção solidária, em comunhão com sua esposa, conforme declarado em DIRPFs. Quanto ao apartamento 403, foi considerado como custo de aquisição o valor de aquisição dos lotes 135 e 136 de R$ 2.500,00; e quanto ao apartamento 301, o valor de R$ 182.030,76, correspondente ao valor do imóvel declarado em DIRPF para 31/12/03. Alega incabível admitir que tal critério possa encontrar amparo em nosso ordenamento jurídico, já que absolutamente primário e prejudicial ao autuado. Alega que a natureza do bem (apartamento) permite agregar elementos suficientes para compor o valor probatório das benfeitorias declaradas. Alega que, se o imóvel permaneceu em sua propriedade e se transformou de lote de terra para apartamento, é forçoso admitir que as benfeitorias foram realizadas Fl. 492DF CARF MF 6 agregando ao lote o seu valor; que se faz necessário que os fatos sejam apreciados à luz da experiência e convicção; que o ganho de capital não pode ter por base apenas o valor do terreno, sob pena de se tributar aquilo que apenas no sentir da autoridade autuante é renda, mas de fato não o é, na medida em que não representa aumento do potencial de consumo do contribuinte, pois verdadeiramente houve um dispêndio para a elevação do valor do imóvel (lote); que o ganho de R$ 177.500,00 não derivou de valorização por obras de infraestrutura do poder público ou das variações de mercado, mas sim de dispêndios do contribuinte integrantes do custo a teor do art. 17, I, a, da IN SRF nº 84/01; que igualar esse dispêndio a zero, excluindo as benfeitorias, seria permitir o locupletamento do poder público às expensas do contribuinte, afrontando o princípio da moralidade administrativa; que a existência do imóvel está provada, não somente pela natureza do bem vendido, como pelo Habitese (fls. 408). Cita doutrina. Em relação ao apartamento 301, valese dos argumentos acima, já que a propriedade correspondia a 1/16 de um edifício em construção que resultou em unidades prontas, que prova a justa agregação dos valores das benfeitorias. Alega que o pressuposto da continuidade das obras está materializado com as benfeitorias incorporadas e valoradas conforme cópia do Cronograma Financeiro das obras de ambos os apartamentos (fls. 409/410). Reproduz ementa de acórdão do Conselho de Contribuintes. Argumenta que as aquisições e alienações dos imóveis ocorreram na vigência do casamento em regime parcial de bens, fazendo meeira sua esposa Claudia. Assim, a comunhão deveria ser respeitada na apuração do ganho de capital (50% para cada cônjuge), o que não ocorreu, já que nenhum procedimento fiscal foi aberto em nome de Claudia. Impugna assim todos os lançamentos referentes ao ganho de capital. Quanto aos depósitos bancários, alega que, dentro de sua capacidade hipossuficiente, nunca se recusou a informar o que lhe era solicitado e a disponibilizar sua movimentação financeira, e que é compreensível que, sendo pessoa física e não possuindo escrituração, seja prejudicado pela dificuldade de reunir documentos, seja pelo desconhecimento de lei nova, seja pela ação destruidora do tempo. Alega ser humanamente impossível exigir que alguém se lembre de todos os valores movimentados, sendo que até as instituições financeiras não estavam estruturadas para adequar os lançamentos bancários de forma a retratar realmente a operação realizada (sucintos ou equivocados históricos). Alega que a verdade material dos fatos deu lugar e supremacia à presunção legal, que requer o acréscimo de outros elementos para que o lançamento possa ter certeza e credibilidade, tais como a demonstração de que os créditos bancários não justificados se traduziram em renda não oferecida à tributação e a existência de sinais exteriores de riqueza, exigindo o bom senso, a pesquisa, a conciliação de contas e o princípio da razoabilidade (proporcionalidade entre meios e fins), não podendo se fundamentar somente na impossibilidade da apresentação de justificativas. Ressalta toda a documentação apresentada, a disponibilidade em espécie de R$ 120.000,00 em dez/03 não contestada pela Fiscalização, a alienação de imóveis, e os lucros das empresas das quais é sócio, alegando que todos esses valores transitaram por suas contas e justificam a movimentação. Alega que a lei não ampara a tributação pura e simples dos depósitos, mesmo depois da Lei Complementar nº 105/01. Alega que os fatos demonstrados no Anexo I da impugnação, às fls. 394/401, justificam a origem de depósitos não decorrentes de omissão de receitas que merece revisão, destacando: Fl. 493DF CARF MF Processo nº 15521.000290/200926 Acórdão n.º 2402006.091 S2C4T2 Fl. 5 7 1. R$ 7.756,27 12/ 01/04 – Unicred – depósito em dinheiro: origem no cheque 850281, BB, c/c 25.4061, emitido pelo próprio Contribuinte e compensado em 12/01/04 (fl. 168); 2. Lucros Distribuídos declarados em DIRPFs e contabilizados pelas empresas (indicação dos itens), cujas cópias dos Livros Razão são anexadas (fls.411/423): 2004 Brasil Bradesco Unicred Tomografia Macaé 8, 15, 17, 18, 23 a 24, 34 a 37 1, 3, 6, 9 7 Ultra Som Médico Macaé 16 2 Exames Radiol. Irmãos Alexandre 20 5, 5 2005 Brasil Bradesco Unicred Tomografia Macaé 5, 14 a 16, 18 1, 2, 4 4 Ultra Som Médico Macaé 16 2 2, 3 Exames Radiol. Irmãos Alexandre 20 6 1 Alega que depósitos em dinheiro e créditos autorizados, decorrentes de saques e depósitos diversos e transferências entre contas do mesmo titular, não foram considerados como “hábeis e idôneos”, não foram considerados na conciliação, sendo indevidamente tributados, como demonstrado no Anexo I. Indica créditos estornados não considerados na conciliação da c/c nº 25.406 – BB: data histórico R$ especificação 05/01/04 dev ch depositado 350,00 (3x), 360,00 contido em depósito jan/04 10/11/05 dev ch depositado 800,00 contido em depósito dez/05 Alega que uma simples verificação nos extratos bastaria para concluir que muitos dos depósitos se deram apenas de passagem, configurando meros ingressos financeiros, não representativos de receita, na medida em que não foram incorporados ao patrimônio, bem como não decorrentes de remuneração de atividade econômica desenvolvida. Por fim, declara não impugnar os seguintes depósitos do Banco do Brasil, conforme Relação de Depósitos de Origem não Comprovada e Rendimentos Omitidos Recebidos de Pessoas Jurídicas elaborada pela Fiscalização às fls. 45/56 dos autos (fls. 46/57), optando por recolher o crédito tributário correspondente a R$ 18.172,96 (2004) e R$ 17.267,77 (2005), acrescidos de multa e juros: ano Itens 2004 3,5,11,12,16,17,21,22,26,27,36,37,41,42,46,47,49,50,54,57,61,62,64,68 2005 70,75,76,78,79,84,85,92,93,97,99,101,102,104,106,109,110,115,116,120,121,122 A DRJ/RJ1 considerou o lançamento procedente, conforme se depreende da ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Fl. 494DF CARF MF 8 Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem integrar o custo de aquisição, os dispêndios com a construção, ampliação, reforma e pequenas obras, no caso de bens imóveis, quando comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na Declaração de Ajuste Anual. GANHO DE CAPITAL. BEM COMUM. SOLIDARIEDADE. No momento em que ocorreu o fato gerador do ganho de capital, sendo o bem comum ao casal e considerando a solidariedade prevista no CTN, é legal o lançamento do montante do imposto em face de apenas um dos cônjuges. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Tendo a Fiscalização apurado que o Contribuinte recebeu e não declarou rendimentos tributáveis, caracterizado está o ilícito tributário e justificado o lançamento de ofício sobre os valores subtraídos ao crivo da tributação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. RENDIMENTOS RECEBIDOS. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. COMPROVAÇÃO. Para comprovação de que determinados rendimentos recebidos têm a natureza de lucros distribuídos por pessoa jurídica aos sócios, há que se provar não apenas a origem, mas também o efetivo recebimento dos recursos pela pessoa física. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em sede de recurso voluntário, o contribuinte repisa argumentos trazidos na peça impugnatória, e acrescenta, em síntese o que segue: o crédito tributário relativo à parte não impugnada encontrase extinto pelo pagamento, conforme DARF anexos, sendo certo que o pagamento se deu em 19/01/2010 e que e tem direito de ver declarado extinto o crédito tributário da parte não litigiosa pelo pagamento, sendo descabida a Intimação para pagamento referente à parcela não impugnada; relativamente ao lançamento referente ao ganho de capital, o reconhecimento de erro na identificação do sujeito passivo em relação à proporcionalidade de 50% de bem comum, decorrente do regime de casamento, sobrepuja qualquer outra questão suscitada nos autos sobre tal tópico; a Fiscalização descumpriu norma procedimental do lançamento, inobservando a forma adequada de apuração do crédito tributário e Fl. 495DF CARF MF Processo nº 15521.000290/200926 Acórdão n.º 2402006.091 S2C4T2 Fl. 6 9 inquinando de nulidade o procedimento fiscal decorrente do Auto de Infração combatido, sobretudo porque o lançamento é ato vinculado obrigatório, nos termos dos artigos 3º e 142 do Código Tributário Nacional, não podendo prosperar caso desatendidos os métodos legais de apuração e exigência dos tributos, mormente no que respeita à quantificação do montante tributável e a identificação do sujeito passivo da obrigação; na base de cálculo há inserção de valores destinados a terceiros e equivocadamente imputados ao autuado; a falta de intimação e Lançamento destinados à outra possuidora dos bens alienados, impossibilitou o pleno exercício do direito de defesa. O comparecimento aos autos com apresentação da Impugnação não importa em suprimento do ato nulo que se arguiu. Esse comparecimento não dá eficácia ao lançamento viciado e, muito menos produz efeitos que possam sanear quaisquer irregularidades, pois a vinda aos autos foi justamente para consignar e apontar tais vícios; a decisão recorrida agravar a autuação trazendo aos autos a imputação de solidariedade nos termos do artigo 124, I do CTN, vez que a Fiscalização não qualificou qualquer sujeito passivo solidário, também não há no Enquadramento Legal a citação do artigo 124 do CTN. Assim o Acórdão recorrido, ilegalmente, inova e agrava o Lançamento, com ofensa ao contraditório; quanto à glosa do custo de benfeitorias agregadas aos imóveis, quando muito a autoridade lançadora, mediante processo regular, poderia arbitrar o valor das mesmas, se entendeu que houve omissão ou não merecem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos anexados pelo autuado; no caso, o ônus da prova é da autoridade autuante e não pode ser transferido ao contribuinte; há nos autos documentação comprobatória dos custos das benfeitorias, não acolhida pelo acórdão, devendo a mesma ser valorada; os itens 002 e 003 do Auto de Infração estão relacionados com depósitos bancários efetuados nas contas correntes de titularidade do autuado; o Julgador ao motivar sua convicção desfavorável ao recorrente, valendose do conceito de presunção legal, sem valorar as provas carreadas aos autos com a impugnação, está criando, como já argumentado na em sede impugnatória, uma quantificação para o arbitramento da renda presumida, apenas baseada em interpretação e aplicação equivocada da legislação, onde, a verdade material deu lugar e supremacia à presunção em detrimento da realidade dos fatos, devidamente comprovados nos autos e ressaltados na impugnação e neste recurso; a documentação apresentada é hábil e idônea para justificar a origem dos depósitos, na forma do artigo 42 da Lei 9.430/1996; os valores movimentados foram em quase sua totalidade claramente comprovados e, mesmo os equivocadamente considerados não comprovados pela Fiscalização têm sua origem comprovada e ou justificada na movimentação entre contas do contribuinte e nos seus rendimentos tributáveis, isentos, não tributáveis ou de tributação exclusiva devidamente declarados em suas DIRPF apresentadas anualmente; Fl. 496DF CARF MF 10 valores de créditos em dinheiro e créditos autorizados, que são decorrentes de saques e depósitos diversos e transferências entre contas do mesmo titular não foram considerados como hábeis e idôneos para justificar e comprovar a origem dos créditos; e reafirma os termos da impugnação. É o relatório. Fl. 497DF CARF MF Processo nº 15521.000290/200926 Acórdão n.º 2402006.091 S2C4T2 Fl. 7 11 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINTO PELO PAGAMENTO Inicialmente, o recorrente refuta a decisão de primeira instância administrativa quanto à afirmação de que remanesceram os impostos suplementares não contestados, inferindo ser incabível a cobrança de valores a esse título em razão de o crédito tributário relativo à parte não impugnada encontrarse extinto pelo pagamento, conforme DARF acostado aos autos. De acordo com o inciso II do art. 25 do Decreto nº 70.235/1972, a competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF está adstrita ao julgamento de recursos de ofício ou voluntário de decisão de primeira instância administrava, bem como recursos de natureza especial. Vejamos: Art.25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: [...] II – em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial. [...] De se esclarecer que, não tendo o contribuinte recorrido de parte da autuação relativa a créditos tributários que lhe foram imputados, inexiste litígio em relação a esses créditos, isto é, essas questões não foram objeto de impugnação e consequentemente não integram o recurso voluntário, falecendo este Conselho de competência para decidir sobre elas. Assim, demandas relacionadas a extinção de parte do crédito tributário que não foram objeto de litígio devem ser opostas diretamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil quando execução do presente julgado, não havendo como conhecer do recurso voluntário com relação a essa matéria. Fl. 498DF CARF MF 12 GANHO DE CAPITAL Custo de Aquisição Com relação a esse ponto, infere o contribuinte que a Fiscalização não discute a existência das benfeitorias realizada nos imóveis, mas efetuou a glosa do custo dessas benfeitorias, mesmo estando elas comprovadas por documento com fé pública, entendimento este reproduzido no julgamento da DRJ/RJ1. A glosa pura e simples do custo de benfeitorias declaradas é ilegal e tem efeito confiscatório. Com relação à determinação do custo de aquisição de bens imóveis para o fim apuração do ganho de capital resultante da alienação desses bens, convém reproduzir o regramento do art. 17 da Instrução Normativa nº 84/2001: Art. 17. Podem integrar o custo de aquisição, quando comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na Declaração de Ajuste Anual, no caso de: I bens imóveis: a) os dispêndios com a construção, ampliação e reforma, desde que os projetos tenham sido aprovados pelos órgãos municipais competentes, e com pequenas obras, tais como pintura, reparos em azulejos, encanamentos, pisos, paredes; b) os dispêndios com a demolição de prédio construído no terreno, desde que seja condição para se efetivar a alienação; c) as despesas de corretagem referentes à aquisição do imóvel vendido, desde que tenha suportado o ônus; d) os dispêndios pagos pelo proprietário do imóvel com a realização de obras públicas, tais como colocação de meiofio, sarjetas, pavimentação de vias, instalação de redes de esgoto e de eletricidade que tenham beneficiado o imóvel; e) o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante na aquisição do imóvel; f) o valor da contribuição de melhoria; g) os juros e demais acréscimos pagos para a aquisição do imóvel; h) o valor do laudêmio pago, etc.; (...) A disposição contida na alínea “a” do inciso I do art. 17 da Instrução Normativa SRF nº 84/2001 reproduz regra insculpida no inciso I do § 7º do Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR). De se observar que a norma faculta ao sujeito passivo incluir no custo de aquisição de bens imóveis os valores despendido com construção, ampliação e reforma desde que discriminados em Declaração de Ajuste e comprovados com documentação hábil e idônea. Fl. 499DF CARF MF Processo nº 15521.000290/200926 Acórdão n.º 2402006.091 S2C4T2 Fl. 8 13 Assim, ao revés do que entende o recorrente, não é incumbência da Fiscalização comprovar a inocorrência de benfeitoria nos lançamentos referentes a ganho de capital na alienação de bens imóveis, tampouco, para apurar o imposto devido na operação, arbitrar o custo de obra de construção civil que o sujeito passivo diz ter realizado. De acordo com o disposto nas normas correlatas, é dever do contribuinte, caso queira acrescer ao custo de aquisição de bens imóveis as quantias despendidas com construção ou reforma, comprovar com documentos hábeis e idôneos a realização dessas benfeitorias e os valores a elas correspondentes. A despeito disso, os únicos documentos relacionados aos imóveis alienados pelo recorrente carreados ao presente processo administrativo foram as escrituras de compra e venda de fls. 296/302, a carta de habitese de fl. 408 (referente ao imóvel situado na Rua Nicomedes de Souza Ribeiro, 421 Apto 403) e planilhas denominadas “cronogramas financeiros” de fls. 409 e 410. Examinando tais documentos, constatase que os dados inseridos na carta de habitese não traz nenhuma informação a respeito do custo das benfeitoria a que alegadamente que se refere o apelo. Quanto às escrituras, essas informam o valor de venda de cada um dos imóveis, sendo que esses valores foram utilizados pela Fiscalização para o cálculo do ganho de capital apurado em cada uma das operações. Os únicos elementos que veiculam informações sobre eventuais dispêndios com construção são os cronogramas financeiros apresentados já na fase impugnatória e, ainda assim, não foram exibidos quaisquer resquícios de prova que pudessem atestar a veracidade dos valores ali indicados, não havendo como essas planilhas serem consideradas hábeis a comprovar as alegações recursais. Não se trata, pois, de desconsiderar justificativas ou provas apresentadas em defesas do reclamante, mas de julgar que os elementos apresentados são insuficientes para comprovar os argumentos da defesa. No que se refere às assertivas de que a exação fiscal corresponde a locupletamento do poder público às expensas do contribuinte, afrontando o princípio da moralidade administrativa ou ainda que os parâmetros utilizados teriam gerado tributo excessivo caracterizador de confisco, há que se esclarecer que o procedimento fiscal pautouse pela aplicação das normas que regem a matéria, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. Ademais, afastar a aplicação de lei ou decreto sob a justificativa de afronta a referidos princípios significaria considerar inconstitucionais tais normativos o que é vedado aos julgadores administrativos por força do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972 e, no caso do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, também da Súmula CARF nº 1, de observâcia obrigatória no âmbito deste Conselho. Quanto à jurisprudência administrativa suscitada no recurso voluntário, há que se esclarecer essa encerra contexto fático próprio, aplicandose às partes envolvidas naquele processo, e não vinculam o julgador administrativo. Pelas razões acima descrita, não vejo como considerar o valor das benfeitorias declaradas pelo recorrente no custo de aquisição dos referidos imóveis. Bens Comuns Outra questão contestada diz respeito ao fato de o lançamento ter sido realizado, em sua totalidade, contra a pessoa do recorrente. De acordo com o apelo recursal, em Fl. 500DF CARF MF 14 face de se tratar de bem comum, decorrente do regime de casamento, “o ganho de capital apurado em relação ao bem como todo deve ser recolhido em nome de cada cônjuge, na proporção de cinqüenta por cento para cada um”, sendo incabível a tributação pela totalidade em nome de somente um dos coproprietários. A esse respeito, o decisum atacado faz referência ao art. 124 do CTN dizendo tratarse a situação de um caso típico de solidariedade, inclusive pelo fato de o cônjuge do sujeito passivos constar de sua Declaração de Ajuste Anual – DAA, na condição de dependente. O art. 22 da Instrução Normativa SRF nº 84/2001 estaria respaldado pelo art. 124 do Código Tributário. Em contraposição, o recorrente diz ser o art. 124 do CTN inaplicável ao caso, e ainda que não está em discussão a aplicação do art. 22 da Instrução Normativa SRF nº 84/2001, “de que a apuração é em relação ao bem como todo, mas sim o direito do sujeito passivo detentor de apenas 50% do bem”. Ainda segundo infere, a DAA apenas comporta a informação sobre o bem, mas o ganho de capital é apurado na alienação sob forma de tributação definitiva, não se submetendo ao ajuste. A parte por ventura devida pela esposa, reclama, deve ser apurada em procedimento fiscal distinto e com o devido processo legal, sob pena de cerceamento de direito de defesa. A respeito da alienação de bens em comum, o art. 22 da Instrução Normativa SRF nº 84/2001 estabelece: Art. 22 . Nas alienações de bens comuns, decorrentes do regime de casamento, o ganho de capital é apurado em relação ao bem como um todo. De fato, a disposição normativa acima reproduzida não se refere ao lançamento de crédito tributário, mas tãosomente à apuração de ganho de capital e, em assim sendo, esse dispositivo não impõe e nem autoriza que o lançamento do imposto decorrente da alienação de bens comuns possa ser feito, no caso de sociedade conjugal, em nome de somente um dos cônjuges. Por outro lado, há que se esclarecer que é absolutamente pacífico na jurisprudência deste Conselho que o julgador não está adstrito aos fundamentos invocados pelas partes, podendo, à luz dos elementos fáticos e da legislação afeta à matéria objeto de litígio, formar livremente sua convicção. Desse modo, não vejo qualquer inovação por parte da DRJ/RJ1 quando o voto condutor do aresto fustigado suscita o art. 124 do CTN para afirmar que, na situação que ora se examina se está diante de caso típico de solidariedade. Rememorando os termos do art. 124 do CTN, citado dispositivos estipula: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; [...] Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 15521.000290/200926 Acórdão n.º 2402006.091 S2C4T2 Fl. 9 15 In casu, as informações contidas nos autos dão conta que o recorrente é casado em regime de comunhão parcial de bens e os imóveis alienados foram adquiridos no âmbito da sociedade conjugal. Nessa situação, o art. 1.647 do Código Civil impõe: Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta: I alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis; [...] À luz do que determina o Código Civil, vêse que, com relação a todos os imóveis objeto de alienação há a outorga uxória do cônjuge do autuado, o que demonstra a existência de interesse comum na situação constitutiva do fato gerador, nos exatos termos do inciso I do art. 124 do CTN. Aliás, não é a sociedade matrimonial que determina a solidariedade, mas, como se verifica na situação em tela, o interesse econômico em comum no resultado da operação que constitui hipótese de incidência tributária. A esse respeito, extraise da lição de Kiyoshi Harada1 Como de início assinalamos, o inciso I, do art. 124 referese às pessoas (físicas ou jurídicas) que tenham interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador, isto é, implica prática conjunta de fato tipificado na lei tributária. É a chamada solidariedade natural que ocorre, por exemplo, quando duas pessoas, cônjuges, irmãos, amigos ou conhecidos adquirem "pro indiviso" um lote de terreno urbano. Neste caso, os co proprietários são responsáveis solidariamente pelo pagamento do imposto territorial urbano. E essa solidariedade nada tem a ver com o fato de serem cônjuges os coproprietários. No apontando exemplo do imposto de renda, a solidariedade somente existiria se ambos os cônjuges tivessem praticado em conjunto um dos fatos definidos no art. 43 do CTN. Enfim, situações de interesse jurídico comum nos fatos ou atos legalmente eleitos como veículos de incidência tributária podem ocorrer, tanto entre os cônjuges, quanto entre os nãocônjuges. A sociedade conjugal, por si só, é absolutamente irrelevante para caracterização de responsabilidade solidária de que cuida o inciso I, do art. 124 do CTN. (Grifei) Demonstrada a hipótese de interesse comum e a existência de solidariedade, fazse necessário esclarecer que o entendimento esposado no recurso voluntário de que o ganho de capital apurado em relação ao bem deve ser lançado em nome de cada cônjuge, na proporção de cinquenta por cento para cada um, não encontra amparo na legislação tributária, pois o parágrafo único do art. 6º do RIR possibilita que a tributação de bens em comum possa se dá em relação a apenas um dos cônjuges. Vejamos: Art. 6º Na constância da sociedade conjugal, cada cônjuge terá seus rendimentos tributados na proporção de: 1 Extraído do artigo denominado Responsabilidade Tributária Solidária dos Conjuges, pubblicado no site JUS.com em <https://jus.com.br/artigos/11603/responsabilidadetributariasolidariadosconjuges>, pesquisado em 20/112017 às 10h e 30 min. Fl. 502DF CARF MF 16 I cem por cento dos que lhes forem próprios; II cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns. Parágrafo único. Opcionalmente, os rendimentos produzidos pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome de um dos cônjuges. (Grifei) Por certo, o dispositivo destacado encontra suporte, dentre outros, no parágrafo único do art. 124 do CTN o qual estatui que a solidariedade não comporta benefício de ordem, podendo nesse caso o lançamento ser oposto contra quaisquer dos solidários ou ainda contra todos eles, a juízo da autoridade lançadora, não havendo que se falar em cerceamento de defesa. Dessarte, nego provimento ao recurso quanto à presente matéria. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA De acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 17/36) a infração caracterizase por recursos identificados em extratos bancários e cópias de cheques repassados ao contribuinte pela pessoa jurídica Tomografia Macaé Ltda, sem respaldo em rendimentos declarados (rendimentos isentos e nãotributáveis, sujeitos a tributação exclusiva etc) e sem fundamentação nos lucros distribuídos ao sócio (Antonio Alexandre) nos anoscalendário fiscalizados, conforme verificado nas demonstrações contábeis (fls. 303/379). As quantias lançadas pela Fiscalização a título de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica omitidos como tal na DAA encontramse listadas no quadro a seguir: MÊS/ANO UNIBANCO BRADESCO BANCO DO BRASIL TOTAL 2004 JANEIRO 15.000,00 15.000,00 MARÇO 25.500,00 13.971,00 39.471,00 SETEMBRO 17.852,00 17.852,00 OUTUBRO 42.752,00 42.752,00 NOVEMBRO 30.200,00 30.200,00 DEZEMBRO 19.293,00 19.293,00 TOTAL ANO 2004 164.568,00 2005 0,00 JANEIRO 36.402,00 36.402,00 NOVEMBRO 25.646,58 25.646,58 TOTAL ANO 2005 62.048,58 Em sua defesa, o recorrente aduz que os valores referenciados neste tópico, além de outros lançados como depósitos bancários de origem não comprovada, referemse a lucros recebidos e têm a natureza de rendimentos isentos, além de indicar têlos informado nas Declarações de Ajuste Anual – DAA dos exercícios 2005 e 2006. Com base nas declarações de rendimentos fornecidas pelas fontes pagadoras, afirma ainda que tais quantias constam das Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF das empresas das quais é sócio. Abaixo, trecho extraído do recurso voluntário: 1 Ano de 2004 estão contidos nos Rendimentos Isentos e Não Tributáveis devidamente declarados em suas DIRPF/2005 no montante de R$ 700.780,00 (fls. 131 a 136 dos autos, acompanhado da DIRF de fls. 139, fornecido pela Tomografia Macaé Ltda., onde é declarado que a mesma distribuiu a título Fl. 503DF CARF MF Processo nº 15521.000290/200926 Acórdão n.º 2402006.091 S2C4T2 Fl. 10 17 de Lucros e Dividendos Apurados Pagos Pela PJ, o valor de R$ 400.000,00 em favor do recorrente. (O mesmo ocorrendo com Ultra Som Médico Macaé Ltda., no valor de R$ 180.780,00 e Exames Radiológicos Irmãos Alexandre Ltda., no valor de R$ 120.000,00). 2 Ano de 2005 estão contidos nos Rendimentos Isentos e Não Tributáveis devidamente declarados em suas DIRPF/2006 no montante de R$ 593.500,00 (fls. 147 a 157 dos autos, acompanhado da DIRF de fls. 159, fornecido pela Tomografia Macaé Ltda., onde é declarado que a mesma distribuiu a título de Lucros e Dividendos Apurados Pagos Pela PJ, o valor de R$ 200.000,00 em favor do recorrente. (O mesmo ocorrendo com Cienticed Medicina Nuclear Ltda., no valor de R$50.000,00, Ultra Som Médico Macaé Ltda., no valor de R$96.000,00, Exames Radiológicos Irmãos Alexandre Ltda., no valor de R$247.500,00). Conquanto faça referência ao art. 42 da Lei nº 9.430/1996, o próprio contribuinte admite que a autoridade autuante não faz alusão a esse dispositivo na parte do Relatório Fiscal que trata especificamente de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, ainda assim, aduz que “as conseqüências de tal artigo foram dirigidas ao recorrente, pela mudança de natureza dos valores em litígio, que segundo o sentir da Fiscalização configuraram rendimentos tributáveis e não rendimentos oriundos de Lucros Distribuído”. A despeito dos argumentos insertos no apelo sob análise, a respeito de depósito bancário de origem não identificada, essa questão, assim como a legislação correlata, somente será analisada em item específico. Neste ponto será objeto de exame unicamente a natureza dos valores advindos da Tomografia Macaé Ltda que transitaram em contas bancárias do recorrente, listados no quadro acima. De acordo com o relato fiscal: Os cheques emitidos pela empresa Tomografia Macaé Ltda., cujas cópias foram apresentadas e consideradas, foram confrontados com os lançamentos contábeis conta DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS – registrados nos respectivos livros RAZÃO dos anos 2004 e 2005, sendo considerados como DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS os cheques emitidos em data anterior ao respectivo depósito, ou na mesma data, cujos valores correspondiam aos valores depositados em uma das contas bancárias do contribuinte fiscalizado (conforme extratos bancários), em procedimento que beneficiou o contribuinte fiscalizado; Segundo a autoridade autuante, apenas cheques emitidos pela Tomografia Macaé Ltda que “não correspondiam aos lançamentos contábeis da conta DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS, por não terem sido emitidos em data anterior ao respectivo depósito ou cujos valores não coincidiram com os aportes bancários, foram considerados RENDIMENTOS OMITIDOS, NÃO DECLARADOS nas DIRPF Ex 2006 e Ex 2005”. De se notar que à Fiscalização deixou de inserir no lançamento todas aquelas quantias registradas na contabilidade da Tomografia Macaé Ltda em conta contábil relativa a Fl. 504DF CARF MF 18 distribuição de lucros e, por outro lado, não vejo como os valores inseridos pela empresa na declaração de rendimentos do sujeito passivo ou informados em sua DAA possam fazer prova de que os depósitos que constam do lançamento tributário correspondem a lucros distribuídos pela pessoa jurídica. Não há como afirmar que as importâncias incluídas pela Tomografia Macaé na declaração de rendimentos não correspondam ao quantum já considerado pelo Fisco como efetiva distribuição de lucros para os exercícios 2005 a 2006. Ademais, também não considero como “provas irrefutáveis” de que os recursos recebidos da pessoa jurídica tratamse de lucro distribuídos no período fiscalizado a mera apresentação de cópias de cheque e de planilhas elaboradas pelo contribuinte com justificativas que não podem ser ratificadas pelos demais elementos que integram os autos. Notese que para a absoluta maioria dos cheques que tiveram o recorrente como beneficiário, objeto do lançamento aqui abordado (9 de 11 cheques), a justificativa apresentada na peça recursal é de que seriam lucros distribuídos Tomografia Macaé Ltda “contabilizado no Razão (...) pelo total mês”. Essa justificativa retrata que não existe na contabilidade da empresa nenhuma informação de que os valores correspondentes a esses cheques refiramse a distribuição de lucros. Ademais, os lucros efetivamente distribuídos estão registrados nas demonstrações contábeis em conta denominada “DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS” e a contabilidade faz referência expressa aos seus destinatários. Senão vejamos o registro dos lucros distribuídos ao sujeito passivo em 05/01/2004 (fl. 333): Sem apresentação de qualquer tipo de prova, o recorrente aponta ainda a existência de supostos defeitos na contabilidade da Tomografia Macaé Ltda, inferindo ser hipossuficiente no controle desses registros. Com o fim de comprovar os propalados erros, faz referência ao cheque do R$ 25.500,00, depositado em 12/03/2004 no Banco Bradesco, o qual diz ter sido “escriturado em duplicidade o sócio Miguel Alexandre, como beneficiário da distribuição, transparecendo assim, que o Sócio Antônio Alexandre Neto não foi beneficiário de lucros distribuídos e que Miguel Alexandre foi beneficiado duas vezes”. Em relação a essa argumentação, de início, é preciso repisar que dos onze cheques relacionados ao presente lançamento não há qualquer tipo de registro na contabilidade para nove deles e para o cheque de R$ 25.646,58 o recorrente não trouxe qualquer justificativa a respeito de sua origem. Exclusivamente quanto ao cheque de R$ 25.500,00 há alegação de que o registro teria sido contabilizado de forma equivocada, entretanto sem elementos de prova aptos a atestar essa assertiva, motivo pelo qual não vejo como acatála. Ademais, os argumentos trazidos pelo recorrente a esse respeito são por demais contraditórios, pois, de um lado, mesmo sem indicar os registros das operações que deram origem ao depósito de cheques da Tomografia Macaé Ltda. em suas contas bancárias, insiste que a escrituração contábil das empresas de que é sócio “cuja idoneidade não se discutiu, demonstra a movimentação financeira entre elas e o recorrente, alicerçado no fato de que o recorrente declarou em suas DIRPF relativas aos anos calendários de 2004 e 2005, como Rendimentos Isentos e NãoTributáveis, originários de Lucros e Dividendos Recebidos”, e, de outro lado, sem nenhuma prova, que “as informações contábeis defeituosas ou omissas, constantes na escrituração da PJ não podem prejudicar o recorrente Pessoa Física, destinatário direto dos valores comprovadamente saídos da Conta Bancária da primeira”. Fl. 505DF CARF MF Processo nº 15521.000290/200926 Acórdão n.º 2402006.091 S2C4T2 Fl. 11 19 Ora, já restou evidenciado que as quantias constantes das demonstrações contábeis da indigitada empresa, escrituradas como lucros distribuídos a Antonio Alexandre, foram todas acatadas como tal no curso do procedimento fiscal, não havendo prova de que os valores relacionados no Auto de Infração encontramse entre aqueles informados pela pessoa jurídica na declaração de rendimentos do contribuinte. Além disso, os elementos carreados ao processo administrativo não se mostraram aptos a justificar que os recursos repassados ao sujeito passivos tenha natureza de lucros ou dividendos. Assim, entendo acertada decisão adotada pelo Colegiado a quo, motivo pelo qual nego provimento ao recurso com relação à presente matéria. DEPOSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Em sede de normas gerais, o art. 43 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), estabelece como fato gerador do imposto de renda a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos) ou de proventos de qualquer natureza (acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda). Vejamos: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. No mesmo sentido, o § 1º do art. 3º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, dispõe: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. [...] De se observar que, além dos valores compreendidos no conceito de renda, o imposto alcança ainda os acréscimos patrimoniais não correspondentes a rendimentos declarados, ou seja, é perfeitamente válida a incidência do tributo sobre rendimentos não declarados procedentes de depósitos bancários. No caso sob análise, têmse que a Fiscalização constatou a ocorrência de acréscimos patrimoniais em virtude de depósitos bancários de origem não comprovada. Com Fl. 506DF CARF MF 20 relação essa modalidade de depósitos, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, prescreve: Depósitos Bancários Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Quanto ao inciso I do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1997, os valores ali definidos foram atualizados pela Medida Provisória n° 1.5637, de 1997, convertida na Lei nº 9.481, de 1997, para, respectivamente, R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 15521.000290/200926 Acórdão n.º 2402006.091 S2C4T2 Fl. 12 21 Notese que o citado art. 42 da Lei nº 9.430/1996 estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Referida presunção impõe o lançamento do imposto correspondente quando o titular de conta bancária não comprove, mediante documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos que lhe tenham sido creditados, independentemente de qualquer outro tipo de verificação, ou seja, ao revés do que aventa o recorrente. Na hipótese referida no caput do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, o ônus probatório decorrente da presunção legal de omissão de rendimentos revertese em desfavor do contribuinte, o qual necessita comprovar a origem jurídica dos valores transitados por sua conta bancária para se elidir da tributação. Tratase, pois, de presunção relativa que admite prova em contrário, cabendo ao sujeito passivo sua produção. Ademais, o § 3° do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, expressamente dispõe que, para efeito de determinação da receita omitida, os créditos devem ser analisados separadamente, ou seja, cada um deve ter sua gênese comprovada de forma individual, com a apresentação de documentos que demonstrem a sua origem e a indicação de datas e valores coincidentes. O ônus dessa prova, como já mencionado, recai exclusivamente sobre o contribuinte, não bastando a esse indicar uma fonte genérica para comprovar um ou mais créditos havidos em seu movimento bancário. Antes de vigorar o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, inexistia a presunção nele estabelecida, e com isso o fisco precisava, nos estritos termos do caput e § 5° do art. 6° da Lei n° 8.021/90, não apenas constatar a existência dos depósitos, mas estabelecer uma conexão, um nexo causal, entre estes depósitos e alguma exteriorização de riqueza (caracterização de disponibilidade econômica de renda ou proventos ou acréscimo não oferecidos a tributação) e/ou operação concreta do sujeito passivo que pudesse ter dado ensejo à omissão de receitas. Vejamos o teor do revogado dispositivo: Art. 6º O lançamento do oficio, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. [...] § 5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Assim, temse, de um lado, uma presunção mais sumária, a do art. 42 da Lei n° 9.430/1996, que atribui ao fisco a simples evidenciação da existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada; e, de outro, a presunção do art. 6° da Lei n° 8.021/90, que impunha à autoridade autuante não apenas a obrigação de constatar a existência dos depósitos bancários, mas também o estabelecimento de um nexo de causalidade entre tais depósitos e fatos concretos ensejadores do ilícito. À evidência, esta segunda hipótese, ao mesmo tempo que se afasta das feições de uma presunção típica, se aproxima mais de uma comprovação material de omissão de receitas. Em vista disso, constatase que os argumentos suscitados pelo recorrente, quanto à necessidade de demonstração de que os créditos bancários não justificados Fl. 508DF CARF MF 22 traduziramse em renda não oferecida a tributação, de existência de sinais exteriores de riqueza ou de que houve acréscimo patrimonial de um anocalendário para o outro, em nada o acode. É que todas essas verificações somente se mostravam necessárias quando da vigência do caput e § 6º da Lei nº 8.021/1990. Com a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, a não comprovação, mediante documentos hábeis e idôneos, da origem de recursos que tenham sido creditados em contas bancárias mantidas pelo contribuinte mostramse suficientes para o necessário lançamento do imposto, repisese, independentemente de qualquer outro tipo de verificação. Por certo, a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996 é a denominada presunção relativa, que admite prova em contrário, cabendo, pois, ao contribuinte a sua produção. Assim para afastar o lançamento o sujeito passivo precisa comprovar, de forma inequívoca, não somente a origem, como também a que título recebeu aquele valor, de modo a permitir que o Fisco certifiquese de que a transação realizada reflete operação sujeita ou não a tributação. Desse modo as descrições absolutamente genéricas e sem nenhum elemento de prova de que inúmeros depósitos efetuados em contas bancárias do recorrente decorreriam de “transferências entre c/c suas e de seus familiares, retiradas em suas contas, saques versus depósitos de suas próprias contas ou disponibilidade em espécie”, não têm o condão de afastar a presunção legal, o que impõe a manutenção do lançamento em relação a eles. A esse respeito, convém reproduzir o teor do voto condutor da decisão recorrida, ao qual adiro integralmente: Observamos que o Impugnante descreveu como “origem” de vários dos depósitos a descrição genérica de “transferência em c/c suas e de seus familiares e saques versus depósitos de suas próprias contas” e “decorrente de retiradas em suas contas”, sem especificar qual ou quais contas correntes suas e quais saques estavam envolvidos em cada lançamento. Neste ponto, cabe ressaltar que somente as transferências entre contas de sua titularidade, e não de seus familiares, poderiam motivar a exclusão de depósitos da autuação. Ressaltamos que em vários depósitos não houve a coincidência de valores necessária. Ressaltamos que vários dos depósitos que se tentou justificar corresponderam a depósitos bloqueados de cheques para os quais não houve nenhuma correspondência com cheques emitidos através de contas de titularidade do Contribuinte. Da mesma forma, os créditos decorrentes de transferências bancárias não encontraram contrapartida em lançamentos a débito de mesma natureza de suas outras contas. Especificamente em relação a um depósito em dinheiro de R$ 10.000,00, feito em conta corrente mantida no Banco Bradesco em 06/04/2004, que o recorrente tenta justificar com cheque debitado em sua conta no Banco do Brasil na mesma data, entendo que, apesar da coincidência de data e valores, o débito de um cheque em determinada conta não se presta a justificar o crédito em dinheiro em outra, além do que, diferentemente o que aduz o recorrente, há outras formas de se proceder transferências de numerários entre contas de instituições financeiras diversas de forma mais ágil e segura e com compensação na mesma data, como por exemplo, através de TED. De modo semelhante, com relação aos depósitos havidos em conta do Bradesco e do Banco do Brasil em 12 e 15/09/2005, no valor de R$ 7.840,00, também não considero que se possa justificálos com cheques compensados no Banco do Brasil em 01/09/2005, visto que nesse caso não há nem ao menos coincidência de datas. Aliás, não faria Fl. 509DF CARF MF Processo nº 15521.000290/200926 Acórdão n.º 2402006.091 S2C4T2 Fl. 13 23 nenhum sentido sacar determinada quantia em um banco no primeiro dia de um mês para quinze dias depois depositála no mesmo banco. É certo que o saque em uma conta com depósito em outra conta de mesma titularidade não é fato gerador de imposto de renda, mas, no caso que ora se examina, não se comprovou que essa foi a operação de fato realizada pelo sujeito passivo. Consta do Relatório de Auditoria Fiscal que, com relação às empresas Tomografia de Macaé Ltda, Ultrasom Médico Macaé Ltda, Exames Radiológicos 1rmãos Alexandre Ltda e Cinticedi Edicina Nuclear Ltda, o contribuinte foi intimado a apresentar os elementos de prova de que dispusesse para demonstrar a efetiva transmissão dos montantes declarados, a titulo de Lucros e Dividendos, por meio de cópia de extratos bancários das empresas; cópias das microfichas dos cheques frente e verso autenticados pelo banco e outros documentos que pudessem justificar o recebimento de lucros ou dividendos pagos por referidas pessoas jurídicas (vide Termo de Intimação Fiscal de fls. 71/80). Dentre as justificativas apresentadas pelo recorrente, consta do expediente de fls. 81/82 a seguinte: Em vista da informação prestada em resposta à intimação fiscal, foram solicitados Livros Diário, Razão e Caixa da Tomografia de Macaé Ltda, além de Contrato Social e respectivas alterações, diretamente à empresa (Termo de Intimação Fiscal de fl. 128/129). Os livros solicitados foram entregues pelo próprio recorrente (fls. 303/379), o qual assinou o documento emitido em nome da empresa, na condição de seu representante (fl. 133), o que indica que se tratar de sócio que participava das decisões da empresa e não de pessoa hipossuficiente em relação à sua administração como consta do recurso. Após inúmeras intimações, Antonio Alexandre apresentou também as planilhas de fls. 103/110, as quais especificam recebidos da Tomografia Macaé, além de documentos que, segundo infere, demonstrariam o efetivo recebimento de lucro. Importa asseverar que os documentos entregues (fls. 259/295) identificavam somente parte dos depósitos relacionados nas planilhas. Há que se rememorar, por oportuno, que, de acordo o disposto no tópico “Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica”, os cheques emitidos pela empresa Tomografia Macaé Ltda, cujas cópias foram apresentadas, foram admitidos como distribuição de lucros por aquela empresa quando, expedidos em data anterior ao respectivo depósito ou na mesma data, correspondiam a lançamentos escriturado na contabilidade em conta a esse título. Os cheques daquela empresa, destinados ao sujeito passivo e escriturados em condições diversas da descrita acima ou com valores que não coincidiam com os aportes bancários foram considerados rendimentos tributáveis e objeto de lançamento analisado no tópico anterior. Fl. 510DF CARF MF 24 Dito isso, há que se esclarecer que somente remanesceram como depósito de origem não identificada aqueles cheques sem qualquer registro nas demonstrações contábeis da Tomografia Macaé Ltda, que não têm contrapartida nas contas bancárias da empresa (e que constam de planilha elaborada pelo suplicante como lucros dela recebidos), ou seja, os depósitos que, mesmo depois de inúmeras intimações da Fiscalização e após a fase impugnatória, o recorrente não logrou comprovar, mediante documentos hábeis e idôneos, terem advindo da citada pessoa jurídica. Resta claro que não há como acolher os argumentos de que tais valores tratamse de lucros ou dividendos quando as informações prestadas pelo contribuinte não têm suporte em elemento probatório algum. Além da Tomografia Macaé Ltda., em sede impugnatória o recorrente afirma que recebeu, a título de lucros e dividendos, recursos advindos também das empresas Ultra Som Médico Macaé Ltda, Exames Radiológicos Irmãos Alexandre e ainda valores classificados como “Rendimentos isentos contidos nos lucros distribuídos auferindo pelo contribuinte no mês” sem especificação da fonte pagadora. Esses valores encontramse relacionados nos quadros anexos à peça impugnatória (fls. 395/401) e, para fazer prova das alegações recursais, foram trazidos aos autos o que se afirma ser parte dos Livros Razão dessas empresas (411/423). A respeito dos elementos trazidos na impugnação a DRJ/RJ1, apresentou as seguintes indagações: Observamos que o Impugnante se limitou a anexar cópias de parte dos livros razão das empresas acima, contendo a conta dos Lucros Distribuídos, desacompanhadas, no entanto, dos documentos que deram origem a seus registros, como, por exemplo, comprovantes de depósitos ou cópias de cheques referentes às empresas, que comprovassem a efetiva transferência dos valores ao autuado e a correlação entre os depósitos e sua origem [...] Ressaltese que o simples registro em livros fiscais, desacompanhados dos documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração, bem assim a simples consignação de valores na declaração de rendimentos, não são suficientes para comprovar as operações a que se referem. Frisese que todos os ingressos e saídas de recursos na pessoa jurídica devem estar sempre apoiados em documentos que demonstrem as aludidas operações, tanto em relação ao valor quanto à data. Os fatos devem ser devidamente comprovados de forma coerente e com meios de prova idôneos, que não deixe margem a dúvida quanto à consistência das operações. Ou seja, a simples alegação sem a apresentação de provas irrefutáveis não tem o condão de tornar insubsistente o lançamento realizado com base em elementos apurados pela autoridade lançadora. Para rebater os argumentos do Colegiado a quo o sujeito passivo apresenta, ainda no tópico destinado a análise do lançamento relativo a omissão de rendimentos, diversas ilações quanto: Fl. 511DF CARF MF Processo nº 15521.000290/200926 Acórdão n.º 2402006.091 S2C4T2 Fl. 14 25 a) a apresentação das cópias dos cheques emitidas pela pessoa jurídica, o que teria o condão de afastar a classificação de rendimento omitido; b) a não aceitação de tais valores, sob a alegação de estarem sem informação contábil que justifique a natureza de Lucros Distribuídos; c) a diligência realizada na Tomografia Macaé para apresentação de demonstrativos contábeis, por meio da qual a Fiscalização teria acessado a tais demonstrativos, os quais não teriam perdido a credibilidade pelo fato de a autoridade autuante ter anexado apenas parte deles aos autos; d) ao caso de a escrituração contábil das empresas envolvidas, cuja idoneidade não se discutiu, demonstrar a movimentação financeira entre elas e o recorrente, alicerçado no fato de que o recorrente declarou em suas DIRPF relativas aos anos calendários de 2004 e 2005, como rendimentos isentos e nãotributáveis, valores originários de lucros e dividendos recebidos. No intuito de deixar clara essa situação, fazse mister exprimir que embora todas essas asserções estejam incertas na parte da peça recursal que deveria tratar apenas dos rendimentos recebidos da Tomografia Macaé e não oferecidos a tributação, ao que parece, elas estão dirigidas também ao depósitos bancários de origem não comprovada que, de acordo com o apelante, teriam advindo de lucros recebidos das outras pessoas jurídicas das quais é sócio. Até porque, a constatação extraída do acórdão fustigado diz respeito também a essas outras pessoas jurídicas. Além do que, com relação à Tomografia Macaé, tudo aquilo que foi escriturado como lucro e encontrava correspondência com cheques emitidos por essa empresa, repisese, foram assim considerados. Pois bem, com relação aos supostos trechos dos Livros Razão das empresas Ultra Som Médico Macaé Ltda, Exames Radiológicos Irmãos Alexandre, acostados aos autos somente na impugnação, os únicos documentos trazidos pelo contribuinte para lhes dar suporte são os quadros anexos à peça impugnatória (fls. 395/401) elaborados pelo próprio recorrente. Diferentemente do que se afirma no recurso voluntário, não há nem mesmo uma cópia de cheque que possa fazer prova de que os depósitos listados nesses quadros tenham sido expedidos por essas empresas. Com efeito, não é possível confirmar a origem dos recursos que transitaram em contas bancárias do reclamante com base apenas em quadros elaborado por ele mesmo e que se diz respaldar os “demonstrativos contábeis” apresentados, visto que, nos termos do art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/199), que abaixo se reproduz: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. De mais a mais, os demonstrativos contábeis das empresas Ultra Som Médico Macaé Ltda e Exames Radiológicos Irmãos Alexandre não foram solicitados no curso do procedimento fiscal porque o próprio contribuinte afirmou naquela ocasião que “houve erro quanto ao que fora anteriormente informado, haja vista que, de fato, apenas houve distribuição de lucros pela empresa Tomografia Macaé Ltda” no período fiscalizado. Assim, forçoso concluir que nem mesmo as informações contidas na declaração rendimentos dos anos Fl. 512DF CARF MF 26 calendários 2004 e 2005 das pessoas jurídicas Ultra Som Médico Macaé Ltda e Exames Radiológicos Irmãos Alexandre podem ser consideradas como prova em favor do recorrente. Sobre os depósitos de origem não comprovada que o sujeito passivo diz decorrer de alienações de imóveis de sua propriedade, as razões expressas na impugnação, reafirmadas no recurso, encontramse resumidas no quadro abaixo, cujos dados foram extraídos de quadros anexos à peça impugnatória: BANCO BRADESCO DATA HISTÓRICO VALOR R$ ORIGEM 18/02/2005 Depósito RS 887.50 Alienação de Imóvel no valor de R$ 20.000,00 mais, lucros distribuídos por Tomografia Macaé Ltda em 02/2005, contabilizado nas fls. 53/54 do Razão 10/10/2005 Depósito RS 50.000.00 Decorrente de alienação de 2 (dois) imóveis de sua propriedade em 03/10/2005 e 05/10/2005. 18/10/2005 Depósito dinheiro. RS 70.000.00 Decorrente de alienação de 2 (dois) imóveis de sua propriedade em 03/10/2005 e 05/10/2005. BANCO DO BRASIL 13/04/2005 TED crédito em conta 179.140,00 Justificado por alienação de imóvel de seu patrimônio 03/10/2005 Depósito em dinheiro 200.000,00 Decorrente de alienação de imóvel de seu patrimônio 04/10/2005 Depósito 20 000,00 Decorrente de alienação de imóvel de seu patrimônio Embora não se olvide que o sujeito passivo alienou alguns imóveis no período fiscalizado, alegações genéricas como as apresentadas até aqui não se mostram suficientes para vincular os depósitos às operações imobiliárias realizadas. Apercebase que, com relação a um depósito de R$ 887,50, a justificativa do depósito seria o recebimento de lucros, que sequer aparecem na contabilidade da empresa, e a alienação de um imóvel de R$ 20.000, 00 sobre a qual não se fez nenhuma especificação. Sobre os quatros depósitos feitos nos Bancos Bradesco e do Brasil no mês de outubro de 2005, que totalizam R$ 340.000,00, apesar do esforço empreendo pelo Colegiado recorrido para vinculálos aos imóveis alienados pelo contribuinte, na forma estabelecida nas certidões de fls. 296/297 e de fl. 300, por um total de R$ 380.000,00, além não ser possível concluir que esses depósitos tenham relação estrita com tais operações realizadas, não houve por parte do recorrente nenhum interesse em promover essa vinculação ou de exibir documentos esclarecendo a situação. Quanto aos R$ 174.140,00, fruto de transferência através de TED para conta do Banco do Brasil em 13/04/05, a qual é também justificada de forma lacônica como sendo proveniente de “alienação de imóvel de seu patrimônio”, a escritura de fl. 301/302 até dá conta de um imóvel alienado em data próxima (14/04/2005), mas o valor de compra constante do documento é de somente R$ 50.000,00, não havendo com vinculálo à transferência bancária. Notese que, diversamente do que se alega, as escrituras públicas acostadas aos autos não corroboram as informações prestadas pelo sujeito passivo. Para tanto seria necessário, além de provas da vinculação entre os depósitos e as operações imobiliárias, que os valores descritos nessas escrituras guardassem correspondência com os depósitos efetuados. Não obstante, no próprio recurso voluntário admitese a inexistência dessa imprescindível equivalência de valores, mediante a afirmação de que “se os valores depositados não correspondem à totalidade da operação, não significa que os depósitos não decorrem de tais operações”, o que vai de encontro ao estabelecido no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, restando Fl. 513DF CARF MF Processo nº 15521.000290/200926 Acórdão n.º 2402006.091 S2C4T2 Fl. 15 27 incabíveis as menções afetas à inobservância a princípios como o da proporcionalidade e da razoalbilidade, não havendo que se falar do mesmo modo em ilegalidade na constituição da exação tributária. Desse modo, voto por não acolher o recurso também neste ponto. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por, CONHECER EM PARTE do recurso para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 514DF CARF MF
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Numero do processo: 10820.721056/2011-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
PIS/COFINS. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE APROVEITAMENTO.
O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 não se submete à tríplice forma de aproveitamento, só podendo ser utilizado para a dedução das próprias contribuições de PIS/Cofins devidas no período de apuração.
PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. SELIC. VEDAÇÃO.
Para as contribuições de PIS/Cofins, o ressarcimento de saldos credores admitido pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 não se sujeita à remuneração pela taxa Selic em virtude da expressa vedação contida nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833/03.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-005.115
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Vinícius Guimarães (Suplente convocado) e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE APROVEITAMENTO. O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 não se submete à tríplice forma de aproveitamento, só podendo ser utilizado para a dedução das próprias contribuições de PIS/Cofins devidas no período de apuração. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. SELIC. VEDAÇÃO. Para as contribuições de PIS/Cofins, o ressarcimento de saldos credores admitido pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 não se sujeita à remuneração pela taxa Selic em virtude da expressa vedação contida nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833/03. Recurso Voluntário negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Vinícius Guimarães (Suplente convocado) e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Suplente convocado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 72 10 56 /2 01 1- 62 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10820.721056/201162 Acórdão n.º 3402005.115 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Porto Alegre que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre PER/DCOMP mediante o qual o contribuinte pleiteia ressarcimento de PIS não cumulativo vinculado à receita do mercado interno. A autoridade administrativa deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, homologando as declarações de compensação até o limite dos créditos e determinando a cobrança dos débitos não compensados. Inconformada a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e do art. 16 da Lei n° 11.116/2005, o direito ao ressarcimento de créditos básicos na aquisição no mercado interno vinculados à receita tributada e do crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. O julgador de primeira instância não acatou os argumentos da impugnante, sob os seguintes fundamentos: Ao contrário do que entende a contribuinte, a Lei nº 10.925/2004 fala apenas em dedução, não mencionando a possibilidade de manutenção ou utilização de eventual saldo, condição indispensável para a subsequente compensação com débitos de outros tributos, ou ressarcimento em dinheiro de valor remanescente. Ademais, o art. 2º do ADI SRF nº 15/2005 refere que não poderão ser objeto de compensação ou ressarcimento eventuais créditos presumidos apurados na forma do art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Tratandose de ressarcimento de PIS não cumulativo, o art. 13 da Lei nº 10.833/2003 combinado com o art. 15 da mesma Lei vedam a atualização monetária entre a protocolização do pedido de ressarcimento e o efetivo pagamento. Cabe aos contribuintes, em defesa ao crédito pretendido, provar o teor das alegações contrapostas aos argumentos da autoridade fiscal para não acatar, total ou parcialmente, o alegado crédito. No caso em tela, entendese que a contribuinte não conduziu aos autos elementos necessários à comprovação de suas alegações. Limitouse a afirmar a existência dos pretendidos créditos, nada apresentando de novo. Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou o recurso voluntário tempestivo, mediante o qual repisa as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10820.721056/201162 Acórdão n.º 3402005.115 S3C4T2 Fl. 0 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.111, de 17 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10820.001239/200862, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.111): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. O pedido da recorrente para notificação para sustentação oral deve ser indeferido à míngua de previsão legal ou regimental. Ademais, o § 1º do art. 55 do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2016, determina que a pauta de julgamento deve ser publicada no Diário Oficial da União com dez dias de antecedência, sendo perfeitamente possível ao patrono do autuado acompanhar tais publicações para, caso lhe aprouver, formular sustentação oral na sessão de julgamento, em conformidade com os arts. 58 e 59 do referido Regimento Interno. Em análise de vários pedidos de ressarcimento da contribuinte de PIS/Cofins, constantes em diversos processos administrativos, relativos aos períodos de apuração do primeiro trimestre de 2005 até o último trimestre de 2007, concluiu a fiscalização no Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal que: a) O sujeito passivo tem direito ao ressarcimento ou compensação de saldos credores de créditos básicos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre aquisições no mercado interno vinculadas à receita tributada à alíquota zero no mercado interno. Os valores desses créditos apurados pela fiscalização estão demonstrados nas planilhas três e quatro; b) O sujeito passivo não tem direito ao ressarcimento de créditos básicos decorrentes de aquisições no mercado interno vinculadas à receita tributada no mercado interno. Os valores apurados pela fiscalização estão demonstrados nas planilhas três e quatro. Tais créditos não são passíveis de ressarcimento ou compensação, por falta de previsão legal, sendo a sua utilização restrita ao abatimento dos débitos da própria contribuição, relativos ao mesmo período ou aos subseqüentes;e, c) O sujeito passivo não tem direito ao ressarcimento de créditos decorrentes de aquisições no mercado interno presumido, relacionados às atividades agroindustriais. Os valores apurados pela fiscalização estão demonstrados nas planilhas três e quatro. Os valores desses créditos não são passíveis de ressarcimento ou compensação, podendo ser Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10820.721056/201162 Acórdão n.º 3402005.115 S3C4T2 Fl. 0 4 utilizados apenas na dedução da própria contribuição devida no mesmo período de apuração ou nos subseqüentes, devendo ser apurados de forma segregada, com o seu saldo controlado durante todo o período de sua utilização. i) Créditos básicos: Conforme consignado no PARECER SAORT, as receitas não tributadas no mercado interno foram constituídas de vendas com alíquota zero, isenção, suspensão ou não incidência. Para tais receitas foram apurados os créditos da contribuição não cumulativa na forma dos arts. 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, cuja manutenção na escrita contábil pelo estabelecimento vendedor encontrava amparo legal no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, tornandose passíveis de resssarcimento ou compensação com outros tributos administrados pela RFB, com a entrada em vigor, em 19/05/2005, do art. 16, incisos I e II da Lei n° 11.116/2005. A fiscalização considerou a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins, incidentes sobre a receita bruta de vendas de leite pasteurizado no mercado interno, somente a partir de 30/12/2004. Quanto aos demais produtos fabricados pela contribuinte, a redução da alíquota a zero foi considerada apenas a partir de 1° de março de 2006 (queijos tipo mussarela, minas, prato, queijo de coalho, ricota e requeijão); e de 15 de junho de 2007 (bebidas e compostos lácteos, queijo provolone, queijo parmesão), conforme disposições contidas, respectivamente, nos incisos II e III do art. 3º do Decreto n° 5.630/051. No que nada há a reparar. Com relação à suspensão, a fiscalização entendeu que seria aplicável somente a partir de 04.04.2006, com a vigência 1 Art.1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta decorrente da venda no mercado interno de: (...) Xleite fluido pasteurizado ou industrializado, na forma de ultrapasteurizado, destinado ao consumo humano; (Vigência) XIleite em pó, integral ou desnatado, destinado ao consumo humano; e (Vigência) XIIqueijos tipo mussarela, minas, prato, queijo de coalho, ricota e requeijão. (Vigência) XIIIleite em pó semidesnatado, leite fermentado, bebidas e compostos lácteos e fórmulas infantis, assim definidas conforme previsão legal específica, destinados ao consumo humano ou utilizados na industrialização de produtos que se destinam ao consumo humano; (Incluído pelo Decreto nº 6.461, de 2008). XIVqueijo provolone, queijo parmesão e queijo fresco não maturado; (Incluído pelo Decreto nº 6.461, de 2008). XVsoro de leite fluido a ser empregado na industrialização de produtos destinados ao consumo humano. (Incluído pelo Decreto nº 6.461, de 2008). (...) Art.3o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de: I30 de dezembro de 2004, em relação ao disposto nos incisos VIII a X do caput do art. 1º deste Decreto; e II1º de março de 2006, em relação ao disposto nos incisos XI e XII do caput do art. 1º deste Decreto. III15 de junho de 2007, em relação ao disposto nos incisos XIII, XIV e XV do caput do art. 1o e no § 3o do mesmo artigo deste Decreto. (Incluído pelo Decreto nº 6.461, de 2008). Art.4o Fica revogado o Decreto no 5.195, de 26 de agosto de 2004. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10820.721056/201162 Acórdão n.º 3402005.115 S3C4T2 Fl. 0 5 da Instrução Normativa nº SRF nº 636/2006, posteriormente revogada pela IN SRF nº 660/2006. Não obstante o entendimento desta Relatora, constante no Acórdão nº 3402003.170, de 20 de julho de 2016, no sentido de que "Em conformidade com o disposto no art. 17, III da Lei nº 10.925/2004, aplicase desde 1º de agosto de 2004 a suspensão da incidência do PIS e da Cofins prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004", tratando o presente processo de pleito relativo a período posterior ao início da vigência da suspensão considerado pela autoridade administrativa (04/04/2006), não houve aqui prejuízo à contribuinte. A recorrente não contesta que não tem direito ao ressarcimento de créditos básicos decorrentes de aquisições no mercado interno vinculadas à receita tributada no mercado interno, para os quais a utilização é restrita ao abatimento dos débitos da própria contribuição, relativos ao mesmo período ou aos subsequentes. Apenas questiona: "Como poderá restar saldo credor a ser ressarcido se as receitas de venda são tributadas?" Ora, de todo modo, o ressarcimento, quando permitido, só é possível, obviamente, quando houver saldo remanescente de créditos na escrita da contribuinte. Dessa forma, com relação aos créditos básicos foi concedido à requerente todo o ressarcimento a que tinha direito sobre as receitas não tributadas, não cabendo reforma na decisão recorrida que manteve o despacho decisório. ii) Crédito presumido da agroindústria: Acerca do crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, sustenta a recorrente que teria direito ao ressarcimento com relação às vendas efetuadas à alíquota zero, nos termos dos arts. 17 da Lei nº 11.033/2004 e 16 da Lei n° 11.116/2005, que assim dispõem: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação (...) II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10820.721056/201162 Acórdão n.º 3402005.115 S3C4T2 Fl. 0 6 Como se vê, o ressarcimento permitido pelo art. 16 da Lei nº 11.116/2005 é cabível somente na hipótese de saldos credores decorrentes da apuração na forma: a) dos arts. 3ºs das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 ou b) do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, não havendo qualquer previsão nesse sentido quanto ao crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, para o qual, inclusive, só foi autorizada a dedução dos valores das contribuições devidas em cada período de apuração, nos seguintes termos: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) Conforme já decidido na Apelação Cível Nº 2006.72.00.0078654/SC, do Tribunal Federal da 4ª Região, "as próprias leis instituidoras dos créditos presumidos em questão previram como modo de aproveitamento destes créditos o desconto das contribuições do PIS e COFINS a pagar, limitando a sua utilização, assim, à esfera das próprias contribuições". Nessa esteira, a Receita Federal do Brasil dispôs em normas complementares, mediante a Instrução Normativa SRF nº 660/2006 e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 sobre a impossibilidade de compensação ou ressarcimento dos créditos presumidos apurados a partir de 01/08/2004, permitindo apenas deduzilos das contribuições devidas: IN SRF n° 660/2006 Do Crédito Presumido Do direito ao desconto de créditos presumidos Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de não cumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10820.721056/201162 Acórdão n.º 3402005.115 S3C4T2 Fl. 0 7 I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: (...) Do cálculo do crédito presumido Art. 8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7 º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. (...) § 3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa. Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. O Superior Tribunal de Justiça também já manifestou seu entendimento, no REsp 1240714/PR (Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/09/2013, DJe 10/09/2013), conforme ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. PRODUTOR RURAL. CRÉDITOS PRESUMIDOS. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 8º DA LEI 10.925/04. LEGALIDADE DA ADI/SRF 15/05 E DA IN SRF 660/06. PRECEDENTES DO STJ. MORA DO FISCO. INEXISTÊNCIA. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. "A jurisprudência firmada por ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ é no sentido de que inexiste previsão legal para deferir restituição ou compensação (art. 170, do CTN) com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10820.721056/201162 Acórdão n.º 3402005.115 S3C4T2 Fl. 0 8 do crédito presumido de PIS e da COFINS estabelecido na Lei 10.925/2004, considerandose, outrossim, que a ADI/SRF 15/2005 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação já prevista no art. 8º, da lei antes referida" (AgRg no REsp 1.218.923/PR, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma, DJe 13/11/12). 2. O Superior Tribunal de Justiça tem entendido ser legítima a atualização monetária de crédito escritural quando há demora no exame dos pedidos pela autoridade administrativa ou oposição decorrente de ato estatal, administrativo ou normativo, postergando o seu aproveitamento, o que não ocorre na hipótese, em que os atos normativos são legais. 3. "O Fisco deve ser considerado em mora (resistência ilegítima) somente a partir do término do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias contado da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento, aplicandose o art. 24 da Lei 11.457/2007, independentemente da data em que efetuados os pedidos" (AgRg no REsp 1.232.257/SC, Rel. Min.NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Primeira Turma, DJe 21/2/13). 4. Recurso especial conhecido e não provido. Nessa linha também foi decidido no Acórdão nº 340101.716– 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 15 de fevereiro de 2012, conforme trecho do Voto do Relator Odassi Guerzoni Filho abaixo: (...) Com a devida vênia, não partilho do mesmo entendimento da Recorrente, haja vista a clareza do dispositivo que passou a tratar do crédito presumido do PIS/Pasep e da Cofins, qual seja o artigo 8º da Lei nº 10.925 de 23 de julho de 2004, segundo o qual, “As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, [...], destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003, adquiridos de pessoas físicas ou recebidos de cooperado pessoa física.” (grifei) Ora, a menção que referido dispositivo legal faz ao artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003 tem como único objetivo o de identificar os produtos adquiridos que podem gerar o direito ao crédito presumido e não o de estender a este o mesmo direito de aproveitamento [ressarcimento e compensação] que está contemplado, ressaltese, de forma taxativa, nas hipóteses constantes dos incisos do referido artigo 3º. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10820.721056/201162 Acórdão n.º 3402005.115 S3C4T2 Fl. 0 9 Nem me valerei aqui das regras específicas trazidas pelas instruções normativas que regem os procedimentos de compensação e de ressarcimento, e tampouco discorrerei sobre o argumento de que o crédito presumido seria uma subvenção financeira, porquanto vislumbro na argumentação da Recorrente mero inconformismo com a forma com que o legislador tratou a matéria. Assim, consoante consta de forma clara no art. 8º da Lei nº 10.925 de 23 de julho de 2004, o crédito presumido somente pode ser deduzido da contribuição eventualmente devida, e não ser aproveitado via ressarcimento e/ou compensação. (...) Dessa forma, a decisão recorrida há de ser mantida também nesta parte. iii) Correção monetária Por fim, requer a recorrente a correção monetária do saldo credor a ser ressarcido, nos termos do § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/1995. No entanto, a pretensão da recorrente encontra obstáculo expresso no art. 13 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep, por força do art. 15 dessa Lei. Tais artigos assim dispõem: Art. 13 . O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10820.721056/201162 Acórdão n.º 3402005.115 S3C4T2 Fl. 0 10 De outra parte, a previsão legal de atualização do valor pela taxa Selic, nos termos do art. 39, §4º da Lei 9.250/1995, ora transcrito, somente é aplicável para os casos de compensação e restituição, mas não para o ressarcimento: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Vide Lei nº 9.532, de 1997) [negrito desta Relatora] Ademais, como bem esclareceu o Conselheiro Relator Bernardo Motta Moreira, em seu Voto no Acórdão nº 3301 002.088, da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, em sessão de 23/10/2013, o entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos prevista no artigo 543C do CPC/73, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas, eis que, para essas, há, na lei, a vedação expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Waldir Navarro Bezerra Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10820.721056/201162 Acórdão n.º 3402005.115 S3C4T2 Fl. 0 11 Fl. 207DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.916999/2011-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.281
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que indeferira o Pedido de Restituição formulado sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o deferimento de seu pedido de restituição, arguindo que o indébito decorrera da incidência da contribuição sobre receitas financeiras e outras receitas, incidência essa julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do RE nº 346.084. Alegou, ainda, que o CARF já se pronunciara, em diversas oportunidades, pela extensão da decisão do STF a todos os contribuintes, transcrevendo ementas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 16 99 9/ 20 11 -8 5 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13888.916999/201185 Resolução nº 3201001.281 S3C2T1 Fl. 139 2 A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na ausência de efeitos erga omnes da decisão do STF que reconhecera a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições promovida pela Lei nº 9.718/1998, bem como na falta de comprovação da liquidez e certeza do indébito reclamado. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa, afirmando existir nos autos documentação comprobatória do seu direito. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.265, de 21/03/2018, proferido no julgamento do processo 13888.914725/201151, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.265): Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, originado de pagamento indevido ou a maior Em despacho decisório eletrônico, foi indeferida a solicitação da contribuinte, em razão da inexistência de saldo do pagamento indicado no PER/DCOMP, o qual teria sido utilizado integralmente para quitar débito informado pela própria contribuinte em DCTF. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que o crédito decorre do recolhimento indevido da contribuição sobre parcelas que não integram o faturamento, nos termos da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Foi anexada à Impugnação documentação comprobatória da existência do crédito. A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento de que a "alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é da contribuinte, pois se trata de uma solicitação de seu exclusivo interesse", o que não teria logrado comprovar a Recorrente. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, ressalta que foram anexados diversos documentos à Manifestação de Inconformidade e requer a juntada e exame das cópias dos DARFs, Pedido de Restituição e Livro Razão Geral. Além disso, apresenta planilha demonstrativa do crédito postulado. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13888.916999/201185 Resolução nº 3201001.281 S3C2T1 Fl. 140 3 Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese que em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Desse modo, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos documentos já acostados aos autos, tanto em sede de Manifestação de Inconformidade, como em Recurso Voluntário, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessários. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. Importa registrar que, nos presentes autos, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos documentos já acostados aos autos, tanto em sede de Manifestação de Inconformidade, como em Recurso Voluntário, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessários. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.721867/2012-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2008, 2009
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracterizam-se como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou investimentos.
Numero da decisão: 1401-002.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Letícia Domingues Costa Braga, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Daniel Ribeiro Silva.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam-se como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou investimentos.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizamse como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou investimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 18 67 /2 01 2- 44 Fl. 656DF CARF MF 2 Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Letícia Domingues Costa Braga, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Daniel Ribeiro Silva. Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementandoo a seguir: Versa o presente processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo Fisco dos autos de infração, conforme disposto nas fls. 463 de IRPJ, no valor de R$ 6.765,43; de PIS, no valor de R$ 4.724,16; de CSLL, no valor de R$ 6.653,10; de COFINS, no valor de R$ 19.794,61; de INSS, no valor de R$ 63.773,99, todos sobre o SIMPLES e acrescidos da multa de ofício de 75%, além dos juros de mora. As razões do Fisco encontramse dispostas no Termo de Constatação de Infração Fiscal (fls. 327/337), conforme abaixo: a) A interessada apresentou ao fisco os extratos bancários referentes ao Banco do Brasil dos anos calendário de 2008 e 2009 e do Bradesco do ano calendário de 2008 até o mês de outubro, ficando pendente os documentos relativos ao ano de 2009; b) Tendo em conta esse fato, o fisco solicitou a emissão de informações sobre a movimentação financeira (RMF) para possibilitar a investigação fiscal da movimentação detectada pela programação; c) Assim, estando de posse dos extratos bancários do Banco do Brasil e do Bradesco (ano de 2008) fornecido pela interessada e ano de 2009 (pela instituição), o fisco procedeu inicialmente à análise e aos expurgos dos valores que, de acordo com a legislação regente, não representam ingressos de receitas na atividade; d) Após, foram relacionados de forma individualizada os depósitos/créditos apurados, que foram submetidos à comprovação da origem desses recursos pela interessada, através do Termo de Intimação Fiscal nº 002/2012, abrindo prazo legal para a comprovação da origem dos recursos e a correta escrituração dos valores figurados como receita; e) Ainda, procedendo a análise dos pagamentos efetuados em função da operação registrada no procedimento instaurado, a fiscalização apurou um volume de cheques Fl. 657DF CARF MF Processo nº 10073.721867/201244 Acórdão n.º 1401002.362 S1C4T1 Fl. 657 3 “compensados” nas contas do Banco do Brasil e Bradesco, que, na escrituração no Livro Caixa apresentado não identificava a destinação desses recursos, considerando se tratar de compensação em conta de terceiros, ou seja: cheques a débito de banco e escriturado como recebimentos na conta caixa, porém sem nenhuma saída posterior, no mesmo valor, que pudesse representar de foram correta a operação bancária; em outra situação, apurouse cheques a débito de banco sem nenhum registro no livro caixa, impossibilitando a destinação e a identificação do beneficiário; Devidamente cientificada (fls. 604) em 25/01/2013, a interessada, em 26/02/2013 (fls. 607/608), apresentou impugnação, cujo teor, em síntese, a seguir reproduzo: a) Está enquadrada no Simples Nacional; b) A escrituração contábil dos anos fiscalizados lançou sob o regime de caixa todos os pagamentos e recebimentos, inclusive lançando todos os cheques emitidos e os depósitos efetuados contra a conta Caixa; c) Quanto à alegação de falta de comprovação da saída da conta caixa de pagamentos efetuados, a impugnante vem contestar pois os cheques emitidos lançados contra a conta Caixa foram destinados a diversos pagamentos todos registrados no livro Caixa; d) Ocorreu que alguns cheques emitidos e lançados no livro Caixa não atenderam imediatamente a pagamentos de despesas, apenas eram para fazer face a pequenas despesas, muito comum no ramo de atividade da empresa; e) Em outras ocasiões, quando o numerário não era utilizado, a impugnante efetuava um depósito retornando à conta bancária. Em decisão de primeira instância a impugnação foi julgada improcedente, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. CABIMENTO. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 658DF CARF MF 4 O lançamento com base em presunção é completamente aceitável em nosso ordenamento jurídico. Nas presunções “juris tantum”, incumbe ao sujeito passivo o ônus de infirmar o fato indiciário caracterizador da presunção. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A ausência de comprovação, através de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, dos pagamentos escriturados na contabilidade da interessada, faz com que se ratifique as exigências fiscais com base na presunção legal estampada no artigo 40 da Lei nº 9.430/1996. OMISSÃO DE RECEITA SOB A ÓTICA SIMPLIFICADA. FALTA DE RECOLHIMENTO. OCORRÊNCIA. A inferência pelo fisco de omissão de receitas, quando integradas à sistemática simplificada, ao gerar nova base de cálculo com a consequente utilização de novos percentuais sobre as alíquotas, necessário se torna o respectivo ajuste através da exigência de ofício das diferenças não recolhidas. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2008, 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. INSS. Ao subsistir o lançamento principal, igual sorte colhem os lançamentos que dele são reflexos. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido Interposto o recurso voluntário, foram repisados os mesmos argumentos trazidos na peça impugnatória, arguindose a improcedência da ação fiscal. É o relatório. Voto Conselheira Letícia Domingues Costa Braga Relatora Tendo em vista que o Recurso Voluntário interposto invoca as mesmas razões da Impugnação, aplico o Regimento Interno desse Conselho, art. 57, § 3º, nos seguintes termos abaixo: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; Fl. 659DF CARF MF Processo nº 10073.721867/201244 Acórdão n.º 1401002.362 S1C4T1 Fl. 658 5 II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Assim, adoto as razões decididas em primeira instância, conforme abaixo: O Recurso é tempestivo, portanto, dele conheço. Ressalto que as conclusões relativas ao lançamento principal, também serão aproveitadas para os lançamentos dele reflexos. Quanto à infração com base na presunção legal estabelecida pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, cumpre ressaltar que a interessada nada arguiu que tivesse o condão de comprovar a origem dos depósitos constantes nas contas correntes oriundas tanto do Banco do Brasil, quando do Banco Bradesco para o ano de 2008 e 2009. Assim dispõe o citado dispositivo legal: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 660DF CARF MF 6 § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) E ainda os diplomas legais abaixo transcritos: Lei nº 9.249/95 Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. §1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR) Art.287. Caracterizamse também como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10073.721867/201244 Acórdão n.º 1401002.362 S1C4T1 Fl. 659 7 mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42). §1º O valor das receitas ou rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira (Lei nº 9.430, de 1996, art.42, §1º). §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo do imposto a que estiverem sujeitos, submeterseão à normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos (Lei nº 9.430, de 1996, art.42, §2º). §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualmente, observado que não serão considerados os decorrentes de transferência de outras contas da própria pessoa jurídica (Lei nº 9.430, de 1996, art.42, §3º, inciso I). Art. 288. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão (Lei nº 9.249, de 1995, art.24). A verdade é que uma vez constatados créditos, em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, sem comprovação da respectiva origem, caracterizase a omissão de receita, passível, portanto, de tributação. Esta é a inequívoca norma do art. 42 da Lei nº 9.430/96, que “...operou uma significativa mudança no tratamento tributário conferido à movimentação bancária dos contribuintes de imposto de renda. Inverteu o ônus da prova ao atribuir ao contribuinte o ônus de provar que valores creditados não se referem a receitas omitidas (...)” (1º CC, 2ª Câmara, Acórdão nº 10245741, Sessão de 16/10/02). Assim, cabe ao contribuinte esclarecer a origem de depósitos relacionados pela fiscalização, sob pena de serem considerados como omissão de receitas. É relevante frisar que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 reclama comprovação da origem dos recursos mediante documentação hábil e idônea. Não trouxe a interessada qualquer elemento que corroborasse suas alegações. A autuação com base no art.42 da Lei nº 9.430/1996 é considerada perfeitamente cabível, desde que o contribuinte não comprove a origem dos recursos em suas contas de depósito e/ou de investimento. Esse é o entendimento esposado em vários julgados administrativos:(Jurisprudência atualizada) Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 Fl. 662DF CARF MF 8 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA CONCEITO DE RENDA. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, presumemse receitas omitidas os valores dos depósitos bancários cuja origem não for comprovada por meio de documentação hábil e idônea.(...) (CARF 1ªSEÇÃO /4ªCâmara/2ªTurma Ordinária Acórdão nº nº 1402002.732 Data da Sessão: 16/08/2017 Relator: Demetrius Nichele Macei) ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 (...) OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizamse como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (CARF 1ª SEÇÃO/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Acórdão nº 1401002.110 Data da Sessão: 18/10/2017 Relator: Abel Nunes de Oliveira) Vêse, então, que uma vez não comprovada a origem dos recursos depositados em contas correntes, válidos e eficazes são os lançamentos tributários realizados com base na presunção de omissão de receitas. Contudo, diante de uma presunção estampada na lei, a qual nada mais é senão um facilitador ao trabalho fiscal, invertese o ônus da prova, restando, portanto, ao interessado a comprovação efetiva das origens dos respectivos depósitos bancários, após a devida intimação, o que se verifica não foi realizado pelo interessado. Cumpre ressaltar que a autuação em pauta foi realizada conforme os ditames da própria sistemática do Simples. Para o ano de 2008 e 2009, foi apurada a omissão de receita fundamentada no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, devendose ainda respeitar o regime de apuração a que se encontra vinculado o contribuinte, tal qual foi realizado pelo Fisco. Assim sendo, quanto à infração sobre a falta de comprovação da origem dos depósitos creditados nas contas correntes da interessada deve ser mantido o lançamento. Quanto à infração de ausência de escrituração dos cheques compensados não justificados, a interessada alega que sua escrituração foi realizada com base no regime de caixa, Fl. 663DF CARF MF Processo nº 10073.721867/201244 Acórdão n.º 1401002.362 S1C4T1 Fl. 660 9 lançando dessa forma os cheques emitidos e os depósitos efetuados contra a conta Caixa, afirmando ainda que os cheques foram destinados a diversos pagamentos, sendo que todos se encontram registrados no livro Caixa. Além disso, também afirma que alguns cheques emitidos e lançados também no livro Caixa não atenderam de imediato a pagamentos de despesas, apenas eram para fazer frente a pequenas despesas, comum no ramo de atividades da empresa interessada. Por seu turno, enfatizase que mais uma vez encontrase a autuação concernente a essa infração sob a custódia de uma presunção legal, qual seja, a estampada no artigo 40 da Lei nº 9.430/1996, também previsto no RIR/1999, artigo 281, “in verbis”: Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita. Desta forma, também quanto a este item da infração, não obstante o regime de escrituração dos pagamentos efetuados, certo é que o ônus da prova, diante de tal presunção legal, deve ser invertido à interessada. Como não apresentou na fase investigatória e tampouco na impugnatória qualquer documento acerca da correspondência entre os valores correspondentes aos cheques registrados em sua contabilidade discriminando quais os pagamentos efetuados, por data e valor, bem como quais eram as pequenas despesas inerentes à sua atividade, não há como acatar as alegações prestadas pela interessada. Inexistem nos autos documentos hábeis que tivessem coincidências de datas e valores, a fim de justificarem a escrituração dos pagamentos através da conta Caixa, razão pela qual deve ser mantida a infração fundada nessas razões. Finalmente, em face da manutenção do respectivo crédito tributário advindo da presunção legal de omissão de receita, necessário se torna a realização do ajuste nos valores a recolher a título do imposto simples, já que outros percentuais deverão ser aplicados à nova base de cálculo objeto de apuração de ofício, razão pela qual a infração de insuficiência de recolhimento também deve ser mantida. Conclusão Nestas condições, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO, mantendo os tributos devidos a título de IRPJ, no valor de R$ 6.765,43; de PIS, no valor de R$ 4.724,16; de CSLL, no valor de R$ 6.653,10; de COFINS, no valor de R$ 19.794,61; de INSS, no valor de R$ 63.773,99, todos sobre o SIMPLES e acrescidos da multa de ofício de 75%, além dos juros de mora. (assinado digitalmente) Fl. 664DF CARF MF 10 Letícia Domingues Costa Braga Fl. 665DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.917004/2011-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.285
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que indeferira o Pedido de Restituição formulado sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o deferimento de seu pedido de restituição, arguindo que o indébito decorrera da incidência da contribuição sobre receitas financeiras e outras receitas, incidência essa julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do RE nº 346.084. Alegou, ainda, que o CARF já se pronunciara, em diversas oportunidades, pela extensão da decisão do STF a todos os contribuintes, transcrevendo ementas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 17 00 4/ 20 11 -0 1 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13888.917004/201101 Resolução nº 3201001.285 S3C2T1 Fl. 174 2 A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na ausência de efeitos erga omnes da decisão do STF que reconhecera a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições promovida pela Lei nº 9.718/1998, bem como na falta de comprovação da liquidez e certeza do indébito reclamado. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa, afirmando existir nos autos documentação comprobatória do seu direito. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.265, de 21/03/2018, proferido no julgamento do processo 13888.914725/201151, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.265): Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, originado de pagamento indevido ou a maior Em despacho decisório eletrônico, foi indeferida a solicitação da contribuinte, em razão da inexistência de saldo do pagamento indicado no PER/DCOMP, o qual teria sido utilizado integralmente para quitar débito informado pela própria contribuinte em DCTF. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que o crédito decorre do recolhimento indevido da contribuição sobre parcelas que não integram o faturamento, nos termos da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Foi anexada à Impugnação documentação comprobatória da existência do crédito. A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento de que a "alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é da contribuinte, pois se trata de uma solicitação de seu exclusivo interesse", o que não teria logrado comprovar a Recorrente. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, ressalta que foram anexados diversos documentos à Manifestação de Inconformidade e requer a juntada e exame das cópias dos DARFs, Pedido de Restituição e Livro Razão Geral. Além disso, apresenta planilha demonstrativa do crédito postulado. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13888.917004/201101 Resolução nº 3201001.285 S3C2T1 Fl. 175 3 Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese que em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Desse modo, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos documentos já acostados aos autos, tanto em sede de Manifestação de Inconformidade, como em Recurso Voluntário, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessários. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. Importa registrar que, nos presentes autos, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos documentos já acostados aos autos, tanto em sede de Manifestação de Inconformidade, como em Recurso Voluntário, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessários. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.726071/2010-83
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007
TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE.
Classificam-se no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano ou poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES.
Nas instituições financeiras, que têm as operações de compra e venda de ações compreendidas no objeto social, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007
TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE.
Classificam-se no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano ou poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES.
Nas instituições financeiras, que têm as operações de compra e venda de ações compreendidas no objeto social, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
Os juros de mora devem incidir sobre todo o crédito tributário, inclusive sobre a multa de ofício, por se tratar de exigência decorrente dos tributos exigidos.
Numero da decisão: 9303-006.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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BANCO MULTIPLO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano ou poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas instituições financeiras, que têm as operações de compra e venda de ações compreendidas no objeto social, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 60 71 /2 01 0- 83 Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 10980.726071/201083 Acórdão n.º 9303006.846 CSRFT3 Fl. 1.056 2 negociadas dentro do mesmo ano ou poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas instituições financeiras, que têm as operações de compra e venda de ações compreendidas no objeto social, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Os juros de mora devem incidir sobre todo o crédito tributário, inclusive sobre a multa de ofício, por se tratar de exigência decorrente dos tributos exigidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 10980.726071/201083 Acórdão n.º 9303006.846 CSRFT3 Fl. 1.057 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo Contribuinte HSBC BANK BRASIL S.A. BANCO MULTIPLO (fls. 784 a 823) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3301002.882 (fls. 758 a 774) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 16/03/2016, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL MANIFESTA INTENÇÃO DE VENDA ART. 179 DA LEI N° 6.404/76 E "PRINCÍPIO DA OPORTUNIDADE" A classificação contábil de um bem deve ser efetuada de acordo com sua natureza e a intenção ou não de mantêlo no patrimônio de forma duradoura, à luz da atividade da empresa. Diante dos documentos que comprovam que havia intenção de venda, as ações da BOVESPA S/A e da BM&F S/A deveriam ter sido classificadas no ativo circulante. E a receita da alienação como operacional, integrante do faturamento da instituição financeira e, por conseguinte, tributável pelo PIS e COFINS. Observância do art. 179 da Lei n° 6.404/76 e do "Princípio da Oportunidade", que é um dos princípios contábeis geralmente aceitos que devem ser adotados, por força do art. 177 da Lei n° 6.404/76, e dos art. 2° e 3° da Lei n° 9.718/98. COMPROVAÇÃO DA INTENÇÃO DE VENDA NÃO INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1° DO ART. 3° DA LEI N° 8.718/98 A Fiscalização concluiu que havia intenção de venda, com base no "Termo de Adesão e Procuração à Oferta Pública de Ações da BM&FS/A e Carta Mandato à BOVESPA. Portanto, tratavase de ações classificáveis no ativo circulante, cuja venda implicava no reconhecimento de receita operacional, integrante do faturamento e tributável pelo PIS e COFINS, nos termos dos art. 2° e 3° da Lei n° 9.718/98. Não aplicáveis a previsão legal de não incidência sobre receitas não operacionais e a inconstitucionalidade da incidência das contribuições sobre receitas não integrantes do faturamento. COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO BACEN PARA AVALIAR A CORREÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL De acordo com a Lei n° 10.593/02 e o Regimento Interno da SRF (atual RFB), este órgão é competente para fiscalizar a apuração do PIS e Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 10980.726071/201083 Acórdão n.º 9303006.846 CSRFT3 Fl. 1.058 4 COFINS. Ademais, a conclusão do autuante baseouse nos art. 177 e 179 da Lei n° 6.404/76, aos quais está sujeira a autuada e estão em harmonia com as normas do COSIF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 LANÇAMENTO SOBRE A MESMA MATÉRIA FÁTICA Aplicase à Contribuição para o PIS o decidido sobre a COFINS, por se tratar da mesma matéria fática. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC SOBRE MULTA DE OFÍCIO É lícita a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. A Recorrente alega divergência com relação (i) à incidência das contribuições do PIS/Pasep e da COFINS sobre as receitas derivadas da alienação de ações recebidas no âmbito da "desmutualização" da Bolsa de Valores, e (ii) quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Para comprovar o dissenso interpretativo, trouxe como paradigmas os Acórdãos nºs 3403003.373 e 3403001.757 (para a desmutualização) e 9101 00.722 e 9202002.600 (juros de mora sobre a multa de ofício). Foi dado seguimento parcial ao recurso especial, tão somente em relação às duas matérias acima citadas: (i) base de cálculo do PIS e da COFINS desmutualização e (ii) juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do despacho S/Nº, de 08/06/2016 (fls. 1.011 a 1.017), proferido pelo Ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF. Não teve prosseguimento com relação à discussão do conceito de faturamento, para fins de incidência do PIS e da COFINS, em razão da inexistência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas apresentados. Para fundamentar o seu pleito, na parte em que foi admitido o recurso, sustenta a Contribuinte, em síntese, que: (a) na operação em comento, ocorreu a transformação do título patrimonial, detido pela Recorrente em relação à associação BM&F, e das ações da CBLC, em ações das novas sociedades formadas no processo de desmutualização a partir da cisão parcial das antigas associações. Caracterizouse a conversão de títulos e ações em novas ações, ativos esses de mesma natureza, isto é, permanentes. As empresas então detentoras dos títulos patrimoniais e ações passaram a deter, na mesma proporção, as ações da BM&F S.A. e da BOVESPA HOLDING S.A., resultantes da cisão parcial das associações sem fins lucrativos; (b) dentre as competências privativas do Banco Central do Brasil BACEN, está a de exercer a fiscalização das instituições financeiras e aplicar as Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 10980.726071/201083 Acórdão n.º 9303006.846 CSRFT3 Fl. 1.059 5 penalidades previstas na legislação, inclusive com relação ao procedimento contábil adotado pela Contribuinte no registro das ações das Bolsas; (c) subsidiariamente, não sendo reformado o acórdão recorrido, alega que as contribuições para o PIS e a COFINS devem incidir tão somente sobre 35% (trinta e cinco por cento) das ações da BM&F S.A., pois, embora tenha sido realizada a venda de 45%, adotandose a premissa da Fiscalização, havia manifestação prévia de intenção de venda para apenas 35% das ações; (d) defende, ainda, a não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, por não se constituir na obrigação principal em exigência; (e) requer o provimento do recurso especial com a reforma da decisão combatida. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 1.026 a 1.051) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 10980.726071/201083 Acórdão n.º 9303006.846 CSRFT3 Fl. 1.060 6 Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, a controvérsia posta no presente recurso especial cingese a determinar o tratamento tributário a ser aplicado à receita da venda das ações recebidas pela Contribuinte em substituição aos títulos patrimoniais que detinha da CBLC Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (posteriormente incorporada pela Bovespa no processo de desmutualização) e da BM&F, no processo chamado de "desmutualização", para efeitos de incidência das contribuições devidas ao Programa de Integração Social PIS e ao Financiamento da Seguridade Social COFINS. A tributação imposta no lançamento tem por base as disposições contidas na Lei nº 9.718/98, pois o Sujeito Passivo é uma sociedade submetida às disposições de referida norma, que estabelece que a base de cálculo das contribuições é o faturamento (e não a receita bruta), conceito este que está descrito e limitado pelas decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal. Da desmutualização O processo que se convencionou chamar de "desmutualização das bolsas de valores" consistiu em um conjunto de atos societários por meio dos quais a Bovespa e a BM&F sofreram abertura de capital, tendo ocorrido a cisão parcial das referidas entidades associativas sem fins lucrativos e incorporação da parcela do capital cindido pelas sociedades anônimas (com fins lucrativos) Bovespa Holding S/A ("Bovespa Holding") e BM&F S/A ("BM&F S/A), respectivamente. Nesta operação de cisão parcial seguida de incorporação, os detentores de títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F passaram a ser titulares de ações representativas do capital da Bovespa Holding e da BM&F S/A, respectivamente, recebidas em substituição aos antigos títulos. Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 10980.726071/201083 Acórdão n.º 9303006.846 CSRFT3 Fl. 1.061 7 Em momento subsequente (outubro a dezembro de 2007), a Contribuinte procedeu à alienação das ações da Bovespa Holding e da BM&F S/A, recebidas em substituição ao antigos títulos patrimoniais, por meio de ofertas públicas, secundárias das ações da Bovespa e BM&F, transferindo a sua participação nas sociedades anônimas para os novos adquirentes. Com a alienação, a Contribuinte auferiu resultado positivo, mas não efetuou o recolhimento das contribuições para o PIS e para a COFINS sobre as operações, por entender se tratar de venda de ativo permanente, não sujeito à tributação. Este fato deu ensejo à ação da Fiscalização e consequente constituição de crédito tributário. A Fiscalização entendeu que no processo de desmutualização o recebimento das ações consistiu em pagamento pela devolução do patrimônio das associações sem fins lucrativos, bem como ter havido por parte do banco a intenção de venda dos novos ativos, e, portanto, deveriam ser contabilizados no Ativo Circulante, estando o resultado positivo da alienação sujeito à incidência do PIS e da COFINS. Antes de se adentrar à análise da controvérsia suscitada no presente processo administrativo, entendese necessário tecer breves considerações quanto (i) ao princípio da estrita legalidade e (ii) à impossibilidade de o Fisco sobreporse à legislação privada. O princípio da estrita legalidade embasa o sistema jurídico brasileiro, estando previsto no rol de direitos e garantias individuais do art. 5º, caput e inciso II, da Constituição Federal, e também se constitui no mais importante dos princípios constitucionais tributários, conforme redação do art. 150, inciso I, da Constituição Federal, que proclama vedada a exigência ou aumento de tributo sem que a lei assim estabeleça. O princípio da legalidade é informado pelos valores da certeza e da segurança jurídica, sendo uma garantia do Estado de Direito e tendo o papel de proteção dos direitos dos cidadãos. No Direito Tributário, a segurança jurídica é garantida por meio da reserva absoluta de lei, que, nos dizeres de Alberto Xavier1, implica "na necessidade de que toda a conduta da Administração tenha o seu fundamento positivo na lei, ou, por outras palavras, que a lei seja o pressuposto necessário e indispensável de toda a atividade administrativa". A legalidade tributária impõe que todos os aspectos do fato gerador estejam estabelecidos em lei, os quais são imprescindíveis para a quantificação do tributo devido em cada caso concreto que venha a refletir a hipótese descrita na lei. Como consectário do princípio da estrita legalidade, está o princípio da tipicidade tributária, dirigido ao legislador e ao aplicador da lei. O doutrinador Luciano Amaro2 bem sintetiza o princípio da tipicidade ao explicitar que: [...] Deve o legislador, ao formular a lei, definir, de modo taxativo (numerus clausus) e completo, as situações (tipos) tributáveis, cuja ocorrência será necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária, bem como os critérios de quantificação (medida) do tributo. Por outro lado, ao aplicador da lei vedase a interpretação extensiva e a analogia, incompatíveis com a taxatividade e determinação dos tipos tributários. À vista da impossibilidade de serem invocados, para a valorização dos fatos, elementos estranhos ao 1 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 112. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 113. Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 10980.726071/201083 Acórdão n.º 9303006.846 CSRFT3 Fl. 1.062 8 contidos no tipo legal, a tipicidade tributária costumase qualificarse de fechada ou cerrada, de sorte que o brocardo nullum tributtum sine lege traduz "o imperativo de que todos os elementos necessários à tributação do caso concreto se contenham e apenas se contenham na lei". [...] (grifouse) Além da necessidade de observância ao princípio da estrita legalidade, na interpretação da legislação tributária é vedada a utilização de analogia para tributar, conforme artigos 108, §1º e 112, ambos do Código Tributário Nacional. A analogia é um dos instrumentos de integração previstos no CTN, e se constitui na aplicação de regra prevista para caso semelhante a uma determinada situação que não se encontra regulamentada. No entanto, referido mecanismo tem um campo de atuação restrito no Direito Tributário, justamente pela limitação que lhe é conferida pelo princípio da reserva de lei para efeitos de ser exigido determinado tributo. O art. 112 do CTN, por sua vez, também traz a interpretação restritiva como regra para as matérias referentes a infrações, penalidades e definição das hipóteses de incidência do tributo: in dúbio pro reo. Constituise na forma de interpretação benigna preconizada pelo CTN “quando houver dúvida sobre a capitulação do fato, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou sobre a natureza ou extensão dos seus efeitos, bem como sobre a autoria, imputabilidade ou punibilidade, e ainda sobre a natureza ou graduação da penalidade aplicável (art. 112)”3. Quanto ao tema, pertinente trazer a lição de Luciano Amaro, que conclui dizendo que em caso de dúvida, a solução a ser adotada é a mais favorável ao Sujeito Passivo, in verbis4: Na verdade, embora o art. 112 do Código Tributário Nacional pretenda dispor sobre “interpretação da lei tributária”, ele prevê, nos seus incisos I a III, diversas situações nas quais não se cuida da identificação do sentido e do alcance da lei, mas sim da valorização dos fatos. Nessas situações, a dúvida (que se deve resolver a favor do acusado, segundo determina o dispositivo) não é de interpretação da lei, mas de “interpretação” do fato (ou melhor, de qualificação do fato). Discutir se o fato “x”se enquadra ou não na lei, ou se ele se enquadra na lei “A” ou na lei “B”, ou se a autoria do fato é ou não do indivíduo “Z”, diz respeito ao exame do fato e das circunstâncias em que ele teria ocorrido, e não ao exame da lei, A questão atémse à subsunção, mas a dúvida que se põe não é sobre a lei, e sim sobre o fato. Já o inciso IV do dispositivo pode ser referido tanto a dúvidas sobre se o fato ocorrido se submete a esta ou àquela penalidade (problema de valorização do fato) como à discussão sobre o conteúdo e alcance da norma punitiva ou sobre os critérios legais de graduação da penalidade. De qualquer modo, o princípio in dubio pro reo, que informa o preceito codificado, tem uma aplicação ampla: qualquer que seja a dúvida, sobre a interpretação da lei punitiva ou sobre a valorização dos fatos concretos efetivamente ocorridos, a solução há de ser a mais favorável ao acusado. (grifouse) 3 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 222. 4 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14 ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 222 – 223. Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 10980.726071/201083 Acórdão n.º 9303006.846 CSRFT3 Fl. 1.063 9 De outro lado, há que ser considerada a impossibilidade de o Fisco sobreporse às normas de direito privado, nos termos dos artigos 109 e 110 do CTN. O direito tributário, embora ramo do direito público, tem estreita relação com o direito privado, utilizandose de muitos conceitos deste na sua codificação. Entretanto, a definição dos referidos conceitos presentes no direito tributário deve ser buscada na legislação de direito privado. Embora a legislação tributária possa se utilizar dos princípios do direito privado, não lhe é lícito alterar conceitos que estejam definidos na norma de direito privado. Analisando a matéria posta no recurso especial da Fazenda Nacional sob a ótica dos princípios acima mencionados, que são informadores do direito tributário, e da legislação aplicável ao caso, entendese que assiste razão ao Sujeito Passivo ao manter o registro das ações recebidas em substituição aos títulos patrimoniais em conta do ativo permanente. O processo que se convencionou chamar de "desmutualização" das bolsas de valores caracterizouse pela cisão de parcela do patrimônio das associações sem fins lucrativos com a substituição dos títulos patrimoniais que antes detinham as corretoras e as instituições financeiras por ações. Não há, portanto, de se falar em extinção das entidades com devolução do patrimônio social à Recorrente. A possibilidade de cisão das associações sem fins lucrativos está prevista no art. 2033 do Código Civil combinado com o art. 44 do mesmo diploma legal, dispondo que podem ser objeto de cisão, incorporação, transformação e fusão as entidades elencadas no dispositivo do art. 44 do CC, dentre elas as associações. Cumpre consignar que à Fiscalização não é permitido alterar o fato de ter ocorrido a cisão parcial das entidades, nos termos do art. 110 do CTN explicitado supra, uma vez a operação ter sido aprovada em assembleia (que exerce a função de legislador dentro das instituições), prevalecendo o princípio da autonomia de vontade das partes. Além disso, os atos da transformação societária foram devidamente arquivados na Junta Comercial e no Registro Civil das Pessoas Jurídicas competentes, tornandose válidos e definitivos no mundo jurídico. A aplicação do art. 17 da Lei 9532/97 pelo Fisco para caracterizar a desmutualização como o processo em que houve a devolução do patrimônio em decorrência da extinção das associações, implica na exigência de tributo por analogia, o que é vedado pelo art. 108, §1º do CTN, conforme antes explicitado. No sentido da vedação de tributação por analogia, há precedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, como por exemplo o Acórdão CSRF nº 0105.059. Outro argumento que corrobora a tese defendida pelo Sujeito Passivo, é o fato de que proferida pela Receita Federal a Solução de Consulta COSIT nº 13, no ano de 1997, reiterando o caráter da neutralidade fiscal da operação da desmutualização da bolsa de valores, no mesmo sentido da Portaria MF nº. 785/77 (que trata do ganho de capital). No ano de 2007, a COSIT proferiu entendimento contrário ao da Solução de Consulta nº. 13/1997, consubstanciada na Solução de Consulta COSITI nº 10/07, posicionandose pela necessidade de tributação de eventual diferença entre o valor dos títulos e o valor das ações em razão de uma suposta subsunção da situação à regra do art. 17 da Lei 9532/97. O CARF já proferiu entendimento no sentido de que o Fisco teria a obrigação de observar a Solução de Consulta COSIT nº 13/97 até o dia 30/10/2007, data em que foi publicado no DOU a mudança de posicionamento. Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 10980.726071/201083 Acórdão n.º 9303006.846 CSRFT3 Fl. 1.064 10 A mudança de critério jurídico pela RFB entre uma solução de consulta e outra traz violação ao art. 146 do CTN. Assim, tendo em vista que não houve dissolução das associações e nem devolução do patrimônio aos antigos sócios, tendo sido o mesmo transferido diretamente para a nova entidade, os títulos patrimoniais antigos e as ações em que se transformou são papéis que representam o mesmo patrimônio, constituindose em ativo permanente. Portanto, o faturamento da alienação das ações se enquadra como venda de um investimento, isto é, constituise em venda de patrimônio próprio, não havendo de se falar na incidência de PIS e COFINS, conforme art. 3º, IV, da Lei nº 9.718/98. Entendese que esses argumentos, por si só, são suficientes para excluir do âmbito de incidência do PIS e da COFINS as receitas decorrentes da venda de ações recebidas no processo de desmutualização das bolsas de valores, devendo ser dado provimento ao recurso especial da Contribuinte. Dos juros de mora sobre a multa de ofício No Direito Tributário, a referência aos juros remete à mora, constituindose em uma indenização pelo atraso no pagamento do débito tributário, ocasionando a privação da Fazenda Nacional de utilizar a importância não recebida na data programada, e que ficou em poder do Contribuinte. Os juros moratórios visam remunerar o ente público pelo retardo no pagamento, sendo os mesmos aplicados na forma que a lei dispuser. A Lei nº 9.430/96 estabelece, em seu art. 61, a disciplina referente à multa de mora e aos juros de mora incidentes sobre o débito tributário. A multa de ofício, por sua vez, é tratada no art. 44 do mesmo diploma legal. Depreendese da leitura dos artigos de lei que a multa de ofício será aplicável nos casos de lançamento de ofício sobre o tributo ou contribuição, caracterizandose como uma penalidade mais gravosa que a multa de mora, pois o Contribuinte já perdera a oportunidade de realizar o recolhimento espontaneamente. Nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96, haverá a incidência de juros de mora sobre "os débitos a que se referem o artigo", compreendido neste conceito apenas o valor principal do tributo, não servindo de amparo legal à Administração Tributária para proceder à exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício ao cobrar o crédito tributário. Com relação ao art. 161 do Código Tributário Nacional, o mesmo também não é fundamento a autorizar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Isso porque o termo "crédito" empregado na sua redação referese ao tributo, e nesse conceito não se enquadra a multa. Não por outra razão, o próprio artigo de lei faz uma ressalva em relação às penalidades, ao citar "sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta lei ou em lei tributária". Assim, a multa, que é uma sanção, não se confunde com o tributo, não sendo cabível a sua atualização monetária pela aplicação de juros moratórios. Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 10980.726071/201083 Acórdão n.º 9303006.846 CSRFT3 Fl. 1.065 11 Assim, por inexistir previsão legal, incabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício no caso dos autos. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Voto Vencedor Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Redator designado Peço vênia para discordar da ilustre relatora, quanto ao mérito do Recurso Especial do Contribuinte, pelos motivos a seguir expostos. Para estruturação do presente voto, retomo resumidamente os argumentos do recorrente, na parte em que o recurso foi admitido: (1) O argumento principal foi o de que as ações alienadas seriam decorrentes da transformação de títulos patrimoniais detidos pela recorrente em associação previamente existente e que esses títulos tinham a natureza de participações societárias permanentes, mantendose essa mesma natureza para as ações. Essa característica da operação justifica o procedimento contábil do recorrente, de classificação das ações no então existente ativo permanente e que competiria exclusivamente ao Banco Central do Brasil a discussão acerca da correta classificação contábil das ações. (2) Subsidiariamente, caso o primeiro argumento não fosse aceito, que: apesar de ter sido vendido o percentual de 45% das ações, apenas 35% fosse considerado venda de títulos não permanentes, por somente existir manifestação prévia da intenção de venda para esse percentual de ações; e não fossem exigidos juros de mora sobre a multa de ofício, por não se constituir obrigação principal em exigência. Pois bem, discordo do argumento principal, porque os títulos extintos e as ações recebidas no processo de desmutualização possuem características essenciais diversas. Reparase que a manutenção, no patrimônio do recorrente, dos títulos de participação na anteriormente existente associação representativa das Bolsas de Valores era condição necessária para a realização de sua atividade. Por outro lado, após o processo denominado desmutualização, com a transformação da associação em sociedade por ações, a manutenção dos títulos de participação societária emitidos (no caso, as ações) deixou de ser condição para realização da atividade. Tanto é assim que parte desses títulos puderam ser e Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 10980.726071/201083 Acórdão n.º 9303006.846 CSRFT3 Fl. 1.066 12 efetivamente foram alienados em curto tempo, aliás esse é o objeto do lançamento ora discutido. Dessa maneira, verificada a alteração da natureza da participação societária e, consequentemente, afastada a necessidade de manutenção de sua classificação contábil, resta necessário verificar se as ações recebidas têm natureza permanente ou circulante. Importante registrar aqui que a administração tributária, em que pese não ter competência para determinar a classificação contábil correta, para fins de elaboração e publicação das demonstrações contábeis de instituições financeiras, tem competência para constituir crédito tributário e, de forma vinculada à lei, deve interpretar as normas vigentes, para verificação dos efeitos tributários, e aplicálas considerando a natureza dos fatos e não a mera formalidade de sua escrituração. Ora, Entendo que o critério de verificação da correta classificação da participação societária, como investimentos permanentes ou títulos do ativo circulante, seja relativamente simples: a intenção de sua manutenção no patrimônio ou de sua alienação, no curto prazo. Partindo dessa premissa, cabe colocar que a melhor evidência dessa intenção seja a efetiva alienação das ações no curto prazo, o que no caso indiscutivelmente ocorreu. Portanto, concluise que a alienação das ações caracteriza alienação de títulos do ativo circulante e, considerando que essa operação está compreendida no objeto social do recorrente instituição financeira, consequentemente, verificase que ela é alcançada pela tributação das contribuições em discussão no presente processo. Por motivos lógicos, partindo do raciocínio até aqui trilhado, resta prejudicado o argumento subsidiário, de que apenas o percentual de 35% das ações é que poderiam ser caracterizados como alienação de títulos do ativo circulante, por manifestação prévia da intenção de sua venda. Com efeito, todo o percentual vendido no curto prazo tem essa natureza, por ser a efetiva venda a melhor evidência de sua intenção. Por fim, afasto a alegação de não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Entendo que, nos termos do art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, os juros de mora devem incidir sobre todo o crédito tributário, inclusive sobre a multa de ofício, por se tratar de exigência decorrente dos tributos exigidos. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial do contribuinte, para manter a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1066DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909662/2008-06
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-000.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, vencido também o conselheiro José Roberto Adelino da Silva, que votou pela diligência. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, vencido também o conselheiro José Roberto Adelino da Silva, que votou pela diligência. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 96 62 /2 00 8- 06 Fl. 222DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Declaração de Compensação 18981.30207.260104.1.3.040197, (efl. 07/11) através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos de IRPJ (código de receita 2089, referente ao período de apuração de 31/03/2000). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório (efl. 89), que analisou as informações e não reconheceu o direito creditório justificando que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados pra quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível." O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efls. 12/13), em que a empresa alegou que é optante pelo Lucro Presumido e possui como atividade a construção civil; que de janeiro de 1999 a junho de 2003 recolheu a titulo de IRPJ o equivalente a 15% sobre a base de cálculo de 32% sobre o faturamento bruto, inclusive sobre as receitas em que houve emprego de materiais; que conforme o ADN Cosit n° 6 de 1997, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção civil é de 32% quando houver emprego unicamente de mãodeobra, e de 8% quando houver emprego de materiais; que com base nessa legislação foram retificadas todas as DCTFS compreendidas no período do 1° trimestre de 1999 ao 2° trimestre de 2003 para corrigir o valor dos débitos de IRPJ, onde foram considerados base de cálculo de 32%. A manifestação de inconformidade foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 1625.729 2ª Turma da DRJ/SP1, efls. 127/129). A decisão de primeira instância entendeu que o contribuinte não trouxe aos autos as provas contábeis que comprovassem a disponibilidade integral do crédito o crédito: A interessada alega que efetuou pagamento a maior ao aplicar o percentual de 32% sobre a receita bruta para a apuração da base de cálculo do lucro presumido, sendo que para o caso em que diz se enquadrar (atividade de prestação de serviço de construção civil com emprego de materiais) o percentual a ser utilizado é de 8%. Dessa forma, a controvérsia fica restrita à existência ou não do direito creditório da interessada. Quanto a esta questão, a pleiteante nada apresentou para comprovar a existência, liquidez e certeza do crédito utilizado para a compensação dos débitos informados em DCOMP. Para qualquer reconhecimento de direito creditório, a requerente deverá fazer prova inequívoca da existência e veracidade do direito creditório (artigo 170 do CTN) sem a qual nada pode ser deferido de oficio pela autoridade fiscal. Nenhuma documentação foi apresentada para comprovar que naquele período a interessada prestou serviço de construção civil com emprego de materiais. Tal circunstância deve ser Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10880.909662/200806 Acórdão n.º 1001000.539 S1C0T1 Fl. 223 3 comprovada por meio dos contratos de execução dos serviços juntamente com a escrita contábil. Dessa forma, por não haver comprovação da veracidade das alegações da interessada quanto à existência de direito creditório (falta de liquidez e certeza), fica mantido o Despacho Decisório proferido nos presentes autos. (...) Cientificada da decisão de primeira instância em 23/07/2010 (efl. 131) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 19/08/2010 (efl. 132), em que repete os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade e anexa cópias que seriam de sua escrita contábil e de Notas Fiscais Fatura de Serviços (NFFS) emitidas no período de janeiro, fevereiro e março de 2000 e respectivas notas fiscais de compra de materiais anexados. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96), fazendose necessário verificar a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Nesse sentido o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Com base no artigo citado o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado deve ser indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Observo que no ato de recurso a esta segunda instância o recorrente alega anexar agora documentos que comprovariam, segundo alega, seu crédito. Mas tal tentativa não pode socorrelhe. Isto porque, conforme disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se Fl. 224DF CARF MF 4 absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade para a primeira instância, pois operase o fenômeno da preclusão. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10880.909662/200806 Acórdão n.º 1001000.539 S1C0T1 Fl. 224 5 Neste sentido, e em caso que se referia a solicitação de compensação por PERDCOM , assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Declaração de Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Na sessão de julgamento do processo em epígrafe, o D. Relator rejeitou em seu voto os documentos apresentados pela Contribuinte por ocasião de seu Recurso Voluntário sob o argumento de que o direito à produção probatória estaria precluído, em estrita aplicação do art. 16, §4º e §5º, do Decreto 70.235/72. Com a devida vênia, discordo do Voto do Relator. Razão pela qual, entendi por bem declarar meu voto, especificando as razões que me levaram a divergir do posicionamento do ilustre Relator. Fl. 226DF CARF MF 6 Pois bem, conforme cediço, em nosso sistema jurídico pátrio nenhuma norma paira sozinha no universo, mas, sim, se concilia com todas as demais perfazendo um ordenamento uno, coeso e harmônico. Quer isto dizer que nenhuma norma pode ser interpretada apenas de forma isolada, devendo o hermeneuta, em seu trabalho, extrair de todas as acepções possíveis de determinado texto legal aquelas que permitam aplicação harmoniosa com as demais disposições pertinentes à mesma matéria. Em outras palavras, dentre as várias interpretações possíveis de um dispositivo legal, devese buscar aquela que não entre em conflito com outra norma igualmente válida, sob pena de subversão da ordem jurídica. Fixada essas premissas, cabe voltar a análise as normas vigentes relacionadas à questão da produção probatória. O permissivo legal que fundamentou o Voto do Relator, art. 16 do Decreto 70.235/72, possui a seguinte redação: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10880.909662/200806 Acórdão n.º 1001000.539 S1C0T1 Fl. 225 7 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (grifouse) Uma analise literal e isolada deste dispositivo permitiria concluir rigidamente que haveria a preclusão do direito à produção probatória após a apresentação da Impugnação, salvo nas hipóteses taxativas do §5º. Contudo, tal interpretação não deve ocorrer desta forma, vez que há outros elementos normativos atinentes a matéria que também devem ser considerados. A Constituição Federal, norma de maior hierarquia em nosso ordenamento, estabelece no inciso LV de ser art. 5º os princípios do contraditório e da ampla defesa, nos seguintes termos: LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Ao incluir o direito ao contraditório e a ampla defesa "com os meios e recursos a ela inerentes" no rol de direitos e garantias fundamentais, o legislador constituinte elevaos ao mais alto grau de importância dentro de nosso ordenamento, restando claro a preponderância que tais direitos devem ter. E, assim, devem ser observados e operacionalizados pelas demais normas infraconstitucionais. Não por acaso, tais princípios foram observados pela Lei 9.784/99, responsável por regular o Processo Administrativo Federal, que trouxe no bojo de seu art. 2º as seguintes disposições: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; Fl. 228DF CARF MF 8 VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, e à produção de provas à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (...)(grifouse) Conforme se extrai, o legislador infraconstitucional não só incorporou expressamente os princípios constitucionais da legalidade, ampla defesa, contraditório e ouros, como elencou uma série de critérios a serem observados na regulamentação e condução dos processos administrativos. Desses critérios expressos acima, temse de forma bastante clara que as formalidades e restrições devem ser limitados ao estrito necessário para garantir a efetividade do processo em atender a finalidade pública. Ora, as regras processuais formais visam dar ordem ao processo, permitindo que este cumpra com seus objetivos de forma eficiente, isto é, dentro da moralidade e proporcionando segurança jurídica no cumprimento do interesse público. Contudo, a norma processual não pode se sobrepor ao próprio objetivo do processo, qual seja, a promoção da legalidade. Por oportuno esclarecese que não se está a sugerir que as regras formais postas sejam mitigadas, mas sim que a interpretação do texto legal seja feita de forma a considerar a finalidade maior do processo, as regras formais não devem ser interpretadas de forma rigorosa a ponto de prejudicar o cumprimento de seu escopo. Ainda, cumpre trazer a colação os termos do art. 38 da mesma Lei 9.784/99, que trata especificamente da produção probatória nos Processos Administrativos Federais: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Notese que o texto legal diz expressamente que é permitido ao interessado apresentar ou requerer a produção de material probatório não só na fase instrutória, mas também antes da tomada da decisão. Outrossim estabelece taxativamente que a prova só poderá ser recusadas quando ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10880.909662/200806 Acórdão n.º 1001000.539 S1C0T1 Fl. 226 9 Pois bem, retornando a ideia inicialmente tratada neste Voto de que as normas jurídicas devem ser interpretadas da forma mais harmônica possível, me parece que a interpretação restritiva do art. 16 do Decreto 70.235/72, para recusar de plano toda e qualquer prova apresentada pelo contribuinte após o protocolo da Impugnação/Manifestação de Inconformidade não se coaduna com as demais normativas já expostas. Em verdade, a aplicação tão restrita assim da norma, não só implica na frontal negativa de vigência aos disposto da mais moderna Lei 9.784/99, como destoa até mesmo dos objetivos maiores do Processo Administrativo Federal que é a revisão do ato administrativo fiscal e a garantia de que este se encontra dentro da legalidade. Alias, fazse oportuno lembrar que o Processo Administrativo Fiscal também se rege pelo princípio da busca pela verdade material, ou seja, a preponderância no interesse público é a solução jurídica mais adequada ao caso, independente dos excessos de formalidade. Assim, ao meu ver, a melhor interpretação extraída da conjugação dos disposto quanto ao tema na Constituição Federal, Lei. 9.784/99 e Decreto 70.235/702 é aquela que não impõe óbice na apresentação de provas junto ao Recurso Voluntário, ou até mesmo em momento posterior prévio ao julgamento, desde que as provas não sejam ilícitas ou manejadas de má fé. De forma semelhante tem decidido a 1ª Câmara Superior de Recursos Fiscais, em recentes julgados, conforme se colaciona: PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. (Processo: 10880.004637/9929. Rel. ANDRE MENDES DE MOURA. Data da Sessão: 14/09/2017) PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Fl. 230DF CARF MF 10 (Processo: 16327.001227/200542. Rel. ADRIANA GOMES REGO. Data da Sessão: 08/08/2017) RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. (Processo: 14098.000308/200974. Rel. GERSON MACEDO GUERRA. Data da Sessão: 19/06/2017 ) Para melhor ilustrar, peço vênia para transcrever a parte final da fundamentação do Voto deste último julgado colacionado, de autoria da ilustre Conselheira Cristiane Silva Costa, designada Redatora para o Voto Vencedor: "Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. (...) Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10880.909662/200806 Acórdão n.º 1001000.539 S1C0T1 Fl. 227 11 a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte." Destarte, diante de todos os argumentos expedindos, entendo que as provas apresentadas em momento posterior ao da Impugnação/Manifestação de Inconformidade, podem, e devem, ser conhecidas, desde que não acarretem qualquer prejuízo processual as partes ou ao bom trâmite processual. Ressalvase que o Julgador ao analisar o recebimento de provas que eventualmente entenda serem ilícitas, meramente protelatórias, ou que sejam manejadas com o intuito de lesar a parte adversa tem o poder e o dever de recusálas. Ou, ainda que não vislumbre qualquer má fé, mas tema por eventual supressão de instância ou direito ao contraditório, sempre pode recorrer a prerrogativa de baixar os autos em diligência para que seja oportunizada as providências necessárias para o resguardo do direito. Nesta linha, considerando que no caso em tela as provas oferecidas pela Recorrente por ocasião do Recurso Voluntário não foram sequer analisadas pelo digno Relator, tampouco pela DRJ de origem, entendo por bem que seja os autos baixados em diligência para que a d. Autoridade Fiscal se pronuncie a respeito. Desta feita, diante de tudo o que foi exposto, peço vênia ao Ilustre Conselheiro Relator para discordar de suas e encaminhar o meu VOTO no sentido de converter o presente julgamento em DILIGÊNCIA para que a unidade de origem proceda ao exame dos argumentos e da documentação apresentada junto com o Recurso Voluntário, confrontandoa com os demais já constante dos autos e, ainda, com outros dados disponíveis. Para efetividade desse exame, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos, sem prejuízo de outras providências, a juízo da autoridade diligenciante, assim como consultas a dados e sistemas disponíveis à fiscalização. Ao final, deverá ser elaborado relatório circunstanciado explicitando suas conclusões a respeito da matéria em litígio, do qual se dará ciência à contribuinte para que no prazo de trinta dias, querendo, se manifeste. Decorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, os autos devem retornar ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues. Fl. 232DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11831.006798/2002-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1995 a 31/03/1996
PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91.
Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contando-se a partir do fato gerador, pois o pedido foi formulado anteriormente a 9.6.05.
Numero da decisão: 9303-006.748
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de Origem.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Recorrente MANGELS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1995 a 31/03/1996 PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91. Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contandose a partir do fato gerador, pois o pedido foi formulado anteriormente a 9.6.05. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de Origem. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 67 98 /2 00 2- 15 Fl. 592DF CARF MF Processo nº 11831.006798/200215 Acórdão n.º 9303006.748 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra Acórdão nº 20181.280, que negou provimento ao recurso voluntário. O colegiado a quo julgou prescrito o direito do contribuinte à restituição pleiteada, considerando o prazo quinquenal contado a partir da data do pagamento indevido. No caso, o pedido de restituição foi apresentado pelo contribuinte em 13/11/2002, amparado em pagamentos relativos a fatos geradores ocorridos entre 31/10/1995 e 31/03/1996. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão argumentando, em síntese, que no presente caso o processo teve início antes da vigência da LC 118/05 – e que, por conseguinte, aplicável o prazo prescricional de 5 anos, contados do fato gerador, acrescido de mais 5 anos, conforme precedentes do STJ. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara competente do CARF foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões ao recurso não foram apresentadas pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.745, de 16/05/2018, proferido no julgamento do processo 10166014258/200143, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.745): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, em respeito ao art. 67, do RICARF/2015 – Portaria MF343/2015 com alterações posteriores. No que tange à discussão acerca do termo inicial a ser considerado para a contagem do prazo prescricional/decadencial, importante trazer que, com a alteração promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Fl. 593DF CARF MF Processo nº 11831.006798/200215 Acórdão n.º 9303006.748 CSRFT3 Fl. 4 3 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (dispositivo atual – art. 62, § 2º, Anexo I, do RICARF/15 – Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015)), essa questão não mais comportaria debates. Vêse que tal matéria havia sido objeto de decisão do STJ em sede de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 1110578/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux (data do julgamento 12/05/2010). O que peço licença para transcrever a ementa (Grifos meus): “Ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009 AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008". (Resp nº 1110578/SP, Rel. Min. Luiz Fux, data do julgamento 12052010, DJe de 21/05/2010; RT vol. 900 p. 204) (Negritos acrescentados)” Não obstante ao termo inicial, vêse que há outra questão sob lide, qual seja, o prazo para se pleitear a repetição de indébito da LC 118 – que, por sua vez, também tratou da definição do termo a quo para a aplicação do prazo decadencial – na discussão acerca do prazo de 5 anos ou 10 anos. Nesse ponto, a matéria também foi decidida pelo STJ, inclusive definindo de forma clara o termo inicial a ser considerado, sob procedimento de recursos repetitivos, no julgamento do Recurso Especial n°1.002.932 SP, ao apreciar o texto trazido pela Lei Complementar n° 118/05. Após apreciação da matéria, o STJ firmou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permaneceria regido pela tese dos “cinco mais Fl. 594DF CARF MF Processo nº 11831.006798/200215 Acórdão n.º 9303006.748 CSRFT3 Fl. 5 4 cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. O Supremo Tribunal Federal, por conseguinte, enfrentando o tema, decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), ser aplicável o novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Eis o decidido: “RE 566621 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 04/08/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Ou seja, para os pedidos de repetição de indébito apresentados anteriormente a 9 de junho de 2005, poderseia considerar o prazo prescricional/decadencial de 10 anos contado do fato gerador. Fl. 595DF CARF MF Processo nº 11831.006798/200215 Acórdão n.º 9303006.748 CSRFT3 Fl. 6 5 Para melhor compreensão, transcrevo a ementa do referido acórdão: “PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. O que resta reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Eis a Súmula 91: “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” Em vista de todo o exposto, temse que, no caso vertente, o pedido de restituição foi protocolado em 8.11.01 (Despacho decisório – fl. 262) envolvendo créditos de pagamento indevido de PIS nos meses de novembro de 1995 a março de 1996. Considerando que o pedido foi anterior a 9.6.05, aplicase o prazo prescricional de 10 anos – o que resta afastada a prescrição no caso vertente. Em vista de todo o exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, com retorno à DRF unidade de origem para apreciação do mérito do pedido." No presente processo o pedido de restituição foi protocolado em 13/11/2002, amparado em créditos oriundos de recolhimentos a maior relativo a fatos geradores ocorridos entre 31/10/1995 e 31/03/1996. Portanto, da mesma forma que no caso do paradigma, sendo o pedido anterior a 09/06/2005, aplicável o prazo prescricional de 10 anos contados a partir do fato gerador, do que se conclui não ter ocorrido a prescrição no caso vertente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento, para afastar a prescrição determinando o retorno dos autos à unidade de origem para apreciação do mérito do pedido. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 596DF CARF MF
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