Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,299)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,206)
- Primeira Turma Ordinária (16,161)
- Primeira Turma Ordinária (16,119)
- Segunda Turma Ordinária d (15,869)
- Segunda Turma Ordinária d (14,477)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,440)
- Segunda Turma Ordinária d (12,383)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,002)
- Terceira Câmara (67,587)
- Segunda Câmara (56,071)
- Primeira Câmara (20,360)
- 3ª SEÇÃO (16,206)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,675)
- Segunda Seção de Julgamen (114,657)
- Primeira Seção de Julgame (76,728)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,919)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,784)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- ROSALDO TREVISAN (3,230)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,753)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,578)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,732)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10120.725376/2013-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012
INTEMPESTIVIDADE. PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida.
INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. VALIDADE. DATA DA CIÊNCIA.
É válida a intimação por meio eletrônico quando o contribuinte regularmente opta pela utilização do Domicílio Tributário Eletrônico.
Considera-se feita a intimação, por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, ou na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes (art. 23, § 2º, III, do Decreto 70.235/72).
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2202-004.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 INTEMPESTIVIDADE. PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida. INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. VALIDADE. DATA DA CIÊNCIA. É válida a intimação por meio eletrônico quando o contribuinte regularmente opta pela utilização do Domicílio Tributário Eletrônico. Considera-se feita a intimação, por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, ou na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes (art. 23, § 2º, III, do Decreto 70.235/72). Recurso Voluntário Não Conhecido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10120.725376/2013-41
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5765830
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-004.122
nome_arquivo_s : Decisao_10120725376201341.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARTIN DA SILVA GESTO
nome_arquivo_pdf_s : 10120725376201341_5765830.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Jose Ricardo Moreira.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
id : 6920308
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469937778688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1583; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 450 1 449 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.725376/201341 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.122 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de agosto de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente ESCUDO VIGILÂNCIA E SEGURANÇA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 INTEMPESTIVIDADE. PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida. INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. VALIDADE. DATA DA CIÊNCIA. É válida a intimação por meio eletrônico quando o contribuinte regularmente opta pela utilização do Domicílio Tributário Eletrônico. Considerase feita a intimação, por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, ou na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes (art. 23, § 2º, III, do Decreto 70.235/72). Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 53 76 /2 01 3- 41 Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 451 2 Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10120.725376/201341, em face do Acórdão nº 0127.842, julgado pela 4ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (DRJ/BEL), na sessão de julgamento de 26 de novembro de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: "Dos autos, mormente do Relatório Fiscal (fls. 20 a 31), se extrai as informações relatadas nos parágrafos que se seguem. O presente processo referese a Autos de Infração relativos à obrigação principal, incluindo os seguintes debcad’s: a) Auto de Infração DEBCAD nº 51.040.261 5 (fls. 03 a 11) Trata de glosas das compensações indevidamente informadas pela empresa nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, no período compreendido entre 11/2009 a 12/2012, totalizando o valor de R$ 3.738.195,71 consolidado em 25/06/2013. As contribuições previdenciárias apuradas foram lançadas sob a Rubrica 19 Glosa Compensação, no levantamento GC – GLOSA DE COMPENSAÇÃO e têm como fato gerador os valores pagos, devidos ou creditados, em cada competência, aos segurados empregados da empresa declarados em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência SocialGFIP, entregues pelo Contribuinte e constantes dos sistemas informatizada. b) Auto de Infração DEBCAD nº 51.040.2623 (fls. 12 a 21) Trata da Multa Isolada calculada sobre os valores indevidamente compensados e lançada na competência da data da entrega das GFIP, no período de 12/2009 a 04/2013, conforme tabela constante do item 6.4 deste relatório, tendo em vista que o fato gerador da infração (entrega de GFIP com falsa declaração) ocorre na data de entrega da GFIP (MP 449/2008, Fl. 451DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 452 3 transformada na Lei n° 11.941/2009). O lançamento foi feito sob o Código de Levantamento "Ml". Narra o agente fiscal que o sujeito passivo, ao fazer inserir em GFIP, informação de compensação indevida, compensação essa que sabidamente não teria direito, reduziu, deliberadamente, o valor devido e o subseqüente recolhimento de sua obrigação tributária para com a Seguridade Social, o que configura a conduta ilegal do mesmo que se amolda perfeitamente à situação prevista no art. 72 da Lei n° 4.502/1964. Informa ainda a autoridade fiscal que tendo sido constatada a falsidade nas GFIP apresentadas pelo Contribuinte, consubstanciada na inserção de créditos inexistentes de fato, foi aplicada a multa isolada de 150% sobre o total do crédito compensado indevidamente, conforme prevê o artigo 46 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008: Informa também que a litigante impetrou as seguintes ações judiciais: a) processo 004766537.2011.4.01.3500 (16/11/2011), para suspender a exigibilidade do crédito referente à contribuição previdenciária patronal sobre o adicional de horasextras (mínimo de 50%), adicionais noturnos (mínimo de 20%), insalubridade (de 10% a 40%), periculosidade (30%), transferência (mínimo de 25%). Assinala que a liminar foi indeferida; b) processo 4771478.2011.4.01.3500 (21/11/2011) para suspender a exigibilidade do crédito referente à contribuição patronal incidente sobre o décimo terceiro (13°) salário. Assinala que a liminar foi indeferida; c) Mandado de Segurança para impugnação de ato praticado pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em GoiâniaGO, pretendendo compelilo a suspender a exigibilidade e a compensar o que recolhera, indevidamente, a título de contribuição previdenciária sobre valores pagos para remunerar auxíliodoença acidente, saláriomaternidadematernidade, férias e adicional de férias ao argumento de que, durante o pagamento dessas verbas, não há efetiva prestação de serviço dos seus empregados; Relata que na Apelação/Reexame Necessário n° 002001231.2009.4.01.3500/ GO, de acordo com o Relatório do Exmo. Sr. Desembargador Federal Catão Alves (Relator), foi deferida, em parte, liminar, prestadas informações e, após recusa do Ministério Público Federal em manifestarse sobre o mérito da questão, concedida, parcialmente, a Segurança à União Federal e à impetrante, mediante recursos de Apelação regularmente respondidos, pleiteiam modificação da sentença que dirimiu a controvérsia. Registra o agente ainda o abaixo transcrito: Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 453 4 De acordo com o Voto do Relator, conforme processo anexo, assim ficou decidido: Fls 28/28: "Pelo exposto, julgo prejudicado o Agravo Retido de fls. 242/262, nego ,/ro\, .iito ao recurso de Apelação da União Federal (Fazenda Nacional) e à Remessa Oficial, e )uo, em parte, ao interposto pela Impetrante para, reformado, parcialmente, a sentença discutida, determinar que a compensação seja feita na forma especificada nos itens 18 a 25 supra." Fls. 24/28 Item 22: "Na esteira desse raciocínio, são compensáveis, com contribuições da mesma espécie, os valores recolhidos a título de contribuições previdenciárias sobre o abono constitucional de terço de férias e sobre a retribuição paga a empregado doente nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do trabalho, nos termos do disposto no art. 26, parágrafo único, da Lei n° 11.457/2007, cabendo ao Judiciário, tão somente, declarar se os créditos são ou não compensáveis, uma vez que compete à autoridade administrativa verificar a liquidez e a certeza dos créditos a serem compensados." Fls. 27/28 Item 24: "E mais, a compensação sujeitase ao trânsito em julgado da sentença, nos termos do art. 170A, do CTN, ressalvandose à autoridade fazendária a aferição da regularidade do procedimento." d) Mandado de Segurança para vedar ao Delegado da Receita Federal em Goiânia/GO (autoridade coatora) a cobrança da exação da contribuição previdenciária sobre o aviso prévio indenizado, bem como para obter a declaração do direito à compensação dos valores recolhidos a esse título nos últimos 10 anos, corrigidos monetariamente, acrescidos de juros de mora de 1%, e a taxa SELIC a partir de 01.01.1996, ou, subsidiariamente pelos mesmos índices cobrados pela Fazenda, com débitos próprios vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF, sem as limitações do art. 170ª do CTN, arts. 3o e 4o da LC 118/2005 e da IN/RFB n. 900/08. Registra que na Apelação/Reexame Necessário n° 2009.35.00.0204313/ GO, de acordo com o Relatório do Exmo. Sr. Juiz Federal Cleberson José Rocha (Relator Convocado), a Sentença concedeu parcialmente a segurança nos seguintes termos: De acordo com o Voto do Relator, conforme processo anexo, assim ficou decidido: Fls. 15/15: "Ante o exposto: a) Conheço em parte da apelação da impetrante e, na parte conhecida, doulhe parcial provimento para afastar a limitação do § 3o do art. 89 da Lei 8.212/91 e Lei 9.129/95; Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 454 5 b) Dou parcial provimento à apelação da Fazenda e à remessa oficial para: b.1) determinar a prescrição quinquenal dos créditos anteriores à vigência da LC 118/05 homologados expressamente pela SRF, a ser objeto de conferência administrativa; b.2) limitar a compensação com contribuições de mesma espécie; e b.3) determinar a observância das regras administrativas do procedimento da compensação previstas na IN 900/2008. Ressalta o auditor fiscal que por ocasião da ação fiscal verificou que as Ações Judiciais impetradas pelo Contribuinte não transitaram em julgado, de acordo com os extratos dos processos 004771478.2011.4.01.3500; 004766537.2011 4.01.3500; 2009.35.00.0202670; e 2009.35.00.0204313, anexados ao presente relatório fiscal. Narra o agente fiscal que o contribuinte efetuou compensação nos valores devidos à Previdência Social nas competências 11/2009 a 05/2012, 07/2012 a 09/2012 e de 11/2012 a 12/2012, declarando referidas compensações nas GFIP do estabelecimento 01.165.357/000192, no total de R$ 2.762.408,97, conforme quadro discriminativo. Afirma que considerando que referidas compensações foram efetuadas pelo Contribuinte sem o competente trânsito em julgado dos respectivos processos judiciais, constatase que o sujeito passivo efetuou tais compensações ao arrepio da Lei, haja vista que efetuou compensações utilizandose de valores não definitivamente julgados, contrariando assim, o Voto do Exmo. Sr. Desembargador Federal Catão Alves, Relator no Processo 2009.35.00.0202670 (nova numeração 002001231.2009.4.01.3500), que afirmou que a compensação sujeitase ao trânsito em julgado da sentença, nos termos do art. 170A, do CTN, e o Voto do Exmo. Sr. Juiz Federal Cleberson José Rocha, Relator convocado no Processo 2009.35.00.0204313/ GO (nova numeração 002015787.2009.4.01.3500), que determinou que fossem observadas as regras administrativas do procedimento da compensação previstas na IN 900/2008, da Receita Federal do Brasil. Ressalta que o artigo 170A do Código Tributário Nacional veda a compensação antes do trânsito em julgado da sentença, nos seguintes termos: Art. 170A É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial (Artigo incluído pela Lcp n° 104, de 10.1.2001) Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 455 6 Afirma que nesse mesmo sentido dispõe a Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008, no seu artigo 70: Art. 70. São vedados o ressarcimento, a restituição, o reembolso e a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n° 973, de 27 de novembro de 2009). Conclui que à luz da legislação disciplinadora da matéria, a compensação efetuada pelo contribuinte é indevida, pois foi realizada sem autorização judicial para tanto, dado que deveria aguardar o trânsito em julgado da sentença que lhe concedesse tal direito, razão pela qual está sendo glosada. Menciona que apesar de intimado o Contribuinte não apresentou a Memória de Cálculo das compensações efetuadas, onde deveriam estar discriminados a origem e os valores originários dos créditos compensados, bem como os respectivos cálculos de atualização dos mesmos. Registra que foi apresentada pelo sujeito passivo a tabela denominada "TABELA DE CRÉDITO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE AUXÍLIO DOENÇA, ACIDENTE SALÁRIO MATERNIDADE, FÉRIAS E 1/3 DAS FÉRIAS", onde estão discriminados, a competência dos créditos pretendidos, a base de cálculo utilizada, o valor do tributo recolhido, a taxa de juros, o valor dos juros e o valor total, para competências de outubro de 1999 a setembro de 2009 (cópia anexa). Registra que da análise das tabelas citadas no item acima, constatase Que o Contribuinte calculou o tributo recolhido aplicando o percentual de 28,8% (vinte e oito vírgula oito por cento) sobre o valor da base de cálculo consignada na tabela, aplicando sobre o valor obtido o percentual definido como taxa de juros e, consequentemente o valor total obtido, resultado da soma do valor do tributo recolhido acrescido do valor dos juros. Tece o auditor as seguintes observações: a) Os valores consignados nas Tabelas de Crédito, a título de "base de cálculo", e "tributo recolhido", não foram objeto de verificação e conferência de valores por esta fiscalização, haja vista que os valores compensados serão glosados, por não atenderem à condição principal, qual seja, os respectivos processos judiciais já haverem transitado em julgado; b) Para efeito das compensações declaradas na GFIP, estão incorretos os valores consignados nas Tabelas de Crédito a título de "tributo recolhido", haja vista que o contribuinte incorporou na alíquota de 28,8% (vinte e oito vírgula oito por cento), o percentual de 5,8% (cinco vírgula oito por cento) destinada a Terceiros (FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE). Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 456 7 c) Os valores consignados nas Tabelas de Crédito a título de "taxa de juros", não correspondem aos valores de atualização calculados por esta fiscalização. Está normatizado que para as compensações efetuadas a partir de 04/12/2008, o valor do crédito originário será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subseqüente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido, até o mês anterior ao da compensação ou restituição, e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. De acordo com a Tabela de Crédito apresentada pelo Contribuinte, o cálculo da taxa de juros foi calculado aplicando 1% (um por cento) na competência do recolhimento pretensamente indevido somado com a SELIC acumulada desde a data do vencimento até a data de efetivação da compensação. Conclui que, caso o presente processo tivesse já transitado em julgado, caberia ao Contribuinte o direito à compensação de valores recolhidos sobre pagamentos efetuados a título de Auxílio Acidente/Doença (primeiros 15 dias) e sobre 1/3 de férias, conforme julgado procedente nos citados processos ainda sem trânsito em julgado, sendo que os valores das bases de cálculo, do tributo recolhido e respectivas atualizações deveriam serem calculadas de acordo com a legislação. Cita que com o advento da MP 449/2008, de 03 de dezembro de 2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, que trouxe alterações substanciais na legislação incidente nos lançamentos relativos às contribuições previdenciárias compensadas indevidamente, a multa aplicável passou a ser, a partir de 04 de dezembro de 2008, a descrita no parágrafo 9o do art. 89 da Lei 8.212/91. Informa que com relação à Multa Isolada, tendo sido comprovado que nas GFIP entregues pelo Contribuinte referente aos estabelecimentos e competências objeto do levantamento de Glosa de Compensação Indevida, e, considerando ainda que a Lei n° 8.212/91, com a nova redação dada pela Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, comina pena de multa de 150% (cento e cinquenta por cento) do valor das contribuições que se informou ter compensado, independentemente da exigência do próprio tributo com os acréscimos moratórios, foi apurado o valor de R$ 4.143.613,55 (quatro milhões, cento e quarenta e três mil, seiscentos e treze reais e cinquenta e cinco centavos), lançado a título de Multa Isolada, no levantamento MI Multa Isolada por Compensação Indevida, nos termos do parágrafo 10, do art. 89, da Lei n° 8.212/91, c/c Art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Informa que anexa os espelhos das GFIP informadas pelo Contribuinte e obtidas dos Sistemas informatizados da RFB Receita Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 457 8 Federal do Brasil, onde consta a informação a título de compensação inserida pelo sujeito passivo de forma falsa, para se eximir dos recolhimentos das contribuições previdenciárias, cometendo, em tese, o crime de falsidade de documento público, infração penal tipificada no art. 297, inciso III do § 3º, do DecretoLei n° 2.848 de 07/12/1940 Código Penal, com a redação dada pela Lei 9.983 de 14/07/2000, o que será objeto de emissão de Representação Fiscal para Fins Penais RFFP, tendo em vista, em tese, a prática por parte do contribuinte de falsificação de documento público. Registra que durante a Ação Fiscal foram analisados os seguintes documentos, relativos à compensação: • Processo n° 004771478.2011.4.01.3500; • Processo n° 004766537.2011.4.01.3500; • Processo n° 2009.35.00.0202670; • Processo n° 2009.35.00.0204313 A impugnante foi notificada dos referidos Autos de Infração mediante remessa pessoal em 25/06/13. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a interessada protocolou impugnação 19/07/2013, por intermédio do instrumento de fls. 225 a 258, acompanhado dos anexos de fls. 259 a 294, pleiteando a nulidade dos Autos de Infração lançados. Afirma que foi notificada dos autos de infração ora combatidos no dia 25/06/2013 (terçafeira), e conforme Decreto n° 70.235/72 o termo ad quem da defesa oramanejada será em 25/07/2013 (quintafeira), o que demonstra a plena tempestividade da presente impugnação. DO AUTO DE INFRAÇÃO N° 51.040.2615 DA ESTRITA LEGALIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL ADOTADO PELA IMPUGNANTE Alega que é prescindível a autorização judicial ou administrativa para que a compensação tributária seja efetuada antes do trânsito em julgado da decisão, com base no artigo 66 da Lei n° 8.383/91 e do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, que prevê a modalidade de compensação denominada sponte própria, de iniciativa, exclusiva do contribuinte, sem qualquer exigência de prévia autorização da Receita Federal para a realização da compensação, citando jurisprudência do STJ. Cita decisão do Tribunal da Cidadania afirmando que este possui firme entendimento no sentido da desnecessidade de ação judicial prévia, em cujo bojo o contribuinte pleiteie compensação nos termos do artigo 66 da Lei n° 8.383/91. Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 458 9 Entende que não há nenhuma ilegalidade no procedimento levado a efeito pela Impugnante, bem como não foi utilizado nenhum ardil com o objetivo de fraudar a arrecadação. Antes, tratase de compensação perfeitamente autorizada pelo Ordenamento Jurídico, efetivada por meio de expedientes contábeis próprios. Alega que também não houve violação ao artigo 170A do CTN, uma vez que esta é uma regra que o Legislador dirigiu ao Poder Judiciário e não ao contribuinte. Entende que o Juiz, ante a imposição do artigo 170A do CTN, está impedido de autorizar a compensação antes do trânsito em julgado, mas o dispositivo não proíbe que o contribuinte faça seu regular pedido de compensação. Sustenta que é direito subjetivo do contribuinte que apurar crédito passível de restituição ou de ressarcimento, utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela RFB, conforme disposto no art. 74 da Lei 9.430/96. Afirma que as declarações previstas no § 1o do referido artigo 74 da Lei 9.430/96 são as GFIP's descritas no AI N° 51.040.2615 Comprot n° 10120.725376/201341, o que apenas reforça e confirma o argumento segundo o qual o procedimento de compensação foi absolutamente regular. Argumenta que o montante apontado como devido deriva, exclusivamente, de valores relativos às contribuições previdenciárias devidas pela Impugnante, restituídos em razão de sentença judicial que reconheceu o direito líquido e certo deste de compensar prestações futuras com os valores até então recolhidos indevidamente a título de contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos aos empregados para remunerar auxílio doença/acidente, saláriomaternidade, férias, adicional de férias e aviso prévio indenizado, acerca dos quais o Superior Tribunal de Justiça é unânime ao afastar do campo de incidência da contribuição previdenciária. Aduz que o posicionamento firmado no âmbito do Tribunal da Cidadania evidencia a irregularidade da arrecadação formalizada com fulcro nos dispositivos normativos eivados de vício jurídico, o que, indubitavelmente, diferencia a situação de outras. Argumenta que por este motivo, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem entendendo que a ilegalidade/inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (Processo n° 10875.003912/200430 Recurso n° 240623 Sessão realizada em 05/09/2008). Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 459 10 Afirma que não compensou qualquer outro valor, senão aqueles relativos aos recolhimentos efetuados com base no comando normativo declarado ilegal. Defende que as disposições contidas no artigo 170A do CTN não podem ser aplicadas ao Mandado de Segurança, uma vez que este, como garantia constitucional, possui caráter mandamental, impondo à Administração Pública uma prestação material, específica e in natura, a ser prontamente satisfeita, mesmo porque o direito pleiteado em questão está firmemente reconhecido pela Jurisprudência dominante do STJ. Argui que não seria razoável sujeitar uma decisão proferida em Mandado de Segurança, que reconhece direito líquido e certo a compensação de valores recolhidos à maior, ao superveniente pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça, mesmo porque seu posicionamento acerca da matéria encontrase pacificado, por meio de julgados análogos. Ressalta que não se pode impossibilitar a compensação de créditos tributários, nitidamente convalidados pelo Poder Judiciário, muito menos inscrever o contribuinte na Dívida Ativa da União, em decorrência dos valores debatidos em autos de mandado de segurança, cuja procedência tenha sido ratificada através de acórdão. Cita jurisprudência do Egrégio Tribunal Regional Federal da Primeira Região sobre a matéria, no sentido de que tendo em vista que a matéria relativa à exigibilidade de contribuição previdenciária sobre a remuneração paga em virtude do afastamento do empregado no período de quinze dias que antecede a concessão de auxílio doença/acidente, bem assim sobre o abono constitucional de férias (1/3) encontrase, atualmente, pacificada nos colendos STF e STJ, não se mostra razoável aguardarse o trânsito em julgado de decisum para a efetivação da compensação do indébito tributário em referência, quando inexistente qualquer possibilidade de alteração da situação jurídica já reconhecida, nos autos. DA INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC Alega que a Taxa SELIC, instituída pela Lei n° 8.981/95, é apurada e calculada diariamente pelo Banco Central, sendo o resultado das negociações dos títulos públicos e da variação dos seus valores de mercado, sistema criado para custódia dos títulos públicos federais e sua liquidação, tendo, portanto, natureza remuneratória, afirmando que aplicar a mencionada taxa para correção do débito abarca em evidente lesão às disposições da Constituição Federal, ferindo não só o direito das empresasconsulentes, como também a ordem econômica e financeira, desvirtuando dessa forma, a essência do Estado Democrático. Aduz que o posicionamento firmado no âmbito do Tribunal da Cidadania evidencia a irregularidade da arrecadação formalizada com fulcro nos dispositivos normativos eivados de vício jurídico, o que, indubitavelmente, diferencia a situação de outras. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 460 11 Argumenta que por este motivo, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem entendendo que a ilegalidade/inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (Processo n° 10875.003912/200430 Recurso n° 240623 Sessão realizada em 05/09/2008). Afirma que não compensou qualquer outro valor, senão aqueles relativos aos recolhimentos efetuados com base no comando normativo declarado ilegal. Defende que as disposições contidas no artigo 170A do CTN não podem ser aplicadas ao Mandado de Segurança, uma vez que este, como garantia constitucional, possui caráter mandamental, impondo à Administração Pública uma prestação material, específica e in natura, a ser prontamente satisfeita, mesmo porque o direito pleiteado em questão está firmemente reconhecido pela Jurisprudência dominante do STJ. Argui que não seria razoável sujeitar uma decisão proferida em Mandado de Segurança, que reconhece direito líquido e certo a compensação de valores recolhidos à maior, ao superveniente pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça, mesmo porque seu posicionamento acerca da matéria encontrase pacificado, por meio de julgados análogos. Ressalta que não se pode impossibilitar a compensação de créditos tributários, nitidamente convalidados pelo Poder Judiciário, muito menos inscrever o contribuinte na Dívida Ativa da União, em decorrência dos valores debatidos em autos de mandado de segurança, cuja procedência tenha sido ratificada através de acórdão. Cita jurisprudência do Egrégio Tribunal Regional Federal da Primeira Região sobre a matéria, no sentido de que tendo em vista que a matéria relativa à exigibilidade de contribuição previdenciária sobre a remuneração paga em virtude do afastamento do empregado no período de quinze dias que antecede a concessão de auxílio doença/acidente, bem assim sobre o abono constitucional de férias (1/3) encontrase, atualmente, pacificada nos colendos STF e STJ, não se mostra razoável aguardarse o trânsito em julgado de decisum para a efetivação da compensação do indébito tributário em referência, quando inexistente qualquer possibilidade de alteração da situação jurídica já reconhecida, nos autos. DA INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC Alega que a Taxa SELIC, instituída pela Lei n° 8.981/95, é apurada e calculada diariamente pelo Banco Central, sendo o resultado das negociações dos títulos públicos e da variação dos seus valores de mercado, sistema criado para custódia dos Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 461 12 títulos públicos federais e sua liquidação, tendo, portanto, natureza remuneratória, afirmando que aplicar a mencionada taxa para correção do débito abarca em evidente lesão às disposições da Constituição Federal, ferindo não só o direito das empresasconsulentes, como também a ordem econômica e financeira, desvirtuando dessa forma, a essência do Estado Democrático. Cita jurisprudência, argumentando que o Superior Tribunal de Justiça entendeu também que a Taxa Selic visa a remunerar títulos e defende que não havendo discriminação qualitativa e quantitativa de seus componentes integrantes, a Taxa Selic, por ferir princípios, é inaplicável em matéria tributária. Argumenta que ainda que a taxa de custódia em questão fosse criada por meio de lei objetivando fins tributários, em respeito ao princípio da hierarquia das normas, prevaleceria o artigo 161, § 1o do Código Tributário Nacional que estabelece o índice de juros de 1% ao mês, uma vez que o CTN foi criado por meio de Lei Ordinária, porém recepcionado pela Constituição Federal de 1988 como Lei Complementar, conforme prevê o artigo 34, § 5º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Aduz que a Lei 8.981, de 20.01.95, instituidora da Taxa Selic, ainda que fosse considerada norma legal para regrar assuntos tributários, não poderia fixar índices acima do limite previsto na norma complementar (CTN), mas sim índice abaixo daquela, restando claro que, somente haveria a possibilidade da majoração da alíquota de correção se a lei instituidora da Selic estivesse no mesmo patamar de competência da lei complementar. Conclui pela impossibilidade da utilização da taxa de referência SELIC, como taxa de juros moratórios para as multas aplicadas, já que a mesma não possui natureza indenizatória, própria dos juros moratórios, além de tratarse de meio de remuneração e, não, de indenização, caso em que, e não observado tal fundamento, estarseia configurado o locupletamento ilícito. DO AUTO DE INFRAÇÃO N° 51.040.2623 DO DESCABIMENTO DA MULTA ISOLADA Argumenta que ainda que se entenda por indevidas as compensações, a multa isolada de 150% deve ser afastada, seja por inexistência de indícios de dolo, seja por se tratar de multa confiscatória, desproporcional e desarrazoada. Afirma que os valores lançados nas suas GFIP's, refletem as apurações de recolhimentos indevidos e amparados por decisão parcialmente procedente, e que comprova a sua indubitável boa fé, submetendo todas as informações, procedimentos e documentos ao crivo do Poder Judiciário e do próprio Fisco, o que se materializou nos autos dos Mandados de Segurança acima mencionados. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 462 13 Entende que a realização de compensação em qualquer uma das hipóteses autorizada pela Lei, não caracteriza fraude fiscal e, tampouco, o dolo, já que não há que se falar em fraude se não houver dolo. Sonegação, fraude e conluio são formas diversas de evasão fiscal, e em todas essas hipóteses deverá estar presente o dolo . Discorre sobre a diferença entre evasão ilícita (na qual atingese o resultado econômico colimado, mas, valendose de artifício doloso) da evasão legítima (elisão ou economia fiscal, na qual, para elidir ou minorar a obrigação fiscal, se busca por instrumentos sempre lícitos), afirmando que idênticos são as intenções e os fins, porém diferem os meios e o momento de sua efetivação. Reclama que o que se pretende com as práticas que vêm sendo realizadas pela Receita Federal, é a imposição de penalidades calcadas em presunção absoluta, ou mediante ficção jurídica, contrariando a doutrina e a jurisprudência inerentes ao direito tributário. Destaca que não existe embasamento legal e que o suporte normativo utilizado para fundamentar a decisão está sedimentado em meras instruções normativas. Afirma que essa forma de imposições de penalidades não é compatível com o direito tributário. Argumenta que não poderá haver presunção de sonegação para fins de aplicação da multa isolada aqui vergastada, visto que esta deverá ser provada e caberá prova em contrário, devendo esta ser afastada. Aduz que doutrina tem entendido que multas elevadas são verdadeiros instrumentos para intimidar os contribuintes de exercerem o direito de pleitear o reconhecimento de seus créditos perante a Fazenda Nacional. Contesta a multa instituída, afirmando que é considerada inconstitucional, porque viola o direito de petição previsto no artigo 5o, inciso XXXIV da CF/88; a garantia do devido processo legal prevista no artigo 5o, VI da CF/88; os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade, pois a multa de 150% é considerada excessiva. Defende que a imposição da multa no patamar estabelecido constitui verdadeira sanção política, execrada pelo Supremo Tribunal Federal, que já mencionou diversas vezes que o Poder Público não pode utilizar meios indiretos de coerção, citando jurisprudência Supremo Tribunal Federal, afirmando que se reconheceu a Repercussão Geral do tema suscitado que possui grande potencial de repetição pois muitos entes federados adotam a técnica das multas isoladas. Cita decisões do Conselho de Contribuintes e do CARF, afirmando que pela simples leitura das ementas dos acórdãos, Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 463 14 acaba por tornar forçosa a necessidade de afastar a aplicação da multa qualificada, ou, no mínimo, a redução para 20%, conforme inúmeros precedentes do próprio CARF e outros emanados pelo Poder Judiciário. Conclui que a "multa isolada" exigida no auto de infração ora impugnado é totalmente descabida, sendo inconstitucional em face da afronta ao princípio da razoabilidade, se impondo o cancelamento do auto de infração. DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA Reclama que, além do caso em voga não atrair a incidência de multa isolada no patamar de 150%, também não é cabível a imposição da multa de 75%, porquanto a exigência permaneceria em patamares absurdos, causando enriquecimento ilícito da União e violando o princípio constitucional no Não Confisco. Aduz, na remota hipótese de manutenção do Auto de Infração ora vergastado, o inequívoco caráter confiscatório apresentado pelo patamar da multa imposta à Impugnante, o qual deve ser substancialmente reduzido. Afirma que a fixação do valor da multa punitiva deve atender tanto aos objetivos da sanção tributária desestimular as infrações e punir a sonegação , como também aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, que também regem os atos da Administração Pública, de forma a não constituirse imposição demasiadamente onerosa aponto de afetar a propriedade do contribuinte, confiscandoa sob o color de tributação, em grave ofensa ao princípio da não confiscatoriedade, consagrado no art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Cita jurisprudências do TRF e STF afirmando ser nítido o caráter confiscatório e, portanto, insustentável do percentual de 150% em face da farta jurisprudência colacionada. Pleiteia que o Auto de Infração seja prontamente cancelado, adequandose o percentual da multa à jurisprudência pacífica, afirmando que não cabe o argumento segundo o qual o decidido em querelas judiciais não se pode ser aplicado, ainda que provenha de entendimentos remansosos dos Tribunais Superiores e que cabe ao administrador tãosó a aplicação pura e simples da Lei. Ressalta que o artigo 62ª do Regimento Interno do CARF tornou obrigatória a aplicação pelos seus Conselheiros das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal no bojo de demandas submetidas ao regime da Repercussão Geral e pelo Superior Tribunal de Justiça, nos casos submetidos ao regime dos Recursos Repetitivos. Entende que assim como cabe ao CARF, órgão judicante máximo no âmbito administrativo fiscal, observar e aplicar os Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 464 15 entendimentos proferidos pelas Cortes Superiores, cabe à toda Administração Pública, ao decidir questões fiscais e recursos dos contribuintes, se pautar e orientar, de forma geral, pela jurisprudência emanada dos Tribunais, com o objetivo precípuo de evitar danos irreversíveis aos contribuintes e, no futuro, poupar o Erário do pagamento de altíssimos valores a título de ressarcimento e indenizações. Requer com base no exposto, o afastamento da multa imposta pela Fiscalização no auto de infração ora impugnado. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS AUSÊNCIA DE CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Argui que a presente impugnação implica, nos termos do artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional (CTN), inequívoca suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Argumenta que conforme artigo 5o, incisos LIV e LV , da Constituição Federal, e artigo 142, caput, com o teor do artigo 145, inciso I, do CTN, o crédito tributário só pode ser considerado definitivamente constituído após o encerramento do devido processo legal administrativo. Defende enquanto não houver conclusão do processo administrativo que apura eventual ilícito tributário não se pode, de modo algum, atribuirse ao contribuinte a prática de algum crime fiscal, como, v.g., os previstos na Lei n° 8.137/90 ou no próprio Código Penal. Discorre, mediante citação de jurisprudências, que a não configuração do crime antes da constituição final do crédito tributário, impede a propositura de eventual ação criminal, restando tal entendimento devidamente consolidado na Súmula Vinculante n° 24 da egrégia Suprema Corte e não há que se eventualmente argumentar que o entendimentoesposado pela Corte Superior seria limitado aos crimes previstos na Lei n° 8.137/90, não se aplicando aos demais crimes denominados tributários. Reputa que pendente impugnação, como ocorre no presente caso, as Representações Fiscais para Fins Penais (RFFP) sequer podem ser encaminhadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ao Ministério Público Federal, conforme disposto no artigo 83, caput, da Lei n° 9.430/96 e a teor do artigo 3º da Portaria RFB nº 665 de 24/04/2008. Entende que mesmo quando constituído de forma definitiva o tributo ora impugnado, ainda se abrirá ao contribuinte a possibilidade de parcelamento ou pagamento integral, o que implica na suspensão da pretensão punitiva ou extinção da punibilidade. DA AUSÊNCIA DE MEDIDA JUDICIAL Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 465 16 Declara que, em atendimento ao disposto no artigo 16, inciso V, do Decreto n° 70.235/72, na redação da MP n° 232, de 30/12/2004, a matéria impugnada não foi submetida à apreciação judicial. DO PEDIDO Solicita o processamento e o julgamento da Impugnação, no sentido de anular os lançamentos confrontados, materializados pelo Autos de Infração mencionados, sendo, por conseguinte, fulminado, todo e qualquer apontamento em nome da Impugnante que decorra do indevido crédito tributário. Requer seja a representação fiscal para fins penais mantida no âmbito desta Secretaria da Receita Federal do Brasil até final esgotamento da via administrativa, eventual constituição definitiva do crédito tributário e, ainda, após esgotado prazo para o contribuinte pagar e/ou parcelar o tributo. É o relatório." A 4ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (DRJ/BEL) entendeu por manter os créditos tributários. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 370/419, reiterando as alegações da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto – Relator Tempestividade No presente caso, a ciência do contribuinte se deu por meio eletrônico, em 25/02/2014, consoante Termo de Ciência por decurso de prazo de fl. 343 dos autos. Em razão da não interposição de recurso no trintídio legal, foi encaminhada carta cobrança à fls. 353, a qual teve por via eletrônica a ciência do prazo em 24/04/2014 pelo contribuinte, conforme fl. 362. No entanto, com o recebimento da carta cobrança, a contribuinte interpôs recurso voluntário, às fls. 370/419, protocolizado em 09/05/2014. O extrato do processo, de fl. 424, vem ratificar as informações acima referidas, vejamos: Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 466 17 O prazo para interposição de recurso voluntário é de 30 dias, tendo ele findado em 27 de março de 2014. Logo, temse que o recurso voluntário apresentado em 09 de maio de 2014 – após o término do prazo recursal – é intempestivo e, portanto, não deve ser conhecido. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim estabelece: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 467 18 II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10120.725376/201341 Acórdão n.º 2202004.122 S2C2T2 Fl. 468 19 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 468DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.724065/2013-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2012
GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. PESSOA JURÍDICA. COMPROVAÇÃO DA PRÁTICA COMUM DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA.
A fim de aplicar a responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, a autoridade lançadora deve demonstrar os interesses em comum das empresas na situação que constitua o fato gerador da obrigação, ou a circunstância de fato que implique a responsabilização solidária.
Numero da decisão: 2201-003.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração interpostos para, sanando a inexatidão material apontada, conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento parcial para excluir a responsabilidade solidária do embargante. Vencido o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 31/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2012 GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. PESSOA JURÍDICA. COMPROVAÇÃO DA PRÁTICA COMUM DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. A fim de aplicar a responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, a autoridade lançadora deve demonstrar os interesses em comum das empresas na situação que constitua o fato gerador da obrigação, ou a circunstância de fato que implique a responsabilização solidária.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 05 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10166.724065/2013-38
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5765253
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 05 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2201-003.812
nome_arquivo_s : Decisao_10166724065201338.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 10166724065201338_5765253.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração interpostos para, sanando a inexatidão material apontada, conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento parcial para excluir a responsabilidade solidária do embargante. Vencido o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 31/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
dt_sessao_tdt : Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
id : 6917944
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469951410176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 32; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1563; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1.922 1 1.921 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.724065/201338 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2201003.812 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de agosto de 2017 Matéria Grupo econômico. Responsável solidário. Embargante BRASIL BROKERS PARTICIPAÇÕES S/A Interessado M. GARZON EUGENIO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2012 GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. PESSOA JURÍDICA. COMPROVAÇÃO DA PRÁTICA COMUM DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. A fim de aplicar a responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, a autoridade lançadora deve demonstrar os interesses em comum das empresas na situação que constitua o fato gerador da obrigação, ou a circunstância de fato que implique a responsabilização solidária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração interpostos para, sanando a inexatidão material apontada, conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento parcial para excluir a responsabilidade solidária do embargante. Vencido o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 31/08/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 40 65 /2 01 3- 38 Fl. 1932DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.923 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 1735/1760 interposto contra a Decisão da DRJ em Brasília/DF, de fls. 1620/1653, que julgou procedente o lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas a Corretores de Imóveis Autônomos e sobre as remunerações pagas por serviços prestados pelas demais pessoas físicas, lavrado em face da M GARZON, EUGENIO EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA. O presente processo já foi apreciado por esta Turma julgadora na sessão de 20/09/2016, por meio do Acórdão nº 2201003.330 (fls. 1821/1877). No entanto, o Recurso Voluntário ora analisado, interposto pelo Devedor Solidário BRASIL BROKERS PARTICIPAÇÕES S/A, deixou de ser apreciado ante a constatação de sua suposta intempestividade. A ora RECORRENTE, então, opôs os Embargos Inominados de fls. 1893/1895, os quais foram acolhidos pelo despacho de admissibilidade de fls. 1920/1921, “com vistas a submeter a julgamento as questões aduzidas no Recurso Voluntário do devedor solidário, Brasil Brokers”, uma vez que foi afastada a intempestividade do recurso. Face ao exposto, adoto os termos do relatório relativo ao Acórdão nº 2201 003.330 (fls. 1821/1877): “Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 5ª Turma da DRJ/BSB (Fls. 1620), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Tratase de crédito tributário, constituído em desfavor da empresa M. GARZON EUGENIO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, por intermédio dos seguintes autos de infração de obrigação principal: – AIOP DEBCAD 51.034.7290, no valor de R$ 25.114.405,01 (vinte e cinco milhões, cento e quatorze mil, quatrocentos e cinco reais e hum centavo) e o AIOP DEBCAD 51.034.7304, no valor de R$ 13.812.046,53 (treze milhões, oitocentos e doze mil, quarenta e seis reais e cinqüenta e três centavos), relativos às contribuições previdenciárias devidas pela empresa, parte patronal e parte dos segurados contribuintes individuais, respectivamente, incidentes sobre as remunerações pagas a Corretores de Imóveis Autônomos e sobre as remunerações pagas por serviços prestados pelas demais pessoas físicas, lavrados em 03/07/2013. Fl. 1933DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.924 3 O procedimento fiscal levado a efeito na empresa, abrangeu o período de agosto/2007 a junho/2012, porém este processo é relativo ao período de janeiro/2009 a 06/2012. Os fatos geradores objeto dos presentes lançamentos se referem: aos pagamentos de remuneração a corretores de imóveis autônomos pelos serviços de intermediação imobiliária prestados a Empresa, no período fiscalizado (Levantamento CV). pagamento de remuneração a contribuintes individuais (pessoas físicas) pelos serviços de natureza diversa (assessoria, jardinagem, bufett, manutenção, entre outros) prestados a empresa no período fiscalizado e registrados na conta contábil “SERVIÇOS TERCEIROS PESSOA FÍSICA”, código 4201010036 (Levantamentos SI E SN). A M Garzon Eugenio Empreendimentos Imobiliários Ltda., com início de atividades em 10/08/2007, tem por objeto social as seguintes atividades: intermediação na compra, venda, permuta e aluguel de imóveis; a prospecção e avaliação de terrenos para incorporação imobiliária; a aproximação e assessoria para negócios entre proprietários de imóveis, incorporadores e investidores em geral; a administração de bens próprios e de terceiros; e a participação no capital de outras sociedades, nacionais ou estrangeiras, empresárias ou não, na qualidade de sócia, acionista ou cotista. O contribuinte foi intimado, por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal (TIPF) e de outros Termos específicos emitidos no transcorrer do procedimento fiscal , a apresentar documentos da Empresa e dos responsáveis, documentos contábeis, patrimoniais e financeiros; demonstrativo dos empreendimentos imobiliários comercializados; contratos de prestação de serviços de corretagem firmados com corretores de imóveis, pessoas físicas, para intermediação da venda de unidades imobiliárias; folhas de pagamento e outros documentos relativos aos segurados contribuintes individuais, todos referentes ao período de 10/08/2007 a 31/12/2009. Posteriormente, em 08/02/2013, tendo em vista a ampliação do período de abrangência da fiscalização até a competência 06/2012, o contribuinte foi intimado a complementar as informações anteriormente prestadas, o qual, além dos documentos e esclarecimentos complementares requeridos, apresentou novo CD/R contendo os arquivos dos lançamentos contábeis do período: 01/2010 a 06/2012. A auditoria fiscal constatou, da análise da documentação apresentada, assim como dos esclarecimentos prestados, que a M Garzon Eugênio não declarou nas GFIPs do período fiscalizado os pagamentos efetuados a corretores de imóveis e às demais pessoas físicas que lhes prestaram serviços no período fiscalizado, como também não reteve as contribuições de responsabilidade desses segurados (contribuintes individuais), conforme determina o art. 4º da Lei nº 10.666/2003, nem Fl. 1934DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.925 4 recolheu as contribuições sociais decorrentes desses pagamentos devidas a Seguridade Social. Para a formação de convicção que levou à constituição deste crédito, a fiscalização efetuou diligências junto a empresas construtoras/incorporadoras para as quais a M Garzon Eugênio prestou serviços de intermediação imobiliária e a pessoas físicas adquirentes de imóveis com a intermediação dessa mesma Empresa, com o objetivo de prestar informações e esclarecimentos de interesse do fisco. Com relação as pessoas jurídicas diligenciadas (construtoras/incorporadoras), a motivação para a realização desse procedimento fiscal deuse a partir da informação prestada pela M Garzon Eugênio, em resposta à intimação da auditoria, “que não possui contratos de prestação de serviços firmados com construtoras/incorporadoras, haja vista que são realizados de forma verbal”, conforme item 34 do Relatório Fiscal às fls. 1.153. Diante dessa informação a fiscalização efetuou diligências junto às construtoras/incorporadoras responsáveis pelos empreendimentos comercializados pela M Garzon Eugêncio, obtendo das empresas contratantes, contrariamente ao afirmado acima, contratos assinados com esta imobiliária. Entre as empresas contratantes, devidamente diligenciadas, estão: Brasal Incorporações e Construções de Imóveis Ltda. (CNPJ 00.323.063/000189), Arquitetura e Lazer Ltda. (CNPJ 10.450.445/000127) e Brookfield MB Empreendimentos Imobiliários S/A (CNPJ 04.123.616/000372). No que se refere às diligências realizadas junto a adquirentes de imóveis pessoas físicas, com a intermediação imobiliária da M Garzon Eugênio, estas foram motivadas na resposta apresentada pela Empresa a à intimação da auditoria de apresentar os contratos de prestação de serviços de corretagem firmados com corretores de imóveis, “que não possui nenhum tipo de contrato de prestação de serviços de corretagem, ora descrito no item 11 do TIPF, porquanto se trata de serviço autônomo, no qual os corretores são remunerados diretamente pelos clientes/compradores”, conforme item 37 do Relatório Fiscal às fls. 1.154. Segundo as diligências realizadas, a auditoria fiscal apurou que a situação de fato não corresponde as alegações da Empresa, pois da análise, por amostragem, dos adquirentes de imóveis diligenciados, todos afirmaram que: o imóvel foi adquirido por intermédio da empresa imobiliária M Garzon Eugênio; o corretor, autor da venda, não foi contratado por ele (comprador); o corretor apresentouse como representante da imobiliária M Garzon Eugênio, usando crachá da empresa com a sua identificação pessoal. Os documentos obtidos por meio dessas diligências, as informações e os esclarecimentos prestados pelos diligenciados encontramse no processo (Anexos 11 e 11A). Fl. 1935DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.926 5 De acordo com o Relatório Fiscal, a empresa foi intimada a apresentar demonstrativo consolidado dos empreendimentos imobiliários comercializados no período sob fiscalização e relação de todas as unidades vendidas pela Empresa, especificando, por exercício o número e data da proposta de compra e venda; a denominação do empreendimento, unidade, localidade e preço de venda da unidade comercializada; o nome, CPF/CNPJ do comprador; o nome e número do CPF e registro no CRECI do corretor responsável pela venda e o valor da comissão paga ao corretor. Em resposta, a Empresa apresentou o demonstrativo consolidado dos empreendimentos comercializados e no que se refere à relação das unidades vendidas no período, solicitou prorrogação do prazo de 20 dias, alegando que “não foi possível concluir o levantamento das informações requeridas diante da sua complexidade”. Foi estabelecido novo prazo, dentro do qual, a empresa apresentou planilha sobre as unidades vendidas no período de apuração, porém não informou os campos relativos à proposta de compra, sob a alegação que tais propostas são descartadas após a venda. Também não preencheu os campos da planilha destinados a informação relativa a corretagem, ou seja, identificação do corretor responsável pela venda e o valor da comissão, alegando que “não possui informações a respeito da corretagem – última coluna da planilha – porquanto se trata de serviço autônomo, no qual os valores são transacionados diretamente entre cliente e corretor”. Com relação a intimação a prestar informação sobre o fluxo das atividades de prestação de serviços de intermediação imobiliária praticado no âmbito da Empresa, bem como o nome e o CPF do responsável pela gestão dessas atividades, a empresa limitouse a informar que “os corretores são autônomos, não possuindo qualquer vínculo com a empresa, o que a impossibilita de prestar tais informações”. A empresa foi reintimada a apresentar descrição do fluxo das atividades de prestação de serviços de intermediação imobiliária, detalhando como ocorre o processo de venda, o engajamento dos corretores envolvidos, a definição da comissão do corretor, os formulários utilizados, o pagamento do sinal e da comissão do corretor, o relacionamento com o cliente, e outras informações, a Empresa esclareceu, após prorrogação do prazo solicitada pelo contribuinte, que “cabe à contribuinte a gestão da carteira de imóveis fornecida pela construtora, bem como a disponibilização de formulários quando esta não o fizer. Da mesma forma a construtora é quem disponibiliza o valor do sinal em sua tabela de vendas. Já a comissão dos corretores são negociadas diretamente com o cliente, porquanto faz parte da “carteira de clientes” do próprio corretor, sendo as comissões baseadas nas determinações do Conselho Regional de Corretores de Imóveis – CRECI”. Quanto ao responsável pela gestão das atividades de intermediação imobiliária no âmbito da Empresa, esclareceu Fl. 1936DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.927 6 que o administrador Marcos Fabrício Moraes Garzon, CPF 031.943.28743, consoante o descrito no contrato social da empresa, é o “responsável pela consultoria e gestão de disponibilização de unidades imobiliárias no mercado”. Informou também que as atividades de seleção, credenciamento e treinamento de corretores de imóveis, como também as de supervisão das atividades desenvolvidas pelos corretores “não fazem parte das atividades da empresa, pois esta se limita à gestão das unidades imobiliárias”. Diante desses esclarecimentos, a auditoria fiscal concluiu que a empresa se comportou perante o fisco sem compromisso com a verdade, pois em contatos presenciais da fiscalização junto ao estabelecimento sede da M Garzon Eugênio, constatou que a Empresa mantém um departamento de vendas com corretores para atendimento do público interessado na aquisição de imóveis, inclusive, do lado externo do prédio, a Empresa mantém uma placa anunciando “CORRETORES DE PLANTÃO AQUI”. Ainda, segundo o Organograma Operacional da empresa apresentado ao Fisco, a Empresa informou que conta com um Administrador Central (Marco Fabrício M. Garzon – CPF 031.943.28743), um Administrador de Desenvolvimento (Arnaldo Frattini – CPF 031.943.28743), um Gerente de Vendas, um Gerente de RH e um Gerente Administrativo Financeiro, sem informar o nome e CPF dos respectivos ocupantes. Cada gerente, para o exercício de suas funções, conta com um supervisor e um assistente. O organograma desenhado pela Empresa deve estar compatível com o volume de negócios a que se propôs realizar. Portanto, as unidades em funcionamento na M Garzon Eugênio pressupõese que estão compatíveis com o volume de vendas efetivado no período fiscalizado. De acordo com as informações e documentos disponibilizados ao fisco, somente a conta contábil “SERVIÇOS PRESTADOS A VISTA – Código 3101050001” registra aproximadamente 8.828 lançamentos contábeis, sendo que muitos dos lançamentos representam mais de uma unidade imobiliária vendida. Em volume financeiro, estes lançamentos representam R$ 48.687.631,79 de comissão imobiliária recebida pela empresa pela prestação de serviços de corretagem de imóveis no período fiscalizado. A maioria desses lançamentos está acobertada por uma Nota Fiscal de Serviços, de emissão da M Garzon Eugênio, cuja descrição do serviço é “Serviço de Intermediação Imobiliária referente ao empreendimento tal...” ou “Comissão pela intermediação de venda do empreendimento...” tendo por tomador do serviço o adquirente da unidade imobiliária (pessoa física ou jurídica).. Como se não bastasse, o contrato de prestação de serviços de intermediação imobiliária firmado com as construtoras/incorporadoras que a Empresa recusouse a Fl. 1937DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.928 7 apresentar ao fisco, demonstra uma situação bem adversa das alegações da empresa, pois os contratos firmados prevêem, entre outras, as seguintes obrigações da M Garzon Eugênio: a) A comercialização propriamente dita, objeto deste contrato. b) Manter no plantão de vendas corretores autônomos de imóveis, nos horários indicados pela contratante. c) Nomear um supervisor de vendas, responsável no stand, exercendo as seguintes funções: orientar o trabalho dos corretores, levar e manter material publicitário e de apoio no stand de vendas, bem como tabelas, recolher as propostas, atender os clientes compradores. d) Efetuar o pagamento dos corretores autônomos de imóveis mediante a emissão do correspondente RPA, não havendo, pois, nenhuma relação entre estes e a contratante, devendo manter da contratante indene de qualquer reclamação de seus corretores. e) Atuar junto ao planejamento dos empreendimentos como um todo, incluindo sem se limitar, a definição do produto, campanha publicitária, tabelas de preços e treinamento geral das equipes que atenderão os clientes. f) Responsabilizarse pelo pessoal especialmente treinado e capacitado, para atuar no período de 08:00 as 20:00 hs, de segundafeira a domingo, nos Stands de Vendas, instalados junto aos canteiros de obras, entre... g) Zelar pelo nome da contratante, exigindo que seus profissionais e prepostos empreendam todos os esforços, no sentido de alcançar as metas de vendas que sejam apresentadas pela contratante. h) Responsabilizarse pelas obrigações trabalhistas, sociais e tributárias de seus respectivos profissionais e empregados, mantendo a contratante isenta de qualquer responsabilidade. Para o desenvolvimento das atividades de intermediação imobiliária, a M Garzon Eugênio firmou contrato de prestação de serviços de planejamento e vendas com construtoras/incorporadoras responsáveis por empreendimentos definindose, nesses instrumentos particulares, as bases de sustentação da relação contratual estabelecida entre as partes. O fisco constatou que a Empresa fez declarações a fiscalização que não corresponde a verdade dos fatos, uma vez que, quando intimada, não apresentou ao fisco os referidos contratos, sob o argumento de não possuílos, uma vez que tais acordos são realizados de forma verbal. Para ilustração da prática adotada pela Empresa, objetivando a transferência do pagamento da comissão de venda para o comprador do imóvel, observe o caso do adquirente da sala nº 149 e da vaga de garagem nº 157 do Edifício Barão do Rio Branco, no SIG, Quadra 01, Brasília/DF, Sr. Felipe Guarconi Fl. 1938DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.929 8 Pereira, devidamente intimado pela auditoria fiscal para apresentar documentos e prestar esclarecimentos, apresentou documentos que demonstram que ele pagou o valor total de R$ 277.000,99, sendo R$ 251.454,76 pela sala 149 e R$ 25.546,23 pela vaga de garagem nº 157. Foram pagos ao corretor responsável pela venda, mediante cheques do Banco do Brasil, as importâncias referente ao sinal da sala 149, no valor de R$ 23.697,32 e ao sinal da vaga garagem 157, no valor de R$ 2.407,50, ambos os cheques nominativos a Porto Engenharia. Pagou também as importâncias referentes a comissão de intermediação imobiliária da sala 149, no valor de R$ 11.848,65 e da vaga de garagem 157, no valor de R$ 1.203,75, ambos os cheques nominativos a M Garzon, conforme cópias entregues à fiscalização. No documento “COMUNICAÇÃO DE VENDA” emitido pela M Garzon Eugênio para a construtora/incorporadora responsável pelo empreendimento, informando a venda das unidades acima, estão registrados os dados do empreendimento, os dados cadastrais do adquirente, os dados financeiros, as condições de pagamento, o controle interno da imobiliária (M Garzon Eugênio) e a comissão de intermediação imobiliária e sua respectiva destinação, conforme quadro no item 79 do Relatório Fiscal. O citado documento “COMUNICAÇÃO DE VENDA” expedido pela M Garzon Eugênio, registra para a sala 149 o valor de venda R$ 263.303,40 e o valor do contrato R$ 251.454,80; para a vaga de garagem 149 o valor de venda é de R$ 26.749,68 e o valor do contrato é R$ 25.546,25. A diferença entre o valor de venda e o valor do contrato corresponde exatamente ao valor da comissão de venda pago “por fora”. Semelhante ao caso acima relatado, a auditoria fiscal apurou documentação comprobatória de outros adquirentes de imóveis de diferentes empreendimentos, todos devidamente intimados a prestar esclarecimentos relativos aos imóveis adquiridos com a intermediação da M Garzon Eugênio. Referidos adquirentes, responderam também a um questionário versando sobre questões relativas ao processo de aquisição do respectivo imóvel, através dos quais a maioria confirma, em síntese, as seguintes questões: que o imóvel a que se refere a documentação apresentada foi adquirido com a intermediação imobiliária da M Garzon Eugênio; que o valor da Proposta de Compra com Recibo de Sinal assim como do Contrato de Promessa de Venda e Compra não contemplam o valor da comissão de venda, cujo valor foi pago “por fora” diretamente ao corretor; que o corretor responsável pela venda identificouse como representante da empresa de intermediação imobiliária M Garzon Eugênio. Fl. 1939DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.930 9 No item 85 do Relatório Fiscal consta quadro com o resultado das diligências realizadas junto a compradores de imóveis com o valor da proposta mais o valor da comissão de venda, demonstrado a comissão paga “por fora”. De acordo com os contratos de prestação de serviços de intermediação obtidos pela fiscalização, a M Garzon Eugênio receberá a comissão de 4% sobre o valor de cada venda, a ser pago no ato da assinatura do contrato de compra e venda, pelo comprador do imóvel e descontado do corpo do contrato de compra e venda da unidade vendida. No que se refere a comissão da empresa imobiliária, via de regra, está acobertada pela emissão de nota fiscal de serviços tendo por tomador do serviço o adquirente da unidade comercializada, cujo valor está contabilizado na conta SERVIÇOS PRESTADOS A VISTA, código 3101050001. Diante do relatado, a fiscalização concluiu pela existência de prática fraudulenta arquitetada pela M Garzon Eugênio com o claro objetivo de impedir ou retardar o conhecimento por parte do fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal decorrente dessa prestação de serviço. Como conseqüência do não reconhecimento da empresa do vínculo com o corretor de imóveis que lhe presta serviço de intermediação imobiliária, transferindo a responsabilidade pelo pagamento da comissão de venda que lhe é devida para o comprador do imóvel, a Empresa não inclui o corretor na folha de pagamento, não declara na GFIP, não contabiliza em títulos próprios de sua contabilidade e tampouco efetua o recolhimento das contribuições previdenciárias, cuja omissão caracteriza, em tese, crime de sonegação fiscal previsto no art. 337A do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 07/12/1940) com a redação dada pela Lei nº 9.983, de 14/07/2000. A Empresa também estava obrigada a descontar da remuneração dos corretores de imóveis e dos demais trabalhadores autônomos que lhe prestaram serviços, o valor correspondente às contribuições por estes devidas e repassálas à Previdência Social, conforme determina o art. 4º da Lei nº 10.666, de 08/05/2003. DO ARBITRAMENTO Para o arbitramento do valor da base de cálculo da contribuição devida, a fiscalização utilizou os critérios definidos na Tabela de honorários divulgada pelo CRECI 8ª Região – Distrito Federal. Os valores recebidos pela M Garzon Eugênio pela prestação de serviços de intermediação imobiliária, por unidade vendida, considerados como base de cálculo do presente lançamento, foram informados pela Empresa por meio de arquivo digital, cujos valores estão lançados na contabilidade da Empresa, contas “SERVIÇOS PRESTADOS A VISTA”, código 3101050001 (MATRIZ), 3101050003 (Filial 01 – Campo Fl. 1940DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.931 10 Grande/MS), 3101050004 (Filial 02 – Cuiabá/MT) e 3101050005 (Filial 03 – Goiânia/GO). Os valores da comissão imobiliária contabilizados nas contas citadas estão acobertados por notas fiscais de serviços emitidas pela M GARZON EUGÊNIO tendo por tomador dos serviços o adquirente do imóvel. Dos adquirentes diligenciados pela fiscalização, a Empresa apresentou as notas fiscais relativas a: Felipe Guarçoni Pereira (NF 000679, valor R$ 5.397,72), João Batista Coelho de Morais (NF 000452, valor R$ 5.851,09) e Ubirajara Jesus de Oliveira e Silva (NF 000351, valor R$ 6.719,59). Comparandose o valor dessas NFs com o da comissão recebida pelo corretor que efetuou a venda, verificase plena aderência do critério de aferição utilizado pela fiscalização com base na Tabela de Honorários do CRECI/DF. O critério de arbitramento utilizado pela fiscalização também teve por base a Tabela de Honorários do CRECI/DF. Para o lançamento de ofício, os dados foram organizados nos seguintes levantamentos: Código SI: Serviços Prestados – PF, que trata de pagamento contabilizado na conta 4201010036 – Serviços Prestados Pessoa Física (exceto vendas), cujo levantamento identificou o prestador do serviço pelo nome e CPF. Código SN: Serviços Prestados – PF (prestador não identificado) que se refere a pagamento contabilizado na mesma conta acima, em cujo levantamento o prestador do serviço não foi identificado por nome e CPF pelo contribuinte. Código CV – Comissão de Venda – PF, que trata da comissão de venda paga a corretores de imóveis autônomos pelos serviços de intermediação imobiliária, cujos pagamentos não foram identificados pela Empresa (nome, CPF e CRECI). O cálculo da contribuição do segurado não observou o limite máximo do salário de contribuição, uma vez que a Empresa não identificou os beneficiários dos pagamentos efetuados, exceto os do levantamento SI, que foram identificados nos documentos apresentados pela Empresa. Nestes casos, a fiscalização observou o limite previdenciário. DA MULTA DE OFÍCIO Esclarece ainda o autuante que, em razão das alterações trazidas pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, e tendo em vista o disposto no art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN e a redação do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, a multa das contribuições apuradas nas competências a partir de 12/2008, aplicase diretamente a multa de ofício de 75% em relação às contribuições não declaradas em GFIP e não recolhidas, por meio de GPS. Fl. 1941DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.932 11 A fiscalização considerou a conduta da empresa fraudulenta, incorrendo em sonegação ao omitir o conhecimento por parte do fisco da ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, bem como ter negligenciado a sua responsabilidade tributária ao transferir o pagamento da comissão de venda para o comprador do imóvel, com o claro propósito de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Diante dessa conduta, a multa de ofício foi duplicada, nos termos do parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicandose a multa qualificada de 150% sobre os créditos apurados nas competências de 01/2009 a 06/2012. DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA A fiscalização, com base nos documentos e esclarecimentos apresentados ao fisco, como também nas informações constantes dos bancos de dados da Receita Federal do Brasil e da Previdência Social, apurou os fatos descritos no item 181 do Relatório Fiscal e concluiu que restou caracterizada, com base na legislação, relativamente ao crédito previdenciário objeto do lançamento de ofício de que trata o presente Relatório Fiscal, a sujeição passiva solidária das pessoas jurídicas abaixo relacionadas, como também dos respectivos sócios e/ou administradores responsáveis pela gestão dos negócios dessas sociedades: M Garzon Empreendimentos Imobiliários Ltda (CNPJ 02.850.273/000150), com sede no SHCS, Quadra 507, Bloco C, Loja 10/11, Comércio Residencial, Asa Sul, CEP 70351530, BrasíliaDF; Polis Desenvolvimento Imobiliário Ltda (CNPJ 08.627.579/000129), com sede à Avenida das Nações Unidas, n° 8501, Cobertura, Pinheiros, CEP 05425070, São PauloSP; Eugênio Participações Ltda (CNPJ 03.332.644/000175), com sede no Brejo Alegre, n° 500, Cobertura, Brooklin Paulista, CEP 04557051, São PauloSP; Ferfratt Marketing Estratégico Empresarial S/C Ltda (CNPJ 04.126.668/000130, com sede na Alameda dos Cravos, n° 83, Q. 09, L.05, Murada das Flores, Aldeia da Serra, CEP 06519500, Santana de ParnaíbaSP; MGE Empreendimentos Imobiliários Ltda (CNPJ 14.256.922/000179) com sede no SHCS, Quadra 507, Bloco C, Loja 10/11, Parte A, Comércio Residencial, Asa Sul, CEP 70351530, BrasíliaDF; Brasil Brokers Participações S/A (CNPJ 08.613.550/000198), com sede na Avenida das Américas, n° 500, Bloco 19, Salas 303 e 304, CEP 22640904, Rio de JaneiroRJ; Fl. 1942DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.933 12 Marcos Fabrício Moraes Garzon, brasileiro, casado, corretor de imóveis, portador da Carteira de Identidade de Corretor CRECI n° 5.500 e do CPF 031.943.28743, residente e domiciliado na SQS, Quadra 307, Bloco K, Apto. 603, Asa Sul, CEP 70354110, BrasíliaDF (endereço atualizado pela 6ª alteração contratual); Arnaldo Frattini, brasileiro, solteiro, bacharel em Direito, portador da Carteira de Identidade RG n° 33.055.4773/SSPSP e do CPF 285.031.04172, residente e domiciliado à Alameda dos Cravos n° 83, Aldeia da Serra, Alphaville Comercial, CEP 06453053, BarueriSP; Maurício Eugênio, brasileiro, casado, publicitário, portador da Carteira de Identidade RG n° 15.584.4106/SSPSP e do CPF 075.129.54859, residente e domiciliado à rua Dr. João Pinheiro, 474, Jardim Paulista, CEP 01429000, São PauloSP. Para os responsáveis solidários acima especificados, a fiscalização emitiu os respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária, anexos ao Auto de Infração. DAS IMPUGNAÇÕES (...) DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA BRASIL BROKERS PARTICIPAÇÕES S.A., CNPJ 08.613.550/000198: A empresa BROKERS PARTICIPAÇÕES S.A. apresentou impugnação tempestiva, às fls. 1.218/1.251, com as seguintes alegações, em síntese: Afirma que nunca integrou grupo econômico da Empresa Autuda, posto que jamais deteve, direta ou indiretamente, qualquer participação societária na Empresa Autuada. Discorre a respeito de “grupo econômico” e “responsabilidade solidária”, afirmando que nunca deteve participação societária na empresa autuada, sendo que passou a deter 60% do capital social da MGE, e que os 40% restantes são detidos por pessoas naturais que detinham, indiretamente, participação na empresa autuada. Os sócios naturais participam da Empresa Autuada por intermédio das empresas POLIS DESENVOLVIMENTO IMOBILIÁRIO LTDA. e M. GARZON EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., detendo, direta e indiretamente participações societárias nessas empresas. Não se pode concluir que a Brasil Brokers, que só passou a participar da MGE em janeiro de 2012, faz parte de grupo econômico da empresa autuada, mormente para responsabilizá la por débitos tributários cujos fatos geradores ocorreram de janeiro de 2008 a dezembro de 2008. Cita decisões judiciais e a Súmula 7/STJ, entendendo que a posição do STJ não deixa margem para qualquer dúvida: a principal característica de um grupo econômico é estarem diversas empresas sob o comando de uma única direção. No presente caso, a empresa autuada jamais Fl. 1943DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.934 13 esteve sob o comando da impugnante, como esta sequer detém ou deteve qualquer participação societária no capital daquela. Mesmo que pudesse ser responsabilizada, é certo que em relação as contribuições exigidas sobre os supostos pagamentos de comissões de vendas a corretores o lançamento deve ser cancelado, pois nunca efetivou qualquer pagamento de comissão a corretor, não tendo ocorrido o fato gerador da obrigação tributária; O pagamento das comissões aos corretores é uma ilação da autoridade fiscal construída a partir de premissas não fundamentadas de que uma empresa que realiza intermediação imobiliária de imóveis toma o serviço de todos os corretores autônomos envolvidos em uma operação de venda. A fiscalização constatou que o pagamento da comissão é feito pelo adquirente da unidade ao corretor, mas pretende desconsiderar esse fato, e exigir tributos sobre um fato que reconhece que não ocorreu, este consistente no pagamento da remuneração pela empresa autuada, mas que se tivesse ocorrido teria gerado o nascimento da obrigação tributária. A impugnante afirma que o que a fiscalização chama de “procedimento fraudulento” é uma prática de mercado, adotada em todas as operações de intermediação imobiliária envolvendo dois ou mais corretores. Cita o art. 722 e 728 do Código Civil e enfatiza o caráter autônomo da atividade do corretor. A impugnante contesta o arbitramento das bases de cálculo das contribuições lançadas, reafirmando que o corretor recebe sua comissão diretamente do adquirente da unidade, citando o art. 148 do CTN. Afirma que a escrituração contábil não foi desqualificada e nem considerada inidônea, que efetivamente não registra pagamentos a corretores autônomos, porque a empresa autuada não efetuou tais pagamentos. Ainda que alguma contribuição previdenciária devesse ter sido retida, é certo que tal retenção deveria ser feita observandose o limite do salário de contribuição e não sobre todo o valor; Cita o art. 28, III, combinando com o § 5º da Lei 8.212/91. Ainda que algum crédito possa vir a ser exigido, é certo que não é cabível a aplicação da multa em dobro. A autoridade fiscal não descreve a conduta que teria sido praticada para tipificar a sonegação, mas apenas diz que sonegou porque omitiu informações. Concluir que houve sonegação e fraude significa afirmar que todos os gestores de empresas que atuam no Brasil com intermediação imobiliária são sonegadores e fraudadores, pois todas ajustam com corretores autônomos a divisão da remuneração. Entende que o lançamento da multa deve ser a de 75% do valor principal. Requer, por fim: Fl. 1944DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.935 14 sua imediata exclusão do auto de infração, por não haver qualquer hipótese de responsabilidade solidária com a empresa autuada; caso a Brasil Brokers não seja excluída do auto de infração, seja o lançamento cancelado, por não ter ocorrido o fato gerador da obrigação tributária; não havendo o cancelamento pelo reconhecimento da não ocorrência do fato gerador, seja cancelado porque na aferição da base de cálculo não foi respeitado o limite do salário de contribuição; e caso o auto não seja cancelado, seja aplicada a multa de ofício ordinária, pois não houve qualquer fraude ou sonegação. Os patronos da Impugnante informam que recebem intimações no escritório situado na Av. Presidente Wilson, 231, 27º andar, Centro, Rio de Janeiro, CEP 20030021. (...)’ Passo adiante, a 1ª Turma da DRJ/POA entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: ‘AIOP DEBCAD nº 51.034.7290 (PATRONAL) 51.034.7304 (SEGURADOS) CONTRIBUIÇÃO PATRONAL SOBRE A FOLHA DE PAGAMENTO DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. São devidas pela empresa e equiparadas as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados contribuintes individuais que lhes prestem serviços. DESCONTO DA CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pelo que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com a lei, nos termos do parágrafo 5º do art. 33 da Lei 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação solicitada, a Receita Federal do Brasil pode inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Fl. 1945DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.936 15 Para fixação do prazo decadencial, ocorrendo as hipóteses de dolo, fraude ou simulação devese aplicar o disposto no inciso I, do art. 173 do CTN. SOLIDARIEDADE.GRUPO ECONÔMICO. A caracterização do Grupo Econômico de Fato gera a solidariedade passiva previdenciária para as empresas que o integra. (Art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991). GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO. Os grupos econômicos podem ser de direito e de fato, podendo estes se dar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns, sob a forma horizontal (coordenação), ou sob a forma vertical (controle X subordinação), sendo que, neste último caso, até mesmo uma pessoa física pode exercer o controle, direção ou administração. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS/ADMINISTRADORES São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, conforme preceitua o art. 135 do Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO Cabível a imposição da multa qualificada no percentual de 150% quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase em pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. PUBLICAÇÕES E COMUNICAÇÕES ENDEREÇADAS AO ADVOGADO. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço postal fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais ou eletrônico autorizado. Dada a inexistência de previsão legal, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador.’ (...) Em 02/04/2015 (fls. 1729) a empresa. MGE EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIOS LTDA foi cientificada, interpondo em 30/04/2015 Recurso Voluntário (fls. 1763 a 1785). Argumentando em síntese: (...) 12. Como será demonstrado, a Decisão Recorrida merece reforma, pelos seguintes motivos: Fl. 1946DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.937 16 a. ainda que o lançamento tributário pudesse ser exigido da Empresa Autuada, é certo que a ora Recorrente, não é, e nunca foi, integrante do "grupo econômico" da Empresa Autuada; b. a estrutura comercial descrita no auto de infração é a estrutura utilizada por todo o mercado de intermediação imobiliária, consistente na associação entre a corretora e o corretor, e não em uma prestação de serviços deste para aquela; e c. jamais a situação em questão poderia ser penalizada como sonegação, fraude ou conluio. (...) 15. A condição para emergir a responsabilidade solidária entre a Recorrente e a Empresa Autuada é, portanto, ambas as sociedades integrarem "grupo econômico de qualquer natureza". (...) 18. Ora, a Recorrente, nunca exerceu a direção, nunca teve o controle e tampouco efetuou, em qualquer momento, a administração da Empresa Autuada, seja de forma direta ou indireta. 19. Não se discute que os sócios da MGE que são pessoas naturais, os Senhores Arnaldo Frattini, Carlos Augusto D'elia Valladão Flores, Felipe de Almeida Pedroso, Marcos Fabrício Moraes Garzon, Maurício Eugenio e Odemir Aparecido Putini, detêm, indiretamente, participação societária na Empresa Autuada, mas o fato de serem sócios minoritários na MGE não toma esta sociedade integrante de grupo econômico da Empresa Autuada. (...) 27. Fora de contexto, como se vê, a referência da Decisão Recorrida ao art. 265 da Lei das Sociedades por Ações, que não tem nenhuma pertinência ao caso sob análise. (...) 29. Não obstante, mesmo utilizando os conceitos da Lei das Sociedades por Ações e da CLT para definir, em relação ao caso sob análise, a existência de grupo econômico, ainda assim verificaríamos que a MGE não integraria o Grupo Econômico da Empresa Autuada (...) 33. Registrese que a posição do STJ não deixa margem para qualquer dúvida: a principal característica de um grupo econômico (repitase: a principal) é estarem diversas empresas sob o comando de uma única direção. No caso em tela não apenas a Empresa Autuada Fl. 1947DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.938 17 jamais esteve sob o comando da Impugnante, como esta sequer detém ou deteve qualquer participação societária no capital daquela. DA AUTUAÇÃO QUANTO AO MÉRITO 34. Na remota hipótese de a MGE não ser excluída da autuação fiscal pelas razões mencionadas acima, o que se admite apenas a título argumentativo, a Recorrente protesta pelo cancelamento do auto de infração, pela absoluta inexistência do fato gerador das contribuições previdenciárias exigidas. (...) 38. No caso sob análise, a própria administração tributária reconhece, de forma expressa, que não houve pagamento ou crédito pela Empresa Autuada de remuneração aos corretores. 39. Os Auditores Fiscais sustentaram o entendimento, acatado pela Delegacia de Julgamento, de que o fato de o corretor receber o valor da comissão diretamente do adquirente seria para camuflar um pagamento devido pela corretora ao corretor. (...) 41. O que a fiscalização chama de "procedimento fraudulento" é uma prática de mercado, adotada não apenas em umas, algumas ou muitas operações de intermediação imobiliária que envolvam uma sociedade corretora e um corretor autônomo, mas sim em TODAS as operações de intermediação imobiliária envolvendo dois ou mais corretores. (...) 45. As (equivocadas) premissas que a fiscalização tributária utiliza para embasar a autuação fiscal consistem, em um primeiro momento, em negar o caráter autônomo da atividade, apesar da expressa previsão legal do art. 722 do Código Civil, transcrito acima, para, em seguida, insistir que a associação entre a sociedade corretora e o corretor de imóveis consiste na prestação de um serviço deste para aquela, ignorando que se trata de uma conjugação de esforços para realizar a intermediação. (...) 53. O trabalho da sociedade corretora auxilia sobremaneira o trabalho do corretor autônomo em relação à coleta e à análise de informações sobre o empreendimento imobiliário a ser comercializado. Vale lembrar é obrigação do corretor autônomo se certificar de que todos os pormenores comerciais e legais que autorizam a venda de um imóvel que ainda não existe foram cumpridos. 54. A divisão de tarefas na atividade de intermediação imobiliária da forma como é feita pelo mercado atualmente (não é uma invenção da Empresa Autuada), onde a sociedade Fl. 1948DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.939 18 corretora faz a gestão das informações, repassa aos corretores autônomos que, por sua conta e risco, tentam localizar clientes para a aquisição das unidades, é uma conseqüência da eficiência desse processo, que possibilita que a atividade seja exercida respeitando os direitos do consumidor e a legislação vigente (...) DA RECENTE ALTERAÇÃO LEGISLATIVA CORROBORANDO A PRÁTICA DO MERCADO Mas não é tudo. Recente alteração legislativa promovida pelo art. 139 da Lei nO13.097/15 no art. 6° da Lei n° 6.530/78 veio a corroborar a prática já consagrada pelo mercado. 58. Com a referida alteração, o art. 6° da Lei n° 6.530/78, que trata da atividade de intermediação imobiliária, passou a vigorar com a seguinte redação: Art. 6° As pessoas jurídicas inscritas no Conselho Regional de Corretores de Imóveis sujeitamse aos mesmos deveres e têm os mesmos direitos das pessoas físicas nele inscritas. § 1°. As pessoas jurídicas a que se refere este artigo deverão ter como sócio gerente ou diretor um Corretor de Imóveis individualmente inscrito. § 2° O corretor de imóveis pode associarse a uma ou mais imobiliárias, mantendo sua autonomia profissional, sem qualquer outro vínculo, inclusive empregatício e previdenciário, mediante contrato de associação específico, registrado no Sindicato dos Corretores de Imóveis ou, onde não houver sindicato instalado, registrado nas delegacias da Federação Nacional de Corretores de Imóveis. § 3° Pelo contrato de que trata o § 20 deste artigo, o corretor de imóveis associado e a imobiliária coordenam, entre si, o desempenho de funções correlatas à intermediação imobiliária e ajustam critérios para a partilha dos resultados da atividade de corretagem, mediante obrigatória assistência da entidade sindical. § 4° O contrato de associação não implica troca de serviços, pagamentos ou remunerações entre a imobiliária e o corretor de imóveis associado, desde que não configurados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício previstos no art. 30 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo DecretoLei n° 5.452, de 10 de maio de 1943. 59. Como se depreende do teor do § 2° do art. 6°, acima transcrito, a alteração legislativa veio disciplinar a situação fática adotada pelo mercado, reiterando, de forma expressa, algo que já estava claro: "o corretor de imóveis pode associarse a uma ou mais imobiliárias, mantendo sua autonomia profissional, sem qualquer outro vínculo, inclusive empregatício e previdenciário". Fl. 1949DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.940 19 (...) Junta decisões prévias do CARF e continua: 63. Como se vê, o CARF analisou exatamente a mesma situação, envolvendo a mesma empresa, e concluiu pela improcedência do lançamento, ao arrimo dos argumentos expostos acima. 64. Melhor sorte não tem o arbitramento levado a termo pela autoridade fiscal. 65. A fiscalização tributária solicitou uma série de documentos e informações que pelo próprio relatório de fiscalização já podemos perceber que a Empresa Autuada não poderia possuir ou que não existem, tais como os "valores pagos aos corretores que lhe prestaram serviços", ou os "lançamentos contábeis dos pagamentos aos corretores". Ora, se a própria fiscalização tributária afirma que os pagamentos aos corretores autônomos foram efetuados pelos adquirentes das unidades, como pode exigir que a Empresa Autuada apresente os valores pagos ou os lançamentos contábeis? 66. Entendemos que a Empresa Autuada não poderia apresentar esses documentos e informações porque não efetuou quaisquer pagamentos a corretores autônomos, pois, como apurou a própria fiscalização tributária, o corretor autônomo recebe sua comissão direto do adquirente da unidade. 67. Não podemos afirmar que a Empresa Autuada não mantinha registros e controles dos pagamentos recebidos pelos corretores autônomos dos clientes, mas não é praxe no mercado que a sociedade mantenha tais informações, por uma série de motivos, tais como: custo de processar tais informações; lacunas acerca dos valores efetivamente recebidos; inexistência de obrigação legal, etc. Voltamos a lembrar: como a própria fiscalização reconheceu, os pagamentos foram feitos diretamente pelos adquirentes da unidade. (...) DO LIMITE DO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO Admitindose, ad argumentandum tantum, que o auto de infração não seja cancelado pelos motivos informados acima, é certo que a cobrança das contribuições a cargo dos segurados deveria ter observado o limite do saláriodecontribuição, ... (...) 74 .Em função do "arbitramento" a fiscalização tributária optou por não considerar o limite, ao arrimo da assertiva de que a empresa "não identificou o beneficiário". 75. Ora, se a Empresa Autuada não efetuou qualquer pagamento a qualquer corretor, como poderia ter identificado o beneficiário? Fl. 1950DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.941 20 (...) 78. No caso sob análise não houve a aplicação da alíquota de 20%, mas houve a desconsideração do limite do saláriode contribuição, imputando um débito superior ao devido, e contaminando a validade do lançamento tributário, como bem pontuou a decisão acima transcrita. (...) DA MULTA DE OFÍCIO (...) 82. A autoridade fiscal não descreve a conduta que teria sido praticada para tipificar a sonegação, mas apenas diz que sonegou porque omitiu informações. 83. A omissão de informação é a própria definição da conduta de sonegação. Afirmar que o contribuinte praticou sonegação porque omitiu informações é um pleonasmo, o que a autoridade fiscal deveria fazer é descrever a conduta que resultou na omissão das informações. 84. A única informação que poderia ter sido omitida foi aquela que não existe, relativa aos pagamentos que não foram efetuados pela Empresa Autuada. 85. Melhor sorte não tem a definição da suposta fraude. Qual teria sido o ato fraudulento? Estipular com o corretor autônomo a divisão da comissão caso a venda se realize, que é uma conduta prevista no Código Civil? 86. o que a autoridade fiscal denomina de "negligência da responsabilidade tributária na condição de contribuinte ao transferir o pagamento da comissão de venda para o comprador" consiste, na verdade, em uma prática de mercado realizada em TODAS as operações de intermediação imobiliária, como muito bem tem conhecimento a autoridade fiscal. 87. Concluirse que, no caso sob análise, houve sonegação e fraude significa afirmar que todos os gestores de todas as empresas de intermediação imobiliária que atuam no Brasil são sonegadores e fraudadores, porque todas as empresas de intermediação imobiliária ajustam com corretores autônomos a divisão da remuneração. 88. Assim, mantido o lançamento a multa de ofício aplicável deve ser a de 75% do valor do principal. (...) Em 25/09/2015 a UNIÃO (Fazenda Nacional), entrou com CONTRA RAZÕES ao recurso voluntário, Fls.1791 a 1813, argumentando em síntese: (...) Fl. 1951DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.942 21 V – Do grupo econômico 46. A M. Garzon Eugenio foi autuada em conjunto com as demais empresas integrantes do grupo econômico, a saber: M. Garzon Empreendimentos Imobiliários Ltda, Polis Desenvolvimento Imobiliário Ltda, Eugenio Participações Ltda, Ferfratt Marketing Estratégico Empresarial S/C Ltda, MGE Empreendimentos Imobiliários Ltda e Brasil Brokers Participações S/A. 47. As recorrentes MGE Empreendimentos Imobiliários Ltda e Brasil Brokers Participações S/A afirmam que não fazem parte do grupo econômico da M. Garzon Eugenio, não tendo jamais exercido a direção, detido o controle ou efetuado a administração da M. Garzon Eugenio. 48. Como se verá, não lhes socorre razão. (...) 68. Diante dessas evidências, vêse que empresas recorrentes se encontram sob o comando do mesmo grupo empresarial, com a mesma direção, e executando negócios que eram conduzidos tendo em vista os interesses desse grupo, sendo a separação societária apenas de índole formal, o que atrai, inexoravelmente, a incidência da norma contida no art. 30, IX, da Lei nº 8.212/91, tal como decidido pela DRJ. (...)” DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em face à decisão da DRJ, a RECORRENTE apresentou o recurso voluntário de fls. 1735/1760, cuja tempestividade já foi atestada pelo Despacho de Admissibilidade dos Embargos de Declaração (fls. 1920/1921). Verifico que as razões expostas no apelo são idênticas àquelas apresentadas pela MGE EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIOS LTDA. em seu Recurso Voluntário de fls. 1763/1785, cujos termos já foram transcritos no Relatório do Acórdão nº 2201003.330 e encontramse replicados acima. O único argumento um pouco diferente (em relação ao recurso da devedora solidária MGE) apresentado pela RECORRENTE diz respeito à impossibilidade de sua responsabilização solidária no presente caso. Em seu recurso, a RECORRENTE apresenta exatamente os mesmos pontos levantados pela MGE (já expostos acima), acrescentando apenas o seguinte: “18. Ora, a Recorrente, a sociedade Brasil Brokers Participações S.A., não apenas nunca exerceu a direção, nunca teve o controle e tampouco efetuou, em qualquer momento, a administração da Empresa Autuada, seja de forma direta ou indireta. Fl. 1952DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.943 22 19. A justificativa dos auditores fiscais responsáveis pela lavratura do auto de infração para justificar a inclusão dos responsáveis solidários foi transcrita em fls. 19/20 da Decisão Recorrida (cfr. fls. 1638/1639), e, como se depreende da leitura dessa justificativa, o único fato que gera uma tênue relação entre a Recorrente com a Empresa Autuada é que a Recorrente passou a ser sócia da sociedade MGE Intermediação Imobiliária Ltda. ("MGE"), sociedade inscrita junto ao CNPJ/MF sob o n.º 14.256.922/000179. 20. Segundo o argumento dos auditores fiscais, que foi acolhido pela Decisão Recorrida, a MGE seria sucessora da Empresa Autuada. 21. Mesmo admitindo, a título argumentativo, que essa sucessão ocorreu, ainda assim jamais teria ocorrido direção, controle ou administração da Brasil Brokers em relação à empresa autuada. 22. Brasil Brokers passou a deter 60% do capital social da MGE por meio da 2ª alteração contratual da MGE, arquivada perante a Junta Comercial do Distrito Federal em 16 de janeiro de 2012, sendo que nessa data foi aportado na MGE o montante de R$ 1.600.000,00. Vale ressaltar: quando se tornou sócia da MGE (e não da empresa autuada) a Brasil Brokers aportou R$ 1.600.000,00 nessa empresa). 23. Assim, é um fato incontestável que a Brasil Brokers nunca deteve participação societária na Empresa Autuada, não podendo, por tal motivo, ter integrado qualquer grupo econômico do qual faz ou fez parte a Empresa Autuada. 24. Algumas das pessoas naturais que detinham participação societária indireta são sócias atualmente da MGE, mas nem com a mais elástica interpretação do conceito de "grupo econômico" poderseia concluir que a Brasil Brokers, que só passou a participar da MGE em janeiro de 2012, faz parte de grupo econômico da empresa autuada, mormente para responsabilizar a Brasil Brokers por débitos tributários cujos fatos geradores ocorreram de janeiro de 2009 a junho de 2012. 25. Não se discute que os sócios da MGE, que são pessoas naturais, os Senhores Arnaldo Frattini, Carlos Augusto D'elia Valladão Flores, Felipe de Almeida Pedroso, Marcos Fabrício Moraes Garzon, Maurício Eugenio e Odemir Aparecido Putini, detêm, indiretamente, participação societária na Empresa Autuada, mas o fato de a Brasil Brokers ser sócia da MGE não a toma integrante de grupo econômico de empresa da qual outros sócios da MGE também são sócios, dentre as quais a Empresa Autuada. 26. Os sócios pessoas naturais participam da Empresa Autuada por intermédio das empresas PÓLIS DESENVOLVIMENTO IMOBILIÁRIO LTDA. (CNPJ/MF n° 08.627.579/000129) e M.GARZON EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA. (CNPJ/MF n° 02.850.273/000150), detendo, direta e Fl. 1953DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.944 23 indiretamente, participações societárias nessas sociedades, da seguinte forma: 27. A Brasil Brokers, por seu turno, passou a ser sócia da MGE, não da Empresa Autuada, em janeiro de 2012, e sua única relação com a Empresa Autuada é o fato de que sócios que detêm 40% da MGE são, indiretamente, sócios da Empresa Autuada. A MGE, que é controlada pela Brasil Brokers, tem a seguinte composição societária: 28. Como se vê, a Brasil Brokers não é, e nunca foi, parte de qualquer grupo econômico envolvendo a Empresa Autuada, mesmo na hipótese de se entender que a MGE é a sucessora da Empresa Autuada, ou seja, mesmo concordando com a justificativa da própria fiscalização tributária. (...) 43. Aspecto temporal da responsabilidade solidária. Mas não é tudo. Ainda que pudesse ser inferido que há sucessão entre a Empresa Autuada e a MGE, e que, por tal motivo, a Brasil Brokers integra o grupo econômico da primeira, ainda assim seria certo que a responsabilidade solidária somente poderia existir em relação aos fatos geradores ocorridos no período no qual a Brasil Brokers tomouse parte do grupo econômico da Empresa Autuada. 44. A presente autuação fiscal exige contribuições previdenciárias cujos alegados fatos geradores ocorreram de janeiro de 2009 a junho de 2012, inclusive; a Brasil Brokers somente tomouse sócia da MGE (não da Empresa Autuada, ressaltese) em janeiro de 2012. Nesse contexto, mesmo Fl. 1954DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.945 24 entendendose que a Brasil Brokers integra o Grupo Econômico da Empresa Autuada (o que não é corroborado por nenhum dispositivo legal, registrese), ainda assim é certo que a responsabilidade solidária da Brasil Brokers seria apenas pelas contribuições previdenciárias cujos fatos geradores ocorreram a partir do momento que passou a "integrar" o "grupo econômico" da Empresa Autuada. 45. o único fato que poderia ser considerado como marco inicial da constituição de um "grupo econômico" entre a Brasil Brokers e a Empresa Autuada, porque simplesmente é único fato que, ainda que de forma remota, liga uma empresa à outra, seria a aquisição de participação societária na MGE efetuada pela Brasil Brokers em janeiro de 2012, data na qual, cumpre registrar, a Brasil Brokers aportou na MGE o montante de R$ 1.600.000,00. 46. Assim, na remota hipótese de se entender que é possível estabelecer alguma responsabilidade solidária entre a Recorrente e a Empresa Autuada, é certo que essa responsabilidade somente poderia ser conjecturada a partir de janeiro de 2012.” Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Conforme já exposto, o Recurso Voluntário de fls. 1735/1760 apresentado pela RECORRENTE (Brasil Brokers) é idêntico, ipsis litteris, ao recurso apresentado por outra devedora solidária, a MGE INTERMEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA LTDA. (fls. 1763/1785). Inclusive, ambas as peças recursais foram elaboradas pelo mesmo patrono. Uma vez que os temas e matérias de defesa levantados em ambos os recursos são os mesmos, não enxergo qualquer prejuízo sofrido pela RECORRENTE, pois as razões recursais da MGE foram devidamente apreciadas pela Turma julgadora no acórdão nº 2201 003.330. Assim, não há como negar que os argumentos da RECORRENTE foram apreciados em sede recursal, a despeito da alegação de intempestividade do seu Recurso Voluntário. Podem não ter sidos apreciados por meio do recurso ora analisado, mas evidentemente foram apreciados tendo sido as questões levantadas debatidas e julgadas, resultando no acórdão nº 2201003.330. Fl. 1955DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.946 25 Neste sentido, norteandose pela segurança jurídica, em respeito ao julgamento colegiado proferido anteriormente e para evitar possíveis decisões conflitantes, é de rigor replicar, no presente caso, as razões do julgamento realizado na sessão de 20/06/2016, pois, repisese, a matéria de defesa apreciada naquela ocasião é a mesma, ipsis litteris, do Recurso Voluntário ora analisado. Não se pode sustentar que a equivocada atribuição de intempestividade ao recurso da ora RECORRENTE tenha lhe causado qualquer prejuízo, uma vez que, caso não houvesse a imputação de extemporaneidade recursal, o julgamento estaria fadado ao mesmo resultado do acórdão nº 2201003.330, pois, como já exposto reiteradas vezes, as razões recursais foram objeto de apreciação da Turma julgadora por meio de recurso de outro devedor solidário. Portanto, entendo que os seguintes tópicos, extraídos do Recurso Voluntário da RECORRENTE, foram devidamente analisados e julgados no acórdão nº 2201003.330, o qual deu provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão da qualificadora da multa de ofício, devendo ser aplicadas a essas matérias o resultado do julgamento proferido naquela ocasião: Da Necessidade de Reforma da Decisão Recorrida; Da Autuação Quanto ao Mérito; Da Recente Alteração Legislativa Corroborando a Prática do Mercado; Decisões Prévias do CARF Favoráveis à Empresa Autuada; Da Ilegalidade do Arbitramento; Do Limite do SaláriodeContribuição; e Da Multa de Ofício. Por outro lado, há apenas um tópico do recurso da RECORRENTE que não foi analisado por completo no acórdão anterior: é a questão relativa à sua responsabilidade solidária. Sobre o tema da sujeição passiva solidária, verifico que a autoridade lançadora detalhou no Relatório Fiscal, a partir do item 129, os motivos ensejadores da responsabilidade solidária. No item 171, apresenta síntese dos fatos narrados, cujos pontos destaco abaixo: a) Está caracterizada a desativação da atividade empresarial das empresas M Garzon Eugênio e M Garzon Empreendimentos e a consolidação da MGE com a transferência da estrutura física e operacional, dos empregados, da carteira imobiliária, do modus operandi e do endereço de funcionamento pertencentes as suas antecessoras. b) os sócios e/ou administradores Marcos Fabrício Moraes Garzon e Arnaldo Fratini são os responsáveis pelos negócios da empresa fiscalizada (M Garzon Eugênio) e da MGE na condição de SócioPresidente e SócioVice Presidente, respectivamente, e Fl. 1956DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.947 26 juntamente com o senhor Maurício Eugênio são os responsáveis pela administração da M Garzon Eugênio, com outorga nos atos constitutivos desta sociedade para gerir, administrar e dirigir todos os negócios sociais. Observe se que também são os responsáveis pela gestão das empresas M Garzon Empreendimentos, Polis Desenvolvimento, Eugênio Participações e Ferfratt, seja na condição de sócio administrador, seja na de administrador não sócio, e os atos por eles praticados nessas sociedades são do conhecimento dos demais integrantes do quadro societário dessas empresas. c) No curso da fiscalização das empresas M Garzon Eugênio e M Garzon Empreendimentos, os respectivos sócios/administradores planejaram e efetivaram a transferência dos ativos das referidas empresas (móveis, utensílios, equipamentos, entre ouros) como também dos empregados e da carteira imobiliária para a nova empresa (MGE) constituída em 10/09/2012 com o mesmo objeto social. A MGE é integrada, entre outros, pelos mesmos sócios e/ou administradores já identificados e também pela Brasil Brokers que detém 60% do capital social. Essa estratégia evidencia uma forma irregular de dissolver, paulatinamente, tais sociedades, e este procedimento somente se manifestou após o início das respectivas ações fiscais. d) O termo de doação de ativos firmado entre as partes abrangeu tanto os sócios e/ou administradores das empresas antecessoras (M Garzon Eugênio e M Garzon Empreendimentos) como também terceiros não integrantes dessas duas empresas (Carlos Augusto D'Elia Valladão Flores e Odemir Aparecido Putini), mas participantes do quadro societário da Eugênio Participações, que é sócia da polis desenvolvimento, que por sua vez é sócia da M Garzon Eugênio, empresa sob fiscalização. e) A doação de ativos sem que haja o pagamento correspondente por parte dos cessionários é um procedimento atípico na atividade empresarial que tem por objetivo o "lucro". f) A movimentação de empregados entre as empresas antecessoras (M Garzon Eugênio e M Garzon Empreendimentos) e a MGE, sem a correspondente rescisão contratual, conforme ocorreu no presente caso, é permitida apenas entre estabelecimentos da mesma empresa ou empresas do mesmo grupo econômico. g) Não houve, até a presente data, a liquidação formal das empresas antecessoras, conforme determina a legislação vigente, o que evidencia uma dissolução irregular de sociedade. h) A forma adotada pelos sócios/administradores para dissolver referidas sociedades caracteriza procedimento contrário à lei, evidenciando, entre outras, a redução progressiva da sua capacidade de pagamento dos tributos devidos. i) Igualmente, caracteriza procedimento contrário à lei (em tese crime de sonegação de contribuições previdenciárias), aquele Fl. 1957DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.948 27 adotado pelos administradores da M Garzon Eugênio de não incluir nas folhas de pagamento, nas GFIP e na contabilidade os fatos geradores de contribuição previdenciária relativos à remuneração paga aos corretores de imóveis. E também de não incluir em folha de pagamento e em GFIP as remunerações pagas aos demais trabalhadores autônomos que lhe prestaram serviços no período fiscalizado. j) Também caracteriza procedimento contrário à lei o fato da empresa não descontar da remuneração dos corretores de imóveis e dos demais trabalhadores autônomos a seu serviço a contribuição previdenciária por estes devidas e recolhêlas à previdência social juntamente com as contribuições a seu cargo. E, ainda, não registrar nos títulos próprios da contabilidade da empresa as quantias descontadas dos segurados ou as devidas pelo empregador, conforme apurado pela auditoria fiscal e amplamente descrito no presente relatório fiscal.” O conglomerado de empresas descrito pela autoridade fiscal possui o seguinte desenho, a partir da devedora principal (M Garzon Eugênio Empreendimentos): Fl. 1958DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.949 28 Do acima exposto, é possível constatar a participação de diversas empresas na devedora principal, assim como o fato de os administradores da empresa fiscalizada (Marcos Fabrício Moraes Garzon, Maurício Eugênio e Arnaldo Fratini) serem sócios administradores das PJs que tinham participação direta ou indiretamente na devedora principal. A autoridade fiscal demonstrou que, quando a devedora principal (M Garzon Eugênio) se encontrava sob ação fiscal, foi constituída a empresa MGE em 08/09/2011, com os mesmos objetivos empresariais das empresas acima, cujo capital foi subscrito e integralizado da forma abaixo: De acordo com o Relatório Fiscal, a fiscalização constatou que a MGE tinha sede no mesmo endereço das empresas M Garzon Eugênio (devedora principal) e M Garzon Empreendimentos (sócia da M Garzon Eugênio). Ademais, verificou que a integralização do capital social da MGE foi feita com bens móveis. Após intimação da autoridade fiscal, a MGE apresentou instrumentos de cessão de ativos firmados com a M Garzon Empreendimentos (R$ 490.307,84) e a M Garzon Eugênio (R$ 411.530,16). A autoridade fiscal verificou que a lista dos bens oferecidos evidencia tratar se de uma estrutura completa para o funcionamento da nova empresa (MGE), proporcionando toda a estrutura física necessária à continuidade do negócio empresarial, até porque, como exposto, a MGE está instalada no mesmo endereço comercial das antecessoras. Ainda sobre o tema, colaciono trecho do Relatório Fiscal: Fl. 1959DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.950 29 Em 16/01/2012 a MGE arquivou na Junta Comercial do DF a segunda alteração contratual para admitir na sociedade a BRASIL BROKERS PARTICIPAÇÕES S/A, cuja entrada deuse a partir da transferência pelos atuais sócios da MGE, de parte das quotas de capital que cada um possui na empresa, os quais transferiram o total de 54.170.280 quotas, ao valor nominal de R$ 0,01 (um centavo), correspondendo a R$ 541.702,80, cujas quotas representam 60% (sessenta por cento) do capital social da MGE. Além do ingresso da nova empresa na sociedade, a alteração tratou também do aumento do capital social em R$ 1.600.000,00, subscrito e integralizado em moeda nacional pelos atuais sócios na proporção em que cada um participa da sociedade, conforme quadro abaixo: Nesta mesma alteração contratual apresentada pela MGE, os sócios decidiram abrir três (3) filiais nas cidades de Campo Grande/MS, Cuiabá/MT e Goiânia/GO, no mesmo endereço no qual estavam instaladas as filiais da M Garzon Eugênio, sendo que em 04/02/2013, a M Garzon Eugênio resolveu, por meio da 6ª alteração contratual, extinguir os três estabelecimentos filiais da empresa nas localidades citadas, permanecendo em atividade no local apenas as filiais vinculadas à MGE. Outro fato apurado pela fiscalização diz respeito ao quadro de empregados da MGE, o qual foi constituído a partir da transferência dos empregados das empresas M Garzon Eugênio e M Garzon Empreendimentos, conforme registram as GFIPs das citadas empresas, as quais indicam que a transferência foi efetivada com o código de movimentação N2, que traduz a "transferência de empregado para outra empresa que tenha assumido os encargos trabalhistas sem que tenha havido a rescisão do contrato de trabalho". Essa modalidade de transferência sem que haja a rescisão dos respectivos contratos de trabalho somente é possível em se tratando de movimentação entre estabelecimento da mesma empresa ou pertencendo as empresas envolvidas a um mesmo grupo econômico (art. 2º, § 2º da CLT). Fl. 1960DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.951 30 Assim, aos poucos a nova empresa (MGE) estava ocupando o espaço das antigas empresas M Garzon Eugênio e M Garzon Empreendimentos. Tanto que a fiscalização, ao analisar as DIMOB transmitidas pelas mencionadas empresas, constatou uma queda considerável no volume de vendas realizadas pelas empresas M Garzon Eugênio e M Garzon Empreendimentos, o que evidencia, por um lado, a desativação gradativa das atividades de ambas as empresas e, por outro, a consolidação da MGE no mercado imobiliário. O quadro abaixo, constante do Relatório fiscal, demonstra o rápido crescimento da MGE e a grande queda no volume de negócios da M Garzon Eugênio (devedora principal) e o desaparecimento da M Garzon Empreendimentos: Tal situação converge para o entendimento de houve o claro interesse de desativar paulatinamente as antigas empresas sob fiscalização (a M Garzon Empreendimentos já havia sido fiscalizada antes da M Garzon Eugênio), incorporando na nova empresa (MGE) a estrutura física e operacional, a carteira imobiliária e a força de trabalho das duas antigas empresas, inclusive sob a gestão dos mesmos administradores. Da narrativa acima, concluise que a ora RECORRENTE (Brasil Brokers) foi incluída como responsável solidária apenas por ser sócia da empresa MGE. Ao contrário do que restou demonstrado em relação aos demais devedores solidários, a autoridade fiscal não se cuidou de comprovar o interesse comum da Brasil Brokers na situação que constituiu o fato gerador do tributo objeto do presente processo. Nos termos do art. 124 do CTN, apenas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são consideradas responsáveis solidárias: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” Entendo que o simples fato de a RECORRENTE ser sócia da MGE não é suficiente para atestar o seu interesse como nos fatos que originaram o crédito tributário em litígio. Sobretudo pelo fato de que a Brasil Brokers jamais possuiu qualquer relação direta com a devedora principal (M Garzon Eugênio), ao contrário dos demais responsáveis solidários. Ademais, o presente processo remete a fatos geradores ocorrido no período de 01/2009 a 06/2012, ao passo que a ora RECORRENTE (Brasil Brokers) apenas passou a ser sócia da MGE em 12/01/2012, quando do arquivamento na Junta Comercial da segunda alteração de contração social (fls. 775/795). Fl. 1961DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.952 31 Neste sentido, transcrevo julgado do CARF no sentido de que, para caracterização da responsabilidade tributária solidária, as empresas devem realizar conjuntamente a situação configuradora do fato gerador: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1998 a 30/06/2006 (...) GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. PESSOA JURÍDICA. PRESSUPOSTOS. COMPROVAÇÃO DA PRÁTICA COMUM DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Apenas existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão nº 2403002.685; julgado em 09/09/2014) Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 (...) SOLIDARIEDADE. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes de lei. A solidariedade tal como disposta na lei, não deve ser aplicada discricionariamente. Para tanto, deve o auditor demonstrar os interesses em comum das empresas (exemplificativamente: confusão patrimonial ou concentração administrativa) ou a situação de fato que implique a responsabilização solidária. O dever de motivar é inerente a própria atividade administrativa. O art. 50, inciso I da Lei nº 9.784/99 determina que os atos administrativos devem ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos quando neguem, limitem ou afetem direito ou interesses. (...) (Acórdão nº 2302003.181; julgado em 14/05/2014) Sendo assim, caberia uma comprovação mais robusta da participação da RECORRENTE nos fatos que se desencadearam em relação à devedora principal e originaram o crédito tributário objeto do presente processo. Fl. 1962DF CARF MF Processo nº 10166.724065/201338 Acórdão n.º 2201003.812 S2C2T1 Fl. 1.953 32 CONCLUSÃO Por todo o acima exposto, voto por conhecer e acolher os embargos de declaração opostos para conhecer do recurso voluntário interposto pela Brasil Brokers e darlhe PROVIMENTO PARCIAL, a fim de afastála da condição de responsável solidária no presente processo. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 1963DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000581/2005-41
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2002 NULIDADE. O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo. INEXATIDÕES MATERIAIS. As meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL. Tratando-se de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-000.656
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201108
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2002 NULIDADE. O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo. INEXATIDÕES MATERIAIS. As meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL. Tratando-se de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 14120.000581/2005-41
conteudo_id_s : 5784236
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 09 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1801-000.656
nome_arquivo_s : Decisao_14120000581200541.pdf
nome_relator_s : Carmen Ferreira Saraiva
nome_arquivo_pdf_s : 14120000581200541_5784236.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
id : 6970019
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469968187392
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1746; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 386 1 385 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14120.000581/200541 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180100.656 – 1ª Turma Especial Sessão de 02 de agosto de 2011 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Recorrente M3M INFORMÁTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002 NULIDADE. O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo. INEXATIDÕES MATERIAIS. As meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL. Tratandose de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Fl. 390DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 14120.000581/200541 Acórdão n.º 180100.656 S1TE01 Fl. 387 2 Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 213/228, com a exigência do crédito tributário no valor de R$42.617,74 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro real trimestral no anocalendário de 2001. O lançamento se fundamenta nos seguintes ilícitos tributários constatados em razão do cotejo das informações constantes na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 63/110 e na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 111/150, com aquelas registradas no Livro Diário, fls. 07/16, no Livro Razão, fls. 21/34, no Demonstrativo de Notas Fiscais Emitidas, fls. 49/53 e no Contrato de Prestação de Serviços de locação de mãodeobra a órgão público, fls. 174/206, bem como nas notas fiscais de prestação de serviços constantes no Anexo I, fls. 217/221 e no Demonstrativo de Resultado do Exercício incluído no Anexo II, fl. 222: (a) omissão de receitas caracterizada pela insuficiência de contabilização das notas fiscais emitidas pela fiscalizada (b) resultados operacionais não declarados. Temse os seguintes valores: Trimestres do Ano Calendário de 2001 Valor da Receita Operacional Declarada (DCTF) – R$ Valor da Receita Operacional Informada/Escriturada (DIPJ) – R$ Valor das Notas Fiscais – R$ 1º 1.125.082,85 1.289.552,20 1.289.020,13 2º 1.032.946,52 1.094.377,80 1.101.075,98 3º 1.021.934,30 1.021.934,30 1.061.933,22 4º 1.189.916,67 1.189.916,67 1.190.053,47 Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 25 e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. inciso II do art. 249, parágrafo único do art. 251, art. 278, art. 279, art. 283, art. 288 e art. 926 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: Fl. 391DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 14120.000581/200541 Acórdão n.º 180100.656 S1TE01 Fl. 388 3 II O Auto de Infração às fls. 229/232 com a exigência do crédito tributário no valor de R$743,21 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, art. 2º e art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e inciso I do art. 2º, inciso I do art. 8º e art. 9º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998. III – O Auto de Infração às fls. 233/236 com a exigência do crédito tributário no valor de R$3.430,48 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, art. 2º, art. 3º e art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, Medida Provisória nº 1.858, de 24 de setembro de 1999, e Medida Provisória 1.807, de 25 de fevereiro de 1999. IV – O Auto de Infração às fls. 237/243 com a exigência do crédito tributário no valor de R$39.856,32 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 19 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996 e art. 6º da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999. Cientificada em 28/09/2005, fls. 213, 229, 233 e 237, a Recorrente apresentou a impugnação em 27/10/2005, fls. 251/265, com as alegações abaixo sintetizadas. Defende que os lançamentos são nulos. Argúi que nem todos os ingressos de numerários constantes nas notas fiscais podem ser considerados receitas da atividade. Argúi que se dedica ao fornecimento e agenciamento de mãodeobra e que a receita de fato auferida é representada pela taxa de administração que corresponde a uma parcela do valor total do contrato de prestação de serviços que agrega inclusive todas as parcelas decorrentes da relação de trabalho. Tece esclarecimentos sobre o fato gerador do IRPJ (art. 43 do Código Tributário Nacional) para destacar que os valores dos salários e os encargos trabalhistas não constituem renda. Procura demonstrar que são inconstitucionais a alíquota de 3% incidente sobre a base de cálculo da Cofins e o novo conceito de faturamento que serve de base de cálculo do Pis e da Cofins (Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998). Suscita que a despesa de CSLL pode ser deduzida da base de cálculo do IRPJ. Discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic e ainda se insurge contra a aplicação da multa de ofício proporcional. Com o objetivo de fundamentar seus argumentos interpreta a legislação que rege a questão litigiosa, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e cita entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Fl. 392DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 14120.000581/200541 Acórdão n.º 180100.656 S1TE01 Fl. 389 4 Conclui Isto posto, requer a lmpugnante o exame deste lançamento à luz dos dispositivos legais invocados e, ao final, julgar IMPROCEDENTE o AUTO DE INFRAÇÃO em tela, ou, em pior sorte, seja a mesma declarado NULO, por ser esta medida de extrema JUSTIÇA. N. Termos, P. Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/CGE/MS nº 0413.515, de 01/02/2008, fls. 310/321: “Lançamento Procedente”. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 NULIDADE. ARGÜIÇÃO GENÉRICA. Observados os preceitos do art. 10 do Decreto n. 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento. INCONSTITUCIONALIDADE. É defeso em sede administrativa discutirse sobre a constitucionalidade das leis em vigor, cabendo o seu fiel cumprimento. OMISSÃO DE RECEITAS E LUCRO ESCRITURADO MAS NÃO DECLARADO. Não procedem alegações de que não podem ser tributadas as receitas antes da dedução de custos se estes já foram considerados pelo autuante que utilizou como base de cálculo apenas o lucro ajustado. DEDUÇÕES DA BASE DE CALCULO. CSLL. A CSLL não é dedutível da base de cálculo do IRPJ por expressa determinação legal. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. Ocorrida a infração, correta a aplicação da multa punitiva de 75% estabelecida em lei. 0 principio da vedação ao confisco é endereçado ao legislador e não ao aplicador da lei que a ela deve obediência. JUROS. TAXA SELIC. Os juros calculados pela taxa SELIC são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento, por expressa determinação legal. CSLL, CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Fl. 393DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 14120.000581/200541 Acórdão n.º 180100.656 S1TE01 Fl. 390 5 Dada a intima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos, no que for comum, o decidido no principal. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS. BASE DE CALCULO. MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA DA COFINS. Utilizadas na apuração das contribuições a base de cálculo e as alíquotas de acordo com o disposto na legislação, nenhum reparo merece o lançamento. Notificada em 17/03/2008, fl. 332, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 16/04/2008, fls. 350/366, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Conclui Isto posto, requer a Recorrente o exame deste lançamento à luz dos.dispositivos legais invocados e, ao final, julgar IMPROCEDENTE o AUTO DE INFRAÇÃO em tela, ou, em pior sorte, seja o mesmo declarado NULO, por ser esta medida de extrema JUSTIÇA. N. Termos, P. Deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os Autos de Infração foram lavrados por servidor competente que regularmente intimou a Recorrente para cumprilos ou impugnálos no prazo legal. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Foi oferecida à interessada a oportunidade de apresentar, no prazo legal, a peça de defesa acompanhada de todos os meios de prova a ela inerentes. Ademais, o enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e a indicação dos enquadramentos legais não propiciam a nulidade do ato em litígio. Com referência ao dever de lançar, esclareçase que a autoridade administrativa possuindo competência privativa efetuou o lançamento, cuja atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art 142 do Código Tributário Nacional). A Recorrente foi previamente notificada do procedimento mediante a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), fls. 01/03, do Termo de Início de Fiscalização, fl. 05, do Termo de Constatação Fiscal, fls, 48/56 e finalizou em 28/09/2005 com a ciência válida dos Autos de Infração, fls. 213, 229, 233 e 237. No presente caso o servidor Fl. 394DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 14120.000581/200541 Acórdão n.º 180100.656 S1TE01 Fl. 391 6 competente verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal (art. 10 e art. 14 do Decreto 70.235, de 1972). No exercício da função pública, a autoridade administrativa corretamente lavrou os Autos de Infração com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. Foram asseguradas à Recorrente as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil CR e Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Logo, não lhe cabe razão. A Recorrente argúi que a receita da atividade é representada pela taxa de administração que corresponde a uma parcela do valor total do contrato de prestação de serviços que agrega inclusive todas as parcelas decorrentes da relação de trabalho e que estas não constituem renda auferida. Sobre a matéria, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) editou a súmula nº 331,versando sobre a terceirização: III – Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº. 7102, de 20/6/1983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. A regra geral para o Direito do Trabalho é a formação do vínculo trabalhista entre empregador e empregado quando presentes os requisitos da pessoalidade, onerosidade, subordinação e habitualidade. A súmula do TST nº 331 estabelece como exceção a licitude na hipótese de terceirização decorrente de contratação de atividades de prestação de serviços de atividades meio. Neste caso, a relação de emprego é fixada entre a sociedade empresária interposta e o empregado. Assim a Recorrente assumindo todos os encargos sociais decorrentes do vínculo empregatício aufere receita do tomador proveniente da prestação de serviços correspondente ao somatório da taxa de administração e demais receitas decorrentes da atividade econômica desenvolvida. Analisando Contrato de Prestação de Serviços de locação de mãodeobra a órgão público, fls. 174/206, observase que O presente contrato tem por objeto a Prestação, pela Contratada, dos seguintes serviços: [...] 4 Locação de mãodeobra especializada em normas e . procedimentos do SFH (Sistema Financeiro de Habitação), com conhecimento dos Softwares aplicativos. A mãodeobra a ser locada, atuará na administração dos serviços, conforme estrutura apresentada no Anexo II do edital, em conjunto com a mãode obra executora da CDHU/MS. O número de funcionários previstos para a execução dos serviços é de 19 (dezenove), conforme estrutura organizacional do Anexo II do edital, perfazendo uma carga horária de 8 (oito) horas diárias, de se da a sexta feira. [...] Fl. 395DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 14120.000581/200541 Acórdão n.º 180100.656 S1TE01 Fl. 392 7 A CONTRATADA deverá executar diretamente os serviços contratados, sem transferência de responsabilidade ou subcontratações. [...] Os técnicos deverão executar os serviços nas instalações do CONTRATANTE nesta cidade. [...] Caso se façam necessários deslocamentos para outras cidades, estes deverão ser feitos mediante pedido formulado pela CONTRATANTE. [...] Os meios de transporte para os deslocamentos mencionados acima serão estabelecidos e correrão por conta da Contratante. [...] Os técnicos e profissionais designados pela CONTRATADA deverão cumprir 8 (oito) horas diárias de serviço, em período determinado pela CONTRATANTE e compreendido entre 7;30 e 17:30 horas; 40 (quarenta) horas semanais, entre segunda e sextafeira. [...] As horas extras só serão computadas nos casos em que haja autorização formal da CONTRATANTE. [...] Os empregados da CONTRATADA não terão nenhum vínculo empregatício com a CONTRATANTE, sendo de exclusiva responsabilidade da CONTRATADA as despesas com a remuneração dos mesmos, seguros de acidentes, impostos, contribuições previdenciárias, encargos de natureza trabalhista vigentes e quaisquer outros que forem devidos referentes aos serviços, cabendolhes ainda, inteira responsabilidade por quaisquer acidentes de que possam vir a ser vitimas seus empregados quando em serviço, bem como por quaisquer nos ou prejuízos porventura causados a terceiros e a CONTRATANTE. [...] Ocorrendo hipótese de serem. ajuizados contra a CONTRATANTE demandas trabalhistas envolvendo empregados da CONTRATADA, utilizados na prestação de serviços ora contratados, ou mesmo notificações do Ministério do Trabalho, obriga se esta última a intervir nos referidos processos, reivindicando a condição de demanda e requerendo a exclusão da CONTRATANTE. Na DIPJ, fls. 63/110, e no Livro Diário, fls. 08/20, estão registrados os seguintes valores: Fl. 396DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 14120.000581/200541 Acórdão n.º 180100.656 S1TE01 Fl. 393 8 Trimestres do AnoCalendário de 2001 DIPJ Valor da Despesas Operacionais – R$ Livro Diário Valor da Despesa com Pessoal – R$ 1º 1.074.229,30 1.038.041,15 2º 972.11,73 919.962,45 3º 976.191,90 904.177,58 4º 1.287.019,80 1.245.922,46 Desta forma, restou comprovado que a Recorrente usufruiu de seu direito de deduzir da receita operacional aquelas despesas com pessoal comprovadamente incorridas, necessárias e usuais à manutenção da respectiva sua fonte produtora dos rendimentos (art. 299, art. 277 e art. 296 do RIR, de 1999). O lançamento se fundamenta (a) na omissão de receitas caracterizada pela insuficiência de contabilização das notas fiscais emitidas pela fiscalizada (b) nos resultados operacionais não declarados apurados em razão do cotejo das informações constantes na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 63/110 e na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 111/150, com aquelas registradas no Livro Diário, fls. 07/16, no Livro Razão, fls. 21/34, Demonstrativo de Notas Fiscais Emitidas, fls. 49/53 e Contrato de Prestação de Serviços de locação de mãodeobra a órgão público, fls. 174/206, bem como nas notas fiscais de prestação de serviços constantes no Anexo I e no Demonstrativo de Resultado do Exercício incluído no Anexo II. Tendo em vista o princípio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal foi considerada pertinente a apreciação da prova documental trazida aos autos para oferecer a oportunidade de a Recorrente demonstrar do alegado erro. Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente não juntou novas provas aos autos que demonstrem suas afirmativas de que há incorreções nos lançamentos. As suas meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade mediante a análise de todos os documentos que embasaram a escrituração não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do exame da matéria, tendo em vista que as provas já constantes nos autos constituem um conjunto probatório robusto de que o procedimento de ofício está correto nesta parte. Por conseguinte, este argumento não pode prosperar. A Recorrente defende que são inconstitucionais a alíquota de 3% incidente sobre a base de cálculo da Cofins e o novo conceito de faturamento que serve de base de cálculo do Pis e da Cofins. A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, determina: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. [...] Fl. 397DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 14120.000581/200541 Acórdão n.º 180100.656 S1TE01 Fl. 394 9 Art. 8° Fica elevada para três por cento a alíquota da COFINS. Consta no Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, têm aplicação os entendimentos do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em decisões definitivas de mérito proferidas em recursos extraordinário com repercussão geral e em recurso especial repetitivo, respectivamente, cujas matérias vinculam esta segunda instância de julgamento. Em relação à matéria, cabe mencionar a jurisprudência do STF proferida em recurso extraordinário com repercussão geral, cujo trânsito em julgado ocorreu em 05/08/20091 O Plenário do Supremo Tribunal Federal confirmou o entendimento da Corte no sentido da inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, que alargou a base de cálculo do PIS e da Cofins, para reconhecer que a receita bruta (faturamento) seria a “totalidade das receitas auferidas” pelas empresas. A decisão, tomada no julgamento do Recurso Extraordinário 527602, seguiu o entendimento do ministro Marco Aurélio, para quem o novo conceito de faturamento criado pelo dispositivo questionado – uma lei ordinária, foi além do que previu a Constituição Federal – que determinava a necessidade de uma lei complementar para tal. Já o artigo 8º da mesma lei, que aumentou a alíquota da contribuição, de 2% para 3%, foi considerado constitucional pela Corte, uma vez que não existe a necessidade de lei complementar para tratar do aumento da alíquota. Os ministros se mantiveram fiéis a uma série de REs julgados recentemente pela Corte que tratavam deste assunto – como os recursos 357950, 390840, 358273, 346084 e 336134. Leading case: RE 527.602, Min. Eros Grau, relator para o acórdão Min. Marco Aurélio Assim o STF considerou inconstitucional o novo conceito de faturamento criado pelo art. 3º da Lei nº 9.718, de 1999 e constitucional o art. 8º da Lei nº 9.718, de 1998 que fixou a alíquota de 3% incidente sobre o faturamento para o cálculo do Cofins. 1 Fonte: http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/jurisprudenciaRepercussaoGeralRelatorio/anexo/RelatorioRG_Mar2010.pdf; acesso 10/07/2011. Fl. 398DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 14120.000581/200541 Acórdão n.º 180100.656 S1TE01 Fl. 395 10 Nos presentes autos foram adotados: como base de cálculo do Pis e da Cofins o valor correspondeste à receita de prestação de serviço da atividade e não há outra como alíquota o parâmetro de 3% incidente sobre a base de cálculo da Cofins. Logo, não cabem reparos aos lançamentos. A Recorrente suscita que a despesa de CSLL pode ser deduzida da base de cálculo do IRPJ. A Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996, ordena: Art. 1º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real, nem de sua própria base de cálculo. Parágrafo único. Os valores da contribuição social a que se refere este artigo, registrados como custo ou despesa, deverão ser adicionados ao lucro líquido do respectivo período de apuração para efeito de determinação do lucro real e de sua própria base de cálculo. Em relação à matéria, cabe mencionar a jurisprudência do STJ proferida em recurso especial representativo da controvérsia, cujo trânsito em julgado ocorreu em 19/02/20102: RECURSO ESPECIAL Nº 1.113.159 AM (2009/00569356) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : RIGESA DA AMAZONIA SA ADVOGADOS : GUILHERME MAGALHÃES CHIARELLI E OUTRO(S) RODRIGO FERREIRA PIANEZ E OUTRO(S) RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ. BASE DE CÁLCULO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSSL. DEDUÇÃO VEDADA PELO ARTIGO 1º, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI 9.316/96. CONCEITO DE RENDA. ARTIGOS 43 E 110, DO CTN. MATÉRIA DE ÍNDOLE INFRACONSTITUCIONAL. LEI ORDINÁRIA E LEI COMPLEMENTAR. INTERPRETAÇÃO CONFORME. COMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. LEGALIDADE RECONHECIDA. 1. A base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas (critério quantitativo da regra matriz de incidência tributária) 2 Fonte: https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=7119702&sReg=200900569356 &sData=20091125&sTipo=5&formato=PDF, acesso em 10/07/2011. Fl. 399DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 14120.000581/200541 Acórdão n.º 180100.656 S1TE01 Fl. 396 11 compreende o lucro real, o lucro presumido ou o lucro arbitrado, correspondente ao período de apuração do tributo. 2. O lucro real é definido como o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária (artigo 6º, do DecretoLei 1.598/77, repetido pelo artigo 247, do RIR/99). 3. A Lei 9.316, de 22 de novembro de 1996, vedou a dedução do valor da contribuição social sobre o lucro líquido (exação instituída pela Lei 7.689/88) para efeito de apuração do lucro real, bem como para a identificação de sua própria base de cálculo, verbis :"Art. 1º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real, nem de sua própria base de cálculo. Parágrafo único. Os valores da contribuição social a que se refere este artigo, registrados como custo ou despesa, deverão ser adicionados ao lucro líquido do respectivo período de apuração para efeito de determinação do lucro real e de sua própria base de cálculo." 4. O aspecto material da regra matriz de incidência tributária do imposto de renda é a aquisição de disponibilidade (econômica ou jurídica) de renda ou proventos de qualquer natureza, sendo certo que o conceito de renda envolve o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (artigo 43, inciso I, do CTN). 5. A interpretação sistemática dos dispositivos legais supracitados conduz à conclusão de que inexiste qualquer ilegalidade/inconstitucionalidade da determinação de indedutibilidade da CSSL na apuração do lucro real. 6. É que o legislador ordinário, no exercício de sua competência legislativa, tãosomente estipulou limites à dedução de despesas do lucro auferido pelas pessoas jurídicas, sendo certo, outrossim, que o valor pago a título de CSSL não caracteriza despesa operacional da empresa, mas, sim, parcela do lucro destinada ao custeio da Seguridade Social, o que, certamente, encontrase inserido no conceito de renda estabelecido no artigo 43, do CTN (produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos) (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.028.133/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.05.2009, DJe 01.06.2009; REsp 1.010.333/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 17.02.2009, DJe 05.03.2009; AgRg no REsp 883.654/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 13.03.2009; AgRg no REsp 948.040/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 16.05.2008; AgRg no Ag 879.174/SP, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, julgado em 02.08.2007, DJ 20.08.2007; REsp 670.079/SC, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 27.02.2007, DJ 16.03.2007; e REsp 814.165/SC, Rel. Ministra Fl. 400DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 14120.000581/200541 Acórdão n.º 180100.656 S1TE01 Fl. 397 12 Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 15.02.2007, DJ 02.03.2007). 7. A interpretação da lei ordinária conforme a lei complementar não importa em alteração do conteúdo do texto normativo (regra hermenêutica constitucional transposta para a esfera legal), não se confundindo com a declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, donde se dessume a índole infraconstitucional da controvérsia, cuja análise compete ao Superior Tribunal de Justiça. 8. Ademais, o reconhecimento da legalidade/constitucionalidade de dispositivo legal não importa em violação da cláusula de reserva de plenário, consoante se depreende da leitura da Súmula Vinculante 10/STF: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência , no todo ou em parte." 9. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Verificase assim que os valores da CSLL registrados como despesa devem ser adicionados ao lucro líquido do respectivo período de apuração para efeito de determinação do lucro real e de sua própria base de cálculo. Por conseguinte, não cabe razão à Recorrente. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic, defendendo a tese de há erros de cálculo. Pelo fato desse argumento, o Código Tributário Nacional determina: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. A Lei nº 9.430, de 1996, prevê: Art.5º [...] §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. [...] Fl. 401DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 14120.000581/200541 Acórdão n.º 180100.656 S1TE01 Fl. 398 13 Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Aplicando a legislação de regência ao presente caso, verificase que como a Recorrente não procedeu ao pagamento do crédito tributário até a data do vencimento, deve fazêlo acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic. Em relação à matéria, cabe mencionar a jurisprudência do STJ proferida em recurso especial representativo da controvérsia, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09/09/20093: RECURSO ESPECIAL Nº 1.111.175 SP (2009/00188256) RELATORA : MINISTRA DENISE ARRUDA RECORRENTE : SOFT SPUMA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA ADVOGADO: WALDEMAR CURY MALULY JUNIOR E OUTRO(S) RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em 3 Fonte: https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=5338305&sReg=200900188256 &sData=20090701&sTipo=5&formato=PDF; acesso em 16/04/2011. Fl. 402DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 14120.000581/200541 Acórdão n.º 180100.656 S1TE01 Fl. 399 14 tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. Ainda em relação à matéria, vale transcrever os enunciados de súmulas do CARF n°s 4 e 5, as quais são de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF) que prevêem: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. [...] São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Cabe ressaltar o crédito tributário da União constituído não pago até a data do vencimento é acrescido de juros de mora equivalentes à Selic para títulos federais. Por conseguinte, não lhe cabe razão. A Recorrente se insurge contra a aplicação da multa de ofício proporcional. As multas tributárias se fundamentam no interesse público e têm como pressuposto a prática de infração especificada e ainda como função a sanção pelo descumprimento de obrigação legal. As leis pertinentes à matéria são editadas com base nos princípios constitucionais, entre eles, os da legalidade e da tipicidade (art. 150 da Constituição da República). Ademais, a exclusão da multa ou a sua redução somente ocorrem com suporte na legislação tributária. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, fixa: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; [...] § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. A Lei nº 9.430, de 1996, orienta expressamente no seguinte sentido: Fl. 403DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 14120.000581/200541 Acórdão n.º 180100.656 S1TE01 Fl. 400 15 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Diferentemente do entendimento da Recorrente, a aplicação da multa de mora é aplicável somente nos casos de pagamento espontâneo de tributo fora dos prazos de vencimento e antes do início do procedimento fiscal. De acordo com o princípio da legalidade (art. 37 da Constituição da República) e depois de excluída a espontaneidade da Recorrente com a ciência do Termo de Início de Fiscalização, fl. 05, prevalece a multa de ofício proporcional no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) incidente sobre o tributo lançado do ofício em decorrência de infração à legislação tributária. Portanto, não cabem reparos ao lançamento. No que se refere à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Em relação aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 2, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF), e que assim determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, este argumento não pode prosperar. Atinente ao PIS, à Cofins e à CSLL, tratandose de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ. Fl. 404DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 14120.000581/200541 Acórdão n.º 180100.656 S1TE01 Fl. 401 16 Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 405DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
score : 1.0
Numero do processo: 11040.900282/2008-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
Numero da decisão: 1402-002.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11040.900282/2008-52
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5756944
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1402-002.631
nome_arquivo_s : Decisao_11040900282200852.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LEONARDO DE ANDRADE COUTO
nome_arquivo_pdf_s : 11040900282200852_5756944.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
id : 6886984
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049470034247680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1405; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11040.900282/200852 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.631 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de junho de 2017 Matéria IRPJ/CSLL RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente FRIGORÍFICO MIRAMAR LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 02 82 /2 00 8- 52 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 11040.900282/200852 Acórdão n.º 1402002.631 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório da DRF que não reconheceu direito creditório de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), não homologando as compensações com base no valor pretendido. A interessada apresentou PER/Dcomp informando disponibilidade de crédito em seu favor, derivada do pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ, efetuado por Darf. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão da DRF e apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade. A contribuinte alega a existência de pagamento a maior do tributo. Sustenta que as divergências foram devidas a erro no preenchimento da DCTF: as informações de recolhimentos de IRPJ e CSLL não foram relacionadas no trimestre de sua competência e sim em outro trimestre. Acrescenta que a DIPJ também não relacionou, equivocadamente, os pagamentos por estimativa. Reconhece que haveria que se retificar a DCTF e DIPJ. A manifestação de inconformidade restou julgada improcedente, não lhe reconhecendo o direito creditório. Essencialmente, o contribuinte não teria apresentado provas do erro alegado e admitido pelo contribuinte, na forma dos arts. 15 e 16, § 4°, do Decreto 70.235/72, posto que o Darf foi utilizado inicialmente para quitar débito, em princípio devido até que se provasse o contrário , de estimativa. Inconformada com tal entendimento, interpôs Recurso Voluntário a este Conselho alegando, principalmente com base no Princípio da Verdade Material, que o equívoco do contribuinte não pode resultar na supressão de seu direito creditório, e que não há amparo legal para a negativa de seu pleito. Não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.628, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 1040.900104/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.628): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 11040.900282/200852 Acórdão n.º 1402002.631 S1C4T2 Fl. 4 3 MÉRITO Ainda que o contribuinte não tenha explicitado em seu Recurso, considerando que recolhe IRPJ e CSLL por estimativa mensal, concluise que apure tais tributos pelo lucro real anual. Nos termos do art. 10 da IN SRF nº 460/2004 e art. 10, da IN SRF nº 600/2005, “a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” Ou seja, durante a vigência de ambas as instruções normativas, não era permitido, mesmo por PER/DCOMP, utilizarse diretamente de créditos decorrentes de pagamento com DARF em valores indevidos ou maior do que o devido. Essa situação perdurou até o advento da IN RFB 900/2008, que revogou a IN SRF 600/2005 e não trouxe, em seu bojo, a vedação contida na instrução normativa revogada, de tal forma que, a partir de sua vigência, poderia o contribuinte optar em realizar, de imediato, a compensação de DARF pago a título de IRPJ ou CSLL por estimativa de forma indevida ou maior do que a devida e/ou, a seu critério, aguardar o ajuste na DIPJ, de tal forma que os valores recolhidos a maior compusessem o seu saldo negativo de IRPJ ou CSLL. As instruções normativas posteriores – IN RFB 1.300/2012 e alterações posteriores, que tratam da compensação, mantiveram a possibilidade inaugurada com o advento da IN RFB 900/2008. Para por fim a quaisquer dúvidas, foi expedida a Solução de Consulta Interna nº 19 COSIT, que pacificou o seguinte entendimento: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 11040.900282/200852 Acórdão n.º 1402002.631 S1C4T2 Fl. 5 4 A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fixada a premissa que o contribuinte poderia apresentar PER/DCOMP em razão de pagamento indevido ou maior do que o devido de IRPJ ou CSLL por estimativa, passase a análise de certeza e liquidez dos créditos. A DRF responsável pela análise do PER/DCOMP e emissão do despacho decisório respectivo não questionou a existência do DARF e o seu recolhimento. Apontou, contudo, que o referido DARF teria sido integralmente utilizado para o pagamento da própria estimativa informada como devida e, desta forma, não haveria saldo para a compensação pleiteada pelo contribuinte ou, em alguns casos, reconheceu o pagamento a maior, homologando a compensação até o limite do crédito confirmado. O contribuinte reconhece, notadamente em sua impugnação, que cometeu erros nas informações prestadas em DCTF, embora não esclareça quais, bem como que não informou, nem em DCTF, nem em DIPJ, os recolhimentos das estimativas. Não é possível, à míngua de provas, especular qual seria o erro do contribuinte nas informações prestadas em DCTF. Contudo, a informação de que não teria informado, em DIPJ, os recolhimentos das estimativas, denota que é possível que mesmo no ajuste anual não tenha apurado os saldos negativos de IRPJ e CSLL que faria jus, os quais seriam, nos termos da legislação, passíveis de compensação com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, exceto previdenciários. Mesmo com a decisão da DRJ em mãos, o que possibilitou a apresentação de recurso voluntário dirigido a este Conselho, o contribuinte não apresentou documentos que pudessem dar a este Julgador elementos para aferir se, de fato, ele possui créditos líquidos e certos passíveis de compensação que pudessem justificar uma mudança no teor da decisão recorrida. Não foi apresentado, por exemplo, uma memória de cálculo com a apuração mensal das estimativas devidas, correlacionadas com os DARF’s pagos e, ao final do período de apuração, o fechamento do valor devido a título de IRPJ e CSLL, em linha com a DIPJ apresentada, para que se pudesse aferir que as estimativas recolhidas durante o ano pudessem ser em valor maior do que os tributos devidos e, assim, verificar a existência de saldo negativo passível de compensação. Desta forma, como não foi possível aferir a liquidez e certeza dos créditos oferecidos à compensação, pressuposto para a homologação (art. 170, CTN), pela inexistência de documentos Fl. 66DF CARF MF Processo nº 11040.900282/200852 Acórdão n.º 1402002.631 S1C4T2 Fl. 6 5 que pudessem comprovar o quanto alegado pelo contribuinte, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão de primeira instância e a não homologação das compensações declaradas. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18329.000220/2007-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2002 a 30/04/2007
RECURSO ESPECIAL. MEDIDA PROVISÓRIA E LEI DE CONVERSÃO COM MESMO CONTEÚDO NORMATIVO. SITUAÇÃO FÁTICA SEMELHANTE. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Considerando que no caso concreto temos a identidade da norma trazida pela MP nº 449/08 e aquela posteriormente veiculada pela Lei de Conversão nº 11.941/09, deve-se conhecer de Recurso Especial de Divergência cujo objeto é a discussão acerca da multa mais benéfica para fins de aplicação do art. 106 do CTN.
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTONOMIA. ART. 173, I DO CTN.
As obrigações acessórias ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo. Assim o descumprimento de obrigação acessória leva ao lançamento de ofício da penalidade, aplicando-se o art. 173, I do CTN.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2002 a 30/04/2007 RECURSO ESPECIAL. MEDIDA PROVISÓRIA E LEI DE CONVERSÃO COM MESMO CONTEÚDO NORMATIVO. SITUAÇÃO FÁTICA SEMELHANTE. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Considerando que no caso concreto temos a identidade da norma trazida pela MP nº 449/08 e aquela posteriormente veiculada pela Lei de Conversão nº 11.941/09, deve-se conhecer de Recurso Especial de Divergência cujo objeto é a discussão acerca da multa mais benéfica para fins de aplicação do art. 106 do CTN. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTONOMIA. ART. 173, I DO CTN. As obrigações acessórias ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo. Assim o descumprimento de obrigação acessória leva ao lançamento de ofício da penalidade, aplicando-se o art. 173, I do CTN. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 13 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 18329.000220/2007-81
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5787201
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 13 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-005.477
nome_arquivo_s : Decisao_18329000220200781.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 18329000220200781_5787201.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
dt_sessao_tdt : Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
id : 6978094
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049470039490560
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1951; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 294 1 293 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 18329.000220/200781 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.477 – 2ª Turma Sessão de 24 de maio de 2017 Matéria DECADÊNCIA. RETROATIVIDADE BENIGNA, NATUREZA DA MULTA, FATO GERADOR ANTERIORES A MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI 11.941/2009 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CARDIO NEFROCLÍNICA DELTA SOC S LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2002 a 30/04/2007 RECURSO ESPECIAL. MEDIDA PROVISÓRIA E LEI DE CONVERSÃO COM MESMO CONTEÚDO NORMATIVO. SITUAÇÃO FÁTICA SEMELHANTE. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Considerando que no caso concreto temos a identidade da norma trazida pela MP nº 449/08 e aquela posteriormente veiculada pela Lei de Conversão nº 11.941/09, devese conhecer de Recurso Especial de Divergência cujo objeto é a discussão acerca da multa mais benéfica para fins de aplicação do art. 106 do CTN. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTONOMIA. ART. 173, I DO CTN. As obrigações acessórias ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo. Assim o descumprimento de obrigação acessória leva ao lançamento de ofício da penalidade, aplicandose o art. 173, I do CTN. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 32 9. 00 02 20 /2 00 7- 81 Fl. 294DF CARF MF 2 O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração DEBCAD 37.134.5626 referente a cobrança de multa pelo descumprimento de obrigação acessória caracterizada pelo fato do contribuinte ter apresentado GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, art. 32, inciso IV e §5º da Lei 8.212/91. Contribuinte apresentou impugnação cujo conteúdo foi assim resumido pela DRJ: Em síntese, alega que o direito, do fisco constituir seus créditos prescreve em cinco anos pois sendo as contribuições previdenciárias enquadradas nos artigos 173 e 174 do Código Tributário Nacional — CTN a partir da Constituição Federal de 1988, seriam improcedentes quaisquer autuações anteriores a 29/09/2002. Cita jurisprudências do Supremo Tribunal Federal que julgou inconstitucional os artigos 45 e 46 da Lei no 8.212/91. Aduz que o Auto de Infração — AI está vinculado as Notificações Fiscais de Lançamento de Débito lavradas na mesma ação fiscal e que a improcedência destas, anulam aqueles. Alega cobrança em duplicidade da multa aplicada nas NFLD's e Al's e requer: 1) a nulidade do AI por decadência da obrigação principal; 2) se não atendido solicita proporcionalidade na aplicação da multa; 3) a produção de provas e julgamento em conjunto de todos os processos decorrentes da Fl. 295DF CARF MF Processo nº 18329.000220/200781 Acórdão n.º 9202005.477 CSRFT2 Fl. 295 3 mesma ação fiscal; 4) a nulidade do lançamento por conter erro material no cálculo e constituirse em multa cumulativa e 5) que as intimações sejam remetidas aos procuradores identificados nos autos. A impugnação foi julgada improcedente. Inconformado o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. Além de reiterar os argumentos de defesa, o Contribuinte em sede de preliminar requer a nulidade da decisão pela ausência de determinação da conexão entre os processos administrativos decorrentes da mesma ação fiscal e requer a redução da multa pela aplicação da Lei nº 11.941/2009. Por meio do Acórdão 2403.01.164, a 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho deu provimento parcial ao recurso para, aplicando o art. 150, §4º do CTN, reconhecer a decadência das competências até 10/2002, inclusive, e determinar o recálculo da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2001 a 30/04/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN Fl. 296DF CARF MF 4 O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Na hipótese presente, verificase que a decisão de primeira instância no processo da obrigação principal conexo a este, qual seja, processo nº 18329.000212/200734, constata pagamentos realizados pela Recorrente a homologar pela AuditoriaFiscal no período 06/2001 a 10/2002, embora não haja recolhimento na competência 03/2002. Então, aplicandose o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN para todas as competências, posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte em pelo menos uma competência objeto do AI, além de não se materializar as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Verificase, da análise dos autos, que a cientificação da AI pela Recorrente se deu em 01.11.2007 e o débito se refere a contribuições devidas à Seguridade Social no seguinte período 06/2001 a 04/2007. Nos termos do artigo 150, § 4o, CTN, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 10/2002, inclusive. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA Fl. 297DF CARF MF Processo nº 18329.000220/200781 Acórdão n.º 9202005.477 CSRFT2 Fl. 296 5 RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial para rediscussão de duas matérias: 1) a aplicação do artigo 173, I do CTN para fixação do termo inicial do prazo decadencial nos casos de lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória, e 2) o critério adotado na aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões requerendo o não conhecimento do recurso em relação a segunda matéria. Afirma que os acórdãos paradigmas são anteriores a vigência da Lei nº 11.941/2009 e, portanto, não podem ser considerados. No mérito requer o seu não provimento. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento: Pugna o Recorrido pelo não conhecimento do recurso no que tange a discussão da retroatividade benigna das multas trazidas pela Lei nº 11.941/2009. Afastando as alterações constantes na Medida Provisória 449/2008, o contribuinte afirma que a Lei nº 11.941/2009 entrou em vigor em 27.05.2009, assim "os acórdãos paradigmas não se prestam como fundamento (...), eis que proferidos anteriormente Fl. 298DF CARF MF 6 à edição da Lei que trouxe o abrandamento das multas e dos juros aos casos de inadimplemento ou ausência de declarações relativas à tributos previdenciários". Inicialmente é importante destacar a relação intrínseca existente entre a Lei nº 11.941/2009 e a Medida Provisória nº 449/08, esta foi o texto base daquela, ou seja, há uma relação direta e umbilical entre os textos normativos ora analisados. Embora de fato haja uma questão relacionada ao processo legislativo de alteração normativa, não podemos negar que independente da norma introdutora, os artigos aplicados e considerados pelos acórdãos recorrido (art. 26 da Lei nº 11.941/09) e paradigmas (art. 24 da MP 449/08) produziram no mundo jurídico, cada um em seu tempo, os mesmo efeitos. Isso porque a alteração inicialmente proposta pela medida provisória (que produziu efeitos até a sua conversão na lei) foi mantida nos mesmos termos pela respectiva Lei de Conversão nº 11.941/2009. Vejamos: MP 449/08 Lei nº 11.941/09 Art. 24. A Lei no 8.212, de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações: (...) “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” (NR) “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das Art. 26. A Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das Fl. 299DF CARF MF Processo nº 18329.000220/200781 Acórdão n.º 9202005.477 CSRFT2 Fl. 297 7 contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996.” (NR) “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996.” (NR) contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Considerando que não ocorreu qualquer mudança significativa no texto e embora os veículos que promoveram as alterações na Lei nº 8.212/91 sejam distintos (MP e lei), a norma introduzida sempre foi única e produziu desde a edição da medida provisória os mesmos efeitos. Assim, o fato de na época do julgamento dos paradigmas a análise da aplicação da retroatividade ter sido feita com base nas alterações promovidas pela MP 449/2008, por si só não leva à inadmissibilidade do recurso, pois o entendimento adotado naqueles casos é o mesmo sustentado pela Recorrente, qual seja, na apuração da multa mais benéfica devese comparar o art. 35 da Lei nº 8212/91 (na redação anterior) e o art. 35A da mesma lei, entendimento não compartilhado pelo Colegiado a quo. No mais, também não se sustenta o argumento de não conhecimento do recurso em razão da Instrução Normativa nº 971/2009. É indiscutível que as partes, os acórdãos recorrido e paradigmas convergem no sentido de que somente se aplicará o art. 106 do CTN no caso da nova norma ser mais benéfica ao contribuinte. O que se discute, porém, é qual seria a regra para apuração da multa mais benéfica, a divergência está na classificação da natureza jurídica das multas e a fixação do critério de comparação entre elas. A problemática foi didaticamente resumida pelo despacho de admissibilidade: Assinala que, embora diante de situações semelhantes, o acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob fundamento de que o art. 35, caput da Lei 8212/91 deveria ser observado e comparado com a atual redação emprestada pela Lei nº 11941/09. Afirma que, como na atual redação há remissão ao art. 61 da Lei nº 9430/96, entendeu que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20%. Pondera que os paradigmas, por outro lado, entenderam que o art. 35 da Lei nº 8212/91 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei nº 11941/09, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44 da Lei 9430/96. Salienta que nos paradigmas a aplicação da retroatividade benigna na forma do art. 61, §2º da Lei 9430/96 foi rechaçada de forma expressa. Fl. 300DF CARF MF 8 Diante do exposto, é possível observar que a divergência interpretativa, na forma como apresentada pela Fazenda Nacional, existe e deve ser analisada por esta Câmara Superior, razão pela qual, reiterando o despacho 2400346/2013, conheço do recurso. Do processo nº 18329.000212/200734: Antes de analisarmos o mérito propriamente dito, é essencial destacar que o presente lançamento (DEBCAD 37.134.5626) referese a cobrança de multa pelo descumprimento de obrigação acessória caracterizada pelo fato do contribuinte ter apresentado GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, art. 32, inciso IV e §5º da Lei 8.212/91. Tratase de obrigação acessória lançada como consequência do lançamento da obrigação principal objeto do processo nº 18329.000212/200734, cujo trâmite administrativo já se encerrou e já ocorreu, segundo informações do sistema, inscrição em dívida ativa e ajuizamento de execução fiscal para cobrança do quantum devido. Assim, quando da efetivação do presente julgado, deve ser observado a existência de decisão já transitada em julgado na esfera administrativa e suas respectivas implicações ao caso. Do mérito recurso: Conforme exposto no relatório, o Recurso da Fazenda Nacional foi recebido para rediscussão de duas matérias: regra decadencial aplicada aos lançamentos cujo objeto é a cobrança de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória e ainda forma de cálculo da multa aplicada em razão das alterações promovidas na lei nº 8.212/91 com a edição da Lei nº 11.941/2009. Decadência: No que tange a primeira divergência, é sedimentado que o prazo decadencial aplicável às obrigações acessórias é aquele previsto no art. 173, I do CTN. Isso porque, independentemente do reconhecimento da decadência, em algum momento a obrigação principal era devida e por não ter sido adimplida gerou o lançamento de ofício, tanto do tributo quanto do respectivo descumprimento do dever instrumental. A meu ver o art. 113 do CTN deixa claro que as obrigações acessórias, apesar de em sua maioria estarem relacionadas ao dever de pagar um tributo, dessas são distintas e autônomas: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 18329.000220/200781 Acórdão n.º 9202005.477 CSRFT2 Fl. 298 9 § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Assim, descumprida uma obrigação acessória haverá o lançamento de ofício da penalidade, sendo irrelevante se discutir acerca da existência ou não de antecipação de pagamento da obrigação principal devendo neste caso ser aplicado o art. 173, I do CTN. Cito, para ilustrar, o entendimento da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no acórdão 2401003.209, que ainda nos traz apontamentos relevantes acerca da finalidade das informações prestadas em GFIP: Ressalto, que independente da decadência das obrigações principais ter sido decretada a luz do art. 150, § 4, nos autos de obrigação acessória não há como atribuir mesmo raciocínio, tendo em vista serem obrigações distintas, a de recolher a contribuição devida, e a de informar em GFIP fatos geradores de contribuição previdenciária. A informação em GFIP não possui o condão de apenas informar a contribuição devida, mas acima de tudo, informar a remuneração do segurado da previdência social, informação essa que irá subsidiar a concessão de benefícios e o correspondente cálculo do salário de benefício. Considerando a regra do art. 173, I do CTN a qual determina que o prazo decadencial se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a contribuição poderia ser lançada, e considerando que o lançamento se reporta ao período de 06/2001 a 04/2007, temos como termo a quo da contagem do prazo decadencial a data de 01/01/2002. Como o contribuinte foi intimado do lançamento em 01/11/2007, deve reconhecer a decadência da multa referente ao descumprimento das obrigações acessórias relativas aos meses de junho a novembro de 2001. Permanece devida a multa relativa ao mês 12/2001, pois neste caso a obrigação acessória deveria ter sido cumprida em 01/2002. Retroatividade da Lei nº 11.941/2009: A segunda divergência apontada pelo Recorrente se refere às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 302DF CARF MF 10 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) Apesar de não ter sido o entendimento inicial desta relatora, após exaustivos debates sobre o tema, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de Fl. 303DF CARF MF Processo nº 18329.000220/200781 Acórdão n.º 9202005.477 CSRFT2 Fl. 299 11 pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991 regra já adotada pelo fiscal quando do lançamento do débito. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto proferido no Acórdão nº 9202004.000: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e Fl. 304DF CARF MF 12 II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 305DF CARF MF Processo nº 18329.000220/200781 Acórdão n.º 9202005.477 CSRFT2 Fl. 300 13 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. No presente caso, conforme consta do relatório, a multa aplicada ocorreu nos termos da Lei nº 8.212/91, art. 35A, c/c art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, ambos com redação da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/09, por ser considerada mais favorável. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Sobre o assunto foi editada a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. Fl. 306DF CARF MF 14 § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 18329.000220/200781 Acórdão n.º 9202005.477 CSRFT2 Fl. 301 15 Por fim, vale destacar que diante da menção feita no acórdão recorrido acerca do Processo 18329.000212/200734, se faz necessário perquirir acerca da ocorrência da decadência parcial da obrigação principal, pois para este período a retroatividade das multas por descumprimento de obrigação acessória se dará a luz do art. 32A, nos termos em que destacado acima. Conclusão: Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito doulhe parcial provimento para i) reconhecer, com base no art. 173, I do CTN a decadência da multa referente ao descumprimento das obrigações acessórias relativas aos meses de junho a novembro de 2001, e ii) determinar que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 308DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720699/2012-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.030
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à câmara a quo para complementação do exame de admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional e posterior retorno dos autos à conselheira relatora, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : 2ª SEÇÃO
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15586.720699/2012-11
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5771626
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-000.030
nome_arquivo_s : Decisao_15586720699201211.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 15586720699201211_5771626.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à câmara a quo para complementação do exame de admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional e posterior retorno dos autos à conselheira relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
id : 6937285
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049470061510656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1716; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 384 1 383 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15586.720699/201211 Recurso nº Especial do Procurador Resolução nº 9202000.030 – 2ª Turma Data 24 de agosto de 2016 Assunto GLOSA DE COMPENSAÇÃO E MULTA ISOLADA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MUNICÍPIO DE VILA VELHA Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à câmara a quo para complementação do exame de admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional e posterior retorno dos autos à conselheira relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração referentes a glosa de compensação e multa isolada no percentual de 150%, relativamente ao período de 02/2002 a 10/2010, no que tange às seguintes rubricas: adicional de 1/3 de férias; parcela referente ao exercício de cargo ou função de confiança pelos efetivos; e primeiros 15 dias que antecedem a concessão de auxíliodoença ou auxílioacidente. Às fls. 129 a 177 constam decisão monocrática e sentença proferida pelo TRF da 2ª Região (fls. 129 a 177) que, em sede de remessa necessária: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .7 20 69 9/ 20 12 -1 1 Fl. 384DF CARF MF Processo nº 15586.720699/201211 Resolução nº 9202000.030 CSRFT2 Fl. 385 2 determinou a prescrição das parcelas recolhidas em data anterior a 02/06/2005 (fls. 08); considerou fora da incidência das contribuições previdenciárias diversas parcelas, entre elas as relativas aos primeiros 15 dias que antecedem a concessão de auxílio doença ou auxílioacidente (fls. 08) e adicional de 1/3 de férias (fls. 10 a 12); quanto às verbas referentes ao exercício de cargo ou função de confiança, que foram consideradas prescritas, já que relativas ao período de 1999 a 2004 (fls. 20). Ademais, a sentença assim determinou (ementa às fls. fls. 28): "(...) 10. A compensação observará a disposição do artigo 170A do CTN, acrescentado pela LC nº 104/2001, que veda a compensação de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da sentença." Com base na sentença, o Contribuinte iniciou o procedimento de compensação, realizado nas competências 11/2010, 01/2011, 03/211 e 08/2011. Embora a decisão tenha abrangido várias rubricas, só foram compensadas as contribuições relativas ao adicional de 1/3 de férias; parcela referente ao exercício de cargo ou função de confiança pelos efetivos; e primeiros 15 dias que antecedem a concessão de auxíliodoença ou auxílioacidente, relativas ao período de 02/2002 a 10/2010. Impugnado o lançamento, a DRJ em Juiz de Fora/MG manteve em parte a autuação, exonerando o Contribuinte da multa isolada, conforme acórdão assim ementado, que inclusive originou Recurso de Ofício (fls. 268 a 275). "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2010 a 31/08/2011 Ementa: OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO SOBRE VERBAS INDENIZATÓRIAS. RECOLHIMENTO INDEVIDO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. INEXISTÊNCIA. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. GLOSA. É procedente a glosa de compensação quando o sujeito passivo deixa de cumprir os requisitos previstos na legislação aplicável à espécie ou deixa de apresentar documentos e informações que permitam ao fisco a verificação da regularidade do procedimento. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GFIP. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. DOLO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Ainda que haja compensação indevida, é improcedente a aplicação de multa isolada, sem que a autoridade lançadora comprove, com provas robustas, a falsidade da declaração e o dolo específico. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Fl. 385DF CARF MF Processo nº 15586.720699/201211 Resolução nº 9202000.030 CSRFT2 Fl. 386 3 A exoneração da multa isolada foi assim fundamentada: "A compensação pode ser indevida e não haver falsidade da declaração, entendimento que se extrai da leitura conjunta dos parágrafos 9º e 10, do artigo 89, da Lei nº 8.212/91, abaixo transcritos. A compensação indevida, sem falsidade da declaração, é glosada e exigida com os acréscimos moratórios (§ 9º), mas, na hipótese de haver comprovação da falsidade, impõe a aplicação da multa isolada (§ 10). § 9º Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. No presente caso, as compensações realizadas foram indevidas, não pela inexistência de crédito em favor do Impugnante, mas pela falta de atendimento aos termos e condições para efetivação da compensação, in casu, o trânsito em julgado. Quanto à falsidade da declaração não restou comprovada, como exige a lei. A autoridade fiscal não logrou êxito em demonstrar através dos meios disponíveis que o Impugnante inseriu nas GFIP informação diversa da realidade fática, e ainda, que o teria feito de maneira intencional, com fito de reduzir, afastar, retardar o recolhimento das contribuições previdenciárias." Em sessão plenária de 22/01/2014, foram julgados os Recursos Voluntário e de Ofício, prolatandose o Acórdão nº 2403002.417, assim ementado: " ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2010 a 31/08/2011 PREVIDENCIÁRIO.SÚMULA Nº1 DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Na forma do previsto na Súmula CARF nº1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. RO Negado e RV Não Conhecido" A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e não conhecer do Recurso Fl. 386DF CARF MF Processo nº 15586.720699/201211 Resolução nº 9202000.030 CSRFT2 Fl. 387 4 Voluntário devido a matéria ser objeto de Ação Judicial, nos termos da Sumula 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF." No que tange à multa isolada, o voto condutor do acórdão recorrido assim registra: " DO RECURSO DE OFÍCIO Visto a decisão a quo e compulsada com os autos, conheço do Recurso para NEGARLHE PROVIMENTO" O processo foi encaminhado à PGFN em 06/03/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 348). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a Fazenda Nacional foi considerada intimada em 05/04/2015, portanto poderia interpor Recurso Especial até 20/04/2015, o que foi feito em 14/04/2015 (fls. 349 a 358), conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 359. O Recurso Especial suscita duas matérias: aplicação da multa isolada prevista no § 10, do artigo 89, da Lei nº 8.212, de 1991 (paradigma Acórdão nº 2301002.736); caso assim não se entenda, a multa de 150% deve ser convertida em multa de 75% (paradigma Acórdão nº 2402003.407). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, embora somente tenha sido apreciada a primeira matéria, conforme despacho de admissibilidade de 1º/09/2015 (fls. 361 a 364). No Recurso Especial, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos, em síntese: a aplicação da penalidade em questão está prevista no art. 89, §10, da Lei nº 8.212, de 1991 c/c art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996: Lei nº 8.212, de 1991 "Art. 89 (...) §10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)." Lei nº 9.430, de 1996 "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou Fl. 387DF CARF MF Processo nº 15586.720699/201211 Resolução nº 9202000.030 CSRFT2 Fl. 388 5 recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" (Destaque nosso) a análise desses dispositivos deixa claro que, na hipótese de compensação indevida, e uma vez constatada a inidoneidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõese a aplicação da multa isolada no percentual de 150%; nesse sentido, segue a jurisprudência administrativa: Acórdão nº 2302002.380 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2011 a 31/08/2011 Ementa: CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. Estando comprovada a falsidade da declaração com a conduta dolosa do sujeito passivo, mostrase correta a aplicação do disposto no art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Grifos nossos) no caso, o contribuinte compensou créditos que, dada a sua natureza controvertida, não cumprem os requisitos legais de liquidez e certeza e, nessa perspectiva, constatase que a compensação se fundamenta em declaração falsa, ante a inexistência de seus pressupostos legais; uma vez verificada a falsidade, temse configurada a hipótese de incidência prevista no §10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991, que, repitase, não exige dolo do agente; ora, se não há nenhuma dúvida de que as GFIP’s entregues pelo Município veicularam informações sabidamente falsas, não há que se falar em redução da penalidade; ressaltese que o Tributário Nacional prevê, em seu art. 97, o seguinte: "Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades". (Grifos nossos) assim, ao afastar a multa isolada, o julgado recorrido terminou por criar hipótese de redução de penalidade não prevista em lei, violando, por consequência, o Princípio da Legalidade. Fl. 388DF CARF MF Processo nº 15586.720699/201211 Resolução nº 9202000.030 CSRFT2 Fl. 389 6 na remota hipótese, dessa e. Turma não acolher o entendimento acima exposto, requer a aplicação da multa no percentual de 75%. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e o provimento do Recurso Especial, para que seja: a) restabelecendose a multa qualificada; b) caso assim não se entenda, que seja aplicada a multa de 75% no lugar do percentual de 150%. Cientificado em 09/10/2015 (AR Aviso de Recebimento de fls. 367), o Contribuinte ofereceu, em 28/10/2015, as Contrarrazões de fls. 369 a 381, em que pede a manutenção do acórdão recorrido. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Trata o presente processo, de Autos de Infração referentes a glosa de compensação e multa isolada no percentual de 150%, relativamente ao período de 02/2002 a 10/2010, no que tange às seguintes rubricas: adicional de 1/3 de férias; parcela referente ao exercício de cargo ou função de confiança pelos efetivos; e primeiros 15 dias que antecedem a concessão de auxíliodoença ou auxílioacidente. O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e suscita duas matérias: aplicação da multa isolada prevista no § 10, do artigo 89, da Lei nº 8.212, de 1991 (paradigma Acórdão nº 2301002.736); caso assim não se entenda, a multa de 150% deve ser convertida em multa de 75% (paradigma Acórdão nº 2402003.407). Entretanto, no despacho de admissibilidade de fls. 361 a 364 somente foi examinada a primeira matéria, dandose seguimento ao apelo. Assim, proponho a conversão do presente julgamento em diligência à Colenda Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento, para complemento do exame de admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Após, os autos devem retornar a esta Relatora. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 389DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.002345/2009-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
EMBARGOS. OBSCURIDADE. NÃO CARACTERIZADA.
Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão ou contradição porventura existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria já julgada no acórdão embargado.
Verifica-se obscuridade quando a decisão está incompreensível no comando que impõe e na manifestação de conhecimento e vontade do julgador, o que inocorreu no acórdão embargado.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3402-004.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 EMBARGOS. OBSCURIDADE. NÃO CARACTERIZADA. Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão ou contradição porventura existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria já julgada no acórdão embargado. Verifica-se obscuridade quando a decisão está incompreensível no comando que impõe e na manifestação de conhecimento e vontade do julgador, o que inocorreu no acórdão embargado. Embargos Rejeitados
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11070.002345/2009-37
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5753527
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-004.326
nome_arquivo_s : Decisao_11070002345200937.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
nome_arquivo_pdf_s : 11070002345200937_5753527.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6877959
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049470068850688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1544; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 818 1 817 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11070.002345/200937 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402004.326 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2017 Matéria Embargos de Declaração Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA TRITÍCOLA REGIONAL SANTO ÂNGELO LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 EMBARGOS. OBSCURIDADE. NÃO CARACTERIZADA. Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão ou contradição porventura existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria já julgada no acórdão embargado. Verificase obscuridade quando a decisão está incompreensível no comando que impõe e na manifestação de conhecimento e vontade do julgador, o que inocorreu no acórdão embargado. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 23 45 /2 00 9- 37 Fl. 818DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) em 10/05/2017, em face do Acórdão nº 3402003.974, de 29/03/2017, cuja ementa segue abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário (...) RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INCLUSÃO NO CÁLCULO. Todos os créditos normais do contribuinte devem integrar a base de cálculo do rateio proporcional para fins de ressarcimento das exportações, independente de ser ou não o mesmo vinculado ao mercado externo. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. PREVISÃO LEGAL. PERÍODO DETERMINADO. CONDIÇÕES. INOBSERVÂNCIA. A legislação que regulamentou o sistema não cumulativo das contribuições sociais previu o direito de apropriação de crédito presumido da atividade agroindustrial para o cerealista, que exerce a atividade de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal especificados, apenas para o período entre fevereiro e julho do ano de 2004. A concessão do crédito presumido à cerealista estava condicionada à venda dos produtos às empresas identificadas no § 5º do artigo 3º da Lei 10.833/03, então vigente. A partir de agosto de 2004, o crédito presumido ficou restrito às pessoas jurídicas que desenvolvam atividade agroindustrial nas condições especificadas no art. 8º da Lei n 10.925/2004. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO NAS VENDAS COM TRIBUTAÇÃO SUSPENSA, ISENTAS OU NÃO TRIBUTADAS. IMPOSSIBILIDADE. Não é permitido o aproveitamento de crédito pelas cooperativas agropecuárias em relação a vendas não tributadas, isentas ou com a tributação suspensa. A norma contida no § 4º do art. 8º da Lei n 10.925/04 dispõe especificamente acerca das pessoas enumeradas nos incisos de I a III do §1 do art. 8º da Lei n 10.925/2004, enquanto o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 traz uma regra geral. Como uma norma geral não revoga uma norma específica, a vedação do §4º do artigo 8º permanece em vigor. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei n 10.925/2004 não se submete à tríplice forma de aproveitamento, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno. Recurso Voluntário parcialmente provido Fl. 819DF CARF MF Processo nº 11070.002345/200937 Acórdão n.º 3402004.326 S3C4T2 Fl. 819 3 Nos termos do art. 7º, §5º da Portaria MF nº 527/2010 e do art. 79 do Anexo II do Regimento Interno do CARF1, na redação dada pela Portaria MF nº 39, de 12/02/2016, o Procurador da Fazenda Nacional é considerado cientificado pessoalmente 30 dias após a remessa dos autos à Procuradoria da Fazenda, que se deu no caso em 06/04/2017. A embargante sustenta ter havido obscuridade no acórdão recorrido, nos termos seguintes: (...) Ao que se observa, a ilustre relatora tratou basicamente da possibilidade de utilização do método de rateio proporcional para uso dos créditos e da impossibilidade de se utilizar os dois métodos previstos na legislação (apropriação direta e rateio proporcional) ao mesmo tempo. Ao final, concluiu pela aplicação do método do rateio proporcional para apuração dos créditos vinculados aos três tipos de receita (exportação, mercado interno e mercado interno nãotributado) sem, contudo, manifestarse sobre os reais motivos utilizados pela fiscalização para glosar os créditos, acima enumerados. O colegiado não se utilizou de qualquer argumento para refutar as irregularidades apontadas pela fiscalização. É dizer, concluiuse que o contribuinte calculou corretamente os créditos, que as glosas da fiscalização eram indevidas, mas não se explicou o porquê. Revelase, portanto, evidente a obscuridade do acórdão embargado, na medida em que não se manifestou especificamente sobre as irregularidades apontadas pela fiscalização na apuração do crédito de COFINS não cumulativa pleiteado em ressarcimento pelo contribuinte. (...) Os embargos foram admitidos pelo Presidente deste Colegiado, nesses termos: (...) Compulsando a decisão embargada, constatase que o Colegiado, apoiandose nos acórdãos nº 3202001.618 e nº 330201.339, bem como na orientação constante no Dacon, decidiu reformar parcialmente a decisão de julgamento de 1ª instância, para que fosse “...recalculado o direito creditório da recorrente com base no método do rateio proporcional adotado pelo contribuinte para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação; à receita não tributada e à receita tributada no mercado interno.” (sublinhei). Contudo, a decisão deixou de esclarecer em que medida os critérios adotados pela Fiscalização e pelo recorrente, respectivamente, dissentiam e concordavam com os fundamentos dos acórdãos adotados como fundamentação e com a orientação do Ajuda do DACON. Ao omitir esses fundamentos, a decisão 1 Art. 79. O Procurador da Fazenda Nacional será considerado intimado pessoalmente das decisões do CARF, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN, salvo se antes dessa data o Procurador se der por intimado mediante ciência nos autos. (NR) Fl. 820DF CARF MF 4 cerceia o direito de defesa da Fazenda Nacional e obstaculiza eventual recurso contra ela. O vício reclama saneamento. Conclusão Com essas considerações, forte no § 3° do art. 65 do RICARF, acolho os embargos interpostos, para que o Colegiado 3402 colmate a lacuna de fundamentação, esclarecendo em que medida os cálculos do contribuinte estão corretos. (...) É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Tomase conhecimento dos embargos tendo em vista a sua admissão pelo Presidente do Colegiado. No presente caso, no que concerne ao método de rateio proporcional dos créditos, o Colegiado assim se pronunciou no acórdão embargado: 1) Do critério de rateio para apropriação dos créditos apurados proporcionais às receitas de exportações, receitas no mercado interno tributadas e não tributadas No que diz respeito ao critério de apropriação dos créditos do mercado interno e das importações vinculados à receita de exportação, entendeu a fiscalização que: (...) Para a fiscalização os créditos apurados em relação à aquisição de bens para revenda ou utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, bem como em relação à importação de trigo utilizado como matériaprima na produção de farinha, não têm nenhuma vinculação com a receita de exportação, portanto, não cabe a mesma pleitear a restituição/ressarcimento de tais créditos, tendo em vista que a legislação prescreve que podem ser objeto de restituição ressarcimento os créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, conforme §3º do art. 6º do diploma legal em questão, o qual transcrevemos a seguir: (...) Para a fiscalização a alocação dos créditos do PIS e da COFINS pelo método da proporcionalidade, conforme inciso II do § 8º do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, tem aplicação somente para as pessoas jurídicas que possuam receita sujeita a cumulatividade e a não cumulatividade, o que não é o caso da COTRISA, que tem a integralidade da receita sujeita a não cumulatividade do PIS e da COFINS. Ademais, verificamos ainda que o rateio proporcional dos créditos aplicase aos custos, despesas e encargos comuns, ou seja, somente podem ser rateados os créditos comuns. No caso de custos, despesas e encargos específicos o entendimento da fiscalização é que eles devem ser alocados diretamente aos setores a que pertencem. (...) Fl. 821DF CARF MF Processo nº 11070.002345/200937 Acórdão n.º 3402004.326 S3C4T2 Fl. 820 5 De outra parte entende a recorrente que seria vedado pela legislação a utilização de dois métodos para segregar os custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito, como efetuado pela fiscalização, utilizando o critério do rateio proporcional para os créditos comuns e o da apropriação direta para os demais créditos, ferindo o art. 15 da Lei nº 9.779/99 que determina a apuração das contribuições de forma centralizada no estabelecimento matriz. Essa questão já foi abordada no Acórdão nº 3202001.618 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 19 de março de 2015, de forma favorável ao entendimento da recorrente, conforme voto da Relatora Tatiana Midori Migiyama, abaixo transcrito: (...) Data venia, em relação ao método de cálculo, considerando que a base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins, é a receita bruta total, e que todos os custos despesas e encargos são comuns e necessários para o desempenho da atividade da contribuinte, estes custos despesas e encargos devem ser apropriados pelo método de rateio proporcional da receita bruta de exportação em relação da receita bruta total. O critério de rateio deve servir para a mesma proporcionalidade para todos os custos, despesas e encargos passíveis de realização de crédito e, que são necessários para o desempenho das atividades da contribuinte. Ora, o art. 6º, § 3º da Lei 10.833/2003, vigente à época dos fatos em dissídio, diz que a compensação dos créditos com débitos administrados pela RFB, pela exportadora de mercadorias, só se aplica aos créditos apurados em relação aos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. O art. 3º, § 8º, da Lei 10.833/2003 dispõe: sobre critério do rateio: relação percentual entre receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total auferidas em cada mês. O art. 3º, § 9º, da mesma lei dispõe: critério escolhido tem de ser consistente em todo o anocalendário. É de hialina clareza o sentido da lei, qual seja, só se podem compensar créditos de custos, despesas e encargos vinculados a receita de exportação. E, para se saber quais são esses créditos vinculados a receita de exportação, a lei previu dois métodos. A única interpretação possível, lógica e condizente com o sentido da norma legal é a de que o critério de rateio é somente o método: a relação deve ser entre receita de exportação e receita bruta total, para aplicála sobre os custos e despesas, na definição dos créditos vinculados à exportação, i.e., para quantificar os créditos que podem ser usados para compensação. (...) Daí, a remissão aos §§ 8º e 9º do art. 3º feita pelo art. 6º, § 3º, todos da Lei 10.833/2003, diz respeito ao método de cálculo para definição de créditos vinculados a receitas de exportação. No caso do método de rateio, a apuração do crédito devese dar pela relação entre receita de exportação e receita bruta total, e aplicar essa relação sobre os custos e despesas, chegandose à determinação do crédito vinculado à exportação, que é compensável com débitos administrados pela RFB. Fl. 822DF CARF MF 6 O art. 20, § 2º, da IN SRF 404/2004 (não revogado) confirma essa inteligência, ao dizer que os créditos compensáveis são somente os apurados sobre custos e despesas vinculados à receita de exportação, observados "os métodos" de apropriação previstos no art. 21 (o art. 21, § 2º, II, da IN 404/04 repete a dicção do art. 3º, § 8º, II, da Lei 10.833/2003). O método é que é aplicável. A relação percentual deve ser entre receita de exportação e receita bruta total, e aplicála sobre os custos e despesas, para definição do valor do crédito compensável. (...) No mesmo sentido foi o entendimento constante no Acórdão nº 330201.339– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, 10 de novembro de 2011, citado pela recorrente, conforme voto do Relator Walber José da Silva que segue abaixo: (...) Assim, a apuração do crédito vinculado à receita de exportação seria feita por um sistema híbrido: parte por apropriação direta e parte por rateio proporcional. Tal modo de apuração não encontra respaldo legal. São claras as disposições do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 de que o crédito será determinado por apropriação direta ou por rateio proporcional. Não há opção de combinar os dois métodos para determinar o crédito vinculado à receita de exportação. O entendimento da recorrente, que concordo, é que todas os custos, despesas e encargos, com direito a crédito normal, que concorreram para a formação da Receita Bruta Total, devem ser incluídos no rateio proporcional e, neste caso, o valor do crédito apurado é exatamente o crédito vinculado à receita de exportação, a que se refere o § 3º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, porque esta é a forma de se apurar o dito crédito vinculado à receita de exportação. Pelo método de rateio proporcional, uma vez determinado a participação relativa da receita de exportação na receita bruta total, não vejo como deixar de aplicar o percentual encontrado nos custos, despesas ou encargos tidos como exclusivamente vinculado às operações no mercado interno e no mercado externo, fazendo incidir somente sobre os custos, despesas e encargos que tenham alguma vinculação tanto com as operações no mercado interno como as operações no mercado externo. (...) Conforme esclarecido na própria decisão recorrida, a RFB, por meio do Ajuda do programa Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon MensalSemestral 2.6), definiu que o método de rateio para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, de mercado interno não tributada e tributada seria idêntico ao estabelecido para as pessoas jurídicas que auferem receitas sujeitas às incidências não cumulativa e cumulativa das contribuições, nesses termos: Ficha 01 Dados Iniciais (...) Método de Determinação dos Créditos O programa possibilita o preenchimento do campo "Método de Determinação dos Créditos", conforme o regime de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins adotado. I) no caso do Regime NãoCumulativo: Fl. 823DF CARF MF Processo nº 11070.002345/200937 Acórdão n.º 3402004.326 S3C4T2 Fl. 821 7 a) Vinculados à Receita Auferida Exclusivamente no Mercado Interno Deve selecionar este campo a pessoa jurídica que, no período abrangido pelo Demonstrativo, auferir apenas receitas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes exclusivamente de atividades no mercado interno. b) Vinculados à Receita Auferida no Mercado Interno e de Exportação Deve selecionar este campo a pessoa jurídica que, no período abrangido pelo Demonstrativo, auferir receitas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins e efetuar concomitantemente: I operações de vendas de produtos ou prestação de serviços no mercado interno; e II exportação de produtos para o exterior ou prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, ou vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Neste caso, a pessoa jurídica deve indicar o método por ela escolhido, dentre os seguintes: b.1) Com Base na Proporção dos Custos Diretamente Apropriados – que consiste na determinação dos créditos através do método de apropriação direta previsto no inciso I do § 8º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou b.2) Com Base na Proporção da Receita Bruta Auferida – que consiste na determinação dos créditos através do método de rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Atenção: 1) O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito deve ser: a) aplicado consistentemente por todo o anocalendário; b) adotado para todos os custos, despesas e encargos comuns; e c) adotado igualmente na apuração dos créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins nãocumulativa. 2) Deve também selecionar este campo a pessoa jurídica que auferir receitas nãotributadas no mercado interno que geram direito a crédito, concomitantemente, com receitas tributadas e/ou com exportação. (não grifado no original) (...) Assim, adotando os mesmos fundamentos dos Acórdãos acima referidos, bem como da orientação constante no Dacon acima transcrita, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, a decisão recorrida deve ser reformada nesta parte para que seja recalculado o direito creditório da recorrente com base unicamente no método do rateio proporcional adotado pela contribuinte para a apropriação dos custos, despesas e encargos Fl. 824DF CARF MF 8 vinculados à receita de exportação; à receita não tributada e à receita tributada no mercado interno. (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja recalculado o direito creditório da recorrente com base no método do rateio proporcional adotado pela contribuinte para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, à receita tributada e à receita não tributada no mercado interno. (...) Na leitura dos trechos acima do acórdão embargado, restou evidenciada a delimitação da lide no seguinte sentido: A fiscalização rejeitou o método de rateio utilizado pela contribuinte, pois entendia que: i) não caberia a alocação dos créditos pelo método da proporcionalidade no caso de contribuinte com a integralidade da receita sujeita a não cumulatividade do PIS e da Cofins como a contribuinte; e ii) o rateio proporcional dos créditos só se aplicaria aos custos, despesas e encargos comuns, mas não aos custos, despesas e encargos específicos, para os quais seria cabível a apropriação direta De outra parte, entendia a recorrente que a legislação vedaria a utilização de dois métodos para segregar os custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito, como efetuado pela fiscalização, utilizando o critério do rateio proporcional para os créditos comuns e o da apropriação direta para os demais créditos. Também se depreende dos trechos transcritos acima que, entre os dois posicionamentos, o Colegiado optou pelo da contribuinte, adotando, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, os mesmos fundamentos dos Acórdãos nºs 3202001.618 e 330201.339 e da orientação constante no Dacon, todos devidamente transcritos no acórdão embargado, os quais traziam, em síntese, os seguintes ensinamentos: A interpretação do art. 6º, § 3º da Lei 10.833/2003 em conjunto com o art. 3º , §§8º e 9º dessa Lei é a de que o critério de rateio é somente o método: a relação deve ser entre receita de exportação e receita bruta total, para aplicála sobre os custos e despesas, na definição dos créditos vinculados à exportação. A apuração do crédito vinculado à receita de exportação por um sistema híbrido parte por apropriação direta e parte por rateio proporcional não encontra respaldo legal, pois são claras as disposições do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 de que o crédito será determinado por apropriação direta ou por rateio proporcional. Método de Determinação dos Créditos2 "I) no caso do Regime NãoCumulativo" > b) Vinculados à Receita Auferida no Mercado Interno e de Exportação: Neste caso, a pessoa jurídica deve indicar o método por ela escolhido, dentre os seguintes: b.1) Com Base na Proporção dos Custos Diretamente Apropriados ou b.2) Com Base na Proporção da Receita Bruta Auferida. Conforme também consta ao final da orientação do Dacon, deve selecionar também a opção b.2) "a pessoa jurídica que auferir receitas nãotributadas no mercado interno que geram direito a crédito, concomitantemente, com receitas tributadas e/ou com exportação". Dessa forma, o Colegiado refutou motivadamente a decisão da fiscalização que rejeitou o método de rateio da contribuinte, não assistindo razão à embargante na alegação de que o Colegiado não teria utilizado de qualquer argumento para refutar as irregularidades apontadas pela fiscalização. Muito menos ainda poderia prosperar a assertiva da embargante de que o Colegiado teria concluído que a contribuinte calculou corretamente os créditos, que as glosas 2 Ajuda do programa Dacon MensalSemestral 2.6 Fl. 825DF CARF MF Processo nº 11070.002345/200937 Acórdão n.º 3402004.326 S3C4T2 Fl. 822 9 da fiscalização eram indevidas, mas não se explicou o porquê. Nesse ponto, há que se esclarecer à embargante que o provimento do recurso foi parcial, apenas no que concerne na aceitação do método do rateio proporcional para a apropriação dos créditos, tendo sido as glosas expressamente contestadas objeto de análise na parte restante do acórdão embargado. Também não se observa nesta parte do Acórdão recorrido cerceamento no direito de defesa da Fazenda Nacional, vez que o posicionamento do Colegiado restou devidamente fundamentado dentro da delimitação da lide posta no recurso voluntário, mormente quando a fiscalização pouco havia discorrido sobre a razão de seu entendimento para não aceitar o rateio proposto pela contribuinte. Conforme ensina Vicente Greco Filho3, a obscuridade é o defeito consistente na difícil compreensão do texto da sentença e pode decorrer de simples defeito redacional ou mesmo de má formulação de conceitos. Verificase obscuridade quando a decisão está incompreensível no comando que impõe e na manifestação de conhecimento e vontade do juiz ou do julgador. A obscuridade da sentença, como os demais defeitos corrigíveis por meio de embargos de declaração, prejudica a sua futura execução. A obscuridade verificase quando há evidente dificuldade na compreensão do julgado. Ocorre quando há a falta de clareza do decisum, daí resultando a ininteligibilidade da questão decidida pelo órgão judicial. Em última análise, ocorre a obscuridade quando a decisão, no tocante a alguma questão importante, solucionaa de modo incompreensível. 4 Assim, entendo que não restou caracterizada a obscuridade apontada pela embargante e voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora 3 GRECO FILHO, Vicente. Direito Processual Civil Brasileiro, vol. 2, São Paulo: Saraiva, 2000, pág. 241. 4 EDcl no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 275.887 SP (2012/02714122) RELATORA : MINISTRA ASSUSETE MAGALHÃES. Fl. 826DF CARF MF 10 Fl. 827DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14033.000235/2005-41
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS.
A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela Receita Federal realizada pelo sujeito passivo em DCOMP deverá ser acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais, em razão desses seguirem ao principal.
Numero da decisão: 9101-002.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela Receita Federal realizada pelo sujeito passivo em DCOMP deverá ser acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais, em razão desses seguirem ao principal.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 14033.000235/2005-41
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5768851
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-002.868
nome_arquivo_s : Decisao_14033000235200541.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
nome_arquivo_pdf_s : 14033000235200541_5768851.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
id : 6933984
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049470073044992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1516; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 362 1 361 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 14033.000235/200541 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.868 – 1ª Turma Sessão de 06 de junho de 2017 Matéria IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL: PRINCIPAL, MULTA E JUROS Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida CENTRAIS ELÉTRICAS BRASILEIRAS S.A. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela Receita Federal realizada pelo sujeito passivo em DCOMP deverá ser acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais, em razão desses seguirem ao principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 02 35 /2 00 5- 41 Fl. 362DF CARF MF Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 9101002.868 CSRFT1 Fl. 363 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela FAZENDA NACIONAL em face do Acórdão n. 1103000.801, proferido pela 3a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção, que – por unanimidade de votos – decidiu não haver vedação legal à imputação proporcional entre o pagamento de débito principal, multa e juros, aplicável aos procedimentos de compensação. A exigência em questão decorre do entendimento fiscal de que não obstante as CENTRAIS ELÉTRICAS BRASILEIRAS tenham inserido em suas Declarações de Compensação – apresentadas para o abatimento entre créditos de saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário 2004 com débitos de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS – apenas os valores principais, os acréscimos legais seriam cobrados proporcional e independentemente de sua declaração posterior. Admitirseia somente a compensação de multa e juros, na hipótese de o valor principal haver sido declarado na mesma Dcomp. Em face do despacho decisório que veiculou esse entendimento, a Recorrida apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, objetivamente, (a) que parte das Dcomps faziam referência ao pagamento de juros e multas relativos a débitos quitados por meio de compensações em datas posteriores ao vencimento e sem acréscimos legais; (b) a falta de previsão legal para tais restrições, inclusive se considerando as disposições dos artigos 165 do Código Tributário Nacional e 74 da Lei n. 9.430/96, Instruções Normativas n. 210/02, 460/04 e 600/05, que trataram da matéria; e (c) a ausência de prejuízo ao Erário, caso o débito principal fosse adimplido somente depois do vencimento, com posterior pagamento de multa e juros, invalidando o argumento de que subsistiria base de cálculo para esses acréscimos. O posicionamento da Administração Tributária, no entanto, foi mantido pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, que compreendeu que (a) os artigos 28 da Instrução Normativa n. 210/02 e 28, parágrafo 1o., da Instrução Normativa n. 600/05, com status de norma complementar, determinariam que os juros e multas sobre pagamentos ou compensações em atrasos fossem computados juntos ao principal na Dcomp e que, por essa razão, não teria havido restrição ao direito da Recorrida, mas adoção dos procedimentos previstos pela legislação; (b) a ausência de Fl. 363DF CARF MF Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 9101002.868 CSRFT1 Fl. 364 3 impedimento à compensação pelo artigo 74 da Lei n. 9.430/96 não atestaria a correição do procedimento adotado pela Recorrida; e (c) a inexistência de força vinculante das decisões da CSRF sobre as decisões da Administração. Em face dessa decisão, a Recorrida interpôs Recurso Voluntário defendendo (a) a inexistência de dispositivo legal que obrigasse a compensação do principal e acréscimos na mesma Dcomp ou, de perspectiva diversa, que vedasse a compensação do principal numa declaração e acréscimos noutra; (b) violação ao princípio da legalidade com a extenção da interpretação das referidas Instruções Normativas, que prescindiriam de autonomia suficiente à criação de obrigações; (c) impossibilidade de restrição a direito previsto em lei por normas públicas, como a compensação; e, por fim, (d) reiterouse o argumento de ausência de prejuízo ao Erário. Ao recurso foi dado provimento por unanimidade com o Acórdão n. 1103000.801, de Relatoria do Conselheiro Marcos Takata, em que, depois da conferência dos valores em questão e confirmação da suficiência do direito creditório, sustentouse que, a despeito de se entender haver prejuízo ao Estado sem a suscitada imputação, não haveria previsão legal para a sua exigência, restando assim ementanda a decisão: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL PRINCIPAL, JUROS, MULTA INEXISTÊNCIA DE REGRA Não há regra legal tributária estatuindo a imputação proporcional do pagamento entre principal e juros, ou entre principal, juros e multa de mora. Ao contrário, há regra legal que chancela a possibilidade jurídica de pagamento só de principal com atraso. A fortiriori, é possível o pagamento só de juros de mora e/ou de multa de mora. Inexistência de vedação à compensação só de juros de mora e de multa de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Relator. Fl. 364DF CARF MF Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 9101002.868 CSRFT1 Fl. 365 4 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Aloysio José Percínio da Silva. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial demonstrando que a lide não giraria em torno do direito creditório, mas se voltaria para o débito constante de cinco Dcomps cujas compensações não foram admitidas por representarem somente os acréscimos moratórios sem o principal e que a questão da imputação proporcional poderia ser conhecida em função da existência dos Acórdãos n. 20312.183 e 20218.737, que se prestariam como paradigmas por considerarem haver previsão legal para esse mecanismo. Nesse contexto, defende que os artigos 163 e 167 do Código Tributário Nacional, por não terem fixado regra de precedência entre tributo, multa e juros, submeteriam a questão ao tratamento da imputação de pagamentos e seriam os dispositivos que fundamentariam a validade da sistemática proposta. Adicionalmente, salienta que não teriam sofrido alterações pela Lei n. 9.430/96 em função da natureza de lei complementar atribuída ao código e, na linha desenvolvida, adotou o Parecer PGFN/CDA n. 1936/2005. O Recurso Especial foi recepcionado por Despacho de Admissibilidade que considerou suficientes os dois paradigmas apresentados e, cientificada, a contribuinte não apresentou contrarrazões. Passase, então, à sua apreciação. Voto Vencido Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, Relatora. PRELIMINARES Tempestividade do Recurso Especial Anteriormente à análise do mérito, verificarseá a tempestividade do recurso e o preenchimento dos requisitos para o seu conhecimento. A respeito do primeiro ponto, querse registrar que na efl. 325 (fl. 313, processo físico) consta um Termo de Intimação do Sr. Representante da Fazenda Nacional Fl. 365DF CARF MF Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 9101002.868 CSRFT1 Fl. 366 5 emitido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, datado de 28 de janeiro de 2013. Logo abaixo, na mesma página, verificase a assinatura da procuradora Sra. Francianna Barbosa de Araújo, sobre tal ciência, contudo, sem que tenha registrado manualmente a respectiva data. Já na folha seguinte (efl. 326 ou fl. 314, processo físico), localizase termo expedido pela Sra. Maria da Guia Lima Gomes Barros de Matos, do Serviço de Controle ao Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, atestando, em 30 de janeiro de 2013, a juntada do acórdão recorrido e intimação ao Procurador da Fazenda Nacional de fl. 313 (processo físico). Na sequência do processo, encontrase (i) extrato de movimentação do processo do CARF para a PGFN no dia 07.02.2013 e, ao final da página, assinatura do Sr. Silas Augusto, matrícula SIAPE 95810, pela recepção em 14.02.2013; (ii) Recurso Especial datado de 22.03.2013; (iii) extrato de movimentação do processo da PGFN para o CARF no dia 25.03.2013, recebido em 27.03.2013, por servidor não identificado. Não se localiza, por outro turno, informação direta e objetiva quanto à data do protocolo do recurso. Observase que, de um lado, temse a ciência da Procuradora da Fazenda com assinatura e sem data manual no Termo de Intimação de 28.01.2013 (fl. 325) e na página seguinte uma certidão de 30.01.2013 da juntada do acórdão recorrido e intimação da Procuradoria, enquanto extrato de movimentação do processo apenas em 07.02.2013. O despacho de admissibilidade, considerando que “não temos nos autos prova da intimação pessoal do (a) Procurador (a) da Fazenda Nacional”, ultrapassou a regra do artigo 79 do Regimento Interno do CARF. Nesse sentido, com o mesmo relato fático realizado neste voto quanto aos documentos e datas constantes dos autos e aplicação da regra desses parágrafos – previstas para a hipótese em que não há intimação pessoal da Procuradoria da Fazenda Nacional – concluiu se no Despacho de Admissibilidade pela tempestividade do recurso especial. A premissa que se adota neste voto será igualmente da inexistência de intimação pessoal da Produradoria da Fazenda Nacional, pois, não obstante a assinatura da Sra. Procuradora na página que se refere ao Termo de Intimação de 28.01.2013 (efl. 326, ou fl. 314 do processo físico), sem que esta a tenha datado manualmente, a folha seguinte que consiste na certidão de juntada da intimação em 30.01.2013 e remete à efl. 313 (efl. 326, ou fl. 314 do processo físico), também anexa ao processo o acórdão recorrido, motivo pelo qual se presume que à Procuradoria da Fazenda Nacional apenas tenha sido dada ciência após essa data, no que consta dos autos, com a movimentação do processo recebido em 14.02.2013 pelo Sr. Silas Augusto. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 9101002.868 CSRFT1 Fl. 367 6 Por essa razão entendese configurada no mesmo sentido a premissa necessária ao deslocamento da aplicação da regra do caput do artigo 79 do Regimento Interno do CARF para os seus parágrafos 1o. e 2o, de ausência de intimação pessoal do Procurador da Fazenda Nacional, com ampliação do prazo para interposição do recurso especial. Assim, contandose o prazo de 15 dias (cf. artigo 68 do Regimento Interno) da intimação ocorrida 30 dias após o recebimento dos autos por meio digital (v. artigo 79), em 14.02.2013, e o extrato de movimentação do processo da PGFN para o CARF no dia 25.03.2013, recebido em 27.03.2013, por servidor não identificado – embora não se tenha localizado informação direta e objetiva quanto à data do seu protocolo – considerase o presente recurso tempestivo. Conhecimento do Recurso Especial O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, (1) na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (i) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (ii) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; (iii) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF; ou (2) de sua interposição, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente. Pois bem, voltandose ao caso concreto, verificase que a Recorrente indicou os acórdãos n. 20312.183, da Terceira Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, e n. 20218.737, da Segunda Câmara deste mesmo Conselho, para Fl. 367DF CARF MF Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 9101002.868 CSRFT1 Fl. 368 7 demonstrar a divergência de interpretação acerca do artigo 163 do Código Tributário Nacional, observandose as exigências formais impostas. O acórdão recorrido teve como realidade fáctica a realização de compensações de débitos representativos de juros de mora e multa de mora objetivadas autonomamente ao valor do principal, com o que não concordou a fiscalização, por considerar somente válidas àquelas compensações com imputação proporcional, isto é, que contivessem ao menos parte do principal. Como solução à lide, a turma a quo compreendeu inexistir regra legal tributária estatuindo a imputação proporcional do pagamento entre principal, juros e multa de mora, mas exatamente o oposto, presença de norma que chancela a possibilidade jurídica de pagamento apenas do principal com atraso, signficando, forçosamente, ser possível a quitação exclusiva de juros e/ou multa de mora. Para alcançar essa conclusão, considerou (1) que o artigo 163 do Código Tributário Nacional somente trata da regra de imputação de pagamento de dois ou mais débitos dentre todos os débitos; (2) o seu artigo 161 ao dispor que serão acrescidos aos débitos juros de mora não imporia uma ordem de imputação; (3) inaplicável o artigo 354 do Código Civil às questões fiscais, inclusive com a Súmula 464 do Superior Tribunal de Justiça nesse sentido, voltandose às compensações; (4) chancelada essa conclusão pelo artigo 43 da Lei n. 9430/1996 e artigo 5o da Instrução Normativa SRF n. 77/1998; (5) confirmada pelo sistema da “malha da DCTF e (6) indevida a leitura dos artigos 28 da Instrução Normativa n. 210/02 e 28, parágrafo 1o., da Instrução Normativa n. 460/4. O primeiro paradigma apresentado, acórdão n. 20312.183, da Terceira Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, também tratou de situação em que se acusava o contribuinte de não haver utilizado o método proporcional de imputação entre o principal e respectivos acréscimos legais, mas – diversamente – considerou haver previsão normativa que amparasse o entendimento fiscal, citandose o mesmo artigo 163 do CTN, Lei n. 9.430/96 e instruções normativas antes mencionadas, negandose o recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Vejase transcrição do trecho abaixo: “Metodologia de imputação dos débitos Resta patente que a recorrente não utilizou o método proporcional de imputação, limitandose a fazer uma mera conta de subtração, sem considerar o fator tempo na amortização do principal e suas correspondentes implicações em termos de aplicação tanto de multa de mora quanto do juros de mora, no caso de pagamento fora do prazo. Por outras palavras, não se obedeceu à proporcionalidade entre o principal e respectivos acréscimos e encargos legais, uma vez que os débitos estavam vencidos. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 9101002.868 CSRFT1 Fl. 369 8 A metodologia utilizada pela Receita Federal (fls. 422/428) cumpre os estritos termos da lei, seguindo o disposto no art. 163 do CTN, que comanda a vinculação da imputação à ordem crescente dos prazos de prescrição dos débitos, bem assim considerando também que os débitos não pagos em seus respectivos vencimentos devam ser acrescidos dos encargos moratórios devidos (multa e juros de mora). Sobredita metodologia de cálculo está prevista no § 1° do art. 28 e no parágrafo único do art. 37 da Instrução Normativa n° 460, de 18/10/2004. Acrescentese que a Lei n° 9.430, de 27/12/1996, estabelece parâmetros que devem ser observados nos procedimentos de compensação tributária, e autoriza a Secretaria da Receita Federal a fixar os critérios necessários para sua aplicação (…).” O segundo acórdão paradigma (n. 20218.737), por sua vez, também segue no mesmo sentido que o anterior, compreendendo existir amparo legal para o entendimento fiscal que aplica a imputação de pagamentos entre principal e encargos moratórios para fins de quitação dos débitos, como se lê: “Na imputação de pagamentos, apurase, primeiramente, o valor devido com todos os acréscimos legais, inclusive a multa de mora. Depois disto, por meio de uma regra de três simples, em que o total devido corresponde a 100% e o valor pago corresponde ao percentual visado, apurase o percentual de quitação do débito. Multiplicandose o percentual assim obtido pelo valor original do débito, obtémse a parcela do valor original quitada com o pagamento em foco. Por último, excluindose a parcela assim encontrada do valor original do débito, encontrase a parte que restou em aberto. Todo este procedimento recebe o nome de imputação de pagamentos ou método de amortização proporcional de débitos e se fundamenta no art. 163, c,/c art. 167, do CTN. A legalidade desta metodologia foi examinada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional no Parecer PGFN/CDA n91.935/2005, que concluiu ser a amortização proporcional a única forma de imputação admitida pelo Código Tributário Nacional. No âmbito dos Conselhos de Contribuintes, a imputação proporcional também tem sido considerada legal, como demonstram as ementas dos seguintes julgados: "COFINS ACRÉSCIMOS LEGAIS IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTO Legítima a exigência de multa de oficio e juros de mora sobre os débitos remanescentes de Contribuição, após convertidos os depósitos judiciais em renda da União e apurado o devido mediante imputação proporcional de pagamentos (CIN, art. 163). [...] "(Ac. ng 20209.715, de 08/12/97). "1"...] COMPENSAÇÃO. FINSOCIAL. INSUFICIÊNCIA DE SALDO. IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTO. O valor da contribuição compensada em excesso, relativamente ao saldo de créditos apurados pelo Fisco, pode ser exigido por meio de auto de infração, a partir da imputação de pagamentos, Fl. 369DF CARF MF Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 9101002.868 CSRFT1 Fl. 370 9 meio idôneo para analisar o encontro de contas entre créditos e débitos." (Ac. n220180.244, de 25/04/2007). Portanto, agiu acertadamente a fiscalização, ao efetuar a imputação proporcional dos recolhimentos espontâneos da contribuinte, realizados sem a multa de mora, aos valores devidos na data de cada pagamento, exigindo no auto de infração as diferenças não pagas. Se o lançamento, nos moldes em que foi efetuado, é perfeitamente legal e não se questiona a exatidão dos valores exigidos, há de ser rejeitada a preliminarde nulidade do lançamento dessas quantias, em face da existência de denúncia espontânea.” Assim sendo, identificase a presença de divergência entre o acórdão recorrido e os paradigmas apresentados, ao lado do preenchimento dos demais critérios formais exigidos, no que diz respeito estritamente à existência de previsão na legislação tributária para a imputação entre débito principal e encargos moratórios no processo de compensação, considerando a regra do artigo 163 do Código Tributário Nacional. Fazse essa ressalva porque o argumento da aplicação da norma de imputação de pagamento da legislação civil à compensação tributária, surgido em alguns pontos dos autos, foi julgado em sede de Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça (DJe 24.06.2010), que se manifestou no sentido de afastar essa possibilidade, e portanto impediria que os paradigmas fossem conhecidos no que dissessem respeito a este ponto, diante da citada regra do artigo 67, parágrafo 12, II, do Regimento Interno deste Conselho, que os desqualifica como tais por contrariarem decisão proferida na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil transitada em julgado na ocasião do exame de admissibilidade do Recurso Especial (assinado em 15.09.2015). Ocorre que nem o Recurso Especial, nem os paradigmas apresentados tocam nessa questão, fazendo com que já não fosse obrigatoriamente apreciada por si só, independentemente do seu não conhecimento em função da aplicação da regra acima, salvo se tomada como argumento adicional por liberalidade do julgador ao fundamentar o seu raciocínio, mas sem o condão de decidir o objeto em julgamento, pois aí dependeria de conhecimento e surgiria a vinculação institucional do artigo 62, parágrafo segundo, do mesmo Regimento. Nesse sentido, votase por conhecer o Recurso Especial. MÉRITO Voto vencido Fl. 370DF CARF MF Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 9101002.868 CSRFT1 Fl. 371 10 Coerentemente com a análise de divergência procedida para o conhecimento do recurso, a matéria de mérito posta a julgamento restringese à verificação da existência de previsão na legislação tributária para a imputação de pagamento entre débito principal, juros e multa moratória no processo de compensação, afastada pelo acórdão recorrido, que se pretende reformado pela Recorrente. Pois bem. Como premissa da linha adotada, é importante se pontuar que, para a sua constituição, o crédito tributário, assim considerados tanto aquele correspondente ao tributo em si, como os relacionados aos encargos legais, requerem construção normativa própria, que, portanto, podem ocorrer não só autônoma, como mesmo exclusivamente; basta se imaginar, por exemplo, uma hipótese em que a autoridade fiscal deixa de lançar, a despeito da vinculação institucional de sua atividade, um desses montantes ou situações de autos de infração lavrados para se exigir juros moratórios impostos em função do pagamento de tributos fora do prazo de vencimento da obrigação. É que, não obstante principal, multa e juros moratórios façam todos parte de um contexto comum, a primeira obrigação decorre precisamente da formulação linguística competente do fato jurídico tributário eleito como objeto da competência, enquanto os demais justamente da configuração do não adimplemento dessa obrigação no prazo determinado para o seu cumprimento espontâneo. Portanto, em rigor, tecnicamente não seriam capazes de nascer num mesmo momento lógico e cronológico. Na realidade, o que ocorre é que comumente se está diante de tributos cuja constituição é atribuída legalmente ao próprio contribuinte – impropriamente designada lançamento por homologação ou auto lançamento – e o que desencadeia o direito da fiscalização de fazêlo é propriamente a sua não realização pelo sujeito passivo, o que então já autoriza a constituição também de multa e juros moratórios no mesmo instrumento, pois em geral igualmente concretizados o fato do não pagamento que lhes deu causa. Tudo isso, porém, não infirma, mas reafirma, a circunstância de que se está diante da constituição normativa de três créditos independentes, ainda que essa concepção aparentemente contrarie a tradicional visão de que “o acessório segue o principal”, como se multa e juros fossem partes indissociáveis daquela dívida; certamente não o são e a própria legislação fiscal confirma isso. Vejase o citado artigo 43 da Lei n. 9.430/96: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Fl. 371DF CARF MF Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 9101002.868 CSRFT1 Fl. 372 11 No mesmo sentido, já dispunha a Instrução Normativa n. 77/1998 a respeito da lavratura de autos de infração para constituição de multa e juros moratórios derivados da revisão de Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e do ITR: “Art. 4o Quando o contribuinte efetuar o pagamento do principal fora do prazo, com os acréscimos moratórios em valor menor que o devido, a diferença relativa à multa de mora e aos juros de mora será exigida por meio de auto de infração, sem a incidência de multa de lançamento de ofício. Art. 5o Os juros moratórios serão cobrados por meio de auto de infração, na forma do art. 43 da Lei No 9.430, de 1996: I juntamente com a multa de lançamento de ofício, quando o contribuinte efetuar o pagamento do tributo ou contribuição fora do prazo, sem a incidência dos acréscimos moratórios; II isoladamente, quando o contribuinte efetuar o pagamento do tributo ou contribuição fora do prazo legal, com o acréscimo de multa moratória, mas sem o acréscimo de juros ou com o pagamento desses a menor.” Assim, estabelecida essa premissa quanto à obrigatória constituição normativa independente dos três montantes, chegase à necessária conclusão, no outro extremo, sobre a autonomia entre as sus respectivas extinções, dentre as formas previstas no artigo 165 do Código Tributário Nacional, no presente caso, tendo o contribuinte escolhido a compensação como igual meio de quitação dos seus débitos (inciso II). Isso quer parecer fundamental para a busca das regras existentes no ordenamento que regulam o mecanismo extintivo e afirmação de que indiquem, ao que interessa, critérios acerca da imputação de débitos no processo de compensação. Ocorre que não foi possível identificálos na legislação tributária, sobretudo a que regula, reitera se, o meio de extinção do crédito eleito pelo sujeito passivo: a compensação. Apesar de se considerar essa circuntância suficiente a indicar a ausência de norma fiscal que obrigue o contribuinte a seguir uma linha de imputação de débitos na compensação, para se manifestar sobre o objeto da divergência de recurso, voltase então aos indicados artigos 161, 163 e 167 do Código Tributário Nacional, que estipulam critérios para hipótese de extinção por pagamento (inciso I), ao que parece aqui sendo estendida à compensação: “SEÇÃO II Pagamento (…) Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da Fl. 372DF CARF MF Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 9101002.868 CSRFT1 Fl. 373 12 imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. (…) Art. 163. Existindo simultaneamente dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo para com a mesma pessoa jurídica de direito público, relativos ao mesmo ou a diferentes tributos ou provenientes de penalidade pecuniária ou juros de mora, a autoridade administrativa competente para receber o pagamento determinará a respectiva imputação, obedecidas as seguintes regras, na ordem em que enumeradas: I em primeiro lugar, aos débitos por obrigação própria, e em segundo lugar aos decorrentes de responsabilidade tributária; II primeiramente, às contribuições de melhoria, depois às taxas e por fim aos impostos; III na ordem crescente dos prazos de prescrição; IV na ordem decrescente dos montantes. (...)” “SEÇÃO III Pagamento Indevido (…) Art. 167. A restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias, salvo as referentes a infrações de caráter formal não prejudicadas pela causa da restituição. Parágrafo único. A restituição vence juros não capitalizáveis, a partir do trânsito em julga (....)” Ainda que aplicáveis essas regras às compensações, da leitura do primeiro dispositivo vêse apenas a imposição da consequência incidência de juros moratórios ao não pagamento do crédito tributário no vencimento estabelecido. Na redação do segundo dispositivo, vislumbramse sim determinados critérios de imputação, mas não se consegue nela reconhecer requisitos que imponham sequência de compensação entre o débito principal, multa e juros moratórios, como pretendeu a fiscalização, pois, fosse esse o caso, apenas poderia têlo feito – de forma Fl. 373DF CARF MF Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 9101002.868 CSRFT1 Fl. 374 13 pontual e na ocasião apropriada – fundamentada em eventual questão de ordem de prazo prescricional entre os débitos ou baseada na grandeza das três universalidades compensadas, caso assim verificasse. Mas não foi essa a acusação fiscal e, portanto, não pode o julgador supor ou inovar após o lançamento. Por sua vez, agora já avançando para uma seção do Código dedicada ao pagamento indevido, não se vislumbra no artigo 167 disposição que, embora garanta o direito à restituição dos juros na mesma proporção do principal, determine inversamente uma imputação entre os valores que pudesse ser carreada ao processo de compensação. Assim, se não há dispositivo na legislação fiscal que sustente a imputação de pagamento, por consequência, os mencionados artigos 28 das já revogadas Instruções Normativas SRF n. 210/02 e n. 460/04 apenas poderiam ser compreendidos como estando a regular a incidência dos acréscimos moratórios, ao menos para que não carecessem de fundamento de validade, considerando o reconhecido caráter secundário dessa espécie de veículo legal, destituídos da originalidade e generalidade que detém as regras primárias – o que, admitese, entendese ser o caso exclusivamente do parágrafo primeiro do citado art. 28 da IN n. 460/04, revelando sim uma regra de imputação no processo de compensação, mas que, reiterase, prescinde de validade encontrada em norma de superior hierarquia que lhe garanta produzir os efeitos esperados. Nesse ponto, esgotada a legislação tributária, terseia que partir para uma incursão na lei privada, mais especificamente no artigo 354 do Código Civil, que desta vez veicula uma regra de imputação de pagamentos entre capital e juros: “Art. 354. Havendo capital e juros, o pagamento imputarseá primeiro nos juros vencidos, e depois no capital, salvo estipulação em contrário, ou se o credor passar a quitação por conta do capital.” Ocorre que, no posicionamento adotado, discordandose da linha que orienta que a lei civil seria aplicável por analogia à questão tributária nesta hipótese, somente haveria lugar para esse tipo de supressão quando efetivamente constatada uma lacuna no ordenamento tratado, reservandose ao legislador o direito de não estabelecer uma determinada regra, como especificamente a de imputação no processo de compensação, quando simplemente não o fez ou desejou fixala, com o cuidado de não se vestir, ao fim, do papel de juiz positivo e exercer competência que não compete ao julgador. Foi considerando as diferentes naturezas das normas de ordem pública e privada, que a impossibilidade de aplicação da regra de imputação do direito civil à compensação tributária foi chancelada pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial n. 960239 na sistemática repetitiva e em sua Súmula 464: “Súmula 464 A regra de imputação de pagamentos estabelecida no art. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 9101002.868 CSRFT1 Fl. 375 14 354 do Código Civil não se aplica às hipóteses de compensação tributária. (Súmula 464, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 08/09/2010)” (grifos nossos) Embora desenvolvendose um raciocínio diverso, confirmouse a noção que se adota aqui de que a única regra de imputação encontrada no ordenamento situase na lei civil, não sendo aplicável ao direito tributário, que se rege por suas próprias normas neste respeito, nas quais não se encontra ordem de imputação entre débito principal, multa e juros moratórios entre as disposições que regulam o processo de compensação, ou mesmo outra forma extintiva do crédito tributário que a ele possa ser estendida. Por essa razão, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial, mantendose a decisão a quo e a extinção do crédito tributário exigido nos presentes autos. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado. Não obstante a substanciosa fundamentação apresentada pela I. Relatora, apresento divergência no entendimento em relação ao mérito, com a devida vênia. O litígio consiste no fato de que a Contribuinte pleiteou compensação visando extinção de débitos exclusivamente de juros de mora e multa de mora. Por sua vez, entendeu a Receita Federal que a legislação não autoriza tal procedimento, sendo necessária a compensação do valor principal do débito, acompanhado dos juros de mora e penalidades pecuniárias na mesma proporção. Para o deslinde da questão, há de se empreender uma interpretação integrada da legislação tributária. A formação do crédito tributário implica no principal acrescido de penalidades e encargos moratórios. A partir do momento em que o crédito tributário é constituído, nos termos do art. 113 do CTN, o valor principal e eventual penalidade tornamse uma só entidade. E o art. 161 do código predica que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora. Resta evidente a formação da universalidade principal + penalidade + encargos moratórios. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 9101002.868 CSRFT1 Fl. 376 15 Não por acaso, os arts. 163 e 167 do CTN discorrem sobre a imputação proporcional, em relação ao tributo, penalidade pecuniária e juros de mora. Art. 163. Existindo simultaneamente dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo para com a mesma pessoa jurídica de direito público, relativos ao mesmo ou a diferentes tributos ou provenientes de penalidade pecuniária ou juros de mora, a autoridade administrativa competente para receber o pagamento determinará a respectiva imputação, obedecidas as seguintes regras, na ordem em que enumeradas: (...) Art. 167. A restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias, salvo as referentes a infrações de caráter formal não prejudicadas pela causa da restituição. (Grifei) Portanto, quando o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a compensação de débitos, entendase débitos tributários compreendendo a universalidade principal + multa + encargos moratórios. Em nenhum momento, falase no dispositivo em faculdade de se pleitear a compensação apenas do principal, ou da multa em juros em separado. Nem seria necessário, considerandose o disposto no CTN. Nessa perspectiva, não há reparos ao decidido pela DRJ/Brasília, no Acórdão nº 0323.515, cujo excerto do voto transcrevo: Por sua vez, a IN SRF n° 600, de 2005, que consolidou toda a legislação sobre a restituição e compensação de tributos ou contribuições administrados pela RFB e no seu artigo 28 dispõe o seguinte: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 12 A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. (...) A teor dessas instruções normativas, a quais, nos termos do art. 100, I, do Código Tributário Nacional, integram a legislação tributária de regência, na condição de norma complementar, os juros e a multa incidentes sobre pagamentos ou compensações em atrasos devem ser computados juntamente com o principal na Dcomp; em razão de os consectários legais seguirem o principal. In casu, ao contrário do que afirma a reclamante, a autoridade fiscal revisora não criou quaisquer restrições ao direito da recorrente compensar os débitos de juros e de multa. Simplesmente, adotou os procedimentos previstos na legislação fiscal, que determina a compensação dos juros e da multa juntamente com a do principal. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 14033.000235/200541 Acórdão n.º 9101002.868 CSRFT1 Fl. 377 16 Observase que a IN SRF nº 600, de 2005, não inovou, tendo apenas confirmado orientação disposta na legislação. As instruções normativas que a sucederam, IN RFB nº 900, de 2008, e IN RFB nº 1.300, de 2012, mantiveram o mesmo entendimento. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 377DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000012/2008-84
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 06/11/2003
AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA OU ERRO NA MOTIVAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
Sendo a descrição dos fatos e a fundamentação legal da autuação elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado sem ocorrer um novo ato de lançamento. Por isso, a falta de motivação ou motivação errônea do lançamento alcança a própria substância do crédito tributário, de natureza material, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 06/11/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA OU ERRO NA MOTIVAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Sendo a descrição dos fatos e a fundamentação legal da autuação elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado sem ocorrer um novo ato de lançamento. Por isso, a falta de motivação ou motivação errônea do lançamento alcança a própria substância do crédito tributário, de natureza material, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal. Recurso Especial do Procurador Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 06 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16561.000012/2008-84
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5784096
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 06 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.459
nome_arquivo_s : Decisao_16561000012200884.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 16561000012200884_5784096.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6969278
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049470078287872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1769; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 657 1 656 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16561.000012/200884 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.459 – 3ª Turma Sessão de 26 de julho de 2017 Matéria IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PHILIPS MEDICAL SYSTEMS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 06/11/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA OU ERRO NA MOTIVAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Sendo a descrição dos fatos e a fundamentação legal da autuação elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado sem ocorrer um novo ato de lançamento. Por isso, a falta de motivação ou motivação errônea do lançamento alcança a própria substância do crédito tributário, de natureza material, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 12 /2 00 8- 84 Fl. 657DF CARF MF Processo nº 16561.000012/200884 Acórdão n.º 9303005.459 CSRFT3 Fl. 658 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, de acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3201001.158, que possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 06/11/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DESCRIÇÃO DOS FATOS. O auto de infração deve trazer a descrição clara e precisa dos fatos e infrações atribuídas ao contribuinte, de acordo com a legislação que rege o tributo, sob pena de sua nulidade. O presente processo referese a lançamento de ofício, veiculado através de Auto de Infração, formalizando a exigência de multa regulamentar do Imposto de Importação, no valor de R$ 641.900,42, por alegados erros no preenchimento das Declarações de Importação. Transcrevese excerto do Auto de Infração, relativo à infração imputada ao sujeito passivo: “001 DECLARAÇÃO INEXATA DE INFORMAÇÃO DE NATUREZA ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIO A importadora aqui tratada submeteu ao despacho aduaneiro produtos acabados. Ocorre porém, que no campo próprio da Declaração de Importação (D.I.s), aplicação da mercadoria, foi declarado que as mesmas seriam para CONSUMO e, em alguns casos, não informou o fabricante dos mesmos. Analisando as declarações de IRPJ da empresa, pesquisa do sistema anexada, observamos que nenhum valor foi declarado, seja a título de custo de produção da fabricação própria, seja a título de receita de venda de produção própria ou, ainda, a título de insumo para industrialização adquirido no mercado externo. Na Instrução Normativa (SRF), n° 206 de 25, de setembro de 2002 com alteração da INSRF n° 680, de 2 de outubro de 2006, no anexo I, nos itens 32 e 36, são estabelecidos os detalhamentos das mercadorias que devem constar nos campos das D.I.s, esses dados são de natureza administrativotributária portanto, necessários à determinação dos procedimentos de controle aduaneiro próprio; inclusive a Valoração Aduaneira dos produtos. Prestando informação inexata, já que as importações aqui tratadas são de produto acabado para revenda e não para consumo e, em alguns casos, não tendo informado o fabricante dos produtos, a importadora acabou por incorrer na penalidade Fl. 658DF CARF MF Processo nº 16561.000012/200884 Acórdão n.º 9303005.459 CSRFT3 Fl. 659 3 prevista pelo no artigo n° 53 da Medida provisória n° 135, de 31/10/2003 e artigo n° 69 da lei n ° 10.833, de 30/12/2003. Tendo em vista o que foi explanado, no uso das atribuições do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, lavrase o presente auto de infração a fim de constituir o crédito tributário pertinente às penalidades previstas para a situação tipificada . Anexouse ao presente, planilha relacionando todas as D.I.s com os detalhamentos das mercadorias, os campos de aplicação produtos e fabricante, cópias das pesquisas da DIRPJ, cópias dos documentos afeitos, além da memória do cálculo da respectiva multa.” A turma julgadora a quo, por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do auto de infração por vício material, pela constatação de obscuridade na descrição dos fatos e nas infrações atribuídas ao sujeito passivo. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 623 a 633), suscitando divergência em relação à natureza do vício que ensejou a anulação do lançamento. O Recurso Especial foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, conforme despacho de admissibilidade às fls. 635 a 637. O sujeito passivo apresentou suas contrarrazões às fls. 644 a 653. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, Relator O Recurso Especial de divergência foi interposto pela Fazenda Nacional em 17/04/2013, conforme documentos anexados às fls. 623 a 633, de forma tempestiva, de acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010. A recorrente alega divergência jurisprudencial em relação à natureza do vício que ensejou a anulação do lançamento: enquanto a decisão recorrida entendeu que vício na motivação do lançamento seria vício de natureza material, os acórdãos paradigmas decidiram que a natureza do vício seria formal. Cotejando as decisões, constatase a divergência jurisprudencial apontada, acerca da aplicação do instituto da nulidade. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à natureza do vício que ensejou a anulação do lançamento. Fl. 659DF CARF MF Processo nº 16561.000012/200884 Acórdão n.º 9303005.459 CSRFT3 Fl. 660 4 Tratase de questão estritamente processual, qual seja, na nulidade por cerceamento de defesa aduzida em razão de má ou incompleta descrição da infração ou dos fundamentos da autuação. No caso em análise, a Fiscalização alegou que o sujeito passivo prestou informações inexatas em diversas Declarações de Importação, quanto à destinação dos produtos (consumo x revenda), e quanto ao fabricante da mercadoria importada, incorrendo na penalidade prevista pelo no artigo n° 53 da Medida provisória n° 135, de 31/10/2003 e artigo n° 69 da lei n° 10.833, de 30/12/2003. Entretanto, constatase que não foi apontado, no Auto de Infração, especificamente qual o dispositivo normativo teria sido violado, mas apenas a norma sancionatória relativa à infração imputada ao sujeito passivo. O lançamento caracterizou a infração pela penalidade prevista na legislação, e não pela norma que teria sido violada. A descrição dos fatos e infrações do Auto de Infração à fl. 204 é deficiente e insuficiente para permitir o direito à ampla defesa. O julgador a quo reconheceu a nulidade do lançamento, por vício material, visto que se tratava de erro de conteúdo, não de formalização. Transcrevese trecho do voto condutor do acórdão, no qual fica claro a motivação da decisão ora recorrida: “O lançamento, além de descrever com clareza as infrações nele apontadas, deve ser formulado de acordo com a legislação que rege o tributo, sob pena de sua nulidade. O principio do devido processo legal traz, em si, não só o principio da legalidade, mas também o do contraditório, da ampla defesa. Em matéria tributária, o principio do devido processo legal adquire contornos específicos, de relevante importância na relação Fisco e contribuinte, considerandose que o poder administrativo no exercício da atividade cria limitações patrimoniais, impondose a observância das suas fronteiras, a fim de ensejar ao administrado o respeito aos direitos constitucionais que lhe foram assegurados. Diante das razões expostas, é de se concluir que o auto de infração encontrase eivado de vicio de nulidade material, por descumprir o requisito previsto no art. 10 do Decreto n° 70.235/72. A ausência de formalidades e da aplicação indevida de penalidades implica a nulidade, do lançamento. No presente caso, a recorrente declarou que os produtos importados foram para consumo, sem, contudo, em alguns casos, informar os fabricantes daqueles, contudo, a fiscalização desconsiderou a informação fornecida, alegando que os produtos importados seriam destinados a revenda e não para consumo. A justificativa dada pela Autoridade Fiscal foi que "analisando as declarações de IRPJ da empresa, pesquisa do sistema anexada, observamos que nenhum valor foi declarado, seja a titulo de custo de produção da fabricação própria, seja a titulo de receita de venda de produção própria ou, ainda, a titulo de insumo para industrialização adquirido no mercado externo." Fl. 660DF CARF MF Processo nº 16561.000012/200884 Acórdão n.º 9303005.459 CSRFT3 Fl. 661 5 Ocorre que as importações para consumo são contabilizados como despesas no estoque das empresas e nada tem a ver com as declarações de IRPJ da ora recorrente.” A recorrente alega que não haveria como caracterizar a natureza do vício como sendo material, por se tratar de vício relacionado à motivação do ato administrativo, que seria vício de forma. Segundo seu entendimento, o vício seria relacionado a elemento de exteriorização do ato administrativo devendo ensejar a nulidade do lançamento por vício formal. Não assiste razão à recorrente. Não restam dúvidas que o vício do lançamento está em seu conteúdo, não em sua formatação: o vício referese à descrição dos fatos e dispositivo legal infringido, requisito essencial do lançamento administrativo. A aplicação da norma sancionadora somente teria validade em caso de perfeito enquadramento da situação fática plenamente descrita e comprovada, com o descumprimento da norma impositiva (primária, segundo Kelsen, ou endonorma, na concepção cossiana), o que não ocorreu. A alegação de que o sujeito passivo teria prestado informações inexatas na importação não é suficiente, devendo o Auto de Infração ser mais preciso quanto às informações que teriam sido prestadas de forma errônea, quais os atos normativos teriam instituído tais obrigações, e todos os elementos de prova decorrentes de tal comprovação, e não apenas uma planilha que nada esclarece ou comprova. A alegação de que a deficiência na descrição dos fatos originários do lançamento constituiria causa pura e simples para a anulação do lançamento por vício formal, relacionado a elemento de exteriorização do ato administrativo, não deve prosperar, por se tratar da própria substância do ato. Esta turma julgadora enfrentou a matéria em 26 de abril de 2016, no Acórdão nº 9303003.811, da lavra da Conselheira Vanessa Marini Cecconello, cuja ementa abaixo transcrevo: AUTO DE INFRAÇÃO. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Sendo a descrição dos fatos e a fundamentação legal da autuação elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado sem ocorrer um novo ato de lançamento. Por isso, a falta de motivação e indicação das normas de interpretação adotadas na reclassificação fiscal de mercadoria importada alcança a própria substância do crédito tributário, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal. A ausência de motivação no Auto de Infração acarreta a sua nulidade, por vício material. Transcrevo trecho do voto vencido (vencedor nesse ponto) do Acórdão 9303 003.811, que externa os fundamentos da referida decisão, adotada em nossas razões de decidir: Fl. 661DF CARF MF Processo nº 16561.000012/200884 Acórdão n.º 9303005.459 CSRFT3 Fl. 662 6 “A relevância de se distinguir se o vício que maculou o lançamento é de ordem formal ou material está no fato de o Código Tributário Nacional CTN prolongar o prazo de decadência para que seja constituído o crédito tributário quando se reconhece a existência do vício formal, conforme inteligência do seu art. 173, inciso II. O vício formal pode ser entendido como aquele que atinge o procedimento e, não raro, pode ser sanado sem a necessidade de anulação do ato de lançamento original, podendo ser corrigido pela própria autoridade julgadora. O vício material, por sua vez, por macular a substância do lançamento, norma individual e concreta, prejudica a validade da obrigação tributária, sendo imprescindível nesses casos a realização de um novo ato administrativo de lançamento. Os requisitos do auto de infração, dentre eles a descrição dos fatos e a fundamentação legal, estão estabelecidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e no art. 142 do Código Tributário Nacional: [...] Sendo a descrição dos fatos, a correta determinação da matéria tributável e da fundamentação legal elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado sem ocorrer um novo ato de lançamento. Por isso, o equívoco em análise alcança a própria substância do crédito tributário, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal. Embora a distinção entre os vícios de ordem formal e material não seja tarefa simples, o caso em exame mostra claramente estarse diante da ocorrência de vício de ordem material, assertiva corroborada pelos fundamentos bem lançados no acórdão recorrido ao negar provimento ao recurso de ofício, proferido pela Ilustre Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, e que passam a integrar as razões de decidir deste julgado:[...]” A i. relatora cita, ainda, outro recente precedente da CSRF (Acórdão nº 9101 002.146) no mesmo sentido, cuja ementa abaixo transcrevo: NULIDADE DE LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL. Vício formal é aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, ao sujeito passivo, etc. A indicação defeituosa ou insuficiente da infração cometida, da Fl. 662DF CARF MF Processo nº 16561.000012/200884 Acórdão n.º 9303005.459 CSRFT3 Fl. 663 7 data em que ela ocorreu, do montante correspondente à infração (base imponível); e dos documentos caracterizadores da infração cometida (materialidade), não configura vício formal. Transcrevo ementas de outros julgados no mesmo sentido: AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO E DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES. IMPROCEDÊNCIA. VÍCIO MATERIAL, NÃO FORMAL. A falta de indicação suficiente dos fatos que motivaram o lançamento e da origem do crédito tributário fulmina o lançamento por vício material. (grifei) (Acórdão 9202003.285, sessão de 30 de julho de 2014, 2ª Turma CSRF, Rel. Gustavo Lian Haddad) NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização. (grifei) (Acórdão 2403002.707, de 10/09/2014, Relator: Marcelo Magalhães Peixoto) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROVIMENTO. VÍCIO. MATERIAL. DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR. A descrição do fato gerador constituise no núcleo do lançamento tributário, sua essência. Quando a descrição do fato gerador não permite a conclusão sobre sua ocorrência o lançamento é improcedente, como no caso do lançamento original em questão. (grifei) (Acórdão 2301004.055, de 15/05/2014, Relator: Marcelo Oliveira) DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. INSUFICIÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O lançamento deve evidenciar a ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, sob pena de nulidade por vício material. (grifei) (Acórdão 2302002.258, de 22/11/2012, Relatora: Liége Lacroix Thomasi) Portanto, sendo a descrição dos fatos, a correta determinação da matéria tributável e da fundamentação legal elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de Fl. 663DF CARF MF Processo nº 16561.000012/200884 Acórdão n.º 9303005.459 CSRFT3 Fl. 664 8 lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado sem ocorrer um novo ato de lançamento. Por isso, o equívoco em análise alcança a própria substância do crédito tributário, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal. Diante do exposto, considero que a nulidade do lançamento efetuado possui natureza material, razão pela qual NEGO PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL. (assinatura digital) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 664DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12963.000547/2008-71
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Exercício: 2004, 2006, 2007, 2008
LANÇAMENTO.
A autoridade administrativa possui competência privativa e deve efetuar o lançamento de ofício, cuja atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
PER/DCOMP.
O Per/Dcomp deve ser examinado pelo Delegado da DRF que jurisdicione a Recorrente em rito próprio.
Numero da decisão: 1801-000.349
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, afastar as nulidades suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201011
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 2004, 2006, 2007, 2008 LANÇAMENTO. A autoridade administrativa possui competência privativa e deve efetuar o lançamento de ofício, cuja atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PER/DCOMP. O Per/Dcomp deve ser examinado pelo Delegado da DRF que jurisdicione a Recorrente em rito próprio.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 12963.000547/2008-71
conteudo_id_s : 5774745
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1801-000.349
nome_arquivo_s : Decisao_12963000547200871.pdf
nome_relator_s : Carmen Ferreira Saraiva
nome_arquivo_pdf_s : 12963000547200871_5774745.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, afastar as nulidades suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora
dt_sessao_tdt : Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
id : 6940621
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049470081433600
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-18T23:33:58Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2028042_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-11-18T23:33:58Z; Last-Modified: 2010-11-18T23:33:58Z; dcterms:modified: 2010-11-18T23:33:58Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2028042_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:1f20d7d8-18be-470d-9590-6417ca30d704; Last-Save-Date: 2010-11-18T23:33:58Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-11-18T23:33:58Z; meta:save-date: 2010-11-18T23:33:58Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2028042_0.doc; modified: 2010-11-18T23:33:58Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-11-18T23:33:58Z; created: 2010-11-18T23:33:58Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2010-11-18T23:33:58Z; pdf:charsPerPage: 1654; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2010-11-18T23:33:58Z | Conteúdo => S1-TE01 Fl. 337 1 336 S1-TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12963.000547/2008-71 Recurso nº 510.309 Voluntário Acórdão nº 1801-00.349 – 1ª Turma Especial Sessão de 08 de novembro de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Recorrente P. SEVERINI NETTO COMERCIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 2004, 2006, 2007, 2008 LANÇAMENTO. A autoridade administrativa possui competência privativa e deve efetuar o lançamento de ofício, cuja atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PER/DCOMP. O Per/Dcomp deve ser examinado pelo Delegado da DRF que jurisdicione a Recorrente em rito próprio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, afastar as nulidades suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora EDITADO EM: Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Fl. 1267DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES 2 Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 168/177 a exigência do crédito tributário no valor de R$287.006,49 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional referente aos anos-calendário de 2003, 2005, 2006 e 2007 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real. A infração se fundamenta na falta de recolhimento apurada no cotejo dos valores informados nas Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 44/120, nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 121/162, nos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), bem como nos Balanços Patrimoniais e nas Demonstrações do Resultado do Exercício, fls. 26/43, em conformidade com o Demonstrativo, fls. 163/167 e o Termo de Verificação Fiscal (TVF), fls. 179/190. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 77 do Decreto-lei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, art. 147 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 1º da Lei nº 9.316, de 22 de dezembro de 1996, art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Cientificada em 27/12/2008, fls. 191, a Recorrente apresentou a impugnação em 22/01/2009, fls. 196/216, argumentando em síntese que a exigência não deve prosperar. Aduz que o procedimento fiscal é nulo. Entende que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) contém irregularidade pelo excesso de prazo decorrente de sucessivas notificações com solução de continuidade. Defende que os débitos apurados de ofício nos presentes autos estão extintos. Elabora quadros anuais que demonstram minuciosamente os valores constantes nas Per/DComp apresentadas. Procura evidenciar que durante o procedimento fiscal de dois anos não foi adotada a necessária cautela, tampouco os documentos foram detidamente examinados, em obediência ao princípio da verdade material. Argumenta que se mantida a exigência ficará caracterizado o enriquecimento ilícito do Erário. Indica a legislação que rege a matéria, princípios que alega foram violados ainda entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Por todo o exposto, quer pela preliminar, quer pelo direito e pelo mérito, requer o contribuinte, P. SEVERINI NETO COMERCIAL LTDA., que seja: 1 - PROVIDENCIADO o cancelamento do Auto de Infração e, bem como, DECLARADOS como não devidos os valores das Contribuições Sociais sobre o Lucro Liquido — CSLL lançadas, que somadas perfazem o valor de R$ 287.006,49 (duzentos e oitenta e sete mil e seis reais e quarenta e nove centavos), compreendendo no valor do principal acrescido de juros e multa agravada; e 2 — E, se assim não entender o MD. Delegado Julgador, requer, ainda, respeitosamente, juntar mais provas, caso sejam necessárias para esclarecer de forma definitiva nada ser devido pela contribuinte tudo como medida de salutar e de inteira JUSTIÇA. Fl. 1268DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 12963.000547/2008-71 Acórdão n.º 1801-00.349 S1-TE01 Fl. 338 3 Termos em que, Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 09-25.444, de 05/08/2009, fls. 319/326:“Impugnação Improcedente”. Consta que ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Data do fato gerador: 31/12/2003, 31/12/2005, 31/12/2006, 31/12/2007 DIFERENÇA ENTRE VALORES ESCRITURADOS E DECLARADOS/PAGOS. Cabível a exigência dos valores da contribuição não pagos, nem declarados, mormente se as compensações alegadas não foram concretizadas pela apresentação das respectivas DCOMPS. Notificada em 25/08/2009, fl. 329, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 09/09/2009, fls. 330/334, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta que no caso de se tratar de créditos e débitos do mesmo tributo, a entrega da Per/DComp não é obrigatória, já que tem natureza declaratória e não constitutiva do direito. Suscita que formalizou sua pretensão dentro do prazo prescricional. Defende que ainda cabe a compensação efetuada de ofício. Conclui Diante do anteriormente exposto, é a presente para requerer o integral provimento do presente recurso, para ser cancelada a autuação, em todos os seus termos. Termos em que, P. deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora, Carmen Ferreira Saraiva O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que os procedimentos são nulos. Os Autos de Infração foram lavrados por servidor competente que regularmente intimou a Recorrente para cumpri- los ou impugná-los no prazo legal. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os Fl. 1269DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES 4 documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, ela tomou ciência do Termo de Intimação Fiscal nº 001 em 03/01/2007, fl. 02/04, do Termo de Intimação Fiscal nº 002 em 14/08/2007, fl. 05/07, do Termo de Intimação Fiscal e de Devolução de Documentos n° 001 em 12/12/2008, fls. 08/10. Assim, o procedimento fiscal se alongou tempo suficiente para que a Recorrente apresentasse seus esclarecimentos acompanhados de documentos comprobatórios (art. 7º da Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954). Foi oferecida à interessada a oportunidade de apresentar, no prazo legal, a peça de defesa acompanhada de todos os meios de prova a ela inerentes. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e a indicação dos enquadramentos legais não propiciam a nulidade do ato em litígio. Além disso, foram asseguradas à Recorrente as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil - CR e Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Desta forma, a sua alegação não tem fundamento. A Recorrente suscita que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) está irregular. O Código Tributário Nacional determina: Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: [...] II - os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; [...] [...] Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgando ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Por sua vez, a Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, prevê: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Fl. 1270DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 12963.000547/2008-71 Acórdão n.º 1801-00.349 S1-TE01 Fl. 339 5 Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. A jurisprudência administrativa versa sobre a questão no seguinte sentido (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 14/10/2010): Nº Recurso 157593 -Número do Processo 10855.001813/2003- 71 -Turma 5ª Câmara Contribuinte DISPROPAN DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS PARA PANIFICACAO LT Tipo do RecursoRecurso Voluntário - Provimento Parcial Por Unanimidade-Data da Sessão 27/06/2008 Relator(a) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Nº Acórdão 105-17119 -Tributo / MatériaIRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior Decisão Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso Ementa Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL - As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal. Eventuais vícios na sua emissão e execução, ou mesmo a sua ausência, não afetam a validade do lançamento. [...] Nº Recurso 337046 -Número do Processo 10580.000606/2006- 19 -Turma 8ª Câmara Contribuinte ELÉTRICA ITAPAGIPE LTDA Tipo do RecursoRecurso Voluntário - Provimento Parcial Por Unanimidade-Data da Sessão 26/06/2008 Relator(a) Cândido Rodrigues Neuber Nº Acórdão 108-09653 -Tributo / MatériaIRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior Decisão Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Irineu Bianchi e Karem Jureidini Dias. Fl. 1271DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES 6 Ementa Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADES - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF) - VALIDADE - No processo administrativo fiscal da União as nulidades são aquelas definidas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, quais sejam, os atos praticados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, quaisquer outras irregularidades não implicam em nulidade e devem ser sanadas, exceto se o sujeito passivo as tenha dado causa. O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF - é instrumento interno da repartição fiscal de gerenciamento, controle e acompanhamento da ação fiscal e eventuais inobservâncias de suas normas resolve-se no âmbito do processo administrativo disciplinar, que não aproveita ao sujeito passivo e nem implica nulidade do auto de infração, observadas, ainda, as disposições do caput do art. 195 do Código Tributário Nacional. Os procedimentos de fiscalização relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) são executados, em nome desta, pelos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (AFRB) (Decreto nº 6.104, de abril de 2007 e Decreto nº 6.641, de 10 de novembro de 2008). Esses procedimentos são instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPF-F) objetivando a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, mediante termo circunstanciado do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. As alterações no MPF-F, decorrentes de inclusão, exclusão ou substituição do agente público, bem como dos tributos e contribuições a serem examinados e período de apuração são procedidas mediante emissão de Mandato de Procedimento Fiscal Complementar (MPF – C). No caso em que as infrações são apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPF-F, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes são considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. O MPF – F tem validade por 120 (cento e vinte dias) prorrogáveis quantas vezes sejam necessárias, observando em cada ato o prazo de 60 (sessenta dias), cujas informações ficam disponíveis ao sujeito passivo na internet sem necessidade de novas notificações sucessivas. A extinção do MPF ocorre com a conclusão do procedimento fiscal registrado em termo próprio (Portaria RFB nº 4.066, de 2 de maio de 2007). O MPF é ato relativo a assunto interna corporis e instrumento de controle interno de instauração de procedimentos fiscais de verificação do cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo e seus eventuais vícios se consideram meras irregularidades e não têm o efeito de contaminar de nulidade o lançamento de ofício. Por conseguinte, este argumento não pode prosperar. A Recorrente discorda do lançamento do ofício ao argumento de que o crédito tributário constituído no presente processo está extinto. Com referência ao dever de lançar, esclareça-se que a autoridade administrativa possuindo competência privativa efetuou o lançamento, cuja atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do Código Tributário Nacional). No exercício da função pública, a autoridade administrativa lavrou o Auto de Infração com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. No presente caso o servidor competente verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-la ou impugná-la no prazo legal Fl. 1272DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 12963.000547/2008-71 Acórdão n.º 1801-00.349 S1-TE01 Fl. 340 7 (art. 10 e art. 14 do Decreto 70.235, de 1972). Tendo em vista a obrigatoriedade do lançamento em razão das diferenças apuradas em declarações prestadas pela Recorrente, tem-se que houve o cotejos dos valores informados na DIPJ, fls. 44/120, nas DCTF, fls. 121/162, nos DACON. Em relação à modalidade de extinção compensação, prevista no inciso II do art. 156 do CTN, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, prevê: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) O Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), aprovada pela Portaria MF nº 125, de 4 de março de 2009, ordena: Art. 203. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil - DRF, Alfândegas da Receita Federal do Brasil - ALF e Inspetorias da Receita Federal do Brasil - IRF de Classes “Especial A”, “Especial B” e “Especial C”, quanto aos tributos e contribuições administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: [...] X - executar as atividades relacionadas à restituição, compensação, reembolso, ressarcimento, redução e reconhecimento de imunidade e isenção tributária; A jurisprudência administrativa versa sobre a questão no seguinte sentido (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 14/10/2010): Nº Recurso 144457 -Número do Processo 10680.006077/2003- 96 -Turma 3ª Câmara Contribuinte FIAT AUTOMÓVEIS SA Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Negado Provimento Por Unanimidade-Data da Sessão 05/03/2008 Fl. 1273DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES 8 Relator(a) Leonardo de Andrade Couto Nº Acórdão 103-23384 -Tributo / MatériaIRPJ - AF - lucro arbitrado Decisão Por maioria de votos, NEGARAM provimento ao recurso, vencido o conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho, que entendeu ser devida a apreciação do mérito quanto à compensação ante a resolução anteriormente proferida por esta câmara. Houve sustentação oral pelo representante do sujeito passivo, Sr. Alessandro Mendes Cardoso, OAB/MG Nº 76714. Presente o conselheiro suplente Leonardo Lobo de Almeida. Ausências justificadas dos conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Waldomiro Alves da Costa Júnior e Paulo Jacinto do Nascimento. Ementa Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/01/2002, 28/02/2002 Ementa: COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DÉBITO LANÇADO DE OFÍCIO. PROCEDIMENTOS DISTINTOS. Ainda que relacionados, a não homologação de compensação pleiteada e o lançamento de ofício dos débitos não compensados são procedimentos distintos com enquadramento legal diverso que, sob a égide da legislação processual tributária, necessitam contestação específica para cada um deles. Publicado no D.O.U. nº 87 de 08/05/2008. Infere-se que o Per/Dcomp deve ser examinado pelo Delegado da DRF que jurisdicione a Recorrente em rito próprio, inclusive no que se refere à obrigatoriedade de entrega, natureza jurídica, procedimentos de formalização e possibilidade de revisão de ofício. Por conseguinte, não compete ao CARF examinar este requerimento no presente processo. No que se refere à interpretação da legislação, entendimentos doutrinários e à jurisprudência indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos aos quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Em relação aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n 2, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria n 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais -CARF), e que assim determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, este argumento não pode prosperar. Em face de o exposto, voto, em preliminar, por afastar as nulidades suscitadas e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 1274DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 12963.000547/2008-71 Acórdão n.º 1801-00.349 S1-TE01 Fl. 341 9 Fl. 1275DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES
score : 1.0
