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Numero do processo: 10980.006592/2005-53
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. IRPF. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO PRAZO DECADENCIAL. ART. 150, DO CTN.
Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
No presente caso, não há comprovação, por informação do Fisco, de recolhimento, motivo da aplicação da regra decadencial expressa no Art. 173, I, do CTN.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para afastar a decadência, com retorno dos autos à Turma de origem para análise das demais matérias do Recurso Voluntário.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior Relator
EDITADO EM:06/03/2015
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. IRPF. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO PRAZO DECADENCIAL. ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No presente caso, não há comprovação, por informação do Fisco, de recolhimento, motivo da aplicação da regra decadencial expressa no Art. 173, I, do CTN. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para afastar a decadência, com retorno dos autos à Turma de origem para análise das demais matérias do Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 65 92 /2 00 5- 53 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUD A JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM:06/03/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial de divergência, com fulcro no art. 67 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, contra o Acórdão n° 380500.136, da 5 a Turma Especial da 3 a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 41a 42), julgado na sessão plenária de 30 de junho de 2009, que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Transcrevese a ementa do julgado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF EXERCÍCIO: 2000. IRPF. DECADÊNCIA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sujeito a lançamento por homologação, portanto, com prazo decadencial de cinco anos contado do fato gerador. No caso de omissão de rendimentos, considerase que o fato gerador ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário Preliminar acolhida. Cientificado desta decisão em 29 de junho de 2010 (fl. 43), o recorrente interpôs o presente recurso tempestivamente no dia 30 do mesmo mês (fls. 45 a 69), nos termos do art. 68 do anexo II do RICARF, apontando divergências com o Acórdão n° CSRF/02 03.331, da 2 a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado na sessão de 01 de julho de 2008, e com o Acórdão n° 20218.684, da 2ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, prolatado na sessão de 13 de dezembro de 2007, para discutir a regra de decadência a ser aplicada para os lançamentos por homologação. Transcrevo os paradigmas apresentados: Fl. 107DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUD A JUNIOR Processo nº 10980.006592/200553 Acórdão n.º 9202003.551 CSRFT2 Fl. 9 3 Acórdão n. CSRF/0203.331 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ementa: TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n.º 08 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso Especial do Sujeito Passivo Negado. Acórdão n. 20218.684 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/1994 a 31/08/1995, 01/11/1995 a 29/02/1996, 01/08/1998 a 31/05/1999, 01/08/1999 a 31/03/2000, 01/07/2000 a 30/09/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LAPSO MANIFESTO. RERATIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. Constatada a ocorrência de erro no acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos interpostos para a devida retificação do julgado anterior. Deve ser acolhida a proposta de saneamento do Acórdão nº 20214.058, para suprimir do voto condutor a consideração sobre a semestralidade da base de cálculo do crédito tributário remanescente (08/98 a 05/99 e 08/99, sem modificação da conclusão do acórdão, mantendose a ementa anterior: “PIS PRAZO DECADENCIAL Nos tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, havendo pagamentos, a decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo artigo 150, § 4º, do CTN, de modo que o prazo para esse efeito será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Não havendo pagamentos, configurase a situação em que a constituição do crédito tributário deverá observar o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, com a decadência do direito de constituir o crédito tributário pelo lançamento. (Precedentes do STJ REsp nº 58.9185/RJ, REsp nº 199560/SP). Recurso provido nesta parte. PIS LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA A Resolução do Senado Federal nº 49, de 09/10/95, suspendeu a execução dos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88, em função da inconstitucionalidade reconhecida pelo STF, no julgamento do RE nº 148.7542/RJ, afastandoos definitivamente do ordenamento jurídico pátrio. 2) A retirada dos referidos decretosleis do mundo jurídico produziu efeitos ex tunc, e funcionou como se nunca houvessem existido, retornandose, assim, a aplicabilidade da sistemática anterior, passando a ser aplicadas as determinações da LC nº 7/70, com as modificações deliberadas pela LC nº 17/73. PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 7/70 A norma do parágrafo único do art. 6º da LC nº 7/70 determina a incidência da contribuição sobre o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador faturamento do mês. 2) A base de cálculo da contribuição permaneceu incolume e em pleno vigor até os efeitos da edição da MP nº 1.212/95, quando passou a ser considerado o faturamento do mês (Precedentes do Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUD A JUNIOR 4 STJ e da CSRF/MF). Recurso ao qual se dá provimento parcial.” Embargos acolhidos. Instado a se manifestar, o i. Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção decidiu pelo não seguimento do REsp interposto, conforme argumentos abaixo colacionados [Despacho n. 21000252/2010 – fls. 70 e ss]: [...] Entendo não caber razão ao recorrente. Apesar dos paradigmas apresentados terem decidido pela contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação nos termos do art. 150, §4°, do CTN, quando houver antecipação de pagamento, e nos moldes do art. 173, inciso I, do CTN, quando não houver recolhimento, enquanto o acórdão recorrido entendeu sempre se aplicar a regra do art. 150, §4°, do CTN, os fatos subjacentes às decisões comparadas são diversos. De fato, no caso em tela, verifico que houve a antecipação de pagamento de Imposto de Renda no período lançado, pois o contribuinte apurou um imposto a pagar de R$300,00 em sua Declaração Anual de Ajuste do exercício de 2000 (fl. 16), valor deduzido no auto de infração (fl. 11). Dessa forma, mesmo que se aplicasse o entendimento dos paradigmas à situação destes autos, o resultado seria o mesmo do acórdão recorrido, carecendo o recurso de interesse processual. Ato contínuo, a decisão foi confirmada pelo i. Senhor Presidente do CARF, em atenção ao disposto no art. 67, do RICARF. Intimada do Despacho, a PGFN protocolou petição que, em síntese, afirma que a fundamentação utilizada no citado despacho foi no sentido de que "houve antecipação de pagamento de Imposto de Renda no período lançado, pois o contribuinte apurou um imposto a pagar de R$ 300,00 em sua Declaração Anual de Ajuste do exercício de 2000 (fl. 16), valor deduzido no auto de infração (fl. 11)". Alega que, da análise dos documentos citados, concluise que o aludido valor não foi deduzido no auto de infração, mas sim efetivamente cobrado, conforme discriminação contida na tabela de fl. 11. Sustenta que o valor de R$ 300,00 referese a imposto a pagar e não a imposto pago e que, no presente caso, não houve qualquer antecipação de pagamento do imposto declarado como devido, razão pela qual requer a reconsideração do Despacho n° 2100 0252R/2010, de forma que seja dado seguimento ao recurso especial. Diante dos elementos apresentados o i. Presidente CSRF resolveu acolher o pedido e reconsiderar o Despacho anterior para admitir o Recurso Especial [fls. 77/78]: [...] À vista dos elementos apresentados entendo que assiste razão à recorrente, posto que o valor apurado pelo contribuinte como imposto a pagar em sua Declaração Anual de Ajuste não foi recolhido, haja vista ter sido cobrado no auto de infração juntamente com o imposto suplementar apurado. Como o recurso foi fundamentado na ocorrência de antecipação de pagamento do imposto de renda para negar seguimento ao recurso especial, ante à constatação de que não houve o recolhimento antecipado, não há como aplicar a regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 150, § 4 o , do Fl. 109DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUD A JUNIOR Processo nº 10980.006592/200553 Acórdão n.º 9202003.551 CSRFT2 Fl. 10 5 CTN, devendo ser aplicada àquela contida no art. 173,1, do CTN. Diante do exposto acima resta caracterizada a divergência jurisprudencial, razão pela qual acolho o pedido de reconsideração para ADMITIR o recurso especial da Fazenda Nacional, tomando sem efeito o decidido no despacho 2100 0252/2010 (fls. 70/71). Intimado a se manifestar, o Sujeito Passivo apresentou contrarazões que reitera os argumentos do decisum recorrido. É o voto. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. O cerne da questão sobre a decadência é a discussão sobre qual das regras decadenciais, presentes no CTN, aplicarseá, a expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, como decidido no acórdão recorrido, ou a constante do I, Art. 173 do CTN. Para a recorrente, a regra a ser aplicada deve ser a prevista no Art. 173, pois não houve a necessária e obrigatória antecipação parcial de pagamento. Creio que já temos resposta sobre esta dúvida. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O Fl. 110DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUD A JUNIOR 6 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki,julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial Fl. 111DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUD A JUNIOR Processo nº 10980.006592/200553 Acórdão n.º 9202003.551 CSRFT2 Fl. 11 7 qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). Cabe destacar que na análise dos autos não houve recolhimento, como bem apontado pela PGFN e registrado no despacho de reconsideração do i. Presidente da CSRF: [...]Diante dos elementos apresentados o i. Presidente CSRF resolveu acolher o pedido e reconsiderar o Despacho anterior para admitir o Recurso Especial [fls. 77/78]: [...] À vista dos elementos apresentados entendo que assiste razão à recorrente, posto que o valor apurado pelo contribuinte como imposto a pagar em sua Declaração Anual de Ajuste não foi recolhido, haja vista ter sido cobrado no auto de infração juntamente com o imposto suplementar apurado. Como o recurso foi fundamentado na ocorrência de antecipação de pagamento do imposto de renda para negar seguimento ao recurso especial, ante à constatação de que não houve o recolhimento antecipado, não há como aplicar a regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 150, § 4 o , do CTN, devendo ser aplicada àquela contida no art. 173,1, do CTN. Diante do exposto acima resta caracterizada a divergência jurisprudencial, razão pela qual acolho o pedido de reconsideração para ADMITIR o recurso especial da Fazenda Nacional, tomando sem efeito o decidido no despacho 2100 0252/2010 (fls. 70/71). Portanto, deve ser afastada a decadência suscitada e, ato contínuo, retornarem os autos para julgamento das questões de mérito. DISPOSITIVO Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Especial interposto, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para afastar a decadência suscitada e, ato contínuo, retornarem os autos para julgamento das questões de mérito. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 112DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUD A JUNIOR 8 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUD A JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13401.000926/2005-47
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO CABIMENTO.
Não são cabíveis embargos de declaração, com fulcro no art. 65, Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, quando não demonstrados a omissão, contradição ou obscuridade no v. acórdão embargado.
Numero da decisão: 1103-001.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, rejeitar os embargos, por maioria, vencidos os Conselheiros Breno Ferreira Martins Vasconcelos, que apresentará declaração de voto, e Marcos Shigueo Takata.
Assinado digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado digitalmente
Fábio Nieves Barreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: FABIO NIEVES BARREIRA
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NÃO CABIMENTO. Não são cabíveis embargos de declaração, com fulcro no art. 65, Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, quando não demonstrados a omissão, contradição ou obscuridade no v. acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, rejeitar os embargos, por maioria, vencidos os Conselheiros Breno Ferreira Martins Vasconcelos, que apresentará declaração de voto, e Marcos Shigueo Takata. Assinado digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 40 1. 00 09 26 /2 00 5- 47 Fl. 996DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13401.000926/200547 Acórdão n.º 1103001.100 S1C1T3 Fl. 997 2 Relatório O contribuinte foi autuado em decorrência da constatação da existência de divergência entre os valores declarados em DCTF e os apurados nos livros Razão e de Registro de Apuração do ICMS (fls. 12/14). Intimado, o contribuinte não comprovou o acerto dos seus atos, motivando, como conseqüência, a lavratura do auto de infração. O contribuinte ofertou impugnação (fls. 894/912), a qual foi julgada improcedente, mantendose, na integralidade, o trabalho fiscal (fls. 937/945). Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário (958/979), o qual foi julgado parcialmente provido, para reconhecer a decadência dos períodos de apuração anteriores a 01.12.2000 (fls. 981/985), nos termos do art. 150, §4o, do CTN, conforme segue: “Neste tocante assiste razão ao contribuinte. Em que pese 0 entendimento esposado na decisão recorrida e prestigiado por minoria neste Tribunal Administrativo, comungo do entendimento que no lançamento por homologação o que o Fisco efetivamente ‘homologa’ não é o pagamento, mas sim a atividade do contribuinte de apurar a matéria tributável e calcular o montante do tributo devido, sendo, para fins da decadência, irrelevante ter havido ou não o pagamento pelo sujeito passivo. Nesse sentido os arestos abaixo colacionados, verbis: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercicio: 1998 IRPJ DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a decadência é contada de acordo com os ditames do artigo 150, § 4° do CTN, operandose cinco anos após a ocorrência do fato gerador. Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para reconhecer a decadência Marcos Vinicius Neder de Lima Presidente. 1° Conselho de Contribuintes / 7a. Turma Especial / ACÓRDÃO 19700.053 em 21.10.2008. Publicado no DOU em: 24.03.2009 Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 1999 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇAO DECADÊNCIA FATO GERADOR No lançamento por homologação, conforme o disposto no art. 150, § 4°, do CTN, se a lei não fixar prazo para a homologação será ele de cinco anos a contar do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude e simulação, que não corresponde à situação dos autos. DAR provimento ao recurso, para acolher a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo. Fl. 997DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13401.000926/200547 Acórdão n.º 1103001.100 S1C1T3 Fl. 998 3 Marcos Vinicius Neder de Lima Presidente. 1° Conselho de Contribuintes / 7a. Câmara / ACÓRDAO 107 09.567 em 13.11.2008. Publicado no DOU em: 24.03.2009 Relator: Albertina Silva Santos de Lima Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do Recurso Voluntário para reconhecer a decadência dos períodos de apuração anteriores a 01.12.2000. É como voto. ERIC CASTRO E SILVA” Inconformada, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração (fls. 989/992), com fundamento no art. 65, do Regimento Interno deste Conselho, aduzindo, em síntese, que o Superior Tribunal de Justiça, decidiu, em recurso repetitivo, REsp nº 973.733, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, que nos casos em que o tributo deva ser lançado pela modalidade homologação, mas que não seja acompanhado do pagamento do tributo correspondente, a regra da decadência aplicável é a do art. 173, I, do CTN. Pede, ao final, que seja sanada a contradição e a omissão existentes. O recurso foi protocolado no prazo, visto que a embargante foi intimada no dia 08/09/2010, opondo os embargos de declaração em 09/09/2010. É o relatório. Voto Conselheiro Fábio Nieves Barreira Nos termos do art. 65, do Regimento Interno deste Conselho, cabem embargos de declaração nas seguintes hipóteses: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: {2} I por conselheiro do colegiado; {2} II pelo contribuinte, responsável ou preposto; {2} III pelo Procurador da Fazenda Nacional; {2} IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; {2} Fl. 998DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13401.000926/200547 Acórdão n.º 1103001.100 S1C1T3 Fl. 999 4 V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. {2} § 2º O presidente da Turma poderá designar conselheiro para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. {2} § 3° O despacho do presidente será definitivo se declarar improcedentes as alegações suscitadas, sendo submetido à deliberação da turma em caso contrário. § 4° Do despacho que rejeitar os embargos de declaração será dada ciência ao embargante. § 5° Os embargos de declaração opostos tempestivamente interrompem o prazo para a interposição de recurso especial. § 6° As disposições deste artigo aplicamse, no que couber, às decisões em forma de resolução.” No caso em tela, o v. acórdão embargado foi claro ao, acolhendo em parte o pleito do contribuinte, afastar a exigência parcial dos créditos tributários exigidos, com fundamento no art. 150, §4o, do CTN. Portanto, não se vislumbra qualquer omissão ou contradição. O que pretende a embargante e rediscutir a matéria de mérito, onde foi vencida, com fundamento no julgamento realizado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, REsp nº 973.733, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, que decidiu que nos casos em que o tributo deva ser lançado pela modalidade homologação, mas que não seja acompanhado do pagamento do tributo correspondente, a regra da decadência aplicável é a do art. 173, I, do CTN. Porém este caminho recursal não alberga esta finalidade. Diante do exposto NÃO CONHEÇO do embargos interpostos, por falta de preenchimento dos requisitos legais. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator Fl. 999DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13401.000926/200547 Acórdão n.º 1103001.100 S1C1T3 Fl. 1000 5 Declaração de Voto Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos Como bem exposto pelo Iluste Relator, o presente processo administrativo foi originado por auto de infração lavrado para a exigência de IRPJ e CSLL em razão da existência de divergência entre os valores escriturados e os efetivamente declarados e pagos pelo contribuinte. Ao apreciar o recurso voluntário, esta Turma acolheu a decadência arguida pelo contribuinte, por entender, nos termos do voto condutor, que “no lançamento por homologação o que o Fisco efetivamente ‘homologa’ não é o pagamento, mas sim a atividade do contribuinte de apurar a matéria tributável e calcular o montante do tributo devido, sendo, para fins de decadência, irrelevante ter havido ou não o pagamento pelo sujeito passivo.” A Fazenda Nacional, por sua vez, opôs embargos de declaração sob o argumento de que o referido acórdão está maculado por omissão, pois não considerou o entendimento manifestado pelo Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria no julgamento do Recurso Especial nº 973.733, que foi considerado representativo de controvérsia. Com efeito, conforme se infere do acórdão proferido em 05 de julho de 2010, a contagem do prazo decadencial consoante o art. 150, §4º ou o art. 173, I do CTN foi devidamente apreciada, não havendo que se falar em omissão. Desse modo, não verificada omissão, obscuridade ou contradição, hipóteses de cabimento eleitas pelo artigo 65, do Anexo II, do RICARF (Portaria nº 256/09) a ensejar a oposição de Embargos Declaratórios, acompanho o voto do Conselheiro Relator no ponto em que rejeita o presente recurso. A despeito disso, sendo a decadência matéria de ordem pública, entendo que sua apreciação não se sujeita à preclusão, podendo ser efetivada (i) de ofício e (ii) a qualquer tempo no curso do processo, enquanto não houver decisão definitiva. No que tange ao afastamento da preclusão pro iudicato, faço referência à doutrina de Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery: As questões dispositivas decididas no processo não podem ser reapreciadas pelo juiz. As de ordem pública, por não serem alcançadas pela preclusão, podem ser decididas a qualquer tempo e grau ordinário de jurisdição (não em RE ou REsp). Pela mesma razão, pode o juiz redecidir as questões de ordem pública já decididas no processo. (destaque não original) (JUNIOR, Nelson Nery. NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil Comentado e Legislação Extravagante. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 11ª Edição, 2010, pág. 734.) Em que pese a natureza de ordem pública da matéria posta em análise ser suficiente para permitir sua reapreciação na atual fase processual, anoto que o processo administrativo fiscal é orientado, primordialmente, pela busca da segurança jurídica e pelo controle de legalidade dos atos administrativos. Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13401.000926/200547 Acórdão n.º 1103001.100 S1C1T3 Fl. 1001 6 Ancorado nesses parâmetros e na demonstrada inexistência de preclusão que recaia sobre o tema posto em controvérsia, entendo ser inafastável sua reavaliação de ofício, inobstante a inadmissibilidade dos aclaratórios. Conclusão Pelo exposto, voto por negar seguimento aos Embargos de Declaração, por entender ausentes as hipóteses de cabimento previstas no artigo 65 do Anexo II do RICARF, mas entendo que a decadência deve ser apreciada de ofício por corresponder a matéria de ordem pública. É o meu voto. Sala das Sessões, em 26 de agosto de 2014 (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13896.910130/2012-17
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 15 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório eletronicamente emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife, por meio do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 13 0/ 20 12 -1 7 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 08 /05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910130/201217 Resolução nº 3801000.908 S3TE01 Fl. 12 2 qual foi não homologada a Declaração de Compensação DCOMP em que é indicado suposto crédito a título de pagamento indevido ou a maior da COFINS. Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ de Recife: 2. A não homologação da compensação se deu porque, embora localizado supradito pagamento, ele fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. 3. No recurso, a defendente alega que tem por objeto a prestação de serviços técnicos no ramo de engenharia e que tem como principal tomadora de serviços o Grupo PETROBRÁS, estando submetida ao pagamento, dentre outros tributos, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, relativamente às quais as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 estabeleceram sistemática não cumulativa de pagamento, que consiste “em deduzir, dos débitos apurados de cada contribuição, os respectivos créditos admitidos na legislação”. 4. Transcreve a recorrente o art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, que prevê a possibilidade de desconto de créditos da COFINS, e apresenta decisões administrativas e judiciais que tratam do conceito de insumos para fins de desconto de créditos desta contribuição, após o que assevera que, “fundamentada na legislação tributária e no entendimento dado pelos Tribunais Pátrios, em decorrência de recolhimentos realizados a maior no exercício de liquidação de sua carga tributária inerente às Contribuições Sociais em comento, razão pela qual requereuse a presente compensação administrativa”. 5. Diz ter cumprido todas as etapas legais estabelecidas e que preencheu todos os requisitos e que, desta forma, não haveria que se negar a homologação das compensações e muito menos ainda aplicar multa. 6. Argúi que a alegação do Despacho Decisório recorrido de que inexistiria crédito indicaria, de forma clara, erro no cruzamento de informações dos sistemas que impediu a identificação do crédito, que fala ser líquido e certo. 7. Menciona que, para sanar quaisquer dúvidas, apresenta Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON e de Declaração de Débitos e Créditos – DCTF da DCOMP. 8. Ao final, diante das provas apresentadas, requereu o acolhimento da defesa e que seja julgada “improcedente a autuação e, em decorrência, cancelada a exigência”. 9. Dentre outros documentos, a contribuinte anexou aos presentes autos cópia de DACON retificadora e este. Analisando o caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife entendeu por bem julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, ao Fl. 306DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 08 /05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910130/201217 Resolução nº 3801000.908 S3TE01 Fl. 13 3 argumento de que este não apresentou documentos que evidenciassem, de forma inequívoca, o direito ao pretendido indébito. Transcrevase a ementa da referida decisão: TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição/compensação de tributo recolhido de acordo com confissão de dívida constante de DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório que não homologa a compensação exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro na confissão e de que o pagamento realizado foi indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Diante dessa decisão, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que não fora intimado para prestar qualquer esclarecimento ou apresentar documentação fiscal que atestassem a natureza e demonstrassem inequivocamente o seu crédito, tendo o seu pedido de compensação sido não homologado direto por meio de despacho eletrônico. Assim, juntou ao Recurso todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes, que comprovam a natureza do crédito. Registrou também disponibilizar os documentos fiscais e contábeis, que poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa, em Barueri. Argumentou que o processo administrativo fiscal possui como princípio a verdade material e traz jurisprudência deste Conselho e do Poder Judiciário sobre a necessidade e importância de sua aplicação. É o relatório. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 08 /05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910130/201217 Resolução nº 3801000.908 S3TE01 Fl. 14 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando os autos, entendo que no julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Recife poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade e correção dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a Fl. 308DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 08 /05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910130/201217 Resolução nº 3801000.908 S3TE01 Fl. 15 5 ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103 18789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Fl. 309DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 08 /05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910130/201217 Resolução nº 3801000.908 S3TE01 Fl. 16 6 Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, a DACON que foi retificada pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstra créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Recife, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são mesmo decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos na sua prestação de serviços de engenharia e, em conseqüência, são passíveis de compensação, como pretendeu a Recorrente. Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além da DACON retificada, balancete, documentação fiscal e contábil passível de verificação do direito creditório. Tal documentação, contudo, não foi considerada pela DRJ/Recife, sob a alegação de ter sido apresentada posteriormente ao indeferimento da compensação. Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF de Recife para: 1. Apurar se, com base na documentação acostada aos autos, os valores dos créditos de bens e serviços utilizados como insumos na sua atividade declarado no DACON retificado estão corretos; 2. Caso se entenda que a documentação acostada aos autos não seja suficiente para a verificação dos créditos, intimar a empresa a apresentar documentos adicionais para esse fim específico, concedendolhe prazo para tal apresentação; 3. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 310DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 08 /05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11020.001081/2004-85
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002
NORMAS PROCESSUAIS - RECURSO ESPECIAL - NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÕES.
ARBITRAMENTO DO LUCRO - FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS - APREENSÃO PELA JUSTIÇA -IMPOSSIBILIDADE - Comprovado nos autos que a falta da apresentação dos livros fiscais e contábil decorreu de causa alheia à vontade do contribuinte (apreensão pela justiça) e, ainda, não demonstrado qualquer vicio nas declarações tempestivamente apresentadas e/ou outro fato que justificasse o arbitramento dos lucros, não há como subsistir o lançamento.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE - Havendo identidade substancial entre as matérias contidas nos acórdãos paradigmas e no acórdão recorrido e divergência nas suas conclusões, estando plenamente configurada a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente, há que se conhecer do recurso impetrado.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9101-002.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) Quanto ao conhecimento: Por maioria de votos, recurso conhecido. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator) e a Conselheira Karem Jureidini Dias. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. 2) Quanto ao mérito: Por maioria de votos, recurso negado provimento. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Marcos Vinícius Barros Ottoni Redator Ad Hoc - Designado
(Assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Redator Designado
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado), Rafael Vidal De Araújo, Joao Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001, 2002 NORMAS PROCESSUAIS - RECURSO ESPECIAL - NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÕES. ARBITRAMENTO DO LUCRO - FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS - APREENSÃO PELA JUSTIÇA -IMPOSSIBILIDADE - Comprovado nos autos que a falta da apresentação dos livros fiscais e contábil decorreu de causa alheia à vontade do contribuinte (apreensão pela justiça) e, ainda, não demonstrado qualquer vicio nas declarações tempestivamente apresentadas e/ou outro fato que justificasse o arbitramento dos lucros, não há como subsistir o lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE - Havendo identidade substancial entre as matérias contidas nos acórdãos paradigmas e no acórdão recorrido e divergência nas suas conclusões, estando plenamente configurada a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente, há que se conhecer do recurso impetrado. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) Quanto ao conhecimento: Por maioria de votos, recurso conhecido. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator) e a Conselheira Karem Jureidini Dias. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. 2) Quanto ao mérito: Por maioria de votos, recurso negado provimento. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni Redator Ad Hoc - Designado (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes - Redator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado), Rafael Vidal De Araújo, Joao Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
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ARBITRAMENTO DO LUCRO FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS APREENSÃO PELA JUSTIÇA IMPOSSIBILIDADE Comprovado nos autos que a falta da apresentação dos livros fiscais e contábil decorreu de causa alheia à vontade do contribuinte (apreensão pela justiça) e, ainda, não demonstrado qualquer vicio nas declarações tempestivamente apresentadas e/ou outro fato que justificasse o arbitramento dos lucros, não há como subsistir o lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE Havendo identidade substancial entre as matérias contidas nos acórdãos paradigmas e no acórdão recorrido e divergência nas suas conclusões, estando plenamente configurada a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente, há que se conhecer do recurso impetrado. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) Quanto ao conhecimento: Por maioria de votos, recurso conhecido. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator) e a Conselheira Karem Jureidini Dias. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. 2) Quanto ao mérito: Por maioria de votos, recurso negado provimento. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 10 81 /2 00 4- 85 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11020.001081/200485 Acórdão n.º 9101002.005 CSRFT1 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni – Redator Ad Hoc Designado (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Redator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado), Rafael Vidal De Araújo, Joao Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Em sessão plenária de 08 de junho de 2010 a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento deste CARF, por unanimidade de votos, por meio do Acórdão nº 130100.348, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte Bigplay Entretenimentos Ltda., nos termos da ementa a seguir: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2002, 2003. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS OBRIGATÓRIOS. APREENSÃO POR ORDEM DA JUSTIÇA. FALTA DE APROFUNDAMENTO. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO DOS LUCROS. Diante das fortes evidências de que os livros obrigatórios estariam em poder da Justiça e/ou da fiscalização do INSS, caberia ao Fisco aprofundar as investigações e diligenciar junto àqueles órgãos para ter acesso aos elementos indispensáveis ao prosseguimento da ação fiscal. Não sendo esse procedimento adotado, é de se entender que a não apresentação dos livros decorreu de causa alheia à vontade do contribuinte. Nessas condições e, ainda, não demonstrando qualquer vicio nas declarações tempestivamente apresentadas, o arbitramento dos lucros não pode subsistir. Recurso Voluntário Provido.” Tempestivamente, a Fazenda Nacional ingressou com Recurso Especial requerendo, preliminarmente, invocando o princípio da estrita legalidade que vincula o administrador e o princípio da reserva legal, que seja reconhecida a intempestividade do recurso voluntário e a preclusão em relação à matéria pertinente ao arbitramento, decretandose a definitividade da decisão de primeira instância, nos termos dos arts. 33 e 42 do Decreto nº 70.235/72. Aponta tratarse de matéria de ordem pública, e cita a ementa do Acórdão n° 102 128147, proferido pela Quarta Turma da CSRF, Fl. 234DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11020.001081/200485 Acórdão n.º 9101002.005 CSRFT1 Fl. 4 3 Quanto ao mérito, alega que a decisão que deu a lei tributária interpretação divergente da que lhe foi dada por outro Colegiado, indicando como paradigmas os acórdãos 10809672 e 10517186, cujas ementas, no que interessa, assentam: Ac. nº 10809672. IRPJ LUCRO ARBITRADO FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS A falta de apresentação pela fiscalizada de livros e documentos contábeis e fiscais impossibilita a apuração do Lucro Real ou do Lucro Presumido, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável. Ac. n° 10517186 Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2000, 2001, 2002 Ementa: ARBITRAMENTO DO LUCRO FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS A falta de apresentação de livros e documentos à autoridade fiscal é motivo suficiente para que se arbitre o lucro da pessoa jurídica. O Presidente da Terceira Primeira Seção do CARF deu seguimento ao recurso, aprovando proposta que assim considerou: “Examinandose os acórdãos paradigma (a ementa com seu inteiro teor), resta claro que o entendimento de que deve ser mantido o arbitramento do lucro se o contribuinte devidamente intimado não apresenta os livros contábeis obrigatórios, sob a mera alegação de que teriam sido apreendidos por ordem da justiça, sem fazer prova do alegado e de que tentou obter o acesso aos elementos apreendidos para atender a fiscalização. O conteúdo decisório do Acórdão recorrido aponta no sentido de que incumbiria à fiscalização aprofundar as investigações e realizar as diligências necessárias para ter acesso aos elementos indispensáveis à conclusão da ação fiscal, entendendo que a não entrega dos livros decorreu de causa alheia à vontade do fiscalizado e que não o tendo feito o arbitramento deve ser considerado insubsistente. Há, portanto, identidade substancial entre as matérias contidas nos acórdão paradigmas e no acórdão recorrido e divergência nas suas conclusões.” É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni, Redator Ad Hoc Designado Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que o Conselheiro Valmir Sandri, relator do processo, não mais integra o Conselho Fl. 235DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11020.001081/200485 Acórdão n.º 9101002.005 CSRFT1 Fl. 5 4 Administrativo de Recursos Fiscais, este Conselheiro foi designado Redator Ad Hoc pelo Presidente da 1ª Turma da CSRF, nos termos do item III, do art. 17, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 7 de outubro de 2014 (RICARF). Destarte, levandose em consideração a minuta de acórdão inicialmente apresentada pelo relator original quando do julgamento do recurso, bem como o seu resultado, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, expresso na Ata da sessão ocorrida em outubro de 2014, passo a formalizar o voto do relator: Aprecio a preliminar de intempestividade do recurso voluntário, suscitada pela Fazenda Nacional como fundamento para invocar, em nome da estrita legalidade que vincula o julgador, a definitividade da decisão de primeira instância. Alega a ora recorrente que: “(...) o Fisco envidou esforços no sentido de promover a intimação do contribuinte no seu domicilio tributário. (...) frustrada essa tentativa, o Fisco promoveu a intimação do contribuinte na pessoa de seu representante legal, em 21/10/2008 (fl. 115). Contudo, muito embora o prazo legal para a interposição do recurso voluntário tenha se encerrado no dia 20/11/2008, o autuado somente interpôs recurso voluntário em 24/11/2008 (fl. 116). Logo, o recurso voluntário foi interposto fora do trintídio legal, de forma extemporânea, devendo, por esse fato, ser considerado intempestivo. Equivocase a ilustre representante da Fazenda Nacional, pois a contagem de prazo só se inicia a partir da data em que se considera regularmente intimado o contribuinte. No presente caso, a tentativa de intimação por via postal, que exige prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, frustrouse, não tendo se concretizado a regular intimação, pois deixou de ser atendido o que dispõe o § 1º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, que determina a intimação por edital, quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput do artigo para efetivála.. E foi com base nesse fato que a Turma recorrida conheceu do recurso, conforme justifica o Relator: “A correspondência entregue por via postal em endereço diverso daquele eleito pelo sujeito passivo e fornecido, para fins cadastrais, à Receita Federal não caracteriza a ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 23 do Decreto n° 70.235/1972. Entretanto, visto que o contribuinte compareceu ao processo para interpor recurso voluntário, tenho que a ciência foi de fato feita, embora não se possa precisar sua data. Desta forma, o recurso interposto deve ser considerado tempestivo e merece ser conhecido.” Na sequência, e ainda em preliminar, a Procuradoria da Fazenda Nacional invoca a preclusão em relação à matéria pertinente à legitimidade do arbitramento, alegando que o contribuinte não se insurgiu especificamente quanto a essa matéria, e que a Turma recorrida não poderia apreciála sob pena de incidir em inaceitável julgamento extra petita. além dos limites do pedido formulado pelo recorrente. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11020.001081/200485 Acórdão n.º 9101002.005 CSRFT1 Fl. 6 5 Também essa alegação não encontra respaldo nos autos. Em seu recurso voluntário, o contribuinte contestou expressamente a legitimidade do arbitramento, alegando: “Assim, o preterimento da escrita e dos documentos e consequente arbitramento dos valores torna nula a peça fiscal originária. Por óbvio que nestas condições não poderia prevalecer a autuação, arbitrar é um procedimento que só tem lugar in extremis, o que não é a situação do caso em tela, de modo que desde já requerse a declaração de nulidade da peça fiscal recorrida.” Quanto ao mérito, a questão diz respeito a arbitramento de lucro quando os livros e/ou documentos não são apresentados por terem sido apreendidos. É preciso, assim, analisar as particularidades fáticas dos casos, pois interpretação e aplicação do direito são uma só operação, de modo que interpretamos para aplicar o direito e, ao fazêlo, não nos limitamos a interpretar (= compreender) os textos normativos, mas também compreendemos( = interpretamos) os fatos.” 1 Do Relatório que integra o acórdão ora recorrido depreendese que o lançamento originouse do confronto entre as DIPJs e as DCTFs. A conferir: “Segundo a Descrição dos Fatos (fl. 06), o Fisco constatou que os valores de IRPJ calculados a partir das receitas informadas nas DIPJs 2002 e 2003 (respectivamente, anoscalendário 2001 e 2002) não foram declarados e/ou são maiores do que os declarados em DCTF, conforme demonstrado na planilha de fls. 13/14. No primeiro ano referido a opção do contribuinte foi pelo lucro presumido, enquanto no segundo ano sua declaração consignava apuração pelo lucro real trimestral. Informa ainda o autuante que procedeu ao arbitramento do lucro, "tendo em vista que o contribuinte, notificado a apresentar os livros e documentos de sua escrituração (diários, razão e ou livrocaixa), conforme Termo de Início de Fiscalização cientificado e 01/04/2004, deixou de apresentá los, haja vista sua informação constante no item 2 da correspondência expedida em 14/04/2004". Transcrevo as razões de decidir expostas no voto condutor, nas quais ficam claros os aspectos fáticos do caso que orientaram a convicção do Relator acatado pela Turma: “Compulsando os autos, encontro às fls. 13/14, o Termo de Início de Fiscalização, datado de 29/03/2004, segundafeira, cuja ciência foi feita pessoalmente em 01/04/2004, quintafeira. Entre outros elementos, são solicitados os livros Diário, Razão, Caixa e Lalur para os períodos aqui discutidos. Após um pedido de prorrogação (fl. 158), na resposta do contribuinte (fl. 17), datada de 14/04/2004 e recebida na repartição em 15/04/2004, consta que " 2. Os livros diário, razão e caixa estão com a fiscal Andréa no INSS, não possuindo todos 1 GRAU, Eros Roberto. Ensaio e Discurso sobre a Interpretação/Aplicação do Direito 3ª edição São Paulo: Malheiros, 2005, 1ª Parte, Capítulo II Fl. 237DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11020.001081/200485 Acórdão n.º 9101002.005 CSRFT1 Fl. 7 6 os anos pedidos na intimação, por motivo de apreensão (sic) de documentos pelo Ministério Público". Diversos outros itens da resposta fazem menção à apreensão de documentos pelo Ministério Público. Esta intimação e respectiva resposta foram os únicos documentos mencionados e acostados aos autos pelo autuante, a justificar o arbitramento do lucro nos anos calendário 2001 e 2002. No entanto, desde sua impugnação e novamente no recurso voluntário, a interessada junta aos autos outros termos lavrados e respectivas respostas, que passo a apreciar. (...) É assente na doutrina e na jurisprudência do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, sucedido funcionalmente por este CARF, que o arbitramento de lucros é medida extrema, a qual só deve ser empregada quando esgotadas todas as possibilidades de apuração do lucro por outra forma (lucro real ou, por opção tempestiva do contribuinte, lucro presumido), e desde que demonstrado o atendimento a alguma das hipóteses de arbitramento estabelecidas em lei. (...) É fato que os livros e documentos solicitados pelo Fisco não foram apresentados. Entretanto, há nos termos lavrados e respectivas respostas fortes evidências de que diversos elementos teriam sido apreendidos por ordem da Justiça em data anterior ao início do procedimento de fiscalização. O contribuinte afirma expressamente que seus livros estariam no Fórum, à disposição do Poder Judiciário e que os fiscais do INSS teriam lá comparecido a fim de obter cópias de livros e documentos. Também o AFRFB menciona a apreensão havida, inclusive com menção a um certo Termo de Abertura de Lacre e Relação de Documentos Apreendidos, demonstrando que tinha conhecimento do ocorrido, sendo mesmo do conteúdo de tal termo. Talvez por considerálos desnecessários, o AFRFB deixou de acostar aos autos os Termos de Intimação Fiscal n° 2 e n° 3. Também não se manifestou sobre as cópias dos termos de apreensão que teriam sido colocadas à. disposição, conforme resposta ao Termo nº 2. A esta altura, cabe uma observação: no voto condutor do acórdão recorrido, encontro a afirmação (fl. 117) de que a apreensão seria "fato que é contraditado pelo autuante que afirma que a contabilidade não foi apreendida". Não encontro essa contradita em parte alguma dos autos. Penso de forma diversa. Tenho que tais termos são esclarecedores sobre as circunstâncias em que se deu a fiscalização e que são fortes em evidenciar que a não apresentação dos livros teve causas alheias à vontade do contribuinte. Nessas condições, caberia ao Fisco dar sequência aos trabalhos, examinar os termos de apreensão oferecidos e diligenciar junto ao Poder Judiciário e/ou ao INSS, a fim de verificar se os livros indispensáveis ao procedimento fiscal Fl. 238DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11020.001081/200485 Acórdão n.º 9101002.005 CSRFT1 Fl. 8 7 estavam de fato apreendidos, obtendo, então, as cópias que permitissem a. fiscalização. Se, ao contrário, das diligências resultasse a comprovação da inexistência dos livros ou de que não teriam sido apreendidos, a hipótese de arbitramento restaria inequivocamente configurada. Mas nada disso encontro nos autos. De igual forma, não encontro qualquer evidência capaz de levantar dúvidas acerca do conteúdo das DIPJs tempestivamente apresentadas. Da forma como foi levado a efeito, de forma açodada e sem o perfeito esclarecimento sobre as circunstâncias da falta de apresentação dos livros obrigatórios, o arbitramento dos lucros não pode subsistir.” (destaques acrescentados) Como visto, no presente caso não foi apontado pela fiscalização qualquer fato que indicasse erro no imposto apurado informado nas DIPJ tempestivamente apresentadas. Não houve nenhuma investigação, e o procedimento fiscal limitouse a intimar o contribuinte a apresentar os livros e documentos e, diante da sua falta de apresentação, arbitrar o lucro. Embora o Fisco tivesse conhecimento de que os livros haviam sido apreendidos antes do início do procedimento (impossibilitando o contribuinte de cumprir a intimação), e que a fiscalização do INSS havia obtido, no Fórum, cópias dos livros e documentos, não envidou qualquer esforço no sentido de obter informações que lhe permitissem fiscalizar a apuração do lucro informada pelo contribuinte. O caso objeto do primeiro dos paradigmas indicados (Acórdão 10809672) referese a omissão de receita apurada a partir de recursos creditados em conta bancária, sem comprovação de origem. Intimada a apresentar livros e documentos, o contribuinte não o fez alegando inatividade. Comprovada a omissão de receita por prova indireta (presunção fundada no art. 42 da Lei nº 9.430/96 ), e diante da não apresentação dos livros e documentos, a fiscalização arbitrou o lucro. Contestando o lançamento, o contribuinte alegou que os recursos depositados em sua conta bancária se referem a transferência de terceiros (empresas Frango Modelo e Agropecuária Beira da Mata, empresas vinculadas ao sócio da contribuinte) para intermediar compras, mas que estava impossibilitada de comprovar documentalmente suas alegações porque os seus documentos eram repassados para os contabilistas das empresas envolvidas, para que fossem conciliadas suas contas bancárias, e lá foram apreendidos pela Polícia Federal. Do relatório e voto que integram o Acórdão 10809672 depreendemse os seguintes aspectos particulares: (i) a empresa não escriturou seus livros contábeis e fiscais, eis que, ao ser intimada a apresentálos, deixou de fazêlo alegando inatividade; (ii) os documentos que segundo alega, foram apreendidos pela Polícia Federal, poderiam, eventualmente, comprovar suas alegações para desconstituir a acusação de omissão de receitas, mas esse fato não influenciaria no arbitramento do lucro, que decorreu da não apresentação dos livros que não forma apreendidos. O caso objeto do segundo paradigma indicado (Acórdão 10517186) também se refere a omissão de receita apurada a partir de recursos creditados em conta bancária, sem comprovação de origem. No relatório que integra o Acórdão foi transcrita parte do voto condutor da decisão de primeira instância, que revela significativos aspetos fáticos do caso: Fl. 239DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11020.001081/200485 Acórdão n.º 9101002.005 CSRFT1 Fl. 9 8 “Alega, a interessada, cerceamento do direito de defesa em razão de que teve parte de sua documentação queimada em incêndio ocorrido, conforme Boletim de Ocorrência n 2 2839/2001, expedida pela Delegacia de Polícia em Paulínia SP, ter documentos apreendidos, consoante Autos de Conferência e Identificação de Material Apreendido, em mandado de busca e apreensão realizada pelo Departamento de Polícia Federal, e ter sido obrigada a entregar parte de notas fiscais ao seu exsócio litigante, por determinação do Exmo Juiz da 132 Vara Cível de Curitiba PR, sob a alegação de extrair cópias e não foram devolvidas conforme Boletim de Ocorrência n2 1.187/2001, expedida pela Delegacia de Polícia em Paulínia SP, sendo que a fiscalização só registrou que entre os documentos apreendidos não constavam os livros contábeis e fiscais. Ora, o Auto de Apresentação Apreensão lavrado pela Polícia Federal discrimina toda a documentação retida e dentre ela não está contida a escrituração contábil e fiscal dos anoscalendário de 2000/2002 (fls. 12/33), o Boletim de Ocorrência nº2839/2001 sobre incêndio foi lavrado em 01/08/2001 (fl. 34), enquanto a solicitação dos extratos bancários abrange o período de janeiro de 2000 a dezembro de 2002, enquanto em relação de entrega de parte de notas fiscais para extração de cópias consta do Boletim de Ocorrência nº 1187/2001 (fl. 39) que "Ocorre que no dia 16/03/01 o averiguada havia pego Notas Fiscais para Xerocar ou seja Notas Fiscais de Vendas do Mês de Janeiro e fevereiro e junto as notas foram pegos os Anexos 04, vindo a devolver os documentos originais só no dia 19/03/2001, Declara o representante da vitima que desconhece o paradeiro dos documentos os quais o averiguada Xerocou o averiguado não informou a ninguém o que seria feito com os referidos documentos.". Assim, argüir impedimento para apresentar documentos como se toda sua documentação contábil e comercial houvesse sido apreendida ou mesmo insinuar que tais documentos foram extraviados não têm sustentação probatória nos autos, nem amparo legal. Tanto é, que relativamente ao anocalendário de 2000, após ter sido lavrado o auto de infração, por arbitramento, apresentou o Livro Diário Geral nº 10, fls. 648/803. Verificase, ainda, que somente depois de apresentada a impugnação ao auto de infração original em 29/06/2005, é que a empresa procurou obter cópias dos HDs, CDs e disquetes conforme documentos juntados às fls. 11101/11103, sendo que o início da ação fiscal ocorreu em 17/03/2004, conforme Termo de Início de Fiscalização, fls. 06/07, ou seja, depois de transcorrido mais de 470 dias. ” Esses os aspectos fáticos que orientaram a decisão consubstanciada no paradigma, cujo voto condutor assenta que “Embora alegue que um incêndio e uma apreensão de documentos realizada pelo Polícia Federal o impeça de apresentar os documentos requisitados pela fiscalização, não foi demonstrada esta impossibilidade”. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11020.001081/200485 Acórdão n.º 9101002.005 CSRFT1 Fl. 10 9 Assim, entendo não configurada a divergência de interpretações, pois os posicionamentos diferentes estão justificados pelas especificidades dos casos. Bem, vencido que fui quanto a admissibilidade do presente recurso e já tendo me posicionado acima quanto as preliminares suscitadas pela D. Procuradoria, também quanto ao mérito (arbitramento do lucro) entendo que não merece qualquer reforma a bem fundamentada decisão recorrida, eis que conforme já mencionado, a causa do arbitramento do lucro (não apresentação dos livros contábeis e fiscais), foi fato alheio à vontade do contribuinte, conforme se depreende das informações constantes dos autos e dos fundamentos constantes do voto do acórdão recorrido, o qual peço vênia para adotalo como se meus fossem, aliado ao fato de não ter sido apurado qualquer outra irregularidade pela fiscalização que justificasse o arbitramento. Isto posto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni Voto Vencedor Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Redator Designado Após exaustivos debates, esta Câmara decidiu por conhecer do recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional, concordando com o despacho de admissibilidade de fl. 199, que adoto como razões de decidir, o transcrevendo, a seguir, in verbis: “Posto isso, passo à análise dos pressupostos recursais, nos termos do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de julho de 2009, in verbis: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] § 4o Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência argüida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado." O presente recurso especial atende aos pressupostos de tempestividade e legitimidade. Assim, passo a apreciação da admissibilidade da divergência: Para melhor compreensão da matéria, transcrevo abaixo as ementas dos acórdãos apresentados como paradigmas, na parte que interessa ao exame do recurso: Fl. 241DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11020.001081/200485 Acórdão n.º 9101002.005 CSRFT1 Fl. 11 10 Acórdão n° 10517.186 ARBITRAMENTO DO LUCRO FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS A falta de apresentação de livros e documentos à autoridade fiscal é motivo suficiente para que se arbitre o lucro da pessoa jurídica. Acórdão n° 10809.672 IRPJ LUCRO ARBITRADO FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS A falta de apresentação pela fiscalizada de livros e documentos contábeis e fiscais impossibilita a apuração do Lucro Real ou do Lucro Presumido, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável. De outra parte, a ementa do acórdão recorrido foi vazada nos seguintes termos: "FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS OBRIGATÓRIOS. APREENSÃO POR ORDEM DA JUSTIÇA. FALTA DE APROFUNDAMENTO. INSUBSISTÊNCIA DO ARBITRAMENTO DOS LUCROS. Diante das fortes evidências de que os livros obrigatórios estariam em poder da Justiça e/ou da fiscalização do INSS, caberia ao Fisco aprofundar as investigações e diligenciar junto àqueles órgãos para ter acesso aos elementos indispensáveis ao prosseguimento da ação fiscal. Não sendo esse procedimento adotado, é de se entender que a não apresentação dos livros decorreu de causa alheia à vontade do contribuinte. Nessas condições e, ainda, não demonstrado qualquer vício nas declarações tempestivamente apresentadas, o arbitramento dos lucros não pode subsistir. Examinandose os acórdãos paradigma (a ementa com seu inteiro teor), resta claro que o entendimento de que é deve ser mantido o arbitramento do lucro se o contribuinte devidamente intimado não apresenta os livros contábeis obrigatórios, sob a mera alegação de que teriam sido apreendidos por ordem da justiça, sem fazer prova do alegado e de que tentou obter o acesso aos elementos apreendidos para atender a fiscalização. O conteúdo decisório do Acórdão recorrido aponta no sentido de que incumbiria à fiscalização aprofundar as investigações e realizar as diligências necessárias para ter acesso aos elementos indispensáveis à conclusão da ação fiscal, entendendo que a não entrega dos livros decorreu de causa alheia à vontade do fiscalizado e que não o tendo feito o arbitramento deve ser considerado insubsistente. Há, portanto, identidade substancial entre as matérias contidas nos acórdão paradigmas e no acórdão recorrido e divergência nas suas conclusões. Assim, entendo que está plenamente configurada a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente. Ante ao exposto, e tendo em vista que a uniformização da jurisprudência administrativa é o escopo do recurso especial, opino no sentido de que se DÊ SEGUIMENTO ao presente recurso. (….)” Fl. 242DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11020.001081/200485 Acórdão n.º 9101002.005 CSRFT1 Fl. 12 11 Diante de tão bem fundamentadas razões, voto por conhecer do recurso interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Fl. 243DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10830.720600/2010-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO.
Segundo o disposto no art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96, o preço praticado é o preço de aquisição da mercadoria (FOB), acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. A inclusão desses valores no cálculo do preço praticado em nada prejudica o direito do sujeito passivo em deduzi-los como despesa no levantamento do lucro líquido do exercício. Por outro lado, a não inclusão daqueles valores no cálculo do preço praticado prejudicaria a sua comparabilidade com o preço parâmetro levantado segundo o método PRL, uma vez que neste estão necessariamente incluídos os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN 243/2002. LEGALIDADE TRIBUTÁRIA.
Legalidade tributária, de acordo com o disposto no art. 150, I, da Constituição da República, significa que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. Portanto, não afronta a idéia de legalidade tributária a instrução normativa expedida pela SRF que porventura exija tributo em montante inferior àquele previsto em lei. Restou provado que o preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 resulta em IRPJ e CSLL em valores inferiores àqueles que seriam devidos segundo a Lei nº 9.430/96, daí porque não há que se falar, aqui, em violação ao princípio da legalidade tributária.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. DESQUALIFICAÇÃO DO MÉTODO ELEITO PELO SUJEITO PASSIVO. DEFINITIVIDADE DO MÉTODO EMPREGADO DE OFÍCIO PELA FISCALIZAÇÃO.
Havendo o sujeito passivo deixado de apresentar à fiscalização os documentos que serviram de base ao cálculo do preço parâmetro, poderá a autoridade tributária desqualificar o método eleito pela empresa e calcular o preço parâmetro de acordo com outro método em relação ao qual possua as informações necessárias para tanto. Realizado assim o lançamento, é incabível que o sujeito passivo pretenda, na fase litigiosa do procedimento, seja recalculado IRPJ e a CSLL segundo o método por ele originalmente eleito, ainda que venha a juntar os documentos cuja falta de apresentação à fiscalização deu origem a desqualificação do método.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. AJUSTES INFORMADOS NA DIPJ. APROVEITAMENTO.
Havendo o sujeito passivo informado em sua DIPJ ajustes relativos a preços de transferência na aquisição de produtos junto a pessoa vinculada residente no exterior, tais ajustes devem ser levados em consideração pela autoridade tributária ao promover o lançamento de ofício.
Numero da decisão: 1201-001.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, sendo que: a) por unanimidade de votos, MANTIVERAM a inclusão dos valores de Frete, Seguro e Tributos sobre a Importação ao Método PRL; b) pelo voto de qualidade, AFASTARAM a alegada ilegalidade da IN SRF 243/2002 ao Regulamentar o PRL60, vencidos os Conselheiros Rafael Correia Fuso, Luis Fabiano Alves Penteado e André Almeida Blanco; c) por unanimidade de votos, AFASTARAM a alegada inexistência de fundamento legal para o PRL Ponderado; d) MANTIVERAM a desqualificação/desconsideração do Método CPL, ENTENDENDO que: d.i) por unanimidade de votos, FOI ATENDIDO o disposto nos §§ 4º e 5º do art. 18 da Lei nº 9.430/96; d.ii) pelo voto de qualidade, DEVE-SE CONSIDERAR definitivo o Método empregado de ofício pela fiscalização, vencidos os Conselheiros Rafael Correia Fuso, Luis Fabiano Alves Penteado e André Almeida Blanco; d.iii) por unanimidade de votos, MANTIVERAM os critérios de desqualificação do CPL para determinados produtos; e e) por unanimidade de votos, REDUZIRAM o montante das infrações apuradas (bases de cálculo do IRPJ e CSLL), nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco (Suplente convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO. Segundo o disposto no art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96, o preço praticado é o preço de aquisição da mercadoria (FOB), acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. A inclusão desses valores no cálculo do preço praticado em nada prejudica o direito do sujeito passivo em deduzilos como despesa no levantamento do lucro líquido do exercício. Por outro lado, a não inclusão daqueles valores no cálculo do preço praticado prejudicaria a sua comparabilidade com o preço parâmetro levantado segundo o método PRL, uma vez que neste estão necessariamente incluídos os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN 243/2002. LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. Legalidade tributária, de acordo com o disposto no art. 150, I, da Constituição da República, significa que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. Portanto, não afronta a idéia de legalidade tributária a instrução normativa expedida pela SRF que porventura exija tributo em montante inferior àquele previsto em lei. Restou provado que o preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 resulta em IRPJ e CSLL em valores inferiores àqueles que seriam devidos segundo a Lei nº 9.430/96, daí porque não há que se falar, aqui, em violação ao princípio da legalidade tributária. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. DESQUALIFICAÇÃO DO MÉTODO ELEITO PELO SUJEITO PASSIVO. DEFINITIVIDADE DO MÉTODO EMPREGADO DE OFÍCIO PELA FISCALIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 06 00 /2 01 0- 59 Fl. 53299DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 3 2 Havendo o sujeito passivo deixado de apresentar à fiscalização os documentos que serviram de base ao cálculo do preço parâmetro, poderá a autoridade tributária desqualificar o método eleito pela empresa e calcular o preço parâmetro de acordo com outro método em relação ao qual possua as informações necessárias para tanto. Realizado assim o lançamento, é incabível que o sujeito passivo pretenda, na fase litigiosa do procedimento, seja recalculado IRPJ e a CSLL segundo o método por ele originalmente eleito, ainda que venha a juntar os documentos cuja falta de apresentação à fiscalização deu origem a desqualificação do método. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. AJUSTES INFORMADOS NA DIPJ. APROVEITAMENTO. Havendo o sujeito passivo informado em sua DIPJ ajustes relativos a preços de transferência na aquisição de produtos junto a pessoa vinculada residente no exterior, tais ajustes devem ser levados em consideração pela autoridade tributária ao promover o lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, sendo que: a) por unanimidade de votos, MANTIVERAM a inclusão dos valores de Frete, Seguro e Tributos sobre a Importação ao Método PRL; b) pelo voto de qualidade, AFASTARAM a alegada ilegalidade da IN SRF 243/2002 ao Regulamentar o PRL60, vencidos os Conselheiros Rafael Correia Fuso, Luis Fabiano Alves Penteado e André Almeida Blanco; c) por unanimidade de votos, AFASTARAM a alegada inexistência de fundamento legal para o “PRL Ponderado”; d) MANTIVERAM a desqualificação/desconsideração do Método CPL, ENTENDENDO que: d.i) por unanimidade de votos, FOI ATENDIDO o disposto nos §§ 4º e 5º do art. 18 da Lei nº 9.430/96; d.ii) pelo voto de qualidade, DEVESE CONSIDERAR definitivo o Método empregado de ofício pela fiscalização, vencidos os Conselheiros Rafael Correia Fuso, Luis Fabiano Alves Penteado e André Almeida Blanco; d.iii) por unanimidade de votos, MANTIVERAM os critérios de desqualificação do CPL para determinados produtos; e e) por unanimidade de votos, REDUZIRAM o montante das infrações apuradas (bases de cálculo do IRPJ e CSLL), nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco (Suplente convocado) e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Fl. 53300DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 4 3 Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1634.062, exarado pela 5ª Turma da DRJ 1 em São Paulo SP. Por bem descrever os fatos litigiosos objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 52991 e ss.): Conforme Termo de Constatação de fls. 43881/43896, em fiscalização empreendida junto à empresa acima identificada relativa aos ajustes de preços de transferência de bens importados de pessoas vinculadas, anocalendário de 2005 (em continuação à fiscalização do anocalendário de 2004), constatouse o seguinte: A contribuinte declarou um ajuste de preços de transferência na DIPJ/2006 (anocalendário 2005) no valor de R$ 1.954.497,04 (Ficha 09A, linha 07), doravante denominado "Cálculo DIPJ". Ao ser intimada a informar os valores dos ajustes por produto, declarados na DIPJ, a contribuinte informou que: "1. c) Preliminarmente, importante informar que a diferença entre o valor declarado na DIPJ 2006 (anocalendário 2005) e as memórias de cálculo apresentadas foi gerada em razão da mudança do software de cálculo de Preço de Transferência da Robert Bosch Limitada. Após essa alteração, os cálculos foram objeto de revisão, motivo que ocasionou referidas diferenças, as quais tem como fator preponderante o acréscimo de novos itens no cálculo. Com base na informação prestada (DIPJ 2006), não foi possível elaborar o comparativo com a atual memória de cálculo, considerando que a referida DIPJ foi preenchida somente com a descrição dos produtos, sem o respectivo código, impossibilitando a exata identificação dos mesmos. Também deve ser destacado que alguns fornecedores foram considerados como vinculados, quando na verdade eram terceiros. Podemos citar os seguintes casos: (...)”. Dessa forma, portanto, não foi possível recuperar os dados declarados, exceto os 49 primeiros listados na DIPJ. Tendo em vista este fato, a contribuinte apresentou novos cálculos dos ajustes de preços de transferência, doravante denominado "Cálculo 1". Finalmente, a contribuinte apresentou o cálculo dos preços de transferência incluindo o método CPL (Custo de Produção menos Lucro), em substituição ao método PIC (Preços Independentes Comparados) e PRL (Preço de Revenda menos Lucro) para alguns bens. Doravante, este cálculo será denominado de "Cálculo 2". MÉTODO PIC Fl. 53301DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 5 4 A contribuinte optou pelo método PIC para os produtos listados no Quadro PIC, em anexo. Observese que no “Cálculo 2” a contribuinte adotou o método CPL para 2 produtos: 1005001198 e 146513724. A formação do preçoparâmetro para esses 2 bens não foi devidamente comprovada ou as documentações foram insuficientes para tal. • Para o código 1005001198, a fiscalizada não apresentou a documentação comprobatória da aquisição do insumo 1005001197, do fornecedor Egon Grosshaus GmbH, representativo de 44% do total de insumos; • Para o código 146513724, a fiscalizada não apresentou a planilha de custo fornecida pelo fabricante do bem. Desta maneira, para esses bens o método CPL foi desqualificado com base no artigo 40 da IN SRF 243/2002, sendo utilizado o método PIC anteriormente adotado pela contribuinte. Para maiores informações sobre o método CPL vide seção de CPL. No método PIC foi considerado um ajuste de R$ 1.152.355,26, conforme tabela abaixo. O "Ajuste RFB" consiste dos 2 bens com a aplicação do método CPL desqualificado e retornado ao método PIC. O "Ajuste Contribuinte" referese aos bens não verificados pela fiscalização, mas que a contribuinte apurou ajustes. Os valores do quadro abaixo estão demonstrados no quadro PIC em anexo. Discriminação Ajuste (R$) Ajuste RFB 499.063,58 Ajuste contribuinte 653.291,68 Ajuste Total 1.152.355,26 Discriminação Ajuste (R$) Ajuste RFB 499.063,58 Ajuste contribuinte 653.291,68 Ajuste Total 1.152.355,26 MÉTODO PRL Para facilidade de visualização e controle, o método PRL foi organizado em: • Grupo 1: bens importados de vinculadas ou de países de tributação favorecida, e revendidos sem aplicação na produção, com a aplicação da margem de lucro de 20% (a contribuinte denominou este grupo de “PRL RV Pura”); • Grupo 2: insumos importados aplicados apenas na produção, sem revenda direta, com a aplicação da margem de lucro de Fl. 53302DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 6 5 60% (a contribuinte denominou este grupo de "PRL Insumo a 60 % MPIndiv."); • Grupo 3: itens importados que foram ora revendidos ora aplicados na produção, sendo calculado a média ponderada com margem de lucro de 20% e de 60%, respectivamente (a contribuinte denominou este grupo de "PRL RV Pura / Insumo a 60% MP Indiv."). No Termo de Constatação 09/10, doravante “TC 09/10”, a fiscalização teceu alguns comentários acerca dos cálculos da contribuinte, a seguir sintetizados: • Preço praticado: (1) A contribuinte utilizou o preço FOB da mercadoria, sem agregar os valores de frete, seguro e imposto de importação, contrariando o comando do §4° do artigo 4º da IN SRF nº 243/2002; (2) A contribuinte calculou o preço praticado considerando somente as importações revendidas e não o total das importações do período, contrariando o § único do artigo 6º da IN SRF 243/2002. • Preçoparâmetro: Nos bens importados e aplicados na produção foi utilizada a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de 60% como preçoparâmetro e a margem de lucro foi obtida aplicando o percentual de 60% sobre a média aritmética do preço líquido de venda diminuídos do valor agregado ao bem produzido no país, contrariando § 11, do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002. • Ajuste: Foram calculados mais de um ajuste para o mesmo bem importado, utilizando diferentes preços praticados, de acordo com a importação, e não o preço médio ponderado de todas as operações de compra, durante o período de apuração. Os cálculos relativos ao método PRL, levando em consideração os itens mencionados acima, foram apresentados como anexo. A divergência entre os cálculos da contribuinte e da fiscalização versa sobre o entendimento da legislação e o modo de aplicação. Quanto ao método PRL para bens importados aplicados na produção, a legislação vigente à época é a IN SRF nº 243/2002. No TC 09/10, foram anexadas as planilhas de cálculo do PRL, sendo que o Grupo 2 e o Grupo 3 contêm os cálculos relativos aos bens aplicados na produção. • No Quadro Vendas 1, encontramse as vendas dos produtos acabados produzidos a partir dos insumos importados. No Quadro Resumo de Vendas, estão demonstradas sinteticamente as vendas para cada produto acabado; Fl. 53303DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 7 6 • No Quadro Preço Parâmetro 60%, encontrase o cálculo do preçoparâmetro a partir da IN SRF nº 243/2002; • O Quadro Consumo apresenta o cálculo inicial dos produtos vendidos pela contribuinte. Do total de vendas foi subtraída a quantidade importada de terceiros não vinculados, pois estes estão fora do controle dos preços de transferência; • No Quadro Ajuste é demonstrado o cômputo do ajuste, comparando o preço praticado com o preçoparâmetro; • No Grupo 3, em razão de o bem ser revendido diretamente (margem de lucro de 20%) e também ser utilizado na produção (margem de lucro de 60%), é extraído uma média ponderada dos dois preçosparâmetro. Conforme já mencionado, a contribuinte optou por substituir o método PRL de alguns bens anteriormente selecionados pelo método CPL por lhe ser mais vantajoso. Não obstante o método CPL escolhido pela contribuinte estar muitas vezes acompanhado de planilhas de custos de produção e dos documentos comprobatórios, para muitos bens estes comprovantes foram insuficientes ou não existentes. Assim, para alguns bens o método CPL foi desclassificado pela fiscalização, retornandose ao método anteriormente adotado pela contribuinte. Para maiores informações sobre o método CPL vide seção de CPL. Abaixo os quadros demonstrativos dos bens com o método CPL desqualificado e o motivo: (...) O valor do ajuste dos preços de transferência, método PRL, é de R$ 19.699.082,38 conforme demonstrado no quadro sintético a seguir. Grupo Tipo Ajuste (R$) Grupo 1 Ajuste RFB 3.494.208,00 Ajuste contribuinte 1.008.568,00 Grupo 2 Ajuste RFB 9.029.660,71 Grupo 3 Ajuste RFB 6.166.645,66 Total 19.699.082,38 Os cálculos completos do método PRL encontramse anexados no TC 09/10. MÉTODO CPL A opção da contribuinte pelo método CPL regulamentado no artigo 13 da IN SRF 243/02, que utiliza como parâmetro o custo de produção dos bens no exterior, acrescido de uma margem de lucro foi feita após a apresentação do primeiro cálculo dos preços de transferência. Fl. 53304DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 8 7 Para comprovar o custo de produção a contribuinte apresentou uma série de documentos e planilhas de cálculo, conforme contemplado no Termo de Constatação Fiscal 08/2010 (TC 08/10). O § 2º da supracitada norma determina que os custos de produção deverão ser demonstrados discriminadamente, por componente, valores e respectivos fornecedores. Os valores dos elementos listados no § 4º também deverão ser demonstrados, no caso de integrar a composição do custo. Em resposta ao Termo de Intimação 01/2010 (resposta TI 01/10), o fabricante estrangeiro apresentou diversos documentos de acordo com a correspondência em língua inglesa, com tradução juramentada (resposta TI 01/10 – doc. 20). A fim de confirmar os cálculos do preçoparâmetro, primeiramente a contribuinte apresentou uma planilha "Consolidação CPL_23_04_2010_portugues.xls" (Consolidação) no TI 01/10, onde demonstra os custos de uma forma mais resumida e agrupada. Esta Consolidação foi dividida em três partes para a impressão: Informações Gerais, Custos de Produção e Documentos. Os três quadros e as respectivas explicações fazem parte integrante do TC 08/10. Conforme se depreende, a Consolidação é um quadro resumo das informações necessárias à comprovação do valor do custo de produção. Como prova da origem destes dados foram apresentados diversos formulários denominados de "Bosch Basis Standard Kalkulation 2005 Blatt 94069", ou "Cálculo básico padrão da Bosch 2005 folha 94069", conforme tradução juramentada (TI 01/10 – doc. 19). Doravante este formulário será denominado "planilha de custo". A planilha de custo, na maioria das vezes, individualiza a matériaprima utilizada no produto acabado e demonstra outros itens que compõem o custo, como mãodeobra, custos fixos, variáveis, etc. A explanação de cada custo foi apresentada pela contribuinte, em um manual do fornecedor estrangeiro informando todos os custos e sua composição. Ocorre que, conforme descrito no TC 08/10 e no anexo "Quadro de Documentos", nem sempre foi apresentada uma planilha de custo para o item importado; algumas vezes, o documento estava ilegível ou não havia a especificação dos insumos utilizados, seus valores e fornecedores. Ainda, como documento comprobatório, a contribuinte apresentou diversos documentos de compra de matéria prima. Em uma fábrica os insumos geralmente ocupam uma posição de relevância na composição do custo. Assim, utilizando a amostragem por valores relevantes, foram solicitados os documentos de aquisição dos insumos. Fl. 53305DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 9 8 Devido à quantidade de documentos de procedência estrangeira, a tradução juramentada foi efetuada por um grupo de documentos considerado padrão. Os documentos, em sua maioria, são padronizados, sendo que as alterações dos nomes dos fornecedores, código do produto e valor não prejudica o entendimento dos documentos. Principalmente levandose em conta que uma tradução juramentada foi efetuada para o documento padrão. Para alguns itens, apesar da apresentação da planilha de custo, faltou comprovar a operação de aquisição do insumo pelo fabricante no exterior. Em alguns casos, quando apresentada uma planilha de custo, verificouse que o insumo e o produto acabado eram do mesmo código do bem. Ademais, verificouse que na planilha não constava nenhum outro custo, seja de pessoal, custos fixos ou variáveis de produção ou da administração. Neste contexto, não se comprova a produção de um bem, já que transformar uma matériaprima em um produto acabado requer um esforço, que na contabilidade de custos é transformado em valores de numerários, por item produzido. A contribuinte ainda chegou a apresentar os casos em que existe uma cadeia de produção, onde um insumo gera um produto intermediário, que é incorporado a outro produto intermediário até chegar ao produto final. Nestes casos, apesar de demonstrar as etapas de produção através das planilhas de custo, faltou comprovar a aquisição do insumo inicial (TC 08/10 parágrafo 25) Assim, por falta de comprovação ou documentação insuficiente, para alguns bens, foi desqualificado o método CPL utilizado pela contribuinte, retornandose ao método anteriormente optado no Cálculo 1. Estas desqualificações foram objeto de comentários em cada método anteriormente citado. O método CPL aceito pela fiscalização de alguns bens não geraram ajustes relativo aos preços de transferência. AJUSTES EFETUADOS NA DIPJ A contribuinte apresentou na DIPJ/2006, anocalendário 2005, alguns ajustes de preços de transferência na importação no total de R$ 1.954.497,04, a seguir sintetizado (valores em reais): NCM Descrição Método Total Qtde. Ajuste 84099913 INJETOR COMMON RAIL PRL 60 3.187.235,65 22.472,00 149.237,92 84133020 BOMBA DE ALTA PRESSÃO PRL 60 1.929.404,10 6.260,00 483.456,54 84099913 CONJUNTO PORTA INJETOR PRL 60 1.105.399,36 7.000,00 452.804,22 84099990 RAIL (TURBO DISTRIBUIDOR) PRL 60 1.001.235,88 7.296,00 290.702,79 Não Especificadas 220.451.805,45 0,00 578.295,57 Para os itens especificados na DIPJ é possível identificar os códigos dos produtos através da comparação e cruzamento de dados entre o SISCOMEX, os arquivos Fl. 53306DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 10 9 495_CADASTRO_ESTOQUES (4.5.x).txt e as planilhas de cálculo dos preços de transferência dos produtos. A tabela abaixo discrimina estes códigos (valores em reais): Código Descrição Ajuste 0445120002 INJETOR COMMON RAIL 149.237,92 0445020002 BOMBA DE ALTA PRESSÃO 483.456,54 0432117002 CONJUNTO PORTA INJETOR 452.804,22 0445224009 RAIL (TURBO DISTRIBUIDOR) 290.702,79 Para os itens não discriminados na DIPJ não foi possível encontrar a correlação entre o ajuste e o código; inclusive, a contribuinte já não mais possui esta informação. COMPENSAÇÃO DO AJUSTE EFETUADO NA DIPJ A legislação dos preços de transferência impõe que o cálculo do ajuste seja efetuado produto a produto; sendo assim, não é possível compensar os valores dos bens não discriminados. Quanto aos demais códigos, as compensações foram efetuadas até o limite do ajuste calculado pela RFB, como segue (valores em reais): (...) Ajuste pela RFB Código Descrição Ajuste RFB Ajuste DIPJ Compensado 0432117002 CONJUNTO PORTA INJETOR 180.330,82 452.804,22 180.330,82 0445020002 BOMBA DE ALTA PRESSÃO 354.491,21 483.456,54 354.491,21 0445224009 TURBO DISTRIBUIDOR 263.187,87 290.702,79 263.187,87 Total 798.009,90 1.226.963,55 798.009,91 Ajuste exclusivamente pela contribuinte Código Descrição Ajuste contr Ajuste DIPJ Compensado 0445120002 INJETOR COMMON RAIL 149.237,92 Total 149.237,92 AJUSTES FINAIS COM A COMPENSAÇÃO O quadro abaixo demonstra os ajustes finais por método, com a compensação (valores em reais): Método Tipo Ajuste Compensação Ajuste final PIC Ajuste RFB 499.063,58 PIC Ajuste contribuinte 653.291,68 PRL Grupo 1 Ajuste RFB 3.494.208,00 798.009,91 Ajuste contribuinte 1.008.568,00 PRL Grupo 2 Ajuste RFB 9.029.660,71 PRL Grupo 3 Ajuste RFB 6.166.645,66 Total 20.851.437,64 798.009,91 20.053.427,73 O valor do ajuste final dos preços de transferência a ser adicionado à base de cálculo do IRPJ (lucro real) e CSLL é de R$ 20.053.427,73. Fl. 53307DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 11 10 (...) DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 10/12/2010, a contribuinte, por meio de seus advogados, regularmente constituídos, apresentou, em 11/01/2011, a impugnação de fls. 43909/43966, alegando, em síntese, o seguinte: GRUPO 1 PRL20 Indevida inclusão de frete, seguro e impostos na apuração do preço praticado A apuração do PRL20 pela autoridade fiscal levou em consideração preços praticados que incluem custos de seguro, frete e impostos. A impugnante entende, diversamente do que manifestou a autoridade fiscal, que o preço praticado não pode incluir aquelas parcelas, mas tão somente o custo do bem importado, único dispêndio realizado em favor de parte vinculada no exterior. Importa esclarecer que os argumentos a seguir aduzidos deverão ser igualmente considerados para a correção dos preços praticados nos ajustes de preços de transferência calculados pela autoridade fiscal para os produtos que compõem o Grupo 2 e o Grupo 3 do presente Auto de Infração. Há algum tempo já se discute esse tema no Conselho de Contribuintes. Recentemente foi publicado o acórdão n° 10809763, no qual foi posta em prática a feliz noção de que os valores de frete, seguro e tributos sobre a importação devem ser neutros quanto ao controle dos preços de transferência, finalmente colocando nos eixos a discussão. Com efeito, frete, seguro e tributos sobre importações não devem gerar ajustes porque não estão sujeitos aos limites de dedutibilidade impostos pelo artigo 18 da Lei n° 9.430/96. Assim, há que se destacar a ilegalidade da IN SRF n° 243/2002 quanto a esse assunto. Enquanto o texto do § 6º do artigo 18 da Lei n° 9.430/96 dispõe que "integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação", a IN SRF nº 243/2002 omitiu a expressão "para efeito de dedutibilidade" no § 4º de seu artigo 4º. Considerando que, em decorrência da estrutura semântica do artigo 18 da Lei n° 9.430/96, os valores de frete, seguro e tributos sobre importações não se sujeitam aos limites de dedutibilidade ali consignados, sendo impossível que deles Fl. 53308DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 12 11 decorra qualquer ajuste, resta definir qual mecanismo deve ser adotado para que a neutralidade daqueles seja alcançada. No caso do acórdão n° 10809763, a Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes optou por adicionar os valores relativos a frete, seguro e impostos ao preçoparâmetro. O que se decidiu naquela ocasião, e foi suficiente para se assegurar a neutralidade, foi que as despesas de frete, seguro e tributos sobre importações deveriam ser adicionadas ao próprio "preço de revenda menos lucro", e não simplesmente ao custo de importação do produto. É dizer, por outro modo, que, independentemente do fato de estarem aqueles montantes já incluídos no preço de revenda, os encargos relativos a frete, seguro e tributos sobre importações haveriam de ser somados ao resultado da subtração do lucro de 20% do preço de revenda, tão somente para que, desse modo, anulassemse os efeitos das mesmas parcelas que integravam o preço praticado. A elucidação matemática do que determinou o acórdão n° 108 09763 é bastante útil. Vejase, a princípio, a equação proposta, naquele caso, pela autoridade fiscal: Preço praticado = C + CIF Preçoparâmetro = 0,8% * [(C + CIF) * (1 + x%)] Preço praticado = Preçoparâmetro C + CIF = 0,8% * [(C + CIF) * (1 + x%)] Onde: • C = custo do produto importado • CIF = frete, seguro e impostos sobre a importação • x%*C= margem de lucro efetivamente praticada, sobre o custo do produto importado Vislumbrando que essa equação levaria a necessidade de ajustes, correspondentes àquilo que não poderia gerar tal efeito (ou seja, frete, seguro e tributos sobre importações), a Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes determinou a adição, do custo de frete, seguro e tributos sobre importação incorridos na importação, ao próprio preçoparâmetro, assegurando a neutralidade. Confirase: Preço praticado = C + CIF Preçoparâmetro = 0,8% * [(C + CIF) * (1 + x%)] + CIF C + CIF = 0,8% * [(C + CIF) * (1 + x%)] + CIF Vejase que os custos CIF incorridos na importação foram anulados pela adição determinada pelo Julgador. E mais: o Julgador pouco importouse com os montantes incluídos no preço de revenda como repasse de seguro, frete e tributos, pois Fl. 53309DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 13 12 eles naturalmente fazem parte do preçoparâmetro criado pelo legislador. Devese ainda levar em conta que a inclusão do custo relativo a frete, seguro e tributos no preço praticado geraria situações absurdas. Relembrese que a norma que trata do assunto não se refere a um método, em especial. Assim, somente seria possível concluir pela inclusão dos valores de frete, tributos e seguro no preço praticado se essa conclusão se mostrasse sustentável para os três métodos (PIC, CPL e PRL). O preçoparâmetro apurado pelo método CPL deveria, nesse caso, ser comparado com o custo do importador, incluídos o frete, o seguro e os tributos incidentes na importação. Como o método CPL apura o preçoparâmetro a partir do custo do exportador, acrescido de uma margem de 20%, dirseá que o custo do exportador, acrescido da margem de 20% deve ser equivalente ao preço pago pelo importador, acrescido do frete, do seguro e dos tributos incidentes na importação. Ora, como o custo do exportador não inclui o frete, o seguro e os tributos incidentes na importação, significa dizer que na margem máxima de 20%, exigida do exportador, já deveriam estar incluídos o frete, o seguro e os tributos incidentes na importação. Fica claro, assim, que, por conta do método CPL, a interpretação segundo a qual o frete, o seguro e os tributos incidentes na importação seriam computados no cálculo dos preços de transferência levaria ao absurdo, pois a equivalência das grandezas comparadas jamais seria atingida. Não bastasse isso, a inclusão de frete, seguro e tributos sobre importações também gera efeitos nefastos quanto à comparabilidade segundo o PRL. Por exemplo, se assim se procedesse, até mesmo a doação teria ajuste, conforme exemplificado à fl. 43931. Conquanto os argumentos acima já bastem para evidenciar ser absurdo o controle do frete, seguro e tributos incidentes na importação por meio da legislação de preços de transferência, a impugnante não se abstém de enfrentar o argumento que como toda falácia pode levar a entendimento contrário ao que aqui se sustenta. Em síntese, procuram as autoridades dizer que o método PRL, exatamente porque extrai do preço de revenda uma margem de lucro, resulta no custo do produto importado acrescido dos itens frete, seguro e imposto de importação. Ou seja: na lógica da fiscalização, o método PRL tem apenas dois componentes: custo e lucro; como frete, seguro e imposto de importação não compõem o lucro, então são eles parte do custo. Noutras palavras, o custo parâmetro, resultado da aplicação do método PRL, seria um custo acrescido de frete, seguro e tributos incidentes na importação. Daí a lógica de o preço controlado ser acrescido de iguais parcelas. Fl. 53310DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 14 13 O raciocínio se revela, entretanto, equivocado, quando se considera que a margem de lucro a que se refere a Lei 9.430/96 é bruta, não líquida. Ou seja: pelo método PRL, o legislador pressupôs que a margem de 20% do preço de venda fosse suficiente para remunerar todos os fatores, que não o próprio produto importado. A margem de 20% do preço de venda, insistase, não é o lucro do importador; com aquela margem, o importador deve pagar seus gastos com propaganda, aluguel, garantia e todos os encargos que venha a sofrer; se houver alguma sobra, aí sim, haverá um lucro (líquido). Em vista de tudo quanto se consignou acima, concluise que devem ser excluídos os valores de frete, seguro e impostos que compuseram os preços praticados considerados pela autoridade fiscal para aplicação do método PRL20 ("Ajuste SRF" do Grupo 1). Como conseqüência disso, o "Ajuste SRF" deve ser reduzido de R$ 3.494.208,00 para R$ 1.668.762,84; logo, a base de cálculo do Auto de Infração ("Ajuste SRF" do Grupo 1) deverá ser reduzida de R$ 1.825.445,17, tudo de acordo com a memória de cálculo anexa, elaborada a partir das planilhas que instruem o Auto de Infração, contudo, considerando o preço praticado sem a inclusão dos valores de frete, seguros e tributos (doc. 3 e doc. 13 pendrive). Obs: conforme informação de fl. 44023, os dados constantes do pendrive (várias planilhas) foram extraídos e anexados aos autos. GRUPO 2 – PRL60 Ilegalidade da sistemática de aplicação do método PRL60 prevista na IN SRF nº 243/2002 A autoridade fiscal ignorou as memórias de cálculo apresentadas pela impugnante referentes à aplicação do método PRL60 (Grupo 2), elaborando um novo cálculo, de acordo com a metodologia prevista na IN SRF nº 243/2002. Ocorre que os ajustes com base na sistemática trazida pela IN SRF nº 243/2002 devem ser cancelados de plano, tendo em vista que tal sistemática constitui uma inovação ilegal em relação ao texto da Lei nº 9.430/96. As diferenças entre as sistemáticas da Lei nº 9.430/96 e da IN SRF nº 243/2002 acabam por gerar resultados distintos para o mesmo cálculo do preço de transferência segundo o método PRL60. Como resultado, despesas que são dedutíveis segundo uma sistemática passam a ser indedutíveis segundo a outra. Diante dessa divergência de sistemáticas, é inconteste a prevalência da sistemática estabelecida pelo texto legal (Lei nº Fl. 53311DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 15 14 9.430/96), em razão do princípio constitucional da estrita legalidade em matéria tributária. A MP nº 478/2009, que não foi convertida em lei, tentou incluir, no corpo da Lei nº 9.430/96, a sistemática de cálculo prevista apenas na IN SRF nº 243/2002. Para a impugnante é claro que o intuito do legislador, ao editar a referida MP, foi o de criar uma disciplina jurídica nova, cuja vigência abrangeria apenas os fatos posteriores à sua entrada em vigor (ou, melhor dizendo, fatos ocorridos a partir do ano seguinte à conversão da MP nº 478/2009 em lei, em atenção ao disposto no artigo 62, §2º da CF/88). Essa também é a conclusão a que se chega a partir da leitura da Exposição de Motivos da MP nº 478/2009, que indica a necessidade de “instituir, em dispositivo legal, essas medidas que hoje constam apenas em Instrução Normativa”. Com isso, fica evidente que a sistemática de cálculo do método PRL60 prevista na IN SRF nº 243/2002 somente poderia prevalecer se a MP nº 478/2009 tivesse sido aprovada pelo Congresso Nacional e, ainda assim, para fatos ocorridos após a sua edição. A ilegalidade da referida sistemática já foi, inclusive, reconhecida pelo Poder Judiciário. Ao julgar a apelação cível nº 003404852.2007.4.03.6100/SP, o TRF da 3º Região afastou a aplicação da IN SRF nº 243/2002 para o método PRL60 (fls. 43942/43943). No caso em tela, a impugnante elaborou memórias de cálculo do método PRL60 relativo ao Grupo 2 (doc. 4 e doc. 13 pendrive), englobando todos os produtos fiscalizados. Essas memórias de cálculo foram elaboradas a partir das planilhas que instruem o presente processo, de acordo com a Lei n° 9.430/96, tanto com a exclusão, como com a inclusão dos custos relativos a frete, seguro e tributos nos preços praticados, e devem servir de base para o cancelamento deste item da autuação. Notese que os cálculos constantes dessa planilha levam em conta exatamente as mesmas premissas consideradas pela autoridade fiscal (quantidades, preços praticados, etc), apenas se distinguindo do cálculo que embasa o Auto de Infração no que se refere ao cálculo do preçoparâmetro e preço praticado. Pela análise das planilhas acima citadas, verificase que os corretos cálculos dos ajustes, de acordo com o que preconiza a Lei n° 9.430/96, seja excluindose ou incluindose os montantes atinentes a frete, seguro e tributos do preço praticado dos produtos importados, acarretariam um ajuste igual a zero e, por conseqüência, a necessidade de exclusão de R$ 9.029.660,71 da base de cálculo que compõe o presente Auto de Infração. Fl. 53312DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 16 15 Apenas a título argumentativo, caso prevaleça a ilegal aplicação do método PRL60 do modo como previsto na IN SRF nº 243/2002, ao menos deve ser considerada a exclusão dos valores de frete, seguro e tributos do preço praticado utilizado pela autoridade fiscal para cálculo dos ajustes. Nessa hipótese deverá ser excluído da base de cálculo do Auto de Infração o valor de R$ 1.053.356,85, de acordo com a planilha elaborada pela impugnante, ora anexada (doc. 5 e doc. 13 pendrive). GRUPO 3 – PRL20 / PRL60 Inexistência de fundamento legal para o “PRL ponderado” aplicado Da análise das planilhas anexas ao Auto de Infração relativas ao Grupo 3, verificase que, em relação a 30 itens, a autoridade fiscal aplicou simultaneamente os métodos PRL20 e PRL60, ponderando os resultados obtidos. Ocorre que o método adotado pela autoridade fiscal não encontra qualquer respaldo legal ou infralegal, motivo pelo qual não pode prosperar, sob pena de violação ao princípio da legalidade. Além disso, não se pode esquecer que o artigo 18, §4°, da Lei n° 9.430/96 prevê a opção pelo método que oferecer o resultado mais favorável ao contribuinte. Em vista disso, devese verificar se o PRL20 e o PRL60 são um método único, ou se, por outro lado, representam duas metodologias distintas. A resposta a essa questão deve ser conjugada então com premissa anterior. Nesse sentido, temos que, se ambos fossem um só método, sua aplicação deveria sempre conduzir a um só resultado (preço parâmetro), quer seja por meio da aplicação da sistemática de 20%, quer pelo uso da sistemática com margem de lucro de 60%. Todavia, não é isto que ocorre. A legislação estabelece metodologias distintas para determinação das bases de cálculos das margens de lucro dos métodos PRL com margem de 20% e PRL com margem de 60%. Dessa forma cabe analisar se matematicamente eles podem ser considerados como métodos equivalentes para determinar o preçoparâmetro. O método PRL20 é aplicado no processo de simples revenda, tendo como premissas que não há agregação de valor e que o bem importado representa 100% do valor do custo do produto vendido. O método PRL60 é aplicado ao processo de produção de outro bem, tendo como premissa que há agregação de valor e que o bem importado representa apenas parte do valor do custo do produto vendido. Fl. 53313DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 17 16 Para testar a (ausência de) identidade entre os métodos, a impugnante procedeu a um exercício ad absurdum (fls. 43946/43948), por meio do qual tentou aproximar ao máximo o PRL60 do PRL20. Considerou, para o cálculo do PRL60, a sistemática prevista na IN SRF nº 243/2002, contudo, com valor agregado igual a zero e margem de lucro de 20%. Os valores dos preçosparâmetro apurados são totalmente diferentes, o que significa que, ainda que se buscasse aproximar, ao máximo, o PRL60 do PRL20, ainda sim seriam obtidos resultados diversos, o que prova que, em essência, os métodos são diferentes. Dessa forma, prevendo a legislação a aplicação do método mais favorável ao contribuinte, falhou a autoridade fiscal ao combinar os preçosparâmetro e utilizálos de forma pretensamente "ponderada", tendo em vista que não foi esta a escolha positivada na legislação brasileira. Ademais, no "Perguntas e Respostas de 2005", na questão 685, a própria Receita Federal reconhece que os métodos são distintos. Embora tenham a mesma denominação, o PRL com margem de 20% e o PRL com margem de 60% se caracterizam, matematicamente, como métodos distintos. E, sendo métodos distintos, conforme disposto no § 4º do artigo 4º da Lei n° 9.430/96, deve ser aplicado o método mais favorável. Portanto, na hipótese de serem aplicáveis ambos os métodos, deve ser considerado como dedutível o maior valor apurado, não podendo em hipótese alguma ser efetuada a média ponderada dos diferentes preçosparâmetro apurados, como foi efetuada pela fiscalização. Uma prova eloqüente da diferença entre os métodos é o fato de a MP nº 478/2009 ter intentado criar um único método (Preço de Venda Menos Lucro PVL) para substituir o PRL20 e o PRL60. Tal providência legislativa (que não mais vigora, já que a MP não foi convertida em Lei), incluía não apenas a mudança de margem, mas, sobretudo, a unificação das sistemáticas de cálculo, o que, com efeito, não se justificaria se os métodos fossem equivalentes. Em vista de todo o exposto, a impugnante requer, caso não seja inteiramente cancelada a autuação acerca do Grupo 3, por falta de norma a amparar o PRL Ponderado, sejam considerados os cálculos anexos, que, contemplando sempre o maior preço parâmetro, como manda o § 4º do artigo 18 da Lei n° 9.430/96, aponta a inexistência de ajuste (doc. 6 e doc. 13 pendrive). Como conseqüência, deve ser excluído da base de cálculo do Auto de Infração o montante de R$ 6.166.645,66. Notese que a citada planilha apresenta o preçoparâmetro dos produtos sujeitos ao método PRL60 calculados pela sistemática da Lei n° 9.430/96, bem como os preços praticados sem a inclusão dos valores referentes a tributos, frete e seguro. Fl. 53314DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 18 17 Na hipótese de se entender que a sistemática da lei não deve prevalecer para o cálculo do PRL60, o que se admite apenas a título argumentativo, ainda assim a revisão do PRL Ponderado levaria a um resultado muito diverso daquele descrito no Auto de Infração. A apuração de ajustes de preços de transferência para o Grupo 3, efetuada quanto ao PRL60, de acordo com a IN SRF nº 243/2002, e, como postulado acima, sempre com a consideração do maior preçoparâmetro apurado, e do preço praticado sem inclusão de frete, seguro e tributos, apontaria um ajuste de apenas R$ 172.151,08 (doc. 7 e doc. 13 pendrive). Nesse cenário, a base de cálculo do Auto de Infração haveria de ser reduzida de R$ 5.994.494,59. Em caráter ainda mais subsidiário, considerese a situação em que é afastada tanto a aplicação do PRL60 pelo método previsto na Lei n° 9.430/96 para o cálculo dos preçosparâmetro dos produtos utilizados na produção, como também a não inclusão dos valores de frete, seguro e tributos nos preços praticados. Nesse cenário, ainda permaneceria a incorreção do PRL Ponderado e a necessidade de sua revisão, com a aplicação tão somente do maior preçoparâmetro apurado (entre PRL60 e PRL20). Ao se expurgar esse vício do lançamento, a diferença a ser excluída da base de cálculo autuada seria de R$ 5.797.416,30, conforme planilha anexa à presente Impugnação (doc. 8 e doc. 13 pendrive). Por fim, na remota eventualidade de ser desconsiderada a adoção do cálculo pelo método do PRL mais benéfico, considerandose legal o cálculo do PRL relativo ao "Grupo 3" pelo "Método PRL Ponderado", terseão três possíveis cenários que inevitavelmente ocasionarão a redução da base de cálculo do presente Auto de Infração, a saber: a) caso prevaleça o cálculo do preçoparâmetro dos produtos sujeitos ao método PRL60 da forma prevista na Lei n° 9.430/96, bem como a exclusão do custo correspondente a frete, seguro e tributos no cálculo dos preços praticados, a base de cálculo, mesmo com o cálculo ponderado, deverá ser reduzida do montante de R$ 6.141.212,20, já que o ajuste para fins de preços de transferência dos produtos importados será de apenas R$ 25.433,46, conforme planilha de cálculos elaborada pela impugnante (doc. 9 e doc. 13 pendrive); b) prevalecendo o disposto na Lei n° 9.430/96 no cálculo do preçoparâmetro dos produtos sujeitos ao método PRL60, entretanto com a inclusão dos custos de seguro, frete e tributos no cálculo dos preços praticados, deverá a base de cálculo da autuação ser reduzida em R$ 6.056.176,40, uma vez que o ajuste aplicável seria de apenas R$ 110.469,26 (doc. 10 e doc. 13 pendrive); c) subsistindo a aplicação do método previsto na IN 243 para aplicação do PRL60 no cálculo do preçoparâmetro dos produtos utilizados na produção, porém com a exclusão Fl. 53315DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 19 18 dos valores de frete, seguro e tributos dos preços praticados, haveria de ser reduzido o montante de R$ 532.572,70 da base de cálculo do Auto de Infração, atinente ao Grupo 3, conforme cálculos elaborados pela impugnante (doc. 11 e doc. 13 pendrive). MÉTODO CPL A impugnante apresentou à autoridade fiscal elementos relativos à aplicação do CPL para 95 produtos. Essa apuração foi rejeitada para alguns produtos, sob a alegação de que a documentação apresentada não seria suficiente para a comprovação do preçoparâmetro. Ocorre, contudo, que a autoridade fiscal não tem razão quanto à rejeição do método CPL para diversos itens, como se passa a demonstrar: Itens do Grupo 1 As principais justificativas invocadas pela autoridade fiscal para negar a aplicação do CPL para esses itens foram (i) a não apresentação de invoices relativas aos insumos utilizados no produção; e (ii) a não apresentação de planilha de custos com a discriminação dos insumos de produção. A primeira justificativa, invocada quanto aos seguintes produtos do Grupo 1: 0001218774; 0445020002; 0445224009; 0204001777; 0204001776; e F000DV0100, não se sustenta. Não há, seja na Lei n° 9.430/96, ou mesmo na IN SRF nº 243/2002, qualquer dispositivo que preveja a obrigatoriedade de apresentação de invoices referentes à aquisição de insumos utilizados para a produção dos produtos importados. Ao contrário, os §§ 2º e 3º do artigo 13 da IN SRF nº 243/2002 exigem apenas a "demonstração" do custo de produção com base em "dados" disponibilizados pelas unidades produtoras. A leitura do dispositivo evidencia, com clareza, a extensão do ônus que incumbe ao contribuinte quanto à aplicação do CPL: demonstrar, com base em dados da unidade produtora, os custos de produção. É claro que a autoridade fiscal pode verificar a procedência dos dados apresentados, e inclusive, se for o caso, questionálos. Mas tal verificação, bem como a elaboração de eventual questionamento, constituem ônus da fiscalização, não do contribuinte. A autoridade fiscal, se quiser, pode realizar as diligências que achar necessárias, produzindo prova, a partir de documentos hábeis e idôneos, acerca da incorreção dos dados disponibilizados pelo contribuinte. Mas não pode a autoridade fiscal afirmar que a não apresentação, pelo contribuinte, de uma prova cuja produção lhe incumbiria, impossibilitaria a aplicação do CPL. Fl. 53316DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 20 19 Quando isso acontece, emerge evidente a inversão do ônus da prova, que não encontra respaldo no ordenamento tributário brasileiro. Assim, não pode a autoridade fiscal penalizar o contribuinte pela falha na realização do seu próprio trabalho. Essa ilegal inversão do ônus da prova ocorreu no caso presente, no que tange aos produtos acima relacionados. A autoridade fiscal não produziu qualquer prova capaz de elidir a demonstração apresentada pela impugnante, e, não se contentando com isso, atribui à impugnante um ônus probatório que a legislação não impõe a esta. Ressaltese que a demonstração preparada e apresentada pela impugnante baseiase em dados hábeis a evidenciar o custo de produção, extraídos dos registros contábeis das unidades produtoras. Nesse sentido, a matriz da impugnante apresenta declaração (doc. 12) atestando que os dados a que se refere a IN SRF nº 243/2002 foram apresentados adequadamente. A ausência de apresentação de invoice, nesse contexto, é absolutamente irrelevante para a aplicação do CPL, pois os requisitos legais e regulamentares atinentes a esse método foram observados e cumpridos pela impugnante. Subsidiariamente, ainda que se considerasse essencial a apresentação das invoices pela impugnante, o CPL não poderia ter sido rechaçado quanto ao produto 0445224009. A impugnante apresentou, para esse item, invoices correspondentes a 75% dos insumos consumidos na produção. Em vista disso, na pior das hipóteses, a autoridade fiscal poderia ajustar a aplicação do CPL para que contemplasse 75% do preçoparâmetro correspondente. Mas não estaria autorizada, a autoridade fiscal, a ignorar todo o custo de produção, porque os 75% comprovados continuam tendo essa natureza. Assim, ainda que considerasse um preçoparâmetro menor, a autoridade fiscal deveria aceitar o CPL para esse produto, por não contar com autorização legal, ou regulamentar, para adotar postura diversa. A segunda justificativa (não apresentação de planilha de custo com detalhamento dos componentes) foi invocado quanto aos produtos 0445020002, 0204001777, 0204001776, 1280516062 e F000DV0100. Essa justificativa, assim como a primeira, não procede. Para todos esses itens, a impugnante apresentou, sim, a referida planilha. Em 26/04/2010, a impugnante apresentou um CD à autoridade fiscal, com via eletrônica da planilha de produção dos produtos aos quais estaria sendo aplicado o CPL. Nessa planilha, encontramse claramente descritos os componentes e o custo de produção dos itens acima relacionados, conforme sintetizado às fls. 43954/43955. Para facilitar a consulta da mencionada planilha, a impugnante a apresenta, novamente, em meio eletrônico (doc. 13 pendrive). Fl. 53317DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 21 20 Em vista do exposto, o segundo argumento da autoridade fiscal, acima refutado, não deve produzir qualquer efeito. Do exposto aduzse, por conseguinte, que o CPL relativo aos produtos do Grupo 1, rejeitado pela autoridade fiscal, deve ser acolhido, e servir de base para o cálculo dos ajustes de preços de transferência. Itens do Grupo 2 Os dois argumentos acima combatidos também foram invocados pela autoridade fiscal quanto a produtos do Grupo 2. Do mesmo modo que o ocorreu com o Grupo 1, eles não se mostram hábeis a justificar a rejeição do CPL. O primeiro argumento (não apresentação de invoices) foi invocado, pela autoridade fiscal, para os seguintes produtos do Grupo 2: 1397220406 e 1587410674. A manutenção do CPL para esses produtos decorre das razões já expostas acima, ao tratar do Grupo 1. Devese notar também, em caráter subsidiário, que, mesmo que a apresentação das invoices fosse ônus do contribuinte, a desconsideração total do custo de produção comprovado não seria aceitável. Para ambos os produtos acima apontados, a impugnante apresentou documentos correspondentes a parcela substancial dos insumos utilizados na produção. O valor comprovado possui natureza de custo de produção, e, como tal, serve de lastro à aplicação do CPL. Portanto, no pior cenário, deverá a autoridade fiscal ter aplicado o CPL com preço parâmetro proporcional ao montante de insumos comprovado. A segunda justificativa (não apresentação de planilha de custo com detalhamento dos componentes) foi invocado quanto aos produtos 0271130115. 1280300941, 3133435070, 1245131817, 1245131781, 0270300113, 1395106887, 9000073397 e 1245136709. Essa justificativa, assim como a primeira, não procede. Para todos esses itens, a impugnante apresentou, sim, a referida planilha. Em 26/04/2010, a impugnante apresentou um CD à autoridade fiscal, com via eletrônica da planilha de produção dos produtos aos quais estaria sendo aplicado o CPL (doc. 13 pendrive). Nessa planilha, encontramse claramente descritos os componentes e o custo de produção dos itens acima relacionados, conforme sintetizado às fls. 43956/43957. Com relação ao produto 1245139942, a autoridade fiscal rejeitou o CPL porque o documento apresentado não teria sido vertido para o vernáculo. Para afastar essa conclusão, a impugnante apresenta o documento traduzido para o português, pelo que o CPL deve ser aceito para esse item (doc. 14). Por fim, a autoridade fiscal afirmou, com relação ao produto 1264486380, que não teria havido fabricação. Resta concluir, Fl. 53318DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 22 21 então, que ele foi objeto de compra e revenda, as quais, se realizadas, qualquer delas, junto a partes não relacionadas, permitiria a aplicação do PIC. É exatamente isso que ocorre. A impugnante localizou invoice referente à operação envolvendo esse item, praticada com parte independente (doc. 15). Assim, ainda que não fosse aplicável o CPL, haveria de seu utilizado o PIC (método mais favorável ao contribuinte), cujo controle de preços de transferência darseia conforme sintetizado à fl. 43957 (demonstrativo indicando preço praticado = R$ 5,26; preçoparâmetro = R$ 5,85; e ajuste = R$ 0,00). Itens do Grupo 3 Para a rejeição do CPL aplicado aos itens do Grupo 3, a autoridade fiscal invocou os mesmos argumentos, que, pelas mesmas razões acima expostas, devem ser afastados. No caso dos itens 2418559045, 0280142360 e 9121080278, a autoridade fiscal asseverou não terem sido apresentadas invoices relativas aos insumos respectivos. Como já visto, essa inversão do ônus da prova não autoriza a desconsideração do CPL. No caso dos itens 0280142360, F00M116213, F000M1164213, F000AL1193, 9121080278, F00M116248, F000AL1312, F00M126441, 9001081086 e F00M126241, a autoridade fiscal repetiu, impropriamente, a alegação de que não teria sido apresentada planilha de custos. Como se verifica do exame da planilha apresentada pela impugnante durante a auditoria fiscal (doc. 13 pendrive), todos os itens acima indicados encontramse ali contemplados, com a descrição dos seus componentes e custos (respectivamente, nas linhas 272 e ss.; 575; 553; 290 e ss.; 529 e 530; 297; 249 e ss.; 254; 246 e ss.; e 237). Deve, portanto, ser restabelecida a aplicação do CPL para os produtos acima referidos. Itens submetidos ao PIC No que tange aos produtos 1005001198 e 146513724, a autoridade fiscal desconsiderou o CPL, aplicando o PIC. O ajuste correspondente foi chamado, na parte relativa ao PIC, de "Ajuste SRF", totalizando R$ 499.063,58. Esse ajuste deve ser reduzido, uma vez que as justificativas invocadas pela autoridade fiscal para a rejeição do CPL, quanto ao produto 1005001198, não se sustentam. A autoridade fiscal afirmou, quanto a esse produto, não ter sido apresentado comprovante de aquisição de um dos insumos de produção, o qual corresponderia a 44% do custo total. Como visto acima, essa alegação, por implicar ilegal inversão do ônus da prova, não legitima a rejeição do CPL, mormente porque a demonstração exigida pela legislação foi devidamente Fl. 53319DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 23 22 apresentada pela impugnante (vide doc. 13 pendrive, linhas 572 e ss.). Ainda que não fosse por isso, o procedimento da autoridade fiscal com relação a esse produto haveria de ser revisto porque não é verdade que o insumo, cuja invoice não foi apresentada, representa 44% do custo de produção. Como se pode verificar da planilha de custos apresentada pela impugnante (doc. 13 pendrive), o produto 1005001198 é produzido a partir de 3 insumos, utilizados em proporções diferentes para a fabricação de cada unidade: (...) O insumo 1005001197, aquele cuja invoice não foi apresentada à autoridade fiscal, é utilizado à razão de uma peça para cada unidade produzida. Os demais insumos são utilizados à razão de 6 peças por unidade produzida. Nesse contexto, devese calcular o impacto daquele insumo no custo total de cada unidade produzida considerandose as razões de utilização de cada insumo. Após esse procedimento, constatase que, por ser utilizado numa razão bem menor que a dos demais insumos, o insumo 1005001197 corresponde a apenas 11,5% do custo de produção. Em vista disso, não se justifica, em absoluto, a desconsideração do CPL aplicado quanto ao produto 1005001198. Na pior das hipóteses, o que se admite apenas a título argumentativo, a autoridade fiscal deveria considerar a parcela do preço parâmetro apurado pela CPL proporcional à parcela comprovada dos insumos de produção (89,5%). Mas, desconsiderar totalmente o custo de produção, com o fito de afastar o CPL, é conduta de que a autoridade fiscal não poderia lançar mão. Deve, portanto, ser reduzido o "Ajuste SRF" referente ao PIC, e o restabelecimento da aplicação do CPL ao produto 1005001198. NECESSIDADE DE DEDUÇÃO INTEGRAL DOS VALORES JÁ ADICIONADOS Para determinar a base de cálculo do lançamento, a fiscalização considerou apenas uma parte dos valores que foram originalmente adicionados ao lucro tributável da impugnante a título de ajustes de preços de transferência. A justificativa para se desconsiderar a adição da quantia de R$ 1.954.497,04 ao lucro tributável consistiria na impossibilidade de se verificar, a partir dos cálculos originais que embasaram o preenchimento da DIPJ/2006, os ajustes atribuídos a produtos não identificados. A impugnante informou à fiscalização que, devido à troca dos sistemas informatizados, perderamse as memórias de cálculo Fl. 53320DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 24 23 relacionadas a diversos produtos considerados quando da elaboração da DIPJ/2006. Como não conseguiu vincular o restante dos ajustes descritos na DIPJ/2006 da impugnante a produtos específicos, decidiu a fiscalização ignorar tais ajustes, sob a simples afirmação de que “a legislação prevê o cálculo de preço de transferência produto a produto” Esse procedimento não se sustenta, porque inexiste base legal que autorize a “glosa” de uma adição ao lucro tributável. Feita a adição ao lucro tributável, a autoridade fiscal não está autorizada a ignorála. Ademais, ainda que fosse necessária a vinculação do ajuste com um ou outro produto para a validação da adição, tal vinculação seria tarefa cujo ônus incumbiria à fiscalização. Sabendo que existia uma adição já efetuada, deveria a fiscalização ter adotado as providências que entendesse necessárias para o cômputo dos ajustes declarados. Não bastasse o incorreto procedimento adotado pela autoridade fiscal ao desconsiderar os ajustes realizados pela impugnante sob a justificativa de que deveriam ter sido vinculados produto a produto, também se equivocou com relação àqueles produtos discriminados e identificados em sua DIPJ. Isto porque, com relação a tais produtos, a autoridade fiscal considerou os ajustes calculados pela impugnante somente até o limite do ajustes calculados por ela própria, desconsiderando, contudo, as diferenças que igualmente teriam sido adicionadas ao lucro tributável pela impugnante. Ora, ainda que se considerem corretos os cálculos realizados pela fiscalização, fato é que as diferenças dos ajustes realizados pela impugnante já foram devidamente adicionadas ao lucro tributável e levadas à tributação no anocalendário de 2005, não podendo ser "glosadas" pelo bel prazer da autoridade fiscal, mormente por inexistir qualquer previsão legal para tanto. Pois bem. Sendo certo que a glosa de uma adição afigurase absurda, devem ser abatidos da base de cálculo do presente lançamento, além dos ajustes originais da DIPJ já aceitos pela autoridade fiscal (R$ 798.009,91), o montante de R$ 428.953,64, correspondente à diferença entre os cálculos realizados pela fiscalização e os cálculos da impugnante para os produtos identificados pela autoridade fiscal na DIPJ da impugnante, bem como o valor de R$ 727.533,49, relativo a produtos não identificados em DIPJ, uma vez que já adicionados ao lucro tributável de 2005. CONCLUSÕES Às fls. 43962/43965, a impugnante apresenta uma síntese de seus argumentos de defesa. Fl. 53321DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 25 24 PEDIDO Por todo o exposto, requer a impugnante que o Auto de Infração seja integralmente cancelado. Requer, ainda, que todas as intimações e notificações a serem feitas, relativas às decisões proferidas neste processo sejam encaminhadas aos seus procuradores, com cópia à impugnante. DO PAGAMENTO PARCIAL Conforme informação de fl. 52988, houve pagamento parcial dos tributos (fl. 52985), tendo sido o sistema atualizado, conforme extrato de fls. 52986/52987, a seguir sintetizado (valores em reais): (...) Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou improcedente a impugnação em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. MÉTODO PRL60. ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. MÉTODO PRL. REVENDA E PRODUÇÃO. PREÇO PARÂMETRO. MÉDIA PONDERADA. Nos casos em que os insumos importados de pessoas vinculadas são em parte revendidos e em parte aplicados no processo produtivo, ao se eleger o PRL como método de apuração, o preçoparâmetro será o preço médio ponderado resultante da aplicação do método PRL, com margem de 20%, na hipótese de revenda, e do método PRL, com margem de 60%, na hipótese dos insumos aplicados na produção. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. OPÇÃO PELO MÉTODO. Após o início do procedimento fiscal, não cabe mais ao contribuinte alterar o método utilizado na DIPJ para determinação dos ajustes decorrentes da legislação dos preços de transferência. Fl. 53322DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 26 25 MÉTODO CPL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DESQUALIFICAÇÃO. Correta a desqualificação do método CPL quando o contribuinte não logra comprovar o custo médio de produção do produto, maculando toda a apuração do correspondente preço parâmetro. AJUSTES DA DIPJ. APURAÇÃO PRODUTO A PRODUTO. Os ajustes de preços de transferência devem ser apurados produto a produto, de modo que dos ajustes recalculados pela fiscalização devem ser deduzidos apenas os ajustes da DIPJ relativos a esses itens e não a totalidade constante da DIPJ apurandose eventual diferença tributável, relativa a apenas esses itens. Eventual ajuste a maior na DIPJ de um determinado produto não pode ser utilizado para compensar ajustes a menor calculados pela fiscalização relativos a outros produtos. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Irresignada com a decisão de primeiro grau, a contribuinte interpôs recurso voluntário onde, em síntese, reproduz os argumentos aduzidos na impugnação ao lançamento. Por fim, a PGFN apresentou contrarrazões ao voluntário reforçando os argumentos expostos pela autoridade lançadora e pela DRJ e de origem. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Do Método PRL Conforme visto no relatório, a contribuinte adotou o método do preço de revenda menos lucro (PRL) para determinar os preços de transferência relativos a diversos bens importados junto a pessoas vinculadas residentes no exterior. De acordo com o demonstrativo de fl. 4822 e ss., foram no total: a) 64 tipos de produtos importados destinados exclusivamente à revenda, sendo neste caso adotada a margem de lucro de 20% (PRL20); b) 165 tipos de produtos importados destinados exclusivamente à aplicação na industrialização de outros bens, sendo neste caso adotada a margem de lucro de 60% (PRL60); Fl. 53323DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 27 26 c) 134 tipos de produtos importados cuja destinação foi em parte a revenda e em parte a aplicação na industrialização de outros bens. Neste caso foi adotada a média ponderada com margem de lucro de 20% e de 60%, conforme a destinação dos produtos importados tenha sido, respectivamente, a revenda ou a aplicação na industrialização de outros bens. A seguir serão examinadas as alegações da recorrente acerca da aplicação do método PRL. 2.1) Da Inclusão dos Valores de Frete, Seguro e Tributos sobre a Importação Ao auditar os cálculos dos preços de transferência segundo o método PRL, a autoridade verificou que a contribuinte deixara de agregar ao preço de aquisição (FOB) de cada produto importado os valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Por entender que tal conduta violou o disposto no art. 4º, § 4º, da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, promoveu a inclusão daqueles valores no cálculo do preço praticado. Em sua defesa a recorrente alega, primeiramente, que a inclusão dos valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação no cálculo do preço praticado macula o disposto no art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96. Pois bem, sobre o assunto o art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96 assim prescreve: Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (...) Fl. 53324DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 28 27 § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. (...) O art. 18, caput, estabelece que o custo sujeito a ajuste em razão da regra de preços de transferência é o preço de aquisição do produto importado junto à pessoa vinculada residente no exterior. Por sua vez, o parágrafo 6º da norma estabelece que o preço praticado é o preço de aquisição do produto acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Isso posto, ao contrário do alegado pela recorrente, o art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96 expressamente estabelece que no preço praticado incluemse os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Argumenta a recorrente, também, ser incorreta a interpretação de que o art. 18 da Lei nº 9.430/96 estabeleça a inclusão dos valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação no cálculo do preço praticado. Afirma que, como os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação não decorrem de operações com pessoas ligadas, não podem ser eles afetados por ajustes relativos a preços de transferência. Quanto a essa alegação há que se dizer, em primeiro lugar, que a recorrente não logrou êxito em demonstrar adequadamente o papel que, em sua interpretação, desempenha o parágrafo 6º da norma o qual, como dito antes, expressamente estabelece que no preço praticado incluemse os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Dito de outro modo, a “interpretação” do art. 18 defendida pela recorrente, a meu ver, não se sustenta como interpretação propriamente dita, nos exatos termos em que esse vocábulo é compreendido no âmbito da Ciência do Direito1. Mas digamos que, de fato, também seja possível interpretarse o art. 18 da Lei nº 9.430/96 do modo sustentado pela recorrente, ou seja, no sentido de que os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação não integram o preço praticado. Nesse hipótese teríamos, então, duas interpretações possíveis da mesma norma e, em sendo assim, haveríamos de verificar qual das duas é a interpretação “correta”. E será considerada “correta” aquela que melhor atender aos métodos de hermenêutica jurídica acolhidas pelo Direito. Passemos então a examinar as duas interpretações quanto à sua correção. No que concerne à interpretação proposta pela recorrente, percebese ser ela fruto de um componente finalístico, qual seja, que as normas de preço de transferência têm como finalidade regular operações realizadas entre pessoas residentes no país e pessoas a ela ligadas, residentes no exterior. Em assim sendo, não seria finalidade da norma regular operações de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação pois, via de regra, não são elas realizadas entre pessoas vinculadas. 1 Sobre o conceito de interpretação jurídica e seus limites vide, por todos, Karl Larenz in Metodologia da Ciência do Direito, 3ª ed., pg. 439 e ss. Fl. 53325DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 29 28 Ocorre que, ao contrário do afirmado pela defesa, a inclusão dos valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação no cálculo do preço praticado não significa que tais operações estejam sendo submetidas às regras de preços de transferência. Mais especificamente, apesar de tais valores integrarem o preço praticado, não são eles objeto de adição ao lucro real. Não é demais lembrar que tanto o preço de aquisição do produto importado, quanto valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação, são custos integralmente dedutíveis na apuração do lucro líquido do período. A adição ao lucro real, a título de preços de transferência, limitarseá à diferença positiva verificada entre o preço praticado e o preço parâmetro. Como se verá adiante, os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação entram no cálculo do preço praticado apenas para fins de possibilitar sua comparação com o preçoparâmetro calculado segundo o método PRL, pois neste também estão incluídos os mesmos valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Isso posto, a interpretação proposta pela contribuinte não se sustenta pois a inclusão dos valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação no cálculo do preço praticado de modo algum significa que tais operações estejam sendo submetidas a controle por preços de transferência. Por outro lado, a interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96, albergada pelo art. 4º, § 4º, da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, e empregada pela autoridade fiscal no caso sob exame, também é fundada em um componente finalístico, qual seja, possibilitar a comparação entre preço praticado e preçoparâmetro, conforme já adiantado acima. A questão da comparabilidade entre o preço praticado na importação de produtos junto a pessoas vinculadas, e aquele que seria praticado em operações entre pessoas não vinculadas, está no cerne do princípio do arm’s lenght. Tanto é assim que o OECD Transfer Pricing Guidelines dedica todo o seu capítulo III ao exame desta matéria. De fato, o objetivo da comparação entre o valor de uma transação realizada entre pessoas vinculadas, e o valor da mesma transação realizada entre pessoas não vinculadas, é a identificação do quanto a vinculação afetou o valor da transação sob exame. Tendo sido inspirado no princípio do arm’s lenght, o art. 18 da Lei nº 9.430/96 não poderia ser corretamente interpretado acaso não fosse dada a devida importância à questão da comparabilidade entre o preço praticado e o preçoparâmetro. No caso do método PRL o preçoparâmetro inclui os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Tomemos, por exemplo, o método PRL aplicado à simples revenda de produtos importados junto a pessoas vinculadas (PRL20). As conclusões a seguir, entretanto, valem igualmente para o caso de o bem importado ser empregado na industrialização de outro produto (PRL60). Pois bem, o pressuposto para o emprego do PRL20 é que o produto seja revendido a uma pessoa não vinculada, em condições de livre mercado. Em transações entre pessoas não vinculadas e em condições de livre mercado, é lícito pressupor que o revendedor (no caso, a contribuinte) procurará obter uma remuneração por sua atividade, ou seja, procurará obter lucro. O PRL20 estipula que a margem bruta de lucro em tais condições é de 20% o que, em verdade, é uma taxa bastante baixa pois implica uma margem de lucro líquido para o Fl. 53326DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 30 29 empresário bem inferior a 20%, haja vista a necessidade de dedução de despesas administrativas, despesas com vendas etc. A partir, então, do preço de revenda do produto, deduzido da margem bruta de lucro de 20% prevista em lei, chegase ao custo estimado de aquisição produto numa operação entre pessoas não vinculadas, ou simplesmente preçoparâmetro PRL20. Notese que, assim calculado, esse custo (o preçoparâmetro PRL20) inclui não só o preço estimado de aquisição do produto (FOB), como também os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação deste produto. Resumindo, preçoparâmetro PRL20 é um preço CIF + Trib. s/imp. Isso posto, a comparação direta entre o preço de aquisição do produto junto à pessoa vinculada (preço da declaração de importação FOB) e o preçoparâmetro PRL20 (CIF + Trib. s/imp), como quer a recorrente, seria de todo inútil ao fim a que se destina a lei de preços de transferência, qual seja, verificar, mediante comparação entre aqueles preços, se a contribuinte está, ou não, reduzindo artificialmente o lucro apurado no Brasil por meio de aquisições de produtos junto a sua vinculada no exterior a preços superiores aos de mercado. Nesse sentido, para corretamente compararse o preço de aquisição com o preçoparâmetro PRL20, é necessário que ambos estejam em pé de igualdade. Para tanto, apenas para efeito dessa comparação, é necessário, adicionarse ao preço de aquisição (preço da declaração de importação FOB), os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Fazendo isso obteremos o preço praticado de que cuida o parágrafo 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96. O importante é ter em conta que, como dito antes, os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação não foram glosados pela autoridade. O que o auditor fez foi adicionar ao lucro líquido, para apuração do lucro real, a parcela do preço de aquisição do produto excedente ao preço que o produto seria adquirido em condições de mercado. Os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação integraram tanto o preço praticado como o preçoparâmetro, com vistas a possibilitar a comparação entre ambos. Poderiam, ainda, não compor nem o preço praticado nem o preço parâmetro, tal como recomendado pelo OECD Transfer Pricing Guidelines, que o resultado da adição ao lucro real seria o mesmo. O que não se admite, nem sob o ponto de vista jurídico, nem sob o ponto de vista lógico, é realizarse uma comparação entre preço praticado e preçoparâmetro em que os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação estejam incluídos neste, mas não naquele, ou viceversa. Ou bem são incluídos em ambos (como prevê o art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96), ou bem não são incluídos em nenhum dos dois (como sugerido no OECD Transfer Pricing Guidelines). Três outros argumentos levantados pela defesa com vistas a sustentar a sua tese merecem breve comentário. O primeiro diz respeito à suposta “neutralidade” dos preços de transferência sugerida no acórdão nº 10809763. Nesse sentido, admitido pela Oitava Câmara do extinto Conselho de Contribuintes que o parágrafo 6º determina a inclusão dos valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação no cálculo do preço praticado, mas tendo em conta a Fl. 53327DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 31 30 necessária “neutralidade” dos preços de transferência, aquele órgão julgador entendeu que tais valores também deveriam ser adicionados ao preçoparâmetro. Ocorre que, como visto acima, no preçoparâmetro PRL20, determinado segundo o disposto no art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, já estão incluídos os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. Incluílos novamente, como sustentou aquela Câmara, além de não encontrar amparo legal, importará, isso sim, em uma quebra de “neutralidade” entre o preço praticado e o preçoparâmentro PRL, decorrente da dupla inclusão, neste último, dos valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. O segundo argumento, exposto pela recorrente em forma de um exemplo numérico, trata da hipótese em que o preço de aquisição (FOB) do produto importado junto à pessoa vinculada é igual a zero. Em seu exemplo a interessada traz as seguintes informações: a) preço de aquisição do produto importado: R$ 0,00; b) valores de frete (R$ 6,00), seguro (R$ 6,00) e tributos sobre a importação (R$ 10,00), totalizando: R$ 22,00; c) preçopraticado: R$ 22,00 (= “a” + “b”); d) preço líquido de revenda do produto importado: R$ 25,00; e) lucro estimado PRL20: R$ 5,00 (= 20% * “d”); f) preçoparâmetro PRL20: R$ 20,00 (=”d” “e”); g) ajuste na determinação do lucro real: R$ 2,00 (= “c” “f”). Com esse exemplo a recorrente procurou demonstrar que, como o preço de aquisição do produto importado é zero, o ajuste na determinação do lucro real, no montante de R$ 2,00, recairá sobre os valores de frete, seguro e tributos sobre a importação. Mas repare, esse exemplo não se encaixa nas regras do PRL20, senão vejamos. O método PRL20 pressupõe necessariamente que o preço de revenda seja formado em uma transação entre pessoas não vinculadas (art. 18, § 3º, da Lei nº 9.430/96). Nessas condições, ainda que a empresa tenha importado o produto de uma pessoa vinculada pelo preço de aquisição igual a zero, na revenda desse mesmo produto a uma pessoa não vinculada a empresa, por óbvio, procurará adotar um preço que reflita a oferta e a demanda desse produto no mercado. No exemplo, esse preço foi estabelecido pela recorrente como sendo de R$ 25,00. Mas será que, em condições normais, esse seria o preço de mercado daquele produto? Para responder a essa questão é necessário examinar as demais informações contidas no exemplo da contribuinte. Bem, se o prêmio de seguro pago pelo importador foi, de acordo com o exemplo citado, de R$ 6,00, e supondose que para esse produto um percentual de prêmio de seguro absurdamente alto, digamos, de 50%, então o valor econômico do produto adquirido seria de R$ 12,00, ainda que o preço de aquisição junto à pessoa vinculada tenha sido estabelecido em R$ 0,00. Veja que para um percentual de prêmio de seguro mais razoável, de Fl. 53328DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 32 31 10%, e sabendose que o prêmio de seguro informado no exemplo seguro foi de R$ 6,00, o valor econômico do produto adquirido saltaria para R$ 60,00. Raciocínio semelhante pode ser empregado também ao valor dos tributos incidentes na importação do produto, que no exemplo da recorrente alcançou R$ 10,00. Admitase que para o produto em questão as alíquotas agregadas do II, IPI, ICMS e PIS/Cofins Importação tenham alcançado 50%. Então, em um cálculo aproximado, o valor econômico do produto adquirido seria de R$ 20,00, ainda que o preço de aquisição junto à pessoa vinculada tenha sido estabelecido em R$ 0,00. Mas adotemos para o produto adquirido citado no exemplo da recorrente um valor econômico de apenas R$ 7,00 (o que implicaria em percentuais de prêmio de seguro e alíquotas agregadas de tributos na importação ainda mais absurdamente altas e, portanto irrealistas). Imaginemos ainda que, dadas as condições de oferta e demanda deste produto no país, poderia ser ele revendido com uma margem bruta de lucro modesta, de R$ 1,00. Voltemos então às contas: a) preço de aquisição do produto importado, o mesmo do exemplo original: R$ 0,00; b) valores de frete (R$ 6,00), seguro (R$ 6,00) e tributos sobre a importação (R$ 10,00), os mesmos do exemplo original, totalizando: R$ 22,00; c) preçopraticado, o mesmo do exemplo original: R$ 22,00 (= “a” + “b”); d) preço líquido de revenda do produto importado, considerandose o valor econômico do produto adquirido, mais a margem de lucro do empresário: R$ 30,00 (= “b” + R$ 7,00 + R$ 1,00); e) lucro estimado PRL20: R$ 6,00 (= 20% * “d”); f) preçoparâmetro PRL20: R$ 24,00 (=”d” “e”); g) ajuste na determinação do lucro real: R$ 0,00 (= “c” “f”). Como o preço praticado é inferior ao preçoparâmetro não há ajuste art. 18, § 5º, da Lei nº 9.430/96. Veja então que, fazendo com que o exemplo aludido pela recorrente atenda minimamente ao pressuposto do PRL20, segundo o qual o preço de revenda deve ser formado supondo uma transação entre empresas não vinculadas, não haveria ajuste ao lucro real, ou seja, os valores de frete, seguro e tributos sobre a importação não seriam afetados pelo cálculo dos preços de transferência, ao contrário do alegado pela defesa. Por fim devese examinar o terceiro argumento, que é de ordem jurisprudencial. No caso devese dizer que, se é certo que o acórdão nº 10809763, do extinto Conselho de Contribuintes, e o acórdão nº 110200302 do CARF, acolheram a tese proposta pela recorrente, não menos certo é que existem muitos outros julgados deste Conselho que vão ao encontro da tese defendida pela autoridade fiscal. Entre eles podese citar, a título exemplificativo, o acórdão nº 1402001.379, o acórdão nº 1101001.077 e o acórdão nº 1301 001.056. 2.2) Da Alegada Ilegalidade da IN SRF 243/2002 ao Regulamentar o PRL60 Fl. 53329DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 33 32 Alega a contribuinte ser ilegal o método PRL previsto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002, no que concerne aos produtos importados destinados exclusivamente à aplicação na industrialização de outros bens (PRL60). Diz que referida ilegalidade devese ao fato de o mencionado ato normativo ter modificado, em prejuízo para os contribuintes, a forma de cálculo do preçoparâmetro PRL60 estabelecida no art. 18 da Lei nº 9.430/96. Assevera ainda a recorrente que o CARF é competente para declarar a ilegalidade de ato normativo expedido pela SRF. A questão da dita ilegalidade da IN SRF 243/2002 quanto à regulamentação do PRL60 é complexa, daí porque vamos examinála por partes. 2.2.1) Da Possibilidade de Controle de Legalidade pelo CARF Afirma a recorrente que o CARF é competente para realizar o controle de legalidade acerca da Instrução Normativa nº 243/2002. Diz que o art. 62 do RICARF limita a competência deste Conselho apenas em relação à apreciação de inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Assiste razão á interessada. De fato, possui o CARF competência para declarar a ilegalidade de atos administrativos expedidos pela SRF. Há que se ressaltar, todavia, que a atuação do CARF não está inteiramente desvinculada da observância daqueles atos. Explicase: (i) havendo incompatibilidade entre a lei e o ato normativo, a ilegalidade deverá ser declarada pelo CARF; (ii) no entanto, inexistindo tal incompatibilidade, o Conselho deverá observar as disposições contidas no ato normativo, a teor do disposto nos arts. 96 e 100, I, do CTN. 2.2.2) O PRL60 e a Lei nº 9.430/96 Antes mesmo de examinarmos a alegada ilegalidade da IN SRF nº 243/2002 frente à Lei nº 9.430/96, questão essa que será objeto do item seguinte deste voto, é imprescindível identificarmos o que realmente estabelece a própria Lei nº 9.430/96 acerca do PRL60. Isso porque é impossível identificarmos a existência, ou não, de violação de uma lei por um ato normativo se sequer sabemos exatamente o que a lei prescreve. Partamos, então, do texto legal: Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; Fl. 53330DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 34 33 c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (...) No caso, duas interpretações bem distintas acerca do art. 18 da Lei nº 9.430/96 vêm sendo defendidas no presente processo. A seguir, a representação matemática dessas duas interpretações, conforme equações (3A) e (3B) demonstradas, respectivamente, nos anexos 1 e 2 deste voto: (3A) PParamImpB = 40%*PLVenBP + 60%*VA (3B) PParamImpB = 40%*PLVenBP VA No anexo 3 deste voto demonstrase matematicamente que a interpretação proposta pela contribuinte (3A) resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas derivadas da interpretação defendida pelo Fisco (3B). No anexo 4 encontrase uma tabela exemplificativa dessas diferenças. A interpretação (3A), advogada pela recorrente, também vinha sendo adotada pelo próprio Fisco, inicialmente por meio da Instrução Normativa SRF nº 38/1997, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 113/2000, depois revogada pela Instrução Normativa SRF nº 32/2001, a qual manteve o mesmo entendimento sobre o assunto. Com o advento da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, o Fisco passou a refutar essa interpretação. A interpretação (3B) é aquela que, a meu juízo, corretamente reproduz as exigências contidas no art. 18 da Lei nº 9.430/96. São ao menos dois os argumentos que sustentam essa afirmação, a saber: Argumento Linguístico Para melhor compreendermos, sob o ponto de vista meramente linguístico, o art. 18 da Lei nº 9.430/96, é necessário recordarmos que, em sua redação original, essa norma não albergava o PRL60, mas tãosomente os métodos de cálculo do preçoparâmetro PIC (inciso I), PRL com margem de 20% (inciso II) e CPL (inciso III), senão vejamos: Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: Fl. 53331DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 35 34 I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. (...) O cálculo do preçoparâmetro PRL com margem de 60% só passou a ter existência jurídica a partir do advento da Lei nº 9.959/2000, que deu nova redação ao art. 18 da Lei nº 9.430/96. O texto legal em sua nova redação, reconheçase, acaso lido apressadamente, conduz à interpretação ora defendida pela recorrente, segundo a qual o valor agregado no país compõe a margem de lucro (vide equação (2A) no anexo 1). Ocorre que uma leitura atenta do texto legal revela que o valor agregado no país não compõe a margem de lucro (vide equações (2B) e (3B) no anexo 2). Os trechos da norma abaixo negritados deixam clara essa afirmação: II Método do Preço de Revenda menos LucroPRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor Fl. 53332DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 36 35 agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (...) De fato, se o valor agregado compusesse a margem de lucro, a expressão “valor agregado no País” contida no texto legal deveria estar precedida do artigo “o”, como abaixo simulado, e não da preposição “do”, como visto acima. II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (...) Argumento LógicoEconômico Se sob a ótica linguística o equívoco da interpretação defendida pela contribuinte só pode ser constatado através de uma leitura mais atenta do texto legal, sob o ponto de vista lógico essa mesma interpretação revelase manifestamente equivocada. Veja que o art. 18 da Lei nº 9.430/96 estabelece as regras para apuração do preçoparâmetro, o qual é conceituado como o preço que seria praticado na importação de um determinado bem, acaso essa operação fosse realizada entre pessoas não vinculadas. No caso do PRL60, o preçoparâmetro do bem importado é apurado a partir do preço de venda de um determinado bem produzido no Brasil, bem esse em cujo processo produtivo foi empregado o referido bem importado, adquirido de uma pessoa vinculada no exterior. Em outras palavras, no preço de venda do bem produzido no país logicamente está incluído o custo de aquisição do bem importado (CIF + Trib. s/imp.), o valor agregado no país e a margem de lucro do empresário (Preço de Venda = Custo do Prod. Imp. + Valor Agreg. + Margem de Lucro). É uma lógicaeconômica do modelo capitalista que, na formação do preço de venda de um produto qualquer, o empresário embuta ali todos os custos incorridos, mais uma margem de lucro. Isso posto, é lógico que, para apurarse o preçoparâmetro do bem importado pelo PRL60, é necessário que, do preço de venda do bem produzido sejam subtraídas as Fl. 53333DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 37 36 parcelas referentes ao valor agregado no país e à margem de lucro, tal como demonstrado nas equações (1B) a (3B) do anexo 2. Ocorre que, pela interpretação defendida pela recorrente, para fins do cálculo do preçoparâmentro PRL60, o valor agregado no país, ao invés de ser subtraído do preço de venda do bem produzido, é a ele adicionado, conforme comprovam as equações (1A) a (3A) do anexo 1. Tal interpretação, evidentemente, subverte a lógicaeconômica, daí porque não pode ser admitida. Isso posto, seja com base no argumento linguístico, seja com fundamento no argumento lógicoeconômico, a correta interpretação do cálculo preçoparâmetro PRL60 previsto na Lei nº 9.430/96 é aquela aqui sustentada, e representada matematicamente pelas equações (1B) a (3B) do anexo 2, e não aquela defendida pela contribuinte e representada matematicamente pelas equações (1A) a (3A) do anexo 1. 2.2.3) Da Alegação de Ilegalidade da IN SRF 243/2002 Como dito anteriormente, a partir do advento da Instrução Normativa SRF nº 243/2002 o Fisco abandonou a interpretação que até então vinha emprestando ao art. 18 da Lei nº 9.430/96, no que toca ao cálculo do preçoparâmetro PRL60, passando a adotar uma nova interpretação. Alega a recorrente que essa nova interpretação é incompatível com os ditames art. 18 da Lei nº 9.430/96, devendo, portanto, ser afastada por este Conselho. Vejamos, então, o que prescreve o art. 12 da IN SRF 243/2002. Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. (...) § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. Fl. 53334DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 38 37 § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. A representação matemática do cálculo do preçoparâmetro PRL60, segundo a Instrução Normativa SRF nº 243/2002, encontrase no anexo 5 a este voto. Pois bem, conforme visto no item 2.2.2 deste voto, considerada incorreta a interpretação da ora recorrente sobre o art. 18 da Lei nº 9.430/96, a questão da legalidade ou ilegalidade da IN SRF 243/2002 deve ser examinada frente à correta interpretação daquela norma, conforme representação matemática presente no anexo 2. Isso posto, em primeiro lugar cabe destacar que o cálculo do preçoparâmetro PRL60, conforme estabelecido na IN SRF 243/2002, resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas exigidas pelo art. 18 da Lei nº 9.430/96, conforme matematicamente demonstrado no anexo 6. No anexo 7 apresentase uma tabela com as diferenças encontradas em um exemplo hipotético. Em segundo lugar é necessário recordar que o princípio da legalidade tributária contido no art. 150, I, da Constituição, abaixo transcrito, veda a exigência ou o aumento de tributo sem lei que o estabeleça, mas não veda a redução de tributo já instituído por lei. Fl. 53335DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 39 38 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; (...) E esse é exatamente o caso em questão, pois, como a aplicação do PRL60, conforme estabelecido pela IN SRF 243/2002, resulta em exigência de IRPJ e CSLL sempre igual ou inferior àquela decorrente da correta interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96, não há que se falar em aumento de tributo, daí porque também não há violação ao princípio da legalidade. Ainda em relação ao cálculo do preçoparâmetro PRL60 previsto na da IN SRF 243/2002, traz a defesa um segundo argumento para afirmar sua ilegalidade. Diz a recorrente que a Medida Provisória nº 478/2009 pretendeu incluir no corpo da Lei nº 9.430/96 a sistemática de cálculo do PRL60 prevista na IN SRF 243/2002. Explica que, como não se pode presumir que o legislador tenha criado norma jurídica desprovida de qualquer utilidade, está claro que seu intento foi o de criar uma disciplina jurídica nova para o PRL60, a qual por certo somente se aplicaria a fatos posteriores à sua publicação, observado ainda o princípio constitucional da anterioridade. Conclui, assim, que o cálculo do PRL60 previsto na IN 243 não encontrava amparo na Lei nº 9.430/96, e ademais continua sem amparo legal haja vista que a MP 478 não foi convertida em lei. A meu ver, também aqui não assiste razão à defesa. Conforme se observa em sua exposição de motivos, a MP 478 em momento algum considera ilegal o cálculo do preço parâmetro PRL60 previsto na da IN SRF 243. O que está dito expressamente na exposição de motivos é que a razão de estabelecerse, em lei, o cálculo até então previsto na IN SRF 243, é a redução da litigiosidade. 2.3) Da Alegada Inexistência de Fundamento Legal para o “PRL Ponderado” Alega a defesa que nos casos em que o mesmo tipo de bem importado era, ora revendido, ora empregado na produção de outros produtos, a autoridade fiscal optou por calcular o preçoparâmetro por meio de uma ponderação entre os métodos PRL20 e PRL60. Afirma a recorrente que tal procedimento não encontra amparo legal. Diz que o órgão julgador de primeiro grau, reconhecendo que o PRL20 e PRL60 são métodos distintos, entendeu que seria incabível a ponderação realizada pela fiscalização já que o art. 18, caput, da Lei nº 9.430/96 estabelece que deva ser adotado apenas um método para cada tipo de produto. Explica que a DRJ manteve essa parte do lançamento em razão da Solução de Consulta Interna Cosit nº 30/2008, que manifesta entendimento em sentido oposto. Argumenta que a referida SCI, entretanto, é posterior à data do fato gerador sob exame e, ademais, que a adoção do entendimento ali esposado representa ofensa ao art. 146 do CTN, que veda a mudança de critério jurídico empregado pela fiscalização. Pois bem, voltemos ao exame do art. 18 da Lei nº 9.430/96, primeiramente em sua redação original, e após na redação dada pela Lei nº 9.959/2000, que introduziu o cálculo do preçoparâmetro PRL com margem de 60%: Fl. 53336DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 40 39 Redação Original: Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. (...) Redação dada pela Lei nº 9.959/2000 Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; Fl. 53337DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 41 40 b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. (...) Novamente, o que se extrai através de um singelo exame da norma em sua redação original é que caput faculta ao sujeito passivo escolher um entre os três métodos de cálculo do preçosparâmetro, quais sejam, o PIC (inciso I), o PRL (inciso II) e o CPL (inciso III). A redação dada pela Lei nº 9.959/2000 não alterou a estrutura da norma, ou seja, os métodos de cálculo do preçosparâmetro continuam a ser apenas três, quais sejam, o PIC (inciso I), o PRL (inciso II) e o CPL (inciso III). Tanto é assim que a lei não faculta ao sujeito passivo escolher entre o PRL20 e o PRL60. A escolha se dá entre PIC, PRL ou CPL. Acaso adotado o PRL, o sujeito passivo empregará: (i) a margem de 20% se os produtos forem destinados a revenda; (ii) a margem de 60% se os produtos forem empregados na industrialização de outros bens. Mas e quando o mesmo bem importado for empregado, em parte na produção de outro produto, e em parte para revenda? Como se trata do mesmo método (PRL), a resposta está expressamente contida no próprio art. 18, II: “média aritmética”. Exatamente como procedeu o auditor. Por fim, em razão de sua pertinência, vale a pena transcrever o argumento trazido pela PFN em suas contrarrazões ao voluntário: Ora, a contribuinte defende que o PRL20 e o PRL60 são métodos completamente distintos e inconjugáveis. Isto considerado, e em sendo verdade que: 1. a legislação permite a adoção de apenas um preçoparâmetro (um método) para cada bem importado (artigo 18, caput); 2. o PRL20 não pode ser usado quando o bem é aplicado à produção; Fl. 53338DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 42 41 3. o PRL60 não pode ser usado quando o bem é revendido; A conseqüência necessária dessas premissas seria a de que quando um bem importado é destinado à produção e à revenda, não se poderia utilizar nem o método PRL20, nem o método PRL60, para calcular o preço parâmetro. As possibilidades ficariam necessariamente restritas aos métodos PIC e CPL. 3) Da Desqualificação do Método CPL De acordo com os demonstrativos finais de preços de transferência apresentados à fiscalização, a contribuinte adotou o método CPL em relação aos 95 produtos indicados no anexo ao termo de intimação nº 8. A fiscalização desqualificou o método CPL para 35 daqueles 95 produtos, sendo que em 33 deles adotou o método PRL, e em 2 empregou o método PIC. Em sua defesa alega a recorrente que, ao contrário do alegado pela DRJ, é cabível a apresentação de documentos após o início da ação fiscal e, também, na fase de julgamento, já que a escolha do método mais favorável é um direito da contribuinte. 3.1) Da Adoção do Método mais Benéfico Sobre a questão da utilização do método mais benéfico, ou seja, aquele que resulte na maior dedução, o art. 18, §§ 4º e 5º, da Lei nº 9.430/96 assim estabelece: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) §4º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. §5º Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. (...) Não há dúvida de que a norma sob exame atribui aos contribuintes uma faculdade de empregar o método que resulte em maior dedução. Todavia, não é possível concluir que essa norma também atribua ao Fisco, nos casos de procedimento de ofício, o dever de adotar o método que resulte em maior dedução, ou de demonstrar a impossibilidade de aplicação dos demais métodos. O entendimento defendido pela recorrente é fruto de uma errônea interpretação a contrario sensu da norma em comento. De fato, da faculdade atribuída ao Fl. 53339DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 43 42 sujeito passivo para escolher, dentre os três métodos estabelecidos em lei, aquele que resulte em maior dedução, não resulta, a contrario sensu, o dever de o Fisco, quando possível, realizar o cálculo pelos três métodos para, só então, empregar aquele mais favorável ao contribuinte. 3.2) Da Definitividade do Método Empregado de Ofício pela Fiscalização No caso sob exame a autoridade fiscal afastou a aplicação do método CPL, eleito pela contribuinte, por entender que esta não logrou êxito em comprovar, mediante documentação hábil e idônea, os respectivos preços de transferência apresentados em sua memória de cálculo para os 35 produtos, conforme referido no item anterior. O lançamento foi, assim, realizado mediante a aplicação, de ofício, dos métodos PIC e PRL, uma vez que em relação a estes a fiscalização possuía os elementos necessários ao cálculo dos preços de transferência. Todavia, junto à sua impugnação a interessada apresentou diversos documentos que, a seu juízo, atenderiam às exigências feitas pela autoridade durante a fase de fiscalização. Pediu, então, que o julgamento da lide fosse realizado tomandose por base o método CPL, por ela originalmente adotado. Tornase então necessário questionar, em primeiro lugar, se a autoridade lançadora tem o poder de substituir, de ofício, o método de cálculo dos preços de transferência eleito pela contribuinte e, em caso positivo, sob que condições tal medida poderá ser adotada. E em segundo lugar é igualmente importante questionar se o método originalmente eleito pelo sujeito passivo poderá, ou não, ser restabelecido na fase de julgamento acaso este venha a suprir os erros e omissões que levaram a autoridade a adotar, de ofício, o método distinto. Pois bem, quanto ao primeiro ponto, a meu ver não há dúvida de que o Fisco, sob determinadas condições, poderá desconsiderar o método de cálculo dos preços de transferência originalmente eleito pela contribuinte, substituindoo por outro. Tal competência encontra previsão expressa no art. 40 da Instrução Normativa nº 243/2002, in verbis: Art. 40. A empresa submetida a procedimentos de fiscalização deverá fornecer aos AuditoresFiscais da Receita Federal (AFRF), encarregados da verificação: I a indicação do método por ela adotado; II a documentação por ela utilizada como suporte para determinação do preço praticado e as respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro e, inclusive, para as dispensas de comprovação, de que tratam os arts. 35 e 36. Parágrafo único. Não sendo indicado o método, nem apresentados os documentos a que se refere o inciso II, ou, se apresentados, forem insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço, os AFRF encarregados da verificação poderão determinálo com base em outros documentos de que dispuserem, aplicando um dos métodos referidos nesta Instrução Normativa. (Grifamos) Fl. 53340DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 44 43 Veja que a norma acima transcrita não só autoriza o auditor a substituir, de ofício, o método eleito pela contribuinte, como também estabelece as condições para que tal medida possa ser adotada. Resta então examinarmos o segundo ponto, qual seja, verificar se o método de cálculo dos preços de transferência adotado originalmente pela pessoa jurídica poderá, ou não, na fase de julgamento, ser restabelecido pela autoridade julgadora em substituição ao empregado de ofício pela autoridade fiscal. Entendo que não. Como visto anteriormente, cabe ao contribuinte exercer, até o momento de apuração do IRPJ, a faculdade de escolha do método de cálculo dos preços de transferência. A informação ao fisco acerca do método escolhido para cada produto se dará na DIPJ ou, em havendo mais do que quarenta e nove espécies distintas produtos submetidas ao cálculo dos preços de transferência, tal informação será prestada pelo sujeito passivo após o início da ação fiscal, em resposta à intimação a ele dirigida. Iniciado o procedimento fiscal, caberá à autoridade verificar a integridade dos cálculos dos preços de transferência realizados pelo contribuinte, segundo o método por este escolhido. Referida verificação é realizada mediante apresentação dos documentos que alicerçaram o cálculo dos preços de transferência, segundo o método escolhido pelo contribuinte. No procedimento fiscal poderá acontecer de o contribuinte, apesar de intimado para tanto, deixar de apresentar parte dos documentos exigidos pela autoridade. Nesta hipótese, de acordo com o disposto na norma acima transcrita, caberá ao auditor: a) decidir se a falta de apresentação desses documentos importará, ou não, em lançamento de ofício; b) em caso positivo, decidir se é possível a realização do lançamento de ofício com base no método de cálculo dos preços de transferência eleito pelo sujeito passivo, e; c) promover o lançamento de ofício com base em outro método, de acordo com as informações de que dispuser, caso não seja possível a manutenção do método eleito pelo sujeito passivo. Assim, se a legislação autoriza a adoção da “medida extrema”, consistente na apuração do IRPJ e CSLL mediante o cálculo dos preços de transferência realizado com base em método distinto daquele eleito pelo sujeito passivo, entendo que tal “medida extrema” é definitiva. Em outras palavras, ainda que os documentos faltantes sejam apresentados na fase litigiosa do procedimento, não poderão ser eles admitidos com vistas ao restabelecimento do método eleito originalmente pelo sujeito passivo. Não é nova a questão da irreversibilidade de método de apuração do IRPJ e CSLL empregado pela fiscalização, em substituição àquele eleito pelo sujeito passivo. Realmente, em caso de lançamento de ofício realizado segundo as regras do lucro arbitrado, a apresentação, na fase litigiosa do procedimento, dos documentos cuja falta ensejaram a adoção da “medida extrema”, não tem o condão de restabelecer a forma de apuração do tributo eleita pelo sujeito passivo (lucro real ou presumido). Fl. 53341DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 45 44 Pelas mesmas razões, entendo que também não é possível retomar, na fase litigiosa do procedimento, o método de cálculo dos preços de transferência originalmente eleito pela contribuinte, no caso o CPL, ainda que esta houvesse carreado aos autos todos os elementos cuja falta de apresentação na fase de fiscalização levou a autoridade a adotar método alternativo (PIC e PRL). Dito isso, não há como acolher o pedido da recorrente no sentido de que o presente julgamento tenha como objeto o cálculo por ela realizado com base no método CPL. É de se verificar, entretanto, tal como se faz nos casos de arbitramento do lucro, se no caso dos presentes autos estavam, ou não, presentes as condições que levaram ao auditor adotar a medida extrema (substituir o método CPL, eleito pela contribuinte, pelos métodos PRL e PIC). 3.3) Das Razões da Desqualificação do CPL pelos Métodos PIC e PRL Como visto no item 3, a contribuinte informou à fiscalização, em resposta a intimação a ela dirigida, haver empregado o método CPL em relação a 95 produtos. Todavia o auditor, sob as alegações apontadas no TVF (falta de apresentação de documentos, falta de apresentação de planilha de custos etc.): (i) desconsiderou o método CPL e empregou de ofício o método PRL para 33 daqueles produtos, e; (ii) desconsiderou o CPL e empregou de ofício o método PIC para 2 daqueles produtos. Em sua defesa oral a recorrente afirmou que poderia comprovar haver apresentado à fiscalização todos os documentos necessários à comprovação do custo dos 35 produtos em questão. A Turma, então, resolveu retirar o processo de pauta a fim de que a interessada providenciasse tal comprovação, bem como para que, em seguida, a PGFN se manifestasse sobre os documentos que seriam juntados pela defesa. Em 29 de agosto de 2014 foi protocolizado o documento apresentado pela contribuinte e, em 23 de setembro, as contrarrazões da PGFN. Os autos, então, retornaram à apreciação da Turma. Pois bem, pelo exame do arrazoado acostado aos autos pela recorrente é possível constatar que a defesa não logrou êxito em demonstrar que os documentos que levaram o auditor a não aceitar o método CPL para os 35 produtos foram a ele apresentados durante a fiscalização. De fato, embora afirme que tais documentos foram apresentados à fiscalização, a recorrente alude aos elementos juntados em anexo à impugnação. Vejamos a título exemplificativo, um trecho do arrazoado da recorrente: III DA EFETIVA DEMONSTRAÇÃO DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO III.1. Nota preliminar Antes mesmo que se proceda à demonstração que será realizada adiante, é importante reiterar que todos os produtos, para os quais a Recorrente apontou cálculos alternativos com base no método CPL, tiveram o seu respectivo custo devidamente Fl. 53342DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 46 45 detalhado em planilha de abertura de custos específica que vem sendo apresentada desde o procedimento de fiscalização (Doc. 13 da Impugnação), conforme mencionado no tópico anterior. A despeito de todos os esforços empreendidos pela Recorrente, os cálculos por ela elaborados foram, até o presente momento, sistematicamente ignorados. Ao que parece, não obstante os esforços de boafé da Recorrente em facilitar a análise pelas Autoridades Julgadoras, o pendrive juntado aos autos não chegou a ser verificado. Para evitar que a planilha ora tratada seja, novamente, ignorada, a Recorrente optou por juntála, na presente ocasião, em via impressa (Doc. 01). Os produtos aos quais a Recorrente se referirá, na sequência, foram todos mencionados na Impugnação administrativa apresentada (páginas 44 a 50) e no seu Recurso Voluntário (páginas 71 a 79) de modo que, ratificando o que já foi dito acima, não há argumento novo, mas, tão somente, mera elucidação de fatos já tratados. (...) Ocorre que, pelo exame dos autos, é possível verificar que os documentos apresentados pela contribuinte, relativamente ao método CPL, foram todos acostados ao processo pela fiscalização. De fato, conforme se observa no documento de fl. 35350 e ss., especialmente itens 6 a 9, a contribuinte declara estar apresentando à fiscalização diversos documentos relativos ao método CPL. Por sua vez, no termo de constatação fiscal nº 8 (fl. 35308 e ss.), regularmente cientificado à fiscalizada, a autoridade tributária acusa o recebimento de tais documentos. Ademais, em anexo àquele termo, elaborou demonstrativo intitulado “Quadro Documentos Método CPL” (fl. 35323 e ss.), onde aponta os documentos faltantes, os quais deveriam ser apresentados pela contribuinte com vistas a comprovar os preços de transferência calculados segundo o método CPL. Ao final do referido termo de constatação fiscal nº 8 o auditor concede oportunidade à fiscalizada a se pronunciar sobre as observações ali contidas. A fiscalizada, entretanto, silenciou, somente vindo a se manifestar novamente sobre o método CPL na impugnação ao lançamento. Conforme explicado no item 3.2 deste voto, é definitiva a substituição ex officio do método de cálculo dos preços de transferência empregado pelo sujeito passivo. Significa dizer que, adotado método diverso pela autoridade tributária, não é possível retomar se na fase litigiosa do procedimento o método originalmente eleito pelo sujeito passivo, ainda que este venha a apresentar na impugnação ou no recurso os documentos cuja falta de apresentação na fase de fiscalização ensejaram a adoção da medida extrema. O litígio poderá ter por objeto outras questões, como por exemplo a existência ou não das condições legais para Fl. 53343DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 47 46 adoção da medida extrema, mas não será possível retomarse o método eleito originalmente pelo sujeito passivo. No caso sob exame, a recorrente não logrou êxito em comprovar, sequer por meio do arrazoado juntado em agosto de 2014, que os documentos faltantes apontados no termo de verificação fiscal e no termo de constatação nº 8 já haviam sido apresentados ao longo da fiscalização. Isso posto, devese manter a desqualificação do método CPL e o emprego de ofício dos métodos PRL e PIC, procedida pela fiscalização relativamente aos 35 produtos listados no TVF. 4) Dos Ajustes Efetuados na DIPJ A contribuinte ofereceu à tributação do IRPJ e da CSLL em sua DIPJ referente ao ano de 2005 R$ 1.954.497,04 a título de ajuste relativo a preços de transferência na importação. Entre os primeiros 49 produtos presentes na ficha 32 da DIPJ, apenas quatro contêm informação de ajuste. Há também ajuste para os produtos informados englobadamente na linha 50 da ficha 32. Em resumo, são as seguintes as informações sobre ajustes de preços de transferência prestadas na DIPJ: NCM Descrição Método Total Ajuste 84099913 INJETOR COMMON RAIL PRL 60 3.187.235,65 149.237,92 84133020 BOMBA DE ALTA PRESSÃO PRL 60 1.929.404,10 483.456,54 84099913 CONJUNTO PORTA INJETOR PRL 60 1.105.399,36 452.804,22 84099990 RAIL (TURBO DISTRIBUIDOR) PRL 60 1.001.235,88 290.702,79 Não Especificados (Linha 50) 220.451.805,45 578.295,57 TOTAL 1.954.497,04 Iniciada a ação fiscal, a contribuinte apresentou novos demonstrativos de preços de transferência e informou que, em razão da descontinuação do software anterior, não mais conseguiria promover a vinculação entre esses demonstrativos e a DIPJ. Ao final da auditoria fiscal, a autoridade apurou um ajuste no montante de R$ 20.851.437,64 para os produtos presentes nos demonstrativos de preços de transferência apresentados pela contribuinte. Afirma o auditor que, de acordo com a legislação de preços de transferência, o cálculo do ajuste deve ser realizado produto a produto, razão pela qual somente poderia compensar os ajustes informados na DIPJ com aqueles levantados na auditoria acaso fosse possível identificar o produto tanto na DIPJ quanto nos demonstrativos apresentados durante a fiscalização. Em assim sendo, promoveu a seguinte compensação: Código Descrição Ajuste RFB Ajuste DIPJ Compensado 0445120002 INJETOR COMMON RAIL 0,00 149.237,92 0,00 0445020002 BOMBA DE ALTA PRESSÃO 354.491,21 483.456,54 354.491,21 0432117002 CONJUNTO PORTA INJETOR 180.330,82 452.804,22 180.330,82 0445224009 TURBO DISTRIBUIDOR 263.187,87 290.702,79 263.187,87 Não Especificados (Linha 50) 0,00 578.295,57 0,00 Total 798.009,90 1.954.497,04 798.009,91 Fl. 53344DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 48 47 Realizada a compensação, o ajuste levado aos autos de infração do IRPJ e da CSLL totalizou R$ 20.053.427,73. Alega a recorrente que o valor compensado deveria ser o total informado na DIPJ, ou seja, R$ 1.954.497,04, e não apenas R$ 798.009,91. A meu ver assiste razão à recorrente. De fato, uma vez que a autoridade fiscal apurou, para os produtos referidos na tabela acima, ajustes de preço de transferência inferiores àqueles informado pela contribuinte na DIPJ, deveria promover a compensação integral com os ajustes preços de transferência verificados na ação fiscal. Nesse sentido, dos ajustes de preços de transferência apurados na auditoria, no total R$ 20.851.437,64, devese excluir o montante de R$ 1.954.497,04, informado na DIPJ. 5) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir o montante das infrações apuradas (bases de cálculo do IRPJ e CSLL) de R$ 20.053.427,73 para R$ 18.896.940,60. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 53345DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 49 48 Anexo 1 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Representação Matemática da Interpretação Defendida pela Contribuinte (1A) PParamImpB = PLVenBP – ML, onde: PParamImpB é o preço parâmetro, definido como sendo o preço que seria praticado na importação do bem B, se a importadora no Brasil e a exportadora no exterior fossem pessoas não vinculadas. PLVenBP é o preço líquido de venda do bem BP produzido pela pessoa jurídica no Brasil, e em cujo processo produtivo foi empregado o bem B, importado de pessoa vinculada no exterior. A venda de BP é realizada a pessoas não vinculadas. Ademais, PLVenBP é igual ao preço bruto de venda de BP deduzidos os descontos incondicionais concedidos, os impostos e contribuições incidentes sobre a vends, as comissões e corretagens pagas. ML é a margem de lucro do empresário com a venda do bem BP. (2A) ML = 60%*(PLVenBP VA), onde: VA é o “valor agregado no País” Substituindose ML contido na equação (1A) por ML conforme descrito na equação (2A) temse o seguinte: PParamImpB = PLVenBP – 60%*(PLVenBP VA) PParamImpB = PLVenBP – 60%*PLVenBP + 60%*VA (3A) PParamImpB = 40%*PLVenBP + 60%*VA A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real será: (4A) Adição = PPratImpB – PParamImpB, onde: Adição, quando positiva, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real. Quando negativa, não haverá adição na determinação do lucro real. PPratImpB é o preço de aquisição do bem importado B, acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes na importação. Por fim, substituindose PParamImpB contido na equação (3A) por PParamImpB conforme descrito na equação (4A), temse: Adição = PPratImpB – (40%*PLVenBP + 60%*VA) (5A) Adição = PPratImpB – 40%*PLVenBP 60%*VA Fl. 53346DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 50 49 Anexo 2 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Representação Matemática da Interpretação Correta (1B) PParamImpB = PLVenBP – ML VA PParamImpB é o preço parâmetro, definido como sendo o preço que seria praticado na importação do bem B, se a importadora no Brasil e a exportadora no exterior fossem pessoas não vinculadas. PLVenBP é o preço líquido de venda do bem BP produzido pela pessoa jurídica no Brasil, e em cujo processo produtivo foi empregado o bem B, importado de pessoa vinculada no exterior. A venda de BP é realizada a pessoas não vinculadas. Ademais, PLVenBP é igual ao preço bruto de venda de BP deduzidos os descontos incondicionais concedidos, os impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, as comissões e corretagens pagas. ML é a margem de lucro do empresário com a venda do bem BP. VA é o “valor agregado no País” (2B) ML = 60%*PLVenBP Substituindose ML contido na equação (1B) por ML conforme descrito na equação (2B) temse o seguinte: PParamImpB = PLVenBP – 60%*PLVenBP – VA (3B) PParamImpB = 40%*PLVenBP VA A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real será: (4B) Adição = PPratImpB – PParamImpB Adição, quando positiva, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real. Quando negativa, não haverá adição ou exclusão na determinação do lucro real. PPratImpB é o preço de aquisição do bem importado B, acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes na importação. Por fim, substituindose PParamImpB contido na equação (3B) por PParamImpB conforme descrito na equação (4B), temse: Adição = PPratImpB – (40%*PLVenBP – VA) (5B) Adição = PPratImpB – 40%*PLVenBP + VA Fl. 53347DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 51 50 Anexo 3 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Adição ao Lucro Real Representação Matemática Interpretação da Contribuinte vs. Interpretação Correta O objetivo do presente anexo é demonstrar matematicamente que o PRL60 previsto no art. 18 da Lei nº 9.430/96, segundo a interpretação defendida pela contribuinte (anexo 1), resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da correta interpretação da mesma norma. Para tanto, partiremos das equações (5A) e (5B) presentes nos anexos 1 e 2, respectivamente. O símbolo <>, abaixo empregado, representa a relação entre a equação (5A), no lado esquerdo, e a equação (5B), no lado direito. (5A) <> (5B) (5A) Adição = PPratImpB – 40%*PLVenBP 60%*VA (5B) Adição = PPratImpB – 40%*PLVenBP + VA PPratImpB – 40%*PLVenBP 60%*VA <> PPratImpB – 40%*PLVenBP + VA Ora, como a parcela (PPratImpB – 40%*PLVenB) é igual em ambos os lados da relação, fica claro que, para todos os valores positivos de VA (e seria absurdo admitirse valor agregado negativo), a adição em (5A) será sempre inferior à adição em (5B). Ademais, a adição em (5A) será igual à adição em (5B) em apenas duas hipóteses. A primeira quando tanto (5A) como (5B) resultarem em valores negativos, caso em que a adição será igual a zero, conforme art. 18, § 5º, da Lei nº 9.430/96. A segunda quando VA for igual a zero, caso em que tanto (5A) como (5B) resultarão em adição de (PPratImpB – 40%*PLVenB), desde que esse valor não seja negativo, caso em que nem (5A) nem (5B) resultarão em adição. Comprovado, então, que o PRL60 segundo a interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96 defendida pela contribuinte (5A), resultará em adições sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da interpretação do Fisco sobre mesma norma (5B). No anexo 4, a seguir, é apresentado um exemplo numérico para ilustrar as diferenças de adição aqui demonstradas. Fl. 53348DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 52 51 Anexo 4 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Adição ao Lucro Real Tabela Exemplificativa Interpretação da Contribuinte vs. Interpretação do Fisco O presente anexo tem como objetivo ilustrar, por meio de um exemplo numérico, as diferenças de adição ao lucro real entre a interpretação da contribuinte acerca do art. 18 da Lei nº 9.430/96, e a interpretação do Fisco sobre a mesma norma. Foram simulados cinco cenários (A, B, C, D e E) de operações de venda do bem BP, produzido no país, a pessoa não vinculada, e em cujo processo produtivo foi empregado: (i) o bem importado B, adquirido junto a pessoa vinculada no exterior, e; (ii) outros bens e serviços adquiridos no país junto a pessoas não vinculadas – valor agregado. Como o bem produzido BP é o mesmo, e a venda é feita a pessoa não vinculada, seu preço foi mantido constante em todos os cenários (PLVenBP = R$ 1.000,00). O mesmo se diga em relação ao valor agregado no país (VA = R$ 50,00). A única variável é o preço praticado na aquisição do bem B, importado junto à pessoa vinculada no exterior (PPratImpB). Isso porque, apesar de ser o mesmo bem B, seu preço pode ser livremente ajustado pelas pessoas vinculadas, independentemente de seu real valor econômico. A margem de lucro (ML), o preço parâmetro na importação do bem B (PParamImpB) e a adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real (Adição), decorrem das fórmulas presentes nos anexos 1 e 2, aplicadas aos valores acima referidos. Recordese também que Adição será igual a zero quando PPratImpB for menor do que PParamImpB, já que a lei proíbe adições negativas. Por fim, registrese que nos cenários D e E a soma do preço praticado na importação do bem B e do valor agregado no país se aproxima ou supera o preço líquido de venda do bem produzido BP. São cenários impensáveis em situações de mercado, mas possíveis quando a intenção da empresa no Brasil é transferir lucro à sua vinculada no exterior. Lei 9.430/96 – Interp. do Contrib. – Anexo 1 A B C D E PPratImpB 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLVenBP 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%*(PLVenBP VA) 570,00 570,00 570,00 570,00 570,00 PParamImpB = PLVenBP ML 430,00 430,00 430,00 430,00 430,00 Adição = PPratImpB PParamImpB 0,00 0,00 170,00 470,00 770,00 Lei 9.430/96 – Interp. Correta – Anexo 2 A B C D E PPratImpB 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLVenBP 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%*PLVenBP 600,00 600,00 600,00 600,00 600,00 PParamImpB = PLVenBP ML VA 350,00 350,00 350,00 350,00 350,00 Adição = PPratImpB PParamImpB 0,00 0,00 250,00 550,00 850,00 Fl. 53349DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 53 52 Anexo 5 Representação Matemática do PRL60 – IN SRF 243/2002 (1C) PParamImpB = PartB®BP – ML, conforme art. 12, § 10, V, da IN SRF 243/2002. (2C) ML = 60%*PartB®BP, conforme art. 12, § 10, IV, da IN SRF 243/2002. Substituindose ML contido na equação (1C) por ML conforme descrito na equação (2C), temse: PParamImpB = PartB®BP 60%*PartB®BP (3C) PParamImpB = 40%*PartB®BP, onde: PartB®BP é a participação do bem importado B no preço de venda do bem produzido BP, conforme art. 12, § 10, III, da IN SRF 243/2002, ou seja: (4C) PartB®BP = %PartB>BP*PLVenBP, onde: %PartB>BP é o percentual de participação do custo do bem importado B no custo do bem produzido BP, conforme art. 12, § 10, II, da IN SRF 243/2002, ou seja: (5C) %PartB>BP = PPratImpB/(PPratImpB + VA) Substituindo (5C) e (4C) em (3C), teremos: (6C) PParamImpB = 40%*PLVenBP*PPratImpB/(PPratImpB + VA) A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real será: Adição = PPratImpB – PParamImpB, onde: Adição, quando positivo, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real. Quando negativo, não haverá adição na determinação do lucro real. (7C) Adição = PPratImpB – 40%*PLVenBP*PPratImpB/(PPratImpB + VA) Fl. 53350DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 54 53 Anexo 6 PRL60 Adição ao Lucro Real Representação Matemática – IN SRF 243/2002 vs. Art. 18 da Lei nº 9.430/96 O objetivo do presente anexo é demonstrar matematicamente que o PRL60 previsto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da correta interpretação do 18 da Lei nº 9.430/96. Para tanto, partiremos das equações (5B) e (7C) presentes nos anexos 2 e 5, respectivamente. O símbolo <>, abaixo empregado, representa a relação entre a equação (5B), no lado esquerdo, e a equação (7C), no lado direito. (5B) <> (7C) (5B) Adição = PPratImpB – 40%*PLVenBP + VA (7C) Adição = PPratImpB – 40%*PLVenBP*PPratImpB/(PPratImpB + VA) PPratImpB – 40%*PLVenBP + VA <> PPratImpB – 40%*PLVenBP*PPratImpB/(PPratImpB + VA) O exame da relação acima requer um pouco mais de atenção. Repare que na equação (5B), se multiplicarmos o termo (40%*PLVenBP) por 1 não a alteraremos em nada (40%*PLVenBP = 40%*PLVenBP*1). Veja também que na equação (7C) o mesmo termo (40%*PLVenBP) está multiplicado pelo termo (PPratImpB/(PPratImpB + VA)). É fácil ver que o termo (PPratImpB/(PPratImpB + VA)) será sempre um número maior que zero e menor ou igual a 1. Assim, para todos os valores positivos de VA (e seria absurdo admitir valor agregado no país negativo), a adição em (7C) será sempre inferior à adição em (5B). Ademais, a adição em (7C) será igual à adição em (5B) em apenas duas hipóteses. A primeira quando tanto (7C) como (5B) resultarem em valores negativos, caso em que a adição será igual a zero, conforme art. 18, § 5º, da Lei nº 9.430/96. A segunda quando VA for igual a zero, caso em que tanto (7C) como (5B) resultarão em adição de (PPratImpB – 40%*PLVenB), desde que esse valor não seja negativo, caso em que não haverá adição nem em (7C) nem em (5B). Comprovado, então, que o PRL60 segundo a IN SRF243/2002 (7C) resultará em adições sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da aplicação correta da Lei nº 9.430/96 (5B). No anexo 7, a seguir, é apresentado um exemplo numérico para ilustrar as diferenças de adição aqui demonstradas. Fl. 53351DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 55 54 Anexo 7 PRL60 Adição ao Lucro Real Tabela Exemplificativa IN SRF 243/2002 vs. Art. 18 da Lei nº 9.430/96 O presente anexo tem como objetivo ilustrar, por meio de um exemplo numérico, as diferenças de adição ao lucro real entre a aplicação do PRL60 segundo a IN SRF 243/2002, e a aplicação do mesmo método segundo a correta interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96. Foram simulados cinco cenários (A, B, C, D e E) de operações de venda do bem BP, produzido no país, a pessoa não vinculada, e em cujo processo produtivo foi empregado: (i) o bem importado B, adquirido junto a pessoa vinculada no exterior, e; (ii) outros bens e serviços adquiridos no país junto a pessoas não vinculadas – valor agregado. Como o bem produzido BP é o mesmo, e a venda é feita a pessoa não vinculada, seu preço foi mantido constante em todos os cenários (PLVenBP = R$ 1.000,00). O mesmo se diga em relação ao valor agregado no país (VA = R$ 50,00). A única variável é o preço praticado na aquisição do bem B, importado junto à pessoa vinculada no exterior (PPratImpB). Isso porque, apesar de ser o mesmo bem B, seu preço pode ser livremente ajustado pelas pessoas vinculadas, independentemente de seu real valor econômico. A margem de lucro (ML), o preço parâmetro na importação do bem B (PParamImpB) e a adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real (Adição), decorrem das fórmulas presentes nos anexos 2 e 5, aplicadas aos valores acima referidos. Recordese também que Adição será igual a zero quando PPratImpB for menor do que PParamImpB, já que a lei proíbe adições negativas. Por fim, registrese que nos cenários D e E a soma do preço praticado na importação do bem B e do valor agregado no país se aproxima ou supera o preço líquido de venda do bem produzido BP. São cenários impensáveis em situações de mercado, mas possíveis quando a intenção da empresa no Brasil é transferir lucro à sua vinculada no exterior. IN SRF 243/2002 – Anexo 5 A B C D E PPratImpB 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 %PartB>BP = PPratImpB/(PPratImpB + VA) 66,67% 85,71% 92,31% 94,74% 96,00% PLVenBP 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 PartB>BP = %PartB>BP*PLVenBP 666,67 857,14 923,08 947,37 960,00 ML = 60%*PartB>BP 400,00 514,29 553,85 568,42 576,00 PParamImpB = PartB>BP ML 266,67 342,86 369,23 378,95 384,00 Adição = PPratImpB PParamImpB 0,00 0,00 230,77 521,05 816,00 Lei 9.430/96 – Interp. Correta – Anexo 2 A B C D E PPratImpB 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLVenBP 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%*PLVenBP 600,00 600,00 600,00 600,00 600,00 PParamImpB = PLVenBP ML VA 350,00 350,00 350,00 350,00 350,00 Adição = PPratImpB PParamImpB 0,00 0,00 250,00 550,00 850,00 Fl. 53352DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.720600/201059 Acórdão n.º 1201001.161 S1C2T1 Fl. 56 55 Fl. 53353DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10680.922644/2012-44
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jul 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado.
Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3802-004.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário pra NEGAR-LHE o provimento.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi (Relator).
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário pra NEGAR-LHE o provimento. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi (Relator).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário pra NEGARLHE o provimento. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 26 44 /2 01 2- 44 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 21/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi (Relator). Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 40), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra Acórdão lavrado pela 2ª Turma da DRJ de Belo Horizonte, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem resumir a controvérsia até a respectiva fase processual, tomo emprestado a descrição fática lançada no acórdão da instância a quo acima referido: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 40910614 emitido eletronicamente em 05/12/12, referente ao PER/DCOMP nº 02032.08779.030112.1.7.049557. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a PIS/PASEP– Código de Receita 6912, no valor original na data de transmissão de R$ 1.507,30, representado por Darf recolhido em 20/12/07 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Fl. 42DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 21/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10680.922644/201244 Acórdão n.º 3802004.272 S3TE02 Fl. 42 3 Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que o que ocorreu foram problemas com as Dacon, DCTF e DIPJ a que se vinculam as compensações glosadas. Que os documentos foram entregues com erro e alguns deixaram de ser entregues na época própria tendo sido necessária a apresentação das declarações faltantes e retificadoras. Afirma que juntamente com a manifestação de inconformidade juntou todos os documentos possíveis e que poderia apresentar todos os que a autoridade julgar necessários. Invoca o princípio da verdade material, a ampla defesa, o devido processo legal, a segurança jurídica e a oficialidade, discorrendo sobre eles. Que caberia ao julgador diligenciar para descobrir a verdade material. Que direito aos créditos de PIS e COFINS nascem de vendas tributadas à alíquota zero. Cita leis. Afirma que referidos créditos são comprovados pelos documentos pertinentes (demonstrativos de crédito, notas fiscais de aquisição e outros). Diante disso, pede que sejam realizadas diligências e perícias que a autoridade julgar necessárias e que seja reformado o despacho decisório com a homologação das compensações pleiteadas. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar a Manifestação de Inconformidade, a 2ª Turma da DRJ/BHE entendeu pela improcedência do pleito do sujeito passivo, mantendo a glosa do crédito requerido e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgador de 1ª instância entendeu que, diante da divergência entre os valores de débito constantes na DCTF e no Dacon (formadores do direito creditório), o pleito careceu de materialidade do crédito, mormente ante a ausência de prova nos autos. Afirma a decisão recorrida que: Nesse ponto, cumpre assinalar que as contradições foram evidenciadas entre informações prestadas pelo próprio contribuinte (DCTF original, Dacon e Dacon retificadora), motivo pelo qual o manifestante deveria cuidar de provar efetivamente qual valor (informação) corresponde à realidade dos fatos, a fim de conferir a necessária certeza ao crédito pretendido, não cabendo à autoridade julgadora mandar sanar a insuficiência de prova por meio de realização diligência. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 21/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Em seu Recurso Voluntário, que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, sob o argumento de que, ao contrário do indicado na decisão recorrida, o direito creditório existe, e para tanto acosta diversos documentos aos autos, eminentemente notas fiscais de aquisições e de saídas. Com base nos argumentos apresentados, a Recorrente pede a procedência do Recurso Voluntário para que seja reformada a decisão de 1ª instância e, consequentemente, homologadas as compensações efetuadas. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 40), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. O presente recurso é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. Tratase de processo de revisão de compensação, em que o contribuinte embasa seu pleito na alegação de que teria, equivocadamente, apurado erroneamente o PIS e a COFINS, mas afirma que o direito de crédito decorre de vendas efetuadas com alíquota zero nos termos do art. 17 da lei 11.033/2004, “bem assim das diversas rubricas previstas no art. 3o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 que permitem o direito ao crédito das contribuições”. Ocorre que, nada obstante o Recorrente afirmar no Recurso Voluntário que acosta diversas notas fiscais comprobatórias do seu direito de crédito, estas não constam dos autos. Ora, no rito do processo de análise de pedidos de compensação ou ressarcimento, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. No caso em tela, o Recorrente não me parece ter demonstrado, de modo cabal, a verdade material que lhe assiste. Vale repisar, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de ressarcimento o contribuinte deve demonstrar cabalmente as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Destarte, oriento meu voto no sentido de que seja mantida a decisão de primeira instância, pois ausente demonstração cabal da origem dos créditos de PIS e da COFINS a serem compensados. Conclusão Fl. 44DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 21/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10680.922644/201244 Acórdão n.º 3802004.272 S3TE02 Fl. 43 5 Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 21/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 13005.000613/2007-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
CRÉDITO DA COFINS NÃO-CUMULATIVA VINCULADO À EXPORTAÇÃO. SALDO REMANESCENTE. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. VEDAÇÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal (art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003), é vedada a atualização monetária ou incidência de juros, calculado com base na taxa Selic, dos valores originários do saldo remanescente do crédito da Cofins não-cumulativa, vinculado à operação de exportação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.863
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes, Relator, e Nanci Gama, que acompanhava o Relator pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Luciano Pontes de Maya Gomes
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Recorrente DOUX FRANGOSUL S/A AGRO AVÍCOLA INDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO DA COFINS NÃOCUMULATIVA VINCULADO À EXPORTAÇÃO. SALDO REMANESCENTE. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. VEDAÇÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003), é vedada a atualização monetária ou incidência de juros, calculado com base na taxa Selic, dos valores originários do saldo remanescente do crédito da Cofins nãocumulativa, vinculado à operação de exportação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes, Relator, e Nanci Gama, que acompanhava o Relator pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Luciano Pontes de Maya Gomes Relator (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento – Redator Designado. Fl. 301DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 EDITADO EM: 12/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte epigrafado contra o Acórdão n.º 18 10.937, da 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Santa Maria/RS. Antes que nos debrucemos sobre as razões recursais, é conveniente que previamente revisitemos os atos e fases processuais já vencidas, pelo que passamos a reproduzir o relato empreendido pela DRJ por este assim retratálas com fidelidade: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/PASEP Exportação (formulário instituído pela IN SRF n° 563, de 2005) relativo ao período de apuração de 01/04/2003 a 30/06/2003, totalizando o valor de R$ 914.713,09, conforme documento de fl. 01. Ao pedido de ressarcimento a contribuinte juntou extenso arrazoado (02/15) onde informa ter requerido ressarcimento de créditos em espécie, sendo atendida. No entanto, o montante solicitado lhe foi creditado pelo valor original, entendendo que o mesmo seria passível de atualização monetária. À fl. 05, tratando do objeto do presente processo, diz que há o locupletamento na medida em que a União Federal deixa de aplicar a devida atualização entre a data da constituição do crédito e a sua efetiva devolução em espécie. Junto ao seu arrazoado a empresa apresentou os documentos de fls. 17/67. O Órgão de origem anexou os extratos de fls. 68/69, tendo emitido o Parecer DRF/SCS/Saort n° 016/09, de 11/02/2009 (fls. 70/77), constando, também, na fl. 78, o Despacho Decisório DRF/SCS n° 61/09, daquela data, onde o Sr. Delegado Substituto da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul (RS), considerando a solução proposta no Parecer, resolveu não reconhecer o direito creditório pleiteado pela interessada e indeferir o pedido de correção pela SELIC do valor correspondente ao ressarcimento do PIS/PASEP não cumulativo exportação alcançado no processo n° 13897.000704/200338. Determinou fosse o sujeito passivo cientificado da decisão e intimado da possibilidade de apresentação, no prazo legal, de manifestação de inconformidade contra o despacho administrativo proferido. A contribuinte foi cientificada em 18/02/2009 (AR de fl. 80) e, não conformada com o despacho proferido pela autoridade administrativa de origem, apresentou, através de procuradora, em 11/03/2009 — fls. 81/96 — sua manifestação contrária, onde aponta, em síntese, os seguintes argumentos: DOS FATOS • a empresa protocolizou pedido de ressarcimento de crédito de PIS relativo ao 2o. trimestre de 2003, o qual foi atendido em momento bem posterior ao de seu protocolo, sem a devida correção monetária, donde a empresa teve seus créditos significativamente Fl. 302DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000613/200723 Acórdão n.º 310200.863 S3C1T2 Fl. 130 3 reduzidos, em montante equivalente à diferença da correção monetária computada desde a data da constituição até sua liberação; • os valores em questão não são créditos escriturais, mas sim créditos oriundos de incentivos fiscais outorgados à Manifestante, o que lhe dá direito ao ressarcimento. E esse ressarcimento deve corresponder à integralidade do direito pleiteado; • a pessoa jurídica que efetuar exportações sujeitas à modalidade não cumulativa do PIS e da COFINS, poderá solicitar o ressarcimento de créditos de PIS nos termos das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003; • a demora no ressarcimento dos valores caracteriza um locupletamento duplo: a) em função da corrosão dos valores entre a data do pagamento do PIS pelos contribuintes das operações anteriores, valores que ficam nos cofres públicos até que seja constituído crédito do exportador, o qual se dá trimestralmente; b) aquele que é objeto do presente pedido, que ocorre na medida em que a União Federal deixa de aplicar a devida atualização entre a data da constituição do crédito e a sua efetiva devolução em espécie. • a falta de correção dos créditos de natureza tributária expressa desigualdade de tratamento entre os contribuintes e o Fisco, em desfavor dos primeiros, eis que os débitos daqueles para com a Fazenda Nacional são sempre acrescidos de correção pela taxa SELIC (a partir de 1°/01/1996); • no presente caso, apenas parte do principal já foi ressarcida, restando uma parcela decorrente da não aplicação da correção, tendo a empresa apresentado pedido complementar (correção monetária pela taxa SELIC), o qual foi indeferido pela RFB; • as razões trazidas pela autoridade administrativa no Despacho ora atacado não merecem prosperar. Do DIREITO DA TAXA SELIC COMO ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA • a autoridade administrativa afirma que a taxa Selic de juros não pode ser utilizada como índice de atualização monetária, assim como jamais o foi pela União Federal em instante algum, somente se prestando a ser empregada enquanto aquilo que é: uma taxa de juros, sendo uma das razões para o indeferimento do pedido, mas não a única; • tal afirmação não merece prevalecer, haja vista que a partir de 01/01/1996, em virtude da regra insculpida no art. 39, § 4° da Lei n° 9.250, de 1995, a compensação ou restituição/ressarcimento de créditos do contribuinte deve ser corrigida apenas pelos juros da taxa SELIC acumulada mensalmente, calculados a partira da data do pagamento indevido ou a maior, até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% no mês em que estiver sendo efetuada, excluindose qualquer indexador, por que a SELIC tem natureza mista; Fl. 303DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 • considerandose que a Administração Pública se encontra vinculada aos preceitos normativos veiculados através de normas legais, em atenção ao princípio da legalidade (se refere à completa submissão da Administração às leis, devendo esta tão somente,obedecêlas, cumprilas, pôlas em prática), deve ela aplicar as disposições da Lei n° 9.250, de 1995, no sentido de aplicar a taxa SELIC sobre os créditos existentes em favor da empresa; • a jurisprudência do STJ é assente quanto à aplicação da taxa SELIC nos ressarcimentos de créditos existentes em favor dos contribuintes. Transcreve ementa de julgado daquela Corte, bem como de decisões do Conselho de Contribuintes, que entende sustentar a sua tese; • existindo lei que determine a utilização da SELIC como índice de correção monetária a partir de 1996, deve a Autoridade Administrativa, em respeito ao princípio da legalidade, dar o devido cumprimento às disposições legais trazidas pela Lei n° 9.250, de 1995. Do DIREITO À CORREÇÃO MONETÁRIA • a correção monetária serve tãosomente para recompor determinado valor corroído pelo tempo, sem, no entanto, representar nenhum acréscimo ao valor principal. Registra posicionamento de doutrinador e discorre acerca de compensação, restituição e ressarcimento, entendendo que o legislador, ao garantir o direito à aplicação da taxa SELIC, objetivou estabelecer um equilíbrio, devolver, indenizar, compensar o contribuinte; • ressalta que a aplicação da sistemática não represente ônus para o devedor, ou vantagem para o credor, pois não retrata acréscimo patrimonial, mas manutenção do valor monetário defasado pelo decurso do tempo; • refere a entendimento adotado pelo Poder Judiciário — se o Fisco cobra os seus créditos acrescidos de SELIC, da mesma forma deve proceder quando a situação é inversa — citando a Súmula 46 do extinto TFR e posicionamento da Corte Superior, registrando parte de Parecer da Advocacia Geral da União e do art. 66 da Lei n°8.383, de 1991; • entende que aquele artigo dispõe expressamente sobre o seu caso, dizendo que os créditos relativos ao ressarcimento de PIS nãocumulativo, decorrentes de incentivo fiscal outorgado às exportadoras, e resultantes do pagamento de PIS em produtos exportados, representam direito líquido e certo da empresa; • o ressarcimento de créditos concedidos por lei, sem a devida correção monetária, prejudica em demasia as empresas exportadoras, visto a desvalorização da moeda no período compreendido entre a data da constituição do crédito e a compensação ou o ressarcimento em espécie; • é cristalino que a não aplicação da correção monetária dos créditos ressarcidos, desde a data da sua constituição, implica desnaturação da relação previamente ajustada entre as partes; • pagamento ou ressarcimento sem correção monetária equivale, manter o desequilíbrio da prestação e provoca lesão intolerável para o credor, seja ele ente público ou privado. Registra ementas de julgados do Conselho de Contribuintes, ressaltando que nos relatórios daqueles, além da manifestação favorável à correção monetária dos créditos de IPI, percebese a menção ao art. 108 do CTN, que dispõe que na ausência de disposição expressa em lei, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária poderá valerse da analogia, ou seja, poderá usar as mesmas regras utilizadas para a restituição de impostos pagos Fl. 304DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000613/200723 Acórdão n.º 310200.863 S3C1T2 Fl. 131 5 a maior ou indevidamente. Como frisado, o art. 66 da Lei n° 8.383, de 1991, prevê a correção monetária desses valores. Registra entendimentos doutrinário e da CSRF; • entende que no caso em tela se faz necessário o uso da analogia a fim de garantir o direito de ter ressarcido em espécie os crédito de PIS nãocumulativo oriundos de incentivo fiscal, acrescidos da devida correção monetária. DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC • transcreve parte do art. 39 da Lei n° 9.250, de 1995, cita posicionamento de doutrinador e entende que cumpre à autoridade fiscal aplicar a taxa SELIC sobre os créditos ressarcidos à empresa no período compreendido entre a sua constituição e o ressarcimento, eis que aquela taxa foi o instrumento disponibilizado aos contribuintes credores da União Federal capaz de equiparar os créditos e débitos de natureza tributária, fazendo valer o princípio constitucional da isonomia; • refere à forma de ressarcimento de créditos de PIS decorrentes de incentivos legais, dizendo que não há previsão sancionatória para a demora nos ressarcimentos, levando à conduta protelatória por parte da SRF, em manifesto prejuízo dos contribuintes; • a empresa merece ter seus créditos restituídos de forma real, se fazendo necessária a incidência da taxa SELIC desde a respectiva constituição até o ressarcimento; • a taxa SELIC configura remuneração de valores por força do decurso do tempo, na forma com que instituída, ou seja, outra natureza não se pode atribuir àquela taxa senão a que manifesta conotação de correção monetária, a partir de 1°/01/1996. Registra julgados do Conselho de Contribuintes e do Poder Judiciário; • a empresa pugna pela reforma in totum da decisão combatida, ressaltando que a aplicação de dois pesos e de duas medias provoca insegurança no contribuinte, já que todo e qualquer débito (independente da denominação do mesmo) é exigido pela Fazenda Pública com correção monetária, pela taxa SELIC, dos valores já ressarcidos. DO PEDIDO • requer seja julgada procedente a manifestação de inconformidade, reconhecendose o direito ao ressarcimento integral dos valores relativos ao presente processo administrativo, referentes à SELIC, por todos os motivos expostos e comprovados anteriormente; • pede e espera deferimento. Junto à manifestação de inconformidade a contribuinte apresentou o documento de fl. 97. O Órgão de origem remeteu o processo a esta DRJ (fl. 98). Ao enfrentar o tema, a 2ª. Turma da DRJ de Santa Maria/RS entendeu por manter o despacho decisório, rechaçando os argumentos trazidos pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade, pelas razões bem retratadas na ementa do julgado abaixo reproduzida: Fl. 305DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, não incide correção monetária e juros sobre os créditos de PIS objeto de ressarcimento. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos Órgãos colegiados, bem como as proferidas pelo Poder Judiciário, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Solicitação Indeferida Finalmente no Recurso Voluntário, que ora é objeto de exame, a empresa epigrafada se indispõe contra o acórdão a quo, pugnando pela sua reforma para que seja admitida a correção monetária, pela Selic, do pedido de ressarcimento em espécie do crédito da contribuição ao PIS. Como motivação, basicamente reitera a Recorrente seus argumentos já trazidos por ocasião da sua manifestação de inconformidade. Os autos então seguiram ao CARF para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. É o que interessa ao julgamento. Voto Vencido Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes, Relator Presentes os requisitos formais de admissibilidade recursal, passo ao respectivo exame. Consoante bem observou a instância de julgamento a quo, observase que a lide renovada em sede de recurso voluntário, assim como o foi quando da apresentação da manifestação de inconformidade, restringese exclusivamente à questão da atualização monetária, pela taxa Selic, dos créditos objeto de pedidos de ressarcimento acatados pela unidade de origem em seu valor principal histórico. No que tange ao pleito da correção monetária sobre os créditos em questão, informados no pedido de ressarcimento apresentado pela Recorrente, divergimos das conclusões exaradas pela Instância a quo, muito embora reconheçamos não se tratar o caso de pleito de repetição de indébito, para a qual existe expressa previsão legal para a atualização com base na SELIC (art. 66, §3º, da Lei n. 8.383/91), mas de pedido de ressarcimento de créditos presumidos de IPI. Conforme muito bem pontuou a Conselheira Sílvia de Brito Oliveira em voto vencedor sobre o assunto (Acórdão n. 20311.501), as posições contrárias à atualização Fl. 306DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000613/200723 Acórdão n.º 310200.863 S3C1T2 Fl. 132 7 monetária nos ressarcimentos de créditos de IPI subdividemse entre aqueles que se opõem a qualquer espécie de correção por ausência de disposição legal, e, uma segunda linha, que admitem a correção até 31.12.1995, por analogia ao disposto no art. 66, §3º, da Lei n. 8.383, de 30.12.1991. Segundo esta segunda linha de pensamento, tendo sido introduzida a taxa SELIC pelo §4º, do art. 39, da Lei n. 9.250, de 26.12.1995 (cuja entrada em vigor se deu em 1º de janeiro de 1996), como índice a ser aplicado aos pedidos de compensações ou restituições, a analogia não poderia mais ser invocada por não representar referido índice mera recomposição do poder aquisitivo da moeda (inflação), já que atingiria fatores bastante superiores à inflação. Deixo de cogitar qualquer espécie de filiação a primeira corrente, pois não admitir a correção monetária sobre os créditos de IPI, de qualquer espécie, ainda que em sede de pedido de ressarcimento, atentaria contra o direito à propriedade, constitucionalmente assegurado, resultando, ainda, em enriquecimento sem causa do erário federal. E não se trata aqui em transbordo da competência desta instância administrativa, pois inexiste norma positivada que vede a incidência da correção monetária em tais situações. Existe, sim, uma lacuna no Ordenamento Jurídico que abre espaço à aplicação da analogia, nos termos do art. 108 do CTN em outra ocasião já citado. Diante disto, o mais razoável seria admitir a atualização monetária, vez que tão somente revelaria a preservação do direito de propriedade do contribuinte mediante a manutenção do poder aquisitivo da moeda, aplicando a analogia de que trata o dispositivo acima citado para fazer incidir os índices aplicados aos pedidos/declarações de compensação ou restituição (SELIC), que segundo expõe com propriedade a Julgadora já outrora citada, somente se diferenciam dos pedidos de ressarcimento “no aspecto temporal da incidência da mora, visto que o indébito caracterizase como tal desde o seu pagamento, podendo ser devolvido desde então. Já os créditos de IPI devem antes ser compensados com débitos desse imposto na escrita fiscal e somente se tornariam passíveis de ressarcimento em espécie quando não houver possibilidade de se proceder essa compensação, cabendo então a formalização do pedido de ressarcimento pelo contribuinte que fará as provas necessárias ao Fisco.” (Acórdão n. 20311.501). Ademais, cai por terra qualquer argumentação restritiva que se funde na superioridade da taxa SELIC em relação aos índices oficiais de atualização monetária, constituindose verdadeiros juros moratórios, quando passa a se verificar efetiva mora administrativa a partir do protocolo do pedido de ressarcimento. Por outro lado, enveredar pela não aplicação da analogia mediante a adoção da segunda linha de argumentação acima narrada, seria compactuar com a idéia de que o contribuinte estaria à mercê da boa vontade dos agentes fiscais em homologar seu pedido de ressarcimento, e que, independentemente do tempo decorrido, haveria de ser considerado o valor principal. Aliás, seguindo a linha ora defendida, está a jurisprudência do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, conforme se colhe de esclarecedora passagem do voto condutor do Min. José Delgado, relator do Recurso Especial n. 611.905 – RS: “Na hipótese vertente, com muito mais razão se aplica esse entendimento, na medida em que a não aplicação de correção monetária sobre os valores devolvidos tardiamente pela Fazenda Pública colocaria o contribuinte ao arbítrio do administrador que somente faria o ressarcimento quando bem lhe Fl. 307DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 conviesse, mantendo os valores em seu poder, só os entregando ao seu titular quando já corroídos pela inflação. Tal fato, como se vê, contraria a própria lógica, pois não pode o Estado negligenciar e ficar imune aos efeitos de sua conduta. (...) A jurisprudência desta Corte é remansosa no sentido de que as regras atinentes à repetição de indébito são extensíveis ao ressarcimento do IPI. Portanto, tanto em um caso quando no outro, cabe a aplicação de correção monetária e a compensação desses valores com débitos vencidos e vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da Secretaria da Receita Federal. (...) Como os pedidos foram formulados após 1.01.96, tendo sido realizados quase dois anos depois, não existe óbice para a aplicação da Taxa SELIC como índice de atualização monetária. Entendimento aplicável à repetição de indébito que, conforme dito, estendese à hipótese dos autos.” De uma forma ou de outra, a despeito das motivações do entendimento aqui esposado, filiome a tese da possibilidade da adoção do índice em trato nos ressarcimentos de créditos de IPI em respeito a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre a matéria, conforme indicam as ementas abaixo:Ementa: IPI. RESARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Cabe a atualização monetária dos ressarcimentos de créditos de IPI pela aplicação da taxa SELIC, em atendimento ao princípio da isonomia, da eqüidade e da repulsa ao enriquecimento sem causa. Precedentes do Colegiado. Recurso Negado. (Acórdão CSRF/0201.690)Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI). RESSARCIMENTO. TAXA SELIC – NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO – Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão CRSF/020.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto n. 2.138/97 tratado restituição o ressarcimento da mesma maneira, a referida taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento. Recurso a que se nega provimento. Afasto igualmente as motivações adotadas pelo acórdão recorrido, no sentido de vedar a correção em razão das normas jurídicas previstas nos artigos 13 e 15 da Lei n.º 10.833/03, pois dirigidos a situações específicas que não se confundem com as dos autos. Sendo assim, reconhecida como já o foi pelas instâncias inferiores a pertinência dos créditos objetos dos pedidos de ressarcimento, entendo pela aplicabilidade da correção monetária a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento perante a Autoridade Fazendária competente, com base na taxa SELIC por analogia ao §4º, do art. 39, da Lei n. 9.250/95, situação que deve ser observada no caso presente. Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do presente recurso voluntário para darlhe provimento, no sentido de reconhecer a correção monetária, pela Selic, sobre o pedido de ressarcimento dos autos, a partir da data do seu protocolo. Deve, outrossim, observar a autoridade de origem os limites do crédito histórico reconhecido ao contribuinte. (assinado digitalmente) Luciano Pontes de Maya Gomes Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Fl. 308DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000613/200723 Acórdão n.º 310200.863 S3C1T2 Fl. 133 9 Os presentes autos versam sobre pedido de ressarcimento do valor da taxa Selic incidente sobre o valor originário do saldo remanescente do crédito da Cofins não cumulativa – exportação do 2° trimestre de 2003, pleiteado pela Recorrente por meio do processo administrativo n° 13897.000704/200338. De acordo com petição de fls. 02/15, pleiteou a Interessada a atualização do valor do citado crédito, com base na variação da taxa Selic, ocorrida desde a constituição do crédito ou, alternativamente, a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento originário. Segundo as planilhas de fls. 53/54, a base de cálculo utilizada na apuração do valor solicitado foi o valor originário do saldo remanescente pleiteado pela Interessada e não o valor originário do crédito reconhecido pela Autoridade Fiscal, no âmbito do citado processo. Logo, entendo oportuno esclarecer que os aspectos atinentes à apuração do valor do crédito pleiteado não foram analisados no Despacho Decisório de fl. 78 nem no presente Acórdão recorrido. De fato, as razões que serviram de fundamento para o indeferimento do presente pedido foram de natureza exclusivamente jurídica, baseadas no argumento de que havia expressa proibição legal para o pagamento da taxa Selic sobre o valor do ressarcimento do mencionado crédito. Dessa forma, tendo em conta as razões de defesa aduzidas na peça recursal em apreço, tenho que a presente controvérsia restringese exclusivamente a questão jurídica, concernente à existência ou não de previsão de amparo jurídico para a incidência da taxa Selic sobre o valor do saldo remanescentes dos crédito da Cofins nãocumulativa – exportação do citado trimestre. Definido o cerne da presente controvérsia, peço vênia ao nobre Relator para manifestar a minha discordância em relação ao seu entendimento. Inicialmente, tenho que os presentes autos não tratam de ressarcimento de crédito presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.363, de 1996, conforme entendeu o ilustre Relator. De fato, segundo a própria Recorrente (fl. 03), o pleito em tela trata de pedido de ressarcimento do saldo remanescente do crédito escritural da Cofins nãocumulativa – exportação, formulado com fundamento no § 2º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2002, que dispõe o seguinte, in verbis: Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Assim, em consonância com o entendimento esposado na decisão recorrida, também entendo que há proibição expressa de incidência de qualquer acréscimo sobre o valor do ressarcimento do saldo remanescente do crédito em destaque, seja por meio de pagamento Fl. 309DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 em dinheiro ou de compensação, nos termos do art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, a seguir a transcrito: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (...)(grifos não originais). Cabe esclarecer que a redação do § 4º1 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, contempla a hipótese de ressarcimento do crédito em destaque. Assim, fica demonstrada a impossibilidade da incidência da taxa Selic sobre o valor originário do referido crédito, qualificando como ilegítima a pretensão da Recorrente. Ainda que assim não fosse, melhor sorte não assistiria a Recorrente, pelas razões que a seguir aduzidas. Na peça recursal em apreço, defendeu a Recorrente o direito de atualização do valor do crédito a ser ressarcido, com base na taxa Selic, calculada a partir da data constituição do crédito ou do protocolo do pedido de ressarcimento, com o argumento de que seria penalizada pelo atraso no pagamento do referido valor, assim com haveria grave ofensa aos princípios da isonomia e da vedação ao enriquecimento ilícito. Não procede tais argumentos. No que tange ao alegado prejuízo com a mora no pagamento do valor do citado crédito, entendo que ele inexiste no presente caso, pelas seguintes razões: (i) o direito creditório objeto do ressarcimento em tela é proveniente de um benefício fiscal, logo, a falta de atualização monetária ou qualquer outro acréscimo moratório não implicará qualquer prejuízo ao beneficiário, mas apenas não realização de um ganho adicional; e (ii) por força do princípio da indisponibilidade do interesse público, toda e qualquer concessão de recurso ou bem público tem que está amparado em lei, que não existe no caso vertente. Assim, tratandose de crédito de natureza escritural, decorrente de incentivo fiscal, o ressarcimento do saldo remanescente de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa – exportação, também por falta de previsão legal, não comporta quaisquer acréscimos, seja a título de correção monetária ou de juros moratórios. Esse é também o entendimento pacificado na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme ementas dos recentes julgados que seguem transcritas: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. RESISTÊNCIA DO FISCO. CABIMENTO. RECURSO REPETITIVO. ART. 543C DO CPC. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1 "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...)". Fl. 310DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000613/200723 Acórdão n.º 310200.863 S3C1T2 Fl. 134 11 1. A Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS (assentada de 24.6.2009), submetido ao rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), pacificou o entendimento de que é indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI, exceto nos casos em que a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impede a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade. 2. Hipótese em que o Tribunal de origem concluiu, com base na prova dos autos, que "não houve oposição do Fisco ao aproveitamento dos créditos presumidos de IPI, tanto que a empresa não restou obrigada a recorrer ao Judiciário para garantir o direito aos créditos". A revisão desse entendimento implica reexame de fatos e provas, obstado pelo teor da Súmula 7/STJ. 3. Agravo Regimental não provido. (STJ, AgRg no REsp 1.124.555/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 19/11/2009, DJe 07/12/2009) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITO ESCRITURAL PRESUMIDO. ART. 1º, DA LEI N. 9.363/96. CORREÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE DEMORA DO FISCO EM LIBERAR TAIS CRÉDITOS. ACÓRDÃO RECORRIDO EM DISSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. PRECEDENTES DA PRIMEIRA E SEGUNDA TURMAS. 1. Cuidase de demanda em que a empresa, ora recorrida, objetiva a correção monetária de valores ressarcidos administrativamente a título de IPI (crédito presumido de IPI), de que trata o art. 4º da Lei 9.363/96. 2. O Tribunal de origem entendeu devida a correção monetária, por meio da taxa SELIC, dos valores de crédito presumido de IPI após decorridos cento e cinquenta dias da formulação do pedido de ressarcimento. Consignou que, embora a impetrante não requeira ordem para que haja análise do pedido administrativo, a incidência de atualização dos créditos está intimamente ligada aos limites de atuação da Fazenda. 3. A jurisprudência do STJ é no sentido de que, em se tratando de créditos escriturais de IPI, só há autorização para atualização monetária de seus valores quando há demora injustificada do Fisco para liberar o pedido de ressarcimento. Tema que já foi julgado pelo regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, no REsp. nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009. 4. No entanto, não se enquadra na hipótese excepcional a simples demora na apreciação do requerimento administrativo de restituição ou compensação de valores, sobretudo quando não há prova da existência de impedimento injustificado ao aproveitamento dos créditos titularizados pelo contribuinte. Fl. 311DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 12 Precedente: REsp 985.327/SC, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 4.3.2008. 5. Recurso Especial provido. (STJ, REsp 1.115.099/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16/03/2010, DJe 26/03/2010) Com base no conteúdo das transcritas ementas, resta claro que, se não existe previsão legal para a incidência de atualização monetária ou de juros moratórios, não pode o aplicador da lei, seja ele da esfera judiciária e, muito menos ainda, da seara administrativa, suprindo e invadindo a competência do legislador, numa autêntica função de legislador positivo, autorizar ou permitir que sejam corrigidos monetariamente ou acrescidos de juros moratórios o saldo dessa modalidade de crédito. Se assim o fizesse, tanto aplicador quanto o julgador estariam afrontando os ditames legais que norteiam a competência para o exercício da função administrativa e judicante. Além disso, por força do princípio da separação dos poderes (art. 2º da CF/88), a competência para elaboração de lei está reservada ao Poder Legislativo. Na suposta ausência de lei, no meu entender, não pode o aplicador ou julgador suprir eventual ausência legislativa, com o escopo de fazer justiça no caso concreto, conforme defende alguns. Neste sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), consignada nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 16.776∕RS2, cujo excerto da ementa, concernente a matéria em debate, segue transcrita: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. CRÉDITOS ESCRITURAIS. NÃO INCIDÊNCIA DA CORREÇÃO MONETÁRIA. PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. INTELIGÊNCIA DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS E LEGAIS QUE REGULAM A NÃOCUMULATIVIDADE E AS ISENÇÕES DO IPI (ART. 153, § 3º, II, DA CF∕88 E ART. 49 DO CTN) (...) 2. A correção monetária incide sobre o crédito tributário devidamente constituído, ou quando recolhido em atraso. Diferenciase do crédito escritural, técnica de contabilização para a equação entre débitos e créditos, a fim de fazer valer o princípio da nãocumulatividade. 3. Não havendo previsão, falece ao aplicador da lei autorizar, ou mesmo aceitar, sejam os saldos de créditos relativos ao IPI corrigidos monetariamente. Se assim o fizesse, estaria a oficiar acima e além dos ditames legais que norteiam sua função pública. 4. O Supremo Tribunal Federal vem reiteradamente decidindo que a correção monetária não incide sobre os créditos escriturais. 5. Embargos de declaração acolhidos. (grifos não originais) 2 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 416.776∕RS, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJU de 16∕02∕2004, p. 205. Jurisprudência do STJ. Disponível em: <https:ww2.stj.gov.Br/revistaeletrônica> Acesso em: 10 nov. 2007. Fl. 312DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000613/200723 Acórdão n.º 310200.863 S3C1T2 Fl. 135 13 Também não me impressiona a alegação de que a não atualização dos referidos créditos implicaria grave ofensa ao princípio da isonomia. No caso, é pertinente a seguinte indagação: isonomia com o quê? Segundo a Recorrente, isonomia em relação ao pagamento dos tributos devidos à Fazenda Nacional. Não vejo como ser aferido qualquer critério isonômico entre as duas situações jurídicas em comparação, uma atinente ao pagamento do tributo devido e a outra relativa ao pagamento do crédito a que contribuinte tem direito a ressarcimento. A razão é clara, a começar pela posição que ocupa os sujeitos que integram as respectivas relações jurídicas, onde cada um deles posicionase de forma distinta e contraposta. De fato, na relação jurídica tributária, a Fazenda Nacional ocupa a posição de sujeito ativo, enquanto que o contribuinte atua como sujeito passivo. Por outro lado, na relação jurídica de ressarcimento, a posição de cada um dos referidos sujeitos se inverte. Além disso, não se deve olvidar que a previsão de cobrança de juros moratórios sobre o valor dos tributos devidos, com base na taxa Selic, decorre de determinação expressa de lei (art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996). Por outro lado, tal previsão inexiste no caso da mora no pagamento do ressarcimento do saldo remanescente dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa – exportação. Dessa forma, fica mais uma vez demonstrado que a questão relevante para o deslindo da presente controvérsia está relacionada também com a falta de previsão legal para a concessão do acréscimo da taxa Selic ao valor originário do saldo remanescente do crédito em apreço. Segundo a Recorrente, se a jurisprudência administrativa e judicial estendeu aos créditos passíveis de ressarcimento a atualização monetária, prevista no art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, por analogia, a partir de janeiro de 1996, também tais créditos deveriam ser acrescidos da taxa Selic, conforme estabelecido no art. 39, § 4°, da Lei nº 9.250, de 1995. Não assiste razão a Recorrente. Com efeito, tanto o § 3º do art. 663 da Lei nº 8.383, de 1991, que previa a atualização monetária, quanto o § 4° do art. 394 da Lei nº 9.250, de 1995, que prevê a incidência da taxa Selic, tratam exclusivamente da restituição do indébito tributário decorrente do pagamento indevido ou a maior de tributos. 3 "Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (...) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (...)" 4 Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada". Fl. 313DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 14 É cediço que o direito a restituição do indébito tributário não se confunde com o direito ao ressarcimento do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa – exportação. As diferenças entre ambos os institutos jurídicos são marcantes. No quadro a seguir, estão relacionadas as principais: DIREITO DE RESTITUIÇÃO DIREITO DE RESSARCIMENTO Tem origem no fato jurídico do pagamento de tributo indevido. Tem origem no fato jurídico da exportação do insumo industrializado. Tratase de devolução de tributo irregularmente pago. Tratase de devolução de tributo regularmente pago. Tem por objetivo recompor a situação patrimonial do contribuinte, indevidamente desfalcado por recolhimento indevido de tributo. Tem por objetivo a concessão de subvenção financeira ao exportador de produtos industrializados no País, como forma de incentivo fiscal ao produtorexportador. Tem como fundamento axiológico o princípio da vedação ao enriquecimento sem causa. Tem como fundamento axiológico o princípio da extrafiscalidade. Aliás, cabe ressaltar que o ressarcimento do crédito em apreço não representa uma forma de restituição dos valores das contribuições anteriormente recolhidas indevidamente pelo exportador ou até mesmo por outros contribuintes, nas operações anteriores do ciclo econômico dos insumos utilizados no processo produtivo, como alegado pela Recorrente. Na verdade, o ressarcimento do crédito em tela consiste numa forma de subvenção financeira de natureza governamental, concedida sob a forma de incentivo fiscal ao exportador dos produtos nacionais industrializados. Por tudo isso, é forçoso concluir que o fenômeno jurídico da restituição ou repetição do indébito tributário tem fundamento e natureza jurídica distintos do fenômeno do ressarcimento do crédito escritural, portanto, inaplicável ao caso qualquer forma de integração analógica entre os dois institutos jurídicos. É cediço que para o emprego da analogia é necessário que haja ausência de norma, isto é, que a lei seja lacunosa. No âmbito tributário, há norma específica que confirma tal regra, refirome ao caput do art. 108 do CTN, segundo o qual a integração da legislação tributária somente pode ser empregada diante da ausência de disposição legal expressa. No caso em tela, não vislumbro tal circunstância, haja vista que a ausência de previsão legal acerca da atualização ou incidência de juros moratórios sobre os valores originários dos créditos objeto de ressarcimento, com base na taxa Selic, não se configura ausência de norma legal, mas, conforme anteriormente demonstrado, omissão desejada pelo legislador, que no uso de sua prerrogativa, não editou a norma concessiva do direito ao acréscimo da taxa Selic sobre tal modalidade de crédito. Não se deve confundir opção legislativa com omissão legislativa. No caso presente, o que houve foi uma clara opção do legislador por não conceder o acréscimo moratório, calculado com base na taxa Selic. Mais uma vez, é oportuno ressaltar que por força do princípio da indisponibilidade do interesse público somente mediante lei poderia ser concedido o direito de Fl. 314DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000613/200723 Acórdão n.º 310200.863 S3C1T2 Fl. 136 15 atualização reivindicado pela Recorrente. Principalmente, tendo em conta que tal índice tem natureza de juros moratórios, portanto, não se prestando para fim de correção monetária, forma de atualização que, segundo alguns, comportaria acréscimo ao valor originário. Ad argumentadum, em consonância com princípio da eventualidade, ainda que houvesse a suposta lacuna normativa, seria inaplicável ao caso qualquer forma de integração analógica, haja vista que não há entre o instituto da restituição do indébito tributário e do ressarcimento do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa – exportação, um elemento de identidade essencial entre eles, que lhes conferisse verdadeira semelhança, caracterizada pela presença das mesmas razões motivadoras de suas existências. Com essas considerações, entendo inaplicável qualquer modalidade de acréscimo legal, seja a título de correção monetária ou de juros moratórios, calculado com base na taxa Selic, ao valor originário do saldo remanescente do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa – exportação, por duas razões: (i) a existência de expressa vedação legal para tal acréscimo (art. 13, combinado com art. 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003), e, ainda que não existisse tal vedação, o que admito apenas em caráter eventual, (ii) por falta de previsão legal não cabe a referida atualização. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, devendo ser mantido na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 315DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 11020.720146/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. ENCARGO DO CONTRIBUINTE.
A teor das disposições do art. 333, I do Código de Processo Civil, subsidiário ao processo administrativo fiscal, o ônus da prova constitutiva do direito de crédito, nas hipóteses de pedido de ressarcimento e/ou restituição de tributos federais, é atribuição da parte interessada, no caso, o contribuinte, cabendo-lhe a apresentação de acervo probatório adequado a amparar a pretensão do direito creditório.
PIS/PASEP E COFINS. CRÉDITOS DE ICMS. TRANSFERÊNCIA A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal já decidiu, através do RE nº 606.107, com repercussão geral reconhecida, pela não incidência da cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e do Programa de Integração Social (PIS), não cumulativos, sobre créditos de ICMS transferidos a terceiros, oriundos de operações de exportação.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-002.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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ÔNUS DA PROVA. ENCARGO DO CONTRIBUINTE. A teor das disposições do art. 333, I do Código de Processo Civil, subsidiário ao processo administrativo fiscal, o ônus da prova constitutiva do direito de crédito, nas hipóteses de pedido de ressarcimento e/ou restituição de tributos federais, é atribuição da parte interessada, no caso, o contribuinte, cabendo lhe a apresentação de acervo probatório adequado a amparar a pretensão do direito creditório. PIS/PASEP E COFINS. CRÉDITOS DE ICMS. TRANSFERÊNCIA A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal já decidiu, através do RE nº 606.107, com repercussão geral reconhecida, pela não incidência da cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e do Programa de Integração Social (PIS), não cumulativos, sobre créditos de ICMS transferidos a terceiros, oriundos de operações de exportação. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 01 46 /2 00 8- 19 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/07/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Júlio César Alves Ramos – Presidente Relator Robson José Bayerl – Relator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl. Relatório Designoume o Presidente da 1ª Turma Ordinária/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF para formalizar o Acórdão nº 3401002.524, de 25/03/2014, conforme despacho de fl. 233, considerando que o relator originário, dada a conclusão de seu mandato, não o fez. Na ocasião foi apresentado ao colegiado o seguinte relatório: “Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte Madarco S.A. Indústria e Comércio, contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém, assim ementada: INSUMO Além das matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que componham visualmente o produto final, poderá ser descontados créditos em relação a produtos que sejam aplicados ou consumidos em ação direta sobre o produto de fabricação, e os serviços utilizados na produção. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DO ICMS. RECEITA. Somente a partir de 1º de janeiro de 2009 é que as receitas decorrentes de transferência onerosa de ICMS, originado das operações de exportação, passaram a ser excluídas das bases de cálculo das contribuições sujeitas ao regime da nãocumulatividade. ÔNUS DA PROVA Diferentemente da hipótese de lançamento de ofício, em que o Fisco deve comprovar a infração cometida, no caso de pedido de restituição ou ressarcimento, cabe à parte interessada, que pleiteia o crédito, provar que possui o direito invocado. Assim, ao efetuar o pedido, deve dispor a empresa dos elementos de prova que sustentarão seu pleito. A contribuinte apresentou pedido de ressarcimento de crédito de PIS/Pasep não cumulativo, sendo que a DRF reconheceu parte do direito ao crédito pleiteado. Apresentada impugnação, esta foi julgada improcedente por entender a instância a quo que o ônus de demonstrar o real direito a crédito seria da contribuinte e que somente a partir de 1º de janeiro de 2009 2 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/07/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 10 é que as receitas decorrentes de transferência onerosa de ICMS, originado das operações de exportação, passaram a ser excluídas das bases de cálculo das contribuições sujeitas ao regime da nãocumulatividade. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo que fazia jus ao ressarcimento dos créditos decorrentes dos recolhimentos sobre serviços de extração e transporte de toras, bem como das receitas decorrentes dos créditos exportação de ICMS transferido a terceiros. É o relatório.” Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte, Relator, p/ Conselheiro Robson José Bayerl, Redator ad hoc. Naquela assentada, o então Conselheiro Relator apresentou minuta de voto, com as considerações acerca das matérias deduzidas em recurso voluntário, a seguir reproduzidas, com os acréscimos necessários e que refletem o entendimento final do colégio de julgadores. Relativamente à extração e transporte de toras: “Como é cediço, com o advento das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 foi instituída a sistemática de tributação das contribuições PIS/COFINS, com o objetivo de tornálas não cumulativas, à semelhança do IPI e do ICMS, evitandose assim, a incidência em ‘cascata’. Nesse passo, é conferido à pessoa jurídica que apura o IR e a CSLL sobre o lucro real o direito de desconto de créditos de PIS/COFINS sobre determinados pagamentos. Referido desconto de créditos possui respaldo legal nos artigos 3ºs das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, os quais especificam em seus incisos e parágrafos, quais créditos são admitidos, bem como a forma de serem calculados. Apenas para comentar, o artigo 3º da Lei nº 10.833/03 é aplicado, também, à legislação do PIS (Lei nº 10.637/02) no que esta não dispor. Os créditos ora em análise, devidamente comprovados nos documentos de fls. 12/47, nos remetem ao estudo dos incisos I, II e IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/03, a saber: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: 3 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/07/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. A leitura do inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/03 nos leva claramente ao entendimento de que o frete sobre as vendas cujo ônus seja do vendedor admite apropriação de créditos de PIS e de COFINS, ou seja, não há dúvida quanto ao direito creditório sobre o frete utilizado para transporte do bem vendido para o adquirente. No mesmo sentido, entendo que, em relação ao frete entre estabelecimentos da mesma empresa, o crédito sobre frete não estaria limitado às operações de venda, uma vez que o próprio dispositivo legal ao mencionar ‘(...) nos casos do inciso I e II (...)’ estaria admitindo o crédito do frete para o transporte de insumos, produtos acabados ou produtos já vendidos; assim, seria possível o crédito de frete entre estabelecimentos da mesma empresa. A nosso ver, a correta aplicação da norma está atrelada ao produto transportado, se são insumos (matériasprimas, produtos intermediários, material de embalagem e serviços entre estabelecimentos) ou produtos acabados. O inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/03, ao destacar a observância dos incisos I e II deste artigo para sua aplicação que se referem, respectivamente, aos bens adquiridos para revenda e insumos utilizados no processo produtivo e prestação de serviços objetiva, a nosso ver, atribuir à natureza jurídica do crédito sobre fretes a natureza do crédito de insumo. Dessa forma, é possível sustentar que o frete de insumos (matéria prima, produto intermediário, material de embalagem e etc...) entre estabelecimentos, que estejam em fase de industrialização, compõe o custo de produção para fins de apuração do crédito do PIS e da COFINS. Já em relação aos produtos acabados, o entendimento não é o mesmo. Não é possível atribuir ao frete entre estabelecimentos de produtos acabados a natureza jurídica do crédito de insumo, pois, nesse caso, não existe mais processo de produção e sim processo de logística, através do qual a empresa 4 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/07/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 10 definirá o melhor meio de escoar sua produção. Portanto, ficam prejudicados os argumentos para sustentar o crédito sobre fretes de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa. Nesse sentido, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) já se pronunciou no Acórdão 330100.424, publicado no DOU em 18/01/2011, a saber: ‘FRETE. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CUSTO DE PRODUÇÃO. Gera direito a créditos do PIS e da Cofins nãocumulativos o dispêndio com o frete pago pelo adquirente à pessoa jurídica domiciliada no País, para transportar bens adquiridos para serem utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda, bem assim o transporte de bens entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica, desde que estejam estes em fase de industrialização, vez que compõe o custo do bem’. (...) ‘Portanto, hão de ser considerados os créditos oriundos de fretes sobre transferências de matériasprimas, produtos intermediários, material de embalagem e serviços realizados entre filiais ou entre parceiros integrados (criadores de aves e suínos) e as filiais do contribuinte, os quais compõe o custo de produção do produto final, nos termos do art.3º, II, das Leis IV 10.637/02, e nº 10.833/03, o que não se confunde com atividades de transporte do produto acabado entre quaisquer estabelecimentos’. ‘De se registrar que não geram créditos as despesas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos da contribuinte, vez que não se trata de "frete na operação de venda’. Assim, não há como não reconhecer o direito da recorrente ao crédito pela extração e transporte de toras.” Nada obstante o entendimento inicial do relator, após as discussões em plenário, por ele devidamente acatadas, prevaleceu a conclusão para além da denegação do direito a partir do próprio mérito pela inexistência de elementos probatórios suficientes a amparar a pretensão do contribuinte, na linha intelectiva desenvolvida pela decisão de primeiro grau administrativo. Asseverouse que, nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil, utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, o ônus da prova do fato constitutivo do direito, nos pedidos de ressarcimento e ou restituição de tributos, incumbiria ao 5 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/07/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS interessado, in casu, o contribuinte, que, neste processo, não se desvencilhou do encargo de sua produção adequada, à luz dos vícios apontados pela decisão recorrida. Na seqüência, respeitante à inclusão das transferências de ICMS a terceiros na base de cálculo do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, estas foram as razões de decidir apresentadas: “No tocante à incidência de contribuições sociais sobre créditos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) obtidos por empresas exportadoras, o Egrégio Supremo Tribunal Federal, ao analisar o RE nº 606.107, já resolveu a controvérsia, posicionandose pela não incidência da cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e do Programa de Integração Social (PIS) sobre créditos de ICMS transferidos a terceiros, oriundos de operações de exportação. Ressalto que aludido recurso extraordinário teve repercussão geral reconhecida pelo Plenário Virtual do STF, e restou assentado que o valor que decorre de operações visando à exportação, constituindose apenas em uma das modalidades de aproveitamento dos créditos de ICMS, utilizada por aquelas empresas que não possuem operações domésticas em volume suficiente para o uso de tais créditos, sendo que as demais não são sujeitas à tributação: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o 6 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/07/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 10 aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Assim, razão assiste à recorrente, merecendo reparo o acórdão proferido pela DRJ neste ponto.” Consignouse ainda, em plenário, que a observância deste posicionamento da Suprema Corte lastreouse nas disposições do art. 62A, caput, do regimento interno então vigente, aprovado pela Portaria MF 256/2009. 7 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/07/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Diante dos argumentos anteriormente expostos, os julgadores decidiram pelo provimento parcial do recurso voluntário manobrado. Relator Robson José Bayerl 8 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/07/2015 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000550/2011-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1401-000.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTERAM o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Antônio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Sérgio Bezerra Presta. Ausente justificadamente a Conselheira Karem Jureidini Dias.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTERAM o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Sérgio Bezerra Presta. Ausente justificadamente a Conselheira Karem Jureidini Dias. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 00 55 0/ 20 11 -1 8 Fl. 499DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.000550/201118 Resolução nº 1401000.339 S1C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Trata o presente feito de auto de infração de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL relativa ao ano calendário 2006. Segundo se extrai do relatório da DRJ, in litteris: Conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 284/287, o contribuinte apurou saldo negativo de CSLL para o ano calendário de 2002, crédito esse objeto de diversas compensações, dentre outras para o período de setembro de 2006. O contribuinte apresentou PER/DCOMP retificadora 23658.14994.250907.1.7.030139, em 25/09/2007, não admitida pela DIORT/DERAT/SP, que alterava o valor original do débito de R$713.087,04, para R$3.130.461,75, que é composto R$713.087,04 e R$ 2.417.374,71 (objeto da autuação). Inconformada, a Recorrente apresentou impugnação em que alegou que a retificação na DCOMP foi controlada por meio do processo nº 11610.006196/200335, sendo que, em sede de Recurso Voluntário, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF teria julgado procedente o recurso, determinandose o processamento da compensação. Assim, a Recorrente requereu o sobrestamento do presente feito, até que fosse definitivamente decidida a compensação processada no indigitado processo. Em julgamento perante a DRJ, entendeu a douta Turma Julgadora por negar provimento à impugnação, seja porque a decisão do CARF não havia transitado em julgado, seja porque não pode ser realizado o sobrestamento do feito, tendo em vista o princípio da oficialidade, aplicável ao processo administrativo. Em sede de recurso, a Recorrente manteve a argumentação no sentido da existência do processo nº 11610.006196/200335, no qual este Conselho Administrativo teria determinado o processamento da compensação. Os membros deste colegiado resolveram, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento, até o trânsito em julgado do processo prejudicial. É o relatório, no necessário. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 19515.000550/201118 Resolução nº 1401000.339 S1C4T1 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira – Relator. Conforme constante da Resolução nº 1401000.171 de minha relatoria proferida nos presentes autos, não coaduno do posicionamento esboçado pela Delegacia Regional de Julgamento quanto à possibilidade de um auto de infração decorrente de uma negativa de compensação ainda em litígio ser processado e julgado sem observância do resultado do litígio original. Caso contrário, seria o caso de aceitar a existência de créditos tributários pendentes, o que contraria o princípio da segurança jurídica, caro à Ordem Constitucional brasileira pós 1988. Consta, do sistema deste Conselho Administrativo Recursos Fiscais que o recurso voluntário constante do processo nº 11610.006196/200335 foi julgado procedente e que foi apresentado Recurso Especial pendente de julgamento perante a Câmara Superior de Recursos Fiscais. Diante do exposto, entendo deva o presente feito ser sobrestado, até que se processe o julgamento e o trânsito em julgado da decisão no processo nº 11610.006196/200335. Ainda, entendo que deva ser extraída cópia desta decisão, remetendoa ao processo em referência com a solicitação de que, tão logo ocorra o trânsito em julgado da respectiva decisão, seja a mesma informada a este feito para que o presente processo volte a julgamento perante este Conselho. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 501DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11610.013741/2002-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/07/1997
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. COFINS. AUDITORIA INTERNA EM DCTF. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DA VERDADE MATERIAL.
O lançamento deve revestir-se de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício de forma o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pelos arts. 10 do Decreto nº 70.235/72 e 142 do CTN.
Não é legítima a manutenção do lançamento com base na probabilidade de ter sido efetuado pela aparente inexistência da DCTF, tendo em vista a comprovação inequívoca do recolhimento do DARF relativo à COFINS devida no mês de julho de 1997.
Período: 01/08/1997 a 31/12/1997
DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO. INCLUSÃO DOS DÉBITOS NO PARCELAMENTO DA LEI Nº. 11.941/09. RECURSO PREJUDICADO QUANTO AO PONTO.
Tendo em vista a adesão da Recorrente ao parcelamento previsto na Lei nº. 11.941/09, quanto aos débitos de COFINS relativos aos meses de agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 1997, resta prejudicado o Recurso Voluntário nessa parte.
Recurso Voluntário a que se dá parcial provimento, com relação ao débito de 07/1997, restando prejudicada sua análise com relação aos demais períodos de apuração.
Recurso de Ofício a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3102-002.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, a negar provimento ao Recurso Ofício e dar provimento ao Recurso Voluntário.
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
MIRIAN DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/1997 a 31/07/1997 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. COFINS. AUDITORIA INTERNA EM DCTF. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DA VERDADE MATERIAL. O lançamento deve revestir-se de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício de forma o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pelos arts. 10 do Decreto nº 70.235/72 e 142 do CTN. Não é legítima a manutenção do lançamento com base na probabilidade de ter sido efetuado pela aparente inexistência da DCTF, tendo em vista a comprovação inequívoca do recolhimento do DARF relativo à COFINS devida no mês de julho de 1997. Período: 01/08/1997 a 31/12/1997 DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO. INCLUSÃO DOS DÉBITOS NO PARCELAMENTO DA LEI Nº. 11.941/09. RECURSO PREJUDICADO QUANTO AO PONTO. Tendo em vista a adesão da Recorrente ao parcelamento previsto na Lei nº. 11.941/09, quanto aos débitos de COFINS relativos aos meses de agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 1997, resta prejudicado o Recurso Voluntário nessa parte. Recurso Voluntário a que se dá parcial provimento, com relação ao débito de 07/1997, restando prejudicada sua análise com relação aos demais períodos de apuração. Recurso de Ofício a que se nega provimento.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2214; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 198 1 197 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11610.013741/200269 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3102002.328 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de novembro de 2014 Matéria PRINCÍPIOS E NORMAS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Recorrente Copebrás Ltda. e Fazenda Nacional Recorrida Os mesmos ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/07/1997 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. COFINS. AUDITORIA INTERNA EM DCTF. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DA VERDADE MATERIAL. O lançamento deve revestirse de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício de forma o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pelos arts. 10 do Decreto nº 70.235/72 e 142 do CTN. Não é legítima a manutenção do lançamento com base na probabilidade de ter sido efetuado pela aparente inexistência da DCTF, tendo em vista a comprovação inequívoca do recolhimento do DARF relativo à COFINS devida no mês de julho de 1997. Período: 01/08/1997 a 31/12/1997 DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO. INCLUSÃO DOS DÉBITOS NO PARCELAMENTO DA LEI Nº. 11.941/09. RECURSO PREJUDICADO QUANTO AO PONTO. Tendo em vista a adesão da Recorrente ao parcelamento previsto na Lei nº. 11.941/09, quanto aos débitos de COFINS relativos aos meses de agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 1997, resta prejudicado o Recurso Voluntário nessa parte. Recurso Voluntário a que se dá parcial provimento, com relação ao débito de 07/1997, restando prejudicada sua análise com relação aos demais períodos de apuração. Recurso de Ofício a que se nega provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 37 41 /2 00 2- 69 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Processo nº 11610.013741/200269 Acórdão n.º 3102002.328 S3C1T2 Fl. 199 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, a negar provimento ao Recurso Ofício e dar provimento ao Recurso Voluntário. RICARDO PAULO ROSA Presidente. MIRIAN DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado por COPERBRÁS LTDA, CNPJ 46.567.202/000110, em face do Acórdão n. 1618.887 – 6ª Turma da DRJ/SPOI, cuja ementa segue reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 NULIDADE DE ACÓRDÃO ADMINISTRATIVO. Incumbe à Administração Pública anular ex officio suas decisões sempre que incorrerem em vicio de ilegalidade. LANÇAMENTO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Somente se reputa nulo o lançamento na hipótese prevista no art. 59, I, do Decreto n° 70.235/72. DCTF. AUDITORIA INTERNA. FALTA DE RECOLHIMENTO. DARF NÃO LOCALIZADO. Verificada a existência de pagamento relativo ao débito lançado, cumpre manter este último para que a unidade de origem proceda à vinculação declarada na DCTF. PA: 07/1997 DCTF. AUDITORIA INTERNA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA ENTRE TRIBUTOS DE ESPÉCIES DISTINTAS. INAPLICABILIDADE DO DEC/SUM JUDICIAL INVOCADO. PA: 08/1997 A 12/1997. É manifesta a impossibilidade jurídica de efetuar compensação entre tributos de espécies distintas nos moldes da lei n° 8.383/91 em virtude de vedação expressa contida nesse diploma legal. Por outro lado, não se presta a amparar tal procedimento a sentença judicial invocada, uma vez que se cinge a condenar a União a restituir as importâncias recolhidas indevidamente a titulo de Finsocial, sem afastar a limitação legal mencionada. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em homenagem ao principio da retroatividade benigna, exonerase a multa de oficio imposta, em virtude de o art. 18 da lei 10.833/2003, na redação dada pelo art. 18 da lei 11.488/2007, não prever Sua aplicação no caso em exame. Lançamento Procedente em Parte. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Processo nº 11610.013741/200269 Acórdão n.º 3102002.328 S3C1T2 Fl. 200 3 Recurso de ofício referente à parte do lançamento improcedente configurada na exoneração do Contribuinte do pagamento da multa de ofício imposta. Recurso voluntário às fls. 119/184. Às fls. 185/190, o Contribuinte efetuou pedido de desistência parcial em relação aos débitos compreendidos no período de 01/08/1997 a 31/12/1997, tendo em vista a adesão ao parcelamento (REFIS), de que trata a Lei nº 11.941/09. O processo foi desmembrado, restando discussão apenas no que tange ao débito do mês de julho de 1997. É o relatório. Passo a votar. Voto Conselheira Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Relatora: Tendo em vista a desistência parcial do recurso voluntário, limitome a julgar os seguintes pontos: 1) Da preliminar de nulidade da autuação O Contribuinte alega vício que acarretaria nulidade absoluta dos lançamentos efetuados pela Fazenda pois esta não se teria valido de todos os recursos para a verificação dos lançamentos antes da autuação, deixando de intimálo e de buscar a verdade dos fatos, o que lhe é imposto pelo princípio da verdade material. De fato, tendo em vista estarmos diante de auto de infração eletrônico, decorrente de auditoria interna em DCTF, no qual se alegou “ausência de localização do DARF” quanto ao período de apuração 07/1997, e “proc jud não comprovad” para os demais meses do mesmo anocalendário, aplicase o entendimento sedimentado nesse E. CARF, por meio de sua C. Câmara Superior, no sentido de que o “procedimento eletrônico” de lavratura de autos de infração atenta contra os princípios da Ampla Defesa e do Contraditório. “Auto de Infração. Nulidade. O lançamento que for decorrente da constatação, em auditoria interna de DCTF, de que o processo judicial, informado pelo contribuinte para amparar as compensações, se trata de “proc. jud. não comprovad”, deve ser declarado nulo eis que viola expressamente os princípios do contraditório e da ampla defesa, bem como os artigos 142 do CTN, 50 da Lei 9.784/99 e o próprio Decreto 70.235/76. Os pressupostos fáticos do lançamento devem ser explícitos. Recurso Especial do Procurador Negado.” (Acórdão 9303001.687, Relatora Ilma. Cons. Nanci Gama) Fl. 200DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Processo nº 11610.013741/200269 Acórdão n.º 3102002.328 S3C1T2 Fl. 201 4 Assim, o auto de infração deveria ser anulado em sua integralidade pelo simples fato de que o procedimento eletrônico de lavratura atenta contra os princípios basilares do Estado de Direito. Ainda que desnecessário, passo à análise da impossibilidade de manutenção da cobrança quanto à COFINS relativa ao mês de julho de 1997. 2) Dos débitos do período de julho/1997 Foi exigido do Contribuinte o pagamento de débito de COFINS relativo ao mês de julho de 1997, sob a justificativa de “Pagamento não realizado” (fl. 22). Porém, o Contribuinte apresentou comprovante de recolhimento de DARF (fl. 28), pago no dia 08/08/1997, no mesmo valor da DCTF supostamente desacompanhada do pagamento. Curioso notar que, nos termos da r. decisão recorrida, “Notase todavia discrepância entre a data de vencimento informada na DCTF (10/09/1997) e a constante no DARF (08/08/1997), o que provavelmente deu origem autuação.” Ora, é certo que não é facultado à Administração Tributária exigir tributo com base em probabilidades, sem que tenha, para isso, buscado a verdade dos fatos. Conforme se depreende dos autos, a Recorrente, por meio da juntada de DARF pago no dia 08/08/1997, no valor de R$ 541.480,60, comprovou o recolhimento da COFINS apurada no mês de julho/1997 (pois esse é o valor constante na DCTF), e que, por mero equívoco, preencheu a correspondente DCTF com data de vencimento em 10/09/1997, de sorte que a Receita não foi capaz de vincular o pagamento à declaração. Erros materiais não possuem o condão de tornar inexistente o recolhimento, sendo nesse sentido a jurisprudência dessa Corte Administrativa: “ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédi to tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nel a constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido.” (Acordão n. 3302002.211 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – PA n. 10166.908051/200999 – Publicação 30/10/2014) “AUDITORIA DE DCTF. LANÇAMENTO ELETRÔNICO. ERRO NA DECLARAÇÃO. CO MPROVAÇÃO. Cancelase o lançamento de ofício fundamentado na ocorrência de “Comp. c/pagto não Localizado”, quando o sujeito passivo comprova erro na informação consignada na Declaração de Contribuições e Tri butos Federais. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Fl. 201DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Processo nº 11610.013741/200269 Acórdão n.º 3102002.328 S3C1T2 Fl. 202 5 Exonerado,” (3403003.335 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária – PA n. 11543.000003/200201 – 15/10/2014) Neste sentido, reformo o r. acórdão recorrido para exonerar o Contribuinte do do crédito apurado no período de julho de 1997, tendo em vista precedentes dessa Corte. Quanto ao Recurso de Ofício, este deve ser improvido, pois resta a remessa igualmente prejudicada, tendo em vista não haver sentido discutirse a imposição de multa de qualquer natureza, quando não há crédito tributário a ser exigido. Do exposto, julgo parcialmente procedente o recurso voluntário no sentido de exonerar o Contribuinte ao pagamento do débito da COFINS apurado no mês de julho de 1997, prejudicada a discussão relativa ao lançamento da COFINS para os demais meses (adesão ao parcelamento). Por oportuno, julgo improcedente o recurso de ofício da Fazenda, mantendo afastada a multa de ofício. Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz Fl. 202DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 12/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ
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