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Numero do processo: 11065.000264/2008-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela PGFN, contra acórdão que deu provimento, por maioria de votos, ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR ALTERAÇÃO NA PARCELA DO DÉBITO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .0 00 26 4/ 20 08 -9 1 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/01/201 4 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANT OS 2 A cessão de ICMS gerado de operações de exportação anteriormente registrado como encargo tributário não materializa ingresso de elemento novo. O aumento do resultado do exercício da pessoa jurídica no momento da recuperação do custo tributário provê o retorno à situação patrimonial anterior, não reunindo condições de qualificála no conceito de receita. A PGFN apresentou Recurso Especial argumentando que o acórdão deve ser reformado porque não há previsão legal para que os valores obtidos com a cessão de créditos de ICMS gerados de operações de exportação não integrem a base de cálculo da Cofins. O sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pleiteia a manutenção do acórdão ora recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Em julgamento ocorrido em 01/07/2010, foi reconhecida a repercussão geral e sobrestamento do RE 606107/RS, que trata da trata da inclusão das receitas auferidas integrarem ou não a base de cálculo da contribuições PIS e Cofins não cumulativas. Eis a ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. VALORES DA TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. 1. A questão de os valores correspondentes à transferência de créditos de ICMS integrarem ou não a base de cálculo das contribuições PIS e COFINS nãocumulativas apresenta relevância tanto jurídica como econômica. 2. A matéria envolve a análise do conceito de receita, base econômica das contribuições, dizendo respeito, pois, à competência tributária. 3. As contribuições em questão são das que apresentam mais expressiva arrecadação e há milhares de ações em tramitação a exigir uma definição quanto ao ponto. 4. Repercussão geral reconhecida. Desta forma, nos termos do art. 62A do RICARF é imperioso que seja aguardado o julgamento final do processo em tramitação no E. STF. Assim, tendo em vista a inexistência de trânsito da referida decisão judicial, com repercussão geral, entendo ser necessário sobrestar o julgamento do presente recurso voluntário, conforme dispõe o § 1º, do art. 62A do RICARFs até que seja proferida decisão definitiva, pelo STF, no Recurso Extraordinário (RE) acima mencionado. Isto posto, e na forma do disposto no inciso II, do § 1º, do art. 2º, da Portaria CARF nº 01, de 03 de janeiro de 2012, voto pelo sobrestamento do julgamento do recurso do presente processo. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 285DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/01/201 4 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANT OS
score : 1.0
Numero do processo: 10882.002798/2009-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. DISPENSA DA COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DE RENDA.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26, Portaria nº 383 DOU, de 14 de julho de 2010)
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-003.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 22/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Núbia Matos Moura.
Nome do relator: Núbia Matos Moura
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. DISPENSA DA COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DE RENDA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26, Portaria nº 383 DOU, de 14 de julho de 2010) Recurso Voluntário Negado
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LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. DISPENSA DA COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DE RENDA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26, Portaria nº 383 DOU, de 14 de julho de 2010) Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 27 98 /2 00 9- 46 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10882.002798/200946 Acórdão n.º 2102003.107 S2C1T2 Fl. 174 2 EDITADO EM: 22/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Núbia Matos Moura. Relatório Contra ADEMAR RIBEIRO DE ALMEIDA foi lavrado Auto de Infração, fls. 93/98, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2005, exercício 2006, no valor total de R$ 1.241.543,18, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/10/2009. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 79/92, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 104/105, que está assim resumida no Acórdão DRJ/SP2 n 1751.270, de 02/06/2011, fls. 133/138: em virtude de minha atividade profissional, trabalho com regularização e lavraturas de procurações e de escrituras públicas de imóveis localizados em quaisquer regiões do Brasil. Para que possa ser lavrada uma escritura de compra e venda de imóvel, o cliente procura o serviço de um escrevente, perante os cartórios de notas, dependendo de seu interesse ou confiança no prestador dos serviços; o escrevente, mediante documentos analisados, com base no valor venal ou o valor pago pela compra do imóvel, faz o orçamento estimativo do custo do serviço prestado com as custas cartorárias (Secretaria da Fazenda, Ipesp, Registro Civil, Tribunal de Justiça e Santas Casas), ITBI pago à Prefeitura Municipal), e certidões pessoais para concretização em cartório; grande parte dos depósitos pertencem a clientes que efetuaram os pagamentos para a lavratura de escrituras, que na ocasião receberam os recibos assinados por mim; como na época não tinha como se exigir dos clientes os pagamentos antecipados para essas custas, já que as mesmas são pagas com base no valor da unidade fiscal do Estado de SP, dependendo do caso da respectiva Prefeitura e do Registro de Imóveis. As demais custas têm de ser pagas antecipadamente para que o serviço possa ser efetuado; por este motivo, os depósitos em minha conta corrente foram posteriormente reembolsados pelos serviços e prestação de Fl. 174DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10882.002798/200946 Acórdão n.º 2102003.107 S2C1T2 Fl. 175 3 contas. Existem casos em que cheques emitidos por mim, que por algum motivo o registro de imóveis apontou alguma irregularidade (descrição incorreta, numeração de prédio, falta de negativa de impostos), a quantia foi devolvida a mim mediante cheque nominal, tendo que efetuar o depósito novamente em minha conta corrente; se essa quantia estivesse em meu poder, não estaria passando por tantas dificuldades e com um patrimônio tão pequeno; Requer o cancelamento do lançamento, alegando que ficou comprovado que os valores exigidos não lhe pertencem, apesar de, por erro ou mesmo ignorância, terem transitado pela sua conta bancária. A autoridade julgadora de primeira instância apreciou a impugnação e julgoua improcedente. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 22/06/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 152, o contribuinte apresentou, em 19/07/2011, recurso voluntário, fls. 155/158, onde reitera e reforça as mesmas alegações apresentadas na impugnação. Conforme Resolução nº 2102000.106, de 21/11/2012, fls. 169/172, o julgamento do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte foi sobrestado em razão do disposto no art. 62A, caput e parágrafo 1 , do Anexo II, do RICARF. Todavia, referido parágrafo 1º foi revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, de sorte que retomase o julgamento do recurso voluntário. É o Relatório. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10882.002798/200946 Acórdão n.º 2102003.107 S2C1T2 Fl. 176 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de lançamento que imputou ao contribuinte a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. No recurso, assim como na impugnação, o contribuinte limitase, em suma, em afirmar que sua movimentação bancária é decorrente da sua atividade profissional de escrevente e que grande parte dos depósitos pertence a clientes que efetuaram os pagamentos para a lavratura de escrituras. Ocorre que o lançamento foi realizado sob a égide do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabeleceu uma presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos, que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Como se vê, o próprio dispositivo legal definiu que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos, sendo certo que a falta de demonstração de disponibilidade econômica ou jurídica de renda não tem nenhuma influência no lançamento calcado na presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Ou seja, o patrimônio do contribuinte não influencia a caracterização da presunção. Aliás, a Súmula CARF nº 26, abaixo transcrita, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009, traduz tal entendimento quando afirma que a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Como se vê, a presunção legal, estabelecida no art. 42, da Lei n 9.430, de 1996, transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. A simples alegação de que os valores movimentados em suas contas bancárias tem origem em sua atividade profissional, desacompanhada de documentos que comprovem tal afirmação, não é suficiente para elidir a tributação. Cabia ao contribuinte juntar aos autos os documentos que demonstrassem suas alegações. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10882.002798/200946 Acórdão n.º 2102003.107 S2C1T2 Fl. 177 5 Ora, conforme já aqui afirmado, no caso da presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, recai sobre o contribuinte o ônus da prova da origem dos recursos movimentados em suas contascorrentes. E quando alguém de fato pode, e legalmente está obrigado a provar alguma coisa, e não o faz, preferindo ficar no terreno das alegações, se sujeita à aplicação do princípio de que alegar e não provar é o mesmo que nada alegar. É inaceitável a declaração não corroborada por qualquer elemento subsidiário. Vale destacar, que o contribuinte, durante o procedimento fiscal, foi por várias vezes intimado a comprovar a origem dos recursos creditados em suas contas bancárias. Contudo, nada esclareceu, deixando de atender aos Termos de Intimação, lavrados pela autoridade fiscal. Logo, não pode prosperar a alegação do recorrente de que não lhe fora oportunizada a possibilidade de demonstrar a verdade material. Digase, ainda, que a alegação de que a origem dos créditos estaria justificada na atividade profissional de escrevente somente veio aos autos quando da apresentação da impugnação, porém tal alegação carece de comprovação. Assim, considerando, que o contribuinte deixou de demonstrar, mediante a apresentação de documentos, a origem dos depósitos efetivados em suas contas bancárias, deve o lançamento ser mantido, nos termos em que consubstanciado no Auto de Infração. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 177DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 18470.730856/2012-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
ESCOLHA NA MODALIDADE DE TRIBUTAÇÃO DO LUCRO. POSSIBILIDADE.
O contribuinte pode eleger a modalidade de tributação do lucro que julgar mais conveniente, desde que não haja vedação legal para a espécie e que os tributos decorrentes da opção sejam devidamente recolhidos.
GLOSA DE DESPESA OPERACIONAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
As despesas não comprovadas por documentação idônea sujeitam-se à glosa correspondente, visto que a pessoa jurídica tem o dever de conservar em ordem documentos e papéis que se refiram a atos e operações que modifiquem ou possam vir a modificar a sua situação patrimonial.
GLOSA DE DESPESA OPERACIONAL. INDEDUTIBILIDADE.
Somente são admissíveis como dedutíveis as despesas que, além de comprovadas com documentação hábil e idônea, correspondam a bens ou serviços efetivamente recebidos e que esses bens ou serviços sejam necessários, normais e usuais na atividade da empresa.
Numero da decisão: 1201-001.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em NEGAR provimento ao Recurso de Ofício e, também por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reduzir a glosa autuada em R$ 105.546,07.
(Documento assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO - Presidente
(Documento assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, , Maria Elisa Bruzzi Boechat, Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 ESCOLHA NA MODALIDADE DE TRIBUTAÇÃO DO LUCRO. POSSIBILIDADE. O contribuinte pode eleger a modalidade de tributação do lucro que julgar mais conveniente, desde que não haja vedação legal para a espécie e que os tributos decorrentes da opção sejam devidamente recolhidos. GLOSA DE DESPESA OPERACIONAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. As despesas não comprovadas por documentação idônea sujeitamse à glosa correspondente, visto que a pessoa jurídica tem o dever de conservar em ordem documentos e papéis que se refiram a atos e operações que modifiquem ou possam vir a modificar a sua situação patrimonial. GLOSA DE DESPESA OPERACIONAL. INDEDUTIBILIDADE. Somente são admissíveis como dedutíveis as despesas que, além de comprovadas com documentação hábil e idônea, correspondam a bens ou serviços efetivamente recebidos e que esses bens ou serviços sejam necessários, normais e usuais na atividade da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em NEGAR provimento ao Recurso de Ofício e, também por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reduzir a glosa autuada em R$ 105.546,07. (Documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 08 56 /2 01 2- 84 Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/09/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18470.730856/201284 Acórdão n.º 1201001.025 S1C2T1 Fl. 3 2 MARCELO CUBA NETTO Presidente (Documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, , Maria Elisa Bruzzi Boechat, Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de Auto de Infração do IRPJ e da CSLL com crédito tributário total de R$ 27.355.902,26, relativo ao anocalendário de 2008. Os lançamentos foram efetuados com base nas seguintes premissas: Glosa de despesas operacionais, por falta de comprovação; Omissão de receitas mediante evasão fiscal simulada; Qualificação da multa para 150%; Multa isolada e juros isolados, por falta de recolhimento mensal de IRPJ e CSLL; Reflexos de PIS e COFINS, cuja autuação consta de outro processo administrativo. O Termo de Verificação Fiscal é bastante extenso e foi sinteticamente reproduzido no relatório da decisão recorrida, conforme abaixo: Trata o presente processo de autos de infração lavrados no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro II DRF/RJ2, relativos ao anocalendário de 2008, por meio dos quais foram exigidos do interessado acima identificado: O imposto sobre a renda de pessoa jurídica IRPJ no valor de R$ 5.347.632,50 (fls. 352/362), acrescido de multas de ofício (75% e 150%) e de encargos moratórios; A contribuição social sobre o lucro líquido CSLL no valor de R$ 2.762.553,85 (fls. 363/372), acrescida de multas de ofício (75% e 150%) e de encargos moratórios; Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/09/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18470.730856/201284 Acórdão n.º 1201001.025 S1C2T1 Fl. 4 3 Multas isoladas nos valores de R$ 3.286.546,27 (IRPJ) e R$ 1.345.031,91 (CSLL); e Juros de mora exigidos isoladamente no valor de R$ 437.258,84. 2. As exigências do IRPJ e da CSLL decorrem da acusação de o interessado ter omitido receitas auferidas nas operações de vendas de diversos imóveis (enquadramento legal: art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995. Arts. 247, 248, 249, II, 251, 277, 278, 279, 280 e 288 do RIR/1999) e não ter apresentado documentação comprobatória da natureza e da necessidade de boa parte das despesas utilizadas na redução do lucro líquido do exercício (enquadramento legal: art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995. Arts. 247, 248, 249, I, 251, 277, 278, 299 e 300 do RIR/1999). 3. As exigências das multas e juros isolados decorrem da acusação de o interessado não ter efetuado o pagamento do IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, observadas as infrações detectadas na ação fiscal (enquadramento legal arts. 222, 843 e 953 do RIR/1999. Art. 44, II, b, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007). 4. As exigências da contribuição para o programa da integração social PIS e da contribuição para o financiamento da seguridade social Cofins, em face da omissão de receita apurada foram objeto do processo nº 18470.732998/201286. No Termo de Verificação de Infrações (fls. 327/349), parte integrante dos autos de infração, a autoridade informa, em síntese, que: O interessado tem por objeto a “compra, venda e incorporação de imóveis, por conta própria, loteamentos urbanos e rurais de áreas próprias, podendo participar de outras sociedades, como quotista ou acionista”; na declaração de informações econômicofiscais – DIPJ do anocalendário de 2008, apurou o IRPJ e a CSLL pelo lucro real anual e realizou balancetes mensais de suspensão que resultaram na ausência de pagamentos de estimativas mensais; O interessado foi intimado a apresentar comprovação das despesas incorridas no anocalendário de 2008, listadas nos anexos 01 a 10 do termo de intimação fiscal TIF nº 11, datado de 20/08/2012, e reintimações posteriores, sendo que: conta contábil 3310105009 – SEGUROS (anexo 1), os históricos dos lançamentos contábeis listados denotam supostas despesas com automóveis de marcas notadamente de luxo (LAND ROVER, AUDI, MERCEDES etc.), além de lancha (RIO 2 MIAMI), fatos não esclarecidos com documentação que comprove os requisitos de dedutibilidade; Contas contábeis 33101020001 e 33101050001 – ALUGUÉIS E CONDOMÍNIOS e TELEX E TELEFONE (anexos 2 e 3) – nenhum documento de comprovação foi apresentado; Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/09/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18470.730856/201284 Acórdão n.º 1201001.025 S1C2T1 Fl. 5 4 Conta contábil 411101020001 – SERVIÇOS DE TERCEIROS (anexo 4) – limitouse a apresentar cópias de notas fiscais com a seguinte discriminação dos serviços “Prestação de Serviços Gerais em RIO 2”; Contas contábeis 41101020002 e 3310104003 – SERVIÇOS TÉCNICOS E PROJETOS e SERVIÇOS PRESTADOS P/PESSOA JURÍDICA (anexos 5 e 6) – foram apresentadas cópias de notas fiscais que descrevem os serviços (assessorias técnicas, consultorias financeiras etc.) de forma genérica, sem detalhamento. Tratase de despesas mensais, em numeração sequencial e valores constantes que denotam prestações de serviços continuadas; Anexos 7 a 10 – nenhum documento de comprovação foi apresentado; Os lançamentos contábeis considerados como não comprovados e/ou indedutíveis, além da consolidação dos valores mensais, foram listados no anexo denominado “Planilhas Infração 31, às fls. 386/425”; Ainda no anocalendário de 2008, o interessado integralizou capital em três empresas controladas, a saber, utilizando “terrenos para comercializar” de sua propriedade: a) CH01 EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., CNPJ 08.171.988/000163, constituída em 21/06/2006, sob a denominação de RIO DE NOBREZA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA. Na ocasião o interessado (acionista majoritário com 3.678.523 quotas, sendo o valor de R$ 1,00 para cada quota) integralizou o capital pela transferência de domínio de terreno (lote 2 da quadra IX do PAL 46.613) no referido valor, conforme cláusula terceira do contrato social. Os demais sócios eram os Srs. Carlos Fernando de Carvalho e Carlos Felipe Andrade de Carvalho, ambos com 1.000 quotas. Em 12.03.2007 foi celebrada a primeira alteração do contrato social tornando sem efeito a integralização do imóvel originalmente efetuada, reduzindo o capital social para R$ 1.000,00 (interessado com 970 quotas). Em 03.04.2008, o capital foi aumentado para R$ 2.293.822,00 com a integralização de novo terreno (lote 01 da quadra II do PAL 45.209) de propriedade do interessado (2.293.792 quotas) e 30 quotas para os demais sócios; Em 30.05.2008 foi celebrada escritura pública de promessa de compra e venda entre a CH01 e o Banco Opportunity S/A, cujo objeto foi o terreno recém integralizado ao patrimônio da CH01 pelo valor de R$ 21.601.271,44, recebido no 2º trimestre de 2008 e oferecido à tributação do IRPJ pelo lucro presumido (8% da receita de venda e reflexos). Nos trimestres subsequentes de 2008 e nas DIPJ dos anoscalendário de 2009 a 2011 não há qualquer registro de receita auferida/recebida (exceto resultado de aplicação financeira) pela CH01 nem tampouco a existência de empregados; Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/09/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18470.730856/201284 Acórdão n.º 1201001.025 S1C2T1 Fl. 6 5 b) CH03 EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., CNPJ 10.190.608/000180, constituída em 28.05.2008. Na ocasião, o interessado (acionista majoritário com 6.651.798 quotas, sendo o valor de R$ 1,00 para cada quota) integralizou o capital pela transferência de domínio de terrenos (lotes 010306 e 07 quadra IX PAL 37.061) no referido valor, conforme cláusula terceira do contrato social. Os Srs. Carlos Fernando de Carvalho, Carlos Fernando Andrade de Carvalho e Carlos Felipe Andrade de Carvalho ficaram com 1.000 quotas cada; Em 24.07.2008 foram celebradas duas escrituras públicas de promessa de compra e venda entre a CH03 e a empresa CYRELA FINLANDIA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., cujo objeto foi o conjunto de terrenos recém integralizados ao patrimônio da CH03 pelo valor de R$ 20.278.353,28, recebido no 3º trimestre de 2008 e oferecido à tributação do IRPJ pelo lucro presumido (8% da receita de venda e reflexos). Nos trimestres subsequentes de 2008 e nas DIPJ do anocalendário de 2009, não há qualquer registro de receita auferida/recebida (exceto resultado de aplicação financeira). No anocalendário de 2010 a CH03 informou que estava inativa e em 2011 não declarou qualquer receita ou operação nem informou a existência de empregados; c) CH04 EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., CNPJ 10.156.098/000124, constituída em 28.05.2008. Na ocasião, o interessado (acionista majoritário com 7.269.272 quotas, sendo o valor de R$ 1,00 para cada quota) integralizou o capital pela transferência de domínio de terreno (lotes 08 – 09 10 e 11 quadra IX PAL 38.061) no referido valor, conforme cláusula terceira do contrato social. Os Srs. Carlos Fernando de Carvalho, Carlos Fernando Andrade de Carvalho e Carlos Felipe Andrade de Carvalho ficaram com 1.000 quotas cada; Em 24.07.2008 foi celebrada escritura pública de promessa de compra e venda entre a CH04 e a empresa CYRELA FINLANDIA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., cujo objeto foi o conjunto de terrenos recém integralizados ao patrimônio da CH04 pelo valor de R$ 22.069.234,22, recebido no 3º trimestre de 2008 e oferecido à tributação do IRPJ pelo lucro presumido (8% da receita de venda e reflexos). Nos trimestres subsequentes de 2008 e nas DIPJ do anocalendário de 2009, não há qualquer registro de receita auferida/recebida (exceto resultado de aplicação financeira). No anocalendário de 2010 a CH03 informou que estava inativa e em 2011 não declarou qualquer receita ou operação nem a existência de empregados; Os fatos anteriormente narrados, amparados por documentação societária formalmente regular, isoladamente, não sinalizam o verdadeiro motivo que lhes deu causa. Conjuntamente considerados denotam a prática de negócios jurídicos que tiveram como único propósito eximir o interessado da incidência da tributação que legalmente lhe cabia sobre tais resultados (obrigado à apuração pelo lucro real), uma vez que Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/09/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18470.730856/201284 Acórdão n.º 1201001.025 S1C2T1 Fl. 7 6 submeteu as operações à tributação mitigada pelo lucro presumido. A autoridade lançadora elaborou, às fls. 337, quadro sintético sobre o que chamou “Realocação de Receitas em Empresas criadas/mantidas sem qualquer propósito negocial”, com o objetivo de fuga da tributação devida na espécie, a seguir reproduzido: Na sequência, a autoridade lançadora apresenta os fundamentos para a autuação, nos seguintes termos: As pessoas jurídicas CH01, CH03 e CH04 serviram tão somente a dar contornos de regularidade à fraude perpetrada; estas empresas, sem funcionários, sem a intermediação de corretores ou de empresas existentes no mercado, não operaram tais vendas, mas serviram à operação apenas como interpostas pessoas jurídicas criadas e mantidas exclusivamente para viabilizar a artificial redução da base de cálculo e das alíquotas dos tributos envolvidos, pela opção à apuração pelo lucro presumido com os reflexos na CSLL, PIS e na Cofins; A utilização/criação das empresas e a tal integralização, ocorridas na iminência da concretização das operações de venda dos terrenos, figuram como atos/negócios jurídicos simulados, razão pela qual são afastados; Evidenciase a prática inaceitável na medida em que a AUTUADA buscou evadirse da tributação que lhe era aplicável sobre os ganhos obtidos com a venda dos terrenos transacionados; No anocalendário de 2007 a AUTUADA estava obrigada à tributação pelo Lucro Real; Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/09/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18470.730856/201284 Acórdão n.º 1201001.025 S1C2T1 Fl. 8 7 As três pessoas jurídicas que receberam os terrenos da AUTUADA como integralização de capital compartilhavam características muito semelhantes, a saber: Apresentavam capital diminuto; Localizavamse no mesmo endereço da AUTUADA; Não registraram empregados nos anoscalendário de 2008 e seguintes; Possuíam o mesmo quadro societário, o que incluía a AUTUADA, sempre detentora da quase totalidade das cotas; Nenhuma das empresas investidas realizou qualquer operação, antes ou depois (até o ano da fiscalização, em 2011); Todas optaram pelo Lucro Presunido e, embora intimadas individualmente, nenhuma apresentou contabilidade regular ou Livro Caixa. De acordo com a autoridade fiscal, o que ocorreu, em verdade, camuflado pelo aparato documental arquitetado, foi a realocação das receitas (e custos dos terrenos) sem qualquer outra finalidade negocial, com destaque para o fato de que nas empresas CH03 e CH 04 os terrenos foram vendidos na mesma data a um mesmo comprador, a CYRELA Finlândia Empreendimentos Imobiliários Ltda. Ainda segundo o Termo de Verificação, A AUTUADA transferiu “estoques de terrenos para comercialização” a empresas inoperantes com a única intenção de fraudar a realidade das operações, burlando a determinação legal a que estava submetida – regime do Lucro Real –, ou seja, a AUTUADA foi quem vendeu tais ativos e não as interpostas pessoas jurídicas, devendo tais resultados serem considerados por ela auferidos e nela tributados. Perpetrada a fraude, a interessada reconheceu em sua contabilidade a variação positiva de seus investimentos, reconhecendo tais resultados positivos para apuração do lucro líquido, mas procedeu sua equivocada exclusão no Livro de Apuração do Lucro Real, a título de “resultado positivo de equivalência patrimonial”, com reflexo na base de cálculo da CSLL, apurando assim prejuízo fiscal e saldo negativo de base de cálculo da CSLL, além de não ter oferecido tais receitas à tributação pelo PIS e pela Cofins no regime de não cumulatividade. Em arremate, a autoridade aduz, sinteticamente, que: a) O valor das vendas, subtraído o custo dos terrenos, foi considerado receita operacional omitida pelo interessado, incidindo a multa qualificada (150%) estatuída no §1 º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. No cálculo foram considerados o prejuízo fiscal e o saldo de base negativa de CSLL apurados em anos anteriores. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/09/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18470.730856/201284 Acórdão n.º 1201001.025 S1C2T1 Fl. 9 8 b) Em face das infrações anteriores, foi apurada falta de recolhimento de estimativa de IRPJ e da CSLL, o que resultou na aplicação da multa de 50% do valor não pago nas épocas próprias, com fundamento na letra “b” do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e dos juros isolados até o final do exercício de 2008. No intuito de demonstrar os valores considerados como receita operacional omitida e correspondentes custos, a autoridade fiscal elaborou o seguinte quadro: Dessa forma, a apuração do Lucro Real tributável no ano fiscalizado, consideradas as infrações apuradas, o prejuízo anterior e o limite de compensação foi calculado do seguinte modo: Cientificado dos lançamentos em 12 de dezembro de 2012, o interessado apresentou a impugnação de fls. 861/876, alegando, em síntese, que: foram glosadas despesas escrituradas, devidamente justificadas por notas fiscais, por comprovantes idôneos e, inclusive, por documentos públicos com a justificativa pueril de que não foram apresentados contrato, relatórios ou projetos que os referendassem; a glosa de automóvel atingiu também pickup utilizada no transporte de materiais e equipamentos; a empresa compra casas que serão transformadas em edifícios, não se justificando a glosa de despesas de serviços especiais e Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/09/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18470.730856/201284 Acórdão n.º 1201001.025 S1C2T1 Fl. 10 9 contínuos, executados no atendimento de atividades específicas em serviços de engenharia e incorporação; junta contrato assinado com a AFA DE CARVALHO SERVIÇOS DE ASSESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL, datado de 10.12.2007, prorrogando contrato assinado em 2006; nova prorrogação em 07.07.2008; junta também o contrato assinado com a arquiteta HELIANA LUSTMAN, para assessoria no Empreendimento Rio 2, e três notas fiscais que discriminam o serviço prestado; para o autuante, uma empresa de engenharia que contrata um arquiteto para uma de suas inúmeras obras não pode abater a despesa realizada; se há dúvida da idoneidade da nota fiscal paga, que prove que se trata de nota fria; foram glosadas despesas de paisagismo e serviços de assessoria técnica prestada pela MLP CONSULTORIA TÉCNICA IMOBILIÁRIA LTDA e despesas de estacionamento pago pelos empregados do interessado; glosou até mesmo honorários pagos no valor mensal de R$ 258,77 ao advogado João Maurício Pinho, como se pudesse suscitar alguma dúvida não só pelo seu prestígio pessoal, como pelo valor irrisório da cobrança; junta a nota fiscal nº 019154, onde está declarado o serviço prestado (Mandado de Segurança na 5ª Vara Federal), no valor de R$ 5.084,62, e as notas fiscais de R$ 258,77 relativas ao pagamento mensal de acompanhamento do processo; as glosas contrariam não só a realidade comercial dos fatos como também os artigos 923 e 924 e parágrafo único, do inciso II, do art. 845, do RIR/1999; a empresa adquire imóveis e terrenos para desenvolver projetos imobiliários, necessitando de parcerias para atingir seus objetivos como “players” do mercado (Fundo de Investimentos, empresas do setor imobiliário e até mesmo outros construtores), uma vez que não possui todo o capital necessário para desenvolver tantos projetos simultaneamente; no setor imobiliário, quando não se dá destinação do terreno em troca de unidades imobiliárias, objeto de venda imediata, é normal a constituição de sociedade de propósito específico (SPE) para viabilizar o projeto, minimizando os riscos da operação; as SPE não estão obrigadas à opção pelo lucro real em função do previsto no art. 246 do RIR/1999, sendo que a adoção do lucro real ou presumido é opção do contribuinte; não desejou simular uma transferência de imóvel para um regime mais favorecido, mas sim fazer parcerias que lhe permitissem implementar projetos imobiliários, que não tinha Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/09/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18470.730856/201284 Acórdão n.º 1201001.025 S1C2T1 Fl. 11 10 capacidade de executar sozinho, sem vincular o parceiro investidor no meandro dos seus negócios; pela leitura das escrituras transcritas no arrazoado fica claro que não houve venda do terreno, mas sim de parte, para que a SPE constituída e o comprador pudessem, em parceria, executar um projeto imobiliário, comercialmente rendoso para ambos; as SPE irão receber as unidades correspondentes ao percentual da fração ideal do terreno que retiveram, e serão tributadas pelas receitas das unidades a serem vendidas. Por essa razão, as sociedades vendedoras não possuíam nenhuma movimentação financeira, o que só ocorreria quando da venda das unidades, fato aproveitado pelo autuante para declarar que as empresas eram simuladas pois não tinham nenhuma movimentação nem empregados; apesar da licitude da operação realizada, uma vez que não houve infringência de qualquer dispositivo legal, foi desqualificado o negócio jurídico simplesmente porque dele resultou economia fiscal para o interessado sem considerar a existência do interesse societário, comercial e financeiro, fundamental em operações desta magnitude; dentro da lei, o contribuinte tem o direito de conduzir seus negócios de forma menos onerosa, não só com respaldo na Constituição vigente e por própria orientação da Receita Federal, como também na jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CARF; na criação das empresas CH01, CH03 e CH04 não houve prática de ato para ocultar outro nem para a criação exclusiva de um benefício, mas sim razões societárias e econômicas, sendo certo que a principal finalidade destas operações foi a de possibilitar e realizar um projeto de grande magnitude e de limitar responsabilidades societárias, prática usual neste mercado; portanto, não há que se falar em abuso de direito; inaplicabilidade da multa agravada por não existir quaisquer dos ilícitos tipificados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964; não só a lei, como também a jurisprudência do CARF, consagrou o entendimento de que cabe ao fisco a obrigação da prova quando imputa ao contribuinte a prática de fraude, dolo ou simulação; não há que se falar em multa isolada, uma vez que a operação é regular e usual; a multa vem sendo derrubada pelo CARF, conforme ementa do processo 19515.004299/200946; por coerência, o autuante deveria ter abatido o valor dos tributos recolhidos pelas empresas no regime do lucro Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/09/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18470.730856/201284 Acórdão n.º 1201001.025 S1C2T1 Fl. 12 11 presumido, já que lhe agregou o lucro da operação e o fisco recebeu o montante dos tributos, configurando o não abatimento evidente enriquecimento sem causa aos cofres públicos. Em sessão realizada em 14 de maio de 2013, a 2a Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, deu provimento parcial à impugnação, com as seguintes consequências: a) exonerar o interessado das exigências do imposto de renda pessoa jurídica, contribuição social sobre o lucro líquido, multa e juros isolados; b) reduzir o prejuízo fiscal apurado no anocalendário de 2008 de R$ 20.715.231,45 para R$ 16.725.568,65; c) reduzir a base de cálculo negativa de contribuição social sobre o lucro líquido apurada no anocalendário de 2008, de R$ 20.715.231,45 para R$ 16.725.568,65. Da decisão houve Recurso de Ofício. As ementas a seguir demonstram o teor da decisão proferida naquela instância de julgamento: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 GLOSA DE DESPESA OPERACIONAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. As despesas não comprovadas documentalmente sujeitamse à glosa correspondente, visto que a pessoa jurídica é obrigada, por lei, a conservar em ordem documentos e papéis que se refiram a atos e operações que modifiquem ou possam vir a modificar a sua situação patrimonial. GLOSA DE DESPESA OPERACIONAL. INDEDUTIBILIDADE. Somente são admissíveis como dedutíveis as despesas que, além de comprovadas com documentação hábil e idônea, correspondam a bens ou serviços efetivamente recebidos e que esses bens ou serviços sejam necessários, normais e usuais na atividade da empresa. DESPESAS DE VEÍCULOS UTILIZADOS PELO SÓCIO E DIRETORES. INDEDUTIBILIDADE. São vedadas as deduções de despesas com veículos, exceto se intrinsecamente relacionadas com produção ou comercialização dos bens e serviços. OMISSÃO DE RECEITA. EVASÃO FISCAL SIMULADA POR INTERPOSTA PESSOA. FINALIDADE ECONÔMICA COMPROVADA. Não cabe a desconsideração dos atos jurídicos praticados pelas empresas constituídas com propósitos específicos que, exercendo Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/09/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18470.730856/201284 Acórdão n.º 1201001.025 S1C2T1 Fl. 13 12 o direito de conduzir os seus negócios de forma menos onerosa, optaram pelo lucro presumido para determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. MULTA E JUROS ISOLADOS. Cancelase a exigência de multa e juros isolados, ante a inexistência de base imponível após o exame das infrações que lhe deram causa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário:2008 TRIBUTAÇÃO REFLEXA Pela relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento reflexo a decisão prolatada em relação à exigência principal. Cientificada da decisão, a empresa interpôs Recurso Voluntário, centrado basicamente na glosa de parte das despesas autuadas, visto que todo o montante relativo às supostas operações fraudulentas foi considerado improcedente pela decisão recorrida. Os autos foram encaminhados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Como demonstrado no relatório, o Recurso Voluntário versa unicamente sobre a glosa de despesas efetuada pela autoridade fiscal, visto que as infrações decorrentes da omissão de receitas operacionais foram exoneradas na decisão recorrida. Sobre o tema, assim dispõe o artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). §1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). §2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/09/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18470.730856/201284 Acórdão n.º 1201001.025 S1C2T1 Fl. 14 13 Assim, temos que as despesas aceitas pela legislação são aquelas capazes de gerar resultados para a empresa e, nesse sentido, devem guardar pertinência com a atividade desempenhada. A decisão recorrida enfrentou a questão, anulando as glosas relativas aos contratos celebrados com a empresa Afa de Carvalho Serviços de Assessoria em Gestão Empresarial Ltda. (fls. 908/910). A Recorrente argumenta que as despesas com aquisição e seguros relativas a três veículos do tipo pickup (uma Toyota Hilux, uma da marca Chevrolet e outra da marca Nissan) dizem respeito a atividades intrínsecas da empresa e, portanto, não podem ser glosadas. Entendo que o argumento é razoável, visto que a autoridade lançadora não questionou a existência de tais despesas, mas sim a sua necessidade. Como a própria Recorrente reconhece que as despesas com os demais veículos e bens de propriedade de diretores da empresa não são pertinentes à sua atividade, creio que, em relação a esses três veículos, a glosa deva ser excluída, na esteira do entendimento desta Turma, visto tratarse de despesas com terceiros e cuja ocorrência não foi contestada pela autoridade fiscal. Fizemos o cotejo dos valores e datas apresentados pela Recorrente com a planilha que demonstra as despesas glosadas (Infração 31), de fls. 386 a 425. Consideramos apenas os valores encontrados na planilha elaborada pela autoridade fiscal, sendo que para a pickup marca Toyota Hilux não foi encontrada a despesa de revisão (R$ 394,98, de 11/02/08) e do pagamento 14/36, de 12/12/08, no valor de R$ 2.593,78. Para os veículos das marcas Chevrolet e Nissan não encontramos divergências entre a planilha apresentada pela Recorrente e aquela que contém as glosas efetuadas pela autoridade fiscal. Assim, o valor total das glosas anuladas, relativas aos veículos, é de R$ 70.350,07. Quanto às notas fiscais emitidas por Heliana Lustman Consultoria de Projetos e Arquitetura Ltda., entendo ser pertinente afastar a glosa das notas de fls. 913 e 914, ante o fato de tais serviços serem, em tese, compatíveis com as atividades desempenhadas pela Recorrente. Como existe presunção de veracidade para tais documentos, que não foi contestada pela autoridade fiscal, entendo ser pertinente o argumento trazido pela Recorrente. Todavia, o raciocínio não se aplica à nota fiscal de fls. 515, que traz em sua descrição “50% do 13o Salário”. Nesse caso, se realmente se tratar de salário não poderia tal montante ser pago mediante nota fiscal, em clara desobediência às normas trabalhistas e previdenciárias. Tendo em vista que a Recorrente não trouxe aos autos qualquer documentação ou explicação em relação a este documento, consideroo insuficiente para afastar a glosa. Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/09/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18470.730856/201284 Acórdão n.º 1201001.025 S1C2T1 Fl. 15 14 Assim, o montante das glosas anuladas, referentes aos pagamentos realizados à empresa Heliana Lustman Consultoria de Projetos e Arquitetura Ltda. é de R$ 9.369,00. No caso dos serviços prestados pela empresa MLP Consultoria Técnica Imobiliária Ltda. existe apenas uma nota fiscal, acostada aos autos às fls. 916. A partir da teoria das provas, fundamento necessário para a demonstração das despesas necessárias incorridas pela empresa, entendo que o valor constante do documento, de R$ 15.577,00 pode ser retirado do total de glosas. Igual sorte não assiste às demais despesas relativas a esse prestador de serviços, por absoluta ausência de prova nos autos, dado que não se pode presumir o seu conteúdo ou fundamento. Como a própria Recorrente pugna pela existência e amparo de documentos idôneos como suporte aos lançamentos contábeis, a sua não apresentação invalida o argumento e, por decorrência lógica, subsidia a manutenção das demais glosas. Por fim, quanto à nota fiscal nº 19.154, de 02/01/2008, emitida por João Maurício de Araújo Pinho Consultores e Advogados S/C, que foi apresentada pelo interessado para a comprovação de serviços prestados de assessoria fiscal no valor de R$ 5.250,00, às fls. 917, a simples leitura do documento nos permite aferir que a tomadora do serviço foi a Recorrente, razão pela qual o montante de R$ 5.250,00 deve ser excluído das glosas. Quanto às duas notas fiscais emitidas pelo mesmo escritório de advocacia, no valor de R$ 258,77 cada, convém ressaltar que esses montantes não foram listados pela autoridade lançadora, como bem observou a decisão recorrida. No que tange ao Recurso de Ofício, interposto em razão do montante exonerado a título de IRPJ, CSLL e reflexos, entendo que os argumentos expendidos no voto que foi aprovado à unanimidade são consistentes, no sentido de que a empresa atuou dentro da legalidade para a economia de tributos, posição que pode ser sintetizada no seguinte parágrafo: Em sendo assim, não há que se falar em omissão de receita. A receita apurada na alienação dos terrenos foi devidamente tributada nas empresas CH01 e CH02 e CH03, que optaram pelo lucro presumido pois não se enquadravam nas hipóteses de obrigatoriedade de apuração pelo lucro real prevista no art.14 da Lei nº 9.718, de 1998. Com efeito, a análise dos autos nos permite concluir que a interessada atuou dentro dos limites da legalidade, ao optar pela forma de tributação do lucro na modalidade presumida, circunstância que não é vedada, em lei, para a espécie. Entendo ser direito do contribuinte escolher o caminho jurídico e econômico mais vantajoso para os seus negócios, desde que não haja óbice legal. No caso em tela percebe se que a conduta da Recorrente não implicou planejamento tributário abusivo nem tampouco abuso de direito, mas apenas uma opção condizente com a lógica do mercado em que atua. Também não há de se falar em simulação, pois os documentos, contratos e documentos legais existem e foram devidamente registrados, além do que restou evidente o seu propósito negocial. Somese a isso o fato, bastante relevante, de que os tributos pertinentes foram recolhidos e, por decorrência lógica, podemos reconhecer a licitude dos procedimentos, razão pela qual entendo que não merece reparos a decisão recorrida. Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/09/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 18470.730856/201284 Acórdão n.º 1201001.025 S1C2T1 Fl. 16 15 Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO, para reduzir a glosa autuada em R$ 105.546,07 mantendo, quanto ao restante, inalterada a decisão de primeira instância, razão pela qual CONHEÇO do Recurso de Ofício e NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/09/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 15504.725503/2012-30
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL (ECD). MULTA POR ATRASO.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
Numero da decisão: 1802-002.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1651; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 36 1 35 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.725503/201230 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802002.328 – 2ª Turma Especial Sessão de 27 de agosto de 2014 Matéria Obrigações Acessórias Recorrente NC PARTICIPAÇÕES E CONSULTORIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL (ECD). MULTA POR ATRASO. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 55 03 /2 01 2- 30 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.725503/201230 Acórdão n.º 1802002.328 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG), que por unanimidade de votos julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela contribuinte. 710 Por economia processual, passo a adotar o relatóorio da DRJ: “Contra o sujeito passivo foi lavrada a notificação de lançamento, relativa a INFRAÇÕES À LEGISLAÇÃO SUJEITAS A MULTAS POR FALTA/ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÕES anual, PA 2009, com exigência de crédito tributário no valor de R$ 100.000,00 e acréscimos legais. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 124/133) contra o lançamento alegando que a ECD viola o princípio da legalidade, pois foi instituída por Instrução Normativa. Além disso, não observa os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Cita jurisprudência. Acrescenta que procedeu a entrega da declaração quando intimada pela fiscalização. Pede o cancelamento ou quando menos que seja reduzido de forma a atender aos preceitos da razoabilidade e proporcionalidade.” A DRJ em Belo Horizonte (MG) julgou parcialmente procedente a impugnação, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 ECD. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória não definitivamente julgado, aplicase a nova lei quando cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua lavratura. Impugnação Procedente em Parte Fl. 198DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.725503/201230 Acórdão n.º 1802002.328 S1TE02 Fl. 38 3 Crédito Tributário Mantido em Parte” Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 11/03/2013, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (efl. 157 e segs) em 10/04/2013, onde reitera todas as alegações feitas por ocasião de sua impugnação para que seja reformada a sentença no que tange a parte . Este é o Relatório. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.725503/201230 Acórdão n.º 1802002.328 S1TE02 Fl. 39 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. O processo versa sobre a entrega intempestiva da Escrituração Contábil Digital (ECD) que é parte integrante do projeto SPED e tem por objetivo a substituição da escrituração em papel pela escrituração transmitida via arquivo, ou seja, corresponde à obrigação de transmitir, em versão digital, os seguintes livros: a) Livro Diário e seus auxiliares, se houver; b) Livro Razão e seus auxiliares, se houver; c) Livro Balancetes Diários, Balanços e fichas de lançamento comprobatórias dos assentamentos neles transcritos. Para fins de esclarecimentos, o Departamento Nacional de Registro do Comércio (DNRC) adota a terminologia “Livro Digital”, a Receita Federal do Brasil (RFB) utiliza “Escrituração Contábil Digital” e o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) utiliza “Escrituração Contábil em Forma Eletrônica”. No senso comum usamos o termo “Sped Contábil”. Legislativamente o Sped foi instituído pelo Decreto nº 6.022/2007. A Instrução Normativa DREI nº 111/2013 dispos sobre os procedimentos para a validade e eficácia dos instrumentos de escrituração dos empresários individuais, das empresas individuais de responsabilidade Ltda (Eireli), das sociedades empresárias das cooperativas, dos consórcios, dos grupos de sociedades, dos leiloeiros, dos tradutores públicos e intérpretes comerciais. A Resolução CFC nº 1.299/2010 aprovou o Comunicado Técnico 04 que definiu as formalidades da escrituração contábil em forma digital para fins de atendimento ao Sistema Público de Escrituração Digital (SPED). A Instrução Normativa RFB nº 787/2007 (com as alterações das Instruções Normativas RFB nº 825/2008, 926/2009, 1.056/2010, 1.139/2011 e 1.352/2013 instituiram a Escrituração Contábil Digital. Posteriormente veio ainda a Instrução Normativa RFB nº 1.420/2013. Quanto as obrigações acessórias assim dispõe a Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, (Código Tributário Nacional CTN): “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. [...] § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.725503/201230 Acórdão n.º 1802002.328 S1TE02 Fl. 40 5 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. [...] Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.” Verificase que há previsão legal no sentido de que, “sua inobservância” (que podese entender como a não entrega ou a entrega fora dos prazos estabelecidos) acarreta imposição de “penalidade pecuniária”, ou, dito de forma simples, imposição de multa. A ECD deveria ser transmitida anualmente ao Sped até o último dia útil do mês de junho do ano seguinte ao anocalendário a que se refira a escrituração com a utilização do Programa Validador e Assinador (PVA), especificamente desenvolvido para tal fim e que será disponibilizado na página da RFB na Internet. De acordo com o art. 57, da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com a nova redação dada pela Lei nº 12.766/2012, o sujeito passivo que deixar de apresentar, nos prazos fixados, declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16, da Lei nº 9.779/1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões, será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos pela RFB e sujeitarseá às seguintes multas: I por apresentação extemporânea: a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) por mêscalendário; III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.725503/201230 Acórdão n.º 1802002.328 S1TE02 Fl. 41 6 § 1º Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). § 2º Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. § 3º A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício. Por todo o exposto, as alegações aduzidas pela Recorrente quanto a legalidade da multa não podem prosperar. Como se observa tanto da Impugnação como do Recurso Voluntário, o contribuinte não olvida que a entrega ocorreu efetivamente em atraso, não instaurando assim litígio nessa parte. Ademais, pretensas inconstitucionalidades de leis, que não tenham sido decretadas com efeito erga omnes pelo Poder Judiciário, não podem ser apreciadas na esfera administrativa, que se limita ao cumprimento das determinações legais. Essa matéria já está sumulada no próprio Conselho, de modo que me reporto a Súmula nº 2 a seguir transcrita: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Assim sendo voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 202DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.962391/2008-17
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO.
Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco.
Numero da decisão: 3802-002.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE o provimento.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco Jose Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Waldir Navarro Bezerra e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO. Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE o provimento. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco Jose Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Waldir Navarro Bezerra e Solon Sehn.
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO. Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 23 91 /2 00 8- 17 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco Jose Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Waldir Navarro Bezerra e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra Acórdão lavrado pela 6ª Turma da DRJ de São Paulo, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem resumir a controvérsia até a respectiva fase processual, tomo emprestado a descrição fática lançada no acórdão da instância a quo acima referido (fls. 42 e seguintes): 1. A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação n° 38335.89078.101104.1.3.044235 em 10/11/04 (fls. 06/10), pleiteando a compensação de débitos de PIS, com créditos de PIS, decorrentes de suposto pagamento a maior ou indevido efetuado em 14/06/02. 2. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico de fl. 01, emitido em 11/12/08, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 3. Cientificado da decisão em 05101/09 (fls. 04/05), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 11/14) alegando, em síntese, que: 3.1 Como se pode observar no demonstrativo da composição das bases de cálculo, o crédito de PIS utilizado para sua compensação referese A parcela da contribuição Fl. 212DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.962391/200817 Acórdão n.º 3802002.275 S3TE02 Fl. 184 3 indevidamente paga sobre valores relativos As saídas gratuitas ("brindes") de seus produtos. 3.2 Se a base de cálculo tanto do PIS quanto da COFINS é constituída pela receita ou pelo faturamento, não há que se falar em ocorrência do fato gerador sobre o valor de notas fiscais de saída de mercadorias, sem que haja de fato ou de direito a correspondente receita ou faturamento. 3.3 Ao compor a base de cálculo das contribuições, cometeu equivoco de incluir valores que não constituíam sua receita ou faturamento, e deveria ter apresentado retificações de suas declarações para excluir destas bases de cálculos do PIS e da COFINS estes valores. 3.4 Em determinados casos, suas declarações não foram retificadas, e assim, cometeu erro de fato no procedimento tendente A apresentação desta PER/DCOMP. 3.5 Tal equivoco não macula seu direito à obtenção dos créditos, de fácil apuração, caso a autoridade administrativa competente tivesse cumprido sua obrigação legal e diligenciado ao estabelecimento da ora requerente, como determina o artigo 24 da IN SRF 600/2005. 3.6 Não procedendo assim, o despacho decisório representa ofensa aos princípios da moralidade administrativa, da razoabilidade, da finalidade e da oficialidade, além de ensejar o enriquecimento sem causa da União, ferindo o capuz do artigo 37 da Carta Magna, e os artigos 2°, 3°, inciso I, e 50, inciso I da Lei 9.784/99. 3.7 Requer a reforma do Despacho Decisório, reconhecendo seu direito creditório na sua totalidade e homologando a compensação do PER/DCOMP. 4. É o relatório. Ao analisar a reclamação, a 6ª Turma da DRJ/SPO entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo a glosa do crédito requerido pela contribuinte e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA COFINS Anocalendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para Fl. 213DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgador de 1ª instância entendeu que as provas apresentadas pelo contribuinte (balancete e resumo da apuração) não eram suficientes para demonstrar o direito creditório suscitado. Em seu Recurso Voluntário (fls. 67 e seguintes), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, sob o argumento de que, ao contrário do indicado na decisão recorrida, a DRJ não deveria ter indeferido de plano seu pedido ante a suposta ausência de provas, pois cabe a ela verificar a materialidade do crédito suscitado; e que, ainda que se entendesse pela possibilidade de a DRJ negar o pedido ante a ausência de provas, o Recorrente apresenta, além das provas acostadas à manifestação de inconformidade, cópias dos Livro Registro de Saídas do ICMS, demonstrando a veracidade das suas alegações. Com base nos argumentos apresentados, a Recorrente pede a procedência do Recurso Voluntário para que seja reformada a decisão de 1ª instância e, consequentemente, homologadas as compensações efetuadas. Voto Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi, Relator O presente recurso é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. Tratase de processo de revisão de compensação, em que o contribuinte embasa seu pleito na alegação de que teria, equivocadamente, submetido à tributação de PIS e COFINS diversas saídas de brindes. No caso em tela, instado pela DRJ a apresentar provas cabais da materialidade de seu crédito, a Recorrente apresentou uma série de documentos – basicamente, além das informações do balancete que apresentou em sede de manifestação de inconformidade, consta um demonstrativo das notas fiscais do período envolvido no seu pedido e uma cópia do Livro Registro de Saídas do ICMS, que indica que as notas fiscais foram efetivamente escrituradas. Acontece que as provas apresentadas ainda não são suficientes para demonstrar a materialidade dos créditos do Recorrente. Vejase. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.962391/200817 Acórdão n.º 3802002.275 S3TE02 Fl. 185 5 O balancete apresentado pelo sujeito passivo apresenta os saldos das contas contábeis, com ênfase para as contas referentes às saídas a título gratuito. Além do balancete, foi acostado um relatório indicando as notas fiscais de CFOP referente a tais saídas. No entanto, esse relatório não indica totalização para fins de conferência dos saldos das contas indicadas no balancete apresentado. Outrossim, o Livro Registro de Saídas não indica o CFOP apresentado pelo sujeito passivo, o que não permite a aferição das informações apresentadas em seu relatório. Somase a isso o fato de que não há cópia de sequer uma nota fiscal no processo, o que permitiria verificar cabalmente os dados informados naquele documento fiscal. Ora, no rito do processo de análise de pedidos de compensação ou ressarcimento, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. No caso em tela, o Recorrente não me parece ter demonstrado, de modo cabal, a verdade material que lhe assiste. Nesse sentido, importante destacar que o julgador não pode se basear em planilhas internas apresentadas pelo contribuinte. Vale repisar, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de ressarcimento o contribuinte deve demonstrar cabalmente as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Em que pese a juntada de planilhas, temse que estas são nada além de um arrazoado na forma esquemática, ou mesmo matemática. Mas sempre arrazoado, não prova. Prova é a documentação, oponível ao fisco, que redunde em demonstração inequívoca do direito de crédito. Sobre essa prova é que deverão ser elaboradas planilhas resumo; porém é certo que as planilhas, em si, não constituem prova. Friso ainda que, com relação à afirmação do Recorrente, de que há presunção de veracidade nas declarações apresentadas, que mais do que declarações, é necessário que o conjunto fáticoprobatório dos autos é fundamental para se assegurar o direito de crédito suscitado em DCOMP. A presunção de boa fé nas informações, da maior importância para todo o ordenamento jurídico, não pode se sobrepor à necessidade de instrução probatória (ou seja, documental e não meramente informativa) no rito da revisão de compensação. Destarte, oriento meu voto no sentido de que seja mantida a decisão de primeira instância, mantendo a glosa das compensações, pois o Recorrente não demonstrou cabalmente a origem dos créditos de PIS/COFINS a serem compensados. Conclusão Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 215DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13654.000877/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE PROVA.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar a dedução de despesas médicas. Contudo, não se admite a dedução de despesas médicas, quando presente a existência de indícios de que os serviços a que se referem os recibos não foram de fato executados e o contribuinte intimado deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade da prestação dos serviços.
Assim, nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando, porém, os recibos não forem suficientes à comprovação da despesa, cabe ao contribuinte fazer prova - por quaisquer outros meios - de que os recibos correspondem a serviços efetivamente prestados e pagos, sob pena de prevalecer a glosa das referidas despesas.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. CABIMENTO.
Cabível a aplicação da multa de ofício e juros de mora sobre diferenças do imposto lançados de ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-002.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
José Raimundo Tosta Santos
Presidente à época da formalização.
Assinado digitalmente
Carlos André Rodrigues Pereira Lima
Redator Ad Hoc
EDITADO EM: 14/05/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NUBIA MATOS MOURA, ACACIA SAYURI WAKASUGI, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ACACIA SAYURI WAKASUGI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 IRPF. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE PROVA. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar a dedução de despesas médicas. Contudo, não se admite a dedução de despesas médicas, quando presente a existência de indícios de que os serviços a que se referem os recibos não foram de fato executados e o contribuinte intimado deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade da prestação dos serviços. Assim, nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando, porém, os recibos não forem suficientes à comprovação da despesa, cabe ao contribuinte fazer prova - por quaisquer outros meios - de que os recibos correspondem a serviços efetivamente prestados e pagos, sob pena de prevalecer a glosa das referidas despesas. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa de ofício e juros de mora sobre diferenças do imposto lançados de ofício. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente José Raimundo Tosta Santos Presidente à época da formalização. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Redator Ad Hoc EDITADO EM: 14/05/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NUBIA MATOS MOURA, ACACIA SAYURI WAKASUGI, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
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DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE PROVA. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar a dedução de despesas médicas. Contudo, não se admite a dedução de despesas médicas, quando presente a existência de indícios de que os serviços a que se referem os recibos não foram de fato executados e o contribuinte intimado deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade da prestação dos serviços. Assim, nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando, porém, os recibos não forem suficientes à comprovação da despesa, cabe ao contribuinte fazer prova por quaisquer outros meios de que os recibos correspondem a serviços efetivamente prestados e pagos, sob pena de prevalecer a glosa das referidas despesas. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa de ofício e juros de mora sobre diferenças do imposto lançados de ofício. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 4. 00 08 77 /2 00 8- 13 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Assinado digitalmente José Raimundo Tosta Santos Presidente à época da formalização. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Redator Ad Hoc EDITADO EM: 14/05/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NUBIA MATOS MOURA, ACACIA SAYURI WAKASUGI, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório O procedimento fiscal contra o contribuinte SERGIO DIAS DUTRA, CPF nº 166.815.09649, teve início através Notificação de Lançamento (fls. 0912), lavrado em 30/06/2008, que lhe exige o recolhimento de crédito tributário nos seguintes termos: IMPOSTO SUPLEMENTAR (Sujeito a multa de ofício) R$ 5.087,50; MULTA DE OFÍCIO (passível de redução) R$ 3.815,62; JUROS DE MORA (Calculados até 30/06/2008) R$ 2.977,20; VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO R$ 11.880,32. Decorreu tal lançamento da apuração de dedução indevida a título de despesas médicas, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução, em relação às quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos, conforme termos de intimação de fls. 1314. O contribuinte foi cientificado da Notificação de Lançamento em 09/07/2008, conforme AR de fls. 46, apresentando manifestação em 01/08/2008, constante as fls. 0106, juntando documentos as fls. 1340, aduzindo, em resumo, o que segue: i. Preliminarmente, que a notificação possui nulidade, que a glosa por despesas médicas é infundada, pois apresentou documentos comprobatórios, cumprindo intimação feita em 17/03/2008. ii. Alega que não tem o costume de fazer seus pagamentos com cheques e, em especial, os pagamentos as pessoas referidas na notificação foram feitas em espécie. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 3 iii. Aduz que totalmente ilegal o pedido que consta no Termo de intimação Fiscal, ao solicitar outro meio de comprovação que não seja o previsto na Lei nº 9.250/1995, juntando, novamente fez a juntada dos recibos dos profissionais prestadores dos serviços na área médica. iv. Juntou também declarações dos profissionais, onde constam a que tais profissionais prestaram o serviço e receberam o pagamento em dinheiro. A 4ª Turma da DRJ/JFA, Juiz de Fora/MG, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0925.421 de fls. 4854, de 31 de julho de 2009, por unanimidade de votos, considerar improcedente a impugnação apresentada, mantendo o lançamento formalizado, nos termos da ementa que segue abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2004 NULIDADE. INOCORRÉNCIA. Uma vez que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não há que se cogitar nulidade processual, nem nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. DEDUÇÕES.DESPESAS MÉDICAS. Havendo a autoridade fiscal efetuado a glosa de despesas médicas devido falta de comprovação dos gastos financeiros correspondentes por parte do contribuinte, não há justificativa para seu restabelecimento sem a confirmação do efetivo desembolso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O contribuinte tomou ciência da decisão a quo, em 09/04/2010, conforme intimação através do AR de fls. 57, da qual interpôs recurso voluntário, postado via correio na data de 11/05/2010, argumentando o que segue: i. Aduz que era exigível que a fiscalização tivesse concentrado seus esforços na aferição da efetividade das despesas, questionando porque os autos não baixaram em diligência, para intimação dos profissionais prestadores de serviço. ii. Alega a presunção de veracidade dos documentos juntados, principalmente das declarações dos prestadores de serviços, argumentando, ainda, que “fraude não se presume, provase”. iii. Da mesma forma, argumenta que o fisco não impugnou de forma direta a documentação juntada, requerendo, ao final a nulidade do auto de infração e, por consequência, do crédito tributário pretendido. iv. Requereu a juntada posterior de documentos. É o Relatório. Voto Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi, Relatora. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Antes de adentrar no mérito, cabe sinalar a cerca da interposição do recurso voluntário via correio, o qual é tempestivo haja visto que o contribuinte tomou ciência da decisão da DRJ, em 09/04/2010, conforme intimação através do AR de fls. 57, da qual interpôs recurso voluntário, postado via correio na data de 11/05/2010, assim é tempestivo o recurso e atende aos demais requisitos de admissibilidade; portanto dele conheço. Neste sentir, cabe colacionar o entendimento do STJ: “RECURSO ADMINISTRATIVO – MANDADO DE SEGURANÇA – INTERPOSIÇÃO POR VIA POSTAL. TRATANDOSE DE RECURSO ADMINISTRATIVO INTERPOSTO COM FUNDAMENTO NO ART. 18 DA LEI N. 8.742, DE 7/9/93, O EXAME DE SUA TEMPESTIVIDADE HÁ DE LEVAR EM CONTA A DATA DA RESPECTIVA POSTAGEM NOS CORREIOS, SENDO IRRELEVANTE, PARA ESSE FIM, A DATA DE PROTOCOLO NAS DEPENDÊNCIAS DO ÓRGÃO JULGADOR. 2. SEGURANÇA CONCEDIDA. (STJ – 1ª SEÇÃO – MS N. 12.034 – DF. REL. MIN. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA; J. 27.06.2007; V.U.) Passemos ao cerne da insurgência do contribuinte: No recurso, o contribuinte suscita no mérito que a autoridade julgadora de primeira instância justificou a manutenção da infração, sob a alegação de que o contribuinte não teria se desincumbido de fazer a comprovação do efetivo pagamento das despesas consignadas nos recibos, pois não houve comprovação do pagamento em moeda para os dentistas e psicólogos, não tendo sido comprovado as ditas despesas nos seguintes termos de fundamentação: (...) “Contudo, existindo dúvidas por parte do Fisco quanto à veracidade dos gastos declarados, pode a autoridade fiscal, visando firmar sua convicção sobre o assunto em pauta, exigir do contribuinte outros meios complementares de provas, tais como cópias de cheques fornecidas pela instituição bancária, comprovantes de depósitos na conta corrente do prestador dos serviços, comprovantes de transferências eletrônicas de .fundos, transferências interbancárias, comprovantes de transmissão de ordens de pagamentos, e, no caso de pagamentos efetuados em dinheiro, extratos bancários que demonstrem a realização de saques em datas e valores coincidentes ou aproximados em relação aos pagamentos em questão, podendo também o interessado apresentar outros que julgar convenientes, desde que surtam os devidos efeitos legais” (...) Vale destacar que usualmente a apresentação dos recibos emitidos por profissionais habilitados tem sido tomada como satisfatória para a comprovação de despesas médicas, de modo que, a autoridade fiscal somente tem exigido a comprovação do efetivo pagamento nos casos em que pairam dúvidas quanto à idoneidade dos recibos, como por exemplo, quando constatado que o contribuinte fez uso de recibos inidôneos, cuja investigação da autoridade fiscal culminou com a emissão de Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz. Apenas para melhor aclarar, segue descrição das despesas e a análise quanto a juntada ou não de documentos comprobatórios do dispêndio declarado na DAA: A. Pagamentos Realizados a Dentista Fabiana Fonseca (fls. 18/20). Recibos em R$: maio/2003 650,00 agosto/2003 530,00 outubro/2003 350,00 novembro/2003 550,00 dezembro/2003 420,00 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 5 Foi juntado prontuário médicodentário que informa que os pagamentos foram feitos em espécie, havendo quitação em 15122003, totalizando R$ 2.500,00 (tratamento de rotina) e declaração de Fabiana P. Fonseca, CROMG 22636, CPF/MF 857.073.68604, a qual informa ter recebido o montante de R$ 2.500,00, em moeda corrente, atinente a tratamento dentário de Sérgio Dias Dutra (fls. 37). B. Pagamentos Realizados ao Dentista Marcelo Leite Mesquita, no montante de R$7.000,00 (dentista dos dependentes: Douglas Dutra, Vivian Dutra, Priscila Dutra e Karen Dutra). O recorrente juntou em sede de impugnação os seguintes recibos (fls. 21/28) em R$: i. março/2003 400,00 ii.abril/2003 400,00 iii. maio/2003 400,00 iv. junho/2003 400,00 v. julho/2003 400,00 vi. agosto/2003 1000,00 vii. setembro/2003 1000,00 viii. outubro/2003 1000,00 ix. novembro/2003 1000,00 x. dezembro/2003 1000,00 Há descritivo dos pacientes: a. Douglas Dutra, tratamento totalizando R$ 2000,00; b. Priscila Dutra, tratamento totalizando R$ 1.000,00; c. Vivian Dutra, tratamento totalizando R$ 2.000,00; d. Karen Dutra, tratamento totalizando R$ 2.000,00. Juntouse também declaração de Marcelo Leite Mesquita, CROSP 84.351, CPF/MF 166.815.09649, o qual informa ter recebido o montante de R$ 7.000,00, em moeda corrente, atinente a tratamento dentário dos filhos de Sérgio Dias Dutra (fls. 37). C. Pagamentos Realizados ao psicoterapeuta familiar (psicólogo) Gualter Naves Corrêa, no valor de R$4.500,00 (fls. 29/32). Recibos em R$: jan/2003 450,00 fev/2003 450,00 março/2003 450,00 abril/2003 500,00 maio/2003 500,00 junho/2003 500,00 julho/2003 500,00 agosto/2003 400,00 setembro/2003 350,00 outubro/2003 350,00 Foi juntado declaração de Gualter N. Corrêa, psicólogo e psicopedagogo, CRP/MG 17.614 e CPF/MF 555.115.46615, o qual informa ter recebido o montante de R$ 4.500,00, em moeda corrente, atinente a tratamento psicólogo de Sérgio Dias Dutra (fls. 40). Apesar da declaração, não há a comprovação dos recibos referentes aos meses de novembro e dezembro, havendo uma diferença de R$ 2.050,00. Assim, somandose os recibos juntados têmse o montante de R$ 2.450,00, logo valor divergente daquele alegado como despesas efetivadas em sede de DAA e na declaração juntada as fls. 40. D. Pagamentos Realizados a psicoterapeuta familiar (psicóloga e psicopedagoga) Rosimary Aparecida de Oliveira M Vilela, no valor de R$4.500,00 (fls. 33/36) Recibos em R$: janeiro/2003 375,00 fevereiro/2003 375,00 março/2003 375,00 abril/2003 375,00 maio/2003 375,00 junho/2003 375,00 julho2003 375,00 agosto/2003 375,00 setembro/2003 375,00 outubro/2003 375,00 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 novembro/2003 375,00 dezembro/2003 375,00 Também fora anexado declaração de Rosimary A. de Oliveira M. Vilela psicoterapeuta familiar, CRP 14197 , a qual informa ter recebido o montante de R$ 4.500,00, em moeda corrente, atinente a tratamento dentário de Sérgio Dias Dutra (fls. 39). E. No que concerne às despesas/pagamentos realizados: i. à UNIMED Lavras Cooperativa de Trabalho Médico, não fora comprovado ou juntado qualquer apontamento que comprove tal dispêndio declarado na DAA no montante de R$ 4.484,35. ii. Da mesma sorte, não fora juntado qualquer comprovante a despeito do gasto incorrido junto ao plano de saúde (CNPJ 66.477.217/000103), Ministério da Saúde no valor de R$ 1.492,25. Mesmo com a juntada de recibos, prontuários médicos e declarações de pagamento pelos profissionais liberais, em análise do recurso voluntário sobre as provas carreadas, temse que as mesmas não são provas suficientes para a comprovação das despesas nos termo do art. 80, § 1ºdo RIR/99, a saber: Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei n º 9.250, de 1995, art. 8 º , inciso II, alínea "a"). § 1 º O disposto neste artigo (Lei n º 9.250, de 1995, art. 8 º , § 2 º ): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Neste sentir, gizase que os recibos emitidos por profissionais da área de saúde, sejam psicólogos, terapeutas, dentistas e outros, não se admite a dedução de despesas médicas, quando presente a existência de indícios de que os serviços a que se referem os recibos não foram de fato executados e o contribuinte intimado, deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade da prestação dos mesmos. Para tanto contribuem para a formação deste entendimento os seguintes fatores, que devem aqui ser levados em consideração pelo seu conjunto: i. Ainda que os recibos juntados preencham os requisitos da lei, eles são quase que na sua totalidade idênticos. O Recorrente aduz que todos os pagamentos foram realizados em moeda corrente, perfazendo um montante considerável de R$ 18.500,00, o qual parece inconcebível que o contribuinte tenha tido dificuldades de trazer aos autos outras Fl. 90DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 7 provas (como cópia de extratos bancários), de forma comprovar a efetivação de tais despesas; ii. Finalmente, analisando a DAA 2004 mesmo que o recorrente possua renda suficiente ao suporte das despesas, exatamente pelo fato do contribuinte ser pessoa instruída a qual possui renda percebida de pessoas jurídicas e patrimônio relevante, como seria possível o acolhimento do pleito recursal de que “o recorrente juntará aos autos planilhas calcadas nos extratos bancários do ano de 2003, os quais já teriam sido solicitados às instituições financeiras, mas não foram disponibilizados pelos bancos”, se o contribuinte teve prazo, mais do que suficiente, para trazer aos autos prova robusta dos dispêndios? Assim, a mera alegação do recorrente que juntará a sua defesa documentos a posteriori, tendo em vista a ausência de qualquer petição neste sentido, esgotase com o julgamento a possibilidade do contribuinte em acarrear outras provas aos autos. Outra sorte não merece as glosas realizadas junto asdespesas realizadas, a título de custos com plano de saúde, dispêndios os quais que não há qualquer indício de prova nos autos sobre pagamentos, os quais seriam naturalmente comprovados com extratos junto a(s) instituição(ões) gestora(s) do(s) planos, pessoas jurídicas estas que também são fontes pagadoras do Recorrente, o que por si só facilita o requerimento das provas solicitada desde a fiscalização. Ressaltese mais uma vez que a decisão recorrida esclareceu perfeitamente os motivos pelos quais as glosas deveriam ser mantidas e, tendo a DRJ considerado boa parte das despesas médicas declaradas. Assim, caberia ao Recorrente ter comprovado com robustez a prova do pagamento e da efetividade da prestação dos serviços no intuito de demonstrar o seu bom direito. No que concerne a aplicação dos acréscimos legais multa de ofício e juros de mora , salientamos que uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála. A base legal para a multa e juros aplicados está indicada no anexo do auto de infração. Assim enganase o recorrente ao reclamar da multa e juros aplicados, pois são consequências pelo não recolhimento do tributo, apurado em procedimento de fiscalização, conforme mandamento legal vigente. Concluise, com fundamento no exposto, que não há possibilidade legal para se considerar a exclusão da multa e juros no lançamento impugnado. Em não havendo outras insurgências, devem ser mantidas as glosas em questão. Ante o exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO. Sala das Sessões, em 15 de março de 2013. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Redator Ad Hoc Fl. 91DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 18471.001655/2006-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Exercício: 2001, 2002
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
Insubsistindo o lançamento principal sobre determinados fatos que não restaram constituídos ou caracterizados, acompanham a mesma sorte os demais lançamentos decorrentes dos mesmos fatos.
No caso em tela, sendo verificado que as despesas com a contratação de serviços advocatícios mostraram-se necessárias ao desempenho da atividade e à manutenção da fonte pagadora da recorrente, é plausível sua dedutibilidade para fins de imposto de renda de pessoa jurídica.
Numero da decisão: 1302-001.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. Conforme posição pacífica deste Conselho, são dedutíveis as despesas usuais pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa e voltadas para a manutenção da respectiva fonte produtora, nos termos do art. 299, do RIR/99. No caso em tela, sendo verificado que as despesas com a contratação de serviços advocatícios mostraramse necessárias ao desempenho da atividade e à manutenção da fonte pagadora da recorrente, é plausível sua dedutibilidade para fins de imposto de renda de pessoa jurídica. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2001, 2002 PAGAMENTO SEM CAUSA. INOCORRÊNCIA. Comprovadas, através de documentação hábil e idônea, as efetivas prestações dos serviços contratados pela Recorrente, não há que se falar em pagamento sem causa nos termos do artigo 61 da Lei n° 8.981/95. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 2001, 2002 LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Insubsistindo o lançamento principal sobre determinados fatos que não restaram constituídos ou caracterizados, acompanham a mesma sorte os demais lançamentos decorrentes dos mesmos fatos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 16 55 /2 00 6- 18 Fl. 790DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Fl. 791DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001655/200618 Acórdão n.º 1302001.455 S1C3T2 Fl. 744 3 Relatório Tratase de recurso de ofício. Inicialmente, temse que os presentes autos versam sobre a lavratura de auto de infração pelo qual se viu realizado o reajuste da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, bem como a cobrança do valor de R$ 6.107.188,44, a título de IRRF, referentes aos anos calendários de 2001 e 2002, conforme discriminado em autos de infração de fls. 324/339. Entendeu o AFRFB que a empresa fiscalizada não teria comprovado, através de documentação hábil e idônea, a relação direta entre cada pagamento realizado e a efetivação de prestação dos serviços, correspondentes à contratação de serviços advocatícios. Portanto, as despesas correspondentes, contabilizadas como despesas operacionais, foram consideradas como não comprovadas, sendo glosadas pela autoridade fiscal. Além disso, a Recorrente teria contabilizado, a título de despesas financeiras dedutíveis, o pagamento de juros referentes a uma operação de mútuo celebrada com suas controladoras. Tais despesas foram glosadas pelo AFRFB, que compreendeu serem os valores mutuados destinados ao pagamento dos serviços advocatícios contratados, sendo que não se teria comprovado “que todos os valores pagos são dívidas do recorrente”. Em resumo, na origem do presente processo administrativo, o AFRFB convenceuse pela ocorrência dos seguintes fatos, conforme se denota do Termo de Verificação Fiscal (fl. 317/323): a) Que a recorrente foi intimada em 26/07/2006 a apresentar a composição dos valores de R$ 9.908.433,57 e R$ 4.861.249,51 deduzidos como despesas operacionais nos anoscalendários de 2001 e 2002, respectivamente; b) Que em resposta (fls. 108/110), a recorrente apresentou comprovantes de pagamentos efetuados a prestadores de serviços jurídicos (fls. 157/201; 205/231), sumário das ações nas esferas estadual e federal (fls. 101) e cartas de vários escritórios de advocacia atestando a prestação de serviços (fls. 111/156) e demais documentos (fls. 157/316); c) Que a recorrente foi intimada a comprovar com documentação hábil e idônea a efetiva prestação dos serviços jurídicos, apresentando os respectivos contratos, notas fiscais, comprovantes de pagamentos e outros elementos que pudessem comprovar de forma inequívoca a prestação de serviços jurídicos; d) Na mesma intimação foi solicitada à recorrente que informasse qual o seu interesse e necessidade na contratação dos serviços jurídicos; qual o percentual de sua participação, acaso houvesse mais de uma empresa na Fl. 792DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 contratação de serviços; informar se houve o reembolso de despesas por parte das empresas controladas/controladoras; informar se houve empresas prestadores de serviços contratadas no exterior e, caso afirmativo, apresentar os contratos de câmbio e comprovação de IRRF; informar se os pagamentos foram feitos com recursos próprios; e) Após resposta da recorrente (fls. 108/110), em 31/11/2006, o AFRFB chega às seguintes conclusões: e.1) Que a recorrente efetuou despesas jurídicas que não eram somente de sua responsabilidade, mas também de suas controladoras e controladas, mas não determinou a responsabilidade de cada qual para arcar com tais despesas; e.2) Que a recorrente não contabilizou faturamento de serviços ou de qualquer outra origem; e.3) Que a recorrente contabilizou ingressos de recursos a título de mútuo realizado com suas controladoras nos anoscalendários fiscalizados (AC 2001/2002); e.4) Que a recorrente contabilizou os pagamentos das despesas jurídicas com os valores recebidos a título de mútuo; e.5) Que a recorrente contabilizou juros sobre os mútuos com suas controladoras; e.6) Que os valores contabilizados a título de mútuo, e sua correspondente despesas financeira, foram declarados nas DIPJ/2002 e DIPJ/2003 como passível exigível a longo prazo (conta patrimonial) e despesas financeiras (conta de resultado); f) Que muito embora a recorrente tenha comprovado os pagamentos efetuados a título de despesas jurídicas através de notas fiscais de serviços, não houve comprovação da relação direta entre cada pagamento e a efetiva prestação dos serviços, pois a maioria deles se referem a serviços continuados, como por exemplo o acompanhamento de processos ou pedidos de pareceres, sendo que foram apresentados como comprovação da realização dos serviços cópia dos cheques e recibos emitidos pelos escritórios de advocacia; g) Que não ficou comprovada a relação profissional que levasse a recorrente a efetuar remessas de valores ao exterior para o pagamento de despesas de serviços jurídicos, pois a recorrente limitouse a informar que os contratos de câmbio estão registrados no SISBACEN; h) Concluiu, portanto, o AFRFB pela ausência de comprovação efetiva de que os serviços foram realmente prestados e qual o percentual de participação da recorrente no interesse das causas jurídicas, o que justificou a glosa dos valores correspondentes; i) Que com relação à contabilização do saldo de juros devidos pelo mútuo contraído pela recorrente com sua controladora, uma vez não esclarecido qual sua participação nos gastos com escritórios de advocacia e uma vez que teria se utilizado dos valores emprestados para pagamento dos valores devidos, Fl. 793DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001655/200618 Acórdão n.º 1302001.455 S1C3T2 Fl. 745 5 gerando uma despesa financeira, entendeu o fiscal que não se comprovou a responsabilidade integral da recorrente por tais despesas, glosando os valores correspondentes, deduzidos como despesas financeiras; j) Do valor glosado, tributável, o AFRFB procedeu a compensação com o saldo de prejuízo fiscal declarado pela recorrente nos anoscalendários de 2001 e 2002, da seguinte forma: Ano Calend. Prej. Fiscal Declar. Valor Tributável Saldo a Tributar 2001 R$ 10.919.314,59 R$ 6.879.975,19 0 2002 R$ 9.881.607,81 R$ 8.149.610,89 0 k) Que pela falta de justificativa com documentação hábil e idônea dos pagamentos efetuados correspondentes a despesas jurídicas, o AFRFB considerou tais valores como rendimentos líquidos, realizando o reajuste do rendimento bruto da recorrente, sobre o qual fez incidir IRFonte, na alíquota de 35%, conforme art. 674, §3º, do RIR/99. Ato contínuo, uma vez intimada da exação imposta, a empresa fiscalizada apresentou impugnação de fls. 368/403, onde alegou, em síntese: i) Que as despesas operacionais dedutíveis na determinação do lucro real são aquelas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora de receitas, segundo o art. 299, do RIR/99 e Parecer Normativo n.º 32/81; ii) Que as despesas analisadas pelo AFRFB, efetuadas para pagamentos de honorários advocatícios, foram decorrentes de serviços efetivamente prestados e intrinsicamente vinculados às atividades da empresa, portanto dedutíveis; iii) Que é ônus do Fisco a prova da ocorrência dos elementos configuradores do fato gerador, que a presunção de legitimidade do ato administrativo não exime a Administração Tributária de provar o fundamento e legitimidade de sua pretensão; iv) Que, então, cabe ao AFRFB comprovar que as despesas deduzidas na determinação do lucro real não são essenciais ou não foram efetivamente incorridas. Citou jurisprudência deste Conselho; v) Que toda a documentação relativa à comprovação do dispêndio foi devidamente demonstrada, contudo o AFRFB não comprovou que tais despesas deduzidas na apuração do lucro real não foram incorridas com gastos essenciais à sua atividade; vi) Que da simples análise da documentação apresentada pela recorrente deduzse que os serviços jurídicos foram efetivamente prestados e, ainda, que foram pagos com recursos próprios da empresa fiscalizada; vii) Que, segundo o art. 924, do RIR/99, cabe ao Fisco provar a inveracidade dos fatos registrados na sua contabilidade, o que não se verificou no presente caso. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 viii) Que a autoridade fiscal se limitou a afirmar que os serviços referentes às despesas deduzidas do lucro real não foram efetivamente prestados, sem fundamento em qualquer comprovação, o que é inadmissível. Juntou jurisprudência deste Conselho; ix) Que, portanto, o AFRFB não demonstrou que as despesas glosadas não estão intrinsicamente ligadas à fonte produtora da recorrente, bem como não comprovou que os serviços não foram efetivamente prestados, incorrendo em vício insanável o lançamento tributário combatido; x) Que segundo o entendimento deste Conselho, o serviço de natureza imaterial, tal como os serviços jurídicos em questão, pode ter como respaldo de sua prestação a própria escrituração do contribuinte, cabendo ao fisco demonstrar sua inveracidade. Apoiase no art. 8º, do DL n.º 486/69; art. 9, do DL n.º 1.598/77 e art. 894, §1º, do RIR/94; xi) Que nada impede que tais despesas sejam dedutíveis para fins fiscais, pois estão amparadas em ampla documentação que comprovam sua efetividade, tais como notas fiscais, recibos, extratos, comprovantes de pagamentos e cartas dos escritórios prestadores dos serviços; xii) Que não tendo o AFRFB negado a existência ou infirmado a veracidade dos documentos que lastreiam as despesas lançadas pela recorrente, merece o auto ser cancelado; xiii) Que é pacífica a jurisprudência administrativa no sentido que qualquer meio lícito de prova, constituindo indício da efetividade do serviço torna descabida a glosa da despesa. Juntou jurisprudência da Câmera Superior de Recursos Fiscais; xiv) Que as despesas operacionais foram glosadas pelo AFRFB pois a recorrente não teria comprovado a efetividade da prestação do serviço, conforme art. 299, do RIR/99. Contudo, muito embora seja ônus do Fisco, ressalta que apresentou vasta documentação hábil, idônea e suficiente à comprovação da efetividade da prestação dos serviços; xv) Explica que a recorrente foi criada em 1998, tendo como único investimento a participação, de aproximadamente 51%, na Telpart Participações S.A., denominada TELPART; xvi) Que a TELPART detém o controle acionário da Telemig Celular S.A. (TELEMIG) e de Amazônia Celular S.A. (AMAZONIA), concessionárias do serviço público de telefonia móvel em diversos estados brasileiros; xvii) Que conforme amplamente noticiado em canais de comunicação, entre os anos de 2000 e 2003 a recorrente esteve envolvida numa das maiores disputas societárias do país, cujo objetivo principal era o controle acionário da TELPART; xviii) Que por conta de ambiente de intenso litígio, judicial e administrativo (Comissão de Valores Mobiliários – CVM), restou à recorrente contratar serviços de assessoria jurídica, visando resguardar a manutenção de seu único ativo (o controle acionário da TELPART) e de sua subsistência como ente societário; Fl. 795DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001655/200618 Acórdão n.º 1302001.455 S1C3T2 Fl. 746 7 xix) Que houve a contratação de escritório de advocacia no exterior para orientação de como se posicionar com relação à demanda judicial ajuizada naquele foro, a qual refletia no conflito sobre o controle societário da TELPART, o que comprovou através da apresentação de cópia de nota fiscal com tradução juramentada e extratos do SISBACEN que demonstram a existência do contrato de câmbio; xx) Declara que são suas as despesas jurídicas por conta da disputa societária pelo controle da sua única subsidiária, a qual lhe gera a maioria de seus resultados, sendo exigidas para a manutenção de sua fonte produtora de rendimento; xxi) Que muitas vezes houve a necessidade de sigilo nas tratativas, utilizando nomes fictícios, a fim de proteger os acionistas das empresas de capital aberto (TELEMIG e AMAZÔNIA), pelo que inexistem relatórios, atas de reunião, memorandos, e etc, das tratativas sobre tal disputa de cunho societário; xxii) Que segundo o art. 107, do Código Civil, é admitido todas as formas de manifestação de vontade, inclusive a verbal, pelo que a falta de eventual contrato escrito não é suficiente para glosar os valores das despesas; xxiii) Reafirma que apresentou durante o procedimento fiscalizatório declarações emitidas por escritórios, e demais provas, afirmando a efetiva prestação dos serviços, colacionandoas novamente no recurso. A desconsideração pelo Fisco de tais documentos como prova suficiente das despesas havidas torna a prova impossível de ser realizada, o que não seria admitido pelo CARF. Juntou jurisprudência; xxiv) Quanto à glosa das despesas financeiras, alega que segundo ao art. 374, I, do RIR/99, os juros devidos em decorrência de contrato de mútuo celebrados entre a recorrente e suas controladoras devem ser considerados como despesas operacionais e, portanto, dedutíveis na determinação do lucro real; xxv) Que a fundamentação do auto não se sustenta, pois como já demonstrou houve a efetividade e necessidade dos serviços jurídicos prestados, não podendo se falar mais de que os valores pagos não foram dívida sua; xxvi) Que os valores tomados a título de mútuo pela recorrente não se vinculam aos pagamentos dos honorários advocatícios, pois os mesmos foram realizados para atendimento de suas necessidades financeiras relativas a sua atividade essencial, pelo que não poderiam ser glosadas as despesas financeiras correlatas. Juntou jurisprudência; xxvii) Que não houve pagamento sem causa para justificar a incidência de IRFonte, uma vez que tal lançamento parte do pressuposto de que os documentos que lastreiam as despesas com advogados não são hábeis e idôneos para sua comprovação e, portanto, foram consideradas como rendimentos líquidos; Fl. 796DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 xxviii) Que não se sustenta o lançamento nesta parte pois ficou demonstrada a falta de comprovação pelo AFRFB da indedutibilidade das despesas jurídicas, bem como o fato de que as mesmas estão devidamente comprovadas; xxix) Insurgiuse, ainda, a recorrente sobre a ilegalidade da aplicação da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora do lançamento; xxx) Por fim, requereu a declaração de insubsistência do auto de infração, com seu consequente cancelamento. Em seguida, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) do Rio de Janeiro proferiu decisão favorável à recorrente (fls. 718/723), conforme se percebe de ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICAIRPJ Anocalendário: 2001, 2002 DESPESAS, OPERACIONAIS. HONORÁRIOS ADVOCATICIOS. COMPROVAÇAO. Em se tratando de prestação de serviços imateriais, cabível qualquer meio lícito de prova, cumprindo à fiscalização a prova inconteste da inveracidade dos lançamentos contábeis, ancorados em documentação hábil e idônea ou, objetivamente, da absoluta desnecessidade das apropriações. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2001, 2002 PAGAMENTOS SEM CAUSA. Incontestadas, objetivamente, as causas dos desembolsos da pessoa jurídica, identificados os beneficiários, incabível a exigência do IRFONTE na forma do artigo 61 da Lei in° 8.981/95. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 , 2002 REFLEXIVIDADE. A carência de elementos relevantes impõe a extensão da decisão do feito que lhe deu origem à exigência dele tomada por reflexo. Dessa forma, recorreu de ofício o presidente da 2ª Turma de Julgamento a este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). É o relatório. Fl. 797DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001655/200618 Acórdão n.º 1302001.455 S1C3T2 Fl. 747 9 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. Tratase de recurso de ofício interposto pela DRJ, o qual apresenta os requisitos necessários para sua admissibilidade, portanto dele conheço. 1. Da Dedutibilidade dos Valores Glosados Inicialmente, cabe averiguar sobre a possibilidade de a empresa Recorrente se valer dos valores despendidos com a contratação de serviços advocatícios para fins de dedutibilidade em IRPJ, sendo que, para tanto, importante que se investigue se tais valores correspondem a despesas operacionais da Recorrente. Nesse sentido, importa rememorar a definição feita pelo artigo 299, do Decreto 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR) – o qual dispõe, in verbis: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Dessa feita, pela análise do caput do mencionado artigo, vêse que, para fins de enquadramento de uma despesa como sendo operacional, com sua consequente dedutibilidade em Imposto de Renda, fazse necessário que essa seja essencial à atividade da empresa, bem como à manutenção de sua fonte produtora. No mesmo sentir, aliás, caminha o entendimento deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como se percebe dos entendimentos a seguir colacionados: VARIAÇÃO CAMBIAL PASSIVA. JUROS INCORRIDOS. EMPRÉSTIMO PAGO EM ATRASO. DESPESAS NECESSÁRIAS. São dedutíveis as despesas usuais pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa e voltadas para a manutenção da respectiva fonte produtora, nos termos do art. 299 do RIR/99. A dedutibilidade das variações monetárias passivas, prevista nos arts. 375, 377 e 378 do RIR/99, também Fl. 798DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 está condicionada à regra geral do art. 299, somente sendo permitida a exclusão daquelas necessárias e usuais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. No caso, a Fiscalização considerou desnecessárias as despesas relativas a variações cambiais passivas e juros incidentes sobre parte de empréstimo em moeda estrangeira não pago no vencimento, apesar de o recorrente possuir recursos para tanto, mas a defesa demonstrou que o atraso decorreu de fatos reais, e que a dívida estava diretamente relacionada a sua atividade operacional, devendo os dispêndios dela decorrentes ser considerados como despesas operacionais dedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. (...) (CARF. Acórdão n° 1102 000.978. Rel. José Evande Carvalho Araujo. Sessão de 03/12/2013). (grifo não original). RECURSO DE OFÍCIO DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. NORMAS GERAIS DE DEDUTIBILIDADE DO LUCRO TRIBUTÁVEL. GLOSA. IMPOSSIBILIDADE. Sendo necessárias, usuais e normais segundo a atividade desenvolvida pela Pessoa Jurídica, os custos ou despesas efetivamente suportados, devem ser considerados dedutíveis para efeito de se determinar o lucro tributável. RECURSO VOLUNTÁRIO DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. GLOSA. IMPOSSIBILIDADE. Para a glosa das despesas, quando sejam normais ou usuais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa, isto é, quando guardem estreito relacionamento com a atividade explorada e com a manutenção da fonte produtora, é indispensável que a investigação da veracidade e legitimidade, não só seja exaustiva, como fique comprovada nos autos a sua efetivação. Tendo faltado o necessário aprofundamento da ação fiscal, é de concluirse pela validade da documentação apresentada para justificar a insubsistência das glosas efetuadas. Assim sendo, necessárias, usuais e normais segundo a atividade desenvolvida pela Pessoa Jurídica, as despesas efetivamente suportadas, devem ser consideradas dedutíveis para efeito de se determinar o lucro tributável. (...) (CARF. Acórdão n° 1402001.466. Rel. Paulo Roberto Cortez. Sessão de 08/10/2013). (grifo não original). No caso em tela, verificase que a Recorrente é uma holding, ou seja, tem por principal atividade a participação acionária em uma ou mais sociedades empresárias, detendo o controle de suas administrações, sendo essa sua atividadefim. Além disso, conforme restou comprovado por extensa documentação carreada aos autos pela Recorrente, as contratações de serviços advocatícios por ela realizadas se deram em virtude de litígio judicial envolvendo o controle acionário de seu único investimento, sendo forçoso concluir que tais despesas estão inegavelmente relacionadas à sua atividade e foram necessárias à manutenção da sua fonte pagadora. Ainda, quanto ao material probatório juntado pela Recorrente, importante salientar que os serviços por ela contratados – prestação de serviços advocatícios e de consultoria – tratamse de prestações de natureza imaterial e continuada, sendo daí apreender que os documentos juntados – notas ficais, recibos, declarações, cartas de honorários e etc. – mostramse perfeitamente hábeis e idôneos para fins de comprovar a efetiva realização dos serviços, tal como bem tratou o acórdão da DRJ, nos trechos abaixo destacados (fls. 722/723): Fl. 799DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001655/200618 Acórdão n.º 1302001.455 S1C3T2 Fl. 748 11 (...) 7.1. Por pertinente, nenhum dos documentos que lastrearam as apropriações contábeis foram questionados quanto à sua legalidade e legitimidade. 8. Ora, de um lado, conforme o ressalta o artigo 9°, § 2°, do Decretolei n° 1.598/77 (RIIU99, art. 923) que a escrituração, amparada em documentação hábil e idônea faz prova em favor do contribuinte. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos assim registrados (Decretolei n° 1.598/77, art. 9°, § 2°). Circunstância que não ocorreu nestes autos. 8.1. De outro lado, tratandose de remuneração de serviços imateriais, as provas passíveis de apresentação pelo contribuinte dizem respeito exatamente às apresentadas (notas fiscais, recibos, contratos, cheques, etc), lastros de suas apropriações contábeis. Como o ressalta, aliás, o Acórdão n° 10194.476/04, do egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes. 8.1.1. Outrossim, a extensa documentação apresentada quer no curso do procedimento fiscal, quer em sede impugnatória, testifica a inteira conectação das despesas glosadas com a exploração da atividade e a fonte produtora dos rendimentos, consoante dispõe o Parecer Normativo CST n° 32/81. 8.2. Finalmente, em se tratando de despesas operacionais, o artigo 47 da Lei n° 4.506/64, constitui cláusula geral, não específica. Nesse sentido, conforme o salientou o Acórdão CSRF n° 010.900, se a pessoa jurídica consegue provar, por qualquer meio lícito de prova, que o gasto existiu e se trata de despesa ligada à atividade da empresas, não há como se glosar tais gastos. 8.2.1. Portanto, mais do que a fiscalização, a pessoa jurídica sabe de suas necessidades operacionais. Assim, qualquer ilação em contrário adentra apenas à préconceituações subjetivas. Circunstâncias infensas a toda e qualquer imposição tributária. Como pretendido nestes autos. (...) Nesse mesmo sentir, este Conselho já decidiu que a dedutibilidade aqui tratada se mostra devida, desde que comprovado o pagamento e a efetiva prestação do serviço contratado. Vejamos: IRPJ. BASE DE CÁLCULO. DEDUTIBILIDADE DESPESAS COMPROVADAS. As despesas usuais/normais e necessárias à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora, quando comprovadamente realizadas são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ. A exigência de comprovação da efetividade da realização dos serviços que deram origem às despesas, deve basearse em conjunto indiciário apto a comprovar que aqueles não tenham ocorrido. IRPJ/CSLL GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS. Os procedimentos fiscais consistentes em glosar despesas financeiras, por desnecessárias, em função de empréstimos feitos a empresas ligadas estão na seara das presunções simples e, como tal, a prova da desnecessidade dos Fl. 800DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 dispêndios é inteiramente da fiscalização. IRPJ. DESPESAS OPERACIONAIS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. GLOSA. Uma vez reconhecido que os serviços contratados são de natureza imaterial, cuja prova há de ser feita indiretamente, e tendo a empresa apresentado as únicas provas possíveis, quais sejam, notas fiscais de prestação de serviços, comprovantes dos pagamentos e a efetividade do registro contábil, documentos esses não contestados pela fiscalização, a escrituração faz prova em favor do recorrente, cabendo ao fisco demonstrar sua inveracidade. (CARF. Acórdão n° 1301000.755. Rel. Paulo Jakson da Silva Lucas. Sessão de 24/11/2011). (grifo não original). Por esse motivo, tendo a Recorrente comprovado, tanto em sede fiscalizatória quanto impugnatória, a efetiva prestação dos serviços contratados, os quais se mostram inegavelmente relacionados à atividade econômica por ela desempenhada, bem como necessários à manutenção de sua fonte pagadora, devese concluir que tais despesas se mostram perfeitamente dedutíveis para fins do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e, por reflexo, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Outrossim, pela conclusão ora exposta, resta prejudicado o lançamento tributário de IRFonte, pois uma vez comprovadas as despesas com documentação hábil e idônea, bem como identificados os beneficiários dos pagamentos, não podem ser consideradas como rendimentos líquidos para fins de reajuste conforme o art. 674, §3º, do RIR/99. 2. Dos Juros referentes ao Mútuo celebrado entre a Recorrente e sua controladora Em seguida, quanto às despesas financeiras referentes aos juros decorrentes do contrato de mútuo celebrado entre a Recorrente e a sua empresa Controladora, compreendeu a autoridade fiscal que tais despesas teriam sido indevidamente contabilizadas, posto que os valores objeto da operação de mútuo se destinariam ao pagamento dos serviços advocatícios contratados, bem como pelo fato de que não se comprovou “que todos os valores pagos são dívidas do recorrente”. Todavia, a despeito do raciocínio empregado, impossível sustentar a exação imposta, uma vez que a caracterização da despesa financeira independe da destinação dada ao dinheiro mutuado, advindo unicamente da própria natureza da operação de mútuo. Por esse motivo, ainda que a recorrente tivesse se valido dos valores mutuados para o adimplemento dos serviços contratados, o que, frisese, não restou comprovado em momento algum pela fiscalização, nada de irregular se veria em sua conduta que pudesse ocasionar a descaracterização dos valores pagos a título de juros como despesas financeiras dedutíveis. Ademais, constatase que em nenhum momento a fiscalização contesta a efetiva ocorrência da operação de mútuo, nem, tampouco, produz prova que sustente o embasamento do auto de infração lavrado, sendo que esse se vê fundado em mera presunção do AFRFB. Vale mais uma fez frisar as conclusões da DRJ que corroboram a falta de comprovação por parte do AFRFB que pudessem sustentar suas alegações (fls. 723): 9. Quanto à glosa de juros, de um lado, não há qualquer impedimento legal a que a pessoa jurídica efetue mútuo com terceiro, mesmo sua controladora ou sua coligada. De outro Fl. 801DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.001655/200618 Acórdão n.º 1302001.455 S1C3T2 Fl. 749 13 lado, não há qualquer prova nos autos, pretensão fiscal, de vinculação do mútuo a despesas com honorários por parte da mutuária. Mesmo que tal situação existisse, não há óbice legal ao procedimento de atendimento, por terceiros mediante mútuo, das necessidades operacionais da pessoa jurídica. Ainda porque, nestes autos não há qualquer prova de simples repasses de recursos de terceiros. 9.1. Quanto à alegação de eventual participação de controlada ou coligada no mútuo a fiscalização não carreou aos autos quaisquer provas de coparticipação em processos judiciais. Quedouse a pretensão fiscal em mera ilação, não comprovada pela própria documentação destes autos integrante, fls. 98/99 e 452/525. Assim, ante a ausência de comprovação que implique na descaracterização dos valores pagos a título de juros sobre as quantias mutuadas pela Recorrente como despesas financeiras, descabida a glosa realizada pelo AFRFB, devendo ser prontamente afastada. 3. Da Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício interposto para manter incólume o acórdão da DRJ, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 802DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 13/08/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 19515.720499/2011-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
IMPOSTO DE RENDA DE FONTE
Comprovado o destino do rendimento dito pago a beneficiário não identificado, não se justifica a tributação.
Numero da decisão: 1302-001.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo e Alberto Pinto Souza Junior. Ausência momentânea dos conselheiros Marcio Rodrigo Frizzo e Helio Eduardo de Paiva Araújo.
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Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1709; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 638 1 637 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720499/201164 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.479 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de agosto de 2014 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente MARCELO DE FREITAS CONSULTORIA FISCAL E FINANCEIRA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 IMPOSTO DE RENDA DE FONTE Comprovado o destino do rendimento dito pago a beneficiário não identificado, não se justifica a tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo e Alberto Pinto Souza Junior. Ausência momentânea dos conselheiros Marcio Rodrigo Frizzo e Helio Eduardo de Paiva Araújo. . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 04 99 /2 01 1- 64 Fl. 638DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Foram lavrados contra o interessado, autos de infração de IRPJ, PIS, COFINS, CSLL e IRRF do anocalendário 2007, no valor total de R$ 1.323.667,62 aí incluídos multa e juros de mora, conforme abaixo: Tributo Principal Multa de Ofício 150% Multa de Ofício 75% IRPJ R$ 69.865,56 R$104.798,37 R$0,00 PIS R$328,58 R$492,85 R$0,00 COFINS R$1,516,50 R$2.274,74 R$0,00 CSLL R$26.590,27 R$39.885,39 R$0,00 IRFF R$615.951,65 R$0,00 R$461.963,71 TOTAL R$ 1.323.667,62 Do TVF de fls. 198 e seguintes, podemos extrair resumidamente o seguinte: que o contribuinte entregou em 27/06/2008 a DIPJ/2007, com opção pela tributação com base no Lucro Presumido, totalmente zerada. Intimado a apresentar os livros comerciais e fiscais, os comprovantes das receitas auferidas naquele ano, as Notas Fiscais de Prestação de Serviços e os documentos referentes à Sociedade em Conta de Participação. que reintimado para discriminar analiticamente as duplicatas recebidas e apresentar os respectivos comprovantes dos lançamentos efetuados na conta Adiantamento de Clientes, que apresentava saldo de R$ 315.933,39 em 31/12/2007. analisados os documentos, a fiscalização concluiu ter a impugnante auferido naquele ano receitas a título de prestação de serviços no montante de R$ 1.398.598,32. que no recebimento das receitas de prestação de serviços houve recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, e tais valores foram compensados quando do lançamento, mas em razão da DIPJ ter sido apresentada sem movimento, foi aplicada a multa de 150%. que a fiscalização constatou que o contribuinte efetuou pagamentos no montante de R$ 1.759.862,06, a título de “pagamento de despesas de cliente”. Mas como não justificou a natureza dos pagamentos, o auditor fiscal considerou tais desembolsos como pagamento a beneficiário não identificado lançando o IRRF não retido, como determina o art. 674 do RIR/99, com multa de 75%. que a multa do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, foi qualificada (150%), pelo fato do contribuinte ter informado DIPJ zerada, quando auferiu receita de R$ 1.398.598,32. Em 27.07.2011, em impugnação tempestiva, o contribuinte afirma que os pagamentos ditos efetuados a beneficiário não identificado e sem causa, referemse a aquisição de precatórios, objetos de compensação de impostos de clientes, a quem presta consultoria. Apresenta recibos de pagamento pela aquisição dos precatórios e afirma que tais pagamentos não são remuneração de prestação de serviços, e, portanto, não estão sujeitos à retenção do IRRF. Requer ao final o cancelamento do débito fiscal. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.720499/201164 Acórdão n.º 1302001.479 S1C3T2 Fl. 639 3 A 7ª Turma da DRJ/SP1, pelo Acórdão nº 1640.441, por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação, conforme a seguinte ementa : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Constatada na escrituração contábil do contribuinte a existência de pagamentos efetuados, sem que o contribuinte lograsse identificar os beneficiários dos desembolsos, cabível a exigência de IRRF, nos termos do artigo 674 do RIR/99. Para tanto, alegou basicamente o seguinte: que a impugnação restringese a contestar os valores lançados a título de IRRF, pretendendo provar que os beneficiários dos pagamentos apontados pela fiscalização estão perfeitamente identificados. que do Termo de Verificação, extraise que a autuação se deu por não ter o contribuinte comprovado quem foram os beneficiários dos desembolsos realizados escriturados na conta “Adiantamento de Clientes”, infringindo o art. 674 do RIR/99, in verbis: “Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61).” que a incidência tributária nos termos do citado artigo é o pagamento de importância pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado. que desta forma, cabe ao Fisco provar que houve um pagamento em determinado dia, e que não foi possível, da análise da contabilidade e dos documentos fornecidos pelo contribuinte, identificar o recebedor da respectiva importância. que a fiscalização, no caso, verificou que há lançamentos contábeis sob a rubrica “pagamento de despesas de cliente”, escriturados na conta do passivo Adiantamento de Clientes (fls. 130/131), tendo como contrapartida lançamentos a crédito na conta “banco Unibanco” (fls. 107/115). que apesar de não ser fácil compreender como um lançamento que retrata o pagamento de despesas de clientes possa ser escriturado na conta de passivo de “adiantamento de clientes”, o fato é que a escrituração espelha uma saída de recursos da conta bancária para um beneficiário, que deveria ser justificada. que intimado a justificar tais pagamentos, o contribuinte declarou tratar se de compra de precatórios para clientes, cujos valores foram recebidos antecipadamente em 2007, conforme os cinco recibos apresentados que, todavia, divergem daqueles apresentados à fiscalização. que aparentemente o contribuinte recebia valores de clientes, que contabilizava (incorretamente) na conta “adiantamento de clientes”, para posteriormente Fl. 640DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 4 adquirir os precatórios de autores em ações judiciais, quando então baixava aqueles “adiantamentos” como “pagamento de despesas de clientes”. que, porém, tal procedimento não restou comprovado, pois sequer apresentou os contratos de cessão de crédito correspondentes aos recibos, nem que os valores utilizados na aquisição dos precatórios pertenciam de fato aos seus clientes. Além disso, em relação especificamente aos recibos juntados aos autos, não há coincidência de datas e valores com os montantes escriturados, conforme tabela: Data Razão/A.I. Recibos Impugnação Recibos Fiscalização 28/02/2007 31.544,76 31/05/2007 52.949,74 01/06/2007 52.949,74 28/06/2007 52.980,96 30/06/2007 52.980,96 30/07/2007 47.538,96 31/07/2007 47.538,96 30/08/2007 114.410,65 197.870,96 31/08/2007 56.260,08 04/09/2007 61.606,88 26/09/2007 425.438,93 272.249,64 27/09/2007 155.750,42 30/09/2007 48.493,43 02/10/2007 157.638,50 16/10/2007 349.235,51 17/10/2007 545.316,17 30/10/2007 122.525,67 31/10/2007 149.031,53 27/11/2007 30.595,22 30/11/2007 360.896,97 05/12/2007 100.000,00 30/01/2008 138.092,51 28/02/2008 134.252,59 30/03/2008 43.555,49 31/12/2008 61.989,11 Total 1.759.862,04 1.787.481,69 315.900,59 Intimado em 12/09/2012 o Contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo onde alega basicamene o seguinte: que dentre os diversos serviços que presta aos clientes é contratado para analisar e comprar, em nome deles, precatórios judiciais do Estado de São Paulo. que cobra honorários pela análise jurídica e processual dos processos que originaram os precatórios, emite as notas fiscais de prestação de serviços correspondentes e recolhe os tributos federais na forma do Lucro Presumido. que por obrigação contratual, é responsável pelo repasse financeiro da transação envolvendo seus clientes e os respectivos credores originários dos precatórios judiciais. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.720499/201164 Acórdão n.º 1302001.479 S1C3T2 Fl. 640 5 que os repasses dos valores para as contas destinatárias, expressamente identificadas, por meio de recibos de pagamento e comprovantes bancários e contratos. a transferência dos precatórios judiciais dos credores originários para os clientes, caso não ocorresse, o valor recebido era devolvido ao cliente. Por isso, a sua contabilização em conta do Passivo, independentemente de sua nomenclatura. no momento da efetivação da transferência da propriedade dos precatórios judiciais, por escrituras públicas de cessão de direitos, o Recorrente repassava os recursos recebidos aos credores originários, amortizando o saldo da conta Repasses/adiantamento de clientes no Passivo. todos os valores pagos pelas transferências dos valores, repassados dos clientes do Recorrente para os fornecedores "credores originários"/"cedentes", eram devidamente identificados por meio de recibos de pagamento, comprovantes de transações bancárias e contratos, os quais já foram devidamente apresentados quando da impugnação. desta forma, não há como desconsiderar a identificação dos pagamentos, e imputar aos mesmos, a obrigação de recolhimento de Imposto de Renda Retido na Fonte. importante frisar que o Fiscal RECONHECE em sua manifestação que o Recorrente apresentou recibos comprobatórios dos pagamentos, mas não os aceita porque não há coincidência de datas e valores por lapso temporal apesar dos lapsoso serem de apenas um ou dois dias, ferindo os princípios da razoabilidade e legalidade. além disso a multa aplicada de forma agravada vem sendo rechaçadas por nossos Tribunais, pois, têm caráter confiscatório. afinal requer a completa anulação do auto de infração lavrado pelo D. Auditor Fiscal. A 2ª TO da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, pela Resolução nº 1302 000.237 de 08 de maio de 2013, entendeu que a prova da veracidade dos fatos era simples e obrigatória, uma vez que o recorrente, forneceu a lista dos clientes para quem teria intermediado a compra dos citados precatórios, o valor das compras, o número e o nome dos autores das ações ordinárias e o nome dos cedentes do crédito, conforme se constata dos recibos de fls. 254/271, e por unanimidade de votos determinou a conversão do julgamento em diligência para que fossem realizadas circularizações junto aos ditos compradores de precatórios, para verificar os alegados adiantamentos e pagamentos das compras realizadas. É o relatório. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Voto Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator A SRFB solicitou que fosse juntada a documentação comprobatória, que deram origem aos lançamentos constatntes da conta contábil 2.1.7.01.001 Adiantamnento de Clientes, conforme termo de diligência desta Turma, da qual o Contribuinte tomou ciência em 04/02/2014. Em 13/03/2014 o Contribuinte prestou esclarecimentos à diligência alegando o seguinte: “....durante o ano de 2007, como pode se observar, os lançamentos a débito na conta "Adiantamento de Clientes" totalizaram R$ 1.759.862,06, dos quais conseguimos comprovar R$ 1.551.630,57, conforme documentos já providenciados e entregues nesta diligência fiscal. ... apresentamos a conta de "Adiantamento de Clientes", a qual foi refeita, com os lançamentos corretos nas datas em que os mesmos deveriam ter sido feitos conforme os documentos oficiais apresentados. ... não há como desconsiderar a identificação dos pagamentos, e imputar aos mesmos por meio de nossa empresa, a obrigação de recolhimento de Imposto de Renda Retido na Fonte à alíquota de 35%, tendo em vista que todos os pagamento foram devidamente comprovados documentalmente, identificando sempre o beneficiário dos pagamentos, a causa e a respectiva operação.” Do relatório de diligência fiscal da DRFB de fls. cabe destacar o seguinte: “. . . . . . . 5. Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal TVF, fls. 190/191 do processo, em virtude da análise da conta contábil " 2.1.7.01.0001 ADIANTAMENTO DE CLIENTES ", ficou evidenciado que o contribuinte efetuou o pagamento de R$ 1.759.862,06, a título de pagamento de despesas de clientes. . . . . . . . . 10. Da análise dos esclarecimentos e documentos apresentados foi possível constatar que a MARCELO FREITAS CONSULTORIA FISCAL E FINANCEIRA LIMITADA ME é uma empresa especializada em serviços de consultoria tributária e, por isso, foi contratada por outras empresas, para analisar a viabil idade econômica da aquisição de precatórios alimentícios do Estado de São Paulo, nos termos do contido na Emenda Constitucional n° 30/2000. 11. A empresa (Contratada), após a realização de todos os exames e verificações cabíveis, comunicava à empresa contratante, mediante a emissão de Parecer, que os precatórios eram bons e utilizáveis, nos termos da legislação vigente à época da aquisição. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.720499/201164 Acórdão n.º 1302001.479 S1C3T2 Fl. 641 7 12. Ato contínuo, a contratante enviava à contratada valores suficientes à aquisição dos precatórios e das custas e demais despesas com Cartório. 13. De posse dos recursos financeiros a MARCELO FREITAS CONSULTORIA FISCAL E FINANCEIRA LIMITADA ME consumava a operação de aquisição de precatórios, mediante a efetivação dos pagamentos, que eram efetuados ao Representante Legal (Advogado) dos titulares do direito, que se incumbia de efetuar o repasse às pessoas físicas, detentoras dos referidos precatórios, conforme comprovam os documentos ora anexados. 14 Durante o desenvolvimento da Diligência Fiscal foi apresentado o Razão, com os lançamentos contábeis atuais, condizentes com os documentos apresentados, conforme demonstrado abaixo: COMP RAZÃO ANTERIOR RAZÃO ATUAL 02/2007 0,00 31.544,76 04/2007 0,00 40.704,69 05/2007 52.950,74 48.998,27 06/2007 105.930,70 52.980,96 07/2007 47.538,96 47.538,96 08/2007 114.410,65 149.573,01 09/2007 487.044,81 481.849,77 10/2007 851.986,20 418.923,78 11/2007 0,00 300.758,75 12/2007 100.000,00 186.989,11 TOTAIS 1.759.862,06 1.759.862,06 15 Esses documentos comprovam a realização dos pagamentos efetuados a pessoas devidamente identificadas, e se referem à aquisição de precatórios, no montante de R$ 1.551.630,57, conforme abaixo discriminado: Data Nome Valo r Descr ição 28/02/07 Marcelo Monzani 31.544,76 Aquisição de Precatórios SOMA 31.544,76 30/04/07 Marcelo Monzani 40.704,69 Aquisição de Precatórios SOMA 40.704,69 31/05/07 Marcelo Monzani 48.998,27 Aquisição de Precatórios SOMA 48.998,27 30/06/07 Marcelo Monzani 52.980,96 Aquisição de Precatórios SOMA 52.980,96 31/07/07 Marcelo Monzani 47.538,96 Aquisição de Precatórios SOMA 47.538,96 30/08/07 Marcelo Monzani 93.312,93 Aquisição de Precatórios 31/08/07 Marcelo Monzani 56.260,08 Aquisição de Precatórios SOMA 149.573,01 26/09/07 Rogério Mauro 272.249,64 Aquisição de Precatórios 27/09/07 Marcelo Monzani 77.875,21 Aquisição de Precatórios 30/09/07 Marcelo Monzani 48.493,43 Aquisição de Precatórios Fl. 644DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 8 SOMA 398.618,28 16/10/07 Rogério Mauro 349.235,51 Aquisição de Precatórios 30/10/07 Marcelo Monzani 69.688,27 Aquisição de Precatórios SOMA 418.923,78 30/11/07 Marcelo Monzani 137.593,24 Aquisição de Precatórios 30/11/07 Marcelo Monzani 132.570,29 Aquisição de Precatórios 27/11/07 Marcelo Monzani 30.595,22 Aquisição de Precatórios SOMA 300.758,75 31/12/07 Marcelo Monzani 61.989,11 Aquisição de Precatórios SOMA 61.989,11 TOTAL 1.551.630,57 16. Em razão disso, os documentos e montantes acima relacionados foram considerados para fins de dedução da base de cálculo originária, a saber: COMP B.C. RAZÃO B.C. COMPROVADA DIFERENÇA 2/2007 31.544,76 31.544,76 ,00 4/2007 40.704,69 40.704,69 ,00 5/2007 48.998,27 48.998,27 ,00 6/2007 52.980,96 52.980,96 ,00 7/2007 47.538,96 47.538,96 ,00 8/2007 149.573,01 149.573,01 ,00 9/2007 481.849,77 398.618,28 83.231,49 0/2007 418.923,78 418.923,78 ,00 1/2007 300.758,75 300.758,75 ,00 2/2007 186.989,11 61.989,11 125.000,00 TOTAIS 1.759.862,06 1.551.630,57 208.231,49 17 . Destarte, após análise dos documentos apresentados, que foram confrontados com a escrituração contábil da empresa, os valores pagos a beneficiários devidamente identificados foram deduzidos da base de cálculo originária, com redução dos valores devidos, sendo a base de cálculo remanescente a seguinte: COMPETÊNC IA B.C. REMANESCENTE 09/2007 83.231,49 12/2007 125.000,00 TOTAIS 208.231,49 18. Portanto, ao final da Diligência Fiscal restou comprovado que o contribuinte efetuou pagamentos a pessoas devidamente identificadas, no montante de R$ 1.551.630,57, conforme documentos apresentados, cujas cópias seguem em anexo, acarretando, com isso, a redução Fl. 645DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.720499/201164 Acórdão n.º 1302001.479 S1C3T2 Fl. 642 9 da base de cálculo originária, de R$ 1.759.862,06, para R$208.231,49 e um crédito tributário remanescente de R$72.881,02.” Diante do irretocável relatório e das conclusões feitas pela Divisão de Fiscalização da DRFB/SPO de fls., acompanho suas conclusões no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário determinado a redução da base de cálculo originária, de R$ 1.759.862,06, para R$208.231,49 com R$ 72.881,02 de crédito tributário remanescente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 646DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 11065.004553/2008-69
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente - Substituto
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente - Substituto Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela PGFN, contra acórdão que deu provimento, por maioria de votos, ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PiS/PASEP RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .0 04 55 3/ 20 08 -6 9 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR.. ALTERAÇÃO NA PARCELA DO DÉBITO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. A cessão de ICMS gerado de operações de exportação anteriormente registrado como encargo tributário não materializa ingresso de elemento novo. O aumento do resultado do exercício da pessoa jurídica no momento da recuperação do custo tributário provê o retorno à situação patrimonial anterior, não reunindo condições de qualificála no conceito de receita. A PGFN apresentou Recurso Especial argumentando que o acórdão deve ser reformado porque não há previsão legal para que os valores obtidos com a cessão de créditos de ICMS gerados de operações de exportação não integrem a base de cálculo da Cofins. O sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pleiteia a manutenção do acórdão ora recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Em julgamento ocorrido em 01/07/2010, foi reconhecida a repercussão geral e sobrestamento do RE 606107/RS, que trata da trata da inclusão das receitas auferidas integrarem ou não a base de cálculo da contribuições PIS e Cofins não cumulativas. Eis a ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. VALORES DA TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. 1. A questão de os valores correspondentes à transferência de créditos de ICMS integrarem ou não a base de cálculo das contribuições PIS e COFINS nãocumulativas apresenta relevância tanto jurídica como econômica. 2. A matéria envolve a análise do conceito de receita, base econômica das contribuições, dizendo respeito, pois, à competência tributária. 3.As contribuições em questão são das que apresentam mais expressiva arrecadação e há milhares de ações em tramitação a exigir uma definição quanto ao ponto. 4. Repercussão geral reconhecida. Desta forma, nos termos do art. 62A do RICARF é imperioso que seja aguardado o julgamento final do processo em tramitação no E. STF. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11065.004553/200869 Resolução nº 9303000.082 CSRFT3 Fl. 178 3 Assim, tendo em vista a inexistência de trânsito da referida decisão judicial, com repercussão geral, entendo ser necessário sobrestar o julgamento do presente recurso voluntário, conforme dispõe o § 1º, do art. 62A do RICARF até que seja proferida decisão definitiva, pelo STF, no Recurso Extraordinário (RE) acima mencionado. Isto posto, e na forma do disposto no inciso II, do § 1º, do art. 2º, da Portaria CARF nº 01, de 03 de janeiro de 2012, voto pelo sobrestamento do julgamento do recurso do presente processo. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 223DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10680.722351/2011-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencido as conselheiras Maria da Conceição Arnaldo Jacó, relatora, e Mônica Elisa Lima. Designado o conselheiro Gileno Gurjão Barreto para redigir o voto vencedor..
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora.
(assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO Redator Designado.
EDITADO EM: 02/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Mônica Elisa de Lima, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencido as conselheiras Maria da Conceição Arnaldo Jacó, relatora, e Mônica Elisa Lima. Designado o conselheiro Gileno Gurjão Barreto para redigir o voto vencedor.. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Redator Designado. EDITADO EM: 02/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Mônica Elisa de Lima, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Déroulède.
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencido as conselheiras Maria da Conceição Arnaldo Jacó, relatora, e Mônica Elisa Lima. Designado o conselheiro Gileno Gurjão Barreto para redigir o voto vencedor.. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ – Relatora. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO – Redator Designado. EDITADO EM: 02/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Mônica Elisa de Lima, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Déroulède. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .7 22 35 1/ 20 11 -8 8 Fl. 973DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Resolução nº 3302000.417 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Na origem, cuidam os autos de procedimento para homologação de compensações cujas declarações transmitidas em setembro de 2006 têm como base créditos decorrentes de recolhimentos ditos como tendo sido efetuados a maior a título do Programa de Integração Social(Pis), no valor consolidado inicial de R$23.380.203,13, referentes aos períodos de apuração de janeiro de 2000 a outubro de 2005, lastreados em decisão judicial transitada em julgado (Mandado de Segurança Individual n° 2000.38.00.0040950). Relata a autoridade no Despacho Decisório nº 791 DRF/BHE (efls 127/134) que a contribuinte formalizou o Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido Judicialmente conforme processo n° 10680.002919/200683, efetuado com base na mencionada decisão judicial transitada em julgado (Mandado de Segurança Individual n° 2000.38.00.0040950), tendo sido o pedido inicialmente indeferido pelo Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário(Secat) desta Delegacia, conforme Despacho Decisório n° 105/2006 constante do referido processo. Porém, diante do insucesso do contribuinte no âmbito administrativo, foi impetrado o Mandado de Segurança n° 2006.38.00.0208172(Banco Mercantil do Brasil S/A e outros) objetivando a obtenção de ordem judicial para que a autoridade coatora desse prosseguimento aos pedidos de habilitação de créditos das impetrantes tendo como base a decisão judicial acima mencionada, dandose início ao procedimento de compensação de tributo recolhido a maior, tendo sido conceda a liminar requerida. Em virtude da decisão judicial retro mencionada, foi deferido pelo Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário(Secat) da Delegacia, no processo 10680.002919/2006 83, o Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, o que possibilitou ao contribuinte a transmissão das DCOMP constantes do quadro contido no mencionado Despacho Decisório e ora sob litígio. A autoridade Administrativa da DRF/BHE, por meio do mencionado Despacho Decisório nº 791 decidiu pela homologação parcial por ter entendido que, tendo em vista a decisão transitada em julgado, em 09/12/2005, no Mandado de Segurança nº 200.38.00.0040950, a qual afastou a aplicação do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e considerando as conclusões do Parecer PGFN/CAT nº 2.773, de 2007, formulado em decorrência de consulta formulada mediante a Nota Técnica Cosit/SRF nº 21, de 2006, são exigíveis os valores do Pis apurados com base no faturamento mensal tal como definido pelo art. 2ºo da LC 70/91, ou seja, "a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza", permitidas as exclusões determinadas pela legislação não atingida pela inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98; conseqüentemente, estão extintos os valores devidos com base na base de cálculo ampliada, no que excederem aos valores apurados nos termos supra, concluindo que o contribuinte teria direito tão somente ao crédito relativo à parcela dos recolhimentos que dizem respeito ao tributo pago incidente sobre as receitas totais, excluídas as receitas não operacionais, conforme quadro elaborado com base nas informações do contribuinte. A autoridade administrativa referindo ao quadro elaborado esclarece: Fl. 974DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Resolução nº 3302000.417 S3C3T2 Fl. 4 3 “A coluna "Diferença",referese aos valores dos créditos efetivos do contribuinte, cuja soma perfaz R$ 99.490,95, esclarecendo que os campos preenchidos com o valor "0,00", excetuandose o PA 03/2000, em que não foi apurada diferença negativa, dizem respeito aos valores de débitos objeto de compensação que se encontram pendentes em virtude do fato de que os respectivos processos de crédito (10680.019436/9909, 10680.011724/00 e 10680.002644/200335) se encontram aguardando julgamento pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais(Carf) e, portanto, não podem compor o crédito pleiteado, por não se tratar de créditos líquidos e certos.”. A manifestação de inconformidade da contribuinte traz os argumentos a seguir sintetizados: Preliminarmente: Requer que o julgamento do presente processo aguarde o trânsito em julgado dos processos administrativos nºs 10680.019436/9909, 10680.011724/00 77 e 10680.002644/200335, ao menos no que refere às competências de agosto/2000 a outubro/2001, junho e setembro/2003 e fevereiro a abril/2004, que se encontram pendentes de julgamento no Carf, nos quais se discute a compensação dos valores de PIS com créditos de Finsocial e de PISDecretos. Caso seja reconhecida no Carf a legitimidade dos referidos créditos, os valores serão considerados líquidos e certos, de forma que o PIS estará definitivamente quitado e poderá compor o crédito ora pleiteado, independentemente da base de cálculo a ser adotada. Destaca que o julgamento do PAF nº 10680.019436/9909 foi a seu favor e atualmente aguarda o julgamento do Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional. Já os PAFs nºs 10680.011724/0077 e 10680.002644/200335 aguardam julgamento de embargos declaratórios nos quais se demonstrou que a mesma discussão foi objeto de Ação Cautelar e Ação Rescisória por parte da Fazenda Nacional, sendo que ambas foram julgadas improcedentes, com trânsito em julgado. No mérito: Afronta à coisa Julgada: aduz que o valor exigido no Despacho Decisório se refere ao PIS incidente sobre receitas que não correspondem ao sentido estrito de “faturamento” adotado tanto na decisão transitada em julgado em seu favor quanto nos leading cases sobre a matéria no STF. É juridicamente falha a argumentação de que a decisão judicial que julgou procedente o seu pedido lhe teria sido desfavorável no tocante à incidência do PIS sobre as receitas financeiras, pois além de o STF ter decidido com base no art. 557, §1ºA, nos estritos termos dos julgados pacificadores da matéria, também declarou que o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS é a receita bruta de venda de mercadorias e da prestação de serviços. Observa que a tentativa do Despacho Decisório de equiparar o faturamento a todas as receitas decorrentes do exercício das atividades previstas no contrato social implica em tributação das receitas financeiras, o que equivale quase à totalidade das suas receitas auferidas, de forma a extrapolar o conceito legal de “faturamento” e esvaziar completamente os efeitos da decisão transitada em julgado. Subsidiariamente: Fl. 975DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Resolução nº 3302000.417 S3C3T2 Fl. 5 4 Argumenta que há receitas consideradas pelo Despacho Decisório que extrapolam o entendimento nele sustentado, isto é, de que a base de cálculo do PIS, com o afastamento do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, deve ser composta por todas as receitas que “decorrem da atividadefim da empresa”. Foi adotado o entendimento de que apenas as receitas não operacionais, contabilizadas na conta 7.3.0.00.006, deveriam ser excluídas da base de cálculo. No entanto, existem receitas registradas na conta 7.1.9.99.009 Outras Rendas Operacionais, cuja descrição do Cosif é bastante genérica, que não decorrem da sua atividade operacional, o que pode ser verificado pela natureza das subcontas. Caso sejam mantidas as glosas no crédito pleiteado, requer seja assegurado o seu direito de recuperar os impostos que sobre ele incidiram indevidamente, pois esse crédito foi considerado como acréscimo patrimonial/lucro e tributado como tal. Informa que após o trânsito em julgado do Mandado de Segurança, contabilizou o crédito de PIS em conta de resultado, afetando o lucro líquido do ano base 2005, o qual serviu de base de cálculo para apuração do IRPJ e CSLL. Assim, caso seja mantido o Despacho Decisório, deve ser assegurado o seu direito de efetuar a recomposição da apuração do IRPJ e CSLL do ano base de 2005, bem como o consequente direito de recuperar os valores pagos a maior desses tributos, devidamente atualizados, e/ou recompor eventual prejuízo fiscal do referido ano calendário. Pede que tais ressarcimentos/recomposições possam ser efetuados na DIPJ do ano calendário em que a questão restar decidida definitivamente, uma vez que já se passaram cinco anos da entrega da respectiva DIPJ. Por fim, requer que o julgamento do presente processo aguarde o trânsito em julgado dos PAFs nºs 10680.019436/9909, 10680.011724/0077 e 10680.002644/200335, ao menos no que se refere às competências a eles relacionadas; seja cancelado o Despacho Decisório nº 791, com a consequente homologação das compensações realizadas, tendo em vista que o mesmo contraria a coisa julgada; sejam reconhecidos os equívocos no cálculo dos valores devidos de PIS e recalculado o crédito apurado; e seja autorizado que os ressarcimentos/recomposições relativos à apuração do IRPJ/CSLL possam ser efetuados na DIPJ do ano calendário em que a questão restar decidida definitivamente. A autoridade Julgadora de 1ª Instância, por meio do Acórdão nº 0237.201 1ª Turma da DRJ/BHE, proferido em 30 de janeiro de 2012, por unanimidade de votos, julga improcedente a manifestação de inconformidade, conforme se denota pela ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2000 a 31/10/2005 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Nos termos do art. 170 do CTN, somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do PIS para as instituições financeiras e assemelhadas, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, Fl. 976DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Resolução nº 3302000.417 S3C3T2 Fl. 6 5 compõese da receita bruta operacional auferida no mês proveniente de sua atividadefim, o que inclui as receitas advindas de intermediações financeiras. ALEGAÇÕES. PROVAS. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” A contribuinte tomou ciência do Acórdão nº 0237.201 1ª Turma da DRJ/BHE em 10/02/2012, conforme Aviso de Recebimento de efl. 588. Assim, devidamente cientificada, inconformada, recorre a contribuinte, em 13/03/2012, insistindo na mesma linha de argumentação esboçada na manifestação de inconformidade e rebatendo alguns fundamentos da decisão recorrida, segundo os seguintes itens e subitens de defesa: I DA TEMPESTIVIDADE DO RECURSO II DOS FATOS III PRELIMINAR – DA PREJUDICIALIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO EM RAZÃO DOS PAF n°s 10680.019436/9909; 10680.011724/0077 e 10680.002644/200335 IV DO DIREITO IV.1. CONCEITO DE FATURAMENTO DE ACORDO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STF IV.2 CONTRARIEDADE À COISA JULGADA IV.3 – POSICIONAMENTO ATUAL DO STF ACERCA DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS PARA AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS E SEGURADORAS IV.4 RECEITAS A SEREM CONSIDERADAS NA BASE DE CALCULO DO PIS EQUÍVOCO NA BASE DE CÁLCULO ADOTADA NO DESPACHO DECISÓRIO EFETIVA COMPROVAÇÃO V DIREITO À RECUPERAÇÃO DO IRPJ E CSLL CALCULADOS SOBRE O CRÉDITO DE PIS VI PEDIDO Posteriormente, em Agosto de 2013, a contribuinte, por seus advogados devidamente nomeados e constituídos, envia requerimento no qual noticia o julgamento proferido em sede de recurso repetitivo pelo E. STJ no Resp 1118893 MG Recurso Especial 2009/00111359, na forma do artigo 543C do CPC, cuja juntada se requer, e ratifica as razões de recurso para reforma do acórdão recorrido, visando, alega, a prevalência da coisa julgada. Fl. 977DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Resolução nº 3302000.417 S3C3T2 Fl. 7 6 O Requerimento e o Resp 1118893 MG foram anexados ao presente processo às efls 809 a 839, conforme Despacho nº 330207/CAJ2013 de efl.840. É o Relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Redator Designado. O recurso é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade, e dele o conheço. Verifico que a controvérsia aqui cingese acerca do conceito de faturamento para as instituições financeiras. Possível também depreender que o contribuinte possui decisão própria, favorável, mas que como as demais apenas dispõe sobre o faturamento, sem entrar no mérito sobre o que seria faturamento, tema que está sujeito à Repercussão Geral em Recurso Especial de determinada seguradora. Outro fato – recentemente tais processos, que estavam sobrestados, deixaram de estar, passando então a serem julgados por esse Conselho. O conceito de faturamento, formado durante anos pela experiência legislativa brasileira, jamais admitiu outras receitas que não aquelas decorrentes da venda de mercadorias, mercadorias e serviços ou apenas serviços. A propósito, o Egrégio Supremo Tribunal Federal, por ocasião de vários julgamentos, analisou a questão relativa ao conceito de faturamento, tendo estabelecido os parâmetros a que está sujeito o legislador federal ao criar imposições fiscais e o aplicador do direito ao cobrar as exações. Com efeito, a Suprema Corte, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 150.7551, o qual tratava da contribuição ao FINSOCIAL das empresas prestadoras de serviço, decidiu pela constitucionalidade do artigo 28 da Lei nº 7.738/89, que determinava a incidência da contribuição sobre a “receita bruta” das pessoas jurídicas, conquanto para os Ministros, a imposição de uma contribuição social sobre a receita bruta, com fundamento no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, seria possível se a noção de “receita bruta” utilizada pela referida lei se conformasse aos limites do conceito de faturamento antes mencionado. Portanto, restou decidido que não havia inconstitucionalidade alguma na norma, uma vez que o artigo 28 teria utilizado o conceito de “receita bruta” estabelecido pelo artigo 2º da Lei Complementar nº 70/91 e artigo 22, alínea “a”, do Decretolei nº 2.397/87, que a conceituava como aquela decorrente “das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda”. Nesse sentido, confirase os seguintes trechos dos votos proferidos em tal julgamento: Fl. 978DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Resolução nº 3302000.417 S3C3T2 Fl. 8 7 MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE “... antes da Constituição, precisamente para a determinação da base de cálculo do Finsocial o DL 2.397, 21.12.87, já restringia, para esse efeito, o conceito de receita bruta a parâmetros mais limitados que o de receita líquida de vendas e serviços, do DL 1.598/77, de modo, na verdade, a fazer artificioso, desde então, distinguilo da noção corrente de faturamento. ..................................................................................... Por tudo isso, não vejo inconstitucionalidade no art. 28 da L. 7.738/89, a cuja validade entendo restringirse o tema deste recurso extraordinário, desde que nele a receita bruta, base de cálculo da contribuição, se entenda referida aos parâmetros de sua definição no DL 2.397/87, de modo a conformála à noção de faturamento das empresas prestadoras de serviço.” MINISTRO MOREIRA ALVES “... desde o momento em que existe legislação no país que, com relação à receita bruta, a conceitua de forma que possa ela equipararse a faturamento, pareceme que, por via de interpretação, se possa tomar receita bruta, aqui, como a decorrente do faturamento. ...................................................................................... Adotando essa interpretação restritiva de receita bruta – e afasto a objeção decorrente do artigo 110 do Código Tributário Nacional, pois essa exegese equipara, no caso, a receita bruta à resultante do faturamento, e assim se amolda à Constituição que se refere a este , acompanho, com a devida vênia, o Ministro Sepúlveda Pertence.” MINISTRO NÉRI DA SILVEIRA “Com efeito, há, no Decretolei nº 2.397/87, art. 22, qual observou o ilustre Ministro Sepúlveda Pertence, conceito de “receita bruta”, que se pode ter como assimilável à noção de faturamento, a que remete o art. 195, I, da Constituição. Nesse mesmo sentido, posteriormente, a Lei Complementar nº 70/91 estipulou em seu art. 2º. Dessa maneira, quando se prevê no art. 28, da Lei nº 7.738/89, a incidência da alíquota, nele determinada, sobre a receita bruta, cumpre entender a locução como faturamento, a teor do previsto no art. 195, I, da Constituição. Desse modo, recuso a inconstitucionalidade do dispositivo, cumprindo se darse à “receita bruta” nele referida, a compreensão de “faturamento”, tal como já se consigna em textos de lei.” Mais à frente, o Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento da ADC nº 01 de 01/12/93, reafirmou a advertência de que o conceito de faturamento se limita à receita proveniente das vendas de mercadorias e serviços, conforme se verifica da leitura de trechos dos votos dos Ministros Moreira Alves e Ilmar Galvão: Ministro Moreira Alves (Relator) "Tratase, pois de contribuição social prevista no inciso I do artigo 195 da Constituição Federal que se refere ao financiamento da seguridade Fl. 979DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Resolução nº 3302000.417 S3C3T2 Fl. 9 8 social mediante contribuições sociais dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro. Notese que a Lei Complementar 70/91, ao considerar o faturamento como a ‘receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza’ nada mais fez do que lhe dar a conceituação do faturamento para efeitos fiscais, como bem assinalou o Ministro ILMAR GALVÃO, no voto que proferiu no RE 150.764, ao acentuar que o conceito de receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços ‘coincide com o de faturamento, que, para efeitos fiscais, foi sempre entendido como o produto de todas as vendas, e não apenas das vendas acompanhadas de fatura, formalidade exigida tãosomente nas vendas mercantis a prazo (art. 1º da Lei 187/36)’. Ministro Ilmar Galvão “Por fim, assinalese a ausência de incongruência do excogitado artigo 2º da LC nº 70/91, com o disposto no artigo 195,I, da CF/88, ao definir ‘faturamento’ como ‘receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza.’ De efeito, o conceito de ‘receita bruta’ não discrepa do ‘faturamento’, na acepção que este termo é utilizado para efeitos fiscais, seja, o que corresponde ao produto de todas as vendas, não havendo qualquer razão para que lhe seja restringida a compreensão, estreitandoo nos limites do significado que o termo possui em direito comercial, seja, aquele que abrange tão – somente as vendas a prazo (art. 1º da Lei nº 187/68, em que emissão de uma ‘fatura’ constitui formalidade indispensável ao saque da correspondente duplicata. Entendimento neste sentido, aliás, ficou assentado pelo STF, no julgamento do RE 150.755 (in Revista Dialética de Direito Tributário nº 1, pp. 99/100, destaque nosso)”. Verificase, assim, que, nos termos das decisões do Supremo Tribunal Federal, faturamento, para efeitos fiscais, é o resultado de todas as vendas de mercadorias e serviços, ainda que não acompanhadas da respectiva fatura, admitindo, portanto, o faturamento se equipare exclusivamente ao conceito de receita bruta em sentido estrito assim entendido como as receitas provenientes das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, nos termos da LC 70/91. Ou seja, segundo entendimento da Corte Máxima competente para apreciar a matéria, o conceito de faturamento não alcança outras receitas, que não sejam resultado da venda, tais como, rendimentos de aplicações financeiras, juros, aluguéis variações monetárias, royalties, lucros e dividendos, indenizações, descontos obtidos, etc.. Pleiteia a contribuinte que o conceito de faturamento que deve ser observado pelas instituições financeiras quando da apuração do PIS e da COFINS nos termos do caput do artigo 1° da Lei n° 9.718/98, não pode ser diverso do sentido inequívoco do conceito de faturamento atribuído a todas as outras pessoas jurídicas, qual seja, “receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza.” (artigo 2° da Lei Complementar 70/91). Esta afirmação decorre do fato de que o conceito fiscal de faturamento é ÚNICO para fins de incidência tributária, seja para uma empresa comercial, seja para uma Fl. 980DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Resolução nº 3302000.417 S3C3T2 Fl. 10 9 prestadora de serviços ou para uma instituição financeira, não sendo possível admitir, em qualquer hipótese, que o conceito de faturamento sofra variações de acordo com a qualificação do sujeito passivo envolvido na incidência da hipótese tributária. Tanto assim o seria que quando se intentou que a Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) englobasse receitas outras além do faturamento auferido pelas instituições financeiras, quais sejam as receitas financeiras, se fez editar a Emenda Constitucional de Revisão nº 1/94, para fazer que referida contribuição incidisse “sobre a receita bruta operacional, como definida na legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza”. Ou seja, quando se pretendeu tributar as receitas típicas das instituições financeiras pela contribuição ao PIS, alterouse via emenda de revisão a sua respectiva base de cálculo, uma vez que o artigo 195, I da Constituição Federal não permitia tal incidência. Diante dessa controvérsia, outrossim, penso que pode haver uma terceira via, motivo pela qual voto no sentido de baixar o presente processo em diligência, para que, querendo, os Ilustres pares possam ou formar melhor a sua convicção ou seguir pelo caminho “maniqueísta” com mais firmeza de propósito. Explico. Nesses processos, ao se considerar as receitas financeiras como operacionais, e conseqüentemente equiparálas a faturamento, ou em sentido oposto, desconsiderar que as receitas financeiras podem ser parte da atividade de uma IF, seguimos o caminho estritamente jurídico, abandonando qualquer espécie de análise econômica e contábil, que poderia auxiliar o julgador na busca da verdade material. Isso decorre do seguinte fato: uma instituição financeira não tem 100% das suas receitas financeiras decorrentes da intermediação financeira ou da aplicação de recursos de terceiros, captados em sua atividade. Parte dos recursos aplicados, o são por obrigação regulatória, de recursos próprios, que têm que ser mantido na instituição por força dessas mesmas normas regulatórias, no caso brasileiro não apenas do Bacen mas em observância dos Acordos internacionais denominados Basiléia I e II (atualmente até mesmo da Basiléia III em alguns casos). O exemplo mais claro disso é a existência do capital próprio, em níveis mínimos, e o próprio patrimônio líquido da Instituição, composto por outras reservas, sejam elas de capital ou mesmo de lucro. Esses são inegavelmente recursos de propriedade do Banco, e que lá ficam em determinado montante. Isso posto, para esse Julgador faz todo o sentido que se busque “separar” ou “distinguir” o que são receitas de intermediação financeira dos seus recursos próprios, e daqueles de terceiros, captados por meio de depósitos, CDB´s, Fundos, etc., que ai sim são “girados” no mercado obtendose parte significativa dos seus lucros. Independentemente de qualquer opinião jurídica que possa ter a respeito. Inclusive até por uma questão de justiça – ao prevalecer a tese da PGFN, as IF´s teriam na prática um resultado distinto daquele obtido pelas demais empresas nãofinanceiras, cuja jurisprudência reconhece que as suas receitas financeiras são efetivamente “outras receitas”, eis que decorrentes da aplicação recursos próprios na busca da melhor gestão empresarial. Fl. 981DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.722351/201188 Resolução nº 3302000.417 S3C3T2 Fl. 11 10 Assim sendo, voto no sentido de converter o presente recurso em diligência para que o contribuinte seja intimado a apresentar cálculos que façam a distinção dos valores obtidos, para aqueles períodos de apuração dessa lide, e contabilizados nas contas I) Rendas de operações de créditos; II) Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez; III) Rendas de Títulos e Valores Mobiliário; IV) Rendas de Prestação de Serviço; e V) Outras Receitas Operacionais, acompanhadas da demonstração do método utilizado para cada “distinção” entre a) renda auferidas de recursos próprios; e b) rendas auferidas de recursos de terceiros, que possa, caso oportuno, ser posteriormente comprovada documentalmente para uma eventual liquidação de um futuro resultado de julgamento que o considere. Finalmente, que haja manifestação da Fiscalização acerca desse método e dos cálculos apresentados pelo contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 982DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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