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Numero do processo: 10768.015915/2002-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO.
SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS COM SALDO NEGATIVO DE PERÍODO ANTERIOR. Declarada a decadência do direito
de o Fisco reduzir o saldo negativo de período anterior, resta convalidada a compensação deste com as antecipações que compõem o direito creditório em litígio, impondo-se o seu reconhecimento.
Numero da decisão: 1101-000.634
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS COM SALDO NEGATIVO DE PERÍODO ANTERIOR. Declarada a decadência do direito de o Fisco reduzir o saldo negativo de período anterior, resta convalidada a compensação deste com as antecipações que compõem o direito creditório em litígio, impondose o seu reconhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Fl. 549DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10768.015915/200271 Acórdão n.º 110100.634 S1C1T1 Fl. 823 2 Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10768.015915/200271 Acórdão n.º 110100.634 S1C1T1 Fl. 824 3 Relatório BRADESCO SEGUROS S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São PauloI que, por unanimidade de votos, INDEFERIU a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que homologou parcialmente a compensação declarada. A interessada, mediante Declarações de Compensação – DCOMP apresentadas de 15/10/2002, 30/10/2002, 14/11/2002, 29/11/2002 e 13/12/2002, utilizou saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 1998, correspondente à parcela remanescente após as compensações efetuadas até setembro/2002, no montante de R$ 7.402.475,94. O saldo negativo original de R$ 25.917.628,00 foi reduzido em R$ 4.028.981,48, porque não confirmada a liquidação de uma das estimativas de 1998, compensada com saldo negativo de CSLL do anocalendário 1997. Isto em razão de o saldo negativo de CSLL do anocalendário 1997 ter sido alterado em procedimento fiscal, ante a constatação de que ali se aplicara a alíquota de 8%, e não de 18%, para cálculo da CSLL, matéria tratada no Mandado de Segurança nº 97.00058689, ainda não transitado em julgado. Às fls. 566/579 consta cópia do Termo de Verificação Fiscal lavrado pela Divisão de Fiscalização da DEINF/RJ, no qual o saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário 1997 é reduzido a R$ 629.860,00, em razão da glosa da parcela de R$ 4.028.981,48, integrante da dedução total de R$ 11.911.008,16 apontada pela interessada naquele período de apuração. A ele seguese auto de infração no qual a CSLL apurada naquele anocalendário (R$ 7.252.166,67) é confrontada com as antecipações confirmadas de R$ 7.882.026,88, resultando na apuração de saldo negativo de R$ 629.860,00, apontado no quadro Redução da Contribuição a Compensar ou a ser Restituída, motivo pelo qual restou o contribuinte notificado a ajustar os seus registros contábeis e fiscais de acordo com os valores assim apurados (fls. 580/582). Assim, confirmado apenas o saldo negativo de R$ 21.888.646,52, e dele deduzidas as compensações anteriores a setembro/2002, o valor remanescente foi suficiente para homologar a DCOMP apresentada em 15/10/2002 e parcialmente a DCOMP apresentada em 30/10/2002, restando as demais integralmente não homologadas. Cientificada desta decisão em 24/11/2006, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade apontando a decadência do direito de o Fisco questionar o saldo negativo do anocalendário 1998, a necessidade de sobrestamento deste feito até o julgamento do processo administrativo nº 19470.000321/200591 (no qual foi exigida CSLL em razão da revisão da apuração do anocalendário 1997), e a impossibilidade de cobrança dos débitos de estimativas compensados com o crédito aqui em debate. Antes do julgamento de 1a instância, foi juntado a estes autos o processo administrativo nº 10768.001209/200323 (fl. 768), o qual trata de DCOMP apresentadas em 14/02/2003, 28/02/2003 e 14/03/2003, tendo por objeto crédito relativo a saldo negativo de CSLL apurada no anocalendário 2002. Isto porque tal crédito foi composto, em parte, por estimativas vinculadas ao saldo negativo de CSLL do anocalendário 1998, motivo pelo qual a Fl. 551DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10768.015915/200271 Acórdão n.º 110100.634 S1C1T1 Fl. 825 4 autoridade administrativa, em despacho às fls. 104/106 dos autos do processo administrativo nº 10768.001209/200323, assim concluiu: a) Pelo reconhecimento, como direito creditório referente ao Saldo Negativo da CSLL do anocalendário 2002, o montante original de R$ 3.801.196,22, sobre o qual passa a incidir os juros SELIC a que alude o art. 39, § 4° da Lei n°9.250/95; b) Nos termos do disposto na IN SRF n° 210/02, pela homologação, até o limite do crédito ora reconhecido, das "Declarações de Compensação" formalizadas neste processo, com a conseqüente extinção dos débitos PIS (R$ 468.192,04), da COFINS (R$ 2.160.886,33), do IRPJ (R$ 1.164.774,13) e da CSLL (R$ 120.239,25), períodos de apuração Jan/03, conforme demonstrativo de folha 98; c) Em relação à parcela de R$ 1.593.154,55 do pretendido Saldo Negativo da CSLL do anocalendário 2002, pelo sobrestamento do seu reconhecimento, bem como a suspensão da exigibilidade dos débitos da CSLL (R$ 283.277,08), período Jan/03, do PIS (R$ 427.325,89) e da COFINS (R$ 953.988,55), períodos Fev/03, com ela compensados, como apontado no demonstrativo de folha 99, até o encerramento do PAF n° 10768.015915/200271; d) Por fim, por tratar de matéria correlata, propomos o apensamento do presente processo aos autos do PAF n°10768.015915/200271. Após ciência deste despacho decisório à contribuinte, os autos do processo administrativo nº 10768.001209/200323 foram encaminhados à DRJ/São PauloI, que promoveu sua juntada por apensação a estes autos. Depois desta apensação, ainda foi juntada aos autos a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte contra aquele despacho decisório, na qual argumenta, em síntese que mesmo na hipótese de ser mantida a decisão desfavorável proferida nos autos do processo n° 10768.015915/200271, o que se admite para argumentar, O PRESENTE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE QUALQUER MODO HÁ DE SER ACOLHIDO, SOB PENA DE EXIGÊNCIA DE TRIBUTO EM DUPLICIDADE, posto que A CONSEQÜÊNCIA PARA O IMPUGNANTE DE TAL DECISÃO É QUE PASSARIAM A SER DEVIDOS NAQUELE PROCESSO OS VALORES QUE ENTÃO FORAM INDEVIDAMENTE COMPENSADOS, RELATIVOS ÀS ANTECIPAÇÕES. Em 06/05/2008 a 8a Turma da DRJ/São Paulo – I, apreciando a manifestação de inconformidade de fls. 663/676 destes autos, ratificou o despacho decisório de fls. 656/660 em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. LIQUIDEZ E CERTEZA. A compensação de débitos pressupõe a liquidez e certeza do crédito tributário contra a Fazenda Publica. Se o exato valor do direito creditório está a depender de deferimento de demanda judicial, não pode ser considerado liquido e certo quanto à parte controversa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO INDEVIDAMENTE COMPENSADO. Não homologada a compensação, a autoridade administrativa Fl. 552DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10768.015915/200271 Acórdão n.º 110100.634 S1C1T1 Fl. 826 5 deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensado. Cientificada da decisão de primeira instância em 03/06/2008 (fl. 786), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 03/07/2008 (fls. 787/816). Defende que o restabelecimento do saldo negativo de 1997 no PA nº 19740.000321/200591 enseja a homologação das compensações declaradas neste feito, mas, subsidiariamente, argui a decadência do direito de o Fisco questionar o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 1998, bem como aponta a impossibilidade de exigência de valores mensais após o encerramento do anobase com prejuízo, reportandose aos débitos de estimativas de IRPJ e CSLL compensados com o saldo negativo aqui em discussão. Novamente pede o sobrestamento do julgamento deste processo até a conclusão final do processo nº 19740.000321/200591. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10768.015915/200271 Acórdão n.º 110100.634 S1C1T1 Fl. 827 6 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Inicialmente cumpre observar que não foi apreciada a manifestação de inconformidade apresentada em razão do despacho decisório proferido nos autos do processo administrativo nº 10768.001209/200323. Como relatado, a decisão recorrida restringiuse ao despacho decisório às fls. 656/660 deste processo principal, e à correspondente manifestação de inconformidade juntada às fls. 663/676. Por sua vez, o recurso voluntário apresentado pela interessada teve por objeto, apenas, a decisão assim proferida pela 8a Turma da DRJ/São PauloI, delimitando o litígio passível de apreciação por esta Turma Julgadora. E, neste âmbito, temse que foi dado provimento ao recurso voluntário apresentado pela interessada nos autos do processo administrativo nº 19740.000321/200591, por meio do Acórdão nº 10517.022, reconhecendose, por maioria de votos, a decadência do direito de o Fisco formalizar, em 06/09/2005, o lançamento ali tratado, pertinente ao ano calendário 1997. Vêse no voto do I. Conselheiro Leonardo Henrique M. de Oliveira, proferido em sessão de 28 de maio de 2008, que ali, mesmo tratandose de exigência de CSLL, prevaleceu o entendimento de que o Poder Judiciário e a 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais já haviam se posicionado em favor da aplicação das regras do Código Tributário Nacional, quanto à contagem do prazo decadencial. Atualmente, com mais razão, a Súmula Vinculante nº 8, firmada pelo Supremo Tribunal Federal em sessão plenária de 12/06/2008, determina que: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Registrese que consulta ao sistema de controle de processos do Ministério da Fazenda acusa que o processo administrativo nº 19740.000321/200591 foi encaminhado pela DIV CONTROLE ACOMP TRIBUTARIODEINFSP ao ARQUIVO GERAL DA SAMFSP em 06/10/2011. Imperioso, portanto, observar as conclusões expressas no acórdão nº 105 17.022, especialmente porque ali estava em análise lançamento tributário destinado, justamente, a reduzir o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 1997, utilizado pela contribuinte para liquidar parte das antecipações que formaram o saldo negativo do ano calendário 1998, ensejando a sua redução de R$ 25.917.628,00 para R$ 21.888.646,52. Destaquese que não está sob avaliação, aqui, a possibilidade de o Fisco, em 2005, questionar a compensação realizada pela contribuinte, tendo por objeto débitos de estimativas de CSLL devidas em 2002. Antes disto, já há decisão definitiva proferida nesta Fl. 554DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10768.015915/200271 Acórdão n.º 110100.634 S1C1T1 Fl. 828 7 instância de julgamento no sentido de que o crédito apurado em 1998, utilizado para liquidação das estimativas de 2002, não poderia ser desconstituído, por lançamento, em 2005. Logo, se o direito creditório alegado no anocalendário 1998 foi restabelecido em sua integralidade, nada subsiste em oposição à admissibilidade da compensação promovida em 2002, o que integraliza o saldo negativo de CSLL apurado em 1998 no montante apontado pela contribuinte (R$ 25.917.628,00). Por estas razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório em litígio de R$ 4.028.981,48 e homologar as compensações a ele vinculadas. Recordese, ainda, que a autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte deverá desfazer a juntada do processo administrativo nº 10768.001209/200323 ao presente processo, mas instruindoo com o presente resultado de julgamento, para depois adotar as providências necessárias à apreciação da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte naqueles autos. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 555DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10768.015915/200271 Acórdão n.º 110100.634 S1C1T1 Fl. 829 8 Fl. 556DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.012691/2010-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO.
É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos
relacionados à contribuições previdenciárias.
MULTA PUNITIVA PERCENTUAL ABUSIVO
A multa punitiva foi aplicada nos estritos termos da legislação em obediência ao disposto pelos artigos 283, inciso I, e 373, ambos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. O artigo 283, inciso I, especifica a multa a ser aplicada frente à conduta da autuada e o artigo 373, determina que os valores expressos em moeda corrente referidos no
Regulamento serão reajustados nas mesmas épocas e nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social.
O percentual da multa vem definido em legislação e ao julgador
administrativo é defeso argüir sobre a constitucionalidade das leis. Não cabe à esfera administrativa analisar se o quantum da pena descrita na legislação é correta, mas sim se cabe sua aplicação para o fato concreto existente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.424
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO. É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias. MULTA PUNITIVA PERCENTUAL ABUSIVO A multa punitiva foi aplicada nos estritos termos da legislação em obediência ao disposto pelos artigos 283, inciso I, e 373, ambos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. O artigo 283, inciso I, especifica a multa a ser aplicada frente à conduta da autuada e o artigo 373, determina que os valores expressos em moeda corrente referidos no Regulamento serão reajustados nas mesmas épocas e nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. O percentual da multa vem definido em legislação e ao julgador administrativo é defeso argüir sobre a constitucionalidade das leis. Não cabe à esfera administrativa analisar se o quantum da pena descrita na legislação é correta, mas sim se cabe sua aplicação para o fato concreto existente. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Ementa: AUTODEINFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO. É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias. MULTA PUNITIVA PERCENTUAL ABUSIVO A multa punitiva foi aplicada nos estritos termos da legislação em obediência ao disposto pelos artigos 283, inciso I, e 373, ambos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. O artigo 283, inciso I, especifica a multa a ser aplicada frente à conduta da autuada e o artigo 373, determina que os valores expressos em moeda corrente referidos no Regulamento serão reajustados nas mesmas épocas e nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. O percentual da multa vem definido em legislação e ao julgador administrativo é defeso argüir sobre a constitucionalidade das leis. Não cabe à esfera administrativa analisar se o quantum da pena descrita na legislação é correta, mas sim se cabe sua aplicação para o fato concreto existente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 03/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 156DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10830.012691/201055 Acórdão n.º 230201.424 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado em desfavor do recorrente, em 14/12/2006, em virtude do descumprimento do disposto no artigo 33, parágrafo 2 , da Lei n. 8.212/91, com a multa punitiva aplicada de acordo com o artigo 283, inciso II, letra “j”, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. De acordo com o relatório fiscal da infração, fl.06, a autuada, regularmente intimada através de termos próprios, às fls.10, 12, 13 e 18 não apresentou os documentos solicitados como Livros Diário registrados no órgão próprio e as notas fiscais de prestação de serviço e demais documentos, relativos a concessão de prêmio de incentivo pagos aos segurados empregados, das empresas INFINITI MARKETING DE INCENTIVO E FIDELIZAÇÃO, IN E K3 EMPREENDIMENTOS E CONSTRUÇÕES LTDA. e SALLES ADAN E ASSOCIADOS MARKETING DE INCENTIVO LTDA., no período de 01/2006 a 12/2007. Após a impugnação, Acórdão de fls. 86 a 91, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso arguindo em síntese: a) cerceamento de defesa porque a suposta infração foi descrita com obscuridade e imprecisão; b) bis in idem com o AI 37.286.5534, que também foi lavrado pela falta de apresentação de documentos; c) erro na capitulação da multa aplicada que deveria ter sido de R$ 6.361,73, valor da época da ocorrência do fato gerador; d) que a multa é confiscatória; e) que o prazo para a apresentação de documentos foi exíguo. Requer o apensamento do Auto de Infração 35.286.5534, a nulidade deste auto de infração ou a sua reforma por ilegalidade, inconstitucionalidade, ou ainda, o seu cancelamento por erro na multa aplicada. É o relatório. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora. Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Não vislumbro a tese de nulidade da autuação, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos do artigo 10 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O relatório fiscal de fl.06, traz especificamente no seu item 6, todos os documentos que foram solicitados mediante os termos próprios para tanto, constantes das fls. 10, 12, 13 e 18 e que não foram apresentados, sendo totalmente improcedente a alegação da empresa quanto ao cerceamento de defesa. Ademais, quando da solicitação das notas fiscais de prestação de serviço, foi entregue a recorrente planilha com a identificação da nota solicitada, conforme relação de fls. 14 a 16. É também improcedente a alegação de exigüidade do prazo para apresentação de documentos, posto que o Termo de Início de Ação Fiscal, com a primeira solicitação foi emitido em 18/02/2010 (fl.10) e sucedido por mais dois Termos de Constatação e Intimação Fiscal datados de 22/06/2010 e 25/08/2010, (fls.13 e 18), o que culminou com a lavratura do auto de infração em 16/09/2010. Portanto, considerando a data de 18/02/2010 até 16/09/2010, passaramse sete meses, sem que a recorrente tenha apresentado os documentos exigidos, o que não se presta a confirmar a tese exposta pelo recurso quanto ao prazo exíguo para o cumprimento da obrigação acessória. No que se refere ao bis in idem com o auto de infração n.º37.286.5534, esclareço à recorrente que a referida autuação possui objeto distinto da que tratada neste auto de infração. Nos termos de intimação para apresentação de documentos lavrados durante a ação fiscal, também foram solicitados esclarecimentos acerca dos beneficiários de programas de premiação de incentivo e os respectivos contratos firmados com as empresas operadoras do serviço. Tais documentos não são por si só fatos geradores de contribuições previdenciárias e por este motivo a sua apresentação está capitulada em outra norma legal que não aquela que Fl. 158DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10830.012691/201055 Acórdão n.º 230201.424 S2C3T2 Fl. 3 5 ensejou a lavratura deste auto de infração, que se refere ao descumprimento de obrigação acessória por deixar de apresentar os documentos relativos aos fatos geradores de contribuição previdenciária. A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Fl. 159DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto ao mérito, o processo em questão trata da lavratura de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, que vem definida em legislação. Em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte ou o responsável (sujeito passivo) e o fisco (sujeito ativo), tem aquele duas obrigações para com este. Uma obrigação denominada principal, que é a de verter contribuições para a Seguridade Social; outra denominada acessória que tem por objeto a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O descumprimento da obrigação principal, acarreta a constituição do crédito da Seguridade Social, através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. E, o descumprimento da obrigação acessória, que decorre da legislação tributária e tem por objeto prestações positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2º, do CTN), acarreta a lavratura do Auto de Infração. A obrigação se diz acessória, quando se tem por objeto o fazer ou não fazer algo no interesse da fiscalização ou da arrecadação. O auto de infração é o documento lavrado pelo auditor fiscal, para o fim específico de registrar a ocorrência de infração à legislação previdenciária, em descumprimento de uma obrigação acessória e constituir o crédito decorrente da multa aplicada. A atividade administrativa de lavratura de auto de infração é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, ao constatar a ocorrência de uma infração o auditor fiscal deve, obrigatoriamente, porque a lei não lhe dá discricionariedade, lavrar o auto e aplicar a multa. No caso presente, foi lavrado o Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação acessória, pois conforme consta no Relatório Fiscal da Infração o contribuinte deixou de apresentar documentos diretamente relacionados com a ocorrência do fato gerador de contribuição previdenciária, mais precisamente notas fiscais de prestação de serviço de empresas relacionadas a pagamentos efetuados aos segurados a título de premiação de incentivo, bem como apresentou os livros diários sem a devida autenticação no órgão competente. Ao agir desta forma, descumpriu a obrigação acessória prevista no artigo 33, parágrafo 2° da Lei n° 8.212/91: “A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou o seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta lei.” Fl. 160DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10830.012691/201055 Acórdão n.º 230201.424 S2C3T2 Fl. 4 7 Devese salientar que o direito tributário utilizase de institutos de outros ramos do direito, mormente do direito privado, para instituir as hipóteses de incidência tributária, bem como prescrever obrigações acessórias que, nos termos do art.115, do CTN Código Tributário Nacional, constituemse na imposição de prática ou abstenção de ato que não configure obrigação principal. Ao instituir obrigações acessórias o legislador visa permitir, aos órgãos competentes, uma eficaz administração tributária. Assim, não cabe, nem deve o legislador tributário disciplinar determinadas condutas, já reguladas no ordenamento jurídico, bastando, para tanto, incorporálas ao direito tributário. Isto significa que, quando a Lei 8.212/91 prescreve a exibição de livros e documentos relacionados a estas contribuições, é evidente que, nestes comandos, está implícito o dever da empresa de observar a legislação que rege a matéria. Está correta a lavratura do Auto de Infração e relativamente à aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, faço referência ao preceito contido no artigo 92 da Lei n.º 8.212/91, de que infração a qualquer dispositivo daquela lei, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, sujeitará o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável conforme dispuser o regulamento. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, está contida no artigo 283, inciso II, letra “j”, do RPS, conforme descrito no Auto de Infração, em fundamentos legais da multa aplicada e foi atualizada pela Portaria MPS/MF n.º 333, de 29/06/2010, atualizada pela Portaria MPS/MF n.º 408, na forma descrita pelo artigo 373 do Regulamento da Previdência Social. Quanto à inconformidade da recorrente acerca do valor da multa constar de Portaria Ministerial, faço referência ao artigo 373 do Regulamento da Previdência Social que diz: “Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no era.288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social.” Desta forma, a aplicação das Portarias Ministeriais para reajustar o valor das multas impostas por infração à legislação previdenciária está respaldada por dispositivo legal. A multa punitiva foi aplicada nos estritos termos da legislação em obediência ao disposto pelos artigos 283, inciso I, e 373, ambos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. O artigo 283, inciso I, especifica a multa a ser aplicada frente à conduta da autuada e o artigo 373, determina que os valores expressos em moeda corrente referidos no Regulamento serão reajustados nas mesmas épocas e nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Quanto às argüições acerca do percentual abusivo e desproporcional da multa, temos a considerar que o mesmo vem definido em legislação e ao julgador administrativo é defeso argüir sobre a constitucionalidade das leis. Ademais, deve agir com imparcialidade, voltado para sua função precípua de controle da legalidade do ato administrativo. Portanto, na esfera administrativa o princípio da proporcionalidade ou da vedação ao excesso deve ser analisado sob o prisma de ser necessária ou não a sanção imposta. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Não cabe à esfera administrativa analisar se o quantum da pena descrita na legislação é correta, mas sim se cabe sua aplicação para o fato concreto existente. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, não foi enquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa, vez que está dentro dos pressupostos legais e constitucionais. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 162DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10280.002106/2005-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004
IRPF RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS.
De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 39 “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45,
inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.714
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: Gustavo Lian Hadad
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 IRPF RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 39 “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso especial negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1389; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 0 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10280.002106/200515 Recurso nº 163.149 Especial do Contribuinte Acórdão nº 920201.714 – 2ª Turma Sessão de 26 de setembro de 2011 Matéria IRPF Recorrente FRANCISCO CARLOS GUEDES DA FONSECA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 IRPF RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 39 “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10280.002106/200515 Acórdão n.º 920201.714 CSRFT2 Fl. 2 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 14/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente substituto), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro Convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Francisco Carlos Guedes da Fonseca foi lavrado o auto de infração de fls. 0923, para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercícios 2001, 2002, 2003 e 2004, em razão da omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior. Além da multa de ofício de 75%, a autoridade fiscal também lançou a multa isolada de 75%, pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (PA) considerou o lançamento procedente em parte (fls. 142166). Por sua vez, a Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 220200.314, que se encontra às fls. 185192, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS PNUD/ONU A isenção de imposto de renda sobre rendimentos pagos pelos organismos internacionais é privilégio exclusivo dos funcionários que satisfaçam as condições previstas na Convenção sobre Privilégios e Imunidade das Nações Unidas, recepcionada no direito pátrio pelo Decreto n° 22.784, de 1950 e pela Convenção sobre Privilégios e Imunidade das Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas, aprovada pela Assembléia Geral do organismo Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10280.002106/200515 Acórdão n.º 920201.714 CSRFT2 Fl. 3 3 em 21 de novembro de 1947, ratificada pelo Governo Brasileiro por via do Decreto Legislativo n°. 10, de 1959, promulgada pelo Decreto n°. 52.288, de 1963. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1°, itens II e III, da Lei n°. 9430, de 1996). Recurso provido em parte. A decisão recorrida, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa isolada em concomitância com a multa de ofício, vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que negou provimento ao recurso. Intimada do acórdão em 31/03/2010 (fls. 193), a Fazenda Nacional deixou de recorrer. Já o contribuinte, quando cientificado do acórdão proferido pelo CARF, interpôs recurso especial de divergência às fls. 204218, acompanhado dos documentos de fls. 219261, no qual alegou, fundamentalmente, que os rendimentos em apreço são isentos do imposto de renda, suscitando como paradigmas os acórdãos nos 10416.358 e 10243.480. Admitido o recurso por intermédio do despacho n° 220200.199 (fls. 263 265), a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 268275, onde defendeu, basicamente, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial do contribuinte cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, para excluir da exigência a multa isolada em concomitância com a multa de ofício. O recorrente sustentou, sob vários enfoques, que os rendimentos em apreço não estão sujeitos à incidência do imposto de renda pessoa física. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10280.002106/200515 Acórdão n.º 920201.714 CSRFT2 Fl. 4 4 A questão que chega à apreciação deste Colegiado envolve a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, como decorrência da prestação de serviços profissionais a Organismo Internacional (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD). Eis a matéria em litígio. Muito se poderia escrever sobre o tema, cuja jurisprudência já foi favorável ao contribuinte e também à Fazenda Nacional. No entanto, atualmente, no âmbito do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF a questão não comporta maiores digressões. Isso porque no mês de dezembro de 2009, este Tribunal Administrativo aprovou diversas Súmulas e consolidou aquelas aplicáveis no âmbito do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, sendo que o Enunciado CARF n° 39 tem o seguinte conteúdo: “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Por força do que dispõe o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tal enunciado é de adoção obrigatória por este julgador. Nessa ordem de juízos, devo concluir que a decisão recorrida merece ser confirmada quanto à incidência do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos pelo recorrente como decorrência da prestação de serviços profissionais a Organismo Internacional. Voto, portanto, no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 16095.000085/2007-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
OMISSÃO DE RECEITAS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. DESNECESSIDADE.
Verificada a omissão de receitas, a autoridade efetuará o lançamento do imposto de renda e seus reflexos de acordo com o regime de tributação adotado pela contribuinte, no caso, o lucro real, nos termos do que dispõe o art. 24, caput e parágrafos, da Lei nº 9.249, de 1995. Não havendo desclassificação da escrituração contábil e fiscal da empresa é descabido
efetuar o arbitramento do seu lucro.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. RESGATE DE EXPORT NOTES.
Por expressa disposição legal, consideram-se receitas omitidas os valores creditados em conta mantida junto à instituição financeira cuja origem não seja comprovada, mediante documentação hábil e idônea. O resgate de aplicações em “export notes”, que contém vícios de ilegalidade por terem sido celebradas com empresas que existem somente no papel, não podem ser
considerados documentos hábeis e idôneos para comprovar os valores creditados e, com isso, elidir o lançamento fiscal.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, PIS E COFINS
Subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que ensejaram os lançamentos são os mesmos.
Numero da decisão: 1202-000.589
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Em relação ao mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente
julgado. Vencidos os Conselheiros Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Nereida de Miranda Finamore Horta. Apresentará declaração de voto o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. DESNECESSIDADE. Verificada a omissão de receitas, a autoridade efetuará o lançamento do imposto de renda e seus reflexos de acordo com o regime de tributação adotado pela contribuinte, no caso, o lucro real, nos termos do que dispõe o art. 24, caput e parágrafos, da Lei nº 9.249, de 1995. Não havendo desclassificação da escrituração contábil e fiscal da empresa é descabido efetuar o arbitramento do seu lucro. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. RESGATE DE EXPORT NOTES. Por expressa disposição legal, consideramse receitas omitidas os valores creditados em conta mantida junto à instituição financeira cuja origem não seja comprovada, mediante documentação hábil e idônea. O resgate de aplicações em “export notes”, que contém vícios de ilegalidade por terem sido celebradas com empresas que existem somente no papel, não podem ser considerados documentos hábeis e idôneos para comprovar os valores creditados e, com isso, elidir o lançamento fiscal. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, PIS E COFINS Subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que ensejaram os lançamentos são os mesmos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 607DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16095.000085/200739 Acórdão n.º 1202000.589 S1C2T2 Fl. 608 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Em relação ao mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Nereida de Miranda Finamore Horta. Apresentará declaração de voto o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Relatório Tratase da lavratura de Autos de Infração do IRPJ e seus reflexos, CSLL, PIS e Cofins, dos anoscalendário de 2002 e 2003, face a constatação da ocorrência de depósitos bancários de origem não comprovada, cujo montante exigível do processo perfaz o valor de R$ 9.587.926,90, já incluídos a multa de ofício, no percentual de 75%, e os juros de mora com base na taxa Selic, fls. 303 a 328. Segundo relatado pela fiscalização em seu Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades,de fls. 248 a 252, as justificativas acerca da origem dos valores depositados não foram aceitas pelas razões transcritas do referido Termo: “O contribuinte atendeu, em 19/01/2007, ao Termo de Intimação Fiscal de 12/01/2007 e, após a análise da documentação apresentada, restaram sem comprovação os lançamentos a crédito, tabulados na PLANILHA DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM (ANOSCALENDÁRIO 2002 E 2003), anexa ao presente Termo, conforme exponho abaixo. Referidos créditos foram contabilizados nos livros diários (anoscalendário 2002 e 2003); conforme cópias parciais daqueles, anexadas ao processo; da seguinte forma pelo contribuinte: Fl. 608DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16095.000085/200739 Acórdão n.º 1202000.589 S1C2T2 Fl. 609 3 Depósitos efetuados no Banco Santos S/A nos anos calendário 2002 e 2003: Conta debitada: 1010100200001 Banco Santos C/C 10.4333 (ativo circulante). Conta creditada: 1010100300001 Investimentos (ativo circulante). Depósitos efetuados no Banco Real S/A no ano calendário 2002: Conta debitada: 1010100200002 Banco Real C/C 17095916 (ativo circulante). Conta creditada: 2020100200001 Publica Publ. e Edições (passivo exigível a longo prazo). O contribuinte pretendeu comprovar a origem dos referidos depósitos alegando que aqueles eram provenientes de resgates de investimentos efetuados junto às empresas Quality Negócios e Participações Ltda e Contaserv Serviços S/C Ltda. Para provar tal alegação juntou ao processo cópias de recibos firmados e assinados pelo responsável pela administração da empresa (Alessandro Poli Veronezi, CPF no 153.188.39827), nos quais aquele administrador declara, em nome da fiscalizada, ter recebido daquelas duas empresas quantias equivalentes aos depósitos a crédito aqui discutidos, documentos que não constituem provas hábeis para realizar a pretendida comprovação, por se tratarem de declarações unilaterais de recebimento das quantias por parte da fiscalizada (VV Editora Ltda), que não asseguram sequer a anterioridade das operações e, menos ainda, a efetividade das transferências de valores. Além das acima referidas "declarações unilaterais", ainda foi apresentado um documento, anexado no processo, para justificar um crédito de R$ 1.372.000,00 efetuado em 28/11/2002 na conta nº 104333 mantida na agência no 00019 do Banco Santos pela fiscalizada. Tal documento também não constitui prova hábil para comprovar aquele crédito específico. Acrescento ainda o fato de que, com relação às duas empresas acima referidas, Quality e Contaserv, segundo o Ministério Público Federal, tratamse de "paper companies" (companhias que só existem no papel), conforme pode ser verificado na folha 13 do documento que se constitui no anexo 4 a este Termo, a saber: cópia da denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal em São Paulo contra excontrolador do Banco Santos, Edemar Cid Ferreira e outros 18 ex dirigentes da instituição (denúncia aceita pelo Juiz Fausto de Sanctis da 6a Vara Criminal Federal de São Paulo). O exposto no parágrafo anterior acentua a ausência de comprovação de origem dos depósitos a crédito por parte da empresa fiscalizada (VV Editora Ltda), não só quanto às já mencionadas declarações unilaterais, como em relação ao outro documento apresentado que, se supõe ser cópia de extrato de uma transferência de R$ 1.372.000,00 (hum milhão, trezentos e setenta e dois mil reais) efetuada pela "paper company": Quality, para a conta da empresa fiscalizada. DA ANÁLISE: Fl. 609DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16095.000085/200739 Acórdão n.º 1202000.589 S1C2T2 Fl. 610 4 Em virtude do acima exposto, concluise que o contribuinte ora fiscalizado (VV Editora Ltda) recebeu diversos depósitos a crédito em suas contascorrente, para os quais não logrou êxito em comprovar as origens e, em virtude disso, incorreu nas infrações abaixo descritas, ficando sujeito ao previsto nos dispositivos legais abaixo elencados.” Planilha anexa ao Termo de Verificação mencionado, discriminam os valores depositados no Banco Santos e no Banco Real, em nome da autuada, considerados pelo agente fiscal sem comprovação de origem, fls. 253. Contra as autuações, a interessada apresentou a sua impugnação mediante arrazoado, de fls.338 a 346, trazendo as seguintes alegações, resumidamente descritas no relatório do Acórdão da DRJ/Campinas, de fls. 507 a 527, as quais adoto e passo a transcrever: “Afirma que como os depósitos estariam regularmente contabilizados a sua origem estaria comprovada. Diz que a fiscalização não teria contestado o saldo da conta 1010100300001 — Investimentos Ativo Circulante, em 31/12/2001, de R$ 10.399.894,31, referente a aplicações em Export Notes, com recursos provenientes de empréstimos concedidos pelo próprio Banco Santos, como segue: "a) a primeira aplicação, no valor de R$ 5.000.000,00 (equivalentes na época a US$ 2.005.213,56) foi efetuada junto a Quality Negócios e Participações Ltda., conforme Instrumento " Particular de Contrato de Cessão de Crédito de Exportação e Contrato de Swap firmados em 02 de agosto de 2001 e contrato de mútuo do Banco Santos S.A. da mesma data. b) a segunda aplicação, no valor de R$ 4.400.826,59 (equivalentes na época da aplicação a US$ 1.749.553,99, foi efetuada junto a Contaserv Serviços S/C Ltda., conforme Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Créditos de Exportação e Contrato de Swap firmados em 20 de novembro de 2001 e contrato de mútuo firmado em 20 de novembro de 2001." No entender da defesa, não teria sido questionado pela fiscalização e comprovado estaria na escrita contábil que a Impugnante possuía aplicações registradas, devidamente documentadas e com saldo em 31 de dezembro de 2001, compatível com os resgates posteriores. Assevera ainda que o Banco Santos exigia uma declaração irrevogável e irretratável da empresa para liquidar toda e qualquer operação de mútuo com o resgate das aplicações financeiras em export notes. Esclarece que o Banco Santos teria fornecido apenas os avisos de lançamento correspondentes aos depósitos efetuados, mas em relação ao crédito efetuado em 28/11/2002, no valor de R$ 1.372.000,00, o Banco teria demonstrado detalhes da liquidação, constando a Quality, como titular da conta debitada, e a VV Editora, como titular da conta creditada. Ressalta ser a Quality uma empresa registrada na Junta Comercial e com situação cadastral ativa perante a RFB. Quanto à denúncia do Ministério Público Federal, na qual a Quality e a Contaserv seriam caracterizadas como paper companies (companhias que só existem no papel), diz que seria necessário aguardar a decisão judicial definitiva e que tais afirmações serviriam de prova a favor da Impugnante de que tais operações realmente existiram. Partindo das conclusões da denúncia do MPF de que a concessão de empréstimos e financiamentos pelo Banco Santos era vinculada à contratação de outras operações (in casu, operações com Export Notes), além de se reputar vítima Fl. 610DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16095.000085/200739 Acórdão n.º 1202000.589 S1C2T2 Fl. 611 5 das operações ilícitas praticadas pela instituição, diz que elidida estaria a presunção de que os créditos feitos na conta corrente da Impugnante fossem decorrentes de receitas não contabilizadas. Acrescenta que se não admitida a contabilização dos depósitos como resgates de aplicações, teria se operado a desclassificação da escrituração contábil da empresa, impondose a adoção dos percentuais para a determinação do lucro arbitrado. Requer o cancelamento da autuação. Foram juntadas impugnações específicas aos lançamentos de PIS (fls. 438/440), Cofms (fls. 450/452) e CSLL (fls. 462/464), advogando pelo sobrestamento das exigências até o julgamento do lançamento relativo ao IRPJ, sob pena de nulidade.” Na sequência, a DRJ/Campinas emitiu o Acórdão nº 0522.417, de fls. 507 a 527, mantendo integralmente a exigência, contendo o seguinte ementário: “Omissão de Receitas. Depósito Bancário. Falta de Comprovação da Origem. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto á instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A escrituração, mantida com observância das disposições legais, faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, apenas quando comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Regularmente constituída a prova de serem inexistentes ou fictícias as empresas com as quais a empresa insiste ter celebrado Contratos de Cessão de Crédito de Exportação, restam sem origem os recursos depositados em sua conta corrente e vinculados àquelas operações. Tributação Reflexa. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. O valor da receita omitida apurado no âmbito do IRPJ será considerado na determinação da base de calculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Lançamento Procedente” Fl. 611DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16095.000085/200739 Acórdão n.º 1202000.589 S1C2T2 Fl. 612 6 Os principais fundamentos utilizados no acórdão recorrido podem ser assim sintetizados: i) foi afastado o pedido de sobrestamento das exigências reflexas de CSLL, PIS e Cofins. Diante da falta de previsão de suspensão ou interrupção do prazo decadencial, deve o agente fiscal proceder aos lançamentos reflexos, quando o fato apurado no campo de incidência do IRPJ, ensejar repercussões nos campos de incidência de outros tributos, sendo completamente descabida a argüição de nulidade das exigências. ii) o lançamento foi baseado no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, uma vez ausente a comprovação da origem dos recursos depositados. Contrariamente ao defendido pela impugnante, não basta a contabilização dos valores depositados se não comprovado que o registro tem suporte em documentação hábil e idônea. iii) no caso, os valores teriam sido contabilizados como resgates de aplicações financeiras (Export Notes), contratadas com as empresas Quality Negócios e Participações Ltda. e Contaserv Serviços Ltda. Todavia, tais operações não teriam restado devidamente comprovadas, mas, ao contrário, teriam sido descaracterizadas porque realizadas com empresas 'de fachada', também conhecidas como paper companies (companhias que só existem no papel), conforme denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (fls. 256/297), em face de Edemar Cid Ferreira e outros, administradores e funcionários do Banco Santos S.A.(em liquidação extrajudicial), na qual consta a apuração dos seguintes fatos relevantes para a solução do presente litígio, cujos excertos transcrevo: a) “Além de seu quadro regular de empregados, os administradores do Banco Santos S.A. arregimentaram um numeroso grupo de profissionais autônomos denominados officers, com atuação em vários estados do País, e cuja função era a de contatar industriais, comerciantes, fazendeiros e empresários dos mais diversos segmentos de mercado, oferecendolhes produtos da instituição financeira. No decorrer das investigações, vários officers foram ouvidos (...) Seguindo determinação dos gerentes comerciais, os officers vinculavam a concessão desses empréstimos e financiamentos a outras operações que o empresário, futuro cliente, deveria necessariamente realizar com o banco. Tal prática — usualmente denominada de operações recíprocas, operações mútuas ou operações casadas — por si só, constituise em ilícito administrativo, ilícito civil e infração penal. Os empresários, atraídos pro menores taxas de juros ou melhores condições de pagamento em relação às normalmente encontradas no mercado ou, por outro lado, incapazes de obter financiamentos em outras instituições financeiras em função de restrições cadastrais ou insuficiência de garantias, acabavam por aceitar as condições oferecidas pelos officers para a concretização das transações financeiras. Premido muitas vezes pela necessidade de liquidar operações anteriores e, conseqüentemente, manter o fluxo financeiro clandestino da instituição, o Banco Santos S.A. oferecia, em algumas operações casadas, um rendimento tal que este acabaria por pagar, por si só, o custo do investimento principal, garantindo com isso a anuência dos clientes que acabavam também por se beneficiar com a operação, obtendo dinheiro a baixo custo ou custo zero. Fl. 612DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16095.000085/200739 Acórdão n.º 1202000.589 S1C2T2 Fl. 613 7 Assim visandose dificultar a vinculação de tais operações recíprocas ao Banco Santos S.A., criaramse várias empresas 'de fachada', também conhecidas como paper companies (companhias que só existem no papel) nacionais, a saber: • (...) • Quality Negócios e Participações Ltda. • (...) • Contaserv Serviços,Ltda. (...) B. Operações com export notes Indicavase ao cliente, como condição para a liberação dos recursos de um financiamento ou empréstimo, que parte dele fosse destinada à aauisicão de export notes, também conhecidas como contratos de cessão de crédito de exportação das empresas (...), Quality, (...), e Contaserv, entre outras. Assim, depositado o valor correspondente ao financiamento concedido na conta do cliente, este imediatamente transferia o montante relativo à aquisição de export notes para uma conta corrente indicada pelo Banco Santos S.A. Assim, a compra, consubstanciada nas export notes, de direitos creditícios associados a uma futura operação de exportacão, mostravase como outro mecanismo simulado destinado a desviar recursos da instituicão financeira. Às fls. 2370/2377 dos autos principais, a comissão de inquérito instalada para apurar as atividades do Banco informou que além das empresas destinatárias de tais recursos não apresentarem atividades econômicas que justificassem tais recebimentos, as respectivas transferências de valores eram realizadas por meio de inúmeras transações diárias para várias contas, abertas pelo mesmo destinatário em diferentes bancos, sugerindo ter havido estruturação de transferências para evitar que fossem identificadas como atípicas ou incompatíveis. iv) descaracterizadas as operações de resgates de aplicações em títulos denominados Export Notes realizadas junto a empresas ‘de fachada’, de nada valeria à Impugnante afirmar a sua contabilização, na medida em que não respaldada em documentação idônea. v) no caso em questão, como se encontra regularmente constituída a prova de serem inexistentes ou fictícias as empresas Quality e Contaserv, restam sem origem os recursos depositados em sua conta corrente e vinculados àquelas operações. vi) nos termos da denúncia acima transcrita, não seria correto afirmar que os clientes do Banco Santos seriam meras vítimas das condutas ilícitas praticadas pelos administradores da instituição financeira. Na verdade, consta que, em algumas operações, os rendimentos oferecidos a baixo ou a custo zero, denotavam o beneficiamento também dos clientes com as operações. Fl. 613DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16095.000085/200739 Acórdão n.º 1202000.589 S1C2T2 Fl. 614 8 vii) os valores dos empréstimos obtidos junto ao Banco Santos teriam sido utilizados nas "aplicações" de títulos fraudulentos, denominados Export Notes, das empresas ‘de fachada’, Quality e Contaserv, não servindo para comprovar a origem/causa depósitos efetuados posteriormente na conta corrente da VVEditora, sob a rubrica de "resgates" de aplicações desses mesmos Export Notes. A origem/causa dos recursos depositados em favor da VV Editora, sob tal rubrica, continua não revelada, na medida em que restou comprovado que a Quality e a Contaserv teriam sido criada, para desviar recursos da instituição financeira: se as empresas contratantes não existem e nem as operações ali indicadas, mantémse sem origem/causa os depósitos efetuados. viii) a informação da instituição financeira constante dos Avisos de Lançamento apenas ratifica que os valores foram creditados e os recibos emitidos pela própria VV Editora, em favor da Quality e da Contaserv, não são hábeis a corroborar as alegadas operações de resgate de Export Notes. Tratase de documentos emitidos pela própria interessada, sem a interveniência de terceiros, o que compromete a validade de seu valor probatório, principalmente, em face das provas produzidas pelo MPF, onde as beneficiárias dos recibos seriam empresas de fachada. ix) não houve desclassificação da escrituração contábil e fiscal da empresa, mas apenas desconsideração das operações de resgate dos títulos denominados Export Notes, contratadas com empresas de fachada. Incabível, portanto, o arbitramento dos lucros. Não satisfeita com a decisão prolatada, a interessada apresentou seu recurso voluntário, de fls. 556 a 571, repisando praticamente os mesmos argumentos trazidos na peça impugnatória. Reforça, ainda, a recorrente, que efetivamente teria realizado as operações de empréstimos junto ao Banco Santos, operação regular e controlada pelo Banco Central do Brasil e se viu obrigada a aplicar parte desses recursos em operações de Export Notes nas empresas indicadas pelo próprio Banco Santos, ou seja, nas empresas Quality e Contaserv. Ao mesmo tempo em que efetuou tais aplicações, forneceu ao Banco Santos autorizações para o resgate dessas mesmas operações e aplicação dos recursos obtidos na liquidação das operações de empréstimo contratadas, fato que não constitui receita omitida. Salienta que encontrase clara a origem dos recursos aplicados em Export Notes, ou seja, os próprios empréstimos bancários. Quanto ao aspecto documental da operação, reitera os argumentos constantes de sua peça impugnatória, salientando que os mesmos são suficientes para comprovar as operações efetuadas, encontrandose devidamente registrados na sua contabilidade. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Dele tomo conhecimento. A matéria objeto do litígio diz respeito em analisar se os documentos apresentados pela autuada, como sendo a origem dos depósitos efetuados em sua conta Fl. 614DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16095.000085/200739 Acórdão n.º 1202000.589 S1C2T2 Fl. 615 9 bancária no Banco Santos, podem ser considerados hábeis e idôneos para comprovar as operações neles registrados e, por conseqüência, descaracterizar a presunção da omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Em seu recurso, a defesa argumenta que os depósitos bancários estariam regularmente contabilizados e a sua origem provêm do resgate de aplicações em títulos, denominados Export Notes, cujos recursos aplicados seriam provenientes de empréstimos concedidos pelo Banco Santos. Diz que encontrase clara a origem dos recursos depositados em sua conta bancária, não vislumbrando qualquer omissão de receitas. Acaso não admitida a contabilização dos depósitos como resgates de aplicações, deveria haver a desclassificação da escrituração contábil da empresa, impondose a adoção do lucro arbitrado. Por seu turno, o lançamento tributário foi mantido pela DRJ/Campinas porque teria ficado evidenciado que os valores contabilizados como resgates de aplicações financeiras em Export Notes, contratadas com as empresas Quality Negócios e Participações Ltda. e Contaserv Serviços Ltda, não teriam restado devidamente comprovadas, mas, ao contrário, teriam sido descaracterizadas porque realizadas com empresas 'de fachada', também conhecidas como paper companies (companhias que só existem no papel), conforme denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (fls. 256/297), em face de processo judicial que corre contra os administradores do Banco Santos. Como as empresas contratantes não existem e nem as operações ali indicadas, deveria manterse sem origem/causa os depósitos bancários efetuados na conta da autuada. Da apertada síntese descrita acima, podese perceber que a questão crucial é definir se os resgates das aplicações efetuadas pela autuada em títulos denominados Export Notes, de emissão das duas empresas mencionadas, que se identificou só existirem no papel (paper companies), podem ser aceitos como origem dos depósitos bancários. Inicialmente, cumpre analisar o dispositivo legal que prevê a presunção da omissão de receitas e que foi utilizado no lançamento fiscal. Assim dispõe o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo estabeleceu uma presunção legal de omissão de receita que autoriza o lançamento do tributo correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A presunção em favor do fisco não se configura como mera suposição e transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos depositados. Segundo consta ao final do citado art. 42, os documentos apresentados devem se revestir da característica de serem documentos “hábeis” e “idôneos”. Sabendose que a lei não possui palavras inúteis, fazse necessário buscar o real alcance desses dois termos utilizados na norma legal. Fl. 615DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16095.000085/200739 Acórdão n.º 1202000.589 S1C2T2 Fl. 616 10 Na conceituada obra “Vocabulário Jurídico”, de Plácido e Silva: Forense, Rio de Janeiro, 1993, 12ª ed.,Vol. II, pgs.370/371 e 402/403, os termos “hábil” e “idôneo” têm o seguinte significado: “Hábil. Assim, possui sentido de autorizado pela lei para agir segundo as regras jurídicas instituídas, na defesa de todos os direitos inerentes e atribuídos à pessoa. Quando o vocábulo, entanto, é empregado particularmente aos atos, entendese o legal, ou o que é do estilo ou uso. É o meio hábil, isto é o meio legal ou amparado pelo Direito para que se intente qualquer coisa.” (grifei) “Idôneo, pois, qualifica o que é suficiente, eficiente, próprio, adequado, autorizado, mostrando, assim, tudo o que se faz ou é feito de modo regular e legalmente admitido.” (grifei) Da leitura dos significados dos termos acima expostos, concluise que para elidir a presunção de omissão de receitas prevista em lei, os documentos devem ser aqueles “amparados pelo Direito”, ou seja, “o meio legal ou amparado pelo Direito para que se intente qualquer coisa”. São aqueles documentos “adequados, autorizados” e “feitos de modo regular e legalmente admitidos”. Pois bem. No caso em tela, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal, fls. 250, para justificar os depósitos bancários em “CHEQUEs” e em “TEDs”, fls. 253, a empresa limitouse a apresentar “cópias de recibos” assinados, unicamente, pelo responsável pela administração da empresa autuada (Alessandro Poli Veronezi), nos quais declara, em nome da fiscalizada, ter recebido das empresas “Quality” e “Contaserv” quantias equivalentes aos depósitos bancários reclamados, documentos que a fiscalização não aceitou como prova hábeis para a comprovação das operações, por se tratarem de declarações unilaterais de recebimento das quantias por parte da fiscalizada (VV Editora Ltda), não assegurando a efetividade das transferências de valores. Além dos referidos recibos, ainda foi apresentado um “documento” do Banco Santos, de fls. 230, para justificar um crédito de R$ 1.372.000,00 na conta bancária mantida pela fiscalizada no Banco Santos, cujo titular da conta debitada seria a empresa “Quality”, sem demonstrar a que título foi feita a transferência. Já por ocasião da impugnação, a empresa juntou outros documentos, fls. 356 a 433, dentre os quais podemos relacionar, a seguir, aqueles mais importantes: Cópia do livro Razão (fls. 356/357); Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Crédito de Exportação (Export Notes) celebrado entre a Cedente: Quality Negócios e Participações Ltda. e a Cessionária: V V Editora Ltda. (aplicadora), (fls. 358/359), conjuntamente com contrato de SWAP celebrado entre as mesmas empresas (fls. 360/361); Contratos de Mútuo celebrados entre o Banco Santos e a V V Editora Ltda. e Notas Promissórias vinculadas a esses Contratos, (fls. 362 a 365) – (fls. 404 a 415) – (fls. 428 a 430); Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Crédito de Exportação (Export Notes) celebrado entre a Cedente: Contaserv Serviços S/C Ltda. e a Cessionária: V V Editora Ltda. (aplicadora), (fls. 366/367), conjuntamente com contrato de SWAP celebrado Fl. 616DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16095.000085/200739 Acórdão n.º 1202000.589 S1C2T2 Fl. 617 11 entre as mesmas empresas (fls. 368/369); A empresa Contaserv não assinou os respectivos contratos. Contratos de Mútuo celebrados entre o Banco Santos e a V V Editora Ltda. e Notas Promissórias vinculadas a esse Contrato, fls. 370 a 372; Avisos de lançamento do Banco Santos e respectivos Recibos assinados pelo representante da V V Editora Ltda, (fls. 380 a 403) – (fls. 416 a 427) – (fls. 431 a 433); Como já relatado, os depósitos bancários com origem nos resgates das aplicações em Export Notes, celebrados com a Quality e Contaserv, foram objeto da caracterização de presunção da omissão de receitas. No caso em tela, pesa contra a autuada o fato de que, por ocasião da denúncia criminal proposta pelo Ministério Público Federal, em face dos administradores do Banco Santos, fls. 256 a 297, foi identificado que as empresas Contaserv e Quality (dentre outras) seriam empresas ‘de fachada’, também conhecidas como paper companies (companhias que só existem no papel). Tal denúncia resultou na condenação judicial dos administradores do Banco Santos, nos termos do noticiado no Ofício n.° 3966/2007, do Exmo. Sr. Procurador da República, Dr. Silvio Luis Martins de Oliveira, fls. 255, uma vez que os condenados teriam criado ditas empresas de ‘fachada’ para possibilitar a retirada de recursos financeiros do Banco. Para confirmar tal entendimento, transcrevo parte da denúncia criminal mencionada: “Assim visandose dificultar a vinculação de tais operações recíprocas ao Banco Santos S.A., criaramse várias empresas 'de fachada', também conhecidas como paper companies (companhias que só existem no papel) nacionais, a saber: • (...) • Quality Negócios e Participações Ltda. • (...) • Contaserv Serviços,Ltda. (...) B. Operações com export notes Indicavase ao cliente, como condição para a liberação dos recursos de um financiamento ou empréstimo, que parte dele fosse destinada à aquisicão de export notes, também conhecidas como contratos de cessão de crédito de exportação das empresas (...), Quality, (...), e Contaserv, entre outras. Assim, depositado o valor correspondente ao financiamento concedido na conta do cliente, este imediatamente transferia o montante relativo à aquisição de export notes para uma conta corrente indicada pelo Banco Santos S.A. Assim, a compra, consubstanciada nas export notes, de direitos creditícios associados a uma futura operação de exportacão, mostravase como Fl. 617DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16095.000085/200739 Acórdão n.º 1202000.589 S1C2T2 Fl. 618 12 outro “mecanismo simulado” destinado a desviar recursos da instituicão financeira.” Ora, da descrição da denúncia oferecida pelo Ministério Público, verificase que os documentos que a autuada apresentou, como sendo suficientes para a comprovação dos recursos depositados em sua conta bancária, originado de resgates das aplicações em Export Notes, encontramse eivados de vício de ilegalidade, posto que foram celebrados com empresas de ‘fachada’, com o objetivo de criar um “mecanismo simulado” destinado a desviar recursos da instituição financeira, Banco Santos, conforme descrição do Ministério Público Federal e acatado por decisão judicial. Como visto anteriormente, a definição de documento “idôneo” pressupõe o fato de ser considerado um documento “amparado pelo direito” celebrado de maneira “regular e legalmente admitido”. Um documento celebrado com empresa de ‘fachada’, utilizada para simular operações não pode ser considerado “amparado pelo direito”, muito menos “regular e legalmente admitido”, como deve ser a característica de um documento “hábil e idôneo” exigido pela lei fiscal. No presente caso, as Export Notes se caracterizam por serem documentos fraudados, simulados, com vício de ilegalidade, não produzindo qualquer efeito, nos termos dos arts. 166, VI e 167, § 1o , I, da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil Brasileiro): Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando: (...) VI tiver por objetivo fraudar lei imperativa; Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; (destaquei) Os documentos de resgate das aplicações em Export Notes foram considerados simulados/fraudados porque realizados com empresas que só existem no papel, não podendo servir como comprovação para a origem dos recursos depositados, porque não atendem aos requisitos previstos na lei fiscal, ou seja, não se revestem das características de documentos “hábeis e idôneos” para comprovar as operações realizadas. Entendo que não pode este órgão julgador administrativo considerar válidos documentos celebrados com ‘empresas de papel’, em operações reconhecidamente simuladas, inclusive com notícia de decisão judicial já prolatada nesse sentido, sob pena de se convalidar operações eivadas de vícios de ilegalidade. Fl. 618DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16095.000085/200739 Acórdão n.º 1202000.589 S1C2T2 Fl. 619 13 Registrese, ainda, que o contrato de aquisição de Export Notes, celebrado entre a autuada e a empresa Contaserv, fls. 366 a 369, sequer foi assinado por esta última, o que vem, também por mais esse motivo, enfraquecer a validade dos documentos apresentados pela autuada. Pesa também contra a autuada a não comprovação da origem do depósito efetuado em seu nome, relativo a transferência eletrônica (TEDC), de R$ 1.372.000,00, efetuada em 28/11/2002, pela paper company Quality, para a conta da empresa fiscalizada, fls. 163 e 180. A defesa limitase a alegar que dita transferência estaria comprovada pela demonstração dos detalhes da liquidação pelo Banco Santos, constando a Quality, como titular da conta debitada, e a VV Editora, como titular da conta creditada. Entretanto, a recorrente não traz nenhum documento, hábil e idôneo, demonstrando a que se refere a mencionada transferência bancária, incidindo também na hipótese a regra do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Por fim, é preciso registrar que a defesa não se manifestou a respeito dos valores de três depósitos bancários efetuados na conta da autuada do Banco Real S/A, discriminados na planilha da fl. 253, motivo pelo qual, também sobre esses valores devem ser exigidos os tributos lançados pela autoridade fiscal. Assim, uma vez que o contribuinte regularmente intimado, não conseguiu comprovar a origem dos depósitos bancários efetuados, mediante documentação hábil e idônea, a lei atribuiu que os valores creditados em conta de depósito sejam considerados omissão de receita, devendo sofrer as incidências dos tributos e contribuições devidos, exatamente como fez a fiscalização e como bem entendeu o acórdão recorrido. Cabe também dizer à recorrente, que o fato imponível do lançamento não é elidida pela possível origem dos recursos financeiros aplicados em “export notes”, serem de empréstimos (mútuo) contratados com o Banco Santos. Pelo contrário, o fato gerador é a aquisição de disponibilidade de renda representada pelos recursos que ingressam no seu patrimônio por meio dos depósitos bancários originados de CHEQUEs e de TEDs, que não foram devidamente esclarecidos, com documentação hábil e idônea, conforme expressamente determina a regra do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. A jurisprudência do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu nesse mesmo sentido, como demonstra o Acórdão 10195122, da Primeira Câmara, julgado em 11/08/2005, cuja parte da ementa abaixo se transcreve: IRPJ – PRESUNÇÃO LEGAL – OMISSSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM – OPERAÇÕES COM T – BILLS para dar suporte a depósitos bancários em contas da recorrente, que deram causa a acusação de omissão de receita, as operações de compra e venda de títulos do Tesouro Americano deveriam estar registradas em sua contabilidade e os documentos que as lastreiam deveriam conter os requisitos formais próprios dos documentos de sua espécie. Ausente desses títulos um dos requisitos essenciais para sua formalização (a indicação do nome da instituição financeira custodiante nos EUA), bem como não estando estes contabilizados, não resta comprovada a Fl. 619DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16095.000085/200739 Acórdão n.º 1202000.589 S1C2T2 Fl. 620 14 origem dos depósitos bancários que deram causa à aplicação da presunção legal de omissão de receitas, estabelecida pelo artigo 42 da lei nº 9.430/1996. Resta ainda mencionar que não encontro justificativa em proceder ao arbitramento do lucro da pessoa jurídica, como pleiteado pela defesa em seu recurso. A autuada optou por apurar o seu lucro pela sistemática do lucro real anual, conforme se verifica das declarações DIPJs entregues, fls. 39 e 85. De acordo com o que consta dos autos, as operações da empresa encontramse devidamente registradas. Dessa forma, verificada a omissão de receitas, a autoridade efetuará o lançamento do imposto de renda e seus reflexos de acordo com o regime de tributação adotado, nos termos do art. 24, caput e parágrafos, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos para melhor clareza: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2o O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Assim, uma vez identificada a omissão de receita, pelos depósitos bancários sem comprovação de origem, com documentos hábeis e idôneos, o que foi decidido quanto ao principal, relativo ao IRPJ, repercute seus efeitos nos lançamentos reflexos da CSLL, PIS e COFINS. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Declaração de Voto Fl. 620DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16095.000085/200739 Acórdão n.º 1202000.589 S1C2T2 Fl. 621 15 DECLARAÇÃO DE VOTO DIVERGENTE Como a devida permissão do conselheirorelator, registro a divergência sobre o entendimento aplicado à questão processual ora examinada. Toda a acusação fiscal tem seu centro e fundamento no que dispõe o art. 42 da Lei nº 9.430/96, ou seja, presunção de omissão de receitas por falta de comprovação de origem de depósitos bancários, em documentação hábil e idônea. Pelo relatado, foi desconsiderada hábil e idônea a documentação trazida pela Recorrente, posto que lastreada em procedimento policial e judicial que retratou irregularidades na operação da Recorrente com o Banco Santos, ou seja, foi considerada inexistente a empresa que supostamente teria intermediado a operação de crédito com tal instituição financeira. Pois bem, se inábil e inidônea a documentação trazida pela Recorrente para comprovar a origem indireta da movimentação financeira em suas contas bancárias, não se pode omitir ou ocultar que a operação com o Banco Santos, em si mesma, foi realizada diretamente com a referida instituição, ou seja, como assevera o contribuinte, a movimentação financeira da mesma teve origem em empréstimos bancários, com relação ao que, no mínimo, restou demonstrado pelas provas juntadas aos autos. Assim, data vênia, caberia a autoridade fiscal apurar corretamente uma suposta omissão de receitas com base no art. 42 da Lei nº 9.249/95, ou seja, proceder completa e profunda investigação sobre os indícios de omissão de receitas para comprovar, efetivamente, tal infração fiscal. Porém não se fez nos autos, a autoridade fiscal entendeu suficiente acolher a irregularidade penal para fundamentar seu entendimento em termos de base presuntiva. Em face as demais circunstâncias dos autos, é de se reconhecer que restou comprovada o origem dos depósitos bancários, sendo, por conta disso, afastada a presunção legal com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, justificandose o cancelamento da exigência fiscal. Eis como registro o voto divergente. Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 621DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 11065.003864/2007-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 31/10/2005 a 30/09/2007
JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social,
art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice
pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da
Medida Provisória n º 449, convertida na Lei n º 11.941, aplica-se
o art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação.
No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de
Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de
conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for
declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle
difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei
estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições.
SAT. LEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE.
Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida em
ralação ao SAT Seguro
de Acidente de Trabalho, pois o dispositivo legal
não estabeleceu os conceitos de atividade preponderante, nem de risco de
acidente de trabalho leve, médio ou grave; que são elementos essenciais na
definição do tributo, não confiro razão à recorrente.
A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos
em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de
riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991,
alterada pela Lei n ° 9.732/1998;
Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e
3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os
conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou
grave”, repele-se a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma
vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a
delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma.
Assim, os conceitos de atividade preponderante, de risco de acidente de
trabalho leve, médio ou grave; não precisariam estar definidos em lei, o
Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez
que tais conceitos são complementares e não essenciais na definição da exação.
Numero da decisão: 2302-001.273
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: Pasep- ação fiscal (todas)
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Recorrente H7 USINAGEM LTDA Recorrida DRJ PORTO ALEGRE RS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 31/10/2005 a 30/09/2007 JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória n º 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicase o art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. SAT. LEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida em ralação ao SAT Seguro de Acidente de Trabalho, pois o dispositivo legal não estabeleceu os conceitos de atividade preponderante, nem de risco de acidente de trabalho leve, médio ou grave; que são elementos essenciais na definição do tributo, não confiro razão à recorrente. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998; Fl. 127DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Assim, os conceitos de atividade preponderante, de risco de acidente de trabalho leve, médio ou grave; não precisariam estar definidos em lei, o Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que tais conceitos são complementares e não essenciais na definição da exação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato e Wilson Antônio de Souza Correa. Ausente momentaneamente o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 128DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11065.003864/200720 Acórdão n.º 230201.273 S2C3T2 Fl. 125 3 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados, bem como da empresa, cujos valores constaram em folhas de pagamento, referente ao período compreendido entre as competências outubro de 2005 a setembro de 2007, fls. 35 a 36. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária, fls. 46 a 71. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre exarou a Decisão, que confirmou a procedência do lançamento, fls. 87 a 93. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 97 a 121. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: a) A contribuição para o INCRA foi extinta em 1991; b) A contribuição relativa aos contribuintes individuais foi extinta e declarada inconstitucional pelo STF; c) É inexigível a contribuição relativa à incapacidade laborativa; d) É inexigível a contribuição para o Sebrae; e) A multa aplicada possui caráter confiscatório; f) Os juros aplicados excederam o percentual previsto no CTN; g) É ilegal a aplicação da taxa Selic; h) Deve ser provido o recurso. Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 129DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação às fls. 96 e 97. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Não possui natureza de confisco a exigência da multa pelo atraso, tendo previsão expressa no art. 35 da Lei n ° 8.212/1991. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. É bem verdade que o art. 35 da Lei n º 8.212 foi alterado por meio da Medida Provisória n º 449, tendo, inclusive, sido acrescentado o art. 35A à Lei n º 8.212. Assim, a partir da MP n º 449, convertida na Lei n º 11.941, há que se diferenciar se os valores constaram ou não em lançamento de ofício. Se não houver lançamento de ofício e o contribuinte recolher espontaneamente os valores devidos aplicase a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212, caso os valores tenham sido apurados por meio de lançamento de ofício, aplicase o disposto no art. 35A da Lei 8.212. In casu, os valores constam em lançamento de ofício, e para os contribuintes, o regime jurídico novo ficou mais gravoso. Atualmente, para esses casos, deve ser observada a multa prevista no art. 44 da Lei n º 9.430 de 1996, que prevê aplicação de multa de no mínimo 75%. Desse modo, foi correta a aplicação da multa pelo órgão fazendário, não cabendo alteração do lançamento. Quanto à alegação de não observação dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; da proibição de efeito confiscatório e da capacidade contributiva, teço os seguintes comentários. Não há dúvida da importância dos princípios para o ordenamento jurídico, pois os mesmos são vetores para elaboração dos atos normativos, devendo ser observados pelo Poder Legislativo na elaboração das leis. Portanto são direcionados ao legislador, sendo critérios prélegais, e caso não sejam observados, e seja publicada uma lei com ofensa a princípios constitucionais, cabe análise e censura pelo Poder Judiciário. Entretanto, uma vez sendo publicada a lei, há presunção de constitucionalidade da mesma, e cabe ao Poder Executivo, cumprir e executar as determinações legais, sem que se faça juízo de valoração do ato, sob pena de fragilidade do ordenamento constitucional, e invasão de atribuições entre os Poderes. O Poder Executivo somente utilizará os princípios na hipótese de falta de disposição expressa legal, conforme previsto no art. 108 do CTN; logo se há dispositivo legal, não cabe aplicação direta dos princípios em detrimento do ato legal, sob pena de ofensa ao art. 108 do Codex Tributário. A cobrança das contribuições destinadas ao INCRA está prevista em lei, conforme fundamentação legal às fls. 27, estando perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Ao contrário do afirmado pela recorrente, não houve extinção da contribuição em 1991. Fl. 130DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11065.003864/200720 Acórdão n.º 230201.273 S2C3T2 Fl. 126 5 Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Nesse sentido é o entendimento do STF, conforme ementa no Agravo Regimental do Recuso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido. No mesmo sentido é o entendimento da 1ª Seção do STJ no julgamento do Recurso Especial n 977.058 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. ADICIONAL DE 0,2%. NÃO EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89, 8.212/91 E 8.213/91. LEGITIMIDADE. 1. A exegese PósPositivista, imposta pelo atual estágio da ciência jurídica, impõe na análise da legislação infraconstitucional o crivo da principiologia da Carta Maior, que lhe revela a denominada “vontade constitucional”, cunhada por Konrad Hesse na justificativa da força normativa da Constituição. 2. Sob esse ângulo, assume relevo a colocação topográfica da matéria constitucional no afã de aferir a que vetor principiológico pertence, para que, observando o princípio maior, a partir dele, transitar pelos princípios específicos, até o alcance da norma infraconstitucional. 3. A Política Agrária encartase na Ordem Econômica (art. 184 da CF/1988) por isso que a exação que lhe custeia tem inequívoca natureza de Contribuição de Intervenção Estatal no Domínio Econômico, coexistente com a Ordem Social, onde se insere a Seguridade Social custeada pela contribuição que lhe ostenta o mesmo nomen juris. 4. A hermenêutica, que fornece os critérios ora eleitos, revela que a contribuição para o Incra e a Contribuição para a Seguridade Social são amazonicamente distintas, e a fortiori , infungíveis para fins de compensação tributária. 5. A natureza tributária das contribuições sobre as quais gravita o thema iudicandum , impõe ao aplicador da lei a obediência aos cânones constitucionais e complementares atinentes ao sistema tributário. 6. O princípio da legalidade, aplicável in casu, indica que não há tributo sem lei que o institua, bem como não há exclusão tributária sem obediência à legalidade (art. 150, I da CF/1988 c.c art. 97 do CTN). 7. A evolução histórica legislativa das contribuições rurais denota que o Funrural (Prorural) fez as vezes da seguridade do homem do campo até o advento da Carta Fl. 131DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 neoliberal de 1988, por isso que, inaugurada a solidariedade genérica entre os mais diversos segmentos da atividade econômica e social, aquela exação restou extinta pela Lei 7.787/89. 8. Diversamente, sob o pálio da interpretação histórica, restou hígida a contribuição para o Incra cujo desígnio em nada se equipara à contribuição securitária social. 9. Consequentemente, resta inequívoca dessa evolução, constante do teor do voto, que: (a) a Lei 7.787/89 só suprimiu a parcela de custeio do Prorural; (b) a Previdência Rural só foi extinta pela Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, com a unificação dos regimes de previdência; (c) entretanto, a parcela de 0,2% (zero vírgula dois por cento) – destinada ao Incra – não foi extinta pela Lei 7.787/89 e tampouco pela Lei 8.213/91, como vinha sendo proclamado pela jurisprudência desta Corte. 10. Sob essa ótica, à míngua de revogação expressa e inconciliável a adoção da revogação tácita por incompatibilidade, porquanto distintas as razões que ditaram as exações sub judice, ressoa inequívoca a conclusão de que resta hígida a contribuição para o Incra. 11. Interpretação que se coaduna não só com a literalidade e a história da exação, como também converge para a aplicação axiológica do Direito no caso concreto, viabilizando as promessas constitucionais pétreas e que distinguem o ideário da nossa nação, qual o de constituir uma sociedade justa e solidária, com erradicação das desigualdadesregionais. 12. Recursos especiais do Incra e do INSS providos. Em relação às contribuições destinadas ao Sebrae as mesmas são devidas estando perfeitamente compatíveis com o ordenamento jurídico vigente, não sendo necessária lei complementar para sua instituição. Apenas para ilustrar, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) Na mesma linha é o pensamento do STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: Fl. 132DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11065.003864/200720 Acórdão n.º 230201.273 S2C3T2 Fl. 127 7 TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Desse modo, não procede o argumento da recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE somente podem ser exigidas de microempresas e de empresas de pequeno porte. Nesse sentido é o entendimento pacificado pelo Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º Fl. 133DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida em ralação ao SAT – Seguro de Acidente de Trabalho. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. Fl. 134DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11065.003864/200720 Acórdão n.º 230201.273 S2C3T2 Fl. 128 9 § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. § 6º Verificado erro no autoenquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo à notificação dos valores devidos. § 7º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea “a” do inciso V do caput do art. 9º. § 8º Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. § 9º (Revogado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte Fl. 135DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Nesse sentido já decidiu o STF, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa transcrevo: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3º E 4º; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido.” Assim, os conceitos de atividade preponderante, de risco de acidente de trabalho leve, médio ou grave; não precisariam estar definidos em lei, o Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que tais conceitos são complementares e não essenciais na definição da exação. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal: Fl. 136DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11065.003864/200720 Acórdão n.º 230201.273 S2C3T2 Fl. 129 11 Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Para lançamentos realizados após a entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicamse os juros moratórios na forma do art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. Quanto à inconstitucionalidade apontada pela recorrente, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2º Conselho de Contribuintes não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Fl. 137DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 Súmula N ° 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n 3, nestas palavras: Súmula N º 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais Ao contrário do afirmado pela recorrente não foram aplicados juros sobre juros. Somamse os juros do período, e o percentual encontrado é aplicado sobre o valor principal devido. As contribuições da empresa sobre os serviços prestados por contribuintes individuais, para o período compreendendo as competências maio de 1996 a fevereiro de 2000, é regulada pela Lei Complementar n ° 84/1996, nestas palavras: Art. 1º Para a manutenção da Seguridade Social, ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: I a cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas; Para o período posterior à competência março de 2000, inclusive, as contribuições da empresa sobre a remuneração dos contribuintes individuais é regulada pelo art. 22, III da Lei n ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999, nestas palavras: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso acrescentado pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99 vigência a partir de 02/03/2000 conforme art. 8º da Lei nº 9.876/99). Uma vez que a notificada remunerou segurados, deveria a notificada efetuar o recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento, a notificada passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. Para as competências até a publicação da Emenda Constitucional n ° 20/1998, assim dispunha o art. 195, I da Constituição Federal: Fl. 138DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11065.003864/200720 Acórdão n.º 230201.273 S2C3T2 Fl. 130 13 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; (...) Conforme redação acima transcrita, não estava incluída no campo de incidência as contribuições sobre a remuneração de segurados que não se enquadrassem no conceito de folha de salários. Assim, a cobrança de contribuições sobre a remuneração de segurados não empregados somente poderia ser realizada por meio de Lei Complementar conforme previsão expressa no art. 195, § 4º da Constituição Federal nestas palavras: § 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I. Justamente na competência residual da União foi instituída a cobrança sobre a remuneração de trabalhadores autônomos, empresários e trabalhadores avulsos, por meio da Lei Complementar n ° 84/1996, estando perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. Com a publicação da Emenda Constitucional n ° 20/1998, foi alterado o artigo 195 da Constituição Federal, passando a contar com a seguinte redação: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício (...) Como se verifica, a partir de então as contribuições sobre a remuneração de contribuintes individuais passou a estar prevista no art. 195, I, a da Constituição Federal. Assim, não mais abrangida na competência residual da União, poderia sua instituição se dar por meio de Lei Ordinária, e assim o fez a Lei n ° 9.876/1999 que alterou a contribuição das empresas. Quanto à inconstitucionalidade da Lei Complementar n ° 84/1996 ou da Lei n ° 9.876, na cobrança das contribuições previdenciárias, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, conforme já mencionado. Fl. 139DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 140DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 12897.000026/2008-55
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2006
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS.
A compensação de débitos tributários só tem eficácia quando formalmente declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB).
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2006
AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE.
DESCABIMENTO.
Só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração quando for,
esse auto, lavrado por pessoa incompetente.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1803-001.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues e Sérgio Luiz Bezerra Presta, que davam provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues e Sérgio Luiz Bezerra Presta, que davam provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A compensação de débitos tributários só tem eficácia quando formalmente declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração quando for, esse auto, lavrado por pessoa incompetente. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Fl. 89DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 12897.000026/200855 Acórdão n.º 180301.102 S1TE03 Fl. 80 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues e Sérgio Luiz Bezerra Presta, que davam provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 90DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 12897.000026/200855 Acórdão n.º 180301.102 S1TE03 Fl. 81 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 58): Tem origem o presente processo no auto de infração de fls. 23/25, lavrado pela DFI Rio de Janeiro RJ, contra Halliburton Serviços Ltda., para exigir a multa isolada de R$ 312.201,29. Conforme consta do auto de infração e do Termo de Verificação de fls. 20/22, a multa foi motivada pela falta de pagamento ou declaração em DCTF (DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS) das estimativas mensais de CSLL informadas na DIPJ (DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICO FISCAIS DA PESSOA JURÍDICA) relativa ao anocalendário 2005. Cientificado do lançamento em 08.12.2009 (fl. 23), o autuado apresentou, em 07.01.2009, a impugnação de fls. 30/33, alegando, em síntese, que: a) É credora do fisco federal, em virtude das retenções que sofre por força do art. 64 da Lei nº 9.430/96, e a compensação integral é inviável, por serem seus débitos inferiores aos créditos; b) Assim sendo, as compensações realizadas, ainda que não declaradas, devem ser consideradas como válidas; e c) Deve ser declarada a nulidade do auto de infração, primeiro, porque “contraria expressamente dispositivos legais existentes” e, segundo, porque aplica multa de natureza arrecadatória e não punitiva, haja vista que a cobrança é demasiadamente excessiva e injusta. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 57): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A compensação de débitos tributários só tem eficácia quando formalmente declarada à Receita Federal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificada da referida decisão em 11/06/2010 (fls. 64), a tempo, em 28/06/2010, apresenta a interessada Recurso de fls. 65 a 74, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e acrescentando o que se segue: Fl. 91DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 12897.000026/200855 Acórdão n.º 180301.102 S1TE03 Fl. 82 4 Ressaltese que alguns valores utilizados nos cálculos de compensação das referidas contribuições encontravamse em análise junto à Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro, visto tratarse de créditos oriundos de decisão judicial, conforme mencionado no Termo de Verificação e de Constatação Fiscal. A Recorrente obteve, via decisão judicial, créditos do PIS e COFINS decorrentes da Lei nº 9.718/98, cujo deferimento aos Pedidos de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado somente foi possível através de ordem judicial, visto que a fiscalização insistia no indeferimento dos pedidos por conta da falta de apresentação da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas e os honorários advocatícios referentes ao processo de execução, o que não procede em Mandados de Segurança. Tal morosidade na homologação dos pedidos referentes aos Processos de números 10768.003242/200711 e 10768.003243/200766 resultou na impossibilidade de transmitir os PER/DCOMPs necessários para os cruzamentos de informações referente aos débitos fiscais de 2006 relacionados ao PIS, COFINS, IRPJ e CSLL e respectivas declarações (DCTF). Como os créditos decorrentes da Lei nº 9.718/98 deveriam, por força do prazo prescricional/decadencial, ser utilizados preliminarmente antes dos créditos oriundos das retenções da Petrobrás, as PER/DCOMP's eletrônicas não puderam ser transmitidas até que os Pedidos de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado fossem homologados. Não há como declarar em DCTF débitos fiscais sem as respectivas PER/DCOMPs, pois os mesmos seriam objeto de inscrição em dívida ativa. Esclarecemos que, a cada pedido de compensação efetuado, e seus respectivos cruzamentos de dados, resultam sempre em divergências de informações, gerando dificuldade na obtenção da Certidão Negativa de Débitos Fiscais junto à própria Receita Federal do Brasil, documento imprescindível para participações em licitações, tendo como principal cliente a Petrobrás, que assim a exige por força de exigência legal. Esclarecemos, ainda, que os Pedidos Eletrônicos de Compensação (PER/DCOMP) somente seriam recepcionados pela Receita Federal do Brasil após prévia habilitação do referido crédito nesta delegacia, conforme disposto no artigo 51 da IN 600/2005 abaixo transcrito: [...]. Uma vez deferido o pedido em tela, as devidas PER/DCOMP's seriam transmitidas e, consequentemente, os respectivos números de controle seriam gerados, para que a sociedade pudesse informálos nas DCTF's ora em discussão, o que foi devidamente regularizado logo após o deferimento do pedido, por força do cumprimento à decisão judicial, bem como depois de sanada a vedação imposta à transmissão dos PER/DCOMP's nas compensações de recolhimentos por estimativa, por força da MP nº 449/08, cuja conversão na Lei nº 11.941/09 eliminou tal vedação. Em mesa para julgamento. Fl. 92DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 12897.000026/200855 Acórdão n.º 180301.102 S1TE03 Fl. 83 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Generalidades 4. Com relação a tudo o que foi dito pela Recorrente, reprisando o que já houvera alegado na impugnação, faço minhas as palavras da decisão recorrida, às quais adoto como razões de decidir, uma vez que não foram de nenhum modo contraditadas: Não acolho os pedidos de nulidade do lançamento. A respeito do primeiro, o autuado não apontou qual dispositivo legal teria, em seu entender, sido desobedecido e, quanto à afirmativa de que a multa é excessiva e injusta, cabe ressaltar que a via administrativa não é apropriada para se arguir a inconstitucionalidade ou a validade de ato legislativo formalmente editado. Sendo a atividade administrativa adstrita ao princípio da legalidade e, gozando as leis regularmente editadas pelo Legislativo de presunção de validade até que o Judiciário venha a declarar a sua inconstitucionalidade, tal questionamento deve ser dirigido a esse Poder, que detém a competência constitucional para apreciálo. A cobrança da multa está em consonância com o artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, a que esta instância julgadora está vinculada. Passo ao mérito. O autuado não negou que tivesse deixado de pagar e declarar em DCTF as estimativas mensais que havia informado na DIPJ. Pediu que as estimativas fossem consideradas compensadas com créditos que detém, mesmo sem ter declarado tais compensações. Todavia, as compensações só têm validade e só extinguem o débito tributário quando declaradas formalmente à Receita Federal, por meio da transmissão de Per/dcomp, de acordo com o artigo 74 da Lei nº 9.430/96, e informadas em DCTF. Se assim não fosse, em vez de pagar ou compensar os tributos, o contribuinte poderia aguardar que a fiscalização o visitasse, para, só então, consumir seus créditos na medida suficiente para quitar apenas os débitos constatados pela auditoria. Portanto, como não pagara nem compensara as estimativas antes de 25.08.2008, quando se iniciou o procedimento de fiscalização, está sujeito à multa. Em face do exposto, VOTO por manter a exigência. Fl. 93DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 12897.000026/200855 Acórdão n.º 180301.102 S1TE03 Fl. 84 6 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 94DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 10945.001938/2001-20
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES – As disposições da MP n° 66 de 29/02/2002,
convertida na Lei n° 10.637, de 30/12/2002, quanto as atividades que podem optar pelo SIMPLES não é interpretativa e não tem efeito retroativo.
Numero da decisão: 9101-001.085
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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EXCLUSÃO DO SIMPLES – As disposições da MP n° 66 de 29/02/2002, convertida na Lei n° 10.637, de 30/12/2002, quanto as atividades que podem optar pelo SIMPLES não é interpretativa e não tem efeito retroativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 11ªª TTUURRMMAA DDAA CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Orlando José Gonçalves Bueno, Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Júnior, Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Júnior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Ausente justificadamente a conselheira Susy Gomes Hoffmann. Fl. 168DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10945.001938/200120 Acórdão n.º 910101.085 CSRF‐T1 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 134/141), contra o Acórdão nº. 30237.976 (fls. 125/130), proferido pela então Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. Na origem o presente processo se refere a Representação Fiscal do INSS em Foz do Iguaçu ao Delegado da Receita Federal contra o contribuinte DANYTUR TURISMO LTDA. (ATUAL KUATTY TUR TURISMO LTDA.), requerendo a sua exclusão do Simples por entender que o mesma exerce a atividade vedada ao sistema simplificado de tributação pelo artigo 9º, inciso XIII, da Lei n° 9.317, de 05/12/1996. O contribuinte foi devidamente intimado pela Delegacia da Receita Federal em Foz do Iguaçu (fls.18), de modo que apresentou cópia do instrumento de sua segunda alteração contratual, cópias de notas fiscais de prestação de serviços que emitiu e comprovação de sua inscrição na Embratur como empresa de Turismo. A DRF em Foz do Iguaçu, em exame dos elementos de prova anexados aos autos, concluiu (fls. 5661) pela procedência da representação do INSS, pois "ficou comprovada que a atividade efetivamente exercida pela empresa é a de Agência de Viagens a qual é considerada assemelhada à atividade de representação comercial, que está vedada a opção pelo SIMPLES, como preconiza o inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9.317, 05/12/1996." Pelo fato de a empresa não ter comunicado à Receita Federal a sua exclusão do Simples, a qual estava obrigada por exercer atividade vedada, a autoridade fiscal determinou, no Ato Declaratório de exclusão do sistema, que lhe fosse imputada a multa prevista no artigo 21 da Lei n°. 9.317/96. O contribuinte foi intimado do teor do Ato Declaratório em 07.02.2002 (fls. 62), e apresentou manifestação de inconformidade (fls. 66/74). Foi alegado, em síntese: (i) nulidade tendo em vista agressão ao direito de ampla defesa e ao contraditório assegurados a todos os litigantes pelo art. 5º, LV, da Constituição Federal, pois o contribuinte não teria sido intimado para se pronunciar sobre a representação fiscal do INSS; (ii) nulidade, porque na sequência, também não teria sido intimado para se pronunciar sobre o processo montado na Receita Federal, o qual culminou com sua exclusão do Simples. Além disso, o contribuinte alegou que a atividade da empresa é agência de viagens e turismo, sem qualquer vínculo com a venda de passagens, portanto, está autorizada a optar pelo Simples, conforme orientação da própria Receita Federal. Foi proferido acórdão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba Paraná (fls. 81/88) sob o nº. 1.697, de 1 de agosto de 2002, com a seguinte ementa, in verbis: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples. Anocalendário: 2002 Fl. 169DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10945.001938/200120 Acórdão n.º 910101.085 CSRF‐T1 Fl. 3 3 Ementa: FALTA DE INTIMAÇÃO ANTES DA EXCLUSÃO DO SIMPLES CERCEAMENTO DE DEFESA E INOBSERVÂNCIA AO CONTRADITÓRIO. ALEGAÇÃO IMPROCEDENTE. Os procedimentos administrativos praticados no âmbito do INSS e da SRF, antes da lavratura do ato declaratório de exclusão do Simples, não geram efeito jurídico e, por isso, a falta de conhecimento deles, pelo contribuinte, não constitui desrespeito ao direito de defesa e ao contraditório assegurados pela Constituição Federal AGÊNCIA DE VIAGEM OPÇÃO PELO SIMPLES VEDAÇÃO. A prática de atividade remunerada pelo recebimento de comissões, como ocorre com a intermediação na venda de passagens aéreas pelas agências de viagem, impede a opção pelo Simples ou a sua continuidade no sistema. Solicitação Indeferida" A ciência do Acórdão nº. 1.697 se deu em 13.04.2005 (fls. 110). O contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 12.05.2005 (fls. 111/115), ao Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. O contribuinte reproduziu suas alegações trazidas em sede de Manifestação de Inconformidade, acrescentando que a atividade de agência de turismo é permitida para opção pelo Simples, que exerce atividades auxiliares ao turismo na cidade de Foz do Iguaçu/PR, como translado e transporte de turistas, que pela dificuldade de emissão de uma nota fiscal para cada turista, a Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu autorizava sua emissão de forma consolidada; ou seja, uma nota fiscal para todos os turistas que passearam nos veículos da recorrente, motivo pelo qual as notas fiscais estavam descritas como "movimentação do período", e/ou "movimentação do dia". Alegou, ainda, que reservar passagens aéreas aos clientes não é impedimento à opção pelo Simples, e que, por fim, em declaração emitida na data de 06/03/2002, a própria Vasp informou que não possui a Recorrente qualquer vinculo com a referida companhia aérea. Sobreveio Acórdão nº. 30237.976 da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, com a seguinte ementa, in verbis: “Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples. Anocalendário: 2002 Ementa SIMPLES EXCLUSÃO. ATIVIDADE NÃO VEDADA. A atividade de AGENCIA DE TURISMO não é impeditiva para optar pelo Simples. Aplicação da MP n° 66 de 29/02/2002, convertida na Lei n° 10.637, de 30/12/2002, nas condições estabelecidas pela Lei n° 9.317, de 05112/1996. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO”. Contra esse acórdão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando que: (i) a Lei nº. 10.637/2002 foi publicada em 30/12/2002 e foi expressa, no art. 68, quanto à produção dos seus efeitos, de modo que o dispositivo que se refere às agências de turismo, o art. 26, e não havendo regra especial para sua vigência, produz efeitos a partir da publicação (de acordo com o inciso IV do art. 68), que se deu em 30/12/2002; (ii) mesmo se se Fl. 170DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10945.001938/200120 Acórdão n.º 910101.085 CSRF‐T1 Fl. 4 4 considerasse a edição da Medida Provisória n° 66/2002, nem assim estaria "viciado" o ato de exclusão, na medida em que anterior a ela, já que o ato é de 25.01.2002 e a MP de 29.02.2002. O Despacho de fls. 148/150 determinou o seguimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 171DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10945.001938/200120 Acórdão n.º 910101.085 CSRF‐T1 Fl. 5 5 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora. O Recurso Especial reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação de regência e lhe foi dado seguimento em despacho de admissibilidade, pelo que dele conheço. No tocante ao mérito, a questão cingese em saber se a atividade do contribuinte é considerada atividade vedada para a opção do SIMPLES. A exclusão se deu em razão de ter sido “comprovado que a atividade efetivamente exercida pela empresa é a de Agência de Viagens a qual é considerada assemelhada à atividade de representação comercial, que está vedada a opção pelo SIMPLES”. Argumenta o contribuinte que a atividade de agência de turismo é permitida para opção pelo Simples. Aduz que exerce atividades auxiliares ao turismo na cidade de Foz do Iguaçu/PR, como translado e transporte de turistas. Argumenta, por fim, que a reserva de passagens aéreas aos clientes não é impedimento à opção pelo Simples. Como prova, juntou notas fiscais em que estavam descritas como "movimentação do período", e/ou "movimentação do dia" (pela dificuldade de emissão de uma nota fiscal para cada turista, a Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu autorizava sua emissão de forma consolidada, ou seja uma nota fiscal para todos os turistas que passearam nos veículos da recorrente) , bem como declaração emitida na data de 06/03/2002, em que a Vasp informa que não possui a Recorrente qualquer vinculo com a referida companhia aérea. Argumenta a Fazenda Nacional que o ato de exclusão é de 25.01.2002, portanto, anterior a Medida Provisória n° 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/02, que expressamente admite a adesão ao SIMPLES por agência de viagem e turismo: Art. 26. Poderão optar pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), nas condições estabelecidas pela Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às atividades de: I agência de viagem e turismo; Sobre este aspecto, a despeito de divergência jurisprudencial, esta colenda Câmara já sedimentou entendimento de que a autorização normativamente conferida para o exercício de determinadas atividades no âmbito do SIMPLES, não tem natureza interpretativa. Melhor dizendo, o disposto na Lei nº 10.637/02 não surte efeitos para períodosbase anteriores à referida disposição legal, que se iniciou com a MP nº 66/02. De se verifica que o ato declaratório, expedido em 07/02/2002, reportase a períodobase anterior. Pelo exposto, caminho por Dar Provimento ao Recurso do Procurador. Fl. 172DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10945.001938/200120 Acórdão n.º 910101.085 CSRF‐T1 Fl. 6 6 De se consignar, entretanto, que o acórdão recorrido, por entender aplicável ao caso, o disposto na MP nº 66/02, convertida na Lei nº 10.637/02, deixou de analisar, por desnecessária naquela ocasião, a atividade de fato exercida pela Recorrida – se haveria intermediação de passagens aéreas e hotéis ou, se a atividade era de mero auxílio na reserva e efetuando passeios e translado de turistas em veículos próprios da Recorrente – bem como também deixou de analisar as nulidades argüidas desde a impugnação. Assim, para não suprir instância, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a fim de afastar a aplicação retroativa da Lei n. 10.637/02, determinando que retornem os autos à Câmara a quo, para análise das preliminares de nulidades e da matéria fática, referente às atividades efetivamente exercidas pela Recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora. Fl. 173DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS
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Numero do processo: 35948.001930/2004-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1995 a 30/04/1997
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN).
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.255
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalháes de Oliveira
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, constatouse a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN). Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 21/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO 2 Caio Marcos Candido – PresidenteSubstituto Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Caio Marcos Candido (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório PHILIP MORRIS BRASIL S/A, contribuinte, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD concernente às contribuições sociais devidas pela notificada ao INSS, com fundamento na Responsabilidade Solidária do artigo 31 da Lei nº 8.212/91 (Redação original), correspondentes à parte da empresa, dos empregados e do SAT, incidentes sobre a remuneração da mãodeobra cedida pela empresa LABORAL TRABALHO TEMPORÁRIO LTDA., em relação ao período de 02/1995 a 04/1997, conforme Relatório Fiscal, às fls. 32/34. De acordo com Relatório Fiscal, o crédito foi constituído por responsabilidade solidária, em razão da recorrente não ter apresentado à fiscalização as cópias autenticadas das guias de recolhimento quitadas e respectivas Folhas de Pagamento vinculadas aos serviços prestados pela empresa LABORAL TRABALHO TEMPORÁRIO LTDA. mediante cessão de mãodeobra, que seriam capazes de comprovar o recolhimento das contribuições previdenciárias relativas aos empregados da prestadora colocados a seu serviço. Tendo em vista a não apresentação da documentação solicitada pela fiscalização, o presente crédito previdenciário fora constituído por aferição indireta, com arrimo no artigo 33, § 3º, da Lei 8.212/91. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Segundo Conselho de Contribuintes contra decisão da então SRP em Curitiba/PR, às fls. 232/249, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a egrégia 5ª Câmara, em 08/04/2008, achou por bem conhecer do Recurso da contribuinte e NEGARLHE PROVIMENTO, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 20500.450, com sua ementa abaixo transcrita: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1995 a 30/04/1997 Ementa: NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO — CESSÃO DE MÃODEOBRA. EMPRESA DE TRABALHO TEMPORÁRIO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PRAZO DECADENC1AL PARA APURAÇÃO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. 10 ANOS. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 21/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO Processo nº 35948.001930/200415 Acórdão n.º 920201.255 CSRFT2 Fl. 2 3 INCONSTITUCIONALIDADE IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA ESFERA ADMINISTRATIVA JUROS SELIC. PREVISÃO LEGAL — CORESPONSÁVE1S. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE É da essência da empresa de trabalho temporário a colocação de trabalhadores à disposição do contratante. O prazo para constituição do crédito previdenciário é de 10 anos, conforme previsão expressa no art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991. Não é possível o conhecimento da inconstitucionalidade de atos normativos pelo Poder Executivo. O juros Selic são devidos conforme expressa previsão legal. Não foram analisados a culpa ou o dolo dos dirigentes. A relação de coresponsáveis é meramente informativa, não compondo o litígio administrativo Recurso Voluntário Negado.” Irresignada, a contribuinte interpôs Recurso Especial, às fls. 389/395, com arrimo no artigo 7º, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras do Conselho de Contribuintes a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 10808.190, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência argüida. Em defesa de sua pretensão, pugna pela aplicação do prazo constante do artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional em detrimento dos preceitos do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, inferindo que o decisum guerreado contrariou os ditames contidos no artigo 146, inciso III, alínea “b”, da Constituição Federal, o qual atribuiu à Lei Complementar, in casu, o Código Tributário Nacional, a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre prescrição e decadência, consoante se infere da jurisprudência e doutrina transcritas na sua peça recursal. Contrapõese ao Acórdão guerreado, aduzindo para tanto que o Supremo Tribunal Federal afastou de uma vez por todas qualquer dúvida quanto à matéria, decretando a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que aprovou Súmula Vinculante n° 08, devendo ser adotado o prazo decadencial do Código Tributário Nacional, in casu, o artigo 150, § 4°, em virtude da natureza do tributo, sujeito ao lançamento por homologação. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 21/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO 4 Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da então 5a Câmara do 2o Conselho de Contribuintes, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Contribuinte, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado no paradigma, Acórdão nº 10808.190, relativamente ao prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, consoante se positiva do Despacho nº 205495/2008, às fls. 447/449. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da contribuinte, a Procuradoria da Fazenda Nacional não apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da então 5a Câmara do 2o Conselho de Contribuintes, a divergência suscitada pela contribuinte, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões das demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a respeito da mesma matéria. A fazer prevalecer sua pretensão, infere que o entendimento consubstanciado no Acórdão nº 10808.190, ora adotado como paradigma, oferece proteção ao pleito da contribuinte, uma vez que admitiu o prazo decadencial de 05 (cinco) anos insculpido no CTN, ao contrário do que restou decidido no Acórdão recorrido, o qual aplicou o prazo decadencial do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, malferindo o disposto no artigo 146, inciso III, alínea “b”, da Constituição Federal, na forma reconhecida pelo STF, nos autos dos RE´s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que aprovou Súmula Vinculante n° 08, decretando a inconstitucionalidade do prazo decenal. Consoante se infere dos elementos que instruem o processo, concluise que o insurgimento da contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a propósito do tema, encontrando guarida na farta e mansa jurisprudência administrativa e judicial, como passaremos a demonstrar. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 21/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO Processo nº 35948.001930/200415 Acórdão n.º 920201.255 CSRFT2 Fl. 3 5 Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 21/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO 6 Não bastasse isso, é de bom alvitre esclarecer que o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de julgamento realizada no dia 15/12/2008, por maioria de votos (21 x 13), firmou o entendimento de que o prazo decadencial a ser aplicado para as contribuições previdenciárias é o insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, independentemente de ter havido ou não pagamento parcial do tributo devido, o que veio a ser ratificado, também por maioria de votos, pelo Pleno da CSRF em sessão ocorrida em 08/12/2009, com a ressalva da existência de qualquer atividade do contribuinte tendente a apurar a base de cálculo do tributo devido. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 21/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO Processo nº 35948.001930/200415 Acórdão n.º 920201.255 CSRFT2 Fl. 4 7 Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Na hipótese dos autos, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela ocorrência da decadência, sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, inciso I, do CTN). Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 04/11/2003, conforme informação de fls. 377, a exigência fiscal resta totalmente fulminada pela decadência, eis que os fatos geradores ocorreram durante o período de 02/1995 a 04/1997, fora, portanto, do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do CTN, seja com base no artigo 150, § 4º ou 173, inciso I, impondo seja decretada a improcedência do feito. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 21/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO 8 Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE E DARLHE PROVIMENTO, acolhendo a preliminar de decadência total do crédito previdenciário, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/02/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 21/02/2011 por CAIO MARCOS C ANDIDO
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Numero do processo: 10680.006963/2001-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT.
Os insumos, matérias-primas e material de embalagem, consumidos no processo produtivo de produto exportado, e que tenham, em qualquer fase de suas comercializações, sofrido a incidência de PIS E/OU COFINS, incluem-se na base de cálculo do crédito presumido do IPI.
Incluem-se, igualmente, toadas as receitas de exportação, independentemente de referirem-se a produtos tributados ou não.
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC
No ressarcimento e na compensação de crédito presumido de IPI aplica-se a taxa SELIC desde o protocolo do pedido. (aplicação do art. 62-A do RICC).
O dies a quo para aplicação da Taxa selic é o da data do protocolo do pedido de ressarcimento ou restituição.
Recurso da Fazenda Nacional Negado
Recurso Especial do Contribuinte Provido
Numero da decisão: 9303-001.444
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por maioria de votos em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo, que davam provimento. Por unanimidade de votos dar provimento ao recurso do sujeito passivo.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO
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CRÉDITO PRESUMIDO Recorrente FAZENDA NACIONAL e MINERAÇÕES BRASILEIRAS REUNIDAS S/A Recorrida SEGUNDA CÂMARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Assunto: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. Os insumos, matériasprimas e material de embalagem, consumidos no processo produtivo de produto exportado, e que tenham, em qualquer fase de suas comercializações, sofrido a incidência de PIS E/OU COFINS, incluem se na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Incluemse, igualmente, toadas as receitas de exportação, independentemente de referiremse a produtos tributados ou não. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC No ressarcimento e na compensação de crédito presumido de IPI aplicase a taxa SELIC desde o protocolo do pedido. (aplicação do art. 62A do RICC). O dies a quo para aplicação da Taxa selic é o da data do protocolo do pedido de ressarcimento ou restituição. Recurso da Fazenda Nacional Negado Recurso Especial do Contribuinte Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por maioria de votos em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 2 da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo, que davam provimento. Por unanimidade de votos dar provimento ao recurso do sujeito passivo. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO _ Presidente JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Adoto o Relatório do acórdão recorrido, o qual, por sua vez, adotou o relatório da decisão a quo: Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, que transcrevo abaixo: ‘Versa o presente processo sobre apreciação de pedido da interessada em epígrafe (fls. 01 e 12) acerca de ressarcimento/compensação do crédito presumido do IPI de que trata a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, formalizado em 09/07/2001, no valor de R$3.084.330,07, referentemente ao 1° trimestre do anocalendário de 2000. Em análise de legitimidade, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (DERAT) no Rio de JaneiroRJ, por meio do despacho decisório de fls. 56/62, indeferiu o pleito em questão sob os fundamentos transcritos sinteticamente a seguir: '(...) não encontra respaldo na legislação de regência o aproveitamento de crédito do IPI nas operações que envolvam produtos NT’, conseqüentemente, resta inadmissível a obtenção do ressarcimento do crédito presumido de IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME neles empregados, de que trata a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996. Ora, o pleito da empresa versa exatamente sobre o creditamento presumido de IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME empregados na operação que envolve produto NT para o qual, como provado, à exaustão, NÃO HA PREVISÃO LEGAL para deferimento. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10680.006963/200158 Acórdão n.º 9303001.444 CSRFT3 Fl. 315 3 Por fim, sobre o argumento de que o Conselho de Contribuintes já reconheceu o direito ao beneficio fiscal em tela, cumpre esclarecer que, embora de inestimável valor como fonte de consulta, tais decisões não constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo (Parecer Normativo CST n.° 390/71). Isso posto, concluise que é IMPROCEDENTE o pleito do contribuinte objeto do Pedido de ressarcimento em questão, motivo pelo qual proponho o seu INDEFERIMENTO e a NÃO HOMOLOGAÇÃO da Declaração de Compensação de fl. 12 do presente processo, cujos débitos encontramse declarados em DCTF, conforme telas de fls. 55 do presente'. Cientificada do indeferimento de seu pleito, a interessada, por meio de representante legal (fls. 91/92), apresentou manifestação de inconformidade de fls. 72/90, na qual, em síntese, apresentou argumentos resumidos conforme a transcrição abaixo: 'FUNDAMENTOS JURÍDICOS a) Disciplina Legal — Crédito Presumido: (...) a Contribuinte está obrigada a cumprir tão somente o disposto na lei, sabido que o nosso ordenamento jurídico consagra o PRINCÍPIO DA LEGALIDADE: (...) b) Requisitos do Beneficio Fiscal Adimplemento (...) O fundamento do Despacho Decisório é o mesmo contido no Parecer MF/SRF/COSIT DITIP nº 9.39/1996, contudo data vênia é inadmissível, porque ao intérprete da lei não é atribuída competência para inovar a ordem jurídica. Assim, nenhum ato normativo emanado do poder executivo poderá restringir o alcance da Lei ns 9.363/1996, para aplicála somente em relação aos produtores com status de industrializados sujeitos a uma alíquota ou isentos do IPI, se a LEI elegeu como condição ao beneficio a exportação de 'MERCADORIA'. Também não se extrai da Lei nº 9.963/1996 nenhuma restrição ao direito aos créditos de IPI presumidos na hipótese de produtores exportadores de produtos NT (nãotributados). (...) (...) a Contribuinte implementa todos os requisitos previstos na LEI para usufruir desse direito ao crédito de IPI presumido, ou seja é produtora e exportadora de mercadorias nacionais, alcançadas pela imunidade. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 4 (...) (...) a concessão desse beneficio fiscal não está limitada aos ditames da legislação do IPI, cuja aplicação é tão somente subsidiária. (...) (.) o fato da MERCADORIA exportada pela Contribuinte estar classificada na TIPI como NT (nãotributada) não a impede do exercício do direito em questão, porque a intenção da lei não foi beneficiar somente os produtos tributados pela legislação do IPI, mas toda e qualquer mercadoria destinada ao exterior. (...) o entendimento do Despacho Decisório diverge do entendimento jurisprudencial do Eg. Conselho de Contribuintes. (...) c) Apuração do Crédito Presumido: (...) o crédito presumido merece deferimento em relação a qualquer aquisição que represente custos de produção, pois, a intenção da lei foi desonerar as exportações do PIS e da COFINS — incidentes no ciclo de produção sob o efeito cumulativo. (...) (...) a Instrução Normativa n° 23/1997 também não poderia restringir a utilização dos créditos, na forma do seu art. 2°, § 2°, porque a norma jurídica por ato emanado do Poder Executivo. d) Extinção de obrigação tributária: Uma vez demonstrada a legitimidade dos créditos presumidos de IPI, é imperiosa a homologação das compensações entre os créditos com débitos de outros tributos federais. (...) O desfecho da obrigação tributária é o seu cumprimento, desaparecendo o tributo ao verificarse qualquer causa extintiva dessa obrigação. O direito contempla as causas extintivas das obrigações tributárias, dentre elas a COMPENSAÇÃO, que tem o poder de impedir que se exija novamente a exação, que não mais existe em decorrência da extinção da relação obrigacional. (...) Assim sendo, repitamse legítimas as compensações promovidas pela Contribuinte, merecendo, ao final, serem declaradas como homologadas. e) Atualização Monetária: A Contribuinte acrescenta finalmente que desde o protocolo do seu pedido até a presente data já transcorreu um longo período, portanto, se os valores dos créditos presumidos forem deferidos, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10680.006963/200158 Acórdão n.º 9303001.444 CSRFT3 Fl. 316 5 devem ser seguidos da ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA desde as suas ocorrências, para recompor esses valores dos efeitos da inflação. (...) Constatase que o óbice à correção monetária cria uma vantagem ilícita em favor da União Federal, em desequilíbrio ao PRINCIPIO DA IGUALDADE, considerando que a União Federal recorre à correção monetária para atualizar os seus créditos. (...) Assim sendo, os valores correspondentes aos créditos de IPI presumidos devem ser atualizados a partir das ocorrências, nos mesmos moldes utilizados pela Secretaria da Receita Federal para atualizar os tributos pagos em atraso, em cumprimento do PRINCIPIO DA ISONOMIA'. Por tudo que expôs, propugnou pela reforma do despacho decisório recorrido, com a conseqüente procedência do seu pedido de ressarcimento.’ (destaques do original) A DRJ em Juiz de Fora MG negou provimento à manifestação de inconformidade, conforme sintetizado na ementa do Acórdão nº 10.255, de 30 de maio de 2005 (fls. 96/107): ‘Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumindo do IPI instituído pela Lei n° 9.363, de 1996 condiciona se a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo beneficio os produtos não tributados (NT). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 Ementa: 1 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de legalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação. 2 CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros sobre créditos escriturais legítimos do IPI. Para créditos que se revelem inexistentes ou ilegítimos a pretensão de tal incidência é, deveras, absurda. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 6 Solicitação Indeferida.’ A contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 111/128), reiterando os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Chegando o recurso voluntário a este Segundo Conselho de Contribuintes, o julgamento foi convertido em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator (Resolução nº 20200.900 — fls. 137/142), com a finalidade de ‘que se verificasse, dentre outros itens, se os créditos são legítimos e se os insumos foram efetivamente aplicados na industrialização de produtos aportados ou vendidos a empresa comercial exportadora com fim específico de exportação para o exterior.’(fl. 142). O resultado da diligência (fls. 148/149) pode ser resumido na seguinte transcrição: ‘O valor correto do crédito presumido para este período é aquele mostrado na tabela anexa, correspondente à parcela das aquisições de insumos admitidos para o crédito legislação do IPI se desconsiderado o fato de que os produtos exportados são classificados como NT na TIPI ou seja R$ 111.898,74. Quanto à legitimidade do crédito, destacamos que o valor pleiteado à fl. 01 do processo, de R$ 3.084.330,07, se refere à premissa, incorreta na realidade, de que o cálculo do beneficio tivesse por base outras aquisições que não apenas aquelas elencadas na legislação do IPI, quais sejam, matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem. No levantamento feito por esta fiscalização, constatamos que este valor total deveria ser corrigido para R$ 3.076.841,52. De fato, como demonstrado separadamente para cada item nesta tabela, o contribuinte pleiteia um crédito presumido referente às suas aquisições de insumos utilizados na produção, energia elétrica, (íleo diesel, compras e de material de uso e consumo, despesas de frete e de serviços de comunicação. (negrito acrescido) Quanto a estes insumos (materiais) utilizados na produção, separamos em dois grupos. O primeiro ('insumos permitidos ou admitidos pela legislação do IPI’) consta basicamente de partes ou peças de máquinas e equipamentos que, embora não sejam classificados como MP, PI ou ME se consumiriam ou desgastariam no processo produtivo por ação direta exercida pelo produto ou sobre ele, como descrito no PN CST 65/79. De maneira contrária, no segundo grupo (insumos não permitidos pela legislação’), incluímos aqueles cujo aproveitamento não é contemplado no parecer acima, e cujo crédito não é admitido pela legislação do IPI, por não terem contato com o produto fabricado. Como os materiais do grupo anterior, constam, basicamente, de partes e peças de máquinas e equipamentos, cujo desgaste em uso não foi causado por contacto direto com o produto em fabricação, que não tiveram. Permitisse a legislação sobre a matéria o crédito presumido para a produção de produtos classificados como NT, apenas as aquisições de insumos acima referidos como 'insumos Fl. 6DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10680.006963/200158 Acórdão n.º 9303001.444 CSRFT3 Fl. 317 7 permitidos' seriam contempladas com o beneficio, perfazendo um total de R$ 111.898,74 neste I trimestre/2000. Por não ser contribuinte do IPI, a empresa não possui o registro de Apuração do IPI, não fazendo, portanto os estornos exigidos nestes livros. Os insumos, ressalvadas as observações feitas acima, foram de fato aplicados para a industrialização de produtos exportados ao exterior. A destacar que os itens de compras não admitidas para o crédito presumido, quais sejam, energia elétrica, óleo diesel, material de ativo imobilizado e de uso e consumo, fretes e serviços de comunicação, englobam as compras para uso industrial e de cunho administrativa’ (sublinhado original, negrito editado) A diligência também certificou que a recorrente produz e exporta ‘minérios de ferro não aglomerados e seus concentrados, NCM 2601.11.00, classificados na TIPI como NT’. Intimada do resultado da diligência, a recorrente apresentou manifestação (fls. 151/159), alegando, em síntese, que ‘as parcelas correspondentes às aquisições de energia elétrica; óleo diesel; compras para ativo imobilizado; material de uso e consumo; despesas de frete; serviços de telecomunicação; e outros insumos; NÃO PODEM SER EXCLUÍDOS DO CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI, porque são custos agregados ao processo produtivo, tal como definido na Lei n º 6.404/1976 c/c RIR/1999, que estabelecem os critério de apuração do IRPJ’ (fl. 154), pleiteando o ressarcimento da integralidade do valor, e reiterando o pedido de atualização dos valores a que tem direito. É o relatório O acórdão foi assim ementado: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS. O art. 1º da Lei nº 9.363/96 não exige para o gozo do incentivo que o produto exportado seja tributado pelo IPI ou que a MF SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES empresa seja contribuinte do IPI. Referindose a lei a CONFERE COM O ORIGINAL "mercadorias", foi dado o beneficio fiscal ao gênero, não cabendo ao intérprete restringilo apenas aos "produtos industrializados", que são espécie do gênero "mercadorias". INSUMOS QUE GERAM DIREITO AO CRÉDITO. Apenas a aquisição de insumos classificados como MP, PI e ME, que se consomem ou desgastam no processo produtivo por ação direta exercida pelo produto ou sobre ele, descritos pelo PN CST nº 65/79, geram direito ao crédito presumido. Não se incluem neste conceito óleo diesel, energia elétrica, bens destinados ao Fl. 7DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 8 ativo imobilizado, material de uso e consumo, fretes e serviços de comunicação. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. NÃO CABIMENTO. A taxa Selic é imprestável como instrumento de coneção monetária, não se justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar a concessão de um "plus" que não encontra previsão legal. Recurso provido em parte. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial por contrariedade à lei, às fls. 180/189, requerendo a reforma do acórdão ora fustigado, para excluir da base de cálculo do crédito presumido de IPI a exportação de produtos NT. O recurso foi admitido pelo presidente da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (despacho às fls. 192/193). O sujeito passivo apresentou contra razões às fls. 270/290, e recurso especial, às fls. 203/226, ao qual foi dado parcial seguimento às fls 294/296 por ter comprovado a divergência apenas quanto à necessidade de atualização monetária pela taxa Selic sobre os valores ora em questionamento. A Procuradoria, às fls. 300/307, apresentou contrarazões ao recurso especial do sujeito passivo. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora Judith da Amaral Marcondes Armando Aprecio Recursos Especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte, ambos admitidos conforme despachos já mencionados e em boa forma. As matérias postas à apreciação por esta Câmara Superior cingemse ao direito ao crédito presumido de IPI decorrente da exportação de produtos NT, contestado pela Procuradoria e ao direito à atualização do ressarcimento pela taxa Selic, pleiteado pelo contribuinte. Quanto ao direito ao crédito presumido de IPI decorrente da exportação de produtos NT, matéria em exame nestes autos, permitome aproveitar parte de voto por mim proferido anteriormente, ressaltando a necessidade de promover os ajustes correspondentes a esta lide: A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional disse algumas vezes em seus recursos sobre esta matéria: “ É inegável que a meta da norma em apreço é desonerar os produtos exportados, eliminando parcela da carga tributária Fl. 8DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10680.006963/200158 Acórdão n.º 9303001.444 CSRFT3 Fl. 318 9 cumulada ao longo do ciclo produtivo, representada pelas indigitadas contribuições sociais, sendo também irrefutável que, em princípio, esse crédito presumido não guardaria correlação com o IPI. No entanto, esta não foi a opção do legislador ordinário, haja vista que inegavelmente criou um crédito presumido de IPI, em todos os seus contornos, de forma que é incontestável que referido imposto, neste comenos, tangencia aquelas contribuições. Assim, a análise desse texto legal, ainda sob o prisma teleológico, pode levar à inferência diametralmente oposta, qual seja, que o objetivo da Lei foi, em verdade, desonerar apenas os produtos industrializados, visando com isso incentivar a exportação de produtos elaborados com maior valor agregado, em detrimento de produtos em estado quase natural ou com incipiente processo de elaboração, como o caso dos produtos em comento” cf. fls 112 Tendo em conta tais afirmativas, ao meu ver perfeitamente válidas em termos de aspirações ao desenvolvimento nacional com padrões mais elevados de agregação de valor, muito embora julgueas subjetivas, passo à interpretação sistemática como sugere o Procurador em seu arrazoado, e chegarei a conclusão diametralmente oposta à do Procurador. A Lei 9.363, de 1996 em seus arts 1º e 3º , parágrafo único diz: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. ...................................................................................................... Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. (os grifos são meus) Fl. 9DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 10 Aqui observo que o crédito presumido está direcionado à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, (não fala de mercadorias nacionais industrializadas) e que o estabelecimento dos conceitos de receita operacional bruta, produção, matérias primas, insumos e materiais de embalagem devem ser buscados no escopo das normas que falam respectivamente do Imposto de Renda e do IPI. Assim sendo, não tenho dúvidas quanto aos produtos que podem gerar os benefícios desta lei 9.363, que são matérias primas, materiais de embalagens e insumos, nas condições estabelecidas na legislação do IPI, isto é, que se consumam no processo produtivo ou integrem o produto final desse processo, e que em algum passo da cadeia produtiva tenham sofrido incidência das contribuições PIS e COFINS. Não tenho dúvidas que a norma não se destina a proteger exportações de maior valor agregado, e menos ainda, de produtos que figurem na TIPI como tributados. Até porque, sabemos, a tributação pelo IPI deixou a muito de ser fundamentada nos princípios que nortearam a criação do tributo, chegando mesmo a não ser seletiva, e não refletir o grau de industrialização do produto. Hoje temos produtos bastante industrializados com notação NT na TIPI, bem assim outros, sem qualquer industrialização com alíquota zero. Passamos ao conceito de crédito presumido: Presumido é o que se pretende verdadeiro à luz de certos conhecimentos previstos. Pode ser entendido como uma probabilidade alta de verdade, ainda que fictício. Pois bem, na proposta de lei introduzida pela Medida Provisória nº. 948, de 23 de março de 1995, ficou clara a inviabilidade de aferir todos os valores de PISPASEPCOFINS que oneram o produto final a ser exportado. O Legislador fez a escolha de presumir um valor a ser restituído ao exportador, a título de desoneração de parte dessa tributação. Naturalmente, não estamos aqui diante de uma benesse do Estado. Estamos diante de ponderação racional e objetiva relativa ao princípio de não exportar tributos, na medida exata do interesse comercial, nem mais nem menos. Vejase bem que, de outra forma, poderíamos incorrer nos subsídios considerados da caixa vermelha pela Organização Mundial de Comércio, órgão ao qual o Brasil deve referenciar se. E lhe convém que o faça. Observo que a Lei não determina que se busque na legislação do IPI o conceito de produtor exportador. Vamos aos aspectos históricos do conjunto de normas que regeram o IPI, o crédito prêmio do IPI, e o ressarcimento. Nascidas da LEI Nº. 4.502 DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964, que dispôs sobre o Imposto de Consumo e reorganizou a Fl. 10DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10680.006963/200158 Acórdão n.º 9303001.444 CSRFT3 Fl. 319 11 Diretoria de Rendas Internas, posteriormente regulamentada pelo Decreto nº 61.514, de 12 de outubro de 1967, temos que: Art. 1º O Imposto de Consumo incide sobre os produtos industrializados compreendidos na Tabela anexa. ......................................................................................................... Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. ......................................................................................................... Art. 7º São também isentos ......................................................................................................... § 1º No caso o inciso I, quando a exportação for efetuada diretamente pelo produtor, fica assegurado o ressarcimento, por compensação, do imposto relativo às matériasprimas e produtos intermediários efetivamente utilizados na respectiva industrialização, ou por via de restituição, quando não for possível a recuperação pelo sistema de crédito. A referida tabela anexa não incluía o universo de produtos industrializados. Assim sendo, o estabelecimento produtor e exportador a que se refere a Lei nº 9.363, de 1996 poderia, em princípio, ser aquele que produz os produtos tributados ou com alíquota zero, que estão contidas no campo de incidência do hoje IPI. Mas, voltando ainda aos aspectos históricos, na própria Lei inaugural há uma série de excepcionalidades que contextualizam o desejo do legislador dentro de um processo de substituição de importação acelerado, com elevada defesa da produção interna. Andando um pouco mais no tempo, o Decreto Lei nº 1.136, de 1970, pretendendo modernizar o parque industrial brasileiro permitiu o creditamento de IPI a máquinas e outros bens do ativo das empresas § 2º O Ministro a Fazenda poderá atribuir aos estabelecimentos industriais o direito de crédito do imposto sobre produtos industrializados relativo a máquinas, aparelhos e equipamentos, de produção nacional, inclusive quando adquiridos de comerciantes não contribuintes do referido imposto destinados à sua instalação, ampliação ou modernização e que integrarem o seu ativo fixo, de acordo com as diretrizes gerais de política de desenvolvimento econômico do país. § 3º O regulamento disporá sobre a anulação do crédito ou o restabelecimento de débito, correspondente ao imposto deduzido, nos casos em que os produtos adquiridos saiam do estabelecimento com isenção do tributo, ou os resultantes da industrialização gozem de isenção ou não estejam tributado Fl. 11DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 12 Verificamos que o IPI, utilizado como ferramenta de desenvolvimento econômico se presta a intervenções pontuais, que afetam aspectos macro e micro econômicos, entrando em vigor imediatamente, e produzindo os efeitos politicamente desejados. Tais intervenções nada têm a ver com a industrialização do produto em si, ou com a notação da alíquota na TIPI, mas estão ligadas a qualificação econômica do produto no contexto econômico, de modo especial ao grau de ganho de produtividade que possa conferir aos processos produtivos em que está inserido. Ora, permitome entender que sendo o IPI um imposto de fácil manejo, e federativo, o legislador diz sempre exatamente o que pretende a fim de que não sejam introduzidas interpretações locais que possam alterar a universalidade da norma. Por outro lado, se é possível admitir que a Lei nº 9.363 tenha vindo substituir a normatização de crédito–prêmio de IPI, superado pela realidade internacional dos incentivos não permitidos pela OMC, e que nesse novo contexto estejamos tratando, de fato, de desoneração das exportações, o conceito de produtor exportador não se confunde com o conceito de produtor industrial. E, pode ser que, em razão dessa construção que acabo de propor seja mais adequada à interpretação do que seja empresa produtora exportadora, como aquela que exporta o que produz, já que na mesma lei, no art. 3º parágrafo único, está determinado que devem ser buscados na legislação do IPI os conceitos de produto, matéria prima, insumos e material de embalagem e não de empresa produtora exportadora. Vendo sob esse aspecto, é importante o contexto econômico e político dos incentivos tributários à exportação ou ao desenvolvimento econômico, conforme induz o raciocínio da PGFN. Sabemos que em tempos de incentivo à modernização do parque industrial deuse o crédito pertinente a máquinas e outros bens de ativo das empresas. Hoje, visando tão só não exportar tributos e fomentar a atividade econômica, é essa a razão que se encontra na exposição de motivos que acompanhou a formação da lei, há de se considerar que, qualquer produto exportado, mesmo estando ele fora do campo de incidência do IPI, ou seja notificado como produto NT circunstancialmente, não deve carregar consigo, por razões que passam da análise dessa lide, carga tributária interna. Por essas razões, entendo que a interpretação teleológica que melhor atende ao espírito da lei, hoje, é que empresas produtoras e exportadoras de produtos fora do campo de incidência do IPI podem beneficiarse do regresso de parte da tributação previstos na lei em comento, desde que tenham utilizado em sua produção os insumos, matérias primas e material de embalagem como definidos nas normas do IPI. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10680.006963/200158 Acórdão n.º 9303001.444 CSRFT3 Fl. 320 13 Seguindo essa interpretação que não julgo apartada dos termos da Lei, encaminho meu voto no sentido de ser cabível o ressarcimento a título de desoneração da carga tributária nas exportações, quando os produtos exportados sejam obtidos a partir de insumos, matérias primas e material de embalagem, adquiridos de quem quer que os tenha produzido, desde que tenham sido objeto de tributação relativa às contribuições para o PIS, PASEP e COFINS em qualquer etapa de suas produções, e desde que consumidos no processo produtivo ou dele fizerem parte nos termos da legislação do IPI, independentemente de ser o produto resultante exportado tributável pelo IPI. Por todo exposto, voto no sentido de incluir no valor das receitas de exportação todos os resultados de vendas ao exterior de produtos sujeitos ou não à incidência do IPI. No que se refere à atualização do ressarcimento pela taxa Selic, faço a ressalva de que, a despeito de meu entendimento quanto à matéria, em face da superveniência do art. 62A do Regimento Interno do CARF RICARF, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça devem ser reproduzidas nos julgamentos dos recursos no âmbito deste Tribunal Administrativo. A recorrente teve obstada pela administração tributária a aplicação da referida Taxa. No recurso, pede a fruição do benefício desde o protocolo do pedido até a data do efetivo pagamento. Nos recursos repetitivos do STJ está subjacente a questão do dies a quo para aplicação da taxa Selic, considerado o protocolo do pedido de restituição ou ressarcimento junto à administração tributária. Na esteira do exposto voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e por dar provimento ao Recurso Especial do sujeito passivo. Judith da Amaral Marcondes Armando Fl. 13DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
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Numero do processo: 16000.000117/2007-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2001 a 31/05/2003
CONTRIBUIÇÃO PREVIDÊNCIÁRIA. GRUPO ECONOMICO. TERCEIROS.
As contribuições destinadas a Entidades e Fundos, para os
quais, por força de convênio, o INSS se incube de arrecadar e
repassar estão previstas na legislação vigente.
EMPRESAS, INTEGRANTES DE GRUPO ECONÔMICO.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. .
As empresas que integram grupo econômico respondem
entre si, solidariamente e sem benefício de ordem, pelas obrigações decorrentes da legislação previdenciária
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.069
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de desconsideração de grupo econômico; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 31/05/2003 CONTRIBUIÇÃO PREVIDÊNCIÁRIA. GRUPO ECONOMICO. TERCEIROS. As contribuições destinadas a Entidades e Fundos, para os quais, por força de convênio, o INSS se incube de arrecadar e repassar estão previstas na legislação vigente. EMPRESAS, INTEGRANTES DE GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. . As empresas que integram grupo econômico respondem entre si, solidariamente e sem benefício de ordem, pelas obrigações decorrentes da legislação previdenciária Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de desconsideração de grupo econômico; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Cleusa Vieira de Souza Relatora. Fl. 559DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henryque Magalhães de Oliveira. Fl. 560DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000117/200716 Acórdão n.º 2401002.069 S2C4T1 Fl. 457 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, e outros, no valor de R$ 6.894,41 (seis mil, oitocentos e noventa e quatro reais e quarenta e um centavos), que, de acordo com o relatório fiscal de fls 27 a 31, refere às contribuições destinadas a terceiros não recolhidos (SENAIS, SESI e SEBRAE), resultante do enquadramento, indevido no FPAS 787, quando o enquadramento correto a partir de 11/2001 equivale ao FPAS 833, no período de 11/2001_a _05/2003. Segundo o referido relatório fiscal que, pela análise dos documentos apresentados durante o ato fiscalizatórlo, ficou configurado grupo econômico de fato, pelo tipo de movimentação financeira realizada entre os estabelecimentos, o envolvimento das mesmas pessoas físicas no quadro societário ou na condição de gerentes ou, ainda, na qualidade de procuradores das empresas, além do que, o grupo se autodenomina "GRUPO CAMPBOI". Informa a Auditoria Fiscal que no anexo especial anexo, estão descritos fatos que evidenciam a interrelação empresarial e também informam que a detentora da marca "CAMPBOI" é a empresa ora fiscalizada, conforme consulta a o INPI Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Processo 819537667). Relaciona as seguintes empresas como participantes do Grupo CAMPBOI: i Frigorífico Caromar Ltda; CNPJ: 52.471.729/000140; Frigorifico Santa Esmeralda Ltda, CNPJ: 02.170.7371000188;Vitória Agroindustrial Ltda; CNPJ: 03.201.870/000117; Transportadora Pereira & Dias Ltda, CNPJ: 69.285.054/000147, RPMC. Com. de Carnes e Derivados Ltda; CNPJ: 62.067.1291000506; ML Comércio De Carnes Ltda; CNPJ: 56.066.020/000110;Meat Center Comércio De Carnes Ltda; CNPJ: 01.222.671/000160; Santa Esmeralda Alimentos Ltda; CNPJ: 02.172.552/000102; Santa Esmeralda Alimentos II Ltda; CNPJ: 55.596.548/000138; Casa De Carnes Amoreiras Ltda; CNPJ: 53.121.349/0001 48; Santana Agroindustrial Ltda; CNPJ: 05.148.550/000176; Distrib. de Charque Campinas Ltda; CNPJ: 01.767.548/000124; Transportadora Dirceu Ltda, CNPJ: 74.624.248/000160; Distribuidora de Carnes Vale do Mogi;cnpj: 57.622.466/000146; Leme Distribuidora de Carnes Ltda; CNPJ: 05.038.4391000127; Corte Schefer Agropecuária S/A; CNPJ: 62.617.782/000160; Vitória Guapiaçu Participações Ltda; CNPJ: 02.274.340/000124; Máxima Central de Rastreabilidade Ltda; CNPJ: 05.430.029/000127 Identificam, nos anexos em comento, os sócios e procuradores das respectivas empresas e os vínculos dessas pessoas com as empresas do grupo. Informa, mais, que os documentos apresentados de fls.72 a 101 atestam a relação de interdependência entre as empresas, ou melhor, a estreita relação entre elas. Tempestivamente apresentaram impugnações, as seguintes empresas componentes do grupo: • RPMC Comercio de Carnes e Derivados Ltda ; Santana Agroindustrial Ltda; Frigorifico Caromar Ltda; Vitoria Agroindustrial Ltda; Transportadora Pereira e Dias Ltda; Meat Center Comercio de Carnes Ltda; Santa Esmeralda Alimentos II Ltda; Casa de Fl. 561DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Carnes Amoreiras Ltda; Transportadora Dirceu Ltda; Distribuidora de Carnes Vale do Mogi Ltda; Corte Scheffe Agropecuaria S A. A defesa apresentada pelas empresa "VITORIA AGROINDUSTRIAL LTDA", fls. 269 a 270 alega, em síntese, que não participou de nenhum grupo económico de empresas descrita no anexo especial de que trata o art. 1098 do CC, vez que não tem relação de capital, que não é controlada nem controladora, nem filiada, nem participante de nenhuma outra empresa. A Delegacia da Receita Previdenciária em São São José do Rio Preto, por meio da DecisãoNorificação nº 21.436.4/0037/2006, julgou procedente o lançamento, trazendo tal decisão a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDÊNCIÁRIA. GRUPO ECONOMICO. TERCEIROS. As contribuições destinadas a Entidades e Fundos, para os quais, por força de convênio, o INSS se incube de arrecadar e repassar estão previstas na legislação vigente. GRUPO ECONÓMICO. SOLIDARIEDADE. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem solidariamente entre si, na forma da lei. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Intimados da decisão, as empresas: Vitória Agroindustrial Ltda. Santa Esmeralda Alimentos II Ltda. Casa de Carnes Amoreiras Ltda. Satana Agroindustrial Ltda. Distribuidora de Carnes Vale do Mogi Ltda.Transportadora Pereira e Dias Ltda. Transportadora Dirceu Ltda. Frigorifico Caromar Ltda. RPMC Comércio de Carnes e Derivados Ltda. Meat Center Comércio de Carnes Ltda. Corte Schefer Agropecuária S/A. interpuseram recursos a este Conselho. Em suas razões de recurso a empresa Vitória Agroindustrial Ltda, alega que nunca participou de nenhum grupo econômico de empresas. Ela não tem relação de capital, não é controlada nem controladora, nem filiada e nem participante de nenhuma outra empresa, requisitos objetivos imprescindíveis para a caracterização de grupo econômico, nos termos do art. 1.098, do CC. Especialmente, não se agrupou a nenhuma das empresas descritas no ANEXO "ESPECIAL" do lançamento em questão. Ao final requer seja reformada a decisão atacada, com a exclusão dela do tal grupo Campboi, fls. 346; As empresas Santa Esmeralda Alimentos II Ltda; Casa de Carnes Amoreiras Ltda; Santana Agroindustrial Ltda; Distribuidora de Carnes Vale do Mogi Ltda; Transportadora Pereira e Dias Ltda; Transportadora Dirceu Ltda; Frigorifico Caromar Ltda; RPMC Comércio de Carnes e Derivados Lida; Meat Center Comércio de Carnes Ltda. Corte Schefer Agropecuária S/A., também apresentam seus recursos, conforme razões às fls. 349/367, em que alegam que não fazem parte do aludido grupo econômico e que se se o anexo especial tinha por objetivo comprovar as movimentações financeiras ocorridas entre as empresas e que constituem característica de GRUPO ECONÔMICO, tal qual determinado pela ordem de fiscalização especial que deu ensejo à elaboração daquele anexo, ele não se desincumbiu de tal ônus. Fl. 562DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000117/200716 Acórdão n.º 2401002.069 S2C4T1 Fl. 458 5 Aduzem, tese, que ausentes os requisitos objetivos determinados no art. 265, da Lei 6.404/76, e até mesmo os do art. 2°, § 2°, da CLT, se se entender aplicável ao caso, não há de se falar em caracterização de grupo de empresas solidárias nas obrigações tributárias perante o INSS. Sem contrarrazões vem os autos para julgamento. É o relatório. Fl. 563DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheira Cleusa Vieira de Souza, Relatora Presentes os pressupostos de admissibilidade, o recurso merece ser conhecido. Conforme relatado, tratase de crédito previdenciário lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada e outros, no valor de R$ 6.894,41 (seis mil, oitocentos e noventa e quatro reais e quarenta e um centavos), referente às contribuições destinadas a terceiros não recolhidos (SENAIS, SESI e SEBRAE), resultante do enquadramento, indevido no FPAS 787, quando o enquadramento correto a partir de 11/2001 equivale ao FPAS 833, no período de 11/2001_a _05/2003. De início importa salientar que nenhuma das empresas componentes do grupo e que apresentaram recurso, contestou o lançamento das contribuições proprimente ditas. Nesse sentido, cabe reforçar que de acordo com o item 5 relatório fiscal de fls 29, a empresa sob ação fiscal e agroindústria , explorando as atividades rural e industrial, alem de comercializar a ração por ela produzida. Nesta direção e que aponta a clausula "2" do seu contrato social. Assim, de acordo com os elementos que constituem os autos, constatase que o lançamento procede com relação aos Terceiros não recolhidos em épocas próprias, incidentes sobre remunerações dos segurados empregados, apurados com base em folhas de pagamentos, em consonância com o art. 94 da Lei n.° 8.212 de 24.07.1991. Com relação aos argumentos expendidos pelos impugnantes em seus arrazoados, de que não integram o grupo econômico CAMPBOI', invocando o Código tributário Nacional, como sobejamente explcitidao na decisão de primeira instância, não são suficientes para elidir o procedimento fiscal, haja vista o que dispõe o referido Código e outras normas vigentes quanto à identificação e a relação de solidariedade de um Grupo Econômico. Os artigos 121, 124 e 128 do CTN, citados pelos defendentes, tratam em verdade, das obrigações do sujeito passivo, da solidariedade e da responsabilidade de terceiros. A Lei n° 6.404/76, que dispõe sobre as Sociedades Anõnimas, de aplicação subsidiária "in casu", em seu artigo 265, ao conceituar o Grupo de Sociedades, o fez com a seguinte redação: "Art. 265. A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capitulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. § 1°.A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de Fl. 564DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000117/200716 Acórdão n.º 2401002.069 S2C4T1 Fl. 459 7 direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas". Ainda, a mesma Lei, no artigo 267, preceitua: "Art. 267. O grupo de sociedades terá designação de que constarão as palavras grupo de sociedades ou grupo Parágrafo único. Somente os grupos organizados de acordo com este Capitulo poderão usar designação com as palavras grupo ou grupo de sociedade". O § 2° do artigo 2° da Consolidação da Leis do Trabalho,aprovada pelo DecretoLei 5.452 de 01/05/1943, dispõe: Art.2° Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) §2° Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade económica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das, subordinadas. É de se ver, então, que o grupo de sociedade caracterizase pela reunião de várias empresas, cada uma com personalidade jurídica e patrimônio próprios, que se obrigam a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetivos ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. Dessa forma, nada obstante os esforços em negar a formação deste grupo econômico (esforços conjuntos, digase, conforme impugnações e recursos que se assemelham nas alegações e assinados pelo mesmo procurador), se interligam na formação de um grupo conforme exaustivamente, e de forma conclusiva, demonstrado Os documentos da empresa autuada, cujas cópias foram acostadas aos autos, demonstram, sem nenhuma dúvida, a existência de combinação de recursos entre as empresas, pois não há como justificar de outra forma: A autodenominação pelas empresas relacionadas na NFLD como "GRUPO CAMPB01"(fis. 72 a 101); a prestação de serviços de transporte sem o efetivo pagamento pela tomadora (subitem 4.1. do Mexo Especial do Relatório Fiscal); a solidariedade das empresas quanto às reivindicações nas reclamatórias trabalhistas, transitadas em julgado (subitem 4.10. do Mexo Especial do Relatório Fiscal); a participação do Sr. Dirceu José Corte no quadro societário das empresas VITÓRIA AGROINDUSTRIAL LTDA, SANTA ESMERALDA ALIMENTOS LTDA, Fl. 565DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 TRANSPORTADORA DIRCEU LTDA, DISTRIBUIDORA DE CARNES VALE DO MOGI LTDA, CORTE SCHEFER AGROPECUÁRIA SIA e VITÓRIA GUAPIAÇU PARTICIPAÇÕES LTDA (subitem 4.14. do Anexo Especial do Relatório Fiscal); a participação do Sr. César Furlan Pereira no quadro societário das empresas: VITORIA AGROINDUSTRIAL LTDA, CASA DE CARNES AMOREIRAS LTDA, RPMC COM. DE CARNES E DERIVADOS LTDA, VITÓRIA GUAPIAÇU PARTICIPAÇÕES LTDA; MÁXIMA CENTRAL DE RASTREABILIDADE LTDA, TRANSPORTADORA PEREIRA & DIAS LTDA e SANTA ESMERALDA ALIMENTOS LTDA (subitem 4.14. do anexo Especial do Relatório Fiscal); Dentre outros. Ademais, com os elementos trazidos aos autos pelo Anexo Especial restou inconteste a solidariedade entre as empresas deste grupo econômico , tanto que estas provas fulminaram os argumentos. Destarte diante de todos os fatos descritos, com provas documentais anexadas, entendo que a fiscalização demonstrou, de forma inequívoca, que as pessoas jurídicas relacionadas mantêm mais do que relações comerciais, estas desenvolvem suas atividades como se uma fosse, estabelecendo relações que demonstram a unicidade de interesses, a prática de esforços conjuntos entre pessoas que visam um fim de interesse comum, ou seja, atuam de maneira inequívoca como um grupo econômico de fato, além da documentação acostada pela fiscalização, por amostragem e por cópia. Dessa maneira, nos termos do inciso IX, do art. 30, da Lei n°. 8.212/91: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas4Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Pela leitura do dispositivo legal encimado, resta esclarecido o surgimento do vinculo jurídico do responsável tributário. Não é muito repisar que no grupo económico, a solidariedade abrange todas as obrigações da empresa, ou seja, a contribuição referente aos segurados empregados, segurados avulsos, trabalhadores contribuintes individuais (autônomos, empresários e outros). Por fim o lançamento obedeceu aos critérios estabelecidos pela legislação previdenciária, especialmente aqueles do art. 37, da Lei n. º 8.212/91, e a despeito da argumentação apresentada pelos recorrentes, não vejo nela qualquer fundamento que possa levar à desconstituição do crédito previdenciário ora atacado, uma vez que se encontra revestido das formalidades legais exigidas para a sua constituição. Por todo exposto; VOTO no sentido de conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de desconsideração do grupo econômico e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Cleusa Vieira de Souza. Fl. 566DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000117/200716 Acórdão n.º 2401002.069 S2C4T1 Fl. 460 9 Fl. 567DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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