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Numero do processo: 10920.907456/2012-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO.
A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor.
Numero da decisão: 2202-004.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(Assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (Assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 74 56 /2 01 2- 16 Fl. 101DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão de Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis / SC – DRJ/FNS, que considerou improcedente, por unanimidade de votos, manifestação de inconformidade do contribuinte em face de Despacho Decisório eletrônico que não homologou compensação informada em PER/DCOMP. 2. A seguir reproduzse o relatório do Acórdão da DRJ/FNS , o qual retrata adequadamente os fatos ocorridos. Relatório (...) Por intermédio de DESPACHO DECISÓRIO eletrônico a autoridade administrativa assim se manifestou: "Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Enquadramento legal: Art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN)." A Contribuinte – em sua contestação – alega ter efetuado “pagamento indevido ou a maior”, em recolhimento operado com o código de arrecadação 0481 – JUROS E COMISSÕES EM GERAL. Diz que, desde sua fundação, em 2000, “foi obtendo de sua sócia majoritária italiana, remessas para sua ampliação, os quais foram sendo tratados como dívida em aberto e com incidência de juros, sem prefixação de data para devolução do principal e juros incidentes.”. Mais adiante afirma que os valores devidos foram convertidos em “aumento de capital da sociedade Marcegaglia do Brasil Ltda.” Aduz que o Banco Central do Brasil exigiu a prova do pagamento do imposto de renda na fonte incidente sobre remessas ao exterior, nos termos do art. 9º da Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962: Art. 9º As pessoas físicas e jurídicas que desejarem fazer transferências para o exterior a título de lucros, dividendos, juros, amortizações, royalties assistência técnica científica, administrativa e semelhantes, deverão submeter aos órgãos competentes da SUMOC e da Divisão do Impôsto sôbre a Renda, os contratos e documentos que forem considerados necessários para justificar a remessa.(Redação dada pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964)(Vide Decreto nº § 1º As remessas para o exterior dependem do registro da emprêsa na SUMOC e d eprova de pagamento do impôsto de renda que fôr devido.(Renumerado pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964) (...) Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10920.907456/201216 Acórdão n.º 2202004.969 S2C2T2 Fl. 102 3 § 3º No caso previsto pelo parágrafo anterior, as transferências sempre dependerão de prova de quitação do Impôsto de Renda.(Incluído pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964) Diz que operou o recolhimento do IRRF “sem questionar a existência ou não do fato gerador para a incidência da tributação do imposto de renda, na espécie, são: ‘as remessas para o exterior’.” Entende que, se não houve remessa ao exterior, em razão de haver sido convertida em capital a dívida então existente, não há fato gerador do referido tributo. Em razão disso requer o reconhecimento do indébito e o deferimento de “ressarcimento” dos valores pagos. 3. A DRJ/FNS considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos termos da Ementa da decisão abaixo transcrita: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. A conversão dos juros de empréstimos em participação no capital social de empresa brasileira por pessoa jurídica com sede no exterior constitui fato gerador do IRRF, art. 702 do RIR/99, na medida em que configura quitação da dívida por compensação de maneira equivalente, o que também pode ser definido como pagamento 4. Destaquemse também alguns trechos relevantes do voto do Acórdão proferido pela DRJ/FNS: (...) De início, para esclarecimento, é bom que se diga que o Despacho Decisório eletrônico considerou a inexistência do crédito em razão de haver a vinculação na DCTF, do pagamento com o respectivo débito. (...) Quanto a este fato – exigência do Banco Central do Brasil – da prova do pagamento do IRRF, é prevista no art. 880, do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000, de 1999: Art.880. O Banco Central do Brasil não autorizará qualquer remessa de rendimentos para fora do País, sem a prova de pagamento do imposto (DecretoLei nº5.844, de 1943, art. 125, parágrafo único, alínea "c", e Lei nº4.595, de 31 de dezembro de 1964, art. 57, parágrafo único). Parágrafo único.Nos casos de isenção, dispensa ou não incidência do referido tributo deverá ser apresentada declaração que comprove tal fato. Como se vê, o parágrafo único vem relativizar tal exigência, autorizando a entrega de declaração que comprove a isenção, dispensa ou não incidência. Não há nos autos prova de apresentação de tal declaração ao BCB. (...) Fl. 103DF CARF MF 4 Ocorre que em 19 de junho de 2008, em reunião na sede da quotista majoritária, Marcegaglia S.p.A, na cidade de Gazoldo Degli Ippoliti – Itália, restou decidido que os empréstimos então concedidos seriam convertidos em participação societária. A Contribuinte entende que em não havendo remessa – dos juros – ao exterior não teria ocorrido hipótese de incidência do IRRF, pois, subentende que a remessa ao exterior é elementar da hipótese de incidência, e, portanto, razão pela qual não teria emergido o fato gerador. Em análise ao texto legal que veicula a norma de incidência tributária em questão, há que se discordar da Impugnante: Art. 702. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, por fonte situada no País, a título de juros, comissões, descontos, despesas financeiras e assemelhadas. Primeiro registro a fazer referese à multiplicidade de ações que o legislador empregou para expressar a tipicidade tributária. Percebese que a remessa ao exterior é uma das hipóteses. Pagar, creditar, entregar ou empregar importâncias ao exterior, a título de juros, também constituem fatos imponíveis da obrigação tributária em exame. Portanto, em conformidade com o art. 702 do RIR/99, o imposto deve ser retido por ocasião do pagamento,crédito, entrega, emprego ou remessa, desses fatos, o que ocorrer primeiro. (...) Pagar juros ao exterior, neste contexto legal, significa adimplir a obrigação de pagar juros a pessoa domiciliada no exterior, independentemente da forma de pagamento, de modo que pode haver incidência do imposto, inclusive, sem que em nenhum momento haja a efetiva remessa de recursos ao exterior. Além disso, não se pode perder de vista o interesse jurídico tributário subjacente à norma de incidência do IRRF. O interesse jurídico em questão é o rendimento de pessoa jurídica domiciliada no exterior, oriundo de fonte situada no País, independentemente de esse rendimento auferido ter sido, ou não, remetido ao exterior. A remessa ao exterior não é a única elementar da incidência tributária em exame. (...) No presente caso, a pessoa jurídica credora dos empréstimos optou por empregálos – incluídos aí dos juros – no aumento de sua participação do capital a empresa brasileira. A capitalização dos empréstimos pode ser entendida como quitação ou pagamento da dívida, com juros. O ato de pagar pode ser também compreendido como compensação de maneira equivalente de benefícios econômicos. (...) Posto isto, podese afirmar que houve sim a ocorrência de fato gerador [pagamento de juros] para a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte e que, desta forma, eram sim devidas as importâncias cuja restituição era pleiteada pela Contribuinte. Manifestome pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10920.907456/201216 Acórdão n.º 2202004.969 S2C2T2 Fl. 103 5 5. Cientificado da decisão a quo, o contribuinte repisa as questões trazidas na Manifestação de Inconformidade e infere ter comprovado do direito creditório pleiteado, uma vez que à época realizou o recolhimento integralmente, de forma equivocada. 6. Requer, por fim, que seja acolhido o recurso com o reconhecimento do indébito, e o deferimento de ressarcimento pelos meios disponíveis. 7. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima – Relator 8. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo. Portanto dele conheço. 9. Ressalto que a recorrente não levanta questões preliminares. 10. Quanto ao Mérito, entendo que não existe razão ao pleito da recorrente e não há motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, que não homologou a compensação. 12. Não obstante a contribuinte argüir no sentido de que o recolhimento do imposto de renda retido na fonte foi equivocado, por apenas ter aplicado valores de empréstimos no aumento de seu capital, que a seu ver não seria equiparável às remessas ao exterior, para comprovação do alegado deveria ter juntado elementos mínimos de prova documental que fundamentassem plenamente suas alegações sobre as operações. Seria necessário que tivessem sido colacionados aos autos, no momento oportuno, documentos hábeis à comprovação dos registros contábeis relativos à operação, e não apenas Ata de Reunião de Sócios Quotistas e Alteração e Consolidação do Contrato Social, conforme realizado. 13 No caso de pedido de compensação, a liquidez do direito há de ser provada pela comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O art. 373, inciso I, do novo Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, dispõe que o ônus da prova incumbe ao autor, enquanto que o art. 36 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, impõe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Em idêntico sentido atua o Decreto nº 70.235, de 1972, que, regendo as compensações por força do art. 74, § 11, da Lei 9.430/96, determina em seu art. 15 que os recursos administrativos devem trazer os elementos de prova. 14. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, como não resta o crédito devidamente comprovado nestes autos, entendo por não haver motivos para a reforma do Acórdão da DRJ e por não reconhecer o indébito. Fl. 105DF CARF MF 6 Conclusão 15. Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima. Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.004341/2009-22
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. RECIBOS INIDÔNEOS. SÚMULA 40 CARF.
Os recibos emitidos por profissional para o qual haja qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhados de provas cabais da prestação de serviços, por exemplo o efetivo pagamento, não tem o condão de serem admitidos para fins de dedução da base de cálculo do IRPF.
Numero da decisão: 2002-000.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento parcial para afastar a glosa da despesas médicas com Rita de Cassia de Oliveira, no importe de R$4.000,00. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e redatora designada
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. RECIBOS INIDÔNEOS. SÚMULA 40 CARF. Os recibos emitidos por profissional para o qual haja qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhados de provas cabais da prestação de serviços, por exemplo o efetivo pagamento, não tem o condão de serem admitidos para fins de dedução da base de cálculo do IRPF.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1895; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 131 1 130 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.004341/200922 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.808 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 26 de fevereiro de 2019 Matéria IRPF Recorrente DURVAL MENDONCA JUNIOR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. RECIBOS INIDÔNEOS. SÚMULA 40 CARF. Os recibos emitidos por profissional para o qual haja qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhados de provas cabais da prestação de serviços, por exemplo o efetivo pagamento, não tem o condão de serem admitidos para fins de dedução da base de cálculo do IRPF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento parcial para afastar a glosa da despesas médicas com Rita de Cassia de Oliveira, no importe de R$4.000,00. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 43 41 /2 00 9- 22 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10410.004341/200922 Acórdão n.º 2002000.808 S2C0T2 Fl. 132 2 (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e redatora designada (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 08 a 12), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 3.234,03, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 24 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: Nas manifestações apresentadas às fls. 02 e seguintes e 79 e seguintes se requer, em síntese, sem prejuízo da leitura dos seus textos integrais, a nulidade do lançamento. Após descrever as razões pelas quais os tratamentos médicos foram necessários e outros aspectos necessários a constituição da prova, alega que a documentação juntada aos autos (recibos, declarações, outros) comprovaria seu direito as deduções. Alega estar de boafé. Transcreve jurisprudência sobre o tema. A impugnação foi apreciada na 21ª Turma da DRJ/SP1 que, por unanimidade, em 29/10/2013, no acórdão 1652.088 às efls. 90 a 95, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, às efls. 110 a 119, alegando, em síntese, que sua esposa e dependente, senhora Adelma Lessa de Souza Mendonça sofrera acidente e que a assistência médica dos profissionais era essencial à sua Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10410.004341/200922 Acórdão n.º 2002000.808 S2C0T2 Fl. 133 3 saúde. Informa que possui todos os recibos médicos e que estes foram apresentados, motivo pelo qual a glosa deve ser afastada. Voto Vencido Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 29/05/2015, efls. 96, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 26/06/2015, efls. 110, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O contribuinte foi autuado pela dedução indevida das seguintes despesas médicas: · ADRIANA MONTE ALMEIDA DE SENA MONTEIRO (R$ 4.000,00) pelo fundamento de que há súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, processo nº 10410.003261/200615, declarando inidôneos os recibos por ela emitidos no período fiscalizado; · RITA DE CASSIA DE OLIVEIRA (R$ 4.000,00) pelo motivo de que não há indicação do registro profissional; · NEWMA DE COSTA MOURA (R$ 4.000,00) pelo motivo de que os recibos apresentados, relativos a tratamento odontológico, não indicam o registro da profissional no Conselho Regional de Odontologia, nem o beneficiário do serviço. A DRJ manteve a autuação sob os seguintes fundamentos: Os documentos de fls. 22 (Adriana Monte Almeida de Sena Monteiro), 14 (2º e 3º recibos) a 17 (Rita de Cássia de Oliveira) não podem ser aceitos para fins de comprovação do direito a dedução declarada, pois não atendem a todos os requisitos do inc. III, §2º do art.8º da Lei nº 9.250/95 (ausência de endereço). A alternativa legal ao recibo incompleto, nos termos da legislação citada, é a comprovação do pagamento através de cheque nominativo. Os já citados documentos, os documentos de fls 19 a 21 (Newma de Costa Moura) e 14 (1º recibo Rita de Cássia de Oliveira) e os demais documentos trazidos aos autos (declarações, etc) não fazem prova do efetivo pagamento das despesas informadas (art. 8º, II, “a” da Lei nº 9.250/95), desenvolvendose o argumento mais à frente. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10410.004341/200922 Acórdão n.º 2002000.808 S2C0T2 Fl. 134 4 Observase às fls.43 e seguintes a existência de Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz relativa a Adriana Monte Almeida Sena Monteiro. Não há como decidir em sentido diverso daquele já expresso pela fiscalização; mantémse as glosas. Primeiramente, cumpre destacar que as glosas não se referem a despesas médicas do próprio contribuinte e sim de sua esposa senhora Adelma Lessa de Souza Mendonça. Como nos autos não consta a DAA do contribuinte e sequer a fiscalização contesta a relação de dependência havida entre as partes, creio que o Fisco já atestou tal condição, motivo pelo qual passo a análise do mérito do processo, declinando de baixar o processo em diligência. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10410.004341/200922 Acórdão n.º 2002000.808 S2C0T2 Fl. 135 5 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10410.004341/200922 Acórdão n.º 2002000.808 S2C0T2 Fl. 136 6 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10410.004341/200922 Acórdão n.º 2002000.808 S2C0T2 Fl. 137 7 valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10410.004341/200922 Acórdão n.º 2002000.808 S2C0T2 Fl. 138 8 contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Quanto aos recibos emitidos pela profissional Adriana Monte Almeida Sena Monteiro, mantémse as glosas, já que às efls. 43 e seguintes há processo declarando inidôneos os recibos se sua autoria. A matéria é sumulada por este CARF: Súmula CARF nº 40 A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Às efls. 14 a 17 há recibos emitidos por Rita de Cassia de Oliveira, no importe de R$4.000,00 que atestam a contratação dos serviços médicos. Ainda, às efls. 13 há declaração da profissional. De fato, os recibos emitidos por Newma de Costa Moura, às efls. 19 a 21, tampouco a declaração da profissional, às efls. 18, indicam o registro da profissional no Conselho Regional de Odontologia, motivo pelo qual a glosa deve ser mantido, vez que não atendem os requisitos legais. Feitas estas considerações, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe parcial provimento, afastando a glosa da despesas médicas com Rita de Cassia de Oliveira, no importe de R$4.000,00 (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10410.004341/200922 Acórdão n.º 2002000.808 S2C0T2 Fl. 139 9 Voto Vencedor Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora designada Divirjo do i. relator quanto à possibilidade de restabelecimento das despesas médicas informadas com a profissional Rita de Cássia de Oliveira somente à vista dos recibos e declarações emitidas, visto que foi exigida do recorrente a comprovação quanto ao seu efetivo pagamento, conforme consignado na autuação (fl.10). Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10410.004341/200922 Acórdão n.º 2002000.808 S2C0T2 Fl. 140 10 recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Portanto, os recibos e declarações emitidos pelo profissionais não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. Na verdade, é não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento. A legislação tributária reproduzida outorga essa competência ao agente fiscal. Negar tal permissão significa avançar indevidamente sobre a condução da ação fiscalizadora estatal, restringindo o dever legal de investigação dos fatos, devidamente autorizado pela norma regulamentar. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10410.004341/200922 Acórdão n.º 2002000.808 S2C0T2 Fl. 141 11 Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. Importa salientar que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado, visto que o uso de deduções em sua declaração de ajuste reduz a base de cálculo do IR. Esclareçase que a exigência da comprovação da efetividade do pagamento não conflita com a presunção de boafé do contribuinte, porquanto não se cogita, naquele momento, da existência de máfé na conduta do fiscalizado, mediante a prática de atos de falsidade, que levaria à aplicação de penalidade majorada. A alegação de que a profissional teria declarado rendimentos à RFB não socorre o recorrente, visto que lhe foi exigida a comprovação do efetivo pagamento dessas despesas. Assim, na ausência da comprovação exigida, a glosa deve ser mantida. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário também no tocante as despesas informadas com a profissional Rita de Cássia de Oliveira. É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 141DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.008583/2004-81
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri May 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: COFINS E PIS
Ano-calendário: 2004
PIS/COFINS - distribuidoras de combustíveis - imunidade Art. 153, § 30, art. 195, caput da CF.
O plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu pela incidência do PIS e da COFINS sobre operações referentes a combustíveis, uma vez que a Constituição Federal dispõe que toda a sociedade deve contribuir com a seguridade social. A cobrança do tributo é exigível mesmo no período anterior a Emenda Constitucional 33/2001.
Recurso conhecido e não provido.
Numero da decisão: 2102-000.094
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : COFINS E PIS Ano-calendário: 2004 PIS/COFINS - distribuidoras de combustíveis - imunidade Art. 153, § 30, art. 195, caput da CF. O plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu pela incidência do PIS e da COFINS sobre operações referentes a combustíveis, uma vez que a Constituição Federal dispõe que toda a sociedade deve contribuir com a seguridade social. A cobrança do tributo é exigível mesmo no período anterior a Emenda Constitucional 33/2001. Recurso conhecido e não provido.
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Recorrida DRJ - Recife/PE Assunto: COFINS E PIS Ano-calendário: 2004 PIS/COFINS - distribuidoras de combustíveis - imunidade Art. 153, § 30, art. 195, caput da CF. O plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu pela incidência do PIS e da COFINS sobre operações referentes a combustíveis, uma vez que a Constituição Federal dispõe que toda a sociedade deve contribuir com a . seguridade social. A cobrança do tributo é exigível mesmo no período anterior a Emenda Constitucional 33/2001. Recurso conhecido e não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Atto• 0)049) ' - 10SEFN MARIA COELHO MARQUES Presidente r C \ \, FA : TOLA CAS KERAMIDAS Relatora Processo n° 19647.008583/2004-81 S2-C1T2 Acórdão n.° 2101-00.094 Fl. 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Maurício Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D' eça, José Antonio Francisca Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Cuida-se de Autos de Infração (fls. 387/392 - PIS e 837/849 - Cofins) lavrados contra a empresa Irmãos Cartaxo Ltda., cobrando supostos débitos tributários de PIS e COFINS, com fatos geradores de 02/1999 a 12/2003, incidentes sobre a revenda de combustíveis, em especial, Gás Naturas Veicular (GNV), rastreado através da apuração da diferença entre os valores que foram escriturados e aqueles que foram declarados/pagos. Tais dados foram obtidos a partir de documentos fornecidos pelo contribuinte e Pela Autoridade Fiscal, a saber: planilha (fls. 38), livro Registro de Apuração do ICMS (fls. 41/66, 358/382), planilha informando a base de cálculo das contribuições de PIS e COFINS nos anos de 1999 a 2003 - que teve por esteio os balancetes mensais - e, por fim, planilha de fls. 349/357, relativas aos anos de 2000, 2001 e 2002. O contribuinte apresentou impugnação ao AIIM lavrado às fls. 436/446, requerendo a procedência da defesa administrativa, eis que: (i) o período de apuração do suposto crédito tributário está restrito aos períodos de 28/02/1999 a 15/01/2004, em que vigente a garantia constitucional insculpida nos artigos 153, inciso I e II e 155, inciso II, que visam garantir um menor custo de aquisição de produtos e serviços na comercialização de combustíveis e GNV. Além da inconstitucionalidade, (ii) pugnou pelo reconhecimento de que as alterações trazidas pela Lei n°. 9.900/2000 somente obrigam as refinari+ de petróleo a recolher as contribuições de PIS e COFINS, estando, portanto, sujeitos à substituição tributária. A 2 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE julgou procedente o lançamento, afastando a alegação de que a imunidade tributária constitucionalmente prevista, não se aplica às contribuições de PIS e COFINS e que, de fato, os valores correspondem àquilo que foi efetivamente escriturado nos registros contábeis da empresa, sendo que o contribuinte não juntou documentação hábil a demonstrar o erro nas bases de cálculo das contribuições ou o recolhimento destes tributos por meio da substituição tributária, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. UNIVERSALIDADE DO FINANCIAMENTO À SEGURIDADE SOCIAL. Dentro do princípio da universalidade do financiamento à Seguridade Social, as empresas que se dedicam \K- 2 • Processo n° 19647.008583/2004-81 S2-C1T2 Acórdão n.° 2101-00.094 Fl. 3 à comercialização de derivados de petróleo e álcool carburante são contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS. Precedentes do Supremo Tribunal Federal. - IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. IMPOSTOS. COFINS. PIS. INAPLICABILIDADE. A imunidade do art. 155, § 30 da CF, de 1988, se aplica a impostos, espécie tributária distinta das contribuições para a seguridade social, entre as quais se inserem a COFINS e o PIS. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2003 BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO DOS VALORES APURADOS. As Contribuições PIS/COFINS incidirão sobre o faturamento do mês, tendo o lançamento fiscal sido efetuado a partir de documentos disponibilizados pela contribuinte ao Fisco Federal, tudo regularmente documentado no presente processo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIAS. DILIGÊNCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege. o processo administrativo fiscal. Lançamento procedente Tempestivamente foi interposto Recurso Voluntário pela Recorrente, por meio do qual repisou os argumentos trazidos na defesa inicial, pleiteando o reconhecimento da inconstitucionalidade do recolhimento de PIS e COFINS na comercialização de combustíveis e derivados de petróleo. É o relatório. Netit, 3 Processo n° 19647.008583/2004-81 S2-CIT2 Acórdão n.° 2101-00.094 Fl. 4 Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. As questões que permanecem em discussão referem-se à incidência do PIS e da COFINS sobre as atividades de distribuição de gás natural realizadas pela Recorrente e, subsidiariamente, obrigação ao pagamento somente pelas refinarias e importadoras de combustíveis. A Recorrente sustenta a inconstitucionalidade da incidência do PIS e da COFINS com base nos arts. 155, § 30, art. 153, I e II e art. 155, II, todos ,da Constituição Federal. 'Art. 155:... § 3' A exceção dos impostos de que tratam o inciso II do caput deste artigo e o art. 153, I e II, nenhum outro tributo poderá incidir sobre operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País.( redação da EC 3/93) - destaquei "Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II - operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior." "Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: 1- importação de produtos estrangeiros; II - exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados;" Segundo a Recorrente, pela interpretação dos artigos supracitados, sobre as operações relativas a combustíveis, na qual se inclui o gás natural, somente era cabível o ICMS, TE, não sendo possível a incidência de qualquer outro tributo, o que incluiria o PIS e a COFINS. Somente com a Emenda Constitucional 33, de 11 de dezembro de 2001, o texto constitucional foi alterado para permitir a incidência desses tributos, restringindo a imunidade somente a outros impostos e não mais sobre a concepção genérica "tributos". Entretanto, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário 233807, em 01/07/1999, considerou que a referida imunidade não se estende às contribuições sociais, conforme o entendimento conjunto dos arts. 155, § 30 e 195, caput da Constituição Federal. Segue abaixo transcrição do voto do Ilustre Ministro Relator Carlos Velloso: • INg3%.1 IN 4 Processo n° 19647.008583/2004-81 S2-C1T2 Acórdão n.° 2101-00.094 Fl. 5 "Ora, a interpretação puramente literal e isolada do § 3° do art. 153 da constituição levaria ao absurdo, conforme linhas atrás registramos, de ficarem excepcionadas do princípio inscrito no art. 195, caput, da mesma Corte — "a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei..." — empresas de grande porte, as empresas de mineração, as distribuidoras de derivados de petróleo, as distribuidoras de eletricidade e as que executam serviços de telecomunicações — o que não se coaduna com o sistema da Constituição, e ofensiva, tal modo de interpretar isoladamente o § 3° do art. 153, a princípios constitucionais outros, como o da igualdade (CF, art. 5°, e art. 150, II) e da capacidade contributiva. Não custa reiterar a afirmativa de que a Constituição, quando quis excepcionar o princípio inscrito no art. 195, fê-lo de forma expressa, no § 7° do art. 195." Este entendimento do STF foi consolidado pela Súmula 659, publicada no DJ de 9/10/2003, in verbis: "É legítima a cobrança da COFINS, do PIS e do FINSOCIAL sobre as operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e 1 minerais do país." Ademais, com a Emenda Constitucional 33/2001, o texto constitucional foi alterado para que a imunidade constitucional se restringisse apenas aos impostos, deixando livre a aplicação das contribuições sociais às operações. Esta câmara do Conselho de Contribuintes já adotou precedente sobre a matéria no mesmo entendimento do STF, como se pode verificar pelo julgamento do Recurso Voluntário 123433, exposto na ementa abaixo transcrita: "COFINS. DISTRIBUIDORAS DE COMBUSTÍVEIS. IMUNIDADE. A partir da manifestação do STF na decisão plenária no REsp n° 227.832, julgado em 01/07/99, 'deve a mesma ser estendida ao julgados administrativos, conforme dispõe o Decreto n° 2.346/97, em seu art. 1 o, caput. Portanto, legítima a cobrança da Cotins sobre combustíveis e seus derivados, mesmo antes da no EC n° 33, de 11/12/2001. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA PARA FRENTE. O Pleno do STF, embora em relação ao ICMS, ao julgar o Recurso Extraordinário no 213.396, esposou entendimento de que a substituição tributária para frente, é constitucional. TAXA SELIC. E legítima a cobrança de juros de mora com base na taxa Selic. Recurso negado." ?Oik Processo n° 19647.008583/2004-81 S2-C1T2 Acórdão n.° 2101-00.094 Fl. 6 Ante o exposto concluo por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado pela Recorrente, mantendo incólume a decisão de primeira instância administrativa. É como voto. Sala so Sessões, em 08 de maio de 2009 o . -(-:=L FA LTOLA CASS IS KERAMIDAS f 6
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000209/2010-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2301-000.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade, determinar o retorno dos autos para diligência, nos termos do voto do relator.
João Maurício Vital - Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Mauricio Vital (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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Numero do processo: 10218.900440/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO.
Rejeita-se preliminar de nulidade do Despacho Decisório, quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1402-003.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário com base na súmula CARF nº 84 (Revisada) para afastar a vedação da compensação pretendida pela recorrente e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para nova análise do direito creditório pleiteado pela contribuinte. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10218.900414/2009-95, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. Rejeita-se preliminar de nulidade do Despacho Decisório, quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1936; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10218.900440/200913 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.682 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de dezembro de 2018 Matéria IRPJ Recorrente COMPANHIA AGROINDUSTRIAL DO PARÁ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. Rejeitase preliminar de nulidade do Despacho Decisório, quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário com base na súmula CARF nº 84 (Revisada) para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 90 04 40 /2 00 9- 13 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10218.900440/200913 Acórdão n.º 1402003.682 S1C4T2 Fl. 3 2 afastar a vedação da compensação pretendida pela recorrente e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para nova análise do direito creditório pleiteado pela contribuinte. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10218.900414/200995, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone. Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão da DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente. Tratase de declaração de compensação transmitida em 31/07/2006 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ R$ 67.358,32 resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2362, do período de apuração de 10/2005, no valor originário de R$ R$ 83.820,88 para compensar com débito de R$ R$ 31.964,84. A Delegacia de origem, em análise datada de 09.04.2009, asseverou que "analisadas as informações prestadas no documento (...), foi constatada a improcedencia do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 08/05/2009, a interessada apresentou, em 05.06.2009, manifestação de inconformidade na qual alega: a) Tanto a descrição dos fatos como o enquadramento legal estão equivocados, pois os valores apontados no PER/DCOMP não foram antecipações, mas recolhimentos indevidos ou a Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10218.900440/200913 Acórdão n.º 1402003.682 S1C4T2 Fl. 4 3 maior, efetuados com código incorreto, fato que evidencia a total improcedência do enquadramento legal indicado pela fiscalização, que utilizou até mesmo dispositivo inexistente na época da compensação. b) O débito da compensação não homologada deverá permanecer com a exigibilidade suspensa. c) Ainda que se tratase de antecipação, a vedação trazida no bojo da MP 449/08, que introduziu dispositivo antes inexistente no art. 74 da Lei 9.430/96, somente poderia surtir efeito posterior a sua vigência, mas nunca atingir fatos pretéritos. Refere e transcreve decisão judicial, concluindo que deve prevalecer o entendimento no sentido de que não são aplicáveis limitações à compensação relativa a valores recolhidos antes da lei limitadora, aduzindo que no caso da presente manifestação de inconformidade, tanto os créditos em favor da requerente quanto os débitos que se quer quitar são de datas anteriores à MP 449/08. Ainda que se admita que a lei possa limitar a utilização de crédito pelo contribuinte, mesmo assim, somente depois que a lei limitadora entrar em vigor é que a restrição começará a valer, mas nunca antes da lei estabelecer as limitações ao uso do crédito do contribuinte. Após analisar a documentação, a DRJ proferiu v. acórdão mantendo integralmente o decidido no r. Despacho Decisório, nos seguintes termos: Afastou as questões relativas a erro na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. Afastou o requerimento de suspensão de exigibilidade do crédito em discussão. Afastou a aplicação de jurisprudência proferida pelo TRF em processos de terceiros. Em relação ao mérito: No caso presente, temse que ao efetivar sua compensação a interessada indicou como crédito pagamento correspondente a estimativas mensais. Ocorre que, nos termos da legislação relativa à apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), aplicável à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) por força do art. 30 da Lei n° 9.430/19962 os recolhimentos efetuados pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, no decorrer dos meses do ano civil, caracterizam, em princípio, antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, o sujeito passivo, ao exercer a opção prevista no artigo 2o da Lei n° 9.430/1996, fica obrigado aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10218.900440/200913 Acórdão n.º 1402003.682 S1C4T2 Fl. 5 4 bruta, devendo, ao final do anocalendário, proceder à apuração do tributo devido, oportunidade em que poderá, então, deduzir os valores anteriormente recolhidos por estimativa. Transcrevase, acerca do tema, o disposto nos artigos 220 a 232, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, como seguem." [...] Logo, a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real, que opte pelo recolhimento de estimativas, poderá suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido em cada mês, desde que demonstre, por intermédio de balanços ou balancetes mensais transcritos no Livro Diário, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo calculado com base no lucro real do período em curso. O levantamento de balanços ou balancetes mensais equivale ao próprio ajuste efetuado entre o mês de janeiro e o mês de levantamento do balanço ou balancete (comparandose o tributo calculado com base no lucro real do período de referência de janeiro até o mês de levantamento do balanço/balancete com o tributo já recolhido). Notese que ao final do anocalendário, acaso o contribuinte apure saldo negativo do tributo, poderá pleitear a restituição ou a compensação deste mesmo saldo, nos termos e condições constantes do art. 6o , § Io , da Lei n° 9.430/19963. Constatase, pois, que a regra geral é no sentido de que o contribuinte leve os valores recolhidos a título de estimativa à composição do saldo do IRPJ/CSLL apurado em 31 de dezembro. Em assim sendo, o recolhimento de estimativas mensais, exatamente nos valores calculados segundo os critérios determinados pela Lei n° 9.430/1996, não pode ser considerado, a priori, como pagamento indevido ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício (este sim passível de repetição). Assinalese que o art. 10 da IN SRF n° 460, de 18/10/2004, e o art. 10 da IN SRF n° 600, de 28/12/2005, enquanto vigentes, determinaram que o pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL, a título de estimativa mensal, somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Segue transcrita a disposição contida na IN SRF n° 600/2005. É o relatório Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10218.900440/200913 Acórdão n.º 1402003.682 S1C4T2 Fl. 6 5 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.679, de 13/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10218.900414/2009 95, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.679): Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência desta Corte Administrativa e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto, dele tomo conhecimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, o que for decidido no presente litígio será aplicado aos demais processos vinculados. Segundo o r. Despacho Decisório proferido nos autos do processo em epigrafe, o crédito que a Recorrente pretende compensar não foi homologado nos seguintes termos: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Tal fundamentação do r. Despacho Decisório não se coaduna com o entendimento do verbete da Súmula 84 do E. CARF/MF que descreve o seguinte: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Esta mesma situação dos autos, já foi analisada nos processos cujas decisões fundamentaram a elaboração do verbete da Súmula CARF/MF 84, conforme pode se verificar nas ementas de alguns dos v. acórdão abaixo colacionadas: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10218.900440/200913 Acórdão n.º 1402003.682 S1C4T2 Fl. 7 6 Rejeitase preliminar de nulidade do Despacho Decisório, quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Desta forma, de acordo com a jurisprudência consolidada deste E. Tribunal acima colacionada, não resta dúvida de que merece reforma o v. acórdão (assim como o r. Despacho Decisório), vez que lícita e viável a postura procedimental da Recorrente. Assim, como em momento algum foi feita a devida analise do direito creditório em discussão, relativamente a alegação de recolhimento a maior/indevido de IRPJ no respectivo período de apuração, entendo que os autos devem retornar a Unidade de Origem, para verificar a existência do crédito objeto dos autos. Diante do exposto, entendo que o r. Despacho Decisório e o v. acórdão recorrido devem ser reformados, eis que a fundamentação de ambas decisões para não homologar a compensação em análise contraria a Súmula 84 deste E. CARF/MF, devendo os autos retornarem para a Unidade de Origem para que se verifique a existência do crédito que a Recorrente pretende compensar. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10218.900440/200913 Acórdão n.º 1402003.682 S1C4T2 Fl. 8 7 provimento parcial ao recurso voluntário com base na súmula CARF nº 84 (Revisada) para afastar a vedação da compensação pretendida pela recorrente e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para nova análise do direito creditório pleiteado pela contribuinte. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 162DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915909/2013-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
INSUMOS. CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR
À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte.
Numero da decisão: 3301-005.771
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 09 /2 01 3- 82 Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10880.915909/201382 Acórdão n.º 3301005.771 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de compensação de contribuição não cumulativa, que não restou integralmente homologada em razão do indeferimento parcial do crédito que originava tal pedido, nos termos da informação fiscal que instrui os autos. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, que: • Preliminarmente, solicitase a reunião dos 54 processos administrativos, decorrentes dos 54 despachos decisórios proferidos, em apenas dois, um relativo ao PIS, e outro à Cofins, em razão dos princípios da economia processual, da razoabilidade e da eficiência, assegurados no art. 37 da Constituição, considerando que a questão controvertida é a mesma em todos os casos; • Ainda em sede preliminar, alegase a impossibilidade de se exigir crédito tributário com base apenas no despacho decisório, o que leva à nulidade da exigência formulada, uma vez que somente poderia ser feita por meio de lançamento, nos termos dos arts. 142 do CTN, 9º do Decreto nº 70.235/72, 38 do Decreto nº 7.574/2011; • A autoridade administrativa não pode cobrar débitos sem que tenham sido constituídos por meio do lançamento. Caso a cobrança seja feita de forma diversa e não prevista em lei, será improcedente, devendo ser cancelada; • Nesse sentido, citase jurisprudência do CARF e do STJ; • Assim, resta evidente a necessidade de se anular o despacho decisório, visto que este não é via competente para se fazer cobrança; • O texto das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não define o conceito de insumo, nem estabelece quais seriam os bens e serviços passíveis de creditamento; • A autoridade fiscal diverge do entendimento firmado pela doutrina e pela jurisprudência administrativa sobre tal conceito, considerando o disposto nas IN nºs 247/2002 e 404/2004, que interpretaram tal conceito de forma restritiva, tomando por base o conceito de insumo estabelecido na legislação do ICMS e do IPI; • No entanto, tal conceito deve ser analisado de forma ampla, contemplando a totalidade dos dispêndios essenciais para o processo produtivo da empresa, do qual resulta seu faturamento, pois as citadas Leis não apresentam qualquer ressalva quanto ao conceito de insumo, seja em relação à natureza dos bens e serviços adquiridos, seja no que se refere à sua aplicação, direta ou indiretamente, no processo produtivo; • Citase doutrina acerca de tal questão; Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10880.915909/201382 Acórdão n.º 3301005.771 S3C3T1 Fl. 4 3 • O conceito de insumo deve estar atrelado a tudo que colabora de forma imprescindível à formação de receita, incorporando todas as despesas que sejam essenciais para a atividade comercial e geração de receitas da sociedade; • Assim, a definição do termo “insumo” nas referidas IN não encontra amparo nas Leis citadas, pois restringe o direito ao desconto de créditos de forma arbitrária e sem fundamento, desvirtuandose do princípio da estrita legalidade previsto no art. 150I da Constituição e no art. 97 do CTN, bem como da própria sistemática não cumulativa do PIS e da Cofins, prevista no art. 195, § 12, da Constituição; • As IN expedidas pela RFB são normas secundárias, cuja finalidade exclusiva é esclarecer as disposições contidas em lei, não lhes cabendo inová las ou contrariálas; • O conceito de “insumo” para fins de PIS e Cofins deve ser assemelhado aos conceitos de “custo de produção” e “despesas necessárias”, previstos nos arts. 290I e 299 do RIR, mais amplos que aqueles contidos nas IN citadas; • Ao contrário do ICMS e do IPI, o PIS e a Cofins não dependem de operações específicas para que ocorra seu fato gerador. Ao contrário, dependem apenas da geração de receita/faturamento; • A requerente entende que não apenas o bem ou serviço consumido por sua aplicação direta ao produto final deve ser considerado insumo, mas também os bens ou serviços indispensáveis ao processo produtivo e à geração de receita; • Citase jurisprudência do CARF e da CSRF; • Especificamente em relação às glosas efetuadas, em razão do ramo de atividade exercido pela requerente, é nítida a essencialidade de gastos com materiais de limpeza utilizados na higienização e sanitização de equipamentos e máquinas, assim como os produtos adquiridos com o fim de dispensar tratamento às águas residuais do processo produtivo e os reagentes químicos adquiridos com o fim de realizar análise da qualidade do leite; • Tais gastos são empregados diretamente no processo produtivo, seja para garantir a não contaminação do leite, seja para permitir sua conservação, caracterizandose como insumos por sua essencialidade; • Além disso, tais despesas não são mera liberalidade da requerente, mas exigidas pelos órgãos governamentais para a industrialização e comercialização do leite, ou seja, são imprescindíveis à atividade da empresa. Nesse sentido, citase a Portaria nº 370/1997 e a IN nº 62/2011, do Ministério da Agricultura, órgão responsável pelo controle da industrialização e pelo comércio do leite, além da Portaria nº 177/1999, da Secretaria de Vigilância Sanitária; • Citase decisão do STJ, relativa à aquisição de materiais de limpeza aplicados ao ambiente produtivo, e jurisprudência do CARF; Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10880.915909/201382 Acórdão n.º 3301005.771 S3C3T1 Fl. 5 4 • Quanto aos materiais de embalagem, a autoridade fiscal incorreu em erro ao efetuar a glosa, uma vez que fazem parte do processo de produção da requerente, tanto a embalagem que envolve o leite, com conteúdo de 1 litro, como também a caixa que acondiciona as doze embalagens e o plástico que as circunda; • Conforme comprovam as fotos da linha de produção da requerente, a máquina responsável pelo acondicionamento do leite inicia a produção inserindo o leite na embalagem de 1 litro e, dentro da mesma máquina, essas embalagens são lacradas e acondicionadas na caixa contendo material mais resistente, voltada para a segurança do produto; • Após, a mesma máquina envolve a caixa com o plástico, para garantir que não haja dano, contaminação ou sujeira nas embalagens durante o transporte; • Assim, a caixa contendo 12 embalagens e o plástico que a envolve não são utilizados pela requerente apenas por opção e conveniência de transporte, mas para segurança do produto. A embalagem individual necessita de uma embalagem de acondicionamento, sob o risco de estourar ou apresentar vazamentos. Logo, tais materiais fazem parte do processo produtivo e integram o produto; • Tal questão já foi objeto de julgamento no STJ e no CARF, conforme decisões transcritas; • Sem a utilização de tais itens seria impossível o transporte e a comercialização do leite, não se tratando de excesso ou de algo desnecessário, não essencial, supérfluo, nem ocasional, mas de embalagem fundamental para a atividade fim da sociedade; • Sobre a glosa das despesas com soro de leite, a requerente esclarece que não tomou crédito sobre tais despesas no período objeto do despacho decisório – 1º tri/2006; • Considerando as alegações trazidas, a empresa requer a realização de diligência, para que, por meio de perícia técnica, seja demonstrada a essencialidade das despesas objeto das glosas, trazendo os quesitos que pretende ver respondidos e indicando seu assistente técnico; • Além disso, a falta de homologação das compensações por parte da autoridade fiscal não pode ensejar a cobrança de multa e juros moratórios, em razão da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários; • Para a exigência de tais acréscimos, é condição necessária que o contribuinte encontrese em atraso com o pagamento de crédito tributário, o que não se verifica no presente caso. A requerente só estaria em mora caso houvesse transcorrido 30 dias, contados da data em que teve ciência da decisão que homologou parcialmente seus pedidos de compensação, conforme ordem de intimação a ela encaminhada; • Tal prazo não transcorreu. Pretender tal exigência antes do referido prazo é ato ilegal. Além disso, a presente manifestação suspende a Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10880.915909/201382 Acórdão n.º 3301005.771 S3C3T1 Fl. 6 5 exigibilidade do crédito. Mesmo depois de findo tal prazo, nenhum valor a título de multa e juros de mora poderá ser exigido enquanto o processo administrativo encontrarse me curso; • A compensação realizada é legal e válida, e implicou quitação do valor compensado, supostamente devido pela requerente. Assim, não há acréscimos a serem cobrados; • Por fim, ainda que algum valor fosse devido a este título, tendo em vista que a requerente, ao proceder à compensação, observou todas as normas e atos administrativos expedidos pela autoridade fiscal, de acordo com o art. 100, parágrafo único, do CTN, deve ser excluída da base de cálculo do tributo “a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário”. O colegiado a quo julgou improcedente esta manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 12080.273 Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual repete os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.757, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.915900/201371, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.757): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de indeferimento parcial de créditos de COFINS e consequente homologação de compensações até o limite do crédito admitido (Despacho Decisório, fl. 90). O Fisco revisou Pedidos de Ressarcimento (PER) e glosou créditos calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite, materiais de embalagem para transporte e soro de leite. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10880.915909/201382 Acórdão n.º 3301005.771 S3C3T1 Fl. 7 6 Antes de adentrar nas preliminares e mérito, consigno que a recorrente pleiteou a reunião de 54 processos administrativos, cujas discussões são idênticas ao presente, quais sejam, legitimidade de créditos de COFINS ou PIS, objetos de, aos quais foram vinculados Pedidos de Compensação (DCOMP). O presente processo será julgado sob a sistemática dos "recursos repetitivos", com reunião para julgamento em conjunto de todos os processos conexos que se encontram no CARF. Passemos então à análise dos argumentos de defesa. PRELIMINAR "Nulidade da exigência fiscal vício formal" Alegou que o Despacho Decisório (fl. 90) é nulo, por conter vício formal, pois não pode ser utilizado para exigir créditos tributários decorrentes da instauração de mandado de procedimento fiscal. Apresenta como fundamento o art. 142 do CTN, o art. 9° do Decreto n° 70.235/72, decisões do CARF (Acórdãos n° 20401.613, de 21.8.2006; 10514.097, de 13.5.2003; e 10704.172, de 15.5.1997) e do STJ (Embargos de Divergência do Recurso Especial nº 576.661/RS). Em sua opinião, assim deveria ter procedido a fiscalização (recurso voluntário, fl. 266): "(. . .) 31. Com efeito, uma vez apresentado o pedido de compensação pelo contribuinte, cabe à D. Autoridade Fiscal analisar a procedência do crédito e, posteriormente, homologar ou não a compensação. Caso não seja homologada, deverá ser realizado de ofício o lançamento do débito apurado, mediante a lavratura de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento, sob pena de nulidade do ato. 32. Sendo assim, resta claro que há necessidade de reforma do V. Acórdão recorrido, com o reconhecimento da nulidade formal da exigência fiscal formulada, uma vez que o r. despacho decisório não é a via competente para se fazer uma cobrança decorrente de Mandado de Procedimento Fiscal, e tal fato contraria expressamente o disposto no artigo 142, caput e parágrafo único do CTN, além dos artigos 9º do Decreto nº 70.235/72 e 38 do Decreto nº 7.574/2011. (. . .)" Divirjo da recorrente. Não houve lançamentos de ofício, porém cobrança de tributos já lançados, que restaram em aberto, em decorrência da não homologação da compensação. Adoto como fundamento, o Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10880.915909/201382 Acórdão n.º 3301005.771 S3C3T1 Fl. 8 7 seguinte trecho da decisão de piso, com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99: "(. . .) DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Ainda em sede preliminar, o contribuinte alega a impossibilidade de se exigir crédito tributário com base no despacho decisório, pretendendo a nulidade da exigência formulada, uma vez que somente poderia ser feita por meio de lançamento, nos termos dos artigos 142 do CTN, 9º do Decreto nº 70.235/72 e 38 do Decreto nº 7.574/2011. O contribuinte informou no PER/DCOMP nº 24770.42497.080808.1.3.11 8497 a compensação do direito creditório ora em análise com débito de IRPJ, relativo ao PA mar/2008. Em conseqüência do reconhecimento parcial do direito pleiteado, restou um saldo não compensado deste débito, no valor original de R$ 41.256,22, objeto de cobrança no próprio despacho decisório. A utilização de direito de crédito para fins de compensação com débitos administrados pela RFB encontrase prevista e disciplinada pela Lei nº 9.430/96, conforme dispositivos abaixo transcritos: 'Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10880.915909/201382 Acórdão n.º 3301005.771 S3C3T1 Fl. 9 8 § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (...)'(Grifouse) Desta forma, não procede a alegação do contribuinte, uma vez que a própria Lei que instituiu a compensação nos moldes em que é realizada atualmente equiparou a Declaração de Compensação a instrumento hábil e suficiente para exigência dos débitos nela declarados, não havendo, portanto, necessidade de se realizar o lançamento para viabilizar a cobrança de tais valores, na hipótese de a compensação não ser homologada, ou ser homologada parcialmente, como ocorreu no presente caso. Na hipótese de não pagamento dos débitos, a Lei prevê, inclusive, sua inscrição em Dívida Ativa da União. Portanto, apresentado o PER/DCOMP pelo contribuinte, os créditos tributários nele confessados e compensados já estão aptos a serem exigidos, na eventual hipótese de não homologação da compensação, ou de sua homologação parcial, independentemente de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal relativo à sua constituição, constituindo se a própria Declaração de Compensação em título de cobrança administrativa e execução judicial, por expressa autorização legal. (. . .)" Com base no acima exposto, nego provimento à preliminar de nulidade. MÉRITO A fiscalização glosou créditos calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10880.915909/201382 Acórdão n.º 3301005.771 S3C3T1 Fl. 10 9 análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Os produtos não se enquadrariam no conceito de insumos, previsto nas IN SRF n° 247/02 e 400/04, que disciplinaram os artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Em sede do REsp n° 1.221.170/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, a cuja decisão este colegiado está vinculado (§ 2° do art. 62 do RICARF), o STJ considerou ilegal o conceito de insumos previsto nas IN SRF 247/02 e 400/04 e dispôs que o enquadramento ou não no conceito de insumos deve levar em conta "(. . .) essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." Reproduzo a ementa da decisão: "EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10880.915909/201382 Acórdão n.º 3301005.771 S3C3T1 Fl. 11 10 lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no julgamento, por maioria, após o realinhamento feito, conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, darlhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, que lavrará o ACÓRDÃO. Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina. O Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (voto vista), Regina Helena Costa e Gurgel de Faria (que se declarou habilitado a votar) votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR" (g.n.) A meu ver, a decisão do STJ está essencialmente em linha com a maior parte das decisões sobre o tema que vêm sendo proferidas pelo CARF e, em particular, com os posicionamentos que este relator tem adotado. Em razão da decisão do STJ, em 18/12/18, a RFB publicou o PN COSIT n° 5/18, em que traz um novo conceito de insumos a ser aplicado no âmbito da RFB e ainda analisa a situação de alguns tipos de bens e serviços à luz do REsp n° 1.221.170/PR. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10880.915909/201382 Acórdão n.º 3301005.771 S3C3T1 Fl. 12 11 Extraio os trechos da conclusão do PN COSIT n° 5/18 que demonstram de forma patente a mudança no conceito antes aplicado pela RFB: "(. . .) b) permitese o creditamento para insumos do processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços, e não apenas insumos do próprio produto ou serviço comercializados pela pessoa jurídica; c) o processo de produção de bens encerrase, em geral, com a finalização das etapas produtivas do bem e o processo de prestação de serviços geralmente se encerra com a finalização da prestação ao cliente, excluindose do conceito de insumos itens utilizados posteriormente à finalização dos referidos processos, salvo exceções justificadas (como ocorre, por exemplo, com os itens que a legislação específica exige aplicação pela pessoa jurídica para que o bem produzido ou o serviço prestado possam ser comercializados, os quais são considerados insumos ainda que aplicados sobre produto acabado); (. . .) e) a subsunção do item ao conceito de insumos independe de contato físico, desgaste ou alteração química do bem insumo em função de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração ou durante a prestação de serviço; (. . .) h) havendo insumos em todo o processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços, permitese a apuração de créditos das contribuições em relação a insumos necessários à produção de um bem insumo utilizado na produção de bem destinado à venda ou na prestação de serviço a terceiros (insumo do insumo); i) não são considerados insumos os itens destinados a viabilizar a atividade da mão de obra empregada pela pessoa jurídica em qualquer de suas áreas, inclusive em seu processo de produção de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, educação, saúde, seguro de vida, etc., ressalvadas as hipóteses em que a utilização do item é especificamente exigida pela legislação para viabilizar a atividade de produção de bens ou de prestação de serviços por parte da mão de obra empregada nessas atividades, como no caso dos equipamentos de proteção individual (EPI); (. . .)" Consignado o conceito de insumos, transcrevo excertos da "Informação Fiscal" (fls. 67 a 84) que instruiu o Despacho Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10880.915909/201382 Acórdão n.º 3301005.771 S3C3T1 Fl. 13 12 Decisório (fl. 90), em que o agente fiscal dispõe sobre os tipos de produtos cujos créditos foram glosados: "(. . .) DOS BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS EM OPERAÇÕES ACESSÓRIAS AO PROCESSO PRODUTIVO (. . .) 51. Tendo em vista que a interessada tem como objeto a produção e venda de derivados de leite e laticínios em geral, os materiais de limpeza utilizados na higienização e sanitização de equipamentos e máquinas são, no âmbito da produção executada pela interessada, insumos indiretos de produção e, como não estão literalmente dispostos na legislação pertinente, não geram direito a crédito, tanto no cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep quanto no da Cofins, nos termos do art. 3º, inciso II, respectivamente das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. 52. O mesmo pode se dizer a respeito dos produtos adquiridos com o fim de dispensar tratamento às águas residuais do processo produtivo e os reagentes químicos adquiridos com o fim de realizar análise da qualidade, que não têm vínculo intrínseco com a produção e são, na verdade, necessários a operações paralelas que dão suporte ao processo produtivo. (. . .) DOS MATERIAIS DE EMBALAGEM (. . .) 62. No caso em tela, como já consignado, o sujeito passivo atua no ramo de laticínios e tem como principal atividade a produção e venda de leite industrializado. 63. Encontramos em suas planilhas descritivas de créditos aquisições de papelão cortado em forma própria, moldados para a montagem de caixotes; e bobinas de filme plástico classificados nos códigos NCM 39.20.10.99, 3920.10, 3920.10.10, 3920.10.90, 3920.10.99, 3921.19, 48.19.10.01, 4819.00, 4819.10, 4819.10.01, 4819.50 e 4823.90.99. 64. Uma parte do filme plástico é utilizada pelo sujeito passivo para envolver o conjunto de caixotes contendo 12 caixas de 1 litro de leite transportados em pallets. Vale dizer que esse plástico sequer chega ao consumidor final, sendo descartado pelos varejistas assim que o Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10880.915909/201382 Acórdão n.º 3301005.771 S3C3T1 Fl. 14 13 produto é integrado ao estoque, enquadrandose, portanto, no conceito de “embalagem para transporte”. 65.Já o papelão moldado e a outra parte do filme plástico são utilizados para a confeccionar e envolver os caixotes para o transporte de 12 caixas de leite do tipo “Tetrapak” contendo 1 litro cada envoltas em filme plástico. 66. Vale lembrar que o leite é vendido ao consumidor no varejo individualmente por cada caixa de 1 litro. Os caixotes de papelão, embora encontrados na venda a varejo, ali estão por liberalidade do vendedor, não sendo praticada a compra do caixote contendo 12 litros de leite e sim a compra individual de 12 caixas de 1 litro de leite, de modo que o caixote é levado por conveniência das partes com o objetivo de facilitar o transporte. 67. Fica claro que os caixotes de papelão e o filme plástico que os envolve enquadramse na definição de “embalagem para transporte” e, assim, não ensejam apuração de créditos das contribuições. 68. Desta forma, o papelão moldado, utilizado na confecção de caixotes, e o filme plástico, utilizados para envolver individualmente ou em conjunto os referidos caixotes para transporte em pallets, foram glosados pela Fiscalização. (. . .)" (g.n.) Meu voto é no sentido de acatar todos os créditos em discussão, quais sejam, os calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Entendo que são elementos essenciais para a conclusão satisfatória do processo produtivo, bem como para garantir que os produtos (alimentícios) sejam oferecidos aos clientes em perfeitas condições. Não se admite que uma empresa do ramo alimentício não empregue os devidos esforços para manter em perfeito estado de limpeza e conservação as máquinas que preparam alimentos para consumo humano. E este rigor deve ser ainda maior, quando se trata de verificar se os produtos estão aptos para o consumo, por meio de testes de qualidade. Em sua defesa, a recorrente menciona a Portaria do Ministério da Agricultura e do Abastecimento n° 370/1997, que exige que o industrial aplique testes para certificarse de que o leite atende aos padrões legais exigidos. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10880.915909/201382 Acórdão n.º 3301005.771 S3C3T1 Fl. 15 14 Com relação às embalagem, conforme descrição contida na "Informação Fiscal", acima transcrita, tratase de filme plástico e caixa de papelão. Consta da peça recursal que se destinam à proteção das caixas "Tetrapak", onde é acondicionado o leite. O processo de produção somente pode ser tido como concluído, após a obtenção do produto final, no formato em que será transportado para o consumo. E todos os elementos que são adicionados ao produto têm sua função, posto que nenhum empresário deseja onerar desnecessariamente o custo de seu produto, em prejuízo de sua margem de lucro ou mesmo que o obrigasse a aumentar o preço, reduzindo sua competitividade no mercado. O filme plástico e a caixa de papelão são imprescindíveis à manutenção da integridade do leite, produto para consumo humano. Passa, sem sombra de dúvida, por qualquer teste que adote o critério de "essencialidade ou relevância" estabelecido pela citada decisão do STJ. E, por fim, não se poderia admitir que bem os resíduos industriais fossem dispensados, sem o devido tratamento, posto que colocariam em risco o meio ambiente, o que ao certo colidiria com a legislação aplicável. Assim, reputo que estão compreendidos no conceito de insumos e podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos de COFINS. Não obstante, cumpre destacar que, exceto quanto os créditos sobre material de embalagem para transporte, os demais foram expressamente citados pelo PN COSIT n° 5/18 como produtos que devem ser tidos como insumos, à luz da decisão do STJ, como segue (trechos do PN COSIT n° 5/18): "(. . .) 53.São exemplos de itens utilizados no processo de produção de bens ou de prestação de serviços pela pessoa jurídica por exigência da legislação que podem ser considerados insumos para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) no caso de indústrias, os testes de qualidade de produtos produzidos exigidos pela legislação4; b) tratamento de efluentes do processo produtivo exigido pela legislação c) no caso de produtores rurais, as vacinas aplicadas em seus rebanhos exigidas pela legislação, etc. (. . .) 98. Como relatado, na presente decisão da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, os Ministros consideraram elegíveis ao conceito de insumos os “materiais de limpeza” descritos pela recorrente como “gastos gerais de fabricação” de produtos alimentícios. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10880.915909/201382 Acórdão n.º 3301005.771 S3C3T1 Fl. 16 15 99. Aliás, também no REsp 1246317 / MG, DJe de 29/06/2015, sob relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, foram considerados insumos geradores de créditos das contribuições em tela “os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios”. 100. Malgrado os julgamentos citados refiramse apenas a pessoas jurídicas dedicadas à industrialização de alimentos (ramo no qual a higiene sobressai em importância), parece bastante razoável entender que os materiais e serviços de limpeza, desinfecção e dedetização de ativos utilizados pela pessoa jurídica na produção de bens ou na prestação de serviços podem ser considerados insumos geradores de créditos das contribuições. 101. Isso porque, à semelhança dos materiais e serviços de manutenção de ativos, tratase de itens destinados a viabilizar o funcionamento ordinário dos ativos produtivos (paralelismo de funções com os combustíveis, que são expressamente considerados insumos pela legislação) e bem assim porque em algumas atividades sua falta implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço disponibilizado, como na produção de alimentos, nos serviços de saúde, etc. (. . .) 150.De outra banda, a análise é mais complexa acerca dos testes de qualidade aplicados sobre produtos que já finalizaram sua montagem industrial ou sua produção (produtos acabados). Conquanto tais testes sejam realizados em momento bastante avançado do processo de produção, é inexorável considerálos essenciais ao este processo, na medida em que sua exclusão priva o processo de atributos de qualidade. 151.Assim, são considerados insumos do processo produtivo os testes de qualidade aplicados anteriormente à comercialização sobre produtos que já finalizaram sua montagem industrial ou sua produção, independentemente de os testes serem amostrais ou populacionais. 152.Por fim, salientase que os testes de qualidade versados nesta seção são aqueles aplicados por escolha da pessoa jurídica, vez que os testes de qualidade aplicados por exigência da legislação estão versados na seção BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS POR IMPOSIÇÃO LEGAL. (. . .)" (g.n.) Por outro lado, apesar de propor que sejam acatados os créditos correlatos, também consigno que a RFB manteve o Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10880.915909/201382 Acórdão n.º 3301005.771 S3C3T1 Fl. 17 16 entendimento de que material de embalagem para transporte não gera créditos: "(. . .) 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente6, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. (. . .)" Isto posto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 360DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13749.000203/2009-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS. AÇÃO TRABALHISTA. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO DE IR PELA FONTE PAGADORA. TRIBUTAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
Não tendo a fonte pagadora efetuado a retenção do IRRF por ocasião do pagamento de verbas decorrentes de ação trabalhista, é dever do contribuinte oferecer tais rendimentos à tributação em sua declaração, segundo a legislação de regência, não sendo pertinente, por óbvio, a compensação de IRRF quando nenhum valor foi retido (comprovadamente) pela fonte pagadora
Numero da decisão: 9202-007.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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AÇÃO TRABALHISTA. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO DE IR PELA FONTE PAGADORA. TRIBUTAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Não tendo a fonte pagadora efetuado a retenção do IRRF por ocasião do pagamento de verbas decorrentes de ação trabalhista, é dever do contribuinte oferecer tais rendimentos à tributação em sua declaração, segundo a legislação de regência, não sendo pertinente, por óbvio, a compensação de IRRF quando nenhum valor foi retido (comprovadamente) pela fonte pagadora Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 00 02 03 /2 00 9- 41 Fl. 136DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2102003.216, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 1ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase Notificação de Lançamento de fls. 37/40, apurandose o crédito tributário no valor total de R$ 63.383,41 (sessenta e três mil, trezentos e oitenta e três reais e quarenta e um centavos), já acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2007, anocalendário2006, correspondente à infração de “Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica”. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 01/02. A DRJ/SDR, às fls. 56/62, julgou pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário na forma originalmente lançado. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 66/67. A 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara de Julgamento da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 82/85, DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, devendo ser cancelado o lançamento, uma vez que o imposto devido é inferior ao montante declarado e pago pelo Recorrente. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 Ementa: IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS EM AÇÃO TRABALHISTA. DEDUÇÕES. Desde que devidamente comprovado o respectivo pagamento, deve ser acolhida a dedução do IRRF retido por ocasião do recebimento de rendimentos decorrentes de ação trabalhista. Às fls. 87/91, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração, os quais restaram rejeitados, às fls. 94/98. Às fls. 100/107, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: 1. Comprovação de retenção de IRRF. O acórdão recorrido entendeu adequado isentar o recorrido de sua responsabilidade tributária, sob o fundamento de que “não pode ser prejudicado por um erro cometido pela fonte Fl. 137DF CARF MF Processo nº 13749.000203/200941 Acórdão n.º 9202007.627 CSRFT2 Fl. 10 3 pagadora (que, seja por falta de informação ou não, deixou de proceder à devida retenção e recolhimento do imposto que a ela incumbia)”. Os paradigmas, diversamente, exige que o contribuinte comprove efetivamente o valor do IRRF retido, o que deve ser feito somente pela apresentação do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora (informe de rendimentos). Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 110/, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: comprovação de retenção de IRRF. Cientificado à fl. 123, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, às fls. 126/127, reiterando os argumentos anteriores. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase Notificação de Lançamento de fls. 37/40, apurandose o crédito tributário no valor total de R$ 63.383,41 (sessenta e três mil, trezentos e oitenta e três reais e quarenta e um centavos), já acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2007, anocalendário2006, correspondente à infração de “Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica”. O Acórdão recorrido deu provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: comprovação de retenção de IRRF. O acórdão recorrido ao analisar o pedido do Contribuinte assim decidiu: Conforme relatado, tratase de processo no qual se discute omissão de rendimentos recebidos no âmbito de ação trabalhista. A apontada omissão foi apurada em razão do confronto entre as informações prestadas em DIRF pela fonte pagadora e as informações prestadas pelo contribuinte. Na DIRF apresentada pelo Banco do Brasil, este informou ter pago ao contribuinte rendimentos de R$ 122.535,73 (em março de 2006), e ainda rendimentos de R$ 7.532,46 (em Fl. 138DF CARF MF 4 agosto de 2006) –este último com dedução de R$ 196,00 e retenção de IRRF de R$ 1.514,85. Com base nas informações extraídas desta DIRF (fls. 45), foi apurada a omissão do montante total de R$ 130.068,19, com o aproveitamento de um IRRF de R$ 1.514,85. A composição destes rendimentos foi a seguinte: Processo nº 13749.000203/200941 Acórdão n.º 2102003.216 S2C1T2 Fl. 82 5 R$ 122.535,73 (sem IRRF relacionado) pagos em março de 2006; e R$ 7.532,46 (com IRRF de R$ 1.514,85) pagos em agosto de 2006. O contribuinte, por seu turno, declarou em sua Declaração de Ajuste Anual do Exercício 2007 que recebera rendimentos sujeitos à tributação exclusiva no montante de R$ 122.535,73. Não declarou os demais rendimentos constantes da DIRF apresentada pelo Banco do Brasil, assim como não aproveitou o respectivo IRRF. Em sua defesa, afirma que o valor a que teria direito em decorrência desta ação judicial seria de R$ 169.014,80, com um IRRF de R$ 46.479,07 (daí ter declarado a diferença de R$ 122.535,73, equivocadamente, como rendimentos sujeitos a tributação exclusiva). A decisão recorrida, a despeito de reconhecer como plausíveis as alegações do contribuinte, deixa de acolher sua pretensão, sob o argumento de que a fonte pagadora não teria feito a retenção em tela por não ter sido devidamente intimada para tanto, e por isso seria incabível a dedução do IRRF pretendida. Tal decisão merece reforma. Da documentação acostada aos autos, resta claro que o montante bruto a que o Recorrente faria jus em 2006 no âmbito da ação trabalhista em questão seria de R$ 169.014,80, com um IRRF de R$ 46.479,07 (fls. 30). A diferença entre tais valores soma os exatos R$ 122.535,73 – valor que o Recorrente equivocadamente declarou como rendimentos sujeitos à tributação exclusiva. A justificativa dada pela decisão recorrida para não acolher este pleito do Recorrente não merece prosperar, eis que o Recorrente não pode ser prejudicado por um erro cometido pela fonte pagadora (que, seja por falta de informação ou não, deixou de proceder à devida retenção e recolhimento do imposto que a ela incumbia). Em suas razões de recurso Especial, o Contribuinte aduziu que o Contribuinte não é obrigado a apresentar provas, bastando que o beneficiário declare que recebeu e o que Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13749.000203/200941 Acórdão n.º 9202007.627 CSRFT2 Fl. 11 5 teve retido na fonte, restando a obrigação a Empresa fonte pagadora, usando como prova o pedido da ação trabalhista. Neste ponto não assiste razão ao Contribuinte, isso por que nos casos de obrigação supletiva esta não exime o devedor originário, devendo este no momento de sua prestação de informações declaração de ajuste anual proceder estes apontamentos. Bastava comprovar com seus contracheques, por exemplo, a ocorrência da retenção. Contudo negarse a proceder qualquer comprovação foge do espírito da norma, deixando, portanto, de se desimcumbir do ônus da prova. Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional para no mérito darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15901.000087/2007-13
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
Para fazer jus às deduções, é necessária a juntada de documentos hábeis mesmo que seja após o momento apropriado, o PAF tem como escopo o aperfeiçoamento do lançamento em sintonia com a busca da verdade real.
DEDUÇÃO. DEPENDENTE. SOGROS.
O sogro ou a sogra só podem ser dependentes se seu filho ou filha estiver declarando em conjunto com o genro ou a nora, e desde que o sogro ou a sogra não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção anual, nem estejam declarando em separado.
Numero da decisão: 2002-000.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: (i) quanto ao dependente, por voto de qualidade, acordam em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil (relator) que lhe deram provimento e votaram pelo restabelecimento da dedução com dependente; (ii) quanto à instrução, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, que lhe negou provimento e (iii) quanto às despesas médicas, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a dedução do valor de R$267,00. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao item (i), a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e redatora designada.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Para fazer jus às deduções, é necessária a juntada de documentos hábeis mesmo que seja após o momento apropriado, o PAF tem como escopo o aperfeiçoamento do lançamento em sintonia com a busca da verdade real. DEDUÇÃO. DEPENDENTE. SOGROS. O sogro ou a sogra só podem ser dependentes se seu filho ou filha estiver declarando em conjunto com o genro ou a nora, e desde que o sogro ou a sogra não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção anual, nem estejam declarando em separado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: (i) quanto ao dependente, por voto de qualidade, acordam em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil (relator) que lhe deram provimento e votaram pelo restabelecimento da dedução com dependente; (ii) quanto à instrução, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, que lhe negou provimento e (iii) quanto às despesas médicas, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a dedução do valor de R$267,00. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao item (i), a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e redatora designada. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Para fazer jus às deduções, é necessária a juntada de documentos hábeis mesmo que seja após o momento apropriado, o PAF tem como escopo o aperfeiçoamento do lançamento em sintonia com a busca da verdade real. DEDUÇÃO. DEPENDENTE. SOGROS. O sogro ou a sogra só podem ser dependentes se seu filho ou filha estiver declarando em conjunto com o genro ou a nora, e desde que o sogro ou a sogra não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção anual, nem estejam declarando em separado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: (i) quanto ao dependente, por voto de qualidade, acordam em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil (relator) que lhe deram provimento e votaram pelo restabelecimento da dedução com dependente; (ii) quanto à instrução, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, que lhe negou provimento e (iii) quanto às despesas médicas, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento parcial, para restabelecer a dedução do valor de R$267,00. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao item (i), a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e redatora designada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 90 1. 00 00 87 /2 00 7- 13 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 15901.000087/200713 Acórdão n.º 2002000.809 S2C0T2 Fl. 113 2 (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 71/72) contra decisão de primeira instância (fls. 55/61), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual 2004 do contribuinte acima identificado, procedeuse ao lançamento de oficio, originário da apuração das infrações abaixo descritas, através da Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, de fls. 35/38. DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO DESCRIÇÃO VALORES EM R$ Total dos rendimentos Tributáveis Declarados 184.050,24 Total das Deduções Declaradas 45.338,86 Glosa de Deduções Indevidas 32.497,61 Base de Cálculo Apurada 171.208,99 Imposto Apurado após Alterações 39.507,47 Total de Imposto Pago Declarado 31.786,30 Imposto a Pagar após Alterações 7.721,17 Imposto a Pagar Declarado 1.282,42 Imposto Suplementar 6.438,75 Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal informa a fiscalização a glosa de RS 5.088,00 correspondente à dedução indevida de Dependentes, a glosa de R$ 23.413,61 correspondente à dedução indevida Fl. 113DF CARF MF Processo nº 15901.000087/200713 Acórdão n.º 2002000.809 S2C0T2 Fl. 114 3 de Despesas Médicas, e a glosa de R$ 3.996,00 de dedução indevida de Despesas com Instrução. DA IMPUGNAÇÃO Devidamente intimado das alterações processadas em sua declaração, o contribuinte apresentou impugnação, através do instrumento, de fls. 01/02, e dos documentos acostados às fls. 07/34, alegando, em síntese, que sempre primou por honestidade e sempre foi zeloso com seus deveres e obrigações e não agiu de forma alguma diferente quando do fazimento de sua Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física, referente ao exercício 2003; Anexa cópias dos documentos comprobatórios das deduções informadas, afirmando que Josefa Pereira de Oliveira é sua sogra e possui doença de Alzheimer, estando internada na Clínica Recanto da Vovó, localizada no município de Vera Cruz, sendo seu tratamento custeado pelo Impugnante. Requer, ante o exposto, seja o lançamento julgado improcedente. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: IRPF. DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. Deve ser restabelecida a dedução glosada quando comprovada a relação de dependência. GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS E DE INSTRUÇÃO. Para comprovar as despesas glosadas, os documentos apresentados devem corresponder ao anocalendário fiscalizado. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e juntando novos documentos. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 15901.000087/200713 Acórdão n.º 2002000.809 S2C0T2 Fl. 115 4 Voto Vencido Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 22/07/2009 (fl. 64); Recurso Voluntário protocolado em 21/08/2009 (fl. 71), assinado pelo próprio contribuinte. Responde o contribuinte nestes autos, pelas seguintes infrações: a) Dedução Indevida de Despesas com Instrução; b) Dedução Indevida de Despesas Médicas; c) Dedução Indevida de dependente. Relata o Sr. AFRF, que todas as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas à comprovação ou justificação. Que regularmente intimado o contribuinte não atendeu a Intimação, sendo glosadas as deduções com instrução e despesas médicas, bem como de dependente. A r. decisão revisanda, houve por bem manter glosa no valor de R$ 6.438,75. Irresignado o contribuinte manejou recurso próprio, atacando o mérito, juntando documentos. Alega o recorrente que por lapso, juntou documentos de comprovação de despesas do exercício 2002, que somente quando da decisão percebeu o equívoco. Pois bem, é com a impugnação que se deve juntar os documentos que o contribuinte ache necessário à sua defesa. Este relator entende que o Processo Administrativo Fiscal (PAF) tem como principal escopo o aperfeiçoamento do lançamento, invocando o princípio da busca da verdade real, neste sentido admito a documentação apresentada. Da dedução com dependentes Diz a r. decisão, que “os documentos juntados aos autos comprovam a relação de dependência de Mariana de Oliveira Silva e Guilherme de Oliveira Silva, filhos do contribuinte, menores de 21 anos e de Alice de Oliveira Silva, esposa do Impugnante. Em relação a esta, a consulta aos sistemas informatizados da RFB não retomou nenhuma informação impeditiva de sua condição de dependente”. Entende este relator, que como bem explicitado no “Voto vencido”, que é cabível a dedução de sogra como dependente, por força da sociedade conjugal. (REFORMO) Da dedução de Despesas com Instrução Fl. 115DF CARF MF Processo nº 15901.000087/200713 Acórdão n.º 2002000.809 S2C0T2 Fl. 116 5 Diz a r. decisão revisanda, “Da análise destes recibos, verificase que se referem ao anocalendário 2002, não fazendo prova das despesas com instrução glosadas na Notificação de Lançamento”. Ocorre que em sede de recurso, o recorrente junta os respectivos recibos (fls. 74/88) do ano calendário em análise, comprovando a despesa com instrução dos dependentes Mariana e Guilherme. (REFORMO) Das deduções de Despesas Médicas Inicialmente é necessário destacar que o contribuinte pode deduzir as suas despesas médicas e com seus dependentes que constam da DAA (fl.48), quais sejam: Mariana de Oliveira Silva, Guilherme de Oliveira Silva, Josefa Pereira de Oliveira e Alice de Oliveira Silva. Outro ponto que merece destaque diz respeito às informações contidas nos recibos, que devem conter não somente o nome de quem pagou a despesa, mas essencialmente o nome do paciente que recebeu o atendimento, sob pena de não ser reconhecida. Assim, temos os seguintes recibos: _ fl.90/96 – Odontologia Santa Mariana – R$ 1.625,00 (sem identificação do paciente) _ fl. 98/100 – Protomed – R$ 593,00 (sem identificação do paciente) _ fl. 101 – Dr. José Augusto Sgarbi – R$ 140,00 (sem identificação do paciente) _fl. 101 – Instituto de Patologia Clínica e Hematologia de Marília – R$ 267,00 (Paciente: Alice de Oliveira Silva). _ fl. 101 – Dr. Paulo Roberto Haber Garcia – Cirurgia Plástica – R$ 4.300,00 (Paciente: Roseli Alves Teixeira) _ fl. 102 – Maria Aparecida Fenólio (sem identificação da especialidade médica da prestadora) – R$ 500,00 (Paciente: Roseli Alves Teixeira) _ fl. 103 – Dr. José Wilson Kleinschmitt – R$ 7.667,00 (sem identificação do paciente) _ fl. 104 – Hospital Universitário – R$ 699,47 (Paciente: Roseli Alves Teixeira) _ fl. 105 – Santa Casa de Marília – R$ 800,00 (Paciente: Sueli da Silva) _ fl. 106 – Santa Casa de Marília – RS 838,24 (Paciente: Fortunata Caetano da Silva) _ fl. 107 – Silimed (Prótese de Silicone) – R$ 1.900,00 _ fl. 108 – Recanto Vale Verde Ltda – R$ 2.483,90 (sem identificação do paciente) Fl. 116DF CARF MF Processo nº 15901.000087/200713 Acórdão n.º 2002000.809 S2C0T2 Fl. 117 6 _ fl. 109 – Nelyjane Rocha (fisioterapeuta) R$ 1.600,00 (sem identificação do paciente). É aceito apenas a despesa com Instituto de Patologia Clínica e Hematologia de Marília – R$ 260,00 (Paciente: Alice de Oliveira Silva), os demais ou não contém o paciente tratado ou dizem respeito à pessoas que não estão no rol de dependentes do contribuinte, não sendo possível, também, a dedução com prótese de silicone para as mamas. (PROVEJO PARCIALMENTE). Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento parcial, para cancelar a glosa por dedução com dependente, com despesas de instrução e com despesas médicas no valor de R$ 267,00. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 117DF CARF MF Processo nº 15901.000087/200713 Acórdão n.º 2002000.809 S2C0T2 Fl. 118 7 Voto Vencedor Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora designada. Divirjo do i. relator quanto ao restabelecimento da sogra do recorrente como sua dependente. A Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, em seu art. 35 especificamente dispõe as hipóteses de dependência, entre as quais não se encontram parentes por afinidade (sogros). Inexistindo declaração em conjunto, os sogros não podem ser qualificados como dependentes do contribuinte, por ausência de permissivo legal. A apresentação da declaração de rendas em conjunto (artigo 8º do RIR/1999) é condição necessária para que possa contemplar a dedução dos sogros como dependentes. A relação de dependência na verdade, segundo o art. 35, VI, da Lei nº 9.250/1995, não trata de “sogro ou sogra do titular” mas de “pai e mãe do cônjuge que está declarando em conjunto com o titular” e que, portanto, tem direito à dedução de seus próprios genitores. Ou seja, o sogro ou a sogra podem ser dependentes, desde que seu filho ou filha esteja declarando em conjunto com o genro ou a nora, e desde que o sogro ou a sogra não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção anual, nem estejam declarando em separado. O fato de o filho ou filha ser informado na declaração do cônjuge como dependente não permite, por si só, que seus pais possam ser considerados dependentes também do cônjuge declarante. Para que os sogros possam ser considerados dependentes na declaração do genro ou nora, seu filho ou filha tem que ter auferido rendimentos acima do limite de isenção no anocalendário e declarar estes rendimentos em conjunto com seu cônjuge. Como no caso em questão a mulher do impugnante não apresentou declaração em conjunto com ele (não foram oferecidos rendimentos da mulher à tributação, conforme constatase à fl.46), não há como a sogra ser também sua dependente. Portanto, no tocante à dedução com dependente, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 118DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002348/2006-63
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002
OMISSÃO DE RECEITAS COM BASE NA FALTA DE ESCRITURAÇÃO
DE COMPRAS. 0 indício necessário para presunção de omissão de receitas
a partir de pagamentos não contabilizados é também demonstrado por
informações de vários fornecedores que reúnem características suficientes
para constituí-las como provas testemunhais.
FORMA DE APURAÇÃO DO LUCRO. OMISSÃO DE PARTE
SUBSTANCIAL DAS RECEITAS TRIBUTÁVEIS. EVIDÊNCIA
INSUFICIENTE PARA DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA
CONTÁBIL/FISCAL. Não justifica o arbitramento dos lucros o fato de as
receitas omitidas representarem praticamente o mesmo montante das receitas
declaradas.
DETERMINAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL. APROVEITAMENTO DE
CUSTOS. As compras omitidas não representam, por si só, custo dedutivel
na apuração do lucro tributável.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL. Tratando-se de tributação reflexa, o
decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado as exigências
fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de
terem suporte fatico comum.
PIS/COFINS. MATÉRIA OBJETO DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
ADESÃO A REGIME ESPECIAL DE PARCELAMENTO . RENÚNCIA
E/OU DESISTÊNCIA DO DIREITO DE RECORRER. CONFIGURAÇÃO.
Implica renúncia ao direito de recorrer e/ou desistência do recurso acaso
interposto, dentre outras circunstancias, a inclusão do crédito tributário
altercado em regime especial de parcelamento , consubstanciando verdadeira
preclusdo lógica ao exercício da faculdade recursal.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA.
O lançamento da multa de oficio no valor de 75% do principal e, ainda, a
incidência de juros de mora, calculados com base na taxa SELIC, estão em
conformidade com as regras vigentes. Aplicação da Súmula n° 4 do CARF.
Numero da decisão: 1101-000.831
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros da Primeira
Turma Ordinária da Primeira Camara da Primeira Seção de Julgamento, em: 1) relativamente a validade da prova do indicio da presunção de omissão de receitas, por maioria de votos, negar
provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior (Relator), acompanhado pelo Conselheiro José Ricardo da Silva; 2) relativamente A. necessidade de arbitramento dos lucros, por maioria de votos, negar provimento ao recurso
voluntário, vencido o Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior (Relator); e 3) relativamente à determinação do lucro tributável, negar provimento ao recurso voluntário, vencido o
Benedicto Celso Benicio Júnior (Relator), acompanhado pelo Conselheiro José Ricardo da
Silva e, nas conclusões, pelo Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. Designada
para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR
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FAZENISAACIONAL Fl. 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 OMISSÃO DE RECEITAS COM BASE NA FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE COMPRAS. 0 indício necessário para presunção de omissão de receitas a partir de pagamentos não contabilizados é também demonstrado por informações de vários fornecedores que reúnem características suficientes para constituí-las como provas testemunhais. FORMA DE APURAÇÃO DO LUCRO. OMISSÃO DE PARTE SUBSTANCIAL DAS RECEITAS TRIBUTÁVEIS. EVIDÊNCIA INSUFICIENTE PARA DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA CONTÁBIL/FISCAL. Não justifica o arbitramento dos lucros o fato de as receitas omitidas representarem praticamente o mesmo montante das receitas declaradas. DETERMINAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL. APROVEITAMENTO DE CUSTOS. As compras omitidas não representam, por si só, custo dedutivel na apuração do lucro tributável. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL. Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado as exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fatico comum. PIS/COFINS. MATÉRIA OBJETO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. ADESÃO A REGIME ESPECIAL DE PARCELAMENTO . RENÚNCIA E/OU DESISTÊNCIA DO DIREITO DE RECORRER. CONFIGURAÇÃO. Implica renúncia ao direito de recorrer e/ou desistência do recurso acaso interposto, dentre outras circunstancias, a inclusão do crédito tributário altercado em regime especial de parcelamento , consubstanciando verdadeira preclusdo lógica ao exercício da faculdade recursal. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. (f6() nezes — Presidente. Valmar Fon 1 ereira Bessa — Redatora designada. Processo n° 19515.002348/2006-63 SI-Cl Ti Acórddo n.° 1101-000.831 11. 3 O lançamento da multa de oficio no valor de 75% do principal e, ainda, a incidência de juros de mora, calculados com base na taxa SELIC, estão em conformidade com as regras vigentes. Aplicação da Súmula n° 4 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Camara da Primeira Seção de Julgamento, em: 1) relativamente a. validade da prova do indicio da presunção de omissão de receitas, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior (Relator), acompanhado pelo Conselheiro José Ricardo da Silva; 2) relativamente A. necessidade de arbitramento dos lucros, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior (Relator); e 3) relativamente à determinação do lucro tributável, negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Benedicto Celso Benicio Júnior (Relator), acompanhado pelo Conselheiro José Ricardo da Silva e, nas conclusões, pelo Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Benedicto Cel so icio hnior — Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benicio Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Relatório Trata-se de Auto de Infração que exige o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica —IRPJ (fls 507/509), no valor de R$ 6.216.574,56, cumulado com multa de oficio, no percentual de 75%, e juros de mora pertinentes calculados até 30/11/2006. Em decorrência desse procedimento principal, foram também formalizados os seguintes lançamentos reflexos, a saber: - Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 514/516), no valor de R$ 164.257,06, cumulada com multa de oficio, no percentual de 75%, e juros de mora pertinentes, calculados até 30/11/2006.E Processo n° 19515.002348/2006-63 SI-C ITI Acórdão n.° 1101-000.831 Fl. 4 - Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - Cofins (fls. 521/523), no valor de R$ 758.110,54, cumulada com multa de oficio, no percentual de 75%, e juros de mora pertinentes, calculados até 30/11/2006. - Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL (fls.. 528/530), no valor de R$ 2.263.391,21, cumulada com multa de oficio, no percentual de 75%, e juros de mora pertinentes, calculados até 30/11/2006. Lançamento do IRPJ e Reflexos. Descrição dos Fatos. Na descrição dos fatos, a Fiscalização fez as anotações abaixo transcritas: "001— OMISSÃO DE RECEITAS • OMISSÃO DE RECEITAS / PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS CONTABILIDADE Omissão de Receitas caracterizada pelo pagamento de compras não contabilizadas com recursos também não contabilizados, para os quais o contribuinte devidamente intimado não justificou a origem desses recursos, conforme planilhas Anexo I a Anexo XIII, ano-calendário 2001 e janeiro/2002 e Termo de Verificação Fiscal anexos ". Do Termo de Verificação Fiscal — TVF (fls. 4981500). Eis os principais pontos abordados pela Fiscalização. "7. Foram intimados todos os fornecedores para que informassem as vendas realizadas no ano-calendário de' 2001 para a empresa fiscalizada (matriz e filial 08 — Campinas), aviso de recebiniento — AR anexos. (...) 14. Solicitamos aos fornecedores do contribuinte que enviassem planilhas das vendas impressas e devidamente assinadas pelos representantes legais para a instrução processual. 15. Toda a documentação enviada pelos fornecedores está anexada ao processo administrativo fiscal. 16. Realizamos o confronto entre a escrituração fiscal do contribuinte, Livros Registro de Entradas n° 15 (matriz) e n° 09 (filial) coin as informações prestadas pelos fornecedores, as informações constantes no dossiê e nas DIPJ 2002 e 2003, respectivas ND 0866845 e 1079320. 17. Os resultados estão consignados nas planilhas denominadas de Anexo I a Anexo XIII As informações das vendas efetuadas para o contribuinte estão discriminadas separadamente para a matriz e para a filial e também por cada estabelecimento dos fornecedores. 18. Constam das planilhas a identificação do documento fiscal emitido pelo fornecedor, sua data, o valor, a data de pagamento ( Processo n° 19515.002348/2006-63 S I-CI Ti Acórdão n.° 1101-000.831 1:1.5 pelo contribuinte e o campo 'P." onde está relacionada a folha em que está escriturado o respectivo documento. A falta de indicação da folha representa que não foi encontrada a escrituração do documento fiscal no respectivo livro Registro de Entradas. 19. Essas planilhas foram entregues ao contribuinte juntamente coin o Termo de Intimação Fiscal, de 25/10/2006, no qual foi dado o prazo de 05 (cinco) dias úteis para que justificasse a falta de escrituração (campo 'fls." dos anexos em branco) das notas fiscais de compras de mercadorias constantes das relações nos livros Registro de Entradas n° 15 (matriz) e n° 09 (filial), ( ). 20. 0 contribuinte também foi intimado a comprovar mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados para o pagamento das compras não escrituradas relacionadas nos Anexo 1 a Anexo XIII. 21. Também estão anexadas ao processo cópias das folhas dos Registros de Inventário e Registro de Entradas n° 15 (matriz) e n° 09 (filial 08) do ano-calendário de 2001, certificando que essas compras não foram registradas e não compõem o estoque da empresa em 31/12/2001. 22. Elaboramos a Planilha Consolidada Mensal das Omissões de Compras apuradas por fornecedor e pela data do efetivo pagamento no ano-calendário de 2001 e janeiro de 2002. Essa planilha contém os valores totais mensais das omissões de compras extraídos dos Anexos la Anexo XIII. 24. Esgotado o prazo regulamentar sem manifestação por parte do contribuinte e não tendo sido justificada a origem dos recursos utilizados para o pagamento das compras não escrituradas/registradas/contabilizadas, procedemos ao lançamento de oficio do crédito tributário apurado relativo a omissão de receitas / pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade." Da Impugnação. Tendo sido cientificado, em 13/12/2006, o sujeito passivo contestou o lançamento, em 12/01/2007, mediante o instrumento de fls. 534/550. Em suas razões de defesa salientou os seguintes argumentos: A) PRELIMINAR - Da Ausência de Fundamento Fitico-Legal. Os lançamentos efetuados em relação às compras escrituradas devem ser invalidados, posto que pautados apenas na suposta falta de comprovação da origem dos recursos para tais aquisições. Justificou essa interpretação em três razões: - 0 prazo de cinco dias outorgado para a, apresentação dos documentos não permitiu uma análise pormenorizada de toda documentação contábil, inviabilizando que a Impugnante atendesse todas as exigências. Processo n° 19515.002348/2006-63 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.831 11 6 - Se as compras estão escrituradas e a contabilidade da empresa apresenta equação entre o ativo e as contas de passivo e patrimônio liquido, bastando que a fiscalização aprofundasse uma análise dos instrumentos contábeis da empresa para verificar a origem dos recursos. - A presunção de omissão de receita somente é possível nos casos em que haja falta de escrituração de pagamentos efetuados. Se os recursos estavam devidamente escriturados, não há que se falar em omissão de receita, não se aplicando, portanto, a presunção legal. Desta forma, é necessário determinar, de pronto, a exclusão da base de cálculo dos tributos apurados de todos os valores relativos As receitas escrituradas. B) DA NULIDADE DA AUTUAÇÃO - Informações Prestadas por Terceiros. Apesar de a autuação ter como fundamento atico a não escrituração de notas fiscais de entrada de mercadorias, caracterizando em tese situação autorizativa à aplicação de presunção legal de omissão de receitas, em momento algum, a autoridade fiscal logrou êxito em comprovar documentalmente a alegada omissão, apenas apontando indícios decorrentes de informação prestada por terceiros e consolidada nas planilhas anexas ao Termo de Intimação Fiscal de 25/10/2006. Não ha nos autos qualquer nota fiscal de venda que não esteja devidamente escriturada e, muito menos, comprovantes de entrega que qualquer mercadorias não contabilizada. Preferiu o Sr. Auditor Fiscal utilizar-se de mera relação elaborada por terceiros, sem qualquer participação da Impugnante. Esse simples vicio já é suficiente para anular a autuação. Cita para corroborar tal entendimento jurisprudência administrativa. Além de viciar a autuação, a ausência de tais documentos inviabiliza a defesa da contribuinte, pois teria que analisar dentre milhares de documentos se existe algum que realmente não foi escriturado. Sem a juntada de documentos, não é possível sequer ter certeza se as operações de aquisição realmente ocorreram, se foram canceladas, se as mercadorias foram devolvidas. Pior, caso as operações não tenham ocorrido, é impossível produzir-se prova negativa. Demonstrou que uma das operações apontadas na autuação, representada pela nota fiscal n° 12201 emitida pela empresa GIPSITA S/A MINERAÇA0 INDUSTRIA E COMÉRCIO, em 26/12/2001, realmente ocorreu e diferente do alegado pela fiscalização encontrava-se devidamente escriturada As fls 2 de seu Livro Registro de Entradas. Alegou ser provável que as notas não escrituradas sejam relativas a vendas efetuadas diretamente aos seus clientes e que tenham sido informadas (ou até mesmo, emitidas) por equivoco pelos fornecedores, tendo em vista o fato de também exercer atividades por conta e ordem de terceiros. Nesse caso, além das notas fiscais, seria imprescindível que a fiscalização buscasse junto aos fornecedores os recibos de entrega das mercadorias, o que não ocorreu. C) AUTUAÇÕES RELATIVAS A IRPJ E CSLL 5 Processo n° 19515.002348/2006-63 S I-C I TI Acórdão n.° 1101-000.831 H. 7 C.1) Da Impossibilidade de Utilização de Base de Cálculo Diversa da Constitucionalmente Definida. Citou que a base de cálculo do IR é o valor correspondente A renda e proventos de qualquer natureza e a da CSLL, o valor do lucro. Entretanto, o lançamento utilizou a receita bruta como base de cálculo dos tributos. O fato de ter-se apurado a existência de vendas não contabilizadas como entradas e da legislação infraconstitucional autorizar a presunção de omissão de receitas quando verificada tal conduta, ainda que tivessem ocorrido, não permite que se tribute a totalidade das receitas supostamente omitidas, sem antes efetuar diligências a fim de confirmar a ocorrência do fato gerador. Afirmou que o Fisco interpretou de forma equivocada os dispositivos legais em que se fundamenta a autuação, já que A. luz do art. 249, II, do RIR/1999, deveria incluir no lucro liquido o resultado das operações envolvendo as mercadorias não escrituradas. 0 resultado deve ser entendido como a subtração dessas receitas supostamente omitidas por todos os custos e despesas incorridos no período. Ainda que não se anule a autuação, no caso em tela, a partir dos elementos levantados pelo Fisco, o cálculo dos rendimentos auferidos pela Impugnante teria como resultado ZERO, pois as receitas supostamente omitidas correspondem exatamente ao custo dos produtos adquiridos. C.2 ) O Lucro Bruto nas Operações Afirmou que margem de lucro praticada pelo mercado de distribuidores de cimento, do qual faz parte a contribuinte, é muito baixa e este fato deve ser levado em consideração no cálculo da base de cálculo dos tributos em comento. Para comprovar o alegado, traz uma amostragem das notas fiscais de entrada e de saída no período, demonstrando que o seu ganho bruto é extremamente baixo (aproximadamente 14%). Alega que tem margem bruta de 20% definida pelo RICMS, a qual considera apenas os custos do fabricante. Para se apurar a efetiva base de cálculo dos tributos é necessário que se compute, ainda, todos os demais custos e despesas incorridos de forma proporcional. C.3) Do Arbitramento Ponderou que a falta de escrituração de algumas entradas, se entendida como obstáculo para se verificar o lucro real da empresa, possibilitaria, na pior hipóteses, o arbitramento do lucro relativamente As receitas omitidas. Portanto, caso se entenda possível o lançamento do imposto e da contribuição social, ainda que as receitas não tenham sido, em momento algum, comprovadas pela fiscalização, e não se determine a apuração do lucro realmente obtido, é necessário que tais tributos incidam, em relação a tais receitas, apenas sobre a base de cálculo arbitrada de 9,6%, segundo o disposto no art. 532, do RIR 1 1999. D) AUTUAÇÕES RELATIVAS A PIS E COFINS 6 Processo n° 19515.002348/2006-63 SI-Cl TI Acórdão n.° 1101-000.831 Reiterou que não consta nos autos qualquer prova relativa á. percepção de receitas não contabilizadas, mas apenas informações prestadas por fornecedores da Impugnante relativas A. compras supostamente não escrituradas. Alan disso, enaltece que as receitas apontadas pela Fiscalização, se foram omitidas, não são receitas da contribuinte, mas sim dos seus fornecedores. Embora possam ate transitar pelas contas da Impugnante, os recursos que eventualmente tenham sido utilizados para aquisição desses materiais, não são próprios, mas sim de terceiros. Prova disso é que sequer estão contabilizados. Basta verificar o contrato social da Impugnante para constatar que entre as atividades por ela desenvolvida está a de representação comercial por conta e ordem de terceiros. E provável, por isso, que tais mercadorias tenham sido realmente vendidas e entregues para outras empresas, mas relacionadas por lapso pelos fornecedores. E) DA MULTA ABUSIVA Discordou da aplicação da multa de 75% (setenta e cinco por cento) cobrada, não somente por ser excessiva, como totalmente incompatível com a realidade da atual economia, merecendo ser excluída do suposto débito imputado, ou no mínimo, reduzida. F) DA INCONSTITUCIONALIDADE DA TAXA SELIC Discorreu acerca da inconstitucionalidade ou ilegalidade da cobrança de juros de morada calculados pela Taxa Se lic. Concluiu a impugnação com os seguintes pedidos: (i) em qualquer hipótese, a exclusão de todos os valores escriturados da presente autuação, tendo em vista não caracterizarem omissão de receitas,. (ii) preliminarmente, tendo em vista a falta de documentação que respalda a presente autuação e ainda a obediência ao principio da verdade material, que os autos de infração em apreço selam declarados nulos de pleno direito, devendo ser cancelados imediatamente, assim como deve ser cancelado todo o mandado de procedimento fiscal; (iii) subsidiariamente, caso a preliminar ventilada acima não sela acatada, o que se admite por mera hipótese, sela reconhecida a total improcedência da autuação; (iv) requer seja determinado o cálculo dos tributos ora exigidos coin base na margem de lucro definida através do RICMS ou, na pior das hipóteses , em 9,6% da Receita Bruta em decorrência do arbitramento. Da Decisão Proferida Pela DRJ — Belo Horizonte. Ao analisar a impugnação apresentada, a DRJ-Belo Horizonte a julgou parcialmente procedente, sendo a acórdão proferido representado pela seguinte ementa: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL 7 Processo n° 19515.002348/2006-63 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.831 Fl. 9 Ano-calendário: 2001, 2002 Preliminar de nulidade. Rejeita-se a preliminar de nulidade invocada pela defesa, quando não houve cerceamento do direito de defesa do autuado, tendo sido obedecidos na consecução do lançamento todos os requisitos legais inerentes a tal atividade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Ano-calendário: 2001 Falta de escrituração de pagamentos Caracteriza omissão de receitas, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, "a falta de escrituração de pagamentos efetuados". Essa presunção legal relativa, como todas, tem um efeito próprio: ela inverte o 'Onus da prova, deixando o sob responsabilidade exclusiva do contribuinte autuado. Apresentada prova em contrário, o lançamento deve ser alterado nessa mesma medida. Multa de oficio. Por expressa determinação legal, é exigível, nos caso de lançamentos de oficio, a multa de 75% (setenta e cinco por cento), sobre as diferenças' apuradas de impostos e contribui cães. Juros de Mora - TAXA SELIC legítima a exigência de juros de mora tendo por base percentual equivalente ã taxa Selic para títulos federais, acumulada mensalmente. Tributação reflexa. Por decorrência, 6 mesmo procedimento, adotado em relação ao lançamento principal estende-se aos reflexos. Lançamento Procedente em Parte" Apenas, esclarecendo, o lançamento foi julgado procedente em parte, pois foi exonerada a parcela relativa ao rendimento/receita decorrente da nota fiscal no 12201 emitida pela empresa GIPSITA S/A MINERAÇA0 INDÚSTRIA E COMÉRCIO, em 26/12/2001, cuja comprovação da escrituração foi feita pela contribuinte em sede de impugnação. Inconformada com a decisão proferida, a contribuinte protocolizou recurso voluntário, que basicamente reiterou os argumentos da impugnação, apenas dando mais ênfase ao fato de que seria imprescindível que, diante dos indícios de irregularidades decorrentes dos documentos fornecidos por terceiros, a fiscalização promovesse diligência ao estabelecimento da Recorrente a fim de apurar a existência de provas que confirmasse o indicio em questão, pontificando que somente na hipótese de tal diligência promovida comprovar a realização dos supostos pagamentos não escriturados é que poder-se-ia presumir a omissão de receitas. Processo n° 19515.002348/2006-63 SI-CITI Acórdão n° 1101-000.831 Fl. 10 Em 30/12/2009, protocolizou petição, informando a desistência do recurso apresentado, quanto aos lançamentos reflexos de PIS/COFINS, bem como a renuncia das respectivas alegações de direito, em razão da adesão aos beneficios da Lei n° 11.941/09. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Benedict° Celso Benicio Júnior, Relator 0 recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. Preliminarmente, destaco que como houve desistência expressa da Recorrente quanto a suas alegações para os lançamentos de PIS/COFINS, por conta de adesão aos beneficios da Lei n° 11.941/09, tendo inclusive juntado documentos de arrecadação destas exações, centralizarei minhas razões de julgamento somente aos demais pontos de defesa objeto do presente recurso voluntário. Quanto aos lançamentos de IRPJ e CSLL, entendo que existem três questões a serem apreciadas no presente lançamento. A) DO FATO INDICIÁRIO CONSIDERADO PELA AUTORIDADE FISCAL PARA A APLICAÇÃO DA PRESUNÇÃO LEGAL PREVISTA NO ART.40 DA LEI N° 9.430/96 (ART. 281, I, DO REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA). A primeira questão é claramente localizada no campo das presunções e sua comprovação, razão pela qual peço espaço para um pequeno aparte sobre o tema, antes de adentrar ao julgamento do caso concreto. Conceitualmente de duas uma. Ou, a presunção é simples devendo ser referendada por prova cabal da ocorrência do fato gerador do tributo, ou a presunção é legal e necessita apenas da caracterização do elemento fático para que se conclua, na forma da lei, determinada conseqüência. No caso da presunção simples, não se nega que prova indicidria é admitida no Direito Tributário. 0 que o Fisco não pode fazer é autuar unicamente com base em um indicio isolado. A presunção simples, na qualidade de prova indireta, é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes, o que é muito diferente de uma autuação lastreada apenas no primeiro elemento colhido pelo Fisco. Se os fatos relatados pelo fisco forem convergentes, vale dizer, se todos levarem ao mesmo ponto, a prova relativa a presunção simples estará feita. Quanto a caracterização das presunções simples, já decidiu a Camara Superior desta casa no tocante à falta de escrituração de pagamentos, antes do advento da presunção legal constante do art.40 da Lei n° 9.430/96: Acórdão n.° CSRF/01-05.132 9 Processo n° 19515.002348/2006-63 Acórdão n.° 1101-000.831 SI-CI TI 11. 11 OMISSÃO DE RECEITAS - PRESUNÇÕES SIMPLES - A falta de contabilização de pagamentos comprovadamente realizados através de procedimento de circularização, constitui omissão de receita. PAF - PROVA INDICIARIA - A prova incliciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes. O que não se aceita no Processo Administrativo Fiscal é a autuação sustentada em indicio isolado, o que não é o caso desses autos que está apoiado num encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes que levaram ao convencimento do julgador. Recurso especial negado. Já as presunções legais, têm o escopo de em determinadas situações especificas inverter o ônus da prova. Para sua caracterização, é atribuição do fisco fazer a prova do fato indicidrio (ex: pagamento efetuado e não escriturado) para alcançar o fato presumido (omissão de receitas). A partir do devido estabelecimento dessa relação de causa e efeito, cabe ao contribuinte desfazer tal presunção, o que pode ser feito ao longo do processo administrativo, pois o lançamento somente se considera definitivo depois da última decisão nesta esfera. Neste espectro, o legislador é livre em estabelecer determinados fatos que se ocorridos indicam a ocorrência de outro fato. A falta escrituração de pagamento, por exemplo, foi eleita pelo legislador presuntivamente como bastante para indicar a percepção de renda, pela utilização de recursos à margem da contabilidade não cabendo ao julgador administrativo afastá-la, ate mesmo porque como já dito tal fato admite prova em contrário. A presunção furls tantum de omissão de receitas sejam com base em passivo não comprovado, passivo fictício, omissão de compras, custo de obras contabilizado a menor deriva de indícios obtidos na escrituração contábil ou de elementos de prova concretos, em consonância com os fatos indicidrios eleitos pelo legislador ordinário. Em suma, a diferença entre as presunções simples e as presunções legais consiste exatamente no aprofundamento da fiscalização com a circularização e o carreamento de provas aos autos que confirmem a acusação de omissão. No presente caso, não há dúvida de que estamos tratando da aplicação de presunção legal, já que desde 1997 a legislação ordinária no art. 40 da Lei n° 9.430/96, regulamentado pelo art. 281, II, do RIR199, estabelece que se o contribuinte deixar de escriturar pagamentos efetuados, tal ato caracteriza presumidamente omissão de receitas, admitindo-se, obviamente, prova em contrário: "Art. 40. A falta de escrituravao de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, (.), caracterizam, também, omissão de receita." Esta presunção legal parte do pressuposto de que recursos marginais, frutos de uma anterior omissão de receitas, foram utilizados para os pagamentos não registrados. verdade ainda, que a omissão de compras representa também uma omissão de custos. 10 Processo n° 19515.002348/2006-63 SI-C I Ti AcOrcldo n.° 1101-000.831 Fl. 12 Todavia, como exposto há pouco, as presunções legais devem estar devidamente consubstanciadas em fato indiciário estatuído pelo legislador, para consequentemente promover a inversão do ônus da prova ao contribuinte. A simples constatação, por exemplo, da falta de registro de compras na escrituração do contribuinte, a despeito de constituir-se em irregularidade, não autoriza por si só a tributação de receitas omitidas por presunção pelo somatório dos valores não escriturados. necessária a ocorrência comprovação do efetivo pagamento destas compras para caracterizar o fato indiciário da presunção estatuída no art.40 da Lei n° 9.430/96. Tratando-se de atividade plenamente vinculada (Código Tributário Nacional, arts. 3° e 142), cumpre à fiscalização realizar as inspeções necessárias a obtenção dos elementos mínimos de convicção, indispensáveis à constituição do crédito tributário, mesmo que amparado em presunção legal por conta da necessidade de demonstração da ocorrência do famigerado fato indieidrio. Nesta linha, a caracterização da presunção de omissão de receitas a partir de omissão de compras so pode ser aventada quando devidamente comprovados a ocorrência da compra não escriturada e seu respectivo pagamento, também não escriturado, pois é o pagamento que teria sido feito com recursos mantidos à margem da escrituração. No caso sob julgamento, a prova do fato indiciário autorizador da presunção legal foi produzida pela fiscalização com base apenas em circularização de informações efetuada junto aos fornecedores da Recorrente, cujas respostas foram apresentadas através de relatórios em formato Excel, assinadas por preposto da diligenciada, consignando os seguintes dados: data de emissão da nota fiscal de venda, número do documento fiscal, valor bruto,lia de pagamento e valor pag. Logo, a questão que preliminarmente se coloca e deve ser examinada antes de qualquer julgamento do mérito propriamente dito 6 . se a informação produzida por terceiros de forma unilateral acerca de pagamentos de compras efetuados pela Recorrente, sem contrapartida documental, uma vez que não foram solicitados a estes fornecedores cópias das notas fiscais emiridas, comprovantes de entrega de mercadoria, registros bancário/contábeis, é ou não suficiente a provar a ocorrência do fato indicidrio, caracterizador da presunção legal. Em caso de resposta negativa, o lançamento é insubsistente, já que juridicamente não ocorreu a figura do fato indicidrio, ensejador da presunção que propiciou a constituição do crédito tributário. Por outro lado, se a resposta for afirmativa, faz-se então necessário dar um proximo passo e avaliar as provas e argumentos apresentados pelo Recorrente com o intuito de desmaterializar a presunção que restou caracterizada. Já foi ponderado neste voto que no âmbito das presunções legais relativas a omissão de receitas, a prova da ocorrência do fato indicidrio cabe ao fisco. Particularmente entendo que a prova da ocorrência do fato indiciário caracterizador de presunção legal aqui discutida não pode ser feita por presunção, caso contrário teríamos a aplicação da omissão de receitas por meio de dupla presunção, uma para a ocorrência deste fato e outra acerca da omissão de receitas, subvertendo por completo o li Processo n° 19515.002348/2006-63 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.831 Fl. 13 comando instituidor da presunção legal de omissão e criando um cenário de completa insegurança jurídica para os administrados. A listagem de pagamentos produzidos por fornecedores, por mais detalhada que seja e assinada por seu representante legal não tem a envergadura de comprovar de forma irrefutável a ocorrência do fato indicidrio, isto ao meu sentir somente ocorreria, se devidamente acompanhada de documentos atestando o pagamento alegado. Não 6. questão aqui de colocar em xeque a informações prestadas por terceiro, muito menos sua idoneidade, mas denotar que o fato de a mesma estar desacompanhada nos autos da correspondente documentação comprobatória, tira-lhe, em minha concepção, o munus jurídico apto a sustentar os fatos mercantis nelas consignados. E é nisso que as listagens fornecidas acabaram se transformando, em meras alegações prestadas por terceiro, que servem no máximo, em face da falta de suporte documental, como indicio da ocorrência do fato indicidrio, o que não se pode admitir para fins do lançamento tributário por presunção legal do art. 40 da Lei n° 9.430/96. Fazendo um paralelo com outra espécie de presunção legal de omissão de receitas, qual seja, a prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96, pertinente a depósitos bancários não justificados, verifica-se que a ocorrência de seu fato indicidrio resta comprovado por meio do registro destes depósitos em extrato bancário produzidos e fornecido por instituições financeiras, cujo teor, todavia, é dotado de completa oficialidade em face da legislação pertinente ao Sistema Financeiro Nacional, devidamente regulado por normativos do BACEN, não sendo passível, portanto, de questionamento. Assim, a partir das informações coletadas pela autoridade fiscal junto aos fornecedores da Recorrente, tenho para mim que não houve labor da fiscalização em confirmar documentalmente a mera informação recebida para confirmação cabal do fato indicidrio. Entendo que caberia ao auditor fiscal, ter promovido nova diligência junto aos fornecedores visando municiar-se de documentos fiscais e lançamentos contábeis aptos a corroborar as listagens obtidas por meio da primeira diligencia efetuada. Simplesmente considerar as informações constantes de demonstrativos de lavra alheia (fornecedor) como suficientes a caracterizar a falta de escrituração de compras chega a ser leviano. Afinal, como fazer contra prova de algo que sequer foi efetivamente provado. E o que afirma há pouco, é a presunção do fato indicidrio da presunção de omissão de receitas. 0 mero indicio de ocorrência do fato indicidrio trata-se de uma presunção simples e não de uma presunção legal, que requer para sua aceitação, como destacado no inicio deste voto, a soma de indícios convergentes, o que é muito diferente de fato indiciário lastreado apenas no primeiro elemento colhido pelo Fisco. Como dito, se o conjunto dos fatos amealhados pelo fisco forem convergentes, vale dizer, se todos levarem ao mesmo ponto, ai sim, a prova relativa a presunção simples estará feita Se admitida esta linha de julgamento, a comprovação direta da ocorrência de pagamentos feitos pela Recorrente para quitação da compras não escrituradas inexiste nos presentes autos, o que leva a improcedência do lançamento. 12 Processo n° 19515.002348/2006-63 SI-Cl TI Acórdão n.° 1101-000.831 Fl. 14 Também me incomoda, a inércia da Recorrente em não ter respondido o termo de intimação cientificado em 25.10.2006, mas a fiscalização também não obrou como deveria para se desincumbir completamente da produção da prova de ocorrência do fato indicidrio. Por outro lado, se a convicção aqui explanada quando a falta de comprovação da ocorrência do fato indicidrio da presunção legal do art. 40 da Lei n° 9.430/96 não for acompanhada pelos demais julgadores desta câmara, ou seja, se entendido que restou comprovado a ocorrência dos pagamentos não escriturados, tem-se que no mérito o contribuinte não logrou, seja durante o curso da fase fiscalizatória, seja no curso da fase litigiosa comprovar a origem dos recursos utilizados para sua efetivação, restando configurada em definitivo a omissão de receitas, devendo sob esta ótica ser mantido o lançamento, seguindo-se remansosa jurisprudência desta casa. "Acórdão n° 1.301-00.489 All ocalendcirio:2002 COMPRAS NÃO REGISTRADAS. OMISSÃO DE RECEITAS. A falta de escrituração do pagamento de compras, detectada através do cruzamento de informações de fornecedores com os livros e documentos contabeis e fiscais da empresa, autoriza a presunção de omissão de receitas." No mesmo sentido: "Acórdão 77 ° 1.401-00.469 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA JRPJ Ano -calendário. 2002 OMISSÃO DE COMPRAS. OMISSÃO DE RECEITAS. A falta de escrituração de pagamentos de compras, detectada através do cruzamento de informações de fornecedores com a escrituração da contribuinte, autoriza a presunção de omissão de receitas." Caso não seja acompanhado na digressão explanada neste tópico que leva a nulidade do lançamento perpetrado, enxergo ainda outros vícios materiais, que nos leva a segunda questão a ser considerada no presente julgamento. B) DA NECESSÁRIA APLICAÇÃO DO LUCRO ARBITRADO PARA O ANO-CALENDÁRIO DE 2001. Alega a impugnante que a falta de escrituração das compras e respectivos pagamentos, se entendida como um obstáculo para verificar o lucro real da empresa, possibilitaria, na pior das hipóteses, o arbitramento do lucro relativamente as receitas omitidas. Em que pese não se possível concordar com aplicação parcial do regime de lucro arbitrado apenas para as receitas tidas como omitidas, vislumbro por outro lado, que há 13 Processo n° 19515.002348/2006-63 S1-C1T1 Acórdão ri.e 1101-000.831 casos, e o do presente lançamento me parecer ser um desses, em que o elevado grau de omissão leva A necessária aplicação do arbitramento do lucro. Explico-me: 0 regime de tributação do lucro considerado pela autoridade fiscal para constituição do crédito tributário, com base na receita omitida, manteve o lucro real ordinariamente considerado pela Recorrente, apenas retificando a base tributável. Como já esclarecido a fiscalização por meio da aplicação da presunção legal inferiu que além da receita declarada pela recorrente para o ano-calendário de 2001 (R$ 9.230.446,52) a mesma ainda teria auferido cifra adicional de R$ 9.150.887,56, tomando por base o valor das compras omitidas, conforme se demonstra no quadro a seguir: Compras omitidas R$ 9.150.887,56 Compras DIP.' R$ 7.826.992,96 Receita Bruta Revenda mercadorias R$ 9.230.446,52 Ou seja, a partir de tal constatação, promoveu tão somente o acréscimo da receita omitida ao lucro real. Ocorre que para situações como a presente, na qual o valor da receita presumida omitida mostra-se superlativa (99,13%) A. receita declarada pelo contribuinte (receita conhecida), este tribunal administrativo vem sedimentando o entendimento de que o regime pertinente para a constituição do crédito tributário é o de ARBRITRAMENTO, com base no art. 530, II, b do RIR199, sob pena de fazer incidir sobre receita tributos incidentes sobre o lucro, ao arrepio da hipótese de incidência: Art. 530. 0 imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano- calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: II - a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte, revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; (..)' Como exposto, decisões neste sentido têm sido proferidas por turmas de julgamento que compõe este coiegiado: ACÓRDÃO 103-23.469 IRPJ E OUTROS - Ex(s): 2000 a 2002 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 Ementa: LUCRO ARBITRADO - APLICABILIDADE - Cabível o arbitramento do lucro quando as receitas omitidas decorrentes 14 Processo n° 19515.002348/2006-63 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-000.831 Fl. 16 da movimentação bancária não contabilizada superam ern proporção significativa a receita declarada. Publicado no DOU em: 03.09.2008 (destaquei) Na mesma linha: "ACÓRDÃO 103-23.251 OMISSÃO DE PARTE SUBSTANCIAL DAS RECEITAS TRIBUTÁVEIS - DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA CONTAIL/FISCAL - Constatada pela Fiscalização a omissão de parte bastante significativa de receitas tributáveis vis a vis os valores declarados, incumbe-lhe desclassificar a escrita conitibil/fiscal eventualmente apresentada pelo contribuinte por ser esta evidentemente inservivel para apuração do lucro real (RIR199, art. 530, II, "5"). Nesses casos, deve a Autoridade arbitrar o lucro da pessoa jurídica, sob pena de fazer incidir os citados tributos sobre valores que sabidamente não caracterizam renda (lucro) do contribuinte. O arbitramento considera, por ficção legal, as despesas incorridas pelo contribuinte para a geração da receita omitida. Recurso voluntário a que se dá parcial provimento. Publicado no DOU ein: 08.05.2008." (destaquei) Há posicionamento, ainda, mais especifico, valendo destacar além da ementa, parte da integra da decisão do Recurso Voluntário: "ACÓRDÃO 108-08.953 IRPJ/CSL - ARBITRAMENTO - ART 42 DA LEI 9430/96 - DESPROPORCIONALIDADE - Ulna vez detectada omissão de receitas com uso da presunção relativa prevista no art. 42 da Lei 9430/96, e sendo tal omissão de receita em montante vultoso e que não seja proporcional para cômputo como lucro da pessoa jurídica, fica evidenciada a imprestabilidade da escrita contábil para apurar a base de cálculo do IRRI e da CSL conforme o Lucro Real. Nesse caso, a tributação deve ser apurada pelo Lucro Arbitrado (RJR/99, art. 530, II, "a" e "b'). Recurso negado" Trecho da do acórdão: "A omissão de receitas efetivamente ocorreu e esta inequivocamente comprovada nos autos. No entanto, no exame para identificação do adequado regime de tributação do IRPJ e da SLL, não se pode esquecer que a comprovada omissão nos registros contábeis de tão vultosa movimentação bancária, isoladaniente, já é condição suficiente para justificar a iinprestabilidade da escrituração contábil e o conseqüente arbitramento do lucro. Observe-se que não é o caso de omissão de poucos depósitos, de valor irrelevante, o que, obviamente, seria insuficiente para 15 Processo n° 19515.002348/2006-63 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.831 Fl. 17 caracterizar como "imprestável" a escrituração da recorrente. No lançamento em questão, no qual a soma dos valores omitidos foi adotada para apuração do IRPJ e da CSLL com fundamento nas normas reguladoras do lucro real, houve nítida distorção da base de cálculo, resultando em tributação da receita omitida e não do lucro. A base de cálculo do imposto de renda pessoa jurídica é o lucro, definido conforme as suas três formas de apuração: real, arbitrado ou presumido, de acordo com o art. 44 do CTN. Segundo o art. 6° do Decreto-lei 1.598/772, o lucro real é o lucro liquido do exercício, ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação própria. Por sua vez, o lucro liquido deve ser apurado com observância das disposições da lei comercial. A base de cálculo da CSLL é o lucro liquido ajustado de acordo com as prescrições da legislação especifica. 0 regime de tributação pelo lucro arbitrado, em que parcela de custos e despesas é implícita e automaticamente computada mediante a aplicação dos coeficientes de arbitramento sobre a receita da pessoa jurídica, revela-se apropriado, legal e mais realista para a determinação da correta base de cálculo do IRPJ e da CSLL, evitando a mera e ilegal incidência direta desses tributos sobre a receita e não sobre o resultado. Como no caso dos autos a falta de escrituração corresponde a valores vultosos, entendo correta a aplicação do arbitramento no caso, pois se assim não fosse haveria distorção da base de cálculo (lucro)". (destaquei) Como se pode perceber esta linha condutora pauta-se em duas fundamentações: i) a evidenciada imprestabilidade da escrita contábil para apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSL, ii) o arbitramento o lucro da pessoa jurídica, garante que os citados tributos não incidam sobre valores que sabidamente não caracterizam renda (lucro) do contribuinte, já que o arbitramento considera, por ficção legal, as despesas incorridas pelo contribuinte para a geração da receita omitida. Ademais, deve-se ressaltar que o fato indicidrio ensejador da presunção de receita não altera o raciocínio aqui descrito, ou seja, a omissão de receita presumida, seja por depósitos bancários de origem não comprovada, falta de escrituração de pagamento de compras, passivo fictício, etc. comporta esse mesmo racional. Isto posto, ainda que não se acate a invalidade do lançamento por conta da ausência de caracterização de seu fato indicidrio, o mesmo também não se sustenta em face do regime de apuração eleito pela autoridade fiscal no procedimento de oficio, vez que vultuosa quantia de receita omitida, leva A. conclusão de imprestabilidade da escrita e consequentemente a necessidade de arbitramento para tributação do IRRI e da CSLL. Ainda que a turma de julgamento não acate as razões de julgamento esposadas neste segundo tópico de análise do mérito, há ainda um terceiro vicio que macula o lançamento perpetrado, o que nos leva a terceira questão pertinente ao presente julgamento. 16 Processo n° 19515.002348/2006-63 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.831 Fl. 18 C) DA NECESSÁRIA CONSIDERAÇÃO COMO CUSTO DOS PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS RELATIVO AS COMPRAS DE MERCADORIAS. A fiscalização deixa claro por meio de relatório obtido junto aos fornecedores que a empresa efetivou o pagamento de compras não escrituradas, tendo inclusive declinado os valores. Ora a partir do momento em que tal fato pode servir para acusação de omissão de receitas, se a própria fiscalização levanta compras contemporâneas pagas através dele, para não admiti-las como custo deveria sim ela demonstrar que os valores de tais compras tenham sido utilizados na apuração do lucro real, sob pena de não se tributar a renda (mais valia — acréscimo), mas a própria receita. O presente entendimento não modifica a tese de que os custos devam ser comprovados, para serem admitidos, assim não basta no caso de omissão de receitas dentro das presunções legais simplesmente se alegar a existência de custos, é preciso provar, ou seja, se o contribuinte alega tem de provar, porém no presente caso foi a própria fiscalização na formação da convicção da listagem de fornecedores é que levantou os custos das compras. Se em um levantamento de pagamentos não escriturados a fiscalização se utiliza de presunção legal para considerar os pagamentos como omissão de receitas e ao mesmo tempo levanta as compras pagas, só pode deixar de considerá-las na apuração da base de cálculo se provar que tais compras desde que identificáveis, efetivamente foram utilizados na escrita regular como custo, sob pena de violação aos artigos 43 e 142 do CTN. O fato de um custo não ter sido escriturado nem sempre é motivo para não considerá-lo no lançamento de oficio. Se o custo correspondente não foi utilizado na escrita, deve ser considerado no lançamento sob pena de não se estar tributando a renda, mas a receita. Neste sentido já decidiu o órgão superior deste tribunal: "Processo n°. 10120.001522/99-66 Recurso n° :108-122267 Matéria : IRPJ E OUTROS Recorrentes : FAZENDA NACIONAL e DISTRIBUIDORA FARMACÊUTICA PANARELLO LTDA Recorrida : 8° CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sessão de : 19 de setembro de 2006 Acórdão : CSRF/01-05.531 IRPJ E CSLL — OMISSÃO DE RECEITAS APROVEITAMENTO DE CUSTOS — Os valores correspondentes ao custo de aquisição de mercadorias levantados pela fiscalização corn relação direta à apuração da omissão de receitas detectada pela falta de escrituração da movimentação bancária devem ser levados em consideração na 17 Processo n° 19515.002348/2006-63 SI -C III Acórd'ao n.° 1101 -000.831 Fl. 19 determinação da base tributável, haja vista que ao fim derivam, no período em questão, de operação vinculada àquela que está sendo tributada pelo Fisco. A aplicação da multa de oficio de 75% se encontra em conformidade com legislação de regência nos termos do art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, sendo aplicável A. falta de recolhimento tempestivo do tributo. Não há qualquer caráter confiscatório em sua exigência. A alegada questão da inconstitucionalidade da TAXA SELIC, não prevalece em razão da aplicação da Súmula 04 deste órgão: Súmula CARFn° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Isto posto, conheço do Recurso Voluntário interposto e, no mérito, DOU- LHE PROVIMENTO, julgando impr dente a caracterização de omissão de receitas com base na falta de escrituração de paafntos. Bened ni *cio Junior Voto Vencedor Conselheira Edeli Pereira Bessa — Redatora designada 0 I. Relator inicialmente acolheu a arguição de nulidade do lançamento, por entender que não há, nos autos comprovação direta da ocorrência de pagamentos feitos pela Recorrente para quitação da compras não escrituradas. Não admitiu informações constantes de demonstrativos de lavra alheia (fornecedor) como suficientes a caracterizar a falta de escrituração de compras. A Turma Julgadora, porém, divergiu deste entendimento, na medida em que os referidos demonstrativos foram obtidos junto a vários fornecedores da contribuinte, e exteriorizavam detalhes de operações que os robusteciam como evidências efetivas das compras realizadas. De fato, as informações prestadas reuniam, além do número, data e valor das notas fiscais, o número do cliente, a data de vencimento das faturas e a data de seu recebimento; e foram formuladas em razão de intimação fiscal acompanhada de Mandado de Procedimento Fiscal, estando assinadas por representantes das pessoas jurídicas intimadas. Some-se a isto o volume de operações reunidas entre as fls. 106/239 destes autos, e a coincidência entre significativo volume das informações prestadas e os registros contidos nos Livros Fiscais da contribuinte (fls. 395/495), a reforçar que as operações comerciais ali relacionadas efetivamente ocorreram, ainda que não registradas pela contribuinte. Em suma, ainda que as notas fiscais e seus correspondentes pagamentos não tenham sido juntadas aos autos, há prova testemunhal, refletida nas declarações prestadas, que são coincidentes e coerentes com os fatos que a Fiscalização pretendeu demonstrar. 18 Processo n° 19515.002348/2006-63 SI -CITI Acórddo n.° 1101-000.831 Fl. 20 Diante deste contexto, e tendo em conta que a contribuinte não logrou provar a contabilização dos pagamentos destas compras, subsiste a presunção legal de omissão de receitas estampada no art. 40 da Lei n° 9.430/96. Anote-se, ainda, a impropriedade dos seguintes argumentos da recorrente, antes relatados: - "0 prazo de cinco dias outorgado para a, apresentação dos documentos não permitiu uma análise pormenorizada de toda documentação contábil, inviabilizando que a Impugnante atendesse todas as exigências": é irrelevante o prazo concedido, na medida em que a Fiscalização já constatara nos livros fiscais da contribuinte que as compras não estavam contabilizadas. A intimação se fez apenas por um excesso de zelo do fiscal autuante. Ademais, a análise feita pela contribuinte no prazo de impugnação revelou apenas uma nota fiscal contabilizada, a qual já foi considerada pela autoridade julgadora de 1a instância para reduzir as exigências correspondentes; - "Se as compras estão escrituradas e a contabilidade da empresa apresenta equação entre o ativo e as contas de passivo e patrimônio liquido, bastando que a fiscalização aprofundasse uma análise dos instrumentos contábeis da empresa para verificar a origem dos recursos": não lid prova da escrituração das compras ou dos pagamentos, dai a presunção legal de que estes foram feitos com recursos a margem da contabilidade; - "A presunção de omissão de receita somente é possível nos casos em que haja falta de escrituração de pagamentos efetuados. Se os recursos estavam devidamente escriturados, não há que se falar em omissão de receita, não se aplicando, portanto, a presunção legal": não há prova da escrituração dos pagamentos, dai a presunção legal de que estes foram feitos com recursos à margem da contabilidade; Na seqüência, segundo entendimento do I. Relator, o lançamento também restaria prejudicado por ter sido formalizado na sistemática do lucro real. Alegara a contribuinte que a exigência incidiu sobre receita, e não sobre lucro, o qual deveria ter sido arbitrado. E, como exteriorizado no voto acima, correspondendo a receita omitida, praticamente, ao valor da receita declarada, somente seria possível concluir que a escrituração da contribuinte era imprestável, a ensejar as conseqüências previstas no art. 530, inciso II do RIR/99. Todavia, a maioria da Turma entendeu que o arbitramento dos lucros não é determinado pelo percentual de receitas omitidas. A imprestabilidade da escrita deve ser demonstrada pela Fiscalização, e não pode ser inferida a partir do volume de receitas omitidas. Esta Conselheira Redatora, especificamente, entende que o percentual de receitas omitidas pode, em algumas circunstâncias, ensejar o arbitramento. Mas isto não ocorre quando, do total de receitas apuradas, cerca de 50%, como é o caso, está contabilizado. Assim, não restou caracterizado impedimento à opção feita pela contribuinte, de tributação segundo a sistemática do lucro real trimestral. Irrelevante, portanto, a demonstração da margem de lucro adotada, em regra, pela empresa. Ainda, o I. Relator vislumbra vicio no lançamento, por estar provado o custo das mercadorias adquiridas, e este valor não ter sido considerado na determinação da base tributável. A maioria da Turma Julgadora também discordou deste entendimento, na medida em que compras não representam custo, mas sim aquisição de bens para estoque, de modo que o custo somente é provado com a saída decorrente da correspondente venda destas mercadorias. De outro lado, a receita considerada omitida não é presumida a partir destas saídas, mas sim em razão dos recursos existentes à margem da contabilidade à época da 19 voluntário. 41/10- e i Pereira Bessa Processo n° 19515.002348/2006-63 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.831 Fl. 21 aquisição das mercadorias, os quais viabilizaram os pagamentos não escriturados. Assim, para admitir os alegados custos, necessário seria que a contribuinte refizesse sua escrituração e por meio dela demonstrasse o momento da saída das mercadorias adquiridas, mediante sua venda, a qual também deveria estar regularmente contabilizada. No mais, os argumentos da recorrente acerca dos acréscimos aplicados ao lançamento são mantidos em conformidade com o voto vencido do I. Relator. Estas as razões, portanto, para NEGAR PRO VIMENTOao recurso 20
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Numero do processo: 13975.000100/2002-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1997
MULTA DE OFÍCIO. ART. 90 DA MP Nº 2.158-35/2001. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Com a edição do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, a multa de ofício prevista no art. 90 da MP nº 2.158-35/2001, deixou de ser exigida sobre as diferenças decorrentes entre os valores declarados em DCTF e pagos pelo contribuinte. A exigência só persiste nos casos específicos previstos no art. 18 da Lei nº 10.833/2003.
Numero da decisão: 9303-008.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ART. 90 DA MP Nº 2.15835/2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. Com a edição do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, a multa de ofício prevista no art. 90 da MP nº 2.15835/2001, deixou de ser exigida sobre as diferenças decorrentes entre os valores declarados em DCTF e pagos pelo contribuinte. A exigência só persiste nos casos específicos previstos no art. 18 da Lei nº 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 5. 00 01 00 /2 00 2- 31 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 13975.000100/200231 Acórdão n.º 9303008.415 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, em face do acórdão nº 380200900, de 20/03/2012, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1997 NULIDADE. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. FASE DE FISCALIZAÇÃO. NÃO RECONHECIMENTO. A ausência de intimação do contribuinte para manifestação sobre cálculos realizados no curso da fiscalização, antes de instaurada a fase contraditória do procedimento, não implica cerceamento do direito de defesa nem tampouco a nulidade do auto de infração. Precedentes do Carf. COMPENSAÇÃO. DECISÃO NÃO TRANSITADA EM JULGADO. VEDAÇÃO. CTN, ART. 170A. PARECER PGFN/CRJN 683/1993. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. DCTF. CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS OU INDEVIDOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO DÉBITO DECLARADO. Os débitos declarados em Dctf vinculados a créditos não comprovados ou indevidos, nos termos do art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, deve ser objeto de lançamento de oficio. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO RETROATIVA DO ART. 18 DA LEI NO 10.833/2003. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. AFASTAMENTO INDEPENDENTE DE PEDIDO DA PARTE. POSSIBILIDADE. “No julgamento de processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP n°2.15835, as multas de oficio exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não tenham sido fundadas nas hipóteses versadas no caput desse artigo.” Solução de Consulta Interna n° 3, de 08 de janeiro de 2004. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 13975.000100/200231 Acórdão n.º 9303008.415 CSRFT3 Fl. 4 3 A insurgência da Fazenda Nacional decorre da parte do acórdão que afastou a exigência da multa de ofício em face da retroatividade benigna. O recurso foi admitido pelo então presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF. Em contrarrazões o contribuinte pede o não conhecimento do recurso especial e, caso conhecido, o seu improvimento. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos formais e materiais ao seu conhecimento. Não tem razão o contribuinte quando pede em contrarrazões o não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional. De acordo com ele o recurso especial não pode ser conhecido pois contraria as Súmulas CARF nº 52 e 74, abaixo transcritas: Súmula CARF nº 52 Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício. Súmula CARF nº 74 Aplicase retroativamente o art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, que revogou a multa de oficio isolada por falta de acréscimo da multa de mora ao pagamento de tributo em atraso, antes prevista no art. 44, § 1º, II, da Lei nº 9.430/96. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). A súmula CARF nº 52 não cuida de lançamento de multa isolada, mas da exigência de tributos em decorrência de compensação indevida. Além disso, não afirma que, a despeito dos tributos estarem declarados em DCTF, não é permitido o lançamento de ofício. A jurisprudência do CARF entende que se o tributo estiver confessado em DCTF não é necessário o lançamento de ofício, mas caso tenha sido lançado, não é ilegal sua cobrança por meio do auto de infração. O que não pode haver é a sua cobrança em duplicidade. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 13975.000100/200231 Acórdão n.º 9303008.415 CSRFT3 Fl. 5 4 Já a súmula CARF nº 74 não cuida de multa de ofício em razão de compensação indevida. Trata especificamente da dispensa da exigência da multa de ofício isolada quando da falta de recolhimento da multa de mora. Portanto, o recurso especial da Fazenda Nacional deve ser conhecido. Porém o recurso especial deve ser improvido, pois correta a aplicação retroativa do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, para afastar a incidência da multa de ofício no lançamento fiscal. A exigência fiscal decorre de lançamento de ofício efetuado com base no que dispunha o art. 90 da MP nº 2.15835/2001, in verbis: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. No presente caso, o contribuinte confessou o débito de PIS em sua DCTF, porém vinculou compensações não acatadas pela administração tributária. Posteriormente, o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 restringiu as hipóteses de aplicação da multa de ofício nas situações decorrentes de lançamentos com base no art. 90, acima transcrito. Vejamos: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Portanto, correta a aplicação do art. 106, inc. II, “a” do CTN que prevê a retroatividade benigna em caso de aplicação de penalidades. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 192DF CARF MF
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