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Numero do processo: 10907.722573/2013-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 27/04/2012
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 11.
Aplicação da Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/04/2012
PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informações, responde pela multa sancionadora correspondente.
PRELIMINAR. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Estando a descrição dos fatos corretamente narrada no Auto de Infração e ficando evidente, nos autos, que o sujeito passivo compreendeu perfeitamente do que era acusado e exerceu plenamente seu direito à Ampla Defesa e ao Contraditório, não ocorre vício no procedimento administrativo.
MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE A DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 126.
Aplicação da Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
MULTA. DESPROPORCIONALIDADE. VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA RAZOABILIDADE E DO NÃO CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2.
Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA. RELEVAÇÃO. COMPETÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se manifestar sobre relevação de penalidades.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3002-000.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade e de relevação da penalidade, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Ausente o conselheiro Alan Tavora Nem.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 27/04/2012 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 11. Aplicação da Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 27/04/2012 PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informações, responde pela multa sancionadora correspondente. PRELIMINAR. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Estando a descrição dos fatos corretamente narrada no Auto de Infração e ficando evidente, nos autos, que o sujeito passivo compreendeu perfeitamente do que era acusado e exerceu plenamente seu direito à Ampla Defesa e ao Contraditório, não ocorre vício no procedimento administrativo. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE A DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 126. Aplicação da Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. MULTA. DESPROPORCIONALIDADE. VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA RAZOABILIDADE E DO NÃO CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA. RELEVAÇÃO. COMPETÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se manifestar sobre relevação de penalidades. Recurso Voluntário Negado
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IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 11. Aplicação da Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/04/2012 PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informações, responde pela multa sancionadora correspondente. PRELIMINAR. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Estando a descrição dos fatos corretamente narrada no Auto de Infração e ficando evidente, nos autos, que o sujeito passivo compreendeu perfeitamente do que era acusado e exerceu plenamente seu direito à Ampla Defesa e ao Contraditório, não ocorre vício no procedimento administrativo. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE A DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 126. Aplicação da Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 25 73 /2 01 3- 61 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10907.722573/201361 Acórdão n.º 3002000.651 S3C0T2 Fl. 118 2 MULTA. DESPROPORCIONALIDADE. VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA RAZOABILIDADE E DO NÃO CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA. RELEVAÇÃO. COMPETÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se manifestar sobre relevação de penalidades. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade e de relevação da penalidade, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Ausente o conselheiro Alan Tavora Nem. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 12094.922 da DRJ/RJO, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. No caso concreto, foi impingida a referida multa por ter a recorrente informado os dados sobre a desconsolidação da carga fora do prazo previsto na legislação. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou Impugnação (fl. 19/30), a qual foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro, por Acórdão (fl. 71/75) que restou dispensado de ementa, de acordo com a Portaria RFB nº 2.724/2017. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10907.722573/201361 Acórdão n.º 3002000.651 S3C0T2 Fl. 119 3 Em seqüência, irresignada com a referida decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fl. 84/103), basicamente, tecendo os seguintes argumentos jurídicos em sua defesa: em preliminar, nulidade do Auto de Infração, ilegitimidade passiva e a ocorrência da prescrição intercorrente e, no mérito, a denúncia espontânea, a desproporcionalidade da multa e o pedido de relevação da pena. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O Crédito Tributário contestado no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão cingese na autuação fiscal por ter a recorrente deixado de prestar a devida informação, no prazo legal, dos dados de desconsolidação da carga chegada ao Porto de Paranaguá em 27/04/2012 (atracação), pois o registro das informações sobre a desconsolidação da carga ocorreu somente em 27/04/2012 (fl. 16), ou seja, após o prazo mínimo de 48h antes da atracação do navio, conforme o disposto no art. 22, III, da Instrução Normativa RFB nº 800/2007. Desta forma, ficando sujeita a penalidade prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . Iomissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10907.722573/201361 Acórdão n.º 3002000.651 S3C0T2 Fl. 120 4 serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Passo a análise dos argumentos trazidos pela recorrente em seu Voluntário. Preliminar Inicialmente, repisese que a contribuinte argüiu expressamente três preliminares em seu Recurso Voluntário: nulidade do Auto de Infração, ilegitimidade passiva e prescrição intercorrente. Contudo, embora se caracterize como uma questão prévia, a prescrição intercorrente, pela melhor doutrina, não se constitui em preliminar, mas em uma prejudicial de mérito, portanto, deixo de tratála na seção atual e retornarei a ela no início da análise sobre o mérito. Ilegitimidade Passiva O sujeito passivo alegou que, como agente desconsolidador nacional não seria parte legítima para figurar no pólo passivo, não tendo responsabilidade tributária sobre o crédito discutido. A fim de comprovar a justeza de seu entendimento, faz interpretações sobre a legislação e cita jurisprudência que, em tese, o corroboram. Quanto à legitimidade, entendo que os arts. 94 e 95, I do DecretoLei nº 37/66 c/c o art. 135, II, do CTN, resolvem a questão, respectivamente: Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie;(...)" Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados;(...)" Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10907.722573/201361 Acórdão n.º 3002000.651 S3C0T2 Fl. 121 5 Deste modo, na condição de agência desconsolidador, a recorrente estava obrigada a prestar, tempestivamente, as informações no Siscomex, e assim não procedendo, cometeu a infração contida na alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, respondendo, pessoalmente pela infração em comento. Por oportuno, transcrevese a redação do artigo 32, I do DecretoLei nº 37/66, dada pelo DecretoLei nº 2.472/1988 e do inciso II, do parágrafo único do mesmo artigo, dada pela Medida Provisória nº 215835/2001: Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. É responsável solidário: .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II o representante, no País, do transportador estrangeiro; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Ademais, a solidariedade tributária passiva está contida nos arts. 121, parágrafo único, II, 124, I e II e 128, todos do CTN, respectivamente, a saber: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10907.722573/201361 Acórdão n.º 3002000.651 S3C0T2 Fl. 122 6 Também deve ser citada a decisão do REsp 1.129.430/SP, relator ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJE de 14/12/2010, julgado em sede de recurso repetitivo, uma vez que assentou que o agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições próprias, no período anterior à vigência do DecretoLei nº 2.472/88 (que alterou o art. 32, do DecretoLei nº 37/66), não ostentava a condição de responsável tributário, porque inexistente previsão legal para tanto. Todavia, a partir da vigência do DecretoLei nº 2.472/88 já não há mais óbice para que o agente marítimo figure como responsável tributário. Vejamos excerto esclarecedor: 14. No que concerne ao período posterior à vigência do Decreto Lei 2.472/88, sobreveio hipótese legal de responsabilidade tributária solidária (a qual não comporta benefício de ordem, à luz inclusive do parágrafo único, do artigo 124, do CTN) do "representante, no país, do transportador estrangeiro". Desta forma, entendo que, por expressa determinação legal, o agente desconsolidador, como um dos interveniente no comércio exterior, é responsável pelas penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária, portanto, parte legítima para figurar no pólo passivo do Auto de Infração. Assim, rejeito a preliminar argüida de ilegitimidade. Nulidade do Auto de Infração A ora recorrente afirmou que, com a revogação dos arts. 45 a 48 da Instrução Normativa RFB nº 800/2007 pela Instrução Normativa RFB nº 1.472/2014, não haveria mais norma regulamentadora sobre a prestação de informações fora do prazo e, logo, a presente autuação estaria despida de fundamentos legais, assim, portanto, seria nula de pleno direito. De pronto, afirmese que tal alegação recursal não pode prosperar. A despeito da revogação dos citados artigos, esta não significou a revogação do tipo de infração, pois esta se encontra perfeitamente descrita no art. 22 da IN RFB nº 800/2007, abaixo transcrito, e, por outro lado, tampouco, significou a inexistência da previsão legal para as penas decorrentes do cometimento da infração, tendo em vista que tais penas encontramse dispostas no art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, já reproduzido acima: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10907.722573/201361 Acórdão n.º 3002000.651 S3C0T2 Fl. 123 7 a) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, exceto quando se tratar de granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) b) cinco horas antes da saída da embarcação, para manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, quando toda a carga for granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) c) cinco (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. (...) (grifo nosso) A recorrente também pugnou pela nulidade do lançamento contestado, afirmando que a descrição dos fatos imputados a ela se encontra inadequada e, inclusive, teria omitido o fato de tratarse de uma retificação, assim, por tudo, estas falhas teriam impedido o exercício do seus Direitos à Ampla Defesa e ao Contraditório e, por conseqüência o Auto de Infração estaria eivado de nulidade insanável. Primeiramente, há que se rechaçar a afirmação de que a contribuinte apenas retificou as informações já prestadas, não é essa a situação fática dos autos. Como já mencionado anteriormente no Relatório, a recorrente foi autuada porque procedeu o registro das informações sobre a desconsolidação da carga após o prazo mínimo de 48h antes da atracação do navio. Quanto à descrição dos fatos estar inadequada, a meu sentir, não procede. Entendo que a descrição dos fatos imputados ao sujeito passivo encontrase corretamente narrada no Auto de Infração e, comprovase tal fato pela simples leitura das peças recursais, onde se evidencia que a ora recorrente compreendeu perfeitamente do que era acusada e, inclusive, pela robustez de suas peças recursais, pode exercer plenamente seus Direitos à Ampla Defesa e ao Contraditório. Assim, também rejeito a preliminar de nulidade do Auto de Infração. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10907.722573/201361 Acórdão n.º 3002000.651 S3C0T2 Fl. 124 8 Mérito Primeiramente, tratemos da prejudicial de mérito apresentada pela recorrente em sua peça recursal. A recorrente afirmou que o encaminhamento da Impugnação ao Auto de Infração à Delegacia de Julgamento ocorreu em 11/03/2014, mas seu recurso somente foi levado a Julgamento em 21 de Dezembro de 2017, assim, consumandose a prescrição à luz do que dispõe o §1º, do art. 1º, da Lei n.º 9.873/99. Em suma, a contribuinte alegou que, pelo tempo transcorrido, operouse no presente processo a prescrição intercorrente, o que, em seu entender, deve culminar com o arquivamento dos autos e a conseqüente extinção da exigência tributária em questão. Sumariamente, deve ser rechaçada essa alegação recursal, pois não se aplica o instituto da prescrição intercorrente a processos administrativos fiscais, conforme teor da Súmula CARF nº 11, cujo efeito vinculante foi atribuído pela Portaria MF nº 277, de 07 de junho de 2018: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Relembremos, por oportuno, que as decisões reiteradas e uniformes do CARF são consubstanciadas em súmulas, as quais são de observância obrigatória pelos conselheiros deste Conselho, conforme o disposto no art. 72 do RICARF. Seguindo em seu Voluntário, a recorrente alega que, no caso concreto, embora de forma extemporânea, as informações foram prestadas no SISCOMEX e, ainda assim, antes do despacho aduaneiro e antes do procedimento administrativo, que culminou com o lançamento, assim, estando a situação fática se subsumindo às hipóteses legais para a aplicação do benefício da denúncia espontânea. O instituto da denúncia espontânea no Direito Tributário, assim como os seus semelhantes em outros ramos do Direito, visa incentivar o infrator se auto corrigir, através do reconhecimento voluntário do ilícito e da reparação do bem jurídico violado. Contudo, algumas infrações não são passíveis de serem beneficiadas pela denúncia espontânea. Quando a mera conduta do agente é definidor do núcleo do tipo da infração, estamos diante desse caso. Em outras palavras, quando a simples ação ou omissão do agente configurar o ilícito, não há possibilidade jurídica de se reparar o dano cometido. No caso das obrigações acessórias autônomas, em regra, essa situação se configura. Podemos dizer que é, justamente, o atraso no cumprimento de obrigação acessória o exemplo mais contundente desse tipo de infração. Uma vez que, no exato momento em que se Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10907.722573/201361 Acórdão n.º 3002000.651 S3C0T2 Fl. 125 9 exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido cumprida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Considerandose que, como no caso dos presentes autos, a obrigação acessória autônoma descumprida pelo transportador ou pelos seus representantes consiste no dever de o sujeito passivo informar os dados sobre a desconsolidação da carga à Aduana no prazo estabelecido, a simples falta da prestação tempestiva dessas informações já configura a infração e a impossibilidade física do retrocesso temporal impede sua reparação. Por outro lado, se admitíssemos a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea aos casos de infrações decorrentes do atraso na entrega de declarações ou da prestação de informações, estaríamos diante de um paradoxo lógicojurídico, o qual tornaria morta a letra da lei. Nesse sentido, me socorro do entendimento do Ilustre Conselheiro Jose Fernandes do Nascimento manifestado no Acórdão 310200.988, do qual extraio o seguinte excerto: "De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em conseqüência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." Nesse mesmo sentido, vem se manifestando a jurisprudência de nossos tribunais, conforme se infere da seguinte ementa: MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10907.722573/201361 Acórdão n.º 3002000.651 S3C0T2 Fl. 126 10 AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/ SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) Nessa esteira, a Súmula CARF nº 49 preceitua a não aplicabilidade da denúncia espontânea em casos análogos de cumprimento de obrigação acessória de forma extemporânea: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Ademais, esclareçase que, com o advento da MP 497/2010, convertida na Lei nº 12.350/2010, o instituto da denúncia espontânea não passou a alcançar as penalidades de natureza tributária e administrativa, caso em comento. Creio que a legislação supra não alterou o impedimento racional da aplicação do instituto da denúncia espontânea aos casos de cumprimento extemporâneo de obrigação acessória e alinhome ao entendimento do Douto Desembargador Rômulo Pizzolatti manifesto no voto condutor do Acórdão já mencionado: A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10907.722573/201361 Acórdão n.º 3002000.651 S3C0T2 Fl. 127 11 Por fim, manifestandose especificamente sobre o tema ora tratado, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula CARF nº 126, cuja observância é obrigatória pelos Conselheiros em seus julgamentos, conforme art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Por conseqüência do desenvolvimento lógicojurídico esposado ao longo do voto, considero inaplicável ao caso concreto o instituto da denúncia espontânea, pois este não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento do dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à Administração. Em seguida, a contribuinte afirmou que a multa imposta se mostra totalmente desproporcional ao ato cometido, dessa forma, segundo ela, a imposição dessa penalidade afronta o Princípio Constitucional da Proporcionalidade e o Princípio Constitucional da Razoabilidade. Com relação ao argumento de desproporcionalidade da multa, sua apreciação implicaria em verificar eventual ocorrência de confisco, o que seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da norma legal, que prevê de forma expressa a incidência da multa, o que é vedado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Assim, impõese relembrar que o julgamento administrativo trata da aplicação da legislação tributária como apresentada no sistema jurídico. Assim, a norma válida e eficaz, assim entendida a promulgada e publicada, dotada de presunção de correção formal e material, não pode ser desconsiderada pelo julgador. Nesse sentido, dispõe o art.62, do Anexo II, do RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A instância administrativa não é o foro adequado para discussões a respeito de ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis legitimamente inseridas no ordenamento jurídico pátrio, por absoluta falta de competência das autoridades administrativas a essa função, que é reservada pela Constituição Federal em caráter exclusivo ao Poder Judiciário. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10907.722573/201361 Acórdão n.º 3002000.651 S3C0T2 Fl. 128 12 É inócuo, portanto, suscitar tais alegações no âmbito administrativo, pois o julgador não pode delas tomar conhecimento. No caso, verificar a eventual existência de confisco ou de desproporcionalidade seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da norma que prevê a incidência da multa, o que é vedado a este Conselho Administrativo. Em consonância com esse ditame, vejamos o teor da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, não tomo conhecimento das alegações de desproporcionalidade da multa e, por conseqüência, de afronta aos Princípios Constitucionais da Razoabilidade, Proporcionalidade, do Não Confisco e da Capacidade Contributiva. Por fim, prosseguindo em sua defesa, a recorrente assevera ser possível a aplicação, ao caso, do art. 736 do Decreto nº 6759/2009, o qual reproduz o disposto no art. 4º do DecretoLei nº 1.042/1969, ensejando em decorrência a relevação da penalidade: Art 4º O Ministro da Fazenda, em despacho fundamentado, poderá relevar penalidades relativas a infrações de que não tenha resultado falta ou insuficiência no recolhimento de tributos federais atendendo: I A erro ou ignorância escusável do infrator, quanto a matéria de fato; I A eqüidade, em relação às características pessoais ou materiais do caso, inclusive ausência de intuito doloso. § 1º A relevação da penalidade pode ser condicionada à correção prévia das irregularidades que tenham dado origem ao processo fiscal. § 2º O Ministro da Fazenda poderá delegar a competência que este artigo lhe atribui. Entendo que considerações quanto à peculiaridade do caso, que pudessem atrair a relevação da pena, nos termos do art. 4º do DecretoLei 1.042/1969, não estão presentes nos autos. Ademais, de qualquer forma, tais considerações não podem ser analisadas por este Conselho, tendo em vista que o procedimento específico para tal pleito extrapola a esfera deste processo, assim como a competência do CARF, pois a decisão sobre o tema caberia à Receita Federal, nos termos da Portaria RFB nº 268/2012 e das Portarias Ministeriais que a autorizaram e, por outro lado, tal procedimento não seguiria o rito do Decreto 70.235/1972. Dessa forma, quanto a esta alegação, não tomo conhecimento. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10907.722573/201361 Acórdão n.º 3002000.651 S3C0T2 Fl. 129 13 Assim, por todo o exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo na integra o Crédito Tributário lançado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 129DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.722390/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO. FAP.
O Fator Acidentário de Prevenção foi incorporado ao Decreto n° 3.048, de 1999, tão somente a partir do advento do Decreto n° 6.042, de 2007, que acrescentou o art. 202-A e determinou a aplicação desse multiplicador variável apenas a partir do ano de 2010, por força de seu art. 5°, III, na redação do Decreto nº 6.577, de 2008.
TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. O adicional do terço constitucional de férias possui natureza de retribuição pelo trabalho, integrando a remuneração e o salário de contribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária, como explicitado no art. 214, § 4°, do Regulamento da Previdência Social.
PRIMEIROS 15 DIAS DE AUXÍLIO DOENÇA, AUXÍLIO ACIDENTE. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO.
Os valores decorrentes da obrigação legal de pagar o salário devido ao empregado nos primeiros 15 dias de afastamento por doença/acidente caracteriza interrupção do contrato de trabalho, mantida sua característica de verba salarial, assim passível de sofrer a incidência das contribuições previdenciárias, patronal e a cargo do empregado.
IMPOSSIBILIDADE DE OBSERVÂNCIA DE DECISÃO DO STJ. AUSÊNCIA DE TRANSITO EM JULGADO.
Nos termos art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 343 de 09 de junho de 2015, enquanto não transitado em Julgado decisão do Superior Tribunal de Justiça acerca da não incidência de contribuição previdenciária sobre um terço de férias, aviso prévio indenizado e 15 primeiros dias do auxílio doença ou auxílio acidente, não se pode afastar regra expressa do Decreto n° 3048, de 1999, quanto à incidência de Contribuições Previdenciárias.
Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 05/02/2010
GFIP COM OMISSÕES/INEXATIDÕES. MOMENTO DA INFRAÇÃO.
As Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIPs) de uma mesma competência, embora entregues em documentos distintos, de acordo com as situações específicas previstas no Manual da GFIP, são consideradas como um único documento e ainda que se refiram a estabelecimentos distintos (IN SRP n° 03, de 2005, art. 647; e IN RFB n° 971, de 2009, art. 474). Para a empresa com diversos estabelecimentos ou com mais de um FPAS por estabelecimento, o momento da infração ao art. 32, IV e § 3°, da Lei n° 8.212, de 1991, acrescentados pela Lei n° 9.528, de 1997, é o dia da entrega da última GFIP retificadora válida levando em conta todos os estabelecimentos e FPAS.
Numero da decisão: 2401-005.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, rejeitar as preliminares e dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) declarar a decadência das competências 01/2006 a 11/2006 e 13/2006 em relação aos lançamentos efetuados nos AIOPs n° 37.232.814-8, nº 37.232.815-6 e nº 37.232.816-4; e b) cancelar o AIOA n° 37.335.436-3. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa que davam provimento parcial em maior extensão para aproveitar no lançamento os valores recolhidos a título de 1/3 de férias e remuneração paga nos quinze primeiros dias de afastamento que antecedem o auxílio doença.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO. FAP. O Fator Acidentário de Prevenção foi incorporado ao Decreto n° 3.048, de 1999, tão somente a partir do advento do Decreto n° 6.042, de 2007, que acrescentou o art. 202-A e determinou a aplicação desse multiplicador variável apenas a partir do ano de 2010, por força de seu art. 5°, III, na redação do Decreto nº 6.577, de 2008. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. O adicional do terço constitucional de férias possui natureza de retribuição pelo trabalho, integrando a remuneração e o salário de contribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária, como explicitado no art. 214, § 4°, do Regulamento da Previdência Social. PRIMEIROS 15 DIAS DE AUXÍLIO DOENÇA, AUXÍLIO ACIDENTE. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. Os valores decorrentes da obrigação legal de pagar o salário devido ao empregado nos primeiros 15 dias de afastamento por doença/acidente caracteriza interrupção do contrato de trabalho, mantida sua característica de verba salarial, assim passível de sofrer a incidência das contribuições previdenciárias, patronal e a cargo do empregado. IMPOSSIBILIDADE DE OBSERVÂNCIA DE DECISÃO DO STJ. AUSÊNCIA DE TRANSITO EM JULGADO. Nos termos art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 343 de 09 de junho de 2015, enquanto não transitado em Julgado decisão do Superior Tribunal de Justiça acerca da não incidência de contribuição previdenciária sobre um terço de férias, aviso prévio indenizado e 15 primeiros dias do auxílio doença ou auxílio acidente, não se pode afastar regra expressa do Decreto n° 3048, de 1999, quanto à incidência de Contribuições Previdenciárias. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 05/02/2010 GFIP COM OMISSÕES/INEXATIDÕES. MOMENTO DA INFRAÇÃO. As Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIPs) de uma mesma competência, embora entregues em documentos distintos, de acordo com as situações específicas previstas no Manual da GFIP, são consideradas como um único documento e ainda que se refiram a estabelecimentos distintos (IN SRP n° 03, de 2005, art. 647; e IN RFB n° 971, de 2009, art. 474). Para a empresa com diversos estabelecimentos ou com mais de um FPAS por estabelecimento, o momento da infração ao art. 32, IV e § 3°, da Lei n° 8.212, de 1991, acrescentados pela Lei n° 9.528, de 1997, é o dia da entrega da última GFIP retificadora válida levando em conta todos os estabelecimentos e FPAS.
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FAP. O Fator Acidentário de Prevenção foi incorporado ao Decreto n° 3.048, de 1999, tão somente a partir do advento do Decreto n° 6.042, de 2007, que acrescentou o art. 202A e determinou a aplicação desse multiplicador variável apenas a partir do ano de 2010, por força de seu art. 5°, III, na redação do Decreto nº 6.577, de 2008. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. O adicional do terço constitucional de férias possui natureza de retribuição pelo trabalho, integrando a remuneração e o salário de contribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária, como explicitado no art. 214, § 4°, do Regulamento da Previdência Social. PRIMEIROS 15 DIAS DE AUXÍLIO DOENÇA, AUXÍLIO ACIDENTE. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. Os valores decorrentes da obrigação legal de pagar o salário devido ao empregado nos primeiros 15 dias de afastamento por doença/acidente caracteriza interrupção do contrato de trabalho, mantida sua característica de verba salarial, assim passível de sofrer a incidência das contribuições previdenciárias, patronal e a cargo do empregado. IMPOSSIBILIDADE DE OBSERVÂNCIA DE DECISÃO DO STJ. AUSÊNCIA DE TRANSITO EM JULGADO. Nos termos art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 343 de 09 de junho de 2015, enquanto não transitado em Julgado decisão do Superior Tribunal de Justiça acerca da não incidência de contribuição previdenciária sobre um terço de férias, aviso prévio indenizado e 15 primeiros dias do auxílio doença ou auxílio acidente, não se pode afastar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 23 90 /2 01 1- 61 Fl. 4674DF CARF MF Processo nº 19515.722390/201161 Acórdão n.º 2401005.988 S2C4T1 Fl. 4.675 2 regra expressa do Decreto n° 3048, de 1999, quanto à incidência de Contribuições Previdenciárias. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 05/02/2010 GFIP COM OMISSÕES/INEXATIDÕES. MOMENTO DA INFRAÇÃO. As Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIPs) de uma mesma competência, embora entregues em documentos distintos, de acordo com as situações específicas previstas no Manual da GFIP, são consideradas como um único documento e ainda que se refiram a estabelecimentos distintos (IN SRP n° 03, de 2005, art. 647; e IN RFB n° 971, de 2009, art. 474). Para a empresa com diversos estabelecimentos ou com mais de um FPAS por estabelecimento, o momento da infração ao art. 32, IV e § 3°, da Lei n° 8.212, de 1991, acrescentados pela Lei n° 9.528, de 1997, é o dia da entrega da última GFIP retificadora válida levando em conta todos os estabelecimentos e FPAS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, rejeitar as preliminares e dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) declarar a decadência das competências 01/2006 a 11/2006 e 13/2006 em relação aos lançamentos efetuados nos AIOPs n° 37.232.8148, nº 37.232.8156 e nº 37.232.8164; e b) cancelar o AIOA n° 37.335.4363. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa que davam provimento parcial em maior extensão para aproveitar no lançamento os valores recolhidos a título de 1/3 de férias e remuneração paga nos quinze primeiros dias de afastamento que antecedem o auxílio doença. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Fl. 4675DF CARF MF Processo nº 19515.722390/201161 Acórdão n.º 2401005.988 S2C4T1 Fl. 4.676 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, retificando em parte o Debcad nº 37.232.8148 (cancelado o valor principal de R$ 131,88; DADR, fls.4.428/4.455) e mantendo integralmente os demais. Foram lavrados os seguintes Autos de Infração: · DEBCAD nº 37.232.8148 AIOP contribuições da empresa veiculadas no art. 22, incisos I e II, da Lei 8.212, de 1991, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais. O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 806.379,33 (oitocentos e seis mil e trezentos e setenta e nove reais e trinta e três centavos; competências 01/2006 a 12/2007 e levantamentos com débito: DAL Diferença Ac. Legais, DI DIRF AUTONOMO 588, DI1 DIRFAUTONOMO 588, FP FOLHA PAGAMENTO, FP1 FOLHA PAGAMENTO, G GFIP e G1 GFIP (DD, fls. 3515/3554). · DEBCAD nº 37.232.8156 AIOP contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais, não descontada pela empresa, incidente sobre a remuneração paga aos seus segurados; competências 01/2006 a 12/2007 e levantamentos com débito: DI DIRF AUTONOMO 588, DI1 DIRFAUTONOMO 588 e FP FOLHA PAGAMENTO (DD, fls. 3668/3671). · DEBCAD nº 37.232.8164 AIOP contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos – Terceiros (Salário Educação, INCRA, SEST/SENAT e SEBRAE), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados; competências 01/2006 a 12/2007 e levantamentos com débito: FP FOLHA PAGAMENTO, FP1 FOLHA PAGAMENTO e G1 GFIP (DD, fls. 3776/3778). · DEBCAD nº 37.335.4363 (AIOA CFL68), lavrado por apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias; competências 04/2006 e 05/2007. Do Relatório Fiscal (fls. 3470/3503), em síntese, se extrai: a) Diferença de Acréscimos Legais DAL contém as parcelas de "Multa s/ Recolhimento", que não foram recolhidas adequadamente em GPS GUIA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. Segurados empregados contém as diferenças de parcelas retidas de seus Empregados. Segurados Contribuintes Individuais Sócios contém as diferenças de parcelas retidas de seus Sócios Empregados. Segurados Contribuintes Individuais Autônomos contém as parcelas não retidas de Autônomos sobre o total das remunerações " DIRF CÓDIGO 588. b) As Diferenças de SAT/RAT foram apuradas com base em GPS GUIA DE PREVIDÊNCIA SOCIAL, "13 SAT/RAT" recolhidas sobre o total das Fl. 4676DF CARF MF Processo nº 19515.722390/201161 Acórdão n.º 2401005.988 S2C4T1 Fl. 4.677 4 remunerações "Salário Contribuição", pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, devido ao enquadramento a alíquota menor em 1% em todos os estabelecimentos, para o período de 01/2006 a 12/2007, inclusive 13/2006 e 13/2007. c) Os fatos geradores da contribuição previdenciária e das parcelas de Terceiros constam da Contabilidade da empresa e em Folha de Pagamento e não foram devidamente declarados em GFIP (Guias de recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social) à época do fato gerador, conforme GFIPWEB, como também os respectivos recolhimentos não foram realizados de forma adequada pela empresa, como demonstra o Banco de Dados da Receita Federal. Os valores de Autônomos estão contidos na sua contabilidade, em DIRF Ano Base 2006 e 2007 Código 588, em DIPJ 2007 Ano Base 2006. d) A empresa confessou inicialmente em suas GFIPs "Salário Contribuição de todos os seus Segurados Empregados e o Pró Labore de seus Contribuintes Individuais Sócios". Mas, posteriormente, estas GFIPs "Empregados/Sócios" foram substituídas indevidamente pelas GFIPs "Produto Rural". e) Os levantamentos "FP Folha de Pagamento/FPl Folha de Pagamento" versam sobre a base de cálculo indevidamente cancelada pela substituição das GFIPs e os levantamentos "G GFIP/G1 GFIP" versam sobre base não informada em GFIP e em relação a qual não houve tal substituição. A empresa não declarou em nenhuma GFIP os valores pagos a seus Contribuintes Individuais Autônomos, conforme aponta "DIRF CÓDIGO 588" (levantamentos "DI DIRF AUTONOMO 588" e "DI1 DIRF AUTONOMO 588"). e) No período de 05/2007 a 09/2007, a empresa procedeu compensação indevida em suas GFIPs. Contudo, não foram estabelecidos quaisquer procedimentos judiciais contra a RFB/INSS ou procedimentos administrativos junto a RFB/INSS para justificar a compensação, restando o recolhimento a menor. f) Valores espontaneamente declarados em GFIP foram deduzidos dos levantamentos. Os valores lançados foram obtidos a partir do CCOR CONSULTA CONTA CORRENTE ESTABELECIMENTO, Folhas de Pagamento, GFIPs, Diários, RAIS e DIRF. g) Para os Fatos Geradores não declarados em GFIP, não houve pagamento antecipado, a atrair o art. 173, I do CTN. h) APLICAÇÃO DA MULTA: CompMulta AI 68 Anterior TotalMulta Multa Atual Anterior TotalMulta Multa Atual Menos Severa 01/2006 1.587,77 6.615.72 8.203.49 4.961,81 4.961.81 Atual 02/2006 1.140.42 4.751,76 5.892.18 3.563.82 3.563.82 Atual 03/2006 656,03 2.733,45 3.389,48 2.050,09 2.050.09 Atual 04/2006 23.071,03 30.488.60 53.559.63 72.096,95 72.096,95 Anterior 05/2006 1 241.06 5.171.08 6.412,14 3.878,32 3.878.32 Atual 06/2006 809.68 3.373.62 4.183,30 2.530.23 2.530,23 Atual 07/2006 1.093,71 4.557,09 5.650.80 3.417,82 3.417,82 Atual Fl. 4677DF CARF MF Processo nº 19515.722390/201161 Acórdão n.º 2401005.988 S2C4T1 Fl. 4.678 5 08/2006 1.618,31 6.742.98 8.361,29 5.057,25 5.057,25 Atual 09/2006 1.267,49 5.281.19 6.548.68 3.960.90 3.960,90 Atual 10/2006 1.452,87 6.053.60 7.506,47 4.540.20 4.540,20 Atual 11/2006 958.27 3.992,81 4.951,08 2.994.61 2.994,61 Atual 12/2006 1.029,95 4.291,45 5.321.40 3.218.59 3.218.59 Atual 13/2006 660.16 2.750,70 3.410,86 2.063.04 2.063.04 Atual 01/2007 1.359,04 5.662,67 7.021,71 4.247,01 4.247,01 Atual 02/2007 1.112.53 4.635.53 5.748,06 3.476.65 3.476.65 Atual 03/2007 1.288,27 5.367,69 6.655,96 4.025.85 4025.85 Atual 04/2007 1.150.97 4.795.72 5.946.69 3.596.79 3 596,79 Aluai 05/2007 16.084,46 30.488,60 46.573.06 50.263,91 50.263.91 Antenor 06/2007 12.552.65 30.488.60 43.041.25 39.226.99 39.226,99 Atual 07/2007 11.670.40 30.488.60 42.159.00 36.470.00 36.470.00 Atual 08/2007 8.655,85 30.488,60 39.144.45 27.049.56 27.049.56 Atual 09/2007 3887.01 19.195.77 23.082.78 12.146,92 12.146.92 Atual 10/2007 1.503,27 6.263,66 7.766.93 4.697.75 4697.75 Atual 11/2007 1.316.46 5.485,27 6.801,73 4.113,97 4.113,97 Atual 12/2007 2629.98 10.958.26 13.588.24 8.218,70 8.218.70 Atual 13/2007 743,59 3.098,30 3.841.89 2.323.73 2.323.73 Atual A contribuinte foi cientificada dos autos de infração em 28/12/2011, fls. 3504, 3667, 3775 e 3881, apresentando impugnações tempestivas, fls. 3891/3902, 3933/3946, 3978/4004 e 4005/4015, nas quais alega, em síntese, que: a) Decadência alegação comum. . Decadente o período 01/01/2006 a 31/12/2006, com base no art.150, §4º, do CTN, uma vez que houve pagamento, mesmo que a menor, e inexiste comprovação de dolo, fraude ou simulação. b) AIOP nº 37.232.8148. Houve afronta ao princípio da verdade material, pois questões de cunho formal (equívocos no envio de GFIPs) não podem afastar a constatação do recolhimento integral das contribuições. A atividade preponderante é qualificada para fins de alíquota SAT, conforme o grau de risco estabelecido no estabelecimento empresarial, no caso da impugnante CNAE 1061/01 – Beneficiamento de Arroz, podendo ser alterada com base nas estatísticas, nos termos do §3º do art.22 da Lei nº 8.212, de 1991. A Fiscalização não atentou para a legislação em vigor a época dos fatos (2% no anocalendário de 2007). Não se observou o FAP, logo o Auto de Infração deve ser anulado. Na competência de abril de 2006, realizou compensação com lastro em decisão judicial transitada em julgado. A fiscalização a desconsiderou, mas a compensação deve ser reconhecida administrativamente. Cabível a compensação de 05/2007 a 09/2007 por não terem caráter de remuneração o adicional de férias (STF, AgRg no AI 712.880 de 18/06/2009; STJ, Incidente de Uniformização, Petição 7269 de 10/11/2009; entendimento diverso gera inconstitucionalidade e ilegalidade) e auxílio doença (benefício previdenciário; RE 1217686). Efetuou recolhimentos superiores referentes aos autônomos em valores superiores aos lançados, conforme planilha (doc nº 02), devendo a cobrança ser desconsiderada. c) AIOP nº 37.232.8156. Houve afronta ao princípio da verdade material, pois questões de cunho formal (equívocos no envio de GFIPs) não podem afastar a constatação do recolhimento integral das contribuições. Na competência de abril de 2006, realizou compensação com lastro em decisão judicial transitada em julgado. A fiscalização a desconsiderou, mas a compensação deve ser reconhecida administrativamente. Efetuou recolhimentos superiores referentes aos autônomos em valores superiores Fl. 4678DF CARF MF Processo nº 19515.722390/201161 Acórdão n.º 2401005.988 S2C4T1 Fl. 4.679 6 aos lançados, conforme planilha (doc nº 02), devendo a cobrança ser desconsiderada. d) AIOP nº37.232.8164. Houve afronta ao princípio da verdade material, pois questões de cunho formal não podem afastar a constatação do recolhimento integral das contribuições. A base de cálculo não corresponde ao constante da folha de pagamento. Não se consegue identificar com clareza origem das diferenças. e) AIOA nº 37.335.4363 (CFL 68). A legislação aplicada ao auto não é a condizente com o fato concreto, a ofender a legalidade. A aplicação da multa pela Fiscalização com base no art.32, IV, §3º da Lei nº 8.212/91, não observou o entendimento do CARF, no sentido de aplicar a multa mais benigna ao contribuinte (art.32A da Lei nº 8.212/91 com redação dada pela Lei nº 11.941/2009, ou seja, a autuação não merece prosperar, já que não observou os princípios fiscais e constitucionais. f) Pedidos. Requer que sejam acatadas as preliminares, e no mérito que as impugnações sejam julgadas procedentes, com a extinção do suposto crédito tributário e todos os efeitos de cobrança relativos. E ainda, solicita a realização da perícia para verificar as questões apontadas, principalmente o de que foram recolhidas todas as contribuições devidas, ou então, de forma alternativa que seja realizada diligência fiscal. Do Acórdão prolatado pela Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (fls. 4476/4494), em síntese, se extrai: a) Conforme consta nos autos, as remunerações descritas no relatório fiscal, objeto dos presentes lançamentos de ofício, não estavam ao início da ação fiscal, declaradas nas GFIPs da Autuada, isto é, não foram consideradas pela Impugnante como integrantes do saláriode contribuição das contribuições previdenciárias devidas, tanto é que não houve pagamento antecipado das mesmas, condição indispensável para aplicação do disposto no § 4º do art. 150 do CTN. Deste modo, a ausência de qualquer recolhimento referente às contribuições incidentes sobre tais verbas conduz à aplicação do artigo 173, I, do CTN, para efeito do início de contagem do prazo decadencial (Súmula Vinculante nº 08; Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008). O mesmo se aplica às contribuições para terceiros( Lei n° 11.457, de 2007, arts. 2°, caput e §2°, e 3°, caput e §§ 2° e 3°). Com relação ao AIOA (CFL 68), a Nota Técnica PGFN/CAT nº 856/2008 é explicita ao determinar a aplicação do art. 173, I, do CTN para as obrigações acessórias. Destarte, apenas em relação aos valores apurados no Levantamento GPS – GPS apresentadas (Debcad nº 37.232.8148) a gerar diferenças de acréscimos legais incidentes sobre os pagamentos realizados no período de 01/2006 a 08/2007 (DEBCAD nº37.232.8148), deve ser reconhecida a decadência parcial para o período de 01/2006 a 11/2006, nos molde do art.150, §4º do CTN. b) AIOP nº 37.232.8148 ( Contribuição –Empresa e SAT). Foram apuradas as contribuição da Empresa e do SAT – Levantamentos FP1, Fl. 4679DF CARF MF Processo nº 19515.722390/201161 Acórdão n.º 2401005.988 S2C4T1 Fl. 4.680 7 FP, FP1, G e G1, e a contribuição da empresa referente a base de cálculo do contribuinte individual (Levantamentos DI1 – DIRF Autônomo 588 e FP – Folha de Pagamento), que não houve declaração em GFIP correta, muito menos recolhimento adequado dos valores devidos, conforme demonstrado pela Fiscalização a partir da análise das folha de pagamento, da DIRF e da DIPJ (fls.689/1458). O fato da empresa ter sobreposto as GFIP não gerou os valores apurados pela Fiscalização, mas sim a constatação pela Fiscalização que as contribuições apuradas no auto em tela, discriminadas no DAD, fls. 3513/3545, deixaram de ser recolhidas. As contribuições apuradas no auto em tela tiveram como base para lançamento a folha de pagamento e a DIPJ/DIRF (contribuição Empresa) e folha de pagamento (contribuição SAT), que foram distribuídas nos levantamentos DI – DIRF Autônomo 588, DI1 – DIRF Autônomos, FP – Folha de Pagamento, FP1 – Folha de Pagamento, G GFIP e G1 – GFIP. Com base na folha de pagamento, na contabilidade, na DIRF/DIPJ e GFIP apresentadas pela Impugnante constatouse o não recolhimento. Todos os recolhimentos realizados pela empresa foram devidamente considerados, conforme o RADA de fls.3549/3646, no qual é possível visualizar as GPS apresentadas, competência e estabelecimento. O Decreto nº 6.042 de 12/02/2007, somente passou a produzir efeitos no quarto mês subseqüente ao da sua publicação no que toca a contribuição em análise, conforme se verifica no art. 5º, II do citado Decreto. Assim, a alteração da alíquota de 3% (três por cento) para 2% (dois por cento), foi devidamente observada pela Fiscalização, conforme se constata no DAD, fls. 3514/3545, onde é possível visualizar que a partir da competência 06/2007, alíquota aplicada para as contribuições do SAT/RAT foi no percentual de 2%. Em relação à compensação na competência 04/2006, reiteramse os argumentos. Em relação às das competências 05/2007 a 09/2007, não é cabível a compensação pois as verbas que alega ter direito a efetuar a compensação (auxilio doença e o terço constitucional), não possuem caráter indenizatório, integrando o salário de contribuição para todos os fins, conforme o art. 28 da Lei nº 8.212/91. Na esfera administrativa, não cabe se apreciar alegação de ilegalidade e inconstitucionalidade. c) AIOP nº 37.232.8156 (Contribuintes Individuais e Empregados). Não há mero erro no envio da GFIP, eis que os recolhimentos realizados pela empresa foram feitos de forma inadequada ou sequer houve pagamento, conforme constatou a Fiscalização ao analisar a DIRF – Autônomos 588, a DIPJ, a folha de pagamento e a contabilidade da empresa. Além disso, o equívoco não se refere aos levantamentos DI – DIRF Autônomo 588 e DI1 – DIRF Autônomos (período 01/2006 a 12/2007), mas ao levantamento FP – Folha de Pagamento (competências 04/2006 e 05/2007) e, mesmo assim, não foi o fato de ter ocorrido a sobreposição de GFIP’s que gerou os valores lançadas no presente auto, mas sim em razão da impugnante não ter recolhido corretamente as contribuições nas citadas competências, conforme depreendese das informações prestadas pelo Auditor Fiscal. Com base na folha de pagamento, na contabilidade, na DIRF/DIPJ e GFIP apresentadas pela Impugnante Fl. 4680DF CARF MF Processo nº 19515.722390/201161 Acórdão n.º 2401005.988 S2C4T1 Fl. 4.681 8 constatouse o não recolhimento. Todos os recolhimentos realizados pela empresa foram devidamente considerados, conforme o RADA de fls.3674/3771, no qual é possível visualizar as GPS apresentadas, competência e estabelecimento. A decisão judicial proferida no processo nº 1999.03.99.1005447, pois tal decisão não alcança a Autuada que não é parte na ação (pesquisa realizada no sitio www.trf3.jus.br), além do que a empresa não anexou aos autos qualquer documento (GPS, por exemplo), que comprovasse a existência de recolhimento (PróLabore) declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (fls.3947/3977documentos anexados pela empresa) e confirmado pela Resolução nº14/1995 do Senado Federal. O Relatório do Processo Administrativo, fls.3473, esclarece que o período 05/2007 a 09/2007 a empresa procedeu compensação nas GFIP’s de forma indevida, não fazendo parte da glosa de compensação desconsiderada pela Fiscalizada a competência 04/2006, apontada pela Impugnante. O lançamento observou a legislação em vigor (FLD, fls. 3673) d) AIOP nº 37.232.8164 (Terceiros). Não houve qualquer violação ao principio da verdade material, pois a documentação fornecida pela empresa (folha de pagamento, contabilidade, GFIP etc) revelou não ter havido declaração e nem recolhimento. Os levantamentos foram baseados na folha de pagamento e na contabilidade (fls.689/1458) e o preenchimento das GFIP’s não foi realizado corretamente. Os valores indicados no DAD de fls.3777/3778, foram devidamente demonstrados no Relatório do Processo Administrativo, onde é possível visualizar nas planilhas de fls. 3476/3497, a origem dos valores, o levantamento a que se referem, a competência e a filial correspondente a que se refere os valores verificados nos resumos das folhas. Todos os recolhimentos realizados pela empresa foram devidamente considerados, conforme o RADA de fls.3781/3878, no qual é possível visualizar as GPS apresentadas, competência e estabelecimento. O lançamento observou a legislação em vigor (FLD, fls. 3779). e) AIOA nº 37.335.4363 (CFL nº 68). A empresa incorreu na infração prevista no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91, pois deixou de declarar os fatos geradores de contribuições previdenciárias, no período de 01/2006 a 13/2007. Tratandose de fato gerador ocorrido anteriormente à publicação da MP, tendo o presente auto (CFL 68) sido lavrado posteriormente a essa data, observou a Fiscalização ao disposto na alínea “c”, inciso II, do art. 106 do CTN. Tal procedimento está normatizado no art. 476A da Instrução Normativa nº 971, de 13/11/2009. A Fiscalização cumpriu estritamente as disposições legais vigentes, conforme detalhado no item 2.2 do Relatório Fiscal. f) Perícia/Diligência. No caso em tela, fica claro que a documentação acostada nos autos pela Fiscalização e pela Impugnante, bem como as informações prestados pela Fiscalização no Relatório do Processo Administrativo, afastam qualquer pretensão de perícia e diligência, que no caso concreto considerase prescindíveis. Fl. 4681DF CARF MF Processo nº 19515.722390/201161 Acórdão n.º 2401005.988 S2C4T1 Fl. 4.682 9 Cientificada em 03/10/2012 (fls. 4503), a autuada apresentou recurso voluntário (fls. 4538/4573) em 05/11/2012 (fls. 4538) alegando, em síntese: a) Decadência. Havendo pagamento antecipado, como no caso em tela, mesmo que a menor, na qual a autoridade tributária deveria ter tomado conhecimento e não o fez, sem que haja comprovação de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, haverá a extinção do crédito tributário em 5 (cinco) anos, ou seja, prazo decadencial quinquenal a contar da data do fato gerador (CNT, art. 150 § 4°; doutrina; e jurisprudência). Com base nos períodos verificados na ação fiscal, denotase que o período compreendido entre 01 de janeiro de 2006 a 31 de dezembro de 2006 foi atingido pela decadência. b) AIOP nº 37.232.8148. Da verdade material. Em face da verdade material, devem ser desconsideradas as questões formais (equívoco no envio da GFIP com informações não prestadas ou prestadas em desconformidade com orientações legais), tendo em vista o recolhimento integral das contribuições devidas. Dos valores apontados pela Fiscalização. Equívoco nas GFIPs. O Fisco salienta que os fatos geradores da Contribuição Previdenciária e das parcelas de terceiros constam na contabilidade da empresa e em folha de pagamento, todavia não foram devidamente declarados através da GFIP, gerando o débito tributário. Confessados inicialmente em GFIPs "Salário Contribuição de todos os seus Segurados Empregados e o Pró Labore de seus Contribuintes Individuais Sócios", mas que as GFIPs "Empregados/Sócios", restaram substituídos por GFIPs "Produto Rural" (levantamentos FP1 Folha de Pagamento 1). A verdade material deve prevalecer sobre esse equívoco formal, pois houve recolhimento integral do devido à Previdência Social, não incorrendo em questões materiais. Logo, por ofensa ao princípio da verdade material, o lançamento padece de nulidade absoluta. Seguro Acidente de Trabalho SAT. O legislador dispõe, com referência a alíquota a ser aplicada na base de cálculo do SAT, 3 (três) graus de risco, que correspondem diretamente a atividade econômica da empresa. O STJ pacificou que a atividade preponderante é qualificada para fins de aplicação da alíquota do "SAT", de acordo com o grau de risco estabelecido do estabelecimento empresarial (Súmula STJ n° 351). A Recorrente possui como atividade econômica preponderante o Beneficiamento de Arroz, com inscrição no CNAE 10619/01. Com a atividade empresarial de Beneficiamento de Arroz, a incidência da alíquota de "SAT" atual é de 3% (anexo V do Decreto 3.048, de 1999). O Decreto 6.042/2007 alterou o grau de risco. A alíquota do "SAT" vigente no período de apuração correspondente anocalendário de 2007 para a atividade preponderante desenvolvida era de 2%. A mudança para 3% só foi verificada em setembro de 2009, pelo Decreto 6.957/09. Logo, correta a apuração empreendida pela recorrente. Fator Acidentário de Prevenção (FAP). A recorrente possui um baixo índice de acidentes dentro da atividade desenvolvida. Assim sendo, a redução é cabível, pois no Decreto 3.048/99, desde sua promulgação, já previa a redução. Assim, o Auto de Infração deve ser anulado pela não observância dos preceitos legais. Abril de 2006 Fl. 4682DF CARF MF Processo nº 19515.722390/201161 Acórdão n.º 2401005.988 S2C4T1 Fl. 4.683 10 Compensação. Na competência 04/2006, consoante GFIP, houve compensação de prólabore pago a maior (Processo n° 1999.03.99.1005447, n° de origem: 97.00304515, transitado em julgado em 06/09/2004). A fiscalização desconsiderou esta compensação sob alegação de o processo não alcançar a recorrente, mas a empresa Itaqui Comércio e Representações Ltda, CNPJ 46.377.313/000164, era parte e foi incorporada em 01/12/1997, conforme Ata de Assembleia Geral Extraordinária (anexo III). Maio de 2007 a setembro de 2007 Compensação. Foram efetuadas compensações referentes a recolhimentos a maior de períodos anteriores em relação ao terço constitucional de férias (indeniza, não retribui por serviços), Auxílio Enfermidade/Auxílio doença (Afastamento médico por menos de 15 diasAtestado Médico é benefício previdenciário). Por não envolverem remuneração, devem ser reconhecidas as compensações efetuadas nas competências de maio de 2007 à setembro de 2007. Autônomos. Os recolhimentos referentes aos serviços prestados por autônomos foram superiores aos cobrados no Auto de Infração. Como exemplo, foi planilhado (doc 6) recolhimentos referentes a alguns dos prestadores de serviços mencionados no Auto de Infração, juntamente com as respectivas guias de recolhimento. A recorrente efetuou outros recolhimentos que não estão demonstrados por não ter conseguido identificar nos autos do processo a origem do prestador de serviços. Logo, além de decadente, a contribuição incidente sobre autônomos restou quitada. c) AIOP n° 37.232.8156. Da verdade material. Em face da verdade material, devem ser desconsideradas as questões formais (equívoco no envio da GFIP com informações não prestadas ou prestadas em desconformidade com orientações legais), tendo em vista o recolhimento integral das contribuições devidas. Dos valores apontados pela Fiscalização. Equívoco nas GFIPs. O Fisco salienta que os fatos geradores da Contribuição Previdenciária e das parcelas de terceiros constam na contabilidade da empresa e em folha de pagamento, todavia não foram devidamente declarados através da GFIP, gerando o débito tributário. Confessados inicialmente em GFIPs "Salário Contribuição de todos os seus Segurados Empregados e o Pró Labore de seus Contribuintes Individuais Sócios", mas que as GFIPs "Empregados/Sócios", restaram substituídos por GFIPs "Produto Rural" (levantamentos FP1 Folha de Pagamento 1). A verdade material deve prevalecer sobre esse equívoco formal, pois houve recolhimento integral do devido à Previdência Social, não incorrendo em questões materiais. Logo, por ofensa ao princípio da verdade material, o lançamento padece de nulidade absoluta. Abril de 2006 Compensação. Na competência 04/2006, consoante GFIP, houve compensação de prólabore pago a maior (Processo n° 1999.03.99.1005447, n° de origem: 97.00304515, transitado em julgado em 06/09/2004). A fiscalização desconsiderou esta compensação sob alegação de o processo não alcançar a recorrente, mas a empresa Itaqui Comércio e Representações Ltda, CNPJ 46.377.313/000164, era parte e foi incorporada em 01/12/1997, conforme Ata de Assembleia Geral Extraordinária (anexo III). Fl. 4683DF CARF MF Processo nº 19515.722390/201161 Acórdão n.º 2401005.988 S2C4T1 Fl. 4.684 11 Autônomos. Os recolhimentos referentes aos serviços prestados por autônomos foram superiores aos cobrados no Auto de Infração. Como exemplo, foi planilhado (fls. 3977) recolhimentos referentes a alguns dos prestadores de serviços mencionados no Auto de Infração, juntamente com as respectivas guias de recolhimento. A recorrente efetuou outros recolhimentos que não estão demonstrados por não ter conseguido identificar nos autos do processo a origem do prestador de serviços. Logo, além de decadente, a contribuição incidente sobre autônomos restou quitada. d) AIOP n° 37.232.8164. Da verdade material. Em face da verdade material, devem ser desconsideradas as questões formais (informações não prestadas ou prestadas em desconformidade com orientações legais), tendo em vista o recolhimento integral das contribuições devidas. Dos valores apontados pela Fiscalização. Conforme anteriormente comprovado em sede de impugnação, os valores apontados pela Fiscalização como base de cálculo das contribuições de terceiros (fls. 3476/3497) não correspondem aos constantes da folha de pagamento da Recorrente (fis. 689/1458). Por exemplo, os valores constantes da planilha "Diferença Folha de Pagamento e GFIP" (fis. 3480) e da planilha "Discriminativo de Débito" (fls. 3777), referente ao mês de agosto/2006, da filial 0004, não coincidem com o valor expresso na planilha "Folha Fiscal" (fls.998) (anexo II). Deste modo, não estão evidentes os valores levados em consideração na apuração da suposta diferença apontada pela fiscalização. Assim, requer seja reformado o acórdão ora combatido haja vista a falta de clareza nas diferenças apuradas pela Fiscalização, com a consequente extinção do suposto crédito tributário. e) AIOA n° 37.335.4363. Multa. A legislação aplicada ao auto de infração em comento não é correta, devendo ser declarado nulo. Deveria ter sido aplicado e tipificado no artigo 32A da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 11.941/09, ante o suposto descumprimento de obrigação acessória, conforme portaria conjunta PGFN/RFB n° 14 ,de 2009, em seu art. 2°. Além disso, a Fiscalização apontou como dispositivo legal infringido a Lei n° 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafo 3, sendo certo que tal dispositivo foi revogado pela Lei n° 11.941/09. Portanto, na data da lavratura do presente Auto de Infração, referido dispositivo legal, utilizado pela fiscalização, já havia sido revogado. f) Do pedido de perícia/diligência. A Recorrente faz jus ao direito de requisitar perícia ou diligência para verificar as questões por ela apontadas, principalmente ao fato de que foram recolhidas todas as contribuições devidas. Alternativamente, requer diligência fiscal para apurar as questões materiais, ou seja, confrontar os débitos apontados com os recolhimentos realizados. g) Pedido. Pede o acolhimento das preliminares e prejudiciais e, no mérito, a improcedência das autuações. Fl. 4684DF CARF MF Processo nº 19515.722390/201161 Acórdão n.º 2401005.988 S2C4T1 Fl. 4.685 12 É o relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Admissibilidade. Intimada em 03/10/2012 (fls. 4503), a recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 4538/4573) tempestivamente em 05/11/2012 (fls. 4538), eis que o dia 02/11/2012 foi feriado nacional (Portaria MPOG n° 595, de 2011, art. 1°, XII; CTN, art. 210; Decreto n° 70.235, de 1972, art. 5° e 33, caput). Presentes os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Preliminares. Apesar de o recorrente pedir o acolhimento de preliminares, detecto nas razões recursais apenas uma preliminar consistente na nulidade do acórdão de impugnação por não se ter deferido pedido de diligência/perícia. Alegação de nulidade do AI por falta da clareza da imputação fiscal se confunde com o mérito na esfera de um recurso voluntário. No mesmo sentido, entendo que no âmbito recursal é matéria de mérito a alegação de nulidade o AIOA n° 37.335.4363 em razão de aplicação de legislação revogada na imputação da multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Vislumbro, ainda, preliminar de recurso não formulada, ou seja, a nulidade do Acórdão de piso por não ter apreciado a alegação da impugnação relativa ao FAP. Essa preliminar, aqui suscitada de ofício por ser de ordem pública, deve ser superada, eis que, apesar de o acórdão de piso não ter analisado a alegação de defesa em tela, o processo está em condições de imediato julgamento, sendo cabível decidir desde logo o mérito (Lei n° 13.105, de 2015, arts 15, 485, IV, e 1.013, § 3°, I). Decadência. Em face da Súmula Vinculante n° 8, de 12 de junho de 2008, do Supremo Tribunal Federal (STF), a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional emitiu o Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008, aprovado pelo Ministro da Fazenda, em 18 de agosto de 2008, esclarecendo que, para fins de cômputo do prazo de decadência das contribuições previdenciárias, na hipótese de pagamento antecipado, ainda que parcial, aplicase a regra do artigo 150, § 4º, da Lei n° 5.172, de 1966, exceto quando comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, casos em que se aplica o artigo 173, inciso I da Lei n° 5.172, de 1966. As contribuições sociais devidas a outras entidades e fundos (contribuições para terceiros) observam o mesmo prazo decadencial das contribuições sociais destinadas ao financiamento do Regime Geral de Previdência Social (Lei n° 9.766, de 1998, art. 1°, caput; e Lei n° 11.457, de 2007, art. 3°, § 3°). A fiscalização sustentou não haver pagamento antecipado em relação aos fatos geradores não declarados em GFIP. Contudo, apropriou todos os recolhimentos constantes do CCOR CONSULTA CONTA CORRENTE ESTABELECIMENTO, especificandoos no RDA Relatório de Documentos Apresentados (fls. 07/27), conforme demonstrado nos RADAs Relatórios de Apropriação de Documentos Apresentados dos AIs n° 37.232.8148 (fls. 3549/3646), nº 37.232.8156 (fls,. 3674/3771) e nº 37.232.8164 (fls. 3781/3878). Logo, apesar de os recolhimentos não estarem amparados por GFIP, foram considerados pela fiscalização como pagamento antecipado, a quitar o crédito tributário Fl. 4685DF CARF MF Processo nº 19515.722390/201161 Acórdão n.º 2401005.988 S2C4T1 Fl. 4.686 13 mediante apropriação de recolhimento oportuno. O recolhimento havido para terceiros também restou apropriado. Não tendo sido dado o tratamento de pagamento indevido para tais recolhimentos, impõese a incidência do art. 150, § 4°, do CTN, bem como do entendimento sumulado a seguir explicitado: Súmula CARF n° 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 40, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, considerandose a intimação dos AIOP em 28/12/2011 (fls. 3504, 3667 e 3775) e os respectivos RADAs (fls. 3549/3646, 3674/3771 e 3781/3878), constatase a configuração da decadência para as competências 01/2006 a 11/2006 e 13/2006. Em relação ao AIOA n° 37.335.4363, o prazo decadencial para a constituição da penalidade por descumprimento da obrigação tributária acessória é regido pelo art. 173, I, da Lei n° 5.172, de 1966, eis que não há como se falar em pagamento antecipado (pressupõe obrigação de dar pagar tributo) para uma obrigação tributária de fazer, no caso a obrigação acessória de apresentar GFIP com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Logo, não há decadência a ser declarada no que toca ao AIOA n° 37.335.436 3. Impõese, por consequência, apenas o reconhecimento da decadência para as competências 01/2006 a 11/2006 e 13/2006 em relação aos lançamentos efetuados nos AIOPs n° 37.232.814 8, nº 37.232.8156 e nº 37.232.8164. Da verdade material e do equívoco nas GFIPs e dos valores apontados pela fiscalização. Invocando a verdade material, a recorrente sustenta o recolhimento integral das contribuições lançadas nos AIOPs n° 37.232.8148, nº 37.232.8156 e nº 37.232.8164, tendo havido, no seu entender, apenas informações não prestadas em GFIP ou prestadas com incorreções, inclusive pela substituição de "GFIPs Folha de Pagamento" por "GFIPs Produto Rural". Além disso, em relação ao AIOP n° 37.232.8164, acrescenta que os valores apontados pela fiscalização não correspondem ao constante da folha de pagamento e cita o mês de agosto/2006 para a filial 0004, devendo o AIOP n° 37.232.8164 ser cancelado por falta de clareza nas diferenças apuradas. A leitura dos autos revela que a fiscalização apurou a base de cálculo dos lançamentos a partir da folha de pagamento e da contabilidade para os levantamentos FP, FP1, G e G1, sendo que a diferença entre os lançamentos FP/FP1 e G/G1 reside no fato de a base de cálculo veiculada no lançamento FP/FP1 ter sido inicialmente declarada em GFIP, mas substituída antes do início do procedimento fiscal por "GFIPs Produto Rural". Para os levantamentos DI e DI1, a fonte documental imediata foram as informações prestadas em DIPJ/DIRF. O levantamento DAL versa sobre acréscimos devidos em razão de recolhimentos em atraso. Fl. 4686DF CARF MF Processo nº 19515.722390/201161 Acórdão n.º 2401005.988 S2C4T1 Fl. 4.687 14 A partir da apuração dessas bases, foram calculadas as contribuições e apropriados todos os recolhimentos constantes do sistema informatizado da Receita Federal, devidamente especificados no RDA (fls. 07/27), conforme demonstrado nos RADAs dos AIs n° 37.232.8148 (fls. 3549/3646), nº 37.232.8156 (fls,. 3674/3771) e nº 37.232.8164 (fls. 3781/3878), bem como nos DDs Discriminativos dos Débitos dos AIs n° 37.232.8148 (fls. 3513/3545), nº 37.232.8156 (fls,. 3668/3671) e nº 37.232.8164 (fls. 3776/3778). Constam do RDA (fls. 07/27) todas as GPSs apresentadas com as impugnações (para o período não atingido pela decadência: fls. 4111/4166, 4184, 4188, 4191, 4197, 4203, 4209, 4212, 4220, 4228, 4233, 4236, 4243, 4249, 4252, 4257, 4260, 4267, 4270, 4272, 4276, 4409/4422). Devo, contudo, tecer duas ponderações. Primeira. Consta do campo 4 da GPSs de fls. 4416 a competência 06/2007 e de sua autenticação por pagamento eletrônico de tributo o destaque: "O lançamento consta no extrato da conta junto à agência 23744, data de pagamento 11/06/2007". Além disso, consta ainda da GPS de fls. 4416: "INSS S/ FOLHA UNAI/RS". Notese que em 11/06/2007 a folha de 06/2007 não estava fechada. No RDA, a GPS em tela foi lançada na competência 05/2007 (fls. 18). Segunda. Consta do campo 4 da GPSs de fls. 4419 a competência 06/2007 e de sua autenticação por pagamento eletrônico de tributo o destaque: "O lançamento consta no extrato da conta junto à agência 23744, data de pagamento 11/06/2007". No RDA, a GPS em tela foi lançada na competência 05/2007 (fls. 22). Destarte, não prospera a alegação de existir mera irregularidade formal por incorreção das informações prestadas em GFIP (ausência, incorreção, substituição etc). Não houve confissão em GFIP e também não houve recolhimento do débito constituído, eis que todos os recolhimentos empreendidos integraram o RDA e foram apropriados, conforme RADAs e DDs. Não há nos autos prova a demonstrar o recolhimento do débito constituído, sendo da recorrente o ônus de comprovar o fato extintivo do pagamento (Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; e Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II). Logo, não vinga a afirmativa de nulidade por violação do princípio da verdade material, ainda mais tendo a fiscalização considerado todos os recolhimentos constantes do sistema informatizado da Receita Federal. A alegação de insubsistência do AIOP n° 37.232.8164 por falta de clareza nas diferenças apuradas pela fiscalização foi formulada de forma genérica na impugnação e o acórdão de piso considerou que os valores indicados no DD (fls. 3777/3778) foram demonstrados no Relatório Fiscal (fls. 3476/3497), tendo por origem os resumos das folhas. A recorrente reitera a alegação e, para lhe dar concretude, especifica uma única ocorrência de tal falta de clareza, ou seja, os valores constantes da planilha "Diferença Folha de Pagamento e GFIP" em 08/2006 para a filial 0004 (fls. 3480) e da planilha "Discriminativo de Débito" (fls. 3777) não coincidiriam com o valor expresso na planilha "Folha Fiscal" (fls. 998). O mês em questão foi atingido pela decadência. Diante disso, não se sustenta a única ocorrência apresentada para dar substância a alegação genérica de falta de clareza nas diferenças apuradas pela fiscalização para o AIOP n° 37.232.8164, devendo prevalecer o entendimento esposado pelo Acórdão de piso1. 1 Mesmo que não estivesse decadente, a inconsistência apontada se revelaria como erro de digitação manifesto. Explico. Na fl. 3480, consta o salário de contribuição de R$ 357.914,01, mesmo valor constante do campo "01/SC Empreg/avulso" do DD (fls. 3777). Na fl. 998, consta a última página da Folha Fiscal da competência 08/2006 Fl. 4687DF CARF MF Processo nº 19515.722390/201161 Acórdão n.º 2401005.988 S2C4T1 Fl. 4.688 15 Compensação Abril de 2006. A alegação de compensação em relação aos AIOPs n° 37.232.8148 e n° 37.232.8156 resta prejudicada em razão da decadência declarada para a competência 04/2006. Compensação Maio de 2007 a setembro de 2007. Segundo a fiscalização, não haveria procedimento judicial e nem administrativo autorizador da compensação de verbas com incidência de contribuição. A recorrente se limita a sustentar que no período de 05/2007 a 09/2007 empreendeu compensação de recolhimentos anteriores (tabelas, fls. 4375/4392) advindos de recolhimento indevido de contribuições sobre terço constitucional de férias (indeniza, não retribui por serviços) e Auxílio Enfermidade/Auxílio doença (Afastamento de 15 dias é benefício previdenciário). Com a impugnação, foram apresentadas tabelas (fls. 4375/4392) para comprovar a origem do crédito, contudo tais tabelas estão desacompanhadas de documentação a lastreálas e não se constituem em memória de cálculo hábil a demonstrar a origem dos valores compensados e nem a atualização dos mesmos, eis que nelas simplesmente se apresentam totais atualizados por estabelecimento a título de "Acidente Trabalho 15 dias", "1/3 Férias", "Gratificação" e "Adicional de Transferência", apresentandose total intitulado "Estimativa dos últimos 5 anos". Alem disso, o terço de férias gozadas e o valor pago nos 15 primeiros dias de afastamento integram a base de cálculo por força de norma legal (Lei n° 8.212, de 1991, art. 22, I, e 28; RPS, art. 224, I e § 4°; Lei n° 8.213, de 1991, art. 60,§ 3°; e RPS, art. 43, § 2°). Não cabe ao presente conselho afastar a aplicação da legislação sob a alegação de inconstitucionalidade (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 26A; e Súmula CARF n° 2). De fato, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), consolidou o entendimento da não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração paga nos 15 dias anteriores à concessão de auxíliodoença e sobre o terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas. A vinculação ao decidido na sistemática dos recursos repetitivos, contudo, demanda decisão definitiva de mérito (Regimento Interno do CARF, art. 62). O REsp 1.230.957 não transitou em julgado, eis que foi sobrestado devido ao reconhecimento de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal (STF), tendo por paradigma o RE n° 593.068/SC, a tratar da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, a gratificação natalina, os serviços extraordinários, o adicional noturno e o adicional de insalubridade (Tema 163/STF). Além disso, a natureza jurídica do terço constitucional de férias, indenizadas e gozadas, para fins de incidência da contribuição previdenciária patronal é objeto de repercussão geral no RE n° 1.072.485/PR, pendente de julgamento (Tema 985/STF). (fls. 985/998). A base de cálculo apurada pela fiscalização consta da fl. 997 e resulta do somatório dos eventos "511 INSS (Normal)" e "512 INSS sobre 13. Salário", ou seja, 337.756,79 + 157,22 = 337.914,01, sendo manifesto o erro de digitação da fiscalização ao tomar 337.914,01 por 357.914,01. Fl. 4688DF CARF MF Processo nº 19515.722390/201161 Acórdão n.º 2401005.988 S2C4T1 Fl. 4.689 16 Logo, mantenho o entendimento de o terço constitucional e os 15 primeiros dias de afastamento integrarem a base de cálculo das contribuições, conforme já decidido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS/ OBRIGAÇÃO PRINCIPAL/ REMUNERAÇÃO/ SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO/ PRIMEIROS 15 DIAS DE AUXÍLIO DOENÇA, AUXÍLIO ACIDENTE Os valores decorrentes da obrigação legal de pagar o salário devido ao empregado nos primeiros 15 dias de afastamento por doença/acidente caracteriza interrupção do contrato de trabalho, mantida sua característica de verba salarial, assim passível de sofrer a incidência das contribuições previdenciárias, patronal e a cargo do empregado. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AVISO PRÉVIO. O aviso prévio faz parte da retribuição que remunera o contrato de trabalho e que inexiste previsão de sua exclusão na norma tributária previdenciária impõese a exigência do tributo sobre essa rubrica da folha de pagamento quando o empregador não efetua seu recolhimento. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. ART. 214, §4º, DO DECRETOnº 3048/99. A remuneração de férias e seu respectivo adicional de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal possuem natureza remuneratória e, nessa condição, integram o salário de contribuição, para fins de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos expressos no §4º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. IMPOSSIBILIDADE DE OBSERVÂNCIA DE DECISÃO DO STJ. AUSÊNCIA DE TRANSITO EM JULGADO. Nos termos art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 343 de 09 de junho de 2015, enquanto não transitado em Julgado decisão do STJ acerca da não incidência de contribuição previdenciária sobre um terço de férias, aviso prévio indenizado e 15 primeiros dias do auxílio doença ou auxílio acidente, não se pode afastar regra expressa do Decreto 3048/99 quanto à incidência de Contribuições Previdenciárias. (...) Acórdão 9202006.464, de 30 de janeiro de 2018 Não merece, destarte, reforma o acórdão recorrido. Seguro Acidente do Trabalho SAT. A recorrente sustenta que a alíquota SAT seria de 2% no período de apuração (beneficiamento de arroz CNAE 10619/01), eis que a mudança para 3% se daria apenas em setembro de 2009 por força do Decreto n° 6.957, de 2009. Devemos ponderar, contudo, que a alteração da alíquota em questão se operou em 06/2007 (Decreto n° 6.402, de 2007, art. 5°, II), por força da alteração do Anexo V do Decreto n° 3.048, de 1999, determinada pelo art. 2° do Decreto n° 6.402, de 2007, tendo a fiscalização adotado a alíquota de 3% somente até a competência 05/2007 (DD, fls. 3514/3545). Fl. 4689DF CARF MF Processo nº 19515.722390/201161 Acórdão n.º 2401005.988 S2C4T1 Fl. 4.690 17 Fator Acidentário de Prevenção FAP. A recorrente postula a anulação do AIOP n° 37.232.8148 em razão de possuir baixo índice de acidentes e de o Decreto n° 3.048, de 1999, prever a redução da alíquota SAT desde sua promulgação. O FAP resulta da Medida Provisória n° 83, de 2002, convertida na Lei n° 10.666, de 2003, que asseverou: Lei n° 10.666, de 2003 Art. 10. A alíquota de contribuição de um, dois ou três por cento, destinada ao financiamento do benefício de aposentadoria especial ou daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, poderá ser reduzida, em até cinqüenta por cento, ou aumentada, em até cem por cento, conforme dispuser o regulamento, em razão do desempenho da empresa em relação à respectiva atividade econômica, apurado em conformidade com os resultados obtidos a partir dos índices de freqüência, gravidade e custo, calculados segundo metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social. Assim, o FAP foi incorporado ao Decreto n° 3.048, de 1999, tão somente a partir do advento do Decreto n° 6.042, de 2007, que acrescentou o art. 202A e determinou a aplicação desse multiplicador variável apenas a partir do ano de 2010, por força de seu art. 5°, III, na redação do Decreto nº 6.577, de 2008, como podemos verificar: Decreto n° 6.042, de 2007 Art. 1° O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 6 de maio de 1999, passa a vigorar com as seguintes alterações: (...) “Art. 202A. As alíquotas constantes nos incisos I a III do art. 202 serão reduzidas em até cinqüenta por cento ou aumentadas em até cem por cento, em razão do desempenho da empresa em relação à sua respectiva atividade, aferido pelo Fator Acidentário de Prevenção FAP. § 1° O FAP consiste num multiplicador variável num intervalo contínuo de cinqüenta centésimos (0,50) a dois inteiros (2,00), desprezandose as demais casas decimais, a ser aplicado à respectiva alíquota. § 2° Para fins da redução ou majoração a que se refere o § 1°, procederseá à discriminação do desempenho da empresa, dentro da respectiva atividade, por distanciamento de coordenadas tridimensionais padronizadas (índices de freqüência, gravidade e custo), atribuindose o fator máximo dois inteiros (2,00) àquelas empresas cuja soma das coordenadas for igual ou superior a seis inteiros positivos (+6) e o fator mínimo cinqüenta centésimos (0,50) àquelas cuja soma resultar inferior ou igual a seis inteiros negativos (6). Fl. 4690DF CARF MF Processo nº 19515.722390/201161 Acórdão n.º 2401005.988 S2C4T1 Fl. 4.691 18 § 3° O FAP variará em escala contínua por intermédio de procedimento de interpolação linear simples e será aplicado às empresas cuja soma das coordenadas tridimensionais padronizadas esteja compreendida no intervalo disposto no § 2o, considerandose como referência o ponto de coordenadas nulas (0; 0; 0), que corresponde ao FAP igual a um inteiro (1,00). § 4° Os índices de freqüência, gravidade e custo serão calculados segundo metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social, levandose em conta: I para o índice de freqüência, a quantidade de benefícios incapacitantes cujos agravos causadores da incapacidade tenham gerado benefício com significância estatística capaz de estabelecer nexo epidemiológico entre a atividade da empresa e a entidade mórbida, acrescentada da quantidade de benefícios de pensão por morte acidentária; II para o índice de gravidade, a somatória, expressa em dias, da duração do benefício incapacitante considerado nos termos do inciso I, tomada a expectativa de vida como parâmetro para a definição da data de cessação de auxílioacidente e pensão por morte acidentária; e III para o índice de custo, a somatória do valor correspondente ao saláriodebenefício diário de cada um dos benefícios considerados no inciso I, multiplicado pela respectiva gravidade. § 5° O Ministério da Previdência Social publicará anualmente, no Diário Oficial da União, sempre no mesmo mês, os índices de freqüência, gravidade e custo, por atividade econômica, e disponibilizará, na Internet, o FAP por empresa, com as informações que possibilitem a esta verificar a correção dos dados utilizados na apuração do seu desempenho. § 6° O FAP produzirá efeitos tributários a partir do primeiro dia do quarto mês subseqüente ao de sua divulgação. § 7° Para o cálculo anual do FAP, serão utilizados os dados de janeiro a dezembro de cada ano, a contar do ano de 2004, até completar o período de cinco anos, a partir do qual os dados do ano inicial serão substituídos pelos novos dados anuais incorporados. § 8° Para as empresas constituídas após maio de 2004, o FAP será calculado a partir de 1° de janeiro do ano seguinte ao que completar dois anos de constituição, com base nos dados anuais existentes a contar do primeiro ano de sua constituição. § 9° Excepcionalmente, e para fins do disposto no §§ 7° e 8°, em relação ao ano de 2004 serão considerados os dados acumulados a partir de maio daquele ano.” (NR) (...) Fl. 4691DF CARF MF Processo nº 19515.722390/201161 Acórdão n.º 2401005.988 S2C4T1 Fl. 4.692 19 Art. 5° Este Decreto produz efeitos a partir do primeiro dia: (...) III do mês de setembro de 2007, quanto à aplicação do art. 202A do Regulamento da Previdência Social, observado, ainda, o disposto no § 6odo mencionado artigo. III do mês de setembro de 2008 quanto à aplicação do art. 202A do Regulamento da Previdência Social, observado, ainda, o disposto no § 6odo mencionado artigo. (Redação dada pelo Decreto nº 6.257, de 2007) III do mês de setembro de 2009 quanto à aplicação do art. 202 A do Regulamento da Previdência Social, observado, ainda, o disposto no § 6° do mencionado artigo. (Redação dada pelo Decreto nº 6.577, de 2008). Parágrafo único. Até que sejam exigíveis as contribuições nos termos da alteração do Anexo V do Regulamento da Previdência Social e da aplicação do art. 202A serão mantidas as referidas contribuições na forma disciplinada até o dia anterior ao da publicação deste Decreto. Portanto, não há falar em FAP no período objeto do lançamento, não se sustentando, por conseguinte, a premissa invocada para se postular a nulidade do AIOP n° 37.232.8148. Autônomos. A recorrente sustenta que os valores recolhidos referentes aos serviços prestados por autônomos são superiores aos cobrados nos AIOPs n° 37.232.8148 e nº 37.232.8156. Para comprovar sua alegação, apresenta a planilha de fls. 3977, também constante das fls. 4182, acompanhada dos documentos de fls. 4183/4374 (tabelas discriminando valor lançado para autônomo nominalmente especificados, notas fiscais de serviço e GPSs 2100 recolhidas no CNPJ da recorrente com observação nela lançada de autônomo e/ou nota fiscal). A recorrente quer vincular os recolhimentos efetuados nas GPSs 2100 em questão (constantes das fls. 4184, 4188, 4191, 4197, 4203, 4209, 4212, 4220, 4228, 4233, 4236, 4243, 4249, 4252, 4257, 4260, 4267, 4270, 4272, 4276) às contribuições pertinentes aos segurados contribuintes individuais referidos por meio das observações lançadas em tais GPSs. Alega ainda que efetuou outros recolhimentos pertinentes a autônomos, mas não conseguiu demonstrar a vinculação nos autos do processo. A legislação não ampara tal vinculação mediante informação prestada em entrelinha de GPS e as GPSs em questão foram devidamente apropriadas nos AIOPs, eis que constaram do RDA, conforme já explicitado no presente voto (GPSs de fls. 4184, 4188, 4191, 4197, 4203, 4209, 4212, 4220, 4228, 4233, 4236, 4243, 4249, 4252, 4257, 4260, 4267, 4270, 4272, 4276), a impactar os RADAs e DDs dos AIOPs. Portanto, não resta provada a quitação das contribuições em tela. Multa. A recorrente sustenta a nulidade do AIOA n° 37.335.4363, pois deveria ter sido aplicada e tipificada a multa do art. 32A da Lei n° 8.212, de 1991, tendo a Fl. 4692DF CARF MF Processo nº 19515.722390/201161 Acórdão n.º 2401005.988 S2C4T1 Fl. 4.693 20 fiscalização se valido de dispositivo revogado pela MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009. O AIOA em questão envolve somente as competências 04/2006 e 05/2007, eis que para as demais a fiscalização aplicou a multa de ofício. As GFIP de uma mesma competência, embora entregues em documentos distintos de acordo com as situações específicas previstas no Manual da GFIP, são consideradas como um único documento e ainda que se refiram a estabelecimentos distintos (IN SRP n° 03, de 2005, art. 647; e IN RFB n° 971, de 2009, art. 474). O momento da infração é o dia da entrega da GFIP com omissões/incorreções. Logo, se houver GFIP retificadora, o momento da infração é o dia da entrega da última GFIP válida. Para a empresa com diversos estabelecimentos ou com mais de um FPAS por estabelecimento, é o dia da entrega da última GFIP válida levando em conta todos os estabelecimentos e FPAS. A fiscalização iniciouse em 25/06/2010 (Termo de Início e AR, fls. 28/30). Em face das GFIPs constantes dos autos (fls. 1740/3442), constatase que para a competência 04/2006 foram entregues retificadoras espontâneas na vigência da MP 449, de 03/12/2008 (fls. 1762, em 06/11/2009 e 05/02/2010), bem como para a competência 05/2007 (fls. 1852, em 16/04/2009 e 06/11/2009 não é espontânea a enviada em 18/02/2011). Portanto, prospera a alegação de ser inválida a imputação da multa prevista no art. 32, § 5°, da Lei n° 8.212, de 1991, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 1997; devendo ser cancelado o AIOA n° 37.335.4363, eis que a infração ao art. art. 32, IV e § 3°, da Lei n° 8.212, de 1991, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 1997, se consumou ao tempo da Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Pedido de diligência/perícia. A recorrente não se conforma com o indeferimento de requerimento de diligência/perícia para se verificar se foram recolhidas as contribuições lançadas e, alternativamente, para se confrontar os débitos apurados pela fiscalização com os recolhimentos realizados. As providências em questão não demandam conhecimento técnico especial de perito (Lei n° 5.869, de 1973, art. 420, I; e Lei n° 13.105, de 2015, art. 464, §1°, I), pelo contrário envolvem a apresentação e apreciação de prova documental. Toda a prova documental deveria ter sido apresentada com a impugnação (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°) e a prova constante dos autos já foi apreciada, sendo prescindível e protelatório o pedido da recorrente. Cabível, destarte, o indeferimento do pedido (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 18, caput). Isso posto, voto por rejeitar as preliminares e dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a decadência das competências 01/2006 a 11/2006 e 13/2006 em relação aos lançamentos efetuados nos AIOPs n° 37.232.8148, nº 37.232.8156 e nº 37.232.8164 e para cancelar o AIOA n° 37.335.4363, ou seja, para cancelar a multa prevista no art. 32, § 5°, da Lei n° 8.212, de 1991, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 1997, imputada nas competências 04/2006 e 05/2007. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 4693DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13007.000341/2002-37
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/06/2003 a 07/06/2003
NORMAS PROCESSUAIS. DIREITO AO CRÉDITO DE IPI SOBRE INSUMOS DESONERADOS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO DA MESMA MATÉRIA NA VIA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo
administrativo, implica renúncia às instâncias administrativas ou desistência do recurso interposto (Súmula nº 1, do 2º CC).
DCOMP. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO.
CRÉDITOS E DÉBITOS DE ESPÉCIES DIFERENTES. COMPENSAÇÃO
NÃO AUTORIZADA. INCIDÊNCIA DO ART. 170-A.
É indevida a compensação de crédito com base em decisão judicial que não reconheceu este direito, ainda mais quando esta decisão ainda nem transitou em julgado, o que fere, também, as disposições do art. 170-A do CTN.
DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DIVIDA. DÉBITO COMPENSADO
INDEVIDAMENTE. MP 2.158-35/2001, ART. 90. DERROGAÇÃO
PARCIAL. LEI Nº 10.833/2003, ART. 18. LANÇAMENTO DE OFICIO.
DESNECESSIDADE.
A DCOMP apresentada antes de 31/10/2003, data da publicação da M2 nº 135/2003, que incluiu o § 6º no art. 74 da Lei n2 9.430/1996, não constitui confissão de divida.
A DCTF constitui confissão de divida da totalidade do débito declarado, independentemente de este estar ou não vinculado à compensação, seja ela certa ou indevida.
O lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados em DCTF só foi obrigatório na vigência do art. 90 da MP n2 2.158-35/2001, isto é, de 27/08/2001 a 30/10/2003. Com a derrogação parcial deste dispositivo, pelo art. 18 da Lei n2 10.833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada
com base nas DCTF.
Os débitos confessados em DCTF, mesmo na vigência do art. 90 da MP nº 2.158-35/2001, podem ser exigidos pelo Fisco, inclusive por meio de inscrição em dívida ativa e cobrança judicial. Precedentes do STJ.
CONSECTÁRIOS LEGAIS. MULTA DE MORA E JUROS DE MORA.
TAXA SELIC.
A multa de mora é devida quando presentes as condições de sua
exigibilidade. Art. 61 da Lei n 2 9.430/96.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais (Súmula nº 3, do 2º CC).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.129
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária da segunda seção de julgamento, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Domingos de Sá Filho (Relator) e Maria Teresa Martínez López. No mérito, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso acerca da matéria em discussão concomitante com a apresentada ao Poder Judiciário. E, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Antonio Zomer para redigir o voto vencedor
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ANTONIO ZOMER
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MINISTÉRIO DA FAZENDA ' -' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 1 -7-1 SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13007.000341/2002-37 Recurso n° 154.079 Voluntário Acórdão n° 2101-00.129 — P Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 07 de maio de 2009 Matéria COMPESAÇÃO DE IPI Recorrente BRASKEM S/A Recorrida DRJ-PORTO ALEGRE/RS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 11/11/2002 a 20/11/2002 NORMAS PROCESSUAIS. DIREITO AO CRÉDITO DE IPI SOBRE INSUMOS DESONERADOS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO DA MESMA MATÉRIA NA VIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo, implica renúncia às instâncias administrativas ou desistência do recurso interposto (Súmula n2 1, do 22 CC). DCOMP. DECISÃO JUDICIAL. CRÉDITOS POSTERIORES À IMPETRAÇÃO DO MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO NÃO AUTORIZADA. É indevida a compensação de crédito com base em decisão judicial que não reconheceu este direito. DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DIVIDA. DÉBITO COMPENSADO INDEVIDAMENTE. MP 2.158-35/2001, ART. 90. DERROGAÇÃO PARCIAL. LEI N2 10.833/2003, ART. 18. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESNECESSIDADE. A DCOMP apresentada antes de 31/10/2003, data da publicação da MP n2 135/2003, que incluiu o § 62 no art. 74 da Lei n2 9.430/1996, não constitui -confissão de divida. • A DCTF constitui confissão de divida da totalidade do débito declarado, independentemente de este estar ou não vinculado à compensação, seja ela certa ou indevida. O lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados em DCTF só foi obrigatório na vigência do art. 90 da MP n2 2.158-35/2001, isto é, de 27/08/2001 a 30/10/2003. Com a derrogação parcial deste dispositivo, pelo art. 18 da Lei n2 10.833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada com base nas DCTF. C o a Processo e 13007.000341/2002-37 S2-C1 T1 Acórdão o.° 2101-00.129 19. 402 . Os débitos confessados em DCTF, mesmo na vigência do art. 90 da Ml' n2 2.158-35/2001, podem ser exigidos pelo Fisco, inclusive por meio de inscrição em dívida ativa e cobrança judicial. Precedentes do STJ. CONSEC1'ÁRIOS LEGAIS. MULTA DE MORA E JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A multa de mora é devida quando presentes as condições de sua exigibilidade. Art. 61 da Lei n2 9.430/96. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais (Súmula n2 3, do 22 CC). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1' câmara 1 1* turma ordinária da segunda seção de julgamento, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. No mérito, por unanimidade, em não conhecer do recurso acerca da matéria em discussão concomitante com a apresentada ao Poder Judiciário. E, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Domingos de Sá Filho (Relator) e Gustavo Kelly Alencar. Designado o conselheiro Antonio Zomer para redigir o voto vencedor. ------\ O NO Al°,.._ O' i • I À MARCOS CÂNDIDO Pre dente , - • . 111" - ‘119"lip- 1/4 • I. icaMER Relator-Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Antonio Carlos Atulim e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão da DRJ em Porto Alegre/RS, que manteve o indeferimento e deixou de homologar a Declaração de Compensação apresentada em 29 de novembro de 2002, para quitação de débito de IPI 2 Processo rt° 13007.000341/2002-37 S2-CIT1 Acórdão a 2101-00.129 Fl. 403 incluído em DCTF, relativo ao período de apuração de 11/11/2002 a 20/11/2002, vencimento em 30/11/2002, com credito de IPI decorrente de aquisição de matéria-prima isenta, não tributadas e tributadas com alíquota zero de IPI, utilizadas no processo produtivo, relativo ao período de apuração de 21/10/2002 a 31/10/2002, amparada em decisão judicial obtida por meio de Mandado de Segurança n2 2000.71.00.018617-3/RS, conforme Declaração de fls.01/02. A compensação efetuada pela recorrente não foi homologada pela DRF em Porto Alegre — RS, por tratar-se de créditos vinculados decorrentes de decisão judicial que não transitou em julgado, vedação do art. 170-A da Lei n2 5.172/66 - Código Tributário Nacional (CTN). O fundamento para não homologação da compensação pela Autoridade Administrativa, é de que só teria sido reconhecido judicialmente o direito de creditamento do IPI para compensação com débitos do próprio IPI,ainda, assim, apenas em relação aos insumos adquiridos nos últimos dez anos, não tendo sido autorizada a compensação dos créditos de IPI com outros tributos sem obediência das normas que regem a matéria. A Recorrente na fase inicial pugnou pela atribuição de efeito suspensivo a manifestação de inconformidade pela aplicação da norma contida no art. 151 do CTN, sustentando que a norma processual aplicável é aquela vigente quando da apresentação impugnação, nos molde do parágrafo 11, do art. 74, da Lei 9.430, 1996, alterada pela Lei numero 10.833/03. Sustenta também que não se aplica ao caso o disposto no art. 170-A do CTN, pois essa norma só é aplicada nos casos das ações judiciais promovidas a partir de 10 de janeiro de 2001, data em que entrou em vigor o referido dispositivo, assim sendo, não alcança o provimento obtido no bojo do Mandado de Segurança impetrado. Também não se aplica a norma do art. 170-A do CTN, uma vez que não há no comando da sentença autorização nesse sentido. Defende que a sentença proferida no mandado de segurança assegurou o direito de compensar os créditos anteriores limitado aos últimos cinco anos à interposição da ação, decisão que foi modificada pelo Tribunal Regional Federal da 4' Região que estendeu para os últimos 10 (dez) anos, e não importou em exclusão de todo o período subseqüente. Demonstra irresignação em relação aplicação da multa isolada, multa de mora e juros de mora, salientando que o direito ao aproveitamento dos créditos decorrem de decisão judicial, não reformada e tampouco modificada por Instância superior, assim como, a multa isolada, que havendo sentença concessiva da segurança a constituição do crédito dar-se- ia com a exigibilidade suspensa, por essa razão é inaplicável as penalidades pecuniárias. Na fase recursal manteve seu posicionamento jurídico e fático sustentado em sua manifestação de inconformidade, em síntese e fundamentalmente alega que: interpretação equivocada da decisão judicial obtida em relação à compensação, que a decisão judicial obtida transitou em julgado, inaplicabilidade do art. 170 do CTN, multa de mora, juros mora e da multa isolada, por derradeiro requer a reforma total do acórdão, na medida que se mostra conflitante com decisão judicial que autorizou o creditamento IPI em questão, consequentemente, homologação das compensações efetuadas. É o relatório. f<\ 3 Processo e 13007.000341/2002-37 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.129 Fl. 404 Voto Vencido Conselheiro DOMINGOS DE SÁ FILHO, Relator Conheço do recurso por ser tempestivo e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Trata-se de declaração de compensação para aproveitamento de crédito de IPI decorrente de aquisições insumos isentos, alíquota zero e não tributados apresentada pela empresa sucedida pela empresa Braskem S/A, efetivado com amparo em provimento judicial obtido em ação mandamental, conforme se vê dos autos. Antes de adentrar no mérito, cabe examinar de oficio se a DECOMP apresentada até 31 de outubro de 2003 pode ser considerada instrumento hábil a constituir o crédito tributário, assim como, se a DCTF, pelo simples ato de sua apresentação constituiria confissão de dívida. É certo que, os débitos declarados por meio da DECOMP, assim como da DCTF, ambas constitui instrumento hábil e confissão de dívida, suficiente para exigir os créditos tributários reconhecidos nestes documentos. No caso vertente, a primeira vista, os valores lançados na DCOMP configuraria confissão dívida, dispensando a intervenção do ato administrativo do fisco em apurar a irregularidade, quantificar o quantum devido e o sujeito passivo da obrigação. Entretanto, não se pode perder de vista que o sistema constitucional e o ordenamento jurídico vigente entre nós é de maior complexidade e, bem mais engenhoso do que a própria formulação da legislação aplicável ao caso específico. Portanto, impõe-se a necessidade de verificar a eficácia da legislação aplicável ao tempo da apresentação da referida declaração de compensação e se conferia a DECOMP legitimidade para ser considerada confissão de dívida. Neste caso entendo, salvo melhor juízo, de que não se trata de matéria incidental, mas sim como o ceme da questão vinculada diretamente à exigência da dívida. Como se sabe, tanto os juízes togados, quantos os demais julgadores, entre estes encontram os administrativos, não podem aplicar a lei ao caso concreto sem antes observar se a norma respeita os princípios e regras hauridos da Constituição, caso contrário estaria a por em risco toda estrutura jurídica construída a duras penas neste país. A Medida Provisória número 135, publicada em 31/10/2003, promoveu inovação na legislação vigente, com a introdução do parágrafo 6° ao art. 74 da Lei 9.430/96, a partir de quando a declaração de compensação passou a ser considerada confissão dívida. Neste contexto, é apropriado trazer à baila a orientação editada pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação — COSIT, por meio de Solução de Consulta Interna número 3, que assim disciplina a aplicação da novel norma introduzida no sistema jurídico: 4 Processo? 13007.000341/2002-37 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.129 9. 405 "6. A Declaração de Compensação (Dcomp) foi instituída pelo art. 49 da MP No 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei No 10.637, de 30 de dezembro de 2002. 7.Cotejando o texto da Ml' No 66, de 2002, com o da MP no 135, de 2003, verifica-se que a Dcomp, à época em que foi instituída, não tinha o caráter de confissão de dívida. Tal status só lhe foi conferido com a edição da MP número 135, de 2003, cujo art. 17, ao adicionar novo parágrafo 6° ao art. 74 da Lei número 9.430, de 27 de dezembro de 1996, atribuiu à declaração de compensação natureza de confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. 8. Essa é a interpretação mais consentánea com o Direito, segundo a qual as leis, em princípio, produzem efeitos para o futuro. 9.Portanto, somente as declarações de compensação entregues à SRF a partir de 31/10/2003, data da publicação da MP no 135, de 2003, constituem-se confissão dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados." É de conhecimento geral, que a Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, marco norteador do Direito Civil Brasileiro, regula por meio do art. V', que a lei começa a vigorar oficialmente após sua publicação. Assim, a publicação revela o modo pelo qual se dá conhecimento a todos da lei editada e marca a sua entrada no mundo jurídico. Neste passo se revela oportuno lembrar a lição de GOFFREDO TELLE JÚNIOR, para ele a norma positiva é, em suas palavras: "Uma norma social passa a ser considerada norma de garantia e, portanto, norma atributiva ou norma jurídica, no momento em que o governo do grupo a declare como tal. As normas de garantias ou normas jurídicas são vias essenciais ou úteis para a consecução dos objetivos que o grupo tem em mira. Ora, o governo compete, antes de mais nada, no desempenho de sua missão precípua, indicar essas vias, ou seja, declarar para o conhecimento de todos as normas jurídicas e, depois, assegurar pela força, o seu cumprimento." (Filosofia do Direito, São 7frPaulo, Max Limond, V2, p.468). Assim, publicidade é o atributo daquilo que, por qualquer motivo, deve ser divulgado, a partir do qual passa gerar seus efeitos, de modo que, mesmo aqueles que não tenha interesse direto no fato tomem conhecimento a respeito, pela notoriedade e divulgação que dela se faz. Os princípios constitucionais e o ordenamento jurídico, não permite aplicação de uma legislação a fatos pretéritos, essa é a regra geral, pois se assim não fosse estaria em risco a segurança jurídica. Neste caso está sob exame a aplicação da lei tributária a fatos anterior ao seu evento. Portanto, impõe saber se aplica a lei atual ou por tratar-se de situação jurídica definitiva estava ao abrigo da lei anterior. Se concluirmos que aplica-se a lei tributária vigente e não Processo n° 13007.000341/2002-37 S2-CITI Acórdão n.• 2101-00.129 19406 aquela que vigia ao tempo da apresentação da declaração de compensação, estamos diante do princípio da inetroatividade. Os princípios devem ser observados de modo intenso, tanto no campo tributário, assim como é em relação as questões penais por acarretar violação aos direitos fundamentais do indivíduo, é o caso da privação da liberdade. A aplicação de lei a fato anterior ao seu evento se revela retroativa e fere princípio basilar, assim sendo, não pode ser ignorado pelo julgador, independentemente de manifestação dos interessados, devendo ser conhecido de oficio. Em relação a irretroatividade no campo tributário, o legislador infraconstitucional tratou do assunto por meio do artigo 105 da Código Tributário Nacional, vedando a sua aplicação, não cabe aqui discussão em relação aos fatos pendentes, pois o direito brasileiro não contempla-os, só considera fato gerador ocorrido ou não ocorrido. Assim sendo, a aplicação da legislação tributária tem de observar o princípio da irretroatividade estampado no art. 150, III, "a" da Carta da República de 1988. Os casos excepcionais de aplicação desse instituto são àqueles mencionados no artigo 106 do CTN, que não implicam propriamente em retroação, entre esses encontram as leis meramente interpretativa, que dizem respeito à aplicação de lei mais benigna ao contribuinte, que deixa de considerar certos atos como infração e/ou comine pena mais branda. Portanto, em obediência ao princípio constitucional da irretroatividade das leis, bem como ao ordenamento jurídico infraconstitucional vigente, que vedam aplicação retroativa das leis, impõe-se reconhecer no caso destes autos que os débitos declarados por meio de Dcomp antes de 31 de outubro de 2003 não configura confissão dívida, assim sendo, deixa de ser neste caso documento hábil a permitir que a Fazenda exija a obrigação sem antes constituir o crédito tributário por meio de lançamento. Deste modo a Declaração de Compensação — Decomp - apresentada até 31 de outubro de 2003, não configura confissão de dívida, por essa razão, impõe a Autoridade Fiscal diligenciar no sentido de apurar a irregularidade e constituir o crédito por meio de lançamento e, se for o caso inscrever em dívida ativa. Assim sendo, por tratar-se de matéria prejudicial ao mérito, conheço de oficio e declaro inexistente o débito incluído em DCOMP efetivado pelo contribuinte até 31.10.2003, em razão de que este documento ao tempo dos fatos estava despido de legalidade para . constituir o crédito tributário, por essa razão deixou de ser instrumento hábil para exigir o • pagamento do devedor por meio de carta de cobrança. Em relação a DCTF é sabido que trata-se de documento que representa cumprimento de obrigação acessória, apresentada comunicando a existência do crédito tributário, importa em lançamento fiscal. Também é certo que o simples fato da entrega da DCTF, afasta a decadência relativamente à dívida, em razão da confissão, a partir daí possível efetuar a inscrição em dívida ativa com suporte exclusivo na referida declaração. Entretanto, há peculiaridade que deve ser observada, no caso deste feito, a DCTF apresentada foi confeccionada com o objetivo de declarar o crédito tributário e ao mesmo tempo compensar por meio de crédito fiscal apurado na contabilidade, cujo saldo resultante deste encontro de contas é igual a zero. 6 Processo e 13007.000341/2002-37 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.129 11. 407 Assim, em que pese a DCTF ter por objeto a constituição do crédito tributário, depende de operação aritmética para tomar certo e liquido o quantum devido, pois este mesmo documento depende da inserção de dados necessários cujo resultado aritmético revela se a existência de crédito a favor da Fazenda ou não. Se a declaração é por excelência ato voluntário do contribuinte, e este simultaneamente aponta um débito e um crédito, resultando em saldo zero, forçoso convir de que tal procedimento administrativo, cujo objetivo é determinar o fato gerador, a matéria tributável, o quantum do tributo e a sua legitimidade passiva, implica dizer que não há crédito a favor da Fazenda. A inexistência de saldo a favor da Fazenda é uma peculiaridade capaz de afastar o entendimento de que o simples fato da entrega da DCTF configura confissão de divida e o próprio lançamento, suficiente para desprezar a intervenção da Administração no sentido de constituir o crédito tributário. O Superior Tribunal de Justiça - STJ examinando situação idêntica a desse caderno, reconheceu que há peculiaridade capaz de afastar o entendimento em relação ao crédito tributário declarado por meio de DCTF, é o que se extrai do voto aqui transcrito: "TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS E FINCOSIAL,. CRÉDITO DECLARADO EM DCTF OBJETO DE COMPENSAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INOCORRÉNCIA. (.) 1- A jurisprudência desta colenda Corte afirma que, uma vez reconhecido o crédito tributário, por meio de DCTF, tal ato equivale ao próprio lançamento, tornando-se imediatamente exigível o débito não pago 2 — Todavia, verifico que há peculiaridade a afastar tal entendimento, in casu, consubstanciada no fato de que o crédito declarado em DCTF foi objeto de compensação pelo contribuinte, devidamente informada ao Fisco, conforme atestado pelo acórdão de fls, de maneira que cabe, em conseqüência à Fazenda verificar a regularidade da conduta, por meio do devido procedimento administrativo-fiscal. Assim, somente em concluindo pela ilegitimidade da compensação, após o referido procedimento, é que será possível a constituição do e)P"crédito tributário respectivo. Precedentes: AgRg no REsp n° 327.626/RS, ReL MM. FRANCIULLI 1VET7'O, DJ de 19/12/05; AgRg no REsp n° 641.448/12S, ReL Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 01/02/05 e REsp 328.727/PR, ReL Min. FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, DJ de 30/08/04. (AgRg no RESP 801.069/RS, Min. Francisco Falcão, Ia Turma, DJU 26.06.2006) TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS. COMPENSAÇÃO. DCTF. INSCRIÇÃO EM Dl VIDA ATIVA. IMPOSSIBILIDADE. 1 — Comunicado pelo contribuinte, na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) que o valor do débito foi quitado por meio de utilização de mecanismo compensatório, 7 Processo n° 13007.000341/2002-37 S2-CIT1 Acórdão n.• 2101-00.129 Fl. 408 não há porque se falar em confissão de divida suficiente a inscrição em divida ativa. (RESP 4I9.476/RS, Min. João Otávio Noronha, 2a numa, DJU 02.08.2006)". Portanto, não se discute que a DCTF possui efeito de lançamento, mas é imperioso, para tanto, que esteja presente todos elementos imprescindíveis, não é o caso nestes autos, pois aqui constata-se a ausência do quantum devido do tributo, pois o valor do débito foi quitado por meio da compensação , portanto, não se pode falar em lançamento perfeito e acabado. A inexistência de saldo residual que configuraria o débito, não abre espaço para o entendimento de que neste caso, o crédito tributário seria o total do débito informado. Também, inexiste justificativa de que deva prevalecer o débito em decorrência do contribuinte não ter logrado êxito em relação ao pedido de compensação. O entendimento oposto, ao meu ver, colocaria-nos diante de crédito inconsistente carregado de ilegitimidade substancial ou formal, que certamente pereceria quando submetido ao crivo do Poder Judiciário. Por tratar-se da eficácia ao ato de lançamento, impõe mencionar os ensinamentos da professora LÚCIA VALLE FIGUEIREDO, que assim ensina: "... é imperioso concluir-se, ao lado de Misabel Derzi, Alberto Xavier, Luciano Amaro, que não se pode inscrever a divida com apenas a declaração do contribuinte, que pode ser de longo tempo, ter-se desatualizado... Ora se esse ato dá eficácia ao ato de lançamento, apresenta-se como ato de controle de legalidade. E • atos de contro e de Ie . alidade nada iodem acrescentar ao ato anterior ( por isso a necessidade imperiosa de haver ato anterior), mas apenas lhe atribuir eficácia. (...) Por tais razões entendo que haveria cerceamento de defesa na hipótese de ser ter inscrito o crédito sem a realização do ato anterior como necessário e natural antecedente. É dizer, haveria violação do devido processo legal." (Lúcia Valle Figueiredo, A Inscrição da Divida como Ato de Controle do Lançamento, em Revista Dialética de Direito Tributário n. 36, 1998, p. 83 —). O saldo apresentado na DCTF, sendo igual a zero não configura confissão de dívida. Assim, reconheço que a DCTF, neste caso, por ausência de saldo devedor em decorrência de que o débito declarado foi objeto de compensação, está despida da condição de confissão de dívida, o que impõe a constituição do crédito tributário por meio de lançamento. Ultrapassado essas questões, passo examinar o mérito: As pretensões submetidas à apreciação do Judiciário se referem ao direito de repetir os pagamentos decorrentes da falta de cômputo dos valores de aquisição dos insumos isentos, não-tributados, ou tributados com alíquota zero do IPI, nos últimos 10 (dez) anos e das aquisições futuras. 71.7) 8 Processo n° 13007.000341/2002-37 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.129 Fl. 409 O pleito foi concedido parcialmente no que tange ao direito de repetir em relação aos últimos dez anos, restringindo aos cinco últimos anos, o que foi modificado pelo julgamento do Tribunal Federal Regional, provendo o recurso para assegurar o direito a contribuinte de aproveitar os dez últimos anos. Não há dúvida de que decisão judicial assegurou o direito aos créditos de IPI nas aquisições de produtos isentos, não tributados e aliquotas zero, tanto em relação aos últimos 10 (dez) anos, bem como os uéditos futuros. A matéria submetida à apreciação na esfera administrativa tange ao direito de créditos de IPI decorrentes de futuras aquisições e a restrição de compensação autorizada por decisão judicial antes do transito em julgado contido no art. 170-A do CTN. Assim sendo, não vislumbro a existência de concomitância entre a esfera administrativa e judicial.Portanto, não é o caso da aplicação da Súmula número 1, de 26.09.2007, deste Conselho de Contribuintes. A controvérsia surge em relação à interpretação da parte final da sentença quanto ao aproveitamento dos créditos de IPI referentes as aquisições futuras. O entendimento da Autoridade Administrativa funda-se no fato de não constar da decisão um comando expresso reconhecendo o direito de aproveitamentos dos créditos futuros. Com toda vênia, entendo ser desnecessário constar no comando sentenciai à totalidade dos pedidos formulados. Como se sabe, o Juiz julga procedente (parte ou totalidade) ou improcedente os pedidos, não se julga a ação, bastando, para tanto, que o Julgador mencione àqueles que são negados e os acolhidos parcialmente. O pleito foi acolhido in totum, apenas limitando o aproveitamento do crédito aos cinco últimos anos à interposição do mandado de segurança, esse é o meu entendimento. No que tange a vedação de compensação de créditos autorizados por medida judicial antes do trânsito em julgado, por vedação do artigo 170-A do CTN, não se aplica ao caso deste caderno processual administrativo, pois trata de provimento judicial concedido antes da vigência do referido diploma legal. Como se sabe, as sentenças judiciais monocráticas, não transitadas em julgadas, são passiveis de ser modificadas ou anuladas mediante recursos específicos, entretanto, não podem ser cassadas por força de lei editada posteriormente, se assim não fosse, * estaria em risco o princípio da segurança jurídica. Não vislumbro como óbice no caso vertente a restrição do art. 170-A do CTN, portanto, afasto aplicação deste dispositivo, assim como reconheço que a sentença assegurou o direito do crédito IPI das aquisições futuras, beneficio este estendido aos dez anos anteriores à interposição do Mandado de Segurança. A Súmula n. 212 do STJ, assegura o direito de compensação desde que o deferimento tenha ocorrido por meio de sentença, e não por meio de medida liminar, o que restou vedado pela a aludida súmula é compensação fundada em liminar. Além do que, no caso deste caderno processual, o crédito objeto de compensação é de 1999, portanto, anterior ao evento do art. 170-A, introduzido no 9 Processo n° 13007.000341/2002-37 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.129 Fl. 410 ordenamento jurídico pela Lei Complementar número 118/2002. Sendo certo que a •compensação tributária, nos termos da jurisprudência do STJ, rege-se pela lei vigente ao tempo do nascimento do crédito aproveitado e não por aquela vigente quando do efetivo encontro de contas. Nesse passo é conferir a lição de LEO ICRAKOWIAK: "Com efeito, muito embora a jurisprudência de nossos Tribunais tenha oscilado quanto à determinação de qual a legislação aplicável em se tratando de compensação, se aquela em vigor quando do pagamento indevido ou aquela em vigor no momento da compensação, pacificou-se afinal adotando aquela primeira linha de raciocínio, com se verifica do recente acórdão unânime da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, verbis" I. As limitações das Leis números 9.037/95 e 9.129/95 só incidem a partir da data de sua vigência. 2. Os recolhimentos indevidos efetuados até a data da publicação das leis em referência não sofrem limitações. 3. Embargos de divergência rejeitados "(Embargos de Divergência em Resp. n. I64.739-SP, Rel. Min. Eliana Calmon, ri Seção, DJ,I, 12.02.01). Deste modo, pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça que a compensação de tributos pagos indevidamente se rege pela legislação em vigor à época de cada pagamento, dúvida não há de que o mesmo entendimento deve ser aplicado também à vedação trazida pelo art. 170.A do C7N" (A Compensação e a Correta Aplicação do art. 170-A do CTN, Revista Dialética de Direito Tributário., vol. 68,pág. 82)." Assim sendo, por se tratar de sentença prolatada antes do evento do art. 170- A do CTN, conserva a sua eficácia plena. No caso dos autos a recorrente tem assegurado o direito de compensar os créditos de 1PI de aquisições anteriores à impetração do mandado de segurança, bem como os futuros incidentes sobre as aquisições de produtos não tributados, alíquota zero e isento. A legislação vigente permite a compensação de crédito de IPI com outros débitos tributários, entretanto, neste caso restou limitado pela sentença, que fixou parâmetro -para que o contribuinte pudesse se beneficiar do crédito oriundo das aquisições de matéria primas isentas, não tributadas, ou tributadas com aliquota zero de IPI, que deve ser utilizado para compensar com débitos oriundos da venda dos produtos industrializados, como se vê da parte final do decisão: "concedo parcialmente a segurança requerida, para o efeito de reconhecer às impetrantes o direito de aproveitar os valores de aquisição de matéria primas isentas, não tributadas, ou tributadas com alíquota zero de IPI como abatimento do valor de venda dos produtos que elaboram, para apuração do referido tributo...". No caso vertente a compensação de crédito tributário deu-se com débitos de 1H, portanto, dentro dos limites traçado no comando sentenciai. to Processo n° 13007.000341/2002-37 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.129 ' Fl. 411 Por essa razão sou inclinado a dar provimento ao apelo da recorrente em relação ao aproveitamento de crédito de IPI para compensar débitos tributários da mesma natureza. Dos consectários legais: multa de mora e juros Selic A cobrança de multa de mora e juros de mora encontra amparo legal no art. 61 da Lei n2 9.430/96, que assim estabelece, verbis: "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Sabe-se que a multa de mora não depende da análise de elemento subjetivo para ser aplicada, ou seja, não importa se o atraso ou falta de pagamento ocorreu por culpa ou por força maior. Havendo o vencimento do débito sem que haja o pagamento, incide a multa moratória. A legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa Selic é matéria pacificada no âmbito deste Segundo Conselho de Contribuintes, assim como também é o entendimento de que ao julgador administrativo não compete apreciar a inconstitucionalidade de disposição legal. Estas matérias foram, inclusive, sumuladas pelo Segundo Conselho de Contribuintes, sendo bastante, para rebater as alegações da recorrente, a transcrição do enunciado das Súmulas n2s 2 e 3, que têm o seguinte teor: • "Súmula ns 2 - O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária." "Súmula ns 3 - É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulosfederais.• De modo que, a Recorrente não obtendo êxito na demanda judicial, está sujeita a aplicação da norma contida no art. 61 da Lei n. 9.430/96. Multa Isolada no caso de Compensação Não Homologada. I I Processo n° 13007.000341/2002-37 S2-C1T1 Acórdão n." 2101-00.129 Fl. 412 Em relação aplicação da multa isolada, em que pese ter sido objeto do recurso, não é o caso dos autos, por tratar-se de indeferimento de compensação de crédito. A penalidade é aplicada quando o sujeito passivo efetua compensação ao arrepio da legislação e essas deixam de ser homologadas pela Autoridade Administrativa, por expressa disposição legal. No caso destes autos não há pena aplicada com arrimo no art. 18 da Lei 10.833, de 2003. De modo que, as sustentações de que não há base legal para imposição de multa em decorrência modificação no referido dispositivo legal por meio da Medida Provisória numero 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, são desnecessárias pelo fato de inexistir aplicação de penalidade. Mesmo assim, consoante se vê da leitura do dispositivo mencionado, com a nova redação, o Legislador Ordinário restringiu à sua aplicação a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei número 4.502, de 30 de novembro de 1964. Portanto, aplicação da norma contida no art. 18 da Lei 10.833/2003, alcança aqueles que praticarem conduta típica passível punição de acordo com o Direito Penal. Configura conduta típica a pratica de fraude, conluio e sonegação com intuito de causar dano a Fazenda Pública. • Entretanto, no caso vertente, trata de direito declarado judicialmente aos créditos oriundos de materiais que não incidiram IPI na etapa anterior, que a Recorrente compensou com débito fiscais, créditos tributários administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos moldes do art. 74 da Lei número 9.430/96. Em relação a constituição do crédito tributário, é direito da União Federal, mesmo tratando de tributo com exigibilidade suspensa com intuito de prevenir a decadência. Como se sabe a discussão judicial não inibe, por si 'só, a atividade fiscal, portanto, o mero ajuizamento de ação para a discussão de uma obrigação tributária não constitui em óbice para o sujeito ativo do tributo de fiscalizar o cumprimento da lei, verificando a ocorrência do fato gerador. No entanto, para que reste inibida a atividade fiscal em relação exigência tributária, faz-se necessário que o contribuinte esteja protegido por decisão judicial, essa por seu turno suspende a exigibilidade. Assim sendo, não há que se falar em mora. Tanto é verdade que há previsão legal contida no art. 63 da Lei n. 9.430/96, dispõe que o contribuinte incorrerá em mora 30 dias após eventual decisão que modifique a decisão que albergou a suspensão da exigibilidade. Extrai-se do dispositivo mencionado: "Art. 63 — Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n. 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de oficio". C)) 12 Processo n° 13007.000341/2002-37 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.129 Fl. 413 Constata-se no caso presente que todo o procedimento de compensação tem amparo em medida judicial, o que por si só afasta a presunção de conduta ilícita ou dolosa da recorrente. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento para afastar a qualidade de confissão de divida e de instrumento hábil para exigir o pagamento de débito informado DCOMP apresentada pelo contribuinte até 31.10.2003, em razão de que este documento ao tempo dos fatos estava despido de legalidade para constituir o crédito tributário e exigir o pagamento por meio de carta de cobrança. Também reconheço que a DCTF, neste caso, por ausência de saldo devedor, uma vez que o débito declarado foi objeto de compensação, está despida da condição de confissão de divida, impondo a constituição do crédito tributário por meio de lançamento. Dou pro • ento,ainda, no sentido de autorizar a compensação pleiteada por tratar-se e e•ensação d. crédito tributário com débito da mesma natureza, autorização co -1 ida por meio . - decisã judicial obtida antes do advento do art 170-A do CTN. É como ot i. Sala das S ões, em 07 de nu 'o de 2009. w• DOMINGO' DE SÁ FILHO Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO ZOMER, Designado Cuido neste voto da parte em que o relator originário foi vencido, ou seja, da preliminar de nulidade da cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada, por falta de lançamento, e da questão da possibilidade de compensação de créditos oriundos de decisão judicial antes do trânsito em julgado da respectiva sentença. A ora recorrente, BRASICEM S/A, desde 31/03/2003, é sucessora por incorporação, da OPP QUÍMICA S/A, que é a impetrante do mandado de segurança OPP POLIETILENOS S/A sob nova denominação, a qual, antes de ser incorporada, assumira como sucessora a outra impetrante - a OPP PETROQUIMICA S/A. 1 - Da preliminar de nulidade das cartas de cobrança Alega a recorrente que os débitos compensados não podem ser cobrados por falta de lançamento de oficio, uma vez que a DCOMP tratada neste processo não constitui confissão de divida, porque apresentada antes da vigência da IVIP n° 135/2003, depois convertida na Lei n2 10.833/2003.Alega, também, que a confissão de dívida não se operou nas DCTF, nas quais não foi declarado qualquer valor a titulo de saldo a pagar. J» 13 Processo e 13007.000341/2002-37 S2-C1T1 Acórdão n." 2101-00.129 Fl. 414 Embora estas alegações só tenham sido levantadas após a apresentação do recurso voluntário, entendo que as mesmas devem ser admitidas e apreciadas pelo Colegiado, por se tratar de questões de ordem pública. Com efeito, se admitidas as teses da contribuinte, o crédito tributário, mesmo que indevidamente compensado, só poderá ser cobrado por meio de auto de infração, restando indevida a expedição das cartas de cobrança impugnadas pela empresa, tanto na manifestação de inconformidade como no recurso voluntário. Passando à análise destas questões, anota-se, primeiramente, que as declarações de compensação — Dcomp constituem confissão de dívida, apta a permitir a cobrança dos débitos indevidamente compensados, conforme disposto nos §§ 052 a 82 do art. 74 da Lei n2 9.430/96, verbis: "§ 6° A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7° Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8° Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7°, o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 90." No entanto, como esses parágrafos só foram inseridos no art. 74 da Lei n2 9.430/96 pela Medida Provisória n2 135, que foi editada em 30 de outubro de 2003, as suas disposições só se aplicam a partir da publicação desta norma, que se deu em 31/10/2003. Isto porque, sendo a "confissão de dívida" um gravame que a lei nova imputou às Declarações de Compensação, esse atributo não alcança os fatos passados, pois os arts. 105 e 106 do Código Tributário Nacional — CTN (Lei n2 5.172/66), que regulamentam a aplicação da lei tributária no tempo, proíbem esta retroação. Desta forma, o crédito tributário em discussão não pode ser exigido com fundamento na declaração de compensação, pois ela não constituiu a confissão de divida dos débitos indevidamente compensados, já que apresentada em 31/03/2003, antes do surgimento do § 62 do art. 74 da Lei n2 9.430/96, supratranscrito. No que se refere às DCTF, não há dúvida de que os débitos objeto da compensação não-homologada foram informados neste tipo de declaração. Também não há dúvida, aliás, não é motivo de discussão, o fato de que estas declarações constituem confissão de divida. O motivo da discussão está no valor alcançado pela confissão: se é a totalidade do débito declarado ou apenas o saldo a pagar, depois da dedução dos valores pagos e/ou compensados pela contribuinte. Antes de adentrar na análise desta questão, é preciso esclarecer que ao preencher a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, a contribuinte é obrigada a informar, além do débito apurado em cada fato gerador, como efetuou ou está efetuando a sua quitação. Assim, ao referido débito são vinculados créditos, que podem advir de pagamento por DARF, de compensação de pagamento indevido ou a maior feito em período 14 Processo e 13007.000341/2002-37 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.129 Fl. 415 • anterior, de outras compensações, autorizadas judicialmente ou não, de pedido de parcelamento, ou de suspensão da exigibilidade por outros motivos. Só depois de deduzidos todos os créditos vinculados é que se informa o saldo a pagar, que se espera seja sempre zero, pois o prazo de entrega tempestiva da DCTF ocorre após o encerramento do prazo de quitação dos tributos nela declarados, e o contribuinte deve recolher os seus tributos na data de vencimento prescrita por lei. Se não o fizer, informa o por quê do seu procedimento na DCTF, preenchendo as linhas correspondentes aos tipos de créditos vinculados citados no parágrafo anterior. Entende a recorrente que a confissão de divida realizada em DCTF alcança somente o valor declarado como saldo a pagar, o que tornaria totalmente inócua as disposições do art. 52 e §§ 1 2 e r do Decreto-Lei n9 2.124, del3/0611984, verbis: "Art. 5° O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1° O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2° Não pago no prazo estabelecido pela legislação, o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da muita de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em divida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2° do artigo 7° do Decreto-lei n° 2.065, de 26 de outubro de 1983." Parece que não há necessidade de grande exercício interpretativo para deduzir que o objetivo do legislador foi eliminar a necessidade de lançamento do crédito tributário declarado pelo contribuinte. E crédito tributário é o total do débito apurado e não o saldo a pagar, advindo de um acertamento da divida informado pelo contribuinte, para evitar futuras cobranças indevidas por parte do Fisco. Ademais, o saldo a pagar é o resultado de uma simples conta de somar, cujas parcelas são o débito declarado e o total dos créditos vinculados (utilizados para a sua quitação). Se um dos créditos vinculados for glosado, por indevido ou não confirmado, o resultado da conta será alterado, repercutindo num valor maior do saldo a pagar. Assim, quando o Fisco glosa um valor compensado pelo contribuinte, nada mais faz do que aumentar o valor do saldo a pagar em igual montante. Mas esta correção do saldo a pagar só interessa para se identificar a parcela remanescente do débito confessado pelo contribuinte, que deve ser objeto de cobrança administrativa e até judicial, se for o caso. A Secretaria da Receita Federal do Brasil sempre entendeu que a confissão alcança todo o débito declarado, conforme se infere da leitura atenta do art. 1 9 e parágrafo único da Instrução Normativa n2 77, de 24/07/1998, na redação que lhe foi dada pela Instrução Normativa n9 14, de 14/02/2000, verbis: "Art. 1° Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do 1TR, quando não quitados nos prazos 15 Processo n• 13007.00034112002-37 S2-CITI Ao5rdâo n? 2101-00.129 9. 416 • estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Divida Ativa da União. Parágrafo único. Na hipótese de indeferimento de pedido de compensação, efetuado segundo o disposto nos arts. 12 e 15 da Instrução Normativa SRF es 21, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF n° 73, de 15 de setembro de 1997, os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Divida Ativa da União, trinta dias após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento." • Veja-se que a instrução normativa não fala, em momento algum, que a confissão alcança apenas o saldo a pagar. O que se diz é que o saldo a pagar é, em princípio (caput do artigo), o que deve ser cobrado pelo Fisco A norma do Fisco não trata de confissão de dívida mas de cobrança dos débitos declarados em DCTF, sem a necessidade de lançamento de oficio, inclusive no tocante à parte do débito indevidamente compensado, quando se deve ajustar o saldo a pagar declarado (parágrafo primeiro). O caput do art. 12 da IN SRF n2 77/98 determina a cobrança imediata do saldo a pagar, pois contra esta exigência não há contraditório: o contribuinte declara e o Fisco aceita. Se declarou errado o saldo a pagar, o contribuinte pode retificar a DCTF mas nunca impugnar o valor espontaneamente declarado. O parágrafo único, a seu turno, trata da cobrança da parcela do débito decorrente de compensação indevida, determinando que o encaminhamento à Procuradoria da Fazenda Nacional, para inscrição em dívida ativa deste débito, seja feito somente após decorridos trinta dias da ciência da decisão definitiva que manteve o indeferimento. Assim, a Receita Federal, antes de efetuar a cobrança dos débitos indevidamente compensados, garante o exercício da ampla defesa ao contribuinte, só remetendo o débito para inscrição em dívida ativa trinta dias após a ciência da decisão definitiva que manteve o indeferimento da compensação na via administrativa. Não é diferente o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça — STJ, que, em reiteradas ocasiões, tem decidido que a declaração do débito em DCTF dispensa a necessidade de lançamento de oficio e permite a cobrança, tanto administrativa como judicial dos débitos declarados. Eis duas de suas decisões mais recentes acerca da matéria, sendo recorrente a Fazenda Nacional: 1) RECURSO ESPECIAL Na 999.020 - PR (2007/0248760-5). RELATOR: MINISTRO CASTRO MORA. DJe de 21/05/2008. Ementa: "TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES DE TRIBUTOS FEDERAIS - DCTF. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CRÉDITO NÃO CONSTITUÍDO DEVIDAMENTE. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. o16 Processo n° 13007.000341/2002-37 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.129 Fl. 417 • I. É pacifico na jurisprudência desta Corte que a declaração do tributo por meio de DCTF, ou documento equivalente, dispensa o Fisco de proceder à constituição formal do crédito tributário. 2. Não obstante, tendo o contribuinte declarado o tributo via DCTF e realizado a compensação nesse mesmo documento, também é pacífico que o Fisco não pode simplesmente desconsiderar o procedimento adotado pelo contribuinte e, sem qualquer notificação de indeferimento da compensação, proceder à inscrição do débito em dívida ativa com posterior ajuizamento da execução fiscaL 3. Inexiste crédito tributário devidamente constituído enquanto não finalizado o necessário procedimento administrativo que possibilite ao contribuinte exercer a mais ampla defesa, sendo vedado ao Fisco recusar o fornecimento de certidão de regularidade fiscal se outros créditos não existirem. 4.Recurso especial não provido." 2) RECURSO ESPECIAL N° 842.444 - PR (2006/0087836-5). Relator: MINISTRA ELIANA CALMON. DJe 07/10/2008. Ementa: "TRIBUTÁRIO - COMPENSAÇÃO - DECLARAÇÃO NÃO RECUSADA FORMALMENTE - INEXISTÊNCIA DE DÉBITO - CERTIDÃO NEGATIVA OU POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA - CONCESSÃO - POSSIBILIDADE - PRECEDENTES DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO. I. Com relação à possibilidade de expedição de certidão negativa ou positiva com efeito de negativa de débitoS tributários em regime de compensação afiguram-se possíveis as seguintes situações; a) declarada, via documento específico (DC7F, GIA, GFIP e congêneres), a dívida tributária, prescindível o lançamento formal porque já constituído o crédito, sendo inviável a expedição de certidão negativa ou positiva com efeitos daquela; "Es b) declarada a compensação por intermédio de instrumento 4 a espec(co, até que lhe seja negada a homologação, inaxiste débito (condição resolutória), sendo devida a certidão negativa; c)negada a compensação, mas pendente de apreciação na esfera administrativa (fase processual anterior à inscrição em dívida ativa), existe débito, mas em estado latente, inexigível, razão pela qual é devida a certidão positiva com efeito de negativa, após a vigência da Lei 10.833/03; d) inscritos em dívida ativa os créditos indevidamente compensados, nega-se a certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa. 2. Hipótese dos autos prevista na letra "b", na medida em que a declaração do contribuinte não foi recusada, nem este cientificado formalmente da recusa, de modo que inaiste débito 17 Processo ri' 13007.000341/2002-37 S2-CIT1 Acénião o.° 2101-00.129 Fl. 418 a tributário a autorizar a negativa da expedição da certidão negativa de débitos, nos termos do art. 205 do CTN. 3. Recurso especial não provido." Em ambos os casos, a Fazenda Nacional reclamou, no recurso especial, que as decisões recorridas, prolatarlas pelo TRF da 4' Região, ofendera ao art. 5 0, § 1°, do Decreto- lei n2 2.124/84, que prescreve que a declaração do contribuinte constitui o crédito tributário, tomando dispensável a formação do processo administrativo de acertamento da dívida tributária. O TRF entendera que sem o lançamento de oficio o contribuinte não teria garantido o direito de defesa contra a glosa da compensação, como demonstra a ementa da decisão relativa ao segundo caso acima referido: "CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS. DCTF. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. LANÇAMENTO. I. A compensação tributária, declarada em DCTF, acarreta a extinção do crédito tributário, sob condição resolutó ria de ulterior homologação, na forma dos arts. 156, inc. II, do Código Tributário Nacional e 74, § 2°, da Lei 9.430/96. 2. Na hipótese de discordáncia quanto à compensação levada a efeito pelo contribuinte, cumpre ao Fisco instaurar o competente procedimento administrativo tendente à apuração de eventuais irregularidades. lnexistindo nos autos notícia acerca do mencionado procedimento, mostra-se ilegítima a recusa do Fisco no fornecimento de CND em favor da impetrante. 3.Apelação e remessa oficial improvidas." Ao contrário do TRF4, o STJ concluiu que a declaração em DCTF constitui a confissão de dívida do débito integral e, caso haja glosa de compensação indicada neste instrumento, há que se garantir ao contribuinte o contraditório em todas as fases de defesa administrativa, sem o que o débito cuja compensação não havia sido admitida não estaria definitivamente constituído. 1.-No caso da recorrente, foi-lhe garantido o direito à ampla defesa por meio da apresentação da manifestação de inconformidade contra a glosa da compensação, a qual foi •apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Contra a decisão da DRJ foi-lhe garantido o direito ao recurso voluntário ora em julgamento. Assim, é certo que ao final da discussão administrativa, o débito em questão estará definitivamente constituído e o Fisco e a Fazenda Nacional estarão aptas a efetuar a sua cobrança, tanto administrativa quanto judicialmente. Outro ponto da defesa, levantado pela recorrente, funda-se no art. 90 da Medida Provisória n2 2.158-35/2001, que teria obrigado o Fisco a efetuar o lançamento em situações como a presente, nos seguintes termos: "Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão da exigibilidade, indevidos ou não comprovados, i C\ 18 Processo n° 13007.000341/2002-37 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.129 Fl. 419 relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal." Este regramento, no entanto, prevaleceu somente até a edição da MP n 2 135, de 30/10/2003, convertida na Lei n2 10.833, de 29/12/2003, em cujo art. 18 assim se dispôs, verbis: "Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-á unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prá fica das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 12 Nas hipóteses de que trata o caput, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 62 a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. § 22 A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, conforme o caso. " O art. 18 supratranscrito restringiu o lançamento previsto no art. 90 às raras hipóteses nele elencadas, e ainda assim, apenas da multa isolada. O art. 18 da Lei n2 10.833/2003 foi alterado por dispositivos legais supervenientes, porém, na 'essência, manteve- se a previsão de lançamento, unicamente, da multa isolada. Durante o curto espaço de tempo em que o art. 90 teve eficácia total, isto é, ainda não havia sido derrogado parcialmente, o Fisco efetuou vários lançamentos de oficio de débitos indevidamente compensados em DCTF ou Dcomp. Estes lançamentos, se efetuados até 30/10/2003, não devem ser cancelados, pois tinham amparo legal para ser efetuados. No entanto, a sua existência não desfaz a confissão dos débitos feita nas DCTF. Porém, havendo lançamento de oficio, o Fisco deve efetuar a cobrança dos débitos com base neste instrumento e não nas DCTF. A partir de 31/10/2003, com a edição do art. 18 da MP n 2 135/2003, depois convertida na Lei n2 10.833/2003, o lançamento, mesmo no caso de declarações apresentadas antes dessa data, não mais poderia ser efetuado, por falta de amparo legal. O art. 18 da Lei n2 10.833/2003 veio registrar em lei o entendimento de que o débito declarado em DCTF prescinde de lançamento para a sua cobrança. A mesma lei, no seu art. 17, ao inserir os §§ 9 a 11 no art. 74 da Lei n2 9.430/96, também registrou o entendimento já existente, de que se deveria garantir ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa, nos casos em que a compensação não fosse admitida pelo Fisco. Eis o teor destes dispositivos legais, verbis: 9 É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § apresentar manifestação de inconformidade contra a não- J‘))- 19 Processo ie 13007.000341,2002-37 S2-CIT1 Acórdão n.°2101-00.129 Fl. 420 homologação da compensação. (Incluído pela Lei n°10.833 de 29. 12.2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Incluído pela Lei n°10.833. de 29.12.2003) 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9° e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto re 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei na 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003)" De tudo o que se viu até aqui, há de se concluir que a DCTF nunca deixou de constituir a confissão de dívida da integralidade dos débitos declarados. No caso de glosa de compensação, no entanto, como vem decidindo o STJ e já previa a Receita Federal na Instrução Normativa n2 77/98, deve ser garantido ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa administrativa. Por fim, observa-se que o procedimento de fiscalização está disciplinado em leis processuais. Como parte indissociável deste procedimento, o lançamento previsto no art. 142 do CTN está regulado pelos arts. 9° a 11 do Decreto n° 70.235/72, que é uma lei processual. Sendo assim, ao procedimento de lançamento aplica-se a lei posterior que tiver instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, a teor do que dispõe do § 1° do art. 144 do CTN, verbis: " Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. 1° Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros." (destaquei) Certamente, o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, que dispensou a necessidade de lançamento, no caso de débitos declarados em DCTF, enquadra-se entre as normas citadas neste dispositivo legal, sendo de aplicação obrigatória pela fiscalização. Desta forma, em situações como a presente, não há fundamento legal para a lavratura de auto de infração. Conseqüentemente, não há qualquer vício de nulidade nas cartas expedidas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, para a cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada. No entanto, a cobrança, seja ela administrativa ou judicial, só poderá ter seguimento quando a decisão administrativa que mantiver a não-homologação da compensação 20 Processo n° 13007.00034112002-37 S2-CI TI Acórdão n.° 2101-00.129 EL 421 is . tomar-se definitiva, ou seja, quando se concretinr urna das condições estipuladas pelo art. 42 do Decreto n° 70.235/72. 2- Da impossibilidade de compensação antes do trânsito em julgado 2.1 - Da inexistência de trânsito em julgado material da sentença Duas empresas sucedidas pela recorrente requereram ao judiciário, em 06/07/2000, o direito de aproveitamento do IPI apurado com base nas aliquotas de salda, relativamente às entradas dos últimos dez anos e posteriores ao ajuizamento da ação, para compensação com débitos de IPI e outros tributos administrados pela SRF. Pediram também que a SRF fosse obstada de autuá-las pelo aproveitamento dos referidos créditos e de negar- lhes CND, bem como que os créditos fossem atualizados monetariamente, com a inclusão dos expurgos inflacionários. A liminar foi indeferida e o direito reconhecido por sentença, proferida em 23/10/2000 e juntada aos autos, foi o de aproveitamento dos créditos dos últimos cinco anos, para abatimento do IPI devido pelas saídas de seus produtos tributados, atualizados monetariamente pela Ufir até 31/12/1995 e pela taxa Selic a partir de janeiro de 1996. As impetrantes apelaram do prazo decadencial, do indeferimento do direito de compensação com outros tributos e da não obstrução dos atos fiscalizatórios da SRF. A Fazenda Nacional apelou requerendo o recebimento do recurso com efeito suspensivo e a cassação da segurança concedida por afronta à Constituição, como já defendera na contestação. O Tribunal Regional Federal da 4 2 Região, em decisão prolatada em 21/03/2002 e juntada aos autos, deu provimento parcial às apelações, declarando o direito ao creditamento do IPI relativo aos insumos utilizados na produção nos dez anos anteriores ao ajuizamento, com correção monetária integral, conforme precedentes do tribunal, aplicando-se, a partir de 1 2/01/1996, unicamente a taxa Selic. i A Procuradoria da Fazenda Nacional ingressou com recurso extraordinário, o qual, inicialmente, teve o seu seguimento negado por decisão monocrática, depois tomada r insubsistente pela Primeira Turma do STF, conforme demonstra a decisão publicada no DJE 1 em 07/02/2008, verbis: "Decisão: Por maioria de votos, a Turma deu provimento ao agravo regimental no recurso extraordinário para que o extraordinário tenha regular seqüência, declarando insubsistente o ato atacado mediante o agravo; vencidos os Ministros Sydney Sanches, que o desprovia e o Ministro Carlos Britto, que lhe dava parcial provimento em sentido diverso. Não participou, justificadamente, deste julgamento a Ministra Cármen Lúcia. 1". Turma, 11.12.2007." No recurso extraordinário (RE n2 363.777), a União requer seja declarado inviável o creditamento de IPI sobre os insumos de aliquota zero e os não tributados, bem como seja vetada a correção monetária dos créditos escriturais de IPI. JAk 0----\ 21 Processo n° 13007.000341/2002-37 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.129 Fl. 422 4 O referido recurso ainda não foi apreciado pelo STF, porém o Egrégio Tribunal deve decidi-lo na mesma linha de suas últimas decisões, sintetizada na ementa do RE n2 370.682, julgado em 25/06/2007, assim redigida: "Recurso extraordinário. Tributário. 2. In Crédito Presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da não-cumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero." (grifos acrescidos) A Procuradoria da Fazenda Nacional, ao analisar a alegação de que teria ocorrido o trânsito em julgado material, concluiu que teria ocorrido o fenômeno em favor do Fisco e não da empresa, com relação aos insumos adquiridos depois da impetração do mandado de segurança e quanto ao pedido de compensação com tributos de outra natureza. Neste contexto, só se poderia falar em coisa julgada material em favor das impetrantes com relação à aquisição de insumos isentos, adquiridos nos dez anos anteriores à impetração, fato que não tem qualquer implicação no caso tratado nos presente autos, pois há informação de que as impetrantes não se utilizavam de insumos isentos. Portanto, resta incontroverso que a sentença proferida em primeira instância, que foi parcialmente reformulada pelo TRF da 43. Região, ao contrário do que defende a recorrente, encontra-se ainda sem trânsito em julgado, quer formal, quer material, no que pertine aos créditos decorrentes de insumos de aliquota zero e não-tributados. 2.2 — Da inexistência de erro de interpretação na decisão recorrida Na primeira parte dispositiva da sentença, o juiz disse, taxativamente: "concedo parcialmente a segurança requerida, para o efeito de reconhecer às impetrantes o direito de aproveitar os valores de aquisição de matérias primas isentas, não-tributadas, ou tributadas com aliquota zero de IPI como abatimento do valor de venda dos produtos que elaboram, para apuração do referido tributo." (destaquei) e, na segunda parte, declarou: "O aproveitamento mencionado fica limitado às operações de aquisição de insumos efetivadas dentro dos cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação, e sobre eles será computada correção monetária segundo a variação da UFIR, até 31/12/1995, e daí até o efetivo aproveitamento segundo o § 4°, do art. 39, da L 9.250/1995." Não há outro aproveitamento mencionado, senão aquele constante da primeira parte do dispositivo, não havendo como "interpretar" a sentença de outra forma. Se houve inconformismo, se a sentença foi parcial, deveria a interessada apelar do resultado que não lhe foi favorável. Não houve, pois, interpretação errônea da decisão judicial por parte da autoridade fiscal, e nem pelo órgão julgador de primeira instância, quanto ao limite do direito n 22 Processo n° 13007.000341/2002-37 S2-CIT1 Acórdão n.°2101-00.129 Fl. 423 • reconhecido por sentença, após a decisão do TRF, estar limitado ao creditamento no livro Registro de Apuração do IPI, para abatimento dos débitos deste mesmo imposto, pelas saldas dos produtos fabricados pelas impetrantes. 2.3 - Da compensação de créditos de IPI posteriores à data de impetração do mandado de segurança. Direito não reconhecido pela decisão judicial. Se o direito reconhecido pela decisão judicial não alcança os créditos utilizados na compensação tratada nos presentes autos, já que decorrem de insumos adquiridos em período posterior à data de impetração do mandado de segurança, não tem qualquer implicação no presente caso a limitação imposta pelo art. 170-A do CTN. Não bastasse este fato, a questão da incidência ou não da limitação imposta pelo art. 170-A do CTN consta do voto proferido pelo Tribunal Regional Federal da 42 Região, como se pode ver nos excertos a seguir transcritos: Ressalto, outrossim, que o disposto no 170-Á do C77'!, acrescentado pela Lei Complementar n 2 104, de 10 de janeiro de 2001, que veda a compensação de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da sentença, somente é aplicável a pagamentos indevidos realizados após a vigência desse dispositivo, em face das regras do direito intertemporal. (grifos acrescidos) Desta forma, no presente caso, é indevido o aproveitamento dos créditos, seja em razão de não estarem abrangidos pela sentença (o que já é motivo suficiente para denegar o pedido de compensação), seja porque o TRF da 42 Região determinou a aplicação da limitação imposta pelo art. 170-A do CTN aos créditos posteriores à data de vigência da Lei Complementar n2104/2001. Conseqüentemente, não merece qualquer reparo a decisão recorrida, quando decidiu pela não homologação das compensações efetuadas pela recorrente. Conclusão Ante todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade da cobrança dos débitos indevidamente compensados, posto que confessados em DCTF e, no mérito, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 07 de maio de 2009. 111 A '• o :44 R 23 Page 1 _0083800.PDF Page 1 _0083900.PDF Page 1 _0084000.PDF Page 1 _0084100.PDF Page 1 _0084200.PDF Page 1 _0084300.PDF Page 1 _0084400.PDF Page 1 _0084500.PDF Page 1 _0084600.PDF Page 1 _0084700.PDF Page 1 _0084800.PDF Page 1 _0084900.PDF Page 1 _0085000.PDF Page 1 _0085100.PDF Page 1 _0085200.PDF Page 1 _0085300.PDF Page 1 _0085400.PDF Page 1 _0085500.PDF Page 1 _0085600.PDF Page 1 _0085700.PDF Page 1 _0085800.PDF Page 1 _0085900.PDF Page 1
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Numero do processo: 13555.000165/2003-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que seja apensado ao presente o processo administrativo 10880.001616/91-95, devendo a unidade preparadora da RFB apresentar relatório conclusivo sobre a relação entre eventual compensação existente em tal processo e os presente autos.
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes Relatora
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (suplente convocado) e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que seja apensado ao presente o processo administrativo 10880.001616/9195, devendo a unidade preparadora da RFB apresentar relatório conclusivo sobre a relação entre eventual compensação existente em tal processo e os presente autos. Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes – Relatora (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (suplente convocado) e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Relatório Cuidase de auto de infração eletrônico para exigência de Cofins, abril/1998 e julho/1998, estabelecimento 16.404.287/001399, objeto de compensação sem DARF através dos PAs 10880.001616/9195 e 10580.006728/9631, segundo informado em DCTF, que, no entanto, não foram localizados no sistema PROFISC. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 55 .0 00 16 5/ 20 03 -1 6 Fl. 1507DF CARF MF Processo nº 13555.000165/200316 Resolução nº 3401001.805 S3C4T1 Fl. 1.508 2 Em impugnação o contribuinte reconheceu equívoco na indicação dos processos administrativos, na DCTF, mas ressaltou que fora realizada a compensação, devidamente comprovada pela juntada dos pedidos de compensação correspondentes (efls. 32/33). A DRJ Salvador/BA deu parcial provimento ao recurso para excluir a cobrança referente a abril/98, pela localização do pedido de compensação no PA 13555.000053/9711, mantendo o período de apuração julho/1998 (R$ 131.780,50), uma vez não encontrado processo administrativo algum em que controlada a sobredita compensação. O recurso voluntário contestou a conclusão mencionando o protocolo do pedido de compensação e afirmou que “caberia à SRF atribuir número de processo administrativo e homologar a compensação”, não podendo ser prejudicada por falha nos controles do órgão, eis que provada a entrega do referido documento. Em 29/09/2010, através da Resolução nº 340100.054, o julgamento foi convertido em diligência para que a unidade preparadora informasse o “real paradeiro” do documento acostado às efl. 33. Às efls. 1358/1360 consta informação fiscal acerca dos exames efetuados. Em função do relator original não mais compor o colegiado houve a redistribuição do processo, por sorteio. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. Tratase de retorno de diligência, em que o juízo de admissibilidade recursal já foi oportunamente realizado, quando da primeira inclusão em pauta do processo. Para melhor entender o contexto da compensação indeferida e as verificações promovidas pela unidade local, reproduzo parcialmente a informação fiscal: “Em função das inconsistências apontadas e em atendimento à solicitação do CARF, o SEORT DRF Salvador promoveu, sem sucesso, uma busca do Pedido de Compensação de fl. 157 entre os processos de titularidade da interessada como se verá a seguir. Às fls. 199/205 a recorrente alegou que a compensação dos valores históricos de R$ 77.222,79 e R$ 131.780,50 foi efetuada com parte do saldo negativo do IRPJ apurado na Declaração de Imposto de Renda do anobase de 1997 (R$ 289.458,97) tendo sido tal alegação ratificada pelo demonstrativo de fl. 163. No entanto, verificase que o valor de R$ 77.222,79 exonerado pela DRJ figura entre os débitos compensados no processo nº 13555.000165/200316 (fls. 172/182), que trata da compensação de débitos de responsabilidade da empresa com crédito relativo ao imposto de renda retido na fonte do ano calendário de 1995, requerido anteriormente no processo nº 10580.006728/1996 31 (fls. 313/317). Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 13555.000165/200316 Resolução nº 3401001.805 S3C4T1 Fl. 1.509 3 Ressaltese que foi anexada às fls. 273/1.066 cópia integral do processo nº 13555.000053/9711 com o objetivo de verificar se o pedido de compensação de fl. 157 havido sido a ele juntado e, por equívoco, desconsiderado no momento de cadastramento dos débitos no Sistema PROFISC e de implementação dos procedimentos compensatórios. O documento contudo, não foi localizado nos autos. Com o objetivo de esgotar todas as possibilidades de localizar o documento, a empresa foi convocada, por meio da Intimação de 25/08/206 (fls. 1.067/1.068), a informar em documento assinado por representante legal da empresa, o número do processo administrativo no qual foi anexado o Pedido de Compensação relativo à COFINS (CÓDIGO 2172) do mês 07/98, no valor de R$ 131.780,50 . Em atendimento à solicitação, foi apresentada a petição de fl. 1.072, por meio da qual a empresa informou que o Pedido de Compensação em questão foi anexado ao processo nº 10580.006728/9631. Para atestar a veracidade da alegação da interessada, o SEORT DRF Salvador providenciou o desarquivamento do citado processo, do qual foi extraída cópia integral anexada às fls. 1.077/1.468. O processo trata de pedido de restituição de imposto de renda retido na fonte no valor de 2.730.644,74 do ano calendário de 1995, que foi deferido integralmente pela DRF Salvador através do Parecer SESIT nº 754/1998 (fls. 1.388/1.390). É importante esclarecer que o Pedido de Compensação relativo à COFINS (Código 2172) do mês 07/98, no valor de R$ 131.780,50 (cópia à fl. 168) não figura entre os documentos que integrantes do processo nº 10580.006728/9631. Acrescentese, ainda, que os documentos de fls. 1.391/1.466 comprovam que o crédito reconhecido em favor do contribuinte no processo nº 10580.006728/9631 foi integralmente destinado à quitação de débitos da filial localizada em Teixeira de Freitas/BA, vinculada à DRF Itabuna no processo nº 13555.000053/9711, não tendo remanescido saldo credor passível de restituição/compensação. Por fim, foi feita uma verificação detalhada no extrato do Sistema PROFISC do processo nº 13555.000053/9711 de fls. 1.469/1.480 e não foi localizado entre os débitos compensados o valor de R$ 131.780,50, correspondente à COFINS (Código 2172) do mês 07/98.” (destacado) A autoridade fiscal, na diligência, informa que o pedido de compensação não foi localizado nos sistemas da RFB, o que, à primeira vista, poderia ser atribuída a uma falha operacional do órgão, com o consequente acatamento do documento apresentado pelo recorrente (efl. 32), com a extinção da cobrança, no entanto, essa solução não é a adequada. De acordo com o caput, do Código Tributário Nacional, a lei poderia, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 1509DF CARF MF Processo nº 13555.000165/200316 Resolução nº 3401001.805 S3C4T1 Fl. 1.510 4 No caso em exame, tratandose de compensação entre tributos de espécies distintas, a sua regulação se fez pelo arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, ao preverem que, na eventualidade de restituição e/ou ressarcimento de tributo administrado pela SRF, atendendo a requerimento do contribuinte, poderia ser autorizada a utilização desses créditos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. A normatização desses dispositivos coube à IN SRF 21/97, com as alterações da IN SRF 73/97, vigentes à época, com a estipulação dos procedimentos necessários à operacionalização do encontro de contas, inclusive com o estabelecimento dos formulários necessários à compensação. Da leitura desses atos legais e infralegais é possível inferir que a compensação não se efetivava, pura e simplesmente, pelo protocolo do “pedido de compensação”, como defende o recorrente, mas principalmente pela existência de créditos, se não líquidos e certos, pelo menos passíveis de restituição e ressarcimento e que pudessem ser utilizados na compensação. Referida IN SRF 21/97 dispunha, em seus arts. 6º, 8º e 12, a necessidade de apresentação dos formulários para requerimento de restituição, ressarcimento e compensação, assim o encontro de contas necessariamente exigia a indicação e vinculação desse último aos primeiros, com a clara informação dos processos administrativos onde formalizados os requerimentos, havendo campo próprio para prestação dessa informação no formulário “pedido de compensação” aprovado pelo ato normativo. Revendo o documento protocolizado à efl. 33 constatase que o contribuinte não indicou o número do processo que constava o direito de crédito a ser empregado, o que era indispensável ao processamento da compensação pleiteada. Assim, diversamente do que sustentou o contribuinte no recurso voluntário, não cabia à SRF atribuir número de processo administrativo e homologar a compensação, porque, a teor do art. 74 da Lei nº 9.430/96, competia ao interessado, mediante requerimento, proceder à utilização do crédito a ser restituído/ressarcido para a compensação de débitos de sua titularidade. Se à RFB cumprisse esse dever, não se trataria de compensação a requerimento, mas sim compensação de ofício, cuja previsão vem disposta no art. 73 do mesmo diploma legal. Portanto, era ônus do contribuinte indicar qual o processo de restituição e/ou ressarcimento pretendia que fosse realizada a compensação da Cofins, julho/98, do estabelecimento 16.404.287/0001399, no valor de R$ 131.780,50. A unidade preparadora envidou esforços significativos na tentativa de localização do processo em que fora apensado o pedido de compensação apresentado, inclusive com intimação para prestação de esclarecimentos e juntada do inteiro teor dos processos indicados pelo interessado, como possíveis destinos do documento, porém, não logrou êxito em fazêlo. Dessa forma, cabia ao contribuinte a informação do processo que veiculava o pedido de restituição/ressarcimento e a prova da liquidez e certeza desse direito, uma vez reconhecido o erro dos dados registrados em DCTF. Fl. 1510DF CARF MF Processo nº 13555.000165/200316 Resolução nº 3401001.805 S3C4T1 Fl. 1.511 5 Essa obrigação vem da distribuição do onus probandi definidos no art. 373 do CPC/15 (art. 333 do CPC/73), onde, demonstrado através do lançamento o fato constitutivo do direito – a inexistência do processo originário do crédito a compensar, na DCTF –, incumbiria ao recorrente a demonstração da existência do fato extintivo desse direito – a indicação do processo correto e a certeza e liquidez desse direito creditório. Entretanto, como durante o julgamento pairou a dúvida sobre o teor de outro processo administrativo citado da tribuna, os membros do colegiado resolveram converter o julgamento em diligência, para que seja apensado ao presente o processo administrativo 10880.001616/9195, devendo a unidade preparadora da RFB apresentar relatório conclusivo sobre a relação entre eventual compensação existente em tal processo e os presente autos. Mara Cristina Sifuentes, Relatora. (assinado digitalmente) Fl. 1511DF CARF MF
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Numero do processo: 10245.001041/2005-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DOCUMENTAÇÃO NÃO CONSIDERADA NA FISCALIZAÇÃO.
A fiscalização tributária é uma prerrogativa privativa e unilateral dos órgãos competentes para tal, os quais deverão observar os ritos e termos necessários para iniciar e encerrar a fiscalização, recorrendo, sempre que necessário, a diligências e esclarecimentos que possam vir a ser prestados pelo contribuinte, sem prejuízo do devido processo legal, como se observa nos artigos 142, 194, 195, 196, 197, 198, 199 e 200 do Código Tributário Nacional.
RECONHECIMENTO PARCIAL DO DEBITO
Nesse caso, em relação especificamente a esse ponto não contestado - e reconhecido pelo contribuinte - é evidente o caráter definitivo da decisão de primeira instância, caracterizando um Recurso Voluntário Parcial, devendo seguir para a cobrança devida o montante incontroverso, nos termos do art. 21 do Decreto nº 70.235/72.
ATIVIDADE RURAL. POSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO
A natureza das receitas pode ser comprovada de diversas formas, desde que suficientes para o convencimento do julgador. No caso concreto, a extensa documentação acostada as autos, especialmente o Livro-Caixa, os recibos e as notas fiscais avulsas demonstram que a atividade da Recorrente é, de fato, uma atividade rural, devendo, portanto, ser tributada como tal.
Numero da decisão: 2401-006.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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DOCUMENTAÇÃO NÃO CONSIDERADA NA FISCALIZAÇÃO. A fiscalização tributária é uma prerrogativa privativa e unilateral dos órgãos competentes para tal, os quais deverão observar os ritos e termos necessários para iniciar e encerrar a fiscalização, recorrendo, sempre que necessário, a diligências e esclarecimentos que possam vir a ser prestados pelo contribuinte, sem prejuízo do devido processo legal, como se observa nos artigos 142, 194, 195, 196, 197, 198, 199 e 200 do Código Tributário Nacional. RECONHECIMENTO PARCIAL DO DEBITO Nesse caso, em relação especificamente a esse ponto não contestado e reconhecido pelo contribuinte é evidente o caráter definitivo da decisão de primeira instância, caracterizando um Recurso Voluntário Parcial, devendo seguir para a cobrança devida o montante incontroverso, nos termos do art. 21 do Decreto nº 70.235/72. ATIVIDADE RURAL. POSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO A natureza das receitas pode ser comprovada de diversas formas, desde que suficientes para o convencimento do julgador. No caso concreto, a extensa documentação acostada as autos, especialmente o LivroCaixa, os recibos e as notas fiscais avulsas demonstram que a atividade da Recorrente é, de fato, uma atividade rural, devendo, portanto, ser tributada como tal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 00 10 41 /2 00 5- 17 Fl. 921DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém PA (DRJ/BEL), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação para manter o crédito tributário lançado de ofício, nos termos do relatório e voto, conforme ementa do Acórdão nº 0110473 (fls. 692/701): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFICIO. Será efetuado lançamento de oficio, no caso de omissão de rendimentos tributáveis percebidos pelo contribuinte e omitidos na declaração de ajuste anual. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional (CTN). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL: NULIDADE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL A imperfeição no enquadramento legal só acarreta nulidade do auto de infração se restar comprovado que o direito de defesa do contribuinte foi cerceado. Não há que se falar em nulidade quando a descrição do fatos é suficiente esclarecedora. Fl. 922DF CARF MF Processo nº 10245.001041/200517 Acórdão n.º 2401006.092 S2C4T1 Fl. 3 3 Lançamento Procedente O presente processo trata do Auto de Infração – Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 55/72), lavrado contra o Contribuinte em 20/08/2013, onde foi apurado tributo relativo aos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, no valor de R$ 234.544,31, acrescido de Juros de Mora, calculados até 29/07/2005, no valor de R$ 94.212,68 e Multa Proporcional, passível de redução, no valor de R$ 175.908.22, perfazendo um total de Crédito Tributário Apurado de R$ 504.665,21. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais (fl. 57), verificase que a autuação decorre de OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO COM VINCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDO DE PESSOA JURÍDICA e CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS NA DIRPF EM ATIVIDADE RURAL. O Contribuinte tomou ciência da lavratura do Auto de Infração, por AR, em 31/08/2005 (fl. 73) e, em 30/09/2005, apresentou sua impugnação de fls. 76 a 88. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/BEL para julgamento, que, através do Acórdão nº 0110473, julgou Improcedente a Impugnação, mantendo o Crédito Tributário lançado de ofício, com juros atualizados nos termos da legislação de regência. Em 31/03/2008, o Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/BEL (fl. 704) e, tempestivamente, em 20/04/2008, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 707 a 718, onde destaca: 1. Um breve relato dos fatos e argumenta sobre a indevida manutenção do lançamento; 2. Que a decisão de primeira instância não observou os precedentes administrativos no que diz respeito aos documentos probatórios acostados aos autos para corroborar a classificação fiscal adotada pelo contribuinte (fls. 708/710); 3. Que houve cerceamento do direito de defesa ao desconsiderarem a documentação apresentada de forma unilateral e lavrarem o auto de infração sem oportunizar ao contribuinte se manifestar sobre as premissas que deram origem ao auto de infração (fls. 710/714); 4. No mérito: Que o fato gerador do Imposto de Renda não ocorreu, pois não houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação, pois todos os recursos teriam sido oferecidos à tributação regularmente (fls. 714/717). 5. Reconhece, por fim, que parte dos valores recebidos não seriam, de fato, decorrentes da atividade rural, mas sim de remuneração proveniente do TRE, e que de fato não teriam sido tributados, razão pela qual pede o desmembramento e parcelamento do valor de R$ 7.301,98, devendo ser reconhecida a improcedência em relação aos valores remanescentes (fls. 717/718). Fl. 923DF CARF MF 4 Posteriormente, o processo foi encaminhado para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para apreciação do Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Da alegação de cerceamento do direito de defesa Aduz o Recorrente que a documentação apresentada foi desconsiderada de forma unilateral pela fiscalização, o que teria gerado um cerceamento no direito de defesa e, consequentemente, resultado na lavratura do auto de infração sem oportunizar ao contribuinte se manifestar sobre as premissas que deram origem ao auto. Entretanto, conforme se observa do Termo de Início de Fiscalização (fls. 27/28), o contribuinte foi intimado para apresentar os seguintes documentos: (i) Documentação hábil e idônea das receitas e despesas da Atividade Rural referente ao período especificado; (ii) Documentação comprobatória de todos os valores lançados a título de Rendimentos Tributáveis, Isentos e NãoTributáveis e Tributados Exclusivamente na Fonte, referente ao período acima especificado. Após alguns pedidos de prorrogação de prazo para a apresentação dos documentos, em 08/06/2005 (fls. 33 e seguintes), o contribuinte apresentou documentos, porém não atendeu ao que lhe foi solicitado no Termo de Intimação, razão pela qual foi novamente lavrado o Termo de Intimação Fiscal de fls. 46/47, e posteriormente apresentados os documentos conforme petição de fls. 52/53. Conforme foi bem fundamentado na decisão da DRJ/BEL (fl.696), a competência do lançamento é privativa das autoridades fazendárias, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 924DF CARF MF Processo nº 10245.001041/200517 Acórdão n.º 2401006.092 S2C4T1 Fl. 4 5 A fiscalização tributária é uma prerrogativa privativa e unilateral dos órgãos competentes para tal, os quais deverão observar os ritos e termos necessários para iniciar e encerrar a fiscalização, recorrendo, sempre que necessário, a diligências e esclarecimentos que possam vir a ser prestados pelo contribuinte, sem prejuízo do devido processo legal, como se observa nos artigos 142, 194, 195, 196, 197, 198, 199 e 200 do Código Tributário Nacional. Conforme se verifica dos autos, foi devidamente instaurado o procedimento administrativo, com as intimações necessárias objetivando os esclarecimentos dos fatos analisados. O Auto de infração foi lavrado por autoridade competente, com observância aos requisitos previstos no art. 142, do Código Tributário Nacional, com clareza na motivação, tendo o contribuinte ampla oportunidade de defesa, tanto por ocasião da impugnação, como do Recurso Voluntário. Dessa forma, não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e o auditor fiscal agiu de forma regular e balizou sua conduta dentro das provas obtidas e carreadas ao processo e o Recorrente não logrou provar o contrário. Assim, não se observa, portanto, no caso concreto, o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, razão porque rejeito a preliminar suscitada. Mérito Da omissão de recebimentos de Pessoa Jurídica O Termo de Verificação Fiscal, especificamente na fl. 67, menciona recebimentos pagos pelo Tribunal Regional Eleitoral no anocalendário de 2003 que não foram levados devidamente tributados. Vejase o trecho do TVF que esclarece os fatos: Verificamos a Declaração de Imposto de Renda do contribuinte (fls. 16 e 17), os comprovantes de rendimentos apresentados à fiscalização (fls. 32 e 33) e a Declaração de Imposto Retido na Fonte DIRF (fl. 23), elaborada pela fonte pagadora Tribunal Regional Eleitoral. No anocalendário 2003 foi constatada omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, provenientes do Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (CNPJ 05.955.085/000185). Valor omitido: R$ 7.301,98. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte expressamente reconhece a falha na apuração e no recolhimento de seus tributos, razão pela qual reconhece o débito e pede o “desmembramento” e o parcelamento da dívida. Nesse caso, em relação especificamente a esse ponto não contestado e reconhecido pelo contribuinte é evidente o caráter definitivo da decisão de primeira instância, caracterizando um Recurso Voluntário Parcial, devendo seguir para a cobrança devida o montante incontroverso, nos termos do Decreto nº 70.235/72: Fl. 925DF CARF MF 6 Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º No caso de impugnação parcial, não cumprida a exigência relativa à parte não litigiosa do crédito, o órgão preparador, antes da remessa dos autos a julgamento, providenciará a formação de autos apartados para a imediata cobrança da parte não contestada, consignando essa circunstância no processo original. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Art. 43. A decisão definitiva contrária ao sujeito passivo será cumprida no prazo para cobrança amigável fixado no artigo 21, aplicandose, no caso de descumprimento, o disposto no § 3º do mesmo artigo. Tendo em vista o reconhecimento do débito, é necessário que sejam adotados os trâmites previstos na legislação para a imediata cobrança da parte não contestada. Da atividade rural No presente caso, em que pese a apresentação parcial dos documentos fiscais exigidos, o contribuinte teve suas receitas reclassificadas, deixando de ser classificadas como receitas decorrentes de atividade rural e passando a ser tributadas como recebimento de pessoas físicas, uma vez que a autoridade autuante entendeu que o livrocaixa e recibos de compra e venda não seriam suficientes para a comprovação da atividade rural, conforme esclarece o trecho abaixo, extraído do Termo de Verificação Fiscal, fl. 67: Analisando a documentação, fornecida pelo contribuinte, que serviu de base para a escrituração do livrocaixa (Anexo I e II), verificamos que, nos anoscalendário analisados, são apresentados recibos de compra e venda para justificar a movimentação de cabeças de gado, suínos e cavalos (receitas e despesas da atividade rural). A IN SRF n° 83/01 e jurisprudências administrativas, mencionadas neste termo, são claras quanto a necessidade da Nota Fiscal do Produtor, na relação entre pessoas físicas, para comprovação de receitas de atividade rural. Desta forma, efetuamos a glosa das receitas, para fins de atividade rural, provenientes da comercialização de produção rural quando não Fl. 926DF CARF MF Processo nº 10245.001041/200517 Acórdão n.º 2401006.092 S2C4T1 Fl. 5 7 embasadas em documentos hábeis e idôneos. Também desconsideramos despesas de compra de gado e similares, quando não respaldadas em documentação igualmente válida. Embora os recibos apresentados não sejam válidos para comprovação de receitas da atividade rural, eles são aceitos para comprovação de rendimentos recebidos de pessoas físicas. Assim, uma vez que o contribuinte declarou estes recebimentos e apresentou os recibos como comprovação destes rendimentos, as receitas da atividade rural foram reclassificadas para rendimentos recebidos de pessoas físicas . No entendimento da autoridade autuante, a atividade rural apenas seria comprovável mediante a apresentação de Nota Fiscal de Produtor. Entretanto, esse não é o único elemento probatório admitido na legislação. Analisandose a Instrução Normativa nº 83/01, verificase que o intuito da norma é que sejam apresentados documentos idôneos e usualmente utilizados, tais como a Nota Fiscal de Produtor, Nota Fiscal de Entrada, Nota Promissória Rural, dentre outros documentos, ou seja, o rol trazido na referida Instrução Normativa é exemplificativo e não taxativo. Art. 6º A receita bruta da atividade rural, decorrente da comercialização dos produtos, deve ser comprovada por documentos usualmente utilizados nessas atividades, tais como Nota Fiscal de Produtor, Nota Fiscal de Entrada, Nota Promissória Rural vinculada à Nota Fiscal de Produtor e demais documentos oficialmente reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. Parágrafo único. Quando a receita bruta da atividade rural for decorrente da alienação de bens utilizados na exploração da atividade rural, a pessoa física pode comprovar com documentação hábil e idônea, onde necessariamente conste o nome, o número no Cadastro das Pessoas Físicas (CPF) ou o número no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e o endereço do adquirente ou do beneficiário, bem assim a data e o valor da operação em moeda corrente nacional. De fato, esse também foi o entendimento proferido pela CSRF, consubstanciado no Acórdão nº CSRF/0400.801, do qual extraiuse um trecho que amoldase muito bem ao caso em apreço: Julgar importa em avaliar a prova, em especial as provas indiretas, as leves marcas deixadas pelo fato probando, o estado de ânimo do acusado, as circunstâncias que rodeiam o caso, o local onde os fatos ocorreram, quem são os envolvidos, sendo que, ao final, deve o julgador, mediante raciocínio lógico, demonstrar as razões que o levaram à conclusão a que chegou. Por outro lado, mas não menos importante, é preciso que se compreenda o alcance do § 2°. do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, que determina que "os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, Fl. 927DF CARF MF 8 submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos." Pelo disposto na norma acima transcrita se deve ter presente que no caso de sujeito passivo que tenha mais de uma fonte de rendimentos, a renda proveniente de cada fonte deve ser tributada com base nas normas de tributação específicas à respectiva fonte de rendimentos. Nada impede, por exemplo, que um jogador de futebol tenha rendimentos decorrentes da profissão de jogador, da locação de imóveis e da atividade rural. Em relação a cada um destes segmentos há uma forma de tributação específica, cabendo ao Fisco e ao julgador, com base em elementos de prova, direta ou indireta, formar convicção quanto à origem dos depósitos e a respectiva forma de tributação. Se forem creditados na conta corrente de um jogador de futebol centenas de depósitos, uns feitos pelo clube de futebol a que pertence, outros por imobiliárias e outros por empresas distribuidora de derivados de carnes, que costuma adquirir animais para abate, em sendo estes valores proporcionais às respectivas transações, nenhum julgador, mediante trabalho de raciocínio lógico, terá dificuldade em identificar a origem dos rendimentos. O fato do jogador de futebol, por exemplo, não possuir contrato de locação de imóvel e de ter vendido animais sem a respectiva nota fiscal não muda a natureza, a origem e nem a forma de tributação dos rendimentos omitidos. Cada um dos rendimentos deve ser tributado conforme sua origem. O que se tem no caso concreto, como concluiu a decisão recorrida, são depósitos, mediante cheques nominais, emitidos por estabelecimentos ligados a compras e vendas relacionadas ao setor agropastoril. Os elementos existentes nos autos, quais sejam, a condição de produtor rural do autuado proprietário de 15 (quinze) fazendas; a existência de cheques nominais em favor do fiscalizado emitidos por frigoríficos e pessoas ou empresas ligadas ao setor agrícola; a inexistência de prova quanto à omissão de rendimentos em outras atividades que pudessem justificar os depósitos bancários, nos levam a mesma conclusão a que chegou o acórdão recorrido de que os rendimentos não justificados que transitaram nas contas fiscalizadas são provenientes da atividade agropastoril e como tal devem ser tributados. (…) Se prosseguíssemos citando exemplos, só em relação ao Frigorífico Santa Esmeralda Ltda, teríamos dezenas de casos, como se depreende das fls. 2878 (R$ 103.770,00); 3005 (R$ 152.260,00); 3073 (R$ 145.930,00); 3084 (R$ 102.775,07). Tais operações não foram consideradas como sendo da atividade agrícola em virtude da inexistência de notas fiscais de venda. O procedimento adotado pela fiscalização exigindo exclusivamente provas diretas, no caso nota fiscal, não pode permanecer na medida em que desconsidera os demais meios de provas apresentados pelo recorrido e juridicamente admitidos. Fl. 928DF CARF MF Processo nº 10245.001041/200517 Acórdão n.º 2401006.092 S2C4T1 Fl. 6 9 Em resumo, o acórdão recorrido não é contrário à prova dos autos e nem à lei. A decisão "a quo", apreciando a prova, assim como este relator, formou convicção de que os recursos financeiros citados na decisão recorrida são provenientes da atividade rural e como tal, à luz do artigo 42, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996, devem ser tributados em conformidade com o artigo 5° da Lei n°8.023, de 1990. Em suma, o contribuinte pode trazer aos autos outros meios de prova que não especificamente a Nota Fiscal de Produtor para comprovar a origem das receitas como decorrentes de atividade rural. Isso porque no processo administrativo se busca a verdade material dos fatos efetivamente ocorridos, principalmente em virtude do princípio da legalidade tributária. Ademais, é importante destacar a necessidade de coerência entre os esclarecimentos exigidos, a documentação apresentada e a conclusão decorrente da análise desses documentos. Não se pode considerar um documento fiscal como parcialmente verdadeiro: ou o documento é idôneo, representa a realidade da operação e deve ser aceito pela fiscalização; ou deve ser desconsiderado pela autoridade fiscal, hipótese em que deverá ser procedido o arbitramento de acordo com as regras gerais (art. 148 do CTN) e com as regras específicas (no caso da atividade rural). No caso concreto, a extensa documentação acostada as autos, especialmente o LivroCaixa (fl. 736), os recibos (fl.310) e as notas fiscais avulsas (fl. 237), demonstram que a atividade do Recorrente é, de fato, uma atividade rural, devendo, portanto, ser tributada como tal. Essa forma de apuração está prevista no arts. 60 a 73 do Decreto no 3.000/99, vigente à época dos fatos geradores: Art. 60. O resultado da exploração da atividade rural será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade (Lei no 9.250, de 1995, art. 18). § 1º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição (Lei no 9.250, de 1995, art. 18, § 1º). § 2º A falta da escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário (Lei no 9.250, de 1995, art. 18, § 2º). § 3º Aos contribuintes que tenham auferido receitas anuais até o valor de cinqüenta e seis mil reais facultase apurar o resultado da exploração da atividade rural, mediante prova documental, dispensado o Livro Caixa (Lei no 9.250, de 1995, art. 18, § 3º). Fl. 929DF CARF MF 10 § 4º É permitida a escrituração do Livro Caixa pelo sistema de processamento eletrônico, com subdivisões numeradas, em ordem seqüencial ou tipograficamente. § 5º O Livro Caixa deve ser numerado seqüencialmente e conter, no início e no encerramento, anotações em forma de "Termo" que identifique o contribuinte e a finalidade do Livro. § 6º A escrituração do Livro Caixa deve ser realizada até a data prevista para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos do correspondente anocalendário. § 7º O Livro Caixa de que trata este artigo independe de registro (...) Art. 63. Considerase resultado da atividade rural a diferença entre o valor da receita bruta recebida e o das despesas pagas no anocalendário, correspondente a todos os imóveis rurais da pessoa física (Lei nº 8.023, de 1990, art. 4º, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 14). Art. 68. O resultado da atividade rural, quando positivo, integrará a base de cálculo do imposto, na declaração de rendimentos e, quando negativo, constituirá prejuízo compensável na forma do art. 65 (Lei nº 9.250, de 1995, art. 9º). Art. 71. À opção do contribuinte, o resultado da atividade rural limitarseá a vinte por cento da receita bruta do ano calendário, observado o disposto no art. 66 (Lei nº 8.023, de 1990, art. 5º). § 1º Essa opção não dispensa o contribuinte da comprovação das receitas e despesas, qualquer que seja a forma de apuração do resultado. § 2º O disposto neste artigo não se aplica à atividade rural exercida no Brasil por residente ou domiciliado no exterior (Lei nº 9.250, de 1995, art. 20, e § 1º). Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei no 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei no 5.844, de 1943, art. 11, § 4º) § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei no 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). § 3o Na hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento. Fl. 930DF CARF MF Processo nº 10245.001041/200517 Acórdão n.º 2401006.092 S2C4T1 Fl. 7 11 Desse modo, tendo em vista que o contribuinte trouxe aos autos documentos fiscais que comprovam tratarse de atividade eminentemente rural, e considerando que a fiscalização, diante dos documentos apresentados, não demonstrou de que tais rendimentos teriam origem em outra atividade, fazse necessário reconhecer a improcedência da autuação em relação a esse ponto. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, exonerando o crédito tributário. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 931DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.002797/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
LEI Nº 10.925/2004. ARTIGOS 8º E 9º. AQUISIÇÃO DE INSUMOS COM SUSPENSÃO DE INCIDÊNCIA DA COFINS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS. EFICÁCIA.
A suspensão da incidência da COFINS e o crédito presumido a que faziam direito os adquirentes de produtos a ela sujeitos, foram instituídos, e passaram a vigorar em 1º/08/2004, com a edição da lei nº 10.925/2004, sem interrupção, sendo que a partir desta data deveriam ser calculados os créditos presumidos nos percentuais definidos no § 3º do artigo 8º do mesmo diploma legal, apenas dependendo de disciplinamento quanto a formalização do aproveitamento dos créditos e suas obrigações acessórias, a ser feito por ato normativo, ato este materializado na IN SRF nº 636/2006, depois revogada pela IN SRF nº 660/2006.
A teor do artigo 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.434, de 30/12/2013, de que, no período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais básicos relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 3301-005.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios, sem efeitos infringentes, para reconhecer o direito ao crédito de PIS à alíquota de 1,65%, devendo ser descontado o crédito presumido de 0,5775%.
assinado digitslmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Marinho Nunes e Ari Vendramini (Relator).
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 LEI Nº 10.925/2004. ARTIGOS 8º E 9º. AQUISIÇÃO DE INSUMOS COM SUSPENSÃO DE INCIDÊNCIA DA COFINS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS. EFICÁCIA. A suspensão da incidência da COFINS e o crédito presumido a que faziam direito os adquirentes de produtos a ela sujeitos, foram instituídos, e passaram a vigorar em 1º/08/2004, com a edição da lei nº 10.925/2004, sem interrupção, sendo que a partir desta data deveriam ser calculados os créditos presumidos nos percentuais definidos no § 3º do artigo 8º do mesmo diploma legal, apenas dependendo de disciplinamento quanto a formalização do aproveitamento dos créditos e suas obrigações acessórias, a ser feito por ato normativo, ato este materializado na IN SRF nº 636/2006, depois revogada pela IN SRF nº 660/2006. A teor do artigo 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.434, de 30/12/2013, de que, no período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais básicos relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
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ARTIGOS 8º E 9º. AQUISIÇÃO DE INSUMOS COM SUSPENSÃO DE INCIDÊNCIA DA COFINS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS. EFICÁCIA. A suspensão da incidência da COFINS e o crédito presumido a que faziam direito os adquirentes de produtos a ela sujeitos, foram instituídos, e passaram a vigorar em 1º/08/2004, com a edição da lei nº 10.925/2004, sem interrupção, sendo que a partir desta data deveriam ser calculados os créditos presumidos nos percentuais definidos no § 3º do artigo 8º do mesmo diploma legal, apenas dependendo de disciplinamento quanto a formalização do aproveitamento dos créditos e suas obrigações acessórias, a ser feito por ato normativo, ato este materializado na IN SRF nº 636/2006, depois revogada pela IN SRF nº 660/2006. A teor do artigo 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.434, de 30/12/2013, de que, no período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais básicos relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios, sem efeitos infringentes, para reconhecer o direito ao crédito de PIS à alíquota de 1,65%, devendo ser descontado o crédito presumido de 0,5775%. assinado digitslmente Winderley Morais Pereira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 27 97 /2 00 9- 12 Fl. 7321DF CARF MF 2 assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Marinho Nunes e Ari Vendramini (Relator). Relatório 1. Versam os presentes autos sobre Pedidos Eletrônicos de Restituição – PER, de valores pagos a maior a título de PIS/PASEP não cumulativa, nos anos de 2004, 2005 e 2006, sob a alegação da requerente de que efetuou incorretamente a apropriação de valores de créditos presumidos originados de aquisições de insumos que estariam com a exigibilidade da Cofins não cumulativa suspensa, em virtude do contido no artigo 9º da Lei nº 10.925/2004, sendo que os créditos presumidos seriam calculados nos moldes estabelecidos pelo artigo 8º do mesmo dispositivo legal. 2. O recolhimento a maior, alega a recorrente, ocorreu em virtude no disposto no § 3º do artigo 15 da citada lei, que estabelecia que a exigibilidade das contribuições ficariam suspensas, mas que tal dependeria de regulamentação pela Secretaria da Receita Federal. 3. A regulamentação somente ocorreu com a edição da Instrução Normativa SRF nº 636/2006, quando foram regulamentados os artigos 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925/2004. 4. Este intervalo entre a entrada em vigor do texto legal e sua regulamentação pelo ato normativo suscitou uma batalha jurisprudencial e doutrinária, tanto que a IN SRF nº 636/2006 foi logo após revogada pela IN SRF nº 660/2006. 5. Neste intervalo, alega a recorrente que se apropriou de créditos presumidos, quando teria direito a créditos integrais, e que, portanto, teria como direito creditório a diferença entre as alíquotas dos créditos integrais de direito e as alíquotas dos créditos presumidos apropriados, que geraram o recolhimento a maior de PIS/PASEP não cumulativa. 6. Este é o cerne da questão, entretanto, em virtude de os presentes autos trazerem várias fases, adotamos, por economia processual e por bem elaborado, o relatório do Acórdão nº 3301002.653, desta C. Primeira Turma, relatado pela Ilustre Conselheira Sra. Mônica Elisa de Lima, em sessão de 20/03/2015 : Tratase de Recurso Voluntário em face do acórdão nº 0120.841, de 22 de fevereiro de 2011, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA). Os presentes autos estão retornando da Delegacia de origem, após cumprimento de diligência determinada pela Resolução nº 3301000.128, desta c. Primeira Turma, a partir de encaminhamento do Ilustre Relator Antônio Lisboa Cardoso, em sessão de 26 de janeiro de 2012. Desta forma, colhese, por bem ilustrar os acontecimentos, o conteúdo do Relatório elaborado já em sede de Recurso Voluntário (fls. 254 a 256). Transcreve se: Fl. 7322DF CARF MF Processo nº 11020.002797/200912 Acórdão n.º 3301005.688 S3C3T1 Fl. 7.322 3 Cuida se de recurso em face da decisão que indeferiu o pedido de restituição de valores recolhidos a título de Cofins, nos anos calendários 2004, 2005 e 2006, tendo em vista que a contribuinte obteve decisão liminar no Mandado de Segurança n° 2009.71.07.0032277, para que os Pedidos Eletrônicos de Restituição(PER.) arrolados na petição inicial fossem processados no prazo máximo de 30 dias da ciência da decisão. O acórdão recorrido é assim ementado: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anos calendário: 2004, 2005, 2006 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Em se tratando de pedido de restituição/compensação o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” De acordo com o acórdão recorrido, no presente processo foram incluídos também os PER 18513.57547.210708.12.044626 e 32977.88560.210708.1.2044715, embora não estivessem relacionados no Mandado de Segurança. A Unidade de Origem verificou que a procedência dos alegados pagamentos indevidos ou a maior da Cofins decorre do aumento de créditos de Cofins Não cumulativo Mercado Interno (art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002), resultando na redução ou inexistência de débitos de Cofins. Os valores pleiteados não foram reconhecidos porque no regime da não cumulatividade da Cofins, o aproveitamento de crédito, para dedução do valor a recolher dentro do período de apuração, é uma faculdade do sujeito passivo (...), o sujeito passivo claramente deixou de exercer a opção facultada em lei e que a "mera retificação do Dacon não pode ser aceita para justificar a existência de indébito, e, por consequência, reconhecer o direito creditório almejado". A recorrente alega que o pagamento a maior decorre da não aplicação da suspensão da exigibilidade da PIS/Pasep prevista no art. 9º, da Lei 10.925/2004, no período entre a produção de efeitos da lei (01.08.2004) e a publicação da IN SRF n° 636 (04.04.2006), e que havia providenciado a retificação de suas DCTF e Dacon. Todavia, a mesma não trouxe aos autos documentação que demonstrasse de forma inequívoca o seu enquadramento nos dispositivos citados. Vale salientar que em se tratando de pedido de restituição/compensação o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando, notadamente por intermédio de sua escrita contábil e fiscal e respectiva documentação de suporte, que o pagamento foi realmente indevido. Cientificada em 26/04/2011 (AR fl. 232), a recorrente protocolou em 17/05/2011, o recurso voluntário de fls. 233/247, onde reitera os argumentos constantes de sua manifestação de inconformidade, requerendo, ao final, alternativamente, a realização de diligência com a finalidade de comprovação da veracidade de suas declarações e argumentações. É o relatório. Fl. 7323DF CARF MF 4 O voto condutor do Dr. Antônio Lisboa Cardoso foi proferido no seguinte sentido, em resumo (fl. 256): No presente processo, estão presentes a verossimilhança das alegações da contribuinte e, em homenagem aos princípios da formalidade moderada e da verdade real, que devem nortear o processo administrativo fiscal e, visto que o alegado pagamento a maior seria decorrente da não aplicação da suspensão da exigibilidade da PIS/Pasep prevista no art. 9º, da Lei nº 10.925/2004, no período entre a produção de efeitos da lei (01.08.2004) e a publicação da IN SRF n° 636 (04.04.2006), tendo sido promovida a retificação das respectivas DCTF e Dacon. Desta forma, de modo a evitar eventual enriquecimento sem causa por parte do fisco, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência a fim de que a DRF de origem cientifique a Recorrente, para que no prazo de trinta dias apresente os documentos julgados necessários ao confronto das informações constantes de suas DCTF e DACON retificadoras. Desta forma, o i. Relator propôs diligência a fim de que a DRF de origem cientificasse a Recorrente, para que, no prazo de trinta dias, apresentasse os documentos julgados necessários ao confronto das informações constantes de suas DCTF e DACON retificadoras. Após a análise dos documentos, o AFRFB deveria elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo nas PER/Dcomp apresentadas. Na sequência a Contribuinte deveria ser intimada para que apresentasse manifestação, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Como resultado da diligência, o Auditor Fiscal elaborou o relatório de fls. 6256 a 6266, mediante o qual, com base na Escrita da Contribuinte, aduz e conclui que: Com o fim de verificar a forma de tributação da Cofins das compras de trigo realizadas no período em questão, todos os fornecedores de trigo listados pela interessada, com exceção dos que informaram nas próprias notas fiscais que a venda foi realizada com suspensão da incidência da Cofins, dos produtores pessoa física e de empresa baixada, foram intimados a informar se as vendas de trigo foram realizadas com a suspensão da incidência da Cofins. Abaixo um resumo sobre a forma de tributação das vendas realizadas pelos 103 fornecedores: 70 vendas com suspensão / 9 vendas tributadas / 7 não responderam / 4 vendas com alíquota zero / 4 – AR devolvido – sem informação / 3 – vendas realizadas por pessoa física / 1 – não recolheu / 1 – não informou / 1 – venda com não incidência / 1 – empresa baixada sem informação / 1 – venda sem suspensão / 1 – venda sem retenção. 6.1. A origem do suposto crédito da empresa estariam nessas vendas, mas, como podese verificar desse resumo, apenas dez fornecedores (9 – vendas tributadas e 1 – venda sem suspensão) realizaram vendas com incidência da Cofins. Registre se que (…) a Cooperativa Tritícola Panambi Ltda, CNPJ nº 91.982.496/000100, que realizou diversas vendas, informou (fls. 6227) que as vendas foram realizadas com suspensão, mas com a edição da Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006, retificou os Dacons considerando as tributadas. Pelos valores envolvidos na compra de trigo, seguramente por ocasião da negociação com os fornecedores a interessada sabia se a operação Fl. 7324DF CARF MF Processo nº 11020.002797/200912 Acórdão n.º 3301005.688 S3C3T1 Fl. 7.323 5 iria realizarse com suspensão ou não da incidência da Cofins, porque o custo com a incidência seria um valor e sem outro. Então, ela tinha que apurar o seu crédito conforme a forma de tributação adotada pelo fornecedor. Registrese, ainda, neste ponto, que seis fornecedores informaram nas próprias Notas Fiscais que as vendas estavam sendo realizadas com a suspensão da incidência da Cofins. 10. Por meio das intimações mencionadas no item 4, retro, um dos fornecedores encaminhou junto com a resposta cópia da declaração (fls. 6222), abaixo transcrita, realizada pela interessada em 17 de novembro de 2005: “MOINHO DO NORDESTE S/A, pessoa jurídica de direito privado com sede na Av. dos Imigrantes, 105, na cidade de Antônio Prado, Estado RS, inscrita no CNPJ sob nº 87.274.817/000136, através de seu representante legal infra assinado, DECLARA, sob as penas da lei e para os fins previstos no artigo 9º da Lei nº 10.925, de 26 de julho de 2004 (suspensão do PIS da Cofins nas aquisições de produtos in natura de origem vegetal), e relativamente a sua forma de tributação pelo Imposto de Renda Pessoa Jurídica, que é tributada com base no Lucro Real". Com a edição da Instrução Normativa SRF nº 636, de 4 de abril de 2006, a interessada alterou a forma de apuração de seus créditos, sem levar em consideração, por ocasião da compra do trigo, se a operação tinha ocorrido ou não com tributação da Cofins. Era essencial, para que ela fizesse o crédito integral, que a Cofins estivesse sido tributada. Se não o foi, não se tem como admitir o crédito integral, ainda mais se ela própria fez declarações para os fornecedores venderem o produto em tela com suspensão. 13. Em suma, podese afirmar que: se a operação da compra de trigo realizouse com suspensão da incidência da Cofins, utilizase do crédito presumido; se efetivada com incidência, utilizase do crédito integral. Se por ocasião das compras a interessada utilizouse do benefício previsto no artigo 9º da Lei nº 10.925, de 2004 – quer dizer, não pagou a contribuição não há como ampliar o seu crédito a não ser que posteriormente a tributação não realizada inicialmente seja regularizada, como ocorreu com as operações realizadas com a Cooperativa Tritícola Panambi Ltda., CNPJ nº 91.982.496/000100. 14. Sobre as compras de trigo tributadas, listadas na Tabela constante do item 7, acima, a meu ver a interessada tem direito ao crédito integral sobre as compras realizadas da Cooperativa Tritícola Panambi Ltda., que inicialmente vendeu o produto em questão com suspensão e mais adiante retificou os Dacons considerando a venda tributada. No que se refere as demais vendas tributadas, a requerente terá direito ao crédito integral desde que comprove que esse crédito não foi utilizado inicialmente, (…)(...), após uma nova análise dos documentos apresentados pela interessada em resposta à Intimação DRF/CXL/Seort nº 132, de 20 de novembro de 2012, verificouse que a cópia do Razão Analítico – Conta Cofins a Compensar Entrada Estoques comprova que a requerente não utilizou o crédito integral sobre as demais compras tributadas listadas na Tabela constante do item 7 da mencionada Informação, mas sim creditouse apenas do crédito presumido. 5. Dessa forma, a meu ver, a contribuinte tem direito ao crédito apurado no item 15 de tal Informação, ou seja, R$ 171.787,32 (cento e Fl. 7325DF CARF MF 6 setenta e um mil, setecentos e oitenta e sete reais e trinta e dois centavos). Instada a se manifestar, a Contribuinte, em fls. 6269 a 6276, reitera seu pedido, e alega em adição: Dessa forma, como a maioria dos fornecedores informou que não submeteu as receitas das operações à tributação da referida contribuição em virtude de sua própria interpretação do art. 9º da Lei 10.925/04, a Autoridade Tributária concluiu que, quanto às compras de trigo em relação às quais não houve o recolhimento de COFINS, a Recorrente não possui direito ao crédito integral previsto no artigo 3º da Lei 10.833/03. Vale dizer, a Autoridade Tributária entendeu que a Recorrente deve apurar o crédito das aquisições de trigo efetuadas entre 01.08.2004 e 31.03.2006 de acordo com a forma de tributação do fornecedor, pouco importando se a aplicação da suspensão da incidência de COFINS sobre as referidas operações violou a legislação e as inúmeras orientações expedidas em diversas Soluções de Consultas da própria RFB. De fato, para espanto da Recorrente, a Autoridade Tributária, ao invés de examinar o direito ao crédito integral de Cofins oriundo das aquisições no período à luz das normas aplicáveis condicionou o a vontade dos respectivos fornecedores, mais especificamente ao modo de tributação por eles adotado em cada caso (venda com suspensão, tributada, com alíquota zero, com não incidência etc.), ainda que contra legem. A Autoridade Tributária asseverou, na hipótese, que se os fornecedores de trigo aplicaram a suspensão antes da referida data, mesmo que indevidamente, tal situação deveria determinar a forma de apuração do crédito da Recorrente. É incontroverso que a Recorrente possui o direito de restituição dos valores objetos dos pedidos de restituição, pois, em relação às aquisições de trigo efetuadas entre 01.08.2004 e 31.03.2006 aproveitou, na época, equivocadamente o crédito presumido previsto na Lei 10.925/04 (como se fosse aplicável a suspensão em exame), ao invés de utilizar o crédito integral a que fazia jus, recolhendo aos cofres públicos, a titulo de COFINS, valores maiores do que as efetivamente devidos. As vendas realizadas equivocadamente com suspensão da COFINS pelos fornecedores da Recorrente, no máximo, podem ser revistas com o Lançamento de eventual crédito tributário contra os vendedores em razão da incidência da contribuição nas operações, conforme, inclusive, destacado na Solução de Consulta nº 126/2008. A Recorrente retificou as DACONs originais para, em lugar do crédito presumido, aproveitar o crédito integral sobre o valor dos insumos adquiridos, em observância aos procedimento estabelecido no art. 11, da INSRF nº 590/2005. Da mesma forma, em atenção ao disposto no artigo 11, da INRFB nº 786/2007, retificou as DCTFs informando a redução de COFINS decorrente da utilização do crédito integral no lugar do presumido. Desse modo, como os débitos declarados nas DCTFs originais referentes ao período em análise (01.08.2004 a 31.03.2006) já haviam sido pagos mediante DARF, configurouse, em virtude das fundamentadas retificações dos DACONs e das DCTFs, o pagamento a maior objeto dos pedidos de restituição Fl. 7326DF CARF MF Processo nº 11020.002797/200912 Acórdão n.º 3301005.688 S3C3T1 Fl. 7.324 7 vinculados ao feito. Cabe destacar que a Receita Federal do Brasil reconhece, pacificamente, o direito à restituição em casos análogos. A Recorrente, então, traz à colação Soluções de Consulta que, em seu entender, corroborariam seu entendimento: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 126 de 19 de Maio de 2008 9ª Região Fiscal ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: PERÍODO DE NÃO APLICABILIDADE DA SUSPENSÃO. DIREITO A CRÉDITO INTEGRAL. VENDAS EFETUADAS INDEVIDAMENTE COM SUSPENSÃO. LANÇAMENTO A DÉBITO DAS CONTRIBUIÇÕES E EVENTUAL PAGAMENTO. No período entre a publicação da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos indevidamente com suspensão e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, independentemente da regularidade fiscal do fornecedor. As vendas efetuadas indevidamente com suspensão, no mesmo período, devem ser revistas, com o lançamento a débito da COFINS e eventual pagamento do saldo devedor. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 214 de 01 de Junho de 2009 9ª Região Fiscal ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins. EMENTA: PERÍODO DE NÃO APLICABILIDADE DA SUSPENSÃO. DIREITO A CRÉDITO INTEGRAL. OBRIGATORIEDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. No período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. É possível a alteração dos créditos descontados nesse período, sendo exigida a entrega de Dacons e DCTFs retificadoras relativas ao período com créditos alterados. Cabe a compensação com outros tributos e a restituição, bem como a correção pela Selic dos valores a compensar ou a restituir em relação a pagamentos indevidos ou a maior da COFINS. Descabe a compensação com outros tributos e o ressarcimento dos créditos da não cumulatividade, exceto quando oriundos de receita de exportação ou de vendas sujeitas à não incidência, isenção, suspensão ou alíquota zero. Em todos os casos, descabe a correção para créditos oriundos da sistemática não cumulativa. ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: PERÍODO DE NÃO APLICABILIDADE DA SUSPENSÃO. DIREITO A CRÉDITO INTEGRAL.OBRIGATORIEDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. Fl. 7327DF CARF MF 8 No período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. É possível a alteração dos créditos descontados nesse período, sendo exigida a entrega de Dacons e DCTFs retificadoras relativas ao período com créditos alterados. Cabe a compensação com outros tributos e a restituição, bem como a correção pela Selic dos valores a compensar ou a restituir em relação a pagamentos indevidos ou a maior da contribuição. Descabe a compensação com outros tributos e o ressarcimento dos créditos da não cumulatividade, exceto quando oriundos de receita de exportação ou de vendas sujeitas à não incidência, isenção, suspensão ou alíquota zero. Em todos os casos, descabe a correção para créditos oriundos da sistemática não cumulativa. Solução de Consulta n° 413 de 30 de Novembro de 2010 8ª RF ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social EMENTA: PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade da Cofins, prevista no art. 9º da Lei no 10.925, de 2004, dependia do estabelecimento de termos e condições de sua aplicação, o que se deu somente com a edição da IN SRF no 636, de 2006, publicada no DOU de 4 de abril de 2006, posteriormente revogada pela IN SRF no 660, de 2006, somente a partir dessa data, 04.04.2006, é que foi possível efetuar vendas com a referida suspensão. Solução de Consulta n°. 57 de 14 de Julho de 2005 2ªRF ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social EMENTA: SUSPENSÃO. PENDÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. 1 Enquanto não expedida regulamentação por parte da Secretaria da Receita Federal, encontrase inaplicável a suspensão da incidência da Cofins prevista no art. 9° da Lei n° 10.925, de 2004. Solução de Consulta n°. 293 de 19 de Setembro de 2006 9ª RF ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social EMENTA: A suspensão da exigibilidade da Cofins, prevista no art. 9° da Lei n° 10.925, de 2004, dependia, nos termos do seu § 2°, do estabelecimento de termos e condições da sua aplicabilidade, o que se deu somente através da IN SRF n° 636, de 2006, publicada no D.O.U. de 4 de abril de 2006, posteriormente revogada pela IN SRF n° 660, de 2006. Assim, as vendas dos produtos agropecuários objeto do referido dispositivo legal, efetuadas até 3 de abril de 2006, submetiam se à exigibilidade da contribuição, por não aplicável a suspensão aludida. Solução de Consulta n° 39 de 04 de Abril de 2007 6ª RF ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social EMENTA: SUSPENSÃO. VENDAS DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS E CREDITO PRESUMIDO. Enquanto não expedida regulamentação por parte da Receita Federal do Fl. 7328DF CARF MF Processo nº 11020.002797/200912 Acórdão n.º 3301005.688 S3C3T1 Fl. 7.325 9 Brasil, encontravase inaplicável a suspensão da incidência da Cofins prevista no art.9° da Lei n° 10.925, de 2004. A regulamentação ocorreu com o advento da IN SRF n° 636, de 24 de marco de 2006, revogada pela IN SRF n° 660, de 17 de julho de 2006. É o Relatório. 7. Este Acórdão nº 3301002.653 restou assim ementado, decidindo a questão : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2004, 2005, 2006 LEI Nº 10.925/2004. ARTIGOS 8º E 9º. SAÍDAS COM SUSPENSÃO DE COFINS. RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. De acordo com decisões reiteradas da Administração da SRF, no período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Soluções de Consulta que se estendem a terceiros, a teor do artigo 9º da Instrução Normativa RFB 1.434, de 30 de dezembro de 2013. 8. Em face deste Acórdão, a D. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, nos seguintes termos, em excertos extraídos do seu texto : Tratase de processo referente a decisão que indeferiu o pedido de restituição de valores recolhidos a título de Cofins, nos anos calendários 2004, 2005 e 2006. Segundo a contribuinte, o pagamento a maior decorreu da não aplicação da suspensão da exigibilidade da PIS/Pasep prevista no art. 9º, da Lei 10.925/2004, no período entre a produção de efeitos da lei (01.08.2004) e a publicação da IN SRF n° 636 (04.04.2006). Insurgese a Fazenda Nacional em face do acórdão nº 3301002.653, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, no qual decidiu: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. O conselheiro Luiz Augusto Couto Chagas votou pelas conclusões.” ……………………………………….. Não obstante a argumentação do r. voto condutor, o aresto merece reforma, pois contrariou precedentes proferidos por outros órgãos julgadores deste Eg. Conselho. No que se refere à aplicação do crédito presumido entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), o acórdão recorrido entendeu pela não aplicação, mas pelo aproveitamento de crédito integral de PIS e COFINS na sistemática nãocumulativa. …………………………………. Diversamente, decidiu o Acórdão paradigma nº 3403003.507, ao tratar(em) do início da aplicação da suspensão prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. ………………………………………. Fl. 7329DF CARF MF 10 A(s) ementa(s) transcrita(s), por si só, já demonstra(m) a existência do dissídio jurisprudencial. ……………………………………….. Como se vê, é manifesta a identidade (ou similitude) fática entre as situações analisadas no acórdão recorrido e no(s) paradigma(s). Ambos tratam do lapso temporal de aplicação do disposto no art. 9º da Lei nº 10.925 de 2004 que instituiu a suspensão da incidência das contribuições PIS e COFINS nãocumulativas sobre diversas operações com produtos agropecuários. Nada obstante a identidade fática dos casos confrontados, os Colegiados adotaram entendimento jurídico divergente. …………………………………………… O acórdão paradigma entendeu que a regulamentação demandada pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 foi realizada pela IN SRF nº 636 de 24/03/2006 (publicada no DOU de 04/04/2006) que permitiu a suspensão retroativamente a 01/08/2004. Concluiu que, nada obstante, a IN SRF nº 636/2006 tenha sido revogada pela IN SRF nº 660/2006, é inegável que ela produziu, antes da revogação, efeitos jurídicos, que não podem ser ignorado Por outro lado, a decisão recorrida entendeu no período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006) podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, tendo em vista que não se havia de falar em crédito presumido antes dessa data. ……………………………………………. (a) seja conhecido o presente recurso, face à observância aos requisitos de admissibilidade previstos no Regimento Interno do CARF; (b) seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido, negandose a restituição pleiteada. 9. Em despacho fundamentado, foi feito o exame de admissibilidade do recurso especial, do qual extraímos o seguinte trecho, por considerálo elucidador e resumir as razões do recurso especial interposto : O acórdão recorrido decidiu que a vigência da suspensão de que se trata somente teve efeitos a partir da publicação da Instrução Normativa da Receita Federal nº 636/2006 e 660/2006, e por consequência, o contribuinte teria o direito de crédito integral da Cofins no período entre a produção de efeitos da Lei 10.925/2004 e a produção de efeitos das citadas Instruções Normativas. Ao revés, o paradigma decidiu que a suspensão teve vigência desde a produção dos efeitos da Lei 10.925/2004, e por consequência, para o presente caso, equivale a que o contribuinte tenha direito somente ao crédito presumido de Cofins. 10. O despacho admitiu o recurso especial, dandolhe seguimento. 11. Foi exarado, então, o Acórdão 9303005.530, pela C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, que ficou assim ementado : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2004 a 31/03/2006 Fl. 7330DF CARF MF Processo nº 11020.002797/200912 Acórdão n.º 3301005.688 S3C3T1 Fl. 7.326 11 DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. COMPROVAÇÃO. O dissídio jurisprudencial hábil franquear a via recursal especial se comprova mediante a apresentação de acórdãos com posicionamentos distintos sobre matérias idênticas embasadas em fatos iguais ou semelhantes. Inatende tal pressuposto o acórdão que, ou comunga do mesmo entendimento, ou deixa de se manifestar sobre matéria abordada pela decisão recorrida. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. 12. Os autos, então, voltaram a unidade de origem para o cálculo do direito creditório, diante do seu reconhecimento pelo Acórdão 3301002.653. A DRF/CAXIAS DO SUL elaborou a Informação DRF/CXL/Seort nº 60, de 25/04/2018, com tabela de cálculo em anexo, de onde extraímos os trechos : 1. Tratase a presente Informação Fiscal da análise do direito creditório de Pedidos de Restituição de recolhimentos de COFINS, períodos de apuração entre 08/2004 e 03/2006, conforme discriminado na fl. 101 dos autos. ………………………… 15. Vencidos os prazos recursais, coube o encaminhamento do Processo a unidade de origem para o cumprimento da decisão proferida no Acórdão nº 3301002.653– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF. 16. Isto posto, elaborouse a Tabela 1, apresentando as informações referentes aos PER/DCOMPS transmitidos pela Interessada, os quais solicitam créditos de COFINS analisados nestes autos. ……………………………... 18. Desta forma, observase que a coluna H apresenta a soma das notas fiscais relativas as aquisições com suspensão de valores de COFINS, sendo estes a base de cálculo da contribuição. Por outro lado, a coluna I apresenta o valor de COFINS recolhido a alíquota integral de 7,6%. Por fim, a coluna J referese a memória de cálculo estipulada pelo Acórdão nº 3301002.654– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF (7,6% 4,56%). 19. Isto posto, atendendo a decisão exarada pelo CARF, cumprese aplicar a alíquota redutora em consonância com o provimento parcial do Recurso Voluntário, o qual reconheceu o direito ao aproveitamento do crédito do COFINS à alíquota de 7,6%, relativamente às notas fiscais das aquisições com suspensão das Contribuições, devendo ser descontados o crédito presumido de 4,56%, conforme apresentado a coluna J da Tabela 1. 20. Desta forma, considerando os recursos do contribuinte em instâncias administrativas superiores e em atendimento ao Acórdão nº 3301002.653– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF, reconhecese o direito creditório no valor de R$ 1.631.285,01 (um milhão, seiscentos e trinta e um mil duzentos e oitenta e cinco reais e um centavo) referente ao recolhimento indevido ou maior de COFINS, conforme memória de cálculo apresentada na Tabela 1, em anexo a esta Informação Fiscal. 13. Em cumprimento á decisão veiculada no citado Acórdão e, diante dos cálculos efetuados, foram efetivadas as restituições a recorrente, conforme se verifica das Ordens Bancárias de nº 2018OB800545, emitida em 12/06/2018, no valor de R$ 3.903.620,24 (fls. 6.452 dos autos digitais) e de nº 2018OB800550, emitida em 12/06/2018, no valor de R$ 93.742,70 (fls. 6.454 dos autos digitais). Fl. 7331DF CARF MF 12 14. A recorrente apresentou petição, ás fls. 6.457/ 6.460 dos autos digitais, onde pleiteia a correção de erros materiais constantes do Acórdão nº 3301002.653, afirmando, em síntese, que o Acórdão ocorreu em erro material, no que tange ao percentual do crédito presumido a ser descontado no caso concreto, pois consta dos autos, em relação ao crédito integral da COFINS (7,6%) deveria ser descontado crédito presumido de 4,56%, e tal percentual corresponde a 60% da alíquota do crédito integral. Conforme disposto no texto legal, o crédito presumido de 60% (4,56% para a COFINS) aplicase apenas aos produtos de origem animal, como carnes e peixes, já pra os produtos de origem vegetal o crédito presumido previsto é de 35% (2,66% para a COFINS). As aquisições feitas pela recorrente referemse a trigo, assim é cristalino que o crédito presumido a ser descontado só pode ser aquele que seria aplicável a compras de trigo, qual seja, 35% da alíquota integral (2,66% para a COFINS). Assim, o fato de constar no Acórdão o percentual do crédito presumido previsto para produtos de origem vegetal consistiu em mero erro material que deve ser corrigido. 15. Tal petição foi admitida como Embargos Inominados, pelo Sr. Presidente desta C. Turma, assim estabelecendo ás fls. 6.465 dos presentes autos: Com essas considerações, para os fins previstos no § 7° do art. 65 do RICARF, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, acolho a petição de fls. 6.457 a 6.460 como embargos inominados, para que o Colegiado 3301 analise a ocorrência do equívoco alegado, prolatando novo acórdão. Em se tratando a relatora de Conselheira que não mais compõe os quadros do CARF, incluase o presente processo em lote a ser sorteado no âmbito do Colegiado 3301. 16. Os autos vieram a mim para relatar. É o relatório. Voto Conselheiro ARI VENDRAMINI 17. Em breve síntese, tratase de Pedidos de Restituição Eletrônicos – PER, de recolhimentos a maior a título de Contribuição ao PIS/PASEP, referentes ao período de agosto/2004 a março/2006, sendo que a recorrente afirma que os recolhimentos a maior seriam oriundos da indevida aplicação de suspensão da exigibilidade da Contribuição ao PIS/PASEP prevista no artigo 9º da lei nº 10.925/2004, no intervalo de tempo entre a produção de efeitos da lei (01/08/2004) e a publicação da IN SRF nº 636/2006, que regulamentou a referida suspensão (04/04/2006). A recorrente alega que, em razão da não aplicação da suspensão da incidência da Contribuição ao PIS/APSEP, prevista no artigo 9º da lei nº 10.925/2004, no período entre agosto/2004 a março/2006, o trigo adquirido nesse interregno estava sujeito ao pagamento da referida Contribuição ao PIS/PASEP, porque a suspensão da incidência da Contribuição ao PIS/PASEP sobre o trigo adquirido estava condicionada á regulamentação da matéria pela Secretaria da Receita Federal, o que ocorreu com a publicação da IN SRF nº 636/2006, em 04/04/2006, momento este em que a mencionada suspensão passou a produzir efeitos. Portanto, o indébito teria origem no recolhimento da Contribuição ao PIS/PASEP em valores maiores do que deveria ter sido pago, pois, ao invés de utilizar o crédito integral a que Fl. 7332DF CARF MF Processo nº 11020.002797/200912 Acórdão n.º 3301005.688 S3C3T1 Fl. 7.327 13 teria direito, em função da aquisição tributada do trigo (7,6% nos termos do 3º da lei nº 10.833/2003), utilizouse do crédito presumido, em função da suposta aquisição com suspensão da incidência da Contribuição ao PIS/PASEP, previsto no artigo 8º da lei nº 10.925/2004. 18. Ás fls. 265/267 dos autos digitais, a recorrente traz planilhas onde lista os valores de aquisições de insumos, os valores do crédito presumido da Contribuição ao PIS/PASEP utilizado, as datas e valores dos recolhimentos efetivados, o período de apuração, a data do recolhimento, finalizando com o confronto entre a utilização dos créditos presumidos a alíquota de 4,56% e o crédito regular a alíquota de 7,6%.Após realização de diligência, a unidade de origem reconheceu o valor de R$ 171.787,32como demonstra a apuração constante da Informação DRF/CXL/Seort nº 65, ás fls. 6.261 dos autos digitais, sendo que em relação á aquisição do trigo com suspensão da incidência da Contribuição ao PIS/PASEP, houve a conclusão de que deveria se utilizar o crédito presumido, e na aquisição com incidência, o crédito integral. 19. A suspensão da incidência da Contribuição ao PIS/PASEP foi instituída pelo artigo 9º da Lei nº 10.925/2004 (com produção de efeitos estabelecida no artigo 17), com as alterações introduzidas pelo artigo 29 da Lei nº 11.051/2004 (com produção de efeitos estabelecida no artigo 34) : Lei nº 10.925/2004 Art. 9º A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS fica suspensa na hipótese de venda dos produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 09.01, 10.01 a 10.08, 12.01 e 18.01, todos da NCM, efetuada pelos cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os referidos produtos, por pessoa jurídica e por cooperativa que exerçam atividades agropecuárias, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, nos termos e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. Art. 17. Produz efeitos: III a partir de 1º de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8º e 9º desta Lei; Lei nº 11.051/2004, publicada em 30.12.2004: Art. 29. Os arts. 1º, 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004 , passam a vigorar com a seguinte redação: ……… "Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I – de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; II – de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e III – de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. § 1º O disposto neste artigo: I – aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e Fl. 7333DF CARF MF 14 II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF." Art. 34. Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação, produzindo efeitos, em relação: I – ao art. 7º, a partir de 1º de novembro de 2004; II – aos arts. 9º, 10 e 11, a partir do 1º (primeiro) dia do 4º (quarto) mês subseqüente ao de sua publicação; III – aos demais artigos, a partir da data da sua publicação 20. Quanto ao crédito presumido instituído pelo artigo 8º da Lei nº 10.925/2004 (com produção de efeitos estabelecida no seu artigo 17), em função da suspensão, com as alterações promovidas pela Lei nº 11.051/2004 (com produção de efeitos estabelecida no seu artigo 34), assim dispunha a legislação : Lei nº 10.925, de 23.06.2004 Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01,todos da NCM; II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III – pessoa jurídica e cooperativa que exerçam atividades agropecuárias. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: Fl. 7334DF CARF MF Processo nº 11020.002797/200912 Acórdão n.º 3301005.688 S3C3T1 Fl. 7.328 15 I – 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I – do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5º Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. ……………… Art. 17. Produz efeitos: III a partir de 1º de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8º e 9º desta Lei. ………………………………………………………………………………… Lei nº 11.051/2004, publicada em 30.12.2004 : Art. 29. Os arts. 1º, 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004 , passam a vigorar com a seguinte redação: (...) "Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00,07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00,1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis n os 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º (....) III – pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. .................................................................. § 6º Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, Fl. 7335DF CARF MF 16 preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. § 7º O disposto no § 6º deste artigo aplicase também às cooperativas que exerçam as atividades nele previstas." ……………………………… Art. 34. Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação, produzindo efeitos, em relação: I – ao art. 7º, a partir de 1º de novembro de 2004; II – aos arts. 9º, 10 e 11, a partir do 1º (primeiro) dia do 4º (quarto) mês subseqüente ao de sua publicação; III – aos demais artigos, a partir da data da sua publicação. 21. Diante deste quadro, a recorrente, por ter adquirido trigo, faria jus ao crédito presumido de 0,5775% a ser calculado sobre o valor do insumo adquirido (trigo), percentual este que corresponde a 35% de 1,65% que é a alíquota da Contribuição ao PIS/PASEP definida no artigo 2º da Lei nº 10.637/2002, por força do determinado no Inciso II do § 2º do artigo 8º da lei nº 10.925/2004, a partir de 1º/08/2004. 22. Portanto, pelo todo exposto, devese reconhecer o direito ao aproveitamento do crédito integral básico da Contribuição ao PIS/PASEP á alíquota de 1,65% no intervalo de tempo entre a produção de efeitos da Lei nº 10.925/2004 (1º/08/2004 ) e a publicação da Instrução Normativa SRF nº 636/2004 (04/04/2006), devendo ser descontado o crédito presumido de 0,5775%.. Conclusão 23. Assim, VOTO POR ACOLHER OS EMBARGOS DECLARATÓRIOS, sem efeitos infringentes, para reconhecer o direito ao aproveitamento do crédito da Contribuição ao PIS/PASEP à alíquota de 1,65%, relativamente às notas fiscais das aquisições de trigo, pela recorrente, no período de 1ª/08/2004 a 04/04/2006, com suspensão da Contribuição ao PIS/PASEP, devendo ser descontado o crédito presumido de 0,5775 %. É o meu voto. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 7336DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11831.006270/2002-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1999
IRPF. LANÇAMENTO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO
Nos termos do enunciado nº 01 da súmula da jurisprudência do CARF, "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial".
Numero da decisão: 2402-006.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por renúncia à instância administrativa.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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LANÇAMENTO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO Nos termos do enunciado nº 01 da súmula da jurisprudência do CARF, "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por renúncia à instância administrativa. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 62 70 /2 00 2- 38 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 11831.006270/200238 Acórdão n.º 2402006.991 S2C4T2 Fl. 71 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de auto de infração de Imposto de Renda Pessoa FísicaSuplementar no valor de R$ 8.383,25, acrescido de oficio de 75% e juros de mora relativos ao ano calendário de 1999 em decorrência de omissão de rendimentos tributáveis recebidos das pessoas jurídicas relacionadas no "Demonstrativo das Infrações" a fls. 15, decorrentes de trabalho com e sem vinculo empregatício, com IRRF descontados pelas fontes pagadoras conforme descrito a fls. 16. A recorrente apresentou impugnação e documentos tempestivamente (fls. 02/11), alegando, em síntese, que: é viúva de Attilio Corigliano Junior, que faleceu em 1974, por ocasião do incêndio do Edifício Joelma, onde se localizava o extinto Banco Crefisul de Investimentos, para o qual trabalhava como funcionário, incorporado posteriormente pelo Banco de Crédito Nacional; a partir do falecimento de seu marido, passou a receber, a titulo de indenização pelo acidente de trabalho, pagamentos mensais, tanto do Instituto Nacional da Seguridade Social INSS, quanto da instituição financeira onde ele trabalhava, a título de reparação pelos danos sofridos pela família com o acidente, conforme comprovam as declarações de fls. 10 e 11; o vigente Regulamento de Imposto de Renda (RIR/1999), em seu art. 39, inciso XVII, dispõe que a indenização por acidente de trabalho é isenta do imposto de renda, citando como base legal o art. 6°, inciso IV, da Lei n° 7.713/88. Da mesma forma, o RIR/80 e o RIR/66 previam idênticas isenções para as indenizações por acidente do trabalho. Acrescenta que o Parecer Normativo da SRF n° 12/80 esclareceu que as indenizações referidas nesses dispositivos alcançam os pecúlios pagos por motivo de acidente de trabalho ao segurado ou, após sua morte, a seus dependentes. que esses rendimentos são, de fato, isentos, e não tem característica de renda, nem de acréscimo patrimonial, uma vez que se trata de mera reparação por dano sofrido. que os juros cobrados não poderiam superar o percentual de 1% ao mês, nos termos do art. 161 do CTN, primeiro, ante a inexistência de legislação que defina a taxa SELIC para o cálculo dos juros, e segundo, porque a taxa SELIC é taxa remuneratória de capital e não pode ser exigida como juros de mora; por fim, requer que o auto de infração seja declarado insubsistente. A DRJ em Santa Maria/RS julgou a impugnação improcedente e manteve o lançamento integralmente, conforme acórdão de fls. 28/32, sob os seguintes fundamentos: Fl. 71DF CARF MF Processo nº 11831.006270/200238 Acórdão n.º 2402006.991 S2C4T2 Fl. 72 3 (i) os valores mensais recebidos do Banco BCN S/A a título de rendimento do trabalho assalariado bem como a pensão mensal recebida pela recorrente do INSS em decorrência do falecimento de seu marido em acidente no incêndio do Edifício Joelma são passíveis de tributação pelo imposto de renda por não consistirem verbas isentas, nos termos do art. 39, XVI do RIR/99; e (ii) também são tributáveis os rendimentos recebidos nos meses de fevereiro a agosto de 1999 da Televisão Princesa D'Oeste de CPS Ltda. em decorrência da prestação de serviços sem vínculo empregatício, conforme valores informados em DIRF pela fonte pagadora (fls. 27). Intimada dessa decisão aos 17/12/2007 (fls. 35), a recorrente apresentou recurso voluntário aos 16/01/2008, no qual, basicamente, reitera os argumentos de defesa constantes de sua impugnação. Não houve contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini – Relatora. O recurso voluntário é tempestivo mas não deve ser conhecido. Com efeito, o auto de infração tem por objeto o lançamento de valor suplementar de Imposto de Renda da Pessoa Física por conta de alterações na declaração de ajuste anual da recorrente do exercício de 2000, anocalendário de 1999, em função de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de trabalho com e sem vínculo empregatício, conforme IRRF descontados pelas fontes pagadoras Coord. Geral de Finanças do INSS no DF e Banco de Crédito Nacional S/A, no primeiro caso, e Televisão Princesa D'Oeste de CPS Ltda., no segundo. Conforme se constata do relatório acima, o cerne da discussão travada no presente processo administrativo diz respeito à natureza dos rendimentos recebidos pela recorrente do Banco de Crédito Nacional S/A BNC e do INSS, que ela alega ser indenizatória. Por conseguinte, tratarseia de rendimentos isentos do Imposto de Renda da Pessoa Física, a teor do que dispõem os arts. 6º, IV, da Lei n° 7.713/88 e 39, XVII do Decreto n° 3.000/99. Esclarece a recorrente que conforme se verifica dos documentos juntados aos autos, recebeu tais valores como indenização por acidente de trabalho em razão da morte de seu marido no incêndio do Edifício Joelma, onde funcionava o então Banco Crefisul de Investimentos, de que era funcionário, posteriormente sucedido pelo Banco de Crédito Nacional S/A BNC (fls. 10/11). Convém anotar que o lançamento também aponta como omitidos rendimentos recebidos da empresa Televisão Princesa D'Oeste de CPS Ltda, a respeito dos Fl. 72DF CARF MF Processo nº 11831.006270/200238 Acórdão n.º 2402006.991 S2C4T2 Fl. 73 4 quais, seja em sua impugnação, seja no recurso voluntário, a recorrente não fez nenhum comentário ou observação. Sobre o assunto, dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/72, que "considerar seá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”.1 Tratase, portanto, de matéria preclusa, não mais suscetível de apreciação nesta instância administrativa de julgamento. Nesse sentido, precedente da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento deste Tribunal (acórdão nº 3401004.360): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2009 a 30/04/2010 CONTRIBUIÇÃO AO PIS/COFINS. OMISSÃO DE RECEITAS. AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO SOBRE MATÉRIA. PRECLUSÃO. ARTIGO 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Na hipótese em que não há impugnação no Recurso Voluntário quanto aos valores apontados pela Fiscalização como sujeitos à tributação pelas contribuições, operase a preclusão, tornandose definitiva a matéria, por força do artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972. (...). (destacamos) Pois bem. No que diz respeito ao único ponto controvertido objeto de discussão nos presentes autos, qual seja a natureza indenizatória dos valores recebidos pela recorrente do Banco Crefisul de Investimentos, posteriormente sucedido pelo Banco BCN S/A, e do INSS em decorrência do falecimento de seu marido e, consequentemente, a serem esses mesmos valores isentos do Imposto de Renda da Pessoa Física, nos termos do art. 6º, IV da Lei 7.713/88 e art. 39, XVII do RIR/99, conforme esclarecido pela própria recorrente em seu recurso voluntário, a fls. 42, todas as questões relativas à não incidência do Imposto de Renda sobre os rendimentos recebidos do Banco BCN S.A. já se encontram sob o crivo do Poder Judiciário nos autos da ação de repetição de indébito n° 2005.63.01.0012403, em trâmite perante o Juizado Especial Federal da 3ª Região, movida pela recorrente em face da Fazenda Nacional. De fato, conforme se verifica da cópia da inicial anexada aos autos a fls. 46/67, a recorrente ajuizou ação de repetição de indébito com pedido de tutela antecipada em face da Fazenda Nacional aos 23/11/2004 visando, inicialmente, obter decisão liminar determinando a imediata paralisação da retenção do Imposto sobre a Renda das verbas de natureza indenizatória discutidas e a devolução das verbas retidas a partir do ano de 1994, devidamente corrigidas. 1 O novo Código de Processo Civil, em seu art. 1002, disciplina o tema da seguinte maneira: “Art. 1002. A decisão pode ser impugnada no todo ou em parte.” Em comentário a esse dispositivo, ensina Nelson Nery Junior: “4. Recurso parcial. O recurso de apenas parte da decisão significa aquiescência da parte não impugnada. O recorrente concordou com parte da sentença, tanto assim que recorreu apenas da parte com a qual não se conformou (...).” (NERY JUNIOR, Nelson; NERY, Rosa Maria de Andrade. Comentários ao Código de Processo Civil. Novo CPC. Lei 13.105/2005. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2015. p. 2030, nota 4 ao artigo 1002.) Fl. 73DF CARF MF Processo nº 11831.006270/200238 Acórdão n.º 2402006.991 S2C4T2 Fl. 74 5 Desse modo, a teor do enunciado da súmula da jurisprudência do CARF nº 1, "importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Fl. 74DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.722236/2011-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
PERDAS DE ESTOQUE. MEDICAMENTOS COM PRAZO DE VALIDADE VENCIDO. AUSÊNCIA DE PROVA. Para integrar o custo das mercadorias vendidas, as perdas de estoque correspondentes a medicamentos
com prazo de validade vencido devem ser provadas por laudo ou certificado de autoridade sanitária ou de segurança, que especifique e identifique as quantidades destruidas ou inutilizadas e as razões da providencia.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS.
0 não-recolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica A multa de oficio isolada, ainda que encerrado o ano-calendário. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de oficio relativa ao tributo apurado ao final do ano-calendário, por caracterizarem penalidades distintas.
Numero da decisão: 1101-000.877
Decisão: Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos,
NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente As exigências de 1RPJ e CSLL devidos no ajuste anual; e 2) por voto de qualidade, DAR PROVIMENTO PARCIAL recurso voluntário relativamente As exigências de multas isoladas, divergindo os Conselheiros
Benedicto Celso Benicio Júnior, Marcelo de Assis Guerra e José Ricardo da Silva, que davam provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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MEDICAMENTOS COM PRAZO DE VALIDADE VENCIDO. AUSÊNCIA DE PROVA. Para integrar o custo das mercadorias vendidas, as perdas de estoque correspondentes a medicamentos com prazo de validade vencido devem ser provadas por laudo ou certificado de autoridade sanitária ou de segurança, que especifique e identifique as quantidades destruidas ou inutilizadas e as razões da providencia. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. 0 não-recolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica A multa de oficio isolada, ainda que encerrado o ano-calendário. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de oficio relativa ao tributo apurado ao final do ano-calendário, por caracterizarem penalidades distintas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente As exigências de 1RPJ e CSLL devidos no ajuste anual; e 2) por voto de qualidade, DAR PROVIMENTO PARCIAL recurso voluntário relativamente As exigências de multas isoladas, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benicio Júnior, Marcelo de Assis Guerra e José Ricardo da Silva, que davam provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. 1 Processo n° 10530.722236/2011-27 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.877 FL 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente substituta da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Carlos Mozart Barreto Vianna, Benedicto Celso Benicio Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcelo de Assis Guerra. 2 Processo n° 10530.722236/2011-27 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.877 Fl. 4 Relatório FARMÁCIA REMÉDIO BARATO LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador/BA que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado ern 13/05/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 12.690.419,90. A autoridade lançadora promoveu a glosa das parcelas de R$ 3.709.783,29 e R$ 3.895.433,58 deduzidas, respectivamente, nos anos-calendário 2006 e 2007 a titulo de perdas eventuais em razão de remédios vencidos. Intimada a comprovar a efetiva incineração dos medicamentos assim contabilizados, acompanhada de documentação hábil e idônea dentro das exigências das legislações sanitárias e ambientais, bem como da AN VISA, vigentes época, inclusive detalhando, em planilha, os medicamentos incinerados com quantidade e valor, separado por ano-calendário, a contribuinte apresentou o documento de fls. 63/97, consistente em parecer técnico em papel timbrado da Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura Municipal de Feira de Santana, relacionando estoque de medicamentos vencidos em 04/06/2008, relativamente aos quais a empresa teria se comprometido a incinerá-los com auxilio de órgão competente, efetuando esse procedimento dentro das exigências das legislações sanitárias e ambientais vigentes. Em razão de intimação dirigida ao Fundo Municipal de Saúde de Feira de Santana, a autoridade lançadora exigiu a apresentação de relatório de acompanhamento que comprove a efetiva incineração/destruição dos medicamentos referentes aos anos-calendário 2006 e 2007 relativamente à empresa fiscalizada, solicitando, também, planilhas dos medicamentos incinerados com quantidade e valor, separados por ano-calendário. Em resposta, a Chefe da DIVISA — Secretaria Municipal de Saúde de Feira de Santana/BA informou inexistir no cadastro daquele órgão qualquer informação, a qualquer titulo, que diga respeito à eventual processo de incineração/destruição de medicamentos, ou qualquer outro produto da mesma natureza ou congênere, procedida pela autuada, atinente ao período aludido, qual seja, anos-calendário 2006 e 2007 (fls. 98/99). Em paralelo, a autoridade fiscal intimou a empresa a apresentar planilha da composição do valor das Despesas Eventuais, indicando também as correspondentes contas contábeis nas quais encontram-se devidamente escrituradas as referidas despesas e apresentando o RELATÓRIO/ATESTADO DE INCINERAÇÃO DA ANVISA E/OU VIGILÂNCIA SANITÁRIA, mas não obteve resposta. A autoridade lançadora, então, promoveu a glosa das perdas com fundamento no art. 291, inciso II, alíneas "a" e "c", do RIR/99, bem como recompôs os balancetes de suspensão/redução de apuração de estimativas de IRPJ e CSLL, determinando valores não recolhidos em todos os meses de 2006 e 2007, sobre os quais aplicou multa isolada no percentual de 50%. Sobre os créditos tributários devidos no ajuste anual de 2006 e 2007, a t autoridade lançadora aplicou multa de 75%, mas registrou a formalização de representg do 3 Processo n° 10530.722236/2011-27 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.877 Fl. 5 fiscal para fins penais em observância ao art. 1 0 da Portaria SRF no 665/2008, a qual observará o rito do art. 3 ° e parágrafos da referida Portaria. Impugnando a exigência, a contribuinte questionou a restrição aos conceitos de despesas dedutiveis, asseverou que a prova contábil é a manutenção e a guarda em seu depósito de todos os medicamentos vencidos retirados da comercialização, defendeu a classificação da perda como despesa e restringiu a aplicação do art. 291 do RIR199 à dedução de custos, observou as dificuldades para incineração do grande volumes de medicamentos por inexistir empresa especializada para tanto até 2011, registrou a necessidade de conferência para fins de restituição de ICMS, ressaltou que a inclusão das perdas no CMV somente reduziria o prejuízo fiscal do período, reportou-se a processo administrativo virtual junto 5. Visa Municipal atestando que as mercadorias permaneciam em depósito até que fosse possível a incineração, asseverou que houve efetiva perda por não se possível incinerar os produtos nem vendê-los. Discordou da necessidade de apresentação do laudo (prova indireta) se é possível a prova da perda de validade do medicamento com sua apresentação física (prova direta), e observou que a conferência poderia ter sido feita pela própria autoridade fiscal. Por fim, opôs-se à aplicação concomitante da multa de oficio e da multa isolada e requereu diligência para confirmação da permanência dos medicamentos em depósito e da compatibilidade deste estoque com os valores lançados como perdas. A Turma julgadora indeferiu o pedido de diligência e afirmou que a infração foi devidamente enquadrada no art. 291, inciso II do RIR11 999, pois nos casos de produtos que ofereçam riscos a saúde ou à segurança pública, a perda, por deterioração, deve ser comprovada por laudo ou certificado de autoridade sanitária ou de segurança, que especifique e identifique as quantidades destruidas ou inutilizadas e as razões da providencia. Discordou da necessidade de verificação fisica, na medida em que a legislação prevê a necessidade de laudo, e, confrontando os relatórios apresentados em impugnação, identificou divergências entre os itens que teriam sido contabilizados como perdas e aqueles que se encontravam armazenados segundo Parecer Técnico da Prefeitura Municipal de Feira de Santana. Ainda, deixou-se de apreciar a arguição de ilegalidade dos dispositivos que fundamentam a exigência, e firmou-se a possibilidade de exigência da multa isolada, em razão de determinação legal especifica neste sentido. Cientificada da decisão de primeira instância em 31/08/2011 (fl. 1515), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 21/09/2011 (fls. 1516/1556). Reputa abusiva a exigência de laudo da vigilância sanitária, ante a demonstração da dificuldade de se encontrar um local que atendesse às normas ambientais para a devida incineração dos medicamentos vencidos. Classifica de superficial o julgamento feito em pouco mais de dois meses da apresentação de sua defesa, defende que não é o laudo que atesta o prejuízo, mas a data de expiração da validade, e apresenta relação de notas fiscais de medicamentos remetidos para incineração e todos os documentos pertinentes, para ver afastada a glosa promovida. Invoca o principio da verdade material, reportando-se a acórdãos da CSRF que o aplicam, e pede a apreciação pormenorizada dos argumentos apresentados em impugnação, reproduzidos nos seguintes tópicos do recurso voluntário: • 3.2. Impossibilidade da glosa de despesas dedutíveis, perdas eventuais referentes aos medicamentos vencidos: opõe-se à restri -o 4 Processo n° 10530.722236/2011-27 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.877 Fl. 6 dedutibilidade de despesas operacionais, a qual caracterizaria ofensa ao critério material de hipótese de incidência do IRPJ. Aborda o conceito de renda sob diversas vertentes doutrinárias e jurisprudenciais, invocando o art. 110 do CTN, bem como seu art. 44, a exigir a caracterização de acréscimo patrimonial para incidência do IRPJ. Defende a dedução dos gastos para obtenção da riqueza, na medida em que só os valores líquidos acrescem o patrimônio, distingue custos de despesas, critica a subjetividade na determinação do que sejam despesas necessárias à atividade, e reafirma que a prova necessária para a perda registrada é a manutenção e guarda em seu depósito de todos os medicamentos vencidos retirados da comercialização, destacando que o fato de expirar a data de validade dos produtos decorrem da atividade normal e necessária para manter estoques em condições de atender a seus clientes. Conclui que as perdas não são custos, mas sim despesa operacional que observa o art. 299 do RIR/99, essencial A. sua atividade comercial. Acrescenta, ainda, que a prova da existência dos medicamentos vencidos foi produzida através de levantamento apresentado em 05 de maio de 2011, e que todo o medicamento vencido está guardado em depósito fechado aguardando destinação final, por ausência de empresa incineradora na cidade; • 3.3. Da aplicação de norma referente a custo mantida pela decisão. Art. 291 do RIR/99: demonstra que a inclusão das perdas no CMV deduzido no período de apuração não altera o resultado do período, mas reitera que o valor foi lançado como despesa e glosado sob dispositivo equivocado. Reporta-se ao relatório de fls. 63/97 como demonstração de que as mercadorias encontravam-se em estoque em 04/06/2008, aguardando incineração, bem como a resposta da Secretaria de Serviços Públicos do Município de Feira de Santana acerca da inexistência de empresa habilitada para a incineração, e do desconhecimento acerca de licença ambiental e aterro para destinação final dos medicamentos no Município. Menciona ação equivocada da ANVISA que interditou e lacrou depósito no qual os medicamentos eram mantidos em guarda, afirma que se tratam de cerca de 30 toneladas de medicamentos vencidos, e reporta-se ao custo para incineração e transporte fora do Município, bem como A. necessidade de conferência do Fisco Estadual para restituição do ICMS. Conclui, assim, que não havia como incinerar de imediato as mercadorias, mas a perda efetivamente ocorreu, na medida em que não pode comercializar produtos vencidos. Dai porque a expiração do prazo de validade é suficiente para o registro da perda, e a prova poderia ser feita pela contagem fisica dos medicamentos em depósito, inclusive pela própria autoridade lançadora, dispensando-se a exigência do laudo, consoante jurisprudência administrativa que cita; • 3.4. Ilegalidade na determinação da presunção indicada no artigo 291, II do RIR e da Lei 4.506/64, art. 46, VI: tais dispositivos implicam a presunção de que somente o laudo comprovaria as perdas ou quebras de estoque. Considerando os requisitos doutrinários pa1a Processo n° 10530.722236/2011-27 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.877 Fl. 7 que uma presunção legal se estabeleça, afirma a inadequação da presunção legal apontada, entendendo que o laudo, como prova indireta, não supera a confirmação da existência dos medicamentos em estoque (prova direta), mas acrescentando que agora já se encontram incinerados. Entende que o desmerecimento da prova material que detém ofende o contraditório e a ampla defesa, consoante ementa de julgado administrativo que transcreve; 3.5. Inaplicabilidade da multa isolada concomitantemente com a multa de oficio, reportando-se ao acórdão n° 1803-00.459, de relatoria do Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior, e a outros julgados administrativos. Ao final, requer diligência para comprovação de que os medicamentos vencidos foram incinerados não restando razão para a glosa do prejuízo. Afirma junt r ) documentação de toda incineração do medicamento vencido. 6 Processo n° 10530.722236/2011-27 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.877 Fl. 8 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA 0 presente lançamento decorre da dedução contábil de perdas eventuais nos valores correspondentes a R$ 3.709.783,29, em 2006, e R$ 3.895.433,58, em 2007. Durante o procedimento fiscal, e também ao longo do contencioso administrativo, alegou a contribuinte que tais valores corresponderiam a remédios vencidos, defendendo que a dedução destas perdas — que seriam despesas necessárias, e não custos — verifica-se na data de expiração da validade, bastando a prova de que estes produtos encontravam-se armazenados para destruição. A contribuinte atua no comércio varejista de produtos farmacêuticos, sem manipulação de fórmulas, e assim adquire medicamentos para revenda, os quais, em observância ao regime de competência, somente afetam o resultado do período em que registrada a correspondente receita de venda (art. 187, §1 0 da Lei n° 6.404/76). Dai porque o art. 289 do RIR199 exige a manutenção de registro permanente de estoques ou de registro periódico em Livro de Inventário, por meio do qual determina-se quais mercadorias permanecem na propriedade do sujeito passivo, admitindo-se a dedução das demais como custo das mercadorias revendidas. As baixas de estoques, em regra, integram o custo das mercadorias vendidas que, confrontado com as receitas liquidas de vendas, resulta no lucro bruto do período (art. 187, inciso II da Lei n° 6.404/76). Os demais gastos, pagos ou incorridos para vender mercadorias e administrar a empresa representam despesas, que deduzidas do lucro bruto resultam no lucro operacional (art. 187, inciso III da Lei n° 6.404/76). Baixas de estoque por deterioração ou obsolescência representam custo, porque tais gastos foram promovidos com o objetivo de revenda de mercadorias, a qual somente não se verificou por razões alheias à vontade da pessoa jurídica. As despesas decorrem de operações acessórias à revenda; essenciais, mas acessórias sob a ótica do objeto social da pessoa jurídica. Correta, portanto, a fundamentação da exigência no art. 291 do RIR199, que assim estabelece: Art. 291. Integrará também o custo o valor (Lei n°4.506, de 1964, art. 46, inciso V e VI): I - das quebras e perdas razoáveis, de acordo com a natureza do bem e da atividade, ocorridas na fabricação, no transporte e manuseio; II - das quebras ou perdas de estoque por deterioração, obsolescência ou pela ocorrência de riscos não cobertos por seguros, desde que comprovadas: a) por laudo ou certificado de autoridade sanitária ou de segurança, que especifique e identifique as quantidades destruídas ou inutilizadas e as razões da providência; b) por certificado de autoridade competente, nos casos de incêndios, inundações u outros eventos semelhantes; 7 Processo n° 10530.722236/2011-27 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.877 Fl. 9 c) mediante laudo de autoridade fiscal chamada a certificar a destruição de bens obsoletos, invendáveis ou danificados, quando não houver valor residual apurável. 0 caso em tela está tratado no inciso II, alínea "a" do referido dispositivo. Dele consta exigência de prova especifica para dedução de custos decorrentes de perdas de estoque por deterioração ou obsolescência, qual seja, laudo ou certificado de autoridade sanitária ou de segurança, que especifique e identifique as quantidades destruidas ou inutilizadas e as razões da providência. Nestes termos, para fins de apuração do lucro tributável, não basta a afirmação da contribuinte de que houve perdas em razão da impossibilidade de revenda da mercadoria com prazo de validade vencido; esta afirmação deve ser feita pela autoridade pública competente para destruição ou inutilização destas mercadorias. Significa dizer que estas mercadorias, mesmo inserviveis, se mantidas em estoque, não podem afetar o lucro tributável. 0 legislador reputou necessária a sua destruição ou inutilização para assegurar a impossibilidade de venda da mercadoria. Impróprio, portanto, discutir a necessidade das aquisições destas mercadorias e a razoabilidade do risco de perdê-las por expiração de sua validade, ou mesmo a normalidade do volume destas ocorrências em razão da atividade da contribuinte. Inaplicável, A. espécie, o art. 299 do RIR199, pois a legislação não cogita das exigências ali prescritas relativamente aos custos, que representam a essência da atividade da pessoa jurídica. A questão 6, meramente, de prova. Assim, é inócua a demonstração, feita pela contribuinte, de que o resultado do período não seria afetado pelo cômputo das perdas no custo das mercadorias vendidas — CMV. E desnecessário discutir, aqui, a que titulo a perda foi deduzida na apuração do lucro contábil, mas sim a prova de que estas mercadorias estariam reconhecidamente deterioradas ou obsoletas para afetarem o lucro tributável. Inexiste, ainda, qualquer ofensa ao critério material da hipótese de incidência do IRPJ, visto que o art. 44 do CTN define sua base de cálculo como o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis, e a legislação compilada no Regulamento do Imposto de Renda estabelece o que se caracteriza como lucro real, nos termos antes descritos. De outro lado, o contencioso administrativo não é o espaço para discussão da validade de lei regularmente editada, a teor da Sumula CARF n° 2 (0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.) E, relativamente à prova das perdas, consta dos autos o que segue: - parecer técnico em papel timbrado da Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura Municipal de Feira de Santana, relacionando estoque de medicamentos vencidos em 04/06/2008, relativamente aos quais a empresa teria se comprometido a incinerá-los com auxilio de órgão competente, efetuando esse procedimento dentro das exigências das legislações sanitárias e ambientais vigentes (fls. 63/97); - levantamento apresentado em 05 de maio de 2011, evidenciando que todo o medicamento vencido está guardado em depósito fechado aguardando destinação final, por ausência de empresa incineraclora na cidade, possivelmente representado pelo documento de fls. 434/437, apresentado em impugnação, composto de resposta do Secretário Municipal de Serviços Públicos da Prefeitura Municipal de Feira de Santana a questionamentos feitos pelos patronos da recorrente acerca da inviabilidade de incineração dos medicamentos em 2006 e Processo n° 10530.722236/2011-27 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.877 Fl. 10 2007, e da indisponibilidade deste serviço público em maio/2011, bem como de aterro sanitário. O Secretário Municipal respondeu sim A pergunta: Esta Secretaria detém informação de que a Recorrente mantém depósito fechado, neste Município, onde acondiciona e centraliza todos os medicamentos vencidos da rede de farmácias? - defesa prévia formulada em 16/06/2010, em razão de ação da ANVISA no Município de Feira de Santana, que resultou na interdição de estabelecimento da empresa em razão da manutenção de medicamentos com prazo de validade vencido, ante a possibilidade sua reutilização. Alegou a contribuinte que as mercadorias foram mantidas em depósito fechado aguardando conferência do Fisco Estadual para fins de restituição do ICMS, e que a exposição das mercadorias A poeira e animais evidenciava que nunca houve a intenção de reutilização (fls. 452/464); - certificado de tratamento de resíduos sólidos de serviços de saúde, emitido em 11/02/2011, atestando o tratamento, pela empresa autuada, de medicamentos vencidos através de processo de incineração (fls. 1572/1616), correspondentes a notas fiscais ali relacionadas, juntadas As fls. 1617/1766, emitidas pela autuada em 14/01/2010 sob o CFOP 5927 (baixa de estoque em decorrência de deterioração), tendo como destinatário Qualix Serviços Ambientais Ltda, CNPJ n° 02.592.658/0015/60, a mesma parte principal daquele indicado por Sustentare Serviços Ambientais Ltda, emitente do certificado inicialmente mencionado. 0 parecer técnico de 2008, como anotado pela Fiscalização, não prova a destruição das mercadorias. Ao contrário, atesta que em 04/06/2008, depois do encerramento dos períodos fiscalizados, alegadas mercadorias com prazo de validade expirado ainda permaneciam em estoque. No mesmo sentido é o levantamento de maio/2011, que se presta a atestar a manutenção dos medicamentos vencidos em estoque. Já a defesa prévia de 16/06/2010 aponta outra razão para a permanência destes produtos em estoque: a necessidade de conferência, pelo Fisco Estadual, para restituição do ICMS correspondente. Ao fim, o certificado de 11/02/2011 está vinculado a notas fiscais de baixa de estoque emitidas em 14/01/2010, inexistindo qualquer evidência de que as mercadorias ali relacionadas poderiam corresponder Aquelas deduzidas como perdas nos períodos autuados. De toda sorte, se esta vinculação existe, seria de se questionar a razão de ela não ter sido apresentada A fiscalização, ou mesmo alegada em impugnação, sendo aventada apenas em recurso voluntário e de forma superficial. Acrescente-se, por fim, que se esta destruição foi, efetivamente, promovida em 11/02/2011, antes da ciência do auto de infração (13/05/2011), a glosa subsistiria pertinente nos períodos autuados, podendo-se cogitar, apenas, de eventual recolhimento de tributo postergado pela dedução que deixaria de ser promovida no ano-calendário 2011, hábil a reduzir o valor aqui lançado, desde que devidamente provado. Resta, assim, concluir que a contribuinte não logrou produzir a prova necessária para admitir-se a dedutibilidade, em 2006 e 2007, das perdas registradas em razão da existência de remédios vencidos em seus estoques, subsistindo regular a glosa promovida pela autoridade lançadora. De outro lado, também não provou ter recolhido valores a maior de IRPJ e CSLL antes da lavratura do auto de infração, que pudessem ser reconhecidos co 17'o parcelas postergadas e redutoras dos valores lançados em 2006 e 2007. 9 Processo n° 10530.722236/2011-27 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-000.877 Fl. 11 Por fim, quanto à multa isolada, trata-se de penalidade imposta aos contribuintes que, optando pela apuração anual do lucro real, deixem de recolher estimativas ao longo do ano-calendário. Sua aplicação é cabível durante e depois de encerrado o ano- calendário, na medida em que não se confunde com o crédito tributário devido no ajuste anual, sendo irrelevante, inclusive, se o ajuste anual se mostra inferior à soma das estimativas devidas mensalmente. Constatado o descumprimento daquela obrigação acessória, é devida a penalidade aqui exigida, não se verificando cumulação com a multa de oficio, devida em razão da falta de recolhimento do tributo devido no ajuste anual. Neste sentido já era a determinação contida na redação original da Lei n° 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [-.] §1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: [-..] IV -isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano-calendário correspondente; [...] De toda sorte, cumpre observar que a exigência contida nestes autos alcança períodos já sob a vigência das alterações inseridas no referido dispositivo pela Medida Provisória n° 351/2007 (publicada em 22/01/2007), posteriormente convertida na Lei n° 11.488/2007: Art. 14. 0 art. 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformando-se as alíneas a, b e c do § 2° nos incisos I, II e "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social o Processo n° 10530.722236/2011-27 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.877 Fl. 12 sobre o lucro liquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. 5S' 1" 0 percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I - (revogado); II - (revogado); (revogado); IV - (revogado); V - (revogado pela Lei n°9.716, de 26 de novembro de 1998). ,sç' 2" Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o sç 1" deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo niarcado, de intimação para: I - prestar esclarecimentos; II - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III - apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. PI Em ambos os dispositivos estão presentes idênticos elementos para aplicação da penalidade: permanece ela isolada, aplicável aos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL por pessoa jurídica (art. 2° da Lei n° 9.430/96), mesmo se apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL ao final do ano-calendário. Impróprio, assim, falar em aplicação concornitante de penalidades em razão de uma mesma infração: a hipótese de incidência da multa isolada é o não cumprimento da obrigação correspondente ao recolhimento das estimativas mensais — obrigação acessória imposta aos optantes pela apuração anual das bases tributáveis — e a hipótese de incidência da multa proporcional é o não cumprimento da obrigação referente ao recolhimento do tributo devido ao final do período. Apenas que a autoridade lançadora errou em dois pontos na determinação das estimativas mensalmente devidas em razão das glosas de perdas: 1) em todos os meses deduziu a mesma parcela como isenta de adicional do IRPJ (R$ 20.000,00), sem observar que este valor deveria ser multiplicado pelo número de meses ao qual corresponde o resultado acumulado; 2) aplicou multa de 50% sobre o valor da estimativa apurada a partir do lucro acumulado mês a mês, sem deduzir a parcela que corresponderiam aos meses anteriores, de modo a apurar a estimativa que deveria ter sido paga no mês correspondente, mas não o foi. Assim, as penalidades devem ser reduzidas, para que correspondam a 50% do 6.1 IRPJ e da CSLL que resultem devidos mensalmente após tais ajustes, consoante abai , demonstrado: 11 Processo n° 10530.722236/2011-27 SI -CITI Acórdão n.° 1101-000.877 Fl. 13 a) IRPJ — ano-calendário 2006: a.1) Calculado pela Fiscalização: 2006 A BC/IRPJ B= A x 15% IMPOSTO 15% C = A - 20000,00 x 10% ADICIONAL 10% D=B+C ESTIMATIVA IRPJ E= D/50% MULTA ISOLADA 50% Janeiro 111.568,00 16.735,20 9.156,80 25.892,00 12.946,00 Fevereiro 232.672,39 34.900,86 21.267,24 56.168,10 28.084,05 Margo 400.885,76 60.132,86 38.088,58 98.221,44 49.110,72 Abril 490.263,37 73.539,51 47.026,34 120.565,84 60.282,92 Maio 1.106.035,96 165.905,39 108.603,60 274.508,99 137.254,50 Junho 1.501.065,84 225.159,88 148.106,58 373.266,46 186.633,23 Julho 1.947.898,97 292.184,85 192.789,90 484.974,74 242.487,37 Agosto 2.225.987,26 333.898,09 220.598,73 554.496,82 277.248,41 Setembro 2.732.296,24 409.844,44 271.229,62 681.074,06 340.537,03 Outubro 2.949.580,12 442.437,02 292.958,01 735.395,03 367.697,52 Novembro 3.415.628,64 512.344,30 339.562,86 851.907,16 425.953,58 Dezembro 3.709.783,29 556.467,49 368.978,33 925.445,82 462.722,91 TOTAL 2.590.958,23 a.2) Recálculo com ajuste do adicional e exclusão dos valores pertinentes aos períodos anteriores: 2006 A BC/I RPJ B= A x 15% IMPOSTO 15% C = A - (20000,00 x n° meses) x 10% ADICIONAL 10% D = B + C ESTIMATIVA IRPJ D' = D - ACUMULADO ATÉ 0 MÊS ANTERIOR E = D/50% MULTA ISOLADA 50% Janeiro 111.568,00 16.735,20 9.156,80 25.892,00 25.892,00 12.946,00 Fevereiro 232.672,39 34.900,86 19.267,24 54.168,10 28.276,10 14.138,05 Margo 400.885,76 60.132,86 34.088,58 94.221,44 40.053,34 20.026,67 Abril 490.263,37 73.539,51 41.026,34 114.565,84 20.344,40 10.172,20 Maio 1.106.035,96 165.905,39 100.603,60 266.508,99 151.943,15 75.971,57 Junho 1.501.065,84 225.159,88 138.106,58 363.266,46 96.757,47 48.378,74 Julho 1.947.898,97 292.184,85 180.789,90 472.974,74 109.708,28 54.854,14 Agosto 2.225.987,26 333.898,09 206.598,73 540.496,82 67.522,07 33.761,04 Setembro 2.732.296.24 409.844,44 255.229,62 665.074,06 124.577,25 62.288,62 Outubro 2.949.580,12 442.437,02 274.958,01 717.395,03 52.320,97 26.160,49 Novembro 3.415.628,64 512.344,30 319.562,86 831.907,16 114.512,13 57.256,07 Dezembro 3.709.783,29 556.467,49 346.978,33 903.445,82 71.538,66 35.769,33 TOTAL 903.445,82 451.722,91,, 12 Processo n° 10530.722236/2011-27 SI-CITI Acórddo n.° 1101 -000.877 Fl. 14 b) IRPJ — ano-calendário 2007: b.1) Calculado pela Fiscalização: 2007 A BC/IRPJ B=Ax 15% IMPOSTO 15% C=A- 20000,00 x 10% ADICIONAL 10% D=B+C ESTIMATIVA IRPJ E=D/50% MULTA ISOLADA 50% Janeiro 45.335,68 6.800,35 2.533,57 9.333,92 4.666,96 Fevereiro 198.428,82 29.764,32 17.842,88 47.607,21 23.803,60 Margo 609.518,75 91.427,81 58.951,88 150.379,69 75.189,84 Abril 919.117,48 137.867,62 89.911,75 227.779,37 113.889,69 Maio 1.163.609,75 174.541,46 114.360,98 288.902,44 144.451,22 Junho 1.583.781,63 237.567,24 156.378,16 393.945,41 196.972,70 Julho 1.860.979,65 279.146,95 184.097,97 463.244,91 231.622,46 Agosto 2.346.342,80 351.951,42 232.634,28 584.585,70 292.292,85 Setembro 2.691.304,60 403.695,69 267.130,46 670.826,15 335.413,08 Outubro 3.133.617,98 470.042,70 311.361,80 781.404,50 390.702,25 Novembro 3.628.417,54 544.262,63 360.841,75 905.104,39 452.552,19 Dezembro 3.895.433,56 584.315,03 387.543,36 971.858,39 485.929,20 TOTAL 2.747.486,03 b.2) Recálculo com ajuste do adicional e exclusão dos valores pertinentes aos períodos anteriores: 2007 A BC/I RPJ B= A x 15% IMPOSTO 15% C = A - (20000,00 x n° meses) x 10% ADICIONAL 10% D = B + C ESTIMATIVA IRPJ D' = D - ACUMULADO , - ATE 0 MÊS ANTERIOR E = D/50% MU LTA ISOLA DA 50% Janeiro 45.335,68 6.800,35 2.533,57 9.333,92 9.333,92 4.666,96 Fevereiro 198.428,82 29.764,32 15.842,88 45.607,21 36.273,29 18.136,64 Março 609.518,75 91.427,81 54.951,88 146.379,69 100.772,48 50.386,24 Abril 919.117,48 137.867,62 83.911,75 221.779,37 75.399,68 37.699,84 Maio 1.163.609,75 174.541,46 106.360,98 280.902,44 59.123,07 29.561,53 Junho 1.583.781,63 237.567,24 146.378,16 383.945,41 103.042,97 51.521,49 Julho 1.860.979,65 279.146,95 172.097,97 451.244,91 67.299,51 33.649,75 Agosto 2.346.342,80 351.951,42 218.634,28 570.585,70 119.340,79 59.670,39 Setembro 2.691.304,60 403.695,69 251.130,46 654.826,15 84.240,45 42.120,23 Outubro 3.133.617,98 470.042,70 293.361,80 763.404,50 108.578,35 54.289,17 Novembro 3.628.417,54 544.262,63 340.841,75 885.104,39 121.699,89 60.849,95 Dezembro 3.895.433,56 584.315,03 365.543,36 949.858,39 64.754,01 32.377,00 TOTAL 949.858,39 474.929,20 13 Processo n° 10530.722236/2011-27 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.877 Fl. 15 c) CSLL — ano-calendário 2006: c.1) Calculado pela Fiscalização: 2006 A BC/CSLL B= A x 9% CONTRIBUIÇÃO 9% E = B/50% MULTA ISOLADA 50% Janeiro 111.568,00 10.041,12 5.020,56 Fevereiro 232.672,39 20.940,52 10.470,26 Margo 400.885,76 36.079,72 18.039,86 Abril 490.263,37 44.123,70 22.061,85 Maio 1.106.035,96 99.543,24 49.771,62 Junho 1.501.065,84 135.095,93 67.547,96 Julho 1.947.898,97 175.310,91 87.655,45 Agosto 2.225.987,26 200.338,85 100.169,43 Setembro 2.732.296,24 245.906,66 122.953,33 Outubro 2.949.580,12 265.462,21 132.731,11 Novembro 3.415.628,64 307.406,58 153.703,29 Dezembro 3.709.783,29 333.880,50 166.940,25 TOTAL 937.064,96 c.2) Recálculo corn exclusão dos valores pertinentes aos períodos anteriores: 2006 A BC/CSLL B= A x 9% CONTRIBUIÇÃO 9% B' = B - ACT JMULADO ATE 0 MÊS ANTERIOR E = B/50% MULTA ISOLADA 50% Janeiro 111.568,00 10.041,12 10.041,12 5.020,56 Fevereiro 232.672,39 20.940,52 10.899,40 5.449,70 Margo 400.885,76 36.079,72 15.139,20 7.569,60 Abril 490.263,37 44.123,70 8.043,98 4.021,99 Maio 1.106.035,96 99.543,24 55.419,53 27.709,77 Junho 1.501.065,84 135.095,93 35.552,69 17.776,34 Julho 1.947.898,97 175.310,91 40.214,98 20.107,49 Agosto 2.225.987,26 200.338,85 25.027,95 12.513,97 Setembro 2.732.296,24 245.906,66 45.567,81 22.783,90 Outubro 2.949.580,12 265.462,21 19.555,55 9.777,77 Novembro 3.415.628,64 307.406,58 41.944,37 20.972,18 Dezembro 3.709.783,29 333.880,50 26.473,92 13.236,96 TOTAL 333.880,50 166.940,25 , 14 Processo n° 10530.722236/2011-27 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.877 Fl. 16 d) CSLL — ano-calendário 2007: d.1) Calculado pela Fiscalização: 2007 A BC/CSLL B=Ax 9% CONTRIBUIÇÃO 9% E = B/50% MULTA ISOLADA 50% Janeiro 45.335,68 4.080,21 2.040,11 Fevereiro 198.428,82 17.858,59 8.929,30 Março 609.518,75 54.856,69 27.428,34 Abril 919.117,48 82.720,57 41.360,29 Maio 1.163.609,75 104.724,88 52.362,44 Junho 1.583.781,63 142.540,35 71.270,17 Julho 1.860.979,65 167.488,17 83.744,08 Agosto 2.346.342,80 211.170,85 105.585,43 Setembro 2.691.304,60 242.217,41 121.108,71 Outubro 3.133.617,98 282.025,62 141.012,81 Novembro 3.628.417,54 326.557,58 163.278,79 Dezembro 3.895.433,56 350.589,02 175.294,51 TOTAL 993.414,97 d.2) Realculo com exclusão dos valores pertinentes aos períodos anteriores: 2007 A BC/CSLL B= A x 9% CONTRIBUIÇÃO 9% B' = B - ACUMULADO ATÉ 0 M ÊS ANTERIOR E = B/50% MU LTA ISOLADA 50% Janeiro 45.335,68 4.080,21 4.080,21 2.040,11 Fevereiro 198.428,82 17.858,59 13.778,38 6.889,19 Março 609.518,75 54.856,69 36.998,09 18.499,05 Abril 919.117,48 82.720,57 27.863,89 13.931,94 Maio 1.163.609,75 104.724,88 22.004,30 11.002,15 Junho 1.583.781,63 142.540,35 37.815,47 18.907,73 Julho 1.860.979,65 167.488,17 24.947,82 12.473,91 Agosto 2.346.342,80 211.170,85 43.682,68 21.841,34 Setembro 2.691.304,60 242.217,41 31.046,56 15.523,28 Outubro 3.133.617,98 282.025,62 39.808,20 19.904,10 Novembro 3.628.417,54 326.557,58 44.531,96 22.265,98 Dezembro 3.895.433,56 350.589,02 24.031,44 12.015,72 TOTAL 350.589,02 175.294,51 6c 15 Processo n° 10530.722236/2011-27 SI-CITI Acórddo n.° 1101-000.877 Fl. 17 Ante o exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir parcialmente as multas isoladas, indevidamente exigidas sobre parcelas que não corresponderiam a estimativas não recolhidas nos meses autuados. /WAD E ELI PEREIRA BESSA — Relatora 16
score : 1.0
Numero do processo: 13011.000102/2003-07
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/09/2002
Cabe ressarcimento/compensação de crédito tributário quando não houver dúvida em relação a origem, desde que o produto final seja tributado, isento ou alíquota zero.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.193
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / lª turma ordinária da segunda
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: DOMINGOS DE SÁ FILHO
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Relator Participaram, ainda, do presente - lgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Ivan Allegrett (Suplente), An . ; 'o Lisboa Cardoso, Antonio Carlos Atulim, Maria Teresa Martínez López ; Antonio .. e er. o _ . Processo n° 13011.000102/2003-07 I MF - SEGUNDO CONSELHODE CONTR s S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.193 I CONFERE C:: O ORIGINAL 181." Fl. 232 i Relatório L__________ Trata-se de recurso voluntário contra o Acórdão da DRJ em Santa Maria/RS, que manteve o indeferimento do pleito que visava o ressarcimento de saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI. Em 29 de abril de 2003 foi apresentado "Pedido de Ressarcimento de rpr, referente ao período de 01/04/2001 a 30/09/2002. O fundamento motivador do indeferimento refere-se a inadequação formal do pedido de ressarcimento, que teria sido formulado em formulário "plano", restritos aos casos que não possa ter seu ressarcimento cursado pela via do formulário eletrônico, estando, portanto, em desacordo do que estabelece o art. 3° da IN-SRF n.323, de 2003. Além deste fundamento, a interessada deixou de anexar cópias do livro de "Registro de Apuração do IPI", o que acarretou o indeferimento por ausência de comprovação. Consta, ainda, que o saldo credor de IPI é decorrente de aquisição de produtos usados na industrialização e embalagem sujeitos à alíquota zero, tendo em vista que a recorrente não produz produtos sujeitos à incidência do IPI. Por derradeiro, sustenta a recorrente não estar obrigado a escriturar os livros fiscais, motivo pelo qual deixou de apresentar as cópias do livro de apuração. Concluiu requerendo o conhecimento e provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro DOMINGOS DE SÁ FILHO, Relator Trata-se de recurso voluntário interposto tempestivamente e atende os pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual conheço. A legislação permite o aproveitamento do crédito do IPI, mesmo não estando escriturado no livro próprio, desde que comprovadamente legítimos e sustentados por documentação idônea que lhes confere tal condição, para tanto, impõe-se que o contribuinte demonstre até a impugnação ou a manifestação de inconformidade. , . , No caso ora examinado a contribuinte cuidou trazer documentos (notas fiscais), capaz de justificar o crédito de IPI. Para todos os efeitos a Recorrente é contribuinte do IPI, pois é considerado estabelecimento industrial aquele que execute operações previstas no art. 4° do Regulamento incidente sobre Produtos Industrializados, mesmo que o produto seja tributado à alíquota zero ou isento. õ 2 Mr. - SEGUNDO coNsru-!o r,'E CONTRIBUINTES CONFE ,-;E CO!: O ORIGINAL Processo n° 13011.000102/2003-07 ;/ S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.193 Fl. 233 LklUebk. "Dispõe o art. 4° do RIPI — "Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o apelfeiçoe para consumo, tal como (Lei n. 4502, de 1964, art. 3° ,parágrafo único, e Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único)." Se a cooperativa produz produtos não tributados, isento ou tributado à aliquota zero, por esse fato não deixa de ser contribuinte do IPI , assim sendo, deve atender o que determina a legislação pertinente. Compulsando os autos constata-se da descrição contida nos documentos fiscais que instruiu o pedido de ressarcimento, tratar-se de aquisição de embalagens, mas, acertadamente de "sacos de tecidos polipropileno" utilizados no condicionamento de ração, cujos créditos acumulados são objetos do pedido de ressarcimento. Também, há entre os documentos fiscais, alguns que trata de aquisição de peça de reposição, fl. 46, é o caso das aquisições demonstradas por meio do documento de Fl. 46, cujos produtos adquiridos são: "engrenagem simpl. 3/4, corrente simplex P 3/4, rolamento". No entanto, quase a totalidade das aquisições referem-se a embalagem, sacos de polipropileno para embalagem de ração. Não há nos autos informação em relação aos produtos industrializados ou beneficiados pela interessada, que pudesse levar à conclusão de que tratasse de produtos tributados, não tributados (nt) ou tributados à aliquota zero. A contribuinte informa que a única industrialização que realiza refere-se a produtos sujeitos à aliquota zero, entretanto, não declina qual é o produto. Em decorrência da ausência dessa certeza, não se pode ter como verdade a simples alegação do contribuinte, de que os produtos produzidos encontram no campo de incidência de aliquota zero, o que lhe garante o direito ao ressarcimento do saldo acumulado. Portanto, desconhecendo o produto industrializado ou o beneficiamento realizado, impede saber a sua classificação na TIPI. De modo que, a ausência de prova referente ao produto fabricado pela Recorrente, impede o defe mento do pleito. Assim s- o, conheço de - - • o provimento. • ovo O. Sala das - sões, em 03 e junho de 2009. DOMINGOS DE SÁ FIL O 3
score : 1.0
Numero do processo: 15504.724988/2011-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
LANÇAMENTO. INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DE ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Tratando-se de lançamento para exigência de crédito tributário, é da fiscalização o ônus de provar o descumprimento dos requisitos para fruição de isenção, não sendo suficiente a tal desiderato a mera afirmação de inobservância das condições, desacompanhada de qualquer elemento de prova ou investigação aprofundada que demonstre a situação, com integral inversão desse encargo ao sujeito passivo e diferimento de seu exercício para o procedimento contencioso.
Numero da decisão: 3401-005.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, por carência probatória e argumentativa a cargo da fiscalização.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DE ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de lançamento para exigência de crédito tributário, é da fiscalização o ônus de provar o descumprimento dos requisitos para fruição de isenção, não sendo suficiente a tal desiderato a mera afirmação de inobservância das condições, desacompanhada de qualquer elemento de prova ou investigação aprofundada que demonstre a situação, com integral inversão desse encargo ao sujeito passivo e diferimento de seu exercício para o procedimento contencioso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, por carência probatória e argumentativa a cargo da fiscalização. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 49 88 /2 01 1- 63 Fl. 507DF CARF MF 2 Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração de fls. 2 a 91, datado de 24/10/2011, por meio dos qual é exigida a COFINS relativa ao período de janeiro a dezembro de 2008, em total original (já com a multa de ofício de 75% e juros de mora, à data da lavratura) de R$ 3.879.320,58. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 10 a 26, narrase que: (a) a fiscalizada (CAA/MG) é, de acordo com seu Regimento Interno, entidade beneficente, sem fins lucrativos, com finalidade de assistência a advogados, estagiários, provisionados e dependentes, mediante auxílio pecuniário, constituindo receitas da entidade a parcela de anuidades recebidas, as contribuições obrigatórias fixadas, entre outros (fls. 10/11); (b) a CAA/MG tem ainda dez filiais, que possuem atividades econômicas produtivas, auferindo receitas de atividades como prestação e serviços hospitalares, odontológicos e de ensino, entre outras; (c) em 2008, foram declarados débitos, em relação à COFINS, de oito estabelecimentos; (d) tais entidades têm direito ao benefício de isenção da COFINS estabelecido no art. 14, X, da Medida Provisória no 2.15835/2001, a partir de 01/02/1999, em relação a suas atividades próprias, sujeitandose à incidência de COFINS as demais receitas; (e) a Instrução Normativa SRF no 247/2002, em seu art. 47, II e § 2o, estabelece que se consideram receitas de atividades próprias “somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”; e (f) após verificação das atividades da empresa pela fiscalização, elaborouse demonstrativo (fls. 15 a 26) de bases de cálculo da COFINS composto por receitas que não são próprias da instituição, e que permanecem sujeitas ao regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei no 10.833/2003, aplicandose a alíquota de 3%, em conformidade com o art. 8o da Lei no 9.718/1998. Ciente da autuação em 31/10/2011 (fl. 4), a empresa apresentou Impugnação em 30/11/2011 (fls. 96 a 110), alegando, basicamente, que: (a) a CAA/MG é órgão da OAB/MG, autarquia federal, imune (art. 150 VI, “a” / “c”), e se destina a assistência aos inscritos no Conselho Seccional, de várias formas, como prestação de atendimento médico, ou até venda de medicamentos a custos especiais; (b) as receitas são de terceiros, sendo a instituição mera intermediária, não havendo que se falar em incidência da contribuição, como já entendeu o CARF (com menção ao Acórdão 203122881, de 24/01/2006, que trata de receitas de telefonia“roaming”) e o STJ (REsp n. 827.194, 24/03/2008); (c) como a autuação se limitou a tratar de valores globais, agrupados, não permitindo que se identifique com clareza a natureza e origem de cada rubrica, demandase perícia (quesitos às fls. 103/104) para esclarecer a questão; (d) é inconstitucional o arrolamento de bens como condição recursal; (e) há excesso de rigor e desproporcionalidade na multa lançada, para uma entidade assistencial sem fins lucrativos, demandandose seu abrandamento, ou substituição por advertência, ou ainda cancelamento, por se tratar de ente estatal, ou redução, em função de retroatividade benigna da Lei no 11.941/2009; e (f) é indevida a cobrança de juros de mora tendo por base a Taxa SELIC. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 508DF CARF MF Processo nº 15504.724988/201163 Acórdão n.º 3401005.995 S3C4T1 Fl. 508 3 Em 19/12/2013 a DRJ converte o julgamento em diligência, para que a unidade local: (a) informasse se os valores registrados na conta 4.01.1.04.001 (Mensalidades) foram repassados para Unimed ou não, apresentando escrituração contábil que dê suporte a conclusão; (b) anexasse os Razões Mensais dos períodos autuados; (c) informasse se a apuração feita às fls. 15/26 é referente apenas à matriz, ou se estão incluídas as filiais n. 22.644.512/000204 e nº 22.644.512/000557; (d) anexasse o Despacho n. 850/2008/GGEOP/DIPRO/ANS e o Despacho n. 056/2010/GGEOP/DIPRO/ANS, e o contrato entre a Unimed e a Caixa de Assistência, que, segundo o contribuinte, foram anexados à Resposta à Intimação n. 5; e (e) desse ciência ao contribuinte do resultado da diligência, para que este, se assim desejasse, aditasse a manifestação de inconformidade apresentada, relativamente a tal resultado, no prazo de trinta dias da ciência, retornando, posteriormente, o processo a julgamento. Na Informação Fiscal de fls. 432/433, datada de 08/05/2004, a unidade preparadora da RFB sintetiza o atendimento à diligência, oportunizando manifestação da recorrente, que às fls. 435 a 438, informa que o levantamento complementar em nada altera sua defesa, corroborando as alegações de que as receitas apontadas como sujeitas a COFINS representam receitas próprias da autuada, não podendo a Instrução Normativa definir o que se entende por atividade própria, como entendeu o STJ no REsp no 1.049.876. A decisão de primeira instância (fls. 443 a 462), proferida em 26/09/2013, foi, por unanimidade de votos, pela improcedência da impugnação, concluindose que: (a) as imunidades de que trata o art. 150 da CF/1988 se referem a impostos, modalidade tributária distinta da contribuição em debate nos autos ademais, a contribuinte não é ente federativo, nem mantido pelo Poder Público, e não comprova o cumprimento das condições para fruição da imunidade, caso esta se estendesse a contribuições; (b) a fruição da isenção de que trata o art. 14, X, da Medida Provisória no 2.15835/2001, demanda o cumprimento do disposto no art. 55 da Lei no 8.212/1991, não fazendo a empresa prova de que os cumpre em sua peça de defesa; (c) intimado a esclarecer o motivo pelo qual não teria declarado em DCTF valores de COFINS para a matriz e para duas filiais, uma das quais tratase de hospital próprio (22.644.512/000204), o contribuinte informou não saber responder, pelo fato de ter trocado muitas vezes de contabilista; (d) não foi, ainda, apresentada documentação fiscal e contábil que permitisse ao auditor estabelecer se das receitas apuradas haveria parcelas sujeitas à isenção; (e) as atividades não são de mero repasse de recursos de terceiros, visto que os benefícios colocados à disposição de seu grupo de associados, ainda que simplesmente previstos, são de atribuição intrínseca da Caixa de Assistência, e, neste sentido, a Caixa mantém farmácias, óticas e um hospital próprios, como se depreende da leitura de Termo de Verificação e podemos confirmar na página da internet da entidade, sendo a UNIMED mera subcontratada; (f) é conforme a lei a cobrança de juros à Taxa SELIC; (g) a perícia solicitada é prescindível; (h) a multa de ofício aplicada, de 75%, é estabelecida em lei, e não pode ser afastada pelo julgador administrativo; e (i) o arrolamento de bens também encontra guarida legal, não podendo ser administrativamente dispensado. Ciente da decisão de piso em 17/10/2014 (fl. 468), a empresa interpôs Recurso Voluntário em 17/11/2014 (fls. 470 a 486), reiterando as razões de impugnação sobre serem as receitas de terceiros e sobre a Taxa SELIC, o arrolamento e a multa, e acrescentando, em síntese, que: (a) houve cerceamento do direito de defesa na decisão de piso, que deveria ser anulada; e (b) os valores remetidos à UNIMED são meros repasses, como registrado em perícia contábil juntada aos autos. Fl. 509DF CARF MF 4 À fl. 503, a unidade preparadora da RFB envia o processo ao CARF, onde, após ser distribuído a relatora que deixou o colegiado sem incluir o processo em pauta de julgamento, o processo é novamente distribuído, por sorteio, a este relator, em outubro de 2018. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele se conhece. São controversos, no presente processo, os seguintes temas: (a) a imunidade ou isenção ou (não) incidência de COFINS em relação à CAA/MG; (b) as rubricas questionadas no caso concreto, no lançamento; (c) a aplicação da Taxa SELIC; (d) o arrolamento de bens; e (e) a quantificação da multa aplicável. E, preliminarmente, suscitase, em recurso voluntário, (f) a nulidade da decisão e piso, por cerceamento do direito de defesa. Três das matérias acima são facilmente resolvidas, neste tribunal administrativo. O arrolamento de bens já não constitui condição recursal, conforme ADIn no 1.9767, e redação dada pelo art. 32 da Lei no 10.522/2002 ao art. 33 do Decreto no 70.235/1972. A Taxa SELIC tem sua aplicação assentada neste tribunal administrativo, a ponto de estar a matéria sumulada, com observância obrigatória pelas turmas de julgamento: “Súmula CARF n. 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” E a multa de ofício, com patamares fixados em lei, não pode ser flexibilizada em nome de princípios constitucionais, conforme Súmula CARF n. 2 (igualmente vinculante, em função da Portaria MF no 277/2018): “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Resta, assim, a análise da preliminar de nulidade, e o exame de mérito, referente à imunidade, isenção ou (não) incidência de COFINS em relação à CAA/MG, e, especificamente, às rubricas lançadas no caso concreto. Quanto à alegação de nulidade, por preterição do direito de defesa, em função da denegação da perícia requisitada na instância de piso, endossamos que a diligência, nos moldes em que demandada, era absolutamente desnecessária. Fl. 510DF CARF MF Processo nº 15504.724988/201163 Acórdão n.º 3401005.995 S3C4T1 Fl. 509 5 Por certo que não se necessita de um perito para analisar a escrita da recorrente, e avaliar se está regular (quesito 01 formulado fl. 103). Essa tarefa é exatamente a levada a cabo pela fiscalização, e incumbia à defesa contrapor os argumentos do lançamento, e não terceirizar tal tarefa. Como assevera a Súmula n. 8 deste CARF (também vinculante, em função da Portaria MF no 277/2018): “O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador”. Os quesitos 02 e 03 (identificação da origem de cada receita e ônus dos pagamentos) constituem tentativa de atribuição a perito de matéria de defesa, que poderia ter sido apresentada inclusive no curso da fiscalização, ou na impugnação. A perícia não se presta a produzir prova, seja em favor do fisco ou do contribuinte, mas a esclarecer dúvida que tenha o julgador na apreciação da lide. E o julgador de piso até teve dúvidas, esclarecidas na conversão em diligência presente nos autos, mas tais dúvidas não se confundiam com os três quesitos formulados pela defesa, que não se prestavam a amadurecer o julgamento, mas a tentar contrapor argumentos fiscais, que poderiam ter sido diretamente enfrentados pela defesa, pois se espera que a recorrente saiba identificar tanto a origem de cada receita quanto o ônus dos pagamentos. Improcedente, assim, o argumento de que houve nulidade na decisão de piso, que, nesse aspecto, permanece hígida. No mérito, afirma a recorrente gozar de imunidade em relação à COFINS, invocando dispositivos constitucionais que tratam de “impostos” (art. 150 da CF/1988), o que, por si, revela confusão em relação a espécies tributárias distintas. Aliás, sobre ser imune a impostos o fisco sequer controverte a questão, reconhecendo a imunidade a impostos ao final do termo de Verificação Fiscal (fl. 14). Caso houvesse imunidade de “contribuições” no texto do art. 150 da Carta Constitucional, nas alíneas referidas pela defesa, dispensável seria a criação da isenção específica discutida neste processo, e prevista na Medida Provisória no 2.15835/2001, arts. 13, III e 14, X (mais afeta, a nosso ver, ao art. 195, § 7o, da CF/1988): “Art.13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; (...)” “Art.14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: Fl. 511DF CARF MF 6 (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13.” (grifo nosso) A fiscalização, após expor tais dispositivos, revela, inclusive, entender que eles se aplicam à recorrente, ao afirmar (fl. 12) que: Percebase, então, que a autuação não questiona o cumprimento de requisitos para fruição da isenção, como apresentação de certificados, ou outros previstos em lei, mas apenas se as receitas se referem a atividades próprias, de acordo com a definição do § 2o do art. 47 da IN SRF no 247/2002: “aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”. Assim, o ônus probatório a cargo da recorrente é apenas de comprovar o requisito para fruição de benefício diverso deste já reconhecido, em tese, pela fiscalização, e obstado apenas no que se refere a delimitação da expressão “atividades próprias”. A defesa, ao suscitar teses diversas da isenção que já havia sido reconhecida, mas limitada pela expressão, como a de que faria jus a imunidade restrita a impostos, efetivamente deveria ter feito prova dos requisitos para fruição de tais benefícios distintos, e não o faz. Portanto, deve a presente análise restringirse a serem ou não as receitas de atividade própria, e à tese alternativa da recorrente de que sua atividade é apenas de repasse de recursos a terceiros. Sobre ser a receita de atividade própria, a defesa afirma inicialmente, na impugnação (fl. 97) que: No entanto, os argumentos expendidos na sequência são no sentido de que, de fato, as receitas são de terceiros, ao menos na sua quase totalidade, como afirma a própria recorrente (fl. 100): Isso porque o argumento central da defesa não é focado na isenção, tema sequer aprofundado, mas em não incidência, pelo fato de sustentar a recorrente ser o valor Fl. 512DF CARF MF Processo nº 15504.724988/201163 Acórdão n.º 3401005.995 S3C4T1 Fl. 510 7 recebido (ao menos a maior parte dele, silenciando sobre a parte restante) mero repasse a terceiros. Nas palavras da impugnação (f. 102): A DRJ, após demandar esclarecimentos para sanar algumas dúvidas, e descartar as teses de imunidade, reconhece que o Termo de Verificação assinala que a empresa faz jus à isenção do art. 14, X da Medida Provisória no 2.15835/2001, em relação às receitas de atividades próprias, mas que o lançamento exige a COFINS em relação à totalidade das receitas, inclusive de mensalidades. E levanta ainda o julgador de piso que a empresa não faz prova do cumprimento dos requisitos para a fruição da isenção prevista no art. 14, X da Medida Provisória no 2.15835/2001. Apesar de concordarmos com a afirmação do julgador de ausência de demonstração do cumprimento dos requisitos, é de se recordar que tal acusação, de descumprimento de requisitos para fruição da isenção, não é feita na autuação, restrita à questão de não serem as receitas “de atividade própria”, mas contraprestacionais. Acrescenta ainda o julgador de piso que a recorrente, ao ser indagada sobre o motivo pelo qual não teria declarado em DCTF valores de COFINS para a matriz e para duas filiais, uma das quais se trata de hospital próprio (22.644.512/000204), informou não saber responder, pelo fato de ter trocado muitas vezes de contabilista. E que não foi apresentada documentação fiscal e contábil que permitisse ao auditor estabelecer se das receitas apuradas haveria parcelas sujeitas à isenção. Assim, a DRJ mantém o lançamento sob o fundamento de que “o pleito do contribuinte de ser beneficiário da isenção da Cofins sobre o total das receitas auferidas, não procede e que não houve instrução no processo por parte do contribuinte que permitisse aferir a ocorrência de receitas isentas no período fiscalizado”. Temse, assim, em síntese, o seguinte cenário paradoxal: (a) a fiscalização entende ser caso de isenção prevista no art. 14, X da Medida Provisória no 2.15835/2001, mas que as receitas não são de atividade própria, pouco desenvolvendo esse argumento, limitando se a trazer o conceito estabelecido no § 2o do art. 47 da IN SRF no 247/2002; (b) a defesa parte para benefícios diversos do indicado pela fiscalização, em relação aos quais não faz prova de cumprimento dos requisitos para fruição, e sustenta, alternativamente, que as receitas auferidas (ou, ao menos, sua maioria, sem detalhar) tratamse de meros repasses a terceiros, o que endossa que não se está a tratar da isenção prevista no art. 14, X da Medida Provisória no 2.15835/2001; e (c) o julgador de piso afasta a isenção (que, digase, remonta a tese pouco encampada pela defesa) por carência probatória a cargo da empresa, quando incumbiria ao fisco, no lançamento, a prova do descumprimento da condição (no caso, se ser a receita de atividade própria) para fruição da isenção. Fl. 513DF CARF MF 8 Parece que autuante e defesa estão a dialogar em idiomas distintos. E que a DRJ responde a ambos em um terceiro idioma. Essa “Babel” se deve, a nosso ver, ao pouco aprofundamento do escopo do lançamento, que se limita a afirmar que a instituição não faz jus à isenção de que trata o art. 14, X da Medida Provisória no 2.15835/2001 porque suas receitas não são de “atividades próprias”, mas de contraprestação de serviços prestados, como se aclara na parte final do Termo de Verificação Fiscal (fl. 14): A fiscalização, assim, não se desincumbe do ônus de provar que as receitas da instituição efetivamente não eram de atividade própria. E sequer sustenta pormenorizadamente a fiscalização a alegação que as receitas seriam contraprestacionais, tese desenvolvida mais detidamente apenas na DRJ, em relação a planos de saúde, após o retorno da diligência. A DRJ, por certo, não pode suprir lacuna probatória a cargo da autuação, assim como não supriu a lacuna probatória a cargo da recorrente, negando sua demanda pericial. Ademais, a discussão sobre a possibilidade de a Instrução Normativa restringir o alcance da lei na concessão da isenção, definindo “atividade própria” em contraposição a “prestação de serviços” também é alvo de intensos debates, neste CARF, chegando a ocasionar, em relação a entidades de educação, a esclarecedora Súmula no 107 (vinculante, conforme Portaria MF no 277/2018): “A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997.” (grifo nosso) Ao que se vê, no presente caso, a fiscalização efetuou imputação fiscal (de que as receitas da instituição não seriam de “atividade própria”) sem demonstrar o porquê, e, por se tratar de lançamento, incumbia ao fisco a prova do alegado descumprimento de requisito. É certo que a instituição, em sua defesa, pouco ajuda no deslinde da questão, seguindo trilhas que apenas levemente resvalam na efetiva imputação fiscal. Mas, como aqui exposto, era dever da defesa apenas contrapor as provas e argumentos apresentados pelo fisco, e trazer aos autos provas de que cumpriria eventuais requisitos atrelados a teses alternativas da exposta pelo fisco. A defesa, registrese, não faz, a contento, nem uma nem outra coisa. Por isso se deve esclarecer que não se está aqui a endossar as teses principais da defesa, seja a de imunidade (frontalmente rechaçada de início) ou de que as receitas seriam meros repasses (bem afastada pela DRJ, com argumentos que endossamos sobre a relação contratual entre a CAA/MG e a UNIMED), mas apenas a reconhecer que a autuação é carente em provas e argumentos, sendo inapta a demonstrar que as receitas não são de “atividades próprias”, carência essa que, enfatizese, não pode ser “remediada” pelo julgador (seja desenvolvendo uma análise acurada do Regimento Interno da CAA/MG, de seu contrato com a Fl. 514DF CARF MF Processo nº 15504.724988/201163 Acórdão n.º 3401005.995 S3C4T1 Fl. 511 9 UNIMED, ou de cada conta ou grupo de contas referente a receita, explicando o porquê de sua inadequação como “atividade própria”). Tais tarefas, esclareçase, estavam a cargo e sob a competência exclusiva do autuante. As razões de provimento do recurso, assim, restringemse, única e exclusivamente, à carência probatória e argumentativa a cargo da fiscalização, o que conduz à improcedência do lançamento. Assim decidiu este colegiado recentemente, de forma unânime, com composição bastante semelhante à atual: “LANÇAMENTO. INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DE IMUNIDADE. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de lançamento para exigência de crédito tributário, é da fiscalização o ônus de provar o descumprimento dos requisitos para fruição de imunidade, não sendo suficiente a tal desiderato a mera afirmação de inobservância das condições, desacompanhada de qualquer elemento de prova ou investigação aprofundada que demonstre a situação, com integral inversão desse encargo ao sujeito passivo e diferimento de seu exercício para o procedimento contencioso.” (Acórdão n. 3401005.168, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 24. Jul.2018) (presentes ao julgamento os Cons. Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) (grifo nosso) Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso, por carência probatória e argumentativa a cargo da fiscalização. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 515DF CARF MF
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