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Numero do processo: 10930.004719/2008-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2005
Ementa: PEDIDO DE INTIMAÇÃO PRÉVIA AO PATRONO DO RECORRENTE DA DATA DO JULGAMENTO PARA EFETUAR SUSTENTAÇÃO ORAL. INEXISTÊNCIA DESSA FACULDADE NO REGIMENTO INTERNO DO CARF. PUBLICAÇÃO DA PAUTA DE JULGAMENTO NO DOU E NO SITE DA INTERNET DO CARF.
DIREITO ASSEGURADO À PARTE OU AO SEU PATRONO DE FAZER SUSTENTAÇÃO ORAL NA SESSÃO DE JULGAMENTO. O pedido de intimação prévia da data da sessão de julgamento ao patrono do recorrente para a realização de sustentação oral não encontra amparo no Regimento
Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, esse que regulamenta o julgamento em segunda instância e na instância especial do contencioso administrativo fiscal federal, na forma do art. 37 do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Entretanto, garante-se às partes a publicação da Pauta de Julgamento no Diário Oficial da União DOU com antecedência de 10 dias e no site da internet do CARF, na forma
do art. 55, parágrafo único, do Anexo II, do RICARF, devendo as partes ou seus patronos acompanhar tais publicações, podendo, então, na sessão de julgamento respectiva, efetuar sustentação oral. Porém, repise-se, não há previsão para prévia intimação aos patronos das partes da data da sessão de julgamento do recurso voluntário.
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS EMITIDOS EM ANO SUBSEQÜENTE AQUELE EM QUE FOI DEDUZIDO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA. AUSÊNCIA DE PROVA ADICIONAL QUE ATESTE A LIQUIDAÇÃO DA DESPESA NO EXERCÍCIO FISCALIZADO. MANUTENÇÃO DA GLOSA. Recibos médicos emitidos em ano subseqüente somente podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda de ano precedente se houver prova iniludível de que a obrigação foi extinta neste último ano, especificamente a comprovação do efetivo pagamento. Ausente tal prova, deve-se manter a glosa perpetrada pela fiscalização.
Numero da decisão: 2102-001.354
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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INEXISTÊNCIA DESSA FACULDADE NO REGIMENTO INTERNO DO CARF. PUBLICAÇÃO DA PAUTA DE JULGAMENTO NO DOU E NO SITE DA INTERNET DO CARF. DIREITO ASSEGURADO À PARTE OU AO SEU PATRONO DE FAZER SUSTENTAÇÃO ORAL NA SESSÃO DE JULGAMENTO. O pedido de intimação prévia da data da sessão de julgamento ao patrono do recorrente para a realização de sustentação oral não encontra amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, esse que regulamenta o julgamento em segunda instância e na instância especial do contencioso administrativo fiscal federal, na forma do art. 37 do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Entretanto, garantese às partes a publicação da Pauta de Julgamento no Diário Oficial da União DOU com antecedência de 10 dias e no site da internet do CARF, na forma do art. 55, parágrafo único, do Anexo II, do RICARF, devendo as partes ou seus patronos acompanhar tais publicações, podendo, então, na sessão de julgamento respectiva, efetuar sustentação oral. Porém, repisese, não há previsão para prévia intimação aos patronos das partes da data da sessão de julgamento do recurso voluntário. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS EMITIDOS EM ANO SUBSEQÜENTE AQUELE EM QUE FOI DEDUZIDO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA. AUSÊNCIA DE PROVA ADICIONAL QUE ATESTE A LIQUIDAÇÃO DA DESPESA NO EXERCÍCIO FISCALIZADO. MANUTENÇÃO DA GLOSA. Recibos médicos emitidos em ano subseqüente somente podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda de ano precedente se houver prova iniludível de que a obrigação foi extinta neste último ano, especificamente a comprovação do Fl. 87DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 efetivo pagamento. Ausente tal prova, devese manter a glosa perpetrada pela fiscalização. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 15/06/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte WALTER MARCONDES FILHO, CPF/MF nº 189.866.84934, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 05/08/2008, auto de infração (fls. 23 a 26), com ciência postal em 15/08/2008 (fl. 35). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 2.689,50 MULTA DE OFÍCIO R$ 2.017,12 Ao contribuinte foi imputada uma glosa de despesas médicas, no montante de R$ 9.780,00, no anocalendário 2004, conduta essa apenada com multa de ofício de 75%, com a seguinte fundamentação (fl. 24): Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$ 9.780,00, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Enquadramento Legal: Art.8.°, inciso II, alínea 'a', e §§ 2.° e 3.°, da Lei n. * 9.250/95; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n. 15/2001, arts. 73, 80 e 83,inciso II do Decreto n.° 3.000/99 RIR/99. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Fl. 88DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10930.004719/200838 Acórdão n.º 2102001.354 S2C1T2 Fl. 2 3 Dedução indevida de quatro recibos ao CPF 979.184.07920 no valor de R$ 2.445,00 cada um, com data de pagamento em 11 de abril de 2005. (anobase 2005, exercício 2006) Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. O impugnante juntou 04 recibos de R$ 2.445,00, todos emitidos em 11 de abril de 2005, referentes a tratamentos odontológicos feitos em 2004 (fls. 17 e 20), bem como declaração do prestador (Cláudio Romagnolli Júnior) de que executou o serviço odontológico (fl. 22). A 6ª Turma de Julgamento da DRJCuritiba (PR), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0628.402, de 24 de setembro de 2010 (fls. 42 a 45). O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 11/10/2010 (fl. 48). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 05/11/2010 (fl. 49). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que comprovou com documentação hábil e idônea as despesas glosadas na forma exigida pela legislação, as quais foram corroboradas pelo profissional prestador do serviço, não havendo motivação para manter a glosa perpetrada pela fiscalização. Para concluir, pede (fl. 57): a) realização de toda e qualquer diligência a fim de se apurar a verdade material, em especial: (i) a intimação do dentista, Sr. Cláudio Romagnolli Júnior, a fim de se comprovar a efetiva prestação do serviço; e (iii) a intimação da servidora pública Terezinha Elizabeth Pinto, auxiliar — Matrícula n° 09025820, a fim de se comprovar a conferência dos documentos recebidos no Termo de Comparecimento com os originais; b) seja o recorrente intimado, em tempo hábil, acerca da inclusão do recurso em Pauta de Julgamento, viabilizandose, assim, a realização de sustentação oral, por meio de procurador legalmente habilitado; e c) seja conhecido e provido o presente recurso voluntário, reformandose o Acórdão n° 0628.401, no sentido de anular a Notificação de Lançamento, e, via de conseqüência, o crédito constituído, bem como multa e juros, nos termos desta defesa. Alfim, juntou declaração do prestador Cláudio Romagnolli Júnior, na qual este asseverou que o prontuário do paciente, aqui autuado, estaria coberto pelo sigilo decorrente do Código de Ética Odontológico (fl. 77). É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Fl. 89DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 11/10/2010 (fl. 48), segundafeira, e interpôs o recurso voluntário em 05/11/2010 (fl. 49), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 10/11/2010, quartafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. De plano, aqui se afasta o pedido de intimação prévia do patrono do recorrente para a realização de sustentação oral, pois tal pleito não tem amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, esse que regulamenta o julgamento em segunda instância e na instância especial do contencioso administrativo fiscal federal, na forma do art. 37 do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Entretanto, garantese às partes a publicação da Pauta de Julgamento no Diário Oficial da União DOU com antecedência de 10 dias e no site da internet do CARF, na forma do art. 55, parágrafo único, do Anexo II, do RICARF, devendo as partes ou seus patronos acompanhar tais publicações, podendo, então, na sessão de julgamento respectiva, efetuar sustentação oral. Porém, repisese, não há previsão para prévia intimação aos patronos das partes da data da sessão de julgamento do recurso voluntário. Ainda, rejeitase o pedido de conversão do julgamento em diligência, feito pelo recorrente, pois, como se mostrará a seguir, a matéria é extremamente simples, sendo desnecessária qualquer diligência para comprovar a verdade material, já que se trata da glosa de 04 recibos médicos, não havendo qualquer complexidade na matéria, ou mesmo a necessidade de uma prova pericial para o seu deslinde. Inicialmente, como se vê na motivação da autuação, singelíssima, digase de passagem, a glosa ocorreu porque a autoridade fiscal considerou que os referidos 04 recebidos não comprovavam a despesa. Aqui não se fará qualquer consideração sobre eventual inidoneidade dos recibos, em seus aspectos formais (ausência de recibos originais, cópias autenticadas) e materiais (ausência de efetivo pagamento ou dos prontuários médicos), como feito pela autoridade julgadora a quo, em decorrência de nada disso ter sido aventado pela autoridade lançadora. Neste julgamento, somente se debaterá se os recibos são meios hábeis a comprovar a despesa médica no anocalendário 2004, pois a autoridade lançadora os rechaçou, “por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução”. Na prática, somente há um único motivo para não acatar os recibos de fls. 17 e 20, qual seja, o fato deles terem sido emitidos em 2005, sem qualquer comprovação do pagamento em 2004, o qual emerge dos próprios recibos, não carecendo de uma fundamentação para glosa além da acima descrita em itálico (até porque o recibo do ano subseqüente não é meio hábil para deferir a dedução no ano antecedente). Devese anotar que este ponto foi especialmente debatido na decisão recorrida (item 6.7 da decisão da DRJ – fl. 44v), sendo agregados outros óbices para a dedução. De fato, no momento em que o contribuinte apresentou recibos emitidos em abril de 2005, referentes à prestação de serviço em 2004, sem qualquer prova adicional de que tais valores foram pagos em 2004, ficase com fundada dúvida se os dispêndios ocorreram em 2004 ou 2005. Ora, considerando que o contribuinte estava obrigado a comprovar as despesas dedutíveis, com recibos médicos que não deixassem qualquer dúvida de que as despesas foram incorridas, no regime de caixa, em 2004, vêse que ele não se desincumbiu de tal ônus, pois os recibos aqui em discussão somente poderiam ser deduzidos como despesas no anocalendário Fl. 90DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10930.004719/200838 Acórdão n.º 2102001.354 S2C1T2 Fl. 3 5 2005, pois foram emitidos neste último ano, de onde surge a presunção normal de que também foram pagos em 2005, e não em 2004. Para aceitar os recibos emitidos em 2005, como despesas dedutíveis em 2004, necessariamente o contribuinte deveria ter feito uma prova adicional de liquidação das despesas em 2004, o que não ocorreu nestes autos. Ante o exposto, entendo que os recibos de fls. 17 a 20 não podem alicerçar despesas médicas na declaração no anocalendário 2004, pois se presumem que foram pagos em 2005, e, nessa toada, REJEITO as preliminares e, no mérito, NEGO provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 91DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10768.004160/2003-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002
Ementa: COMPENSAÇÃO. PROVA DO CRÉDITO. A falta de
comprovação do crédito líquido e certo do contribuinte, requisito necessário para compensação, conforme o previsto no art. 170 do CTN – Código Tributário Nacional, acarreta indeferimento do pedido e negativa de homologação da compensação.
Numero da decisão: 1103-000.476
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado NEGAR provimento, por
unanimidade.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001, 2002 Ementa: COMPENSAÇÃO. PROVA DO CRÉDITO. A falta de comprovação do crédito líquido e certo do contribuinte, requisito necessário para compensação, conforme o previsto no art. 170 do CTN – Código Tributário Nacional, acarreta indeferimento do pedido e negativa de homologação da compensação.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1329; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 1 1 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.004160/200361 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 110300.476 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 26 de maio de 2011 Matéria IRPJ compensação Recorrente Cia Nacional de Cimento Portland Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2001, 2002 Ementa: COMPENSAÇÃO. PROVA DO CRÉDITO. A falta de comprovação do crédito líquido e certo do contribuinte, requisito necessário para compensação, conforme o previsto no art. 170 do CTN – Código Tributário Nacional, acarreta indeferimento do pedido e negativa de homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado NEGAR provimento, por unanimidade. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva e Aloysio José Percínio da Silva (Presidente). Relatório Fl. 330DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.004160/200361 Acórdão n.º 110300.476 S1C1T3 Fl. 2 2 Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1226.007/2009 (fls. 197), da 7ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro IRJ. Consta da decisão recorrida a seguinte descrição dos autos: “Trata o presente processo de DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, protocolada em 14/05/2003, na qual a interessada pretende compensar débitos com crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, no valor de R$ 44.091,67 e do anocalendário de 2002, no valor de R$ 245.260,07. Posteriormente, apresentou diversas outras DCOMP pela Internet, fls. 74/88, aproveitando o mesmo crédito. Em 14/04/2008, após análise, foi emitido Despacho Decisório pela DERAT/DIORT, fl. 153, com base no Parecer n° 106/2008, fls. 148/152, não reconhecendo o direito creditório e não homologando as compensações. O indeferimento do pleito se deve às seguintes constatações: 1) Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 Verificase na DIPJ/2002 que o imposto de renda a pagar é de R$ 956.013,53, e que teria informado como retenção da fonte o montante de R$ 1.063.689,53. No entanto, em pesquisas aos sistemas da Receita Federal do Brasil, as DIRF – Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte, apresentadas pelas fontes pagadoras, informam que teria ocorrido a retenção do imposto de renda no valor total de R$ 463.073,94. Logo, inexiste saldo negativo de IRPJ para o anocalendário de 2001. 2) Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 Com base na DIPJ/2003, foi informado rendimento financeiro de R$ 1.483.328,86 com IRRF no montante de R$ 296.665,77. No entanto, em pesquisas aos sistemas da Receita Federal do Brasil, as DIRF – Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte, apresentadas pelas fontes pagadoras, informam que a interessada teria recebido rendimentos financeiros de R$ 1.613.717,33, com IRRF incidente de R$ 322.743,43, e rendimentos de Juros sobre Capital Próprio no valor de R$ 1.758.350,00, com IRRF incidente de R$ 263.752,50. Verificouse, ainda, que foram oferecidos à tributação R$ 578.786,29 a título de receitas financeiras e nada foi informado concernente ao rendimento de Juros sobre o Capital Próprio. Logo, constatouse uma omissão de receita na ordem de R$ 2.793.281,04. A interessada tomou ciência da decisão em 13/05/2008 (fls. 99). Inconformada, apresentou manifestação de inconformidade, em 11/06/2008, fls. 108/117, com os seguintes argumentos: 1) Da inexistência do Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, Exercício 2002 Não foram observados os lançamentos contábeis realizados pela Companhia no AnoCalendário 2001, a título IRRF incidentes nos Juros sobre Capital Próprio recebidos por conta da participação acionária na Empresa Cimento Tupi S/A. Tais lançamentos contemplavam os seguintes valores: Fl. 331DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.004160/200361 Acórdão n.º 110300.476 S1C1T3 Fl. 3 3 • R$ 300.000,00 (oriundo do rendimento no valor de R$ 2.000.000,00, recebidos apenas no anocalendário de 2001, relacionado com JCP do ano calendário de 2000, razão pela qual só foi reconhecido no anocalendário de 2001), conforme documentação anexa (Razões contábeis); • R$ 330.000,00 (oriundo do rendimento no valor de R$ 2.200.000,00, também recebidos no anocalendário de 2001, relacionado com JCP do ano calendário de 2001, e corretamente reconhecido no mesmo período). Tais lançamentos foram somados, por equívoco, na linha que trata de "Outras Receitas Financeiras" linha 24, Ficha 06 da DIPJ/2002, sem causar qualquer prejuízo ao Erário. 2) Quanto ao Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, Exercício 2003 As diferenças apontadas se referem aos Juros sobre Capital Próprio recebidos por conta da participação acionária na Empresa Cimento Tupi S/A., relativa ao anocalendário de 2003, sendo reconhecido neste período. Apresenta Comprovante Retenção de Imposto de Renda na Fonte do ano calendário de 2003, sob o código 5706, rendimentos de R$ 1.758.350,00 pagos a título de JCP, com retenção na fonte de R$ 263.752,50, exatamente os mesmos valores descritos no terceiro parágrafo da página 4 do Parecer Conclusivo (fls. 96 do Processo Administrativo). Desta feita, a alegada diferença no valor de R$ 2.793.281,04 não procede, seja, (i) porque o valor R$ 1.758.350,00, recebidos a título de JCP referese ao anocalendário 2003; seja, ainda, (ii) porque os demais valores (R$ l.034.931,04) encontramse registrados na ficha 06A, nas linhas 20 "Variações Cambiais Ativas" e 24 "Outras Receitas Financeiras". Para comprovação, apresenta os documentos de fls. 138/153.” A turma de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, por unanimidade, não reconhecendo o direito creditório e, conseqüentemente, não homologando a compensação, assim resumindo a sua decisão: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta de comprovação do direito líquido e certo, requisito necessário para compensação, conforme o previsto no art. 170 da Lei nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido e a nãohomologação da compensação.” Cientificada da decisão em 13/02/2010 (fls. 244), a contribuinte interpôs o recurso no dia 19 do mês seguinte (fls. 207). Classificou como absurda a decisão proferida que, na sua visão, “aplicando de forma contrária as normas aplicáveis ao caso em questão, bem como eximindose de observar a farta documentação acostada”, não reconheceu o seu suposto direito creditório e, por via de conseqüência, não homologou a compensação realizada. Fl. 332DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.004160/200361 Acórdão n.º 110300.476 S1C1T3 Fl. 4 4 No mérito, renovou as razões de contestação expendidas quando da manifestação de inconformidade, alegando, em síntese: 1) quanto ao anocalendário 2001: não foram contempladas as retenções de IRRF sobre os juros sobre capital próprio (JCP) recebidos por conta da participação acionária na empresa Cimento Tupi S/A CNPJ; 2) em relação ao anocalendário de 2002: a) considerouse como do anocalendário 2002 o IRRF de pagamento de JCP por conta da participação acionária na empresa Cimento Tupi S/A quando, na verdade, o valor apontado foi pago em 2003 e se referia ao anocalendário de 2003, segundo informe de rendimentos da fonte pagadora; b) da mesma forma, a diferença de R$ 1.034.931,04 não deixou de ser ofertada à tributação, uma vez que tais valores se encontram lançados na DIPJ, linhas 20 e 24, conforme documentos anexos ao recurso; Afirmou que o exame da documentação apresentada confirmaria a correção do seu procedimento, ainda que se concluísse que alguns rendimentos foram tributados com atraso de um ano, o que não seria motivo suficiente para a desconsideração de todo o seu crédito. Nas suas palavras: “Por questão de justiça, deve a Receita Federal realizar a tarefa que lhe cabe, para arbitrar possível diferença que entende cabível, redutora do crédito da Recorrente, e apresentar uma diferença a ser paga pela Empresa, e não simplesmente não homologar, em sua totalidade, a compensação efetivada.” Requereu o provimento do recurso, homologandose a compensação realizada, na íntegra. Alternativamente, na hipótese de entendimento diverso, requereu o reconhecimento parcial do crédito, tendo em vista o oferecimento à tributação extemporâneo de JCP, determinandose a compensação parcial, após a realização das diligências cabíveis. É o relatório. Voto Conselheiro ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido e regularmente processado. O processo está suficientemente instruído, contendo os elementos necessários para a formação da convicção do julgador, considerandose que, em matéria de restituição ou compensação de tributos, cabe ao contribuinte requerente reunir e trazer aos autos os elementos Fl. 333DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.004160/200361 Acórdão n.º 110300.476 S1C1T3 Fl. 5 5 necessários para comprovação do seu direito ao crédito pleiteado. Esse é o entendimento pacífico neste Conselho, adiante exemplificado: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PROVA DO CRÉDITO. Cabe ao contribuinte reunir e trazer aos autos os elementos probatórios do crédito alegado em processo relativo a pedido de restituição ou compensação de tributos.” (Acórdão nº 110300.349/2010 – Recurso nº 166795 – Processo nº 10860.004059/2004 32) Desnecessária, portanto, a realização de diligência. Conforme relatado, a contribuinte apresentou declaração de compensação em 14/05/2003 informando compensação de suposto crédito originário de saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário 2001 e 2002, nos valores de R$ 44.091,67 e 245.260,07, respectivamente, com débito de código de receita 2362 – estimativa mensal de IRPJ de janeiro de 2003 (fls. 01/02). No Parecer Conclusivo nº 174/08 (fls. 92), que embasou o Despacho Decisório EQPEJ/DIORT/DERAT/RJ, sem numeração (fls. 97), foi identificada insuficiência de IRF informados na DIPJ/2002, Ficha 43 – demonstrativo do imposto de renda retido na fonte, relativa ao anocalendário 2001. Em conseqüência, não restaria saldo negativo no período. O saldo negativo declarado pela contribuinte foi de R$ 375.339,92, conforme ficha 12A da referida DIPJ, que contém a demonstração do cálculo do imposto de renda sobre o lucro real (fls. 31). Foram informados como deduções os valores de R$ 375.339,92 (linha 13) e R$ 956.013,56 (linha 18) como IRRF e pagamento mensal do IRPJ, respectivamente. De um total de IRRF de R$ 688.349,62 informado na ficha 11 da DIPJ/2002 (fls. 32/35), utilizados como dedução na apuração do IRPJ mensal com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, só foram confirmados no sistema de controle da Receita Federal R$ 463.073,94, que seriam insuficientes para cobrir o IRRF deduzido. A contribuinte alegou ter recebido R$ 4.200,000,00 de juros sobre capital próprio (JCP) oriundos da sua participação societária em Cimento Tupi S/A, com IRRF de R$ 630.000,00. Desse total, R$ 2.000.000,00 seriam de competência do anocalendário anterior, cujo IRRF corresponderia a R$ 300.000,00. O rendimento estaria informado equivocadamente na linha 24 da Ficha 06 A – outras receitas financeiras, sem qualquer prejuízo ao Fisco. A questão foi assim enfrentada no voto condutor do acórdão recorrido: “A interessada declarou na DIPJ/2002, Ficha 43 – Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte, que teria recebido rendimentos de R$ 6.513.370,53, sob os quais incidiram o imposto de renda retido na fonte – IRRF, no montante de R$ 1.063.689,53, conforme tabela abaixo: (...) Fl. 334DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.004160/200361 Acórdão n.º 110300.476 S1C1T3 Fl. 6 6 Primeiramente, cumpre registrar que a apuração do lucro real segue o regime de competência. Assim, não tem embasamento legal oferecer à tributação apenas em 2001 os rendimentos de R$ 2.000.000,00, se eles eram da competência do ano anterior. O próprio documento apresentado pela interessada, fls. 138, comprova que os rendimentos a título de Juros sobre o Capital Próprio se referem ao ano calendário de 2000. Esta informação é ratificada pela DIPJ/2002 apresentada pela fonte pagadora Cimento Tupi S.A, CNPJ. 33.039.223/000111, fls. 42 A, fls. 190. Além disso, também faltou a comprovação de que teria oferecido os rendimentos à tributação, e tão somente se equivocado quanto ao preenchimento da Linha 24 da Ficha 06 A – Demonstração do Resultado, como veremos a seguir. Com base nas informações constantes na Ficha 43 – Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte, a interessada informou que teria auferido rendimentos de R$ 6.515.370,53. Deste total, destaco os rendimentos de R$ 4.200.000,00, da fonte pagadora Tupi Cimento S.A., CNPJ. 33.039223/000111, com código de retenção 6813 – Fundos de Investimentos – Ações, valor coincidente com aquele que ela afirma que teria recebido a título de Juros sobre o Capital Próprio. Analisando a Ficha 06A – Demonstração do Resultado, constatase que foram oferecidos à tributação, como “Outras Receitas Financeiras” Linha 24, rendimentos no valor de R$ 5.332.521,33, total inferior ao informado na Ficha 43. Logo, as informações prestadas pela interessada na DIPJ/2002 são divergentes, indicando omissão de receita de R$ 1.182.849,20. Pelo acima exposto, forçoso concluir que a apuração do imposto de renda no final do período está comprometida, assim como a certeza e liquidez do crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2001. Logo, meu voto é pelo indeferimento do pedido.” Nas duas últimas linhas do segundo parágrafo do trecho acima transcrito, as referências a “DIPJ/2002” e “fls. 42 A” devem ser entendidas como “DIPJ/2001” e “ficha 42A”, respectivamente, conforme extrato do sistema da Receita Federal “IRPJ – consulta declarações” (fls. 190). A ficha 43 da DIPJ – Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte está reproduzida na fl. 38 dos autos. Retomando o exame da matéria, constatase a precisão do voto condutor do acórdão, enfrentando detalhadamente as alegações da contribuinte e documentação juntada aos autos. A análise realizada revelou inconsistências na apuração do IRPJ informada na DIPJ/2002 que impedem a comprovação da procedência do crédito compensado, no que se refere especificamente aos requisitos de liquidez e certeza previstos no art. 170 do CTN. Quanto ao anocalendário 2002, o exame descrito no Parecer Conclusivo nº 174/08 (fls. 92), resultante do cotejo das fichas da DIPJ/2003 (06A, 11, 12A e 43) e do sistema de controle do IRRF da Receita Federal (SIEF/DIRF), identificou R$ 2.793.281,04 de receitas não oferecidas à tributação, entre as quais constaram R$ 1.758.350,00 de JCP, cujo IRRF foi de 263.752,50. No campo próprio da ficha 06A foi informado zero como receita de JCP (linha 23). Na manifestação de inconformidade a contribuinte assegurou que o valor dos JCP seriam decorrentes da participação na Cimento Tupi S/A e corresponderiam ao ano Fl. 335DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.004160/200361 Acórdão n.º 110300.476 S1C1T3 Fl. 7 7 calendário 2003, sendo recebidos nesse ano, segundo informe de rendimentos da fonte pagadora. Afirmou que a diferença de R$ 1.034.931,04 não deixou de ser tributada, uma vez que estaria incluída na ficha 06A, nas linhas 20 (variações cambiais ativas) e 24 (outras receitas financeiras). Sobre os JCP, assim se pronunciou a Turma recorrida: “O Comprovante de Rendimentos trazido aos autos, fls. 148, apresenta como data o dia 31/01/2003, incompatível para um documento que deveria refletir os rendimentos pagos ou creditados relativo ao anocalendário de 2003. Ademais, analisando as Declarações de Informações da Pessoa Jurídica da empresa Cimento Tupi S.A., constatase que: 1) A autuada é sócia com participação de 20 % no capital, fls. 191. 2) Com base na DIPJ/2003, durante o anocalendário de 2002, a empresa Cimento Tupi distribuiu R$ 8.791.750,00 a título de Juros sobre o Capital Próprio, fls. 194. Logo, como a autuada detém 20%, concluise que ela recebeu rendimentos desta natureza no valor de R$ 1.758.350,00 neste período, ratificando as conclusões da autoridade administrativa, bem como as informações constante nos sistemas da Receita Federal do Brasil. 3) Com base na DIPJ/2004, durante o anocalendário de 2003, a empresa Cimento Tupi distribuiu R$ 16.000.000,00 a título de Juros sobre o Capital Próprio, fls. 192. Logo, como a autuada detém 20%, concluise que ela recebeu rendimentos desta natureza no valor de R$ 3.200.000,00 neste período. Ratificando esta informação, temse o Comprovante de Retenção do Imposto de Renda do anocalendário de 2003, onde a autuada consta como beneficiária de rendimentos a título de Juros sobre o Capital Próprio no montante de R$ 3.200.000,00, fls.193.” No recurso, a contribuinte apenas repetiu as suas alegações, sem apresentar documentação que as corroborasse. Dessa forma, prevalecem as informações prestadas pela fonte pagadora constantes do sistema de controle da Receita Federal, além daquelas registradas na DIPJ/2003, também da pessoa jurídica que pagou JCP à recorrente. No tocante aos R$ 1.034.931,04 supostamente incluídos na ficha 06A, nas linhas 20 (variações cambiais ativas) e 24 (outras receitas financeiras), segundo assegurado pela contribuinte, constatase que o saldo da conta 415210/4047 – variações cambiais auferidas, R$ 1.849.202,97 segundo balancete de 31/12/2002 (fls. 144), constou da demonstração do resultado informada na DIPJ/2003 – ficha 06A (fls. 53), como bem registrado no voto condutor do acórdão refutado. Na mesma ficha, constou o valor de R$ 578.786,29 na linha 24 – outras receitas financeiras. É possível que o valor alegado esteja abrangido pelos totais informados nas linhas 20 e 24 da ficha 06A da DIPJ/2003. Entretanto, a recorrente não demonstrou a composição dos dois totais referidos, de tal forma que restasse comprovado, de forma inequívoca, que os R$ 1.034.931,04 efetivamente estavam incluídos nas duas rubricas, tudo devidamente corroborado por documentação própria. Fl. 336DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.004160/200361 Acórdão n.º 110300.476 S1C1T3 Fl. 8 8 O que se percebe na argumentação da recorrente, relativa aos dois anos calendário, é uma tentativa de realizar retificações nas suas DIPJ utilizando meio impróprio, uma declaração de compensação. Conclusão Pelo exposto, nego provimento ao recurso. ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Fl. 337DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 11080.104499/2004-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2000
IRPF. AUXÍLIOCONDUÇÃO.
RECEBIDO PELOS OFICIAIS DE JUSTIÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO VALOR RECEBIDO. LANÇAMENTO MANTIDO.
Ausente nos autos a prova do valor efetivamente recebido a título de auxilio condução, deve ser mantida a exigência.
Numero da decisão: 2201-001.074
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2000 IRPF. AUXÍLIOCONDUÇÃO. RECEBIDO PELOS OFICIAIS DE JUSTIÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO VALOR RECEBIDO. LANÇAMENTO MANTIDO. Ausente nos autos a prova do valor efetivamente recebido a título de auxilio condução, deve ser mantida a exigência.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1417; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.104499/200439 Recurso nº 166.495 Voluntário Acórdão nº 220101.074 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de abril de 2011 Matéria IRPF Recorrente MARIA FORMENTIN FERNANDES Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2000 IRPF. AUXÍLIOCONDUÇÃO. RECEBIDO PELOS OFICIAIS DE JUSTIÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO VALOR RECEBIDO. LANÇAMENTO MANTIDO. Ausente nos autos a prova do valor efetivamente recebido a título de auxilio condução, deve ser mantida a exigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Fl. 1DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado Auto de Infração (fls. 06/08), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2000, na qual resultou em uma redução do imposto a restituir para R$ 1.142,26. De acordo com o Demonstrativo das Infrações (fl. 07) a fiscalização apurou omissão de rendimentos, a saber: “Conforme constam em DIRF e no comprovante de rendimentos apresentado a contribuinte isentou parcela do valor correspondente a auxílio condução recebido, porém não há base legal para a isenção. Apresentou antecipação de tutela obtida pelo SINDJUS em 15032001, processo n. 2000.71.00.0295510, mas não comprovou estar entre 05 servidores arrolados no processo. Além disso, a antecipação de tutela tem efeitos a partir da data de sua concessão, nesse caso, março/2001, não atingindo rendimentos recebidos no anocalendário 1999”. Cientificada do lançamento, a autuada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando que o valor relativo ao auxíliocondução constitui parcela indenizatória, porquanto não há mais incidência do imposto de renda. Além do mais, no Superior Tribunal de Justiça à matéria transitou em julgado, razão pela qual não há mais que se falar em cobrança de tributo de imposto de renda sobre a referida verba. A 4ª Turma da DRJ – Porto Alegre/RS julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: AUXÍLIOCONDUÇÃO. O auxíliocondução concedido aos Oficiais de Justiça nos termos do art. 29 da Lei (Estadual RS) 7.305/79 e alterações posteriores, constitui rendimento tributável pelo imposto de renda. Lançamento Procedente Intimada da decisão de primeira instância, Maria Formentin Fernandes apresenta Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A matéria em debate nos autos é por demais conhecida pelos membros deste Conselho, já que se trata da verba denominada auxíliocondução conferida aos Oficiais de Justiça do Rio Grande do Sul. Em diversas ocasiões este Órgão Administrativo se manifestou, conforme se observa de alguns julgados idênticos ou similares que transcrevo: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11080.104499/200439 Acórdão n.º 220101.074 S2C2T1 Fl. 2 3 IRPF – RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS AUXÍLIO CONDUÇÃO É tributável a verba que, embora denominada de auxílio condução ou indenização de transporte, é paga de forma generalizada e tem natureza remuneratória, haja vista tratarse de um percentual fixo do salário mensal. (10248.154 de 25 de janeiro de 2007) * * * * * * * * * * IRPF AUXÍLIO COMBUSTÍVEL É tributável a verba que, embora denominada de auxílio combustível/indenização de transporte, é paga de forma generalizada e tem natureza remuneratória. Recurso negado. Acórdão nº 10421723 de 26/07/2006. * * * * * * * * * * INDENIZAÇÃO DE TRANSPORTE SERVIDORES PÚBLICOS – INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA A verba paga pelo Estado de Santa Catarina aos Auditores Fiscais da Receita Estadual sob a rubrica "Auxílio Combustível", com nítido caráter remuneratório, constitui rendimento de beneficiário sujeito à incidência do Imposto de Renda Pessoa Física. Recurso negado.” Acórdão nº 10421043 de 19/10/2005. * * * * * * * * * * AUXÍLIO COMBUSTÍVEL Os valores percebidos a título de auxílio combustível, estendido genericamente a todos os funcionários do órgão, configura caráter remuneratório, sendo portanto hipótese de incidência do imposto de renda. Recurso negado. Acórdão nº 10421174 de 10/11/2005 * * * * * * * * * * IRPF RENDIMENTO DO TRABALHO ASSALARIADO AJUDA DE CUSTO TRIBUTAÇÃO A importância recebida a este título é tributável nos termos da legislação vigente Lei 7.713/88, se não for comprovada que essa importância destina se a atender despesas com transporte, frete e locomoção do contribuinte e de sua família, no caso de mudança permanente para outro município. Acórdão nº 10245918 de 29/01/2003. É neste sentido a Solução de Consulta nº 127, proferida em 31/07/2003 pela Superintendência Regional da Receita Federal da 10ª. RF, citada na decisão recorrida a qual reproduzo parte: (...) 20. Como se pode constatar, o auxíliocondução concedido aos Oficiais de Justiça nos termos do art. 29 da Lei (Estadual – RS) n° 7.305, de 1979, e alterações posteriores representa parcela fixa, paga mensalmente, calculada sobre o valor do vencimento básico do servidor. Além disso, o valor pago independe da quantidade de viagens e/ou deslocamentos realizados pelo servidor, bem como das distâncias percorridas, não havendo Fl. 3DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 sequer a exigência de comprovação de despesas ou prestação de contas. 20.1. Referida verba é percebida, inclusive, ‘nos afastamentos remunerados como férias e outros’, conforme informado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul no Ofício n° 002/2002EPPDRH, de 05 de fevereiro de 2002, dirigido ao Chefe Substituto da Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul, RS (fl. 52). 20.2. Mencionado auxíliocondução, portanto, é uma verba de natureza salarial, cuja percepção incrementa a remuneração paga ao servidor. Logo, os valores percebidos a esse título estão sujeitos à incidência do imposto de renda. 20.3. Observese que na ação ordinária n° 2001.71.00.0374541 ajuizada pelo SINDIJUS, na condição de substituto processual, contra a União Federal e o Estado do Rio Grande do Sul, ‘cujo objeto e causa de pedir’, segundo o próprio Sindicato, é comum a da já citada ação ordinária n° 2000.71.00.0295510, sendo diferente apenas, nessas duas ações, a relação dos servidores substituídos, (na qual também não consta o consulente), a Juíza da 7ª Vara da Justiça Federal em Porto Alegre proferiu decisão indeferindo a Liminar requerida, tendo, inclusive, se pronunciado nos seguintes termos acerca do auxíliocondução: ‘(...) O Caráter indenizatório da vantagem em tela resta afastado, por se tratar de parcela de valor fixo, calculada sobre o vencimento básico dos servidores, independentemente de deslocamentos, da quantidade de viagens realizadas ou das distâncias percorridas, não havendo sequer exigência de comprovação de despesas ou prestação de contas (art. 29 da Lei estadual n° 7.305/79, alterado pelas Leis n°s 8.766/88, 9.267/91, 10.972/97 e 11.141/98).Destarte, o pagamento da verba pode não corresponder a uma despesa (com transporte) efetivamente realizada pelo servidor na prestação de serviço, o que a descaracteriza como verba compensatória ou ressarcitória. (...) Entretanto, não é esse entendimento que colhe dos julgados do STJ – Superior Tribunal de Justiça, que inclusive pacificou entendimento, conforme se verifica das ementas abaixo reproduzidas: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUXÍLIOCONDUÇÃO RECEBIDO PELOS OFICIAIS DE JUSTIÇA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. IMPOSTO DE RENDA. NÃOINCIDÊNCIA. SÚMULAS N. 282 E 356/STF. 1. Os valores recebidos pelos oficiais de justiça a título de auxíliocondução, por possuírem natureza indenizatória e não representarem acréscimo patrimonial, não sofrem incidência de imposto de renda. ... 3. Recurso especial parcialmente conhecido e improvido. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11080.104499/200439 Acórdão n.º 220101.074 S2C2T1 Fl. 3 5 (REsp 645.308/RS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.04.2007, DJ 10.05.2007 p. 365) * * * * * * * * * * PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO – SÚMULA 211/STJ – REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA – SÚMULA 7/STJ – IMPOSTO DE RENDA – "AUXÍLIOCONDUÇÃO" – NATUREZA INDENIZATÓRIA – NÃO INCIDÊNCIA. ... 4. O "auxíliocondução" recebido pelos oficiais de justiça possui caráter indenizatório, pois visa recompor as perdas experimentadas pela categoria na utilização de veículo próprio para o exercício da função pública. Precedentes. 5. Não havendo, pois, acréscimo patrimonial, não há que se falar em incidência do imposto de renda. 6. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, improvido. (REsp 861.045/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 26.09.2006, DJ 19.10.2006 p. 284) * * * * * * * * * * PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUXÍLIOCONDUÇÃO RECEBIDO PELOS OFICIAIS DE JUSTIÇA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. IMPOSTO DE RENDA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. Os valores recebidos pelos oficiais de justiça a título de auxíliocondução, por possuírem natureza indenizatória e não representarem acréscimo patrimonial, não sofrem incidência de imposto de renda. 2. Recurso especial improvido. (REsp 866.967/PR, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17.10.2006, DJ 09.02.2007 p. 300) * * * * * * * * * * PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. SUPOSTA AFRONTA A PRECEITO LEGAL .AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. ACÓRDÃO RECORRIDO. FUNDAMENTOS INATACADOS. SÚMULA 283/STF. AUXÍLIOCONDUÇÃO RECEBIDO PELOS OFICIAIS DE JUSTIÇA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. IMPOSTO DE RENDA. NÃOINCIDÊNCIA. ... 3 3. Os valores recebidos pelos oficiais de justiça a título de auxíliocondução são de caráter indenizatório, não constituindo Fl. 5DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 6 acréscimo patrimonial a ensejar a incidência do Imposto de Renda. 4. Recurso especial improvido. (REsp 830019/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 23.05.2006, DJ 02.06.2006 p. 119) * * * * * * * * * * TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. "AUXÍLIO CONDUÇÃO". VERBA RECEBIDA POR OFICIAL DE JUSTIÇA FEDERAL. NATUREZA INDENIZATÓRIA. CASO DE NÃOINCIDÊNCIA. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, II, DO CPC. AUSÊNCIA. RECURSO CONHECIDO EM PARTE. II O Tribunal a quo julgou satisfatoriamente a lide, não se verificando violação ao art. 535, II, do CPC, porquanto se pronunciou sobre o tema proposto, tecendo as devidas considerações acerca do caráter indenizatória da verba recebida pela recorrida a título de "auxíliocondução", afastando a incidência do imposto de renda. III O denominado "auxíliocondução" não revela renda ou acréscimo patrimonial que justifique a incidência do Imposto de Renda. Nitidamente, percebese que a finalidade da referida verba é recompor, de certa forma, o patrimônio (no caso, o veículo) do Oficial de Justiça utilizado para o exercício de funções públicas. Precedente doutrinário. Precedente jurisprudencial: REsp nº 731.883/RS, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 03/04/06. IV Recurso especial parcialmente conhecido, para, nessa parte, negarlhe provimento. (REsp 851.677/RS, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17.08.2006, DJ 25.09.2006 p. 241) Depreendese dos julgados transcritos que o STJ sempre posicionou de forma contrária à incidência do imposto de renda sobre a referida verba. Este entendimento está arrimado ao fato de que o “auxíliocondução” não representa verdadeiramente acréscimo patrimonial, e sim uma recomposição do patrimônio do oficial de justiça que utiliza veículo próprio para o exercício de suas funções públicas. Caso se tratasse de acréscimo patrimonial, o recolhimento do imposto de renda seria devido, eis que teria inequívoca natureza salarial, não havendo que se falar no seu caráter indenizatório. Neste diapasão, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional emitiu o Ato Declaratório nº 4, de 1º de dezembro de 2008, desistindo de contestar judicialmente as ações relativas ao auxíliocondução, posto que todos os argumentos que poderiam ser levantados em defesa dos interesses da Fazenda Nacional foram repelidos pelo STJ, fato que acarreta à conclusão Fl. 6DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11080.104499/200439 Acórdão n.º 220101.074 S2C2T1 Fl. 4 7 acerca da impossibilidade de modificação do seu entendimento. Vejase a íntegra do referido Ato Declaratório: ATO DECLARATÓRIO Nº 4, DE 1º DE DEZEMBRO DE 2008: O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2604/2008, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 8/12/2008, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter declaração de que não incide imposto de renda sobre verba recebida por oficiais de justiça a título de ‘auxíliocondução’, quando pago para recompor as perdas experimentadas em razão da utilização de veículo próprio para o exercício da função pública.” JURISPRUDÊNCIA: RESP 645.308/RS (DJ 10.05.2007), RESP 861.045/RS (DJ 19.10.2006, RESP 866.967/PR (DJ 09.02.2007), RESP 830019/RS (DJ 02.06.2006), RESP 851.677/RS (DJ 25.09.2006 p. 241). LUÍS INÁCIO LUCENA ADAMS Contudo, não há como a recorrente se beneficiar deste entendimento, posto que não se encontra nos autos relação dos valores mensalmente recebidos, bem como discriminação das verbas alcançadas pela tributação. Em verdade, a única prova constante dos autos referese a um contracheque, fl. 16, que, no muito, informa que a verba recebida já foi excluída do campo de incidência do imposto “auxilio condução s/IR”. Destarte, com as presentes considerações e diante da insuficiência da prova documental trazida aos autos, encaminho meu voto no sentido manter a exigência. Isto posto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 7DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10510.004026/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 28/05/2007
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, III DA LEI N.º 8.212/91
C/C ARTIGO 283, II, “b” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º
3.048/99 EXIGÊNCIA DE ARQUIVOS EM MEIO MAGNÉTICO FUNDAMENTO
ART. 8º DA LEI 10.666/2003 C//C ART. 225, III DO DECRETO 3048/99.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do artigo 32, III da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez
anos, à disposição da fiscalização. (Acrescentado pelo Decreto nº 4.729, de 09/06/03. ver art. 8º da MP nº 83/02, convertida na Lei nº 10.666/03)
INCONSTITUCIONALIDADES DE EXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES ARGUMENTOS
NÃO RELACIONADOS COM A AUTUAÇÃO NÃO APRECIAÇÃO.
A apreciação dos argumentos apontados pelo recorrente devem ficar restritos as alegações que possuem relação com os fatos que ensejaram a autuação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.866
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 28/05/2007 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, III DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “b” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 EXIGÊNCIA DE ARQUIVOS EM MEIO MAGNÉTICO FUNDAMENTO ART. 8º DA LEI 10.666/2003 C//C ART. 225, III DO DECRETO 3048/99. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 32, III da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Acrescentado pelo Decreto nº 4.729, de 09/06/03. ver art. 8º da MP nº 83/02, convertida na Lei nº 10.666/03) INCONSTITUCIONALIDADES DE EXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES ARGUMENTOS NÃO RELACIONADOS COM A AUTUAÇÃO NÃO APRECIAÇÃO. A apreciação dos argumentos apontados pelo recorrente devem ficar restritos as alegações que possuem relação com os fatos que ensejaram a autuação. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2139; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 108 1 107 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.004026/200713 Recurso nº 263.309 Voluntário Acórdão nº 240101.866 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de junho de 2011 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente GUAPO RECURSOS HUMANOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 28/05/2007 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, III DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “b” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 EXIGÊNCIA DE ARQUIVOS EM MEIO MAGNÉTICO FUNDAMENTO ART. 8º DA LEI 10.666/2003 C//C ART. 225, III DO DECRETO 3048/99. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 32, III da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Acrescentado pelo Decreto nº 4.729, de 09/06/03. ver art. 8º da MP nº 83/02, convertida na Lei nº 10.666/03) INCONSTITUCIONALIDADES DE EXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES ARGUMENTOS NÃO RELACIONADOS COM A AUTUAÇÃO NÃO APRECIAÇÃO. A apreciação dos argumentos apontados pelo recorrente devem ficar restritos as alegações que possuem relação com os fatos que ensejaram a autuação. Recurso Voluntário Negado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 10510.004026/200713 Acórdão n.º 240101.866 S2C4T1 Fl. 109 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado sob o n. 37.016.5268, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, III da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 225, III e § 22 e art. 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de prestar todas as informações contábeis, econômicas e financeiras de interesse da fiscalização, em meio digital, com leiaute previsto no Manual Normativo de Arq. Dig. da SRP atual ou em vigor a época de ocorrência dos fatos geradores, quais sejam, Portaria INSS/DIREP 42/2003, Portaria MPS/SRP 63/2004, Portaria MPS/SRP 58/2005 e Instrução Normativa SRP 12/2006, infringindo assim o artigo 32, inciso III, da Lei 8.212/91. O descumprimento desta obrigação acessória ocorreu no período de julho de 2003 a dezembro de 2006. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 28/05/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 11/06/2007. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 33 a 44. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 73 a 77. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 82 a 93. Em síntese, a recorrente alega: 1. Todas as defesas propiciam ao acusado arguir a defesa indireta de mérito, seja impeditiva, modificativa ou extintiva, basta ocorrer a circunstância de fato adequada. 2. Que apresentou as guias de recolhimentos, referente ao período cobrado pelo autuante, de maneira global, sem que fosse recolhido separadamente por empresa, o que gerou os lançamentos de débitos indevidos, uma vez que o INSS não pode penalizar o contribuinte por seu erro, uma vez que não recolheu à previdência social, os valores das contribuições individualizados por empresa. 3. Afirma que o recolhimento das contribuições, não individualizados por empresa, feito erroneamente por preposto autorizado, seja qual for à origem do erro, não inibe o seu direito de pleitear a nulidade dessa cobrança, lhe restituindo o que é de direito. 4. Que em persistindo a procedência da NFLD estará o fisco incorrendo em BIS IN IDEM. 5. Que não obstante a autuada ter para exibição imediata todos os elementos e livros pedidos o AFPS contentouse em levar consigo as folhas de pagamento e os recolhimentos previdenciários, tendo autuado a empresa sem nem mesmo apreciar os documentos contábeis da mesma. O AFPS não compareceu a autuada, simplesmente enviou via AR o auto de infração realizado via computador, sem qualquer pedido de explicações por parte da empresa autuada, fato esse presenciado por terceiros que Fl. 3DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 4 assinaram o envelope de AR entregue pelos correios, contrariando os preceitos legais do art. 12, VI, do CPC. 6. A impugnante argumenta que se dedica a prestação de serviços de contratação de mão deobra, mantendo sempre suas atividades de recolhimentos de contribuições em dias, principalmente ao que se refere aos empregados, o que ocasionou a multa fiscal foi devido a empresa fazer os seus recolhimentos de uma maneira globalizada, ou seja, apenas pela matriz, sem individualizar as demais empresas do grupo. 7. Diz que o procedimento fiscal do AFPS autuante não guarda conformidade com as normas que regem os atos administrativos vinculados e regrados, como costumeiramente acontece com atividade lançadora e de constituição previdenciário(CF/88, art. 5 0, caput, 1' parte, incisos II e LV, art. 150, inciso IV, c/c art. 34 § 1° das disposições constitucionais transitórias, CC, arts. 145, II e V e art. 146 e seu Parágrafo Único. 8. Cita o art. 10 do Decreto n° 7.235, de 06.03.1972, e o artigo 194 incisos VI e VII da Lei 1711/52 e afirma que a lavratura dos autos fora do local da autuada caracteriza assim, violação do dever funcional, além de retirar qualquer validade administrativa ou eficácia jurídica às aludidas peças básicas do processo fiscal, nulificandoo ab initio. 9. Fala da GFIP Guia de recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social — competências abril de 2003 a março de 2005, diz que o fato gerador do FGTS é o pagamento de remuneração a empregado e afirma que todo e qualquer levantamento de débito do FGTS ou Demonstrativo do FGTS, a teor do auto deve, necessariamente, sob pena de nulidade, discriminar nominalmente(individualizar um a um) todos os empregados a que se referem os depósitos exigidos(CC, art. 82, 145, III e IV). 10. Afirma que os depósitos do FGTS têm, pois, endereço certo e conhecido: os empregados beneficiários dos mesmos, ou excepcionalmente, a empresa. Diz que para que a embargante pudesse se defender, mister se fazia que os autuantes identificassem quais os empregados a que se referem os depósitos de FGTS exigidos, quais seus salários e as datas em que ocorreram tais pagamentos. 11. Questiona como apresentar defesa ampla se o demonstrativo do Banco Arrecadador é global, nada individualiza, não contém nome de nenhum empregado nem a prova de relação empregatícia? E foi esse demonstrativo global do Banco Arrecadador que serve de base às inscrições da divida e embasou a impugnação. 12. Com relação a contribuição da empresa sobre a remuneração de empregados afirma que bem antes de qualquer ação fiscal, procedeu o pagamento na íntegra de todo débito existente com o INSS, referente a recolhimento de contribuição social dos empregados, portanto torna nula qualquer ação fiscal a esse respeito. 13. Alega inconstitucionalidade do recolhimento do SalárioEducação até janeiro de 1997 e do dever de restituir durante todo o período que recolheu indevidamente. 14. Diz que até algum tempo atrás, predominava o consenso de que é de 5 anos o prazo para o contribuinte pedir restituição de indébito, contado da ocorrência dos fatos geradores do tributo. Essa crença veio porém a ser desconstituída pelo Superior Tribunal de Justiça, que demonstrou a falsidade da interpretação do CTN sobre a qual ela se apoiava, no que se refere aos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação(que hoje abrangem a quase totalidade das exações fiscais).Transcreve acórdão e explica as razões que a levaram a essa conclusão. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 10510.004026/200713 Acórdão n.º 240101.866 S2C4T1 Fl. 110 5 15. Com relação a remuneração paga aos segurados autônomos contribuintes individuais, não podem ser acatadas por contrariar os dispostos constitucionais. 16. Diz que foi declarada a inconstitucionalidade das expressões autônomos, avulsos e administradores, de acordo com o inciso I do art. 30 da Lei 7787/89, por não estarem compreendidas entre as fontes de custeio do inciso I, do art. 195 da Constituição Federal: a instituição da contribuição social incidente sobre tais remunerações somente poderia efetivarse por meio de Lei Complementar(§ 40 do art.. 195 e inciso I do art. 154 da Constituição Federal. 17. Alega que a impetrante tem o direito líquido e certo de somente recolher tributo ou contribuição social, criado modificado ou alterado, de acordo com o regramento expresso na Constituição em vigor(art. 195, I, da CF/88) e sempre com respeito ao direito adquirido, ao princípio da anterioridade ou da anualidade e ao princípio da legalidade. 18. Que sendo a contribuição social para INSS de administradores, somente poderia ser alterada ou modificada por Lei Complementar, nunca através de Regimento Interno e ou Portaria, o que fere e ofende direta e frontalmente a Constituição. Diz que não estava obrigado a recolher uma contribuição que se tornou inconstitucional, por vício formal do ato legislativo que a modificou. 19. A impugnante argúi a inconstitucionalidade do regimento interno do INSS quanto ao seu artigo 145, VIII, e a Portaria no 4690/98. 20. Afirma que as Constituições Brasileiras sempre usaram o termo empregador salário, em sentido próprio e técnico como se encontram no Direito do Trabalho, que as formas de custeio existentes na Previdência Social eram compatíveis com esse sentido e que, assim, a hipótese não é de equívoco histórico, já amplamente absorvido e aceito pelo direito posto. 21. Afirma que o INSS não sofreu qualquer lesão, porque todos os tributos e contribuições foram recolhidos, o que pode ser comprovado com o exame dos documentos a disposição na Secretaria do Estado da Administração e respectivos lançamentos contábeis. 22. Diz não ter existido qualquer dolo ou má fé porque todos os tributos cobrados ou retidos na fonte foram recolhidos integralmente ao INSS. 23. Diz que a finalidade da GFIP é a comunicação espontânea do contribuinte ao fisco, relativamente aos tributos e contribuições devidos a serem recolhidos, desde que fiscalizados pelo órgão, nomeadamente em relação aos cobrados ou retidos na fonte. Que se o contribuinte, espontaneamente recolheu dentro dos prazos legais ou com acréscimos devidos, a finalidade da GFIP foi cumprida, e o contribuinte não pode ser apenado com multa confiscatória(como se tratasse de punir o delito de apropriação indébita do recolhimento de INSS de empregados que, declarados na GFIP, não fosse não fosse recolhidos espontaneamente pelo contribuinte. 24. Argumenta que a multa confiscatória, no presente caso, através de uma interpretação forçada, completamente contrária à lei (art. 1° da Lei 840/49, CF/88, arts. 5 0, II. 37 caput, e 150, I, CTN, arts. 141 e 142). Fl. 5DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 6 25. Diz que o fundamento constitucional que veda a aplicação do confisco tributário e a multa com este caráter, reside na impossibilidade de quebra de certas regras ou garantias que a própria Constituição assegura a todas as empresas privadas, citando o art 5 0, XIII, art 170, caput„ art 50 caput, ia parte, 150, II e 170,IV. 26. Cita o art. 194, VII da Lei 1711/52 e diz que nenhum servidor público está obrigado a cumprir ordem manifestamente ilegal, mas se cumpre, age voluntária e conscientemente, arcando com as conseqüências do ato abusivo e ilegal, nomeadamente as decorrentes do art. 40, "h" da Lei n° 4898/65. 27. Alega a impugnante ser parte ilegítima na autuação, como também é carecedor de ação, de acordo com a Lei objetiva, sabendose que todos os prestadores de serviços em relação ao recolhimento de contribuições sociais, são de competência dos mesmos. 28. Que se é que existe um pretenso crédito a ser adimplido frente a Previdência Social, ou uma obrigação a cumprir literalmente não será apenado o responsável pelo débito constitutivo, ainda porque cada um por si, responde pelo recolhimento de suas contribuições, devido serem terceiros responsáveis. 29. No presente caso, o montante de multa exigido, conduz ao confisco tributário, que o citado dispositivo da CF/88 veda; e tal vedação sendonorma maior, não pode ser desconhecida pela Administração Pública, nem ofendido pela Legislação ordinária 30. Diz que a fixação do prazo pelo pagamento de tributo é matéria reservada à lei, não podendo ter por veículo ato interno da administração, no caso, portaria. 31. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 10510.004026/200713 Acórdão n.º 240101.866 S2C4T1 Fl. 111 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 107. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Apesar de não arguido preliminares, da análise do recurso, entendo que alguns argumentos trazidos pelo recorrente, devem ser apreciados preliminarmente, uma vez que interferem na validade do procedimento adotado, e por consequência da NFLD lavrada. VALIDADE DO PROCEDIMENTO Em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, ou descumprimento dos preceitos legais por parte da autoridade fiscal, quando da lavratura da NFLD. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: Ø autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Ø intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; Ø autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade cumprido os requisitos legais não lhe confiro razão. Não só o relatório fiscal da infração, como também os Termos de Intimação para Apresentação de Documentos, não cumpridos a tempo e modo, demonstram o descumprimento da obrigação acessória. Notese, que não existe qualquer irregularidade no encaminhamento dos documentos pelos correios, tendo em vista que foram solicitados os documentos, conforme consta do Termo de Intimação para apresentação de documentos – TIAD. Ainda no que pertine a nulidade, por ter o AI sido encaminhado pelo correio sem que o recorrente tivesse ciência pessoal, ou mesmo recebida por pessoa não autorizada Fl. 7DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 8 para o mesmo, razão também não confiro ao recorrente. Tendo o AI sido encaminhada por via postal, o recebimento independe de que a haja recebido. No mesmo sentido posicionase o antigo 2º Conselho de Contribuintes ao publicar a súmula nº. 2 aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. SÚMULA NO 6 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. DO MÉRITO No recurso em questão, o contribuinte resumiuse a atacar a validade do procedimento fiscal e fatos relacionados as contribuições apuradas na NFLD , argumentando que não foram considerados todos os créditos, tendo em vista o recolhimento centralizado bem como inconstitucionalidade de contribuições (Salário Educação e Contribuintes Individuais), contudo, sem refutar, qualquer dos fatos geradores que ensejaram a autuação . Dessa forma, em relação aos fatos que ensejaram a autuação, como não houve recurso expresso aos pontos da DecisãoNotificação (DN) presumese a concordância da recorrente com a Decisão Notificação. Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a DecisãoNotificação. Caso não concordasse com as faltas que lhe foram imputadas deveria o recorrente, manifestarse a respeito, sendo que ao não fazêlo acaba por concordar com a autuação. DAS INCONSTITUCIONALIDADES APONTADAS No que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, quanto a contribuições para o SALÁRIO EDUCAÇÃO E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS, bem como da multa aplicada, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Contudo, não compete apreciar dita matéria no corpo do processo em questão, visto tratarse de AI e não NFLD. No mesmo sentido, não devem ser apreciados argumentos não pertinentes ao lançamento ora analisado, quais sejam, direito a restituição, aplicação de juros e multa, tendo em vista não se trata de matéria afeta a autuação. QUANTO A INFRAÇÃO Quanto à ocorrência da infração, há de se fazer uma ressalva acerca da aplicação da legislação no tempo. A obrigação da apresentação de informações em arquivos digitais apareceu no ordenamento com a edição da Medida Provisória n.º 83, de 12/12/2002, posteriormente convertida na Lei n.º 10.666, de 08/05/2003. Em seu art. 8.º está previsto: Art.8ºA empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos Fl. 8DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 10510.004026/200713 Acórdão n.º 240101.866 S2C4T1 Fl. 112 9 sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. Tal dispositivo foi regulamentado, pelo Decreto n.º 4.729, de 09/06/2003, que incluiu o § 22 no art. 225 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999, nos seguintes termos: §22A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. A publicação do Decreto n.º 4.729/2003 é o marco a partir do qual se pode efetuar autuações quando o contribuinte deixa de exibir os arquivos digitais. Todavia, surge uma dúvida em relação a obrigatoriedade da apresentação dos dados eletrônicos referentes a competências anteriores a 07/2003. nos casos em que a empresa já os possui. Nesses casos, a melhor interpretação é a de que somente é cabível a autuação caso o fisco comprove que o sujeito passivo possuía os dados em meio digital. Inexistindo essa comprovação descabe o AI, porquanto somente passou a ser obrigatória a preparação dos arquivos eletrônicos a partir do Decreto n.º 4.729/2003, ou seja, da competência 07/2003. Na situação sob enfoque não há comprovação de que para as competências anteriores a 07/2003, a contribuinte havia confeccionado os arquivos digitais, por conseguinte, não procede a autuação concernente aos dados das folhas de pagamento (12/1999 a 13/2002). Não há dúvida de que a conduta aplicada fere o disposto no art. 8.º da Lei n.º 10.666/2003, posto que a empresa, mesmo regularmente intimada, deixou de exibir os arquivos digitais relativos às notas fiscais de prestação de serviço emitidas em seu nome no período de 07/2003 a 12/2005. É clara, como se vê, a capitulação legal da conduta infratora, não podendo também ser admitido o argumento de que a autuação é imprecisa, ou que haja alguma conduta equivocada da autoridade fiscal acerca da ocorrência da infração. A autuada não trouxe aos autos quaisquer elementos probatórios que viessem em seu socorro. Na verdade, limitouse a fazer negativa geral da imputação do fisco e até se utilizar de argumentos que não guardam correlação com a autuação em destaque, tais como a alegada entrega de documentos e a ocorrência de arbitramento. Dessa maneira, não tem porque o presente autodeinfração ser anulado em virtude da ausência de vício formal na elaboração. Foi identificada a infração, havendo subsunção desta ao dispositivo legal infringido. Os fundamentos legais da multa aplicada foram discriminados e aplicados de maneira adequada. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 10 Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista no art. 32, III, da Lei n ° 8.212/1991. O Auto de Infração sendo aplicado da maneira como foi imposto não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a finalidade precípua de arrecadação, o que pode ser demonstrado pela previsão de atenuação ou até mesmo da relevação da multa, neste último caso, o infrator não pagará nenhum valor (art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999). Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo. Por todo o exposto a autuação fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DN, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade, e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 10510.004026/200713 Acórdão n.º 240101.866 S2C4T1 Fl. 113 11 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 36266.001420/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 30/11/1989 a 30/04/1994
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO
A compensação é espécie do gênero restituição, conforme já definido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo.
Tratando-se de direito creditório reconhecido na via judicial, deve o contribuinte comprovar, em sede de pedido administrativo de restituição que abdicou de executar o título executivo judicial.
Numero da decisão: 2301-002.073
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso nas alegações sobre prescrição, nos termos do voto do Relator; e b) na parte conhecida, em dar provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Adriano González Silvério
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 30/11/1989 a 30/04/1994 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO A compensação é espécie do gênero restituição, conforme já definido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo. Tratandose de direito creditório reconhecido na via judicial, deve o contribuinte comprovar, em sede de pedido administrativo de restituição que abdicou de executar o título executivo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso nas alegações sobre prescrição, nos termos do voto do Relator; e b) na parte conhecida, em dar provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Assinado digitalmente em 30/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, 03/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de pedido de restituição no qual a requerente alega ajuizou ação judicial para reconhecer o seu direito à compensação dos valores pagos indevidamente a título de contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga a administradores, autônomos e avulsos. Anexa aos autos as decisões judiciais que lhe foram favoráveis, com destaque para a aquela proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 677.786, a qual, em apertada síntese, reconheceu a prescrição decenal, bem como afastou as limitações impostas pelas Leis nºs 9.032/95 e 9.129/95. Por meio do despacho de fl. 74 a autoridade tributária indeferiu o pedido de restituição, alegando que o acórdão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça garante à empresa a compensação do que fora pago indevidamente e não a restituição. A requerente apresentou recurso alegando que o prazo para a restituição/compensação dos valores é decenal e não qüinqüenal e que faz jus à restituição, uma vez que os créditos não puderam ser compensados com parcelas vincendas de contribuições da mesma espécie, eis que a Requerente não possui atualmente folha de funcionários suficiente para gerar contingências tributárias/previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso voluntário ao impugnar a decisão de fl. 74 sustenta que o prazo de restituição/compensação que lhe foi garantido é decenal e que faz jus à restituição do que pagou indevidamente. Cabe esclarecer que a decisão impugnada não contrariou a decisão judicial do Colendo Superior Tribunal de Justiça que reconheceu a prescrição decenal. Pelo contrário, assentou o entendimento da administração pública de que esse prazo seria qüinqüenal, mas que no caso concreto foi reconhecido o decenal. Assim, nesse ponto não conheço do recurso voluntário haja vista a ausência do interesse recursal da ora recorrente. De outra parte, na esteira do entendimento do Colendo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 1.114.404/MG, o qual deve ser acatado por esse Conselho, nos termos do artigo 62A da Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, cabe ao contribuinte optar pela compensação ou restituição do tributo pago indevidamente: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Assinado digitalmente em 30/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, 03/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36266.001420/200714 Acórdão n.º 230102.073 S2C3T1 Fl. 94 3 “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. SENTENÇA DECLARATÓRIA DO DIREITO À COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE DE REPETIÇÃO POR VIA DE PRECATÓRIO OU REQUISIÇÃO DE PEQUENO VALOR. FACULDADE DO CREDOR. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. 1."A sentença declaratória que, para fins de compensação tributária, certifica o direito de crédito do contribuinte que recolheu indevidamente o tributo, contém juízo de certeza e de definição exaustiva a respeito de todos os elementos da relação jurídica questionada e, como tal, é título executivo para a ação visando à satisfação, em dinheiro, do valor devido" (REsp n. 614.577/SC, Ministro Teori Albino Zavascki). 2. A opção entre a compensação e o recebimento do crédito por precatório ou requisição de pequeno valor cabe ao contribuinte credor pelo indébito tributário, haja vista que constituem, todas as modalidades, formas de execução do julgado colocadas à disposição da parte quando procedente a ação que teve a eficácia de declarar o indébito. Precedentes da Primeira Seção: REsp.796.064 RJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 22.10.2008; EREsp. Nº 502.618 RS, Primeira Seção, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 8.6.2005; EREsp. N. 609.266 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 23.8.2006. 3. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1114404/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/02/2010, DJe 01/03/2010)” Contudo vale observar que como é facultado ao contribuinte exercer o direito à compensação ou restituição do indébito, ao requerer a devolução pela via administrativa deve comprovar que abdicou de executar o julgado, uma vez que caso contrário lhe seria aberta a possibilidade de se locupletar indevidamente. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER EM PARTE o recurso voluntário, para na parte conhecida DARLHE PROVIMENTO, devendo ser restituídos os valores pleiteados pelo recorrente, nos moldes em que fixados pela decisão judicial transitada em julgado e desde que comprovado pelo contribuinte que não exerceu a opção de executar o julgado, isto é, não optou pelo recebimento via precatório. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 3DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Assinado digitalmente em 30/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, 03/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Assinado digitalmente em 30/05/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, 03/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13005.900574/2008-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2003
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO.
Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantém-se o despacho decisório que não homologou a compensação declarada.
PER/DCOMP. ALTERAÇÃO DO PEDIDO.
Após a ciência do despacho decisório que não homologou a compensação informada no pedido/declaração PER/DCOMP, torna-se
inviável a alteração das informações contidas no pedido já formulado.
DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO.
A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de ofício, somente pode ser desconstituído com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada.
Numero da decisão: 1202-000.529
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO. Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantém-se o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. PER/DCOMP. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. Após a ciência do despacho decisório que não homologou a compensação informada no pedido/declaração PER/DCOMP, torna-se inviável a alteração das informações contidas no pedido já formulado. DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO. A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de ofício, somente pode ser desconstituído com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO. Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. PER/DCOMP. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. Após a ciência do despacho decisório que não homologou a compensação informada no pedido/declaração PER/DCOMP, tornase inviável a alteração das informações contidas no pedido já formulado. DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO. A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de ofício, somente pode ser desconstituído com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente e Relator Fl. 322DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13005.900574/200847 Acórdão n.º 120200.529 S1C2T2 Fl. 323 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Orlando José Gonçalves Bueno, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Jorge Celso Freire da Silva. Relatório A interessada transmitiu, em 28/09/2004, PERD/COMP eletrônico (fls. 11 a 16) visando utilizar o crédito da estimativa mensal da CSLL do período de apuração de outubro de 2003, pago mediante DARF, no valor de R$ 6.464,83, para compensação de débito nele declarado, relativo à CSLL do período de apuração de agosto de 2004, no valor de R$ 6.917,02. Na sequência, a DRF/Santa Cruz do Sul emitiu Despacho Decisório Eletrônico, em 24/04/2008 (fl. 04), não homologando a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento já havia sido integralmente utilizado na quitação do débito da CSLL relativo à outubro de 2003, não restando assim crédito disponível para a compensação. Cientificada da decisão, em 05/05/2008, a interessada protocolizou a manifestação de inconformidade, de fls. 01 a 03, aduzindo que: a) por lapso, informou na PER/DCOMP que a origem do crédito seria "pagamento indevido ou a maior", tendo indicado o DARF recolhido no valor de R$ 6.464,83, código de receita 2484, PA outubro/2003, com vencimento em 28/11/2003; b) na verdade, deveria ter indicado como origem do crédito "base de cálculo negativa da CSLL", apurada ao final do ano de 2003; c) o cruzamento de informações acabou constatando que o referido DARF acabou sendo utilizado duas vezes. Primeiro, pagando o débito de R$ 6.464,83, e, depois, buscando extinguir parcialmente o débito de R$ 6.917,02, código de receita 2484, período de apuração agosto/2004, o que acabou resultando na nãohomologação da declaração de compensação pretendida; d) a partir da comunicação da nãohomologação da PER/DCOMP, a requerente tratou de proceder na retificação da DCTF do 3° trimestre de 2004, informando em tal documento a inexistência de débito para a CSLL, PA: agosto/2004. A fim de conciliar os novos valores, também foi retificada a DIPJ/2005. Após a análise da manifestação, foi emitido o Acórdão DRJ/Santa Maria, fls. 292 a 296, com o seguinte ementário: CSLL POR ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE SALDO NEGATIVO. As estimativas da CSLL recolhidas devem ser levadas à declaração de ajuste anual, sendo possível ao contribuinte, verificando recolhimento da CSLL em montante superior ao devido no exercício de apuração, compensar ou restituir o saldo negativo, a partir do mês de janeiro do ano calendário subsequente ao da apuração. COMPENSAÇÃO. INCABÍVEL EXTINÇÃO DO DÉBITO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. FALTA DE PROVAS. Fl. 323DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13005.900574/200847 Acórdão n.º 120200.529 S1C2T2 Fl. 324 3 Incabível reconhecer a extinção do débito referente à estimativa mensal da CSLL em sede de manifestação de inconformidade, especialmente quando o contribuinte não apresenta provas que fundamente o seu alegado direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A fundamentação utilizada no referido Acórdão foi no sentido de que os valores recolhidos a título de estimativa devem ser levados à declaração de ajuste anual, o que possibilita ao contribuinte aproveitar o saldo negativo, mediante compensação ou restituição, a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração. No caso dos autos, não haveria comprovação do direito creditório passível de compensação com débitos do contribuinte. O acórdão também aborda a alteração do valor do débito da CSLL de agosto/2004, por meio de retificação da DCTF feita após o recebimento do Despacho Decisório Eletrônico. Sustenta ainda que, nos termos da IN SRF nº 11, de 1996, dita alteração deverá ser registrada com a transcrição do balanço ou balancete no livro Diário e no livro LALUR, comprovando que o valor do tributo pago até o mês do balanço/balancete é igual ou excede o valor do tributo devido. Dessa forma, o contribuinte não poderia, diante da nãohomologação da compensação, simplesmente reduzir o valor do débito da CSLL informado na DCTF sem comprovar o seu direito. Irresignada com a decisão, a contribuinte apresentou seu recurso voluntário, fls. 299 a 301, repetindo praticamente os mesmos argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. Reforça a tese de erro de preenchimento do PER/DCOMP, salientando que existe saldo negativo da CSLL, ao final do ano de 2003, passível de compensação no ano de 2004. A respeito das retificações das declarações DCTFs e DIPJs, menciona que tal procedimento se fazia necessário, a fim de conciliar os valores nelas informados. Alega, por fim, que encontrase suficientemente provado nos autos a alteração dos valores devidos, com a juntada de cópias das respectivas declarações originais e retificadoras. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, assim dele tomo conhecimento. A questão principal a ser discutida diz respeito à existência do crédito de R$ 6.464,83, informado na PER/DCOMP como sendo pagamento indevido ou a maior da CSLL relativo ao PA outubro/2003, para quitar parcialmente um débito em aberto de R$ 6.917,02, relativo à CSLL, PA agosto/2004, informado nessa mesma PER/DCOMP. Alega a recorrente que houve erro de preenchimento do PER/DCOMP e que o crédito seria originário do saldo negativo da CSLL apurado ao final do ano de 2003, ao invés de outubro de 2003. Menciona, ainda, que após a ciência do Despacho Decisório Eletrônico Fl. 324DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13005.900574/200847 Acórdão n.º 120200.529 S1C2T2 Fl. 325 4 DDE, providenciou na retificação do valor devido da CSLL do período em análise, agosto de 2004, mediante entrega de DCTF e DIPJ retificadoras, informando a inexistência de débito nesse último período. Creio não assistir razão à recorrente. Primeiramente, cabe analisar a situação do crédito informado no pedido PER/DCOMP. Do exame do Despacho Decisório Eletrônico, consta que a interessada teria efetuado um pagamento da CSLL, referente ao PA outubro/2003, no valor de R$ 6.464,83. Após a ciência do Despacho Decisório Eletrônico, a interessada apresentou DCTF retificadora, em 12/05/2008. Segundo a recorrente, a DCTF retificadora referese ao débito da CSLL originalmente compensado no PER/DCOMP, período de apuração agosto/2004, cujo valor original informado na DCTF, passou de R$ 6.917,02 para o valor retificado “zero”, fls. 100. Como se percebe, a interessada zerou o débito informado na DCTF relativo ao período em análise. Entretanto, no momento da transmissão das DCTFs retificadoras, a recorrente não gozava mais de espontaneidade para efetuar as alterações pretendidas. O interessado confessou originalmente em DCTF que apurou débito de CSLL em outubro de 2003. E foi ao débito assim confessado que o DARF que indicou na PER/DCOMP está alocado, de sorte que não poderia ter sido utilizado para a quitação de outro débito, em agosto de 2004. De fato, o débito da CSLL encontravase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito.(grifei) Além disso, a DCTF retificadora não produz efeito quando a contribuinte não mais goza de espontaneidade, conforme dispõe o art. § 1º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações, combinado com o inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, abaixo transcrito: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. (...) 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal.(destaquei) Assim, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito da CSLL referente a outubro/2003 efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado Fl. 325DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13005.900574/200847 Acórdão n.º 120200.529 S1C2T2 Fl. 326 5 estava integralmente alocado ao respectivo débito de outubro/2003, declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. O fato é que, na data da transmissão do PER/ DCOMP, a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há que se falar em direito à compensação (art. 170 do CTN). Por seu turno, a não homologação da compensação está conforme o art. 147 do Código Tributário Nacional (CTN), segundo a qual a retificação de declaração, por iniciativa do próprio declarante, que tenha por objeto a redução ou a exclusão de tributos, como é o caso, só é possível mediante a comprovação do erro alegado: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.(destaquei) Como mencionou o acórdão recorrido, as retificações pretendidas foram indeferidas, porque desacompanhadas das provas documentais correspondentes, entre elas a apresentação dos livros Diário e LALUR e demais documentos que lastreassem a alteração. Não houve a comprovação de que o valor da CSLL paga até o mês do balanço/balancete excedeu o valor da contribuição devida. Juntou apenas DCTFs originais e retificadoras dos períodos em análise e DIPJs original e retificadora do anocalendário de 2004, insuficientes para que se aceitasse as retificações pretendidas. Assim, também por esse motivo, não há como acolher a pretensão da contribuinte em reduzir a CSLL declarada sem elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada. Por fim, é de se registrar que as reduções da CSLL informadas nas DCTFs, acarretariam a alteração/cancelamento da própria PER/DCOMP ora examinada, que somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento de referido documento. O erro de identificação do indébito tributário na formulação do PER/DCOMP é insanável, já que se trata de alteração do próprio direito. Não pode ser considerado erro material o fato da recorrente ter pleiteado a compensação de débito cujo crédito já havia sido utilizado para quitar outro débito, confessado em DCTF pelo próprio contribuinte. Em verdade, sob a forma de retificação da DCTF original (sem nenhuma comprovação documental), pretende a recorrente formular novo pedido PER/DCOMP ( com outro crédito e com outro débito) aproveitandose da data do pleito original. Cabe aqui mencionar parte do Acórdão nº 10323.167 do antigo Conselho de Contribuintes, proferido na sessão de 09/08/2007 pelo ilustre Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, sobre a possibilidade de alteração do pedido após o Despacho Decisório: “Trata de restrição de ordem lógica que sequer necessitaria ter sido positivada pelos órgãos da SRF. É preceito indispensável à organização e estabilização das relações jurídicas de que cuidam os procedimentos julgados pela Administração. É fácil intuir que os procedimentos administrativos jamais chegariam ao seu final caso Fl. 326DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13005.900574/200847 Acórdão n.º 120200.529 S1C2T2 Fl. 327 6 fosse permitido às partes alterar os fundamentos ou o conteúdo do pedido após a análise de seu mérito pelo julgador.” É de se concluir, portanto, que está correto o Despacho Decisório Eletrônico, que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação pleiteada, pautado em declarações e em documentos apresentados pela própria recorrente, uma vez que as alterações efetuadas pela contribuinte, com a entrega da DCTF retificadora, após a ciência do despacho decisório, não têm o condão de tornar irregular a decisão administrativa que pretende ver reformada. Em face do exposto, voto para que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 327DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 15983.000553/2008-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
MATÉRIA SOB APRECIAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. CONCOMITÂNCIA DAS INSTANCIAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
0 litigante não pode discutir a mesma matéria em processo judicial e em administrativo. Havendo coincidência de objetos nos dois processos, deve-se trancar a via administrativa. Em nosso sistema de direito, prevalece a solução dada ao litígio pela via judicial. Inteligência do enunciado sumular CARF n°1 (DOU de 22/12/2009), verbis: "Importa renúncia as instâncias
administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial".
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.225
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Acácia Sayuri Wakasugi
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CONCOMITÂNCIA DAS INSTANCIAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. 0 litigante não pode discutir a mesma matéria em processo judicial e em administrativo. Havendo coincidência de objetos nos dois processos, deve-se trancar a via administrativa. Em nosso sistema de direito, prevalece a solução dada ao litígio pela via judicial. Inteligência do enunciado sumular CARF n°1 (DOU de 22/12/2009), verbis: "Importa renúncia its instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discuti autos. Acordam os Memb or unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos EDITADO EM: 28/11/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Eivanice Canário da Silva, Nóbia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Em face da contribuinte UMBELICE DE LIMA FERNANDES GOMES, CPF/MF n°053.893.238-40 , já qualificada neste processo, foi lavrado, em 18/01/2008, auto de infração (fls. 4 a 5), a partir da revisão de sua declaração de ajuste anual, referente aos anos calendários 2003, 2004, 2005, 2006, com o lançamento do imposto de renda, multa de oficio e de juros de mora, totalizando um crédito tributário de R$ 182.357,07. Conforme descrição dos fatos, o contribuinte classificou indevidamente na Declaração de Ajuste rendimentos decorrentes de aposentadoria de anistia, como isentos. Tal irregularidade decorre da falta de apresentação pelo contribuinte, conforme bem relatado pela DRJ, da Portaria do Ministro de Estado da Justiça, a qual conferiria o direito de reparação econômica de caráter indenizatório do regime de anistiado politico, segundo art. 3°, da Lei 10.559, de 13/11/2002. 0 crédito tributário foi lançado com a exigibilidade suspensa por força de Medida Liminar, da la Vara Cível da Justiça Federal de Santos, razão pela qual também não foi aplicada a multa de oficio de 75%, em processo tombado sob o n°2002.61.04.011141-4. A 3' Turma da DRJ/SPOIL por unanimidade de votos, julgou por não conhecer da impugnação, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 17-31.705, 06 de maio de 2009 (fls. 82 a 86 ), que foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-Calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 Ementa: PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura pela contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente a autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia as instâncias administrativas. Impugnação não Conhecida 0 contribuinte foi intimado da decisão a quo em 01/06/2009, cujo qual interpôs recurso voluntário em 04/06/2009, no qual assim assevera: 3. Pelo que se percebe, a r. decisão da Primeira Instância Administrativa não levou em consideração, nas razões de decidir, a eficácia dos princípios constitucionais da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, verdade real, moralidade, ampla defesa, segurança jurídica, interesse público e justiça tributária, ao fundamentar seu decisum, nos seguintes pontos: "No caso em questão o interessado impetrou o Mandado de Segurança n° 2002.61.04.011141-4, com pedido de liminar, pleiteando provimento jurisdicional no sentido de ser declarada a ilegalidade da tributação dos proventos de caráter indenizatórios relativo â anistia política "0 objeto da demanda judicial, portanto, é o mesmo tratado neste processo administrativo. Tal fato demonstra que o contribuinte fez clara op cão pela via judicial em detrimento da Processo IV 15983.000553/2008-89 Acórdão n.° 2102-01.225 S2-CIT2 Fl. 97 via administrativa, uma vez viger no Brasil o principio da Unidade de Jurisdição ou Sistema de Jurisdição (Mica, segundo o qual a funglio jurisdicional é monopólio do Poder Judiciário. 5. DO PROCESSO JUDICIAL — Mesmo com advento da Lei 10.559, de 13 de novembro de 2002, o pagamento da aposentadoria ou pensão excepcional relativa aos já anistiados politicos continuou sendo efetuado pelo INSS. O artigo 90 da referida Lei estatuiu que "os valores mencionados não poderão ser objeto de contribuição ao INSS, as caixas de assistência ou fundos de pensão ou previdência, nem objeto de ressarcimento por estes de suas responsabilidades estatutárias." E, ainda, segundo seu parágrafo único, tais valores, pagos a titulo de indenização a anistiados politicos, são ISENTOS DE IMPOSTO DE RENDA. 6. Ocorre que o artigo 19 da referida lei enseja a interpretações a cerca da anistia política concedida anteriormente à Constituição da República, se seria beneficiada pela isenção, caso da requerente. Entretanto a matéria foi esclarecida pelo Decreto 4.987, de 25 de novembro de 2003, editado pelo Presidente da República, para regulamentar o referido artigo 19, da Lei 10.559/02, expressamente incluiu as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza pagos aos já anistiados politicos (¢ I", do artigo I°, do Decreto 4987/03). 7. Com efeito, mesmo alcançando os pagamentos de aposentadoria e de pensões de anistiados politicos que trata o artigo 19, da Lei 10.559/02, o INSS não reconhecia a isenção do Imposto de Renda em relação aos benefícios na forma prevista no artigo 90, parágrafo único da Lei 10.559/02, isto porque, era o responsável tributário pelas retenções do IRRF e pelas informações fiscais perante a Receita Federal. 8. Nesse diapasão, o recorrente, para se valer do direito, e para que a Autarquia viesse a obedecer ao principio da legalidade e segurança jurídica (art. 37, caput, da CF), conforme disposto na Constituição e na Lei, impetrou Mandado de Segurança, contra o INSS e o Gerente Executivo da Autarquia, autoridade responsável pela retenção do indigitado tributo, objetivando a declaração de inexigibilidade do Imposto Sobre a Renda, sobre a indenização recebida er titulo de aposentadoria excepcional de anistiado. Observa-se no processo judicial que mesmo diante dos apelos do INSS/Gerente Executivo da Autarquia, que arguiram ilegitimidade passiva, ambos foram mantidos no pólo passivo da ação, uma vez que era o responsável pela retenção. A Unido (Fazenda Nacional) foi posteriormente incluída na ação. Portanto, o que objetiva a recorrente na ação judicial é a declaração da inexigibilidade do Imposto de Renda Retido na Fonte, sobre os benefícios pagos pelo INSS, auferidos a titulo de aposentadoria excepcional de anistiado politico. (..) o Relatório. Voto Conselheira Acácia Sayuri Wakaugi, Relatora Declara-se a tempestividade do apelo, já que interposto dentro do trintidio legal. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passa-se a apreciá-lo. Informa o recorrente que a controvérsia deduzida nestes autos se encontra sob apreciação do judiciário, no bojo do mandado de segurança 2002.61.04.011141-4, sem solução definitiva na instancia judicial. Vê-se que a pretensão aqui deduzida pela recorrente não pode ser julgada nesta instância administrativa, pois somente cabe a Administração se submeter ao decidido pelo Poder Judiciário, no bojo da Ação ordinária citada. Considerando a unicidade de jurisdição que tem vigência no Brasil, com supremacia do direito dito pelo Poder Judiciário, somente cabe a esta Segunda Turma da Primeira Camara da Segunda Seção do CARF reconhecer a concomitância das instâncias, e, em analogia com o determinado pelo parágrafo único do art. 38 da Lei n° 6.830/80, declarar, neste ponto, que a recorrente desistiu tacitamente do recurso interposto na esfera administrativa. t de se evidenciar que recentemente o Supremo Tribunal Federal declarou a constitucionalidade do parágrafo único do art. 38 da Lei n° 6.830/80, ou seja, a propositura de demanda com o mesmo objeto da lide administrativa implica em renúncia a esta última instância. Assim, nessa questão, veja-se a transcrição do informativo STF n° 476, de 22 agosto de 2007, verbis: Em conclusão de julgamento, o Tribunal, por maioria, negou provimento a recurso extraordinário em que se discutia a constitucionalidade do parágrafo único do art. 38 da Lei 6.830/80 ("Art 38. A discussão judicial da Divida Ativa da Fazenda Pública só é admissivel em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, (Nab de repetição do indébito ou ação anzdatória do ato declarativo da divida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. '). Tratava-se, na espécie, de recurso interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, que negara provimento a apelação da recorrente e confirmara sentença que indeferira mandado de segurança preventivo por ela impetrado, sob o fundamento de impossibilidade da utilização simultânea das vias administrativa e judicial para discussão da mesma matéria —v. Informativos 349 e 387. Entendeu-se que o art. 38, da Lei 6.830/80 apenas veio a conferir mera alternativa de escolha de uma das vias processuais. Nesta assentada, o Min. Sepulveda Pertence, em voto-vista, acompanhou a divergência, no sentido de negar provimento ao recurso. Asseverou que a presunção de renúncia ao poder de recorrer ou de desistência do recurso na esfera administrativa não implica afronta ii garantia constitucional da jurisdição, uma vez que o efeito coercivo que o dispositivo questionado possa conter apenas se efetiva se e quando o contribuinte previa o acolhimento de sua pretensão na esfera administrativa. Assim, somente haverá receio de provocar o Judiciário e ter extinto o processo administrativo, se este se mostrar mais eficiente que aquele. Neste caso, se houver uma solução administrativa imprevista ou contrária a seus interesses, ainda ai estará resguardado o direito de provocar o Judiciário. Por outro lado, na situação inversa, se o contribuinte não esperar resultado positivo do processo administrativo, não hesitará em provocar o Judiciário tão logo possa, e já não se interessará mais pelo que se vier a decidir na esfera administrativa, salvo no caso de eventual sucumbência jurisdicional. Afastou, também, a alegada ofensa ao direito de petição, uma ye:: que este já teria sido exercido pelo contribuinte, tanto que haveria um processo administrativo em curso. Concluiu que o dispositivo atacado encerra preceito de economia processual que rege l'rocesso n° 15983.000553/2008-89 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-01.225 Fl. 98 tanto o processo judicial quanto o administrativo. Por fim, registrou que já se admitia, no campo do processo civil, que a prática de atos incompatíveis com a vontade de recorrer implica renúncia a esse direito de recorrer ou prejuízo do recurso interposto, a teor do que dispõe o art. 503, caput, e parágrafo único, do CPC, nunca tendo se levantado qualquer dúvida acerca da constitucionalidade dessas normas. Vencidos os Ministros Marco Aurélio, relator, e Carlos Britt() que davam provimento ao recurso para declarar a inconstitucionalidade do dispositivo em análise, por vislumbrarem ofensa ao direito de livre acesso ao Judiciário e ao direito de petição. RE 233582/RJ, rel. orig. Min Marco Aurélio, rel. p/ o acórdão Min. Joaquim Barbosa, 16.8.2007. (RE-233582)— grifou-se - Por fim, no caso ora em debate, também incide a inteligência da Súmula CARF N° 1: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial", e, com espeque no art. 72, caput e § 40, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda', aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), deve-se ressaltar que os enunciados sumulares, dos Conselhos de Contribuintes e do CARF, são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2° grau. ANTE 0 EXPOSTO voto no sentido de reconhecer que o objeto do presente feito administrativo está sê d discutido na via judicial, o que implica em NEGAR PROVIMENTO AO RER akasugi - Relatora Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. § 1° a §3° Omissis. § 4° As sumulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. 5
score : 1.0
Numero do processo: 35232.000535/2007-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/10/2005
Ementa: DESISTÊNCIA TOTAL. INADMISSIBILIDADE.
A renúncia à utilização da via administrativa para discussão da pretensão por
desistência é razão para não conhecimento do recurso interposto.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2301-001.966
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2001 a 31/10/2005 Ementa: DESISTÊNCIA TOTAL. INADMISSIBILIDADE. A renúncia à utilização da via administrativa para discussão da pretensão por desistência é razão para não conhecimento do recurso interposto. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2001 a 31/10/2005 Ementa: DESISTÊNCIA TOTAL. INADMISSIBILIDADE. A renúncia à utilização da via administrativa para discussão da pretensão por desistência é razão para não conhecimento do recurso interposto. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente e Relator Fl. 336DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Adriano González Silvério e Damião Cordeiro de Moraes. Fl. 337DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35232.000535/200716 Acórdão n.º 230101.966 S2C3T1 Fl. 331 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), Natal / RN, fls. 0227 a 0238, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 054 a 058, o lançamento referese a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga a segurados, correspondentes a contribuição da empresa, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT) e as contribuições devidas aos Terceiros. Ainda segundo o RF, os valores da base de cálculo foram obtidos em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), elaboradas e apresentadas pela empresa à fiscalização. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos que o configuram. Em 13/02/2007 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 0194. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 0200 a 0211, acompanhada de anexos, onde alegou, em síntese, que: 1. A impugnação é tempestiva; 2. O RF não traz em seu bojo as alíquotas utilizadas para a aferição do "quantum" supostamente devido pela ora Recorrente, apenas faz menção ao Discriminativo Analítico de Débito — DAD, relatório este onde se observam vários dos campos com ausência de descrição das alíquotas aplicadas, e cujo preenchimento encontrase em branco, como a competência 09/2003, impossibilitando, desta forma, o acesso pela ora Recorrente aos princípios da ampla defesa e do contraditório; 3. A descrição das alíquotas utilizadas constitui dado indispensável para a aferição da veracidade do conteúdo do lançamento, sendo inclusive requisito obrigatório de procedência do mesma, restando ainda contrariado, inclusive, os princípios da legalidade, da ampla defesa e do contraditório; 4. O valor cobrado é irreal, tendo em vista já haver sido realizado o pagamento das contribuições no período questionado, cujos comprovantes estão sendo apurados pela Recorrente; 5. A multa foi aplicada de forma equivocada; Fl. 338DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 6. O lançamento deve ser anulado; 7. Requer a realização de perícia contábil, com apuração do valor efetivamente devido pela Recorrente, ante a ausência da descrição das alíquotas utilizadas na realização dos cálculos em questão; 8. Em momento algum a Recorrente foi intimada para regularizar a situação; 9. Embora não sendo esta possibilidade de intimação uma obrigação, a Recorrente, pela sua conduta exemplar perante os diversos órgãos da Administração, a qual deve se utilizar dos Princípios da Proporcionalidade e da Razoabilidade, enumerados no artigo 2°. da Lei 9.784/99, e por consequência, os princípios constitucionais da Presunção da Inocência e da Legalidade; 10. Diante do exposto, requer a procedência total da defesa, com a conseqüente anulação do ato administrativo e do lançamento, ou que seja determinada perícia contábil para apuração do valor efetivamente devido pela recorrente, ante a ausência da descrição das alíquotas. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0245 a 0270, acompanhado de anexos, onde reitera argumentos já apresentados na defesa e, também, alega, em síntese, que: 1. A regra sobre o prazo decadencial deve ser a determinada no Código Tributário Nacional (CTN); 2. As diferenças, conforme planilha anexa, não foram calculadas corretamente e para provar o que alega solicita prazo para juntada de recolhimentos; 3. O ano de 2003 já foi fiscalizado e só poderia ser refiscalizado se estivesse de acordo com o Art. 149 do CTN; 4. Ante o exposto, espera que seja reformada a decisão emitida e que o lançamento seja anulado. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 0299. Na análise dos autos, a 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Segunda Seção do CARF, decidiu pela conversão do julgamento em diligência, para que se esclarecesse a questão do argumento sobre a fiscalização já realizada na recorrente. O Fisco respondeu os questionamentos, fls. 0307, informando, em síntese, que: 1. Houve auditoria fiscal previdenciária para o período de apuração de 01/1993 a 12/2003, conforme Termo (TEAF) Fl. 339DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35232.000535/200716 Acórdão n.º 230101.966 S2C3T1 Fl. 332 5 e relatório do Cadastro Nacional de Ações Fiscais(CNAF), anexos; 2. Referida auditoria ocorreu entre 19/12/2003 a 30/03/2004, não havendo nenhum lançamento de crédito decorrente dessa auditoria para o período de 1993 a 2003; 3. O lançamento de crédito ao qual se refere o processo em epigrafe é relativo ao período de apuração de 07/2001 a 10/2005; 4. Entretanto, apesar da sobreposição de período de apuração das auditorias, e a ausência de qualquer lançamento na auditoria anterior (1993 a 2003), não há no atual lançamento de crédito previdenciário incidência de duplicação de base de cálculo sobre o mesmo fato gerador ocorrido de 2001 a 2003. Esclarecemos que, como demonstra documentos anexos, fls. 0308, a fiscalização foi efetuada de forma total. Devidamente intimada, a recorrente apresentou manifestação, a partir das fls.0314, onde alega, em síntese, que: 1. Passou por grave crise financeira; 2. Ingressou no parcelamento da Lei 11941/2009; 3. Possui grande monta de créditos de ouros tributos, que deseja realizar compensação; 4. Não se apropriou de contribuições de segurados a seu serviço; Ressaltamos que se encontra anexo documento sobre desistência de recurso, fls. 0322. Os autos foram encaminhados ao Conselho, apara análise e decisão. É o Relatório. Fl. 340DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Da análise dos autos, verifica se que a recorrente apresentou petição desistindo integralmente do recurso. Dessa forma, não conheço do recurso tendo em vista a perda de objeto por desistência. CONCLUSÃO: Voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 341DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10730.003244/2007-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
EX-COMBATENTE. FEB. ISENÇÃO.
São isentas do imposto de renda as pensões e proventos concedidos aos ex-combatentes que compunham a Força Expedicionária Brasileira FEB ou a seus herdeiros, em caso de incapacidade, morte ou desaparecimento decorrente da guerra, nos termos do artigo 6º, inciso XII, da Lei nº 7.713/88.
Numero da decisão: 2101-001.185
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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FEB. ISENÇÃO. São isentas do imposto de renda as pensões e proventos concedidos aos ex combatentes que compunham a Força Expedicionária Brasileira FEB ou a seus herdeiros, em caso de incapacidade, morte ou desaparecimento decorrente da guerra, nos termos do artigo 6º, inciso XII, da Lei nº 7.713/88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Raimundo Tosta Santos, Goncalo Bonet Allage, Jose Evande Carvalho Araujo, Celia Maria de Souza Murphy e Alexandre Naoki Nishioka. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1328.714, que, por unanimidade de votos, julgou procedente o Auto de Infração. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Fl. 56DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 DA AUTUAÇÃO Trata o presente processo de lançamento de ofício de Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF), referente ao anocalendário de 2003, exercício de 2004, consubstanciado na Notificação de Lançamento às fls. 05 a 07. O valor lançado inclui imposto suplementar de R$1.395,45, multas de ofício de 75% no valor de R$1.046,58, e juros moratórios cabíveis. A discrição dos fatos e o enquadramento legal encontramse detalhados no demonstrativo à fl. 06, versando omissão de rendimentos do trabalho com e\ou sem vínculo empregatício recebidos do Comando do Exército. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada do Auto de Infração em 19/04/2007 (fls. 25 e 26), a contribuinte protocolizou impugnação em 17/07/2007 (fls. 01 e 02), em que alega, em suma, que os rendimentos em questão são isentos por se referirem a provento/pensão de excombatente, conforme instrução do manual de preenchimento de declaração de ajuste anual. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau resumiu o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. Anocalendário: 2003 Somente são isentos do imposto de renda os proventos e pensões decorrentes de. reforma ou falecimento de excombatente da Força Expedicionária Brasileira. FEB, pagos de acordo com os Decretosleis nºs 8.794 e 8.795, de 23 de janeiro de 1946, Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, art. 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963 e art. 17 da Lei nº 2 8.059, de 04 de julho de 1990. Impugnação Improcedente Em seu apelo ao CARF, às fls. 34/35, a recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o órgão julgador a quo. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso não atende os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, vejamos o que dispõe a Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, a respeito da isenção sobre pensões e proventos em decorrência de reforma ou falecimento de excombatente da Força Expedicionária Brasileira: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: Fl. 57DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10730.003244/200738 Acórdão n.º 2101001.185 S2C1T1 Fl. 47 3 (...) XII as pensões e os proventos concedidos de acordo com os Decretosleis, nºs 8.794 e 8.795, de 23 de janeiro de 1946, e Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, e art. 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, em decorrência de reforma ou falecimento de excombatente da Força Expedicionária Brasileira.(grifos acrescidos). Com efeito, vejamos o que determinam referidas normas: a) Decretolei n.° 8.794, de 23 de janeiro de 1946: regula vantagens a que tem direito os herdeiros dos militares da FEB desaparecidos, falecidos em virtude de ferimentos e moléstias adquiridas ou agravadas na zona de combate, de acidente em serviço e de quaisquer outros motivos, desde que no teatro de operações da Itália; b) Decretolei n.° 8.795, de 23 de janeiro de 1946: regula as vantagens a que têm direito os militares da FEB incapacitados fisicamente; c) Lei n.° 2.579, de 23 de agosto de 1955: concede amparo aos exintegrantes da FEB julgados inválidos ou incapazes definitivamente para o serviço militar; d) art. 30 da Lei n.° 4.242, de 17 de julho de 1963: concede pensão aos ex combatentes da 2ª Guerra Mundial que se encontrem incapacitados, sem prover os próprios meios de subsistência, bem como a seus herdeiros; De acordo com a Lei nº 7.713/88, art. 6º, inciso XII, a isenção do imposto de renda só é concedida nos casos previstos nos DecretosLeis nºs 8.794 e 8.795, de 23 de janeiro de 1964, na Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, e art. 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, excluindo as pensões não decorrentes de incapacidade, falecimento ou desaparecimento ocorridos durante o teatro de operações da Itália. A Certidão à fl. 10 não informa tais ocorrências nem indica a concessão de pensão ou provento com base nos mencionados dispositivos. Logo, as demais pensões e aposentadorias recebidas em virtude de outros dispositivos legais não estão isentas do imposto de renda. Portanto, agiu corretamente o Ministério da Defesa Exército Brasileiro SEF – CPEx quando classificou o rendimento em questão como tributável, conforme se constata no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte à fl. 08. No mesmo sentido se manifestou o Órgão julgador a quo, considerando a inexistência de prova nos autos de que o benefício auferido pela recorrente decorre das normas mencionadas no artigo 6º, inciso XII, da Lei nº 7.713/88. Ressaltese, por oportuno, que o art. 17 da Lei nº 8.059, indicado no Regulamento do Imposto de Renda – Decreto nº 3.000/99 (artigo 39, XXXV) e no Manual para Preenchimento da Declaração de Rendimentos, dispõe que os pensionistas beneficiados pelo artigo 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, que não se enquadrarem entre os beneficiários da pensão especial de que trata esta lei, continuarão a receber os benefícios assegurados pelo citado artigo, até que se extingam pela perda do direito, sendo vedada sua transmissão, assim por reversão como por transferência. Como vê, as citadas normas complementares apenas repetem a norma isentiva prevista no artigo 6º da Lei nº 7.713, de 1988. A rigor, o artigo 17 da Lei nº 8.059 não estabelece qualquer isenção, apenas menciona o benefício Fl. 58DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 indicado no artigo 30 da Lei nº 4.242/63. E não poderia ser diferente, tendo em vista o sistema tributário vigente, a seguir comentado. Nos termos dos artigos 97, inciso VI, 111 e 176 do CTN, a isenção decorre sempre da lei, que deve ser interpretar literalmente, sendo proibida a interpretação extensiva e a utilização de analogias que ampliem esse benefício. Confirase: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I – a instituição de tributos, ou a sua extinção; II – a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III – a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV – a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V – a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI – as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. (grifos acrescidos). (...) Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; (grifos acrescidos) III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. (grifos acrescidos). Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 59DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10730.003244/200738 Acórdão n.º 2101001.185 S2C1T1 Fl. 48 5 Fl. 60DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000193/2010-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 28/02/2006
Ementa: COMPENSAÇÃO. GLOSA – TÍTULOS DA ELETROBRÁS.
A compensação é um ato a cargo do contribuinte, entretanto sempre estará sujeito à revisão pela autoridade fiscal.
Não seguindo os ditames legais o órgão previdenciário possui o direitodever de efetuar o lançamento fiscal.
Não há permissivo legal para aceitação de títulos emitidos pela
ELETROBRÁS para quitação de débitos junto à Previdência Social.
Numero da decisão: 2302-001.187
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2005 a 28/02/2006 Ementa: COMPENSAÇÃO. GLOSA – TÍTULOS DA ELETROBRÁS. A compensação é um ato a cargo do contribuinte, entretanto sempre estará sujeito à revisão pela autoridade fiscal. Não seguindo os ditames legais o órgão previdenciário possui o direitodever de efetuar o lançamento fiscal. Não há permissivo legal para aceitação de títulos emitidos pela ELETROBRÁS para quitação de débitos junto à Previdência Social.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1715; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 364 1 363 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11634.000193/201049 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 230201.187 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2011 Matéria Glosa Compensação. Recorrente CESA CENTRO DE ESTUDO SUPERIOR DE APUCARANA Recorrida DRJ CURITIBA PR Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2005 a 28/02/2006 Ementa: COMPENSAÇÃO. GLOSA – TÍTULOS DA ELETROBRÁS. A compensação é um ato a cargo do contribuinte, entretanto sempre estará sujeito à revisão pela autoridade fiscal. Não seguindo os ditames legais o órgão previdenciário possui o direitodever de efetuar o lançamento fiscal. Não há permissivo legal para aceitação de títulos emitidos pela ELETROBRÁS para quitação de débitos junto à Previdência Social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu e Wilson Antônio de Souza Correa. Ausente momentaneamente o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório O presente lançamento tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados, bem como a cargo da empresa, incluindo as relativas a Terceiros. O período do presente levantamento abrange as competências maio de 2005 a fevereiro de 2006, conforme relatório fiscal às fls. 31 a 35. Referese à glosa de compensação de supostos créditos oriundos de títulos da Eletrobrás. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa, fls. 52 a 77. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento confirmou a procedência do lançamento, fls. 290 a 295. Não concordando com a decisão do órgão fazendário, foi interposto recurso, conforme fls. 306 a 335. Alega em síntese: a) O auto de infração foi lavrado de forma genérica e imprecisa; b) O prazo para apresentação foi exíguo; c) A fiscalização foi realizada fora do estabelecimento; d) A negativa da perícia cerceia o direito do contribuinte; e) Não há provas das alegações fiscais; f) A entidade é beneficente; não havendo fato gerador; g) A compensação foi realizada de acordo a legislação; estando amparada por decisão judicial; h) Requerendo provimento ao recurso interposto. É o relato suficiente. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11634.000193/201049 Acórdão n.º 230201.187 S2C3T2 Fl. 365 3 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente. De acordo com o comprovante de ciência à fl. 304, o recorrente foi cientificado no dia 23 de julho de 2010 (sextafeira). O recurso foi interposto em 23 de agosto de 2010, fl. 306. Quanto ao argumento de que o auto de infração deve ser declarada nulo; não lhe confiro razão. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal às fls. 31 a 35; o relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos bem como a forma para se apurar o quantum devido, por competência, encontrase às fls. 05 a 06. Os valores compensados indevidamente foram informados na GFIP e nos livros contábeis, que são registros elaborados pela própria recorrente. Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Desse modo, não assiste razão à recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento. A motivação é simples, e restou cabalmente demonstrada no relatório fiscal às fls. 31 a 35: a empresa remunerou segurados e não recolheu os valores em virtude de ter realizado compensação, que foi glosada pela fiscalização. Ao contrário do afirmado pela recorrente, o relatório não é contraditório. O Auditor no item 4 à fl. 31 informa que os valores compensados foram declarados em GFIP. E justamente por ter realizado compensação, não informou os valores devidos de contribuição previdenciária (item 7 à fl. 34). A autuada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria declarados em GFIP ou registrados nas folhas de pagamento não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. Alegar sem provar é o mesmo que não alegar. Não procede, portanto, o argumento da recorrente de que é inexato o quantum devido. De acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A fiscalização previdenciária provou a existência do fato gerador, com base nas folhas de pagamento e registros contábeis, elaborados pela própria recorrente. Assim, a presente NFLD não foi lavrada apenas com base em presunções, a fiscalização demonstrou, por meio de documentos elaborados pela própria recorrente, a veracidade do argumento da existência dos fatos geradores. Quanto ao argumento de que deve ser oportunizada a dilação de prazo para juntada de novos documentos, não assiste razão à recorrente. À fl. 02 foi cientificado à empresa de que teria o prazo de 30 dias para apresentar defesa. Os prazos no processo administrativo Fl. 397DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 são peremptórios, não podendo ser alterado pelas partes, tampouco a administração pode alterálos para um determinado contribuinte. Assim, independentemente da quantidade de autuações lavradas, tal quantidade não tem o condão de alterar o prazo para apresentação de defesa administrativa. A prova documental tem que ser colacionada no prazo disponível para defesa. O prazo para apresentação de impugnação é ex lege, e justamente para não ferir o princípio da isonomia, o prazo de 30 dias deveria ser observado em qualquer caso. Sendo aplicada a lei da forma como prevista, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Não restou configurada a existência de caso fortuito ou força maior que impediam a juntada de documentos pela recorrente. Quanto ao argumento de que houve cerceamento de defesa, pois foi julgado o processo administrativo sem oportunizar à recorrente a produção de provas pelas quais expressamente protestou; não lhe assiste razão. A recorrente não tem que protestar pelas provas documentais no processo administrativo, mas sim tem que produzilas. Como as demonstrações das alegações são provas documentais, as mesmas tem que ser colacionadas na peça de defesa, no processo judicial tal procedimento não é distinto, pois cabe ao autor juntar na exordial as provas, assim como ao réu colacionálas na contestação, sob pena de preclusão. Pode a autoridade julgadora indeferir o pleito da recorrente, sem ferir o princípio da ampla defesa. Nesse sentido dispõe o Decreto n ° 70.235/1972 sobre o processo administrativo fiscal, nestas palavras: Art. 17. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligência, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Parágrafo único. O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome e o endereço do seu perito. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) (...) No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória já consta nos autos. E como já afirmado, caberia à parte adversa, no caso o contribuinte, a contra prova. Não é necessário que a fiscalização seja realizada dentro do estabelecimento do contribuinte. O procedimento pode ser realizado nas dependências da órgão fazendário. Nesse sentido é o posicionamento firmado pelo CARF por meio da Súmula n 6, nestas palavras: Fl. 398DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11634.000193/201049 Acórdão n.º 230201.187 S2C3T2 Fl. 366 5 Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. A recorrente não é imune à contribuição previdenciária, em função de não atender aos requisitos previstos no art. 55 da Lei n o. 8.212 em vigor na época dos fatos geradores. Não há Ato Declaratório reconhecendo o direito da entidade, tampouco a recorrente apresentou Certificado de Entidade Beneficente emitido pelo CNAS. A recorrente nunca formulou pedido de reconhecimento do direito à isenção, conforme informação à fl. 292. Ao contrário do afirmado pela recorrente, a compensação não foi realizada de acordo com a legislação. As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringese aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Não ocorreu recolhimento ou pagamento indevidos de contribuições previdenciárias, no presente caso. A Lei n ° 8.212/1991 está em perfeita consonância com o ordenamento jurídico, haja vista o próprio CTN dispor em seu artigo 97, VI, que as hipóteses de extinção do crédito tributário, entre essas a compensação e a dação em pagamento, são de estrita reserva legal. Assim, para verificar a possibilidade de compensação e de dação em pagamento há que ser remetido para os permissivos legais. Havendo disposição específica na legislação previdenciária, não há que ser aplicado o procedimento das Leis n °s 8.383/1991, 9.430/1996 e o Decreto n ° 2.138/1997. Conforme prevê o art. 89, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, somente pode ser compensado nas contribuições previdenciárias os valores referentes a contribuições previdenciárias. Não há previsão legal para que sejam aceitos outros créditos; não importa, portanto, o argumento de que a União seria avalista dos referidos títulos. Mesmo porque há vinculação específica das receitas de contribuições previdenciárias, conforme expressamente previsto no art. 167, inciso XI da Constituição Federal. Como a obrigação tributária é em pecúnia, o seu objeto necessariamente é moeda corrente, não há como o devedor querer forçar o credor, no caso a Previdência Social, aceitar coisa diversa de dinheiro, sem a devida permissão legal. Não bastasse, o crédito que o contribuinte alega não possui sequer natureza tributária, pois conforme entendimento do STF os empréstimos compulsórios somente atingiram a natureza de tributo com a Constituição Federal de 1988. Os empréstimos compulsórios criados antes da atual Constituição Federal, que é o presente caso, não são enquadrados como tributos. Fora da hipótese da Lei de Custeio da Seguridade Social, a compensação somente pode ser admitida em disposição expressa de lei, conforme previsão no art. 170 do CTN. Nesse sentido, surgiu a Lei n ° 9.711/1998, dispondo em seu art. 3º, nestas palavras: Art. 3º A União poderá promover leilões de certificados da dívida pública mobiliária federal a serem emitidos com a finalidade exclusiva de amortização ou quitação de dívidas previdenciárias, em permuta por títulos de responsabilidade do Fl. 399DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Tesouro Nacional ou por créditos decorrentes de securitização de obrigações da União. § 1º Fica o INSS autorizado a receber os títulos e créditos aceitos no leilão de certificados da dívida pública mobiliária federal, com base nas percentagens sobre os últimos preços unitários e demais características divulgadas pela portaria referida no § 5º deste artigo com a finalidade exclusiva de amortização ou quitação de dívidas previdenciárias, de empresa cujo débito total não ultrapasse R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). (...) § 5º Portaria conjunta dos Ministros de Estado da Fazenda e da Previdência e Assistência Social estabelecerá as condições para a efetivação de cada leilão previsto no caput, tais como: (...) Pelo exposto, a autorização para que se aceite tais títulos, referese somente aos relacionados a certificados de dívida pública (CDP) negociados em leilão, o que não ocorreu no presente caso. Além do que, os CDP possuem em sua origem uma finalidade específica: amortização ou quitação de dívidas previdenciárias. O Parecer de n ° 2390 é específico para aceitação de créditos decorrentes da Lei n ° 9.711, não podendo ser utilizado para aceitação de créditos de outras origens. Conforme explícito nos dispositivos legais, tratandose de crédito previdenciário, o contribuinte não pode compensar crédito de outra natureza, devendo submetêlo a leilão. Uma alternativa aberta ao contribuinte é prevista no § 5º do art. 3º da Lei n ° 9.711/1998, já transcrito. Nesse caso, deve dar em pagamento diretamente ao INSS, desde que: sejam respeitadas as condições impostas na Portaria conjunta que regulamentou o último leilão; e, o valor total da dívida da empresa não ultrapasse R$ 500.000,00. Além disso, o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.711/98 está restrito aos créditos previdenciários cujos fatos geradores tenham ocorrido até março de 1999. No presente caso, a recorrente deseja compensar fatos geradores após março de 1999. No caso em testilha, a recorrente não faz prova de que sua dívida total não ultrapassa o montante de R$ 500.000,00 com a autarquia previdenciária, além disso, o título que pretende utilizar na compensação não atende às exigências da Portaria MPAS/TN n.º 72, de 08 de fevereiro de 2002. Não havendo previsão legal para realizar a compensação pretendida, e considerando a indisponibilidade do tributo pela Administração, o pedido do contribuinte é juridicamente impossível. Pelo exposto, não merece acolhida a solicitação da recorrente. Ao contrário do afirmado pela recorrente, não há amparo judicial para realizar a compensação. Conforme previsto no art. 170A do CTN, corroborando o entendimento anterior do STJ (Súmula 212), é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, Fl. 400DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11634.000193/201049 Acórdão n.º 230201.187 S2C3T2 Fl. 367 7 objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Assim sendo, o direito alegado pela recorrente para realização da compensação surgiria apenas com o trânsito em julgado da decisão judicial que reconhecer o seu direito. Além do mais, a recorrente não é parte autora dos autos da ação ordinária que teria reconhecido o crédito. Não bastasse, a autuada sequer colacionou cópia da decisão judicial que garantiria o direito. Uma vez sendo devidas as contribuições, consequentemente também são devidos os juros e as multas. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 401DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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