Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,326)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,173)
- Primeira Turma Ordinária (16,159)
- Segunda Turma Ordinária d (15,885)
- Segunda Turma Ordinária d (14,478)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,482)
- Segunda Turma Ordinária d (12,422)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,076)
- Terceira Câmara (67,622)
- Segunda Câmara (56,324)
- Primeira Câmara (20,556)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,303)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,160)
- Segunda Seção de Julgamen (114,852)
- Primeira Seção de Julgame (76,802)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,969)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,885)
- HELCIO LAFETA REIS (3,799)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,763)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,592)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (15,531)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11065.721221/2011-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF. NORMAS PROCEDIMENTAIS. LEGITIMIDADE PARA O INÍCIO AÇÃO FISCAL. DESAMPARADO DO RESPECTIVO MPF. NULIDADE. VICIO MATERIAL.
O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF confere aos lançamentos e
autuações legitimidade decorrente dos motivos e informações nele
declarados. É também instrumento que tem regramento próprio de
observância vinculada, essencial para a submissão do sujeito passivo à fiscalização tributária.
O início de fiscalização sem a devida cobertura de Mandado de Procedimento Fiscal acarreta a nulidade, por vício material, ante a prejudicialidade absoluta do ato praticado pelo fiscal maculando, assim, todo o conteúdo do ato perpetrado pelo auditor fiscal.
Processo anulado.
Numero da decisão: 2301-002.956
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em anular o lançamento pela existência de vício material, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram pela ausência de vício.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201207
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF. NORMAS PROCEDIMENTAIS. LEGITIMIDADE PARA O INÍCIO AÇÃO FISCAL. DESAMPARADO DO RESPECTIVO MPF. NULIDADE. VICIO MATERIAL. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF confere aos lançamentos e autuações legitimidade decorrente dos motivos e informações nele declarados. É também instrumento que tem regramento próprio de observância vinculada, essencial para a submissão do sujeito passivo à fiscalização tributária. O início de fiscalização sem a devida cobertura de Mandado de Procedimento Fiscal acarreta a nulidade, por vício material, ante a prejudicialidade absoluta do ato praticado pelo fiscal maculando, assim, todo o conteúdo do ato perpetrado pelo auditor fiscal. Processo anulado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 11065.721221/2011-48
conteudo_id_s : 5218793
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 05 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2301-002.956
nome_arquivo_s : Decisao_11065721221201148.pdf
nome_relator_s : DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
nome_arquivo_pdf_s : 11065721221201148_5218793.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em anular o lançamento pela existência de vício material, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram pela ausência de vício.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
id : 4573436
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:59:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394759630848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1779; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 731 1 730 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.721221/201148 Recurso nº 932.209 Voluntário Acórdão nº 2301002.956 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de julho de 2012 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente EMBALAGEM CARTON PACK LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF. NORMAS PROCEDIMENTAIS. LEGITIMIDADE PARA O INÍCIO AÇÃO FISCAL. DESAMPARADO DO RESPECTIVO MPF. NULIDADE. VICIO MATERIAL. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF confere aos lançamentos e autuações legitimidade decorrente dos motivos e informações nele declarados. É também instrumento que tem regramento próprio de observância vinculada, essencial para a submissão do sujeito passivo à fiscalização tributária. O início de fiscalização sem a devida cobertura de Mandado de Procedimento Fiscal acarreta a nulidade, por vício material, ante a prejudicialidade absoluta do ato praticado pelo fiscal maculando, assim, todo o conteúdo do ato perpetrado pelo auditor fiscal. Processo anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em anular o lançamento pela existência de vício material, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Fl. 731DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram pela ausência de vício. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa Embalagem Carton Pack LTDA, em face do acórdão prolatado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre, que julgou improcedente a impugnação mantendo o crédito tributário, do período de 01/2009 a 07/2010. 2. Conforme o relatório fiscal (ff. 32/37) foram apurados por aferição indireta os créditos previdenciários (parte patronal e dos segurados empregados e contribuintes individuais) e contribuições de terceiros (FNDE, INCRA, SESI/SENAI e SEBRAE). O crédito foi constituído com base na remuneração paga devida ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais, informados nas folhas de pagamento e Guias de Recolhimento e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. 3. A fiscalização destaca que os segurados constantes nas folhas de pagamento da empresa Incapel Indústria de Caixas de Papelão LTDA, que presta suposto serviço de terceirização para a recorrente, foram considerados empregados e contribuintes individuais da empresa Carton Pack, sendo constatado que as empresas envolvidas possuem administração única consubstanciada nos membros da mesma família, bem como compartilham do mesmo espaço físico e atendimento telefônico. Assim, a base de lançamento foi derivada da tributação de parcelas devidas ao INSS em face da recorrente utilizarse de terceiras empresas que realizavam parte da industrialização. 4. O acórdão vergastado manteve o débito lançado e restou ementado nos termos da ementa que ora transcrevo: “AI Debcad nº 37.304.4550 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. AI Debcad nº 37.304.4542 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11065.721221/201148 Acórdão n.º 2301002.956 S2C3T1 Fl. 732 3 AI Debcad nº 37.304.4569 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. SIMULAÇÃO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. RECOLHIMENTOS. MULTA QUALIFICADA. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O Auto de Infração que observa o regramento administrativo próprio à espécie, garante o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, não gerando a nulidade do lançamento. O lançamento é efetuado e revisto de ofício quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresa interposta, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. Os recolhimentos efetuados por uma empresa não aproveita outra. Cabível a aplicação da multa qualificada quando constatado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. A autoridade julgadora de primeira instância poderá indeferir a perícia solicitada pelo sujeito passivo, quando entender que tal medida é prescindível. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (ff. 617/618) 5. Buscando reverter a decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese: a) preliminarmente, alega que a autoridade lançadora não demonstrou a presença dos elementos capazes de justificar o lançamento, e nem indicou os documentos que suportaram as conclusões tomadas, omissão essa que acarretaria postergação do princípio da ampla defesa e do contraditório; b) afirma categoricamente que houve violação ao direito de defesa, porque a Incapel, a empresa terceirizada, não foi intimada a se manifestar, sendo parte necessária no feito; c) entende que no presente caso, o sujeito passivo foi indicado de forma incorreta, pois, em realidade, caso seja mantido o lançamento, eventual procedimento realizado contrariamente à lei deveria ser imputado à Incapel; Fl. 733DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 d) no mérito, declara que as empresas objeto da análise são distintas, pois foram criadas em momentos diferentes e que o fato de um dos sócios da empresa Incapel ser casada com um sócio da empresa recorrente não implica em irregularidade; e) ressalta que não há irregularidade no fato das empresas que possuem atividade correlata trabalharem juntas, pois cada uma possui seus funcionários e que às informações contidas nas GFIPs e notas fiscais de ambas as empresas na qual indica o mesmo endereço não é prova para suportar o entendimento da fiscalização que as empresas são contíguas. Afirma também que não houve planejamento tributário e nem simulação; f) aduz ainda que, não ocorreu o desmembramento de uma empresa visando a redução da carga tributária, sendo que houve a união de esforços de duas empresas visando maximizar seus procedimentos; g) afirma que não omitiu qualquer informação em sua folha de pagamento e que o lançamento não traz as provas do vínculo de emprego, através da comprovação da pessoalidade e subordinação direta dos empregados da empresa terceirizada, conforme dispõe o enunciado nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho – TST; h) contesta que não incorreu em qualquer das figuras que caracteriza a sonegação fiscal; que não praticou qualquer ato omisso ou doloso, posto que agiu conforme a lei, apresentando ao INSS todas as informações exigidas em GFIP e quitando os tributos devidos; i) afirma o direito de compensação dos valores pagos pela empresa Incapel, já que a fiscalização entende que os funcionários da empresa terceirizada são na verdade empregados da recorrente e a dedução do salário família e maternidade também pagos pela terceira empresa; j) aduz que, como não houve a falta de recolhimento das contribuições sociais previdenciárias, e não há tributo a ser lançado, diz que a única multa passível de lançamento é a prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91; l) requer a realização de perícia para demonstrar que a empresa terceirizada, Incapel, é independente e apresenta quesitos para serem respondidos pelo fisco, conforme (f. 714) do recurso voluntário. 6. Sem contrarrazões por parte do Fisco, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 734DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11065.721221/201148 Acórdão n.º 2301002.956 S2C3T1 Fl. 733 5 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DO INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO AUSÊNCIA DE MPF 2. Inicialmente, enfrento a questão da regularidade do procedimento fiscalizatório, uma vez que identifico que o auditor fiscal iniciou a fiscalização na empresa, inclusive colhendo informações e dados fiscais, sem, contudo, estar respaldado pelo devido Mandado de Procedimento Fiscal. Registro ainda que a matéria deve ser conhecida de ofício por se tratar de ato procedimental essencial a fiscalização. 3. As provas carreadas nos autos demonstram que o auditor fiscal apresentou o MPF n.º 10.1.07.00.201001627, datado de 18/08/2010, e recebido pelo contribuinte em 19/08/2010. Em seguida apresentou o MPF n.º 10.1.07.00201001621, datado de 21/10/2010, e recebido pela empresa em 22/10/2010. 4. Ocorre que o MPF “01621” foi emitido somente em 21/10/2010, ao invés de 05/08/2010, como informado no documento fiscal e nos termos do relatório fiscal e o MPF “01627” foi exarado em 18/08/2010. De maneira que o lapso temporal de quase duas semanas entre as datas de início da fiscalização e a emissão dos mandatos determina que houve irregularidade na atuação fiscal. Reforça meu entendimento o cotejamento entre as datas apostas nos documentos e a informação trazida pelo próprio auditor (f. 32): “Foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 10.1.07.00201001621, em 05/08/2010, nos termos da Portaria nº 11.371, de 12/12/2007, determinando esta ação fiscal”. 5. A legislação, salvo exceções, exige a expedição regular de Mandado de Procedimento Fiscal para a instauração e execução de procedimento fiscalizatório. Esse é o teor dos dispositivos que tratam da matéria: “Portaria nº 11.371/2007: Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela RFB serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF), e no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD). “Decreto nº 3.724/2001: Fl. 735DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil”. “Decreto 70.235/1972: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos”. 6. Ainda segundo a mesma Portaria, entendese por fiscalização as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo (art. 3º) . Com isso, resta demonstrado que a fiscalização iniciou o procedimento fiscalizatório sem a cobertura do respectivo MPF, colhendo, inclusive, informações essenciais ao lançamento fiscal, conforme se descreve do lançamento fiscal: “Em visita a filial 01Cruzeiro do sul, a Incapel, pudemos observar o que segue: o endereço das duas empresas é o mesmo, Travessa Kolling nº 60. – única entrada e saída para ambas empresas. – dois relógios ponto, lado a lado na única entrada das empresas. – refeitório único. – única sala para atendimento onde fui recepcionado pela empregada Tamires, registrada na Incapel. Solicitei a Tamires permissão para conhecer o parque fabril, esta ligou para Sra. Marisa (sócia administradora da Incapel) solicitando a permissão para o meu pedido, que foi negado. Pedi então para falar ao telefone com a Sra. Marisa e esclareci que era apenas visita de rotina, ao que fui autorizado acompanhado do Sr. Jair (Incapel). Passamos a visita confirmando entrada única, ambiente de trabalho único, questionamos ao Sr. Jair que empregados eram da Incapel ou Carton Pack, ao que me respondeu que não sabia identificar se eram da Incapel ou da Carton Pack, e realmente não tínhamos como identificar onde iniciava ou terminava esta ou àquela empresa. – nas duas oportunidades de diligência na filial 01(Cruzeiro do Sul) e Incapel, não encontramos a sócia administradora da Incapel Sra. Marisa. – as empresas estão situadas em um mesmo espaço físico (prédio, terreno)”. 7. Reconheço que o prazo para emissão do MPF pode ser iniciado posteriormente a ação fiscal, excepcionalmente, nos casos previstos no artigo 5º da Portaria 11.371 quando houver a demonstração de “flagrante constatação de contrabando, descaminho ou qualquer outra prática de infração à legislação tributária ou previdenciária, em que o retardo do início do procedimento fiscal coloque em risco os interesses da Fazenda Nacional, pela possibilidade de subtração de prova, o AFRFB deverá iniciar imediatamente o procedimento Fl. 736DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11065.721221/201148 Acórdão n.º 2301002.956 S2C3T1 Fl. 734 7 fiscal, e, no prazo de cinco dias, contado da data do início do mesmo, será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Especial (MPFE), do qual será dada ciência ao sujeito passivo”. 8. Entretanto, a fiscalização não traz qualquer informação no sentido de enquadrar a situação do contribuinte à exceção prevista na norma, de tal forma que o procedimento adotado pelo agente do fisco contraria as regras legais estabelecidas para corroborar o seu trabalho. 9. O prejuízo para o contribuinte é patente, haja vista que foi obrigado a prestar informações e apresentar dados fiscais contrariamente ao que dispõe as normas. Além do mais estamos imbuídos em observar o controle de legalidade dos atos administrativos. Dentro do estado de Direito e do que dispõe o artigo 142 do CTN admitese que o representante do fisco possa adentrar nas empresas para executar o seu trabalho de fiscalização, contudo, deve estar coberto pelo respectivo MPF, sob pena de estabelecer verdadeira desordem em nosso sistema jurídico. 10. Vale ressaltar que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF confere aos lançamentos e autuações legitimidade de que decorreram dos motivos e informações nele declarados sendo, ainda, instrumento de controle da atividade de fiscalização, o que efetivamente não se observa no presente caso. 11. Outra causa de nulidade que deixo registrada, no meu entender, é a ausência de notificação da empresa Incapel, preterindo o seu direito da ampla defesa e do contraditório, considerando que a referida empresa sofreu efetivamente os efeitos do lançamento com o enquadramento de seus empregados como se fossem da empresa Carton Pack. 12. Havendo a desconsideração de relação jurídica, a não intimação da empresa Incapel configurase como afronta às regras do lançamento fiscal, notadamente porque estamos a falar de empresa optante pelo SIMPLES, portanto com regime próprio de tributação. Ausente esse procedimento o fisco violou o direito da ampla defesa e do contraditório, no que resulta na declaração de nulidade do ato praticado. 13. Feita estas considerações e com base no art. 59 do Decreto 70.235/1972, voto por anular o lançamento fiscal, por vício material, ante a prejudicialidade absoluta do ato praticado pelo fiscal maculando, assim, todo o conteúdo do ato perpetrado pelo auditor fiscal. CONCLUSÃO 14. Dado o exposto, voto por ANULAR o processo, por vício material, nos termos acima delineados. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 737DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 Fl. 738DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 13688.000159/2004-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Mar 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2101-000.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
___________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Raimundo Tosta Santos Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201302
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Sat Mar 16 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13688.000159/2004-26
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5199938
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2101-000.109
nome_arquivo_s : Decisao_13688000159200426.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 13688000159200426_5199938.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório
dt_sessao_tdt : Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
id : 4538327
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394762776576
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1815; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 84 1 83 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13688.000159/200426 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2101000.109 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 20 de fevereiro de 2013 Assunto Diligência Recorrente JOSÉ GUSTAVO ROSA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de Recurso Voluntário que pretende a reforma do Acórdão nº 12.274 (fl. 39), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento (fl. 03), reduzindo a multa por atraso na entrega da DITR/1999, reduzindose o seu valor de R$3.090,36 para R$2.169,88. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados pelo contribuinte foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 88 .0 00 15 9/ 20 04 -2 6 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 3/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 13688.000159/200426 Resolução nº 2101000.109 S2C1T1 Fl. 85 2 Contra o contribuinte interessado foi emitido o auto de infração eletrônico, doc. de fls. 03, intimandoo a recolher o crédito tributário de R$ 3.090,36, a titulo de multa por atraso na entrega da declaração (DIAC/DIAT) do exercício de 1999, incidente sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Claro e Bainha" (NIRF 6.139.7520), localizado no município de Vazante MG. Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 01/02) em 20/05/2004, alegando, em síntese, que o valor utilizado pela Fazenda como base de cálculo da multa em questão foi objeto de recurso administrativo. Portanto, diante do exposto, requer: a) a autuação da presente impugnação em apenso ao procedimento n° 10675.003565/200311, pela correlação entre os dois processos administrativos; b) a suspensão da obrigatoriedade do pagamento da multa objeto do Auto de Infração n° 12/0610903/1451543, até que se ultime o recurso que contesta o valor do ITR apurado pela Receita Federal referente ao exercício de 1999; c) e, in fine, que o cálculo da multa pelo atraso na entrega da declaração tenha como base de cálculo o ITR apurado em revisão administrativa. Na oportunidade, anexou os documentos/extratos de fls. 03 a 07, 21 e 23. Em seu apelo ao CARF a contribuinte requer a suspensão da obrigatoriedade do pagamento da multa objeto do processo, até que se ultime o recurso que contesta o valor do ITR/1999, bem como, para que possa ser calculada a multa, tendo como base de cálculo o valor a ser apurado, de acordo com os preceitos legais. O julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução de nº 303 01.340 (fl. 60). É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, cumpre ressaltar que a jurisprudência deste CARF sedimentou o entendimento de que a base de cálculo da multa por atraso é o valor do imposto devido apurado na declaração intempestiva. A apresentação desta é que ensejou a aplicação da penalidade pecuniária em comento. Confirase o que dispõe os artigos 7º e 9º da Lei nº 9.393, de 1996: Art. 7º No caso de apresentação espontânea do DIAC fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, será cobrada multa de 1% (um por cento) ao mês ou fração sobre o imposto devido não inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais), sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. Art. 9º A entrega do DIAT fora do prazo estabelecido sujeitará o contribuinte à multa de que trata o art. 7º, sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 3/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 13688.000159/200426 Resolução nº 2101000.109 S2C1T1 Fl. 86 3 Neste sentido, confirase a ementa do Acórdão nº 920200.280, proferido pela 2ª Turma da CSRF deste Conselho, em votação unânime, realizada em 22 de setembro de 2009 (processo de nº 10930.001545/200517): Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIAC. BASE DE CÁLCULO. VALOR DECLARADO. Por falta de previsão legal para a imposição de multa por atraso na entrega da DIAC sobre o valor lançado de ofício, tal multa tem por base de cálculo o valor do ITR devido, informado na declaração. Lançamento Especial Provido. De fato, as alterações efetuadas pela fiscalização na DITR original, no exercício da sua atividade homologatória, em nada se relacionada com a infração apontada no lançamento em exame, até porque o imposto lá apurado está sujeito à multa de ofício de 75% (setenta e cinco) por cento. Não se pode classificar este processo – que trata da exigência de penalidade pecuniária por descumprimento de obrigação acessória – como reflexo daquele, a exigir a reunião dos processos para julgamento simultâneo, pois não dependem dos mesmos elementos de prova. Em face ao exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência, para a juntada aos autos da declaração intempestiva do ITR/1999, apresentada pelo contribuinte, ou para informação do imposto devido nela declarado, tendo em vista que neste processo somente consta a declaração de acerto efetuada pela fiscalização (fl. 15). (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 86DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 3/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000804/2009-61
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11516.000804/2009-61
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5198168
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3801-000.430
nome_arquivo_s : Decisao_11516000804200961.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : FLAVIO DE CASTRO PONTES
nome_arquivo_pdf_s : 11516000804200961_5198168.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
id : 4523377
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394768019456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1224; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.000804/200961 Recurso nº 1Voluntário Resolução nº 3801000.430 – 1ª Turma Especial Data 31 de janeiro de 2013 Assunto Solicitação de diligência Recorrente COOPERATIVA AGROPECUÁRIA DE JACINTO MACHADO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 00 80 4/ 20 09 -6 1 Fl. 479DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000804/200961 Resolução nº 3801000.430 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento – PER de créditos da Cofins de incidência nãocumulativa apurados no mercado interno no primeiro trimestre do anocalendário 2006. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis – DRF/FNS proferiu Despacho Decisório no qual indeferiu o Pedido de Ressarcimento, em vista de que, apesar de reiteradamente intimada, a contribuinte não apresentou arquivos digitais representativos dos documentos fiscais, previstos na Instrução Normativa SRF nº 86/2011 e no Ato Declaratório Executivo Cofis ADE n° 15/2001 passíveis de aproveitamento. Fundamenta a autoridade fiscal que as inconsistências nos arquivos digitais e nos arquivos do SINCO Notas Fiscais, principalmente em relação aos créditos e débitos relativos aos itens das notas fiscais, não permitiram a corroboração dos valores informados nos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais DACON, tornando qualquer verificação do crédito pleiteado igualmente inconsistente. Inconformada com o indeferimento do pedido, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade na qual alega que: conforme despacho decisório houve somente alguns arquivos digitais apresentados com supostas inconsistências; em atenção às diversas intimações, apresentou inúmeras vezes os arquivos digitais requisitados, elaborados de acordo com os parâmetros estipulados pelo ADE Cofins nº 15/2001 e seus anexos; os arquivos digitais apresentados foram devidamente validados mediante Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais – SVA, bem como passados pelo SINCO, não contendo nenhuma ressalva ou problema; os arquivos digitais abriram de forma integral e sem apresentar nenhuma falha ou inconsistência nos computadores da empresa, indicando alguma incompatibilidade com os equipamentos utilizados pelo agente fiscalizador; apresentou todas as informações requisitadas, estando os arquivos devidamente validados e respeitando os parâmetros do ADE nº 15/01, assim, caberia à autoridade fiscal procurar verificar se seus equipamentos se encontram atualizados e compatíveis, ou ainda, requisitar os arquivos digitais em outros formatos, ou mesmo a apresentação dos documentos físicos para verificação do crédito; Fl. 480DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000804/200961 Resolução nº 3801000.430 S3TE01 Fl. 4 3 o ADE nº 15/01 e a Instrução Normativa nº 86/01 não informam qual a extensão do arquivo a ser apresentado ou mesmo a versão do programa; a falta de indicação da classificação das mercadorias em alguns arquivos digitais não poderia representar óbice ao reconhecimento dos créditos requeridos, uma vez que o direito de crédito está constitucional e legalmente assegurado, não podendo ser negado quando configuradas as hipóteses previstas na legislação e muito menos ser preterido em função de supostas inconsistências na visualização de arquivos digitais validamente apresentados; por força do princípio da verdade material, se os créditos existem, a autoridade fiscal não pode se furtar em reconhecêlos, uma vez que os documentos apresentados comprovam de forma cabal a existência dos créditos requeridos. E conclui: Lembrese: todas as informações necessárias para a verificação da existência dos créditos requeridos pela empresa estavam à disposição do agente fiscalizador. Problemas de compatibilidade entre alguns dos arquivos digitais apresentados pela empresa e os equipamentos da fiscalização não poderiam servir de óbice ao reconhecimento dos créditos requeridos, especialmente porque a cooperativa dispõe de todos os documentos físicos (livros devidamente escriturados, notas fiscais, entre outros) para a verificação dos créditos. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário com as seguintes alegações: a decisão de primeira instância possui grave contradição em suas próprias conclusões; a recorrente apresentou vários arquivos magnéticos em resposta às intimações efetuadas; Fl. 481DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000804/200961 Resolução nº 3801000.430 S3TE01 Fl. 5 4 apenas alguns desses arquivos apresentaram pequenas inconsistências, em grande parte geradas por conflito entre os formatos dos arquivos; se apenas parte dos arquivos não pode ser verificada por apresentar inconsistências (geradas apenas por erros de leitura dos arquivos), seria indispensável a realização de diligência para verificar tais informações; somente em questões pontuais a fiscalização ficou em dúvida; é desproporcional e desarrazoado indeferir a totalidade do crédito quando apenas uma pequena parte suscitou dúvidas à fiscalização; a escrita fiscal da recorrente está e sempre esteve inteiramente à disposição da fiscalização, e possui todas as informações necessárias a comprovação do crédito requerido; quanto à suposta impossibilidade de análise dos arquivos magnéticos, por estes estarem supostamente em desacordo com a legislação, a decisão de primeira instância deixou de levar em consideração os ditames do próprio art. 65 da IN SRF 900/08; cumpriu rigorosamente o requisito formal estabelecido no art. 65 da IN SRF 900/08, uma vez que todos os arquivos digitais apresentados forma validados através do SVA, e demonstram de forma clara e precisa a origem do crédito requerido; o direito a crédito dos contribuintes, especificamente no caso dos tributos nãocumulativos, é garantido constitucionalmente e legalmente; junta ao presente recurso dois DVDS que contém todas as informações necessárias para a verificação do crédito, nas extensões específicas requeridas pela fiscalização; o indeferimento do Pedido de Restituição não é cabível quando o motivo é a não apresentação de documentos requeridos, ensejando apenas o arquivamento do pedido nos termos do art. 40 da Lei 9.784/99 e no art. 103 do Decreto 7.574/11; o arquivamento do Pedido de Ressarcimento até o cumprimento das exigências fiscais é medida que se impõe a Administração, por força de Lei. Colaciona jurisprudência administrativa. Por fim, requereu que o recurso fosse conhecido e provido para: a) reconhecer o crédito pleiteado no presente pedido de ressarcimento; b) seja determinada a realização de diligência para verificar a existência do crédito. Em complemento as razões do recurso voluntário, a recorrente apresentou petição com os seguintes argumentos: Fl. 482DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000804/200961 Resolução nº 3801000.430 S3TE01 Fl. 6 5 os prazos constantes das intimações fiscais para a apresentação dos documentos não permitiram à empresa a conversão de todos os arquivos digitais que comprovam os créditos para o formato exigido pelo agente fiscalizador; a COREC determinou que o prazo hábil para a apresentação dos arquivos magnéticos deve ser de 110 dias, nos termos do Ato Declaratório Executivo nº 03/2012, publicado no DOU em 15/08/2012; sendo norma procedimental que beneficia a empresa, deve ser aplicada retroativamente em respeito ao art. 106, II, “b” do CTN; consequentemente, os documentos magnéticos para a comprovação dos créditos poderiam ser apresentados em até 110 dias. Por último, requereu que fosse aplicado o ADE 3/2012 ao presente processo. É o relatório. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000804/200961 Resolução nº 3801000.430 S3TE01 Fl. 7 6 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Tenhase presente que após a Emenda Constitucional 42/2003 a não cumulatividade das contribuições PIS e Cofins foi assegurada constitucionalmente. As Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com as alterações posteriores, disciplinam o regime da nãocumulatividade das contribuições PIS e Cofins, respectivamente. Para o exercício da nãocumulatividade das contribuições essas leis asseguram ao sujeito passivo o direito de descontar créditos sobre custos e despesas enumerados nos respectivos atos legais citados. A Instrução Normativa RFB nº 900, de30 de dezembro de 2008, estabelecia: Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente após o encerramento do trimestrecalendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: I às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; ou II às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou nãoincidência. (...) Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. (...) (grifouse) Posto, em tese, o direito do contribuinte, passase ao exame da situação fática probatória. Do exame dos autos administrativos, constatase que por diversas vezes a recorrente foi intimada a comprovar o seu direito creditório. Em atendimento às diversas Fl. 484DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000804/200961 Resolução nº 3801000.430 S3TE01 Fl. 8 7 intimações apresentou uma série de arquivos magnéticos, conforme recibo de entrega de arquivos digitais. Por seu turno, a autoridade fiscal ao examinar os arquivos digitais identificou uma série de inconsistência e/ou formato incompatíveis com o ADE COFIS 15/2001. É fato que a recorrente sempre atendeu as intimações da autoridade fiscal, ainda que de forma deficiente, situação admitida em seu recurso voluntário. O indeferimento do pedido de ressarcimento com a justificativa de inconsistências nos arquivos digitais apresenta se desproporcional ao direito da contribuinte. Convém ressaltar que eventuais erros na apresentação dos arquivos digitais não são elementos suficientes para afastar o direito de ressarcimento/compensação previsto na lei de regência, pois o Estado não deve se enriquecer ilicitamente. A questão relevante é que a recorrente de forma sistemática procurou comprovar o seu direito creditório, inclusive a fiscalização admitiu que parte dos arquivos digitais estavam corretos. Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto da informação fiscal: “Na ocasião foi lavrado o Termo de Diligência Fiscal, Solicitação de Documentos (fls. 305/306), tendo o interessado disponibilizado a maior parte dos documentos solicitados. (grifouse) Além do mais, apresentou novos arquivos digitais supostamente sem inconsistências, conforme consta em seu recurso voluntário. De sorte que não se compartilha com a tese de indeferimento do ressarcimento por eventuais inconsistências nos arquivos magnéticos, mormente quando ficou comprovado que a recorrente reiteradamente procurou solucionálas. Quanto ao argumento de que o prazo hábil para a apresentação dos arquivos magnéticos deve ser de 110 dias, nos termos do Ato Declaratório Executivo nº 03/2012, publicado no DOU em 15/08/2012, não assiste razão à recorrente. Este ato Declaratório foi emitido para o atendimento de uma situação específica, qual seja, o atendimento de intimações eletrônicas. Assim, este dispositivo legal não produz quaisquer efeitos em relação às intimações das autoridades fiscais, não eletrônicas. Ademais, não se trata de norma procedimental, pois alcança um universo específico de contribuintes, logo não se aplica o princípio da retroatividade benigna disposto no art. 106, inciso II, alínea “b”, do Código Tributário Nacional. Destarte, na solução deste litígio adotase como prazo para a apresentação dos arquivos digitais e sistemas utilizados por parte da recorrente o disposto no art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001 (DOU de 23/10/2001, pág. 18), in verbis: Art. 2o As pessoas jurídicas especificadas no art. 1o, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras.(grifouse) Fl. 485DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000804/200961 Resolução nº 3801000.430 S3TE01 Fl. 9 8 Com efeito, é incontroverso o bom direito da recorrente, visto que esse litígio administrativo tem como objeto principal o ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep ou da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar os créditos da contribuição. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) receba os arquivos apresentados no recurso voluntário, efetue sua autenticação e validação nos sistemas da RFB; b) caso constate inconsistências nos arquivos magnéticos, intime o contribuinte para no prazo de 20 (vinte) dias a solucionálas; c) a partir dos arquivos magnéticos e com base na escrituração fiscal e contábil, não havendo inconsistências impeditivas, apure eventual valor passível de ressarcimento com base na legislação de regência; d) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de vinte dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 486DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100320/2009-77
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitar-se a existência de um produto final na ausência do insumo. Para uma indústria calçadista, não constituem insumos assistência médica e odontológica, comissões sobre vendas, tratamento de resíduos industriais, transporte de pessoal e pagamentos realizados a empresas de refeições coletivas, despesas de exportação e manutenção de software, material empregado na limpeza, uniformes e equipamentos de proteção individual utilizados pelos funcionários, valores gastos com propaganda, publicidade e anúncios, e formação profissional dos funcionários.
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. VEDAÇÃO.
Há expressa vedação legal à correção do montante a ser ressarcido a título de COFINS, nas hipóteses referidas no art. 13 da Lei no 10.833/2003.
Numero da decisão: 3403-001.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitar-se a existência de um produto final na ausência do insumo. Para uma indústria calçadista, não constituem insumos assistência médica e odontológica, comissões sobre vendas, tratamento de resíduos industriais, transporte de pessoal e pagamentos realizados a empresas de refeições coletivas, despesas de exportação e manutenção de software, material empregado na limpeza, uniformes e equipamentos de proteção individual utilizados pelos funcionários, valores gastos com propaganda, publicidade e anúncios, e formação profissional dos funcionários. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. VEDAÇÃO. Há expressa vedação legal à correção do montante a ser ressarcido a título de COFINS, nas hipóteses referidas no art. 13 da Lei no 10.833/2003.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11065.100320/2009-77
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5210133
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3403-001.895
nome_arquivo_s : Decisao_11065100320200977.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 11065100320200977_5210133.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Rosaldo Trevisan - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
id : 4556715
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394781650944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2153; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 197 1 196 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.100320/200977 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403001.895 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2013 Matéria COFINS Recorrente INDUSTRIA DE CALÇADOS WIRTH LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitarse a existência de um produto final na ausência do insumo. Para uma indústria calçadista, não constituem insumos assistência médica e odontológica, comissões sobre vendas, tratamento de resíduos industriais, transporte de pessoal e pagamentos realizados a empresas de refeições coletivas, despesas de exportação e manutenção de software, material empregado na limpeza, uniformes e equipamentos de proteção individual utilizados pelos funcionários, valores gastos com propaganda, publicidade e anúncios, e formação profissional dos funcionários. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. VEDAÇÃO. Há expressa vedação legal à correção do montante a ser ressarcido a título de COFINS, nas hipóteses referidas no art. 13 da Lei no 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 03 20 /2 00 9- 77 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre pedido de ressarcimento (fls. 11 a 5) relativo a saldo credor da COFINS nãocumulativa apurado no período de 1/1 a 31/3/2009, no valor de R$ 1.099.580,30. Ao analisar a solicitação (fls. 115 a 118), a unidade local efetua glosa parcial (R$ 95.555,47), referente a “outras operações com direito a crédito” (detalhadas pelo contribuinte como assistência médica e farmacêutica a empregados, benefícios a empregados, transporte próprio de funcionários, assistência odontológica, programa de alimentação ao trabalhador, materiais de limpeza higiene e proteção, gastos com veículos, tratamento de resíduos industriais, serviços de terceiros com exportação, comissões sobre venda no mercado externo, comissões sobre venda no mercado interno, despesas com feiras e eventos, propaganda e publicidade, serviços de terceiros análise de situação cadastral, e honorários profissionais de PJ). Cientificada da decisão da unidade local (em 17/11/2009 fl. 130), a empresa apresenta manifestação de inconformidade (em 14/12/2009 fls. 131 a 145). Na peça apresentada, discorda da glosa efetuada, alegando que o conceito de insumo “engloba todo o arcabouço de mercadorias e atividades intrínsecas ao ramo de atividade”, tais como as comissões (por representação comercial), depesas de marketing, serviços de consultoria, serviços de limpeza, vigilância, assistência médica e odontológica, transporte de pessoal, pagamentos a empresas de refeição coletiva, tratamento de resíduos industriais, despesas de exportação e manutenção de software, equipamento de limpeza e de proteção, uniformes, formação profissional dos funcionários, etc. Em suma, entende por insumo “todas as despesas necessárias à consecução do objeto social da empresa”, desde que tenha havido incidência das contribuições na etapa anterior, opondose ao conceito de insumo indicado na IN SRF no 247/2002 (com as alterações da IN SRF no 358/2003), que entende violar o princípio constitucional (art. 195, § 12) da nãocumulatividade. Solicita, por fim, que seja computada a atualização pela Taxa SELIC do mês de apuração do pedido até o efetivo ressarcimento. Em 17/3/2011, no julgamento de primeira instância (fls. 173 a 178), acorda se que “existe vedação legal ao creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de PIS e COFINS”. Em relação à COFINS, a possibilidade de creditamento restringese aos casos previstos no art. 3o da Lei no 10.833/2003, e se encontra regulada pela IN SRF no 404/2004. Entre as despesas glosadas não se encontrou nenhuma que pudesse ser enquadrada como insumo nesse contexto. No que se refere à correção, informouse que é expressamente vedada por dispositivo legal para a COFINS (art. 13 da Lei no 10.833/2003). 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 198DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11065.100320/200977 Acórdão n.º 3403001.895 S3C4T3 Fl. 198 3 Cientificada da decisão em 4/5/2011 (fl. 180), a empresa apresenta recurso voluntário em 13/5/2011 (fls. 181 a 194), basicamente reiterando os argumentos expostos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. As matérias controversas em sede de Recurso Voluntário resumemse à inclusão ou não das despesas glosadas no conceito de insumos, e à (im)possibilidade de correção do montante a ser ressarcido pela Taxa SELIC. Do conceito de insumo O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com alicerce no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR. Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois o conceito expresso na legislação do IPI é demasiadamente restrito, e o encontrado na legislação do IR é demasiadamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegase à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.833/2003, que trata da COFINS nãocumulativa, explicita em seu art. 3o que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, (...)” (grifo nosso) Fl. 199DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 A mera leitura do dispositivo legal já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Poderseia aí argumentar que a lei desbordou do comando constitucional referente à nãocumulatividade, que asseguraria o creditamento a qualquer despesa necessária à consecução do objeto social da empresa, como parece sugerir a recorrente. Contudo, este tribunal carece de competência para levar adiante a discussão, em face da Súmula CARF no 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Há, assim, que se acolher a argumentação de que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril. Não poderia cogitarse a existência de um produto final na ausência do insumo. A recorrente é empresa dedicada à fabricação de calçados. Não há dúvida, por exemplo, ao afirmarse que a matériaprima utilizada na confecção dos calçados (v.g. o couro) constitui um insumo. Contudo, entre a zona de certeza positiva e a de certeza negativa (uma cesta de natal entregue pela empresa a um funcionário certamente não constitui um insumo) existe uma zona de “penumbra” (GENARO CARRIÓ2), na qual só a análise do caso concreto, das atividades da empresa e do processo produtivo permitirá um enquadramento mais preciso. A glosa (mantida pelo julgador a quo) é efetuada em relação às seguintes despesas, detalhadas pela própria contribuinte no curso da fiscalização (fls. 133/134): “Assistência médica e farmacêutica a empregados, benefícios a empregados, transporte próprio de funcionários, assistência odontológica, programa de alimentação ao trabalhador, materiais de limpeza higiene e proteção, gastos com veículos, tratamento de resíduos industriais, serviços de terceiros com exportação, comissões sobre venda no mercado externo, comissões sobre venda no mercado interno, despesas com feiras e eventos, propaganda e publicidade, serviços de terceiros (análise de situação cadastral Equifax), honorários profissionais PJ”. No recurso voluntário, argumentase que os seguintes custos são intrinsecamente necessários à atividade da empresa (alertandose que a lista é exemplificativa): “assistência médica e odontológica” (para promover a saúde física dos funcionários), “comissões s/ vendas” (para pessoas jurídicas que praticam a intermediação nas vendas), “tratamento de resíduos industriais” (por obrigação legal), “transporte de pessoal e pagamentos realizados a empresas de refeições coletivas” (pagos a empresas credenciadas perante o programa de alimentação ao trabalhador, para fornecer refeições coletivas aos funcionários), “despesas de exportação e manutenção de software” (a empresas intermediárias na exportação e empresas que prestam manutenção a software). A recorrente ainda relaciona outras despesas que enquadra como insumos (o material empregado na limpeza, os uniformes e equipamentos de proteção individual utilizados pelos funcionários, os valores gastos com propaganda, publicidade e anúncios, formação profissional dos funcionários, etc.), poupandose elaborar relação exaustiva por entender como insumos “todas as despesas necessárias à consecução do objeto social da empresa”. Não é preciso muito esforço para perceber que tal conceito não se coaduna com a disposição legal que trata da matéria. Nas relações não exaustivas apresentadas pela 2 In Notas Sobre Derecho y Lenguaje. 5 ed. Buenos Aires: AbeledoPerrot, 2006, p. 55 e ss. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11065.100320/200977 Acórdão n.º 3403001.895 S3C4T3 Fl. 199 5 recorrente encontramse somente zonas de certeza negativa em relação à lei que rege a matéria. Sequer se visualiza “zona de penumbra”. Todas as atividades relacionadas podem até ter alguma relação com o objeto social da empresa (fabricação de calçados), mas não com o processo produtivo/fabril. Não há, assim, como acatar a argumentação da recorrente, no sentido de um alargamento do conceito de insumos que transbordaria o dispositivo legal que rege a matéria. Do montante a ser ressarcido Pleiteia ainda a recorrente a correção pela Taxa SELIC do montante a ser eventualmente ressarcido. Agrega em seu favor precedentes administrativos dos anos de 2002 e 2003. Há que se destacar, entretanto, que há expressa vedação legal à correção, introduzida pelo art. 13 da Lei no 10.833/2003: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores”. (grifo nosso) É exatamente por existir tal vedação legal que não foi encontrada jurisprudência posterior a 2003. Inadmissível, assim, a argumentação da recorrente nesse tópico. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado, mantendo a decisão de piso. Rosaldo Trevisan Fl. 201DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 10510.721649/2011-22
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2010 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). MULTA REGULAMENTAR. ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. Aplica-se a penalidade disposta no artigo 7° da Lei 10.426/2002, sempre que o cumprimento da obrigação acessória se perfizer fora dos prazos determinados em lei.
Numero da decisão: 1803-001.414
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2010 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). MULTA REGULAMENTAR. ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. Aplica-se a penalidade disposta no artigo 7° da Lei 10.426/2002, sempre que o cumprimento da obrigação acessória se perfizer fora dos prazos determinados em lei.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10510.721649/2011-22
conteudo_id_s : 5217055
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1803-001.414
nome_arquivo_s : Decisao_10510721649201122.pdf
nome_relator_s : MEIGAN SACK RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 10510721649201122_5217055.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
id : 4567107
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:59:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394790039552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1523; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 111 1 110 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.721649/201122 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180301.414 – 3ª Turma Especial Sessão de 07 de agosto de 2012 Matéria IRPJ Recorrente ALFREDO MIGUEL GRISTELLI ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). MULTA REGULAMENTAR. ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. Aplicase a penalidade disposta no artigo 7° da Lei 10.426/2002, sempre que o cumprimento da obrigação acessória se perfizer fora dos prazos determinados em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10510.721649/201122 Acórdão n.º 180301.414 S1TE03 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase, o presente feito, de notificação de lançamento exigindo multa pelo atraso na entrega da DCTF, com base no art. 7º da Lei n. 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004. O presente auto de infração diz respeito ao período referente ao mês maio de 2010, com data final de entrega em 22/07/2010 e que foi entregue em 10/03/2011, com nove meses de atraso. Inconformada com a exigência, a recorrente apresenta suas razões de inconformidade, alegando, de forma sintética, que a multa imposta era inconstitucional por ferir vários dispositivos constitucionais, tais como o da capacidade contributiva, o princípio da legalidade entre outros. Requer, a recorrente, o cancelamento da multa exigida, em face da ilegalidade e inconstitucionalidade da exigência de apresentação da DCTF. Isso porque, segundo o seu entendimento, a mesma foi instituída através de Instrução Normativa, quando tal obrigação somente poderia ter sido instituída através de lei, em sentido formal e material. Prossegue, a recorrente, referindo que, de acordo com o ordenamento jurídico vigente, é ilegal a previsão de multa pela não apresentação ou apresentação da declaração com informações inexatas, incompletas ou omissas. Neste sentido, transcreve doutrina e jurisprudência judicial que entende corroborarem com seus argumentos. A autoridade julgadora a quo, ao decidir, entendeu por bem manter o lançamento, posto que refere encontrarse equivocada a empresa recorrente ao asseverar a inexistência de lei que possibilite a cobrança da multa pelo atraso na entrega da DCTF, já que o artigo 7º da Lei 10.426/2002, mencionado no auto de infração, dispõe a determinação legal de o fazer. Completa aduzindo que a entrega da declaração é uma obrigação de fazer, em prazo certo, e o seu descumprimento, demonstrado nos autos, resulta em inadimplementos às normas jurídicas obrigacionais, sujeitando o responsável às sanções previstas no art. 7º supracitado, base legal do lançamento. Salienta o julgador de primeira instância que a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de entregar a declaração, como também, o dever de fazêlo no prazo previamente determinado. Assim, ter entregue a declaração tão só, não exime a recorrente da penalidade, uma vez que esta está claramente definida em lei, tanto para a hipótese da não entrega, quanto para o caso de seu implemento fora do tempo determinado. Completa referindo que qualquer entendimento em contrário implicaria em tornar letra morta o dispositivo legal em apreço, o que viria, inclusive, a desestimular o cumprimento da obrigação. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10510.721649/201122 Acórdão n.º 180301.414 S1TE03 Fl. 113 3 Aduz que as Instruções Normativas editadas pela RFB estabelecendo a obrigatoriedade da entrega da DCTF têm respaldo legal tanto na Lei nº 9.779/99, quanto no Decreto lei nº 2.065/83. Cita jurisprudência nesse sentido. Finaliza seu posicionamento, referindo que a autoridade administrativa está obrigada ao cumprimento das normas, limitando a aplicálas, sem emitir juízo de valor quanto à constitucionalidade. A empresa devidamente cientificada da decisão de primeiro grau apresenta suas razões de inconformidade, através do Recurso Voluntário, de forma tempestiva, argumentando, em apertada síntese o já disposto em seara de Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase o presente processo de auto de infração para cobrança de multa decorrente da apresentação em atraso da DCTF. A empresa recorrente insurgese alegando ser a multa descabida por ferir preceitos constitucionais, tais como da capacidade contributiva, da legalidade, da justiça tributária, entre outros. Primeiramente, há que se atentar para o fato de que discussão, referente à constitucionalidade de lei ou mesmo de artigo de lei, não é da competência dessa esfera administrativa, posto cumprir ao Poder Judiciário analisar e determinar a constitucionalidade de norma a ser aplicada no sistema jurídico pátrio. Nesse contexto, deixo de abordar as argumentações da empresa recorrente no tocante à constitucionalidade da aplicação da multa pelo atraso na entrega da DCTF, haja vista esta estar preceituada no dispositivo legal elencado no auto de infração: art. 7º da Lei n. 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004. Cumpre salientar que este Egrégio Conselho encontrase adstrito à aplicação de suas Súmulas e no presente caso à aplicação da Súmula CARF n°: 02: “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).” Já tocante ao mérito da demanda, qual seja: multa pelo atraso na entrega da DCTF, temos que a autuação está correta, haja vista que a empresa entregou a DCTF com atraso, de forma intempestiva, nove meses após o prazo regulamentar, definido pela legislação Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10510.721649/201122 Acórdão n.º 180301.414 S1TE03 Fl. 114 4 e determinado a todos os contribuintes. A norma determinada no artigo 7° da Lei n° 10.426/2002, é clara ao disciplinar: “Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3; II de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). (...) Em outras palavras, o sujeito passivo que deixar de apresentar DCTF nos prazos fixados sujeitarseá às multas dispostas na legislação de regência, no caso em tela, a disciplinada no artigo supracitado. Neste caminho, não podemos olvidar de destacar que a entrega da DCTF fora do prazo não está albergada pelo instituto da denuncia espontânea, sendo essa a é a posição da Súmula Carf nº 49, tal como segue: “Sumula 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10510.721649/201122 Acórdão n.º 180301.414 S1TE03 Fl. 115 5 De igual modo, importa em citar a jurisprudência pacífica, em ambas as turmas do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que a denúncia espontânea não é aplicável às multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, de natureza formal e desvinculada diretamente do fato gerador da obrigação principal: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido. (REsp 1129202/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/06/2010, DJe 29/06/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. POSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA. SÚMULA 83/STJ. INCIDÊNCIA. 1. Aresto recorrido que se encontra em consonância com a jurisprudência assente do STJ no sentido de que não se mostra desarrazoada a aplicação de multa em razão do atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF. Precedentes. 2. Agravo regimental nãoprovido. (AgRg no Ag 985.433/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 13/02/2009) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1 A entrega das declarações de operações imobiliárias fora do prazo previsto em lei constitui infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional. Do contrário, estarseia admitindo e incentivando o nãopagamento de tributos no prazo determinado, já que ausente qualquer punição pecuniária para o contribuinte faltoso. 2 A entrega extemporânea das referidas declarações é ato puramente formal, sem qualquer vínculo com o fato gerador do tributo e, como obrigação acessória autônoma, não é alcançada Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10510.721649/201122 Acórdão n.º 180301.414 S1TE03 Fl. 116 6 pelo art. 138 do CTN, estando o contribuinte sujeito ao pagamento da multa moratória devida. 3 Precedentes: AgRg no REsp 669851/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22.02.2005, DJ 21.03.2005; REsp 331.849/MG, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 09.11.2004, DJ 21.03.2005; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; RESP 250.637, Relator Ministro Milton Luiz Pereira, DJ 13/02/02. 4 – Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 884.939/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/02/2009, DJE 19/02/2009)” Diante do exposto, voto do sentido de Negar Provimento ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005025/2009-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/10/2007
IPI. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FORMALIZAÇÃO INDEPENDENTE.
À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de uma mesma firma deve cumprir separadamente as obrigações tributárias principais e acessórias; destarte, o lançamento tributário deve ser formalizado isoladamente para cada estabelecimento.
Recurso de Ofício Improvido.
Numero da decisão: 3302-001.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Fábia Regina Freitas e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/02/2005 a 31/10/2007 IPI. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FORMALIZAÇÃO INDEPENDENTE. À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de uma mesma firma deve cumprir separadamente as obrigações tributárias principais e acessórias; destarte, o lançamento tributário deve ser formalizado isoladamente para cada estabelecimento. Recurso de Ofício Improvido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 19515.005025/2009-74
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5199855
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-001.792
nome_arquivo_s : Decisao_19515005025200974.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
nome_arquivo_pdf_s : 19515005025200974_5199855.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Fábia Regina Freitas e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
id : 4538244
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394797379584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2044; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1.011 1 1.010 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.005025/200974 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3302001.792 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2012 Matéria AI IPI Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado HITACHI AR CONDICIONADO DO BRASIL LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2005 a 31/10/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. PRELIMINAR DE NULIDADE. ACATAMENTO. A correta identificação do sujeito é formalidade essencial do instrumento que formaliza o lançamento do crédito tributário. O erro na identificação do sujeito passivo torna nulo, por vício material, o Auto de Infração por ilegitimidade passiva (inteligência do art. 142 do CTN, c/c art. 10, I, do Decreto nº 70.235, de 1972). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/02/2005 a 31/10/2007 IPI. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FORMALIZAÇÃO INDEPENDENTE. À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de uma mesma firma deve cumprir separadamente as obrigações tributárias principais e acessórias; destarte, o lançamento tributário deve ser formalizado isoladamente para cada estabelecimento. Recurso de Ofício Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto da Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 50 25 /2 00 9- 74 Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Fábia Regina Freitas e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto pelo Acórdão DRJBEL nº 14 36.013 de 06/12/2011, prolatado pela 8ª Turma de Julgamento, cujos membros acordaram, por unanimidade de votos, julgar a impugnação procedente, declarando a nulidade do lançamento, por erro na identificação do sujeito passivo e, em consequência, cancelando o crédito tributário referente ao IPI, no valor de R$ 1.571.924,76, exigido no Auto de Infração lavrado em 10/12/2009. A Lavratura do Auto de Infração, contra a empresa acima identificada, CNPJ 33.284.522/000111 (estabelecimento matriz), decorreu da apuração de diferenças nos anos calendário de 2005 a 2007, resultante do confronto entre os valores declarados/pagos em DCTF/DARF e os valores escriturados a título de IPI a recolher, conforme demonstrativo denominado “Cotejo das Informações Contábil Fiscais” de fls. 918/920, bem como de glosas efetuadas pela fiscalização de créditos de IPI extemporâneos, ano calendário de 2005, relativos a entradas de insumos isentos, empregados na industrialização de produtos com saídas tributadas, por falta de respaldo legal para apropriação de tais créditos. A contribuinte, irresignada, apresenta a impugnação de fls. 937/967, instruída com os documentos de fls. 968/996, na qual efetua as alegações postas resumidamente a seguir e ao final requer o cancelamento do auto de infração lavrado: “1. O auto de infração deve ser anulado pois inexiste a descrição do fato praticado pela impugnante motivador do lançamento, com as respectivas fundamentações legais. Há violação ao artigo 142 do Código Tributário Nacional e ao artigo 5º, inciso LV da Constituição Federal. Apresenta doutrina e jurisprudência em seu favor; 2. A falta de determinação específica da suposta infração cometida lesou a garantia ao devido processo legal, acarretando em cerceamento ao direito de defesa; 3. O direito de creditarse do valor do IPI nas aquisições de insumos com isenção do imposto, provém do princípio constitucional da não cumulatividade; Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 3 4. A Constituição Federal não estabelece qualquer restrição ao creditamento nas aquisições de insumos. Apresenta jurisprudência.” A DRJ em Ribeirão Preto/SP julga procedente a impugnação, anulando o lançamento por erro na identificação do sujeito passivo, consoante consta da ementa que abaixo se transcreve: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/02/2005 a 31/10/2007 IPI. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS.LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FORMALIZAÇÃO INDEPENDENTE. À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de uma mesma firma deve cumprir separadamente as obrigações tributárias principais e acessórias; destarte, o lançamento tributário deve ser formalizado isoladamente para cada estabelecimento. LANÇAMENTO. NULIDADE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Comprovado o equívoco na identificação do sujeito passivo, anulase o lançamento. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado”. Tal decisão fundase nos argumentos a seguir transcritos: “(...) A fiscalização apresenta em seu Termo de Constatação os detalhes da fiscalização. Descreve que créditos de IPI extemporâneos, relativos a entradas de insumos isentos, empregados na industrialização de produtos com saídas tributadas, foram utilizados indevidamente e glosados por falta de respaldo legal para apropriação de tais créditos, conforme livro Registro de Apuração do IPI de fls. 46/155. Constatase pelo livro Registro de Apuração do IPI apresentado que o estabelecimento matriz da requerente, CNPJ 33.284.522/000111, sujeito passivo da presente autuação, não é contribuinte do IPI nas operações demonstradas pela fiscalização. O estabelecimento industrial responsável pelas operações é o inscrito no CNPJ sob n° 33.284.522/000626, situado no município de São José dos Campos, Rodovia Presidente Dutra, km 141. Pois bem, o IPI, sendo um dos tributos regidos pelo princípio constitucional da não cumulatividade, tem toda sua dinâmica de escrituração e apuração baseada na autonomia dos estabelecimentos, conforme previsto no parágrafo único do artigo 51 Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 do Código Tributário Nacional e nos artigos 313 e 518, incisos III e IV, do Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 (RIPI/02): ‘SEÇÃO I Imposto sobre Produtos Industrializados Art. 51. Contribuinte do imposto é: I. o importador ou quem a lei a ele equiparar; II. o industrial ou quem a lei a ele equiparar; III. o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça aos contribuintes definidos no inciso anterior; IV. o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados, levados a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante.’ (grifo nosso) ‘Art. 313. Cada estabelecimento, seja matriz, sucursal, filial, agência, depósito ou qualquer outro, manterá o seu próprio documentário, vedada, sob qualquer pretexto, a sua centralização, ainda que no estabelecimento matriz (Lei nº 4.502, de 1964, art. 57).” “Art. 518. Na interpretação e aplicação deste Regulamento, são adotados os seguintes conceitos e definições: III a expressão "estabelecimento", em sua delimitação, diz respeito ao prédio em que são exercidas atividades geradoras de obrigações, nele compreendidos, unicamente, as dependências internas, galpões e áreas contínuas muradas, cercadas ou por outra forma isoladas, em que sejam, normalmente, executadas operações industriais, comerciais ou de outra natureza; IV são considerados autônomos, para efeito de cumprimento da obrigação tributária, os estabelecimentos, ainda que pertencentes a uma mesma pessoa física ou jurídica;’ Pelo disposto nos artigos acima, concluise que, por determinação legal, cada estabelecimento da empresa é contribuinte autônomo do IPI, e não a empresa como um todo. Sendo assim, a apuração do IPI deve ser feita por estabelecimento, sendo vedada a sua centralização e cada estabelecimento precisa escriturar o seu próprio documentário, separadamente arquivados e escriturados, devendo cada um deles cumprir as respectivas obrigações tributárias principal e acessória previstas no aludido regulamento. Por conseqüência, cada estabelecimento deve escriturar, apurar e recolher o imposto de forma individual. Ressaltese que o art. 153 da Constituição Federal, que estabelece o princípio da não cumulatividade do imposto, não determina quem é o contribuinte do imposto, prevalecendo então, o disposto no Código Tributário Nacional. O CTN também estabelece os requisitos essenciais à constituição do crédito tributário em seu artigo 142: Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 5 ‘Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” (grifo nosso) Logo, já se vê, de plano, a irregularidade de um lançamento de ofício, lavrado contra o estabelecimento matriz, incluir infração a ser imputada isoladamente a estabelecimentos filiais. A inclusão de ilícito tributário referente a um estabelecimento, CNPJ 33.284.522/000626, com autonomia no que concerne à espécie tributária em tela, no instrumento legal de exigência tributário formalizado contra outro estabelecimento, mesmo que seja a matriz, acarretou erro de identificação do sujeito passivo. É o estabelecimento matriz que se encontra qualificado nos autos. Aliás, outro não é o entendimento do 2º Conselho de Contribuintes, como se ilustra com a seguinte ementa: ‘AUTONOMIA DE ESTABELECIMENTOS – Em razão da autonomia dos estabelecimentos, um estabelecimento não pode responder pelas obrigações de outro da mesma firma. Erro na identificação do sujeito passivo. Recurso provido (Ac. 2º CC 20200.476/85)’. Por conseguinte, o erro na identificação do sujeito passivo torna nulo o lançamento. Assim, anulada a presente autuação, não é demais lembrar que, embora o presente voto deixe de apreciar das demais questões preambulares e de mérito argüidas pela defesa, nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972, art. 28, não significa isto qualquer forma de homologação à conduta da contribuinte ou qualquer forma de concordância com os argumentos argüidos na impugnação, nada impedindo que se efetue um novo lançamento, livre dos vícios que deram causa à nulidade do presente, enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Diante do exposto, voto por considerar nulo o lançamento, exonerando o crédito tributário constituído.” Tendo exonerado o Crédito Tributário constituído, a 8ªTurma de Julgamento da DRF Ribeirão Preto submete o Acórdão DRJBEL nº 1436.013 de 06/12/2011 à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em face do disposto no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. Ressalva que a exoneração do crédito procedida por aquele acórdão só será definitiva após o julgamento em segunda instância. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório. Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Voto Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Tratase de recurso de ofício, necessário em face do disposto no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, motivo pelo o qual deve ser apreciado. A questão trazida pelo o Recurso de Ofício diz respeito à nulidade do lançamento do IPI, declarada de ofício pela autoridade julgadora de primeira instância, da DRJ de Ribeirão Preto, em face de ter, aquela autoridade julgadora, constatado erro de identificação do sujeito passivo, posto que a autuação se deu na matriz da empresa HITACHI AR CONDICIONADO DO BRASIL LTDA (CNPJ 3.284.522/000111), quando o estabelecimento industrial responsável pelas operações é o inscrito no CNPJ sob n° 33.284.522/000626, situado no município de São José dos Campos. Para bem decidir a questão posta, impõese tecer breves considerações acerca de nulidade do crédito tributário, segundo o sistema de legalidade das formas regulador do ato de lançamento tributário, as quais têm como fonte, entre outros, o trabalho monográfico do AFRFB Raimundo Parente de Albuquerque Junior, premiado em 2º lugar pela então Secretaria da Receita Federal em parceria com a Escola de Administração Fazendária ESAF, mediante o concurso do 5º Prêmio Schöntag, em 20061, pelo o fato desta relatora concordar com os argumentos e conclusões ali defendidos, bem como analisar a legislação específica do tributo, haja vista que a adequação do ato à norma é, em princípio, condição necessária à eficácia do ato, pois a consequência natural da inobservância da forma estabelecida é que o ato seja privado dos efeitos que ordinariamente haveria de ter. Sabese que o lançamento tributário iniciase com o procedimento de fiscalização2 e termina com a lavratura do competente termo de encerramento da ação fiscal e respectiva ciência ao contribuinte do lançamento tributário. Esse procedimento envolve uma série de atos e termos que visam à determinação e à formalização da exigência fiscal, consoante o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/1966).3 Cada ato do procedimento haverá de perfazerse segundo uma tipologia legal para que o procedimento como um todo possa produzir os efeitos que lhe são próprios. O lançamento tributário, portanto, neste tipo complexo de formação sucessiva da tributação, é, também, um ato procedimental, e nesta condição, possui como 1 Nulidades no lançamento tributário http://www.esaf.fazenda.gov.br/esafsite/premios/schontag/Monografias_premiadas_arquivos/m onografia/monografias%205%C2%BA/2%20lugar%20%20Nulidades%20no%20lan%C3%A7 amento%20tribut%C3%A1rio.pdf 2 O Decreto 70.235, em seu art. 7º, estabelece o momento em que se reputa iniciado o procedimento fiscal: “I . o primeiro ato de ofício, escrito, praticado pelo servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II . a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III . o começo do despacho aduaneiro de mercadoria importada”. 3 “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 7 elementos jurídicos os requisitos, pressupostos e condições que devem ser necessariamente observados para a sua validade. Os requisitos compreendem um conjunto de formalidades legais cuja observância integra a própria formação do ato de lançamento em si, ou seja, integra sua estrutura normativa executiva. São requisitos do ato lançamento a enunciação do fato jurídico tributário, a identificação do sujeito passivo e a determinação do tributo devido; os pressupostos compreendem um conjunto de formalidades legais (atos jurídicos e outras formalidades) cuja observância deva necessariamente anteceder à realização do ato de lançamento, tais quais o subjetivo e o procedimental, e as condições compreendem um conjunto de formalidades legais (atos jurídicos e outras formalidades) cuja observância deva necessariamente suceder à realização do ato de lançamento, contribuindo tão somente para sua eficácia (é o caso da notificação do lançamento ao sujeito passivo). Os vícios do lançamento do crédito tributário, como ato administrativo procedimental, podem ocorrer nos seus pressupostos e ou requisitos. Antônio da Silva Cabral assevera que o Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, que regula o processo administrativo fiscal, não estabelece uma distinção entre vício sanável e insanável, ou, em outros termos, entre nulidade relativa e nulidade absoluta, somente o fazendo entre invalidade e mera irregularidade. Referiu se ele apenas a atos nulos, no seu art. 59, e a irregularidades, incorreções e omissões que não acarretam nulidade, no seu art. 60.4 Diante da constatação de que a lei específica do Processo Administrativo Fiscal não fixa com clareza a existência de diferentes graus de invalidades, devese, então, aplicar subsidiariamente as regras contidas na Lei nº 9.784/99 (Lei Geral do Processo administrativo Federal LPA), consoante a disposição contida em seu art. 695. Tal lei, mediante o disposto no art. 55 da Lei nº 9.784/99 (Lei Geral do Processo administrativo Federal LPA), traz a hipótese da convalidação pela administração dos atos que apresentarem defeitos sanáveis.6 O autor da monografia “Nulidades no lançamento tributário” afirma que “o critério da convalidação foi o eleito pelo legislador positivo como índice apto a graduar as infringências, em relação aos modelos legais, do atuar processual no PAT e, por conseguinte, do lançamento tributário”7, ou seja, o critério basilar para se definir o que seja ato nulo ou anulável é o da convalidação. Importa sabermos, então, quando o ato imperfeito se afigura convalidável e como se dá a convalidação. Maria Sylvia Zanella di Pietro, citando Celso Antonio Bandeira de Melo, afirma que os atos nulos são os que não podem ser convalidados e que entram nessa categoria: “a) os atos que a lei assim declare; b) os atos em que materialmente impossível a convalidação, pois se o mesmo conteúdo fosse novamente produzido, seria 4 Antonio da Silva Cabral, Processo administrativo fiscal, p. 525. 5 "Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhe apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei.” 6 “Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração”. 7 Raimundo Parente de Albuquerque Junior, Nulidades no lançamento tributário, p. 76. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 reproduzida a invalidade anterior; é o que ocorre com os vícios relativos ao objeto, à finalidade, ao motivo, à causa.”8 E, complementa, são anuláveis: “a) os atos que a lei assim declare; b) os que podem ser praticados sem vício; é o caso dos atos praticados por sujeito incompetente, com vício de vontade, com defeito de formalidade.”9 A obrigatoriedade de identificação do sujeito passivo é requisito previsto no art. 142 do CTN. Repetemno o art. 10 do PAF, inciso I, no caso de ser o auto de infração o veículo material do ato de lançamento, e o art. 11, inciso I, do mesmo diploma legal, no caso de notificação de lançamento. Como assinalado na lei, ao impor a obrigatoriedade deste requisito na formação do ato de lançamento, a pretensão fiscal deverá externar de modo inequívoco o sujeito passivo contra o qual a Fazenda Pública buscará a satisfação da exação formalizada, sob pena de frustrar esse desiderato. Transcrevemos a seguir, no que for pertinente, algumas das conclusões do trabalho monográfico denominado “Nulidades no lançamento tributário”10, com as quais concordo, de autoria do AFRFB Raimundo Parente de Albuquerque Junior: “O critério de invalidades do ato de lançamento, que permite distinguir entre nulidade relativa (anulabilidade) e absoluta (nulidade), assentase na distinção entre pressupostos e requisitos do ato. São requisitos do ato lançamento a enunciação do fato jurídico tributário, a identificação do sujeito passivo e a determinação do tributo devido; ao passo que são seus pressupostos o subjetivo e o procedimental. A nulidade relativa tem sede nas violações dos pressupostos, os quais integram o procedimento preparatório do lançamento, enquanto a nulidade absoluta tem sede nas violações dos requisitos, os quais decorrem da norma jurídica tributária. A nulidade relativa constitui vício sanável pela preclusão temporal, por isso deve ser invocada na primeira oportunidade que o interessado tiver de falar nos autos, e o ato imperfeito correspondente é, por esse motivo, convalidável; assim, a nulidade absoluta constitui vício insanável, por isso pode ser suscitada de ofício pelo julgador administrativo, e o ato imperfeito correspondente jamais se convalida. (...); Vinculamos a nulidade relativa ao vício de forma e a nulidade absoluta ao vício de matéria ou de conteúdo, para daí identificarmos com segurança o vício formal a que alude o inc. II do art. 173 do CTN, o qual autoriza a reabertura do prazo decadencial para a efetivação de um novo lançamento, no caso de o lançamento anterior ter sido anulado por vício formal. (...); 8 Maria Sylvia Zanella di Pietro, Direito administrativo, p.225. 9 Ibidem, p.226. 10 Raimundo Parente de Albuquerque Junior, Nulidades no lançamento tributário, p.109/110. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 9 h) Apreciando a constitucionalidade da regra do § 4º do art. 16 do PAF que preceitua, sob pena de preclusão, a apresentação da prova documental com a impugnação, restringimos seu âmbito de validade às provas documentais destinadas a demonstrar a alegação de vício formal no lançamento, tendo em vista sua sanação pela preclusão, diferentemente do que ocorre com vício material, que é insanável e cuja prova não preclue.” Portanto, sendo elemento essencial do lançamento, o erro na identificação do sujeito passivo, constitui vício material que enseja a nulidade absoluta do ato, devendo ser declarada de ofício pela autoridade administrativa. Passase, então, a analisar as normas específicas referentes ao tributo IPI, com o objetivo de identificar as regras atinentes ao sujeito passivo. A CF/88 estabeleceu em seu art. 153, §3º, inciso II, o princípio da não cumulatividade para o Imposto sobre Produtos Industrializados. Coube ao Código Tributário Nacional definir o contribuinte de tal imposto, consoante as disposições contidas no seu art. 51, o qual estabeleceu no parágrafo único do referido artigo o princípio de autonomia dos estabelecimentos.11 As regras contidas nos artigos 313 e 518, incisos III e IV, do Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 (RIPI/02), abaixo transcritas, estabeleceram a dinâmica de escrituração e apuração baseada na autonomia dos estabelecimentos, o que viabiliza a implementação do princípio constitucional da não cumulatividade: “Art. 313. Cada estabelecimento, seja matriz, sucursal, filial, agência, depósito ou qualquer outro, manterá o seu próprio documentário, vedada, sob qualquer pretexto, a sua centralização, ainda que no estabelecimento matriz (Lei nº 4.502, de 1964, art. 57).” 11 ‘SEÇÃO I Imposto sobre Produtos Industrializados Art. 51. Contribuinte do imposto é: I. o importador ou quem a lei a ele equiparar; II. o industrial ou quem a lei a ele equiparar; III. o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça aos contribuintes definidos no inciso anterior; IV. o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados, levados a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considera se contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante.’ (grifo nosso) Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 10 “Art. 518. Na interpretação e aplicação deste Regulamento, são adotados os seguintes conceitos e definições: (...); III a expressão "estabelecimento", em sua delimitação, diz respeito ao prédio em que são exercidas atividades geradoras de obrigações, nele compreendidos, unicamente, as dependências internas, galpões e áreas contínuas muradas, cercadas ou por outra forma isoladas, em que sejam, normalmente, executadas operações industriais, comerciais ou de outra natureza; IV são considerados autônomos, para efeito de cumprimento da obrigação tributária, os estabelecimentos, ainda que pertencentes a uma mesma pessoa física ou jurídica;’ Diante das normas legais acima mencionadas e/ou transcritas, concluise que para efeito de cumprimento da obrigação tributária prevalece o princípio da autonomia dos estabelecimentos, motivo pelo o qual o lançamento deve se reportar a cada estabelecimento industrial, ainda que seja da mesma pessoa jurídica. No caso em questão, constatado e comprovado o fato de que o lançamento foi efetuado em face do estabelecimento matriz e que estabelecimento industrial responsável pelas operações é o inscrito no CNPJ sob n° 33.284.522/000626, situado no município de São José dos Campos, concluise ter havido erro na identificação do sujeito passivo e que, portanto, não merece reparos o acórdão recorrido. No mais, com fulcro no art. 50, § lº, da Lei nº 9.784/1999, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância, como base para negar provimento ao recurso de ofício. É como voto. (assinado eletronicamente) Maria da Conceição Arnaldo Jacó Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10768.004159/98-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1994
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Conheço dos Embargos de Declaração simplesmente para efeito de esclarecimento do contribuinte sem, contudo, alterar o quanto decidido.
Numero da decisão: 1401-000.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos apenas para prestar esclarecimentos.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias - Relatora.
EDITADO EM: 20/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (presidente da turma), Mauricio Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira.
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1994 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Conheço dos Embargos de Declaração simplesmente para efeito de esclarecimento do contribuinte sem, contudo, alterar o quanto decidido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10768.004159/98-35
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5200031
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1401-000.897
nome_arquivo_s : Decisao_107680041599835.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : KAREM JUREIDINI DIAS
nome_arquivo_pdf_s : 107680041599835_5200031.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos apenas para prestar esclarecimentos. (ASSINADO DIGITALMENTE) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias - Relatora. EDITADO EM: 20/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (presidente da turma), Mauricio Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
id : 4538420
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394807865344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1582; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.004159/9835 Recurso nº 145.428 Embargos Acórdão nº 1401000.897 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 7 de novembro de 2012 Matéria IRPJ E OUTRO Embargante BANCO PEBB S.A. Interessado 6ª TURMA/DRJRIO DE JANEIRO I ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1994 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Conheço dos Embargos de Declaração simplesmente para efeito de esclarecimento do contribuinte sem, contudo, alterar o quanto decidido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos apenas para prestar esclarecimentos. (ASSINADO DIGITALMENTE) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora. EDITADO EM: 20/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (presidente da turma), Mauricio Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 41 59 /9 8- 35 Fl. 763DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS 2 Tratase de Embargos de Declaração opostos em face do Acórdão 1401 00.312 desta Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Para fins de economia processual, reproduzo o relatório do acórdão embargado de minha relatoria. Contra BANCO PEBB S.A. foram lavrados e notificados, em 13.02.98, Autos de Infração (fls. 26/35), com a conseqüente formalização dos créditos tributários relativos ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, referentes a janeiro de 1994. A autuação referese à constituição de Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa no montante de 50% sobre empréstimo concedido a empresa RS Administração e Construção Ltda., sendo este percentual indevido, porquanto superior ao admissível pela legislação vigente (Lei nº 8.541/92 e Portaria Ministerial MF nº 526/93), resultando na redução indevida do lucro real apurado em janeiro de 1994. O valor do empréstimo concedido foi parcialmente recebido em outubro e novembro de 1995 e, assim, revertida a provisão constituída em 1994. O lançamento reportase à diferença então resultante: Valores FFLS. Provisão para Devedores Duvidosos (PDD) CR$ 455.312.352,30 Em UFIR = 2.424.840,77 14 Reversão da Provisão (em face dos recebimentos em out/nov/95 Out/95 = 73.364,64 Nov/95 = 128.068,27 Total = 201.432,51 17/18 DIFERENÇA TRIBUTÁVEL 2.424.840,77 201.432,51 = 2.223.408,26 = CR$ 417.489.368,98 27/30 Dessa maneira, foi efetivado o lançamento de ofício exigindo os créditos tributários referentes à redução indevida do lucro real por constituição de provisão a maior. Irresignado, o contribuinte apresentou, em 16.03.98, Impugnações aos Autos de Infração (fls. 37/47 e 48/59), refutando as autuações em comento e alegando resumidamente que: (I) A Impugnante constituiu a Provisão em exclusivo atendimento às expressas determinações do BACEN. (II) O BACEN considerou com ilíquidos os créditos relativos aos empréstimos concedidos à RS – Administração e Construção Ltda. e à Storalyn Comercial Ltda., pelo que, com base no artigo 1º, inciso IX da Resolução 1748/90 BACEN, de 30/08/90, recomendou a sua transferência para a conta de créditos em liquidação. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10768.004159/9835 Acórdão n.º 1401000.897 S1C4T1 Fl. 3 3 (III) Nos termos da Portaria MF 450/1976, as instituições financeiras podem beneficiarse de créditos protestados, ajuizados, ou que estejam registrados a mais de 60 dias como “créditos em liquidação”. (IV) A resposta à consulta formulada pelo Banco do Brasil à SRRF/1ª/DT (decisão 001/91) reconheceu a aplicação da Resolução 1748/1990 para efeitos fiscais, sendo confirmada pelo Parecer CST – SIR nº 774/91. (V) As instituição financeiras, com base neste ato, constituíram provisão para devedores duvidosos no balanço de 31/12/90, calculadas sobre os créditos tratados pela resolução nº 1748/90. (VI) Por fim, ainda que se admitisse tratarse de ilícito fiscal, a hipótese em comento seria de postergação de pagamento de imposto, nos termos do Parecer Normativo COSIT Nº 2/96, e devese levar em conta que a Impugnante não corrigiu monetariamente nem a provisão nem o crédito para com a empresa devedora. A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro – RJ, ao apreciar a Impugnação, houve por bem julgar procedentes os lançamentos, mantendo a autuação na sua integralidade. Para tanto, os insignes julgadores consignaram o seguinte: (I) A Impugnante não nega a constituição da provisão que foi objeto da glosa e confirma os critérios por ela adotados, sendo necessário determinar quais os critérios aplicáveis à matéria, se o da Impugnante ou se o da Autoridade Fiscal. (II) Embora o Banco Central do Brasil tenha, de fato, considerado os créditos em questão ilíquidos e, com base nas regras estabelecidas pela Resolução nº 1.748/90, recomendado a sua transferência para a rubrica “créditos em liquidação”, tal fato não autoriza a dedutibilidade de 50% de tais créditos, ainda que a referida transferência tenha ocorrido a mais de 60 dias. Equivocada, portanto, a interpretação da Impugnante sobre a Portaria MF 450/1976. (III) Ainda que o BACEN tenha recomendado, além do registro em “créditos em liquidação”, a constituição da provisão que reconheça as perdas tidas como prováveis na realização dos créditos em questão, tal fato não determina que, diante da legislação tributária, a referida provisão seja dedutível. (IV) Ademais, ainda que a resposta a consulta formulada pelo Banco do Brasil à SRF tenha estendido os critérios da Resolução Bacen 1748/90 para efeitos de dedutibilidade tributária, tal fato não vincula e nem protege outros a não ser o próprio consulente. (V) Para o período base, que foi objeto da autuação, os critérios que regulamentam a dedutibilidade da provisão para créditos de Fl. 765DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS 4 liquidação duvidosa constam do art. 277 do RIR/94, que consolida as regras do art. 9º da Lei 8.541/92, da Portaria 526/93 e IN 80/93. Tais atos estabelecem que as instituições financeiras podem deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, 0,5% dos créditos oriundos das atividades operacionais, podendo ser excedido até o percentual obtido pela relação entre as perdas efetivamente ocorridas nos últimos 3 (três) anoscalendário, relativos aos créditos oriundos da exploração das atividades operacionais de vendas e serviços e a soma dos créditos da mesma espécie existentes no início dos anoscalendário correspondentes. (VI) Por fim, no que tange ao argumento de postergação de imposto, somente seria factível se não fosse o fato de, no ano de 1995, a Impugnante ter apurado prejuízo fiscal (conforme fls. 73). Nesta hipótese, não tendo havido efetivo pagamento de imposto a maior no período para o qual foi feita a postergação, a mesma não se configura, conforme dispõe o item 6.3 do PN COSIT 02/96. (VII) Notase que, do valor da provisão que se considerou indedutível não seria necessário que fosse descontado o valor da reversão. Bastaria tão somente a glosa da totalidade da despesa indedutível, sem qualquer desconto e retificação do prejuízo fiscal apurado no ano de 1995. Embora incorreto o procedimento da autoridade autuante, estritamente vinculada aos atos administrativos emanados pela legislação tributária, seu procedimento apenas beneficiou a Impugnante no cálculo do crédito devido. (VIII) Sobre a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, asseverou que o lançamento deve ser mantido em sua totalidade, seguindo o que foi decidido no lançamento do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, por decorrer da mesma infração imputada. O contribuinte, intimado do teor do v. Acórdão em 14.01.04 apresentou, em 11.02.04, Recurso Voluntário, reiterando as razões da impugnação e ressaltando as seguintes argumentações: (I) Haveria erro de tipificação pela Autoridade Fiscal, uma vez que a mesma referiuse na autuação à “redução indevida do lucro real por constituição de provisão para devedores duvidosos a maior”, enquanto na realidade, o fato gerador caracteriza uma simples postergação do pagamento do tributo, na forma como preceitua o Parecer Normativo nº 2/96, infração tributária esta que obriga ao pagamento apenas da atualização monetária do valor postergado. (II) Também alegou equívoco na apuração fiscal, por entender estar incorreto o valor apurado pelo Fisco no que tange à reversão da provisão em novembro de 1995, de CR$ 101.839,89. Demonstra o contribuinte em seu Recurso Voluntário, que o valor correto da reversão foi de CR$ 105.389,72, devendo o lançamento ser adequado à realidade fática. (III) Alegou, por fim, a impossibilidade da utilização da taxa SELIC como taxa de juros moratórios. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10768.004159/9835 Acórdão n.º 1401000.897 S1C4T1 Fl. 4 5 (IV) No mais, reiterou integralmente as razões trazidas na Impugnação. Por meio da Resolução nº 10800.354, a então Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte entendeu por bem converter o julgamento em diligência, a fim de: (i) Esclarecer se a provisão de 50% (cinqüenta por cento) sobre determinado crédito concedido ultrapassa o montante de 0,5 % (meio por cento) dos créditos totais a receber, nos termos do artigo 9º da Lei nº 8.541/92. (ii) Informar se existia prejuízo fiscal acumulado e base negativa da CSLL a compensar e quantificar, se o caso, requerendo a juntada do LALUR. (iii) Considerando que a própria decisão recorrida (fls. 169) admite hipoteticamente a capitulação como “postergação de pagamento de imposto”, afastando pelo fato de no ano de 1995 o contribuinte ter apurado prejuízo fiscal e, considerando que a sistemática adotada no ano de 1994 foi pelo lucro real mensal, verificar a existência de lucro no meses seguintes do ano de 1994, considerando os valores declarados/pagos, e também nos períodos subseqüentes até a data do lançamento. Ao final da diligência, requereuse fosse elaborado um relatório conclusivo, cientificando o contribuinte do seu teor. Às fls. 558/572, foi elaborado relatório fiscal, contendo as seguintes conclusões: (i) Quanto à provisão, o exame do Diário comprovou que a provisão constituída em janeiro de 1994 ultrapassou, de fato, o limite de 0,5% dos créditos totais a receber. (ii) Quanto ao prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, constatouse que havia prejuízo fiscal e base de cálculo em Janeiro de 1994, os quais foram todos compensados no próprio ano de 1994. (iii) Quanto ao último quesito, foram levantados os resultados fiscais apurados pelo contribuinte, tendo sido relacionados os valores correspondentes ao lucro real e à base da CSLL, antes da compensação de prejuízos/base negativa, apurados pela empresa em suas Declarações de IRPJ, do período seguinte ao auto de infração até o período anterior ao lançamento. O relatório apontou, ainda, que os resultados fiscais de janeiro/94 a maio/94 foram distorcidos pelo fato de a empresa haver utilizado e compensado IPC/BTNF como se prejuízo fiscal fosse, e não como exclusão ao lucro líquido, o que de fato é. O contribuinte se manifestou às fls. 573/577, refutando as considerações feitas pela Diligência Fiscal. Após retorno de diligência, esta Câmara entendeu por negar provimento ao recurso do contribuinte, nos termos da seguinte ementa: Fl. 767DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS 6 PROVISÃO – INSTITUIÇÃO FINANCEIRA – LIMITE A Lei nº 8.541/92, em seu artigo 9º, caput e parágrafo único, limita, no tocante às instituições financeiras, a provisão de créditos para devedores duvidosos a 0,5% dos créditos totais a receber para as instituições financeiras. A dedutibilidade de provisão acima do percentual legal deve ser oferecido à tributação. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO – Para que haja postergação de pagamento, a diferença, objeto de lançamento, deve ser, posteriormente, oferecida à tributação. Entendeu o acórdão embargado pela procedência da autuação já que, conforme esclareceu a diligência realizada, o lançamento foi efetuado sobre a diferença entre o saldo existente nas contas que registram créditos a receber e o limite de dedutibilidade de 0,5%. Ainda, entendeu o acórdão que tendo a autuação, in casu, sido realizada somente pela diferença entre o valor deduzido e o limite permitido, não representa caso de postergação de pagamento, além de que verificou a diligência que todo o prejuízo fiscal do próprio ano calendário foi utilizado. O contribuinte opôs, então, Embargos de Declaração no qual argumenta: (i) Questão de ordem referente a erro material no tocante à exigência tributária: argumenta que a autoridade fiscal considerou como valor de reversão de provisão no tocante ao mês de novembro o valor de CR$ 101.839,89, enquanto que o correto seria CR$ 150.389,72, conforme Livro Diário. Houve erro material, pois a fiscalização não considerou o pagamento registrado no Livro Diário no valor de CR$ 14.818.857,92, o qual deveria ter sido subtraído da provisão analisada de CR$ 455.312.352,30. (ii) Omissão no tocante ao exame de matéria suscitada na diligência fiscal: argumenta que o acórdão não se manifestou sobre o controle do saldo de prejuízo fiscal apurado pela Embargante até a data de provisão contestada pela fiscalização. Aduz que a própria diligência fiscal reconheceu a fragilidade do trabalho fiscal que deveria ter recomposto o saldo de prejuízo da contribuinte após a reversão da provisão. Tal matéria é passível de nulidade sobre a qual deveria ter o acórdão se manifestado (iv) Alega que o acórdão embargado não trouxe sequer um parágrafo acerca da recomposição do saldo de prejuízo da contribuinte após a reversão da provisão (v) por fim, requer sejam atribuídos efeitos modificativos aos Embargos. É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias Em primeiro lugar, importante consignar que os Embargos não são o meio para rediscussão da matéria, mera manifestação de inconformismo, devendo aterse às questões tratadas no processo. Fl. 768DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10768.004159/9835 Acórdão n.º 1401000.897 S1C4T1 Fl. 5 7 Em segundo lugar, importa contextualizar que o acórdão embargado não foi a primeira decisão tomada pela Câmara, reportandose esta às razões já expostas no voto que converteu o julgamento em diligência, bem como à diligência efetuada conforme requerido pela então Câmara Julgadora. Feita essa contextualização, passo a me manifestar sobre os embargos declaratórios. Quanto à primeira alegação, de erro material, alega o embargante que “a fiscalização efetuou o lançamento tomando como premissa a provisão registrada às fls. 46, do Livro Diário da contribuinte, no valor de CR$ 455.312.352,30 (quatrocentos e cinqüenta e cinco milhões, trezentos e doze mil e trezentos e cinqüenta e dois reais e trinta centavos), sem levar em consideração o pagamento registrado posteriormente às fls. 99, do Livro Diário, no valor de CR$ 14.818.857,92. Nestes termos, deveria a fiscalização ter subtraído do valor da provisão analisada (CR$ 455.312.352,30), a referida importância constante das fls. 99, do Livro Diário (CR$ 14.818.857,92), de modo a considerar o montante correto no valor de CR$ 440.493.494,38”. Sobre este aspecto, o acórdão recorrido acolheu o resultado da diligência, no sentido de que o lançamento foi feito somente pela diferença, não sendo, portanto, caso de postergação de pagamento. Isto porque, quando determinada a diligência, foi requerido esclarecimento sobre eventual possibilidade de postergação de pagamento de imposto. A despeito das manifestações de mérito efetuadas pela Delegacia, fato é que esta claramente asseverou o que já havia ressaltado a Delegacia de Julgamento, no sentido de que a autoridade fiscal “optou por trazer as reversões de outubro de 95 e novembro de 95 para o mês de janeiro de 94 e apurar a diferença entre a provisão constituída e a provisão revertida – desta forma, o lançamento efetuado limitouse a tributar a parcela da despesa de constituição de PDD não revertida em 1995”. Instada a se manifestar sobre o resultado da diligência, a contribuinte não alegou qualquer diferença de CR$ 4.000,00 referente a 1995, tampouco o valor de CR$ 14.818.857,92. Ora, desde o primeiro relatório se demonstra o cálculo da diferença de provisão levada à tributação e tais diferenças não foram apontadas sequer quando a contribuinte foi instada a se manifestar sobre a diligência. Mesmo no momento desses embargos não se verifica a juntada individualizada dos documentos necessários à comprovação de sua alegação, pelo que não entendo oportuno uma nova conversão em diligência. No tocante à omissão suscitada relativamente à manifestação em diligência fiscal de que a revisão de procedimentos não é possível em razão do decurso do prazo decadencial, a despeito de desnecessária, porque em nada favorece o contribuinte, esclareço que tal reconhecimento não torna frágil o trabalho fiscal, apenas serve para impedir aumento de exação fiscal. O aumento da exação fiscal, in casu, não implicaria em alteração de capitulação legal ou motivação do lançamento legal, mas em mero lançamento adicional que, com razão, reconhece a Delegacia, não pode ser efetuado para além do prazo decadencial. E, tal aumento, se cabível no prazo decadencial, não é objeto destes autos, não devendo o acórdão recorrido sobre ele se manifestar. Por fim, tem razão a Embargante quando diz que o acórdão não trouxe um parágrafo sobre o saldo de prejuízo acumulado. O acórdão apenas asseverou que “ademais, verificou a diligência que todo o prejuízo fiscal, do próprio anocalendário foi utilizado”. Entendo que não cabem reparos nesta parte ao acórdão embargado, uma vez que no contexto Fl. 769DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS 8 tratado, acolheu o resultado de diligência, a qual concluiu que deve ser acatado o saldo de prejuízos disponível em janeiro/1994, controlado na Parte B do LALUR de CR$ 528.788.931,20. Importante nesse ponto, verificar que a mesma diligência, na sequência, apurou que esse saldo se esgotou no próprio ano de 1994, conforme demonstrativo de fls. 567/569, que fez parte integrante do relatório fiscal para o IRPJ (vide esclarecimentos fls. 561). Ainda, prosseguindo na análise dos valores controlados no SAPLI, verificou que o saldo de bases negativas de CSLL esgotouse em março de 1994, conforme demonstrativo de fls. 570 (vide esclarecimento de fls. 562 do relatório fiscal). Se assim é, não há que se falar em saldo de prejuízo e base negativa restante aproveitável. Nesse sentido, acolho os Embargos simplesmente para efeito de esclarecimento do contribuinte sem, contudo, alterar o quanto decidido. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora Fl. 770DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720506/2009-63
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
INSUMOS. CRÉDITOS NA INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA
O conceito de insumo para a apuração de créditos a descontar do PIS não-cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço.
AQUISIÇÕES. ALÍQUOTA ZERO
Descabe crédito em relação as aquisições de produtos sujeitos a alíquota zero, tendo em vista que prevalece a interpretação de que o art. 153, IV, da CF adota a técnica de cobrança própria dos impostos sobre valor agregado, permitindo a compensação do imposto devido na operação subsequente com a importância recolhida na operação antecedente.
APURAÇÃO DE CRÉDITOS. EQUIPAMENTOS
Afasta-se a glosa dos créditos em relação a despesas de manutenção de empilhadeiras, tratores e pulverizadores e retroescavadeiras, uma vez que no dentro da sistemática de apuração de créditos pela não-cumulatividade do PIS, o contribuinte possui direito subjetivo ao benefício, tendo em vista que esta despesa está vinculada ao processo produtivo.
Numero da decisão: 3803-003.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que negou o creditamento relativamente aos gastos com manutenção de laboratórios e à aquisição de pallets.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 INSUMOS. CRÉDITOS NA INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA O conceito de insumo para a apuração de créditos a descontar do PIS não-cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. AQUISIÇÕES. ALÍQUOTA ZERO Descabe crédito em relação as aquisições de produtos sujeitos a alíquota zero, tendo em vista que prevalece a interpretação de que o art. 153, IV, da CF adota a técnica de cobrança própria dos impostos sobre valor agregado, permitindo a compensação do imposto devido na operação subsequente com a importância recolhida na operação antecedente. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. EQUIPAMENTOS Afasta-se a glosa dos créditos em relação a despesas de manutenção de empilhadeiras, tratores e pulverizadores e retroescavadeiras, uma vez que no dentro da sistemática de apuração de créditos pela não-cumulatividade do PIS, o contribuinte possui direito subjetivo ao benefício, tendo em vista que esta despesa está vinculada ao processo produtivo.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11020.720506/2009-63
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5202675
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3803-003.722
nome_arquivo_s : Decisao_11020720506200963.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JULIANO EDUARDO LIRANI
nome_arquivo_pdf_s : 11020720506200963_5202675.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que negou o creditamento relativamente aos gastos com manutenção de laboratórios e à aquisição de pallets. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
id : 4554645
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394822545408
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2350; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 180 1 179 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.720506/200963 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3803003.722 – 3ª Turma Especial Sessão de 27 de novembro de 2012 Matéria PISPER/DCOMP Recorrente RASIP AGRO PASTORIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 INSUMOS. CRÉDITOS NA INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA O conceito de insumo para a apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. AQUISIÇÕES. ALÍQUOTA ZERO Descabe crédito em relação as aquisições de produtos sujeitos a alíquota zero, tendo em vista que prevalece a interpretação de que o art. 153, IV, da CF adota a técnica de cobrança própria dos impostos sobre valor agregado, permitindo a compensação do imposto devido na operação subsequente com a importância recolhida na operação antecedente. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. EQUIPAMENTOS Afastase a glosa dos créditos em relação a despesas de manutenção de empilhadeiras, tratores e pulverizadores e retroescavadeiras, uma vez que no dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade do PIS, o contribuinte possui direito subjetivo ao benefício, tendo em vista que esta despesa está vinculada ao processo produtivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que negou o creditamento relativamente aos gastos com manutenção de laboratórios e à aquisição de pallets. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 05 06 /2 00 9- 63 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Cuidase de pedido de ressarcimento e compensação de créditos de PIS Não Cumulativo, correspondente ao primeiro trimestre de 2007, também consta dos autos declarações de compensação vinculadas ao direito creditório em tela. Às fls. 77/85 consta o Relatório de Verificação Fiscal, por intermédio do qual o auditor fiscal propôs o reconhecido parcialmente o direito ao crédito e à fl. 85 consta Despacho Decisório contendo a seguinte decisão: Com base na informação retro; reconheço como legítimos os valores constantes da coluna "Valor Reconhecido" da tabela acima e autorizo o ressarcimento e/ou compensação dos valores pleiteados pelo contribuinte até o limite ora reconhecido. A decisão n.º 0121.035 – 3ª Turma da DRJ de Belém encontrase anexa às fls. 163/169, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II. do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. Também descabe a realização de perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo e, ainda, quando a produção probatória invocada pelo sujeito passivo não necessita de qualquer conhecimento técnico especializado. COFINS NÃOCUMULATIVA.CRÉD1TOS. INSUMOS. No cálculo da Cofins NãoCumulativa somente podem ser computados créditos apurados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.720506/200963 Acórdão n.º 3803003.722 S3TE03 Fl. 181 3 DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. QUANTUM RECONHECIDO. A declaração de compensação, por vincularse à existência de determinado crédito, somente pode ser homologada na exata medida do direito creditório que tenha sua liquidez e certeza reconhecidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Com a intenção de fornecer informações aos demais conselheiros, cumpre apontar que a Recorrente possui como objeto social a produção e venda de maçã para exportação e mercado interno e que com a incorporação da empresa Randon Agropecuária, a Interessada passou também a produzir e vender queijo, manteiga e nata para o mercado interno. Logo, a lide em discussão envolve tanto o processo produtivo de maças, como também o processo produtivo de leite e queijo. Conforme se retira da ementa acima colacionada, a DRJ glosou os créditos, com fundamento da redação da IN da SRF n.º 404/2004 e afastou o direito aos créditos referentes as seguintes despesas: 1) Despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção): o contribuinte utiliza as empilhadeiras para atividades não relacionadas ao processo produtivo, ou seja: a) descarregamento da fruta vinda dos pomares; b) carregamento/descarregamento da fruta nas câmaras frias; c) movimentação pelo pomar e d) carregamento das caixas de maçãs na saída dos produtos do estabelecimento; 2) Despesas com aquisição de combustíveis e lubrificantes não utilizados na produção: grande parte dos combustíveis e lubrificantes é destinada a uso em tratores e estes tratores utiliza estes tratores tanto em pomares em produção, quanto em pomares ainda não produtivos. Além do que, constatouse que há gastos com combustíveis e lubrificantes em veículos próprios, mas para o transporte de maçã adquirida de terceiros, gastos na administração, na manutenção civil e elétrica, bem como em oficina de máquinas pesadas e nestes casos não constituem insumos; 3) Produtos sujeitos à alíquota zero: não gera crédito as aquisições de produtos sujeitos à alíquota zero, por expressa vedação; 4) Bens diversos (partes, peças, bens destinados ao imobilizado, despesas diversas): a glosa ainda recaiu sobre os créditos registrados na rubrica “Outras Operações com Direito a Crédito” que consta nos DACONs. O agente fiscal informa que através da análise da memória de cálculo, constatouse que tais créditos provêm de despesas com serviços, partes e peças de manutenção de máquinas e equipamentos, entre outros. Glosou ainda outros valores lançados na rubrica “Outras Operações com Direito a Crédito”, tais como: fita para enxerlia bem que destinado ao imobilizado; telhado, areia, palitos, lonas, detergentes, sabonetes, medicamentos e sucos de uva — bens que não têm as características de insumo; Fl. 260DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 4 5) Materiais de transporte: o agente fazendário glosou também embalagens de transporte de maçã, por considerar que se trata de embalagem de mero transporte. A Fazenda Glosou ainda cantoneiras; palieis e seus acessórios, pregos e etiquetas; fitas e amarras. 6) Crédito sobre bens do imobilizado: a DRJ não considerou nenhum valor lançado a titulo de crédito referente a encargos de depreciação no período sob análise, sob o argumento de que o contribuinte não constitui prova de seu direito e ainda faz confusão quando registra os valores de créditos em seus DACONS. Alerta a fiscalização que nos meses de junho, julho e dezembro 2006 e depois nos meses de fevereiro, março e maio a dezembro de 2007 esta confusão continua. A fim de ilustrar o seu argumento, cita ainda que o lançamento ocorrido em junho de 2006, por meio do qual se percebe que na memória de cálculo onde discrimina os valores dos créditos aproveitados mensalmente o contribuinte não registra nenhum valor a título de imobilizado neste mês. Depois no lançamento ocorrido em julho de 2006, mesmo tendo o contribuinte lançado este valor na sua memória de cálculo, o mesmo não faz prova da origem destes valores. O fiscal aponta que o contribuinte só poderia apurar créditos no prazo de 48 meses sobre o valor das aquisições de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado. Nos demais casos deveria calcular os seus créditos mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Receita Federal em função do prazo de vida útil do bem. Entretanto, o contribuinte apura créditos no prazo de 1/48 avos sobre outros bens que não máquinas e equipamentos. Em resumo, a DRJ acatou na íntegra as conclusões existentes no Relatório de Verificação Fiscal. A DRJ ainda entende que as decisões administrativas trazidas pelo contribuinte não possuem eficácia normativa e que por não ter indicado os quesitos e não se tratar de caso obscuro, a perícia foi indeferida, nos termos do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72. Inconformado com o indeferimento, o contribuinte apresente recurso voluntário, por meio do qual rebate os argumentos da decisão “a quo”. Afirma que a decisão de primeiro grau parte do pressuposto equivocado de que o direito ao crédito se origina somente em relação aos produtos que sejam aplicados ou consumidos em ação direta sobre o produto em fabricação. Deste modo, destaca o Recorrente que a DRJ aplicou o critério do conceito do IPI para apurar os créditos. O contribuinte não concorda ainda com a indeferimento do crédito referente as aquisições de material de embalagem para transporte, pois no seu entender deve dar direito a crédito inclusive as aquisições de cantoneiras utilizadas para garantir a boa apresentação do produto e evitar que danifiquem no transporte, pois em seu entender, o processo produtivo encerrase somente com a venda do produto. Nesta mesma linha de defesa, pleiteia o reconhecimento de créditos em relação as aquisições de pallets e seus acessórios, pregos, etiquetas, utilizados para o empilhamento de caixas para o armazenamento e transporte; fitas e amarras, utilizadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets. Em relação aos créditos incidentes sobre os bens do imobilizado, o contribuinte afirma que a DRJ acolheu as conclusões do auditor fiscal, que simplesmente desconsiderou todos os créditos referentes as aquisições de imobilizados, por compreender que não gerava os referidos créditos, ora por não estarem de acordo com a DACON. Entretanto, o Recorrente afirma que as aquisições existem e foram contabilizadas pela empresa, ainda que isso tenha acontecido de maneira extemporânea. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.720506/200963 Acórdão n.º 3803003.722 S3TE03 Fl. 182 5 Por fim, o Recorrente colaciona diversos julgados administrativos, com a finalidade de demonstrar o seu direito, principalmente em relação ao critério adotado para apurar os créditos e ver afasta a redação da IN da SRF n.º 404/2004. Depois, requer a procedência do pedido e o reconhecimento do direito ao crédito e m exame. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Lirani Tratase de recurso voluntário tempestivo e por isso merece ser conhecido. O cerne da questão está em apurar o critério para definir o conceito de insumo, bem como definir onde inicia e conclui o processo produtivo de maçã. Conforme se extrai da decisão da DRJ citada no relatório, esta concluiu, com fundamento na IN da SRF n.º 404/2004, que: “no cálculo da contribuição nãocumulativa somente podem ser computados créditos apurados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços”. Entretanto, “data vênia”, a citada instrução normativa não oferece a melhor interpretação ao art. 3º da Lei n.º 10.833/2003, fica a impressão de que a IN se utiliza da legislação do IPI para construir o conceito de insumo para a apuração do PIS/PASEP e da COFINS não cumulativos. Todavia, salvo engano, mostrase inadequado comparar materialidades distintas como ocorre entre o IPI, cujo critério material é a industrialização, com critério material da COFINS que é o auferimento de receita. Deste modo, creio que o conceito restrito de insumo não se concilia com a base econômica do PIS e COFINS, cujo ciclo de formação não se limita à fabricação de um produto ou à execução de um serviço, abrangendo outros elementos necessários para a obtenção da receita com o produto ou serviço. Há quem defenda que o conceito de insumo aplicável ao PIS e COFINS deva ser o mesmo utilizado para o imposto de renda, visto que, para se auferir lucro, é necessário antes se obter receita. Aqueles que defendem esta tese argumentam no sentido de que o conceito de custos previsto na legislação do IRPJ, bem como o de despesas operacionais, é bem mais próprio de ser aplicado ao PIS e COFINS não cumulativos do que o conceito previsto na legislação do IPI. Por outro enfoque, o conceito amplo e irrestrito de insumo também não parecer ser a melhor interpretação da legislação, pois este visa incluir toda e qualquer despesa da empresa na obtenção do crédito da COFINS e PIS, ainda que totalmente desapegada de seu processo produtivo. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 6 Em outras palavras, compreendo que o conceito de insumos mais adequado é aquele em que se aceita como créditos as despesas relacionadas inseparavelmente aos elementos produtivos que proporcionam a existência do produto ou serviço, ou seja, um conceito intermediário entre aquele adotado para o IR e o IPI. Empilhadeiras Em relação aos custos de aquisição de GLP e manutenção das empilhadeiras, o contribuinte tem razão. As despesas com os serviços de manutenção desses equipamentos, quando comprovados por notas fiscais, geram crédito em seu favor, pois é inegável que as empilhadeiras são utilizadas diretamente na produção de bens, pois sem empilhadeiras não há que se falar no produto final, ainda mais porque as maças não são colhidas diretamente pelo consumidor no pomar, mas sim adquiridos, quanto “in natura” nas prateleiras dos supermercados e feiras. Assim, como negar que as empilhadeiras tem função essencial para fazer chegar as frutas até o consumidor ? Deste modo, ainda que o fruto esteja formado no momento que é colhido, por outro lado, é verdade que o processo produtivo não encerra com a colheita, mas sim, com a venda. Logo, as despesas com a manutenção das empilhadeiras geram direito ao crédito, em razão deste equipamento contribuir com a produção da maça, pois auxilia no acondicionamento da fruta nos caminhões para transporte. Além do que, já manifestei este posicionamento no ao PAF n.º 13005.000077/200502, de minha relatoria, e por isso mantenho esta linha de pensamento. A mesma sorte ocorre com as despesas com gás liquefeito (GLP) utilizado como combustível para estas empilhadeiras. Com o propósito de fundamentar este entendimento, cito o Recurso n.º 507.948 no PAF n.º 10630.001,064/200588, julgado em 26.08.2010, na 3.ª Câmara da 1ª Turma Ordinária, Acórdão n.º 330100.653: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 (...) COFINS NÃO CUMULATIVA. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS, Os pagamentos referentes à aquisição de serviços de terraplanagem, topografia e outros, bem assim, a locação de máquinas, equipamentos e veículos conferem direito a créditos do PIS, porque esses serviços são aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda, em consonância com o disposto na Solução de Consulta SRRF I 0 Disit n° 04/07.(grifo) Lubrificantes e Combustíveis Quanto a glosa referente aos lubrificantes e combustíveis, o auditor fiscal fundamenta o indeferimento do direito do contribuinte no argumento de que estes gastos são utilizados no transporte de maçã adquirida de terceiros, bem como na administração, manutenção civil e elétrica e na oficina de máquinas pesadas. Assim, considerando que o próprio contribuinte ilustra os autos com planilhas às fls. 55 e seguintes, por meio das quais discrimina os gastos com lubrificantes e combustíveis e neste documento informa de boafé que ocorreram gastos desses bens com Fl. 263DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.720506/200963 Acórdão n.º 3803003.722 S3TE03 Fl. 183 7 manutenção civil e elétrica, oficina de máquinas pesadas e administração, deste modo, recomendo o não reconhecimento em relação aos gastos desta natureza, tendo em vista que não estão vinculados ao processo produtivo e não atendem o II do art. 3º da Lei n.º 10.833/2003. Todavia, excluindo os gastos com lubrificantes e combustíveis relacionados a manutenção civil e elétrica, oficina de máquinas pesadas e administração, reconheço o direito ao creditamento em relação aos gastos especificamente vinculados a pomares e viveiros, já que esses estão relacionada ao processo produtivo. Na realidade, compulsando os autos, me parece que foi este o entendimento do agente fazendário quando comenta a respeito das despesas com combustível, fez constar no Termo de Verificação Fiscal o seguinte: Assim, de maneira análoga ao procedimento previsto no inciso II do parágrafo 8º do art. 3º das Leis 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002, método este adotado pela contribuinte, consoante DACONs apresentados, aplicamos aos valores de aquisição de combustíveis e lubrificantes constantes da memória de cálculo apresentada os percentuais de combustíveis e lubrificantes destinados aos pomares em produção e à formação de mudas, conforme tabela abaixo. Os valores finais, referentes a combustíveis e lubrificantes, após a aplicação dos percentuais estão dispostos na forma do anexo I. É evidente que o combustível não mantém contato direito com a maçã, e, nem poderia, entretanto, o combustível é indispensável para que o produção da maça aconteça, caso contrário os frutos apodreceriam nos pomares e não poderiam ser transportados. Além do que, os tratores são úteis para trabalhar o solo que será plantado, logo é preciso ter a percepção de que, em se tratando da atividade agroindustrial, o processo produtivo inicia com o preparo do solo e somente se encerra com a venda da fruta em bom estado de conservação. Cito, Acórdão n.º 330200.176, prolatado pela 2ª Turma da 3ª Câmara em data de 18/09/2009, que por sua vez tratou de diversos temas com destaque para os assuntos: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITO. OUTRAS DESPESAS. COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTES USADOS NA PRODUÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. (...) COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTES USADOS NA PRODUÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. As despesas com a aquisição de combustíveis, inclusive o GLP, e os lubrificantes usados no processo produtivo da adquirente dão direito ao crédito do PIS/Cofins naocumulativos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA CÂMARA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO do Fl. 264DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 8 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao crédito nas aquisições de GLP e lubrificantes para máquinas industriais. Publicado no DOU em: 22.07.2011 Alíquota Zero No tocante as aquisições de produtos com alíquotas zero, o contribuinte não tem razão, pois re reiterado é o entendimento da jurisprudência de que não se há falar em direito ao crédito de PIS e de COFINS relativo a operações de aquisição de produtos com alíquota zero, pois prevalece a interpretação de que o art. 153, IV, da CF adota a técnica de cobrança própria dos impostos sobre valor agregado, permitindo a compensação do imposto devido na operação subsequente com a importância recolhida na operação antecedente. Desta maneira, apenas os valores efetivamente pagos nas operações anteriores geram direito ao creditamento, quando não há pagamento, não falar em direito ao lançamento na escrita fiscal dos créditos em questão, pois a norma pressupõe a existência de cobrança na entrada produtos, o que não ocorre na hipótese de aquisição sujeita à alíquota zero. Bens Diversos Insurgese ainda quanto a glosa que recaiu sobre os créditos nas aquisições bens diversos, nos quais estão inseridos as despesas com a manutenção de máquinas, equipamentos, materiais de limpeza e higienização, manutenção de laboratório, ordenhadeira, medicamentos, cantoneiras usadas nas embalagens nas caixas de papelão, peças e serviços de manutenção de máquinas, tratores e pulverizadores, retroescavadeiras. Afirma que todos estes gastos são necessários a produção maçãs, queijos, e demais derivados do leite. Ressalta que inclusive promove a venda de animais. Argumenta que os produtos de higienização são aplicados nas ordenhas das vacas, onde sai o leite para produzir queijos e seus derivados, por isso reclama o crédito referente a aquisição de ordenhadeiras, medicamentos, remédios e despesas com laboratório, considerando que as vacas são as produtoras do leite e seus derivados que é o queijo, desta forma, todas as despesas no rebanho, é necessária e utilizada diretamente para a produção final do bem. Em relação as despesas de manutenção de máquinas e veículos, tratores, pulverizadores, assiste razão parcial ao contribuinte. Com efeito, não gera direito aos créditos as despesas com veículos de passeio, como, por exemplo, Gol, Meriva etc, pois estes são estão relacionados ao processo produtivo. Todavia, por outro lado, os gastos com manutenção de tratores e pulverizadores e retroescavadeiras, ocorre de forma diversa, uma vez que estes maquinários são utilizados na lavoura, seja para preparar o solo, seja para pulverizar as plantas e desta maneira estão vinculados ao processo produtivo. Conseqüentemente, os gastos com manutenção destes equipamentos geram direito aos créditos pleiteados. Compreendo que também não há que se falar em reconhecimento ao direito de crédito em relação as despesas com material de limpeza e higienização, tendo em vista que o contribuinte não constituiu prova de que essas despesas decorreram de exigência de legislação específica da Vigilância Sanitária. Igualmente a mesma sorte em relação as despesas de brincos bovinos, instalação de telas e cercas para rebanho. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.720506/200963 Acórdão n.º 3803003.722 S3TE03 Fl. 184 9 Já em relação as despesas com a conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes, penso que estão relacionados com o processo produtivo, principalmente quando se constata que se trata de empresa que tem por finalidade a produção e venda de animais e produção de frutas. Ora, deixar de considerar, por exemplo, que as despesas com a conservação de sêmen esteja vinculada com a produção animais, pareceme, “data vênia”, irrazoável e contrário ao que deseja a legislação. Material de Embalagem A mesma sorte ocorre em relação as aquisições relacionadas com material de embalagem para transporte, pois na Lei n.º 10.833/2003 não há restrição para o creditamento, pouco importa se a embalagem destinase a apresentação do produto, ou ao seu acondicionamento para transporte. Deste modo, o contribuinte tem direito aos créditos em relação as aquisições de insumos necessários para a elaboração dessas embalagens, como, por exemplo, as aquisições de pallets e seus acessórios, pregos, etiquetas, utilizados para o empilhamento de caixas para o armazenamento e transporte; fitas e amarras, utilizadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets. Inclusive as aquisições de cantoneiras, ao meu sentir, geram direito ao crédito, pois estas mostraramse indispensáveis para garantir a boa apresentação do produto e evitar que danifiquem no transporte, caso contrário, ausentes as cantoneiras as frutas seriam esmagadas e chegariam até o ponto de venda sem valor comercial. Imobilizado Em relação aos créditos incidentes sobre os bens do imobilizado, o contribuinte afirma que a DRJ acolheu as conclusões do auditor fiscal, que simplesmente desconsiderou todos os créditos referentes as aquisições de imobilizados, por compreender que não gerava os referidos créditos, ora por não estarem de acordo com a DACON. Contudo, a Recorrente afirma que as aquisições existem e foram contabilizadas., ainda que isso tenha acontecido de maneira extemporânea. Acontece que analisando os autos, compreendo que não assiste razão o contribuinte, pois a empresa comete vários equívocos que impossibilitam ao reconhecimento dos créditos sobre bens do imobilizado, a exemplo, cito que a Recorrente apurou efetivamente estes créditos em relação a bens que não são máquinas e nem equipamentos, ou seja, televisão, cadeira etc. Ante o exposto, dou provimento parcial para reconhecer o direito aos créditos em relação as despesas de GLP e manutenção de empilhadeiras; manutenção de tratores e pulverizadores e retroescavadeiras; lubrificantes e combustíveis gastos com viveiros e pomares; conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes e material de embalagem para transporte. (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Fl. 266DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 10 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 13706.001405/2007-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTERPOSIÇÃO PELA FAZENDA NACIONAL. POSSIBILIDADE.
Verificada a existência de omissão e contradição no julgado, é de se acolher os Embargos opostos pela Fazenda Nacional.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2202-002.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos, apresentados pela Fazenda Nacional, e retificar o Acórdão n.º 2202-002.161, de 23/01/2013, sanando a omissão e a contradição apontada, atribuir efeitos infringentes para converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann.
Nome do relator: NELSON MALLMANN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTERPOSIÇÃO PELA FAZENDA NACIONAL. POSSIBILIDADE. Verificada a existência de omissão e contradição no julgado, é de se acolher os Embargos opostos pela Fazenda Nacional. Embargos Acolhidos.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13706.001405/2007-44
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5209894
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2202-002.244
nome_arquivo_s : Decisao_13706001405200744.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : NELSON MALLMANN
nome_arquivo_pdf_s : 13706001405200744_5209894.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos, apresentados pela Fazenda Nacional, e retificar o Acórdão n.º 2202-002.161, de 23/01/2013, sanando a omissão e a contradição apontada, atribuir efeitos infringentes para converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
id : 4556362
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394828836864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13706.001405/200744 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2202002.244 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2013 Matéria Embargos Declaração Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado RUTH AMORA RAMOS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTERPOSIÇÃO PELA FAZENDA NACIONAL. POSSIBILIDADE. Verificada a existência de omissão e contradição no julgado, é de se acolher os Embargos opostos pela Fazenda Nacional. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos, apresentados pela Fazenda Nacional, e retificar o Acórdão n.º 2202002.161, de 23/01/2013, sanando a omissão e a contradição apontada, atribuir efeitos infringentes para converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 14 05 /2 00 7- 44 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN 2 Relatório RUTH AMORA RAMOS, contribuinte inscrita no CPF/MF 239.011.44749 com domicílio fiscal na cidade do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, à Rua Sá Ferreira, nº 171 – apto 302, Bairro Copacabana, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Rio de Janeiro RJ, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 22/23, prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro RJ, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 31/32. Contra a contribuinte acima mencionada foi lavrado, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Rio de Janeiro RJ, em 02/04/2007, Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 04/07), com ciência através de AR, em 10/04/2007 (fls. 11), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 8.232,28 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda, relativo ao exercício de 2004, correspondente ao anocalendário de 2003. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2004, onde a autoridade lançadora entendeu haver omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício, da análise das informações e documentos apresentados pela contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 59.787,84, recebidos pelo titular e/ou dependentes. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 10.126,92. Infração capitulada nos arts. 1° ao 3° e §§, e 8°, da Lei n.° 7.713, de 1988; arts. 1° ao 4°, da Lei n.° 8.134, de 1990; arts. 1° e 15, da Lei n.° 10.451, de 2002; arts. 43 e 45, do Decreto n.° 3.000/99 RIR/99. Em sua peça impugnatória de fl. 01, instruída pelos documentos de fls.02/03, apresentada, tempestivamente, em 07/05/2007, a contribuinte, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência da Notificação de Lançamento, com base, em síntese, no argumento de que as deduções estão comprovadas por meio dos documentos que anexa e amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que, a notificação n° 2004/607450137144020 de lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescido de multa e juros de mora não é aplicável. Eu sou isenta do Imposto de Renda por ser portadora de cardiopatia grave, desde 2001, de acordo com exames laboratoriais, laudo médico e conclusão da Junta Médica Pericial do Ministério da Fazenda, conforme processo n° 10768.004551/200547, cujos dados encaminho em anexo; que, na verdade, eu não sou devedora do Imposto de Renda, e sim, credora, por estar pagando o IR todos esses anos, descontado na fonte, apesar de ser isenta. Como pensionista do Ministério da Fazenda já obtive a isenção e desde 2005 não sou mais descontada na fonte. No entanto, no Ministério da Defesa, por dificuldade de locomoção e por não possuir o titulo original de pensão exigido pelo Exército, não fui capaz de entrar com o pedido de isenção do IR. Entendo não ser possível eu ser isenta de uma fonte e ter de pagar imposto de Fl. 77DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 13706.001405/200744 Acórdão n.º 2202002.244 S2C2T2 Fl. 3 3 renda na outra. O mais justo, seria ter os valores do imposto de renda, retidos no Exército, totalmente restituídos. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os membros da Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro concluíram pela improcedência da impugnação, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção, um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, e o outro se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal; que, apesar de alegar que seria pensionista do Comando do Exército não trouxe qualquer documento que pudesse comprovar a natureza dos rendimentos recebidos; que, com relação à moléstia grave apresentou o laudo de fl.8, expedido pela Junta Médica Pericial da GRHNUCAM no qual se verifica que a contribuinte é portadora de cardiopatia grave, sem especificar a data de inicio da moléstia grave. Desta forma cabe considerar a data de expedição do laudo, 10 de outubro de 2005, conforme disposto no art.5°, § 2º, inciso II, da IN SRF n°15/2001; que, por conseguinte, diante das exposições supra, a contribuinte não faz jus isenção prevista no inciso XIV do artigo 6°, da Lei n° 7.713/1988 com a redação dada pelo artigo 47 da Lei n° 8.541/1992 e alterações introduzidas pelo artigo 30 e §§ da Lei n° 9.250/1995. A ementa que consubstancia a presente decisão é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 21/12/2012, conforme Termo constante à fl. 25, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (10/01/2011), o recurso voluntário de fls. 31/32, instruído pelos documentos de fls. 32/34, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, a contribuinte apresentou impugnação relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, ano calendário 2003, por ser portadora de moléstia grave desde 2001; Fl. 78DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN 4 que, a impugnação foi considerada improcedente e o crédito tributário mantido com base na não comprovação da data de inicio da moléstia grave. Ora, a contribuinte não pode ser penalizada por falha do CAC, que não anexou o laudo médico GRHNUCAM (cópia em anexo). O laudo era documento essencial para o julgamento da impugnação; que, o laudo da Junta Médica Pericial do Ministério da Fazenda GRH NUCAM, de folha 42, datado de 17 de julho de 2007, ratifica laudo anterior e esclarece que o inicio da doença ocorreu em abril de 2001. Este documento refuta justificativa apresentada na folha 3 do Acórdão 1328.135 onde afirma que "a contribuinte é portadora de cardiopatia grave, sem especificar a data de inicio da moléstia grave". Na Sessão de Julgamento de 23 de janeiro de 2013, acordaram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, amparado no argumento de que estão isentos do imposto de renda os rendimentos de pensão recebidos por portador de doença grave. Assim, estando comprovado nos autos que a beneficiária passou preencher os requisitos legais exigidos, ou seja, ser portadora de doença grave (cardiopatia grave), comprovada mediante laudo pericial, emitido por junta médica oficial que estabeleceu, inclusive, quando a moléstia foi contraída, é de se declarar como sendo isentos tais rendimentos. Ciente da decisão, inconformada a Fazenda Nacional protocolizou, de forma tempestiva, o recurso de Embargos de Declaração. Observou, a representante da Fazenda Nacional, em sua assertiva de embargos, os seguintes aspectos: que ocorre que o acórdão embargado foi omisso sobre questão essencial ao deslinde da controvérsia. Não suficiente o aresto foi também contraditório; que, por outro lado, para demonstrar a existência do vício da omissão no julgado, cumpre enfatizar alguns excertos da decisão proferida pela DRJ de origem; que, nesse contexto, fica claro que o acórdão embargado não se manifestou quanto ao outro requisito para a concessão de isenção do IRPF nos termos da Lei nº 7.713/88, art. 6º, inciso XIV. A DRJ de origem, no caso, entendeu que referida norma determina o cumprimento de dois requisitos e que estes são cumulativos; que para a decisão de primeira instância, a contribuinte não havia logrado êxito em demonstrar o cumprimento dos dois requisitos para a concessão de isenção nos termos da Lei 7.713/88, art. 6º, XIV, quais sejam: natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, e a existência da moléstia grave nos termos como especificada em lei; que o acórdão embargado manifestouse apenas quanto ao cumprimento do segundo requisito: existência da moléstia grave à época do fato gerador do lançamento, até mesmo porque esses eram os limites da lide delineados no recurso voluntário de fls. 31/32. Contudo, não houve qualquer manifestação quanto ao cumprimento ou não do primeiro requisito (natureza dos valores recebidos) e suas repercussões sobre o lançamento. Evidenciado, portanto, o vício da omissão; que, além disso, a decisão objeto dos presentes embargos, nada obstante as considerações acima no sentido de não ter se manifestado quanto ao cumprimento do requisito referente à comprovação da natureza dos rendimentos, (ou seja, tendo analisado apenas Fl. 79DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 13706.001405/200744 Acórdão n.º 2202002.244 S2C2T2 Fl. 4 5 parcialmente a matéria diante dos termos de insurgência do recurso voluntário), deu provimento a este recurso, sem fazer qualquer ressalva ou limitação. Daí a contradição; que cabe destacar também que o acórdão embargado não se manifestou quanto ao fato de que o cumprimento ou não do requisito relativo à natureza dos valores recebidos, não foi objeto do recurso voluntário, sendo desta maneira alcançado pela preclusão; que, por fim, ad argumentandum tantum, ainda que o Colegiado a quo entendesse que a matéria deveria ser conhecida de ofício, lhe caberia declinar de forma clara e explícita os motivos que conduziram a esse convencimento. Daí, conhecida a matéria, deveria o Colegiado indicar as provas que o levaram a concluir que o requisito relativo à demonstração da natureza dos rendimentos recebidos estaria preenchido; que, portanto, revelase a necessidade de se aclarar o decisum, sanando as omissões/contradições/obscuridades acima apontadas, a fim de que a decisão deste Colegiado mostrese consentânea com tudo o que destes autos consta, bem como para que seu conteúdo reste claro e completo, não deixando qualquer margem de dúvidas para a interposição de recurso especial e/ou execução do julgado. Por fim, a representante da Fazenda Nacional, requer que sejam conhecidos e acolhidos os presentes Embargos de Declaração, a fim de sanar/retificar os vícios apontados e prequestionar as matérias que não foram objeto de análise expressa no acórdão embargado. Ao analisar os Embargos de Declaração apresentados pela Fazenda Nacional, o relator do acórdão questionado entendeu, que apesar de não constar, nos autos do processo, nenhuma solicitação por parte da autoridade fiscal lançadora e nem da autoridade julgadora, para que a contribuinte fizesse prova de que os valores em discussão tivessem origem em rendimentos de aposentadoria ou pensão, que cabe razão a Fazenda Nacional no sentido de que o colegiado deveria se posicionar quanto natureza dos valores recebidos, ou seja, para que os rendimentos recebidos fossem isentos deveria preencher os dois requisitos, quais sejam: o valor deveria ter origem em proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, e a existência da moléstia grave nos termos da lei. Diante desse entendimento, o relator se posicionou no sentido de que ocorreu hipótese prevista no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 256, do Ministro de Estado da Fazenda, de 22 de junho de 2009, no julgamento que culminou com o Acórdão n.º 2202002.161, de 23 de janeiro de 2013, propondo de que presente processo retorne ao relator para que o mesmo tome as providências necessárias para que se proceda a inclusão em Pauta de Julgamento para que a omissão apontada pela embargante seja sanada pelo colegiado da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção, conforme o previsto no § 3º do art. 66 do RICARF. É o Relatório. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN 6 Voto Conselheiro Nelson Mallmann Relator A matéria em discussão referese aos Embargos, apresentados pela Fazenda Nacional, assentado no argumento da existência de contradição no acórdão questionado, o qual, em tese, teria amparo legal no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 256, do Ministro de Estado da Fazenda, de 22 de junho de 2009. De acordo com o art. 7º, § 5º, da Portaria MF nº 527/2010, tratandose de processo eletrônico, o prazo para a interposição do recurso pela PGFN será contado a partir da data da intimação pessoal presumida ou em momento anterior, se o Procurador da Fazenda Nacional se der por intimado antes da data prevista no § 3° [30 dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN] mediante assinatura no documento de remessa e entrega do processo administrativo. Na hipótese dos autos, o despacho de encaminhamento dos autos do processo digital à PGFN data de 5/2/2013. Assim, a intimação presumida da PGFN ocorrerá em 4/3/2013. Já o prazo de 5 (cinco) para interposição de embargos tem como termo inicial o dia 5/3/2013 e final o dia 9/3/2013. Desse modo, é manifesta a tempestividade deste recurso anexado ao eprocesso em 6/2/13. Impressionou o representante da Fazenda Nacional, o fato do colegiado, da 2ª TO – 2ª Câmara – 2ª Seção de Julgamento do CARF, ter, por unanimidade de votos, dado provimento ao recurso do contribuinte sob o argumento básico de que estão isentos do imposto de renda os rendimentos de pensão recebidos por portador de doença grave. Assim, estando comprovado nos autos que a beneficiária passou preencher os requisitos legais exigidos, ou seja, ser portadora de doença grave (cardiopatia grave), comprovada mediante laudo pericial, emitido por junta médica oficial que estabeleceu, inclusive, quando a moléstia foi contraída, é de se declarar como sendo isentos tais rendimentos. Restou claro nos autos de que apesar de não constar, nos autos do processo, nenhuma solicitação por parte da autoridade fiscal lançadora e nem da autoridade julgadora, para que a contribuinte fizesse prova de que os valores em discussão tivessem origem em rendimentos de aposentadoria ou pensão, entendo que cabe razão a Fazenda Nacional no sentido de que o colegiado deveria se posicionar quanto natureza dos valores recebidos, ou seja, para que os rendimentos recebidos fossem isentos deveria preencher os dois requisitos, quais sejam: o valor deveria ter origem em proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, e a existência da moléstia grave nos termos da lei. De fato, o provimento do recurso voluntário se amparou nas seguintes premissas, verbis: A Como se depreende dos documentos apresentados, e em reconhecimento das assertivas aduzidas nas peças defensórias, restou comprovado na espécie, ter a contribuinte preenchido, a época dos fatos, os requisitos exigidos no conceito da legislação Fl. 81DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 13706.001405/200744 Acórdão n.º 2202002.244 S2C2T2 Fl. 5 7 pertinente, posto que, detinha moléstia grave (cardiopatia grave), diagnosticada por serviço médico oficial, cujo resultado, à luz da lei, permite o reconhecimento da isenção do imposto de renda da pessoa física sobre os valores recebidos a título de aposentadoria ou pensão. B Assim, estando comprovado, nos autos, que a beneficiário preenchia os requisitos legais exigidos, ou seja, o reconhecimento que a contribuinte é portadora de doença grave, comprovado mediante laudo pericial, emitido por junta médica oficial que estabeleceu, inclusive, quando a moléstia foi contraída e que os rendimentos foram percebidos durante período em que a contribuinte já era pensionista para todos os efeitos legais, é de se dar provimento ao recurso voluntário. Como visto, não entrou na discussão a origem dos rendimentos, ou seja, não se discutiu o fato de que os rendimento deveriam ter a sua origem em rendimentos de aposentadoria. Ora, o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu à hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de recurso do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado. Nesta linha de pensamento, é de se observar que à exclusão da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física se processa mediante observação de uma conjunção de procedimentos legais que permitam a livre formação de convicção do julgador. Assim sendo, o Estado não possui qualquer interesse subjetivo nas questões, também no processo administrativo fiscal. Daí, os dois pressupostos basilares que o regulam: a legalidade objetiva e a verdade material. Sob a legalidade objetiva, o lançamento do tributo é atividade vinculada, isto é, obedece aos estritos ditames da legislação tributária, para que, assegurada sua adequada aplicação, esta produza os efeitos colimados (artigos 3º e 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional). Nessa linha, compete, inclusive, à autoridade administrativa, zelar pelo cumprimento de formalidade essenciais, inerente ao processo. Daí, a revisão do lançamento por omissão de ato ou formalidade essencial, conforme preceitua o artigo 149, IX da Lei n.º 5.172, de 1966. Igualmente, o cancelamento de ofício de exigência infundada, contra a qual o sujeito passivo não se opôs (artigo 21, parágrafo 1º, do Decreto n.º 70.235, de 1972). Sob a verdade material, citemse: a revisão de lançamento quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado (artigo 149, VIII, da Lei n.º 5.172/66); as diligências que a autoridade determinar, quando entendêlas necessárias ao deslinde da questão (artigos 17 e 29 do Decreto n.º 70.235/72); a correção, de ofício, de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto (artigo 32, do Decreto n.º 70.235/72). Fl. 82DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN 8 Como substrato dos pressupostos acima mencionados, o amplo direito de defesa é assegurado ao sujeito passivo, matéria, inclusive, incita no artigo 5º, LV, da Constituição Federal de 1988. A lei não proíbe o ser humano de errar: seria antinatural se o fizesse; apenas comina sanções mais ou menos desagradáveis segundo os comportamentos e atitudes que deseja inibir ou incentivar. Todo erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, da forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. O fato gerador do Imposto de Renda da Pessoa Física é a situação objetivamente definida na lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Erros ou equívocos, em princípio, por si só, não são causa de nascimento da obrigação tributária. Nesse contexto, e levando em conta, que nos autos do processo não se encontram cópia dos Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, bem como não se encontram nenhuma declaração da fonte pagadora que tais rendimentos tem origem em rendimentos de aposentadoria ou de pensão, e no intuito de melhor instruir os autos para formação de convicção final sobre o assunto, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de receber um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido acolher os Embargos, apresentados pela Fazenda Nacional, e rerratificar o Acórdão n.º 2202002.161, de 23/01/2013, sanando a contradição apontada, atribuir efeitos infringentes para converter o julgamento em diligência para que a Repartição Origem tome as seguintes providências: 1 Intime a contribuinte a apresentar o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte, relativo ao anocalendário de 2003, bem como apresentar comprovante de que os rendimentos em discussão tem origem em aposentadoria ou pensão; 2 – Realização de intimações e diligências julgadas necessárias para formação de convencimento; 3 Que a autoridade se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre os documentos e esclarecimentos prestados, dandose vista a recorrente, com prazo de 05 (cinco) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 83DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por NELSON MALLMANN
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000278/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos. Não comprovada a omissão suscitada nos declaratórios, deve-se rejeitar os embargos.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3202-000.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Júnior e Rodrigo Cardozo Miranda declararam-se impedidos. Acompanhou o julgamento, pela contribuinte, o advogado Igor Vasconcelos Saldanha, OAB/DF nº. 20.191.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Leonardo Mussi da Silva.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201302
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos. Não comprovada a omissão suscitada nos declaratórios, deve-se rejeitar os embargos. Embargos rejeitados.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 18471.000278/2007-81
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5200959
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3202-000.640
nome_arquivo_s : Decisao_18471000278200781.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
nome_arquivo_pdf_s : 18471000278200781_5200959.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Júnior e Rodrigo Cardozo Miranda declararam-se impedidos. Acompanhou o julgamento, pela contribuinte, o advogado Igor Vasconcelos Saldanha, OAB/DF nº. 20.191. Irene Souza da Trindade Torres - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Leonardo Mussi da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
id : 4544970
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394881265664
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2017; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 2.432 1 2.431 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.000278/200781 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202000.640 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2013 Matéria EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos. Não comprovada a omissão suscitada nos declaratórios, devese rejeitar os embargos. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Júnior e Rodrigo Cardozo Miranda declararamse impedidos. Acompanhou o julgamento, pela contribuinte, o advogado Igor Vasconcelos Saldanha, OAB/DF nº. 20.191. Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 02 78 /2 00 7- 81 Fl. 2527DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Leonardo Mussi da Silva. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos tempestivamente pela contribuinte (fls. 2.383/2.391), em face do Acórdão nº 3202000.263, que negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Aponta a embargante que o voto condutor do Acórdão incorreu nas seguintes omissões: a) Omissão acerca da responsabilidade tratada no art. 124, inciso I, do CTN. Afirma que, muito embora mencionado o dispositivo legal no voto condutor do acórdão, não houve manifestação acerca da responsabilidade solidária das distribuidoras e postos de combustíveis e a possibilidade de o fisco, com base em tal dispositivo, direcionar a autuação contra aqueles que de fato deram causa ao não recolhimento da CIDE. b) Ausência de manifestação quanto ao argumento suscitado pelo não cabimento dos juros de mora e da multa. Aduz que trouxe alegações de defesa sobre tais pontos, muito embora o voto condutor tenha consignado que a matéria não foi abordada na impugnação e nem no recurso voluntário. c) Ausência de manifestação acerca da aplicação do Parecer Normativo n°1, de 24 de setembro de 2002. Alega que não se encontra no acórdão embargado qualquer alusão ao Parecer Normativo n °1 , de 24 de setembro de 2002, invocado pela Embargante nas razões do recurso voluntário interposto contra a decisão proferida pela DRJ. Ao final, requereu fossem os embargos acolhidos e providos, para sanar as omissões apontadas, inclusive com efeitos modificativos, para anular o Auto de Infração guerreado, ou, ao menos, excluir a aplicação dos j u r o s de mora e da multa. Subsidiariamente, requereu a manifestação da Turma julgadora sobre os artigos acima apontados, com vistas a futura interposição de recurso especial para a Câmara Superior de Recursos Fiscais. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O instituto dos embargos declaratórios tem por finalidade tornar clara a decisão embargada ou trazer à discussão matéria que foi omitida no julgamento, de tal sorte que a solução dada pelo órgão encarregado de resolver a controvérsia demonstre, com clareza, haver sido o objeto do litígio enfrentado em sua inteireza. Fl. 2528DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 18471.000278/200781 Acórdão n.º 3202000.640 S3C2T2 Fl. 2.433 3 Analisando o Acórdão embargado, verificase não haver nenhuma decisão sobre as questões trazidas à apreciação do Colegiado que mereçam esclarecimento ou que tenham sido omitidas no julgamento hostilizado. Inicialmente, devese deixar claro que, em sentido amplo, “ponto” é a matéria a respeito da qual o julgador deve decidir, enquanto “questão” é um ponto a respeito do qual as partes não estão de acordo. No ensinamento de Wambier1, podese dizer que, do ponto de vista técnico, questão é um ponto controvertido, pois é matéria sobre que o autor e réu discordam e sobre o qual o juiz deve proferir decisão. Não se deve, todavia, confundir questões com argumentos, os quais nada mais são do que as razões com que as partes pretendem demonstrar o direito pretendido. Aquelas as questões o julgador está obrigado a analisar uma a uma, já em relação aos argumentos das partes, o julgador não está obrigado a refutar a todos individualmente, bastandolhe encontrar uma linha de raciocínio e de fundamentação que sejam logicamente excludentes dos argumentos contrários. Tendo isso em mente, temse que o acórdão embargado em nada se omitiu. A questão trazida a debate – qual seja, a ilegitimidade da sujeição passiva, em razão de não ser a recorrente a contribuinte de fato – foi devolvida a julgamento, examinada em sua inteireza e decidida fundamentadamente. A decisão manifestouse no sentido de que o argumento de que se valia a recorrente, relativa à responsabilidade solidária das distribuidoras e postos de combustíveis, não era capaz de elidir a sua condição de contribuinte legal da CIDE, sendo cabível serlhe exigido o crédito tributário devido, vez que tal condição lhe foi expressamente atribuída pela Lei nº. 10.336/2001. Vejase trecho do voto condutor: “Por outro lado, em nada melhoraria a situação da contribuinte se se acatasse a hipótese de ocorrência de solidariedade passiva, disposta no art. 124, I, do CTN, pois ainda assim a autuação da recorrente seria pertinente, vez que haveria tão somente uma coresponsabilidade das distribuidoras e dos postos de combustíveis e todos os devedores solidários responderiam por toda a dívida sem qualquer benefício de ordem, podendo o credor exigir a obrigação de qualquer deles, conjunta ou individualmente (art. 2. 264 e 275 do CC e art. 124, parágrafo único, do CTN). ............................................................................................................................. Indene de dúvida, portanto, que a Petrobrás, no caso em questão, é a contribuinte da CIDE, pois a Lei nº. 10.336/2001, em seu artigo 2º, apontoulhe como devedora da prestação tributária. Aliás, tal situação não é questionada pela querelante, que em momento algum se exime da condição de contribuinte. Antes pelo contrário, afirma a todo o tempo ser a contribuinte de direito, alegando, apenas, que a contribuição deveria ser exigida daqueles que ela entende serem contribuintes de fato (quais sejam, as distribuidoras e os postos de combustíveis), vez que obtiveram decisões liminares favoráveis que lhes propiciaram um ganho econômico. Entendo, porém, que, como contribuinte definido por lei, a recorrente é a pessoa obrigada ao pagamento do tributo, pois foi com ela que se estabeleceu o vínculo jurídico obrigacional. As distribuidoras e os postos de combustível figuram apenas como meros adquirentes, participando da operação de comercialização das mercadorias, o que foge do âmbito jurídicotributário. É da contribuinte legal Petrobras que a Fazenda Pública deve exigir o tributo.” 1 Wambier, in Curso Avançado de Processo Civil; Vol. 1; 2ª Ed; pg. 420. Fl. 2529DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Quanto à alegada omissão em relação à aplicação dos juros e da multa, tem se que em nenhum momento foram tecidas alegações de defesa sobre tais questões, nem na impugnação, tampouco no recurso voluntário. Os trechos do recurso transcritos pela embargante, na tentativa de demonstrar que trouxe a questão à discussão, demonstram apenas o entendimento da recorrente de que, como não era devedora do principal, em decorrência disso não lhe poderiam ser exigidos os juros e a multa de ofício. Tal entendimento, com a devida vênia, não pode ser acolhido como questões de defesa expendidas pela interessada relativas, especificamente, à multa e aos juros. O que todo o tempo trouxe à baila a então recorrente foi a sua insurgência quanto à sujeição passiva, o que foi analisado no voto condutor do Acórdão. Quanto à ausência de manifestação acerca do Parecer Normativo nº1, de 24 de setembro de 2002, temse que o julgador não está obrigado a refutar um a um os argumentos das partes basta que encontre uma linha de raciocínio e de fundamentação que sejam logicamente excludentes dos argumentos contrários. Justamente o acontecido no caso sob exame. Neste ponto, inclusive, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento dos Embargos de Declaração no Recurso Especial 2005/01635640, já manifestou o entendimento de que, por força do princípio do livre convencimento, o julgador, ao apreciar a lide, não está obrigado a emitir pronunciamento, ponto a ponto, sobre as teses elencadas pelas partes, mas tãosomente a fundamentar coerentemente as razões que o levaram a decidir desta ou daquela maneira, utilizandose dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso. Vêse da leitura do voto condutor que a matéria em julgamento está bem delimitada e os fundamentos que arrimaram o decisum foram expostos com clareza meridiana e em português vernacular. Daí poderse afirmar que o texto do acórdão embargado não oferece qualquer dificuldade para compreensão de seu conteúdo, tampouco houve omissão de ponto sobre o qual deveria pronunciarse o Colegiado. Na realidade, o que a Embargante parece pretender é rediscutir os fundamentos do julgado por meio dos embargos, os quais não são o remédio processual adequado para o reexame dos fundamentos da decisão e para eventual correção de erro no julgado. Com essas considerações, REJEITO os embargos de declaração opostos. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 2530DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 18471.000278/200781 Acórdão n.º 3202000.640 S3C2T2 Fl. 2.434 5 Fl. 2531DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
