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Numero do processo: 10580.011601/2004-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2000, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000,
31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 30/11/2000,
31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/07/2001,
31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 31/12/2001, 31/05/2002, 31/07/2002,
31/08/2002, 31/10/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 31/03/2003, 31/05/2003,
30/06/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003,31/12/2003
DILIGÊNCIA. APURAÇÃO. NÃO CONTESTAÇÃO. CONCORDÂNCIA
TÁCITA.
Tendo sido realizada diligência de acordo com resolução aprovada pelo órgão
julgador, a não contestação de seu resultado pela Interessada no prazo
concedido implica concordância tácita com os termos de sua apuração.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2000, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000,
31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 30/11/2000,
31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/07/2001,
31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 31/12/2001, 31/05/2002, 31/07/2002,
31/08/2002, 31/10/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 31/03/2003, 31/05/2003,
30/06/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003,31/12/2003
COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. LEI Nº
9.718, DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE.
A majoração da base de cálculo da contribuição, promovida pela Lei no
9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal
Federal, cabendo a incidência da contribuição somente sobre o faturamento
da pessoa jurídica.
AÇÃO FISCAL. APURAÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS E POSITIVOS.
COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
É possível a compensação entre saldos positivos e negativos de um mesmo
tributo apurados pela Fiscalização na ação fiscal.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.122
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro
Alexandre Gomes acompanhou o relator pelas conclusões.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2000, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 31/12/2001, 31/05/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 31/10/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 31/03/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003,31/12/2003 DILIGÊNCIA. APURAÇÃO. NÃO CONTESTAÇÃO. CONCORDÂNCIA TÁCITA. Tendo sido realizada diligência de acordo com resolução aprovada pelo órgão julgador, a não contestação de seu resultado pela Interessada no prazo concedido implica concordância tácita com os termos de sua apuração. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/2000, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 31/12/2001, 31/05/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 31/10/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 31/03/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003,31/12/2003 COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. LEI Nº 9.718, DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE. A majoração da base de cálculo da contribuição, promovida pela Lei no 9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cabendo a incidência da contribuição somente sobre o faturamento da pessoa jurídica. AÇÃO FISCAL. APURAÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS E POSITIVOS. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Fl. 163DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.011601/200450 Acórdão n.º 330201.122 S3C3T2 Fl. 2 2 É possível a compensação entre saldos positivos e negativos de um mesmo tributo apurados pela Fiscalização na ação fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Alexandre Gomes acompanhou o relator pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de retorno de diligência aprovada pela Resolução no 20100.709, de 20 de setembro de 2007 (fls. 121 a ), da antiga Primeira Câmara do 2o Conselho de Contribuintes, cujo relatório foi o seguinte: Tratase de recurso voluntário (fls. 91 a 114) apresentado em 17 de abril de 2007 contra o Acórdão nº 1512.185, de 23 de fevereiro de 2007, da DRJ de Salvador – BA (fls. 82 a 86), cientificado em 9 de março de 2007, que considerou procedente auto de infração da Cofins lavrado em 18 de novembro de 2004, relativamente aos períodos de apuração de janeiro de 2000 a dezembro de 2003, nos seguintes termos: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins “Data do fato gerador: 31/01/2000, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 31/12/2001, 31/05/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 31/10/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 31/03/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 Fl. 164DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.011601/200450 Acórdão n.º 330201.122 S3C3T2 Fl. 3 3 “INCONSTITUCIONALIDADE. “A Secretaria da Receita Federal, como órgão da administração direta da União, não é competente para decidir quanto à inconstitucionalidade de norma legal. “COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. “A compensação é opção do contribuinte, e o fato de este ser detentor de créditos junto à Fazenda Nacional não invalida o lançamento de ofício relativo a débitos posteriores, quando não restar comprovado, por meio de documentos hábeis, ter exercido a compensação antes do início do procedimento de ofício. “Lançamento Procedente” Segundo o auto de infração, foram apuradas diferenças no recolhimento da contribuição, em face da apuração efetuada com base na escrituração da Interessada. No recurso, após analisar a decisão de primeira instância, alegou a Interessada que ela seria nula, em razão de haver a Fiscalização apurado de ofício créditos que não foram compensados e o acórdão haver oposto o argumento de que não teria sido apresentada prova da realização da compensação anteriormente ao lançamento e não haver sido especificada a prova a ser produzida. Dessa forma, a apuração realizada pela Fiscalização seria “a única prova exigível”. Reproduziu a ementa e trechos do julgamento da ação cautelar em mandado de segurança do processo 26.3580, do qual foi relator o Ministro Celso de Mello. A seguir, alegou que os valores recolhidos a maior apurados pela Fiscalização deveriam ser compensados com os valores apurados a menor. Ademais, seria cabível a exclusão de outras receitas, tendo em vista que a base de cálculo da Cofins seria somente o faturamento, o que implicaria a apuração de novo crédito, o que importaria que, no período abrangido pela autuação, não restassem diferenças a recolher, mas sim créditos. Afirmou que os valores foram informados em DCTF, o que seria suficiente para reconhecer os créditos. Tratou a seguir do alargamento da base de cálculo da contribuição, que seria inconstitucional, nos termos do entendimento do Supremo Tribunal Federal. A resolução aprovada requereu o seguinte, após considerar a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da Cofins: Dessa forma, à vista de a Fiscalização haver informado em seu relatório que as principais diferenças apuradas no lançamento teriam decorrido do novo conceito de faturamento introduzido Fl. 165DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.011601/200450 Acórdão n.º 330201.122 S3C3T2 Fl. 4 4 pela Lei nº 9.718, de 1998, e a Recorrente, em seu recurso, alegar referiremse a recuperação de ICMS pago indevidamente ao Estado em face de substituição tributária, entendo ser necessária a realização de diligência, para esclarecer a origem específica das diferenças. Voto, assim, por converter o julgamento em diligência, para que a Fiscalização, intimando a Interessada, que deverá prestar todas as informações necessárias ao deslinde da matéria, esclareça a origem específica das diferenças, indicando as contas contábeis das quais se originaram. Deverá ser esclarecida, no levantamento, a aplicação de leis posteriores à Lei nº 9.718, de 1998, que tenham alterado o conceito de faturamento. Posteriormente, deverá elaborar demonstrativo, indicando que parte da base de cálculo estaria abrangida somente pelo conceito de faturamento da Lei nº 9.718, de 1998. Além disso, a Fiscalização deverá indicar os valores apurados a maior, calculados com base nas diferenças a menor das bases de cálculo apuradas em face das contribuições declaradas e pagas. Por fim, deverá dar ciência à Recorrente, para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, expondo eventuais razões de discordância. A diligência foi realizada nas fls. 130 a 156, tendo concluído o seguinte a Fiscalização: Tendo em vista o cumprimento da solicitação de diligência fiscal, constante na página 126, considerando que nas impugnações e recursos voluntários existem indicações de valores de receitas divergentes dos informados pelo contribuinte, no curso da ação fiscal que ensejou a lavratura de Autos de Infração, através de planilhas apresentadas pelo autuado, conforme pág. 20/23, no exercício das funções de Auditor fiscal da Receita Federal do Brasil, respaldado no RPF 2008006011, lavramos o Termo de Diligencia Fiscal/Solicitação de Documentos IT 001, pag. 130/131, no qual, INTIMAMOS o diligenciado a ratificar as informações constantes nas citadas planilhas ou, sendo o caso, apresentar planilhas retificadas e descrever a natureza de todas as receitas constantes das planilhas. Em resposta ao citado Termo, o contribuinte apresentou planilhas ratificando as informações constantes nas planilhas originais, pág. 138/141 e informou a natureza das diversas receitas, pág. 137. No tocante a "outras receitas" a diligenciada informou tratarse de "recuperação de despesas, reembolso de pagamentos indevidos, etc." Isto posto, lavramos o Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos no 002, pág. 142/143, no qual, INTIMAMOS a Fl. 166DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.011601/200450 Acórdão n.º 330201.122 S3C3T2 Fl. 5 5 diligenciada a descrever precisamente a natureza de todas as receitas constantes das planilhas apresentadas, a titulo de "outras receitas". Em resposta ao citado Termo a diligenciada informou, pág 144, que as referidas receitas "...tratamse de reembolso de ISS pago em duplicidade conforme escriturado na conta 50202010004." Da análise da conta 30202010004, referente aos anos de 2001 e 2002, respectivamente pág. 1877 e 2103/2104 dos Livros Razão, pág 145/147, constatamos um lançamento, a titulo de reembolso de ISS, no valor de R$ 26.370,55, que consta nas planilhas como sendo referente ao mês de junho de 2001, mas que na verdade referente ao mês de maio daquele ano, excluindo este valor da base de cálculo do tributo para o mês de junho de 2001, sua base de cálculo será R$ 2.723.555,68. Considerando a referida exclusão, os valores pagos e/ou declarados a maior e os valores objeto de parcelamento, a situação fiscal do contribuinte será a demonstrada nas planilhas "DEMONSTRATIVO DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA PARA A DILIGÊNCIA". Procedendo a compensação dos valores pagos a menor com os valores pagos a maior conforme planilhas "DEMONSTRATIVO DE COMPENSAÇÃO" nas quais cobramos juros e multa de mora, baseado nos arts 950 e 953 do RIR/99 (Decreto 3.000/99), quando compensamos valores pagos a menor com excesso de pagamentos efetuados em data posterior ao período de apuração, quando aconteceu o contrário, pagamos juros de mora. Restando a favor do fisco os valores em negrito, correspondentes aos meses de junho e agosto a dezembro de 2003. Observamos que o diligenciado não retificou as DCTFs nem os DARFs do período objeto do Auto de Infração. Intimada do resultado da diligência, a Interessada não se manifestou (fl. 159). É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. No tocante à compensação mútua de valores a maior e a menor apurados na ação fiscal, não se trata da compensação prevista no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, realizada pelo sujeito passivo, mas de supostamente cabível compensação de ofício em procedimento de apuração dos valores devidos para efeito de lançamento em auto de infração. Fl. 167DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.011601/200450 Acórdão n.º 330201.122 S3C3T2 Fl. 6 6 Dessa forma, não há impedimento legal a que a Fiscalização adote o procedimento de mútua compensação, especialmente por se tratar de créditos e débitos de um mesmo tributo ou contribuição apurados de ofício. Assim, ficam prejudicadas as alegações de nulidade do acórdão de primeira instância. Ademais, o novo Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes foi aprovado recentemente pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007. Em seu art. 49 dispõe o seguinte: Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n.º 10.522, de 19 de junho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. Conforme o inciso I do parágrafo único acima, se existente decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal a respeito da matéria constitucional, a Câmara poderá (na realidade, deverá, em face de se tratar de princípio de direito público) afastar a aplicação da lei inconstitucional. Em 15 de agosto de 2006, publicouse decisão do Pleno do STF no âmbito dos recursos extraordinários 357.950 e 358.273, transitada em julgado em 5 de setembro, que considerou inconstitucionais as alterações das bases de cálculo do PIS e da Cofins promovidas pela Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º, § 1º. O Acórdão e a ementa tiveram as seguintes redações: Após os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio (Relator), Carlos Velloso e Sepúlveda Pertence, conhecendo do recurso e provendoo, em parte, e dos votos dos Senhores Ministros Cezar Peluzo e Celso de Mello, provendoo, integralmente, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau. Falaram, pela recorrente, o Dr. Ives Gandra da Silva Martins e, pela recorrida, o Dr. Fabrício da Soller, Procurador da Fazenda Nacional. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Fl. 168DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.011601/200450 Acórdão n.º 330201.122 S3C3T2 Fl. 7 7 Nelson Jobim (Presidente). Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie (VicePresidente). Plenário, 18.05.2005. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Plenário, 15.06.2005. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09.11.2005. CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Portanto, é cabível a exclusão das receitas que não se classificam como faturamento da base de cálculo da contribuição. Em relação ao que foi apurado pela Fiscalização, a Interessada não se manifestou, o que implicou concordância tácita com o resultado da diligência. Fl. 169DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10580.011601/200450 Acórdão n.º 330201.122 S3C3T2 Fl. 8 8 À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para manter o lançamento nos termos apurados na diligência. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 170DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 10680.005591/2007-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1998
LANÇAMENTO. ERRO.
Não pode prosperar o lançamento quando a autoridade fiscal aplica ao caso norma tributária que regula fato distinto do efetivamente apurado.
Numero da decisão: 1201-000.419
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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Numero do processo: 10665.000661/2006-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá pedidos de diligência ou perícia que entender prescindíveis para a formação de sua convicção, sem
que isto constitua cerceamento de direito de defesa.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA.
CABIMENTO. A diligência ou perícia não se presta à produção de prova documental que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor aquelas feitas pela fiscalização.
DESPESAS MÉDICAS E ODONTOLÓGICAS. COMPROVAÇÃO. Podem
ser deduzidos como despesas médicas e odontológicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, limitando-se aos pagamentos especificados e comprovados.
FALTA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO OU RECOLHIMENTO A
MENOR. PENALIDADE. Sendo apurada, pela Fiscalização, falta ou
insuficiência de recolhimento de imposto, cabível a aplicação da multa de 75% sobre a totalidade ou a diferença apurada, conforme previsto no artigo 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 1996.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA SÚMULA
CARF N° 2. Nos termos da Súmula nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2101-001.190
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau e o pedido de realização de perícia, e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá pedidos de diligência ou perícia que entender prescindíveis para a formação de sua convicção, sem que isto constitua cerceamento de direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. CABIMENTO. A diligência ou perícia não se presta à produção de prova documental que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor aquelas feitas pela fiscalização. DESPESAS MÉDICAS E ODONTOLÓGICAS. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas e odontológicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, limitando-se aos pagamentos especificados e comprovados. FALTA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO OU RECOLHIMENTO A MENOR. PENALIDADE. Sendo apurada, pela Fiscalização, falta ou insuficiência de recolhimento de imposto, cabível a aplicação da multa de 75% sobre a totalidade ou a diferença apurada, conforme previsto no artigo 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 1996. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA SÚMULA CARF N° 2. Nos termos da Súmula nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá pedidos de diligência ou perícia que entender prescindíveis para a formação de sua convicção, sem que isto constitua cerceamento de direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. CABIMENTO. A diligência ou perícia não se presta à produção de prova documental que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor aquelas feitas pela fiscalização. DESPESAS MÉDICAS E ODONTOLÓGICAS. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas e odontológicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, limitandose aos pagamentos especificados e comprovados. FALTA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO OU RECOLHIMENTO A MENOR. PENALIDADE. Sendo apurada, pela Fiscalização, falta ou insuficiência de recolhimento de imposto, cabível a aplicação da multa de 75% sobre a totalidade ou a diferença apurada, conforme previsto no artigo 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 1996. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA SÚMULA CARF N° 2. Nos termos da Súmula nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau e o pedido de realização de perícia, e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _________________________________ JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) _________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, José Evande Carvalho Araújo, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Em desfavor do contribuinte CARLOS AMADOR ÁLVARES DA SILVA, supra qualificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02 a 12, no qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) correspondente aos anoscalendário de 2001, 2002, 2003 e 2004 (exercícios 2002, 2003, 2004 e 2005), no valor total de R$ 24.609,75 (vinte e quatro mil, seiscentos e nove reais e setenta e cinco centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 31/08/2006, perfazendo um crédito tributário total de R$ 54.503,12 (cinqüenta e quatro mil, quinhentos e três reais e doze centavos). As infrações apontadas encontramse relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 03 a 05, sendo, fundamentalmente, a dedução indevida de despesas médicas (glosa do valor de R$ 16.000,00, fato gerador em 31/12/2001; glosa do valor de R$ 27.000,00, fato gerador em 31/12/2002; glosa do valor de R$ 25.380,00, fato gerador em 31/12/2003; e glosa do valor de R$ 21.110,00, fato gerador em 31/12/2004). Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou, em 10 de novembro de 2006, impugnação às fls. 53 a 64, juntamente com a documentação de fls. 173 a 201. Citando doutrina e jurisprudência, o contribuinte faz suas alegações e ao final pede: o cancelamento do Auto de Infração em face da comprovação da origem dos descontos realizados na sua Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física, cancelandose, por conseguinte, a multa e os juros aplicados; não sendo o acolhimento do pleito supra bastante para liquidar o crédito ou caso o mesmo não seja acolhido, pede o cancelamento do Auto de Infração, ainda, em razão das dúvidas quanto à punibilidade, circunstâncias materiais do fato e/ou natureza da penalidade aplicada; Fl. 197DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10665.000661/200679 Acórdão n.º 210101.190 S2C1T1 Fl. 188 3 sucessivamente, caso não seja acolhido o pleito supra, pede seja cancelada a multa de 75% por violação aos princípios da anterioridade e irretroatividade, ou em razão do confisco ou, ainda, reduzida aos justos limites, por se tratar de violação ao principio da razoabilidade e proporcionalidade; o cancelamento da taxa Selic. Ao examinar o pleito, a 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte decidiu pela procedência do lançamento, por meio do Acórdão n.º 0229.128 – 6, de 21 de outubro de 2010, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA EM VIGOR. ARGUIÇÃO. Para o contribuinte fazer jus a dedução de despesas médicas, é necessária a efetiva comprovação dos serviços e dos dispêndios realizados. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, salvo quando da existência de Súmula com publicação de ato pelo Ministro de Estado da Fazenda vinculando a administração tributária federal. No processo administrativo fiscal, não se aprecia questões de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade de lei, decreto ou ato normativo em vigor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente cientificado dessa decisão em 12 de janeiro de 2011, o contribuinte ingressou, em 11 de fevereiro de 2011, com tempestivo recurso voluntário. Em sua peça recursal, alega que a autuação foi feita com base em mera presunção da não prestação dos serviços médicos e odontológicos declarados como deduções nas suas declarações de ajuste dos anoscalendário correspondentes à fiscalização de que trata este processo. Cita a doutrina a fim de sustentar sua tese de que, na presunção, deve sempre haver um fato, provado e certo, que serve de base para a presunção, e este fato deve estar plenamente provado, e que tanto as presunções como os indícios que a Fiscalização entende existirem mostramse desprovidos de qualquer elemento sólido para embasar a autuação fiscal. Desse modo, a alegação da Fiscalização de que os serviços não foram efetivamente prestados não seria juridicamente suficiente para autorizar a lavratura de um Auto de Infração com exigência de tributação e imposição de multa, por não haver prova cabal. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Sustenta que o fato de as microfilmagens dos cheques dados em pagamento a determinados tratamentos médicos não terem sido apresentadas não conduz à conclusão de que os recibos a eles correspondentes foram “comprados”, haja vista terem sido os respectivos valores pagos em moeda corrente. Além disso, a Autoridade Administrativa deveria ter intimado os profissionais que emitiram os recibos para que estes prestassem informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil, para confirmar ou negar a efetiva prestação dos serviços. Transcreve o artigo 46 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n.º 15, de 2001, citando ainda doutrina e jurisprudência administrativa e judicial a fim de embasar seu entendimento que os recibos emitidos por médicos e odontólogos são suficientes para comprovar tanto a prestação dos serviços quanto o seu pagamento. Aponta ter havido cerceamento do direito de defesa, tendo em vista ter requerido à Autoridade Fiscal a realização de diligência para a verificação quanto à efetiva realização dos serviços, com análise dos emitentes dos recibos e cruzamento dos dados das suas respectivas contas bancárias, e ainda que fosse realizado pedido de informações às instituições financeiras. Nesse ponto, alega que a Fiscalização não se dignou a solicitar informações adicionais nem das instituições financeiras nem dos emitentes dos recibos. Não seria, a seu ver, razoável, exigir do contribuinte a realização de prova nesse sentido, por serem condições impossíveis de serem cumpridas. Entende ser descabida a exigência de multa sobre o imposto apurado, ante a inexistência de alegação de dolo específico. Transcreve ementa de decisão do Superior Tribunal de Justiça, na qual se manifesta o entendimento que, na ausência de prova de máfé, falsificação ou de adulteração, deve ser dada interpretação mais favorável ao contribuinte. Propugna pela aplicação do artigo 112 do Código Tributário Nacional CTN e da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Caso não se entenda pela exclusão das multas aplicadas, defende ser necessária a redução da “multa de mora” de 75% para 20% do imposto devido, devendo ser aplicado o artigo 61, § 2.º, da Lei n.º 9.430, de 1996. Transcreve o dispositivo mencionado e ementa de julgado do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, no qual se aplica a multa de 20%. Defende que, não se concedendo a exclusão da multa, ela deve ser reduzida para 20%, por entender que o artigo 61, § 2.º, da Lei n.º 9.430, de 1996, não se aplica aos casos em que ainda não houve lançamento de ofício, pois, para estes, resta configurada a denúncia espontânea, que exclui a multa na sua integralidade. Além do mais, a multa de 75% sobre o imposto devido seria confiscatória, o que conclui ante ementa de julgado do Tribunal Regional Federal da Primeira Região, o qual transcreve. Em suma, o contribuinte requer: a) O cancelamento da autuação no que diz respeito à glosa referente aos recibos médicos e odontológicos apresentados, eis que baseada em presunções. b). Que se declare a nulidade da decisão de primeira instância administrativa sob a alegação de cerceamento ao direito de defesa, tendo em vista não ter sido realizada requerida diligência pela Autoridade Fiscal, para a verificação quanto à efetiva realização dos serviços. Requer, outrossim, a realização da referida diligência. c) A exclusão das multas aplicadas, ou, ao menos, a sua redução para 20%, com base no artigo 61, § 2.º, da Lei n.º 9.430, de 1996, em razão (i) da inexistência de dolo específico e (ii) por terem caráter confiscatório. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10665.000661/200679 Acórdão n.º 210101.190 S2C1T1 Fl. 189 5 É o Relatório. Voto Conselheiro Celia Maria de Souza Murphy O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. 1. Da nulidade da decisão de primeira instância administrativa. De acordo com o que prevê o Decreto n.º 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O Recorrente propugna pela nulidade da decisão de primeira instância administrativa, em vista de um suposto cerceamento do direito de defesa, por não ter sido realizada diligência solicitada. Alega ter requerido a realização de diligência consistente na solicitação, pelo Fisco, de informações às instituições financeiras a fim de identificar depositantes; no entanto, a Fiscalização não se dignou a solicitar, além dos extratos, informações adicionais, nem das instituições financeiras, nem dos emitentes dos recibos. Sobre o assunto, salientase não ser nula a decisão de primeira instância que indefere a realização de diligência. A teor do artigo 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, a autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. As diligências e perícias servem para esclarecer questões que se mostram obscuras para o julgador. No presente caso, a autoridade julgadora entendeu que a diligência solicitada não era necessária. O contribuinte pede mais uma vez, agora em sede de Recurso Voluntário, a realização de diligência para a verificação quanto à efetiva realização dos serviços médicos e odontológicos, com “análise dos emitentes dos recibos” e cruzamento de dados das suas contas bancárias, além dos extratos e informações adicionais, das instituições financeiras e dos emitentes dos recibos. Entendo que a providência é desnecessária. A comprovação da efetiva prestação dos serviços médicos e odontológicos, bem como do correspondente desembolso para a prestação dos referidos serviços é ônus do contribuinte, eis que, para tal fora intimado. Não há, portanto, que se atender ao seu requerimento. O que busca o recorrente com esta diligência é a produção de prova documental que ele mesmo já deveria ter providenciado, para Fl. 200DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 contrapor aquelas feitas pela fiscalização. Sendo assim, não há que se falar em nulidade da decisão de primeira instância administrativa. Não vislumbro cerceamento ao direito de defesa. Em situações análogas, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem se manifestado nesse sentido: DILIGÊNCIA CABIMENTO A diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante, quando entendêla necessária. Deficiências da defesa na apresentação de provas, sob sua responsabilidade, não implicam na necessidade de realização de diligência com o objetivo de produzir essas provas. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá pedidos de diligência ou perícia que entender impraticáveis ou prescindíveis para a formação de sua convicção, sem que isto constitua cerceamento de direito de defesa (Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 10422352 do Processo 11516003285200489. Data: 25/04/2007). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DILIGÊNCIA DESCABIMENTO Não é de ser acolhido pedido de diligência formulado pelo Recorrente para obtenção de informações que ele próprio poderia trazer aos autos, máxime para contraditar base de cálculo do imposto sobre a qual não existe fundada dúvida. Recurso negado (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 10611450 do Processo 116180008159914. Data: 16/08/2000). PEDIDO DE DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE E PERTINÊNCIA A diligência não pode ser utilizada para inverter o ônus da prova em desfavor do fisco. A diligência não é um direito subjetivo do recorrente. Para que o pedido de diligência seja deferido pela autoridade julgadora, o recorrente deve provar sua necessidade (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária. Data: 23/01/2008). Concluise, assim, que não cabe ao fisco produzir prova em favor do contribuinte, comprovando que as despesas médicas e odontológicas declaradas foram efetivamente realizadas, mas sim ao próprio contribuinte, que para isso foi regularmente intimado. O agente da Fiscalização agiu dentro das prerrogativas legais, com base no disposto no caput do artigo 73 do Decreto n° 3.000, de 1999, o qual prevê estarem todas as deduções sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, observando, portanto, o principio da legalidade. É dever do Auditor Fiscal, no desempenho de suas atividades, sob pena de responsabilidade funcional, certificarse que os valores utilizados como deduções pelo contribuinte estão de acordo com a lei. No caso em pauta, a insuficiência da prova da efetiva prestação dos serviços e do efetivo desembolso do valor a eles correspondente, em que se baseou a fiscalização para efetuar o lançamento, é válida e plenamente aceitável para embasar a lavratura do Auto de Infração, cabendo ao contribuinte suprir essa insuficiência, através da apresentação de outros documentos que revelassem a impropriedade da constituição do crédito tributário, o que não foi feito. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10665.000661/200679 Acórdão n.º 210101.190 S2C1T1 Fl. 190 7 A Lei n.º 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo em geral, assim prevê: Art. 4.º São deveres do administrado perante a Administração, sem prejuízo de outros previstos em ato normativo: I expor os fatos conforme a verdade; II proceder com lealdade, urbanidade e boafé; III não agir de modo temerário; IV prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. É direito do sujeito passivo apresentar provas que possam impugnar o lançamento, assim como é seu dever colaborar com a Administração, fornecendo todos os documentos solicitados, sempre que regularmente intimado, com o objetivo de facilitar o conhecimento do fato jurídico tributário pela autoridade lançadora e de subsidiar a tomada de decisão do julgador. A recusa do sujeito passivo em colaborar com a Administração não pode ser suprida por diligências, além do mais se desnecessárias e custeadas pelo Poder Público. Assim, por não verificar qualquer hipótese capaz de gerar a nulidade da decisão de primeira instância, rejeito a alegação do Recorrente. Indefiro o pedido de diligência, por não se prestar esta a suprir prova documental que cabia ao contribuinte produzir. 2. Cancelamento da autuação, no que diz respeito à glosa referente aos recibos médicos e odontológicos apresentados, por ter sido baseada em presunções Em sua peça recursal, o contribuinte pleiteia a nulidade do Auto de Infração, alegando que a fundamentação utilizada na autuação não possui qualquer alicerce jurídico, haja vista ter sido conduzida por mera presunção de não comprovação dos serviços, sem a devida comprovação ao final dos procedimentos especiais de fiscalização. Ressaltando não ter incorrido em fraude, entende que o fato de não ter apresentado as microfilmagens dos cheques dados em pagamento dos serviços médicos se deu porque os pagamentos foram feitos em espécie, e que os recibos não foram “comprados”. Além do mais, a autoridade administrativa sequer se deu ao trabalho de intimar os profissionais que emitiram os recibos, para que prestassem informações confirmando ou negando a efetiva prestação dos serviços. Vejamos o que diz a legislação que rege a matéria. Vejamos o que diz a legislação que rege a matéria. O artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda, assim prescreve: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, Fl. 202DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §4º). (...) Conforme consta da Folha de Continuação do Auto de Infração, na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 3), observase que o contribuinte foi intimado a: 1. Comprovar, com documentos originais, todas as deduções lançadas em sua Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário 2001, 2002, 2003 e 2004; 2. Comprovar, com documentação hábil e idônea, a efetiva utilização dos serviços médicos, mediante a apresentação, conforme o caso, de orçamentos, pedidos de exames, prescrição de receitas, ou qualquer outro documento que comprove a utilização dos serviços; 3. Comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas, juntando cópia de cheques, ordens de pagamento, transferências e extratos bancários que registrassem tais operações ou outros documentos comprobatórios. Ainda de acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 3), consta que o contribuinte apresentou à Fiscalização, em 16/06/2006, os recibos médicos solicitados, com exceção daqueles referentes aos pagamentos efetuados no anocalendário 2001 a Nilton Braga da Silva, no valor de R$ 6.000,00. Com relação ao item 2 da Intimação (comprovação da utilização dos serviços médicos), não enviou quaisquer dos documentos solicitados, alegando que não mais os possuía, visto que aqueles não constituiriam meio de prova. Também não apresentou a documentação solicitada no item 3 (comprovação do pagamento das despesas), afirmando ser impossível a comprovação dos respectivos pagamentos aos profissionais, visto que, com exceção daquele efetuado a Almir Ribeiro T. Júnior, todos foram feitos em espécie. Cumpre verificar, nesse cenário, se os documentos trazidos aos autos pelo contribuinte são aptos a ser aceitos como comprovação de despesas médicas e odontológicas, na forma da lei. Sobre a forma de comprovação das deduções utilizadas, na declaração de imposto sobre a renda de pessoa física, com despesas médicas e odontológicas, vejamos o que diz o artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 203DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10665.000661/200679 Acórdão n.º 210101.190 S2C1T1 Fl. 191 9 II limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) (grifouse) Entendese, do dispositivo acima transcrito, que os comprovantes de despesas, para fins de dedução do imposto sobre a renda, devem demonstrar tanto o efetivo pagamento feito pelo contribuinte quanto o recebimento do valor correspondente pelo prestador do serviço, em decorrência da referida prestação, ao próprio contribuinte ou a dependente seu, tudo de forma especificada. No tocante aos documentos emitidos por Adalbero Gomes da Silva, saliento que a Delegacia da Receita Federal de Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, ao analisar o presente caso, suscitou dúvidas quanto à exatidão dos fatos alegados pelo contribuinte, nos seguintes termos (fls. 154): “A respeito, considerando haver recibo, no ano de 2001, no importe de R$ 10.000,00, emitido pelo Sr. Adalbero Gomes da Silva, e recibos, no importe de R$ 2.200,00 a R$ 10.000,00, também emitidos pelo Sr. Adalbero Gomes da Silva (recibos nºs 078, 079, 080 e 081 para o ano de 2002, nºs 133, 134, 135, 173 e 174 para o ano de 2003, e n°s 308, 309, 310, 311 e 312 para o ano de 2004), persiste a dúvida quanto à efetiva prestação dos serviços e a realização das despesas, seja pelos valores grafados nos recibos, que escapam ao senso comum para o pagamento sem nenhuma movimentação bancária, seja pela sequência dos recibos, que indica que aquele profissional teria, em determinado período, somente prestado serviço ao impugnante.” Ante essa observação, teria sido, de todo, benéfico ao contribuinte ter apresentado provas complementares àquelas já apresentadas, ou seja, aos recibos aos quais se refere a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, a fim de eliminar quaisquer dúvidas quanto à prestação dos serviços e seu efetivo pagamento, tal como, por exemplo, a comprovação de saque da conta bancária em valor e período compatíveis com o pagamento em espécie feito ao emitente do recibo. A possibilidade de apresentação de provas após a impugnação está prevista no artigo 16 do Decreto n.º 70.235, de 1992, que regula o processo administrativo fiscal: Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 204DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) (grifouse). Com base no que foi apontado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, observase que a sequência da numeração dos recibos emitidos por Adalbero Gomes da Silva indica irregularidades na sua emissão, haja vista, em primeiro lugar, constatarse que, no período, referido profissional prestou serviços exclusivamente ao contribuinte, e, em segundo, por desafiar a dimensão “tempo”: os números sequenciais de alguns dos recibos não condizem com as datas que neles constam, se comparados com outros recibos emitidos pelo mesmo Adalbero Gomes da Silva. Sendo assim, considerandose que o Recorrente não trouxe aos autos outras provas, a fim de demonstrar a efetiva prestação dos serviços profissionais indicados e o efetivo desembolso do valor correspondente, reputo insuficientes para tal fim os recibos apresentados. Os demais documentos anexados aos autos pelo Recorrente são, de igual modo, insuficientes para comprovar a efetiva prestação dos serviços e o efetivo pagamento. O Recorrente limitouse a apresentar recibos, em sua maior parte irregulares, com informações faltando, tais como o nome e o endereço do emitente e a data de emissão. Ressaltese que em nenhum momento o Recorrente se dignou a apresentar provas do efetivo desembolso dos valores correspondentes aos serviços prestados, tal como exige a legislação do imposto sobre a renda, limitandose a alegar que os pagamentos foram feitos em espécie, e, nos casos em que os recibos fazem referência a cheques emitidos, o contribuinte não apresentou as cópias correspondentes. Além disso, não trouxe aos autos qualquer comprovação do pagamento feito a Nilton Braga da Silva, no anocalendário de 2001. Isto posto, mantenho integralmente a glosa efetuada pela Fiscalização e confirmada pela decisão de primeira instância, haja vista: (i) não ter o contribuinte apresentado qualquer comprovação,correspondente aos pagamentos efetuados no anocalendário 2001 a Nilton Braga da Silva, no valor de R$6.000,00; (ii) serem insuficientes para preencher os requisitos constantes do artigo 80, II e III, do Decreto n.º 3.000, de 1999, os comprovantes apresentados pelo Recorrente, correspondentes aos serviços supostamente prestados por Adalbero Gomes da Silva, assim como apresentarem tais documentos indícios de irregularidades, conforme anteriormente apontado; (iii) serem insuficientes para preencher os requisitos constantes do artigo 80, II e III, do Decreto n.º 3.000, de 1999, os demais comprovantes por ele apresentados. 3. Da multa de 75% Fl. 205DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10665.000661/200679 Acórdão n.º 210101.190 S2C1T1 Fl. 192 11 O contribuinte pede a exclusão das multas “de mora” aplicadas, de 75% sobre as diferenças de imposto de renda apuradas em razão da glosa das despesas médicas e odontológicas declaradas nos anoscalendário de 2001 a 2004. Alega não ter tido a vontade deliberada de prejudicar o Fisco. Caso este pedido não seja atendido, pede, ao menos, a redução da multa para 20%. Alega ser confiscatória a multa de 75% sobre o imposto apurado. Diferentemente do que entende o Recorrente, não se trata de multa de mora, e sim de multa de lançamento de ofício. A multa de 75%, prevista no inciso I do artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, é aplicada nos casos de lançamento de ofício, quando for apurada falta de pagamento ou pagamento a menor do tributo devido: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) A multa de 75% é devida por infração à legislação tributária quando a autoridade lançadora entende não haver indícios de sonegação, fraude ou conluio. Comprovadas estas circunstâncias (artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964), a multa é qualificada, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, conforme prevê o § 1.º do artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996. Segundo o Fisco, o Recorrente fez deduções que não ficaram devidamente comprovadas, e, por isso, foram glosadas, hipótese que se subsume ao artigo 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996. Tendo em vista que a apuração do tributo foi feita por meio de lançamento de ofício, correta a aplicação da multa de 75% sobre a diferença de imposto apurada no procedimento de fiscalização. Não estamos aqui diante de uma hipótese de multa moratória limitada a vinte por cento, aplicável apenas aos débitos não pagos nos prazos previstos na legislação, mas recolhidos em data posterior por iniciativa do próprio contribuinte, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal. A estes aplicase a regra do artigo 61 da Lei n.º 9.430, de 1996, mas não aos créditos tributários lançados de ofício. Além do mais, de acordo com as regras do Direito Tributário, consubstanciadas no artigo 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN, não é dado à Administração conduta diversa da de se aplicar a Lei em sua conformidade; na espécie, o inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Sobre a alegação de caráter confiscatório da multa de 75% sobre o imposto lançado de ofício, esclareço que, a teor da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Isto posto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau e o pedido de realização de perícia. No mérito, por negar provimento Recurso Voluntário. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 12 (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 207DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 14485.000112/2007-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 06/05/2003
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449.
REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei nº 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase
a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
RELEVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. REINCIDÊNCIA.
A reincidência é fato impeditivo da concessão da relevação da multa, conforme previsto no art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n 3.048 de 1999.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2302-000.976
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrente TECELAGEM LADY LTDA Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/05/2003 RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. RELEVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. REINCIDÊNCIA. A reincidência é fato impeditivo da concessão da relevação da multa, conforme previsto no art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n 3.048 de 1999. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Ausente momentaneamente o Conselheiro Thiago Davila Melo Fernandes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.000112/200754 Acórdão n.º 230200.976 S2C3T2 Fl. 442 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências janeiro de 1999 a outubro de 2002, conforme fls. 02 a 23. Inconformada, a autuada apresentou impugnação no prazo normativo, fls. 34 a 37. A Delegacia da Receita Previdenciária emitiu a Decisão de fls. 104 a 111, mantendo a autuação em sua integralidade. Inconformada com a decisão, a autuada interpôs recurso voluntário, fls. 118 a 125. A unidade da Receita Previdenciária comandou diligência para retificar os valores apurados nos autos de infração que envolveram omissão em GFIP, fls. 286 a 290. A fiscalização prestou informações às fls. 293 a 295. Nova diligência foi comandada, fl. 299; tendo a fiscalização se pronunciado às fls. 308. Foi emitido o Despacho Decisório de fls. 314 a 320 retificando o valor da multa aplicada. Cientificada da alteração, a autuada apresentou impugnação às fls. 341 a 348. Houve reforma da decisão de primeira instância, julgando procedente a autuação com relevação parcial da multa para as competências janeiro a dezembro de 1999, conforme fls. 411 a 423. Não concordando com a decisão proferida pelo órgão a quo, a autuada interpõe recurso voluntário, fls. 430 a 436. Alega em síntese que: a) A recorrente corrigiu a falta durante a ação fiscal; b) O tributo devido foi recolhido; c) A multa deve ser relevada; d) Não houve prejuízo para a Administração; Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator Quanto ao recurso voluntário, o mesmo é tempestivo, conforme fl. 439; pressuposto de admissibilidade superado passo para o exame das questões preliminares ao mérito. O fato de as contribuições terem sido recolhidas não afasta a necessidade de cumprimento das obrigações acessórias. Tal argumento recursal somente atesta que os fatos geradores ocorreram e portanto deveriam ter sido informados em GFIP. A responsabilidade pela infração é objetiva, independe da culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco é irrelevante, pois a obrigação sendo instrumental, qualquer descumprimento por presunção legal, acarreta dificuldade na ação fiscal. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. Deve ficar claro que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é cediço, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Quanto ao cabimento da relevação da multa teço a seguinte análise. A relevação prevista no art. 291, § 1º do RPS necessita dos seguintes requisitos: I. Pedido no prazo de defesa, mesmo que não contestada a infração; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.000112/200754 Acórdão n.º 230200.976 S2C3T2 Fl. 443 5 II. Primariedade do infrator; III. Correção da falta até a decisão do INSS; IV. Sem ocorrência de circunstância agravante. Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. A relevação não é faculdade da autoridade administrativa, uma vez o infrator atendendo aos requisitos do art. 291, § 1º do RPS, quais sejam: primariedade do infrator; correção da falta e sem ocorrência de circunstância agravante; surge para a autoridade o dever de relevar a multa. Contudo, essa autoridade não pode agir de ofício, é necessária a provocação da parte. Analisando os requisitos e os autos, verificase que a recorrente é reincidente, conforme fl. 31. A atenuação e a relevação da multa são benefícios concedidos ao infrator, sendo uma contrapartida oferecida pela legislação previdenciária. Caso esse infrator corrija a falta, ficará responsável por um débito de menor valor, caso atenda aos demais requisitos a multa será relevada. Uma vez sendo em beneficio do infrator, é necessário que este atenda aos requisitos exigidos pela Previdência Social e na forma pelo órgão estabelecida, traduzida no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Contudo, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo mais benéficas para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” (NR) Desse modo, resta evidenciado, que a conduta de apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei n º 8.212 de 1991. Agora, com a Medida Provisória n º 449 de 2009, convertida na Lei n º 11.941, a tipificação passou a ser apresentar a GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. O núcleo do tipo infracional seja na redação anterior à MP n º 449, seja com o novo ordenamento é o mesmo: apresentar a GFIP com erros. A multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Resta demonstrado, assim, que estamos diante de uma obrigação puramente formal, devendo ser aplicada a multa isolada. Não há razão para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e da acessória antes da MP n º 449 e após, para verificar qual a mais vantajosa. A análise tem que ser multa por descumprimento de obrigação principal antes e multa por tal descumprimento após; e multa por descumprimento de obrigação acessória antes e após. A análise tem que ser realizada dessa maneira, pois como já afirmado tratase de obrigação acessória independente da obrigação principal. A conduta de não apresentar declaração, ou apresentar de forma inexata, somente se subsumiria à multa de 75%, prevista no art. 44 da Lei n º 9.430, nas hipóteses em que não há penalidade específica para ausência de declaração ou declaração inexata. Para a GFIP, assim como a DCTF e a DIRPF, há multa com tipificação específica; desse modo inaplicável o art. 44. Para a GFIP aplicase o art. 32A da Lei n º 8.212 de 1991. Conforme previsto no art. 44 da Lei n º 9.430, a multa de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Desse modo, há três condutas no art. 44 que não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa. Há a conduta deixar de pagar ou recolher; outra conduta é ausência de declaração, e a outra é a apresentação de declaração inexata. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.000112/200754 Acórdão n.º 230200.976 S2C3T2 Fl. 444 7 Logicamente, se o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não se aplica a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; mas a despeito do pagamento não declarou em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212. Essa aplicação de multa isolada somente é possível, pelo fato de serem condutas distintas. Agora, se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Afinal, a multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo fato de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado; de fato, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não recolhe e não declara em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Como já afirmado, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, não há que se falar em bis in idem, tampouco em consunção. Pelo contrário, a lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Logo, não há consistência nos entendimentos que pretendem dispensar a multa isolada, por ter sido aplicada a multa genérica. A Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB n º 1.027 de 22 de abril de 2010 que assim dispõe em seu artigo 4º: Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista.? Entendo inaplicável a referida Portaria por ser ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, independentemente de o contribuinte ter pago, conforme dispõe o art. 32A da Lei n º 8.212. Uma vez que a penalidade está prevista em lei, somente quem pode dispor da mesma é o Poder Legislativo, a interpretação da Receita Federal gera a concessão de uma anistia sem previsão em lei. Nesse sentido, o art. 150, parágrafo 6º da Constituição exige lei específica para concessão de anistia. A Portaria também viola o art. 182 do CTN que exige a concessão de anistia por meio de lei. Além de violar, os artigos 32A da Lei n º 8.212 e 44 da Lei n º 9.430. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. CONCLUSÃO Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 8DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.011689/2006-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
Ementa:
IRPF. CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS. COMPENSAÇÃO EFETUADA PELA FONTE PAGADORA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Comprovada a extinção do crédito tributário mediante compensação efetuada pela fonte pagadora, o recurso deve ser provido.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.134
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS. COMPENSAÇÃO EFETUADA PELA FONTE PAGADORA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Comprovada a extinção do crédito tributário mediante compensação efetuada pela fonte pagadora, o recurso deve ser provido. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 158DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10380.011689/200628 Acórdão n.º 210101.134 S2C1T1 Fl. 152 2 Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, José Evande Carvalho Araujo (convocado), Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 139/143) interposto em 12 de fevereiro de 2010 (fl. 139) contra acórdão proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) (fls. 129/134), do qual a Recorrente teve ciência em 21 de janeiro de 2010 (fl. 138), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o auto de infração de fls. 03/07, lavrado em 27 de novembro de 2006, em decorrência de classificação indevida de rendimentos na DIRPF, relativamente ao anocalendário de 2001. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 ERRO NA CLASSIFICAÇÃO DOS RENDIMENTOS. A apuração pelo Fisco de rendimentos tributáveis, informados erroneamente na Declaração como rendimentos isentos, caracteriza o ilícito fiscal, e justifica o lançamento de ofício. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A responsabilidade da fonte pagadora pela retenção na fonte e recolhimento do tributo não exclui a responsabilidade do beneficiário do respectivo rendimento, no que tange ao oferecimento desse rendimento à tributação em sua declaração de ajuste anual. MULTA DE OFÍCIO Cabível a aplicação da multa de ofício de 75% nos casos de lançamento de ofício quando constatada inexatidão na declaração. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquela, objeto da decisão. Fl. 159DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10380.011689/200628 Acórdão n.º 210101.134 S2C1T1 Fl. 153 3 Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.” Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 139/143), alegando, basicamente: (a) falta de dedução do imposto de renda retido na fonte recolhido pela Cia. Docas; (b) erro material na apuração do quantum debeatur; e (c) não cabimento da multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Sustenta a Recorrente, inicialmente, que teria juntado aos autos “comprovante de recolhimento de imposto de renda na fonte efetuado pela Companhia Docas do Ceará no valor de R$ 5.568.816,53 (Principal R$ 2.615.818,75 + Multa R$ 523.163,75 + Juros SELIC R$ 2.429.834,03). Esse valor corresponde ao IRRF (27,5%) das 124 pessoas que integraram a Reclamação Trabalhista efetuada pelo SINDEPOR (Sindicato dos Portuários) face a CDC (Cia Docas), apurado sobre o Valor Bruto (R$ 9.512.068,17) repassado ao Sindicato, através dos 03 (três) cheques nominais no valor de R$ 3.170.689,39 (Três Milhões, Cento e Setenta Mil, Seiscentos e Oitenta e Nove Reais e Trinta e Nove Centavos) cada um, em decorrência do Termo de Acordo celebrado no TRT” (fl. 139). Tal alegação, apesar de expressamente contida na impugnação (fl. 111), não foi analisada pelo relator do acórdão recorrido, motivo pelo qual é trazida, novamente, pela Recorrente, em seu recurso voluntário. Nesse sentido, entendo que os documentos de fls. 116/120, juntados pela Recorrente por ocasião da apresentação da impugnação, comprovam sim a extinção do crédito tributário de responsabilidade da Companhia Docas do Ceará, especialmente quando se verifica que, em nenhum momento, foram refutados pela Recorrida. De fato, os cheques de fls. 116 comprovam o valor total dos pagamentos efetuados pela Companhia Docas do Ceará ao SINDEPOR (R$ 9.512.068,17). Por sua vez, a minuta de DARF de fl. 117 demonstra o valor atualizado do imposto para pagamento até dezembro de 2006, devidamente acrescido de multa e juros de mora (Principal: R$ 2.615.818,75; Multa: R$ 523.163,75; Juros: R$ 2.429.834,03; Total: R$ 5.568.816,53). Finalmente, as declarações de compensação de fls. 118/120, transmitidas em 28/12/2006, demonstram que a Companhia Docas do Ceará confessou dívida e a Fl. 160DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10380.011689/200628 Acórdão n.º 210101.134 S2C1T1 Fl. 154 4 correspondente extinção do crédito tributário no valor total de R$ 5.568.816,53 (R$ 1.367.988,56 + 3.474.594,72 + 726.233,25). Assim, considerandose o atual regime de compensação do crédito tributário previsto na Lei n. 9.430/96, segundo o qual a declaração de compensação constitui confissão de dívida irrevogável e irretratável, além de extinguir o crédito tributário sob condição resolutiva de sua ulterior homologação, e levandose em conta, ainda, o fato de que nenhum dos documentos apresentados tempestivamente pela Recorrente em sua impugnação foi refutado pela Recorrida, os argumentos da contribuinte devem ser acolhidos. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 161DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 10580.005094/2005-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 28/02/2005
IPI CLASSIFICAÇÃO
FISCAL DESINFETANTE
As propriedades odoríferas ou desodorizantes dos desinfetantes não alteram a
classificação fiscal do produto, que permanece como preparação desinfetante
com funções bactericida e germicida, próprio para aplicação em superfícies.
Manutenção da classificação no código nº 3808.40.10 da NCM em virtude de
inexistir uma alteração substancial do produto.
Numero da decisão: 3302-001.097
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral, pela
recorrente, o Dr. Henrique Rocha, OAB/SP 205889.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 28/02/2005 IPI CLASSIFICAÇÃO FISCAL DESINFETANTE As propriedades odoríferas ou desodorizantes dos desinfetantes não alteram a classificação fiscal do produto, que permanece como preparação desinfetante com funções bactericida e germicida, próprio para aplicação em superfícies. Manutenção da classificação no código nº 3808.40.10 da NCM em virtude de inexistir uma alteração substancial do produto.
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Manutenção da classificação no código nº 3808.40.10 da NCM em virtude de inexistir uma alteração substancial do produto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Henrique Rocha, OAB/SP 205889. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 11/11/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas(Relatora), Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de três autos de infração (fls. 05/20; fls.405/414 e fls.469/473), lavrados para fim de constituir débito de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI pertinente ao período compreendido entre outubro de 2002 e fevereiro de 2005. Por retratar a realidade dos fatos transcrevo, a seguir, o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: “Em cumprimento à disposição contida no art.2° da Portaria SRF n°6129, de 03/12/2005, publicada no DOU em 06/12/2005, foi determinada a juntada por anexação dos processos n°10580.005095/200541 e 10580.005096/200595, que formalizam a exigência constante dos autos de infração do IPI dos períodos de janeiro de 2004 a setembro de 2004, e de outubro de 2004 a fevereiro de 2005, nos valores respectivos de R$452.732,74 (fls.405/414)e R$277.021,22 (fls.469/473). O enquadramento legal prevê infração aos arts.15, 16, 17, 23, inciso II e III, 24, II, 32, II, 34, II, 109, 110, I, alínea "h" e II "c", 114, 117, 118, II, 122, 123, I, "b", II, "c", 130, • 131, II, 182, 183, IV e 185, III, 199, 200, IV, IV, 202, II, todos dos RIPI198, aprovado pelo Decreto 2.637/98 e dispositivos similares do Decreto n°4.544/02. Consta na descrição dos fatos de fl.09 que o estabelecimento industrial ou equiparado a industrial promoveu a saída de produto tributado com falta de lançamento de imposto, identificado como Desinfetante Atol Lavanda, Alfazema e Tradicional, em caixa com 24 frascos de 90m1, apresentando erro na classificação fiscal ou na utilização da alíquota, em desacordo à Tabela de Incidência do IPI TIPI, aprovada pelo Decreto n° 2.092, de 1996, conforme descrição contida no Termo de Verificação Fiscal anexado às fls.23/26. Consta no termo de verificação fiscal, que baseado nos documentos fornecidos pela interessada, concluise que o produto Desinfetante Atol Alfazema, Lavanda e Tradicional, 90m1, também identificado como Desinfetante Cheirinho Atol e Desinfetante de ambiente, quando usado puro, tem ação desinfetante, ao mesmo tempo em que deixa um agradável perfume, indicado para desinfetar todos os lugares (fls.77/79). Quanto ao Desinfetante Eucalipto e Jasmim, apresentado em embalagens de 750m1 e 2 litros, possui ação bactericida eficaz, pode ser usado como desinfetante, puro ou diluído em água, complemento para limpeza de superfícies laváveis (fls.80/81), o contribuinte classificou na mesma posição da TIPI que o produto anterior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.005094/200504 Acórdão n.º 330201.097 S3C3T2 Fl. 2 3 O autuante afirma que o próprio contribuinte reconhece as propriedades odorífera ou desodorizante do Desinfetante Perfumado Atol; que além de apresentar atividade antimicrobiana, possui propriedades odoríferas, desinfetantes — produtos que tem como princípio básico à desinfecção — adicionando–se perfume para incentivar a venda, uma vez que as outras propriedades não poderiam ser constatadas pelo usuário (conforme expediente que encaminhou para fiscalização, em atendimento à intimação, fls.34/35). Comparandose as instruções de uso do Desinfetante Atol e Desinfetante Atol 90m1, o primeiro trata ambientes específicos, cozinha e banheiro, ou de ampliação ampla, enquanto o segundo indica ação de desinfecção e perfume para todos os ambientes, utilização para desinfecção com propriedades odoríferas ou desodorizantes desses ambientes. Destaca, que o Desinfetante Atol não faz menção à característica odorífera ou desodorizante, ao contrário do Desinfetante Atol 90m1, que indica ‘deixa um agradável perfume’. Intimada para apresentar cópia da documentação fornecida pelo órgão competente do Ministério de Saúde, acerca das propriedades dos produtos referidos: Desinfetante Uso Geral apresentado nas embalagens de 500, 750m1 e 2 e 5 litros, versões lavanda, jasmim, eucalipto, pinho e limão; Desinfetante apresentado na embalagem 90m1, versões tradicional, lavanda e alfazema, a interessada entregou as cópias das consultas sobre instruções de uso e embalagens de apresentação, de fls.82/88, ao site: http://www7.anvisa.gov.br/datavisa/Consulta Produto/rconsulta produto detalhe.asp Afirma o autuante que, no período compreendido entre novembro/2002 e maio/2003, dentre os produtos de fabricação da empresa foi dada saída ao desinfetante de classificação fiscal 3808.40.10 apresentado em forma ou embalagem exclusivamente para uso domissanitário direto, tributado à alíquota de 0% (zero por cento); e no período entre junho/2003 e fevereiro/2005, desinfetantes – outros, de classificação fiscal 3808.4029 –também tributados à alíquota de 0% (zero por cento). • A fiscalização entende que o contribuinte classificou os dois produtos, com características distintas, Desinfetante Atol e Desinfetante Perfumado Atol, na mesma posição 3808.40.29 (desinfetantes – outros). Entretanto, o correto seria utilizar essa classificação para o Desinfetante Atol, uso geral, tributado à alíquota de 0% como passou a fazêlo a partir de junho/2003, não tendo contudo a adoção da classificação da posição TIPI 3808.4010 para o Desinfetante Atol entre novembro/2002 e maio/2003, trazido prejuízo a Fazenda Nacional, pois nessa posição da TIPI a alíquota é também de zero por cento. No entanto, para o Desinfetante Perfumado Atol ou Desinfetante Cheirinho Atol ou Desinfetante de Ambiente 90m1, deveria fazê Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 lo na classificação da TIPI 3808.40.29, porém com o ‘Ex’ 01 – ‘com propriedades acessórias odoríferas ou desodorizantes de ambientes’, tributado à alíquota de 30%. Desta forma, está sendo exigido de oficio o IPI que deixou de ser lançado e recolhido pela contribuinte, conforme demonstrativo do valor tributável do IPI (fls. 27/122) e Demonstrativo de Apuração do IPI por decêndio (fl. 09/16), elaborados com base nas notas fiscais de saída (planilhas de fls.89/268), livro Registro de IPI (fls.280/353) que embasaram a reconstituição da escrita fiscal (fls.269/276). Por fim, a autuante informa que os créditos relativos às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem destinados à industrialização do Desinfetante Atol Alfazema, Lavanda e tradicional, 90m1, foram escriturados, mantidos e utilizados de acordo com a legislação. Ao presente processo foram ainda anexados os termos da fiscalização e expedientes encaminhados pelo contribuinte (fls.31/75). Cientificada das exigências fiscais em 30/06/2005 (fl. 05), a autuada apresenta em 28/07/2005 a impugnação de folhas 363/385, 420/442 e 479/502, sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: • A autuação afronta os princípios constitucionais e dispositivos da legislação que disciplina o IPI, em especial a classificação fiscal descrita na TIPI, haja vista que a acusação de erro não encontra suporte na realidade dos fatos; • O auto de infração necessita do enquadramento legal, posto que a situação fática efetivamente demonstrada nos autos não se subsume aos dispositivos indicados pela autoridade autuante, razão pelo qual é nulo; • Ignorando o conteúdo dos laudos de análise elaborados por estabelecimentos habilitados, de notória e reconhecida credibilidade, insistiu a autoridade fiscal em atribuir tratamento diferenciado a produtos extremamente semelhantes, possuidores do mesmo princípio ativo e destinados à mesma utilização, como demonstram o Laudo de Análises n°11467.00/2204, emitido pelo "Instituto Adolfo Luftz" em 18.10.2004, que teve por objeto de estudo o Desinfetante Perfumado Atol e o laudo elaborado pela empresa "Laboratórios Ecolyzer Ltda", emitido em 24/12/2004, que analisou o Desinfetante Atol; • Ambos os produtos possuem atividade microbiana satisfatória no combate aos microorganismos analisados, possuem mesma composição química, mesmo princípio ativo e mesma destinação: uso domissanitário direto na desinfecção de superfícies, laudo apresentado em atenção ao pedido realizado no Termos de Intimação Fiscal n°001 e 004; • Dispõe o art.10 do Decreto n°70.235, de 1972, que o auto de infração deve conter, obrigatoriamente, dentre os requisitos essenciais, o dispositivo legal infringido, afigurandose destituída de fundamentação legal, o auto de infração que não Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.005094/200504 Acórdão n.º 330201.097 S3C3T2 Fl. 3 5 justifica a aplicação dos arts.114 do RIPI/98 e 127 do RIPI/02, e outros dispositivos citados que se referem ao recolhimento do IPI; • A Constituição Federal de 1988 dispõe que o IPI é seletivo em função da essencialidade do produto, quanto menor o percentual, mais essencial o produto, tendo a autoridade fiscal ferido o princípio constitucional da seletividade ao enquadrar o produto no EX 01 da posição 3808.40.10, que prevê alíquota de 30%; • O agente da administração deve pautar sua conduta nos princípios constitucionais do art.37 da CF, destacando o princípio da legalidade, não negar o princípio da seletividade; • Em momento algum restou demonstrado nos autos que os produtos mencionados possuem "propriedades acessórias odoríferas ou desodorizantes de ambientes, apresentados em embalagem tipo aerosol", requisitos essenciais para classificação no EX01, ao submeter o desinfetante perfumado atol ao EX01, a autoridade desrespeita a valoração da TIPI; • O entendimento dado pela Secretaria da Receita Federal para a classificação fiscal dos desinfetantes, inicialmente, por meio da Solução de Consulta n°184, de 03/06/2001 classificava tais produtos na posição 38084110 — EX01, alíquota de 30%. Todavia, submetida à análise da Coordenação Geral de Administração Aduaneira — COANA, tal Solução foi reformada pela Solução de Divergência n°07, de 10/09/2001, que atribuiu aos mesmos produtos a classificação fiscal 3808.40.10, sem o EX01, estipulando alíquota zero para tais produtos, sem restar dúvida de que mesmo possuindo fragrâncias em sua composição não devam ser alocados no EX01 do código 3808.40.10 da TIPI; • Destinados à desinfecção de superficies, tais produtos não se confundem com aqueles desinfetantes possuidores de propriedades acessórias odoríferas ou desodorizantes de ambientes, destinados desde sua origem a dar odor específico na desodorização do espaço aéreo, sendo destituído de qualquer finalidade de desinfetar ou limpador de superfície; • Outras Soluções de Consulta n°04 e 05, de 22/04/2003, seguiram o mesmo entendimento dado pela solução de consulta mencionada anteriormente, bem como a 2º Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão PretoSP e o E. 3° conselho de Contribuintes, em sede de recurso de oficio no acórdão proferido pela DRJ Juiz de ForaMG (n° do Recurso 127852); • É inquestionável a semelhança entre os desinfetantes das soluções de consulta e o ora autuado, além de desinfecção, possuem em suas composições elementos inertes (fragrâncias) que exalam odor decorrente da volatização de substâncias aplicadas na superfície desinfetada e não na volatização de substâncias próprias para atuar na massa aérea de determinado ambiente; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 • Por força do art.7° da Portaria do MF n°258, de 24/08/2001, o julgador tem o dever de observar o entendimento da SRF, expresso em atos tributários e aduaneiros, assim considerado as soluções de divergência COANA; • O autuante empregou critérios equivocados para desqualificar a classificação fiscal adotada pela impugnante, entre estes valorizando aspectos irrelevantes em detrimento de elementos essenciais, tais como destinação e composição química; para valorizar a expressão "perfumado" ; • Considerando que o auditor reconheceu como válida a classificação fiscal 380840.10 da TIPI para o Detergente Atol eucalipto e jasmim, o mesmo tratamento se impõe ao Detergente Perfumado Atol; • O próprio autuante ao se referir a embalagem do produto, afirma que este difere do "tipo aerosol", fato este que contribui para demonstrar a finalidade do Desinfetante, que não se destina à aplicação no meio aéreo; • A comercialização em frasco de 90m1 apenas otimiza a aplicação do produto, não significando que a autuada tenha assumido que tal adaptação às necessidades dos consumidores e forma de apresentação • fosse para garantir a propriedade acessória odorífera ou desodorizante do produto; • A "função spray" não se assemelha à função descrita na Nota Explicativa da Posição 84.24, constante no Anexo Único da Instrução Normativa SRF n°157/02, haja vista que o frasco não serve para pulverizar o produto na forma de nuvem; • Sem qualquer amparo em documentos e informações técnicas o auditor • conclui que se evidenciam as propriedades acessórias odoríferas ou desodorizante dos ambientes em razão de o produto custar seis vezes mais que o preço do Desinfetante Atol, sendo evidente que o fiscal toma para si verdades particulares, e nas entrelinhas de suas alegações pretende incutir conceitos sem documentos hábeis para comproválos; • Os laudos técnicos atestam a correção da classificação pela empresa adotada, conforme Laudo de Análise 11467.00/2004, emitido pelo, em 18/10/2004, e o laudo elaborado pela empresa Laboratórios Ecolyzer Ltda, no qual restou demonstrada a eficiência do desinfetante Perfumado Atol na atividade microbiana e na ação bactericida, respectivamente, quando em contato por 10 minutos com a superfície; • Requer sejam acostados aos autos a cópia autenticada do Parecer Técnico emitido pelo Instituto Adolfo Lutz, em 15/07/2005, doc.01 e também o Laudo de análise Sensorial elaborado pela empresa Perception; • Pesquisa em análise Sensorial Ltda, doc.02, no qual foram analisadas as fragrâncias do desinfetante objeto da presente autuação e outros produtos semelhantes produzidos e comercializados pelos concorrentes da impugnante, que também submetem os desinfetantes à alíquota zero de IPI, no código 3808.40.10 da TIPI, os quais demonstram o entendimento Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.005094/200504 Acórdão n.º 330201.097 S3C3T2 Fl. 4 7 uníssono adotado entre os maiores fabricantes de desinfetantes de uso domissanitário no País, que em observância do princípio constitucional da seletividade vem classificando tais produtos nesta classificação fiscal; • Se assim não entender a autoridade julgadora, requer perícia em relação ao Desinfetante Perfumado Atol nos termo do art.16, IV do Decreto n°70.3235, de 1972, apresentando questões e indicando nome e endereço de seu perito; • Requer que seja declarada a nulidade do auto de infração e protesta pela juntada de todos os meios de prova admitidos em direito, especialmente no que tange a apresentação do registro atualizado do Desinfetante Perfumado Atol, que se encontra na fase final do processo de renovação do registro na Agencia Nacional de Vigilância Sanitária do Ministério da saúde, doc.04.” Em resumo, a fiscalização concluiu que o produto fabricado pelo contribuinte, que estava classificado como desinfetante de uso geral, Tabela TIPI nº 3808.40.10, a qual é tributada à alíquota zero, em verdade, por possuir propriedades acessórias odoríferas ou desodorizantes de ambientes, deveria estar classificado como 3808.40.10 e EX01, o que traria a alíquota de IPI ao percentual de 30%. Após analisar as razões apresentadas pelo contribuinte, a 4ª Turma da DRJ/SDR proferiu o acórdão nº 1517.946, por meio do qual manteve cancelou os autos de infração ora em análise, conforme ementa a seguir: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 10/11/2002 a 31/12/2003, 15/01/2004 a 30/09/2004, 31/10/2004 a 28/02/2005 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. Tendo em vista informação prestada por órgão público estadual, atestando que o produto fabricado pela autuada destinase à desinfecção para uso geral e não tem a finalidade de odorização de ambientes, constituindo a adição do perfume nas formulações exclusivamente um recurso tecnológico com o objetivo de sobrepor ao odor característico de sua base, é de se exonerar o crédito tributário lançado de oficio.” Lançamento Improcedente Em síntese, os julgadores de primeira instância administrativa entenderam que o produto fabricado pelo contribuinte tem como função a desinfecção de superfícies, não a odorização dos ambientes, razão pela qual não deve ser confundido com os desinfetantes gravadas pelo "Ex" 001 do código 3808.40.29, da TIPI. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Em razão do valor desonerado superar o mínimo legal, a Delegacia de Julgamento interpôs recurso voluntário, razão pela qual os autos me foram distribuídos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Da análise do relatório verificase que os autos de infração foram lavrados em razão de a fiscalização ter considerado que o contribuinte classificou da mesma forma produtos diversos. É o que se depreende do Termo de Verificação Fiscal (Vol. I – fls. 25/26) “Diante do exposto entende a Fiscalização que o contribuinte classificou produtos com características distintas, Desinfetante Atol e Desinfetante Perfumado Atol, na posição TIPI 3808.40.29 (Desinfetantes — Outros) enquanto que o correto seria utilizar essa classificação para o Desinfetante Atol, uso geral, tributado à alíquota de 0% (zero por cento) como passou a fazêlo a partir de Junho/2003 (a adoção da classificação da posição TIPI 3808.40.10 para o Desinfetante Atol entre Novembro/2002 e Maio/2003, não trouxe prejuízo à Fazenda Nacional, pois nessa posição da TIPI a tributação também é de 0%); já para o Desinfetante Perfumado Atol ou Desinfetante Cheirinho Atol ou Desinfetante de Ambiente 90m1, deveria fazê lo na mesma classificação da TIPI, 3808.40.29, porém com o "Ex" 01 — Com propriedades acessórias odoríferas ou desodorizantes de ambientes, tributado à alíquota de 30% (trinta por cento).” O agente fiscal diferencia os produtos Desinfetante Atol e Desinfetante Perfumado Atol em virtude da evidente diferença de preço (o segundo produto é mais de 6 vezes mais caro que o primeiro) e do fato de o segundo produto possuir propriedades odoríferas, ou seja, ser perfumado. Ademais, o auditor fiscal indica que o Atol Perfumado pode ser usado na forma de aerosol. Estas características, no entender da fiscalização, são suficientes para diferenciar a tributação do produto. Em sua defesa o contribuinte traz laudos técnicos e parecer da ANVISA no sentido de, a despeito de ter perfume, a função do produto ser desinfetante. Após avaliar os fatos trazidos à colação, entendo ter sido lançada com acerto a decisão administrativa de primeira instância. O simples fato de o produto ter perfume não é suficiente para caracterizálo como desinfetante “Com propriedades acessórias odoríferas ou desodorizantes de ambientes” tributado à alíquota de 30% (trinta por cento). Pelo que consta dos autos, não há divergência quanto à função de desinfetante do produto “Atol Perfumado”, o contribuinte afirma isto, o agente fiscal não diverge e todos os pareceres são neste sentido. O produto é um desinfetante de uso geral, tanto que a própria ANVISA assim o qualificou: Fl. 8DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.005094/200504 Acórdão n.º 330201.097 S3C3T2 Fl. 5 9 Fls. 535 – Vol. III “A impugnante apresenta ainda Declaração da ANVISA de que o Desinfetante Perfumado Atol é um desinfetante para uso geral, cujo registro é da competência desta GGSAN/ANVISA, encontrandose em fase final de análise nessa Gerência (fl.405).” A divergência está no componente que desodoriza o ambiente, no conceito de propriedades acessórias odoríferas. Neste sentido concordo com o entendimento da decisão recorrida de que os produtos que tem como objetivo desodorizar ambientes são produzidos com esta finalidade, e com os componentes químicos necessários e adequados a esta função. A principal função de um produto desorizador é, conforme mencionado no Parecer COANA n.° 001, de 7 de janeiro de 1998, a atuação em espaços, não em superfícies. Isto porque os produtos que desodorizam, pretendem a desodorização do ambiente e não de uma coisa. Ainda nos termos do mencionado Parecer, é preciso que o produto atue na massa aérea, por combustão, evaporação, por via química ou absorção física dos cheiros pelas forças de Van der Waals (forças intermoleculares fracas que mantêm atração ou repulsão entre as moléculas). Ocorre que o produto em análise não possui os componentes necessários para ser utilizado como desorizador de ambiente, enquanto todos os pareceres juntados aos autos afirmam a sua função de limpeza geral. Registrase que apesar de os produtos desodorizantes geralmente se apresentarem sob a forma de aerosóis, nem todo aerosol é produto desodorante, ou seja, esta característica não é suficiente para a conclusão da fiscalização. Da mesma forma a diferença de valor, apontada pelo agente fiscal como razão para a alteração da classificação contábil, não significa que o produto é desorizador. Pareceme claro que os produtos em análise possuem perfume para que se tornem mais agradáveis ao consumidor, não para exercer a função de um desodorizador de ambiente. Neste sentido está a declaração da Secretaria de Estado da Saúde — Coordenadoria de Controle de Doenças Instituto Adolfo Lutz, (fl.394), ao atestar que o desinfetante em tela "destinase à desinfecção para uso geral e não têm a finalidade de odorização de ambientes. A adição de perfume nas formulações é exclusivamente, um recurso tecnológico com o objetivo de sobrepor ao odor característico de sua base, tornando mais agradável a manipulação dos referidos produtos.” Diante dos fatos apresentados faço minhas as palavras do ilustre julgador relator de primeira instância administrativa que concluiu: “De todo exposto, é de se concluir que o Desinfetante Perfumado Atol tem como função a desinfecção de superfícies, apresentando odor agradável sobre estas, não decorrendo tal odor da volatilização de substâncias próprias para atuar na massa aérea de um determinado ambiente, ainda que Fl. 9DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 10 apresentado sob a forma de spray, porém da volatilização das substâncias aplicadas na superfície desinfetada; não devendo ser confundido com os desinfetantes contendo propriedades acessórias odoríferas ou desodorizantes de ambientes, não cabendo ser gravadas pelo "Ex" 001 do código 3808.40.29, da TIPI.” Ante o exposto, voto por NEGAR POVIMENTO ao recurso de ofício apresentado na r. decisão de primeira instância administrativa, para o fim de manter incólume o que restou decidido. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Fl. 10DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10650.001686/2007-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA
Anos calendários: 2001, 2002, 2003 e 2004
DESPESAS MÉDICAS – FALTA DE COMPROVAÇÃO – NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO
Conforme prevê o par. 2º , inciso III do Art. 8º da lei 9.250/95, as deduções da base de cálculo do imposto estão sujeitas à comprovação, a juízo da autoridade lançadora. Sempre que esta entender necessária, terá a prerrogativa de intimar o contribuinte a comprovar a efetiva realização dos serviços médicos ou transferência de numerários envolvidos, notadamente,
quando afastada a presunção de veracidade dos recibos apresentados.
Numero da decisão: 2102-001.416
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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ementa_s : IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Anos calendários: 2001, 2002, 2003 e 2004 DESPESAS MÉDICAS – FALTA DE COMPROVAÇÃO – NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO Conforme prevê o par. 2º , inciso III do Art. 8º da lei 9.250/95, as deduções da base de cálculo do imposto estão sujeitas à comprovação, a juízo da autoridade lançadora. Sempre que esta entender necessária, terá a prerrogativa de intimar o contribuinte a comprovar a efetiva realização dos serviços médicos ou transferência de numerários envolvidos, notadamente, quando afastada a presunção de veracidade dos recibos apresentados.
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Sempre que esta entender necessária, terá a prerrogativa de intimar o contribuinte a comprovar a efetiva realização dos serviços médicos ou transferência de numerários envolvidos, notadamente, quando afastada a presunção de veracidade dos recibos apresentados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Fl. 176DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10650.001686/200730 Acórdão n.º 2102001.416 S2C1T2 Fl. 175 2 Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 1a. Turma da DRJ/JFA, de 17 de julho de 2.008 (fls. 74/86), que por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação, mantendo assim, a exigência fiscal objeto de lançamento lavrado em 17/12/2007. De acordo com o Auto de Infração (fls. 03/20), a exigência do imposto com os acréscimos legais decorre da indevida dedução de despesas médicas, assim descriminadas à fl. 04: 001 DEDUÇÃO DA BASE DE CALCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Glosa de deduções de despesas médicas nas declarações dos exercícios de 2002 a 2005, respectivos anoscalendários de 2001 a 2004, relativas ao profissional Wayner Japur, conforme descrito abaixo: Exercício 2002/Anocalendário 2001 Valor: R$ 9.000,00 Exercício 2003/Ano calendário 2002 Valor: R$ 4.000,00 Exercício 2004/Ano calendário 2003 Valor: R$ 5.000,00 Exercício 2005/Anocalendário 2004 Valor: R$ 4.500,00 No Processo Administrativo Fiscal n° 15983.000100/200771 ficou caracterizado que os recibos emitidos pelo profissional Wayner Japur, CPF 082.488.18691 no período de 2001 a 2004 são inid6neos e, portanto, imprestáveis e ineficazes para fins de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física. Dessa forma, os valores constantes dos recibos devem ser considerados indedutiveis, salvo se acompanhados de documentação comprobatória do respectivo e efetivo pagamento. O valor total do crédito tributário em 17/12/2007, data da sua lavratura, era de R$ 19.659,30, sendo R$ 6187,50 a título de imposto, R$ 4.190,55 de juros de mora e R$ 9.281,25 de multa de proporcional. Fl. 177DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10650.001686/200730 Acórdão n.º 2102001.416 S2C1T2 Fl. 176 3 Às fls. 63/68 o Recorrente apresentou impugnação, alegando que as autoridades autuantes não apresentaram qualquer irregularidade nos recibos a elas apresentados, sendo que as meras alegações não tem o condão de invalidar referidos documentos pelo Sr. Delegado da Receita Federal em Santos e que não fizeram prova que descaracterizasse a efetivação dos serviços odontológicos prestado a ele e a seus familiares. Alegou ainda que não prevaleceu o princípio da verdade material, pois a suposição de inexistência dos pagamentos está em linha diametralmente oposta aos recibos apresentados e a expressa declaração expedida pelo beneficiário dos pagamentos, Dr. Wayner Japur, o que também fere o princípio do devido processo legal, tornando insanável o procedimento fiscal, tornandoo nulo. Sobre a suficiência dos recibos por ele apresentados, citou jurisprudência do Poder Judiciário e apontou como vício de nulidade o fato de não ter participado do procedimento que os declarou inválidos. Com efeito, a decisão proferida pela 1a Turma da DRJ/JFA afastou as preliminares de nulidade por entender que as alegadas não ocorreram e nem mesmo estão previstas no art. 59 do Decreto 70.235/72, e que a dedução de despesas médicas deve observar o que dispõe o art. 80 do RIR/99, com evidencias dos pagamentos, se e quando realizados em papel moeda, conforme farta jurisprudência deste colegiado. Em Recurso Voluntário, o Recorrente repete as alegações apresentadas na impugnação, no sentido de que a decisão recorrida manteve a presunção fiscal em detrimento dos recibos, declarações e demonstrativos de transferências apresentados, não obedecendo ao princípio da verdade material e a do devido processo legal, uma vez que não participou do procedimento que declarou os recibos emitidos como inválidos. É o relatório. Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, em conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. A decisão recorrida está devidamente fundamentada e não merece qualquer reparo, devendo ser mantida integralmente. As preliminares de nulidade de que houve ofensa ao princípio da verdade material e da ampla defesa em momento algum se apresentaram, pois ao Recorrente até mesmo antes da constituição do crédito tributário foi assegurado por várias oportunidades prazos para apresentar documentos que justificasse, com documentos hábeis, qualquer pretensão de exigência do imposto decorrente da previsível glosa das deduções efetuadas. Fl. 178DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10650.001686/200730 Acórdão n.º 2102001.416 S2C1T2 Fl. 177 4 Do procedimento em que foram declarados inidôneos os recibos emitidos pelo Sr. Wayner Japur, o Recorrente nem poderia participar, pois dele não seria parte. O lançamento fiscal pautouse no art. 73 do RIR que expressamente estabelece que “Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora”, portanto, inquestionável a atribuição da autoridade fiscal autuante. Com efeito, foram questionadas as deduções a título de despesas odontológicas nas Declarações do Imposto de Renda Pessoa Física dos exercícios de 2.002 a 2005, dos supostos pagamentos efetuados ao Sr. Wayner Japur, irmão do Recorrente, conforme está por ele declarado (fl. 23). Considerando que os recibos emitidos pelo profissional mencionado foram tidos como inidôneos pela Receita Federal, o Recorrente foi intimado para apresentar provas de que os serviços e respectivos pagamentos foram efetivamente prestados. Nas várias oportunidades concedidas para afastar a pretensão fiscal e infirmar o seu trabalho, juntou apenas recibos e relativamente aos períodos questionados, apenas quatro comprovantes de transferências de numerários, em datas desconexas e com valores significativamente inferiores aos constantes nos recibos. Às fls. 26 a 29, e reapresentados às fls. 140 a 143, juntou quatro comprovantes de transferências bancárias, sendo: R$ 500,00 em 13/12/2003, e o último recibo daquele ano datado de 17/11/2003, foi do mesmo valor; R$ 200,00 em 11/08/2004, 18/12/2004 e 21/12/2004, e os recibos daquele ano, que totalizaram R$ 5.000,00, foram datados em 30/04/2004, 30/06/2004 e 30/10/2004, respectivamente, de R$ 1.500,00, R$ 1.450,00 e R$ 1.550,00. Assim, independentemente da inidoneidade dos recibos apresentados, os únicos comprovantes de transferências de numerários, mesmo figurando como beneficiária a esposa do Sr. Wayner Japur, as mesmas não guardam consonância com os recibos apresentados, além de estarem com valores significativamente inferiores. A decisão recorrida está bem fundamentada e não merece qualquer reparo, inclusive, às fls. 82/83 transcreve vários precedentes deste colegiado, espelhando o entendimento com o qual compartilho. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Fl. 179DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10650.001686/200730 Acórdão n.º 2102001.416 S2C1T2 Fl. 178 5 Fl. 180DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 11065.101113/2006-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PIS NÃO CUMULATIVA — É lícito o aproveitamento de crédito na
hipótese de contratação de empresa para a realização de embalagem e acondicionamento de produtos exportados pelo contribuinte,
ainda que haja indícios de que a empresa contratada tenha a
ingerência da empresa contratante. Inexistência de vedação legal e insuficiência de indícios para caracterizar a ausência de
substância econômica nos atos e negócios jurídicos praticados, de
forma a deflagrar simulação.
Numero da decisão: 3201-000.776
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram
o presente julgado. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PIS NÃO CUMULATIVA — É lícito o aproveitamento de crédito na hipótese de contratação de empresa para a realização de embalagem e acondicionamento de produtos exportados pelo contribuinte, ainda que haja indícios de que a empresa contratada tenha a ingerência da empresa contratante. Inexistência de vedação legal e insuficiência de indícios para caracterizar a ausência de substância econômica nos atos e negócios jurídicos praticados, de forma a deflagrar simulação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PIS NÃO CUMULATIVA — É lícito o aproveitamento de crédito na hipótese de contratação de empresa para a realização de embalagem e acondicionamento de produtos exportados pelo contribuinte, ainda que haja indícios de que a empresa contratada tenha a ingerência da empresa contratante. Inexistência de vedação legal e insuficiência de indícios para caracterizar a ausência de substância econômica nos atos e negócios jurídicos praticados, de forma a deflagrar simulação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri. JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 13/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando (presidente da turma), Robson José Bayerl, Luciano Lopes de Almeida Moraes (vicepresidente), Luiz Eduardo Garrossino Barbieri, Marcelo Ribeiro Nogueira e Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. Fl. 542DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões de recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Trata o presente do ressarcimento pleiteado pela interessada em epígrafe em 28/02/2006, relativo aos créditos de PIS não cumulativo do quarto trimestre de 2005, no valor de R$ 85.428,53 (fl. 01). A DRF em Novo Hamburgo emitiu o Despacho Decisório DRF/NHO/2007 (fl. 57), com base no Relatório da Ação Fiscal de fls. 43 a 55, reconhecendo o crédito passível de ressarcimento no valor de R$ 73.643,48. Foram glosados os valores decorrentes de créditos de serviços prestados na industrialização por terceiros, ante constatação de que a empresa que prestava tais serviços (PUPPIES TIME, CNPJ 04.585.274/000140) era, na realidade, estabelecimento da própria interessada. O Relatório fiscal transcreve parte de relatório anterior, resultado de detalhado procedimento de fiscalização, efetuado para exame de solicitações referentes ao ano calendário 2004. São apontados os diversos aspectos que resultaram na constatação de inexistência de serviços prestados por empresa independente, em desacordo com o critério para a apuração de créditos estabelecido na legislação. Cabe frisar que não foram oferecidos pela empresa à tributação os valores decorrentes de transferências de créditos de ICMS a terceiros. Conforme o citado no relatório, tais valores não foram considerados para efeitos de glosa em função da determinação judicial no Mandato de Segurança 2006.04.01.016972/RS. A DRF/NHO efetuou a ordem bancária do ressarcimento cio saldo incontroverso (fl. 75). A contribuinte apresenta, em 16/03/2007, tempestivamente, sua manifestação de inconformidade (fls. 79 a 93, mais os anexos), através de representante devidamente habilitado, na qual se insurge contra a glosa relativa aos créditos decorrentes dos serviços que outra pessoa jurídica terlheia prestado. Inicialmente, questiona o fato do auditorfiscal sequer ter comparecido nas empresas, tendo como base integralmente a fiscalização anterior. Aborda todos os aspectos levantados pela fiscalização e que levaram à conclusão da estreita vinculação entre as duas a ponto de concluir pela inexistência de créditos, com o objetivo de comprovar serem empresas diferentes e, em decorrência, ser legítimo o creditamento de PIS e Cofins sobre os serviços prestados pela empresa PUPPIES TIME. Observa que sendo a empresa Puppies de menor porte e em função da forma de atuação da IMS, que preza que os parceiros possuam uma relação de confiança e participem de programas de qualidade da empresa, a proximidade das empresas constatada pela fiscalização (sócia ser exfuncionária, uso de orientações e memorandos da IMS, uso de papel timbrado, bens em nome de IMS, entre outros fatos constatados) seria natural, nada caracterizando irregularidade. Sobre a assistência de saúde da Unimed contratada por Puppies, na qual figura como representante autorizado um sócioadministrador da IMS, a Fl. 543DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 11065.101113/200697 Acórdão n.º 320100.0776 S3C2T1 Fl. 536 3 empresa esclarece que ocorreu apenas um equívoco. Junta notas fiscais de remessa de mercadorias entre as empresas, contrato de locação e inventário de material de embalagem. Requer, por fim, que seja reformada a Decisão para reconhecer a procedência do pedido em relação aos itens abordados. Cumpre registrar que das Ações Fiscais realizadas, em decorrência dos mesmos fatos aqui abordados, resultaram glosas em outros processos e lançamentos de ofício em relação a valores já ressarcidos referentes a outros períodos de apuração. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 23/10/2009, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) indeferiu a solicitação da ora Recorrente, conforme Acórdão n° 1021.421 (fls. 515/516): Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Ementa: PIS NÃO CUMULATIVA — Corretas as glosas relativas aos créditos que a interessada se utilizou provenientes de serviços de industrialização prestados por estabelecimento industrial da própria fiscalizada, dissimulado como outra pessoa jurídica. Mantidas as glosas não contestadas pela interessada. Solicitação Indeferida A Recorrente foi cientificada do teor do referido acórdão em 17/03/2010 (f1.520), tendo protocolado seu recurso voluntário em 15/04/2010 (fls. 521/531), que, em síntese, reitera os argumentos da sua manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 27/08/2010. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Por atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, CONHEÇO o recurso voluntário e passo a analisálo. O referido recurso ataca a glosa do crédito de PIS decorrente da contratação de mãodeobra terceirizada para processo de industrialização. Sobre esse aspecto, entendo que a questão merece muita cautela. Com efeito, a glosa dos créditos oriundos das despesas de contratação de mãodeobra terceirizada teve por base a premissa de que a Recorrente agiu Fl. 544DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 4 dissimuladamente para reduzir a sua carga tributária. Tal premissa, segundo o juízo a quo, foi devidamente comprovada pela fiscalização, e, portanto, a glosa foi mantida. Inicialmente, é importante consignar que o emprego de dolo, fraude ou simulação em matéria tributária configura hipótese de evasão fiscal, e não de elisão fiscal. A distinção básica entre esses dois institutos é que a evasão é empreendida por meios ilícitos, enquanto a elisão é empreendida por meios lícitos. Configurada hipótese de evasão, a autoridade fiscalizadora deve proceder à lavratura de auto de infração, acrescida de multa qualificada e acompanhada de representação fiscal para fins penais, uma vez que evasão é crime contra ordem tributária capitulado na Lei nº 8.137 de 1990. Já a elisão, se empreendida com abuso de forma, abuso de direito, negócio jurídico indireto, entre outras figuras afins, permitiria à autoridade fiscalizadora desqualificar o negócio jurídico praticado pelo contribuinte para alcançar os efeitos tributários do negócio jurídico dissimulado. Entretanto, o fundamento legal para essa desqualificação é o art. 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que é norma de eficácia limitada, ou seja, a sua aplicação é condicionada à regulamentação posterior (fato que, nesse particular, ainda não há). Segundo a autoridade fiscalizadora, a Recorrente teria forjado a contratação de uma pessoa jurídica independente, que, em verdade, seria um estabelecimento próprio, o que inviabilizaria a tomada de créditos de PIS na sistemática nãocumulativa dessas contribuições. Desse modo, desconsiderou a personalidade jurídica da empresa Puppies Time Ltda., glosando os referidos créditos. Na minha visão, a questão central em discussão é a seguinte: a Recorrente empreendeu evasão por ter simulado a contratação da empresa Puppies Time Ltda. ou elisão por ter reestruturado as suas atividades com o propósito de reduzir o seu custo de produção? Simular é mentir sobre algo, fazendoo parecer algo que não é. No caso concreto, a Recorrente realmente contratou uma empresa regularmente constituída para realizar uma etapa do processo de industrialização dos seus produtos, sendo que em momento algum a Recorrente alegou fazer outra coisa. Desse modo, não há mentira, e, portanto, simulação. Haveria simulação se a Recorrente emitisse notas fiscais de prestação de serviço de uma empresa fantasma para gerar créditos de PIS. Também haveria simulação se os serviços que foram contratados não fossem efetivamente prestados, caso em que não poderia haver o creditamento de PIS. Nenhuma dessas hipóteses se verificou, entretanto. Convém consignar que a jurisprudência deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais evoluiu no trato do assunto, pois até bem pouco tempo atrás a verificação da licitude do planejamento tributário limitavase ao aspecto formal dos atos e negócios jurídicos praticados pelo contribuinte, sendo certo que atualmente é necessário ir além, analisandose a substância econômica dos atos e negócios jurídicos efetivamente praticados pelo contribuinte. Vejamos: SIMULAÇÃO A simulação se caracteriza pela divergência entre a exteriorização e a vontade, isto é, são praticados determinados atos formalmente, enquanto subjetivamente, os que se praticam são outros. Assim, na simulação, os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas no aspecto formal, pois, na realidade, o ato praticado é outro. Fl. 545DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 11065.101113/200697 Acórdão n.º 320100.0776 S3C2T1 Fl. 537 5 (Acórdão nº 10423.129, Rel. Cons. Heloisa Guarita Souza, Sessão de 23.04.2008) ......................................................................................................... Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2005 Ementa: DESPESAS COM ÁGIO. CARACTERIZADA SIMULAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. PROVAS. É indedutível as despesas com ágio quando provado nos autos que as mesmas foram levadas a efeito a partir da prática de simulação através de negócio jurídico que aparenta transferir direitos a pessoa diversa daquela à qual realmente se transmitem. SIMULAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O fato dos atos societários terem sido formalmente praticados, com registro nos órgãos competentes, escrituração contábil, etc. não retira a possibilidade da operação em causa se enquadrar como simulação, isso porque faz parte da natureza da simulação o envolvimento de atos jurídicos lícitos. Afinal, simulação é a desconformidade, consciente e pactuada entre as partes que realizam determinado negócio jurídico, entre o negócio efetivamente praticado e os atos formais (lícitos) de declaração de vontade. Não é razoável esperar que alguém tente dissimular um negócio jurídico dandolhe a aparência de um outro ilícito. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS DESNECESSIDADE. A tão só coexistência, com aplicações financeiras remuneradas a taxas inferiores, de empréstimos tomados a pessoas relacionadas não autoriza a inferência de serem desnecessárias as despesas havidas com estes empréstimos. RESERVA DE REAVALIAÇÃO. REALIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A entrega de bens em pagamento do valor do capital subscrito, fato permutativo que é, não implica em realização da reserva de reavaliação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA SIMULAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A prática da simulação com o propósito de dissimular, no todo ou em parte, a ocorrência do fato gerador do imposto caracteriza a hipótese de qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996. Publicado no D.O.U. nº 141 de 24/07/2008. (Acórdão nº 10323.441, Redator Designado Cons. Antonio Bezerra Neto, Sessão de 17.04.2008) ......................................................................................................... NULIDADE DO LANÇAMENTO INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE LANÇADORA INOCORRÊNCIA O Auditor Fiscal da Receita Federal é servidor competente para proceder a lançamento de ofício de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF, em nome desta. Não há falar em nulidade do lançamento quando a autuação foi feita por servidor competente e com a estrita observância da legislação tributária. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NULIDADE INOCORRÊNCIA. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972. Fl. 546DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 6 SIMULAÇÃO SUBSTÂNCIA DOS ATOS Não se verifica a simulação quando os atos praticados são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados, assumindo o contribuinte as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas, ainda que motivado pelo objetivo de economia de imposto. SIMULAÇÃO NEXO DE CAUSALIDADE A caracterização da simulação demanda demonstração de nexo de causalidade entre o intuito simulatório e a subtração de imposto dele decorrente. SIMULAÇÃO EFEITOS DA DESCONSIDERAÇÃO O lançamento, na hipótese de simulação relativa, deve considerar a realidade subjacente em todos os seus aspectos, com adequada consideração do sujeito passivo que praticou os atos que a conformam. Preliminares rejeitadas. Recurso provido. (Acórdão nº10421.729, Redator Designado Cons. Gustavo Lian Haddad, Sessão de 26.07.2006) Ora, a Recorrente reconhece que reestruturou suas atividades de forma a reduzir custos, passando a contratar empresa cuja sócia era sua exfuncionária e que efetivamente lhe prestava serviços. Além disso, como era a principal cliente da Puppies Time Ltda. (a Recorrente não era sua cliente exclusiva), reconhece que possuía ingerência sobre as atividades dessa empresa. Ocorre que isso, por si só, ainda não permite que a autoridade fiscalizadora desqualifique o negócio jurídico realizado entre as empresas, de modo a glosar as despesas incorridas pela Recorrente que originaram os seus créditos de PIS. Para tanto, deveria provar que a relação entre a Recorrente e a Puppies Time Ltda. era meramente formal, sem substância econômica. Em outras palavras, a circunstância de que a Recorrente possuir ingerência sobre a Puppies Time Ltda. é totalmente irrelevante para revelar a falta de substância econômica nessa relação comercial. Impõese ressaltar que o critério da ingerência administrativa é totalmente alheio à legislação de regência da PIS não cumulativa, uma vez que o art. 3º, II, da Lei nº 10.637de 2002, não faz qualquer restrição relacionada à qualidade do prestador dos serviços ou da sua relação comercial com o tomador. Tanto é assim que uma matriz pode contratar a sua subsidiária para prestar serviços, e viceversa, sem que isso lhes impeça de tomarem crédito de PIS, nos termos da legislação citada. A questão que se faz pertinente nesse caso é a adequação dos preços praticados aos padrões de mercado, mas a legislação de regência é omissa nesse aspecto. Convém mencionar, por fim, que se o legislador ordinário tivesse a intenção de evitar esse tipo de reestruturação operacional, ele deveria ter estabelecido vedação similar ao creditamento da locação ou arrendamento de bens que já tenham integrado o ativo permanente da empresa locatária ou arrendatária. Vejamos: Lei nº 10.637 de 2002 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) V aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 547DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 11065.101113/200697 Acórdão n.º 320100.0776 S3C2T1 Fl. 538 7 (...) Lei nº 10.865 de 2004 Art. 31. (...) § 3º É também vedado, a partir da data a que se refere o caput, o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica. Ante a falta de indícios suficientes que respaldem a desconsideração da personalidade da Puppies Time Ltda. e a inexistência de vedação legal ao planejamento tributário empreendido pela Recorrente, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, de modo a afastar a glosa dos créditos decorrentes da contratação da empresa Puppies Time Ltda. para o processo de embalagem dos produtos da Recorrente. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 548DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM
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Numero do processo: 10917.000168/2003-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
RENDIMENTOS DE MENORES. TRIBUTAÇÃO.
Opcionalmente, os rendimentos e ganhos de capital percebidos por menores e outros incapazes, poderão ser tributados em conjunto com os de qualquer um dos pais, do tutor ou do curador, sendo aqueles considerados dependentes.
Exercida a opção pela declaração em conjunto e verificada a existência de omissão dos rendimentos dos menores, a autoridade fiscal encontra-se amparada pela legislação para proceder ao lançamento contra o declarante que usufruiu das deduções relativas aos menores.
INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. EFEITOS.
O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.168
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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TRIBUTAÇÃO. Opcionalmente, os rendimentos e ganhos de capital percebidos por menores e outros incapazes, poderão ser tributados em conjunto com os de qualquer um dos pais, do tutor ou do curador, sendo aqueles considerados dependentes. Exercida a opção pela declaração em conjunto e verificada a existência de omissão dos rendimentos dos menores, a autoridade fiscal encontrase amparada pela legislação para proceder ao lançamento contra o declarante que usufruiu das deduções relativas aos menores. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. EFEITOS. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora Fl. 100DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10917.000168/200305 Acórdão n.º 210201.168 S2C1T2 Fl. 97 2 EDITADO EM: 28/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho e Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Relatório Contra SILVIA BAUNGARTEN BAIÃO PEREIRA foi lavrado Auto de Infração, fls. 13/20, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2000, exercício 2001, no valor total de R$ 15.621,62, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até junho de 2003. A infração apurada pela autoridade fiscal encontrase assim descrita no Auto de Infração: Omissão parcial de rendimentos recebidos de Justiça Federal de Primeira Instância, CNPJ 00.508.903/00150 conforme Dirf da fonte pagadora. A contribuinte declara como rendimento tributável recebido desta fonte o valor de R$ 79.282,80 e da Dirf consta o valor de R$ 158.565,24. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/03, resumida no Acórdão DRJ/FNS nº 0711.949 de 08/02/2008, fls. 33/34, nos seguintes termos: (...) a interessada apresentou a impugnação de fls. 1 a 3, alegando que os valores considerados como omitidos referemse a rendimentos de seus filhos Pedro Sérgio Baumgarten Baião Pereira e Bárbara Baumgarten Baião Pereira, no valor total de R$ 79.282,44. A inclusão de tais valores foi realizada porque os mesmos estavam cadastrados com o seu CPF. Alega que o equívoco foi corrigido com a entrega de declaração em nome de seus filhos, utilizando CPF próprios, oferecendo à tributação os rendimentos recebidos no anocalendário 2000, conforme recibos de entrega que anexa às fls. 8 e 9. A DRJ Florianópolis decidiu, por unanimidade de votos, pela procedência do lançamento, sob a alegação de que os filhos da contribuinte constavam como seus dependentes em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA) e também em razão da impossibilidade de se acatar as DAA apresentadas pelos filhos da contribuinte, dado que na data da entrega das Declarações já teria ocorrido a exclusão da espontaneidade em relação aos rendimentos considerados omitidos pela contribuinte. Fl. 101DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10917.000168/200305 Acórdão n.º 210201.168 S2C1T2 Fl. 98 3 Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 09/04/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 40, a contribuinte apresentou, em 06/05/2008, recurso voluntário, fls. 41/45, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Efetivamente, no dia 27 de dezembro de 1998, o exmarido da recorrente, funcionário aposentado da Justiça Federal, veio a falecer. Em decorrência de seu falecimento, a recorrente passou a perceber pensão por morte. Os filhos PEDRO e BÁRBARA também, sendo que estes, como beneficiários do “de cujus”, deveriam ter seus correspondentes CPF's, o que, por ignorância da ora recorrente, não foi providenciado. Assim, os proventos da recorrente e de seus filhos foram lançados, em relação ao anocalendário 2000, ao CPF somente da recorrente. Acrescentese que, quando da constatação dos equívocos, foram apresentadas as declarações, tanto em referência ao ano calendário 2000 como a correspondente a 2001. Referidas declarações, por terem sido prestadas fora do prazo legal, sujeitaramse aos pagamentos das correspondentes multas, tendo ocorrido, inclusive, restituição do imposto. (...) Desta forma, entende a ora recorrente que o equívoco, sem qualquer repercussão em sua renda, sem qualquer demonstração de má fé, encontrase devidamente justificado, devendo ser dado provimento ao presente recurso para o fim de considerarse insubsistente o auto de infração que ensejou o processo sob análise. O v. acórdão proferido, em certo trecho, afirma que os filhos “foram declarados como seus dependentes e, portanto, os rendimentos por eles recebidos compõem a base de cálculo do imposto devido no ajuste anual, conforme disposto...”. “Data máxima vênia”, entende a recorrente ter laborado em equívoco o v. acórdão. A respeito, a Quarta Câmara desse Conselho, em decisão muito bem relatada pelo Eminente Relator NELSON MALLMANN, em situação análoga, já decidiu: “RENDIMENTOS DE MENORES E OUTROS INCAPAZES. Os rendimentos e ganhos de capital de que sejam titulares menores e outros incapazes serão tributados em seus respectivos nomes, com o número de inscrição próprio no Cadastro de Pessoas Físicas CPF.” (processo n° 10980.012817/200268, j. em 22/03/2006) É o Relatório. Fl. 102DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10917.000168/200305 Acórdão n.º 210201.168 S2C1T2 Fl. 99 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Dos autos inferese que a contribuinte apresentou sua DAA, anocalendário 2000, exercício 2001, onde pleiteou a dedução de despesas com dependentes e as correspondentes despesas com instrução referente aos seus filhos menores Pedro e Bárbara. Entretanto, deixou de incluir dentre os rendimentos tributáveis pensão recebida da Justiça Federal pelos menores. No lançamento, a autoridade fiscal imputou à contribuinte a infração de omissão de rendimentos, no valor de R$ 79.282,44, que corresponde ao somatório das quantias recebida por cada um dos filhos. Foi também considerado, para fins de cálculo do imposto devido pela contribuinte, o imposto de renda retido na fonte sobre as pensões dos menores. No recurso, assim como na impugnação, a contribuinte afirma que incorreu em erro quando do preenchimento de sua DAA, de sorte que providenciou a apresentação das DAA dos menores, as quais foram devidamente processadas com a exigência de multa por atraso na entrega e devolução de saldo de restituição. Aduz, ainda, que os rendimentos de menores são tributados em seus respectivos nomes. Para o exame da questão, transcrevese, por pertinente, o art. 4º do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999): Art.4º Os rendimentos e ganhos de capital de que sejam titulares menores e outros incapazes serão tributados em seus respectivos nomes, com o número de inscrição próprio no Cadastro de Pessoas FísicasCPF (Lei nº 4.506, de 1964, art. 1º, e Decreto Lei nº 1.301, de 31 de dezembro de 1973, art. 3º). §1º O recolhimento do tributo e a apresentação da respectiva declaração de rendimentos são da responsabilidade de qualquer um dos pais, do tutor, do curador ou do responsável por sua guarda (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 192, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 134, incisos I e II). §2º Opcionalmente, os rendimentos e ganhos de capital percebidos por menores e outros incapazes, ainda que em valores inferiores ao limite de isenção (art. 86), poderão ser tributados em conjunto com os de qualquer um dos pais, do tutor ou do curador, sendo aqueles considerados dependentes. §3º No caso de menores ou de filhos incapazes, que estejam sob a responsabilidade de um dos pais, em virtude de sentença judicial, a opção de declaração em conjunto somente poderá ser exercida por aquele que detiver a guarda.(grifei) Fl. 103DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10917.000168/200305 Acórdão n.º 210201.168 S2C1T2 Fl. 100 5 De fato, a legislação acima transcrita prevê que os rendimentos de menores sejam tributados em seus respectivos nomes, entretanto, opcionalmente permite que sejam tributados em conjunto com os rendimentos dos pais. No presente caso, a opção pela tributação dos rendimentos em conjunto foi exercida pela contribuinte, mãe dos menores, quando relacionou o nome dos filhos como seus dependentes, usufruindo da corresponde dedução e também da dedução com despesas de instrução. O procedimento da autoridade fiscal foi correto, pois respeitou a opção exercida pela contribuinte, de sorte que tributou os rendimentos dos menores em conjunto com os seus rendimentos. Em assim não procedendo, ou seja, optando pela tributação dos rendimentos dos menores em seus respectivos nomes, implicaria em proceder a glosa das deduções com dependentes e despesas com instrução na DAA da contribuinte. Entretanto, tais glosas não teriam fundamentação legal, visto que a legislação permite que a contribuinte faça a opção por tributar os rendimentos em conjunto, considerando os menores seus dependentes. No que diz respeito às DAA dos menores apresentadas em data posterior a ciência do Auto de Infração, correta a decisão recorrida quando afirma que já teria ocorrido a exclusão da espontaneidade em relação aos rendimentos considerados omitidos pela contribuinte, conforme disposto no art. 7º, §1º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Vale, ainda, dizer que o fato de a Secretaria da Receita Federal do Brasil ter processado as DAA apresentadas em nome dos menores, inclusive com a exigência de multa por atraso e devolução de saldo de restituição, em nada prejudica o lançamento de que ora se cuida, dado que tais fatos somente beneficiam os contribuinte envolvidos, pois o imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos dos menores foi compensado duplamente, ora nas DAA dos menores, ora na DAA da recorrente, gerando inclusive saldo de imposto a restituir. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso, mantendose a decisão recorrida. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 104DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001288/2004-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TACITA DA APURAÇÃO. A
formalização de exigência suplementar de crédito tributário em decorrência
de revisão de apuração declarada pelo sujeito passivo, admitida como
formalmente válida pela autoridade lançadora, somente pode ser efetuada em
até 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador.
AUDITORIA FISCAL A PARTIR DE EXTRATOS DE
MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. MATÉRIA EM REPERCUSSÃO
GERAL NO STF. JULGAMENTO. POSSIBILIDADE. Descabe o
sobrestamento do julgamento administrativo se o procedimento fiscal teve em
conta movimentação bancária apresentada pelo próprio sujeito passivo, em
atendimento a intimação fiscal.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM
NÃO COMPROVADA. TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS. Não se presta
como prova da origem a demonstração de transferências bancárias advindas
de conta-corrente de mesma titularidade, cuja movimentação não foi
apresentada no curso da ação fiscal, após regular intimação. ALEGAÇÃO
DE TROCA DE CHEQUES. NEXO DE CAUSALIDADE.
INEXISTÊNCIA. Mantém-se a exigência se a contribuinte sequer demonstra
a vinculação dos depósitos de origem não comprovada as operações que
alega.
Numero da decisão: 1101-000.432
Decisão: ACORDAM os membros da la Câmara / la Turma Ordinária do
PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, DAR provimento
PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir os valores lançados a titulo de IRPJ e CSLL nos
lo e 2o trimestres/99, e de Contribuição ao PIS e COFINS de janeiro/99 a junho/99, em razão
da decadência. Vencido o Conselheiro Relator José Ricardo da Silva(Relator) que dava
provimento ao recurso em maior extensão. Designada para redigir o voto vencedor a
Conselheira Edeli Pereira Bessa
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: José Sérgio Gomes
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA APURAÇÃO. A formalização de exigência suplementar de crédito tributário em decorrência de revisão de apuração declarada pelo sujeito passivo, admitida como formalmente válida pela autoridade lançadora, somente pode ser efetuada em até 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador. AUDITORIA FISCAL A PARTIR DE EXTRATOS DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. MATÉRIA EM REPERCUSSÃO GERAL NO STF. JULGAMENTO. POSSIBILIDADE. Descabe o sobrestamento do julgamento administrativo se o procedimento fiscal teve em conta movimentação bancária apresentada pelo próprio sujeito passivo, em atendimento a intimação fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS. Não se presta como prova da origem a demonstração de transferências bancárias advindas de conta-corrente de mesma titularidade, cuja movimentação não foi apresentada no curso da ação fiscal, após regular intimação. ALEGAÇÃO DE TROCA DE CHEQUES. NEXO DE CAUSALIDADE. INEXISTÊNCIA. Mantém-se a exigência se a contribuinte sequer demonstra a vinculação dos depósitos de origem não comprovada as operações que alega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da la Camara / r Turma Ordinária do PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir os valores lançados a titulo de IRPJ e CSLL nos lo e 2o trimestres/99, e de Contribuição ao PIS e COFINS de janeiro/99 a junho/99, em razão da decadência. Vencido o Conselheiro Relator José Ricardo da Silva(Relator) que dava provimento ao recurso em maior extensão. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa i JOSÉ RI = Relator ELI PEREIRA BESSA — Redatora Designada Af hi FRANCISCO D ALES • BEIRO DE QUEIROZ - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva, Marcos Vinícius de Barros Ottoni (Suplente convocado) e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Vice-Presidnete). Relatório KIXIKI MOVEIS, INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., já qualificada nos presentes autos, interpõe recurso voluntário a este Colegiado (fls. 645/661), contra o Acórdão n° 18-6.142, de 19/10/2006 (fls. 628/641), proferido pela colenda la Turma de Julgamento da DRJ em Santa Maria - RS, que julgou parcialmente procedente o lançamento consubstanciado nos autos de infração de IRPJ, fls. 06; PIS, fls. 09; COFINS, fls. 12; e CSLL, fls. 15. A irregularidade fiscal imposta ao contribuinte refere-se ao ano-calendário de 1999, abaixo reproduzida: DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS Valor referente a depósitos e investimentos, realizados junto a instituições financeiras, em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no Termo de Verificação, em anexo, que é parte integrante deste auto de infração. A relação individualizada dos depósitos e/ou créditos bancários de origem não comprovada constam das Planilhas de fls. 273 a 294 e os montantes mensais e trimestrais dos valores tributados constam do Demonstrativo das Bases de Cálculo de fls. 299, sendo que a tributação obedeceu ao regime do lucro presumido, adotado pelo contribuinte para o ano- calendário de 1999. Os lançamentos do PIS, COFINS e CSLL são decorrentes da fiscalização do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Cientificada dos lançamentos em 30/07/2004, o contribuinte apresenta em 30/08/2004, a impugnação de fls. 320 a 335, com os anexos 1 a 6 de fls. 336 a 625, alegando, em síntese, o que segue: 2 Processo n° 11030.001624/2004-45 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.431 Fl. 2 a) Os créditos/depósitos que deram suporte ao lançamento, em grande parte, traduzem operações não catalogadas como receitas/rendimentos. Sao meras transferências interbancárias, cuja prova não logrou produzir durante o período da auditoria fiscal, como aconteceu, por exemplo, com os documentos do Banco Bradesco, só recebidos em 05/08/2004 (vide anexo 6), cinco dias após a ciência das autuações. b) Argüi que os créditos/depósitos a seguir não devem sofrer tributação pelos seguintes motivos: c) - A planilha e cópias dos documentos que compõem o anexo 1, comprovam que a quantia de R$ 1.400,00, depositada junto à CEF, provém de um saque efetuado junto ao Bradesco. d) - A planilha e cópias dos documentos que compõem o anexo 2.a, comprovam que o montante de R$ 40.500,00 depositado junto ao Banrisul, provém de diversos saques de cheques efetuados junto ao Brade sco. e) - A planilha e cópias dos documentos que compõem o anexo 2.b, comprovam que o montante de R$ 6.187,66 depositado junto ao Banrisul, provém de diversos saques de cheques efetuados junto ao Banco Meridional. f) - A planilha e cópias dos documentos que compõem o anexo 2.c, comprovam que o montante de R$ 665.560,00 creditados na conta- corrente no 19.017898.0-6, referem-se ao somatório das transferências financeiras provenientes da "Conta Especial Garantida" n° 24.017898.0- 2, do próprio Banrisul — Agência Carazinho. Apresenta declaração prestada pela direção da agência bancária, bem como cópias das escrituras públicas e correspondentes registros imobiliários de garantia hipotecária para dar cobertura A. abertura de crédito em conta corrente, via "Conta Especial Garantida". g) - A planilha e cópias dos documentos que compõem o anexo 3.a, comprovam que o montante de R$ 76.500,00 depositados junto ao Banco Meridional, provém de diversos saques de cheques efetuados junto ao Bradesco. h) - A planilha e cópias dos documentos que compõem o anexo 3.b, comprovam que o montante de R$ 18.515,00 depositados junto ao Banco Meridional, provém de diversos saques de cheques efetuados junto ao Banrisul. i) - A planilha e cópias dos documentos que compõem o anexo 3.c, comprovam que o montante de R$ 14.000,00 depositados junto ao Banco Meridional, provém de diversos saques de cheques efetuados junto a CEF. i) - A planilha e cópias dos documentos que compõem o anexo 4, demonstram que a autuada emitiu cheques do Banco Meridional no 3 montante de R$ 44.344,46, em favor de outras empresas (New Trends, M. Garcia & Cia Ltda, Quality Cosméticos Ltda, etc) e, ao mesmo tempo, recebeu, nas mesmas datas, outros cheques de iguais valores das referidas empresas, destinados a cobrir os saques efetuados da conta bancária retrocitada (Meridional). Alega, tratar-se de simples troca de cheques, negociados com essas empresas de factoring, visando suprir iliquidez da empresa. k) A planilha e cópias dos cheques/extratos que compõem o anexo 5, demonstram terem ocorrido depósitos junto ao Banrisul, CEF, Bradesco e Meridional, no montante de R$ 42.130,00, com cheques de iguais valores emitidos pela empresa interligada "Comercial Loss de Móveis Ltda., cujos sócios-proprietários são os mesmos da autuada. Esclarece que se trataram de operações de socorro financeiro (mútuos) prestados pela referida empresa interligada. INCONSISTÊNCIAS DE ORDEM MATERIAL 1) Admitindo-se, apenas por hipótese, a regularidade dos valores autuados, o procedimento fiscal não poderia prosperar, em virtude da inconstitucionalidade material das normas que, em tese, lhe daria amparo. m) Apesar de não ter feito qualquer menção, o Agente do Fisco teria embasado a requisição dos extratos bancários e o pedido de comprovação da origem dos depósitos na Lei Complementar n° 105, de 2001 e no decreto n°3.724, de 2001. n) Ocorre, porém, que tais diplomas apresentam vícios formais afrontosos Constituição, que impedem o Fisco de exercitar o direito de que entende dispor. Alega que houve ofensas aos princípios da legalidade, da repartição de competências e da irretroatividade da lei. Sobre o tema, cita doutrina e jurisprudência administrativa (fls. 328/329). o) Alega a inconstitucionalidade/ilegalidade da tributação dos depósitos, pois deve haver a necessária distinção a ser feita entre os fenômenos dos ingressos e das receitas. p) Argüi , ainda, a ocorrência de vícios equívocos do lançamento amparado no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, já que não deve ser interpretado literalmente, pois há incongruência com o conceito de renda e proventos de qualquer natureza, assim como compreendido no art. 153, III, da Constituição Federal de 1988. q) De igual maneira, se aplicável assim como está redigido, o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, afrontaria o conceito de renda estabelecido no art. 43 do Código Tributário Nacional (CTN). r) 0 procedimento fiscal também ofendeu aos artigos 114 e 116 do CTN, porque, obviamente, os depósitos bancários, por si sós, não corporificam necessária e suficientemente, nem a obtenção de renda /lucro, nem o auferimento de receita advinda da compra e venda e de prestação de serviços, mas apenas a propriedade/posse e a exploração continuada de bem econômico, juridicamente qualificado como capital circulante. Processo n° 11030.001624/2004-45 SI-CITI AcOrcldo n.° 1101-00.431 Fl. 3 s) No que se refere aos lançamentos da CSLL, PIS e COFINS, alega guardar relação de dependência com o lançamento do IRPJ e que todos os argumentos opostos contra aquela exigência sejam considerados nos lançamentos decorrentes. A Colenda Turma de Julgamento de primeira instância decidiu pela manutenção parcial da exigência tributária, conforme acórdão citado, cuja ementa tem a seguinte redação: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS A autoridade administrativa não tem competência para apreciar matéria atinente a constitucionalidade ou legalidade de normas legais, ficando adstrita ao seu cumprimento. 0 foro próprio para discussões dessa natureza é o Poder Judiciário. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NA -0 COMPROVADA A Lei 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTOS DECORRENTES - PIS, COFINS E CSLL A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quanto não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Lançamento Parcialmente Procedente Ciente da decisão de primeira instância em 01/12/2006 (fls. 243-v), e com ela não se conformando, a contribuinte recorre a este Colegiado por meio do recurso voluntário apresentado em 27/12/2006 (fls. 645), onde reforça os argumentos apresentados na peça impugnatória. É o relatório. 5 Voto Vencido Conselheiro José Ricardo da Silva, Relator 0 recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como visto do relato, o lançamento sob exame decorre da acusação de presunção de omissão proveniente de depósitos bancários não comprovados. A recorrente suscita preliminar de nulidade do auto de infração em razão da inconstitucionalidade do diploma legal que embasou o lançamento. Este Tribunal Administrativo possui posicionamento pacificado sobre a matéria, visto se tratar de objeto da Súmula n° 02, cujo enunciado é o seguinte: 02 — INCONST1TUCIONALIDADE Súmula 1°CC n° 2: 0 Conselho de Contribuintes não competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, não é cabível o acolhimento do pleito da recorrente Quanto ao mérito, a autoridade autuante juntou aos autos as planilhas de fls. 273/294, onde constam os valores individualizados da movimentação financeira não comprovada, bem como os montantes mensais e trimestrais dos valores tributados constam do Demonstrativo das Bases de Cálculo de fls. 299. Por ocasião da defesa inicial, a recorrente juntou aos autos quadros demonstrativos e documentos, os quais apreciados pela turma julgadora de primeiro grau conforme exposição do voto condutor do aresto recorrido abaixo transcrita: Neste aspecto, a defesa alega que muitos dos depósitos/créditos tributados não traduzem operações catalogadas como receitas/rendimentos. Acrescentou à impugnação os documentos que compõem os anexos I a 5 (fis. 336 a 625), visando demonstrar a existência de transferências (via cheque) entre contas bancárias da própria autuada, da empresa interligada Comercial Loss Lida para a autuada, e, ainda, a ocorrência de troca de cheques da autuada com as empresas de factoring New Trends, M Garcia & Cia. Ltda., Quality Cosméticos Ltda., que totalizam os seguintes valores: Anexo 1 — R$ 1.400,00 na Caixa Econômica Federal — CEF (origem saque Bradesco); Anexo 2.a— R$ 40.500,00, no Banrisul (origem saque Bradesco); Anexo 2.b — R$ 8.684,26, no Banrisul (origem saque Banco Meridional); 6 Processo n° 11030.001624/2004-45 SI-C1TI Acórdão n.° 1101-00.431 Fl. 4 Anexo 2.c — R$ 665.560,00, no Banrisul (origem transferência financeira de sua "Conta Especial Garantida" do próprio Banrisul); Anexo 3.a — R$ 76.500,00, no Banco Meridional (origem saque Bradesco); Anexo 3.b — R$ 18.515,00, no Banco Meridional (origem saque Banrisul); Anexo 3.c — R$ 14.000,00, no Banco Meridional (origem saque CEF); Anexo 4 — R$ 44.344,46, no Banco Meridional (origem troca de cheques corn empresas de factoring New Trends, M Garcia & Cia. Ltda., Quality Cosméticos Ltda.); Anexo 5 — R$ 42.130,00, no Banrisul, GEE, Bradesco e Meridional (origem transferências /depósitos de valores efetuados pela empresa interligada Comercial Loss Ltda.). Examinando-se as provas anexadas na impugnação, conclui-se que os valores acima apresentados devem ser aceitos, parcialmente, pelos seguintes motivos: Anexo 2.a —planilha de fl. 341 - Em 29/01/1999, cheque n° 1969, valor R$ 4.450,00, do Bradesco «is. 342/343) — Não existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta do Banrisul. Na data da compensação do referido cheque consta apenas um depósito no Banrisul de R$ 2.191,33 (IL 279), que deve ser aceito como comprovado. - Em 03/02/1999, cheque n° 1979, valor R$ 650,00, do Bradesco (Jls. 344/345) — Não existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta do Banrisul 279), devendo ser desconsiderado no somatório da planilha. - Em 26/02/1999, cheque n° 2042, valor R$ 4.400,00, do Bradesco (fls.348/349) — Não existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta do Banrisul. Na data da compensação do referido cheque consta apenas um depósito no Banrisul de R$ 4.090,57 (IT 279), que deve ser aceito como comprovado. - Em 12/05/1999, cheque n°2173, valor R$ 350,00, do Bradesco (lis. 362/363) — Existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta do Banrisul. Porém, o depósito não foi tributado pela fiscalização, em função do baixo valor (11. 258), devendo ser desconsiderado no somatório da plan ilha. Anexo 2.b —planilha deft. 391 - Em 08/02/1999, cheque n° 236898, valor R$ 2.984,26, do Banco Meridional (fls.392/393) - Não existe depósito com coincidência de data e valor na conta do Banrisul. Na data da 7 compensação do referido cheque consta apenas um depósito no Banrisul de R$ 900,00 (fl. 279), que deve ser aceito como comprovado. - Em 07/05/1999, cheque n° 84, valor R$ 5.700,00, do Banco Meridional (fls.394/396) - Não existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta do Banrisul. Na data da compensação do referido cheque consta um depósito no Banrisul de R$ 3.203,60 (fl. 280), que deve ser aceito como comprovado. Anexo 2.c —planilha de fls. 398-400 - Não ficou suficientemente comprovada a alegação de que os créditos relacionados na planilha de fls. 398-400, na conta corrente Banrisul n° 19.017898.0-6, no montante de R$ 665.560,00, tem origem em transferências financeiras provenientes da "Conta Especial Garantida" n° 24.017898.0-2, do próprio Banrisul — Agência Carazinho. A declaração prestada pela direção da referida Agência Bancária 407), bem como as cópias das escrituras públicas e correspondentes registros imobiliários «Is. 401-406), demonstram simplesmente que a autuada possuía conta na referida agência, sob valor de R$ 70.000,00, com garantia hipotecária do imóvel objeto da matricula n° 6.250. Além de não trazer aos autos os extratos bancários da "Conta Especial Garantida" para mostrar os lançamentos de débitos na conta, o impugnante não apresentou qualquer comprovação de que a origem dos recursos são os alegados empréstimos realizados aipo cheque especial), ou ainda, são operações bancárias que não resultem em tributação na pessoa jurídica autuada, já que as transferências financeiras para a conta corrente somam, no ano de 1999, o valor R$ 665.560,00, enquanto a garantia hipotecária na conta especial é de apenas R$ 70.000,00. Anexo 3.a — planilha de fl. 411 - Em 25/01/1999, cheque n° 1958, valor R$ 500,00, do Bradesco (fls. 414/415) — Não existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta da autuada junto ao Meridional (fl. 274), devendo ser desconsiderado no somatório da planilha. - Em 29/04/1999, cheque n° 2094, valor R$ 400,00, do Bradesco (11s. 434/435) — Não existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta da autuada junto ao Meridional (Ji. 275), devendo ser desconsiderado no somatório da planilha. - Em 02/06/1999, cheque n° 2183, valor R$ 2.400,00, do Bradesco (fls. 436/437) — Não existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta da autuada junto ao Meridional. Na data da compensação do referido cheque consta apenas um depósito no Meridional de R$ 2.000,00 (fl. 276), que deve ser aceito como comprovado. Anexo 3.b —planilha de fl. 481 - Em 19/04/1999, cheque n° 873008, valor R$ 1.365,00, do Banrisul (fls. 490/491) — Não existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta da autuada junto ao Meridional 273/275), devendo ser desconsiderado no somatório da planilha. 8 Processo n° 11030.001624/2004-45 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.431 Fl. 5 - Em 10/06/1999, cheque n° 464768, valor R$ 2.300,00, do Banrisul (lls. 482/483) — Não existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta do Banco Meridional. Na data da compensação do referido cheque consta apenas um depósito no Meridional de R$ 2.040,19 276), que deve ser aceito como comprovado. - Em 25/11/1999, cheque n° 526838, valor R$ 7.700,00, do Banrisul (17s. 494/495) — Não existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta do Banco Meridional. Na data da compensação do referido cheque consta apenas um depósito no Meridional de R$ 2.600,00 (fl. 279), que deve ser aceito como comprovado. Anexo 3.c —planilha de fl. 497 - Em 02/07/1999, cheque n° 701720, valor R$ 13.000,00, da CEF (fis. 500/501) — Não existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta do Banco Meridional. Na data da compensação do referido cheque consta apenas um depósito no Meridional de R$ 1.500,00 276), que deve ser aceito como comprovado. Anexo 4— (fls. 502-583) - Os documentos de fls. 503-583 demonstram que a autuada emitiu cheques sacados da conta 02.0023507-0 do Banco Meridional no montante de R$ 44.344,46, em favor das empresas New Trends, M Garcia & Cia. Ltda, Quality Cosméticos Ltda. Porém, não ficou suficientemente demonstrado, com coincidências de datas e valores, que os cheques recebidos dessas empresas, nas mesmas datas, foram depositados na referida conta corrente da autuada no Banco Meridional. Portanto, a origem apresentada pela defesa não deve ser aceita. Anexo 5 —planilha de fl. 585 - Em 03/04/1999, cheque n° 510281, valor R$ 1.200,00, do Banco Meridional, emitido pela interligada Comercial Loss de Moveis Ltda. (fls. 586/587) — Não existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta da autuada junto ao Bradesco (fl. 290), devendo ser desconsiderado no somatório da planilha. - Em 05/04/1999, cheque n° 603513, valor R$ 3.800,00, do Banco Meridional, emitido pela interligada Comercial Loss de Moveis Ltda. (lls. 614/615) — Além do cheque não estar nominal, não existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta da autuada junto ao Banco Meridional (fls. 273 e 275), devendo ser desconsiderado no somatório da planilha. - Em 02/08/1999, cheque n° 401, valor R$ 1.250,00, do Banco Meridional, emitido pela interligada Comercial Loss de Moveis Ltda. (fls. 596/597) — Não existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta da autuada junto a Caixa Econômica Federal 286), devendo ser desconsiderado no somatório da planilha. 9 - Em 04/11/1999, cheque n° 919, valor R$ 7.700,00, do Banco Meridional, emitido pela interligada Comercial Loss de Moveis Ltda. (fls. 620/621) — Não existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta da autuada no Banco Meridional. Na data da compensação do referido cheque consta apenas um depósito no Meridional de R$ 3.000,00 (fl. 277), que deve ser aceito como comprovado. Esclarece-se que, conforme determinação do artigo 16, sç 4°, do Processo Administrativo Fiscal - Decreto n° 70.235, de 1972, as provas devem ser apresentadas na impugnação a menos que a contribuinte demonstre: a) a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) que se refira a fato ou a direito superveniente; e, c) que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Assim, conclui-se que houve comprovação dos seguintes valores apresentados na impugnação (anexos 1 a 5): ANEXO VALORES APRESENTADOS VALORES COMPROVADOS 1 1.400,00 1.400,00 2.a 40.500,00 36.931,90 2.b 8.684,26 4.103,60 2.c 665.560,00 0 3.a 76.500,00 75.200,00 3.b 18.515,00 11.790,19 3.c 14.000,00 2.500,00 4 44.344,46 0 5 42.130,00 31.180,00 Total 163.105,69 Na peça recursal a contribuinte retorna aos autos, tendo acolhido parcialmente a decisão de primeira instância e efetuado o recolhimento dos tributos correspondentes, relativos aos seguintes itens: (a) Anexo 2.a; (b) Anexo 2.b; (c) Anexo 3.a; (d) Anexo 3.b; (e) Anexo 3.c; (f) Anexo 5. A recorrente insurge-se contra a manutenção de parte do lançamento relativo aos seguintes itens: (i) Anexo 2.c; e (ii) Anexo 4, fazendo a juntada dos documentos de fls. 662/677, correspondentes a extratos de movimentações bancárias junto ao Banrisul, agência em Carazinho, RS, em nome da própria recorrente, onde fica comprovada a origem de parte dos recursos considerada não comprovada pela autoridade fiscal, conforme planilha de fls. 279/285. Na lavratura do auto de infração, a fiscalização considerou como omissão de receita os lançamentos efetuados a crédito na conta 1901789806, do Banrisul, agência 170, cujo histórico encontra-se assim descrito: "Crédito cfe. aviso". Pois bem, a documentação apresentada pela recorrente comprova que os recursos são oriundos da conta n° 24.017898.0-2, da mesma agência do Banrisul, de 1 0 Processo n° 11030.001624/2004-45 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.431 Fl. 6 titularidade da recorrente, motivo pelo qual deve ser acolhida a argumentação de defesa e excluir da tributação o item denominado Anexo 2.c. Da mesma forma, considero devidamente comprovada a origem dos recursos utilizados para os depósitos efetuados no valor de R$ 44.344,46, Anexo 4, conforme comprovantes de fls. 502/583 (cópias dos cheques emitidos — frente e verso), com a demonstração da tramitação bancária e respectiva liquidação. Da leitura do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, resta claro que o legislador abordou o tema de depósitos bancários cuja origem não tenha comprovação a fim de coibir a prática de ingressos simulados ou ilegítimos como modalidade de omissão de receitas, dispondo que deverão ser tratados como omissão de receitas aqueles depósitos que deixarem de ser devidamente comprovados. Extrai-se do mencionado artigo regulamentar que as pessoas fisicas ou jurídicas que realizarem depósitos bancários sem a devida comprovação, terão o tratamento presuntivo como omissão de receitas. Porém, de fundamental importância, registrar que os documentos juntados aos autos não deixam dúvidas da regular origem dos recursos depositados pela empresa. Encontrando-se comprovada a origem dos recursos depositados pela pessoa jurídica, cuja operação se concretiza por meio de depósitos bancários, não podem ser considerados como se fossem depósitos sem origem comprovada. 0 fato descrito não se enquadra na hipótese de incidência e, em conseqüência, a exigência não tem como prosperar. Entendo que está devidamente comprovado o mútuo, com suficientes provas materiais da sua ocorrência, sendo assim, considero desnecessário o registro em instrumento público do contrato para torná-lo válido. As operações devidamente contabilizadas em ambas empresas, bem como os documentos apresentados fazem prova suficiente para infirmar o lançamento em questão. Diante do exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário, para excluir da tributação os itens: Anexo 2.c e Anexo 4. como voto. Sala das Sessões, em 24 fevereiro de 2011 11 Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA — Redatora Designada Em vistas aos autos, constato que, de fato, as exigências pertinentes aos períodos de apuração até junho/99 devem ser canceladas, porque à. época do lançamento (30/07/2004) já havia transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência daqueles fatos geradores. Observo que esta conclusão leva em conta as novas disposições do Regimento Interno do CARF, alterado por meio da Portaria MF n° 586/2010, para passar a conter, em seu Anexo II, o seguinte artigo: Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543- B e 543-C da Lei n°5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARE. Isto porque, relativamente à contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, do CTN, o Superior Tribunal de Justiça já havia decidido, na sistemática prevista pelo art. 543-C do Código de Processo Civil, o que assim foi ementado no acórdão proferido nos autos do REsp n° 973.733/SC, publicado em 18/09/2009: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE 0 FISCO CONSTITUIR 0 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIALARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, ,sç 4°, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. I. 0 prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.I42/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o 12 Processo n° 11030.001624/2004-45 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.431 Fl. 7 pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3a ed., Max Limonad, Sao Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. 0 dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponivel, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, sç 40, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3" ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10" ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3 ° ed., Max Limonad, Sao Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribui0es previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponiveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de oficio substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Extraio deste julgado que o fato de o tributo sujeitar-se a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar- se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos. Vejo claro, a partir da ementa transcrita, ser necessário haver uma conduta objetiva a ser homologada, sob pena de a contagem do prazo decadencial ser orientada pelo disposto no art. 173 do CTN. E tal conduta, como já se infere a partir do item 1 da referida ementa, não seria apenas o pagamento antecipado, mas também a declaração prévia do débito. Destaco, porém, que no caso apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça, a discussão central prendia-se ao argumento da recorrente (Instituto Nacional de Seguridade Social — INSS) de que o prazo para constituição do crédito tributário seria de 10 (dez) anos, contando-se 5 (cinco) anos a partir do encerramento do prazo de homologação previsto no art. 150, §4° do CTN, como antes já havia decidido aquele Tribunal. Por esta razão, os fundamentos do voto condutor mais se dirigiram a registrar a inadmissibilidade da aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §40, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal. Em conseqüência não vejo, naquele julgado, maior aprofundamento acerca do que seria objeto de homologação tácita na forma do art. 150 do CTN, o que permite, aqui, a livre convicção acerca de sua definição. 13 E, no presente caso, como verifico nos autos, há informação na DIPJ de que a contribuinte apurou IRPJ e CSLL a pagar nos 1 ° e 2° trimestres de 1999, bem como Contribuição ao PIS e COFINS a pagar de janeiro a junho/99 (fls. 89, 92, 94/96, 100/102). De outro lado, a Fiscalização nada apontou acerca da inexistência destes recolhimentos. Ao contrário, como demonstrarei adiante, a autoridade lançadora admitiu a receita declarada como origem dos valores depositados nas contas bancárias auditadas, providência somente possível se constatado que aqueles montantes foram submetidos a regular tributação. Assim, considerando a decadência parcial da exigência, passo à apreciação do mérito relativamente aos créditos tributários de IRPJ e CSLL, lançados nos 3 ° e 4° trimestres de 1999, e de Contribuição ao PIS e COFINS lançados de julho/99 a dezembro/99. Antes, porém, destaco que não vejo aqui hipótese de sobrestamento determinado por outra alteração promovida no Anexo II do Regimento Interno do CARF, por meio da Portaria MF n° 586/2010: Art. 62-A. [...] § 1° Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543-B. § 2° 0 sobrestamento de que trata o § 10 será feito de oficio pelo relator ou por provocação das partes. Isto porque, embora estes autos versem sobre exigência decorrente da análise de movimentação bancária da contribuinte, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de repercussão geral de questão constitucional suscitada, em decisão de 23/10/2009, assim ementada: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇ A -0 JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTAIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Nestes termos, a questão constitucional que aguarda manifestação do Supremo Tribunal Federal restringe-se d. aplicação da Lei Complementar n° 105/2001 relativamente a períodos de apuração anteriores à. sua vigência, para fins de fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco. Já nestes autos, embora se trate de períodos de apuração anteriores à vigência da Lei Complementar n° 105/2001, vejo evidenciado o fornecimento de informações sobre movimentação bancária, ao Fisco, diretamente pela contribuinte fiscalizada, em atendimento a intimação, conforme documentos de fls. 25 a 21. E, como ressaltado pela autoridade julgadora de l a instância, a obrigatoriedade de assim proceder já estava prevista em Lei desde 1957, conforme consolidação do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR199): Art. 927. Todas as pessoas fisicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informaç5es e os esclarecimentos exigidos pelos Auditores-Fiscais do 14 Processo n° 11030.001624/2004-45 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.431 Fl. 8 Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante. (Lei n2 2.354, de 1954, art. 72) No mais, quanto ao mérito, o presente voto é apenas para registrar que vislumbro contexto diferente daquele abordado pelo I. Relator, no que tange as provas apresentadas pela contribuinte em sua impugnação e, depois de rejeitadas pela autoridade julgadora de l a instancia, complementadas em recurso voluntário. Como dito pelo I. Relator, na defesa inicial, a recorrente apresentou, dentre outros, os seguintes elementos citados pela autoridade julgadora de l a instancia: Anexo 2.c — R$ 665.560,00, no Banrisul (origem transferência financeira de sua "Conta Especial Garantida" do próprio Banrisul); 1...] Anexo 4 — R$ 44.344,46, no Banco Meridional (origem troca de cheques corn empresas de factoring New Trends, M Garcia & Cia. Ltda., Quality Cosméticos Ltda.); [-..] Relativamente aos documentos que compõe o Anexo 2c, a recorrente apresentou documentos de fls. 662/677, nos quais, de fato, ha evidências de transferência de valores mantidos junto ao Banrisul, agência em Carazinho, RS, em nome da própria recorrente, sendo que o crédito correspondente a estas transferências foi considerado como omissão de receita quando aportados na conta 1901789806, do Banrisul, agência 170, sob o histórico "Crédito cfe. aviso". Todavia, entendo que apenas a prova de que tais recursos são oriundos da conta n° 24.017898.0-2 - na mesma agência do Banrisul e de titularidade da recorrente - não é suficiente para afastar a exigência correspondente. Isto porque não ha prova da escrituração contábil daquela conta bancária e a movimentação correspondente foi omitida da Fiscalização. Constato nos autos que, no Termo de Inicio de Fiscalização, a contribuinte foi intimada a apresentar Extratos de contas correntes bancárias e de aplicações financeiras da empresa, de 1998 a 2003 (fl. 25). Na primeira oportunidade, apresentou extratos do Banco do Brasil (movimentação parcial de 1998 e movimentação global de 1999), Unibanco (movimentação global de 1998 e 1999), Caixa Econômica Federal - CEF (movimentação total) e Meridional (movimentação global de 1998 e 1999), conforme fls. 26. Em 12/04/2004 apresentou extrato do Banrisul, conta 19017898.0-6 (movimentação de 1998 e 1999), em 23/04/2004, extrato do Bradesco, e ,em 30/04/2004, extrato de conta vinculada poupança junto ao Banco Santander (fls. 27 a 31). A partir dai, a Fiscalização passou a questionar a origem dos depósitos constantes dos extratos que lhe foram apresentados, e assim descritos no Termo de Intimação a fl. 33: 0066020023507 conta corrente e poupança, do Banco Meridional, ag. Carazinho-RS; conta 1901789806 do Banrisul S/A, ag. 170; conta 003.000009073 da Caixa Econômica Federal, ag. 0464 e conta 227293 do Bradesco S/A, ag. 32727. Os extratos estão juntados as fls. 114/233 e a relação dos depósitos bancários questionados consta as fls. 234/256, seguindo- se relação de créditos dispensados de exame em função do valor (fls. 257/266), relação de créditos com origem comprovada mediante documentação hábil e idônea (fls. 267/272) ai incluídas transferências de conta poupança, liberação de empréstimos, transferências de contas 15 de mesma titularidade e outros créditos de origem comprovada conforme esclarecimentos de fls. 36/37. As fls. 273/294 constam as relações de créditos de origem não comprovada, aportados nas seguintes contas bancárias: • Conta n° 0066020023507, Banco 008 (Meridional) Agência Carazinho; • Conta n° 1901789806 Banco 041 (Banrisul) ag. 170; • Conta n° 003.000009073 Banco 104 (Caixa Econômica Federal), ag. 0464; • Conta n° 227293 Banco 237 (Bradesco), ag. 32727. Parece-me claro, nestes elementos, que a autoridade lançadora desconhecia a movimentação bancária mantida na conta n° 24.017898.0-2, junto ao Banrisul. Às fls. 295/299 há relação de cheques devolvidos e o demonstrativo de fl. 299 assim apura as bases de cálculo da autuação: Ma Depósitos/Créditos Cheques Devolvidos Valor Declarado Diferença a Tributar jan/99 194.068,28 10.495,25 36.379,09 147.193,94 fev/99 193.348,08 21.622,60 22.629,99 149.095,49 mar/99 208.832,73 14.957,23 21.468,30 172.407,20 1 Trim/99 596.249,09 47.075,08 80.477,38 468.696,63 abr/99 159.121,94 5.866,44 41.568,19 111.687,31 mai/99 197.146,46 10.789,02 38.814,86 147.542,58 jun/99 185.280,51 6.074,84 42.824,74 136.380,93 2 Trim/99 541.548,91 22.730,30 123.207,79 395.610,82 jul/99 227.709,86 1.756,69 51.442,43 174.510,74 ago/99 235.612,00 13.599,56 59.942,85 162.069,59 set/99 2 11. 525,90 2.048, 19 69.748,21 139.729,50 3 Trim/99 674.847,76 17.404,44 181.133,49 476.309,83 out/99 220.174,68 12.265,80 51.481,65 156427,23 nov/99 313.768,70 14.323,61 68.534,12 230.910,97 der/99 216.938,63 1.491,61 46.348,51 169.098,51 4 Trim/99 750.882,01 28.081,02 166.364,28 556.436,71 Observo que a dedução da receita declarada se fez em atenção a solicitação da contribuinte em 15/06/2004 (fl. 35): 04) — Em 02 de novembro de 2003, em resposta a primeira Intimação, foram apresentadas cópias das declarações de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, compreendendo o período de 1.998 a 2003, estando incluído o exercício fiscalizado de 2000 ano-base 1999, onde apresenta um resultado declarado de R$ 628.903,00, montante que deve ser considerado como receita j6 declarada e devidamente tributada pela empresa. Destaco apenas que a contribuinte errou ao totalizar o resultado de 1999, pois suas apurações trimestrais e mensais em DIPJ (fls. 89/105) apontam exatamente para os valores considerados pela Fiscalização. 16 Processo n° 11030.001624/2004-45 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.431 Fl. 9 Diante deste contexto, minhas conclusões acerca dos documentos que compõem o Anexo 2c (fls. 398/400) são distintas daquelas adotadas pelo I. Relator, bem como daquelas expressas pela DRJ. Isto porque a autoridade julgadora de l a instância declarou a insuficiência das provas apresentadas nos seguintes termos: Anexo 2.c —planilha de fls. 398-400 - Não ficou suficientemente comprovada a alegação de que os créditos relacionados na planilha de fls. 398-400, na conta corrente Banrisul n° 19.017898.0-6, no montante de RS 665.560,00, tem origem em transferências financeiras provenientes da "Conta Especial Garantida" n° 24.017898.0-2, do próprio Banrisul — Agência Carazinho. A declaração prestada pela direção da referida Agência Bancária ql. 407), bem como as cópias das escrituras públicas e correspondentes registros imobiliários (As. 401-406), demonstram simplesmente que a autuada possuía conta na referida agência, sob valor de R$ 70.000,00, com garantia hipotecária do imóvel objeto da matricula n° 6.250. Além de não trazer aos autos os extratos bancários da "Conta Especial Garantida" para mostrar os lançamentos de débitos na conta, o impugnante não apresentou qualquer comprovação de que a origem dos recursos são os alegados empréstimos realizados (tipo cheque especial), ou ainda, são operações bancárias que não resultem em tributação na pessoa jurídica autuada, já que as transferências financeiras para a conta corrente somam, no ano de 1999, o valor RS 665.560,00, enquanto a garantia hipotecária na conta especial é de apenas R$ 70.000,00. Já em recurso voluntário, a contribuinte juntou cópia dos extratos da referida conta de onde se originaram as transferências, e neles vejo que o titular da conta 6, realmente a autuada, estando destacados débitos que correspondem a créditos considerados depósitos bancários de origem não comprovada aportados na outra conta mantida pela empresa junto ao Banrisul (fls. 666/677). Porém, os valores que suprem a conta 24.017898-0 não são os alegados empréstimos, e sim diversos créditos sob históricos do tipo Cr. Títulos, Dep. Em Cheque, Cr. Cfe Aviso. É certo que os extratos apresentados partem de um saldo devedor de R$ 57.886,42 e esta divida da empresa para com a instituição financeira não se reduz para menos de R$ 42.405,18 durante o ano de 1999, nem se eleva para além de R$ 72.439,37 neste período, observando o limite de crédito de R$ 70.000,00 referenciado em todos os extratos. Todavia, esta movimentação significa que não foram apenas os créditos garantidos por este financiamento que justificaram as transferências a partir desta conta, mas também e principalmente (dada a estabilidade do saldo diário durante todo o ano-calendário) os demais aportes verificados na conta em razão de títulos recebidos e depósitos em cheque. Esta conta bancária, como disse, não foi noticiada à Fiscalização, limitando- se a contribuinte a apresentar aqueloutra mantida no Banrisul. Assim, embora a origem fisica das transferências esteja demonstrada, a prova apresentada não se presta a desconstituir a exigência. Isto porque, nos termos da Lei n° 9.430/96, vislumbro implícita a exigência de que a prova da origem se apresente com maior amplitude, na medida em que o §2° do seu art. 42 determina a tributação especifica dos valores assim comprovados, o que somente é possível em face da demonstração completa da natureza das operações alegadas: Art.42.Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição 17 financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1° 0 valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-do ás normas de tributação espec(icas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. [..-] Demais disto, quando esta prova se verifica no curso do contencioso administrativo fiscal, depois de a contribuinte ter se omitido em fazê-lo, embora regularmente intimada a tanto durante o procedimento fiscal, considero licito exigir que a autuada prove não só a origem, como também a natureza dos valores recebidos e a sua regular tributação, ou a sujeição a normas de isenção ou de não-incidência, sob pena de sua omissão favorecê-lo com o decurso do prazo decadencial para exigência do crédito tributário sob outra fundamentação ou modalidade de tributação. Recordo, ainda, que a pedido da contribuinte a autoridade lançadora considerou que as receitas declaradas teriam sido movimentadas nas contas bancárias fiscalizadas, valendo-se destes valores como prova da origem de parte dos depósitos bancários questionados. Desnecessário, portanto, perquirir em diligência se aquela movimentação bancária foi escriturada em contra partida As receitas espontaneamente oferecidas à tributação pela contribuinte. Assim, entendo que não há reparos à exigência, por não vislumbrar razão para excluir, da tributação, os depósitos bancários originados de transferência desta conta bancária não apresentada à fiscalização para auditoria. Quanto aos depósitos efetuados no valor de R$ 44.344,46, indicados no Anexo 4 (fls. 502/583), também chego a uma conclusão diversa do I. Relator. Em vistas aos autos, observo que, relativamente a esta parcela, a contribuinte já havia alegado As fls. 36/37: 2) — Registrou-se na resposta anterior (Item 06) que "a deficiência de capital de giro e constantes déficit de caixa, levaram a Empresa fiscalizada a se socorrer de empréstimos particulares, empréstimos bancários, negociações de títulos, trocas de cheques, e outros meios..." que poderiam ser comprovados com os documentos solicitados aos bancos. Tendo recebido somente do Banco Meridional, até a presente data, assim mesmo podemos comprovar que: 2.1 — Simples troca de cheques: Constam, em anexo (ANEXO 02), cópias de documentos (cheques) coincidentes em datas e valores, emitidos pela Intimada e outras empresas (New Trends, M Garcia & Cia Lida, Quality Cosméticos Lida, e outras) entre elas conhecidas e com as mesmas dificuldades de crédito, junto a instituições oficiais, que realizavam a "troca de cheques", oportunizando, assim, captar recursos junto a Factorins, bancos financiadoras, etc., no valor de R$ 44.344,46. Apreciando esta alegação, a Fiscalização entendeu que tais documentos não são suficientes para comprovação, uma vez que não lid nexo causal, ou seja, vinculo ou 18 Processo n° 11030.001624/2004-45 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.431 Fl. 10 coincidência entre os valores dos cheques apresentados e eventuais depósitos efetuados naquelas datas. Destaco que a quase totalidade dos documentos juntados no Anexo 4 refletem operações datadas de janeiro/99 e assim já alcançadas pela declaração parcial de decadência do crédito tributário aqui constituído (fls. 503/580). Em verdade, apenas os documentos de fls. 581/583 referem-se a operações de agosto/99 e neles vejo, apenas, extrato da conta 006.02.0023507-0 junto ao Banco Meridional, na qual est á grifado o débito de R$ 3.389,96, relativo ao cheque n° 530, cuja cópia aponta como beneficiário New Trends, e por si só nada esclarece, na medida em que a exigência decorre da falta de comprovação da origem de depósitos bancários mantidos pela autuada, e não de cheques por ela emitidos. Assim, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, mas apenas para excluir os valores lançados a titulo de IRPJ e CSLL nos 10 e 2° trimestres/99, e de Contribuição ao PIS e COFINS de janeiro/99 a junho/99, em razão da decadência. I PEREIRA BESSA - Conselheira 19
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