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Numero do processo: 10875.001750/2005-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/08/2000
RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRESCRIÇÃO.
Para pedidos protocolados até de 09/06/2005, o prazo prescricional para a repetição de pagamentos indevidos ou a maior é de 10 anos a contar do recolhimento. Nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal a Lei Complementar 118/2005 possui natureza interpretativa.
BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, §2°, INCISO III, DA LE I N° 9.718, DE 1998. NÃO REGULAMENTAÇÃO.
O inciso III do § 2° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, embora vigente até sua revogação pela Medida Provisória n° 1.991-18, de 2000, não teve eficácia, pois não houve sua regulamentação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 28/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 28/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/08/2000 RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRESCRIÇÃO. Para pedidos protocolados até de 09/06/2005, o prazo prescricional para a repetição de pagamentos indevidos ou a maior é de 10 anos a contar do recolhimento. Nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal a Lei Complementar 118/2005 possui natureza interpretativa. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, §2°, INCISO III, DA LE I N° 9.718, DE 1998. NÃO REGULAMENTAÇÃO. O inciso III do § 2° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, embora vigente até sua revogação pela Medida Provisória n° 1.99118, de 2000, não teve eficácia, pois não houve sua regulamentação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 28/05/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 17 50 /2 00 5- 86 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Campinas: Tratase de Pedido de Restituição de fl. 1, protocolado em 07/06/2005, no valor de R$ 47.149,63, correspondente a recolhimentos feitos a título da Contribuição ao PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, relativos aos períodos de apuração de fevereiro/1999 a agosto/2000, conforme planilha de cálculo às fls. 26. A contribuinte fundamentou seu pleito alegando que não teria considerado o disposto no inciso III do § 2° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, e, por isso, não teria excluído da base de cálculo das contribuições o ICMS e demais impostos indiretos, bem como outros valores tais como as receitas repassadas aos fornecedores. A DRF em Guarulhos emitiu o Despacho Decisório de fls. 50/55, indeferindo o pedido de restituição e não reconhecendo o direito creditório da contribuinte, sob a fundamentação de que: nos termos do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN), encontravase extinto o direito de pleitear o indébito relativo a quaisquer recolhimentos efetuados antes de 07/06/2000; o art. 3°, § 2°, inciso III, da Lei n° 9.718, de 1998, não foi regulamentado pelo Poder executivo e, portanto, não produziu efeitos, conforme dispõe o Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000; não há previsão legal para a exclusão do ICMS devido pela própria contribuinte da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Cientificada do indeferimento de seu pleito em 10/02/2009 (fl. 57), a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 26/02/2009 (fls. 59/77), na qual alega: conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a extinção do crédito tributário operase com a homologação do lançamento, o que na prática resulta num prazo de dez anos: cinco para a homologação tácita e mais cinco para o exercício do direito à restituição de recolhimento indevido. Com o advento da Lei Complementar n° 118, de 2005, a União Federal tentou rever esse atendimento, mas o STJ já confirmou que o prazo deve ser contado mediante dois períodos sucessivos de cinco anos, se a aplicação retroativa da lei que alterou o CTN; Fl. 152DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10875.001750/200586 Acórdão n.º 3303002.528 S3C3T3 Fl. 136 3 a União pretende cobrar o tributo com base na totalidade das receitas, sem permitir) a dedução prevista no inciso III do § 2° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998. A alegação de que esse dispositivo seria inaplicável em decorrência da não edição das normas regulamentadoras de competência do Poder Executivo fere o princípio constitucional da estrita legalidade, bem como o disposto no art. 99 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN); o texto legal do inciso III do § 2° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 27 de 1998, contempla todos os requisitos necessários para a sua imediata aplicação, restando evidente que a alusão a normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo referese única e exclusivamente aos chamados deveres instrumentais ou obrigações acessórias, pois a definição do conteúdo e alcance do texto legal prescinde de qualquer regulamento; o inciso III do § 2° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 27 de 1998, entrou em vigor em fevereiro/1999, produzindo efeitos até a presente data, visto que de acordo com o art. 246 da Constituição Federal a matéria em testilha não poderia ser tratada por medida provisória. Esse entendimento impede que se atribua qualquer efeito à tentativa de revogação contida na Medida Provisória n° 1.99118, de 2000. A matriz constitucional para a exigência da contribuição é o art. 195 da Constituição Federal que foi alterado pela Emenda Constitucional n° 20, de 1998, e, por esse motivo, está afastada a possibilidade de alterações e regulamentações por medida provisória, consoante determinação do art. 246 da Lei Maior. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ de Campinas entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/08/2000 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de a contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, §2°, INCISO III, DA LEI N° 9.718, DE 1998. NÃO REGULAMENTAÇÃO. O inciso III do § 2° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, embora vigente até sua revogação pela Medida Provisória n° 1.99118, de 2000, não teve eficácia, pois não houve sua regulamentação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 153DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 Período de apuração: 01/02/1999 a 31/08/2000 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de a contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. BASE DE CÁLCULO. ART. 3°, §2°, INCISO III, DA LEI N° 9.718, DE 1998. NÃO REGULAMENTAÇÃO. O inciso III do § 2° do art. 30 da Lei n° 9.718, de 1998, embora vigente até sua revogação pela Medida Provisória n° 1.99118, de 2000, não teve eficácia, pois não houve sua regulamentação. Solicitação Indeferida Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. São dois os temas a serem analisados no presente processo: (i) prescrição parcial dos créditos pleiteados; (ii) exclusão das receitas de terceiros com base no art. 3º, § 2º da Lei nº 9.718/98; e, (i) prescrição parcial dos créditos pleiteados. Quanto a questão da prescrição parcial dos créditos pleiteados é importante destacar que o pedido foi protocolado em 07/06/2005 para solicitar a restituição de valores pagos a maior a título de PIS e COFINS no período de 02/99 a 08/00. A delegacia de origem entendem por bem reconhecer a prescrição parcial dos créditos, por entender que o prazo para o pedido de restituição seria de 5 anos. Sendo assim afastou as competências Com razão o Recorrente. Como já me manifestei em outras oportunidades, coaduno com o entendimento de que até o advento da Lei Complementar 118/05, o prazo de restituição dos tributos recolhidos indevidamente iniciase decorridos cinco anos, contados a partir do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, computados a partir do termo final do prazo atribuído à Fazenda Pública para aferir o valor devido referente à exação. Ou seja, considero que somente após a homologação é que se inicia o curso do prazo prescricional qüinqüenal, de modo que, na prática, o prazo total fixado para restituição é de dez anos após o recolhimento indevido. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10875.001750/200586 Acórdão n.º 3303002.528 S3C3T3 Fl. 137 5 O E. STJ, após inúmeras reviravoltas, acabaou pacificando seu entendimento no seguinte sentido: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. DECRETOS LEIS 2.445/88 E 2.449/88. PRESCRIÇÃO. CINCO ANOS DO FATO GERADOR MAIS CINCO ANOS DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INAPLICABILIDADE DO ART. 3º DA LC N. 118/2005. INÍCIO DA VIGÊNCIA SOMENTE APÓS 120 DIAS CONTADOS DA PUBLICAÇÃO. INTELIGÊNCIA DO ART. 4º DA MESMA LEI. Está uniforme na 1ª Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. O disposto no artigo 3º da Lei Complementar n. 118, de 09 de fevereiro de 2005 é inaplicável, uma vez que ainda não iniciada a sua vigência, a qual somente terá início após 120 dias contados da publicação, a teor do artigo 4º da mesma lei. Agravo regimental não conhecido.1 Ocorre que, com o advento da Lei Complementar 118/05, a questão da prescrição do direito a repetição do indébito ganhou nova conotação: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional Não obstante afastar a interpretação que vinha sendo consagrada pela doutrina e pelo judiciário, a nova lei ainda determinou sua aplicação retroativa, uma vez que determinou a observância do disposto do art. 106, inciso I do CTN, que assim prescreve: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; 1 AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 653.771 SP (2005/00095396). RELATOR : MINISTRO Francisco Peçanha Martins. Segunda Turma. 05/05/2005. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES 6 É bom destacar que a respeito da legalidade do disposto no art. 4º da Lei Complementar 118/05, o STJ manifestou sua posição, entendendo pela manifesta inconstitucionalidade dos dispositivos, conforme se depreende da decisão proferida no Resp nº 644.736/PE, cuja ementa segue abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. LC 118/2005. INCONSTITUCIONALIDADE DA APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. 2. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, em sessão de 06/06/2007, DJ 27.08.2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. 3. Embargos de divergência a que se nega provimento. Contudo, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 566.621 de relatoria da Ministra Ellen Greice, analisou a natureza e as determinações contidas na Lei Complementar 118/2005 e decidiu que esta possui natureza interpretativa, o que implicou no reconhecimento da legalidade da redução do prazo para a restituição dos tributos (10 anos para 5 anos) recolhidos a maior ou indevidamente, para os pedidos protocolados a partir de 09/06/2005, como vemos de sua ementa que segue transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a Fl. 156DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10875.001750/200586 Acórdão n.º 3303002.528 S3C3T3 Fl. 138 7 lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Ou seja, para pedidos de restituição protocolados até 09/06/2005 teremos o prazo de 10 anos, e para os pedidos protocolados em datas posteriores teremos o prazo de 5 anos. No presente caso o pedido foi protocolado em 07/06/2005, estando assim submetido ao prazo de 10 anos conforme interpretação conferida pela Lei Complementar 118/2005. Como o período relacionado aos alegados pagamentos indevidos compreende as competências 02/99 a 08/00, não há que se falar em prescrição. Por fim, vale registrar que o Regimento Interno do CARF determina a obrigatoriedade da aplicação das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal, com aplicação do rito estabelecido no art. 543 B do CPC, senão vejamos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF Por todo o exposto, afasto a alegação de prescrição em relação as competências anterios a 06/2000. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES 8 (ii) exclusão das receitas de terceiros com base no art. 3º, § 2º da Lei nº 9.718/98 A Recorrente fundamenta seu pedido no disposto no art. 3º, § 2º da Lei 9.718/98 que determinava: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo A questão relativa a auto aplicabilidade do disposto no inciso III da norma acima transcrita foi bastante debatida, tendo o STJ pacificado sua interpetação de que a aplicação do dispositivo legal dependeria de Decreto Regulamentador. Trancrevo, como razão de decidir, ementa de decisão neste mesmo sentido: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO PIS E COFINS RECEITA BRUTA PRETENDIDA COMPENSAÇÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A OUTRA PESSOA JURÍDICA ART. 3º, § 2º, INCISO III, DA LEI N.9.718/98 AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO POR DECRETO DO PODER EXECUTIVO POSTERIOR REVOGAÇÃO DO FAVOR FISCAL PELA MEDIDA PROVISÓRIA N. 199118/2000 PRECEDENTES. Sabemno todos, ocioso rememorar, que a lei tributária concessiva de qualquer favor ao contribuinte, a exemplo da isenção concedida pelo art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei n. 9.718/98, sujeitase às regras estabelecidas pelo Fisco para o gozo do benefício. Dispõe o artigo 3º, § 2º, inciso III, da Lei n. 9.718 que poderiam ser excluídos da base de cálculo da contribuição devida a título de PIS e COFINS "os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo". A aplicabilidade da referida norma esteve condicionada, até sua revogação pela Medida Provisória 199118/2000, à edição de decreto pelo Poder Executivo Federal. Dessa forma, a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS dos valores que, ao constituírem a receita da empresa, fossem transferidos para outra pessoa jurídica, somente poderia ocorrer após a devida regulamentação. Se tal não se deu, inviável o deferimento da pretensão do contribuinte. Precedentes: REsp 502.263/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ 13.10.2003; REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ 10.03.2003; REsp 512.232/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ 20.10.2003; REsp 654.175/SC, Rel. Min. João Otávio de Fl. 158DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10875.001750/200586 Acórdão n.º 3303002.528 S3C3T3 Fl. 139 9 Noronha, DJ 11/10/2004; REsp 637.723/PR, Rel. este Magistrado, DJ 16.11.2004. Agravo regimental improvido. Devo ressaltar que referido dispositivo já foi, inclusive, revogado pela MP 1.99118/00. Neste norte, sem razão a Recorrente. Não há amparo legal para a sua tentativa de restituição. Vale lembrar que ao julgador administrativo é defeso afastar dispositivo de lei por inconstitucionalidade ou ilegalidade, sendo que este tema já foi inclusive sumulado: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante deste impedimento, deixo de me manifestar sobre as questões relacionadas a inconstitucionalidade e ilegalidade de dispositivos legais citados no Recurso. Por todo o exposto, voto por afastar a alegação de prescrição parcial dos créditos e no mérito por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 159DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 10480.916111/2011-07
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001
PIS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 61 11 /2 01 1- 07 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ RECIFE/PE, abaixo transcrito: Tratase de Manifestação de Inconformidade, protocolizada aos 19/01/2012 contra Despacho Decisório eletronicamente emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife DRF/ RECIFE/PE, do qual a contribuinte tomou ciência aos 22/12/2011, por meio do qual foi indeferido o Pedido de Restituição PER aqui tratado, em que é indicado suposto crédito, no valor de R$ 213,38, a título de pagamento indevido ou a maior realizado a título da Contribuição para o PIS/Pasep em relação ao período de apuração de fevereiro de 2001, no valor de R$ 1.523,36. 2. O indeferimento se deu porque, embora localizado supradito pagamento, ele fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição. 3. No recurso, a defendente solicita a reunião dos processos administrativos que relaciona, os quais alega ter o mesmo objeto e causa de pedir (restituição de conjecturados créditos, apurados em diversos meses, decorrentes de pagamentos indevidos da contribuição para o PIS/COFINS, pautados na inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 27/11/1998). 4. Invoca, para amparar o pleito de reunião de processos que, na sua visão, impediria o risco de que neles fossem proferidas diferentes decisões , o princípio da economia processual, a otimização dos trabalhos da recorrente e da Administração Tributária, a determinação constitucional de razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, da CF/88). Ademais, estriba o pedido na disposição contida no art. 103, do Código de Processo Civil –CPC e, ainda, em opiniões doutrinárias e em precedente do então 1º Conselho de Contribuintes. 5. Na seqüência, critica a defendente que, contrariamente ao disposto no art. 65, da Instrução Normativa IN nº 900, expedida aos 30/12/2008 pela RFB1, não fora intimada a 1 esclarecer a higidez de seu crédito e que, tivesse isto ocorrido, o pedido de restituição seria deferido, na medida em que teria logrado comprovar o direito ao reconhecimento do indébito. 6. Argumenta que, nos termos do art. 142, do CTN, é dever da Fiscalização aprofundar o exame da situação concreta, de modo que o lançamento e também as demais glosas fiscais se baseiem na correta subsunção dos fatos à lei. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916111/201107 Acórdão n.º 3801003.584 S3TE01 Fl. 12 3 7. Fala, ainda, que, como a Fiscalização sequer tomou conhecimento das razões que justificam o pedido de restituição, imporseia a reforma do Despacho Decisório. 8. Adiante, tece considerações quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, declarada pela Suprema Corte, após o que aduz que, conquanto a inconstitucionalidade haja sido reconhecida no controle difuso, foi a questão decidida em sessão plenária do STF, razão por que os órgãos da Administração Tributária devem afastar sua aplicação, aos moldes do que determina o art. 26A, §6º, do Decreto nº 70.235/72, e o art. 59, do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, disposição esta que também estava encartada no art. 49, parágrafo único, I, do Regimento Interno do antigo Conselho de Contribuintes e, atualmente, está embutida no art. 62, §1º, I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF. 9. Destaca que o art. 62A, caput, do RICARF, vincula o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a adotar as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF sob o regime previsto no art. 543B, do CPC, tal como ocorreu, na situação aqui tratada no RE nº 585.235 – o que reforçaria que o entendimento do STF quanto à citada inconstitucionalidade deve ser aplicado no caso dos autos. 10. Pondera, outrossim, que “um dispositivo de lei declarado inconstitucional é uma norma absolutamente nula, impossibilitada de produzir efeitos jurídicos válidos, em razão de seu desacordo com o texto constitucional, a quem deve irrestrita obediência” e que “seria ilógico que a administração fazendária continuasse a reconhecer a validade de um texto de lei já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”, entendimento este que a recorrente escora em diversos precedentes administrativos da Câmara Superior de Recursos Fiscais a que faz remissão. 11. Conclui a questão dizendo ser indubitável que o entendimento do STF nos recursos extraordinários por ela referidos deve ser empregado pelas autoridades administrativas em suas decisões. 12. Avante, diz a recorrente que na base de cálculo da contribuição aqui tratada “somente deveriam ter sido incluídos pela requerente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços” e que, no caso concreto, tem direito ao crédito requerido no PER, correspondente ao valor desta contribuição que teria sido calculado sobre o montante não integrante de seu faturamento. 13. Sustenta que, para que não pairem dúvidas, anexa documentos hábeis a comprovar a higidez do crédito pleiteado. 14. No final da Manifestação de Inconformidade, a recorrente: (i) requer o acolhimento do recurso interposto; (ii) informa que a matéria discutida não foi submetida à apreciação judicial; e (iii) protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícias, a realização de diligência e a juntada de documentos. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 15. Ao recurso a contribuinte anexou, além de documentos de representação processual: (i) planilha com as rubricas sobre as quais apurou o suposto crédito a ser restituído; e (ii) cópia de folhas de Balancete correspondente ao período de apuração aqui tratado. 16. Este julgador anexou aos autos extratos emitidos no sistema DCTF/CONS. Analisando o litígio, a DRJ de Recife/PE considerou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBANTE. É do sujeito passivo o ônus probante do direito à restituição. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/98. PAGAMENTO SOBRE OUTRAS RECEITAS QUE NÃO AS DE VENDA DE MERCADORIAS E/OU SERVIÇOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não tendo a recorrente comprovado que o valor confessado em DCTF e por ela recolhido a título da Contribuição para o PIS/Pasep foi calculado sobre outras receitas que não as de venda de mercadorias e/ou de prestação de serviços, resta incomprovada a realização de pagamento indevido ou a maior que devido sob o fundamento de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo desta contribuição perpetrada pelo art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas comprobatórias do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916111/201107 Acórdão n.º 3801003.584 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel Conheço do Recurso Voluntário, uma vez que apresenta os requisitos de admissibilidade e foi apresentado dentro do prazo de 30 dias fixado pela legislação. Como se depreende da leitura dos autos, em síntese, o contribuinte, invocando o reconhecimento, pelo STF, da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuição ao PIS e da COFINS promovido pela Lei nº 9.718/98, requereu a restituição dos valores indevidamente recolhidos. Sendo indeferido o pedido administrativo de restituição, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, à qual juntou aos autos, além de planilhas que supostamente comprovariam o seu direito creditório, os balancetes, com a segregação das receitas. No julgamento da Manifestação de Inconformidade, a delegacia de julgamento de Recife/PE alega que o contribuinte não comprovou o recolhimento indevido ou a maior dos créditos tributários invocados no pedido de restituição. Ocorre que a própria Delegacia da Receita Federal poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir a autenticidade dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua Fl. 122DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse).(MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensina o ilustre professor Celso Antônio Bandeira de Mello: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto Fl. 123DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916111/201107 Acórdão n.º 3801003.584 S3TE01 Fl. 14 7 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que estáem jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°.132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda)PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3 ª. Câmara 1 º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido.(Número do Recurso: 150652 Câmara:Quinta Câmara Número do Processo:13877.000442/200269– Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368– Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, os documentos apresentados pela Recorrente e, além disso, as declarações enviadas à Receita Federal do Brasil. Como se não bastasse, na decisão recorrida, a Delegacia de Julgamento alega que não poderia deixar de aplicar o disposto na Lei 9.718/98, com relação ao alargamento da base de cálculo das mencionadas contribuições. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 Neste ponto, contudo, não devem prevalecer as conclusões da Delegacia de Julgamento de Recife (PE). O § 1o, do artigo 3o, da Lei 9.718/98, que dava embasamento ao Fisco para que considerasse como base de cálculo da COFINS a receita bruta, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Fato é que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/ PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Em outra oportunidade, a Excelsa Corte (STF), por unanimidade, ao apreciar o Recurso Extraordinário nº 585235, DJ nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu a existência de repercussão geral e reafirmou a jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme decisão transcrita abaixo: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. (....)(grifouse) O acórdão proferido no referido recurso extraordinário, DJ 28/11/2008, teve a seguinte ementa: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.916111/201107 Acórdão n.º 3801003.584 S3TE01 Fl. 15 9 Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Destarte, as autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, observar o posicionamento da Corte Suprema. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Concluise, assim, independentemente de o contribuinte ter ação judicial sobre o tema, ser improcedente a exigência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita bruta, nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal. Nesse sentido, voto por julgar procedente o recurso para reconhecer o direito à restituição, mediante compensação, dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 10 É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.010316/2006-71
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/09/2006
MULTA DE MORA INCIDENTE EM RECOLHIMENTOS EFETUADOS COM ATRASO. CABIMENTO NOS DÉBITOS RECONHECIDOS ESPONTANEAMENTE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
O recolhimento de tributo efetuado após o vencimento deve ser acrescido da multa moratória, por expressa determinação legal. É incabível a restituição da multa moratória recolhida e, em conseqüência, não se homologa a compensação declarada em DCOMP, vinculada ao crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1803-001.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(assinado digitalmente)
Victor Humberto da Silva Maizman - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à época do julgamento), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Roberto Armond Ferreira da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/09/2006 MULTA DE MORA INCIDENTE EM RECOLHIMENTOS EFETUADOS COM ATRASO. CABIMENTO NOS DÉBITOS RECONHECIDOS ESPONTANEAMENTE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O recolhimento de tributo efetuado após o vencimento deve ser acrescido da multa moratória, por expressa determinação legal. É incabível a restituição da multa moratória recolhida e, em conseqüência, não se homologa a compensação declarada em DCOMP, vinculada ao crédito pleiteado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à época do julgamento), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Roberto Armond Ferreira da Silva (Suplente Convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/09/2006 MULTA DE MORA INCIDENTE EM RECOLHIMENTOS EFETUADOS COM ATRASO. CABIMENTO NOS DÉBITOS RECONHECIDOS ESPONTANEAMENTE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O recolhimento de tributo efetuado após o vencimento deve ser acrescido da multa moratória, por expressa determinação legal. É incabível a restituição da multa moratória recolhida e, em conseqüência, não se homologa a compensação declarada em DCOMP, vinculada ao crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à época do julgamento), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Roberto Armond Ferreira da Silva (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 03 16 /2 00 6- 71 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10980.010316/200671 Acórdão n.º 1803001.621 S1TE03 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (fl. 01), relativo a crédito de multa moratória paga indevidamente nos últimos dez anos, cumulado com Declaração de Compensação (fls. 36/37), em que se pretende utilizar o referido crédito para compensar débito de COFINS, referente ao período de apuração agosto de 2006. O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, às fls. 38/40, indeferiu o pedido de restituição, por força da decadência, relativamente aos pagamentos efetuados até 14/09/2001, e por falta de previsão legal que ampare a pretensão da contribuinte, relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 15/09/2001, uma vez que o artigo 138 do CTN não alcança as multas moratórias. Por conseguinte, considerou não homologada a DCOMP de fls. 36/37. Inconformada com o lançamento fiscal a empresa Recorrente apresentou impugnação sustentando que o prazo para pedir restituição do indébito, nos casos de lançamento por homologação, é de dez anos, considerando que o prazo de cinco anos para pedir restituição somente começa a contar depois de decorridos os cinco anos que a Receita Federal tem para homologar o lançamento. Neste sentido cita decisão do STJ. Sustenta ademais que detém do direito ao crédito de multa de mora recolhida nos últimos dez anos, pois entende que o pagamento do tributo acompanhado de todos os seus acréscimos, como ocorreu no presente caso, antes que a Receita Federal tivesse iniciado qualquer procedimento de cobrança, caracteriza a denúncia espontânea a justificar a exclusão da multa moratória. Em sede de cognição ampla, os argumentos da impugnante foram rechaçados, sob o fundamento de que de acordo com a LC 118/2.005 o prazo para se pleitear a restituição nos tributos cujo o lançamento é por homologação é de 05 anos, além de que o recolhimento de tributo efetuado após o vencimento deve ser acrescido da multa moratória, por expressa determinação legal, razão pela qual, depreendese incabível a restituição da multa moratória recolhida e, em conseqüência, não se homologa a compensação declarada em DCOMP, vinculada ao crédito pleiteado. Inconformada com a decisão, a Recorrente interpôs tempestivamente Recurso Voluntário reiterando os argumentos defendidos na oportunidade da impugnação. É o simples relatório. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10980.010316/200671 Acórdão n.º 1803001.621 S1TE03 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman Relator Preliminarmente admito o inconformismo da contribuinte mormente em virtude de seu cabimento e tempestividade. Pois bem, conforme consta da decisão recorrida, os recolhimentos efetuados até 14/09/2001 já estava decaído quando da protocolização do Pedido de Restituição fl. 01 (15/09/2006), pois já havia transcorrido mais de cinco anos da data de extinção do crédito tributário, consoante disposto no item I do Ato Declaratório no 96/1999, combinado com os art. 165 e 168 do Código Tributário Nacional. Entrementes, de acordo com o julgamento proferido em sede de recurso repetitivo RECURSO ESPECIAL Nº 1.002.932 SP (2007/02600019) restou decidido de que com “o advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada.").” Portanto, considerando que o pedido de restituição foi efetivado antes da vigência da LC 118/05 e, considerando tratarse de tributo sujeito a lançamento por homologação, temse que tempestiva a pretensão da Recorrente. Todavia, o crédito almejado é indevido, uma vez que nos casos dos pagamentos em atraso, a norma jurídica que prescreve a sua exigibilidade é válida e vigente no ordenamento jurídico nacional, haja vista que, para o crédito não integralmente pago no vencimento, o art. 161 do CTN determina o acréscimo de juros de mora, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária, dentre as quais inserese a multa de mora. Em relação ao assunto, importa observar que o Superior Tribunal de Justiça – STJ, consolidou o posicionamento constante do Resp nº 1.149.022/SP, transitado em julgado em 01/09/2010, nos seguintes termos de sua ementa: Fl. 98DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10980.010316/200671 Acórdão n.º 1803001.621 S1TE03 Fl. 5 4 "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa(antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC:Resp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, Dje 28.10.2008).3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, ano base 1995 e prontamente recolheu esse montantedevido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso,antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se Fl. 99DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10980.010316/200671 Acórdão n.º 1803001.621 S1TE03 Fl. 6 5 incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Destarte, considerando tratarse de pedido de restituição da multa de mora recolhida pela contribuinte fora do prazo de vencimento, temse que não se caracteriza a denúncia espontânea, a teor dos itens 2 e 3 da ementa proferida. Em virtude do exposto, conheço do inconformismo e negolhe provimento. É como voto. (assinatura digital) Victor Humberto da Silva Maizman Fl. 100DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 16624.000586/2006-17
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. VINCULAÇÃO COM MATÉRIA TRATADA EM OUTRO PROCESSO.
O efeito de decisão administrativa que acolheu o pedido de isenção do imposto de renda fica limitado às verbas trabalhistas pleiteadas no respectivo processo.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PLEITEADO APÓS A EDIÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PRAZO QUINQUENAL.
Por imposição do Regimento Interno do CARF, há que se seguir a orientação do STF no sentido de que antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº 118, de 2005, aplica-se à restituição de tributos a prescrição decenal. Para os pedidos de restituição pleiteados após a vigência da referida lei, o prazo é de cinco anos.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2802-003.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Guilherme Barranco de Souza (suplente), Ronnie Soares Anderson e Nathalia Correia Pompeu (suplente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
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VINCULAÇÃO COM MATÉRIA TRATADA EM OUTRO PROCESSO. O efeito de decisão administrativa que acolheu o pedido de isenção do imposto de renda fica limitado às verbas trabalhistas pleiteadas no respectivo processo. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PLEITEADO APÓS A EDIÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PRAZO QUINQUENAL. Por imposição do Regimento Interno do CARF, há que se seguir a orientação do STF no sentido de que antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº 118, de 2005, aplicase à restituição de tributos a prescrição decenal. Para os pedidos de restituição pleiteados após a vigência da referida lei, o prazo é de cinco anos. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 62 4. 00 05 86 /2 00 6- 17 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Guilherme Barranco de Souza (suplente), Ronnie Soares Anderson e Nathalia Correia Pompeu (suplente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Por meio do requerimento protocolizado em 27/04/2006, fl. 01, o interessado solicita a retificação de sua declaração de ajuste anual referente ao exercício de 1998, ano calendário de 1997, com o objetivo de alterar o valor do rendimento tributável declarado, para dele excluir o valor de R$ 18.608,40, correspondente à licença prêmio indenizada. O interessado informa ainda que, conforme despacho DRF/Guarulhos Seort n° 38/2006, fls. 16 a 26, o pedido de restituição do imposto de renda, que incidiu sobre as verbas de indenização adicional e de estabilidade provisória, já foi deferido pelo processo nº 13807.000369/200178. A Seort/DRF/Guarulhos/SP proferiu Despacho Decisório nº 81/2007, fls. 29 a 34, indeferiu o pedido de restituição do imposto de renda sobre a licença prêmio indenizada, em face da constatação de haver expirado o prazo decadencial à época da formalização do seu requerimento. Segundo a autoridade administrativa, tratandose de pedido de restituição do imposto de renda relacionada ao PDV ocorrido no ano de 1997, o termo inicial da contagem do prazo decadencial é a data da publicação da IN/SRF 165 de 31/12/1998, ou seja, em 06/01/1999, conforme acórdão CSRF/0105.012. Nesse sentido, concluiu que o prazo para pleitear a restituição em questão seria de até dezembro de 2003. Inconformado, o contribuinte protocolizou manifestação de fl.38, na qual alega, em resumo, que: o fundamento pelo qual o despacho contestado indeferiu o pedido em questão se baseou no entendimento consubstanciado no Ato Declaratório SRF 96/1999; no entanto, o período de restituição relacionado ao PDV ocorrido em 1997 deuse através do processo 13807.000369/200178 dando continuidade até o ano de 2006, conforme despacho Seort/DRF/Guarulhos 64/2006; portanto, o pedido encontrase dentro do prazo legal sendo uma extensão do referido processo. A DRJ em São Paulo – DRJ/SPO II, fls. 40 a 42 (fls. 44 a 46 do processo digitalizado), indeferiu a solicitação, por considerar incabível a vinculação do pedido objeto dos presentes autos com o pedido examinado no processo n° 13807.000369/200178. Argumentou a autoridade julgadora de primeira instância que, além de tratarem de matérias distintas, o pleito do contribuinte naqueles autos já foi integralmente apreciado em decisão definitiva na esfera administrativa. Cientificado dessa decisão em 13/08/2009, fls. 49 (digital), o interessado interpôs recurso voluntário em 24/08/2009, fls. 50/51, alegando, em síntese, que: o presente pedido de restituição do imposto de renda na fonte sobre a verba licença prêmio indenizada não foi efetuado no processo n° 13807.000369/200178; Fl. 56DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 16624.000586/200617 Acórdão n.º 2802003.159 S2TE02 Fl. 56 3 interpôs recurso voluntário ao Primeiro Conselheiro de Contribuintes contra a decisão proferida nos autos do processo nº 13807.000369/200178, cujo Acórdão 10247052, sob fundamento no PN COSIT n° 01de 08/08/1999, teria ressaltado que: (...) as convenções homologadas pela Justiça do Trabalho e as sentenças em dissídios coletivos produzem eficácia normativa entre as partes envolvidas, nos termos da CLT, e o Decreto 3000 de 26 de março de 1999 art. 39, a licença prêmio indenizada também encontrase no Rendimento isento do imposto. o pedido de restituição do imposto sobre a verba licença premio indenizada, tratada no presente processo, somente deu após a decisão proferida no referido Acórdão n° l02 47.052 e Despacho Decisório DRF/GUARULHOS/SEORT n° 038/2006; portanto, tal pedido se encontra formulado no prazo legal, pois o mesmo é uma extensão do pedido de restituição das verbas indenização adicional e estabilidade provisória, tratadas no processo 13807000369/200178; requer que seja acolhida “a retificação da Declaração de Rendimentos do Exercício I998, ano calendário 1997, na qual é alterado o valor dos Rendimentos Tributáveis com a exclusão da LicençaPremio Indenizada recebida no Programa de Demissão Voluntária – PDV”. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Pretende o recorrente que o pedido de restituição formulado nos presentes autos seja considerado uma extensão o pedido de restituição examinado pelo processo n° 13807.000369/200178. Nesse sentido, esclareçase ao recorrente que o efeito de eventual decisão administrativa que acolheu o pedido de isenção do imposto de renda fica limitado às verbas trabalhistas pleiteadas no respectivo processo. Ademais, as verbas denominadas “indenização adicional” e “estabilidade provisória”, cuja isenção do imposto de renda o contribuinte alega ter sido admitida em decisão firmada no processo por ele citado, possuem natureza distinta da “licença prêmio indenizada”, objeto do pedido que integra os presentes autos. Portanto, não se vinculam e tampouco se confundem, como pareceu querer expressar o recorrente em sua petição. Diante disso, correto o entendimento da decisão recorrida que considerou incabível a vinculação pretendida pelo contribuinte. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Resta, pois, examinar a questão se decaiu ou não o direito de requerer a restituição do imposto de renda retido na fonte no anocalendário 1997, considerado que tal pleito foi efetuado em 27/04/2006. A regra geral relativa ao prazo decadencial para pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação resulta da interpretação dos artigos 150, §§ 1º e 4°, 165, inciso I e 168, inciso I, todos do Código Tributário Nacional – CTN, os quais estão assim dispostos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ......................................................................................................... Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. ........................................................................................................ Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; Da conjugação desses dispositivos legais concluise que, como regra, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, Fl. 58DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 16624.000586/200617 Acórdão n.º 2802003.159 S2TE02 Fl. 57 5 o contribuinte tem 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para requerer a restituição de exação indevidamente recolhida. Por sua vez, a Lei Complementar LC nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, alterou e acrescentou dispositivos ao Código Tributário Nacional CTN, dispondo em seus artigos 3º e 4º sobre a interpretação a ser dada ao inciso I do art. 168 da mesma Lei, nos termos a seguir reproduzidos: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Existiu jurisprudência nos Conselhos de Contribuintes e no CARF que entendia que o dia 06/01/1999 – data de publicação da IN SRF n° 165 – marcaria o início do prazo decadencial para os contribuintes pleitearem a restituição dos valores indevidamente recolhidos a título de imposto de renda na fonte, incidente sobre verbas indenizatórias recebidas em razão da participação em programas de demissão voluntária. Contudo, por força do que determina o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, esse entendimento ficou prejudicado em face da necessária reprodução do julgamento proferido pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, que no julgamento do Recurso Extraordinário n° 566.621/RS, seguindo a sistemática do 543B do CPC, proferiu acórdão cuja ementa assim dispõe: DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO .VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA . NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (STF, Pleno, RE n° 566.621/RS, Relatora Ministra Ellen Gracie, DJE de 11/10/2011) Tal decisão transitou em julgado em 17/11/2011. Portanto, por imposição do Regimento Interno do CARF, há que se seguir a orientação do STF no sentido de que antes de 09/06/2005, data da entrada em vigor da Lei Complementar nº 118, de 2005, aplicase à restituição de tributos a prescrição decenal. Para os pedidos de restituição pleiteados após a vigência da referida lei, o prazo é de cinco anos. Observese, ainda, que o assunto consta, inclusive, da Súmula CARF nº 91 nos seguintes termos: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 16624.000586/200617 Acórdão n.º 2802003.159 S2TE02 Fl. 58 7 tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Como o pedido de restituição em apreço foi protocolizado em 27/04/2006 (ou seja, após a vigência da Lei Complementar n° 118, de 2005), o prazo prescricional aplicável ao caso é de 5 (cinco) anos. Nesse aspecto, considerandose que o pedido do contribuinte se refere ao imposto de renda retido na fonte correspondente ao anocalendário de 1997, caracterizouse a perda do direito de pleitear a restituição por decurso de tempo. Voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 61DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 15374.917140/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3102-000.319
Decisão: Visto, relatados e discutidos os presentes autos.
Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Antônio Mario de Abreu Pinto. Ausentes justificadamente as Conselheiras Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: Não se aplica
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Interessado POWERPACK REPRESENTAÇÕES E COMÉRCIO LTDA. Visto, relatados e discutidos os presentes autos. Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Antônio Mario de Abreu Pinto. Ausentes justificadamente as Conselheiras Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório A Embargante em epígrafe interpõe Embargos de Declaração ao Acórdão 3102 00.941, de 02 de março de 2011, que, à época, recebeu a seguinte ementa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração/fato gerador: 01/11/2002 a 30/11/2002 EMENTA: COMPENSAÇÃO O Contribuinte não desconstituiu a afirmativa da Administração de que os créditos solicitados já teriam sido compensados com outros débitos fiscais, ônus que lhe cabia na medida em que o pedido de compensação foi por ele realizado. Recurso voluntário negado. Direito creditório não reconhecido. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 17 14 0/ 20 08 -1 1 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15374.917140/200811 Resolução nº 3102000.319 S3C1T2 Fl. 186 2 O Relatório que fundamentou o Acórdão pelo presente embargado teve o seguinte teor. O presente processo cuida de Declaração de Compensação – DCOMP de recolhimentos a maior com créditos relativos ao PIS e CSLL, nos períodos de 11/2002 e 10/2004. Por bem resumir a controvérsia, tratando do direito e dos fatos que envolvem a lide, adoto parte do relatório do proferido pela DRJ (fls. 37 verso e 38): 2. Por meio do Despacho Decisório n° 781168688, (emitido eletronicamente (fl. 09), o Delegado da DERAT/Rio de Janeiro, não reconheceu o crédito informado no PER/DCOMP apreciado, e, conseqüentemente, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. 3. Cientificada, em 22/08/2008 (11.08), a Interessada, inconformada, ingressou, em 18/09/2008, com a manifestação de inconformidade de fls. 11 a 19, na qual alega, em síntese, que: 3.1 A Interessada representa no Brasil empresas estrangeiras que comercializam simuladores de vôo, motores aeronáuticos, helicópteros, turbinas, entre outros equipamentos, recebendo comissões por essa representação comercial; 3.2 As comissões são percebidas em moeda estrangeira (dólares norteamericanos), sendo o contrato de câmbio fechado regularmente; 3.3 Conforme dispõe a MP n° 1.8586, de 29/06/1999 (atual MP n° 2.15835, de 24/08/2001), em seu art. 14, III, § 1°, com efeitos retroativos a 01/02/1999, e a Lei n° 10.637, de 30/12/2002, em seu art. 5º, II (com a redação dada pelo art. 37 da Lei n° 10.865, de 30/04/2004), tais receitas são isentas da Cofins e da Contribuição para o PIS, já que decorrem de prestação de serviços para pessoa jurídica domiciliaria no exterior (no caso, serviço de representação comercial) e há ingresso de divisas no Pais; 3.4 Não obstante tal isenção, por equivoco, a Interessada continuou a realizar os pagamentos da Cofins (código 2172) e da Contribuição para o PIS (código 8109 e 6912), até o período de apuração de 31/12/2003; 3.5 Verificados tais pagamentos indevidos, a Interessada protocolizou "Declarações de Compensação" nas quais utilizou os referidos créditos da Cofins e da Contribuição para o PIS para quitar, por compensação, seus débitos junto à RFB; 3.6 O Delegado da DERAT/Rio de Janeiro, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte; 3.7 Os valores da Cofins e da Contribuição para o PIS informados nas DCTF estão incorretos; 3.8 Ainda que a entrega da DCTF assuma caráter de confissão de dívida, a obrigação tributária decorre exclusivamente da lei, conforme dispõem os artigos 113 e 114 do CTN; 3.9 Havendo erro quanto ao fato confessado, e comprovado inequivocamente que o fato confessado não corresponde ao efetivamente ocorrido, tem se de admitir a prevalência do verdadeiro sobre o confessado; 3.10 Desde que comprovado a não ocorrência do fato gerador, o contribuinte tem direito à restituição do tributo que pagou indevidamente; e 3.11. Pelas razões acima expostas, deve ser dado provimento à manifestação de inconformidade apresentada e reformado o despacho decisório recorrido. 4. O processo foi encaminhado a esta Delegacia para julgamento. 5. Foram por mim anexados às fls. 32 a 36, os extratos de pesquisas efetuadas no sistema de informação da RFB GERENCIAL DA DCTF (fls. 32 a 35), e cópia da DIPJ (fl. 36). Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15374.917140/200811 Resolução nº 3102000.319 S3C1T2 Fl. 187 3 A DRJ julgou improcedente o pedido, conforme acórdão assim ementado (fl. 37): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 CRÉDITO NÃO COMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAR. Não é de se homologar a compensação declarada em DCOMP, cujo crédito utilizado não tenha sido devidamente comprovado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em face do acórdão proferido pela DRJ, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual, em síntese, reitera as razões já expostas na impugnação. As omissões acusadas pela Embargante podem ser resumidas nos excertos a seguir reproduzidos, extraídos da peça recursal. 2.1 Conforme se verifica pela leitura do Acórdão n° 310200.941, esta E. 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF negou provimento ao recurso voluntário interposto pela EMBARGANTE, sob o único fundamento de que a EMBARGANTE não teria comprovado que o crédito por ela utilizado na DCOMP, ora em discussão, não teria sido objeto de outra compensação. 2.2 Eis o que sustenta o Acórdão n° 310200.941 como fundamento para a não homologação da DCOMP: "Em que pese a argumentação do Contribuinte, observou que ele não logrou desconstituir o cerne da fundamentação da Autoridade Fiscal, ônus que lhe cabia na medida em que o pedido de compensação foi por ele realizado. De fato, o Contribuinte não provou que os créditos tributários não teriam sido utilizados na compensação administrativa indicada pela Autoridade Fiscal." 2.3. Ora, pela simples leitura do recurso voluntário e do Acórdão n° 310200.941, não resta dúvida de que este foi omisso em relação ao principal fato trazido pela EMBARGANTE em seu recurso voluntário, qual seja, o de que as receitas de comissões recebidas pela EMBARGANTE decorrem da prestação de serviços de representação comercial a empresas estrangeiras e que, por conseguinte, não integram a base de cálculo da PIS, não tendo analisado toda a documentação anexada aos autos (DOCs. 01 a 05 do recurso voluntário). (...) 3. DA APRECIAÇÃO DOS FATOS TRAZIDOS PELA EMBARGANTE EM SEU RECURSO VOLUNTÁRIO 3.1. A DRJ/RJ2 ao julgar a manifestação de inconformidade da EMBARGANTE reconheceu que, para a comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, deveria ser demonstrado documentalmente que parte das receitas sobre as quais incidiu a COFINS referente ao período de apuração de novembro de 2002, era decorrente da prestação de serviços à pessoa jurídica domiciliada no exterior. (...) Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15374.917140/200811 Resolução nº 3102000.319 S3C1T2 Fl. 188 4 3.3 Notese que essa foi a única razão para a nãohomologação da DCOMP pela DRJ/RJ2. 3.4. Tendo em vista a alegação da DRJ/RJ2 para a nãohomologação da DCOMP e para que não mais pairassem dúvidas acerca da certeza e liquidez do crédito pleiteado em sua DCOMP, a EMBARGANTE apresentou em seu recurso voluntário os seguintes documentos: (...) É o Relatório. Voto Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos Embargos de Declaração. Creio que assista razão à Embargante. Compulsando os autos, no intento de identificar, na decisão proferida por este Colegiado, alguma manifestação a respeito das provas carreadas aos autos pela Parte, fosse para recusálas por considerar precluso o direito a sua apresentação, fosse para negarlhes aptidão para provar o fato, não logrei êxito em encontrar qualquer comentário a respeito. De fato, o que há no corpo do decisum que se possa identificar como razão de decidir é pouco mais do que as cinco linhas transcritas no Relatório que precede o vertente Voto. Depois de rememorar os fatos em breves palavras, nas quais não foi mencionada a ausência de provas como razão de decidir da instância a quo, a i. Conselheira Relatora conclui. Em que pese a argumentação do Contribuinte, observou que ele não logrou desconstituir o cerne da fundamentação da Autoridade Fiscal, ônus que lhe cabia na medida em que o pedido de compensação foi por ele realizado. De fato, o Contribuinte não provou que os créditos tributários não teriam sido utilizados na compensação administrativa indicada pela Autoridade Fiscal. Por outro lado, o indeferimento da compensação foi motivado pela Autoridade Fiscal, que inclusive indicou o documento ou pagamento que já teria sido realizado com os supostos créditos indicados na PER/DCOMP ora em exame. Não houve, portanto, cerceamento de defesa. Por fim, cumpre verificar que a DCTF tem caráter de confissão de dívida. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Importante destacar que as provas que acima são mencionadas dizem respeito à comprovação de outro fato. É que, segundo entendimento da Autoridade Administrativa, o contribuinte não fazia jus ao crédito pretendido, porque, nas suas palavras, o pagamento do qual seria oriundo já havia sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Essa situação ocorre toda a vez que o administrado faz um pagamento indevido, mas não retifica a Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF anteriormente emitida. A informação nela contida continua retratando um pagamento devido, razão pela qual a pretensão Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15374.917140/200811 Resolução nº 3102000.319 S3C1T2 Fl. 189 5 do contribuinte é de pronto rejeitada. O que a Relatora diz não ter sido provado, é, justamente, a indevida alocação do pagamento ou, nas suas palavras, que os créditos tributários não teriam sido utilizados na compensação administrativa indicada pela Autoridade Fiscal. Mas o que o contribuinte alega é que esse pagamento, a despeito de ter se esquecido de retificar a DCTF, foi indevido, pois decorre de receitas isentas. A decisão de primeira instâncias, por sua vez, entendeu que o contribuinte, que então já havia retificado a DCTF, não fez prova de que essas receitas eram de fato isentas. Como foi dito pela Embargante, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentadas provas de que as receitas corresponderam a serviços prestados a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior. Sobre essas provas é que nada foi dito. Nem, como disse acima, para rejeitálas por não serem aptas à comprovação do fato nem para desconsiderálas, por preclusão do direito. Com efeito, como também já disse acima, a questão específica dessas provas não foi sequer mencionada no corpo da decisão embargada. Necessário suprir a omissão e adentrar ao exame de mérito. Inicio pela admissibilidade das provas apresentadas só em sede de Recurso Voluntário. É cediço que o direito de apresentação de provas no Processo Administrativo Fiscal, observadas as situações excepcionadas pela norma legal, preclui com o transcurso do prazo fixado para apresentação da impugnação ao lançamento. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) A partir desse balizamento, me inclino em decidir que, no caso concreto, a situação se enquadra perfeitamente na hipótese especificada na alínea "c", acima. Explico A razão do indeferimento inicial, consta à folha 09 do Processo, no Despacho Decisório, foi, simplesmente, o fato de o crédito do contribuinte utilizado na compensação do débito declarado na PER/DCOMP corresponder a um valor alocado no pagamento de outro débito declarado em DCTF1. Até aí, nada falouse a respeito de provas. 1 Explica o i. Julgador da instância "a quo" no voto condutor da decisão recorrida. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15374.917140/200811 Resolução nº 3102000.319 S3C1T2 Fl. 190 6 De fato, foi por ocasião da decisão tomada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento que foi apontado o problema da falta de comprovação de que a receita sobre a qual o contribuinte fez incidir a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins era isenta. Ora, se até então a falta de provas não era razão de decidir da autoridade administrativa, por certo é esse um fato ou razão trazida posteriormente aos autos, enquadrandose, desta forma, na hipótese prevista na alínea "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.325/72. A respeito dessa tema, é pertinente acrescentar que, até por uma questão de bom senso, é absolutamente despropositado cogitarse de considerar que o administrado, em situações como a que aqui se trata, tenha negligenciado o seu dever comprovar os fatos alegados. Ora, em qual momento lhe foi solicitado que apresentasse as provas do seu direito? Como se sabe, a legislação que regulamenta o pedido de ressarcimento/restituição e o pedido de compensação a ele vinculado não exige do contribuinte a instrução probatória prévia. Adiante, ao processar automaticamente o pedido, os sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil identificaram outro problema, não a falta de provas. Uma vez que se reconheça a necessidade de que todo e qualquer litígio que se estabelece entre partes com interesses opostos deva comportar um processo dialético minimamente eficaz, capaz de oferecer oportunidade aos litigantes de demonstrar a procedência de suas alegações, não haveria como negar ao contribuinte o direito de suprir a falta no momento em que dela tomou conhecimento. Repito, até a decisão de primeira instância, o direito reclamado pela Parte havia sido negado única e exclusivamente porque a DCTF ativa para o período informava a existência de um débito quitado com o crédito alegado. Nada a respeito da prova de que as receitas auferidas no período eram isentas das Contribuições. Por essa razão, tomo conhecimento das provas encartadas ao Recurso Voluntário. Na decisão recorrida, o i. Julgador manifestase a respeito das provas que deveriam ter sido apresentadas pela Requerente. Para que essas fossem comprovadas, a Contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo da base de cálculo da Cofins referente ao mês 11/2002, onde constassem discriminados os seguintes valores: total das receitas auferidas no mês, receitas diferidas em períodos anteriores, receitas isentas e as exclusões e deduções legalmente permitidas. Esse demonstrativo deveria vir acompanhado da documentação contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. No que se refere às receitas isentas, deveria ser comprovado que seriam decorrentes da prestação de serviços para pessoa jurídica domiciliada no exterior, e que houve ingresso de divisas. "9.1 A Contribuinte informou na DCTF ativa à época em que foi proferido o Despacho Decisório impugnado (fls. 32/33), que o valor apurado da Cofins referente ao mês 11/2002 seria R$ 11.795,09, e que esse teria sido quitado integralmente por pagamento efetuado no valor de RS 11.795,09; 9.2 Na DIPJ (fl. 36), a Contribuinte não informou sobre a existência de receitas isentas, ratificando o valor da Contribuição informado na DCTF mencionada no subitem anterior; e 9.3 Após ter tomado ciência do Despacho Decisório recorrido, a Interessada apresentou DCTF retificadora(s) (fls.34/35), informando que o valor apurado da Cofins referente ao mês 11/2002seriaR$ 1.319,26 eR$ 1.147,67." Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15374.917140/200811 Resolução nº 3102000.319 S3C1T2 Fl. 191 7 De fato, penso que seja essa a documentação hábil a demonstrar a origem das receitas auferidas pela empresa. Quanto a isso, junto ao Recurso Voluntário foi apresentado um demonstrativo denominado Relatório Mensal de Apuração do PIS/Cofins, no qual é indicada uma receita oriunda de Serviços Prestados Mercado Externo no valor de R$ 349.194,36. Também Balancete Sintético, Livro Razão, Relatório de Receita Mensal Mercado Externo, correspondências trocadas entre o banco e a empresa avisando o crédito de valores em moeda estrangeira e contratos de câmbio assinados em data próxima a essas correspondências. O valor em moeda nacional expresso nos contratos de câmbio encartados ao Recurso Voluntário é de R$ 427.512,45, R$ 78.318,09 maior do que o valor de R$ 349.194,36 informado no Relatório Mensal de Apuração do PIS/Cofins como sendo a receita decorrente de Serviços Prestados Mercado Externo. Também não identifiquei no Balancete Sintético o valor de R$ 349.194,36, mas o de R$ 361.651,91, a título de Receita Operacionais, Comissões Conta 3.1.1.01. O Relatório de Receita Mensal Mercado Externo, folha 82 do eProc, relaciona cinco empresas responsáveis pelo pagamento do valor de R$ 349.194,36 correspondentes aos serviços prestados. Tratase de uma planilha elaborada pela própria litigante, desacompanhado de qualquer documento comercial que demonstre a veracidade das informações prestadas. Com efeito, não foi apresentado nenhum contrato de prestação de serviços, fatura proforma, fatura comercial ou documentação semelhante que especificasse com clareza a prestação que deu azo aos pagamentos retratados nos contratos de câmbio. Para que seja reconhecido o direito da empresa, essencial que os valores estejam expressos de forma precisa e exata nos registros contábeis e documentos que lhes dão suporte e que sejam acompanhados de documentação comercial capaz de atestar trataremse de pagamentos por serviços prestados a empresas sediadas no exterior. De outra forma, impossível determinar com certeza a origem dos ingressos especificados nos contratos câmbio trazidos aos autos. VOTO pelo acolhimento dos Embargos de Declaração, para determinar a conversão do julgamento em diligência, a fim de que sejam sanadas/justificadas as imprecisões acima descritas e sejam carreados aos autos os documentos comerciais (contrato de prestação de serviços, fatura proforma, fatura comercial ou documentação análoga), que retratam as operações cambiais comprovadas no processo. Sala das Sessões, 18 de setembro de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 16004.720166/2011-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A Lei n.º 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA QUALIFICADA. FRAUDE.
Mantém-se a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovado o evidente intuito de fraude.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIO-GERENTE DE FATO. INTERESSE COMUM.
Comprovado nos autos que o sujeito passivo solidário efetivamente atuou como sócio-gerente da empresa, consubstanciada encontra-se a relação de interesse comum entre esse e a sociedade que gerenciava, uma vez que o auferimento de resultados dela diretamente o beneficiava.
Numero da decisão: 1301-001.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, Negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Valmir Sandri e Carlos Augusto de Andrade Jenier, votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n.º 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Mantémse a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovado o evidente intuito de fraude. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOGERENTE DE FATO. INTERESSE COMUM. Comprovado nos autos que o sujeito passivo solidário efetivamente atuou como sóciogerente da empresa, consubstanciada encontrase a relação de interesse comum entre esse e a sociedade que gerenciava, uma vez que o auferimento de resultados dela diretamente o beneficiava. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, Negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Valmir Sandri e Carlos Augusto de Andrade Jenier, votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 01 66 /2 01 1- 15 Fl. 916DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP. Depreendese do presente processo administrativo que em desfavor da recorrente foram lavrados os autos de infração (fls. 425/454), para formalização e exigência de crédito tributário relacionado ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e respectivos consectários legais, como também a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins e a Contribuição para o PIS/Pasep – PIS, relativos a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2008, em razão da constatação de o sujeito passivo, devidamente intimado, não ter comprovado a origem dos depósitos realizados em suas contas bancárias. Segundo relatado pelas autoridades fiscais que conduziram o procedimento de auditoria, a fiscalização originouse em atenção à requisição do Ministério Público Federal em São José do Rio Preto, por meio do Ofício MPF nº 3.006/2009 (fl. 211), no contexto de operação realizada pela fiscalização fazendária estadual e as Polícias Civil e Militar, denominada de “Operação Ouro Branco”, que visou apurar fraudes tributárias relacionadas ao mercado de borracha (utilização indevida de créditos de ICMS pelas “indústrias pneumáticas”, a saber: Goodyear do Brasil Produtos de Borracha Ltda. e Pirelli Pneus Ltda.). No presente processo encontramse arroladas “as pessoas da organização” que atuaram nessas empresas, com a descrição individualizada de sua atuação, o esquema da fraude fiscal (que envolvia a participação de “chefes”, “laranjas”, “colaboradores” e “clientes”) e a operação realizada, que envolveu a execução de 30 Mandados de Busca “em diversos estabelecimentos, residências e imóveis rurais”. Segundo relataram as autoridades fiscais (fl. 395), a continuidade da atividade de Beneficiamento e Comércio de Borracha Natural exercida no endereço da Usina de Beneficiamento localizada na Rodovia Ruilândia/Mirassol, s/n°, km 01, Zona Rural, município de MirassolSP, encravada dentro da propriedade rural denominada Fazenda São Pedro, de propriedade da família Hansen, deuse, durante o período de 26/11/2004 a 12/12/2007, pelas seguintes empresas: SP Látex Comércio de Artefatos de Borrachas Ltda CNPJ 04.303.887/000148 (Razão Social até 11/12/2007: Agrolatex Agroindustrial Ltda), ora Fl. 917DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16004.720166/201115 Acórdão n.º 1301001.613 S1C3T1 Fl. 3 3 funcionando como sendo a matriz e ora como filial, conforme Contrato Social e suas Alterações da JUCESP; durante o período de 07/12/2007 até a data da fiscalização: Solbor Beneficiamento de Látex Ltda CNPJ 04.699.999/000160 (Razão Social até 22/08/2007: Buribor Usina de Beneficiamento de Borracha e Látex Ltda.), conforme Contrato Social e suas Alterações da JUCESP. No desenvolvimento dos trabalhos de auditoria fiscal, a fiscalização federal requisitou “provas emprestadas” já produzidas pela fiscalização estadual e também pelo Ministério Público Estadual, conforme autorização do Juízo de Direito da 5ª Vara Criminal do Fórum de São José do Rio Preto, onde tramitou o processo criminal. Por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 12/15), requisitou se a apresentação dos livros fiscais e comerciais, além de outros documentos e informações, inclusive dos extratos das contas bancárias da empresa. Acerca do seu conteúdo, tentouse dar ciência no estabelecimento da fiscalizada, conforme dados constantes no CNPJ. Entretanto, em visita ao local as autoridades fiscais constataram que se tratava de “um pequeno salão geminado a uma casa nos fundos”, que se encontrava fechado e, segundo informações obtidas na vizinhança, naquele local “nunca existiu indústria ou comércio do ramo de látex”. Ante essa constatação, a fiscalização entrou em contato com o locador do imóvel, “que posteriormente, em 09/11/2010, compareceu à Receita Federal e prestou declaração a termo, afirmando que foi através de uma pessoa que o procurou, locou o referido imóvel à empresa Agrolatex Agroindustrial Ltda. (atual SP Látex), para o período de três meses, de 20/11/2007 a 19/02/2008, conforme apresentação de cópia do Contrato de Locação (em anexo), tendo sido informado de que iriam utilizálo somente para guardar documentos e papéis, tendo permanecido de portas fechadas no referido período, não tendo exercido qualquer tipo de comércio, indústria ou prestação de serviços no local, tendo recebido o imóvel desocupado no final do prazo contratado e que nada sabe sobre a empresa, sócios, gerentes e nem para onde foi destinado o material que lá estava fls. 376 a 379.” Não tendo havido êxito na tentativa de ciência pessoal do referido termo, esse foi cientificado à fiscalizada por meio do “Edital DRF/SJR/SAFIS84/2010 – fls. 12 a 15 e 16”, que foi desafixado em 18/11/2010. No citado termo foi solicitada a apresentação dos livros fiscais e comerciais, assim como extratos bancários, cópias de cheques superiores a R$ 10 mil, além de outros documentos e informações. Como a contribuinte não exercia as atividades no local informado no seu CNPJ, foi procedida a competente representação fiscal para fins de declaração de sua inaptidão, nos termos da Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.005/2010, e assim foi feito (fls. 17/18). Da mesma forma, foi procedida representação para fins de inclusão de ofício no quadro societário da fiscalizada do Sr. OSCAR VICTOR ROLLEMBERG HANSEN, em face das constatações ocorridas no procedimento fiscal, quando “ficou comprovado” que ele atuava como “administrador e proprietário de fato da empresa”, o que igualmente foi feito (fls. 19/27). A convicção no sentido que o Sr. OSCAR efetivamente atuou como proprietário e administrador da empresa desenvolveuse em face de “documentos/papéis” apreendidos pela fiscalização estadual, os quais encontramse descritos no TDF (fls. 403/409). Além desses, a fiscalização relatou os seguintes fatos que “também corroboraram a evidenciar que o Sr. Oscar já era o administrador e proprietário de fato da SP Látex”: i) O fato de em 24 de setembro de 2009, no desfecho das investigações da "Operação Ouro Branco", o Sr. Oscar Victor Rollemberg Hansen, acompanhado de seus advogados, Fl. 918DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 compareceu ao Gabinete do GAECOGrupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado Núcleo de São José do Rio Preto SP, na presença dos Promotores de Justiça, para prestar Declaração a Termo. Na referida Declaração, depois de legalmente advertido do direito de permanecer calado sobre o que lhe fosse perguntado, o declarante esclareceu que, até a data da morte de seu pai, Roberto Lucato Hansen, ocorrida em 17 de novembro de 2006, ele não exerceu qualquer ato de administração nos negócios e nas empresas de seu genitor. Após tal fato, por ser herdeiro, tomou a frente administrativa dos negócios e empresas da família, dentre as quais a Solbor e a Agrolatex Agroindustrial (atual SP Látex), conforme fls. 219 a 240; ii) o fato de recentemente ter se mostrado como representante da SP Látex perante à Receita Federal, assinando pessoalmente as respostas do Termo de Intimação e de Reintimação Fiscal, datado de 15/03/2011, em 31/03/2011 fl. 41, e em 11/04/2011 fl. 42, assim como a resposta datada de 12/04/2011, referente ao Termo de Intimação Fiscal de 21/03/2011 fl. 79. Como não houve atendimento ao solicitado no referido Termo de Início de Procedimento Fiscal, as autoridades fiscais formalizaram a “Solicitação de Emissão de Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira (RMF) do ano de 2008, com o respectivo Relatório Circunstanciado da exposição dos motivos à RMF fls. 80 a 89”. Com base nas informações prestadas pelas instituição financeiras requeridas (Banco do Brasil, Banco Santander e Banco Daycoval), foi elaborado o Termo de Intimação e Reintimação Fiscal (fls. 29/34), datado de 15/03/2011, por meio do qual a recorrente foi intimada a “comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos ingressados nas contas bancárias de sua titularidade, cujos créditos encontravamse descritos na planilha integrante do termo”. Na mesma oportunidade, a recorrente foi reintimada a apresentar os livros fiscais e comerciais, assim como o “Contrato de Constituição Societária e suas Alterações”, e, segundo relataram as autoridades fiscais, referida intimação foi enviada pelos Correios, “para os possíveis endereços do sócioadministrador (incluído de ofício), Sr. Oscar, cujos avisos de recebimentos retornaram como tendo sido recebidos nas datas de 17/03/2011 e 21/03/2011 fls. 35 a 40”. E em resposta a essa intimação, o Sr. Oscar informou que não tinha como apresentar livros e documentos (inclusive para comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias), uma vez que foram “furtados junto com o veículo que os transportava, em 06/06/2008, conforme cópia do Boletim de Ocorrências de n° 0735/2008 (em anexo), apresentando cópia do Contrato Social e algumas alterações posteriores”. A recorrente foi intimada a esclarecer a movimentação de valores de suas contas bancárias com origem/destino nas contas bancárias da empresa SOLBOR, conforme créditos relacionados no novo termo de intimação (fls. 71/76), datado de 12/03/2011, devendo apresentar “os respectivos comprovantes documentais, hábeis à justificação”. Referido termo foi encaminhado ao domicílio fiscal do Sr. Oscar, que compareceu à DRF São José do Rio Preto alegando não o ter recebido, ocasião em que lhe foi entregue uma cópia. Nessa mesma ocasião, o Sr. OSCAR informou um novo endereço para encaminhamento “das próximas Intimações”. Segundo relatado no TDF, não houve resposta a essa intimação. Concluído o procedimento investigatório, procedeuse a lavratura dos autos de infração já citados, que consideram a apuração do lucro pelo regime de arbitramento, com fulcro no disposto no art. 530, inc. II, do RIR/99, e aplicação da multa qualificada, justificando a fiscalização as formas dolosas e fraudulentas praticadas pelo contribuinte visando a sonegação dos Tributos incidentes, com quadro societário com sócios laranjas e omissão do real dono e administrador, ostentando domicílio tributário diverso daquele comunicado à Receita Federal, no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas – CNPJ, nenhum documento fiscal contábil ou comprovante apresentado, assim como nada comprovando quanto à origem dos Fl. 919DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16004.720166/201115 Acórdão n.º 1301001.613 S1C3T1 Fl. 4 5 recursos financeiros depositados/creditados nas contas bancárias (conforme subitens "3.4B" e "3.4C"). Em relação à utilização de laranjas, as autoridades fiscais aduziram que o contribuinte desenvolveu suas atividades ocultando o seu real administrador e dono de fato, Sr.Oscar Victor Rollemberg Hansen, que somente apareceu como sendo o representante da empresa, nas respostas a intimações fiscais ocorridas após esta fiscalização têlo incluído "de ofício" no quadro societário, baseado nas provas colhidas durante e após a mencionada "Operação Ouro Branco", ou seja, operou com fraude e dolo, já que todo seu passivo tributário (considerando que só os débitos Inscritos em Dívida Ativa da União, atualizados até outubro de 2010, somavam o valor de aproximadamente R$20.000.000,00 vinte milhões de reais) estava sendo cobrado/executado de suposto(s) administrador(es)sócio(s) interposto(s), de forma a blindar o patrimônio do Sr. Oscar. Em relação à falta de apresentação dos livros fiscais, sob alegação do furto ocorrido, as autoridades fiscais assinalaram que a não apresentação dos livros fiscais e contábeis e demais documentos comprovantes das operações realizadas, não dispensa o contribuinte de reconstituílos através de memórias e de controles que deveriam estar sob sua guarda. Mesmo se alguns de seus controles não mais estivessem em suas mãos (qualquer que fosse o motivo), haveria a possibilidade de reconstituílos por meio das informações de seus principais clientes, que eram poucos e de grande porte (indústrias pneumáticas). O contribuinte informou que toda a documentação solicitada estava sendo transportada por aquele veículo alugado (Volkswagen Kombi), que teria sofrido defeito mecânico, tendo que ficar parado por tal motivo e que em seguida tudo teria sido roubado por ladrões. Para tanto anexou o respectivo Boletim de Ocorrências sob n° 0735/2008, registrado na Delegacia de Polícia de MirassolSP fls 43 a 45. Segundo a Fiscalização, apesar de não ter enviado à RFB a sua DIPJ referente ao anocalendário de 2008 (omisso), nas últimas DIPJ entregues optou pela tributação do IRPJ pelo regime de Lucro Presumido. Se optasse pelo mesmo regime, relativamente ao anocalendário 2008, então, na falta do Livro Diário e do Livro Razão, a apresentação do LIVRO CAIXA, devidamente escriturado, em que constassem os lançamentos da movimentação financeira (consubstanciada nas operações realizadas), historiando as operações realizadas, de forma a esclarecer as origens e os destinos dos recursos financeiros movimentados, nos termos do parágrafo único do artigo 527 do RIR/99, seria o mínimo a ser apresentado a esta fiscalização a fim de se analisar a regularidade da sua escrituração. Nem isso o contribuinte veio apresentar nos prazos estipulados e prorrogados. Observouse ainda, que no mencionado Boletim de Ocorrências, dentre a documentação roubada e relacionada "em tempo", não constaria em seu rol, a existência de Livros Diário, Livros Razão ou Livros Caixa, portanto, não estavam juntos àqueles tidos como furtados. Mencionando também o fato que demonstra a existência de escrituração contábil para o anocalendário de 2007, visto os BALANCETES MENSAIS dos meses de janeiro a abril de 2007, apreendidos no endereço do Escritório e em poder do advogado do contribuinte, Dr. Aylton Cardoso, nos quais constam os saldos iniciais, a movimentação do período e os saldos finais de todas as contas contábeis, conforme fls. 258 a 294, demonstrando assim, que são totalmente improcedentes e inaceitáveis as justificativas dadas/apresentadas pelo contribuinte. A tabela (fls. 421/422) consolida os valores mensais da omissão de receitas apuradas, relativas aos depósitos bancários sem origem comprovada, cujo montante anual Fl. 920DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 atingiu a cifra de R$ 16.194.657,45 (sendo que cerca de 90% desse valor concentrouse nos meses de janeiro e fevereiro de 2008). Segundo informaram as autoridades fiscais, o valor de receitas declaradas ao Fisco Estadual no ano de 2008 foi de aproximadamente R$ 4,5 milhões. E, como dito, não houve entrega da DIPJ 2009. No polo passivo das autuações foi incluído como solidário o referido Sr. Oscar Victor Rollemberg Hansen (CPF nº 214.423.97896), “por interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, nos termos do art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional”, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 455/456), aduzindo a Fiscalização que ficou claro que o Sr. Oscar tanto foi o dono e administrador da SP Látex quanto da Solbor. Também ficou demonstrado que as transações financeiras entre as duas empresas foram intensas, de forma que os saldos credores das contas bancárias da SP Látex foram quase que totalmente transferidos/canalizados para a conta corrente da Solbor no Banco Bradesco S/A (já que eram do mesmo dono), constatando que o Sr. Oscar (pessoa física) se beneficiou direta e/ou indiretamente dos recursos financeiros oriundos da atividade econômica exercida por ambas, podendo ser simplesmente detectado pelos históricos de alguns dos respectivos lançamentos, juntouse comprovante de depósito de 16/03/2007, no valor de R$ 1.385,00 creditado no Banco Real Agência 08150, Conta 87292671, em favor de Oscar Victor Rollemberg Hansen, cujo cheque depositado foi emitido por AGROLATEX AGROINDUSTRIAL LTDA (atual SP Látex), do Banco do Brasil Agência 33715, conta 78956. O referido depósito foi apreendido na posse do sócio laranja da Solbor, Sr. Francisco Borges de Sousa Junior (fls. 319 a 326). Devidamente cientificados (fls. 457/458), a recorrente SP Latex apresentou Impugnação (fls. 461/483), alegando, em síntese, ser pessoa jurídica de direito privado constituída na forma de sociedade limitada, que se dedica à industrialização do produto Granulado Escuro Brasileiro GEB vendido como matériaprima para indústrias pneumáticas e fabricado por ela a partir do cernambi (resultado de tratamento do látex extraído da seringueira), adquirido de produtores rurais”. Aduziu que em sede preliminar, seria necessário demonstrar que o presente Auto de Infração deve ser cancelado em razão da sua precariedade, eis que “as provas utilizadas como base do presente Auto de Infração não comprovam a ocorrência de qualquer ilícito em relação aos tributos administrados na esfera federal”, porquanto foram obtidas no âmbito da chamada operação “Ouro Branco”, a qual “tinha como objetivo específico apurar supostos crimes de sonegação fiscal ocorridos na esfera estadual”, nela não havendo qualquer menção de que “as empresas investigadas teriam cometido supostos crimes relativos a tributos federais”, e, portanto, “a prova que deu origem ao presente Auto de Infração não tem aptidão de demonstrar qualquer envolvimento de sócios ou terceiros com o não pagamento de tributos federais devidos. Defendeu ainda, que nesse sentido, também não seria suficiente para justificar a desconsideração da personalidade jurídica da Impugnante ou a responsabilização do Sr. Hansen com base no artigo 124, inc. I do Código Tributário Nacional”. Ademais, no lançamento de ofício o ônus da prova (“seguras e convincentes”) recai sobre a fiscalização, conforme determina o art. 142 do CTN. Nesse sentido já se manifestou a jurisprudência administrativa, conforme ementas de acórdãos transcritas, reputando que “admitir que a operação OURO BRANCO seja suficiente como prova emprestada para provar (ou mesmo indicar) a ocorrência de ilícitos na esfera federal é afrontar o direito à ampla defesa e ao contraditório, previstos constitucionalmente”. Seguiu arrazoando que nos termos do entendimento pacífico do E. Supremo Tribunal Federal, não há que falar em crime contra a ordem tributária antes de confirmada, na Fl. 921DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16004.720166/201115 Acórdão n.º 1301001.613 S1C3T1 Fl. 5 7 esfera administrativa, após o pleno exercício do devido processo legal, a existência, liquidez e exigibilidade da dívida, que deve ser objeto de lançamento regular pela autoridade administrativa, franqueandose, ato contínuo, ampla oportunidade para o sujeito passivo discutilo”. E no caso concreto tanto a ela recorrente, como o Sr. OSCAR estão contestando a acusação do Fisco estadual, “sendo que o processo administrativo ainda está em trâmite, conforme fazem prova os inclusos documentos”. Quanto à acusação da “suposta” omissão de receitas, aduziu que não pôde apresentar seus “livros fiscais”, por motivo de força maior, em razão do furto relatado no Boletim de Ocorrências encaminhado à fiscalização, o qual prestase a comprovar “a veracidade do evento alegado”, asseverando que houve violação ao princípio da ampla defesa (e do contraditório) porque não deixou de comprovar a origem dos depósitos bancários e sim se encontrava impossibilitada de comproválos. Assim sendo, “não pode ser enquadrada na mesma categoria” dos contribuintes que se recusam de fazer tal comprovação, sob pena de “violação do princípio constitucional da igualdade em matéria tributária”, ademais, “reconhece a Impugnante que a não apresentação dos livros fiscais e contábeis, assim como demais comprovantes de operações realizadas, não dispensa os contribuintes de reconstituílos. Porém, esta reconstituição demanda um longo e trabalhoso esforço”, que demanda a concessão de prazo adicional, costumeiramente atendido pela fiscalização (com prazo de seis meses), “obedecendo aos critérios de razoabilidade”. Entretanto, no caso concreto, foi surpreendida com a autuação ocorrida apenas após transcorridos três meses da ciência do início da fiscalização, que sequer solicitou a reconstituição da sua escrita. Frisouse ainda, que até aquele momento não foi capaz de prestar todas as informações requisitadas, mas jamais se recusou a prestálas e que não podem os depósitos bancários estar sujeitos ao arbitramento do lucro sem que a omissão de receitas tenha sido devidamente comprovada, o que, em nenhum momento, foi feito, sendo que o fato de a legislação admitir a tributação de depósitos não comprovados como omissão de receitas, não autoriza a Fiscalização a tributar, indiscriminadamente, toda e qualquer movimentação bancária. Defendeu que a tributação, quando cabível, deve ocorrer apenas após análise criteriosa da movimentação, pessoas envolvidas (origem e destino dos recursos) e documentação existente. A aplicação da lei não é uma atividade matemática, mas exige ponderação de fatos envolvidos, provas, elementos materiais e, especialmente, contexto. E o contexto da omissão de receitas não despreza, em nenhuma hipótese, o princípio da verdade material e da verificação de renda”, para não tornar o instituto legal em uma “arma a serviço do arbítrio e da injustiça e que além de todas as ilegalidades e abusos expostos acima, o Auto de Infração em análise padece de vício insanável de dupla tributação de valores (bis in idem)”. Isso porque os lançamentos incluíram em sua base de cálculo valores de movimentação bancária da empresa SOLBOR, que foram objeto de lançamento efetuado contra ela (Processo Administrativo 16004720.167/201151). Salienta que efetivamente, durante os anos de 2007 e 2008, a Solbor transferiu parte de seus recursos para ela recorrente, a título meramente gerencial e para suprimento de caixa e concentração dos fluxos em um só caixa. Essa transferência não gerou renda, uma vez que não lhe trouxe qualquer acréscimo patrimonial. Ao contrário, esses recursos eram renda da Solbor possivelmente derivados de suas atividades regulares, e por ela foram (ou deveriam ter sido) regulamente oferecidos à tributação”. Fl. 922DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 Aduz que os depósitos recebidos da Solbor, “cuja origem, aliás, foi perfeitamente identificada pela Fiscalização, foram originados da própria SP Látex” e que a configuração, no caso concreto, da ocorrência do bis in idem impõe o cancelamento integral do auto de infração, “que incorreu em vício de iliquidez e incerteza”. Insurgese contra a multa aplicada nos lançamentos, reputandoa ilegítima porquanto teria caráter confiscatório. Ademais, a majoração do percentual básico não se aplicaria ao caso em tela porque “a Impugnante sempre prestou todas as informações ao Fisco na medida do possível, buscando apresentar toda a documentação requisitada durante a ação fiscalizatória que, inclusive, foi o que permitiu a materialização do lançamento em questão. Argumentou que, pela imputação realizada, não sabe se descumpriu uma obrigação acessória ou qualquer das hipóteses prescritas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64 e que seriam inaplicáveis os juros sobre a multa lançada. O Sr. Oscar Victor Rollemberg Hansen também interpôs Impugnação (fls. 498/513 e anexos), irresignado com os termos do Auto de Infração que o incluiu como responsável solidário, manifestando os mesmos argumentos apresentados, acrescidos de específicos protestos acerca da sujeição passiva solidária, pelos quais aduziu ser ilegítima a sua figuração no polo passivo da exigência fiscal, “pois, ao contrário do que estabelece o artigo 124, I, do CTN não existe qualquer interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal” e que a definição da “verdadeira extensão e alcance semântico da expressão interesse comum”, é árida tarefa de interpretação para o “aplicador do Direito”, em razão da sua “vagueza e imprecisão”, e, por isso mesmo, na análise em questão impõese uma “extrema cautela” do intérprete/aplicador, “vigiando para que não haja transgressões à regra que estabelece a responsabilidade solidária em matéria tributária”. Defendeu que o interesse jurídico deverá decorrer da própria relação jurídica subjacente ao fato gerador da obrigação tributária, estando ambos terceiro e contribuinte do mesmo lado dessa relação jurídica que é pano de fundo da exação fiscal” e que o entendimento do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é no sentido de que a responsabilização de terceiro pelo pagamento do tributo exige que este também participe da conduta que gera a obrigação tributária, sendo que o caso em tela reflete situação semelhante àquelas cuja responsabilidade solidária pelo interesse comum foi afastada pelo CARF, “por meio dos julgados acima mencionados, nos quais se ampliou indevidamente a abrangência do dispositivo em tela para elencar como solidários terceiros que jamais participaram das condutas que implicaram nos fatos geradores autuados. Referiu que além das decisões/situações comentadas, o atual CARF também já se posicionou no sentido de que “para que possa ser levado à condição de responsável solidário, o terceiro deve estar numa posição tal que possa ser considerado contribuinte, nos termos do artigo 121 do CTN, e no caso concreto, “em nenhum momento ficou comprovado pela Fiscalização que participou das operações que constituíram o fato gerador dos tributos exigidos da SP LÁTEX”, assim como também não “ficou demonstrado que agiu com o objetivo de obter vantagens indevidas com o suposto não recolhimento dos tributos federais”. Defende que a as pretensas provas anexadas a esses autos pela Fiscalização não tiveram como condão demonstrar que teria obtido qualquer vantagem ilícita com o suposto recolhimento a menor de tributos federais”. Ademais, a simples falta de recolhimento de tributos não autoriza a responsabilização dos sócios e o redirecionamento da execução fiscal. Por fim, o fato de não figurar no contrato social da empresa “não é ilícito suficiente a comprovar que ele agiu com excesso de poderes e infração à lei que deu origem aos créditos tributários federais objeto do lançamento”, concluindo por requerer, preliminarmente, o Fl. 923DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16004.720166/201115 Acórdão n.º 1301001.613 S1C3T1 Fl. 6 9 reconhecimento da precariedade do Auto de Infração e, no mérito, sua exclusão do polo passivo. A 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, nos termos do acórdão de folhas 791 a 816, julgou o lançamento procedente, ficando assim ementada a decisão: [...] ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. ILÍCITO TRIBUTÁRIO ESTADUAL. PROCESSO CRIMINAL. PROVA EMPRESTADA. INOCORRÊNCIA. Evidenciado nos autos que os créditos tributários contestados foram apurados a partir de provas obtidas diretamente no procedimento de auditoria do Fisco Federal, e não de prova emprestada produzida pelo Fisco Estadual, não há que se falar de dependência da lide administrativa estadual, assim como da solução do processo criminal, para fins do julgamento desta instância. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CSLL. PIS. COFINS. Lavrado o auto principal (IRPJ), devem também ser lavrados os autos eflexos, nos termos do art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249/95, que devem seguir a mesma orientação decisória daquele do qual decorrem, observadas as especificidades de cada um. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 FURTO DE LIVROS E DOCUMENTOS. PROCEDIMENTO. Fl. 924DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 Ocorrendo extravio de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n.º 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 “BIS IN IDEM”. INOCORRÊNCIA. Não se comprova nos autos o alegado bis in idem, uma vez que cada exigência fiscal contestada recaiu sobre os respectivos créditos bancários das empresas fiscalizadas, os quais demandam comprovação documental de que não se trata de receitas tributáveis. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Mantémse a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovado o evidente intuito de fraude. LANÇAMENTO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Os juros de mora que integraram os créditos tributários incidiram tão somente sobre os respectivos valores dos tributos lançados. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOGERENTE DE FATO. INTERESSE COMUM. Comprovado nos autos que o sujeito passivo solidário efetivamente atuou como sóciogerente da empresa, consubstanciada encontrase a relação de interesse comum entre esse e a sociedade que gerenciava, uma vez que o auferimento de resultados dela diretamente o beneficiava. Impugnação Improcedente Fl. 925DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16004.720166/201115 Acórdão n.º 1301001.613 S1C3T1 Fl. 7 11 Crédito Tributário Mantido [...] Tanto a contribuinte SP Latex, quanto o sr. Oscar, interpuseram Recurso Voluntário, reiterando os argumentos já relatados e pugnando pela reforma da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 12 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. Os Recursos são tempestivos e dotados dos pressupostos de recorribilidade. Admitoos para julgamento. Como visto acima cuidase de autos de infração lavrados, mediante arbitramento do lucro, ante a constatada omissão de receitas, que assim o foram (constatadas) pela verificação da existência de depósitos bancários cuja origem, intimada a fazêlo, a contribuinte não comprovou. O arbitramento, por sua vez, foi efetivado ante a não apresentação da escrita fiscal e comercial, pela contribuinte. A questão relativa à movimentação bancária obtida pela Fiscalização mediante requisição direta à instituição financeira, motivou a suspensão do presente processo na forma do então vigente artigo 62A, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, eis que a matéria estava, como ainda está, submetida a julgamento pelo Supremo Tribunal Federal em âmbito de Repercussão Geral, cujo representativo da controvérsia é o RE 601314. Contudo, essa previsão regimental foi suprimida pela Portaria MF 545, de 18 de novembro de 2013, de sorte que não mais vigora a determinação de sobrestamento, a revelar que qualquer afastamento do que disposto na Lei Complementar 101/2005, que lastreou o procedimento da Fiscalização, implicaria em reconhecimento de inconstitucionalidade em âmbito administrativo, expediente sabidamente vedado (Súmula CARF nº 02). Sendo assim, a questão que remanesce no presente processo fica adstrita à omissão de receitas apurada por presunção legal, as quais serviram de base para arbitramento do lucro. Feitas estas marcações objetivas quanto ao limite material do caso concreto, por si só, fica afastada a preliminar de nulidade do auto de infração, ante a sua “precariedade”, já que defende a contribuinte que a autuação aqui tratada se valeria de provas emprestadas do fisco estadual e de processo criminal e que não comprovam a ocorrência de qualquer ilícito em relação aos tributos administrados na esfera federal. Com efeito, a materialidade das imputações fiscais é sobremodo singela, as autuações aqui contidas não se valeram de quaisquer provas emprestadas, como bem reconheceu a decisão recorrida a exigência dos tributos federais se deu em relação às receitas omitidas, correspondentes a créditos realizados em suas contas bancárias, cujas origens não foram por ela comprovadas, após ter sido intimada para tanto (fls. 29/34). Está correta a decisão recorrida, ao dispor que as provas aqui contidas foram obtidas diretamente das instituições financeiras que administravam suas contas bancárias, disponibilizadas à fiscalização federal em atendimento às competentes Requisições de Informação Sobre Movimentação Financeira (RMFs fls. 80/91, 165/166 e 195/196), acostadas ao processo (fls. 93/164, 168/194 e 198/210). Descabe, portanto, a alegação de “precariedade” dos lançamentos. Torno a dizer, a materialidade das imputações é singela, tratase de receitas presumidamente omitidas, ante a disposição legal do artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Fl. 927DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16004.720166/201115 Acórdão n.º 1301001.613 S1C3T1 Fl. 8 13 No que toca ao mérito da presente autuação, temse em resumo, que a contribuinte não comprovou a origem dos valores creditados nas contas bancárias, mesmo intimada a fazêlo, de sorte que a Fiscalização considerou as quantias objetos dos depósitos, nos termos do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, como receitas presumidamente omitidas, sendo que ante a ausência da apresentação dos livros contábeis, foi promovido o arbitramento do lucro, servindo o total dos depósitos omitidos como base para o dito arbitramento. Nesse ponto, resulta inequívoco que a contribuinte não apresentou escrituração para o período em questão, aliás, nem mesmo a DIPJ foi apresentada, justificando que estava “impossibilitada” de atender as intimações fiscais que lhe requisitaram a apresentação dos livros fiscais e comerciais, assim como dos comprovantes de origem dos depósitos bancários, em razão do furto ocorrido, conforme faria prova o Boletim de Ocorrência. Ocorre que, seja o furto ou extravio da escrituração procedente ou não, é fato que até a interposição do Recurso Voluntário a contribuinte não apresentou a recomposição de sua escrita ou trouxe qualquer justificativa material acerca dos depósitos bancários em questão, ou seja, o arbitramento promovido pela Fiscalização, nos termos do inciso III, do artigo 530, do RIR/99, é inarredável, como também o é, a prevalência da presunção legal de omissão de receitas se a contribuinte não comprova a origem dos depósitos bancários. Confirase o teor do artigo 530, inciso III, do RIR/99, in verbis: Art. 530.O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, eLei nº 9.430, de 1996, art. 1º): [...] III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; [...] Sendo assim, é despiciendo perquirir se de fato o extravio ou furto se deu como narra a contribuinte, não havendo outros meios de apurar a base tributável o arbitramento se impunha. De mais a mais, quanto à verossimilhança nas alegações da contribuinte, devese dar razão à decisão recorrida ao dispor que referido B.O. foi apresentado em resposta à intimação que requisitou a comprovação de origem dos depósitos bancários (fls. 42/45). E como nele se pode constatar, no seu conteúdo não há qualquer referência à recorrente, já que ali se noticiou apenas o furto de um veículo VW Kombi, o qual, segundo relatou a vítima, estaria transportando “alguns objetos de terceiro, pois estava fazendo um frete, tratandose tais objetos de computador, papéis diversos”. Não há como arredarse do entendimento encampado pela decisão recorrida, de que tal documento não pode ser aceito para justificar a falta de escrituração ou a comprovação da origem dos depósitos bancários em questão, os quais, gozam, nesta condição, de presunção legal de omissão de receitas. Fl. 928DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 14 Aliás, tratando da questão relativa à omissão de receitas, e as alegações da contribuinte quanto violação ao seu direito de defesa e outras questões por ela aventadas, importa reafirmar que dada a matriz sobre a qual repousa a autuação, consistente no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, presumese receita omitida, os valores mantidos em conta bancária cuja origem, intimado a fazêlo, o contribuinte não comprova. Sendo assim, para além de alegar que os tais depósitos não constituem renda, cumpria à contribuinte demonstrar o fidedigno liame documental que assim traduzisse, situação que não verifico na espécie. Convém registrar que não se desconhece que os depósitos bancários por natureza e de imediato, não se constituem em sinônimos de receita. Por outro turno, como já registrado acima, também não é lícito olvidar a expressa disposição do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 consagrador de que caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Temse na espécie, portanto, perfeita subsunção das circunstâncias fáticas à abstrata previsão de presunção legal de omissão de receitas, de sorte que o fato relevante para autuação, não foi a simples existência dos depósitos, como sugere a Recorrente, o critério legal se dá com a ausência de comprovação, por documentação hábil e idônea, da origem da indigitada movimentação financeira, esta sim, a ensejar por disposição legal a presunção de que se omitiu receita. Para infirmar os trabalhos fiscalizatórios, portanto, cumpria à Recorrente afastar o motivo pelo qual se implementou a presunção, que como visto no parágrafo precedente, não era a existência dos depósitos ou sua natureza jurídica incompatível com a definição de receita, consistindo sim, na prova documental das origens de tais depósitos e a consequente demonstração de não se constituírem em parcela tributável. Ausente qualquer justificativa quanto à origem dos depósitos considerados pela Fiscalização, está incidir na espécie a presunção legal versada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 e consoante pacífico entendimento desse Conselho Administrativo Fiscal, observado, por exemplo, no verbete da Súmula CARF nº 26 abaixo reproduzida, o Fisco está dispensado até mesmo de comprovar o consumo da renda representada pelos aludidos depósitos, confira se: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. SÚMULAS VINCULANTES Acórdão nº CSRF/04 00.157, de 13/12/2005. Por essas razões, consideramse hígidas e suficientes as imputações realizadas pela Fiscalização, amparadas em presunção disposta na legislação de regência, considerandose suficientemente demonstrada a materialidade tributável apontada e reconhecida pela decisão recorrida. Quanto ao dito bis in idem a contribuinte defende que os lançamentos padecem de “vício insanável”, na medida em que porquanto a apuração dos tributos exigidos incluiu valores de movimentação bancária da empresa SOLBOR, que também foram objetos de lançamento contra aquela empresa. Fl. 929DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16004.720166/201115 Acórdão n.º 1301001.613 S1C3T1 Fl. 9 15 Também neste ponto específico não vejo como reformarse a decisão recorrida a qual assentou com precisão que a base de cálculo (omissão de receitas) dos tributos considerada, incluiu valores de créditos bancários originados da “Solbor”, como devidamente identificados no trabalho de auditoria fiscal, sendo que estes valores foram objeto de específica intimação fiscal que requisitou esclarecimentos da recorrente (fls. 71/76), sendo que a contribuinte tem se limitado a afirmar que tais valores seriam relativos a transferências de recursos “a título meramente gerencial e para suprimento de caixa e concentração dos fluxos em um só caixa”, que não teriam implicado em qualquer acréscimo patrimonial. Considerada, novamente a regra do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, e a inversão do ônus da prova dela decorrente, cumpria à contribuinte comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem destes valores que, inegavelmente, transitaram por suas contas correntes, não o fazendo, como de fato não o fez, subsiste a autuação tal como levada a efeito. Quanto à multa qualificada, de rigor a sua ratificação e nenhuma mudança deve ser feita no conteúdo decisório impugnado. Como bem assentado no relatório acima circunstanciado, as razões que motivaram a qualificação da multa aplicada se deram ante a constatação de que a recorrente ostentava quadro societário com “sócios laranjas”, ocultando aquele que se mostrou o efetivo proprietário e administrador, bem como dispunha, ela recorrente, de domicílio tributário comunicado inexistente e nenhum documento fiscalcontábil ou comprovante fora apresentado, evidenciandose, ação dolosa apta a ensejar a qualificação da multa ao patamar de 150%. Diante, disso, a rigor o inconformismo da contribuinte é improcedente, motivo pelo qual, encaminho meu voto no sentido de desprover seu Recurso Voluntário. Quanto ao Recurso Voluntário da pessoa física solidarizada, Sr. Oscar Victor Rollemberg Hansen, importa registrar que a fiscalização apurou seu interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, nos termos do art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 455/456), o recorrente Oscar tanto foi o dono e administrador da SP Látex quanto da Solbor, demonstrandose que as transações financeiras entre as duas empresas foram intensas, de forma que os saldos credores das contas bancárias da SP Látex foram quase que totalmente transferidos/canalizados para a conta corrente da Solbor no Banco Bradesco S/A (já que eram do mesmo dono), constatando que o Sr. Oscar se beneficiou direta e/ou indiretamente dos recursos financeiros oriundos da atividade econômica exercida por ambas. Pois bem, nesta perspectiva, importa registrar que Hugo de Brito Machado, em artigo intitulado “A Solidariedade na Relação Tributária e a Liberdade do Legislador no Art. 124, II, do CTN, publicado na Revista Dialética de Direito Tributário, cuidadosamente assentou que “para que seja cabível o lançamento com a consequente cobrança do tributo e da penalidade pecuniária correspondente, o sujeito passivo há de ter, além do dever de pagar o tributo, que não cumpriu, também a responsabilidade, assim compreendido como o estado de sujeição, de sorte que não se situará a discussão na esfera da liberdade, mas na esfera da coerção”. (Revista Dialética de Direito Tributário, edição 195, página 61). Ora, do raciocínio acima deduzido, vêse que para que se possa exigir a obrigação tributária de determinada pessoa, imperioso que se afira o estado de sujeição passiva Fl. 930DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 16 para análise do consequente dever e responsabilidade. A questão que se põe, no entanto, dáse em panorama um tanto distinto, precisase aferir a sujeição passiva decorrente da solidarização, de sorte que alguns elementos extras, necessariamente, precisarão ser analisados. Como bem se sabe, tratandose de solidariedade no contexto da obrigação tributária, presente a unicidade da sujeição ativa do tributo, podese definila, falo da solidariedade, como vínculo estabelecido entre os sujeitos passivos da respectiva obrigação, que os une de tal forma que os aspectos matérias oponíveis a um (ou por um) aproveita os demais. Dito isso, não é despiciendo lembrar que o Código Tributário Nacional estabeleceu duas espécies de sujeição passiva, os ditos contribuintes, e os responsáveis tributários. Para os casos de solidarização, a exemplo do que aqui se analisa, interessa a modalidade de sujeição passiva “contribuinte”, também chamado de sujeito passivo por excelência. Tratando, portanto, de sujeição passiva por solidarização na modalidade contribuinte, de bom alvitre visitar o que dispõe o artigo 121 do CTN, consagrador de que é contribuinte, a pessoa que tenha relação direta e pessoal com o fato gerador do tributo, sendo este o liame que se terá de atingir para classificação de determinada pessoa como contribuinte, não sendo diferente para o contribuinte solidarizado. Verificado que o norte para caracterização do contribuinte é a sua relação direta e pessoal com o fato gerador, devese mencionar que o artigo 124 do CTN, dispõe em seu inciso I, que o são solidariamente responsáveis as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Comungando ambas as regras, podese dizer que a figura da solidariedade não se afasta daquela contida no Código Civil, Livro I, Título I, Capítulo VI, “Das Obrigações Solidárias”, ou seja, há solidariedade quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com um direito, ou obrigado, à dívida toda. Sendo assim, caso se tenha pluralidade de pessoas que tenham interesse na situação que constitua o fato gerador (regra do 124, I) e todas tenham mantido relação direta e pessoal com tal situação, apresentase possibilidade de solidarização. Luiz Antonio Caldeira Miretti in Comentários ao Código Tributário Nacional, 6ª edição, editora Saraiva, pág. 242 em diante, assevera que o instituto da solidariedade em matéria tributária, assegura o interesse do Fisco para a busca de seu direito de exigir do sujeito passivo o cumprimento da obrigação tributária, ocorrendo a solidariedade, consoante afirma o indigitado autor, sempre que se der a presença de mais de um sujeito passivo na mesma relação tributária, destacandose como premissa a existência de “interesse comum” das pessoas que participam da situação fática geradora da obrigação. Importante registrar, na ordem daquilo que argumentaram os recorrentes responsabilizados, que a solidariedade advinda do interesse comum, tal como esquadrinhada acima e prevista no CTN, dispensa previsão específica na lei que regular o determinado tributo, para apontar os devedores, solidários, porquanto a distinção do CTN é de caráter geral, aplicandose aos tributos contidos no sistema tributário nacional. Pois bem, com estas premissas gerais, entendo que a Fiscalização demonstrou não apenas a relação direta e pessoal do senhor Oscar, mas também o seu nítido interesse na Fl. 931DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16004.720166/201115 Acórdão n.º 1301001.613 S1C3T1 Fl. 10 17 situação. Confirase que a Fiscalização, no seu Termo de Descrição dos Fatos (fls. 403 – 409), cujo teor foi citado pela decisão recorrida, assim ponderou: [...] 3.3 Da análise aos documentos e papéis arrecadados/apreendidos durante a deflagração da "Operação Ouro Branco" e das informações obtidas nos bancos de dados da Receita Federal, comprovado ficou que o Sr. OSCAR VICTOR ROLLEMBERG HANSEN foi o administrador e proprietário de fato da empresa SP Látex, desde 18/11/2006, sucedendo a administração anterior, de seu falecido pai, Sr. Roberto Lucato Hansen. Para implementar e fazer surtir os devidos efeitos, nos termos do artigo 26 da Instrução Normativa RFB n° 1.005, de 08 de fevereiro de 2010, esta Fiscalização formalizou Representação Fiscal ao Delegado desta Unidade da Receita Federal do Brasil, para alterar "de Ofício" os dados cadastrais no CNPJ da SP Látex, incluindo em seu Quadro Societário o Sr. Oscar, como sócioadministrador. O Sr. Delegado desta Delegacia da Receita Federal de S.J.Rio Preto, assim alterou de ofício o quadro societário da SP Látex, incluindo, desde 18/11/2006, o Sr. Oscar Victor Rollemberg Hansen como sócio administrador fls. 19 a 27. A seguir relacionamos e juntamos cópia de alguns dos Autos de Apreensões de Livros e DocumentosAALDs, efetuados pela fiscalização da Secretaria da Fazenda, Delegacia Regional Tributária de S.J.Rio PretoSP, onde estão descritos os respectivos documentos/papéis apreendidos, que evidenciaram a efetiva administração do Sr. Oscar na SP Látex: • AUTORIZAÇÃO DA AGROLATEX AGROINDUSTRIAL LTDA – CNPJ 04.303.887/000148 (antiga SP Látex), datada de 01 de fevereiro de 2007, assinada pelo Sr. Oscar Victor Rollemberg Hansen, na qualidade de "diretor administrativo", concedendo aumento salarial a cinco empregados da respectiva empresa, enviada ao Escritório Itamaraty. Para verificarmos se realmente o referido documento produziu os devidos efeitos solicitados pelo Sr. Oscar, consultamos o programa denominado CNIS Cidadão Cadastro Nacional de Informações Sociais, aberto à Receita Federal do Brasil, onde ficou comprovado que quatro dos empregados tiveram seus salários alterados em fevereiro de 2007, e que também eram empregados da referida empresa fls. 341 a 361. • PROJETO DE CONSERVAÇÃO DE CONSTRUÇÃO INDUSTRIAL, referente o parque industrial e administrativo da usina de borracha na Rodovia Vicinal Ruilândia Mirassol km 01 Fazenda São Pedro, onde consta como proprietário o Sr. Oscar Victor Rollemberg Hansen e Outros. Em tal parque industrial funcionou a empresa SP Látex Comércio de Artefatos de Borrachas Ltda. (razão social anterior: Agrolatex Agroindustrial Ltda), durante os períodos de 26/11/2004 a 06/04/2005 e 10/10/2006 a 12/12/2007, que em seguida veio a Fl. 932DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 18 operar a empresa Solbor Beneficiamento de Látex Ltda., durante o período de 07/12/2007 até a presente data fl. 362. • AALD N° 18039096, DE 04/09/2009, no endereço da Rua dos Canários, 281, São José do Rio PretoSP, sendo que os documentos arrecadados são vinculados ao Sr. Oscar Victor Rollemberg Hansen, evidenciando sua gerência nas empresas SP Látex Comércio de Artefatos de Borrachas Ltda (razão social anterior: Agrolatex Agroindustrial Ltda) e Solbor Beneficiamento de Látex Ltda. fls. 335 a 340: [...] AALD N° 13096082, DE 04/09/2009, no endereço da Rodovia Vicinal Ruilândia Mirassol, km 01 s/n° Zona Rural Mirassol SP, na sede da empresa SOLBOR BENEFICIADORA DE LÁTEX LTDA., evidenciando a administração do Sr. Oscar Victor Rollemberg Hansen nas empresas Solbor Beneficiamento de Látex Ltda. e SP Látex Comércio de Artefatos de Borrachas Ltda (razão social anterior: Agrolatex Agroindustrial Ltda). Corrobora com tal conclusão, os documentos/papéis que lá foram apreendidos, referentes a outras empresas em que o Sr. Oscar Victor Rollemberg Hansen também é/foi sócio administrador "de fato" e que também foram colocadas em nome de "laranjas", Riobor Indústria e Comércio de Borracha Ltda., Interior Borrachas Ltda., Construtora Progresso Brasil Ltda., Olicar SP Logística Ltda., assim como documentos particulares do mesmo. Em tal local funcionava o "Escritório Central" das empresas do "Grupo Agrolatex" (denominação dada na OPERAÇÃO OURO BRANCO), administradas e de propriedade de fato do Sr. Oscar Victor Rollemberg Hansen, assim como documentos de sua Pessoa Física fls. 327 a 334: [...] 15. Item 28: Uma pasta contendo requerimentos, Alvará de Regularização, Memorial Descritivo e Plantas para Conservação de Construção Industrial, junto à Prefeitura Municipal de Mirassol, em nome de Oscar Victor Rollemberg Hansen; [...] PROCURAÇÃO, TENDO COMO OUTORGANTE, A EMPRESA AGROLATEX AGROINDUSTRIAL LTDA., E COMO OUTORGADO, O SR. OSCAR VICTOR ROLLEMBERG HANSEN, dando poderes gerais e ilimitados no período de 13/02/2007 a 13/02/2008 para representála junto ao BANCO DAYCOVAL S/A, para o fim especial de: abrir e movimentar conta corrente; emitir, endossar, aceitar, descontar e avalizar cheques duplicatas, letras de câmbio e notas promissórias; sustar, contra ordenar, cancelar e baixar cheques; conceder abatimentos; caucionar títulos; assinar autorizações em débito em contas relativos a instrumentos de crédito e contratos de câmbio; assinar orçamentos, propostas de empréstimos/financiamentos; assinar documentos contábeis, ajustar valores, cláusulas e condições de empréstimos; requisitar cartão eletrônico; movimentar conta corrente existente; assinar contrato de abertura de crédito, efetuar transferência de Fl. 933DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16004.720166/201115 Acórdão n.º 1301001.613 S1C3T1 Fl. 11 19 pagamento por qualquer meio inclusive eletrônicos; cadastrar senhas, solicitar saldos e extratos; requisitar talonários de cheques; efetuar aplicações e resgates de aplicações financeiras fl. 94; Também corroboraram a evidenciar que o Sr. Oscar já era o administrador e proprietário de fato da SP Látex: 1. O fato de em 24 de setembro de 2009, no desfecho das investigações da "Operação Ouro Branco", o Sr. Oscar Victor Rollemberg Hansen, acompanhado de seus advogados, compareceu ao Gabinete do GAECOGrupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado Núcleo de São José do Rio Preto SP, na presença dos Promotores de Justiça, para prestar Declaração a Termo. Na referida Declaração, depois de legalmente advertido do direito de permanecer calado sobre o que lhe fosse perguntado, o declarante esclareceu que, até a data da morte de seu pai, Roberto Lucato Hansen, ocorrida em 17 de novembro de 2006, ele não exerceu qualquer ato de administração nos negócios e nas empresas de seu genitor. Após tal fato, por ser herdeiro, tomou a frente administrativa dos negócios e empresas da família, dentre as quais a Solbor e a Agrolatex Agroindustrial (atual SP Látex), conforme fls. 219 a 240; Intimação e de Reintimação Fiscal, datado de 15/03/2011, em 31/03/2011 – fl. 41, e em 11/04/2011 fl. 42, assim como a resposta datada de 12/04/2011, referente ao Termo de Intimação Fiscal de 21/03/2011 fl. 79. [...] Correta, ao meu sentir, a sujeição passiva solidária levada a efeito nos moldes do Código Tributário Nacional, a revelar a improcedência dos argumentos expedidos em sede de Recurso Voluntário. Em vista do exposto, encaminho meu voto no sentido Negar provimento aos Recursos Voluntários. Sala das Sessões, em 26 de agosto de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 934DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 20 Fl. 935DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10120.906823/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO.
Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade do lançamento, quando há indicação clara e precisa dos motivos que levaram ao deferimento ou indeferimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-002.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos , negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
ROBSON JOSE BAYERL- Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA ROBSON JOSE BAYERL, ÂNGELA SARTORI, BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA E JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA , ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade do lançamento, quando há indicação clara e precisa dos motivos que levaram ao deferimento ou indeferimento do direito creditório pleiteado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos , negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. ROBSON JOSE BAYERL- Presidente. ANGELA SARTORI - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA ROBSON JOSE BAYERL, ÂNGELA SARTORI, BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA E JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA , ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1590; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 4 1 3 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.906823/200801 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.780 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2014 Matéria IPI Recorrente POLIGYN EMBALAGENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade do lançamento, quando há indicação clara e precisa dos motivos que levaram ao deferimento ou indeferimento do direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos , negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. ROBSON JOSE BAYERL Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA ROBSON JOSE BAYERL, ÂNGELA SARTORI, BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA E JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA , ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 68 23 /2 00 8- 01 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 2 Tratase de retorno de diligência solicitada pela 4ª Câmara da 1ª Turma, em 27 de fevereiro de 2013, através da Resolução nº 3401000.657 (fls. 144/147). Em razão deste processo já ter se submetido à análise e considerando a exposição do Douto Conselheiro anterior que relatou os fatos com precisão, aproveito todo o conteúdo do seu relatório: “Por meio de PER/Dcomp entregue em 15/7/2004, a interessada identificada solicitou o reconhecimento de direito creditório correspondente a saldo credor de IPI apurado ao final do 2º trimestre de 2004 (art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999), no valor original de R$ 107.769,79, indicando o para a compensação de débitos no valor de R$ 24.743,32. O Despacho Decisório eletrônico emitido pela DRF apontou o r reconhecimento de um crédito apenas parcial, no valor de R$ 72.936,63, e a consequente homologação da compensação então declarada no referido PER/Dcomp, bem como no PER/Dcomp nº 35429.98998.300804.1.7.014166, no valor de R$ 46.115,59, não tendo sido referido crédito, porém, suficiente para a homologação total dos débitos constantes do PER/Dcomp nº 40671.08834.300804.1.3.01.5839, o que resultou na emissão de carta de cobrança desses débitos. Na Manifestação de Inconformidade a interessada alegou que sua defesa estaria sendo cerceada pelo fato de o Despacho Decisório eletrônico não ter evidenciado o motivo do indeferimento de parte do crédito e da não homologação de todos os débitos declarados. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora MG afastou o vício apontado pela interessada argumentando que o Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível, que acompanhou o Despacho Decisório eletrônico, de fl. 87, permitiria identificar, facilmente, o motivo pelo qual a administração tributária reduziu o montante do saldo credor indicado no PER/Dcomp, isto é, a partir das informações prestadas pela interessada, os sistemas de processamento eletrônico tomaram como sendo um “débito de IPI”, a cifra de R$ 147.568,47, da primeira quinzena de abril de 2004, valor esse que consumiu totalmente os créditos existentes, resultando, ainda, num valor devedor da ordem de R$ 117.583,27. Quanto ao mérito, a instância de piso promoveu a um ajuste no montante do crédito a ser reconhecido (refez o Demonstrativo Corrigido de Apuração do Saldo Credor Ressarcível), de sorte que, em vez daqueles R$ 72.936,63 apontados pelo Despacho Decisório, o correto seria que se tivesse reconhecido um saldo credor da ordem de R$ 101.861,47. Explicou a DRJ que esse ajuste se fez necessário porquanto o programa gerador de documento do PER/Dcomp, baseado no preenchimento equivocado da interessada do campo “Estorno de Créditos”, no valor de R$ 132.376,15 (o correto seria que esse valor Fl. 165DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10120.906823/200801 Acórdão n.º 3401002.780 S3C4T1 Fl. 5 3 tivesse sido indicado no campo “Ressarcimento de Créditos”, já que se refere ao valor utilizado pela empresa em PER/Dcomp transmitida anteriormente), tomouo como um “débito de IPI”. Acrescentou ainda a DRJ que, ao final, a diferença de R$ 5.908,32, existente entre o montante do saldo credor apurado e reclamado pela interessada (R$ 107.769,79) e o saldo credor por ela (DRJ) ajustado e reconhecido (R$ 101.861,47), teria origem no saldo credor do período anterior (antes de abril de 2004), isto é, enquanto a interessada partiu de um saldo credor anterior de R$ 20.825,65, o correto, segundo a DRJ, seria que tivesse partido de um saldo credor anterior de R$ 14.917,33. E essa discrepância, segundo a DRJ, decorreria de glosas efetuadas nos créditos indicados pela interessada no PER/Dcomp nº 29445.42325.150104.1.3.011805, contida no processo 10120.906821/200812. Cita como exemplo uma glosa feita no referido processo no valor de R$ 1.150,31, por conta de aquisição de insumos junto a empresas optantes do Simples. No Recurso Voluntário a interessada insiste em que sua defesa esteja sendo cerceada, agora motivada pelo fato de que as tais glosas a que se referiu a DRJ em seu voto, não lhe teriam sido demonstradas. É o Relatório.” No julgamento, o conselheiro requereu diligência nos seguintes termos: “...Ocorre que, da documentação acostada ao presente processo, este julgador não vislumbra elementos para proferir uma decisão, quer porque não sabe se as tais glosas de créditos foram ratificadas por decisão administrativa definitiva, quer porque não sabe se a interessada foi delas informada e/ou se se de tais imputações se defendeu. Ou seja, não é capaz sequer de avaliar se houve ou não o alegado cerceamento do direito de defesa. E isso por uma razão bem singela: tais fatos estão noutro processo, o referido 10120.906821/200812, cujo paradeiro, segundo pesquisa realizada no Comprot, é o “Arquivo Eletrônico do Sief – 1RFSRF2”. Pelo exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência para que a Unidade de origem traga para este processo o desfecho definitivo na esfera administrativa, por este compreendida a decisão contra a qual não caiba qualquer recurso, do processo nº 10120.906821/200812...” Após a remessa ao setor competente para o cumprimento da referida diligência proferiuse o seguinte despacho: “Nos termos da Resolução nº 3401000.657, apresentada às fls. 144/147, houve a “conversão do presente julgamento em diligência para que a Unidade de origem traga para este processo o desfecho definitivo na esfera administrativa, por este compreendida a decisão contra a qual não caiba qualquer recurso, do processo nº Fl. 166DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 4 10120.906821/200812.”, devendo a recorrente ser cientificada quanto ao resultado da diligência, para que, caso deseje, se manifeste no prazo de trinta dias. Em atendimento ao disposto na resolução acima citada já haviam sido juntados ao presente processo os documentos de fls. 149/155, que, smj, atendem ao previsto para a diligência solicitada.Em face do exposto, retornese o presente processo à equipe EAT6 para prosseguimento.” Após o retorno da diligência, sem que houvesse qualquer manifestação da interessada, mesmo após sua intimação, o processo foi distribuído à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro ANGELA SARTORI Cumprida a diligência, às fls. 149/155 juntouse a derradeira decisão proferida no processo nº 10120.906821/200812, na qual transcrevemos na íntegra: “Do alegado cerceamento do direito de defesa A manifestante alegou que o despacho decisório não apontou os motivos que resultaram no indeferimento parcial do direito creditório alegado, o que teria ocasionado cerceamento de seu direito de defesa. Não há como dar razão à Manifestante. O despacho decisório, sob análise é integrado pelos demonstrativos de fls. 112/113, que permitem o confronto das informações do processamento com aquelas prestadas pela contribuinte na DCOMP transmitida, bem como com os dados de sua apuração fiscal (RAIPI). A “Relação de Notas Fiscais com Créditos Indevidos”, fls. 113, relacionou as duas notas fiscais cujos créditos foram glosados, indicando o motivo 7 como fundamento das glosas, ou seja: “Empresa Emitente da Nota Fiscal optante do SIMPLES”, segundo legenda que integra a mencionada relação. E o demonstrativo de apuração de fls. 112 permite identificar, facilmente, que o principal motivo que resultou na redução do saldo credor apurado pelo processamento foi à presença de um débito do IPI, no expressivo valor de R$ 156.240, 99 (210/ 2003). Este débito consumiu uma parcela dos créditos acumulados no trimestre e provocou, inclusive, a apuração de um saldo devedor de R$ 114.672,62 no segundo decêndio de outubro de 2003, apuração substancialmente distinta daquela atestada pelo RAIPI da contribuinte, e demonstrada na DCOMP. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10120.906823/200801 Acórdão n.º 3401002.780 S3C4T1 Fl. 6 5 Desta forma, percebese que uma breve análise dos demonstrativos que integram o despacho decisório permite identificar os motivos que levaram o processamento a apurar um saldo credor inferior ao montante pleiteado. Não vislumbro motivos, portanto, que justifiquem a nulidade do despacho decisório. Das glosas de aquisições de empresas optantes do SIMPLES O processamento identificou, dentre as notas fiscais informadas na DCOMP, estabelecimentos emitentes optantes do Simples, segundo informações cadastrais da Receita Federal. Os valores creditados nessas aquisições foram glosados pelo processamento (motivo 7), segundo detalhado, nota a nota, na “Relação de Notas Fiscais com Créditos Indevidos”, fls. 113. A Manifestante não apresentou argumentos específicos em relação a esta glosa, o que caracteriza matéria não contestada, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235, de 1972 (PAF). Todavia, cumpre informar à contribuinte que consulta ao sistema CNPJ da Receita Federal confirma a informação dada pelo processamento: as empresas cadastradas sob os números 49.640.428/000198 e 63.303.051/000102 eram optantes do SIMPLES FEDERAL no anocalendário de 2003 (fls. 120 a 125), tendo, inclusive, apresentado a DIPJ com tributação por esse regime no ano das aquisições em análise, o que atesta o exercício da opção pelo SIMPLES (fls. 122 e 125). A inexistência do direito de crédito do IPI nas aquisições de insumos perante empresa optante do Simples decorre da disposição do § 5º do art. 5º da Lei 9.317, de 1996 (art. 166 do RIPI/2002), a seguir transcrito: § 5º A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS. Importante ressaltar que tal vedação impede o direito ao aproveitamento do crédito do IPI mesmo na hipótese de o emitente, optante do Simples, haver, indevidamente, destacado o imposto na nota fiscal, o que ocorreu no caso da interessada, segundo cópia da NF 001252, fls. 44. Ou seja, o destaque indevido do imposto pelo emitente não tem o condão de legitimar a apropriação de um crédito expressamente vedada pela legislação. Assim, comprovado que as empresas indicadas no demonstrativo de fls. 113 eram optantes do Simples Federal no ano das aquisições em pauta (2003), correta foi a glosa dos créditos oriundos dessas aquisições. Da redução do saldo credor segundo apuração efetuada pelo processamento. A contribuinte informou, na ficha intitulada “Livro de Registro de Apuração do IPI no Período do Ressarcimento Saídas”, no campo relativo a “Estorno de Créditos”, valor que, em verdade, é relativo a créditos utilizados em DCOMP apresentada anteriormente, segundo Fl. 168DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 6 demonstrado a seguir: Valor informado como "Estorno de Créditos" Fls. DCOMP* Valor do crédito utilizado na DCOMP 144.727,67 73 27346.84581.151003.1.3010645 144.727,67. Todavia, o correto seria informar esse valor no campo “Ressarcimento de Créditos”, pois o processamento considera que o valor informado no campo “Estorno de Créditos” corresponde a um débito do IPI não vinculado a ressarcimentos/compensações de períodos anteriores. Com isso, ocorre duplicação desse valor, a débito. Necessário, então, refazer os demonstrativos de fls. 112 com o objetivo de corrigir o débito do imposto que, em verdade, é relativo a estorno de crédito utilizado em DCOMP transmitida anteriormente. Refeitos os demonstrativos, chegase à apuração de um saldo credor passível de ressarcimento no montante de R$114.699,06 (fls. 131/132). Como estamos diante de Declaração de Compensação, que utilizou créditos no valor de R$ 99.181,05 (fls. 49), este é o valor que deve ser observado para deferimento do presente pleito. Como a unidade de origem já reconheceu o direito creditório no valor de R$ 84.644,06 (fl. 111), resta, neste julgamento, reconhecer o montante de R$14.536,99 (99.181,05 – 84.644,06), valor esse que será suficiente para compensar a totalidade dos débitos informados na DCOMP sob análise. Cumpre esclarecer à contribuinte que o excedente do saldo credor apurado no encerramento deste 4º trimestre de 2003, no valor de R$15.518,94 (=114.699,06 – 99.181,05), será transferido para o trimestre subseqüente (1T/2004), para ser utilizado na amortização de débitos escriturais do imposto. Tudo exposto, voto por DEFERIR a solicitação contida na manifestação de inconformidade apresentada, para reconhecer o direito creditório no montante de R$ 14.536,99, a ser utilizado na compensação declarada por intermédio da DCOMP nº 29445.42325.150104.1.3.011805, que resultará homologada.” Fl. 169DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10120.906823/200801 Acórdão n.º 3401002.780 S3C4T1 Fl. 7 7 Inicialmente, é relevante mencionar que, após ser intimada do resultado da diligência, a interessada não apresentou qualquer manifestação ou inovou sua tese recursal acerca do suposto cerceamento de defesa. Rejeito a alegação de cerceamento de defesa, haja vista que, basta uma singela leitura dos termos do acórdão retro, acrescido do voto do relator anterior para se verificar que houve a indicação clara e expressa dos motivos que ensejaram o não acolhimento do direito creditório pleiteado pela interessada. Observese que o lançamento foi efetuado pelo Fisco com os dados que lhe foram disponibilizados e que caberia ao sujeito passivo apresentar os documentos requeridos pela fiscalização, dentre estes, os elementos probantes do seu direito, o que não foi feito. Na condução do processo há que se ter em conta o processo de fixação formal da prova, no qual o julgador se atém à análise dos meios de prova definidos em lei, à valoração e admissibilidade das provas apresentadas, para formar o seu livre convencimento para decidir. No presente caso o Recorrente não conseguiu provar, através da documentação acostada aos autos a legitimidade de seus créditos, tal como pleiteado. Por outro lado, o princípio da nãocumulatividade, insculpido no artigo 153, § 3º da CF/88, por si só não assegura o direito ao crédito de IPI. Somente a lei, elaborada por quem detém a competência de legislar conferida pela Constituição, assim como as normas constitucionais de eficácia plena e aplicabilidade imediata, tem o condão de criar relações jurídicas de direito material. Nesse sentido, a lei n 9.317/96, em seu artigo 5 parágrafo 5, veda a apropriação de créditos relativos ao IPI para as empresas do SIMPLES nos seguintes termos: § 5º A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS. Assim, visto que nas diligências realizadas pela fiscalização se verificou que o crédito apontado pela fiscalização é o correto e que houve apropriação indevida de crédito relativo a empresas do SIMPLES, há de se concluir que, no caso nos autos que as alegações da interessada não merecem prosperar e que cabível os valores apontados pela fiscalização como devidos. Voto pelo não acolhimento do recurso voluntário. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 8 ANGELA SARTORI Relator Fl. 171DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL
score : 1.0
Numero do processo: 10630.720384/2008-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
Ementa:
REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
O Mandado de Procedimento fiscal MPF é documento emitido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil, que determina a execução do procedimento fiscal, e assim cumpre a determinação de ordem escrita para o segundo exame de período já fiscalizado, nos termos do art.906doRIR/99.
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA.POSSIBILIDADE.
Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos,a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art.144,§ lº),mas também a Lei 9.311/96 (art 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts.5ºe 6º) ,inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO.
Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador(art.150,§4º,do CTN).
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física,relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Súmula CARF Nº 38).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-002.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AS DEMAIS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir da omissão apurada o valor de R$184.815,76. Vencida a Conselheira DAYSE FERNANDES LEITE, que negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ.
(assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora.
EDITADO EM: 03/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Odmir Fernandes (Suplente Convocado).
Nome do relator: Carlos André Ribas de Mello, Relator.
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 Ementa: REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento fiscal MPF é documento emitido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil, que determina a execução do procedimento fiscal, e assim cumpre a determinação de ordem escrita para o segundo exame de período já fiscalizado, nos termos do art.906doRIR/99. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA.POSSIBILIDADE. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos,a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art.144,§ lº),mas também a Lei 9.311/96 (art 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts.5ºe 6º) ,inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador(art.150,§4º,do CTN). O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física,relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Súmula CARF Nº 38). OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26). Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AS DEMAIS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir da omissão apurada o valor de R$184.815,76. Vencida a Conselheira DAYSE FERNANDES LEITE, que negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ. (assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 03/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Odmir Fernandes (Suplente Convocado).
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MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento fiscal MPF é documento emitido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil, que determina a execução do procedimento fiscal, e assim cumpre a determinação de ordem escrita para o segundo exame de período já fiscalizado, nos termos do art.906doRIR/99. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA.POSSIBILIDADE. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos,a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art.144,§ lº),mas também a Lei 9.311/96 (art 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts.5ºe 6º) ,inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador(art.150,§4º,do CTN). O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física,relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Súmula CARF Nº 38). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 03 84 /2 00 8- 83 Fl. 414DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AS DEMAIS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir da omissão apurada o valor de R$184.815,76. Vencida a Conselheira DAYSE FERNANDES LEITE, que negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ. (assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez –Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora. EDITADO EM: 03/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Odmir Fernandes (Suplente Convocado). Fl. 415DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10630.720384/200883 Acórdão n.º 2202002.782 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de fl. 07 a 10, lavrado para a exigência do Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, referente ao anocalendário de 2003, para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$ 139.705,07, incluído multa de ofício de 75% e juros de mora. Consoante a decisão de primeira instância o lançamento decorreu das seguintes irregularidades: 1) Que o presente lançamento teve origem em reexame de período já fiscalizado no MPF 0610300200600373. Tal reexame foi autorizado nos termos do art. 906 do RIR199 e da Portaria RFB n° 11.371/2007, tendo em vista a incompletude das averiguações (fls. 02 e 03); 2) 0 já encerrado MPF 0610300200600373 resultou em Auto de Infração controlado pelo processo administrativo 10630.001432/200831, onde o fiscalizado foi autuado por omissão de rendimentos, a partir de variação patrimonial não justificada, relativa ao anocalendário 2004, exercício 2005; 3) No decorrer daquela fiscalização já encerrada, o contribuinte foi intimado por duas vezes a apresentar extratos bancários de suas contas correntes e aplicações financeiras no Brasil e no exterior. Não tendo atendido o solicitado, foi providenciada Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira do fiscalizado junto ao Banco Bradesco S/A. Em resposta o Banco Bradesco S/A apresentou extratos de duas contas correntes em agências diversas. Tais extratos foram juntados aos autos do presente lançamento; 4) Assim, foi dado inicio ao reexame dos anoscalendário 2003 a 2005, partindo da análise dos extratos bancários citados. Após conciliação, foi encontrado o valor total de R$ 36.752,87, R$ 257.538,41 e R$ 362.121,09 de depósitos nos anoscalendário 2003, 2004 e 2005, respectivamente; 5) A partir dessa observação, o contribuinte foi intimado, por meio de Termo de Inicio de Fiscalização, emitido em 22/08/2008 (fls. 52 a 58), a comprovar a origem dos recursos utilizados em 246 operações de crédito/depósito feitas em suas contas correntes. Tais operações compreendem todas aqueles créditos/depósitos superiores a R$ 12.000,00, no anocalendário 2003 (já que não excedido o valor de R$ 80.000,00 para este ano), mais todas as operações de crédito/depósito nos anoscalendário 2004 e 2005; 6) Em resposta (fls. 61 a 63 e 86 a 325), o contribuinte anexou documentação composta de 238 folhas e fez referência a documentação apresentada quando do MPF 0610300200600373; Fl. 416DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 7) Considerando que tais documentos não comprovavam a origem dos depósitos bancários, foi emitido Termo de Intimação n° 1, em 10/11/2008 (fls. 64 e 65), solicitando, novamente, a apresentação de documentação apta a comprovar a origem dos recursos. Em resposta (fls. 70 a 72), o contribuinte não logrou comprovar o solicitado, fazendo alegações diversas. Dessa forma foi emitido o presente Auto de Infração; 8) Para justificar a origem dos depósitos bancários, o contribuinte limitou se A informar que se tratava de operações comerciais das pessoas jurídicas das quais é sócio, sem sequer identificar quais seriam essas pessoas jurídicas; e, 9) De acordo com o principio fundamental da contabilidade denominado "principio da entidade", aprovado pela resolução CFC n° 750, de 29 de dezembro de 1993, não se confundem os interesses e contabilizações da pessoa jurídica (entidade) com os interesses dos respectivos sócios. Caso não tenha havido observância a esse postulado, mais um motivo há para sobre o contribuinte recair o ônus de provar suas alegações. Discordando da exigência fiscal (fls.328/335) o interessado, por meio de seu procurador devidamente constituído, fls. 338, segundo relatório de primeira instância, contesta o lançamento alegando, em síntese: 1) A inconstitucionalidade do artigo 6° da Lei Complementar n° 105/2001 e, do Decreto 3.724/2001, razão pela qual não pode ser válida uma autuação fiscal baseada em extratos bancários inconstitucionalmente obtidos; 2) Ausentes os pressupostos do art. 149, IX, do Código Tributário Nacional, é inválido o fruto do trabalho do reexame, mesmo se constitucional fosse a quebra do sigilo bancário do Impugnante; 3) Findo o primeiro trabalho fiscal, aceitas as justificativas do impugnante, homologado o lançamento, não pode o impugnante ser penalizado por ter destruído toda a documentação analisada e devolvida pela fiscalização; 4) Movimentação financeira não é base de cálculo do imposto de renda, já o tendo sido da CPMF; 5) É a diferença entre os saldos bancários do último dia de cada ano que representa mais propriamente a variação patrimonial, independentemente do que tenha ocorrido no percurso. E o que pensam os tribunais; e, 6) Se apesar de todo o exposto, ainda subsistir o trabalho fiscal, o que se admite pelo amor ao debate, inafastável a redução do valor de R$ 60.000,00 (valor comprovadamente enviado por uma das empresas do impugnante) da base de cálculo autuada. A Sexta Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 0930.989 de 19 de agosto de 2010, que se encontra às fls. 341/347, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2004 Fl. 417DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10630.720384/200883 Acórdão n.º 2202002.782 S2C2T2 Fl. 4 5 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. SIGILO BANCÁRIO. PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. NÃO NECESSIDADE. A legislação em vigor autoriza o Fisco a solicitar diretamente às instituições financeiras informações referentes à movimentação bancária de seus clientes, desde que haja procedimento de fiscalização em curso e esta seja precedida de intimação ao sujeito passivo, sendo desnecessária a autorização judicial prévia. LANÇAMENTO. REEXAME. Havendo autorização escrita da autoridade superior, no presente caso, do Delegado da Receita Federal do Brasil, para um segundo exame, relativo ao mesmo exercício, não há que se falar em nulidade do lançamento decorrente, constituindose em requisito suficiente e necessário à formação do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. BASE DE CÁLCULO. Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A base de cálculo é a omissão de rendimentos presumida, por falta de comprovação de sua origem. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA Os lançamentos efetuados com base em presunções "juris tantum" transferem o ônus da prova ao contribuinte a fim de descaracterizálos. GUARDA DE DOCUMENTOS. 0 contribuinte é obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, toda a documentação que embasou o preenchimento de sua declaração de rendimentos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência de tal julgado se deu por via postal em 02/09/2010, consoante o AR – Aviso de Recebimento – de fl. 350. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 À vista disso foi protocolizado, em 29/09/2010, recurso voluntário dirigido a este colegiado, fls.360/372 , no qual o pólo passivo, apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: · A inconstitucionalidade do artigo 6° da Lei Complementar n° 105/2001 e, do Decreto 3.724/2001, razão pela qual não pode ser válida uma autuação fiscal baseada em extratos bancários inconstitucionalmente obtidos mediante a quebra do sigilo bancário. É o Relatório. · Caso se ultrapasse a preliminar atinente à inconstitucionalidade da quebra do sigilo fiscal do impugnante, mesmo assim o trabalho fiscal não poderá prosperar tendo em vista o inaceitável/injustificável reexame de um anterior trabalho fiscal. Senão vejamos: 1. Nos acórdãos a 6a Turma não fez qualquer pronunciamento inerente ao preceituado no artigo 149 do Código Tributário Nacional; 2. CTN Artigo 149 O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. · Em momento algum a Fiscalização demonstrou a existência dos pressupostos imprescindíveis ao reexame do lançamento, quais sejam: fraude ou falta funcional por parte do Auditor Fiscal JOSÉ ANTÔNIO DA COSTA NETO, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial; · Ausentes os pressupostos necessários, nulo o Auto de Infração decorrente do reexame. · Caso admissível l fossem a inconstitucional quebra do sigilo bancário do impugnante e o reexame sem os pressupostos previstos no artigo 149, IX, do Código Tributário Nacional, mesmo assim o trabalho fiscal ora impugnado não poderia ser validado, já que o Impugnante foi induzido a entender estar totalmente homologado o lançamento inicial, não mais sendo necessário a manutenção da documentação já analisada e devolvida: 1. 0 AuditorFiscal JOSÉ ANTONIO DA COSTA NETO, após analisar a farta documentação que lhe foi apresentada, inclusive pessoalmente e que estranhamente não constou do Processo Administrativo, devolveua afirmando que estavam sanadas todas as suas dúvidas relacionadas As movimentações financeiras; 2. 0 AuditorFiscal JOSÉ ANTÔNIO DA COSTA NETO, acreditase, no desempenho de suas funções legais, afirmou Fl. 419DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10630.720384/200883 Acórdão n.º 2202002.782 S2C2T2 Fl. 5 7 não ter mais necessidade da farta documentação apresentada, já que a pouca que ficaria nos autos seria suficiente A comprovação da regularidade das movimentações bancárias; 3. Emitido o Auto de Infração e quitado o crédito tributário decorrente, encerrado estava o trabalho de fiscalização, que para o Impugnante; era definitivo. 4. Confiante na seriedade e na competência legal do Auditor Fiscal JOSÉ ANTONIO DA COSTA NETO, que naquele momento era a Secretaria da Receita Federal do Brasil (Portaria RFB n°. 11.371/2007 — artigo 2°), o Impugnante queimou toda a documentação que lhe fora devolvida pelo citado AuditorFiscal; 5. Sobre a presunção de legalidade, um dos atributos do ato administrativo, ensina Celso Antônio Bandeira de Mello — Curso de Direito Administrativo — editora Malheiros — 12ª edição, 2ª tiragem, p. 358 — que "6 a qualidade, que reveste tais atos, de se presumirem verdadeiros e conformes ao Direito, até prova em contrário. Isto 6, milita em favor deles uma presunção júris tantum de legitimidade; salvo expressa disposição legal, dita presunção s6 existe até serem questionados em juízo. Esta característica é comum aos atos administrativos em geral"; 6. Se o ato administrativo realizado pelo AuditorFiscal JOSÉ ANTONIO DA COSTA NETO estava conforme ao Direito (ausentes os pressupostos previstos no artigo 149, IX, CTN), não pode o Requerente ser penalizado por acreditar na veracidade do referido ato. 7. Imprescindível destacar que o Recorrente tinha o dever legal de guardar somente os extratos do último dia do exercício, que foi a documentação que embasou o preenchimento de sua declaração de rendimentos. · Não há nenhuma lei determinando que os Contribuintes pessoas físicas guardem a documentação referente a todas as suas movimentações bancárias; · Ultrapassado o pedido de cancelamento do Auto de Infração, o que se admite somente pelo extremo apego ao debate: 1. 0 reconhecimento da consumação do prazo decadencial com relação aos fatos geradores ocorridos até maio de 2004, já que o Recorrente tomou ciência da presente autuação somente na data de 15/05/2009; Fl. 420DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 2. Que a base de cálculo seja correspondente a diferença entre os saldos bancários do último dia de cada ano, o que representa mais propriamente a variação; 3. A redução, na base de cálculo, de todos os valores enviados por qualquer uma das empresas das quais o Recorrente compõe o seu quadro societário, tais como o TED de R$ 45.000,00 enviado pelo Posto Gentil Ltda. na data de 15/10/04. O julgamento foi sobrestado por meio da Resolução 2802000.153, porém com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento foi retomado. É o relatório. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10630.720384/200883 Acórdão n.º 2202002.782 S2C2T2 Fl. 6 9 Voto Vencido Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. Cuidase de Recurso Voluntário da decisão da DRJ que manteve a autuação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF sobre Omissão de Rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, no ano calendário de 2003, no valor total de R$ 218.609,17,( R$ 23.725,00 em fev/2003; R$ 47.990,76 em mar/2003; R$ 18.793,41 em jun/2003 e R$ 128.100,00 em dez/2003) Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre examinar, de antemão, as preliminares suscitadas pela defesa. Da Preliminar de Nulidade por Quebra do Sigilo Bancário Alega o suplicante, em síntese, que houve quebra ilegal do seu sigilo bancário. Pois bem, em que pese a alegação do recorrente, sua irresignação, contudo, não merece acolhimento. Ao contrário do que alega, verificase que o afastamento de seu sigilo bancário se deu com base na Lei Complementar nº 105/2001, bem como no § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311/1996 (redação dada pela Lei nº 10.174/2001). Vale lembrar que, a Lei Complementar nº 105, de 2001, autorizou, expressamente, o acesso aos dados bancários pelas autoridades e agentes fiscais,condicionando a sua utilização ao resguardo do sigilo, nos seguintes termos: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; Fl. 422DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, Fl. 423DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10630.720384/200883 Acórdão n.º 2202002.782 S2C2T2 Fl. 7 11 devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. Preliminar Rejeitada. Nulidade do reexame de período fiscalizado anteriormente. O Recorrente alega a nulidade do lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2003, em razão deste período já ter sido objeto de Fiscalização anterior. Vejamos: No Relatório Fiscal do auto emitido em 10/12/2008, fls. 14, o Auditor fiscal assim se manifesta: “Tratase do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 06.1.03.00 2008004611, abrangendo o IRPF nos anoscalendário 2003, 2004 e 2005, em reexame de período já fiscalizado no MPF 0610300200600373. Tal reexame foi autorizado nos termos do artigo 906 do RIR/99 e da Portaria RFB n° 11.371/2007. 2. 0 já encerrado MPF 0610300200600373 resultou em auto de infração controlado pelo processo administrativo 10630.001432/200831, onde o fiscalizado foi autuado por omissão de rendimentos no valor de R$ 120.160,18, apurada a partir de variação patrimonial rido justificada no ano calendário 2004, Ex.2005.” Com efeito, dispõe o artigo 906, do Regulamento do Imposto de Renda(RIR) que: Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Fl. 424DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Receita Federal (Lei nº 2.354, de 1954, art.7º, §2º, e Lei nº 3.470, de 1958, art.34). Este dispositivo é a reiteração, no Regulamento, do disposto no art. 7º da Lei nº 2.354/54, o qual estabelece que “Em relação ao mesmo exercício só é possível um segundo exame da escrita mediante ordem escrita dos delegados seccional ou regional ou do diretor da Divisão do Imposto de Renda”. Às fls. 03, está a ordem escrita, a que se referem os dispositivos acima citados. Assim foi emitido o novo MPF FISCALIZAÇÃO N° 06.1.03.002008004611 Ademais, entendo que o requisito da “ordem escrita”, a que se referem os dispositivos acima citados, é atendido com a expedição do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), bastando que este se refira aos períodos ma serem fiscalizados. O MPF deste caso concreto (fls. 04), indica como objeto da fiscalização o IRPF do período de 01/2003 a 12/2004. Considero com base nestes dados, que havia autorização expressa e por escrito para a fiscalização do ano calendário em questão, não sendo necessário nenhum outro documento. Não se configura, pois, a nulidade no lançamento em face do art. 906 do RIR. É esse o entendimento predominante neste CARF, como demonstram as ementas abaixo transcritas: SEGUNDO EXAME AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO Com a criação do Mandado de Procedimento Fiscal, deixou de ter aplicação a norma do art. 906 do RIR/99 , pois não há mais que falar em condicionar a ordem escrita de autoridade superior o segundo exame em relação ao mesmo exercício, quando mesmo a primeira fiscalização externa está condicionada a prévia ordem de autoridades competentes. (Acórdão n° 110100.109, 1a Câmara/ 1o Conselho de Contribuintes, sessão de 17 de junho de 2009, relatora Conselheira Sandra Maria Faroni). REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. EXIGÊNCIA SUPRIDA PELO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento fiscal supre a necessidade de ordem escrita, no caso de reexame de período já fiscalizado,eis que a autoridade competente é a mesma, sendo ambos os documentos de mesma natureza e qualidade, surtindo ainda os mesmos efeitos legais. (Acórdão n° 1802001.620, 2a Turma Especial /1ª Sessão de Julgamento, sessão de 10 de abril de 2013, relator Conselheiro Marciel Eder Costa) Fl. 425DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10630.720384/200883 Acórdão n.º 2202002.782 S2C2T2 Fl. 8 13 DOCUMENTAÇÃO QUEIMA É de se ressaltar que o sujeito passivo deve guardar os documentos não juntados Pás declarações entregues à Secretaria da Receita federal, pelo prazo previsto em lei para que a fazenda Pública efetue o lançamento, que é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado ou da ocorrência do fato gerador (prazos ditados pelos arts. 898 e 899 do RIR/199, que repetem os termos do parágrafo 4º do artigo 150 e do art. 173 do CTN. Assim, entendo correto os fundamentos expostos no acórdão combatido. MÉRITO Afastadas as preliminares acima, passase ao exame da decadência, preliminar que envolve o próprio mérito. A exigência é do IRPF, sujeito a ajuste anual,do ano calendário de 2003. O Auto de Infração (autuação) ocorreu em 12/12/2008(fls.326). O início do prazo decadencial, com a existência de pagamento, é o dia 01.01.2004.Confirase: Súmula CARF nº 38 (VINCULANTE): O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. Entre 01.01.2004 e a ciência do Auto de Infração, em 12/12/2008, mesmo que se admita haver pagamento, prazo mais favorável ao autuado, não transcorreu lapso temporal superior a cinco anos para se operar a decadência. Afasto assim a decadência. A matéria de fundo é depósito bancário de origem não comprovada. O lançamento fundamentase em depósitos bancários.A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996,temse a autorização para considerar ocorrido o“fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. O contribuinte sustenta que a identificação de depósitos, conforme destacado na impugnação, constitui prova indireta de que aqueles depósitos eram originados de uma operação comercial das pessoas jurídicas das quais é sócio. Cita que, dentre muitos outros, o valor de R$60.000,00 (sessenta mil reais) foi depositado pelo Posto Gentil Ltda, que a fiscalização, sob o argumento de não ter comprovado tratarse de pagamento de “prólabore”, distribuição de lucros, alguma operação de compra e venda, ou algum outro relacionamento entre a PJ e a sua pessoa física , incluiu o referido valor na base de cálculo autuada. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 Vejamos: Conforme o Relatório Fiscal do auto emitido em 10/12/2008, fls. 14/19 os depósito bancários sem origem comprovada – foram os seguintes: DATA HISTÓRICO REMETENTE VALOR R$ 13/02/03 TED GILMAR ALVES DE ARAÚJO 23.725,00 07/03/03 TED ADEMIR ALVES DE MORAIS 22.990,76 12/03/03 TRANSF. ENTRE AG DINHEIRO Vanderlei Barbosa de Souza 25.000,00 09/06/2003 DEPÓSITO EM DINHEIRO 18.793,41 15/12/03 TRANSF ENTRE AG. DINHEIRO 1 15.000,00 15/12/03 TED POSTO GENTIL LTDA 60.000,00 22/12/03 TRANSF. ENTRE AG DINHEIRO OTACIR PINHEIRO DOS SANTOS 26.550,00 26/12/03 TRANSF. ENTRE AG DINHEIRO VANDERLEI MARQUES DE OLIVEIRA 26.550,00 TOTAL 218.609,17 Ao longo da fiscalização o contribuinte não logrou comprovar a origem idônea de tais recursos, limitandose a alegar de forma genérica tratarse, alguns dos depósitos acima relacionados, de movimentação financeira pertinente à sua empresa (.Posto Gentil Ltda). Entendo que para elidir o lançamento, o contribuinte deve providenciar documentos para demonstrar a origem dos créditos analisados, sendo certo que não é suficiente que o sujeito passivo faça a indicação e a comprovação de determinados eventos, alegando que estes justificariam a origem dos créditos. É necessário que também seja demonstrada, de forma inequívoca, a vinculação entre o evento e o crédito. Não é suficiente a simples comprovação da ocorrência do evento. O artigo 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, ao estipular, em seu caput, que caracterizam omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, inverte o ônus da prova. Ao Fisco, compete a comprovação da existência dos depósitos. Ao contribuinte, cabe comprovar a origem dos recursos depositados em sua conta bancária; se não o fizer, fica autorizado o lançamento por presunção de omissão de receita ou de rendimentos nos valores correspondentes aos montantes depositados. No presente processo, o contribuinte, regularmente intimado, teve a oportunidade de comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, mas não o fez, limitandose a alegar que alguns depósitos seriam resultantes de uma operação comercial da pessoa jurídica da qual é sócio. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10630.720384/200883 Acórdão n.º 2202002.782 S2C2T2 Fl. 9 15 Salientase, por oportuno, que meras alegações não se prestam a fazer prova no processo administrativo fiscal. Se o contribuinte sustenta que os depósitos bancários têm origem nas operações comerciais que pratica, deve provar o alegado por meio da apresentação de documentação hábil e idônea, tal como estipula a lei. Se, tal como sustenta, o contribuinte pratica atividade comercial, entendo uma das formar de comprovação seria a apresentação da escrituração contábil da pessoa jurídica mencionada, a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que titulo os créditos foram efetuados na conta corrente. Há necessidade de se estabelecer uma relação harmoniosa entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, com coincidências de data e valor, não sendo possível à comprovação de forma genérica com indicação de uma receita ou rendimento em um determinado documento a comprovar vários créditos em conta.Esta é a documentação a ser exibida. No presente caso foi comprovado através de documentação e provas que o Contribuinte é titular da conta bancária, sendo que o lançamento foi efetuado a partir da presunção relativa de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários de origem não demonstrada, nos termos artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Ainda que o recorrente tenha argumentado que a origem dos recursos seriam de provenientes de atividade comercial, cabe ao recorrente demonstrar o que alega, comprovando cada depósito individualizadamente. Se.o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art .42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Não houve demonstração por parte do Contribuinte através de provas hábeis, da origem dos valores depositados na sua conta bancária, sendo que o mesmo foi intimado para demonstrar que os valores depositados em sua conta bancária não representam rendimentos omitidos. Desta forma verificase que os depósitos bancários que formaram a base de cálculo do auto de infração são valores que foram movimentados e não foram oferecidos a tributação, não havendo nenhuma evidência de que alguma dessas importâncias foram declaradas pelo Contribuinte ou têm natureza isenta, uma vez que o Contribuinte nada trouxe para esclarecer e comprovar a origem dos referidos depósitos. Podemos concluir que o Contribuinte não conseguiu demonstrar que não houve omissão de rendimentos, pois não apresentou nenhum documento ou prova que comprovariam que os depósitos efetuados em sua conta bancária possuíam origem isenta ou já submetida à tributação. Desta forma, é devida a presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 Ante ao exposto, voto por REJEITAR as preliminares arguidas e no mérito NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 429DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10630.720384/200883 Acórdão n.º 2202002.782 S2C2T2 Fl. 10 17 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado Inobstante o bem fundamentado voto da Relatora, não posso acompanhar seu entendimento no que toca ao mérito. Registrese, por pertinente, que no relativo a materia preliminar concordo com o seu posicionamento. Conforme apontado pela relatora, o lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). Resta claro, no Auto de Infração, que a irregularidade lançada foi a de omissão de rendimentos caracterizada pela falta de comprovação da origem de recursos depositados em conta bancária, cuja infração foi capitulada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. A autoridade fiscal lançadora, diante do entendimento de que o contribuinte teria deixado de comprovar, através de apresentação de documentação hábil e idônea, os recursos que transitaram nas contas corrente, lançou mão da presunção de omissão de receitas estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 e considerou que os recursos originados nos depósitos bancários não tinham a sua origem comprovada. A autoridade fiscal lançadora normalmente interpreta o vocábulo “origem dos recursos” de maneira ampla, entendendo que a origem abarca a necessidade de se comprovar também a causa ou motivação da operação. Em suma, segundo essa linha de argumentação, não bastaria comprovar a origem dos depósitos bancários, com informação de quem seria o depositante e a motivação abstrata do depósito, mas seria preciso comprovar documentalmente tanto quem fez o depósito bancário, como a motivação da operação, para então ser afastada a presunção legal. Inobstante respeitável ponto de vista, entendo que, na fase do procedimento fiscal anterior à autuação, antes de instaurado o contencioso administrativo pela impugnação, bastaria ao contribuinte comprovar a simples origem dos depósitos bancários, sem a necessidade de comprovação documental da causa ou motivação da operação. Comprovada dessa maneira a origem dos depósitos bancários, caberia à autoridade fiscalizadora intimar os depositantes, para que declinassem a causa ou a motivação Fl. 430DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 da operação, para então, se fosse o caso, submeter os valores às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que as receitas teriam sido auferidas, na forma do § 2º do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996. Da análise do caso concreto a fiscalização tinha conhecimento da origem do depósitos, exceto pelos depósito no valor de R$ 18.793,41 e R$15.000,00, nos dias 09/06/03 e 15/12/03, respectivamente. Verificase que do total de depósitos bancários, R$ 218.609,17, para um montante de R$ 184.815,76 é possível identificarse o remetente. O procedimento fiscal lastreado nas condições impostas pelo permissivo legal, é do contribuinte o ônus de provar a origem dos recursos depositados em sua conta corrente. Para que se proceda à exclusão da base de cálculo, se faz necessário que o contribuinte apresente elemento probatório que seja hábil e idôneo para comprovar a origem do valor depositado (créditos), independentemente, se tratar rendimentos tributáveis ou não. Uma vez que, no meu entendimento, ocorreu no caso concreto a identificação da origem de parte dos depósitos bancários, voto por dar provimento parcial para excluir da omissão apurada o valor de R$184.815,76. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 431DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/11/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000638/2008-16
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
Ementa:
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS COM CARTÃO DE CRÉDITO. CARTÃO ADICIONAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO PELO USUÁRIO DO CARTÃO ADICIONAL.
São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Correto o lançamento que inclui no Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto os gastos com cartão de crédito relacionados a cartões adicionais se o recorrente não comprova que o usuário do cartão adicional foi quem suportou os respectivos gastos ou que tenha transferido os recursos ao titular do cartão.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2802-003.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 17/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 Ementa: IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS COM CARTÃO DE CRÉDITO. CARTÃO ADICIONAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO PELO USUÁRIO DO CARTÃO ADICIONAL. São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Correto o lançamento que inclui no Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto os gastos com cartão de crédito relacionados a cartões adicionais se o recorrente não comprova que o usuário do cartão adicional foi quem suportou os respectivos gastos ou que tenha transferido os recursos ao titular do cartão. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS COM CARTÃO DE CRÉDITO. CARTÃO ADICIONAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO PELO USUÁRIO DO CARTÃO ADICIONAL. São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Correto o lançamento que inclui no Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto os gastos com cartão de crédito relacionados a cartões adicionais se o recorrente não comprova que o usuário do cartão adicional foi quem suportou os respectivos gastos ou que tenha transferido os recursos ao titular do cartão. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/09/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 06 38 /2 00 8- 16 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2006, anocalendário 2005, em virtude de apuração de omissão de rendimentos informados em Declaração de Rendimentos Pagos e Retenção na Fonte DIRF e Acréscimo Patrimonial a Descoberto conforme discriminado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 47/49. Na impugnação somente foi contestado o Acréscimo Patrimonial a Descoberto sob alegação de que foram indevidamente computados gastos com cartão de crédito adicional de seu irmão, os quais somaram R$98.065,75, que seus gastos foram de apenas R$19.824,38 compatíveis com os rendimentos declarados. A impugnação foi indeferida, em síntese, pelos argumentos abaixo: a) não há prova de que os valores pagos relativos ao cartão de crédito tenham sido suportados pelo seu irmão ou que a origem dos débitos seja do seu irmão; e b) não há prova de que os valores alusivos aos pagamentos tenham sido repassados ao titular do cartão de crédito. A ciência do acórdão ocorreu em 18/10/2011 e o recurso voluntário foi interposto em 25/10/2011 por meio do qual reitera os termos da impugnação e sustenta que os documentos juntados aos autos comprovam sua alegação e que a decisão recorrida não levou em conta o princípio da verdade real. O recurso voluntário é instruído com cópia de extratos de cartão de crédito. O processo foi distribuído a este Relator, por sorteio, durante a sessão de julho de 2014. É o Relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O recurso desafia, exclusivamente, a inclusão no Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, no período de janeiro a novembro de 2005, de gastos com o cartão de crédito (fls. 43) que estão discriminados nas respectivas faturas como referentes ao cartão adicional em nome de seu irmão Alexandre de A. Farias. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 15563.000638/200816 Acórdão n.º 2802003.103 S2TE02 Fl. 161 3 O recorrente alega que esses valores somam R$98.065,76, que é constituído pelos valores mensais abaixo listados. janeiro 2599,58 fevereiro 4067,33 março 5069,41 abril 7524,31 maio 9173,86 junho 11920,84 julho 12438,65 agosto 11476,17 setembro 18583,76 outubro 11482,85 novembro 3729 Total 98065,76 O recorrente almeja comprovar suas alegações unicamente com a apresentação das faturas dos cartões de crédito, porém isto não prova que os gastos tenham sido suportados pelo seu irmão, nem que tenha recebido de seu irmão os recursos empregados para pagar as faturas do cartão em que é o titular, o que impossibilita excluir tais valores do Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Assim, o acórdão recorrido não merece reparo. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 162DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10880.008937/2002-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/10/1997
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação
INCONSTITUCIONALIDADE. NATUREZA CONFISCATÓRIA DA MULTA. INCOMPETÊNCIA.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3101-001.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. A Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro votou pelas conclusões.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator.
EDITADO EM: 01/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação INCONSTITUCIONALIDADE. NATUREZA CONFISCATÓRIA DA MULTA. INCOMPETÊNCIA. Nos termos da Súmula CARF nº 2, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. A Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro votou pelas conclusões. Henrique Pinheiro Torres Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 89 37 /2 00 2- 99 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 EDITADO EM: 01/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Tratase de auto de infração eletrônico lavrado pela de falta de recolhimento da COFINS dos fatos geradores ocorridos nos períodos de 07/1997 a 11/1997, tendo em vista a não identificação dos processos judiciais e pagamentos informados na DCTF do contribuinte. O lançamento constituise do valor da contribuição apurada, da multa de ofício e dos juros de mora. Discordando da cobrança dos valores cobrados, o contribuinte interpôs competente impugnação, na qual alegou o caráter confiscatório da multa lançada. A 9ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I proferiu o Acórdão nº 1631.469, referente a sessão de julgamento ocorrida em 12 de maio de 2011, na qual julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação, com a exoneração da multa de ofício lançada, mantendo parcialmente o lançamento efetuado. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO CONTRIBUIÇÃO PARA o FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/10/1997 MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI N° 10.833/2003. Com a edição da MP n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP n° 135/2003 cm face da retroatividade benigna (art. 106, II, "c" do CTN), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Regularmente cientificada da decisão da DRJ, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual alega a inconstitucionalidade da utilização da taxa Selic para a correção do débito e o caráter confiscatório da multa de mora cobrada. O processo foi encaminhado a esta Seção de Julgamento e posteriormente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10880.008937/200299 Acórdão n.º 3101001.697 S3C1T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso é tempestivo e o conheço parcialmente. A recorrente alega a inconstitucionalidade da utilização da taxa Selic para a correção do débito e o caráter confiscatório da multa de mora cobrada. Quanto a alegada inconstitucionalidade da utilização da taxa Selic para correção do débito, não conheço do recurso, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Não se observou, na impugnação ofertada pelo contribuinte, qualquer contestação em relação à utilização da taxa Selic, configurando matéria não impugnada, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Desta forma, é inadmissível a apreciação em grau de recurso da matéria não suscitada na instância a quo, não se conhecendo do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. Quanto à alegação de que a penalidade aplicada teria efeito confiscatório, violando o inciso IV, “d”, do artigo 150 da Constituição Federal e os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, esta turma de julgamento não pode apreciar tais questões, conforme determina o art. 62 do RICARF, e a Súmula CARF nº2. Inexiste no julgamento administrativo qualquer juízo de valor atrelado a normas constantes do ordenamento jurídico pátrio. Qualquer argumento acerca da validade jurídica de normas que estão em pleno vigor deve ser levado ao Poder Judiciário, e não às instâncias administrativas. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das sessões, em 16 de setembro de 2014. Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator [assinado digitalmente] Fl. 137DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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