Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,326)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,173)
- Primeira Turma Ordinária (16,159)
- Segunda Turma Ordinária d (15,885)
- Segunda Turma Ordinária d (14,478)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,482)
- Segunda Turma Ordinária d (12,422)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,076)
- Terceira Câmara (67,622)
- Segunda Câmara (56,324)
- Primeira Câmara (20,556)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,303)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,160)
- Segunda Seção de Julgamen (114,852)
- Primeira Seção de Julgame (76,802)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,969)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,885)
- HELCIO LAFETA REIS (3,799)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,763)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,592)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (15,531)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13016.000482/2005-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.389
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Procurador Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13016.000482/2005-93
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5779155
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.389
nome_arquivo_s : Decisao_13016000482200593.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 13016000482200593_5779155.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6957710
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468383789056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1850; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13016.000482/200593 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.389 – 3ª Turma Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria PIS/COFINS. INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MADEM SA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS E EMBALAGENS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 04 82 /2 00 5- 93 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 13016.000482/200593 Acórdão n.º 9303005.389 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 380300.861. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que a cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. A Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão onerosa de créditos de ICMS é uma operação que equiparase a verdadeira alienação de direitos a titulo oneroso, originando receita tributável, devendo compor a base de cálculo da PIS/ COFINS, conforme dispõe o art. 1° §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/2002, bem como o art. 1° da Lei nº 10.833/2003. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. O contribuinte apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 13016.000482/200593 Acórdão n.º 9303005.389 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 13016.000482/200593 Acórdão n.º 9303005.389 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 193DF CARF MF Processo nº 13016.000482/200593 Acórdão n.º 9303005.389 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912785/2009-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 28/02/2005
BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. INOCORRÊNCIA DE DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE.
A sociedade cooperativa que não utilizar quaisquer das exclusões/deduções previstas nos incisos I a VI do art. 32 do Decreto 4.524/2002, por falta de previsão legal, não está sujeita à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários.
TRIBUTO INDEVIDO. INDÉBITO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.
Se comprovada a existência de pagamento de tributo indevido passível restituição, por expressa previsão legal, é assegurado ao contribuinte o direito de utilizá-lo na compensação de débitos próprios.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-004.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Lenisa Rodrigues Prado votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 28/02/2005 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. INOCORRÊNCIA DE DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE. A sociedade cooperativa que não utilizar quaisquer das exclusões/deduções previstas nos incisos I a VI do art. 32 do Decreto 4.524/2002, por falta de previsão legal, não está sujeita à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. TRIBUTO INDEVIDO. INDÉBITO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. Se comprovada a existência de pagamento de tributo indevido passível restituição, por expressa previsão legal, é assegurado ao contribuinte o direito de utilizá-lo na compensação de débitos próprios. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10680.912785/2009-53
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5756940
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.607
nome_arquivo_s : Decisao_10680912785200953.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 10680912785200953_5756940.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Lenisa Rodrigues Prado votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
id : 6886976
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468412100608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1611; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 460 1 459 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.912785/200953 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.607 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2017 Matéria PIS COMPENSAÇÃO Recorrente FEDERAÇÃO INTERFEDERATIVA DAS COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/2005 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. INOCORRÊNCIA DE DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE. A sociedade cooperativa que não utilizar quaisquer das exclusões/deduções previstas nos incisos I a VI do art. 32 do Decreto 4.524/2002, por falta de previsão legal, não está sujeita à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. TRIBUTO INDEVIDO. INDÉBITO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. Se comprovada a existência de pagamento de tributo indevido passível restituição, por expressa previsão legal, é assegurado ao contribuinte o direito de utilizálo na compensação de débitos próprios. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Lenisa Rodrigues Prado votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 27 85 /2 00 9- 53 Fl. 460DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de compensação de crédito pagamento indevido da Contribuição para o PIS/Pasep Folha de Salários com débitos débito(s) discriminado(s) no PER/DCOMP nº 17278.32333.311005.1.3.047241. Por bem descrever os fatos, adotase o relatório do acórdão recorrido, a seguir transcrito: DO DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata da Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente (fl. 05), referente ao PER/DCOMP nº 28791.90017.241106.1.7.047499. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a PIS – Folha de Salários no valor original na data de transmissão de R$2.064,43, representado por Darf recolhido em 15/03/2005 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 30/04/2009, conforme documento de fl. 49, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10680.912785/200953 Acórdão n.º 3302004.607 S3C3T2 Fl. 461 3 02/04, em 02/06/2009, cujo conteúdo, em síntese, o seguinte: registra, inicialmente, a tempestividade da defesa; assevera que, ao contrário do que supõe a fiscalização, não requereu a utilização daquele crédito para a quitação de qualquer outro débito, mas tão somente daquele objeto do ora discutido PER/DCOMP, sendo perfeitamente suficiente para a compensação a ser realizada (documentação anexa); esclarece que o procedimento adotado atendeu regularmente a todos os requisitos da legislação então em vigor, e que a controvérsia que persiste nos autos referese, exclusivamente, à existência do crédito no equivocado entendimento fiscal de que o contribuinte teria pleiteado a compensação de crédito já compensado em processo administrativo diverso; fazendo menção ao art. 156, II do Código Tributário Nacional (CTN), afirma que resta demonstrado o direito creditório postulado, objeto do despacho decisório ora questionado, devendo ser reconhecida e homologada a compensação procedida, desconstituindose a exigência das diferenças apontadas pelo Fisco Federal; assim, ao final, requer seja homologado o direito de compensação, por todos fundamentos aqui apresentados. Na hipótese de não se conhecer a referida homologação, garantindolhe o direito constitucional previsto no artigo 5°, LV, de ampla defesa, requer que a Receita Federal do Brasil apresente as supostas duplicações de compensações alegadas no referido despacho decisório. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e não reconhecido o direito creditório pleiteado, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas, que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 462DF CARF MF 4 Direito Creditório Não Reconhecido Em 9/4/2012, a contribuinte foi cientificada da referida decisão e apresentou o recurso voluntário em 9/5/2012, em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na manifestação de inconformidade e, em aditamento, acrescentou as seguintes razões defesa: a) a conclusão do fisco de que o pagamento havia sido integralmente utilizado para quitar o débito “partiu do equívoco da recorrente, que deixou de retificar a DCTF a fim de explicitar a inexistência do débito daquela contribuição após tomar ciência do pagamento indevido e proceder à sua compensação com débito diverso, mero erro material, por óbvio”; b) a DRJ inovou ao julgar a manifestação de inconformidade, referindose ao § 4º do art. 32 do Decreto 4.524/2002. Ademais, o mencionado Decreto extrapolava previsão legal atinente aos limites de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep Folha; c) a decisão de 1ª instância contrariava o entendimento da Receita Federal, apresentado na Solução de Consulta n.° 412, de 15 de dezembro de 2004, que afastou a Recorrente do rol de contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep Folha, entendendo pela incidência exclusiva da Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento, a qual possui efeito vinculante para a administração, nos termos do art. 100, II, do CTN; d) o Decreto nº 4.524, de 2002, e as Instruções Normativas SRF nº 145, de 1999, e nº 247, de 2002, eram ilegais na parte que prevê a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep Folha na hipótese de deduções de sobras, eis que tal dedução, embora também diga respeito à cooperativa de trabalho, não estava prevista na Medida Provisória nº 2.15835, de 2001; e) a Recorrente não procedeu a qualquer dedução prevista na Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, que pudesse justificar a cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep Folha, especialmente, as deduções dos incisos I a V do artigo 32 do Decreto nº 4.524/2002, que dizem respeito à cooperativas de produção e não à cooperativas de trabalho; f) a Recorrente não deduzira da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento qualquer parcela referente a sobras (inciso VI do artigo 32 do Decreto nº 4.524/2002), tendo depositado em juízo o valor integral da referida contribuição, na modalidade prevista na Lei nº 9.718, de 1998; e g) ao final, afirmou que, sob pena de se contrariar a realidade fática, a obediência ao princípio da legalidade e a própria solução de consulta, que vincula a administração pública, não podia prevalecer o entendimento de 1ª instância. Na Sessão de 16 de outubro de 2014, por meio da Resolução nº 3302 000.446, a composição pretérita deste Colegiado, converteu o julgamento em diligência para que fossem adotadas as seguintes providências: i) A Fiscalização, mediante intimação da Interessada e diante da documentação probatória apresentada, verifique e informe se a contribuinte, no período de apuração objeto do presente litígio, utilizouse das deduções previstas no art. 32 do .Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, mencionada no Acórdão recorrido, anexando documentação probatória; Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10680.912785/200953 Acórdão n.º 3302004.607 S3C3T2 Fl. 462 5 ii) Informar quando foi efetuada a consulta formulada pela contribuinte, anexando cópia da mesma, esta referente à Solução de Consulta nº 412 de 15 de dezembro de 2004; iii) Solicitar manifestação da Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal acerca de: a) efeito da consulta formulada, nos termos disposto no art. 15, IV da Instrução Normativa nº 230, de 25 de Outubro de 2002, tendo em vista o Mandado de Segurança preventivo nº 2002.38.000204732 impetrado pela a contribuinte em 18/06/2002; b) Se diante dos termos da consulta formulada pela contribuinte, a Solução de Consulta nº 412 , de 15 de dezembro de 2004, ao fundamentar sua decisão no Decreto n.° 4.524/2002 e na MP 2.15835/ 2001 a Receita Federal, afastou igualmente a hipótese da cumulação do Pis Folha com o Pis Faturamento prevista no art. 15 da MP 2.15835/ 2001, reproduzida no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002; iv).Intimar a contribuinte a apresentar as principais peças (Petição, sentença e Acórdãos) do Mandado de Segurança nº 2002.38.000204732, que deverão ser anexados aos autos; v) prestar demais informações que entendam necessários; vi) dar ciência do resultado da diligência para a contribuinte, concedendolhe prazo para manifestação; vii). retornar o presente processo ao CARF para posterior julgamento. Por meio do Relatório de Diligência Fiscal colacionado aos autos, a autoridade fiscal prestou as seguintes informações: a) a contribuinte apresentara algumas considerações sobre o processo de Mandado de Segurança (fls. 181/183) e as peças do citado processo encontravamse às fls. 184/384 b) com base nas informações da memória de cálculo apresentada pela contribuinte e nos valores confirmados no balancete, elaborou o demonstrativo de “DACON Exclusões da Base de Cálculo do PIS – fevereiro de 2005 = R$ 7.310.660,60”, em que demonstrada “duas divergências entre a memória de cálculo e os valores no balancete, em valores pouco significativos. Dessa forma, s.m.j., concluo que as únicas exclusões efetuadas na base de cálculo do Pis foram as informadas pelo contribuinte.” c) a consulta que originou a Solução de Consulta nº 412, de 2004 fora formalizada por meio do processo nº 10680.013505/200418, protocolizado em 10/11/2004. Os textos da consulta e da Solução de Consulta foram colacionados aos autos; e d) a autoridade fiscal da Disit/SRRF 6ª RF manifestouse sobre as questões elencadas na resolução do CARF, por meio do documento juntado aos autos. Fl. 464DF CARF MF 6 Por sua vez, a Disit/SRRF 6ª RF prestou os seguintes esclarecimentos, in verbis: 5. A Solução de Consulta (SC) Disit06 nº 412, de 15 de dezembro de 2004, foi protocolizada em 10/11/2004, gerando o Processo Administrativo nº 10680.013505/200418, o qual foi “convertido em processo digital” por esta Divisão e encontrase disponível para consulta no Sistema eProcesso; 6. A análise da consulta formulada, que deu origem à SC Disit06 nº 412, de 15 de dezembro de 2004, conforme expressamente informado no seu item “7”, limitouse a examinar “se as receitas que nomeia como taxa de manutenção e demais ingressos destinados a garantir sua sobrevivência e atuação constituem receitas de suas atividades próprias, sendo, portanto, isentos dessa contribuição.” (grifo não consta do original); 7. Pelo simples exame da petição inicial da consulta não seria possível se constatar que a contribuinte teria, ou não, impetrado anteriormente Mandado de Segurança sobre o mesmo objeto, sendo que, a então consulente prestou as declarações de praxe, previstas no art. 3º , inciso II e alíneas a, b e c, da Instrução Normativa SRF nº 230, de 24 de outubro de 2002, vigente à época em que apresentou a consulta, no sentido de que o fato exposto não foi objeto de decisão anterior, ainda não modificada, proferida em consulta ou litígio em que tenha sido parte; 8. Dessa forma, a SC Disit06 nº 412/2004, tão somente examinou a questão posta pela contribuinte, onde, à vista dos elementos do processo, se concluiu que a consulente não preencheria, à época da análise, as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade; 9. Oportuno pontuar que, antes de adentrar ao mérito da questão formulada na consulta, foi inicialmente esclarecido à solicitante que o processo de consulta visa a esclarecer dúvida sobre a interpretação da legislação tributária e não se presta a examinar eventual condição de isenção da consulente, hipótese que envolveria análise de situação de fato, qual seja, o atendimento aos requisitos fixados em lei; 10. Evidente assim o fato de que, não foi objeto de questionamento, e tampouco de análise no processo de consulta, o art. 15 da MP 2.15835/2001, reproduzido no art. 32 do Decreto 4.524, de 17 de dezembro de 2002, pois este, conforme se verifica do item 8 deste Parecer, não foi sequer citado, tanto na peça vestibular, assim como na solução da consulta; 11. Em relação aos efeitos da consulta, tendo em vista o disposto no inciso IV do artigo 15, da então vigente IN SRF nº 230, de 24 de outubro de 2002 (atual inciso IV da IN RFB nº 1.396/2013), visa tal dispositivo prevenir situação em que a demanda venha a ser objeto de mais de um processo administrativo ou judicial, de forma a se evitar decisões distintas em situações em que haja coincidência de objeto, partes e causa de pedir; Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10680.912785/200953 Acórdão n.º 3302004.607 S3C3T2 Fl. 463 7 12. Conforme descrito acima, nos itens 8 a 10, a solução de consulta se ateve a analisar a questão relativa ao enquadramento das receitas descritas pela consulente na hipótese isentiva prevista na norma, concluindose que tais receitas estariam sujeitas ao recolhimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, com base na receita bruta; 13. Consta na ementa da SC Disit06 nº 412/2004, relativamente à contribuição para o PIS/Pasep, a seguinte expressão: “A associação que remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados, recolhe a contribuição com base na receita bruta.”. Não há uma efetiva concomitância entre o objeto da solução de consulta e a sentença judicial, vez que tratam de situações distintas; embora atinentes à tributação da contribuição para o PIS/Pasep, possuem objeto e fundamentos distintos; 14. Entretanto, há que se destacar que ambas as decisões (administrativa e judicial) convergem no sentido de que, a interessada está sujeita ao recolhimento de contribuição para o PIS/Pasep com base no faturamento; 15. Também é fato que, no processo de consulta administrativa não houve qualquer manifestação ou decisão da SRRF06 no sentido de que a consulente estaria sujeita exclusivamente ao recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep incidente somente sobre o seu Faturamento, vez que tal situação não foi objeto de análise no referido processo, por não se fundamentar, e tampouco ter sido objeto de questionamento, a aplicação do art. 15 da MP 2.15835/2001, motivo pelo qual há que se concluir que, não há necessidade de reforma da SC Disit06 nº 412/2004, visto que eventual ato dessa natureza não implicaria em qualquer alteração na situação jurídica da consulente no que se refere às conclusões quanto à sua sujeição passiva relativamente à contribuição para o PIS/Pasep. (grifos do original) Cientificada do resultado da diligência, a recorrente prestou os seguintes esclarecimentos/argumentos de defesa: a) ainda que o artigo 15 da MP n.° 2.15835 não tenha sido objeto de análise, a Solução de Consulta n.° 412/2004 era expressa no sentido de que a Recorrente “não preencheria, à época, as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da MP n.° 2.15835/2001, que, além de tratar das hipóteses de isenção ou imunidade prevêem, justamente, entidades sujeitas à tributação do PIS incidente sobre a folha de salários”, inclusive, esse fora o entendimento manifestado pela 3a Turma Ordinária da 4a Câmara desta 3a Seção de Julgamento, por meio do acórdão 3403002.500, em que apreciada a mesma situação, com diferença apenas quanto ao período do crédito e do débito compensado; b) as duas divergências apontadas no relatório fiscal de valor pouco significativo decorreram de mero erro contábil, mas que não impossibilitava a confirmação, pelo fiscal, dos valores que compuseram as exclusões da base de cálculo do “PIS Faturamento, que não envolvem nenhuma das deduções previstas no artigo 32 do Decreto nº 4.524/2002, em especial as sobras”; Fl. 466DF CARF MF 8 c) antes da análise das informações colhidas em diligência e explicações acima, imprescindível que esta Turma de Julgamento se pronunciasse sobre a ilegalidade do Decreto n.° 4.524/2002 ao incluir as sobras como dedução que motivaria a exigência da Contribuição para o PIS/Pasep Folha sem respaldo legal, especialmente, tendo em conta que esta seria a única dedução passível de aproveitamento pela Recorrente (cooperativa de trabalho médico), dentre as hipóteses de dedução ensejadoras da cobrança concomitante da Contribuição para o PIS/Pasep Folha e da Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento. As demais deduções previstas no artigo 32 são todas aplicáveis a cooperativas de produção; d) a dedução das sobras não se encontrava dentre as deduções do artigo 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 (aplicáveis somente a cooperativas de produção e não de trabalho), bem como não se podia fundamentar tal hipótese na Lei 10.676/2003 que, apesar de prever a dedução das sobras, não mencionava, em momento algum, que, ao deduzir as sobras da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento, estarseia diante do nascimento do fato gerador da Contribuição para o PIS/Pasep Folha. Assim, somente era possível a exigência da Contribuição para o PIS/Pasep Folha cumulativamente com a Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento apenas das cooperativas de produção, caso realizada alguma das exclusões do referido art. 15; e e) este Conselho tinha competência para se pronunciar sobre a ilegalidade de atos do Poder Executivo, conforme já decidira a 2a Turma Ordinária da 2a Câmara desta 3a Seção, por meio do acórdão n° 3202000.378 e 1a Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção, por intermédio do acórdão nº 3401001.805. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia envolve questões de direito e de fato. A questão jurídica diz respeito a legalidade do § 4º do art. 32 do Decreto 4.524/2002, que determina que a cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões da receita bruta previstas no referido artigo contribuirá, cumulativamente, para a Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. As questões de fato cingese em saber (i) se a Solução de Consulta (SC) Disit06 nº 412, de 15 de dezembro de 2004, reconhecera que a consulente, ora recorrente, estava sujeita, exclusivamente, ao recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente somente sobre o seu faturamento e (ii) e se há provas de que a recorrente não utilizou, no período de apuração, das deduções previstas no art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art. 1º da Lei 10.676/2003, e regulamentadas no art. 32 do Decreto 4.524/2002. Em relação a primeira questão, a recorrente alegou que, como a dedução das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício não constava da redação do art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001, era ilegal § 4º do art. 32 do Decreto 4.524/2002, que previa a inclusão da referida dedução, dentre as condições necessárias para enquadrar a recorrente como contribuinte da Contribuição para o PIS/Pasep incidente, cumulativamente, sobre a folha de salários e sobre o faturamento. A redação do referido preceito regulamentar tem o seguinte teor, in verbis: Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10680.912785/200953 Acórdão n.º 3302004.607 S3C3T2 Fl. 464 9 Art. 32. As sociedades cooperativas, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 15, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 36): I repassado ao associado, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por eles entregues à cooperativa, observado o disposto no § 1º; II das receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III das receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V das receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos; e VI das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. [...] § 4º A cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões previstas neste artigo contribuirá, cumulativamente, para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. [...] (grifos não originais) A simples leitura revela que a redação dos incisos do caput do art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 não prevê a dedução das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício. A previsão dessa dedução somente ocorreu a partir da vigência da Medida Provisória 1.85810/1999, conforme estabelecido no art. 2º da Lei 10.676/2003, que, no seu art. 1º deu redação definitiva à referida dedução. Assim, como a redação do caput do art. 151 da Medida Provisória 2.158 35/2001 não contempla a dedução das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do 1 "Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; IIas receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. Fl. 468DF CARF MF 10 Exercício, inequivocamente, o questionado preceito regulamentar excedeu ao que determinava o comando legal regulamentado, o que é suficiente para inquinálo de ilegal. Entretanto, por força do disposto no caput do art. 26A do Decreto 70.235/1972, fora das situações excepcionadas no seu § 6º, é expressamente vedado a esta instância administrativa afastar a aplicação ou deixar de observar decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A mesma vedação consta do art. 62 da Portaria MF 343/2015 (RICARF/2015) e implica perda do mandato nos termos do art. 45, VI, do RICARF/2015. Não se pode olvidar, ademais, que, embora os referidos preceitos legal e regimental refirase a fundamento de inconstitucionalidade, obviamente, ele alcança a hipótese de ilegalidade, sob pena de completa subversão ao princípio da hierarquia das normas, que põe a normal constitucional no ápice. Em outras palavras, se há vedação para o afastamento sob fundamento inconstitucionalidade com mais razão tal proibição também se estende para os casos de ilegalidade. Superada a questão jurídica, passase a analisar as questões de fato. A primeira a ser analisada diz respeito ao que ficou determinado na SC Disit06 nº 412/2004. Para a recorrente, a referida SC havia determinado que a recorrente estava sujeita, exclusivamente, ao recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente somente sobre o faturamento. Para justificar o seu entendimento, a recorrente transcreveu o excerto, extraído da citada SC, em que afirmado que ela “não preencheria, à época, as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da MP n.° 2.15835/2001, que, além de tratar das hipóteses de isenção ou imunidade prevêem, justamente, entidades sujeitas à tributação do PIS incidente sobre a folha de salários.” De outra parte, a autoridade fiscal da Disit06 alegou que a citada solução de consulta limitouse a afirmar que se as receitas descritas pela consulente na petição inicial (taxa de manutenção e demais ingressos destinados a garantir sobrevivência e atuação da recorrente) não se enquadravamse nas hipóteses dos arts. 13 e 14 da Medida Provisória 2.15835/2001. Ainda esclareceu a citada autoridade que “não foi objeto de questionamento, e tampouco de análise no processo de consulta, o art. 15 da MP 2.15835/2001, reproduzido no art. 32 do Decreto 4.524, de 17 de dezembro de 2002, pois este, conforme se verifica do item 8 deste Parecer, não foi sequer citado, tanto na peça vestibular, assim como na solução da consulta.” A razão está com a autoridade fiscal. No caso em tela, a condição que sujeita a recorrente à incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento e sobre a folha de salários não são os arts. 13 e 14 da Medida Provisória 2.15835/2001, mas o inciso I do § 2º do art. 15 da citada MP. E esse preceito legal não foi objeto da consulta, por conseguinte, sobre ele não houve qualquer análise e orientação no âmbito da referida SC. Dirimida a primeira questão de fato, passase à análise da segunda, que diz respeito à existência de provas de que a recorrente não utilizou, no período de apuração, § 1º Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2º Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas." Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10680.912785/200953 Acórdão n.º 3302004.607 S3C3T2 Fl. 465 11 quaisquer das deduções discriminadas no art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art. 1º2 da Lei 10.676/2003, e consolidadas no art. 32 do Decreto 4.524/2002. De acordo com o Relatório de Diligência Fiscal, a autoridade fiscal concluiu, in verbis: Verificase que, para este mês, há duas divergências entre a memória de cálculo e os valores no balancete, em valores pouco significativos. Dessa forma, s.m.j., concluo que as únicas exclusões efetuadas na base de cálculo do Pis foram as informadas pelo contribuinte. De fato, a análise dos dados apresentados nos referidos balancetes em cotejo com os informados na referida memória de cálculo, confirmase que as referidas divergências foram resultado de equívoco de natureza meramente contábil/algébrico cometido pela recorrente. Assim, resta comprovado que, no período em referência, a recorrente não utilizou quaisquer das referidas deduções, especialmente, a dedução das sobras apuradas na DRE do período. Além disso, independentemente, da demonstração do referido equívoco, uma leitura atenta dos referidos balancetes revela que a recorrente, no período, não deduziu nenhum dos valores dos itens discriminados no artigo 32 do Decreto 4.524/2002, incluindo as sobras apuradas na DRE. Dessa forma, uma vez demonstrado que a recorrente não estava sujeita a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep sobre a folha de salários, obviamente, o valor da contribuição recolhido a esse título, com o código 8301, era indevido. E o fato de a recorrente não ter procedido, previamente a apresentação da DComp, a retificação da DCTF, obviamente, não tem o condão de transformar em devido o valor do recolhimento indevido. Entender de modo diverso implicaria valoração excessiva da forma em menoscabo ao conteúdo, com evidente afronta ao princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal. Por todas essas razões, chegase a inexorável conclusão que o valor recolhido indevidamente a título da “Contribuição para o PIS/PASEP sobre Folha de Salários”, código 8301, com os devidos acréscimos legais, é passível de compensação, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/1996. Por todo o exposto, votase pelo provimento do recurso, para reconhecer o direito de a recorrente realizar a compensação até o limite do valor crédito reconhecido. 2 " Art. 1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1º As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2º Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. § 3º O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999." Fl. 470DF CARF MF 12 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 471DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.004962/2001-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/1992 a 31/12/1996
Ementa:
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZOS. LEI COMPLEMENTAR 118/2005. RE 566.621/RS-RG.
Conforme a Lei Complementar no 118/2005 e o entendimento do STF no RE no 566.621/RS, de reconhecida repercussão geral, as disposições do artigo 3o da lei complementar, que modificam a orientação que então era dada pelos tribunais, de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, são aplicáveis apenas às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005.
RESTITUIÇÃO. VIA ADMINISTRATIVA. PRAZO. SÚMULA CARF 91.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1992 a 31/12/1996
COFINS. ISENÇÃO. SOCIEDADES CIVIS DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. RAZÃO PARA INDEFERIMENTO DO PEDIDO OBJETIVAMENTE APONTADA. IRRELEVÂNCIA DE FUNDAMENTOS DIVERSOS.
A isenção prevista no artigo 6o, II da Lei Complementar no 70/1991, que remete às sociedades tratadas no artigo 1o do Decreto-Lei no 2.397/1987, aplica-se apenas a sociedades civis que resultem da exclusiva reunião societária de pessoas físicas, profissionais que exerçam atividade regulamentada, para prestação, a terceiros, de serviços que reflitam exatamente tal atividade profissional regulamentada. Sendo o fundamento da negativa do direito de restituição simples e objetivamente externado no despacho decisório (o não cumprimento do requisito de ser uma sociedade civil de profissão regulamentada), são irrelevantes as discussões sobre regime de tributação e revogação de lei complementar, que sequer foram suscitadas pela fiscalização.
Numero da decisão: 3401-003.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/1992 a 31/12/1996 Ementa: REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZOS. LEI COMPLEMENTAR 118/2005. RE 566.621/RS-RG. Conforme a Lei Complementar no 118/2005 e o entendimento do STF no RE no 566.621/RS, de reconhecida repercussão geral, as disposições do artigo 3o da lei complementar, que modificam a orientação que então era dada pelos tribunais, de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, são aplicáveis apenas às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. RESTITUIÇÃO. VIA ADMINISTRATIVA. PRAZO. SÚMULA CARF 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/1992 a 31/12/1996 COFINS. ISENÇÃO. SOCIEDADES CIVIS DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. RAZÃO PARA INDEFERIMENTO DO PEDIDO OBJETIVAMENTE APONTADA. IRRELEVÂNCIA DE FUNDAMENTOS DIVERSOS. A isenção prevista no artigo 6o, II da Lei Complementar no 70/1991, que remete às sociedades tratadas no artigo 1o do Decreto-Lei no 2.397/1987, aplica-se apenas a sociedades civis que resultem da exclusiva reunião societária de pessoas físicas, profissionais que exerçam atividade regulamentada, para prestação, a terceiros, de serviços que reflitam exatamente tal atividade profissional regulamentada. Sendo o fundamento da negativa do direito de restituição simples e objetivamente externado no despacho decisório (o não cumprimento do requisito de ser uma sociedade civil de profissão regulamentada), são irrelevantes as discussões sobre regime de tributação e revogação de lei complementar, que sequer foram suscitadas pela fiscalização.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11610.004962/2001-65
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5751051
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-003.862
nome_arquivo_s : Decisao_11610004962200165.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 11610004962200165_5751051.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
id : 6877747
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468417343488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2040; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 1.173 1 1.172 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11610.004962/200165 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.862 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2017 Matéria COFINS DCOMP Recorrente ESCOLA SANTO INÁCIO SC LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1992 a 31/12/1996 Ementa: REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZOS. LEI COMPLEMENTAR 118/2005. RE 566.621/RSRG. Conforme a Lei Complementar no 118/2005 e o entendimento do STF no RE no 566.621/RS, de reconhecida repercussão geral, as disposições do artigo 3o da lei complementar, que modificam a orientação que então era dada pelos tribunais, de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, são aplicáveis apenas às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. RESTITUIÇÃO. VIA ADMINISTRATIVA. PRAZO. SÚMULA CARF 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1992 a 31/12/1996 COFINS. ISENÇÃO. SOCIEDADES CIVIS DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. RAZÃO PARA INDEFERIMENTO DO PEDIDO OBJETIVAMENTE APONTADA. IRRELEVÂNCIA DE FUNDAMENTOS DIVERSOS. A isenção prevista no artigo 6o, II da Lei Complementar no 70/1991, que remete às sociedades tratadas no artigo 1o do DecretoLei no 2.397/1987, aplicase apenas a sociedades civis que resultem da exclusiva reunião societária de pessoas físicas, profissionais que exerçam atividade regulamentada, para prestação, a terceiros, de serviços que reflitam AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 49 62 /2 00 1- 65 Fl. 1173DF CARF MF 2 exatamente tal atividade profissional regulamentada. Sendo o fundamento da negativa do direito de restituição simples e objetivamente externado no despacho decisório (o não cumprimento do requisito de ser uma “sociedade civil de profissão regulamentada”), são irrelevantes as discussões sobre regime de tributação e revogação de lei complementar, que sequer foram suscitadas pela fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o pedido de restituição de fl. 221, efetuado em 25/10/2001, no valor de R$ 312.424,15 (motivado no artigo 6o, II da Lei Complementar no 70/1991, conforme expediente de fls. 36 a 60), por recolhimento indevido de COFINS, cumulado com diversos pedidos de compensação. No Despacho Decisório de fls. 564 a 571, proferido em 12/08/2005, narra a fiscalização que: (a) o pedido de restituição se refere ao período de abril de 1992 a dezembro de 1996, e há pedidos de compensação a ele vinculados em diversos processos administrativos apensados ao presente (relação à fl. 564); (b) a solicitante sustenta que o artigo 6o, II da Lei Complementar no 70/1991 concedeu isenção às sociedades civis de que trata o artigo 1o do DecretoLei no 2.397/1987 (sociedades civis de profissão legalmente regulamentada), e que, com o advento da Lei no 9.430/1996, o regime fiscal previsto em tal decretolei foi revogado, estabelecendose que essas sociedades passariam a ser contribuintes da COFINS, em relação à receita bruta auferida, a partir de abril de 1997, sendo, portanto, indevidos os recolhimentos anteriores a abril de 1997; (c) o prazo para pedir restituição é de cinco anos do pagamento, como esclarecem o artigo 168, I do Código Tributário Nacional (CTN), o Ato Declaratório SRF no 96/1999, e o artigo 3o da Lei Complementar no 118/2005, sendo incabível o pedido para os períodos de abril de 1992 a setembro de 1996; e (d) em relação aos demais períodos, também não é cabível o pedido, por não ser a demandante uma sociedade civil de profissão 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 11610.004962/200165 Acórdão n.º 3401003.862 S3C4T1 Fl. 1.174 3 legalmente regulamentada, nos termos do artigo 1o do DecretoLei no 2.397/1987, e do Parecer CST no 15/1983. Após ciência do despacho, em 27/09/2005 (AR à fl. 573), a empresa apresenta manifestação de inconformidade (fls. 574 a 605), na qual alega, em síntese, que: (a) a unidade local adotou a tese quinquenal para a decadência, em desconformidade com o posicionamento externado pelo STJ (tese decenal), não tendo o artigo 3o da Lei Complementar no 118/2005, que é ilegal, possibilidade de retroagir o entendimento sobre a matéria; e (b) a argumentação e que a escola não seria uma sociedade civil de profissão regulamentada não merece prosperar, vez que há precedentes judicias e administrativos no sentido de que tais instituições seriam enquadradas na isenção de COFINS. No mais, a postulante ao crédito retoma os fundamentos alegados originalmente para o gozo da isenção, calcados no artigo 6o, II da Lei Complementar no 70/1991, e no artigo 1o do DecretoLei no 2.397/1987, e rechaça os entendimentos de que a Lei no 9.430/1996 teria revogado o disposto na citada lei complementar, e de que seria necessário alterar seu regime de tributação para fazer jus à isenção, demandando, adicionalmente, correção monetária do crédito pleiteado. À fl. 1062 informa a unidade local da RFB que parte dos débitos não foi declarada em DCTF, tendo sido aberta representação para lançamento de ofício, e de multa isolada, se cabível. Em 17/09/2007, ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 1063 a 1083), no qual a DRJ decide, unanimemente, pela manutenção do indeferimento do direito de crédito, sob os seguintes fundamentos: (a) é correto o entendimento externado no despacho decisório sobre a decadência, com prazo de cinco anos contado na forma do artigo 168, I do CTN, pois o pagamento antecipado extingue o crédito, ainda que sob condição resolutória, tendo a questão sido superada pelo artigo 3o da Lei Complementar no 118/2005, de aplicação retroativa; (b) não pode o julgador administrativo negar vigência ao artigo 3o da Lei Complementar no 118/2005, sob fundamento de ilegalidade ou inconstitucionalidade, ou afastar atos normativos vigentes, como o que vincula a isenção ao regime de tributação do Imposto de Renda; (c) nos períodos não alcançados pela decadência, também está correto o entendimento externado pelo despacho decisório, pois as sociedades exploradoras de estabelecimento de ensino como unidades econômicas e jurídicas sob estrutura empresarial, vendedoras de serviços, não fazem jus à isenção de COFINS por não se enquadrarem no artigo 1o do Decreto Lei no 2.397/1987; e (d) os precedentes administrativos e judiciais só vinculam o julgamento administrativo de processos se assim previsto em ato normativo, e as ementas colacionadas pela defesa sequer abordam a questão do enquadramento das escolas no artigo 1o do Decreto Lei no 2.397/1987. Revela, por fim, o julgador de piso, que, diante da negativa do direito de crédito, resta prejudicada a análise sobre sua correção monetária. Cientificada da decisão de piso em 31/05/2008 (AR à fl. 1089), a empresa interpôs recurso voluntário (fls. 1090 a 1111), em 25/06/2008 (fl. 1145), basicamente reiterando os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade (exceto o relativo à correção monetária), agregando que os estabelecimentos de ensino são sociedades civis de profissão regulamentada, e que o Parecer CST no 15/1983 já foi rechaçado por precedentes do então Conselho de Contribuintes, quando do julgamento de recursos sobre inscrição no SIMPLES, e por precedentes do TRF3 e do STJ, relativos à COFINS. Em 05/03/2009, decidiu o CARF, unanimemente, pela conversão em diligência, nos termos da Resolução no 210200.002 (fls. 1149 a 1154), para que “os autos Fl. 1175DF CARF MF 4 sejam devolvidos à DRJ a fim de que aprecie a impugnação relativa aos autos de infração contidos no primeiro processo apensado ou tome providências cabíveis, a seu critério, relativamente à competência para sua apreciação”. Em 14/12/2009, a DRJ pede a disjuntada (fl. 1157) do processo administrativo no 19515.002594/200615, apenso ao presente, e que se encontrava em fase de recurso voluntário. Tal processo, conforme despacho de fl. 1159, trata de lançamentos de ofício de IRRF, COFINS e CSLL, motivados pela não homologação pleiteada no presente processo, pelo que se determinou apensação do processo no 19515.002594/200615, por dependência, a estes autos. No despacho de fl. 1161, de 17/12/2009, a DRJ propôs o retorno dos autos, desapensados, ao CARF, para aguardar o desfecho do julgamento em primeira instância do processo administrativo no 19515.002594/200615, “que poderá ser acompanhado nos sistemas internos da RFB (COMPROT e DECISÕES)”. Em 12/03/2015 foram juntados, por apensação, ao presente processo, os processos administrativos de no 11610.000148/200333 (despacho pela juntada à fl. 1162); no 11610.000619/200311 (fl. 1163); no 11610.000938/200319 (fl. 1164); no 11610.001316/200316 (fl. 1165); no 11610.002115/200328 (fl. 1166); no 11610.002736/200310 (fl. 1167); no 11610.002953/200300 (fl. 1168); no 11610.003562/200302 (fl. 1169); no 11610.003979/200367 (fl. 1170); e no 11610.004185/200311 (fl. 1171). Em 19/05/2016 o processo foi a mim distribuído, não tendo sido indicado para pauta nos meses novembro e dezembro de 2016, por estarem as sessões suspensas por determinação do CARF. O processo, derradeiramente, não foi indicado para o mês de janeiro de 2017, por ser a pauta mera reprodução da referente ao mês de outubro de 2016, que também teve a sessão suspensa por determinação do CARF. E foi indicado para a pauta de fevereiro de 2017, mas não incluído, pelo presidente, em função do volume de processos a julgar. Em março, abril e maio de 2017, o processo foi retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Considerações iniciais sobre o trâmite do processo Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 11610.004962/200165 Acórdão n.º 3401003.862 S3C4T1 Fl. 1.175 5 Analisando o presente processo, não vejo nenhuma autuação de IRRF, COFINS e CSLL, embora compreenda que tais autuações decorram da negativa de crédito tratada exatamente nestes autos. Ao que tudo indica, tais autuações figuravam em um processo (de no 19515.002594/200615) inicialmente apensado a estes autos, e que foi apartado em função da Resolução no 210200.002, de 05/03/2009. Para dirimir dúvidas a respeito de eventuais apensações subsequentes que operassem óbice à apreciação imediata do contencioso, consultei os dez processos apensados, no sistema eprocessos, verificando que todos, sem exceção, possuem apenas a folha 3 (na qual consta o termo de apensação), e a folha 4 (na qual se excluem as folhas 1 e 2, por erro na anexação), sequer sendo possível saber de que tratam tais processos efetivamente. Assim, nenhum obstáculo existe à apreciação da matéria contenciosa no presente processo, que se restringe, ao menos agora, a pedido de restituição de COFINS, cumulado com compensações. Antes de adentrar nas matérias contenciosas, no entanto, percebo relevante necessidade de delimitar a qual período se refere, exatamente, o pedido de restituição, diante de informações desencontradas ao longo do processo. No fundamento do pedido de restituição, a solicitante trata de seu direito de crédito se referindo aos seguintes períodos (fl. 37): Os DARF de pagamento apresentados (fls. 61 a 80), no entanto, são de pagamentos efetuados de 20/05/1992 a 10/01/1997. As planilhas (fls. 81 a 90), denominadas de “cálculo judicial” (embora não haja menção nos autos à eventual existência de ação judicial tratando do tema) trazem dados de 04/1992 a 12/1996. Daí o despacho decisório remeter, corretamente, aos períodos de abril de 1992 a dezembro de 1996 (fl. 564): Aliás, o despacho esclarece, na mesma folha 564, que os processos apensados versam sobre compensações decorrentes do pedido de restituição: Fl. 1177DF CARF MF 6 Tais informações nos emprestam a convicção necessária para delimitar a lide, no que se refere ao pedido, e, conjugadas com o restante do despacho decisório, mostram as efetivas fundamentações para o indeferimento do crédito, contribuindo para a plena visualização das matérias controversas nestes autos. A primeira razão de indeferimento é o decurso de prazo entre o pedido de restituição (efetuado em 25/10/2001) e os períodos para os quais se demanda o crédito (04/1992 a 09/1996). Passou a unidade local, em razão de esse primeiro fundamento responder por um afastamento apenas parcial da demanda de crédito, a analisar o mérito do pedido, chegando à conclusão de que a demandante não é uma sociedade civil de profissão legalmente regulamentada, nos termos do artigo 1o do DecretoLei no 2.397/1987, e do Parecer CST no 15/1983, não fazendo jus à isenção, sendo devidos os pagamentos efetuados, não havendo que se falar em restituição. Tratase, a seguir, desses dois temas contenciosos, e, eventualmente, de outros, que surgem reflexa ou colateralmente, nas argumentações das partes, a respeito de tais temas. Do prazo para pedir restituição A fiscalização entende que o prazo para pedir restituição é de cinco anos do pagamento, conforme artigo 168, I do CTN, em raciocínio endossado pela publicação da Lei Complementar no 118/2005, que, em seu artigo 3o, de efeito retroativo, teria esclarecido a matéria. E a recorrente sustenta que lhe socorre o entendimento do STJ, pela chamada “tese dos dez anos” (que soma aos cinco anos do pagamento mais cinco referentes ao prazo de homologação tácita), e que não teria sido afetado retroativamente pela Lei Complementar no 118/2005. A citada Lei Complementar no 118/2005, publicada em 05/02/2005, em seus artigos 3o e 4o, dispõe: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art.4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. (grifo nosso) Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 11610.004962/200165 Acórdão n.º 3401003.862 S3C4T1 Fl. 1.176 7 O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 566.621/RS, com reconhecida repercussão geral, enfrentando argumentos referentes à segurança jurídica, à irretroatividade, ao direito adquirido, e ao posicionamento do STJ à época, decidiu que o artigo 3o da Lei Complementar no 118/2005 não poderia ser aplicado retroativamente, como estabelecia a parte final do artigo 4o da mesma lei, devendo ser aplicado o prazo reduzido para repetição ou compensação de indébitos aos processos ajuizados a partir de 09/06/2005, conforme a parte inicial do referido artigo 4o: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4 o, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. (...). Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. (...). Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4o, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3 o, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 1010 2011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273 RTJ VOL0022301 PP00540) (grifo nosso) Ou seja, a segunda parte do artigo 4o da Lei Complementar no 118/2005 não seria aplicável, no entender vinculante do STF, a casos em que houvesse ajuizamento de ação judicial até 08/06/2005. A partir do dia 09/06/2005, já seria totalmente aplicável o mesmo comando legal. Verificandose os autos, percebese que, como relatado, o pedido de restituição administrativo é datado de 25/10/2001 (fl. 22), dia em que ainda estava sujeito, Fl. 1179DF CARF MF 8 segundo a suprema corte brasileira, à contagem decenal então consagrada pelo STJ, como sustentou a recorrente. Tal entendimento do STF vincula os julgamentos desta corte administrativa, tendo em vista o artigo 62, § 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015. E, sobre o tema, a Nota PGFN/CRJ no 1.217/2014, que delimita a matéria decidida pela suprema corte, claramente acolhe que o entendimento se aplica a pleitos administrativos: “DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: o STJ, não obstante ter julgado a matéria sob sistemática do art. 543C, segue o entendimento daquele Supremo Tribunal Federal. O STF considerou inconstitucional a parte final do art. 4º da Lei Complementar 118/05, no ponto em que determina que o art. 3º da referida LC possui natureza interpretativa e, portanto, retroage para alcançar fatos pretéritos. Não obstante, ao declarar a inconstitucionalidade do art. 4º da LC 118/2005, o STF levou em consideração o prazo dilatado da vacatio legis de 120 dias, para firmar o seguinte entendimento: (a) nas ações ajuizadas até 08/06/2005, possível, de regra, o pedido do indébito dos últimos dez anos, contados dos fatos geradores; (b) para as ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, data da entrada em vigor da lei, o prazo prescricional é de cinco anos, contados do pagamento indevido. Isto significa que as ações de repetição de indébito tributário ajuizadas a partir do dia 09 de junho de 2005, somente permitem, se for o caso, a devolução dos tributos pagos indevidamente nos últimos 5 anos (aplicação plena da regra prevista no art. 3º da LC). É de se registrar que o julgado também abrange o pleito administrativo anterior à vigência da LC nº 118/2005 e a demanda judicial que, embora posterior, seja a este (anterior) relativa (art. 169 do CTN), sendo, portanto, aplicável a “tese dos cinco mais cinco” em tais casos. Todavia, o precedente não se aplica nos casos de protesto judicial, ainda que anterior a 09 de junho de 2005, por se tratar de mero procedimento de jurisdição voluntária e por inexistir previsão legal de interrupção da prescrição da pretensão repetitória pelo protesto judicial, uma vez que a matéria é sujeita a reserva de Lei complementar (art. 146, III, “b” da CF) e que, em favor do sujeito passivo, não se aplica o disposto no art. 174, parágrafo único, II, do CTN, nem mesmo por analogia ou isonomia.” (grifo nosso) Tal decisão vincula também a própria RFB (o que inclui as DRJ), conforme artigo 19 da Lei no 10.522/2002, desde a redação dada pela Lei no 12.844/2013. Assim, deve prevalecer, em função do exposto, no caso, a tese decenal para o pedido de restituição. Endossa o entendimento aqui externado o teor da Súmula CARF no 91, igualmente de observância obrigatória pelo colegiado administrativo: Súmula CARF no 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Recordese uma vez mais que o pedido de restituição é datado de 25/10/2001 (fl. 22), e demanda, administrativamente, créditos referentes a recolhimentos indevidos de Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 11610.004962/200165 Acórdão n.º 3401003.862 S3C4T1 Fl. 1.177 9 COFINS no período de abril de 1992 a dezembro de 1996 (como explicado no início deste voto), com pagamentos efetuados de 20/05/1992 a 10/01/1997 (fls. 61 a 80). Adotada, em função dos precedentes vinculantes mencionados, a tese decenal para o pedido de restituição, não haveria que se falar em perecimento do direito, devendo ser afastado o primeiro fundamento adotado pela unidade local da RFB para o indeferimento do direito de crédito, passandose, de imediato, à análise do segundo argumento pela negativa de crédito externado no despacho decisório. Da isenção e COFINS para sociedades civis de profissões regulamentadas O fundamento, no mérito, para o pedido de restituição, é que os pagamentos efetuados seriam indevidos por haver isenção à recorrente, na qualidade de sociedade civil de profissão legalmente regulamentada, conforme artigo 6o, II da Lei Complementar no 70/1991, e artigo 1o do DecretoLei no 2.397/1987. Dispõem os referidos comandos normativos, respectivamente, que: “Lei Complementar no 70/1991 (...) Art. 6° São isentas da contribuição: (...) II as sociedades civis de que trata o art. 1o do DecretoLei n° 2.397, de 21 de dezembro de 1987; (...)” (grifo nosso) “DecretoLei no 2.397/1987 (na redação original) “Art. 1o A partir do exercício financeiro de 1989, não incidirá o Imposto de Renda das pessoas jurídicas sobre o lucro apurado, no encerramento de cada períodobase, pelas sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, registradas no Registro Civil das Pessoas Jurídicas e constituídas exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no País. (...)” (grifo nosso) A Lei no 9.430/1996 (em seu artigo 88, XIV) revoga, a partir de janeiro de 1997, o referido artigo 1o do DecretoLei no 2.397/1987. E tal revogação é, colateral/secundariamente, objeto de discussão nas peças da recorrente, mas sequer figura como razão de indeferimento dos créditos que, reiterese, são do período de abril de 1992 a dezembro de 1996. Aproveitese para esclarecer que é igualmente secundária e pouco relevante ao deslinde do presente contencioso a adoção do regime tributário “a” ou “b”, pois tal matéria também não consta entre as razões de indeferimento do pleito. Fl. 1181DF CARF MF 10 Retomando o rumo das discussões sobre o que efetivamente constituiu razão de indeferimento do pleito, nada melhor do que seguir ao próprio despacho decisório que promove o indeferimento, para de lá sacar os fundamentos de fato e de direito adotados para a denegação do pedido de restituição. Em tal despacho, conclui a fiscalização, analisando os dispositivos normativos que regem a matéria, que (fl. 569): A fiscalização invoca, também, o Parecer CST no 15/1983, para endossar seus argumentos, ainda à 569: E, analisando o contrato social da empresa, conclui a fiscalização, também à fl. 569, que: Clara, então, a razão de indeferimento, que dispensa a análise de temas que sequer são objeto de contencioso, levantados, desnecessariamente, tanto pela DRJ quanto pela recorrente (v.g., sobre hierarquia entre lei complementar e lei ordinária, regime tributário). Sobre tal razão de indeferimento, limitase a recorrente, em sua manifestação de inconformidade, a afirmar que há precedentes em sentido contrário, em tópico de defesa, que, pelo caráter sintético, merece aqui integral transcrição (fls. 584/585): Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 11610.004962/200165 Acórdão n.º 3401003.862 S3C4T1 Fl. 1.178 11 Fl. 1183DF CARF MF 12 Reparese, como bem salientou a DRJ, na decisão de piso, que nenhum dos precedentes colacionados se presta a endossar que a recorrente seria efetivamente uma sociedade civil de profissão legalmente regulamentada, nos termos do artigo 1o do DecretoLei no 2.397/1987. Parece desejar a recorrente, no caso, informar somente que para outras escolas, em processos não detalhados e de períodos distintos, houve precedentes reconhecendo isenção, invocando súmula do STJ que afirma o que em nenhum momento é refutado no despacho decisório. A Súmula 276 do STJ (cancelada em 12/11/2008), dispunha “As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da Cofins, irrelevante o regime tributário adotado”. Aliás, analisandose os três precedentes colacionados, percebese que, no primeiro (administrativo – com cópia da folha de rosto da decisão à fl. 629), sequer foi analisado o período anterior a dezembro de 1996 (que se discute no presente processo), e, no período posterior, a imputação analisada foi a relativa ao regime tributário (Acórdão no 201 77.846, de 15/09/2004). E os precedentes judiciais invocados (REsp no 730.712/SP e 751.866/SP) discutem hierarquia da lei complementar e adoção de regime tributário como condição para fruição da isenção. No recurso voluntário, são adicionados precedentes administrativos relativos a exclusão da inscrição no SIMPLES, e judiciais do TRF3 e do STJ versando sobre hierarquia de leis e regimes tributários. Deixa a empresa de se defender objetivamente em relação à segunda motivação para o indeferimento do pedido de restituição, o de que não é, efetivamente, uma sociedade civil de profissão legalmente regulamentada, nos termos do artigo 1o do DecretoLei no 2.397/1987, uma reunião de pessoas físicas titulares da profissão regulamentada para oferecer a prestação de serviços para os quais estavam habilitados, mas somente uma sociedade exploradora de estabelecimento de ensino. Nesse cenário, os precedentes colacionados sequer auxiliam na evidenciação do que seja uma “sociedade civil de profissão regulamentada”, matéria que é objetiva e precisamente tratada no Parecer CST no 15/1983, referenciado pela fiscalização, e que afirma a recorrente ter sido rechaçado nos precedentes que aponta. No referido parecer, buscase, inicialmente, o significado de “sociedade civil”, para, depois, tratar das sociedades a que se refere o artigo 1o do DecretoLei no 2.397/1987: “(...) 2. A expressão sociedade civil comporta significação genérica, compreendendo todas as sociedades que tenham por objetivo negócios ou atividades que não se mostrem de natureza comercial, quer tenham fins econômicos ou não. A índole civil dos negócios ou atividades que servem de fins à sociedade é que lhe atribui o caráter civil, subordinandoa, em consequência, ao regime do Direito Civil. (...) 2.2. Assim, entendese por sociedade civil de fins econômicos a que se estabelece entre duas ou mais pessoas, que se obrigam a contribuir para a formação de um capital, com o objetivo de praticarem negócios ou atividades de caráter civil, de cujos resultados ou lucros participem todos os sócios. (...) Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 11610.004962/200165 Acórdão n.º 3401003.862 S3C4T1 Fl. 1.179 13 3. Contudo, para enquadrarse nos dispositivos legais, citados no item I não basta que a sociedade exerça atividade de natureza civil; é também essencial que essa atividade seja privativa de profissão legalmente regulamentada. 4. A pessoa física, com o fito de prover a sua subsistência e de satisfazer a seus diversos encargos, exerce atividade ou ocupação, habitual, remunerada, de natureza civil ou comercial, que poderá ou não exigir conhecimentos especiais para o seu desempenho. Quando essa atividade ou ocupação é específica, visando a um determinado objetivo, para cujo desempenho sejam exigidos conhecimentos especiais, de caráter artístico, técnico ou científico, ou apenas certas habilidades físicas ou mentais, ela é considerada uma profissão. Portanto, profissão regulamentada é aquela atividade ou ocupação específica, de natureza civil ou comercial que, além de ser privativa de pessoa devidamente habilitada para o seu exercício, reúna uma ou mais das condições referidas e que tenha sido reconhecida por ato legal de autoridade competente. 4.1. Como a Constituição determina ser de competência exclusiva da União legislar sobre Direito do Trabalho (art. 8º, XVII, b, c/c r), é profissão legalmente regulamentada aquela cujo exercício tenha sido reconhecido e regulamentado por lei ou decreto federal (por pertinente, esclareçase que as profissões já regulamentadas são relacionadas em publicação editada pelo Departamento Nacional de MãodeObra (DNMO) do Ministério do Trabalho (MTb). Por essa razão, não pode ser conceituada como profissão legalmente regulamentada o exercício das atividades ou ocupações disciplinadas, listadas ou discriminadas em ato legal de estado ou município, para seu desempenho em âmbito estadual ou municipal, por lhe faltar embasamento legal. 5. A pessoa física que tenha profissão legalmente regulamentada, seja esta de natureza civil ou comercial, pode exercer sua atividade como trabalhador autônomo ou como assalariado, ou associado a outro(s) profissional(is), constituindo pessoa jurídica, conforme seja de sua conveniência. Em qualquer caso não pode ser alterada sua área de competência ou atuação, o que desvirtuaria, ipso facto as características legais da profissão. (...)” (grifo nosso) Não é necessário, a nosso ver, reproduzir as conclusões do parecer, pois os esclarecimentos iniciais já são suficientes para que se perceba que a recorrente não é uma “sociedade civil de profissão regulamentada”, nos termos do artigo 1o do DecretoLei no 2.397/1987. E sequer busca, nestes autos, contrapor a afirmação fiscal, dispondo, v.g., que apesar de ser uma instituição de ensino, teria quadro societário composto exclusivamente por profissionais (professores) que se reuniram para exercer tal atividade profissional regulamentada. Fl. 1185DF CARF MF 14 E o raciocínio da fiscalização, e do excerto transcrito do parecer, aqui endossados, não é dissonante do presente na própria exposição de motivos do DecretoLei no 2.397/1987, que aclara a razão de existir do comando legal: “(...) Os rendimentos das sociedades civis são de natureza eminentemente pessoal, pertencentes e indissociáveis dos sócios, o lucro apurado será integralmente submetido à tributação nas pessoas físicas dos sócios, de acordo com a participação societária de cada um, independentemente de ocorrer distribuição efetiva ou não. Não haverá tributação na pessoa jurídica.(...)” Assim, o fundamento da negativa do direito de restituição, simples e objetivamente externado no despacho decisório, não tem nenhuma relação com regime de tributação, ou com revogação de lei complementar. A isenção prevista no artigo 6o, II da Lei Complementar no 70/1991, que remete às sociedades tratadas no artigo 1o do DecretoLei no 2.397/1987, aplicase apenas a sociedades civis que resultem da exclusiva reunião societária de pessoas físicas, profissionais que exerçam atividade regulamentada, para prestação, a terceiros, de serviços que reflitam exatamente tal atividade profissional regulamentada. Bastaria à recorrente ter atacado, em sua defesa, a efetiva razão de indeferimento, mas isso não é efetivamente feito, ou compreendido, pelo que ainda persiste o motivo para o indeferimento do direito de restituição, o que é suficiente para a negativa de provimento ao recurso voluntário apresentado. Por fim, a questão referente à correção monetária, suscitada na manifestação de inconformidade, resta duplamente prejudicada, seja por não haver montante a restituir, seja por não ter sido a matéria mencionada no recurso voluntário. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 1186DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.906667/2011-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.510
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10980.906667/2011-46
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5779879
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.510
nome_arquivo_s : Decisao_10980906667201146.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10980906667201146_5779879.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6959978
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468475015168
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1685; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.906667/201146 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.510 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria PERDCOMP. PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente SANPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de COFINS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 66 67 /2 01 1- 46 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.906667/201146 Acórdão n.º 3302004.510 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 06045.213. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.906667/201146 Acórdão n.º 3302004.510 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.906667/201146 Acórdão n.º 3302004.510 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.906667/201146 Acórdão n.º 3302004.510 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.906667/201146 Acórdão n.º 3302004.510 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.906667/201146 Acórdão n.º 3302004.510 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003152/2004-68
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.354
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Procurador Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11065.003152/2004-68
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5779120
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.354
nome_arquivo_s : Decisao_11065003152200468.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 11065003152200468_5779120.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6957637
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468478160896
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1849; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.003152/200468 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.354 – 3ª Turma Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria PIS/COFINS. INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CALÇADOS MALU LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 31 52 /2 00 4- 68 Fl. 704DF CARF MF Processo nº 11065.003152/200468 Acórdão n.º 9303005.354 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 380101.041. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que a cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. A Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão onerosa de créditos de ICMS é uma operação que equiparase a verdadeira alienação de direitos a titulo oneroso, originando receita tributável, devendo compor a base de cálculo da PIS/ COFINS, conforme dispõe o art. 1° §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/2002, bem como o art. 1° da Lei nº 10.833/2003. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. O contribuinte não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 705DF CARF MF Processo nº 11065.003152/200468 Acórdão n.º 9303005.354 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 706DF CARF MF Processo nº 11065.003152/200468 Acórdão n.º 9303005.354 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 707DF CARF MF Processo nº 11065.003152/200468 Acórdão n.º 9303005.354 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 708DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15521.720009/2013-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
PRELIMINAR.ORIGEM DOS RENDIMENTOS. LICITUDE DOS VALORES RECEBIDOS. IRRELEVÂNCIA. DESNECESSIDADE DE SE AGUARDAR A CONCLUSÃO DO PROCESSO PENAL.
De acordo com o disposto no artigo 118, inciso I, do Código Tributário Nacional "interpreta-se o fato gerador da obrigação tributária abstraindo-se - da validade jurídica dos atos efetivamente praticados". A conclusão sobre licitude ou ilicitude dos valores recebidos são irrelevantes para o lançamento da obrigação tributária.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Configurada a omissão de rendimentos, mantém-se o imposto lançado, com os acréscimos e as penalidades legais, considerando como base de cálculo o valor da renda omitida.
Numero da decisão: 2202-004.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Denny Medeiros da Silveira, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 PRELIMINAR.ORIGEM DOS RENDIMENTOS. LICITUDE DOS VALORES RECEBIDOS. IRRELEVÂNCIA. DESNECESSIDADE DE SE AGUARDAR A CONCLUSÃO DO PROCESSO PENAL. De acordo com o disposto no artigo 118, inciso I, do Código Tributário Nacional "interpreta-se o fato gerador da obrigação tributária abstraindo-se - da validade jurídica dos atos efetivamente praticados". A conclusão sobre licitude ou ilicitude dos valores recebidos são irrelevantes para o lançamento da obrigação tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Configurada a omissão de rendimentos, mantém-se o imposto lançado, com os acréscimos e as penalidades legais, considerando como base de cálculo o valor da renda omitida.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15521.720009/2013-51
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5756506
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-004.048
nome_arquivo_s : Decisao_15521720009201351.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
nome_arquivo_pdf_s : 15521720009201351_5756506.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Denny Medeiros da Silveira, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Fernanda Melo Leal.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
id : 6884679
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468487598080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1541; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 466 1 465 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15521.720009/201351 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.048 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de julho de 2017 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física IRPF Recorrente ITALANEI BARROSO FALCÃO E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 PRELIMINAR.ORIGEM DOS RENDIMENTOS. LICITUDE DOS VALORES RECEBIDOS. IRRELEVÂNCIA. DESNECESSIDADE DE SE AGUARDAR A CONCLUSÃO DO PROCESSO PENAL. De acordo com o disposto no artigo 118, inciso I, do Código Tributário Nacional "interpretase o fato gerador da obrigação tributária abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados". A conclusão sobre licitude ou ilicitude dos valores recebidos são irrelevantes para o lançamento da obrigação tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Configurada a omissão de rendimentos, mantémse o imposto lançado, com os acréscimos e as penalidades legais, considerando como base de cálculo o valor da renda omitida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 72 00 09 /2 01 3- 51 Fl. 466DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Denny Medeiros da Silveira, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Fernanda Melo Leal. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, resumidamente, o relatório elaborado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte / MG (fls. 434/437): Tratase de auto de infração de fls. 369 a 375, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2009, anocalendário 2008, lavrado em face dos contribuintes Italanei Barroso Falcão, acima identificado, e Sivaldo Abílio de Oliveira, CPF 063.462.00704, que respondem solidariamente pelo crédito tributário assim consolidado: imposto suplementar (2904).........................R$1.780.303,57 multa de ofício de 150%...............................R$2.670.455,36 juros de mora (calculado até 03/2013...........R$ 648.920,65 total................................................................R$5.099.679,58 O lançamento decorreu de omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica, no montante de R$6.497.780,00, conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 376 a 410). O enquadramento legal encontrase às fls. 371 e 375 do auto de infração. No Termo de Verificação Fiscal – TVF consta, em síntese, o que se segue. A ação fiscal foi originada da diligência realizada junto ao Sr. Italanei Barroso Falcão, solicitada pela Procuradoria Geral e Gabinete da Prefeita do Município de Campos dos Goytacazes/RJ. A prefeitura desse município abriu uma sindicância na Empresa Pública Campos Luz e apurou irregularidades praticadas em sua administração, na gestão do diretorpresidente, Sr. Sivaldo Abílio de Oliveira, e do diretor financeiro, Sr. Italanei Barroso Falcão. A prefeitura encaminhou documentos, dentre eles, cópias de cheques ao Ministério Público Federal, e o Ministério Público Estadual ofereceu denúncia ao Poder Judiciário,estando o processo tramitando na 1ª Vara Criminal de Campos dos Goytacazes sob o nº 2009.014.00167452. Por meio do procedimento de diligência, descrito de forma pormenorizada às fls. 377/380 deste TVF, constatouse que houve evolução no patrimônio do diligenciado,sem que houvesse comprovação da origem dos recursos aplicados. O diligenciado, Fl. 467DF CARF MF Processo nº 15521.720009/201351 Acórdão n.º 2202004.048 S2C2T2 Fl. 467 3 no decorrer dos trabalhos, não apresentou à fiscalização seus extratos bancários. O procedimento de diligência foi transformado em fiscalização sob o MPF nº 07104.00201200054 e o contribuinte foi intimado a apresentar documentos e esclarecimentos, relacionados na fl. 381. Além disso, da análise das cópias dos cheques emitidos pela Campos Luz, obtidas do processo judicial originado pela denúncia do Ministério Público, constatouse que cerca de 244 cheques foram sacados na “boca do caixa” pela própria emitente, que, no ato, era representada pelo DiretorPresidente Sr. Sivaldo Abílio de Oliveira, e pelo DiretorFinanceiro,Sr. Italanei Barroso Falcão. O fiscalizado foi, então, novamente intimado, juntamente com o Sr.Sivaldo Abílio de Oliveira e a empresa Campos Luz, estes em face de MPF de diligência, a esclarecerem o efetivo recebimento dos citados cheques. Da análise da documentação e dos esclarecimentos prestados Constatouse que: (i) o montante relativo aos 244 cheques sacados foi de R$6.497.780,00; (ii) a instituição financeira não se preocupou em indicar o nome da pessoa que efetivou o saque, figurando, assim, a própria emitente como beneficiária do pagamento; (iii) na forma do Estatuto Social, compete ao DiretorPresidente e DiretorFinanceiro a movimentação dos recursos da Campos Luz; (iv) em resposta à intimação, o fiscalizado informou que só assinava o cheque e que a responsabilidade era do DiretorPresidente e que a informação “ao emitente” constante nos cheques era uma orientação contábil para que os valores entrassem na conta “Caixa” da Campos Luz; (v) a Campos Luz, após intimada, informou que os valores sacados não foram contabilizados na conta “Caixa”; (vi) a alegação, tanto do fiscalizado como do DiretorPresidente, de que todo cheque estava vinculado a um processo não justifica os saques em dinheiro efetuados por um deles ou por ambos, já que não foi comprovado o pagamento aos beneficiários dos empenhos/processos. Registra ainda a autoridade fiscal que, no caso, todas as etapas foram cumpridas para dar certa legalidade aos atos de despesas da entidade. Entretanto, o saque dos cheques pela própria emitente desfigurou todo o controle da entidade, pois, com o recurso em espécie não há mais como precisar sua destinação. A autoridade fiscal acrescenta que a situação descrita denota indícios claros de que se trata de uma forma de desvio de recurso da empresa e que os diretores mencionados, detentores dos poderes de movimentação de tais recursos, foram os responsáveis pelos saques. Somase a isso o fato de o Ministério Público Estadual ter oferecido denúncia contra o fiscalizado e contra o Sr. Sivaldo Abílio de Oliveira, por desvios de recursos efetuados na Campos Luz. Também, da sindicância realizada Fl. 468DF CARF MF 4 pela Prefeitura de Campos dos Goytacazes, ficou comprovado que vários serviços contratados, empenhados e liquidados, não foram efetivamente prestados. Do aqui exposto, concluiu a autoridade fiscal que os saques foram realizados pelos diretores Sr. Sivaldo Abílio de Oliveira e Sr. Italanei Barroso Falcão. Da responsabilidade solidária Destaca a autoridade fiscal que, conforme prevê o Estatuto Social da Campos Luz, a movimentação dos recursos da entidade se aperfeiçoa com atos conjuntos do DiretorPresidente e do DiretorFinanceiro. Assim, a emissão de cheques é de competência dos dois, que devem fazêlo conjuntamente. Ressalta que o conluio se caracterizou pelo modo de agir dos dois diretores, não havendo como aferir a forma de divisão dos valores. Ressalta ainda que é evidente o interesse comum dos dois diretores na situação de auferir receita proveniente dos cheques emitidos e sacados da Campos Luz. Assim, a constituição do crédito tributário se fez em face do Sr. Italanei Barroso Falcão e do Sr. Sivaldo Abílio de Oliveira, que respondem solidariamente, nos termos do art. 124, I, do Código Tributário Nacional – CTN. Da Omissão de Rendimentos Adverte a autoridade fiscal que as respostas apresentadas por ambos diretores deram conta de que os saques foram para efetuar pagamentos a terceiros contratados pela Campos Luz, fato que não ficou comprovado. Além disso, o Sr. Italanei Barroso Falcão teve uma evolução patrimonial , sem que houvesse qualquer origem que justificasse tal fato e o Sr. Sivaldo Abílio de Oliveira, que já foi objeto de fiscalização acerca de movimentação financeira incompatível nos anoscalendário 2005 a 2008 (Proc. n. 15521.720028/201116), não logrou justificar os depósitos reiterados efetuados em suas contas correntes. Conclui que ambos lograram proveito dos saques realizados, configurando que auferiram rendimentos, não importando se de forma lícita ou ilícita, conforme art. 118 do CTN. Assim, considerou o valor total dos cheques sacados como rendimentos omitidos. Da multa qualificada Registra a autoridade fiscal que os contribuintes, por atos voluntários, conscientes do ilícito fiscal e do imenso prejuízo aos cofres públicos, omitiram as receitas auferidas, justificandose a aplicação da multa qualificada no percentual de 150%, prevista no art. 44, § 1º da Lei n. 9.430/96. Da Representação Fiscal para Fins Penais Relata a autoridade fiscal que no levantamento das infrações que geraram o auto de infração foi observada conduta que, em tese, constitui crime contra a ordem tributária na forma do Fl. 469DF CARF MF Processo nº 15521.720009/201351 Acórdão n.º 2202004.048 S2C2T2 Fl. 468 5 disposto no art. 1º, inciso I, da Lei n. 8.137/90. Assim foi encaminhada Representação Fiscal Para Fins Penais (Proc. 15521.000001/201375) ao Delegado da DRF em Campos dos Goytacazes/RJ para providências nos limites e determinações da Portaria RFB n. 665, de 24/04/2008, observadas as Leis nºs 4.502/64 e nº 8.137/90. Os demais procedimentos fiscais adotados, bem como as verificações/análises/conclusões encontramse detalhadamente relatadas no Termo de Verificação Fiscal. Da Impugnação Cientificados do lançamento em 21/03/2013 e 25/03/2013 (fls. 418/420), o contribuinte Italanei Barroso Falcão apresentou a impugnação de fls. 424 a 427 em 23/04/2013(fl. 424). Alega que o lançamento não possui elementos de convicção suficientes a sustentálo, sobretudo pela inexistência do fato gerador, que se baseou em meras suspeitas e investigações de suposto envolvimento do fiscalizado, o qual ainda se encontra sob o manto constitucional do contraditório e da ampla defesa, o que torna juridicamente inconcebível julgamento e condenação antecipada, seja por que órgão for, pela prática de crime e/ou favorecimento, como deixa transparecer a presente alegação de omissão de rendimentos. Afirma que forneceu todas as justificativas e informações solicitadas, não havendo que se falar em sonegação de informações e/ou omissão de rendimentos. Afirma ainda que as ilações que fomentaram a fiscalização e procedimentos instaurados são pálidos, frágeis, duvidosos e sobretudo carecedores de apuração pelas vias constituídas. Assim, inexiste a evolução patrimonial apontada. Salienta que há investigação no âmbito criminal, a qual padece de conclusão pelas vias processuais vigentes, o que imanta, por conseguinte, o contribuinte da presunção de inocência, até que haja uma sentença condenatória com o trânsito em julgado. Pugna pela inclusão da Campos Luz no procedimento fiscalizatório, por ter sido esta a real beneficiária de toda a movimentação financeira, pois inexistem provas quanto ao beneficiário dos valores supostamente percebidos. Diz, ainda, que não tem mais acesso aos documentos da referida instituição, não tendo como provar os reais beneficiários previstos nos processos apostos no verso dos cheques. Defende também a inclusão, intimação e fiscalização de todos os beneficiários que constam do verso dos cheques, inclusive da instituição financeira, para que se apure a verdade real dos fatos, pois, de outra forma, a conclusão da verdade estará limitada. Sugere, inclusive que sejam requisitadas das instituições financeiras as filmagens das datas de pagamento dos cheques, de Fl. 470DF CARF MF 6 forma a identificar os reais beneficiários e, por via de conseqüência, quem omitiu os rendimentos, com a exclusão em definitivo do fiscalizado da presente autuação. Requer a desconstituição do lançamento e a nulidade de todos os atos praticados, porquanto inexiste fundamento fático e legal. Na hipótese de não acatamento do pedido anterior, requer a inclusão de todas as empresas e pessoas envolvidas, sobretudo a Campos Luz, na qualidade de solidários e, por fim, a notificação da instituição financeira para que forneça a filmagem interna referentes aos dias em que os pagamentos ocorreram, o que demonstrará a completa inocência do fiscalizado e a real identificação do beneficiário. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte/MG negou provimento a impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Configurada a omissão de rendimentos, mantémse o imposto lançado, com os acréscimos e as penalidades legais, considerando como base de cálculo o valor da renda omitida. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CARACTERIZAÇÃO. O interesse comum na situação que constituiu o fato gerador do imposto gera a obrigação solidária dos agentes. Em face da mencionada decisão, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 447 a 456, no qual reitera as alegações suscitadas quando da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço 1) PRELIMINAR De acordo com o Recorrente, o lançamento deverá ser anulado para que ele possa exercer o seu direito ao contraditório sem ter suprimido o seu direito de defesa antes do julgamento em esfera preponderante. Entende o Recorrente que o mencionado Auto de Infração dependeria da conclusão do processo penal no qual se discute a ilicitude dos valores por ele recebidos. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 15521.720009/201351 Acórdão n.º 2202004.048 S2C2T2 Fl. 469 7 Incorretas as alegações do Recorrente. Isso porque, a conclusão sobre licitude ou ilicitude dos valores recebidos é irrelevante para tributação. O Código Tributário Nacional permite a tributação do produto do ato ilícito, desde que preencha a materialidade de algum de seus tributos. A interpretação conjunta do artigo 3º e artigo 118 do Código Tributário Nacional não deixa dúvida a respeito da matéria. O artigo 3º, ao definir o conceito de tributo, é claro ao dispor que este é "toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não configure "sanção por ato ilícito".O art. 118, I, por sua vez determina que: "interpretase o fato gerador da obrigação tributária abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados. A conclusão que se pode chegar da interpretação conjunta dos dois dispositivos é a de que o tributo não pode ser sanção de ato ilícito, embora o produto do ilícito, desde que configure fato gerador de algum tributo, possa ser tributado. Como bem esclarece Hugo de Brito Machado: Se em uma situação de fato onde estão presentes cometimentos de ilícitos existem elementos capazes de concretizar uma hipótese de incidência tributária, evidentemente temse como ocorrido o fato gerador do tributo. O tributo é devido e deve ser cobrado, porque naquela situação estão presentes os elementos essenciais, vale dizer, todos os elementos necessários à configuração do fato gerador respectivo.O que naquela situação existe de ilícito poderia deixar de existir sem que se alterassem aqueles elementos que concretizam o fato gerador do tributo. Em outras palavras, a ilicitude naquela situação existente é apenas circunstancial. Poderia deixar de existir sem que se desfigurasse a situação em seus elementos necessários a concretização da hipótese de incidência. (MACHADO, Hugo de Brito Comentários ao Código Tributário Nacional, Vol. II, Ed. Atlas, p 391) Nesse sentido, esclarecedor o precedente do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Habeas Corpus HC 77530, relatado pelo Ministro Sepúlveda Pertence: EMENTA: Sonegação fiscal de lucro advindo de atividade criminosa: "non olet". Drogas: tráfico de drogas, envolvendo sociedades comerciais organizadas, com lucros vultosos subtraídos à contabilização regular das empresas e subtraídos à declaração de rendimentos: caracterização, em tese, de crime de sonegação fiscal, a acarretar a competência da Justiça Federal e atrair pela conexão, o tráfico de entorpecentes: irrelevância da origem ilícita, mesmo quando criminal, da renda subtraída à tributação. A exoneração tributária dos resultados econômicos de fato criminoso antes de ser corolário do princípio da moralidade constitui violação do princípio de isonomia fiscal, de manifesta inspiração ética.(grifamos) Esclarecedor o voto do Ministro Sepúlveda Pertence: É verdade que alguns autores, embora aceitem a conclusão de serem tributáveis as operações ou atividades apreciadas, fazem restrições à plenitude desse entendimento, como é o caso de Fl. 472DF CARF MF 8 ORONZO QUARTA, de ANTONIO BERLIRI e de OTTMAR BÜHLER. A doutrina dominante, porém, manifestase pela tributação irrestrita. Nem pode ser de outro modo, se se tomar em consideração a natureza do fato gerador da obrigação tributária, como um fato jurídico de acentuada consistência econômica, ou um fato econômico de relevância jurídica, cuja eleição pelo legislador se destina a servir de índice de capacidade contributiva. A validade da ação, da atividade ou do ato em Direito Privado, a sua juridicidade ou antijuridicidade em Direito Penal, disciplinar ou em geral punitivo, enfim, a sua compatibilidade ou não com os princípio da ética ou com os bons costumes não importam para o problema da incidência tributária, por isso que a ela é indiferente a validade ou nulidade do ato privado através do qual se manifesta o fato gerador: desde que a capacidade econômica legalmente prevista esteja configurada, a incidência há de inevitavelmente ocorrer. A tese contrária representa, no acertado dizer de POPITZ, a manifestação de um sentimentalismo ilógico e infundado e, do ponto de vista tributário, conduz, isto sim, à violação do princípio da isonomia fiscal. (...) Eis aí um obséquio que a correta identificação da consistência econômica do fato gerador oferece: a indiferença, para o Direito Tributário, de ser civil ou penalmente ilícita a atividade em que se consubstancie o fato gerador, não porque prevaleça naquele ramo do direito uma concepção ética diversa, mas sim porque o aspecto que interessa considerar para tributação é o aspecto econômico do fato gerador ou a sua aptidão para servir de índice de capacidade contributiva. Sendo assim, ainda que se adote o pressupostos de que as verbas tributadas tiveram origem ilícita, é admissível a tributação do ato ilícito desde materializado o aspecto material da hipótese de incidência tributária. Ademais, não há que se falar em ofensa ao princípio do contraditório e ampla defesa na hipótese dos autos. Isso porque, como bem destacado pela decisão recorrida, o conjunto probatório trazido aos autos confirmam; a) o repasse a terceiros dos recursos sacados pelos autuados não foi comprovado; b) os saques foram efetuados pela própria empresa emitente dos cheques, no ato representada pelos autuados; c) a prefeitura de Campos dos Goytacazes apurou, por meio da sindicância realizada, que as prestações relativas aos nºs de processos/empenhos inscritos nos versos dos cheques não existiram; d) a prefeitura apurou ainda que os saques não foram contabilizados na conta "Caixa" da empresa Campos Luz, como alegou o Recorrente; Fl. 473DF CARF MF Processo nº 15521.720009/201351 Acórdão n.º 2202004.048 S2C2T2 Fl. 470 9 e) não há nos autos justificativa plausível para evolução patrimonial do Recorrente. O Recorrente teve acesso ao conjunto probatório acima mencionado e não infirmou qualquer das provas apresentadas pela fiscalização na fase de fiscalização ou recursal. Não há que se falar, portanto, em ofensa aos princípios do contraditório ou ampla defesa. 2) MÉRITO Em relação ao mérito, alega o Recorrente que todo recurso obtido e aplicado na aquisição de bens móveis e imóveis adveio de seus proventos a atividade junto a empréstimos bancários provados por meio do Termo de Acordo junto ao Banco Itaú juntado às fls. 461/463 e que se os valores dos saques relativos aos 244 emitidos pela Cia Campos Luz fosse de sua propriedade não estaria o Recorrente em situação de inadimplência junto às instituições financeiras. Conforme esclarece o Termo de Verificação Fiscal (fls. 399): As cópias dos cheques emitidos pela Campos Luz demonstram que foram sacados 244 (duzentos e quarenta e quatro) cheques, perfazendo um montante de R$ 6.497.780,00 (seis milhões, quatrocentos e noventa e sete mil, setecentos e oitenta reais) pelo emitente, ou seja, pela pessoa jurídica que, no presente caso, realizava seus atos por intermédio de seu DiretorPresidente, o Sr. SILVALDO ABÍLIO DE OLIVEIRA, e de seu Diretor Financeiro, Sr. ITALANEI BARROSO FALCÃO, conforme prevê o art. 12, f, do Estatuto Social da entidade, constante nos autos e enviado pela própria em resposta ao Termo de Diligência Fiscal descrito no item 3.1 deste Termo de Verificação Fiscal. Verificase que a instituição financeira não se preocupou em indicar o nome da pessoa física que efetivou o saque, apenas limitandose a efetuar o pagamento, tendo como benefíciário o emitente que, em última análise, só poderia ser representado porque tem poderes para movimentar recursos da entidade, no termos do art. 12, f, do Estatuto Social, abaixo reproduzido: "Art. 12 Compete, especialmente, ao Diretor Presidente: .... f) Movimentar, em conjunto com o Diretor incumbido das Finanças,os recursos da CAMPOSLUZ, e assinar cheques e outras ordem de pagamento" .....(grifo não presente no original) É importante frisar que os saques foram realizados na "boca do caixa" e não depositados em outra conta corrente. Assim, não poderia ser outro o entendimento a não que foram sacados pelos representantes da Campos Luz que tinham poderes para tal. E, como já detalhado anteriormente, o DiretorPresidente e o Diretor Financeiro, quais sejam, SILVADO ABÍLIO DE OLIVEIRA e o Sr. ITALANEI BARROSO FALÇÃO respectivamente. Fl. 474DF CARF MF 10 Dessa forma, a ação de cobrança juntada em fase recursal (fls. 461/463) não é capaz de elidir as provas apresentadas pelo trabalho fiscal. Isso porque, de acordo com o referido documento foi emprestado ao Recorrente o montante de R$ 323.827,34. Todavia, tal montante não comprova a origem dos recursos relativos aos 244 cheques emitidos pelo Recorrente que totalizavam o valor de R$ 6.497.680,00. Conforme se observa pela súmula CARF nº 95 citada pelo Recorrente Súmula CARF nº 95: A presunção de omissão de receitas caracterizada pelo fornecimento de recursos de caixa à sociedade por administradores, sócios de sociedades de pessoas, ou pelo administrador da companhia, somente é elidida com a demonstração cumulativa da origem e da efetividade da entrega dos recursos Ora, no caso em questão, o Recorrente não se desincumbiu de qualquer das duas provas. Isso porque não demonstrou a origem dos recursos e não provou que os cheques foram sacados por terceiros. Como bem destacou o Termo de Verificação Fiscal : "os cheques acima de R$ 100,00 (cem reais), conforme artigo 69 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, devem constar o nome do benefíciário, não podendo mais serem ao portador. O objetivo da legislação é exatamente identificar quem está movimentando tais quantias. Diante disso, caso uma pessoa física seu próprio cheque na "boca do caixa", a palavra emitente não deixará a menor dúvida de quem efetivamente sacou. Por outro lado, quando se trata de pessoa jurídica a palavra emitente não consegue definir exatamente quem efetuou os saques, cabendo a responsabilização a quem tinha poderes para movimentar os recursos da entidade." (...) Ora, a alegação de que todo o cheque estava vinculado a um processo, conforme resposta tanto do fiscalizado quanto do DiretorPresidente, não justifica o saque em dinheiro efetuado por um dos dois ou por ambos, já que em momento algum comprovaram que tais pagamentos foram efetuados ao benefíciários nos processos apostos no verso dos cheques." Também não faz sentido a citação, pelo Recorrente, da Súmula CARF nº 28 que dispõe que o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para fins penais" . Isso porque, conforme já demonstrado, a questão da licitude ou ilicitude do ato é irrelevante na interpretação do fato gerador da obrigação tributária (art. 118 do CTN). Dessa forma, não se está pronunciando sobre eventuais controvérsias relativas ao processo administrativo de representação fiscal para fins penais, mas, pura e simplesmente, sobre o fato gerador do IRPF relativo à omissão de receitas não comprovadas. 3) CONCLUSÃO Fl. 475DF CARF MF Processo nº 15521.720009/201351 Acórdão n.º 2202004.048 S2C2T2 Fl. 471 11 Em face do exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 476DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10384.720878/2014-65
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007.
Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplica-se sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoa-se ao final do ano-calendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplica-se aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007.
Numero da decisão: 9101-002.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora) e Luís Flávio Neto, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Luís Flávio Neto e Cristiane Silva Costa, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplica-se sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoa-se ao final do ano-calendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplica-se aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10384.720878/2014-65
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5754010
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-002.744
nome_arquivo_s : Decisao_10384720878201465.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
nome_arquivo_pdf_s : 10384720878201465_5754010.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora) e Luís Flávio Neto, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Luís Flávio Neto e Cristiane Silva Costa, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
id : 6881252
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468523249664
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2113; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 627 1 626 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10384.720878/201465 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.744 – 1ª Turma Sessão de 4 de abril de 2017 Matéria IRPJ CONCOMITÂNCIA MULTA ISOLADA ESTIMATIVA MENSAL COM MULTA DE OFÍCIO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA ENERGÉTICA DO PIAUÍ ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoase ao final do anocalendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplicase aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora) e Luís Flávio Neto, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Luís Flávio Neto e Cristiane Silva Costa, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 08 78 /2 01 4- 65 Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 9101002.744 CSRFT1 Fl. 628 2 (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela FAZENDA NACIONAL em face do Acórdão n. 1402002.147, proferido pela 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1a Seção de Julgamento, que de um lado manteve a exigência decorrentente do entendimento de que o prejuízo oriundo de fraude ou furto de energia desacompanhado de boletim de ocorrência, inquérito ou comunicação à autoridade policial seria indedutível na apuração do IRPJ e CSLL, porém decidiu cancelar a imposição da multa isolada sobre a falta de recolhimento das correspondentes estimativas, além de se pronunciar sobre a incompetência do órgão administrativo para juízo de constitucionalidade, como requerido em relação à alegada confiscatoriedade da multa. O lançamento em questão decorre da glosa de despesas correspondentes às perdas de energia elétrica adquirida para revenda em razão de desvio, fraude ou furto, aplicandose, conjuntamente à multa de ofício, aquela isolada prevista no artigo 44, II, b, da Lei n. 9.430/96, com redação dada pelo artigo 14 da Lei n. 11.488/2007, pelo não recolhimento do tributo sob a base de cálculo estimada, referente ao ano calendário 2011. Insurgindose contra a autuação, a Recorrida apresentou Impugnação Administrativa, alegando, objetivamente, (a) que as perdas não técnicas decorrentes de fraude ou furto de energia são classificadas como perdas no recebimento de créditos, adotandose as providências determinadas pela ANEEL, sendo dedutíveis da base do IRPJ e da CSLL, (b) o descabimento da multa isolada por configurar sua aplicação concomitante com a multa de ofício dupla penalidade sobre um mesmo fato, e (c) a inconstitucionalidade da multa fixada no percentual de 75%, em função de seu caráter confiscatório. Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 9101002.744 CSRFT1 Fl. 629 3 O posicionamento da Administração Tributária, no entanto, foi mantido pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, que se pronunciou sobre todos esses assuntos resumidos em sua ementa: DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, com efeito inter partes, não podem ser aplicadas a outros casos. MULTA ISOLADA. IRPJ FALTA DE PAGAMENTO DA ESTIMATIVA MENSAL. CABIMENTO. Na hipótese de a pessoa jurídica sujeita ao pagamento de IRPJ e da Contribuição Social Sobre o Lucro CSLL incidente sobre a base de cálculo estimada, efetuar recolhimento a menor ou deixar de recolher, cabível a aplicação da MULTA ISOLADA de 50% (cinqüenta por cento), ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no anocalendário. MULTA DE OFÍCIO CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. A aplicação da MULTA de ofício de 75% decorre de dispositivo legal vigente, sendo defeso ao órgão de julgamento administrativo analisar a sua constitucionalidade, matéria da competência exclusiva do Poder judiciário. FURTO. DEDUTIBILIDADE. LUCRO REAL. O prejuízo oriundo de desfalque, apropriação indébita ou furto somente será dedutível na apuração do imposto de renda da pessoa juridical submetida à apuração pelo Lucro Real, quando houver inquérito instaurado, nos termos da legislação trabalhista, ou quando o fato for comunicado à autoridade policial (notitia criminis). MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE PARCELAS MENSAIS DE ESTIMATIVAS. INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM COM A MULTA DE OFÍCIO. Após o encerramento do período de apuração, é devida multa isolada pelo não recolhimento de parcelas mensais de estimativas no curso do referido período. A aplicação conjunta de multa de ofício no mesmo lançamento tributário, referente a tributo e contribuição devidos ao final do período, nã tem o condão de excluir a multa isolada sobre as parcelas mensais de estimativas não recolhidas, haja vista trataremse de infrações distintas, possuidoras de tipificação legal específicas a cada uma delas. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. ENTENDIMENTO ADMINISTRATIVO. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. As alegações de inconstitucionalidade ou de ilegalidade somente são apreciadas nos julgamentos administrativos quando houver expressa autorização. PRECLUSÃO PROBATÓRIA. O prazo para apresentação da impugnação é Fl. 639DF CARF MF Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 9101002.744 CSRFT1 Fl. 630 4 de trinta dias contados da ciência do lançamento. A apresentação extemporânea de novos argumentos e/ou provas por parte do sujeito passivo deve estar fundamentada na força maior ou na superveniência de fato ou direito. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. GLOSA DE DESPESAS. CSLL. A glosa de despesas que não se revestem dos requisitos da legislação comercial e fiscal afeta o resultado do exercício e, conseqüentemente, a base de cálculo da CSLL. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em face dessa decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, substancialmente reproduzindo os argumentos deduzidos em sua impugnação. Por maioria de votos, decidiuse, primeiramente, (a) manter a glosa das despesas correspondentes às perdas comerciais, por se entender não poderem ser equiparadas àquelas de natureza técnica, devendo então se sujeitarem à regra que condiciona a dedução ao seu registro em boletim de ocorrência, inquérito ou comunicação à autoridade policial – o que não poderia ser suprido pelo processo administrativo instaurado pela empresa, ato de sua criação unilateral, não credenciado pelo artigo 364 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n. 3.000/99) para esse fim de abatimento. Já com relação à (b) multa isolada, o acórdão recorrido deu provimento ao recurso para cancelar a sua exigência, fundamentandose no caráter antecipatório do pagamento das estimativas, de modo que referida penalidade somente pudesse ser aplicada no decorrer do ano calendário ou, ao final, sobre parcela não computada no ajuste e não compreendida pelo tributo definitivo a recolher, ao lado da possibilidade de adoção da teoria da consunção, com absorção da multa isolada pela de ofício, independentemente de alteração legislativa que tenha havido. Por fim, pronunciouse ainda o acórdão para (c) afastar da apreciação do colegiado a argumentação acerca do caráter confiscatório da multa de 75%, em razão de a Súmula n. 02 do CARF impedir julgamentos baseados na inconstitucionalidade da norma, (d) bem como estender à CSLL o que decidido para fins de IRPJ. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial defendendo que não haveria bis in idem na aplicação das multas de ofício e isolada (a) porque corresponderiam a diferentes infrações, esta para punir o contribuinte no seu dever de antecipar valores para fazer frente às despesas da União, (b) o que se manteria independentemente da existência de tributo a pagar no final do período, e (c) incidentes sobre bases de cálculo também diversas – a primeira sobre o imposto e a segunda sobre a estimativa. Além disso, argumentou que (d) se estaria a criar hipótese de exclusão de Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 9101002.744 CSRFT1 Fl. 631 5 penalidade não prevista em lei, como exige o artigo 97 do Cógido Tributário Nacional, (e) que da equidade não poderia resultar exclusão de multa, demonstrando, afinal, que a questão poderia ser conhecida em função da existência dos Acórdãos n. 1202000.964 e 1302001.080, que se prestariam como paradigmas, por considerarem válida a aplicação concomitante das referidas penalidades. O Recurso Especial foi recepcionado por Despacho de Admissibilidade que considerou suficientes os dois paradigmas apresentados e, cientificada, mesmo se considerando que o acórdão recorrido deu provimento parcial ao seu recurso voluntário, a contribuinte apresentou apenas contrarrazões à peça da Fazenda Nacional, de forma tempestiva e basicamente reiterando a impossibilidade de cumulação das multas isolada e de ofício, tornando o restante da matéria não recorrido. Passase, então, à apreciação do recurso. Voto Vencido Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio relatora. PRELIMINARES Tempestividade do Recurso Especial Anteriormente à análise do mérito, verificarseá a tempestividade do recurso e o preenchimento dos requisitos para o seu conhecimento. A respeito do primeiro ponto, identificase nos autos (i) despacho de encaminhamento para intimação da Procuradoria da Fazenda Nacional do acórdão recorrido em 06.05.16 (Fl. 521); (ii) Recurso Especial datado pela parte de 12.05.16; (iii) despacho de encaminhamento para a Câmara em 12.05.16 e (iv) mais um despacho de encaminhamento para o Presidente analisar o Recurso Especial, em 16.05.16 (Fl. 551). Como se observa, não se vislumbra nenhum extrato de movimentação do processo, ciência pessoal ou registro efetivo da intimação da Procuradoria, tampouco data do protocolo ou recebimento do recurso no CARF. Fl. 641DF CARF MF Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 9101002.744 CSRFT1 Fl. 632 6 No entanto, considerandose que nesse caso restaria configurada a premissa necessária ao deslocamento da aplicação da regra do caput do artigo 79 do Regimento Interno do CARF para os seus parágrafos 1o. e 2o, – contandose o prazo de 15 dias (cf. artigo 68 do Regimento Interno) da intimação ocorrida 30 dias após o recebimento dos autos por meio digital (v. artigo 79, parágrafo segundo acima) – e inferindose que esse período seria suficiente a abarcar aquele compreendido entre o despacho que determina a intimação da PGFN (Fl. 521) e o que leva o recurso certamente já interposto à apreciação do Presidente (Fl. 521), entendese o presente recurso tempestivo. Conhecimento do Recurso Especial O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, (1) na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (i) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (ii) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; (iii) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF; ou (2) de sua interposição, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente. Com relação à divergência apontada quanto à possibilidade de concomitância entre as multas isolada e de ofício, considerando a existência da Súmula CARF n. 105, que dispõe que “a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício”, entendese imprestável, nos termos da regra regimental mencionada, o paradigma apresentado por contrariar esse enunciado sumular. Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 9101002.744 CSRFT1 Fl. 633 7 Assim sendo, VOTASE POR NEGAR CONHECIMENTO ao Recurso Especial. MÉRITO Na hipótese de conhecimento do recurso, a matéria de mérito posta a julgamento restringese à definição da possibilidade de cominação simultânea da multa isolada pelo não pagamento do IRPJ e CSLL calculados com base no regime de estimativas mensais e a multa de ofício aplicada pelo não recolhimento dos tributos ao final do ano calendário 2011, fundamentadas nos artigos 44, inciso I e II, b, da Lei n. 9430/96., com redação dada pela Lei n. 11.488/07: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II – de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (…) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (…)” Muito embora o veículo introdutor dessa norma seja posterior à edição da Súmula CARF n. 105, editada por este conselho no ano de 2004 e aplicável aparentemente de forma pacífica para os anos calendários até 2006, entendese que a norma jurídica, enquanto significação que pode ser construída a partir do enunciado do artigo 44, II, b da Le n. 9.430/96, em sua nova redação, não difere em sua substância daquela que deu origem à referida súmula e, portanto, continuarseia a aplicála: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (grifouse) No entanto, ainda que assim não fosse, vale dizer, ainda que não houvesse súmula editada nesse sentido ou que se esteja referindo a períodos posteriores à Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 9101002.744 CSRFT1 Fl. 634 8 mencionada alteração legislativa, a visão que se possui sobre o tema não se modificaria, pois, no posicionamento adotado, não se discorda da existência de dois fato jurídicos distintos, embora ambos tendo como objeto central o não recolhimento do IRPJ e da CSLL e como obrigação o pagamento de multa pelo seu descumprimento. Entendese cuidar, sim, de dois fatos jurídicos, porque quando se altera qualquer um de seus critérios, a exemplo do temporal, tornase o fato diferente de um outro que não possua a mesma condição. Ocorre que se vê proximidade tanto no objeto de suas hipóteses de incidência – originadas do descumprimento de normas que se referem à obrigação tributária de recolhimento do IRPJ e da CSLL–, seja em caráter antecipatório ou definitivo, como na consequência imputada correspondente às penalidades, diferenciadas sim pela grandeza considerada, nos incisos do mencionado artigo 44 da lei n. 9.430/96. Vêse como elemento de diferenciação, portanto, o caráter antecipatório da obrigação cujo descumprimento gera como consequência a imputação da multa isolada – como, afinal, se vislumbra em diversas regras da sistemática do Imposto sobre a Renda, a exemplo da substituição tributária que antecipa o pagamento no regime de retenção na fonte –, mas, uma vez se encerrando o período de apuração, temse a identificação precisa da base de cálculo do tributo devido e a determinação da multa efetiva pelo seu não recolhimento, não mais devendo prevalecer aquilo que era calculado com base em estimativas, assim como a multa pela não pagamento neste regime. O fato de se haver estimativas para o cômputo do IRPJ e da CSLL que serão adiantados mensalmente não pode significar que a sua base de cálculo – ou seja, aquilo que juntamento com a hipótese de incidência diferencia um tributo, numa linha há muito ensinada por Rubens Gomes de Sousa – seja desvirtuada daquele montante que deve sofrer os necessários ajustes para se alcançar a renda objeto da competência da União Federal, o que muito provavelmente não é o que se encontra a partir, como o próprio nome sugere, das estimativas verificadas ao longo do período de apuração. Daí porque não se considera a possibilidade de imputação de multas distintas sob a justificativa de possuírem diferentes bases de cálculo, quando se chega ao final do período e se identifica a efetiva base de cálculo do tributo e, então, se impõe uma multa pelo seu não recolhimento – ainda que isso pareça esvaziar o conteúdo do artigo 44, inciso II, alínea b, da Lei n. 9430/96, a não ser para se penalizar quando a autuação ocorra no decorrer do período de apuração ou não gerar um tratamento não equânime entre os contribuintes que, diligentes, recolhessem o tributo antecipadamente, em relação aos que não procederiam a tal adiantamento e, ao final, verificando haver prejuízo fiscal ou saldo negativo, não se sujeitariam a qualquer penalidade. Dizer serem o IRPJ e a CSLL no regime mensal recolhidos sobre bases estimadas não infirma a proximidade substancial das obrigações, mas justamente confirma que, se se está tratando de adiantamento, apenas se pode estar estimando aquilo que ainda não foi mensurado em caráter definitivo e que, o sendo, prevalece sobre as presunções Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 9101002.744 CSRFT1 Fl. 635 9 efetuadas, assim como prevalece a multa pelo seu não recolhimento, por identificarse, afinal, com a que pune igualmente o não recolhimento do tributo, mas de forma antecipada. Por essa linha, não se precisaria também buscar no Direito Penal o princípio da consunção (vide acórdãos n. 9101001.307, 1803001.263, 9101001.261), muito embora se coincidam quanto ao resultado alcançado, embora nesse caso não se possa sofrer as críticas de que não haveria previsão para aplicação da espécie na legislação fiscal. De todo modo, esse é um dos argumentos que sustentam os precedentes administrativos da referida Súmula n. 105 do CARF, assim como as duas decisões que se encontram proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria, retratadas por parte do voto do Ministro Humberto Martins no REsp 1496354, do qual se transcreve trecho representativo, em que também se orientou o acórdão do AgRg no REsp 1499389: “(…) Sistematicamente, notase que a multa do inciso II do referido artigo somente poderá́ ser aplicada quando não possível a multa do inciso I. Destacase que o inadimplemento das antecipações mensais do imposto de renda não implicam, por si só, a ilação de que haverá tributo devido. Os recolhimentos mensais, ainda que configurem obrigações de pagar, não representam, no sentido técnico, o tributo em si. Este apenas será apurado ao final do ano calendário, quando ocorrer o fato gerador. As hipóteses do inciso II, "a" e "b", em regra, não trazem novas hipóteses de cabimento de multa. A melhor exegese revela que não são multas distintas mas apenas formas distintas de aplicação da multa do art. 44, em consequência de, nos caso ali descritos, não haver nada a ser cobrado a título de obrigação tributária principal. As chamadas "multas isoladas", portanto, apenas servem aos casos em que não possam ser as multas exigidas juntamente com o tributo devido (inciso I), na medida em que são elas apenas formas de exigência das multas descritas no caput. Esse entendimento é corolário da lógica do sistema normative tributário que pretende prevenir e sancionar o descumprimento de obrigações tributárias. De fato, a infração que se pretende repreender com a exigência isolada da multa (ausência de recolhimento mensal do IRPJ e CSLL por estimativa) é completamente abrangida por eventual infração que acarrete, ao final do ano calendário, o recolhimento a menor dos tributos, e que dê azo, assim, à cobrança da multa de forma conjunta. Em se tratando as multas tributárias de medidas sancionatórias, aplicase a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente. Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 9101002.744 CSRFT1 Fl. 636 10 O princípio da consunção (também conhecido como Princípio da Absorção) é aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas típicas com existência de um nexo de dependência entre elas. Segundo tal preceito, a infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Sob este enfoque, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. (…)” Assim sendo, considerandose a linha ora adotada ou os próprios fundamentos dos precedentes da Súmula n. 105 do CARF, que neste caso se pautaram na compreensão da base de cálculo da multa isolada pela multa de ofício ou na aplicação do princípio da consunção, não se vê as alterações promovidas pela Lei n. 11.488 capazes de alterar tais circunstâncias e sustentar questionamentos quanto à aplicaçãoo da súmula a períodos posteriores a 2007, ano em que publicada a lei. Portanto, além de se estar aplicando o entendimento da Súmula CARF n. 105 para se afastar a imputação da multa isolada mesmo fundamentada no artigos 44, inciso II, alínea b, da Lei n. 9430/96., em função de sua concomitância com a multa de ofício pevista no inciso I do mesmo dispositivo, as razões para se decidir desta maneira caberiam ainda que não houvesse referido enunciado sumulado e que a autuação se refira a ano calendário posterior à Lei n. 11.488/2007. Por essa razão, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial, mantendose a decisão a quo no que diz respeito à extinção do crédito correspondente à multa isolada exigido nos presentes autos. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado. Não obstante as substanciosas razões apresentadas pela relatora, peço vênia para divergir do voto, tanto no exame de admissibilidade quanto no mérito. A matéria devolvida é possibilidade de se aplicar a multa isolada por insuficiência de estimativa mensal ao lado da multa de ofício, para fatos geradores posteriores a 2006. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 9101002.744 CSRFT1 Fl. 637 11 No que concerne à admissibilidade, transcrevo os fundamentos do despacho de exame de admissibilidade (efls. 559/560), que adoto como razão para decidir. Examinando os acórdãos paradigmas verificase que trazem o entendimento de que "a incidência de multa isolada aplicável na hipótese de falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL não elide a aplicação concomitante de multa de ofício calculada sobre diferenças do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual, por observarem previsões legais específicas." Consta no voto condutor do acórdão recorrido: A jurisprudência deste E. CARF e do C. STJ vai no sentido de que mesmo após edição da Lei 11.488/07, que alterou o artigo 44 da Lei 9.430/96, não é possível a aplicação concomitante da multa de oficio com a multa isolada sobre estimativa mensais de IRPJ e CSLL não recolhidas. [...] Vejamos. “Aduz a Fazenda Nacional que o acórdão embargado foi omisso quanto à possibilidade de aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada sobre estimativas mensais de IRPJ e CSLL não recolhidas após a mudança legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007) na redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Citado tema já foi apreciado por essa Turma de Julgamento, no Acórdão nº 1102001.226, por meio do qual se decidiu pela impossibilidade de aplicação da multa isolada em concomitância à multa de ofício, mesmo após o advento da Medida Provisória nº 351/07. [...] “Assim, a exegese que se extrai dos comandos legais contidos no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, mesmo após as alterações inseridas pela Lei nº 11.488/07, é aquela segundo a qual o lançamento da multa isolada pode ser feito em duas hipóteses: (i) Antes da apuração do tributo devido no balanço do final do anocalendário, quando a base para a imposição da multa observará um dos seguintes critérios: (i.1) o valor correspondente às antecipações não pagas calculadas a partir da margem setorial (o percentual definido em lei) da receita bruta acumulada; ou (i.2) o valor correspondente às antecipações não pagas calculadas a partir do balanço de redução ou suspensão (neste último caso, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL). (ii) Após a apuração do tributo devido no balanço do final do anocalendário, somente se ficar constatado que houve parcela daquele tributo devido que deixou de ser paga a forma de antecipação (quando deveria ter sido paga nesta forma), mas foi paga no ajuste. A base para a imposição da multa corresponderá exatamente ao valor da mencionada parcela. Não se admite, por óbvio, que tal base supere o valor do tributo devido apurado. Assim, há que se verificar se os valores de estimativa a pagar foram deduzidos na apuração anual. Em caso positivo, isto significa que o tributo devido não foi recolhido nem como estimativa nem como resultado do ajuste, portanto, não se trata de cobrar mula isolada, mas, sim, de cobrar o tributo Fl. 647DF CARF MF Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 9101002.744 CSRFT1 Fl. 638 12 acompanhado da multa proporcional. Em caso negativo, isto significa que o tributo não foi recolhido como estimativa, mas foi recolhido como resultado do ajuste, portanto, é cabível a multa isolada. Contudo, a base para a imposição da multa deverá corresponder ao valor da estimativa não paga que deixou de ser deduzida na apuração anual do imposto devido. Não se admite, também, que essa base supere o valor do imposto devido calculado na apuração anual.” Entendeu o Colegiado que a alteração da redação da norma referida pela Embargante não afasta a legitimidade da aplicação da teoria da consunção ao caso, porquanto não promoveu alteração do regime de apuração dos tributos em referência." O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que "a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ, mesmo apos as alterações no art. 44 da Lei n 9.430 de 1996, promovidas pela Lei 11.488/07." O enunciado da Súmula CARF nº 105, de 08.12.2014, determina que "a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício". Essa norma alcança os fatos geradores ocorridos até o anocalendário de 2006. Observese que as decisões reiteradas e uniformes do CARF que estão consubstanciadas em súmula são de observância obrigatória pelos membros do CARF, sob pena de perda de mandato de conselheiro (inciso VI do art. 45 e art. e art. 72 do Anexo II do RICARF). Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial pela PGFN. Portanto, voto no sentido de conhecer o recurso especial da PGFN. Passo ao exame do mérito. A princípio, vale discorrer sobre o lucro real, um dos regimes de tributação existentes no sistema tributário, atualmente regido pela Lei nº 9.430, de 1996, aplicado a partir do anocalendário de 1997: Capítulo I IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Seção I Apuração da Base de Cálculo Período de Apuração Trimestral Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 9101002.744 CSRFT1 Fl. 639 13 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. (grifei) No lucro real, podese optar pelo regime de apuração trimestral ou anual. Vale reforçar que é uma opção do contribuinte aderir ao regime anual ou trimestral. E, no caso do regime anual, a lei é expressa ao dispor sobre a apuração de estimativas mensais. Transcrevo redação vigente à época dos fatos geradores objeto da autuação: Lei nº 9.430, de 1996 Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. ................................................................................ Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. Observase, portanto, com base em lei, a obrigatoriedade de a contribuinte optante pelo regime de lucro real anual, apurar, mensalmente, imposto devido, a partir de base de cálculo estimada com base na receita bruta, ou por balanço ou balancete mensal, esta que, inclusive, prevê a suspensão ou redução do pagamento do imposto na hipótese em que o valor acumulado já pago excede o valor de imposto apurado ao final do mês. Contudo, a hipótese de não pagamento de estimativa deve atender aos comandos legais, no sentido de que os balanços ou balancetes deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário. Tratase de obrigação imposta ao contribuinte que optar pelo regime do lucro real anual. E o legislador, com o objetivo de tutelar a conduta legal, dispôs penalidade para o seu descumprimento. No caso, a prevista no art. 44 da mesma Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007): Fl. 649DF CARF MF Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 9101002.744 CSRFT1 Fl. 640 14 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (grifei) A sanção imposta pelo sistema é claríssima: caso descumprido o pagamento da estimativa mensal, cabe imputação de multa isolada, sobre a totalidade (caso em que não se pagou nada a título de estimativa mensal) ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do anocalendário. A sanção tem base legal. A sanção expressamente dispõe que é cabível ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL. E a nova redação, aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 22/01/2007 (o caso em debate), afastou qualquer dúvida sobre a possibilidade de aplicação concomitante das multas de ofício e das multas isoladas por insuficiência de estimativa mensal. As hipóteses de incidência que ensejam a imposição das penalidades da multa de ofício e da multa isolada em razão da falta de pagamento da estimativa são distintas, cada qual tratada em inciso próprio no art. 44 da Lei nº. 9.430, de 1996. Observase que os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, tratam de suportes fáticos distintos e autônomos, com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoa se ao final do anocalendário. Por sua vez, a multa isolada é apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou, ainda, mediante receita bruta acumulada mensalmente. Ou seja, são materialidades independentes, não havendo que se falar em concomitância. A matéria foi tratada exaustivamente no mencionado Acórdão nº 9101 002.438. de relatoria da Conselheira Adriana Gomes Rêgo, que de maneira precisa e objetiva, apresentou uma interpretação histórica, teleológica e sistêmica do dispositivo normativo. Transcrevo excerto no qual trata da não aplicação do princípio da consunção, no qual menciona entendimento da exConselheira Karem Jureidini Dias. Há argumentos no sentido de que o princípio da consunção veda a cumulação das penalidades. Dizem seus adeptos que o não recolhimento da estimativa mensal seria etapa preparatória da infração cometida no ajuste anual e, em tais circunstâncias o princípio da consunção autorizaria a subsistência, apenas, da penalidade aplicada sobre o tributo devido ao final do ano calendário, prestigiando o bem jurídico mais relevante, no caso, a arrecadação tributária, em confronto com a antecipação de Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 9101002.744 CSRFT1 Fl. 641 15 fluxo de caixa assegurada pelas estimativas. Ademais, como a base fática para imposição das penalidades seria a mesma, a exigência concomitante das multas representaria bis in idem, até porque, embora a lei tenha previsto ambas penalidades, não determinou a sua aplicação simultânea. E acrescentam que, em se tratando de matéria de penalidades, seria aplicável o art. 112 do CTN. Entretanto, com a devida vênia, discordo desse entendimento. Para tanto, aproveitome, inicialmente do voto proferido pela Conselheira Karem Jureidini Dias na condução do Acórdão nº 9101001.135, para trazer sua abordagem conceitual acerca das sanções em matéria tributária: [...] A sanção de natureza tributária decorre do descumprimento de obrigação tributária – qual seja, obrigação de pagar tributo. A sanção de natureza tributária pode sofrer agravamento ou qualificação, esta última em razão de o ilícito também possuir natureza penal, como nos casos de existência de dolo, fraude ou simulação. O mesmo auto de infração pode veicular, também, norma impositiva de multa em razão de descumprimento de uma obrigação acessória obrigação de fazer – pois, ainda que a obrigação acessória sempre se relacione a uma obrigação tributária principal, revestese de natureza administrativa. Sobre as obrigações acessórias e principais em matéria tributária, vale destacar o que dispõe o artigo 113 do Código Tributário Nacional: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” Fica evidente da leitura do dispositivo em comento que a obrigação principal, em direito tributário, é pagar tributo, e a obrigação acessória é aquela que possui características administrativas, na medida em que as respectivas normas comportamentais servem ao interesse da administração tributária, em especial, quando do exercício da atividade fiscalizatória. O dispositivo transcrito determina, ainda, que em relação à obrigação acessória, ocorrendo seu descumprimento pelo contribuinte e imposta multa, o valor devido convertese em conversão, a natureza da sanção aplicada permanece sendo administrativa, já que não há cobrança de tributo envolvida, mas sim a aplicação de uma penalidade em razão da inobservância de uma norma que visava proteger os interesses fiscalizatórios da administração tributária. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 9101002.744 CSRFT1 Fl. 642 16 Assim, as sanções em matéria tributária podem ter natureza (i) tributária principal quando se referem a descumprimento da obrigação principal, ou seja, falta de recolhimento de tributo; (ii) administrativa – quando se referem à mero descumprimento de obrigação acessória que, em verdade, tem por objetivo auxiliar os agentes públicos que se encarregam da fiscalização; ou, ainda (iii) penal – quando qualquer dos ilícitos antes mencionados representar, também, ilícito penal. Significa dizer que, para definir a natureza da sanção aplicada, necessário se faz verificar o antecedente da norma sancionatória, identificando a relação jurídica desobedecida. Aplicamse às sanções o princípio da proporcionalidade, que deve ser observado quando da aplicação do critério quantitativo. Neste ponto destacamos a lição de Helenilson Cunha Pontes a respeito do princípio da proporcionalidade em matéria de sanções tributárias, verbis: “As sanções tributárias são instrumentos de que se vale o legislador para buscar o atingimento de uma finalidade desejada pelo ordenamento jurídico. A análise da constitucionalidade de uma sanção deve sempre ser realizada considerando o objetivo visado com sua criação legislativa. De forma geral, como lembra Régis Fernandes de Oliveira, “a sanção deve guardar proporção com o objetivo de sua imposição”. O princípio da proporcionalidade constitui um instrumento normativo constitucional através do qual podese concretizar o controle dos excessos do legislador e das autoridades estatais em geral na definição abstrata e concreta das sanções”. O primeiro passo para o controle da constitucionalidade de uma sanção, através do princípio da proporcionalidade, consiste na perquirição dos objetivos imediatos visados com a previsão abstrata e/ou com a imposição concreta da sanção. Vale dizer, na perquirição do interesse público que valida a previsão e a imposição de sanção”. (in “O Princípio da Proporcionalidade e o Direito Tributário”, ed. Dialética, São Paulo, 2000, pg.135) Assim, em respeito a referido princípio, é possível afirmar que: se a multa é de natureza tributária, terá por base apropriada, via de regra, o montante do tributo não recolhido. Se a multa é de natureza administrativa, a base de cálculo terá por grandeza montante proporcional ao ilícito que se pretende proibir. Em ambos os casos as sanções podem ser agravadas ou qualificadas. Agravada, se além do descumprimento de obrigação acessória ou principal, houver embaraço à fiscalização, e, qualificada se ao ilícito somarse outro de cunho penal – existência de dolo, fraude ou simulação. A MULTA ISOLADA POR NÃO RECOLHIMENTO DAS ANTECIPAÇÕES A multa isolada, aplicada por ausência de recolhimento de antecipações, é regulada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, verbis: [...] A norma prevê, portanto, a imposição da referida penalidade quando o contribuinte do IRPJ e da CSLL, sujeito ao Lucro Real Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 9101002.744 CSRFT1 Fl. 643 17 Anual, deixar de promover as antecipações devidas em razão da disposição contida no artigo 2º da Lei nº 9.430/96, verbis: [...] A natureza das antecipações, por sua vez, já foi objeto de análise do Superior Tribunal de Justiça, que manifestou entendimento no sentido de considerar que as antecipações se referem ao pagamento de tributo, conforme se depreende dos seguintes julgados: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. CSSL. RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ESTIMATIVA. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. 1. "É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96" (AgRg no REsp 694278RJ, relator Ministro Humberto Martins, DJ de 3/8/2006). 2. A antecipação do pagamento dos tributos não configura pagamento indevido à Fazenda Pública que justifique a incidência da taxa Selic. 3. Recurso especial improvido.” (Recurso Especial 529570 / SC Relator Ministro João Otávio de Noronha Segunda Turma Data do Julgamento 19/09/2006 DJ 26.10.2006 p. 277) “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSSL APURAÇÃO POR ESTIMATIVA PAGAMENTO ANTECIPADO OPÇÃO DO CONTRIBUINTE LEI N. 9430/96. É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96. Precedentes: REsp 492.865/RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ25.4.2005 e REsp 574347/SC, Rel. Min. José Delgado, DJ 27.9.2004.Agravo regimental improvido.” (Agravo Regimental No Recurso Especial 2004/01397180 Relator Ministro Humberto Martins Segunda Turma DJ 17.08.2006 p. 341) Do exposto, inferese que a multa em questão tem natureza tributária, pois aplicada em razão do descumprimento de obrigação principal, qual seja, falta de pagamento de tributo, ainda que por antecipação prevista em lei. Debates instalaramse no âmbito desse Conselho Administrativo sobre a natureza da multa isolada. Inicialmente me filiei à corrente que entendia que a multa isolada não poderia prosperar porque penalizava conduta que não se configurava obrigação principal, tampouco obrigação acessória. Ou seja, mantinha o entendimento de que a multa em questão não se referia a Fl. 653DF CARF MF Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 9101002.744 CSRFT1 Fl. 644 18 qualquer obrigação prevista no artigo 113 do Código Tributário Nacional, na medida em que penalizava conduta que, a meu ver à época, não podia ser considerada obrigação principal, já que o tributo não estava definitivamente apurado, tampouco poderia ser considerada obrigação acessória, pois evidentemente não configura uma obrigação de caráter meramente administrativo, uma vez que a relação jurídica prevista na norma primária dispositiva é o “pagamento” de antecipação. Nada obstante, modifiquei meu entendimento, mormente por concluir que tratase, em verdade, de multa pelo não pagamento do tributo que deve ser antecipado. Ainda que tenha o contribuinte declarado e recolhido o montante devido de IRPJ e CSLL ao final do exercício, fato é que caberá multa isolada quando o contribuinte não efetua a antecipação deste tributo. Tanto assim que, até a alteração promovida pela Lei nº 11.488/07, o caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, previa que o cálculo das multas ali estabelecidas seria realizado “sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Frente a estas considerações, releva destacar que a penalidade em debate é exigida isoladamente, sem qualquer hipótese de agravamento ou qualificação e, embora seu cálculo tenha por referência a antecipação não realizada, sua exigência não se dá por falta de "pagamento de tributo", dado o fato gerador do tributo sequer ter ocorrido. De forma semelhante, outras penalidades reconhecidas como decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias são calculadas em razão do valor dos tributos devidos e exigidas de forma isolada. Enfim, transcrevo parte de conclusão do didático voto: A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, portanto, claramente fixou a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. Somente desconsiderandose todo o histórico de aplicação das penalidades previstas na redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, seria possível interpretar que a redação original não determinou a aplicação simultânea das penalidades. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". Ademais, quando o legislador estipula na alínea "b" do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente, claramente afirma a aplicação da penalidade mesmo se apurado lucro tributável e, por conseqüência, tributo devido sujeito à multa prevista no inciso I do seu art. 44. Acrescentese que não se pode falar, no caso, de bis in idem sob o pressuposto de que a imposição das penalidades teria a mesma base fática. Basta observar que as infrações ocorrem em diferentes momentos, o primeiro correspondente à apuração da estimativa com a finalidade de cumprir o requisito de antecipação do recolhimento imposto aos optantes pela apuração anual do lucro, e o segundo apenas na apuração do Fl. 654DF CARF MF Processo nº 10384.720878/201465 Acórdão n.º 9101002.744 CSRFT1 Fl. 645 19 lucro tributável ao final do anocalendário. A análise, assim, não pode ficar limitada, por exemplo, à omissão de receitas ou ao registro de despesas indedutíveis, especialmente porque, para fins tributários, estas ocorrências devem, necessariamente, repercutir no cumprimento da obrigação acessória de antecipar ou na constituição, pelo sujeito passivo, da obrigação tributária principal. A base fática, portanto, é constituída pelo registro contábil ou fiscal, ou mesmo sua supressão, e pela repercussão conferida pelo sujeito passivo àquela ocorrência no cumprimento das obrigações tributárias. Como esta conduta se dá em momentos distintos e com finalidades distintas, duas penalidades são aplicáveis, sem se cogitar de bis in idem. Portanto, em relação à multa isolada sobre estimativa mensal, não há reparos ao procedimento adotado pela autoridade fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 655DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.002335/2008-93
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 NULIDADE Não restou caracterizada nenhuma das hipóteses que poderiam macular a autuação pelo vício da nulidade, conforme previsto no art. 59 do Decreto 70.235/1972 - PAF, quais sejam, lançamento realizado por pessoa incompetente ou cerceamento do direito de defesa. Também não há que se cogitar de aplicação retroativa da Lei Complementar nº 105/2001, eis que todos os fatos geradores objeto do lançamento ocorreram durante o ano-calendário de 2004, e nem cabe suscitar qualquer outra ilegalidade em relação à aplicação da mencionada lei complementar, pois nem mesmo houve emissão de requisição específica para a obtenção de informações mais detalhadas sobre a movimentação financeira da Contribuinte, a chamada RMF, já que ela própria apresentou os extratos bancários à Fiscalização. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados.
Numero da decisão: 1802-000.979
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 NULIDADE Não restou caracterizada nenhuma das hipóteses que poderiam macular a autuação pelo vício da nulidade, conforme previsto no art. 59 do Decreto 70.235/1972 - PAF, quais sejam, lançamento realizado por pessoa incompetente ou cerceamento do direito de defesa. Também não há que se cogitar de aplicação retroativa da Lei Complementar nº 105/2001, eis que todos os fatos geradores objeto do lançamento ocorreram durante o ano-calendário de 2004, e nem cabe suscitar qualquer outra ilegalidade em relação à aplicação da mencionada lei complementar, pois nem mesmo houve emissão de requisição específica para a obtenção de informações mais detalhadas sobre a movimentação financeira da Contribuinte, a chamada RMF, já que ela própria apresentou os extratos bancários à Fiscalização. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10530.002335/2008-93
conteudo_id_s : 5756768
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1802-000.979
nome_arquivo_s : Decisao_10530002335200893.pdf
nome_relator_s : José de Oliveira Ferraz Corrêa
nome_arquivo_pdf_s : 10530002335200893_5756768.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
id : 6884786
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468529541120
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2065; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 362 1 361 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.002335/200893 Recurso nº 883.820 Voluntário Acórdão nº 180200.979 – 2ª Turma Especial Sessão de 03 de outubro de 2011 Matéria SIMPLES Recorrente DANILO COMERCIAL DE PEÇAS ELÉTRICAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 NULIDADE Não restou caracterizada nenhuma das hipóteses que poderiam macular a autuação pelo vício da nulidade, conforme previsto no art. 59 do Decreto 70.235/1972 PAF, quais sejam, lançamento realizado por pessoa incompetente ou cerceamento do direito de defesa. Também não há que se cogitar de aplicação retroativa da Lei Complementar nº 105/2001, eis que todos os fatos geradores objeto do lançamento ocorreram durante o anocalendário de 2004, e nem cabe suscitar qualquer outra ilegalidade em relação à aplicação da mencionada lei complementar, pois nem mesmo houve emissão de requisição específica para a obtenção de informações mais detalhadas sobre a movimentação financeira da Contribuinte, a chamada RMF, já que ela própria apresentou os extratos bancários à Fiscalização. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10530.002335/200893 Acórdão n.º 180200.979 S1TE02 Fl. 363 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho . Fl. 385DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10530.002335/200893 Acórdão n.º 180200.979 S1TE02 Fl. 364 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS e à Contribuição para Seguridade Social INSS, conforme os autos de infração de fls. 3 a 62, lavrados de acordo com o regime de tributação simplificada – SIMPLES, nos valores de R$ 68.753,48, R$ 68.753,48, R$ 109.769,96, R$ 219.540,12 e R$ 446.424,16, respectivamente, incluindose nestes montantes os juros moratórios e a multa de 75%. Por muito bem descrever os fatos, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão nº 1522.177, fls. 327 a 331: A autuação é decorrente de omissão de receita, proveniente de valores de depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada, relativamente aos fatos geradores compreendidos entre 01/01/2004 e 31/12/2004. Os créditos bancários pendentes de comprovação estão discriminados no demonstrativo de fls. 69 a 103, e são de contas correntes mantidas pela empresa no Banco do Brasil, Banco Real e Bradesco. A descrição do procedimento de ofício que resultou na presente autuação se encontra no Termo de Verificação de Infração (TVI), às fls. 63/68. Consta do TVI que a ação fiscal começou em 18/10/2007, conforme MPFF (fl. 02), e Termo de Início de Fiscalização (fl. 104), solicitando apresentação do livro caixa; extratos bancários; relação de bens e direitos do Ativo Permanente, no prazo de 20 (vinte) dias. A contribuinte apresentou dois pedidos de dilação de prazo para apresentar os extratos bancários, em face de atraso dos bancos na entrega dos mesmos; um em 19/10/2007 (fl. 105); e outro em 05/11/2007 (fl. 106), tendo apresentado cópia das correspondências enviadas aos bancos retromencionados. Informase no TVI que a Fiscalização, de posse dos extratos bancários, relacionou os valores creditados/depositados nas contas corrente e de investimento da empresa, conforme demonstrativo anexo ao Termo de Intimação nº 001, cientificado em 25/01/2008 (fls. 70/103 e 104), intimando a contribuinte para comprovar com documentação hábil e idônea a origem dos recursos aplicados nessas operações, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Nesse demonstrativo a Fiscalização informa que foi feita a devida conciliação bancária, para afastar Fl. 386DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10530.002335/200893 Acórdão n.º 180200.979 S1TE02 Fl. 365 4 a hipótese de duplicidade de lançamento tributário para um mesmo depósito. Consta do TVI que por três vezes sucessivas a contribuinte pediu dilação de prazo de 20 (vinte) dias para entrega dos documentos comprobatórios, sendo a primeira em 07/02/2008; a segunda em 29/02/2008 e a terceira em 14/03/2008 (vide fls. 108 a 111). Esgotado o prazo para apresentação da documentação que comprovasse a origem dos depósitos e créditos bancários relacionados pela Fiscalização, a contribuinte foi autuada por omissão de receita, resultante da diferença entre receita bruta proveniente dos depósitos (R$ 4.537.368,79) e a declarada na Declaração Anual Simplificada da Pessoa Jurídica DSPJ Simples (R$ 521.303,85), com fundamento, entre outros, no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme demonstrativo à fl. 66. Como o montante da receita bruta apurada pela Fiscalização superou o limite legal para a empresa de pequeno porte (EPP), no AC/2004, a contribuinte foi excluída do Simples, a partir de 1º/01/2005, conforme Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 22, de 05/08/2008 (fl. 134). Em 24/07/2008, a contribuinte tomou ciência dos autos de infração através de AR (fl. 137). Em 25/08/2008, apresentou as impugnações de fls. 139/297, todas de igual teor, sendo uma para cada tributo do Simples. Os argumentos trazidos pela impugnante estão resumidos nos itens a seguir: (i) Em preliminar, a autuação deve ser declarada nula, em face da prova ilegalmente produzida, pela quebra do sigilo bancário, constitucionalmente protegido, em conformidade com o art. 5º, incisos X e XII, da CF/1988. Assim, o acesso do Fisco à movimentação bancária dos contribuintes dependeria de prévia autorização judicial, segundo entendimento consagrado na doutrina e jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF). (ii) E ainda que se considere constitucional a malfadada LC nº 105/2001, os seus efeitos se aplicariam apenas aos fatos geradores posteriores à sua vigência, que não foi o caso da presente autuação, maculando de nulidade o procedimento fiscal. (iii) No mérito, discorre que seria insubsistente o lançamento tributário fundamentado apenas em extratos bancários, por só refletir suposição de receitas omitidas. Além disso, a movimentação bancária detectada nas contas correntes da impugnante decorrem de atividade econômica própria e de terceiros, tratandose por vezes de quantia isenta; não tributada; ou já oferecida à tributação; ou em trânsito na conta corrente, não implicando em acréscimo patrimonial apto à incidência do imposto de renda. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10530.002335/200893 Acórdão n.º 180200.979 S1TE02 Fl. 366 5 (iv) Neste contexto, reforça que depósitos bancários por si sós evidenciam apenas mobilidade de recursos. A integração de tais recursos no patrimônio do titular é que constitui receita ou rendimento tributável, incumbindo ao Fisco a sua comprovação. E que a imposição para que o contribuinte justifique cada ingresso e cada gasto seu é uma invasão da vida privada do cidadão que o ordenamento jurídico não permite. Sendo isso que o sigilo bancário visa coibir. (v) Alega ainda que a autuação é ilegal, haja vista que a Lei nº 11.307, de 2006, entrou em vigor a partir de 01/01/2006, não podendo retroagir para alcançar fatos geradores do ano calendário de 2004, implicando na improcedência de todo o lançamento. (vi) Requer, ante o exposto, que se acate a presente impugnação para efeito de cancelamento dos autos de infração, por declaração de nulidade, ou, em caso de superação desta, por decretação da sua total improcedência. Como mencionado, a DRJ Salvador/BA considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS A existência de depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada pela pessoa jurídica regularmente intimada autoriza o lançamento de ofício por omissão de receitas. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL A instituição de uma presunção pela lei tributária remete ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido não aconteceu em seu caso particular. EXTRATOS BANCÁRIOS APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INEXISTÊNCIA Inexiste quebra do sigilo bancário quando baseada a autuação em extratos bancários fornecidos pelo próprio contribuinte. SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. LIMITE DE RECEITA BRUTA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA A pessoa jurídica que ultrapassou o limite de receita bruta previsto para a empresa de pequeno porte no anocalendário de 2004 estará excluída do Simples a partir de 1º/01/2005. Na falta Fl. 388DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10530.002335/200893 Acórdão n.º 180200.979 S1TE02 Fl. 367 6 de contestação expressa à exclusão de oficio, considerase definitivo o ato na esfera administrativa. NULIDADE FORMAL. INOCORRÊNCIA Inexiste nulidade quando o auto de infração se encontra revestido das formalidades legais e foi garantido o direito de defesa na impugnação. CONSTITUCIONALIDADE DA NORMA. COMPETÊNCIA Na instância administrativa não se discute a constitucionalidade de atos legais, por ser uma competência exclusiva do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 11/02/2010, a Contribuinte apresentou em 11/03/2010 o recurso voluntário de fls. 337 a 360, onde reitera as mesmas razões de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores, acrescentando ainda os seguintes argumentos: a decisão guerreada decretou a definitividade da exclusão da Recorrente do Simples, sob suposta superação do limite de receita bruta no anocalendário de 2004; a decisão combatida pretende reputar a Recorrente excluída do regime simplificado, com efeitos retroativos, é dizer, desde 01/01/2005, sob argumento de ter restado a matéria referida como não impugnada na defesa; tal tema, entretanto, não integra o objeto da lide presente, razão pela qual não se mostra apto a ser tratado na decisão combatida, ou qualquer outra exarada no PAF sub oculi; o PAF em causa tem como objeto a exigência de tributos e contribuições integrantes do plexo impositivo calculado sob o regime do Simples da Lei n° 9.317/96, cabendo, tanto à defesa da contribuinte, quanto à decisão do órgão julgador, tratar exclusiva e unicamente dos requisitos e elementos de geração da obrigação tributária e constituição do crédito respectivo; neste diapasão, trilhando a decisão impugnada por matéria que não integra a lide, caracterizase o julgamento extra petita, nulo de pleno direito. Sua nulidade constitui error in procedendo que deve ser decretado pela jurisdição, seja administrativa, seja judicial, inclusive de oficio, como já decidiu o Egrégio STJ; nem poderia, no caso em epígrafe, a exclusão do Simples ser objeto da decisão guerreada, na medida em que, consoante a norma de regência, o ato de exclusão requer processo administrativo específico, nos termos do art. 15, §3º da Lei n° 9.317/96, e art. II da Portaria SRF n° 6.129/05; nada obstante, ainda que se cogitasse pudesse a decisão combatida enveredar por temática estranha ao objeto da lide, é de se registrar que a exclusão do Simples, Fl. 389DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10530.002335/200893 Acórdão n.º 180200.979 S1TE02 Fl. 368 7 em qualquer hipótese, não pode retroagir a data qualquer, havendo de produzir efeitos, rigorosamente, a posteriori da data de sua edição; os efeitos exclusivamente prospectivos do ato de exclusão do Simples já foram amplamente analisados e confirmados pelos nossos tribunais; sendo, portanto, extra petita a decisão atacada, como é, e, ainda, carecendo o ato de exclusão do Simples de processo administrativo específico, e impassível de retroação tal decisão, em qualquer hipótese, há de ser dada como nulo o acórdão guerreado, o que desde logo se requer. Este é o Relatório. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10530.002335/200893 Acórdão n.º 180200.979 S1TE02 Fl. 369 8 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a matéria em litígio diz respeito a lançamento para a exigência de tributos abrangidos pelo regime de tributação simplificada – Simples, no período de janeiro a dezembro de 2004. A autuação está fundamentada em omissão de receita apurada com base em depósitos bancários com origem não comprovada. Pela alteração nas faixas de receita bruta acumulada e, conseqüentemente, nos percentuais para a apuração do Simples, a omissão de receita repercutiu em uma outra infração a insuficiência de recolhimento sobre a receita declarada, que também foi objeto de lançamento. PRELIMINARES Quanto às preliminares, não vislumbro nenhuma das hipóteses que poderiam macular as autuações com o vício da nulidade, conforme previsto no art. 59 do Decreto 70.235/1972 – PAF, quais sejam, lançamento realizado por pessoa incompetente ou cerceamento do direito de defesa. No caso concreto, observo que a Contribuinte teve a ciência de todos os termos e autos de infração que compõe o processo, e que neles estão claramente descritos os fatos que motivaram o lançamento e as infrações que lhe foram imputadas, bem como as disposições legais infringidas. Além disso, os créditos bancários pendentes de comprovação estão discriminados no demonstrativo de fls. 69 a 103, e correspondem a dados que foram extraídos dos próprios documentos apresentados pela Contribuinte. Portanto, foram asseguradas todas as condições para que ela pudesse exercer plenamente o seu direito de defesa. O trabalho fiscal está fundamentado no art. 42 da Lei 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Durante a auditoria fiscal, a Contribuinte, após apresentar os extratos bancários à Fiscalização, foi intimada e reintimada a comprovar a origem dos recursos Fl. 391DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10530.002335/200893 Acórdão n.º 180200.979 S1TE02 Fl. 370 9 depositados em suas contas bancárias, e, não o fazendo, incorreu na presunção legal de omissão de receitas, que deu base às autuações ora combatidas. No caso em questão, ao contrário do alegado pela Recorrente, não há que se cogitar de aplicação retroativa da Lei Complementar nº 105/2001, eis que todos os fatos geradores objeto do lançamento ocorreram durante o anocalendário de 2004. Também não cabe suscitar qualquer outra ilegalidade em relação à aplicação da mencionada lei complementar, pois nem mesmo houve emissão de requisição específica para a obtenção de informações mais detalhadas sobre a movimentação financeira da Contribuinte, a chamada RMF, já que ela própria apresentou os extratos bancários à Fiscalização. Em relação à aplicação retroativa da Lei 11.307/2006, o argumento da Contribuinte se sustenta no seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 66: 3.1.3 ALÍQUOTAS APLICADAS Como a contribuinte apresentou Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES a diferença constituise em OMISSÃO DE RECEITAS e sobre a qual foram aplicados os percentuais progressivos fixados em relação à receita bruta acumulada, conforme, determina o Art 9º inciso I e II da Lei 9.317/96, c/c a nova redação constante dos parágrafos 2° e 3° do art. 1° da Lei n° 11.307/2006, in verbis: Ocorre que esse mesmo Termo de Verificação Fiscal e todos os outros demonstrativos que integram o auto de infração não deixam qualquer dúvida de que os dispositivos aplicados para a apuração do tributo foram extraídos da Lei 9.317/96, conforme o texto vigente à época dos fatos geradores, e a simples menção das alterações promovidas nestes dispositivos pela Lei 11.307/2006 não tem o condão de ensejar qualquer nulidade pelo vício de aplicação retroativa de lei. A decisão de primeira instância já esclareceu bem a questão: De fato, consta no subitem 3.1.3 do Termo de Verificação Fiscal a citação dos §§ 2º e 3º do art. 1º da Lei nº 11.307, de 2006, que estabelecem o limite de receita bruta para a microempresa do Simples e o acréscimo de 20% (vinte por cento) para a empresa (EPP) que ultrapasse o limite de receita bruta dentro do ano calendário. Porém, nenhum dispositivo da referida lei foi aplicado aos autos de infração in lide. Tanto que não se vê no conjunto da legislação que fundamenta os autos de infração, às fls. 03 a 62, qualquer menção aos §§ 2º e 3º do art. 1º da Lei nº 11.307, de 2006. No “Demonstrativo de Percentuais Aplicados sobre a Receita Bruta” (fls. 08/09), para determinação do Simples devido, o enquadramento legal relativo aos percentuais que incidiram sobre a receita bruta apurada pelo Fisco se refere à Lei nº 9.317, de 1996, e à Lei nº 9.732, de 1998, denotando que a fundamentação legal é da época dos fatos geradores, ocorridos Fl. 392DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10530.002335/200893 Acórdão n.º 180200.979 S1TE02 Fl. 371 10 no AC/2004, não havendo qualquer indício de retroatividade de lei. A propósito, é informatizada a lavratura dos autos de infração de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), uma vez que utiliza o sistema SAFIRA, em que a legislação pertinente às diversas infrações fiscais é acumulada na memória do sistema ao largo do tempo. Assim, quando o sistema é alimentado com os dados da infração apurada, tais como: valor do tributo, tipo de infração; data do fato gerador; etc; o sistema associa automaticamente os dados à fundamentação legal correspondente, como se deu no caso presente, precavendo eventual ocorrência de lapsos do tipo alegado. Desse modo, os autos de infração são procedentes e devem prosperar. Deste modo, rejeito todas as preliminares suscitadas. MÉRITO Quanto ao mérito, é oportuno registrar que, realmente, antes da introdução do art. 42 da Lei 9.430/1996 (acima transcrito), era maior o ônus da prova que incumbia à Fiscalização para autuação com base em depósitos bancários. No caso do IRPJ, por exemplo, para que eles configurassem renda tributável, era necessário que fosse comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, por meio de aplicações em imóveis, carros e outros bens próprios, ou em beneficio pessoal do contribuinte. A tributação com fulcro na Lei nº 8.021/1990, de fato, exigia necessários esforços por parte da Fiscalização, capazes de transformar uma presunção em definitiva certeza. Isto porque, até então, os depósitos bancários apenas retratavam indício de omissão, não tendo o condão de caracterizar, por si só, a omissão de receitas. Assim, na ausência de uma hipótese específica de presunção legal, cabia à Fiscalização demonstrar, de forma cabal, que os valores depositados nas contas bancárias da Contribuinte correspondiam efetivamente a rendimentos próprios, não oferecidos à tributação. Todavia, a partir da Lei nº 9.430/96, caso o Contribuinte, regularmente intimado para tanto, não comprove com documentação hábil e idônea a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, este fato, por si só, já basta para caracterizar omissão de receita, por força da presunção legal. Deste modo, não procedem os argumentos desenvolvidos na peça de defesa, porque atinentes a um contexto normativo diferente do atual, no qual a valoração da prova em relação à omissão de receitas seguia outros critérios legais. É importante registrar que nos trabalhos de auditoria sobre movimentação financeira, a Fiscalização analisa os extratos bancários apresentados pelos próprios Contribuintes, ou obtidos junto às instituições financeiras, e com base nas informações constantes destes extratos é que intima o Contribuinte a comprovar a origem dos depósitos, após o expurgo de valores cuja origem já resta comprovada pelo próprio extrato (transferências entre contas de mesma titularidade, rendimentos de aplicações financeiras, empréstimos, etc), e que não representam receitas. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10530.002335/200893 Acórdão n.º 180200.979 S1TE02 Fl. 372 11 A comprovação de origem dos demais valores constantes dos extratos, por sua vez, já configura um segundo passo durante o procedimento fiscal, a cargo do Contribuinte, comprovação essa que deve ser feita a partir de seus livros e de documentos que justifiquem os registros realizados e indiquem a origem dos valores depositados em suas contas bancárias (notas fiscais, contratos, etc.). Nestes termos, o dever de apresentação destes outros documentos, que trazem informações que vão além das contidas nos documentos bancários, incumbe à Contribuinte, e seu descumprimento não pode definitivamente ser imputado à Fiscalização, nem mesmo em razão do art. 142 do CTN. Com efeito, é a Contribuinte que deve de antemão saber a origem dos valores que transitaram em suas contas bancárias. Vêse que os valores lançados estão individualizados na planilhas de fls. 69 a 103. A Fiscalização, após realizar a conciliação bancária (expurgo de estornos de lançamentos, de transferências entre contas de mesma titularidade e de outros valores que não configuram receita da empresa), elaborou Planilhas de Movimentação Financeira, arrolando os valores creditados nas contas correntes bancárias, cuja origem deveria ser comprovada mediante a apresentação de documentos coincidentes em datas e valores. Mas a Contribuinte não identificou qualquer valor que tenha sido indevidamente incluído no levantamento fiscal, fazendo apenas alegações genéricas, o que não é suficiente para afastar a presunção legal contida no art. 42 da Lei 9.430/1996. ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES Finalmente, quanto às considerações sobre o ato de exclusão do Simples – “ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO N° 22, DE 05 DE AGOSTO DE 2008”, que foi motivado pelo excesso de receitas no ano de 2004 (em conseqüência da autuação ora examinada), cabe registrar que a Contribuinte foi cientificada dele em 12/09/2008 (fls. 134/138). Anteriormente, em 24/07/2008, a Contribuinte já havia tomado ciência dos autos de infração examinados nos parágrafos anteriores, e toda a contestação apresentada veio para se contrapor a estes lançamentos, mediante as impugnações de fls. 139/297, apresentadas em 25/08/2008. Não houve posteriormente uma manifestação de inconformidade específica contra o ato de exclusão. Ocorre que mesmo não havendo esta contestação específica, os autos de infração constituem o próprio fundamento da exclusão, configurando matéria prejudicial em relação a ela. Assim, caso fosse rejeitada a omissão de receitas analisada anteriormente, o excesso de receitas em 2004 também não subsistiria, pois perderia totalmente o seu fundamento, e a exclusão seria revertida. Foi nesse contexto que a Delegacia de Julgamento observou a ausência de contestação expressa em relação ao ato de exclusão, que trouxesse outras questões além das apresentadas nas referidas impugnações contra os autos de infração. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10530.002335/200893 Acórdão n.º 180200.979 S1TE02 Fl. 373 12 Em relação a essas outras questões que poderiam ser opostas especificamente ao ato de exclusão, realmente era cabível a aplicação do art. 17 do Decreto nº 70.235/1972 – PAF, já que não houve litígio instaurado nem neste, nem em qualquer outro processo, uma vez que a Contribuinte não contestou diretamente aquele ato. Portanto, não houve o alegado julgamento extra petita, a ensejar a nulidade da decisão recorrida, eis que o seu escopo foi simplesmente registrar que os fundamentos da exclusão estavam mantidos. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte pretende questionar o alcance temporal do ato de exclusão, alegando que o Ato Declaratório Executivo nº 22, cientificado em 12/09/2008, mas com efeitos a partir de 01/01/2005, não poderia abranger períodos anteriores à sua edição. Como visto acima, tratase de matéria preclusa, já que estas questões deveriam ter sido apresentadas na etapa processual anterior. De qualquer modo, a título de esclarecimento, vale mencionar que o art. 15, IV, da Lei 9.317/1996 é bastante explícito ao definir que a exclusão do Simples surtirá efeito: Art. 15 (...) IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°; Portanto, os efeitos a partir de 01/01/2005 decorreram direta e expressamente do comando dado pela lei, não cabendo argüir ilegalidade do ato declaratório por retroatividade. É preciso destacar que o legislador optou por não exigir procedimento administrativo prévio para o enquadramento no Simples. Assim, os contribuintes ingressam e se mantém no sistema independentemente de qualquer autorização ou fiscalização prévia por parte do Fisco, por sua conta e risco, mas em contrapartida ficam sujeitos às conseqüências das irregularidades cometidas. Esse é o custo da agilidade e da facilidade para o ingresso no sistema simplificado, e os efeitos temporais da exclusão estão literalmente previstos no texto da lei, não havendo margem para dúvidas. Finalmente, cabe observar que a juntada do ato de exclusão ao presente processo nenhum prejuízo causou à Contribuinte. De acordo com o art. 15, § 3º, do Decreto 70.235/1972, citado por ela no recurso, a exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, devendo lhe ser assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. No caso, vêse que a Contribuinte foi devidamente cientificada do ato de exclusão, e simplesmente deixou de contestálo. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10530.002335/200893 Acórdão n.º 180200.979 S1TE02 Fl. 374 13 Por sua vez, o art. 1º, II, da Portaria SRF 6.129/2005, também citado pela Recorrente, quando determina que serão objeto de um único processo administrativo o ato de exclusão do Simples e os lançamentos dele decorrentes (abrangendo períodos posteriores àquele em que foi constatada a situação impeditiva), pretende simplesmente evitar decisões contraditórias, já que a exclusão é questão prejudicial daqueles lançamentos, os quais já são realizados no regime normal de tributação (justamente em conseqüência da exclusão). Mas não se tem notícia, nos presentes autos, de lançamento sobre períodos subseqüentes àquele em que foi constatada a situação impeditiva (2005 em diante). No caso em questão, a autuação sobre fatos geradores ocorridos em 2004, ainda no regime simplificado, é que configura questão prejudicial ao ato de exclusão, eis que é desta autuação que decorre o excesso de receitas naquele ano, e a juntada do ato de exclusão neste processo não trouxe qualquer prejuízo à Contribuinte. Pelo contrário, ela foi realizada em seu benefício, uma vez que, mesmo não havendo contestação específica contra o ato de exclusão, caso fosse afastada a omissão de receitas em 2004, o excesso de receitas naquele ano também não subsistiria, pois perderia o seu fundamento, e a exclusão seria automaticamente revertida. Mas como os lançamentos foram mantidos, essa reversão não ocorreu. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas, e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 396DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725388/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Não procedem as alegações de nulidade quando a decisão recorrida enfrentou adequadamente o mérito, sem que se vislumbre qualquer afronta ao direito de defesa do contribuinte.
IRPF. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. UNIÃO. LEGITIMIDADE.
A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo.
IRPF. FONTE PAGADORA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF N° 12
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. SÚMULA CARF N° 73.
Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos.
IRPF. JUROS MORATÓRIOS. VERBAS TRABALHISTAS RECEBIDAS EM ATRASO.
Os juros moratórios decorrentes de rendimentos recebidos acumuladamente submetem-se à incidência do imposto sobre a renda da pessoa física, salvo se vinculados a hipóteses de despedida ou rescisão do contrato de trabalho ou nos casos em que a verba principal da qual decorram seja isenta ou esteja fora do campo de incidência desse tributo.
Numero da decisão: 2401-005.038
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar as preliminares. No mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial, para excluir a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 73. Vencidos o relator e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir o imposto apurado sobre os juros. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Redatora Designada.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005, 2006 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando a decisão recorrida enfrentou adequadamente o mérito, sem que se vislumbre qualquer afronta ao direito de defesa do contribuinte. IRPF. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. UNIÃO. LEGITIMIDADE. A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo. IRPF. FONTE PAGADORA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF N° 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. SÚMULA CARF N° 73. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. IRPF. JUROS MORATÓRIOS. VERBAS TRABALHISTAS RECEBIDAS EM ATRASO. Os juros moratórios decorrentes de rendimentos recebidos acumuladamente submetem-se à incidência do imposto sobre a renda da pessoa física, salvo se vinculados a hipóteses de despedida ou rescisão do contrato de trabalho ou nos casos em que a verba principal da qual decorram seja isenta ou esteja fora do campo de incidência desse tributo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 04 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10580.725388/2010-13
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5764962
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 04 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-005.038
nome_arquivo_s : Decisao_10580725388201013.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RAYD SANTANA FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10580725388201013_5764962.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar as preliminares. No mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial, para excluir a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 73. Vencidos o relator e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir o imposto apurado sobre os juros. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Redatora Designada. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
id : 6916788
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468566241280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1927; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 402 1 401 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.725388/201013 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.038 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de agosto de 2017 Matéria IRPF Recorrente THERESA CRISTINA PINTO REBOUÇAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando a decisão recorrida enfrentou adequadamente o mérito, sem que se vislumbre qualquer afronta ao direito de defesa do contribuinte. IRPF. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. UNIÃO. LEGITIMIDADE. A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo. IRPF. FONTE PAGADORA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF N° 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. SÚMULA CARF N° 73. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. IRPF. JUROS MORATÓRIOS. VERBAS TRABALHISTAS RECEBIDAS EM ATRASO. Os juros moratórios decorrentes de rendimentos recebidos acumuladamente submetemse à incidência do imposto sobre a renda da pessoa física, salvo se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 53 88 /2 01 0- 13 Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10580.725388/201013 Acórdão n.º 2401005.038 S2C4T1 Fl. 403 2 vinculados a hipóteses de despedida ou rescisão do contrato de trabalho ou nos casos em que a verba principal da qual decorram seja isenta ou esteja fora do campo de incidência desse tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10580.725388/201013 Acórdão n.º 2401005.038 S2C4T1 Fl. 404 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar as preliminares. No mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento parcial, para excluir a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 73. Vencidos o relator e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir o imposto apurado sobre os juros. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora Designada. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10580.725388/201013 Acórdão n.º 2401005.038 S2C4T1 Fl. 405 4 Relatório THERESA CRISTINA PINTO REBOUÇAS, contribuinte, pessoa física, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 3a Turma da DRJ em Salvador/BA, Acórdão nº 1527.147/2011, às efls. 120/126, que julgou procedente o Auto de Infração exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da classificação indevida de rendimentos na DIRPF, em relação aos exercícios 2006 e 2007, conforme peça inaugural do feito, às efls. 02/09, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 17/06/2010 (AR. efl. 29), nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrentes do seguinte fato gerador: a) CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS DA DIRPF RENDIMENTOS CLASSIFICADOS INDEVIDAMENTE NA DIRPF. O Sujeito passivo classificou indevidamente como Isentos e Não Tributáveis na Declaração de Ajuste os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, CNPJ 13.100.722/000160, a título de "Valores Indenizatórios de URV", a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. Tais rendimentos decorem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Ordinária do Estado da Bahia n° 8.730, de 08 de setembro de 2003. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 129/225, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, preliminarmente pugnando pela nulidade do lançamento em virtude do ilegal procedimento do fisco federal, que procedeu à autuação em pessoa estranha a relação jurídica tributária, deixando de considerar o efetivo sujeito passivo, no caso, o responsável, substituto tributário. Afirma que os valores recebidos a título de diferenças de URV não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; Aduz ter o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconhecido a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda, tratamento extensivo aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; Alega que o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10580.725388/201013 Acórdão n.º 2401005.038 S2C4T1 Fl. 406 5 indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; Explicita ser os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; Esclarece nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; Explica que parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; Ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; e Assevera que mesmo se tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. Em 13 de agosto de 2013, a 2° Turma Ordinária da 1° Câmara, entendeu por bem julgar procedente o recurso, exonerando o crédito tributário, não se tratando de verba de natureza salarial, afastando a incidência do imposto de renda, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 2102002.636, de efls. 303/308, sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IRPF. NÃO INCIDÊNCIA. URV. RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002.INTEGRANTES DO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. Os valores pagos aos integrantes do ministério público federal a título de diferença de URV foram excluídos da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, nos termos da Resolução STF nº 245/2002 e Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Juridicamente não é razoável sonegar tal Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10580.725388/201013 Acórdão n.º 2401005.038 S2C4T1 Fl. 407 6 interpretação às diferenças pagas ao mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso Provido Regularmente intimada e inconformada com a Decisão acima, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial, às efls. 310/318, pleiteando a manutenção do lançamento, e conseguinte reforma da Decisão. Por sua vez, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais entendeu por bem julgar procedente o recurso especial da fazenda para considerar as verbas recebidas a título de "Valores Indenizatórios da URV" consistem em diferenças salariais sujeitas a incidência de imposto de renda, com retorno dos autos à turma a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 9202004.209/2016, de efls. 375/392. Após regular processamento, os autos fora distribuídos a este Conselheiro, para relato e inclusão em pauta, o que fazemos nesta assentada. É o Relatório. Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10580.725388/201013 Acórdão n.º 2401005.038 S2C4T1 Fl. 408 7 Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator. Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço dos recursos e passo ao exame das alegações recursais. DELIMITAÇÃO DA LIDE Tratase de retorno dos autos da Câmara Superior para análise das demais questões constantes do Recurso Voluntário não apreciadas na primeira oportunidade, tais como: nulidade da decisão de primeira instância, ilegitimidade ativa da União, legitimidade da fonte pagadora, quebra do principio da capacidade contributiva, ilegitimidade passiva e demais questões de mérito. Também é imprescindível mencionar que não iremos adentrar ao mérito quanto a natureza da verba, e conseqüente, incidência do Imposto de Renda, pois esta matéria já fora tratada em oportunidade pretérita, bem como no Acórdão do Recurso Especial. Da mesma forma, merece esclarecer que o imposto foi calculado de acordo com Parecer PGFN/CRJ/N 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009 (regime de competência). PRELIMINARES NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A recorrente reclama a nulidade do acórdão da DRJ, dado que não teria enfrentado questões suscitadas na impugnação. No entanto, não lhe assiste razão neste quesito. No tocante à legitimidade da União, assim se pronunciou a decisão recorrida: É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Em que pese a irresignação da contribuinte, entendemos que a questão foi enfrentada. Ora, ao constatar que "tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento, é da competência da União", dizse, em outra palavras, que a União tem legitimidade ativa para exigir o tributo em causa. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10580.725388/201013 Acórdão n.º 2401005.038 S2C4T1 Fl. 409 8 Também em sede preliminar, é apontado o não enfrentamento da alegação da quebra de capacidade contributiva, argumento que rejeito por partilhar do entendimento, preponderante neste colegiado, de que não está o órgão julgador obrigado a se manifestar sobre todos os argumentos expostos pelas partes, mormente quando já encontrou motivos suficientes e relevantes para fundamentar a decisão. Observase que a decisão recorrida enfrentou adequadamente a questão de mérito, decidindo pela incidência do imposto de renda sobre as diferenças de remuneração quando da conversão de cruzeiro real para unidade real de valor – URV. Ademais, a preliminar não constitui o cerne das razões da irresignação e será oportunamente abordada neste julgamento, sem se vislumbrar qualquer prejuízo à ampla defesa em razão de sua não apreciação na instância a quo. Digase ainda que, no âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Portanto, inexiste vício na decisão guerreada que pudesse ocasionar violação ao direito de defesa da Autuada, devendo ser rejeitada a preliminar de nulidade. ILEGITIMIDADE DA UNIÃO A competência tributária é o poder constitucionalmente atribuído aos entes federados para editar leis que instituam tributos. Compreende dois poderes: o poder de instituição de tributo e o poder de cobrança do mesmo. Para o imposto de renda, a competência tributária é estabelecida pela Constituição Federal/1988 no seu art. 153: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I importação de produtos estrangeiros; II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; [...] (grifamos) Assim, é da União a competência tributária plena para instituir, arrecadar, fiscalizar e executar o imposto de renda. Por sua vez, o art. 157, inciso I, da Constituição Federal de 1988, promove a repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados, determinando, no caso, que aos estados membros pertence o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza, incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem. Nesta seara, destacase o parágrafo único, do art. 6° do Código Tributário Nacional (CTN), in verbis: Art. 6º A atribuição constitucional de competência tributária compreende a competência legislativa plena, ressalvadas as Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10580.725388/201013 Acórdão n.º 2401005.038 S2C4T1 Fl. 410 9 limitações contidas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados e nas Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos Municípios, e observado o disposto nesta Lei. Parágrafo único. Os tributos cuja receita seja distribuída, no todo ou em parte, a outras pessoas jurídicas de direito público pertencerá à competência legislativa daquela a que tenham sido atribuídos. Assim, a repartição da receita em nada afeta a competência tributária do ente eleito pela Constituição como titular do poder de tributar relativo a determinado tributo. No caso do Imposto de Renda, a competência para instituir, arrecadar e fiscalizar o imposto sobre a renda é da União, a teor do que estabelece o art. 153, inciso III, da Constituição Federal. Por esta razão, rejeitase a alegação de ilegitimidade ativa da União reclamada pela contribuinte ILEGITIMIDADE PASSIVA RESPONSABILIDADE FONTE PAGADORA Importa observar que, nos autos deste procedimento administrativo fiscal, não se está discutindo a falta de retenção do imposto de renda pela fonte mas, sim, o fato de a recorrente ter omitido da tributação, na declaração de ajuste anual, rendimentos auferidos nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. Neste caso, cabe ao contribuinte, como titular da disponibilidade econômica desses rendimentos, a responsabilidade pela correspondente tributação. Esse é o entendimento pacífico deste Colegiado, conforme enunciado da súmula CARF n° 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Ademais, a boafé da contribuinte não afasta a incidência do tributo, por falta de norma que assim o autorize. Rejeito, portanto, o pedido de responsabilização da fonte pagadora. MÉRITO Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, o contribuinte fora autuado, com arrimo nos artigos 1o a 3°, e §§, da Lei n° 7.713/1988, dentre outros, os quais contemplam a presunção de omissão de rendimentos caracterizada, in casu, pela classificação indevida de rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia como isentos e não tributáveis na DIRPF, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em relação aos exercícios 2005, 2006 e 2007. Com mais especificidade, relata a autoridade lançadora no Auto de Infração, às efls 03/12, que o Sujeito passivo classificou indevidamente como Isentos e Não Tributáveis na Declaração de Ajuste os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, CNPJ 13.100.722/000160, a título de "Valores Indenizatórios de URV", a partir de Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10580.725388/201013 Acórdão n.º 2401005.038 S2C4T1 Fl. 411 10 informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. Tais rendimentos decorem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Ordinária do Estado da Bahia n° 8.730, de 08 de setembro de 2003. Ainda irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, ora objeto de análise, suscitando que são considerados isentos os valores recebidos a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN, bem como a não incidência sobre os juros e a exclusão da multa de ofício. Como já dito anteriormente, encontrase em discussão apenas a manutenção ou exclusão da multa de ofício, bem como a incidência do imposto sobre os juros, o que faremos a seguir: MULTA DE OFÍCIO Refere à incidência da multa de ofício, impõese reconhecer que a autuado incorreu em erro escusável ao classificar os rendimentos em questão como isentos e não tributáveis, dado o teor das informações que lhe foram disponibilizadas pela fonte pagadora. Desse modo, afasto a penalidade aplicada, conforme jurisprudência pacífica deste Conselho, também já enunciada em súmula, de observância obrigatória, conforme art. 72 do Regimento Interno do CARF: Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. INCIDÊNCIA DO IR SOBRE OS JUROS RECEBIDOS A Recorrente ainda, por meio do qual defende a não incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos a título de juros. Segundo o entendimento do Recorrente, invariavelmente, os juros de mora possuem natureza indenizatória, pois sua função é a de recompor dano ao patrimônio do beneficiário que deixou de receber no tempo certo valor que lhe seria devido. Tratase de entendimento compartilhado pelos mais renomados juristas, valendo citar parte do artigo publicado pelo Professor Hugo de Brito Machado, na Revista Dialética de Direito Tributário nº 215 (p. 115/116): Não há dúvida quanto à natureza indenizatória dos juros de mora. A expressão juros moratórios, que é própria do Direito Civil, designa a indenização pelo atraso no pagamento da divida. O Código Civil de 1916 estabelecia que as perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, consistem nos juros de mora e custas, sem prejuízo das pena convencional. E o Código Civil vigente estabelece: Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10580.725388/201013 Acórdão n.º 2401005.038 S2C4T1 Fl. 412 11 "Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogados, sem prejuízo da penas convencional. Parágrafo único: Provado que os juros de mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz concede ao credor indenização complementar." Com se vê, o legislador previu que o não recebimento nas datas correspondentes dos valores me dinheiro aos quais se tem direito implica prejuízo. (...) Não se trata de lucro cessante, nem de dano simplesmente moral, que evidentemente também podem ocorrer. Tratase de perda patrimonial efetiva, decorrente do não recebimento, nas datas correspondentes, dos valores aos quais tinha direito. Perda que o legislador presumiu e tratou como presunção absoluta que não admite prova em contrário, e cuja indenização com juros de mora independe de pedido do interessado. Ora, os valores recebidos a título de juros moratórios não estariam sujeitos ao imposto, afinal o conceito de renda e proventos pressupostos pela Constituição Federal, exigem a ocorrência de um acréscimo patrimonial experimentado ao longo de um determinado período de tempo, o que conforme anteriormente exposto não ocorre no presente caso concreto. Ainda em relação à incidência do IRPF sobre juros moratórios é importante destacar que o STJ, no RESP 1.227.133, fundamentado no artigo 543C, do antigo Código de Processo Civil, já se manifestou no seguinte sentido: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL NA EMENTA DO ACÓRDÃO EMBARGADO Havendo erro material na ementa do acórdão embargado, deve se acolher os declaratórios nessa parte, para que aquela melhor reflita o entendimento prevalente, bem como o objeto específico do recurso especial, passando a ter a seguinte redação : "RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido." Embargos de declaração acolhidos parcialmente Nesse contexto, tendo em vista a determinação contida no artigo 62, § 2º do RICARF, essa decisão deve ser aqui reproduzida, tendo em vista que, a meu ver, como a verba principal não é tributada pelo IRPF os juros sobre ela incidente também não o são. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10580.725388/201013 Acórdão n.º 2401005.038 S2C4T1 Fl. 413 12 DO 13° SALÁRIO E FÉRIAS INDENIZADAS Já na apuração, a auditoria deixou de tributar os valores provenientes do 13o salário e do abono de férias, como restou registrado na descrição dos fatos (efl. 6): Não foram considerados para apuração do imposto devido as diferenças salariais devidas que tinham como origem o 13° salário, por serem de tributação e responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, e as diferenças salariais com origem no abono de férias (conversão de férias). Quanto a supostas férias indenizadas, a sujeito passivo não comprovou o pagamento de diferenças de URV sobre tais valores, pelo que resulta sem acolhida a argüição. Já em relação às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, no mérito, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância e pelo Colegiado deste Tribunal na primeira oportunidade. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em dissonância parcial com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, para afastar as preliminares, e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para excluir a multa de ofício e a incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10580.725388/201013 Acórdão n.º 2401005.038 S2C4T1 Fl. 414 13 Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora Designada Com a devida vênia, divirjo do ilustre Conselheiro Relator somente no tocante a incidência de imposto de renda sobre os juros moratórios. Sobre a tributação dos juros de mora incidentes sobre verbas trabalhistas, o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 1999, trata da matéria nos artigos 43, §3°, art. 55, XIV, art. 56 e art. 640, conforme transcrição abaixo: Art.43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.769 55, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) §3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único).(grifei) Art.55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): (...) XIVos juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis;(grifei) Art.56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). Art.640. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto na fonte incidirá sobre o total dos rendimentos pagos no mês, inclusive sua atualização monetária e juros (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12, e Lei nº 8.134, de 1990, art. 3º). Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10580.725388/201013 Acórdão n.º 2401005.038 S2C4T1 Fl. 415 14 Entretanto, é forçoso observar que a questão foi levada ao judiciário. Em 28/09/2011, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) julgou o Recurso Especial (REsp) nº 1.227.133/RS, sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973), o qual restou assim ementado: “RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CP, improvido”. Devido à identificação de erro material na ementa do acórdão, os embargos declaratórios apresentados pela Fazenda Nacional foram parcialmente acolhidos, retificandose a ementa para: “RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CP, improvido." A teor do disposto no artigo 62, §1º do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, tratase de decisão de aplicação obrigatória por este Colegiado. Posteriormente, em 10 de outubro de 2012, a 1ª Seção do STJ julgou o REsp nº 1.089.720/RS, oportunidade em que sedimentou e esclareceu a correta forma de aplicação da matéria decidida no REsp nº 1.227.133/RS. A decisão caminhou no sentido da incidência do IRPF sobre os juros moratórios como regra geral, apesar de sua natureza indenizatória e mesmo quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, pontuandose apenas duas exceções: 1) os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR; e 2) os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. A ementa do citado Recurso Especial trouxe a seguinte redação: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N.1.227.133 – RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10580.725388/201013 Acórdão n.º 2401005.038 S2C4T1 Fl. 416 15 VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR”. 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel.p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". (grifei) (...) 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido." Portanto, como regra, incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei nº 4.506, de 1964, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas. Entretanto, segundo a jurisprudência do STJ, ocorre a isenção do art. 6º, inciso V, da Lei nº 7.713, de 1988, quando houver a perda de emprego e a fixação das Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10580.725388/201013 Acórdão n.º 2401005.038 S2C4T1 Fl. 417 16 verbas respectivas, em juízo ou fora dele. Ocorrendo isso, a isenção abarca tanto os juros sobre as verbas indenizatórias e remuneratórias quando os juros incidentes sobre as verbas não isentas. No caso, como já apontado, tratase de verbas decorrentes de rendimentos recebidos acumuladamente e que estão sujeitos à incidência de IR. Assim, os juros vinculamse à regra de tributação incidente sobre o rendimento do qual são consectários, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei nº 4.506/64. Portanto, correta a exigência de IR sobre os juros moratórios vinculados aos rendimentos acumulados recebidos pela contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 417DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.005743/90-98
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Apr 12 00:00:00 UTC 1999
Ementa: CLASSIFICAÇÃO — REVISÃO ADUANEIRA — Desclassificação tarifária do produto com o nome comercial AQUAZYM 1201, com base em exame técnico realizado pelo LABANA/RI0 DE JANEIRO, e Parecer Normativo CST nr. 52/87, baseados no teor proteico ao produto, e não em sua atividade enzimática correta a posição TAB 35 07 01 01
Recurso provido
Numero da decisão: CSRF/03-03.017
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais,
por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Vencidos os Conselheiros Ubaldo Campello Neto e Nilton Luiz Bartoli (Relatar) Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Moacyr Eloy de Medeiros.
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 199904
ementa_s : CLASSIFICAÇÃO — REVISÃO ADUANEIRA — Desclassificação tarifária do produto com o nome comercial AQUAZYM 1201, com base em exame técnico realizado pelo LABANA/RI0 DE JANEIRO, e Parecer Normativo CST nr. 52/87, baseados no teor proteico ao produto, e não em sua atividade enzimática correta a posição TAB 35 07 01 01 Recurso provido
turma_s : Primeira Câmara
numero_processo_s : 10711.005743/90-98
conteudo_id_s : 5787372
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : CSRF/03-03.017
nome_arquivo_s : Decisao_107110057439098.pdf
nome_relator_s : Nilton Luiz Bartoli
nome_arquivo_pdf_s : 107110057439098_5787372.pdf
secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Vencidos os Conselheiros Ubaldo Campello Neto e Nilton Luiz Bartoli (Relatar) Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Moacyr Eloy de Medeiros.
dt_sessao_tdt : Mon Apr 12 00:00:00 UTC 1999
id : 6979063
ano_sessao_s : 1999
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468571484160
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-07T21:11:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-07T21:11:05Z; Last-Modified: 2009-07-07T21:11:05Z; dcterms:modified: 2009-07-07T21:11:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-07T21:11:05Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-07T21:11:05Z; meta:save-date: 2009-07-07T21:11:05Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-07T21:11:05Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-07T21:11:05Z; created: 2009-07-07T21:11:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2009-07-07T21:11:05Z; pdf:charsPerPage: 1316; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-07T21:11:05Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS <5;e4i'wPL TERCEIRA TURMA Processo N° 10711.005743/90-98 Recurso N° RP/301-0 546 Matéria - CLASSIFICAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Sujeito Passivo INPAL S/A — INDÚSTRIAS QUÍMICAS Recorrida PRIMEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sessão de 12 DE ABRIL DE 1999 Acórdão n° CSRF/03-03 017 CLASSIFICAÇÃO — REVISÃO ADUANEIRA — Desclassificação tarifária do produto com o nome comercial AQUAZYM 1201, com base em exame técnico realizado pelo LABANA/R10 DE JANEIRO, e Parecer Normativo CST nr. 52/87, baseados no teor proteico ao produto, e não em sua atividade enzimática correta a posição TAB 35 07 01 01 Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Vencidos os Conselheiros Ubaldo Campello Neto e Nilton Luiz Bartoli (Relatar) Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Moacyr Eloy de Medeiros •ISON PE" RIGUES PRESIDE E MOACYR ELOY DE k EDFIRO.S_ REL á e: - NADO FORMALIZADO EM çg-r 9oril Participaram, ainda,ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES e JOÃO HOLANDA COSTA RC Processo n° 10711.005743/90-98 Acórdão n° CSRF/03-03 017 Recurso N° RP/301-0 546 Sujeito Passivo INPAL S/A — INDÚSTRIAS QUÍMICAS RELATÓRIO O presente feito veio à apreciação desta Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, em decorrência de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no então vigente art 30, inciso I, do Regimento Interno do Terceiro Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MEFP n,.° 539, de 17 de julho de 1992, atualmente, art. 5°, inciso I, do Regimento aprovado pela Portaria n,° 55, de 16 de março de 1998, em face da decisão não unânime da Eg ia Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, nos termos do Acórdão n.° 301- 28.196, proferido em sessão realizada em 22 de outubro de 1996, que deu provimento ao recurso voluntário da interessada, com a seguinte Ementa 1.1 - REVISÃO ADUANEIRA - CLASSIFICAÇÃO ENZIMA AMILASE OU BACTERIANA, NOME COMERCIAL "AQUAZYM - com fundamento no pronunciamento do Instituto Nacional de Tecnologia foi julgada pura para essa. Inaceitável critério de classificação das enzimas pelo teor protéico, em substituição ao de sua atividade enzimática, ou poder catalítico. O voto vencido do Eminente Conselheiro Moacyr Eloy de Medeiros, não foi objeto de declaração de suas razões O Recurso Especial da D Procuradoria da Fazenda Nacional, visou atacar o provimento, expondo que o INT persiste em classificar o produto "AQAZYM 12012', de forma equivocada, pois considera sua atividade enzimática, enquanto a metodologia correta é a adotada pelo LABANA, que avalia pelo teor protéico Entende a D Procuradoria que as razões apresentadas pelo LABANA, são suficientes para desclassificar a metodologia adotada pelo INT, visto que. 2 Processo n° 10711 005743/90-98 Acórdão n° CSRF/03-03.017 (i) não apresenta nenhuma uniformidade para se determinar o grau de pureza de uma enzima, (ii) varia em função do substrato, (iii) varia em função da temperatura em que ocorre a reação, e (iv) varia em função do PH De resto ratifica os termos do posicionamento adotado pela Inspetoria da Receita Federal, requerendo a reforma do decisium. Intimada, em 17 04,97, a Interessada apresentou tempestivas Contra-Razões de Recurso Especial, alegando em suma que (i) o posicionamento do INT deve prevalecer, sendo mantida a r, decisão colegiada, (ii) com a evolução técno-científica da bioquímica, ante os padrões qualitativos das normas ISO, verifica-se que é muito mais apropriada a avaliação do produto pelo critério de atividade ou desempenho enzimático do que por seu teor protéico, (iii) o valor de atividade é o quanto importa na escolha de uma enzima, porquanto seu teor protéico não representa índice de representatividade alguma; (iv) que o procedimento de defesa de seu laudo, pelo técnico do LABANA pareceu estranho e que o procedimento mais técnico e formalmente processual para dirimir a divergência entre os laudos seria pleitear diligência para designação de terceiro perito, (v) a finalidade do produto em questão é industrial e especificamente para a retira de amido em produtos têxteis, em nada sendo relevante o teor protéico, Para ilustração do caso em pauta, entendo pertinente breve relato do acontecimentos processuais A Interessada realizou importação de mercadorias, através da Declaração de Importação n.° 05783/88, de fls, 3 a 7, sob o amparo da Guia de Importação n.° 001-88/005971-9, acostada às fls 09, submetendo a despacho 3 Processo n° 10711.005743/90-98 Acórdão n° CSRF/03-03 017 aduaneiro 4 950kg de enzimas amilases ou bacteflanas, comercialmente denominadas "AQUAZYM 120 L", com poder de liquefação superior a 650,000 e atividade de 2.270 SKB por grama, matéria-prima destinada à elaboração de preparação auxiliar para purgação de têxteis, tendo adotado a classificação fiscal o código TAB 35 07 01 01, relativo a "enzimas e concentrados enzimáticos - amilases", com alíquotas de 10% para o Imposto de Importação e zero para o Imposto sobre Produtos Industrializados Obteve a Interessada o desembaraço do produto com as prerrogativas de Instrução Normativa SRF n..° 14/85 Com base em Laudo de Análise n.° 4473/89 (fls 12) proferido pelo Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda, que concluindo tratar-se de preparação enzimática, a fiscalização, em ato de revisão, classificou para o código TAB 35.07.02.99, com alíquotas de 85% para o Imposto de Importação e zero para o Imposto sobre Produtos Industrializados, e exigindo o recolhimento da diferença do Imposto de Importação, além dos encargos legais, intimando a Interessada, conforme comprova o documento de fls 14 Não satisfeita a exigência fiscal, foi lavrado o Auto de Infração n..° 288/90 (fl. I), do qual a Interessada foi intimada (fls.. 17), apresentando tempestiva impugnação(fls. 18/19), na qual instruída com cópia do catálogo técnico do produto "AQUAZYW, em inglês (fls. 21), do Parecer Normativo CST n.° 52/87 (fls.. 22/24) e do Parecer CST -NBM) n.° 13 86/79 (fls.. 25/27), requerendo a remessa do produto ao INT, com a apresentação de quesitos, e aduzindo que (i) o Laudo de Análise n.° 4473/89 (fia. 12), do o Laboratório Nacional de Análises (LNA), respaldando-se nas NENCCA, criou um critério inovador de identificação e qualificação das enzimas, baseado na quantidade de proteína encontrada, muito embora essas mesma NENCCA (como o próprio LNA reconhece) não estabeleçam enzimático e enzima preparada, muito menos a característica principal dessa distinção, (ii) a distinção em foco deve basear-se no grau de atividade desenvolvida e não da na quantidade de matéria contida pois, a mesma quantidade de matéria protéica pode oferecer diversos e 4 Processo n° 10711.005743/90-98 Acórdão n° CSRF/03-03 017 diferentes graus de atividade enzimática, e o critério universalmente aceito enfatiza a qualidade em detrimento da quantidade, (iii) o fabricante confirma esse procedimento, não apresentando nas especificações técnicas do produto em causa, qualquer dado em relação à quantidade de proteína, e (iv) os conceitos adotados, pela SRF, para a determinação das enzimas, se baseiam na atividade biológica, como reza o Parecer Normativo CST n.° 52/87 (fls.. 22 a 24), e essa atividade não é mensurável na quantidade protéica e sim, na qualidade potencial desenvolvida Solicitado a se pronunciar o Laboratório de Análises, analisando tecnicamente a defesa apresentada pelo contribuinte, emitiu a Informação Técnica n.° 108/91 (fls.. 29/34), baseada em literatura técnica anexada (fls.. 35/63), esclarecendo que (i) enzimas são proteínas, e como tal, qualquer consideração sobre as mesmas não pode ser desvinculada de sua natureza química que é a de serem Proteínas, (ii) as enzimas são produzidas basicamente a partir de células (animais, vegetais ou microbianas, estas últimas as mais comuns) e são encontradas na natureza como misturas complexas, (iii) um extrato dessas células pode conter uma centena ou mais de enzimas e outras proteínas, motivo pelo qual, para se obter uma enzima específica, tais extratos são sempre submetidos a um ou mais processos de purificação, que poderão levar à obtenção de Enzima pura ou com grau de pureza variado, (iv) embora não estabeleçam condições rígidas de identificação entre Concentrado Enzimático Preparada, as NENCCA definem com muita clareza a característica química principal que os distingue, qual seja, nos Concentrados Enzimáticos as concentrações mais elevadas e nas Enzimas Preparadas as concentrações menos elevadas; (v) o produto analisado "AQUAZYM 120 L" apresentou um teor de 12,3% de proteína em base seca, ficando enquadrado por este laboratório no conceito de Enzima Preparada, 5 Processo n° 10711,005743/90-98 Acórdão n° CSRF/03-03 017 (vi) a dosagem enzimática não foi realizada por ser considerada desnecessária para a caracterização do produto dentro das especificações das NENCCA- uma vez que em nenhum ponto se encontra referência à "atividade enzimática", mas apenas à "concentração de enzima; (vii) a posição das NENCCA tem amparo no conhecimento técnico- científico, onde até hoje, por mais que se tenta ainda não se conseguiu chegar a um consenso sobre um método universal para se avaliar a atividade de uma determinada enzima, Após o pronunciamento do LABANA, a fiscalização pronunciou- se às fls. 64, ratificando as razões do auto de infração, e encaminhando o processo para julgamento que manteve lançamento do crédito tributário, sem que atendesse ao requerimento de perícia formulado Em Recurso Voluntário, tempestivo, a Interessada colacionou aos autos Laudo do Instituto Nacional de Tecnologia, enfatizando que a metodologia adotada por esse instituto comprova que a classificação adotada pela Interessada é a correta Acostou aos autos, também decisão da Eg Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que dá substrato e fundamento às suas alegações. O Parecer Técnico do Instituto Nacional de Tecnologia, protocolo n° 41520 000721/90, no qual, ao responder aos quesitos firma que (i) o valor comercial das enzimas reside na sua atividade catalítica, que no caso da alfa-amilase é o poder de hidrolisar o amido; (ii) o critério de classificação apresentado no informe técnico é baseado apenas no teor protéico das amostras de enzimas. De acordo com a literatura consagrada, em cujos conceitos baseamos nossas respostas, tal critério carece de fundamento e é inconclusivo para avaliação de enzimas Remetidos os autos à Eg Câmara prolatora da decisão recorrida, num primeiro momento, converteu o julgamento em diligência para a Coordenação 6 Processo n° 10711.005743/90-98 Acórdão n° CSRF/03-03 017 do Sistema de Tributação, para que informasse de já houve algum pronunciamento a respeito da classificação fiscal do produto "AQUAZIAI 120L", o qual se pronunciou informando que o produto não havia sido objeto de classificação por aquela Divisão de Nomenclatura e Classificação de Mercadorias (DWOM) É o Relatório. 7 Processo n° 10711.005743/90-98 Acórdão n° CSRF/03-03.017 VOTO VENCIDO Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator Trata-se, como visto, de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, com o fim de ver revertido o julgamento que acolheu procedência ao recurso voluntário da Interessada Com efeito, a D Procuradoria, ao fundamentar seu recurso nas questões fáticas, aferidas pela produção da prova pericial, automaticamente, remete- se ao fulcro do art.. 5°, inciso II do Regimento Interno. "Art 5° - Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra I - decisão não unânime de Câmara de Conselho de Contribuintes, quando for contrária à lei ou à evidência da prova, e" Sendo certo que a r decisão colegiada não é contrária à lei, e tendo o recurso especial base nas questões de prova, indubitável afirmar que o fundamento cinge-se à contrariedade à evidência da prova. Ocorre, no entanto, que a demanda teve todo seu trâmite conduzido face, justamente, à divergência da produção probatória, vez que, tratando-se que divergência entre a classificação fiscal adotada pelo contribuinte e entendida pela fiscalização, foram produzidos dois laudos técnico, um pelo Laboratório Nacional de Análises - LABANA e outro produzido pelo Instituto Nacional de Tecnologia - VVT, trazido aos autos pela Interessada Assim, ao estabelecer a norma em comento que cabe recurso especial quando a decisão é contrária à evidência da prova, a prova - deverá ser de tal forma evidente que traga o inconformismo em relação à decisão No caso, não há tamanha evidência que seja capaz de destituir o entendimento da Egrégia Câmara recorrida, nem tão pouco a D Procuradoria trouxe aos autos elementos 8 Processo n° : 10711.005743/90-98 Acórdão n° • CSRF/03-03 017 desconstitutivos da prova que embasou a decisão colegiada, limitando-se a repetir os argumentos exaustivamente debatidos nos autos Nesse ponto, cabe ressaltar, que o indeferimento, por parte da autoridade julgadora de primeira instância, da produção probatória requerida pela interessada, constituiu grave ofensa ao contraditório e à ampla defesa, que por iniciativa da própria interessada não constituíram lesão maior Exatamente por buscar seu direito, a Interessada fez juntar aos autos Parecer Técnico do INT, o qual, segundo a decisão da Egrégia Câmara recorrida, adotou critério mais adequado à verificação da correta classificação fiscal do produto, vez que a característica mais preponderante na solução não era especificamente o seu teor protéico, critério quantitativo, e sim, sua atividade enzimática, critério qualitativo Efetivamente, o procedimento da Interessada possibilitou o julgamento colegiada em seu favor, o que comprova, ainda mais, o cerceamento de defesa Estabelecida a divergência, imperativa foi a apreciação das provas para que se decidisse a favor de qual seria a mais apropriada ao caso. Há que se ressaltar que para determinar a classificação fiscal de qualquer produto, deve-se investigar as características técnica da amostra submetida à análise, e isso foi realizado por ambos os institutos E para proferir o julgamento, a fim de determinar qual laudo prevaleceria, a r decisão foi obrigada a analisa-los e optar por um deles, usando como fundamento que "a classificação de enzimas em função do conteúdo protéico não é 'cientificamente válido', não encontrando respaldo na literatura técnica internacional." Diante disso, entendo que o Recurso Especial interposto carece de fundamento, vez que a prova apresentada foi devidamente enfrentada pela r decisão colegiada, tendo sido desconstituída de validade Se desconstituída de validade não pode servir de fundamento para efeitos do art 5°, inciso II, do Regimento Com efeito, observa-se da característica essencial do produto, tanto o Laudo do LABANA como o do INT, concordam que a característica básica do 9 Processo n° 10711 005743/90-98 Acórdão n° CSRF/03-03 017 produto é a enzimática E como tal entendo que não é a quantidade de proteínas que possa determinar sua classificação mas sim as qualidades intrínsecas do produto Diante do exposto, JULGO IMPROCEDENTE O RECURSO ESPECIAL Sala das Sessões-DF, em 12 de abril de 1999 NILN L BAR---T9)- io Processo n° 10711,005743/90-98 Acórdão n° : CSRF/03-03.017 VOTO VENCEDOR Conselheiro MOACYR ELOY DE MEDEIROS, Relator Designado:: A matéria em julgamento deve ser considerada em função das provas produzidas, principalmente da diligência solicitada com o fim de esclarecê- lo, O Decreto n° 70.235/72 que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, no seu artigo 30, que os laudos ou pareceres do LABANA, o INT e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos e pareceres. "Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1 ° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. (grifei). § 2 A existência no processo de laudos ou pareceres técnicos não impede a autoridade julgadora de solicitar outros a qualquer dos órgãos referidos neste artigo. § 3° Atribuir-se-á eficácia aos laudos e pareceres técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos fiscais e transladados mediante certidão de inteiro teor ou cópia fiel, nos seguintes casos: a) quando tratarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação" 11 Processo n° 10711.005743/90-98 Acórdão n° CSRF/03-03.017 O Laboratório de Analises, analisando tecnicamente a defesa apresentada pelo contribuinte, emitiu a informação Técnica n° 108/91 (fls. 29/34), baseada em literatura técnica anexada (fls 35/63), esclarecendo que: "a) enzimas são proteínas, e como tal, qualquer consideração sobre as mesmas não pode ser desvinculada de sua natureza química que é a de serem Proteínas; b) as enzimas são produzidas basicamente a partir de células (animais, vegetais ou microbianas, estas últimas as mais comuns) e são encontradas na natureza como misturas complexas; c) um extrato dessas células pode conter uma centena ou mais de enzimas e outras proteínas, motivo pelo qual, para se obter uma enzima específica, tais extratos são sempre submetidos a um ou mais processos de purificação, que poderão levar à obtenção de Enzima pura ou com grau de pureza variado; d) embora não estabeleçam condições rígidas de identificação entre Concentrado Enzimático e Enzima Preparada, as NENCCA definem com muita clareza a característica química principal que os distingue, qual seja, nos Concentrados Enzimáticos as concentrações mais elevadas e nas Enzimas Preparadas as concentrações menos elevadas; e) o produto analisado "AQUAZYM 120 L" apresentou um teor de 12,3% de proteína em base seca, ficando enquadrado por este laboratório no conceito de Enzima Preparada; f) a dosagem enzimática não foi realizada por ser considerada desnecessária para a caracterização do produto dentro das especificações das NENCCA, uma vez que em nenhum ponto se encontra referência à "atividade g) a posição das NENCCA tem amparo no conhecimento técnico- científico, onde até hoje, por mais que se tente ainda não se conseguiu chegar a um consenso sobre um método universal para se avaliar a atividade de uma determinada enzima; h) para melhor entendimento do que significa "determinação de atividade enzimática" é necessário o esclarecimento de alguns conceitos básicos - enzima é uma proteína que sob certas condições de temperatura, ph, etc.. ,, é capaz de transformar determinada substância em outra; - por outro lado, atividade 12 Processo n° . 10711005743/90-98 Acórdão n° CSRF/03-03 017 enzimática é um valor que expressa a capacidade de uma enzima realizar determinada reação química (transformar uma substância em outra); normalmente esta capacidade de transformação é medida em uma unidade de tempo, - para que uma enzima desenvola sua atividade plenamente, é necessário que ela seja colocada em condições adequadas de temperatura, PH, concentração, etc., sendo de fundamental importância a estrutura química da substância que ela vai transformar (substrato) e a variação de qualquer desses elementos ocasiona, para uma mesma enzima, relativamente à atividade enzimática, resultados bastante variados, conforme pode ser verificado pela literatura técnica anexada; - assim, duas enzimas, uma com 20.000 U/g e a outra com 320.000 HUT/g de atividade enzimática, por exemplo, podem apresentar, na verdade, a mesma capacidade de realizar determinada reação química, ou seja, as duas, na verdade, podem ser iguais; - chega-se às conclusão de que a Atividade Enzimática elevada não tem relação com a Concentração Enzimática; - o parâmetro de caracterização da pureza de uma Enzima (Pura, Concentrada ou Preparada) é feito, imparcialmente, através de sua natureza, qual seja, seu teor de proteína; e i) um exemplo de que a determinação da atividade enzimática não apresenta nenhuma uniformidade para se determinar o grau de pureza de uma enzima, pode ser verificado pelos dados do produto em causa — AQUAZYM 120 L, constantes da GI correspondente e do folheto do fabricante, uma vez que o mesmo possui, numericamente, uma atividade de 120 ou 2.270 ou 650000." Existem nos autos três pronunciamentos técnicos' a) o Laudo nr. 4473/89 do Labama Rio de Janeiro (fls. 12), lavrado em decorrência de análise realizada no produto importado, em 17.6,88, três dias após o registro da 01 (14/6/88); b) a Informação Técnica do mesmo Labama (fls 29/63), esclarecendo o seu posicionamento, e, c) a Informação do INT, - respondendo a quesitos formulados por este Conselho (Resolução 301 433/99), e 13 Processo n° :10711005743/90-98 Acórdão n° CSRF/03-03 017 que, já na resposta à pergunta nr. 1 (fia, 83), admite que a análise está prejudicada, dado ao tempo e forma de armazenagem da amostra O INT, apenas apresentou informações técnicas de como se realizar análise química do produto, e extrapola em sua competência, pretendendo criticar o Parecer Normativo CST, n° 57/87, e classificar o produto em tela, atribuição da SRF Isso posto, dou provimento ao recurso, no sentido de retornar à Decisão da autoridade monocrática Sala das Sessões-DF, 12 de abril de 2001 MOACYR ELOY DE M aro EROS Rei atar. De • - a o 14 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1
score : 1.0
