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Numero do processo: 13971.722502/2015-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1402-000.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Matheus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Luís Augusto Gonçalves de Souza, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichelle Macei RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 22 50 2/ 20 15 -4 4 Fl. 766DF CARF MF Processo nº 13971.722502/201544 Resolução nº 1402000.417 S1C4T2 Fl. 640 2 RELATÓRIO: REDLOG Representações EIRELI, interpõe o presente Recurso Voluntário diante de decisão proferida pela Delegacia de Julgamento Regional de Belo Horizonte, em 30 de junho de 2016, que julgou improcedente Impugnação do contribuinte à Autos de Infração lavrados de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, anocalendário 2011, dada omissão de receitas ante depósitos bancários de origem não comprovada que aliado a imprestabilidade da escrituração contábil da sociedade empresária de causa à lançamento arbitrado com imposição de multa qualificada e responsabilização solidária do sócio; o acórdão restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ AnoCalendário: 2011 ARBITRAMENTO DE LUCRO CABIMENTO Sujeitase ao arbitramento de lucro, o contribuinte cuja escrituração contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real. LICITUDE DA PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. Os extratos bancários obtidos pela autoridade fiscal no exercício regular de suas atribuições, por meio de intimação feita diretamente ao contribuinte fiscalizado, constituem prova lícita, e o procedimento assim realizado não configura quebra de Sigilo Bancário. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Os contribuintes cujo lucro for arbitrado não poderão adotar o regime não cumulativo para a determinação do montante devido de contribuição para o PIS e a COFINS. Esta sempre incide sobre o faturamento e em nenhuma hipótese é admitida a dedução do custo incorrido na aquisição ou na produção dos produtos ou mercadorias vendidas. CERCEAMENTO DE DEFESA – CARACTERIZAÇÃO. Somente cabe declarar a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, se ficar comprovado que o pleno exercício do direito de defesa pelo sujeito passivo, tiver sido tolhido em virtude de ato da autoridade administrativa. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica de direito privado pelas obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. MULTA QUALIFICADA. Fl. 767DF CARF MF Processo nº 13971.722502/201544 Resolução nº 1402000.417 S1C4T2 Fl. 641 3 O percentual da multa de ofício será duplicado quando comprovadas as circunstâncias previstas em lei como caracterizadoras de infração qualificada. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRAZO DE VALIDADE. PRORROGAÇÃO. Os atos que determinam o início do procedimento fiscal valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período e tantas vezes quantas necessárias, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. LANÇAMENTOS DECORRENTES CSLL PIS COFINS O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em face da decisão acima transcrita a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual manifesta sua irresignação com a manutenção do crédito tributário argumentando preliminarmente o seguinte: a extrapolação do prazo de fiscalização com violação do art.7º, §§1º e 2º do Decreto n.70.235/1972 (item 2.1) e a irregular autuação lavrada em matéria de CSLL na medida em que o MPF contemplava tão apenas IRPJ e PIS e COFINS (item 2.2). No mérito argumenta em suma a ilegalidade da quebra do sigilo bancário (item 3.1), a improcedência do lançamento por arbitramento (item 3.2), a violação ao art.43 do CTN ante a tributação de receitas que não representam renda (item 3.3), a ausência do reconhecimento de créditos como insumo (item 3.4) e a ausência de fundamento legal para imposição de multa qualificada (item 4). Ante a responsabilização solidária do sócio foi interposto também recurso voluntário pelo mesmo argumentando em suma a ausência de causa autorizativa (arts. 124, I e 135, III, CTN) para sua inclusão no pólo passivo da obrigação devendo respeitarse o princípio da autonomia patrimonial que vigora entre pessoa jurídica e natural. Em breves linhas esse é o relatório. Fl. 768DF CARF MF Processo nº 13971.722502/201544 Resolução nº 1402000.417 S1C4T2 Fl. 642 4 VOTO: Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira 1. DA ADMISSIBILIDADE: Os presentes Recursos Voluntários foram interpostos em 04 de agosto de 2016. Considerando que intimados em 06 de julho de 2016 tempestivos são os recursos interpostos. 2. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA: Alega a recorrente que a autoridade fazendária desqualificou a contabilidade da empresa adotando o arbitramento, como forma de apuração do tributo a ser exigido, nos termos do art.530 de RIR/1999: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n° 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n° 9.430, de 1996, art. I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Conforme a legislação reproduzida, o arbitramento não é penalidade, constituindose em técnica de apuração da base tributável, quando, entre outras situações, fica inviabilizada a quantificação dessa operação diante da inexistência da escrituração contábil ou quando esta revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências insanáveis, o que sequer foi aventado pela fiscalização. Portanto, ao procederse ao lançamento tributário nos termos do art.530, II, RIR, e adotar a presunção do art.42, da Lei n.9430/1996 a autoridade tributária não incorreu em ilegalidade alguma ante a imprestabilidade dos registros contábeis da recorrente ao que plenamente válida tal modalidade de apuração do montante devido conforme já sedimentado no STJ: Fl. 769DF CARF MF Processo nº 13971.722502/201544 Resolução nº 1402000.417 S1C4T2 Fl. 643 5 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI 9.430/1996. LEGALIDADE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. 1. Não se conhece da alegada ofensa ao art. 535 do CPC quando a parte se limita a apresentar alegações genéricas, sem demonstrar a razão pela qual a apreciação de determinados dispositivos legais seria obrigatória no âmbito do Tribunal a quo e sem explicitar a relevância deles para o deslinde da controvérsia. Aplicação analógica da Súmula 284/STF. 2. Não comprovado o pagamento antecipado do tributo, incide a regra do art. 173, I, do CTN, em detrimento do disposto no art. 150, § 4°, consoante orientação assentada em julgamento submetido ao rito do art. 543C do CPC (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009). 3. A análise do inteiro teor do acórdão recorrido revela que a causa não foi decidida, sequer implicitamente, à luz dos arts. 332 do CPC e 6° da LINDB. A falta de prequestionamento impede o conhecimento do recurso quanto a esse ponto (Súmula 211/STJ). 4. A jurisprudência do STJ reconhece a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). 5. Agravo Regimental não provido. (AgRg no AREsp 664.675/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 21/05/2015) No entanto, em que pese o correto procedimento adotado, impende verificar o seguinte: De acordo com o previsto em seu contrato social consolidado, cláusula 3ª (4ª Alteração Contratual) a contribuinte dedicase à representação comercial; prestação de serviços de internet, telefonia e transmissão de dados; comércio varejista de cartões telefônicos para celulares e orelhões. De sua atividade comercial apuramse, portanto, diferentes resultados que ora correspondem a mero fluxos financeiros ora efetiva renda e receita sujeitas à incidência de IRPJ e PIS/COFINS respectivamente. Em sede do Recurso Voluntário interposto pela contribuinte foi posto que o lançamento por arbitramento não se coaduna com a apuração da efetiva renda percebida pelo contribuinte rompendo, assim, com o conceito de renda previsto no art.43 do CTN. O argumento expendido pela recorrente não merece acolhida na medida em que a adoção do lançamento por arbitramento encontra pleno respaldo na legislação tributária, conforme visto dantes, conciliandose perfeitamente com a tributação sobre a renda; o que não prescinde, no entanto, na aferição de qual receita de fato representa renda. Fl. 770DF CARF MF Processo nº 13971.722502/201544 Resolução nº 1402000.417 S1C4T2 Fl. 644 6 Tendo em vista os argumentos expedidos pela Recorrente entendo que seja o caso de conversão do julgamento em diligência, ressalvando, desde já, que caso os autos retornem para esta turma julgadora sem as conclusões e informações necessárias para uma melhor tomada de decisões por conta da falta de atendimento, ou atendimento deficiente aos termos desta resolução, ou os esclarecimentos por ventura formulados pela autoridade fiscal responsável pela diligência, implicará a manutenção integral da exigência em razão do disposto no art. 42 da Lei nº 9.430/96 c/c art. 845, inciso II, do Decreto nº 3.000/99. Nesse contexto, voto por converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal responsável pela diligência intime a Recorrente a fim de que essa demonstre, de forma pormenorizada: a) O valor recebido, mensalmente, referente às operações de venda de créditos, cartões telefônicos e aparelhos celulares referentes ao contrato com as operadoras; b) O valor líquido mensal referente às operações de intermediação de créditos digitais remuneradas mediante comissões (diferença entre os valores percebidos pela Recorrente e aqueles a serem repassados às empresas operadoras); c) elaborar demonstrativo quantificando os valores de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins incidentes sobre as receitas apuradas conforme itens “a” e “b” acima (considerandose que IRPJ e CSLL deverão ser apurados trimestralmente com base no lucro arbitrado e PIS e Cofins mensalmente no regime cumulativo), deduzindo os valores por ela já declarados à RFB, demonstrando, por derradeiro, os eventuais saldos de tributos que deixaram de ser declarados à Receita Federal. A Recorrente poderá se utilizar, se assim entender, da escrituração contábil apresentada em sede de impugnação. De qualquer forma, a Recorrente deverá manter à disposição da autoridade fiscal, de forma discriminada e organizada, a documentação que dê suporte a tal escrituração ou demonstrativos elaborados. Esclarecese que a eventual utilização da nova escrituração apresentada pela Recorrente servirá tão somente, e se for o caso, para a quantificação das receitas efetivamente auferidas pelo contribuinte, nos moldes já esclarecidos no decorrer deste voto, não cominando quaisquer outros efeitos para fins da exigência, notadamente em relação ao resultado auferido e a forma de tributação adotada pela Interessada. Caso a autoridade fiscal divirja dos valores apresentados pela Recorrente, deverá indicar aqueles que entender corretos. Ato contínuo, deverá ser elaborado relatório fiscal circunstanciado em que restem demonstradas suas conclusões, tanto em relação às receitas auferidas, quanto em relação aos saldos de tributos por ventura não declarados à RFB. A autoridade fiscal poderá apresentar ainda os esclarecimentos que julgar necessários à melhor análise dos autos. Ao final, a Recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência, abrindose prazo de 30 dias para que, querendo, manifestese sobre seu conteúdo. É o meu voto. Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Fl. 771DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721034/2014-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
MEDIDA PROVISÓRIA Nº 765, DE 29/12/2016 - IMPEDIMENTO DOS CONSELHEIROS DA FAZENDA NACIONAL. Afastado, por maioria, o questionamento preliminar de impedimento dos julgadores fazendários em virtude da MP 765/16.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. Com a recusa ou apresentação deficiente de documentos a fiscalização promoverá o lançamento de ofício por arbitramento, inscrevendo as importâncias que reputar devidas, conforme respaldo no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. AUSÊNCIA DE NULIDADE NO LANÇAMENTO. A mera existência de decisões judiciais não transitadas em julgado, bem como decisões administrativas relativas a outros contribuintes, ao encontro das pretensões recursais, não macula de nulidade o lançamento efetuado.
APOSENTADORIA ESPECIAL. ADICIONAL. A empresa com atividade que exponha o trabalhador a agentes nocivos químicos, físicos ou biológicos, ou associação desses agentes está sujeita ao pagamento da alíquota adicional do SAT/RAT, em virtude da existência de riscos no ambiente de trabalho.
BENZENO. A avaliação de riscos e do agente nocivo do benzeno é qualitativa e presumida, por constar no Anexo 13-A da Norma Regulamentadora nº 15 - NR-15 do MTE, ou seja, independente de mensuração, constatada pela simples presença do agente no ambiente de trabalho.
CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. Quando a empresa prestadora de serviço, coloca à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, segurados que realizam serviços contínuos, ocorre a cessão de mão-de-obra. Mesmo que os serviços sejam relacionados ou não com a atividade fim da empresa.
RETENÇÃO. A empresa contratante de serviços realizados por pessoa jurídica mediante cessão de mão de obra ou empreitada está obrigada a reter 11% sobre o valor da nota fiscal, fatura ou recibo e recolher o valor retido à Receita Federal.
ELISÃO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DECORRENTE DA RETENÇÃO. A desobrigação só ocorre com a comprovação do recolhimento de GPS com código específico (2631) em nome do prestador de serviço.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NÃO CUMPRIDA. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo legal, será lavrado auto de infração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes.
MULTA DE OFÍCIO. A inobservância da norma jurídica tendo como consequência o não pagamento do tributo importa em sanção aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é consequente.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A multa de ofício integra o crédito tributário, logo está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do mês subsequente ao do vencimento.
RELAÇÃO DE PESSOAS VINCULADAS. A relação de pessoas vinculadas a auto de infração previdenciário, lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa, conforme determinação Legal.
DILAÇÃO PROBATÓRIA. Em regra, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, afastar o questionamento preliminar de impedimento dos julgadores fazendários em virtude da MP 765/16, suscitado na tribuna pela patronesse, vencidos a relatora e o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, pelo voto de qualidade, Negar-lhe provimento, vencidos a relatora e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto que davam provimento parcial para excluir os juros sobre a multa. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente e Redatora designada
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 MEDIDA PROVISÓRIA Nº 765, DE 29/12/2016 - IMPEDIMENTO DOS CONSELHEIROS DA FAZENDA NACIONAL. Afastado, por maioria, o questionamento preliminar de impedimento dos julgadores fazendários em virtude da MP 765/16. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. Com a recusa ou apresentação deficiente de documentos a fiscalização promoverá o lançamento de ofício por arbitramento, inscrevendo as importâncias que reputar devidas, conforme respaldo no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. AUSÊNCIA DE NULIDADE NO LANÇAMENTO. A mera existência de decisões judiciais não transitadas em julgado, bem como decisões administrativas relativas a outros contribuintes, ao encontro das pretensões recursais, não macula de nulidade o lançamento efetuado. APOSENTADORIA ESPECIAL. ADICIONAL. A empresa com atividade que exponha o trabalhador a agentes nocivos químicos, físicos ou biológicos, ou associação desses agentes está sujeita ao pagamento da alíquota adicional do SAT/RAT, em virtude da existência de riscos no ambiente de trabalho. BENZENO. A avaliação de riscos e do agente nocivo do benzeno é qualitativa e presumida, por constar no Anexo 13-A da Norma Regulamentadora nº 15 - NR-15 do MTE, ou seja, independente de mensuração, constatada pela simples presença do agente no ambiente de trabalho. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. Quando a empresa prestadora de serviço, coloca à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, segurados que realizam serviços contínuos, ocorre a cessão de mão-de-obra. Mesmo que os serviços sejam relacionados ou não com a atividade fim da empresa. RETENÇÃO. A empresa contratante de serviços realizados por pessoa jurídica mediante cessão de mão de obra ou empreitada está obrigada a reter 11% sobre o valor da nota fiscal, fatura ou recibo e recolher o valor retido à Receita Federal. ELISÃO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DECORRENTE DA RETENÇÃO. A desobrigação só ocorre com a comprovação do recolhimento de GPS com código específico (2631) em nome do prestador de serviço. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NÃO CUMPRIDA. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo legal, será lavrado auto de infração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. MULTA DE OFÍCIO. A inobservância da norma jurídica tendo como consequência o não pagamento do tributo importa em sanção aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é consequente. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A multa de ofício integra o crédito tributário, logo está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do mês subsequente ao do vencimento. RELAÇÃO DE PESSOAS VINCULADAS. A relação de pessoas vinculadas a auto de infração previdenciário, lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa, conforme determinação Legal. DILAÇÃO PROBATÓRIA. Em regra, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, afastar o questionamento preliminar de impedimento dos julgadores fazendários em virtude da MP 765/16, suscitado na tribuna pela patronesse, vencidos a relatora e o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, pelo voto de qualidade, Negar-lhe provimento, vencidos a relatora e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto que davam provimento parcial para excluir os juros sobre a multa. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente e Redatora designada (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 MEDIDA PROVISÓRIA Nº 765, DE 29/12/2016 IMPEDIMENTO DOS CONSELHEIROS DA FAZENDA NACIONAL. Afastado, por maioria, o questionamento preliminar de impedimento dos julgadores fazendários em virtude da MP 765/16. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. Com a recusa ou apresentação deficiente de documentos a fiscalização promoverá o lançamento de ofício por arbitramento, inscrevendo as importâncias que reputar devidas, conforme respaldo no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. AUSÊNCIA DE NULIDADE NO LANÇAMENTO. A mera existência de decisões judiciais não transitadas em julgado, bem como decisões administrativas relativas a outros contribuintes, ao encontro das pretensões recursais, não macula de nulidade o lançamento efetuado. APOSENTADORIA ESPECIAL. ADICIONAL. A empresa com atividade que exponha o trabalhador a agentes nocivos químicos, físicos ou biológicos, ou associação desses agentes está sujeita ao pagamento da alíquota adicional do SAT/RAT, em virtude da existência de riscos no ambiente de trabalho. BENZENO. A avaliação de riscos e do agente nocivo do benzeno é qualitativa e presumida, por constar no Anexo 13A da Norma Regulamentadora nº 15 NR15 do MTE, ou seja, independente de mensuração, constatada pela simples presença do agente no ambiente de trabalho. CESSÃO DE MÃODEOBRA. Quando a empresa prestadora de serviço, coloca à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, segurados que realizam serviços contínuos, ocorre a cessão de mãodeobra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 10 34 /2 01 4- 53 Fl. 6564DF CARF MF 2 Mesmo que os serviços sejam relacionados ou não com a atividade fim da empresa. RETENÇÃO. A empresa contratante de serviços realizados por pessoa jurídica mediante cessão de mão de obra ou empreitada está obrigada a reter 11% sobre o valor da nota fiscal, fatura ou recibo e recolher o valor retido à Receita Federal. ELISÃO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DECORRENTE DA RETENÇÃO. A desobrigação só ocorre com a comprovação do recolhimento de GPS com código específico (2631) em nome do prestador de serviço. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NÃO CUMPRIDA. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo legal, será lavrado auto de infração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. MULTA DE OFÍCIO. A inobservância da norma jurídica tendo como consequência o não pagamento do tributo importa em sanção aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é consequente. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A multa de ofício integra o crédito tributário, logo está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do mês subsequente ao do vencimento. RELAÇÃO DE PESSOAS VINCULADAS. A relação de pessoas vinculadas a auto de infração previdenciário, lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa, conforme determinação Legal. DILAÇÃO PROBATÓRIA. Em regra, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 6565DF CARF MF Processo nº 16682.721034/201453 Acórdão n.º 2401004.594 S2C4T1 Fl. 3 3 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, afastar o questionamento preliminar de impedimento dos julgadores fazendários em virtude da MP 765/16, suscitado na tribuna pela patronesse, vencidos a relatora e o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, pelo voto de qualidade, Negar lhe provimento, vencidos a relatora e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto que davam provimento parcial para excluir os juros sobre a multa. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini – Presidente e Redatora designada (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 6566DF CARF MF 4 Relatório Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 Tratase de processo relativo a Contribuições Sociais Previdenciárias apuradas mediante Auditoria Fiscal que resultou no lançamento de crédito fiscal lavrado na data de 15/12/2014, referente ao período de apuração de 01/01/2010 a 31/12/2010. Obrigações Principais: DEBCAB 51.065.6781 no valor de R$ 13.341.673,97; DEBCAB 51.065.6790 no valor de R$ 4.034.226,2; Obrigações Acessórias: DEBCAB 51.065.6803 no valor de R$ 36.256,8635; DEBCAB 51.065.6811 no valor de R$ 1.812,8789; DEBCAB 51.065.6820 no valor de R$ 1.812,8793. O Relatório Fiscal (fl. 182258) consignou a cerca do lançamento, que os Autos de Infração, lavrados integram o processo COMPROT nº 16682.721034/201453 e estão relacionados no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF. Confirase: a) Auto de Infração nº 51.065.6781 apura a contribuição adicional para custeio de aposentadoria especial, relativamente aos empregados próprios da PETROBRAS que trabalhavam expostos, de modo habitual e permanente, ao agente nocivo BENZENO no estabelecimento 33.000.167/014323 – RLAM e no período de 01/2010 a 12/2010. b) Auto de Infração nº 51.065.6790 apura, por ARBITRAMENTO, a retenção adicional para custeio da aposentadoria especial, relativamente à prestação de serviços com cessão de mão de obra ao estabelecimento 33.000.167/014323 – RLAM, em que empregados de empresas contratadas trabalharam, no período de 01/2010 a 12/2010, expostos, de modo habitual e permanente, ao agente nocivo BENZENO. c) AI nº 51.065.6803 – Auto de Infração lavrado em decorrência de Infração ao disposto no artigo 32, Inciso III e § 11, da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 209, combinado com o artigo 255, inciso III, do RPS, ou seja, ter deixado a autuada de prestar à Receita Federal do Brasil – RFB todos as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. d) AI nº 51.065.6811 – Auto de Infração lavrado em decorrência de infração ao disposto no artigo 58, §4º, da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, combinado com o artigo 68, §§ 6º, 9º e 10º do RPS, ou seja, ter deixado a autuada de manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e de Fl. 6567DF CARF MF Processo nº 16682.721034/201453 Acórdão n.º 2401004.594 S2C4T1 Fl. 4 5 comprovar que forneceu ao mesmo, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento. e) AI nº 51.065.6820 – Auto de Infração lavrado em decorrência de infração disposta no art. 31, “caput”, da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.933, de 28 de abril de 2009, combinado com o art. 219 do RPS, ou seja, ter a PETROBRAS, na qualidade de contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra no estabelecimento 33.000.167/014323 – RLAM, deixado de reter a contribuição adicional para custeio da aposentadoria especial, decorrente da exposição ao agente nocivo BENZENO de empregados de empresas contratadas, no período de 01/2010 a 12/2010. Irresignado com o lançamento, comparece o sujeito passivo aos autos, impugnandoo, (fls. 56905765), alegando preliminarmente a nulidade material dos Autos de Infração, pois o processo administrativo fiscal tem como um dos seus princípios fundamentais a busca da verdade material, segundo o qual é um dever da Administração Pública investigar, com base na realidade dos fatos, a efetiva existência dos elementos constitutivos da obrigação tributária, cita jurisprudência e doutrina. Em sede de preliminar alegou ainda a ilegalidade da base de cálculo arbitrada no caso concreto. No mérito aduz a não obrigatoriedade de recolhimento da contribuição adicional para custeio de aposentadoria especial no caso concreto em razão da inexistência de condições ambientais de trabalho que justifiquem a necessidade de pagamento do adicional para financiamento de aposentadoria especial no presente caso. Afirma ainda que inexiste gerenciamento no ambiente de trabalho e benzeno. A Petrobrás não produz benzeno! Os empregados da Petrobrás e os das empresas contratadas não estão expostos a benzenol, portanto, não há que se falar em necessidade de pagamento de alíquota adicional para custeio de aposentaria especial. Alega a impossibilidade de adoção de critério qualitativo para benzeno (aplicação do critério quantitativo), pois considerando que a caraterização do risco ocupacional se dá quando for excedido o nível de ação de 0,25 ppm (metade do valor de exposição Threshold Limit Value TLV adotado pela ACGIH que é de 0,5 ppm), verificase que, nos valores encontrados nos acompanhamentos dos PPEOBs de 2009 e 2010, não houve exposição ocupacional acima do limite de tolerância para os empregados (próprios e terceirizados) da RLAM. O Impugnante afirma ser improcedente os AUTOS DE INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA (AI.s 51.065.6803. 51.065.6811 e 51.065.6820). O Auto de Infração n° 51.065.6773 onde houve o pagamento por parte da PETROBRAS se refere a empregados cedidos à empresa TRANSPETRO, a qual por não ter atualizado os PPP's, deixou de repassar essas informações ao RH da PETROBRAS para que esta efetuasse a atualização por intermédio de seu RH. No Auto de Infração n° 51.065.6803 a tipificação destacada foi a de que a PETROBRAS "teria deixado de prestará Receita Federal do Brasil RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização", ou seja, em tese, não teriam sido prestados esclarecimentos e informações pela Impugnante durante o Fl. 6568DF CARF MF 6 procedimento de fiscalização. No AI 51.065.6773 houve pagamento por obrigação acessória relativa ao PPP. No AI 51.065.6803, supostamente não teriam sido apresentados os "esclarecimentos e informações solicitados pela RFB". Forçosamente, a D. Fiscalização em sua sanha desmesurada em auferir receita a qualquer título, utilizou uma absurda e inadequada tese para declarar configurada a reincidência genérica que até agora não se infere o que seria. Vale dizer, utilizou conceitos diferentes para aplicar as sanções. Em relação ao AI n° 51.065.6811, a Impugnante pede vênia para afirmar que até o julgamento final deste processo apresentará os recibos de entrega dos PPPs aos empregados desligados da RLAM em 2010. Alega a não incidência da contribuição adicional sobre o décimo terceiro salário. E questiona a indevida aplicação das multas de ofício em razão da limitação em 20% (fundamento da nova legislação) e requer a nulidade das autuações fiscais ora recorridas, em razão do equivocado cálculo da multa ora imposta ou, quando menos, a retificação do valor da multa de ofício para o percentual de 20%. Nesse interregno afirma o descabimento de juros sobre a multa de ofício. Em sendo mantidos os AI's lavrados apresentase descabida a incidência de juros sobre a multa de ofício aplicada, já que isso implicaria numa majoração da própria penalidade e não se pode falar em mora na exigência de multa. Por fim, requer a exclusão de responsabilidade tributária dos responsáveis legais. sócios. diretores. etc. Tendo em vista que o caso concreto não está diante de nenhuma das hipóteses previstas no art. 137 do CTN, bem como tendo em vista a revogação do artigo 13 da Lei n°. 8.620/93 pela Lei n°. 11.941/09, requerse, desde já, a imediata exclusão dos referidos agentes do pólo passivo da presente autuação. Continuamente, em 03/03/2015 foi solicitado a juntada de documentos que foram anexados em 28/04/2015 pelo sujeito passivo, a impugnação complementar que, em síntese, possui os seguintes itens para análise: a) da superveniência da prova documental; b) a ilegalidade da base de cálculo arbitrada no caso concreto; c) inconsistências nas planilhas demonstrativas; d) não especificação dos empregados expostos; e) a nulidade das exigências fiscais, tendo em vista a ausência dos requisitos que, em tese, viabilizariam o uso desse método de apuração da base de cálculo. Após a impugnação, o Acórdão de fls. 5.956/6027, julgou a impugnação procedente em parte e a Manutenção parcial do Crédito Tributário. Recordese o texto que deu parcial provimento à Impugnação, in verbis: “4.12.3 PRODUMAN e HILUB Os fundamentos de direito da tese defensiva relativamente às Notas Fiscais das empresas PRODUMAN e HILUB, estão em consonância com a hipótese prevista na legislação regente quanto à exclusão da parte referente a máquinas e equipamentos conforme disposto na Instrução Normativa RFB nº 971, DOU 17/11/2009: Da Apuração da Base de Cálculo da Retenção Art. 121. Os valores de materiais ou de equipamentos, próprios ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, fornecidos pela contratada, discriminados no contrato e na nota fiscal, na Fl. 6569DF CARF MF Processo nº 16682.721034/201453 Acórdão n.º 2401004.594 S2C4T1 Fl. 5 7 fatura ou no recibo de prestação de serviços, não integram a base de cálculo da retenção, desde que comprovados. Este foi o fundamento da apuração conforme expressamente consignado pela auditoria fiscal: PRODUMAN: foi apurada a retenção adicional, por ARBITRAMENTO, como preceitua o art. 33, §3°, da Lei n° 8.212/1991, utilizandose o valor da mão de obra incluído nas Notas Fiscais ou, na ausência dessa informação, o valor bruto das Notas Fiscais emitidas em razão do Contrato n°4600246089. HILUB: foi apurada a retenção adicional, por ARBITRAMENTO, como preceitua o art. 33, §3°, da Lei n° 8.212/1991, utilizandose o valor da mão de obra incluído nas Notas Fiscais ou, na ausência dessa informação, o valor bruto das Notas Fiscais emitidas em razão do Contrato n° 4600239576. Quanto aos aspectos quantitativos vazados nas notas fiscais contestadas, verificase a incongruência na aplicação do dispositivo legal, visto que, especificamente, nos documentos fiscais impugnados houve equívoco na época da retenção, em que não foi excluído a parte agora contestada. Ademais, o equívoco na retenção foi corrigido nos meses subsequentes, que implicou na acatação pela autoridade lançadora, nas competências posteriores, das parcelas impugnadas consoante o preceito legal referido. Ressaltese que tal equívoco na retenção não trouxe prejuízo ao Fisco e também não pode ser critério para agravamento das obrigações tributárias. Assim, deve ser procedida a alteração do crédito fiscal, mediante a exclusão da parcela referente a material e equipamentos, conforme a seguintes tabelas demonstrativas: PRODUMAN NF Data fl. Valor M.O. Mat/Equip Soma 4075 18/01/2010 3883 824.050,87 412.025,44 412.025,43 824.050,87 4076 18/01/2010 3884 34.842,04 17.421,02 17.421,02 34.842,04 4077 18/01/2010 3885 508.694,51 254.347,26 254.347,25 508.694,51 4078 18/01/2010 3886 324.096,72 162.048,36 162.048,36 324.096,72 1.691.684,14 845.842,08 845.842,06 1.691.684,14 Fl. 6570DF CARF MF 8 HILUB NF Data fl. Valor M.O. Mat/Equip Soma 003826 04/01/2010 4009 129.801,72 64.900,86 64.900,86 129.801,72 003869 02/02/2010 4010 133.136,39 66.568,19 66.568,20 133.136,39 003912 04/03/2010 4011 127.205,14 63.602,57 63.602,57 127.205,14 003959 06/04/2010 4012 130.317,98 65.158,99 65.158,99 130.317,98 004014 07/05/2010 4013 125.823,22 62.911,61 62.911,61 125.823,22 004179 19/07/2010 4014 32.525,30 16.262,65 16.262,65 32.525,30 004201 02/08/2010 4015 174.292,02 87.146,01 87.146,01 174.292,02 004202 02/08/2010 4016 147.455,72 73.727,86 73.727,86 147.455,72 004222 11/08/2010 4017 139.168,04 69.584,02 69.584,02 139.168,04 004265 13/09/2010 4018 133.684,06 66.842,03 66.842,03 133.684,06 004316 05/10/2010 4019 136.289,17 68.144,58 68.144,59 136.289,17 004378 10/11/2010 4020 134.728,88 67.364,44 67.364,44 134.728,88 1.544.427,64 772.213,81 772.213,83 1.544.427,64 Pelos motivos expostos, deve ser procedida a exclusão de parcelas do crédito referente à obrigação principal conforme as seguintes tabelas demonstrativas: Base de cálculo e rubricas: Debcad 51.065.6790 Estabelecimento 33.000.167/014323 De: (Valores Apurados Lançamentos) Para: (Valores Revisados Julgamento) Comp.: BASE DE CÁLCULO: 0P BC Ret Aposent 25 Rubricas: 1P Ret ad aposent BASE DE CÁLCULO: 0P BC Ret Aposent 25 Rubricas: 1P Ret ad aposent 01/2010 1.821.485,86 36.429,72 910.742,94 18.214,86 02/2010 133.136,39 2.662,73 66.568,19 1.331,36 03/2010 127.205,14 2.544,10 63.602,57 1.272,05 04/2010 130.317,98 2.606,36 65.158,99 1.303,18 05/2010 125.823,22 2.516,46 62.911,61 1.258,23 07/2010 32.525,30 650,51 16.262,65 325,25 08/2010 460.915,78 9.218,32 230.457,89 4.609,16 09/2010 133.684,06 2.673,68 66.842,03 1.336,84 10/2010 136.289,17 2.725,78 68.144,58 1.362,89 11/2010 134.728,88 2.694,58 67.364,44 1.347,29 Valores a serem reduzidos do crédito fiscal: Debcad 51.065.6790 Estabelecimento 33.000.167/014323 Fl. 6571DF CARF MF Processo nº 16682.721034/201453 Acórdão n.º 2401004.594 S2C4T1 Fl. 6 9 01/2010 2158 158.693,25 140.478,39 02/2010 2158 84.013,76 82.682,40 03/2010 2158 120.888,84 119.616,79 04/2010 2158 107.502,83 106.199,65 05/2010 2158 98.714,79 97.456,56 07/2010 2158 126.047,19 125.721,94 08/2010 2158 158.520,47 153.911,31 09/2010 2158 204.238,31 202.901,47 10/2010 2158 202.373,86 201.010,97 11/2010 2158 174.534,05 173.186,76 No restante sobrou mantida o Auto de infração, recordese: “DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. RISCOS NO AMBIENTE DE TRABALHO. APOSENTADORIA ESPECIAL. ADICIONAL A empresa com atividade que exponha o trabalhador a agentes nocivos químicos, físicos ou biológicos, ou associação desses agentes está sujeita ao pagamento da alíquota adicional do SAT/RAT. NOCIVIDADE PRESUMIDA DO BENZENO A avaliação de riscos e do agente nocivo do benzeno é qualitativa, por constar no Anexo 13A da Norma Regulamentadora nº 15 NR15 do MTE, cuja nocividade é presumida e independente de mensuração, constatada pela simples presença do agente no ambiente de trabalho. AFERIÇÃO INDIRETA. VALIDADE Diante da omissão do sujeito passivo na apresentação de documentos relacionados aos fatos geradores de tributos, é cabível apurar a base de cálculo pela técnica do arbitramento. Fl. 6572DF CARF MF 10 O critério de arbitramento está claramente descrito quando constam, na peça fiscal, informações relativas ao valor considerado como salário de contribuição por segurado e a fonte de obtenção desse dado. CESSÃO DE MÃODEOBRA A cessão de mãodeobra ocorre quando a prestadora de serviços coloca, à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. RETENÇÃO DE 11% SOBRE A NOTA FISCAL DE SERVIÇOS A empresa contratante de serviços realizados por pessoa jurídica mediante cessão de mão de obra ou empreitada está obrigada a reter 11% sobre o valor da nota fiscal, fatura ou recibo e recolher o valor retido à Receita Federal. ELISÃO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DECORRENTE DA RETENÇÃO A elisão da obrigação tributária decorrente da retenção só ocorre com a comprovação do recolhimento de GPS com código específico (2631) em nome do prestador de serviço. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NÃO CUMPRIDA Constatada a ocorrência de infração a dispositivo legal, será lavrado auto de infração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. ACRÉSCIMOS LEGAIS Os acréscimos legais devidos por força de lei, tem aplicação obrigatória com base no princípio da presunção de legalidade e constitucionalidade das leis e da vinculação do ato administrativo do lançamento. RELAÇÃO DE PESSOAS VINCULADAS A relação de pessoas vinculadas a auto de infração previdenciário, lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. VALIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL Fl. 6573DF CARF MF Processo nº 16682.721034/201453 Acórdão n.º 2401004.594 S2C4T1 Fl. 7 11 O auto de infração lavrado pela fiscalização é válido e eficaz, se lavrado com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. DILAÇÃO PROBATÓRIA Em regra, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, com exceção, apenas das hipóteses do § 4º, do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972.” O Recorrente foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 01/06/2015, conforme Termo de Ciência por abertura de mensagem às fls. 6063. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 6038/6095, ratificando suas alegações anteriormente expendidas e ao final requer o acatamento do recurso de modo a alterar a decisão recorrida. Preliminarmente, respaldou sua inconformidade em preliminar de nulidade material dos autos de infração. No caso concreto, repitase, é forçosa a conclusão de que, no presente caso, não houve apropriada motivação fática e legal do lançamento fiscal, culminando, assim, na nulidade material insanável dos Autos de Infrações ora resistida. Nesse sentido, o Recurso afirma que o acórdão está equivocado, já que a jurisprudência é um indício a demonstrar que a tese defendida pela contribuinte encontrou respaldo seja na esfera administrativa, seja na judiciária. Quanto ao arbitramento da base de cálculo afirmase, mais uma vez, a nulidade das exigências fiscais, tendo em vista a ausência dos requisitos que, em tese, viabilizariam o uso desse método de apuração da base de cálculo. No mérito, alega a não obrigatoriedade de recolhimento da contribuição adicional para custeio de aposentadoria. Em outras palavras, as aposentadorias especiais relativas aos trabalhadores sujeitos às condições especiais que prejudicam sua saúde ou integridade física serão financiadas por meio de um adicional de 12, 9 ou 6 pontos percentuais incidentes sobre as alíquotas de 1, 2 e 3% a título de contribuição ao SAT, desde que comprovada a efetiva exposição dos empregados aos agentes nocivos. Dito de outro modo, somente trabalhadores que comprovadamente executaram trabalhos com exposição permanente a agentes nocivos farão jus à aposentadoria especial. Nesse ponto, a d. fiscalização equivocadamente aduziu que os empregados alocados na RLAM teriam "exposição HABITUAL permanente na sua jornada de trabalho." Contudo, tal conclusão se demonstra totalmente equivocada, uma vez que não há que se falar em exposição habitual no caso concreto, posto que não há efetiva exposição ao agente nocivo benzeno. Afirma ainda a inexistência de exposição efetiva de Benzeno no ambiente de trabalho (inexistência de exposição efetiva). Conforme informado pela PETROBRAS no procedimento de fiscalização: A PETROBRAS não produz Benzeno! Os empregados da Fl. 6574DF CARF MF 12 PETROBRAS e os das empresas Contratadas NÃO estão expostos a Benzenol. Portanto, não há que se falar em necessidade de pagamento de alíquota adicional para custeio de aposentaria especial. Da impossibilidade de adoção de critério qualitativo para benzeno (aplicação do critério quantitativo). O art. 236 Instrução Normativa IN INSS n°. 45/2010 estabelece os conceitos e critérios para a análise do benefício da aposentadoria especial. Como se infere do "Relatório Fiscal", as autuações fiscais foram lavradas única e exclusivamente em decorrência da existência de benzeno no estabelecimento RLAM. Dito de outro modo, no caso concreto, a d. fiscalização deixou de observar que (i) não há exposição efetiva dos empregados ao agente nocivo benzeno e que (ii) a PETROBRAS adotou todas as medidas protetivas estabelecidas nos PPRAs, PPEOBs, PCMSOs, etc. No tocante ao descumprimento das obrigações acessórias no Auto de Infração n° 51.065.6773 onde houve o pagamento por parte da PETROBRAS se refere a empregados cedidos à empresa TRANSPETRO, a qual por não ter atualizado os PPP's, deixou de repassar essas informações ao RH da PETROBRAS para que esta efetuasse a atualização por intermédio de seu RH. No Auto de Infração n° 51.065.6803 a tipificação destacada foi a de que a PETROBRAS "teria deixado de prestará Receita Federal do Brasil RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização", ou seja, em tese, não teriam sido prestados esclarecimentos e informações pela Impugnante durante o procedimento de fiscalização. Em nenhum momento, existe na tipificação do Auto de Infração, menção a ausência de atualização de PPP. Existe sim uma desconexa correlação entre o pagamento do AI por falta de atualização de PPP dos empregados cedidos á TRANSPETRO com a suposta ausência de "fornecimento de informações e esclarecimentos" durante o procedimento de fiscalização. Já no AI 51.065.6773 houve pagamento por obrigação acessória relativa ao PPP. No AI 51.065.6803, supostamente não teriam sido apresentados os "esclarecimentos e informações solicitados pela RFB". Forçosamente, a D. Fiscalização em sua sanha desmesurada em auferir receita a qualquer título, utilizou uma absurda e inadequada tese para declarar configurada a reincidência genérica que até agora não se infere o que seria. Em relação ao AI n° 51.065.6811, a Impugnante pede vênia para afirmar que até o julgamento final deste processo apresentará os recibos de entrega dos PPPs aos empregados desligados da RLAM em 2010. No que tange a afirmação da D. Fiscalização de que os PPP não estariam atualizados, tal afirmação não procede. Durante o desenrolar do procedimento de Fiscalização, a Impugnante apresentou os PPP's devidamente atualizados. Quanto ao AI 51.065.6820, não há que se falar em retenção do adicional para aposentadoria especial nas notas fiscais fatura em relação os empregados das empresas contratadas. Por outro lado, pontua não incidir contribuição adicional sobre o décimo terceiro salário. Ao contrário da contribuição previdenciária que se insere num regime contributivo e solidário (conforme decidido pelo STF na ADIN n° 3.1058DF, em 18.08.2004), a principal característica da Contribuição Adicional é o seu caráter comutativo e sinalagmático, que a insere num regime exclusivamente contributivo, sendo paga para que o Fl. 6575DF CARF MF Processo nº 16682.721034/201453 Acórdão n.º 2401004.594 S2C4T1 Fl. 8 13 trabalhador possa receber em troca, no futuro, o benefício previdenciário da aposentadoria especial, não havendo fundamento para ser exigida sobre uma parcela que não repercute no cálculo do referido benefício. Esse caráter contributivo da Contribuição Adicional está expresso no art. 57, §§ 6o e 7o, da Lei n° 8.213/91. Alega ainda, que não há que se falar em aplicação da multa de ofício de 75% nas competências de 01/2010 a 13/2010, ante a expressa limitação contida na nova redação do art. 35 da Lei n°. 8.212/91. Ocorre que, nos termos da mais balizada jurisprudência, resta pacificado o entendimento no tocante à impossibilidade da aplicação de multa de 75% ou de multa de ofício variável (da antiga redação do art. 35 da Lei n°. 8.212/91) nos casos de autuações relativas às contribuições referidas no art. 35 da Lei n°. 8.212/91. Requer que em sendo mantidos os AI's lavrados apresentase descabida a incidência de juros sobre a multa de ofício aplicada, já que isso implicaria numa majoração da própria penalidade e não se pode falar em mora na exigência de multa. Por fim, requer a exclusão de responsabilidade tributária dos responsáveis legais. sócios. diretores. Etc, tendo em vista que no caso concreto não se está diante de nenhuma das hipóteses previstas no art. 137 do CTN, bem como em razão da revogação do artigo 13 da Lei n°. 8.620/93 pela Lei n°. 11.941/09. É o relatório. Fl. 6576DF CARF MF 14 Voto Vencido Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE Os Recorrentes foram cientificados da r. decisão em debate no dia 01/06/2015 conforme Termo de Ciência por abertura de mensagem às fls. 6036, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 30/06/2015, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 765, DE 29/12/2016 IMPEDIMENTO DOS CONSELHEIROS DA FAZENDA NACIONAL. Inicialmente, cumpre analisar a preliminar de impedimento dos julgadores fazendários em virtude da MP 765/16, suscitado na tribuna pela patrona da Recorrente. Sobre o tema, a Medida Provisória 765, de 29 de dezembro de 2016 (MP 765/2016), publicada dia 10/01/2017, dentre outras mudanças, alterou a carreira dos Auditores da Receita Federal do Brasil e instituiu o Programa de Produtividade e o Bônus de Eficiência. Impende salientar o artigo 5º da MP 765/2016 que institui o Programa de Produtividade da Receita e o Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira, com o fito de “incrementar a produtividade nas áreas de atuação dos ocupantes dos cargos”, cujos critérios serão definidos por um Comitê Gestor até 1º de março de 2017 e a base de cálculo do bônus será mensurada conforme valor total arrecadado das seguintes fontes: I arrecadação de multas tributárias e aduaneiras incidentes sobre a receita de impostos, de taxas e de contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil a que se refere o artigo 4º da Lei no 7.711, de 22 de dezembro de 1988, inclusive por descumprimento de obrigações acessórias; e II recursos advindos da alienação de bens apreendidos a que se refere o inciso I do § 5º do artigo 29 do DecretoLei no 1.455, de 7 de abril de 1976. Nesse diapasão entendese que não há como manter a imparcialidade de um órgão julgador composto por auditores fiscais, como é o caso deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), diante do evidente interesse que surge, com a publicação da referida MP 765/2016, onde para receber o bônus instituído, os auditores terão que atingir metas, relacionadas aos valores e manutenção das multas aplicadas. Vislumbrase, como consequência primária, o aumento de lançamentos de multas tributárias agravadas em face dos contribuintes autuados e, a secundária, a manutenção dessas multas nas instâncias julgadoras, especialmente neste CARF, órgão em que o voto de qualidade é sempre proferido por um representante da Fazenda Nacional, cujo valor do bônus dependerá da manutenção dessas multas. Fl. 6577DF CARF MF Processo nº 16682.721034/201453 Acórdão n.º 2401004.594 S2C4T1 Fl. 9 15 Salientese ainda o artigo 42 do RI/CARF, que impõe o dever de os Conselheiros se declararem impedidos quando houver “interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto” na causa, como acreditase existir com a criação do Programa de Produtividade da Receita e o Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira. Pontuase ainda, ad argumentandum tantum, que não há como se pretender traçar um paralelo entre o referido Programa de Produtividade da Receita e o Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira, com os jetons recebidos pelos Conselheiros Representantes dos Contribuintes, pelo fato de advirem do mesmo fundo financeiro, primeiro porque independentemente do Conselheiro Representante dos Contribuintes dar ou negar provimento em recursos de ofício ou voluntário, pela incidência de débitos ou multas de qualquer natureza, essa decisão não reflete na referida gratificação de presença (jeton), a qual será devida, no mesmo valor já estipulado em Decreto Lei e sem qualquer bônus ou vantagens, ou seja, não existe nenhum interesse direto ou indireto que macule o procedimento em relação aos representantes dos Contribuintes, já que o valor de seus jetons é o mesmo, independentemente de qualquer resultados que o Colegiado firme; já em relação aos representantes do Fazenda da Nacional essa premissa não se confirma, como se observa do próprio texto da Medida Provisória ora em comento. Nessa esteira de entendimento, resta latente o impedimento de todos os Conselheiros Representantes da Fazenda Nacional, que atuam perante o CARF, em face ao interesse direto e inegável que o referido Programa atrai per si; somase ainda o evidente desrespeito aos artigos 37 da Constituição Federal e artigo 41 do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), ao se violar os princípios da legalidade, imparcialidade e moralidade que regem a atuação da Administração Pública. Razão pela qual entendese que o presente julgamento deve ser suspenso., até que a referida causa de impedimento seja sanada.; caso não seja esse o entendimento adotado por maioria dos integrantes deste Colegiado, passase à análise das demais questões debatidas no Recurso Voluntário. 2.2. DA NULIDADE ARBITRAMENTO Da leitura do Relatório Fiscal vislumbrase que este se encontra dentro dos termos legislativos, e meros erros de digitação não são suficientes para vicialo a ponto de declarar sua nulidade. Portanto, sem razão o Recorrente em sua alegação. Observase que a Recorrente confunde aferição por arbitramento com cerceamento de defesa e procura descaracterizar as informações contidas no relatório fiscal com argumentos isolados, desvinculados de uma visão ampla que engloba todos os anexos e demais relatórios do presente processo, que não se sustentam. Em procedimento de lançamento tributário, o arbitramento é permitido quando o sujeito passivo for omisso em relação às informações que deveria prestar ou quando as informações por ele prestadas não merecerem fé, nos termos do Código Tributário Nacional (CTN). Assim, o crédito constituído, foi lançado de acordo com o disposto no artigo 148 do Código Tributário Nacional, in verbis: Fl. 6578DF CARF MF 16 “Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial.” Assim, arbitramento é a forma de constituição de crédito, que pode empregar diferentes procedimentos, dentre eles o método de aferição indireta que é o procedimento de que dispõe a autoridade lançadora para apuração indireta da base de cálculo das contribuições sociais devidas pelo contribuinte, cuja base de cálculo das contribuições será aferida indiretamente se: a) No exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a fiscalização constatar que a “contabilidade” não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro; b) A empresa, o empregador doméstico, ou o segurado recusar se a apresentar qualquer documento, ou sonegar informação, ou apresentálos deficientemente. Os autos de infração estão revestidos de todos os requisitos legais, os fatos geradores foram minuciosamente explicitados, a fundamentação legal foi esclarecida, conforme se verifica no relatório fiscal e anexos de Fundamentos Legais do Débito FLD, os critérios pecuniários do lançamento foram discriminados e todos os demais dados necessários à correta compreensão da exigência fiscal estão dispostos nos diversos discriminativos que integram os autos de infração. Quanto ao direito de ampla defesa, no momento em que foi cientificado do lançamento e aberto prazo de trinta dias para a impugnação, conforme previsto no artigo 15, do Decreto n.º 70.235/72, foi aberta a oportunidade de oferecer sua defesa, com todos os meios e provas cabíveis. Assim, deuse cumprimento ao devido processo legal, restando perfeitamente atendido o princípio do contraditório e da ampla defesa. Tendose em conta que a impugnação do lançamento foi plenamente exercida pelo sujeito passivo, superados os argumentos de falta de entendimento apresentados, impossível acolher a alegação de cerceamento de defesa, especialmente quando não se verificou qualquer prejuízo para o autuado, que pôde trazer ao feito toda a documentação que entendia lhe ser favorável, não havendo que se falar em nulidade do lançamento. Assim, é de rigor que nas hipóteses legais, se proceda o lançamento mediante aferição em atenção ao citado comando normativo do CTN, Art. 148. 2.3 PROCEDIMENTO A Auditoria Fiscal, diante do equívoco e omissão do sujeito passivo, utilizou se de meios indiretos/subsidiários de prova do fato gerador e de cálculo das contribuições. Portanto, concluise que, atendidos os pressupostos legais do arbitramento – omissão do sujeito passivo e razoabilidade do critério fica afastada a tese de invalidade do Fl. 6579DF CARF MF Processo nº 16682.721034/201453 Acórdão n.º 2401004.594 S2C4T1 Fl. 10 17 lançamento e o ônus da prova quanto à inexistência do fato gerador passa a ser do sujeito passivo, conforme mencionado anteriormente. Portanto, é certo que o presente crédito reputado na modalidade de aferição indireta, mas cercado de todas as cautelas durante a auditoria fiscal em reverência à ampla defesa e garantido o contraditório nesta fase contenciosa, resta atendido o devido processo legal, pois se trata de atividade administrativa vinculada e obrigatória, nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), art. 142, Parágrafo Único, recordese: “ Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” 2.4 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS Quanto à cogitada insubsistência das atuações fiscais frente o posicionamento adotado pela Receita Federal em outros procedimentos fiscais, o que revelaria violação ao artigo 146 do Código Tributário Nacional, também não merece amparo. Primeiramente, porque tais procedimentos não tratam da empresa em questão, mas sim de pessoas jurídicas diversas, localizadas em bases territoriais diversas. Segundo, porque foram realizadas ações fiscais distintas, as quais elementos de prova não necessariamente se assemelhavam, pois os fatos abordados não eram os mesmos. Ainda, está se presentemente diante de contencioso tributário, analisando se litígio entre Fisco e contribuinte concretamente estabelecido, sendo que nos procedimentos fiscais citados pela recorrente outras eram as situações, não havendo pretensão de uniformidade ou coerência necessária entre as decisões prolatadas nos diversos processos. Justamente por isso existe o sistema recursal instaurado no âmbito da fiscalização tributária, o qual permite, mediante o questionamento daquelas decisões, chegar até à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), a qual tem como uma de suas missões a uniformização do entendimento acerca dos temas jurídicos controversos que brotam no seio da interpretação das demandas concretas. No tocante à jurisprudência trazida aos autos, é de se observar o disposto no artigo 472 do Código de Processo Civil, o qual estabelece que a “sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros...”. Assim, não sendo parte nos litígios objetos dos acórdãos, os interessados não podem usufruir dos efeitos das sentenças ali prolatadas, posto que os efeitos são “inter pars” e não “erga omnes”. Portanto, as decisões judiciais e também administrativas, mesmo que reiteradas, sem uma norma que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares Fl. 6580DF CARF MF 18 do Direito Tributário, e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, aplicandose somente à questão em análise e vinculando as partes envolvidas naqueles litígios. 3. MÉRITO 3.1 APOSENTADORIA ESPECIAL. REQUISITOS A Lei nº 8.213/1991, disciplina a concessão da aposentadoria especial nos seguintes termos: “Art. 57. A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme dispuser a lei. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) § 1º A aposentadoria especial, observado o disposto no art. 33 desta Lei, consistirá numa renda mensal equivalente a 100% (cem por cento) do saláriodebenefício. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) § 2º A data de início do benefício será fixada da mesma forma que a da aposentadoria por idade, conforme o disposto no art. 49. § 3º A concessão da aposentadoria especial dependerá de comprovação pelo segurado, perante o Instituto Nacional do Seguro Social–INSS, do tempo de trabalho permanente, não ocasional nem intermitente, em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante o período mínimo fixado. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) § 4º O segurado deverá comprovar, além do tempo de trabalho, exposição aos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física, pelo período equivalente ao exigido para a concessão do benefício. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) § 5º O tempo de trabalho exercido sob condições especiais que sejam ou venham a ser consideradas prejudiciais à saúde ou à integridade física será somado, após a respectiva conversão ao tempo de trabalho exercido em atividade comum, segundo critérios estabelecidos pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, para efeito de concessão de qualquer benefício. (Incluído pela Lei nº 9.032, de 1995) § 6º O benefício previsto neste artigo será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) (Vide Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 7º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às Fl. 6581DF CARF MF Processo nº 16682.721034/201453 Acórdão n.º 2401004.594 S2C4T1 Fl. 11 19 condições especiais referidas no caput. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 8º Aplicase o disposto no art. 46 ao segurado aposentado nos termos deste artigo que continuar no exercício de atividade ou operação que o sujeite aos agentes nocivos constantes da relação referida no art. 58 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98)” A aposentadoria especial tem como requisitos primordiais, o “trabalho em condições especiais” que prejudiquem a “saúde ou a integridade física” pela exposição a agentes nocivos (nocividade) por “período de tempo não ocasional nem intermitente” (permanência). Conforme a mesma Lei n° 8.213/1.991: “Art. 58. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos e biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física considerados para fins de concessão da aposentadoria especial de que trata o artigo anterior será definida pelo Poder Executivo. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) § 1º A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 2º Do laudo técnico referido no parágrafo anterior deverão constar informação sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva ou individual que diminua a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância e recomendação sobre a sua adoção pelo estabelecimento respectivo. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 3º A empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou que emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo estará sujeita à penalidade prevista no art. 133 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) § 4º A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997)”. Assim, por questão de ordem pública há um controle dos agentes nocivos. 3.2 AGENTES NOCIVOS Fl. 6582DF CARF MF 20 O Decreto que regulamentou a Previdência Social, nº 3.048/1.999, regeu sobre os agentes nocivos no seu artigo 68, in verbis: Art. 68. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física, considerados para fins de concessão de aposentadoria especial, consta do Anexo IV. § 1º As dúvidas sobre o enquadramento dos agentes de que trata o caput, para efeito do disposto nesta Subseção, serão resolvidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego e pelo Ministério da Previdência e Assistência Social. Verificase que a classificação vigente do agente nocivo benzeno, implica em aposentadoria especial após 25 anos de trabalho, cujos efeitos tributários serão examinados em tópicos seguintes. 3.3 ADICIONAL PARA FINANCIAMENTO DA APOSENTADORIA ESPECIAL A Lei nº 8.212 foi criada para financiar a aposentadoria especial, o adicional à contribuição do Seguro de Acidentes do Trabalho – SAT, recordese: “Art. 57. A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme dispuser a lei. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) (...) § 6º O benefício previsto neste artigo será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) (Vide Lei nº 9.732, de 11.12.98) Assim, o benefício da aposentadoria especial passou a contar com uma fonte adicional de recursos, exclusivamente a cargo da empresa, destinada a financiar a aposentadoria precoce do trabalhador, ocasionada por sua exposição, no ambiente do trabalho, a agentes nocivos que produzem prejuízos à higidez física e mental. Mas tal adicional pode se mitigado pelos contribuintes mediante medidas de proteção que os exoneram que também foram previstas na Instrução Normativa RFB nº 971, DOU 17/11/2009, nos seus artigos 291, 293 § 2º. Portanto, somente não será devida contribuição adicional quando a adoção de medidas de proteção coletiva ou individual neutralizarem ou reduzirem o grau de exposição do trabalhador a níveis legais de tolerância, observadas as demais disposições da legislação que regulam a matéria. No caso em exame, foi apontado pela auditoria fiscal a exposição ao agente benzeno, em tese, que será analisado o grau de nocividade nos tópicos seguintes. 3.4 NOCIVIDADE. AFERIÇÃO Fl. 6583DF CARF MF Processo nº 16682.721034/201453 Acórdão n.º 2401004.594 S2C4T1 Fl. 12 21 Depreendese da leitura do INSTRUÇÃO NORMATIVA INSS/PRES Nº 77, DOU 22/01/2015 que a caracterização da nocividade depende do agente nocivo ao qual o trabalhador está exposto e foram divididos pela legislação, trabalhista e previdenciária, em dois grupos: 1) cuja nocividade é presumida, independem de mensuração e constam nos anexos 6, 13, 13A e 14 da NR15/1.978 do TEM; 2) cujos agentes somente são considerados nocivos quando sua intensidade ou concentração se fazem presentes no ambiente de trabalho acima de determinados limites, são denominados quantitativos e estão dispostos nos anexos 1, 2, 3, 5, 8,11 e 12 da NR15 do MTE, aprovado pela Portaria MTE n° 3.214, de 08/06/78. 3.4.1 AGENTE NOCIVO BENZENO No caso em questão o agente nocivo é o BENZENO, que é regulamento pela NR 15 ATIVIDADES E OPERAÇÕES INSALUBRES, DOU 06/07/78: 15.1 São consideradas atividades ou operações insalubres as que se desenvolvem: 15.1.1 Acima dos limites de tolerância previstos nos Anexos n.º 1, 2, 3, 5, 11 e 12; [...] 15.1.3 Nas atividades mencionadas nos Anexos n.º 6, 13 e 14; ANEXO N.º 13A (Incluído pela Portaria SSST n.º 14, de 20 de dezembro de 1995) Benzeno 1. O presente Anexo tem como objetivo regulamentar ações, atribuições e procedimentos de prevenção da exposição ocupacional ao benzeno, visando à proteção da saúde do trabalhador, visto tratarse de um produto comprovadamente cancerígeno. Portanto, sobra comprovado que o benzeno tem nocividade presumida pelo aspecto qualitativo e no presente caso, é incontroverso a exposição dos segurados trabalhadores conforme afirmado pelo defendente e apurado pela auditoria fiscal. 3.5 AFERIÇÃO INDIRETA MEDIANTE ARBITRAMENTO Os auditores fiscais identificaram a presença do agente nocivo benzeno nos seguintes termos:. “130. Em razão da presença de BENZENO nas correntes produtivas da REFINARIA LANDULPHO ALVES, vários empregados da PETROBRAS que atuavam nessa refinaria, no período de 01/2010 a 12/2010, estavam efetivamente expostos, de forma habitual e permanente, ao agente químico BENZENO em 100% (cem por cento) de sua jornada de trabalho, conforme dados da Matriz de Conclusão por GHE, mencionada nos itens (105) e (106) deste relatório. Fl. 6584DF CARF MF 22 131. Devese ressaltar que, ao elaborar a Matriz de Conclusão por GHE, a PETROBRAS considerou as tarefas laborais típicas de seus empregados com atuação na RLAM, os agentes nocivos presentes no ambiente de trabalho na realização dessas tarefas e o percentual da jornada de trabalho dos empregados em que ocorria sua exposição a cada agente nocivo presente no local dos serviços. Portanto, a exposição ao agente químico BENZENO dos empregados da RLAM enquadrados nos GHE relacionados no item (105) deste relatório era indissociável de suas tarefas diárias e, por conseguinte, era habitual e permanente. 4.5.2 Evidências materiais da exposição dos trabalhadores a agente nocivo com efetivo ou potencial prejuízo à saúde ou à integridade física dos trabalhadores Há diversos eventos e ocorrências que evidenciam a exposição concretados segurados aos agentes nocivos, conforme excertos do relatório fiscal: 122. Após a leitura da Ata da 10a Reunião Ordinária da CIPA Gestão 20092010, realizada em 02/06/2010 (arquivo "Ata CIPA 06 2010.pdf código de autenticação: "dd96e8bada1046c6 93539921acdb03e0"), foi solicitada, no item (4) do TIF n° 05, a apresentação dos estudos realizados para a inclusão da U06 e da U39 no PPEOB, ainda que tivessem sido concluídos após 31/12/2010. Em 07/10/2014, foi apresentado à fiscalização o arquivo "Estudo _ Benzeno 6 e 39 2011.xls", contendo dados de estudo realizado em fevereiro e em março de 2011, demonstrando que, em média, o percentual do BENZENO nas correntes líquidas das referidas unidades era inferior a 1%. 123. Em 07/10/2014, a PETROBRAS apresentou a esta fiscalização o arquivo "Unidades de processo.pdf em que relacionou as unidades operacionais da RLAM em 2010 e os produtos existentes nas correntes produtivas dessas unidades operacionais em 2010.” Informou ainda que nas correntes produtivas das unidades operacionais U4, U9, U6 e U 39 havia BENZENO em concentração inferior a 1%. 124. Pela análise do Anexo I do PCMSO da RLAM, mencionado no item (108) deste relatório, verificouse que, a partir dos GHE nele indicados e das lotações das Folhas de Pagamento, não seria possível a esta AFRFB discernir a que GHE pertenceu em 2010, por exemplo, um Técnico Químico de Petróleo Sênior com lotação na Folha de Pagamento igual a RLAM/OT/DP: ao GHE 01, ao GHE 03, ao GHE 04 ou ao GHE05. 125. Em razão disso, solicitouse que a empresa apresentasse planilha discriminando os empregados que se enquadravam em cada um dos diversos GHE da RLAM em 2010. Em 01/10/2014, a PETROBRAS apresentou a esta fiscalização o arquivo "Anexo 2.xlsx", contendo o enquadramento de vários empregados da RLAM por GHE. Constatadas algumas inconsistências nesse arquivo após o cruzamento de seus dados com as GFIP da RLAM, com a Folha de Pagamento e com as informações do arquivo "Anexo 2 PPEOB.pdf" (mencionado no item (118) deste relatório), foram solicitados esclarecimentos à Fl. 6585DF CARF MF Processo nº 16682.721034/201453 Acórdão n.º 2401004.594 S2C4T1 Fl. 13 23 PETROBRAS, que deveria complementar o arquivo apresentado em 01/10/2014. Contrariando a orientação da fiscalização, a PETROBRAS apresentou o arquivo substitutivo "Anexo 2.xlsx" em 19/11/2014, que corrigiu apenas parcialmente as falhas do arquivo anteriormente apresentado. Em 05/12/2014, foram apresentados os arquivos "Anexo II TIF 12.xlsx", "Anexo III TIF 12 .xlsx", "Anexo IV TIF 12 .xlsx" e "Planilha atendimento item 59.xlsx", que introduziram modificações nas informações prestadas anteriormente pela PETROBRAS quanto à discriminação de empregados por GHE da RLAM em 2010. As informações prestadas pela empresa ao longo da fiscalização foram compiladas em uma única planilha. A planilha de enquadramento de empregados por GHE foi cruzada com os dados individualizados por empregados declarados pela PETROBRAS em GFIP, obtendose uma planilha contendo todos os trabalhadores informados nas GFIP mensais da RLAM em 2010, com seus respectivos cargos, lotações e enquadramentos por GHE. 4.5.3 Elementos indicadores do ineficaz gerenciamento do ambiente de trabalho, e, conseqüentemente, do controle dos riscos e da adoção das medidas de proteção recomendadas. A autoridade fiscal concluiu, com base nas demonstrações ambientais da empresa, que não houve gerenciamento eficaz do risco no ambiente de trabalho, pois foram identificados, nos documentos de gerenciamento ambiental de riscos, dentre outros, os seguintes pontos de não conformidade: 114. Cumpre destacar os seguintes pontos em relação ao Quadro III da NR7 e ao Relatório Anual do PCMSO da RLAM de 2010 Análise Crítica, mencionados nos itens (112) e (113) deste relatório: 114.1. Não foi realizada qualquer comparação dos percentuais de exames anormais com os de anos anteriores de modo a demonstrar o aumento ou a diminuição dos percentuais de anormalidade dos exames. 114.2. Os percentuais analisados no Relatório Anual do PCMSO são os da refinaria como um todo. Somente uma análise setorizada dos resultados dos exames ocupacionais sugestivos de doenças ocupacionais possibilitaria à PETROBRAS ter ciência da efetiva exposição de seus empregados com atuação na RLAM aos riscos ocupacionais, de modo a destacar a necessidade de implantação de medidas de controle com o objetivo de eliminar ou de reduzir a nocividade desses agentes no ambiente de trabalho. 114.3. A média de exames anormais para toda a RLAM acarreta a divulgação aos trabalhadores da RLAM de índices de anormalidade desses exames inferiores aos efetivamente obtidos nos setores críticos de exposição aos agentes nocivos. Isso Fl. 6586DF CARF MF 24 decorre do fato de, nas estatísticas, empregados não sujeitos permanentemente ao agente nocivo BENZENO, por exemplo, serem considerados do mesmo modo que outros de GHE submetidos permanentemente a esses riscos ocupacionais. 114.4. Como exemplo, podemos citar o exame Reticulócitos que teve apenas 18 (dezoito) exames anormais em 601 (seiscentos e um) exames realizados na refinaria em 2010. Entretanto, analisandose o Quadro III da NR7 por setor, verificase que 12 (doze) desses exames, ou seja, 2/3 (dois terços) do total de exames anormais, concentraramse em RLAM/TEU/TE com 7 (sete) resultados anormais e em RLAM/OT/DP com 5 (cinco). 114.5. Continuando a análise por setor, verificase que em RLAM/TEU/TE, foi alcançado um percentual de 33% (trinta e três por cento) de Leucogramas anormais, além de 1% (um por cento) de anormalidade no exame Ácido trans transmucônico. Esses percentuais de anormalidade presentes em conjunto em RLAM/TEU/TE dão indícios de exposição ocupacional ao agente químico BENZENO na referida lotação. 114.6. O RLAM/MI/ED é outro setor em que os resultados anormais de vários exames combinados apontam para uma exposição ocupacional ao BENZENO. Em 2010, o RLAM/MI/ED teve 8% (oito por cento) dos resultados do exame 2,5 Hexanodiona anormais, 24% (vinte e quatro por cento) dos Leucogramas anormais, 4% (quatro por cento) dos exames Acido trans transmucônico anormais e 9% (nove por cento) dos resultados do exame Reticulócitos anormais. 114.7. A título exemplificativo, foi elaborada a tabela a seguir, na qual estão discriminados os resultados extraídos do Quadro III da NR7 relativos a setores que tiveram em 2010 percentuais de anormalidade em Leucogramas mais altos do que a média da refinaria como um todo, apresentada no Relatório Anual do PCMSO, ou que tiveram uma combinação de resultados de exames anormais que dá indícios de exposição ocupacional ao BENZENO. A principal característica de um sistema de gestão ambiental de riscos de trabalho ficou prejudicado pela falta de retroalimentação, como destacado no relatório fiscal: 121. Não foi apresentado à fiscalização qualquer documento que demonstrasse uma efetiva integração entre o PPRA, o PPEOB e o PCMSO de modo que, a partir dos resultados dos exames realizados pelos empregados no ano anterior, fossem implementadas medidas de proteção coletiva ou modificações no ambiente de trabalho com vistas à diminuição do impacto das atividades laborais sobre a saúde dos trabalhadores. Houve também incongruências quanto ao processamento de documentos primordiais à saúde e segurança dos trabalhadores que foram apontadas no lançamento: 126. Com relação aos PPP, cuja cópia digital foi apresentada à fiscalização em 26/11/2014 e em 05/12/2014, verificouse que nenhum desses documentos informava a exposição dos empregados ao agente BENZENO no período fiscalizado, ainda que o trabalhador estivesse enquadrado em GHE com exposição Fl. 6587DF CARF MF Processo nº 16682.721034/201453 Acórdão n.º 2401004.594 S2C4T1 Fl. 14 25 reconhecida ao agente BENZENO. 126. Com relação aos PPP, cuja cópia digital foi apresentada à fiscalização em 26/11/2014 e em 05/12/2014, verificouse que nenhum desses documentos informava a exposição dos empregados ao agente BENZENO no período fiscalizado, ainda que o trabalhador estivesse enquadrado em GHE com exposição reconhecida ao agente BENZENO. A seguir encontramse relatados alguns exemplos desse fato: 126.1. O empregado ABEL CRISPIM NASCIMENTO (NIT: 1.902.553.9192), ocupou o cargo de Técnico Químico de Petróleo Júnior em 2010. Nesse ano, esteve lotado em RLAM/OT/DP (Laboratório da RLAM) e, de acordo com as informações prestadas pela PETROBRAS ao longo da fiscalização, estava enquadrado no GHE 03. Tal GHE era abrangido em 2010 pelo PPEOB da RLAM, como pode ser verificado na tabela contida no item (106) deste relatório. O tópico 15 "Exposição a Fatores de Risco" de seu PPP indica apenas a exposição ao agente físico Ruído. Portanto, há motivos de fato para se alinhar com o corolário da tese fiscal: 127. Face ao acima exposto, verificase que o preenchimento dos PPP dos empregados da PETROBRAS atuantes na RLAM em 2010 foi equivocado, dada a ausência de informação de efetiva exposição ao BENZENO dos GHE relacionados na tabela contida no item (106) deste relatório. Nesse sentido, os argumentos expendidos na impugnação e repedidos no recurso, não são suficientes para tirar conclusão diversa da de que restou configurada a existência, no ambiente de trabalho do agente nocivo benzeno, assim como a ineficiente gestão dos riscos ambientais por parte da empresa. Nesse liame, o arbitramento é possível diante das inconsistências e omissões dos demonstrativos ambientais da empresa, da inexistência de identificação do setor/ambiente de trabalho de cada um dos trabalhadores, da ausência de informação sobre a exposição dos trabalhadores a BENZENO e da ineficácia da gestão de riscos por parte da empresa, conforme aqui demonstrado, nos termos da INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº 971, DOU 17/11/2009. Pelo exposto, como resultado do exame dos fundamentos de fato trazidos pelas partes adversas à luz do ordenamento jurídico, entendese que o lançamento do adicional de SAT pelo critério de arbitramento é legítimo. 3.6 DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. INCIDÊNCIA DO ADICIONAL Nesse tocante, o Supremo Tribunal Federal já pacificou o entendimento por intermédio da edição da Súmula 688, in verbis: “Súmula 688: É legítima a incidência da contribuição previdenciária sobre o 13º salário.” Fl. 6588DF CARF MF 26 A Lei nº 8.620/1.993, ainda prevê que é válida a apuração da contribuição em separado conforme estabelecido na Lei: “Art. 7º O recolhimento da contribuição correspondente ao décimoterceiro salário deve ser efetuado até o dia 20 de dezembro ou no dia imediatamente anterior em que haja expediente bancário. (...) 2° A contribuição de que trata este artigo incide sobre o valor bruto do décimo terceiro salário, mediante aplicação, em separado, das alíquotas estabelecidas nos arts. 20 e 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991.” 3.7. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO O art. 31 da Lei nº 8.212/1991 determina: “Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei.” § 4º Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços [...] . (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20.11.1.998) É expresso na legislação a obrigação de fazer retenção dos serviços apontados no lançamento, que inclusive tinha sido objeto de retenção inicialmente. Conforme determina o § 4ª do artigo 31 do diploma legal supra mencionado. O dispositivo permitiu que o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1.999 alargasse o rol dos serviços sujeitos a retenção, em seu art. 219. § 2. 3.7.1 RESPONSABILIDADE PELA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL NÃO CUMPRIDA PELA CONTRATANTE A Lei nº 8.212/1.991, artigo 31, cria obrigação para a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, de reter o percentual de 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e estipula que o valor retido deve ser recolhido em nome da empresa cedente da mãodeobra. Portanto, não se trata de responsabilidade subsidiária, pois a lei cria obrigação para a empresa contratante de serviços, identificandoa como sujeito passivo da relação decorrente da obrigação principal tributária. Diverso não é o entendimento jurisprudencial no âmbito administrativo: “CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO. Acórdão nº 2302003.009 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 19 de fevereiro de 2.014. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. Fl. 6589DF CARF MF Processo nº 16682.721034/201453 Acórdão n.º 2401004.594 S2C4T1 Fl. 15 27 O instituto da retenção de que trata o art. 31 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.711/98, configurase como hipótese legal de substituição tributária, na qual a empresa contratante assume o papel do responsável tributário pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo em nome da empresa prestadora a contribuinte de fato , não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei.” O cumprimento da obrigação darseia somente com a comprovação do recolhimento da contribuição retida mediante “GPS – Guia de recolhimento da Previdência Social”, com código de pagamento específico para o recolhimento da contribuição retida sobre a NF/Fatura no CNPJ da Empresa Prestadora que emitiu a nota fiscal de serviços com o código de pagamento 2631. No entanto, não conta nenhuma guia de recolhimento com as características apontadas nos autos. 3.8 DA INDEVIDA APLICAÇÃO DAS MULTAS DE OFÍCIO EM RAZÃO DA LIMITAÇÃO EM 20% (FUNDAMENTO DA NOVA LEGISLAÇÃO) Nesse ponto, o lançamento está em consonância com parecer PGFN/CAT/433/2.009, vinculante e não cabe reparo no procedimento de apuração dos acréscimos legais. Recordese: “48. A possibilidade de sua aplicação aos fatos geradores anteriores à edição da MP, vem do art. 144, §1° do CTN que diz: "§ 1° Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente ã. ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros". 49. A presunção legal em estudo não altera a incidência do tributo ou qualquer de seus elementos: aliquota, base de cálculo ou sujeição. A inserção do citado §8° traz novo método de apuração do tributo devido, em consonância com o disposto no §1° do art. 144 co OTN acima transcrito. 50. Tal argumento fica mais evidente ao se aplicar a interpretação topográfica ao dispositivo, quando se lê em conjunto com o caput do artigo, que diz: "Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11, as contribuições incidentes a título de substituição e as devidas a outras entidades e fundos." Fl. 6590DF CARF MF 28 51. O §8° em questão não pode ser lido destacado do restante do artigo que justamente fala das competências fiscalizatórias da Administração Tributária emprestandolhe, portanto, o caráter de método de apuração de tributos e não de obrigação tributária em si. 52. Em resposta direta e objetiva, o §8° do art. 33 da Lei n° 8,212, de 1991, pode ser aplicado aos fatos geradores anteriores à edição da Medida Provisória n° 449, de 2008, uma vez que trata de critério de apuração de tributos, em consonância com o art. 144, §1° do CTN.” 3.9 DO DESCABIMENTO DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Sustenta ainda, que em caso de procedência do lançamento, seja excluída a incidência de juros sobre a multa de ofício, haja vista esta penalidade não retratar obrigação principal, mas mero encargo que se agrega ao valor da dívida como forma de punir o contribuinte. Além disso, a incidência dos juros sobre a multa carece de disposição legal. Relativamente à matéria, entendo assistir razão à Recorrente. Isso porque o artigo 61 da Lei nº 9.430 não prevê a incidência de juros sobre multa de ofício, mas apenas a da multa de mora sobre o débito decorrente de tributos e contribuição. A respeito do tema, cumpre transcrever trecho do voto vencido no Acórdão 920201.806, da lavra do Conselheiro Gustavo Lian Haddaad, exarado pela 2ª Turma CSRF, ao qual me filio e peço vênia para transcrever e adotar como razões de decidir: “Assim, no mérito, a discussão no presente recurso está limitada à incidência dos juros moratórios equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC sobre a multa de oficio. Tal discussão já foi examinada pelo antigo Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em diversas oportunidades, sendo que três posições/entendimentos restaram assentados sobre o tema, quais sejam: de que é possível a incidência de juros sobre a multa de oficio a partir do vencimento do prazo da impugnação, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SEL1C; de que é possível a incidência de juros sobre a multa de oficio a partir do vencimento do prazo da impugnação, sendo que tais juros devem ser calculados à razão de I% ao mês; e de que não é possível a incidência de juros sobre a multa de oficio. Tanto a primeira quanto a segunda tese admitem a incidência dos juros sobre a multa de oficio por entenderem que o artigo 161 do Código Tributário Nacional assim autoriza, divergindo, no entanto, sobre a possibilidade desses juros serem calculados pela SELIC (Lei n°9.430/1996) ou à razão de 1% ao mês nos termos do enunciado do §10 do Código Tributário Nacional — CIN (1% ao mês). Fl. 6591DF CARF MF Processo nº 16682.721034/201453 Acórdão n.º 2401004.594 S2C4T1 Fl. 16 29 Data máxima vênia, entendo que nenhuma das duas posições é a que mais se coaduna com o ordenamento vigente (não em suas disposições isolados, mas em seu conjunto). Sobre a incidência de juros de mora o citado artigo 161 do CTN determina: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito." O dispositivo acima referido autoriza a incidência de juros sobre o "crédito não integralmente pago no vencimento". "Crédito", por sua vez, é definido no artigo 139 do CTN, que assim dispõe: "Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta." Obrigação tributária, por fim, vem definida no art. 113,verbis: "Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2° A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária." A questão a ser enfrentada é a possibilidade dos juros de mora incidirem sobre a multa de oficio, aplicada pela autoridade fiscal proporcionalmente ao tributo lançado, considerando a expressão "penalidade pecuniária" incluída no parágrafo 1" art. 113. A meu ver a expressão "penalidade pecuniária" ali referida é a penalidade decorrente da inobservância de determinada obrigação acessória (de fazer ou não fazer), que se converte em obrigação principal nos termos do parágrafo 3' do mesmo artigo 113. Tal Fl. 6592DF CARF MF 30 expressão jamais poderia ser interpretada como a penalidade pecuniária exigida em conjunto com o tributo não pago, até porque ficaria desprovida de sentido no contexto do dispositivo. Se a penalidade (no caso a multa do oficio) já estivesse incluída na expressão "crédito" sobre o qual incidem os juros de mora nos termos do artigo 161 do mesmo CTN, não haveria razão alguma para a ressalva final constante no referido dispositivo no sentido de que o crédito deve ser exigido "sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis". Outrossim, com base nessa mesma interpretação, poderiase inclusive, cogitar da possibilidade de incidência de penalidade (multa) sobre crédito tributário que já englobasse tributo e multa, o que obviamente caracterizaria um non senso jurídico. Ademais, cumpre observar que o conceito de juros advém do direito privado e, conforme preceitua o artigo 110 do CTN, quando as categorias de direito privado estão apenas referidas na lei tributária deve o aplicador se socorrer do direito privado para compreendêlas. No âmbito do direito privado os juros existem para indenizar o credor pela inexecução da obrigação no prazo estipulado. Já a multa não serve para repor ou indenizar o capital alheio, mas para sancionar a inexecução da obrigação. Assim, se os juros remuneram o credor (no caso o Fisco) pela privação do uso de seu capital devem eles incidir somente sobre o que tributo não recolhido no vencimento, e não sobre a multa de oficio, que tem caráter punitivo. A vocação da multa, já suficiente severa, é punir o descumprimento, enquanto a dos juros é remunerar o capital não recebido pelo Estado. Dizer que a multa deve ser "corrigida" é ignorar que a legislação tributária brasileira extinguiu a correção monetária desde 1995, sendo preocupação freqüente das administrações tributárias que se seguiram evitar a indexação automática própria dos regimes inflacionários que foram extremamente prejudiciais à economia brasileira. Com base no raciocínio acima exposto, entendo que o C77V não autoriza a cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio aplicada proporcionalmente ao tributo, ficando prejudicada a discussão acerca do índice aplicável. Por outro lado e à guisa de argumentação, ainda que se entendesse que o CTN autoriza a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, mister se ftiz analisar a legislação ordinária em vigor no período em que a multa exigida foi aplicada. Nesse sentido, argumentase que a exigência de juros sobre a multa aplicada proporcionalmente estaria amparada no art. 61, §3° da Lei n. 9.430/1996, que assim estabelece: "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso Fl. 6593DF CARF MF Processo nº 16682.721034/201453 Acórdão n.º 2401004.594 S2C4T1 Fl. 17 31 (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo, incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Do exame do dispositivo resulta que os débitos a que se refere o § 3' são aqueles decorrentes de tributos e contribuições mencionados no caput. Decorrente é aquilo que se segue, que é conseqüente. De fato o não pagamento de tributos e contribuições nos prazos previstos na legislação faz nascer o débito. Em outras palavras, o débito decorre do não pagamento de tributos e contribuições nos prazos. A multa de oficio não é débito decorrente de tributos e contribuições. Ela decorre, nos exatos termos do art. 44 da Lei 1209.430/96, da punição aplicada pela fiscalização às seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e b) falta de declaração e nos de declaração inexata. Os débitos de tributos e contribuições e de multas (penalidades) têm causas diversas, não se confundindo nos termos do art. 3° do CTN. Enquanto os débitos de tributos e contribuições decorrem da prática dos respectivos fatos geradores, as multas decorrem de violações à norma legal, no caso, da violação do dever de pagar o tributo no prazo legal. Ao utilizar a expressão "os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições" a Lei n° 9.430/96 somente pode estar aludindo a débitos não lançados, visto que está normatizando a incidência sobre estes da multa de mora, sendo ilógico entender que ali se contém a multa de oficio lançada proporcionalmente. Ademais, caso a expressão "débitos" constante do art. 61 contemplasse o principal e a multa de oficio, seria imperioso admitir que a multa de oficio, caso não paga no vencimento, sofreria também o acréscimo de multa de mora, tendo em vista que o caput do dispositivo expressamente dispõe que" os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1 de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculados a taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso." Realmente, este seria o resultado da interpretação do parágrafo 3° do art. 61 de forma isolada, sem se atentar ao que determina o "caput". Seguindo este raciocínio terseia que admitir que também sobre os juros de mora, que se incluiriam nos débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições”, novamente pudessem ser exigidos juros e multa de mora, o que indica data venia a improcedência da interpretação. Fl. 6594DF CARF MF 32 Assim, qualquer que seja a ótica sob a qual se interpretam os dispositivos literal, teleológica ou sistemática — entendo que a melhor exegese é aquela que autoriza a incidência de juros somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de oficio lançada, até porque referido artigo disciplina os acréscimos mora tórios incidentes sobre os débitos em atraso que ainda não foram objeto de lançamento. O parágrafo único do art. 43 do mesmo diploma legal Lei 9.430/1996 é absolutamente coerente com a interpretação do art. 61 desenvolvida acima e corrobora a conclusão. Prevê o referido dispositivo a incidência de juros de mora sobre as multas e os juros cobrados isoladamente, verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora isolada ou conjuntamente. Parágrafo único — Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento". Ora, se a expressão "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições" constante no "caput" do artigo 61 contemplasse também a multa de oficio, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do artigo 43 supra transcrito, posto que a incidência dos juros sobre a multa de oficio lançada isoladamente nos termos do "caput" do artigo já decorreria diretamente do artigo 61. Em face das considerações acima, concluo que não há, seja em lei complementar (CTN) seja na legislação ordinária, interpretação possível a amparar conclusão diversa, merecendo ser excluída da exigência a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio lançada proporcionalmente. Os fundamentos acima também foram adotados pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos, no Acórdão n. 9101 00.722, de 08 de novembro de 2010, Relatora a Conselheira Karem Jurendini Dias, que concluiu pela não incidência de juros de mora sobre a multa de oficio (...) No presente caso, os paradigmas apresentados pela recorrente concluíram que é possível a incidência de juros sobre a multa de ofício, limitandoos entretanto ao patamar mensal de 1% ao mês. Embora o entendimento manifestado no presente voto resultaria em provimento do recurso voluntário em maior extensão (exclusão completa da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício), deve o resultado aterse ao limite da pretensão recursal ora examinada, devendo o recurso ser conhecido e provido nesta extensão.” Assim, em face dos substanciosos fundamentos acima transcritos, impõese afastar a incidência dos juros sobre a multa de ofício na forma aplicada nos presentes autos, por absoluta falta de previsão legal. Fl. 6595DF CARF MF Processo nº 16682.721034/201453 Acórdão n.º 2401004.594 S2C4T1 Fl. 18 33 3.10 DA EXCLUSÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS RESPONSÁVEIS LEGAIS O Código Tributário Nacional apenas salvaguarda a possibilidade da configuração da responsabilidade tributária por substituição, segundo dispositivo do Código Tributário Nacional: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: ... III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. O fato de existir uma relação de sócios responsáveis pela empresa, não implica a desconsideração da personalidade jurídica da empresa, a qual permanece no pólo passivo, visto que possui relação direta com os fatos geradores, que atende disposição da Lei 6.830/80, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa: Art. 2º ... § 5º O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter: I o nome do devedor, dos coresponsáveis e sempre que conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros; A discussão foi pacificada no âmbito administrativo por Súmula do CARF nos seguintes termos: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. 3.11 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NÃO CUMPRIDA Nesse tocante, da leitura dos Relatórios Fiscais, verificase que as multas que foram aplicadas estão capituladas no dispositivo legal correto, cujo procedimento de cálculo foi conferido e confirmado a higidez. A obrigação acessória derivou do fundamento de fato identificado pela autoridade lançadora assim caracterizado no Relatório Fiscal para o correspondente Auto de Infração: Debcad nº 51.065.6803 CFL 35 Fl. 6596DF CARF MF 34 189. Face ao citado nos itens (184) a (188) deste relatório, infringiu a PETROBRAS o disposto no artigo 32, inciso III e § 11 da Lei n° 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n° 11.941/2009, combinado com o artigo 225, inciso III, do RPS. Por essa razão, lavrouse o AI n° 51.065.6803, com Código de Fundamentação Legal CFL 35. Debcad nº 51.065.6811 CFL 89 193. Como citado nos itens (126) a (128) deste relatório, os PPP de empregados da RLAM com efetiva exposição ao agente BENZENO não indicavam essa exposição no período de 01/2010 a 12/2010. Além disso, a PETROBRAS não comprovou a esta fiscalização a entrega dos PPP aos seus empregados desligados da RLAM em 2010. Debcad nº 51.065.6820 CFL 93 198. No período de 01/2010 a 12/2010, a fiscalizada, na qualidade de contratante de serviços, deixou de realizar a retenção adicional sobre as Notas Fiscais, decorrentes de contratos com cessão de mão de obra, apresentados à fiscalização. Como mencionado nos itens (151) a (170) deste relatório, os empregados de diversas contratadas que exerciam suas atividades profissionais na RLAM em 2010 estavam expostos ao agente químico BENZENO em razão dos serviços pactuados com a PETROBRAS. Integra este processo a cópia digital das Notas Fiscais relacionadas na planilha "Notas Fiscais emitidas pelas Contratadas (Serviços com Exposição ao BENZENO)", mencionada no item (175) deste relatório, por meio da qual comprovase a ausência da referida retenção adicional nas Notas Fiscais. Quanto ao termo do trânsito administrativo de outro processo fiscal anterior ao lançamento, foi consultado o sistema de registro da Receita Federal do Brasil e identificado o Debcad 51.065.6773 que configura a reincidência genérica, cujo fato foi admitido pelo sujeito passivo, e portanto, agrava a multa conforme previsto na legislação e apontado pela autoridade lançadora. As alegações e documentos comprobatórios apresentados não foram suficientes para elidir os fundamentos de fato que consubstanciaram os lançamentos e que foram apreciados em tópicos anteriores. Assim, o poder executivo pode complementar a Lei, inclusive mediante normas editadas segundo procedimento estabelecido no ordenamento jurídico, que se aplica ao caso quanto à atualização monetária do limite mínimo da multa, não havendo reparo quanto ás obrigações acessórias exigidas. 3.12 DILAÇÃO PROBATÓRIA Sobre o pedido de dilação probatória, cabe destacar que precluiu o momento adequado para serem apresentadas, conforme previsto no Decreto nº 70.235/72: Art. 16, § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 6597DF CARF MF Processo nº 16682.721034/201453 Acórdão n.º 2401004.594 S2C4T1 Fl. 19 35 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Portanto, deveria ser a prova apresentada com requerimento que demonstrasse a ocorrência das situações ali mencionadas, cabendo à autoridade julgadora, se configuradas as hipóteses, deferir a juntada. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário da recorrente para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 6598DF CARF MF 36 Voto Vencedor Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini – Redatora designada NÃO IMPEDIMENTO DOS CONSELHEIROS REPRESENTANTES DA FAZENDA NACIONAL Em razão da arguição de impedimento aduzida pela patronesse do contribuinte por ocasião da sustentação oral ocorrida na sessão de julgamento realizada no dia 19 de janeiro de 2017, ao argumento de os Conselheiros representantes da Fazenda Nacional estariam impedidos de atuar no presente julgamento, tornouse necessário julgar tal questionamento e tal impedimento não foi reconhecido. A arguição foi motivada pela publicação da Medida Provisória nº 765, de 29 de dezembro de 2015, cujo art. 5º prevê um Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira, com o objetivo de incrementar a produtividade nas áreas de atuação dos ocupantes dos cargos de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e de Analista Tributário da Receita Federal do Brasil, nos seguintes termos: Art. 5o Ficam instituídos o Programa de Produtividade da Receita Federal do Brasil e o Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira, com o objetivo de incrementar a produtividade nas áreas de atuação dos ocupantes dos cargos de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e de AnalistaTributário da Receita Federal do Brasil. § 1o O Programa de que trata o caput será gerido pelo Comitê Gestor do Programa de Produtividade da Receita Federal do Brasil, composto por representantes do Ministério da Fazenda, do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão e da Casa Civil da Presidência da República, nos termos a serem definidos em ato do Poder Executivo federal. § 2o O valor global do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira será definido pelo Índice de Eficiência Institucional, mensurado por meio de indicadores de desempenho e metas estabelecidos nos objetivos ou no planejamento estratégico da Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 3o Ato do Comitê Gestor do Programa de Produtividade da Receita Federal do Brasil será editado até 1o de março de 2017, o qual estabelecerá a forma de gestão do programa e a metodologia para a mensuração da produtividade global da Secretaria da Receita Federal do Brasil e fixará o Índice de Eficiência Institucional. § 4o A base de cálculo do valor global do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira será composta pelo valor total arrecadado pelas seguintes fontes integrantes do Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização FUNDAF, instituído pelo DecretoLei no 1.437, de 17 de dezembro de 1975: Fl. 6599DF CARF MF Processo nº 16682.721034/201453 Acórdão n.º 2401004.594 S2C4T1 Fl. 20 37 I arrecadação de multas tributárias e aduaneiras incidentes sobre a receita de impostos, de taxas e de contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil a que se refere o art. 4o da Lei no 7.711, de 22 de dezembro de 1988, inclusive por descumprimento de obrigações acessórias; e II recursos advindos da alienação de bens apreendidos a que se refere o inciso I do § 5o do art. 29 do DecretoLei no 1.455, de 7 de abril de 1976. § 5o O valor global do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira a ser distribuído aos beneficiários do Programa corresponde à multiplicação da base de cálculo do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira pelo Índice de Eficiência Institucional. § 6o O valor global do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira não poderá ultrapassar o valor da base de cálculo de que trata o § 4o. Em apertada síntese, foi alegado que, em decorrência do § 4º do supracitado artigo prever que o bônus possui como base de cálculo, além do produto da alienação de bens objeto de pena de perdimento, o valor da arrecadação das multas tributárias e aduaneiras incidentes sobre a receita de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e aquelas exigidas em virtude do descumprimento de obrigações acessórias, considerando que o CARF é o órgão competente para o julgamento de recursos versando sobre as multas que servirão como base de cálculo para o bônus, os resultados dos seus julgamentos deveriam repercutir no valor a ser pago aos AuditoresFiscais e AnalistasTributários, o que caracterizaria interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, fato que, por sua vez, impediria os Conselheiros representantes da Fazenda Nacional de atuarem no julgamento de recursos, nos termos do art. 42 do Anexo II do RICARF, ora colacionado: Art. 42. O conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha: I atuado como autoridade lançadora ou praticado ato decisório monocrático; II interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto; e III como parte, cônjuge, companheiro, parente consanguíneo ou afim até o 3º (terceiro) grau. § 1º Para efeitos do disposto no inciso II do caput, considerase existir interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, nos casos em que o conselheiro representante dos contribuintes preste ou tenha prestado consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ou perceba remuneração do interessado, ou empresa do mesmo grupo econômico, sob qualquer título, no período compreendido entre o primeiro dia do fato gerador objeto do processo administrativo fiscal até a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso. Fl. 6600DF CARF MF 38 § 2º As vedações de que trata o § 1º também são aplicáveis ao caso de conselheiro que faça ou tenha feito parte como empregado, sócio ou prestador de serviço, de escritório de advocacia que preste consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ao interessado, bem como tenha atuado como seu advogado, nos últimos cinco anos. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) § 3º O conselheiro estará impedido de atuar como relator em recurso de ofício, voluntário ou recurso especial em que tenha atuado, na decisão recorrida, como relator ou redator relativamente à matéria objeto do recurso. § 4º O impedimento previsto no inciso III do caput aplicase também aos casos em que o conselheiro possua cônjuge, companheiro, parente consanguíneo ou afim até o 2º (segundo) grau que trabalhem ou sejam sócios do sujeito passivo ou que atuem no escritório do patrono do sujeito passivo, como sócio, empregado, colaborador ou associado. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Ocorre que tal dispositivo só tem aplicação para os Conselheiros representantes dos Contribuintes, consoante o disposto no seu § 1º. E, consoante a doutrina processual civil, as hipóteses de impedimento são objetivas, definidas a partir da presunção absoluta de parcialidade do julgador, de modo que se a hipótese não está prevista no diploma regulador do processo, não é possível constituíla a partir de uma interpretação extensiva da norma. De toda a sorte, há uma razão para a hipótese regimental não alcançar os Conselheiros representantes da Fazenda Nacional. Essa diferença de tratamento reside nas consequências advindas da não observância ao próprio dispositivo. É que, para os Conselheiros representantes dos Contribuintes, nos termos do RICARF, anexo II, art. 45, inciso I, configurado o impedimento, se o Conselheiro arguido assim não se reconhecer, fica caracterizada hipótese de descumprimento ao Regimento Interno, configurando hipótese de perda de mandato. No entanto, para os Conselheiros representantes da Fazenda Nacional, o descumprimento acarreta ato de improbidade administrativa, nos termos dos incisos I e VIII do art. 9º da Lei nº 8.429, de 2 de junho de 1992, punível com a demissão, nos termos do art. 132 da Lei nº 8.112, de 1990. Nesse sentido, o Presidente do CARF, no âmbito da atribuições de exarar atos administrativos complementares ao Regimento Internos, nos termos do art. 3º, incisos IV, XI e §2º do Anexo I, bem como os incisos IV e XIII do art. 20 do Anexo II, todos do RICARF, editou a Portaria CARF nº 1, de 2017, ora transcrita: O PRESIDENTE DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos IV, XI e § 2º do art. 3º do Anexo I, bem como os incisos IV e XIII do art. 20 do Anexo II, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, em face de questionamentos suscitados por Conselheiros representantes da Fazenda Nacional diante do disposto no art. Fl. 6601DF CARF MF Processo nº 16682.721034/201453 Acórdão n.º 2401004.594 S2C4T1 Fl. 21 39 5º da Medida Provisória nº 765, de 29 de dezembro de 2016, DECLARA: Art. 1º A hipótese de impedimento prevista no inciso II do art. 42 do Anexo II do RICARF aplicase exclusivamente aos conselheiros da representação dos contribuintes dada a especificidade de que trata o § 1º do mesmo dispositivo. § 1º O interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, ocorre nos casos em que o conselheiro da representação dos contribuintes, em relação ao interessado ou empresa do mesmo grupo econômico: I preste ou tenha prestado consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil; ou II perceba remuneração, sob qualquer título, no período compreendido entre o primeiro dia do fato gerador objeto do processo administrativo fiscal até a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso. § 2º Eventual enquadramento de conselheiro da representação da Fazenda Nacional nos casos de que trata este artigo tipificaria improbidade administrativa nos termos dos incisos I e VIII do art. 9º da Lei nº 8.429, de 02 de junho de 1992. Art. 2º Há impedimento do conselheiro da representação da Fazenda Nacional: I na hipótese em que tenha atuado como autoridade lançadora, ou praticado ato decisório monocrático, nos termos do inciso I do art. 42 do Anexo II do RICARF; II quando o interesse for presumido pelo vínculo de parentesco ou de afinidade, nos termos do inciso III do mesmo artigo; e III na qualidade de relator, quando tiver atuado na condição de relator ou redator em decisão anterior. Art. 3º Esta Portaria será publicada no Boletim de Serviço do CARF. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Com efeito, o Regimento anterior ao atual, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, vigente ao tempo em que advogados podiam atuar como Conselheiros representantes dos Contribuintes, concomitantemente com a prática da advocacia, já dispunha: Art. 42. O conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha: I atuado como autoridade lançadora ou praticado ato decisório monocrático; II interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto; Fl. 6602DF CARF MF 40 III como parte, cônjuge, companheiro, parentes consanguíneos ou afins até o terceiro grau; IV participado do julgamento em primeira instância. Parágrafo único. Para os efeitos do inciso II, considerase existir interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, nos casos em que o conselheiro representante dos contribuintes: I preste consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ao interessado, ou dele perceba remuneração sob qualquer título, no período da instauração do processo administrativo fiscal e até a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso; e II atue como advogado, firmando petições, em ação judicial cujo objeto, matéria, ou pedido seja idêntico ao do recurso em julgamento. Ou seja, mesmo quando o Regimento não obrigava os representantes dos Contribuintes a se licenciar da Ordem dos Advogados do Brasil, o dispositivo já era direcionado aos Conselheiros representantes dos Contribuintes. Situação diferente ocorria em Regimentos anteriores, em que a redação do dispositivo que tratava do impedimento trazia em seu bojo, a título de parágrafo, uma complementação ao caput, usando a expressão “considerase também”. A título exemplificativo, transcrevese o que constava da Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007: Art. 15. O conselheiro estará impedido de participar do julgamento de recurso, em cujo processo tenha: I atuado como autoridade lançadora ou praticado ato decisório monocrático; II interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto; e III cônjuge, companheiro ou parentes, consangüíneos ou afins, até o terceiro grau, como parte, , ou como advogado da parte. § 1º Para os efeitos deste artigo, considerase também existir interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, nos casos em que o conselheiro: I percebe ou percebeu remuneração do recorrente, de advogado, de sociedade de advogados, de consultoria ou assessoria que lhe preste assistência jurídica e/ou contábil, em caráter eventual ou permanente, qualquer que seja a razão ou o título da percepção, no período que medeia o início da ação fiscal e a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso; II figure como representante ou mandatário, legal ou convencional, em ação judicial que tenha por fundamento ou pedido, no todo ou em parte, a mesma matéria que seja objeto do recurso em julgamento. § 2º O conselheiro representante da Fazenda Nacional estará impedido de atuar como relator em recurso no Conselho de Fl. 6603DF CARF MF Processo nº 16682.721034/201453 Acórdão n.º 2401004.594 S2C4T1 Fl. 22 41 Contribuintes quando tiver atuado como relator em instância inferior. (grifo nosso) É importante destacar, ainda, que ao Processo Administrativo Fiscal aplicase o Decreto nº 70.235, de 1972 e, somente em caráter subsidiário, a Lei nº 9.784, de 1999, cujo art. 69 traz disposição expressa nesse sentido: "Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei." E o Decreto nº 70.235, de 1972, remete ao Regimento Interno do CARF, a disciplina do seu julgamento, nos termos do art. 37: Art. 37. O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno. Todavia, ainda que se entenda ser possível interpretação diversa aquela conferida por meio da Portaria CARF nº 1, de 2017, é oportuno esclarecer que o bônus de eficiência, tal como regulamentado por meio da Portaria RFB nº 31, de 18 de janeiro de 2017, ainda que precariamente, posto que será submetido ao Comitê Gestor do Programa de Produtividade da Receita Federal do Brasil, composto por representantes do Ministério da Fazenda, do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão e da Casa Civil da Presidência da República, somente será devido se a Secretaria da Receita Federal do Brasil atingir as metas constantes do Anexo II. Para tanto, será necessário que os indicadores de 1 a 8, que não são atrelados à arrecadação, sejam positivos. Consoante a fórmula trazida no § 2º do art. 2º, a arrecadação somente influenciará o fator de multiplicação F (Indicador 9), o qual, por sua vez, será multiplicado pela somatório de todos os demais indicadores, de onde se conclui que, se a soma não for positiva, ou, em outras palavras, se os demais indicadores de eficiência e produtividade não foram atingidos, o indicador representativo da arrecadação será multiplicado por “zero”, resultando, por conseguinte, em um bônus igual a zero. Entretanto, ainda que todos esses argumentos até então aduzidos estivessem superados, considerase oportuno registrar que os julgadores representantes da Fazenda Nacional entendem não estar impedidos porque sempre julgaram de acordo com o melhor direito, pautado na imparcialidade que a própria condição de julgador impõe. Nesse sentido, e com a devida vênia aos que aduziram tal impedimento, entendese ser necessário colocar e analisar os cenários possíveis decorrentes da presente problemática: Pois bem, para levantamento desses cenários possíveis, devese considerar que: (a) a multa lançada pode ser (i) indevida ou (ii) devida e (b) no julgamento, essa multa pode ser (i) mantida ou (ii) cancelada. Dessa forma, por análise combinatória, concluímos que os cenários possíveis são: I. multa indevida mantida; Fl. 6604DF CARF MF 42 II. multa indevida cancelada; III. multa devida mantida; e IV. multa devida cancelada. A seguir, analisase em separado cada um desses quatro possíveis cenários. O primeiro cenário, de multa indevida mantida, é justamente aquele que aparentemente tem apelo. Poderseia pensar que o conselheiro julgaria como devida uma multa indevida para aumentar a base de cálculo do bônus e, assim, aumentar sua parcela no bônus futuramente devido. Entretanto, esse pensamento é equivocado porque não considera dois pontos essenciais: a verdadeira natureza do julgamento administrativo, uma revisão de legalidade do lançamento, que é facultativa e sujeita à palavra final do Poder Judiciário; e que a base de cálculo do bônus de eficiência não é a multa mantida administrativamente, mas sim a multa efetivamente devida, aceita, conformada e recolhida. Na verdade, todo crédito tributário mantido no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, antes de ser recolhido, pode ser questionado no Poder Judiciário, em ação própria ou em sede de embargos à execução. E o Poder Judiciário é que tem a palavra final, é ele quem diz se a multa era efetivamente devida ou indevida. A palavra do Poder Judiciário é superior ao julgamento administrativo, podendo reformálo e, inclusive, dentro das regras legais e regimentais, vincular todos os julgamentos administrativos futuros. Nesse caso, se o Poder Judiciário efetivamente decidir que uma multa mantida no âmbito do Processo Administrativo Fiscal era indevida, não haverá qualquer possibilidade de seu valor influenciar a base de cálculo do bônus de eficiência. Ao contrário, essa situação ensejaria ônus da sucumbência. E o mais importante, esse diálogo com o Poder Judiciário sinaliza o critério a ser utilizado administrativamente em situações equivalentes. Portanto, como a multa administrativamente mantida e considerada indevida pelo Poder Judiciário não é a multa efetivamente recolhida, fica aqui afastada para esse primeiro cenário, a alegação de interesse indireto e, consequentemente, de impedimento do conselheiro fazendário. Passase agora à análise do segundo cenário, de multa indevida cancelada. Ora, uma multa indevida e cancelada no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, por óbvio não aumentaria a base de cálculo do Bônus de Produtividade, o que afasta também nesse cenário qualquer possibilidade de impedimento. O terceiro cenário, de multa devida mantida, é o que a sociedade espera da atuação do Estado, das autoridades tributárias e de todos os julgadores administrativos, sejam eles representantes da Fazenda Nacional, sejam eles representantes dos contribuintes: a aplicação correta da legislação. Todavia, nessa situação, para o caso de o sujeito passivo entender que a multa seria por acaso indevida, caberia a discussão junto ao Poder Judiciário, o que torna aqui aplicáveis todas as explicações já apresentadas para o primeiro cenário. Portanto, também não Fl. 6605DF CARF MF Processo nº 16682.721034/201453 Acórdão n.º 2401004.594 S2C4T1 Fl. 23 43 se pode alegar que, nesse cenário, falarseia de parcialidade e consequentemente de impedimento. Por fim, o quarto cenário, de multa devida cancelada, é o cenário que toda a sociedade quer evitar. Uma multa que pudesse ser considerada devida pelo Poder Judiciário, em face da legislação, e que fosse, entretanto, cancelada no âmbito administrativo caracteriza crédito tributário teoricamente devido, porém definitivamente perdido, porque, nesse caso, a decisão administrativa (ainda que equivocada) é definitiva, por não ter a União legitimidade para recorrer ao Poder Judiciário contra decisão administrativa, salvo que seja provada máfé, por corrupção. Esse cenário, sim, é desencorajado pelo bônus de eficiência. Mas esse cenário é ilegal, além de não interessar à sociedade e, conseqüentemente, ao Estado, aos bons contribuintes ou até mesmo aos conselheiros. Na verdade, esse cenário somente interessaria ao sonegador e àqueles que viessem a lucrar com a sonegação perpetrada. Aliás, situações relacionadas a esse cenário foram apontadas pelo que se depreende do que foi publicado na imprensa ao longo dos anos de 2015 e 2016 na chamada operação "Zelotes". Ora, não se pode dizer que um mecanismo que inibe o erro e a corrupção venha a ser motivo de impedimento de atuação do conselheiro. Portanto, afastase aqui, para esse cenário, também, a possibilidade de impedimento. Enfim, para todos os cenários possíveis: a multa é devida ou indevida em face da legislação e não da vontade do conselheiro; e independentemente de sua vontade, nenhuma multa que o interessado considere indevida será recolhida sem que a ele seja assegurada a possibilidade de discussão junto ao Poder Judiciário. Pelo que se encontra exposto acima, resta claro que não há interesse do conselheiro, seja direto ou indireto, na multa por ele julgada. Confirmando a conclusão acima, cabe olhar mais uma vez para o passado e perquirir como aqueles que nos antecederam analisaram a situação sobre a qual agora nos debruçamos. Isso porque a presente situação é ontologicamente idêntica àquela que vigiu por mais de uma década nos Conselhos de Contribuintes, entre o início de 1989 e meados de 1999, quando a remuneração dos então AuditoresFiscais do Tesouro Nacional era composta pela RAV Remuneração Adicional Variável. A RAV, instituída pela Lei n° 7.711, de 1988, era calculada sobre o produto da arrecadação de multas em função da eficiência individual e plural da atividade fiscal. O valor dessa RAV foi limitado, inicialmente, ao valor do soldo do Almirante de Esquadra e, posteriormente, a 8 (oito) vezes o valor máximo do vencimento do AuditorFiscal e o valor da RAV devida aos conselheiros era o valor médio devido aos demais AuditoresFiscais. Fl. 6606DF CARF MF 44 Ora, em tudo a RAV se assemelhava ao atual Bônus de Eficiência: a base era a mesma (produto de multas arrecadadas); o critério era o mesmo (eficiência da atividade fiscal); os limites eram equivalentes, valores máximos de soldos ou vencimentos (atualmente o limite é o vencimento de Ministro do Supremo Tribunal Federal); e o Regimento Interno vigente à época tinha dispositivo de impedimento equivalente. Entretanto, durante todo o período da RAV, nunca foi sequer apontado um caso concreto de parcialidade por interesse direto ou indireto, nem discutido o impedimento dos conselheiros representantes da Fazenda Nacional, em função dessa remuneração. No entendimento deste conselheiro, a inexistência desse questionamento se deve ao fato de os que nos antecederam terem feito a análise de cenários aqui apresentados e visualizado a inocorrência de interesse direto ou indireto dos conselheiros na multa em julgamento. Mais do que isso, não há registro, durante esse período, de aumento de multas indevidas mantidas administrativamente. Portanto, a história confirma a análise aqui realizada e corrobora a inexistência de qualquer interesse direto ou indireto do conselheiro fazendário na multa em julgamento. Aliás, se fosse possível inferir tal interesse, caberia arguir impedimento em qualquer julgamento acerca de exigências de crédito tributário promovido por funcionários públicos, quer em sede de processo administrativo ou judicial, vez que os tributos arrecadados são a principal fonte de recursos a assegurar a remuneração dos servidores públicos. Ainda, a título de reforço, cumpre fazer referência a outros tribunais administrativos que, em 22 Estados Membros da Federação, também remuneram seus agentes com base na eficiência da fiscalização e arrecadação tributárias, sem que isso implique impedimento para o julgamento administrativo dos lançamentos de ofício. Nesse sentido, convém trazer à tona o modelo do Estado de Pernambuco, onde se tem um Tribunal Administrativo autônomo, composto por julgadores concursados especificamente para tal fim, ou seja, sequer há paridade nos termos do CARF e, a despeito disso, não há diferença entre AuditorFiscal e Julgador, pois ambos os cargos recebem, entre outros valores, um bônus de 30% da arrecadação de multas (dividido por todos os auditores e julgadores, incluindo aposentadorias e pensões). Pelos motivos acima expostos, os Conselheiros representantes da Fazenda Nacional não estão impedidos de atuar no presente julgamento. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO Ao contrário do que entende o recorrente e a relatora, incide juros de mora sobre a multa de ofício. O CTN, no art. 161, dispõe que: Fl. 6607DF CARF MF Processo nº 16682.721034/201453 Acórdão n.º 2401004.594 S2C4T1 Fl. 24 45 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. A Lei 9.430/96, art. 61, determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O conceito de crédito tributário abrange a multa de ofício, portanto, não efetuado o pagamento no prazo legal, incide juros de mora sobre o principal e a multa de ofício. No mesmo sentido, manifestouse a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no processo 10980.723322/201582, Acórdão 9202004.250, de 23/6/16, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de impedimento dos julgadores fazendários em virtude da MP 765/16 e negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini. Fl. 6608DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000522/2006-36
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2001
RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO. TERMO INICIAL.
Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o IRPJ ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do ano calendário subsequente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais,
acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subsequente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.
Numero da decisão: 1803-000.683
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao Recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Luciano Inocêncio dos Santos, que dava provimento ao Recurso.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001 RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO. TERMO INICIAL. Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o IRPJ ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do ano-calendário subsequente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subsequente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Fl. 886DF CARF MF Emitido em 23/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 19/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 23/11/2010 por SELENE FERREIRA DE M ORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Luciano Inocêncio dos Santos, que dava provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes - Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes e Luciano Inocêncio dos Santos. Fl. 887DF CARF MF Emitido em 23/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 19/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 23/11/2010 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 13851.000522/2006-36 Acórdão n.º 1803-00.683 S1-TE03 Fl. 291 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 146): Trata-se de Manifestação de Inconformidade interposta em face de Despacho Decisório em que foi apreciado o Pedido de Restituição de fl. 01, protocolizado em 25/04/2006, no montante de R$ 1.390.638,04, relativo ao saldo negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, do ano-calendário de 2000. Posteriormente, a contribuinte apresentou, em 04/08/2006, as PER/Dcomp de n° 29793.83596.040806.1.3.03-4461, 13096.09366.040806.1.3.03-8639, 17257.44587.040806.1.3.03-3938, 33471.52081.040806.1.3.03-5666 e 31633.08782.040806.1.3.03-1883, por intermédio das quais a contribuinte pretende compensar débitos de CSLL (código de receita: 2484) nos valores de R$ 440.571,35 (jan/2003), R$ 303.134,82 (fev/2003) e R$ 3.935,81 (fev/2003) e débitos de IRPJ (código de receita: 2362) nos valores de R$ 12.450,51 (fev/2003), R$ 12.737,32 (fev/2003), respectivamente. A análise da liquidez e certeza do crédito utilizado nas DCOMP, bem como a sua suficiência para a extinção dos débitos nelas declarados, foi efetuada pela DRF Araraquara, no Despacho Decisório de fls. 57/63, mediante o qual a autoridade competente indeferiu o direito creditório pleiteado e não homologou as compensações vinculadas, sob o fundamento de que o direito de a contribuinte pleitear a restituição do indébito estaria decaído, haja vista o saldo negativo de CSLL referir-se ao ano-calendário de 2000 e só vir a ser requerido em 25/04/2006. Ademais, ressaltou que os valores consignados como pagamentos, referentes às antecipações, não foram cabalmente comprovados quando do pedido. Cientificada do Despacho Decisório em 12/07/2007 (fl. 65), a contribuinte ingressou, em 10/08/2007, com a manifestação de inconformidade de fls. 66/73, acompanhada dos documentos de fls. 74/141, na qual alega, em síntese, que: a) trata- se o presente processo de pedido de restituição de saldo negativo de CSLL do ano- calendário de 2000; b) a apuração do saldo negativo sobreveio no ano seguinte, quando da apresentação da DIPJ/2001, em 27/06/2001; c) em 25/04/2006, a empresa protocolizou pedido de restituição, relativo aos recolhimentos feitos a maior no ano- base de 2000; d) o despacho decisório indeferiu o pedido de restituição e as compensações atreladas; e) a tese da decadência deve ser afastada; f) somente com a apresentação da DIPJ torna-se oficial o lucro ou prejuízo no exercício, por tal razão o prazo de cinco anos para que o sujeito passivo formalize o pleito pela restituição começa a fluir com a entrega da DIPJ; g) no caso, o termo inicial para o prazo de caducidade do direito ao pedido de restituição restou fixado em 27/06/2001, portanto, não há perda do prazo legal; h) cita doutrina e decisões do Conselho de Contribuintes no sentido de que o prazo de cinco anos para se pleitear a restituição deve ser contado a partir da data de entrega da declaração; i) não procede a alegação de que a contribuinte não fez prova do indébito, pois a requerente além de especificar os valores do livro Razão, também juntou cópias do livro específico, atrelado a planilha explicativa; j) a autoridade fiscal também deve envidar esforços na verificação do pleito de restituição/compensação, sob pena de exigir tributo indevido, o que é vedado pela legislação tributária; k) a contribuinte roga, em sendo pertinente, seja chamada a apresentar seus documentos fiscais, que eventualmente se Fl. 888DF CARF MF Emitido em 23/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 19/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 23/11/2010 por SELENE FERREIRA DE M ORAES 4 afigurem necessários; 1) os atos administrativos devem ser motivados; m) não há, no despacho decisório, nenhum motivo que sugira a natureza e fundamento da sanção pecuniária. Ao final, requer que seja conhecida e devidamente processada a presente manifestação de inconformidade, para que seja acolhida, com deferimento do pedido de restituição/compensação. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 144 e 145): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL ANO-CALENDÁRIO: 2000 RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa, comprovação contábil do valor devido na apuração anual e que referido saldo negativo não tenha sido utilizado para compensar a contribuição social sobre o lucro líquido devida nos períodos posteriores àqueles abrangidos no pedido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANO-CALENDÁRIO: 2000 RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O legislador complementar interpretou (Lei Complementar n° 118, de 2005), com efeitos pretéritos, que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado, de sorte que o direito de pleitear restituição de tributo ou contribuição pago a maior ou indevidamente extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data desse evento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANO-CALENDÁRIO: 2000 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. Sob pena de preclusão temporal, o momento processual para o oferecimento da manifestação de inconformidade é o marco para apresentação de provas e alegações com o condão de modificar, impedir ou extinguir a pretensão fiscal, consideradas as exceções previstas no estatuto processual tributário. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ANO-CALENDÁRIO: 2000 DCOMP. VALORAÇÃO. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos vencidos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. LEGALIDADE. Legal a aplicação da multa de mora, limitada ao percentual de 20%, e dos juros moratórios, calculados à taxa SELIC, para recolhimento do crédito tributário em atraso. Fl. 889DF CARF MF Emitido em 23/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 19/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 23/11/2010 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 13851.000522/2006-36 Acórdão n.º 1803-00.683 S1-TE03 Fl. 292 5 Solicitação Indeferida Cientificada da referida decisão em 28/08/2008 (fls. 155), a tempo, em 26/09/2008, apresenta a interessada Recurso de fls. 156 a 169, instruído com os documentos de fls. 170 a 288, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que o despacho decisório de julho de 2007 indeferiu a restituição e as compensações atreladas, vislumbrando a perda do prazo para requerer a restituição e, de passagem, meramente anotou que a comprovação dos créditos não teria sido produzida a contento, sem, contudo, apontar eventuais razões contábeis e de fato para tal alegação; b) que a decisão da DRJ, ao passo em que mantém o entendimento de que o pedido teria sido apresentado a destempo, inova sobre a questão da comprovação do indébito, lançando supostos defeitos que atingiriam o pleito da contribuinte; c) que a decisão recorrida arvora-se na Lei Complementar n° 118/2005, que teria, na dicção apropriada pela DRJ, veiculado norma interpretativa, que definiria, para todos os fins e tempos, que o prazo de 5 anos seria contado a partir dos pagamentos; d) que tal leitura é bastante precária, sendo que o Superior Tribunal de Justiça fixou entendimento firme, com apontamento de inconstitucionalidade de parte do art. 4° da LC n° 118, por sua Corte Especial; e) que o entendimento majoritário no Conselho de Contribuintes indica que esse é o marco para a contagem do prazo para restituição: a apresentação da DIPJ; f) que, além de equivocadamente ter mantido a tese da suposta ocorrência de decadência quanto ao pedido de restituição, a decisão da DRJ inova de maneira processualmente descabida, com relação aos fundamentos e às objeções postas pela autoridade fiscal monocrática; g) que se tem decisão que traduz cerceamento do direito de defesa e ato proferido com vício de incompetência (autoridade julgadora praticando ato de fiscalização), sendo pertinente a anulação da decisão da DRJ, ou ainda, desde o Despacho Decisório, para que, segundo o entendimento deste Conselho, em havendo necessidade de aprofundamento probatório, o processo seja devidamente instruído pela autoridade fiscal competente, e não pelos julgadores a quo, como se pretendeu conduzir na DRJ; h) que traz anexada toda a documentação comprobatória do crédito, e demonstrativa dos débitos compensados, a qual sempre dispôs, e que não foi solicitada na fase de fiscalização; i) que, ainda que incabível o procedimento da DRJ recorrida, mas, visando à economia processual, e assente a exatidão e solidez do fundamento Fl. 890DF CARF MF Emitido em 23/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 19/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 23/11/2010 por SELENE FERREIRA DE M ORAES 6 contábil-escritural dos créditos pleiteados, vem a Recorrente trazer o pleno lastro de seu pedido; j) que, desse modo, a verificação da regularidade do pleito revela-se viável, desde já; k) que as DARF's anexadas à intimação em tela, trazem valores a título de "VALOR DE MULTA"; l) que, no entanto, nada havia no despacho decisório, nem em nenhum outro documento recebido, que fundamentasse ou sugerisse a origem, natureza e fundamento de tal sanção pecuniária; m) que, apesar inexistir fundamento quanto à multa, no despacho decisório ou em qualquer intimação, vem a DRJ, às fls. 134, 135 e 136, novamente pretendendo suprir as deficiências dos atos anteriores de tributação, ao invés de restringir-se a atos de julgamento, alinhavar explicações acerca do embasamento legal da multa; n) que, novamente, há incursão em duas nulidades processuais: 1. cerceamento do direito de defesa, pois quando da manifestação de inconformidade não se conhecia o fundamento da multa aplicada; 2. ato praticado por autoridade incompetente, já que a autoridade julgadora atua como se lançadora fosse; e o) que, portanto, requer seja afastada a sanção cominada de forma irregular, admitindo-se, pela argumentação, a manutenção da tese de decadência e de outros óbices erigidos pela DRJ. Em mesa para julgamento. Fl. 891DF CARF MF Emitido em 23/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 19/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 23/11/2010 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 13851.000522/2006-36 Acórdão n.º 1803-00.683 S1-TE03 Fl. 293 7 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Prescrição do pedido de restituição Entende a decisão recorrida que, tendo sido o pedido de restituição de fls. 1 protocolizado em 25 de abril de 2006, em relação ao saldo negativo da CSLL apurado em 31/12/2000, já havia ocorrido, desde 31/12/2005, a decadência (rectius: prescrição) do direito de a contribuinte solicitar a restituição/compensação do suposto crédito. Por sua vez, defende a Recorrente que o prazo de cinco anos para que sujeito passivo formalize o pleito pela restituição começa a fluir com a entrega da DIPJ, mencionando, nesse sentido, farta jurisprudência administrativa. No caso específico dos autos, de regime de tributação com base no lucro real apurado anualmente, em que se verificou saldo negativo da CSLL, a restituição ou compensação torna-se possível a partir do mês de janeiro do ano-calendário subsequente ao do encerramento do período de apuração, conforme Ato Declaratório SRF nº 3, de 7 de janeiro de 2000, de seguinte teor (grifou-se): O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Também a Instrução Normativa SRF nº 390, de 30 de janeiro de 2004, ao tratar especificamente da CSLL, assim dispôs em seu art. 35, inciso II (destacou-se): Art. 35. O saldo da CSLL em 31 de dezembro do ano-calendário: I - se positivo, deverá ser pago em quota única até o último dia útil do mês de março do ano-calendário subseqüente, acrescido Fl. 892DF CARF MF Emitido em 23/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 19/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 23/11/2010 por SELENE FERREIRA DE M ORAES 8 de juros equivalentes à taxa referencial do Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir de 1º de fevereiro até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento; II - se negativo, poderá ser compensado a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, assegurada a alternativa de requerer a restituição. Há que se observar que, conforme reiterada jurisprudência administrativa, o imposto de renda das pessoas jurídicas, a partir do exercício de 1992, período-base 1991, amolda-se à sistemática do lançamento por homologação. Assim, não há qualquer sentido em se pretender que, para o efeito da contagem do prazo prescricional de restituição, seja adotado um termo inicial somente cabível no lançamento por declaração. Há que se observar, ainda, que, a partir do exercício de 1999, ano- calendário 1998, deixou de existir a Declaração de Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (Dirpj), que correspondia a um documento de confissão de dívida, substituída que foi pela Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), esta de caráter meramente informativo e, pois, insuscetível de se constituir, por si só, em termo de início de prazo prescricional. Dessa forma, o termo final para admissibilidade do referido pedido de restituição correspondeu a 31/12/2005. Voto, pois, pela prescrição do pleito de restituição de fls. 1, ficando, por conseguinte, prejudicadas as demais argumentações da Recorrente. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 893DF CARF MF Emitido em 23/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 19/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 23/11/2010 por SELENE FERREIRA DE M ORAES
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Numero do processo: 12217.720034/2015-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2014, 2015
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Deve-se afastar a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa quando a própria empresa, a partir de suas peças recursais, demonstra nítida compreensão do que lhe fora arrogado, carecendo serem apartadas alegações randômicas com o desígnio de inibir o lançamento fiscal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2014, 2015
MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO ILÍCITO.
É plenamente cabível a aplicação da multa isolada na hipótese de compensação indevida, quando constatada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. A falsidade se concretiza principalmente quando a empresa não apresenta documentação comprobatória da origem dos créditos durante o procedimento fiscal, tampouco durante todo o processo administrativo fiscal, assim como a atividade exercida por ela não está contemplada nas hipóteses de retenção do IR na fonte, tributo o qual supostamente originou os créditos tributários.
MULTA ISOLADA. NATUREZA DE CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO.
Cabe à empresa solicitante a comprovação de que a origem dos créditos é lícita, segue os ditames da lei e se ampara por documentação hábil e idônea, cabendo tão somente à autoridade fazendária aferir a liquidez e certeza de tais créditos.
ORIGEM DO CRÉDITO. RETENÇÃO NA FONTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. ATIVIDADE NÃO SUJEITA À RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE.
A compensação que teve origem em tributo retido na fonte imprescinde da apresentação dos comprovantes de retenção emitidos, pela fonte pagadora, em nome da empresa solicitante, sobretudo quando a atividade exercida pela solicitante não se sujeita à retenção do IR na fonte.
VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS.
A violação a princípios tributários não exsurge quando a autuação está revestida de todas as formalidades legais, tampouco quando permite à recorrente o pleno conhecimento de todos os fatos apurados e seus respectivos enquadramentos legais.
Numero da decisão: 1401-001.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR o pedido de perícia solicitado pela recorrente, REJEITAR a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(Assinado Digitalmente)
Antônio Bezerra Neto - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Aurora Tomazini de Carvalho.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2014, 2015 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Deve-se afastar a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa quando a própria empresa, a partir de suas peças recursais, demonstra nítida compreensão do que lhe fora arrogado, carecendo serem apartadas alegações randômicas com o desígnio de inibir o lançamento fiscal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2014, 2015 MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO ILÍCITO. É plenamente cabível a aplicação da multa isolada na hipótese de compensação indevida, quando constatada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. A falsidade se concretiza principalmente quando a empresa não apresenta documentação comprobatória da origem dos créditos durante o procedimento fiscal, tampouco durante todo o processo administrativo fiscal, assim como a atividade exercida por ela não está contemplada nas hipóteses de retenção do IR na fonte, tributo o qual supostamente originou os créditos tributários. MULTA ISOLADA. NATUREZA DE CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO. Cabe à empresa solicitante a comprovação de que a origem dos créditos é lícita, segue os ditames da lei e se ampara por documentação hábil e idônea, cabendo tão somente à autoridade fazendária aferir a liquidez e certeza de tais créditos. ORIGEM DO CRÉDITO. RETENÇÃO NA FONTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. ATIVIDADE NÃO SUJEITA À RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. A compensação que teve origem em tributo retido na fonte imprescinde da apresentação dos comprovantes de retenção emitidos, pela fonte pagadora, em nome da empresa solicitante, sobretudo quando a atividade exercida pela solicitante não se sujeita à retenção do IR na fonte. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS. A violação a princípios tributários não exsurge quando a autuação está revestida de todas as formalidades legais, tampouco quando permite à recorrente o pleno conhecimento de todos os fatos apurados e seus respectivos enquadramentos legais.
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CERCEAMENTO DE DEFESA. Devese afastar a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa quando a própria empresa, a partir de suas peças recursais, demonstra nítida compreensão do que lhe fora arrogado, carecendo serem apartadas alegações randômicas com o desígnio de inibir o lançamento fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2014, 2015 MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO ILÍCITO. É plenamente cabível a aplicação da multa isolada na hipótese de compensação indevida, quando constatada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. A falsidade se concretiza principalmente quando a empresa não apresenta documentação comprobatória da origem dos créditos durante o procedimento fiscal, tampouco durante todo o processo administrativo fiscal, assim como a atividade exercida por ela não está contemplada nas hipóteses de retenção do IR na fonte, tributo o qual supostamente originou os créditos tributários. MULTA ISOLADA. NATUREZA DE CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO. Cabe à empresa solicitante a comprovação de que a origem dos créditos é lícita, segue os ditames da lei e se ampara por documentação hábil e idônea, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 21 7. 72 00 34 /2 01 5- 52 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 12217.720034/201552 Acórdão n.º 1401001.797 S1C4T1 Fl. 171 2 cabendo tão somente à autoridade fazendária aferir a liquidez e certeza de tais créditos. ORIGEM DO CRÉDITO. RETENÇÃO NA FONTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. ATIVIDADE NÃO SUJEITA À RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. A compensação que teve origem em tributo retido na fonte imprescinde da apresentação dos comprovantes de retenção emitidos, pela fonte pagadora, em nome da empresa solicitante, sobretudo quando a atividade exercida pela solicitante não se sujeita à retenção do IR na fonte. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS. A violação a princípios tributários não exsurge quando a autuação está revestida de todas as formalidades legais, tampouco quando permite à recorrente o pleno conhecimento de todos os fatos apurados e seus respectivos enquadramentos legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR o pedido de perícia solicitado pela recorrente, REJEITAR a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) Antônio Bezerra Neto Presidente (Assinado Digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Aurora Tomazini de Carvalho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília Acórdão 03 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 12217.720034/201552 Acórdão n.º 1401001.797 S1C4T1 Fl. 172 3 69.211, de 26 de agosto de 2015, que decidiu pela manutenção da multa isolada qualificada de 150%, com base no art. 18, caput e § 2º, da Lei nº 10.833/2003, com redação alterada pela Lei nº 11.488/2007. A referida multa decorre da análise e não homologação de 5 (cinco) Pedidos Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (Per/Dcomps) que fazem parte do processo principal nº 12217.720006/201535, ao qual este processo, e também o processo 12217.720031/201519, foram juntados por apensação. Por bem descrever, adoto o Relatório da DRJ/BSB: (início da transcrição do Relatório da DRJ/BSB) Trata o presente processo de Auto de Infração de lançamento de multa isolada de 150% (cento e cinqüenta por cento) decorrente de compensação indevida efetuada em declarações apresentadas com falsidade pelo sujeito passivo em 10/04/2015 e 15/04/2015, no valor de R$ 161.080.130,06, conforme disposto no Art 18, caput e § 2º, da Lei nº 10.833/2003, alterada pela Lei nº 11.488/2007. PER/DCOMP Valor Indevidamente Compensado Alíquota Multa Isolada 30413.85945.150415.1.7.029159 R$ 33.888.403,17 150% R$ 50.832.604,76 01743.36995.100415.1.3.028089 R$ 30.757.128,78 150% R$ 46.135.693,17 09065.75235.100415.1.3.028383 R$ 16.054.831,91 150% R$ 24.082.247,87 16573.13463.100415.1.3.025564 R$ 8.710.348,69 150% R$ 13.065.523,04 27265.98764.100415.1.3.020226 R$ 17.976.040,80 150% R$ 26.964.061,20 TOTAL R$ 107.386.753,35 150% R$ 161.080.130,03 Segue motivação do lançamento de ofício, de acordo com Termo de Constatação, de fls. 2/4: O interessado informou na composição dos Saldos Negativos de IRPJ diversas retenções na fonte a título de juros e indenizações por lucros cessantes. Intimado, não foi capaz de esclarecer qual seria seu relacionamento com as supostas fontes pagadoras, qual seria a origem e o montante dos rendimentos nem em que data os rendimentos teriam sido recebidos. Alegou, genericamente, que teria cometido erros no preenchimento dos PER/DCOMPs, afirmando que os Saldos Negativos seriam oriundos de operações comerciais com empresas distribuidoras. Em função de as justificativas apresentadas se mostrarem genéricas e sem conteúdo, elas não foram suficientes para demonstrar que haveria inexatidões materiais no preenchimento dos PER/DCOMPs, única hipótese em que se admitiria a retificação das declarações, como prevê o art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. Não havendo explicação possível para a inclusão das referidas retenções na fonte na composição dos créditos, concluiuse pela prestação de informações falsas. Nesses casos, conforme preceitua o art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, cabe a aplicação de multa isolada: Fl. 172DF CARF MF Processo nº 12217.720034/201552 Acórdão n.º 1401001.797 S1C4T1 Fl. 173 4 [...] Os valores acima apurados serão objeto de lançamento através de Auto de Infração próprio, ficando ciente o contribuinte que nos termos da Súmula CARF nº 46, “O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário”. Cientificado do Auto de Infração, o sujeito passivo apresentou impugnação ao lançamento (fls. 20/50), acrescida de documentação anexa, sob a seguinte argumentação: Inicialmente discorre sobre a evolução da legislação que trata sobre compensação, concluído que a vontade abstrata da lei é gravar o tributo que seria devido em condições normais, não mais do que isso, porquanto o objetivo precípuo da fiscalização é a orientação, com a finalidade de esclarecer aos contribuintes em geral sobre o indelével dever de recolher ao fisco os tributos efetivamente devidos. Cita nesse sentido renomado tributarista. Quanto às multas de ofício, observa serem intrínseca e essencialmente punitivas, por isso aplicadas nos casos de falta de pagamento de tributo, falta de declaração de tributo de devido ou de declaração inexata, hipóteses em que são calculadas a razão de 75% do tributo devido. Havendo sonegação, fraude ou conluio (arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64), esse percentual será duplicado, chegando a 150%. Entretanto tais multas só podem ser aplicadas quando há lugar para lançamento de oficio em sentido estrito. Se todas as informações, dados e valores do histórico fiscal são fornecidos ao Fisco, não o contribuinte ser penalizado com esse tipo de multa. Dos Fatos e Do Direito Esclarece que acreditando ter apurado credito próprio, transmitiu, em 10/04/2015, Declarações de Compensação. Em análise pormenorizada, entretanto, verificaramse erros quanto a composição dos créditos, especificamente em relação as fontes pagadoras informadas, diferentes daquelas que efetuaram as retenções informadas com o código 5204 (juros e indenizações por lucros cessantes). Quando preparava a retificação das DCOMP a fim de prestar as informações corretas, foi intimado eletronicamente em “tempo recorde” 27/04/2015, acerca da compensação pleiteada, tendo apresentado esclarecimento em 29/04/2015 no sentido de “que houve erro, quanto a informação de que haveria retido os valores, apresentando as distribuidoras que teriam procedido com a retenção e solicitando o prazo de 20 dias para encaminhar a documentação como notas fiscais, contratos e outras que se fizessem necessárias”. Em 05/05/2015, foi emitido Despacho Decisório que não homologou as compensações, mencionando fatos que fogem por completo a realidade, especificamente quanto ao prazo de mais de um ano para retificação das DCOMP analisadas, bem como de prestação de informações falsas pela interessada. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 12217.720034/201552 Acórdão n.º 1401001.797 S1C4T1 Fl. 174 5 Observa que além de não conceder o prazo solicitado na resposta a Intimação de 27/04/2015, foi cerceado o direito da impugnante de se manifestar com a apresentação de provas, visto que a referida intimação concedia o prazo de 10 dias. Alega que fica demonstrado o cerceamento do direito da manifestante em apresentar suas provas e toda sua documentação, uma vez que foi presumido, mesmo sem qualquer verificação, que estaria prestando informações falsas. Todavia, a única informação falsa é a afirmação de que as compensações foram realizadas em abril de 2014. Registra absurdas as colocações de prestação de informações falsas, entendendo que o caso não foi avaliado de forma devida, mostrando simplesmente o interesse em não homologar, uma vez que as declarações foram entregues em abril de 2015 e não em abril de 2014, como mencionado no despacho decisório, não ocorrendo o prazo de um ano para retificar inconsistências, mais sim o prazo corrente de apenas 17 (dezessete) dias, com envio das DCOMP em 10/04/2015 e intimação em 27/04/2015. Mesmo após o reconhecimento pela autoridade fiscal do erro destacado, conforme Despacho Decisório Retificador emitido, onde diz que o credito apurado é desde 2014, permanece o fato de que os PER/DCOMP foram entregues em abril de 2105. (sic) O Despacho Decisório Retificador não supriu o prazo de 10 dias contido na Intimação, que independentemente do que a interessada apresentasse o resultado final seria pela não homologação, uma vez que até o dia 05/05/2015 a autoridade fiscal não se utilizou dos sistemas de informações fiscais de que dispõe para coletar informações quanto possibilidade de retenções. Registra que somente em 12/05/2015, após emissão do referido Despacho Decisório fez uso desse procedimento (processo nº 12217.720006/201535). Entende que o procedimento correto seria a intimação, por parte da autoridade fiscal, das fontes de retenção a fim da comprovação das informações prestadas pela impugnante; além do fato de que um dos períodos utilizados para apuração de credito referese ao 1º Trimestre de 2015, cuja entrega da DIRF darseá somente em 2016. Da Aplicação da Multa por Compensação Indevida A impugnante entende que o Auto de Infração foi lavrado em desacordo ao devido processo legal, gerando prejuízo e impossibilitando na sua plenitude o seu direito de defesa. Ademais, o princípio da razoabilidade, indicador da conduta a ser perseguida pela Administração Pública pressupõe que não basta que o ato administrativo esteja consonante com a lei em seu aspecto formal, se faz necessário que a medida aplicada seja legítima, de forma que vede ao administrador agir conforme seu sentimento pessoal. Há que se ter uma exigência justificada de ponderação, impondo aos agentes administrativos que maximizem a proteção ao ordenamento jurídico em sua totalidade. No mínimo se esperava da autoridade fiscal a aplicação do princípio da razoabilidade. A autoridade fiscal tem o dever de expor os fatos com a verdade, respeitando os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e outros. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 12217.720034/201552 Acórdão n.º 1401001.797 S1C4T1 Fl. 175 6 Além disso, as multas têm caráter nitidamente punitivo e como tal pressupõem ocorrência de ato ilícito ou infracional, de forma que se torna necessário no presente caso a efetiva comprovação do ilícito, consubstanciado na falsidade das declarações apresentadas pela contribuinte, o que em regra não ocorre. Cita nesse sentido jurisprudência judicial. No caso, as multas instituídas são evidentemente confiscatórias, uma vez que seus valores exorbitante (sic) se dissociam da necessidade de ponderação entre a gravidade da conduta e a intensidade da pena. Da Qualificação da Multa Isolada de 150% Alega que não teria havido dolo e/ou intenção de fraudar o fisco, já que a empresa apurou um crédito e, com base na legislação vigente e aplicável, procedeu às respectivas compensações. Se o crédito apurado não existe ou se a maneira como procedida não foi a correta, o fato é que o dolo fica descaracterizado no caso concreto. Cita doutrinadores e jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, no intuito de demonstrar suas alegações. Do Pedido Diante de todo o exposto, e principalmente pela conotação de prestar falsas informações, que trás conotação de fraude e dolo, que em nenhum momento foram comprovados, requer o cancelamento de todo o auto de informação, por não representar a realidade dos fatos. (término da transcrição do Relatório da DRJ/BSB) A 4ª Turma da DRJ/BSB proferiu Acórdão decidindo pela improcedência da Impugnação da empresa autuada, conforme Ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 (sic) MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. É cabível a aplicação da multa isolada na hipótese de compensação indevida, quando constatada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. NULIDADE. O lançamento que observa as disposições da legislação para a espécie não incorre em vício de nulidade. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 12217.720034/201552 Acórdão n.º 1401001.797 S1C4T1 Fl. 176 7 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO NA FONTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. O tributo retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa jurídica se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. PROVAS DOCUMENTAIS. MOMENTO DE SUA APRESENTAÇÃO As provas que o contribuinte possuir devem ser mencionadas na impugnação e apresentada com ela em se tratando de prova documental. Preclui o direito de o contribuinte apresentálas em outro momento processual, salvo se o motivo se der em decorrência de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Impugnação Improcedente Creditório Tributário Mantido Insatisfeita com a decisão da DRJ/BSB, a empresa apresentou Recurso Voluntário a este Conselho, aduzindo basicamente os mesmos pontos já trazidos na correspondente Impugnação, acrescentando, porém, 2 tópicos que não haviam sido contestados na Impugnação, quais sejam: Do cerceamento ou preterição do Direito de Defesa Alega que a Administração Pública é regida pela moralidade administrativa e não pode contradizer os próprios atos sob pena de causar insegurança jurídica. Invoca a aplicação de tal princípio, pois a autoridade administrativa emitiu despacho decisório antes do prazo concedido para apresentação de documentos e esclarecimentos por parte da Recorrente. Da Formulação de Quesitos Cita a legislação autorizadora e pleiteia que seja efetuada uma formulação, por pessoa que indica, se o fato da supressão do prazo da intimação, por parte da autoridade fiscal, configurase como preterição do direito de defesa, solicitando que seja informado o horário do acesso da autoridade fiscal ao sistemas da RFB, confirmando se foi antes ou depois da emissão do Despacho Decisório. No CARF, a Relatoria do processo coube a mim. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Relator Fl. 176DF CARF MF Processo nº 12217.720034/201552 Acórdão n.º 1401001.797 S1C4T1 Fl. 177 8 O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Como já descrito acima, tratase de processo de multa isolada qualificada decorrente de falsidade das Declarações de Compensação apresentadas pela empresa Recorrente. Pedido de Perícia Preliminarmente, com relação ao pedido de perícia solicitado pela Recorrente, cabe aduzir que o caput do artigo 18 do Decreto 70.235/1972 estabelece que A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Nas peças recursais (Impugnação e Recurso Voluntário) a Recorrente não apresentou nenhum documento (início de prova) que pudesse gerar alguma dúvida sobre o procedimento adotado pela fiscalização. Desta forma, entendo desnecessário o pedido de perícia solicitado pela Recorrente, tendo em vista que o processo reúne plenas condições de ser votado, como se verá adiante. Nesse sentido, afasto o pedido de perícia solicitado pela Recorrente. Passado isto, discorrerei aqui sobre os pontos atacados pela Recorrente, descrevendoos, dentro do possível, em respeito à ordem trazida no Recurso Voluntário: Nulidade A Recorrente assegura que o procedimento fiscal foi marcado por condutas que desencadearam na preterição do seu direito de defesa. Afirma que a fiscalização emitiu o Despacho Decisório em tempo recorde na data de 05/05/2015 (fls. 69 a 73) citando que a empresa já deveria estar de posse dos documentos comprobatórios, pois teria entregue as declarações de compensação em 2014. Como, na verdade, as declarações foram entregues em 2015, a Recorrente questiona o cerceamento de seu direito de defesa com base no equívoco cometido pela fiscalização. Em análise dos Per/Dcomps (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), verificase que a empresa informou ao fisco que seu crédito advinha da apuração de saldo negativo de IRPJ, que, por sua vez, decorrera de retenções na fonte de imposto de renda por lucros cessantes, no 1º, 2º, 3º e 4º Trimestres de 2014 e no 1º Trimestre de 2015. Ao ser intimada (fls. 44 e 45) a comprovar a regularidade dos valores compensados, a empresa apresentou resposta em que revelou que as informações constantes Fl. 177DF CARF MF Processo nº 12217.720034/201552 Acórdão n.º 1401001.797 S1C4T1 Fl. 178 9 nos Per/Dcomps teriam sido apresentadas com erro a natureza da origem do crédito não era de retenção de IR na fonte decorrente de lucros cessantes, mas sim de retenção (de IR) na fonte em face das vendas efetuadas pela ora Recorrente às suas distribuidoras , ocasião em que colacionou planilha que continha relação das empresas que supostamente haviam efetuado as já tratadas retenções. Veja: Em análise pormenorizada, verificouse que na elaboração dos PER/DCOMPS, foram cometidos alguns erros ao indicar como retenção os CNPJS nº 14.234.988/000168 e 11.369.922/000197. Na verdade, estava sendo preparado DCOMPS retificadores para corrigir os números, porém, estranhamento (sic) em tempo recorde a nobre Delegacia emitiu intimação fiscal, onde as retificadoras não puderam ser entregues. Destarte, que a base do direito creditório, seriam as empresas que praticam atos comerciais de distribuição e relacionadas em anexo a esse documento. Na mesma resposta de 04/05/2015 (fl. 50), a empresa solicitou prazo para apresentação de documentos que comprovassem o equívoco cometido por ela na prestação das informações ao fisco e, por conseguinte, a origem dos créditos. Como a autoridade fiscal emitiu o Despacho Decisório sem deferir o prazo adicional, a Recorrente alegou o cerceamento de defesa também quanto a este ponto. Outrossim, alega o cerceamento do direito de defesa por falta de moralidade administrativa, pois a autoridade administrativa emitiu despacho decisório antes do prazo concedido para apresentação de documentos e esclarecimentos por parte da Recorrente. Entendo que estes argumentos devem ser superados. Pois bem. Como bem destacou a autoridade fiscal no Despacho Decisório, "...a compensação pressupõe que haja uma cronologia entre os eventos, devendo o sujeito passivo, antes de mais nada, determinar o valor do crédito, sua disponibilidade e se tal crédito seria restituível ou ressarcível." Conforme já descrito no Relatório deste Acórdão, a empresa apresentou os Per/DComps com informação de vultosos valores, correspondendo à monta atualizada de R$ 107.386.753,35, na data da entrega da declarações. Após ser regularmente intimada com concessão de prazo de 10 (dez) dias para apresentar documentos e esclarecimentos sobre os valores compensados , a empresa estranhamente responde que a informação prestada ao fisco foi manifestada com erro de sua parte, justificando que os CNPJs que supostamente haviam efetuado a retenção na fonte não eram aqueles, assim como a natureza da retenção também não era aquela consignada nas declarações. Entretanto, a referida planilha juntada à resposta somente trazia uma relação de empresas com seus respectivos CNPJs, não contemplando nenhum elemento adicional que pudesse fazer prova a favor da ora Recorrente, como relação de notasfiscais que contivesse, no mínimo, as seguintes informações: valor da NF, IRRF e demais tributos retidos na fonte, valor dos descontos, valor líquido a receber, etc.. Muito menos foram apresentados demais Fl. 178DF CARF MF Processo nº 12217.720034/201552 Acórdão n.º 1401001.797 S1C4T1 Fl. 179 10 documentos que fizessem prova da operação, como as próprias notasfiscais, contrato de fornecimento, títulos de crédito eventualmente emitidos, comprovantes de pagamento, comprovantes de frete e outros documentos comprobatórios. Quanto à fiscalização ter citado que a empresa havia entregue os Per/DComps em 2014, quando na verdade o foi em 2015, também não merece ser reconhecido o argumento da Recorrente, uma vez que a fiscalização emitiu posteriormente Despacho Decisório retificador, para fazer constar como correto a data da entrega dos Per/DComps no ano 2015. E, mesmo assim, este erro não compromete a conduta da fiscalização a ponto de ser reconhecida nulidade da aplicação da multa isolada qualificada, isto porque, uma vez que os créditos apurados advieram dos 4 trimestres de 2014 e do 1º trimestre de 2015, tal aspecto temporal somente comprova que a empresa teve tempo suficiente para revisar se os créditos informados nas declarações de compensação realmente decorriam de Imposto de Renda na Fonte resultante de lucros cessantes. Observo, por oportuno, que o lançamento tributário em comento foi efetuado em obediência ao disposto no artigo 142, do CTN, e somente se materializou após a autoridade fiscal estar convicta de que os supostos créditos eram inexistentes: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Veja que o artigo 59, do Decreto 70.235/1972, somente admite como hipótese de nulidade do lançamento o seguinte, os quais não se enquadram ao caso em análise: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Convém ainda mencionar que o disposto no artigo 10 do mesmo Decreto 70.235/1972 foi estritamente obedecido pela autoridade fiscal no lançamento aqui debatido: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Fl. 179DF CARF MF Processo nº 12217.720034/201552 Acórdão n.º 1401001.797 S1C4T1 Fl. 180 11 V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Como já dito, a empresa foi regularmente intimada a apresentar documentos e esclarecimentos sobre os valores compensados, e agora alega que a fiscalização foi célere ao iniciar o procedimento fiscal, arbitrária ao indeferir o prazo solicitado pela Recorrente e ao emitir o Despacho Decisório em tempo recorde, como se houvesse um prazo mínimo para a Receita Federal iniciar um procedimento fiscal e efetuar um lançamento tributário. Entendo que a própria Recorrente é quem provocou este procedimento, ao informar que os créditos e as fontes de retenção do Imposto de Renda seriam totalmente diversas daquelas informadas nas declarações, corroborando nitidamente seu desígnio em tentar retardar o procedimento fiscal, obviamente por saber que os valores compensados eram inexistentes. Além disso, alega o cerceamento do direito de defesa por falta de moralidade administrativa, pois a autoridade administrativa emitira despacho decisório antes do prazo concedido para apresentação de documentos e esclarecimentos por parte da Recorrente. Como já dito, a própria Recorrente provocou a desconfiança e a prática da conduta célere perpetrada da/pela fiscalização, ao transmutar a origem dos créditos com supedâneo em justificativa esvaziada. Tanto o é, que a alegação de falta de tempo hábil para apresentar os documentos no prazo concedido pela fiscalização foi desmascarada posteriormente com a ausência de apresentação de qualquer documento, mesmo após a abertura do prazo para impugnação (30 dias) e o prazo para oferecimento do Recurso Voluntário (30 dias); donde se conclui que, ao contrário do que se espera de uma empresa idônea, acreditou a Recorrente ser mais viável permanecer no campo das alegações e pleitear a nulidade do ato administrativo. Diante disso, rejeito a preliminar de nulidade. Mérito A Recorrente alega que a multa qualificada em 150% não deveria ser aplicada por afronta ao devido processo legal, ampla defesa e contraditório, em virtude da fiscalização ter efetuado o procedimento fiscal de forma célere. Quanto a este ponto, entendo que as razões de afastamento da preliminar de nulidade, já citadas acima, se encaixam perfeitamente como razões de decidir neste presente questionamento. Assim como o pleito pelo cerceamento de defesa, os argumentos que pugnam pela violação à razoabilidade, proporcionalidade e outros, não cabem no presente caso, pois o Despacho Decisório está revestido de todos os fatos apurados e seus respectivos enquadramentos legais, permitindo à ora Recorrente o total conhecimento daquilo que lhe fora arrogado, o que restou comprovado pelo conteúdo da Impugnação e do Recurso Voluntário. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 12217.720034/201552 Acórdão n.º 1401001.797 S1C4T1 Fl. 181 12 Como já tratado acima, a fiscalização permitiu à fiscalizada apresentar documentos e esclarecimentos que, digase, já deveriam estar de posse da fiscalizada, por ter supostamente apurado créditos tributários de valores superiores a R$ 100 milhões. Insistindo no combate ao pedido pela razoabilidade há que se ter uma exigência justificada de ponderação , lembro que não cabe à autoridade fiscal efetuar juízo de valor sobre o peso do enquadramento, no mundo normativo, de uma conduta praticada. Deve aplicar a lei conforme está disposta. Foi o que a fiscalização fez! Outro ponto trazido pela Recorrente é que não houve comprovação do ilícito. Que, para aplicar a multa, a fraude sempre se faz presente com requisito de admissibilidade. Que o dispositivo penaltributário não pode ser aplicado sobre uma presunção de fato que, na realidade, não se verificou. Descreve ainda que, se não se trata das hipóteses proibitivas no §3º do art. 74, da Lei 9.430/1996, não existe máfé da recorrente. Disse que o crédito não é de terceiros nem de títulos públicos, mas foi apurado dentro da contabilidade dela. Aduz que não se pode imputar fraude tal como definida em lei no caso de compensação onde somente o crédito é indevido. Pois bem. Como se pode observar, a multa isolada qualificada foi aplicada em razão da falsidade da apresentação das declarações de compensação, e teve como fundamento legal o disposto no art. 18, caput e § 2º, da Lei nº 10.833/2003, com redação alterada pela Lei nº 11.488/2007, que faz remissão aos demais dispositivos destacados abaixo: MP 2.15835/2001 Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Lei 10.833/2003 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488 de 2007) (gn) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488 de 2007) Fl. 181DF CARF MF Processo nº 12217.720034/201552 Acórdão n.º 1401001.797 S1C4T1 Fl. 182 13 Lei 9.430/1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488 de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488 de 2007) Repare que o fundamento legal da multa traz somente como hipótese de incidência a prestação de informação falsa à Receita Federal, e não traz como fato gerador a incidência sobre compensações que tiveram como origem créditos não administrados pela RFB ou títulos públicos federais, por exemplo, que são fundamentos totalmente diversos daquele usado pela fiscalização. Notem que o preceito legal acima não traz qualquer conexão com redação do § 1º, do artigo 44, da Lei 9.430/96, que remete aos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964; este dispositivo, sim, necessita de comprovação de sonegação, fraude ou conluio, veja: Art. 44 da Lei 9.430/1996 § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488 de 2007) Lei 4.502/1964 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 12217.720034/201552 Acórdão n.º 1401001.797 S1C4T1 Fl. 183 14 Assim sendo, o que se deve perquirir é se as informações constantes nos Per/DComps foram prestadas com falsidade: A Recorrente alega que sofreu retenção de tributo no caso o Imposto de Renda na Fonte , e que deveria ter sido recolhido aos cofres públicos pela fonte pagadora, não competindo ao auditor dar interpretação extensiva ou equivocada aos fatos que geraram a obrigação. Ademais, atribuiu à(s) fonte(s) pagadora(s) a responsabilidade por retificar suas DIRFs, assim como se manifestar. Noutro revés, aduz que caberia à fonte pagadora a solicitação da restituição do valor pago a maior à Receita Federal, desde que comprovada a devolução do que reteve indevidamente ou a maior à Recorrente, fazendo valer os preceitos do art. 8º da Instrução Normativa nº 1.300 de 2012. Art. 8º O sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição na forma do § 1º ou do § 2º do art. 3º ressalvadas as retenções das contribuições previdenciárias de que trata o art. 18. § 1º A devolução a que se refere o caput deverá ser acompanhada: I do estorno, pela fonte pagadora e pelo beneficiário do pagamento ou crédito, dos lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior; II da retificação, pela fonte pagadora, das declarações já apresentadas à RFB e dos demonstrativos já entregues à pessoa física ou jurídica que sofreu a retenção, nos quais referida retenção tenha sido informada; III da retificação, pelo beneficiário do pagamento ou crédito, das declarações já apresentadas à RFB nas quais a referida retenção tenha sido informada ou utilizada na dedução de tributo. § 2º O sujeito passivo poderá utilizar o crédito correspondente à quantia devolvida na compensação de débitos relativos aos tributos administrados pela RFB na forma do art. 41. § 3º O disposto no caput e no § 2º aplicase à Contribuição para o Plano de Seguridade Social do Servidor (CPSS), de qualquer dos Poderes da União, incluídas suas autarquias e fundações. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1529, de 18 de dezembro de 2014) (negritei) Pois bem. É de se dizer que em momento algum a fiscalização justificou a não homologação das compensações com base nas informações prestadas (ou não) por terceiros, mas sim pela falta de comprovação, pela própria Recorrente, das retenções supostamente sofridas por ela. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 12217.720034/201552 Acórdão n.º 1401001.797 S1C4T1 Fl. 184 15 Quer dizer, a própria Recorrente é quem deveria apresentar provas de que realmente sofreu retenção na fonte do imposto de renda, comprovando assim a certeza e liquidez dos créditos informados e demonstrando que se enquadra nos dispositivos citados acima. Mas, pelo contrário, a Recorrente intenta o deferimento do seu pleito sub rogando a terceiros uma responsabilidade que lhe é inerente, pois o pedidos de compensação foram por ela encaminhados, e não pelas fontes pagadoras. Outrossim, quanto à alegação de que os valores foram retidos pelos distribuidores da Recorrente, impende ressaltar que não há na legislação tributária nenhuma obrigação legal de retenção de Imposto de Renda na Fonte a ser efetuada por empresas distribuidoras de produtos derivados da atividade da Recorrente, conforme bem consignou a autoridade fiscal no despacho decisório: Ademais, não vislumbro nenhuma situação na qual a empresa distribuidora, em uma operação comercial, tenha a obrigação de reter imposto de renda na fonte em benefício do interessado, um fabricante, comerciante, importador e exportador de tabaco. E não venha alegar a possibilidade de retificação das declarações baseada em supostos erros cometidos em seus preenchimentos, pois, ainda, como forma de bem justificar a impossibilidade de retificação das compensações, a autoridade autuante observou que não cabe ao presente caso a aplicação do art. 89 da IN 1.300/2012, pois "Em função de as justificativas apresentadas se mostrarem genéricas e sem conteúdo, elas não foram suficientes para demonstrar que haveria inexatidões materiais no preenchimento dos PER/DCOMPs, única hipótese em que se admitiria a retificação das declarações": Art. 89. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário será admitida somente na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 90. Cabe destacar ainda que, conforme consta no § 6º do artigo 74, da Lei 9.430/96, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, permitindo assim o lançamento tributário efetuado no procedimento fiscal em referência: Art. 74 da Lei 9.430/96 (...) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (redação dada pela Lei 10.833, de 2003) Dito isto, o que se vê no caso em concreto é que a empresa atribuiu um valor qualquer de crédito tributário para se compensar com o IPI devido, que, digase, é um tributo relevante e custoso em empresas que desenvolvem atividades como a da Recorrente (indústria, comércio, importação e exportação de tabacos). Entretanto, como se pode notar, o crédito não Fl. 184DF CARF MF Processo nº 12217.720034/201552 Acórdão n.º 1401001.797 S1C4T1 Fl. 185 16 foi comprovado pela Recorrente nem durante o procedimento fiscal, nem na Impugnação, tampouco no Recurso Voluntário . O que percebo é que a Recorrente se agarra a pequenos fatos e um equívoco cometido pela autoridade fiscal, para que seu pleito seja atendido, o que é totalmente reprovável. Importante trazer à lume que a imputação aqui discutida tem o condão de obstar a utilização indevida deste expediente, que é realizar compensações sem comprovação da origem dos créditos. Caso não fosse assim, as compensações criadas serviriam como forma de obtenção de recursos do Estado, mesmo que revestido na forma de inadimplemento de tributo, sobretudo ainda com possibilidade de não ser cobrado por tal débito. Isto é o que todo sonegador deseja. Convém reproduzir abaixo, trechos do Acórdão da DRJ/BSB que evidenciou a conduta repreensível praticada pela Recorrente: No caso em exame, como se trata de informações prestadas em declaração de compensação, invertese o ônus da prova. Com efeito, ao declarar à Autoridade Tributária que dispunha de crédito capaz de extinguir débito tributário, a contribuinte assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza quando do exame administrativo. Como visto, tal demonstração não foi realizada, acarretando a confirmação da não homologação das declarações de compensação objeto do processos nº 12217.720006/201535 (Acórdão nº 0369.2010, proferido pela 4ª Turma da DRJ/BSB em 26 de agosto de 2015). Esclareçase que a multa não é aplicável simplesmente pelo fato de a compensação não ter sido homologada, situação para a qual não há previsão legal de imposição deste tipo de penalidade no patamar de 150%. O que pretendeu o legislador foi punir a contribuinte que tenha se utilizado de informações falsas para se beneficiar de crédito inexistente. Em suma, restou evidente que a contribuinte pretendeu liquidar débitos seus para com a Fazenda Nacional mediante a utilização de crédito inexistente, estando plenamente caracterizada a inserção de informação falsa nas declarações de compensação, condição única para a exigência da multa isolada de 150%, com o único intuito de esconder do Fisco a inexistência do crédito pleiteado. Em continuidade, a empresa questiona que a fiscalização tenha atribuído presunção absoluta ao caso, ao concluir que a Recorrente teria agido com dolo ou máfé, sem sequer apresentar provas concretas de tal conduta fraudulenta. Entretanto, não apresenta nenhum esclarecimento ou documento de que a origem de tais créditos é lícita e confiável, com fins de comprovar que a fiscalização tenha agido com arbitrariedade. Por fim, a Recorrente assegura que a multa aplicada é confiscatória. Neste ponto, cabe reafirmar que a multa aplicada está prevista na legislação tributária, não cabendo ao servidor ponderar se é confiscatória ou não. Deve, sim, aplicar a lei. A Súmula nº 02 do CARF revela que não cabe a este conselho se manifestar sobre inconstitucionalidade de lei tributária: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 12217.720034/201552 Acórdão n.º 1401001.797 S1C4T1 Fl. 186 17 Desta forma, entendo que a autoridade fiscal aplicou corretamente a multa isolada qualificada por falsidade na apresentação das Declarações de Compensação, por entender perfeitamente que os créditos foram inventados pela empresa autuada, restando muito claro que a Recorrente trouxe à realidade algo que somente existiu no mundo imaginário. Assim sendo, nego provimento quanto ao mérito. Conclusão Diante do exposto, voto por AFASTAR o pedido de perícia solicitado pela recorrente, REJEITAR a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 186DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.007173/2006-85
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA.
A prática reiterada de declarar a menor valores apurados na escrituração contábil/fiscal, visando retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracteriza a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº4.502, de 1964, impondo-se a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados.
Recurso especial da Procuradoria provido
Recurso Especial do Contribuinte negado
Numero da decisão: 9303-004.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator) e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: DEMES BRITO
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COFINS. MULTA Recorrentes FAZENDA NACIONAL MOINHO PETINHO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. A prática reiterada de declarar a menor valores apurados na escrituração contábil/fiscal, visando retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracteriza a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº4.502, de 1964, impondose a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. Recurso especial da Procuradoria provido Recurso Especial do Contribuinte negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 71 73 /2 00 6- 85 Fl. 609DF CARF MF Processo nº 19647.007173/200685 Acórdão n.º 9303004.686 CSRFT3 Fl. 610 2 provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator) e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional e pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao acórdão nº 3302002.336 , proferido pela 3º/2º Turma Ordinária, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reduzir todas as multas ao percentual básico de 75% (setenta e cinco por cento) . Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Contra a empresa já identificada foram lavrados os Autos de Infração de fls. 04/07 COFINS, 12/14 — COFINS Exigibilidade Suspensa, 20/23 PIS e 28/30 PIS Exigibilidade Suspensa. De acordo com a autuante, os Autos de Infração de fls. 04/07 e 20/23 são decorrentes das insuficiências de recolhimentos e de registros a menor nas DCTF das mencionadas contribuições, conforme relatado as fls. 06/07 e 22/23 e no Relatório da Ação Fiscal de fls. 37/42, para exigência dos créditos tributários, adiante especificados, referentes aos períodos de janeiro a dezembro de 2003: Os Autos de Infração, de fls. 12/14 e 28/30 são decorrentes das faltas de recolhimentos e de registros nas DCTF das mencionadas contribuições, referentes às Outras Receitas Operacionais, cujos créditos tributários apurados foram Fl. 610DF CARF MF Processo nº 19647.007173/200685 Acórdão n.º 9303004.686 CSRFT3 Fl. 611 3 lançados com a exigibilidade suspensa por força do Acórdão proferido na Apelação em Mandado de Segurança n° 93225 do TRF 5a Região, conforme relatado As fls. 13/14 e 29/30 e no Relatório da Ação Fiscal de fls. 37/42, para exigência dos créditos tributários, adiante especificados, referentes aos períodos de janeiro a março, maio, julho, novembro e dezembro de 2003: O Acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSOS ADMINISTRATIVOS. Não há que se falar em concomitância de processos, quando o pedido de um é diverso do pedido de outro processo. O presente auto de infração visa a desconstituição de lançamentos referente à lançamentos de PIS e COFINS. Já o Mandado de Segurança nº 9322505, referese a discussão acerca da cobrança do PIS e da COFINS, com as alterações promovidas pela Lei nº 9.718/98. MULTA ISOLADA. EVIDENTE INTUÍTO DE FRAUDE. Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. DA ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete a Autoridade Administrativa se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída pela Constituição Federal, em caráter privativo, ao Poder Judiciário. Recurso Voluntário Provido em Parte". Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando que houve qualificação da multa de ofício para 150%, nos termos do inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96, em virtude da prática reiterada de declaração e pagamento de valores a menor dos tributos glosados. Requer o restabelecimento da multa de ofício aplicada para modalidade qualificada no patamar 150% (cento e cinquenta por cento). Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, o Acórdãos nº 10195.292 e 10708.942. Na admissibilidade do Recurso, fls. 519/522, o Presidente da Câmara, admitiu o Recurso, especialmente quanto a aplicação da multa qualificada no patamar de 150% (cento e cinquenta por cento). A Contribuinte apresentou contrarrazões de fls. 539/546. Por outro lado, a Contribuinte também interpõe Recurso Especial, defendendo que as receitas decorrentes de variação cambial devem ser excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS, pugna pelo improvimento do Recurso da Fazenda Nacional. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, o Acórdãos nº 9303003.241 e 3301001.836. Na admissibilidade do Recurso, fls. 597/599, o Fl. 611DF CARF MF Processo nº 19647.007173/200685 Acórdão n.º 9303004.686 CSRFT3 Fl. 612 4 Presidente da Câmara, admitiu o Recurso, com fundamento de que: "os acórdãos paradigmas não apreciaram a constitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/98, mas acataram a inconstitucionalidade declarada pelo STF. Por outro lado, o acórdão recorrido não acatou a inconstitucionalidade, sob o argumento de que não deveria se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída pela Constituição Federal, em caráter privativo, ao Poder Judiciário". Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao Recurso, fls. 601/607, requer que seja negado provimento ao apelo. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. O dissenso jurisprudencial posta a esta E. Câmara Superior, referese à a aplicação ou não da multa de ofício qualificada no patamar de 150% (cento e cinqüenta por cento), nos termos do inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96, e a exclusão da base de cálculo do PIS e COFINS receitas decorrentes de variação cambial. Com efeito, compulsando os autos, verifico que a junto aos "Autos de Infração de fls. 04/07 e 20/23, que a base de cálculo é relativa as receitas de vendas e os lançamentos são decorrentes das insuficiências de recolhimentos e de registros a menor nas DCTF das contribuições COFINS e PIS; e nos Autos de Infração, de fls. 12/14 e 28/30 os valores apurados para a base de cálculo são as Outras Receitas Operacionais e os créditos tributários apurados foram lançados com a exigibilidade suspensa, por força do Acórdão proferido na Apelação em Mandado de Segurança n° 93225 do TRF 5a Região". Conforme dispõe o art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, em combinado com os artigos 71, 72 e 73 da Lei n°4.502/64, que definem sonegação, fraude e conluio, respectivamente, a multa qualificada é aplicada na hipótese de infrações subjetivas dolosas. Os respectivos artigos da Lei n° 4.502/64, versam sobre infrações subjetivas, em que o dolo, consiste na vontade do agente de praticar o ato dolo direto, ou de assumir os resultados da sua prática dolo indireto, a elementar do fato típico, descrito na hipótese de incidência da norma. Neste sentido, para qualificação da multa, o agente fiscal deve comprovar efetivamente dolo da Contribuinte, seja por meio de prova real ou por indícios que comprovem o não pagamento do imposto e o descumprimentos dos deveres instrumentais, em que pese ao sujeito provar não ter cometido nenhum ato identificado pela Autoridade Fiscal. Não vislumbro dolo nos procedimentos da Contribuinte, especialmente quanto ao intuito de sonegar, caso contrário, a Autoridade Fiscal não utilizaria as informações contidas nos livros fiscais para elaborar o Auto de Infração. E ainda, caso fosse a intenção da Contribuinte de fraudar o Fisco, não teria, ao ser solicitada, prontamente apresentado à Fiscalização diversos documentos. Fl. 612DF CARF MF Processo nº 19647.007173/200685 Acórdão n.º 9303004.686 CSRFT3 Fl. 613 5 Portanto, no presente caso, entendo que não houve comprovação de quaisquer das circunstâncias qualificadoras, sendo que não houve nenhuma ação da Contribuinte tendente a impedir ou retardar o conhecimento da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador, o que implicaria na sonegação. Neste sentido, esta E. Câmara Superior, por meio do Acórdão nº 9303004 563, entendeu que para aplicação da multa de ofício em 150%, exige a inequívoca comprovação do evidente intuito de fraude na conduta do sujeito passivo, ausente a prova inequívoca de intenção deliberada da contribuinte ocultar o fato gerador, não a que se falar em aplicação da multa qualificada de 150%. Vejamos: "Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MULTA DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCIAS QUALIFICATIVAS DA INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. INAPLICABILIDADE. A aplicação da multa de ofício em 150% (cento e cinqüenta por cento) exige a inequívoca comprovação do evidente intuito de fraude na conduta do sujeito passivo, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Ausente a prova inequívoca de intenção deliberada da contribuinte de ocultar o fato gerador das contribuições da Autoridade Fiscal, não há de se falar na aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento). Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento". Referente a exclusão das receitas decorrentes de variação cambial da base de Cálculo do PIS/COFINS, a turma a quo entendeu que: "conforme consta nos autos, fls. 69/72, o Recorrente discute nos autos do Mandado de Segurança nº 93225, em trâmite perante o TRF 5ª Região a cobrança do PIS e da COFINS pela base de cálculo e da alíquota alteradas pela Lei nº 9.718/98. Assim, resta evidenciado que o presente processo administrativo, em parte guarda relação com o processo judicial em referência, e em parte não guarda. Quanto ao lançamento das outras receitas operacionais, o guarda pois que ainda não há nos autos evidência de resolução da lide, e o objeto é concomitante. Pelo exposto, entendo que não devo conhecer dessa parte do Processo quanto ao valor principal, especificamente quanto ao auto de infração de fls. 12 a 14 e 28 a 30, lançamentos com exigibilidade suspensa por referiremse Fl. 613DF CARF MF Processo nº 19647.007173/200685 Acórdão n.º 9303004.686 CSRFT3 Fl. 614 6 ao alargamento da base do PIS e da COFINS, mas devo referirme quanto à multa agravada". Compulsando os autos, verifico que há três autos de infração conforme relatado no acórdão recorrido e na decisão de primeira instância. Vejamos: "Contra a empresa já identificada foram lavrados os Autos de Infração de fls. 04/07 COFINS, 12/14 – COFINS Exigibilidade Suspensa, 20/23 PIS e 28/30 – PIS" Como se observa, os dois últimos autos tratam de crédito com exigibilidade suspensa. A matéria já é discutida judicialmente, sendo reconhecida a concomitância tanto pela decisão de primeira instância quanto pelo acórdão ora recorrido e sobre cuja existência o ora recorrente não controverte em sede especial. Quanto ao outro auto de infração, fls. 04/07, verificase que o lançamento foi realizado sobre receitas operacionais, relacionadas às receitas decorrentes da venda de mercadorias e que, portanto, não tem nenhuma relação com a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/98 nos termos em que consagrado pelo STF. Contudo, embora o acórdão recorrido apresente o argumento no sentido de que não deveria se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída pela Constituição Federal, em caráter privativo, ao Poder Judiciário, verificase que não há interesse de agir por parte da Contribuinte. Isso porque, o acolhimento desse argumento não trará qualquer resultado útil ao processo, considerando que não tem como alterar o resultado do julgamento. No que tange os outros lançamentos, estes incidem sobre receitas operacionais, receitas derivadas da venda de mercadorias, caso para o qual não se aplica a referida declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/98 pelo STF, sendo definido por aquela Egrégia Corte que o conceito de faturamento abrange exatamente as receitas decorrentes da venda de mercadorias e prestação de serviços, sobre as quais é plenamente legítima a incidência de PIS e COFINS. Neste sentido, irretocável o acórdão recorrido, também considero que não cabe à Autoridade Administrativa se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, especialmente quanto a aplicação da multa agravada de 150%, referente a valores de outras receitas, concomitante à ação judicial. Dou provimento ao Recurso da Contribuinte, mantendose o que foi decidido no acórdão recorrido. É como voto é como penso. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 614DF CARF MF Processo nº 19647.007173/200685 Acórdão n.º 9303004.686 CSRFT3 Fl. 615 7 Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator. Com a devida vênia, discordamos do il. Relator. No que concerne ao recurso especial apresentado pela Procuradoria, conforme restou indubitável nos autos, a contribuinte – não obstante tenha escriturados os valores omitidos durante todos os períodos de apuração do ano de 2003 (no Livro Razão e nos Balancetes) – não os informou nas declarações entregues à RFB. Em casos idênticos, esta mesma Turma tem mantido a qualificação da multa de ofício, ao fundamento de quebem caracterizado o dolo, a ensejar a sua aplicação, não se tratando, portanto, de mera omissão, a atrair a incidência da Súmula CARF nº 14. Ilustrativamente: MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. A prática reiterada de declarar a menor valores apurados na escrituração contábil/fiscal, visando retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracteriza a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº4.502, de 1964, impondose a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 9303 004.319, de 15/09/2016) Com relação ao recurso especial aviado pela contribuinte, o próprio relator do voto vencido, quanto a exigência sobre as receitas operacionais omitidas, entendeu não caber à Autoridade Administrativa se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei, daí que a conclusão não poderia ser outra, senão a de negar provimento ao recurso. Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial da Procuradoria, para restabelecer a aplicação da multa de 150%, e nego provimento ao recurso da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 615DF CARF MF Processo nº 19647.007173/200685 Acórdão n.º 9303004.686 CSRFT3 Fl. 616 8 Fl. 616DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.722261/2009-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. GLOSAS IMOTIVADAS.
A indicação sucinta no termo de verificação fiscal das razões que conduziram o exator a efetuar as glosas, desautoriza a alegação de nulidade por cerceamento de defesa.
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção.
CRÉDITOS. SERVIÇOS APLICADOS INDIRETAMENTE NA PRODUÇÃO. TRATAMENTO E TRANSPORTE DE REJEITOS INDUSTRIAIS.
É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação aos serviços de transporte e co-processamento de RGC; transporte e processamento de borra de alumínio e refratário; beneficiamento de banho eletrolítico e transporte de rejeitos industriais; por integrarem o custo de produção do produto destinado à venda (alumínio).
CRÉDITOS. MATERIAIS REFRATÁRIOS E SERVIÇOS CONEXOS.
Tratando-se de gasto passível de ativação obrigatória, é incabível a tomada de crédito diretamente sobre o custo de aquisição do material ou do serviço.
ÔNUS DA PROVA.
Nos processos de pedidos de ressarcimento de créditos, cabe ao contribuinte o ônus da prova do direito oposto à Administração Tributária.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 3402-003.866
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas sobre transporte e co-processamento de RGC; transporte e processamento de borra de alumínio e refratário; beneficiamento de banho eletrolítico e transporte de rejeitos industriais. Vencido o Conselheiro Jorge Freire quanto aos serviços de transporte de rejeitos industriais.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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CERCEAMENTO DE DEFESA. GLOSAS IMOTIVADAS. A indicação sucinta no termo de verificação fiscal das razões que conduziram o exator a efetuar as glosas, desautoriza a alegação de nulidade por cerceamento de defesa. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. CRÉDITOS. SERVIÇOS APLICADOS INDIRETAMENTE NA PRODUÇÃO. TRATAMENTO E TRANSPORTE DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição nãocumulativa em relação aos serviços de transporte e coprocessamento de RGC; transporte e processamento de borra de alumínio e refratário; beneficiamento de banho eletrolítico e transporte de rejeitos industriais; por integrarem o custo de produção do produto destinado à venda (alumínio). CRÉDITOS. MATERIAIS REFRATÁRIOS E SERVIÇOS CONEXOS. Tratandose de gasto passível de ativação obrigatória, é incabível a tomada de crédito diretamente sobre o custo de aquisição do material ou do serviço. ÔNUS DA PROVA. Nos processos de pedidos de ressarcimento de créditos, cabe ao contribuinte o ônus da prova do direito oposto à Administração Tributária. Recurso provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 22 61 /2 00 9- 85 Fl. 2521DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas sobre transporte e coprocessamento de RGC; transporte e processamento de borra de alumínio e refratário; beneficiamento de banho eletrolítico e transporte de rejeitos industriais. Vencido o Conselheiro Jorge Freire quanto aos serviços de transporte de rejeitos industriais. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de créditos da não cumulatividade, relativo ao 1ª Trimestre de 2007, cumulado com declarações de compensação. A autoridade administrativa glosou parte do crédito e homologou parcialmente as compensações declaradas, sob os seguintes fundamentos (fls. 376), in verbis: "(...) 09) CREDITO DECORRENTE DE COMPRA INSUMOS (Outros) OBJETO DE GLOSA: Foram glosadas as notas fiscais referente a refratários, posto que os mesmos não se caracterizam como gastos de manutenção de consumo rápido, visto que é substituído a intervalos superiores a 1900 dias, conforme laudo fornecido pela empresa em anexo, a relação das notas fiscais objeto da glosa estão em anexo. Foram glosados também os gastos de transportes referentes a refratários, uma vez que esses não são considerados como insumos já exposto acima. 10) CRÉDITO DECORRENTE DE COMPRA INSUMOS (OUTROS PARTES E PEÇAS): Foram glosadas as notas fiscais referente a peças de reposição por se tratarem de produtos não utilizados nas máquinas e equipamentos, para a fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, estando assim, em desacordo com o disposto no inciso II, do art. 3º da Lei n° 10.637/2002, Lei nº 10.685 de 2004 e IN SRF nº 404/2004. 11) CRÉDITOS DECORRENTES SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS OBJETO DE GLOSA: Art. 8º § 4º , inciso II da IN SRF n° 404/ 2004 as notas fiscais referente a esse serviços, objeto da relação em anexo, foram glosados, tendo em vista não ter sido aceitas por esta fiscalização como bens e ou serviços aplicados ou consumidos na prestação de serviços; 12) CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS/ENCARGOS OBJETO DE GLOSA: Estas glosas estão demonstradas nas planilhas em anexo denominada: Fl. 2522DF CARF MF Processo nº 10280.722261/200985 Acórdão n.º 3402003.866 S3C4T2 Fl. 3 3 Relação Notas Fiscais de Bens glosados do Ativo Imobilizado para Utilização na Fabricação de Produtos Destinados a Venda ou na Prestação de Serviços 2004, 2005, 2006 e 2007; Demonstrativo Ativo Imobilizado maio/2004 a dez/2005,(1/48 avos); Demonstrativo Ativo Imobilizado de jan/2006 a dez/2006 e jan/2007 a dez/2007, (1/12 avos); Memória de cálculo da Depreciação (Base do Ativo Imobilizado), janeiro/ 2007, fevereiro/2007 e março/2007, elaborados por esta fiscalização, para se obter os créditos decorrentes de depreciação acelerada incentivada e os que foram objeto de glosa, por se tratarem de produtos não alcançados pelo disposto no art. 1º , § 2º, I, da IN 457/04, LEI n° 11.196/2005, Dec. N° 5.789/2006 e Dec. 5.988/2006, como também as edificações e instalações, que se referem a produtos só abrangidos para a apuração do crédito, a partir de janeiro de 2007, conforme disposto no art. 6º da Lei 11.488/2007, acelerada incentivada (2 anos) 1/24 avos por mês. (...)" Em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte contestou as glosas efetuadas, argumentando com o conceito amplo de insumo e com o fato de que todos os itens glosados foram aplicados em seu processo produtivo. A DRJ em Belém PA indeferiu a manifestação de inconformidade, em julgado que recebeu a seguinte ementa: "PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972. PIS/PASEP NÃOCUMULATIVo. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo do PIS NãoCumulativa somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica Fl. 2523DF CARF MF 4 domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na nãocumulatividade da COFINS, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda. Direito creditório não reconhecido." Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 03/11/2011 (fl. 691), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 02/12/2011, no qual, basicamente, reprisou as alegações de impugnação e contestou pontos específicos do acórdão recorrido. Por meio da Resolução nº 3402000.493 (fls. 799/812) o julgamento foi convertido em diligência à repartição fiscal de origem nos seguintes termos: "(...) Retornando aos autos, para uma decisão justa e precisa, necessito que a Unidade de Origem emita um parecer conclusivo acerca da relação de inerência entre os dispêndios realizados a título de transporte e coprocessamento de rejeito gasto de cubas – RGC, de beneficiamento de banho eletrolítico, de processamento de borra de alumínio e refratários e o transporte de rejeitos industriais, e a realização da produção industrial do recorrente em face da eventual inexistência desses gastos. Necessito, outrossim, que sejam identificas as máquinas, os equipamentos e as edificações do parque industrial do recorrente e seus os respectivos custos. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. (...)" O processo retornou com o termo de diligência de fls. 2048/2049. Por entender que a diligência não havia sido cumprida na íntegra, o colegiado solicitou nova diligência para complementar a anterior (fls. 2055/2056), nos seguintes termos: "(...) Entendo que a diligência não foi cumprida pela Unidade de Origem. Assim sendo remeto novamente os autos para que seja emitido um parecer conclusivo acerca da relação de inerência entre os dispêndios realizados a título de transporte e coprocessamento de rejeito gasto de cubas – RGC, de beneficiamento de banho eletrolítico, de processamento de borra de alumínio e refratários e o transporte de rejeitos industriais, e a realização da produção industrial do recorrente em face da eventual inexistência desses gastos. Nesse parecer conclusivo deve constar a identificação das máquinas, equipamentos e edificações do parque industrial da recorrente e seus respectivos custos. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. Fl. 2524DF CARF MF Processo nº 10280.722261/200985 Acórdão n.º 3402003.866 S3C4T2 Fl. 4 5 Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (...)" O processo retornou com o termo de diligência de fls. 2424/2425, com ciência do contribuinte para apresentar manifestação em 10/03/2015. Transcorrido in albis o prazo para manifestação do contribuinte, o processo retornou ao CARF e foi sorteado a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, merece ser conhecido por este colegiado. Neste processo não se trata da produção da alumina pelo método de Bayer, mas sim da produção do alumínio metálico pelo processo de redução eletrolítica da alumina (método de HallHeroult), e mais uma vez o colegiado está sendo conclamado a decidir sobre o conceito de insumo aplicável no âmbito das contribuições nãocumulativas. No que concerne ao alcance do termo "insumo" utilizado nas leis que instituíram o regime não cumulativo da contribuições ao PIS e à COFINS, a Administração Tributária adota o conceito de produto intermediário vigente para a legislação do IPI. No caso do IPI são considerados produtos intermediários aptos a gerarem créditos do imposto, apenas aqueles produtos que sofram desgaste, sejam consumidos, ou que sofram perda das propriedades físicas ou químicas em decorrência de ação direta do produto em fabricação (PN CST nº 65/79). A defesa, por seu turno, alegou de forma genérica que os itens glosados são indispensáveis ao seu processo produtivo, enquadrandose perfeitamente ao permissivo legal que dá direito ao crédito. A questão é polêmica, mas uma análise mais detida das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividades do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03). Fl. 2525DF CARF MF 6 Em relação ao IPI, o art. 49 do CTN estabelece que: “A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (...)”. E o art. 226 do RIPI/10 estabelece quais eventos dão direito ao crédito: “Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...)” (Grifei) A fim de delimitar o conceito de produto intermediário no âmbito do IPI, foi elaborado o Parecer Normativo CST nº 65/79, por meio do qual fixouse a interpretação de que, para o fim de gerar créditos de IPI, o produto intermediário deve se assemelhar à matéria prima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. Daí a necessidade de o produto intermediário, que não se incorpore ao produto final, ter que se desgastar ou sofrer alteração em suas propriedades físicas ou químicas em contato direto com o produto em fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Fl. 2526DF CARF MF Processo nº 10280.722261/200985 Acórdão n.º 3402003.866 S3C4T2 Fl. 5 7 Portanto, no âmbito do regime nãocumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições nãocumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos das contribuições não cumulativas, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/991. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. Portanto, ao contrário do alegado pela recorrente, não é todo e qualquer gasto que está apto a gerar créditos das contribuições nãocumulativas, mas apenas e tãosomente aqueles identificados com o custo de produção. Adotando como parâmetro a interpretação acima, passase à análise das glosas contestadas pelo contribuinte, na ordem em que foram apresentadas no recurso. SSEERRVVIIÇÇOOSS UUTTIILLIIZZAADDOOSS CCOOMMOO IINNSSUUMMOOSS:: TTRRAANNSSPPOORRTTEE EE CCOOPPRROOCCEESSSSAAMMEETTOO DDEE RRGGCC;; TTRRAANNSSPPOORRTTEE EE PPRROOCCEESSSSAAMMEENNTTOO DDEE BBOORRRRAA DDEE AALLUUMMÍÍNNIIOO;; BBEENNEEFFIICCIIAAMMEENNTTOO DDEE BBAANNHHOO EELLEETTRROOLLÍÍTTIICCOO;; TTRRAANNSSPPOORRTTEE DDEE RREEJJEEIITTOOSS IINNDDUUSSTTRRIIAAIISS.. A fiscalização glosou esses créditos por considerar que esses serviços não foram aplicados diretamente na produção. O termo de diligência (fls. 2424) expôs a tese fiscal com todas as letras, in verbis: "(...) 1 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). § 1º Nas aquisições de bens, cujo valor unitário esteja dentro do limite a que se refere este artigo, a exceção contida no mesmo não contempla a hipótese onde a atividade exercida exija utilização de um conjunto desses bens. § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 1º). Fl. 2527DF CARF MF 8 (...)" Por sua vez, o contribuinte, na diligência, esclareceu a relação de pertinência desses dispêndios com o seu processo produtivo (fls. 387 e ss. do processo nº10280.722246/200937 ), in verbis: "(...) (...)" Verificase que o óbice oposto pela fiscalização ao reconhecimento do crédito reside no fato desses gastos serem incorridos de forma indireta, alguns deles em etapa posterior à obtenção do alumínio. Essa questão já foi enfrentada pela antiga Turma 3403 no Acórdão nº 3403 001.958, no qual se discutia acerca dos custos incorridos com a remoção de rejeitos industriais resultantes da produção da alunina pelo método de Bayer, in verbis: "(...) Fl. 2528DF CARF MF Processo nº 10280.722261/200985 Acórdão n.º 3402003.866 S3C4T2 Fl. 6 9 Não há como se concordar com a tese da fiscalização, no sentido de que custos incorridos com itens que não contribuem para a obtenção da alumina não podem ser considerados como insumo. O fato de o gasto ocorrer com algo que “sai” da linha de produção ou mesmo de ser posterior à obtenção do produto final não significa que seja um gasto relativo a bem ou serviço que não contribuiu para a formação do bem ou serviço produzido ou que não foi “aplicado na linha de produção”. Além disso, deve ser lembrado que a lama não surge por geração espontânea no processo industrial. Esse resíduo surge porque a bauxita está dispersa no solo . E é o solo impregnado de bauxita e contaminado por outras substâncias que é umedecido com soda cáustica para formar a polpa que será cozida, decantada e filtrada. Portanto, de certo modo, a lama também “entra” na linha de produção para possibilitar a extração da alumina e depois “sai” durante o processo como resíduo industrial. É uma situação análoga à da soda cáustica. A soda “entra” na linha para formar a polpa e depois“sai”da linha sob a forma de rejeito misturada à lama. (...)" Mutatis mutandis, os dispêndios ora sob análise são uma consequência do processo produtivo da recorrente. A empresa precisa incorrer nesses gastos, sob pena de prejudicar o rendimento de seu processo produtivo e a qualidade do alumínio produzido. Com efeito, as respostas dadas ao quesito 1, acima transcritas, são plenamente compatíveis com à descrição do processo de eletrólise que consta à fl. 39, in verbis: Desse modo, é evidente que esse processo produtivo causa um desgaste nas cubas, as quais, precisam ser reformadas a cada cinco anos, conforme os esclarecimentos prestados pela empresa. Tais gastos decorrem do principal processo químico que dá origem ao produto final e oneram o custo de produção do alumínio, enquadrandose na disposição do art. 290, I, do RIR/99. Devem, portanto, gerar créditos das contribuições no regime não cumulativo, pois se enquadram na previsão do art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. MMAATTEERRIIAALL RREEFFRRAATTÁÁRRIIOO Fl. 2529DF CARF MF 10 Nas planilhas de fls. 127, 194/195 e 267/268 a fiscalização glosou o material refratário, basicamente constituído por tijolos refratários e argamassa refratária, bem como os serviços relacionados ao transporte e manutenção de refratários, sob o argumento de que se tratam de gastos ativáveis, uma vez que os refratários duram pelo menos 1.900 dias, conforme informação prestada pelo próprio contribuinte. Por seu turno, o contribuinte, basicamente, alegou que os refratários integram o custo de produção e que por tal motivo "optou" por tomar o crédito sobre o custo de aquisição. Conforme se verifica na fl. 41, o contribuinte informou o seguinte: "(...) (...)" Portanto, tratandose de gastos que beneficiam mais de um exercício social, eles devem ser obrigatoriamente ativados e o contribuinte só pode tomar o crédito sobre a respectiva despesa de depreciação a teor do art. 3º, § 1º, III, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Esses dispositivos legais e o art. 301 do RIR/99 não estabelecem nenhuma "opção" de ativar ou não ativar o bem ou de tomar o crédito sobre a despesa de depreciação ou sobre o custo de aquisição. Se o gasto beneficiar mais de um exercício social ele deverá ser obrigatoriamente ativado, e neste caso a base de cálculo do crédito da nãocumulatividade será a despesa de depreciação incorrida no mês e não o custo de aquisição. Sendo assim, encaminho meu voto no sentido de manter a glosa em relação a materiais refratários e serviços conexos nos moldes efetuados pela fiscalização. GGLLOOSSAA EEMM RREELLAAÇÇÃÃOO AA BBEENNSS DDOO AATTIIVVOO IIMMOOBBIILLIIZZAADDOO Nas planilhas de fls. 60/124, a fiscalização glosou os valores contabilizados no ativo imobilizado, sob as seguintes justificativas: "(...) Fl. 2530DF CARF MF Processo nº 10280.722261/200985 Acórdão n.º 3402003.866 S3C4T2 Fl. 7 11 (...) (...)" Essas planilhas revelam que, basicamente, foram quatro motivos que justificaram essas glosas a saber: a) os produtos discriminados nas notas fiscais não são abrangidos pelos Decretos nº 5.789/2006 e 5.988/2006 (Lei nº 11.196/2005); b) as edificações e instalações só dão direito à tomada do crédito sobre a depreciação acelerada a partir de junho de 2007 (art. 6º, da Lei nº 11.488/2007); c) os bens não se enquadram no art. 1º, § 2º, I da IN SRF nº 457/2004; e d) o próprio contribuinte informou que o item constante da nota fiscal "não se aplica" ao setor de produção. Esmiuçando a fundamentação adotada pela fiscalização verificase, pela leitura do Decreto nº 5.789/2006, que ele regulamentou o art. 16 da Lei nº 11.196/2005, a qual criou o Regime Especial de Bens de Capital para Empresas Exportadoras RECAP. A fiscalização disse que os bens constantes da planilha de glosa não foram contemplados pelo referido decreto e, portanto, não dão direito ao desconto de créditos no prazo de 12 meses (1/12 avos sobre o custo de aquisição), previsto no art. 3º do Decreto nº 5.988/2006 (art. 31 da Lei nº 11.196/2005). Fl. 2531DF CARF MF 12 Já o art. 6º, da Lei nº 11.488/2007 prevê o direito à apropriação de créditos sobre a depreciação acelerada em 24 meses, em relação a edificações incorporadas ao ativo imobilizado, para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Esse dispositivo legal só teve eficácia a partir de janeiro de 2007, conforme prevê o § 5º do seu art. 6º. Na planilha em questão, a fiscalização glosou os créditos tomados antes de janeiro de 2007, por falta de previsão legal, já que o próprio art. 6º fixou que o direito só poderia ser exercido a partir de janeiro de 2007. Relativamente ao art. 1º, § 2º, I da IN SRF nº 457/2004, ele regulamentou o art. 3º, §§ 14 e 16 da Lei nº 10.833/2003, que versa sobre o direito de o contribuinte optar pelo cálculo de créditos sobre 1/48 (um quarenta e oito avos) do custo de aquisição do bem, em lugar do crédito sobre a despesa de depreciação, em relação a máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado para emprego na produção de bens e serviços a serem vendidos. A fiscalização glosou os valores relativos aos bens que não atendiam à exigência legal de serem empregados na produção de bens e serviços destinados à venda. Por fim, a indicação "não se aplica" constante das planilhas, revela que o próprio contribuinte considerou que o item não é aplicável à produção e, portanto, não é apto a gerar créditos da nãocumulatividade. No recurso voluntário, uma das alegações do contribuinte foi de cerceamento de defesa por ausência de motivação, pois a fiscalização não teria declinado de forma individualizada o porquê de cada uma das glosas. O exame acima efetuado das planilhas de glosa revela que a fiscalização apresentou a motivação da glosa nas próprias planilhas, ainda que de forma sucinta, o que não acarretou cerceamento de defesa, mesmo porque a descrição dos itens dessas planilhas revela que muitos deles não guardam nenhuma relação de pertinência com o processo produtivo do alumínio, a exemplo dos seguintes itens: trava elétrica p/ 04 portas veículo; impressora deskjet 3845; poltrona diretor sobre longarina 03 lugares; armário alto 2 portas fech c/tampa; cortador de grama elétrico Trapp; trator de cortar grama Trapp; aparelho condicionador de ar Split; soleira em granito verde Ubatuba; mesa de centro em MDF; poltrona 1 lugar com estrutura de madeira, etc. Desse modo, essas glosas devem ser mantidas, pois estando os itens descritos e as glosas motivadas, o contribuinte poderia ter apresentado defesa específica em relação aos itens em relação aos quais julga possuir direito ao crédito. Não se olvide que em se tratando de processo de ressarcimento de créditos, cuja iniciativa pertence ao contribuinte, cabe a ele o ônus da prova da certeza e da liquidez dos valores vinculados às compensações declaradas, a teor do que estabelece o art. 373, I, do Novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Contudo, apesar de as glosas estarem perfeitamente motivadas e os itens identificados nas planilhas, o conselheiro que me antecedeu na relatoria deste processo entendeu que era necessário baixar o processo em diligência para que a fiscalização identificasse o item do ativo imobilizado com o respectivo custo. Considero essa providência totalmente desnecessária para o deslinde desta questão, pois o item glosado, a nota fiscal, e a conta contábil, já estão perfeitamente Fl. 2532DF CARF MF Processo nº 10280.722261/200985 Acórdão n.º 3402003.866 S3C4T2 Fl. 8 13 identificados nas planilhas de fls. 60/124. Assim, por exclusão, os valores utilizados nos cálculos dos créditos à razão de 1/48 avos e 1/12 avos das planilhas de fls. 125/129, se referem aos bens do imobilizado em relação aos quais não houve controvérsia sobre o direito ao crédito. E, se não há controvérsia sobre o direito em relação a tais bens, não é totalmente desnecessária a providência solicitada na diligência. Com esses fundamentos, encaminho meu voto no sentido de manter as glosas relativas aos créditos tomados sobre bens do ativo imobilizado. CCRRÉÉDDIITTOOSS DDEECCOORRRREENNTTEESS DDEE PPAARRTTEESS EE PPEEÇÇAASS DDEE RREEPPOOSSIIÇÇÃÃOO MMÁÁQQUUIINNAASS EEMMPPRREEGGAADDAASS NNAA PPRROODDUUÇÇÃÃOO Nas planilhas de fls. 139/146, a fiscalização glosou os mais variados itens que a empresa classificou como partes e peças de reposição de máquinas empregadas diretamente na produção, sob o argumento e que tais itens não são aplicados nas máquinas empregadas na produção da empresa. Em sua defesa, o contribuinte argumentou com o conceito amplo de insumo e contestou a aplicação das soluções de divergência da Cosit invocadas pela fiscalização. Não tem razão o contribuinte. O exame dos itens glosados pelo fisco sob esta rubrica revelam que vários deles, manifestamente, não se enquadram como partes e peças de reposição de máquinas empregadas na produção do alumínio, como por exemplo: saco de coleta de lixo e conjunto de bacia sanitária (fl. 142); rolo para pintura (fl. 139); e giz branco (fl. 137); Kit Dimitri Masculino, Kit Connexion Masculino, Kit EGEO Masculino, Kit Colonia Connexion + gel para banho Malbee (fls. 140). A contabilização dos itens acima como "partes e peças de reposição de máquinas empregadas na produção" revela a negligência da recorrente em estabelecer critérios para a tomada de seus créditos, o que desqualifica por completo os demais itens enquadrados nessa rubrica como aptos a gerarem créditos das contribuições. Conforme já foi dito alhures, tratandose de processo de pedido de ressarcimento de créditos, incide a regra de distribuição do ônus da prova estabelecida no art. 373, I, do Novo CPC, cabendo ao contribuinte o ônus da prova de que os itens glosados sob esta rubrica são partes e peças de máquinas empregadas na produção e que essas partes e peças não são de ativação obrigatória, hipótese em que o crédito só pode ser tomado sob a despesa de depreciação. Tendo em vista que nos recursos apresentados neste processo a defesa se limitou a apresentar alegações de direito, sem apresentar nenhuma prova de que os itens glosados se enquadram no permissivo legal que autoriza a tomada de crédito, a glosa deve ser mantida nos moldes efetuados pela fiscalização. Por fim, o contribuinte se insurgiu contra a não consideração de decisões judiciais e administrativas sobre as matérias discutidas no recurso. Não tem razão o contribuinte. As decisões judiciais colacionadas não são vinculantes para este colegiado porque não foram proferidas com base no art. 543 do CPC. Já as decisões administrativas, também não vinculam este colegiado, pois a teor do art. 62 do Fl. 2533DF CARF MF 14 Regimento, o CARF só está vinculado à observância de normas de hierarquia igual ou superior a decreto. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas sobre transporte e coprocessamento de RGC; transporte e processamento de borra de alumínio e refratário; beneficiamento de banho eletrolítico e transporte de rejeitos industriais. A fim de que se evitem embargos de declaração, já esclareço que o "transporte e processamento de borra de alumínio e refratário" é coisa totalmente distinta da glosa mantida em relação materiais refratários e serviços conexos. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 2534DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.001028/2004-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade local da RFB: (a) intime a recorrente a apresentar os livros e balancetes de 2003 à fiscalização, em trinta dias, sob pena de não aceitação das exclusões registradas na planilha por ela elaborada (fl. 416), e promova a análise da planilha à luz dos livros e balancetes eventualmente apresentados; e (b) explique a razão da diferença de critério utilizado para as exclusões, nos diferentes anos, ou corrija a planilha de fls. 771/772.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1410; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 797 1 796 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.001028/200486 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.167 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 28 de abril de 2017 Assunto AI COFINS Recorrente UNIMED ALFENAS COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade local da RFB: (a) intime a recorrente a apresentar os livros e balancetes de 2003 à fiscalização, em trinta dias, sob pena de não aceitação das exclusões registradas na planilha por ela elaborada (fl. 416), e promova a análise da planilha à luz dos livros e balancetes eventualmente apresentados; e (b) explique a razão da diferença de critério utilizado para as exclusões, nos diferentes anos, ou corrija a planilha de fls. 771/772. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 60 .0 01 02 8/ 20 04 -8 6 Fl. 797DF CARF MF Processo nº 10660.001028/200486 Resolução nº 3401001.167 S3C4T1 Fl. 798 2 Relatório Versa o presente sobre auto de infração lavrado para exigência de COFINS (fls. 8 a 14)1, no valor original de R$ 441.846,37, acrescido de juros de mora e multa de ofício (75 %), para os fatos geradores de 30/11/1999 a 30/12/2003, por falta/insuficiência de recolhimento, conforme detalhado em Termo de Verificação Fiscal (TVF). No TVF de fls. 13/14, narra a fiscalização que; (a) a empresa impetrou mandado de segurança na 11ª Vara da Seção Judiciária de Minas Gerais (no 1999.38.00.0388868, com cópias de peças/consultas às fls. 70 a 142), insurgindose contra a MP no 1.858/1999, que instituiu, a partir de novembro de 1999, a COFINS sobre todas as receitas auferidas pelas sociedades cooperativas, visto que até então a incidência ocorria somente sobre as receitas com terceiros não cooperados, e demandando liminarmente a suspensão da exigibilidade da COFINS sobre atos cooperativos próprios e a concessão da segurança para, a partir de novembro de 1999, não efetuar o recolhimento da COFINS; (b) a RFB foi comunicada em 01/02/2000 sobre o deferimento da liminar, tendo o TRF1 negado provimento ao recurso de apelação da impetrante, e dado provimento ao recurso de apelação da União, havendo registro de embargos de declaração posteriores; e (c) não havendo óbice à constituição do crédito, foi lavrada a autuação, dentro das regras que estabelece a referida MP no 1.858/1999, conforme demonstrativos de fls. 55 a 64, e 65 a 69. Ciente da autuação em 25/06/2004 (fl. 9), a empresa apresentou impugnação em 27/07/2004 (fls. 145 a 168), na qual alegou, em síntese, que: (a) a empresa é uma cooperativa e sempre esteve isenta de recolhimento da COFINS sobre o resultado de seus atos cooperados, conforme artigo 6o, I da Lei Complementar no 70/1991, em atendimento à exigência constitucional do artigo 146, III, “c” da CF/1988; (b) a MP no 1.858/1999 (que culminou na MP no 2.15835/2001) vem na contramão desse raciocínio, revogando irregularmente (conforme entende o STJ) o citado artigo 6o, I da lei complementar, e remetendo o tratamento à Lei no 9.718/1998, como um “desincentivo” ao cooperativismo; (c) inferese, pelos valores lançados, e pela ausência de indicação no enquadramento legal da autuação, que não foi observado o § 9o do artigo 3o da Lei no 9.718/1998, com a redação dada pela MP no 2.15835/2001, que permite deduções na base de cálculo da contribuição a partir de 01/12/2001, nem o disposto na MP no 101/2002, convertida na Lei no 10.676/2003, que retroagiu a 1999 para permitir deduções relativas ao Fundo de Reserva e ao FATES (Fundo de Assistência Técnica Educacional e Social), demandandose perícia para verificar se houve efetivamente a aplicação de tais dispositivos; e (d) a Taxa SELIC não é idônea para o cálculo de juros de mora. Pede a empresa, por fim, a suspensão do julgamento administrativo até o trânsito em julgado da ação judicial, o reconhecimento da ilegalidade da exigência de COFINS sobre atos cooperativos, e a nulidade da autuação, por não empregar as deduções legalmente previstas e utilizar a Taxa SELIC. Em 09/08/2007, ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 219 a 222), no qual a DRJ decide, unanimemente, pela procedência do lançamento, sob os seguintes fundamentos: (a) não há previsão para suspensão do processo administrativo até o encerramento da ação judicial; (b) não se configurou nenhuma das razões de nulidade legalmente estabelecidas, no que se refere à autuação; (c) descabe a realização de perícia, não havendo pontos duvidosos a elucidar que requeiram conhecimentos especializados; (d) o processo judicial versa sobre o mesmo objeto do lançamento, não cabendo apreciação 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 798DF CARF MF Processo nº 10660.001028/200486 Resolução nº 3401001.167 S3C4T1 Fl. 799 3 administrativa de mérito, em face da concomitância de objeto com a ação judicial; (e) os valores lançados foram demonstrados pela fiscalização, e se a empresa entende algum valor como indevido, deve apontar objetivamente qual o erro, e não demandar genericamente revisão integral em perícia; e (f) os juros de mora foram calculados conforme a legislação vigente, e não compete ao julgador administrativo se pronunciar sobre constitucionalidade de leis. Cientificada da decisão de piso em 23/08/2007 (AR à fl. 233), a empresa interpôs recurso voluntário (fls. 234 a 266), em 21/09/2007, basicamente reiterando os argumentos apresentados em sede de impugnação (que os atos cooperativos não estão sujeitos à incidência de COFINS, que não foram observados os comandos legais que estabelecem deduções, demandando nova perícia, e que a Taxa SELIC é inaplicável a título de juros de mora), acrescentando que: (a) diante da impossibilidade de juntar com sua impugnação todos os seus livros contábeis e DCTF, a recorrente optou por requerer a realização de perícia contábil; (b) diante da existência de ação judicial, a autuação sequer deveria ter sido lavrada, e o processo administrativo discute também as deduções; e (c) é necessário e possível que o julgador administrativo analise questões relacionadas à constitucionalidade e à legalidade. Em 09/07/2009, o julgamento foi unanimemente convertido em diligência, no CARF, por meio da Resolução no 340200.012 (fls. 329 a 332), demandandose à unidade local da RFB que verificasse se as deduções previstas no § 9o do artigo 3o da Lei no 9.718/1998, e na MP no 101/2002, convertida na Lei no 10.676/2003, foram consideradas no lançamento, observandose, no período, se a contribuinte era operadora de plano de saúde; e, se pertinentes as deduções, elaborasse demonstrativo de cálculo e relatório conclusivo acerca dos valores que deveriam ser deduzidos e, porventura, não foram considerados. No Relatório de Diligência Fiscal de fls. 385 a 387, a fiscalização informa que: (a) a empresa foi intimada a apresentar planilhas demonstrando as bases de cálculo relativas à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS e respectivas deduções previstas em lei, de forma a demonstrar o direito a tais deduções, conforme alegado no recurso voluntário, mas a intimação não foi atendida; (b) após reintimação, a empresa apresentou planilhas de apuração das contribuições, e extrato que demonstra ser operadora de plano de saúde; (c) após diligência contábil nos documentos postos à disposição, em 06/12/2011, foram apresentadas novas planilhas, mais detalhadas, de acordo com a interpretação dada pela autuada ao § 9o do artigo 3o da Lei no 9.718/1998, deduzindo das bases de cálculo das contribuições a totalidade dos custos com serviços médicos e hospitalares (tanto a título de transferência de responsabilidade quanto a todos os eventos ocorridos, ou seja, todas as despesas com serviços prestados e não somente gastos referentes a conveniados de outras operadoras; (d) considerando que as contribuições incidem sobre o faturamento, e não sobre o resultado, e que o disposto no referido § 9o não autoriza as operadoras de planos de saúde a deduzirem da base de cálculo todos os valores dos custos operacionais incorridos, concluise que a recorrente não demonstrou e comprovou no curso dos trabalhos da presente diligência as deduções a que teria direito conforme alegações apresentadas no recurso voluntário. Ciente do resultado da diligência em 05/01/2012 (fl. 387), a recorrente apresentou a manifestação de fls. 388 a 394, em 10/02/2012, alegando que: (a) a fiscalização limitou sua análise ao inciso III do § 9o do artigo 3o da Lei no 9.718/1998; (b) as deduções foram demonstradas e estão em total conformidade com os argumentos expostos no recurso voluntário; e (c) devem, além das deduções previstas no § 9o do artigo 3o da Lei no 9.718/1998, e na MP no 101/2002, convertida na Lei no 10.676/2003, ser excluídas da base de cálculo das Fl. 799DF CARF MF Processo nº 10660.001028/200486 Resolução nº 3401001.167 S3C4T1 Fl. 800 4 contribuições as receitas financeiras, com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/1998. Por meio da Resolução no 3401000.828 (fls. 399 a 402), converteuse novamente o julgamento em diligência, de forma unânime, para, tendo em vista o advento da inclusão do § 9o–A, interpretativo/declaratório, ao artigo 3o da Lei no 9.718/1998, a unidade local da RFB (a) informasse se seriam pertinentes deduções indicadas pela recorrente, eventualmente, em caso positivo, elaborando demonstrativo de cálculo e relatório conclusivo acerca dos valores que deveriam ser deduzidos, e não tenham sido considerados, mês a mês; e (b) verificasse se foram consideradas exclusões previstas nos incisos I e II do § 9o do artigo 3o da Lei no 9.718/1998. No Relatório de Diligência Fiscal de fls. 773 a 777, a fiscalização afirma que: (a) após cotejamento dos valores e registros dos balancetes e livros razão, os valores mensais de receitas, eventos ocorridos, efetivamente pagos, e o total das exclusões de deduções, foram transportados para a planilha resumo, em conformidade com a planilha apresentada pela recorrente, exceto a coluna “exclusões das deduções” que se referem a valores de pagamentos efetuados aos seus médicos e às empresas credenciadas por atendimentos de operações de intercâmbio ou por beneficiários atendidos de outras operadoras; e (b) quanto às deduções referentes ao período de 01/2003 a 12/2003, não houve apresentação de livros e balancetes pela empresa, não sendo possível a apuração, tendo sido consideradas apenas as receitas. Cientificada do resultado da segunda diligência em 31/03/2016 (fl. 778), a recorrente apresentou a manifestação de fls. 779 a 789, em 03/06/2016, defendendo: (a) a nulidade da autuação por vício material, pelo reconhecimento, pela própria fiscalização, de que houve erro na apuração dos créditos constituídos; (b) a fiscalização não considerou, no período de 01/2003 a 12/2003, os valores correspondentes às indenizações relativas a eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades, sob o argumento de que a empresa não teria apresentados livros contábeis e balancetes do período, mas todos os livros contábeis foram apresentados e analisados no estabelecimento da empresa, e a fiscalização deduziu da base de cálculo os valores que entendeu pertinentes, mas acrescentou novamente na base de cálculo as receitas de transferência de responsabilidade como recuperação de custos, considerando equivocadamente que os valores recuperados pelo atendimento a beneficiários de outras operadoras representavam nova receita; e (c) novamente, a fiscalização não apresentou demonstrativo de cálculo e relatório conclusivo com os valores que teriam que ser deduzidos da base de cálculo da contribuição e que não foram considerados, bem como planilha mês a mês com as rubricas contábeis que formaram a base de cálculo, conforme demandado na diligência. Requer, por fim, caso não seja declarada a nulidade da autuação, que se promova nova diligência, para que a fiscalização aponte, de forma pormenorizada, as exclusões realizadas na base de cálculo da contribuição, e caso não seja acatada a demanda por diligência, o cancelamento do lançamento, vez que se está a exigir tributo sobre base de cálculo indevida. Em 23/06/2016 o processo foi a mim distribuído, não tendo sido indicado para pauta nos meses novembro e dezembro de 2016, por estarem as sessões suspensas por determinação do CARF. O processo, derradeiramente, não foi indicado para o mês de janeiro de 2017, por ser a pauta mera reprodução da referente ao mês de outubro de 2016, que também teve a sessão suspensa por determinação do CARF. E foi indicado para as pautas de fevereiro e março de 2017, mas não incluído, pelo presidente, em função do volume de processos a julgar. Fl. 800DF CARF MF Processo nº 10660.001028/200486 Resolução nº 3401001.167 S3C4T1 Fl. 801 5 É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário já foram analisados na conversão em diligência, passandose, aqui, de imediato, à análise de mérito. Cabe, de início, destacar que a apreciação será restrita à questão referente às deduções legalmente admitidas no cálculo da COFINS, tendo em vista a proposta de diligência restrita ao tema, havendo elementos suficientes, nos autos, para manifestação do colegiado sobre as demais questões que remanescem contenciosas. Das deduções legalmente admitidas no cálculo da COFINS Reclama a recorrente, ainda em sua peça inaugural de defesa, que, na autuação, não foram tomadas em conta, no cálculo da COFINS, as deduções previstas no § 9o do artigo 3o da Lei no 9.718/1998, com a redação dada pela MP no 2.15835/2001, e na MP no 101/2002, convertida na Lei no 10.676/2003. Mas sequer indicou a defesa exatamente a quais deduções fazia jus, ou em que montante, limitandose a demandar perícia para tal. A perícia foi rechaçada pelo julgador de piso, justamente sob o argumento de que “o contribuinte não pode se eximir do ônus da prova mediante solicitação de perícia” (fl. 221), e que “a perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela mera juntada de documentos” (ainda à fl. 221). No recurso voluntário, a empresa afirma que os documentos que comprovariam que não foram tomadas em conta as deduções seriam todos os seus livros contábeis e DCTF, que estavam à disposição do fisco. Nas palavras da recorrente (fls. 237/238): Fl. 801DF CARF MF Processo nº 10660.001028/200486 Resolução nº 3401001.167 S3C4T1 Fl. 802 6 Novamente, na pela recursal, nenhum vestígio sequer de um exemplo de dedução indevidamente ignorada pelo fisco, mas simples demanda por nova perícia. De certa forma, o pedido foi acolhido, na forma de diligência, determinada pela Resolução no 340200.012, para que a unidade local da RFB verificasse se as deduções alegadas pela defesa foram consideradas no lançamento. A fiscalização, dando início ao procedimento de diligência, intimou a empresa (fl. 340), em 18/08/2011, a apresentar planilha demonstrativa das bases de cálculo e deduções: Não atendida a intimação, a empresa foi reintimada, em 31/10/2011 (fls 342 a 344), apresentando, como resposta, em 21/11/2011, cópia de registro como operadora de plano de saúde (fl. 350), tabela indicando contas contábeis (fls. 346/349 e 366/372), e resumo das memórias de cálculo das contribuições (fl. 365), informando estarem os livros fiscais do período disponíveis para conferência. Diante do dilema entre a alegação fiscal de que a empresa não demonstrou e comprovou, no curso dos trabalhos da diligência, as deduções a que teria direito conforme alegações apresentadas no recurso voluntário, tendo deduzido a totalidade dos custos com serviços médicos e hospitalares (fls. 386/387) e a afirmação da recorrente de que as deduções foram demonstradas e estão em total conformidade com os argumentos expostos no recurso voluntário (fl. 389), e diante do advento de norma interpretativa (o § 9o–A, acrescido ao artigo 3o da Lei no 9.718/1998), o CARF determinou nova diligência, para que unidade local verificasse se haviam sido consideradas todas as deduções do o § 9o, já à luz da alteração normativa de caráter interpretativo. Fazemos aqui uma pausa na narração, para revelar que, na manifestação referente à primeira diligência, não entendemos como relevantes ao contencioso as alegações referentes a deduções tidas como não analisadas pela fiscalização (que acabaram sendo objeto da segunda diligência também), pois derivam da própria documentação apresentada pela empresa, e as que versam sobre receitas financeiras, que são objeto da discussão judicial sobre o conceito de faturamento, e igualmente não foram especificamente relacionadas pela empresa, a fim de que pudessem ser apartadas (ou até identificadas) nos montantes autuados. E aproveitamos a pausa para traçar um panorama sobre as alterações promovidas no tema originalmente tratado no § 9o do artigo 3o da Lei no 9.718/1998, que hoje já conta, inclusive, com um § 9oB: “§ 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I coresponsabilidades cedidas; Fl. 802DF CARF MF Processo nº 10660.001028/200486 Resolução nº 3401001.167 S3C4T1 Fl. 803 7 II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9oentendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) § 9oB. Para efeitos de interpretação do caput, não são considerados receita bruta das administradoras de benefícios os valores devidos a outras operadoras de planos de assistência à saúde.” Em verdade, se bem interpretado o § 9o do artigo 3o da Lei no 9.718/1998, desnecessárias seriam as inclusões dos §§ 9o–A e 9o–B, que somente aclararam o conteúdo de seu texto. Mas não se pode confundir, como faz a recorrente, uma interpretação incorreta do dispositivo legal com uma causa de nulidade da autuação. Se a autuação é incorreta em relação a determinado item (v.g., acolhimento a menor de deduções), em relação a tal item deve ser, no mérito, afastada, e não simplesmente anulada. A prosperar a argumentação da recorrente, de que incorreções na base de cálculo ensejariam nulidade da autuação, parece que não haveria mais espaço para manutenção parcial de lançamentos neste tribunal administrativo. Assim, se a fiscalização não tomou em conta deduções que seriam devidas, por interpretar de forma demasiadamente restritiva o citado § 9o, (em autuação lavrada antes da edição do esclarecedor § 9o–A, interpretativo), ou mesmo por carência probatória, a segunda diligência tinha a missão de esclarecer a questão, e explicar e/ou afastar ainda a alegação de que a fiscalização somente teria analisado as deduções do inciso III do referido § 9o. Os trabalhos referentes à segunda diligência, como se narra no respectivo relatório (fl. 773), foram de checagem, mês a mês, por rubrica contábil, dos valores lançados na planilha elaborada pela própria recorrente (fls. 412 a 424), mediante cotejamento com os registros de balancete dos livros diário ou razão. Os valores das receitas foram confirmados. Em relação às deduções, a fiscalização informou que não foram acolhidas as relativas ao período de 01/2003 a 12/2003, por negativa da recorrente em apresentar os livros contábeis e balancetes do ano de 2003 durante os procedimentos de diligência. As deduções acolhidas são perceptíveis na planilha de fls. 771/772, nas quais o fisco destaca os valores pleiteados a título de deduções e os acolhidos, mês a mês, por tipo de dedução, adicionando colunas à própria planilha elaborada pela recorrente. Sobre o resultado de tal diligência a recorrente, além de defender a nulidade da autuação, por erro na base de cálculo (aqui já rechaçada), sustenta que apresentou os livros de 2003, que foram analisados no estabelecimento da empresa, e que a fiscalização deduziu da base de cálculo os valores que entendeu pertinentes, mas acrescentou novamente na base de cálculo as receitas de transferência de responsabilidade como recuperação de custos, considerando equivocadamente que os valores recuperados pelo atendimento a beneficiários de Fl. 803DF CARF MF Processo nº 10660.001028/200486 Resolução nº 3401001.167 S3C4T1 Fl. 804 8 outras operadoras representavam nova receita, e que a fiscalização não teria apresentado demonstrativo, mês a mês, com as rubricas que formam a base de cálculo. A ausência ou não de apresentação dos livros e balancetes de 2003 consta apenas das alegações da fiscalização e da empresa, não restando registrada em nenhum documento durante o período de realização da diligência anexado aos autos. Na documentação apresentada pela empresa, no curso da diligência, esta inclusive se dispôs a entregar os livros à RFB, em 06/04/2015 (fl. 410): E a planilha elaborada pela empresa, de 11/1999 a 12/2003 (fl. 416, com tabelas e explicações às fls. 412 a 415 e 417 a 424), somente apresenta deduções em relação a “eventos ocorridos efetivamente pagos” (inciso III do § 9o do artigo 3o da Lei no 9.718/1998), à exceção dos meses de janeiro a maio de 2003, nos quais há dedução de R$ 894,74 a título de “provisões técnicas”. Não socorre, então, a recorrente, o argumento de que a fiscalização teria ignorado outras deduções, visto que a fiscalização analisou exatamente as deduções pleiteadas pela empresa. E nem o de que a fiscalização não elaborou planilha, mês a mês, discriminando as deduções acolhidas, porque a fiscalização o fez, às fls. 771/772, exatamente a partir da planilha elaborada pela própria recorrente, sendo fácil perceber o que não foi acatado, mediante simples cotejamento com as memórias de cálculo apresentadas pela própria empresa. Vejase o mês de novembro/1999, no qual a única dedução indicada na planilha da empresa (fl. 416) se refere a “eventos ocorridos efetivamente pagos”, no valor de R$ 98.529,85, assim discriminados (fl. 417): Na planilha de lavra da fiscalização, percebese que foram excluídos das deduções R$ 10.643,67, não sendo difícil concluir que a exclusão se refere a “Intercâmbio Unimeds”, especificado à fl. 417 como: Fl. 804DF CARF MF Processo nº 10660.001028/200486 Resolução nº 3401001.167 S3C4T1 Fl. 805 9 Entendeu, então, a fiscalização, que o pagamento de faturas emitidas pelas outras Unimed, referentes a atendimento aos usuários da recorrente, nas cidades destas outras Unimed, não seria passível de dedução como “eventos ocorridos efetivamente pagos”. A mesma rubrica “Intercâmbio Unimeds” foi excluída nos mês de dezembro/1999. Em janeiro de 2000, no entanto, a autoridade diligenciante excluiu das deduções R$ 129.137,02, montante que se referia a contraprestação pecuniária, como se percebe na planilha de fl. 418 (e supera o valor total de deduções indicado pela recorrente, de R$ 102.430,00): Adotasse a fiscalização o mesmo procedimento levado a cabo em novembro e dezembro de 1999, o valor a ser excluído da dedução seria de R$ 32.067,42. No entanto, a quantia que a fiscalização excluiu (R$ 129.137,02) se refere a “contraprestações pecuniárias” “Intercâmbio entre Unimeds”, especificado (fl. 419) como: Assim, a exclusão da dedução, em janeiro/2000 se deu sobre receitas com atendimentos pela recorrente de usuários de outras Unimed. E o mesmo procedimento se repetiu em todos os demais meses do ano 2000. Ao que tudo indica, houve equívoco da autoridade diligenciante, ao não adotar critério uniforme na análise dos dados fornecidos pela recorrente. Nos anos de 2001 e 2002, as memórias de cálculo apresentadas pela empresa já não são tão detalhadas, como se percebe à fl. 420, v.g., no mês de janeiro de 2001: Fl. 805DF CARF MF Processo nº 10660.001028/200486 Resolução nº 3401001.167 S3C4T1 Fl. 806 10 Vejase que em tal mês, a autoridade diligenciante exclui das deduções o valor de R$ 98.770,72, que corresponde exatamente a “outras receitas operacionais”, que, segundo a empresa, seriam (fl. 420): Novamente, a autoridade diligenciante exclui das deduções receitas com atendimentos pela recorrente de usuários de outras Unimed, ratificando o critério utilizado em 2000. Tal procedimento foi adotado ao longo de todos os meses de 2001 e de 2002. E, no ano de 2003, a autoridade diligenciante, mesmo tendo aceitado sem ressalva todos os valores registrados nas planilhas de 1999/2000/2001/2002, não encontrando nenhuma incorreção de cálculo ou registro, em relação aos livros e balancetes, apenas retirando determinadas contas integralmente das deduções, simplesmente ignora a planilha apresentada pela empresa em face de não apresentação de livros e balancetes de 2003, sequer documentada ao longo da diligência, e questionada pela recorrente. Diante da ausência de apresentação de determinado livro, o que se esperava é que a fiscalização intimasse oficialmente a empresa, fornecendo prazo, sob pena de serem ignoradas as deduções indicadas na planilha. E não que sumariamente as ignorasse, mesmo tendo verificado que a escrita estava de acordo com as planilhas enviadas em todos os anos anteriores. É de se registrar que as memórias de cálculo de 2003 apresentadas pela recorrente efetivamente utilizam nomenclatura diversa, como se percebe, v.g., no mês de janeiro (fl. 422): Fl. 806DF CARF MF Processo nº 10660.001028/200486 Resolução nº 3401001.167 S3C4T1 Fl. 807 11 A legenda, explicando o conteúdo de cada uma dessas contas, encontrase à fl. 423: E a memória de cálculo chega (fl. 424) a expressamente relacionar as informações que compõem a base de cálculo, em 2003: “Livro Diário no 15, Livro Diário no 16, Livro Diário no 17, Livro Diário no 18 e 1 livro Razão não enumerados (5 livros)” (sic). A justificativa para as “exclusões de deduções” efetuadas pela autoridade diligenciante se encontra no Relatório de Diligência Fiscal, à fl. 773: Fl. 807DF CARF MF Processo nº 10660.001028/200486 Resolução nº 3401001.167 S3C4T1 Fl. 808 12 Assim, para os anos de 1999 a 2002, as exclusões se deveram a “pagamentos efetuados aos seus médicos e às empresas credenciadas por atendimentos de operações de intercâmbio ou por beneficiários atendidos de outras operadoras”. Entretanto, como exposto, não é isso que se vê nas planilhas de fls. 771/772, nas quais se exclui, em alguns períodos (1999) valores pagos, e em outros (2000 a 2002), valores recebidos, ignorandose as deduções de 2003, mas considerandose as receitas, inclusive aquelas que foram excluídas no período de 2000 a 2002. Em suma, não é logicamente coerente o trabalho efetuado em sede de diligência, que carece ou de melhores explicações, ou de simples correção, diante do aqui exposto. Por mais que seja lamentável efetuar uma terceira conversão em diligência, percebo que o processo não está pronto para julgamento, por este colegiado, seja porque a diligência não foi realizada para o ano de 2003 (ainda que por eventual negligência da recorrente, que deveria ter sido oportunamente documentada), seja porque para os anos de 1999 a 2002, os critérios utilizados pela autoridade diligenciante para exclusão das deduções não foram uniformes, demandando ou correção ou melhores esclarecimentos. Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade local da RFB: (a) intime a recorrente a apresentar os livros e balancetes de 2003 à fiscalização, em trinta dias, sob pena de não aceitação das exclusões registradas na planilha por ela elaborada (fl. 416), e promova a análise da planilha à luz dos livros e balancetes eventualmente apresentados; e (b) explique a razão da diferença de critério utilizado para as exclusões, nos diferentes anos, ou corrija a planilha de fls. 771/772. Por fim, deve a unidade local dar ciência do relatório de diligência à recorrente, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto no 7.574/2011, abrindose o prazo regulamentar para manifestação. Após a ciência e a eventual manifestação da empresa, os autos devem ser devolvidos a este CARF, para julgamento. Rosaldo Trevisan Fl. 808DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14367.000154/2010-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PARLAMENTARES. COTA PARA O EXERCÍCIO DA ATIVIDADE. NATUREZA NÃO REMUNERATÓRIA. RESSARCIMENTO.
As cotas não são destinadas a retribuir o trabalho prestado pelos parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, mas sim a custear gastos vinculados ao exercício da atividade, todavia, tem o fisco a prerrogativa de solicitar documentos para verificar se de fato as verbas foram aplicadas para a finalidade legal prevista.
Havendo recusa do órgão em apresentar os documentos requeridos pela autoridade lançadora, cabível a presunção de que as parcelas tem caráter remuneratório, invertendo-se o ônus da prova em desfavor do contribuinte.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PARLAMENTARES. GRATIFICAÇÕES POR COMPARECIMENTO EM SESSÕES EXTRAORDINÁRIAS. NATUREZA REMUNERATÓRIA.
Os valores foram pagos a título de gratificação, e não de ajuda de custo ou de indenização pelo comparecimento às sessões extraordinárias, tendo, portanto, natureza remuneratória.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PARLAMENTARES. DIFERENÇAS DE SUBSÍDIOS PAGAS COM ATRASO. MOMENTO DO FATO GERADOR.
As diferenças de subsídios pagas com atraso referem-se à competência em que foram efetivamente pagas, posto que não houve na competência da prestação dos serviços o reconhecimento contábil de tal despesa.
Descabe a exclusão desta parcela da base de cálculo, posto que a competência em que ocorreram os fatos geradores está abrangida no período fiscalizado.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PARLAMENTARES VINCULADOS A REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. DETERMINAÇÃO FEITA PELA AUTORIDADE LANÇADORA.
1. A autoridade autuante constatou a existência de seis deputados vinculados a regime próprio, de forma que propôs a retificação da base de cálculo do lançamento, reduzindo-as em todas as competências.
2. Tratando-se, pois, de retificação determinada pela autoridade que tem competência privativa para lançar, retificação esta não contestada pela recorrente, deve o lançamento ser corrigido.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, pelo voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial, no sentido de excluir da base de cálculo apenas as verbas recebidas pelos deputados vinculados a RPPS, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Amílcar Barca Teixeira Júnior, Theodoro Vicente Agostinho e Bianca Felícia Rothschild, que excluíam também as diferenças de subsídios pagas com atraso em junho de 2007, correspondentes aos meses de abril e maio daquele mesmo ano, e os valores pagos a título de "verba indenizatória do exercício parlamentar" e "Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar - CEAP", no lançamento denominadas simplesmente de cota. Designado para fazer o voto vencedor Kleber Ferreira de Araújo. Não participou deste julgamento o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, visto que o Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, que atuava na Turma como representante da mesma Confederação, já havia votado em reunião anterior.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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PARLAMENTARES. Recorrente ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO AMAZONAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PARLAMENTARES. COTA PARA O EXERCÍCIO DA ATIVIDADE. NATUREZA NÃO REMUNERATÓRIA. RESSARCIMENTO. As cotas não são destinadas a retribuir o trabalho prestado pelos parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, mas sim a custear gastos vinculados ao exercício da atividade, todavia, tem o fisco a prerrogativa de solicitar documentos para verificar se de fato as verbas foram aplicadas para a finalidade legal prevista. Havendo recusa do órgão em apresentar os documentos requeridos pela autoridade lançadora, cabível a presunção de que as parcelas tem caráter remuneratório, invertendose o ônus da prova em desfavor do contribuinte. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PARLAMENTARES. GRATIFICAÇÕES POR COMPARECIMENTO EM SESSÕES EXTRAORDINÁRIAS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. Os valores foram pagos a título de gratificação, e não de ajuda de custo ou de indenização pelo comparecimento às sessões extraordinárias, tendo, portanto, natureza remuneratória. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PARLAMENTARES. DIFERENÇAS DE SUBSÍDIOS PAGAS COM ATRASO. MOMENTO DO FATO GERADOR. As diferenças de subsídios pagas com atraso referemse à competência em que foram efetivamente pagas, posto que não houve na competência da prestação dos serviços o reconhecimento contábil de tal despesa. Descabe a exclusão desta parcela da base de cálculo, posto que a competência em que ocorreram os fatos geradores está abrangida no período fiscalizado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 7. 00 01 54 /2 01 0- 37 Fl. 650DF CARF MF 2 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PARLAMENTARES VINCULADOS A REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. DETERMINAÇÃO FEITA PELA AUTORIDADE LANÇADORA. 1. A autoridade autuante constatou a existência de seis deputados vinculados a regime próprio, de forma que propôs a retificação da base de cálculo do lançamento, reduzindoas em todas as competências. 2. Tratandose, pois, de retificação determinada pela autoridade que tem competência privativa para lançar, retificação esta não contestada pela recorrente, deve o lançamento ser corrigido. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, pelo voto de qualidade, darlhe provimento parcial, no sentido de excluir da base de cálculo apenas as verbas recebidas pelos deputados vinculados a RPPS, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Amílcar Barca Teixeira Júnior, Theodoro Vicente Agostinho e Bianca Felícia Rothschild, que excluíam também as diferenças de subsídios pagas com atraso em junho de 2007, correspondentes aos meses de abril e maio daquele mesmo ano, e os valores pagos a título de "verba indenizatória do exercício parlamentar" e "Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar CEAP", no lançamento denominadas simplesmente de cota. Designado para fazer o voto vencedor Kleber Ferreira de Araújo. Não participou deste julgamento o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, visto que o Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, que atuava na Turma como representante da mesma Confederação, já havia votado em reunião anterior. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 14367.000154/201037 Acórdão n.º 2402005.575 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Os autos já foram relatados neste Colegiado, conforme Resolução de fls. 512/515: Tratase de auto de infração constituído em 16/06/2010 para exigência de contribuição previdenciária parte da empresa e GILRAT, incidentes sobre pagamentos efetuados a parlamentares no período de 06/2007 a 12/2009. Conforme discriminado no Relatório Fiscal (fls. 20/23), as contribuições exigidas referemse: (i) Levantamento RA: a parte devida pela ALEAM no percentual de 20% sobre importâncias pagas aos parlamentares a título de cotas, gratificações extraordinárias e diferenças de subsídios pagos com atraso; (ii) Levantamento DI: a diferença do percentual referente ao risco ambiental de trabalho (RAT), ante a alteração legislativa promovida pelo Decreto nº 6.042/2007, que alterou a alíquota de 1% para 2% em relação à Administração Pública; e (iii) Levantamentos DI2 e RA2, criados para receber a multa de ofício nas competências a partir de 12/2008, em decorrência da MP nº 449/08. Em 13/07/2010 a Recorrente apresentou Impugnação parcial ao lançamento, deixando de apresentar defesa em relação à diferença de alíquota do RAT. A DRJ de Belém/PA manteve integralmente o crédito tributário exigido, pois: (i) considerou insuficientes as provas trazidas aos autos pela Recorrente para comprovar a natureza indenizatória das cotas pagas pela ALEAM aos parlamentares, razão pela qual foram consideradas como integrantes do salário de contribuição nos termos do art. 28, I, da Lei nº 8.212/91; (ii) as gratificações extraordinárias pagas aos parlamentares são integrantes do salário de contribuição nos termos do art. 28, I, da Lei nº 8.212/91, pois a legislação previdenciária não excepciona a sua incidência (art. 28, § 9º da Lei nº 8.212/91 c/c art. 214, § 9º do Decreto 3.048/99); (iii) as contribuições previdenciárias estão sujeitas ao princípio contábil de regime de competência, conforme art. 215, § 13, I, do Decreto 3.048/99, razão pela qual estaria correto o lançamento dos reajustes retroativos dos subsídios, dos meses 04 e 05/2007, pagos em 06/2007; e (iv) as provas trazidas aos autos para demonstrar a vinculação de determinados parlamentares a regime previdenciário próprio representam meros indícios, mas não são suficientes para anular o lançamento. Considerando a inexistência de impugnação em relação à diferença de alíquota apurada em relação ao RAT, foi realizado o desmembramento do presente auto de infração, tendo sido Fl. 652DF CARF MF 4 gerado o auto de infração n° 37.326.1373 (14363.000001/201119), para cobrança imediata desses valores. A Recorrente foi intimada da decisão DRJ em 19/06/2013, e em 17/07/2013 apresentou Recurso Voluntário requerendo: (i) a exclusão da base de cálculo das contribuições dos valores referentes às cotas e gratificações extraordinárias, por se tratarem de ressarcimentos de despesas de gabinete e verba indenizatória, respectivamente; (ii) a exclusão dos valores relativos à diferença dos subsídios paga aos parlamentares no mês de 06/2007 e que corresponderiam aos meses de 04 e 05 de 2007, uma vez que se referem a importâncias correspondentes a períodos não abrangidos pela fiscalização; e (iii) a exclusão da base de cálculo das contribuições das importâncias pagas a parlamentares vinculados a regime previdenciário próprio, apresentando novos documentos. Em sessão de julgamento realizada em janeiro de 2015, verificouse que a autuação fundamentouse no art. 12, inc. I, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, o qual prescreve serem segurados obrigatórios da previdência as pessoas físicas excercentes de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social. Contudo, a fiscalização não fez menção sobre a exceção de que trata a parte final da alínea “j” destacada acima, de modo a fundamentálo devidamente. Ou seja, deveria ao menos informar o motivo pelo qual a regra excepcional contida na referida alínea não foi considerada quando da apuração dos fatos geradores. Desta forma, considerandose que não houve manifestação da fiscalização quanto à citada exceção, bem como do fato de a decisão proferida pela DRJ afirmar existirem indícios no processo acerca da vinculação de deputados a regime próprio de previdência, resolveram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que o auditor fiscal se manifestasse acerca da regra excepcional. Em atendimento à diligência, a Delegacia de Manaus elaborou a informação fiscal de fls. 520/523, na qual apresentou as seguintes considerações: a) No Termo de Início de Procedimento Fiscal, a empresa foi intimada a apresentar folhas de pagamento/fichas financeiras dos deputados e suplentes, bem como comprovante que o deputado e/ou suplente possui vínculo ao regime próprio da previdência, quando do exercício do mandato de deputado estadual pelo Estado do Amazonas; b) Em resposta, o órgão enviou folhas de pagamento, fichas financeiras e documentações de 3 (três) deputados relacionadas à vinculação ao regime próprio de previdência (José Freire de Souza Lobo, Sinésio Silva Campos e Therezinha Ruiz de Oliveira); c) Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 1, a Procuradoria Geral do Estado apresentou a documentação relacionada à vinculação ao regime próprio de previdência dos demais deputados (Liberman Bichara Moreno, Luiz Castro Andrade Neto e Vera Lucia da Silva Castelo Branco); Fl. 653DF CARF MF Processo nº 14367.000154/201037 Acórdão n.º 2402005.575 S2C4T2 Fl. 4 5 d) Apresentou ainda as fichas financeiras do período de 06/2007 a 12/2009, onde consta desconto de parcelas destinadas a regimes próprios de previdência; e) Com isso, dada a comprovação de que 06 deputados relacionados possuem vínculo ao regime próprio de previdência social, com enquadramento no disposto no art. 12, I, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, foram elaboradas planilhas para demonstrar ajuste de base de cálculo lançada no Auto de Infração nº 37.289.0350, levantamento DI2, com manutenção da remuneração paga/creditada a deputados pertencentes ao RGPS; f) Com os reajustes, a base de cálculo terá os valores modificados, conforme abaixo: g) A redução dos 06 segurados do total dos segurados do levantamento total original não alterou o valor lançado no AI 37.289.0342 (descumprimento da obrigação acessória). O sujeito passivo foi regularmente intimado, conforme aviso de recebimento de fl. 645, mas não apresentou manifestação, o que está corroborado no despacho de fl. 646. É o relatório. Fl. 654DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Das cotas A recorrente alega que as cotas seriam destinadas a custear passagens aéreas, telefonia, serviços postais, locação de móveis e equipamentos, material de expediente e suprimento de informática, acesso à internet, assinatura de TV a cabo ou similar, locação ou aquisição de licença de uso de software, assinatura de publicações, dentre outras despesas mencionadas na Resolução 12/2007 e 460/2009, em anexo à impugnação, tendo, portanto, natureza indenizatória, de forma que não integrariam o saláriodecontribuição. A DRJ, por sua vez, entendeu que a recorrente não trouxe elementos comprobatórios da composição dos valores pagos e respectivos ressarcimentos, concluindo, portanto, pela incidência da contribuição previdenciária. Como se vê nos demonstrativos de fls. 31/33, parte do lançamento corresponde aos montantes pagos a título de cotas. Segundo o Ato da Mesa Diretora nº 12/2007 (v. fl. 219), tal rubrica corresponderia à "verba indenizatória do exercício parlamentar", posteriormente substituída pela "Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar CEAP", por força da Resolução 460, de 21/10/2009 (v. fl. 223). Do teor dos citados atos, depreendese que tal verba seria destinada a atender a despesas vinculadas ao exercício da atividade, sendo elucidativo transcrever o caput do art. 1º daquela última Resolução: Art. 1º. Fica instituída a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar CEAP, no valor de R$ 19.000,00 (dezenove mil reais) destinada a custar gastos exclusivamente vinculados ao exercício da atividade parlamentar. O seu art. 2º ainda elenca as despesas que seriam acobertadas com tal verba, a exemplo de despesas com passagens, telefone, serviços postais, manutenção de atividades de apoio parlamentar, dentre tantas outras. A rigor, portanto, as cotas não são destinadas a retribuir o trabalho prestado pelos parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, mas sim a custear gastos vinculados ao exercício da atividade, correspondendo, pois, a mero ressarcimento. O inc. I do art. 28 da Lei 8.212/1991 explicita que o saláriodecontribuição coincide com a remuneração destinada a retribuir o trabalho. Fl. 655DF CARF MF Processo nº 14367.000154/201037 Acórdão n.º 2402005.575 S2C4T2 Fl. 5 7 Em consonância com o art. 195, inc I, alínea a, da CF, tal norma estabelece que as contribuições devidas à seguridade social incidem sobre a remuneração paga ao trabalhador, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Significar dizer que a base de cálculo da contribuição somente é composta de valores destinados à remuneração pelo trabalho prestado ou colocado à disposição do empregador ou tomador de serviços, o que não ocorre com as parcelas destinadas a custear ou ressarcir despesas pagas para o exercício da atividade em si. O art. 22, inc. I, da Lei 8.212/1991, igualmente preleciona o total das remunerações como base imponível das contribuições. Desta forma, inexistindo o pagamento de remuneração, inexiste o núcleo do fato gerador do tributo em referência. Essa interpretação está em conformidade com a alínea a do inc. I do art. 195 da CF, supra mencionada, segundo a qual as contribuições sociais incidem sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados à pessoa física que lhe preste serviço. O Ato da Mesa Diretora e a Resolução da Assembleia constituemse em atos administrativos, que, conforme sabido, gozam de presunção de legitimidade e veracidade, de modo que "a Administração não tem o ônus de provar que seus atos são legais e a situação que gerou a necessidade de sua prática realmente existiu"1. A contrario sensu, cabe ao destinatário do ato o encargo de provar a sua eventual ilegitimidade ou inveracidade. Isto é, os atos encimados fazem crer que os valores eram realmente destinados a custear as despesas necessárias ao exercício da atividade, e não a remunerar os parlamentares. Portanto, não se pode afirmar que a recorrente não tenha se desincumbido de seu ônus probatório. Ela apresentou os atos administrativos que demonstram a natureza da verba paga a título de cota. A despeito disso, a autoridade administrativa não se dignou de demonstrar que os valores teriam a finalidade remuneratória, de tal forma que não teve êxito em verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente às contribuições devidas à seguridade social, o que lhe incumbia por determinação do art. 142 do CTN. 1 Disponível em http://www.stf.jus.br/repositorio/cms/portalTvJustica/portalTvJusticaNoticia/anexo/Carlos_Barbosa_Atos_admini strativos_Parte_1.pdf, acesso em 15 de setembro de 2016. Fl. 656DF CARF MF 8 Mutatis mutandis, eis o teor do verbete sumular nº 87, deste Conselho: Súmula CARF nº 87: O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa. Em resumo, a recorrente se valeu de atos administrativos que gozam de presunção de legitimidade e veracidade, ao passo que o agente fiscal sequer fundamentou que as cotas teriam o objetivo de remunerar os parlamentares daquele Estado, de tal maneira que o lançamento deve ser cancelado, dandose provimento ao recurso voluntário nesse particular. 3 Das gratificações por sessões extraordinárias Outra parte do lançamento corresponde aos valores adimplidos a título de gratificações por sessões extraordinárias. A recorrente se insurge contra esse ponto, afirmando que tal rubrica também visa a simples ressarcimento. Todavia, a recorrente não tem razão, visto que os valores foram pagos a título de gratificação, e não de ajuda de custo ou de indenização pelo comparecimento às sessões extraordinárias. Sequer se pode afirmar, pois, que as conclusões constantes do AD PGFN 3/2008 são aplicáveis ao caso sob exame, ou que a jurisprudência do STJ trilha o mesmo caminho defendido pela recorrente. Tanto o Ato Declaratório da PGFN, quanto a jurisprudência daquele Tribunal Superior são atinentes à ajuda de custo2. Salvo melhor juízo, portanto, as importâncias declaradas pela própria recorrente em folhas de pagamento como gratificação visam a remunerar o trabalho prestado pelos parlamentares por ocasião da participação nas sessões extraordinárias. Nesse tocante, e diferentemente do retratado no tópico anterior, a autoridade fiscal identificou a ocorrência do fato gerador, pois se pautou na folha de pagamento do sujeito passivo. Destarte, negase provimento ao recurso voluntário, a fim de manter o lançamento sobre as importâncias adimplidas a título de gratificação por participação em sessões extraordinárias. 4 Das diferenças de subsídios pagas com atraso Quanto às diferenças de subsídios pagas com atraso, a recorrente afirma que, embora adimplidas em junho de 2007, corresponderiam a valores atinentes aos meses de abril e maio daquele ano, períodos não abrangidos pelo lançamento. 2 STJ, REsp 1141761/CE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/02/2010, DJe 26/02/2010; REsp 976.648/PE, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/11/2008, DJe 01/12/2008; REsp 917.441/CE, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/08/2008, DJe 18/09/2008. Fl. 657DF CARF MF Processo nº 14367.000154/201037 Acórdão n.º 2402005.575 S2C4T2 Fl. 6 9 Afirma que o fato gerador é verificado quando da ocorrência do crédito jurídico, momento em que a remuneração passaria a ser devida, ainda que não paga. Em contrapartida, a decisão a quo entendeu estar correto o mês em que passou a ser devido o reajuste (06/2007), para incidência das contribuições previdenciárias, sobre as diferenças retroativas, relativas aos meses de 04 e 05/2007: Vejase: Dessa forma, observado o regime de competência, a que estão sujeitas as contribuições previdenciárias, improcede o argumento do impugnante, haja vista estar correto o mês eleito, 06/2007 (mês em que passou a ser devido o reajuste), para incidência de contribuições previdenciárias, sobre as diferenças de reajuste retroativas, relativas aos meses 04 e 05/2007. Embora tenha afirmado, corretamente, que as contribuições estão sujeitas ao princípio contábil do regime de competência (art. 225, § 13, inc. I, do Regulamento da Previdência Social3), a DRJ acabou adotando o regime de caixa, pois reconheceu o efeito da transação na data do pagamento, e não na data em que o pagamento deveria ter sido efetivamente efetuado. Às fls. 37 e seguintes dos autos, vêse que as diferenças foram quitadas na folha do mês de junho de 2007. Como sabido, o Princípio da Competência determina que os efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento (art. 9º da Resolução CFC 750/93, com redação da Resolução CFC 1.282/2010). Isto é, os efeitos são reconhecidos nos períodos nos quais ocorreram, ainda que os valores não tenham sido recebidos ou pagos. No caso concreto, deve ser considerado o momento da prestação dos serviços pelos parlamentares (abril e maio de 2007), e não a data do adimplemento das diferenças a eles devidas (junho de 2007). Expressandose de outra forma, a diferença paga em junho de 2007 já era devida em abril e maio daquele mesmo ano. E o inc. I dos arts. 22 e 28 da Lei 8.212/1991 preleciona, de forma clara, que as contribuições são devidas durante o mês da prestação dos serviços pelo trabalhador, afirmação esta corroborada pelo art. 225, § 13, inc. I, do Regulamento da Previdência Social. Exemplificativamente, e no tocante às ações trabalhistas, o § 2º do art. 43 da lei de custeio4 prevê que se considera ocorrido o fato gerador das contribuições sociais na data 3 Art.225. A empresa é também obrigada a: §13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; e 4 Art. 43. Nas ações trabalhistas de que resultar o pagamento de direitos sujeitos à incidência de contribuição previdenciária, o juiz, sob pena de responsabilidade, determinará o imediato recolhimento das importâncias devidas à Seguridade Social.(Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) Fl. 658DF CARF MF 10 da prestação do serviço, e não na data da decisão de que resultou o pagamento de direitos sujeitos à sua incidência, reforçando a aplicação do regime de competência para os tributos sob comento. Logo, entendese as diferenças de subsídios pagas com atraso estão realmente fora do período abrangido pela fiscalização. Vêse no "TERMO DE INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL" de fls. 17/18, que o período de apuração é de 06/2007 a 12/2009, o qual não foi alterado, como se observa no "RELATÓRIO DO AUTO DE INFRAÇÃO" de fls. 20/23. O art. 5º, § 1º, da vigente Portaria RFB nº 1.687/2014, prevê que o Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal TDPF deve conter o respectivo período de apuração, estabelecendo, ainda, em seu § 2º, que o período poderá ser alterado mediante registro. Veja se: Art. 5º O Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal – TDPF conterá: § 1º No caso do Procedimento de Fiscalização, o TDPF indicará, ainda, o tributo objeto do procedimento fiscal a ser executado e o respectivo período de apuração, bem como as verificações relativas à corres pondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos administrados pela RFB, podendo alcançar os fatos geradores relativos aos últimos cinco anos e os do período de execução do procedimento fiscal. § 2º O tributo e o período de que trata o § 1º poderão ser ampliados por alteração, a ser registrada no TDPF e consignada no primeiro termo de ofício emitido pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela execução do procedimento fiscal. Vigente à época dos fatos geradores, a Portaria RFB 11.371/20075, preceituava que o Mandado de Procedimento Fiscal poderia fixar o respectivo período de apuração, sendo que eventuais alterações, inclusive no período, deveriam ser procedidas mediante registro. Vejase: Art. 7º O MPFF, o MPFD e o MPFE conterão: [...] § 1º O MPFF e o MPFE indicarão, ainda, o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem como as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos administrados pela RFB, cujos fatos geradores tenham ocorrido nos cinco anos que antecedem a emissão do MPF e no período de execução do § 2o Considerase ocorrido o fato gerador das contribuições sociais na data da prestação do serviço. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). 5 Revogada pela Portaria RFB nº 3014, de 29 de junho de 2011, por sua vez revogada pela Portaria vigente. Fl. 659DF CARF MF Processo nº 14367.000154/201037 Acórdão n.º 2402005.575 S2C4T2 Fl. 7 11 procedimento fiscal, observado o modelo aprovado por esta Portaria. [...] Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, conforme modelo aprovado por esta Portaria. Tais providências previstas na legislação infralegal, a par de se destinaram à organização interna de execução de procedimentos fiscais, também visam a assegurar o devido processo legal e a segurança jurídica, na medida em que o contribuinte não pode ser surpreendido com lançamento alusivo a período sobre o qual não está sendo fiscalizado. Ao determinar que o lançamento é tendente a verificar a ocorrência do fato gerador, é óbvio que o art. 142 do CTN estipula que essa determinação deve ocorrer dentro de um espaço de tempo prédeterminado. A ocorrência do fato gerador ocorre no tempo, de modo que eventuais imprecisões, como essa relatada e demonstrada pela recorrente, devem ser afastadas pela autoridade julgadora. Sendo assim, tanto por força da legislação infralegal retro mencionada, quanto por equívoco na determinação do momento da ocorrência do fato gerador, entendese que o lançamento atinente às diferenças de subsídios pagas com atraso deve ser cancelado, dandose provimento ao recurso nesse particular. 5 Da presença de parlamentares vinculados a regime próprio de previdência A recorrente afirmou que alguns parlamentares estavam vinculados a regime próprio de previdência. Em sessão de julgamento realizada em janeiro de 2015, este Colegiado verificou que a autuação fundamentouse no art. 12, inc. I, alínea “j”, da Lei 8.212/91, segundo o qual é segurado obrigatório da previdência a pessoa física excercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social, mas que a fiscalização não mencionou a exceção de que trata a norma, de modo a fundamentar o lançamento de forma devida. A própria DRJ afirmou existir indícios no processo acerca da vinculação de deputados a regime próprio. Por tais razões, este Colegiado resolveu converter o julgamento em diligência, para que o auditor fiscal se manifestasse acerca da regra excepcional. Na "INFORMAÇÃO FISCAL", a autoridade autuante constatou a existência de seis deputados vinculados a regime próprio, de forma que propôs a retificação da base de cálculo do lançamento (v. fl. 522), reduzindoas em todas as competências. Fl. 660DF CARF MF 12 A recorrente foi regularmente intimada acerca do resultado da diligência e da aludida informação fiscal (v. fls. 645/646), mas não se manifestou. Tratandose, pois, de retificação determinada pela autoridade que tem competência privativa para lançar, retificação esta não contestada pela recorrente, deve o lançamento ser corrigido. Se a própria autoridade lançadora reconheceu o equívoco, não compete à autoridade julgadora (seja a DRJ, seja o CARF) agir de modo diverso, sobretudo para majorar a imputação fiscal determinada por aquela. A autoridade julgadora não tem competência para lançar, ex vi do art. 142 do CTN, segundo o qual o lançamento é da competência privativa da autoridade administrativa. Logo, o recurso voluntário deve ser provido neste ponto, para retificar as bases de cálculo em todas as competências objeto do lançamento, conforme item 8 da "INFORMAÇÃO FISCAL" de fls. 520/523. 6 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, a fim de: (a) excluir da base de cálculo do lançamento os valores pagos a título de "verba indenizatória do exercício parlamentar" e "Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar CEAP", no lançamento denominadas simplesmente de cota; (b) excluir da base de cálculo do lançamento os valores das diferenças de subsídios pagas com atraso em junho de 2007, correspondentes aos valores atinentes aos meses de abril e maio daquele mesmo ano; (c) excluir da base de cálculo do lançamento os valores pagos aos seis parlamentares vinculados a regime próprio de previdência social, conforme planilha constante do item 8 da informação fiscal de fls. 520/523, devendo, ainda, ser observados os ajustes determinados na presente conclusão. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 661DF CARF MF Processo nº 14367.000154/201037 Acórdão n.º 2402005.575 S2C4T2 Fl. 8 13 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Redator Designado Coubeme apresentar este voto divergente tãosomente para tratar das exclusões da base de cálculo de duas das rubricas constantes do auto de infração sob apreciação. Mesmo diante do bem fundamentado voto do I. Relator, ousei discordar do seu entendimento quanto ao cancelamento da lavratura no que toca às rubricas denominadas "verba indenizatória do exercício parlamentar" e "Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar CEAP", tratadas no voto como cotas, e os valores das diferenças de subsídios pagas com atraso em junho de 2007. Passo as minhas considerações. Das cotas O Relator fundamentou a exclusão das parcelas denominadas de cotas da base de cálculo por entender que atos normativos do ente fiscalizado explicitam que se trata de verbas indenizatórias, colocadas à disposição do parlamentar para fazer frente a despesas inerentes ao exercício do mandato. Nesse sentido, considerando que o Ato da Mesa Diretora e a Resolução da Assembleia dizem que a parcela é indenizatória e que tais normativos têm a presunção de veracidade inerente aos atos administrativos, somente poderiam ser afastadas suas determinações caso o fisco demonstrasse cabalmente que as parcelas teriam sido aplicadas pelos parlamentares em despesas não vinculadas ao exercício do mandato. Com todo respeito ao bem fundamentado voto do Relator, penso de maneira diversa. No presente caso não se está negando validade aos atos administrativos do ente fiscalizado, na verdade, o fisco baseandose no teor dessas normas buscou elementos no sentido de confirmar se efetivamente as verbas teriam sido desembolsadas para os fins a que se destinavam. Apreciando o relatório fiscal, percebese que a autoridade lançadora intimou o Poder autuado a apresentar os comprovantes das despesas, que naturalmente devem existir, posto que, se assim não fosse, o órgão de controle da Casa Legislativa não teria como aferir a legalidade na aplicação da parcela. Diante da não apresentação dos elementos solicitados, o fisco não teria como comprovar a existência de desvio nos gastos efetuados pelos Deputados Estaduais, ficando impossível de cumprir o encargo probatório que o Relator sugeriu que seria da autoridade tributária. A premissa utilizada no voto do Relator somente seria válida se houvesse norma que impedisse o fisco de fiscalizar a possível existência de fatos geradores nos pagamentos de verbas destinadas cobrir despesas com o exercício do mandato. Isso não existe. Fl. 662DF CARF MF 14 Assim, ao não apresentar os documentos requeridos, o sujeito passivo acabou por facultar ao fisco o lançamento da quantia reputada devida, invertendose o ônus da prova, conforme disposto no art. 148 do CTN: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Caberia então à Assembleia fazer a prova em contrário durante o contencioso administrativo, todavia, vêse que nem na defesa, tampouco no recurso, houve a juntada de documentos para comprovar que as ditas cotas foram aplicadas para indenizar custos dos parlamentares com o exercício do seu mandato. Neste sentido, encaminho para que esta verba seja mantida na base de cálculo do lançamento. Das diferenças de subsídios O fundamento apresentado pelo Conselheiro Relator para exclusão desta parcela da base de cálculo reside no forte argumento de que, se o fato gerador da contribuição previdenciária é a prestação de serviço e a verba em questão foi paga como parcelas retroativa de subsídio relativo à competência 04/2007, o pagamento deveria compor a base tributável da competência a que o serviço se refere, ou seja a competência 04/2007, muito embora o desembolso pelo ente público tenha se dado em 06/2007. No seu entendimento, o fisco não poderia incluir na sua apuração tais valores, haja vista que a competência de referência (04/2007) não estava abarcada no período fiscalizado. A tese adotada pelo Relator não deixa de ser sedutora, tanto que me levou a pedir vistas dos autos para melhor apreciar a questão. Após apurada análise da questão, concluo diferentemente por constatar que no caso em apreço verificase que a despesa com remuneração somente foi reconhecida após a publicação da Resolução da Mesa da Assembleia que se deu 13/06/2007. A bem da verdade, nos termos do inciso I do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, o qual delimita o conceito de saláriodecontribuição (base de cálculo) para o segurado empregado, este corresponde aos valores recebidos, devidos ou creditados ao segurado empregado, durante o mês, para retribuir o trabalho executado naquele período. Vale a pena reproduzir o dispositivo: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a Fl. 663DF CARF MF Processo nº 14367.000154/201037 Acórdão n.º 2402005.575 S2C4T2 Fl. 9 15 forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifei) Do dispositivo encimando é fácil se extrair que se o pagamento pelo serviço prestado é repassado ao segurado mediante entrega direta de valores ou crédito em conta corrente, ou se a empresa reconhece o valor como devido, o fato gerador há de ser identificado na competência em que houve a prestação. A contrário senso, possível se inferir que se o serviço é prestado num determinado período, mas ali não há o reconhecimento jurídico da despesa, há de se considerar ocorrido o fato gerador no mês do efetivo desembolso ou registro contábil da dívida. Nesse sentido, não se pode falar em aplicação do regime de competência para apropriar a despesa em 04/2007, haja vista que no final do período de apuração das contribuições não era devida a verba, posto que não há documento correspondente a esta competência registrando tal encargo com pagamento de remunerações. Ao contrário do que pensa o Relator, entendo haver diferença do caso sob apreciação para o que ocorre nas reclamatórias trabalhistas, pois ali o próprio Judiciário reconhece que o valor é devido desde a prestação do serviço, tanto que a quantia paga ao reclamante é corrigida, situação diferente é a dos autos em que se tem uma dívida criada a posteriori, a qual sequer é corrigida. O contribuinte teria razão se apresentasse documentos relativos à competência 04/2007 com o reconhecimento da dívida. Como sequer cogitou da existência de tais elementos, devemos negar provimento ao recurso neste ponto. Assim, voto por manter a tributação sobre os valores dos subsídios pagos retroativamente em decorrência da Resolução da Mesa da Assembleia n.º 418, de 13/06/2007. Conclusão Diante do exposto, voto pela manutenção na base de cálculo do lançamento das parcelas denominadas cotas e diferenças de subsídios. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 664DF CARF MF
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Numero do processo: 12269.004225/2009-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2009 a 30/09/2009
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2009 a 30/09/2009 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1651; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12269.004225/200910 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202004.919 – 2ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2016 Matéria RETROATIVIDADE BENIGNA, NATUREZA DA MULTA NOS LANÇAMENTOS PREVIDENCIÁRIOS ANTERIORES A MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI 11.941/2009 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FLACH & FLACH LTDA ME ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2009 a 30/09/2009 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 42 25 /2 00 9- 10 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 12269.004225/200910 Acórdão n.º 9202004.919 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 12269.004225/200910 Acórdão n.º 9202004.919 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 12269.004225/200910 Acórdão n.º 9202004.919 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 176DF CARF MF Processo nº 12269.004225/200910 Acórdão n.º 9202004.919 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 12269.004225/200910 Acórdão n.º 9202004.919 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 178DF CARF MF Processo nº 12269.004225/200910 Acórdão n.º 9202004.919 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 12269.004225/200910 Acórdão n.º 9202004.919 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 180DF CARF MF Processo nº 12269.004225/200910 Acórdão n.º 9202004.919 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 12269.004225/200910 Acórdão n.º 9202004.919 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 182DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.914953/2009-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.886
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão.
(Assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1362; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.914953/200997 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402003.886 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de março de 2017 Matéria PIS PER/DCOMP Recorrente PIANNA COMERCIO IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão. (Assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 49 53 /2 00 9- 97 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10783.914953/200997 Acórdão n.º 3402003.886 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de compensação declarada em PER/DCOMP apresentada pelo contribuinte, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, a título de PIS, atinente ao período de apuração indicado na folha de rosto do acórdão. Por meio de Despacho Decisório eletrônico, negouse homologação à compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente pela DRJ sob os seguintes fundamentos: i) o contribuinte não indicou como apurou o crédito que alega possuir e indicado na Declaração de Compensação e ii) o contribuinte não juntou quaisquer provas do referido crédito. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual alega inauguralmente que a questão não necessitaria de produção de provas, por se tratar de incidência de PIS sobre receitas financeiras, declarada inconstitucional pelo STF no RE nº 346.084. Ao final, solicita a realização de diligência. É o relatório. Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.885, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10783.914970/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.885): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. O Despacho Decisório contestado nesse processo administrativo teve sua homologação negada sob fundamento do crédito alegado ter sido utilizado integralmente para quitar débitos da pessoa jurídica. Desde o início, o contribuinte não juntou qualquer documentação fiscal ou contábil que permita determinar o valor do crédito ou pelo menos um mínimo lastro probatório de sua existência. Menos ainda, sequer articulou argumento que sustentasse as razões para a Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10783.914953/200997 Acórdão n.º 3402003.886 S3C4T2 Fl. 4 3 manutenção do crédito pretendido, limitandose a afirmar a sua existência. O Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, é expresso no sentido de que o contribuinte deve trazer ao litígio todos os motivos de contrariedade, acompanhados dos elementos probatórios que fundamentem suas alegações. Senão vejamos: Art. 15 A impugnação, formalizado por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30(trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(inciso III com redação determinada pela Lei 8. 748/1993) §4. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razoes posteriormente trazidos aos autos. Como precisamente apontado na decisão a quo, aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Tampouco se vislumbra nos autos quaisquer das exceções previstas no art. 16, §4º do Decreto 70.235/72. Assim, operouse a preclusão acerca do direito do contribuinte de produzir quaisquer provas do seu crédito, o que nos permite seguramente corroborar as conclusões alcançadas pela DRJ. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte traz uma reconstrução da discussão que culminou na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718, para afirmar que o crédito se refere a receitas financeiras que compuseram a base de cálculo, o que causou o pagamento indevido das contribuições sociais. Quanto a este argumento, além de encontrar óbice no art. 17 do Decreto 70.235/72 (Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.), não foi corroborado por qualquer prova nos autos, sequer existindo algum indício disto. Tratase de uma afirmação tão vazia quanto à afirmação do crédito na Manifestação de Inconformidade, não merecendo qualquer guarida deste Colegiado. Por fim, alega o Recorrente: Concluindo, o recolhimento a maior de parte do darf de RS 25.045,85 é decorrente do alargamento da base de cálculo do COFINS (código de receita 2172), a qual deu fundamento para a Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10783.914953/200997 Acórdão n.º 3402003.886 S3C4T2 Fl. 5 4 compensação ora não homologada, o que poderá ser comprovado por mera diligência fiscal. O autor simplesmente alega a necessidade de uma diligência fiscal, mas sem atender aos requisitos do art. 14, IV do Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. A despeito da falha do Recorrente em indicar os elementos necessários para a solicitação de uma diligência, ainda assim o Colegiado poderia propor a conversão do julgamento em diligência se entender necessária, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Todavia, a diligência não tem a função de, atuando em lugar do Contribuinte, atender a um ônus probatório que não foi observado por este, mas sim esclarecer fatos que foram aventados no processo. Desse modo, nego o pedido de diligência. Conclusão Forte no exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 80DF CARF MF
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