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Numero do processo: 16561.000026/2006-36
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000
IRPJ E OUTROS - LUCROS DE CONTROLADA NO EXTERIOR - ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA ANOS-CALENDÁRIO 1999 e 2000 - A conferência de participação societária não constitui "disponibilização" de lucros, cuja destinação ainda não fora objeto de deliberação.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO
As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia-SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.
Numero da decisão: 9101-001.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: a) EMPREGO DO VALOR: a) Por maioria de votos, dado provimento ao recurso do contribuinte em relação ao emprego. Vencidos os Conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada) e Otacílio Dantas Cartaxo. b) JUROS SEM MULTA: Por maioria de votos, negado provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora), José Ricardo da Silva, João Carlos de Lima Júnior e Susy Gomes Hoffmann. Por maioria de votos, dado provimento ao recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora), José Ricardo da Silva, João Carlos de Lima Junior e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias Relatora
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Valmir Sandri Redator Designado
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Karem Jureidini Dias, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Valmir Sandri, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima.
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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CELULOSE E PAPEL FAZENDA NACIONAL e RIPASA S.A. CELULOSE E PAPEL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000 IRPJ E OUTROS LUCROS DE CONTROLADA NO EXTERIOR ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA ANOSCALENDÁRIO 1999 e 2000 A conferência de participação societária não constitui "disponibilização" de lucros, cuja destinação ainda não fora objeto de deliberação. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e CustódiaSELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: a) EMPREGO DO VALOR: a) Por maioria de votos, dado provimento ao recurso do contribuinte em relação ao emprego. Vencidos os Conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada) e Otacílio Dantas Cartaxo. b) JUROS SEM MULTA: Por maioria de votos, negado provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora), José Ricardo da Silva, João Carlos de Lima Júnior e Susy Gomes Hoffmann. Por maioria de votos, dado provimento ao recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora), José Ricardo da Silva, João Carlos de Lima Junior e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 26 /2 00 6- 36 Fl. 975DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalme nte em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000026/200636 Acórdão n.º 9101001.678 CSRFT1 Fl. 18 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias – Relatora (ASSINADO DIGITALMENTE) Valmir Sandri – Redator Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Karem Jureidini Dias, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Valmir Sandri, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Relatório Tratase de Recursos Especiais interpostos tanto pela Fazenda Nacional quanto pela Contribuinte em face do Acórdão n° 10517.187 de 17/09/2008, proferido pela então 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O auto de infração (fls. 413/421 e 426/433) exige pagamento de IRPJ e CSLL em função de suposto recolhimento insuficiente desses tributos, referentes a infrações cometidas sob os seguintes títulos: "Rendimento de Participações Societárias — Equivalência Patrimonial"; "Glosa de Prejuízos Compensados Indevidamente — Saldo de Prejuízos Inexistentes"; "Adições Não Computadas na Apuração do Lucro Real — Lucros Auferidos no Exterior" (2002 a 2004); e "Adições Não Computadas na Apuração do Lucro Real — Lucros Auferidos no Exterior (1996 a 2001).". Por não concordar totalmente com a autuação sofrida, a contribuinte apresentou impugnação para três dos tópicos acima (fls. 455/499), com exceção dos Lucros Auferidos no Exterior de 2002 a 2004, e alegou a improcedência de parte do lançamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento considerou o lançamento realizado procedente. (fls. 564/602). Interposto Recurso Voluntário (fls. 606/659), a contribuinte dentre outras alegações, no que tange à matéria de Recurso Especial, buscou comprovar que a conferência de participações societárias não configura hipótese de disponibilização de lucros, além de ter defendido a impossibilidade de se exigir juros de mora sobre a multa de oficio cobrada sobre o crédito tributário em questão. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalme nte em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000026/200636 Acórdão n.º 9101001.678 CSRFT1 Fl. 19 3 Sobreveio sentença do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto pela Contribuinte e cancelou parte da exigência fiscal consubstanciada nos autos de infração, em decisão que restou assim ementada: COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS. IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. DESCRIÇÃO ADEQUADA DOS FATOS. DETALHAMENTO NECESSIDADE. Com vistas a que possa o sujeito passivo na relação jurídica tributária, exercer, em toda a sua plenitude, o direito de defesa consagrado pelo inciso LV da Constituição Federal de 1988, é imprescindível que a autoridade lançadora descreva, de maneira clara, objetiva, detalhada e corretamente, as circunstâncias que envolvem os fatos concretamente acontecidos, tipificadores das infrações contempladas. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR INCIDÊNCIA DA CSLL PRAZO NONAGESIMAL. Até a edição da MP n° 1.8586, de 29 de junho de 1999, republicada corno MP n° 2.158 35/2001, os lucros auferidos por pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, de filiais e sucursais sediadas no exterior, estavam sujeitos exclusivamente a incidência do Imposto de renda. Somente a partir da vigência desse diploma legal é que foi estendida a tributação, com a incidência, também, da CSLL. Lucros disponibilizados somente no ano de 2001, quando ocorreu o fato gerador e já ultrapassado o prazo nonagesimal. IRPJ CSLL DECADÊNCIA O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, em conformidade com os artigos 149 e 195, § 4º, da Constituição Federal, têm natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, no RE N° 146.7339/SP, o que implica observância, dentre outras, as regras do artigo 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial das contribuições se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere h decadência, mais precisamente no art. 150, § 4°. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR — CONVERSÃO. – Os lucros auferidos no exterior por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas, quando disponibilizados, serão convertidos para a moeda nacional adotandose a taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras que espelham os correspondentes lucros. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. LEGISLAÇÃO ANTERIOR — Consoante o disposto no art. 1° da Lei n° 9.532, de 1997, para efeito de disponibilização de lucros de coligada/controlada sob a forma de pagamento, considerase como tal o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça. No caso vertente, o emprego está caracterizado pela utilização da participação societária na empresa estrangeira que auferiu os lucros, para aporte de capital em outra. MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS — Na execução das decisões administrativas, os juros de mora à taxa selic só incidem sobre o valor do Fl. 977DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalme nte em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000026/200636 Acórdão n.º 9101001.678 CSRFT1 Fl. 20 4 tributo, no alcançando o valor da multa aplicada. Sobre a multa podem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês, contados a partir do vencimento do prazo para impugnação. Embargos Acolhidos Irresignada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 700/706) para reformar o acórdão recorrido a fim de que os juros de mora à taxa Selic fossem considerados devidos sobre o valor da multa aplicada. Em Despacho de fls. 712/713, restou comprovado o dissenso jurisprudencial e foi dado seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. A contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 716/733) e, além disso, seu próprio Recurso Especial (fls. 734/776), alegando divergência jurisprudencial em relação a incidência de 1RPJ e CSLL sobre a disponibilização de lucros auferidos por controlada por ocasião da conferência de participação societária realizada; e quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, a exclusão de qualquer juros. Em Despacho de fls. 875/878, também foi dado seguimento ao Recurso Especial da Contribuinte, tendo esta logrado êxito em comprovar o alegado dissenso jurisprudencial. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Os Recursos Especiais cumprem com os requisitos de admissibilidade motivo pelo qual passo a analisálos. O Recurso Especial do Contribuinte requer a reforma do Acórdão Recorrido em duas questões: (i) alega o recorrente que a conferência de participação societária não constitui disponibilização de lucros na modalidade emprego, o que afasta a aplicação do artigo 1°, parágrafo 2°, alínea b, item 4, da Lei n° 9.532/97 e (ii) pugna pela não incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício. O Recurso Especial da Fazenda, por sua vez, requer a reforma do Acórdão recorrido apenas no tocante à redução dos juros de mora incidente sobre a multa de ofício aplicada para 1% ao mês. Requer que seja reformada a decisão para a possibilidade de aplicação da taxa SELIC aos juros de mora sobre a multa. Fl. 978DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalme nte em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000026/200636 Acórdão n.º 9101001.678 CSRFT1 Fl. 21 5 No tocante à disponibilização de lucros, entendeu o acórdão recorrido que a operação realizada entre a empresa Ripasa S/A e sua controlada constituiu hipótese de emprego do valor. Tal operação consistiu em que a Ripasa S/A, detentora de 100% da empresa Ripasa International Trading (sediada nas Ilhas Virgens Britânicas) transferiu sua participação nessa empresa para a integralização de 100% do capital da empresa DIGLA S.A (sediada no Uruguay), tendo esta última alterado sua razão social para Ripasa Internacional S.A. Transcrevo abaixo trecho do acórdão recorrido quanto a tais fatos: “a recorrente, ao utilizar a participação que detinha na empresa que lhe deveria disponibilizar os lucros para aumentar o capital em outra, empregou, em seu benefício, os referidos lucros, eis que, como se sabe, o patrimônio da investida (RIPASA INTERNATIONAL TRADING LTDA), incluídos aí os lucros auferidos, se reflete, via equivalência patrimonial, no seu próprio patrimônio. Decorre daí que, se em momento seguinte, essa mesma parcela do patrimônio é empregada em seu benefício, vez que utilizada para aporte de capital em outra empresa, resta fora de dúvida que, nos termos da legislação que rege a matéria, efetivamente incidiu hipótese de disponibilização de lucros.” Quanto aos juros de mora sobre a multa de ofício, prevaleceu o entendimento de que apenas aplicase o percentual de 1% e não a taxa SELIC, conforme defende a Fazenda Nacional: “Como se vê, só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre a multa no caso de lançamento de multa isolada, não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1% a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 1° do art. 161 do CTN.” Tratarei, primeiramente, da questão relativa aos lucros no exterior. Antes de analisar as peculiaridades do caso, necessário fazer um histórico da legislação. Com efeito, até a vigência da Lei n° 9.249, editada em 26 de dezembro de 1995, vigorava no Brasil o princípio da territorialidade, segundo o qual, apenas os rendimentos que mantivessem elemento de conexão com o território detentor da pretensão tributária poderiam ser submetidos à tributação. Isto implicava, no campo pragmático, na impossibilidade de incidência de qualquer espécie tributária sobre rendimentos não produzidos no Brasil. A partir de dezembro de 1995, contudo, o cenário legislativo foi substancialmente alterado pela introdução da referida lei. Desse momento em diante, passouse a tolerar a tributação sobre rendimentos não produzidos no Brasil, adotandose, pois, o princípio da universalidade. Vejase, a propósito, a redação conferida ao artigo 25 da Lei n° 9.249/1995: "Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano." Na esteira da Lei n° 9.249/1995, a Secretaria da Receita Federal publicou a Instrução Normativa n° 38/1996, que, para dar cumprimento às novas regras trazidas na Fl. 979DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalme nte em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000026/200636 Acórdão n.º 9101001.678 CSRFT1 Fl. 22 6 referida Lei, acabou por inovar em alguns aspectos, especialmente no que se refere ao momento para reconhecimento das receitas auferidas no exterior. De fato, aludida Instrução Normativa criou verdadeiro diferimento da tributação dos lucros das sociedades estrangeiras, determinando sua disponibilização não mais no fechamento do balanço de cada ano, conforme previsto pela Lei n° 9.249/1995, mas, apenas, quando efetivamente pagos ou creditados para a empresa controladora. A Instrução Normativa n° 38/1996 trouxe, ainda, outras hipóteses que caracterizariam a realização do lucro auferido por sociedade estrangeira controlada, dentre as quais, a alienação do patrimônio pela empresa brasileira (artigo 2°, §9). Posteriormente à edição do diploma normativo referido acima, foi publicada a Lei n° 9.532/1997, cujo artigo 1° trata novamente e de forma integral da regulamentação da tributação do lucro auferido no exterior, revogando tacitamente as disposições divergentes veiculadas na Instrução Normativa n° 38/1996. A Lei nº 9.532/97 estabeleceu que o momento para adição, ao lucro líquido, dos resultados positivos, auferidos por empresa estrangeira, seria no fechamento do balanço do ano em que pago ou creditado tais valores à sociedade brasileira. Não repetiu, todavia, a hipótese de alienação do patrimônio da empresa controlada como momento para realização dos lucros ainda não distribuídos. Outra coisa bem diversa da alienação do patrimônio, bem da conferência de participação societária para aumento de capital em outra empresa, a meu ver, é a hipótese prevista no artigo 1º, § 2º, alínea ‘b’, item 4, da Lei nº 9.532/97: Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. § 2º Para efeito do disposto na alínea "b" do parágrafo anterior, considerase: b) pago o lucro, quando ocorrer: 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. Nova modificação, contudo, veio a atingir o sistema normativo em agosto de 2001. No rastro da alteração promovida pela Lei Complementar n° 104/2001, a qual, dentre outras inovações, inseriu o § 2° ao artigo 43 do Código Tributário Nacional, o Poder Executivo editou a Medida Provisória n° 2.15835/2001, cujo artigo 74 trouxe a seguinte redação: "Art. 74 Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei n° Fl. 980DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalme nte em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000026/200636 Acórdão n.º 9101001.678 CSRFT1 Fl. 23 7 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. A bem da verdade, referido dispositivo legal praticamente reproduziu redação conferida ao artigo 25 da Lei n° 9.249/95, dispondo que o lucro auferido por empresa controlada, coligada, filial ou sucursal no exterior será considerado como disponibilizado no momento do fechamento do balanço em que tiverem sido apurados. Mais ainda, determinou que os lucros apurados até 31.12.2001 ainda não distribuídos, assim deveriam ser considerados ao final de 2002. Dado este panorama geral do histórico legislativo da matéria, assim como já me manifestei no processo nº 13603.002794/200350, ocasião em que restei vencida no entendimento, tenho por claro que o emprego do valor, prescrito na Lei nº 9.532/97, não se confunde com alienação, hipótese prevista na IN 38/96. Considerando que os fatos geradores correspondem ao anocalendário de 2000, (em 31/12/2001 foi transferida a participação para integralização do capital da DIGLA S.A.) não há que se falar na aplicação do disposto na IN nº 38/96, que vigorou para regulamentar a Lei nº 9.249/95, à época já alterada pelas disposições da Lei nº 9.532/97, então vigente. Conforme esclarecido pelo histórico legislativo traçado anteriormente, a Instrução Normativa nº 38/96 diferiu a tributação no Brasil dos lucros auferidos por empresas estrangeiras. Evidente, portanto, que o disposto na mencionada Instrução Normativa referese à Lei que visou regular, melhor dizendo, criando uma verdadeira presunção para a determinação do momento, diferido pela própria IN, em que segundo a Lei nº 9.249/95 deveria ser efetivada a tributação em bases universais. Nessa toada, diferiu a tributação para o momento em que, presumivelmente, haveria a disponibilização do lucro e estabeleceu que esta se verificaria, dentre outras hipóteses, no emprego do valor. Entretanto, a partir do ano de 1998, com a veiculação da Lei n° 9.532/97, as novas regras introduzidas no sistema é que vigoram para o deslinde da controvérsia, especificamente no tocante ao reconhecimento da disponibilização dos lucros auferidos no exterior. Nessa medida, o que importa é tratar do emprego do valor como fato gerador para tributação do lucro no exterior. Repito que adotei, desde sempre, o entendimento de que emprego do valor não se confunde, em hipótese alguma, com alienação do patrimônio. Na alienação, ocorre um ganho ou uma perda de capital, caso a transferência da participação tenha sido feita por valor superior ou inferior ao custo de aquisição contábil. Ganho de capital não implica em disponibilização de lucro, o qual permanece intacto na empresa cujas ações foram transferidas. Fl. 981DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalme nte em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000026/200636 Acórdão n.º 9101001.678 CSRFT1 Fl. 24 8 O emprego do valor, por sua vez, é claramente hipótese de disponibilização de lucros de controlada e coligada, porquanto representa, na letra da lei (§ 2º do artigo 1º da Lei nº 9.532/97), disponibilização de valor, a qualquer título, inclusive para aumento de capital, em favor da beneficiária. Quando há substituição de uma participação por outra, não há disponibilização do valor. Diversamente, quando se verifica pagamento ou uma aquisição por conta da sócia, beneficiária do lucro disponibilizado, há uma disponibilização do valor. Ora, se o ordenamento jurídico deixou de prever, à época, a hipótese de tributação do lucro auferido, para determinar que o fato gerador do Imposto de Renda é tão somente a disponibilização do lucro, somente os lucros pagos ou creditados em favor da coligada ou controlada no exterior são passíveis de tributação. Justamente a hipótese do emprego do valor, que não se confunde com uma substituição de ativos. É por isso, que no período de vigência da Lei nº 9.532/97, essa reproduziu algumas previsões da IN 38/96, mas não reproduziu a hipótese de alienação de participação societária, o que se equipara à transferência da participação para integralização de capital de outra empresa justamente porque não se coadunaria com aquela novel sistemática. Essa novel sistemática, justamente como alegado pela d. Procuradoria em suas contrarrazões, conferiu ao contribuinte o direito de tributar o lucro auferido no exterior, tão somente quando a empresa no exterior decidisse, sponte propria, pela disponibilização dos lucros. É bem verdade que, de um lado, não existia, à época do fato qualquer norma legal que determinasse a tributação do lucro auferido no exterior, antes de sua disponibilização, vale dizer, não havia previsão para tributação quando da substituição ou alienação do investimento correspondente; e, de outro lado, aquele lucro auferido no exterior poderá compor o custo do bem, para efeito de eventual cálculo de ganho de capital. Não obstante, entendo que deve prevalecer a aplicação da estrita legalidade, tanto mais que o lançamento em questão não aborda eventual prejuízo ao erário quanto à apuração do ganho de capital. Custo que eventualmente seguiu a integralização da participação. De mais a mais, data venia de entendimento diverso, entendo que não deve prevalecer premissa no sentido de que a sociedade que confere sua participação em, dispõe dos lucros incorporados ao seu patrimônio líquido, razão pela qual estaria subentendido na Lei n° 9.532/1997 a hipótese aventada no artigo 2°, §9° da Instrução Normativa n° 38/1996. Esta equiparação entre conferência de ações e disponibilização dos lucros incorporados ao patrimônio líquido não pode ser efetuada sem base legal. É uma questão de competência, de limite para tributar. O emprego do valor deve ser tomado conforme competência tributária à luz do ordenamento vigente à época, no contexto do artigo 1º, da Lei nº 9.532/97, que limita a tributação às hipóteses de disponibilização do lucro. A esse respeito, peço vênia par citar o Conselheiro Valmir Sandri, no bem elaborado voto proferido no processo nº 10680.012244/200419 (acórdão nº 910100.750): A interpretação é incompatível com fórmulas e equações, como se a complexidade da vida pudesse ser representada em operações aritméticas. O direito vem do homem e serve para o homem, pois, a atividade de interpretar não visa apenas a conhecer a norma através das técnicas interpretativas, mas principalmente, “conhecer tendo em vista as condições de Fl. 982DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalme nte em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000026/200636 Acórdão n.º 9101001.678 CSRFT1 Fl. 25 9 aplicabilidade da norma enquanto modelo de comportamento obrigatório (questão da decidibilidade)”1. Enfim, a interpretação do Direito tem como fito “operar a sua inserção na vida”.2 Mas a interpretação possui limites, Celso Bastos preleciona que “A interpretação aparece diante do juiz como se fosse um quadro, ou melhor, uma moldura, dentro da qual o intérprete tem a faculdade de exercer a sua escolha, sendo que qualquer que seja a sua opção desde que dentro deste perímetro ela é válida. Todavia, se a escolha recair fora deste quadro, será inválida”.3 A moldura é delimitada pela lei, pois, conforme o Ministro Luiz Gallotti do Supremo Tribunal Federal: "... é certo que podemos interpretar a lei, de modo a arredar a inconstitucionalidade. Mas interpretar interpretando e, não, mudandolhe o texto, e, menos ainda, criando um imposto novo, que a lei não criou. Como sustentei muitas vezes, se a lei pudesse chamar de compra o que não é compra, de importação o que não é importação, de exportação o que não é exportação, de renda o que não é renda, ruiria todo o sistema tributário inscrito na Constituição." (RE 71.758, RTJ 66/165). Assim, o intérprete pode "interpretar interpretando", mas não criando um direito novo, como se legislador positivo fosse, o que é sedutor, por vezes. E para segurar o ímpeto do intérprete, a ciência jurídica, mais precisamente, a hermenêutica jurídica, criou as “regras técnicas que visam à obtenção de um resultado”,4 dando o “instrumento a ser utilizado pelo intérprete para alcançar o núcleo semântico da norma”, com base nos métodos interpretativos (gramatical, lógico, histórico, sistemático e teleológico). Ainda na esteira do brilhante voto, na égide da Lei 9.532/97, a disponibilização do lucro, em todas as hipóteses, ocorre no pagamento ou no crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior, o que implica na “baixa da reserva de lucros contra um passível exigível” ou diretamente em conta representativa de extinção da obrigação (banco, caixa, etc.). A transferência do investimento, por sua vez, não acarreta a exigibilidade ou o pagamento do lucro auferido pela controlada no exterior. Caso fosse possível tomar por fato imponível a conferência de ações, sob a égide da Lei nº 9.532/97, terseia um grave problema de possibilidade de dupla tributação sobre o mesmo lucro, quando de evento de evento que efetivamente caracterizasse emprego do valor. Pelo exposto, considerando que no caso dos autos tratase, conforme o próprio termo de verificação fiscal (fls. 436/446), de conferência pela Ripasa S.A. Celulose e 1Tércio Sampaio Ferraz Júnio, 2ª ed., São Paulo. Atlas. 1980, p. 74 2 Eros Roberto Grau. Op. cit., p. 28. 3 Celso Bastos, op. cit., p. 38. 4 Tercio Sampaio Ferraz Junior. Introdução ao Estudo do Direito: técnica, decisão, dominação. 3ª ed., São Paulo, Atlas, 2001, p. 282. Fl. 983DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalme nte em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000026/200636 Acórdão n.º 9101001.678 CSRFT1 Fl. 26 10 Papel das ações que possuía na empresa Ripasa International Trading LTD para integralização de 100% do capital da empresa DIGLA S.A, cuja razão social foi posteriormente alterada para Ripasa International S.A, considerando que a referida conferência de ações ocorreu em 31/12/2001, portanto ainda na vigência da Lei n° 9.532/97, e, considerando que tal operação não se configura em emprego de valor, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte nesta parte. Nesse sentido, lembro que, na sessão de abril de 2012, julgando caso semelhante, esta colenda Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu à unanimidade por dar provimento ao Recurso Especial do contribuinte. Entendeu a turma julgadora que, sob a égide da Lei nº 9.532/97, a alienação de participação societária em controlada no exterior pela controladora no Brasil não constitui "disponibilização" de lucros, cuja destinação ainda não fora objeto de deliberação: IRPJ E OUTROS LUCROS DE CONTROLADA NO EXTERIOR ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA ANOSCALENDÁRIO 1999 e 2000 A alienação de participação societária em controlada no exterior pela controladora no Brasil não constitui "disponibilização" de lucros, cuja destinação ainda não fora objeto de deliberação. (Acórdão CSRF 910101.303) Juros sobre a multa – recursos da Fazenda e do Contribuinte Passo agora à análise da segunda questão a ser examinada por esta Câmara, qual seja, a incidência de juros moratórios sobre a multa. O contribuinte apresentou recurso especial contra a r. decisão que aplicou o percentual de 1% a título de juros de mora sobre a multa de ofício, requerendo a exclusão de quaisquer juros moratórios. A d. Fazenda Nacional apresentou recurso especial requerendo a aplicação da taxa SELIC a titulo de juros de mora sobre a multa. Ambos os recursos foram conhecidos e, por se tratar da mesma matéria, analiso em conjunto. Minha já conhecida posição, apesar de vencida neste Colegiado, permanece ainda no sentido já prolatado no acórdão de minha relatoria sobre o tema – acórdão n° 9101 00.706. A aplicação de taxa de juros lastreada em indicadores do mercado financeiro foi, inicialmente, determinada pela Lei n° Lei n° 8.981/95, por meio do art. 84, que assim dispunha: Art 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Divida Mobiliária Federal Interna; (.) A taxa referida pelo artigo 84 da Lei nº 8.981/95 foi substituída pela taxa SELIC, conforme se verifica pela leitura do disposto no artigo 13 da Lei n° 9.065/95: Fl. 984DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalme nte em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000026/200636 Acórdão n.º 9101001.678 CSRFT1 Fl. 27 11 Art. 13. A partir de 1° de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei n°8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6° da Lei n°8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n°8.981, de 1995, o art. 84, inciso 1, e o art. 91, parágrafo único, alínea "a.2" da Lei n° 8.981, de 1995, serão equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Por fim, a Lei n° 9.430/96, em seu artigo 61 passou a dispor que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, incidirão juros de mora à taxa SELIC, leiase: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Partindo do disposto no referido artigo, a discussão centrouse na interpretação da expressão débitos decorrentes de tributos e contribuições. A d. Porcuradoria da Fazenda Nacional defende que a multa de oficio também está sujeita aos juros de mora à taxa SELIC, a partir do seu vencimento. No entanto, este Conselho Administrativo, por meio de diversos julgados – Acórdão nº 140200.213, sessão de 06/07/2010 e Acórdão nº 10709526, sessão de 16/10/2008, por exemplo – interpretando a citada expressão do artigo 61 da Lei nº 9.430/96, asseverou o seguinte: “Decorrente é aquilo que se segue, que é conseqüente. De fato o não pagamento de tributos e contribuições nos prazos previstos na legislação faz nascer o débito. Em outras palavras, o débito decorre do não pagamento de tributos e contribuições nos prazos. A multa de ofício não é débito decorrente de tributos e contribuições. Ela decorre, nos exatos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização às seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e b) falta de declaração e nos de declaração inexata.” Em outras palavras a regra veiculada pelo art. 61 da Lei n.° 9.430/96 refere se à incidência de acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, sendo certo que a penalidade pecuniária não decorre de tributo ou contribuição, mas do Fl. 985DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalme nte em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000026/200636 Acórdão n.º 9101001.678 CSRFT1 Fl. 28 12 descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo, de onde se extrai a conclusão de ser inaplicável os juros de mora à taxa SELIC sobre a multa de oficio. Assim, a conclusão dos referidos acórdãos, dentre outros, foi no sentido de que juros de mora só incidem sobre as multas isoladas, aplicadas nos termos do art. 43 da Lei nº 9.430/96: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A meu ver não poderia ser outra a conclusão e, nesse ponto, reforçoa a partir de duas premissas básicas. A uma, tributo não se confunde com penalidade, porquanto o ordenamento jurídico é regido sistemicamente pelos códigos lícito/ilícito e claramente assevera que o tributo é devido por motivo lícito, sendo jamais cobrado por motivação ilícita. A ilicitude não é per si suporte fático tributário. Já a penalidade é devida em razão da prática de uma ilicitude, por exemplo, pelo pagamento em atraso, pelo não pagamento ou pela não declaração. É bem verdade que o crédito tributário pode corresponder à cobrança de um tributo ou de uma penalidade, mas é o ordenamento jurídico que diz quando ele toma para incidência de juros de mora o tributo ou a penalidade, ou ambos. A duas, porque o crédito tributário não pode ser cobrado senão ex lege, cumprindo ao julgador preservar o direito subjetivo do contribuinte de ser cobrado apenas e tão somente na medida da lei, que deve ser interpretada segundo todo o contexto jurídico em que inserida. Ora, é nesse contexto que vislumbramos que o ordenamento tratou, para efeito de incidência dos juros de mora calculados à taxa SELIC, o termo débitos para com a União (artigo 61 da Lei nº 9.430/96), quando decorrente de tributos e contribuições, não abarcando a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, ao mesmo tempo em que tratou da incidência dos juros de mora sobre o crédito tributário (artigo 43 da Lei nº 9.430/96) que formaliza exigência exclusiva de multa ou juros de mora cobrados isoladamente ou estes em conjunto. Enfim, a distinção é clara. Incide juros de mora sobre tributo, aí incluídas as contribuições, e sobre os lançamentos exclusivamente de multa (isolada) e/ou juros de mora. Com relação à interpretação dos artigos 43 e 61 da Lei nº 9.430/96, importante, ainda, apontar relevante consideração feita em alguns julgados deste Conselho Administrativo (por exemplo no Acórdão nº 10422.508, sessão de 13/06/2007), no sentido de que “se a expressão ‘débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições’ constante no ‘caput’ do artigo 61 contemplasse também a multa de oficio, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do artigo 43 supra transcrito, posto que a incidência dos juros sobre a multa de oficio lançada isoladamente nos termos do ‘caput’ do artigo já decorreria diretamente do artigo 61.” Fl. 986DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalme nte em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000026/200636 Acórdão n.º 9101001.678 CSRFT1 Fl. 29 13 Por fim, peço vênia também para reproduzir as conclusões da Conselheira Sandra Maria Faroni, no Acórdão nº 110200.060 (sessão de 28/08/2009), que resumem os argumentos que concluem pela não incidência dos juros sobre a multa de ofício: “A obrigação tributária pode ser principal, consistindo em obrigação de dar (pagar tributo ou multa) e acessória, obrigação de fazer (deveres instrumentais). De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, compreendemse no crédito tributário o valor do tributo e o valor da multa. O Decretolei n° 1.736/79 determinou a incidência dos juros de mora sobre o "valor originário" , definindo como "valor originário" o débito, excluídas apenas as parcelas relativas a correção monetária, juros de mora, multa de mora e encargo do DL 1.025/69. Ou seja, não previu a exclusão da multa de oficio. O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Seu § 1° determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de oficio, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. Além dos artigos 2° e 3° do DL 1.736/79, tratam dos juros de mora os seguintes dispositivos de leis ordinárias: Lei 8.383/91, art. 59; Lei 8.981/95, art. 13; Lei 9.430/96, art. 5°, § 3°, art. 43, parágrafo único e art. 61, § 3°, Lei n° 10.522/2002, (cuja origem foi a MP 1.62131/98), arts. 29 e 30. O artigo 61 da Lei 9.430/96 regula a incidência de acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 01 de janeiro de 1997, não alcançando, pois, a multa por lançamento de oficio, uma vez que: (a) a multa não decorre do tributo, mas do descumprimento do dever legal de pagálo; (b) entendimento contrário implicaria concluir que sobre a multa de oficio incide a multa de mora. De mais a mais, a fim de demonstrar o entendimento outrora manifestado pelo CARF no sentido acima exposto, colaciono a ementa de diversos julgados: "JUROS DE MORA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC. — É cabível, no lançamento de oficio, a cobrança de juros de mora sobre o tributo ou contribuição, calculados com base na variação acumulada da Taxa Selic. Referidos juros não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou Fl. 987DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalme nte em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000026/200636 Acórdão n.º 9101001.678 CSRFT1 Fl. 30 14 contribuição, decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 1/01/1997, por absoluta falta de previsão legal. (Acórdão 20216.397, sessão de 14.07.2005)". "JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. (Acórdão 101 96.008, sessão de 1/03/2007)”. “INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio.(Acórdão 10196.607, sessão de 06/03/2008)”. Apesar de vencida na sessão de outubro de 2011, na qual foi mantida a incidência de juros sobre multa de ofício (Acórdão nº 9101001.191), mantenho por ora meu entendimento, no mesmo sentido da decisão outrora adotada por esta colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais, em acórdão de minha relatoria sobre o mesmo tema Acórdão CSRF/910100.706, sessão de 08/11/2010. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. Sala das Sessões em 15 de maio de 2013 (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Voto Vencedor Conselheiro Valmir Sandri, Redator Designado Tendo acompanhado a Ilustre Relatora em relação ao mérito em seu bem fundamentado voto e, discordado quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, o qual entendo devido quando pago fora de prazo, fui então designado para redigir o voto vencedor quanto a esta matéria, e para isso, transcrevo os diversos dispositivos legais que trataram e tratam da incidência e cobrança de juros de mora, para logo após, tecer minhas considerações que me levaram pela procedência de sua exigência. Vejamos os dispositivos legais: Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 CAPÍTULO VII – Das Multas e dos Juros de Mora Art. 59 – Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos Fl. 988DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalme nte em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000026/200636 Acórdão n.º 9101001.678 CSRFT1 Fl. 31 15 até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de um por cento ao mês calendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. § 1° A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do vencimento. § 2° A multa incidirá a partir do primeiro dia após o vencimento do débito; os juros, a partir do primeiro dia do mês subseqüente. .......................... Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 84 – Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Recita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I – juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; ............................. Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ......................................... Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002 Fl. 989DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalme nte em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000026/200636 Acórdão n.º 9101001.678 CSRFT1 Fl. 32 16 Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – UFIR, instituída pelo art. 1° da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. (g.n) Da leitura dos dispositivos legais ora transcritos, depreendese claramente que os legisladores definiram, como base de incidência de juros de mora ora, exclusivamente, “tributos e contribuições” (até o advento da Lei 8.981/95), e posteriormente estendendo sobre os “débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União” (a partir da Lei n. 9.430/96) e, débitos de qualquer natureza, no meu entender, esta incluída a multa de ofício. De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, compreendemse no crédito tributário o valor do tributo e o valor da multa. Por sua vez, o art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da sua falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Por seu turno, o § 1o do mesmo artigo determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Fl. 990DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalme nte em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000026/200636 Acórdão n.º 9101001.678 CSRFT1 Fl. 33 17 No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não paga no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora calculados com base na taxa Selic acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Na verdade, o que se extrai de toda essa legislação é que o legislador, cessada a correção monetária, quis fazer incidirem os juros de mora também sobre a multa por lançamento de ofício, eis que sua cobrança representa uma compensação pela não disponibilização do valor do débito não recolhido no devido tempo. De forma genérica, correspondem a uma compensação por um empréstimo ou pela utilização do capital de terceiros, os quais, no caso de demora no pagamento de obrigações de natureza tributária têm a mesma natureza, a mesma finalidade: compensar, atualizar, equilibrar, ressarcir as perdas sofridas pelo Fisco, ou seja, seu objetivo é reparar, com pecúnia, o Erário, pelo atraso no recolhimento do débito tributário. Portanto, em relação a esta matéria, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário, para manter a exigência dos juros moratórios incidentes sobre a multa de ofício não paga no seu vencimento, calculados com base na taxa Selic. É como voto. Sala das sessões em 15 de maio de 2013. (ASSINADO DIGITALMENTE) Valmir Sandri, Redator Designado. Fl. 991DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalme nte em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 14041.000637/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Wilson Antonio que votou pela análise e decisão do Recurso. Redator Marcelo Oliveira.
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Presidente/Redator Designado
(Assinado digitalmente)
Wilson Antonio de Souza Corrêa. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva Wilson Antonio de Souza Corrêa e Damião Cordeiro de Moraes.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Resolvem os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Wilson Antonio que votou pela análise e decisão do Recurso. Redator Marcelo Oliveira. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente/Redator Designado (Assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva Wilson Antonio de Souza Corrêa e Damião Cordeiro de Moraes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 41 .0 00 63 7/ 20 07 -1 7 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 14041.000637/200717 Resolução nº 2301000.222 S2C3T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de Auto de Infração (AI) materializado pelo n° 37.058.7219, consolidado em 17/08/2007, em desfavor da empresa Recorrente por deixar de prestar adequadamente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis nos formatos definidos pela autoridade fiscal; Bem como os esclarecimentos necessários a fiscalização, conforme previsto na Lei n°. 8.212, de 24.07.91, art. 32, III, combinado com o art. 225, III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°. 3.048, de 06.05.99, referente ao período de Janeiro/1977 a Fevereiro/2007. Consta no Relatório Fiscal (fls. 06/08) regras para as empresas que utilizam de sistema de processamento eletrônico de dados, conforme previsto na Lei n°. 8.212, de 24.07.91, art. 32, III e na Lei n°. 10.666, de 08.05.03, art. 8°, combinados com o art. 225, III e parágrafo 22 (acrescentado pelo Decreto n°. 4.729, de 09.06.2003) do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°. 3.048, de 06.05.99. Adiante, consta no Relatório Fiscal da multa aplicada (fl. 09/12) que em decorrência do fato acima descrito, foi aplicada a multa cabível, no valor de R$ 11.951,21 (onze mil, novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos), conforme disposto na Lei n° 8.212, de 24.07.91, arts. 92 e 102, Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.99, art. 283, inc. II, alínea "h" e art. 373. Valores atualizados, a partir de 1° de abril de 2007, pela Portaria MPS n°. 142, de 11/04/2007. Tendo sido elevado em 24 (vinte e quatro) vezes, pelos agravantes do art. 290, V (reincidências) c/c art. 292 IV do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, limitado ao valor estipulado no art. 90 ,V, da Portaria MPS n°. 142, de 11/04/2007, totalizando o valor de a R$ 119.512,33 (cento e dezenove mil quinhentos e doze reais e trinta e três centavos). Irresignada com a autuação, a Recorrente apresentou sua Impugnação tempestiva (fls. 41/50) onde, em síntese, pleiteia a exclusão das exigências impostas no Auto de Infração, para extinguir integralmente os créditos tributários apurados, com base nos seguintes argumentos: I) Que todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, disponíveis á época, foram prestadas à fiscalização, motivo pelo qual sustenta a impossibilidade da aplicação da penalidade que julga ser confiscatória, desproporcional e descabida; II) Que as obrigações acessórias questionadas foram devidamente cumpridas, sustenta que não é razoável e suficiente para ensejar a aplicação da multa pretendida a simples alegação de que os arquivos eletrônicos foram fornecidos em desacordo com o leiaute proposto pela douta fiscalização. III) Que a norma obriga a prestação de informações objetivando, primordialmente, o seu conteúdo e não a forma. Sendo assim, alega que as informações foram prestadas por meio de arquivo eletrônico, conforme solicitado pela fiscalização e que foram plenamente compreendidas pela fiscalização. IV) O cancelamento da multa fiscal aplicada sob o fundamento de inexistência de descumprimento de quaisquer obrigações acessórias. V) De acordo com o princípio da eventualidade, entenderse pela ocorrência de descumprimento de obrigação acessória na autuação, ressalta que a gradação da multa aplicada na presente autuação não observou o regulamento (RPS) da Lei de Plano de Custeio (Lei 8.212/91), art. 290 do Decreto 3.048/99, ao considerar, como reincidência específica autuações fiscais pendentes decisões administrativas definitivas. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 14041.000637/200717 Resolução nº 2301000.222 S2C3T1 Fl. 4 3 No entanto, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por meio do Acórdão n° 0323.854, proferido pela 6ª Turma da DRJ/BSA (fls. 63/69), julgou o lançamento procedente, conforme ementário abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 17/08/2007. AI: 37.058.7219 MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÀO APRESENTAÇÃO, PELA EMPRESA, DAS INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS, BEM COMO DOS ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS À FISCALIZAÇÃO. O Auto de Infração destinase a registrar a ocorrência de infração à legislação Previdenciária por descumprimento de obrigação acessória e a constituir o respectivo crédito da Previdência Social relativo à penalidade pecuniária aplicada. Constituem circunstâncias agravantes da infração ter o infrator incorrido em reincidências ( art. 290, V c/c art. 292 IV do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99) A multa aplicada a maior em Auto de Infração será corrigida na própria decisão, com abertura de prazo para recurso ou pagamento com redução de vinte e cinco por cento. (art.16. Portaria RFB n° 10.875/07) LANÇAMENTO PROCEDENTE, COM RETIFICAÇÃO DA MULTA APLICADA. Lançamento Procedente.” Inconformada com a aludida decisão, a Recorrente interpôs, Recurso Voluntário (fls. 77/86) alegando, em síntese, todos os fundamentos expostos na Impugnação. Eis o relato dos fatos. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 14041.000637/200717 Resolução nº 2301000.222 S2C3T1 Fl. 5 4 VOTO VENCIDO Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame do mérito. Alega que todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, disponíveis á época, foram prestadas à fiscalização, motivo pelo qual sustenta a impossibilidade da aplicação da penalidade que julga ser confiscatória, desproporcional e descabida. Só que a Recorrente, nos autos do processo não demonstrou cabalmente que tenha acudido as exigências do Fiscalizador. Ao contrário, da peça defensiva não se vislumbra qualquer documento que pudesse comprovar o alegado. Quando a Recorrente alega que a imposição de sanção aplicada pela Fiscalização tem caráter confiscatório. Vejo que ela está dizendo que a multa deve ser considerada como a concretização do ‘ius puniendi’ arbitrário do estado, e, ‘data venia’, é desarrazoado pleito, pois ela (sanção) visa a preservação da ordem ao estado democrático de direito, garantindo a seguridade tributária e social, devendo o Fiscal cumprir rigorosamente com a aplicação da lei, com seu devido e imperioso cumprimento. Tenho que o confisco é uma violação abrupta e arbitrária ao direito de propriedade de quaisquer tipos de bens, cuja qual sempre foi impedida em nossas Constituições, na forma de tributo e não multa. Como se está falando em multa e não tributo penso que não há como sustentar a configuração de confisco no presente caso, como quer a Recorrente, i) a uma que a multa não guarda característica de tributo, ii) a duas porque a multa aplicada possui sustentação legal, devendo ser imposta, sob pena de enxovalhar a seguridade do Ordenamento Jurídico. Diz ainda em suas peças Defensiva e Recursiva que as obrigações acessórias questionadas foram devidamente cumpridas, sustentando que não é razoável e suficiente para ensejar a aplicação da multa pretendida a simples alegação de que os arquivos eletrônicos foram fornecidos em desacordo com o leiaute proposto pela douta fiscalização, também não merece acolhimento. Ora, se as obrigações assessorias foram cumpridas, deveria a Recorrente ter comprovado sua alegação, que é seu ônus, seguindo inteligência do Caderno Processual, e isto, teria sustentado que a fiscalização equivocadamente julgou que os arquivos eletrônicos estavam em desacordo com a lei, razão da punição, ora anatematizada, mudando o rumo do julgamento. Todavia, como não provou nada, não há de se falar em sustentação infundada da fiscalização ao aplicar multa em razão de desconformidade com a lei. Quanto a gradação da multa aplicada não ter observado o regulamento (RPS) da Lei de Plano de Custeio (Lei 8.212/91), art. 290 do Decreto 3.048/99, ao considerar, como reincidência específica autuações fiscais pendentes decisões administrativas definitivas parece me lógico. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 14041.000637/200717 Resolução nº 2301000.222 S2C3T1 Fl. 6 5 É que não se pode considerar reincidente quem ainda não teve uma decisão definitiva, sob pena de estar maculando o devido processo legal, amplo defesa, contraditório e coisa julgada. Todavia, não vejo nos autos cópia destes processos administrativos em curso, que deveriam ter acompanhado a defesa inicial ou ao menos pedido de perícia para demonstrar. O que por muito dificulta o presente julgamento. Acompanhando pelo ‘site’ do CARF vêse que há outros processos administrativos em movimento, sendo certo que eles não possuem sentenças definitivas. Todavia, não há como saber se o assunto tratado é da mesma espécie. Mas, seja como for, penso que a Recorrente deveria juntar com a defesa inicial o que alega, sendo este o momento oportuno, o que não fez. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, tenho que a peça Recursiva atende todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual o conheço, para no mérito NEGARLHE provimento, uma vez que não provou o alegado, ônus da Recorrente, e, desta forma, mantenho a decisão ‘a quo’ incólume. É o voto. (Assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa. – Relator Fl. 143DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 14041.000637/200717 Resolução nº 2301000.222 S2C3T1 Fl. 7 6 VOTO VENCEDOR Marcelo Oliveira, Redator Designado Com todo respeito ao nobre Relator, divirjo de suas conclusões. Em seu recurso, inclusive por memoriais, a recorrente afirma que já foi fiscalizada no período objeta da presente autuação, com cobertura total e que as autuações que fundamentaram o agravamento da multa. Assim, novo procedimento fiscalizatório só poderia ser possível se fundamentado nas hipóteses previstas no CTN, Art. 149. Nos debates e nas análises dos documentos, a maioria do colegiado decidiu, para maior certeza quanto à decisão, converter o julgamento em diligência, para que o Fisco informe: 1. Se o sujeito passivo foi fiscalizado no período objeto da autuação, anexando documentos?; 2. Caso tenha sido fiscalizado, se a fiscalização foi total ou parcial, anexando documentos? E 3. Se o agravamento da multa está correto, já que há argumentos sobre decisões administrativas contrárias às autuações. Por fim, após a elaboração de informação fiscal (IF) com a resposta aos questionamentos acima, deve ser dada ciência dessa resolução e da IF ao sujeito passivo, para que, caso deseje, apresente seu argumentos, no prazo de trinta dias de sua ciência. CONCLUSÃO: Por todo exposto, voto em converter o julgamento em diligência, nos termos acima. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator designado Fl. 144DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 10909.001292/2011-99
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 3/13) lavrado em 27.04.2011, contra as empresas Plásticos Itajaí Representações Ltda. (a “Itajaí”), na condição de contribuinte, e Indústria e Comércio de Plásticos Cajovil Ltda. (a “Cajovil”), na condição de responsável, para RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 09 .0 01 29 2/ 20 11 -9 9 Fl. 3496DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/08/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10909.001292/201199 Resolução nº 3403000.473 S3C4T3 Fl. 5 2 lançamento de Imposto de Importação – II, Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, Contribuição para o Programa de Integração Social – PISImportação e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – CofinsImportação, por inadimplemento do compromisso de exportar, decorrente de regime aduaneiro especial drawback (Decreto nº 4.543/02, arts. 335 a 355), nos anoscalendários de 2004 a 2008. Narra a auditoria (fls. 14/43) que: (a) a Itajaí registrou 449 Declarações de Importação – DIs entre 2004 e 2008; (b) a Itajaí não possuía capacidade financeira e operacional para tais importações, sendo na verdade uma empresa “laranja” utilizada para ocultar as empresas por cuja conta e ordem as importações eram realizadas; (c) para 95 das 449 DIs, identificouse que a empresa “encomendante” das importações era a recorrente Cajovil; (d) para 225 das 449 DIs, identificouse que a “encomendante” das importações era a empresa Gabiplast Distribuidora de Plásticos Ltda; (e) a recorrente e a Gabiplast são empresas cujos sócios administradores são os irmãos Carlos Norberto Brandes e Jorge Luiz Brandes; e (f) das 95 DIs vinculadas à recorrente Cajovil, 92 foram registradas pelo regime de drawback; e, das 225 DIs vinculadas à Gabiplast, 169 também eram de drawback; e (g) em todo o período auditado, a Itajaí nunca realizou sequer uma operação de exportação; intimada a comprovar o cumprimento das regras aplicáveis ao drawback, a Itajaí silenciou. Além do presente auto de infração, que lança os tributos incidentes nas importações objeto das 92 DIs sob regime de drawback ligadas à Cajovil, resultaram também, dessa mesma e única auditoria, os seguintes processos: (i) PAF nº 10909.000911/201128 (em pauta nesta mesma sessão de julgamento): auto de infração lavrado contra a Itajaí e a Cajovil, para aplicação da multa substitutiva de pena de perdimento das mercadorias objeto das 95 DIs vinculadas à Cajovil; (ii) PAF nº 10909.00910/201183: auto de infração lavrado contra a Itajaí e a Gabiplast, para aplicação da multa substitutiva de pena de perdimento das mercadorias objeto das 225 DIs vinculadas à Gabiplast; (iii) PAF nº 10909.001291/201144: auto de infração lavrado contra a Itajaí e a Gabiplast, para lançamento de II, IPI, PisImportação e CofinsImportação sobre as 169 DIs financiadas pela Gabiplast registradas sob regime de drawback; (iv) PAF nº 10909.001167/201189: auto de infração lavrado contra a Itajaí, para aplicação da multa substitutiva de pena de perdimento das mercadorias objeto das 129 DIs (449 menos 95 menos 225) cujo encomendante não foi identificado; e (v) 10909.000912/201172: representação fiscal para fins penais. Fl. 3497DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/08/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10909.001292/201199 Resolução nº 3403000.473 S3C4T3 Fl. 6 3 Somente a responsável Cajovil impugnou o lançamento (fls. 250/317), com os seguintes argumentos: (a) decadência relativamente aos fatos geradores anteriores à 04.05.2006, com fundamento no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional – CTN; (b) nulidade do lançamento em razão de cerceamento de defesa, uma vez que não teria tido nenhuma oportunidade de se manifestar no curso da fiscalização que precedeu a autuação; (c) inexistência de interposição fraudulenta ou ocultação de terceiros nas importações, que eram realizadas direta e unicamente pela Itajaí, sem qualquer ingerência da Cajovil, que apenas comprava daquela importadora as mercadorias já nacionalizadas; (d) impossibilidade de incidência concomitante dos tributos sobre a importação e da pena de perdimento das mercadorias importadas; (e) aplicabilidade da responsabilidade tributária dos arts 32 e 95 do DL nº 37/66 unicamente ao Imposto de Importação, e não ao IPI, ao PisImportação e à CofinsImportação; (f) bitributação em relação ao IPI, já que a Itajaí debitou o imposto nas vendas à Cajovil e nada creditou quando da importação; (g) isenção do II em relação às importações vindas de países integrantes do Mercosul; (h) inconstitucionalidade do PisImportação e da CofinsImportação. Em 26.09.2011, a DRJFlorianópolis/SC (fls. 3276/3301) julgou parcialmente procedente a impugnação, reconhecendo apenas, com fundamento no art. 173, I do CTN, a decadência do direito à constituição dos créditos tributários relativos às DIs nº 0404167238001, 0404781726001, 0405783889001, 0405890324001, 0407161982001, 0407526158001, 0408143384001, 01408775488001, 0408887057001, 0408882691001, 0409378695001, 0409553489001, 041268542001, 0500050150001, 05800050141001, 0501796872001 e 0506643535001. Da parcela exonerada em razão do reconhecimento da decadência, interpôsse recurso de ofício. Em seu recurso voluntário (fls. 3359/3437), a recorrente Cajovil reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 3498DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/08/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10909.001292/201199 Resolução nº 3403000.473 S3C4T3 Fl. 7 4 Dentre outras razões, sustenta a recorrente que, ao proceder ao lançamento da contribuição ao PIS e da COFINS incidentes na importação, a fiscalização teria se excedido, na medida em que fez constar da base de cálculo das exações o valor do ICMS também incidente sobre o fato gerador e, além dele, o quantitativo das próprias contribuições, em desacordo com o artigo 149, §2o, III, “a” da CF/88. A matéria é objeto do recurso extraordinário no 559.607, que tramita no STF, tendo sido reconhecida unanimemente a repercussão geral do tema (no 01) em 26/09/2007. Na ocasião, o Tribunal determinou ainda “a devolução à origem de todos os demais recursos idênticos, que tenham sido interpostos na vigência do sistema da repercussão geral, e a comunicação da decisão aos presidentes do Superior Tribunal de Justiça, dos Tribunais Regionais Federais, da Turma Nacional de Uniformização da Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais, e dos coordenadores das Turmas Recursais, para que suspendam o envio ao Supremo Tribunal Federal dos recursos que versem a matéria, sobrestandoos.”(grifo nosso) Assim, e tendo em vista o disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 256/2009 (com a redação dada pela Portaria MF no 586/2010), é de se propugnar pelo sobrestamento do presente processo. Pelo exposto, voto no sentido de sobrestar o presente processo, pela existência de repercussão geral em relação à base de cálculo da COFINSimportação e da contribuição para o PIS/Pasepimportação. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 3499DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/08/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 10935.902234/2012-48
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/10/2003
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.312
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/10/2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1673; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 63 1 62 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.902234/201248 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801002.312 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de novembro de 2013 Matéria DCOMP ELETRÔNICO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente ANHAMBI ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/10/2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 22 34 /2 01 2- 48 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902234/201248 Acórdão n.º 3801002.312 S3TE01 Fl. 64 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902234/201248 Acórdão n.º 3801002.312 S3TE01 Fl. 65 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902234/201248 Acórdão n.º 3801002.312 S3TE01 Fl. 66 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902234/201248 Acórdão n.º 3801002.312 S3TE01 Fl. 67 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.009664/2002-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1996 a 30/09/2001
RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE
Nos termos regimentais, o recurso especial só pode ser admitido quando demonstrada a divergência de entendimentos, entre colegiados integrantes da estrutura do CARF, a respeito de fatos sobre os quais se aplique a mesma legislação.
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
NORMAS GERAIS. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS À MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C. Decisão do e. STJ no julgamento do Resp 973.733:
PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE.
1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).
2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).
3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito TributárioBrasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).
5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001.
6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo.
7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.
Recurso especial conhecido parcialmente e provido
Numero da decisão: 9303-002.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso apenas quanto à decadência, para dar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva declararam-se impedidos de votar.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente Substituto.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 20/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki. Fabíola Cassiano Keramidas (em substituição à Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez), Susy Gomes Hoffmann e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da Primeira Seção, em substituição ao Presidente Otacílio Cartaxo, ausente, justificadamente).
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/1996 a 30/09/2001 RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Nos termos regimentais, o recurso especial só pode ser admitido quando demonstrada a divergência de entendimentos, entre colegiados integrantes da estrutura do CARF, a respeito de fatos sobre os quais se aplique a mesma legislação. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C DO CPC. Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. NORMAS GERAIS. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS À MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C. Decisão do e. STJ no julgamento do Resp 973.733: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito TributárioBrasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Recurso especial conhecido parcialmente e provido
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Recorrente KRAFT FOODS BRASIL S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1996 a 30/09/2001 RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Nos termos regimentais, o recurso especial só pode ser admitido quando demonstrada a divergência de entendimentos, entre colegiados integrantes da estrutura do CARF, a respeito de fatos sobre os quais se aplique a mesma legislação. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS À MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543C. Decisão do e. STJ no julgamento do Resp 973.733: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 96 64 /2 00 2- 71 Fl. 772DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 2 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito TributárioBrasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 10980.009664/200271 Acórdão n.º 9303002.849 CSRFT3 Fl. 6 3 Recurso especial conhecido parcialmente e provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso apenas quanto à decadência, para darlhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva declararamse impedidos de votar. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente Substituto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 20/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki. Fabíola Cassiano Keramidas (em substituição à Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez), Susy Gomes Hoffmann e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da Primeira Seção, em substituição ao Presidente Otacílio Cartaxo, ausente, justificadamente). Relatório Foi admitido pelo Presidente da Segunda Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes recurso especial interposto pela sociedade empresária acima qualificada no qual ela pretende discutir dois pontos da decisão proferida, em 2008, por aquela Câmara. Além da decadência, que o colegiado afastou por entender aplicável a regra contida no art. 45 da Lei 8.212/91, também versa o recurso sobre a possibilidade de incidência de juros em lançamentos efetuados com exigibilidade suspensa por força de depósitos judiciais. Quanto ao primeiro ponto, apresentou a recorrente paradigmas que, indubitavelmente, aplicaram entendimento diverso daquele adotado na decisão sob recurso, nominadamente, que o prazo decadencial é de cinco anos e se conta da data dos fatos geradores na dicção do art. 150 do CTN. Quanto à existência de recolhimentos das competências do ano de 1996, a autoridade responsável pela autuação elaborou planilha (fls. 174 e 175) que atesta a ocorrência de pagamentos parciais. No que concerne à inclusão no lançamento dos juros de mora, a decisão já havia sido objeto de embargos de declaração cuja admissibilidade fora denegada pelo mesmo Presidente da Câmara sob o argumento (fl. 675, verbis): Fl. 774DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 4 Conforme se verifica no acórdão 20215.618, nos segundo e terceiro parágrafos da fl. 556, a relatora deixou bem claro que no momento da lavratura do auto de infração estava vigorando uma liminar e que os depósitos em juízo foram efetuados a partir de 2002, ou seja, após a lavratura do auto de infração, que ocorreu em 2001. Vale dizer que essas afirmações não foram contraditadas pela empresa em seu recurso especial, que não tenta demonstrar que os depósitos tenham sido prévios ao lançamento e a causa da suspensão de exigibilidade reconhecida pela autoridade autuante. Ainda assim, os paradigmas apresentados pela empresa dizem respeito, todos, a casos em que no momento da lavratura do auto de infração já haviam sido realizados os depósitos. É o Relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Entendo que o recurso somente deve ter seguimento quanto à decadência. Isso porque, a meu sentir, não foi comprovada a divergência de entendimentos necessária a sua admissão no que toca aos juros de mora. Assim concluo porque a situação destes autos é diferente daquela tratada em todos os paradigmas apresentados. De fato, enquanto aqui os depósitos somente foram realizados após a lavratura do auto de infração, em todos os acórdãos colacionados eles são prévios ao lançamento, ainda que, em alguns casos, tenham sido feitos depois de mudanças na liminar inicialmente deferida. Essa última circunstância também está aqui presente, mas os depósitos somente foram formalizados quando já existia o lançamento. Diferentes as situações fáticas, entendo que não se pode conhecer do recurso quanto a esse ponto e dele apenas conheço quanto à decadência. E no que tange a ela não há muito mais a acrescer ao que consta do Relatório face à literalidade do art. 62A do Regimento Interno do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF Em seu estrito cumprimento, reproduzo a decisão proferida pelo e. Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Resp 973.733, relator o Ministro Luiz Fux: “A insurgência especial cingese à decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à contribuições previdenciárias cujos fatos imponíveis ocorreram no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994. Deveras, a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos Fl. 775DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 10980.009664/200271 Acórdão n.º 9303002.849 CSRFT3 Fl. 7 5 casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, verbis : "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados : I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito” Tendo sido reconhecido pela própria autoridade autuante a existência de pagamentos parciais para os três meses do ano de 1996, deve ser contado o prazo na forma prevista no art. 150, como quer a empresa, o que implica reconhecer a decadência dos meses de outubro e novembro daquele ano, cujo lançamento somente poderia ter ocorrido até 31 de outubro de 2001 e 30 de novembro de 2001, respectivamente. E é assim que voto. Júlio César Alves Ramos Relator Fl. 776DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS
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Numero do processo: 10580.721422/2008-58
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
EXCLUSÃO DO SIMPLES. ADOÇÃO DE NOVO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. APROVEITAMENTO DO PAGAMENTO EFETUADO COM O CÓDIGO 6106 PARA QUITAÇÃO DE DÉBITO DE MESMA NATUREZA DO CRÉDITO REIVINDICADO, MEDIANTE SIMPLES DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE.
O Simples não se caracteriza como um tributo, mas apenas como uma forma simplificada e unificada de recolhimento dos vários tributos que engloba. Na determinação dos valores dos tributos a serem exigidos do Contribuinte, após sua exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada (Súmula CARF nº 76). Somente após realizada essa dedução dos valores já pagos, é que cabe a imputação de acréscimos legais sobre a parcela remanescente (tanto do crédito, quanto dos débitos), até a data de apresentação do PER/DCOMP, para fins do encontro de contas realizado mediante compensação tributária.
Numero da decisão: 1802-002.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES. ADOÇÃO DE NOVO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. APROVEITAMENTO DO PAGAMENTO EFETUADO COM O CÓDIGO 6106 PARA QUITAÇÃO DE DÉBITO DE MESMA NATUREZA DO CRÉDITO REIVINDICADO, MEDIANTE SIMPLES DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. O Simples não se caracteriza como um tributo, mas apenas como uma forma simplificada e unificada de recolhimento dos vários tributos que engloba. Na determinação dos valores dos tributos a serem exigidos do Contribuinte, após sua exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada (Súmula CARF nº 76). Somente após realizada essa “dedução” dos valores já pagos, é que cabe a imputação de acréscimos legais sobre a parcela remanescente (tanto do crédito, quanto dos débitos), até a data de apresentação do PER/DCOMP, para fins do encontro de contas realizado mediante “compensação” tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 14 22 /2 00 8- 58 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721422/200858 Acórdão n.º 1802002.077 S1TE02 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721422/200858 Acórdão n.º 1802002.077 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, que manteve a homologação apenas parcial em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1524.313, às efls. 33/34: A interessada transmitiu PER/DCOMP eletrônico visando compensar valor recolhido mediante DARF do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples com débitos de outros tributos e contribuições, sob o argumento de que à época do recolhimento, já estava excluída da sistemática do Simples. A DRF/Salvador emitiu Despacho Decisório reconhecendo o direito creditório mas homologando parcialmente a compensação declarada, em face da aplicação ao presente caso do art. 28 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, que prevê a incidência de acréscimos legais ao débito cuja compensação pretendeu a interessada. Desta forma, restou configurado excesso de compensação, sendo determinada a sua cobrança imediata, nos termos do art. 48, II da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, ressaltandose que a manifestação de inconformidade porventura apresentada não suspenderia a exigibilidade do crédito tributário. Irresignada, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade alegando ser equivocada a aplicação de multas e acréscimos moratórios aos valores originais devidos, requerendo, ao final, a homologação da compensação declarada. Como já mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA manteve a homologação apenas parcial da compensação pretendida, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 08/09/2006 COMPENSAÇÃO. DATA DA VALORAÇÃO. INCIDÊNCIA DE JUROS E MULTA DE MORA. A data de valoração, para fins da efetivação das compensações declaradas à Receita Federal a partir de 28 de maio de 2003, é a data da transmissão da declaração de compensação, e os débitos Fl. 50DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721422/200858 Acórdão n.º 1802002.077 S1TE02 Fl. 5 4 sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, se naquela data já estiverem vencidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com essa decisão, que foi postada para a ciência em 28/09/2010 (efls. 35), a Contribuinte apresentou em 20/10/2010 o recurso voluntário de efls. 36/37, alegando: que a compensação foi parcialmente homologada porque a Receita Federal equivocadamente entendeu que não teriam sido computados (pela Contribuinte) os valores referentes a multas e acréscimos moratórios; que não tem cabimento tal interpretação, pois todos os PER/DCOMP foram tempestivamente apresentados, mês a mês, e são eles que representam a quitação tempestiva dos tributos em referência; que não há razão para cobrança das multas e acréscimos moratórios, e que por isso não podem ser cobrados os pequenos saldos apontados pela Receita Federal; que a compensação deve ser integralmente homologada, com a extinção definitiva dos créditos tributários compensados. Este é o Relatório. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721422/200858 Acórdão n.º 1802002.077 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a homologação apenas parcial de declaração de compensação por ela apresentada em 08/09/2006. O pretendido encontro de contas abrange crédito decorrente de pagamento a título de SIMPLES, realizado em 13/02/2002 no código 6106, referente ao período de apuração PA janeiro/2002, no valor de R$ 3.730,39, que foi utilizado para quitar, por compensação, débito de IRPJ do 1º trimestre de 2002, informado com código relativo ao regime do lucro presumido (2089), e débito de COFINS de janeiro/2002, informado com o código 2172. O valor original do crédito corresponde exatamente à soma dos débitos (levando em conta apenas a rubrica principal, sem acréscimos legais). Com o PER/DCOMP sob exame, a Contribuinte busca o aproveitamento de pagamento realizado com o código 6106 (Simples), relativo a período em que ela foi excluída do Simples, para a quitação de débitos de IRPJ e COFINS apurados em razão da exclusão do Simples. A Delegacia de origem, por meio do Despacho Decisório de efls. 13 a 16, reconheceu o direito creditório, mas concluiu que ele era insuficiente para quitar integralmente os débitos objeto do PER/DCOMP, remanescendo saldo devedor a ser exigido da Contribuinte. Esse valor residual de débito surgiu em razão do cômputo dos acréscimos legais até a data de apresentação do PER/DCOMP – juros selic sobre o crédito, e juros selic e multa de mora sobre os débitos vencidos. A Delegacia de Julgamento, ao examinar a manifestação de inconformidade da Contribuinte, manteve a homologação apenas parcial da compensação, entendendo que de fato caberia a incidência de acréscimos moratórios sobre os débitos, até a data de apresentação do PER/DCOMP, porque eles já estavam vencidos nesta data. Na presente fase recursal, a Contribuinte novamente se insurge contra o cômputo dos referidos acréscimos legais. A Lei nº 10.637/2002 implementou grandes mudanças no art. 74 da Lei 9.430/1996, redefinindo todo a configuração jurídica da compensação tributária na esfera federal. Desde então, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal passou a extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, e em razão disso o momento para o encontro de contas passou a ser a data do envio da declaração de compensação (PER/DCOMP). Fl. 52DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721422/200858 Acórdão n.º 1802002.077 S1TE02 Fl. 7 6 Desse modo, se na data de apresentação do PER/DCOMP o débito objeto da compensação já estiver vencido, sobre ele, regra geral, devem incidir os acréscimos moratórios. Entretanto, a situação sob exame merece ser analisada com mais detalhe. Já mencionamos que a Contribuinte, conformandose com sua exclusão do regime de tributação simplificada, procurou aproveitar pagamento a título de Simples para quitar débitos apurados de acordo com o regime de tributação adotado em substituição ao Simples. Esse é o contexto da presente compensação. Ocorre que esse encontro de contas, quando abrange créditos e débitos referentes ao mesmo tributo e período de apuração, pode se dar até mesmo de ofício, mediante simples “dedução” matemática, independentemente de apresentação de declaração de “compensação” (PER/DCOMP) por parte dos contribuintes. A matéria já está inclusive sumulada no âmbito do CARF: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. O fato é que o Simples não se caracteriza como um tributo, mas apenas como uma forma simplificada e unificada de recolhimento dos vários tributos que engloba, dentre eles o IRPJ e as contribuições CSLL, PIS, COFINS e CPP, que mantêm, cada um deles, sua perfeita identidade, mesmo nesse regime de tributação, inclusive sob o aspecto quantitativo, uma vez que a lei especifica as parcelas relativas a cada imposto ou contribuição, em termos percentuais. É por isso que o aproveitamento de pagamento feito sob o regime simplificado para a quitação de débito de mesma natureza (mesmo tributo e PA), que decorreu da mudança do regime de tributação, nem mesmo exige compensação via PER/DCOMP. O encontro de contas objeto do presente processo abrange débito de IRPJ do 1º trimestre de 2002 e débito de COFINS de janeiro/2002, com os valores originais de R$ 1.985,28 e R$ 1.745,11, respectivamente. O crédito decorre de pagamento a título de SIMPLES, realizado em 13/02/2002 no código 6106, referente ao período de apuração PA janeiro/2002, no valor de R$ 3.730,39. O PER/DCOMP esclarece que o pagamento do Simples correspondeu ao coeficiente de 5,40% sobre a receita bruta mensal, e de acordo com o art. 23, II, “a”, da Lei 9.317/1996, esse coeficiente era composto pelas seguintes parcelas: 1 – 0,13%, relativo ao IRPJ; 2 – 0,13%, relativo ao PIS/PASEP; 3 – 1%, relativo à CSLL; 4 – 2%, relativos à COFINS; e Fl. 53DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721422/200858 Acórdão n.º 1802002.077 S1TE02 Fl. 8 7 5 – 2,14%, relativos à Contribuição Patronal Previdenciária – CPP. A divisão acima mencionada evidencia a seguinte participação de cada tributo em relação ao pagamento efetuado: PA Tributo Participação Participação relativa no pagamento IRPJ 2,41% 89,90 PIS/PASEP 2,41% 89,90 Janeiro CSLL 18,52% 690,87 de 2002 COFINS 37,03% 1.381,36 CPP 39,63% 1.478,36 100,00% 3.730,39 Mencionamos que a Delegacia de origem já reconheceu integralmente o crédito, aproveitando o pagamento no valor de R$ 3.730,39 para a quitação dos débitos indicados pela Contribuinte, e que em razão do cômputo dos acréscimos legais até a data da apresentação do PER/DCOMP, remanesceu saldo de débito. Ocorre que uma parte do referido encontro de contas envolve crédito e débito do mesmo tributo e período de apuração, tanto para a COFINS/jan/2002 quanto para o IRPJ, porque o primeiro trimestre de 2002 (PA do débito de IRPJ) abrange o mês de janeiro/2002 (PA do crédito), o que implica dizer que uma parte dos débitos relacionados no PER/DCOMP já estava quitada antes mesmo da apresentação deste, em função do pagamento realizado no regime de tributação simplificada. Desse modo, antes de qualquer imputação para efeito de cômputo de acréscimos legais sobre créditos e débitos até a data de apresentação do PER/DCOMP, deveriam ter sido “deduzidos” dos débitos de IRPJ (R$ 1.985,28) e de COFINS/jan/2002 (R$ 1.745,11), objetos do presente processo, os valores de R$ 89,90 e R$ 1.381,36, que representam, respectivamente, os montantes destes tributos que já haviam sido pagos pela Contribuinte antes mesmo da apresentação do PER/DCOMP. Somente após realizada essa “dedução” do valor já pago, é que cabe a imputação de acréscimos legais sobre a parcela remanescente (tanto do crédito, quanto dos débitos), até a data de apresentação do PER/DCOMP, para fins do encontro de contas realizado mediante “compensação” tributária. Desse modo, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para afastar o cômputo de acréscimos legais sobre a parcela dos débitos que já se encontrava quitada pelo pagamento com o código 6106, nos montantes acima destacados. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 54DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721422/200858 Acórdão n.º 1802002.077 S1TE02 Fl. 9 8 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10825.000752/2005-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 1996
MULTA POR ATRASO DE ENTREGA DE DECLARAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A denúncia espontânea não alcança a multa por atraso na entrega de declaração.
Numero da decisão: 1102-001.072
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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ESTACAS E COMÉRCIO LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 1996 MULTA POR ATRASO DE ENTREGA DE DECLARAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea não alcança a multa por atraso na entrega de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 07 52 /2 00 5- 43 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10825.000752/200543 Acórdão n.º 1102001.072 S1C1T2 Fl. 53 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por B. L. ESTACAS E COMÉRCIO LTDA ME contra acórdão proferido pela 5ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto que concluiu pela procedência parcial do lançamento efetuado. O crédito tributário lançado, no âmbito da DRF/Bauru, referente à multa por atraso na entrega da DIRPJ do anocalendário de 1996, totalizou o valor de R$ 414,35. Em face da impugnação interposta, a já mencionada 3ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, proferiu o Acórdão nº 9586, de 21 de outubro de 2005, por meio do qual decidiu pela procedência parcial do feito fiscal. Assim figurou a ementa do referido julgado: Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 1997 Ementa: ATRASO NA APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. MULTA. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa jurídica à multa pelo atraso na sua entrega, devendo o valor lançado ser reduzido ao limite que determina lei posterior mais benéfica. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A responsabilidade pela entrega da declaração de rendimentos não está alcançada pelo art. 138 do CTN. A DRJ, portanto, aplicou a retroatividade benigna para reduzir o valor da multa para R$ 200,00 em consonância com os termos do artigo 7º, § 3º, da Lei nº 10.426/02. Ainda assim, a empresa autuada, apresentou recurso voluntário por não se conformar com a não aplicação da denúncia espontânea ao ato de entrega com atraso de declarações do imposto de renda. Assim, alega que a autoridade julgadora não levou em consideração a eficácia dos princípios constitucionais da legalidade, finalidade e interesse público. Neste sentido, tece considerações doutrinárias e jurisprudenciais. É o relatório. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10825.000752/200543 Acórdão n.º 1102001.072 S1C1T2 Fl. 54 3 Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Como já bem salientado na decisão recorrida, a responsabilidade pela entrega da declaração de rendimentos não está alcançada pela denúncia espontânea. Sobre isso, também já há entendimento sumulado pelo CARF, vejase: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No que diz respeito à eventuais ofensas aos princípios constitucionais, não há como dar guarida a tais argumentos. É que a atuação administrativa deve ser pautada pelas normas estabelecidas pela lei. A competência desta Casa está circunscrita a verificar os aspectos legais dessa atuação. Quanto a isso, vale a pena transcrever o que dispõem o artigo 62 do Anexo II do RICARF e a Súmula CARF nº 2: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (grifei) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, cumpre enfatizar a exigência regimental para que os julgados desta Casa observem os entendimentos sumulados. É o que está determinado no artigo 72 do Anexo II do RICARF: Fl. 54DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10825.000752/200543 Acórdão n.º 1102001.072 S1C1T2 Fl. 55 4 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 55DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
score : 1.0
Numero do processo: 10580.009609/2001-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1991
COMPENSAÇÃO. PENDÊNCIA DE PROCESSO JUDICIAL. VEDAÇÃO.
É vedada a compensação administrativa mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, conforme art. 170-A do CTN.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO JUDICIAL. VEDAÇÃO.
É vedada a compensação administrativa diante da ausência de comprovação, pelo postulante, da desistência de execução do título judicial, com assunção de todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios.
Numero da decisão: 3403-002.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz votou pelas conclusões.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1991 COMPENSAÇÃO. PENDÊNCIA DE PROCESSO JUDICIAL. VEDAÇÃO. É vedada a compensação administrativa mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, conforme art. 170-A do CTN. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO JUDICIAL. VEDAÇÃO. É vedada a compensação administrativa diante da ausência de comprovação, pelo postulante, da desistência de execução do título judicial, com assunção de todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz votou pelas conclusões. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Rosaldo Trevisan - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1928; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 280 1 279 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.009609/200111 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.853 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 25 de março de 2014 Matéria RESTITUIÇÃOFINSOCIAL Recorrente INDEBA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1991 COMPENSAÇÃO. PENDÊNCIA DE PROCESSO JUDICIAL. VEDAÇÃO. É vedada a compensação administrativa mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, conforme art. 170A do CTN. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO JUDICIAL. VEDAÇÃO. É vedada a compensação administrativa diante da ausência de comprovação, pelo postulante, da desistência de execução do título judicial, com assunção de todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz votou pelas conclusões. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 96 09 /2 00 1- 11 Fl. 280DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Versa o presente sobre pedido de restituição registrado em 14/12/2001 (fl. 02)1, no valor de R$ 106.632,85, decorrente de pagamento a maior de FINSOCIAL reconhecido por decisão judicial (no 96.107505), cumulado com o pedido de compensação de fl. 04, apresentado na mesma data (outros pedidos de compensação constam às fls. 140, 149 e 151). São anexadas cópias das peças judiciais às fls. 27 a 62. Judicialmente, o julgamento de primeira instância da ação ordinária no 96.107505 (em 10/02/1999 fls. 27 a 34) é no sentido da inconstitucionalidade da majoração de alíquota de FINSOCIAL, autorizando a compensação de quantias indevidamente pagas com outra devidas a título do próprio FINSOCIAL (estando os números sujeitos a aferição da autoridade fiscal), e com os mesmos critérios de correção monetária utilizados pelo fisco para atualização de seus créditos, denegandose a aplicação dos chamados “expurgos inflacionários”. Em segunda instância (em 10/12/1999 fls. 36 a 43), é novamente reconhecida a inconstitucionalidade (mantendose a alíquota de FINSOCIAL de 0,5% até a vigência da Lei Complementar no 70/91, salvo quantos aos fatos geradores de 1988, quando a alíquota é de 0,6%), e permitida a compensação com qualquer outro tributo administrado pela RFB, estabelecendose critério diversos de correção monetária (INPC, UFIR e SELIC, considerando se os “expurgos inflacionários”, na forma da Súmula no 41, do TRF1. Administrativamente, no despacho decisório de fls. 179 a 184 (datado de 28/10/2010), a autoridade local indefere a compensação, informando que foi constatado que o trânsito em julgado da ação ocorreu em 17/12/2008, após o pedido de restituição, e que foi concedido prazo de quarenta dias (transcorrido in albis) ao contribuinte para que este providenciasse a desistência da execução judicial já ajuizada sob o no 1999.33.00.0167821 (à época já com embargos da Fazenda). Ciente do despacho decisório, a empresa apresenta manifestação de inconformidade em 20/12/2010 (fls. 185 a 198), alegando, em síntese, que: (a) os créditos estão com exigibilidade suspensa, cf. art. 151, III do CTN; (b) como o despacho decisório só foi proferido em 28/10/2010, ocorreu homologação tácita de todas as compensações, cf. art. 74, § 5o da Lei no 9.430/1996; (c) a execução judicial em andamento não se refere aos créditos, mas aos honorários sucumbenciais, e a dispensa dos honorários sucumbenciais não tem qualquer embasamento legal (e não pode ser cariada por Instrução Normativa); e (d) houve ofensa ao art. 14, V do Código de Processo Civil, criandose embaraços à efetivação de provimentos judiciais, de natureza antecipatória ou final. Em 19/04/2011 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 208 a 214), acordando unanimemente o tribunal de piso pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os fundamentos de que “os pedidos de compensação de créditos decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado não foram convertidos em declaração de compensação, não estando sujeitos a homologação tácita”, que “a manifestação de inconformidade apresentada não suspende a exigibilidade do crédito tributário”, e que “no caso de título judicial em fase de execução, a utilização de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado para compensação somente poderá ser efetuada se o contribuinte comprovar a desistência do processo de execução e assumir todas as custas deste processo, 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 281DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10580.009609/200111 Acórdão n.º 3403002.853 S3C4T3 Fl. 281 3 inclusive os honorários advocatícios”, sendo que “a inexistência expressa da desistência impossibilita a restituição administrativa”. Cientificada do julgamento da DRJ em 27/07/2011 (cf. AR de fl. 217), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 19/08/2011 (fls. 218 a 220), no qual concentra sua argumentação no fato de nunca ter proposto execução judicial do crédito tributário, mas tão somente dos honorários de sucumbência. E, como nunca foi proposta execução da sentença, “não poderia ser exigida a desistência de algo que não existe”. Em relação à exigência, constante de Instrução Normativa, de desistência da execução, inclusive em relação a honorários, é descabida, pois os honorários da sucumbência são direito do advogado que patrocina a causa, não podendo a recorrente desistir de um direito que não lhe pertence. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Após o julgamento de primeira instância, restou um único tópico controverso: a necessidade de desistência da execução judicial, inclusive de honorários, como condição à compensação administrativa. O cerne da controvérsia é o art. 17 da Instrução Normativa no 21/1997, à época vigente: “Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. (Redação dada pela IN SRF nº 73/97, de 15/09/1997) § 1º No caso de título judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. (Redação dada pela IN SRF n º 73/97, de 15/09/1997) § 2º Não poderão ser objeto de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. (Incluído pela IN SRF n º 73/97, de 15/09/1997)”. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 A disposição é mantida em todas as Instruções Normativas posteriores que disciplinaram a matéria (IN SRF no 210/2002, art. 34; IN SRF no 460/2004, art. 50; IN SRF no 600/2005, art. 50; IN RFB no 900/2008, art. 70; e IN RFB no 1.300/2012, art. 81). Contudo, quando a empresa ingressou com pedido de restituição cumulada com compensação, em 14/12/2001, ainda não havia trânsito em julgado no processo judicial. Em consulta ao sítio do TRF1 (no qual o processo está registrado com o no 1999.01.00.090173 4), percebese que o processo foi remetido ao STJ em 09/03/2001, só retornando ao TRF, para baixa, em 17/10/2008. Em pesquisa efetuada no sítio do STJ, percebese que o REsp no 346.629 foi julgado em 14/02/2006, acordando o tribunal unanimemente que: “TRIBUTÁRIO. FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. NÃOOCORRÊNCIA. DISSÍDIO PRETORIANO. SÚMULA N. 83/STJ. TAXA SELIC. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS.INCIDÊNCIA. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DE ESPÉCIES DISTINTAS. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 74 DA LEI N. 9.430/96 E 460 DO CPC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N.S 282 E 356 DO STF. 1. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento dos Embargos de Divergência no Recurso Especial n. 435.835SC (relator para o acórdão Ministro José Delgado), firmou o entendimento de que, na hipótese de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo para a propositura da ação de repetição de indébito é de 10 (dez) anos a contar do fato gerador, se a homologação for tácita (tese dos "cinco mais cinco"), e, de 5 (cinco) anos a contar da homologação, se esta for expressa. 2. "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida" (Súmula 83/STJ). 3. A taxa Selic incide na repetição de indébito desde o recolhimento indevido, independentemente de tratarse de tributo sujeito a lançamento por homologação. 4. Consoante reiterada orientação jurisprudencial desta Corte, os índices de correção monetária aplicáveis na restituição de indébito tributário são: a) desde o recolhimento indevido, o IPC, de outubro a dezembro/89 e de março/90 a janeiro/91; o INPC, de fevereiro a dezembro/91; a Ufir, a partir de janeiro/92 a dezembro/95; e b) a taxa Selic, exclusivamente, a partir de janeiro/96. Os índices de janeiro/89 e de março/90 são, respectivamente, de 42,72% e 84,32%. 5. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, interpretando o art. 66 da Lei n. 8.383/91 – com as alterações advindas das Leis n.9.069/95 e 9.250/95 –, firmou entendimento de que só pode haver compensação entre tributos da mesma espécie que possuam a mesma destinação constitucional. 6. O prequestionamento dos dispositivos legais tidos como violados constitui requisito indispensável à admissibilidade do Fl. 283DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10580.009609/200111 Acórdão n.º 3403002.853 S3C4T3 Fl. 282 5 recurso especial. Incidência das Súmulas n. 282 e 356 do Supremo Tribunal Federal. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. (REsp 346629/BA, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 14/02/2006, DJ 22/03/2006, p. 152)” Rejeitados os embargos de declaração da empresa, que postulavam a compensação com tributos distintos em 27/07/2006, e os Embargos de Divergência, que tinham idêntico objetivo, em 13/08/2008, a ação transita em julgado em 10/10/2008, restringindo a compensação a FINSOCIAL e a COFINS. E foi isso que motivou a unidade local da Receita Federal a intimar a interessada em 19/07/2010 fls. 166/167 (ciência em 27/07/2010 fl. 169) a fornecer cópia de inteiro teor do processo judicial, acompanhado da certidão de trânsito em julgado, e de comprovante de homologação da desistência da execução. A empresa, em 03/08/2010, requereu dilação do prazo para resposta, informando que o processo se encontrava em Brasília, o que tornava inviável a obtenção dos documentos solicitados (fl. 169). Contudo, mesmo com o deferimento da prorrogação do prazo (na própria fl. 169), a empresa não atendeu a solicitação do fisco (e, até o presente momento, ainda não consta que tenha atendido). Daí o despacho decisório (emitido em 28/10/2010) ter afirmado que: “Transcorrido ‘in albis’ o prazo concedido – seja o originário, seja o prazo prorrogado – sem que tenha ele, o Interessado, manifestado qualquer interesse com o deslinde de da pretensão compensativa. Tanto que, mantevese de forma silente mesmo após vencer o prazo da prorrogação, demonstrando, a toda evidência, desinteresse com o seu resultado.” No próprio despacho decisório, o fisco constata que houve ação de execução, à época em trâmite na 3a Vara da Justiça Federal Seção Judiciária da Bahia, sob o no 1999.33.00.0167821. Assim, indeferese o pleito porque “o contribuinte em foco não logrou bom êxito em demonstrar nos lindes administrativos que era detentor de direito líquido e certo a autorizar o encontro de contas”. Irretocável o teor de tal decisão, diante da carência de comprovação do direito da empresa. É na manifestação de inconformidade que a empresa presta pela primeira vez (ainda sem a colação integral das peças judiciais) as informações sobre o processo de execução, afirmando que se restringe aos honorários advocatícios. A DRJ, de posse de informações inexistentes quando da prolação do despacho decisório, tem melhores condições de decidir o contencioso. Contudo, detecta obstáculos intransponíveis: o primeiro, a inexistência de trânsito em julgado no momento do pedido administrativo; o segundo, a inexistência de desistência da execução judicial, inclusive no que se refere aos honorários advocatícios. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 E em sede de recurso voluntário, só um de tais obstáculos é confrontado: o referente à desistência da execução judicial, restando aparentemente incontroverso o impedimento decorrente da ausência de trânsito em julgado no momento do pedido, que, por si só, é suficiente para o indeferimento das preensões compensatórias. Mesmo no que se refere à desistência, continua a empresa recorrente a não fazer prova de que efetivamente desistiu da ação de execução, com a devida homologação judicial. E a consequência tanto da ausência de desistência quanto da inexistência de decisão judicial definitiva quanto do pedido administrativo é a mesma: impossibilidade de compensação na via administrativa. Ao obter êxito na ação judicial, a empresa tem a sua frente duas possibilidades, a execução judicial, com a consequente emissão de precatório, seguindo rito específico, ou a opção pela via administrativa, sujeitandose, contudo, nessa hipótese, às regras estabelecidas pela Administração. Sobre a matéria, convém destacar o teor da Súmula STJ no 461: “Súmula STJ no 461 O contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório ou por compensação, o indébito tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado”. (grifo nosso) Vejase que a Súmula no 461 do STJ garante a possibilidade de recebimento via precatório (com execução judicial da sentença) ou compensação. Um dos julgamentos paradigmáticos em relação à Súmula no 461 é o REsp no 1.114.404/MG, com acórdão proferido na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC, constituindo julgado de observância obrigatória por este CARF, por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do colegiado), e que apresenta a seguinte ementa: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. SENTENÇA DECLARATÓRIA DO DIREITO À COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE DE REPETIÇÃO POR VIA DE PRECATÓRIO OU REQUISIÇÃO DE PEQUENO VALOR. FACULDADE DO CREDOR. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. 1."A sentença declaratória que, para fins de compensação tributária, certifica o direito de crédito do contribuinte que recolheu indevidamente o tributo, contém juízo de certeza e de definição exaustiva a respeito de todos os elementos da relação jurídica questionada e, como tal, é título executivo para a ação visando à satisfação, em dinheiro, do valor devido" (REsp n. 614.577/SC, Ministro Teori Albino Zavascki). 2. A opção entre a compensação e o recebimento do crédito por precatório ou requisição de pequeno valor cabe ao contribuinte credor pelo indébito tributário, haja vista que constituem, todas as modalidades, formas de execução do julgado colocadas à disposição da parte quando procedente a ação que teve a eficácia de declarar o indébito. Precedentes da Primeira Seção: REsp.796.064 RJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 22.10.2008; EREsp. Nº 502.618 RS, Primeira Seção, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 8.6.2005; EREsp. N. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10580.009609/200111 Acórdão n.º 3403002.853 S3C4T3 Fl. 283 7 609.266 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 23.8.2006. 3. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” (REsp 1114404/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, unânime, julgado em 10/02/2010, DJe 01/03/2010)” (grifo nosso) Assim, é livre a escolha pela via administrativa, sujeitandose às regras por ela estabelecidas, ou pela via judicial, sendo tão somente vedada a utilização de ambas, o que possibilitaria eventual duplicidade na restituição/compensação. Daí o comando das Instruções Normativas, que impõem condições para a compensação administrativa, entre as quais a desistência da ação judicial, inclusive no que se refere a honorários advocatícios. É decisão unilateral da empresa a opção por uma ou outra via. Contudo, é dever dela adaptarse à regra exigida para a via escolhida. Em outras palavras, não concordando a empresa com a regra estabelecida para a compensação administrativa, poderia simplesmente prosseguir com a execução judicial. Mas não foi esse o roteiro que seguiu o presente processo: a empresa opta pela via administrativa, antes mesmo do trânsito em julgado da sentença, e continua a não apresentar documento homologado em juízo que efetivamente comprove que desistiu da ação de execução. Acrescentese que não se vê o comando da Instrução Normativa como abusivo ou contrário à lei. O comando é editado com base, entre outros, no art. 170 do CTN, que dispõe que: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública”. (grifo nosso) E o crédito não é líquido e certo, ou seja, nenhuma lei (nem a Lei no 9.430/1996, em seu art. 74) pode autorizar a compensação, se houver vestígio de postulação dúplice (na via administrativa e na via judicial). O comando da Instrução Normativa, então, não assume indevida estatura de lei nem com ela conflita. Serve tão somente para evitar postulação dúplice. Por derradeiro, é preciso recordar que restou carente de contestação em recurso voluntário a iliquidez do crédito ao momento de sua postulação em decorrência de inexistência de trânsito em julgado da respectiva ação, restando a matéria incontroversa. Ao tempo da apresentação das declarações de compensação, a ação judicial inequivocamente ainda estava em trâmite. Não se tem dúvida de qual “trânsito em julgado” está a tratar o comando do art. 170A do Código Tributário Nacional, incluído pela Lei Complementar no 104, de 10/01/2001, já vigente ao tempo do protocolo da compensação: Fl. 286DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 “Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial” (grifo nosso) Tal comando, por certo, visa a impedir que a administração reconheça em definitivo (compensandoo com débitos da empresa) crédito que ainda está em discussão judicial., e não pode ser afastado pelo julgador administrativo, em virtude da Súmula no 1 deste CARF. É relevante, contudo, esclarecer que não se está aqui negando o direito ao crédito. A negativa é somente em relação ao direito de efetuar a compensação pleiteada, que encontra óbice tanto na ausência de trânsito em julgado (art. 170A do CTN) quanto na ausência de comprovação da desistência da execução judicial (art. 17 da IN SRF no 21/1997). De fato, a compensação, no contexto em que foi pleiteada, foi corretamente não homologada. Tendo em conta o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 287DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10983.903159/2008-81
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 28/11/2003
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO DO CRÉDITO ATÉ O LIMITE DE SUA DISPONIBILIDADE. ERRO FORMAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
O direito creditório é reconhecido pela identificação dos requisitos de liquidez e certeza e amparado pelo princípio da verdade material. O erro formal merece ser superado e o crédito, homologado até o limite de sua disponibilidade.
Numero da decisão: 1802-002.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PARCIAL provimento ao Recurso, para devolver os autos à DRF de origem, nos termos do voto do Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PARCIAL provimento ao Recurso, para devolver os autos à DRF de origem, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
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HOMOLOGAÇÃO DO CRÉDITO ATÉ O LIMITE DE SUA DISPONIBILIDADE. ERRO FORMAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório é reconhecido pela identificação dos requisitos de liquidez e certeza e amparado pelo princípio da verdade material. O erro formal merece ser superado e o crédito, homologado até o limite de sua disponibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PARCIAL provimento ao Recurso, para devolver os autos à DRF de origem, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 31 59 /2 00 8- 81 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10983.903159/200881 Acórdão n.º 1802002.099 S1TE02 Fl. 86 3 Relatório Tratam os presentes autos de não homologação de compensação, requerido pela Declaração de Compensação (DCOMP) 41384.08967.231104.1.3.046877, por inexistência do direito creditório pleiteado, amparado em suposto saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e confundido com pagamento indevido ou a maior da estimativa, recolhida em 28/11/2003 no documento compensatório. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do Recurso Voluntário interposto, adoto o relatório proferido pela 3a Turma da DRJ/FNS, através do Acórdão n° 07 24.693, às efls 27/28: Por meio do Despacho Decisório constante nos autos, foi considerada nãohomologada a Declaração de Compensação – DCOMP n° 41384.08967.231104.1.3.046877 transmitida pela interessada em 23/11/2004, em que figura como crédito pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real (código de receita 2362). Do Despacho Decisório extraise a seguinte motivação: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 414,77 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP Características do Darf PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 31/10/2003 2362 414,77 28/11/2003 Utilização dos Pagamentos Encontrados para o Darf Discriminado no PERDcomp NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO (PR) PER/DCOMP (PD) DÉBITO (DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO 1515673611 414,77 DB: CÓD 2362 PA 31/10/2003 414,77 VALOR TOTAL 414,77 Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Valor Devedor Consolidado, Correspondente aos Débitos Indevidamente Compensados para Pagamento até 29/08/2008. PRINCIPAL MULTA JUROS 21,83 4,36 11,30 Irresignada com o feito fiscal, a contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, na qual alega: Ao preenchemos as Per/Dcomp, informamos que o tipo de origem do crédito era procedente de pagamentos efetuados durante o exercício 2003 a maior, sendo que em dezembro de 2003 os mesmos ficaram informados na DIPJ 2004 como “Saldo Negativo”. Partindo deste princípio formalizamos cada compensação em 2004 utilizando estes pagamentos a maior por Darf recolhido até a completa utilização destes créditos conforme o resumo abaixo detalhado com ou sem Processo Decisório. Processo de Crédito 10983.903159/200881 Crédito Original R$ 414,77 – data arrecadação em 28/11/2003 Cód. 2362 Referente parte saldo negativo, conforme DIPJ/2004. [...] pedimos que considerem as compensações efetuadas formalizadas através do “Tipo de Origem do Crédito” como Pagamento indevido ou a Maior por Darf recolhido já que os mesmos compunham individualmente o Crédito do Saldo Negativo informado em 31/12/2003 na DIPJ/2004. O “Saldo Negativo” então foi formalizado como compensação de “pagamento indevido ou a maior” por guia Darf recolhida. [...] Por desconhecimento e falta de assessoria referente à montagem dos Pedidos Eletrônicos e como utilizar o Programa gerador destas compensações assim como todos os procedimentos técnicos e termo (sic) que não conseguíamos interpretálos, optamos por utilizar o que está acima exposto. Entendendo estar (sic) corretos os procedimentos pelo que ao verificar pendências para encontrar quaisquer erros nada criticou e ainda por cima foi transmitida com sucesso deixandonos confiantes de que os procedimentos adotados foram corretos. [...] A (sic) vista de todo o exposto, demonstrado a insubsistência e improcedência da ação fiscal, esperam (sic) e requerem (sic) a impugnante seja acolhida a presente Fl. 88DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10983.903159/200881 Acórdão n.º 1802002.099 S1TE02 Fl. 87 5 impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelando se o débito fiscal reclamado. Neste momento processual foram juntadas ao processo informações relativas a débito declarado em DCTF pela contribuinte (fl. 25). É o relatório. Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade interposta, conforme consta nas conclusões do voto (efls 29/30): [...] No presente caso, se ao final de 2003 a contribuinte apurou que não havia tributo a pagar, as antecipações efetuadas ao longo do ano (tais como os recolhimentos a título de estimativa) deveriam compor o saldo negativo do IRPJ do ano de 2003, este sim passível de compensação. Ante o exposto, considerando que o pagamento indicado na declaração de compensação encontrase totalmente utilizado na liquidação de débito espontaneamente declarado pela contribuinte, a conclusão do Despacho Decisório mostrase correta, razão pela qual deve ser mantida, devendo ser considerada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada. É como voto. Intimada do Acórdão em 03/08/2011, conforme Termo de Intimação às efls 32, em 25/08/2011 interpôs Recurso Voluntário de efls. 37/38, reiterando seu pedido no sentido de reconhecer o direito creditório pleiteado, aduzindo que o próprio Acórdão reconheceu a existência do crédito, como saldo negativo. É o relato do essencial. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade, pelo que dele, tomo conhecimento. DO PLEITO – SALDO NEGATIVO APURADO Como se extrai dos autos, o contribuinte apresentou DCOMP com a intenção de compensar um crédito remanescente e decorrente de saldo negativo apurado no ano calendário de 2003. Contudo, na utilização do Programa Gerador de Documentos (PGD) da Receita Federal PER/DCOMP informou de maneira equivocada se tratar o crédito de pagamento indevido ou a maior. No documento de compensação, utilizou parte do valor recolhido em DARF para a estimativa de outubro de 2003 como crédito, embora todo o montante recolhido estivesse vinculado à estimativa devida para o período, conforme declarado em DCTF (efls 25) e em DIPJ (efls. 64). O pagamento da estimativa de IRPJ do período de apuração 31/10/2003, cujo vencimento ocorreu em 28/11/2003 está comprovado nos autos às efls 77, no valor de R$ 414,77. O Razão Analítico juntado aos autos (efls. 60) também registra contabilmente tal valor de R$ 414,77. Portanto, não há dúvidas de que o recolhimento do valor de R$ 414,77 a título de estimativa mensal devida para o período se deu regularmente, não havendo nesta parte caracterização de pagamento indevido ou a maior. Neste ponto, o crédito pleiteado pelo contribuinte no documento compensatório (DCOMP 41384.08967.231104.1.3.046877) intentando extinguir o débito correspondente à estimativa de IRPJ do período de apuração de 31/10/2004, no valor de 21,83, não estava disponível na condição de pagamento indevido ou a maior. Contudo, é de se observar nos autos do processo, que o contribuinte apurou saldo negativo para o período no montante de R$ 1.283,35, conforme a DIPJ às efls 65. Este saldo é compensável, pois configura um excesso de recolhimento das estimativas mensais. Da leitura da peça impugnatória e recursal fica evidente que a intenção do contribuinte era por meio de seu saldo negativo, efetuar as compensações com débitos correntes, mas, equivocadamente registrou que o crédito correspondia a pagamento indevido ou a maior. Portanto, ainda que haja um erro formal no pedido, a forma não pode prevalecer sobre a substância. À luz dessa maxima é que o direito creditório do contribuinte deve ser analisado, conforme será tratado a seguir. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10983.903159/200881 Acórdão n.º 1802002.099 S1TE02 Fl. 88 7 CRITÉRIOS DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO NA DCOMP A Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, (CTN) estabelece dois critérios para a compensação: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Vejase, que há dois quesitos para que haja autorização de uma compensação em relação ao crédito: ele precisa ser (1) líquido e (2) certo. Assim, entendese que o crédito precisa ser demonstrado de plano, não haver dúvidas de sua existência, quanto ao valor exigido, à origem do crédito e à validade na obrigação. Ademais, a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 estabelece com relação à compensação o seguinte: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. [...] Da documentação juntada aos autos, está perfeitamente demonstrada a existência tanto do valor devido pela estimativa mensal, como do saldo negativo apurado ao final do anocalendário. Portanto, o crédito pleiteado sob o aspecto da verdade material está devidamente comprovado, podendo este ser considerado líquido e certo e, portanto, passível de compensação. Este colegiado tem entendido que o fato de um contribuinte indicar na Declaração de Compensação o recolhimento de estimativa como origem do crédito e não o saldo negativo do período, não prejudica o seu pleito, porque o art. 165 do Código Tributário Nacional CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais, senão vejamos: Fl. 91DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Portanto, o que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo e em um determinado período de apuração. Nesse sentido, vale lembrar que tanto as retenções na fonte quanto as estimativas mensais representam meras antecipações do tributo devido ao final do período, que guardam uma implicação direta com a figura jurídica do saldo negativo, já que correspondem ao mesmo período anual e ao mesmo tributo que aquele. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado a partir do ajuste, na forma de saldo negativo. Deste modo, evidenciase que a recorrente efetuou antecipações, na forma de recolhimento de estimativas, em montante superior ao valor do tributo devido ao final do período e esse excedente deve configurar indébito a ser restituído ou compensado, na forma de saldo negativo. Assim, normalmente se desconsidera o erro formal no caso do contribuinte indicar nos PER/DCOMP recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas. No que tange à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pela recorrente, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes, podendo ser neste caso específico, superada a exigência constante do §4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o contribuinte, solicitar os meios Fl. 92DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10983.903159/200881 Acórdão n.º 1802002.099 S1TE02 Fl. 89 9 de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Esta análise preliminar evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a recorrente, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. CONCLUSÃO Portanto, sagaz que a autoridade homologue a compensação, considerando a utilização do saldo negativo apurado pelo contribuinte, até o limite de sua disponibilidade, à luz dos documentos apresentados pelo contribuinte nestes autos e outros que entender necessários, do saldo remanescente pela ordem dos processos 10983.902317/200885, 10983. 902319/200874, 10983.903155/200801, 10983.903156/200847, 10983.903157/200891 e 10983.903158/200836. Os juros aproveitados na DCOMP como pagamento a maior, serão reduzidos à data da apuração do saldo negativo, acarretando num saldo resquício a ser exigido do contribuinte, para saldar o débito compensado. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso interposto, determinando a remessa dos autos à origem (DRF de Florianópolis/SC). É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 93DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13956.000008/2002-07
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
MULTA ISOLADA. ART. 106 DO CTN. RETROATIVIDADE BENIGNA.
LEI N° 11.488/07.
Deve-se aplicar retroativamente as disposições relativas a infrações contidas na MP n° 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n° 11.488/07, por ser mais benéfica para o contribuinte, por força do art. 106 do CTN.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-002.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 MULTA ISOLADA. ART. 106 DO CTN. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI N° 11.488/07. Deve-se aplicar retroativamente as disposições relativas a infrações contidas na MP n° 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n° 11.488/07, por ser mais benéfica para o contribuinte, por força do art. 106 do CTN. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto Rodrigo Cardozo Miranda - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1792; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 246 1 245 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13956.000008/200207 Recurso nº 234.326 Especial do Procurador Acórdão nº 9303002.766 – 3ª Turma Sessão de 21 de janeiro de 2014 Matéria COFINS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SAVEL COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 MULTA ISOLADA. ART. 106 DO CTN. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI N° 11.488/07. Devese aplicar retroativamente as disposições relativas a infrações contidas na MP n° 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n° 11.488/07, por ser mais benéfica para o contribuinte, por força do art. 106 do CTN. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Marcos Aurélio Pereira Valadão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 6. 00 00 08 /2 00 2- 07 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 2 Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 166 a 178) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF (fls. 160 a 163) que, por unanimidade de votos, acolheu embargos de declaração para, sem efeitos infringentes, sanar a omissão constante do v. acórdão de fls. 143 a 149. No v. acórdão original, na esteira do voto proferido pelo Ilustre relator, Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça (fls. 148), a Colenda Turma decidiu da seguinte forma, verbis: (...) Isto posto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário na matéria objeto da concomitância e, na parte conhecida, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, reformando parcialmente a r. decisão recorrida apenas para excluir a exigência de multa, certo que o débito principal objeto do lançamento já se encontra adredemente vinculado à sorte da decisão final do processo judicial. Após a integração do r. julgado em razão da oposição dos embargos de declaração, mas mantendose os mesmos termos da conclusão destacada acima, a ementa do v. acórdão ora recorrido, que bem resume a sua fundamentação, passou a ter o seguinte teor: MULTA ISOLADA DE OFICIO COMPENSAÇÃO INDEVIDA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em relação às declarações apresentadas anteriormente à vigência da Lei n. 11.051, de 2004, aplicase retroativamente a legislação posterior mais benéfica, ainda que alterada por nova lei (106, inc. II alínea "c" do CTN), que previa aplicação da multa somente em "razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, inocorrente no caso. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, pleiteando o reconhecimento da plena validade da aplicação à espécie da multa de ofício com arrimo no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. O recurso especial foi admitido através do r. despacho de fls. 202. Contrarrazões às fls. 212 a 227. É o relatório. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13956.000008/200207 Acórdão n.º 9303002.766 CSRFT3 Fl. 247 3 Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o presente recurso especial merece ser conhecido. No que tange ao mérito, o recurso especial não merece a mesma sorte. Fazse mister ressaltar, todavia, que ao contrário do que parece, a questão ora sub judice não se resume à retroatividade benigna para se deixar de aplicar multa de ofício a compensações. Com efeito, antes de mais nada, é de se destacar que a exigência em discussão nos presentes autos, mantida parcialmente pelo v. acórdão ora recorrido, se cristalizou através do auto de infração eletrônico de fls. 53 a 59, lavrado em virtude de erros ou inconsistências verificadas na DCTF do primeiro trimestre de 1997, em que se apontou “FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA”. Tal declaração, por sua vez, conforme se verifica às fls. 56, decorreu da ocorrência “Proc jud não comprovad”, especificamente quanto ao processo 96.0002573. A Colenda DRJ de Curitiba PR, ao prolatar a r. decisão de primeira instância (fls. 86 a 98), ao seu turno, por maioria de votos, julgou procedente o lançamento, ficando vencido o Ilustre Julgador Jorge Frederico Cardoso de Menezes, que votou pelo seu cancelamento. O fundamento do v. acórdão de primeira instância, em síntese, foi de reconhecimento da existência da ação ordinária nº 96.00025738, colacionada aos presentes autos às fls. 10 a 51, em que se pleiteou o reconhecimento de indébitos de FINSOCIAL e a possibilidade de compensação com débitos de COFINS.. Ressalvou, no entanto, que a decisão proferida nessa ação judicial não seria final, com trânsito em julgado, o que impediria, portanto, o reconhecimento da COFINS declarada como débito pela contribuinte na sua DCTF como extinta pela compensação. O voto divergente, por sua vez, apontou que não foi a fundamentação acima que motivou a autuação em exame, verbis (fls. 96): DECLARAÇÃO DE VOTO 44. Sem embargo das considerações que nortearam o voto do relator, no sentido de que a existência do processo judicial, não afasta, necessariamente, a lavratura do auto de infração e o lançamento efetuado de molde a prevenir a decadência, desejo apenas assinalar que, a meu juízo, não foi este o motivo que ensejou a autuação em exame. O auto de infração foi lavrado em virtude de não ter sido comprovada a existência da ação judicial informada pelo contribuinte na DCTF, relativamente à Cofins de janeiro a março de 1997. Ante a não comprovação da existência do processo judicial, o Fisco, ao proceder o lançamento em causa, sequer tomou conhecimento e considerou aspectos próprios e inerentes aos lançamentos Fl. 311DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 4 destinados a prevenir decadência, tais como a existência ou não de depósitos ou provimento judicial que elida a aplicação de penalidade, se houve ou não trânsito em julgado da ação, etc, e, na mesma esteira, por óbvio, a autoridade lançadora tampouco cientificou o contribuinte desses novos pressupostos. (grifos e destaques nossos) Assim, o referido voto divergente concluiu que impõese, no caso, o cancelamento do auto de infração, visto que o seu fundamento não se mostrou verdadeiro. Essa é a linha de entendimento que penso deve ser adotada. Com efeito, não se mostrando verdadeiro o fundamento do lançamento, (“proc jud não comprovad”), notadamente em face do conteúdo fáticoprobatório trazido aos autos, não deve ele subsistir. Além disso, restou claro que a r. decisão de primeira instância tentou aditar a motivação do lançamento, fundamentandoo em bases distintas daquela invocada originalmente pela autoridade administrativa, qual seja, não a existência da ação judicial em si, mas sim a inexistência de decisão transitada em julgado – o que, por sinal, ocorreu favoravelmente ao contribuinte em 15/05/2006, conforme se verifica na página eletrônica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 819.255 – DF). A inovação na fundamentação do lançamento, tendo restado comprovada a improcedência na sua motivação original, implica no cerceamento do direito de defesa do contribuinte. De fato, não cabia à DRJ modificar a fundamentação do lançamento a fim de legitimálo, aduzindo que a compensação só poderia ser realizada após o trânsito em julgado. Referida modificação significa alterar de maneira patente um dos critérios jurídicos do lançamento, em completa dissonância com o artigo 146 do Código Tributário Nacional e em descompasso com a doutrina e jurisprudência pátria. Deveras, os antigos Conselhos de Contribuintes, por diversas vezes, se manifestaram nesse sentido em situações análogas à presente. Dentre vários julgados, destacamse os seguintes: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA Na apreciação de recurso especial de divergência a Câmara deve cingirse à matéria de direito em litígio e de eventuais preliminares. Inadmissível o aperfeiçoamento ou inovação do lançamento, ainda que estes não importem em agravamento da exigência, mas caracterizam mudança de critérios jurídicos do lançamento. (CSRF/0104.535 – Relator Candido Rodrigues Neuber DOU 09.06.2003) IRPJ/IRF A mudança dos fundamentos legais que embasaram a exigência caracteriza inovação e aperfeiçoamento do lançamento, requerendo a lavratura de novo auto de infração ou notificação de lançamento suplementar, e ao Òrgão julgador não foi dado esse poder. Recurso negado. (CSRF/0104.490 – Relator Verinaldo Henrique da Silva DOU 14.04.2003) (grifos nossos) Fl. 312DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13956.000008/200207 Acórdão n.º 9303002.766 CSRFT3 Fl. 248 5 Impõese, portanto, o cancelamento da autuação por falta de motivação legal. Por último, importante destacar que, muito embora tal discussão referente à (i) comprovação de que o fundamento da autuação não se mostrou verdadeiro e (ii) à inovação da fundamentação pela Colenda DRJ não tenha sido travada no âmbito da Colenda Turma a quo, ela pode e deve ser levantada de ofício. Assim, por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Por outro lado, caso não prevaleça o entendimento acima, ainda assim o recurso especial não merece ser provido. Com efeito, no tocante à incidência da multa de 75% pela compensação indevida, lastreada no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, é de se destacar, novamente, quanto à hipótese ora sub judice, que as compensações ora em discussão foram realizadas através das DCTF referente ao primeiro trimestre de 1997. Quanto ao substrato legal de incidência da penalidade, é de se destacar que a multa isolada de ofício surgiu com a Lei nº 10.833/2003, de 29/12/2003, especificamente no seu artigo 18 e parágrafo 2º, cuja redação original era a seguinte: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. Assim, nos termos da redação original da Lei nº 10.833/2003, as únicas hipóteses de imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevidas eram (i) crédito ou débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal; (ii) crédito ser de natureza não tributária; e (iii) ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964. A multa isolada aplicável, nos termos da redação da Lei nº 9.430/96 vigente à época, com a redação dada pela Lei nº 10.892/2004, de 13/07/2004, era a seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de Fl. 313DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 6 declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II – cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) § 2º Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente. Destarte, nos casos de (i) o crédito ou débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal e (ii) o crédito ser de natureza não tributária, a multa era devida no percentual de 75%. No caso de prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964, a multa era devida no percentual de 150%. O § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, como visto, cuida das hipóteses em que o prazo para responder a intimações para se prestar esclarecimentos não são obedecidos, situações em que a multa tem os seus percentuais agravados. Voltando à Lei nº 10.833/2003, ela foi alterada pela Lei nº 11.051/2004, de 29/12/2004, passando o artigo 18 a ter a seguinte redação: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática de infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Assim, com o advento da Lei nº 11.051/2004, de 29/12/2004, no caput do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 foi mantida a multa por compensação indevida apenas nos casos de prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964, sendo que o § 2º fez remissão à alíquota, cujo percentual era de 150% (inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96). Pareceme, portanto, que uma vez que legislação superveniente deixa de apenar determinado fato (no caso, a compensação indevida sem dolo, fora das hipóteses previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64), deixando de definilo como infração, tal legislação deve ser aplicada retroativamente, nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional. Neste sentido, aliás, acolho o entendimento esposado pela Ilustre Conselheira Maria Teresa Martinez López, em julgamento realizado nesta mesma assentada e em que figura Fl. 314DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13956.000008/200207 Acórdão n.º 9303002.766 CSRFT3 Fl. 249 7 como interessado o mesmo contribuinte do presente processo (10580.006996/200479), pedindo vênia para destacar os seguintes excertos do seu voto, verbis: A Lei n° 11.051/2004 extinguiu a multa de 75% para as compensações sem dolo, mantendo somente a multa qualificada para as hipóteses de sonegação, fraude ou conluio. Deixouse de definir como infração, punível com a multa de 75%, a compensação indevida sem dolo. Assim permaneceu até 22/11/2005, data de publicação da Lei n° 11.196/2005, cujo art. 117 alterou novamente o art. 74 da Lei n° 9.430/96, restabelecendo infrações não dolosas. Por fim, a MP 351/07, convertida na Lei n° 11.488/07, restringiu ainda mais as hipóteses de cabimento da multa isolada, determinando sua imposição apenas quando a compensação não seja homologada em vista da comprovação de falsidade na declaração do contribuinte: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Como anteriormente dito, a multa isolada foi lançada em razão de compensação indevida por se tratar de crédito não passível de compensação por expressa disposição legal, não havendo comprovação e nem sequer indicio de falsidade em declarações apresentadas pela contribuinte. Por oportuno, observo que neste processo descabe cogitar da nova alteração na redação do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, estabelecida pelo art. 117 da Lei n° 11.196, de 21/11/2005, e que só possui efeitos a partir de 22/11/2005 (data da publicação da Lei n° 11.196). Referido art. 117, que alterou a redação do § 4° do art. 74 da Lei n° 9.430/96 para restabelecer a multa de 75% nas compensações sem dolo, constou da MP n° 252, de 15/06/2005, que todavia não foi convertida em lei e por isto só teve eficácia até 13/10/2005. Assim, e apesar do art. 132, II, "d", da Lei n° 11.196/2005, segundo o qual o art. 117 da mesma Lei teria efeitos a partir de 14/10/2005 (imediatamente após o fim da eficácia da MP n° 252/2005), a melhor interpretação recomenda não admitir a retroatividade das penalidades restauradas. Daí ser mais correto considerar a eficácia do art. 117 em comento a partir de 22/11/2005. Segundo essa nova redação do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, a multa de oficio, no percentual básico ou qualificado, também se aplica nas hipóteses previstas no inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, ou seja, nas seguintes hipóteses em que a compensação é considerada não declarada: a) crédito de terceiros; b) crédito referente ao créditoprêmio instituído pelo art. 1° do DecretoLei n°491, de 5 de março de 1969; c) crédito referente a título público; d) crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; e) crédito não referente a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. Como o lançamento é anterior a 22/11/2005 e não se verifica nenhuma das hipóteses que ensejam a aplicação da penalidade qualificada prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051/2004 tanto assim que foi aplicada a multa básica de 75%, em vez da multa qualificada , cabe invocar o art. 106, inciso Fl. 315DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 8 II, do CTN, que prevê a retroatividade da lei a ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A confirmar a aplicação da retroatividade benigna, o entendimento manifestado pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação Cosit, por meio da Solução de Consulta Interna n° 3, de 8 de janeiro de 2004 (que se refere apenas ao caput do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, por haver sido expedida antes das modificações introduzidas pela Lei n° 11.051, de 2004): EMENTA: (...) No julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP n°2.15835, as multas de oficio exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não tenham sido fundamentadas nas hipóteses versadas no "caput" desse artigo. No mais, tendo em vista que a própria Administração já reconhece a retroatividade benigna (vejase Solução de Consulta Interna nº 03, de 08 de janeiro de 2004, proferida pela CoordenaçãoGeral de Tributação da Secretaria da Receita Federal, que em seus itens 13 a 22 aborda o assunto de forma completa e exaustiva, manifestandose sobre a exclusão da multa) nenhum reparo há de se fazer na decisão recorrida. Dessa forma, as alterações no art. 18 da Lei nº 10.833/03 trazidas pela Lei n° 11.051/04 e posteriormente pela Lei n° 11.488/07 devem ser aplicadas retroativamente em benefício dos contribuintes, razão pela qual deve ser exonerada a multa isolada. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 316DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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