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Numero do processo: 13819.907207/2012-86
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3003-000.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem tome as providências delineadas nos termos do voto do relator.
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa e Vinícius Guimarães. O Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva declarou-se impedido.
Relatório
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem tome as providências delineadas nos termos do voto do relator. Marcos Antonio Borges Presidente. Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa e Vinícius Guimarães. O Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva declarouse impedido. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .9 07 20 7/ 20 12 -8 6 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13819.907207/201286 Resolução nº 3003000.005 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório Por bem retratar os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento do Pedido de Restituição (PER) de nº 27020.35742.190411.1.2.040078, nos termos do despacho decisório emitido em 05/12/2012 pela DRF de São Bernardo do Campo/SP (rastreamento de n° 041046355). No referido PER, a contribuinte indicou um crédito de R$ 7.839,53, referente ao pagamento efetuado em 19/09/2008, de PIS/Pasep, 6912, do período de apuração encerrado em 31/08/2008, no valor total de R$ 48.196,54. Segundo o despacho decisório recorrido, a restituição foi indeferida porque o DARF indicado como crédito estava totalmente utilizado para extinção de débito de mesmo tributo e período de apuração, de acordo com as informações da DCTF apresentada pela interessada. Em decorrência, o PER foi indeferido com base no art. 165 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Cientificada em 17/12/2012, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade em 16/01/2013, alegando que o confronto entre o DARF indicado como crédito no PER em análise e o débito descrito na DCTF retificadora do respectivo período de apuração “revela a absoluta improcedência dos argumentos sustentados pelo Despacho Decisório”. Aduz que o valor devido de PIS/Pasep é menor que o indicado no Despacho Decisório. Afirma que entregou DCTF retificadora e que as informações do referido despacho encontram amparo apenas na DCTF original, que foi integralmente substituída e cancelada. Assevera que o valor informado na DCTF retificadora está em absoluta confomidade com o demonstrado no Dacon retificador. Requer o reconhecimento integral do crédito pleiteado. A 3ª Turma da DRJ em Curitiba proferiu decisão cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 19/09/2008 RETIFICAÇÃO DE DCTF. NECESSIDADE DE PROVAS. A retificação de declaração apresentada à RFB que vise a reduzir tributo somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original (art. 147 § 1º, do CTN). PROVAS. INSUFICIÊNCIA. As provas trazidas aos autos não foram suficientes para comprovar a ocorrência de pagamento indevido ou a maior. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13819.907207/201286 Resolução nº 3003000.005 S3C0T3 Fl. 4 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, abordando, em síntese, os seguintes pontos: 1. Decadência para a revisão da apuração do PIS: a recorrente sustenta que passaramse mais de oito anos da ocorrência do fato gerador da PIS, e mais de cinco anos da transmissão do PER/DCOMP, ensejando a extinção do direito do Fisco em rever a apuração e declaração da recorrente. Nessa esteira, a recorrente aduz que para "demonstrar com documentos hábeis a disponibilidade do crédito pleiteado, seria necessária a abertura da apuração do tributo, com a possibilidade de revisão das suas bases de cálculo pela autoridade administrativa". Tal questão seria ilegítima, tendo em vista que "todos os valores declarados foram chancelados pelo fisco, tornandoos imutáveis". 2. Comprovação do direito creditório do PIS: a recorrente busca demonstrar seu direito creditório por meio de sua escrituração contábil. Apresenta demonstrativo de apuração do PIS que exprime as diferenças entre a apuração original e a retificada. Segundo a recorrente, as retificações "consistem na apropriação de créditos relativos aos serviços de transporte tomados junto a empresas optantes pelo Simples Nacional, nos termos do art. 3º, inciso II, das Leis n.° 10.637/2002 e 10.833/2003 c/c o Ato Declaratório Interpretativo n.° 15, de 26 de setembro de 2007, e na eliminação dos créditos anteriormente tomados, relativos a serviços de Vigilância Patrimonial". Além disso, a recorrente esclarece que houve "correções nos valores lançados a título de Fretes Cancelados, Faturamento, Receitas Financeiras e Energia Elétrica, assim como na apropriação de créditos relativos ao Seguro no Transporte de Automóveis, porquanto estar enquadrado como Bens e Serviços Utilizados como Insumo". Com seu recurso, a recorrente traz, ao processo, DACON, DCTF, Balancete Analítico e Razões Analíticos, com o fim de comprovar a apuração do PIS. Pede, por fim, pela juntada de documentos e baixa do feito em diligência para comprovação de suas afirmações. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13819.907207/201286 Resolução nº 3003000.005 S3C0T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio está dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. 1. Decadência para a revisão da apuração do PIS A recorrente sustenta que a apuração do PIS, constante da DCTF retificadora, é imutável, uma vez que já teria passado o prazo para que o Fisco pudesse discutir a apuração da referida contribuição, configurandose a decadência. Tal argumento de decadência não tem fundamento. Explico. A análise de pedidos de restituição pressupõe a própria análise dos créditos pleiteados. No caso concreto, o crédito almejado pela recorrente tem origem em redução de débito de PIS. Conforme narra a recorrente, o valor devido de PIS foi reduzido por causa de revisão da base de cálculo do PIS, com alteração dos valores de algumas contas ("Vendas Canceladas" e "Receitas Financeiras"), e do incremento nos valores de créditos apurados, tendo havido, neste caso, entre outros ajustes, dedução de créditos a título de "Seguro no Transporte de Automóveis". O exame do pedido de restituição passa precisamente pela essencial aferição dos vários elementos que compõem o crédito pleiteado, a fim de se perquirir a subsistência do direito creditório. Diferentemente do que sustentou a recorrente, tal procedimento não representa nova apuração do tributo não há qualquer ato de constituição do crédito tributário mas mera apuração da natureza, extensão e disponibilidade do crédito pleiteado: buscase a certeza e liquidez do crédito. Assim, não há que se falar em decadência na análise de direito creditório, uma vez que a verificação fiscal de direito creditório não se confunde com autuação fiscal. Esse entendimento tem sido adotado em diversas decisões do CARF, entre as quais, vejase, por exemplo, o Acórdão nº. 9303007.478, da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), Redator Designado Andrada Marcio Canuto Natal, julgado na sessão de 16 de outubro de 2018, cuja ementa é transcrita na parte que interessa ao tema ora abordado (grifei partes): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. MONTANTE SOLICITADO/ COMPENSADO. CERTEZA/LIQUIDEZ. VALOR DEVIDO. LANÇAMENTO. DE OFÍCIO. DESNECESSIDADE. DECADÊNCIA. Nos pedidos de restituição/compensação é dever da Autoridade Administrativa apurar a certeza e a liquidez do valor total pleiteado, mediante a apuração da contribuição devida, com base na documentação contábil e fiscal do contribuinte, nos termos da respectiva legislação tributária, efetuando a restituição/compensação apenas e tão somente do saldo credor a que o contribuinte faz jus, inexistindo obrigação legal de lançamento de ofício da diferença Fl. 158DF CARF MF Processo nº 13819.907207/201286 Resolução nº 3003000.005 S3C0T3 Fl. 6 5 entre o valor da contribuição considerado pelo contribuinte e o valor apurado pela autoridade administrativa. Como esse procedimento não implica lançamento algum, não há que se falar em decadência. Como bem assinalado na ementa transcrita, é dever da autoridade fiscal apurar a certeza e liquidez dos créditos que são objeto de pedidos de restituição/compensação. O exercício de tal verificação de consistência do direito creditório pleiteado não "implica lançamento algum", devendo ser afastado o argumento de decadência. Os excertos do voto vencedor, a seguir transcritos, deixam clara a inaplicabilidade da decadência ao procedimento fiscal de análise da certeza e liquidez de créditos objeto de compensação/restituição (grifei partes): (...) A autoridade fiscal é competente para, nos termos do art. 170 do CTN, apurar a liquidez e certeza do crédito a ser restituído e, para tanto, deve verificar a correta apuração da base de cálculo do tributo, fazendo os ajustes necessários ao valor a ser enfim restituído. Ressalto que esse procedimento não leva a qualquer cerceamento do direito de defesa ao contribuinte. Os ajustes efetuados são cientificados a ele, o qual terá amplo direito de defesa quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Caberá aos órgãos julgadores apreciar as razões do seu inconformismo e confirmar ou não a correta apuração efetuada pela autoridade administrativa. Exatamente como está sendo feita no presente processo administrativo.(...) Assim, visando apurar os pagamentos indevidos e/ ou a maior, efetuados pelo contribuinte, a Autoridade Administrativa fez um encontro de contas entre os valores da contribuição devida sobre a receita operacional bruta, apurados nos termos da decisão judicial transitada em julgado, e os valores recolhidos sobre a totalidade das receitas. O fato de a Autoridade Administrativa ter incluído na base de cálculo receitas operacionais que não foram consideradas pelo contribuinte, sob o entendimento equivocado de que não estavam sujeitas a contribuição, mas que, de fato, estavam, não implicou constituição de crédito tributário por meio de lançamento de ofício. Tal procedimento tornouse imprescindível para se apurar os créditos e o montante a que o contribuinte tem direito de repetir/compensar, nos termos da decisão judicial transitada em julgado. Sem o encontro de contas, não há como se apurar a certeza e liquidez do valor pleiteado/compensado, nos estritos termos previstos no art. 170 do CTN, abaixo transcrito: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Esse procedimento não implicou constituição de crédito tributário por meio de lançamento de ofício. Assim, não há que se falar em decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir crédito tributário. Da leitura dos trechos transcritos, percebese, mais uma vez, que o procedimento de análise da certeza e liquidez de créditos pleiteados por meio de pedido de restituição/compensação não se confunde com aquele outro procedimento de constituição do crédito tributário, não se aplicando a decadência às análises fiscais de direito creditório. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 13819.907207/201286 Resolução nº 3003000.005 S3C0T3 Fl. 7 6 2. Comprovação do direito creditório do PIS O quadro demonstrativo abaixo foi apresentado pela recorrente, a fim de elucidar a retificação da apuração do PIS, da qual resultou o crédito pleiteado: Conforme se observa no quadro comparativo, a apuração original do PIS resultou em débito de R$ 56.949,07, enquanto que a apuração final, a qual deu origem à DCTF retificadora, resultou em débito de R$ 49.109,54. Verificase, ainda, que a diferença nas duas apurações consiste em divergências de valores de faturamento, vendas canceladas, receitas financeiras e de créditos apurados. No tocante aos créditos apurados, a recorrente explicou que "consistem na apropriação de créditos relativos aos serviços de transporte tomados junto a empresas optantes pelo Simples Nacional, nos termos do art. 3º, inciso II, das Leis n.° 10.637/2002 e 10.833/2003 c/c o Ato Declaratório Interpretativo n.° 15, de 26 de setembro de 2007, e na eliminação dos créditos anteriormente tomados, relativos a serviços de Vigilância Patrimonial". Assinala, ainda, que foram apropriados "créditos relativos ao Seguro no Transporte de Automóveis, porquanto estar enquadrado como Bens e Serviços Utilizados como Insumo". Para os créditos apurados, a recorrente apresentou o seguinte quadro: Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13819.907207/201286 Resolução nº 3003000.005 S3C0T3 Fl. 8 7 O crédito pleiteado pela recorrente pode ser visto no quadro a seguir: Pois bem. Para comprovar o direito creditório a partir das retificações acima introduzidas, a recorrente apresentou, junto ao Recurso Voluntário, cópias do DACON (fls. 121 a 123), DCTF (fls. 124 a 131), Balancete Analítico (fls. 110 a 119), DARF (fl. 120) e Razões Analíticos (fls 135 a 151). Considerando que, no despacho eletrônico, a recorrente não foi informada sobre quais documentos probatórios deveria apresentar, e que, em sede de Recurso Voluntário apresentou robusta documentação, como forma de contrapor as razões da decisão recorrida, podendose aplicar, no caso concreto, a exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.237/72, e tendo em vista o princípio da verdade material, voto por converter o presente julgamento em diligência para que a Unidade de Origem tome as seguintes providências: 1. Analisar o direito creditório atinente ao PISobjeto do presente litígio, levando em consideração os documentos juntados pela recorrente às fls. 110 a 151, assim como outros documentos e informações que se mostrarem necessários. Todas as contas que resultaram na redução do débito deverão ser analisadas, devendo ser realizado o exame da consistência, extensão e natureza das contas que teriam dado origem à redução do débito e, também, a apuração da consistência e disponibilidade dos pagamentos e depósitos judiciais efetuados com a aferição de eventuais ações judiciais, conversão de depósitos, etc. Especificamente, no tocante aos créditos vinculados (seguros de automóveis, fretes de transportes junto a empresas do SIMPLES Nacional, etc.), analisar, à luz das normas vigentes, sua essencialidade e relevância para a execução da atividade econômica da empresa, bem como sua efetiva disponibilidade, consistência, escrituração e documentos que a embasam, juntando ao processo todos os documentos necessários. 2. Apresentar relatório com parecer conclusivo, justificando, de forma minuciosa e fundamentada, as análises acima enunciadas, trazendo todos os documentos e esclarecimentos necessários para sustentar seu parecer. O parecer deverá, ao final, trazer manifestação conclusiva quanto à disponibilidade do direito creditório, informando em que medida tal direito é reconhecido e por quais fundamentos e elementos probatórios; 3. Prestar as informações e os esclarecimentos que julgar importante para o deslinde da questão; 4. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. Vinícius Guimarães Relator Fl. 161DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.004737/2010-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. DISPÊNDIOS VINCULADOS A ATOS COOPERATIVOS. CRÉDITO.
Não é permitida a apropriação de créditos incidentes sobre despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações, armazenagem e fretes, vinculados proporcionalmente aos atos cooperativos, posto que não se configuram como adstritos ao regime não cumulativo das contribuições.
RESSARCIMENTO. CRÉDITOS VINCULADOS A RECEITAS TRIBUTADAS.
Os saldos credores de Pis e Cofins, no regime da não cumulatividade, vinculados a receitas tributadas, somente podem ser aproveitados para compensação dos débitos da mesma contribuição, no contexto da não cumulatividade, e não podem ser ressarcidos.
Numero da decisão: 3201-004.539
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. DISPÊNDIOS VINCULADOS A ATOS COOPERATIVOS. CRÉDITO. Não é permitida a apropriação de créditos incidentes sobre despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações, armazenagem e fretes, vinculados proporcionalmente aos atos cooperativos, posto que não se configuram como adstritos ao regime não cumulativo das contribuições. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS VINCULADOS A RECEITAS TRIBUTADAS. Os saldos credores de Pis e Cofins, no regime da não cumulatividade, vinculados a receitas tributadas, somente podem ser aproveitados para compensação dos débitos da mesma contribuição, no contexto da não cumulatividade, e não podem ser ressarcidos.
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COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. Recorrente SOCIEDADE COOPERATIVA UNIÃO AGRÍCOLA CANOINHAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA. DISPÊNDIOS VINCULADOS A ATOS COOPERATIVOS. CRÉDITO. Não é permitida a apropriação de créditos incidentes sobre despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações, armazenagem e fretes, vinculados proporcionalmente aos atos cooperativos, posto que não se configuram como adstritos ao regime não cumulativo das contribuições. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS VINCULADOS A RECEITAS TRIBUTADAS. Os saldos credores de Pis e Cofins, no regime da não cumulatividade, vinculados a receitas tributadas, somente podem ser aproveitados para compensação dos débitos da mesma contribuição, no contexto da não cumulatividade, e não podem ser ressarcidos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 47 37 /2 01 0- 53 Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10920.004737/201053 Acórdão n.º 3201004.539 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) amparado em crédito decorrente da Contribuição para o PIS/Pasep Mercado Interno, utilizado para a extinção de créditos tributários próprios por meio da transmissão de diversas Declarações de Compensação (DCOMPs). Reproduzo, em parte, o relatório da primeira instância administrativa: Importante mencionar a existência do Mandado de Segurança de nº 500392024.2010.404.7201, impetrado pela manifestante tendo por fundamento o art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, que estabelece o prazo de 360 dias para que o autoridade administrativa profira a decisão pertinente aos documentos por ela apresentados, prazo que teria transcorrido sem que a providência houvesse sido adotada, motivo com base no qual requereu a decretação, por parte do Poder Judiciário, da análise imediata da questão. Em decisão datada de 10/11/2010, (...), deuse a concessão parcial da segurança, sendo determinada a apreciação da questão no prazo de 60 (sessenta) dias. Os Pedidos de Ressarcimento a serem analisados e deliberados pela unidade jurisdicionante da pessoa jurídica, a DRF Joinvile/SC, referemse ao PIS/Pasep Mercado Interno e à Cofins Mercado Interno dos fatos geradores compreendidos entre o 3º Trimestre/2004 e o 4º Trimestre/2008, conforme a seguir detalhado: Processo Tributo PERDCOMP PA 10920.004711/201013 Cofins 17455.71035.310709.1.5.112060 3° Trimestre/2004 10920.004723/201030 PIS/Pasep 30642.26493.290709.1.5.107959 3° Trimestre/2004 10920.004710/201061 Cofins 28375.24544.310709.1.5.116324 4° Trimestre/2004 10920.004724/201084 PIS/Pasep 29897.60316.290709.1.5.104505 4° Trimestre/2004 10920.004709/201036 Cofins 15328.79211.310709.1.5.116830 1° Trimestre/2005 10920.004725/201029 PIS/Pasep 25689.76192.290709.1.5.102921 1° Trimestre/2005 10920.004708/201091 Cofins 30424.34979.310709.1.5.115072 2° Trimestre/2005 10920.004726/201073 PIS/Pasep 39774.00532.290709.1.5.100185 2° Trimestre/2005 10920.404707/201047 Cofins 23790.46725.310709.1.5.116148 3° Trimestre/2005 10920.004728/201062 PIS/Pasep 02417.08395.290709.1.5.100094 3° Trimestre/2005 10920.004706/201001 Cofins 37964.06050.310709.1.5.114270 4° Trimestre/2005 10920.004727/201018 PIS/Pasep 21861.29156.290709.1.5.106247 4° Trimestre/2005 10920.004705/201058 Cofins 06970.81145.310709.1.5.111410 1° Trimestre/2006 10920.004729/201015 PIS/Pasep 28541.03638.310709.1.5.104332 1° Trimestre/2006 10920.004716/201038 Cofins 07960.33360.310709.1.5.111850 2° Trimestre/2006 10920.004732/201021 PIS/Pasep 22249.79328.310709.1.5.107100 2° Trimestre/2006 10920.004717/201082 Cofins 19624.55898.310709.1.5.112757 3° Trimestre/2006 10920.004733/201075 PIS/Pasep 31301.78029.050308.1.1.101768 3° Trimestre/2006 10920.004718/201027 Cofins 36617.64721.060308.1.1.115747 4° Trimestre/2006 10920.004730/201031 PIS/Pasep 42697.96779.050308.1.1.108306 4° Trimestre/2006 10920.004712/201050 Cofins 15943.22182.060308.1.1.116378 1° Trimestre/2007 10920.004731/201086 PIS/Pasep 35701.48279.060308.1.1.107085 1° Trimestre/2007 10920.004715/201093 Cofins 28956.87473.060308.1.1.116300 2° Trimestre/2007 Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10920.004737/201053 Acórdão n.º 3201004.539 S3C2T1 Fl. 4 3 10920.004734/201010 PIS/Pasep 22709.19031.130308.1.1.109949 2° Trimestre/2007 10920.004714/201049 Cofins 41188.20386.060308.1.1.114335 3° Trimestre/2007 10920.004735/201064 PIS/Pasep 21497.17327.130308.1.1.102500 3° Trimestre/2007 10920.004713/201002 Cofins 19868.38705.060308.1.1.112304 4° Trimestre/2007 10920.004736/201017 PIS/Pasep 14116.48037.130308.1.1.106736 4° Trimestre/2007 10920.004719/201071 Cofins 32429.08130.130109.1.1.114306 1° Trimestre/2008 10920.004737/201053 PIS/Pasep 07150.17502.290709.1.5.102770 1° Trimestre/2008 10920.004720/201004 Cofins 39665.94856.310709.1.5.119731 2° Trimestre/2008 10920.004738/201066 PIS/Pasep 01050.62515.310709.1.1.109626 2° Trimestre/2008 10920.004721/201041 Cofins 03226.66128.310709.1.1.110966 3° Trimestre/2008 10920.0047391201042 PIS/Pasep 12003.75662.310709.1.1.100828 3° Trimestre/2008 10920.004722/201095 Cofins 39583.82165.310709.1.1.11 4456 4° Trimestre/2008 10920.004740/201077 PIS/Pasep 40010.52467.310709.1.1.100090 4° Trimestre/2008 Os créditos presentes nos Pedidos de Ressarcimento suprarrelacionados foram utilizados pela pessoa jurídica em numerosos procedimentos compensatórios, com base nos quais extinguiu créditos tributários de sua responsabilidade. Sentença datada de 14/12/2010 confirmou a liminar, na parte que determinou a apreciação dos Pedidos de Ressarcimento e das Declarações de Compensação no prazo de 60 (sessenta) dias, e declarou o direito de a impetrante “ver aplicada correção monetária aos créditos de PIS/COFINS objeto dos referidos requerimentos, a partir do dia imediatamente posterior ao vencimento do prazo previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, até a data do crédito na contacorrente da empresa, à variação da taxa selic”, (...). Objetivando dar cumprimento à determinação judicial, a autoridade administrativa responsável pelos trabalhos emitiu a Intimação Fiscal (...), tendo a pessoa jurídica sido instada a apresentar os balancetes mensais que contêm a demonstração das receitas e despesas declaradas nos DACONs dos períodos alcançados pela auditoria fiscal; a relação dos produtos revendidos pela sociedade cooperativa, com as respectivas classificações NCM; a relação dos clientes adquirentes dos produtos comercializados; a fundamentação legal utilizada para considerar que todas as receitas são isentas, não alcançadas pela incidência das contribuições, com suspensão ou sujeitas à alíquota zero; cópias de todas as faturas de energia elétrica informadas nos DACONs; cópias dos contratos e a comprovação dos pagamentos dos aluguéis de prédios locados pela pessoa jurídica, informados nos DACONs; e a cópia do contrato/estatuto social da SOCIEDADE COOPERATIVA UNIÃO AGRÍCOLA CANOINHAS, além da documentação de identificação da pessoa natural responsável pela pessoa jurídica. (...) Concluído o procedimento fiscal, deuse a edição de Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o crédito postulado e homologou também de forma parcial as compensações manejadas pela pessoa jurídica, (...). O contribuinte considerou que todas as receitas auferidas, sejam decorrentes dos atos cooperativos, sejam da atividade com não Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10920.004737/201053 Acórdão n.º 3201004.539 S3C2T1 Fl. 5 4 cooperados, ensejavam direito ao ressarcimento o que, segundo a autoridade fiscal, não tem cabimento. Nas palavras do AFRFB, “o contribuinte considera que tanto as exclusões da base de cálculo das contribuições como as receitas de vendas com alíquota zero configuram hipótese em que é autorizado o ressarcimento e a compensação do saldo credor com outros débitos”. Ainda que o efeito sobre o valor apurado das contribuições sociais seja o mesmo, “legalmente são sujeições distintas e inconfundíveis, não se permitindo atribuir os efeitos de uma a outra, por analogia”. Discorreu, em seguida, sobre a Lei nº 5.764, de 1971, que trata do regime jurídico das sociedades cooperativas. Os atos cooperativos não são operações de compra e venda, mas atos praticados entre a sociedade cooperativa e seus cooperados, voltados para seus interesses e suas necessidades como, por exemplo, a entrega da produção à cooperativa para que a comercialize em condições mais favoráveis, e o fornecimento ao cooperado de insumos adquiridos pela cooperativa em melhores condições que a compra individual. Pode, outrossim, a cooperativa atuar como uma empresa comercial qualquer, adquirindo bens de terceiros não associados e os revendendo a clientes não pertencentes ao seu quadro social. Também é possível que atue como prestadora de serviços de armazenagem e beneficiamento prestados a terceiros não associados. Tais operações devem ser contabilizadas em separado dos atos cooperativos e seu resultado deve ser oferecido à tributação. No caso fiscalizado, a pessoa jurídica exerce ambas as atividades. Pratica atos cooperativos além de comprar e vender bens e serviços a não cooperados. Em vista do disposto no art. 87 da Lei nº 5.764, de 1971, contabiliza separadamente as operações com terceiros, como observado nos balancetes apresentados. Assim, “às receitas decorrentes do ato cooperativo [...] aplicase a legislação específica, ao passo que às demais receitas decorrentes de operações com terceiros não cooperados aplica se o regramento geral da nãocumulatividade das contribuições pois aí a cooperativa atua como uma empresa comercial comum. É dizer, quando as receitas forem decorrentes do ato cooperativo são exclusões da base de cálculo das contribuições (ainda que os produtos entregues estejam sujeitos à alíquota zero no mercado em geral)”, conforme disposto pelo art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, medida que também é assegurada pelo art. 17 da Lei nº 10.684, de 2003, que além da exclusão dos valores relativos aos atos cooperativos admite a exclusão adicional dos custos agregados ao produto agropecuário aos associados, quando da sua comercialização. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10920.004737/201053 Acórdão n.º 3201004.539 S3C2T1 Fl. 6 5 A RFB editou a Instrução Normativa nº 635, de 2004, regulamentando o PIS/Pasep e a Cofins das sociedades cooperativas. O art. 11 da norma lista as exclusões e define “custos agregados ao produto agropecuário dos associados como os dispêndios pagos ou incorridos com [...] locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento [...] bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado (§ 8º). Portanto, além das receitas do ato cooperativo, os custos da cooperativa para praticálos também são exclusões da base de cálculo das contribuições”. Como verificado nos DACONs transmitidos e nas memórias de cálculo apresentadas à fiscalização, “as despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete foram consideradas pelo contribuinte simultaneamente como exclusão da receita bruta e como base de cálculo de créditos da nãocumulatividade, em claro equívoco”. Ainda segundo informado nos DACONs, “não houve contribuição devida sobre receitas em nenhum mês, informação que diverge dos balancetes, onde constam PIS e COFINS devidos sobre receitas auferidas com não associados”. Decidiu então a autoridade fiscal “desconsiderar todas as informações prestadas nos DACONs e apurar os montantes de créditos passíveis de ressarcimento com base nos balancetes. Para tanto, e por não ter o interessado contabilidade de custos integrada, fazse necessário separar do total de receitas aquilo que é decorrente do ato cooperativo, estabelecendo uma proporção para rateio das despesas comuns (energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete) entre o que é custo agregado ao produto agropecuário e o que é vinculado às demais operações com não associados”. Sobre as despesas vinculadas aos atos com não associados calculou os créditos nos termos do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, procedendo ao rateio proporcional de acordo com a sua vinculação às receitas tributadas à alíquota normal da nãocumulatividade e às receitas sujeitas à alíquota zero, neste último caso passível de ressarcimento após o desconto da contribuição devida, conforme disposto pelo art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, e 17 da Lei nº 11.033, de 2003. Apresentou, em seguida, planilhas em que segregou as receitas a partir de informações constantes dos balancetes apresentados pela cooperativa em Receitas de revenda de mercadorias (A), Receitas de vendas a não associados (B) e Receitas de serviços prestados a terceiros (C), chegando ao percentual de receita decorrente do ato cooperativo [A / (A + B +C)]) e ao percentual de receita auferida com não associados [(B + C) / (A + B + C)]. No que tange às receitas auferidas com não associados (B + C), promoveu a distinção entre receitas tributadas à alíquota normal (obtidas pela divisão dos valores de PIS/Pasep e de Cofins contabilizados pela pessoa jurídica, informados em seus balancetes, pelas alíquotas respectivas de cada uma desta Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10920.004737/201053 Acórdão n.º 3201004.539 S3C2T1 Fl. 7 6 contribuições = L) e as receitas sujeitas à alíquota zero [N = (B + C) – L]. Prosseguindo, aplicou sobre os valores de despesas informados nos DACONs (P) os percentuais de receita do ato cooperativo (H) e de receitas auferidas com não associados (J), obtendo o valor do Custo agregado ao produto agropecuário (Q) e a Parcela vinculada às demais receitas (R), sendo este último valor entendido como aquele passível apurar o desconto de crédito a que tem direito o contribuinte. Sobre a Parcela vinculada às demais receitas (R), tida como a base de cálculo para a apuração dos créditos, aplicou as alíquotas de 1,65% para o PIS/Pasep (S) e de 7,6% para a Cofins (V). Sobre estes dois últimos valores fez incidir o percentual de receita tributada à alíquota normal (M) e o percentual de receita tributada à alíquota zero (N), chegando aos valores de crédito vinculados à receita normal, não passíveis de desconto (T e X) e os valores de crédito vinculados à receita sujeita à alíquota zero, estes sim, passíveis de desconto (U e Y). Concluindo o procedimento, dos créditos considerados como passíveis de desconto deduziu os valores de PIS/Pasep e de Cofins apurados pelo contribuinte e constantes de seus balancetes chegando, finalmente, aos valores de crédito a serem reconhecidos pela autoridade fazendária competente. Registrou que a apuração do PIS/Pasep e da Cofins devidos em cada mês não fez parte de seu trabalho, em que apenas considerou o valor constante dos balancetes de verificação disponibilizados pela interessada. Quanto ao Mandado de Segurança de nº 5003920 24.2010.404.7201, em cuja Sentença foi determinada a incidência de juros Selic a partir do dia imediatamente posterior ao vencimento do prazo de um ano previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, até a data do crédito em contacorrente da impetrante, registrou que na lista de documentos constantes da decisão além dos Pedidos de Ressarcimento existem também Declarações de Compensação (as chamadas DCOMPs) em relação às quais a decisão judicial não encontra aplicabilidade. Tendo o contribuinte optado por compensar a integralidade do crédito consignado nos Pedidos de Restituição, afirmou o representante fazendário que a requerente “já se aproveitou do crédito pleiteado muito antes do vencimento do prazo de 360 dias para apreciação do pedido”. (...) Em 01/02/2011, a sociedade cooperativa foi notificada do Despacho Decisório que reconheceu de modo parcial o crédito informado no Pedido de Ressarcimento e do Despacho da SAORT/DRF Joinvile/SC que relacionou os créditos tributários decorrentes das compensações não homologadas, (...). No dia 02/03/2011 a pessoa jurídica apresentou a sua manifestação de inconformidade, (...). Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10920.004737/201053 Acórdão n.º 3201004.539 S3C2T1 Fl. 8 7 No entendimento da litigante, a decisão da autoridade fiscal mostrase “assaz confusa e obscura”, já que o procedimento por ela adotado, na apuração dos créditos em pauta, tem por sustentáculo o comando legal inserto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e até mesmo em ato infralegal constante do art. 23 da Instrução Normativa SRF nº 635, de 2006, norma que expressamente admite a apuração de créditos em relação à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da sociedade cooperativa e aos aluguéis de prédios utilizados nas atividades da sociedade cooperativa, dentre outras possibilidades. Ao contrário do afirmado pelo Auditor Fiscal, pouco importa a discussão sobre a “exclusão ou não de crédito tributário”, já que existe norma permitindo a manutenção do crédito, como antes dito. No caso concreto, o desconto de crédito referente às despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciação e frete possui permissão legal expressa no art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, como também na Lei nº 10.865, de 2004. O art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, assegura que uma vez apurado saldo credor em favor da insurgente, tal quantia poderá ser utilizada para a quitação de outros débitos de sua responsabilidade, procedimento por ela adotado, ou então requerido em ressarcimento. O entendimento da autoridade fiscal, atinente à desconsideração dos créditos de PIS/Pasep e Cofins relacionados às despesas incorridas, na proporção dos atos cooperativos e não cooperativos, representa procedimento arbitrário pois praticado ao arrepio da lei, devendo ser corrigido pela autoridade julgadora de primeira instância. Importante observar que a decisão do Senhor AFRFB carece de fundamentação pois em nenhum momento apresentou o dispositivo legal que o levou a glosar parcialmente os créditos referentes às despesas incorridas. Sem disposição legal que impeça o desconto do crédito, este é admissível, tratandose de raciocínio decorrente do princípio de legalidade tributária (art. 150, inc. I da Constituição Federal). O ato administrativo atacado carece de motivação, o que também o fulmina de nulidade. Assegurou o agente fazendário ser de “fácil percepção que às receitas decorrentes do ato cooperativo (afora não se tratarem de operações de compra e venda) aplicase a legislação específica”. Todavia, deixou de esclarecer qual seria a tal da “legislação específica”. Não bastasse a ilegalidade apontada, a decisão ora contraditada atenta contra o princípio da isonomia na medida em que em situação absolutamente idêntica, tratada no processo nº 13984.001478/200919, a autoridade fazendária conferiu integralmente o crédito pleiteado pela Cooperativa Agrícola Frutas de Ouro, (...). Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10920.004737/201053 Acórdão n.º 3201004.539 S3C2T1 Fl. 9 8 Até mesmo a DRF Joinvile, em situação absolutamente idêntica, reconheceu o direito pleiteado em decisão proferida no processo nº 10920.000414/201091, (...). Sendo a norma vinculada, deve atentar para a estrita legalidade, não sendo admitido que os agentes públicos a interpretem de forma discricionária, de modo a aplicála de modo diverso em relação a fatos absolutamente idênticos. O art. 150, inc. II da Constituição Federal representa um verdadeiro corolário do princípio constitucional da isonomia, o que veda o tratamento diferenciado para situações idênticas, como ocorre no caso presente. Demonstrado o flagrante equívoco promovido pelo AFRFB responsável pelo procedimento fiscal, pugna a requerente pela reforma da combatida decisão fiscal, determinandose a baixa dos autos em diligência a fim de que seja apurada a forma correta dos créditos referentes aos insumos adquiridos pela requerente. Também existe equívoco da autoridade fiscal, no que se reporta à determinação judicial de valoração do crédito pela taxa Selic a partir da extrapolação do prazo determinado pelo art. 24 da Lei nº 11.457, de 2011, o que deve ser corrigido por essa instância julgadora. Em abono ao princípio da economia processual e para evitar o cerceamento do direito de defesa e ao contraditório, bem como para evitar julgamentos descompassados em relação a matérias pertinentes, requereu a reunião ao presente dos demais processos da requerente que dizem respeito a créditos de outros fatos geradores, assinalando a existência de provas documentais existentes no processo nº 10920.004716/201038 que devem ser consideradas em todos os demais processos. Finalizando, requereu que a presente manifestação de inconformidade seja declarada procedente, possibilitando ao contribuinte o ressarcimento dos valores de PIS/Pasep e de Cofins glosados, devidamente atualizados pela taxa Selic, o que redundará nas homologações das compensações vinculadas ao crédito em comento. A DRJ/Fortaleza/CE, por meio do Acórdão 08036.359, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. COMPENSAÇÃO. Os créditos do PIS/Pasep apurados em relação a custos, despesas e encargos que não puderem ser aproveitados na dedução de débitos da própria contribuição social poderão ser utilizados na compensação de débitos próprios, vencidos Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10920.004737/201053 Acórdão n.º 3201004.539 S3C2T1 Fl. 10 9 ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, desde que vinculados à receita de exportação. Quanto ao saldo credor acumulado em virtude de vendas efetuadas no mercado interno, somente poderá ser utilizado em procedimento compensatório na hipótese de as vendas haverem sido efetivadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição social em apreço, ex vi o determinado pelo art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. APROPRIAÇÃO DIRETA OU RATEIO PROPORCIONAL. REQUISITOS PARA ELEIÇÃO DA METODOLOGIA ADOTADA. A pessoa jurídica sujeita à cobrança nãocumulativa do PIS/Pasep que aufira receitas no mercado interno vinculadas a operações tributadas e a operações não tributadas (sujeitas à suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência), no caso de existirem custos, encargos e despesas vinculados a ambas as espécies de receitas a apuração do valor do crédito passível de ressarcimento ou de compensação será determinada pelo método da apropriação direta se existir sistema de contabilidade de custos integrado e coordenado com o restante da escrituração, adotandose o método do rateio proporcional, em caso contrário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No Recurso Voluntário, a cooperativa reforça os argumentos de defesa. Circunscreve o litígio assim: “Cumpre lembrar que a presente discussão se circunscreve basicamente ao aproveitamento de créditos alusivos à energia elétrica, alugueis, armazenagem e fretes que, no entendimento da fiscalização, somente poderiam ter sido aproveitados de forma proporcional às vendas realizadas para terceiros à alíquota zero.” Deixa de argumentar quanto à atualização dos créditos. É o relatório. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10920.004737/201053 Acórdão n.º 3201004.539 S3C2T1 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.507, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 10920.004705/201058, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.507): "O recurso é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. A recorrente é cooperativa de produção agrícola, tendo efetuado atividades com cooperados e não cooperados. Pede ressarcimento das contribuições que restaram com saldos credores ao final do trimestre. Remanescem no Recurso Voluntário duas matérias em litígio: 1 – Direito de crédito sobre os custos e despesas vinculados à parcela das receitas excluída da base de cálculo das cooperativas de produção, conforme art. 15 da MP 2.15835/2001 e artigo 17 da Lei 10.684/2003 O Fisco glosou os créditos incidentes sobre a parcela dos custos, despesas e outros dispêndios, proporcionais à parcela das receitas que foram excluídas da base de cálculo da cooperativa, excluídas por comando do artigo 15 da MP 2.15835/2001, e artigo 17 da Lei 10.684/2003. Transcrevo trechos do Despacho Decisório pertinentes ao exame em foco (fl. 135 e seguintes “...é de fácil percepção que às receitas decorrentes do ato cooperativo (afora não se tratarem de operações de compra e venda) aplicase a legislação específica, ao passo que às demais receitas decorrentes de operações com terceiros não cooperados aplicase o regramento geral da nãocumulatividade das contribuições pois aí a cooperativa atua como uma empresa comercial comum. É dizer, quando as receitas forem decorrentes do ato cooperativo são exclusões da base de cálculo das contribuições (ainda que os produtos entregues estejam sujeitos à alíquota zero no mercado em geral), nos termos do art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001: (...) A Lei nº 10.684/2003 também traz hipótese de exclusão [art. 17]: (...) Portanto, além das receitas do ato cooperativo, os custos da cooperativa para praticálos também são exclusões da base de cálculo das contribuições. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10920.004737/201053 Acórdão n.º 3201004.539 S3C2T1 Fl. 12 11 Segundo as informações das fichas de apuração dos créditos dos DACONS e as memórias de cálculo entregues em meio digital, as despesas de energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete foram consideradas pelo contribuinte simultaneamente como exclusão da receita bruta e como base de cálculo de créditos da não cumulatividade, em claro equívoco. (...) Para tanto [calcular os créditos passíveis de ressarcimento], e por não ter o interessado contabilidade de custos integrada, fazse necessário separar do total de receitas aquilo que é decorrente do ato cooperatibvo, estabelecendo uma proporção para rateio das despesas comuns (energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete) entre o que é custo agregado ao produto agropecuário e o que é vinculado às demais operações com não associados (§§7º e 8º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, também rateados proporcionalmente de acrodo com a vinculação às receitas tributadas à alíquota normal da nãocumulatividade e a vinculação à receitas sujeitas à alíquota zero, este último passível de ressarcimento após o desconto da contribuição devida, nos termos dos artigos 16 da Lei nº 11.116/2005 e 17 da Lei nº 11.033/2003:” A glosa é correta. Os dispêndios relatados, energia elétrica, aluguéis, depreciações e frete, encontram previsão legal de direito de crédito, para as pessoas jurídicas em geral, nos termos do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. No caso de regimes tributários diferenciados, convivendo dentro de uma mesma pessoa jurídica, os créditos somente podem ser apropriados quando vinculados ao regime não cumulativo, nos termos do §7º do mesmo artigo: § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência não cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. A parcela dos dispêndios proporcional aos atos cooperativos, também é ato cooperativo, isto é, faz parte da atividade cooperativista, e não se sujeita à tributação. O STJ, no âmbito do REsp 1.164.716, sob o rito dos repetitivos (art. 543C do CPC), com trânsito em julgado em 22/06/2016, decidiu que a tributação de Pis e Cofins somente incide sobre atos nãocooperativos: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. (…) 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda ,em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10920.004737/201053 Acórdão n.º 3201004.539 S3C2T1 Fl. 13 12 autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ (sic), fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. Portanto, essa parcela não pode gerar créditos, posto que os créditos somente podem ser calculados em relação à parcela das receitas submetidas ao regime não cumulativo. A parcela das receitas fora do campo da tributação, os atos cooperativos, não gera créditos. O art. 17 da Lei 11.033/2004 somente se aplica às receitas e despesas adstritas ao regime não cumulativo das contribuições, o que não é o caso das receitas e despesas vinculadas aos atos cooperativos. 2 – Direito de ressarcimento total dos créditos, sem limitação à proporcionalidade com as receitas exportadas, ou vendidas no mercado interno com isenção, alíquota zero ou não incidência. A recorrente pretende o ressarcimento integral, com compensação, dos créditos apurados. Regra geral, em operações normais, nunca haveria saldos credores de Pis e Cofins não cumulativos, pois cada operação comercial agrega valor aos produtos, e portanto, a saída tem valor maior que a entrada, resultaNdo em saldos devedores de tributos não cumulativos. Desse modo, a lógica básica dos tributos não cumulativos é que se compensem créditos, da entrada, e débitos, na saída, e recolhase a diferença, via de regra, maior. Todavia, há casos em que determinadas operações são tributariamente incentivadas, com isenções, alíquota zero, ou não incidência. Nesses casos, a operação resultará, eventualmente, em saldos credores de tributos, posto que aproveitam créditos na entrada e não incidem débitos na saída. Assim, os benefícios permaneceriam sem utilidade se não pudessem ser ressarcidos em dinheiro, porque não teriam débitos para compensar. O ressarcimento em dinheiro pode, ainda, ser compensado com outros tributos diferentes, tal como organiza toda a legislação pertinente, em especial o artigo 74 da Lei 9.430/96. Desse modo, o ressarcimento é exceção à regra geral, e deve ser expressamente previsto na legislação para que possa ser aplicado. A referência que a recorrente faz às MP´s 552/2012 e 556/2012 não têm pertinência ao caso, pois tratase de permissão de ressarcimento de créditos presumidos, desonerados à saída, por exportação, isenção, não tributação ou alíquota zero. Aqui, se nega o ressarcimento a créditos vinculados a saídas tributadas com alíquotas positivas. Portanto, os dispêndios vinculados aos atos não cooperativos geram crédito, porém as receitas tributadas a alíquotas positivas não se subsumem ao disposto no artigo 17 da Lei 11.033/2004, e os créditos vinculados a essas receitas tributadas com alíquotas positivas somente podem ser compensados com eventuais débitos da mesma contribuição, apurados pela cooperativa, no próprio mês ou em meses subsequentes, conforme artigo 3º, §4º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002, e não podem ser ressarcidos ou compensados com outros tributos. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10920.004737/201053 Acórdão n.º 3201004.539 S3C2T1 Fl. 14 13 Conclusão Pelo exposto, voto negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 292DF CARF MF
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Numero do processo: 13770.721069/2011-62
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - COMPROVAÇÃO
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-000.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a glosa da despesa médica do plano de saúde FUNSSEST no valor de R$6.696,00, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - COMPROVAÇÃO As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a glosa da despesa médica do plano de saúde FUNSSEST no valor de R$6.696,00, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 72 10 69 /2 01 1- 62 Fl. 93DF CARF MF 2 Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 37 a 42), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$1.764,84, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 42 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: quanto ao plano de saúde, diz que o valor correto é R$ 8.928,00 e que a operadora afirmou que não é possível discriminar gasto por beneficiário, devido ao plano ser familiar e estar em conformidade com a Lei 9656, de 1998. Acrescenta que: “Disseramme ainda que maiores esclarecimentos podem ser obtidos através de notificação exigida pela própria receita a ela direcionada.”; no tocante à glosa de R$ 1.470,55 referente à Vita Saúde, alega que o valor correto é R$ 1.284,60 (valor da despesa de R$ 2.341,40); solicita, ainda, a possibilidade de desconsideração das multas e juros aplicados; por fim, requer o acolhimento da impugnação. no que tange aos demais gastos, pede para desconsiderálos, e esclarece que os comprovantes estão desfigurados, sem condições de leitura; A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 04/11/2014, no acórdão 0364.543, às efls. 75 a 79, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 87 a 89, anexando declaração do plano de saúde FUNSSEST comprovando que é o titular do mencionado plano. Informa que o plano é familiar e por isso não pode ser discriminado por beneficiário. Recorre também dos valores pagos ao plano de saúde VITA Saúde Adm. Hospitalar. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13770.721069/201162 Acórdão n.º 2002000.635 S2C0T2 Fl. 94 3 Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 26/11/2014, efls. 85, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 17/12/2014, efls. 86, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A autuação consiste na glosa das despesas médicas abaixo relacionadas, conforme decisão da DRJ: Fundação de Seguridade Social: Valor declarado de R$ 9.828,00 alterado para R$ 0,00 (não apresentação de comprovante com valores discriminados por beneficiário) Vita Saúde Adm Hospitalar: Valor declarado de R$ 3.626,00 alterado para R$ 2.155,45 (falta de comprovação) Viviane Maria Rodrigues Guerra: Valor declarado de R$ 190,00 alterado para R$ 150,00 (falta de comprovação) Laboratório Bioclínica Ltda: Valor declarado de R$ 33,04 alterado para R$ 0,00 (falta de comprovação) Eliete Guerra dos Santos Lopes: Valor declarado de R$ 390,00 alterado para R$ 0,00 (falta de comprovação) O contribuinte não apresenta impugnação em relação as três últimas glosas, restando como objeto da lide as glosas com a Fundação de Seguridade Social e a Vita Saúde, como aponta a DRJ: Inicialmente, cumpre observar que parte da glosa de despesas médicas não foi objeto de contestação na peça impugnatória. Em consequência, essa matéria é considerada como não impugnada, nos termos do art. 58 do Decreto 7.574, de 2011, motivo pelo qual resultou em crédito definitivamente constituído. (...) No caso em tela, a lide restringese aos seguintes valores, relativos a pagamentos informados na Declaração de Ajuste Anual Exercício 2009 a título de despesas médicas: Fundação de Seguridade Social: Valor declarado de R$ 9.828,00 alterado para R$ 0,00 (não apresentação de comprovante com valores discriminados por beneficiário) Fl. 95DF CARF MF 4 Vita Saúde Adm Hospitalar: Valor declarado de R$ 3.626,00 alterado para R$ 2.155,45 (falta de comprovação). A DRJ manteve a autuação sob os seguintes fundamentos: No que diz respeito ao valor pago pelo plano de saúde, o contribuinte diz que o valor correto é R$ 8.928,00 e que a operadora afirmou que não é possível discriminar gasto por beneficiário, devido ao plano ser familiar e estar em conformidade com a Lei nº 9.656, de 1998. A declaração à fl. 36 confirma que o valor pago se refere ao grupo familiar, formado por Luiz Carlos Aguiar, Goreti Valentina T. Sampaio, Luigor Taufner Aguiar e Luiz Guilherme T Aguiar, entretanto não elucida se o valor pago é fixo, independentemente do número de dependentes, de maneira que a glosa correspondente deve ser mantida. No tocante aos valores pagos a Vita Saúde Administração Hospitalar e de Sistema de Saúde, o valor da despesa informado na Declaração de Ajuste Anual foi R$ 3.626,00, tendo sido reconhecidos R$ 2.155,45 por ocasião do procedimento fiscal. O contribuinte, em sua impugnação, afirma que o valor correto é R$ 2.341,40 e que a glosa deveria ser, portanto, R$ 1.284,60. Da análise dos autos, verificase que os documentos de fls. 12, 14, 16, 18, 20, 22, 24, 30 e 32, no valor de R$ 195,95 cada, comprovam a realização de despesas médicas relativas a Ezelinda Ghisolfi Taufner (dependente listada em sua DAA – fl. 44), no total de R$ 1.959,50. Acrescentese que o documento de fl. 26 está ilegível e o boleto de fl. 28 não está autenticado. Entretanto, tais documentos já foram analisados por ocasião do procedimento de ofício, e estão incluídos no valor reconhecido na Notificação de Lançamento de R$ 2.155,45. Mantémse, portanto, a respectiva glosa As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13770.721069/201162 Acórdão n.º 2002000.635 S2C0T2 Fl. 95 5 II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Fl. 97DF CARF MF 6 Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13770.721069/201162 Acórdão n.º 2002000.635 S2C0T2 Fl. 96 7 obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Fl. 99DF CARF MF 8 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Como o contribuinte não trouxe qualquer documento novo que tenha o condão de afastar a glosa com o Vita Saúde Administração Hospitalar, mantenho a decisão de piso, por seus próprios fundamentos: No tocante aos valores pagos a Vita Saúde Administração Hospitalar e de Sistema de Saúde, o valor da despesa informado na Declaração de Ajuste Anual foi R$ 3.626,00, tendo sido reconhecidos R$ 2.155,45 por ocasião do procedimento fiscal. O contribuinte, em sua impugnação, afirma que o valor correto é R$ 2.341,40 e que a glosa deveria ser, portanto, R$ 1.284,60. Da análise dos autos, verificase que os documentos de fls. 12, 14, 16, 18, 20, 22, 24, 30 e 32, no valor de R$ 195,95 cada, comprovam a realização de despesas médicas relativas a Ezelinda Ghisolfi Taufner (dependente listada em sua DAA – fl. 44), no total de R$ 1.959,50. Acrescentese que o documento de fl. 26 está ilegível e o boleto de fl. 28 não está autenticado. Entretanto, tais documentos já foram analisados por ocasião do procedimento de ofício, e estão incluídos no valor reconhecido na Notificação de Lançamento de R$ 2.155,45. Mantémse, portanto, a respectiva glosa Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13770.721069/201162 Acórdão n.º 2002000.635 S2C0T2 Fl. 97 9 No Recurso Voluntário, às efls. 89, há declaração da FUNSSEST confirmando que o contribuinte é o titular do plano e beneficiário, juntamente com seus dependentes, sendo pago pela contratação de plano de saúde grupo familiar o importe de R$8.928,00. De acordo com o "Perguntas e Respostas" do ano calendário de 2008, temos: PLANO DE SAÚDE —DECLARAÇÃO EM SEPARADO 358 — O contribuinte, titular de plano de saúde, pode deduzir o valor integral pago ao plano, incluindo os valores referentes ao cônjuge e aos filhos quando estes declarem em separado? O contribuinte, titular de plano de saúde, não pode deduzir os valores referentes ao cônjuge e aos filhos quando estes declarem em separado, pois somente são dedutíveis na declaração os valores pagos a planos de saúde de pessoas físicas consideradas dependentes perante a legislação tributária e incluídas na declaração do responsável em que forem consideradas dependentes De acordo com a DAA às efls. 44, constam como dependentes do contribuinte Luigor, Luiz Guilherme e Ezelinda. A senhora Goreti não consta como dependente da declaração do contribuinte, apesar de se beneficiar do plano de saúde. O próprio plano de saúde mencionou que não há como discriminar os valores referentes a cada beneficiário. Assim, na busca de solucionar o litígio, como o valor total pago ao plano foi de R$8.928,00, dividido em quatro cotas, cada uma tem o valor de R$2.232,00. Como três cotas podem ser abatidas da base de cálculo do imposto de renda a pagar, a do contribuinte e dos dependentes declarados Luigor e Luiz Guilherme, afasto a glosa de R$6.696,00. Feitas estas considerações, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe parcial provimento, afastando a glosa da despesa médica do plano de saúde FUNSSEST no valor de R$6.696,00. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 101DF CARF MF 10 Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.939993/2011-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo integralmente o Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pretendida, por entender que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 39 99 3/ 20 11 -3 0 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10980.939993/201130 Resolução nº 1402000.744 S1C4T2 Fl. 3 2 ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição". Em sua Manifestação de Inconformidade, alegou a Recorrente que efetuou diversos pagamentos espontâneos de tributos devidos, anteriormente a qualquer procedimento de fiscalização ou cobrança, o que motivou a apresentação do pedido de restituição visando a devolução dos valores indevidamente exigidos a título de multa moratória; Entende que faz jus à devolução da multa de mora, já ser mera conseqüência da denúncia espontânea havida com o pagamento do débito antes de qualquer procedimento fiscalizatório e anteriormente à retificação de DCTF. Alega que conforme o art. Nº 138 do CTN, que dispensa o pagamento de multa, seja ela qual for, em casos de denúncia espontânea apresentada antes de o início de qualquer procedimento administrativo, não há que se cogitar na espécie de multa de qualquer natureza. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o Acórdão, ora recorrido, em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e não reconheceu o direito creditório, com o entendimento que "aplicase a multa de mora aos pagamentos efetuados em atraso, não se considerando como crédito, compensável, os valores abarcados pela tese da espontaneidade prevista no art. Nº 138 do CTN". Inconformado com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, em que reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.739, de 18/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10980.939894/201149, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.739): "O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. A Recorrente alega que a previsão legal contida no artigo 138, do CTN, bem assim a jurisprudência pátria, inclusive na esfera administrativa, contemplam a exclusão da responsabilidade por força da denúncia espontânea e, consequentemente, a inexigibilidade de qualquer multa sobre os valores recolhidos em atraso, seja ela de mora ou de ofício. Afirma que tratandose a hipótese subexamine de procedimento espontâneo da Contribuinte (quitação de tributo, antes da inclusão do pagamento e da entrega da DCTFRetificadora ou de qualquer ato fiscalizatório), a multa de mora cobrada é de todo indevida, razão pela qual a sua devolução é medida que se impõe. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10980.939993/201130 Resolução nº 1402000.744 S1C4T2 Fl. 4 3 Aduz que tendo em vista tais premissas fáticas e legais motivadoras do pedido de restituição ora em debate, temse por configurado o "pagamento a maior ou indevido", passível de aproveitamento, nos termos do artigo 74, da Lei 9.430/96 (com a redação da pela Lei n° 10.637/02), razão pela qual merece reforma o v. acórdão recorrido, a fim de reconhecer o direito creditório da Empresa. Verificase que em relação ao mérito há uma questão fundamental ao deslinde da questão, que é a comprovação da alegada denúncia espontânea. Entendeu o STJ que nos casos em que o contribuinte recolhe o tributo, em atraso, mas antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF, esse pode se beneficiar do instituto da denúncia espontânea com o fim de eximirse da exigência da multa moratória. Diante da decisão sobre denúncia espontânea do STJ, que é de repercussão geral, fazse necessário para a comprovação da mesma, que se verifique se os pagamentos foram realizados antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF. Pelos fatos expostos, apresentase a necessidade de diligência para confirmar se os pagamentos foram realizados antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF. Após a realização da diligência, prestados os esclarecimentos, poderseá formar definitivamente a convicção necessária ao julgamento meritório deste feito. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, remetendose os autos do presente feito à Unidade Local, para: 1. Pronunciarse sobre a procedência da alegação de espontaneidade apresentada pela recorrente, verificando se os pagamentos foram realizados antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF. 2. Juntar ao processo a DCTF com o respectivo comprovante de sua entrega, a fim de se comprovar a pertinência ou não do pagamento da multa e aproveitamento do crédito. 3. Elaborar relatório, trazendo a fundamentação das constatações alcançadas, com justificativas e explicações claras. 4. Após a formulação e juntada do Relatório de Diligência, deverá ser dado vista à Recorrente, para que se manifeste, dentro do prazo legal vigente, garantindo o contraditório e a ampla defesa. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10980.939993/201130 Resolução nº 1402000.744 S1C4T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.010872/2005-66
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO.
O termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN na hipótese de pagamento antecipado do tributo e ausência de dolo, fraude ou simulação na conduta do sujeito passivo. Caso contrário, observará o teor do art. 173, I do CTN.
Numero da decisão: 2002-000.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. O termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN na hipótese de pagamento antecipado do tributo e ausência de dolo, fraude ou simulação na conduta do sujeito passivo. Caso contrário, observará o teor do art. 173, I do CTN.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1362; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 288 1 287 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.010872/200566 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.601 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL Recorrente ROBERTO BERTHOLDO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. O termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN na hipótese de pagamento antecipado do tributo e ausência de dolo, fraude ou simulação na conduta do sujeito passivo. Caso contrário, observará o teor do art. 173, I do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 08 72 /2 00 5- 66 Fl. 288DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 43/52) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2000, onde se apurou a Dedução Indevida à Título de Pensão Alimentícia Judicial. O contribuinte apresentou impugnação (efls. 03/32), cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (efls. 135/137). O lançamento foi julgado procedente pela 4ª Turma da DRJ/CTA conforme decisão assim ementada (efls. 133/147): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. NÃOOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CIÊNCIA POR VIA POSTAL. REGULARIDADE. válida a ciência promovida por via postal, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. PRAZO. 0 direito de constituir o crédito tributário decorrente de dedução indevida de despesas decai após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o fisco tomou conhecimento do procedimento adotado pelo contribuinte, mediante entrega da declaração de rendimentos em que fez constar tal intento. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. REQUISITOS. Para se proceder à dedução de despesa a titulo de pensão alimentícia judicial, há que se comprovar a conformidade dos valores pretendidos com os termos da sentença ou do acordo homologado judicialmente. MULTA DE OFICIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de oficio segundo o percentual legalmente determinado. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF A entrega da declaração de ajuste anual fora do prazo estipulado enseja a aplicação da multa por atraso. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10980.010872/200566 Acórdão n.º 2002000.601 S2C0T2 Fl. 289 3 Cientificado da decisão de piso em 11/08/2008 (efls. 153), o contribuinte ingressou com recurso voluntário em 10/09/2008 (efls. 169/283) com os argumentos a seguir sintetizados: Suscita a nulidade do auto de infração visto que a intimação não foi pessoal e que o documento não foi entregue à pessoa com poderes para a prática de tal ato. Transcreve legislação, doutrina e jurisprudência sobre o assunto. Sustenta que o fisco cometeu dois atos nulos: um ao não colher a assinatura do sujeito passivo na intimação e o outro ao não colocar no auto de infração o fundamento legal especifico da multa por atraso na entrega da declaração, conforme determina a legislação de regência. Alega a decadência do lançamento conforme regra estabelecida pelo parágrafo 4º do artigo 150 do CTN e reproduz jurisprudência nesse sentido. Ratifica a dedução de pensão alimentícia judicial declarada, conforme legislação pertinente e documentos juntados aos autos. Afirma que a fiscalização autuou o recorrente baseandose única e exclusivamente em presunção, o que não pode prevalecer. Insurgese contra a multa de ofício e a multa por atraso na entrega da declaração aplicadas no lançamento. Defende a inaplicabilidade da taxa SELIC. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminarmente impõese analisar a possibilidade de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário objeto do presente lançamento. Adentrando ao exame da questão, impõese esclarecer que, nos lançamentos por homologação, como é o caso do IRPF, o prazo decadencial para a constituição de crédito tributário extinguese em 5 anos contados da ocorrência do fato gerador, desde que tenha sido efetuado pagamento antecipado de parte do imposto e que não tenha sido comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional CTN. Nas hipóteses de ausência de pagamento ou nos casos de dolo, fraude e simulação, a contagem do prazo quinquenal iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme previsto no art. 173, I, do CTN. Fl. 290DF CARF MF 4 É nesse sentido a decisão proferida no REsp nº 973.733/SC, julgado na sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil CPC, cuja emenda encontrase parcialmente reproduzida a seguir: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). No caso em exame, em que se examina o ano calendário 1999, verificase que efetivamente ocorreu a antecipação do pagamento do imposto através da retenção na fonte, conforme se extrai do próprio Auto de Infração (efls. 43), devendo ser aplicado, para efeitos da contagem do prazo decadencial, o disposto no art. 150, § 4° do CTN. Nesse ponto, cabe transcrever a Súmula do CARF nº 123 sobre o assunto: Súmula CARF nº 123 Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Considerando a regra contida no art. 150, § 4° do CTN, o prazo decadencial referente ao ano calendário 1999 teve início em 31/12/1999, ou seja, na data do fato gerador, extinguindose, por conseguinte, em 31/12/2004. Assim, como a ciência do Auto de Infração foi efetuada somente em 05/09/2005 (efls. 127/129), resta evidenciada a decadência do lançamento, tal como alega o recorrente. Em vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo a decadência do crédito tributário referente ao exercício 2000. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10980.010872/200566 Acórdão n.º 2002000.601 S2C0T2 Fl. 290 5 Fl. 292DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.913497/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR OU INDEVIDAMENTE. SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/2005. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE.
Verificada a legalidade o pleito de compensação da recorrente, afastando entendimento anterior pela sua vedação, devem ser materialmente analisadas a procedência e a quantificação do direito creditório pretendido antes da sua homologação.
Numero da decisão: 1402-003.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário com base na súmula CARF nº 84 (Revisada) para afastar a vedação da compensação pretendida pela recorrente e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para nova análise do direito creditório pleiteado pela contribuinte.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR OU INDEVIDAMENTE. SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/2005. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE. Verificada a legalidade o pleito de compensação da recorrente, afastando entendimento anterior pela sua vedação, devem ser materialmente analisadas a procedência e a quantificação do direito creditório pretendido antes da sua homologação.
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SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/2005. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE. Verificada a legalidade o pleito de compensação da recorrente, afastando entendimento anterior pela sua vedação, devem ser materialmente analisadas a procedência e a quantificação do direito creditório pretendido antes da sua homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário com base na súmula CARF nº 84 (Revisada) para afastar a vedação da compensação pretendida pela recorrente e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para nova análise do direito creditório pleiteado pela contribuinte. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 34 97 /2 00 9- 72 Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10480.913497/200972 Acórdão n.º 1402003.654 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ a quo, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido de estimativas, buscando extinguir por compensação de débito próprio, conforme detalhamento que consta no Despacho Decisório acostado aos autos. Transmitida, o Per/Dcomp recebeu da Delegacia da Receita Federal DRF de origem o Despacho Decisório de não homologação da compensação, cujas razões da negativa se fundam no fato de que o pagamento a maior de estimativa só pode ser utilizado ao final do período de apuração, conforme determinação do art. 10 da IN SRF nº 600/2005. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que não restariam dúvidas da existência do crédito em seu favor, decorrente de pagamento a maior de estimativa, e que o mesmo seria passível de repetição conforme normas do Código Tributário Nacional. Da decisão da DRJ : A DRJ, em seu julgamento, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconheceu o direito creditório pleiteado, e consequente não homologação da compensação do Per/Dcomp objeto do presente processo. Para fundamentar sua decisão, alegou unicamente o óbice normativo existente no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600/20051. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que, em síntese, alega que tem o direito à compensação do pagamento indevido ou a maior de IRPJ e de 1 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10480.913497/200972 Acórdão n.º 1402003.654 S1C4T2 Fl. 4 3 CSLL a título de estimativa mensal, pois haveria aplicação retroativa da IN RFB nº 900/2008 que suprimiu a vedação do art. 10º da IN SRF nº 600/2005. Igualmente, suscita o entendimento manifestado pela RFB através da Solução de Consulta Interna Cosit nº 19/2011, que corrobora o entendimento no sentido de que é permitida a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, e o caráter interpretativo (por consequente, retroativo) do art. 11 da IN RFB nº 900/2008. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.653, de 13/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10480.913496/2009 28, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.653): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Antes de adentrar no mérito, cabe informar que o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Ricarf, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, sendo o paradigma. Síntese dos fatos O presente processo versa sobre um Per/Dcomp, em que a recorrente pleiteou um direito creditório baseado em um pagamento indevido ou a maior de estimativas recolhidas, em que o Despacho Decisório denegou tal pleito por entender que somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ/CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor saldo negativo de IRPJ/CSLL do período, citando o enquadramento legal do art. 10 da IN SRF nº 600/2005. A recorrente, na sua manifestação de inconformidade, alega que não existiriam dúvidas da existência do pagamento a maior ou indevido, e que o mesmo seria passível de repetição, conforme o Código Tributário Nacional CTN. A decisão da DRJ considerou improcedente sua manifestação de inconformidade, unicamente na aplicação do Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10480.913497/200972 Acórdão n.º 1402003.654 S1C4T2 Fl. 5 4 óbice ao pleito da recorrente por conta do art. 10 da IN SRF nº 600/2005. Em sede recursal, alega a aplicação retroativa da IN RFB nº 900/2008, que suprimiu a vedação em foco, bem como a Solução de Consulta Interna Cosit nº 19/2011 que reforça seu posicionamento. Do mérito O tema em discussão é exclusivamente sobre a possibilidade legal da recorrente utilizar em compensação, via Per/Dcomp, crédito oriundo de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior, em contraponto ao então vigente art. 10 da IN SRF nº 600/2005. Tal impedimento normativo foi utilizado para justificar a denegação da homologação no Despacho Decisório, bem como na decisão de primeiro grau administrativo, não ocorrendo nenhuma análise da materialidade do direito creditório ou da sua quantificação nos autos, embora a recorrente tenha trazido alguns documentos quando da apresentação da sua manifestação de inconformidade. Tal matéria de âmbito jurídico sob apreço é tema há muito debatido neste E. Carf (e no seu predecessor, E. Conselho de Contribuintes), sendo, desde 10 de dezembro de 2012, objeto da súmula Carf nº 84, a qual, recentemente, em sessão de 03 de setembro de 2018, pela composição do Pleno da C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, foi mantida e teve sua redação revisada: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa Como se observa da leitura da súmula acima transcrita, e ao encontro da forma que defende a recorrente, é autorizada a compensação de estimativas recolhidas a maior (indébito) a partir do seu pagamento. Por conseguinte, o óbice imposto à recorrente, tanto no despacho decisório quanto na decisão da DRJ não deve prevalecer, em obediência a tal enunciado. Cabe destacar que não há qualquer limitação temporal da aplicação da súmula Carf nº 84, mostrandose, no entender deste Conselheiro, irrelevante qual normativo interno da Receita Federal do Brasil regulava a matéria à época do pleito envolvendo o pedido de compensação. Se não bastasse o exposto acima, robustecese tal situação com inúmeros precedentes desta 1ª Seção de Julgamentos do Carf, que especificamente, abordam e afastam a vedação contida no art. 10 da IN nº 600/2005, exemplificado pelo acórdão nº 1301003.233, proferido pela 1ª Turma Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10480.913497/200972 Acórdão n.º 1402003.654 S1C4T2 Fl. 6 5 Ordinária da 3ª Câmara, sob a relatoria do I. Conselheiro Nelso Kichel, publicado em 30/08/2018: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato e desde que não utilizado no ajuste anual. Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa mensal em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo anocalendário, cabível a devolução do saldo negativo no ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à possibilidade de indébito relativo a pagamento de estimativas em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. Desta forma, merece reforma o v. Acórdão (assim como o r. Despacho Decisório), vez que lícita e viável a postura procedimental da recorrente. Contudo, como já mencionado anteriormente, em momento algum houve investigação sobre a existência e quantificação do direito creditório em questão, decorrente do alegado recolhimento a maior/indevido de estimativa, em virtude do afastamento jurídico e sumário da regularidade da postura da recorrente. Desta forma, aceita a circunstância jurídica da compensação, necessário proceder à devida análise da materialidade do valor utilizado. Todavia, tal análise não deve ser procedida por esta segunda instância administrativa, sob pena de supressão de instância, bem como do próprio direito de defesa da recorrente, devendo os autos serem remetidos à unidade local competente Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10480.913497/200972 Acórdão n.º 1402003.654 S1C4T2 Fl. 7 6 para a análise da documentação acostada ao feito e de sistemas de informação internos, proferindo novo Despacho Decisório, com o prosseguimento regular do processo, se necessário. Diante de todo o exposto, voto por dar PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, com base na súmula Carf nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela recorrente, invocada tanto no r. Despacho Decisório, como no v. Acórdão recorrido. Devem ser o processo encaminhado para a D. unidade local competente para nova análise do direito creditório pleiteado. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, com base na Súmula CARF nº 84 (revisada), para afastar a vedação da compensação pretendida pela recorrente e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para nova análise do direito creditório pleiteado pela contribuinte. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 241DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.915798/2012-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.611
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente. e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 15 79 8/ 20 12 -0 3 Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10980.915798/201203 Resolução nº 3402001.611 S3C4T2 Fl. 188 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade interposta contra o Despacho Decisório, que indeferiu o pedido de compensação da Contribuinte por concluir que não restou saldo disponível. No Recurso Voluntário ora em apreço, alega a Recorrente que: Transmitiu eletronicamente o Per/Dcomp para compensação de débitos diversos com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS não cumulativa; A compensação não foi homologada face a erro de preenchimento da DCTF e da Dacon correspondente ao período do crédito submetido no Perd/Comp; Quando tomou ciência do indeferimento do pedido de compensação, imediatamente transmitiu as declarações retificadoras, a fim de que constasse o valor correto; Ressaltase que tais retificações foram efetuadas dentro do prazo legal de cinco anos, não tendo precluído o direito da Reclamante de fazêlo. Com isso, invocando o Princípio da Verdade Material, pede pela análise dos documentos anexados com o recurso para o fim de que seja possível confirmar a existência do crédito e a legitimidade da compensação efetuada, com a consequente homologação da compensação pleiteada e extinção do débito vinculado a referida declaração. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.601 29 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.913460/201217, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.601) "Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10980.915798/201203 Resolução nº 3402001.611 S3C4T2 Fl. 189 3 Da necessidade de diligência para julgamento do litígio Constatase às fls. 6 a 10 dos autos que a Recorrente apresentou em data de 29/10/2010 o PERD/COMP nº 30906.57244.291010.1.3.04 4640, pelo qual prestou as seguintes informações: Por sua vez, a retificação foi transmitida em 07/12/2012, sendo que a documentação mencionada pela defesa de fato foi anexada nestes autos por ocasião da interposição do Recurso Voluntário. Para julgamento deste processo, fazse necessário buscar a Verdade Material sobre o objeto do litígio, apurando a legitimidade do crédito discriminado em PER/DCOMP, bem como a documentação apresentada, analisando a suficiência de crédito disponível para compensação com os débitos igualmente informados. Por tais motivos, proponho a conversão do julgamento em diligência, com a baixa dos autos para que a Unidade de Origem proceda à análise dos documentos fiscais acostados às fls. 57 a 184, bem como outros que se fizerem necessários solicitar à Contribuinte, apurando eventual saldo credor passível de compensar com os débitos informados no PERD/COMP nº 30906.57244.291010.1.3.044640 e respectiva retificação. Após a diligência, deverá a autoridade fiscal lavrar as conclusões em Relatório de Diligência e proceder às intimações da Contribuinte e da Fazenda Nacional para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do artigo 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. Cumpridas a providência acima, com ou sem resposta das partes, retornem os autos a este Colegiado para julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10980.915798/201203 Resolução nº 3402001.611 S3C4T2 Fl. 190 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência, com a baixa dos autos para que a Unidade de Origem proceda à análise dos documentos fiscais trazidos quando da apresentação do Recurso Voluntário, bem como outros que se fizerem necessários solicitar à Contribuinte, apurando eventual saldo credor passível de compensar com os débitos informados no PERD/COMP em tela e respectiva retificação. Após a diligência, deverá a autoridade fiscal lavrar as conclusões em Relatório de Diligência e proceder às intimações da Contribuinte e da Fazenda Nacional para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do artigo 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. Cumpridas a providência acima, com ou sem resposta das partes, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 178DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.000182/2002-32
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1997
INDENIZAÇÃO DE HORAS TRABALHADAS - IHT. PETROBRÁS. CARÁTER REMUNERATÓRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RESP 1049748 / RN. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO.
A verba intitulada "Indenização por Horas Trabalhadas" - IHT, paga aos funcionários da Petrobrás, malgrado fundada em acordo coletivo, tem caráter remuneratório e configura acréscimo patrimonial, o que enseja a incidência do Imposto de Renda
Numero da decisão: 9202-007.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1997 INDENIZAÇÃO DE HORAS TRABALHADAS - IHT. PETROBRÁS. CARÁTER REMUNERATÓRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RESP 1049748 / RN. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. A verba intitulada "Indenização por Horas Trabalhadas" - IHT, paga aos funcionários da Petrobrás, malgrado fundada em acordo coletivo, tem caráter remuneratório e configura acréscimo patrimonial, o que enseja a incidência do Imposto de Renda
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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PETROBRÁS. CARÁTER REMUNERATÓRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RESP 1049748 / RN. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. A verba intitulada "Indenização por Horas Trabalhadas" IHT, paga aos funcionários da Petrobrás, malgrado fundada em acordo coletivo, tem caráter remuneratório e configura acréscimo patrimonial, o que enseja a incidência do Imposto de Renda Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 01 82 /2 00 2- 32 Fl. 218DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 59/63), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente ao exercício 1997, anocalendário 1996, no qual foi apurado um crédito tributário no valor de R$ 27.896,78. O Recorrente, na condição de empregado da PETROBRÁS, em face de ação que tramitou na Justiça do Trabalho, recebeu valor a título de indenização por não ter a empresa implantado, na época própria, jornada diária de 6 (seis) horas. No ajuste anual, declarou normalmente seu imposto de renda, mas algum tempo depois verificou que havia sido levado a erro pelos comprovantes entregues pela fonte pagadora que houvera omitido a referência à verba indenizatória. Diante de tal fato, apresentou pedido de retificação da declaração de ajuste anual do ano anterior e requereu a restituição do imposto de renda devidamente retido. A SRF, em face da retificação da declaração de ajuste anual, restituiu ao recorrente o valor do IR retido indevidamente, relativo ao anocalendário de 1996, e em 17/01/2002 lhe notificou para devolver a quantia que houvera recebido, acrescida de multa de 75% e juros de mora pela taxa SELIC. O autuado apresentou impugnação, tendo Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria/RS julgado o lançamento procedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pelo autuado, os autos foram encaminhados ao Conselho de Contribuintes para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 23/05/2007, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 10248.539 (fls. 85), com o seguinte resultado: "ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1996 Ementa: IRPF – RENDIMENTOS RECEBIDOS POR HORAS EXTRAS TRABALHADAS – TRIBUTAÇÃO. O valor pago pela PETROBRÁS a título de “Indenização de Horas Trabalhadas – IHT” tem natureza indenizatória que não se constitui em renda ou acréscimo patrimonial, mas sim reparações em pecúnia, por perda de direitos. Recurso parcialmente provido. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13884.000182/200232 Acórdão n.º 9202007.382 CSRFT2 Fl. 3 3 O processo foi encaminhado para a Fazenda Nacional em 13/09/2007. A Fazenda Nacional tomou ciência em 20/09/2007 e no mesmo dia interpôs Recurso Especial (fls. 91). Em seu recurso visa a reforma do acórdão a quo para que incida o IR sobre as parcelas pagas pela PETROBRÁS ao recorrido a título de “Indenização por Horas Trabalhadas – IHT”, tornando o lançamento por omissão de receitas e a decisão da DRJ incólumes. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 266, da 2ª Câmara, de 26/03/2008 (fls. 106), conforme acórdão paradigma nº 10420.700. Em seu recurso alega que o acórdão recorrido invocou jurisprudência do STJ para sufragar a tese de que não incide IR sobre os pagamentos decorrentes de horas extras trabalhadas, mas que atualmente tal entendimento não prospera diante da natureza do pagamento efetuado ao Recorrido. Afirma que a natureza jurídica do pagamento das verbas devidas em razão de horas extraordinárias não tem natureza indenizatória já que se trata de adimplemento forçado de uma prestação originalmente devida em dinheiro, vale dizer, uma contraprestação a serviços prestados e, não, a reparação de danos. Acrescenta que mesmo que fosse indenização, o pagamento ainda estaria sujeito à tributação do IR, tendo em vista que importou acréscimo patrimonial e não está previsto como hipótese de isenção prevista no art. 39 do RIR/99. Explica que o fato de se tratar de prestação tipicamente indenizatória, o seu pagamento não está, só por isso, automaticamente fora da incidência da exação, isto porque, para o artigo 43 do CTN, os acréscimos patrimoniais genericamente considerados configuram fato gerador do IR; ou seja, o acréscimo patrimonial é o elemento identificador da tributação. Salienta que em relação à evolução jurisprudencial, prevaleceu na Seção de Direito Público do STJ a tese de que incide o IR sobre as parcelas pagas pela PETROBRÁS a título de “Indenização por Horas Trabalhadas – IHT”, conforme RESP 939974, de relatoria do Ministro Castro Meira, verbis: TRIBUTÁRIO. VERBAS PAGAS PELA PETROBRÁS A TÍTULO DE INDENIZAÇÃO POR HORAS TRABALHADAS – IHT. NATUREZA JURÍDICA. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. 1. Prevaleceu na Seção de Direito Público desta Corte o entendimento de que as verbas pagas pela Petrobrás a título de “Indenização por Horas Trabalhadas “ por força de Convenção Coletiva de Trabalho corresponderam ao pagamento de horas extras, constituindo acréscimo patrimonial a ensejar a incidência do Imposto de Renda nos termos do artigo 43 do CTN. Precedente: EREsp 695.499/RJ, Rel. Min. Herman Benjamim, julgado em 09.05.07. Recurso especial não provido. (d.n.) Finaliza com a seguinte consideração: “Portanto, se é certo que a jurisprudência determina que o IR incide nos pagamentos efetuados pela PETROBRÁS a título de “IHT”, não menos certo é que o vetusto entendimento adotado no julgado a quo deve ser reformado, seja porque há divergência com outros precedentes do e. Conselho de Contribuintes, seja porque está amparado em jurisprudência ultrapassada do STJ.” Quando o processo foi encaminhado à origem para ciência ao contribuinte do Acórdão nº 10248.539, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Exame de Fl. 220DF CARF MF 4 Admissibilidade do Resp da PGFN, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José dos Campos/SP solicitou esclarecimento de qual seria o valor a ser alterado no crédito tributário uma vez que o voto do acórdão se deu pelo provimento PARCIAL ao recurso. Em resposta à solicitação supra citada, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes acatou a solicitação como um Embargos de Declaração e em Despacho s/nº, de 10/11/2008 (fls. ) reconheceu a existência de erro manifesto no acórdão, corrigindoo para que dele constasse que a decisão seria no sentido da DAR PROVIMENTO e não apenas PROVIMENTO PARCIAL, como constava no acórdão. Cientificada, a Fazenda Nacional apresentou documento (fls. ) ratificando o Recurso Especial anteriormente interposto e registrando o julgamento, pelo STJ, do recurso especial repetitivo sobre o mérito desta lide, que assim se pronunciou: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INDENIZAÇÃO DE HORAS TRABALHADAS IHT. PETROBRÁS. CARÁTER REMUNERATÓRIO. 1. A verba intitulada "Indenização por Horas Trabalhadas" IHT, paga aos funcionários da Petrobrás, malgrado fundada em acordo coletivo, tem caráter remuneratório e configura acréscimo patrimonial, o que enseja a incidência do Imposto de Renda (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 939.974/RN, Rel. Ministro Francisco Falcão, julgado em 22.10.2008, DJe 10.11.2008; EREsp 979.765/SE, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 13.08.2008, Dje 01.09.2008; EREsp 666.288/RN, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 28.05.2008, DJe 09.06.2008; AgRg no REsp 933.117/RN, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 28.05.2008, DJe 16.06.2008; e EREsp 952.196/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 28.05.2008, DJe 19.12.2008). 2. A ausência de explicitação da omissão que não teria sido suprida pelo Tribunal de origem e que ensejaria a violação do artigo 535, do CPC, impõe a aplicação da Súmula 284/STF à espécie. 3. O Tribunal de origem assentou a inaplicabilidade da multa de 75% (setenta e cinco por cento), ao fundamento de que "a exigência de multa, fixada no montante de 75%, próximo ao do débito cobrado, apenas pelo não recolhimento do tributo, sem que tenha havido grave ofensa à ordem tributária, padece de razoabilidade, configurando confisco, vedado pelo art. 150, IV, da Lei Fundamental", razão pela qual se revela obstada a análise do alegado dissídio jurisprudencial e violação do artigo 44, I, da Lei 9.430/96. 4. É que, fundandose o acórdão recorrido em interpretação de matéria eminentemente constitucional, descabe a esta Corte examinar a questão, porquanto reverter o julgado significaria usurpar competência que, por expressa determinação da Carta Maior, pertence ao Colendo STF, e a competência traçada para este Eg. STJ restringese unicamente à uniformização da legislação infraconstitucional (Precedentes do STJ: REsp 614.535/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 18.03.2008, DJ 01.04.2008, AgRg no REsp 953.929/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 11.12.2007, DJ 19.12.2007; e REsp 910.621/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma,julgado em 07.08.2007, DJ Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13884.000182/200232 Acórdão n.º 9202007.382 CSRFT2 Fl. 4 5 20.09.2007). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional não conhecido. 6. Recurso especial do contribuinte desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1049748/RN, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009)” Por fim, com fulcro no RICARF, art. 62A, a Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão recorrido de modo a adequálo ao RESP 1049748. Cientificado do Acórdão nº 10248.539, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN em 11/02/2016, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 222DF CARF MF 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 215. Não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do Mérito De forma objetiva a delimitação da lide, conforme consta do despacho de admissibilidade, cingese a incidência de IRPF sobre a verba Indenização HORAS EXTRAS TRABALHADAS. Segundo o recorrente buscase afastar a natureza indenizatória da verba defendida pelo acórdão recorrido. Quanto a esse ponto, discordo dos fundamentos do acórdão recorrido quanto a considerar a verba como de natureza indenizatória. Aliás, essa matéria já se encontra consolidada no âmbito do próprio STJ. O REsp 939974 (DJ 28/08/2007) de relatoria do Ministro Castro Meira ao enfrentar a questão entendeu que as parcelas pagas pela Petrobrás à titulo de Indenização por Horas extras trabalhadas IHT constitui acréscimo patrimonial ensejando a incidência de IRPF nos termos do art. 43 do CTN. Ratificado esse posicionamento por meio do RESP 1049748 / RN. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INDENIZAÇÃO DE HORAS TRABALHADAS IHT. PETROBRÁS. CARÁTER REMUNERATÓRIO. 1. A verba intitulada "Indenização por Horas Trabalhadas" IHT, paga aos funcionários da Petrobrás, malgrado fundada em acordo coletivo, tem caráter remuneratório e configura acréscimo patrimonial, o que enseja a incidência do Imposto de Renda (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 939.974/RN, Rel. Ministro Francisco Falcão, julgado em 22.10.2008, DJe 10.11.2008; EREsp 979.765/SE, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 13.08.2008, DJe 01.09.2008; EREsp 666.288/RN, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 28.05.2008, DJe 09.06.2008; AgRg no REsp 933.117/RN, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 28.05.2008, DJe 16.06.2008; e EREsp 952.196/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 28.05.2008, DJe 19.12.2008). 2. A ausência de explicitação da omissão que não teria sido suprida pelo Tribunal de origem e que ensejaria a violação do artigo 535, do CPC, impõe a aplicação da Súmula 284/STF à espécie. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13884.000182/200232 Acórdão n.º 9202007.382 CSRFT2 Fl. 5 7 3. O Tribunal de origem assentou a inaplicabilidade da multa de 75% (setenta e cinco por cento), ao fundamento de que "a exigência de multa, fixada no montante de 75%, próximo ao do débito cobrado, apenas pelo não recolhimento do tributo, sem que tenha havido grave ofensa à ordem tributária, padece de razoabilidade, configurando confisco, vedado pelo art. 150, IV, da Lei Fundamental", razão pela qual se revela obstada a análise do alegado dissídio jurisprudencial e violação do artigo 44, I, da Lei 9.430/96. 4. É que, fundandose o acórdão recorrido em interpretação de matéria eminentemente constitucional, descabe a esta Corte examinar a questão, porquanto reverter o julgado significaria usurpar competência que, por expressa determinação da Carta Maior, pertence ao Colendo STF, e a competência traçada para este Eg. STJ restringese unicamente à uniformização da legislação infraconstitucional (Precedentes do STJ: REsp 614.535/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 18.03.2008, DJ 01.04.2008, AgRg no REsp 953.929/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 11.12.2007, DJ 19.12.2007; e REsp 910.621/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 07.08.2007, DJ 20.09.2007). A mudança desse entendimento ensejou a publicação do Parecer PGFN/CRJ nª 1744/2007, que suspendeu o Ato Declaratório nº7, de 07/11/2006, editado com base no Parecer nº 2142/2006, ensejando inclusive mudança quanto a apresentação de recursos pela PGFN. Conclusão Face o exposto, voto por CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 224DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.005816/2007-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/1997 a 31/12/1998
FALTA DE DESCRIÇÃO CLARA E PRECISA. NULIDADE.
A fiscalização deverá lavrar de oficio lançamento, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, quando constatar atraso total ou parcial no recolhimento de
contribuições tratadas na Legislação.
Processo Anulado
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2301-000.412
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por maioria de votos, em anular o auto de infração/lançamento. Vencido o Conselheiro Marco André Ramos .
Nome do relator: Marcelo Oliveira
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I .5-9 1/ MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10980.005816/2007-71 Recurso n° 154.446 Voluntário Acórdão n° 2301-00.412 — 3' Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 02 de junho de 2009 Matéria RESPONSABILIDADE SOLIDARIA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. Recorrente KRAFT FOODS BRASIL S.A. Recorrida DRJ CURITIBA / PR ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1997 a 31/12/1998 FALTA DE DESCRIÇÃO CLARA E PRECISA. NULIDADE. A fiscalização deverá lavrar de oficio lançamento, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, quando constatar atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas na Legislação. Processo Anulado Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em anular o auto de infração/lançamento. Vencido o Conselheiro Marco André Vieira.. OMES — Presidente C 0 IVEIRA - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira, Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Edgar Silva Vidal (suplente) e Julio Cesar Vieira Games (Presidente). Fez sustentação oral o advogado da recorrente Rafael Gomes,OAB/DF 26.345 I • Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRFBJ), Curitiba / PR, fls. 0496 a 0505, que julgou procedente o lança-:sio efetuado por descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. S.gundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 0109 a 0120, o 1;-..iiçi:mq..nto refere-se a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuncraç.':; paga aos segurados empregados de prestadora de serviços por cessão de mão de oh, Lt i,pondentes a contribuição da empresa, dos segurados, e para o financiamento dos cnegclos concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes do ricos ambientais do trabalho (GILRAT). Ainda segundo o RF, os valores da base de calculo foram obtidos nas notas fiscais de prestação de serviço, devido .A recorrente não ter se elidido da responsabilidade solidária determinada na Legislação. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos da NFLD. Em 31/10/2000 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 001. Antes de continuarmos a análise, cabe esclarecer que o Acórdão citado surgiu após decisão da Segunda Camara de Julgamento (CAJ), fls. 0463, do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), que anulou a decisão de primeira instância devido a cerceamento de defesa, que ocorreu, em síntese, devido a realização de diligência, sem ciência do sujeito passivo. Portanto, sanados os fatos até esse momento. Após a devida ciência, o sujeito passivo, contra o lançamento, apresentou impugnação, fls. 0473 a 0474, acompanhada de anexos. A DRFBJ analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0511 a 0537, acompanhado de anexos. No recurso, a recorrente alega, em síntese, que: 1. 0 recurso é tempestivo; 2. 0 arbitramento foi utilizado de maneira indevida, pois somente pode ser aplicado nos casos de desconsideração de escrita contábil da recorrente; 3. Ha valores arbitrados em duplicidade; 4. É inexigível o percentual utilizado no arbitrament o de 7,82%, pois essa cobrança presume a prática de crime por parte do o Processo 10980,005816/2007-71 S2-C3T1 Acc:u-dao n.° 230 1 -00.412 Fl. 2 prestador; o que não se admite por força da Constituição Federal; 5. A aliquota SAT deve ser aplicada pelo grau de risco de atividade do prestador de serviço; 6. Só poderia ser realizada a cobrança solidária após ação fiscal na prestadora de serviço; 7. Não havia fundamento legal para a guarda de folhas-de- pagamento e guias de recolhimento por parte da tomadora; 8. 0 percentual a ser utilizado, caso o arbitramento seja considerado correto, deveria ser de 40%, e não de 50%, pois a legislação assim determinava (Ordem de Serviço 176/1997); 9. A aliquota de SAT não está fundamentado c deve ser o do grau de risco do serviço prestado, pois a fiscalização, supostamente, utilizou regra contida na OS 176/1997; 10. Não há fundamento legal para a utilização do percentual de 7,82% para a contribuição dos segurados empregados, prejudicando o direito de defesa da recorrente; 11. Como a fiscalização não vinculou as contribUições aos segurados, são inexigíveis as contribuições dos segurados presentes no lançamento; 12. Por todo exposto, demonstra-se que a autuação está viciada, sendo necessária a decretação de provimento ou nulidade do lançamento. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. E o Relatório. Voto Conselheiro MARCELO OLIVEIRA, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares. DAS QUESTÓES PRELIMINARES Na análise das questões suscitadas pela recorrente, encontramos motivos para decretar a nulidade do lançamento. Chegamos a esta conclusão, em primeiro lugar, por verificar que o lançamento ocorreu or arbitramento, sem a devida fundamentacdo legal -)ara tanto. A fiscalização possui competência legal para aferir valores que considerar devidos, mas há necessidade de que se motive técnica e legalmente tal ação. Lei 8.212/1991: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS compete ar- ...,-adar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das coi:fril'!iições sociais previstas nas alíneas "a", "h" e "c" do part'grafi) único do art. 11; e ao Departamento da Receita P ,:eral-DRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os drgetos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. § 3" Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social-INSS e o Departamento da Receita Federal- DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo a empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrario. Ressalte-se que houve apresentação deficiente de documentação, pois não foram apresentados documentos para a elisão da responsabilidade solidária. Lei 8.212/1991: Art. 31. 0 contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, ern qualquer hipótese, o beneficio de ordem. § I° Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações desta lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2" Entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação a disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços continuos relacionados direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros, independentemente da natureza e da forma de contratação. § 3° A responsabilidade solidaria de que trata este artigo somente sera elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. § 4° Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mão-de- obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de Processo n° 10980,005816/2007-71 Acórdão tr.' 2301-00.412 S2-C3T1 Fl. 3 recolhimento distintas para cada empresa tornadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. Como não ocorreu a apresentação de folhas de pagamento, guias de 'Jcolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço e as respectivas notas fiscais dos .rviços prestados, a fiscalização possuía a possibilidade de utilizar a competência legal para a utilização do arbitramento, mas para tanto deveria ter fundamentado sua utilização, a fim de respeitar o Principio da ampla defesa, demonstrando ao recorrente os motivos do lançamento. Como não fez, nulo o lançamento. Outro ponto a ressaltar é que a legislação determina o que deve conter no lançamento. Decreto 70.235/1972: Art. 10. 0 auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificacdo da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; Como é fácil verificar, o endereço da recorrente foi alterado, por caneta, não se sabe quando, nem o motivo, na capa do l ançamento, fl. 001. Os lançamentos são atos administrativos que devem ter o formalismo determinado pela legislação. Caso não tenham devem ser anulados, por vicio. Portanto, nulo o lançamento. Assim, o lançamento foi lavrado com vicio formal e restou prejudicado o direito dc defesa da recorrente, pois foi lhe imputado lançamento sem a fudamentação e descrição claras e precisas de seu fato gerador, prejudicando seu direito de defesa. Lei 8.212/1991: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou ern caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Sobre nulidade, a legislação determina motivos e atos a serem praticados em caso de decretação de nulidade. Decreto 70.235 1 1972: Art. 59. Sao nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Sala das Ses de junho de 2009 02 de junho de 2009 LO OLIVEIRA - Relator § I A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2 0 Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3° Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a ,ii,crn aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade I não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou r-lhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não irifluirem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Portanto, por ser autoridade julgadora competente para a decretação da nulidade, por estar claro que o RF foi elaborado preterindo o direito de defesa da recorrente e por ser o RF parte integrante primordial do lançamento, decido pela nulidade do processo. Em respeito ao § 2°, do Art. 59, do Decreto 70.235/1972, ressalto que a Receita Federal do Brasil deve verificar a ocorrência ou não do fato gerador e tomar as devidas providências. Por todo o exposto, acato a preliminar ora examinada, restando prejudicado o exame de mérito. CONCLUSÃO Ern razão do exposto, voto pela anulação do lançamento. Declaração de Voto Conselheiro MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA Nab resta dúvida portanto, que há um vicio na presente Notificação, o ponto controverso reside na possibilidade de saneamento ou não da falta. I Conforme dispõe o art. 28 da Portaria MPAS n ° 357/2002, o lançamento com ausência de fundamentação legal é nulo. 1i o Processo no 10980.005816/2007-71 Acórdão n.° 2301-00.412 S2-C3T1 Fl. 4 CO "44 Art. 28. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou corn preterição do direito de defesa; 111 - o lançamento com ausência de fundamento legal, erro na identificação do fato gerador, do período ou do sujeito passivo ou não precedido do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF; Contudo, a Portaria MPAS n ° 357/2002 foi revogada pela Portaria MPS n ° 520/2004. Essa Portaria, em seu artigo 32, não menciona a hipótese de ausência de fundamento legal como causa de nulidade do processo administrativo e de acordo com o previsto no art. 44, para os processos em curso na Previdência Social deveria ser aplicada a referida Portaria MPS n ° 520/2004, nestas palavras: Art. 44 0 disposto nesta Portaria aplica-se imediatamente aos processos em curso no Instituto Nacional do Seguro Social e no Conselho de Recursos da Previdência Social, ficando revogada a Portaria tz° 357, de 17.04.2002, publicada no DOU de '18.04.2002, seção I. De acordo com o previsto no art. 59 do Decreto n ° 70.235/1972, há apenas dois casos de nulidades: os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Conforme disposto no art. 60 do referido Decreto, as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das acima referidas não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influirem na solução do litígio. Destaca-se que mesmo nos casos de preterição do direito de defesa, não deve ser anulada a NFLD ou o auto de infração, mas sim a decisão ou o despacho. Prova desse entendimento é que se não houver a cientificação do sujeito passivo, não há dúvida que há um cerceamento ao direito de defesa, mas pergunta-se: há que ser anulada a NFLD? Entendo que não, assim como a maior parte, se não a totalidade dos demais Conselheiros. Não se pode olvidar que a cientificação é parte necessária ao aperfeiçoamento do lançamento fiscal, c portanto é intrínseco ao ato, mas o vicio dessa cientificação não é causa de nulidade do procedimento fiscal. Não se pode esquecer que o lançamento após notificado ao sujeito passivo não se torna perfeito e acabado. Esse lançamento pode ser alterado em função da impugnação do sujeito passivo, por recurso de oficio ou por iniciativa de oficio, conforme previsão no art. 145 do CTN. 0 processo administrativo fiscal tem justamente a função de constituir definitivamente ao crédito, assegurando-lhe a certeza e a liquidez. Caso não adotemos essa característica inerente ao processo administrativo, transformaríamos nossas decisões na cômoda anulação da NFLD ou do auto de infração, nos furtando à análise de mérito, para procurarmos meras irregularidades formais na constituição do crédito. 0 apego demasiado a formalidade por este Colegiado vai de encontro aos princípios do Direito Administrativo da economia processual e da eficiência. Se é reconhecido qua gastar tanto esforço e tempo, se podemos aproveitar todas as provas que estão colacionadas aos autos, possibilitando a correção do feito? Não entendo ser aplicável ao presente caso o Parecer C.VMPAS n ° 1.045/1997, uma vez que esse Parecer é especifico para o caso em que a nulidade do procedimento não foi detectada pelo CRPS, mas somente quando da inscrição do crédito em Divida Ativa. Senkf 7.7qi.rn, não havia como corrigir a falha, senão pela anulação da Notificação do mais, o referido Parecer referia-se a uma legislação anterior Portaria MPS', que foi publicada pelo próprio Ministro de Estado. Os Pareceres também não se posicimaram sobre a aplicabilidade dos arts. 59 e 60 do Decreto n ° 70.235. A persistir o entendimento desta Câmara, em qualquer hipótese que se verificar am irregularidade, que ensejasse complementação do relatório fiscal, esta não p ;!eri.A ser realizada. Desse modo, a decisão descumpre a lei, no caso o Decreto n ° 70;235/1972, uma vez que nenhuma diligência poderia ser mais realizada, pois toda a diligência colaciona novas informações que não constavam no relatório inicial. Destaca-se que a possibilidade de complementação do relatório fiscal, reconhecendo o saneamento do vicio, já foi ratificada por este Colegiado, por unanimidade, no julgamento do recurso de n ° 142.245, em 12 de fevereiro de 2008, nestas palavras: Não obstante as razões apresentadas, entendo que a diligência fiscal, relatório complementar e despacho decisório emitidos gls. 53-641 com a conseguinte intimação da ora Recorrente para manifestaçcio, sanaram o vicio constante do lançamento, sendo inoportuna e despicienda qualquer reparação por este Órgdo julgador. (grifei) Sendo assim, entendo que a partir da publicação da Portaria MPS n ° 520/2004, o vicio no fundamento legal passou a ser considerado como sanável. Não se pode confundir falta de fundamentação legal, com falta de fundamento legal. Em virtude de a Administração somente poder agir se houver previsão em lei para a pratica do ato, caso não haja tal fundamentação legal, o ato será nulo. Diferentemente será a hipótese de ausência de um dispositivo legal que não foi arrolado no relatório; falta do fundamento legal, entendo que tal vicio pode ser corrigido. Diante da irregularidade constatada, há que ser aplicado o Decreto n° 70.235/1972 devendo ser efetuada notificação fiscal complementar, conforme previsto no 18, § 3 0, nestas palavras: Art. 18 ( ..) sf 3° Quando, em exames posteriores, diligências ou pendas, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendo-se, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente ã malária modificada. (Redação dada pelo art. 1° da Lei n" 8.748/93) o Processo n° 10980005816/2007-71 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.412 Fl. 5 A notificação compleinentar a ser efetuada pelo órgão previdencidrio deve ser apensada aos presentes autos, devolvendo-se aos sujeitos passivos prazo para defesa admin-ativa relativa ao fundamento acrescentado ao relatório. 0 contribuinte se defende não apenas dos dispositivos legais elencados pelo mas principalmente dos fatos ocorridos e narrados pela fiscalização. Assim, o apego A .1.isência do fundamento legal é atribuir um peso excessivo à NFLD quanto A norma legal, esquecendo-se este colegiado que o direito tributário tem como fonte imediata a situação fatica (fato gerador). Por isso a omissão quanto ao dispositivo da norma pode ser regularizada. Ora, se é possível a complementaçâo do relatório fiscal por decisão de primeira instancia, qual o motivo de não ser possível por decisão de segundo grau, ainda mais quando é reconhecido que o Conselho de Contribuintes possui competência para rever todas as decisões proferidas pelas DRJ. Pelo exposto, entendo que deveria o julgamento ser convertido em diligência a fim que seja complementado o relatório fiscal. Entretanto, tal diligência traria novas informações que não teriam sido analisadas na primeira instancia administrativa, inovando a matéria em grau de recurso, o que ocasionaria a supressão dc instancia. Desse modo, para não ferir o principio da ampla defesa, e para não suprimir a primeira instância, por uma questão lógica deve ser anulada a decisão de primeira instancia para que seja possibilitada a complementação do relatório fiscal. Deve o Auditor notificante completar o relatório fiscal indicando o dispositivo para o arbitramento. Repita-se que entendo que não cabe a diligência para complementar o relatório em segunda instancia administrativa, pois ocasionaria a supressão de instancia; por esse motivo é que voto por anular a decisão-notificação. Anulando a decisão de primeiro grau é reaberta toda a discussão sobre os dados que porventura sejam acrescidos aos autos, o que favorece o contraditório e a ampla defesa. CONCLUSÃO: Voto por CONHECER do recurso do notificado para ANULAR a Decisão- Notificação. Sala das Sessões, em 02 de junho de 2109
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Numero do processo: 10909.720515/2013-82
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 11/02/2009
PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES INTEMPESTIVA NO SISCOMEX.
É devida a multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
LEGITIMIDADE PASSIVA.
O recorrente na condição de agente de carga possui legitimidade passiva nos termos previstos na lei.
PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
A prescrição do crédito constituído pela fiscalização fazendária só começa a fluir a partir do momento que o mesmo for considerado definitivo, o que não é o caso de lançamento objeto de impugnação ou recurso.
NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. INOCORRÊNCIA.
A decisão proferida pela DJO não possui vício que resulte em nulidade. A matéria da denúncia espontânea no acórdão foi devidamente abordada.
OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS NÃO SÃO DE COMPETÊNCIA DO CARF SE PRONUNCIAR.
SÚMULA N.º 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
OBSERVÂNCIA A NORMA EM PLENO VIGOR.
A atuação do julgador administrativo é vinculada aos ditames legais, sendo-lhe vedado afastar a aplicação de norma em pleno vigor a pretexto de ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade.
Numero da decisão: 3003-000.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar e no mérito negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Márcio Robson Costa (relator), Marcos Antonio Borges (presidente), Müller Nonato Cavalcanti Silva e Vinicius Guimarães.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 11/02/2009 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES INTEMPESTIVA NO SISCOMEX. É devida a multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. LEGITIMIDADE PASSIVA. O recorrente na condição de agente de carga possui legitimidade passiva nos termos previstos na lei. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. A prescrição do crédito constituído pela fiscalização fazendária só começa a fluir a partir do momento que o mesmo for considerado definitivo, o que não é o caso de lançamento objeto de impugnação ou recurso. NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. INOCORRÊNCIA. A decisão proferida pela DJO não possui vício que resulte em nulidade. A matéria da denúncia espontânea no acórdão foi devidamente abordada. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS NÃO SÃO DE COMPETÊNCIA DO CARF SE PRONUNCIAR. SÚMULA N.º 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OBSERVÂNCIA A NORMA EM PLENO VIGOR. A atuação do julgador administrativo é vinculada aos ditames legais, sendo-lhe vedado afastar a aplicação de norma em pleno vigor a pretexto de ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade.
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É devida a multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. LEGITIMIDADE PASSIVA. O recorrente na condição de agente de carga possui legitimidade passiva nos termos previstos na lei. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. A prescrição do crédito constituído pela fiscalização fazendária só começa a fluir a partir do momento que o mesmo for considerado definitivo, o que não é o caso de lançamento objeto de impugnação ou recurso. NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. INOCORRÊNCIA. A decisão proferida pela DJO não possui vício que resulte em nulidade. A matéria da denúncia espontânea no acórdão foi devidamente abordada. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS NÃO SÃO DE COMPETÊNCIA DO CARF SE PRONUNCIAR. SÚMULA N.º 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OBSERVÂNCIA A NORMA EM PLENO VIGOR. A atuação do julgador administrativo é vinculada aos ditames legais, sendolhe vedado afastar a aplicação de norma em pleno vigor a pretexto de ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 05 15 /2 01 3- 82 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10909.720515/201382 Acórdão n.º 3003000.009 S3C0T3 Fl. 184 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar e no mérito negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente. Márcio Robson Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Márcio Robson Costa (relator), Marcos Antonio Borges (presidente), Müller Nonato Cavalcanti Silva e Vinicius Guimarães. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização, foi contestado pela empresa autuada. De acordo com a descrição dos fatos constantes no Auto de Infração, a autuada deixou de prestar informação de sua responsabilidade, relativamente à carga objeto do conhecimento eletrônico (CE) ali indicado, na forma e no prazo estabelecidos pela Instrução Normativa RFB nº 800/2007 que tem como fundamento legal o art. 37 do DecretoLei nº 37/1966. Consta no auto de infração (efls 7) que a embarcação foi atracada em 17/08/2010 e que em 03/09/2010 foi realizada alteração no sistema para "inclusão de carga após a atracação". A fiscalização informou que as alterações nos manifestos e nos CEs também devem ser realizadas dentro do prazo fixado para prestar as informações exigidas, sob pena de o dado correto não ser fornecido tempestivamente, caracterizando assim o descumprimento da obrigação em foco. Informou, também, que a IN RFB nº 800/2007 define expressamente quais os agentes que se classificam como transportador para os fins dessa norma, incluindose aí o agente de carga. Na sequência, a autoridade aduaneira discorreu sobre a responsabilidade objetiva por infrações à legislação tributária e, por considerar que a conduta da autuada se amolda ao tipo legal constante no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, aplicou a multa ali prescrita. A empresa autuada foi cientificado da exação em 25/2/2013 e, em 22/3/2013, apresentou impugnação (fls. 1941), que foi julgada improcedente pelo acórdão nº. 0833.456 7ª Turma da DRJ/FOR em 09 de abril de 2015, com a seguinte ementa: Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10909.720515/201382 Acórdão n.º 3003000.009 S3C0T3 Fl. 185 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 03/09/2010 NORMA EM PLENO VIGOR. AFASTAMENTO POR CONTA DOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. VEDAÇÃO. A atuação do julgador administrativo é vinculada aos ditames legais, sendolhe vedado afastar a aplicação de norma em pleno vigor a pretexto de ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 03/09/2010 AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE. O agente de carga submetese às regras da IN RFB nº 800/2007, pois além de a lei responsabilizálo pela prestação das informações a seu encargo regulamentadas por essa norma, está expressamente incluído entre as espécies de transportador ali definidas, devendo o significado desse termo ser compreendido considerandose o contexto em que ele foi empregado. CRÉDITO EM DISCUSSÃO. PRESCRIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. A prescrição do crédito constituído pela fiscalização fazendária só começa a fluir a partir do momento que o mesmo for considerado definitivo, o que não é o caso de lançamento objeto de impugnação ou recurso. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/09/2010 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. DESCABIMENTO. A prestação de informação sobre veículo, operação ou carga é obrigação acessória autônoma de natureza formal vinculada a prazo certo, cujo atraso já consuma a infração, causando dano irreversível, razão pela qual não se aplica ao caso a denúncia espontânea, mormente quando a comunicação da irregularidade também é intempestiva, diante da prévia atracação do veículo transportador e do bloqueio realizado no Siscomex Carga no ato do registro intempestivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10909.720515/201382 Acórdão n.º 3003000.009 S3C0T3 Fl. 186 4 Ato contínuo, foi apresentado o Recurso Voluntário, aduzindo os seguintes argumentos. I Denúncia espontânea, matéria não apreciada no julgamento do acórdão da Delegacia da Receita Federal. Conforme se depreende dos autos, ainda que a destempo, as informações foram prestadas pela própria impugnante, antes do início de fiscalização. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 12.350/2010. II Ausência de Tipicidade e lesão ao princípio da legalidade. Defende o recorrente que não há previsão legal para a aplicação da multa imposta e por essa razão houve ofensa ao princípio da legalidade. III Prescrição. Aplicase ao caso o art. 22 da Lei nº 9.611/1998, levandose em conta os princípios da especialidade das leis e da praticidade tributária. O referido dispositivo fixa o prazo de um ano, contado a partir da descarga da mercadoria no porto de destino, para a propositura de ação judicial contra o agente que deixar de cumprir responsabilidades decorrentes do transporte multimodal. IV Lesão aos princípios da hierarquia das leis e individualização da pena. A conduta da impugnante não se amoldou a uma conduta previamente estabelecida por lei, que lhe impusesse o dever considerado descumprido pelo agente do Estado. Além disso questiona o alcance das Instruções Normativas expedidas pela Receita Federal e as denomina como Norma Infralegal. V Ausência de prejuízo à Fazenda Nacional, O atraso incorrido pela impugnante não acarretou prejuízo ao controle aduaneiro, uma vez que as informações foram prestadas com suficiente antecedência à chegada do navio, o que comprova que a autuada não agiu com o intuito de cometer qualquer infração. Sendo assim, a aplicação de multa, nesse(s) caso(s), ofende aos princípios regentes da administração pública, especialmente o da razoabilidade e da proporcionalidade. Deve ser observado o disposto no art. 112 do CTN. VI Ilegitimidade passiva. A responsabilidade pela prestação de informação fora do prazo é do armador e os prazos estabelecidos na IN RFB nº 800/2007 não se aplicam à impugnante, que atuou como agente de carga, atividade que não se confunde com a de transportador, a quem são dirigidas as regras da referida IN. A classificação da impugnante como transportador distorce conceitos de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN. Aplicamse ao caso os princípios da hierarquia das leis e da tipicidade tributária, tendo o agente fiscal agido com excesso de discricionariedade ao eleger a impugnante como sujeito passivo da multa aplicada. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10909.720515/201382 Acórdão n.º 3003000.009 S3C0T3 Fl. 187 5 Voto Márcio Robson Costa Relator O Recurso Voluntário foi apresentada tempestivamente, por parte legítima e com atendimento aos demais requisitos legais. Portanto, deve ser conhecido. I DA AUSÊNCIA DE NULIDADE DO JULGAMENTO Denúncia Espontânea matéria devidamente enfrentada Preliminarmente a recorrente alega que o acórdão 0833.456 7ª Turma da DRJ/FOR é nulo, pois deixou de apreciar o argumento atinente a denúncia espontânea. Não merece prosperar tais argumentos porque o acórdão recorrido dedicou um capítulo inteiro à matéria, que abaixo transcrevo na íntegra: A impugnante requereu, ainda, a aplicação da denúncia espontânea, para excluir a multa que lhe foi aplicada. Sustenta que requereu a retificação da(s) informação(ões) prestada(s) com erro antes de qualquer ato fiscalizador da Receita Federal, razão pela qual entende que tem direito à aplicação do referido instituto, tendo em vista o disposto no art. 102, § 2º, do Decreto lei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 12.350/2010, in verbis: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Ressaltase que a Lei nº 12.350/2010 estendeu a aplicação da denúncia espontânea às penalidades de natureza administrativa, mas são excluiu, nem poderia excluir, a necessidade de serem atendidos os pressupostos de admissibilidade próprios desse instituto: tempestividade e eficácia da denúncia. Esses pressupostos foram estabelecidos no art. 138 do Código Tributário Nacional, a seguir reproduzido, dispositivo que fundamenta as demais normas pertinentes a essa matéria. Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10909.720515/201382 Acórdão n.º 3003000.009 S3C0T3 Fl. 188 6 Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (Destaques na reprodução.) A tempestividade está delineada no parágrafo único do art. 138 do CTN. Pressupõe que a administração ainda não tenha tomado nenhuma atitude em relação à irregularidade objeto da denúncia. Destacase que a lei é clara ao definir que o início de qualquer procedimento administrativo relacionado com a infração, e não apenas de fiscalização, exclui a espontaneidade do infrator. Já eficácia se assemelha à conhecida figura do arrependimento eficaz, no âmbito do direito penal. Ou seja, se a infração causou algum prejuízo, ele deve ser revertido, para que a responsabilidade do agente possa ser excluída. Nada mais justo. Essa condição está prevista no caput do art. 138 do CTN, na parte que impõe a necessidade de a denúncia vir “acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa”. No presente caso não foi atendido nenhum dos mencionados pressupostos, conforme se passa a demonstrar. Da intempestividade da denúncia. A denúncia não atendeu ao requisito da tempestividade. Antes de ela ser apresentada já havia sido implementado procedimento administrativo relacionado com a infração. Tratase da formalização da “entrada do veículo procedente do exterior” que, nos termos do Regulamento Aduaneiro, exclui a espontaneidade por “infração imputável do transportador”. Tal disposição conta expressamente no art. 683, § 3º, do Decreto nº 6.759, de 5/2/2009 (Regulamento Aduaneiro em vigor), que tem o mesmo teor do art. 612, § 3º, do Decreto nº 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro anterior, vigente à época dos fatos), in verbis: Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso [...] § 3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. (Destaques na reprodução.) A formalização da entrada do veículo no País se dá com a emissão do termo de entrada, em conformidade com o disposto nos artigos 31 e 32 do Regulamento Aduaneiro atual, que correspondem aos artigos 30 e 31 do Regulamento Aduaneiro anterior, a seguir reproduzidos. Tratase de procedimento administrativo diretamente relacionado com a infração sob exame, pois deve ser realizado depois das informações exigidas serem prestadas, conforme se pode constatar: Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10909.720515/201382 Acórdão n.º 3003000.009 S3C0T3 Fl. 189 7 Art. 30. O transportador prestará à Secretaria da Receita Federal as informações sobre as cargas transportadas, bem assim sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. [...] Art. 31. Após a prestação das informações de que trata o art. 30, e a efetiva chegada do veículo ao País, será emitido o respectivo termo de entrada, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. (Destacouse.) A título de informação, observase que o registro de Declaração de Trânsito Aduaneira (DTA) ou de Declaração de Importação também afasta a aplicação da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 612, § 1º, I, do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (o qual corresponde ao art. 683, § 1º, I, do Regulamento Aduaneiro atual), a seguir reproduzido. É que qualquer um desses registros configura o início do despacho aduaneiro, conforme disposto no art. 35 da IN SRF nº 248/20021 e no art. 15 da IN SRF nº 680/20062, que é procedimento administrativo relacionado com a infração. Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso [...] § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada [...]: I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou [...] (Destaque na reprodução.) Da ineficácia da denúncia. A falta das informações exigidas em tempo hábil prejudica de forma irreversível o alcance dos objetivos básicos da norma que criou a obrigação em foco. Tanto a racionalização dos procedimentos a cargo da Aduana como a agilidade do despacho aduaneiro ficariam comprometidas, e certamente o dano causado não seria suprimido pela prestação ou correção da informação após o prazo fixado. Ademais, tratandose de obrigação acessória autônoma de natureza formal, vinculada a prazo certo, a inobservância do prazo estabelecido, por si só, consuma a infração, não havendo como reverter o prejuízo causado. Dessa forma, não há como a denúncia referente a esse tipo de obrigação ser considerada eficaz. 1 8 Art. 35. O registro da declaração de trânsito aduaneiro no sistema caracteriza o início do despacho de trânsito aduaneiro e o fim da espontaneidade do beneficiário relativamente às informações prestadas. 2 9 Art. 15. O registro da DI caracteriza o início do despacho aduaneiro de importação, e somente será efetivado: [...] V se não for constatada qualquer irregularidade impeditiva do registro. § 1º Entendese por irregularidade impeditiva do registro da declaração aquela decorrente da omissão de dado obrigatório ou o seu fornecimento com erro, bem assim a que decorra de impossibilidade legal absoluta. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10909.720515/201382 Acórdão n.º 3003000.009 S3C0T3 Fl. 190 8 Em decorrência dessa circunstância é que a jurisprudência consolidou entendimento quanto ao descabimento da denúncia espontânea no caso da inobservância de obrigação acessória autônoma. São várias e reiteradas as decisões nesse sentido, inclusive por parte do Superior Tribunal de Justiça. A título de ilustração, transcrevese a seguir ementa de acórdão exarado por essa e. Corte em 2010: TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido. (STJ, Segunda Turma, RESP RECURSO ESPECIAL – 1129202, Data da Publicação: 29/06/2010) (Destacouse.) No tocante à jurisprudência administrativa relativa à matéria sob exame, há julgados bem recentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) negando a aceitação da denúncia espontânea para a infração em foco, independentemente de ter havido prévio procedimento por parte da Receita Federal, com base na Súmula CARF nº 49, que tem o seguinte teor: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. É o caso, por exemplo, do Acórdão nº 3201001.151, publicado em 30/9/2014, cuja ementa relativa à questão sob exame assim dispõe: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL [...] DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se afasta a multa pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, ainda que tenha sido feito o registro antes do início de qualquer procedimento administrativo ou de fiscalização relacionados com a infração, fundamentandose na aplicação do instituto da denúncia espontânea (artigo 138 do Código Tributário Nacional), pela aplicação da Súmula CARF nº 49. Destacamse também as decisões a seguir reproduzidas, que de maneira mais específica afastam a denúncia espontânea para a obrigação em foco, sob o fundamento de que esse instituto não é aplicável a infração caracterizada pela inobservância do prazo estabelecido para o cumprimento de dever instrumental. Processo nº 11684.000177/201061 Acórdão nº 3802002.967 – 2ª Turma Especial Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10909.720515/201382 Acórdão n.º 3003000.009 S3C0T3 Fl. 191 9 Sessão de 24 de abril de 2014 ASSUNTO: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA [...] MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo devese considerar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Processo nº 11128.007573/200648 Acórdão nº 3102002.187 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de março de 2014 ASSUNTO: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA [...] MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DA CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. Observase que também há decisões acatando a denúncia espontânea para a infração sob exame, mas a maioria se fundamenta apenas na alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966 trazida pela Lei nº 12.350/2010, que estendeu a Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10909.720515/201382 Acórdão n.º 3003000.009 S3C0T3 Fl. 192 10 aplicação desse instituto às penalidades de natureza administrativa. Não é mencionado se foram atendidos os pressupostos de admissibilidade próprios desse instituto, os quais são inerentes à natureza dele. Algumas decisões utilizam como justificativa, também, o fato de a denúncia ter sido apresentada antes do início de procedimento fiscalizatório. Todavia, o parágrafo único do art. 138 do CTN dispõe expressamente que ela deve ser anterior a “qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração”. Ou seja, não é apenas o início de fiscalização que inibe a aplicação da denúncia espontânea. Não foi localizada nenhuma decisão acatando o referido instituto que adentrasse na análise quanto à eficácia da denúncia. Aparentemente está sendo considerado que não é necessário reverter o prejuízo causado pela infração. Ou seja, se a mesma for comunicada ao Fisco antes de este tomar qualquer atitude, o infrator não precisará pagar a multa cominada nem sanar os danos causados. Esse entendimento não se ajusta à concepção da denúncia espontânea, que pressupõe a ausência de perdas para o ente afetado pela irregularidade denunciada. Diante do exposto, rejeitase a alegação de denúncia espontânea, eis que não foram atendidos os pressupostos de admissibilidade próprios desse instituto. Conforme se verifica dos termos da decisão acima transcrita, da qual não podemos nos furtar de compactuar, ao caso em comento não se aplica o instituto da denúncia espontânea. Importante acrescentar apenas que a súmula CARF Nº. 126 dispõe de forma mais apropriada a matéria em debate, vejamos: Súmula CARF n.º 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. A recorrente, CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA, realizou as alterações das informações em informações em 03/09/2010 enquanto que a atracação ocorreu em 17/08/2010, logo, posterior à formalização da entrada do veículo. No presente caso, a informação prestada foi protocolada após a formalização da entrada do navio, não caracterizando a denúncia espontânea por expressa determinação do parágrafo 3º do artigo 683 do Regulamento Aduaneiro. Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10909.720515/201382 Acórdão n.º 3003000.009 S3C0T3 Fl. 193 11 DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). § 1o Não se considera espontânea a denúncia apresentada (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, § 1º, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o): I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou II após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2o A denúncia espontânea exclui somente as penalidades de natureza tributária (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, § 2º, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o). § 3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. Nesse sentido, há de ser afastada qualquer hipótese de nulidade do acórdão proferido pela delegacia já que restou demonstrado que a matéria foi tratada e da mesma forma há de ser ratificado o seu entendimento, conforme acima relatado. II Tipicidade e ausência de lesão ao princípio da legalidade. Defende o recorrente que não há previsão legal para a aplicação da multa imposta e por essa razão houve ofensa ao princípio da legalidade. Conforme já mencionado, o atraso na prestação das informações necessárias ao despacho aduaneiro é fato consumado. De maneira simplória podemos dizer que tal conduta esta tipificada no Decreto Lei 37/1966 e normatizada na Instrução Normativa SRF 800/2007. O arcabouço legislativo e normativo se complementa, sendo certo que a própria lei autoriza que a Receita Federal estipula formas e prazos para operação aduaneira. Vejamos: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e Dessa forma, uma vez constatada a ocorrência do fato típico previsto na hipótese de incidência legalmente estabelecida, a norma deve ser aplicada, sob pena de caracterizar infração funcional. É o que dispõem os artigos 26A do Decreto nº 70.235/1972 e 116, III, da Lei nº 8.112/1990: Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10909.720515/201382 Acórdão n.º 3003000.009 S3C0T3 Fl. 194 12 DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] LEI Nº 8.112, DE 11 DE DEZEMBRO DE 1990 Dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais. Art. 116. São deveres do servidor: [...] III observar as normas legais e regulamentares; Aqui devese ser exaltado o entendimento da Delegacia Regional em seu julgamento quando mencionou que "Da Inviabilidade de o Julgador Administrativo Afastar a Aplicação de Norma em Pleno Vigor em Razão de Suposta Ofensa aos Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade." Nessa esteira, concluise que a conduta da recorrente encontra previsão legal de penalidade de multa que esta em vigor no ordenamento jurídico e, de forma alguma, caracteriza ausência de tipicidade. Argumento que merece ser rejeitado. III Da ausência de prescrição. Alega o recorrente que aplicase ao caso o art. 22 da Lei nº 9.611/1998, levandose em conta os princípios da especialidade das leis e da praticidade tributária. O referido dispositivo fixa o prazo de um ano, contado a partir da descarga da mercadoria no porto de destino, para a propositura de ação judicial contra o agente que deixar de cumprir responsabilidades decorrentes do transporte multimodal. Tal argumentação não merece prosperar visto que o decretoLei nº 37/1966, que instituiu a multa sob exame, é cristalino ao estabelecer que a contagem do prazo prescricional só se inicia a partir da constituição definitiva do crédito correspondente, consoante dispõe seu art. 140: Art. 140 Prescreve em 5 (cinco) anos, a contar de sua constituição definitiva, a cobrança do crédito tributário. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Tal disposição reflete a determinação contida no art. 1743 do Código Tributário Nacional (CTN), que é a norma formalmente apta para disciplinar esse tema, pois se 3 Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10909.720515/201382 Acórdão n.º 3003000.009 S3C0T3 Fl. 195 13 trata de matéria reservada à lei complementar, conforme preconiza o art. 146, III, “b”, da Constituição Federal: Art. 146. Cabe à lei complementar: [...] III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: [...] b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Além desse aspecto, o art. 22 da Lei nº 9.611/1998, citado pela impugnante para defender a incidência da prescrição no presente caso, diz respeito à relação entre o operador de transporte multimodal e seu contratante. Basta ver que o mencionado dispositivo está inserido no capítulo IV da referida Norma, que assim dispõe em seus arts. 11, 22 e 23: CAPÍTULO IV DA RESPONSABILIDADE Art. 11. Com a emissão do Conhecimento, o Operador de Transporte Multimodal assume perante o contratante a responsabilidade: I pela execução dos serviços de transporte multimodal de cargas, por conta própria ou de terceiros, do local em que as receber até a sua entrega no destino; II pelos prejuízos resultantes de perda, danos ou avaria às cargas sob sua custódia, assim como pelos decorrentes de atraso em sua entrega, quando houver prazo acordado. [...] Art. 22. As ações judiciais oriundas do não cumprimento das responsabilidades decorrentes do transporte multimodal deverão ser intentadas no prazo máximo de um ano, contado da data da entrega da mercadoria no ponto de destino ou, caso isso não ocorra, do nonagésimo dia após o prazo previsto para a referida entrega, sob pena de prescrição. Art. 23. É facultado ao proprietário da mercadoria e ao Operador de Transporte Multimodal dirimir seus conflitos recorrendo à arbitragem. Outro ponto que merece destaque é que o artigo 22, citado acima, referese a ação judiciais e no presente caso ainda estamos no âmbito administrativo. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10909.720515/201382 Acórdão n.º 3003000.009 S3C0T3 Fl. 196 14 Portanto, enquanto o crédito referente à multa em foco estiver sendo discutido na via administrativa, a Fazenda Pública não poderá exigilo, uma vez que a impugnação é causa suspensiva da exigibilidade, nos termos do art. 151 do CTN4. Há de se ressaltar que, no período que medeia entre a constituição do crédito e a preclusão para a impugnação administrativa ao débito (ou até que seja decidida definitivamente), não corre nenhum prazo, seja decadencial, pois o crédito já se encontra constituído, seja o prescricional, por estar suspensa a exigibilidade do crédito tributário (artigo 151, III, do CTN). Logo esse argumento não merece prosperar, assim, rejeitase a alegação de prescrição suscitada pela recorrente. IV Ausência de lesão aos princípios da hierarquia das leis e individualização da pena. A recorrente alega que houve ofensa ao princípio da hierarquia das normas quando da aplicação da IN 800/2007, fazendo as vezes de lei ordinária, já que ela deveria apenas regulamentar assunto interno da SRF. Prossegue argumentando que houve ofensa aos princípios da separação dos poderes já que o executivo não poderia "legislar". O argumento acima resta superado pelas razões já expostas no item II, no qual relatamos que o Decreto Lei autoriza que a Receita Federa normatize as formas e prazos das operações aduaneiras. É dispensável aqui relatar novamente o que diz o artigo 107, IV, "e" do Decreto Lei 37/1966. Como facilmente se depreende da leitura do texto legal, a lei ordinária é um caso típico de norma aberta que transfere à regulamentação posterior as hipóteses de sua aplicação. Lá esta expresso, literalmente, que a multa será aplicada: “por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Outrossim, entendese que a adequação das normas aqui examinadas já foram objeto de análise das autoridades competentes para sua emissão. O inconformismo quanto a esse aspecto só poderia ser apreciado pelo Poder Judiciário, em razão do princípio da unidade de jurisdição que vigora em nosso ordenamento jurídico. Aliás, sobre o tema, importante mencionar o diz a súmula CARF Nº2.: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nesse sentido, o inconformismo com o enquadramento legal, no que se refere a sua harmonia com os ditames constitucionais, no qual foi embasado o auto de infração deve ser objeto de recurso direcionado ao judiciário por via própria e por essa razão deixo de dar provimento esse argumento. V Do prejuízo à Fazenda Nacional Argumenta a recorrente que a sua conduta não acarretou prejuízo ao controle aduaneiro, uma vez que as informações foram prestadas com suficiente antecedência à chegada 4 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10909.720515/201382 Acórdão n.º 3003000.009 S3C0T3 Fl. 197 15 do navio, o que comprova que a autuada não agiu com o intuito de cometer qualquer infração. Sendo assim, a aplicação de multa, nesse(s) caso(s), ofende aos princípios regentes da administração pública, especialmente o da razoabilidade e da proporcionalidade. Deve ser observado o disposto no art. 112 do CTN5. Em relação aos argumentos de que o atraso na prestação de informações não prejudicou o controle aduaneiro e de que não houve a intenção de praticar nenhuma irregularidade, devese ressaltar que, tratandose de infração à legislação aduaneira, a responsabilidade é de natureza objetiva, sendo dispensável investigar a ocorrência de dolo ou culpa do agente, bem como a extensão do dano causado. Dessa forma, como a informação exigida não foi prestada na forma e no prazo legalmente estabelecidos, fato reconhecido pela própria impugnante, independentemente do tempo de atraso ou da vontade do agente, a infração está configurada, sendo aplicável a multa a ela cominada. É o que dispõe o art. 94, § 2º, do DecretoLei nº 37/1966, in verbis: Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. [...] § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (Destaque na reprodução.) A título de esclarecimento cabe informar que o atraso na prestação das informações exigidas pela Receita Federal referentes ao transporte internacional de cargas compromete a prévia análise de risco das operações envolvidas. Assim, o controle aduaneiro ficaria prejudicado, o que poderia acarretar atraso no desembaraço da mercadoria, ou a liberação dela sem a identificação de possível irregularidade. Ademais, tratandose de obrigação vinculada a prazo certo, a inobservância do prazo já consuma a infração, independentemente da dimensão do prejuízo causado. Concluise que os prazos foram estabelecidos pela necessidade prévia de conhecimento e análise das informações relativas as operações aduaneiras e a indisponibilidade dessas informações por si só já caracteriza prejuízo vez que não colaboram com a fiscalização. Argumento a qual nego provimento. VI Da legitimidade passiva. 5 Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10909.720515/201382 Acórdão n.º 3003000.009 S3C0T3 Fl. 198 16 Alega o recorrente que responsabilidade pela prestação de informação fora do prazo é do armador e os prazos estabelecidos na IN RFB nº 800/2007 não se aplicam à impugnante, que atuou como agente de carga, atividade que não se confunde com a de transportador, a quem são dirigidas as regras da referida IN. A classificação da impugnante como transportador distorce conceitos de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 1106 do CTN. Para reforçar esse entendimento, a impugnante argumenta que a fiscalização não observou os princípios da hierarquia das leis – ao aplicar disposições de Instrução Normativa que não são compatíveis com as constantes no Decreto nº 6.759/2009 (art. 31), e da tipicidade tributária – pois não aplicou a multa imposta de acordo com o modelo pré estabelecido pela lei em sentido estrito, inclusive no tocante à individualização da pena. Dessa forma teria agido com excesso de discricionariedade, consoante trecho da impugnação a seguir reproduzido: 32. É ressabido que interpretar uma lei é uma coisa, mas ir além dos seus termos é outra completamente diferente. Todo fiscal é um escravo da lei, não pode fugir dos seus termos, em suma, sua discricionariedade encontra limite na letra da lei; quando muito, pode interpretar leis dúbias. Mas o caso não trata de lei dúbia, na medida em que não há dúvida no art. 31 do Decreto no. 6.759/2009 quando determina como ente responsável pela prestação de informações o TRANSPORTADOR. Tal alegação não merece prosperar. A Instrução Normativa RFB nº 800/2007 tem fundamento legal no art. 37 do DecretoLei nº 37/1966 (que foi recepcionado pela Constituição com força de lei), conforme se reproduz: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) O art. 317 do Decreto nº 6.759/2009 reproduz esses dispositivos e acrescenta uma regra a mais em relação à comunicação da existência, no veículo, de mercadorias ou pequenos volumes de fácil extravio. 6 Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. 7 Art. 31. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 37, caput, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, art. 77). Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10909.720515/201382 Acórdão n.º 3003000.009 S3C0T3 Fl. 199 17 A IN RFB nº 800/2007, por uma questão de técnica legislativa, utiliza a palavra transportador para se referir a todos os intervenientes que especifica como tal. Esse termo é utilizado como gênero, cujas espécies abrangidas estão indicadas na própria norma, assim como as características essenciais que as enquadram nessa condição. Vêse que não há nenhuma equiparação ilegal ou atribuição de responsabilidade que a lei em sentido estrito já não o tenha feito. A referida IN é clara ao tratar desse aspecto, consoante demonstram os dispositivos a seguir reproduzidos: Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: [...] V transportador, a pessoa jurídica que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga; [...] § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: [...] IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2 de junho de 2014) d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela desconsolidação da carga no destino; e (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; (Destaques na reprodução.) Conforme bem ressaltado pela Delegacia Regional no acórdão que enfrentou a impugnação do caso sob análise a autuada é parte legítima para suportar a autuação, vejamos: "A autuada tem importante participação no serviço de transporte, pois é responsável pela emissão dos conhecimentos § 1o Ao prestar as informações, o transportador, se for o caso, comunicará a existência, no veículo, de mercadorias ou de pequenos volumes de fácil extravio. § 2o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário também devem prestar as informações sobre as operações que executem e as respectivas cargas (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 37, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, art. 77). Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10909.720515/201382 Acórdão n.º 3003000.009 S3C0T3 Fl. 200 18 de carga agregados referentes aos conhecimentos genéricos em que consta como consignatária. Tal providência é indispensável para que os destinatários finais de cada carga possam declará las e retirálas e, diferentemente do que aduz a impugnante, deve ser realizada antes da nacionalização da carga. Acaso a autuada não estivesse vinculada às regras da IN RFB nº 800/2007, essa etapa do transporte ficaria sem disciplinamento e a citada norma perderia eficácia, pois pouco adiantaria estabelecer prazos para a prestação de informações sobre as cargas transportadas, se qualquer um dos intervenientes responsável por prestar os dados exigidos não estiver vinculado a esses prazos." Corroborando esse entendimento, o tipo infracional em que foi enquadrada a conduta da autuada inclui expressamente o agente de carga, como se pode constatar da leitura do art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, a seguir reproduzido: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (Destaques não constam no original.) A autuada relata que era responsável pela desconsolidação da carga, conforme informou a fiscalização. Dessa forma, cabia a ela emitir os conhecimentos eletrônicos agregados (Bill of Lading House – HBL) referentes às cargas cujos conhecimentos genéricos (Bill of Lading Master – MBL) a indicavam como consignatária. E é justamente por ter sido a autuada quem emitiu o(s) CE que deu(ram) ensejo ao lançamento que ela consta nele(s) como “Transportador ou representante”, conforme comprova a documentação acostada aos autos. Assim, não há defeito na individualização da pena imposta no lançamento. A desconsolidação da carga pelo agente de carga está disciplinada no art. 18 da IN RFB nº 800/2007, que tem o seguinte teor: Art. 18. A desconsolidação será informada pelo agente de carga que constar como consignatário do CE genérico ou por seu representante. § 1º O agente de carga poderá preparar antecipadamente a informação da desconsolidação, antes da identificação do CE como genérico, mediante a prestação da informação dos Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10909.720515/201382 Acórdão n.º 3003000.009 S3C0T3 Fl. 201 19 respectivos conhecimentos agregados em um manifesto eletrônico provisório. § 2º O CE agregado é composto de dados básicos e itens de carga, conforme relação constante dos Anexos III e IV. § 3º A alteração ou exclusão de CE agregado será efetuada pelo transportador que o informou no sistema. (Destaques não constam no original.) A argumentação de que a atividade da autuada é subsidiária em relação à da empresa de navegação operadora da embarcação, não tem amparo legal, há entendimento dominante no sentido de que a responsabilidade é solidária, se assim não fosse não teria a própria recorrente realizado o registro das informações no sistema. Nesse sentido dispõe literalmente o art. 95, I, do DecretoLei nº 37/19668 que a responsabilidade por infração à legislação aduaneira se estende a todos que tenham concorrido para a infração, solidariamente, seja o agente de carga, seja o armador. Observase que, conforme demonstrado anteriormente, a definição da autuada como responsável pela prestação da informação cujo atraso deu ensejo ao lançamento não suscita dúvida, fato que exclui a observância do art. 1129 do CTN, como solicitou a impugnante. Cabe observar, ainda, que a utilização do termo transportador em sentido genérico não configura nenhuma ofensa ao art. 110 do Código Tributário Nacional10, o argumento suscitado contempla a conveniência do recorrente que se apega em interpretações fora do contexto, desconsiderando definição literal da legislação específica que regula a matéria sob exame. Diante do exposto, considerase improcedente a alegação de ilegitimidade passiva. III Da Ausência de Base Legal para Relevação de Multa no Julgamento Administrativo De forma alternativa requereu o recorrente a relevação da multa ou sua redução. 8 Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; 9 6 Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. 10 Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10909.720515/201382 Acórdão n.º 3003000.009 S3C0T3 Fl. 202 20 A instância julgadora administrativa não detém competência para relevar, total ou parcialmente, multa submetida a julgamento, nem para reduzila, visto que o valor estipulado decorre de lei. A lei admite a possibilidade de relevação de penalidade relativa a infração que não tenha resultado em falta ou insuficiência no recolhimento do imposto, nas hipóteses que enumera, mas se trata de atribuição do Ministro da Fazenda, consoante dispõe o art. 736 do Decreto nº 6.759/2009, in verbis: Art. 736. O Ministro de Estado da Fazenda, em despacho fundamentado, poderá relevar penalidades relativas a infrações de que não tenha resultado falta ou insuficiência de recolhimento de tributos federais, atendendo (DecretoLei nº 1.042, de 21 de outubro de 1969, art. 4º, caput): I a erro ou a ignorância escusável do infrator, quanto à matéria de fato; ou II a eqüidade, em relação às características pessoais ou materiais do caso, inclusive ausência de intuito doloso. § 1º A relevação da penalidade poderá ser condicionada à correção prévia das irregularidades que tenham dado origem ao processo fiscal (DecretoLei nº 1.042, de 1969, art. 4º, § 1º). § 2º O Ministro de Estado da Fazenda poderá delegar a competência que este artigo lhe atribui (DecretoLei nº 1.042, de 1969, art. 4º, § 2º). Tal competência, instituída pelo art. 4º do DecretoLei nº 1.042/1969, foi delegada ao Secretário da Receita Federal (Portaria MF nº 214/1979) que, por sua vez, a subdelegou ao Subsecretário de Tributação e Contencioso, por meio da Portaria RFB nº 268/2012. Assim, nego provimento ao pedido de relevação da penalidade aplicada, em razão da falta de competência legal deste órgão julgador para apreciar a matéria, o que não impede que o mesmo seja novamente formulado perante a autoridade competente. VII Dispositivo Do exame dos autos o que se verifica é que a recorrente não trouxe nenhum argumento suficiente a eximila da multa imposta, também não contestou, por meio de provas os fatos narrados pela autoridade fiscal, diferentemente da fiscalização, que instruiu o auto de infração com documentos. O sujeito passivo se limitou à argumentações genéricas, razão pela voto para conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar e no mérito negarlhe provimento com base na fundamentação acima. É o meu entendimento. Márcio Robson Costa Relator Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10909.720515/201382 Acórdão n.º 3003000.009 S3C0T3 Fl. 203 21 Fl. 203DF CARF MF
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