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Numero do processo: 15504.002736/2008-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. SERVIDORES NÃO EFETIVOS. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA. Artigo 40, § 13, da Constituição Federal. Inclusão no Regime Próprio de Previdência dos Estados limitada aos servidores ocupantes de cargos efetivos. Previsão não se estende aos ocupantes de cargos em comissão, não efetivos e os celetistas. Necessidade de prévia aprovação em concurso público para a investidura em cargo público. Ausência de prova pela Recorrente de que os servidores efetivados tenham sido aprovados em concurso público. Descabida a pretensão. RECURSO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. Não há que se discutir a decadência reconhecida em sede de acórdão de primeira instância, uma vez que pautada na legalidade.
Recursos voluntário e de ofício negados.
Numero da decisão: 2402-003.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram deste julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique De Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo De Lima Macedo, Lourenço Ferreira Do Prado
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. SERVIDORES NÃO EFETIVOS. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA. Artigo 40, § 13, da Constituição Federal. Inclusão no Regime Próprio de Previdência dos Estados limitada aos servidores ocupantes de cargos efetivos. Previsão não se estende aos ocupantes de cargos em comissão, não efetivos e os celetistas. Necessidade de prévia aprovação em concurso público para a investidura em cargo público. Ausência de prova pela Recorrente de que os servidores efetivados tenham sido aprovados em concurso público. Descabida a pretensão. RECURSO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. Não há que se discutir a decadência reconhecida em sede de acórdão de primeira instância, uma vez que pautada na legalidade. Recursos voluntário e de ofício negados.
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SERVIDORES PÚBLICOS Recorrentes FUNDAÇÃO HOSPITALAR DO ESTADO DE MINAS GERAIS FHEMIG FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. SERVIDORES NÃO EFETIVOS. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA. Artigo 40, § 13, da Constituição Federal. Inclusão no Regime Próprio de Previdência dos Estados limitada aos servidores ocupantes de cargos efetivos. Previsão não se estende aos ocupantes de cargos em comissão, não efetivos e os celetistas. Necessidade de prévia aprovação em concurso público para a investidura em cargo público. Ausência de prova pela Recorrente de que os servidores efetivados tenham sido aprovados em concurso público. Descabida a pretensão. RECURSO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. Não há que se discutir a decadência reconhecida em sede de acórdão de primeira instância, uma vez que pautada na legalidade. Recursos voluntário e de ofício negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 27 36 /2 00 8- 84 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES 2 Participaram deste julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique De Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo De Lima Macedo, Lourenço Ferreira Do Prado Fl. 277DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 15504.002736/200884 Acórdão n.º 2402003.660 S2C4T2 Fl. 278 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada sob n° 37.109.1330, decorrente de contribuições devidas à Seguridade Social, relativas à parte patronal, inclusive as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e contribuições relativas aos segurados empregados, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a servidores detentores de função pública na FHEMIG, vez que o órgão deixou de recolher referidas contribuições no prazo e forma determinados pelo art. 30, I, ‘b’, da Lei n° 8.212/91. A notificação, ainda, referese a contribuição devida sobre a remuneração do 13° salário, cuja base de cálculo foi aferida tomandose os valores informados no banco de dados para as competências de 12/2001, 12/2002, 12/2003 e 12/2004. O período de lançamento do débito é de 13/1998 a 13/2004. Nos termos do relatório fiscal de fls. 96/111, de acordo com a legislação estadual que trata do assunto (Lei n° 10.254/90), “os servidores detentores de função pública não estão amparados pelo Regime Próprio de Previdência Social de Minas Gerais pela falta de garantia, em lei estadual, da aposentadoria nas modalidades constitucionais. Ficam, assim, submetidos obrigatoriamente ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS, nos termos do art. 13 da Lei n° 8.212/91 c/c o art. 10 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3048/99”. Intimada da autuação, a Recorrente, às fls. 125/143, apresentou impugnação e, às fls. 171/172 foi proferido despacho convertendo o julgamento em diligência para informação quanto à situação dos servidores ocupantes de função pública no período posterior a Emenda Constitucional n° 49 de 13/06/2001. Às fls. 175/176, a diligência foi atendida pela autoridade fiscal, que esclareceu que todas as informações utilizadas para lavratura do auto de infração foram fornecidas pela Recorrente e, ainda, que nos casos que se enquadravam na hipótese levantada no despacho de diligência, as remunerações foram excluídas do cálculo. Às fls. 185/191, a impugnação da Recorrente foi julgada parcialmente procedente, excluindo o débito atingido pela decadência, no período de dezembro de 1998 a novembro de 2001. Foi interposto recurso de ofício em razão dos valores excluídos pela decadência. Em relação ao mérito, os fundamentos para manutenção da autuação são os seguintes: i) De acordo com a legislação estadual, somente poderão estar filiados ao Regime Próprio os servidores titulares de cargo efetivo, restando os demais, não ocupantes de cargos efetivos, filiados obrigatoriamente ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS; Fl. 278DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES 4 ii) Que a Emenda Estadual n° 49/2001 autorizou o Estado de Minas Gerais a proceder a ‘efetivação excepcional’ sem concurso público, determinando parâmetros como: ser o servidor detentor de função pública, ser admitido por prazo indeterminado até 1/08/90, ser admitido até a data da promulgação da Constituição de 1988, etc.; iii) A autuada não comprovou a nomeação em cargo efetivo dos servidores abordados pela autuação; iv) Que não se tratando de servidores efetivos, estes se submetem ao Regime Geral de Previdência Social nos termos do art. 40 da CF/88; v) Que a garantia legal de aposentadoria não está assegurada nos termos da Lei Estadual n° 9.380/86, uma vez que de acordo com a Lei n° 869, de 05/07/52, que constituía o Estatuto dos Funcionários Públicos Civil do Estado de MG, o benefício de aposentadoria, nas três modalidades, somente estava assegurado aos servidores titulares de cargos efetivos; vi) Que o novo Estatuto do Servidor, editado pela Lei n° 10.264/90 e regulamentado pelo Decreto n° 31.930/90, manteve as limitações de aposentadoria aos servidores titulares de cargos efetivos, assim como a pensão por morte; vii) Que eventuais direitos a compensação devem ser discutidos em contencioso administrativo próprio; viii) Que o pedido de perícia para verificação do quanto devido é desnecessário, uma vez que não há qualquer indício de existência de erros materiais. Intimada do acórdão, a Recorrente interpôs recurso voluntário tempestivo às fls. 209/221, alegando em suma: a) Em respeito ao princípio da ampla defesa e da indisponibilidade do interesse público, necessária a realização de perícia para apuração dos valores devidos; b) O Estado tem competência para instituir tributos de seus servidores, cujos recursos integrarão seus orçamentos e, com relação aos servidores, cabe ao Estado a instituição da contribuição previdenciária para custeio de seu regime próprio, nos termos do art. 149, § 1° da CF/88; c) O art. 4° do Estatuto do Servidor Estadual de Minas Gerais garante a transformação do emprego em função pública de forma automática, no primeiro dia do mês subseqüente ao de sua publicação; d) À época da autuação já existia o Estatuto dos Servidores e, portanto, o Regime Próprio de Previdência, sendo vedada a aplicação do RGPS nos termos do art. 13 da Lei n° 8.212/91; e) A partir da Emenda Estadual n° 49/01 os detentores de função pública não efetivos passaram a ter os mesmos direitos dos servidores de cargo efetivo, passando a se submeter ao Regime Próprio da Previdência; Fl. 279DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 15504.002736/200884 Acórdão n.º 2402003.660 S2C4T2 Fl. 279 5 f) Que a Lei n° 10.254/90 e a Resolução ALEMG n° 463/90 reconhecem o regime previdenciário nos mesmos moldes dos demais servidores titulares de cargos efetivos; g) Somente em 1998, com a Emenda Constitucional n. 20 passouse a prever o caráter contributivo do regime de previdência dos servidores estaduais e exigiu como requisito básico para concessão de aposentadoria o tempo de contribuição. Às fls. 240/271, a Recorrida apresentou contrarrazões, em que pleiteia a manutenção da decisão recorrida, alegando a existência de acordo entre o Estado de Minas Gerais, o INSS e a União, nos autos do Mandado de Segurança n° 1999.38.00.0178182, em que o Estado reconheceu que os servidores detentores exclusivamente de cargo em comissão, declarado em lei de livre nomeação e exoneração, são contribuintes do Regime Geral de Previdência Social. Ainda, informou que “na ocasião o Estado de Minas Gerais, incluindo autarquias e fundações públicas, reconheceu o débito e obrigouse ao pagamento/parcelamento das contribuições já lançadas, bem como foi acordado que referidas disposições reconhecedoras do débito seriam aplicadas a todos os processos administrativos relacionados com as contribuições previdenciárias em comento, inclusive futuros”. A União, através da PGFN, também mencionou que a Lei n° 10.254/90 instituiu o Regime Jurídico do Servidor Público do Estado de MG e, em virtude da adoção do regime, transformou os então servidores de autarquias, inclusive aqueles admitidos mediante convênio, em titulares de função pública. De acordo com a Recorrida, ao fazêlo o Estado de Minas Gerais foi além da permissão constitucional e esvaziou a norma do art. 37, II, da CF/88, segundo a qual é imperativa a regra do concurso público para o cargo ou emprego público. Quanto à possibilidade de aplicação das regras da EC n° 49, a PGFN alega que seu gozo depende de ato administrativo concessivo de efetivação, o que não ocorreu com os servidores públicos arrolados no presente lançamento, conforme fls. 175/176. Ademais, apresenta fundamentos à impossibilidade de inclusão de servidores detentores de cargos em comissão ao Regime Próprio da Previdência, uma vez que submetidos ao RGPS. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento dos recursos de ofício e voluntário. É o relatório. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES 6 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões Recurso Voluntário O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Da sujeição dos servidores não efetivos ao Regime Geral da Previdência Social Alega a Recorrente que no exercício da competência atribuída pela Constituição Federal, legislou acerca do regime previdenciário de seus servidores, efetivos ou não. Alega, ainda, que as leis estaduais são suficientes para incluir os servidores não efetivos e aqueles que se tornaram efetivos em razão de emenda à constituição estadual no Regime Próprio do Estado. Não merecem guarida as alegações. Inicialmente, passemos à análise constitucional da matéria. A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 37 Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) II a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração; (...) Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (...) § 12 Além do disposto neste artigo, o regime de previdência dos servidores públicos titulares de cargo efetivo observará, no Fl. 281DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 15504.002736/200884 Acórdão n.º 2402003.660 S2C4T2 Fl. 280 7 que couber, os requisitos e critérios fixados para o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) (...) § 13 Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplicase o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) (...) § 20. Fica vedada a existência de mais de um regime próprio de previdência social para os servidores titulares de cargos efetivos, e de mais de uma unidade gestora do respectivo regime em cada ente estatal, ressalvado o disposto no art. 142, § 3º, X. Pois bem. Partindose da premissa constitucional, temse que a Constituição Federal de 1988, complementada por suas emendas constitucionais, atribuiu aos entes da federação a competência para legislar em matéria previdenciária, limitando, entretanto, tal competência às diretrizes estabelecidas pelo próprio texto constitucional e legislação Federal específica. Nos termos do texto constitucional, aos Estados é concedida a possibilidade de criação de Regime Próprio de Previdência com alcance expressamente limitado aos servidores ocupantes de cargos efetivos, excluindose portanto todos os ocupantes de cargos em comissão (§ 13 do art. 40), os não efetivos e os celetistas. Em complemento, a Lei Federal n° 8.212/91, que trata do custeio da Seguridade Social estabelece: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: (...) g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 282DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES 8 § 1o Caso o servidor ou o militar venham a exercer, concomitantemente, uma ou mais atividades abrangidas pelo Regime Geral de Previdência Social, tornarseão segurados obrigatórios em relação a essas atividades. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). § 2o Caso o servidor ou o militar, amparados por regime próprio de previdência social, sejam requisitados para outro órgão ou entidade cujo regime previdenciário não permita a filiação nessa condição, permanecerão vinculados ao regime de origem, obedecidas as regras que cada ente estabeleça acerca de sua contribuição. Ou seja, nos termos da Lei Federal, a exclusão do servidor público do RGPS desde que existente um regime próprio está limitada aos servidores ocupantes de cargo efetivo, não restando margem à disposições em contrário por lei estadual. No que diz respeito às alegações no sentido de que com a Emenda Constitucional Estadual n° 49/01 os detentores de função pública passaram a ter os mesmos direitos dos servidores ocupantes de cargo efetivo e, portanto, passaram a compor o RPPS, não há respaldo. A Constituição Federal, em seu art. 37, II, é expressa no sentido de que somente mediante aprovação em concurso público poderseá investir alguém em cargo ou emprego público. Assim, ainda que a Constituição Estadual preveja, mediante Emenda Constitucional, a efetivação de determinados servidores, necessária seria a comprovação pela Recorrente da realização de concurso público e posterior aprovação daqueles que se pretende efetivar. No caso em tela, a Recorrente não conseguiu demonstrar que os servidores entendidos por ela como efetivados via EC n° 49/01 tenham sido submetidos a concurso nos moldes da CF/88, razão pela qual entendo pelo descabimento da pretensão. Por sua vez, aos servidores estáveis mas não efetivos, nos moldes do ADCT (Ato das Disposições Constitucionais Transitórias), é possível a efetivação no cargo, desde que atendido o parágrafo primeiro do art. 19 do ADCT, que, do mesmo modo, impõe a submissão ao competente concurso público: Art. 19. Os servidores públicos civis da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, da administração direta, autárquica e das fundações públicas, em exercício na data da promulgação da Constituição, há pelo menos cinco anos continuados, e que não tenham sido admitidos na forma regulada no art. 37, da Constituição, são considerados estáveis no serviço público. § 1º O tempo de serviço dos servidores referidos neste artigo será contado como título quando se submeterem a concurso para fins de efetivação, na forma da lei. Todavia, analisando todos os elementos do processo administrativo fiscal em análise, entendese que a efetivação concedida a estes funcionários não atendera ao art. 37, II, da CF e 19, § 1° do ADCT, vez que não comprovada a efetivação de concursos e aprovação. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 15504.002736/200884 Acórdão n.º 2402003.660 S2C4T2 Fl. 281 9 Recurso de Ofício O recurso de ofício atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No mérito, voto por seu não provimento, vez que indiscutível a decadência do crédito tributário nos termos do acórdão proferido pela DRJ às fls. 185/191. Conclusão Isto posto, conheço dos recursos voluntário e de ofício e a eles nego provimento. É como voto. Thiago Taborda Simões Fl. 284DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES
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Numero do processo: 15586.001253/2010-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2007
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DO EMPREGADOR. AUXÍLIO TRANSPORTE. Omissão na escrituração contábil sobre os valores creditados tanto aos funcionários não efetivados à época, quanto aos que jamais tiveram vínculo empregatício formalizado, a título de vale transporte. Declaração de inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre vale transporte pelo STF, independentemente da comprovação de vínculo empregatício. PAGAMENTOS DE SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA EM CONTA DE PESSOA FÍSICA. Pagamento a fornecedores através de depósitos em contas de pessoas físicas. Conduta que não caracteriza irregularidade, pois comprovada a prestação dos serviços mediante nota fiscal emitida por pessoa jurídica. Não importa ao Fisco a forma as pessoas jurídicas prestadoras de serviços recebem as respectivas remunerações. PRO LABORE. PAGAMENTO INDIRETO AOS SÓCIOS. Nos termos do art. 201, § 5°, II, do Regulamento da Previdência, os valores destinados ao pagamento de despesas pessoais dos sócios se caracterizam como remuneração pro labore, sendo, portanto, passíveis de contribuições previdenciárias.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 2402-003.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, . em dar provimento parcial para exclusão das parcelas relativas ao auxílio-transporte e pagamentos a pessoas jurídicas em contas bancárias de pessoas físicas.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram deste julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique De Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo De Lima Macedo, Lourenço Ferreira Do Prado
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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Recorrente D'ANGELO INCOPAR CONSTRUTORA E INCORPORADORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DO EMPREGADOR. AUXÍLIO TRANSPORTE. Omissão na escrituração contábil sobre os valores creditados tanto aos funcionários não efetivados à época, quanto aos que jamais tiveram vínculo empregatício formalizado, a título de vale transporte. Declaração de inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre vale transporte pelo STF, independentemente da comprovação de vínculo empregatício. PAGAMENTOS DE SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA EM CONTA DE PESSOA FÍSICA. Pagamento a fornecedores através de depósitos em contas de pessoas físicas. Conduta que não caracteriza irregularidade, pois comprovada a prestação dos serviços mediante nota fiscal emitida por pessoa jurídica. Não importa ao Fisco a forma as pessoas jurídicas prestadoras de serviços recebem as respectivas remunerações. PRO LABORE. PAGAMENTO INDIRETO AOS SÓCIOS. Nos termos do art. 201, § 5°, II, do Regulamento da Previdência, os valores destinados ao pagamento de despesas pessoais dos sócios se caracterizam como remuneração pro labore, sendo, portanto, passíveis de contribuições previdenciárias. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, . em dar provimento parcial para exclusão das parcelas relativas ao auxíliotransporte e pagamentos a pessoas jurídicas em contas bancárias de pessoas físicas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 12 53 /2 01 0- 14 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES 2 Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram deste julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique De Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo De Lima Macedo, Lourenço Ferreira Do Prado Fl. 306DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 15586.001253/201014 Acórdão n.º 2402003.665 S2C4T2 Fl. 306 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado sob o DEBCAD n° 37.279.5595, referente a contribuições a cargo do empregador destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos Riscos Ambientais do Trabalho – RAT, concernente à obra matrícula CEI 50.021.44542/73. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 36/47, “verificando a contabilidade e os demais documentos postos à disposição desta Auditoria Fiscal, foi constatado que, a folha de pagamento e a escrita contábil apresentada não registram a totalidade da remuneração e dos segurados a serviço da empresa. (...) Embora a empresa tenha apresentado a contabilidade formalizada relativa aos exercícios de 2006 e 2007, verificouse que foram omitidas nos registros contábeis, remuneração de segurados empregados que recebiam vales transportes em período anterior à admissão, bem como aqueles que recebiam tais benefícios sem nunca possuírem vínculo formalizado com a empresa. Não foram contabilizados também em títulos próprios, valores constantes de recibos, depósitos bancários, relativos a serviços prestados por pessoas físicas; além de outros vícios (...)”. Ainda, nos termos do REFISC, a Recorrente, ao fornecer vale transporte a pessoas que não tinham vínculo empregatício, efetuou pagamentos a contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, utilizandose, assim, de mãodeobra sem registro. Dentre as irregularidades verificadas pela fiscalização estão pagamentos de despesas pessoais do sócio Gilberto D’Angelo Carneiro e recibos emitidos pela pessoa física Gilberto Cipriano referente a adiantamentos por serviços prestados. A fiscalização informa que a empresa deixou de registrar na contabilidade tanto valores integrantes do salário de contribuição quanto a contribuição a cargo da empresa e dos segurados. Ainda, lançou valores em contas indevidas com o intuito de sonegar tais contribuições. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 207/233 que, às fls. 250/254, foi julgada improcedente sob os seguintes fundamentos: a) As irregularidades apontadas constituem indícios veementes de que a contabilidade da Autuada não registra a totalidade das remunerações dos funcionários a seu serviço; b) Ficou caracterizada a mãodeobra sem a devida formalização da relação de trabalho; c) A falta de confiabilidade da contabilidade da empresa ficou demonstrada com os pagamentos contabilizados como sendo a pessoas jurídicas quando na realidade foram efetuados a pessoa física; d) Cabe ao contribuinte a comprovação de que os pagamentos foram feitos aos sócios das empresas prestadoras de serviços; Fl. 307DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES 4 e) Que a concessão de vales transportes, nos termos da Lei n° 7.418/85, deve ser efetuada apenas aos trabalhadores da empresa concedente; f) As irregularidades apontadas comprovam que a contabilidade não registrava o valor real da mãodeobra utilizada, estando assim plenamente justificada a apuração do crédito fiscal por aferição indireta; g) O arbitramento realizado está de acordo com o critério previsto no § 4°, do art. 33, da Lei n° 8.212/91 e foi feito por meio da utilização da “tabela CUB”, através da qual o sistema de informativa da Receita Federal calcula o valor da mãodeobra e da contribuição devida; h) A aferição é feita com base em dados referentes a inúmeras empresas e obras, que são compilados e sistematizados de forma a ser obtido o valor médio da mãodeobra utilizada pelas empresas nacionais em uma obra, de acordo com a metragem e o padrão desta; i) O valor do crédito fiscal cobrado corresponde à diferença entre os valores recolhidos e o valor dos recolhimentos da média das empresas nacionais para uma obra com a metragem e o padrão da obra a que se refere o lançamento; j) A falha quanto ao pagamento de vales transportes não se trata de falha isolada, uma vez que foram verificadas situações idênticas em outras obras realizadas pela mesma empresa e, ainda, a Recorrente não conseguiu justificar o motivo das ocorrências, limitandose a alegar que são meras irregularidades formais; k) O legislador admitiu o emprego da aferição indireta para apurar e lançar as contribuições devidas quando a contabilidade não corresponder à realidade tributável, cabendo a empresa o ônus da prova em contrário. Assim, o contribuinte poderia ter rejeitado o arbitramento apresentando elemento seguro de prova em contrário. Providência essa não tomada pelo mesmo. Face ao resultado do julgamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 268/300, alegando em suma: 1. A fiscalização teve início muito após a conclusão das obras, ocorrendo mais de 3 anos depois e já tendo sido devidamente emitidas as correspondentes CNDs após a aferição da regularidade tributária demonstrada e comprovada pela tempestiva apresentação à própria RFB das DISO’s; 2. A desconsideração da contabilidade da empresa para fins de aferição indireta da base de cálculo de contribuições sociais é medida de caráter excepcional, não podendo ter lugar em situações nas quais os supostos erros contábeis meramente formais não impliquem em significativa diferença de recolhimento de tributos; 3. A autoridade fiscal se excedeu ao presumir, sem fundamento fáticoprobatório suficiente, haver empregados não registrados na contabilidade da Recorrente, simplesmente por terem sido apresentados alguns nomes de pessoas que teriam recebido valetransporte, vez que não comprovada a existência de indícios dos elementos da relação de emprego como a onerosidade, pessoalidade, subordinação ou habitualidade. Sobre este último elemento, os valestransporte entregues foram por apenas 1 mês avulso em relação as pessoas apontadas; Fl. 308DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 15586.001253/201014 Acórdão n.º 2402003.665 S2C4T2 Fl. 307 5 4. Quanto as outras irregularidades, nenhuma sugere falta de recolhimento, simplesmente indicando que alguns pagamentos de fornecedores foram realizados por meio de depósitos em contas de pessoas físicas; 5. A fiscalização sequer cuidouse de verificar se as pessoas físicas eram sócias das sociedades empresariais fornecedoras; 6. Se a fiscalização utiliza a contabilidade para verificar suficientemente quanto foi pago, deveria também utilizála para aferir o quanto devido, afastandose a necessidade de aferição indireta; 7. O art. 148 do CTN determina que o arbitramento deverá ser feito mediante instauração de processo regular e que deve ser assegurada ao sujeito passivo o direito à defesa, inclusive lançando mão de avaliações e medições; Ao final requer a anulação do auto de infração. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES 6 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões Preliminarmente Inicialmente, o recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, dentre eles o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. No Mérito Da Aferição Indireta Alega a Recorrente ter a fiscalização se excedido ao realizar aferição indireta de sua contabilidade, com base em valores gerais aplicados pela Receita Federal em casos em que a contabilidade da empresa fiscalizada apresente omissões ou irregularidades. De acordo com a Recorrente, a aferição indireta é questão excepcional, não podendo ter lugar em situações nas quais os supostos erros contábeis meramente formais não impliquem em significativa diferença de recolhimento de tributos. Não merece guarida. O procedimento fiscal tem por objeto a análise da contabilidade da empresa para verificação de supostas irregularidades e, a partir destas, mensurar créditos tributários não pagos. Verificado que a contabilidade não oferece segurança ao fiscal para cálculo destes valores, a legislação especializada autoriza a aferição indireta, nos seguintes termos: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (...) Fl. 310DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 15586.001253/201014 Acórdão n.º 2402003.665 S2C4T2 Fl. 308 7 § 4 Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. No caso em tela, a fiscalização ao verificar a contabilidade da empresa Recorrente verificou diversos pontos de irregularidades contra os quais a Recorrente não logrou êxito em justificar ou esclarecer. Assim, regular a aferição na forma em que foi realizada nestes autos, não havendo qualquer vício a ser sanado neste sentido. Da não incidência sobre Vale Transporte A autoridade fiscal utilizou como um dos fundamentos da autuação o fato de ter verificado o pagamento de vale transporte em período anterior à admissão, bem como aqueles que recebiam tais benefícios sem nunca possuírem vínculo formalizado com a empresa. Independentemente da comprovação ou não de vínculo empregatício, tendo a autoridade fiscal reconhecido que as irregularidades diziam respeito ao pagamento de verbas desta natureza (vales transporte), passase à questão. Tratase de matéria transitada em julgado junto ao Supremo Tribunal Federal em 24/02/2012, que declarou inconstitucional a incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte, ainda que pago em pecúnia: “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALE TRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa Fl. 311DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES 8 liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” 1 Assim, em cumprimento ao artigo 26A do Decreto n. 70.235/722, inclino à tese da Suprema Corte para que seja cancelado o auto de infração, vez que não incidente contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de valetransporte. No mesmo sentido é o entendimento desta Turma (Acórdãos 2402003.086, 2402003.077, 2402003.080, 2302001.758). Dos Pagamentos de Despesas pessoais do Sócio A Lei n° 8.212/91, em seu art. 30, II, prevê a incidência da contribuição previdenciária a cargo do contribuinte individual sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês. Em complemento, a Lei n° 10.666/03, em seu art. 4°, atribui à empresa a obrigação de arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. No caso em tela, discutese se os valores verificados nos livros contábeis da Recorrente em nome do sócio Gilberto D’Angelo Carneiro são decorrentes de pagamento de prólabore ou de distribuição de lucros. A autoridade fiscal demonstrou, nas contas da empresa, pagamentos indiretos ao citado sócio, na forma de pagamentos de despesas particulares via depósitos em conta, cheques e notas fiscais. O pagamento de despesas pessoais dos sócios da empresa constitui pagamento de pro labore e, portanto, passível de incidência de contribuições, nos termos do art. 201, § 5°, II, do Regulamento da Previdência: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: (...) § 5° No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados a que se referem as 1 STF, RE 78410 / SP SÃO PAULO, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, publ.14/05/2010. 2 "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) Pár. 6. O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federa; (...)" Fl. 312DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 15586.001253/201014 Acórdão n.º 2402003.665 S2C4T2 Fl. 309 9 alíneas "g" a "i" do inciso V do art. 9º, observado o disposto no art. 225 e legislação específica, será de vinte por cento sobre: (...) II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. No caso em tela, a autoridade fiscal demonstrou pagamentos de contas pessoais do sócio Gilberto D’Angelo que não foram esclarecidos em defesa pela Recorrente, sendo necessário o enquadramento dos valores na natureza de prolabore e, portanto, passível de incidência. Dos pagamento a pessoas jurídicas em nome de pessoas físicas A fiscalização aponta como irregularidade na contabilidade da Recorrente o fato de haverem pagamentos de serviços prestados por pessoas jurídicas direcionados a pessoas físicas. Data vênia, não verificamos irregularidade em conduta deste tipo. Uma vez comprovado, mediante nota fiscal, a efetivação do serviço por pessoa jurídica, não importa ao fisco a forma de pagamento da empresa contratante pelos serviços contratados. A questão seria diversa, todavia, se além de demonstrados os pagamentos a pessoas físicas, a Recorrente não pudesse comprovar a contratação e prestação por pessoa jurídica, mediante notas fiscais. Não é o caso. Sendo assim, voto por excluir do crédito tributário os valores referentes a estes apontamentos. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e dou a ele dou provimento parcial. É como voto. Thiago Taborda Simões Fl. 313DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/201 4 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES
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Numero do processo: 12898.000607/2009-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APRESENTAÇÃO DE PROVAS QUANDO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. ADMISSÃO.
Em observância ao Princípio da Verdade Material é admissível a juntada de documentos que comprovem os fatos alegados pelo contribuinte após a impugnação e até o momento do julgamento.
Numero da decisão: 1101-000.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
NARA CRISTINA TAKEDA TAGA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma)
Nome do relator: NARA CRISTINA TAKEDA
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OPTANTE DO BENEFÍCIO TRIBUTÁRIO PREVISTO NO ART. 3º DA LEI DO AUDIOVISUAL. Não incide CONDECINE quando o contribuinte opta pelo abatimento de 70% do imposto de renda na fonte previsto no art. 3º da Lei nº 8.685/83. Tanto a CONDECINE quanto a renúncia fiscal prevista na Lei do Audiovisual visam o desenvolvimento da indústria cinematográfica nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APRESENTAÇÃO DE PROVAS QUANDO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. ADMISSÃO. Em observância ao Princípio da Verdade Material é admissível a juntada de documentos que comprovem os fatos alegados pelo contribuinte após a impugnação e até o momento do julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 06 07 /2 00 9- 68 Fl. 703DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 12898.000607/200968 Acórdão n.º 1101000.743 S1C1T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) NARA CRISTINA TAKEDA TAGA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vicepresidente), Nara Cristina Takeda Taga e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma) Fl. 704DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 12898.000607/200968 Acórdão n.º 1101000.743 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório Versam estes autos sobre Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão exarado pela 4ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro, que por unanimidade de votos, considerou devida a cobrança de CONDECINE no valor de R$ 7.274.017,81, acrescida de multa de ofício e de juros de mora. Em 12/05/2009, foi lavrado Auto de Infração (proc. fls. 74 a 79) referente à ausência de recolhimento da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional – CONDECINE, por força do art. 32 da Medida Provisória nº 2.228 1/2001, no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2008. Segundo o Termo de Constatação dos Fatos (proc. fls. 71 a 73), verificouse falta de recolhimento da CONDECINE relativa aos valores creditados pela contribuinte aos produtores de filmes no exterior. A interessada apresentou Impugnação em 09/06/2009 (proc. fls. 109 a 116). De início afirmou que por força dos contratos de licenciamento celebrados pela Postulante com os titulares dos direitos de exploração das obras audiovisuais, encontrase obrigada a remeter ou creditar aos produtores estrangeiros os valores decorrentes de referida exploração no território nacional. Alegou que a exação imposta não pode prosperar já que a incidência da CONDECINE, de acordo com o art. 49, parágrafo único da Medida Provisória nº 2.2281, encontrase afastada pelo fato de a Impugnante se utilizar do benefício concedido por meio do art. 3º da Lei nº 8.685/93. Ou seja, o próprio texto normativo confere a possibilidade de não incidência da CONDECINE, caso os contribuintes sejam beneficiários do abatimento do Imposto de Renda previsto no art. 3º da Lei nº 8.685/93 (Lei de Audiovisual). Asseverou que a justificativa para se afastar a incidência da CONDECINE nestes casos é justamente pelo fato de o contribuinte, ao se utilizar do benefício estabelecido pela Lei nº 8.685/93, estar estimulando o desenvolvimento de projetos de obras cinematográficas brasileiras, que é um dos objetivos da criação da própria CONDECINE. Com o objetivo de comprovar que faz jus a referido benefício tributário, a Postulante juntou aos autos comprovantes de depósitos realizados junto ao Banco do Brasil correspondentes ao percentual estabelecido no art. 3º da Lei nº 8.685/93. A DRJ no Rio de Janeiro exarou Acórdão em 29/09/2010 (proc. fls. 463 a 470). Segundo a 4ª Turma, o afastamento da CONDECINE sujeitase ao atendimento de determinados requisitos previstos no art. 2º da Lei nº 8.685/93, quais sejam, o contribuinte deverá investir na coprodução de obras audiovisuais cinematográficas brasileiras de produção independente, em projetos previamente aprovados pelo Ministério da Cultura, sendo que o respectivo abatimento será aplicado, exclusivamente, a projetos previamente aprovados pela ANCINE, na forma do Decreto nº 4.456/02, observado o disposto no art. 67 da MP 2.2281. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 12898.000607/200968 Acórdão n.º 1101000.743 S1C1T1 Fl. 5 4 Desta forma, entendeu o órgão julgador que a contribuinte deveria ter trazido aos autos quais seriam os projetos abarcados pelo art. 3º da Lei nº 8.685/93 que poderiam ser beneficiados pela opção, juntamente com a devida aprovação da ANCINE. Cientificada em 23/05/2011 do conteúdo do Acórdão proferido pela DRJ, a interessada interpôs Recurso Voluntário em 22/06/2011 (proc. fls. 475 a 498). Mais uma vez alegou que, segundo disposição legal, para os contribuintes que se utilizam do benefício do abatimento do imposto de renda previsto no art. 3º da Lei nº 8.685/93, a incidência da CONDECINE foi afastada pelo parágrafo único do art. 49 da MP nº 2.2281. A Recorrente discorreu sobre o procedimento previsto na Lei nº 8.685/93, que deve ser realizado por aqueles que desejam efetuar investimentos na indústria cinematográfica nacional. Por meio de uma planilha (proc. fls. 492 e 493), a Postulante relacionou a data do investimento, o montante, o ano, o número da guia de depósito, o projeto beneficiado e o número de registro na ANCINE. Desta forma, a interessada afirmou que efetivamente comprovou preencher os requisitos legais necessários à utilização do benefício Previsto na Lei nº 8.685/93, já que juntou aos autos os depósitos efetuados junto ao Banco do Brasil, bem como as correspondências enviadas à ANCINE solicitando a aplicação dos depósitos em projetos nacionais independentes previamente aprovados por tal autarquia especial. Alertou que conforme previsão legal, os valores não destinados a projetos específicos, cuja competência para destinação é da própria ANCINE, são encaminhados ao Fundo Nacional da Cultura – FNC, cabendo à autarquia realizar a aplicação nas atividades de fomento da indústria cinematográfica nacional. Por fim, requereu que, caso não acolhidos os argumentos esposados, seja determinada a realização de diligência com vistas à comprovação de que foram cumpridos todos os requisitos necessários ao aproveitamento do benefício fiscal em questão. Alegou ainda que cabe apenas à ANCINE a verificação do cumprimento dos requisitos necessários ao aproveitamento do benefício fiscal. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 12898.000607/200968 Acórdão n.º 1101000.743 S1C1T1 Fl. 6 5 Voto Nara Cristina Takeda Taga, Conselheira Relatora O Recurso é tempestivo, dele tomo conhecimento. Foi imputada à Recorrente a obrigação de recolher a título de Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional – CONDECINE o montante de R$ 7.274.017,81, acrescido de multa de ofício e de juros de mora. A cobrança da CONDECINE no caso em análise se deu frente ao disposto no art. 32, parágrafo único da MP 2.2281, de 2001. De acordo com tal texto normativo, esta contribuição é devida pela Postulante sobre os valores creditados aos produtores de filmes no exterior. A contribuinte em sua defesa alegou que faz jus à isenção prevista no parágrafo único do art. 49 da mesma MP. Em contrapartida, a DRJ alegou que não foram acostados a estes autos qualquer prova de que a Postulante preenche os requisitos legais que autorização o afastamento da incidência da CONDECINE. Como é sabido, a CONDECINE é classificada como contribuição de intervenção no domínio econômico, e tem por finalidade o desenvolvimento da indústria cinematográfica nacional. O produto de sua arrecadação destinase ao custeio das atividades da ANCINE, das atividades de fomento ao cinema e ao audiovisual desenvolvidas pelo Ministério da Cultura, bem como ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Cinema Nacional. Conforme dispõe o art. 32, parágrafo único da MP 2.2281/01, de fato a CONDECINE é devida em detrimento da remessa de valores a produtores e distribuidores no exterior, in verbis: “Art. 32. A Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional – CONDECINE terá por fato gerador a veiculação, a produção, o licenciamento e a distribuição de obras cinematográficas e videofonográficas com fins comerciais, por segmento de mercado a que forem destinadas. Parágrafo único. A CONDECINE também incidirá sobre o pagamento, o crédito, o emprego a remessa ou a entrega aos produtores, distribuidores ou intermediários no exterior, de importâncias relativas a rendimentos decorrente da exploração de obras cinematográficas e videofonográficas ou por sua aquisição ou importação, a preço fixo”. A incidência ocorre uma única vez mediante alíquota de 11% de acordo com o disposto no art. 33, § 2º da mencionada MP: Fl. 707DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 12898.000607/200968 Acórdão n.º 1101000.743 S1C1T1 Fl. 7 6 “Art. 33. A CONDECINE será devida uma única vez a cada cinco anos para cada seguimento de mercado, por: .... § 2º. Na hipótese do parágrafo único do art. 32, a CONDECINE será determinada mediante a aplicação de alíquota de onze por cento sobre as importâncias ali referidas.” Ocorre que há previsão expressa de não incidência de CONDECINE quando o contribuinte opta pelo benefício previsto no art. 3º da Lei nº 8.685/83. MP 2.2281 “Art. 49. O abatimento do imposto de renda na fonte, de que trata o art. 3º da Lei nº 8.685, de 1983, aplicaseá, exclusivamente, a projetos previamente aprovados pela ANCINE, na forma do regulamento, observado o disposto no art. 67. Parágrafo único. A opção pelo benefício previsto no caput afasta a incidência do disposto no § 2º do art. 33 desta Medida Provisória.” Lei nº 8.685/83 “Art. 3º. Os contribuintes do Imposto de Renda incidente nos termo do art. 13 do Decretolei nº 1.089 de 1970, alterado pelo art. 2º desta Lei, poderão beneficiarse de abatimento de 70% (setenta por cento) do imposto devido, desde que invistam no desenvolvimento de projetos de produção de obras cinematográficas brasileiras de longa metragem de produção independente e na coprodução de telefilmes e minisséries brasileiros de produção independente e de obras cinematográficas brasileiras de produção independente.” Desta forma, verificase que a par da previsão de incidência da CONDECINE foi prevista também hipótese de verdadeira renúncia fiscal condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais, quais sejam: 1) Que seja realizado investimento em coprodução de obras audiovisuais cinematográficas brasileiras de produção independente; 2) Que os projetos sejam previamente aprovados pelo Ministério da Cultura; 3) Que o abatimento do tributo seja aplicado, exclusivamente, em projetos previamente aprovados pela ANCINE. A Lei nº 8.685/93 estabelece que o procedimento a ser seguido por aqueles que desejam realizar investimentos na indústria cinematográfica nacional. De início estabelece que os contribuintes optantes pelo benefício previsto no art. 3º devem depositar, dentro do Fl. 708DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 12898.000607/200968 Acórdão n.º 1101000.743 S1C1T1 Fl. 8 7 prazo legal fixado para o recolhimento do imposto, o valor correspondente ao abatimento em conta de aplicação financeira especial, em instituição financeira pública. Vale mencionar que após realizado o depósito apenas a ANCINE tem competência para movimentar os investimentos realizados (ar. 4º da Lei nº 8.685/93). Ou seja, feito o depósito, o montante sai da disponibilidade do contribuinte cabendo apenas à ANCINE a disposição sobre os valores. Prescreve ainda a lei que realizado o depósito, iniciase o prazo de 180 dias para que o contribuinte aplique o montante depositado em projetos previamente aprovados pela ANCINE. Tal procedimento se dá por meio de correspondência à ANCINE comunicando o depósito efetuado e solicitando a aplicação do recurso nos projetos já aprovados pela autarquia especial (art. 5º da Lei nº 8.685/93). O art. 5º da Lei nº 8.685/93 ainda dispõe que caso os depósitos não sejam realizados dentro do prazo serão destinados ao Fundo Nacional da Cultura e serão alocados em categoria de programação específica. Da análise do Acórdão exarado pela DRJ, depreendese que o único óbice levantado pelo colegiado para que a Postulante fizesse jus ao benefício previsto no parágrafo único do art. 49 da MP 2.2281/01 foi a ausência de documentação hábil e idônea que comprovasse o preenchimento dos requisitos legais. Entendeu a Turma que a juntada de tais documentos estaria limitada ao momento da Impugnação e que isto não ocorreu. A Recorrente alegou que comprovou a existência de todos os requisitos necessários à utilização do benefício tributário ao juntar guias de depósitos e DARFs. A despeito disso acostou outros documentos quando da interposição do Recurso Voluntário: correspondências enviadas à ANCINE para aplicação dos depósitos em projetos autorizados, página eletrônica retiradas do site da ANCINE que comprovam as aplicações já realizadas, bem como as já acostadas guias de depósitos e DRFs. Quanto ao momento para apresentação de provas pelo contribuinte, é sabido que o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72 a limita ao momento da Impugnação. No entanto, tem sido atenuado este rigor frente ao fato de que o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração do crédito tributário, e para tanto deve se valer de tudo quanto for juntado aos autos até o momento do julgamento. E este tem sido o entendimento deste colegiado: “Pela aplicação do Princípio da Verdade Material ao processo administrativo, este Conselho vem aceitando, corretamente, a realização de prova a favor do contribuinte em qualquer fase do processo”. (4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária, acórdão nº 140200.381, julgado em 26/01/2011) PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. APÓS IMPUGNAÇÃO. Fl. 709DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 12898.000607/200968 Acórdão n.º 1101000.743 S1C1T1 Fl. 9 8 POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL. O artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal. (Segundo Conselho de Contribuintes, 6ª Câmara, Turma Ordinária, acórdão nº 20601460, julgado em 09/10/2008) Destarte, frente aos documentos devidamente acostados para a comprovação necessária exigida pela legislação e regulamentação ora vigentes, e em observância ao Princípio da Verdade Material, entendo que a Recorrente demonstrou preencher os requisitos que a habilitam à isenção prevista no parágrafo único do art. 49 da MP 2.2281/01. Ante o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o Auto de Infração. (documento assinado digitalmente) Nara Cristina Takeda Taga Relatora Fl. 710DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 13971.901395/2006-28
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
RESSARCIMENTO. IPI. DÉBITOS E CRÉDITOS. ESCRITURAÇÃO INDEVIDA. ESTORNO.
Constatada a escrituração indevida de débitos e créditos de IPI sobre mercadorias destinadas a consumo e ativo imobilizado ambos devem ser estornados, sendo passível de ressarcimento o saldo credor que resultar do acerto.
Numero da decisão: 3803-004.153
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
[assinado digitalmente]
Belchior Melo de Sousa Presidente em exercício.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Paulo Guilherme Deroulede, Hélcio Lafetá Reis, Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 RESSARCIMENTO. IPI. DÉBITOS E CRÉDITOS. ESCRITURAÇÃO INDEVIDA. ESTORNO. Constatada a escrituração indevida de débitos e créditos de IPI sobre mercadorias destinadas a consumo e ativo imobilizado ambos devem ser estornados, sendo passível de ressarcimento o saldo credor que resultar do acerto.
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IPI. DÉBITOS E CRÉDITOS. ESCRITURAÇÃO INDEVIDA. ESTORNO. Constatada a escrituração indevida de débitos e créditos de IPI sobre mercadorias destinadas a consumo e ativo imobilizado ambos devem ser estornados, sendo passível de ressarcimento o saldo credor que resultar do acerto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. [assinado digitalmente] Belchior Melo de Sousa – Presidente em exercício. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Paulo Guilherme Deroulede, Hélcio Lafetá Reis, Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 13 95 /2 00 6- 28 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA 2 Tratase de PER/DCOMP transmitida em 10/09/2003, que buscou compensar créditos de IPI provenientes de devolução de produtos de competência do 2o trimestre de 2003, com débitos de CSLL de período de apuração junho de 2003 no valor de R$ 6.988,93. Através de despacho decisório a DRF em Blumenau/SC homologou parcialmente o pedido apresentado glosando os valores considerados indevidos com a seguinte fundamentação: Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e periodo de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 6.988,93 Valor do crédito reconhecido: R$ 2.118,94 O valor do crédito reconhecido rol inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): • Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos. Constatação de que o saldo credor passivel de ressarcimento é Inferior ao valor pleiteado. O crédito reconhecido rol insuficiente para compensar Integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP. Irresignada o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde resumidamente alega que: Ao emitir as notas de devolução dos produtos a impugnante teve que destacar o valor do IPI na nota fiscal, gerando débitos em sua conta gráfica. Os créditos referidos encontramse devidamente destacados nas páginas 56 a 61 da declaração de compensação. A impugnante também efetuou o necessário registro dos aludidos créditos no Livro de Registro de Apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados (RAIPI), conforme provam as inclusas cópias do livro referido. Ao final requer a reforma parcial do despacho decisório a fim de ter reconhecido todos os créditos apontados. A DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Em seu acórdão alega que o direito de aproveitamento do saldo credor de IPI decorre somente de aquisições, pelo contribuinte do imposto, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, segundo a Lei no 9.779/99. Inconformado o sujeito passivo protocolou Recurso Voluntario a esta turma julgadora onde, resumidamente, alega que: A decisão de primeira instancia está em desacordo com legislação vigente. A DRJ de origem não enfrentou o mérito, que trata de devolução de produtos, e se ateve a afirmar que o ressarcimento neste caso era impossível. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA Processo nº 13971.901395/200628 Acórdão n.º 3803004.153 S3TE03 Fl. 242 3 Não se trata da aplicação ou não da Lei no 9.779/99 Os créditos não foram apropriados pela recorrente na entrada dos produtos, assim, ao emitir as notas de saída(devolução) o sujeito passivo acabou por gerar débitos indevidos. Ao final requer a homologação integral do PER/DCOMP apresentado. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Analisando os autos percebese que a fundamentação do acórdão da DRJ está equivocado ao invocar o artigo 11 da Lei nº 9.779/99 que assim se expressa: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Não se trata de saldo credor de IPI de determinado período, uma vez que este fora estornado pela fiscalização, mas sim, de valores indevidamente informados a débito na escrita fiscal do contribuinte, portanto, submetido ao disposto no artigo 74 da Lei 9.430/96 que dispõe acerca das compensações possíveis, nos seguintes termos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Grifamos. O que se verifica neste processo é que ao emitir as Notas Fiscais de devolução, com débito de IPI, o contribuinte registrou em sua escrita fiscal, extemporâneamente, crédito equivalente a fim de neutralizar o valor do débito indevido, registrandoos no RIPI como outras entradas e fazendo concomitantemente o registro do crédito e do débito. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA 4 No procedimento fiscal realizado os créditos foram excluídos por falta de previsão legal para sua constituição e os débitos mantidos, o que reduziu o saldo credor apurado pelo contribuinte no período em comento. Observase às fls. 74 e 75 que os valores dos créditos excluídos coincidem com os valores dos débitos mantidos na escrita fiscal, senão vejamos: Deduzindo o total dos valores consignados às Fl. 74. Coluna Débitos Ajustados (m) que totaliza R$ 117.113,08 do total dos valores consignados às Fl. 75, Coluna Saldo Devedor (l) que totaliza R$ 106.740,95 chegamos ao resultado de R$ 10.372,13, deduzindo deste resultado o saldo credor apurado no mês de abril no RIPI (Fl. 165) de R$ 5.376,74, chegase à diferença de R$ 4.869,99, que somada ao valor do crédito reconhecido de R$ 2.118,94, chegamos, finalmente, ao valor de R$ 6.988,93 objeto do crédito pretendido pelo contribuinte. Se o crédito fora registrado indevidamente por falta de previsão legal de creditamento de IPI na aquisição de mercadorias para consumo e para o ativo imobilizado, por outro lado, o débito também era indevido por falta de previsão legal de incidência de IPI na devolução das mesmas mercadorias que, indevidamente, tiveram os seus créditos de IPI registrados no RIPI. Bastava que o fisco estornasse tanto o valor de crédito, que fez, como o valor do débito, que não fez, e chegarseia ao mesmo resultado, qual seja, o crédito a favor do contribuinte de R$ 6.988,93. Para comprovar o que efetivamente ocorreu, o contribuinte colacionou aos autos a PER/DCOMP com detalhamento de todos os débitos e créditos de IPI do período, escrita fiscal representada pelo RIPI e ainda as Notas Fiscais de entradas e devoluções dos produtos objeto desta discussão, portanto, elementos suficientes para que a apuração dos seus créditos seja averiguada. Pelo exposto voto pelo PROVIMENTO do recurso. É como voto. Sala das sessões, 25 de abril de 2013. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 244DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 10909.003448/2010-95
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 08/09/2005 a 20/05/2010
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO. COFINS-IMPORTAÇÃO. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DESTINAÇÃO.
Para fruição da redução, há necessidade de comprovação da destinação de mercadorias importadas com a alíquota zero de que trata o inciso II do § 11 do art. 8o da Lei no 10.865/2004, quando solicitada pela fiscalização aduaneira.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, ainda que haja repercussão geral reconhecida e julgamento não definitivo pelo pleno do STF.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre multa de lançamento de ofício.
Numero da decisão: 3403-002.908
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: 1) por unanimidade de votos, afastaram-se os lançamentos efetuados em relação às DI no 09/10280210, no 09/02811520 e no 09/01076680 e retirou-se da base de cálculo das contribuições lançadas na autuação o ICMS e o valor das próprias contribuições, em obediência estrita ao teor da decisão judicial transitada em julgado, para os períodos por ela resguardados, conforme detalhado no voto; 2) por maioria de votos, afastou-se a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern; e 3) pelo voto de qualidade, considerou-se necessária a comprovação da destinação dos produtos importados com redução de alíquota, vencidos os Conselheiros Adriana Ribeiro, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti, que entenderam que a existência de registro na ANVISA torna desnecessária tal comprovação. O Conselheiro Ivan Allegretti apresentou declaração de voto. A Conselheira Adriana Ribeiro participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Domingos de Sá Filho. Sustentou pela recorrente o Dr. Alexandre Dalla Vechia, OAB/PR no 27.170.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Adriana Oliveira Ribeiro (suplente) e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 08/09/2005 a 20/05/2010 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO. COFINS-IMPORTAÇÃO. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DESTINAÇÃO. Para fruição da redução, há necessidade de comprovação da destinação de mercadorias importadas com a alíquota zero de que trata o inciso II do § 11 do art. 8o da Lei no 10.865/2004, quando solicitada pela fiscalização aduaneira. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, ainda que haja repercussão geral reconhecida e julgamento não definitivo pelo pleno do STF. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre multa de lançamento de ofício.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: 1) por unanimidade de votos, afastaram-se os lançamentos efetuados em relação às DI no 09/10280210, no 09/02811520 e no 09/01076680 e retirou-se da base de cálculo das contribuições lançadas na autuação o ICMS e o valor das próprias contribuições, em obediência estrita ao teor da decisão judicial transitada em julgado, para os períodos por ela resguardados, conforme detalhado no voto; 2) por maioria de votos, afastou-se a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern; e 3) pelo voto de qualidade, considerou-se necessária a comprovação da destinação dos produtos importados com redução de alíquota, vencidos os Conselheiros Adriana Ribeiro, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti, que entenderam que a existência de registro na ANVISA torna desnecessária tal comprovação. O Conselheiro Ivan Allegretti apresentou declaração de voto. A Conselheira Adriana Ribeiro participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Domingos de Sá Filho. Sustentou pela recorrente o Dr. Alexandre Dalla Vechia, OAB/PR no 27.170. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Adriana Oliveira Ribeiro (suplente) e Luiz Rogério Sawaya Batista.
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Recorrente EMBRAMAC EMPRESA BRASILEIRA DE MATERIAIS CIRÚRGICOS INDÚSTRIA E COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/09/2005 a 20/05/2010 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA DO DÉBITO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 17/CARF. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MATÉRIA DISCUTIDA JUDICIALMENTE. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA 1/CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre multa de lançamento de ofício. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 08/09/2005 a 20/05/2010 DILIGÊNCIA. RELATÓRIO INEXISTENTE. DESNECESSIDADE DE CIÊNCIA. É desnecessária a ciência de diligência que não tenha culminado na emissão de relatório, mormente no caso em que a ausência de relatório, por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 34 48 /2 01 0- 95 Fl. 7562DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 12/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI 2 impossibilidade de atendimento, se deva especificamente à negativa de apresentação de documentos pelo sujeito passivo. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, ainda que haja repercussão geral reconhecida e julgamento não definitivo pelo pleno do STF. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 08/09/2005 a 20/05/2010 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. COFINS IMPORTAÇÃO. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DESTINAÇÃO. Para fruição da redução, há necessidade de comprovação da destinação de mercadorias importadas com a alíquota zero de que trata o inciso II do § 11 do art. 8o da Lei no 10.865/2004, quando solicitada pela fiscalização aduaneira. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: 1) por unanimidade de votos, afastaramse os lançamentos efetuados em relação às DI no 09/10280210, no 09/02811520 e no 09/01076680 e retirouse da base de cálculo das contribuições lançadas na autuação o ICMS e o valor das próprias contribuições, em obediência estrita ao teor da decisão judicial transitada em julgado, para os períodos por ela resguardados, conforme detalhado no voto; 2) por maioria de votos, afastouse a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern; e 3) pelo voto de qualidade, considerouse necessária a comprovação da destinação dos produtos importados com redução de alíquota, vencidos os Conselheiros Adriana Ribeiro, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti, que entenderam que a existência de registro na ANVISA torna desnecessária tal comprovação. O Conselheiro Ivan Allegretti apresentou declaração de voto. A Conselheira Adriana Ribeiro participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Domingos de Sá Filho. Sustentou pela recorrente o Dr. Alexandre Dalla Vechia, OAB/PR no 27.170. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Adriana Oliveira Ribeiro (suplente) e Luiz Rogério Sawaya Batista. Fl. 7563DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 12/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10909.003448/201095 Acórdão n.º 3403002.908 S3C4T3 Fl. 7.563 3 Relatório Versa o presente sobre auto de infração lavrado em 13/9/2010 (fls. 300 a 3441), para exigência de Contribuição para o PIS/Pasepimportação e COFINSimportação, referentes a importações de mercadorias com indicação de amparo no inciso II do § 11 do art. 8o da Lei no 10.865/2004, que autoriza o Poder Executivo a reduzir a zero as alíquotas no caso de: “produtos destinados ao uso em hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo Poder Público e laboratórios de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas, classificados nas posições 3002, 3006, 3926, 4015 e 9018 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM)”2. Na autuação informase que: (a) a empresa registrou no período de 8/9/2005 a 20/5/2010 mais de trezentas declarações de importação (detalhadas na autuação) como importação própria (declarandose como importadora e adquirente) de mercadorias classificadas nas posições 3926, 4015 e 9018 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), valendose da redução da Contribuição para o PIS/Pasepimportação e da COFINSimportação previstas no inciso II do § 11 do art. 8o da Lei no 10.865/2004; (b) a recorrente foi intimada, mas negouse a informar a destinação dada às importações, e as empresas adquirentes das mercadorias importadas, para verificação do efetivo emprego das finalidades que motivaram o benefício da redução (fls. 367 a 369); (c) o ônus de provar que os bens importados foram efetivamente empregados nas finalidades motivadoras da isenção/redução é do contribuinte, cf. Lei no 10.865/2004 (art. 11), CTN (art. 111), Decretolei no 37/1966 (art. 12), Lei no 4.502/1964 (art. 9), Lei no 11.945/2009 (art. 22), e jurisprudência deste CARF; (d) as mercadorias importadas ao amparo das declarações de importação (DI) no 09/10280210, no 09/02811520 e no 09/01076680 apresentam classificações fiscais que não constam dos decretos reguladores da redução; (e) o importador relacionou no campo “aplicação” da DI a modalidade “consumo”, e não “revenda” em várias declarações de importação (15 declarações relacionadas à fl. 319), e a importadora não é hospital, clínica, consultório nem laboratório, nos termos da Lei reguladora da redução; (f) nas DIPJ da empresa importadora consultadas em sistemas da RFB, apurouse que a ficha 25 (Destinatários de produtos mercadoriasinsumos) não foi preenchida; (g) consultandose nos cadastros da RFB as informações prestadas por empresas que declararam ter adquirido produtos da recorrente, não se identificou nenhuma que apresentasse características de ser hospital, clínica, consultório ou laboratório (lista às fls. 321 e 322); e (h) os valores que não fazem jus à redução devem ser acrescidos multa de ofício (Lei no 9.430/96, art. 44) e juros de mora (Lei no 9.430/96, art. 61). Cientificada da autuação em 21/9/2010 (fl. 298), a recorrente apresenta impugnação em 20/10/2010 (fls. 402 a 430), argumentando que: (a) se dedica à exploração das atividades de indústria, comércio, importação e exportação de produtos médicos, cirúrgicos, hospitalares descartáveis e equipamentos de proteção individual; (b) foi cientificada do início das fiscalizações em 18/6/2010, tendo sido intimada a apresentar em 20 dias a via original e cópia autenticada das notas fiscais de entrada e saída das importações relacionadas pela 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). 2 Este texto corresponde à redação dada pela Lei n. 11.196, de 21112005. A redação original dispunha: "produtos destinados ao uso em laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas classificados nas posições 3002, 3006, 3926, 4015 e 9018 da NCM". Fl. 7564DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 12/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI 4 fiscalização, acompanhadas de planilha que as relacionassem individualmente às importações; (c) diante do grande volume de informações, e considerando que a recorrente, à época, estava a sendo fiscalizada pela Receita Estadual em São Paulo, solicitouse prorrogação por mais 20 dias, sendo atendido o pedido; (d) requerida nova prorrogação de prazo para entrega dos documentos, face ao grande volume de trabalho, houve indeferimento; (e) buscando atender às exigências, a recorrente enviou as notas fiscais, informando que não apresentava a planilha solicitada por desconhecer a base legal para sua exigência; (f) a autoridade recusouse a receber as notas fiscais (que estavam em aproximadamente 30 caixas de papelão, contendo mais de 50.000 notas fiscais), argumentando que tais documentos seriam apenas para atestar a veracidade das informações a serem prestadas pela empresa na planilha solicitada; (g) as exigências efetuadas pela autoridade contrariam o princípio da razoabilidade; (h) houve erro na identificação do sujeito passivo (matriz da empresa), visto que as importações foram efetuadas pela filial; (i) houve decadência em relação à DI no 05/09640650, registrada em 8/9/2005, pois a lavratura da autuação ocorreu em 21/9/2010; (j) a fiscalização equivocadamente associou as importações efetuadas pela recorrente com alíquota zero à legislação que trata de isenções; (k) a condição de comprovar o efetivo emprego dos bens importados constitui requisito para a fruição da isenção referida na Lei no 10.865/2004, e não da alíquota zero; (l) a redução de alíquota (a exemplo de outras) se refere ao produto, e não ao seu efetivo emprego (ou à qualidade do importador), pois pela própria natureza dos produtos (todos registrados na ANVISA) percebese que serão destinados a hospitais, clínicas, consultórios ou laboratórios; (m) a recorrente efetuou inúmeras vendas de materiais importados sujeitos a alíquota zero de Contribuição para o PIS/Pasep importação e de COFINSimportação diretamente para hospitais e clínicas de saúde, como comprovam as 2900 notas fiscais anexadas à impugnação, e demonstrativos com a relação de notas fiscais de vendas de mercadorias importadas mediante as DI no 05/09640650, no 05/117404733, no 06/06242435 e no 06/08044550; (n) ainda que fossem devidas as contribuições, a base de cálculo está equivocada, pois se inclui o ICMS, em flagrante ofensa ao conceito de valor aduaneiro; (o) a autoridade autuante deixou de considerar comprovantes de pagamento apresentados para as DI no 09/10280210, no 09/02811520 e no 09/01076680; (p) a indicação da modalidade “consumo” ao invés de “revenda” nas DI relacionadas na autuação se refere a erro de fato por parte do despachante aduaneiro da recorrente, que será objeto de declarações retificadoras, para sanar a inconsistência; e (q) não há respaldo no ordenamento jurídico brasileiro para a aplicação de acréscimos moratórios sobre multa de ofício. Por fim, a recorrente solicita a conversão do processo em diligência, no que é atendida (fls. 761 e 762). Na decisão, a DRJ/Florianópolis reenvia o processo à DRF/Itajaí para que esta intime a recorrente a apresentar em 30 dias a documentação comprobatória da destinação das mercadorias, segregada por Declaração de Importação (DI), conforme a planilha inicialmente demandada pela autoridade aduaneira. A intimação é efetuada, na forma e com o conteúdo estabelecido pela DRJ, em 21/6/2011 (fls. 764 a 766), cientificandose a recorrente em 30/6/2011 (fl. 766). Como resposta, em 1/8/2011 (fls. 781 a 783), a recorrente reitera que a planilha que individualiza a destinação por declaração de importação não encontra respaldo na legislação que rege a matéria, e afirma que a alíquota zero, no caso, não está condicionada ao efetivo emprego dos produtos nas atividades descritas na Lei. Ainda em resposta à intimação, a recorrente alega apresentar, por amostragem, demonstrativos referentes a 13 das 308 declarações de importação. Em 29/8/2011 (fl. 919), a DRF/Itajaí reenvia os autos à DRJ/Florianópolis, tendo em vista o não atendimento da intimação fiscal. A recorrente, em 17/11/2011 (fls. 7350 e 7351), peticiona à DRJ no sentido de devolução dos autos à origem para sua ciência. A decisão de primeira instância é proferida em 24/10/2011 (fls. 7369 a 7386), no sentido de que: (a) a redução de alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasepimportação e Fl. 7565DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 12/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10909.003448/201095 Acórdão n.º 3403002.908 S3C4T3 Fl. 7.564 5 da COFINSimportação para o período em análise é restrita aos produtos destinados ao uso em hospitais clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo Poder Público e laboratórios de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas, e somente para os produtos classificados nas NCM referidas na Lei e constantes do anexo do decreto regulamentar; (b) as três declarações (DI no 09/10280210, no 09/02811520 e no 09/01076680) para as quais a fiscalização constatou não estarem os produtos referidos no anexo do decreto regulamentar não foram contestadas na impugnação, pelo que se considerou procedente o lançamento em virtude de ausência de litígio (em tópico mais adiante da decisão, o julgador a quo voltaria a tratar destas 3 DI, agora no que se refere à alegada comprovação de pagamento pela recorrente, efetuada com menção a mandado de segurança, concluindose que a opção pela via judicial em relação a tais declarações obstaria o prosseguimento da análise no contencioso administrativo); (c) em relação às demais declarações, mesmo depois de intimada por solicitação do órgão julgador a prestar esclarecimentos sobre a destinação das mercadorias detalhadamente, a recorrente recusouse a prestar as informações solicitadas, ao argumento de que não havia supedâneo legal para a exigência; (d) a recorrente limitouse a apresentar planilhas por amostragem, desacompanhadas dos documentos nas quais se teria baseado, o mesmo ocorrendo com a planilha apresentada para defender que as mercadorias declaradas como sendo “para consumo” teriam sido revendidas; (e) não houve comprovação da destinação das mercadorias importadas com redução de alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasepimportação e da COFINSimportação; (f) a especificação das instituições a que se destinam os produtos importados passíveis de terem as alíquotas reduzidas tem o caráter de limitar a destinação unicamente às instituições ali dispostas (se assim não o fosse, a alteração do texto normativo tãosomente para acrescer destinatários, efetuada pela Lei no 11.196/2005, seria totalmente desnecessária); (g) cumpre ao importador que pleiteou a redução de alíquotas comprovar posteriormente, quando intimado, a correta destinação das mercadorias; (h) a alegação de que houve confusão entre os institutos de isenção e alíquota zero por parte da autoridade fiscal em nada altera a conclusão de que a redução de alíquotas foi indevida, porque não comprovada a destinação das mercadorias; (i) as notas fiscais e demais documentos acostados na impugnação não permitem verificar a veracidade das alegações, notadamente por não permitirem se correlacionar as cópias das notas fiscais com as DI referidas na autuação (uma planilha, como a solicitada à recorrente, que negouse a fornecêla, poderia auxiliar na identificação de tal correlação individualizada); (j) em análise das declarações fiscais da recorrente, e das empresas que declaram dela ter adquirido mercadorias, não há indicação de que as mercadorias importadas com redução de alíquota tenham sido destinadas às instituições mencionadas na Lei; (k) em relação à base de cálculo das contribuições, a atividade de lançamento é vinculada, e o montante lançado corresponde ao especificado no art. 7o da Lei no 10.865/2004; (l) no que se refere à alegação de erro na eleição do sujeito passivo, por ter sido autuada a matriz (e não a filial), esclarecese que não há incorreção no procedimento fiscal, alicerçandose em decisão desta corte administrativa; (m) sobre a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, também escorreito o procedimento fiscal, que se socorre no art. 748 do Regulamento Aduaneiro (todavia, verificase no demonstrativo de multa e juros de mora do presente processo que não houve lançamento de juros de mora sobre a multa de ofício, pelo que não há litígio sobre a matéria, descabendo manifestação do julgador sobre o tema); e (n) assiste razão à impugnante no que se refere à decadência na DI no 05/09640650, registrada em 08/09/2005, pois a ciência da autuação ocorreu em 21/09/2010, pelo que se considerou procedente em parte o lançamento, para excluir os valores referentes a tal DI. Fl. 7566DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 12/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI 6 Cientificada da decisão de piso em 26/12/2011 (AR às fls. 7403), a recorrente apresenta em 25/1/2012 (fls. 7404 a 7439) Recurso Voluntário, no qual reitera as argumentações anteriormente externadas, afirmando que: (a) a decisão da DRJ é nula, por cerceamento de defesa, porque pleiteada pela empresa a diligência em seu estabelecimento, para que a autoridade administrativa examinasse todos os livros e documentos fiscais relativos ao período fiscalizado, e efetuados dois quesitos, o órgão julgador a quo determinou que a empresa fosse cientificada dos resultados, o que não ocorreu (mesmo diante de petição da empresa, efetuada depois do reenvio pósdiligência do processo à DRJ, para julgamento); (b) a decisão ofende o princípio da isonomia, por tratar de forma diferente tema já julgado pela mesma turma no Acórdão no 0724480, de 20/05/2011; (c) há ofensa ao princípio da razoabilidade, pois a interessada não se recusou a apresentar a planilha solicitada, apenas respondendo que desconhecia a base legal para apresentála (a fiscalização praticamente transferiu o dever de fiscalizar à recorrente), e ao princípio da legalidade (pois a exigência da planilha não encontra respaldo em lei); (d) a confusão entre os institutos de alíquota zero e isenção não pode ser tratada como irrelevante, pois foram exigidos da recorrente requisitos que só existem para a isenção (comprovação do efetivo emprego), quando a operação realizada foi com alíquota zero (tais requisitos seriam estendidos para a alíquota zero somente pelo art. 22 da Lei no 11.945/2009, que não pode retroagir); (e) a aplicação de alíquota zero é em relação à especificidade do produto (o que se pode verificar pelo registro na ANVISA) e não ao efetivo emprego (tivesse o legislador a preocupação com o efetivo emprego, restringiria a importação diretamente a hospitais, ...); (f) o órgão julgador foi conivente com a postura cômoda da fiscalização, ao delegar suas atribuições à recorrente, e não aceitar as notas fiscais acostadas à impugnação sob a alegação de que não se pode afirmar sua relação com as declarações de importação objeto de análise; (g) a base de cálculo adotada para a Contribuição para o PIS/Pasepimportação e a COFINSimportação não corresponde à constante nos arts. 75 a 83 do Regulamento Aduaneiro; (h) não poderiam ter sido cobrados os valores referentes às 3 DI com tributos já pagos por força de decisão judicial, nem multa de ofício; (i) nas DI registradas “para consumo” houve erro de fato, e já se está providenciando a retificação; e (j) há impossibilidade de aplicação da taxa SELIC sobre multa de ofício. Em 18/7/2012, a recorrente apresenta em sessão deste CARF expediente no qual solicita o adiamento do julgamento (deferido) e apresenta documentos novos que indica ampararem a tese de improcedência da exigência fiscal. Os documentos novos compreendidos no expediente são o Acórdão no 3201000.835, da 1a Turma da 2a Câmara da 3a Seção do CARF, acórdãos do TRF4 e do TRF5, e a Solução de Consulta COSIT no 3, de 13/6/2012. Em 26/09/2012, esta turma unanimemente decide sobrestar o julgamento do recurso voluntário (pela Resolução no 3403000.379), tendo em vista a reconhecida repercussão geral no RE no 559.607/SC, e o disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256/2009 (com a redação dada pela Portaria MF no 586/2010), no que se refere à base de cálculo das contribuições devidas na importação. Com o advento da Portaria MF no 545, de 18/11/2013, que revogou os §§ 1o e 2o do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, o presente processo volta a ser distribuído, para apreciação pelo colegiado, independente da decisão definitiva a ser proferida pelo STF no RE no 559.607/SC. É o relatório. Fl. 7567DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 12/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10909.003448/201095 Acórdão n.º 3403002.908 S3C4T3 Fl. 7.565 7 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. No recurso, apontamse basicamente as seguintes argumentações, que serão objeto de análise individualizada a seguir: (a) possível nulidade de acórdão por cerceamento de defesa, em função de negativa de ciência em diligência; (b) possível ofensa ao princípio da isonomia, pelo julgamento diferenciado de acórdãos que tratam do mesmo tema; (c) (des)necessidade de comprovação da destinação de mercadorias importadas com a alíquota zero de que trata o inciso II do § 11 do art. 8o da Lei no 10.865/2004 (seja pela existência de registro dos produtos na ANVISA, ou pela diferenciação em relação à isenção); (d) possível ofensa aos princípios da razoabilidade e da legalidade, pela exigência de documento que gera demasiado ônus e sem amparo normativo; (e) (des)consideração pelo órgão julgador de documentos apresentados (notas fiscais e comprovantes de pagamento) e da existência de erro de fato em relação a DI registradas para “consumo” (ao invés de revenda); (f) (in)correção na base de cálculo adotada, no que se refere ao conceito de valor aduaneiro; e (g) (im)possibilidade de aplicação da taxa SELIC sobre multa de ofício. Da preliminar de nulidade, por cerceamento de defesa Alega a recorrente que a decisão do tribunal a quo é nula, por cerceamento do direito de defesa, tendo em vista que não houve ciência do resultado da diligência solicitada. Pleiteada pela empresa a diligência em seu estabelecimento, para que a autoridade administrativa examinasse todos os livros e documentos fiscais relativos ao período fiscalizado, e efetuados dois quesitos, o órgão julgador a quo determinou que a empresa fosse cientificada dos resultados, o que não ocorreu (mesmo diante de petição da empresa, efetuada depois do reenvio pósdiligência do processo à DRJ, para julgamento). Os dois quesitos a que se refere a empresa são: a) se foram efetuadas vendas a hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo Poder Público e laboratórios de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas; e b) se a atividade exercida pela recorrente é compatível com a possibilidade de “consumo”, na própria empresa, dos produtos importados mediante as declarações de importação que indicaram importações para consumo, descritas na autuação. A decisão de primeira instância, por sua vez, determinou que: a) a recorrente fosse intimada a apresentar a planilha solicitada na autuação, demonstrando o destino dado às mercadorias importadas, segregando por declaração de importação, e instruindo com os documentos comprobatórios; b) fosse analisada a planilha com os dados informados pela recorrente e elaborado relatório conclusivo sobre as mercadorias destinadas indevidamente; c) fossem respondidos os dois quesitos formulados pela recorrente; e d) a recorrente fosse cientificada do relatório com a análise efetuada, bem como das respostas aos quesitos formulados. No entanto, ao ser intimada a apresentar a documentação a que se refere o julgador a quo, para cumprimento da diligência, a recorrente novamente se negou a Fl. 7568DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 12/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI 8 individualizar as destinações por declaração de importação, alegando que a exigência não encontra respaldo na legislação (em que pese indicar Notas Fiscais, por amostragem, para algumas declarações de importação, sem anexar os documentos correspondentes, que possibilitariam a totalização por quantidade em cotejamento com as referidas declarações). Assim, restou inviabilizada a diligência solicitada, o que levou a fiscalização aduaneira a simplesmente devolver os autos à DRJ, sem o atendimento dos itens “b” (elaboração de relatório), “c” (resposta aos quesitos) e “d” (ciência do relatório)do parágrafo anterior. Descabe, assim, falarse em nulidade por falta de ciência, visto que inexistiu o próprio relatório que deveria ser apresentado para ciência da recorrente, pela ausência de informações que possibilitassem sua elaboração, ausência esta motivada pela negativa de prestação de informações por parte da própria recorrente. Não se apresenta, assim, a alegada afronta ao parágrafo único do art. 35, ou ao art. 36, § 3o do Decreto no 7.574/2011. Vejase o que estabelecem os dispositivos: “Art. 35. ... Parágrafo único. O sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização de diligências e perícias, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese na qual deverá ser concedido prazo de trinta dias para manifestação. Art. 36. ... ... §3o Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusarse de cumprilas.”(grifos nossos) Vejase que a diligência não culminou em novos elementos ao processo, e não foi concluída por ausência de prestação de informações pela própria recorrente (informações estas solicitadas a pedido expresso do julgador que deferiu a diligência). Assim, não se vislumbra mácula processual nesse aspecto. Da alegada ofensa ao princípio da isonomia Informa a recorrente que as razões alegadas pelo tribunal a quo para o julgamento do presente processo são completamente distintas das utilizadas em processo que trata de situação de fato e de direito idêntica. Sobre o julgado exposto como contraponto, que é exatamente o que gerou o acórdão recente (no 3201000.835) deste CARF trazido adicionalmente aos autos pela recorrente, tratarseá em tópico específico deste voto (item seguinte, sobre a destinação das mercadorias). De qualquer sorte, a existência de julgados conflitantes no mérito, seja na via administrativa ou na judicial, seja no mesmo tribunal ou em tribunais diferentes, é elemento integrante do próprio direito, na busca perene pela melhor solução à lide, e não tem o condão de viciar esta ou aquela decisão. A jurisprudência se encarrega de, dinamicamente, dar a maturidade necessária aos temas. Fl. 7569DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 12/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10909.003448/201095 Acórdão n.º 3403002.908 S3C4T3 Fl. 7.566 9 Havendo desconformidade entre decisões, incumbe aos órgãos julgadores de instância superior apresentar posicionamentos com maior grau de definitividade, posicionamentos estes que possivelmente nortearão futuras decisões dos julgadores de primeira instância. Não há que se falar, assim, em violação ao princípio da isonomia, que, de forma alguma, cerceia ou tolhe a liberdade do julgador em examinar sob novas perspectivas, à luz de outros julgados acordantes e discordantes, o litígio. Da (des)necessidade de comprovação da destinação das mercadorias importadas ao amparo do inciso II do § 11 do art. 8o da Lei no 10.865/2004 A recorrente sustenta que não há necessidade de comprovação da destinação de mercadorias importadas com a alíquota zero de que trata o inciso II do § 11 do art. 8o da Lei no 10.865/2004, seja pela diferenciação em relação à isenção, seja pela existência de registro dos produtos na ANVISA. Vejase, inicialmente, o que dispunha e o que dispõe atualmente o referido dispositivo (§ 11, II): “§ 11. Fica o Poder Executivo autorizado a reduzir a 0 (zero) e a restabelecer as alíquotas do PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação, incidentes sobre: (...) II produtos destinados ao uso em laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas classificados nas posições 30.02, 30.06, 39.26, 40.15 e 90.18 da NCM.(redação original) II produtos destinados ao uso em hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo Poder Público e laboratórios de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas, classificados nas posições 30.02, 30.06, 39.26, 40.15 e 90.18 da NCM. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005)” (grifos nossos) Preliminarmente, a leitura dos dispositivos aponta inegavelmente para uma redução de alíquotas vinculada a uma destinação. Se a destinação fosse irrelevante, não faria sentido o legislador têla estabelecido, e muito menos alterado o texto legal, visto que as posições tarifárias em uma e outra redação são as mesmas. Entretanto, a nosso ver, é na análise do texto dos decretos que regulamentam a redução de alíquota que surgem as divergências de substância entre o posicionamento adotado na autuação e aquele externado pela recorrente. O Decreto no 5.127, de 05/07/2004 (efeitos de 01/05/2004 a 29/06/2006) disciplinou a redução a zero autorizada pela lei, reproduzindo o texto legal, e limitando sua aplicação a códigos tarifários específicos de quatro das cinco posições relacionadas na lei (a posição 40.15 foi integralmente mantida). O título do Anexo (II) é “produtos para uso em laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas”. Fl. 7570DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 12/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI 10 O Decreto no 5.821, de 29/06/2006 (efeitos de 30/06/2006 a 07/04/2008) estendeu a redução de alíquotas a zero para COFINS em vendas no mercado interno, alteração que foi expressamente revogada pelo Decreto no 6.337, de 31/12/2007, que acolheu ainda as alterações promovidas pela Lei no 11.196, de 21/11/2005. O título do Anexo é “produtos para uso em laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas e em hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos e em campanhas de saúde realizadas pelo Poder Público”. Por fim, o Decreto no 6.426, de 07/04/2008 (efeitos a partir de 08/04/2008) manteve a redação do decreto anterior, com pequenas alterações na lista de códigos tarifários constante em seu Anexo, com título idêntico ao do decreto regulamentar anterior. Assim, revelase a substância do entendimento da recorrente, de que as listas específicas dispensariam a necessidade de comprovação posterior da destinação, por já se entender como intrínseca ao produto (supedaneada ainda na existência de registro dos produtos na ANVISA); em confronto com a posição do fisco, de que as listas apenas especificariam os produtos, não podendo excepcionar a regra estabelecida na lei de destinação nas finalidades legalmente estabelecidas. Comprovase destarte uma real divergência nestes autos quanto à necessidade de comprovação da efetiva destinação dos bens para gozo da alíquota zero. No entanto, há que se expurgar das discussões a seguir, desde já, um ponto incontroverso: a necessidade de o importador ser um hospital, clínica, consultório médico, etc. Salta aos olhos da leitura dos citados textos normativos que a importadora não necessita ser a consumidora final do produto para que seja aplicável a alíquota zero. A própria autuação, quando se refere ao fato de não ser a recorrente uma instituição relacionada no inciso II do § 11 do art. 8o da Lei no 10.865/2004, o faz em relação às declarações de importação preenchidas (erroneamente, segundo a recorrente) com a indicação de “consumo”. Qualquer que seja o posicionamento considerado (seja o da DRJ no presente processo, seja o da DRJ e o do CARF no processo referido no Acórdão no 3201000.835, trazido aos autos pela recorrente, ou ainda seja o da COSIT, na Solução de Consulta no 3, de 06/06/2012, ou mesmo o da autuação, se analisada sistematicamente), caminhase em uma única direção, para conclusão com a qual acordamos integralmente: as reduções a zero das alíquotas da contribuição para o PIS/Pasepimportação e da CofinsImportação previstas no inciso II do § 11 do art. 8o da Lei no 10.865/2004 e em seus decretos regulamentadores são aplicáveis também às importações realizadas por pessoas jurídicas que exercem atividade comercial. Esclarecido esse primeiro ponto, partese para o que denominamos de real divergência: a necessidade ou não de comprovação (posterior, porque, por óbvio, antes do desembaraço não há que se falar em comprovação, mas tãosomente em adequação à lista estabelecida no decreto regulamentar) de uma das destinações estabelecidas na lei. Como já expusemos preliminarmente, se o legislador não desejasse vincular a redução de alíquota a uma destinação, não a estabeleceria em lei. E, certamente, não alteraria a lei acrescentando outras destinações para os mesmos produtos. Veja que se entendêssemos que a única regra para a redução de alíquota é enquadrarse o produto nas posições 30.02, 30.06, 39.26, 40.15 e 90.18 da NCM (ou seu detalhamento em Decreto), não faria nenhum sentido o legislador ter alterado o inciso II do § 11 do art. 8o da Lei no 10.865/2004 apenas para acrescer novas destinações (hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos e Fl. 7571DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 12/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10909.003448/201095 Acórdão n.º 3403002.908 S3C4T3 Fl. 7.567 11 campanhas de saúde realizadas pelo Poder Público) às já existentes (laboratórios de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas). O que se afirma aqui, inequivocamente, é que até 21/11/2005 (data de publicação da Lei no 11.196/2005, que, em seu art. 44, inclui na lista de destinações passíveis de redução de alíquota os hospitais, as clínicas e os consultórios médicos e odontológicos, e as campanhas de saúde realizadas pelo Poder Público) as importações dos produtos classificados nas posições 30.02, 30.06, 39.26, 40.15 e 90.18 da NCM para destinação a hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, ou destinadas a campanhas de saúde realizadas pelo Poder Público, não eram beneficiadas com a redução de alíquota prevista em lei (sendo absolutamente irrelevante constarem os produtos na lista específica do decreto regulamentar ou serem registrados na ANVISA). Seriam as importações beneficiadas com a redução de alíquotas apenas se destinadas a laboratórios de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas. Esse era o texto original da Lei, ao qual devem obediência as normas de hierarquia inferior. Como explicar então que o registro da ANVISA e a referência expressa no Decreto seriam insuficientes para autorizar a redução a zero da alíquota? A resposta é de que nada adianta o cumprimento de tais requisitos se a mercadoria não se enquadra em uma das destinações previstas na Lei. Vejase que neste caso (até 21/11/2005) seria incabível afirmar que um produto constante do decreto regulamentar (Decreto no 5.127, de 05/07/2004) e registrado na ANVISA faz jus à redução de alíquota quando destinado, v.g., a um consultório odontológico (destinação não relacionada na lei). Da mesma forma, é incabível asseverar que um produto atualmente constante do decreto regulamentar (Decreto no 6.426, de 07/04/2008) e registrado na ANVISA faz jus à redução de alíquota quando destinado, v.g., a um salão de beleza ou cabeleireiro (destinações não relacionadas na lei). E é exatamente nesse sentido a Solução de Consulta recentemente externada pela COSIT (SC no 3, de 06/06/2012, cuja ementa se transcreve abaixo), que a empresa agrega aos autos após o Recurso Voluntário, afirmando corroborar seu entendimento: “EMENTA: As reduções a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o PIS/Pasep Importação previstas no inciso III do art. 1º do Decreto nº 6.426, de 7 de abril de 2008, são aplicáveis também nas vendas no mercado interno a pessoas jurídicas que exercem atividade comercial, e nas importações realizadas por estas pessoas jurídicas, exigindose, em qualquer hipótese, que seja dada aos produtos a destinação prevista no referido dispositivo, sob pena de tornaremse exigíveis as contribuições, acrescidas das penalidades legais cabíveis. As reduções a zero das alíquotas da Cofins e da Cofins Importação previstas no inciso III do art. 1º do Decreto nº 6.426, de 7 de abril de 2008, são aplicáveis também nas vendas no mercado interno a pessoas jurídicas que exercem atividade comercial, e nas importações realizadas por estas pessoas jurídicas, exigindose, em qualquer hipótese, que seja dada aos Fl. 7572DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 12/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI 12 produtos a destinação prevista no referido dispositivo, sob pena de tornaremse exigíveis as contribuições, acrescidas das penalidades legais cabíveis.”(grifos nossos) A nosso ver, há um excerto (item 21) do texto da referida Solução de Consulta que espelha de forma ainda mais cristalina o norte do entendimento exarado pela COSIT: “21. Indubitavelmente, o legislador privilegiou a destinação dos produtos listados como condição para aplicação da redução das alíquotas das contribuições em testilha, em detrimento da qualificação das pessoas jurídicas intervenientes.” (grifo existente no original) Comungamos de tal entendimento, rechaçando, pela lógica já exposta, o posicionamento de que bastaria registro na ANVISA, ou inclusão na relação infralegal, para que fosse garantida a redução de alíquota. Assim, divergimos, com a devida vênia, do entendimento exarado no acórdão no 3201000.835, exarado pela Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara desta Terceira Seção do CARF, que admitiu o registro na ANVISA como uma afirmação de que a característica intrínseca do produto (naquele caso, luvas de procedimento) seria suficiente para o atendimento da destinação prevista em Lei. Objetivamente falando, o registro na ANVISA constituise em requisito para importar e comercializar, e não em garantia de destinação. Vejase, v.g., que a luva de látex registrada na ANVISA e constante da lista do decreto regulamentar, poderia ser vendida a um salão de beleza ou cabeleireiro. Ou seja, o registro na ANVISA trata de uma etapa anterior à destinação, e por simples razão cronológica, não pode atestar o uso futuro. A Lei que fixou os parâmetros para a redução de alíquota (Lei no 10.865/2004) permitiu ao decreto regulamentar efetivar ou não tal redução, e limitála a determinados produtos dentro das posições NCM e das finalidades estabelecidas. Contudo, restou defeso ao decreto (ou a qualquer norma infralegal) alargar tanto as posições NCM quanto as finalidades referidas na lei (é exatamente por isso que na única ocasião em que se quis aumentar a abrangência da Lei em relação às destinações, deuse tal alargamento por outra lei Lei no 11.196/2005). Não pode, então, um comando infralegal, ou uma interpretação de comando infralegal, entender como dispensável o requisito estabelecido em lei (destinação). Assim, concluise pela necessidade de comprovação da destinação de mercadorias importadas com a alíquota zero de que trata o inciso II do § 11 do art. 8o da Lei no 10.865/2004, quando solicitada pela fiscalização aduaneira. Da “confusão” com o instituto da isenção e da redução de alíquota condicional Há ainda que se esclarecer a questão referente à “confusão” entre o instituto da isenção e a simples redução de alíquota, feita na autuação, que também motiva a recorrente a interpretar que a redução de alíquota não está vinculada à destinação. Em primeiro lugar, é de se destacar que o autuante distingue o instituto da isenção da simples alíquota zero, não se podendo falar propriamente em confusão, mas peca ao aplicar analógica e indiscriminadamente os atributos daquela (isenção) a esta (alíquota zero). Fl. 7573DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 12/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10909.003448/201095 Acórdão n.º 3403002.908 S3C4T3 Fl. 7.568 13 Vejase que o silêncio do art. 11 da Lei no 10.865/2004 (“a isenção das contribuições, quando vinculada à destinação dos bens, ficará condicionada à comprovação posterior do seu efetivo emprego nas finalidades que motivaram a concessão”) sobre a alíquota zero vinculada à destinação não pode ensejar a conclusão de que fica dispensada qualquer comprovação. Por óbvio, a Lei deve ser interpretada em seu conjunto/sistema: de que adiantaria vincular a redução de alíquota a uma destinação se esta destinação não necessita ser posteriormente verificada? Quando o legislador vincula a alíquota zero à destinação, o faz com algum propósito. É absolutamente avesso ao direito (tomando de empréstimo a expressão que intitula a obra de Albert Camus3) entender que toda vez que o legislador estabelece uma redução de alíquota (como no caso em análise) condicionada ao cumprimento de requisitos (como a destinação), tem a obrigação de dizer também que tais requisitos, se descumpridos, ensejam a negativa da redução. Uma coisa decorre logicamente da outra. Se A (posterior destinação), então B (redução de alíquota). Inexistindo A, não há que se falar em B. Adicionese, a título ilustrativo, consideração em relação ao art. 22 da Lei no 11.945/2009 (que produz efeitos a partir de 16/12/2008, conforme art. 33, IV, “a” da Lei), também citado na peça recursal, e reproduzido abaixo: “Art. 22. Salvo disposição expressa em contrário, caso a não incidência, a isenção, a suspensão ou a redução das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins, da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação for condicionada à destinação do bem ou do serviço, e a este for dado destino diverso, ficará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento das contribuições e das penalidades cabíveis, como se a nãoincidência, a isenção, a suspensão ou a redução das alíquotas não existisse.”(grifo nosso) A norma não tem por objetivo introduzir no ordenamento jurídico a consequência pelo descumprimento da condição em relação à não incidência. Tal consequência decorre logicamente da Lei no 10.865/2004: se a alíquota zero é vinculada à destinação, a não destinação enseja a cobrança dos tributos correspondentes, pois a empresa não fez jus à redução de alíquota. E os tributos devem ser exigidos à data do fato gerador correspondente (data de registro da declaração de importação). A norma também não tem por objetivo introduzir no ordenamento jurídico a consequência pelo descumprimento da condição em relação à isenção, pois isso estava expressamente tratado no art. 11 da Lei no 10.865/2004, como já esclarecido. A finalidade do texto, que corresponde ao art. 14 da Medida Provisória no 451/2008, pode ser encontrada na própria exposição de motivos do ato: “10. O art. 14 determina que nas hipóteses de a nãoincidência, a isenção, a suspensão ou a redução das alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação for condicionada à destinação do bem ou do serviço, e a este for 3 CAMUS, Albert. O Avesso e o Direito. 3. ed. Trad. Valerie Rumjanek. Rio de Janeiro: Record, 1996. Apesar do nome, a obra publicada originalmente em 1937 não é jurídica, mas um conjunto de cinco peças: "A Ironia", "Entre o sim e o não", "Com a morte na alma", "Amor pela vida" e "O avesso do direito". Fl. 7574DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 12/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI 14 dado destino diverso, ficará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento das contribuições e das penalidades cabíveis, como se a nãoincidência, a isenção, a suspensão ou a redução das alíquotas não existisse, desonerando assim o fornecedor de tais bens e serviços.” (grifo nosso) Vejase que, ao contrário do que parece entender a recorrente, a norma veio para beneficiála, e não para prejudicála. A partir do art. 22 da Lei no 11.945/2009, a empresa importadora responde somente se ela própria der destinação diversa aos produtos, não mais se estendendo sua responsabilidade a etapas posteriores, nas quais as pessoas que dela adquirirem os bens os destinarem irregularmente. Após o art. 22 da Lei no 11.945/2009, basta à empresa importadora comprovar a revenda a uma das instituições arroladas na Lei para que passem tais adquirentes a figurar no pólo passivo da relação tributária, como responsáveis, em caso de descumprimento da destinação. Assim, o único descumprimento de destinação atribuível à importadora passaria a ser a revenda a consumidores finais que não fossem as pessoas relacionadas na Lei (como exemplo, citese novamente a revenda para salões de beleza/cabeleireiros). Em suma, nas declarações de importação anteriores a 16/12/2008, a empresa importadora é sempre responsável pelas destinações dadas aos produtos importados e revendidos. Após tal data, a responsabilidade da importadora é transferida no momento da revenda, exceto se efetuada a consumidor final que não seja pessoa relacionada na Lei. Embora a Solução de Consulta COSIT no 3, de 06/06/2012 (e a decisão a quo) apenas tangenciem este último tema, conveniente destacar a conclusão expressa no art. 32 da SC: “32. Diante do exposto, solucionase a consulta respondendo à interessada que: caso a pessoa jurídica revenda os produtos contemplados pelas mencionadas reduções de alíquotas a consumidores finais diferentes de hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, laboratórios de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas, ou atividade diferente de campanhas de saúde realizadas pelo Poder Público, ficará sujeita ao pagamento das contribuições e das penalidades cabíveis.” (grifo nosso) Embora a conclusão aqui expressa divirja sensivelmente (principalmente em relação à parte final deste tópico) do entendimento externado pelo julgador a quo, que informou que a “confusão” acaba por não afetar o processo, é de se destacar que na prática o processo não é efetivamente afetado unicamente por causa de questões probatórias, questões essas a serem tratadas no tópico a seguir. Da alegada ofensa aos princípios da legalidade e da razoabilidade A recorrente alega ofensa aos princípios da razoabilidade e da legalidade, pela exigência de documento que gera demasiado ônus (planilha detalhando a destinação das mercadorias, de forma individualizada, por declaração de importação, para um total de 309 declarações de importação), sem amparo normativo. Afirmase que não é razoável apresentar cópia autenticada e/ou originais de mais de 50.000 Notas Fiscais, devidamente conciliadas em modelo de planilha arbitrariamente estabelecido pela autoridade autuante. Compulsando o presente processo, percebese que o objeto da ação fiscal se resume a 308 declarações de importação registradas pela recorrente (estamos excluindo a Fl. 7575DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 12/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10909.003448/201095 Acórdão n.º 3403002.908 S3C4T3 Fl. 7.569 15 declaração afetada pela decadência, objeto de julgamento parcialmente procedente na primeira instância) no período de 28/10/2005 a 20/5/2010, mais especificamente à comprovação das vendas das mercadorias importadas ao amparo de tais declarações de importação. A autoridade fiscal tenta verificar inicialmente a quem foram vendidas as mercadorias nas DIPJ da empresa importadora consultadas em sistemas da RFB, mas apura que a ficha 25 (destinatários de produtosmercadoriasinsumos) não foi preenchida. Parte então para consultas, nos cadastros da RFB, de empresas que declararam ter adquirido produtos da recorrente, não se identificando nenhuma que apresentasse características de ser hospital, clínica, consultório ou laboratório (lista às fls. 321 e 322). Veja que a autoridade fiscal busca cumprir a sua parte da feliz consideração de James Marins sobre a verdade material: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.” 4 Essa verdade material que perfila o dever de investigação (da Administração Tributária, que encontra limitações de ordem constitucional) e o dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros), levou o fisco, para possibilitar a verificação da correta ou incorreta destinação, a solicitar à empresa que apresentasse planilha discriminando as destinações de mercadorias, por declaração de importação, apresentandoa com as notas fiscais correspondentes (originais ou cópias autenticadas). A partir daí, temos o que se poderia designar de um “jogo de empurra empurra” entre o Fisco e a recorrente: · a recorrente negouse a fornecer as informações, afirmando inicialmente que seus documentos estavam com o Fisco estadual (sem apresentar prova do alegado) e que o tempo era escasso, mas estava desenvolvendo a planilha (o que ensejou uma prorrogação de prazo, totalizandose 90 dias), e depois que desconhecia a base legal para apresentar a planilha (argumentação que mantém até o Recurso Voluntário), mas dispunhase a entregar as Notas Fiscais (cerca de 50.000) para que o Fisco as verificasse e detectasse por si próprio as irregularidades; · o Fisco recusouse a receber as Notas Fiscais, alegando ser impossível vinculálas às declarações de importação, providência que só seria possível à própria empresa, e lavrou a autuação; 4 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 6.ed. São Paulo: Dialética, 2012, p.154. Fl. 7576DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 12/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI 16 · após o tribunal a quo determinar diligência, possibilitando à recorrente demonstrar a correta destinação das mercadorias, esta novamente se nega a fazêlo (sob a mesma alegação de inexistência de base legal), mas ensaia um demonstrativo por amostragem em relação a algumas (13) declarações de importação (em que pese a incompletude das planilhas, e a impossibilidade de cotejamento com as DI, visto que não são relacionados valores nem NCM); e · o Fisco limitase a enviar à DRJ a documentação apresentada pela recorrente, informando que não foram apresentados elementos que possibilitassem a resposta aos quesitos ensejadores da diligência. A DRJ, a partir da ausência de resultado da diligência, e dos documentos apresentados, pôs fim ao jogo (ou ao primeiro tempo dele, tomando aqui de empréstimo agora o título da obra do colega Laércio Alexandre Becker5), concluindo que a autoridade pode, em revisão aduaneira, apurar a regularidade do pagamento, exigindo a apresentação de documentos que permitam analisar a correção da redução de alíquota aplicada, e que: “Os documentos que a impugnante acosta aos autos para sustentar sua alegação não permitem verificar a veracidade das alegações, notadamente por não permitirem se correlacionar as cópias das Notas Fiscais apresentadas com as Declarações de Importação às quais alegadamente se refeririam. (...) face à impossibilidade de se firmar convicção de que as cópias de notas fiscais apresentadas tratem de mercadorias importadas com redução de alíquotas das contribuições em tela, esses documentos não podem ser aceitos para fins de comprovação da destinação daquelas mercadorias e, portanto, a alegação de que o auto de infração por essa razão carece de certeza e liquidez é improcedente.” Realmente, pelo que se apura no processo não havia meios de a fiscalização aduaneira fazer a apuração individualizada, pelo que se solicitou à recorrente o detalhamento das destinações detalhadas por declaração de importação. Como destaca a Solução de Consulta COSIT no 3, de 06/06/2012: “27. Incontestavelmente, sob o prisma da fiscalização tributária, seria mais pragmático conceder a desoneração somente nas operações em que interviessem diretamente os agentes beneficiários responsáveis pela destinação final dos produtos. 28. Todavia, como demonstrado supra, a legislação não estabeleceu tal limitação, estando o intérprete impossibilitado de per si estabelecêla.” Tal dificuldade, contudo, não pode fazer com que o Fisco se furte à análise de eventual documentação apresentada organizadamente pela empresa (por certo não se está a falar de caixas de papelão contendo milhares de Notas Fiscais não discriminadas por declaração de importação), nem com que a empresa recorrente seja beneficiada por 5 BECKER, L. A. (org.). Qual é o jogo do processo? Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris, 2012. Com o intrigante nome dado à obra, o autor compara o processo a um jogo (entre outros), não da forma simples aqui esboçada, mas com a cientificidade, a cultura e a ironia que lhe são peculiares. Ao final, avisa que está a "pendurar as chuteiras" (p. 543), o que esperamos seja reavaliado. Fl. 7577DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 12/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10909.003448/201095 Acórdão n.º 3403002.908 S3C4T3 Fl. 7.570 17 impossibilidade de fiscalização decorrente de sua própria negativa de apresentação de documentos, ainda mais quando se está a tratar de benefício fiscal (redução de alíquotas vinculada à destinação). A empresa importadora é legalmente obrigada a manter a documentação das operações nas quais atua em boa guarda e ordem (v.g. art. 70 da Lei no 10.833/2003), e apresentálas ao fisco quando solicitado, o que não se revela atendido no presente processo. Em todas as oportunidades que se forneceu à recorrente de apresentar documentos que atestassem a correta destinação dos bens, ela negouse a fazêlo, ou o fez de forma incompleta (por amostragem) e desorganizada, inviabilizando o cotejamento com as declarações de importação. Não se visualiza, assim, ilegalidade na autuação, ou falta de razoabilidade no procedimento, que, repitase, é necessário para a fruição da redução de alíquota condicionada à destinação. Da desconsideração de documentos apresentados e do erro de fato Apresenta ainda a recorrente sua oposição à desconsideração pelo órgão julgador de documentos apresentados (notas fiscais e comprovantes de pagamento) e da existência de erro de fato em relação a declarações de importação registradas para “consumo” (ao invés de revenda). Sobre a desconsideração das Notas Fiscais, já se tratou no tópico anterior. Em verdade, as Notas Fiscais foram desconsideradas porque, na forma em que foram apresentadas, não foi possível vinculálas precisamente às declarações de importação. Sobre as declarações de importação que indicam “consumo”, querse crer, como afirma a recorrente, que ocorreu erro formal, que poderia ser retificado (recordase que a alegação foi efetuada ainda na impugnação, e até o momento não existe no processo pedido de retificação). Contudo, em que pese a possibilidade de retificação, também em relação a tais declarações não houve comprovação de destinação. Quanto às mercadorias importadas ao amparo das declarações de importação (DI) no 09/10280210, no 09/02811520 e no 09/01076680, que apresentaram classificações fiscais que não constam dos decretos reguladores da redução, a empresa informou, na impugnação, ter efetuado os pagamentos correspondentes, que foram desconsiderados pela fiscalização. A decisão do tribunal a quo, ao tratar dos pagamentos em relação às três declarações citadas, informa que foram efetuados com valores reduzidos, em virtude de decisão em Mandado de Segurança (MS no 2007.72.01.0006530/SC), concluindose que a opção pela via judicial em relação a tais declarações obstaria o prosseguimento da análise no contencioso administrativo. Operada a concomitância, é de se destacar que descabe a exigência de multa de ofício em relação à diferença entre os valores recolhidos e aqueles exigidos pelo Fisco nas três declarações, em virtude da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, e do entendimento consolidado na Súmula CARF no 17: “Súmula CARF no 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando Fl. 7578DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 12/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI 18 a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.” Em relação ao lançamento das diferenças de tributos, deve, em função da unidade de jurisdição, ser observado o tratamento dado pelo Poder Judiciário, tendo em vista a opção pela via judicial, como também se assevera em Súmula específica deste CARF: “Súmula CARF no 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Verificando o estado atual do processo referente ao Mandado de Segurança, percebese que houve trânsito em julgado em 13/05/2013, considerandose inconstitucional a expressão “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente sobre o desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições”, contida no inciso I do artigo 7o da Lei no 10.685/2004. Assim, deve a Administração Tributária/Aduaneira reconhecer ao autuado o tratamento que lhe foi judicialmente assegurado em definitivo, devendo ser afastado o lançamento em relação às três declarações de importação indicadas: no 09/10280210, no 09/02811520 e no 09/01076680. Da base de cálculo das contribuições, na importação A recorrente sustenta que houve incorreção na base de cálculo adotada, no que se refere ao conceito de valor aduaneiro, com a inclusão indevida do valor do ICMS e das próprias contribuições. A matéria, como já destacado aqui, é objeto do Recurso Extraordinário no 559.607/SC, que tramita no STF, tendo sido reconhecida unanimemente a Repercussão Geral do tema (no 01) por aquela corte em 26/09/2007. O Tribunal determinou ainda “a devolução à origem de todos os demais recursos idênticos, que tenham sido interpostos na vigência do sistema da repercussão geral, e a comunicação da decisão aos presidentes do Superior Tribunal de Justiça, dos Tribunais Regionais Federais, da Turma Nacional de Uniformização da Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais, e dos coordenadores das Turmas Recursais, para que suspendam o envio ao Supremo Tribunal Federal dos recursos que versem a matéria, sobrestandoos.”(grifo nosso) Conforme DJE de 16/10/2013 (publicado em 17/10/2003), o STF reconheceu em plenário a inconstitucionalidade do acréscimo do ICMS e das próprias contribuições à base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEPimportação e da COFINSimportação, sendo o Min. Dias Toffoli encarregado de redigir o acórdão, rejeitandose questão de ordem da Procuradoria da Fazenda Nacional que suscitava fosse modulados os efeitos da decisão. Em consulta ao sítio web do STF, atestase que a Fazenda apresentou embargos de declaração em 12/11/2013, que foi juntada petição em 23/01/2014, e que os autos estão conclusos para o relator desde 04/02/2014. Não há, assim, trânsito em julgado da decisão. Fl. 7579DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 12/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10909.003448/201095 Acórdão n.º 3403002.908 S3C4T3 Fl. 7.571 19 Até a revogação dos §§ 1o e 2o do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, este tribunal administrativo decidia pelo sobrestamento dos processos sobre as matérias com repercussão geral reconhecida pelo STF, ainda não julgadas definitivamente pela corte suprema. Contudo, após a revogação, permanece vigente apenas o caput do art. 62 A: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” (grifo nosso) E a decisão, como exposto, não é definitiva. O efeito da revogação dos §§ 1o e 2o do art. 62A (que permitia o sobrestamento de processos administrativos em decorrência da repercussão geral reconhecida pelo STF), aliado ao teor da súmula 2 deste CARF, ocasiona conclusão óbvia, que torna previsível a decisão administrativa. Vejase o teor dos parágrafos revogados pela Portaria MF no 545, de 18/11/2013: “§ 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” E complementese com o teor da Súmula 2 deste CARF (que comunga com o teor do art. 26A do Decreto no 70.235/1972): “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” O silogismo é inevitável: se o STF reconhece a repercussão geral, por óbvio que há discussão sobre constitucionalidade. E se há discussão sobre constitucionalidade, o CARF é incompetente para manifestarse negativamente, devendo acolher todas as leis tributárias como constitucionais. E, como não há mais a possibilidade de sobrestamento, o CARF deve julgar a matéria, sempre considerando as leis (cuja constitucionalidade o STF está a apreciar) como constitucionais. Vejase que de forma alguma se está aqui a defender que o comando legal (art. 7o, I da Lei no 10.865/2004, em sua redação original) é constitucional (ou mesmo inconstitucional). Estáse, sim, simplesmente afirmando que há súmula dispondo que os julgamentos deste CARF não podem assumir o comando legal como inconstitucional. Houvesse decisão definitiva do STF no Recurso Extraordinário no 559.607/SC, ou mesmo uma das hipóteses previstas no art. 26A do Decreto no 70.235/1972, cabível seria o reconhecimento administrativo da inconstitucionalidade. Fl. 7580DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 12/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI 20 Mencionese ainda a alteração da redação do art. 7o, I da Lei no 10.865/2004 pelo art. 26 da Lei no 12.865, de 9/10/2013, excluindo da base de cálculo das contribuições exatamente as parcelas que o pleno do STF na decisão ainda não definitiva julgou inconstitucionais. A Lei no 12.865/2004 deriva de conversão da Medida Provisória no 615, de 17/05/2013, mas o texto do art. 26 não estava na MP, tendo surgido no processo de conversão, e entrado em vigor em 10/10/2013, data de publicação da lei (cf. art. 43, II). A Administração foi mais rápida que o STF em expurgar do ordenamento o comando original do art. 7o, I da Lei no 10.865/2004, mas fincou em lei o entendimento pela irretroatividade do novo comando posto em seu lugar. Poderseia sustentar que tal irretroatividade fere a decisão exarada pelo pleno do STF, que expressamente negou a modulação de efeitos, mas a análise dessa questão novamente esbarraria na Súmula CARF no 2, pois negaria vigência a dispositivo de ordem legal. Não se vê, assim, pelo exposto, possibilidade de a questão ser resolvida administrativamente em favor da recorrente, pois ambas as redações do art. 7o, I da Lei no 10.865/2004 (cada uma a seu tempo não havendo aqui que se falar em retroatividade benigna, por se tratar de determinação de base de cálculo) devem ser tidas pelo julgador administrativo como constitucionais. Ocorre que, como já destacado, a empresa tem em seu favor sentença transitada em julgado em 13/05/2013, na qual se considera inconstitucional a expressão “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente sobre o desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições”, contida no inciso I do artigo 7o da Lei no 10.685/2004. Há que se verificar, assim, de que forma opera a concomitância em relação a tal matéria no presente processo, cabendo a este CARF decidir somente em relação a matéria não submetida à via judicial. Daí a necessidade de, em nome da verdade material, verificar o andamento do processo judicial nos sítios web competentes (www.jfsc.jus.br e www.trf4.jus.br). Embora a recorrente utilize em sua defesa a decisão judicial apenas para as três declarações de importação já comentadas no tópico anterior, é de se destacar a decisão liminar (antecipação de tutela) obtida no Mandado de Segurança (MS no 2007.72.01.000653 0/SC), em 06/03/2007, publicada em diário eletrônico em 12/03/2007, tem o seguinte dispositivo: “DEFIRO parcialmente a liminar para o efeito de determinar que nas importações realizadas pela impetrante a base de cálculo do PISimportação e da COFINSimportação seja apenas o valor aduaneiro (assim entendido, para os efeitos desta Lei, o valor que servir ou serviria de base de cálculo para o imposto de importação), sem considerar, para efeitos do seu conceito, o montante relativo ao Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente sobre o desembaraço aduaneiro, nem o valor das próprias contribuições, tal como previsto na parte final da Lei no 10.865/2004.” A sentença que sobreveio em 18/06/2007 (publicada em 22/06/2007) é no mesmo sentido, e sua parte dispositiva acrescenta: Fl. 7581DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 12/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10909.003448/201095 Acórdão n.º 3403002.908 S3C4T3 Fl. 7.572 21 “Em consequência, a autoridade impetrada fica impedida de cobrar a COFINS e o PIS do impetrante, relativamente à parcela da base de cálculo reconhecida incidentalmente inconstitucional, inclusive não podendo exigila nos respectivos desembaraços aduaneiros” Após apelação da União, o acórdão do TRF4, proferido em 07/11/2007, e publicado em 21/11/2007, mantém a decisão de piso. Em 04/04/2013, o Recurso Extraordinário interposto pela União é considerado prejudicado, tendo em vista o exame da questão pelo STF no RE no 559.607/SC, pelo Pleno do tribunal, em 20/03/2013, nos termos do art. 543B, § 3o do CPC, ocorrendo o trânsito em julgado em 13/05/2013. De todo o exposto decorre que a base de cálculo a ser adotada no lançamento em análise deve ser exatamente a assegurada em juízo, afastandose as parcelas referentes ao ICMS e ao valor das próprias contribuições. Contudo, há declarações de importação na autuação que antecedem qualquer medida judicial obtida. O marco inicial do provimento judicial é destacado na sentença, em função do pedido da postulante. Destacase no relatório da sentença (não havendo alteração subsequente) que a liminar foi concedida “para que a autoridade impetrada se abstivesse de exigir as contribuições vergastadas nos desembaraços aduaneiros, a partir da Licença de Importação LI no 06/22755266”. E isto é concedido, rechaçandose somente as alegações de necessidade de lei complementar para instituição das contribuições e o pleito de compensação formulado. Como não foi localizado, no presente processo, o pedido inicial daquela ação, tomase de empréstimo a informação do relatório judicial, reconhecendose a concomitância (e a decisão final exarada no processo judicial, excluindo o ICMS e as próprias contribuições da base de cálculo) para todas as declarações de importação (DI) registradas em data posterior à obtenção da LI no 06/22755266 (no caso de licenciamento dispensado), ou registradas com amparo em licenças de importação obtidas em data posterior à LI no 06/22755266 (nos casos de necessidade de LI). A data de obtenção da LI no 06/22755266 pode ser obtida pela unidade local em consulta aos sistemas informatizados da RFB/SISCOMEX (“em função específica de consulta a LI”). Pelo exposto, afastase da base de cálculo das contribuições lançadas na autuação o ICMS e o valor das próprias contribuições, em obediência estrita ao teor da decisão judicial transitada em julgado. Nos períodos para os quais não havia amparo em decisão judicial, mantémse a base de cálculo prevista no art. 7o, I da Lei no 10.865/2004, em sua redação original, pelas razões expostas neste tópico (mormente a Súmula CARF no 2 e a ausência de trânsito em julgado da ação com repercussão geral reconhecida). Da impossibilidade de aplicação da Taxa SELIC sobre multa de ofício Por fim, a recorrente protesta contra a aplicação da Taxa SELIC sobre a multa de ofício. A decisão do tribunal a quo expressa que se verifica dos demonstrativos de Fl. 7582DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 12/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI 22 cálculo do presente processo que “não houve lançamento de juros de mora sobre as multas de ofício”, não havendo litígio sobre a matéria. Por óbvio a autuação não aplica os juros à multa de ofício, pois a incidência de tais encargos é posterior à autuação. É no momento da cobrança que se manifesta a atualização da multa de ofício, questionada pela recorrente tanto em sua impugnação como no recurso voluntário. Em que pese não constar na autuação tal incidência, é cediço que as autoridades administrativas responsáveis pela execução dos acórdãos têm aplicado juros de mora sobre a multa de ofício, o que tem inclusive ensejado questionamentos a este tribunal. Sobre o tema, é firme o posicionamento desta Terceira Turma há mais de dois anos, externado, entre outros, no Acórdão no 3403002.367, do qual se extrai a argumentação a seguir. O assunto seria aparentemente resolvido pela Súmula no 4 do CARF: “Súmula CARF no 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (grifo nosso) Contudo, resta a dúvida se a expressão “débitos tributários” abarca as penalidades, ou apenas os tributos. Verificando os acórdãos que serviram de fundamento à edição da Súmula, não se responde a questão, pois tais julgados se concentram na possibilidade de utilização da Taxa SELIC. Seguese então, para o art. 161 do Código Tributário Nacional, que dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2o O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(grifo nosso) As multas são inequivocamente penalidades. Assim, restaria ilógica a leitura de que a expressão créditos ao início do caput abarca as penalidades. Tal exegese equivaleria a sustentar que: “os tributos e multas cabíveis não integralmente pagos no vencimento serão acrescidos de juros, sem prejuízos da aplicação das multas cabíveis”. A Lei no 9.430/1996, por sua vez, dispõe, em seu art. 61, que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, Fl. 7583DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 12/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10909.003448/201095 Acórdão n.º 3403002.908 S3C4T3 Fl. 7.573 23 serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Novamente ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput. Mais recentemente tratouse do tema nos arts. 29 e 30 da Lei no 10.522/2002: “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. § 1o A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2o Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3o Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (grifo nosso) Vejase que ainda não se aclara a questão, pois se trata da aplicação de juros sobre os “débitos” referidos no art. 29, e a expressão designada para a apuração posterior a Fl. 7584DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 12/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI 24 1997 é “créditos”. Bem parece que o legislador confundiu os termos, e quis empregar débito por crédito (e viceversa), mas tal raciocínio, ancorado em uma entre duas leituras possíveis do dispositivo, revelase insuficiente para impor o ônus ao contribuinte. Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob pena de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, na linha que já vem sendo adotada por esta Turma. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar: (a) a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício; (b) os lançamentos efetuados em relação às DI no 09/10280210, no 09/02811520 e no 09/01076680; e (c) da base de cálculo das contribuições lançadas na autuação o ICMS e o valor das próprias contribuições, em obediência estrita ao teor da decisão judicial transitada em julgado, para os períodos por ela resguardados, conforme detalhado no voto. Rosaldo Trevisan Fl. 7585DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 12/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10909.003448/201095 Acórdão n.º 3403002.908 S3C4T3 Fl. 7.574 25 Declaração de Voto Conselheiro Ivan Allegretti, O art. 8º, II, § 11, da Lei nº 19.865/2004 se refere a “produtos destinados ao uso em hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo Poder Público e laboratórios de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas”, para autorizar a fixação de alíquota zero de PIS/CofinsImportação. O contribuinte foi autuado sob o fundamento de que, sendo “uma empresa comercial importadora de material cirúrgico, não se enquadrando como hospital, clínica ou consultório médico ou odontológico e nem como laboratório, deve ela comprovar a efetiva destinação dos bens nas finalidades motivadoras da concessão do benefício (uso em hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo Poder Público e laboratórios de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas”. Parece claro que o legislador não pretendeu limitar a aplicação do referido benefício fiscal apenas para os casos em que os referidos estabelecimentos fossem os importadores. Diante disso, não se pode ignorar a realidade de que as importações – que são a hipótese de incidência do PIS/CofinsImportação – em grande parte são feitas por empresas comerciais, que revendem o produto. E mais: que a cadeia de revenda pode se prolongar por várias etapas, até chegar ao usuário final, e à aplicação ou utilização final do produto E, vale a pena repisar, o legislador não negou o benefício para estas situações em que ocorre a revenda. O legislador – que se deve pressupor estar consciente desta realidade – também não pretendeu tornar todos os agentes econômicos envolvidos na cadeia econômica de circulação dos produtos, desde a importação, passando pela revenda, até a sua aplicação concreta, em devedores solidários de PIS/CofinsImportação. A este respeito, é importante conferir o texto do art. 22 da Lei nº 11.945/2009: “Art. 22. Salvo disposição expressa em contrário, caso a não incidência, a isenção, a suspensão ou a redução das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins, da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação for condicionada à destinação do bem ou do serviço, e a este for dado destino diverso, ficará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento das contribuições e das penalidades cabíveis, como se a nãoincidência, a isenção, a suspensão ou a redução das alíquotas não existisse.”(grifo nosso) Tratase de disposição legal superveniente, que produz efeitos a partir de 16/12/2008, conforme art. 33, IV, “a” da Lei. Fl. 7586DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 12/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI 26 Mas é patente que implanta no direito positivo uma regra geral, a qual é a única de aplicação possível em relação ao período passado. Com efeito, se o legislador nem a administração estabeleceram as regras de controle e distribuição de responsabilidade na hipótese de existir uma cadeia comercial entre a importação e a destinação deste tipo de produto, beneficiário da alíquota zero, então apenas pode ser responsabilizado pelo seu descumprimento o sujeito passivo que tiver descumprido a destinação desejada pela Lei. Em síntese, apenas se pode exigir o tributo se houver a demonstração pelo Fisco de que o contribuinte desviou o produto daquela aplicação a que está vocacionada. Fica claro que o legislador quis beneficiar o setor de saúde, pretendendo reduzir o custo destes produtos destinados à área de saúde. Não fez distinção entre a importação direta pelo estabelecimento de saúde ou da importação por comercial importadora e posterior revenda dentro do país. Ora, a Fiscalização e o voto condutor deste acórdão interpretam o termo “destinação” como “aplicação concreta”, no sentido de “efetiva utilização”. Não parece que seja assim. Não neste caso, diante do contexto concreto do universo de produtos destinatários do benefício fiscal. Parece claro que a norma faz referência à destinação ou aplicação dos produtos apenas como uma forma de delimitar o tipo de produto, sua natureza peculiar. Em termos práticos e pontuais: não quis alcançar toda e qualquer luva de borracha, mas apenas aquelas destinadas a uso específico na área de saúde humana. A destinação apenas foi usada como forma de delimitar a qualidade e natureza do produto que se queria alcançar com o benefício fiscal. Com efeito, basta observar os produtos concretamente envolvidos para se ter a convicção de que a finalidade de sua aplicação marca a sua natureza, a sua qualidade. Neste sentido, o registro na ANVISA gera uma presunção real da finalidade de sua aplicação. Tal como uma ambulância pode ser utilizada como um veículo como qualquer outro, também uma luva cirúrgica pode ser usada como uma luva qualquer. Mas nos dois casos a finalidade altera a natureza do produto. Assim, no presente caso a “destinação” referida pela norma não pode ser traduzida como uma exigência de prova concreta da aplicação de fato do produto, por parte do contribuinte, como condição para a manutenção do benefício. A “destinação” é uma qualificadora do produto, identificando a sua vocação de aplicação na área da saúde, de maneira que deve ser invertida a perspectiva: apenas pode ser cassado o benefício fiscal se houver a demonstração de desvio da finalidade que é própria destes produtos. Vale comentar que a interpretação literal da destinação, na linha que segue o voto condutor, facilmente chegaria a absurdos, como seria o caso de negarse o benefício fiscal quando um médico utilizasse qualquer destes produtos em atendimento domiciliar. Fl. 7587DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 12/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10909.003448/201095 Acórdão n.º 3403002.908 S3C4T3 Fl. 7.575 27 Voto, por isso, pelo provimento do recurso para o cancelamento da exigência fiscal em relação a todos os produtos que sejam objeto de registro na ANVISA. Ivan Allegretti Fl. 7588DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 12/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI
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Numero do processo: 13982.000286/2008-24
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Período de apuração: 01/03/1998 a 31/12/2007
CPMF. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA LC 118/2005
O prazo decadencial para o direito de restituição de pagamentos da CPMF é de 5 anos contados da data do pagamento da contribuição, conforme interpretação dada pelo art 3o da Lei Complementar n°. 118 ao inciso I do art 168 do CTN. Pedido de restituição realizado após a entrada em vigor da LC 118/2005.
CPMF. MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS RELATIVAS A RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE. DESCABIMENTO.
Nos termos do art. 149 da Constituição Federal de 1988, com a redação dada pela Emenda Constitucional 33/2001, a imunidade prevista para as contribuições sociais atinge apenas aquelas cuja hipótese de incidência seja a receita de exportação, o que não é o caso da CPMF porquanto esta apresenta hipótese de incidência tributária diversa.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA LC 118/2005 O prazo decadencial para o direito de restituição de pagamentos da CPMF é de 5 anos contados da data do pagamento da contribuição, conforme interpretação dada pelo art 3o da Lei Complementar n°. 118 ao inciso I do art 168 do CTN. Pedido de restituição realizado após a entrada em vigor da LC 118/2005. CPMF. MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS RELATIVAS A RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE. DESCABIMENTO. Nos termos do art. 149 da Constituição Federal de 1988, com a redação dada pela Emenda Constitucional 33/2001, a imunidade prevista para as contribuições sociais atinge apenas aquelas cuja hipótese de incidência seja a receita de exportação, o que não é o caso da CPMF porquanto esta apresenta hipótese de incidência tributária diversa. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 02 86 /2 00 8- 24 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13982.000286/200824 Acórdão n.º 3801002.924 S3TE01 Fl. 74 2 Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13982.000286/200824 Acórdão n.º 3801002.924 S3TE01 Fl. 75 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de fl. 01, protocolado em 17 de março de 2008, por meio do qual a interessada solicita a restituição de valores recolhidos como CPMF, no montante de R$ 429.604,40, referente aos anos de 1998 a 2007, tendo em vista que “[...]as operações financeiras relativas às receitas de exportação são imunes à incidência da CPMF.” A autoridade fiscal competente indeferiu o pedido, nos termos do Despacho Decisório de nº 499, de 24 de março de 2008 (fls.20 a 28), tendo como razão de decidir (i) pela decadência ocorrida com relação à eventual crédito a título de CPMF verificado no período de 01/03/1998 a 08/03/2003 e (ii) no mérito, a imunidade concedida no art.149 da CF/88 não alcança a CPMF, cuja base de cálculo não se trata de receitas de exportação. Cientificada do Despacho Decisório por meio do AR de fl. 31, em 31 de março de 2008, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em 25 de abril de 2008, fls. 32/40, com as alegações que se seguem, resumidamente: Que a decisão não pode prosperar, eis que o prazo para pleitear a restituição de tributos sujeito a lançamento por homologação é de dez anos; transcreve arts. Do CTN pra concluir que “[...] extinto o crédito tributário com a homologação tácita pelo decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados do pagamento, iniciase a contagem do prazo prescricional de 5 (cinco) anos para pleitear a restituição do tributo recolhido indevidamente (art.168, inciso I do CTN).”; Que o STJ já se pronunciou no sentido de que os artigos 3º e 4º da Lei Complementar (LC) nº 118/2005 “[...] não possuem condão de atingir os fatos geradores ocorridos antes da sua vigência.”; que o art.4º da referida LC, ao determinar a aplicação retroativa, viola princípios constitucionais; No mérito, que a Emenda Constitucional 33/2001 não ressalvou nenhuma modalidade contribuição; assim, as operações financeiras relativas às receitas de exportação são imunes à incidência da CPMF; transcreve excertos de julgados judiciais favoráveis a tese que defende para arrematar que “[...]o preceito de imunidade acrescentado pela EC 33/01 excluiu as receitas de exportação do campo de incidência de todas as contribuições sociais, inclusive da CPMF.” Fl. 75DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13982.000286/200824 Acórdão n.º 3801002.924 S3TE01 Fl. 76 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 01/03/1998 a 31/12/2007 Pagamentos. Restituição. Compensação. Decadência. Prazo. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (pagamento). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1998 a 31/12/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CPMF. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. O inciso I, do §2º, do artigo 149, da Constituição Federal, introduzido pela Emenda Constitucional n.º 33, de 2001, prescreve imunidade tributária sobre as receitas de exportação, no caso das contribuições sociais cujo elemento material da regra matriz de incidência seja a receita, que não é o caso da hipótese de incidência tributária da CPMF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa as razões apresentadas por ocasião da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13982.000286/200824 Acórdão n.º 3801002.924 S3TE01 Fl. 77 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão envolve dois pontos, quais sejam (i) prazo decadencial para requerimento de restituição de créditos tributários pagos indevidamente pelo contribuinte; e (ii) direito ao crédito de CPMF sob a alegação de que “[...]as operações financeiras relativas às receitas de exportação são imunes à incidência da CPMF”. 1 – Preliminar: Do Prazo para o Pedido de Restituição. Preliminarmente, no que tange à decadência, o STF, no julgamento do RE nº 566.621/RS, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da LC 118/05 e firmou o posicionamento, por maioria dos votos, de que, somente para os processos ajuizados após a entrada em vigor da LC nº 118/2005, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, o prazo para compensação ou repetição do indébito tributário, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, é de 05 (cinco) anos contados do pagamento indevido. Segue a ementa, in verbis: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de Fl. 77DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13982.000286/200824 Acórdão n.º 3801002.924 S3TE01 Fl. 78 6 ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) (Grifo nosso) Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso em tela, o pedido de restituição de valores recolhidos à titulo de CPMF foi protocolizado em 17/03/2008, correspondendo a pagamentos efetuados no período de 05/04/1998 a 05/01/2008. Ou seja, o pedido administrativo ocorreu após o início de vigência da LC nº 118/2005, aplicandose, assim, o prazo previsto na mencionada lei complementar, conforme o posicionamento do STF. Portanto o direito de pleitear a restituição dos pagamentos alegadamente indevidos anteriores a 17/03/2003 já havia sido atingido pela decadência no momento do pedido administrativo. Resta analisar os valores recolhidos posteriormente à essa data. 2 – Mérito: Fl. 78DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13982.000286/200824 Acórdão n.º 3801002.924 S3TE01 Fl. 79 7 O art. 149 da Constituição Federal de 1988, com a redação dada pela Emenda Constitucional 33/2001, passou a ter a seguinte disposição: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, parágrafo 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) Parágrafo segundo. As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste art.: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (...) O referido dispositivo estabelece imunidade para as contribuições sociais cuja hipótese de incidência seja a receita, o que não é o caso da CPMF porquanto esta incide sobre a movimentação ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira, a teor do art. 74 da ADCT, inserido pela Emenda Constitucional 12/1996. Tratamse de fatos imponíveis distintos, com tratamentos constitucional e infraconstitucional diversos, que ensejam a instituição e cobrança de tributos específicos. Querer alargar tal entendimento iria de encontro ao disposto no art. 111 do CTN, que prevê a interpretação restritiva pelo método “literal”nas hipóteses de exclusão do crédito tributário e outorga de “isenções”, bem como, ao fim pretendido pelo legislador. Por apresentarem hipóteses de incidência tributária diversas, uma vez que apenas remotamente poderíamos relacionála às receitas decorrentes de exportação, não vislumbro a aplicação da norma imunizante para a referida contribuição. Essa também é a conclusão de doutrinadores que se debruçaram sobre o assunto, tal como, conforme já citado no acórdão recorrido, verificase na lição de Leandro Paulsen: A imunidade das receitas, notese, alcança os tributos que incidem sobre tal base econômica tão somente. Não se pode pretender aplicála à CSLL, à CPMF e a outras contribuições que não incidem sobre a “receita”. (PAULSEN, Leandro. Direito Tributária. 8a ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2006, p. 182) Este também é o entendimento exarado pelo STF, no âmbito do RE nº 566.259/RS (transitado em julgado em 17/12/2010), julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, conforme excerto abaixo: EMENTA: CONSTITUCIONAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 149, § 2°, I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. EXTENSÃO DA IMUNIDADE À CPMF INCIDENTE SOBRE Fl. 79DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13982.000286/200824 Acórdão n.º 3801002.924 S3TE01 Fl. 80 8 MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS RELATIVAS A RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO ESTRITA DA NORMA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DESPROVIDO. I O art. 149, § 2o, I, da Constituição Federal é claro ao limitar a imunidade apenas às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico incidentes sobre as receitas decorrentes de exportação. II Em se tratando de imunidade tributária a interpretação há de ser restritiva, atentando sempre para o escopo pretendido pelo legislador. III — A CPMF não foi contemplada pela referida imunidade, porquanto a sua hipótese de incidência — movimentações financeiras não se confunde com as receitas. IV Recurso extraordinário desprovido. Uma vez que tal julgamento foi submetido ao rito do artigo 543B do CPC, o entendimento ali expresso igualmente deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do retrocitado artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho,. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 80DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16682.720743/2011-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
IRPJ. CSLL. ARBITRAMENTO. Conforme uníssono entendimento jurisprudencial dessa Corte, o arbitramento da base tributável é medida extrema e a sua adoção pressupõe impossibilidade de se aferir adequada base de cálculo dos tributos lançados no período de apuração correspondente.
COFINS. PIS. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Diante do indevido arbitramento dos lucros, impõe-se o cancelamento dos lançamentos decorrentes de PIS/COFINS por erro de regime de apuração.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 1102-000.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thomé,, Jose Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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CSLL. ARBITRAMENTO. Conforme uníssono entendimento jurisprudencial dessa Corte, o arbitramento da base tributável é medida extrema e a sua adoção pressupõe impossibilidade de se aferir adequada base de cálculo dos tributos lançados no período de apuração correspondente. COFINS. PIS. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Diante do indevido arbitramento dos lucros, impõese o cancelamento dos lançamentos decorrentes de PIS/COFINS por erro de regime de apuração. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 07 43 /2 01 1- 79 Fl. 891DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.720743/201179 Acórdão n.º 1102000.974 S1C1T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thomé,, Jose Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela Contribuinte contra acórdão proferido pela Oitava Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 ARBITRAMENTO DO LUCRO. Sujeitase ao arbitramento o contribuinte que apresentar à autoridade tributária escrituração comercial e fiscal incompleta e cujos dados não mereçam fé. DILIGÊNCIA E PERÍCIA Rejeitase o pedido de perícia ou diligência quando a lide se resolveria com uma simples juntada de documentos pela interessada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 CSLL, PIS, COFINS. DECORRÊNCIA. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Em decorrência da ação fiscal, foram lavrados autos de infração para exigir da interessada o IRPJ, o PIS, a CSLL e a COFINS, sobre fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2007, nos montantes abaixo descritos, acrescidos de multa de ofício e juros de mora. TRIBUTO VALOR (R$) IRPJ 28.930.202,82 PIS 2.419.996,02 CSLL 9.025.624,71 Fl. 892DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.720743/201179 Acórdão n.º 1102000.974 S1C1T2 Fl. 4 3 COFINS 11.169.212,55 DAS AUTUAÇÕES Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl.3 a 43 e Termo de Verificação Fiscal (fl. 44 a 52) foram apurados os fatos abaixo descritos. ARBITRAMENTO. RECEITA DE REVENDA DE MERCADORIAS E DE SERVIÇOS. Do confronto entre a escrituração e a documentação, foram detectadas as irregularidades descritas no Termo de Constatação e Intimação Fiscal (TCIF) datado de 03/05/2011. As incongruências foram abordadas em 06 tópicos: Contrato de Mútuo entre VEM e AEROLB; despesas incorridas pelo fiscalizado e suportadas por terceiro; falta de informações precisas sobre o estoque; pagamento de tributos em contrapartida a fornecedores diversos; Lançamentos de despesa com energia elétrica em contrapartida a estoques; falta de segregação de créditos de PIS e de COFINS não cumulativos oriundos de despesa com energia elétrica. Através da petição de 27/05/2011 o contribuinte ofertou contraditório a 04 desses 06 tópicos. Os tópicos não contraditados foram o ‘Pagamento de Tributos em Contrapartida a Fornecedores Diversos’ e a ‘Falta de segregação de créditos de PIS e de COFINS não cumulativos oriundos de despesa com energia elétrica’. 1 Do Contrato de Mútuo entre VEM e AEROLB Dos lançamentos contábeis depreendese que houve ingresso de recursos na conta bancos na ordem de R$ 16.300.000,00. O contribuinte apresentou contrato de mútuo firmado com a sua controladora, a empresa AEROLB Participações S/A para justificar a origem dos recursos. Nos lançamentos contábeis consta a seguinte informação ‘ ADTO TAP P/MÚTUO AEROLAB’, indicando que os recursos não se originaram da AEROLB, mas da TAP SGPS, SA ou de uma das empresas que compõem o grupo. Deste grupo também fazem parte outras empresas (RAP e Portugália – Companhia Portuguesa de Transportes Aéreos). Verificouse que foi contabilizado o mútuo em conta ‘Adiantamento de Clientes’, o que não encontra amparo nas normas de contabilidades. O contribuinte sustenta que houve equívoco contábil que foi sanado sendo escriturados na conta ‘Contratos de Mútuo’. Não houve nenhum lançamento retificador, fazendo crer que o mútuo foi pago, em tese, com serviços. Fl. 893DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.720743/201179 Acórdão n.º 1102000.974 S1C1T2 Fl. 5 4 No contrato de mútuo há falta de identificação completa dos signatários, não foram adotados os usos e costumes brasileiros (falta de garantia, firma não reconhecida, falta de timbre, etc). A conexão entre as empresas envolvidas faz crer que, em tese, que a documentação de suporte aos lançamentos contábeis reputase inidônea por não refletir a realidade fática dos acontecimentos 2 – Das Despesas Incorridas pelo Fiscalizado e Suportadas por Terceiro. No TCIF de 03/05/2011 foram relacionados lançamentos contábeis em contrapartida a conta ‘2185400001 Pagamento Efetuado pela VARIG’. Foram relacionados apenas os lançamentos cujo valor fosse igual ou superior a R$ 500.000,00 (fl.46 e 47) Considerese o peso desta conta no balanço que ao longo do ano calendário de 2007 houve lançamentos a crédito no total de R$ 23.593.349,07 e lançamentos a débito no total de R$ 9.722.023,34. Em contrapartida a essa conta há diversos lançamentos de despesas operacionais incorridas pelo fiscalizado tais como ‘Energia Elétrica’, ‘Arrendamento de Áreas Aeroportuárias’, ‘Diária de Despesa de Viagem’, ‘Serviço de Limpeza’,’Serviços de Segurança e Proteção’ e outras. O contribuinte se vale dessas despesas para reduzir a base de cálculo de IRPJ e CSLL, bem como, no caso de energia elétrica, creditarse de PIS e COFINS não cumulativos. O Parecer Técnico 06493/2005/RJ de 19/12/2005 da COGAM/Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda indica que AEROLB Participações adquiriu em 2005 ‘90% das ações emitidas pela VARIG Engenharia e Manutenção S/A ('VEM') e 95% das ações emitidas pela VARIG Logística S/A ('VARIGLOG)’'. Não há fundamento contábil ou legal que autorize o fiscalizado (TAP ME Brasil S/A, outrora ‘VEM’) lançar em sua escrita contábil do ano de 2007 despesas suportadas por empresa em recuperação judicial (VARIG S/A). Sabidamente desde de 2005 o conglomerado liderado por VARIG S/A havia se desmembrado. O contribuinte argumenta que originariamente fazia parte do Grupo VARIG ‘a qual transferiu sua participação societária ao Grupo Econômico TAP, a que manteve, por decorrência lógica de sua sucessão empresarial, todos os contratos em andamento e inclusive o contrato de Arrendamento de Áreas Aeroportuárias firmado entre VARIG e INFRAERO’. Foi juntada a Ata de Audiência Especial ocorrida em 21/02/2008. Tal Ata reforça a convicção de que há total distinção do conjunto de obrigações e direitos de VARIG S/A e da VEM Varig Engenharia e Manutenção (antiga razão social do Fiscalizado). A Ata inclusive dispõe sobre os contratos que a Infraero que couberam à VARIG e os que couberam a VEM. Fl. 894DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.720743/201179 Acórdão n.º 1102000.974 S1C1T2 Fl. 6 5 3 Da Falta de Informações Precisas sobre o Estoque O contribuinte informa, na em sua petição de 27/05/2011, que a DIPJ foi entregue com equívoco no lançamento de estoque, haja vista que o valor lançado de R$ 198.079.346,01 e sua retificação não poderiam ser efetuados por conta do inicio deste Mandado de Procedimento Fiscal. Afirma que o valor de R$ 122.974.734,76 é o valor do Livro de Inventário e o valor a ser considerado, por corresponder ao exato estoque da Fiscalizada à época. O contribuinte afirma que o valor informado por meio magnético (IN 86/2001) de R$ 111.494.018,56 é o valor líquido do estoque, o qual considerou material para revenda, material de uso e consumo, importação em andamento, ordem de serviço em andamento e as provisões de perda, não representando o estoque a ser declarado na DIPJ. A resposta do contribuinte é suficiente para concluir que inexiste informação precisa sobre seu estoque. 4 – Dos lançamentos de despesa com energia elétrica em contrapartida a estoques Foi apurada a existência de lançamentos a débito da conta ‘3130100000Energia Elétrica’ em contrapartida de crédito a conta ‘8000000100Compensação entr.mercad./entr.fatura sup’ ocorridos no anocalendário de 2007. O contribuinte alega que se trata de uma opção do Departamento de Contabilidade e do Departamento Financeiro para viabilizar o procedimento interno de classificação contábil dos gastos. O contribuinte não podia fazer a contabilização da maneira porque: (1) a demonstração contábil resultante não reflete as operações comerciais e as mutações patrimoniais que de fato ocorreram; (2) o Fiscalizado aproveitouse de créditos de PIS e de COFINS nãocumulativos oriundos de despesa com energia elétrica sem que, em tese, promovesse a devida escrituração. O contribuinte alegou que essa conta é de lançamento inicial para registro de provisão para o pagamento da NF, pois somente quando a mercadoria ou item chega fisicamente na empresa acompanhado pela NF é recebido e contabilizado para estoque, imobilizado ou se for o caso, uma despesa correspondente. A contrapartida era realizada a débito da conta Energia Elétrica, por também se tratar de provisão de despesas, o que não influencia a conta de estoque. Não se pode admitir a validade deste lançamento. 5 Do Arbitramento As distorções na escrita contábil são significativas, pois, além de deduzir despesas de energia elétrica (pagas por terceiro) da Fl. 895DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.720743/201179 Acórdão n.º 1102000.974 S1C1T2 Fl. 7 6 base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a conta de estoque apresenta valores distintos. Na DIPJ correspondente o estoque em 31/12/2007 é declarado R$ 198.079.346,01, no Livro de Inventário o valor declarado é R$ 122.974.734,76 e nos arquivos da IN86/2001 o valor do estoque figura como R$ 111.494.018,56. A contabilidade do contribuinte relativa a 2007 contém vícios, erros e deficiências que a tornam imprestável para determinação do Lucro Real. Considerando o disposto no art. 530 do RIR/99. 6 – Do Cálculo O arbitramento tomou por base as receitas de venda de mercadorias e serviços. A Receita Bruta do contribuinte é conhecida por meio dos arquivos digitais apresentados no formato previsto pela IN SRF 86/2001. A interessada se insurgiu, em 04/10/2011, contra o disposto no Auto de Infração, do qual tomou ciência em 05/09/2011 (fl. 754/755), através de impugnação (fl. 370 a 400) apresentando os argumentos que se seguem: • As autuações originamse da desconsideração, de todos os lançamentos contábeis da impugnante. • O arbitramento é medida excepcional restrita a situações especiais, dessa forma, sua aplicação sem a estrita observância das disposições legais aplicáveis, representa medida extremamente gravosa e inaceitável contra a impugnante. • DO CONTRATO DE MUTUO ENTRE VEM E AEROLB. • Todos os lançamentos contábeis relativos aos contratos de mútuo celebrados pela impugnante já tinham sido regularizados e devidamente retificados antes da ação fiscal. • Os lançamentos a título de adiantamento de clientes haviam sido feitos equivocadamente. A impugnante procedeu à retificação dos mesmos (antes do final do exercício de 2007), estornando os lançamentos feitos anteriormente e substituindo os pelos lançamentos relativos aos contratos de mútuo celebrados com a AeroLB. • Por exemplo, quanto ao primeiro lançamento, de R$ 4.300.000,00, que a contabilidade da impugnante retificou o aludido lançamento das contas n.° 2136000037 e 3611900003 para a conta específica de ‘Contrato de Mútuo’ n.° 2185400006, resultado específico do mútuo e despesas financeiras, isto é, antes mesmo do final do exercício de 2007 a impugnante retificou e regularizou os lançamentos contábeis em exame. As deficiências decorreram mais de problemas administrativos. • Com relação ao lançamento de RS 12.000.000,00, disponibilizado através de três liberações do Banco do Brasil de Fl. 896DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.720743/201179 Acórdão n.º 1102000.974 S1C1T2 Fl. 8 7 R$ 4.000.000,00 (conta 1112400100), que somadas às despesas financeiras, foram regularizadas na conta ‘Contrato de Mutuo’ n.° 2185400006. • De acordo com os lançamentos do ‘Razão’ fica comprovado pela impugnante que a conta 2136000037 (Adiantamento de Clientes), encontravase sem lançamentos com relação à TAP Portugal em 31.12.2007 (havendo lançamentos somente de outros clientes que tem relação comercial com a impugnante), verificase assim, que todos os lançamentos foram devidamente retificados, fato desconsiderado pela fiscalização, (segue anexa cópia do livro ‘Razão’ referente à conta de adiantamento de clientes e o resumo da composição do saldo em 31/12/2007). • A fiscalização apresentou argumentos frágeis para a descaracterização dos contratos. Os contratos efetivamente foram firmados entre duas empresas, e para tanto podem ser amplamente convencionadas suas formalidades e obrigações entre as partes, não sendo usual e nem mandatório seguir os requisitos formais praticados em contratos de mútuo entre particulares e instituições financeiras, haja vista se tratarem de meras coligadas. • Obrigações como garantia, reconhecimento de firma, timbre com o logotipo da empresa no papel, instrumento por escritura pública e outras formalidades não são mandatórias em avenças da natureza da que foi celebrada entre a impugnante e a Aero LB e, ainda que fossem necessárias, o que se verificaria seria a eventual inobservância de regras formais o que não representa a alteração do objeto e natureza dos instrumentos celebrados entre as partes. • A impugnante não cometeu qualquer ato ilícito no que tange a natureza formal dos contratos, não tendo deixado de observar qualquer dispositivo legal, levandose em conta o princípio da legalidade, ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei, art. 5°,II da Constituição da República de 1988, a conduta da impugnante não pode ser questionada e bem assim a natureza dos instrumentos. • Não foi aplicado o princípio da verdade material. • DAS SUPOSTAS DESPESAS INCORRIDAS PELO FISCALIZADO E SUPORTADAS POR TERCEIROS. • A fiscalização alega que a impugnante realizava lançamentos de despesas operacionais suportadas por terceiro em recuperação judicial (VARIG). Tais despesas referiamse a ‘Arrendamento de Áreas Aeroportuárias’, ‘Energia Elétrica’ e outras interligadas à utilização do espaço físico da INFRAERO. • A TAP MANUTENÇÃO E ENGENHARIA é uma empresa adquirida do Grupo VARIG, que transferiu sua participação societária ao Grupo Econômico TAP, que manteve, por decorrência de na sucessão empresarial, vários contratos em Fl. 897DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.720743/201179 Acórdão n.º 1102000.974 S1C1T2 Fl. 9 8 andamento inclusive, o contrato de Arrendamento de Áreas Aeroportuárias firmado entre VARIG e INFRAERO. • Por conta do processo de recuperação judicial da VARIG, todos os contratos firmados deveriam ser levados para apreciação do Juízo responsável, no caso a Vara Empresarial da Comarca do Rio de Janeiro (processo n.° 2005.001.0728877), haja vista importar em direitos, obrigações e deveres da empresa em recuperação, assim como determina Lei 11.101. • O Juízo da 1ª Vara Empresarial, ratificou acordo realizado anteriormente em 2007 e determinou a utilização das determinadas áreas aeroportuárias pela impugnante, inclusive com a anuência da INFRAERO, sem, contudo, determinar a rescisão do contrato firmado com a VARIG. • Tais operações de áreas aeroportuárias geram custos e despesas como o pagamento do arrendamento, energia elétrica, etc, as quais passaram a ser suportadas pela impugnante. Entretanto, essas despesas eram faturadas pela INFRAERO diretamente em nome da empresa a qual detinha contrato formal, no caso a VARIG. • Não se trata de aproveitamento de despesas de terceiros para a redução de pagamento de IR e CSLL, mas tão somente lançamento de provisão de despesas próprias, conforme determinação judicial da l ªa Vara Empresarial da Comarca do Rio de Janeiro. • As despesas incorridas referemse aos custos pelas utilizações das áreas em que a impugnante exerce suas atividades e foram incorridas na forma determinada por decisão judicial da 1ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, tendo em vista que não havia sido possível efetuar a transferência do contrato celebrado com a VARIG para a TAP Manutenção e Engenharia S.A.. • É estranha à matéria debatida neste processo com relação ao Parecer Técnico 06493/2005/RJ, citado pelo auditor fiscal, já que não se trata de responsabilidade contratual de terceiros ou mesmo acerca de despesas incorridas pela empresa sucedida, referese, apenas à análise de concentração econômica elaborada pelo CADE, • O teor da Ata de Audiência Especial de 21.02.2008 (fl.380) comprova que as áreas aeroportuárias são de responsabilidade da sucessora, a obrigação já era da impugnante, entretanto o contrato ainda estava em nome da VARIG. • Todas essas provisões eram despesas da impugnante e não da VARIG. • DA SUPOSTA FALTA DE INFORMAÇÕES PRECISAS SOBRE O ESTOQUE. Indagouse sobre informações imprecisas no estoque, face a divergências entre a DIPJ, Livro de Inventário e nos arquivos digitais previstos na IN 86/2001. Fl. 898DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.720743/201179 Acórdão n.º 1102000.974 S1C1T2 Fl. 10 9 • Ocorreram dois equívocos cometidos pela impugnante, referente a DIPJ e nos arquivos digitais da IN 86/2001. • A DIPJ foi entregue com equivoco no lançamento do estoque e o valor lançado de R$ 198.079.346,01 não pode ser retificado por conta do início da fiscalização. O valor declarado na DIPJ considerou elementos que não integravam o estoque como importação em andamento e ordem de serviço em andamento. • O valor informado por meio da IN 86/2001 de R$ 111.494.018,56 é o valor líquido do estoque, que considerou erroneamente material para revenda, material de uso e consumo, importação em andamento, ordem de serviço em andamento e das provisões de perdas, não representando o estoque a ser declarado na DIPJ. • Já com relação ao valor apresentado de R$ 122.974.734,76, este é o valor do Livro de Inventário e o valor correto a ser considerado (com uma pequena diferença de conciliação no valor de R$ 1.520,18), haja vista corresponder ao estoque à época. • Nas fl. 383 e 384, constam planilhas com os valores de estoques que compõem o Livro de Inventário, a DIPJ e arquivos digitais (IN SRF 86 de 2001 ). • Há três contas do Livro de Inventário 1161000001, 161000003 e 1161000005, que refletem exatamente o estoque físico. • Na DIPJ há escrituração das três primeiras contas (1161000001, 161000003 e 1161000005) e equivocadamente das contas de ordem de serviço em andamento e importações em andamento e contas transitórias (contas de origem 800000...). • Nos arquivos magnéticos (IN SRF 86/2001) há escrituração das três primeiras contas (1161000001, 161000003 e 1161000005) e equivocadamente das contas de ordem de serviço em andamento, importações em andamento, contas transitórias (contas de origem 800000...) e das provisões de perdas. • Se observado o Livro de Inventário, esse é o estoque a ser considerado e não há divergência nas escriturações do estoque físico, mas tão somente a inclusão indevida de outras contas na DIPJ e nos arquivos digitais da IN 86/2001. • Os dois equívocos mencionados (DIPJ e arquivos da IN 86/2001) não acarretaram qualquer prejuízo ao fisco e a incongruência verificada não dá azo a desconsideração da contabilidade da empresa para imputação do arbitramento. • DOS LANÇAMENTOS DE DESPESA COM ENERGIA ELÉTRICA EM CONTRAPARTIDA A ESTOQUES. Não foram consideradas as declarações prestadas pelo contribuinte na petição de 27.05.2011, pela qual informa (i) que o valor a ser considerado pelo estoque é o do registro do Livro de Inventário (R$ 122.974.734,76) e (ii) que a contrapartida era realizada a Fl. 899DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.720743/201179 Acórdão n.º 1102000.974 S1C1T2 Fl. 11 10 débito na conta ‘Energia Elétrica’, por também se tratar de provisão de despesas. É importante mencionar que o grupo de contas 80000... representam contas transitórias, que são posteriormente ajustadas após a chegada do item no estoque. • Essa conta é de lançamento inicial para registro de provisão para o pagamento da NF, ou outro pagamento, a impugnante em momento algum tratou energia como estoque, mas alocava sua contrapartida por se tratar de provisão de despesas., não havendo motivação para descaracterizar a escrita. • DO PAGAMENTO DE TRIBUTOS EM CONTRAPARTIDA A FORNECEDORES DIVERSOS. A impugnante se manifestou em 25 de março de 2011 esclarecendo que a conta 2121000000 Ctas. A Pagar Forn. Nacionais Diversos é uma conta utilizada para contrapartidas de despesas, inclusive para contrapartida de tributos federais. • Os lançamentos foram realizados desta maneira a fim de aperfeiçoar o procedimento interno de realização de pagamentos de tributos. • O sistema informatizado da impugnante (departamento financeiro contas a pagar) só está autorizado a efetuar pagamentos a fornecedores cadastrados. É por este motivo que a Receita Federal do Brasil está cadastrada nesta conta. Exemplo: 1° passo: ‘Lançamento da Folha de Pagamento’: Débito 2141000000 – Salários a pagar Crédito 2153000000 – IRRF s/ rend. Trab. Assalariado 2 ° passo: ‘Lançamento da guia para recolhimento à Receita Federal do Brasil’ Débito 2153000000 IRRF s/ rend. Trab. Assalariado Crédito 2121000000 Contas a pagar fornec. Nacionais diversos. 3.° passo: ‘Pagamento da guia à Receita Federal do Brasil’ Débito 2121000000 Contas a pagar fornec. Nacionais diversos. Crédito Banco ou Caixa Fl. 900DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.720743/201179 Acórdão n.º 1102000.974 S1C1T2 Fl. 12 11 • Não há regra que proíba a empresa de promover a escrituração desta forma. Não houve prejuízo ao trabalho da fiscalização, pois todas as despesas foram devidamente escrituradas. • DA FALTA DE SEGREGAÇÃO DE CRÉDITOS DE PIS E DE COFINS NÃO CUMULATIVOS ORIUNDOS DE DESPESA ELÉTRICA. Não houve segregação dos créditos de PIS/COFINS oriundos de energia, entretanto, não se justifica no caso a desconsideração da contabilidade da empresa. Caso fosse verificada a falta de recolhimento de tributos, a empresa deveria ter sido lançada. os elementos utilizados não são suficientes para arbitramento do lucro, havia meios para apurar eventuais créditos tributários, pois porque a impugnante demonstrou por documentos todas as divergências e apontou a escrituração correta. • DO DEVER FISCAL DE INVESTIGAÇÃO E DA NULIDADE DA AUTUAÇÃO BASEADA EM DADOS NÃO CONDIZENTES COM A VERDADE MATERIAL. DA IMPOSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO. Antes de terminada a ação fiscal ficou demonstrada à fiscalização todos os elementos necessários para um perfeito. • É incontestável a nulidade do Auto, face as inegáveis constatações de insuficiência de elementos probatórios que justificassem o lançamento, tendo em vista a precariedade das condições materiais de que se valeu o auditor fiscal para cogitar divergência de apuração dos dados mencionados. • A desconsideração dos argumentos impugnante é prova inequívoca da violação ao Princípio da Verdade Material. • Há elementos suficientes para que se fiscalize a empresa, aplicandolhe, se pertinentes, multas e exigindose o pagamento de tributos. • Qualquer apuração e diligência baseada em prova inconsistente gera discrepância e, consequentemente, majora o valor porventura devido pelo contribuinte, devendo ser julgada nula autuação. • Não cabe o arbitramento de lucros nas hipóteses apresentadas pelo AFRB, por haver possibilidade de averiguação dos elementos através dos livros fiscais. • Foram feitos esclarecimentos, notadamentente com relação a questão do estoque, o que afasta a possibilidade do arbitramento. • A NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA CONTÁBIL OU DILIGÊNCIA. Nas fl. 398 e 399, o contribuinte apresenta perito e quesitos. É o relatório.” Fl. 901DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.720743/201179 Acórdão n.º 1102000.974 S1C1T2 Fl. 13 12 O acórdão recorrido julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte por considerar que as divergências e inconsistências apontadas pela fiscalização foram suficientes para tornar a escrituração contábil da Contribuinte imprestável, ensejando, assim, o cálculo do IRPJ e reflexos pela sistemática do lucro arbitrado prevista no art. 530, II, “b” do RIR/99. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas alegações de impugnação, especialmente no que se refere à improcedência dos lançamentos pela inexistência de vícios na escrituração que ensejassem o arbitramento do lucro, pelos seguintes motivos: (i) contrato de mútuo entre a Contribuinte e a empresa AeroLB: aduz a recorrente que os erros de lançamento contábeis apontados pela fiscalização já haviam sido regularizados no próprio ano de 2007. Além disso, alega que não haveria necessidade de que os contratos de mútuo seguissem requisitos formais aplicáveis a contratos firmados com instituições financeiras, deixando a fiscalização de observar ao princípio da verdade material; (ii) despesas incorridas pela Contribuinte e suportadas por terceiros: alega a Contribuinte que, apesar destas despesas terem sido faturadas em nome da VARIG, o ônus financeiro era suportado pela Contribuinte, conforme decidido em ata de Audiência Especial ocorrida em 21/02/2008; (iii) falta de informações precisas sobre o estoque: sustenta a Contribuinte que as diferenças entre o livro de inventário, a DIPJ e os arquivos da IN SRF 86/01, referemse tão somente a diferenças de critérios utilizados, sendo que o montante correto seria aquele constante no livro de inventário; (iv) lançamento de despesas com energia elétrica na conta de estoque: aduz que a conta contábil questionada referiase a conta transitória com natureza de provisão contábil que seria revertida quando da chegada da fatura; (v) falta de segregação de créditos de PIS e de COFINS não cumulativos nas despesas de energia elétrica: alega a Contribuinte que esta irregularidade não ensejaria a desconsideração da contabilidade e, o consequente arbitramento do lucro, mas tão somente a glosa dos créditos de PIS e COFINS; e (vi) pagamento de tributos em contrapartida a fornecedores diversos: aduz a contribuinte que os tributos lançados nas contas de fornecedores referemse a tributos retidos na fonte como o IRRF não havendo irregularidade nesta contabilização. É o relatório. Fl. 902DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.720743/201179 Acórdão n.º 1102000.974 S1C1T2 Fl. 14 13 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. (i) Do arbitramento Lucro Cingese a controvérsia à legitimidade (ou não) de arbitramento do lucro na hipótese, na forma do art. 530, II do RIR/99, o qual dispõe que: “art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: (...) II – a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros e ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real;” Depreendese da leitura do citado dispositivo ser fundamental, para a aplicação da sistemática do lucro arbitrado, que reste demonstrado que os vícios, erros ou deficiências tornaram a escrituração contábil imprestável para identificar a movimentação financeira e, o mais importante para o presente caso, determinar o lucro real do período respectivo. Impõese verificar no caso, pois, se os erros apontados pela Autoridade Fiscal são suficientes para que seja impossível a utilização da escrita contábil para determinar o lucro real da Contribuinte. A posição uníssona dessa Corte Administrativa é no sentido de que a aplicação o arbitramento do lucro é medida excepcional, extrema, ou seja, se faz necessário que a autoridade fiscal percorra todos os caminhos disponíveis para tentar compor o lucro real com as informações contábeis apresentadas. Depois de exauridas todas as possibilidades, sem sucesso, aplicase, então, o arbitramento. Neste sentido, citese alguns precedentes, verbis: “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA E OUTROS Anos calendários: 2005 e 2006 ARBITRAMENTO DO LUCRO. MEDIDA EXTREMA. NÃO CONTABILIZAÇÃO PARCIAL DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA, INCLUSIVE BANCÁRIA. PRESTABILIDADE DOS LIVROS FISCAIS. O arbitramento do lucro é medida extrema que somente deve ser utilizada pela autoridade lançadora do tributo se comprovadamente inexistirem meios que viabilizem a apuração do lucro real. A simples constatação de contas correntes bancárias não contabilizadas não se constitui, por si só, em motivo bastante e suficiente à desclassificação da escrita e ao consequente arbitramento do lucro. (...)” (grifei) Fl. 903DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.720743/201179 Acórdão n.º 1102000.974 S1C1T2 Fl. 15 14 (CARF. 1ª Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 1ª. Turma Ordinária. Julgado em 06/03/2013. Relator Benedicto Celso Benício Júnior) “(...) ARBITRAMENTO DE LUCRO. GLOSA DE CUSTOS. Quando as irregularidades apuradas pela autoridade lançadora podem ser qualificadas e quantificadas, os valores apurados devem ser adicionados ao lucro líquido na determinação do lucro real vez que o arbitramento de lucro é uma medida extrema que se justifica somente quando impraticável o aproveitamento da escrita.” (grifei) (CARF. 1ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 1ª. Turma Ordinária. Julgado em 07/11/2012. Relator Maurício Pereira Faro) “IRPJ FALTA DE MOTIVAÇÃO VÁLIDA PARA ARBITRAMENTO DO LUCRO NULIDADE A técnica do arbitramento da base tributável é medida extrema e a sua adoção requer motivação válida e bem fundamentada na impossibilidade de se aferir a verdadeira base de cálculo dos tributos por outros meios. Quando o contribuinte dispõe de escrita contábil e fiscal aptas, o arbitramento não pode ser aplicado, senão o regime pelo qual a empresa optou.” (grifei) (CARF. 1ª Seção de Julgamento. 3ª. Turma Especial. Julgado em 07/11/2012. Relatora Meigan Sack Rodrigues) A seguir serão analisados os apontamentos efetuados pela Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal que seriam suficientes para a desclassificação da escrita por impossibilidade de apuração do lucro da Contribuinte no anocalendário de 2007. (ii) Contrato de mútuo entre a Contribuinte e a empresa AeroLB A Fiscalização identificou que a Contribuinte contabilizou o valor de R$ 16.300.000,00 em conta de Adiantamento de Clientes. Intimada a comprovar a origem dos valores em referência, a Contribuinte informou serem estes relativos a mútuo contraído com a empresa AeroLB. A Fiscalização não admitiu o contrato de mútuo apresentado pela Contribuinte sob o argumento de que este não se revestia das formalidades legais necessárias, verbis: “Conforme demonstrado anteriormente no TCIF de 03/05/2011, não se encontra amparo (sic) nas Normas Brasileiras de Contabilidade para expressar a operação da maneira como se encontra no respectivo Livro Diário. Não há sentido em contabilizar mútuo de controladora a controlada em conta de ‘Adiantamento de Clientes’. Ademais, as características extrínsecas do contrato de mútuo apresentado, a falta de identificação completa e inequívoca dos signatários, o procedimento descolado dos usos e costumes brasileiros (falta de garantia, firma não reconhecida, falta de timbre, etc) bem como a conexão umbilical entre as empresas envolvidas fazem crer que, em tese, a documentação de suporte aos lançamentos contábeis reputase inidônea por não refletir a realidade fática dos acontecimentos.” A Contribuinte por sua vez admitiu o erro do lançamento, contudo, alegou que o erro contábil já havia sido retificado, tendo apresentado razões contábeis que supostamente demonstrariam o estorno dos lançamentos (fls. 562 a 565). Fl. 904DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.720743/201179 Acórdão n.º 1102000.974 S1C1T2 Fl. 16 15 O acórdão “a quo” ratificou o entendimento da fiscalização, não reconhecendo a retificação do lançamento e considerando que tal vício tornaria a contabilidade imprestável ensejando o arbitramento do lucro. Confirase (fls. 775 e 776): “O contribuinte alega que os lançamentos contábeis relativos aos contratos de mútuo celebrados pela impugnante já tinham sido regularizados e devidamente retificados antes da ação fiscal, contudo, não apresenta documentação suficiente para comprovar o alegado. A interessada juntou cópias de fragmentos do Razão como comprovação (fl. 562/565), que segundo o contribuinte seriam estornos que regularizariam a escrituração. Na fl. 562 consta um registro de 29/11/2007 relativo a adiantamentos feito pela TAP para o 13º salário no valor de R$ 4.300.000,00, estando escrito à mão “Reclassificação de Adto cliente p/ pass”. Tal valor coincide em data e valor com um dos lançamentos do Diário relativo a adiantamento de clientes que teve como contrapatida (sic) o contrato de mútuo e despesas financeiras Este documento além de não fazer prova a favor da interessada somente comprova que a contabilidade da interessada não merece fé, pois reclassifica um adiantamento para 13º para adiantamento para cliente, além de ser um valor repassado pela TAP e não pela AEROLB.” Pois bem. O vício ora identificado não tem o condão de invalidar a contabilidade da Contribuinte para apuração do resultado do período. Tratamse de lançamentos pontuais que, por equívoco, como admitiu a própria Contribuinte, foram registrados na conta de Adiantamento de Clientes. Notese que tanto as contas de mútuo como a de Adiantamento de Clientes, neste caso, teriam a mesma natureza de passivo. Os erros de lançamento poderiam ter sido sanados e/ou desconsiderados pela Fiscalização, não prejudicando a apuração do lucro real, pois eram lançamentos entre contas patrimoniais, sem efeito no resultado da empresa. A eventual descaracterização do mútuo poderia gerar, no máximo, um lançamento por omissão de receita por depósito bancário de origem não comprovada (o que não foi o caso) e não o arbitramento do lucro. (iii) Despesas incorridas pela Contribuinte e suportadas por terceiros No que se refere às despesas incorridas pela Recorrente e suportadas por terceiros, verificou a fiscalização que a Contribuinte registrou na conta de passivo 2185400001 – “Pagamento Efetuado pela VARIG” valores a crédito e a débito, sendo que nos lançamentos a crédito, as contrapartidas foram débitos no resultado do período a título de despesas com arrendamento aeroportuárias, energia elétrica etc., as quais não poderiam ser deduzidas da apuração do lucro real e base de crédito de PIS e COFINS por não serem despesas próprias. Alega a Contribuinte que tais despesas se referem a acordo homologado judicialmente em que a VARIG Engenharia e Manutenção (VEM), antiga denominação social da Contribuinte, assumiria as despesas contratadas em nome da VARIG. O acórdão recorrido manteve o arbitramento do lucro sob a alegação de que a Contribuinte teria adquirido somente uma parte das ações das empresas da Varig Engenharia e Manutenção S/A e 95% das ações da Varig Logística S/A. Assim, não seria possível a contabilização integral da despesa na escrita da Contribuinte . Confirase: Fl. 905DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.720743/201179 Acórdão n.º 1102000.974 S1C1T2 Fl. 17 16 “Ocorre que nem todas (sic) os contratos do grupo VARIG foram assumidos pela TAP MANUTENÇÃO E ENGENHARIA. Na verdade somente foi adquirido 90% das ações emitidas pela VARIG Engenharia e Manutenção S/A (VEM) e 95% das ações emitidas pela VARIG Logística S/A ('VARIGLOG). Portanto, o contribuinte somente pode contabilizar despesas relativas a estas empresas. A interessada teria que apresentar documentos indicando que os valores contabilizados se referem a despesas provenientes dessas empresas., contudo não o fez.” Não vislumbro, também neste ponto, qualquer motivo que enseje o arbitramento do lucro com base no art. 530, II do RIR/99, uma vez que o eventual lançamento correto aqui seria tão somente a glosa das despesas para fins de IRPJ e CSLL, e dos créditos para fins de PIS e COFINS. Ora a contabilidade deve registrar dos os pagamentos efetuados pela empresa. Resta claro que o registro de despesas cujo contrato foi firmado com outra empresa não é um vício contábil, pois a questão está restrita à dedutibilidade (ou não) das despesas para fins de IRPJ e CSLL, bem como à possibilidade de apropriação de crédito de PIS e COFINS. Ou seja, não foi apontado pela fiscalização nenhum erro contábil que poderia tornar a escrita fiscal imprestável, cingindose a questão à análise da dedutibilidade ou não da despesa. Os argumentos do acórdão “a quo” no sentido de que a Contribuinte haveria adquirido apenas uma parte das empresas signatárias dos contratos e, assim, seria defeso a contabilização integral da despesa, do mesmo modo, não deve prevalecer, pois, a contabilização do pagamento em contas de resultado ou contas patrimoniais não impede o cálculo do lucro real. Ou seja, se a Contribuinte tivesse que registrar apenas a despesa de forma proporcional, como sugere o acórdão recorrido, bastava que a fiscalização efetuasse a adição do valor que deveria ser registrado em conta patrimonial às bases de cálculo do IRPJ e CSLL, não havendo motivos para desconsiderar a escrita contábil. Portanto, não há como prosperar o entendimento da fiscalização de que este ponto ensejaria o arbitramento do lucro. (iv) Falta de informações precisas sobre o estoque Apurou a fiscalização que o valor do estoque em 31/12/2007 constante no Livro de Inventário divergia do valor informado na DIPJ, o qual também divergia do valor informado nos arquivos magnéticos exigidos pela IN SRF 86/01. A contribuinte, por sua vez, reconheceu as divergências, contudo, explica que tais diferenças se referiam às contas contábeis utilizadas para a composição dos estoques em cada documento. Segundo a Contribuinte, o valor correto a ser considerado é aquele constante do Livro de Inventário, pois na DIPJ, bem como nos arquivos da IN SRF 86/01, por um equívoco, incluiu outras contas contábeis que não faziam parte do estoque. Para comprovar, apresenta a conciliação de cada valor, demonstrando a composição das contas contábeis de cada um (fls. 383 e 384). A DRJ ratificou novamente o entendimento da fiscalização no sentido de que tais divergências ensejariam o arbitramento do lucro, “verbis”: Fl. 906DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.720743/201179 Acórdão n.º 1102000.974 S1C1T2 Fl. 18 17 “A interessada alega que a DIPJ foi entregue com equivoco, o valor declarado na DIPJ (R$ 198.079.346,01) considerou elementos que não integravam o estoque como importação em andamento e ordem de serviço em andamento. Alega também que o valor informado por meio magnético (IN SRF 86/2001) de R$ 111.494.018,56 é o valor líquido do estoque, o qual considerou erroneamente material para revenda, material de uso e consumo, importação em andamento, ordem de serviço em andamento e as provisões de perda, não representando o estoque a ser declarado na DIPJ. Afirma que o valor do Livro de Inventário de R$ 122.974.734,76 é o valor correto (com uma pequena diferença de conciliação no valor de R$ 1.520,18), Tais alegações não se sustentam, muitos destes itens que o contribuinte alega que escriturou erroneamente devem ser incluídos nos estoques. Ademais, a interessada não apresentou documentos que comprovem suas alegações, não foram apresentados livros (Razão, Controle de Produção e Estoques, etc.), nem planilhas com a movimentação dos estoques, nem qualquer tipo de documento que detalhasse os estoques da empresa, permanecendo a incerteza quanto ao real valor do estoque. Atentese que até na impugnação o contribuinte admite que o valor escriturado no Registro de Inventário não é correto, pois haveria uma diferença de R$ 1.520,18.” Pois bem. A divergência de valores registrados no estoque ou a falta do controle de estoque poderia tornar a contabilidade imprestável, ensejando o arbitramento do lucro. Não obstante, analisando o presente caso, as divergências apontadas referemse tão somente a diferenças entre os valores registrados no livro contábil (Livro de Inventário) e aqueles registrados em obrigações acessórias exigidas pela RFB (DIPJ e arquivos da IN SRF 86/01). Desta forma, não há como ser afirmar que a fiscalização identificou erros ou vícios na contabilidade no tocante à contabilização dos estoques. O que se verificou, foi uma deficiência nas obrigações acessórias. Para o arbitramento do lucro, a Fiscalização deveria provar que o controle de estoques era falho, sendo imprestável para calcular o lucro real, o que não aconteceu. As divergências apontadas nas obrigações acessórias possuem penalidades específicas previstas na legislação, em virtude da prestação de informações incorretas. Com efeito, não há que se falar em arbitramento do lucro quando as divergências apontadas dizem respeito às informações prestadas em obrigações acessórias. (v) Lançamento de despesas com energia elétrica na conta de estoque A Fiscalização identificou lançamentos efetuados a débito da conta “3130100000 – Energia Elétrica” em contrapartida de crédito na conta “8000000100 – Compensação entr. Mercad./entr.fatura – sup”, os quais, segundo a fiscalização, impactavam de forma indevida o valor da conta de estoques. Com efeito, a escrita contábil deveria ser desconsiderada e o lucro arbitrado. Alega a Contribuinte que o lançamento em discussão se refere a provisões de despesas. Segundo a Recorrente, as contas “8000...” são de natureza transitória, sendo revertidas quando do envio da fatura e que, de nenhuma forma, as despesas com energia elétrica estariam reduzindo o valor da conta estoque, não sendo possível a desconsideração a escrita contábil. Fl. 907DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.720743/201179 Acórdão n.º 1102000.974 S1C1T2 Fl. 19 18 O acórdão “a quo” manteve o entendimento que tal situação ensejaria a desconsideração da contabilidade e o arbitramento do lucro, pois entendeu descabido o argumento da Contribuinte de que o lançamento se referia a uma provisão, pois as provisões não poderiam ter como contrapartida a conta de estoques, exceto no caso de provisão para perda de estoques ou ajuste a valor de mercado. Diferentemente do ponto analisado no item anterior, que dizia respeito a divergências entre informações contábeis e informações prestadas em obrigações acessórias, a discussão diz respeito à contabilização supostamente incorreta de despesas com energia elétrica em contas de estoque. Na resposta à intimação de fls. 177, a Contribuinte esclarece a razão do lançamento contábil em análise, afirmando que: “Os lançamentos a débito da conta “3130100000 – Energia Elétrica” em contra partida de crédito à conta “8000000100 – Compensação entr.mercad./entr.faturasup” ocorridos no ano calendário (sic) de 2007 são uma opção do Departamento de Contabilidade e do Departamento Financeiro da Contribuinte para viabilizar o procedimento interno de classificação contábil de gastos. Tendo em vista o sistema informatizado da Contribuinte, o Departamento de Compras só está habilitado a efetuar lançamentos de gastos na conta 8000000100, para que a Contabilidade em seguida faça a correta classificação entre diversas contas de despesa. A título de esclarecimento apresentase a seguir o passo a passo das operações que são realizadas pelo Departamento Financeiro e de Contabilidade da Contribuinte: 1º passo: No momento em que a fatura de Energia Elétrica é entregue ao Departamento Financeiro da Contribuinte creditase o “fornecedor” Energia Elétrica contra uma conta transitória. Débito – 8000000100 Conta Transitória Crédito – 2121000000 (Fornc. 207126) Cia. Estadual de Geração e Transm. Energia Elétrica. Em seguida, a fatura é registrada e conferida para que se proceda a constituição da despesa, através de débito na conta Estoque/Despesa e crédito na referida conta transitória, a fim de realizar o ajuste contábil necessário para que não haja equívocos na operação: 2º passo Débito – 3130100000 Estoque/Despesa Crédito – 8000000100 Conta Transitória Desta feita, denotase que a conta 8000000100 é simplesmente uma conta transitória, que funciona exclusivamente para melhor gerenciar a correta classificação contábil dos gastos, uma vez que ao final esta conta sempre terá saldo zero para as operações.” Fl. 908DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.720743/201179 Acórdão n.º 1102000.974 S1C1T2 Fl. 20 19 A interpretação que se pode extrair dos esclarecimentos prestados pela Contribuinte é de que a conta 8000000100 era utilizada apenas para fins de controle. Desta forma, a fatura de energia elétrica era primeiramente lançada nesta conta pelo departamento financeiro, a qual era posteriormente reclassificada pelo setor contábil para uma conta contábil de despesa. A confusão que se verifica no caso é que esta conta transitória era utilizada tanto para o registro de faturas de energia elétrica como para a aquisição de mercadorias, o que não significa que a energia elétrica estava sendo classificada na conta de estoques. Seguindo a linha do esclarecimento prestado pela Contribuinte, podese entender que, no caso de compras de mercadorias, por exemplo, o Departamento de Compras efetuava também o lançamento da mercadoria a crédito na conta do fornecedor e a débito na conta transitória 8000000100. Posteriormente, o Departamento Contábil dava o lançamento a débito correto na conta de estoques, reduzindo (creditando) a conta transitória. Ou seja, o objetivo era evitar que o Departamento de Compras ou Departamento Financeiro pudesse dar uma classificação incorreta àquela mercadoria ou fatura, lançando estoques em contas de despesas ou viceversa. Assim, a classificação do débito ficava a cargo do Departamento Contábil. Portanto, apesar de a utilização das contas transitórias não seja prática comum, não se trata de erro ou vício suficiente para a desclassificação da escrita, uma vez que as faturas de energia elétrica, ao invés de registradas, diretamente, a crédito na conta de fornecedor e a débito em conta de despesa, eram registradas, primeiramente a crédito na conta de fornecedor e a débito na conta transitória pelo departamento responsável e, posteriormente, registradas a crédito na conta transitória e a débito na conta de despesa, pelo departamento de contabilidade. Não se sustenta a argumentação da Fiscalização de que as despesas de energia elétrica estavam reduzindo o valor da conta de estoques. Ou seja, também aqui não há erro ou vício que torne a contabilidade imprestável, uma vez que o resultado do período, base para o lucro real, não está sendo, a priori, afetado. A discordância por parte da Fiscalização dos critérios utilizados pela Contribuinte ensejaria, no máximo, a glosa das despesas pela eventual inobservância do regime de competência, caso restasse demonstrado que o registro na conta transitória se deu em um período de apuração e a reclassificação para a conta da despesa em outro. Além disso, por se tratar de lançamentos específicos, poderia a Fiscalização revertêlos e recompor o lucro líquido para fins de cálculo do lucro real. Assim, não se verifica que a fiscalização estava impossibilita de apurar o lucro real, o que desautoriza o arbitramento do lucro. (vi) Falta de segregação de créditos de PIS e de COFINS não cumulativos nas despesas de energia elétrica Este ponto é um desdobramento dos itens (iii) e (iv) supra na medida em que a Contribuinte não segregou sua apuração e se aproveitou de créditos de PIS e COFINS sobre despesas de energia elétrica. Fl. 909DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.720743/201179 Acórdão n.º 1102000.974 S1C1T2 Fl. 21 20 A Contribuinte reconhece o erro, mas alega que tal equívoco tem como consequência lógica a glosa de créditos de PIS e COFINS e não o arbitramento do lucro. Razão assiste à Contribuinte. A falta de segregação do PIS e COFINS nas despesas de energia elétrica, no máximo, poderia gerar a glosa dos créditos e das despesas, mas não o arbitramento do lucro. Além disso, a apropriação do crédito de PIS e COFINS é uma opção do contribuinte, pois o art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 dispõem que a pessoa jurídica “poderá descontar créditos”. Desta forma, a segregação do PIS e COFINS somente deve ocorrer se a empresa se apropriou do crédito, verificação esta não efetuada pela Fiscalização. (vii) Pagamento de tributos em contrapartida a fornecedores diversos Por fim, outro motivo para a desconsideração da escrita contábil e do respectivo arbitramento do lucro da Contribuinte pela autoridade fiscal, foi a verificação de que havia o registro de pagamento de tributos na conta de fornecedores. Alega a Contribuinte que, além dos valores a pagar aos seus prestadores de serviços, consta na conta de fornecedores, também os valores dos tributos retidos na fonte. O acórdão recorrido manteve o entendimento de que esta contabilização ensejaria o arbitramento do lucro. Mais uma vez, não se trata de hipótese de arbitramento do lucro, uma vez que o fato de a Contribuinte contabilizar os tributos retidos em conta de fornecedores não tem o condão de invalidar sua escrita contábil, sendo plenamente possível à Fiscalização apurar o lucro líquido base para o lucro real. (viii) Lançamentos Decorrentes Diante do indevido arbitramento dos lucros, impõese o cancelamento dos lançamentos reflexo de CSLL e decorrentes de PIS/COFINS, estes por erro de regime de apuração dos tributos pelo fato de terem sido realizados sob o regime cumulativo na forma do art. 10, II da Lei n. 10.833/2003, enquanto que o regime legal imposto à Contribuinte é o da nãocumulatividade das contribuições. (ix) Conclusão Diante de todo o exposto, oriento o meu voto no sentido de dar provimento integral ao recurso voluntário para cancelar os lançamentos. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 910DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16682.720743/201179 Acórdão n.º 1102000.974 S1C1T2 Fl. 22 21 Fl. 911DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
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Numero do processo: 13884.004152/2003-86
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO.
Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. [...]. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005 (STF - Repercussão Geral).
Numero da decisão: 1803-002.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para, superada a preliminar de prescrição do crédito pleiteado em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 15/10/1993, seja proferida nova decisão pela DRF de origem, quanto ao mérito do pedido de compensação, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, temporariamente, a Conselheira Meigan Sack Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. [...]. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005 (STF Repercussão Geral). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 41 52 /2 00 3- 86 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13884.004152/200386 Acórdão n.º 1803002.062 S1TE03 Fl. 216 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para, superada a preliminar de prescrição do crédito pleiteado em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 15/10/1993, seja proferida nova decisão pela DRF de origem, quanto ao mérito do pedido de compensação, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, temporariamente, a Conselheira Meigan Sack Rodrigues. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13884.004152/200386 Acórdão n.º 1803002.062 S1TE03 Fl. 217 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 111verso e 112): Tratase de Declaração de Compensação de fl. 01, protocolizada em 14/10/2003, no valor de R$ 7.686,45, correspondente a recolhimentos feitos a título de diversos tributos administrados pela SRFB (PISCOFINSCSLLIRPJ), no período de fevereiro de 1991 a junho de 1997, conforme demonstrativos de fls. 03/05 e DARF de fls. 13/70. A DRF em São José dos Campos emitiu o Despacho Decisório de fls. 72/74, indeferindo a solicitação da contribuinte e não homologando as compensações, uma vez que todos os valores relacionados às fls. 03/05 são anteriores a 14/10/1998, estando, portanto, extinto o direito de proceder à referida compensação. Cientificada desse despacho em 19/11/2003 (fls. 78), a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 28/11/2003 (fls. 8189), na qual alega que: ∙ Tem direito à compensação, uma vez que seguiu as orientações da IN nº 210/2002; ∙ deve ser respeitada a máxima consagrada no direito brasileiro de que “Todo aquele que recebeu o que não era devido, fica obrigado a restituir”, e se os créditos decorrentes de pagamentos indevidos à Fazenda Pública não puderem ser recuperados por meio da compensação, sem dúvida haverá o enriquecimento ilícito da União em face do particular, pois o Estado estará se beneficiando de valores que integram o patrimônio da interessada; ∙ o fato de a Fazenda geralmente não restituir o que é pago indevidamente apenas reflete a diferença entre o “ser” e o “dever ser”; ∙ não se está se falando de tributos, e sim de indébitos; ∙ o direito à restituição/compensação do que foi pago indevidamente subsiste sempre; ∙ não se pode se aplicar à compensação os prazos relativos à restituição, uma vez que o direito à restituição não se confunde com o direito à compensação; ∙ o princípio da moralidade é um direito constitucional a ser respeitado, estando a contribuinte legalmente amparada a exercer a qualquer tempo o seu direito de compensar os créditos líquidos e certos decorrentes dos pagamentos indevidos que efetuou; ∙ a limitação do prazo para pedir a compensação implica em ofensa aos princípios da moralidade, propriedade e isonomia, bem como ao disposto no artigo 37 da Constituição Federal, posto que, com esta atitude, a administração não estaria agindo com a lealdade que deveria; ∙ conforme entendem a doutrina e a jurisprudência, a extinção do crédito tributário operarseia com a homologação do lançamento, o que, na prática, Fl. 231DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13884.004152/200386 Acórdão n.º 1803002.062 S1TE03 Fl. 218 4 resultaria num prazo de dez anos: cinco para a homologação tácita e mais cinco para o exercício do direito à restituição de recolhimento indevido; 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 111): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1992 a 30/12/1997 COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DO DIREITO. Contra o reconhecimento do direito creditório subjacente à declaração de compensação corre o prazo decadencial de cinco anos contado da data do pagamento. Compensação não Homologada 3. Cientificada da referida decisão em 14/04/2009 (fls. 191), a tempo, em 30/04/2009, por via postal (fls. 213), apresenta a interessada Recurso de fls. 194 a 208, instruído com os documentos de fls. 209 a 212, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13884.004152/200386 Acórdão n.º 1803002.062 S1TE03 Fl. 219 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Repercussão geral (STF) 4. Dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 (grifouse): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 5. Relativamente à questão do prazo prescricional para o sujeito passivo pleitear a restituição/compensação do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, é o seguinte o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), na sistemática de Repercussão Geral (art. 543B do CPC): DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões Fl. 233DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13884.004152/200386 Acórdão n.º 1803002.062 S1TE03 Fl. 220 6 deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273). 6. Considerando que, no presente caso, o pleito de compensação foi protocolado em 14/10/2003, não procede a preliminar de prescrição do crédito pleiteado em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 15/10/1993, inclusive, arguida pela DRF de origem. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para, superada a preliminar de prescrição do crédito pleiteado em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 15/10/1993, seja proferida nova decisão pela DRF de origem, quanto ao mérito do pedido de compensação. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 234DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13884.004152/200386 Acórdão n.º 1803002.062 S1TE03 Fl. 221 7 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 13116.902554/2011-59
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 25 54 /2 01 1- 59 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902554/201159 Acórdão n.º 3803005.373 S3TE03 Fl. 86 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) em 3 de novembro de 2006, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, no valor de R$ 1.421,00. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 16/01/2012, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito reclamado decorreria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, inconstitucionalidade essa já reconhecida pela própria Administração tributária. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de planilha por ele elaborada. A Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na falta de comprovação do indébito, (ii) no fato de que o crédito informado já se encontrava vinculado à quitação de outros débitos da titularidade da pessoa jurídica e (iii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre constitucionalidade de leis. Cientificado do acórdão da DRJ Ribeirão Preto/SP em 25 de julho de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 23 de agosto do mesmo ano, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Ribeirão Preto/SP. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902554/201159 Acórdão n.º 3803005.373 S3TE03 Fl. 87 3 Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses totalmente insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Em processos da espécie ao ora analisado, a falta de um mínimo de instrução do processo por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por meio de diligência à repartição de origem, dada a inexistência de qualquer indício fático do direito pleiteado, ou seja, um início de prova que pudesse convencer o julgador quanto à possibilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 87DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902554/201159 Acórdão n.º 3803005.373 S3TE03 Fl. 88 4 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 16327.000207/2006-35
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002, 2003
COOPERATIVA DE CRÉDITO. RECEITAS DECORRENTES DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. CARACTERIZAÇÃO COMO ATO COOPERATIVO. ENTENDIMENTO DO STJ. IRPJ E CSLL. NÃO INCIDÊNCIA.
Nos casos de cooperativas de crédito, tendo em vista a sua especificidade, as receitas decorrentes de aplicações financeiras, que não lhe originam lucro, mas que são destinadas aos próprios cooperados, não sofrem a incidência de IRPJ nem de CSLL, pois que referidas aplicações, conforme entendimento do próprio STJ, enquadram se no conceito de atos cooperativos.
Numero da decisão: 9101-001.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade dos votos, recurso negado provimento.
(Documento assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
(Documento assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HENRIQUE PINHEIRO TORRES (Presidente - Substituto), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, JOSÉ RICARDO DA SILVA, FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, KAREM JUREIDINI DIAS, VALMAR FONSECA DE MENEZES, VALMIR SANDRI, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, SUSY GOMES HOFFMANN (Vice-Presidente). Ausente, justificadamente, OTACiLIO DANTAS CARTAXO (Presidente).
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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RECEITAS DECORRENTES DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. CARACTERIZAÇÃO COMO ATO COOPERATIVO. ENTENDIMENTO DO STJ. IRPJ E CSLL. NÃO INCIDÊNCIA. Nos casos de cooperativas de crédito, tendo em vista a sua especificidade, as receitas decorrentes de aplicações financeiras, que não lhe originam lucro, mas que são destinadas aos próprios cooperados, não sofrem a incidência de IRPJ nem de CSLL, pois que referidas aplicações, conforme entendimento do próprio STJ, enquadram se no conceito de atos cooperativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade dos votos, recurso negado provimento. (Documento assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente (Documento assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HENRIQUE PINHEIRO TORRES (Presidente Substituto), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, JOSÉ RICARDO DA SILVA, FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, KAREM JUREIDINI DIAS, VALMAR FONSECA DE MENEZES, VALMIR SANDRI, JORGE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 02 07 /2 00 6- 35 Fl. 565DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 CELSO FREIRE DA SILVA, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, SUSY GOMES HOFFMANN (VicePresidente). Ausente, justificadamente, OTACiLIO DANTAS CARTAXO (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, inconformada com o acórdão que deu provimento ao seu recurso voluntário da contribuinte, nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002,'2003 COOPERATIVA. ATOS COOPERATIVOS. A contribuição social sobre o lucro líquido não incide sobre o resultado positivo obtido pela sociedade nas operações que constituem atos cooperativos. O ato cooperativo não configura operação de mercado, seu resultado não é lucro e está fora do campo de incidência da contribuição instituída pela lei n° 7.689, de 1988. Somente os resultados decorrentes da prática de atos com não associados estão sujeitos à tributação ” O recurso especial apresentado pela Fazenda discorre nos seguintes termos: “(...) A incidência da CSSL sobre as chamadas "sobras" das cooperativas é depreendida com a análise da própria lei instituidora do t ributo (Lei 7.689/88) e da lei cooperativista (Lei n.° 5.764/61) que, ao contrário do aduzido no acórdão recor rido, apenas afasta a exigência de imposto sobre a renda auferida com atos cooperados. Com efeito, a Lei n.° 5.764/61, apesar de conceituar a sociedade cooperativa como decorrente de um contrato de sociedade em que os contratantes se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro, não infirma o fato clarissimo de que, como qualquer sociedade, esta também pode apurar um resultado financeiro positivo, ao final de um período, o qual, após uma série de deduções e exclusões, é rateado entre os contratantes proporcionalmente à sua participação nas operações da cooperativa. Tal quantia a lei chama "sobra líquida", e e rige, o retorno da "sobra" ao cooperativado, como característica que distinguiria a cooperativa das demais sociedades. Sem dúvida, entretanto, esta "sobra" provém da operação de subtração entre despesas e receitas da cooperativa, ou seja, seu antecedente é a apuração de resultado financeiro positivo pela cooperativa ao final de um certo periodo. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.000207/200635 Acórdão n.º 9101001.825 CSRFT1 Fl. 11 3 Sendo assim, as "sobras liquidas" se referem aos próprios lucros líquidos, ou lucros apurados em balanço, que devem ser distribuídos sob a rub ri ca de retorno ou como bonificação aos associados, não em razão das cotaspa rte de capital, mas em conseqüência das operações ou negócios por eles realizados na cooperativa. Na linguagem comercial, o resultado do exercício é o lucro, o provento ou o ganho obtido em um negócio. É, assim, o que proveio das operações mercantis ou das atividades comerciais. Quando se fala dos balanços, aludese à apuração dos lucros ou prejuízos em determinado período. E, dessa forma, o resultado, ou o que se apurou, tanto pode ser favorável, quando há lucro, como desfavorável, quando se verifica prejuízo. Assim, o fato de a lei do cooperativismo denominar a mais valia de "sobra" não tem o intuito de excluila do conceito de lucro, mas permitir um disciplinamento específico da destinação desses resultados (sobras), cujo parâmetro é o volume de operações de cada associado, enquanto o lucro deve guardar relação com a contribuição do capital. Acrescentese que não há como se distribuir "sobra líquida", sem que a sociedade apure antes um resultado financeiro positivo ao final de certo periodo. E este resultado é a base de cálculo da CSLL. Há no presente caso urna confusão entre os conceitos de base de cálculo da CSLL devida pela cooperativa e base de cálculo do imposto de renda, que, conforme a Lei n.° 5.764/61, somente é exigido da sociedade cooperativa quando houver a prática de atos não cooperados. É o texto do a rt. 111 dessa lei, verbis: "Art . 111 Serão considerados como RENDA tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os a rts. 85, 86 e 88 desta lei.” (...)” Houve apresentação de contrarazões, pela contribuinte, nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Relator No presente caso, o contribuinte (Cooperativa Central de Crédito de São Paulo), conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 198 e seguintes) é integrante do Sistema de Crédito CooperativoSICREDI, “formado pelas cooperativas de créditos singulares, Fl. 567DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 suas centrais, uma confederação, o Banco Cooperativo SICREDI S.ABANSICREDI e suas empresas ligadas, BC Card e Corretora de Seguros.” Pois bem, sobre o tema da tributação das receitas financeiras obtidas por cooperativas (genericamente falando), o Superior Tribunal de Justiça tem entendimentofirmado, retratado em sua súmula jurisprudencial e em julgamento de recurso repetitivo (Resp n° 58265): “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. RESULTADO POSITIVO DECORRENTE DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS REALIZADAS PELAS COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. ATOS NÃOCOOPERATIVOS. SÚMULA 262/STJ. APLICAÇÃO. 1. O imposto de renda incide sobre o resultado positivo das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas, por não caracterizarem "atos cooperativos típicos" (Súmula 262/STJ). 2. A base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas (critério quantitativo da regra matriz de incidência tributária) compreende o lucro real, o lucro presumido ou o lucro arbitrado, correspondente ao período de apuração do tributo. 3. O lucro real é definido como o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária (artigo 6º, do DecretoLei 1.598/77, repetido pelos artigos 154, do RIR/80, e 247, do RIR/99). 4. As sociedades cooperativas, quando da determinação do lucro real, apenas podem excluir do lucro líquido os resultados positivos decorrente da prática de "atos cooperativos típicos", assim considerados aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais (artigo 79, caput, da Lei 5.764/71). 5. O artigo 111, da Lei das Cooperativas (Lei 5.764/71), preceitua que são consideradas rendas tributáveis os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de aquisição de produtos ou de fornecimento de bens e serviços a não associados (artigos 85 e 86) e de participação em sociedades não cooperativas (artigo 88), assim dispondo os artigos 87 e 88, parágrafo único, do aludido diploma legal (em sua redação original): "Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do 'Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social' e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 88. Mediante prévia e expressa autorização concedida pelo respectivo órgão executivo federal, consoante as normas e limites instituídos pelo Conselho Nacional de Cooperativismo, Fl. 568DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.000207/200635 Acórdão n.º 9101001.825 CSRFT1 Fl. 12 5 poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas públicas ou privadas, em caráter excepcional, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares. Parágrafo único. As inversões decorrentes dessa participação serão contabilizadas em títulos específicos e seus eventuais resultados positivos levados ao 'Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social'." 6. Outrossim, o Decreto 85.450/80 (Regulamento do Imposto de Renda vigente à época) preceituava que: "Art. 129 As sociedades cooperativas, que obedecerem ao disposto na legislação específica, pagarão o imposto calculado unicamente sobre os resultados positivos das operações ou atividades: I de comercialização ou industrialização, pelas cooperativas agropecuárias ou de pesca, de produtos adquiridos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou para suprir capacidade ociosa de suas instalações industriais (Lei n. 5.764/71, artigos 85 e 111); II de fornecimento de bens ou serviços a não associados, para atender aos objetivos sociais (Lei n. 5.764/71, artigos 86 e 111). III de participação em sociedades não cooperativas, públicas ou privadas, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares, desde que prévia e expressamente autorizadas pelo órgão executivo federal competente (Lei n. 5.764/71, artigos 88 e 111). § 1º É vedado às cooperativas distribuir qualquer espécie de benefício às quotaspartes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o máximo de 12% (doze por cento) ao ano atribuídos ao capital integralizado (Lei n. 5.764/71, art. 24, § 3º, e DecretoLei n. 1.598/77, art. 39, I, b). § 2º A inobservância do disposto no parágrafo anterior importará tributação dos resultados, na forma prevista neste Regulamento." 7. Destarte, a interpretação conjunta dos artigos 111, da Lei das Cooperativas, e do artigo 129, do RIR/80, evidencia a mens legislatoris de que sejam tributados os resultados positivos decorrentes de atos não cooperativos, ou seja, aqueles praticados entre a cooperativa e não associados, ainda que para atender a seus objetivos sociais. 8. Deveras, a caracterização de atos como cooperativos deflui do atendimento ao binômio consecução do objeto social da cooperativa e realização de atos com seus associados ou com outras cooperativas, não se revelando suficiente o preenchimento de apenas um dos aludidos requisitos. 9. Ademais, o ato cooperativo típico não implica operação de mercado, ex vi do disposto no parágrafo único, do artigo 79, da Lei 5.764/71. 10. Conseqüentemente, as aplicações financeiras, por constituírem operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam "atos nãocooperativos", Fl. 569DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda. 11. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 58265/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 01/02/2010) A Súmula n° 262 do STJ, no mesmo sentido, estabelece que “incide o imposto de renda sobre o resultado das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas”. Tal entendimento, contudo, refere se às cooperativas em geral. Na sua consolidação, o STJ não trouxe à baila a análise específica da situação das Cooperativas de Crédito. Pelo contrário, ao fazêlo, o Egrégio Tribunal manifesto use, por diversas vezes, no sentido de excluílas do entendimento retratado no acórdão e na súmula acima transcritos. Isto porque, tratando se de Cooperativa de Crédito, as receitas financeiras, efetivamente, consubstanciam atos cooperativos. Neste sentido, os seguintes julgados: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATOS COOPERATIVOS. IMPOSTO DE RENDA. NÃOINCIDÊNCIA. SÚMULA 262/STJ. INAPLICABILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que os atos cooperativos típicos – assim entendidos aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados ou entre os associados e as cooperativas, ou ainda entre cooperativas, para a consecução dos objetivos sociais – não geram receita ou lucro, consoante disposto no art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971. 2. A Primeira Seção do STJ pacificou o entendimento de que toda movimentação financeira das cooperativas de crédito – incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado – constitui ato cooperativo. 3. Inferese que, se as aplicações financeiras das cooperativas de crédito, por serem atos cooperativos típicos, não geram receita, lucro ou faturamento, o resultado positivo decorrente desses negócios jurídicos não sofre a incidência do Imposto de Renda. 4. Acresçase que os julgados que deram origem ao enunciado da Súmula 262/STJ não analisaram a situação específica das cooperativas de crédito, cuja atividade básica está relacionada à gerência financeira dos recursos creditícios dos associados. 5. Provido o Recurso Especial para reformar o acórdão recorrido quanto ao mérito, fazse necessária a apreciação pelo STJ dos honorários advocatícios devidos pelo sucumbente. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.000207/200635 Acórdão n.º 9101001.825 CSRFT1 Fl. 13 7 Tratase de aplicação do direito à espécie6. No caso concreto, inverto os honorários advocatícios, restabelecendo os valores fixados na sentença, a qual condenou a União ao pagamento da verba honorária em 5% (cinco por cento) do valor atribuído à causa (R$ 805.433,30 – oitocentos e cinco mil, quatrocentos e trinta e três reais e trinta centavos), corrigido monetariamente, dado o elevado valor conferido à demanda. 7. Essa inversão é possível, pois, de acordo com a jurisprudência deste Tribunal Superior, "1. O STJ, ao aplicar o direito à espécie, após conhecer do recurso especial, rejulga a causa (...). 2. Possibilidade de fixação de honorários advocatícios em percentual inferior ao mínimo de 10% (dez por cento), quando vencida a Fazenda Pública, mediante a aplicação do art. 20, § 4º do CPC" (AgRg no REsp 418.640/DF, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 2.6.2003). Na mesma linha de entendimento: "conhecido o recurso, é possível ao STJ, desde logo, aplicar o direito à espécie, nos termos do art. 257 do seu Regimento Interno, não havendo que se falar em supressão de instância. 3. O valor dos honorários foi fixado com razoabilidade, no mínimo legal, devendo ser ressaltado o fato de que a tese defendida pela parte só veio a ser acolhida na instância Superior, demandando acompanhamento profissional contínuo, que merece ser prestigiado" (EDcl REsp 1.130.634/RS. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, Dje 15.12.2009). 8. Agravo Regimental do Ministério Público não provido e Agravo da Fazenda Nacional parcialmente provido tãosomente para inverter os honorários advocatícios, restabelecendo a condenação da União, fixada na sentença, ao pagamento dos ônus sucumbenciais em 5% sobre o valor da causa, atualizado monetariamente. (AgRg no AgRg no REsp 717.126/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/02/2010, Dje 24/02/2010) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – NÃO INCIDÊNCIA DO PIS SOBRE AS APLICAÇÕES FINANCEIRAS REALIZADAS PELAS COOPERATIVAS DE CRÉDITO. 1. Conforme jurisprudência sedimentada pelas Turmas da Primeira Seção, as aplicações financeiras das sociedades cooperativas de crédito não sofrem a incidência do PIS. 2. Embargos de declaração acolhidos para explicitação. (EDcl nos EDcl nos EDcl no REsp 611.217/MG, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/10/2009, DJe 04/11/2009) COOPERATIVAS DE CRÉDITO. COFINS. ATOS COOPERATIVOS. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O ato cooperativo típico, nos termos do art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971, não implica operação de mercado nem Fl. 571DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, o que afasta a incidência da Cofins sobre o resultado de tal atividade. 2. O STJ assentou o entendimento de que, em se tratando de cooperativas de crédito, toda a sua movimentação financeira, incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado, constitui ato cooperativo, não havendo incidência do PIS e da Cofins. Precedentes do STJ. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 823.207/MG, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/05/2009, DJe 21/08/2009)” Ressalte se que o Supremo Tribunal Federal, quando lhe foi levado à apreciação por meio de Recurso Extraordinário, não conheceu do recurso, por reputar que eventual violação à Constituição Federal, esta somente seria indireta (ARE 639684, Relator(a): “Min. GILMAR MENDES, julgado em 13/06/2011, publicado em DJe162 DIVULG 23/08/2011 PUBLIC 24/08/2011). De sorte que a última palavra sobre o assunto coube ao STJ. Neste sentido, deve se ter em mente que o entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça pode ser resumido da seguinte forma: o imposto sobre a renda incide sobre o resultado das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas, salvo em relação às cooperativas de crédito. Isto justamente porque, no caso particular das cooperativas de crédito, as aplicações financeiras realizadas inseremse no conceito de atos cooperativos. Com efeito, como bem se demonstrou no acórdão recorrido, as cooperativas são pessoas jurídicas criadas com uma finalidade central de prestar serviços relevantes de assistência a seus associados, conforme se depreende dos artigos 3° e 4° da Lei n° 5.764/71. E mais, sem objetivo de lucro. Neste sentido, a Lei n° 5.764/71 (artigo 79) qualifica juridicamente como cooperativos os atos praticados “entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais”. Tais atos, como se sabe, não se encontram no âmbito de incidência do IRPJ nem da CSLL. No caso específico das Cooperativas de Crédito, o respectivo objetivo social, em síntese, é facilitar o acesso de seus cooperados ao crédito financeiro. Na hipótese dos autos, a contribuinte, conforme se depreende do artigo 3° do seu Estatuto Social, tem por objetivo “a organização em comum e em maior escala dos serviços econômicofinanceiros e assistenciais de interesse das filiadas, integrando e orientando suas atividades, bem como facilitando a utilização recíproca dos serviços.” Na consecução deste escopo, a contribuinte, conforme alegado ao longo do presente processo administrativo, administra o excedente de liquidez das filiadas (recursos que acabam não sendo Fl. 572DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.000207/200635 Acórdão n.º 9101001.825 CSRFT1 Fl. 14 9 empregados integralmente no quadro social), redirecionando tais recursos para outras cooperativas ou para aplicações financeiras no mercado financeiro. Estas aplicações financeiras revelam se naturais, na medida em que consubstanciam um reforço à consecução dos objetivos sociais da Cooperativa, sobretudo porque, conforme se depreende do documento de fls. 76/79 (despesas de rateio), conforme citado pelo próprio órgão a quo, a receita obtida por meio de tais aplicações financeiras é repassada aos cooperados, não havendo, pois, qualquer lucro por conta da Cooperativa. Ora, se não há lucro propriamente dito em favor do contribuinte, e se as aplicações financeiras são implementadas com vistas à melhor concretização dos objetivos sociais da cooperativa, é de se concluir que os respectivos atos enquadram se no conceito de atos cooperativos. Ressaltese, uma vez mais, que, segundo o artigo 79 da Lei n° 5.764/71, para que o ato seja qualificado como cooperativo, fazse imprescindível que seja praticado no intuito de consecução dos objetivos sociais. As aplicações financeiras promovidas pelo contribuinte, na hipótese, definitivamente, são feitas com esse ânimo, e não com ânimo de lucro da própria cooperativa. Desta forma, tendo em vista o entendimento do STJ sobre a matéria, tendo vista também que as Cooperativas de Crédito apresentam circunstâncias que a distinguem das demais espécies de cooperativas (não podendo, o entendimento prevalente sobre estas, incidir sobre aquelas) e, finalmente, considerando se que as aplicações financeiras promovidas pelo contribuinte na hipótese são feitas a fim de atingir o respectivo objetivo social, não se pode acolher as alegações da Fazenda. Diante de todo o exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, a fim de que se mantenha, na sua integralidade, o acórdão recorrido. É como voto. (Documento assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Relator Fl. 573DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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