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Numero do processo: 12448.941723/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA.
Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado.
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Numero da decisão: 3301-006.410
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
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EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata-se de pedido de formalizado por meio de PER/DCOMP, visando a compensar o valor do seu pretenso crédito de COFINS com outros débitos do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 94 17 23 /2 01 1- 51 Fl. 132DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.410 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.941723/2011-51 A DCOMP foi analisada eletronicamente pelos sistemas de processamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, que emitiu Despacho Decisório, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada. O Despacho Decisório atesta que o a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual, de maneira repetitiva e mencionando diversas informações alheias ao presente processo administrativo, discorda do despacho decisório, alegando, em apertada síntese, que: 1. As receitas relativas às atividades próprias das instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, civis que prestem os serviços para os quais foram instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos, são isentas da COFINS; 2. Alega que é uma associação civil sem fim lucrativo e portanto, é isenta da COFINS; 3. Atividades próprias das associações seriam aquelas para as quais elas tenham sido criadas, ou seja, aquelas previstas em seu estatuto social, cita o parecer normativo CST nº 162/74; 4. As atividades exercidas são aquelas que constam do Estatuto Social; 5. Tentou retificar sua DCTF e não conseguiu; 6. Caberia a autoridade administrativa ter diligenciado no sentido de analisar os documentos e escritas fiscais do Manifestante a fim de averiguar a proveniência de tais créditos. Encerra a manifestação, requerendo seu provimento, para reformar a decisão a quo e deferir a restituição. Acrescenta que não sendo este o entendimento, requer seja o julgamento convertido em diligência a fim de que a autoridade fiscal apure o montante das receitas próprias indevidamente incluídas na base de cálculo da COFINS. Por seu turno, a DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, com base no entendimento de que a compensação de indébito fiscal com crédito tributário vencido e/ou vincendo está condicionada à comprovação, pelo contribuinte, da certeza e liquidez do mesmo, sendo insuficiente para reformar decisão não homologatória de compensação a mera alegação do direito creditório, desacompanhada de elementos probantes. Na decisão, foi ainda registrado que qualquer retificação posterior da DCTF deve- se fundar em documentação idônea, em especial a escrituração contábil, que justifique as alterações realizadas no valor dos tributos devidos. Quanto ao pedido de perícia e diligência, o Colegiado entendeu que estes se reservam à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, onde repisa as alegações manejadas na Manifestação de Inconformidade. Fl. 133DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.410 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.941723/2011-51 É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301-006. 396, de 19 de junho de 2019, proferido no julgamento do processo 12448.941709/2011-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006.396): O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A Recorrente quando da apresentação da sua manifestação de inconformidade afirmou que estaria isenta da COFINS, em razão da suas receitas estarem vinculadas a receitas próprias de sua atividade de associação civil sem fins lucrativos, nos termos do inciso X do art. 14 da MP 2.158-35/2001. A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a restituição do indébito. Autorizar a restituição de créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A comprovação dos créditos pleiteados necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte alega que suas receitas estariam isentas por tratar-se de associação civil sem fins lucrativos. Cabe ressaltar que a decisão da primeira instância negou provimento ao recurso da Recorrente, não por questões da existência da isenção para sociedade civis, mas, por questões fáticas, haja vista, que a Recorrente não apresentou documentos que pudessem confirmar que as suas receitas estariam vinculadas a atividades isentas, conforme consta do trecho abaixo, extraído da decisão recorrida. Inicialmente deve-se deixar claro que não há controvérsia em relação à questão da isenção da COFINS sobre as receitas derivadas das atividades próprias de associações civis definidas no art. 15 da Lei 9.532/97. O não reconhecimento do direito creditório se deu em virtude do crédito pleiteado pela impugnante ter sido integralmente utilizado para quitar débitos informados em sua DCTF. Contudo, apenas as receitas derivadas das atividades próprias não estão sujeitas a incidência da COFINS. Para que se possa afirmar que um determinado pagamento tenha sido efetuado a maior, é imprescindível que fique demonstrada e comprovada não só a efetivação do recolhimento, mas a base de cálculo correta e a contribuição efetivamente devida, permitindo a apuração de eventuais diferenças, a maior ou a menor. No presente caso, verifica-se que o interessado não retificou a Dctf do período correspondente. Por outro lado, limitou-se a juntar aos autos seus estatutos sociais, alegando que, devido a sua natureza jurídica, não estaria sujeito à incidência da contribuição. Não há, ademais, qualquer prova da liquidez e da certeza do direito creditório nem mesmo a demonstração de que houve o pagamento gerador do indébito que se pretende repetir por meio da compensação.(grifo nosso) A Recorrente interpôs recurso voluntário sem apresentar documentos que pudessem comprovar o crédito pleiteado, sob o argumento que caberia a autoridade fiscal buscar Fl. 134DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.410 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.941723/2011-51 os documentos necessários. O trecho abaixo extraído do Recurso voluntário detalha os argumentos apresentados para não trazer os elementos comprobatórios. 3.6. Assim é que caberia à autoridade administrativa ter observado o Princípio da Verdade Real, bem como diligenciado nas dependências (escritório) do Recorrente no sentido de analisar a vultosa documentação contratual, escritas fiscais e contábeis, a fim de averiguar a proveniência de tal crédito, e não simplesmente abster-se de deferir o pedido de compensação, porque aparentemente o Recorrente não teria direito ao aludido crédito, sem qualquer fundamentação plausível para tanto. 3.7. Diz-se vultosa documentação, porque é inviável e também pouco prático e econômico anexar aos presentes autos cópias (que devem ser autenticadas, sob pena de não serem aceitas) de todos os contratos e comprovantes de pagamentos efetuados a favor do Recorrente, a fim de demonstrar que as receitas pertinentes sejam próprias do Instituto, bem como o reflexo disto tudo nos registros contábeis. Por isso, que uma diligência/perícia in loco é o meio mais prático e eficaz de esclarecer eventual dúvida da autoridade administrativa no que concerne a não só a esta DCOMP objeto do presente processo, mas a todas as demais que não foram homologadas em conjunto, em cujos processos também estão sendo apresentados os respectivos recursos voluntários. Entendo não assistir razão à Recorrente. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por falta de comprovação do crédito alegado pela Recorrente. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do crédito. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória não é suficiente para alterar o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, muito menos, obrigar a Fiscalização da Receita Federal que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 O Recurso traz o pedido para que sejam determinadas diligências para buscar as provas necessárias a alegação da Recorrente de possuir receitas isentas. Entendo não ser aplicável ao caso em tela a realização da diligência. A diligência tem como pressuposto a busca de esclarecimentos para subsidiar o julgador na sua decisão, não se prestando a produção de provas, que devem ser apresentadas em sede de manifestação de inconformidade. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 135DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.410 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.941723/2011-51 Fl. 136DF CARF MF
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Numero do processo: 16004.720053/2012-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2401-000.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. RELATÓRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .7 20 05 3/ 20 12 -9 2 Fl. 3896DF CARF MF Processo nº 16004.720053/201292 Resolução nº 2401000.735 S2C4T1 Fl. 3 2 Tratase de processo de exclusão do Simples Nacional, conforme Ato Declaratório Executivo SAORT/DRF n º 095, de 05 de dezembro de 2012, fls. 3.339, retificado com a mesma numeração em 26 de fevereiro de 2013, por ter sido constituído por interposta pessoa e o fato de seus sócios serem administradores ou equiparados de outra pessoa jurídica com fins lucrativos que auferiu receita bruta global que ultrapassa o limite estabelecido na legislação, conforme previsto no artigo 3º, inciso II, § 4º, inciso V, e no artigo 29, inciso IV, da Lei Complementar n° 123, de 2006, em concordância com a Representação Fiscal constante do presente processo às fls. 3.280 a 3.333. A Fiscalização, no decorrer dos trabalhos efetuados na contribuinte GALEGO IMPLEMENTOS PARA TRANSPORTES LTDA EPP, verificou que a mesma na condição de optante pelo Simples Nacional presta serviços para a empresa EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS RODRIGUES LTDA (CNPJ nº 45.164.753/000170), estabelecida na Avenida Nasser Marão, 1951 – Parque Industrial, Município de Votuporanga – SP. De acordo com a Representação Fiscal, as empresas acima citadas utilizaram meios irregulares com o objetivo exclusivo de não recolherem os tributos da forma e montantes previstos e determinados em Lei, constatados tais fatos através da análise dos documentos disponibilizados e, em pesquisa nos sistemas internos da Receita Federal e visita ao domicílio fiscal da fiscalizada. A Fiscalização informa que a abertura da empresa Galego Implementos para Transportes Ltda EPP ocorreu por procuradores e atuais sócios da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda com o intuito de camuflar a real prestação de serviços por pessoas físicas em industrialização de produtos fabricados pela empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, bem como a execução de serviços de consertos, reparos e adaptações para terceiros provenientes de operações comerciais por ela realizados. Em seguida, afirmou restar comprovado que a empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda custeou a atividade da empresa Galego Implementos para Transportes Ltda contabilizando como sendo seus os custos e despesas desta última conforme abaixo relacionados: a) Telefone; b) Assistência médica aos trabalhadores; c) Assistência odontológica aos trabalhadores; d) Uniformes para os trabalhadores; e) Equipamentos de Proteção Individual utilizados pelos trabalhadores; f) Materiais de Higiene e Limpeza; g) Materiais intermediários utilizados na execução dos serviços; h) Honorários médicos relativos a serviços de exames admissionais e demissionais dos trabalhadores. Fl. 3897DF CARF MF Processo nº 16004.720053/201292 Resolução nº 2401000.735 S2C4T1 Fl. 4 3 Relata que além dos itens relacionados acima, a empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda arcou com o suporte financeiro através de adiantamentos pontuais, para que a empresa Galego Implementos para Transportes Ltda EPP viesse honrar seus compromissos junto aos trabalhadores a ela vinculados inclusive os decorrentes dos encargos sociais e demais custos. Aponta que a empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda forneceu, ainda, as máquinas e equipamentos pertencentes ao seu Ativo Permanente indispensáveis na execução dos serviços e no desenvolvimento da atividade econômica. As empresas utilizavam inclusive a mesma caixa postal nº 105, conforme consta no cabeçalho das notas fiscais da empresa Galego Implementos para Transportes (documentos de fls. 2457 a 2459) e no rodapé dos documentos de fls. 2463 e 2465, que correspondem à empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda. Aduz a Auditoria que os serviços executados pela empresa Galego Implementos foram realizados de forma exclusiva para atender aos interesses da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda. Assim, entende que a pessoa jurídica Galego Implementos para Transportes Ltda EPP foi constituída de forma a disfarçar a existência de sua verdadeira atividade, isto porque os documentos juntados no processo nº 16004.720053/201292 apontam que a empresa Galego Implementos para o Transporte Ltda EPP, optante pelo Simples Nacional, não assumiu o risco de sua atividade econômica, sendo, portanto, subordinada a empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda tanto em sua administração quanto em seu custeio, não estando assim em consonância com o artigo 15 da Lei nº 8.212 de 24/07/1991. Destaca que as provas colacionadas ao processo demonstram que, em vez da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda incluir em sua própria folha de pagamento todos os funcionários que trabalham para ela, decidiu financiar/custear outra pessoa jurídica sob o regime tributário do Simples Nacional para prestar os mesmos serviços subordinados a ela. Por fim, conclui a Auditoria Fiscal que o conjunto de elementos e documentos juntados ao presente processo constituem provas irrefutáveis quanto aos atos praticados para dissimular a ocorrência do fato gerador de contribuições previdenciárias patronais e que a empresa GALEGO IMPLEMENTOS PARA TRANSPORTES LTDA EPP foi constituída por interposta pessoa, tendo como sócia de fato a empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda com o objetivo de usufruir do beneficio tributário pelo não pagamento de contribuições previdenciárias a cargo da empresa, incidentes sobre remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados. Em aditamento à Representação Fiscal (fls. 3.414/3.419) a Fiscalização acrescenta que a documentação juntada aos autos (procurações e alterações contratuais) demonstram que os sócios da empresa Galego Implementos para Transportes Ltda são administradores da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, cuja receita bruta global é superior ao previsto no inciso II do caput do artigo 3º da Lei complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Haja vista mais uma hipótese de exclusão em que se enquadra a empresa, propôs a fiscalização a reforma do ato Declaratório Original. Fl. 3898DF CARF MF Processo nº 16004.720053/201292 Resolução nº 2401000.735 S2C4T1 Fl. 5 4 Às fls. 3.420/3.423, a autoridade administrativa competente optou por retificar o Despacho Decisório anterior atribuindolhe a mesma numeração e acrescentandolhe a fundamentação legal decorrente do citado aditamento. Cientificado em 10/12/2012 (fls. 3.340) do Ato Declaratório Executivo ADE DRF/SJR/SAORT nº 095 e do Despacho Decisório DRF/SJR/SAORT nº 136/2012, o contribuinte apresentou em 08/01/2013 (fls. 3.354/3.3690), Manifestação de Inconformidade da Exclusão do SIMPLES NACIONAL, onde contesta a exclusão do Simples Nacional pelo motivo mencionado pela fiscalização de que a empresa, optante pelo Simples Nacional, teria sido constituída por interposta pessoa, com enquadramento previsto no inciso IV do artigo 29 da Lei Complementar n° 123, de 14.12.2006. Em síntese, argumenta o que segue: (i) O ato de exclusão é nulo por falta de motivação, pois os argumentos dispostos no Despacho Decisório não têm relação com a realidade dos fatos; (ii) Que houve equívoco da fiscalização que apesar do tempo e da farta documentação apresentada não conseguiu entender que GALEGO IMPLEMENTOS e EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS RODRIGUES LTDA são empresas distintas e administradas por pessoas diferentes; (iii) Alega que a afirmação pela fiscalização de que o Sr. Florindo Rodrigues e o Sr. José Antonio C. Rodrigues na época da formação da empresa Galego Implementos são as pessoas que administravam a empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues é uma inverdade. São irmãos que apenas assinavam pela empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda em virtude do seu pai, verdadeiro administrador da empresa, ter sido acometido de Doença de Parkinson e assim estar impedido de assinar (“somente assinar”) documentos; (iv) Sustenta que o Sr. Florindo somente passou a ser sócio da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, compulsoriamente, por herança, após o falecimento de seu pai em 2011. Nesse momento, conforme prevê a legislação, a Galego Implementos deixou o sistema do Simples e passou a apurar o lucro tributável pelo regime de Lucro Presumido (cópia do recibo da DIPJ anexo doc. n° 3); (v) Admite que o imóvel situado na Avenida Emilio Arroyo Hernandes n° 2373 descrito no Despacho Decisório SAORT n° 136/2012, é de propriedade das três pessoas citadas, sócios da empresa Galego Implementos e que não foi ainda transferido para a pessoa jurídica por questões burocráticas, haja vista que o imóvel ainda não está regularizado junto à Prefeitura Municipal local e que sua aquisição adveio de arrematação em leilão de uma massa falida. Assim entende que pelo imóvel pertencer aos três sócios não haveria necessidade de cobrar aluguel. (vi) Considera normal os suportes financeiros prestados pela Equipamentos Rodrigues para a Galego Implementos e reputa inadequada a abordagem sobre o assunto contida no já citado despacho decisório. (vii) Em relação às informações fiscais de que a Equipamentos Rodrigues cedeu para a Galego suas máquinas e equipamentos para a consecução do seu objetivo e que custeou as despesas e os custos, inclusive detendo o controle da folha de pagamento dos seus Fl. 3899DF CARF MF Processo nº 16004.720053/201292 Resolução nº 2401000.735 S2C4T1 Fl. 6 5 trabalhadores; e mais, que a empresa Galego presta serviços de forma exclusiva para atender os interesses da empresa Equipamentos Rodrigues, admite que de fato, o cliente "Equipamentos Rodrigues" adiantou numerário para a empresa Galego Implementos, fornecedora de serviços e cedeu em comodato algumas máquinas e equipamentos para que essa atingisse seus objetivos sociais. Considera isso normal e de ocorrência frequente nos mais variados ramos sendo uma relação que não pode ser ignorada. O cliente fornece condições para obter com rapidez e precisão o produto ou serviço encomendado. (viii) Afirma que a empresa Galego Implementos quita sua folha de pagamento através de depósito no Bradesco, diretamente na conta dos seus empregados (exemplo cópia em anexo doc. n° 4) e seus custos e despesas (incluindo a folha de pagamento) são suportados pela receita auferida e declarada, conforme pode ser observado nos Balanços Patrimoniais elaborados pela Dafon Assessoria Contábil (doc. n° 5). (ix) 2.7. Afirma também não ser verdade que sua prestação de serviço é feita exclusivamente para a "Equipamentos Rodrigues". Destaca que o Auditor não se deu ao trabalho de apurar os fatos de maneira clara e precisa. O exame da vasta documentação colocada à sua disposição foi superficial e tendencioso, ficando muito mais fácil afirmar o que lhe convém, ainda que sem prova, do que aprofundar as investigações que retratam a verdade. Basta então, agora, verificar a planilha com a relação dos clientes nos anos 2008 a 2010 e cópia de algumas notas fiscais emitidas pela manifestante para comprovar o que aqui é afirmado, (doc. 6). (x) Cita jurisprudências para corroborar a sua tese. Cientificado por via postal em 07/03/2013 do Ato Declaratório Executivo ADE DRF/SJR/SAORT nº 095 retificado e do Despacho Decisório DRF/SJR/SAORT nº 136/2012 retificado, conforme AR à fl. 3.425, o contribuinte apresentou em 08/04/2013, aditamento a Manifestação de Inconformidade da Exclusão do Simples Nacional, fls. 3.431/3.453, onde contesta a exclusão do Simples Nacional pelos motivos mencionados pela fiscalização, praticamente repetindo as alegações anteriormente apresentadas. Observa que diferentemente da primeira representação fiscal que fundamentava a exclusão do Simples na suposta constituição da empresa por interpostas pessoas, esta segunda representação fiscal (aditada) tem como fundamento a suposição de que os sócios de outra empresa (Equipamentos Rodrigues) são os administradores da empresa excluída (Galego). Considera assim que houve vício material no ato administrativo retificado e não vício formal como quer fazer acreditar a autoridade fiscal, devendo ser declarada nula de início a exclusão da contribuinte do Simples. Estranha o fato da manifestação de inconformidade oferecida contra o primeiro ato declaratório de exclusão, não ter sido apreciada, como também não foram analisados os argumentos e provas apresentados com o objetivo de esclarecer os fatos como realmente ocorreram e impedir a exclusão da empresa do Simples Nacional. Supõe que os argumentos apresentados em sua inconformidade foram utilizados pela fiscalização para retificar o ato administrativo. Fl. 3900DF CARF MF Processo nº 16004.720053/201292 Resolução nº 2401000.735 S2C4T1 Fl. 7 6 Ao final, requer o acolhimento da Manifestação de Inconformidade e o cancelamento por consequência do Ato Declaratório Executivo SAORT/DRF/SRJ n° 095 retificado, afastando todos os seus efeitos e que seja determinado o arquivamento do presente processo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 0829.406 da 6ª Turma da DRJ/FOR, às fls. 3.737/3.745, julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade que manteve a exclusão da empresa do Sistema Simples Nacional, em conformidade com o Ato Declaratório Executivo SAORT/DRF/STR nº 095 retificado de 26/02/2013. Ato contínuo, a mesma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) lavrou o Acórdão de Impugnação nº 0829.406 (mesma numeração do Acórdão de Manifestação) da 6ª Turma da DRJ/FOR, às fls. 3.746/3.768, que julgou: a) Por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação e manter a sujeição passiva solidária; b) Por maioria de votos, manter integralmente o crédito tributário.Vencido o julgador Daniel Sobral de Almeida Braga, que votou pela exclusão de ofício da qualificação da multa, visto que a auditoria não teria se dado ao trabalho de enquadrar juridicamente a conduta descrita, imputando genericamente a ocorrência ou de sonegação ou de fraude ou de conluio, o que ofenderia o amplo direito de defesa da contribuinte. Notese que referido Acórdão surge em razão do fato de que, após o cancelamento do Ato Declaratório Executivo SAORT/DRF/SRJ n° 095 retificado, como consequência foi lavrado Auto de Infração cujo lançamento referese à contribuições previdenciárias da parte patronal e multas, tendo como base de cálculo os valores declarados em GFIP, cujas contribuições estão fundamentadas no Relatório Fiscal e no Relatório de Fundamentação Legal – FLD anexos ao citado Auto de Infração, envolvendo competências de 01/2009 a 12/2010, inclusive 13º salário, consolidado em 10/04/2013. Tal lançamento resultou, segundo o relatório fiscal da exclusão do Simples Nacional da empresa em epígrafe, conforme ADE/SAORT/DRF/SRJ 095/2012 e ADE/SAORT/DRF/SRJ 095/2013 – retificado. A Fiscalização esclareceu que para apuração do crédito tributário tomou como base os valores de remunerações declaradas pelo contribuinte constantes nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, as quais foram extraídas do banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil– RFB e encontramse anexas ao presente processo. Considerou ainda como fatos geradores das contribuições lançadas remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais discriminadas e declaradas na GFIP, em consonância com o artigo 28 da Lei n.8212/91, cujos valores encontramse relacionados no Relatório Fiscal, fl.3.548 e no Relatório de Lançamentos, fls.3.542/3.545. Para o cálculo das contribuições devidas informa que aplicou as alíquotas previstas no Art. 22 da Lei 8.212/91. Fl. 3901DF CARF MF Processo nº 16004.720053/201292 Resolução nº 2401000.735 S2C4T1 Fl. 8 7 Relata ainda a Auditoria que os sujeitos passivos solidários foram informados quanto aos fatos que ensejaram a imputação da responsabilidade solidária e intimados a se manifestar quanto a apresentação de documentação hábil e idônea que ilidisse a responsabilidade solidária, conforme Termo de Constatação e Intimação Fiscal datado de 27/12/2012. Informa que na resposta protocolada em 22/01/2013, os responsáveis solidários não apresentaram documento, alegando apenas não existir responsabilidade solidária. Diante do exposto a Auditoria lavrou Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome da pessoa Jurídica Equipamentos Rodrigues Ltda, bem como Termos de Sujeição Passiva Solidária na pessoa dos sócios Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues Da análise do quadro societário das empresas listadas a Auditoria reconheceu a solidariedade entre as empresas integrantes de um mesmo grupo econômico, para fins de recolhimento de contribuições previdenciárias, consoante os dispositivos legais a seguir relacionados: artigo 2.° da CLT; inciso IX do artigo 30 da Lei do Custeio da Previdência Social n.° 8.212, de 24 de julho de 1.991, com redação alterada pela Lei n.8.620/93; artigo 121, incisos I e II; artigo 124; artigo 128 e inciso III do artigo 135, do Código Tributário Nacional; artigo 265, parágrafo primeiro e segundo e artigo 267da Lei n. 6.404, de 15/12/1976, artigo 17 da Lei nº 8.884, de 11 de junho de 1994, Revogada pela lei n.12.529, de 30 de novembro de 2011, artigo 33 da Lei nº 12.529/2011 e artigo 222 do Regulamento aprovado pelo Decreto n.3.048/1999. Informou ainda a fiscalização que o presente crédito tributário foi lançado em nome de Galego Implementos para Transportes Ltda EPP "E OUTROS", tendo em vista que a documentação apreendida no estabelecimento da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda e os documentos apresentados na ação fiscal demonstram que a empresa Galego Implementos para Transportes Ltda EPP, juntamente com outras pessoas jurídicas formam um grupo econômico de fato. Aduziu que todos os fatos e documentos que caracterizam o grupo estão relatados na Representação Fiscal e juntados ao presente processo administrativo (nº 16004.720053/201292). Assim, com fulcro nos artigos 124, inciso I, e 135 do CTN a Auditoria Fiscal lavrou Termo de Sujeição Passiva Solidária, fls 3.562/3.613, onde fundamenta a responsabilidade solidária dos sócios pela identificação do interesse comum no fato gerador com base nos documentos e constatações evidenciadas durante a ação fiscal que fazem parte do presente processo e que demonstram claramente, a administração comum, confusão patrimonial, socorros financeiros, ausência de contrato de comodato para uso de máquinas e equipamentos, conduta que traduz a simulação da contratação de empregados pela Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda. posto que custeou a atividade da empresa Galego Implementos para Transportes Ltda, constituída por interpostas pessoas (procuradores da Equipamentos Rodoviários Rodrigues) como optante do SIMPLES e com o objetivo de afastar as contribuições patronais destinadas à seguridade social. Por fim, informa a fiscalização que em decorrência da conduta infracionária descrita acima conforme previsto nos artigos 71,72 e 73 da Lei 4.502/64, aplicou a multa de ofício em dobro no percentual de 150% (75% x 2) a partir da competência 01/2009 com Fl. 3902DF CARF MF Processo nº 16004.720053/201292 Resolução nº 2401000.735 S2C4T1 Fl. 9 8 fundamento no Art. 44, inciso I e § 1º da Lei 9.430/96, e considerou ser irrelevante distinguir se tal conduta se configurou em sonegação, fraude ou conluio já que demonstra infração a tipos definidos na citada Lei. Inconformada com as decisões exaradas pelo órgão julgador a quo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário contra os dois Acórdãos às fls. 3.784/3.806. Ou seja, verificase que nos presentes autos há competência concorrente da Primeira Seção (para julgamento do Recurso Voluntário protocolado em face do Acórdão de Manifestação de Inconformidade) e da Segunda Seção (para julgamento do Recurso Voluntário protocolado em face do Acórdão de Impugnação). É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente interpôs o Recurso Voluntário, tempestivamente, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO 2.1 Da necessidade de diligência. Da análise do presente feito, verificase que, embora o presente processo, verse sobre a exigência de contribuições previdenciárias da parte patronal e multas cominativas, apuradas em decorrência de exclusão da impugnante do Simples Nacional tendo como base de cálculo os valores declarados em GFIP, cujas contribuições estão fundamentadas no Relatório Fiscal e no Relatório de Fundamentação Legal – FLD anexos ao citado Auto de Infração. Também encontrase em curso nos presentes autos (processo administrativo digital nº 16004.720053/201292), O PROCESSO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES, acompanhado de todos os documentos probatórios dos fatos que serviram de base para emissão do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO N.095, 26/02/2013, os quais estão pendentes de julgamento o Recurso impetrado em face do acórdão de Manifestação de Inconformidade Nestes termos, em respeito ao disposto no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, incisos IV e V do artigo 2º, aprovado pela da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, alterado pela Portaria nº 152, de 03 de maio de 2016, temse que a competência para julgamento do recurso voluntário, referente ao procedimento de exclusão do Simples Nacional, pertence à Primeira Seção. Fl. 3903DF CARF MF Processo nº 16004.720053/201292 Resolução nº 2401000.735 S2C4T1 Fl. 10 9 Assim, verifico a necessidade de converter o feito em diligência, com o objetivo de encaminhar os presentes autos para a 1ª Seção para que efetue o julgamento do Recurso Voluntário apresentado em face do Acórdão de Manifestação nº 0829.406 – proferido pela 6ª Turma da DRJ/FOR – fls. 3.737/3.745, que manteve a exclusão da empresa recorrente – GALEGO IMPLEMENTOS PARA TRANSPORTES – do Sistema Simples Nacional, em conformidade com o Ato Declaratório Executivo SAORT/DRF/STR nº 095 retificado, de 26/02/2013, tendo em vista o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal, Portaria nº 343/2015, que determina a competência da Primeira Seção de Julgamento para apreciação de recursos contra exclusão do Simples Nacional, como se verifica: Art. 2º À 1ª(primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: [...]V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (Simples Nacional); Após, notificar a empresa sobre o resultado do julgamento e após o trânsito em julgado, restituir os autos para este Colegiado, para que também em face da competência regimental, possa realizar o julgamento do Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão de Impugnação às – Fls. 3.746/3.768. É como voto. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 3904DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10218.720068/2010-05
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CUSTOS. BARRO. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Os custos com barro constituem insumos do processo produtivo (siderurgia) do contribuinte e geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
CUSTOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. MOVIMENTAÇÃO DE FERRO GUSA (PRODUTO ACABADO). DESCARGA DE CARVÃO.
Os custos incorridos com serviços prestados por pessoa jurídica, mediante nota fiscal de prestação de serviços, para a movimentação de produto acabado (ferro gusa) e de descarga de carvão, constituem custos dos produtos fabricados/vendidos pelo contribuinte e geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
CUSTOS/DESPESAS. FRETES. TRANSPORTE DE BRITA CALCÁRIA E CALCÁRIO. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas incorridos com fretes para o transporte de brita calcária e calcário utilizados no processo produtivo do contribuinte (siderurgia) integram o custo destes insumos e, portanto, geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
Numero da decisão: 9303-008.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CUSTOS. BARRO. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos com barro constituem insumos do processo produtivo (siderurgia) do contribuinte e geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. CUSTOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. MOVIMENTAÇÃO DE FERRO GUSA (PRODUTO ACABADO). DESCARGA DE CARVÃO. Os custos incorridos com serviços prestados por pessoa jurídica, mediante nota fiscal de prestação de serviços, para a movimentação de produto acabado (ferro gusa) e de descarga de carvão, constituem custos dos produtos fabricados/vendidos pelo contribuinte e geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. CUSTOS/DESPESAS. FRETES. TRANSPORTE DE BRITA CALCÁRIA E CALCÁRIO. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com fretes para o transporte de brita calcária e calcário utilizados no processo produtivo do contribuinte (siderurgia) integram o custo destes insumos e, portanto, geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
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BARRO. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos com barro constituem insumos do processo produtivo (siderurgia) do contribuinte e geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. CUSTOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. MOVIMENTAÇÃO DE FERRO GUSA (PRODUTO ACABADO). DESCARGA DE CARVÃO. Os custos incorridos com serviços prestados por pessoa jurídica, mediante nota fiscal de prestação de serviços, para a movimentação de produto acabado (ferro gusa) e de descarga de carvão, constituem custos dos produtos fabricados/vendidos pelo contribuinte e geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. CUSTOS/DESPESAS. FRETES. TRANSPORTE DE BRITA CALCÁRIA E CALCÁRIO. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com fretes para o transporte de brita calcária e calcário utilizados no processo produtivo do contribuinte (siderurgia) integram o custo destes insumos e, portanto, geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 00 68 /2 01 0- 05 Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10218.720068/201005 Acórdão n.º 9303008.591 CSRFT3 Fl. 332 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial interposto tempestivamente pala Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3403001.353, de 24/01/2012, proferido pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O Colegiado da Câmara Baixa, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos da seguinte ementa: "Assunto:Programa de Integração Social – PIS/PASEP (de fato Cofins) Período de Apuração: 4º trimestre de 2005 Ementa: PIS/PASEP. DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÕES. REGIME NÃO CUMULATIVO. O direito ao credito de PIS e COFINS sobre aquisições não se limita tão só aos insumos e partes que se desgastam em contato com o produto final, mas também dos componentes desgastados ou destruídos pela ação direta no processo produtivo sem a qual inviabilizaria o produto final." Intimada do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, suscitando divergência, quanto ao direito de o contribuinte aproveitar créditos sobre os custos/despesas com: 1) aquisições de barro; 2) prestações de serviços relativas à movimentação de gusa (produto acabado) e mãodeobra de ajudante de descarga de carvão; e, 3) despesas com frete para o transporte de brita calcária e de calcário. Segundo seu entendimento, tais custos/despesas não constituem insumos do processo de produção/fabricação dos produtos vendidos pelo contribuinte, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e, consequentemente, não geram créditos passíveis de dedução do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal. Assim, a glosa dos créditos aproveitados indevidamente pelo contribuinte, efetuada pela Fiscalização e revertida no acórdão recorrido, deve ser mantidas. Por meio do Despacho de Admissibilidade às fls. 306e/307e, o Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção admitiu o recurso especial da Fazenda Nacional. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10218.720068/201005 Acórdão n.º 9303008.591 CSRFT3 Fl. 333 3 Notificado do acórdão recorrido, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho da sua admissibilidade, o contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pela manutenção do acórdão recorrido pelos seus próprios fundamentos. Em síntese é o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O recurso especial da Fazenda Nacional atende ao pressuposto de admissibilidade e deve ser conhecido. A matéria em discussão, nesta fase recursal, abrange o direito de o contribuinte aproveitar créditos da C ofins não cumulativa sobre os custos/despesas incorridos com: 1) aquisições de barro; 2) prestações de serviços relativas à movimentação de gusa (produto acabado) e mãodeobra de ajudante de descarga de carvão; e, 3) despesas com frete para o transporte de brita calcária e de calcário. A Lei nº 10.833/2003 que instituiu o regime não cumulativo para a Cofins, assim dispunha, quanto aos insumos e ao aproveitamento de créditos, no período dos fatos geradores dos créditos, objeto do ressarcimento/compensação em discussão: "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...); II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...). IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...)". O contribuinte é uma empresa siderúrgica que tem como objeto econômico, dentre outros, a produção, comercialização e transporte de ferro gusa, de aço, ligas metálicas e peças fundidas de ferro, de aço e ligas metálicas, produção, comercialização, transporte e mineração de calcário; produção, comercialização, transporte de sinter de minérios em geral. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10218.720068/201005 Acórdão n.º 9303008.591 CSRFT3 Fl. 334 4 Os custos com barro e brita calcária constituem insumos do processo de produção de ferro gusa e aço. Tratase de produtos imprescindíveis à produção destes produtos e, portanto, geram créditos nos termos do inciso II do art. 3º, citados e transcritos. Já os custos/ despesas incorridos com prestações de serviços relativas à movimentação de gusa (produto acabado) e mãodeobra de ajudante de descarga de carvão, bem como com frete para o transporte de brita calcária e de calcário, enquadramse como insumos, nos termos do inciso II do art. 3º, citados e transcritos anteriormente, na medida que integram o custo dos produtos fabricados. No julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ampliou o conceito de insumos, para efeito de aproveitamento de créditos do PIS e da Cofins, reconhecendo como tal, os custos e despesas empregados direta e indiretamente no processo de produção/fabricação dos bens destinados a venda pelo contribuinte. Consoante a decisão do STJ "o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a impossibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". Em face da decisão do STJ, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional expediu a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF que autoriza seus procuradores a dispensa de contestar e recorrer, com fulcro no art. 19, inc. IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, inc. V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016, contra decisão desfavorável à União Federal, quanto ao conceito de insumos e respectivo direito de se aproveitar créditos sobre tais insumos, nos termos definidos no julgamento do referido REsp, observada a particularidade do processo produtivo de cada contribuinte. Dessa forma, a reversão da glosa dos créditos sobre os custos/despesas incorridos com: 1) aquisições de barro; 2) prestações de serviços relativas à movimentação de gusa (produto acabado) e mãodeobra de ajudante de descarga de carvão; 3) despesas com fretes para o transporte de brita calcária e de calcário, determinada no acórdão recorrido, deve ser mantida, reconhecendose o direito de o contribuinte aproveitar créditos sobre tais custos/despesas, tendo em vista sua relevância e importância para o desenvolvimento das atividade do contribuinte. Além disto, por força do disposto no § 2º do art. 62 do Anexo II, do RICARF. c/c a decisão do STJ, no REsp 1.221.170/PR, sob o regime repetitivo, art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil e com a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, adotase, para o presente caso, essa mesma decisão, para negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Em face do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10218.720068/201005 Acórdão n.º 9303008.591 CSRFT3 Fl. 335 5 Fl. 335DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.909195/2012-54
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente analise os documentos acostados pelo sujeito passivo por ocasião do recurso voluntário (documentos gerenciais indicando os recolhimentos de IOF e os correspondentes lançamentos contábeis) com vistas a verificar se de fato reflete o valor do IOF pleiteado. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche (relator) que rejeitou a proposta de diligência. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Roberto da Silva.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Luis Felipe de Barros Reche - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: LUIS FELIPE DE BARROS RECHE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente analise os documentos acostados pelo sujeito passivo por ocasião do recurso voluntário (documentos gerenciais indicando os recolhimentos de IOF e os correspondentes lançamentos contábeis) com vistas a verificar se de fato reflete o valor do IOF pleiteado. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche (relator) que rejeitou a proposta de diligência. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Roberto da Silva. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente analise os documentos acostados pelo sujeito passivo por ocasião do recurso voluntário (documentos gerenciais indicando os recolhimentos de IOF e os correspondentes lançamentos contábeis) com vistas a verificar se de fato reflete o valor do IOF pleiteado. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche (relator) que rejeitou a proposta de diligência. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Roberto da Silva. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório Referese o presente processo a pedido de compensação relativo a pagamento a maior ou indevido, a título de IOF – Operações de crédito/Pessoa Física. Por economia processual e por bem relatar a realidade dos fatos reproduzo o relatório da decisão de piso: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 09 19 5/ 20 12 -5 4 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 16327.909195/201254 Resolução nº 3001000.231 S3C0T1 Fl. 480 2 “Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito próprio com suposto direito de crédito decorrente de pagamento a maior de IOF. O valor pago a maior teria sido de R$ 227.529,51 (DARF no total de R$ 934.944,33, recolhido em 13/11/2009) e a quantia aproveitada na DCOMP foi de R$ 18.254,49. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando o feito, sob o fundamento de que o DARF indicado como fonte do valor pago a maior estava integralmente comprometido na quitação de outro débito confessado pela contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação declarada. Cientificada desse despacho em 17/12/2012, em 16/01/2013 a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando ter cometido erro no preenchimento da DCTF o que levou à vinculação integral do pagamento feito por meio do DARF indicado como fonte do crédito compensado. Não obstante, prossegue, o erro de fato foi sanado por meio da entrega da DCTF. Pleiteia, a suspensão da exigibilidade do crédito, assim como a reforma do despacho decisório com a conseqüente homologação do procedimento”. Retornando os autos para a Delegacia de Julgamento, esta considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade formalizada, em decisão assim ementada: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 13/11/2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não se homologa a compensação declarada”. Em 22/12/2018 o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (doc. fls. 059 a 066)1, por meio do qual reitera as razões de sua Manifestação de Inconformidade alegando ainda, em síntese, que: 1 Todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo digital, em razão de este processo administrativo ter sido materializado na forma eletrônica. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 16327.909195/201254 Resolução nº 3001000.231 S3C0T1 Fl. 481 3 a) na qualidade de instituição financeira, teria realizado operações de câmbio, mas seus sistemas de apuração do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) não estaria adaptado para excluir da tributação montantes baixados para prejuízo, de sorte que tais baixas eram efetuada manualmente pelo departamento contábil do Banco e, no fechamento da mencionada apuração, tal baixa manual não teria ocorrido, tendo levado as operações à tributação gerando o pagamento a maior tais divergências seriam naturalmente perceptíveis nos documentos que junta aos autos; b) sua boafé em produzir provas não pode ser cerceada por “extrema formalidade”, de sorte que “a possibilidade de juntada de provas em qualquer momento processual, desde que garantida para a parte adversa a possibilidade de manifestação, respeitando o contraditório e a ampla defesa, não fere qualquer garantia ou defeito fundamental”; c) à luz do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996, é de seu direito ver concluído seu pedido de compensação, visto que teria recolhido a maior a quantia de R$ 18.254,49 e teria cumprido todas as exigências legais relacionadas ao pedido, mas, por erro de fato contido em DCTF já devidamente retificada, não teve o seu pedido homologado. Depois de juntar aos autos, ao fim de sua peça recursal, documentos gerenciais indicando os recolhimentos de IOF e os correspondentes lançamentos contábeis que teria efetuado (doc. fls. 088 a 105), além de cópia das DTCF Original e Retificadora, o Banco requer o conhecimento e o provimento do recurso visando à homologação integral das compensações, protestando pela juntada de novos documentos comprobatórios de seu direito. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Felipe de Barros Reche, Relator. Competência para julgamento do feito O litigio materializado no presente processo observa o limite de alçada e a competência deste Colegiado para apreciar o feito, consoante o que estabelece o art. 23B do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 9 de junho de 20152. 2 Art. 23B As turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários relativos a exigência de crédito tributário ou de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário, bem como os processos que tratem: (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) I de exclusão e inclusão do Simples e do Simples Nacional, desvinculados de exigência de crédito tributário; (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) II de isenção de IPI e IOF em favor de taxistas e deficientes físicos, desvinculados de exigência de crédito tributário; e (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Fl. 110DF CARF MF Processo nº 16327.909195/201254 Resolução nº 3001000.231 S3C0T1 Fl. 482 4 Conhecimento do recurso O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, de sorte que dele tomo conhecimento. Análise do mérito A discussão nos autos se inicia com Manifestação de Inconformidade pelo indeferimento de solicitação de compensação formalizada na PER/DCOMP no 02212.10057.250711.1.3.040586, de 25/07/2011, por meio da qual o recorrente informou ter realizado pagamento a maior de Imposto sobre Operações Financeiras IOF decorrente de erro contido em Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais DCTF, supostamente saneado por meio de DCTF Retificadora por ele registrada. A denegação da solicitação formulada ocorreu por meio de Despacho Decisório da Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo (DEINF/São Paulo SP), no qual, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, a unidade constatou que o pagamento informado teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O Acórdão recorrido julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, fundamentando a decisão sob os argumentos de que: (i) a DCTF retificadora teria sido transmitida em 14/01/2013, após, portanto, à ciência do despacho decisório de não homologação, retirando do sujeito passivo o caráter da espontaneidade;, e (ii) nenhuma documentação foi juntada aos autos no sentido de comprovar liquidez e certeza que devem amparar o direito de crédito. Sustenta no voto aquela autoridade julgadora que (fls. 049 – grifos nossos): “Observese que simples entrega da DCTF retificadora não tem o condão de revestir de liquidez e certeza o direito de crédito compensado. É necessária a comprovação do erro de apuração alegado situação em foco não se configura como simples erro material de preenchimento, dado que o recolhimento se deu na mesma medida do débito alegado como declarado a maior. (...) No entanto nenhuma documentação foi juntada aos autos no sentido da comprovação da liquidez e certeza que devem configurar o direito de crédito. A contribuinte não indica, por exemplo, o motivo pelo qual teria reduzido o montante do débito indicado na DCTF original. Não apresentou, também, nenhum demonstrativo ou documento capaz de apontar o erro de apuração que provocou a retificação da DCTF. Notese que o valor indicado na DCTF original coincide com o que foi recolhido pela contribuinte por meio de DARF, do que se depreende que a situação não se restringe a simples erro de preenchimento do formulário da DCTF, mas sim de nova apuração do débito. Essa nova apuração deve estar suportada por documentação que possibilite a III exclusivamente de isenção de IRPF por moléstia grave, qualquer que seja o valor. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (...) Fl. 111DF CARF MF Processo nº 16327.909195/201254 Resolução nº 3001000.231 S3C0T1 Fl. 483 5 administração certificar o novo valor do débito, admitir a retificadora, reconhecer o pagamento a maior e homologar a compensação que dele se aproveitou”. Em que pese os argumentos expostos pela Recorrente, razão não lhe assiste. A razão está com a decisão recorrida. Como assevera o Acórdão da DRJ, o Despacho Decisório está materialmente correto, visto que, quando de sua emissão anteriormente à promoção da retificação da DCTF pelo recorrente, não havia saldo de crédito disponível para amparar o pedido de compensação. Também não merece reforma a decisão de piso. Tratandose de direito creditório pleiteado sem qualquer lastro documental, a autoridade fiscal acertou em não homologálo. A Manifestação de Inconformidade que deu início ao contencioso foi instruída somente com cópias do Despacho Decisório e da DCTF Retificadora, desacompanhados dos documentos e elementos de prova necessários à comprovação da certeza e liquidez do crédito, como assevera a decisão recorrida. Ressaltese que todos os documentos e informações então juntados ao Recurso Voluntário pelo recorrente, os quais, segundo o Banco, comprovariam o equívoco, estavam disponíveis à data da Manifestação de Inconformidade e poderiam ter sido oferecidos aos julgadores a quo para análise e julgamento em sede primeira instância administrativa. Quanto à tese defendida na peça recursal acerca da possibilidade de juntada de provas em qualquer momento processual, também não prosperam os argumentos utilizados pelo recorrente. Com efeito, é farta a jurisprudência deste Conselho no sentido de que, em pedidos de restituição/compensação/ressarcimento, é do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido e ainda que a prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Estas decisões estão amparadas: i) na legislação tributária, que dispõe que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5o do DecretoLei no 2.124, de 19843) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN4); 3 Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2º, 3º e 4º do artigo 11 do Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. 4Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos Fl. 112DF CARF MF Processo nº 16327.909195/201254 Resolução nº 3001000.231 S3C0T1 Fl. 484 6 ii) na lei que trata do processo administrativo tributário federal, que estabelece que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, a menos que fique demonstrada sua impossibilidade por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriores (art. 16, §4o, do Decreto no 70.235, de 19725); iii) no art. 373 da Lei no 13.105/20156, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Tomo como exemplo o Acórdão da CSRF no 9303005.226, sessão de 20 de junho de 2017, de relatoria da i. Conselheira Vanessa Marini Cecconello, cuja ementa reproduzo, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/11/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 5 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) 6 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no §1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. (...) Fl. 113DF CARF MF Processo nº 16327.909195/201254 Resolução nº 3001000.231 S3C0T1 Fl. 485 7 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complemenares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado. Peço licença para agregar aos meus argumentos os fundamentos utilizados pela i. Conselheira Relatora designada, em seu voto condutor naquele Acórdão: “Embora se entenda que a apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é uma condição para a homologação das compensações, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, quando da sua apresentação, deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, providência não adotada no caso em exame. De outro lado, no que concerne ao ônus da prova da certeza e liquidez do crédito tributário, devese ter claro que, pelo princípio da verdade material, norteador do processo administrativo, o julgador tem o poderdever de buscar o esclarecimento dos fatos, adotando providências no sentido de conduzir o processo à busca da verdade real dos fatos. No entanto, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações”. De outra feita, é cediço que este E. Tribunal tem até flexibilizado texto seco da norma, permitindo que sobrevenham documentos complementares que comprovem a existência do crédito. Como dito linhas acima, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do sujeito passivo, é papel do julgador solicitar documentos de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Com efeito, a DCTF retificadora enviada pelo contribuinte em 2013 e anexada aos autos por ocasião da Manifestação de Inconformidade deve ser recebida como elemento indicativo do direito ao crédito, sendo irrelevante o fato de já ter sido proferido Despacho Decisório, pois se busca a verdade material. Mas a simples apresentação de DCTF retificadora não possibilitou ao julgador de piso concluir pela existência do direito creditório. Ou seja, não se dispensa a instrução da Manifestação de Inconformidade com documentos hábeis e idôneos para justificar as alterações dos valores registrados na DCTF original. O recorrente protesta Fl. 114DF CARF MF Processo nº 16327.909195/201254 Resolução nº 3001000.231 S3C0T1 Fl. 486 8 pela juntada de novos documentos comprobatórios de seu direito, mas não merece amparo o referido requerimento nesta fase processual. Conclusões Diante do exposto, VOTO no sentido de tomar conhecimento do Recuso Voluntário do contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. (documento assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche Voto Vencedor Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Redator Designado Expresso no presente voto minhas divergências em relação ao posicionamento externado pelo relator, Conselheiro Luis Felipe de Barros Reche, e cujo entendimento também foi acompanhado pelo Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante. Na decisão de primeira instância o voto condutor apresenta os seguintes fundamentos para julgar improcedente a manifestação de inconformidade: Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados à Receita Federal em outras declarações, bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), resultando no Despacho Decisório em discussão. Como dito, o ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito confessado pela interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Daí a nãohomologação. Em sede de manifestação de inconformidade, a interessada alega equívoco no preenchimento da DCTF o que levou ao comprometimento de todo o pagamento feito no documento de arrecadação indicado como origem do direito de crédito. Diz ainda que o equívoco foi corrigido pela entrega de DCTF retificadora. (...) Observese que simples entrega da DCTF retificadora não tem o condão de revestir de liquidez e certeza o direito de crédito compensado. É necessária a comprovação do erro de apuração alegado situação em foco não se configura como simples erro material de preenchimento, dado que o recolhimento se deu na mesma medida do débito alegado como declarado a maior. Percebese que o fundamento da decisão recorrida para negar o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional está na ausência de demonstração, por meio de Fl. 115DF CARF MF Processo nº 16327.909195/201254 Resolução nº 3001000.231 S3C0T1 Fl. 487 9 documentação hábil e idônea, que a obrigação tributária principal e inicialmente informada em DCTF foi indevida. Diante desta decisão a recorrente apresenta os seguintes argumentos: (...) (...) Fl. 116DF CARF MF Processo nº 16327.909195/201254 Resolução nº 3001000.231 S3C0T1 Fl. 488 10 O presente caso se enquadra às situações em que o sujeito passivo busca provar o direito que alega lhe assistir, agindo proativamente conforme estabelecido no princípio da cooperação, disposto no artigo 6º do Novo Código de Processo Civil – Lei no 13.105/2015, cuja redação assim estabelece: "todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva". Assim sendo, lanço mão do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 06.03.1972, que assim dispõe: "a autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis". Corroborado pelas disposições do Decreto nº 7.574/2001, cujas regras são também aplicáveis aos Colegiados de Segunda Instância. Portanto, considerando a relevância dos documentos apresentados pela recorrente com vistas a demonstrar os valores que deram origem ao direito creditório pleiteado, voto por baixar o presente processo em diligência para que a autoridade competente da unidade fiscal de origem proceda da seguinte forma: 1) Analise os documentos acostados pelo sujeito passivo por ocasião do recurso voluntário com vistas a verificar se a apuração da Imposto sobre Operações Financeiras – IOF reflete os registros contábeis e fiscais juntados. Se entender necessário, intime o contribuinte a apresentar outros documentos que julgar pertinentes. 2) Avaliar a procedência dos créditos referentes ao Imposto sobre Operações Financeiras – IOF alegadas concernentes aos registros apresentados de modo a confirmar o direito creditório pleiteado e informado na Declaração de Compensação. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 16327.909195/201254 Resolução nº 3001000.231 S3C0T1 Fl. 489 11 3) Elaborar relatório conclusivo e circunstanciado sobre os procedimentos adotados. 4) Dêse ciência do relatório à recorrente concedendolhe prazo de 30 dias para, querendo, manifestarse. Após a realização dos procedimentos acima, retornese os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. Para tanto, devem os presentes autos retornar para a Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo, para atendimento da diligência. Após esta providência, os presentes autos deverão ser devolvidos a este CARF, para prosseguimento do feito. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 118DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.011778/2005-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PEDIDO DE DILIGÊNCIA REJEITADO. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO.
Cabe ao sujeito passivo trazer aos autos a documentação comprobatória das suas alegações devidamente ordenada, com indicação precisa dos lançamentos contábeis e fiscais aos quais corresponde, especialmente no caso de presunções legais. O minucioso exame da documentação juntada pela recorrente, contido no voto condutor do acórdão embargado, afasta a possibilidade de contradição decorrente de negativa a pedido de realização de diligência, devendo-se rejeitar os embargos.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO INTEMPESTIVAMENTE APRESENTADA APÓS O JULGAMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. INOCORRÊNCIA DE OMISSÃO. Justificam- se os embargos de declaração nos casos de omissão pela turma julgadora no exame de documentação tempestivamente trazida aos autos. Ausência de análise de acervo juntado 9 (nove) meses após o julgamento do recurso voluntário não caracteriza, por óbvio, a ocorrência de omissão, pressuposto para acolhimento dos embargos.
Numero da decisão: 1103-000.768
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR os embargos opostos pela contribuinte.
Nome do relator: Aloysio Jose Percinio da Silva
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PEDIDO DE DILIGÊNCIA REJEITADO. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. Cabe ao sujeito passivo trazer aos autos a documentação comprobatória das suas alegações devidamente ordenada, com indicação precisa dos lançamentos contábeis e fiscais aos quais corresponde, especialmente no caso de presunções legais. O minucioso exame da documentação juntada pela recorrente, contido no voto condutor do acórdão embargado, afasta a possibilidade de contradição decorrente de negativa a pedido de realização de diligência, devendose rejeitar os embargos. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO INTEMPESTIVAMENTE APRESENTADA APÓS O JULGAMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. INOCORRÊNCIA DE OMISSÃO. Justificam se os embargos de declaração nos casos de omissão pela turma julgadora no exame de documentação tempestivamente trazida aos autos. Ausência de análise de acervo juntado 9 (nove) meses após o julgamento do recurso voluntário não caracteriza, por óbvio, a ocorrência de omissão, pressuposto para acolhimento dos embargos. Fl. 1091DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09049.ZLEX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.011778/200593 Acórdão n.º 1103000.768 S1C1T3 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR os embargos opostos pela contribuinte. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Os autos tratam de exigência de crédito tributário relativo aos anos calendário 2000 e 2004 constituído mediante autos de infração de IRPJ – imposto de renda pessoa jurídica (fls. 004) e, como tributação reflexa, de CSLL – contribuição social sobre o lucro líquido (fls. 019), PIS – programa de integração social (fls. 014) e Cofins – contribuição para financiamento da seguridade social (fls. 028). Os autos de infração decorreram das infrações adiante indicadas, detalhadamente descritas no TVF – termo de verificação fiscal (fls. 033): 1) receita omitida no anocalendário de 2000, caracterizada pela falta de contabilização e de comprovação da origem de recursos recebidos do exterior, por meio de conta CC5, conforme item 01 do TVF; 2) diferença apurada entre valores escriturados e declarados/pagos verificações obrigatórias: dedução, na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) apresentada para o ano calendário de 2004, de crédito inexistente na apuração do IRPJ, a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), conforme item 02 do TVF. Em face de tempestiva impugnação (fls. 185), o processo passou ao exame da 4ª Turma da DRJ/FortalezaCE que, por intermédio do Acórdão nº 9.076/2006 (fls. 531), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão de primeira instância, a contribuinte autuada interpôs recurso voluntário (fls. 557), parcialmente provido pela e. 3ª Câmara do antigo Fl. 1092DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09049.ZLEX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.011778/200593 Acórdão n.º 1103000.768 S1C1T3 Fl. 3 3 Primeiro Conselho de Contribuintes nos termos do Acórdão nº 10323.051/2007 (fls. 743), assim resumido: “MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O mandado de procedimento fiscal constitui procedimento administrativo de controle das ações fiscais prescindível para validade do ato de lançamento tributário realizado por servidor competente nos termos da lei. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Inexistência de pagamento, ou descumprimento do dever de apresentar declarações, não alteram o prazo decadencial nem o termo inicial da sua contagem. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Os valores depositados em conta bancária cuja origem não foi comprovada devem ser tributados como omissão de receitas da pessoa jurídica, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96. Comprovar a origem pressupõe identificar claramente a operação que deu causa aos depósitos, de forma devidamente documentada e respaldada na contabilidade. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao fisco, como regra geral, reunir os elementos caracterizadores da infração indicada. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora em percentual equivalente à taxa Selic. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração decorrente ou reflexo, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção.” A Câmara rejeitou as preliminares de nulidade suscitadas pela recorrente, acolheu a preliminar de decadência suscitada pelo Relator quanto a PIS e Cofins e, no mérito, determinou a exclusão da exigência de RS 1.027.197,18 (item 002 do auto de infração). Cientificada da decisão em 23/03/2009 (fls. 825), a recorrente opôs embargos de declaração no dia 30 do mesmo mês (fls. 826) alegando ocorrência de contradição e omissão no acórdão. Requereu o recebimento dos embargos com efeito modificativo. O mesmo acórdão também já fora alvo de embargos declaração (fls. 765) e de recurso especial (fls. 777), ambos interpostos pela PFN – Procuradoria da Fazenda Nacional. Os embargos foram rejeitados (fls. 777) e o recurso especial teve seguimento negado (fls. 788). Fl. 1093DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09049.ZLEX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.011778/200593 Acórdão n.º 1103000.768 S1C1T3 Fl. 4 4 É o relatório. Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva – Relator O recurso foi apresentado por parte legítima, tempestivamente, além de reunir os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. O processo foi distribuído a este relator em razão do comando do art. 3º, § 4º, da Portaria MF 256/2009: "Art. 3° Os recursos já sorteados aos conselheiros anteriormente à edição desta Portaria não serão devolvidos ou redistribuídos e serão julgados na turma para a qual o conselheiro for designado. (...) § 4° Os processos que retornem de diligência e os com embargos de declaração interpostos em face de acórdãos exarados em sessões anteriores à vigência deste Regimento Interno serão distribuídos ao relator original do recurso, salvo quando estiver atuando em colegiado com especialização diversa da do anterior." Embargos de declaração são cabíveis quando identificada no acórdão a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma, segundo previsto no art. 65 do anexo II do Regimento Interno do Carf (Ricarf). A embargante identificou contradição entre o expresso reconhecimento pelo relator de aparência de verdade das suas alegações e a negativa para realização de diligência. Assim expôs o seu entendimento: “Em manifesta contradição com o principio in dubio pro contribuinte (Código Tributário Nacional, art. 112, II), o V. Acórdão, mesmo reconhecendo a aparência de verdade das alegações da Embargante, deixou de proceder a diligência para sanar eventual carência documental e simplesmente negou procedência ao seu Recurso Voluntário, alegando faltar um elo para transformar ‘verossimilhança’ em ‘verdade processual’. Ou seja, subjugou o conteúdo, a substancia à forma, numa visão reducionista e formalista da finalidade do processo, que, seja administrativo ou judicial, busca única e exclusivamente esclarecer a verdade material.” Inexistiu a contradição alegada. Fl. 1094DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09049.ZLEX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.011778/200593 Acórdão n.º 1103000.768 S1C1T3 Fl. 5 5 A recorrente transcreveu na sua peça de contestação apenas parcialmente a fundamentação desenvolvida no voto condutor do acórdão, esquecendose de trechos relevantes para a completa compreensão dos fatos, especialmente naquilo referente à distribuição do ônus da prova. Eis o texto completo: “No mérito, a omissão de receitas indicada pela fiscalização no ano calendário 2000 foi caracterizada pela ausência de comprovação de origem de depósito bancário no valor de R$ 174.616.962,07, no dia 27/06/2000, com base na presunção relativa instituída pelo art. 42 da Lei 9.430/96, que assim dispõe, no seu caput: ‘‘Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.’’ A fiscalização intimou a recorrente (fls. 69) a comprovar os registros contábeis referentes à aplicação financeira que alegava manter no exterior em dezembro de 1999 e a apresentar a documentação comprobatória da aquisição desse ativo, além da documentação relativa à transferência de titularidade junto às instituições financeiras emitentes, conforme previsto na cláusula sexta do contrato de compra e venda de ações firmado entre a recorrente, então denominada Vicunha Nordeste S/A – Indústria Têxtil, como compradora, e Textília S/A, sua controladora, como vendedora (fls. 55). Em resposta, informou que as provas já foram apresentadas no processo administrativo nº 10380.012341/200496. No recurso, afirmou que o depósito questionado tem origem no resgate de aplicações financeiras mantidas fora do país, cujos recursos foram parcialmente tributados pela fiscalização a título de IRRF no referido processo, sob a acusação de pagamento a terceiro não identificado, quando da remessa ao exterior para realização do investimento. No julgamento do citado processo, a DRJ acolheu parcialmente preliminar de decadência suscitada pelo sujeito passivo e considerou procedente o lançamento no mérito, recorrendo de ofício em relação à parcela excluída do crédito tributário (fls. 82). Por sua vez, a 2ª Câmara deste Conselho, proferiu o Acórdão nº 102 48.270/20071, resultante do julgamento do Recurso nº 147877, nos seguintes termos: ‘Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos: (I) REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento; (II) ACOLHER a preliminar de decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no mês de outubro de 1998. No mérito, por maioria de votos, DESQUALIFICAR a multa e ACOLHER a preliminar de decadência. Vencidos os Conselheiros Naury Fragoso Tanaka e Antônio José Praga de Souza que apresenta declaração de voto.’ A meu ver, a tentativa de vinculação do depósito tratado àquela transferência ao exterior, objeto do processo de IRRF acima mencionado, não socorre a recorrente, uma vez que, mesmo que se admita que os recursos foram enviados ao exterior em maio de 1999 para aplicação financeira, não foram exibidos registros na sua contabilidade de lançamentos relativos a “acréscimo de ganhos financ.”, de permanência da aplicação em 30/12 daquele ano (data do contrato de compra e venda das ações fls. 55), apesar da intimação específica para tal (fls. 69), e de transferência da aplicação para a vendedora das ações. Observese que no item 18.1, “d”, (fls. 571) do seu recurso voluntário, a interessada indica o total de R$ 1 Segundo consta de “informações processuais” no site www.conselhos.fazenda.gov.br. Fl. 1095DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09049.ZLEX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.011778/200593 Acórdão n.º 1103000.768 S1C1T3 Fl. 6 6 11.118.264,29 como “acréscimo de ganhos financ.”, decorrentes de variação cambial e juros conforme consta do item 21 (fls. 573) da mesma peça recursal, sem, no entanto, apresentar os lançamentos contábeis correspondentes. Não é demais lembrar, para que não se desvie o foco do julgamento, que o alvo do lançamento tributário ora analisado é a comprovação da origem do depósito bancário realizado em 27/06/2000 e não a transferência para fora do país ocorrida em maio de 1999, que, conforme visto acima, foi objeto de tributação pelo IRRF tratada em processo próprio, sob nº 10380.012341/200496. Também merece destaque a discrepância entre as datas de vencimento das aplicações no BBA Creditanstal Bank Ltd, que a recorrente alega justificar a origem do valor depositado, e aquela da realização do depósito. Enquanto os vencimentos previstos nas cláusulas 3.1 e 3.3 do contrato de compra e venda das ações (fls. 59) eram para 21/01/2000 e 08/05/2000, respectivamente, o depósito ocorreu em 27/06/2000. Por sua vez, os documentos trazidos aos autos pela recorrente – a exemplo de extrato “Sisbacen” referente à transferência do exterior no valor do depósito alvo do lançamento (fls. 81), formulário de controle interno de sua contabilidade (fls. 118); página do livro razão com registro de lançamento sob histórico “aplicação BBA 14/05/99” (fls. 121); relação de transferências para o exterior (fls. 277); tradução oficial de carta em língua inglesa atribuída ao BBA Creditanstal Bank Ltd noticiando “confirmação de negócio” de US$ 40.000.000,00 em maio de 1999 (fls. 425); registros contábeis (fls. 66/67, 484/495 e 498/502), extrato bancário (fls. 62) e planilha de controle interno de aplicação financeira (fls. 63) da Textília S/A; etc. – também são imprestáveis para comprovação da existência na sua contabilidade, em dezembro de 1999, da alegada aplicação financeira, da sua transferência para a vendedora das ações, e dos valores relativos a variação cambial e juros. A indicação pura e simples do motivo do depósito é insuficiente para desconstituir a presunção de omissão de receitas instituída pelo referido art. 42 da Lei 9.430/96, cujo ônus recai sobre o sujeito passivo por se tratar de presunção legal relativa. Comprovar a origem pressupõe identificar clara e inequivocamente a operação que deu causa aos depósitos, de forma devidamente documentada e respaldada nos registros contábeis da pessoa jurídica. Em resumo, fazse necessária a prova de que o valor creditado tem origem nas movimentações patrimoniais reconhecidas na escrituração contábil regular. Revistos os autos, constatase que documentação acostada revela aparência de verdade nas alegações da recorrente, em especial a coincidência de valores debitado na conta da recorrente e creditado na conta da Textília S/A, R$ 173.953.417,61, em 27/06/2000, conforme extratos às fls. 496/497. Por outro lado, falta o elo capaz de transformar tal verossimilhança em verdade processual, qual seja, a exibição da contabilidade da pessoa jurídica na qual estejam registrados os fatos relatados. Ao final, permanece injustificada a origem do depósito, o que autoriza a tributação do seu valor como receita omitida. A recorrente não apresentou até a data deste julgamento os documentos anexados ao ‘processo correlato’ que seriam “ulteriormente trazidos a este feito”, conforme informou no item 96.4 da peça recursal (fls. 606).” Lendose atentamente, vêse com clareza que o voto condutor do acórdão atacado abordou expressamente todos os argumentos postos no recurso e conteve exame Fl. 1096DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09049.ZLEX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.011778/200593 Acórdão n.º 1103000.768 S1C1T3 Fl. 7 7 individualizado e detalhado da documentação apresentada, com identificação de valores, indicação da localização nos autos (fls.) e exposição objetiva do resultado da avaliação. Tratandose da presunção legal relativa contida no comando do art. 42 da Lei 9.430/1996, cabia à contribuinte trazer aos autos os elementos comprobatórios da origem dos créditos bancários, conforme expressa e claramente referido no voto acima transcrito. Ademais, cabe ao sujeito passivo apresentar a documentação probatória devidamente ordenada, com identificação precisa dos lançamentos contábeis e fiscais aos quais corresponde, especialmente no caso de presunções legais. A simples juntada de documentos sem vinculação indicativa dos fatos e lançamentos que visa a comprovar não o socorre, tendo em vista ser descabido exigirse do julgador a realização de tarefa sob a responsabilidade da recorrente, suprindolhe a falha no esforço probatório. Apesar disso, constatase no acórdão embargado a existência de minucioso exame da documentação juntada, conforme já registrado acima. A alegação de contradição é, portanto, descabida. O segundo vício apontado pela embargante foi o de omissão em razão de suposta desconsideração de documentação que conteria “cabais provas que demonstram de maneira insofismável e irretorquível a origem lícita dos valores recebidos ...”. As tais provas foram entregues na secretaria da câmara no dia 11/04/2008, conforme carimbo de recepção aposto na petição de juntada da embargante (fls. 794 e 833), enquanto o julgamento do recurso voluntário ocorreu na sessão de julgamento do dia 13/07/2007 (fls. 743). Como a apresentação da documentação pela embargante aconteceu 9 (nove) meses pós o julgamento, tais provas jamais poderiam ser objeto do exame realizado. É igualmente descabida, portanto, a afirmação de omissão. Conclusão Pelo exposto, rejeito os embargos da contribuinte. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 1097DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09049.ZLEX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.011778/200593 Acórdão n.º 1103000.768 S1C1T3 Fl. 8 8 Fl. 1098DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0719.09049.ZLEX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA em 01/04/2013 11:31:42. Documento autenticado digitalmente por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA em 01/04/2013. Documento assinado digitalmente por: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA em 01/04/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 10/07/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP10.0719.09049.ZLEX Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: FD921CC064896214B31B3FE3B1B5E7A65194CB61 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10380.011778/2005-93. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 18088.000767/2008-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/01/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DOS SEGURADOS. DESCONTO PELA EMPRESA.
Constitui infração, punível com multa, deixar a empresa de efetuar os descontos das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço. O valor da penalidade é único e indivisível, independentemente do número de infrações verificadas no período de autuação.
Numero da decisão: 2401-006.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DOS SEGURADOS. DESCONTO PELA EMPRESA. Constitui infração, punível com multa, deixar a empresa de efetuar os descontos das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço. O valor da penalidade é único e indivisível, independentemente do número de infrações verificadas no período de autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 07 67 /2 00 8- 47 Fl. 654DF CARF MF Processo nº 18088.000767/200847 Acórdão n.º 2401006.660 S2C4T1 Fl. 655 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), por meio do Acórdão nº 1438.064, de 20/06/2012, cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado pela fiscalização (fls. 459/467): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/01/2008 Debcad: 37.148.0272 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Consiste em infração à legislação previdenciária, deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A fiscalização lavrou o Auto de Infração (AI) nº 37.148.0272, no Código de Fundamentação Legal CFL 59, por ter a empresa deixado de arrecadar, mediante desconto da remuneração, a contribuição previdenciária do segurado empregado a seu serviço, prevista no art. 30, inciso I, alínea "a", da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 (fls. 02/08). Para melhor compreensão da conduta praticada pelo autuada, reproduzo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 07): 1 A empresa não descontou a contribuição previdenciária de pagamentos de abonos, horas extras, e serviços prestados pagos aos empregados. 2 Estes pagamentos foram identificados através de lançamentos contábeis identificados nos Livros Diários e Razão da empresa, conforme relatado no item 4.3 do relatório fiscal do auto de infração 37.212.8009, especificamente nos levantamentos AB ABONO LANÇADO EM FOLHA, JRA JOSE ROBERTO ME ABONO, CO1 LANÇAMENTOS CONTA 3303010002, C04 LANÇAMENTOS CONTA 4102010004, C14 LANÇAMENTOS CONTA 4103010001, C15 LANÇAMENTOS CONTA 4103010002, C16 LANÇAMENTOS CONTA 4103010003, C17 LANÇAMENTOS CONTA 4103010004, C18 LANÇAMENTOS CONTA 4103010005, C19 LANÇAMENTOS CONTA 4103010005, C20 LANÇAMENTOS CONTA Fl. 655DF CARF MF Processo nº 18088.000767/200847 Acórdão n.º 2401006.660 S2C4T1 Fl. 656 3 3102040003, C25 LANÇAMENTOS CONTA 4101010044 e C28 LANÇAMENTOS CONTA 4101010055. 3 Assim sendo, ficou caracterizada infração ao dispositivo legal previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 30, I, "a", e alterações posteriores, e Lei n° 10.655, de 08/05/2003, art. 4°, "caput" e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 216, I, "a" A ciência do lançamento deuse no dia 30/12/2008, com apresentação de impugnação no prazo legal (fls. 02 e 81/128). A empresa autuada foi intimada da decisão de primeira instância, por via postal, em 03/09/2012, com protocolo de recurso voluntário no dia 02/10/2012, em que concentra os seus argumentos de fato e direito contra o auto de infração de obrigação principal, a seguir resumidos (fls. 468/469 e 471/523): (i) a decisão recorrida é nula, porquanto deixou de analisar e avaliar os argumentos mais relevantes de defesa e o respectivo suporte documental apresentado no processo administrativo; (ii) a fiscalização abrangeu outras pessoas jurídicas distintas do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), extrapolando a autorização contida no documento; (iii) o princípio da verdade material restou ignorado pela fiscalização e decisão de primeira instância, tendo em vista os documentos apresentados aptos a comprovar a inexistência de relação jurídica tributária da recorrente com respeito às contribuições lançadas; (iv) na hipótese de considerar irregular o planejamento tributário realizado pela recorrente, que se deu a partir da terceirização de determinados serviços complementares ligados à revenda de automóveis, caberia a apuração correta da base de cálculo das contribuições, assim como o aproveitamento dos recolhimentos efetuados pelas empresas nas quais registrados os trabalhadores; (v) o lançamento foi efetuado com base em presunções, na medida em que o agente fiscal utilizou para fins de base de cálculo valores referentes a registros contábeis de natureza diversa de salário ou remuneração pelo trabalho, como no caso de transferências para as empresas contratadas, a título de ajuste comercial; (vi) há ilegitimidade passiva da recorrente para responder por créditos tributários pertencentes às empresas MARINA, BALDASSA e JOSÉ ROBERTO que lhe Fl. 656DF CARF MF Processo nº 18088.000767/200847 Acórdão n.º 2401006.660 S2C4T1 Fl. 657 4 prestaram serviços, como se fossem seus estabelecimentos operacionais; (vii) na hipótese de irregularidade fiscal nas empresas prestadoras de serviços, o procedimento adequado seria a prévia exclusão do regime do Simples/Simples Nacional e o lançamento das respectivas contribuições em nome dessas pessoas jurídicas, jamais, contudo, caberia imputar a responsabilização tributária por dívidas de terceiros à recorrente; (viii) a existência nos livros contábeis da recorrente de lançamentos em contas de despesas com relação a pagamentos de viagens, verbas salariais, folhas de pagamento e retenção de imposto de renda para segurados empregados das empresas prestadoras de serviços é explicado por um procedimento de encontro de contas, ao final de cada mês, para apuração dos valores finais, o que poderia ser elucidado e comprovado por intermédio de realização de perícia contábil, a qual, no entanto, foi indeferida pelo órgão julgador de primeira instância; (ix) a fiscalização ao recusar a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços deixou de observar a norma insculpida no parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional (CTN), que impõe como condição necessária para a desconsideração dos atos e negócios o atendimento dos procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária; (x) há equívocos nas ocorrências e nos períodos trabalhados apurados pela autoridade fiscal relativamente às pessoas físicas Ediva de Moura, Isabel Endres, Alan Patrick Lopes, Andrea Martins da Silva, Gustavo R. Gomes e Vanessa Keila Tozatto; e (xi) o valor arbitrado na competência 01/2008, no montante de 10 (dez) salários mínimos, com relação ao pró labore dos sócios Marcos Takeo Ogata e Marina Tomoe Ogata Kodama, devido à falta de apresentação de documentos, não está compatível com os patamares verdadeiramente auferidos, os quais podem ser obtidos a partir dos dados disponíveis no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Na sequência dos atos processuais, o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência pela Turma, por meio do Resolução nº 2401000.443, de 22/01/2015, com a finalidade de aguardar o resultado da diligência determinada no processo principal nº 18088.000757/200810 (fls. 541/547). Oportunizado o contraditório, a recorrente expressou sua opinião sobre o resultado da diligência fiscal no processo principal (fls. 565/618). Em seu ponto de vista, o Fl. 657DF CARF MF Processo nº 18088.000767/200847 Acórdão n.º 2401006.660 S2C4T1 Fl. 658 5 agente fiscal esquivouse de cumprila, ao deixar de analisar integralmente a documentação, limitandose a relacionar os documentos, porém sem vinculálos às acusações fiscais. Após reforçar pontos específicos do conjunto probatório carreado aos autos, destacando os principais aspectos de fato e direito favoráveis a sua linha argumentativa, requereu a prevalência das provas produzidas pelo contribuinte, que confirmam a inexistência de natureza remuneratória no tocante aos valores apurados pela autoridade fiscal no auto de infração. Tendo em vista que a relatora originária do recurso voluntário havia deixado o colegiado, os autos foram redistribuídos para um novo relator designado mediante sorteio (fls. 561/562). Em análise preliminar dos autos do processo principal, decidiuse pela necessidade de nova conversão do julgamento em diligência, para a juntada de elementos complementares para fins de subsidiar a decisão no recurso voluntário. O julgamento do presente processo foi sobrestado, conforme Resolução nº 2401 000.684, de 05/07/2018, de forma a aguardar o resultado da diligência no processo nº 18088.000757/200810 (fls. 641/645). É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Julgamento em conjunto A fim de evitar decisões despedidas de congruência em face da empresa recorrente, estão sendo julgados em conjunto os recursos voluntários relativos aos processos nº 18008.000757/200810, 18088.000758/200856, 18088.000759/200809, 18088.000764/2008 11 e 18088.000767/200847, os quais foram formalizados no mesmo procedimentos fiscal, com base nos mesmos elementos de prova. Mérito O presente recurso voluntário diz respeito à imposição de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória vinculada a fatos geradores e bases de cálculo que estão sendo discutidos no processo principal nº 18088.000757/200810, relativo ao AI nº 37.212.8009. Fl. 658DF CARF MF Processo nº 18088.000767/200847 Acórdão n.º 2401006.660 S2C4T1 Fl. 659 6 O apelo recursal de fls. 471/523 não contém argumento de defesa específico contra a lavratura do auto de infração pelo descumprimento de obrigação acessória de arrecadar a contribuição do segurado a serviço da empresa, descontandoa da respectiva remuneração. Toda a irresignação da autuada diz respeito a questões relacionadas ao desenvolvimento do procedimento fiscal, à decisão de primeira instância no processo de obrigação principal e matérias de mérito relacionadas à exigência das contribuições previdenciárias. A matéria de defesa foi devidamente apreciada no julgamento do processo principal nº 18088.000757/200810, no qual o colegiado deu provimento parcial ao recurso voluntário, mantendo parte do crédito tributário lançado. Eis a ementa do Acórdão nº 2401006.656, proferido nesta mesma sessão de julgamento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/01/2008 NULIDADE. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FALTA DE MANIFESTAÇÃO SOBRE AS PRINCIPAIS TESES DE DEFESA. DESCABIMENTO. É descabida a decretação de nulidade do acórdão de primeira instância quando a decisão apreciou as principais questões de defesa listadas na impugnação, mediante exposição das razões que formaram o convencimento do julgador administrativo, cuja fundamentação do voto, mesmo que sucinta em alguns pontos, é capaz de justificar racionalmente a deliberação do colegiado. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXTRAPOLAÇÃO DOS LIMITES DE INVESTIGAÇÃO. INEXISTÊNCIA. De acordo com os documentos que instruem os autos, não há que se falar em extrapolação dos limites da investigação fiscal definidos no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Além do mais, à época da execução do procedimento de auditoria, o documento constituíase em um mero instrumento de controle gerencial e administrativo da atividade fiscalizatória, não tendo o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do agente fazendário. PROCEDIMENTO FISCAL. ALEGAÇÕES DE LANÇAMENTO EFETUADO COM BASE EM PRESUNÇÕES. DESCABIMENTO. O procedimento fiscal levado a efeito não se revela arbitrário, nem expressa a aplicação injustificada da presunção em lei para fundamentar o lançamento de ofício, quando, após devidamente intimado, o sujeito passivo deixa de exibir os documentos que dão suporte aos registros contábeis, ou apresenta a Fl. 659DF CARF MF Processo nº 18088.000767/200847 Acórdão n.º 2401006.660 S2C4T1 Fl. 660 7 documentação de maneira deficiente, autorizando o lançamento da importância considerada devida pela fiscalização, com inversão do ônus da prova. TRABALHADORES VINCULADOS À EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇO OPTANTE PELO SIMPLES FEDERAL E SIMPLES NACIONAL. DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO EXISTENTE. CARACTERIZAÇÃO DIRETAMENTE COM A EMPRESA PRINCIPAL. PRIMAZIA DA REALIDADE SOBRE A FORMA. Cabe à fiscalização lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente, desconsiderando o vínculo formal pactuado com empresa individual optante pelo Simples, quando demonstrado, por meio da linguagem de provas, que os trabalhadores prestavam serviços à empresa principal não optante pelo regime diferenciado de tributação. O conjunto probatório aponta no sentido da artificialidade da terceirização dos serviços complementares ligados à revenda de automóveis, atuando os trabalhadores sob um comando único na prestação de serviços em prol da empresa principal, concessionária de veículos automotores, que se responsabiliza pelo risco da atividade econômica das demais, num cenário de improvável autonomia empresarial, em que ocorre o pagamento habitual de obrigações trabalhistas, previdenciárias e tributárias das empresas prestadoras de serviços. GUELTAS. PAGAMENTOS POR TERCEIROS ALHEIOS AO VÍNCULO EMPREGATÍCIO. RETRIBUIÇÃO PELO TRABALHO. CARÁTER DE REMUNERAÇÃO. As denominadas gueltas pagas ao trabalhador de forma habitual por terceiro alheio ao vínculo empregatício, com o objetivo de estimular a venda de determinado produto que mantém relação com as atividades laborais do empregado, assemelhamse às gorjetas e, portanto, possuem natureza salarial e integram o saláriodecontribuição. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A falta de exibição de documentos, ou sua apresentação deficiente, autoriza o lançamento da importância considerada devida pela fiscalização, com inversão do ônus da prova. É cabível a exclusão da base de cálculo do lançamento de ofício quando o conjunto probatório é suficiente para negar a natureza remuneratória aos registros contábeis listados pela autoridade tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte Reproduzo, na sequência, trechos do voto que decidiu de maneira fundamentada uma das várias questões contidas no recurso voluntário referente ao processo principal: Fl. 660DF CARF MF Processo nº 18088.000767/200847 Acórdão n.º 2401006.660 S2C4T1 Fl. 661 8 (...) C01 LANÇAMENTOS CONTA 33030010002 Nesse caso, cuidase, segundo o agente fazendário, de pagamentos aos segurados empregados a título de comissões pelas vendas de financiamento de veículos. Eis a descrição fiscal (fls. 801/804): C01 LANÇAMENTOS CONTA 3303010002 referente a comissões pagas aos funcionários por venda de financiamentos de veículos (TAC Taxa de Abertura de Crédito). Os valores pagos, os quais não foram declarados em GFIP nem relacionados em folha de pagamento, foram identificados em lançamentos contábeis efetuados na conta 3303010002 REPASSE TAC BANCO FIAT, os quais estão relacionados na tabela abaixo. A contribuição dos segurados empregados foi calculada utilizando a alíquota de 8%. O apelo recursal opõese à exigência fiscal com a justificativa de que os valores recebidos pelos funcionários que atuam nas vendas não são remunerados pela empresa recorrente, e sim pagos pelos bancos conveniados, os quais são terceiros que oferecem aos seus segurados empregados um prêmio/gratificação pecuniária pela venda de produtos dessas instituições financeiras (financiamento de veículos). Segundo a recorrente, a prática conhecida na área trabalhista como "guelta" não possui natureza salarial. Pois bem. A parcela denominada "guelta" paga ao trabalhador de forma habitual por terceiro alheio ao vínculo empregatício, com o objetivo de estimular a venda de determinado produto que mantém relação com as atividades do empregado, assemelhase às gorjetas, possuindo natureza remuneratória. Confirase a redação do inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) (Destaquei) Sob a ótica do direito tributário, é irrelevante o pagamento da verba por terceiros, porque a lei não impõe tal restrição para inclusão como remuneração do trabalhador. O valor percebido pelo empregado também contribui para que desenvolva com Fl. 661DF CARF MF Processo nº 18088.000767/200847 Acórdão n.º 2401006.660 S2C4T1 Fl. 662 9 mais estímulo suas atividades habituais de venda de veículos automotores, para a qual foi contratado pela empresa, alinhandose perfeitamente com os objetivos do empregador, ora recorrente, que estão direcionados ao incremento do resultado operacional do comércio varejista de automóveis novos e/ou usados. De mais a mais, a empresa empregadora, no caso em apreço, intervém no processo de bonificação, pois, além de consentir com a prática, realiza a intermediação do pagamento do prêmio ao trabalhador, registrando, inclusive, os valores em conta específica da sua contabilidade. Tal linha de raciocínio, inclusive, está em consonância com a atual jurisprudência da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo do Acórdão nº 9202003.879, julgado na sessão de 12/04/2016, cuja ementa copio abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008 PRÊMIOS PAGOS AOS EMPREGADOS POR TERCEIROS ALHEIOS AO VÍNCULO EMPREGATÍCIO. GUELTAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores habitualmente pagos aos empregados por terceiros alheios ao contrato de trabalho visando incrementar as vendas dos seus produtos em detrimento aos de seus concorrentes integram o conceito de remuneração e também o de salário de contribuição, nos termos do art. 22, I c/c art. 28, I e § 9º da Lei nº 8.212/91. Recurso Especial do Procurador Provido (...) Ficou mantido parte do lançamento tributário de obrigação principal, a exemplo das comissões pagas a segurados empregados, inclusive pela venda de financiamento de veículos, cujas parcelas não integraram as folhas de pagamento da empresa no período fiscalizado, tampouco houve a arrecadação da contribuição previdenciária devida pelos trabalhadores, mediante desconto da respectiva remuneração (Levantamentos C01 e C14 a C20): C01 LANÇAMENTOS CONTA 3303010002 referente a comissões pagas aos funcionários por venda de financiamentos de veículos (TAC — Taxa de Abertura de Crédito). Os valores pagos, os quais não foram declarados em GFIP nem relacionados em folha de pagamento, foram identificados em lançamentos contábeis efetuados na conta 3303010002 — REPASSE TAC — BANCO FIAT, os quais estão relacionados na tabela abaixo. A contribuição dos segurados empregados foi calculada utilizando a alíquota de 8%. Fl. 662DF CARF MF Processo nº 18088.000767/200847 Acórdão n.º 2401006.660 S2C4T1 Fl. 663 10 (...) C14 LANÇAMENTOS CONTA 4103010001 referente a comissões pagas aos funcionários. O valores pagos, os quais não foram declarados em GFIP nem relacionados em folha de pagamento, foram identificados em lançamentos contábeis (relacionados na tabela abaixo) efetuados na conta 4103010001 COMISSÃO VENDEDORES. A contribuição dos segurados empregados foi calculada utilizando a alíquota de 8%. (...) O valor da multa pelo descumprimento da obrigação acessória de arrecadação da contribuição do segurado empregado e/ou contribuinte individual a serviço da empresa, descontandoa da respectiva remuneração, é único e indivisível, determinado na data da lavratura do auto de infração, ou seja, a expressão em moeda da penalidade pecuniária não depende do período do fato gerador ou número de infrações verificadas pela autoridade lançadora. Em outras palavras, para a caracterização e imputação da sanção punitiva é suficiente a ocorrência de uma só infração à obrigação tributária violada. Portanto, não há qualquer reparo a fazer no acórdão de primeira instância que manteve a penalidade. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 663DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900589/2014-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/12/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 31/12/2012 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 05 89 /2 01 4- 47 Fl. 91DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.307 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900589/2014-47 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 92DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.307 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900589/2014-47 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.258 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 93DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.307 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900589/2014-47 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 94DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.307 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900589/2014-47 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 95DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.307 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900589/2014-47 Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.005024/2003-95
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PIS
PAES — NÃO INCLUSÃO — MANUTENÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO
Não tendo sido comprovada a adesão ao PAES, inexiste duplicidade de autuação, devendo ser mantido o auto de infração.
DENUNCIA ESPONTÂNEA — NECESSIDADE DE DECLARAÇÃO — INAPLICAÇÃO
Para se configurar a denúncia espontânea, é necessário que o contribuinte realize a declaração dos valores devidos. No caso, a autuação tem como fundamento justamente a diferença de valores declarados e escriturados, razão pela qual não se configura a denúncia espontânea.
MULTA 75% — PREVISÃO LEGAL — IMPOSSIBILIDADE DE ANALISAR ASPECTOS CONSTITUCIONAIS
A incidência da multa punitiva no patamar de 75% está prevista na Lei n° 9.430/96, devendo, portanto, ser aplicada. As questões constitucionais que fulminam a validade de lei não estão no escopo deste tribunal administrativo.
Recurso Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 2102-000.146
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os valores apurados a maior em período anterior
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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DENUNCIA ESPONTÂNEA — NECESSIDADE DE DECLARAÇÃO — INAPLICAÇÃO Para se configurar a denúncia espontânea, é necessário que o contribuinte realize a declaração dos valores devidos. No caso, a autuação tem como fundamento justamente a diferença de valores declarados e escriturados, razão pela qual não se configura a denúncia espontânea. MULTA 75% — PREVISÃO LEGAL — IMPOSSIBILIDADE DE ANALISAR ASPECTOS CONSTITUCIONAIS A incidência da multa punitiva no patamar de 75% está prevista na Lei n° 9.430/96, devendo, portanto, ser aplicada. As questões constitucionais que fulminam a validade de lei não estão no escopo deste tribunal administrativo. Recurso Parcialmente Provido. Vistos relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os valores apurados a maior em período anterior. SEFA MARIA COELHO MARQUES Presidente 1-1 O FAIIIOLA CAS Relatora O KERAMIDAS Processo n° 11543.005024/2003-95 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.146 Fl. 264 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Mauricio Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, José Antonio Francisco e Alexandre Gomes. Ausente o Conselheiro Gileno GurjAo Barreto. Relatório Trata-se de auto de infração de fls. 170/174, lavrado para o fim de constituir débito tributário de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, nos períodos de apuração (PA) 01199 a 07/99, 09/99, 10/99, 02/2000 a 07/2000, 12/2000, 03/2001, 04/2001, 10/2001, 12/2001 a 02/2002, 04/2002 a 09/2002, 11/2002 a 08/2003 (fls. 178 a 190), Registra-se que a fiscalização foi constituída para o fim de verificar os procedimentos adotados pelo contribuinte na formulação do Pedido de Ressarcimento de saldo credor de IPI, realizado através dos autos do processo administrativo n° 13766.000252/00-10. Todavia, no bojo das verificações obrigatórias, constatou-se diferenças entre os valores das bases de cálculo das contribuições declaradas em DCTF e pagas; e aquelas obtidas da análise de seus , livros contábeis, Livro de Registro e Apuração do ICMS. Tais divergências ocasionaram diferenças entre o tributo recolhido e aquele efetivamente devido. Estas diferenças é que são objeto do presente auto de infração (Termo de Verificação Fiscal – fls. 191/194). Inconformada com o lançamento, a Recorrente apresentou suas razões de impugnação (fls. 200/205), nas quais alegou: • (a) os pretensos débitos estão sendo parcelados no regime de parcelamento especial – PAES – e foram incluído no programa antes da lavratura do auto de infração; (b) procedeu à denúncia espontânea ao declarar os débitos em DCTF, razão pela qual deve ser afastada qualquer penalidade; (c) a multa é desproporcional A. infração cometida, configurando-se o confisco; (d) inexiste débito pois contra o valor de R$ 9.954,51 apurado como devido, a Recorrente realizou o pagamento a maior em outros meses no valor de R$ 11.472,60. As fls. 210, a Recorrente peticionou informando que, "por problemas técnicos quando da transmissão via interne do 'Pedido de Parcelamento Especial', ficou impossibilitada de obter copia do termo de adesão ao referido parcelamento." As f.'s. 221/222, o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal em Vitoria – ES, anexou aos autos pesquisas dando conta de que a Interessada não aderiu ao PAES — Parcelamento Especial, Lei no 10.684/2003. Processo n° 11543.005024/2003-95 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.146 Fl. 265 Após analisar as razões apresentadas, a Quinta Turma da Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro, proferiu o acórdão n° 13-15.2632, fls. 227/236, por meio do qual manteve o lançamento por seus próprios fundamentos, a saber: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/1999, 01/09/1999 a 31/10/1999, 01/02/2000 a 31/07/2000, 01/12/2000 a 31/12/2000, 01/03/2001 a 30/04/2001, 01/10/2001 a 31/10/2001, 01/12/2001 a 28/02/2002, 01/04/2002 a 30/09/2002, 01/11/2002 a 31/08/2003 PIS. LANÇAMENTO. CABIMENTO. É cabível o lançamento do PIS devido em períodos para os quais não se encontra espontaneamente confessado pelo sujeito passivo. INCONSTITUCIONALIDADE - Não compete a Autoridade Administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional, pois o controle das leis acha-se reservado ao Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO. VEDAÇÃO AO CONFISCO. INAPLICÁVEL. A multa de oficio é uma penalidade pecuniária aplicada pela infração cometida, não se lhe aplicando o prescrito no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988, que, ao tratar das limitações do poder de tributar, proibiu o legislador utilizar tributo com efeito de confisco. PIS. COMPENSAÇÃO - Hipótese expressa na legislação de extinção do crédito tributário, a compensação exige a comprovação por meio de documentos hábeis da efetividade daquele procedimento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - Não compete DRI apreciar, originariamente, pedido de restituição ou compensação de tributos ou contribuições federais. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA - Considera-se como não impugnada a contribuição lançada, quando não contestada expressamente pelo contribuinte. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. DILIGÊNCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências e perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado." Irresigriada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 242/252), oportunidade em que reiterou as alegações trazidas em sua impugnação e acrescentou argumentos no sentido de que os débitos não são devidos por terem sido compensados com créditos IPI e, uma vez existentes os créditos, não há que se falar em débitos. o relatório. Processo n° 11543.005024/2003-95 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.146 Fl. 266 Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora 0 recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme se verifica dos termos relatados, trata-se de auto de infração de COFINS, defendido pela Recorrente em seu Recurso Voluntário com base nos seguintes argumentos: (i) débitos inexigíveis por estarem incluídos no PAES; (ii) inexistência de débitos em razão da compensação com créditos de IPI e (iii) possibilidade de dedução da base de cálculo dos valores recolhidos a maior a titulo de PIS em outros meses e (i) Adesão ao PAES No tocante a suposta adesão ao parcelamento, não restou dúvidas, nos autos, de que a Recorrente não está incluída no PAES (fls. 221/222 e 224/225). Ainda que tenha pretendido participar do parcelamento especial, não obteve êxito em sua inclusão, tanto é assim que a própria Recorrente declara tal fato à fl. 210, quando esclarece que "por problemas técnicos quando da transmissão via internet do 'Pedido de Parcelamento Especial', ficou impossibilitado de obter cópia do termo de adesão ao referido parcelamento". Ademais, nesta mesma sessão de julgamento, está sendo julgado o processo no 11543.005025/2003-30, Recurso 128024, em que também é parte a Recorrente, e no qual foi realizada diligência para o fim de constatar se efetivamente a Recorrente estava incluída no PAES, tendo-se concluído que não, sem qualquer contestação da contribuinte, a saber: "Em relação ao primeiro tópico, não restou dúvidas, nos autos, de que a Recorrente não está incluída no PAES. Ainda que tenha pretendido participar do parcelamento especial, não obteve êxito em sua inclusão. E o que se verifica dos termos do processo administrativo n° 13766.000724/2003-02, em que se analisou justamente a validade da opção da Recorrente, concluindo-se contrariamente ã sua alegação. Frise-se, ainda, que a Recorrente deixou de se manifestar acerca da resposta da razão pela qual reputa-se incontroversa." (destaquei) (ii) Inexistência de Débitos pela Compensação com créditos de IPI Alega, neste ponto, a Recorrente, que não recolheu os tributos ora exigidos porque os extinguiu por meio da compensação com créditos de IPI, assim, não resta nada a ser cobrado. Traz ainda toda uma argumentação acerca da discussão judicial dos créditos decorrentes de insumos não tributados ou tributados a aliquota zero, dissertando, ainda, acerca da possibilidade do procedimento de compensação. 4941 Processo n° 11543.005024/2003-95 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.146 Fl. 267 Todavia, a Recorrente incorre em erro. É que o presente processo não se refere à glosa de compensações de créditos de IPI, mas refere-se A. declarações inexatas, razão pela qual não faz a menor diferença a existência dos créditos tributários alegados. Neste sentido já foi a decisão de primeira instância administrativa, a saber: "7. Em primeiro lugar, faz-se necessário afastar a afirmativa do impugnante de que o presente lançamento fiscal do PIS seria decorrência de ter a fiscalização chegado a conclusão sobre a improcedência do Pedido de Ressarcimento de saldo credor do IPI, requerido pelo autuado, lavrando-se, em conseqüência, o presente Auto de Infração. 8. Se, de fato, é verdade que o procedimento de oficio instaurado tinha inicialmente por escopo, nos termos do MPF de fl. 02, verificar os procedimentos adotados pelo contribuinte na formulação do Pedido de Ressarcimento do IPI acima citado, objeto do processo administrativo n° 13766.000252/00-10, fato é que, ao contrário do que alega o defendente, tais verificações nada influiram na constituição do crédito tributário do PIS tratado no Auto de Infração ora sob exame, que, conforme expressamente referenciado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 191/194, cuidou da constituição dos valores da contribuição devidos pelo autuado, excedentes daqueles que já houveram sido espontaneamente confessados pelo mesmo em DCTF. Tais diferenças entre os valores devidos contra aqueles que se fizeram declarados encontram-se peifeitamente delimitadas nas planilhas de situação fiscal de fls. 161/166. 9. De forma diversa, a presente autuação decorre, isto sim, das verificações obrigatórias. Esclareça-se que tal espécie de verificação, atinente a outros tributos e contribuições que não o IPI, encontrava-se expressamente referenciada no mesmo MPF de fl. 02, que comunicou ainda ao contribuinte que o procedimento de oficio a ser levado a efeito apuraria, também, a "correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, nos últimos cinco anos", muito embora, deva se ressaltar, ainda que comunicação não houvesse, as verificações perpetradas integram, por obrigatórias, qualquer procedimento fiscal instaurado pela SRF contra seus administrados, desde que as citadas verificações, em situações especificas que não a presente, façam-se dispensáveis. 10. Do mesmo modo, desassiste razão ao impugnante quando afirma que o Auto de Infração seria produto da desclassificação, pela autoridade fiscal, de compensações de recolhimentos a maior na forma pretendida pelo contribuinte, que, sem quaisquer outros esclarecimentos, genericamente as teve (as compensações) como realizadas na forma permitida em lei, e pendentes de decisão por parte do órgão administrativo superior, esclarecendo tão-somente que tais compensações encontrar-se-iam declaradas em DCTF. Processo n° 11543.005024/2003-95 S2-C1T2 Acórao n.° 2102-00.146 Fl. 268 Logo, uma vez que o presente auto de infração não está pautado em procedimentos de compensação, não importa a existência dos créditos da forma como mencionada. (iii) Dedução dos recolhimentos a maior Pretende, ainda, a Recorrente, que os valores recolhidos a maior no períodos de apuração 08/99; 11/99 a 01/00; 07/01; 08/01 e 03/02 (fls. 161/162/163/164/206), sejam deduzidos da base de cálculo do PIS autuado. Verifica-se, de acordo com a planilha da fiscalização, que todos os meses indicados pela Recorrente As fls. 206 foram recolhidos a maior. regra de fiscalização que sejam procedidas deduções da base de cálculo (compensações de oficio) quando apurados recolhimentos a menor em alguns meses e maior em outros, desde que dentro do período fiscalizado. E exatamente o caso dos autos. Assiste razão à Recorrente, pois a autoridade lançadora tem competência para realizar o procedimento de "compensação de oficio" no momento de apuração dos valores devidos, devidamente acrescidos de multa e juros, e deve fazê-lo para evitar o enriquecimento ilícito da Fazenda, alcançar a economia e celeridade processual. Desta forma, os valores recolhidos indevidamente deverão ser deduzidos da base de cálculo do PIS apurado. Ante o exposto, é o presente para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado pela Recorrente, apenas para prover o pedido de dedução da base de cálculo dos valores recolhidos indevidamente com os débitos apurados. Fica, ainda, resguardado à Receita Federal do Brasil, a verificação de eventuais diferenças em relação ao encontro de contas. como voto. Sala das Sessões, em 04 de junho de 2009 ,_111 ■ I P g a, FABIOLA CA' O KERAMIDAS 6
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Numero do processo: 13984.720180/2010-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
ITR. VTN. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE.
A revisão do VTN pela autoridade administrativa está condicionada à apresentação de laudo conforme a NBR 14.653/2004 e/ou outros documentos hábeis e idôneos para tanto.. No caso dos autos o contribuinte não apresentou laudo técnico que possibilitasse a revisão do valor da terra nua arbitrado com base no SIPT.
EXCLUSÕES DA ÁREA TRIBUTÁVEL. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO.
A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração.
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. NECESSIDADE. SÚMULA CARF N° 122.
A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA).
ÁREA DE RESERVA LEGAL. UTILIZAÇÃO LITIMITADA. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17-O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente e reserva legal, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios.
Numero da decisão: 2401-006.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer à isenção da área de utilização limitada de 500 ha.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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VTN. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. A revisão do VTN pela autoridade administrativa está condicionada à apresentação de laudo conforme a NBR 14.653/2004 e/ou outros documentos hábeis e idôneos para tanto.. No caso dos autos o contribuinte não apresentou laudo técnico que possibilitasse a revisão do valor da terra nua arbitrado com base no SIPT. EXCLUSÕES DA ÁREA TRIBUTÁVEL. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO. A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. NECESSIDADE. SÚMULA CARF N° 122. A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). ÁREA DE RESERVA LEGAL. UTILIZAÇÃO LITIMITADA. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente e reserva legal, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 72 01 80 /2 01 0- 45 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13984.720180/201045 Acórdão n.º 2401006.631 S2C4T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer à isenção da área de utilização limitada de 500 ha. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, e Miriam Denise Xavier. Relatório CLODOALDO LEMOS DE ANDRADE, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 0427.111/2012, às efls. 75/81, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício 2007, conforme Notificação de Lançamento, às fls. 02/06, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 25/10/2010 (AR. fl. 35), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: Área de Reserva Legal não comprovada Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13984.720180/201045 Acórdão n.º 2401006.631 S2C4T1 Fl. 4 3 Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da area declarada a título de reserva legal no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. De acordo com o artigo 111 da Lei 5172/66(CTN) interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. (...) Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. (...) Complemento da Descriçao dos Fatos: Regularmente intimado através do Termo de Intimação Fiscal n°09205/0016/2009, com ciência via Edital em 01/07/2010, o contribuinte apresentou cópia da Matrícula n°273 do Cartório de registro de Imóveis de Urubici, cópia do Ato Declaratório Ambiental ADA protocolado em 09/12/2002, cópia do Certificado de Cadastro de Imóvel Rural e mapa para averbação de Reserva Legal. Quanto ao Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua, o contribuinte não se manifestou. _ ÁREA DE RESERVA LEGAL NÃO CQMPRQVADA Para comprovar a Área de Reserva Legal, o contribuinte apresentou cópia do Ato Declaratório Ambiental ADA, cópia da matrícula do imóvel com a correspondente averbação e mapa para averbação da Reserva Legal. O que pode ser constatado nos documentos apresentados ë que a Área de Reserva Legal corresponde a 410,8 ha, e que os 500 ha informados a maior na DITR corresponderiam ã Área de Declarado Interesse Ecológico, conforme informação no ADA. Intimado a apresentar Ato específico do órgão competente federal ou estadual, que ampliasse as restrições de uso para a área de interesse ecológico, comprovadamente imprestável para a atividade rural, o contribuinte não apresentou tal Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13984.720180/201045 Acórdão n.º 2401006.631 S2C4T1 Fl. 5 4 comprovação, bem como informou do cancelamento da averbação desta área. Portanto, somente foram considerados como Área de Reserva Legal 410,8 ha. Quanto à Área de Preservação Permanente declarada de 4l0,8ha, foi alterada para 421 ha, conforme informação do ADA. SUBAVALIAÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA Determina a Lei 9.393/96, em seu art. 8°, § 2°, que o Valor de Terra nua VTN refletirá o preço de mercado de terras apurado em janeiro do ano a que se referir a DITR. A mesma lei 9.393/96 estabelece, em seu art. 14, que no caso de subavaliação do valor do imóvel, a Secretaria da Receita Federal do Brasil procederá ã determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído. Determina ainda que as informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1°, inciso II da Lei n.° 8.62%, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. A falta de comprovação do VTN declarado ensejou o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB, nos termos do artigo 14 da Lei 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1° de janeiro de 2007 no valor de R$4.000,00. O contribuinte, regularmente intimado, apresentou impugnação requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a 1ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS entendeu por bem julgar procedente o lançamento, mantendo a integralidade do crédito tributário, conforme já relatado. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 86/92, procurando demonstrar a total improcedência do Auto de Infração, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, motivo pelo qual adoto o relatório da decisão de piso, vejamos: Discorda totalmente dos termos constantes da notificação de lançamento referente ao ITR do Exercício 2007, pois se encontra eivada de equívocos, sendo necessária sua total anulação; faz uso dos preceitos constitucionais do contraditório e da ampla defesa e acusa existência de falha e erro material no lançamento; Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13984.720180/201045 Acórdão n.º 2401006.631 S2C4T1 Fl. 6 5 A reserva legal, muito embora tenha constado de forma errada no ADA, realmente existe e está averbada na matrícula do imóvel, conforme AV. 6273, de 05/12/1983, e AV. 8273, de 02/03/1994, totalizando 910,8 ha. como declarado e corroborado no laudo de avaliação em anexo, onde é relatada a utilização das terras, e, em relação à classificação das terras, indica que existem “708,6 ha. com classe V e 1.344,3 ha. com classe VIII ", e traz o rol de classes de terras, de I a VIII, permitindo a dedução de que as classes citadas são de péssima qualidade; Conforme declaração da Prefeitura Municipal de Rio Rufino, as terras em discussão têm avaliação de R$ 623,10 por hectare; já a Prefeitura de Urupema indica o preço por hectare de R$ 1.300,00; logo o preço médio das terras para a região é de R$ 1.273,10, o que demonstra que o preço lançado pela RFB é incompatível com os ditames legais e está muito acima do preço médio de mercado, alterando em demasia o VTNt; ainda, o Instituto CEPAEPAGRI indicou valores no patamar de R$ 900,00 a R$ 1.500,00 por hectare, para o quarto trimestre de 2009, e, portanto, seria muito menor para o Exercício em comento. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. MÉRITO O lançamento questionado decorreu da glosa parcial da área de reserva legal declarada, com base em comprovantes apresentados pelo contribuinte, e da alteração do VTN do Exercício 2007 para o apurado com base no SIPT, por falta de comprovação efetiva do valor declarado. O contribuinte discordou das alterações realizadas no lançamento de oficio e ainda apresentou argumentos visando alteração de dados declarados relativos ao número de animais e área de pastagem existentes no imóvel. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13984.720180/201045 Acórdão n.º 2401006.631 S2C4T1 Fl. 7 6 ÁREA DE PASTAGEM ERRO DE FATO Na análise das peças do presente processo, o contribuinte invoca a hipótese de erro de fato, pretendendo que seja reconhecida a existência da área de pastagem e, conseqüentemente, a sua exclusão do computo do cálculo do VTN. Assim, cabe analisar a hipótese de erro de fato, observandose aspectos de ordem legal. Caso fosse negada essa oportunidade ao contribuinte, estaria sendo ignorado um dos princípios fundamentais do Sistema Tributário Nacional, qual seja, o da estrita legalidade e, como decorrência, o da verdade material. Porém, na hipótese levantada, o lançamento regularmente impugnado somente poderá ser alterado, nos termos do art. 145, inciso I, do CTN, em caso de evidente erro de fato, devidamente comprovado através de provas documentais hábeis e idôneas. As áreas de pastagens existentes no imóvel podem ser comprovadas por laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo, acompanhado de cópia da Anotação de Responsabilidade Técnica, ou por Laudo de Acompanhamento de Projeto fornecido por instituições Oficiais, no qual deverão estar discriminadas as áreas de pastagem nativa e plantada, assim como deve ser comprovada a existência de rebanho para que a área de pastagem possa ser aceita como efetivamente utilizada. O animais mantidos no imóvel podem ser comprovados com apresentação da Ficha Registro de Vacinação e Movimentação de Gado e/ou Ficha do Serviço de Erradicação da Sama e Piolheira dos Ovinos fornecidas pelos escritórios vinculados à Secretaria de Agricultura, localizados no município, no caso de existir controle de sanidade animal para o rebanho, ou com Laudo de Acompanhamento de Projeto fornecido por Instituições Oficiais, com informações sobre o efetivo pecuário de grande e médio porte existente no imóvel, quando não existir controle de sanidade animal, e, em qualquer dessas situações, com Certidão da Inspetoria da Secretaria Estadual de Agricultura informando a composição do rebanho registrado em nome do contribuinte ou de arrendatário no imóvel, no Exercício anterior ao do lançamento. Também é possível a comprovação por meio de outros documentos, tais como, Declaração Anual do Produtor DEAP, notas fiscais de movimentação do rebanho, fichas de vacinação, etc. A meu ver, a DIRPF não é documento suficiente para comprovar a existência de animais no imóvel rural. Além disso, na cópia da DIRPF do interessado relativa ao Exercício 2007 apresentada nos autos existem dois imóveis rurais e não consta informação sobre quantidade de animais existentes no imóvel aqui tratado. Assim, não há justificativa para alteração dos dados declarados relativos ao número de animais e área de pastagens. ÁREA RESERVA LEGAL/ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13984.720180/201045 Acórdão n.º 2401006.631 S2C4T1 Fl. 8 7 pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifamos) Pois bem. De início, destaco que, no tocante às Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal/Interesse Ecológico, o Poder Judiciário consolidou o entendimento no sentido de que, em relação aos fatos geradores anteriores à Lei n° 12.651/12, é desnecessária a apresentação do ADA para fins de exclusão do cálculo do ITR, sobretudo em razão do previsto no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. Inclusive, observase que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), elaborou o Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, reconhecendo o entendimento consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça sobre a inexigibilidade do ADA, nos casos de área de preservação permanente e de reserva legal, para fins de fruição do direito à isenção do ITR. Dessa forma, entendo que não cabe exigir o protocolo do ADA para fins de fruição da isenção do ITR das Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal, bastando que o contribuinte consiga demonstrar através de provas inequívocas a existência e a precisa delimitação dessas áreas. Se a própria lei não exige o ADA, não cabe ao intérprete fazêlo. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13984.720180/201045 Acórdão n.º 2401006.631 S2C4T1 Fl. 9 8 No caso concreto, o fiscal autuante glosou parte da área declarada como Reserva Legal, por entender que referese à Área de Declarado Interesse Ecológico, conforme informação no ADA, ou seja, não estamos diante do clássico caso de exigência do ADA para comprovação da área pleiteada, mas sim de nomenclatura utilizada. Com arrimo no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. Relativamente à Área de Utilização Limitada, vale salientar que em nenhum momento a autoridade lançadora põe em "xeque" a existência da referida área, apenas discordando quanto forma que fora declarada na DITR x ADA. (nomenclatura). Quanto a este aspecto de "classificação", tenho o entendimento de que a à Área de Utilização Limitada engloba ("equiparandose") à área de Reserva Legal, conforme extraise da Portaria Ibama n° 162/1997, que assim dispõe: Art. 1º. O Ato Declaratório Ambiental ADA, conforme modelo apresentado no anexo I da presente Portaria, representa a declaração indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de apuração do ITR. § 1º. São áreas de preservação permanente as ocupadas por florestas e demais formas de vegetação natural, sem destinação comercial, descritas nos artigos 2º e 3º da Lei nº 4.771, de 1965: I com o fim de proteção aos cursos d'água, lagoas, nascentes, topos de morros, restingas e encostas; II declaradas por ato de Poder Público, destinadas a atenuar a erosão, fixar dunas, formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias, auxílio à defesa nacional, proteção de sítios de excepcional beleza, de valor científico ou histórico, asilos de fauna e flora, de proteção à vida e manutenção das populações silvícolas e para assegurar o bemestar público. § 2º. São áreas de utilização limitada: I as áreas de Reserva Particular do patrimônio Natural, destinadas à proteção de ecossistemas, de domínio privado, declaradas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, mediante requerimento do proprietário, conforme previsto no Decreto nº 1.922, de 05 de junho de 1996; II as áreas imprestáveis para a atividade produtiva, declaradas de interesse ecológico, mediante ato do órgão competente federal ou estadual, conforme previsto no artigo 10, § 1º, inciso II, alínea c, da Lei nº 9.393, de 1996; III as áreas de reserva legal, descritas no artigo 16 e seus parágrafos e no artigo 44, parágrafo único, da Lei nº 4.771, de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, onde não é permitido o corte raso da cobertura florestal Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13984.720180/201045 Acórdão n.º 2401006.631 S2C4T1 Fl. 10 9 ou arbórea para fins de conversão a usos agrícolas ou pecuários, mas onde são permitidos outros usos sustentados que não comprometam a integridade dos ecossistemas que as formam. (grifo nosso) Dito isto, para fazer jus a isenção pleiteada, à área de 500 ha referente a utilização limitada/reserva legal, deve está averbada na matricula do imóvel, como entendimento supra mencionado e no teor da Súmula CARF n° 122, contemplando o tema, senão vejamos: A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). Neste diapasão, observase que referida área encontrase averbada na matrícula do imóvel, mais precisamente na averbação (AV. 8273), feita em 1994, que a floresta ou forma de vegetação existente na área 500,00 ha, correspondente a parte da de como de área da propriedade, fica gravada utilização limitada. (efl.30) Portanto, deve ser reconhecida à área declarada de 910,8ha como sendo de Reserva Legal. DO VALOR DA TERRA NUA VTN Na parte atinente ao cálculo do Valor da Terra Nua VTN, o contribuinte regularmente intimado não comprovou o valor declarado, entendendo a autoridade lançadora que houve subavaliação, tendo em vista o valor constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela então SRF em consonância ao art. 14, caput, da Lei n° 9.393, de 1996, razão pela qual o VTN declarado para o imóvel fora arbitrado. Em síntese, podemos dizer que o VTNm/ha representa a média ponderada dos preços mínimos dos diversos tipos de terras de cada microrregião, observandose nessa oportunidade o conceito legal de terra nua previsto na legislação de regência sobre o assunto, utilizandose como data de referência o último dia do ano anterior ao do lançamento. O valor do SIPT só é utilizado quando, após intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que o valor apurado pela fiscalização fica sujeito a revisão quando o contribuinte comprova o VTN efetivo de seu imóvel. Muito embora a recorrente tenha contestado o VTN arbitrado pela autoridade fiscal e mantido pela decisão a quo, não apresentou laudo técnico conforme a NBR 14.653 da ABNT, que possibilitasse à autoridade administrativa rever o valor lançado. Para configurar um laudo com fundamentação e grau de precisão II, como requerido pela autoridade fiscal, deve ser obedecida a norma técnica NBR 14.6533 da ABNT, que exige levantamento de elementos amostrais, com comprovação da situação de cada imóvel tomado como paradigma, tratamento estatístico, com apresentação de fórmulas e parâmetros utilizados pelo profissional, entre outros requisitos. O item 9.2.3.5, alínea “b” da citada norma prevê que, para enquadramento nos graus de fundamentação II e III, é obrigatório que o Laudo Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13984.720180/201045 Acórdão n.º 2401006.631 S2C4T1 Fl. 11 10 contenha, “no mínimo, cinco dados de mercado efetivamente utilizados”. Os dados de mercado coletados devem, ainda, se referir a imóveis localizados no município do imóvel avaliando, contemporâneos à data do fato gerador do ITR. Por ocasião do Recurso Voluntário, o recorrente cita Declaração da Prefeitura Municipal de Rio Rufino, assim como do Municipio de Urupema, pugnando que seja adotado o VTN "médio" dos imóveis próximos ao do recorrente. Entretanto tal documento não satisfaz para comprovação do VTN, muito menos expõe elemento novo de convicção que possa alterar o lançamento fiscal. Vale salientar que o VTN por hectare utilizado para o cálculo do imposto foi extraído do SIPT e referese ao menor valor por aptidão agrícola previsto para o município de localização do imóvel para o exercício de 2007 conforme fl. 74. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento sub examine em consonância parcial com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para restabelecer à isenção da área de utilização limitada (reserva legal) de 500 ha (totalizando 910,8 ha), pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.902405/2014-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 31/10/2013
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. COBRANÇA DO DÉBITO
Não é matéria do processo administrativo fiscal o julgamento acerca da exigibilidade do valor do débito que resultou da compensação não homologada.
Numero da decisão: 3301-006.173
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do RECURSO VOLUNTÁRIO.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 31/10/2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. COBRANÇA DO DÉBITO Não é matéria do processo administrativo fiscal o julgamento acerca da exigibilidade do valor do débito que resultou da compensação não homologada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo de trata de Declaração de Compensação transmitida eletronicamente por meio de PER/DCOMP, com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, decorrente de recolhimento com Darf efetuado a maior. Após processamento eletrônico foi emitido Despacho Decisório, onde restou consignado que, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP indicado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 24 05 /2 01 4- 91 Fl. 97DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.173 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.902405/2014-91 contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Devidamente cientificado o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, onde alega que o PER/DCOMP de que se cuida teria sido transmitido por erro de fato, e que a compensação pleiteada não teria sido declarada em nenhuma DCTF. Requer, outrossim, o cancelamento do PER/DCOMP e da cobrança decorrente da não homologação dos débitos apontado na referida declaração. Por seu turno, a DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, concluindo que o pedido de cancelamento da DCOMP deve ser gerado a partir do Programa PER/DCOMP e somente será deferido caso a compensação se encontre pendente de decisão administrativa. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que novamente pleiteia o cancelamento da Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em questão, posto que foi emitida com erro, do que teria resultado, portando, a dupla confissão da mesma dívida. No anexo, apresenta cópia de tela extraída do sítio virtual da RFB, que demonstra a liquidação de débito da COFINS relativo ao mesmo período de apuração tratado na referida declaração. Requer, ainda, o cancelamento da cobrança decorrente da não homologação do débito que alega ter sido confessado em duplicidade. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301- 006.162, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10855.902394/2014-49, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006.162): Cuida o presente do Despacho Decisório que não homologou o PER/DCOMP n° 14441.70962.190514.1.3.04-9984, em razão de ter sido identificado débito com o qual o crédito utilizado fora liquidado (fl. 7). Sobre a legitimidade do crédito, nenhum argumento foi trazido pela recorrente. Limitou-se a pleitear o cancelamento da PER/DCOMP e da cobrança do débito que restou em aberto em função da não homologação do PER/DCOMP. Alegou que já o débito havia sido lançado por meio de DCTF e pago. De acordo com os §§ 9°, 10 e 11 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, o contribuinte poderá insurgir-se contra a não homologação de compensação, apresentando manifestação de Fl. 98DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.173 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.902405/2014-91 inconformidade e, se for o caso, recurso ao CARF. As respectivas peças processuais deverão ser processadas, seguindo o rito do processo administrativo fiscal previsto no Decreto n° 70.235/72. Portanto, os julgamentos nas instâncias administrativas circunscrevem-se à legitimidade do crédito e ao direito de utilizá-lo para fins de compensação, não abrangendo, portanto, a exigibilidade do débito que deixou de ser liquidado, em razão da não homologação do PER/DCOMP. Isto posto, voto por não conhecer do recurso voluntário, em razão de o mesmo trazer pleito que está fora do escopo de julgamento deste colegiado. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NÃO CONHECER do RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Relator Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
