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Numero do processo: 11020.004842/2007-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/2001
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A
QUO NO CASO CONCRETO.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei
nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à
decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional
(CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do
referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN
(primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter
sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º
do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação
nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores
considerados no lançamento. Constatando-se
dolo, fraude ou simulação, a
regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. In casu, há
pagamentos nos períodos que interessam para a discussão do dies a quo da
decadência, o que resulta na aplicação do art. 150, §4º do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-002.633
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Os demais conselheiros presentes
acompanharam a votação por suas conclusões.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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PREV NFLD Recorrente MARELLI MÓVEIS PARA ESCRITÓRIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/2001 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. In casu, há pagamentos nos períodos que interessam para a discussão do dies a quo da decadência, o que resulta na aplicação do art. 150, §4º do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Os demais conselheiros presentes acompanharam a votação por suas conclusões. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.004842/200701 Acórdão n.º 230102.633 S2C3T1 Fl. 152 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.122.6023 , lavrada em 24/10/2007, que constituiu crédito tributário relativo a salário educação, no período de 01/06/1997 a 31/12/2001 , tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 12.971,20 , fls. 01. Após tomar ciência postal da autuação em 10/12/2007, fls. 44, a recorrente apresentou impugnação, fls. 46/53, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 8ª Turma da DRJ/Porto Alegre, no Acórdão de fls. 124/127, julgou o lançamento procedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 08/04/2008, fls. 130. O recurso voluntário, apresentado em 28/04/2008, fls. 132/144, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. Não há divergências de pagamento, podendo existir algum erro na declaração. É o relatório. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733SC. A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: Fl. 155DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.004842/200701 Acórdão n.º 230102.633 S2C3T1 Fl. 153 5 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada Fl. 157DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.004842/200701 Acórdão n.º 230102.633 S2C3T1 Fl. 154 7 pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO Fl. 158DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.004842/200701 Acórdão n.º 230102.633 S2C3T1 Fl. 155 9 Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. ,Se considerássemos isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733 poderíamos concluir que o dies a quo da decadência para aplicação do art. 173, inciso I do CTN seria o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que levaria o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+5). Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um fato gerador que se constata ocorrido em 31/12/20XX só poderá ser lançado a partir de 01/01/20(X+1), dada a cristalina premissa de que só existe obrigação tributária após a ocorrência do fato gerador. Se só poderia ser lançado em 01/01/20(X+1) , o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6). Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: Fl. 160DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 10 EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma de suas Turmas, que a afirmação categórica do item 3 do Resp 973.733 serviu apenas para afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal. Ademais, ao adotarmos a interpretação mais formalista do item 3 do Resp 973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a obrigatoriedade de os conselheiros seguirem as decisões do STJ tomadas em Recursos Repetitivos. O art. 62A do RICARF tem nítida finalidade de evitar que o CARF continue emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o princípio da eficiência, da moralidade administrativa e acarretaria despesas para o Erário Público na forma de ônus de sucumbência. Como o próprio STJ já vem adotando uma interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental. Resulta, então, em síntese, que para fatos geradores ocorridos em 31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art. 173, inciso I do CTN. Assim, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies Fl. 161DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11020.004842/200701 Acórdão n.º 230102.633 S2C3T1 Fl. 156 11 a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Tendo em conta que o lançamento foi motivado por glosa de salário educação, há pagamentos nos períodos que interessam para a discussão da decadência. Portanto, em consonância com nossa posição acima apresentada, adotamos o dies a quo da decadência aquele do art. 150, §4º do CTN até o momento no qual o fisco se pronuncia no sentido de fazer verificações e realizar a homologação expressa ou o lançamento de ofício com o início da fiscalização. Logo, tendo a fiscalização sido iniciada em 08/2007, fls. estariam Fl. 162DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 12 atingidos pela decadência os fatos geradores até 07/2002, o que atinge todos os fatos geradores lançados. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 163DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 13888.004959/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2007
PRELIMINAR DE NULIDADE
Não há nulidade no lançamento em razão do fato da autuação fiscal considerar o planejamento tributário para agravar a multa em 150%, não se confundindo com a exigência fiscal que se pautou na compensação acima dos 30% quanto à base negativa (CSLL) e prejuízo fiscal (IRPJ).
PRELIMINAR DE ERRO QUANTO AO SUJEITO PASSIVO
Não há erro no lançamento quanto ao sujeito passivo, visto que a empresa autuada foi a incorporadora, que à época do lançamento assumiu todos os ativos e passivos da incorporada.
PRELIMINAR DE ERRO QUANTO AO CRITÉRIO TEMPORAL
Não há erro quanto ao critério temporal do lançamento, pois em 31 de dezembro de 2005 e 2007 a empresa extinta não mais existia, sendo que os fatos geradores ocorreram quando da incorporação, momento esse em que houve a compensação da base negativa da CSLL e do prejuízo fiscal quanto ao IRPJ acima dos 30%.
PRELIMINAR DE ERRO QUANTO AO CRITÉRIO QUANTITATIVO
Não se pode falar em erro quanto ao critério quantitativo, pois as operações autuadas se basearam em operações da empresa extinta, e não na incorporadora, não podendo misturar apuração da sucedida com apuração de base de cálculo da sucessora, pois a autuação se deu sob fatos e operações da sucedida.
POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO TRIBUTO.
Aplica-se a tese da postergação quanto ao pagamento de tributo apenas no caso da compensação ter sido realizada pela incorporadora, e não pela incorporada, em razão da sua inexistência após a incorporação.
DECADÊNCIA
Reconhece-se a decadência quanto ao fato gerador de julho de 2005, considerando a aplicação da tese do STJ quanto à decadência (RESP 973.733) e o disposto no artigo 62-A do RICARF. Aplicação do artigo 150, § 4°, do CTN.
INDENIZAÇÃO RECEBIDA ATRAVÉS DE PRECATÓRIO.
Origem em ação judicial indenizatória quanto ao IAA. Coisa julgada a favor da contribuinte que reconheceu a natureza da indenização como dano emergente. Natureza jurídica que não permite tributação, a despeito do erro do contribuinte em declarar e tributar os valores como receita não operacional. Erro reconhecido e escusável.
MULTA DE 150%. INEXISTÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO.
O planejamento tributário usado pelo contribuinte foi embasado em jurisprudência do CARF sobre a matéria, não existindo dolo, fraude ou simulação, visto que a jurisprudência da corte mantinha à época entendimento favorável aos contribuintes sobre a compensação acima da trava dos 30% pela empresa extinta.
CSSL. BASE NEGATIVA.
Aplicam-se os mesmos fundamentos trazidos na presente decisão quanto à base negativa da CSLL.
Recurso conhecido e provido.
Numero da decisão: 1201-000.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares argüidas. No mérito, por maioria de votos (vencido o conselheiro Marcelo Cuba Netto), deram provimento ao recurso, por considerarem não tributável, pela sua natureza indenizatória, o valor recebido mediante precatórios. Apreciaram e decidiram, ainda por unanimidade de votos, a desqualificação da multa de ofício e, por conseqüência, a decadência dos lançamentos de ofício efetuados sobre fato gerador que teria ocorrido no ano-calendário de 2005. Também foi enfrentada a questão da quebra da trava de 30% na compensação de prejuízo e da base negativa da CSLL, no caso de extinção por incorporação, e decidiram, pelo voto de qualidade, mantê-la (vencidos o relator e os Conselheiros André Almeida Blanco e Meigan Sack Rodrigues). Declarou-se impedido o Conselheiro João Carlos de Lima Junior, que foi substituído pela Conselheira Meigan Sack Rodrigues.
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Correia Fuso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco e Meigan Sack Rodrigues.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2007 PRELIMINAR DE NULIDADE Não há nulidade no lançamento em razão do fato da autuação fiscal considerar o planejamento tributário para agravar a multa em 150%, não se confundindo com a exigência fiscal que se pautou na compensação acima dos 30% quanto à base negativa (CSLL) e prejuízo fiscal (IRPJ). PRELIMINAR DE ERRO QUANTO AO SUJEITO PASSIVO Não há erro no lançamento quanto ao sujeito passivo, visto que a empresa autuada foi a incorporadora, que à época do lançamento assumiu todos os ativos e passivos da incorporada. PRELIMINAR DE ERRO QUANTO AO CRITÉRIO TEMPORAL Não há erro quanto ao critério temporal do lançamento, pois em 31 de dezembro de 2005 e 2007 a empresa extinta não mais existia, sendo que os fatos geradores ocorreram quando da incorporação, momento esse em que houve a compensação da base negativa da CSLL e do prejuízo fiscal quanto ao IRPJ acima dos 30%. PRELIMINAR DE ERRO QUANTO AO CRITÉRIO QUANTITATIVO Não se pode falar em erro quanto ao critério quantitativo, pois as operações autuadas se basearam em operações da empresa extinta, e não na incorporadora, não podendo misturar apuração da sucedida com apuração de base de cálculo da sucessora, pois a autuação se deu sob fatos e operações da sucedida. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO TRIBUTO. Aplica-se a tese da postergação quanto ao pagamento de tributo apenas no caso da compensação ter sido realizada pela incorporadora, e não pela incorporada, em razão da sua inexistência após a incorporação. DECADÊNCIA Reconhece-se a decadência quanto ao fato gerador de julho de 2005, considerando a aplicação da tese do STJ quanto à decadência (RESP 973.733) e o disposto no artigo 62-A do RICARF. Aplicação do artigo 150, § 4°, do CTN. INDENIZAÇÃO RECEBIDA ATRAVÉS DE PRECATÓRIO. Origem em ação judicial indenizatória quanto ao IAA. Coisa julgada a favor da contribuinte que reconheceu a natureza da indenização como dano emergente. Natureza jurídica que não permite tributação, a despeito do erro do contribuinte em declarar e tributar os valores como receita não operacional. Erro reconhecido e escusável. MULTA DE 150%. INEXISTÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. O planejamento tributário usado pelo contribuinte foi embasado em jurisprudência do CARF sobre a matéria, não existindo dolo, fraude ou simulação, visto que a jurisprudência da corte mantinha à época entendimento favorável aos contribuintes sobre a compensação acima da trava dos 30% pela empresa extinta. CSSL. BASE NEGATIVA. Aplicam-se os mesmos fundamentos trazidos na presente decisão quanto à base negativa da CSLL. Recurso conhecido e provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 43; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2357; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.004959/201016 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201000.800 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 7 de maio de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO IRPJ E CSLL Recorrente RIO DAS PEDRAS PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2007 PRELIMINAR DE NULIDADE Não há nulidade no lançamento em razão do fato da autuação fiscal considerar o planejamento tributário para agravar a multa em 150%, não se confundindo com a exigência fiscal que se pautou na compensação acima dos 30% quanto à base negativa (CSLL) e prejuízo fiscal (IRPJ). PRELIMINAR DE ERRO QUANTO AO SUJEITO PASSIVO Não há erro no lançamento quanto ao sujeito passivo, visto que a empresa autuada foi a incorporadora, que à época do lançamento assumiu todos os ativos e passivos da incorporada. PRELIMINAR DE ERRO QUANTO AO CRITÉRIO TEMPORAL Não há erro quanto ao critério temporal do lançamento, pois em 31 de dezembro de 2005 e 2007 a empresa extinta não mais existia, sendo que os fatos geradores ocorreram quando da incorporação, momento esse em que houve a compensação da base negativa da CSLL e do prejuízo fiscal quanto ao IRPJ acima dos 30%. PRELIMINAR DE ERRO QUANTO AO CRITÉRIO QUANTITATIVO Não se pode falar em erro quanto ao critério quantitativo, pois as operações autuadas se basearam em operações da empresa extinta, e não na incorporadora, não podendo misturar apuração da sucedida com apuração de base de cálculo da sucessora, pois a autuação se deu sob fatos e operações da sucedida. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO TRIBUTO. Aplicase a tese da postergação quanto ao pagamento de tributo apenas no caso da compensação ter sido realizada pela incorporadora, e não pela incorporada, em razão da sua inexistência após a incorporação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 49 59 /2 01 0- 16 Fl. 886DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO 2 DECADÊNCIA Reconhecese a decadência quanto ao fato gerador de julho de 2005, considerando a aplicação da tese do STJ quanto à decadência (RESP 973.733) e o disposto no artigo 62A do RICARF. Aplicação do artigo 150, § 4°, do CTN. INDENIZAÇÃO RECEBIDA ATRAVÉS DE PRECATÓRIO. Origem em ação judicial indenizatória quanto ao IAA. Coisa julgada a favor da contribuinte que reconheceu a natureza da indenização como dano emergente. Natureza jurídica que não permite tributação, a despeito do erro do contribuinte em declarar e tributar os valores como receita não operacional. Erro reconhecido e escusável. MULTA DE 150%. INEXISTÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. O planejamento tributário usado pelo contribuinte foi embasado em jurisprudência do CARF sobre a matéria, não existindo dolo, fraude ou simulação, visto que a jurisprudência da corte mantinha à época entendimento favorável aos contribuintes sobre a compensação acima da trava dos 30% pela empresa extinta. CSSL. BASE NEGATIVA. Aplicamse os mesmos fundamentos trazidos na presente decisão quanto à base negativa da CSLL. Recurso conhecido e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares argüidas. No mérito, por maioria de votos (vencido o conselheiro Marcelo Cuba Netto), deram provimento ao recurso, por considerarem não tributável, pela sua natureza indenizatória, o valor recebido mediante precatórios. Apreciaram e decidiram, ainda por unanimidade de votos, a desqualificação da multa de ofício e, por conseqüência, a decadência dos lançamentos de ofício efetuados sobre fato gerador que teria ocorrido no anocalendário de 2005. Também foi enfrentada a questão da quebra da trava de 30% na compensação de prejuízo e da base negativa da CSLL, no caso de extinção por incorporação, e decidiram, pelo voto de qualidade, mantêla (vencidos o relator e os Conselheiros André Almeida Blanco e Meigan Sack Rodrigues). Declarouse impedido o Conselheiro João Carlos de Lima Junior, que foi substituído pela Conselheira Meigan Sack Rodrigues. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator. Fl. 887DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/201016 Acórdão n.º 1201000.800 S1C2T1 Fl. 3 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco e Meigan Sack Rodrigues. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado pela fiscalização federal, que cobra da empresa contribuinte IRPJ e CSLL dos anos calendários de 2005 e 2007, decorrentes de compensação de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL de anos anteriores, sem a trava dos 30%, ou seja, a empresa extinta que incorporada compensou todo o valor do prejuízo e base negativa quando da sua extinção. Vejamos as descrições do Relatório Fiscal: INTRODUÇÃO A legislação fiscal brasileira faculta às pessoas jurídicas optantes pelo Lucro Real, a utilização do benefício1 da compensação dos saldos de exercícios anteriores de prejuízos fiscais e da base negativa da CSLL com o Lucro Real e Base de Cálculo positiva da CSLL em determinado exercício. Tal compensação é limitada a 30% do Lucro Real e da BC da CSLL após as adições e exclusões determinadas pela legislação. No entanto, nos casos de encerramento de uma empresa extinta por sucessão, alguns contribuintes passaram a não obedecer a limitação imposta pela legislação, sob o pretexto de tratar se do último período da empresa, o que possibilitaria a ela o aproveitamento integral do saldo restante. Esse entendimento, nunca aceito pela Fiscalização da Receita Federal, porém, aceito por algumas câmaras do Conselho de Contribuintes e referendado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (atualmente Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF), acabou por incentivar a conduta de alguns contribuintes a utilizar um mecanismo abusivo por meio da incorporação, caracterizandose num falso planejamento tributário. (...) Como se verifica, esse pretenso Planejamento Tributário caracteriza se como uma verdadeira Evasão Fiscal, com prejuízos à Fazenda Nacional. Vale frisar que, a legislação fiscal que rege a matéria nunca mencionou que, em virtude do desaparecimento da empresa em decorrência de reorganização societária, se procedesse à compensação de prejuízos fiscais e base negativa da CSLL de períodos anteriores sem observância do limite de 30% a que se reporta os artigos 15 e 16 da Lei n° 9.065, de 1995. Fl. 888DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO 4 No entendimento atual do CARF aplicase o limite de 30%, mesmo nos casos de extinção de empresas por incorporação. O próprio Supremo Tribunal Federal, no RE 344.9940, em março de 2009, firmou entendimento de que a compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores é espécie de benefício fiscal. O silêncio da lei não pode ser preenchido pelo seu intérprete, mormente em se tratando de benefício fiscal. No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e, em atendimento ao MPF n° 0812500/005782/2010, efetuamos as verificações fiscais relativas às operações de sucessivas reorganizações societárias, cujo objetivo da contribuinte acima referenciada foi o de compensar integralmente os saldos de prejuízos fiscais acumulados IRPJ e os saldos de base de cálculo negativa da CSLL, sem respeitar o limite de compensação equivalente a 30%, a que se reportam os artigos n° 15 e 16 da Lei n° 9065, de 1995. Para tanto, a contribuinte procedeu da seguinte forma: AGROPECUÁRIA ITAPERU S/A., CNPJ n° 15.546.880/000173, uma empresa que apresentava, em 28/07/2005, os seguintes dados fiscais e cadastrais: (...) Utilizandose de um pretenso planejamento tributário, esta empresa foi incorporada por outra, em 28/07/2005 e, portanto, sendo o seu último período de operação, ela compensou integralmente os saldos de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL, sem a trava dos 30%, com respaldo em algumas decisões favoráveis do Conselho de Contribuintes, referendadas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Veja fichas 9A e 17, da DIPJ de evento especial, AC 2005, relativas à Demonstração do Lucro Real e Demonstração da Base de Cálculo da CSLL: (...) Observação: a alteração da razão social de AIRAM ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA. para AIRAM ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A., se deu em 30/06/2005, continuando o mesmo CNPJ n° 07.362.805/0001 24. Na mesma Assembléia Geral Extraordinária, realizada em 28/07/2005, a qual deliberou e aprovou a incorporação da AGROPECUÁRIA ITAPERU S/A., CNPJ n° 15.546.880/000124 pela AIRAM ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES CNPJ n° 07.362.805/000124, foi aprovada, também, a adoção pela sociedade incorporadora, da denominação e do objeto social da incorporada, ou seja, a incorporadora passou a se chamar AGROPECUÁRIA ITAPERU S/Á., agora com o CNPJ n° 07.362.805/000l24. Fl. 889DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/201016 Acórdão n.º 1201000.800 S1C2T1 Fl. 4 5 A contribuinte usou um meio atípico, ou seja, criou uma pseudo situação para evitar um fato gerador que seria o normal (compensar o prejuízo respeitando a trava), para submetêlo a um mandamento tributário menos oneroso. Lembrete: A compensação de prejuízos fiscais e da BC negativa da CSLL está limitada a 30% do lucro real e da BC positiva da CSLL, independentemente da extinção ou não da empresa. Esta evasão fiscal resultou num prejuízo à Fazenda Nacional, no valor de R$ 2.542.159,40 a título de IRPJ e R$ 784.252,64 a título de CSLL, assim demonstrados: IRRJ Lucro Real antes da compensação de prejuízos R$ 17.392.159,77 Compensação permitida pela legislação = 30% do Lucro Real R$ 5.217.647,93 Compensação efetuada pela empresa "incorporada" R$ 15.386.285,56 Compensação"Excedente (Indevida) R$ 10.168.637,63 IRPJ que deixou de ser recolhido R$ 2.542.159,40 R$ 10.168.637,63 x 15% + 10% x R$ 10.168.637,63 = R$ 2.542.159,40 CSLL Base de cálculo da CSLL antes da compensação de prejuízos R$ 17.392.159,77 Compensação permitida pela legislação = 30% da BC da CSLL R$ 5.217.647,93 Compensação efetuada pela empresa "incorporada" R$ 13.931.566,19 Compensação Excedente (Indevida) R$ 8.713.918,26 CSLL que deixou de ser recolhida R$ 784.252,64 R$ 8.713.918,26x9% = R$784.252,64 CONTINUANDO A AUDITORIA FISCAL Finalizado o ano de 2005, a Airam, agora AGROPECUÁRIA ITAPERU S/A, com o CNPJ n° 07.362.805/000124, apresenta a DIPJ, na forma de tributação do Lucro Real. Para o ano calendário de 2006, apresenta a DIPJ na forma de tributação do Lucro Presumido. Em 31/07/2007, a empresa AGROPECUÁRIA ITAPERU S/A foi incorporada pela empresa Rio das Pedras Participações S/A. Fl. 890DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO 6 Em virtude da incorporação, a Agropecuária Itaperu S/A, apresenta a DIPJ de evento especial, relativo ao período de 01/01/2007 a 31/12/2007, apresentando Lucro real e BC positiva da CSLL, no valor de R$ 11.309.062,07. A incorporadora RIO DAS PEDRAS PARTICIPAÇÕES S/A, é uma holding, controladora de participações societárias, cujos acionistas são Rubens Ometto Silveira Mello e Mônica Maria M. Silveira Mello. Essa empresa foi constituída em 1992. Para o ano calendário de 2006, ela apresentou sua DIPJ na forma de tributação do Lucro Real, demonstrando um prejuízo fiscal e uma base de cálculo negativa da CSLL, no valor de R$ 52.238.016,82. Somado ao saldo já existente, referente aos períodos anteriores, os saldos acumulados de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL atingiram o montante de R$ 57.907.121,42, conforme seu livro do Lalur. Cenário perfeito para mais um "planejamento tributário", isto é, fazer com que a Rio das Pedras Participações S/A. seja incorporada por alguma "outra empresa" e, sob o argumento de que se trata do último exercício(extinção por incorporação), compensa o prejuízo fiscal no montante do lucro real e da BC negativa da CSLL. Nesse caso compensa R$ 56.137.062,03. E assim foi feito. Novamente, as mesmas pessoas jurídica e físicas, que lá em 2005 já tinham usado procedimento semelhante, apresentam a empresa Noiva da Colina Administração e Participações Ltda, CNPJ n° 09.012.684/000116, como incorporadora da Rio das Pedras Participações S/A, CNPJ n° 69.037.034/000157. A Noiva da Colina tem como sócias a empresa belga Empreendimentos e Rubens Ometto e Mônica Maria. Em 31/10/2007, a Noiva da Colina é transformada de Ltda. para S/A e incorpora a Rio das Pedras... A ORIGEM DO PREJUÍZO FISCAL DE R$ 56.137.062,03 Em agosto/2006, a contribuinte (Rio das Pedras Participações S/A, CNPJ n° 69.037.034/000157) adquiriu 860 ações da empresa Belga Empreendimentos e Participações Ltda., CNPJ n° 04.964.222/000185, com um ágio de R$ 135.624.749,12. Em outubro/2006, a contribuinte incorporou a parcela cindida da Belga, equivalente àquelas 860 ações, recebendo em troca 3.154.896 ações da Cosan S/A. Indústria e Comércio, CNPJ n° 50.746.577/000115. Em dezembro/2006, a contribuinte vendeu as 3.154.896 ações da Cosan para a Lewington, por R$ 104.111.568,00 (informação corroborada pelo próprio contribuinte). Fl. 891DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/201016 Acórdão n.º 1201000.800 S1C2T1 Fl. 5 7 A contribuinte, na sua DIPJ relativa ao anocalendário de 2006, procedeu da seguinte forma: Lançou o valor do ágio, de R$ 135.624.749,12, na linha 20 (encargos de depreciação e amortização), da ficha 05 A Despesas Operacionais, da DIPJ relativa ao anocalendário de 2006. Conseqüentemente, esse valor foi transportado para a linha 28 – Despesas Operacionais, da ficha 06 A. Ao proceder desta formar, a contribuinte fez, na DIPJ, um prejuízo não operacional transformarse em um prejuízo operacional. Como é sabido, a legislação fiscal não permite que prejuízos não operacionais de exercícios anteriores sejam compensados com lucros operacionais, conforme previsto no RIR/99: Art. 511. Os prejuízos não operacionais, apurados pelas pessoas jurídicas, a partir de 1° de janeiro de 1996, somente poderão ser compensados com lucros da mesma natureza, observado o limite previsto no caput do art. 510 (Lei 9.249, de 1995, art. 31). § 1° Consideramse não operacionais os resultados decorrentes da alienação de bens ou direitos do ativo permanente. O valor de R$ 135.624.749,12 deveria ser lançado na linha 41 Valor contábil dos bens e direitos alienados, da ficha 06 A., parte integrante do resultado não operacional, o que resultaria num prejuízo não operacional. Veja que a própria legislação do imposto de renda assim estabelece: Art. 426, do RIR/99. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei ns 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei n° 1.730, de 1979, art. 1°, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; . /// provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. (..) Fl. 892DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO 8 Como vimos, estamos diante de uma transação não operacional, que juntamente com outras transações da mesma natureza, redunda num resultado não operacional. No caso, um prejuízo fiscal não operacional. Assim, em 31/10/2007, data da "incorporação" da contribuinte, os saldos corretos de prejuízos fiscais, relativos a períodos anteriores, são os seguintes: Prejuízos Fiscais Operacionais R$ 5.669.104,60 Prejuízos Fiscais não Operacionais R$s52.238.016,82 Saldo de prejuízos fiscais considerados operacionais pela contribuinte, conforme o seu LALUR, no qual está incluso o prejuízo relativo ao AC de 2006 = R$ 57.907.121,42 () Prejuízo fiscal não operacional relativo ao AC 2006 = (R$ 52.238.016.82) Saldo de prejuízo fiscal operacional = R$ 5.669.104,60 Na DIPJ de evento especial (incorporação), em 31/10/2007, são apresentados, pela contribuinte, um lucro não operacional de R$ 3.281.077,63 e um lucro real de R$ 56.137.062,03. Por permissão legal, a pessoa jurídica pode, nesta situação, compensar integralmente o lucro não operacional utilizando o seu saldo de prejuízos não operacionais de períodos anteriores. No períodobase em que for apurado resultado não operacional positivo, todo o seu valor poderá ser utilizado para compensar os prejuízos fiscais não operacionais de períodos anteriores, ainda que a parcela do lucro real admitida para compensação não seja suficiente ou que tenha sido apurado prejuízo fiscal. Como a contribuinte apurou um lucro não operacional de R$ 3.281.077,63, ele será compensado integralmente, por esta Fiscalização, com parte do saldo de prejuízos fiscais não operacionais, em atendimento ao mandamento legal acima transcrito. A situação correta passa a ser a seguinte: Lucro real antes da compensação de prejuízos R$56:137;062,03' Prejuízo fiscal não operacional compensado R$ 3.281.077,63 Prejuízo fiscal operacional compensável R$ 5.669.104,60 Lucro real após a compensação de prejuízos R$ 47.186.879,80 Na realidade, o valor de R$ 47.186.879,80, é o saldo de prejuízo fiscal não operacional que a contribuinte compensou indevidamente com lucros operacionais, na data do evento, isto é, 31/10/2007. Frisese que mesmo que o prejuízo fiscal fosse operacional, a contribuinte incorreria em infração, pois também desrespeitou a trava dos 30% do lucro real. Fl. 893DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/201016 Acórdão n.º 1201000.800 S1C2T1 Fl. 6 9 Esta nova evasão fiscal, resultou num prejuízo à Fazenda Nacional, no valor de R$ 11.776.719,95 a título de IRPJ e R$ 3.536.634,90 a título de CSLL, Em 20/06/2008, a Noiva da Colina Administração e Participações S/A altera a razão social para RIO DAS PEDRAS PARTICIPAÇÕES S/A. A JUSTIFICATIVA3 DA CONTRIBUINTE PARA OS DOIS EVENTOS DE REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA, OU SEJA, AS INCORPORAÇÕES DA AGROPECUÁRIA ITAPERU S/A E DA RIO DAS PEDRAS PARTICIPAÇÕES S/A. "A operação justificase tendo em vista as vantagens obtidas pelas sociedades envolvidas, consistentes na redução de custos operacionais e administrativos em face da unificação dos esforços gerenciais e do redimensionamento da estrutura operacional." A contribuinte foi intimada a ratificar ou não tal justificativa e, caso ratificasse, deveria demonstrar as vantagens obtidas pelas sociedades envolvidas, bem como, a redução dos custos operacionais, valorando as reduções de cada um desses custos. Vejamos a resposta à intimação: "Com relação a seu questionamento acerca da justificação das incorporações ocorridas, temos a apresentar que para ambas, ratificamos nossas justificativas e podemos até complementálas. Com relação à redução dos custos objetivados, os mesmo dizem respeito a: i) eliminações de publicações de editais de convocação, extrato de atas e balanços ii) custos com preparação de obrigações acessórias, como dctf, dacon, dirf; iii) custos com preparação de atas iv) contabilidade v) etc. Ademais, para toda e qualquer operação, sob a ótica do acionista, há a presunção de que o gestor analisou e implementou a operação que melhor conviesse a empresa. Também merece comentar o fato que estas empresas estão inseridas num conglomerado de empresas que detém diversos investimentos e cujo principal deles está no setor sucroalcooleiro através da controlada a Cosan S.A. indústria e Comércio, empresa que nos últimos anos vem apresentando vigoroso crescimento. Uma das principais características dos executivos destas empresas, e que se traduz no funcionamento delas, é a combinação da experiência profissional com o dinamismo. Este comentário se faz necessário para lumiar a operação em análise, dando a ela o caráter empresarial que ela merece, uma vez que não se trata de uma operação isolada, mas de uma operação inserida num Grupo Empresarial onde, por vezes, os gestores antecipando uma negociação, constituem empresas para serem empregadas em negócios que ainda estão em análises, que podem ou não sair, mas como dever de oficio, devem deixar a estrutura da negociação pronta para sua realização. No entanto, por muitas outras vezes, os negócios não saem como Fl. 894DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO 10 originalmente pretendido ou simplesmente não acontecem e a constituição de empresas se mostram inúteis. De tempos em tempos os gestores revisam a estrutura societária, visando sempre mantêlas transparente e eficiente aos olhos do mercado financeiro e acionário. " Da leitura dessa resposta, podese depreender o seguinte: Em relação à Airam Administração e Participações, para reduzir tais custos era só baixála, ou então nem constituíla. Aliese ao fato de que era uma Ltda. até 28 dias antes de ela incorporar a Itaperu, não se aplicando, portanto, para esse tipo de sociedade, procedimentos como publicação de editais de convocação, extratos de atas e balanços, etc. Em relação à Noiva da Colina Administração e Participações aplicamse as mesmas considerações, ou seja, era Ltda. até o dia em que ela incorporou a Rio das Pedras, não se aplicando também as obrigatoriedades citadas, típicas de sociedades anônimas. Para reduzir custos era só baixála, ou então nem constituíla, uma vez que, alguns meses depois do evento teve sua razão social alterada para Rio das Pedras Participações S/A. A citação uma vez que não se trata de uma operação isolada, mas de uma operação inserida num Grupo Empresarial onde, por vezes, os gestores antecipando uma negociação, constituem empresas para serem empregadas em negócios que ainda estão em análises, que podem ou não sair, mas como dever de ofício, devem deixar a estrutura da negociação pronta para sua realização. No entanto, por mintas outras vezes, os negócios não saem como originalmente pretendido ou simplesmente não acontecem e a constituição de empresas se mostram inúteis. De tempos em tempos os gestores revisam a estrutura societária, visando sempre mantêlas transparente e eficiente aos olhos do mercado financeiro e acionário. " Ora, se os negócios não saem como originalmente pretendidos ou simplesmente não acontecem e a constituição de empresas se mostram inúteis, elas devem ser baixadas e não serem utilizadas para pretensos planejamentos tributários. Como se observa, nos casos citados nesta autuação, não há um propósito negocial nessas "reorganizações societárias", a não ser única e exclusivamente a redução ou a eliminação do montante de tributos a pagar. A conduta da contribuinte foi a de criar pseudosituações a fim de se enquadrar em algumas decisões administrativas passadas do Conselho de Contribuintes (atual CARF), buscando desta forma evitar a subsunção do negócio praticado ao fato imponível, objetivando suprimir ou reduzir o IRPJ/CSLL. Pretendeu, por meio de um planejamento tributário abusivo, realizar "incorporações" para que as ditas "incorporadas" pudessem compensar os prejuízos fiscais e a base de cálculo negativa da CSLL sem o limite de 30%. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/201016 Acórdão n.º 1201000.800 S1C2T1 Fl. 7 11 Os procedimentos da contribuinte enquadramse, destarte, no disposto no § 1° do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que em sua redação original, e na atual, limitase a remeter, dentre outros, ao art. 72 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, e que têm a seguinte redação: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. A AUTUAÇÃO Diante de tudo o que foi exposto, lavramos os Autos de Infração (Processo n° 13888.004959/201016) conforme demonstrados a seguir, cujos montantes incluem os juros calculados até 29/10/2010, e multa qualificada: • Imposto de Renda PJ R$ 40.833.066,82 • Contribuição Social sobre o Lucro Líquido R$ 12.327.039,79 Total R$53.160.106,61 A contribuinte interpôs impugnação administrativa, em 17 de dezembro de 2010, alegando em síntese que: • Nos termos do art. 150, § 4o do Código Tributário Nacional (CTN), ocorreu a decadência do direito de o Fisco exigir o IRPJ e CSLL, relativos ao mês de julho de 2005. Não deveria sequer ser cogitada a ocorrência de fraude, dolo ou simulação, razão pela qual o prazo decadencial não poderá seguir a regra contida no art. 173,1, do citado Código; • O art. 153, III, da Constituição Federal (CF) autoriza a tributação da "renda e proventos de qualquer natureza" e o art. 43, I, do CTN qualifica renda como o "produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos", sendo que o inciso II define "proventos de qualquer natureza" como "acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior". Por sua vez, o art. 44 do CTN define que a base de cálculo é o montante real, arbitrado ou presumido da renda ou proventos tributáveis. Seguindo as disposições dos arts. 43 e 44 do CTN, o art. 250 do RIR, de 1999, determina, na apuração do lucro real, a compensação dos prejuízos fiscais de períodos anteriores, que, para as empresas em funcionamento, é limitada a 30% do lucro líquido ajustado; • Ocorre que, nas hipóteses de extinção da empresa, dentre elas a incorporação (Lei n° 6.404, de 1976, art. 227, § 3), não é possível aplicar a limitação de 30% na declaração final da empresa incorporada, levandose em consideração que, nos termos do art. 514 do RIR, de 1999, "a pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida". Nesse contexto, diante da sua Fl. 896DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO 12 extinção, não haverá meios de a incorporada utilizar os saldos de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL em anos subseqüentes, como prevê a legislação. Portanto, verifica se que a limitação de 30% para a utilização do prejuízo fiscal pressupõe a continuidade das atividades da empresa; • Diante da vedação da possibilidade da incorporadora compensar o saldo de prejuízos fiscais que anteriormente pertencia à sociedade incorporada, por óbvio, qualquer limitação ao aproveitamento do referido saldo por parte da empresa sucedida implicará negação do direito à utilização do saldo dos citados prejuízos e tributação do patrimônio da empresa, em nítida lesão ao art. 153, III, da CF, ao princípio da capacidade contributiva (art. 145, § I , da CF), bem assim aos arts. 43 e 44 do CTN; • Com relação à limitação da compensação dos prejuízos fiscais não operacionais, por idênticas razões, por se tratar da última declaração de rendimentos da incorporada, não pode prevalecer mais essa restrição à compensação; • Quanto às acusações de fraude, diferentemente do que aponta o Fisco, não há nada de ilegal ou abusivo na incorporação da Agropecuária Itaperu S/A pela Airam Administração e Participações S/A, ocorrida em 28/07/2005, e da Rio das pedras Participações S/Apela empresa Noiva da Colina Administração e Participação S/A, ocorrida em 31/10/2007. Além de fazer parte de renegociações e estratégias societárias adotadas com o fito de manter e consolidar o controle acionário, as incorporações são justificadas, também, pela redução dos custos operacionais e administrativos, em face da unificação dos esforços gerenciais e do redimensionamento da estrutura operacional. Tratase de real e legítima reorganização societária, que atendeu todos os requisitos da Lei n° 6.404, de 1976, somada à adoção de um legal e legítimo planejamento tributário; • Em 01/08/1991 a Destilaria Rio Brilhante S/A ingressou com a ação ordinária n° 91.001.82605, em face da União Federal, pleiteando indenização por prejuízos provocados em função de o Instituto do Açúcar e Álcool (IAA) ter fixado os preços de comercialização dos produtos mencionados em patamares inferiores aos custos médios de produção, em desobediência aos ditames dos arts. 9o e 10 da Lei n° 4.870, de 1965 (doc. anexo). Ao receber as parcelas relativas ao precatório oriundo da referida ação judicial, em agosto de 2005 e outubro de 2007, ofereceu tais valores à tributação do IRPJ e CSLL; • Ocorre que, na realidade, tais valores não refletem nenhum "acréscimo patrimonial", fato gerador do IRPJ e CSLL. A indenização foi paga pela União Federal para ressarcir o dano passado, com o objetivo de recompor o patrimônio desfalcado. Nos termos das lições de Pontes de Miranda, no caso estão presentes os três requisitos do dano emergente: a) prejuízo sofrido diretamente em consequência do eventos, razão pela qual; b) sua indenização recompõe perda ocorrida no passado consistente; c) em concreta diminuição no patrimônio, Fl. 897DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/201016 Acórdão n.º 1201000.800 S1C2T1 Fl. 8 13 verificável quando há depreciação do ativo ou aumento do passivo. Nesse contexto, quando se indeniza o dano causado ao patrimônio material, na verdade, o pagamento em dinheiro simplesmente restitui a perda patrimonial ocorrida; • Mister se faz o afastamento da multa de 150%, tendo em vista que não houve fraude. As compensações com prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa de CSLL foram efetuadas de acordo com o pacífico entendimento doutrinário e jurisprudencial que afastam a limitação de 30%. Tratase de legítima e real reorganização societária, que atendeu a todos os requisitos da Lei n° 6.404, de 1976, somada à adoção de um igualmente legal e legítimo planejamento tributário, fundamentado e baseado nos precedentes jurisprudenciais dos tribunais administrativos; • A multa de 150% aplicada é ilegal, tem caráter confiscatório, afronta o art.150, IV, da CF e os princípios da proporcionalidade e razoabilidade. • Protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente pela juntada de documentos complementares, produção de diligências suplementares, apresentação de memoriais e sustentação oral de seu direito; • Requer que todas as intimações relativas ao presente processo sejam realizadas no nome de Elias Marques de Medeiros Neto, OAB/SP n° 196.655, Marco Antonio Tobaja, OAB/SP n° 54.853 e Heberto Lima Araújo, OAB/SPn° 185.648. Posteriormente, em 01/04/2011, a contribuinte apresentou o documento de fls. 351 a 357, repetindo as alegações feitas na impugnação e fazendo novas alegações, de que as receitas declaradas como operacionais, no anocalendário de 2007, são, na verdade, não operacionais, tendo em vista que houve a cessão dos direitos de crédito relativo ao processo judicial anteriormente citado. Acrescenta que o acréscimo obtido com essa cessão de crédito qualificase, nos termos do art. 418 do RIR, de 1999, como "ganho de capital", classificandose como resultado não operacional. Dessa forma, o ganho de capital de R$ 60.587.403,80 deve ser contraposto aos prejuízos/base negativa acumulados de R$ 52.238.016,82. Aduz que, como a fiscalização afirma que para fins fiscais é como se a incorporação não tivesse ocorrido e a sociedade incorporada continuasse a existir, deveria ter dado ao caso tratamento semelhante ao de postergação no recolhimento de IRPJ e CSLL, seguindo a jurisprudência do Carf ao analisar a compensação acima do limite de 30%. Anexou ao processo os documentos de fls. 358 a 511. A DRJ manteve integralmente o lançamento fiscal, conforme voto abaixo colacionado: Novas Alegações Apresentadas a Destempo. Fl. 898DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO 14 A contribuinte apresenta, em 01/04/2011, novas alegações de que as receitas declaradas como operacionais, no ano calendário de 2007, são, na verdade, não operacionais e que à compensação acima do limite de 30% deve ser dado tratamento de postergação no recolhimento de IRPJ e CSLL. Devese esclarecer que o prazo de 30 dias para impugnação decorre de expressa previsão contida no art. 15 do PAF: (...) E o art. 16, § 4o , do mesmo Decreto dispõe: (...) Levandose em consideração que tais ocorrências não ficaram provadas no presente processo, não serão analisadas as novas alegações apresentadas intempestivamente (em 01/04/2011), assim como os documentos a elas correspondentes. Decadência. A impugnante argúi a decadência do direito de a Fazenda Publica efetuar o lançamento de ofício em relação ao fato gerador ocorrido em julho de 2005. A esse respeito, há que se asseverar, de plano, que se está diante do lançamento dito por homologação, nos termos do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), uma vez que a lei atribuiu à pessoa jurídica o dever de antecipar o pagamento do imposto de renda sem prévio exame da autoridade tributária, apurando e recolhendo o quantum devido, antecipandose a qualquer procedimento da repartição fiscal. Tal modalidade de lançamento operase pelo ato em que a autoridade administrativa, tomando conhecimento da atividade de pagamento exercida pelo sujeito passivo, expressamente a homologa. Nesse caso, segundo disposição do § 4 do mesmo artigo, a decadência operase em cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, se a autoridade administrativa não homologar o lançamento antes de decorrido o qüinqüênio, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Por conseguinte, efetuado o pagamento antecipado do imposto a que se refere o art. 150 do CTN, sem dolo, fraude ou simulação, e a Fazenda Pública não vier, dentro do prazo de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, expressamente homologar o lançamento, este será considerado tacitamente homologado, e definitivo e bom o pagamento antecipado. Há que se observar, entretanto, que o prazo à homologação, de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, não se aplica, de qualquer forma, à espécie dos autos, em face da ressalva constante ao final de seu texto, por estar caracterizada a ocorrência de fraude, como ficará demonstrado mais adiante, na análise da multa qualificada, o que desloca a contagem do prazo decadencial para o art. 173,1, do CTN, iniciando a sua contagem no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 899DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/201016 Acórdão n.º 1201000.800 S1C2T1 Fl. 9 15 Com efeito, para o fato gerador ocorrido em julho de 2005, o prazo decadencial iniciouse em 01/01/2006 e teve seu termo final em 31/12/2010. Tendo a ciência do auto de infração ocorrido em 17/11/2010, deve ser afastada a preliminar de decadência do direito de lançar os tributos ora exigidos. Compensação de Prejuízos Fiscais e Bases de Cálculo Negativas de CSLL de Anos Anteriores. Tratase de analisar lançamento relativo ao IRPJ (ano calendário 2005) e CSLL (anoscalendário de 2005 e 2007), em que houve compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa da CSLL superior ao limite de 30% do lucro real antes das compensações. Apurouse, ainda, no anocalendário de 2007, compensação indevida de prejuízo fiscal não operacional com lucros operacionais. A contribuinte alega que nos casos de incorporação (Lei n° 6.404, de 1976, art. 227, § 3o) não é possível aplicar a limitação de 30% na declaração final da empresa incorporada, levandose em consideração que, nos termos do art. 514 do RIR, de 1999, "a pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida". Inicialmente, cabe ressaltar que à Administração não compete afastar a aplicação de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico sem lei que assim regulamente, uma vez que a atividade do lançamento é vinculada e obrigatória, nos termos dos artigos 141 e 142 do CTN. Sobre a compensação de prejuízos fiscais, o art. 514 do RIR, de 1999, dispõe: Art. 514. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida (DecretoLei n" 2.341, de 1987, art. 33). O citado Decretolei é claro ao proibir a compensação de prejuízos fiscais da sucedida pela pessoa jurídica sucessora. A partir de 1995, o legislador ordinário, por meio da Lei n.° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, arts.42 e 58 e arts. 15 e 16 da Lei n.° 9.065, de 20 de junho de 1995. fixou o limite máximo de 30% para a compensação de prejuízos fiscais e não contemplou a possibilidade de sua compensação integral quando realizados os eventos de incorporação, fusão ou cisão. Verificase que as leis acima citadas ao fixarem o limite máximo de 30%, estipularam, de fato, tributação mínima de 70% do lucro real do ano e da base de cálculo da CSLL, assegurando a observância do princípio da autonomia dos exercícios financeiros para a apuração e tributação daqueles resultados. Cabe ressaltar que referido lucro real e base de cálculo da CSLL, não se compõe, por definição, com o eventual prejuízo e base de cálculo negativa de ano anterior. A cada período corresponde um fato gerador e uma base de cálculo próprios e Fl. 900DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO 16 independentes. Os prejuízos remanescentes de outros períodos, que dizem respeito a outros fatos geradores e respectivas bases de cálculo, não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL do período em apuração. O fato de ter havido prejuízo em período de apuração anterior não tem implicação sobre a definição de renda do período seguinte. Tanto é assim que se fala em prejuízo do ano calendário de 2006, por exemplo, porque em tal período a empresa teve despesas superiores a receitas na apuração do resultado. O prejuízo de um anocalendário é somente a ele relativo, não se comunicando, para efeito de definição do conceito de renda, com o lucro dos períodos subseqüentes. Temse, assim, que essa nova sistemática de redução do lucro líquido ajustado, em razão do aproveitamento de prejuízos e de bases de cálculo negativas acumulados limitado a 30%, não significa que a empresa tenha qualquer crédito contra a Fazenda Nacional, constituindo a compensação apenas um benefício tributário concedido. Nesses termos, sendo a compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas acumulados em períodos anteriores um benefício fiscal, devese observar o que foi estabelecido na lei, afastandose a interpretação extensiva. A esse respeito já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal (STF): (...) No presente caso, foi apurado, no anocalendário de 2006, prejuízo fiscal não operacional de R$ 52.238.016,82 e, no ano calendário de 2007, lucro não operacional de R$ 3.281.077,63, que foi integralmente compensado com parte do saldo de prejuízos fiscais não operacionais de 2006, tendo sido compensado R$ 5.669.104,60 (fls. 197 e 199) relativo a prejuízo fiscal de anos anteriores. Assim, não há que se falar em limite de 30%, pois o lucro não operacional apurado no anocalendário de 2007 foi integralmente compensado com o prejuízo operacional existente em 31/10/2007 e foi tributado o saldo de prejuízo fiscal não operacional (R$ 47.186.879,80) compensado indevidamente com lucros operacionais. Portanto, nessa parte não cabe qualquer alteração do lançamento. Indenização Recebida. Quanto à indenização recebida, verificase que. ela não foi objeto do lançamento. Na impugnação, a contribuinte afirma que o valor recebido a esse título é não tributável e que foi indevidamente incluído como receita operacional nos anos calendário de 2005 e 2007. Temse que indenização é a prestação destinada a reparar ou recompensar o dano causado a um bem jurídico, que pode ser de Fl. 901DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/201016 Acórdão n.º 1201000.800 S1C2T1 Fl. 10 17 natureza patrimonial (integrantes do patrimônio material) ou nãopatrimonial (integrantes do patrimônio imaterial ou moral). Segundo o professor Fernando Noronha, na obra DIREITO DAS OBRIGAÇÕES Fundamentos do Direito das Obrigações Introdução à Responsabilidade Civil Volume I Editora Saraiva (2003), "Existe uma subclassificação muito importante dos danos patrimoniais, que é tradicional e privativa deles: os danos emergentes e os lucros cessantes. A distinção é feita no art. 402, a propósito das obrigações negociais. O dano emergente traduzse em efetiva diminuição do patrimônio do lesado; o lucro cessante consiste na frustração de um ganho que era esperado, de um acréscimo patrimonial que o lesado teria, se não houvesse ocorrido o fato danoso".(ressaltei). E o citado art. 402 do Código Civil (Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002) dispõe: Verificase, na petição inicial da ação ordinária n° 91.0018260 5, que a contribuinte pleiteia uma recomposição patrimonial consistente no pagamento de um valor correspondente à diferença entre os preços autorizados pelo IAA, para a cana, o açúcar e o álcool, e aqueles fixados em consonância com os critérios legais. Solicita indenização pela perda em seu faturamento, tendo em vista que deixou de ter uma maior margem de lucro. Tratase, portanto, não de uma compensação de danos efetivamente experimentados, mas de pagamento de um acréscimo patrimonial correspondente ao ganho que deixou de ser auferido (lucro cessante). Dessa forma, a referida indenização está no campo de incidência do imposto de renda, nos termos do art. 43 do CTN, sendo improcedente a alegação feita pela contribuinte. Inconstitucionalidade. Quanto às alegações de inconstitucionalidade, cabe esclarecer que a autoridade administrativa não tem competência para analisar tais questões, sendo esta competência atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário pela CF, no art. 102. A doutrina escreve que toda atividade da Administração Pública se passa na esfera infralegal e as normas jurídicas, quando emanadas do órgão competente, gozam de uma presunção de constitucionalidade, bastando sua mera existência para inferir a sua validade. Inovado o sistema jurídico com uma norma emanada do órgão competente, ela passa a pertencer ao sistema, cabendo à autoridade administrativa tãosomente velar pelo seu fiel cumprimento até que seja expungida do mundo jurídico por uma outra superveniente ou por resolução do Senado da República, Fl. 902DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO 18 publicada posteriormente à declaração de sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou, pois o lançamento é uma atividade vinculada. Esta questão, ademais, encontrase agora expressamente disciplinada em lei ordinária, conforme prescrito no art. 25 da Lei n° 11.941, de 2009, que inseriu o art. 26A no Decreto n° 70.235, de 1972, nos seguintes termos: Não se enquadrando a matéria impugnada em qualquer das exceções prescritas no § 6, recémtranscrito, não há como afastar a exigência combatida a pretexto de alegada inconstitucionalidade da norma em que a fundamentou. Assim sendo, resta à impugnante levar suas considerações ao Poder Judiciário, que detém o "monopólio" da análise de alegadas ilegalidades e/ou inconstitucionalidades do direito positivado. Enfim, os óbices por ela apontados, neste ponto, são impertinentes à seara administrativa. Multa de 150% A contribuinte alega que não houve fraude nas incorporações efetuadas, tratandose de legítima e real reorganização societária e planejamento tributário fundamentado nos precedentes jurisprudenciais dos tribunais administrativos. O autuante fundamentou a exigência da multa qualificada de 150% no art. 44,1, § I , da Lei n° 9.430, de 1996 (com redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007), configurando os procedimentos da contribuinte como fraude (art. 72 da Lei n° 4.502,de 1964). Considerou que a "conduta da contribuinte foi a de criar pseudosituações a fim de se enquadrar em algumas decisões administrativas passadas do Conselho de Contribuinte (atual CARF), buscando desta forma evitar a subsunção do negócio praticado ao fato imponível, objetivando suprimir ou reduzir o IRPJ/CSLL." A contribuinte tentou justificar as incorporações da Agropecuária Itaperu S/A e da Rio das Pedras Participações S/A alegando obtenção de vantagens consistentes na redução de custos operacionais e administrativos, além de que não se trata de uma operação isolada, mas de uma operação inserida num Grupo Empresarial, onde. por vezes, os gestores constituem empresas que por muitas outras vezes se mostram inúteis. Tais justificativas não foram aceitas pelo autuante e foram invalidadas tendo em vista que, por se tratar de sociedade Ltda., os custos citados pela contribuinte (eliminação de publicações de editais de convocação, extrato de atas e balanços) não existiam, além de que tais fatos poderiam ser resolvidos com a baixa das empresas e não com a sua incorporação. Além disso, apesar de terem sido incorporadas, a denominação social e, no caso da Agropecuária Itaperu S/A, o endereço da sede que permaneceu foi o da incorporada e não da Fl. 903DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/201016 Acórdão n.º 1201000.800 S1C2T1 Fl. 11 19 incorporadora, que ficou totalmente descaracterizada no evento. Acrescentese que todas as empresas envolvidas nesse planejamento tributário permaneceram com os mesmos acionistas. Todos esses fatos evidenciam que não houve substância econômica do negócio, mas tão somente, a criação de artifício visando evitar o pagamento do tributo, por meio da compensação dos prejuízos de IRPJ e dos saldos negativos de CSLL. Não se vislumbra, assim, nessa "reorganização societária" nenhum propósito negocial, mas apenas a finalidade única de compensar integralmente os prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL, sem observar o limite de 30%. Solicitação de diligência. Quanto ao pedido de produção de diligência formulado pela impugnante, o PAF, arts. 18 e 28, estabelece: No caso em exame, considerase desnecessária a diligência proposta pela requerente por estarem presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide. Defesa Oral Quanto à solicitação para assistir à sessão de julgamento e fazer sustentação oral, cumpre esclarecer que não existe, no âmbito da legislação processual tributária, previsão para a apresentação de defesa oral em julgamento de primeira instância. A manifestação do interessado se dá, tão somente, por escrito, nos termos do art. 15 do Decreto n° 70.235, de 1972, a saber: Indeferese, pois, o pedido, por falta de previsão legal a respeito do assunto. Intimação. Endereçamento. Quanto à solicitação de que as intimações sejam feitas aos advogados Elias Marques de Medeiros Neto, OAB/SP n° 196.655, Marco Antonio Tobaja, OAB/SP n° 54.853 e Heberto Lima Araújo, OAB/SP n° 185.648, deve ser rejeitada. Estas devem ser feitas em nome do sujeito passivo e dirigidas ao seu domicílio fiscal, conforme reza o CTN. no art. 127, que dispõe sobre a existência do domicílio tributário, e o art. art. 23 do Decreto n° 70.235, de 1972, havendo, portanto, previsão legal para o endereçamento dos atos processuais. Assim, feita a eleição pelo sujeito passivo, não é possível a admissão de domicílio especial para o processo administrativo fiscal. Conclusão. Diante de todo o exposto, voto por considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário tal como lançado. Fl. 904DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO 20 A contribuinte foi intimada da decisão da DRJ em 18/08/2011. Inconformada, protocolou Recurso Voluntário em 19/09/2011, repisando os mesmos fundamentos trazidos em sua impugnação quanto ao mérito, e incluiu preliminares a seguir descritas: a) nulidade do Auto de Infração por cerceamento do direito de defesa quanto à acusação fiscal, sendo difícil para ela entender por quais motivos a mesma foi autuada, se por planejamento tributário abusivo ou compensação de base negativa da CSLL e do prejuízo fiscal acima dos 30%; b) erro na sujeição passiva; c) erro quanto ao critério temporal da regra matriz; d) erro quanto ao critério quantitativa da hipótese da regra matriz; a questão da postergação do pagamento do tributo; e) a questão da multa qualificada de 150%; e f) a questão da decadência, todas enfrentadas no voto abaixo colacionado. Este é o relatório! Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Passemos ao enfrentamento das preliminares alegadas pela recorrente: PRELIMINARES A) ENTENDIMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO E NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA: Quanto ao entendimento do Auto de Infração, a contribuinte questiona em seu petitório se a empresa foi autuada por pseudo “planejamento tributário abusivo” ou pela compensação sem a observância do limite de 30%, mesmo aceitando as incorporações e pela compensação de prejuízos fiscais não operacionais com lucros operacionais. Como se pode observar do relatório fiscal, transcrito pela própria contribuinte em seu Recurso, a empresa foi atuada por ambos os fundamentos, com imputação secundária e pretérita a questão da fraude para qualificar a multa em razão de planejamento tributário, e como questão principal, visto que a materialização dos tributos e a fundamentação utilizada no auto de infração, a trava dos 30% na incorporação societária. Vejamos: Utilizandose de um pretenso planejamento tributário, esta empresa foi incorporada por outra, em 28/07/2005 e, portanto, sendo o seu último período de operação, ela compensou integralmente os saldos de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL, sem a trava dos 30%, com respaldo em algumas decisões favoráveis do Conselho de Contribuintes, referendadas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. (..) A contribuinte usou um meio atípico, ou seja, criou uma pseudo situação para evitar um fato gerador que seria o normal (compensar o prejuízo respeitando a trava), para submetêlo a um mandamento tributário menos oneroso. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/201016 Acórdão n.º 1201000.800 S1C2T1 Fl. 12 21 Lembrete: A compensação de prejuízos fiscais e da BC negativa da CSLL está limitada a 30% do lucro real e da BC positiva da CSLL, independentemente da extinção ou não da empresa. Esta evasão fiscal resultou num prejuízo à Fazenda Nacional, no valor de R$ 2.542.159,40 a título de IRPJ e R$ 784.252,64 a título de CSLL, assim demonstrados: (...) A conduta da contribuinte foi a de criar pseudosituações a fim de se enquadrar em algumas decisões administrativas passadas do Conselho de Contribuintes (atual CARF), buscando desta forma evitar a subsunção do negócio praticado ao fato imponível, objetivando suprimir ou reduzir o IRPJ/CSLL. Pretendeu, por meio de um planejamento tributário abusivo, realizar "incorporações" para que as ditas "incorporadas" pudessem compensar os prejuízos fiscais e a base de cálculo negativa da CSLL sem o limite de 30%. Os procedimentos da contribuinte enquadramse, destarte, no disposto no § 1° do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que em sua redação original, e na atual, limitase a remeter, dentre outros, ao art. 72 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, e que têm a seguinte redação: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Com isso, ao analisarmos o Recurso da contribuinte, observase que a mesma se defende de forma contundente de ambas as imputações, o que denota que se houve algum prejuízo, o que eu não acredito, o mesmo foi devidamente superado, não existindo efetivo prejuízo nos autos, pois a defesa da contribuinte foi muito bem elaborada, não havendo cerceamento do direito de defesa. Já em relação à questão da nulidade do lançamento, em que se discute eventual confusão e antagonismo no lançamento fiscal, sob o fundamento da necessidade de desconsiderar todas as operações efetuadas, recompor as bases de cálculo dos tributos e autuar as empresas incorporadas nas sucessivas operações societárias, entendo que a argumentação da recorrente não se sustenta. A questão do planejamento tributário ilícito, a despeito de ser causa e fato pretérito da questão da compensação, buscou considerar a operação como fraude, de forma que pudesse qualificar a multa em 150%. O cerne da autuação é a compensação acima dos 30% e não há dúvidas disso, haja vista os fundamentos legais e descrição dos fatos trazidos no lançamento. Fl. 906DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO 22 Portanto, as incorporações e sucessões não foram desconstituídas, mas o resultado disso tudo serviu, segundo a fiscalização, para exigir tributos em razão da compensação, fundado em multa qualificada em razão da suposta existência de fraude. Desta forma, a regra de incidência da multa qualificada, que tem como precedente o suposto planejamento tributário ilícito, teve como conseqüente a fraude, aplicandose uma pena de 150%. Essa regra é distinta da regra de incidência do tributo, que teve como antecedente a compensação acima de 30%, e como conseqüente a exigência dos tributos. Nesse caso, é possível a convivência das duas regras de incidência, uma quanto à multa, e outra quanto ao tributo, pois a imputação em relação ao planejamento tributário supostamente ilícito só serviu para considerar a operação sob o manto da fraude, e nunca desconsiderar a operação societária. Se a fiscalização não fizesse a construção de seu Termo de Verificação Fiscal dessa forma, não conseguiria justificar a imputação da multa de 150%. Isso não quer dizer que concordamos com a multa qualificada e que a mesma se sustenta nos presentes autos. Desta feita, não vislumbro nulidade no lançamento fiscal quanto a esse ponto. B) ERRO NO SUJEITO PASSIVO Quanto à sujeição passiva, basta olharmos para o histórico societário, que conseguiremos entender o caminho trilhado pela fiscalização para autuar a Rio das Pedras: Em 28/07/2005 a Agropecuária Itapirú S/A, CNPJ n° 15.546.880/000173 incorporou a empresa AIRAM Administração e Participações, CNPJ n° 07.362.805/000124, a operação ocorreu e houve a compensação integral do prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL; Em 31/07/2007 a Agropecuária Itapirú S/A, CNPJ n° 07.362.805/000124, a mesma empresa que incorporou a AIRAM, foi incorporada pela Rio das Pedras Participações S/A, CNPJ n° 69.037.034/000157; Em 31/10/2007 a empresa Rio das Pedras Participações S/A, CNPJ n° 69.037.034/000157, que incorporou a Agropecuária Itapirú, foi incorporada pela empresa Noiva da Colina Administrações e Participações Ltda., CNPJ n° 09.012.684/000116, que por sua vez, em 20.06.2008, antes da autuação fiscal, alterou sua razão social para Rio das Pedras Participações S/A. Assim, notese que a sujeição passiva do lançamento se deu em face da Rio das Pedras, CNPJ n° 09.012.684/000116, utilizando a fiscalização do quadro societário existente no momento do lançamento, fulcrado nas regras fiscais que tratam da sucessão, não podendo o fisco lavrar auto de infração em face de empresas extintas. Esse inclusive é o entendimento da jurisprudência do CARF: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Anocalendário: 2004 Fl. 907DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/201016 Acórdão n.º 1201000.800 S1C2T1 Fl. 13 23 NULIDADE CONFIGURADA POR ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO. SUCESSÃO TRIBUTÁRIA PELA INCORPORADORA. Extinguindose a incorporada, responde a incorporadora, na qualidade de sucessora, pelos tributos devidos pela sucedida, fato que impõe seja aquela identificada como sujeito passivo na condição de responsável tributário. Portanto, é inadmissível a lavratura de auto de infração contra pessoa jurídica regularmente extinta por incorporação à data da ciência do lançamento. Nulidade reconhecida. (Processo nº 17883.000355/200879, Acórdão nº 140100.359) IRPJ ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO Reputase insubsistente o lançamento que nomeia como sujeito passivo empresa extinta por incorporação, porquanto a incorporadora, na qualidade de sucessora, é quem responde pelos tributos devidos pela incorporada, tendo em vista a sua extinção em data anterior à lavratura do auto de infração. Recurso voluntário provido e recurso de ofício improvido. (Processo n° : 10840.0000131200211, Acórdão n° : 105 15.922) E mais, adotar o argumento de que a contribuinte foi autuada por suposto planejamento tributário, com vistas a desconsiderar as operações societárias e impor o erro quanto ao sujeito passivo, sob a necessidade de autuar as empresas incorporadas (extintas), como demonstrado anterior, não foi essa a intenção do agente fiscal, visto que apenas tratou do planejamento tributário com vistas a qualificar a multa, e não com o objetivo de desconsiderar os atos sob o pretexto de exigência do imposto. Portanto, correta a autuação fiscal quanto ao sujeito passivo da relação jurídicotributária. C) ERRO NA DETERMINAÇÃO DOS CRITÉRIOS TEMPORAL Quanto ao erro de determinação do critério temporal, em razão de considerar como fato gerador (melhor dito: fato jurídico tributário) os eventos societários (28/05/2005 e 31/10/2007), entendo que não há nulidade no lançamento. Na data da incorporação há obrigações fiscais a serem consideradas pela empresa incorporada, como o levantamento do balanço e a entrega da DIPJ. Fl. 908DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO 24 Se não há continuidade da empresa, não há que se falar em fato jurídico tributário em 31 de dezembro na empresa extinta, ainda mais quando o fato jurídico que resultou na tributação se deu com a compensação nas datas das extinções das sociedades. Se a compensação acima dos 30% tivesse ocorrido na empresa incorporadora, aí sim poderíamos falar em fato jurídico tributário em 31 de dezembro de 2005 e 2007, pois a empresa incorporadora encontravase existente nos dias 31 de dezembro dos referidos anos. É claro que o momento da compensação não se confunde com a data do fato gerador do Imposto sobre a Renda. Contudo, na extinção de sociedade por incorporação, com a entrega da DIPJ em 31/08/2005 e 31/10/2007, e com o encerramento da empresa na data da extinção, considerar como fato gerador a data de 31 de dezembro do ano não teria amparo legal, pois a sociedade incorporada não existiria mais nessa data. Nestes termos, rejeito a preliminar quanto ao erro na determinação do critério material. D) DA QUESTÃO DO ERRO QUANTO AO CRITÉRIO QUANTITATIVO Quanto ao erro do critério quantitativo do lançamento, a retórica da Recorrente nesse tópico se deu quanto à necessidade de se desconsiderar as incorporações e apurar os valores de forma segregados quanto à Rio das Pedras (incorporadora) e a Itapirú (incorporada), questão essa já enfrenta nessa decisão, não existindo razões para a desconsideração, visto que a incorporação se deu de forma regular e com os devidos registros nos órgãos competentes, sendo que os fundamentos e imputações usadas pela fiscalização para considerar o planejamento tributário objetivou a aplicação da penalidade qualificada, e não a exigência do tributo por conta disso. A exigência do IRPJ e da CSLL se deu quanto à compensação acima de 30%. Neste aspecto, rejeito a preliminar quanto ao erro no critério quantitativo no lançamento. E) DA POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DE TRIBUTOS Por fim, outro ponto que merece análise é quanto à alegação da necessidade da fiscalização olhar a postergação do tributo, especificamente quanto à tributação em momentos posterior pela empresa sucessora (incorporadora). Destacase, a respeito do assunto, que a autuação não se deu quanto à compensação de base negativa da CSLL e prejuízo fiscal pela empresa incorporadora. Somente seria o caso de olhar a postergação se a operação fosse outra. No caso de aproveitamento e compensação pela empresa extinta, não há como olhar a questão da postergação em relação à empresa incorporadora, pois essa não realizou a compensação. O tributo pago em momento posterior decorre dela mesmo, e não da empresa incorporada, nesses casos. Na extinção da sociedade, o prejuízo ou base negativa acima dos 30% da incorporada, segundo a fiscalização, se extinguiria, ou seja, não seria aproveitável pela incorporadora. Ademais, a Súmula n° 36 do CARF mencionada pela recorrente não é aplicada em casos da extinção da sociedade. Como a empresa extinta vai pagar tributos se foi Fl. 909DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/201016 Acórdão n.º 1201000.800 S1C2T1 Fl. 14 25 incorporada? Tratase de uma questão lógica de não aplicação dos fundamentos trazidos pelo contribuinte. Nesse aspecto, rejeito a questão da aplicação da postergação. F) DA MULTA QUALIFICADA DE 150% Quanto à multa qualificada de 150%, entendo que a mesma deve ser afastada. Isso porque, a reestruturação societária, a despeito de se tratar de empresas do mesmo grupo e com composição societária comum entre as empresas, não se dá sob manto da fraude. A elisão fiscal, em que se busca economizar tributos fundado em jurisprudência do CARF não é ato ilícito e não de ser confundido com a evasão fiscal. Tanto não é ilícito que há jurisprudência da Corte Maior administrativa permitindo a compensação de prejuízo fiscal e base negativa pela empresa extinta na incorporação. O fundamento, conforme será melhor analisado a seguir, vem ao encontro daquilo que a norma não vedou, não restringiu, fulcrada num histórico legislativo e com premissas firmes na melhor doutrina e jurisprudência dessa Corte. Buscar a economia de tributos não é ato desabonador ao ponto de considerar como um crime. Nesse sentido, considerando que o contribuinte realizou os registros das operações societárias e atendeu amplamente a fiscalização, municiando de todas as informações pertinentes às operações e compensações, entendo pela aplicação da jurisprudência abaixo transcrita dessa Corte: ACÓRDÃO 10321047/ TERCEIRA CÂMARA/ PRIMEIRO CONSELHO, EM 16/10/2002 (...) EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A evidência da intenção dolosa, exigida na lei para agravamento da penalidade aplicada, há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. O atendimento a todas as solicitações do Fisco e observância da legislação societária, com a divulgação e registro nos órgãos públicos competentes, inclusive com o cumprimento das formalidades devidas junto à Receita Federal, ensejam a intenção de obter economia de impostos, por meios supostamente elisivos, mas não evidenciam máfé, inerente à prática de atos fraudulentos. ACÓRDÃO 10195537/ PRIMEIRA CÂMARA/ PRIMEIRO CONSELHO, EM 24/05/2006 Fl. 910DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO 26 PENALIDADE QUALIFICADA — INOCORRÊNCIA DE VERDADEIRO INTUITO DE FRAUDE — ERRO DE PROIBIÇÃO — ARTIGO 112 DO CTN — SIMULAÇÃO RELATIVA FRAUDE À LEI — Independentemente da patologia presente no negócio jurídico analisado em um planejamento tributário, se simulação relativa ou fraude à lei, a existência de conflitantes e respeitáveis correntes doutrinárias, bem como de precedentes jurisprudenciais contrários à nova interpretação dos fatos pelo seu verdadeiro conteúdo, e não pelo aspecto meramente formal, implica em escusável desconhecimento da ilicitude do conjunto de atos praticados, ocorrendo na espécie o erro de proibição. Pelo mesmo motivo, bem como por ter o contribuinte registrado todos os atos formais em sua escrituração, cumprindo todas as obrigações acessórias cabíveis, inclusive a entrega de declarações quando da cisão, e assim permitindo ao fisco plena possibilidade de fiscalização e qualificação dos fatos, aplicáveis as determinações do artigo 112 do CTN. Fraude à lei não se confunde com fraude criminal. Recurso provido parcialmente. ACORDAM, os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para reduzir o percentual da multa de ofício para 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sandra Maria Faroni (Relatora), Caio Marcos Cândido e Manoel Antonio Gadelha Dias que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior. Com isso, a multa qualificada deve ser afastada, visto que está fundada sob premissa equivocada, qual seja planejamento tributário fundado em premissa de fraudar o fisco, o que não ficou provado nos autos, pois a contribuinte realizou compensações de base negativa de CSLL e de prejuízo fiscal (IRPJ) fundada à época em jurisprudência firme do CARF sobre a matéria, que orientou e orienta ainda hoje as práticas de muitos contribuintes. G) DA DECADÊNCIA Em conseqüência da exclusão da fraude, há de reconhecer a decadência quanto ao fato jurídico tributário de 2005, visto a aplicação do artigo 150, § 4°, do CTN. Esse acolhimento decorre da aplicação do disposto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF, diante da prolação de decisão do STJ em sede de recurso especial com efeito repetitivo, nos termos abaixo transcritos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/201016 Acórdão n.º 1201000.800 S1C2T1 Fl. 15 27 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 912DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO 28 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (RESP 973.733/SC, Min. Luiz Fux, S1 – Primeira Seção, Julgado em 12/08/2009, Dje de 18/09/2009) Considerando que um dos fatos jurídico tributário ocorreu em 28/07/2005, e o lançamento fiscal se deu em 17/11/2010, e considerando que houve pagamento a menor de tributos, bem como em razão da natureza do tributo, qual seja CSLL e IRPJ, então houve a decadência quanto ao referido fato gerador, não cabendo mais discussão nesse processo, por conta da jurisprudência sedimentada do STJ quanto à matéria. DO MÉRITO I – DO VALOR RECEBIDO A TÍTULO DE INDENIZAÇÃO Primeiramente, cumpre deixar muito claro e consignado nesse processo que o lucro que foi considerado nesse processo para fins de tributação teve origem em receita não operacional decorrente de recebimento de precatórios pela empresa extinta quanto ao IAA – Contribuição ao Instituto do Açúcar e do Álcool, na qual a empresa extinta saiu vitoriosa em ação judicial, conforme cópia trazidas nos autos. Portanto, antes de adentrarmos na compensação do saldo negativo de CSLL e prejuízo fiscal quanto ao IRPJ e a trava dos 30%, há uma questão pretérita, que no meu modo de ver encerra a discussão do processo, qual seja a natureza jurídica dos valores recebidos pela Recorrente a título de indenização em ação judicial, que teve trânsito em julgado e o STF já encerrou a discussão, como bem constatado na ação judicial patrocinada pela Recorrente, de que a natureza jurídica da indenização é de reparação de prejuízo, e não quanto a lucros cessantes, pondo o fim na discussão ventilada pela DRJ. A despeito da contribuinte ter errado e reconhecido tal erro em relação ao registro de valor recebido a título de indenização como receita não operacional, inclusive realizando a escrituração, apontando a informação na DIPJ de 31/10/2007 e oferecendo tal valor à tributação, tal erro, em razão da natureza, não pode ser objeto de fato gerador de tributo, pois falta a esse valor as características jurídicas de receita tributada. Como visto na decisão judicial trazida nos autos, nomeado expressamente nos enunciados do acórdão do Tribunal Regional Federal que transitou em julgado, estamos diante de uma indenização por danos emergentes, pois os valores praticados e tabelados na produção e comercialização do álcool sequer dava para cobrir os custos, não se tratando, com isso de lucros cessantes, pois a natureza jurídica do valor recebido buscou recompor uma perda existente na empresa, e não algo que a empresa deixou de ganhar. O que não podemos aceitar é a irresponsabilidade em interpretar as decisões judiciais de acordo com a conveniência e oportunidade do intérprete. No acórdão transitado em julgado a favor da Recorrente está dito com todas as letras se tratar de INDENIZAÇÃO em razão de danos emergentes. Vejamos: Ressaltese, ainda, ter concluído o laudo pericial pela existência de prejuízo causado pela defasagem de preço, que, segundo a resposta ao quesito 11° (fls.414), causa dano direto pois a autora recebeu menos dinheiro do que deveria receber, tendo Fl. 913DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/201016 Acórdão n.º 1201000.800 S1C2T1 Fl. 16 29 aviltada sua receita bruta. Esse dano, afirma o perito, "reduz o desempenho econômico da empresa em razão do menor ingresso de recursos." De conseqüência, entendo existentes danos experimentados pelas autorais, danos esses decorrentes da atuação da UNIÃO, dado que esta fixou os preços dos produtos discutidos abaixo de seus custos, desprezando a apuração realizada pela Fundação Getúlio Vargas, encomendada pelo próprio I.A.A. para efeito de observância das diretrizes estabelecidas pela Lei 4.870/65. O verdadeiro "quantum" desses danos ou prejuízos será, no entanto, melhor alcançado quando da liquidação deste julgado. Com isso, não tenho dúvida de que a decisão da DRJ deve ser reformada nessa parte, fazendo apontamentos e interpretações sob premissas equivocadas. Por conta disso, não existe sobre o valor recebido a título indenização incidência tributária quanto a IRPJ e CSLL, não configurando, portanto, receita, e muito menos tributável, conforme farta jurisprudência colacionada pela Recorrente em seu petitório. O STF já pacificou o assunto considerando inclusive que a natureza jurídica da indenização é de reparação civil objetiva do Estado, e como sabido, essa modalidade no direito civil só atende aos danos emergentes, jamais aos lucros cessantes. Vejamos decisões da Suprema Corte brasileira: Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ADMINISTRATIVO. INTERVENÇÃO DO ESTADO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO ESTADO. FIXAÇÃO PELO PODER EXECUTIVO DOS PREÇOS DOS PRODUTOS DERIVADOS DA CANADEAÇÚCAR ABAIXO DO PREÇO DE CUSTO. DANO MATERIAL. INDENIZAÇÃO CABÍVEL. 1. A intervenção estatal na economia como instrumento de regulação dos setores econômicos é consagrada pela Carta Magna de 1988. 2. Deveras, a intervenção deve ser exercida com respeito aos princípios e fundamentos da ordem econômica, cuja previsão resta plasmada no art. 170 da Constituição Federal, de modo a não malferir o princípio da livre iniciativa, um dos pilares da república (art. 1º da CF/1988). Nesse sentido, confira se abalizada doutrina: As atividades econômicas surgem e se desenvolvem por força de suas próprias leis, decorrentes da livre empresa, da livre concorrência e do livre jogo dos mercados. Essa ordem, no entanto, pode ser quebrada ou distorcida em razão de monopólios, oligopólios, cartéis, trustes e outras deformações que caracterizam a concentração do poder econômico nas mãos de um ou de poucos. Essas deformações da ordem econômica acabam, de um lado, por aniquilar qualquer iniciativa, sufocar toda a concorrência e por dominar, em conseqüência, os mercados e, de outro, por desestimular a produção, a pesquisa e o aperfeiçoamento. Em suma, desafiam o próprio Estado, que se vê obrigado a intervir para proteger aqueles valores, consubstanciados nos regimes da livre empresa, da livre concorrência e do livre embate dos mercados, e para Fl. 914DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO 30 manter constante a compatibilização, característica da economia atual, da liberdade de iniciativa e do ganho ou lucro com o interesse social. A intervenção está, substancialmente, consagrada na Constituição Federal nos arts. 173 e 174. Nesse sentido ensina Duciran Van Marsen Farena (RPGE, 32:71) que "O instituto da intervenção, em todas suas modalidades encontra previsão abstrata nos artigos 173 e 174, da Lei Maior. O primeiro desses dispositivos permite ao Estado explorar diretamente a atividade econômica quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. O segundo outorga ao Estado, como agente normativo e regulador da atividade econômica. o poder para exercer, na forma da lei as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo esse determinante para o setor público e indicativo para o privado". Pela intervenção o Estado, com o fito de assegurar a todos uma existência digna, de acordo com os ditames da justiça social (art. 170 da CF), pode restringir, condicionar ou mesmo suprimir a iniciativa privada em certa área da atividade econômica. Não obstante, os atos e medidas que consubstanciam a intervenção hão de respeitar os princípios constitucionais que a conformam com o Estado Democrático de Direito, consignado expressamente em nossa Lei Maior, como é o princípio da livre iniciativa. Lúcia Valle Figueiredo, sempre precisa, alerta a esse respeito que "As balizas da intervenção serão, sempre e sempre, ditadas pela principiologia constitucional, pela declaração expressa dos fundamentos do Estado Democrático de Direito, dentre eles a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa" (DIÓGENES GASPARINI, in Curso de Direito Administrativo, 8ª Edição, Ed. Saraiva, págs. 629/630, cit., p. 64). 3. O Supremo Tribunal Federal firmou a orientação no sentido de que “a desobediência aos próprios termos da política econômica estadual desenvolvida, gerando danos patrimoniais aos agentes econômicos envolvidos, são fatores que acarretam insegurança e instabilidade, desfavoráveis à coletividade e, em última análise, ao próprio consumidor.” (RE 422.941, Rel. Min. Carlos Velloso, 2ª Turma, DJ de 24/03/2006). 4. In casu, o acórdão recorrido assentou: ADMINISTRATIVO. LEI 4.870/1965. SETOR SUCROALCOOLEIRO. FIXAÇÃO DE PREÇOS PELO INSTITUTO DO AÇÚCAR E DO ÁLCOOL – IAA. LEVANTAMENTO DE CUSTOS, CONSIDERANDOSE A PRODUTIVIDADE MÍNIMA. PARECER DA FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS – FGV. DIFERENÇA ENTRE PREÇOS E CUSTOS. 1. Ressalvado o entendimento deste Relator sobre a matéria, a jurisprudência do STJ se firmou no sentido de ser devida a indenização, pelo Estado, decorrente de intervenção nos preços praticados pelas empresas do setor sucroalcooleiro. 2. Recurso Especial provido. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. RE 632644 AgR / DF DISTRITO FEDERAL ,AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Julgamento: 10/04/2012 Órgão Julgador: Primeira Turma. EMENTA: CONSTITUCIONAL. ECONÔMICO. INTERVENÇÃO ESTATAL NA ECONOMIA: Fl. 915DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/201016 Acórdão n.º 1201000.800 S1C2T1 Fl. 17 31 REGULAMENTAÇÃO E REGULAÇÃO DE SETORES ECONÔMICOS: NORMAS DE INTERVENÇÃO. LIBERDADE DE INICIATIVA. CF, art. 1º, IV; art. 170. CF, art. 37, § 6º. I. A intervenção estatal na economia, mediante regulamentação e regulação de setores econômicos, fazse com respeito aos princípios e fundamentos da Ordem Econômica. CF, art. 170. O princípio da livre iniciativa é fundamento da República e da Ordem econômica: CF, art. 1º, IV; art. 170. II. Fixação de preços em valores abaixo da realidade e em desconformidade com a legislação aplicável ao setor: empecilho ao livre exercício da atividade econômica, com desrespeito ao princípio da livre iniciativa. III. Contrato celebrado com instituição privada para o estabelecimento de levantamentos que serviriam de embasamento para a fixação dos preços, nos termos da lei. Todavia, a fixação dos preços acabou realizada em valores inferiores. Essa conduta gerou danos patrimoniais ao agente econômico, vale dizer, à recorrente: obrigação de indenizar por parte do poder público. CF, art. 37, § 6º. IV. Prejuízos apurados na instância ordinária, inclusive mediante perícia técnica. V. RE conhecido e provido.(RE 422941 / DF DISTRITO FEDERAL RECURSO EXTRAORDINÁRIO, Relator(a): Min. CARLOS VELLOSO, Julgamento: 06/12/2005, Órgão Julgador: Segunda Turma) Esse inclusive é o entendimento da jurisprudência dessa Corte: NULIDADE DO PROCESSO FISCAL O Auto de Infração e demais termos do processo fiscal só são nulos nos casos previstos no artigo 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal). NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não se verificando na formulação da exigência a hipótese alegada pela defesa, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE FALTA DE RETENÇÃO OBRIGATORIEDADE DE INCLUSÃO DOS RENDIMENTOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL A falta de retenção do imposto de renda pela fonte pagadora não exonera o beneficiário dos rendimentos da obrigação de incluílos, para tributação, na declaração de rendimentos, já que se a previsão da tributação na fonte se dá por antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual e se a ação fiscal ocorrer após o anocalendário da ocorrência do fato gerador, incabível a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda, se for o caso, deverá ser efetuado em nome do contribuinte, beneficiário do rendimento, exceto no regime de exclusividade do imposto na fonte. DECISÃO JUDICIAL INDENIZAÇÕES POR LUCROS CESSANTES TRIBUTAÇÃO Os valores recebidos em decorrência de decisão judicial em ação de cobrança de lucros cessantes, caracteriza hipótese de incidência do imposto de renda. Assim, o valor principal e os juros recebidos devem ser declarados como rendimentos tributáveis na Fl. 916DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO 32 declaração de ajuste anual. DECISÃO JUDICIAL INDENIZAÇÕES POR DANOS EMERGENTES NÃO INCIDÊNCIA Os valores que visam exclusivamente a repor o bem destruído, reparar o bem danificado ou repor a perda sofrida, até o limite fixado em condenação judicial, não sofrem incidência do imposto de renda. A incidência do imposto, na espécie, acarretaria redução indevida no valor recebido, ferindo o princípio constitucional da justa indenização. ESPÓLIO RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO O sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro são responsáveis pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha, limitada a responsabilidade ao montante do quinhão ou da meação. Entretanto, nestes casos, não cabe o lançamento de multa de ofício, sendo os herdeiros responsáveis apenas pelo imposto apurado, com a devida correção monetária, quando for o caso, e dos juros de mora, descabida a aplicação de penalidade. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido. (Número do Processo n° 10930.001122/200246, Acórdão n°10420072) Evidente, portanto, que o equívoco cometido pela Recorrente ao oferecer o valor à tributação não deve implicar em nascimento de obrigação tributária. Diante do exposto, acolho os fundamentos trazidos pela Recorrente quanto à não tributação dos valores relativos à indenização recebida por danos emergentes em ação judicial mencionada nos autos, destacando que devemos cumprir a decisão judicial transitada em julgado, pois faz coisa julgada a favor da recorrente, em aplicar que a natureza jurídica do valor recebido e oferecido à tributação é de indenização por dano emergente, que não é fato gerador de tributo. II – HISTÓRICO LEGISLATIVO DA COMPENSAÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL Quanto à compensação acima dos 30%, a despeito da questão anterior encerrar a discussão desse processo e colocar um fim a favor do contribuinte, cumpre ainda enfrentar a polêmica matéria nesse Tribunal. O direito à dedução dos prejuízos fiscais acumulados e das bases negativas acumuladas com os resultados positivos apurados nos exercícios posteriores passou a ser reconhecido pelo direito brasileiro em 1947, pela Lei nº 154, em seu artigo 10, limitado o seu exercício a 3 (três) anos: Art. 10. O prejuízo verificado num exercício, pelas pessoas jurídicas, poderá ser deduzido, para compensação total ou parcial, no caso de inexistência de fundos de reserva ou lucros suspensos, dos lucros reais apurados dentro dos três exercícios subseqüentes. Parágrafo Único. Decorridos os três exercícios, não será permitida a dedução nos seguintes, do prejuízo porventura não compensado. Por sua vez, o DecretoLei nº 1.598/77 alterou a compensação de prejuízos fiscais, em seu artigo 64 e parágrafos, no tocante ao prazo decadencial, aumentando de 3 (três) anos para 4 (quatro) anos: Fl. 917DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/201016 Acórdão n.º 1201000.800 S1C2T1 Fl. 18 33 Art. 64. A pessoa jurídica poderá compensar o prejuízo apurado em um períodobase com o lucro real determinado nos quatro períodosbase subseqüentes. § 1º O prejuízo compensável e o apurado na demonstração do lucro real e registrado no livro de que trata o item I do art. 8º, corrigido monetariamente até o balanço do períodobase em que ocorrer a compensação. § 2º Dentro do prazo previsto neste artigo a compensação poderá ser total ou parcial, em um ou mais períodosbase, a vontade do contribuinte. Posteriormente, a Lei nº 8.383/91, nos arts. 38, parágrafo 7º e 44, parágrafo único, reconheceu o direito à dedução dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da contribuição social com os resultados positivos apurados nos períodos subseqüentes, sem qualquer limitação percentual ou temporal: Art. 38.................. Parágrafo 7º O prejuízo apurado na demonstração do lucro real em um mês poderá ser compensado com o lucro real dos meses subseqüentes. Art. 44.............. Parágrafo único: Tratandose da base de cálculo da contribuição social (Lei nº 7.689, de 1988) e quando ela resultar negativa em um mês, esse valor, corrigido monetariamente, poderá ser deduzido da base de cálculo de mês subseqüente, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real. (Artigo revogado pela Lei nº 8.981, de 20.01.95). Já o artigo 12, da Lei nº 8.541/92, quanto ao imposto sobre a renda, determinou que os prejuízos fiscais, apurados a partir de 1º de janeiro de 1993, poderiam ser deduzidos do lucro real apurado em até 4 (quatro) anoscalendários subseqüentes ao ano de apuração: Art. 12. Os prejuízos fiscais apurados a partir de 1º de janeiro de 1993 poderão ser compensados, corrigidos, monetariamente, com o lucro real apurado em até quatro anoscalendários, subseqüentes ao ano da apuração. (Artigo revogado pela Lei nº 8.981, de 20.01.95) Como se pode observar, não existia limite quanto ao aspecto material para a compensação do prejuízo fiscal, podendo ser feito em sua integralidade pela pessoa jurídica, porém existia limite temporal, devendo ser feito em até 4 anos. Esse elemento temporal seria inaplicável nos casos de aproveitamento do prejuízo ou da base negativa da CSLL no caso da extinção da pessoa jurídica, o que lhe permitira a compensação integral. Quanto à restrição, a Lei nº 8.981/95, em seus arts. 42 e 58, alterando o critério temporal limitador do direito em questão, determinou que, a partir de janeiro de 1995, o Fl. 918DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO 34 lucro líquido ajustado somente poderia ser reduzido por dedução da base de cálculo negativa ou prejuízos fiscais apurados em períodos anteriores em, no máximo, 30% (trinta por cento). Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anoscalendário subseqüentes. Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. Da mesma forma, com a edição do artigo 15 da Lei nº 9.065/95, a restrição foi consolidada: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Observe que o texto acima prescrito é claro e não traz dúvidas quanto à sua validade, vigência e eficácia. Destacase ainda que não há exceção no texto para as operações de incorporação. III – DA JURISPRUDÊNCIA SOBRE A MATÉRIA Em investigação sobre a constitucionalidade da limitação da compensação do prejuízo fiscal em 30%, o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu que o texto legal acima transcrito referese a um benefício fiscal concedido pelo legislador: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES. ARTIGO 42 E 58 DA LEI Nº 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS “A” E “B”, E 5º, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido. Fl. 919DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/201016 Acórdão n.º 1201000.800 S1C2T1 Fl. 19 35 2. A Lei nº 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos anteriores e não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento.1 Destaco que o acórdão do STF não trata da matéria no contexto do aproveitamento do prejuízo fiscal quando da extinção da empresa. Julgados vem sendo proferido por essa corte, aplicando a decisão do STF de forma indiscriminada, o que não está correto, pois o contexto quando envolve o aproveitamento integral por empresa extinta em incorporação é outro! Portanto, a questão que se põe em discussão é se existe ou não regras e princípios (que são valores) que vedam os contribuintes a realizar a compensação integral do prejuízo fiscal, sem a limitação dos 30%, quando ocorre a extinção da sociedade por incorporação, observando que o aproveitamento se dá dentro da pessoa jurídica extinta. No meu entender essas regras não existem, sendo incorreta aplicar a tese indiscriminada de que a regra geral aplicada por alguns julgados do CARF quanto ao artigo 15 da Lei nº 9.065/95 faria esse papel de vedação em qualquer hipótese, melhor vislumbrado a seguir. Outra questão que se explora de forma incorreta está no disposto no artigo 32 do DecretoLei nº 2.341/87, que deu redação ao artigo 513 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda): Art. 513. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade (DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987, art. 32). Contudo, observase que a legislação acima citada não trata da extinção da sociedade, o que não implicaria em nenhuma vedação no aproveitamento do prejuízo pela Recorrente. O artigo 514 do Decreto nº 3.000/99, que reproduz o texto do artigo 33, parágrafo único do DecretoLei nº 2.341/87, prescreve a vedação da compensação do prejuízo fiscal pela empresa sucedida, mas também não faz nenhuma menção ou imposição de restrição quanto ao aproveitamento pela empresa extinta. Art. 514. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida (DecretoLei nº 2.341, de 1987, art. 33). Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido (DecretoLei nº 2.341, de 1987, art. 33, parágrafo único). IV – FUNDAMENTOS PARA A AFASTABILIDADE DA LIMITAÇÃO DOS 30% NA INCORPORAÇÃO 1 Supremo Tribunal Federal, Recurso Extraordinário nº 344.9940/PR, Ministro Relator para o Voto Eros Grau, Tribunal Pleno, Julgado em 25/03/2009. Endereço eletrônico: www.stf.jus.br. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO 36 Partindo logo para o problema do estudo do histórico legislativo, vislumbra se que antes da Lei nº 9.065/95, era facultado aos contribuintes promover compensação integral do prejuízo fiscal, e conjuntamente havia um prazo legal para o seu exercício – quatro anos , o qual poderia, no caso de contínuos prejuízos apurados pelo contribuinte, levar a perda integral do direito. Com a modificação da legislação que inseriu no ordenamento jurídico a denominada trava dos 30%, os contribuintes adquiriram um efetivo ganho, pois, uma vez extinto o prazo para o exercício do direito, não mais há o risco dele perecer com o tempo. Por outro lado, o artigo 15 da Lei nº 9.065/95 impôs um limite de 30% sobre o lucro do período em que se pretende exercer a compensação. Esse limite percentual não se refere ao prejuízo acumulado, mas se refere ao lucro líquido do ano da compensação. Com isso, o prejuízo acumulado continua autorizado à compensação integral. Desta feita, cabe transcrever as lições do exConselheiro do CARF, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, que tratou da matéria com propriedade: Em síntese, a antiga legislação não estabelecia limites materiais, mas sim temporais; a atual estabelece materiais, mas não temporais. Na combinação dos dois tipos de limites, a legislação atual é mais vantajosa aos contribuintes por extinguir a possibilidade de perecimento do exercício de direitos.2 Nas lições acima transcritas, extraídas de um julgado do CARF, não há exigência de regra de exceção, não há inconstitucionalidade de enunciados, não há investigação sobre a violação ao conceito de renda trazido no artigo 43 do Código Tributário Nacional3; a tese sustentada em não se aplicar a trava dos 30% sobre o prejuízo é que a mesma não se refere ao prejuízo, mas ao lucro líquido, sob o ponto de vista da materialidade, e não da temporariedade extintiva. Esse é um entendimento respeitável nesse Tribunal, que merece compreensão e reflexão dos julgadores. O que vem somar a esse entendimento e que faz parte da identificação dos anseios do legislador (atos de enunciação) é a exposição de motivos da Medida Provisória nº 998/95, reedição das Medidas Provisórias 947/95 e 972/95, editada no Diário Oficial do Congresso Nacional de 14 de junho de 1995, fls. 3270, que traz o seguinte excerto: Arts. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Medida Provisória nº 812/94 (Lei 8.981/95). Ocorre hoje vacatio legis em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, 2 Processo Administrativo nº 16327.000481/200876. Acórdão nº 120100.108.Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção, 2ª Câmara, 1ª Turma. Julgado em 18 de junho de 2009. Relator para voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes. 3 "Art.43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza, tem como fato gerador a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. (...)” Fl. 921DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/201016 Acórdão n.º 1201000.800 S1C2T1 Fl. 20 37 até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo. Notese que diante da presença da expressão “sem retirar do contribuinte o direito de compensar” o entendimento de que na declaração de encerramento cabe integral compensação das bases negativas acumuladas é evidente, sendo inaplicável a trava dos 30% para a empresa extinta. O autor da norma acima mencionada, exConselheiro deste E. Tribunal, Edson Vianna de Brito, quando ocupava importante cargo nos quadros da Receita Federal, tratou do assunto em seu livro sobre o imposto sobre a renda, afirmando4: “Este dispositivo estabelece uma base de cálculo mínima, para efeito da determinação do imposto de renda devido, através da fixação de um limite máximo de redução – por compensação de prejuízos fiscais – do lucro tributável apurado em cada ano calendário. Em outras palavras, as pessoas jurídicas que detenham estoque de prejuízos fiscais apurados em anos anteriores passam a sujeitarse a um imposto de renda mínimo, uma vez que o lucro tributável só poderá ser reduzido em no máximo trinta por cento. Notese, preliminarmente, que em nenhum momento, o texto integral cerceou o direito do contribuinte de compensar os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994 com lucro real obtido a partir de 1º de janeiro de 1995. Pelo contrário, ao fixar um limite máximo para compensação em cada ano calendário, o dispositivo legal, em seu parágrafo único, faculta a compensação da parcela que seria compensável se não houvesse a limitação com o lucro real de anoscalendários subsequentes.” Somente há razoabilidade e coerência se tal aplicação limitativa fosse insurgida em face de uma empresa que possui no tempo o exercício de sua atividade nos anos anteriores, o que não é o caso dos autos em razão da sua extinção. E no caso de extinção da pessoa jurídica, como ela não mais terá oportunidade de aproveitar os resultados negativos em períodos futuros, não se aplica a "trava", sob pena de perder o direito à compensação de prejuízos, posição adotada nos acórdãos CSRF/0104258, de 2.12.2002, e CSRF/0105100, de 19.10.2004, ambos da1ª Turma da Câmara Superior, mencionados pelo contribuinte em seu Recurso. Em brilhante voto proferido pelo Conselheiro Valmir Sandri, nos autos do Processo Administrativo n° 13807.003133/200436, Acórdão n° 910100.401, de 2 de outubro de 2009, a matéria foi enfrentada com profundidade sob uma outra óptica, mas que acrescenta e contribui para a desqualificação da imputação fiscal: Na verdade, a compensação de prejuízos fiscais entre períodos visa contribuir para a consolidação da empresa. Por esta razão é que em alguns países, a compensação se dá através do transporte de prejuízos para exercícios anteriores e para exercícios posteriores. Na ordem jurídica brasileira essa compensação se impõe, mesmo se vedada ou de qualquer forma 4 Brito, Edson Vianna de. Imposto de Renda das Pessoas Físicas. Editora Frase: São Paulo, p. 161 e seguintes. Fl. 922DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO 38 limitada pela lei ordinária, tendo em vista que os prejuízos são partes indissociáveis do conceito de acréscimo patrimonial positivado na Constituição Federal. No livro "Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas Integração entre sociedade e sócios" (Atlas, 1985, p. 125126), Henry Tilbery, afirma que o fundamento para que se permita a compensação de prejuízos entre períodos, decorre da necessidade de se considerar a realidade das empresas, que se organizam para funcionar continuamente e permitir que a tributação se faça a partir de um nivelamento dos resultados. Escreve o jurista: "a compensação dos prejuízos entre períodos representa um reconhecimento do.fato de ser a vida da empresa contínua e é um procedimento que, na realidade, faz o imposto incidir sobre um resultado nivelado através de maior número de anos. Isto é importante, quando o sistema de tributação trata o períodobase como unidade estanque (selfcontained period)" O fato é que, o direito à compensação existe sempre, até porque, se negado, estarseá a tributar um não acréscimo patrimonial, uma não renda, mas sim o patrimônio do contribuinte que já suportou tal tributação. Assim, a compensação pelo contribuinte do prejuízo fiscal por ele suportado, não se trata, como entende alguns, de uma benesse e/ou favor concedida pelo poder público, mas sim de uma regra para evitar que se tribute uma não renda, ou seja, o próprio patrimônio do contribuinte. Da leitura do voto que trata da matéria ora em questão, a Nobre Relatora sugere uma interpretação do conteúdo semântico do art. 15 da Lei 9065/1995. Para tal, parte, a meu ver, da falsa premissa de que a autorização da compensação de prejuízos fiscais é um beneficio fiscal, em linha com o entendimento do Supremo Tribunal Federal (RE 344.994). Em decorrência, entende que o preceito deve ser interpretado de forma restritiva à luz do que dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional, para concluir que a limitação de 30% deve ser aplicada também na hipótese de compensação de prejuízos acumulados na extinção da empresa por incorporação ou outra operação societária. Argumenta que a interpretação fundada em argumentos finalísticos serve de auxílio à interpretação, mas não pode ser fundamento para negar validade à interpretação jurídica consagrada aos conceitos tributários. E, por fim, afirma que, diferentemente da pretensão exarada na tese até então vigente neste Conselho, há vedação legal ao aproveitamento dos prejuízos nos casos de incorporação, como se veria na leitura dos arts. 32 e 33 do Decretolei 2.341/1987. Entretanto, divirjo do seu entendimento quanto à natureza jurídica da compensação dos prejuízos acumulados, eis que não considero se tratar o mesmo de um beneficio fiscal, mas de elemento inerente à apuração da própria base de cálculo do tributo, no caso, daquilo que é renda, pois, se não for assim, estará se tributando uma não renda, um não um acréscimo Fl. 923DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/201016 Acórdão n.º 1201000.800 S1C2T1 Fl. 21 39 patrimonial, afastandose, portanto do conceito constitucional de "renda" e "proventos de qualquer natureza" extraída da Carta Maior. Os conceitos de lucro e prejuízo são fornecidos pelo direito societário e decorrem de um corte temporal determinado pela legislação societária e pela contabilidade necessária à apuração do resultado de um exercício. A empresa, tanto no direito societário quanto na contabilidade, é constituída para operar, exercendo seu objeto social, indefinidamente no tempo, daí o princípio da continuidade Contudo, para diversos fins são necessárias apurações periódicas de seu resultado, onde é verificado lucro, que impacta positivamente seu patrimônio líquido, ou prejuízo que repercute negativamente sobre o patrimônio líquido. Em razão da continuidade e para que seja apresentada a atual situação patrimonial, é que, no balanço, os resultados negativos (prejuízos) devem ser deduzidos do resultado do exercício, como determina a Lei n. 6.404, em seu art. 189 que dispõe: "Art. 189. Do resultado do exercício serão deduzidos, antes de qualquer participação, os prejuízos acumulados e a provisão para o Imposto sobre a Renda Parágrafo único: o prejuízo do exercício será obrigatoriamente absorvido pelos lucros acumulados, pelas reservas de lucros e pela reserva legal, nessa ordem". Assim, o lucro societário somente é verificado após a compensação dos prejuízos dos exercícios anteriores. E, considerando que o lucro real parte do lucro contábil, o mesmo é nitidamente afetado pela compensação dos prejuízos. Por esta razão, a compensação de prejuízos fiscais não deve ser entendida como um beneficio fiscal, mas um elemento para determinação do aspecto quantitativo do imposto de renda, e sendo assim, eliminálo, como visto acima, estarsea maculando os artigos 43 e 44 do CTN, tornando um "não acréscimo patrimonial" (a parcela de lucro não compensável do prejuízo existente) tributado pelo imposto de renda, em montante, portanto, não real. (...) No caso em questão incorporação , a situação da pessoa jurídica é excepcional e não está compreendida pela norma. Na situação normal, uma pessoa jurídica em atividade, o limite de 30% apresenta como resultado a postergação da sua compensação (diferimento), Na situação excepcional, ora configurada, a aplicação deste limite resulta na manutenção de prejuízo acumulado e na sua perda, pelo fato de existir vedação expressa à compensação de prejuízos da sucedida pela sucessora, de modo a levar a tributação algo que não se configura como acréscimo patrimonial. Fl. 924DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO 40 Assim, se a lei permite a compensação de todo o prejuízo fiscal distendido no tempo, a conclusão lógica a que se deve ter é, se não há mais tempo para aproveitálo, em havendo lucros na extinção, a lei permite seu aproveitamento, de uma só vez, para que não haja tributação sobre um "não acréscimo patrimonial" vedado pelo CTN (arts. 43 e 44) e pelo artigo 150, inciso I, da Lei Suprema, que impõe o princípio da legalidade para a incidência tributária. E é com base neste princípio (legalidade), que se impõe para o caso esta inteligência, eis que a lei não cuidou da espécie extinção, fusão e incorporação , que são detentoras do direito que o CTN lhes outorgou, de não terem que pagar tributos sobre um "não acréscimo patrimonial", mas apenas aplicável a empresas em funcionamento, conforme o espírito da lei exposto pelo relatar do projeto de lei, bem como pelo Superior Tribunal de Justiça que claramente cuidou apenas da legalidade da restrição de 30% de aproveitamento, preservandolhes, todavia, o direito de compensarem, no tempo, a totalidade do prejuízo. Assim, restringir o direito a compensação conforme posto no voto ora em analise, estarsea solapando o direito do contribuinte em não ser privado ilegalmente de sua propriedade, mesmo porque, como visto acima, a lei jamais pretendeu negar esse direito o que foi confirmado, inclusive, pelo Superior Tribunal de Justiça , e sendo assim, numa situação limite como nos casos de extinção, incorporação e fusão, esse direito pode e deve ser exercido integralmente pelo contribuinte, sob pena de se ter uma restrição que a lei não impôs. Por fim, há de se registrar que a lei, na sua correta exegese, impõe o aproveitamento de todo o prejuízo fiscal, em havendo lucro, no tempo, tempo este que, conforme nos casos excepcionais acima citados (extinção, fusão e incorporação), esgotase de imediato, sendo, desta forma, o prejuízo fiscal compensável, sem qualquer "trava". Por fim, impende destacar que a incorporação foi realizada de acordo com as normas que lhe são aplicáveis e cujos objetivos foram puramente negociais, não representando qualquer espécie de mecanismo desenvolvido com a finalidade de evitar ou postergar o pagamento de tributos, tanto é que a fiscalização sequer contestou as operações em seu relatório. A conclusão que se tira é que a utilização de prejuízo fiscal e da base negativa da contribuição social sobre o lucro, em decorrência da extinção de sociedade, não está sujeita à limitação dos 30% do lucro líquido ajustado. Por fim, destacase ainda que o problema da interpretação da norma e sua referência, além de ser o ponto principal desse estudo, merece uma articulação sistemática na extração do conteúdo hermenêutico. É fato que o texto legal não trouxe exceção à regra da incorporação quanto à compensação do prejuízo, mas nem precisaria, pois se a trava dos 30% se refere ao lucro líquido e na extinção não há nenhuma restrição ao aproveitamento do prejuízo fiscal ou da base negativa da CSLL. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/201016 Acórdão n.º 1201000.800 S1C2T1 Fl. 22 41 Diante do exposto, entendo que na declaração de encerramento da sociedade por incorporação cabe integral compensação do prejuízo fiscal e das bases negativas acumuladas pela empresa extinta, sendo inaplicável a trava dos 30%, destacando que os fundamentos trazidos quanto ao IRPJ são aplicáveis da mesma forma à CSLL. V – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS OPERACIONAIS COM NÃO OPERACIONAIS Com relação à acusação de que a empresa efetuou compensação de lucro operacional apurado em 31/07/2007 com prejuízo não operacional não pode prevalecer. Conforme exposto nessa decisão, os valores recebidos e contabilizados pela empresa relativos à ação judicial que discutia o IAA decorre de indenização por danos emergentes. Como o erro da empresa não pode implicar por sua essência em tributação, a cessão do seu crédito a terceiros, decorrente do precatório indenizatório não tem o condão de desqualificar sua essência. Portanto, estamos diante de uma receita não operacional, nos termos das regras do IBRACON (NPC n° 14), e como tal deve ser considerada para fins de compensação com prejuízos não operacionais, nos termos do artigo 511 do RIR/99. Nestes termos, acolho os fundamentos trazidos pela recorrente quanto à questão da justificativa do erro. VI DA INCIDÊNCIA DOS JUROS SOBRE A MULTA Em relação à incidência dos juros sobre a multa, venho mantendo em meus julgados o entendimento de que a multa de ofício é penalidade, portanto, inaplicável a taxa SELIC sobre esse montante, que não configura “crédito tributário”, nos termos do art. 161 do CTN. Isso porque, a multa não decorre do tributo, mas do descumprimento de um dever legal de pagálo, em caso de entendimento contrário, implicaria concluir que sobre a multa de oficio incide a multa de mora, o que se trata de um verdadeiro absurdo. Nesse sentido, cumpre trazer os fundamentos da exConselheira Sandra Faroni sobre a matéria, editados no Acórdão 110200.060, que resumem os argumentos pela não incidência dos juros sobre a multa de ofício: “A obrigação tributária pode ser principal, consistindo em obrigação de dar (pagar tributo ou multa) e acessória, obrigação de fazer (deveres instrumentais). De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, compreendemse no crédito tributário o valor do tributo e o valor da multa. O Decretolei n° 1.736/79 determinou a incidência dos juros de mora sobre o "valor originário" , definindo como "valor originário" o débito, excluídas apenas as parcelas relativas a correção monetária, juros de mora, multa de mora e encargo do DL 1.025/69. Ou seja, não previu a exclusão da multa de oficio. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO 42 O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Seu § 1° determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de oficio, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. Além dos artigos 2° e 3° do DL 1.736/79, tratam dos juros de mora os seguintes dispositivos de leis ordinárias: Lei 8.383/91, art. 59; Lei 8.981/95, art. 13; Lei 9.430/96, art. 5°, § 3°, art. 43, parágrafo único e art. 61, § 3°, Lei n° 10.522/2002, (cuja origem foi a MP 1.62131/98), arts. 29 e 30. O artigo 61 da Lei 9.430/96 regula a incidência de acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 01 de janeiro de 1997, não alcançando, pois, a multa por lançamento de oficio, uma vez que: (a) a multa não decorre do tributo, mas do descumprimento do dever legal de pagálo; (b) entendimento contrário implicaria concluir que sobre a multa de oficio incide a multa de mora. O artigo 30 da Lei 10.522/2002 determina a submissão, a partir de 10 de janeiro de 1997, a juros de mora calculados segundo a Selic, dos débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994 e que não tenham sido objeto de parcelamento, e dos créditos inscritos na Dívida Ativa da União. Em síntese, em se tratando de débitos de tributos cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1° de janeiro de 1995 só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre multa no caso de multa lançada isoladamente; não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 1° do art. 161 do CTN.” Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso e, acolho a preliminar de decadência quanto ao ano calendário de 2005, e no mérito DOULHE PROVIMENTO, para cancelar o lançamento fiscal em sua integralidade. (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 927DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13888.004959/201016 Acórdão n.º 1201000.800 S1C2T1 Fl. 23 43 Fl. 928DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO
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Numero do processo: 15374.903201/2008-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000
COFINS. LEI COMPLEMENTAR Nº 70/91. SOCIEDADE CIVIL. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO.
Em face do entendimento do Supremo Tribunal Federal de que a Lei Complementar n° 70/1991 é materialmente ordinária e por isto pode ser alterada por outra lei da mesma espécie normativa, a isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6°, II, da LC n° 70/1991 foi revogada pelo art. 56 da Lei n° 9.430/1996.
MATÉRIA JULGADA SOBRE A SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS, ART. 543-C
DO CPC.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62-A do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010.
PER/DCOMP. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.
Recurso voluntário negado.
Direito creditório não reconhecido.
Numero da decisão: 3302-001.431
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000 COFINS. LEI COMPLEMENTAR Nº 70/91. SOCIEDADE CIVIL. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. Em face do entendimento do Supremo Tribunal Federal de que a Lei Complementar n° 70/1991 é materialmente ordinária e por isto pode ser alterada por outra lei da mesma espécie normativa, a isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6°, II, da LC n° 70/1991 foi revogada pelo art. 56 da Lei n° 9.430/1996. MATÉRIA JULGADA SOBRE A SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS, ART. 543-C DO CPC. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62-A do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010. PER/DCOMP. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Recurso voluntário negado. Direito creditório não reconhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2129; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.903201/200855 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 330201.431 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de fevereiro de 2012 Matéria PER/DCOMP COFINS/ISENÇÃO Recorrente JOÃO MAURÍCIO DE ARAUJO PINHO CONSULTORES E ADVOGADOS S/C Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000 COFINS. LEI COMPLEMENTAR Nº 70/91. SOCIEDADE CIVIL. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. Em face do entendimento do Supremo Tribunal Federal de que a Lei Complementar n° 70/1991 é materialmente ordinária e por isto pode ser alterada por outra lei da mesma espécie normativa, a isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6°, II, da LC n° 70/1991 foi revogada pelo art. 56 da Lei n° 9.430/1996. MATÉRIA JULGADA SOBRE A SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS, ART. 543C DO CPC. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62A do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010. PER/DCOMP. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Recurso voluntário negado. Direito creditório não reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA Processo nº 15374.903201/200855 Acórdão n.º 330201.431 S3C3T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitido em 29/01/2004, não homologado pela DRF/RIO DE JANEIRO, consoante Despacho Decisório de fls. 08, decisão que foi mantida pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ/RIO DE JANEIRO II, através do Acórdão nº 1333.436, de 16/02/2011. O pleito do ora recorrente fora no sentido de serlhe reconhecido direito a crédito no valor original, na data da transmissão, de R$68.490,16, referente a recolhimento indevido efetuado em 15/06/2000, através de DARF no valor de R$118.951,20, para pagamento da Contribuição Cofins relativa ao período de apuração encerrado em 31/05/2000, estando em questão, nesta oportunidade, a parte desse crédito utilizado para compensar débitos do IRRF com vencimento em 12/11/2003, no valor de R$1.800,00, e com vencimento em 19/11/2003, no valor de R$2.100,00, totalizando R$3.900,00, tendo esses valores, consequentemente, sido considerados devidos pelo questionado Despacho Decisório, acrescido de multa e de juros de mora. Insurgindose contra o indeferimento do seu pleito, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, cujas alegações foram sintetizadas, na decisão recorrida, nos termos a seguir (fls. 40v e 41): (...). 3.1 O presente processo objetiva compelir o suplicante ao pagamento de crédito fiscal já compensado; 3.2 O despacho decisório considera que o pedido deve ser indeferindo diante da existência de crédito; 3.3 O pagamento referente a este processo já foi realizado em DARF anexo; 3.4 Qualquer impugnação ao crédito conforme art. 150, § 4º do CTN só poderia ser realizada até 2006. Por conseguinte, o pagamento se tornou definitivo em razão da decadência; 3.5 Como este foi o único fundamento para o indeferimento do pedido de compensação e a suplicante junta em anexo o comprovante do DARF respectivo, a decisão recorrida tem de ser revista para que se dê o pagamento como realizado, até porque é impossível contestálo, quer materialmente em função da comprovação do recolhimento, quer juridicamente em função da decadência; 3.6 O pagamento se refere à Cofins. Segundo o enunciado da Súmula 276 do STJ, em 14.05.2003: "As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da cobrança para o financiamento da seguridade social (Cofins), independente do regime tributário adotado. Com base Fl. 82DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA 4 na súmula todas as sociedades civis de profissões regulamentadas poderão buscar direito de não pagar a Cofins e pedir restituição ou compensação dos valores pagos indevidamente a partir de 1996"; 3.7 Como a suplicante se enquadra exatamente nas condições referidas na aludida decisão, o pagamento reputase indevido e o crédito apurado pode ser usado para quitação de tributos por compensação, como ocorreu; 3.8 Ressalta, porém, que este ponto não foi levantado para fundamentar o indeferimento do pedido de compensação, que é discutido e aponta apenas a inexistência do pagamento feito; (...). A decisão recorrida está assim ementada (fls. 33/34): Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000 SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. A isenção da COFINS, prevista no inciso II do art. 6º da LC 70/1991, foi revogada pelo art. 56 da Lei 9.430/1996. RECOLHIMENTO DEVIDO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Tendo sido constatadas a correção do recolhimento efetuado e a inexistência de crédito em relação a esse pagamento, não há que se reconhecer o direito da interessada ao pretenso crédito. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA LEGAL. As argüições de inconstitucionalidade não são oponíveis na esfera administrativa, incumbindo ao Poder Judiciário apreciá las. Cientificado dessa decisão em 07 de abril de 2011 (AR às fls. 44), o interessado interpôs recurso voluntário no dia 18 do mesmo mês, apresentando suas razões de defesa a seguir sintetizadas: que teria decaído o direito ao lançamento de ofício, tendo em vista que o período em que o recolhimento indevido foi efetuado corresponde a 05/2000, enquanto que o lançamento somente fora efetuado em 08/2008. Em se tratando de lançamento por homologação de que trata o art. 150 § 4º o prazo seria de cinco anos; que ao tempo em que foi efetuado o pagamento indevido (05/2000) vigorava a Súmula do STJ nº 276, de 02/06/2003, segundo a qual as sociedades civis de prestação de serviços profissionais seriam isentas da COFINS, a qual tem efeito vinculante para o Judiciário e para o Executivo; Fl. 83DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA Processo nº 15374.903201/200855 Acórdão n.º 330201.431 S3C3T2 Fl. 3 5 que de acordo com o art. 144 do CTN o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela Lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada; que o art. 100 do CTN considera como normas complementares os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas e as decisões dos órgãos similares ou coletivos de jurisdição administrativa a que a Lei atribua eficácia normativa; que se o comportamento da suplicante ao considerar indevido o recolhimento da COFINS, estivesse baseado numa simples análise jurisprudencial seria possível tomar em conta sua posterior alteração em razão de decisões supervenientes, entretanto a suplicante adotou comportamento que havia sido amparado em Súmula Vinculante naquela oportunidade em vigor, havendo, assim, a aplicação de uma norma complementar de direito tributário que não pode ser derrogada por ato administrativo superveniente ao fato gerador mesmo que este ato esteja amparado numa modificação da jurisprudência que altere o princípio consagrado na Súmula. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA 6 Voto Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Relator Cumpreme levantar preliminar de conhecimento do recurso voluntário, à luz do art. 2º da Portaria CARF nº 1/2012, em face de a questão envolver matéria que está sob o regime de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal STF, porém sem que a Suprema Corte tenha determinado seu sobrestamento, quando assim permaneceria até que viesse a ser proferida decisão nos termos do art. 543B do CPC. Entendo que mesmo diante da repercussão geral da matéria junto ao STF não há porque sobrestar seu julgamento no âmbito do CARF, porquanto não houve a determinação para que o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, em tramitação naquela Corte Constitucional, fosse sobrestado. Dessa forma, considerando superada essa preliminar prejudicial de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. Mais uma preliminar deve ser apreciada, desta feita levantada pelo recorrente, segundo o qual teria ocorrido a decadência do crédito tributário exigido através do Despacho Decisório de fls. 08, emitido em 24/04/2008. Aduz o recorrente que se a exação se refere ao mês de maio de 2000, em agosto de 2008 já teria transcorrido mais de cinco anos, tempo máximo permitido para que o exercício do direito, por parte da autoridade fiscal, fosse exercido, à luz do que dispõe o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional CTN. A propósito, confundese o recorrente, pois o limite temporal imposto para análise do direito creditório e homologação da compensação encontrase disciplinado pelo § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, a seguir: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Vêse, pois, que o prazo para a homologação do pedido de compensação é de cinco anos a contar da data da sua apresentação à repartição da Receita Federal do Brasil. Como o PER/DCOMP foi transmitido em 29/01/2004 esse prazo qüinqüenal somente se expiraria em 29/01/2009, não estando, assim, alcançado pela decadência. Ressaltese, ainda, que a decadência de que trata o mencionado dispositivo do art. 150, § 4º, assim como do art. 173, ambos do CTN, diz respeito ao direito da autoridade de fiscalização constituir o crédito tributário, não trazendo limitação para que se proceda à conferência do crédito consignado na DCOMP, sendo que esse procedimento de apreciação do crédito declarado, antes de ser um direito, constituise em um dever do órgão fazendário. No mérito, a questão básica que deve ser analisada é quanto à argüida isenção do pagamento da COFINS das sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada, consoante disposto no art. 6º, II, da Lei Complementar nº 70/1991, tendo essa pretensa isenção originado o questionado indébito fiscal, no valor originário de Fl. 85DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA Processo nº 15374.903201/200855 Acórdão n.º 330201.431 S3C3T2 Fl. 4 7 R$118.951,20. Esse dispositivo de lei complementar foi revogado pelo art. 56 da Lei nº 9.430/1996, o qual passou a viger no mês de abril de 1997. Questionase, pois, se mesmo após a sua revogação a isenção continuaria existindo, tendo em vista que a lei revogadora era uma lei ordinária que não poderia alterar dispositivo de lei complementar, de hierarquia superior. Argúi o recorrente que as Turmas do STJ julgaram reiteradamente pela impropriedade do dispositivo de lei ordinária, tendo sido editada a Súmula nº 276, de 02/06/2003, que seria de aplicação obrigatória por parte do Judiciário e também dos órgãos do Poder Executivo. Entretanto, entendo que sobre a matéria não cabe mais questionamento no âmbito do contencioso administrativo, em face de o Superior Tribunal de Justiça – STJ haver proferido decisão definitiva no julgamento de recurso sujeito ao procedimento do art. 543C, do CPC, o que nos leva a aplicar ao caso o art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, DOU de 23/06/2009, cujo dispositivo regimental foi introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010–DOU de 22/12/2010, que assim dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A seguir transcrevese a ementa e o voto condutor da decisão do STJ, acima referida, da relatoria do Exmo. Sr. Ministro Luiz Fux, hoje no STF: RECURSO ESPECIAL Nº 826.428 MG (2006/00383322) EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 6º, II, DA LEI COMPLEMENTAR 70/91. REVOGAÇÃO PELO ARTIGO 56, DA LEI 9.430/96. CONSTITUCIONALIDADE DA NORMA REVOGADORA RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (RE 377.457/PR E RE 381.964/MG). REAFIRMAÇÃO DO ENTENDIMENTO EXARADO NO ÂMBITO DA ADC 1/DF. 1. A isenção da COFINS, prevista no artigo 6º, II, da Lei Complementar 70/91, restou validamente revogada pelo artigo 56, da Lei 9.430/96 (Precedentes do Supremo Tribunal Federal submetidos ao rito do artigo 543B, do CPC: RE 377.457 e RE 381.964, Rel. Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em 17.09.2008, Repercussão Geral Mérito, DJe241 DIVULG 18.12.2008 PUBLIC 19.12.2008). 2. Isto porque: Fl. 86DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA 8 "... especificamente sobre a COFINS e a sua disciplina pela Lei Complementar 70, de 1991, a decisão proferida na ADC 1 (Rel.Moreira Alves, DJ 16.06.95), independentemente de qualquer possível controvérsia em torno da aplicação dos efeitos do § 2º, do art. 102 à totalidade dos fundamentos determinantes ali proclamados ou exclusivamente à sua parte dispositiva (objeto específico da RCl 2.475, Rel. Min. Carlos Velloso, em curso no Pleno), foi inequívoca ao reconhecer: a) de um lado, a prevalência na Corte das duas linhas jurisprudenciais anteriormente referidas (distinção constitucional material, e não hierárquicaformal, entre lei complementar e lei ordinária, e inexigibilidade de lei complementar para a disciplina dos elementos próprios à hipótese de incidência das contribuições desde logo previstas no texto constitucional); e b) de outro lado, que, precisamente pelas razões anteriormente referidas, a Lei Complementar 70/91 é, materialmente, uma lei ordinária. Ora, as razões anteriormente expostas são suficientes a indicar que, contrariamente ao defendido pela recorrente, o tema do conflito aparente entre o art. 56, da Lei 9.430/96, e o art. 6º, II, da LC 70/91, não se resolve por critérios hierárquicos, mas, sim, por critérios constitucionais quanto à materialidade própria a cada uma destas espécies. Logo, equacionar aquele conflito é sim uma questão diretamente constitucional. Assim, verificase que o art. 56, da Lei 9.430/96, é dispositivo legitimamente veiculado por legislação ordinária (art. 146, III, 'b', a contrario sensu, e art. 150, § 6º, ambos da CF), que importou na revogação de dispositivo anteriormente vigente (sobre isenção da contribuição social), inserto em norma materialmente ordinária (artigo 6º, II, da LC 70/91). Conseqüentemente, não existe, na hipótese, qualquer instituição, direta ou indireta, de nova contribuição social, a exigir a intervenção de legislação complementar, nos termos do art. 195, § 4º, da CF." (RE 377.457/PR). 3. Destarte, a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS incide sobre o faturamento das sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada, de que trata o artigo 1º, do DecretoLei 2.397/87, tendo em vista a validade da revogação da isenção prevista no artigo 6º, II, da Lei Complementar 70/91 (lei materialmente ordinária), perpetrada pelo artigo 56, da Lei 9.430/96. 4. Outrossim, impende ressaltar que o Plenário da Excelsa Corte, tendo em vista o disposto no artigo 27, da Lei 9.868/99, rejeitou o pedido de modulação dos efeitos da decisão proferida no Recurso Extraordinário 377.457/PR. 5. Consectariamente, impõese a submissão desta Corte ao julgado proferido pelo plenário do Supremo Tribunal Federal que proclamou a constitucionalidade da norma jurídica em tela (artigo 56, da Lei 9.430/96), como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal no caso sub examine. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA Processo nº 15374.903201/200855 Acórdão n.º 330201.431 S3C3T2 Fl. 5 9 6. Recurso especial desprovido, mantendose a decisão recorrida, por fundamentos diversos. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO LUIZ FUX (Relator): Preliminarmente, revelase cognoscível a insurgência especial, uma vez prequestionada a matéria federal ventilada. Cingese a controvérsia a subsistência da isenção da COFINS incidente sobre o faturamento/receita das sociedades civis prestadoras de serviços de profissão legalmente regulamentada, prevista no artigo 6º, II, da Lei Complementar 70/91, tendo em vista a revogação perpetrada pelo artigo 56, da Lei 9.430/96. Com efeito, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no âmbito de recurso extraordinário submetido ao regime da repercussão geral, consolidou a tese de que a isenção da COFINS, prevista no artigo 6º, II, da Lei Complementar 70/91, restou validamente revogada pelo artigo 56, da Lei 9.430/96: "Contribuição social sobre o faturamento COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento." (RE 377.457, Rel. Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em 17.09.2008, Repercussão Geral Mérito DJe241 DIVULG 18.12.2008 PUBLIC 19.12.2008) No votocondutor exarado pelo e. Ministro Gilmar Mendes, restou assente que: "... especificamente sobre a COFINS e a sua disciplina pela Lei Complementar 70, de 1991, a decisão proferida na ADC 1 (Rel. Moreira Alves, DJ 16.06.95), independentemente de qualquer possível controvérsia em torno da aplicação dos efeitos do § 2º, do art. 102 à totalidade dos fundamentos determinantes ali proclamados ou exclusivamente à sua parte dispositiva (objeto específico da RCl 2.475, Rel. Min. Carlos Velloso, em curso no Pleno), foi inequívoca ao reconhecer: a) de um lado, a prevalência na Corte das duas linhas jurisprudenciais anteriormente referidas (distinção constitucional material, e não hierárquicaformal, entre lei complementar e lei ordinária, e inexigibilidade de lei Fl. 88DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA 10 complementar para a disciplina dos elementos próprios à hipótese de incidência das contribuições desde logo previstas no texto constitucional); e b) de outro lado, que, precisamente pelas razões anteriormente referidas, a Lei Complementar 70/91 é, materialmente, uma lei ordinária. Ora, as razões anteriormente expostas são suficientes a indicar que, contrariamente ao defendido pela recorrente, o tema do conflito aparente entre o art. 56, da Lei 9.430/96, e o art. 6º, II, da LC 70/91, não se resolve por critérios hierárquicos, mas, sim, por critérios constitucionais quanto à materialidade própria a cada uma destas espécies. Logo, equacionar aquele conflito é sim uma questão diretamente constitucional. Assim, verificase que o art. 56, da Lei 9.430/96, é dispositivo legitimamente veiculado por legislação ordinária (art. 146, III, 'b', a contrario sensu, e art. 150, § 6º, ambos da CF), que importou na revogação de dispositivo anteriormente vigente (sobre isenção da contribuição social), inserto em norma materialmente ordinária (artigo 6º, II, da LC 70/91). Conseqüentemente, não existe, na hipótese, qualquer instituição, direta ou indireta, de nova contribuição social, a exigir a intervenção de legislação complementar, nos termos do art. 195, § 4º, da CF." (RE 377.457/PR). Destarte, a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS incide sobre o faturamento das sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada, de que trata o artigo 1º, do DecretoLei 2.397/87, tendo em vista a validade da revogação da isenção prevista no artigo 6º, II, da Lei Complementar 70/91 (lei materialmente ordinária), perpetrada pelo artigo 56, da Lei 9.430/96. Outrossim, impende ressaltar que o Plenário da Excelsa Corte, tendo em vista o disposto no artigo 27, da Lei 9.868/99, rejeitou o pedido de modulação dos efeitos da decisão proferida no Recurso Extraordinário 377.457/PR. Consectariamente, impõese a submissão desta Corte ao julgado proferido pelo plenário do Supremo Tribunal Federal que proclamou a constitucionalidade da norma jurídica em tela (artigo 56, da Lei 9.430/96), como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal no caso sub examine. Com essas consideração, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL, mantendo a decisão recorrida, por fundamentos diversos. Porquanto tratarse de recurso representativo da controvérsia, sujeito ao procedimento do artigo 543C, do CPC, determino, após a publicação do acórdão, a comunicação à Presidência do Fl. 89DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA Processo nº 15374.903201/200855 Acórdão n.º 330201.431 S3C3T2 Fl. 6 11 STJ, aos Ministros dessa Colenda Primeira Seção e aos Presidentes dos Tribunais Regionais Federais, com fins de cumprimento do disposto no § 7º, do artigo 543C, do CPC (artigos 5º, II, e 6º, da Resolução STJ 08/2008). A seguir transcrevo ementa da decisão proferida pela 2ª Turma do STJ, na linha do precedente acima transcrito: Superior Tribunal de Justiça. 2ª Turma Data 19/08/2010 AgRG no REsp. 1146389 / SC TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. AGRAVO REGIMENTAL. COFINS. LEI COMPLEMENTAR Nº 70/91. SOCIEDADE CIVIL. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. MATÉRIA JULGADA SOBRE A SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS, ART. 543C DO CPC. 1. O acórdão decidiu contrariamente ao recorrente com fundamento no revolvimento fático probatório, incidência da Súmula 7/STJ. 2. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o REsp 826428/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos, art. 543 C do CPC, de relatoria do Eminente Ministro Luiz Fux, passou a adotar o entendimento conferido pelo Supremo Tribunal Federal, que declarou incidentalmente a constitucionalidade da revogação da isenção da Cofins concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pela Lei Complementar nº 70/91, quando do julgamento dos Recursos Extraordinários nºs 377.457 e 381.964 e rejeitou o pedido de modulação dos efeitos da decisão proferida no Recurso Extraordinário 377.457/PR. 3. Agravo regimental a que se nega seguimento. Decisão Vistos, relatados e discutidos esses autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, o seguinte resultado de julgamento: "A Turma, por unanimidade, negou seguimento ao agravo regimental, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a) Relator(a)." Os Srs. Ministros Eliana Calmon, Castro Meira, Humberto Martins (Presidente) e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. Por essas razões, superada a preliminar de admissibilidade inicialmente apreciada, conheço do recurso voluntário para negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 90DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA 12 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por WALBER JO SE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13746.002091/2008-10
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. LEI 8.852/1994. AUSÊNCIA DE OUTORGA DE ISENÇÃO. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 68.
A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2802-002.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Melo.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 IRPF. LEI 8.852/1994. AUSÊNCIA DE OUTORGA DE ISENÇÃO. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 68. A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Melo.
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score : 1.0
Numero do processo: 10875.908219/2009-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO.
No âmbito do procedimento de compensação, o ônus da prova do indébito tributário recai sobre o declarante que, se não exercido ou exercido inadequadamente, implica não homologação da compensação declarada, por ausência de comprovação do crédito utilizado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS. PRESCINDIBILIDADE DO EXAME. INDEFERIMENTO.
A realização de diligência na escrituração contábil e fiscal da autora do procedimento de compensação revela-se prescindível quando não apresentado qualquer documento ou indício acerca da origem do crédito utilizado, bem como não expostos os motivos nem formulados os quesitos concernente à diligência pleiteada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida e foi substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro. Fez sustentação oral a advogada Nathalia de Andrade Medeiros Tavares.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Adriana Oliveira Ribeiro.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO. No âmbito do procedimento de compensação, o ônus da prova do indébito tributário recai sobre o declarante que, se não exercido ou exercido inadequadamente, implica não homologação da compensação declarada, por ausência de comprovação do crédito utilizado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS. PRESCINDIBILIDADE DO EXAME. INDEFERIMENTO. A realização de diligência na escrituração contábil e fiscal da autora do procedimento de compensação revela-se prescindível quando não apresentado qualquer documento ou indício acerca da origem do crédito utilizado, bem como não expostos os motivos nem formulados os quesitos concernente à diligência pleiteada. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida e foi substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro. Fez sustentação oral a advogada Nathalia de Andrade Medeiros Tavares. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Adriana Oliveira Ribeiro.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. A não comprovação da existência do crédito utilizado na compensação constitui motivo suficiente para a não homologação do respectivo procedimento compensatório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO. No âmbito do procedimento de compensação, o ônus da prova do indébito tributário recai sobre o declarante que, se não exercido ou exercido inadequadamente, implica não homologação da compensação declarada, por ausência de comprovação do crédito utilizado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS. PRESCINDIBILIDADE DO EXAME. INDEFERIMENTO. A realização de diligência na escrituração contábil e fiscal da autora do procedimento de compensação revelase prescindível quando não apresentado qualquer documento ou indício acerca da origem do crédito utilizado, bem como não expostos os motivos nem formulados os quesitos concernente à diligência pleiteada. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 82 19 /2 00 9- 60 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida e foi substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro. Fez sustentação oral a advogada Nathalia de Andrade Medeiros Tavares. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Adriana Oliveira Ribeiro. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DComp) eletrônica, transmitida em 21/8/2009, em que informada a compensação da parcela indevida do pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de agosto de 2004, no valor de R$ 270.452,87, com débito da Cofins do mês de julho de 2009. Por intermédio do Despacho Decisório eletrônico de fls. 52 e 60/61, a compensação não foi homologada, em razão da inexistência de crédito disponível, sob o argumento de que, embora localizado na base dados, o pagamento informado havia sido integralmente utilizado na quitação do débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de agosto de 2004, no valor de R$ 1.031.771,13. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou que: a) o débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de agosto de 2004, no valor R$ 847.084,48, fora incorretamente informado na DCTF originária, porém, em 3/11/2009, quando percebeu o equívoco, apresentou a DCTF retificadora, corrigindo o valor do débito para R$ 414.473,60; b) esse equívoco poderia ter sido oportunamente esclarecido, caso a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) tivesse lhe requisitado informação e esclarecimento a respeito do crédito utilizado ou determinado a realização de diligência na sua escrituração contábil e fiscal; e c) procedera a compensação em apreço em conformidade com o disposto nos artigos 73 e 74 da Lei 9.430/1996. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a 8ª Turma de Julgamento da DRJ – Capinas/SP julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, com base no argumento de que não fora apresentada a documentação adequada que permitisse a verificação da existência do valor do pagamento indevido ou a maior que o devido e, por conseguinte, a certeza e liquidez do crédito compensado. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10875.908219/200960 Acórdão n.º 3102001.899 S3C1T2 Fl. 21 3 Em 8/2/2012, a recorrente foi cientificada da referida decisão. Em 8/3/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 74/81, no qual reafirmou os argumentos de defesa suscitados na fase de manifestação de inconformidade, incluindo o pedido de realização de diligência na sua escrita contábil e fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A presente controvérsia limitase à comprovação do direito creditório utilizado na DComp de fls. 55/59. Por meio do Despacho Decisório eletrônico, emitido em 7/10/2009, a compensação não foi homologada, sob o fundamento de que crédito informada não existia, porque o valor do pagamento informado estava integralmente alocado à quitação do débito do mesmo valor da Cofins do mês de agosto de 2004, confessado na DCTF originária do 3º trimestre de 2004. Por outro lado, alegou a recorrente que tinha direito à compensação do crédito utilizado, porém, como não retificara, em tempo hábil, a DCTF do período, a análise e verificação eletrônica da compensação não levaram em consideração o débito correto da Cofins do mês de julho de 2004, no valor de R$ 2.915.271,11, mas o valor de R$ 4.027.073,89, equivocadamente declarado na DCTF original. No âmbito do procedimento de compensação de iniciativa do sujeito passivo, por força do disposto art. 170 do CTN, o declarante tem o ônus de provar que o crédito utilizado atende os requisitos da certeza e liquidez e que, na data da entrega da referida Declaração, e que era passível de restituição ou ressarcimento, nos termos do caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Nesse sentido, quando originário de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, além do cumprimento dos requisitos formais determinados na legislação específica, o contribuinte deve comprovar, com documentação adequada, que o alegado indébito é decorrente de alguma das causas especificadas nos incisos I a III do art. 165 do CTN. Em conformidade os referidos preceitos legais, determina o disposto no inciso III do art. 161 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), combinado com o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que já na fase de manifestação de inconformidade, a recorrente tinha o ônus/dever de provar o alegado indébito, mediante apresentação de 1 "Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...]" Fl. 136DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 documentação contábil e fiscal adequada, e assim refutar o fato da inexistência do crédito suscitado na decisão não homologatória da compensação e comprovado nos autos. No caso em tela, o crédito utilizado pela recorrente teve origem no suposto pagamento a maior que o devido da Cofins do mês de julho de 2004, portanto, necessitava de comprovação com documentos hábeis e idôneos, previstos na legislação tributária. Em sede de manifestação de inconformidade, a recorrente não apresentou nenhum documento contábil e fiscal, sequer o demonstrativo de apuração da Contribuição foi colacionado aos autos. Em decorrência, acertadamente, a Turma de Julgamento de primeiro grau reputou não comprovado o direito creditório pleiteado. Da mesma forma, na atual fase recursal, a recorrente não apresentou qualquer demonstrativo ou documento contábil e fiscal, nem sequer uma explicação para origem do suposto indébito foi apresentada. É pertinente ainda esclarecer que, em consonância com os fundamentos legais anteriormente explicitados, a DCTF retificadora, se admitida, comprova apenas a alteração do valor do débito nela informado, mas não representa prova adequada do pagamento do tributo indevido ou a maior que o devido, declarado como origem do crédito compensado ou objeto de pedido de restituição. Com base nessas considerações, deve ser mantida a não homologação da compensação em apreço, por falta de comprovação dos requisitos da certeza e liquidez do credito utilizado no presente procedimento compensatório. Por fim, com respaldo no art. 18 do PAF, indeferese o pedido de diligência formulado, porque ele não atende os requisitos fixados no inciso IV do art. 16 do PAF, pois não foram expostos os motivos nem formulados os quesitos relativos aos exames desejados. Ademais, na ausência de qualquer documento ou mero indício acerca da origem do crédito compensado, revelase prescindível a pretendida diligência na escrituração contábil e fiscal da recorrente. Por todo o exposto, voto pro NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 137DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 13804.002244/00-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 13 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Aug 13 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/07/1990, 01/09/1990 a 31/03/1992
FINSOCIAL. PRAZO PARA SOLICITAÇÃO DA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
Segundo entendimento consolidado pelo STJ, antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/205, não há como se cogitar em prescrição antes de esgotado o prazo de 10 (dez) anos condizente à soma do prazo de 5 (cinco) anos, previsto no § 4° do artigo 150 do CTN, e de igual interstício (cinco anos) assinalado no Artigo 168, I, do referido diploma.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 3201-000.265
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora, Vencidos os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Ricardo Paulo Rosa e Luciano Lopes de Almeida Moraes que votaram pela conclusão.
Nome do relator: Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro
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MINISTÉRIO DA FAZENDA % • .--v CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS . rIN ‘̂%+44.:; ‘ - TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n 0 13804.002244/00-23 Recurso ri° 140.338 Voluntário Acórdão n" 3201-00.265 — 2 Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 13 de agosto de 2009 Matéria RESTITUIÇÕES DIVERSAS Recorrente AÇOS PRIMAVERA LTDA Recorrida DRJ-SÃO PAULO/SP ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/1990 a 31/07/1990, 01/09/1990 a 31/03/1992 FINSOCIAL. PRAZO PARA SOLICITAÇÃO DA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. Segundo entendimento consolidado pelo ST,I, antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/205, não há como se cogitar em prescrição antes de esgotado o prazo de 10 (dez) anos condizente à soma do prazo de 5 (cinco) anos, previsto no § 4° do artigo 150 do CTN, e de igual interstício (cinco anos) assinalado no artigo 168, I, do referido diploma. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2" Câmara / I a Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora, Vencidos os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Ricardo Paulo Rosa e Luciano Lopes de Almeida Moraes que votaram pela conclusão. e , JUDITH 4 ,„,„, ID • MA • AL MARCONDES ARMANDO - 'residente ---77 / ROSA MARI E JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO - Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Márcia Helena Trajano D'Amorim e Marcelo Ribeiro Nogueira. i Processo n°13804.002244/00-23 53-C2TI Acórdão n.° 3201-00.265 Fl. 383 Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição cumulado a pedidos de compensações, protocolado em 03/10/2000, formulado pela contribuinte em epígrafe (doravante denominada Interessada), referente a recolhimentos efetuados a título de FINSOCIAL, dos períodos de apuração compreendidos entre 01/90 a 07/90 e 09/90 a 03/92, e a título de COFINS nos períodos de apuração de 04/92 a 12/95. A DERAT indeferiu o pedido de restituição, por meio do despacho decisório de fls. 134/141, alegando que o direito de restituir os recolhimentos a título de FINSOCIAL e da COFINS, efetuados antes de 03/10/1995, encontrava-se decaído por decurso de prazo previsto no artigo 168 do Código Tributário Nacional (Lei n" 5.172, de 25/10/1966) e no Ato Declaratório SRF n°96, de 26/11/1999. Argumenta, ainda, que a COFINS do período pleiteado fora recolhido dentro das determinações legais, não restando saldo a ser restituído. A Interessada, inconformada com despacho decisório que indeferiu seu pleito, apresentou sua manifestação de inconformidade (lis. 155/162) na qual argumenta, em síntese: 1)Que "o prazo de decadência, somente pode ser contado a partir do momento em que se torna viável o exercício do direito do contribuinte e não antes. Neste sentido, o prazo decadencial somente poderia correr a partir da edição da mencionada Medida Provisória n" 1.621-36, de 10 de junho de 1998, quando só então se possibilitou, administrativamente, ao contribuinte reaver os valores pagos a titulo de Contribuição do FINSOCIAL". 2) Subsidiariamente, busca demonstrar que o prazo para um eventual pedido de recuperação de todo e qualquer tributo sujeito ao lançamento por homologação tem como termo inicial a data da homologação do lançamento, que, sendo tácita, é considerada ocorrida após cinco anos do fato gerador. 3) Afirma que a Instrução Normativa n°32, de 09/04/1997, veio convalidar a compensação efetivada pelo contribuinte dos excedentes do FINSOCIAL com a COFINS, realizada até a edição dessa norma. Entende que o ato normativo citado não poderia homologar a compensação de valores já decaídos, logo, não há como este coexistir com as regras contidas no Ato Declaratório SRF tf 96/99. Por derradeiro, defende que o ato declaratório só poderia ser aplicado após sua edição. 4) Finalmente, alega que o pedido de restituição era facultativo e sua postergação não poderia ser fulminar seu direito a crédito. 5) Menciona em sua petição jurisprudência sobre o assunto, buscando sustentar sua tese e pleiteia que seja reformada a decisão da Delegacia da Receita Federal — SP. L.?:\ 2 Processo n°13804.002244/00-23 S3-C2T I Acórdão n.° 3201-00.265 Fl. 384 • Nada obstante os argumentos aduzidos pela Interessada, por meio do Acórdão n° 16-13.053, proferido pela 6' Turma da DRJ/SPOI, a solicitação foi julgada parcialmente procedente, consoante se verifica pela simples leitura de sua ementa, ora transcrita: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/1990 a 31/07/1990, 01/09/1990 a 31/03/1992 FINSOCIAL - RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Decadência - O direito de pleitear restituição de tributo ou . contribuição pago a maior ou indevidamente extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário. Obserwincia do art. 3" da Lei Complementar n " 118/2005. COF1NS - 01/04/1992 a 31/12/1995 Matéria Não Impugnada. O contribuinte não contestou o indeferimento da COF1NS, tornando a matéria julgada definitivamente na via administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelece-se como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerando-se pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Importante ressaltar que: (i) foram consideradas homologadas, por força do disposto § 5°, do art. 17, da Lei n° 10.833/2003, as compensações efetuadas pela Interessada em 19/10/2000, 13/11/2000, 19/12/2000, 17/01/2001 e 20/02/2001; e, (ii) em função de a Interessada somente ter-se insurgido apenas contra os motivos que levaram ao indeferimento do pedido referente ao FINSOCIAL, a matéria referente a COFINS foi considerada preclusa. Regularmente intimada da decisão supra em 17 de maio de 2007, a Interessada apresentou Recurso Voluntário no dia 12 de junho do mesmo ano. Nesta peça recursal, a Interessada solicita o deferimento do seu pleito, pelos mesmos fundamentos constantes de sua peça impugnatória.\; 3 Processo n° 13804.002244/00-23 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.265 Fl. 385 Voto Conselheiro ROSA MARIA DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO, Relatora O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Consoante relatório lido em Sessão, o presente processo trata de pedido de . restituição cumulado a pedidos de compensações, protocolizado em 03/10/2000 pela contribuinte em epígrafe (doravante denominada Interessada), referente a recolhimentos efetuados a título de FINSOCIAL, dos períodos de apuração compreendidos entre 01/90 a 07/90 e 09/90 a 03/92, e a titulo de COFINS nos períodos de apuração de 04/92 a 12/95. Ah initio, mister se faz reiterar que a Interessada absteve-se de recorrer no que tange ao indeferimento de seu pedido de restituição relativo a COF1NS. Portanto, assim como a decisão recorrida, entendo que tal matéria deve ser considerada preclusa. No que tange ao prazo prescricional do FINSOCIAL, vale salientar que, como é do conhecimento desta Turma, durante vários meses defendi posicionamento segundo o qual os textos legais têm pressuposto de legalidade e de constitucionalidade e, portanto, o prazo de cinco anos para requerer a restituição dos valores indevidamente recolhidos a titulo de contribuição ao Finsocial, somente poderia começar a ser contado a partir da modificação levada a efeito pela Medida Provisória n° 1.621-36, ou seja, a partir de 10 de junho de 1998. Assim sendo, o prazo somente se encerraria em 10 de junho de 2003. Nada obstante, após muitas considerações e discussões com meus pares, acabei por acatar uma ponderação que entendo ser totalmente coerente: O Poder Executivo deve seguir as orientações jurisprudenciais, quando pacificadas pelo Poder Judiciário. Logo, alterei minha posição para acatar a linha de entendimento consolidado, e confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), segundo o qual o prazo de 5 (cinco) anos estabelecido para a decadência do crédito decorrente de indébito tributário (artigo 168, I, do CTN) deve ser somado ao interstício hábil à homologação assinalada no § 40 do artigo 150 do CTN: § 4". Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Se não se operou a homologação expressa ventilada em tal dispositivo, deflui daí a consumação tácita de tal expediente administrativo, dependente do transcurso de 5 (cinco) anos contados da ocorrência de cada qual dos fatos geradores do tributo considerado para ser reputado materializado. Antes de esgotados os prazos referidos (5 anos + 5 anos) não se pode cogitar de extinção do direito de a Interessada requerer a restituição de tributo indevidamente 4 Processo n°13804.002244/00-23 53-C2T1 Acórdão o.° 3201-00.265 Fl. 386 recolhido, sobretudo porque não transcorrido o período hábil à constatação formal, pela Fazenda Pública, de que a mesma promoveu pagamentos indevidos. Consulte-se, nesta toada, o entendimento do STJ sobre o tema, que em tudo confirma as observações adredemente formuladas (RE n° 327043) e, em especial, rebate qualquer alegação sobre a vigência retroativa (natureza interpretativa) da Lei Complementar n° 118/2005: I. Questiona-se, aqui, (a) a natureza — se interpretativa ou não - do art. 3" da LC 118/2005, segundo o qual, para efeito de contagem do prazo para a repetição do indébito, deve ser considerado que "a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, 'no . momento do pagamento antecipado", bem como (b,) a legitimidade da art. 4", segunda parte, da mesma Lei, que determina a aplicação retroativa daquele artigo 3", tal como prevê o art. 106, L do CTIV. (..) 6. Ainda que se admita a possibilidade de edição de lei intetpretativa, como prevê o art. 106, I, do CTN, mas considerando o que antes se disse sobre o processo interpretativo e seus agentes oficiais (= a norma é aquilo que o Judiciário diz que é,), evidencia-se como hipótese paradigmática de lei inovadora (e não simplesmente interpretativa) aquela que, a pretexto de interpretar, confere à norma interpretada um conteúdo ou um sentido diferente daquele que lhe fbi atribuído pelo Judiciário ou que limita o seu alcance ou lhe retira um dos seus sentidos possíveis. É o que ocorre no caso em exame. Com efeito, sobre o tema relacionado com a prescrição da ação de repetição de indébito tributário, a jurisprudência do STJ (I" Seção) é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação — expressa ou tácita - do lançamento. Segundo entende o Tribunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VIL do CTN. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria inicio o prazo previsto no art. 168, 1. E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. (..) • Ora, o ar. 3" da LC 118/2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiu-lhes, na verdade, um sentido e uni alcance diferente daquele dado pelo Judiciário, Ainda que defensável a "interpretação" dada, não há como negar que a lei inovou no plano normativo, pois retirou da • ‘ ‘ ' 3N 5 Processo n° 13804.002244/00-23 S3-C2TI Acórdão n°3201-00.265 Fl. 387 disposições normativas interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. Se, como se disse, a norma é aquilo que o Judiciário, como seu intérprete, diz que é, não pode ser considerada simplesmente interpretativa a lei que dá a ela outro significado. Em outras palavras: não pode ser considerada interpretativa a lei que tem o evidente objetivo de modificar a jurisprudência dos Tribunais. Somente a jurisprudência é que pode, legitimamente, alterai- a jurisprudência. 7. Não se nega ao Legislativo o poder de alterar a norma (e, portanto, se for o caso, também a interpretação firmada em relação a ela). Pode, sim, fazê-lo, mas não com efeitos retroativos. (-) Partindo da premissa que a solicitação efetuada pela Interessada foi protocolizada em 03 de outubro de 2000 e se refere a fatos geradores ocorridos entre janeiro de 1990 a julho de 1990 e setembro de 1990 a março de 1992, entendo que o pedido da Interessada é PARCIALMENTE tempestivo. Pelos fundamentos acima expostos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso da Interessada. Sala das Sessões, em 13 de agosto de 2009.26( / 4'0AL5 6é a) ROSA MA7 DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO - Relatora 6 4Te:5 MINISTÉRIO DA FAZENDA te4k CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS • t.,-... TERCEIRA SEÇÃO Processo n°: 13804.002244/00-23 Recurso n.°: 140338 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 anexo 11 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n". 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, a tomar ciência do Acórdão n.° 3201-00.265. j Brasília, 1: d- 205205 7;109. LUIZ HUM E rf o or . RNANDES Chefe dai a . C:,I n. .“ da Ter eira Seção Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 11686.000084/2008-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
EDITADO EM: 15/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora. EDITADO EM: 15/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. EDITADO EM: 15/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 86 .0 00 08 4/ 20 08 -0 0 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000084/200800 Resolução nº 3302000.324 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase, na origem, de Pedidos de Ressarcimento de COFINS não cumulativo, em função da apuração de créditos da referida contribuição referentes ao período de 01/04/2006 a 31/12/2006 em decorrência da utilização de créditos vinculados às receitas de exportação. A contribuinte é pessoa jurídica de direito privado, do ramo da indústria, comércio, importação e exportação de carnes, aves, ovos, peixes, frutas, cereais, legumes, gorduras e condimentos em geral, conforme estatuto social anexo. Com base na verificação e análise dos trabalhos fiscais executados, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil efetuou a seguinte descrição das irregularidades fiscais por ele constatadas: I.1 o contribuinte não ofereceu à tributação as receitas decorrentes dos incentivos fiscais "PRODEPE", crédito presumido de ICMS concedido pelo Decreto (Estadual PE) n° 23.504, de 27 de agosto de 2001, e "PROARROZ", crédito fiscal de ICMS concedido pelo Decreto (Estadual MT) n° 4.366, de 21 de maio de 2002. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS é o valor do faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente das atividades por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas, admitidas as exclusões e deduções expressamente previstas em lei. Integram o faturamento os valores contabilizados como incentivos fiscais "PRODEPE" e "PROARROZ", inexistindo previsão legal para que sejam excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. I.2 O contribuinte incluiu indevidamente na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS fretes sobre transferências e fretes sobre devoluções. O valor do frete contratado de pessoa jurídica domiciliada no país para a realização de simples transferências de mercadorias dos estabelecimentos industriais aos estabelecimentos distribuidores e filiais não integra a operação de venda a ser realizada posteriormente, não podendo ser utilizado na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Da mesma forma, o valor do frete sobre devoluções não integra a base de cálculo de apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Dará direito ao crédito o frete contratado para entrega de mercadorias diretamente aos clientes, na venda do produto, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme arts. 3o , inciso IX, e 15 da Lei n° 10.833/2003. I.3 A interessada foi intimada a apresentar declaração dos fornecedores pessoa jurídica de que as vendas de arroz com casca, do período compreendido entre 4 de abril de 2006 e 31 de dezembro de 2007, foram efetuadas com tributação de PIS/Pasep e da COFINS e não com suspensão da contribuição. As pessoas jurídicas que exercem atividades conforme o art. 3º , incisos I e III, e § 1º , incisos I a III, da IN SRF 660/2006, atendem aos requisitos exigidos para aplicação da suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS em relação às vendas de arroz com casca (código 1006.10 da Fl. 325DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000084/200800 Resolução nº 3302000.324 S3C3T2 Fl. 4 3 NCM) para adquirentes pessoa jurídica agroindustrial tributada pelo lucro real, destinadas à produção de arroz de códigos 1006.20, 1006.30 e 1006.40 da NCM, de acordo com os arts. 4º , incisos I a III, e 6º , inciso I, da IN SRF 660/2006. O contribuinte satisfaz as condições de adquirente da aplicação da suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A interessada não apresentou a declaração dos fornecedores, não demonstrando desta forma que em relação às compras de arroz com casca tem direito a integralidade dos créditos de PIS/Pasep e da COFINS. Assim, as compras de arroz com casca do contribuinte dos fornecedores pessoa jurídica foram consideradas como tendo sido efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, sendo admitido apenas o crédito resumido de atividades agroindustriais referente a estas compras. I I . C O N C L U S Ã O Em função dos fatos anteriormente descritos e das irregularidades fiscais constatadas, após efetuados os ajustes necessários e outras correções obrigatórias demonstrados em planilhas anexas, que obedeceram ao disposto na legislação da Cofins não cumulativo, concluo que os direitos creditórios da fiscalizada, relativamente aos créditos da Contribuição para a Cofins devem ser reconhecidos apenas de forma parcial. (...) Em consequência, o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da requerente, relativo ao pedido de ressarcimento de COFINS NãoCumulativo Receita de exportação, referente ao 2º ao 4º trimestres de 2006. A contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, alegando, preliminarmente, a nulidade da decisão pela ofensa à constituição federal e aos princípios do processo administrativo fiscal – PAF, em face de ausência de fundamentação expressa, e no mérito: · Discorda sobre a inclusão dos créditos de ICMS, oriundos de programas de benefícios fiscais ("PRODEPE" e "PROARROZ"), na base de cálculo do PIS e da COFINS como receita, na medida em que as leis instituidoras desses benefícios objetivariam o fomento da competitividade e sustentabilidade das empresas situadas nos estados do MT e PE. Entende que tais valores não poderiam ser considerados como receita da empresa, pois não representariam um ingresso de novo valor ao seu patrimônio, sendo apenas abatidos de seus débitos de ICMS, de forma a reduzir o saldo devedor de imposto estadual devido. · Considera igualmente legítimos os créditos apurados sobre as despesas de fretes de transferências entre os estabelecimentos da própria pessoa jurídica e devoluções, com o fundamento de que tais despesas lançadas seriam desdobramentos das despesas dos fretes incorridos nas operações de venda. Discorre sobre sua necessidade de possuir centros de distribuição para possibilitar o atendimento das diferentes regiões do país, bem como para as exportações de suas mercadorias. Entende que tais fretes deveriam também ser enquadrados como custo ou despesas da empresa, sujeitos à apuração dos respectivos créditos das contribuições. Cita e transcreve jurisprudência do STF, além de doutrina e legislação tributária para amparar seus argumentos no sentido de que a glosa destas despesas afrontaria aos princípios constitucionais da nãocumulatividade, da isonomia e do nãoconfisco. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000084/200800 Resolução nº 3302000.324 S3C3T2 Fl. 5 4 · Justifica o cálculo de créditos sobre a integralidade das compras de insumos adquiridos com a suspensão da contribuição, com o argumento de que não cumpriria com os requisitos já consagrados pela Lei n° 10.925/2004 para o cálculo do crédito presumido e normatizados pela Instrução Normativa SRF n° 660/2006, portanto não estaria sujeita a observar a suspensão da exigibilidade das contribuições, conforme entendeu a fiscalização. Considera que teria a faculdade de escolher, ou não, a suspensão da exigibilidade, cita e transcreve Solução de Consulta para embasar seu entendimento. Informa que nas Notas Fiscais de aquisição emitidas por seus fornecedores não existiria a expressão "Venda efetuada com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", requisito formal exigido pelo Art.2º, §2º da IN 660/06. Acrescenta que seus fornecedores também não lhe pediram declaração de que apuraria seu IRPJ pelo Lucro Real, em face da ausência destas solicitações, inferiu que não teria sido utilizada a suspensão da exigibilidade nas correspondentes operações de compra e venda. Contesta a intimação recebida para que apresentasse declarações de seus fornecedores informando se as vendas haviam ocorrido com ou sem a suspensão, pois entende que não lhe caberia exigir tal informação de seus parceiros comerciais. Aponta que inclusive adquiriria arroz em casca de pessoas jurídicas revendedoras do produto, não cerealistas, portanto fora dos requisitos previstos na IN 660/06. · pede a realização de perícia para o esclarecimento de quesitos que define como necessários para demonstrar a origem e a composição dos créditos em litígio. Relativamente à questão da inclusão, como receita, na base de cálculo do PIS e da COFINS, de valores referentes a créditos de ICMS, concedidos por programas estaduais de benefícios fiscais ('"PRODEPE" e "PROARROZ") a contribuinte impetrou Mandado de Segurança n.° 2008.71.00.0323140 junto à Justiça Federal Tributária de Porto AlegreRS, que teve liminar favorável em 27 de fevereiro de 2009 (publicado em 04/03/2009). Mas, a sentença proferida em 1ª instância de 27/07/2009 denegou a segurança. E, em decorrência de apelações e embargos interpostos pelas partes, a Sentença judicial de 1ª instância foi reformada pelo o TRF4 para conceder a segurança pleiteada, determinando a incidência de correção monetária, pela taxa SELIC, pelo fato de que a demora no ressarcimento dos créditos presumidos se deu por óbice indevido do Fisco. A contribuinte foi cientificada do cumprimento da sentença do Mandado de Segurança 2008.71.00.0323140, por meio da INTIMAÇÃO DRF/SEORT/COMP/REST 2.180/2010. Portanto, tal questão não faz mais parte do litígio. Em julgamento da manifestação de inconformidade, a DRJ/POA, acordou, por unanimidade de votos, por desconhecer da manifestação de inconformidade na parte que contesta a inclusão de créditos de ICMS oriundos de incentivos fiscais estaduais na base de cálculo das contribuições, tendo em vista a identidade de objeto com questões levadas ao crivo do Poder Judiciário. E, nas matérias controversas restantes, também por unanimidade de votos, acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento em julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório em litígio, nos termos do relatório e voto que integram aquele julgado, consoante a ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2006 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000084/200800 Resolução nº 3302000.324 S3C3T2 Fl. 6 5 Ementa: NULIDADES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se a Pessoa Jurídica revela conhecer, plenamente as irregularidades que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões' de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. CRÉDITOS DE ICMS CONCEDIDOS POR INCENTIVOS FISCAIS. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação/despacho decisório, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar da Cofins e do PIS nãocumulativos sobre valores.; relativos a fretes. realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. Comprovado o preenchimento de todos os requisitos para a suspensão da contribuição para o PIS e para a Cofins, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3o da Lei n°: 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos do disposto no art. 8o da Lei n° 10.925/2004. . . . Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A contribuinte, irresignada, apresenta o seu Recurso Voluntário, por meio do qual contesta o referido Acórdão, que, segundo alega, não merece prosperar o entendimento firmado, pelas razões de recurso que expõe, reprisando, em sua maioria, os argumentos da impugnação, segundo os títulos e subtítulos postos a seguir: I DOS FATOS E DA DECISÃO RECORRIDA II DA PRELIMINAR II. I. 1 DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO EM FACE DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO MOTIVACIONAL; II. I. 1.1 DA OFENSA AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA CERCEAMENTO DE DEFESA II. I. 1. 2 DA ILEGALIDADE II. II DA PERDA DO OBJETO PARA DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA SOBRE O CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. EM FACE DA PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL III DO DIREITO Fl. 328DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000084/200800 Resolução nº 3302000.324 S3C3T2 Fl. 7 6 III. I DO CONCEITO DE INSUMO PARA O PIS E A COFINS, NÃO CUMULATIVOS III. II DO FRETE DE TRANSFERÊNCIA III. II. 1 DA NÃOCUMULATIVIDADE III. III DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA III. III. 1 DO HISTÓRICO LEGISLATIVO REFERENTE AO CRÉDITO NA AQUISIÇÃO PE ARROZ EM CASCA III. III. 2 DA NÃO ADEQUAÇÃO AOS REQUISITOS DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 660/06 III. III. 3 DA ALTERAÇÃO LEGISLATIVA PELA INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB N° 977/09 III. III. 4 EQUÍVOCOS REFERENTES À GLOSA DO CRÉDITO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA III. III. 5 EQUÍVOCO REFERENTE À GLOSA DOS CRÉDITOS DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA DE PESSOAS JURÍDICAS REVENDEDORAS III. III. 6 DA PERÍCIA IV DO PEDIDO Formula o seu pedido nos seguintes termos: “Diante do exposto, a ora Recorrente requer que seja recebido e acolhido o presente Recurso Voluntário para determinar a reforma do r. acórdão recorrido, para o fim de que seja reconhecida a nulidade do despacho decisório combatido. Sucessivamente, caso não seja este o entendimento, requer que o presente recurso seja acolhido por Vossas Senhorias para determinar a reforma do r.acórdão recorrido, para o fim do deferimento total do crédito pleiteado, haja vista a total comprovação da sua legitimidade”. Na forma regimental, o processo foi distribuído para a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó relatar. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000084/200800 Resolução nº 3302000.324 S3C3T2 Fl. 8 7 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de Cofins. Uma das questões suscitadas pela Recorrente diz respeito à possibilidade de escriturar crédito normal de PIS e da Cofins na aquisição de arroz com casca, especialmente quando na nota fiscal de aquisição não consta que a produto saiu do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições, conforme autoriza o art. 9º da Lei nº 10.925/04. A DRF considerou que todas as aquisições de arroz em casca saíram do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições para o PIS e Cofins e, por isto, não geram direito ao crédito básico e sim a crédito presumido. Disse a autoridade Fiscal: A interessada foi intimada a apresentar declaração dos fornecedores pessoa jurídica de que as vendas de arroz com casca, do período compreendido entre 4 de abril de 2006 e 31 de dezembro de 2007, foram efetuadas com tributação de PIS/Pasep e da COFINS e não com suspensão da contribuição. As pessoas jurídicas que exercem atividades conforme o art. 3º , incisos I e III, e § 1º , incisos I a III, da IN SRF 660/2006, atendem aos requisitos exigidos para aplicação da suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS em relação às vendas de arroz com casca (código 1006.10 da NCM) para adquirentes pessoa jurídica agroindustrial tributada pelo lucro real, destinadas à produção de arroz de códigos 1006.20, 1006.30 e 1006.40 da NCM, de acordo com os arts. 4º , incisos I a III, e 6o , inciso I, da IN SRF 660/2006. O contribuinte satisfaz as condições de adquirente da aplicação da suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A interessada não apresentou a declaração dos fornecedores, não demonstrando desta forma que em relação às compras de arroz com casca tem direito a integralidade dos créditos de PIS/Pasep e da COFINS. Assim, as compras de arroz com casca do contribuinte dos fornecedores pessoa jurídica foram consideradas como tendo sido efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, sendo admitido apenas o crédito presumido de atividades agroindustriais referente a estas compras Por sua vez, a empresa Recorrente afirma, no Recurso Voluntário, que nas notas fiscais de compra de arroz em casca, emitidas no período em questão, não contém a informação de que as vendas foram efetuadas com suspensão da contribuições e, também, que adquire arroz em casca de Pessoas Jurídicas revendedoras, que não atendem aos requisitos normativos para efetuar venda com suspensão do PIS e da Cofins. Junta notas fiscais de aquisição de arroz em casca junto às empresas PURO GRÃO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ARROZ E SOJA LTDA e SLC COMERCIAL DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS LTDA, . Para a realização da venda de arroz em casca com suspensão do PIS e da Cofins, no período de 04/04/2006 (data da publicação da IN SRF 636/2006) a 24/07/2006 (dia anterior à publicação da IN SRF nº 660/2006), a pessoa jurídica (autorizada) vendedora deveria solicitar (e o adquirente fornecer) a declaração prevista no § 3º, do art. 2º da IN SRF nº 636/2006. A partir do dia 25/07/2006, além da referida declaração, a pessoa jurídica vendedora deveria consignar na nota fiscal que a venda estava sendo realizada com a suspensão do PIS e da Cofins (§ 2º, do art.2º, da IN SRF nº 660/2006). Fl. 330DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000084/200800 Resolução nº 3302000.324 S3C3T2 Fl. 9 8 Em caso semelhante, este Colegiado entendeu que é necessário a comprovação de que a operação atendia às condições legais para dar saída com suspensão do PIS e da Cofins., conforme Acórdão nº 330201.982, de 28/02/2013, proferido nos autos do Processo nº 11686.000013/200980. Na oportunidade, o Colegiado entendeu que, não havendo o Fisco logrado provar que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins, tem o contribuinte adquirente o direito de escriturar o crédito normal e não o crédito presumido, cabendo à Administração avaliar a necessidade e oportunidade de efetuar o lançamento da exação que deixou de ser recolhida pelo fornecedor da Recorrente, se for o caso. Portanto, ao contrário do entendimento da Fiscalização, naquele julgado o Colegiado entendeu que a suspensão somente se opera se forem cumpridos os requisitos formais fixados pela Receita Federal do Brasil, conforme lhe autoriza o art. 9º, in fine, da Lei nº 10.925/04. Diante destes fatos, há necessidade de a Fiscalização efetuar um levantamento, junto aos fornecedores da Recorrente, com o objetivo de identificar quem efetivamente cumpriu os requisitos exigidos pela IN nº 660/06 nas vendas de arroz em casca para a Recorrente, ou seja, possui a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A (para as vendas realizadas a partir 05/04/2006) e consignou na nota fiscal que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins (para as vendas realizadas a partir 25/07/2006). Há, portanto, nos autos incerteza quanto ao cumprimento das obrigações acessórias para a saída do arroz em casca com suspensão do PIS e da Cofins pelos fornecedores da Recorrente, nos termos determinados pelas IN SRF nº 636/06 e 660/06. Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para as seguintes providências: 1 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente, cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 1.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 2 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 2.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópias de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 3 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na Fl. 331DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000084/200800 Resolução nº 3302000.324 S3C3T2 Fl. 10 9 nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 3.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 4 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 4.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 5 No relatório de conclusão da Diligência deve constar um resumo do valor das compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente em cada uma das situações descritas nos itens anteriores; 6 Opinar sobre a procedência (ou não) do direito ao crédito normal em cada uma das situações descritas nos itens 1 a 4; 7 Prestar as informações e os esclarecimentos que julgar importante para o deslinde da questão, inclusive situações não contempladas nos itens 1 a 4; 8 dar ciência à Recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 332DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
score : 1.0
Numero do processo: 10855.901081/2008-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Não restando configurada a omissão apontada, não se conhecem dos embargos interpostos.
Numero da decisão: 1302-001.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer dos embargos interpostos, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Marcio Rodrigo Frizzo e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente momentaneamente: Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
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OMISSÃO. Não restando configurada a omissão apontada, não se conhecem dos embargos interpostos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer dos embargos interpostos, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Marcio Rodrigo Frizzo e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente momentaneamente: Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 10 81 /2 00 8- 25 Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 10855.901081/200825 Acórdão n.º 1302001.102 S1C3T2 Fl. 1.015 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 130200.587 proferido por esta 2a. Turma Ordinária da 3a. Câmara, em 26/058/2011, com a seguinte ementa: PROCURAÇÃO. ASPECTO FORMAL. É regular a representação processual, no caso de o instrumento de mandato apresentado junto com a manifestação de inconformidade ser comprovado com robusta documentação, ainda que acostada aos autos em sede de recursal de modo a ratificar constituição de procuradores. O colegiado deu provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, acolher a regularidade da representação processual e anular a decisão de primeira instância Cientificada em 20/06/2012, a Procuradoria da Fazenda Nacional, com base no art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF. 256/2009, opôs embargos de declaração em 25/06/2012, sustentando que ao dar provimento ao recurso voluntário a turma julgadora incorreu omissão sobre questão que deveria ter se pronunciado, aduzindo que: Conforme se lê as fls. 270, a procuração foi validamente outorgada ao subscritor da manifestação de inconformidade em 10/03/2010, dois anos após a apresentação da aludida peça de irresignação em 07/06/2008. Verificase, portanto, a extemporaneidade do instrumento procuratório, outorgado após a pratica do ato processual, que, conseqüentemente, foi realizado por terceiro sem o devido amparo do instituto jurídico do mandato, instrumentalizado, pela procuração válida. Não obstante, o acórdão ora embargado anulou a decisão de 1ª instância, determinando a DRJ que procedesse ao exame do mérito da manifestação de inconformidade, sem se manifestar sobre o aspecto temporal da outorga da procuração. Neste ponto especifico, a decisão recorrida, data maxima vênia, incorre em omissão, que autoriza o manejo dos embargos de declaração. Ao final, a embargante requer que “seja conhecido e provido o presente recurso, para sanar o vicio acima indicado”. É o relatório. Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 10855.901081/200825 Acórdão n.º 1302001.102 S1C3T2 Fl. 1.016 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Os embargos interpostos são tempestivos, impondose verificar se preenchem os requisitos de admissibilidade previsto no art. 65 do RICARF, com vistas ao seu conhecimento. Alega a Fazenda Nacional, ora embargante, que a decisão recorrida foi omissa ao deixar de se manifestar sobre a data de outorga do instrumento de procuração anexado às fls. 270, que ocorreu em 10/03/2010, dois anos após a apresentação da manifestação de inconformidade (ocorrida em 07/06/2008). Ao exame do acórdão embargado, verificase que não há referência à data de outorga do instrumento de mandato, trazido aos autos por ocasião da apresentação do recurso voluntário. Não obstante, os fundamentos do acórdão recorrido apontam no sentido de considerar que o instrumento de representação, apresentado quando da manifestação de inconformidade (fls. 10), foi comprovado como verdadeiro, mediante robusta documentação. Assim, o novo instrumento de mandato trazido junto com o recurso voluntário seria mais um elemento a apontar a regularidade da representação processual da interessada. Neste diapasão, a data de outorga do instrumento de mandato não invalida as conclusões do voto condutor do acórdão recorrido quanto a regularidade da representação. Ante ao exposto, voto no sentido de não conhecer dos embargos interpostos. Sala das Sessões, em 09 de maio de 2013 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000304/2009-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL NULIDADE INOCORRÊNCIA
De acordo com o art. 60 do Decreto 70.235/72 as omissões ou irregularidades que não gerem prejuízo ao sujeito passivo não importam em nulidade do ato administrativo.
JULGAMENTO EM CONJUNTO POSSIBILIDADE
Em se tratando de processos conexos e com o mesmo fato gerador pode o julgador proferir uma única decisão para todos.
MUTUO ENTRE EMPRESAS Ainda que possível a realização de mútuo
de empregados entre duas empresas, o mutuário assume os riscos do contrato, recaindo sobre ele as obrigações sociais incidentes sobre a remuneração dos segurados.
FALTA DE COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTOS A falta de comprovação de recolhimentos dos empregados enseja a lavratura de autuação sobre o responsável pelo recolhimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.320
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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JULGAMENTO EM CONJUNTO POSSIBILIDADE Em se tratando de processos conexos e com o mesmo fato gerador pode o julgador proferir uma única decisão para todos. MUTUO ENTRE EMPRESAS Ainda que possível a realização de mútuo de empregados entre duas empresas, o mutuário assume os riscos do contrato, recaindo sobre ele as obrigações sociais incidentes sobre a remuneração dos segurados. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTOS A falta de comprovação de recolhimentos dos empregados enseja a lavratura de autuação sobre o responsável pelo recolhimento. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 27/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 27/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 16045.000304/200937 Acórdão n.º 2401002.320 S2C4T1 Fl. 54 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado por descumprimento de obrigação principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados, incidentes sobre a remuneração dos empregados e não declarados em GFIP. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 37 a 45, ficou comprovado através das Notas Fiscais e Livros Diário e Razão que a empresa prestou serviços de zeladoria patrimonial no período de setembro a dezembro de 2004, sem que houvesse nenhum empregado registrado ou lançamento de mão de obra contratada. Em face da não apresentação de esclarecimentos acerca da origem da mão de obra utilizada pela empresa, a fiscalização concluiu que empresa não registrou e não contabilizou o movimento real da remuneração da mão de obra utilizada para a prestação dos serviços executados, procedendo à apuração da mãodeobra por arbitramento com base no faturamento, sendo considerado para fins de remuneração, o percentual de 40% (quarenta por cento) incidente sobre o valor dos serviços constantes das notas fiscais emitidas pela empresa. Inconformada com a decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento, a empresa recorre a este conselho alegando em síntese: a) Preliminarmente argumenta que teria ocorrido vício no lançamento uma vez que no termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF ; há afirmação de terem sido lavrados 14 autos de infração e no relatório fiscal também consta o mesmo número de autuações, porém neste último não estão relacionados os AIs 37.230.9399 e 37.230.9402. b) No mérito argumenta que no período fiscalizado a recorrente não possuía mão de obra própria, utilizandose de funcionários da empresa SECULUM SERVIÇOS OPERACIONAIS LTDA – EPP, que foram cedidos temporariamente através de um Contrato de Mútuo. c) Afirma que não poderia ter sido proferido um único acórdão com validade para três autuações; d) Defende que o acórdão guerreado está baseado em suposições e interrogações sem qualquer embasamento legal e ignorando fatos relevantes que “acalmariam a estupefação fiscal”; o primeiro ser LUIS ANTÔNIO CARNEIRO VIEIRA quem representa as empresas contratantes, ora representante legal da doadora e ora procurador da donatária (aliás o que o próprio acórdão confessa saber (fls.6), o quê, por si só, já detona a exclamação do mútuo não trazer qualquer encargo para a donatária; o segundo que ambas as empresas contratantes tem a mesma atividade social, em dependência fundamental de Fl. 59DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 27/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 4 pessoal especializado, o quê viria favorecer a aceitação dos tomadores de serviços da mão de obra já conhecida/usufruída da doadora, cuja tem lastro de credibilidade e moralidade. o terceiro que se tratava duma situação precária, de curtíssima duração, tão só pelo rápido tempo de treinamento de novel pessoal, o quê vinha a benefício da desnecessidade de qualquer maior formalização documental. e) Continua, assim refutando a decisão de primeira instância: Consignese ainda que, (1)a admirarse da falta de registro no cartório, esquecese que inexiste forma e figura de juízo para tal registro cartorário. (2)ao exigir que fosse feito registro contábil de tal celebração inusitada, não usual, atípica, olvidase que o próprio instrumento contratual era a própria prova formal (inaceita tão somente pelo Fisco) da transação de mútuo realizada dispensando a contabilização do mesmo, exatamente porque não traria qualquer nexo de causa efeito. (3)ao negálo por falta de reconhecimento de firma, nega inteligência aos celebrantes, não só porque entre eles não havia qualquer necessidade de fazêlo, e também porque, ainda que tivesse tal reconhecimento de firma, duvidosamente o Fisco o daria por perfeito, em sempre tentando usar d'outra alegativa para desconstituílo. f) Alega que a negativa de produção de provas pela recorrente caracteriza cerceamento de defesa inoportunando a fase probatória na esfera administrativa g) Requer que sejam acatadas as Preliminares argüidas e sejam anulados os autos de infração e cassado o julgamento proferido, ou então, desde logo, seja acatada a defesa meritória da própria Impugnação, reconhecendose a improcedência dos autos de infração, extinguindoos definitivamente para os fins e efeitos de direito.. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 27/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 16045.000304/200937 Acórdão n.º 2401002.320 S2C4T1 Fl. 55 5 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Tendo em vista que o julgamento de primeira instância optou por efetuar um único julgamento para as três autuações correlatas, processos 16045.000303/200992 (contribuições a cargo da empresa); 16045.000304/200937 (contribuições de empregados) e 16045.000305/200981 (contribuições de terceiros/outras entidades), foi apresentado um único recurso que também será acolhido como sendo extensivo a todos os processos acima mencionados. DAS PRELIMINARES A preliminar de nulidade do lançamento em face de não constarem no TEPF, os lançamentos dos AIs 37.230.9399 e 37.230.9402 não merece ser acolhida tendo em vista que a falta de tal informação não trouxe qualquer prejuízo ao recorrente. Conforme já esclarecido na decisão de primeira instância, tal fato se deu em decorrência de erro de digitação onde se repetiu os números dos DEBCADs 37.230.9267 e 37.230.9283 ao invés dos acima mencionados. Com efeito, este equívoco não é capaz de macular o lançamento já que a recorrente foi formalmente notificado de todos os lançamentos fiscais e apresentou impugnações próprias e específicas para cada um deles. No presente caso, independente de haver uma listagem relacionando todos aos AIs levantados contra a empresa, foi possível saber quais foram os fatos geradores lançados, o período do lançamento e as razões que levaram a fiscalização a efetuar a autuação, não se devendo acatar a nulidade pretendida. Com relação ao julgamento ter se utilizado de um único acórdão para as três autuações por descumprimento de obrigação principal, temos que não houve qualquer irregularidade neste procedimento uma vez que, os três Autos tratam do mesmo fato gerador com uma única diferença que é o tipo das contribuições devidas, um referente a contribuição da empresa, outro dos segurados e o último às destinadas a terceiros. DO MÉRITO No mérito defende a recorrente não possuía mão de obra própria, utilizando se de funcionários da empresa SECULUM SERVIÇOS OPERACIONAIS LTDA – EPP, que foram cedidos temporariamente através de um Contrato de Mútuo, sendo esta a responsável pelos recolhimentos das contribuições ora lançadas. Em que pese o contrato de mútuo anexado pela recorrente para tentar justificar a inexistência de funcionários seus, bem como a falta de recolhimento das contribuições, o documento por si só não comprova a veracidade das alegações recursais. A Fl. 61DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 27/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 6 própria característica deste tipo de contrato diverge do entendimento da recorrente quantos a seus aspectos. Vejamos o que diz o art. 586 do Novo Código Civil Brasileiro: Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Já o Art. 85 do Código Civil/2002 determina que são fungíveis os bens móveis que podem ser substituídos por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade. Na operação de mútuo celebrado entre pessoas jurídicas e/ou pessoas físicas, é recomendável que se faça prova perante terceiros, principalmente perante uma fiscalização. Diante desta questão, fazse necessário elaborar um contrato expresso, no qual sejam fixadas as condições gerais da operação, prazo e forma de pagamento, juros e atualização monetária e outras condições e garantias inerentes ao contrato. O então1º Conselho de Contribuintes decidiu que existente os contratos de mútuo firmados com empresas controladas ou coligadas, a falta do registro no Cartório de títulos e Documentos, bem como irregularidade em sua contabilização, não são suficientes para determinar a indedutibilidade dos encargos contabilizados, este entendimento pode ser confirmado nos seguintes acórdãos nº 10319.917/99 DOU de 08.10.99, 10189.432/96 DOU de 13.05.96 e 1055.815/91 DOU de 30.10.91. O mútuo é na realidade um empréstimo para consumo e considerando ainda que o mutuário não é obrigado a devolver a própria coisa, e sim coisa equivalente, uma vez concluído o contrato de mútuo, passa de fato a ser o proprietário da coisa. No contrato de mútuo o mutuante transfere ao mutuário o domínio do bem emprestado. A partir da tradição o mutuário passa a responder pelos riscos da coisa recebida Logo, ainda que verídico o contrato realizado, a recorrente ao utilizarse da mão de obra de terceiros para realização de sua atividade fim, assume os riscos e encargos incidentes sobre a remuneração dos segurados utilizados nos serviços prestados. Se a empresa mutuante houvesse efetuado os recolhimentos relativos aos funcionários que cedeu à recorrente, com certeza a autuada não teria dificuldades em conseguir os comprovantes dos recolhimentos e apresentálos para a fiscalização ou até mesmo em sede de defesa. Sobre a produção de provas, não foi indicado em nenhum momento quais seriam e com qual finalidade. Ademais o momento processual para se produzir todos os tipos de provas que entender serem necessárias é quando da apresentação da defesa, o que não ocorreu. Assim dispõe o art. 16, § 4º e alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do Decreto 70235/72: Art. 16. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; Fl. 62DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 27/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 16045.000304/200937 Acórdão n.º 2401002.320 S2C4T1 Fl. 56 7 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não logrando êxito na comprovação dos recolhimentos lançados pela autoridade fiscalizadora, a recorrente não se elidiu das obrigações a ela imputadas. Ante ao exposto, Voto no sentido de Conhecer do Recurso, rejeitar as preliminares e no mérito negarlhe provimento. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 63DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 27/06/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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Numero do processo: 10840.907389/2009-24
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
Restituição do Indébito Tributário. Prova. Ônus.
O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp - Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.
Lucro Presumido. Prestação de Serviços em Geral. Com Emprego de Materiais. Coeficiente.
As prestadoras de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais na execução dos serviços, estão obrigadas a aplicar o coeficiente de 32% sobre a receita bruta auferida para a apuração do Lucro Presumido, pelos serviços não caracterizarem prestação de serviço típico de construção civil, e pela empresa não ser especificamente deste ramo. Somente as obras de construção civil, com emprego de materiais, sem repasse de seus custos, realizadas na modalidade de empreitada são suscetíveis da utilização do coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido.
Lucro Presumido. Atividades Diversificadas. Coeficientes.
É dever da empresa que possui atividades diversificadas - prestação de serviços e comércio - segregar as receitas auferidas de forma a aplicar o coeficiente adequado para a apuração do Lucro Presumido e comprovar esta segregação e o oferecimento à tributação, contabilmente, ainda que na forma resumida permitida aos optantes pelo regime do Lucro Presumido.
Numero da decisão: 1801-001.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. COM EMPREGO DE MATERIAIS. COEFICIENTE. As prestadoras de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais na execução dos serviços, estão obrigadas a aplicar o coeficiente de 32% sobre a receita bruta auferida para a apuração do Lucro Presumido, pelos serviços não caracterizarem prestação de serviço típico de construção civil, e pela empresa não ser especificamente deste ramo. Somente as obras de construção civil, com emprego de materiais, sem repasse de seus custos, realizadas na modalidade de empreitada são suscetíveis da utilização do coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS. COEFICIENTES. É dever da empresa que possui atividades diversificadas prestação de serviços e comércio segregar as receitas auferidas de forma a aplicar o coeficiente adequado para a apuração do Lucro Presumido e comprovar esta segregação e o oferecimento à tributação, contabilmente, ainda que na forma resumida permitida aos optantes pelo regime do Lucro Presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 73 89 /2 00 9- 24 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1430.746/10 exarado pela Quinta Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp insertos nos autos. Por bem descrever os fatos, reproduzse o relatório da DRJ; Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade (CSLL, apurados no anocalendário de 2006) com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJlucro presumido, código de arrecadação 2089), concernente ao período de apuração 12/1999. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que tendo optado pela apuração do imposto pela sistemática do lucro presumido, teria cometido erro ao efetuar o recolhimento relativo ao período de 12/1999, ao percentual de 32%, "como se só houvesse emprego de mãodeobra", quando o correto seria aplicar o percentual de 8%, "por ter utilizado materiais em suas notas fiscais", nos termos do ADN Cosit n.° 6, de 1997; que o alegado crédito teria sido compensado corretamente, sem margem para dúvidas quanto à veracidade da compensação. Ao final, requer seja provido o recurso, desconsiderado o indeferimento do pedido de compensação e extinto o débito apurado. Na apreciação do pleito a Turma Julgadora de 1a. instância consignou que a interessada deveria, sob pena de preclusão, instruir a manifestação de inconformidade com documentos comprobatórios suas afirmações. Assim, no presente caso, caberia à interessada fazer prova do suposto recolhimento a maior do imposto que, no seu entender, decorreria de errônea mensuração da base de cálculo por aplicação indevida do percentual de 32% sobre a Fl. 70DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.907389/200924 Acórdão n.º 1801001.468 S1TE01 Fl. 3 3 receita bruta, na determinação do IRPJ devido pela sistemática do lucro presumido, nos termos do art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Nesse contexto seria imprescindível a juntada aos autos de documentos capazes de provar o “quantum” e a composição da base de cálculo do IRPJ do período em questão. Assinalou que, embora ausentes os registros contábeis, a interessada teria apresentado os seguintes elementos: a) "planilha de cálculo do IRPJ devido”; b) cópias de notas fiscais de prestação de serviços com fornecimento de materiais,no valor de R$ 1.658,20; c) cópias de notas fiscais de aquisição de mercadorias junto a fornecedores. Observou que as cópias de notas fiscais de aquisição de mercadorias junto a fornecedores não repercutiriam sobre a análise em curso, por não demonstrada sua correlação com a receita bruta auferida no período e respectiva apuração do imposto devido. Restaria assim evidenciado (Coluna E) que o somatório dos valores das notas fiscais apresentadas na impugnação (Coluna D) não corresponderia ao valor da receita bruta (Coluna C) considerado para a determinação da base de cálculo e recolhimento do imposto, no período de apuração em foco. Ressaltou que tal constatação remeteria à necessidade apontada de verificação dos registros contábeis e respectivos documentos fiscais, concernentes ao período de apuração, os quais não foram juntados aos autos pela interessada. A ausência de tais elementos impossibilitaria exame da apuração da receita bruta e do IRPJ, na contabilidade da interessada, e seu cotejo com o montante efetivamente recolhido, restando assim prejudicada a comprovação do alegado direito creditório. Considerou que as cópias de declarações prestadas à RFB e cálculos demonstrativos juntados à impugnação, embora relevantes, mostraramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos. Concluiu, quanto à declaração de compensação em foco, que o alegado indébito não conteria os atributos necessários de liquidez e certeza, que seriam imprescindíveis para reconhecimento do crédito junto à Fazenda Pública, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). E uma vez não comprovada, nos autos, a existência de direito creditório líquido e certo contra a Fazenda Pública, passível de compensação, caberia o indeferimento do pedido. Notificada da decisão, em 21/02/2011, apresentou recurso voluntário tempestivo (18/03/2011), no qual reproduz as razões de defesa deduzidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Fl. 71DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. O assunto tratado nos presente autos não é inédito neste Órgão Colegiado e esta Turma de Julgamento já apreciou idêntico pedido feito pela mesma pessoa jurídica. Assim, em respeito à economia processual, adoto as razões de decidir da Ilustre Conselheira Ana de Barros Fernandes em voto proferido em sessão de julgamento realizada em 10/04/13, as quais passo a reproduzir: A recorrente, optante pela apuração do Lucro na forma Presumida, pretende por meio de diversos Per/Dcomp alterar o coeficiente de presunção de lucro de 32% para 8º, sob a argumentação de que é prestadora de serviços com emprego de materiais e, por esta circunstância, faz jus ao menor coeficiente, devendoselhe repetir as diferenças de tributos indevidamente recolhidas. Para comprovar o alegado junta ao processo cópia(s) de Nota(s) Fiscal(is) de Prestação de Serviços (receita) emitida para o período (trimestral) e Nota(s) Fiscal(is) de compras de mercadorias de terceiros (para revenda). A tese da recorrente não merece guarida. Como bem explicitado no acórdão vergastado, a recorrente não apresenta documentação hábil para comprovar que faz jus ao coeficiente de 8%, nos termos da legislação tributária vigente, por excepcionada do coeficiente de 32% para apuração de seu Lucro Presumido, coeficiente este determinado pela norma às prestadoras de serviço que optam por este regime de tributação. A norma é clara e expressa: Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004 ) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;( Vide art.29 e art. 41 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) Fl. 72DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.907389/200924 Acórdão n.º 1801001.468 S1TE01 Fl. 4 5 b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. (grifos não pertencem ao original) Pelo teor da norma, as prestadoras de serviços em geral, com ou sem utilização de materiais nos serviços realizados, não foram excepcionadas pela norma de regência do coeficiente de 32%. A legislação tributária excepcionou às prestadoras de serviços a utilização do coeficiente de 8%, de forma expressa, somente para as construtoras civis, ainda assim, que, na modalidade de empreitada, e que utilizam materiais nas edificações, sem o repasse dos custos destes materiais (grifei), o que não é o caso. As excepcionalidades admitidas pela Receita Federal do Brasil foram normatizadas na Instrução Normativa RFB nº 480, de 2004, em razão da natureza dos serviços prestados. Dispõe o artigo 1º, §7º, II, sobre o conceito de construção civil, na modalidade total, o empreeiteiro fornece todos os materiais indispensáveis à sua execução sendo incorporados à obra, o que não inclui os instrumentos de trabalho e materiais utilizados nesta execução (§9º): [...] § 7º Para os fins desta Instrução Normativa considerase: [...] II construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. [...] § 9º Para efeito do inciso II do § 7º não serão considerados como materiais incorporados à obra, os instrumentos de trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra. O Ato Declaratório Normativo nº 06, de 19971, que versa sobre o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal na atividade de construção por empreitada, declara: 1 019 Qual a base de cálculo para as empresas que executam obras de construção civil e optam pelo lucro presumido? O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção civil é de 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, e de 8% (oito por cento) quando se tratar de contratação por empreitada de construção civil, na Fl. 73DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 INa atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a)8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b)32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais. (grifos não pertencem ao original) A recorrente tem como objeto social, consoante a Consolidação das Cláusulas Contratuais de fls. 18 a 20: “IIDO OBJETO SOCIAL A sociedade tem como objetivo o ramo de "Projetos, consultoria, instalações e administração na área de engenharia elétrica e comércio de materiais elétricos em geral". Em nenhum momento dos autos verificase que a recorrente tenha comprovado que opera no ramo de construção civil. A atividade da empresa descrita no Contrato Social, pois, de realizar projetos, consultoria, instalações elétricas e/ou a venda de materiais elétricos não pode ser equiparada a obras de construção civil e, implicitamente, contratadas na modalidade de empreitada, de pronto. Mister é a realização de provas neste aspecto. À receita proveniente da venda de mercadorias, por ser atividade de comércio, deve ser aplicado o coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido, mas a legislação tributária impõe às empresas que exercem atividades mistas (prestadoras de serviços e comércio) o dever de segregarem as receitas de cada atividade para efeito de aplicação do coeficiente pertinente, o que a empresa não comprova ter feito § 2º do artigo 15 da lei nº 9.249/95. A mera apresentação de Nota Fiscal de receitas auferidas e Notas de mercadorias adquiridas de terceiros, que inclusive podem corresponder ao estoque da empresa destinado à venda de mercadorias, na forma isolada apresentadas, sem o devido respaldo na contabilidade, ainda que escriturada de forma resumida, e mais documentos que a embasam, primordialmente eventuais os contratos de empreitadas de edificações, não possui qualquer valor probatório para o fim que a recorrente almeja, ou seja, ser considerada empresa do ramo de construção civil e, por conseguinte, fazer jus ao coeficiente de 8% para a apuração de seu lucro. Cito para robustecer este voto, Soluções de Consultas2, como fonte subsidiária na interpretação da norma tributária, em casos práticos análogos: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM EMPREGO DE MATERIAIS É de 32% o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do imposto de Renda no lucro presumido, na atividade de prestação de serviços de reforma ou modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. http://www.receita.fazenda.gov.br/Publico/perguntao/dipj2011/CapituloXIIIIRPJLucroPresumido2011.pdf 2 PEIXOTO, Marcelo Magalhães (coord) et al, Regulamento do Imposto de Renda Anotado e Comentado 2011, 6ª ed, MP Editora Fl. 74DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.907389/200924 Acórdão n.º 1801001.468 S1TE01 Fl. 5 7 manutenção de motores elétricos com emprego de materiais (SRRF/6ª RF, Solução de Consulta nº 70/05) PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM EMPREGO DE MATERIAL, EXCETO CONSTRUÇÃO CIVIL Aplicase o percentual de 32% sobre a receita bruta das empresas prestadoras de serviços, com emprego ou não de materiais, para apuração do lucro presumido, [...] (SRRF/6ª RF, Solução de Consulta nº 170/03) INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE SISTEMAS DE AR CONDICIONADO E REFRIGERAÇÃO. As atividades de instalação e manutenção de sistemas de ar condicionado e refrigeração, ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, com fornecimento de materiais, não caracterizam obras de construção civil, estando sujeitas as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) para determinar a base de cálculo do IRPJ sob regime de tributação com base no lucro presumido. (SRRF/9ª RF, Solução de Consulta nº 305/06). INSTALAÇÃO, MANUTENÇÃO E EXTRAÇÃO DE DADOS DE EQUIPAMENTOS DE COMUNICAÇÃO E DE CONTROLE DE TRÁFEGO. As atividades de instalação, manutenção e extração de dados de equipamentos de comunicação [...] , ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, com fornecimento de materiais, não caracterizam obras de construção civil, estando sujeitas as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% para determinar a base de cálculo do IRPJ sob o regime de tributação com base no lucro presumido (SRRF/9ª RF, Solução de Consulta nº 94/06) A jurisprudência deste colegiado tem se manifestado no mesmo sentido, ora espelhado no Acórdão, cuja ementa transcrevese3: 140201.027, de 08 de maio de 2012 (2ª TO da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF) LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS SOBRE A RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Regular é a aplicação do coeficiente de 32% para determinação do lucro presumido em r elação a receitas decorrentes de prestação de serviços em geral, tais como: serviços de consultoria, serviços de limpeza, serviço d e locação de containers, serviço de queima de madeira, contrata ção de funcionários, e a autuada não logra comprovar que se tra tou de construção civil com emprego de materiais. Recurso Voluntário Negado. Com relação ao outro tópico aventado pela recorrente, deve ser esclarecido que as empresas que optam pelo regime do Lucro Presumido estão obrigadas, sim, a 3 http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudenciaCarf.jsf Fl. 75DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 manter registros contábeis – ao menos o Livro de Inventário e Livro Caixa com toda a movimentação financeira –, dos quais são apurados os tributos devidos artigo 527 do Regulamento do Imposto de Renda vigente (RIR/99 – Decreto nº 3.000/99): Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único) Outro ponto relevante, é que para a recorrente proceder à retificação das declarações prestadas ao fisco em tempo hábil, é necessário, igualmente, comprovar de forma cabal a existência de erro de fato dos valores originalmente declarados à Administração Tributária (cujos créditos tributários já foram inclusive extintos pelo pagamento). Determina o artigo 11 da Instrução Normativa RFB nº 903/08: DA RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou Fl. 76DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.907389/200924 Acórdão n.º 1801001.468 S1TE01 Fl. 6 9 III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. Para comprovar o erro de fato mister é a apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, repito, ainda que na forma simplificada do Livro Caixa com a movimentação financeira registrada por completo e Inventário (possibilita a verificação do faturamento da empresa e a consequente tributação devida). E o ônus probatório da existência do crédito tributário no caso de pedido de repetição do indébito é da empresa. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Desta forma, há, nos autos, absoluta ausência de provas hábeis para comprovar que os tributos recolhidos à época própria não foram devidos. A recorrente não logra comprovar possuir o crédito que alega no Per/Dcomp objeto deste litígio e que o tributo já recolhido não é devido aos cofres públicos, por fazer jus à utilização do coeficiente de 8% para apuração do Lucro Presumido. Corretos os cálculos dos tributos originalmente recolhidos que incidiram sobre 32% do faturamento da empresa. E no presente caso não há que se falar em qualquer inovação de fundamento nas razões de decidir do acórdão combatido, pois o despacho denegatório fundamentouse justamente na carência de prova da existência do crédito, asseverando que o tributo fora recolhido de forma devida e legalmente exigida, impassível de repetição. Argumento reforçado pela turma julgadora de primeira instância e ora adotado neste decisório para manter tanto o decidido no referido despacho a quo, quanto no acórdão vergastado. No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 78DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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