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Numero do processo: 16327.900547/2008-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 03/09/2003
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS EFETUADOS.
O contribuinte que efetuou pagamento de tributos e contribuições com base no art. 5º da Medida Provisória n° 2.222, de 04 de setembro de 2001, e na Lei n° 10.431, de 24 de abril de 2002, em valor superior ao efetivamente devido, tem direito à restituição ou compensação da parcela comprovadamente paga a maior, de acordo com os procedimentos previstos na legislação tributária federal para os tributos e contribuições federais (ADI SRF nº 17/2007).
DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DO MÉRITO.
Se a autoridade administrativa competente para apreciar o pedido, levantando questão prejudicial, sequer se manifestou sobre a existência do direito creditório, demonstrado o descabimento da prejudicial deve o processo retornar à autoridade competente para apreciá-lo.
Numero da decisão: 2201-004.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo conselheiro (relator), para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 03/09/2003 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS EFETUADOS. O contribuinte que efetuou pagamento de tributos e contribuições com base no art. 5º da Medida Provisória n° 2.222, de 04 de setembro de 2001, e na Lei n° 10.431, de 24 de abril de 2002, em valor superior ao efetivamente devido, tem direito à restituição ou compensação da parcela comprovadamente paga a maior, de acordo com os procedimentos previstos na legislação tributária federal para os tributos e contribuições federais (ADI SRF nº 17/2007). DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DO MÉRITO. Se a autoridade administrativa competente para apreciar o pedido, levantando questão prejudicial, sequer se manifestou sobre a existência do direito creditório, demonstrado o descabimento da prejudicial deve o processo retornar à autoridade competente para apreciá-lo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 03/09/2003 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS EFETUADOS. O contribuinte que efetuou pagamento de tributos e contribuições com base no art. 5º da Medida Provisória n° 2.222, de 04 de setembro de 2001, e na Lei n° 10.431, de 24 de abril de 2002, em valor superior ao efetivamente devido, tem direito à restituição ou compensação da parcela comprovadamente paga a maior, de acordo com os procedimentos previstos na legislação tributária federal para os tributos e contribuições federais (ADI SRF nº 17/2007). DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DO MÉRITO. Se a autoridade administrativa competente para apreciar o pedido, levantando questão prejudicial, sequer se manifestou sobre a existência do direito creditório, demonstrado o descabimento da prejudicial deve o processo retornar à autoridade competente para apreciálo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo conselheiro (relator), para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra – Presidente em exercício e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 05 47 /2 00 8- 20 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 16327.900547/200820 Acórdão n.º 2201004.955 S2C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.950, de 12 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.900498/200825, paradigma deste julgamento. "Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido, a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. O contribuinte alega que efetuou a retenção de forma equivocada de IRRF, tendo em vista que se tratava de entidade de Educação Imune. Por tal razão, não deveria ter feito a retenção do IRRF da instituição que apresentou declaração informando que cumpria os requisitos para fruição da imunidade. Em primeiro grau a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o entendimento de que não poderia apreciar o pedido de compensação, pois se encontrava pendente ação judicial perante o Supremo Tribunal Federal. Considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário." Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.950, de 12 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.900498/200825, paradigma deste julgamento. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 16327.900547/200820 Acórdão n.º 2201004.955 S2C2T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.950, de 12 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2201004.950 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. No caso em tela, verificase que a decisão de primeira instância não entrou no mérito da questão, o que pode ocasionar a malfadada a supressão de instância. Este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais determinou que a análise de mérito referente ao direito creditório deve ser feito pela decisão recorrida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS EFETUADOS NOS TERMOS DO ART. 5º DA MP n° 2.222/ 2001. O contribuinte que efetuou pagamento de tributos e contribuições com base no art. 50 da Medida Provisória n° 2.222, de 04 de setembro de 2001, e na Lei n° 10.431, de 24 de abril de 2002, em valor superior ao efetivamente devido, tem direito à restituição ou compensação da parcela comprovadamente paga a maior, de acordo com os procedimentos previstos na legislação tributária federal para os tributos e contribuições federais (ADI SRF nº 17/2007). DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DO MÉRITO. Se a autoridade administrativa competente para apreciar o pedido, levantando questão prejudicial, sequer se manifestou sobre a existência do direito creditório, demonstrado o descabimento da prejudicial deve o processo retornar à autoridade competente para apreciálo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para anular a decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à DEINF/RJ para, observando o disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 17, de 28 de dezembro de 2005, decidir o pleito. Para que a DRJ analise a regularidade da compensação realizada pela Recorrente, bem como sobre a existência do crédito, com a provas juntadas pelo contribuinte. Sendo assim, e considerando que a decisão de primeiro grau foi proferida levando em consideração a ADIn 18023 e que esta ação já foi julgada, declaro a nulidade da decisão recorrida para que outra seja proferida em seu lugar, analisando se a origem do crédito pleiteado, bem como o direito do contribuinte sobre o crédito pleiteado. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento para cancelar a decisão recorrida para que outra seja proferida." Fl. 78DF CARF MF Processo nº 16327.900547/200820 Acórdão n.º 2201004.955 S2C2T1 Fl. 5 4 Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento para cancelar a decisão recorrida para que outra seja proferida. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.903985/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO NEGADO.
Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior.
Numero da decisão: 2201-004.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO NEGADO. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra – Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.962, de 12 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.903975/200923, paradigma deste julgamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 39 85 /2 00 9- 69 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.903985/200969 Acórdão n.º 2201004.969 S2C2T1 Fl. 3 2 "Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. O contribuinte alega que efetuou a retenção de forma equivocada de IRRF, tendo em vista o preenchimento indevido da DCTF. Diante do equívoco a Recorrente efetuou a retificação da DCTF, informando os valores corretos e a existência do crédito tributário a que teria direito. Em primeiro grau a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o entendimento de que a Recorrente deveria ter apresentado cálculos a fim de demonstrar a composição do erro com as respectivas explicações, se o valor errado foi descontado na folha de salários e constou no Informe de Rendimentos. Considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário." Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.962, de 12 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.903975/200923, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.962, de 12 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2201004.962 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo mantendo integralmente os termos do despacho decisório que não homologou o crédito de IRRF para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Não verifico razões para a reforma do julgado, que se baseou nos elementos de prova juntados pelo contribuinte que teve assegurado o devido processo legal e Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.903985/200969 Acórdão n.º 2201004.969 S2C2T1 Fl. 4 3 contraditório, inclusive podendo ter juntado novos documentos na época para comprovar a existência do direito creditório. No presente caso, o Despacho Decisório não homologou a compensação em razão de o crédito a ser compensado estar alocado como pagamento de débito confessado na DCTF original. Após a emissão do Despacho Decisório, a DCTF foi retificada para se excluir tal débito e se caracterizar o recolhimento em questão como indevido/a maior. A apresentação de DCTF constituise em obrigação acessória. Entretanto, uma vez apresentada, o contribuinte comunica a existência de crédito tributário, confessando a dívida (DecretoLei n° 2.124, de 1984, art. 5°, § 1°). Destarte, o Despacho Decisório foi validamente emitido, eis que havia débito confessado correspondente ao valor recolhido em DARF. Resta perquirir se sua eficácia permanece, em face da posterior retificação da DCTF. A simples apresentação das DCTFs original e retificadora, ainda que acompanhadas de DARF, não se constitui em prova do alegado erro de fato. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame das DCTFs (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II2; e IN RFB n° 903, de 2008, art. 11, §2°, III). Nesse ponto, adoto como razões de decidir excerto dessa Turma da lavra do I. Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim AC. 2201 004.437 j. 04/04/18, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2004 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (...) omissis Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10880.903985/200969 Acórdão n.º 2201004.969 S2C2T1 Fl. 5 4 A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portanto, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário prová lo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. (...) Sendo assim, ante a falta de comprovação dos créditos a que alega ter direito, não há como concluir pela legitimidade do crédito. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso e negolhe provimento." Diante do exposto, conheço do recurso e negolhe provimento. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10880.903985/200969 Acórdão n.º 2201004.969 S2C2T1 Fl. 6 5 Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.904463/2008-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 20/08/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 2201-004.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 20/08/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
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NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 44 63 /2 00 8- 65 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 16327.904463/200865 Acórdão n.º 2201004.886 S2C2T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.880, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.904487/200814, paradigma deste julgamento. "Acórdão nº 2201004.880 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. O contribuinte alega que efetuou a retenção de forma equivocada de IRRF sobre operações de ganho de capital em operação de compra e venda em bolsa de valores pois considerou diversas empresas investidoras não residentes e situadas em países com tributação favorecida (paraíso fiscal). Aduz que houve erro, pois de acordo com a IN 188/02 as empresas situadas em Luxemburgo que não sejam constituídas na forma de Holding Company não estão sujeitas a retenção do IRRF e, portanto o pagamento do tributo foi compensado. A Delegacia da Receita de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte sob o fundamento em síntese de falta de comprovação dos documentos societários constitutivos da empresa investidora para não ter o tratamento de holding company na forma da legislação luxemburguesa, sendo que considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para este Conselheiro. É o que havia para ser relatado." Fl. 150DF CARF MF Processo nº 16327.904463/200865 Acórdão n.º 2201004.886 S2C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.880, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.904487/200814, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.880, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: "Acórdão nº 2201004.880 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, o conheço. Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo mantendo integralmente os termos do despacho decisório que não homologou o crédito de IRRF para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. No presente recurso o contribuinte questiona além do fato de existir provas de que a empresa investidora não era à época dos fatos holding company para se inserir na regra de retenção do IRRF, argumenta também sobre a existência de erro de fato. Contudo não foi enfrentada no acórdão da decisão da DRJ e não dedicada nem uma só linha sequer sobre o assunto do erro de fato muito embora seja ela essencial ao deslinde desta lide administrativa e tenha constado na manifestação de inconformidade do contribuinte. O contribuinte destaca em seu recurso e na manifestação de inconformidade tanto o tema quanto a ocorrência de erro de fato quanto a questão da comprovação da natureza societária em Luxemburgo da empresa investidora. Contudo, pela análise da decisão de piso, verifico que apenas a questão sobre a natureza societária da empresa investidora, no caso a comprovação se era a época dos fatos, holding company, foi objeto de decisão de primeiro grau, deixando a C. Turma do colegiado a quo de se manifestar em relação a questão do erro de fato, que foi objeto de capítulo exclusivo na manifestação de inconformidade do contribuinte. Portanto, nesse caso, de ofício e de forma preliminar entendo que para evitar supressão de instância devido ao fato da DRJ não ter analisado essa questão quanto ao erro de fato, levantada pelo contribuinte desde a manifestação de inconformidade e também em recurso voluntário, entendo que houve preterição ao direito de defesa de acordo com art. 59, II do Decreto 70.235/72 devendo ser anulada a r. decisão recorrida para que a DRJ a analise, ressalvado ao Fl. 151DF CARF MF Processo nº 16327.904463/200865 Acórdão n.º 2201004.886 S2C2T1 Fl. 5 4 contribuinte, posteriormente o recurso em relação aos demais itens não abordados nessa decisão. Com efeito, os demais argumentos trazidos no recurso ficam prejudicados quanto a sua análise em vista das razões acima, sendo que ficam ressalvados em caso de necessidade de posterior análise após nova decisão da DRJ. Conclusão Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo." Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.008428/2001-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1987
VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE TROCA DE EMPREGO.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. PLANO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA
NÃO CARACTERIZADO.
Os montantes pagos por pessoa jurídica a seus empregados, a título de incentivo à adesão a Programas de Demissão Voluntária PDV, são tratados como verbas rescisórias especiais de caráter indenizatório, não se sujeitando à incidência do imposto de renda na fonte nem na Declaração de Ajuste Anual.
A verba isenta é o montante que, pago ao empregado dispensado, tenha natureza de ressarcimento pela perda do emprego, destinando-se a propiciar meios para que ele enfrente as dificuldades dos primeiros momentos, enquanto busca novo emprego ou outro meio de subsistência.
Na hipótese, a demissão do empregado vinculou-se à sua imediata
recolocação profissional em outra empresa, com igual salário e atribuições.
Numero da decisão: 2101-001.835
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1987 VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE TROCA DE EMPREGO. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. PLANO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA NÃO CARACTERIZADO. Os montantes pagos por pessoa jurídica a seus empregados, a título de incentivo à adesão a Programas de Demissão Voluntária PDV, são tratados como verbas rescisórias especiais de caráter indenizatório, não se sujeitando à incidência do imposto de renda na fonte nem na Declaração de Ajuste Anual. A verba isenta é o montante que, pago ao empregado dispensado, tenha natureza de ressarcimento pela perda do emprego, destinando-se a propiciar meios para que ele enfrente as dificuldades dos primeiros momentos, enquanto busca novo emprego ou outro meio de subsistência. Na hipótese, a demissão do empregado vinculou-se à sua imediata recolocação profissional em outra empresa, com igual salário e atribuições.
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INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. PLANO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA NÃO CARACTERIZADO. Os montantes pagos por pessoa jurídica a seus empregados, a título de incentivo à adesão a Programas de Demissão Voluntária PDV, são tratados como verbas rescisórias especiais de caráter indenizatório, não se sujeitando à incidência do imposto de renda na fonte nem na Declaração de Ajuste Anual. A verba isenta é o montante que, pago ao empregado dispensado, tenha natureza de ressarcimento pela perda do emprego, destinandose a propiciar meios para que ele enfrente as dificuldades dos primeiros momentos, enquanto busca novo emprego ou outro meio de subsistência. Na hipótese, a demissão do empregado vinculouse à sua imediata recolocação profissional em outra empresa, com igual salário e atribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ Fl. 185DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física por suposta retenção indevida na fonte no valor de CZ$ 87.500,00 (fls. 1). O contribuinte justifica seu pedido informando que, em 1986, era empregado da IBM Brasil, a qual, visando a otimizar seu quadro funcional, promoveu um programa de desligamento voluntário, programa este aplicável a funcionários elegíveis que quisessem se desligar daquela empresa para se dedicar a outras atividades, mediante o recebimento de indenização. Esclarece ter aderido ao citado programa, tendose desligado efetivamente da IBM Brasil em 31.5.1986. No pagamento da rescisão contratual, complementa, a empresa foi obrigada a reter na fonte o imposto sobre a renda, incluído aí aquele incidente sobre as verbas indenizatória e compensatória, retenção essa, a seu ver, incabível. Diante disso, pede a restituição do valor do imposto sobre a renda na fonte incidente sobre a verba de CZ$ 206.072,68, recebido a título de incentivo à demissão voluntária. O pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal em Curitiba, a qual entendeu que, na data do pedido, já havia ocorrido a decadência (vide Despacho Decisório às fls. 28). Contra a decisão, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 31 a 40), na qual, refazendo todo o histórico do processo, reafirma a não ocorrência da decadência do seu direito de pleitear a restituição, com base no Parecer Cosit n.° 58/98 e volta a pedir a restituição à qual entende ter direito. A 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) indeferiu a solicitação, por meio do Acórdão DRJ/CTA N.° 4.232, de 12.8.2003 (fls. 42 a 45), acolhendo o voto da Relatora, que assim concluiu: “À vista do exposto, verificase a fluência de prazo superior a cinco anos entre o recolhimento indevido e a data da formalização do pedido, e uma vez que os critérios para tal verificação estão explicitamente definidos no Ato Declaratório SRF n.° 096, de 26 de novembro de 1999, deve ser indeferida a solicitação, em face da decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição.” Inconformado, o interessado interpôs Recurso Voluntário, no qual pede a reforma da decisão administrativa de primeira instância. Repisando seu entendimento quanto à inocorrência da decadência, reitera seus argumentos e volta a pedir a restituição. A 6.ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes apreciou o pleito e, em 14 de abril de 2005, proferiu o Acórdão n.° 10614.482, que, determinando a remessa dos autos Fl. 186DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.008428/200157 Acórdão n.º 2101001.835 S2C1T1 Fl. 2 3 à Delegacia da Receita Federal de origem, para análise do pedido, contou com a seguinte ementa: PDV – PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO POR APOSENTADORIA INCENTIVADA – RESTITUIÇÃO PELA RETENÇÃO INDEVIDA – DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA INAPLICÁVEL. O início da contagem do prazo de decadência do direito de pleitear a restituição dos valores pagos, a título de imposto de renda sobre o montante recebido como incentivo pela adesão a Programa de Desligamento Voluntário – PDV, deve fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o seu direito ao benefício fiscal. Decadência afastada. A Fazenda Nacional, por seu Procurador, interpôs Recurso Especial contra o referido Acórdão (fls. 64 e seguintes), entendendo haver divergência entre ele e o Acórdão n.° 10244.236, proferido pela 2.ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Por meio do Despacho n.° 106094/2005, de 4 de julho de 2005 (fls. 83 a 86), o Presidente da Sexta Câmara do Conselho de Contribuintes negou seguimento ao Recurso Especial, decisão contra a qual o representante da Fazenda Nacional interpôs Agravo Regimental ao Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 87 a 99), solicitando o reexame da admissibilidade do recurso. A Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais rejeitou o Agravo, por entender não ter ocorrido, no caso, o alegado dissídio jurisprudencial (fls. 102 a 104). Os autos foram então encaminhados para a Delegacia da Receita Federal em Curitiba, a qual intimou o interessado a apresentar documentos que comprovassem os rendimentos recebidos da IBM Brasil, informando o montante de rendimentos tributáveis, tributados exclusivamente na fonte, isentos e não tributáveis, além do IRRF referente ao ano calendário 1986 (fls. 106 e 107). No mesmo ato, intimou ainda o interessado a apresentar cópia de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 1987, acompanhada da documentação comprobatória das informações nela contidas, cópia da regulamentação do PDV, do Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho, da Carteira de Trabalho com os registros atualizados à época dos fatos, documentação comprobatória da adesão ao PDV e quaisquer outros documentos que pudessem comprovar os fatos alegados. O interessado manifestouse surpreso com a exigência e apresentou razões às fls. 109 a 110. A Delegacia da Receita Federal em Curitiba intimou, então, a IBM Brasil a apresentar o comprovante dos rendimentos tributáveis pagos ao interessado, assim como os tributados exclusivamente na fonte, isentos e não tributáveis, além do IRRF e informar o valor efetivamente pago a título de incentivo à demissão voluntária, a data em que ocorreu o pagamento e o IRRF correspondente, assim como apresentar cópia do regulamento do Programa de Separação vigente na época dos fatos (fls. 111 com retificação às fls. 115). Fl. 187DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Foram anexados os documentos às fls. 116 a 121 e, em seguida, cópia do Plano de Separação às fls. 123 a 128. Por meio do Despacho Decisório juntado às fls. 130 a 137 dos autos, a Delegacia da Receita Federal em Curitiba indeferiu o direito creditório, alegando não haver previsão legal para isenção na hipótese de desligamento condicionado à contratação concomitante em outra empresa, sem prejuízo de atribuições ou salário, ainda que voluntário. Contra essa decisão foi apresentada Manifestação de Inconformidade (fls. 140 a 143), mas a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba, por meio do Acórdão n.° 0622.359, da 4.ª Turma, decidiu não conhecer da impugnação, de acordo com a ementa que, a seguir, transcrevese: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 1986 REEXAME DE MÉRITO. PROLATAÇÃO DE NOVA DECISÃO. DESCABIMENTO. Incabível a expedição de novo acórdão para reexame de mérito e prolatação de nova decisão quando não cogitada a nulidade do julgamento efetuado de acordo com a legislação de regência, não se evidenciando hipótese legal que demandasse sua retificação. Impugnação não conhecida. Não se resignando, o interessado interpôs Recurso Voluntário (fls. 152 a 157), no qual pede a reforma da decisão, reiterando os argumentos anteriormente suscitados em favor da restituição do imposto que entende indevidamente retido, eis que descontado das verbas inerentes a Programa de Demissão Voluntária. Confirma sua participação no PDV promovido pela IBM Brasil, que, afirma, comprovou tudo por meio de documentos. Após apreciação do pleito, a Primeira Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais fez exarar o Acórdão n.° 2101 00.400 (fls. 159 a 161), que deliberou por anular a decisão de primeira instância para que, superada a preliminar de decadência, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento se manifestasse sobre as questões de mérito. Vejamos a ementa da decisão: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 1987 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NULIDADE Os julgadores de primeira instância devem referirse expressamente a todas as razões de defesa suscitadas pela impugnante contra todas as exigências. O ato administrativo ilegal não produz qualquer efeito válido entre as partes, pela evidente razão deque não se pode adquirir direitos contra a lei. A nulidade reconhecida, seja pela Administração Pública ou pelo Poder Judiciário, operase ex tunc, isto é retroage às suas Fl. 188DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.008428/200157 Acórdão n.º 2101001.835 S2C1T1 Fl. 3 5 origens e alcança todos os seus efeitos passados, presentes e futuros em relação às partes, só se admitindo exceção para com os terceiros de boafé, sujeitos às suas conseqüências reflexas. Anulase o acórdão de primeira instância. Com isso, os autos retornaram à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba para que fosse proferida nova decisão, o que aconteceu em 19 de abril de 2011, quando foi emitido o Acórdão n.° 0631.288, da 4.ª Turma, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1986 PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO PDV. A hipótese de desligamento em face de programa de separação para criação de nova empresa em associação com outra, condicionado a contratação concomitante nessa nova empresa, ainda que voluntário, não encontra amparo nas disposições da Instrução Normativa SRF nº 165 de 1998. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Mais uma vez, não se conformando com a decisão proferida, o interessado interpôs Recurso Voluntário, no qual deduz os mesmos argumentos anteriormente suscitados. Volta a pedir seja julgado procedente seu pedido de restituição, por entender tratarse de imposto indevidamente retido, tendo em vista que apurado sobre verbas inerentes a Programa de Desligamento Voluntário. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário, tempestivo, atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. Com fundamento no Estatuto do Idoso, Lei n.° 10.741, de 2003, o interessado pede prioridade no trâmite deste processo, tendo em vista ter completado 60 anos (fls. 113). Trata o presente de pedido de restituição de imposto sobre a renda supostamente retido de forma indevida em decorrência de pagamento feito por IBM Brasil ao interessado, pessoa física, que diz que, em 1986, era empregado dessa empresa. Alega o recorrente ter havido retenção indevida de imposto sobre a renda na fonte, por entender que as verbas pagas a título de incentivo ao desligamento voluntário, conforme Programa instituído na Fl. 189DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 ocasião, posto à disposição de todos os empregados que se enquadrassem em suas condições, seria uma verba indenizatória, isenta, portanto, daquele tributo. O recorrente diz ter sido retido indevidamente o valor de CZ$ 87.500,00, incidente sobre um montante pago pela IBM Brasil. Sem dar notícia de retenção de imposto sobre a renda na fonte, a empresa informou, inicialmente, ter pago ao exempregado o montante de CZ$ 206.072,68, a título de “incentivo” por adesão a “programa de separação” (fls. 16). Posteriormente, a mesma pessoa jurídica esclareceu que, em 2.6.1987, o recorrente recebeu “verbas de incentivo no valor total de CZ$ 118.427,33 e líquido de rescisão de CZ$ 21.924,98” (fls. 116). A Secretaria da Receita Federal, por meio do Ato Declaratório SRF n.º 3, de 7 de janeiro de 1999, reconheceu que “os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados, a título de incentivo à adesão a Programas de Desligamento Voluntário PDV, considerados, em reiteradas decisões do Poder Judiciário, como verbas de natureza indenizatória, e assim reconhecidos por meio do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1278/98, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda em 17 de setembro de 1998, não se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte nem na Declaração de Ajuste Anual”. As verbas isentas em decorrência de adesão a programa de demissão voluntária são, portanto, aquelas assim consideradas em reiteradas decisões do Poder Judiciário; são as que têm por objetivo reparar o prejuízo causado ao empregado que decide se filiar a tal programa, abrindo mão da segurança que o emprego lhe proporciona e arriscandose a obter ou não uma nova colocação no mercado de trabalho, ou a não obtêla de imediato. Vejamos o entendimento da 1.ª Turma do STJ ao julgar o REsp 126767/SP: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. SUA INCIDÊNCIA SOBRE AS QUANTIAS RECEBIDAS, PELO EMPREGADO EM FACE DA RESCISÃO CONTRATUAL INCENTIVADA. DESCABIMENTO (ART. 43 DO CTN). Na denúncia contratual incentivada, ainda que com o consentimento do empregado, prevalece a supremacia do poder econômico sobre o hipossuficiente, competindo, ao Poder Público e, especificamente, ao Judiciário, apreciar a lide de modo a preservar, tanto quanto possível, os direitos do obreiro, porquanto, na rescisão do contrato não atuam as partes com igualdade na manifestação da vontade. No programa de incentivo à dissolução do pacto laboral, objetiva a empresa (ou órgão da administração pública) diminuir a despesa com a folha de pagamento de seu pessoal, providência que executaria com ou sem o assentamento dos trabalhadores, em geral, e a aceitação, por estes, visa a evitar a rescisão sem justa causa, prejudicial aos seus interesses. O pagamento que se faz ao operário dispensado (pela via do incentivo) tem a natureza de ressarcimento e de compensação pela perda do emprego, além de lhe assegurar o capital necessário para a própria manutenção e de sua família, durante certo período, ou, pelo menos, até a consecução de outro trabalho. A indenização auferida, nestas condições, não se erige em renda, na definição legal, tendo dupla finalidade: ressarcir o dano causado e, ao menos em parte, previdencialmente, propiciar meios para que o empregado despedido enfrente as dificuldades dos primeiros momentos, destinados à procura de emprego ou de outro meio de subsistência. O “quantum” recebido tem feição previdenciária, além da ressarcitória, constituindo, Fl. 190DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.008428/200157 Acórdão n.º 2101001.835 S2C1T1 Fl. 4 7 desenganadamente, mera indenização, indene à incidência do tributo. Recurso provido. Decisão por maioria. (g.n.) (STJ, Primeira Turma, REsp 126767/SP. Relator: Min. Demócrito Reinaldo. Data: 3.11.1997, DJ 15.12.1997). Com base nesta e em outras decisões no mesmo sentido é que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional emitiu o Parecer PGFN/CRJ n.° 1.278, de 1998, no qual recomenda sejam autorizadas pelo Sr. ProcuradorGeral da Fazenda Nacional a dispensa e a desistência dos recursos cabíveis nas ações judiciais que versem exclusivamente a respeito da incidência ou não de imposto de renda na fonte sobre as indenizações convencionais nos programas de demissão voluntária, inexistindo qualquer outro fundamento relevante. Na presente hipótese, o recorrente alega ter participado de programa de demissão voluntária, denominado “programa de separação”, instituído pela IBM Brasil em 1986 e, em troca da adesão, ter recebido verbas isentas da tributação do imposto sobre a renda. O “programa de separação” ao qual alude o recorrente está explicitado às fls. 123 a 128, nos documentos intitulados “Pessoal” e “Informações Detalhadas – Proposta de Emprego na Gerdau Serviços de Informática S.A.”. No bojo do primeiro documento, encontra se a informação que a “IBMBrasil, dentro de seu Programa de Parceria para o Desenvolvimento, está se associando (nesta data) ao Grupo Gerdau na criação da Empresa Gerdau Serviços de Informática S.A.”. Ficou ali consignado que: “A estrutura básica inicial da GSI será formada a partir da Organização CSD da IBM, devendo, a partir de 01/06/86, ser transferida a execução dos serviços contratados por nossos clientes, os equipamentos e, voluntariamente, o pessoal envolvido. Até aquela data seremos responsáveis pelos os serviços (sic) prestados a nossos clientes.” Depreendese, do texto, que os empregados envolvidos na execução dos serviços de informática contratados pelos clientes da IBM Brasil, que assim quisessem, podiam transferirse para a empresa Gerdau Serviços de Informática S.A, criada a partir da associação da própria IBM Brasil com o Grupo Gerdau, pois que para a nova empresa transferiuse a execução dos serviços contratados pelos clientes da IBM Brasil. No documento denominado “Pessoal” consta ainda às fls. 125: “A nova Empresa nos autorizou a lhe fazer uma oferta de emprego nas seguintes condições: a. emprego com responsabilidades semelhantes e salário inicial igual ao que estiver percebendo na IBM na data da rescisão contratual.” Sendo assim, aqueles empregados da IBM Brasil, desde que envolvidos na execução dos serviços de informática, querendo, podiam desligarse dessa empresa, por meio do programa instituído, para serem imediatamente contratados pela Gerdau Serviços de Informática S.A. para desempenhar as mesmas tarefas, com igual salário. Concluise, da análise da documentação apresentada, que o “programa de separação” ao qual o contribuinte afirma terse filiado contempla uma mera troca de emprego: Fl. 191DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 o empregado sai da IBM Brasil para, de imediato, assumir igual função, com o mesmo salário, na Gerdau Serviços de Informática. Não estamos, portanto, falando da perda do emprego; não há aqui insegurança, não existe o perigo de o empregado ficar algum tempo sem prover o sustento de sua família. O recorrente, ao aderir ao “plano de separação”, não se arriscou a enfrentar qualquer dificuldade nesse sentido; não teve que procurar novo emprego ou outro meio de subsistência, pois isso já lhe houvera sido assegurado por meio da garantia de imediata recolocação profissional, com iguais atribuições e salário, na Gerdau Serviços de Informática. Não houve, no caso, necessidade de reparação ao empregado pela perda do vínculo com a IBM Brasil, haja vista que a própria condição de adesão ao “programa de separação” foi a aceitação de imediata recolocação profissional, agora na empresa recém criada (Gerdau), com “responsabilidades semelhantes e salário inicial igual ao que estiver percebendo na IBM na data da rescisão contratual”. Sendo assim, a verba ou “incentivo” recebido pelo recorrente pela adesão ao “programa de separação” da IBM Brasil não se insere, a meu ver, na definição de verba indenizatória isenta do imposto sobre a renda. A propósito, este colegiado já se manifestou a respeito da tributação das verbas recebidas pela adesão do empregado a programas que, mesmo visando o seu desligamento voluntário da empresa, asseguramlhe nova contratação, tendo assim decidido: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 1997 PLANO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA DESCARACTERIZAÇÃO O desligamento, ainda que voluntário, seguido de nova contratação para atender exigências formais trabalhistas afasta o dano moral e material compensados pelas verbas típicas de PDV. (CARF, 2.ª Seção, 1.ª Câmara, 1.ª Turma Ordinária, Acórdão n.º 2101000.395, de 4.12.2009) Salientase, por fim, que não é possível aplicar a interpretação extensiva à legislação que outorga isenções. Pelo contrário, esta deve ser interpretada restritivamente, ou “literalmente”, nos termos do artigo 111 do Código Tributário Nacional: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. (g.n.) Sendo assim, entendo que não merece reparos a decisão a quo. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.008428/200157 Acórdão n.º 2101001.835 S2C1T1 Fl. 5 9 Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 193DF CARF MF Impresso em 02/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 08/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10865.001901/2003-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 3401-00.112
NORMAS PROCESSUAIS - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO -PROCEDÊNCIA - RERRATIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO.
Confirmada a contradição no acórdão, outro deve ser proferido na devida forma, para sanar o defeito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - INTERPOSIÇÃO DE
PESSOA.
A determinação dos rendimentos omitidos, tomando por base depósitos bancários de origem não comprovada, deve ser efetuada em relação a terceiro quando restar comprovado pelo fisco que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento lhe pertencem.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI
A autoridade administrativa não compete rejeitar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade da mesma, por se tratar de matéria, de competência do Poder .Indiciário, com atribuição determinada pelo artigo 102,I, a, e III, b, da Constituição Federal.
IRPF - LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS -SIGILO BANCÁRIO - PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE -LEGISLAÇÃO QUE! AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO -INAPLICABILIDADE
O sigilo bancário tem por finalidade a proteção contra a divulgação ao público dos negócios das instituições financeiras e seus clientes. A partir da prestação, por parte das instituições financeiras, das informações e documentos solicitados pela autoridade tributária competente, como autorizam a L.C. n" 105, de 2001, e o art. 197, II do Cl X. o sigilo bancário não é quebrado, mas, apenas, se transfere à responsabilidade da autoridade administrativa solicitante e dos agentes fiscais que a eles tenham o acesso no restrito exercício de suas funções, que não poderão violar, salvo as ressalvas do parágrafo único do art. 198 e do art. 199, ambos do CTN. como prevê o inciso XXXIII do art.. 5" da Constituição Federal, sob pena de incorrerem era infração administrativa e em crime. A norma que disciplina o procedimento de fiscalização em si, c não os fatos econômicos investigados, aplica-se na apuração dos fatos geradores a ela pretéritos.
IRPF - LANÇAMENTO COM BASE FM DEPÓSITOS BANCÁRIOS -PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo,
ÔNUS DA PROVA.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é tio contribuinte, cabe a ele a prova, tia origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações.
PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE EXAÇÃO PISCAI
Estando a exação em conformidade com as normas legais, e, tratando-se de dispositivos vigentes cuja inconstitucionalidade não foi declarada pelo Supremo Tribunal Federal, cabe aos órgãos da Administração Pública a observância e aplicação dos mandamentos por cia veiculados.
PEDIDO DE PERÍCIA - CERCEAMENTO DE DIREITO DF DEFESA
A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando as entender necessárias, indeferindo, fundamentadamente, aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis, não se configurando cerceamento de direito de defesa o indeferimento fundamentado (art. 18, do Dec nº 70.2.35, de 1972, com a redação dada pelo art.1º da Lei n° 8.748, de 1993).
MULTA DE OFÍCIO - MAJORAÇÃO DO PERCENTUAL NECESSIDADE DE CONFIGURAÇÃO DE SITUAÇÃO QUALIFICADORA
Cabe a penalidade qualificada quando demarcada a existência das condutas descritas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1964, que exigem do sujeito passivo a prática de dolo, ou seja, a deliberada intenção de obter o resultado que seria o impedimento ou retardamento da ocorrência do lato gerador, ou a exclusão ou modificação das suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.
Embargos Acolhidos.
Preliminares Rejeitadas..
Recurso Voluntário Negado..
Numero da decisão: 2101-000.929
Decisão: Acordam os membros Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração opostos para sanar a contradição apontada no Acórdão nº 3401-00.112, de 02 de junho de 2009, e rerratifica-lo a lira de alterar o dispositivo para. "Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao
recurso voluntario", nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Ana Neyle Olimpio Holanda
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ementa_s : Imposto sobre a Renda Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 3401-00.112 NORMAS PROCESSUAIS - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO -PROCEDÊNCIA - RERRATIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. Confirmada a contradição no acórdão, outro deve ser proferido na devida forma, para sanar o defeito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. A determinação dos rendimentos omitidos, tomando por base depósitos bancários de origem não comprovada, deve ser efetuada em relação a terceiro quando restar comprovado pelo fisco que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento lhe pertencem. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI A autoridade administrativa não compete rejeitar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade da mesma, por se tratar de matéria, de competência do Poder .Indiciário, com atribuição determinada pelo artigo 102,I, a, e III, b, da Constituição Federal. IRPF - LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS -SIGILO BANCÁRIO - PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE -LEGISLAÇÃO QUE! AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO -INAPLICABILIDADE O sigilo bancário tem por finalidade a proteção contra a divulgação ao público dos negócios das instituições financeiras e seus clientes. A partir da prestação, por parte das instituições financeiras, das informações e documentos solicitados pela autoridade tributária competente, como autorizam a L.C. n" 105, de 2001, e o art. 197, II do Cl X. o sigilo bancário não é quebrado, mas, apenas, se transfere à responsabilidade da autoridade administrativa solicitante e dos agentes fiscais que a eles tenham o acesso no restrito exercício de suas funções, que não poderão violar, salvo as ressalvas do parágrafo único do art. 198 e do art. 199, ambos do CTN. como prevê o inciso XXXIII do art.. 5" da Constituição Federal, sob pena de incorrerem era infração administrativa e em crime. A norma que disciplina o procedimento de fiscalização em si, c não os fatos econômicos investigados, aplica-se na apuração dos fatos geradores a ela pretéritos. IRPF - LANÇAMENTO COM BASE FM DEPÓSITOS BANCÁRIOS -PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo, ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é tio contribuinte, cabe a ele a prova, tia origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE EXAÇÃO PISCAI Estando a exação em conformidade com as normas legais, e, tratando-se de dispositivos vigentes cuja inconstitucionalidade não foi declarada pelo Supremo Tribunal Federal, cabe aos órgãos da Administração Pública a observância e aplicação dos mandamentos por cia veiculados. PEDIDO DE PERÍCIA - CERCEAMENTO DE DIREITO DF DEFESA A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando as entender necessárias, indeferindo, fundamentadamente, aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis, não se configurando cerceamento de direito de defesa o indeferimento fundamentado (art. 18, do Dec nº 70.2.35, de 1972, com a redação dada pelo art.1º da Lei n° 8.748, de 1993). MULTA DE OFÍCIO - MAJORAÇÃO DO PERCENTUAL NECESSIDADE DE CONFIGURAÇÃO DE SITUAÇÃO QUALIFICADORA Cabe a penalidade qualificada quando demarcada a existência das condutas descritas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1964, que exigem do sujeito passivo a prática de dolo, ou seja, a deliberada intenção de obter o resultado que seria o impedimento ou retardamento da ocorrência do lato gerador, ou a exclusão ou modificação das suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Embargos Acolhidos. Preliminares Rejeitadas.. Recurso Voluntário Negado..
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decisao_txt : Acordam os membros Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração opostos para sanar a contradição apontada no Acórdão nº 3401-00.112, de 02 de junho de 2009, e rerratifica-lo a lira de alterar o dispositivo para. "Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntario", nos termos do voto da Relatora.
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DA 3 SEÇÃO DE :i Ui ,GAMENTO Assunto: Imposto sobre a Renda Pessoa Fisica - TRPP Exercício: 1999 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N' 3401-00112 NOR MAS PROCESSUAIS -- EMBARGOS DE Dr CIARACÃO PROGIq*N(l'IA — RERRATIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO.. Con firmada a contradição no acórdao, outro deve ser pro ferido na devida forma, para sanar o &Rao.. PROCESS() ADMINISTRATIVO FISCAL - INTERPOSIÇÃO DE P FSSOA, A determinação dos rendimentos omitidos, tomando por base depósitos bancários de origem não comprovada, deve ser efetuada em relação a terceiro quando restar comprovado pelo Cisco que os valores creditados na conta de deposito ou de investimento lhe pertencem. INCONSTITUCIONALID.ADE DE LEI„ autoridade administrativa não compete rejeitar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade da mesma, por se tratar de matéria de competência do Poder Judiciário, com atribuição determinada peak) artigo 102, I, a, e Ill, b, da Constituição Federal. IRPF — LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - SIGII..,0 BANO ARIO - PRINCIPIO DA ANTERIORIDADE, - LEGISLAÇÃo QUE AMPIAA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO — INAPLIC.ABILIDADEt - O sigilo bancário te mn. por finalidade a proteção contra a divulgação ao público dos negócios das instituições financeiras e seus clientes. A. partir da prestação, por parte das instituições financeiras, das intOrmações e documentos solicitados pela autoridade tributdria competone, como autorizam a L..C. IV 105, de 2001., e o art. 197, Ii do C' EN, o sigilo bancário nulo é quebrado, mas, apenas, se transfere a responsabilidade da autoridade administrativa solicitante e dos agentes fiscais que a eles tenham o acesso no restnto exercício de suas funções, que não poderão violar, salvo as ressalvas do pal-Agrafo único do art. 198 e do art. 199, ambos do CTN, como prevê o inciso XXXIII do art.. 5" da Constituição Federal, sob pena de incorrerem em. infração administrativa e em crime.. A nonna que disciplina o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos económicos investigados, aplica-se na apuração dos linos geradores a Oa pretéritos. fRPE - L.A.N(AMEN'IO COM BASE EM DE.POSITOS BANCÁRIOS - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os latos geradores ocorridos a partir de 1" de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei 0 9.430, de .1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos corn base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo, ONUS DA PROVA. Se o onus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova. da origem dos recursos utilizados para acobertai seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. . PRINCÍPIOS DA PROPORGONALIDADE E DA RAZOABILIDA.D.E A.M:,. -A0 FISCA.1 Estando a exação em conformidade com as normas legais, e, tratando-se de dispositivos vigentes Cuja inconstitucionalidade não Foi declarada pelo Supremo Tribunal Federal, eke aos órgãos da Administracao Pública a observancia e aplicação dos mandamentos por ela veiculados.. PEDIDO DE PELÚCIA - (.-.ERCEAMENFLO DE DI.R.EITO DE DEFESA. A autoridade julgadora de primeira instancia deterrainz.trá, de oficio ou a requerimeato do impugnante, a realização de diligências au pericias, quando as entender necessárias, indeférindo, fundamentadamente, aquelas que considerar prescindíveis ou impraticaveis, não se configurando cerceamento de direito d.e defesa o indeferimento fundamentado (art.. 18, do Dec. n u 70.235, de 1972, com a redação dada pelo nit. 10 da Lei « 8348, de 1993). MU LTA [)E OFÍCIO .M.AJORÃO0 1)0 PERCENTU , NECESSIDADE DE CONFIG t J RACÃO DL SITUA( AO QUALIFICADORA.. Cabe a penalidade qualificada quando demarcada a existência das condutas descritas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei 4.502, de 1964, que exigem do sujeito passivo a prática de (1010, Olt seja, a deliberada intenção de obter o resultado que seria o impedimento ou retardamento da ocorrencia do fato gerador, ou a exclusão ou modificação das suas características essenciais, de ..inodo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou Meiji o seu pagamento. Embargos Acolhidos. , 2 01--t9st rc‘ EYLE OLIMI 0 HOLANDA occ::;so ri" 1086 5 001901/2003-53 S2-C II 1 Aci d n 2101-00.929 I--; I 322 Preliminares Rejeitadas.. Recurso .Voluntário Negado.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros Colegiado, por unaniinidade de votos, ern acolher os Embargos de Declaração opostos para sanar a contradição apontada no Acórdão nú 3401.- 00.112, dc 02 de _junho de 2009, e rerratifica-lo a lira de alterar o dispositivo para. "Par unanimidade de votos, rejeitat as preliminares e, no mérito, NF.GAR PROVIMENTO ao iccurso voluntario", nos termos do voto da Rclatofan Relatora 1 1 FBI 2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ana Neyle 0] impio Holanda, Caio Marcos Candid°, Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos, °chit- Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata-se de processo retornado à pauta dc julgamento, em razão de Embargos de Declaração, interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional. o Relatório. Voto Conselheira Ana. Neyle Olimpio Holanda Os Embargos de Declaração atendem aos requisitos para sua admissibilidade, deles tomo conhecimento.. Os autos primeiramente foram a julgamento Da sessAo plenária de 02 dc junho de 2009, na Primeira Turma Ordinaria da Quarta Camara da Terceira Secao de Julgam en to do CARF/M1', cujo resultado ibi o proviniento do apelo 0 entendimento do colegiado eshl delineado 110 Acórdao n 34011-00112, cuja decis1io se resume nos tennos da ementa a seguir transcrita: PROCESSO .ADMINISTRA TWO FISCAL - NTERPOSAJO DE PESSOA • A deter minação dos rendimentos omitido',, tomando por base depósitos bancario.s de ori,gem não comprovada, deve . sem • efetuada em me/aço a terceira quando testa" eomprol'ado pelo fisco que os valores creditados na (Anna de depó..s•ito ou de investimento Me per teneem INCVNSTIllICTONALIDADE D.E LEi - A autoridade aciministrativa 11(10 co/upa/e 14eilar aplicação de lei sob a aleppcito de ineonsbnicionalidade da mesma, se tratar de matéria de contpeténda do Poder judiciório, com attibuição determinada pelo artigo 102, I, a, e [4, b, da Constituicao edema/ IRP» LAN -CAME:MO COM BASE EM DEPÓSI:10S BA NC. was' SIGILO BANCÁRIO - PRINC"1110 DA ANTERIORIDADE - LEGISL4.Cii0 QUE AMPLIA OS MEIOS Dli FISCALIZA(J0 INAPLICABILIDADE - 0 sigilo bancório ion poi .linalidade a proteoio contra a dividgação au pirblico dos negoeios day instibtio5es financed as e seus clientes A partit• da p•estactio, por parte das instituições financeiras, das ihformayies e documentos solicitados pela autoridade tributar ia competente, conk) autorkam a L. C. n" 10.5, de 2001, e 0 art 197, II do CTN:, o sigilo bancório ido é quebrado, mas, apenas, .se Ottn.slere responsabilidade da autoridade adminisualiva solicitante e dos agentes fiscais que a 'ics tenham O (.10!'i'io 170 r esulto CXCi C16.0 tie suas fimoks, que ndo poderão violar, salvo as ressalvas paritgralb nnieo do an .198 e do art 199, ambos do CTN, como pr•eve O inciso XAX/1/ do art 5" da Cortslituiçao Fedeud, sob pena de incorrerem em infração administrativa e ern cr ime .3 1101111(1 que disciplina O procethmento de tiscalização em si, e lido os fatos econômicos investigados. aplica- se na aporação dos Taros gem adores a ela pi et& itos 11/PE - LANÇAMENTO COAT BASE EM DEPÓSITOS /3.4ArCÁR/OS - PRESUNÇÃO DE 0114155/10 DE RENDIMENTOS - Para os lidos ,gert -tdors ()coil idos a partir de 1" de Janeiro de 1997, o art 42 da Lei n" 9 430, dc 1996. autor La a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depó.sitas bancatios de origem 100 comprovada pelo sujeito passim ONUS DA P//OP A - ,S'e o onus da prova, por presinicão least, é do conft iliumnle , ce,rbe a ele a prova da origem dos f CCU 0'01 acobertai seus depósitos ballet:trios, que não pode ser substituida por meras alegaçOes PRINCÍPIOS DA PROPORCI7OATAL/D.41)E E DA RAZOABILIDADE EXAÇÃO FISCAL Estando a exação em confin'tnidade corn as flotillas legais, e, It atando-se de dispositivos vigentes (it» ineonslitaciontilidade não le» 4 Proco,:o n' I 0565.00 901/2003-53 52-C III Aciwao ii ' 2111111-00..929 N 323 declarada pelo ,S'itprento Tribunal Federal, caba aos órgãos da Administraçao .IYiblica a obserylincio e aplicaão dos mandamentos pot ela veiculados PLDIDO DE PER/CIA - CERCLAMENTO DE 11)1RETTO DL IlEEESA - A (tutor idade fulgadora de primeira ins tãncia detetminetr0, oficio Ott a requerimento impugnante, tecrli.7a(ão de diligéncias ou pericias, quando as entender' neeesseirias, indeferindo, fimdamentadamente, aquelas que considerar prescindíveis ozt impraticáveis„ 71d0 se con-limn-and() cerceamento de direito de de/asa o indefitrimento . fitndamentado (art IX, do Dec n" 70 235, de 1972, coin a redeu:ão (hula pelo (lit I da Lei n" 8 748, de 993) MUITA DE- OFLCIO - 1,11. -IORACIO 1)0 PERCENT -Li -AL — NECE,SSIDA DE: DL C0NFIGURA00 DE SITU -A(.'„40 OUALTFIC'ADORA — Cabe a penalidade qualificada quando dentarcada a existencia cias condulas descrilas nos cuts 71, 72 e 73, da Lei n'" 4..50.2, de 1964, qua exigem do ,suletto passiro a pratica de dolo, ou seja, ii deliberada intewcao 4a obter o resultado qua seria o impediment() ou retardamento da Oco! renew do lato gerador, ou 0 exclusão ou modificação das S108 (wader-AU:cos essenciais, da modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o sett pagamento. Recurso Volun tar io provido A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaraçao contra o r. aeórdao, no sentido de que seja esclarecida contradiçao entre o dispositivo e seus fundam en lo s. 0 dispositivo do r. acórdao teve a seguintes redaçao: ".ACORDAM os membros do (1. olegiado„ por -unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. (destaques da transcricao) Entretanto, pelo desenvolvimento do voto condutor do v. accirdao, observa-se que toda a. sua fundamentaçao se desenvolve no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade do auto de infraçao e negar provimento ao recurso voluntario, inclusive com a manute.n.çao da multa qualificada, por ter restado configurada a .interposiçao de pessoa para a titularidade das contas ban6rias objeto do lançamento.. Diante deste quadro, cabíveis os Embargos de Declaraçao apresentados, para. que seja sanada a contradiçao ocorrida . Neste sentido, curial que nos reportemos aos termos do voto condutor de zicOrdao embargado, para que reste demarcada a contradiçao entre os seus fundamentos e o resultado: A. coral ovérsia Ol'a em análise trata de auto de loci ação lavrado contra o recorrente, que tare como °Net() depósitos bancários efetuados cm contas-eonentes dai quais cuja orpcni dos reetti.sos não foijioi ele esclareci& 5 A base legal que den work ó el -7(10° fin o artigo 42 da Lei n'' 9.430, de 27112/1996, oai ligo 4" da Lei n°9 481, de 13/08/1997, e o artigo 21 da Lei n°9 532, dc 10/12/1997 Ent slut e!.sa, prehminarmente, O recorrente aduz- err() de eleice'io do sujeito passim, vez que„ por [la° ter- festal° demonstrada a rela 00 entre as contas bancárias em nome de .ADEMIR DE SOUZA, objeto elo auto de infraciio, e a Nua peywa, o que ter•ia afrontado o principio da verdade material 11;171 ifma primeira acao fisCal, instaurada em face de 4.D.E.M11t DE SOUZA, a auloridade fiscal apurou latos por mete) dos limns fot constata//o que aquele titular das contas bancárias, na realidade, que manteve vinculo cm]) rem t o coin o atuado, no exercício da atividade de trabalhador Hirai 110 Fazenda Sonho Alen, no municipio de Blotas, Estado de Síio Paulo, no período de 20/10/1993 a 26/08/1994 conforme anota0o em .sua carteira ii a ba//ic e para o qual trabalhava, sem registro, na epoca da e100 fiscal, atualmente, .sempre na ocupaelio de trabalhador rural (bóia-/ria) .Na ocasilio, o agente fiscal lambent constatou que a asqiiatura utilizada nos elocutnento.s bane//i lets- mostrava-se minto diferente &tepid(' utilizada poi- ADEMIR DE SOUZA, tendo side), ainda, detectadas as seguintes situa0es, que evidenciavam a interposi0o de pessoa para a abertura da..ti contas banes.n- tas e suas movimentações, como seguir • 1 - iio carMo de abertura da conta n" 01-454686-1 mantiela na agência 0038 do banco Nossa Caiya consta coma fitnte de refer -ência o nome de P Colombo; If - iiet cópia do documento rehitiva a urna transftrencia elentada para es so calla no dia 11/05/1998, no valor de R$ 34 000,00, consta a (Apr es silo "ay. do Pedro na outra Rir! ", essa transferCticia teve canto n" .19-014645-3 111 - a trantiftêncla de reclITS-OS- pafa a conta mantida ern n011ie de ADEAKR DE SOUZA leve como origem a conta 11" 01- 014645-.3 de litularidade de Pedro Colombo, titular do (Pr 714 887 158-15, o qual aparece na ficha cadastral como finite de 'Vt.(' '1 44100, tendo sido apresentada cópia do documento de transferência assinadopor Pedro Colombo, fl;- a conta n" 01-454686-1, em nome tie ADEMIR DE SOUZA, foi encerrada aos 17/02/1999, .sendo que o Ultimo soque efetuado 71e1Att conta ocorreu aos 11/02/1999, no valor de R$ 40,00, e quern ay.sinou O compromnte de saque la Pedro Colombo, conla cópia do comprovante de saque. .Ern face de tais evidências', resta que ADEMIR 1)E SOUZA .sei. ia interposta pessoa destinada a ocultar receitas do titular de lido das contas bancárias marine-1as ern seu nome, e que os indicios apontariam para PEDRO COLOMBO, que seria i real titular dos recursos movimentados na calla bancária env nome da inteiposta /7(55 SOU. 0ccs.43 n" l0$6.5 00 I 90 I /2003-.53 S'2-CI II A cort.Etoii 210.1-00,.929 I . 324 COM efeito, espécie, car acterizada a hipótese insculpida lit artj5.o 58 da Lei n' 10 637, de 30/12/2002, (pie inseriu o 5" no ligo 42 da Tel no 9 430, de 1996, nos seguintes moldes Art. .58. O at 42 da Lei no 9 430, do 27 de dezembro de 1996, pas so a vigora aci escido dos _seguintes .5 e "Art 42 °nand° provado que Os valores eteditados na conta de depósito ou de iavestimento pet teneent a terceiro evidenciando huerposktio de pessoa, a dell:Taal:WOO dos rendintentos ou receitas seta efetuada em reltiaio ao terceiro, na condietio de efetivo titular dtt conta dC depósito on de investimenM" (destaques da transcriçao) L„ /i cute a tal -situacOo, potente que o autfiado é parte legitima paid figurar no polo passivo da autuaei'io em comento, patente a suakTitimidade passiva, e, por tal, correto o auto de fir:Jr/1(a° 0 sir:jell° passivo levano, também, a nulidade do auto de inlia(lio, "Oa flag, ante ineonstitucionalidade da Lei n" 10 174, (IC 2001 Nesse tocante, en/c dorios .ser irietocável O acordiio i eeor rid°, quando afirma que a inskincia administrativa ¡id() possui compotOncia legal paro se manifestai sobre a 111e00;t1tucionaildade das- JCts , atribukiio reservada ao Poder coo/urine disposto nos incisos /, a, e 11/, b, ambos do (ir ligo 102 da Constituicáo 1/ede.Tal, onde estáo corifiurculas as duas lOimas de eon/role de consfitucionahdade das leis - o controle por via de (lea° ou concentrado, e o commie por Oa de e.xceçao OU difitso dependei da via utilizada porn o controle de constitficionalidade de lei ou air) normativo, os efeitos /11 oduzidos pela deelaraciio serito diversos Aio controle de constitucionalidade por via de a ao direta, Supremo Ti ¡bum/. .Federal d provocado party se inanik.stor. polar pr's soas determirutday no artigo .103 da (..'onstituicáo Federal, em uma açao (Ina finalidade é o evame da validade da lei em _si. O que se visa é eyingar do _sistema juridic() a lei ou ato considerado incon.stitueional ei aplica(do da lei declarada lik..onstitucional pela via de a(yTio é negada para todos as- hipótosos que se ("chant disciplinadas por ela, coin efeito 'ergo ()nine Oland° a inconstitucionalidade é decidida na via de evce(iio, ou soja, por via de Recurso Extraordinário, a decisao proferido lintita-se ao caso on liagio,.filzendo, pois, coisa julgada apenas in caso et inter partes', náo vinculando outras' decisões', Hem ineSinü judiciais Ala° faz eta coisa jul,52,ada ein ielacCio Ii lei declarada inconstitucional, fluo anula HEM 1 evm - ra a lei, qr e permanece cm 1 7142,-or e elicaz ale a suspensao (le situ e.vecritoriedatle pet() Salado Federal, de conformidade c.viii que dispi5e o (IT ligo 52, X da Constituktio Pederal /1 Administra çao Páblica eumpre rid() praticar qualquer ato baseado CM lei declarada inc.'onstitueional pela via de (tear), 7.1111(1 VOZ que a deelaraeóo de inconstilucionalidade projerida no contiole abstraio acarreta a nulidade ipso jurc da nor ma Orlando a declara (do se dé pela via de exceerio, apenas .strjeila Administra ciio Páblica a() caso examinado, salvo apOs su.spensáo da cxecutoriedadc pelo Senado Eerie). al /1 proposito da controvérsia empeendida pelo contribuinte, citemos creel to do professor Hugo de 1/rito MaChad ( bnas d(' Direito li ibutário, Vol I, Editora Revista dos 15ibune-11s Sri° Paulo, 1994, p 134) . ) Não pode a ardor idade adminisit ativa deivar do aplicar uma lei ante o iii iiiiiciiIo de set- ela inconstitucional Se nao cumpri- la 50/cita-se U pena de responsabilidade, artigo 142, para,1orrIO Mac)) do (-IN. Da o ineonjOrmado de prOVOcur o ..Indiciório, OU pedir a repetierTio do indébito, tiatando-se de incon.stitucionalidade jó declarada A apreciaeóo de matéria versando yobie conslitucionalidade de leis ou ilegalidade (lc deeretos, por oigrio administrativo, totalmente estéril e descabida, fa que tal compekineia é privativa Poder ludiciór io A in slância au/mini sit ail' competc, aperum O controle da legalidade dos Was pratic.ados por seas agentes, isto é , apreciar .se tais atos observaram 0 deiam cumprimento a.s determinaejes legais vigentes Portanto, cleverly 501 acatadas consideraeões aCCI ca da mihrlade do auto dc infiv erio, corm) também, de que Os julgadores de primeira instância, (10 deixarem rle onfientai a irn,VIIStitucionalidade da Lei (l'omplementar n" .105. de 2001, ingiram os principio.s constitucionais do contraditório e da ampla delesa Outra nulidade do Irmeamento levantada pclo recorrente diz respeito à nao aplicabiláladc da Lei Complementar ré' .11). -5, de 200.1, para fulos anteriores a 09/01/2001, para os quais era aplicável a Nevis-Jo do artigo .38 da Lei n" 4.595, de 1964, e }trio a Lei n" 8 021, de 1990. Entendemo S que tal ineorUormaer-io dirige-se ao acesso as movimenla eOes- bancárias pelo fis-co, o que fora utilizado para dar azo ao lançamento guerreado Nesse tocante, cabe trazer a baila 0 eitado artigo 6" a Lei COmplementat. n" 105, de 2001, que dispõe: Art. 6". As autoridades. e os agentes fiscais tributários da Lhuão, dos Estados, do Distrito FrYleral e dos Municipios somente porter-Jo examinai- dacumenlos„ livras' e registios' de institui cOes financeiras, inclusive os referentes a contas de drpOsitos O Op//Ca ÇêeS financeiras, quando houver processo whninistrativo instaurado procedimento fiscal em curso e tais exames sejam 8 Pmecso n" 0ii05 00 ()0 I /2003-5 3 S2-C111 AoCli n " 2 1 01-00.929 Pl 325 C.:071,0demytas indispensaveis fieia autoridade adim ristrativa compete nte (destaques ia Iran sac 1(a. 0) Com (kilo, havendo processo administrativo instaurado ou 1)1'0(c:din -lento fiscal em curso e os mamas de documentos, livros e registros de inslituições flnanceiras, ilk:11101 ,e OS I efiz ewes a corrals. de depósitos e aplicai,76es financeiras sejam consider ados indispensaveis pela autoridade admintstrafiva competente as tailor idades e os agentes fiscais tributarior da Unia poderao ter aces .s0 0 tais info; ia 5es Por mar 0 lado, consoante o artigo 1", $", III, da r etrocitada I el Complementar n" 105, de 2001, o acesso da ,S'ecretaria da Rei eito Pederal as infOrmações banearias necessarias a identificaosio dos çontribuinter e os valores globais das respectivas operações re/c'; enter ib (...ontribuiçao pi ovisória sob; e movimentacao ou hansarissdo de valores e de crédilos eito de natureza financeira ((PM») Mio constitui que!» a de sigilo is lo porque as informações derte modo obtidas per manec7ent proregidas A I,C1 o" 5 172, de 25/10/1966, (ecidigo Tributário .Nacional), em sett ai ligo 198, veda sua div01,,orao para qualquer fim, por prate da Fazenda PUblica Nacional, on de seu liareionerrios, sem prejuízo do disposto na legislação Poi opor Irmo, cila-se o artigo 197, 7L do Código Tribal/rio Nacional, qua determina que, mediante intinutcao eserita, sao obrigados a presto.; à autoridade tulministrativa todas as irrlOrmaçoes de que disponham corn rekkdo aos bens, negócias ou atividades de terceiros os bancos, easas bancarias, Caixas Economicas e demais instituições finance!; (IS O sigilo bancario Lein pot finalidade a proteção contra a divulgaccio ao pl'iblico dos ne,Ocioi das instituiçõcen firlanceiras cherries Ass.im, a partir cia prertaçao, por pa; te das instituiVies finaneeh as, das infinmaçoes e documentos solicitadospela auto,. idade tributaria compciente, como autorizam a Lei Complementar n" 705, do 2001, e o artigo 197, II do Código Dibutario Nacional, o sigilo bancário ;Lilo t"2 quebrado, nua c, apenas, se transfere à responsabilidade da autoridade administrativa .solicilante e das twentes /15 cais que a eles renharn o acesso no restrito ever cicio de suas liau:(5es, que mio podcr ão violar, salvo as rerralvas do paragrafir talky) do artigo 198 e do ariífzo 1 9 .9, ambos do Código Fributario Nacional, como, alias, prey(' o inelso YX.1 7111 do artigo 5" da Constituição Federal, sob pena de ineorrerem em inflação adillifliStrativa e em crane 7' do artigo .18 da -Lei a" 4 595, 31/12/1961, artigo 198 do ('TN; artigo 325 do Código Penal) pois, que as infOrmaeões obtidas junto as instil:W(5er financea as pela autoridade fiscal, a par de (twat() legal, rilio implica quebia de sigilo bancário, mas simpler transj C,s&icia deste, porquanto em contrapartida esta o fiscal., a que re obrigam os agentes fiscais, de sorte que inocorre &citrate na obtemao de provas Aderna esta inscrito no 4",do mesmo artigo 1", da mesma Lei COMpleilleilidt• 11" 105, de 2001, (Inc, recebidas Cl s informações refiyentes â CPMF, se detectados indicias de lathers. ineor 011 omisseies, ou de comclimento de ilícito fiscal, a uutoridade interessada poderá requisitar as infOrmaçoes e Os document°\ de epic necessitar, bem como realizar fisce:rhzaoio on auditoria pm .i a adcquada apt-Hat:do dos: fatos Cmn cleric), não eabem as considerações cleerea da inaplicabilidade das disposições da Lei Complemental' n" 105, 2001, aos procedineentos fiscais (pie 11"d111111 de tatos I1,,-Cl ad reS que lhes suo anterior es, vez que, a norma apenas e,f_mlamenta a ti ansferencia do sigilo &wear lo para O fisco, O que já fora determinado pelt) arligo 197, 11, do Código Tributário Nacional, comer vis to Ultrapassadas as prehminat es, passamos à anahse das questões de -rner ire-) primeira argumentação de tidesa do sujeito passivo se dá no sentido de que deposito.s bancM ios náo podem .ser tomados CO/ill) 1 'Cildifile1110 ti lbiiidVel. 0 at tigo 42 da Lei n" 9430, etc 27/12/1996. eill 5C11 caput, C.SidbeleCe Land preSl1ii0o legal de omissáo de rendimentos que autoriza O lançamento do imposto correspondcnte, .sempre que o titular da movimentaçáo bancária, pessoa fisica ou juridic:a, regularmente intimado, nao compiove, mo.liante documentação habit « idOnca, a origem dos recursos ereditados em sua (onto depósito éiII itiVeqiiiie1110,'IllietiS•' Art. 42 ('in (IC tar:Jibe:1n otnissão de teecila ou de rendimento os valores creditado .s 4:011111 de deposito oil de iii I'C.Still/CfltO nrantithr /unto a instituiçáo financeira, CTh 1-claçiio ao.s quells o titular, pessoa física ou juridicYr, regularmente intimado, náo comprove, mechanic doeumentat.-ão hábil e idonea, a origem dos reeur-so.s utilizadas 11e.5S-ati 0pefay3'es É a lei definindo que os depósitos bancárias, de origcm udo comprovada, caracterizam orni.ssão de receila or! de fendimcntos- e não incurs indicios de omissão, razão por Cilfe into 1171 obrigatoriedade de .se estabelecer O nexo causal crate eada depósito e o fato que represente omisstio de receita e nem de .se COMM ovai a ocorre'ncia de acre-',..schno patrimonial hipótcse ern que existe a inversão do ônus da prova imo direito !fibular io se Opel' a dlta 11(10, 1)0 Of 1177.1.Prência , compete tro sujeito po ssuo o onus de pm 'owl. pre não houve o firto infringente, sender que inversão scrape se origina (la existe?ncia eat lei p1 ) .5/(//ç(/) rep CSellia 111110 prova indireta, par lindo-se oeora'neias de fillets secundários, fatos indii.iánio s, que apontam pata o faro principal, necessariamente desconliccielo, nuts relacionado direlamente ao fato conhccido Nas situações em que a lei presume a ocorrencia do fato ,5erador, Os chainadas presunyões lep,ais, a produção tais [novas é dispensada 11) ri" I 0S'65 001 00 1/200.5-53 S2-CI I I Aciwao n 21.01-00.929 I I .326 /1 i/1/ dispel! o COdigo dc Process() Civil TIOS arti,52,as 333 e 334" /lit 333 0 611.11S da prova incumbe ao ardor, (plonk) 00/010 constitutivo do sett dir .ft ao 1- (4i.„ quanto à e.yiste'ricia de lino impeditivo, (Jodi ficativo Oil eviintivo do direito tio autor. ( Art. $34 Não dependem de prova os .fatos .11/ — em etfio favor maim pr -esunção legal de evise?.;.ncia on de veracidode Ver /2:-' se no teAdo legal que a tribruação por meio de depósitos bancários &Trim de pi esunção de renda legalmente estabelecido. Trata-se, poi outro 1(00, de presunção jtiris tanturn, seja, UIOa pre.sunção relativa que pode a qualquer. moment() s -JT ofastada mediantelrrova em contrário, cabendo ao (..ontribuinte sua produção 10 caso vertente, a amor idade autuante °gilt cony °cow). (hank (10 indicio de otilisNÕ0 de rendimentos detectado atra vs da operekão jinanceira objek, da autuay-io em tela, operou a inversão do Onus prova, (wbendo ao inter assado, ti partirde então„ pr1 Var. a h700011- 11.Ci a (10/010 ou justilicar suer existencia 0 procedimento da autoridade fiscal enconfi a-se ern 0011/0/ midade corn o que preceitua o artigo 42 do Lei. a" 9 430, de 1996, ern que se presume como omis,s110 de rendimentos os valores creditados em coma de deposito 00 de invcstimento. mantidos cm in financeira, cuja origem dos recursos utilizados Fiestas operações, em relação aos quais O titular pessoa 11.51:00 00 juridica, regularmente infimado, piao comprova, mechanic documente:kJo hábil e idónea, a 01 g 17 (105 rccursos utilizados nessas operações Das disposições eyaradas pelo artigo 42 da Lei n" 9 430, de 1996, e pelo o artigo 4" da lei n" 9 481, de /997, pode-se extrab que jai ti a determina cão da omissão de rendimentos no pessoa 'Rica, a fiscalizekdo deveiá proceder' a tuna anahse preliminar dos valor-es creditados Ciii coma de depOsito ou de investimcmo manlidos junto as instituições linanceiras, ou primeiro, os ci&litos deverão ser analisados UiÜ el UM; segundo, não serão considerados Os er&litos de valor igual ou inferio; 0 doze mil 151(115, desde (pre 0 somatório, dentro do ano-ealeadário, não uhrapasse o 1,(7107"' de ()Renter mil real's, terceiro, excluindo-se as 11(11/5 /cl encias entre contas do mesmo No caw cio contenda, verifica-se que, quaint() da lavratura do auto de infrocão, fOrain devidamente observados nos termos da le,gislay7io vigente. Assim, resta demareado qtr.(' o procedimento ,... fiscal está /astreado nas condiçõe.s impostas le,galment) , Poi tanto, para coral adizer a presunção legal de vie depósiros • cm conta-(oi lone semoriL,Trn juslificada sav icroimentos deveria O 1iit('iVS sadc 1V1 comprovado sun or igeni, apt esentando documentos que denotem, inequivocamente, possuir em os (1(pósitos em questionameinos origem )6 submetida el nibirtação oil ienta, contrÓtio, ntaiericdizn- SV presunç6o legal fOrnadada de omissão de iate//as, p01 não ter sido elidida Portrait°, também, descabida a Olaf/ativa de qua a autoiidade fiscal deixou de obser ' ,at 0. 5 princípios da proporciona lidada e da razoabilidade, pois que a exação .se deu nos exato.s termos da lei, V. reclainaç(7es no tocante ao teor norma legal, as julgadoras administrativas, não selo o foro para tal discussão, poi). (Luc não competência legal para .se manifestar sobre a inconstitualonalidade das- leis, atribuição leservada ao Poder Judiciário, corilbrine disposto nos incisos 1, a, e HI, b. ambos do of tigo 102 da Constituição Federal Pot oun 0 lack), Whiz o recorrente que o indeferimanto (lc pedido de diligencia e pericia pet() colegiado a quo deNtespellou princípio da busca da vat -chide material Consoante CO!)? o ar ago 16, .11/, Nç I", tio Decreto 70 235, de 06/03/1972, as pedidos- da diligencia OH per icia devem tra:er a exposição dos motivas (MC eon' 0 formulação de quesitos rekrentes aos exames desejados, 0.5.5 111/ coin°, no (.-aso de per ICIO, O nome, o endereço e a qualificação prolissional do sell J2VIILO , após o que, a autoridade julgadora analisa a necessidade de providéneias parer o jtiarriento da lide. O 18, do ai/ado Decrato 70.23.5„ de 1972, coin a adoção dada pelo artigo 1" do 1,ci if 8 748/03, dctertnitia que auto; idade pdgador a de primeira inviância delerminara, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização (1.(, diligencias ou per icias, quando clitend(?-las neces,stificis, indePiindo (LS 1.111C (20/7Niderat escindiveis ou invallearveis, obseivado O disposto 110 (litigo 28, trt . 1111e" (destaques da transcrião) Pelas deter minaçães do invocado (it //O 28, os julgadores &lien? fundamentar o indefiJiinelit0 do pedido de perícia, a, Ha cspecia, lain se qua a atgurnentao3o de nulidade da decisão recorrida, por cal eeamento de direito de (laje so, á deSenbida, ulna vez que obedecell(:1 determinaçôes do dispositivo tie reg6icia. Coiroborando coin o entendimento dos julgadores quo', pcnsamos ser a pat icia desneces.sória, não se su.stentando as leativas da .sua imperiosidade, pois que, o seu objativo „seria o de comproVaf a ocotre;neirt de meta movimentacão /Rica de numera/i i, eomo também que as receitas tributadas no auto dc... infiação estão compreendidas rias stars declaraçães de rendimento,. porque, para (me sejam trazidos aos- auto s Lois clemento.s probatói- --ios não e TICc evirio. a intervenção de perito especializado Pois que síio infOrmações que podem .ser aduzidas pelo próprio _sujeito passivo, cula averiguação da extensão probatória pode ser avaliada pelo julgador administrativo, cujo,s- conhecimentos, pala própria atividade evercida, são C(/l)(1'ZCS (it' abianger a inatér la tratada, 12 Proces“ n" I 0S65. 00 I 90 I /2003-53 S2-C1 AcimLio I I 2101-00..929 II 327 Por adoiro, cabe a anedise das eonsieletaçõesdo recorrente sernido sel incablpi a apheacao da multa qualificada, pois que ma° re; too evidenciado o dolo Consoante coin o ai Ito 142 do (....'adigo Tributario Nacional, o hineamento é "o procedimento administrativo tendeme a veil} icar a °con imcia do fato ,gror ado" da obi igaç.do correspondente, determinar a matéria tributavol, calcular o moult -tine do tributo devido, identificar . o _sujeito passivo e, sendo o easo, propor a apliecicao da ponalidade cahivel" 0 ird0 camp ¡menu/ dever jurídico com lido ao sujeito passivo da obrigacâo de /70,!]; di 61 tributo devido Cfl Seja qtre.:' kozenda Publica, desde que legalmente autorizada (to cobra; o valor nao pago, imponha sanções ao devedor, vez (pre a inadimpiCncia da obi i,5.:),acdo trihutriria principal, medida em descumptimento da noma tributaria dcfiniclora dos pra=os de vencimento, nâo tom wino natuicza gm> Mir) a de irifiaçâo fiscal, e, on havendo infraçâo, cab/v'/ a in[1iiaeia c/c penalidade, desde que Ytta imjoiçilo se rk; nos Inniles h. ,j pi evi 5105 multo pelo pagamento do tributo devido é imposiçdo de caroler punitivo, constimindo-se cm sançâo pela piatico de au/ pelas infiações a disposições Iii bolarias Paulo de Balms Carvalho (Curso de Direito li ibutáilo, 9`) edic,ao, Edito/cr Sataiva Sao Paulo, 1997, pp 336 a 337) diseolie .sohr e as caracteristicas das ,sançâos pecunirtrias aplicodas quando da nrio observando das noroms 0' ibutai las a) As penalidades pecuniatias sr-to as mats expressivos . formas (10 designio punitivo que a ordem juridica many': r!stri, (llama do comportamento lesivo dos devotes que estipula Ao lado do ele'?ito psicológico que operam, evitando, multas veee.s, que a infração venha a ser consumula, ("!. o modo poi e.yeelOneia de punir 0 autor da infração comeada Agiavaln sensivelmente o debit() fiscal e cjuctsesniiie seio fisodas em niveis per centricity solve o valot da divida tributaria. 0 permissive) legal que esteia a aplicação dac multas punitivas encomia-se no attio 161 do (l.i'ódig,o Tributário .Nacional, quando (Ortiz(' que a folio do pagamento devido eitsçja a aplicação do juros moratórios "sem prejuizo da imposição das pena/idades (a/live/Se aplicaçâo de quaisquer medidas de antia pre-vistas nesta Lei ou em lei tributaria ", evtrainelo-..se dai o entendimento de que o crédito não pogo no veneimento acrescido de juros de mora o mutter -- de Moro OH de oficio, dependendo se o débito fiscal foi apurado em procedimento de fiscalizaçao Nesse passo, inopoituno lemnhtcii que a vedardo do con/isco, inscrita no attigo 150, IV, da Constintio -io Federal, é dir/i ida aos iiibutos e nao its muitas', que como demonstiado, são penalidadres pm' infra ('cio tributarir 13 Entretanto, in casu, a undo de oficio aplicada no lançamento, TIO percentual de 150%, teve esteio no artigo 44, 11„ da Lei n" 9 430, dc 27/12/1996, que as.sim Art 44. .Nos caso.s de lançamento de ()floe°, so(U) aplicarlas as sc',guinles multas, calculadas .sobie a totalidade diferenca de tributo oti contribuição. - ) 11— Cento e por cento, nos CU 505 de evidente intuit() de fraude, definido no.s uris. 71. 72 e 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras perm/Ulm/es administrativas ou criminais cabíveis qttestão fidcial para o deslinde da controversia ora sob anahse cinge-se determinação de se o sujeito passivo, ao scr submetido evação com base 0111 dC,06`4101- bancOrios de origem não comprovado teria (Annelid° ['wide fiscal Como se percebe, para cl aplicação da multa de oficio de 1.50%C indispensavel tratar-so c/c casos de evidente intuito de [laud(' como definido nos cutigos 71, 72 e 73 da Lei 17" 4 502, de .30/11/1964, I ittei is Art 71. ,Yonegaerio toda avg.° ou ornissão tendente a impedir OU retaidar, total ou parcialmente, o conhecimento poi Parte da outoridode frizendOria.• 1 - da ocorrencia do Alto ±._yrrular da obrigação tribuidria incipal, sua twin, eza ou cireinistamias materials, 11 - das condiçõe.s pessoais de contribuinte, suscetíveis de aletar a obrigação tributaila principal OH 0 (!dil0 tributario coif L.:TM/de/1AZ Art 72 &ramie todo ação ou 01111500 dolosa tendente a impedir OU letardor, total ou parcialmente, a ocorre'neia do fato gerador da obrigação tributaria principal, ou a etc-hilt ou modificar as slurs coracle', isticas essenciais, de nrodo a reduzir 0 niOnianic do impost() devido a evitar ou difr .o seu pagamento Art 73. (."onluio e 0 qi115-te &VOW allre duas ou mais pcssoas- nalurais or" jurídicas, visando qualquer do.s rjeitos referidos nos. arts 71 e 72. Da leitura dos disposilivos da Lei II" 4 502, de 1.964. supra referidos. infere-se que as condutas descritas pela norma CAI,f4V11•1 do sujeito passivo a ação 00111 (101.0 oil seja, a deliberada intenção de obter o resultado que seria o impedimento ou retardamento da oco/rância do flux) gerador, ou a exclusão ou ficação (1(1 siva.s CaraCiel I.SfiCaS C.1501CiA15, 1170(10 cl reduzir o 'nonionic do imposto devida, ou a evitar ou diferir o SOU pagar//W1/0 Nesse sentido, o ectrie do conwortank.wto delituoio eonsiste 17(1 modificação das earacteristicos da .situação de jato ou .0tuac[ro juridica que, ocorrendo, determiner a ineirIcncia da norma tributrn. la, cJim o escopo redução do valor do tributo devido Com ele.!ito, ci fraude Sc'. caracteriza em TOTii0 cio tuna ru,:.ão Ou 14 Processo n' 10865 0(1100! r2003-5 1 S2-C I'll AcOr6o n " 2101-00.929 II 32 0 oinissão, de urna sir-m.1100o OiI oculiação, c pi os i1 pi emjo o a intencão do causar- dano a hazenda PUblica, imm propasito dehbet ado (10 .subtrair, no todo ou parte, a obrigação ti ibutaria ,SOmente cablvel a situação qualifieadora quando rester] c.areuterizada a preseika dolo, coin° .!rn c:0 iv° r intencional, específico, de eauçar demo, tailizando- se de sulnerNgios que escomotelain a ocorricia do fato ,orittior 0/1 retardam o sett conhecimento por parte autoridade firendai ia will, 0 117.101 10 (1010 50 dew , estar plenarnente demons 'ratio na autuação, soh pena de não 1 05100 0(0 evidenciadaS a cai datTR/LaS' da f1 anile, elementos indispensaveis para ensejar- 0 lançamento n lid la a!-:!-/' 000(10 Et- is- Win no dircito dois tipos de dolo: o dolo civil e o dolo penal 0 dolo civil i O artificio e1/,52,017oso, ma/cioso, de 1/ iaTfi7.., utilizado poi ulna pe s soa paw induzir c -AtWril a pratica de unt ato seu /71 071.1 100, IJUC jamais 50140 praticado cos() 0 r ealidade ftisse de sett pleno conhecimento ,Ia o dolo pcnal 0 definido como scndo vonlade ou a intenção do agent,' de praticar o ato dd inido coin() a plena conscu;ncia de que o ato pr aficado ira ocasionai esuhodo delituoso Ortando a lei fiscal define a fraude coma o ato doloso, tendente a impedir a 000/101/110 do fato gerador do tributo, esta se 0 -ferindo ao dolo penal Aso porque, a fraude 0 0 dolo civil são duas espteies Astir -U(18 do .gtero dekilas- dos negocias juridicos, confin me previsto no ai tigo 738 do Código Civil Brasileiro Alceessar lame/I/O, portanto, a fraude fiscal 0 aqucla ern actcrizada pela pratiea de uma ação omissao intencionalmente eriminosa, 1017(10111e impedir a ocorrCncia do fato gerador do tributo. f„ 770 prescnte caso, Tior se caracterizai o fato ,_-;erador cm depasitos hancai ios dc. 01/gem não identificada, a conduta (Tolosa deve estar li.tyula a este element o tlpíco. ou .seja, obri,,:_wtortaincme, ligar-se a movimentação de COnta bancaria nome ficticio, movimentação banearia 0111 nome de tc.Tecito Claranyi 7 ) ., movimentação banCai ia 11 0 ine de pesiOaS jd fidecidas, falsidade documental ou . falsidade ideolkico pat a a tailização da movimentação bancaria .A 1O auto de infração ,5_?,-IterreadO, enteral() (et r(!stado caracterizada a interposi(ão dc pessoa, 0 que evidencia o intuito doloso Fla movinwittação das contas bancarias, com 0 ()Nett . vo de ocultai os efeitos tributáriOS da iltd a F. idade daq ueleS 1. (.CUC%05 5`oh este por tico, cohivel a imposição da penalidade qualificad .1. 15 Por todo o excerto transcrito, resta demarcado que o desenvolvimento do voto (:,‘ no sentido dc rejeitar as preliminares de nu1dade do auto de infrayao e negar provimento no apelo interposto, sendo tal resultado que deveria ter constado no dispositivo do r. AcOi dad. Forte no exposto, somos por acolher os Finbaigos de Declaraeao pai icrratiticar o Acórdao 00 3401-Oft 112, no sentido dc sanar a contra(licao apontada, corn eleitos infririgentes, para que passe a coastal: no seu dispositivo que as preliminares de nulidade do lançamento [brain rejeitas c, pot rinanimidade, foi negado provimento ao recurso voluntario Brasilia, 2 de dezembro de 2010 na Ne e )1impto 1-1 landa 16
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Numero do processo: 10880.972167/2010-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
COMPENSAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N° 1 DO CARF.
Restando toda a matéria objeto do processo administrativo submetida à apreciação do Poder Judiciário, não há que se conhecer o recurso voluntário, por imperativo da Súmula CARF n° 1.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3301-005.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário, em razão da concomitância com o processo judicial n° 2009.61.00.015835-9.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 COMPENSAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N° 1 DO CARF. Restando toda a matéria objeto do processo administrativo submetida à apreciação do Poder Judiciário, não há que se conhecer o recurso voluntário, por imperativo da Súmula CARF n° 1. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário, em razão da concomitância com o processo judicial n° 2009.61.00.0158359. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 21 67 /2 01 0- 40 Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10880.972167/201040 Acórdão n.º 3301005.948 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório O contribuinte em epígrafe pediu o ressarcimento do saldo credor do IPI apurado no período em destaque, com base na Lei nº 9.779/99, a fim de ser utilizado na compensação dos débitos que declarou. Apurado em procedimento fiscal que os créditos escriturados se referiam a insumos aplicados na industrialização de produtos não tributado pelo imposto (Livros, jornais e periódicos) foi exarado o Despacho Decisório não reconhecendo o direito creditório e não homologando as compensações. Atentese que, depois da transmissão da PERDCOMP, porém antes do Despacho Denegatório o contribuinte ingressou com o mandado de segurança nº 2009.61.00.0158359, com o objetivo de assegurar o direito à manutenção do saldo credor de IPI oriundo dos créditos decorrentes da aquisição de insumos tributados, empregados em processo industrial cuja posterior saída se dá com imunidade, bem como a compensação dos créditos com outros tributos federais administrados pela Receita Federal do Brasil. Tempestivamente, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade alegando que seu direito creditório é constitucionalmente garantido, porque, tratandose de saída imune, não há sequer necessidade de previsão em lei para o exercício do direito ao eventual crédito, sob pena de se onerar pelo IPI atividade que o constituinte expressamente desonerou, assim, a lei n° 9.779/99 entendeu necessário incluir expressamente isenção e alíquota zero, já que para imunidade não havia dúvida, sendo que a IN SRF nº 33/99 expressamente teria admitido o ressarcimento do saldo credor do IPI no caso dos produtos imunes. Mesmo que esse entendimento não fosse aceito, só se poderia limitar o direito do interessado a partir da publicação do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 05/2006, por isso, citando legislação e julgados defende que mesmo tendo ingressado no Poder Judiciário para discutir a constitucionalidade administrativa deste Ato, entende que sua manifestação deve ser apreciada no via administrativa, ou que o presente processo deve ter seu curso suspenso até a sentença transitada em julgado. A DRJ/RPO negou provimento à manifestação de inconformidade, nos termos do acórdão nº 14045.718. Em seu recurso voluntário, a Recorrente alega a ausência de concomitância e repisa a argumentação quanto à interpretação da legislação que lhe garantiria a tomada de crédito de IPI. Ao final, requer seja dado provimento integral ao recurso voluntário ou que se aguarde o desfecho da ação judicial. É o relatório. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10880.972167/201040 Acórdão n.º 3301005.948 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.945, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.972164/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.945): "Na origem, a Recorrente apresentou PER/DCOMP, solicitando o ressarcimento de créditos de IPI, decorrentes de aquisição de insumos tributados, empregados no processo industrial cuja saída posterior se dá com imunidade, nos termos do art. 11 da Lei n° 9.779/99 e IN SRF n° 33/99. A autoridade fiscal considerou esses créditos indevidos, com fundamento no RIPI e no ADI SRF n° 5/2006, pois “produtos amparados por imunidade encontramse excluídos do campo de incidência do IPI, sendo vedada a manutenção de suposto credito de IPI sobre insumos, por falta de previsão legal pata tanto e porque o art. 164, inc. I, do RIPI/2002 restringe a manutenção do credito sobre insumos àqueles aplicados em produtos tributados”. A DRJ reconheceu a concomitância entre as instâncias administrativa e judicial, nos seguintes termos: Diante disso, é claro nos autos que o interessado ingressou com o MS nº 2009.61.00.0158359, com o objetivo de assegurar o direito à manutenção do saldo credor de IPI oriundo dos créditos decorrentes da aquisição de insumos tributados, empregados em processo industrial cuja posterior saída é imune. Logo, ocorreu a concomitância entre o processo judicial e o processo administrativo, portanto, impende destacar o teor do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 3, de 14 de fevereiro de 1996, assim transcrito: (...) Conforme as alíneas “a” e “c” do ato normativo em comentário, a autoridade administrativa não toma conhecimento de matéria suscitada em impugnação com mesmo objeto de matéria submetida a pedido de prestação jurisdicional, anterior ou posterior à autuação, como é o caso do direito creditório pleiteado, cabendo a imediata cobrança do débito cuja exigibilidade não esteja suspensa. A Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, art. 38, § único, traça os contornos gerais desta regulamentação administrativa. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10880.972167/201040 Acórdão n.º 3301005.948 S3C3T1 Fl. 5 4 A conclusão da regra em referência tem natureza legal e lógica porque a decisão do Poder Judicial se sobrepõe à decisão administrativa. Não teria nenhum sentido a Administração decidir matéria que esteja sob a apreciação do Poder Judiciário, pois sua decisão não tem nenhum valor perante a decisão final daquele Poder. A via judicial é uma opção adotada pela contribuinte no seu livre exercício de escolha. Nesse sentido, o artigo 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal de 1988, declara que “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. Afinal, o ordenamento jurídico brasileiro não alberga o instituto da dualidade de jurisdição, não podendo haver, sob nenhuma hipótese, a sobreposição da decisão administrativa à sentença judicial como direito público subjetivo. O exercício dessa faculdade produz, como efeito processual obrigatório, a perda do poder de continuar a parte a litigar na esfera administrativa. Destarte, em se discutindo o mesmo objeto concomitantemente em ambas esferas, o legislador reputou prudente a abstenção da autoridade administrativa em face da supremacia do Poder Judiciário. Por isso, a opção da contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer fase. Somente ao Poder Judiciário é dada a capacidade de examinar as questões a ele submetidas de forma definitiva, com efeito de coisa julgada. Consagra se, assim, o monopólio da jurisdição ao Poder Judiciário e o direito de invocar a atividade jurisdicional. (...) Dessa maneira, não cabendo decidir de modo diverso ao proferido pelo Poder Judiciário, não pode o julgador administrativo conhecer da impugnação relativamente às matérias sub judice. Por conseguinte, só surgirá a necessidade de auditoria fiscal, com minuciosa análise do direito creditório apresentado, após a sentença transitada em julgado, caso esta seja favorável ao contribuinte. A despeito da r. decisão da DRJ/RPO ter reconhecido a concomitância, passou à análise da legislação do direito creditório, apontando que o art. 11, da Lei nº 9.779/99 e a IN SRF nº 33/99, que admitem a possibilidade de se aproveitar o saldo credor do IPI oriundos da entrada de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, via ressarcimento, não se aplicam ao presente caso, já que os insumos foram destinados a produtos não tributados pelo Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10880.972167/201040 Acórdão n.º 3301005.948 S3C3T1 Fl. 6 5 imposto em virtude da imunidade. E ao final, negou provimento à manifestação de inconformidade. Entendo que a discussão judicial envolve exatamente o mesmo objeto do presente processo administrativo. Dessa forma, não restam outras matérias para serem apreciadas, como se demonstra a seguir. A concomitância pressupõe identidade de objeto nas discussões administrativa e judicial, nesse sentido o Parecer Normativo COSIT nº 7, de 22/08/2014, verbis: (...) 6.1. Vêse que é possível a apreciação do processo na esfera administrativa quando seu objeto seja diferente ou mais amplo que o da ação judicial, como, por exemplo, na concomitância de um processo judicial em que se discute a constitucionalidade da norma impositiva da exação e um processo administrativo fiscal cujo objeto seja alguma questão de fato, tal como a apuração do valor devido ou outra forma de verificação do controle de legalidade do lançamento do crédito tributário porventura existente. Da identidade de objetos dos processos administrativo e judicial 9. Poderseia questionar quanto à definição da expressão “mesmo objeto” a que se reportam o ADN Cosit nº 3, de 1996, a Súmula nº 1 do CARF e a Portaria MF nº 341, de 2011. Aqui, fazse mister diferenciar o objeto da relação jurídica substancial ou primária do objeto da relação jurídica processual. Aquele consiste no bem da vida sobre o qual recaem os interesses em conflito, in casu, o patrimônio do contribuinte; este, por sua vez, diz respeito ao serviço que o Estado tem o dever de prestar, e nos procedimentos de que este se utiliza para tanto, resultando no proferimento de decisões administrativas ou judiciais em cada processo, guardando relação de instrumentalidade com a real demanda do autor (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Constituição Federal Comentada. 2. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2009. p. 179). 9.1. Assim, só produz o efeito de impedir o curso normal do processo administrativo a existência de processo judicial para o julgamento de demanda idêntica, assim caracterizada aquela em que se verificam as mesmas partes, a mesma causa de pedir (fundamentos de fato – ou causa de pedir remota e de direito – ou causa de pedir próxima) e o mesmo pedido (postulação incidente sobre o bem da vida) a chamada teoria dos três eadem, conforme definida no art. 301, § 2º da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), o qual ora se aplica por analogia. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10880.972167/201040 Acórdão n.º 3301005.948 S3C3T1 Fl. 7 6 9.2. Levase em consideração o objeto da relação jurídica substancial; se a discussão judicial se refere a questões instrumentais do processo administrativo, contra as quais se insurge o sujeito passivo da obrigação tributária, não há que se falar em desistência da instância administrativa nem em definitividade da decisão recorrida, quando nesta se discute alguma questão de direito material. Se, no entanto, a discussão administrativa gira em torno de alguma questão processual, como a tempestividade da impugnação, por exemplo, questão esta também levada à apreciação judicial, configurase a renúncia à esfera administrativa quanto a este ponto específico. 9.3. Seguindo esse raciocínio, encontrase entendimento na doutrina e na jurisprudência de que só se caracteriza a identidade de ações quando se verificam as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir: 19. Identidade de ações: caracterização. As partes devem ser as mesmas, não importando a ordem delas nos pólos das ações em análise. A causa de pedir, próxima e remota [...], deve ser a mesma nas ações, para que se as tenha como idênticas. O pedido, imediato e mediato, deve ser o mesmo: bem da vida e tipo de sentença judicial. Somente quando os três elementos, com suas seis subdivisões, forem iguais é que as ações serão idênticas. (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil Comentado. 11. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010. p. 595) Litispendência. Identidade de pedidos. A identidade de pedidos não caracteriza a litispendência. Somente se verifica a litispendência com a identidade de ações: as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir. (TRF5ª, 1ª T., Ap 17299RN, rel. Juiz Ridalvo Costa, v.u., j. 10.12.1992, JSTJ 47/583) 9.4. Vale reproduzir o seguinte excerto do Parecer PGFN/Cocat nº 2/2013: 49. Dito disso, conferimos ao instituto da concomitância no PAF o mesmo tratamento da litispendência no processo civil, pois a verificação da ausência desses dois pressupostos negativos têm como finalidade precípua evitar o processamento de causas iguais quando houver: (i) identidade das partes, (ii) da causa de pedir e (iii) do pedido (art. 301, §§ 1º e 2º, do CPC; e Súmula nº 1/CARF). 50. Com efeito, na linha do que foi afirmado no item 26, tanto a concomitância quanto a litispendência constituem requisitos de validade objetivos extrínsecos da relação processual. São pressupostos negativos, ou seja, fatos que não podem ocorrer para que o procedimento se instaure validamente. Representam acontecimentos estranhos à relação jurídica processual (daí o adjetivo "extrínseco") Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10880.972167/201040 Acórdão n.º 3301005.948 S3C3T1 Fl. 8 7 que, uma vez existentes, impedem a formação válida do processo (procedimento). 9.5. Feitos esses esclarecimentos, e à vista da terminologia utilizada nos normativos retromencionados, adotarseá, neste parecer, o entendimento de que a expressão “mesmo objeto” diz respeito àquilo sobre o qual recairá o mérito da decisão, quando sejam idênticas as demandas. Portanto, temse como critérios de aplicação da impossibilidade do prosseguimento do curso normal do processo administrativo, em vista da concomitância com processo judicial, tanto o pedido como a causa de pedir, e não somente o pedido. 9.6. Seguindo essa lógica, caso o processo administrativo fiscal contenha pedido mais abrangente que o do processo judicial, ele deve ter seguimento somente em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. Se, por exemplo, a ação judicial requer a anulação de um lançamento em relação a determinada multa, mas nada diz sobre a base de cálculo do tributo, e a impugnação administrativa tratar também da discussão sobre a base de cálculo, esta parte deverá ser objeto de julgamento administrativo. No caso concreto, a empresa sustenta o direito ao creditamento sob os seguintes pilares: princípio constitucional da nãocumulatividade; impossibilidade de retroação do ADI SRF n° 5/2006; art. 11 da Lei n° 9.779/99 e IN SRF n° 33/99. Ao final conclui: é indiscutível a inaplicabilidade do Ato Declaratório Interpretativo n° 5/2006 ao presente caso, que evidencia, por decorrência, falta de qualquer razão à decisão recorrida, consubstanciado na negativa no reconhecimento dos créditos a que faz jus a Recorrente na aquisição de insumos tributados e posterior saída de produtos com imunidade, especificamente no que tange ao segundo trimestre de 2003. Confirase os limites da ação judicial: Sentença Vistos etc. EDITORA ABRIL S/A, qualificada na inicial, impetrou o presente mandado de segurança contra ato do DELEGADO DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM SÃO PAULO, pelas razões a seguir expostas: A impetrante afirma que, no exercício de suas atividades, adquire Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10880.972167/201040 Acórdão n.º 3301005.948 S3C3T1 Fl. 9 8 grande quantidade de papel e outros insumos para, posteriormente, dar saída de seus produtos com imunidade à incidência de impostos, nos termos do artigo 150, inciso VI, alínea "d" da Constituição Federal. Alega que tais insumos estão sujeitos à tributação do IPI, que é sujeito à nãocumulatividade, mas que, em razão da imunidade conferida na saída dos seus produtos, há somente o estabelecimento de créditos na entrada, sem a posterior utilização. Sustenta ser devida a tomada de créditos decorrentes da entrada tributada de insumos com posterior saída imune, com acúmulo de saldo credor de IPI, a ser utilizado na quitação de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Alega que, apesar disso, foi editado o Ato Declaratório Interpretativo nº 06/2006, que impede a manutenção e o aproveitamento do saldo credor correspondente aos créditos de IPI nas situações em que há a aquisição de produtos tributados com posterior saída imune, o que entende ser ilegal e inconstitucional. Acrescenta que não discute o direito ao crédito em período anterior à Lei nº 9.779/99, pretendendo, somente, o reconhecimento da existência de créditos posteriores à edição da referida lei, que formaram o saldo credor de IPI, a fim de utilizálos na quitação de tributos federais. Pede a concessão da segurança para que seja assegurado o direito líquido e certo à manutenção do saldo credor de IPI oriundo de créditos decorrentes da aquisição de insumos tributados, empregados em processo industrial cuja posterior saída se dá com imunidade, bem como a compensação dos créditos com outros tributos federais administrados pela Receita Federal do Brasil. A liminar foi indeferida às fls. 6033/6035. Contra essa decisão, foi interposto agravo de instrumento pela impetrante, ao qual foi concedido o efeito suspensivo pretendido (fls. 6114/6117). Notificada, a autoridade impetrada prestou informações, às fls. 6042/6056. Nestas, afirma que a pretensão da impetrante afronta a sistemática de apuração do IPI e busca arbitrar um valor para os créditos sem que haja previsão legal. Alega que o IPI é um imposto indireto e quem arca com ele é o adquirente. Por fim, pede que seja denegada a segurança. A digna representante do Ministério Público Federa opinou pelo prosseguimento do feito (fls. 6058/6059). É o relatório. Passo a decidir. A ordem é de ser negada. Vejamos. Verifico que a matéria já foi apreciada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça. Confirase: "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. PRETENSÃO DE APROVEITAMENTO DE VALOR PAGO NA AQUISIÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS, INSUMOS E MATERIAIS DE EMBALAGENS EMPREGADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS, IMUNES, NÃOTRIBUTADOS Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10880.972167/201040 Acórdão n.º 3301005.948 S3C3T1 Fl. 10 9 OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. PREVISÃO LEGAL QUE CONTEMPLA SOMENTE OS PRODUTOS FINAIS ISENTOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. ART. 11 DA LEI 9.779/99. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ESTRITA. ARTS. 150, I, CF/88 E 97 DO CTN. INTERPRETAÇÃO LITERAL. ART. 111 DO CTN. ART. 49 DO CTN E ART. 153, IV, 3º, DA CF/88. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. DL 20.910/32. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. INCIDÊNCIA.1. A impetrante/recorrente, pessoa jurídica de direito privado, tem por objeto social a fabricação e comercialização de calçados e suas partes, peças e componentes, assim como de artigos de vestuário em geral e a prestação de serviços industriais nos dois ramos. Impetrou mandado de segurança com vistas ao aproveitamento (pedido de compensação com tributos de espécies distintas administrados pela Secretaria da Receita Federal, com atualização monetária e juros) do valor pago, a título de IPI, na aquisição de matériasprimas, insumos e materiais de embalagens utilizados na industrialização de produtos finais isentos, sujeitos à alíquota zero, nãotributados ou imunes.(...)3. O aresto recorrido entendeu que não se extrai da hipótese legal (art. 11 da Lei 9.779/99) o direito ao creditamento quando o produto final for imune ou não tributado, mas apenas quando isento ou tributado à alíquota zero. Ao final, concluiu pelo nãoprovimento da apelação da contribuinte. 4. O art. 11 da Lei 9.779/99 prevê duas hipóteses para o creditamento do IPI: quando o produto final for isento ou tributado à alíquota zero. Os casos de nãotributação e imunidade estão fora do alcance da norma, sendo vedada a sua interpretação extensiva. 5. O princípio da legalidade, insculpido no texto constitucional, exalta que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei (art. 5º, II). No campo tributário significa que nenhum tributo pode ser criado, extinto, aumentado ou reduzido sem que o seja por lei (art. 150, I, CF/88 e 97 do CTN). É o princípio da legalidade estrita. Igual pensamento pode ser atribuído a benefício concedido ao contribuinte, como no presente caso. Não estando inscrito na regra beneficiadora que na saída dos produtos nãotributados ou imunes podem ser aproveitados os créditos de IPI recolhidos na etapa antecessora, não se reconhece o direito do contribuinte nesse aspecto, sob pena de ser atribuída eficácia extensiva ao comando legal. 6. O direito tributário, dado o seu caráter excepcional, porque consiste em ingerência no patrimônio do contribuinte, não pode ter seu campo de aplicação estendido, pois todo o processo de interpretação e integração da norma tem seus limites fixados pela legalidade. 7. A interpretação extensiva não Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10880.972167/201040 Acórdão n.º 3301005.948 S3C3T1 Fl. 11 10 pode ser empregada porquanto destinase a permitir a aplicação de uma norma a circunstâncias, fatos e situações que não estão previstos, por entender que a lei teria dito menos do que gostaria. A hipótese dos autos, quanto à pretensão relativa ao aproveitamento de créditos de IPI em relação a produtos finais nãotributados ou imunes, está fora do alcance expresso da lei regedora, não se podendo concluir que o legislador a tenha querido contemplar. (...)11. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido para reconhecer, tãosomente, o direito da contribuinte à utilização dos créditos de IPI adquiridos entre 08/01/1999 e 08/01/2004 em razão da industrialização de produtos finais isentos ou tributados à alíquota zero."(RESP nº 200702994178, 1ª T. do STJ, j. em 08/04/2008, DJE de 30/04/2008, Relator: JOSÉ DELGADO grifei) Em seu voto, no julgado acima citado, o ilustre Ministro José Delgado assim se manifestou: "O texto do art. 11 da Lei 9.779/99 concede às empresas que não puderam utilizar os seus créditos de IPI, quando da saída do produto do estabelecimento industrial, ou equiparado, o direito de realizarem compensação por meio do mecanismo definido na Lei 9.430/96. Na redação do dispositivo, consignase que o saldo credor do IPI deve ser o decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero. O preceito normativo, como se vê, não contempla hipótese quando o produto final é nãotributado ou imune. (...)Examinase neste momento, portanto, situação em que a aquisição das matériasprimas, insumos e materiais de embalagem foram tributados, mas o produto final não sofreu a incidência da exação. Poderíamos tecer considerações no sentido de que estamos diante de caso em que o IPI foi recolhido anteriormente, existindo, por conseguinte, valor certo da quantia que poderia ser compensada em etapa ulterior. Porém, o art. 11 da Lei 9.779/99 não contempla hipótese em que o produto final é nãotributado ou é imune, sendo taxativo quanto aos produtos isentos ou tributados à alíquota zero. Firmo convicção, assim, pelo imprescindível respeito ao princípio da legalidade, insculpido nos arts. 150, I, da Constituição Federal e 97 do CTN, que impõe proibição expressa à criação, extinção, majoração ou redução de tributo sem lei definidora. Igual pensamento pode ser atribuído a benefício concedido ao contribuinte, como no caso presente. Não estando inscrito na regra beneficiadora que, na saída dos produtos nãotributados e imunes podemse aproveitar os créditos de IPI recolhidos na etapa antecessora, não se reconhece o direito do contribuinte nesse aspecto, sob pena de ser atribuída eficácia extensiva ao comando legal. (grifei)" Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10880.972167/201040 Acórdão n.º 3301005.948 S3C3T1 Fl. 12 11 Esse é também o entendimento do Egrégio TRF da 3ª Região. Confiramse os seguintes julgados: "TRIBUTÁRIO IPI CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE MATÉRIAS PRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAIS DE EMBALAGEM TRIBUTADOS PRODUTO FINAL ISENTO, IMUNE, NÃO TRIBUTADO OU SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO ESTORNO DOS CRÉDITOS DECRETO 2.637/98 LEI 9.779/99, ARTIGO 11 INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 33/99 IMPOSSIBILIDADE. Visando atender ao princípio da nãocumulatividade, adotase o sistema do crédito físico fazendose a compensação do montante devido em cada operação com o montante que foi pago na operação anterior, razão pela qual o aproveitamento do crédito somente pode ocorrer quando há pagamento do tributo na saída da mercadoria. A nãocumulatividade visa evitar que ao final, o consumidor acabe sofrendo o impacto decorrente da reiterada tributação no processo produtivo, com a somatória dos valores pagos a título de IPI.A majoração e extinção de tributos (art.150, I, III, a e b da CF), assim como subsídio, isenção, redução da base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições (art.150, parágrafo 6º, CF) deve ser sempre prevista em lei, entendida como espécie normativa contendo preceitos vinculantes. Caso não exista pagamento a ser feito nesta etapa do processo produtivo, nada há a compensar. O montante que já foi recolhido na operação anterior passa a integrar o preço do produto e será suportado pelo consumidor final. Para a compensação, essencial a verificação do ônus tributário, razão pela qual inviável nos casos de nãoincidência, alíquota zero ou isenção dos produtos, quando não há representação econômica do IPI.A Lei 9.779/99 não veio confirmar a tese do creditamento. Pelo contrário, apenas a partir dessa lei é que o legislador, atendendo a interesses de política fiscal, veio autorizar expressamente o creditamento, com efeitos a partir de 01.01.1999, pois embora seja de 19.01.99, é fruto da conversão da medida provisória n.1.788 de 29.12.1.998 e, em atenção ao princípio da anterioridade, não pode ser interpretada retroativamente. Não se extrai do artigo 11 da Lei 9.779/99, o direito ao creditamento quando o produto final for nãotributado, mas apenas quando tributado, ainda que à alíquota zero, ou isento."(AMS nº 200461070002120, 6ª T. do TRF da 3ª Região, j. em 20/09/06, DJU de 04.12.2006, Relator: MIGUEL DI PIERRO grifei) "TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IPI. LEI Nº 9.779/99. ATO DECLARATÓRIO Nº 05/06. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. 1. Consoante se infere da leitura do art. 11 da Lei nº 9.779/99, o contribuinte pode Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10880.972167/201040 Acórdão n.º 3301005.948 S3C3T1 Fl. 13 12 creditarse do IPI pago na aquisição de insumos necessários à industrialização de produtos isentos ou tributados à alíquota zero. 2. A norma em comento não contempla o aproveitamento do tributo na saída de produtos imunes, uma vez que, em se tratando de benefício fiscal, o dispositivo deve ser interpretado restritivamente. 3. Da análise conjunta do art. 2º do Ato Declaratório nº 05/06 e do art. 11 da Lei nº 9.779/99, verificase que o que fez aquele foi simplesmente confirmar este, ao dispor que ele não se aplica aos produtos amparados por imunidade, comprovando, portanto, o teor do referido artigo. O parágrafo único do aludido ato declaratório estabelece uma exceção à regra da Lei nº 9.779/99, não havendo, portanto, que se falar, como quer a impetrante, em modificação da norma até então vigente sobre a manutenção dos créditos de que trata a mencionada lei, nem tampouco na sua restrição aos produtos amparados pela imunidade decorrente de exportação para o exterior. 4. Concluise, portanto, não haver qualquer ilegalidade no Ato Declaratório SRF nº 05/06, que em nada influenciou no direito ao creditamento do IPI decorrente da aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos isentos ou tributados à alíquota zero. 5. Agravo retido, apelação e remessa oficial, tida por ocorrida, a que se dá provimento, para reformar a sentença, cassando, assim, a liminar deferida."(AMS nº 200661000177470, 3ª T. do TRF da 3ª Região, j. em 14/05/2009, DJF3 CJ1 de 09/06/2009, p. 75, Relatora: CECILIA MARCONDES grifei) Na esteira destes julgados, não há como acolher os argumentos da impetrante. Diante do exposto, DENEGO A SEGURANÇA, extinguindo o feito, com resolução de mérito, nos termos do artigo 269, inciso I do Código de Processo Civil. Sem honorários, conforme estabelecido no art. 25 da Lei n. 12.016/09.Custas ex lege. Transitada esta em julgado, arquivemse os autos, observadas as formalidades legais. P.R.I.C. Apelação Cuidase de agravo inominado interposto em face de decisão monocrática que negou seguimento à apelação, nos termos do artigo 557, caput, do Código de Processo Civil. A decisão proferida tem embasamento legal, já que o Código de Processo Civil permite a prolação de decisão definitiva pelo Relator do processo, quando a jurisprudência já se posicionou a respeito do assunto em Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10880.972167/201040 Acórdão n.º 3301005.948 S3C3T1 Fl. 14 13 debate, em homenagem aos princípios da celeridade e da economia processuais. Restou consignado decisum que somente os insumos aplicados na industrialização de produtos isentos ou tributados à alíquota zero podem ser reconhecidos e apurados, em obediência ao princípio da não cumulatividade, conforme abaixo transcrito: Assim, prescreve o artigo 11 da Lei 9.779, de 19.1.1999: "O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda." O artigo excepcionava, dispondo que o saldo credor do IPI acumulado, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, em que o produto final se apresente isento ou tributado à alíquota zero. A Instrução Normativa n.º 210/2002 permite, portanto, a compensação ou repetição, em se tratando de matéria prima isenta. Merece ser mantida a decisão proferida, já que não foram trazidos no agravo legal argumentos suficientes para a mudança de posicionamento. Assim, as razões do quanto decidido encontramse arrojadas de modo firme em alentada jurisprudência que expressa o pensamento absoluto desta Turma, em consonância com o supra esposado. Há que se aplicar, por conseguinte a Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ademais, a concomitância não admite a suspensão do processo até julgamento final da ação, pleito registrado pelo contribuinte. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10880.972167/201040 Acórdão n.º 3301005.948 S3C3T1 Fl. 15 14 Entretanto, em consulta ao site do TRF da 3ª Região, é possível facilmente se verificar que a ação já está encerrada. Conclusão Como já dito, toda a matéria deste presente processo administrativo está submetida à apreciação do Poder Judiciário. Do exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário, em razão da concomitância com o processo judicial n° 2009.61.00.0158359." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso voluntário em razão da concomitância com o processo judicial nº 2009.61.00.0158359. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 336DF CARF MF
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Numero do processo: 10950.904132/2011-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
PIS/COFINS. CRÉDITOS. RECEITAS DE VENDAS NÃO TRIBUTADAS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EQUIPARAÇÃO. ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS/Pasep e da Cofins não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações, cabendo também o ressarcimento ou a compensação do saldo credor acumulado no trimestre nessas condições. No entanto, no caso das sociedades cooperativas, as exclusões da base de cálculo dessas contribuições previstas art. 15 da Medida Provisória nº 2.158-35 não representam a isenção sobre as vendas correspondentes, mas somente a redução no montante a recolher da contribuição. É incabível o ressarcimento de saldo credor das contribuições com fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei nº 11.116/2005 na hipótese de receita de venda no mercado interno tributada.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-006.543
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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CRÉDITOS. RECEITAS DE VENDAS NÃO TRIBUTADAS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EQUIPARAÇÃO. ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS/Pasep e da Cofins não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações, cabendo também o ressarcimento ou a compensação do saldo credor acumulado no trimestre nessas condições. No entanto, no caso das sociedades cooperativas, as exclusões da base de cálculo dessas contribuições previstas art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835 não representam a isenção sobre as vendas correspondentes, mas somente a redução no montante a recolher da contribuição. É incabível o ressarcimento de saldo credor das contribuições com fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei nº 11.116/2005 na hipótese de receita de venda no mercado interno tributada. Recurso Voluntário negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 41 32 /2 01 1- 98 Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10950.904132/201198 Acórdão n.º 3402006.543 S3C4T2 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre o Pedido de Ressarcimento de crédito de PIS/COFINS não cumulativa vinculado à receita não tributada no mercado interno. Mediante o Despacho Decisório decidiuse pela homologação parcial da compensação declarada, não restando valor a ser ressarcido, sob os seguintes fatos e fundamentos, constantes no Relatório Fiscal: Ao contrário do crédito vinculado à Receita não Tributada no Mercado Interno, para o qual existe disposição expressa de autorização de ressarcimento (art. 17 da Lei nº 11.033, de 2005 e art. 16 da Lei nº 11.116, de 2006), não existe qualquer previsão legal para a realização de ressarcimento de crédito (de PIS e Cofins) vinculado à Receita Tributada no Mercado Interno. A receita tributável (venda de fécula), mesmo após as deduções legais (no caso, repasses aos cooperados e custos agregados), não pode se enquadrar no conceito de venda efetuada com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou nãoincidência, motivo pelo qual os créditos vinculados a essa receita só estão sujeitas ao desconto corrente ou manutenção para uso futuro em abatimento (art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/2003). As bases de cálculo negativas, geradas quando a soma dos valores de repasse aos cooperados (compra de raiz de mandioca) com os demais custos agregados são superiores aos valores das vendas tributadas (venda de fécula), não podem ser carreadas para os meses seguintes, de forma a reduzir as bases de cálculos futuras. O crédito presumido, calculado sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação do produto fécula de mandioca, está limitado à contribuição do mês e serve somente para dedução do valor devido de cada contribuição, não podendo ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. De todos os custos, despesas e encargos informados pela cooperativa em seus Dacons os únicos que estariam vinculados tanto às Receitas Não Tributadas no Mercado Interno quanto às Receitas Tributadas no Mercado Interno seriam os relativos às Despesas de Energia Elétrica. Foi procedido ao recálculo dos créditos da não cumulatividade das contribuições dos períodos fiscalizados, dividindo as despesas de energia elétrica entre os tipos de crédito (vinculado às Receitas Tributadas no Mercado Interno e às Receitas Não Tributadas no Mercado Interno), com base no rateio proporcional, cuja previsão consta dos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e alocando todos os outros custos, despesas e encargos integralmente para o crédito vinculado às Receitas Tributadas no Mercado Interno. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10950.904132/201198 Acórdão n.º 3402006.543 S3C4T2 Fl. 4 3 A interessada apresentou sua defesa em face da parte do despacho decisório, alegando, em síntese: a) Na tributação do PIS e da Cofins o ato cooperativo é caso de não incidência e as exclusões das bases de cálculo dessas contribuições (art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 e art 17 da Lei nº 10.684/2003) decorrem logicamente da não tributação do ato cooperativo. b) O art. 16 da Lei nº 11.116/2005 assegura o direito ao ressarcimento dos créditos acumulados em relação às operações não tributadas (previstas no art. 17 da Lei nº 11.033/2004). O órgão fiscal deve também considerar (para efeito de aproveitamento desses créditos) as exclusões das bases de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. A Delegacia de Julgamento não acolheu as razões da manifestante, sob os seguintes argumentos principais: A requerente apura créditos vinculados a receitas tributadas/não tributadas no mercado interno. Assim, seus créditos objetos de pedidos de ressarcimento referemse às aquisições vinculadas a vendas de produtos sujeitos à alíquota zero no mercado interno, já que esses créditos são compensáveis e ressarcíveis. Por sua vez, os créditos vinculados a vendas tributáveis no mercado interno são apenas dedutíveis das contribuições a pagar, devendo ser mantidos na escrituração da contribuinte. A empresa só pode beneficiarse da norma do art. 16 da Lei nº 11.116/2004 se suas vendas forem efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (art. 17 da Lei nº 11.033/2004). As receitas relativas à atividade de venda de amido/fécula estão sujeitas à tributação normal das contribuições, já as receitas relativas aos insumos agropecuários são tributados à alíquota zero, conforme dispõe o art. 1º da Lei nº 10.925/2004. Assim, somente o saldo credor relativo às aquisições dos produtos agropecuários é que poderia ser ressarcido ou compensado com outros tributos, pois somente essa atividade (revenda de produtos agropecuários) subsomese à hipótese constante do art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Assim é que inexiste reparo no entendimento aplicado pela fiscalização quanto à alocação dos créditos informados pela cooperativa nos Dacon. Os dispêndios relativos aos Bens Utilizados como Insumos estão diretamente ligados à Receita Tributada no Mercado Interno, já que se referem às aquisições dos bens/produtos utilizados como insumo no processo produtivo da fécula/amido. Já quanto aos outros dispêndios, é evidente a não vinculação com a revenda de produtos agropecuários para os associados da cooperativa, pois a própria denominação das rubricas (Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica, Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda e Despesas com Encargos de Depreciação) deixa claro que esses custos, despesas e encargos referemse a equipamentos/serviços utilizados na atividade tributada (venda de amido/fécula). A contribuinte não contestou a forma de rateio das despesas de energia elétrica realizada pela fiscalização, sendo forçoso concluir que houve concordância tácita quanto a esse ponto. As sociedades cooperativas passaram a se submeter à incidência da Cofins como as pessoas jurídicas em geral nos termos da Lei nº 9.718/98, ou seja, as sociedades cooperativas passaram, também, a pagar a Cofins com base nas receitas provenientes de Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10950.904132/201198 Acórdão n.º 3402006.543 S3C4T2 Fl. 5 4 operações com associados. Desse modo, como regra geral para a tributação das cooperativas, não é mais relevante a distinção entre receitas decorrentes de atos cooperados e de atos não cooperados, visto que a classificação não afeta a base imponível definida por lei. Refutase, dessa forma, a argumentação da interessada de que o ato cooperativo é caso de não incidência tributária. A efetivação das deduções legais (exclusões) das bases de cálculo das contribuições (PIS e Cofins) não tem o condão de transformar uma receita de venda que era tributada em uma receita não tributada. Lendose o art. 15 da Medida Provisória nº 2.158/35, de 2001, verificase que dentre as possibilidades legais de exclusão da base de cálculo das contribuições (PIS e Cofins) não se encontra prevista a de exclusão de base de cálculo negativa de meses anteriores. O simples fato de não haver restrição na legislação para o procedimento de transferência da base de cálculo negativa para ser descontada em meses subsequentes não autoriza que o mesmo seja realizado, posto que a fixação da base de cálculo de um tributo somente pode ser estabelecida pela Lei. Cientificada dessa decisão, a interessada interpôs o recurso voluntário, sustentando, em síntese: i) O ato cooperativo configura hipótese de não incidência tributária para fins de aproveitamento de créditos nos termos do que prescreve o art. 17 da Lei n° 11.033 de 2004. É assegurado às Sociedades Cooperativas o direito de manutenção dos créditos de PIS e COFINS, igualmente as demais empresas. O órgão fiscal também deve compreender as exclusões da base de cálculo da MP n° 2.15835/2001 e do art. 17 da Lei n° 10.684/2003 como autorizativas do aproveitamento de créditos. A exclusão, diferentemente, do ato cooperativo, deve ser analisada como isenção, mesmo que parcial. ii) São importantes para o julgamento os princípios da proporcionalidade e da moralidade administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.530, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10950.904119/201139. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402006.530): "A recorrente apenas repisa os argumentos já aduzidos na manifestação de inconformidade, sem contestar especificamente os fundamentos utilizados pela decisão recorrida para refutálos, o que já seria suficiente para não Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10950.904132/201198 Acórdão n.º 3402006.543 S3C4T2 Fl. 6 5 acolher a defesa da recorrente. Não obstante isso, a fim de se evitar futuras alegações de cerceamento do direito de defesa, passase a analisar a matéria abordada no recurso voluntário. O pedido de ressarcimento da contribuição não cumulativa sob análise está vinculado à receita não tributada no mercado interno e tem fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005, que assim dispõem, respectivamente: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Dessa forma, interessa ao pedido de ressarcimento sob tal fundamento somente os créditos vinculados às receitas do mercado interno de "vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência" da contribuição", devendo ser desconsiderados os créditos vinculados a receitas tributadas que podem apenas ser deduzidos das contribuições a pagar do período, eis que inexiste previsão legal de ressarcimento para estes últimos. No caso específico da recorrente, conforme decidido no despacho decisório e mantido na decisão recorrida, as receitas relativas às vendas de amido/fécula seriam tributadas, razão pela qual os créditos vinculados a elas não poderiam ser objeto do ressarcimento pleiteado. Por outro lado, no caso das receitas de venda no mercado interno de produtos agropecuários sujeitas à alíquota zero (art. 1º da Lei nº 10.925/2004) não houve tal Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10950.904132/201198 Acórdão n.º 3402006.543 S3C4T2 Fl. 7 6 óbice quanto ao ressarcimento/compensação do saldo credor do trimestre dos créditos vinculados a essas receitas. Conforme entendimento constante na Solução de Divergência nº 1 Cosit1, de 21 de janeiro de 2019, as exclusões da base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep tratadas no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835/20012 e no art. 11 da IN SRF nº 635/2006 1 Solução de Divergência nº 1 Cosit Data 21 de janeiro de 2019 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE DE DESCONTO DE CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO.IMPOSSIBILIDADE. A exclusão da base de cálculo das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização do produto do associado não inibe a possibilidade do desconto de crédito em relação aos insumos dessas atividades, desde que previsto no art. 23 da IN SRF nº 635, de 2006. Esses créditos não são passíveis de compensação com outros tributos ou de ressarcimento, exceto em caso de previsão legal específica. Dispositivos legais: MP nº 2.15835, de 2001 art. 15; Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º; Lei nº 10.684, de 2003 art. 17; Lei nº 11.033, de 2004, art.17; Lei nº 11.116, de 2005, art. 16; e IN SRF nº 635, de 2006, art. 23. (...) 11. Assim, cabe, primeiramente, examinar se as exclusões da base de cálculo aludidas nos incisos II e V do art. 11 da IN SRF nº 635, de 2006, são compatíveis com a apuração de créditos de que tratam os incisos II e III do art. 23 da mesma IN. 12. Como se vê, a própria IN SRF nº 635, de 2006, ao mesmo tempo em que admite a exclusão da base de cálculo das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produto do associado, bem como dos custos agregados a esse produto quando da sua comercialização, também autoriza o desconto de crédito em relação às aquisições de não associados de bens ou serviços utilizados como insumo e às despesas com armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. 13. Ao exame da questão mencionada, cumpre ressaltar que, conforme explicitado nos itens 8 e 9, os dispositivos em análise, apesar de elencados em uma Instrução Normativa, são derivados de Lei, possuindo base legal que fundamentam a sua existência. Também cabe ressaltar que não haveria lógica jurídica na reprodução na Instrução Normativa de dispositivos incompatíveis entre si. 14. Impende mencionar ainda que não há qualquer disposição na legislação vedando o creditamento após o ajuste da base de cálculo das contribuições com as exclusões legais permitidas. A vedação ao desconto de créditos somente pode ser feita nas hipóteses expressamente previstas no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, ou seja, no caso de pagamento de mão de obra a pessoa física e no caso da aquisição de bens que não sejam sujeitos ao pagamento das contribuições. 15. Importante registrar que o art. 23 da IN SRF nº 635, de 2006, admite o crédito em relação a bens adquiridos como insumos de não associados e não autoriza o crédito em relação à aquisição dos mesmos bens de associados. 16. É que a aquisição de bens de não associados é sujeita ao pagamento das contribuições pelos não associados na ocasião da venda do bem, enquanto a entrega do produto de associado à cooperativa não corresponde sequer a uma aquisição, eis que a propriedade do bem permanece na esfera do associado. Daí se concluir que não é cabível o crédito em relação à entrega do produto à cooperativa por associado. 17. Em suma, a exclusão de base de cálculo das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização do produto do associado não inibe a possibilidade do desconto de crédito em relação aos insumos dessas atividades, uma vez que a lei não traz nenhuma restrição à aplicação simultânea desses dois institutos, bem como que a própria IN SRF nº 635, de 2006, detalha, sem restrição, os créditos que podem ser descontados e as hipóteses de exclusão de base de cálculo das contribuições. 18. Resolvido o primeiro ponto e admitindose a possibilidade de desconto de créditos em relação a despesas utilizadas como exclusão da base de cálculo, resta definir se esse créditos podem ou não ser objeto de compensação com outros tributos e de ressarcimento. (...) 2 Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10950.904132/201198 Acórdão n.º 3402006.543 S3C4T2 Fl. 8 7 não são, em si, um obstáculo ao desconto de créditos em relação aos insumos dessas atividades, o qual poderá ocorrer nas hipóteses previstas na legislação. Da mesma forma a possibilidade de ressarcimento ou compensação de créditos acumulados pela cooperativa está condicionada à previsão na legislação, a qual pode, inclusive, beneficiarse no disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei nº 11.116/2005, como as demais pessoas jurídicas, em relação aos créditos vinculados às vendas não tributadas. A questão que interessa aos autos é que a recorrente quer que se considere como receitas isentas, ainda que parcialmente, para fins do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, as receitas relativas às vendas de amido/fécula, em face das exclusões da base de cálculo das contribuições (art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835), de forma a ser autorizado o ressarcimento/compensação em relação aos créditos vinculados a tais receitas. No entanto, as exclusões na base de cálculo das contribuições não acarretam a isenção das receitas dessas vendas. Diante da ausência de previsão legal específica em contrário, tais receitas de vendas são tributadas normalmente, não obstante, em face dessas exclusões, poderá o contribuinte ter um valor a recolher da contribuição menor do que o valor integral, que seria devido sem nenhuma exclusão. O que muda em face das exclusões é o valor a recolher da contribuição. É certo que a isenção somente ocorrerá com a previsão legal para determinado tipo de receita de venda, independentemente de eventuais valores excluídos da base de cálculo das contribuições e do valor a recolher para a contribuição. Nem há que se olvidar que o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 referese expressamente às "vendas efetuadas com (...) isenção", razão pela qual pouco importa se o valor a recolher da contribuição no período resultar zero ou menor do que o valor integral. Nesse sentido foi o tratamento dado pela questão na Solução de Consulta n° 383 Cosit, de 30 de agosto de 2017, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 12/09/2017, proferida nos seguintes termos: III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1o Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2o Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10950.904132/201198 Acórdão n.º 3402006.543 S3C4T2 Fl. 9 8 Solução de Consulta Cosit n° 383/2017 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep VENDAS POR COOPERATIVAS COM EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. Os créditos de que trata o art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, vinculados a vendas feitas por cooperativas com a exclusão da base de cálculo de que tratam o art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, o art. 1° da Lei n° 10.676, de 2003, e o art. 17 da Lei n° 10.684, de 2003, não podem em regra ser compensados com outros tributos nem ressarcidos. Contudo, podem ser compensados e ressarcidos os mesmos créditos vinculados a vendas feitas por cooperativas com alíquota zero, isenção, suspensão ou não incidência. Dispositivos Legais: Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 15; Lei n° 10.676, de 2003, art. 1°; Lei n° 10.684, de 2003, art. 17; Lei n° 11.033, de 2004, art. 17; e IN RFB n° 635, de 2006, art. 15. (...) 12. Em suma, a cooperativa, ao efetuar a venda de produtos a terceiros, aufere receita que compõe a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. No entanto, essa base de cálculo é ajustada mediante as exclusões previstas em lei. Em razão disso, exsurge a dúvida se tais exclusões permitem a manutenção, o ressarcimento e a compensação dos créditos apurados com fundamento no art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, e do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, vinculados a tais operações. 13. Para o deslinde da questão, releva entender a natureza jurídica dessas exclusões da base de cálculo. Notese que tais exclusões não correspondem a uma retirada de parte da base de cálculo, que deixa de ser tributada. Na verdade, as referidas exclusões não correspondem a parte das receitas das cooperativas. A título de exemplo, tomemos a exclusão do valor repassado ao associado. Esse valor não corresponde ao valor de venda das mercadorias pela cooperativa; corresponde sim ao valor de aquisição dessas mercadorias (valor que o associado recebe). Não se está, portanto, retirando parte da receita das cooperativas do campo de incidência das contribuições. A receita continua no campo de incidência. O que se retira, na verdade, está na categoria de despesas, como o valor repassado ao associado. 14. Em outras palavras, toda a receita é tributada. O que se tem, na realidade, é uma redução do quantum debeatur do tributo, que não corresponde nem a isenção, nem a suspensão, nem a alíquota zero e nem a não incidência. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10950.904132/201198 Acórdão n.º 3402006.543 S3C4T2 Fl. 10 9 15. Não se admite, portanto, que os créditos vinculados a essas operações das cooperativas possam ser mantidos e, consequentemente, ser compensados ou ressarcidos nos termos do art. 17 da Lei no 11.033, de 2004, e do art. 16 da Lei n° 11.116, de 18 de maio de 2005. 16. Esclareçase, contudo, que nada obsta que a cooperativa, ao vender produtos sujeitos a isenção, suspensão, alíquota zero ou não incidência não possa utilizar os créditos do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, e do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, vinculados a essas vendas, para fins de compensação ou ressarcimento. (...) Também a já mencionada Solução de Divergência Cosit nº 1/2019, ratifica esse entendimento: (...) 21. A questão que exsurge é se as exclusões da base de cálculo das cooperativas podem ser comparadas a isenção ou a outra forma de não tributação favorecida pelo art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, de modo a permitir a compensação e o ressarcimento dos créditos vinculados a essas receitas. 22. Tal questão foi pormenorizadamente examinada na Solução de Consulta Cosit nº 387, de 30 de agosto de 2017, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 12/09/2017 (disponível na íntegra no sítio eletrônico da RFB <http://idg.receita.fazenda.gov.br/>), o que vincula, nos termos do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 16 de setembro de 2013, o entendimento da RFB acerca da matéria. (...) 24. Resta, portanto, claro que as exclusões de base de cálculo realizadas pelas cooperativas não correspondem a isenção, suspensão, alíquota zero ou não incidência, de modo que os créditos vinculados à receita de venda de cooperativas não podem, em regra, ser aproveitados para fins de compensação ou de ressarcimento. A exceção a essa regra seriam os créditos vinculados a receitas de exportação, a receitas decorrentes de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS ou a outras receitas a que a legislação especificamente autorize a compensação e o ressarcimento. (...) Por fim, quanto aos princípios e aos subprincípios mencionados pela recorrente, há que se esclarecer que, desde que legítima, como é o caso, a aplicação e a interpretação da legislação que acaba por acarretar menor valor de créditos a ressarcir à contribuinte do que o Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10950.904132/201198 Acórdão n.º 3402006.543 S3C4T2 Fl. 11 10 pretendido não representa lesão aos princípios da proporcionalidade ou da moralidade administrativa. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 139DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.900542/2008-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 10/07/2003
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS EFETUADOS.
O contribuinte que efetuou pagamento de tributos e contribuições com base no art. 5º da Medida Provisória n° 2.222, de 04 de setembro de 2001, e na Lei n° 10.431, de 24 de abril de 2002, em valor superior ao efetivamente devido, tem direito à restituição ou compensação da parcela comprovadamente paga a maior, de acordo com os procedimentos previstos na legislação tributária federal para os tributos e contribuições federais (ADI SRF nº 17/2007).
DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DO MÉRITO.
Se a autoridade administrativa competente para apreciar o pedido, levantando questão prejudicial, sequer se manifestou sobre a existência do direito creditório, demonstrado o descabimento da prejudicial deve o processo retornar à autoridade competente para apreciá-lo.
Numero da decisão: 2201-004.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo conselheiro (relator), para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 10/07/2003 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS EFETUADOS. O contribuinte que efetuou pagamento de tributos e contribuições com base no art. 5º da Medida Provisória n° 2.222, de 04 de setembro de 2001, e na Lei n° 10.431, de 24 de abril de 2002, em valor superior ao efetivamente devido, tem direito à restituição ou compensação da parcela comprovadamente paga a maior, de acordo com os procedimentos previstos na legislação tributária federal para os tributos e contribuições federais (ADI SRF nº 17/2007). DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DO MÉRITO. Se a autoridade administrativa competente para apreciar o pedido, levantando questão prejudicial, sequer se manifestou sobre a existência do direito creditório, demonstrado o descabimento da prejudicial deve o processo retornar à autoridade competente para apreciálo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo conselheiro (relator), para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra – Presidente em exercício e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 05 42 /2 00 8- 05 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 16327.900542/200805 Acórdão n.º 2201004.953 S2C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.950, de 12 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.900498/200825, paradigma deste julgamento. "Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido, a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. O contribuinte alega que efetuou a retenção de forma equivocada de IRRF, tendo em vista que se tratava de entidade de Educação Imune. Por tal razão, não deveria ter feito a retenção do IRRF da instituição que apresentou declaração informando que cumpria os requisitos para fruição da imunidade. Em primeiro grau a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o entendimento de que não poderia apreciar o pedido de compensação, pois se encontrava pendente ação judicial perante o Supremo Tribunal Federal. Considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário." Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.950, de 12 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.900498/200825, paradigma deste julgamento. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 16327.900542/200805 Acórdão n.º 2201004.953 S2C2T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.950, de 12 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2201004.950 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. No caso em tela, verificase que a decisão de primeira instância não entrou no mérito da questão, o que pode ocasionar a malfadada a supressão de instância. Este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais determinou que a análise de mérito referente ao direito creditório deve ser feito pela decisão recorrida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS EFETUADOS NOS TERMOS DO ART. 5º DA MP n° 2.222/ 2001. O contribuinte que efetuou pagamento de tributos e contribuições com base no art. 50 da Medida Provisória n° 2.222, de 04 de setembro de 2001, e na Lei n° 10.431, de 24 de abril de 2002, em valor superior ao efetivamente devido, tem direito à restituição ou compensação da parcela comprovadamente paga a maior, de acordo com os procedimentos previstos na legislação tributária federal para os tributos e contribuições federais (ADI SRF nº 17/2007). DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DO MÉRITO. Se a autoridade administrativa competente para apreciar o pedido, levantando questão prejudicial, sequer se manifestou sobre a existência do direito creditório, demonstrado o descabimento da prejudicial deve o processo retornar à autoridade competente para apreciálo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para anular a decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à DEINF/RJ para, observando o disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 17, de 28 de dezembro de 2005, decidir o pleito. Para que a DRJ analise a regularidade da compensação realizada pela Recorrente, bem como sobre a existência do crédito, com a provas juntadas pelo contribuinte. Sendo assim, e considerando que a decisão de primeiro grau foi proferida levando em consideração a ADIn 18023 e que esta ação já foi julgada, declaro a nulidade da decisão recorrida para que outra seja proferida em seu lugar, analisando se a origem do crédito pleiteado, bem como o direito do contribuinte sobre o crédito pleiteado. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento para cancelar a decisão recorrida para que outra seja proferida." Fl. 80DF CARF MF Processo nº 16327.900542/200805 Acórdão n.º 2201004.953 S2C2T1 Fl. 5 4 Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento para cancelar a decisão recorrida para que outra seja proferida. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.904483/2008-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 15/12/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 2201-004.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 15/12/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
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NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 44 83 /2 00 8- 36 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 16327.904483/200836 Acórdão n.º 2201004.905 S2C2T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.880, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.904487/200814, paradigma deste julgamento. "Acórdão nº 2201004.880 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. O contribuinte alega que efetuou a retenção de forma equivocada de IRRF sobre operações de ganho de capital em operação de compra e venda em bolsa de valores pois considerou diversas empresas investidoras não residentes e situadas em países com tributação favorecida (paraíso fiscal). Aduz que houve erro, pois de acordo com a IN 188/02 as empresas situadas em Luxemburgo que não sejam constituídas na forma de Holding Company não estão sujeitas a retenção do IRRF e, portanto o pagamento do tributo foi compensado. A Delegacia da Receita de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte sob o fundamento em síntese de falta de comprovação dos documentos societários constitutivos da empresa investidora para não ter o tratamento de holding company na forma da legislação luxemburguesa, sendo que considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para este Conselheiro. É o que havia para ser relatado." Fl. 138DF CARF MF Processo nº 16327.904483/200836 Acórdão n.º 2201004.905 S2C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.880, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.904487/200814, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.880, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: "Acórdão nº 2201004.880 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, o conheço. Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo mantendo integralmente os termos do despacho decisório que não homologou o crédito de IRRF para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. No presente recurso o contribuinte questiona além do fato de existir provas de que a empresa investidora não era à época dos fatos holding company para se inserir na regra de retenção do IRRF, argumenta também sobre a existência de erro de fato. Contudo não foi enfrentada no acórdão da decisão da DRJ e não dedicada nem uma só linha sequer sobre o assunto do erro de fato muito embora seja ela essencial ao deslinde desta lide administrativa e tenha constado na manifestação de inconformidade do contribuinte. O contribuinte destaca em seu recurso e na manifestação de inconformidade tanto o tema quanto a ocorrência de erro de fato quanto a questão da comprovação da natureza societária em Luxemburgo da empresa investidora. Contudo, pela análise da decisão de piso, verifico que apenas a questão sobre a natureza societária da empresa investidora, no caso a comprovação se era a época dos fatos, holding company, foi objeto de decisão de primeiro grau, deixando a C. Turma do colegiado a quo de se manifestar em relação a questão do erro de fato, que foi objeto de capítulo exclusivo na manifestação de inconformidade do contribuinte. Portanto, nesse caso, de ofício e de forma preliminar entendo que para evitar supressão de instância devido ao fato da DRJ não ter analisado essa questão quanto ao erro de fato, levantada pelo contribuinte desde a manifestação de inconformidade e também em recurso voluntário, entendo que houve preterição ao direito de defesa de acordo com art. 59, II do Decreto 70.235/72 devendo ser anulada a r. decisão recorrida para que a DRJ a analise, ressalvado ao Fl. 139DF CARF MF Processo nº 16327.904483/200836 Acórdão n.º 2201004.905 S2C2T1 Fl. 5 4 contribuinte, posteriormente o recurso em relação aos demais itens não abordados nessa decisão. Com efeito, os demais argumentos trazidos no recurso ficam prejudicados quanto a sua análise em vista das razões acima, sendo que ficam ressalvados em caso de necessidade de posterior análise após nova decisão da DRJ. Conclusão Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo." Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 140DF CARF MF
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Numero do processo: 10735.903331/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
PROVAS. COMPENSAÇÃO
De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo.
TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA DE MORA. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3302-006.669
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2009 PROVAS. COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
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COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 33 31 /2 01 2- 12 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10735.903331/201212 Acórdão n.º 3302006.669 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito (s) nele discriminado(s) com crédito de Cofins, decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior que o devido. A compensação não foi homologada, consoante Despacho Decisório carreado aos autos. Inconformada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese: que o despacho decisório não preencheu os requisitos do ato administrativo, faltandolhe a forma e objeto; que a compensação pleiteada originouse de sobra de valores de Cofins pago a maior e não retificado em DCTF, sendo que, persistindo a não homologação da DCOMP apresentada, estará sendo obrigado a pagar tributos em duplicidade, em flagrante desrespeito a legislação pátria vigente e que a DCTF é apenas informativa; que é ilegal a aplicação da taxa SELIC para correção monetária do crédito tributário constituído, sendo que o correto seria aplicar o percentual de 1%, conforme CTN; que a multa aplicada fere o "princípio da proporcionalidade razoável" e possui caráter confiscatório. O colegiado a quo julgou a impugnação improcedente, nos termos do Acórdão nº 02051.785. Inconformado com a decisão de primeira instância, a recorrente apresentou o recurso voluntário ora em apreço, no qual repisa os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.663, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10735.903325/201257, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.663): Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10735.903331/201212 Acórdão n.º 3302006.669 S3C3T2 Fl. 4 3 "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. Nulidade do despacho decisório. O recorrente reproduziu a preliminar de nulidade apresentada na manifestação de inconformidade, alegando vícios no despacho decisório capazes de macular sua existência e determinar sua nulidade. Como não há elemento novo sobre o tema no recurso voluntário, e me filio à decisão proferida pela instância a quo, peço vênia para utilizar a ratio decidendi da DRJ como se minha fosse, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, in verbis: O Decreto 70.235, de 1972 prevê as hipóteses de nulidade no processo administrativo: "Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ................................................... Art. 60 As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." O despacho contestado não é nulo, pois não se configura nenhuma das hipóteses do inciso II do art. 59 acima transcrito. O ato foi lavrado por autoridade competente – Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil titular da unidade de jurisdição do sujeito passivo – e não houve preterição do direito de defesa – é no processo administrativo que ora se instala que esse direito é exercido. O fundamento de fato para o indeferimento do pedido é a insuficiência do crédito utilizado na compensação e o despacho decisório demonstra isso. No quadro do despacho decisório “Fundamentação, Decisão e Enquadramento Legal – Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PerDcomp” está indicado o débito (código da receita e período de apuração de tributo) quando o Darf foi utilizado para pagamento de tributo declarado pelo contribuinte, ou o número do PerDcomp quando o Darf foi utilizado em outro processo de compensação ou restituição. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10735.903331/201212 Acórdão n.º 3302006.669 S3C3T2 Fl. 5 4 O fundamento legal também esta informado no despacho. Portanto, não há como se acatar a preliminar de nulidade. Diante do quadro exposto, resta claro que o despacho decisório não contém vícios que possam ensejar sua nulidade. Tampouco, podese falar em cerceamento ao direito de defesa, pois os motivos determinantes que levaram ao indeferimento foram bem definidos, de tal forma que o próprio recorrente foi capaz de se insurgir contra eles. Sendo assim, nego provimento ao capítulo referente à nulidade do despacho decisório. Compensação. Ônus da prova. Alega o recorrente que utilizou créditos de Cofins, oriundo de pagamentos indevidos que resultaram em sobra de valores, referente ao período de apuração 31/12/2009. A Autoridade Fiscal afirma que os créditos utilizados na compensação pretendida pelo recorrente já havia extinguido outro débito tributário, não restando saldo para utilização. Portanto, a pedra angular do litígio posta nos autos cingese em avaliar a existência de provas suficientes ou no mínimo que dê verossimilhança às alegações do recorrente, de que o crédito por ele utilizado na compensação não havia sido aproveitado para extinguir outro débito tributário. Contudo, antes de entrar na análise das provas, cabe tecer algumas linhas sobre provas no processo. Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da impugnação. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10735.903331/201212 Acórdão n.º 3302006.669 S3C3T2 Fl. 6 5 § 2º A decisão prevista no § 1o deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para a autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito/ressarcimento. Definida a regra que direciona o onus probandi no âmbito do processo administrativo fiscal, resta estabelecer o conceito de prova, sua finalidade e seu objeto. O conceito de prova retirado dos ensinamentos de Moacir Amaral Santos: No sentido objetivo, como os meios destinados a fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Mas a prova no sentido subjetivo é aquela que se forma no espírito do julgador, seu principal destinatário, quanto à verdade desse fatos. A prova, então, consiste na convicção que as provas produzidas no processo geram no espírito do julgador quanto à existência ou inexistência dos fatos. Compreendida como um todo, reunindo seus dois caracteres, objetivo e subjetivo, que se completam e não podem ser tomados separadamente, apreciada como fato e como indução lógica, ou como meio com que se estabelece a existência positiva ou negativa do fato probando e com a própria certeza dessa existência. Para Carnelutti: As provas são fatos presentes sobre os quais se constrói a probabilidade da existência ou inexistência de um fato passado. A certeza resolvese, a rigor, em uma máxima probabilidade. Dinamarco define o objeto da prova: ....conjunto das alegações controvertidas das partes em relação a fatos relevantes para todos os julgamentos a serem feitos no processo. Fazem parte dela as alegações Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10735.903331/201212 Acórdão n.º 3302006.669 S3C3T2 Fl. 7 6 relativas a esses fatos e não os fatos em si mesmos. Sabido que o vocábulo prova vem do adjetivo latino probus, que significa bom, correto, verdadeiro, seguese que provar é demonstrar que uma alegação é boa, correta e portanto condizente com a verdade. O fato existe ou inexiste, aconteceu ou não aconteceu, sendo portanto insuscetível dessas adjetivações ou qualificações. Não há fatos bons, corretos e verdadeiros nem maus, incorretos mendazes. As legações, sim, é que podes ser verazes ou mentirosas e daí a pertinência de proválas, ou seja, demonstrar que são boas e verazes. Já a finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. Dinamarco afirma: Todo o direito opera em torno de certezas, probabilidades e riscos, sendo que as próprias certezas não passam de probabilidades muito qualificadas e jamais são absolutas porque o espírito humano não é capaz de captar com fidelidade e segurança todos os aspectos das realidades que o circulam. Para entender melhor o instituto “probabilidade” mencionado professor Dinamarco, aduzo importante distinção feita por Calamandrei entre verossimilhança e probabilidade: É verossimil algo que se assemelha a uma realidade já conhecida, que tem a aparência de ser verdadeiro. A verossimilhança indica o grau de capacidade representativa de uma descrição acerca da realidade. A verossimilhança não tem nenhuma relação com a veracidade da asserção, não surge como resultante do esforço probatório, mas sim com referência à ordem normal das coisas. A probabilidade está relacionada à existência de elementos que justifiquem a crença na veracidade da asserção. A definição do provável vinculase ao seu grau de fundamentação, de credibilidade e aceitabilidade, com base nos elementos de prova disponíveis em um contexto dado., resulta da consideração dos elementos postos à disposição do julgador para a formação de um juízo sobre a veracidade da asserção. Desse modo, a certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10735.903331/201212 Acórdão n.º 3302006.669 S3C3T2 Fl. 8 7 interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. Quanto ao exame da prova, defende Dinamarco: (...) o exame da prova é atividade intelectual consistente em buscar, nos elementos probatórios resultantes da instrução processual, pontos que permitam tirar conclusões sobre os fatos de interesse para o julgamento. Já Francesco Carnelutti compara a atividade de julgar com a atividade de um historiador: (...) o historiador indaga no passado para saber como as coisas ocorreram. O juízo que pronuncia é reflexo da realidade ou mais exatamente juízo de existência. Já o julgador encontrase ante uma hipótese e quando decide converte a hipótese em tese, adquirindo a certeza de que tenha ocorrido ou não o fato. Estar certo de um fato quer dizer conhecêlo como se houvesse visto. No mesmo sentido, o professor Moacir Amaral Santos afirma que a prova dos fatos fazse por meios adequados a fixá los em juízo. Por esses meios, ou instrumentos, os fatos deverão ser transportados para o processo, seja pela sua reconstrução histórica, ou sua representação. Assim sendo, a verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar probabilidade às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Regressando aos autos, o recorrente não apresentou um único documento, seja planilha, livros fiscais, DARF, que comprovasse ou, como dito, levantasse uma fumaça do bom direito. Não foi por falta de oportunidade, pois tanto no despacho decisório como na manifestação de inconformidade foi Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10735.903331/201212 Acórdão n.º 3302006.669 S3C3T2 Fl. 9 8 identificado que o crédito que estava sendo utilizado na compensação por ele pretendida já havia sido aproveitado na extinção de outro tributo. Cabia ao contribuinte demonstrar que essa afirmativa não refletia a realidade. Não obstante, sua atitude foi de fazer alegações gerais, sem nenhum documento probante. Diante dos fatos, cabe a esse Colegiado apreciar o pedido de compensação com as provas contidas nos autos. No caso, nenhuma. Pelas assertivas feitas, afluem razões jurídicas para manter a decisão de piso sobre o tema. Taxa SELIC. Multa de Mora O recorrente alega que a correção do crédito tributário pela taxa SELIC é ilegal. Essa matéria já foi pacificada com a aprovação do enunciado de Súmula CARF nº 04, publicada no DOU de 22/12/2009: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Com base no enunciado de Súmula CARF nº 4, nego provimento a esse capítulo recursal. Multa de Mora. Afirma o recorrente que o percentual da multa de mora não é razoável, sendo flagrantemente confiscatório. Ocorre que a multa de mora está prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Não consta na jurisprudência que o artigo tenha sido declarado inconstitucional pelo STF, nem que tenha sido revogado. Portanto, ele subsiste. Para afastar a aplicação do cânone legal citado, deve esse Colegiado declarar a inconstitucionalidade do artigo, algo vedado no nosso ordenamento jurídico. Consoante noção cediça, os Órgãos judicantes do Poder Executivo não têm competência para apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10735.903331/201212 Acórdão n.º 3302006.669 S3C3T2 Fl. 10 9 Compete a esses órgãos tãosomente o controle de legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade e/ou invalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse Poder. O Órgão Administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa. Noutro giro, não se pode olvidar que esta matéria já foi pacificada no âmbito do CARF, com a aprovação do enunciado de súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Na linha do entendimento exposto, nego provimento ao recurso quanto à possibilidade de afastar o art. 61 da Lei nº 9430/96, sob o fundamento de inconstitucionalidade." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 175DF CARF MF
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