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Numero do processo: 10073.901861/2008-72
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-000.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta confirme o valor do débito e a disponibilidade dos DARF que compõem o valor do crédito alegado na DCOMP.
((documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, Andréa Machado Millan e André Severo Chaves.
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta confirme o valor do débito e a disponibilidade dos DARF que compõem o valor do crédito alegado na DCOMP. ((documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, Andréa Machado Millan e André Severo Chaves. Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 102/104) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 12, que não homologou a compensação declarada na DCOMP nº 07824.06991.060904.1.7.04-3147, de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior no valor original de R$ 4.056,03, período de apuração 31/12/1999, código de receita 2372, valor total do DARF R$ 4.056,03, data de arrecadação 31/01/2000, tendo em vista não ter sido confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF discriminado na DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Na manifestação de inconformidade (folhas 20/22 e 62/64), a contribuinte informou que havia cometido erro de preenchimento da DCOMP. O valor correto do crédito é de R$ 80,93 , correspondente à diferença entre a soma de três DARF relativos a CSLL do 4º trimestre de 1999 nos montantes de R$ 772,32, R$ 740,53 e R$ 850,84 e débito informado em DIPJ no montante de R$ 2.282,69. Apresentou, para comprovação, cópias dos três DARF mencionados. No acórdão a quo, a não homologação foi mantida por falta de comprovação do crédito alegado. Ciência do acórdão DRJ em 22/07/2010 (folha 118). Recurso voluntário apresentado em 23/08/2010 (folha 120). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 73 .9 01 86 1/ 20 08 -7 2 Fl. 179DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 1001-000.127 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10073.901861/2008-72 A recorrente, às folhas 120/126, em síntese, afirma agora que o valor do crédito relativo ao ano-calendário de 1999 é de R$ 2.282,76, a ser compensado "do valor de R$ 6.750,43, restando um saldo para o ano base de 2000 de R$ 4.467,67" e informa escrituração dos valores no Livro Diário, sem, contudo, anexar cópia de tais lançamentos aos autos. O documento contábil que anexa é o Balanço Geral realizado em 31 de dezembro de 1999, às folhas 152/162. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Apesar da escassez de documentos comprobatórios no processo, pode-se observar que o valor calculado no recurso voluntário de CSLL a recuperar relativo ao ano-calendário 1999 (R$ 4.467,67) e, por uma diferença de poucos centavos, o valor calculado no recurso voluntário de CSLL devida no ano-calendário de 1999 (R$ 14.050,04 contra R$ 14.049,98), conferem com os valores consignados na cópia de Balanço Geral realizado em 31 de dezembro de 1999, às folhas 152/162. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que seja apurado o real valor da CSLL devida relativa ao quarto trimestre do ano-calendário de 1999, bem como a situação alocativa dos três DARF às folhas 30 e 32, nos valores de R$ 772,32, R$ 740,53 e R$ 850,84, isto é, seja informado se tais DARF encontram-se alocados a débitos ou disponíveis para restituição/compensação nos sistemas da RFB. A autoridade fiscal da unidade jurisdicionante da recorrente deverá examinar a escrituração contábil da recorrente e a situação dos DARF mencionados, produzindo relatório conclusivo que demonstre se há crédito líquido e certo de pagamento indevido ou a maior de CSLL relativa ao quarto trimestre do ano-calendário de 1999 e informando seu eventual valor original. A recorrente deve ser cientificada, inicialmente, da presente resolução e, após as intimações próprias do procedimento, ao final, do referido relatório conclusivo para que, caso entenda necessário, adicione manifestação no prazo de 30 (trinta) dias a contar de sua ciência. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.723548/2013-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012
ALIMENTAÇÃO NA FORMA DE TICKET. PAGAMENTO IN NATURA. EQUIPARAÇÃO. CARÁTER INDENIZATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
O ticket-refeição mais se aproxima do fornecimento de alimentação in natura que propriamente do pagamento em dinheiro, não havendo diferença relevante entre a empresa fornecer os alimentos aos empregados diretamente nas suas instalações ou entregar-lhes ticket-refeição para que possam se alimentar nos restaurantes conveniados.
Diante da máxima hermenêutica no sentido de que onde há a mesma razão de ser, deve prevalecer a mesma razão de decidir, deve ser mantido o entendimento acerca da não incidência das contribuições previdenciárias sobre a alimentação paga na forma de ticket, em razão do caráter indenizatório.
Numero da decisão: 9202-007.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa (relator), Mário Pereira de Pinho Filho e Maria Helena Cotta Cardozo, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Assinado digitalmente
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 ALIMENTAÇÃO NA FORMA DE TICKET. PAGAMENTO IN NATURA. EQUIPARAÇÃO. CARÁTER INDENIZATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O ticket-refeição mais se aproxima do fornecimento de alimentação in natura que propriamente do pagamento em dinheiro, não havendo diferença relevante entre a empresa fornecer os alimentos aos empregados diretamente nas suas instalações ou entregar-lhes ticket-refeição para que possam se alimentar nos restaurantes conveniados. Diante da máxima hermenêutica no sentido de que onde há a mesma razão de ser, deve prevalecer a mesma razão de decidir, deve ser mantido o entendimento acerca da não incidência das contribuições previdenciárias sobre a alimentação paga na forma de ticket, em razão do caráter indenizatório.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1828; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10280.723548/201317 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.965 – 2ª Turma Sessão de 18 de junho de 2019 Matéria Contribuição Previdenciária AuxílioAlimentação Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CÂMARA MUNICIPAL DE BELÉM ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 ALIMENTAÇÃO NA FORMA DE TICKET. PAGAMENTO IN NATURA. EQUIPARAÇÃO. CARÁTER INDENIZATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O ticketrefeição mais se aproxima do fornecimento de alimentação in natura que propriamente do pagamento em dinheiro, não havendo diferença relevante entre a empresa fornecer os alimentos aos empregados diretamente nas suas instalações ou entregarlhes ticketrefeição para que possam se alimentar nos restaurantes conveniados. Diante da máxima hermenêutica no sentido de que onde há a mesma razão de ser, deve prevalecer a mesma razão de decidir, deve ser mantido o entendimento acerca da não incidência das contribuições previdenciárias sobre a alimentação paga na forma de ticket, em razão do caráter indenizatório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa (relator), Mário Pereira de Pinho Filho e Maria Helena Cotta Cardozo, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 35 48 /2 01 3- 17 Fl. 323DF CARF MF 2 Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Assinado digitalmente Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2201003.600, proferido na Sessão de 09 de maio de 2017, que deu provimento a Recurso Voluntário, nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 ALIMENTAÇÃO NA FORMA DE TICKET. PAGAMENTO IN NATURA. CARÁTER INDENIZATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O ticketrefeição (ou valealimentação) se aproxima muito mais do fornecimento de alimentação in natura do que propriamente do pagamento em dinheiro, não havendo diferença relevante entre a empresa fornecer os alimentos aos empregados diretamente nas suas instalações ou entregarlhes ticketrefeição para que possam se alimentar nos restaurantes conveniados Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao empregado a título de alimentação in natura. O recurso visa rediscutir a seguinte matéria: incidência de contribuição previdenciária sobre ticketrefeição ou valealimentação. Em exame preliminar de admissibilidade, a Presidente da Segunda Câmara, da Segunda Seção do CARF deu seguimento ao apelo. Em suas razões recursais a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que o art. 28, § 9º, alínea “c”, da Lei nº 8.212, de 1991 prevê a exclusão do saláriodecontribuição apenas da Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10280.723548/201317 Acórdão n.º 9202007.965 CSRFT2 Fl. 3 3 alimentação fornecia in natura, e de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social, o que não abrangeria o ticketrefeição, vale refeição e outras modalidades afins. Cientificado do acórdão recorrido, do recurso especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento, a contribuinte não apresentou Contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Quanto ao mérito, a questão gira em torno de parcelas pagas a título de salário alimentação. A Turma a quo afastou a exigência sob o fundamento, em síntese, de que, segundo o Ato Declaratório PGFN nº 3, de 2011, com força vinculante, não seria exigível contribuição previdenciária sobre o valor correspondente ao fornecimento de alimentação “in natura”, entendendo ser esse o caso do entrega do auxílio na forma de tickets. Pois bem, quanto ao Ato Declaratório PGFN nº 3, de 2011 sua inaplicabilidade ao caso é patente: fornecimento de alimentação “in natura” e a entrega de valor, seja em moeda, seja na forma de um crédito representado por um ticket não se confundem. No primeiro caso, envolvem a entrega diretamente do objeto alimentação, no segundo de um valor, representado por uma espécie de moeda, ainda que esta destinese especificamente à compra de alimentos. Aliás, como ressaltado pelo acórdão recorrido, o Ato Declaratório PGFN nº 3, de 2011, e ante dele o Parecer PGFN/CRJ Nº 2117/2011, foi expedido em razão de jurisprudência do STJ a qual referese estritamente aos casos de alimentação fornecida “in natura”, diretamente pelo empregador, conforme se verifica do seguinte julgado desse tribunal: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE PRÉ QUESTIONAMENTO.EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGO EM ESPÉCIE AOS EMPREGADOS. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO DO FGTS. LEI Nº 6.321/76. LIMITAÇÃO. PORTARIA Nº 326/77. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS LEIS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS MORATÓRIOS PELA TR/TRD. APLICABILIDADE. [...] Fl. 325DF CARF MF 4 3. O STJ, em inúmeros julgados, assentou o entendimento de que o pagamento in natura do auxílio alimentação não tem natureza salarial e, como tal, não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Pela mesma razão, não integra a base de cálculo das contribuições para o FGTS, igualmente assentado no conceito de "remuneração" (Lei 8.036/90, art. 15). O auxílio alimentação pago em espécie e com habitualidade integra o salário e como tal sofre a incidência da contribuição previdenciária. Precedentes do STJ (REsp 674.999/CE, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, DJ de 30.05.2005; REsp 611.406/CE, Rel. Min. Franciulli Netto, 2ª Turma, DJ de 02.05.2005;EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, 1ª Seção, DJ de 08.11.2004; REsp 643.820/CE, Rel. Min. José Delgado, 1ª Turma, DJ de 18.10.2004; REsp 510.070/DF, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, DJ de 31.05.2004). Por tal razão, o auxílio alimentação pago em espécie com habitualidade também sofrerá a incidência do FGTS.4. "O pagamento in natura do auxílio alimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT" (EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, 1ª Seção, DJ de 08.11.2004).(...)Ex positis, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial.Publiquese. Intimações necessárias.Brasília (DF), 07 de maio de 2010.(REsp nº 1.119.787SP, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 13/05/2010). EMENTA: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REFEIÇÃO REALIZADA NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. NÃOINCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA. PRECEDENTES. 1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região segundo o qual: a) o simples inadimplemento da obrigação tributária não constitui infração à lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios; b) o auxílioalimentação fornecido pela empresa não sofre a incidência de contribuição previdenciária, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Em seu apelo, o INSS aponta negativa de vigência dos artigos 135 e 202, do CTN, 2º, § 5º, I e IV, 3º da Lei 6.830/80, 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91 e divergência jurisprudencial. Sustenta, em síntese, que: a) a) o ônus da prova acerca da não ocorrência da responsabilidade tributária será do sócio executado, tendo em vista a presunção de legitimidade e certeza da certidão da dívida ativa; b) é pacífico o entendimento no STJ de que o auxílio alimentação, caso seja pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, é salário e sofre a incidência de contribuição previdenciária.2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10280.723548/201317 Acórdão n.º 9202007.965 CSRFT2 Fl. 4 5 auxílio alimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006. (grifouse) [...] 5. Recurso especial parcialmente provido.(STJ, REsp 977.238/RS, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ 29/11/2007). DECISÃO [...] É pacífica neste Superior Tribunal de Justiça a orientação no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT.( STJ, REsp 333.001/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJ 17/11/2008) TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. 1. O pagamento in natura do auxílio alimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho.2. Ao revés, quando o auxílio alimentação é pago em dinheiro ou seu valor creditado em conta corrente, em caráter habitual e remuneratório, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária.3. Precedentes da Seção.4. Embargos de divergência providos. (grifouse)( EREsp 476.194/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ 01.08.2005). Como se percebe, os julgados acima são unânimes no entendimento de que somente se considera o fornecimento in natura, quando a alimentação é fornecida diretamente pelo próprio empregador, o que exclui a entrega ao empregado de cartões ou tickets, para aquisição de produtos em estabelecimentos comerciais. Fl. 327DF CARF MF 6 Já a interpretação da Lei nº 8.212, de 1991 não leva a outra conclusão que não a de que a exclusão das parcelas pagas a título de auxílioalimentação compreende apenas o fornecimento do alimento in natura. A Lei nº 8.212, de 1991 assim dispõe sobre a questão: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sente (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; (grifos nossos) São, portanto, duas condições para que o auxílioalimentação não integre o saláriodecontribuição: a) se fornecido de acordo com programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho; e b) ser fornecido “in natura” Quanto ao primeiro requisito, embora este não tenha sido atendido no caso, incidiria a orientação da PGFN nos atos normativos citados. Portanto, a questão não está em causa. Assim, fosse esse o único requisito desatendido do dispositivo transcrito logo acima, a questão deveria ser resolvida mediante a aplicação da orientação da PGFN. Ocorre que também o segundo requisito foi desatendimento. Conforme relatório fiscal e de acordo com a própria argumentação do contribuinte, a vantagem era fornecida aos trabalhadores mediante ticket alimentação o que, conforme ressaltado acima, não se confunde com fornecimento de alimentação “in natura”. Essa tem sido a posição predominante neste Colegiado. Como exemplo, o Acórdão nº 9202006.222, Sessão de 28/11/2017, de relatoria da Conselheira Elaine Cristina Monteiro da Silva Vieira: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA MEDIANTE TICKETS. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10280.723548/201317 Acórdão n.º 9202007.965 CSRFT2 Fl. 5 7 A empresa deve comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT para que não incidam contribuições sociais sobre a alimentação fornecida mediante tickets aos seus empregados. O Ato Declaratório PGFN Nº 03/2011 somente é aplicável quando demonstrado que, embora não tenha formalizado a adesão ao PAT, o sujeito passivo forneceu alimentação in natura, o que não abrange o pagamento em tickets. Ante o exposto, conheço do recurso interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Voto Vencedor Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz – Redatoradesignada. Não obstante o bem fundamentado voto proferido pelo Relator, a maioria do Colegiado esposou entendimento diverso a respeito da incidência das contribuições previdenciárias sobre o recebimento de alimentação na forma de “ticket”. O ticketrefeição (ou valealimentação) mais se aproxima ao fornecimento de alimentação in natura que propriamente do pagamento em dinheiro, não havendo diferença relevante entre a empresa fornecer os alimentos aos empregados diretamente nas suas instalações ou entregarlhes ticketrefeição para que possam se alimentar nos restaurantes conveniados. Acrescento que não se faz relevante a forma pela qual é feito o pagamento da verba, pois a maneira do fornecimento da alimentação, por si só, não altera a sua natureza, a sua essência e a sua finalidade. Evidentemente, o pagamento pelo fornecimento direto dos alimentos na própria empresa reduz o risco da utilização indevida da verba, mas, apesar desse contexto, não é possível entender que o pagamento na forma de ticket (fornecimento de alimentos por empresas conveniadas, fora das instalações da empresa, mediante apresentação de um cartão) seria necessariamente utilizado para remunerar o trabalhador, pois a máfé não se presume, devendo ser comprovada. Pelo que se depreende dos autos, a rubrica foi considerada como base para incidência da contribuição previdenciária pelo fato de ter sido paga na forma de ticket e não pela constatação do abuso do pagamento, ou seja, pela demonstração de que o valor correspondia, na verdade, à remuneração e não à verba indenizatória, ou seja, não houve descaracterização da natureza da verba pela fiscalização. Assim, utilizandome da máxima hermenêutica no sentido de que onde há a mesma razão de ser, deve prevalecer a mesma razão de decidir, não vejo como afastar o fornecimento de alimentação na forma de ticket da norma isentiva aplicada nos demais casos nos quais há fornecimento de alimentação in natura. Fl. 329DF CARF MF 8 De acordo com os artigos 3º da Lei n.º 6.321/76 e 6º do Decreto n.º 5/1991, o pagamento in natura do auxílioalimentação pela empresa nos programas de alimentação previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária e do FGTS. No mesmo sentido, a Lei n° 8.212/1991 estabelece em seu artigo 28, parágrafo 9º, alínea “c”, que a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/1976 não integrará base de cálculo da contribuição previdenciária. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se manifestou no sentido de que, ainda que a empresa não esteja inscrita no PAT, não incide a contribuição previdenciária sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação. Diante da jurisprudência pacífica do STJ, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) editou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.117/2011, esclarecendo que, esteja ou não o empregador inscrito no PAT, o auxílioalimentação pago in natura não ostenta natureza salarial e, portanto, não integra a remuneração do trabalhador. Nessa mesma manifestação, a PGFN recomendou a edição de Ato Declaratório nesse sentido. Acolhendo a sugestão, a Procuradora Geral da Fazenda Nacional editou o Ato Declaratório nº 3/2011, estabelecendo que “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. Nessa esteira, a Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil (IN RFB) nº 1.453/2014 alterou o inciso III do art. 58 da IN RFB nº 971/2009 para retirar o requisito de concordância com “os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)” para fins de tributação da alimentação in natura. É dizer: também está claro para a Receita Federal que essas parcelas não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. Desse modo, entendo pela manutenção da decisão recorrida quanto a não incidência das contribuições previdenciárias sobre a alimentação fornecida na forma de vale refeição. Posto isto, prevaleceu o entendimento no sentido de negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Assinado digitalmente Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10280.723548/201317 Acórdão n.º 9202007.965 CSRFT2 Fl. 6 9 Fl. 331DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.722338/2017-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2015
COMPENSAÇÃO. GLOSA.
É cabível a glosa dos valores indevidamente compensados, acrescida de multa de mora e juros de mora, quando ausente a comprovação pelo sujeito passivo da existência de crédito líquido e certo.
Numero da decisão: 2201-005.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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GLOSA. É cabível a glosa dos valores indevidamente compensados, acrescida de multa de mora e juros de mora, quando ausente a comprovação pelo sujeito passivo da existência de crédito líquido e certo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 15-43.965 - 6 a Turma da DRJ/SDR, o qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. Adoto o relatório da decisão de primeira instância pela sua completude e capacidade de elucidação dos fatos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 23 38 /2 01 7- 76 Fl. 152DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.213 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.722338/2017-76 Trata-se de créditos tributários declarados pelo contribuinte acima identificado, por meio de Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP, cujas compensações foram não homologadas pela Administração Tributária, mediante o Despacho Decisório DRF/AJU n° 595, de 26/07/2017. Conforme descrito no Despacho Decisório (fls. 99-104), o Município foi intimado para apresentar “informações quanto à origem e natureza dos créditos utilizados nas compensações efetivadas”, no valor originário de R$ 7.948.481,39, no período de 01/2015 a 12/2015 (fls. 2-7 e 97). No entanto, deixou de atender à intimação, permanecendo inerte. Os supostos créditos do contribuinte compensados nas GFIP de 01 a 12/2015 referem-se a competências abrangidas pelo período de 01/2005 a 11/2008 (competências de origem do crédito compensado, fls. 6 e 97). No Despacho Decisório, a Autoridade Tributária ressaltou: Relevante observar que, mesmo que as importâncias compensadas pudessem estar amparadas em dispositivos legais, tais valores restariam prescritos considerando-se o período inicial e final informados no campo “Competência de Origem do Créditos” das GFIPs apresentadas, conforme mostra a Tela “Compensações Declaradas em GFIP”, extraída do aplicativo RESTWEB (fls.90-93). Diante da constatação de que “as quantias declaradas indevidamente a título de compensação atingiram o mesmo montante das contribuições previdenciárias calculadas pelo sistema SEFIP, resultando na apuração de valor zero a recolher, não obstante os expressivos valores de massa salarial e número de segurados declarados em GFIPs”, o Auditor-Fiscal concluiu restar configurada a adoção de conduta ilegal com o objetivo de reduzir a carga tributária do Município, com graves prejuízos para o custeio do Regime Geral de Previdência Social. Então, a Autoridade Tributária decidiu não homologar a compensação declarada pelo Município, conferindo exigibilidade aos créditos tributários correspondentes. No Despacho Decisório, consta o seguinte trecho que resume o motivo da decisão: Ante o exposto, impõe-se a não homologação das compensações realizadas em tais GFIPs, já que alicerçadas em créditos de origem não comprovada. Em decorrência da não homologação, exige-se do contribuinte o recolhimento dos débitos indevidamente compensados, acrescidos de juros e multa de mora, como prevê o art. 85 da IN RFB n° 1717/2017, em consonância com o disposto no § 9°do art. 89 da Lei n° 8.212/1991 [...]. Foi também lavrado Auto de Infração, no Processo Administrativo Fiscal n° 10510.722946/2017-81, para exigir a multa isolada de que trata o §10 do art. 89 da Lei n° 8.212/91 combinado com o inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.430/96. O Município foi cientificado do Despacho Decisório em 01/08/2017 (remessa postal, fl. 109). Manifestação de inconformidade O Município apresentou manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório em 10/08/2017 (fls. 111-114). Em síntese, o Município deixou de contestar a prescrição dos seus supostos créditos relativos ao período de 2005 a 2008 compensados com créditos da União de 2015, e deixou de apresentar documentos probatórios, restringindo-se a alegar o seguinte: “Como se infere da análise detida dos autos, as compensações operadas pelo Município de Tobias Barreto/SE, analisadas nestes autos, foram pautadas exclusivamente em créditos de natureza transitória/indenizatório, portanto não incidentes de contribuições, encontram-se liquidadas e comprovadas nos autos”; O expediente adotado pelo Município foi pautado em decisões modernas do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça. Fl. 153DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.213 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.722338/2017-76 O Município pediu a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários e a homologação das compensações realizadas. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo (fls. 125/129): MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL COM EFEITOS DE NEGATIVA. DECORRÊNCIA DA LEI. Por disposição legal, a apresentação válida de manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade do crédito combatido e, por conseguinte, não impede o fornecimento de certidão de regularidade fiscal positiva, com efeitos de negativa. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO CRÉDITO. GLOSA DA COMPENSAÇÃO. A não comprovação, por parte do contribuinte, da origem dos seus créditos inviabiliza a verificação da certeza e liquidez dos créditos compensados e, por consequência, impõe a não homologação da compensação tributária e a exigibilidade dos correspondentes créditos tributários da União. Em face da referida decisão, da qual foi cientificada em 21/02/2018 (fl.132) o contribuinte manejou Recurso Voluntário (fls. 135/138) em 16/03/2018, alegando, em síntese que todas as compensações efetuadas se deram pelo pagamento de verbas transitórias ou indenizatórias e estão fundamentadas na mais moderna jurisprudência dos Tribunais Superiores. É o relato do necessário. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Da compensação De início, deve ser mencionado que a Lei n° 8.212/1991 estabeleceu regime jurídico próprio para compensação de contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único, art.11, nos seguintes termos: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (grifou-se) A Instrução Normativa RFB n° 1.300, de 20/11/2012, em harmonia com o dispositivo legal supra transcrito estabeleceu as regras aplicáveis à compensação em matéria previdenciária até sua revogação pela Instrução Normativa n° 1717, de 17 de julho 2017, dispunha que: Fl. 154DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.213 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.722338/2017-76 Art. 56. O sujeito passivo que apurar crédito relativo às contribuições previdenciárias previstas nas alíneas "a" a "d" do inciso I do parágrafo único do art. 1°, passível de restituição ou de reembolso, inclusive o crédito relativo à Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), poderá utilizá-lo na compensação de contribuições previdenciárias correspondentes a períodos subsequentes. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB n° 1529, de 18 de dezembro de 2014) § 1°Para efetuar a compensação o sujeito passivo deverá estar em situação regular relativa aos créditos constituídos por meio de auto de infração ou notificação de lançamento, aos parcelados e aos débitos declarados, considerando todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil, ressalvados os débitos cuja exigibilidade esteja suspensa. (...) §7° A compensação deve ser informada em GFIP na competência de sua efetivação, observado o disposto no § 8°. Art 57. No caso de compensação indevida, o sujeito passivo deverá recolher o valor indevidamente compensado, acrescido de juros e multa de mora devidos. Parágrafo único. Caso a compensação indevida decorra de informação incorreta em GFIP, deverá ser apresentada declaração retificadora. Relevante observar, ainda, que a compensação é modalidade de extinção do crédito tributário previsto nos arts. 156, inciso II, e 170, caput, do Código Tributário Nacional. A extinção do crédito tributário, entretanto, ocorre sob condição resolutória de ulterior homologação, a ser realizada pela Receita Federal do Brasil/RFB, mediante comprovação da existência e liquidez dos referidos créditos, constituindo-se direito subjetivo do contribuinte realizar por sua iniciativa compensações de valores recolhidos indevidamente, sem qualquer participação do Fisco. No presente caso, o recorrente assevera, de modo genérico, que a compensação glosada não seria indevida, posto que pautada em pagamentos de verbas transitórias ou indenizatórias. Todavia, descuidou-se o recorrente de demonstrar a origem dos créditos tributários a que supostamente faria jus. Não obstante as várias intimações recebidas, o recorrente permaneceu inerte, de modo que não há como se saber a origem do crédito que pretendeu compensar. Portanto, não existe crédito líquido e certo passível de compensação. Simplesmente dizer que a conduta se baseia em pagamentos de verbas transitórias e indenizatórias, sem qualquer liame estabelecido com outros argumentos e elementos probatórios, é o mesmo que nada dizer. Trata-se de uma mera alegação evasiva, que não pode ser levada em consideração para afastar a glosa regularmente efetuada pela autoridade fiscal. O contribuinte não elaborou demonstrativo, não tendo discriminado, para as respectivas competências, os créditos que estariam sendo utilizados. Também não esclareceu quando e quanto foi a verba paga ou creditada, cuja contribuição previdenciária teria sido recolhida e quais as decisões com trânsito em julgado reconhecido lhe autorizavam a compensar os créditos tributários que alega possuir A compensação tributária somente pode ser homologada quando o crédito possuir os atributos de certeza e liquidez. Esse ônus é do contribuinte, que quando não comprova o recolhimento indevido de contribuições, não pode ter a homologação de compensação de qualquer crédito em seu favor, sendo plenamente cabível a glosa das compensações efetuadas pela autoridade fazendária. Fl. 155DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.213 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.722338/2017-76 Por derradeiro, cabe destaque o fato apontado no Despacho Decisório e ratificado pela decisão de piso de que, mesmo que as importâncias compensadas pudessem estar amparadas em dispositivos legais, o que não é o caso dos autos, tais valores restariam prescritos considerando-se o período inicial e final informados no campo “Competência de Origem do Créditos” das GFIP apresentadas, conforme mostra a Tela “Compensações Declaradas em GFIP”, extraída do aplicativo RESTWEB (fls. 90-93). Referida constatação sequer foi refutada pelo contribuinte nas peças de defesa, sendo, assim, incontroversa a ocorrência da prescrição do direito de efetuar compensação. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 156DF CARF MF
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Numero do processo: 10825.720563/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. PREVISÃO LEGAL
A utilização de créditos na apuração das contribuições não-cumulativas pressupõe a comprovação da autenticidade das operações que os geraram e sua adequação às disposições legais .
Numero da decisão: 3301-006.272
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. PREVISÃO LEGAL A utilização de créditos na apuração das contribuições não-cumulativas pressupõe a comprovação da autenticidade das operações que os geraram e sua adequação às disposições legais . Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 05 63 /2 00 9- 14 Fl. 231DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.272 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.720563/2009-14 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos de CONFINS, regime não-cumulativo, respaldo pelo disposto no artigo 17 da Lei n° 11.033/2004, que assegura a manutenção dos créditos vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não-incidência da referida contribuição, cumulado com compensações. Após análise, a DRF de origem elaborou Despacho Decisório, no qual decidiu pela total improcedência do valor pleiteado, conforme Termo de Constatação Fiscal, que é parte integrante do referido Despacho, não homologando as compensações. Informa o Auditor-fiscal que a empresa é atacadista de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e higiene pessoal entre outros, e apura o imposto de renda pelo lucro real e, portanto, o PIS e a COFINS pelo regime não cumulativo. Muitos dos produtos citados, de acordo com a lei 10.147/2000, modificada pela Lei 10.548/2002, estão sujeitos a incidência monofásica das contribuições ao PIS e a COFINS. São assim, tributados na indústria, não sofrendo incidência de ambas contribuições na revenda. Após transcrever as normas relativas à não cumulatividade da contribuição em apreço, registra que a revenda de produtos farmacêutico, de perfumaria, de toucador e higiene pessoal, classificados nos códigos descritos acima da TIPI, não geram direito ao crédito sobre os valores de suas aquisições, desde a instituição do regime não-cumulativo. Não se aplica, para esses produtos, o disposto no art. 17 da Lei 11.033/2004, utilizado pelo contribuinte para embasar o pedido de ressarcimento via PER/DCOMP. Por outro lado, reconhece que sobre os demais produtos revendidos pelo contribuinte, não enquadrados na incidência monofásica, são tributados normalmente na saída, portanto, gerando créditos sobre tais aquisições. Conclui que o contribuinte somente poderia pedir ressarcimento de contribuições não cumulativas referente às receitas decorrentes de exportação de seus produtos sujeitos ao regime não cumulativo que não sejam monofásicos. Passa a discorrer sobre a análise da DACON, que resultou na intimação e reintimação da empresa para comprovar com documentação idônea as transações com as comerciais exportadoras, o que não ocorreu. Concluiu a fiscalização que não haveria valores a serem ressarcidos, uma vez que no período não houve exportação comprovada pela empresa, seja diretamente, seja via comercial exportadora de produtos não monofásicos sujeitos ao regime não cumulativo de apuração da contribuição. E não haveria que se falar no art. 17 da Lei 11.033/2004, pois este não se aplica a nenhum dos produtos vendidos pela fiscalizada. Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Alega manifesta nulidade do auto/despacho decisório, alegando ausência da precisa indicação do dispositivo legal supostamente violado, o que resultaria no cerceamento de seu direito de defesa. Afirma que o Despacho Decisório não contemplou a descrição do fato e nem tampouco a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. Fl. 232DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.272 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.720563/2009-14 Rejeita a menção, pela fiscalização, a procedimentos fiscais cuja contestação encontra-se em trâmite no CARF. Questiona ainda conclusões relativas à análise do DACON e as glosas realizadas, alegando, em síntese que: a) paradoxalmente, a fiscalização afirma que a contribuinte é atacadista de produtos sujeitos ao regime monofásico, e assim não teria direito a crédito algum, mas na reconstituição do Dacon, ela não só reconhece créditos a descontar como apura saldo credor da contribuição; b) o inciso IV do art. 3º das Leis 10.637 e 10.833 prevê a possibilidade da pessoa jurídica apurar créditos referentes a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos à pessoa jurídica e utilizados nas atividades da empresa; portanto a glosa não foi amparada em nenhum dispositivo legal; c) a glosa descrita relativa à máquinas e equipamentos, quando confrontada com o inciso IX do referido art. 3º, carece de legalidade; d) a vedação suscitada pelo fisco, relativamente ao inciso VI, não condiz com a nova redação do dispositivo conferida pela Lei nº 11.196, de 2005; e) o fato da empresa “Pedra Azul”, que alugou imóvel para a contribuinte, pertencer aos seus sócios não é impeditivo do creditamento, bem como a permanência do locatário no imóvel, após o prazo contratual, presume a prorrogação do mesmo por prazo indeterminado, nos termos da Lei nº 8.245, de 1991; f) os comprovantes dos aluguéis foram apresentados à fiscalização, sendo a respectiva glosa baseada em conjecturas. Reitera não ter havido creditamento referente a produtos sujeitos à tributação monofásica, tendo sido feita a devida exclusão de tais receitas nos Dacon de 2006. O creditamento teria ocorrido nos estritos termos das Leis 10.637 e 10.833. Discorreu sobre o art. 17 da Lei nº 11.033, argumentando que a suposta ausência de exportação, ocorrendo a venda de quaisquer produtos com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições não impediriam a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Citou instrução de preenchimento do Dacon, da própria Receita Federal. Volta a falar da “autuação anterior”, para reafirmar inexistir “decisão definitiva sobre as exportações realizadas, bem assim provas de sua hipotética inocorrência”. Acrescentou não possuir qualquer ingerência nas empresas comerciais exportadoras relacionadas pelo fisco, não podendo ser responsabilizada por qualquer irregularidade a elas atribuídas. Discorre sobre o princípio da vedação ao confisco e o conceito de justiça tributária. Finaliza requerendo, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório, calcado no auto de infração em tela, por afrotna aos incisos III e IV, do art. 10, do Decreto 70.235/72. E, em respeito ao principio da eventualidade, caso superada a preliminar, sejam reconhecidos os créditos de COFINS e a integridade dos referidos DACONS, julgando-se improcedente o auto de infração. Por seu turno, a DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, assentando que a utilização de créditos na apuração das contribuições não-cumulativas pressupõe a comprovação da autenticidade das operações que os geraram e sua adequação às Fl. 233DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.272 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.720563/2009-14 disposições legais. Concluiu-se, ainda, que a manutenção de créditos da não-cumulatividade relativos a vendas sem incidência das contribuições, pressupõe a previsão legal de apuração dos créditos nas operações de aquisição. Na decisão, foi ainda registrado que a prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, em que essencialmente repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. Inicialmente, afirmou que o PAF 13827.000616/2010-99 não se relaciona com os autos. Discorreu sobre o direito creditório vinculado aos produtos monofásicos e sobre a possibilidade de creditamento de despesas de aluguel. Esses pontos serão devidamente abordados no Voto. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301- 006.270, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do processo 10825.720562/2009-70, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006.270): O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. Os argumentos expendidos pela Recorrente para solicitar a reforma do acórdão recorrido são os seguintes: 11.1 — DO DIREITO CREDITÓRIO SOBRE OS CUSTOS E DESPESAS VINCULADOS AOS PRODUTOS MONOFÁSICOS 11.2 — DA APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE AS DESPESAS DE ALUGUEL DE PRÉDIO DE PESSOA JURÍDICA Analisaremos cada um deles. 11.1 — DO DIREITO CREDITÓRIO SOBRE OS CUSTOS E DESPESAS VINCULADOS AOS PRODUTOS MONOFÁSICOS Afirma a Recorrente que sua atividade principal é a distribuição de produtos farmacêuticos, de perfumaria, toucador e higiene pessoal, sendo que cerca de 90% desses produtos se encontra submetida à incidência monofásica das Contribuição para o PIS e da COFINS. Segundo a Recorrente, a incidência monofásica consiste no recolhimento de forma concentrada e integral das Contribuições ao PIS e à COFINS pelo fabricante ou importador, mediante a aplicação de alíquota mais elevada; assim, a receita auferida pelos distribuidores, atacadistas e varejistas, com a posterior revenda destes produtos, não constitui base de cálculo das contribuições em pauta. Ou seja, nessa sistemática, todos os contribuintes, à exceção do fabricante ou importador (responsáveis pelo recolhimento), ficam desobrigados do recolhimento das contribuições sobre a receita por eles auferida com os produtos sujeitos à incidência monofásica. Por outro lado, Fl. 234DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.272 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.720563/2009-14 afirma, é em virtude da exclusão de tais receitas da base de cálculo das referidas contribuições, é vedada a apropriação de créditos sobre o valor de aquisição de tais produtos. No entanto, entende a Recorrente que a circunstância dos produtos sujeitos à tributação monofásica impedir o creditamento sobre as respectivas aquisições, não exclui a possibilidade de apropriação dos créditos sobre os custos e despesas vinculados às operações com estes realizadas, porque, assevera, no momento em que entrou em vigor a sistemática não cumulativa, todos essas outras despesas e custos foram submetidos à uma tributação mais gravosa. Afirma a Recorrente: O Regime Monofásico ou Concentrado de tributação das Contribuições para as indústrias farmacêuticas, de higiene pessoal e cosméticos foi implementado em 2000 pela Lei 10.147/2000. Quando da entrada em vigor da sistemática não cumulativa das Contribuições ao PIS e COFINS (Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), apesar da tributação das mercadorias sujeitas ao método monofásico não ser alterada, todas as outras despesas e custos passaram a ser submetidas a uma alíquota mais gravosa. A contrapartida disso é justamente a possibilidade de apropriação de créditos sobre tais dispêndios. A Recorrente cita soluções de consulta expedidas pelas Superintendências da Receita Federal que corroborariam seu entendimento. No que concerne à apropriação de crédito sobre operações sujeitas ao regime de incidência monofásica, transcreve-se trecho do Recurso Voluntário que é bastante elucidativo: Note-se que, em momento algum se discute nos presentes autos o direito creditório sobre o valor de aquisição de produtos sujeitos à incidência monofásica das Contribuições ao PIS e à COFINS (vedado expressamente pela legislação), mas sim, o direito creditório sobre os custos e despesas vinculados às operações com tais produtos (expressamente autorizado pela própria SRFB, conforme Soluções de Consulta acima expostas). Portanto, estão em pauta os custos atrelados às operações sujeitas à incidência monofásica e não as aquisições, propriamente ditas, de tais produtos, que o próprio contribuinte reconhece como vedadas pela lei. Todavia, em que pese a especificidade, a Recorrente não esclareceu quais seriam os custos que, nestas condições, não foram admitidos pelas autoridades administrativas, valendo-se de um argumento genérico. Nas peças recursais, conforme já anotado na decisão de piso, não foi feita qualquer menção quanto às razões que ensejaram a redução do valor da Cofins devida, de R$ 635.081,26 (Dacon original) para R$ 596.796,08. Nenhum argumento e nenhuma prova foram juntadas para comprovar a redução da base de cálculo. O art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) exige a liquidez e certeza dos indébitos para a realização da compensação. Portanto, não basta a contribuinte alterar o Dacon, mas, conforme concluiu a DRJ, deveria ter comprovado, mediante apresentação dos livros contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais, a natureza da receita, bem assim o seu valor. Assim, seguimos a decisão de piso no entendimento de que somente com esse procedimento se poderia constatar o equívoco alegado e se apurar o valor efetivamente devido para se confrontar com o valor recolhido e calcular o quantum do indébito havido. Desssarte, propõe-se manter integralmente o entendimento da decisão recorrida neste ponto. 11.2 — DA APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE AS DESPESAS DE ALUGUEL DE PRÉDIO DE PESSOA JURÍDICA Fl. 235DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.272 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.720563/2009-14 Apresenta a Recorrente ainda as seguintes alegações: Compulsando os autos, verifica-se que, no tocante à questão da apropriação de créditos sobre as despesas de aluguel de prédio de pessoa jurídica, a Colenda Turma Julgadora entendeu por bem em não se manifestar sobre a matéria veiculada sob a alegação de que a mesma já teria sido apreciada nos autos do Processo Administrativo n° 13827.000616/2010-99. Contudo, impende ressaltar que o Processo Administrativo n° 13827.000616/2010-99 ainda se encontra em tramitação (extrato anexo), não havendo nenhum pronunciamento de mérito definitivo que impeça a análise da questão por este E. Tribunal, razão pela qual a Contribuinte expõe as suas razões que implicam na reforma do v. acórdão recorrido com relação a também este ponto. No presente momento, porém, o Processo Administrativo n° 13827.000616/2010-99 encontra-se julgado de forma definitiva no âmbito administrativo, pelo Acórdão no. 3401002.421 - 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 22 de outubro de 2013, com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2006 a 30/11/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE IMPUGNADA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, que cuida do processo administrativo fiscal, considera-se não impugnada a matéria não expressamente contestada no recurso manobrado, precluindo o direito de fazê-lo em outra oportunidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/11/2006 ALUGUÉIS. PAGAMENTOS A PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. As despesas com aluguéis pagos a pessoa jurídica conferem créditos na apuração não cumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, entretanto, demandam prova por meio de documentação idônea. FRAUDE. CARACTERIZAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. A prática de fraude, conforme conceituada no art. 72 da Lei nº 4.502/64, consistente na reiterada utilização de despesas não comprovadas para geração de créditos da não cumulatividade, impõe a aplicação da multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, segundo determinação do art. 44, II da Lei nº 9.430/96. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2006 a 30/11/2006 ALUGUÉIS. PAGAMENTOS A PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. As despesas com aluguéis pagos a pessoa jurídica conferem créditos na apuração não cumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, entretanto, demandam prova por meio de documentação idônea. FRAUDE. CARACTERIZAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. A prática de fraude, conforme conceituada no art. 72 da Lei nº 4.502/64, consistente na reiterada utilização de despesas não comprovadas para geração Fl. 236DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-006.272 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.720563/2009-14 de créditos da não cumulatividade, impõe a aplicação da multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, conforme determinação do art. 44, II da Lei nº 9.430/96. Recurso voluntário negado. Portanto, neste ponto também não assiste razão à Recorrente. CONCLUSÃO Destarte, tendo em conta o exposto, proponho que seja negado provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do presente voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 237DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11052.720071/2017-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013
CONTRATO IMPROPRIAMENTE DENOMINADO DE AFRETAMENTO DE NAVIO DE PESQUISA. REAL NATUREZA JURÍDICA DO CONTRATO. SERVIÇOS TÉCNICOS.DE PESQUISA SÍSMICA. REMESSA AO EXTERIOR COMO REMUNERAÇÃO PELOS SERVIÇOS PRESTADOS, CIDE. POSSIBILIDADE.
1. Para fins tributários, prevalece a essência do negócio contratado e não a forma do contrato impropriamente denominado de afretamento. Segundo os fatos comprova-se que o foi contratado pela recorrente na essência foi a pesquisa de dados sísmicos., sendo o navio com equipamentos e pessoal técnico especializado parte integrante e indissociável do contrato de pesquisa, necessário para a execução do serviço contatado.
2. O fornecimento da embarcação, com equipamentos sísmicos, é parte integrante e indissociável dos serviços técnicos de levantamento de dados. Os valores mensais integrais remetidos a empresas estrangeiras prestadoras do serviço sofrem a incidência da CIDE.
CONTRATOS COLIGADOS EM SENTIDO ESTRITO. BIPARTIÇÃO DE CONTRATO EM CONTRATO DE AFRETAMENTO E CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. AUTORIZAÇÃO LEGAL. POSSIBILIDADE.
É legítima a celebração de contratos bipartidos ou coligados, como no caso, contrato de afretamento e prestação de serviços, relacionados á prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, diante de autorização legal, consubstanciada na Lei nº 13.043/2014, que alterou introduziu o § 2º ao artigo 1º da Lei nº 9.481/1997.
LIVRE INICIATIVA. GARANTIA CONSTITUCIONAL. FORMA DE REDAÇÃO DOS CONTRATOS. ATRIBUTOS DO ADMINISTRADOR DA PESSOA JURÍDICA.
O planejamento tributário nasce de uma necessidade do empresário e/ou contribuinte de se protegerem das incertezas e inseguranças jurídicas e principalmente reduzir ou retardar a ocorrência do fato gerador de tributos, visando sempre a economia tributária dentro da forma e limites da lei. Assim, de acordo com tais definições, no planejamento tributário tem-se a ênfase na liberdade do contribuinte, de forma legítima e amparado pelo direito, realizar atos que evitem, retardem ou reduzam a incidência de tributos em suas operações. A legislação brasileira não possui nenhum instituto que aponte diretamente o conceito de planejamento tributário, ou como o empresário e/ou contribuinte deva ou não se organizar na expectativa de obter uma economia tributária.
A DOUTRINA DA PREVALÊNCIA DA ESSÊNCIA SOBRE A FORMA E A TEORIA DO PROPÓSITO NEGOCIAL.
Independente da denominação que se dê ao instrumento que dá forma ao negócio, há que se prescutar a verdadeira essência do negócio, analisando-o como um todo, envolvendo não só o instrumento contratual, mas também o ambiente onde se insere toda o complexo negocial, sendo o contrato apenas um elemento de tal complexo. O que há se ter em foco é o objeto final do negócio onde se insere o contrato, sendo que este é apenas a forma onde se amolda a verdadeira essência do negócio.
CONTRATO DENOMINADO DE AFRETAMENTO DE NAVIO DE PESQUISA. ESSÊNCIA DA NATUREZA DO NEGÓCIO JURÍDICO CONTRATADO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS DE PESQUISA SÍSMICA E COLETA DE DADOS.
Para efeitos tributários, prevalece a essência do negócio, independente de sua roupagem formal contida nos instrumentos contratuais denominado de afretamento de navio de pesquisa, que apenas amolda o negócio aos requisitos formais da legislação. Conforme comprovação nos autos, a essência do negócio jurídico contratado foi a prestação de serviços de levantamento de dados sísmicos para cessão a clientes mediante licença e não o afretamento da embarcação.
O fornecimento da embarcação, no caso navio de pesquisas, totalmente equipada com equipamentos e pessoal especializados na área de sismologia, consubstancia-se em parte integrante e indissociável do real contrato de prestação de serviços técnicos, pois que absolutamente necessários ao desenvolvimento dos serviços contratados, quais sejam o de levantamento e coleta de dados sísmicos.
REMESSA AO EXTERIOR DE VALORES REFERENTES Á REMUNERAÇÃO POR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS ESPECIALIZADOS. INCIDÊNCIA DA CIDE-REMESSAS. POSSIBILIDADE.
O fornecimento da embarcação, no caso navio de pesquisas, totalmente equipada com equipamentos e pessoal especializados na área de sismologia, consubstancia-se em parte integrante e indissociável do real contrato de prestação de serviços técnicos, pois que absolutamente necessários ao desenvolvimento dos serviços contratados, quais sejam o de levantamento e coleta de dados sísmicos, motivo pelo qual os valores totais mensais remetidos ao exterior a título de remuneração, á empresa domiciliada no exterior, prestadora dos serviços, estão sujeitos a incidência da CIDE-REMESSAS, integrando a base de cálculo da contribuição.
CIDE-REMESSAS. INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. IRRELEVÂNCIA.
Há incidência da CIDE-REMESSAS sobre os valores de remuneração, mensalmente pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior, pela prestação de serviços técnicos estabelecidos em contrato, sendo irrelevante, para a incidência da contribuição, qualquer vinculação com transferência de tecnologia.
Numero da decisão: 3301-006.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer em parte o recurso e na parte conhecida dar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro, que votaram por negar provimento ao recurso de ofício
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
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Os valores mensais integrais remetidos a empresas estrangeiras prestadoras do serviço sofrem a incidência da CIDE. CONTRATOS COLIGADOS EM SENTIDO ESTRITO. BIPARTIÇÃO DE CONTRATO EM CONTRATO DE AFRETAMENTO E CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. AUTORIZAÇÃO LEGAL. POSSIBILIDADE. É legítima a celebração de contratos bipartidos ou coligados, como no caso, contrato de afretamento e prestação de serviços, relacionados á prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, diante de autorização legal, consubstanciada na Lei nº 13.043/2014, que alterou introduziu o § 2º ao artigo 1º da Lei nº 9.481/1997. LIVRE INICIATIVA. GARANTIA CONSTITUCIONAL. FORMA DE REDAÇÃO DOS CONTRATOS. ATRIBUTOS DO ADMINISTRADOR DA PESSOA JURÍDICA. O planejamento tributário nasce de uma necessidade do empresário e/ou contribuinte de se protegerem das incertezas e inseguranças jurídicas e principalmente reduzir ou retardar a ocorrência do fato gerador de tributos, visando sempre a economia tributária dentro da forma e limites da lei. Assim, de acordo com tais definições, no planejamento tributário tem-se a ênfase na liberdade do contribuinte, de forma legítima e amparado pelo direito, realizar atos que evitem, retardem ou reduzam a incidência de tributos em suas operações. A legislação brasileira não possui nenhum instituto que aponte diretamente o conceito de planejamento tributário, ou como o empresário e/ou contribuinte deva ou não se organizar na expectativa de obter uma economia tributária. A DOUTRINA DA PREVALÊNCIA DA ESSÊNCIA SOBRE A FORMA E A TEORIA DO PROPÓSITO NEGOCIAL. Independente da denominação que se dê ao instrumento que dá forma ao negócio, há que se prescutar a verdadeira essência do negócio, analisando-o como um todo, envolvendo não só o instrumento contratual, mas também o ambiente onde se insere toda o complexo negocial, sendo o contrato apenas um elemento de tal complexo. O que há se ter em foco é o objeto final do negócio onde se insere o contrato, sendo que este é apenas a forma onde se amolda a verdadeira essência do negócio. CONTRATO DENOMINADO DE AFRETAMENTO DE NAVIO DE PESQUISA. ESSÊNCIA DA NATUREZA DO NEGÓCIO JURÍDICO CONTRATADO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS DE PESQUISA SÍSMICA E COLETA DE DADOS. Para efeitos tributários, prevalece a essência do negócio, independente de sua roupagem formal contida nos instrumentos contratuais denominado de afretamento de navio de pesquisa, que apenas amolda o negócio aos requisitos formais da legislação. Conforme comprovação nos autos, a essência do negócio jurídico contratado foi a prestação de serviços de levantamento de dados sísmicos para cessão a clientes mediante licença e não o afretamento da embarcação. O fornecimento da embarcação, no caso navio de pesquisas, totalmente equipada com equipamentos e pessoal especializados na área de sismologia, consubstancia-se em parte integrante e indissociável do real contrato de prestação de serviços técnicos, pois que absolutamente necessários ao desenvolvimento dos serviços contratados, quais sejam o de levantamento e coleta de dados sísmicos. REMESSA AO EXTERIOR DE VALORES REFERENTES Á REMUNERAÇÃO POR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS ESPECIALIZADOS. INCIDÊNCIA DA CIDE-REMESSAS. POSSIBILIDADE. O fornecimento da embarcação, no caso navio de pesquisas, totalmente equipada com equipamentos e pessoal especializados na área de sismologia, consubstancia-se em parte integrante e indissociável do real contrato de prestação de serviços técnicos, pois que absolutamente necessários ao desenvolvimento dos serviços contratados, quais sejam o de levantamento e coleta de dados sísmicos, motivo pelo qual os valores totais mensais remetidos ao exterior a título de remuneração, á empresa domiciliada no exterior, prestadora dos serviços, estão sujeitos a incidência da CIDE-REMESSAS, integrando a base de cálculo da contribuição. CIDE-REMESSAS. INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. IRRELEVÂNCIA. Há incidência da CIDE-REMESSAS sobre os valores de remuneração, mensalmente pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior, pela prestação de serviços técnicos estabelecidos em contrato, sendo irrelevante, para a incidência da contribuição, qualquer vinculação com transferência de tecnologia.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 CONTRATO IMPROPRIAMENTE DENOMINADO DE AFRETAMENTO DE NAVIO DE PESQUISA. REAL NATUREZA JURÍDICA DO CONTRATO. SERVIÇOS TÉCNICOS.DE PESQUISA SÍSMICA. REMESSA AO EXTERIOR COMO REMUNERAÇÃO PELOS SERVIÇOS PRESTADOS, CIDE. POSSIBILIDADE. 1. Para fins tributários, prevalece a essência do negócio contratado e não a forma do contrato impropriamente denominado de afretamento. Segundo os fatos comprovase que o foi contratado pela recorrente na essência foi a pesquisa de dados sísmicos., sendo o navio com equipamentos e pessoal técnico especializado parte integrante e indissociável do contrato de pesquisa, necessário para a execução do serviço contatado. 2. O fornecimento da embarcação, com equipamentos sísmicos, é parte integrante e indissociável dos serviços técnicos de levantamento de dados. Os valores mensais integrais remetidos a empresas estrangeiras prestadoras do serviço sofrem a incidência da CIDE. CONTRATOS COLIGADOS EM SENTIDO ESTRITO. BIPARTIÇÃO DE CONTRATO EM CONTRATO DE AFRETAMENTO E CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. AUTORIZAÇÃO LEGAL. POSSIBILIDADE. É legítima a celebração de contratos bipartidos ou coligados, como no caso, contrato de afretamento e prestação de serviços, relacionados á prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, diante de autorização legal, consubstanciada na Lei nº 13.043/2014, que alterou introduziu o § 2º ao artigo 1º da Lei nº 9.481/1997. LIVRE INICIATIVA. GARANTIA CONSTITUCIONAL. FORMA DE REDAÇÃO DOS CONTRATOS. ATRIBUTOS DO ADMINISTRADOR DA PESSOA JURÍDICA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 72 00 71 /2 01 7- 90 Fl. 1974DF CARF MF 2 O planejamento tributário nasce de uma necessidade do empresário e/ou contribuinte de se protegerem das incertezas e inseguranças jurídicas e principalmente reduzir ou retardar a ocorrência do fato gerador de tributos, visando sempre a economia tributária dentro da forma e limites da lei. Assim, de acordo com tais definições, no planejamento tributário temse a ênfase na liberdade do contribuinte, de forma legítima e amparado pelo direito, realizar atos que evitem, retardem ou reduzam a incidência de tributos em suas operações. A legislação brasileira não possui nenhum instituto que aponte diretamente o conceito de planejamento tributário, ou como o empresário e/ou contribuinte deva ou não se organizar na expectativa de obter uma economia tributária. A DOUTRINA DA PREVALÊNCIA DA ESSÊNCIA SOBRE A FORMA E A TEORIA DO PROPÓSITO NEGOCIAL. Independente da denominação que se dê ao instrumento que dá forma ao negócio, há que se prescutar a verdadeira essência do negócio, analisandoo como um todo, envolvendo não só o instrumento contratual, mas também o ambiente onde se insere toda o complexo negocial, sendo o contrato apenas um elemento de tal complexo. O que há se ter em foco é o objeto final do negócio onde se insere o contrato, sendo que este é apenas a forma onde se amolda a verdadeira essência do negócio. CONTRATO DENOMINADO DE AFRETAMENTO DE NAVIO DE PESQUISA. ESSÊNCIA DA NATUREZA DO NEGÓCIO JURÍDICO CONTRATADO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS DE PESQUISA SÍSMICA E COLETA DE DADOS. Para efeitos tributários, prevalece a essência do negócio, independente de sua roupagem formal contida nos instrumentos contratuais denominado de afretamento de navio de pesquisa, que apenas amolda o negócio aos requisitos formais da legislação. Conforme comprovação nos autos, a essência do negócio jurídico contratado foi a prestação de serviços de “levantamento de dados sísmicos para cessão a clientes mediante licença” e não o afretamento da embarcação. O fornecimento da embarcação, no caso navio de pesquisas, totalmente equipada com equipamentos e pessoal especializados na área de sismologia, consubstanciase em parte integrante e indissociável do real contrato de prestação de serviços técnicos, pois que absolutamente necessários ao desenvolvimento dos serviços contratados, quais sejam o de levantamento e coleta de dados sísmicos. REMESSA AO EXTERIOR DE VALORES REFERENTES Á REMUNERAÇÃO POR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS ESPECIALIZADOS. INCIDÊNCIA DA CIDEREMESSAS. POSSIBILIDADE. O fornecimento da embarcação, no caso navio de pesquisas, totalmente equipada com equipamentos e pessoal especializados na área de sismologia, consubstanciase em parte integrante e indissociável do real contrato de prestação de serviços técnicos, pois que absolutamente necessários ao desenvolvimento dos serviços contratados, quais sejam o de levantamento e coleta de dados sísmicos, motivo pelo qual os valores totais mensais remetidos ao exterior a título de remuneração, á empresa domiciliada no Fl. 1975DF CARF MF Processo nº 11052.720071/201790 Acórdão n.º 3301006.477 S3C3T1 Fl. 1.975 3 exterior, prestadora dos serviços, estão sujeitos a incidência da CIDE REMESSAS, integrando a base de cálculo da contribuição. CIDEREMESSAS. INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. IRRELEVÂNCIA. Há incidência da CIDEREMESSAS sobre os valores de remuneração, mensalmente pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior, pela prestação de serviços técnicos estabelecidos em contrato, sendo irrelevante, para a incidência da contribuição, qualquer vinculação com transferência de tecnologia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer em parte o recurso e na parte conhecida dar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro, que votaram por negar provimento ao recurso de ofício Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Presidente. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Tratase de auto de infração lavrado contra a recorrente, sendo a acusação fiscal a insuficiência de recolhimento da CIDE – REMESSAS. Por bem descrever os fatos, reproduzo o relatório da DRJ/CAMPO GRANDE : Tratase de Auto de Infração relativo à Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico CIDE, Fls. 1061 a 1066, lavrado contra a contribuinte já qualificada nos autos, com a apresentação de impugnação tempestiva. Exigese a contribuição no montante de R$ 33.394.291,55, já incluídos os juros moratórios e a multa de ofício. 1 ) Termo de Constatação Fiscal TCF. De acordo com a descrição dos fatos constante do TCF, fls. 1040 a 1059, o autuante entendeu que a empresa CGG Brasil transacionou prestação de serviço, cuja natureza jurídica é a realização dos serviços de aquisição e processamento de dados sísmicos no Brasil, autorizados pela ANP, cujos contratos foram acordados com a Fl. 1976DF CARF MF 4 empresa CGGVS França, tendo, indevidamente, incluído parte dessa prestação de serviço como afretamento: Após breve introdução, identifica as empresas intervenientes, descrevendo, inclusive, a natureza das atividades exercidas. Traz ainda, o Fisco, um breve histórico do início da atividade fiscal: ... O contribuinte apresentou em sua DIPJ/2014AC/2013 – ND: 0001486296 – Lucro Real Anual, Linha 0001, da Ficha 53 – Pagamentos ao Exterior ou a não residentes – o valor de R$ 148.622.265,44, a título de Fretamento; e R$ 38.249.995,54, a título de “Outros Serviços Técnicos – Profissionais. Intimado, através do Termo de Início de Fiscalização, a comprovar tais custos e despesas, o contribuinte apresentou diversos documentos, entre os quais, quatro instrumentos de “Contrato de Subafretamento, Aquisição Marítima e Atividades de Processamento sob Uma Biblioteca de Dados MultiClientes”, firmados com a empresa ligada CGGVS França; os Atestados de Inscrição Temporária de Embarcação Estrangeira (AIT); comprovantes de recolhimento do IRRF, CIDE, Depósitos Judiciais; planilha com todos os contratos de câmbio relacionados; invoices; e respectivos contratos de câmbio comprobatórios das remessas de valores ao exterior pelos pagamentos efetuados, como segue: ... Expõe, às fls. 1042 a 1049 do TCF, os quatro contratos de subafretamento firmados entre a CGG do Brasil Participações Ltda. (CGG Brasil) e a CGGVERITAS SERVICES SA (CGGVS França). Prossegue listando os Atestados da Marinha do Brasil, relativos à Inscrição Temporária de Embarcação Estrangeira: ... Atestados da Marinha do Brasil: Atestados de Inscrição Temporária de Embarcação Estrangeira (AIT), da Marinha do Brasil – Capitania dos Portos do Rio de Janeiro, atestando que as embarcações foram inscritas em caráter temporário em face a autorização para Pesquisa Sísmica em Cabotagem SR: Navio VERITAS VANTAGE, inscrição nº 021E000247, no período de 01/06/2009 a 31/12/2012; Navio CGG SYMPHONY, inscrição nº 381E004309, no período de 07/07/2011 a 31/12/2012; Navio OCEANIC PHOENIX, inscrição nº 381E008410, no período de 07/11/2011 a 31/12/2012; Navio VERITAS VIKING, inscrição nº 381E004104, no período de 04/01/2012 a 31/12/2012. Nota: Observase que estas autorizações são para as embarcações estrangeiras efetuarem a prestação do serviço de pesquisa sísmica à CGG Brasil. Não se referem a afretamento de embarcações. ... Após outros esclarecimentos relativos aos contratos e também no que se refere à decisão liminar em Mandado de Segurança obtida pela empresa, passa o Fisco a verificar a natureza dos pagamentos efetuados e, em seu entendimento, o correto enquadramento: ... Análise dos Contratos Apresentados: A CGG Brasil celebrou 4 (quatro) contratos distintos com a empresa CGGVS França, sendo esta “Contratada para a Prestação de Serviços Técnicos Especializados de Prospecção Sísmica Marítima”, com delimitação de área para exploração e determinação de embarcação a ser utilizada para aquisição e processamento de dados sísmicos, com o objetivo de identificar áreas onde pode haver exploração de petróleo. Tais dados depois de coletados, podem ter sido efetuados por encomenda de clientes da CGG Brasil (exclusivos) ou passam a fazer Fl. 1977DF CARF MF Processo nº 11052.720071/201790 Acórdão n.º 3301006.477 S3C3T1 Fl. 1.976 5 parte de um banco de dados da empresa que poderá ser objeto de licenças de direito de uso aos clientes que têm interesse em conhecer as características geofísicas das áreas que poderão ser oferecidas em concessão pela Agência Nacional do Petróleo – ANP (não exclusivos). Os contratos são autoexplicativos. A interpretação de suas cláusulas é literal para a caracterização da sua natureza jurídica que é a prestação de serviços. Verificase que o conteúdo do Anexo “A” – Escopo dos Serviços cujo objeto é o mesmo das atividades operacionais do contribuinte, conforme consta no instrumento de constituição social. O frete faz parte de um conjunto de elementos para que se possa realizar o objeto do contrato. Convém atentar que os contratos têm as mesmas cláusulas, condições e normas e foram todos pactuados entre a CGG Brasil e CGGVS França. Analisando os contratos em seus preâmbulos; cláusulas de subafretamentos; das obrigações da contratante e da contratada; das atividades geofísicas realizadas; da duração dos serviços; e do Anexo “A” – Escopo dos Serviços / Âmbito do Trabalho, a interpretação desta fiscalização é de que a CGGVS França afretou o navio de um terceiro, o equipou com pessoal especializado em sísmica marítima, juntamente com todo o vestuário, mobiliário, peças e seguro e foi contratada pela CGG Brasil para a realização dos serviços de aquisição e processamento de dados sísmicos no Brasil. O afretamento das embarcações é necessário para a execução dos serviços contratados, mas as mesmas foram transferidas pelo fretador ao afretador, aparelhadas, equipadas, tripuladas, e com todas as condições de navegabilidade e de uso para levantamentos dos dados sísmicos, ficando patente que o contrato é de prestação de serviços. A utilização das embarcações não transforma o contrato de prestação de serviços em contrato de afretamento a ponto de justificar o não recolhimento do IRRF alegando o benefício fiscal previsto no artigo 691 do RIR/99 – Decreto nº 3.000/99. O objeto do contrato continua sendo o de prestação de serviços especializados de prospecção sísmica marítima, sem transferência de tecnologia. Assim, todo e qualquer pagamento é remuneração deste serviço prestado, com incidência do IRF e CIDE. Mesmo considerando que houve preço específico para o subafretamento, ainda assim, a embarcação não deixa de ser um meio para a execução do contrato. Para fins tributários, cumpre verificar qual a natureza jurídica do contrato firmado, que, com certeza não é de afretamento. ... Faz o Fisco uma análise sobre a necessidade de autorização das autoridades competentes para afretamento de embarcações estrangeiras, concluindo: ... A análise da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ/2014 – “Ficha 04 A – Custo dos Bens e Serviços Vendidos” e da Escrituração Contábil Digital – ECD, mostram que a CGG Brasil não apresentou custo de pessoal, bem como, também não apresentou a contratação de serviços de pessoa jurídica ou pessoa física sem vínculo, aplicados na produção dos serviços. No máximo, a conta “4.1.1.1.02 – Custo de Tripulação Sísmica”, que registrou o saldo anual de R$ 48.075,30. Assim, não prospera a alegação de contratação de afretamento por tempo. A hermenêutica sempre terá em vista o fim da Lei, o resultado que a mesma precisa atingir em sua atuação prática. A norma agrupa um conjunto de providências protetoras, julgadas necessária para satisfazer a certas exigências econômicas e sociais; será interpretada Fl. 1978DF CARF MF 6 de modo que melhor corresponda àquela finalidade e assegure plenamente a tutela de interesse para a qual foi regida. Ocorre que a alíquota zero ora abordada se destina a serviços de transportes marítimo, fluvial e aéreo, este é o objeto da isenção. Não se destina a pesquisa sísmica. Destinase a afretamento de embarcações estrangeiras para transporte de carga, desde que observado os demais pressupostos legais. A CGG Brasil não obteria a autorização da ANTAQ, pois seu objeto e o da autorização da ANTAQ divergem entre si. Realmente a ANTAQ não aprovaria esses contratos que não se tratam de transporte de carga, portanto a CGG Brasil está excluída do benefício por exercer uma atividade diversa daquela de transporte de carga que vai de encontro ao objeto do benefício fiscal, de modo que não faz jus à alíquota zero, sendo assim, é contribuinte do IRRF. ... Prossegue fazendo um estudo sobre a tributação das remessas de valores ao exterior, ligadas ao caso analisado: ... No presente caso ocorreram remessas de valores ao exterior decorrentes da prestação de serviços especializados de levantamento de dados sísmicos. A tributação do IRF está regulamentada no RIR/99 – Regulamento do Imposto de Renda – Decreto nº 3.000/99 e na Portaria MF nº 287/1972, que trata dos métodos de aplicação da convenção para evitar a dupla tributação da renda, assinada pelo Brasil e a França, como abaixo se lê: ... Também, no presente caso ocorreram remessas ao exterior decorrentes da prestação dos serviços especializados de levantamento de dados sísmicos, sem transferência de tecnologia, com incidência da tributação da CIDE – Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico, com base no artigo 2º e parágrafos da Lei 10.168/2000, com alteração da Lei nº 10.332/2001, regulamentada pelo Decreto nº 4.195/2001: ... Após toda a análise, o Fisco constata que "a CGG Brasil transacionou prestação de serviço cuja natureza jurídica é a realização dos serviços de aquisição e processamento de dados sísmicos no Brasil, autorizados pela ANP, cujos contratos foram acordados com a CGGVS França". E ainda: ... “O objeto destes contratos é o fornecimento, pela CGGVS França, através de pessoal próprio, materiais e equipamentos, de serviços técnicos especializados de levantamento sísmico de reflexão tridimensional (3D), na Plataforma Continental Brasileira”. Em suma, o conteúdo dos contratos contém fatores determinantes que caracterizam a prestação de serviços técnicos especializados de levantamento de dados sísmicos, sem transferência de tecnologia. De tudo o acima exposto, podese afirmar que sobre as remessas ao exterior dos rendimentos decorrentes desses contratos incidem o IRRF e a CIDE, uma vez que a CGG do Brasil Participações Ltda. remunerou pela prestação de serviços técnicos especializados, sem transferência de tecnologia à CGGVeritas Services SA, com infração à legislação tributária, cujo crédito tributário será constituído mediante lavratura de auto de infração com base nos artigos 682, 685, inciso II, alínea “a”, 708, 710 e 785 do RIR/99 – Decreto 3.000/99, Decreto 70.506, de 12 de maio de 1972 e Portaria MF nº 287, de 23 de novembro de 1972 em relação ao IRF Imposto de Renda na Fonte, e, nos termos do artigo 2º e parágrafos da Lei nº 10.168/2000, com as alterações da Lei 10.332/2001, regulamentada pelo Decreto nº 4.195/2002, em relação a CIDE – Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico. Fl. 1979DF CARF MF Processo nº 11052.720071/201790 Acórdão n.º 3301006.477 S3C3T1 Fl. 1.977 7 ... Informa o Fisco que, em respeito à a decisão judicial, foram elaboradas planilhas específicas para a apuração da CIDE e do IRF: ... As remessas para o exterior foram efetuadas pelo HSBC Bank Brasil S.A. – Agência nº 1323, Conta Corrente nº 1856522 e contabilizadas na Conta Contábil “1.1.1.2.03 – Banco HSBC”. Tendo em vista que a empresa ajuizou Ação Ordinária Tributária, possui Decisão Liminar em Mandado de Segurança com a suspensão da exigibilidade do IR retido pela fonte pagadora por força da garantia proporcionada ao Juízo pelos depósitos judiciais e apresentou a fiscalização uma planilha onde relacionou todos os contratos de câmbio das remessas ao exterior com a alocação dos recolhimentos e compensações da CIDE do IRF e depósitos judiciais aos respectivos contratos de câmbio. Com relação aos depósitos judiciais, estes foram alocados aos respectivos contratos de câmbio relacionados a ação ordinária tributária em trâmite. Assim, com a finalidade de respeitar a decisão judicial, esta fiscalização elaborou a planilha, “APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRRF COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA”, onde relacionamos os contratos de câmbio, as invoices, os comprovantes da CIDE e os respectivos depósitos judiciais do IRRF; e a planilha “APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRRF E DA CIDE – EXIGÍVEIS”, onde foram relacionados os contratos de câmbio e as invoice, relativos ao IRRF e a CIDE, exigíveis. As planilhas aqui citadas fazem parte integrante e inseparável deste termo. ... 2) Impugnação. Irresignada, a interessada apresentou impugnação tempestiva em 19/01/2018, fls. 1.122 a 1.148, através da qual contesta as infrações a ela imputadas, cujo conteúdo, em apertada síntese, relato a seguir: Traz a impugnante, através do item II de sua impugnação, a demonstração, em seu entendimento, que a autuação não merece prosperar: … 6. No entanto, conforme será demonstrado adiante, as conclusões do Fiscal Autuante não merecem prosperar, ante a impossibilidade de desqualificação do legítimo contrato de subafretamento, o que, ao final, leva à total insubsistência da autuação ora impugnada. ... Apresenta também a descrição, item III da impugnação, da natureza das atividades exercidas, que, principalmente, consiste na aquisição de dados sísmicos sob a modalidade exclusiva e não exclusiva: ... 8. A principal atividade desenvolvida pela Impugnante consiste na aquisição de dados sísmicos sob a modalidade exclusiva e não exclusiva (também denominada multiclientes). Tais dados, depois de coletados e processados, no caso de aquisição exclusiva é entregue aos cliente e, no caso do não exclusivo os dados passam a fazer parte de um banco de dados da Impugnante que poderá ser objeto de licenças de direito de uso aos clientes, empresas ligadas à exploração de petróleo que têm interesse em conhecer as características geofísicas das áreas que poderão ser oferecidas em concessão pela Agência Nacional do Petróleo ANP. Fl. 1980DF CARF MF 8 9. A Lei n° 9.478/97 estabelece em seu artigo 49 que as atividades de pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos constituem monopólio da União nos termos do artigo 177 da Constituição Federal. Outrossim, o art. 59 do referido diploma legal ainda dispõe que tais atividades econômicas poderão ser exercidas, mediante concessão, autorização ou contratação sob o regime de partilha de produção, por empresas constituídas sob as leis brasileiras, com sede e administração no País. ... 13. Com isso, os clientes da Impugnante, empresas de exploração de petróleo, adquirem licença de uso dos dados relativos às características geofísicas do solo marinho, que irão auxiliálos em suas respectivas atividadesfim. 14. No caso em tela, a concessão de tais licenças se dá na modalidade nãoexclusiva, o que dá aos seus clientes o direito de acesso aos dados coletados previamente, mas a Impugnante está plenamente autorizada a fornecêlos a outros interessados durante o prazo de confidencialidade desses, conforme explicitado na Resolução transcrita acima. 15. Nesta toada, para executar as suas atividades, a Impugnante incorre em diversos custos, dentre os quais aqueles com o afretamento de embarcação, afretamento de barco de apoio, combustível, transporte da tripulação, cerco preventivo às embarcações, processamento dos dados etc. 16. Sendo assim, fica claro que o afretamento das embarcações e a subcontratação do knowhow para a sua operação são apenas parte de uma engrenagem bem maior para a atividade de cessão do direito de uso de dados sísmicos. ... Defende a segregação dos contratos de afretamento dos de prestação de serviços, item IV.A da impugnação, afirmando que, entre outras questões, a estreita correlação entre o afretamento e os serviços a serem prestados, não desqualifica a natureza jurídica do afretamento, contrariamente ao entendimento do Fisco: ... 22. De antemão, tornase importante salientar que, obviamente, o afretamento de uma embarcação destinada à pesquisa sísmica tem estreita correlação com a prestação de serviços de prospecção de dados sísmicos marítimos. Isso, contudo, não desqualifica a natureza jurídica do afretamento, como quer fazer crer a RFB. 23. A fim de afastar a presunção da Fiscalização, tornase oportuno pontuar as notórias diferenças existentes entre as cláusulas contratuais de afretamento de embarcação e a prestação de serviço constantes nos contratos alvos da autuação, trazendo à baila, como exemplo, trechos do contrato da embarcação SYMPHONY. 24. A primeira e importante diferença é a de que o contrato é dividido em duas partes, sendo a "Parte 1" referente ao subafretamento, com detalhamento da Embarcação no Anexo B do instrumento, e a "Parte 2" referente à aquisição marítima e atividades de processamento, com o escopo dos serviços detalhados no Anexo A. ... Prossegue, defendendo a partição dos contratos, apresentando seu entendimento sobre o disposto no art 5º da IN nº 1.070 de 2010: ... 39. Em consequência, concluise que a existência de um único contrato tendo como objeto concomitantemente (i) a prestação de serviços e (ii) o afretamento de embarcações tem expressa previsão no ordenamento jurídico, razão pela qual não pode representar, sem Fl. 1981DF CARF MF Processo nº 11052.720071/201790 Acórdão n.º 3301006.477 S3C3T1 Fl. 1.978 9 o auxílio de outros elementos denotadores de simulação, qualquer irregularidade a ensejar a requalificação dos mesmos para fins tributários. ... Advoga, item IV.b da impugnação, pela inexistência de ilegalidades cometidas pela empresa, apresentando excerto do CARF para reforçar seu posicionamento: ... 41. Noutras palavras, o Fisco não apontou nenhuma ilegalidade concreta nos contratos firmados; ao revés, limitouse a levantar ilações sobre a impossibilidade de se realizar afretamento de embarcação, o que supostamente traria como consequência a transformação da parcela dos contratos relativa ao afretamento em prestação de serviço, embora não tenha mencionado qualquer dispositivo legal que corroborasse tal tese, afrontando o disposto no art. 116 do CTN. ... 43. Na presente demanda essa simulação não é provada, o que demandaria, necessariamente, uma demonstração de que há subfaturamento na prestação de serviços (ou seja, que o preço não cobre os custos de operação); e simultaneamente um superfaturamento no valor do afretamento (ou seja, que foi estipulado um valor fora do esperado para este tipo de negócio). ... 48. Dessa forma, resta demonstrado que o lançamento de ofício não pode prosperar, uma vez que não se demonstrou, sequer minimamente, a existência de vícios nos negócios jurídicos realizados pelo contribuinte, fato este comprovado pelo próprio auto de infração, na medida em que sequer foi aplicada multa agravada à conduta da Impugnante (o que decorreria a simulação dos contratos). ... Defende, através do item IV.c da impugnação, que a publicação Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014, alterando o art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, "trouxe limites para utilização da alíquota zero de IRRF nos casos em que houvesse execução simultânea de contratos de afretamento e prestação de serviços por pessoas jurídicas vinculadas entre si" e mais: ... 52. Noutras palavras, o próprio Poder Executivo, ao editar a Medida Provisória nº 795/17, bem como o Poder Legislativo, que a converteu na Lei n9 13.586/17, reconhecem que, nesse tipo de atividade, não há que se falar na existência de um único contrato de prestação de serviços, e que a aplicação dos percentuais mencionados, para fins de IRRF, não acarreta a alteração da natureza contratada e das condições do contrato de afretamento ou aluguel para fins de incidência da CIDE, do PIS/PasepImportação e da COFINS Importação. 53. Assim, não há dúvidas de que a premissa do presente caso é a de que os contratos em discussão envolvem a execução simultânea de afretamento de embarcação e prestação de serviços, sendo certo que a sua estrutura foi reconhecida a posteriori pela Lei nº 13.043/14. 54. Considerando que eventual lei posterior não tem o condão de alterar a natureza jurídica dos contratos, mas apenas de confirmar a sua legitimação para fins fiscais, não resta dúvida de que a referida estrutura deve ser reconhecida desde sempre. ... Trouxe, com a finalidade de sustentar seu posicionamento, a recente decisão da DRJ de Florianópolis (SC), no acórdão 0739.190 3º Turma da DRJ/FNS de 10/02/2017, além da exposição de motivos Fl. 1982DF CARF MF 10 referente à Medida Provisória nº 795/2017, que foi convertida na Lei n2 13.586/17, concluindo: ... 59. Portanto, tornase incontroversa a possibilidade de execução simultânea do contrato de afretamento e contrato de prestação de serviços relacionados à prospecção sísmica, não havendo incidência de CIDE na parte relacionada ao afretamento, razão pela qual deve ser cancelada a presente autuação. ... Esclarece ser incontroversa a obtenção de autorização para afretamento de embarcações, item IV.d da impugnação, contrariamente ao entendimento da Fiscalização, trazendo, também aqui, excertos do CARF e mais: ... 66. A Receita Federal regulamentou o REPETRO através da IN RFB 844/2008 (vigente à época dos fatos geradores), que trouxe uma lista anexa de bens que poderiam ser importados sem a incidência dos tributos aduaneiros, incluindo as embarcações destinadas à pesquisa: ... Art. 5º O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 4º Poderá ser habilitada ao Repetro empresa com sede no País formalmente designada pela pessoa jurídica de que trata o inciso I do § 12, para promover a importação dos bens que sejam objeto de afretamento, de aluguel, de arrendamento operacional ou de empréstimo, desde que vinculados à execução de contrato de prestação de serviços celebrado entre elas, relacionado às atividades a que se refere o art. 12. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 941, de 25 de maio de 2009) Anexo Único "Embarcações destinadas às atividades de pesquisa e produção das jazidas de petróleo ou gás natural e as destinadas ao apoio e estocagem nas referidas atividades." ... 67. Considerando que as embarcações afretadas foram trazidas ao Brasil sob o regime de admissão temporária, o qual é analisado e deferido ou não pela própria Receita Federal do Brasil, significa dizer que a Impugnante, diferentemente do entendimento apresentado pelo Fisco, obteve as devidas autorizações para afretamento. ... Finaliza reafirmando que a "premissa adotada de que embarcações de pesquisa não se enquadrariam no conceito de embarcação passível de afretamento, por conta de eventual ausência de autorização da ANTAQ, nada mais é do que puro arbítrio da autoridade lançadora". Alega também, através do item IV.e da impugnação, a inexistência de serviço técnico no contrato de afretamento, deixando claro que o verdadeiro serviço técnico, de pesquisa sísmica, foi objeto de tributação pela CIDE: ... 72. Nos termos do §22 do artigo 22 da Lei n2 10.168/00, com a redação que lhe foi conferida pela Lei ri9 10.332/01, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico —CIDE é devida pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, o que à toda evidência não é o caso, como exaustivamente demonstrado na presente manifestação, pois tratase de afretamento de embarcação. Fl. 1983DF CARF MF Processo nº 11052.720071/201790 Acórdão n.º 3301006.477 S3C3T1 Fl. 1.979 11 73. Em verdade, como já firmado, o serviço de pesquisa sísmica, verdadeiro serviço técnico especializado foi objeto de tributação pela CIDE, não havendo qualquer espaço para alcançar tergiversações sobre o assunto, ainda que existente a previsão da destinação dos recursos arrecadados. ... Assim, depois de todo o exposto, conclui que "ainda que se considerasse o afretamento como um serviço técnico, tal suposta hipótese de incidência, definitivamente, não configura típica finalidade interventiva, sendo alheia aos objetivos constitucionais da criação da contribuição e atingindo setores econômicos não específicos". Discorda também, conforme item V da impugnação, da incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício: ... 87. Ainda que ultrapassados todos os fundamentos sustentados para o cancelamento da autuação, o que somente se admite a título de argumentação,tornase necessário o cancelamento da exigência de juros moratórios sobre a multa de ofício por inexistência de previsão legal para tanto. ... Ao fim, "requer a Impugnante seja julgado improcedente o auto de infração impugnado para se desconstituir integralmente o lançamento tributário". É o Relatório. 3. A DRJ/CAMPO GRANDE, após analisar as razões de impugnação, exarou o Acórdão de nº0446.499, que assim restou ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 EXECUÇÃO SIMULTÂNEA DE CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PESQUISA E AFRETAMENTO ADMISSIBILIDADE. Mesmo antes da alteração promovida pela Lei nº 13.043, de 2014, já era legítima a celebração de contratos de afretamento e de prestação de serviços com execução simultânea. AFRETAMENTO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA CIDE. O afretamento de embarcações estrangeiras não faz parte das hipóteses de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual deve incidir juros à taxa Selic. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Fl. 1984DF CARF MF 12 4. Em função do valor exonerado de crédito tributário, houve Recurso de Ofício, interposto pela DRJ/CGE, a este CARF, em obediência ao disposto no artigo 34 do Decreto nº 70.235/1972 c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 63/2017. 5. Os autos vieram, então, a mim distribuídos. É o relatório Voto Conselheiro Ari Vendramini DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO DE OFÍCIO 6. O valor de exoneração, veiculado pelo Acórdão DRJ/CAMPO GRANDE é de R$ 33.394.291,55, já incluídos os juros moratórios e a multa de ofício, sendo que o valor referente ao limite alçada de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), determinado pela Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, que revogou a Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. 7. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. DO MÉRITO I A ACUSAÇÃO FISCAL 8. Em síntese, a acusação fiscal nos presentes autos se refere á real natureza dos contratos firmados entre a autuada (CGG BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA.) e a CGG VERITAS SERVICES S/A (CGGVS FRANÇA), com relação ao subafretamento das embarcações “NAVIO SR/V VERITAS VANTAGE”, “NAVIO M/V CGG SYMPHONY”, “NAVIO M/V OCEANIC PHOENIX” e “ NAVIO SR/V VERITAS VIKING” e a prestação de serviços de aquisição e processamento de dados sísmicos no território brasileiro, autorizados pela Agência Nacional de Petróleo – ANP. 9. De acordo com a acusação fiscal os contratos na realidade tratam de prestação de serviço, sendo que o afretamento é parte integrante e essencial deste contrato, assim os valores totais dos contratos, remetidos ao exterior se configuram como remessas relativas a prestação de serviços técnicos especializados de levantamento de dados sísmicos, sem transferência de tecnologia, configurandose a hipótese de incidência da CIDEREMESSAS, formalizada nos artigos 2º e 3º da Lei nº 10.168/2000 com alterações posteriores, e regulamentação consubstanciada no Decreto nº 4.195/2001. 10. Assim a autoridade fiscal redigiu sua acusação : CONSTATAÇÃO FISCAL De fato, o que ocorre no caso concreto, a CGG Brasil transacionou prestação de serviço cuja natureza jurídica é a realização dos serviços de aquisição e processamento de dados sísmicos no Brasil, autorizados pela ANP, cujos contratos foram acordados com a CGGVS França. Fl. 1985DF CARF MF Processo nº 11052.720071/201790 Acórdão n.º 3301006.477 S3C3T1 Fl. 1.980 13 “O objeto destes contratos é o fornecimento, pela CGGVS França, através de pessoal próprio, materiais e equipamentos, de serviços técnicos especializados de levantamento sísmico de reflexão tridimensional (3D), na Plataforma Continental Brasileira”. Em suma, o conteúdo dos contratos contém fatores determinantes que caracterizam a prestação de serviços técnicos especializados de levantamento de dados sísmicos, sem transferência de tecnologia. De tudo o acima exposto, podese afirmar que sobre as remessas ao exterior dos rendimentos decorrentes desses contratos incidem o IRRF e a CIDE, uma vez que a CGG do Brasil Participações Ltda. remunerou pela prestação de serviços técnicos especializados, sem transferência de tecnologia à CGGVeritas Services SA, com infração à legislação tributária, cujo crédito tributário será constituído mediante lavratura de auto de infração com base nos artigos 682, 685, inciso II, alínea “a”, 708, 710 e 785 do RIR/99 – Decreto 3.000/99, Decreto 70.506, de 12 de maio de 1972 e Portaria MF nº 287, de 23 de novembro de 1972 em relação ao IRFImposto de Renda na Fonte, e, nos termos do artigo 2º e parágrafos da Lei nº 10.168/2000, com as alterações da Lei 10.332/2001, regulamentada pelo Decreto nº 4.195/2002, em relação a CIDE – Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico. 11. A acusação fiscal tem seu fundamento central na análise dos contratos, e ainda em informações complementares, como autorizações da ANTAQ, informações obtidas no sítio da empresa na Internet, análise das DIPJ, análise do Contrato Social da empresa, autorizações da Marinha do Brasil. II – RAZÕES DE DEFESA DA AUTUADA – IMPUGNAÇÃO 12. A autuada apresentou impugnação, trazendo razões de defesa que tem seu fulcro central na alegação de que a acusação fiscal não tem fundamento legal e que, na realidade, os contratos estão revestidos de legalidade, pois a legislação brasileira admite a bipartição dos contratos, mormente após a criação do REPETRO, regime especial de tributação dirigido especificamente á área de exploração de petróleo e gás natural. 13. Trazemos excertos das razões de impugnação apresentadas pela autuada : III — A NATUREZA DAS ATIVIDADES EXERCIDAS PELA IMPUGNANTE 7. Antes de adentrar ao mérito da questão, tornase necessária uma breve explanação acerca das atividades realizadas pela lmpugnante, de modo que fique bastante claro o contexto em que os contratos apresentados durante a fiscalização estão inseridos. 8. A principal atividade desenvolvida pela Impugnante consiste na aquisição de dados sísmicos sob a modalidade exclusiva e não exclusiva (também denominada multiclientes). Tais dados, depois de coletados e processados, no caso de aquisição exclusiva é entregue aos cliente e, no caso do não exclusivo os dados passam a fazer parte de um banco de dados da Impugnante que poderá ser objeto de licenças de direito de uso aos clientes, empresas ligadas à exploração de petróleo que têm interesse em conhecer as características geofísicas das áreas que poderão ser oferecidas em concessão pela Agência Nacional do Petróleo ANP. 9. A Lei n° 9.478/97 estabelece em seu artigo 49 que as atividades de pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos constituem monopólio da União nos termos do artigo 177 da Constituição Fl. 1986DF CARF MF 14 Federal. Outrossim, o art. 59 do referido diploma legal ainda dispõe que tais atividades econômicas poderão ser exercidas, mediante concessão, autorização ou contratação sob o regime de partilha de produção, por empresas constituídas sob as leis brasileiras, com sede e administração no País. 10. Essa atividade é regulamentada pela Agência Nacional do Petróleo, que editou a Resolução ANP nº 11/2011. ………………….. 13. Com isso, os clientes da Impugnante, empresas de exploração de petróleo, adquirem licença de uso dos dados relativos às características geofísicas do solo marinho, que irão auxiliálos em suas respectivas atividadesfim. 14. No caso em tela, a concessão de tais licenças se dá na modalidade não exclusiva, o que dá aos seus clientes o direito de acesso aos dados coletados previamente, mas a Impugnante está plenamente autorizada a fornecêlos a outros interessados durante o prazo de confidencialidade desses, conforme explicitado na Resolução transcrita acima. 15. Nesta toada, para executar as suas atividades, a lmpugnante incorre em diversos custos, dentre os quais aqueles com o afretamento de embarcação, afretamento de barco de apoio, combustível, transporte da tripulação, cerco preventivo às embarcações, processamento dos dados etc. 16. Sendo assim, fica claro que o afretamento das embarcações e a subcontratação do knowhow para a sua operação são apenas parte de uma engrenagem bem maior para a atividade de cessão do direito de uso de dados sísmicos. IV — DO DIREITO IV. "A" —A SEGREGAÇÃO DOS CONTRATOS DE AFRETAMENTO E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 17. Como já destacado acima, no período sob análise a lmpugnante celebrou quatro contratos com a CGGVeritas Services S.A., cujos objetos englobam (i) o subafretamento das embarcações VANTAGE, SYMPHONY, PHOENIX e VIKING (doc. 03); e (ii) a prestação de serviços técnicos especializados de prospecção sísmica marítima. 18. A presente controvérsia reside no fato de que, inobstante tenha a Impugnante corretamente segregado o objeto dos contratos firmados com a CGGVeritas Services, a Fiscalização equivocadamente desconsiderou a parte relativa ao afretamento, por entender que, na prática, tratase de contratos unicamente de prestação de serviços, motivo pelo qual a CIDE deveria incidir sobre todas as verbas remetidas ao exterior. 19. Para chegar à conclusão de que todos os valores remetidos ao exterior se referem a uma prestação de serviços, o Fiscal Autuante analisou as cláusulas contratuais que demonstrariam a vinculação entre a contratação da embarcação e da prestação de serviços. 20. A partir da referida análise, sustenta a Fiscalização que "a interpretação das cláusulas é literal para a caracterização da sua natureza jurídica que é a prestação de serviços", alegando que "o frete faz parte de um conjunto de elementos para que possa realizara objeto do contrato". 21. A conclusão do racional acima exposto foi explicitada da seguinte forma no Termo de Verificação Fiscal: "Analisando os contratos em seus preâmbulos; cláusulas de subafretamentos; das obrigações da contratante e da contratada; das atividades geofísicas realizadas; da duração dos serviços; e do Anexo "A" — Escopo dos Serviços / Âmbito do Trabalho, a interpretação desta fiscalização é de que a CGGVS França afretou o navio de um terceiro, o equipou com pessoal especializado em sísmica marítima, juntamente com todo o vestuário, mobiliário, peças e seguro e foi contratada pela CGG Brasil para a realização dos serviços de aquisição e processamento de dados sísmicos no Brasil. O afretamento das embarcações é necessário para a execução dos Fl. 1987DF CARF MF Processo nº 11052.720071/201790 Acórdão n.º 3301006.477 S3C3T1 Fl. 1.981 15 serviços contratados, mas as mesmas foram transferidas pelo fretador ao afretador, aparelhadas, equipadas, tripuladas, e com todas as condições de navegabilidade e de uso para levantamentos dos dados sísmicos, ficando patente que o contrato é de prestação de serviços. A utilização das embarcações não transforma o contrato de prestação de serviços em contrato de afretamento a ponto de justificar o não recolhimento do IRRF alegando o benefício fiscal previsto no artigo 691 do RIR/99 — Decreto n2 3.000/99. O objeto do contrato continua sendo o de prestação de serviços especializados de prospecção sísmica marítima, sem transferência de tecnologia. Assim, todo e qualquer pagamento é remuneração deste serviço prestado, com incidência do IRF e CIDE." (destacouse) 22. De antemão, tornase importante salientar que, obviamente, o afretamento de uma embarcação destinada à pesquisa sísmica tem estreita correlação com a prestação de serviços de prospecção de dados sísmicos marítimos. Isso, contudo, não desqualifica a natureza jurídica do afretamento, como quer fazer crer a RFB. 23. A fim de afastar a presunção da Fiscalização, tornase oportuno pontuar as notórias diferenças existentes entre as cláusulas contratuais de afretamento de embarcação e a prestação de serviço constantes nos contratos alvos da autuação, trazendo à baila, como exemplo, trechos do contrato da embarcação SYMPHONY. 24. A primeira e importante diferença é a de que o contrato é dividido em duas partes, sendo a "Parte 1" referente ao subafretamento, com detalhamento da Embarcação no Anexo B do instrumento, e a "Parte 2" referente à aquisição marítima e atividades de processamento, com o escopo dos serviços detalhados no Anexo A. 25. Em relação ao subafretamento, restou acordado entre as partes que a CGGVS disponibilizaria a embarcação designada para o fornecimento ao levantamento sísmico marítimo, ficando a empresa francesa responsável por garantir a efetiva disponibilização da embarcação equipada e em boas condições de navegabilidade\z, incluindo equipamentos salvavidas e de segurança. 26. Há, ainda, diversas outras obrigações da empresa fretadora relacionadas exclusivamente à embarcação, nos termos da Cláusula Três da Parte 1 do Contrato, valendo destacar as seguintes: > Fornecer a manutenção do casco, maquinário e todos os equipamentos da embarcação, incluindo, mas não se limitando, a compressores, guinchos sísmicos, fonte hidráulicas (...); > Fornecer um completo e eficiente sistema de comunicação entre a Embarcação e as bases terrestres; > Executar testes de aferição, de forma a verificar se os instrumentos estão funcionando corretamente; > Substituir qualquer equipamento e sobressalentes fornecidos, de forma que a Embarcação possa, satisfatoriamente, executar seus propósitos 27. Verificase, portanto, que TODAS as obrigações se referem exclusivamente ao uso da embarcação, incluindo alguns serviços acessórios que permitem o seu regular funcionamento. 28. Tratase, assim, de um clássico contrato de afretamento por tempo, o qual realmente engloba algumas modalidades de serviços (denominadas como "gestão náutica"), com disponibilização do respectivo pessoal necessário para a tarefa nos termos do art. 22, inciso II, da Lei 9.432/19973, mas que não são capazes de desnaturar a natureza jurídica do afretamento de embarcações. Fl. 1988DF CARF MF 16 29. Isso porque, partindo da premissa de que o custo de uma embarcação é extremamente elevado, somado ao fato de que são pouquíssimas as empresas no mundo que atuam neste ramo empresarial, além da pouca mãodeobra especializada no mercado, revelase natural que o afretador disponibilize em seu negócio pessoal especializado para operar a embarcação, a fim de reduzir os riscos da má condução 30. Já no que tange à Parte 2 do contrato, que trata da Aquisição Marítima e Atividades de Processamento, a CGGVS fica responsável por executar as atividades de serviços técnicos especializados de levantamento sísmico de reflexão tridimensional (3D), na Plataforma Continental Brasileira. 31. Além do objeto e obrigações assumidas pelas partes, outro ponto importante de diferenciação se refere à remuneração. A maior parte dos valores pagos pela lmpugnante à CGGVeritas naturalmente é referente ao afretamento das embarcações, sendo os valores pagos pela prestação dos serviços significativamente menores, tendo em vista que os contratos contendo afretamento e prestação de serviços têm custos próprios, que justificam economicamente os valores pagos a um e outro. 32. Vejase, a título exemplificativo, o que consta no já citado contrato referente à embarcação "Symphony" no que tange à discriminação dos valores: "1.1 — Pelo subafretamento da Embarcação objeto do presente instrumento, a CGG do Brasil pagará a CGGVS França a quantia de US$ 6.343,56, por quilômetro quadrado. 1.2 — Pelos serviços de aquisição e processamento de dados sísmicos a CGG Brasil pagará a CGGVS França a quantia de US$ 1.825,01, por quilômetro quadrado." 33. Fica claro, bastante claro até, por meio de simples leitura do instrumento contratual, que uma parte disciplina apenas e tão somente a embarcação e serviços acessórios para a sua satisfatória utilização, enquanto a outra prevê a execução dos serviços sísmicos. Não há como se confundir as referidas atividades. 34. Em consequência, vêse que o relato fiscal está equivocado na conclusão de que o objeto contratual seria inteiramente prestação de serviços, excluindose o afretamento. Tal entendimento nem poderia ser diferente, tendo em vista que o Fiscal nitidamente deixou de considerar que o afretamento de embarcação possui valor econômico próprio, além de ter passado ao largo da clara distinção entre a gestão náutica da embarcação (navegação, tripulação e manutenção do casco) e a gestão comercial da mesma (prospecção de dados sísmicos marítimos). 35. Vale ressaltar, ainda, que a prestação de serviços acessórios (que apenas viabilizam a disponibilização da embarcação) não têm o condão de desnaturar um contrato típico de afretamento, que prevê a gestão náutica como parte integrante'. 36. Logo, nada há de anormal no fato de existir um contrato prevendo objetos distintos de afretamento de uma embarcação e prestação de serviços de prospecção de dados sísmicos. 37. Em sentido idêntico, também inexiste qualquer restrição legal para que a Impugnante contrate a mesma empresa para afretamento de embarcação e prestação de serviços, sendo mera irresignação do Fisco, por evidentemente não ser razão suficiente para desnaturar a natureza de cada objeto pactuado. 38. Tanto é assim que a Receita Federal do Brasil reconhece ser legítima a celebração de contratos de prestação de serviços em execução simultânea com o afretamento de embarcação, desde a Instrução Normativa RFB n9 844, de 2008 (com redação alterada pela Instrução Normativa RFB n2 1.070/2010): "Art. 52 O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei no 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1o; e Fl. 1989DF CARF MF Processo nº 11052.720071/201790 Acórdão n.º 3301006.477 S3C3T1 Fl. 1.982 17 II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I em afretamento por tempo ou para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. (—) § 3º O fornecimento de bens pela pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 12 poderá estar previsto em contrato de afretamento, de aluguel, de arrendamento operacional ou de empréstimo, o qual deverá ter execução simultânea com o de prestação de serviços.". (destacouse) 39. Em consequência, concluise que a existência de um único contrato tendo como objeto concomitantemente (i) a prestação de serviços e (ii) o afretamento de embarcações tem expressa previsão no ordenamento jurídico, razão pela qual não pode representar, sem o auxílio de outros elementos denotadores de simulação, qualquer irregularidade a ensejar a requalificação dos mesmos para fins tributários. IV. "b" — A INEXISTÊNCIA DE QUALQUER ILEGALIDADE COMETIDA PELA IMPUGNANTE 40. Inobstante tenha o Fiscal Autuante entendido que os contratos contendo como objeto afretamento de embarcação e prestação de serviços devem ser considerados somente como prestação de serviços, na autuação ora combatida não restou demonstrada qualquer ilegalidade que leve à invalidade dos negócios jurídicos apta a desconstituir o objeto dos contratos referentes ao afretamento de embarcação. 41. Noutras palavras, o Fisco não apontou nenhuma ilegalidade concreta nos contratos firmados; ao revés, limitouse a levantar ilações sobre a impossibilidade de se realizar afretamento de embarcação, o que supostamente traria como consequência a transformação da parcela dos contratos relativa ao afretamento em prestação de serviço, embora não tenha mencionado qualquer dispositivo legal que corroborasse tal tese, afrontando o disposto no art. 116 do CTN. 42. Como se sabe, para requalificar o negócio jurídico (transformando o afretamento em prestação de serviços) o Fiscal Autuante deveria ter demonstrado concretamente a existência de simulação nos contratos realizados, com base no art. 167 do Código Civil: "Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 12 Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; 111 os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados." 43. Na presente demanda essa simulação não é provada, o que demandaria, necessariamente, uma demonstração de que há subfaturamento na prestação de serviços (ou seja, que o preço não cobre os custos de operação); e simultaneamente um superfaturamento no valor do afretamento (ou seja, que foi estipulado um valor fora do esperado para este tipo de negócio). 44. Em caso análogo ao presente, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais corroborou exatamente o entendimento exposto pela lmpugnante, cabendo transcrever trecho do voto exarado pelo Ilmo. Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira nesse sentido: "Em verdade, o que essencialmente deveria restar demonstrado seria a existência de elementos que evidenciassem eventual planejamento fiscal abusivo (a bipartição artificial dos contratos) para considerar inexistente Fl. 1990DF CARF MF 18 o contrato de afretamento e considerar os valores envolvidos unicamente pertinente ao contrato de efetiva prestação de serviços de prospecção e exploração marítimas. No meu entender, inexistiu na autuação fiscal tal comprovação. Assim, há de prevalecer a natureza de afretamento à embarcação utilizada nas atividades de prospecção e exploração de petróleo e aplicar a legislação que trata de forma distinta o objeto de ambos contratos."' (grifouse) 45. Como já tem decidido o CARF em inúmeros casos, ou o Fisco qualifica a operação como simulada ou deve ser acatada com todos os efeitos tributários a ela inerentes: "ÁGIO POR RENTABILIDADE FUTURA. AMORTIZAÇÃO. Não deve subsistir a glosa de despesas com amortização do ágio se a autuação não imputa vício nos negócios jurídicos do qual aflorou, pois ou se qualifica a operação como maculada por alguma patologia jurídica ou ela é lícita e a ela devemos dar os efeitos que lhe são próprios segundo a legislação tributária."' 46. Com efeito, o lançamento de ofício é o procedimento administrativo através do qual a autoridade fiscal deve cumprir o seu dever de demonstrar, motivadamente, a existência de tributo pago a menor, ou, no caso da requalificação de negócios jurídicos, a invalidade dos atos praticados pelo contribuinte. 47. Todavia, no presente caso, está o lançamento de ofício a transferir tal dever ao contribuinte, a quem caberá comprovar a inexistência de simulação em sede de impugnação, o que é absolutamente inaceitável por violação ao art. 142 do CTN: 48. Dessa forma, resta demonstrado que o lançamento de ofício não pode prosperar, uma vez que não se demonstrou, sequer minimamente, a existência de vícios nos negócios jurídicos realizados pelo contribuinte, fato este comprovado pelo próprio auto de infração, na medida em que sequer foi aplicada multa agravada à conduta da Impugnante (o que decorreria a simulação dos contratos). IV. "c" — O ADVENTO DA LEI Nº 13.043/2014 E SUAS IMPLICAÇÕES AO CASO CONCRETO 49. Conforme já mencionado, sempre foi perfeitamente legítima a existência de contratos prevendo como objeto o afretamento de embarcação e a prestação de serviços com execução simultânea, seja porque nunca foram vedados pelo ordenamento jurídico, seja porque estavam expressamente previstos na legislação tributária (REPETRO). 50. Com o intuito de dar fim às discussões decorrentes dos inúmeros autos de infração lavrados pela RFB no que tange à tal estrutura contratual, foi publicada a Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014, que ao alterar o art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, trouxe limites para utilização da alíquota zero de IRRF nos casos em que houvesse execução simultânea de contratos de afretamento e prestação de serviços por pessoas jurídicas vinculadas entre si: Lei ng 9.481/1997 "Art. 12 A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.97) I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras ou motores de aeronaves estrangeiros, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem como os pagamentos de aluguel de contêineres, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014)" (...) Lei n9 13.043/2014 Fl. 1991DF CARF MF Processo nº 11052.720071/201790 Acórdão n.º 3301006.477 S3C3T1 Fl. 1.983 19 "Art. 1.2 § 29 No caso do inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço,relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, do valor total dos contratos a parcela relativa ao afretamento ou aluguel não poderá ser superior a: (Redação dada pela Lei n9 13.043, de 2014) Vigência I 85% (oitenta e cinco por cento), no caso de embarcações com sistemas flutuantes de produção e/ou armazenamento e descarga (Floating Production Systems FPS); (Incluído pela Lei n9 13.043, de 2014) Vigência II 80% (oitenta por cento), no caso de embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação, manutenção de poços (naviossonda); e (Incluído pela Lei n2 13.043, de 2014) Vigência III 65% (sessenta e cinco por cento), nos demais tipos de embarcações" 51. A referida estrutura foi, ainda, confirmada mais uma vez pela recentíssima Lei n9 13.586 de 2017, a qual além de alterar o disposto no art. 19 da supracitada Lei n9 9.481/97, manteve o reconhecimento da possibilidade de execução simultânea do contrato de afretamento e contrato de prestação de serviços e incluiu o §12 no texto legal, a fim de dispor expressamente que a aplicação dos percentuais estabelecidos na lei não acarreta alteração da natureza e das condições do contrato de afretamento ou aluguel para fins de incidência da CIDE: "§ 12. A aplicação dos percentuais estabelecidos nos § 22 e § 99 não acarreta a alteração da natureza e das condições do contrato de afretamento ou aluguel para fins de incidência da Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico CIDE de que trata a Lei n9 10.168, de 29 de dezembro de 2000, e das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços – PIS/Pasep Importação e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior Cofins Importação, de que trata a Lei n2 10.865, de 30 de abril de 2004." 52. Noutras palavras, o próprio Poder Executivo, ao editar a Medida Provisória n9 795/17, bem como o Poder Legislativo, que a converteu na Lei n9 13.586/17, reconhecem que, nesse tipo de atividade, não há que se falar na existência de um único contrato de prestação de serviços, e que a aplicação dos percentuais mencionados, para fins de IRRF, não acarreta a alteração da natureza contratada e das condições do contrato de afretamento ou aluguel para fins de incidência da CIDE, do PIS/Pasep Importação e da COFINSImportação. 53. Assim, não há dúvidas de que a premissa do presente caso é a de que os contratos em discussão envolvem a execução simultânea de afretamento de embarcação e prestação de serviços, sendo certo que a sua estrutura foi reconhecida a posteriori pela Lei n2 13.043/14. 54. Considerando que eventual lei posterior não tem o condão de alterar a natureza jurídica dos contratos, mas apenas de confirmar a sua legitimação para fins fiscais, não resta dúvida de que a referida estrutura deve ser reconhecida desde sempre. 55. Há, inclusive, recentíssima decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis — DRJ/FNS acolhendo, mesmo em relação a períodos anteriores à Lei n2 13.043/14, a estrutura utilizada pelas empresas (doc. 04): Fl. 1992DF CARF MF 20 "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 06/05/2011, 31/05/2011, 27/06/2011, 01/07/2011, 07/07/2011, 20/07/2011, 01/08/2011, 01/09/2011, 12/09/2011, 01/10/2011, 19/10/2011, 01/11/2011, 29/11/2011, 16/12/2011, 27/12/2011, 29/12/2011 (—) CONTRATO DE AFRETAMENTO E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXECUÇÃO SIMULTÂNEA. Mesmo antes da alteração promovida pela Lei n2 13.043, de 2014, é legítima a celebração de contratos de afretamento e de prestação de serviços com execução simultânea, por parte de um único concessionário de exploração de petróleo e gás. CONTRATO DE AFRETAMENTO. PREVISÃO DE SERVIÇOS. A previsão de serviços relacionados à navegação e à manutenção da própria embarcação afretada não altera a natureza de afretamento do contrato, nas modalidades por tempo ou por viagem." 9 (grifouse) 56. A aplicação do racional trazido à luz pela Lei nº 13.043/14 e mantido pela Lei nº 15.386/2017 ao presente caso concreto se mostra indispensável, nos termos do disposto no art. 106, I, do Código Tributário Nacional'', pois se trata de um dispositivo legal insculpido na legislação justamente com o escopo de esclarecer de uma vez por todas o tratamento tributário a ser conferido aos contratos complexos que preveem afretamento de embarcações e prestação de serviços. 57. Nesse sentido é a exposição de motivos referente à Medida Provisória n2 795/2017, que foi convertida na Lei n2 13.586/17: "4.1. A alteração promovida pelo art. 106 da Lei n 2 13.043, de13 de novembro de 2014, no § 2 2 do art. 1 2 da Lei n 2 9.481, de 1997, estabeleceu, para fins de redução a zero da alíquota do IRRF, percentuais máximos atribuídos aos contratos de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural. A referida alteração visava a limitar o benefício fiscal de redução a zero da alíquota do IRRF e, simultaneamente, dar segurança jurídica, uma vez que o Fisco estava desconsiderando os contratos de afretamento realizados pelas empresas do setor." (grifouse) 58. Fazse oportuno destacar, ainda, que o julgado supracitado não se trata um caso isolado. Em julgamento recente (doc. 051, o CARF corretamente consignou que a alteração da Lei nº 9.481/1997, promovida pela Lei nº 13.043/14, deve ser entendida como meramente elucidativa, restando sua aplicabilidade a todos os casos concretos que versem sobre o tema, independentemente do fato gerador em discussão: "A Lei 13043/2014 em seu art. 106 alterou a redação do art. 1° da Lei n. 9.481, de 1997, a qual passou a ter o seguinte texto: (...) O texto legal, equacionou a matéria em debate. A própria decisão recorrida consigna: "Não se ignora, por certo, que o lapso temporal contemplado pela pretensão fazendária antecede à nova redação do art. 12 da Lei n. 9.481, de 1997. Contudo, temse por insustentáveis os lançamentos fiscais quando em vigor os mencionados dispositivos. Isto porque tal pretensão fundase em construção teórica que ultrapassa a intertemporalidade, tomando por evidência do propósito evasivo arquitetura contratual posteriormente chancelada pelo legislador." Declaração de voto do Conselheiro Martin da Silva Gesto no processo n° 16682.721312/201391 está assim consignada: "Assim, é plenamente possível, o que se reforça com base na atual redação do §§ 22 e 72 do art. 12 da Lei n2 9.481, diante das alterações da Lei n2 13.043 de 13.11.2014, a bipartição de Fl. 1993DF CARF MF Processo nº 11052.720071/201790 Acórdão n.º 3301006.477 S3C3T1 Fl. 1.984 21 contratos. Esclareço que não se está aplicando retroativamente a legislação, mas tão somente demonstrando que a bipartição de contratos se trata de uma operação natural e não artificial, estando atualmente inclusive prevista em lei. Portanto, é possível a execução simultânea do contrato de afretamento (ou aluguel de embarcações marítimas) e contrato de prestação de serviços, relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural." (—) A interpretação da norma não pode levar a um desvio como posto em sede de razões recursais. (...) Considerando a legislação aplicável ao caso, a questão em apreço foi esclarecida de modo que empresas com atuação na indústria da prospecção e exploração de petróleo e gás natural, passaram a se subsumir expressamente no conceito de "embarcação" para fins da alíquota zero do imposto de renda na fonte as embarcações destinadas à prospecção e exploração de petróleo e gás natural."' (destacouse) 59. Portanto, tornase incontroversa a possibilidade de execução simultânea do contrato de afretamento e contrato de prestação de serviços relacionados à prospecção sísmica, não havendo incidência de CIDE na parte relacionada ao afretamento, razão pela qual deve ser cancelada a presente autuação. IV. "d" — A INCONTROVERSA OBTENÇÃO PELA IMPUGNANTE DE AUTORIZAÇÃO PARA AFRETAMENTO DAS EMBARCAÇÕES 60. A Fiscalização também pretende fazer entender que a Impugnante não teria autorização para afretar embarcações, o que supostamente se comprovaria pelo fato de não ter obtido a anuência da ANTAQ: "A CGG Brasil não teve a "Autorização" da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) para afretamento de embarcações estrangeiras, pelos seguintes fatos: Conforme Processo Consulta n2 276/2004, da 92 Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil, a expressão "Autoridades Competentes" se refere às autoridades responsáveis pelo controle do transporte aéreo e marítimo. A Lei 10.233/2001 criou a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) conforme inciso IV do seu artigo 12, sendo o órgão de controle do transporte aéreo e marítimo. Assim, a autoridade competente referida no inciso 1, do artigo 12 da Lei n2 9.481/97 e no artigo 691, inciso I, do RIR/99 — Decreto 3.000/99, é a ANTAQ Agência Nacional de Transportes Aquaviários. (—) Ao analisarmos o afretamento pelo prisma da Lei 9.432/97, capítulo VI, verificamos que a mesma não se aplica às embarcações de pesquisa sísmica, e, sim, se aplica em afretamentos de embarcações, como segue: (—) O contrato de afretamento tem legislação própria, que determina o seu tipo e características. Assim, nos termos do artigo 22 da Lei n2 9.432/97, o contrato de afretamento é aquele em que o proprietário ou legítimo possuidor da embarcação transfere o seu uso a um terceiro, para que este possa realizar as atividades que desejar. Na hipótese de se ceder o uso da embarcação, terseá o afretamento a casco nu; em se cedendo o uso da embarcação armada e tripulada, tem se o afretamento por tempo; caso o fretador se obrigue a colocar o todo ou parte de uma embarcação, com tripulação, à Fl. 1994DF CARF MF 22 disposição do afretador para efetuar transporte em uma ou mais viagens, terseá o afretamento por viagem." (destacouse) 61. Contudo, tal entendimento é completamente equivocado. O Fiscal Autuante tem razão em aduzir que a Impugna nte não obteve autorização da ANTAQ para afretamento de embarcação estrangeira. Por outro lado, é bastante óbvio que a entrada de embarcações estrangeiras no país, ainda que não sujeitas à regulação da ANTAQ, dependem de autorização específica. 62. A Impugnante, por sua vez, apresentou à fiscalização as autorizações das embarcações para que estas atuassem no país, tendo estas sido emitidas pela Marinha do Brasil e pela Diretoria de Portos e Costas (doc. 06). 63. É o que se pode extrair dos Atestados de Inscrição Temporária de Embarcação Estrangeira, que inscreveram as embarcações e, por consequência, as habilitaram para navegar em águas brasileiras e, última instância, a realizar a atividade previamente descrita. Tal sistemática segue o que dispõe os itens 107 e 108 da Portaria 13/99 (doc. 07), daquele órgão: 0107 AQUISIÇÃO DE DADOS RELACIONADOS COM O MONOPÓLIO DO PETRÓLEO E DO GÁS NATURAL Operação de coleta de dados por métodos, procedimentos e tecnologia próprias ou de terceiros, para serem aplicados na exploração e produção de petróleo e gás natural. 0108 AUTORIZAÇÃO PARA INÍCIO DAS OPERAÇÕES Autorização para operação de embarcação estrangeira em AJB é a permissão para execução de serviços. A autorização deverá ser solicitada por meio de requerimento à Capitania ou Delegacia (CP/DL). A Diretoria de Portos e Costas (DPC) atestará a operação da embarcação estrangeira em AJB, por meio do AIT emitido pelas CP/DL. Antes do início da operação de uma embarcação estrangeira, serão verificadas as condições de material, equipagem,habilitação da tripulação, e a documentação exigida pela legislação brasileira aplicável e por convenções internacionais ratificadas pelo governo brasileiro. A legislação pertinente encontrase no Anexo 1A 64. O próprio CARF, citando trecho de decisão da DRJ, já se manifestou no sentido de que a inexistência de autorização pela ANTAQ para o afretamento de embarcação é motivo insuficiente para se desconsiderar a operação: "No presente caso, verificase que as operações de afretamento em questão não necessitavam de autorização da autoridade competente, que é a ANTAQ, conforme se depreende do que foi relatado pela autoridade fiscal. Aqui cabe transcrever trecho da decisão da DRJ, com a qual concordo e adoto também como razões de decidir: Já adianto que não comungo no entendimento da autuante expresso no termo de constatação fiscal. Não há como admitir que uma operação de afretamento de embarcação estrangeira seja tributada simplesmente por não ter sido expressamente autorizada pela ANTAQ quando dessa autorização ela estava dispensada. Ora, essa dispensa de autorização, longe de ser uma proibição, é, em última análise, uma autorização prévia. É igualmente um enorme equívoco sustentar que, se os afretamentos, como os listados no termo de intimação n° 17, independem de autorização da ANTAQ, não estão reservados as embarcações brasileiras, não representam reserva de mercado, não representam interesse nacional algum e, por conseguinte, não fazem jus ao benefício fiscal da redução a zero da alíquota do IRRF."12 65. Além disso, a própria Receita Federal do Brasil atestou ter sido completamente regular o afretamento das embarcações realizado pela Impugnante, tendo em vista que as embarcações foram importadas por meio do REPETRO (doc. 08), que tem como objetivo desonerar a indústria petrolífera mediante suspensão da incidência dos tributos federais que Fl. 1995DF CARF MF Processo nº 11052.720071/201790 Acórdão n.º 3301006.477 S3C3T1 Fl. 1.985 23 gravam a importação de bens a ela destinados, mediante a concessão de regime de admissão temporária. 66. A Receita Federal regulamentou o REPETRO através da IN RFB 844/2008 (vigente à época dos fatos geradores), que trouxe uma lista anexa de bens que poderiam ser importados sem a incidência dos tributos aduaneiros, incluindo as embarcações destinadas à pesquisa: "Art. 19 O regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e de gás natural (Repetro), instituído pelo Decreto no 4.543, de 26 de dezembro de 2002, será aplicado em conformidade com o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Para efeitos desta Instrução Normativa considerase: I pesquisa ou exploração: conjunto de operações ou atividades, incluídas as de perfuração, destinadas a avaliar áreas, objetivando a descoberta e a identificação de jazidas de petróleo ou gás natural; e II lavra ou produção: conjunto de operações coordenadas de extração de petróleo ou gás natural de uma jazida e de preparo para sua movimentação. (—) Art. 29 O Repetro aplicase aos bens constantes do Anexo Único a esta Instrução Normativa." (—) Art. 52 O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 49 Poderá ser habilitada ao Repetro empresa com sede no País formalmente designada pela pessoa jurídica de que trata o inciso I do § 12, para promover a importação dos bens que sejam objeto de afretamento, de aluguel, de arrendamento operacional ou de empréstimo, desde que vinculados à execução de contrato de prestação de serviços celebrado entre elas, relacionado às atividades a que se refere o art. 12. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB rici" 941, de 25 de maio de 2009) * * * Anexo Único "Embarcações destinadas às atividades de pesquisa e produção das jazidas de petróleo ou gás natural e as destinadas ao apoio e estocagem nas referidas atividades." (destacouse) 67. Considerando que as embarcações afretadas foram trazidas ao Brasil sob o regime de admissão temporária, o qual é analisado e deferido ou não pela própria Receita Federal do Brasil, significa dizer que a Impugnante, diferentemente do entendimento apresentado pelo Fisco, obteve as devidas autorizações para afretamento. 68. A fim de corroborar o exposto, vejase que este foi o entendimento do CARF dado à matéria em caso semelhante: "Já a importação do navio sonda pela Transocean Brasil Ltda, causadora de espécie à autoridade fiscal, parece ter restado autorizada por meio do art. 52, §42, da Instrução Normativa n. 844, de 2008 (—) Não obstante, mesmo se admitido que os recursos destinados à Transocean UK Limited acabaram por remunerar serviços executados no Brasil pela Transocean Brasil Ltda, não se vê como aderir aos lançamentos fiscais levados a efeito. É que o afretamento ocorreu. Origem ou não do integral montante remetido ao exterior, não se pode ignorar referemse os Fl. 1996DF CARF MF 24 pagamentos, ao menos parcialmente, ao obrigado pelo contrato de afretamento. Mais, tal parcela há de ser significativa, pois igualmente não se tem por razoável a presença de dúvida no sentido de que o afretamento do navio sonda Deepwater Discovery, avaliado na casa de bilhão de reais, faz jus a tanto."' (destacouse) 69. A premissa adotada de que embarcações de pesquisa não se enquadrariam no conceito de embarcação passível de afretamento, por conta de eventual ausência de autorização da ANTAQ, nada mais é do que puro arbítrio da autoridade lançadora. 70. Por fim, a irrelevância da destinação econômica para qualificação como embarcação já foi julgada recentemente pelo CARF favoravelmente aos contribuintes, em caso cuja análise se deu exatamente sobre o afretamento de embarcação sísmica, tal como o presente, nos termos do precedente abaixo em que se discutia a aplicação do benefício fiscal de IRRF à embarcação destinada à pesquisa: "REMESSAS PARA O EXTERIOR. BENEFÍCIO FISCAL. Não restando provado que o contribuinte não fazia jus ao benefício da alíquota zero, posto que os navios de pesquisa não estão excluídos do conceito de embarcação, deve ser cancelado o lançamento. Recurso de ofício negado."' (grifou se) 71. Logo, resta afastada mais uma premissa equivocada apresentada pelo Fiscal Autuante. IV. "e" — A INEXISTÊNCIA DE SERVIÇO TÉCNICO NO CONTRATO DE AFRETAMENTO 72. Nos termos do §22 do artigo 22 da Lei n2 10.168/00, com a redação que lhe foi conferida pela Lei ri9 10.332/01, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico —CIDE é devida pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, o que à toda evidência não é o caso, como exaustivamente demonstrado na presente manifestação, pois tratase de afretamento de embarcação. 73. Em verdade, como já firmado, o serviço de pesquisa sísmica, verdadeiro serviço técnico especializado foi objeto de tributação pela CIDE, não havendo qualquer espaço para alcançar tergiversações sobre o assunto, ainda que existente a previsão da destinação dos recursos arrecadados. 74. Contudo, a se considerar o afretamento um serviço técnico, o que somente se admite a título de argumentação, tal suposta hipótese de incidência, definitivamente, não configura típica finalidade interventiva, sendo alheia aos objetivos constitucionais da criação da contribuição e atingindo setores econômicos não específicos. 75. Assim é que se deve entender por "serviços de assistência administrativa e semelhantes" e "serviços técnicos" aqueles de caráter instrumental ou complementar a operações de transferência de tecnologia, e não meramente os serviços que pressuponham simplesmente o emprego de quaisquer conhecimentos profissionais. 76. A Instrução Normativa SRF n° 252/2002, vigente à época do fato gerador, que tratava da incidência do imposto de renda na fonte sobre rendimentos pagos, creditados, empregados, entregues ou remetidos para pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, traz em seu bojo a diferença entre as espécies do gênero prestação de assistência técnica: "Art 17. (...) § 12 Para fins do disposto no caput: (—) II considerase: Fl. 1997DF CARF MF Processo nº 11052.720071/201790 Acórdão n.º 3301006.477 S3C3T1 Fl. 1.986 25 a) serviço técnico o trabalho, obra ou empreendimento cuja execução dependa de conhecimentos técnicos especializados, prestados por profissionais liberais ou de artes e ofícios; b) assistência técnica a assessoria permanente prestada pela cedente de processo ou fórmula secreta à concessionária, mediante técnicos, desenhos, estudos, instruções enviadas ao País e outros serviços semelhantes, os quais possibilitem a efetiva utilização do processo ou fórmula cedido." 77. Nesse sentido, nem todo serviço que pressuponha o emprego de conhecimentos especializados se caracteriza como serviço técnico ou de assistência técnica. 78. Portanto, ainda que se entenda ser o afretamento prestação de serviços, por mais absurdo que esta afirmação possa ser, este seria um serviço que teria como pressuposto simples emprego de conhecimento profissional, não havendo qualquer transferência de tecnologia ou conhecimento especializado/técnico, não se sujeitando, portanto, à incidência da CIDE. 79. Ora, se o afretamento de embarcação não se enquadra em nenhuma das hipóteses descritas na Lei n° 10.168/00, não há que se falar em ocorrência do fato gerador da CIDE. 80. Ainda, há de se ter sob os olhos a existência de limite material intransponível à instituição e cobrança da contribuição prevista no artigo 22 da Lei n2 10.168/00, com a redação que lhe foi atribuída pela Lei n2 10.322/01. 81. Fora desse âmbito, há que se negar ao Legislador Infraconstitucional competência para instituir contribuição de intervenção no domínio econômico, eis que, sob o regime imposto pela atual Constituição, a intervenção é a exceção, e não a regra. Vêse, então, que a hipótese de incidência da CIDE é restrita, não havendo espaço sequer para o legislador ordinário tergiversar sobre o assunto, tampouco ao Fisco. 82. Com efeito, a intervenção no domínio econômico, passível de financiamento por contribuição, deve ser direta, não indireta, sob pena de tudo poder virar objeto de contribuição. Intervenção indireta na economia deve ser financiada por outros tributos, como os impostos, e não basta a simples destinação do produto da arrecadação a algum fim para transformar um imposto em contribuição. 83. Em verdade, ainda que desconsiderando o conceito específico constante na Instrução Normativa n° 252/2002, os contratos celebrados com a CGGVeritas Services S.A. que foram analisados nessa fiscalização segregaram seu objeto em afretamento de embarcação e serviço de pesquisa sísmica, tendo sido este último objeto de tributação pela CIDE. 84. Assim, cotejandose o alcance das hipóteses de incidência previstas na lei originária da contribuição, Lei n2 10.168/00, com a hipótese de incidência criada pela Lei n2 10.332/01, constatase, com facilidade, que faltam nos suportes fáticos escolhidos para base da contribuição desta última (serviços técnicos especializados sem transferência de tecnologia), as configurações fina lísticas típicas interventivas. 85. Ademais, ainda que se considerasse o afretamento como um serviço técnico, tal suposta hipótese de incidência, definitivamente, não configura típica finalidade interventiva, sendo alheia aos objetivos constitucionais da criação da contribuição e atingindo setores econômicos não específicos. Neste sentido, cabe transcrever o entendimento do mestre Marco Aurélio Greco: "Relevante é deixar claro que um dos parâmetros da instituição da contribuição é a definição de uma parcela do domínio econômico, que atuará como critério de circunscrição da sua aplicação, inclusive no que se refere aos respectivos contribuintes. Contribuição de intervenção que atinja universo que abrange todos, independente do setor em que atuem, até poderá ser contribuição, mas certamente não será mais "de intervenção."' Fl. 1998DF CARF MF 26 86. Destarte, por qualquer ângulo que se veja o caso, impõese a improcedência da autuação. III – AS RAZÕES DO VOTO CONDUTOR DO ACÓRDÃO DRJ/CGE 14. A DRJ/CAMPO GRANDE, analisando a situação fática e confrontando a acusação fiscal com as razões de defesa da autuada, decidiu por declarar procedente a impugnação, exonerando o crédito tributário em sua totalidade e, por tal motivo, recorre de ofício a este CARF. 15. Colacionamos excertos do voto condutor do Acórdão da DRJ/CAMPO GRANDE : A questão central a ser discutida na presente lide é o entendimento do Fisco de que a empresa "CGG Brasil transacionou prestação de serviço cuja natureza jurídica é a realização dos serviços de aquisição e processamento de dados sísmicos no Brasil, autorizados pela ANP, cujos contratos foram acordados com a CGGVS França", tendo sido considerada, de forma indevida, entretanto, uma parcela substancial dos contratos como afretamento. Entendeu o Fisco, após a análise dos contratos, que estes referemse exclusivamente a prestação de serviços, afastando seu enquadramento como afretamento, dentre outros motivos por: i. O afretamento das embarcações é necessário para a execução dos serviços contratados, mas as embarcações foram transferidas pelo fretador ao afretador, aparelhadas, equipadas, tripuladas, e com todas as condições de navegabilidade e de uso para levantamentos dos dados sísmicos, ficando patente que o contrato é de prestação de serviços; ii. A CGG Brasil não teve a “Autorização” da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) para afretamento de embarcações estrangeiras; iii. No presente caso ocorreram remessas de valores ao exterior decorrentes da prestação de serviços especializados de levantamento de dados sísmicos, sem transferência de tecnologia, com incidência da tributação da CIDE – Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico, com base no artigo 2º e parágrafos da Lei 10.168/2000, com alteração da Lei nº 10.332/2001, regulamentada pelo Decreto nº 4.195/2001; Em síntese, é possível afirmar que a Autoridade Fiscal convenceuse de que os contratos particionados entre prestação de serviços e afretamento seriam irregulares, uma vez que o afretamento é parte dos contratos de prestação de serviços, sendo indissociável deles, pois, a utilização das embarcações não transforma o contrato de prestação de serviços em contrato de afretamento, a ponto de justificar o não recolhimento de parcela considerável da CIDE. A impugnante discorda do entendimento do Fisco, alegando serplenamente legal a partição dos contratos entre prestação de serviços e afretamento, sendo, inclusive, tal atitude reconhecida como legítima pela Receita Federal do Brasil – RFB. Apresenta suas justificativas, conforme já relatado, através da totalidade do item IV da impugnação. …………………….. Antes de iniciar a análise do mérito da questão, entendo relevante trazer as definições estabelecidas sobre afretamento, presentes no art. 2º da Lei 9.532 de 08 de janeiro de 1997. ……………………. Como já dito anteriormente, a Autoridade Fiscal discorda da partição dos contratos entre prestação de serviços e afretamento, entendendo que o fornecimento das embarcações seria parte integrante dos serviços contratados. Entendo, entretanto, que a própria RFB à época do fato gerador da obrigação ora em análise, já reconhecia a possibilidade de existência de contratos de prestação de serviços e afretamento com execução simultânea. O REPETRO é um regime aduaneiro especial de exportação e de importação de Fl. 1999DF CARF MF Processo nº 11052.720071/201790 Acórdão n.º 3301006.477 S3C3T1 Fl. 1.987 27 bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural, instituído através do Decreto 3.161 de 1999, reproduzido em parte a seguir. …………………….. Tendo sido delegado à Secretaria da Receita Federal a expedição de normas para o disciplinamento do REPETRO, várias Instruções Normativas foram expedidas com este fim, a partir do ano de 1999, culminando em 2008, com a edição da IN RFB nº 844 de 09 de maio de 2008, vigente à época do fato gerador relativo à autuação ora em análise, cuja essencialidade, para fins do presente raciocínio, reproduzo a seguir (……..)Até aqui, realmente não há qualquer menção quanto a afretamentos relacionados a contratos de prestações de serviços. Entretanto, com o advento da Instrução Normativa RFB nº 941 de 25 de maio de 2009, a Receita Federal reconhece que a pessoa jurídica contratada pela detentora da concessão ou autorização, poderá celebrar contrato de afretamento com execução simultânea com prestação de serviços. (…..)Notase que a RFB, já em 2009, reconhece expressamente a celebração, com uma mesma pessoa jurídica, de contratos para o afretamento vinculados a prestação de serviços. Uma nova redação foi dada ao art. 5° da IN RFB n° 844, de 2008, pela Instrução Normativa RFB n° 1070, de 13 de setembro de 2010, incluindo agora a pessoa jurídica contratada para o afretamento no rol de possíveis beneficiárias do REPETRO, ao lado da concessionária da exploração de petróleo e da pessoa jurídica contratada (ou subcontratada) para a prestação de serviços (……….)Então, o importante de toda a análise precedente é a constatação de que a RFB, repetindo, mesmo antes do fato gerador da obrigação tributária em análise, já admitia a possibilidade de a concessionária da exploração de petróleo celebrar, com uma mesma pessoa jurídica, dois contratos distintos, um para o afretamento e outro para a prestação de serviços. Assim, não vejo óbice, ao contrário do entendimento do autuante, à partição do contrato entre afretamento e prestação de serviços. …………………… Continuando, constatase também que a Lei nº 9.481 de 1997, que previa a alíquota zero para o IRRF, no caso de afretamento, foi alterada pela Lei 13.043 de 13 de novembro de 2014, inovando no sentido da previsão de limites, na hipótese de execução simultânea de "afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si" (……….)Assim, apesar de tratar de alíquota zero na apuração do IRRF e não da CIDE, no caso de Afretamento, o legislador reconhece um fato já existente, impondo limites a sua utilização, prevenindo possíveis abusos. Não se pode dizer que se trata de uma definição legal com efeitos apenas prospectivos, a partir da publicação da lei de 2014 e, portanto, inaplicável aos fatos anteriores ora examinados. Da forma como o legislador tratou a matéria, notase que ele observou uma realidade e a disciplinou. Confirmando esse entendimento, a Medida Provisória nº 795 de 2017, que foi convertida na Lei nº 13.586 de 28 de dezembro de 2017, traz em sua exposição de motivos o seguinte: ... 4. O art. 2º deste Projeto altera os §§ 2º a 8º e acrescenta os §§ 9º a 12 ao art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, que tratam da incidência do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF nas remessas ao exterior a título de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas. 4.1. A alteração promovida pelo art. 106 da Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014, no § 2º do art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, estabeleceu, para fins de redução a zero da alíquota do IRRF, percentuais máximos atribuídos aos contratos de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás Fl. 2000DF CARF MF 28 natural. A referida alteração visava a limitar o benefício fiscal de redução a zero da alíquota do IRRF e, simultaneamente, dar segurança jurídica, uma vez que o Fisco estava desconsiderando os contratos de afretamento realizados pelas empresas do setor. ... Em meu entendimento, resta cristalino que os contratos analisados, na parte referente a afretamento são plenamente legais. A título de esclarecimento adicional, vale observar ainda que, segundo o Fisco, conforme Termo de Constatação, fl. 1.042, os valores dos contratos somam o montante de R$ 148.622.265,44, sendo que os serviços técnicos chegam a R$ 38.249.995,54 (…..)Os valores dos afretamentos, em relação ao total dos contratos, chegam a uma proporção de 79,53%, se adequando perfeitamente aos limites previstos no inciso II do § 2º do art. 1º da a Lei nº 9.481 de 1997, com as alterações trazidas pela Lei 13.043 de 2014. É claro que à época do fato gerador analisado, a citada norma legal ainda não vigorava,entretanto, esse é um bom indicativo da razoabilidade dos valores constantes dos contratos. ………………………….. Outra questão importante a ser discutida é a necessidade de autorização das autoridades competentes para o afretamento de embarcações estrangeiras, conforme colocada pelo Fisco. Entendo sim, que há necessidade de autorização para o afretamento de embarcações estrangeiras, nos termos do art. 9º da Lei 9.432 de 1997, com o fim de obterse o benefício do art. 1º da Lei 9.481 de 1997. Porém, conforme Termo de Constatação, fl. 1049, a empresa apresentou documentação da Marinha do Brasil, "atestando que as embarcações foram inscritas em caráter temporário em face a autorização para Pesquisa Sísmica em Cabotagem". Porém, o Fisco alerta que a "CGG Brasil não teve a “Autorização” da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) para afretamento de embarcações estrangeiras". Entretanto, me parece que, nos termos do art. 27 da Lei nº 10.233 de 2001, caberia à ANTAQ, tão somente o fornecimento de autorização para empresas brasileiras de navegação de longo curso, de cabotagem, de apoio marítimo, de apoio portuário, fluvial e lacustre, para o afretamento de embarcações estrangeiras para transporte de carga(…..)Além de tudo isso, ressalto que o benefício fiscal de alíquota zero, nos termos da Lei 9.481 de 1997, atinge o IRRF, não tendo relação com a CIDE, que é o tributo objeto da presente análise, que possui regras de incidência específicas. Ainda sobre a questão da autorização em discussão, vejamos o que diz o inciso V do art. 1º da Lei 9.532 de 08 de janeiro de 1997 (….) Através do inciso V do art. 1º da referida Lei, as embarcações de pesquisa estariam excluídas das aplicações constantes da Lei 9.432 de 1997. Lembrando que os quatro contratos de afretamento ora analisados, referemse a afretamento de "embarcação para Pesquisa Geofísica". E mais, vejamos o que diz a Normas da Autoridade Marítima para Operação de Embarcações Estrangeiras em Águas Jurisdicionais Brasileiras, da Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil, no que se refere para a presente questão (sitio www.dpc.mar.mil.br/sites/norma04_0.pdf) (...)Não restam dúvidas, com base em toda análise, que a empresa obteve as necessárias autorizações para operar navios estrangeiros afretados para a atividade de pesquisa. Ao final, concluo que existem atos de afretamento no presente caso, inclusive com amparo na própria legislação tributária, conforme já demonstrado neste Voto. Dessa forma, entendo correta a apuração da CIDE por parte do contribuinte, ao tributar a parcela relativa à prestação de serviços, deixando de fora da incidência da contribuição a parcela relativa ao afretamento, por este não ser uma das hipóteses de incidência da contribuição, nos termos da Lei nº 10.1168 de 29 de dezembro de 2000. 16. O voto condutor do Acórdão DRJ/CGE defendeu a legalidade dos juros de mora sobre a multa de ofício, citando a Súmula CARF nº 04. Assim conclui o voto condutor : Fl. 2001DF CARF MF Processo nº 11052.720071/201790 Acórdão n.º 3301006.477 S3C3T1 Fl. 1.988 29 “Em face de todo o exposto e considerando tudo o mais que dos autos consta, VOTO por considerar PROCEDENTE a impugnação, exonerando na íntegra a Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico CIDE originalmente lançada. O presente processo deverá ser encaminhado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em face do reexame necessário.” AS QUESTÕES DE MÉRITO 17. No mérito, o cerne da questão tem fulcro na ocorrência do fato gerador da CIDEREMESSAS, especificamente quanto ao tipo de atividade econômica efetivamente contratada e, consequentemente, a real natureza dos contratos celebrados pela recorrente com a empresa estrangeira. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal TCF, a fiscalização apurou que o real negócio jurídico contratado pela recorrente com a pessoa jurídica estrangeira foi a prestação de serviços de extração ou levantamentos de dados sísmicos, e não o afretamento de embarcações. Em decorrência desta constatação, a autoridade fiscal entendeu que os recursos financeiros remetidos à pessoa jurídica domiciliada no exterior, na verdade, representavam a remuneração pela prestação dos referidos serviços técnicos, logo, estavam sujeitos à incidência da CIDE, nos termos do artigo 2º da Lei nº 10.168/2000, assim redigido: LEI nº 10.168/2000 Art. 2' Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. [...] § 2' A partir de 1' de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ouremeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 2001). § 3' A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. (Redação da pela Lei n' 10.332, de 2001) § 4' A alíquota da contribuição será de 10% (redação dada pela Lei n' 10.332, de 2001) § 5' O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador (incluído pela Lei n' 10.332, de 2001) 18. Por sua vez, em suas razões de defesa, a autuada alegou que os contratos por ela celebrados com CCGVS FRANÇA eram de subafretamento de embarcações e prestação de serviços técnicos especializados de prospecção sísmica marítima, sendo que remeteu ao exterior a remuneração respectiva. Suas atividades se resumem na aquisição de dados sísmicos sob a modalidade exclusiva e não exclusiva (também denominada multiclientes), sendo que tais dados, após coletados passam a fazer parte de um banco de dados que poderá ser objeto de licenças de direito de uso comercializadas junto a seus clientes, quais sejam empresas ligadas á exploração de petróleo que têm interesse em conhecer as características geofísicas das áreas Fl. 2002DF CARF MF 30 que poderão ser oferecidas em concessão pela Agência Nacional de Petróleo – ANP, Portanto, a empresa é uma empresa de aquisição de dados (EAD) definida na Resolução ANP nº 11/2011, que adquire dados para futura cessão temporária. Nesse diapasão, seus clientes adquirem licenças de uso de dados relativos ás características geofísicas do solo marítimo. 19. Assim, a autuada celebrou quatro contratos com a CGGVS FRANÇA, cujos objetos englobam o subfretamento das embarcações VANTAGE, SYMPHONY, PHOENIX e VIKING e, ainda, a prestação de serviços técnicos especializados de prospecção sísmica marítima. Apesar de autuada ter segregado o objeto dos contratos, a fiscalização desconsiderou a parte relativa ao afretamento por entender que, na prática, tratase de contratos unicamente de prestação de serviços, motivo pelo qual a CIDE deveria incidir sobre todas as verbas remetidas ao exterior. 20. Em síntese, alega a autuada que o afretamento de uma embarcação destinada á pesquisa sísmica tem estreita correlação com a prestação de serviços de prospecção de dados sísmicos marítimos em que, contudo, tal fato desqualificar a natureza jurídica de afretamento. DO AFRETAMENTO – CARACTERÍSTICAS, DEFINIÇÃO E TIPOS DE CONTRATO 21. Em razão dessa particularidade, necessário se faz tecer comentários sobre a caracterização, a definição e os tipos de contrato de afretamento de embarcações, que se encontra previsto no direito positivo brasileiro, genericamente, nos artigos 566 a 574 no Código Comercial (Lei nº 556/1850) e, subsidiariamente, na Lei nº 9.432/1997 (Lei do Afretamento) e na Resolução Normativa 01/2015 da ANTAQ, que dispõem sobre a regulação da navegação comercial de transporte de bens e pessoas. 22. No direito positivo brasileiro, as características principais do contrato de afretamento de embarcação encontramse estabelecidas no artigo 566 do Código Comercial : Art. 566 O contrato de fretamento de qualquer embarcação, quer seja na sua totalidade ou em parte, para uma ou mais viagens, quer seja à carga, colheita ou prancha. O que tem lugar quando o capitão recebe carga de quanto se apresentam, deve provarse por escrito. No primeiro caso o instrumento, que se chama cartapartida ou carta de fretamento, deve ser assinado pelo fretador e afretador, e por quaisquer outras pessoas que intervenham no contrato, do qual se dará a cada uma das partes um exemplar; e no segundo, o instrumento chamase conhecimento, e basta ser assinado pelo capitão e o carregador. Entendese por fretador o que dá, e por afretador o que toma a embarcação a frete. 23. Já os elementos principais do contrato de afretamento, denominado Carta Partida, ou Charter Party (CP), encontramse definidos no artigo 567 do mesmo Códex : Art. 567 A cartapartida deve enunciar: 1 o nome do capitão e o do navio, o porte deste, a nação a que pertence, e o porto do seu registro (artigo nº. 460); 2 o nome do fretador e o do afretador, e seus respectivos domicílios; se o fretamento for por conta de terceiro deverá também declararse o seu nome e domicílio; 3 a designação da viagem, se é redonda ou ao mês, para uma ou mais viagens, e se estas são de ida e volta ou somente para ida ou volta, e finalmente se a embarcação se freta no todo ou em parte; Fl. 2003DF CARF MF Processo nº 11052.720071/201790 Acórdão n.º 3301006.477 S3C3T1 Fl. 1.989 31 4 o gênero e quantidade da carga que o navio deve receber, designada por toneladas, nºs, peso ou volume, e por conta de quem a mesma será conduzida para bordo, e deste para terra; 5 o tempo da carga e descarga, portos de escala quando a haja, as estadias e sobre estadias ou demoras, e a forma por que estas se hão de vencer e contar; 6 o preço do frete, quanto há de pagarse de primagem ou gratificação, e de estadias e sobre estadias, e a forma, tempo e lugar do pagamento; 7 se há lugares reservados no navio, além dos necessários para uso e acomodação do pessoal e material do serviço da embarcação; 8 todas as mais estipulações em que as partes se acordarem. 23. Portanto, tratase de um contrato típico, por força do disposto no seguinte artigo 568, que deve ser registrado no órgão competente do registro de comércio : Art. 568 As cartas de fretamento devem ser lançadas no Registro do Comércio, dentro de 15 (quinze) dias a contar da saída da embarcação nos lugares da residência dos Tribunais do Comércio, e nos outros, dentro do prazo que estes designarem (artigo nº. 31). 24. Assim, o contrato de afretamento pode ser definido como o instrumento por meio do qual o fretador (proprietário da embarcação ou o armador proprietário), disponibiliza sua embarcação ou apenas o serviço da embarcação para o afretador (disponente da embarcação ou armador disponente ou beneficiário), que utilizará a embarcação na navegação marítima e fluvial para o transporte de mercadorias e/ou de pessoas ou na prestação de serviços específicos. Em retribuição, o afretador remunera o fretador com a taxa de afretamento. DAS PREMISSAS ADOTADAS PELO VOTO CONDUTOR DO ACÓRDÃO DRJ 25. Verificase, da análise do voto condutor do Acórdão DRJ, que o julgador adotou duas premissas básicas : 1 a autorização legal para a bipartição dos contratos de afretamento e prestação de serviços, com fundamento na legislação do REPETRO e subsidiariamente na legislação de regência do IRRF, concluindo que o contrato em exame é possível e incorretamente considerado pela autoridade fiscal como de prestação de serviços; 2 a autorização das autoridades competentes para o afretamento de embarcações estrangeiras, concluindo que existem no presente caso atos de afretamento com as devidas autorizações para operar a atividade de pesquisa. 26. Discordo em parte com as premissas adotadas pelo Ilustre Julgador. 27. Com relação á fundamentação da admissibilidade de bipartição de contratos com fundamento na legislação do REPETRO, entendo não se amoldar ao contorno do caso em exame. Fl. 2004DF CARF MF 32 27. O REPETRO foi instituído e estruturado para as empresas que possuem concessão ou autorização para exploração das jazidas de petróleo, nos campos já delimitados e objeto de licitação pelo governo brasileiro. 28. No caso presente tratamos de uma fase anterior á concessão, pois tratase de pesquisa de dados sísmicos, onde podese ou não detectar campos petrolíferos, neste caso o que se está a analisar é a comercialização de dados sismológicos para as empresas candidatas a concessões ou autorizações de exploração de jazidas. 29. A própria impugnante, ao descrever as atividades da empresa, assim se expressa, aclarando a questão : 8. A principal atividade desenvolvida pela Impugnante consiste na aquisição de dados sísmicos sob a modalidade exclusiva e não exclusiva (também denominada multiclientes). Tais dados, depois de coletados e processados, no caso de aquisição exclusiva é entregue aos clientes e, no caso do não exclusivo os dados passam a fazer parte de um banco de dados da Impugnante que poderá ser objeto de licenças de direito de uso aos clientes, empresas ligadas à exploração de petróleo que têm interesse em conhecer as características geofísicas das áreas que poderão ser oferecidas em concessão pela Agência Nacional do Petróleo – ANP. (grifos nossos) 9. A Lei n° 9.478/97 estabelece em seu artigo 49 que as atividades de pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos constituem monopólio da União nos termos do artigo 177 da Constituição Federal. Outrossim, o art. 59 do referido diploma legal ainda dispõe que tais atividades econômicas poderão ser exercidas, mediante concessão, autorização ou contratação sob o regime de partilha de produção, por empresas constituídas sob as leis brasileiras, com sede e administração no País. (grifos nossos) ……. 12. Podese notar do texto acima mencionado que a Impugnante é também uma empresa de aquisição de dados ("EAD") que realiza a aquisição de dados nãoexclusivos para futura cessão temporária. A mesma resolução passa, posteriormente, a dispor sobre a cessão de dados pelas EAD. 13. Com isso, os clientes da Impugnante, empresas de exploração de petróleo, adquirem licença de uso dos dados relativos às características geofísicas do solo marinho, que irão auxiliálos em suas respectivas atividadesfim. 14. No caso em tela, a concessão de tais licenças se dá na modalidade nãoexclusiva, o que dá aos seus clientes o direito de acesso aos dados coletados previamente, mas a Impugnante está plenamente autorizada a fornecêlos a outros interessados durante o prazo de confidencialidade desses, conforme explicitado na Resolução transcrita acima. ………………. 16. Sendo assim, fica claro que o afretamento das embarcações e a subcontratação do knowhow para a sua operação são apenas parte de uma engrenagem bem maior para a atividade de cessão do direito de uso de dados sísmicos. (grifos nossos) Fl. 2005DF CARF MF Processo nº 11052.720071/201790 Acórdão n.º 3301006.477 S3C3T1 Fl. 1.990 33 30. Desta forma, em função das atividades da empresa serem de pesquisa de dados sismológicos, para comercialização junto á empresas que poderão explorar os campos petrolíferos, entendo que a legislação do REPETRO não deve ser adotada na análise do presente caso. 31. Com relação á autorização das autoridades competentes para o afretamento de embarcações estrangeiras, também discordo com a premissa adotada. 32. A própria impugnante admite que não obteve autorização para afretamento de embarcação estrangeira : 61. Contudo, tal entendimento é completamente equivocado. O Fiscal Autuante tem razão em aduzir que a Impugna nte não obteve autorização da ANTAQ para afretamento de embarcação estrangeira. Por outro lado, é bastante óbvio que a entrada de embarcações estrangeiras no país, ainda que não sujeitas à regulação da ANTAQ, dependem de autorização específica. 62. A Impugnante, por sua vez, apresentou à fiscalização as autorizações das embarcações para que estas atuassem no país, tendo estas sido emitidas pela Marinha do Brasil e pela Diretoria de Portos e Costas (doc. 06). 63. É o que se pode extrair dos Atestados de Inscrição Temporária de Embarcação Estrangeira, que inscreveram as embarcações e, por consequência, as habilitaram para navegar em águas brasileiras e, última instância, a realizar a atividade previamente descrita. Tal sistemática segue o que dispõe os itens 107 e 108 da Portaria 13/99 (doc. 07), daquele órgão: 0107 AQUISIÇÃO DE DADOS RELACIONADOS COM O MONOPÓLIO DO PETRÓLEO E DO GÁS NATURAL Operação de coleta de dados por métodos, procedimentos e tecnologia próprias ou de terceiros, para serem aplicados na exploração e produção de petróleo e gás natural. 0108 AUTORIZAÇÃO PARA INÍCIO DAS OPERAÇÕES Autorização para operação de embarcação estrangeira em AJB é a permissão para execução de serviços. A autorização deverá ser solicitada por meio de requerimento à Capitania ou Delegacia (CP/DL). A Diretoria de Portos e Costas (DPC) atestará a operação da embarcação estrangeira em AJB, por meio do AIT emitido pelas CP/DL. Antes do início da operação de uma embarcação estrangeira, serão verificadas as condições de material, equipagem, habilitação da tripulação, e a documentação exigida pela legislação brasileira aplicável e por convenções internacionais ratificadas pelo governo brasileiro. 32. A premissa de que tal autorização seria fundamental para a definição da interpretação do contrato não se fundamenta, pois a autoridade fiscal utilizou esta informação para corroborar a sua tese de que o contrato não se tratava de afretamento e sim de prestação de serviços. 33. Utilizar esta premissa para fundamentar a essência do negócio em exame é irrelevante, pois a análise negocial deve se ater aos contornos do contrato avençado e sua particularidades, a autorização das autoridades responsáveis pelo trânsito de embarcações no mar terrritorial brasileiro é adjacente ao negócio. Fl. 2006DF CARF MF 34 34. Ao analisar os autos, verificamos que as autorizações, concedidas pela Marinha do Brasil, obtidas pela impugnante referemse a pesquisas e não a afretamento, o que apenas ratifica a tese da fiscalização. 35. Por fim, concordo com a premissa utilizada pelo voto condutor da autorização legal para bipartição do contrato com fundamento na legislação do IRRF. Apesar de não haver qualquer correlação com a CIDEREMESSAS, tratada nestes autos, é uma premissa a ser adotada para que se conclua que o legislador brasileiro admitiu a existência e legalidade dos contratos coligados em sentido estrito. LIVRE INICIATIVA. GARANTIA CONSTITUCIONAL. FORMA DE REDAÇÃO DOS CONTRATOS. ATRIBUTOS DO ADMINISTRADOR DA PESSOA JURÍDICA. 36. O planejamento tributário nasce de uma necessidade do empresário e/ou contribuinte de se protegerem das incertezas e inseguranças jurídicas e principalmente reduzir ou retardar a ocorrência do fato gerador de tributos, visando sempre a economia tributária dentro da forma e limites da lei. 37. Assim diz a legislação : Lei nº 6.404/1976 – Lei das Sociedades Anônimas embarcação, que se divide em: gestão náutica atividades de navegação, estabilidade e manobra atividades relacionadas diretamente com os serv transporte da carga, que inclui o recebimento, t e estivagem a bordo etc. A responsabilidade pela gestão da embar afretamento. No contrato de afretamento por viag é toda concentrada na pessoa do fretador. No co dividida entre o fretador e afretador. A este ca contrato de afretamento a casco nu a responsab afretador, que concentra as gestões náutica e c Com base nessas definições, passase anal pela recorrente com as empresas estrangeiras PGS UK (1056/1133) e quem, de fato, assumiu a respo náutica e comercial). Com base nessas definições, passase anal pela recorrente com as empresas estrangeiras PGS UK (1056/1133) e quem, de fato, assumiu a respo náutica e comercial). Deveres e Responsabilidades Dever de Diligência Art. 153. O administrador da companhia deve empregar, no exercício de suas funções, o cuidado e diligência que todo homem ativo e probo costuma empregar na administração dos seus próprios negócios. Finalidade das Atribuições e Desvio de Poder Art. 154. O administrador deve exercer as atribuições que a lei e o estatuto lhe conferem para lograr os fins e no interesse da companhia, satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. 38. Na doutrina, encontramos as seguintes considerações : Fl. 2007DF CARF MF Processo nº 11052.720071/201790 Acórdão n.º 3301006.477 S3C3T1 Fl. 1.991 35 MARCO AURÉLIO GRECO afirma que o planejamento tributário “é a atividade exercida pelo contribuinte com efeito de submeterse a uma menor carga tributária” (in Planejamento Tributário, 3ª ed., São Paulo, Dialética, p. 104.) FRANCISCO COUTINHO CHAVES diz que planejamento tributário “é o processo de escolha de ação, não simulada, anterior á ocorrência do fato gerador, visando direta ou indiretamente á economia de tributos.” (in Planejamento Tributário na Prática, São paulo, Atlas, 2008, p.5) CÂNDIDO H. CAMPOS afirma que planejamento tributário “ é a busca de alternativas de redução da carga fiscal por meio lícitos antes da ocorrência do fato gerador de tributos.” (in Prática de Planejamento Tributário, São Paulo, Quartier Latin, 2007, p.11). 39. Assim, de acordo com tais definições, no planejamento tributário temse a ênfase na liberdade do contribuinte, de forma legítima e amparado pelo direito, realizar atos que evitem, retardem ou reduzam a incidência de tributos em suas operações. 40. A legislação brasileira não possui nenhum instituto que aponte diretamente o conceito de planejamento tributário, ou como o empresário e/ou contribuinte deva ou não se organizar na expectativa de obter uma economia tributária. 41. Neste mesmo sentido, a Carta Magna, em seu artigo 170, § único, homenageia o Princípio da Livre Iniciativa : Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: I soberania nacional; II propriedade privada; III função social da propriedade; IV livre concorrência; V defesa do consumidor; VI defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestaçã VII redução das desigualdades regionais e sociais; VIII busca do pleno emprego; IX tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 6, de 1995) Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei. 42. Não havendo, pois, lei que proíba uma organização de planejar e se estruturar de forma que obtenha uma economia tributária, o contribuinte está livre para buscar, dentro do ordenamento jurídico, ações que reduzam ou retardem sua carga fiscal. E, nesta busca por situações dentro do Direito Tributário, para se planejar, é exigido que o contribuinte não somente identifique situações positivadas de como e onde se tributa, mas também interprete a legislação, buscando descobrir e mapear o alcance do sentido da norma. Neste diapasão, o Fl. 2008DF CARF MF 36 planejamento tributário se torna uma ferramenta imprescindível ao empresário que, dentro dos limites impostos pela lei, deve prezar pela eficiência de seu negócio, contribuindo assim, para a sociedade empresarial e, simultaneamente, tendo em foco em apresentar, para o fisco, seu negócio apenas naquilo que está estritamente previsto e positivado nas normas legais. 43. Assim agem os conglomerados multinacionais que, para atuarem em diversos locais, em diversos países, devem estudar a legislação tributária local, para dela se beneficiarem da melhor forma possível. A DOUTRINA DA PREVALÊNCIA DA ESSÊNCIA SOBRE A FORMA E A TEORIA DO PROPÓSITO NEGOCIAL. 44. Independente da denominação que se dê ao instrumento que dá forma ao negócio, há que se prescutar a verdadeira essência do negócio, analisandoo como um todo, envolvendo não só o instrumento contratual, mas também o ambiente onde se insere toda o complexo negocial, sendo o contrato apenas um elemento de tal complexo. O que há se ter em foco é o objeto final do negócio onde se insere o contrato, sendo que este é apenas a forma onde se amolda a verdadeira essência do negócio. 45. Sabese que o contrato constitui a roupagem jurídicoformal do negócio jurídico celebrado entre as partes. Por força desta característica, para que seja reputado idôneo o contrato, o seu conteúdo deve refletir o real negócio jurídico celebrado entre as partes. Em outras palavras, para que seja considerado idôneo o contrato, o negócio jurídico nele declarado deve corresponder ao negócio jurídico efetivamente realizado entre as partes. 46. Para configurar essa condição, a interpretação do negócio jurídico não deve se limitar apenas aos instrumentos contratuais celebrados entre as partes, mas ir além, para alcançar os elementos probatórios que confirmem a adequada compatibilidade entre o negócio jurídico declarado e o negócio jurídico concretizado pelas partes, isto é, que os fatos ocorridos possuam substrato econômico efetivo e efeitos jurídicos idênticos ou semelhantes ao fato jurídico declarado. 47. E, no contexto em que há prevalência da essência sobre a forma, certamente não será o nome do contrato, ou a sua forma (de maneira geral amoldada ao ditames legais) que definirá sua natureza jurídica, mas o seu conteúdo essencial, que, necessariamente, deve corresponder ou refletir o mesmo efeito do negócio realizado pelas partes. 48. Assim, se a denominação do contrato discrepa do negócio jurídico regulado por tal instrumento, induvidosamente será este que deverá definir a natureza do contrato e não a mera denominação. Da mesma forma, se o negócio jurídico regulado pelo contrato, não corresponder á essência do negócio jurídico regulado pelas partes, este último deve prevalecer e definir a natureza do contrato. 49. Em síntese, em qualquer dos casos, a essência deverá sempre prevalecer sobre a forma. Essa é a diretriz traçada pelo comando contido no artigo 118 do Código Tributário Nacional : Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo se: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Fl. 2009DF CARF MF Processo nº 11052.720071/201790 Acórdão n.º 3301006.477 S3C3T1 Fl. 1.992 37 50. É com fundamento nesta premissa que será feita a análise dos contratos coligados em sentido estrito celebrados entre a impugnante e a empresa estrangeira, denominados contratos de afretamento e contratos de prestação de serviços. CONTRATO DENOMINADO DE AFRETAMENTO DE NAVIO DE PESQUISA. ESSÊNCIA DA NATUREZA DO NEGÓCIO JURÍDICO CONTRATADO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS DE PESQUISA SÍSMICA E COLETA DE DADOS. 51. Conforme constatado pela autoridade fiscal, as atividades da CGGVS FRANÇA e da CGG BRASIL são muito similares ; Natureza das atividades exercidas pela CGGVeritas Service S.A: Conforme pesquisa nas redes sociais (Site da CGGVeritas): A CGGVeritas Services SA fornece serviços geofísicos como aquisição de dados, supervisão e suporte logístico para as operações sísmicas da indústria de petróleo e gás. Além disso, a empresa fornece suporte técnico, manutenção e serviços de design para os navios multi streamers. A CGGVS França oferece um portfólio abrangente de produtos multidisciplinares e multiclientes,incluindo a biblioteca de dados sísmicos mais recente e tecnicamente avançada da indústria nos principais locais do mundo; tem o maior recurso geológico e geofísico da indústria; Oferece projeto ou dados de colheita da extensa biblioteca multidisciplinar multicliente; o banco de dados de campo potencial não exclusivo é a biblioteca privada mais abrangente do mundo. Estudos geológicos regionais e globais incluem análises de reservatórios, modelos preditivos, tectônicas de placas dinâmicas e um banco de dados de sistemas de petróleo e play fairways em 500 bacias. Temos todos os hotspots de exploração cobertos com os dados sísmicos e satélites mais recentes e de alta qualidade, além de dados geoquímicos e bem, além de pacotes integrados completos em áreas selecionadas para iniciar a sua exploração. Os dados certos, no lugar certo, no momento certo. Todos os dados CGG multicliente em todo o mundo estão disponíveis para licença de forma não exclusiva. A CGGVS França possui uma biblioteca tecnologicamente avançada de dados geofísicos sísmicos e aéreos em locais chaves do mundo. Além disso, também tem um acordo comercial para a venda de dados sísmicos 3D existentes em regiões complementares e de elevado potencial. Natureza das atividades exercidas pela CGG Brasil: Conforme contrato social, o objetivo social é o desenvolvimento de atividades de prospecção sísmica terrestre e marítima, processamento de dados sísmicos, prestação de serviços de interpretação e de avaliação geológicas de bacias sedimentares, prestação de serviços de consultoria na área geofísica, representação comercial de software sísmico por conta de terceiros, bem como a compra de equipamentos e acessórios nacionais e importados para o uso próprio, assim como o licenciamento de dados geofísicos, afretamento de embarcações e aeronaves, sendo facultativa a participação em outras sociedades, desde que acordado, unanimemente pelas sócias representando a totalidade do capital social. Fl. 2010DF CARF MF 38 52. Desta forma, a essência das atividades das duas empresas é a prestação de serviços de levantamento de dados sísmicos para posterior comercialização com potenciais clientes interessados em explorar as áreas objeto de tais levantamentos. 53. Conforme a cláusula primeira dos referidos contratos, as embarcações descritas nos referidos contratos foram utilizadas na prestação de serviços de levantamento de dados sísmicos. Dada esta peculiaridade, para que seja considerado de afretamento, o afretador contratante deverá assumir, no mínimo, a gestão comercial das referidas embarcações, ou seja, o afretador será a pessoa incumbida da prestação dos referidos serviços. Assim, tendo em conta a natureza dos serviços prestados, tais tipos de embarcações não são passíveis de afretamento por viagem, haja vista que esta modalidade de afretamento aplicase somente ás embarcações utilizadas na prestação de serviços de transporte de pessoas e/ou cargas. Pelas características dos citados serviços e tendo em vista as definições anteriores das atividades exercidas pelas contratantes, os referidos tipos de embarcação somente são passíveis de contrato de afretamento por tempo ou a casco nu. No primeiro caso, a responsabilidade pela gestão da embarcação é dividida entre o fretador e o afretador. A gestão náutica fica a cargo do fretador enquanto a gestão comercial fica sob responsabilidade do afretador. Já no segundo caso, o afretador assume a responsabilidade pelas gestões náutica e comercial. 54. No caso presente, o teor das cláusulas contratuais revela que, embora denominados de afretamento, os referidos contratos, na essência, regulam a prestação de serviços técnicos de levantamento de dados sísmicos, a interpretação das cláusulas contratuais revelam que a empresa estrangeira CGGVS FRANÇA assumiu a gestão náutica e comercial das embarcações, ou seja, foi ela que assumiu a operação da embarcação e a prestação dos serviços contratados, uma vez que forneceu equipe sísmica (o que se compreende como equipe técnica especializada em operações relativas ás pesquisas sísmicas) e marítima (o que se compreende como equipe de profissionais para exercerem atividades náuticas). 55. Deste quadro fático inferese que a empresa estrangeira CGGVS FRANÇA contratou e forneceu a mão de obra direta e indireta utilizada na navegação e na extração dos dados sísmicos, realizou a coleta e a fase inicial do processamento dos dados sísmicos além da elaboração de relatórios sobre os dados levantados para futura comercialização, assumiu o conserto e a manutenção da embarcação e dos equipamentos náuticos e de levantamento de dados sísmicos a bordo da embarcação, forneceu os equipamentos e materiais necessários aos registros geofísicos, bem como todo o combustível e lubrificantes para as embarcações e equipamentos. 56. Com base nestas informações e, ainda, na seguinte informação da autoridade fiscal : A análise da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ/2014 – “Ficha 04 A – Custo dos Bens e Serviços Vendidos” e da Escrituração Contábil Digital – ECD, mostram que a CGG Brasil não apresentou custo de pessoal, bem como, também não apresentou a contratação de serviços de pessoa jurídica ou pessoa física sem vínculo, aplicados na produção dos serviços. No máximo, a conta “4.1.1.1.02 – Custo de Tripulação Sísmica”, que registrou o saldo anual de R$ 48.075,30. Assim, não prospera a alegação de contratação de afretamento por tempo. Fl. 2011DF CARF MF Processo nº 11052.720071/201790 Acórdão n.º 3301006.477 S3C3T1 Fl. 1.993 39 Desta forma, chegase á conclusão de que a responsabilidade pelas gestões náutica e comercial das embarcações foi assumida exclusiva e integralmente pela empresa contratada CGGVS FRANÇA, tendo em vista que ela forneceu as equipes de marítimos e de técnicos sísmicos utilizadas nas atividades de navegação e coleta dos dados sísmicos. 57. Por fim, embora denominado de contrato de afretamento, a interpretação do inteiro teor dos referidos contratos revela que, na sua essência, o negócio jurídico efetivamente celebrado entre as partes CGG BRASIL e CGGVS FRANÇA foi, sem dúvida, a prestação de serviços de levantamento de dados sísmicos e não o afretamento dos navios utilizados na prestação dos referidos serviços. 58. Em síntese, o que a impugnante contratou foi o levantamento dos dados sísmicos e não o afretamento das embarcações, e , se havia alguma dúvida quanto ao real negócio jurídico contratado e o efetivamente realizado, esta foi dirimida pela diligente autoridade fiscal que, com base nas informações colhidas e análise dos contratos, também concluiu que os referidos contratos se tratavam, na essência, de prestação de serviços técnicos. 59. Portanto, é de se concluir que, para efeitos tributários, prevalece a essência do negócio, independente de sua roupagem formal contida nos instrumentos contratuais denominado de afretamento de navio de pesquisa, que apenas amolda o negócio aos requisitos formais da legislação. Conforme comprovação nos autos, a essência do negócio jurídico contratado foi a prestação de serviços de “levantamento de dados sísmicos para cessão a clientes mediante licença” e não o afretamento da embarcação. O fornecimento da embarcação, no caso navio de pesquisas, totalmente equipada com equipamentos e pessoal especializados na área de sismologia, consubstanciase em parte integrante e indissociável do real contrato de prestação de serviços técnicos, pois que absolutamente necessários ao desenvolvimento dos serviços contratados, quais sejam o de levantamento e coleta de dados sísmicos. 60. Corroborando tal entendimento, citamos o seguinte julgado do TRF 3ª Região , apesar de não se referir á CIDE especificamente, tem relevância na fixação do conceito de que o contrato de afretamento, nas condições citadas, que coincidem com as do caso e exame nestes autos, se torna apenas parte do rela contrato de prestação de serviços avençado : PIS/COFINSIMPORTAÇÃO. AFRETAMENTO A “TIME CHARTER”. CONTRATO COMPLEXO. LOCAÇÃO DE BEM MÓVEL E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INTELIGÊNCIA DO ART. 8º, § 17, DA LEI Nº 10.865/04, NA REDAÇÃO CONFERIDA PELA LEI Nº 11.727/08. 1. Tratase de mandado de segurança é de afastamento da cobrança de PISImportação e COFINSImportação, incidentes sobre a remessa de valores relativos à contraprestação em razão do afretamento de embarcações a time charter para fins turísticos de embarcações para fins turísticos, de que trata o art. 8º, § 17, da Lei nº 10.865/04, na redação conferida pela Lei nº 11.727/08. 2. Sob o prisma constitucional da tributação, o objeto da lide encontra respaldo no artigo 195, IV, que trata das contribuições sociais a serem pagas pelo importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. 3. Regulamentando o tema, a Lei 10.865, de 30/04/2004, instituiu o PIS/COFINS sobre importação de bens e serviços, com alíquota zero para aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de máquinas, equipamentos, embarcações e Fl. 2012DF CARF MF 40 aeronaves utilizados na atividade da empresa (artigo 8º, § 14); porém a Lei 11.727, de 23/06/2008, inseriu os §§ 17 e 18 ao artigo 8º da Lei 10.865/2004 para excluir a alíquota zero na importação de serviços de frete, afretamento, arrendamento ou aluguel de embarcações para o transporte de pessoas para fins turísticos. 4. O afretamento está disciplinado no art. 2º, da Lei nº 9.432/97, compreendendo as seguintes modalidades: afretamento a casco nu; por tempo e por viagem. 5. O caso dos autos se enquadra na segunda modalidade, qual seja, afretamento por tempo. Tratase de contrato complexo, como admite a própria impetrante, não se podendo desmembrálo para efeito de tributação, devendo ser considerado o conjunto de relações jurídicas. 6. Cotejando o objeto social da impetrante com o contrato acostado aos autos (fls. 84/102), resta evidenciado impetrante obrigouse ao fornecimento do navio e tem responsabilidade sobre a tripulação responsável pela condução da embarcação durante os cruzeiros turísticos comercializados. Além disso, incluiu a prestação de serviços de bordo, tais como preparação e fornecimento de todo o serviço de alimentação e bebidas, lavanderia, vendas de mercadorias, piscinas, etc. 7. Evidentemente não se pode atribuir a tal contrato o caráter pretendido, de mera locação de bem móvel, tratando toda essa gama de serviços como meros acessórios. Na verdade, eles são justamente a razão de ser do afretamento dos navios para a comercialização dos pacotes turísticos. 8. Os serviços prestados, tal como descritos no contrato acostado a estes autos, são de natureza complexa, entretanto, se decompõem em vários serviços, mas todos com esta principal característica de estarem relacionados e indissociáveis com a atividade turística inerente ao afretamento por tempo. 9. Na avença em questão, o que interessa não é apenas o transporte propiciado pelo navio afretado, mas o diferencial do negócio, representado pelo conjunto de serviços agregados ao pacote turístico. O contrato não é tipicamente de locação ou transporte, mas de prestação de serviços turísticos, tanto que o objeto social da impetrante referese à comercialização, divulgação e distribuição de cruzeiros marítimos. 10. Diferentemente do ISS, em que se aplicam precedentes do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que contratos complexos/híbridos não devem ser desmembrados para fins fiscais, uma vez que a atividade de afretamento não consta na lista de serviços tributáveis pelo ISS, o PIS/PASEPImportação e a COFINSImportação foram positivados no artigo 8º, § 17, da Lei n° 10.865/2004, com a redação dada pela Lei n° 11.727/2008, que não padecem de qualquer inconstitucionalidade. 11. Apelação desprovida. TRF 3ª Região, Apel. 001628618.2010.4.03.6100/SP, DJ 22/02/2017. REMESSA AO EXTERIOR DE VALORES REFERENTES Á REMUNERAÇÃO POR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS ESPECIALIZADOS. INCIDÊNCIA DA CIDEREMESSAS. POSSIBILIDADE. 60. É perfeitamente válida a exigência da CIDE segundo os ditames do art. 2º da Lei nº 10.168, de 29/12/2000 (DOU 30/12/200 extra), com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.332, de 19/12/2001 (DOU de 20/12/2001), que para maior comodidade transcrevese a seguir: “Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1º Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 2º A partir de 1º de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de Fl. 2013DF CARF MF Processo nº 11052.720071/201790 Acórdão n.º 3301006.477 S3C3T1 Fl. 1.994 41 assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (introduzido pela Lei nº 10.332/2001) § 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. (redação dada pela Lei nº 10.332/2001) § 4º A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento). (redação dada pela Lei nº 10.332/2001) § 5º O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subsequente ao mês de ocorrência do fato gerador.” (incluído pela Lei nº 10.332/2001) Conforme se pode verificar no dispositivo legal acima, a redação original da Lei nº 10.168/2000 realmente previa a incidência da contribuição apenas sobre pagamentos de obrigações estipuladas em contratos que envolvessem a transferência de tecnologia (§ 1º). 61. Entretanto, com o advento da Lei nº 10.332/2001, foi incluído o § 2º que ampliou a hipótese de incidência para outros pagamentos efetuados em contratos que não necessariamente envolvam a transferência de tecnologia, como os contratos de assistência administrativa e os royalties remetidos "a qualquer título". 62. Na regulamentação, o art. 10 do Decreto nº 4.195/2002 estabeleceu o seguinte: Art. 10. A contribuição de que trata o art. 2o da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: I – fornecimento de tecnologia; II – prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; III – serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; IV – cessão e licença de uso de marcas; e V – cessão e licença de exploração de patentes. 63. A redação do § 2º da Lei e a redação do art. 10 do Regulamento autorizam a interpretação oficial da Administração Tributária no sentido de que a hipótese de incidência da CIDE REMESSAS abrange pagamentos relativos a contratos que não envolvam a transferência de tecnologia, isso porque no art. 10 do Regulamento o Poder Executivo discriminou cinco categorias de contratos, sendo que os contratos incluídos nos incisos III, IV e V não envolvem a obrigatoriedade de tra 64. nsferência de tecnologia. Reforça este entendimento a inclusão do § 1ºA pela Lei nº 11.452/2007, posteriormente ao advento do Regulamento, por meio do qual o legislador ressalvou da incidência a remuneração pela licença ou direitos de comercialização e uso de programas de computador, quando o contrato não envolva a transferência de tecnologia. Em outras palavras, até a inclusão do referido § 1ºA qualquer remuneração relativa a Fl. 2014DF CARF MF 42 contrato relativo a licença ou direito de comercialização de software deveria ser tributado pela CIDE, situação que só se alterou com a ressalva introduzida pelo § 1ºA, a partir da inclusão desse parágrafo, somente haverá incidência da CIDE sobre a remuneração decorrente desses contratos, se houver transferência de tecnologia. Isso significa que o legislador, por meio da introdução do § 2º, realmente quis ampliar a incidência da CIDE REMESSAS para contratos que não envolvam a transferência de tecnologia. 64. Por fim, aplicase ao caso a Súmula CARF nº 127 de efeito vinculante conforme a Portaria MF nº 129/2019 : Súmula CARF nº 127 A incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) na contratação de serviços técnicos prestados por residentes ou domiciliados no exterior prescinde da ocorrência de transferência de tecnologia. DO IRRF 65. No caso em análise, A utilização das embarcações não transforma o contrato de prestação de serviços em contrato de afretamento a ponto de justificar o não recolhimento do IRRF alegando o benefício fiscal previsto no artigo 691 do RIR/99 – Decreto nº 3.000/99. O objeto do contrato continua sendo o de prestação de serviços especializados de prospecção sísmica marítima, sem transferência de tecnologia. 66. Assim, todo e qualquer pagamento é remuneração deste serviço prestado, com incidência do IRF e CIDE. Mesmo considerando que houve preço específico para o subafretamento, ainda assim, a embarcação não deixa de ser um meio para a execução do contrato. 66. No presente caso ocorreram remessas de valores ao exterior decorrentes da prestação de serviços especializados de levantamento de dados sísmicos. A tributação do IRF está regulamentada no RIR/99 – Regulamento do Imposto de Renda – Decreto nº 3.000/99 e na Portaria MF nº 287/1972. 67. Também, no presente caso ocorreram remessas ao exterior decorrentes da prestação dos serviços especializados de levantamento de dados sísmicos, sem transferência de tecnologia, com incidência da tributação da CIDE – REMESSAS, com base no artigo 2º e parágrafos da Lei 10.168/2000, com alteração da Lei nº 10.332/2001, regulamentada pelo Decreto nº 4.195/2001. 68. As remessas para o exterior foram efetuadas pelo HSBC Bank Brasil S.A. – Agência nº 1323, Conta Corrente nº 1856522 e contabilizadas na Conta Contábil “1.1.1.2.03 – Banco HSBC”. 69. A discussão a respeito da incidência do IRRF, portanto, está transferida para a esfera judicial, não cabendo a este tribunal administrativo se pronunciar a respeito do mérito da questão, tendo em vista que a empresa ajuizou Ação Ordinária Tributária, possui Decisão Liminar em Mandado de Segurança com a suspensão da exigibilidade do IR retido pela fonte pagadora por força da garantia proporcionada ao Juízo pelos depósitos judiciais e apresentou a fiscalização uma planilha onde relacionou todos os contratos de câmbio das remessas ao exterior com a alocação dos recolhimentos e compensações da CIDE do IRF e depósitos judiciais aos respectivos contratos de câmbio. Com relação aos depósitos judiciais, estes foram Fl. 2015DF CARF MF Processo nº 11052.720071/201790 Acórdão n.º 3301006.477 S3C3T1 Fl. 1.995 43 alocados aos respectivos contratos de câmbio relacionados a ação ordinária tributária em trâmite. 70. Como relata a autoridade fiscal : Assim, com a finalidade de respeitar a decisão judicial, esta fiscalização elaborou a planilha, “APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRRF COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA”, onde relacionamos os contratos de câmbio, as invoices, os comprovantes da CIDE e os respectivos depósitos judiciais do IRRF; e a planilha “APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRRF E DA CIDE – EXIGÍVEIS”, onde foram relacionados os contratos de câmbio e as invoice, relativos ao IRRF e a CIDE, exigíveis. As planilhas aqui citadas fazem parte integrante e inseparável deste termo. 71. Portanto, não conheço do recurso neste quesito, em função da concomitância, por estar a matéria em discussão na esfera judicial. Conclusão 71. Por todo o exposto, conhecer em parte o recurso e na parte conhecida dar provimento ao recurso de ofício, para, no mérito, manter a autuação na sua íntegra. É o meu voto. assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 2016DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.901047/2010-51
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2002
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE.
A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada, de natureza retratável, exigindo-se, por conseguinte, a apresentação de novo Per/DComp para compensação de débito remanescente.
COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional
Numero da decisão: 1003-000.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidas as conselheiras Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, que lhe deram provimento parcial para reconhecer o erro material e a possibilidade de indébito.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva(Presidente)
Nome do relator: WILSON KAZUMI NAKAYAMA
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ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE. A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada, de natureza retratável, exigindo-se, por conseguinte, a apresentação de novo Per/DComp para compensação de débito remanescente. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidas as conselheiras Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, que lhe deram provimento parcial para reconhecer o erro material e a possibilidade de indébito. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva(Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 10 47 /2 01 0- 51 Fl. 97DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-000.926 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.901047/2010-51 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o acórdão nº 02-86.836, de 29 de junho de 2018, da 10ª Turma da DRJ/BHE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não reconhecendo o direito creditório. A contribuinte formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 25370.43029.210906.1.3.04-5987, em 21/09/2006, e-fls. 2- 6, utilizando-se de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (código 5993), determinado sobre a base de cálculo estimada relativa ao mês de março do ano-calendário de 2002, para compensação dos débitos ali confessados. A DRF Caxias do Sul entendeu por bem não homologar a compensação pleiteada ao argumento de que com base nas informações prestadas no PER/DCOMP nº 25370.43029.210906.1.3.04-5987, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Inconformado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às e-fls. 16 e 17, alegando que cometeu um erro de preenchimento da DCOMP, uma vez que informou como origem do crédito um pagamento indevido ou a maior, quando o correto é saldo negativo de IRPJ pago por estimativa referente ao ano de 2002. No acórdão de nº 02-86.836, o pedido da Recorrente foi julgado improcedente, pelos seguintes motivos: - Informar um pagamento indevido do recolhimento mensal do IRPJ em lugar de um saldo negativo de tributo não configura mero erro formal, por serem inúmeras as implicações materiais observadas no procedimento de análise de cada tipo de crédito e específicos os critérios de análise do direito creditório passível de reconhecimento. - A apuração do saldo negativo de tributo apurado ao final de um período anual parte do valor do imposto devido, que é em seguida ajustado pelas estimativas pagas, as retenções sofridas e outras deduções legais. - Em resumo, a comprovação do saldo negativo depende do detalhamento de cada um dos seus componentes por parte da contribuinte, o que não foi feito, dada a inexistência de PER/DCOMP transmitida com a finalidade expressa de utilizar direito creditório oriundo de saldo negativo de tributo; - A legislação que regulamentou a compensação de tributos, embora possa a interessada ter efetivamente se equivocado no preenchimento do PER/DCOMP, o saneamento desse equívoco teria que ser efetuado antes do despacho decisório proferido a respeito da compensação dos débitos indicados no PER/DCOMP; - O PER/DCOMP é submetido à análise eletrônica, dito de outra forma, a confirmação do crédito indicado pelo contribuinte é feita com base nas informações constantes dos registros da RFB extraídas das declarações e documentos fiscais apresentados pelo próprio Fl. 98DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-000.926 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.901047/2010-51 contribuinte, os quais devem refletir a exatidão dos fatos apurados e registrados em sua escrituração, inclusive; - A alteração das características do crédito informado tem a mesma natureza da apresentação de nova DCOMP, o que é vedado pelo § 3º, inciso V do art. 74 da Lei nº 9.430/1996; - Por fim, deve ser observado o disposto nos artigos 56 da IN SRF nº 460/2004, 57 da IN SRF nº 600/2005 e 77 da IN SRF nº 900/2008, que admitem a retificação do PER/DCOMP apenas quando o mesmo ainda se encontrar pendente de decisão administrativa, o que não é o caso, pois a DRF/CAXIAS DO SUL já proferiu seu Despacho Decisório. O contribuinte tomou ciência do acórdão por meio do Edital Eletrônico n° 002746180. O Edital foi publicado em 28/09/2018 e a ciência por decurso de prazo em 15/10/2018 (e-fl. 94). Irresignado o contribuinte, ora Recorrente, interpôs recurso voluntário em 09/10/2018 (e-fls. 62-63) onde repisa os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Juntou cópia da Ficha 12A das DIPJ 2003 (e-fls. 81-82) e DIPJ 2004 (e-fls. 83- 86). É o Relatório. Voto Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos formais de admissibilidade, assim dele tomo conhecimento. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrar-se-ia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. A regra é de que o Per/Dcomp somente pode ser retificado pela Recorrente caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador,em conformidade com o art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 88 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de dezembro de 2012 e art. 107 da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017, todas editadas com fundamento no poder disciplinar da RFB previsto no § 14 do art. 74 da Lei n º 9.430, de 1996. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Instaurado o contencioso e estabilizada a lide, não se admite que Fl. 99DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-000.926 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.901047/2010-51 a Recorrente altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido Per/DComp, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos existentes no Per/DComp podem ser corrigidos de ofício ou a requerimento da Requerente, como determina o art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A informação de que se o direito creditório se tratava de saldo negativo após a ciência do Despacho Decisório reveste-se de pedido de retratação de situação nova não passível de convalidação no presente momento, já que apresentada posteriormente à ciência da decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação de débito declarado. A pretensão de retificação do Per/DComp para fins de constar direito creditório diverso do originalmente identificado, apenas trazida em sede de impugnação, constitui inovação da matéria tratada nos autos, não podendo ser objeto de análise neste processo. Ainda, a manifestação de inconformidade não é meio adequado para retificação do Per/DComp pela incompatibilidade dos instrumentos e pela preclusão da possibilidade de referida retificação após a decisão administrativa exarada pela autoridade preparadora. A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada, exigindo-se, por conseguinte, a apresentação de novo Per/DComp. Há que se registrar, outrossim, que à Recorrente foi dada oportunidade de retificar a PER/DCOMP antes da emissão do Despacho Decisório, conforme Termo de Intimação n° de rastreamento 825623365 acostada à e-fl. 7, no qual consta expressamente: "Se houver qualquer divergência, solicita-se transmitir o PER/DCOMP retificador. Caso contrário, compareça à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de sua jurisdição com esta intimação, o(s) DARF original(is) e eventuais REDARF, no prazo indicado." A Recorrente tomou ciência da intimação em 09/04/2009 (e-fl. 8). Não vislumbro nos autos que a despeito de ter tomado ciência da divergência constada pelo Fisco na análise do PER/DCOMP a Recorrente tenha procurado corrigir o erro que alega ter cometido no seu preenchimento. Além disso, o acórdão recorrido manifestou-se claramente que a comprovação do saldo negativo depende do detalhamento de cada um dos seus componentes por parte da contribuinte. E nenhuma comprovação apresentou a Recorrente em sede de recurso voluntário, a não ser cópia das Fichas 12A das DIPJ 2003 e 2004, que diga-se, elaborada pela própria interessada, sem documentação que dêem suporte às informações ali prestadas Fl. 100DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-000.926 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.901047/2010-51 Assim, não tendo sido apresentados pela Recorrente argumentos e provas para atestar a liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Fl. 101DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.904225/2012-16
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
PIS. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei n° 10.637, art. 5° e Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16.
Numero da decisão: 3003-000.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei n° 10.637, art. 5° e Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade apresentada em face do deferimento parcial do pedido de ressarcimento, apresentado por meio do PER/Dcomp nº 16927.31426.300110.1.1.10-6420, referente ao PIS não cumulativo – mercado interno do 3º trimestre de 2007, nos termos do despacho decisório emitido em 04/09/2012 pela DRF/Florianópolis (rastreamento nº 031054587). O despacho decisório aponta, no campo 3, a fundamentação para o deferimento parcial do PER/Dcomp em tela, como se vê a seguir: AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 42 25 /2 01 2- 16 Fl. 35DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.431 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10983.904225/2012-16 Cientificada dessa decisão em 27/09/2012 a contribuinte interpôs, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade. Inicialmente, relaciona os pedidos de ressarcimento transmitidos com os valores que foram indeferidos pela DRF/Florianópolis, como demonstrado a seguir: (...) A seguir, informa que trabalha com beneficiamento do arroz e que essa atividade é beneficiada com o crédito presumido de PIS e Cofins para as aquisições realizadas com os produtores. Constatou a requerente que os créditos que não foram reconhecidos se referem justamente ao crédito presumido anteriormente referido. Aduz que considerando o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, cumpriu todas as formalidades legais, tendo inclusive realizado os registros em sua contabilidade. Desse modo, solicita a reconsideração e liberação dos valores dos créditos ainda não concedidos por questão de justiça. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para dedução da contribuição para o PIS/Pasep apurado no regime de incidência não cumulativa, vedado o seu ressarcimento ou compensação. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade quanto ao mérito do seu direito creditório. É o Relatório. Fl. 36DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.431 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10983.904225/2012-16 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele toma-se conhecimento. O direito creditório referente ao PIS não cumulativo – mercado interno do 3º trimestre de 2007 foi reconhecido parcialmente conforme despacho Decisório de fls. 08. Aduz a interessada que os créditos que não foram reconhecidos se referem ao crédito presumido (atividades agroindustriais) de PIS. Nesta esteira, argumenta que a sua atividade se refere ao beneficiamento e industrialização do arroz e, portanto, tem direito de apurar crédito presumido de PIS e Cofins para as aquisições realizadas com os produtores com fulcro no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. A decisão recorrida não acolheu a pretensão da recorrente, sob o fundamento de que com a vigência da Lei nº 10.925/2004, ocorrida a partir de 1º de agosto de 2004, o crédito presumido sob exame somente poderia ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/Pasep devido em cada período de apuração, não havendo previsão legal para a utilização do crédito presumido da agroindústria para compensação ou ressarcimento. De fato, não assiste razão à recorrente. Na ficha 06A da Dacon (Apuração dos créditos de PIS/Pasep – Aquisições no mercado interno) a contribuinte informou os seguintes valores: Verifica-se assim que os valores glosados nos pedidos de ressarcimento formulados pela Recorrente correspondem aos créditos presumidos na aquisição dos insumos previstos no artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, que estabeleceu um tratamento tributário específico atinente às contribuições do PIS e da Cofins, assim dispondo: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, Fl. 37DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.431 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10983.904225/2012-16 todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002,e10.833, de 29 de dezembro de 2003,adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)(Vigência)(Vide Lei nº 12.058, de 2009)(Vide Lei nº 12.350, de 2010)(Vide Medida Provisória nº 545, de 2011)(Vide Lei nº 12.599, de 2012)(Vide Medida Provisória nº 582, de 2012)(Vide Medida Provisória nº 609, de 2013(Vide Medida Provisória nº 609, de 2013(Vide Lei nº 12.839, de 2013)(Vide Lei nº 12.865, de 2013) O referido dispositivo legal permitiu deduzir do valor devido das contribuições um crédito presumido calculado sobre os insumos adquiridos de pessoa física ou cooperado pessoa física. Esse é o alcance da norma. Há previsão legal, no caso das operações com arroz em casca, para que o interessado calcule crédito presumido à alíquota de 35% sobre o valor dessas aquisições, nos termos do disposto no §1º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, valor que poderá apenas ser deduzido dos débitos da própria contribuição, não servindo para ser ressarcido ou compensado com outros créditos tributários devidos pela contribuinte. Os outros dispositivos legais que permitem o aproveitamento de créditos em compensações e ressarcimento (art. 5° da Lei n° 10.637 e art. 6° da Lei n° 10.833) referem-se, expressamente, aos créditos básicos apurados na forma dos artigos 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e não ao crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Da mesma forma, a possibilidade de compensação e ressarcimento trazida pelo art. 16 da Lei n° 11.116/2005 também se refere expressamente ao “saldo credor apurado na forma do art. 3º das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, e do art. 15 da Lei n° 10.865/2004”, e não ao crédito presumido em questão. A IN SRF 660/2006, que regulamentou a o crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/2004 1 , não extrapolou o conteúdo da lei, mas apenas regulamentou o dispositivo legal, que já previa a impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensações ou ressarcimento. O mesmo podemos afirmar do ADI SRF nº 15/2005, citado na decisão recorrida, que apenas interpretou a norma que tratava do crédito presumido e da possibilidade de compensação: Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência não-cumulativa. 1 Art. 8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. § 1º O crédito de que trata o caput será calculado mediante a aplicação, sobre o valor de aquisição dos insumos, dos percentuais de: (...) II - 0,5775% (cinco mil e setecentos e setenta e cinco décimos de milésimo por cento) e 2,66% (dois inteiros e sessenta e seis centésimos por cento), respectivamente, no caso dos demais insumos. § 2º Para efeito do cálculo do crédito presumido de que trata o caput, o custo de aquisição, por espécie de bem, não poderá ser superior ao valor de mercado. § 3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I - não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II - não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. Fl. 38DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.431 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10983.904225/2012-16 Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16 No mesmo sentido temos o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em diversos precedentes, acerca da legalidade da IN 660/2006 e da validade do ADI SRF nº15/2005 (REsp 1118011/SC 2 , Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2010; e REsp nº 1.240.954/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe: 21/6/2011). Este também é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), expresso no Acórdão nº 9303-008.258, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2010 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 2 TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DECORRENTES DA LEI 10.925/04 COM QUAISQUER TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. CRÉDITOS NÃO PREVISTOS NA NORMA LEGAL AUTORIZADORA. ART. 11 DA LEI 11.116/05. DIREITO LÍQUIDO E CERTO NÃO EVIDENCIADO. 1. Recurso especial interposto nos autos de mandado de segurança, impetrado pela contribuinte com objetivo de ver reconhecido o direito de compensar seus créditos presumidos de PIS e de COFINS, oriundos da Lei 10.925/04, com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, nos termos do art. 16 da Lei 11.116/05. Aduz que são ilegais os atos regulamentares do Poder Executivo (Ato Interpretativo Declaratório 15/2005 e a Instrução Normativa SRF 660/2006) que se contrapõem a essa pretensão. 2. O direito à compensação tributária deve ser analisado à luz do princípio da legalidade estrita, em conformidade com o que dispõe o art. 170 do CTN: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". Precedentes: AgRg no Ag 1.207.543/PR, de minha relatoria, PRIMEIRA TURMA, DJe 17/06/2010; AgRg no AgRg no REsp 1012172/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 11/5/2010; AgRg no REsp 965.419/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 5/3/2008. 3. Dispõe o art. 16, inciso I, da Lei 11.116/05: "O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria". 4. A compensação autorizada pelo art. 16 da Lei 11.116/05 não contempla a utilização dos créditos presumidos disciplinados na Lei 10.925/04, o que, por si só, à luz do art. 170 do CTN, afasta o direito líquido e certo vindicado nesta impetração. 5. Além disso, a concessão de créditos presumidos pela Lei 10.925/04 tem por escopo a redução da carga tributária incidente na cadeia produtiva dos alimentos, na medida em que a venda de bens por pessoa física ou por cooperado pessoa física para a impetrante (cerealista) não sofre a tributação do PIS e da COFINS, ou seja, dessa operação, pela sistemática da não cumulatividade, não há, efetivamente, tributo devido para a adquirente se creditar. 6. Essa finalidade é suficiente para diferenciar esses créditos presumidos daqueles expressamente admitidos pela Lei 11.116/05, os quais são efetivamente existentes, por decorrerem da sistemática da não cumulatividade prevista nas Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04. Aliás, a Lei 10.637/02 (com redação incluída pela Lei 10.865/04), em seu art. 3º, § 2º, inciso II, exclui de sua sistemática o crédito derivado "da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição". 7. Ademais, a própria Lei 10.925/04, em seus arts. 8º e 15, só prevê a utilização desses créditos presumidos para o desconto daquilo que for devido de PIS e de COFINS. 8. Portanto, os atos regulamentares expedidos pelo Poder Executivo ora impugnados pela recorrente, ao impedirem a compensação ora postulada, não inovaram no plano normativo nem contrariaram o disposto no art. 16 da Lei 11.116/05, mas, apenas explicitaram vedação que, como visto, já estava contida na legislação tributária vigente. 9. Recurso especial não provido.Diário da Justiça Eletrônico. 31/08/2010. p. Fl. 39DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.431 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10983.904225/2012-16 O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Portanto, o crédito presumido a que se refere o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004 apenas pode ser usado para fins de dedução da COFINS e da Contribuição para o PIS apuradas conforme o regime da não-cumulatividade, não podendo ser objeto de compensação ou ressarcimento com outros tributos, razão pela qual a decisão recorrida deverá ser mantida. CONCLUSÕES Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado, mantendo-se a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 40DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001694/2006-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n- 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
ÔNUS DA PROVA
Cabe ao contribuinte o ônus de provar fatos extintivos ou modificativos de lançamento de crédito tributário realizado com si.
Numero da decisão: 2402-007.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Paulo Sergio da Silva e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
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LANÇAMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte o ônus de provar fatos extintivos ou modificativos de lançamento de crédito tributário realizado com si. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Paulo Sergio da Silva e Renata Toratti Cassini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 16 94 /2 00 6- 15 Fl. 522DF CARF MF Processo nº 18471.001694/200615 Acórdão n.º 2402007.520 S2C4T2 Fl. 523 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 508) pelo qual o recorrente se indispõe contra decisão em que a autoridade julgadora de primeiro grau considerou apenas parcialmente procedente impugnação apresentada contra lançamento de IRPF, no valor de R$ 173.816,44 (acrescidos de juros e multa), incidentes sobre acréscimo patrimonial a descoberto, omissão de ganho de capital na alienação de bens e diretos e omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários sem origem comprovada, omitidos das declarações de ajuste anual dos exercícios de 2002 e 2003. Consta da decisão recorrida (484) o seguinte resumo dos fatos verificados até aquele momento processual: A Autoridade Fiscal enviou ao Contribuinte o Mandado de Procedimento Fiscal n2 07.1.90.002006006870 (fl. 01) e o Termo de Início de Fiscalização (fls. 18/19), recebidos em seu domicílio em 15/05/2006 (fl.02). Por meio desses documentos, o Contribuinte foi cientificado de que estava sob fiscalização do IRPF, anos calendário 2001, 2002, 2003 e 2004, bem como foi intimado a apresentar os elementos/esclarecimentos ali especificados. Em resposta a diversos Termos de Intimação e Reintimacão, o Contribuinte apresentou extratos bancários, escrituras de imóveis, alterações contratuais de empresas das quais participou do quadro societário, entre outros documentos. Em 30/08/2006, o Contribuinte compareceu à Receita Federal do Brasil, tendo a Autoridade Fiscal tomado seu depoimento (fl. 353). A vista dos elementos reunidos, a Autoridade Fiscal lavrou o Auto de Infração de fls. 367/382, onde aponta as seguintes infrações: 001 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO 002 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. 003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Acompanha o Aulo de Infração, o Termo de Verificação Fiscal (fls. 362/366). O enquadramento legal se encontra nas fls. 372 a 375. No que se refere à atualização monetária e às penalidades aplicáveis, o enquadramento legal correspondente consta do Demonstrativo de Multa e Juros de Mora de fl. 369. Em 07/12/2006, o Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração e de seus anexos (fls. 386 e 388), apresentando, em 05/01/2007, por meio de seu representante legal, a impugnação de fls. 392/399, instruída com documentos de fls. 400/423, onde apresenta os argumentos a seguir sintetizados. Alega que a Autoridade Fiscal errou na elaboração do fluxo financeiro mensal. Entende que a Autoridade Fiscal deve optar por incluir os depósitos bancários no fluxo ou tributálos em separado, sob pena de restar caracterizado o bis in idem. Aduz que não existe previsão legal para o lançamento com base em saques bancários e que sua inclusão deve ter originado o acréscimo patrimonial a descoberto no fluxo mensal. Fl. 523DF CARF MF Processo nº 18471.001694/200615 Acórdão n.º 2402007.520 S2C4T2 Fl. 524 3 Acrescenta que se os valores dos depósitos de origem não comprovada forem inseridos como origem no fluxo, inexistirá o acréscimo patrimonial a descoberto no ano calendário 2001. Em relação ao ganho de capital, afirma que a venda ocorreu no ano calendário 2002 e que o Auto de Infração se refere ao ano calendário 2001. Ainda assim, defende que o imposto não seria devido porque ele não vendeu nenhum imóvel nos cinco anos anteriores e o valor da venda foi inferior a R$400.000,00. Em relação aos depósitos bancários, requer a tributação pela metade dos valores apurados nas contas do Banco Itaú (agência 0229, conta 17.5070) e do Banco Bradesco (agência 14532, conta 22.0477), uma vez que eram em conjunto com seu excônjuge, conforme declarações das instituições financeiras (fls. 420/421). Entende que devem ser retirados os depósitos efetuados pelo cartão Visa, que pertencem à farmácia Nazareth de Bangu Ltda. Afirma que é notório que pessoas físicas não são contratantes de cartão de crédito e que, como explicara em 09/11/2006, o contrato com o cartão Visa previa o crédito nessa conta, condição que só foi alterada em 2002. Diz que também foram tributados créditos oriundos de sua conta poupança, bem como créditos realizados pelo INSS para sua mãe aposentada. Explica que esses últimos têm como histórico TRF benef. INSS e considera inadmissível sua tributação. Reclama que a Autoridade Fiscal deixou de observar o artigo 845 do RIR/94, bem como o princípio da verdade material, ao tributar os valores oriundos de sua conta poupança e aqueles realizados pelo cartão Visa e pelo INSS. Considera que é indevida a aplicação da taxa Selic. Transcreve doutrina e jurisprudência acerca do tema. Requer a produção de novas provas a serem produzidas pelas instituições financeiras e conclui requerendo que seja reconhecida a improcedência do lançamento. Posteriormente, em 25/05/2007, o Contribuinte apresentou a petição de fls. 430/432, onde requer a juntada dos extratos do Banco ítaú S/A, só recebidos nessa data, e que segundo ele, comprovam a origem dos créditos tributados como rendimentos na conta n2 17.5070. Relaciona a origem dos depósitos que pretende ver excluídos do lançamento. Ao analisar o caso, em 10.07.2009 (fls 484), entendeu a autoridade julgadora que havia parcial razão na impugnação do contribuinte, reduzindo a base calculo das contas conjuntas mantidas no Banco Bradesco e Itaú para 50% do valor inicial, bem como excluindo da base de cálculo valores transferidos de conta poupança do mesmo titular, de forma a fixar o valor do IR devido em R$ 117.662,02 (acrescido de juros e multa). Ainda irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, reafirmando que os créditos oriundos do "VISANET" e "TRF Benef. INSS" também devem ser excluídos da base, pedindo ao final o provimento de seu recurso. É o relatório. Fl. 524DF CARF MF Processo nº 18471.001694/200615 Acórdão n.º 2402007.520 S2C4T2 Fl. 525 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Do pedido de exclusão de depósitos da base de cálculo do tributo lançado Quanto ao pedido para que sejam excluídos da base de cálculo os valores creditados em sua conta pelo "VISANET" e "TRF Benef. INSS", o recorrente apenas desqualifica o trabalho fiscal, sem esclarecer as razões que levaram à realização dos referidos depósitos em suas contas, informação esta que desde o início do procedimento fiscal o contribuinte esteve ciente que deveria satisfazer. Assim, por concordar com o juízo aplicado pela autoridade julgadora de primeiro grau, adotase no presente voto o entendimento exposto no acórdão recorrido e, com fulcro no art. 57, §3º, do RICARF, colacionase abaixo excerto daquela decisão, tratando da matéria. (...) o Contribuinte requer a exclusão dos depósitos efetuados pelo cartão Visa, pois, segundo ele, pertencem à pessoa jurídica (Farmácia Nazareth). Nos extratos anexados, constatase que na conta do Banco do Brasil existem vários créditos associados ao histórico "Visanet Cartões" (fls. 378 a 379). A partir de 01/01/1997, a tributação com base em depósitos bancários, suporte Legal da presente autuação, passou a regerse pelos ditames do art. 42 da Lei n 9.430, de 1996, com a alteração introduzida pelo art. 4^ da Lei n 9.481, de 13 de agosto de 1997, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não, houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I • os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Fl. 525DF CARF MF Processo nº 18471.001694/200615 Acórdão n.º 2402007.520 S2C4T2 Fl. 526 5 II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a RS 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de RS 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenlui sido efetuado o crédito pela instituição financeira. A tributação por depósitos bancários deriva de presunção legalmente estabelecida. A própria lei veio a definir que o montante dos depósitos bancários ou aplicações junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não consegue provar a origem dos recursos utilizados nessas operações, caracterizam omissão de receitas ou rendimentos. Frisese que não se trata de considerar os depósitos bancários como fato gerador do imposto de renda, que se traduz na aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza (CTN, art.43). Mas a desproporcionalidade entre o seu valor e o dos rendimentos declarados constitui indício de omissão de rendimentos e, estando o contribuinte obrigado a comprovar a origem dos recursos nele aplicados, ao deixar de fazêlo dá ensejo à transformação do indício em presunção, pois o não interesse em declinar essa origem evidencia que a mesma corresponde a disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos sem origem justificada. Nesse contexto, podese afirmar que os depósitos bancários são utilizados como instrumento de determinação dos rendimentos presumidamente omitidos, não se constituindo em si, objeto de tributação. Via de regra, para alegar a ocorrência de fato gerador de tributo, a autoridade lançadora deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a própria lei presume a ocorrência do fato gerador, a produção de tais provas é dispensada. Ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, o Fisco fica dispensado de provar o fato alegado, incumbindo ao contribuinte, provar a sua inocorrência. No caso da tributação por depósitos bancários, cabe ao Fisco, na existência de depósitos ou de investimentos junto a instituições financeiras, em nome do fiscalizado, em montante incompatível com os rendimentos por ele declarados, perquirir a origem dos recursos utilizados nessas operações, mediante intimação. Na ausência da comprovação exigida, é seu direito/dever presumir a ocorrência de ocultação de fato gerador do imposto de renda. Por outro lado, a prova é um ônus e não um dever. Reproduzindo as palavras de Antonio da Silva Cabral ( in Processo Administrativo Fiscal, Ed. Saraiva, 1993, pag.302), "a prova não é um dever porque o dever supõe sempre a relação entre dois pólos (...). Já no caso do ônus, a relação jurídica é do sujeito para si mesmo (...). Quando se fala em ônus é porque o próprio interessado escolhe entre suportar o peso da prova ou não ter a tutela do seu interesse. Por outro lado. se a parte não provar não se segue que os fatos por ela mencionados não sejam verdadeiros. Seguese, apenas, que esses fatos não gozam de liquidez (...). Se não há dever, pode o interessado apresentar prova ou não da existência de determinado fato. (...). Se o interessado em que determinado fato seja levado em consideração não se preocupa em provar a existência deste fato, correrá o risco de não têlo apreciado, ou de não aproveitar uma prova que viria em seu favor." Fl. 526DF CARF MF Processo nº 18471.001694/200615 Acórdão n.º 2402007.520 S2C4T2 Fl. 527 6 Assim, na existência da presunção legal de omissão de rendimentos, cabe ao contribuinte, em seu próprio interesse, precaverse, munindose de provas para apresentar numa eventual investigação fiscal. Na ausência de provas de que a origem dos recursos utilizados na movimentação bancária encontrase em rendimentos já tributados ou isentos/não tributáveis, materializase a circunstância prevista no artigo 42 da Lei 9.430/1996, para presumir omissão de rendimentos tributáveis, sendo devido o lançamento sob o aspecto examinado. Não obstante, é oportuno asseverar que ao termo "comprovação de origem" deve se dar interpretação teleológica, ou seja, considerar a finalidade a que se destina. Deste modo, exsurge o conteúdo normativo contido no § 2 do art 42 supracitado, onde o Legislador ordinário, com clareza, pontuou seu objetivo: a comprovação da origem destinase a possibilitar a averiguação de cumprimento de obrigações tributárias pelo beneficiário dos depósitos mediante aplicação de normas de tributação específicas vigente à época em que auferidos os rendimentos. Logo, importa saber não só quem depositou o valor, se pessoa física ou jurídica, mas a que título, sob pena de manutenção da presunção mencionada. No caso concreto, o Contribuinte não apresentou outros documentos para corroborar suas alegações, limitandose a apontar o histórico dos extratos vinculados a esses depósitos realizados por Visa Cartões. Esses históricos só identificam o depositante, qual seja, a empresa Visa, mas não nos permite concluir sobre a natureza da operação: ressarcimentos de pagamentos indevidos, estornos, prêmios,...? Faltou, sobretudo, o Contribuinte apresentar documentos que vinculem aqueles créditos à pessoa jurídica. Em sua defesa, poderia ter juntado, por exemplo, o contrato assinado com o cartão Visa ou as notas fiscais e a contabilidade da pessoa jurídica. Sem essa comprovação, não é possível excluir esses depósitos. A identificação do depositante, repisese, não é suficiente para promover a exclusão desses depósitos, caso contrário, bastaria simplesmente que o titular da conta apresentasse recibos de depósitos identificados, cheques nominais, ou documentos que identificassem o remetente de remessas para justificar créditos em sua conta bancária. Sem dúvida alguma, não é esse o intuito da Lei, pois, se assim fosse, não haveria qualquer sentido prático na sua aplicação ou mesmo qualquer controvérsia sobre a sua edição. Assim, considerando que a Contribuinte não logrou demonstrar de forma satisfatória a origem dos valores creditados em suas contas bancárias, é de se manter o lançamento na forma efetuada. Em seguida, reclama da tributação de valores transferidos de contas poupança e de créditos do INSS, pertencentes a sua mãe. Na petição de fls. 430/432, o Contribuinte apresenta extratos fornecidos a posteriori pelo Banco Itaú, onde aponta créditos oriundos de contas poupança própria e do filho, João Paulo de Souza Soares. O Contribuinte aponta três depósitos oriundos da conta de seu filho: R$70.000,00 e R$30.000,00, realizados em 11/07/2001, e R$10.000,00, em 12/07/2001. De fato, os extratos demonstram que os depósitos se originaram da conta de João Paulo. E só. Fl. 527DF CARF MF Processo nº 18471.001694/200615 Acórdão n.º 2402007.520 S2C4T2 Fl. 528 7 O Contribuinte não alega ou comprova que essa conta é conjunta e sequer tenta justificar o recebimento desses valores. A que título foram efetuadas as transferências? Conforme já dito neste voto, não basta identificar o depositante das quantias. E preciso esclarecer a que título foram efetuadas as transferências e demonstrar a natureza dos rendimentos e que esses, se for o caso, foram submetidos à tributação. (...) Quanto aos rendimentos do INSS, o Contribuinte alega que são rendimentos da mãe e considera incabível a tributação desses valores. Mais uma vez, o Contribuinte quer se valer apenas do histórico da transação para ver excluídos os créditos. No caso, o histórico é "TRF benef inss", que é insuficiente para justificar a retirada dos valores da tributação. Isto porque o Contribuinte, novamente, deixa de comprovar que os valores não lhe pertencem ou, se lhe pertencem, já foram oferecidos à tributação ou são isentos. Ressaltese que em sua DIRPF o Contribuinte não ofereceu à tributação rendimentos recebidos do INSS. Como já reiterado neste voto, justificar a origem de um determinado crédito significa necessariamente que haja a comprovação de forma inequívoca da procedência do valor depositado e a sua natureza. Sendo assim, não cabe razão ao recorrente. Conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo o crédito tributário discutido. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 528DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10630.000941/2007-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 24/04/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO ENTREGA DE GFIP.
Constitui infração deixar de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), através de Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), os dados cadastrais, os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo.
RELEVAÇÃO DA MULTA
De acordo com a legislação vigente à época do lançamento, a relevação somente seria concedida se a correção da falta tivesse ocorrido até a data da impugnação, cumulada com o atendimento dos demais requisitos do art. 291 do Regulamento da Previdência Social.-RPS.
Numero da decisão: 2202-005.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES
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NÃO ENTREGA DE GFIP. Constitui infração deixar de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), através de Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), os dados cadastrais, os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo. RELEVAÇÃO DA MULTA De acordo com a legislação vigente à época do lançamento, a relevação somente seria concedida se a correção da falta tivesse ocorrido até a data da impugnação, cumulada com o atendimento dos demais requisitos do art. 291 do Regulamento da Previdência Social.-RPS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 09 41 /2 00 7- 65 Fl. 501DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-005.416 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10630.000941/2007-65 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 02-29.365, proferido pela 7 a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte - MG (DRJ/BHE) que julgou improcedente a impugnação, tendo mantido parcialmente o crédito tributário lançado. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Trata-se de autuação relativa ao Auto de Infração n° 37.094.712-6, por infringência ao disposto no art. 32, inciso IV, §§ 3o e 9", da Lei nº 8.212, de 24 de julho de1991, com redação dada pela Lei n" 9.528, de 10 de dezembro de 1997 c/c o art. 225, inciso IV, 2º. 3º e 4°. do Regulamento da Previdência Social - RPS. aprovado pelo Decreto nº 3.048. de 06 de maio de 1999, por ter deixado a empresa de informar ao INSS a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP, nas competências novembro/2001 a fevereiro/2007, conforme anexo do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 11), bem como o demonstrativo do valor total da multa aplicada (tis. 12/15). A multa foi aplicada no montante de R$ 401.563,68. Informa a Auditoria que não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no Regulamento da Previdência Social O auto de infração foi lavrado em 24/04/2007 e o interessado tomou ciência do mesmo cm 08/05/2007 consoante documento de fls. l6. De acordo com a informação prestada às fls.44, a empresa apresentou defesa tempestiva, protocolo n° 13631.000167/2007-71, em 31 /05/2007, peça processual juntada às fls. 19/20 e anexos de fls. 21 /43. DA IMPUGNAÇÃO Na sua defesa (fls 19/20) a impugnante afirma que não teve tempo de cumprir com a intimação feita por meio do TIAF de 16/04/2007, uma vez que o mesmo foi recebido por uma funcionária leiga da empresa que somente repassou tal documento ao responsável em 24/04/2007, além de que foram requeridas documentações dos últimos dez (10) anos. Alega ainda que foi surpreendida com o auto de infração na mesma data em que tomou conhecimento do TIAF, assim, vem apresentar os documentos neste ato. Que entre os documentos solicitados pelo TIAF encontravam-se as GFlPs de novembro/2001 a fevereiro/2007. Alega também em sua impugnação que foram rescindidos os contratos de trabalho de todos os funcionários da empresa em novembro/2001, não havendo recolhimento de FGTS no período em virtude de tal fato, conforme demonstrará por meio da RAIS/2001 solicitada ao Ministério do Trabalho, sendo requerido um prazo de 40 (quarenta) dias para a sua apresentação. Informa que, na tentativa de obter uma cópia da GFIP de novembro/2001 que se extraviou, a unidade da Receita Previdenciária lhe orientou no sentido de obtê-la por meio da fiscalização, assim, vem requerer a verificação no sistema sobre os dados da mesma. Para comprovar o alegado apresenta os recibos de entrega/transmissão da GFIP - recibos de entrega/transmissão da GFIP competência dezembro/2001, com código de recolhimento 906 - sem movimentação, em virtude da paralisação das atividades da empresa desde aquela data e conforme prevê a legislação vigente. Informa que a entrega foi efetuada, inicialmente, em 25/01/2002 e retransmitida, a pedido da Receita Previdenciária, em 17/08/2006, nos mesmos moldes do original enviado. Assim, a empresa não está inadimplente com as suas obrigações principais e acessórias. Fl. 502DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-005.416 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10630.000941/2007-65 Por fim, pede concessão de prazo para apresentação da RAIS/2001 e quaisquer outros documentos, bem como a relevação da multa aplicada no auto de infração, nos termos do § 1º do art 291 do RPS. Registre-se a apresentação, pela impugnante, de duas caixas arquivos de xerocópias de documentos não juntados aos autos referentes à notificação n° 37.094.714-2, assim, a documentação apresentada pelo sujeito passivo c os autos da NFLD n° 37.094.714-2 retornaram a Delegacia Federal Regional de origem para o devido saneamento, com fulcro nos artigos 3º e 34 da Portaria RFB nº 10.875, de 16 de agosto de 2007. DA DILIGENCIA Considerando que a motivação da presente autuação decorreu exclusivamente da falta de apresentação de GFIP’s das competências novembro/2001 a fevereiro/2007 e que a empresa vem exibir documentos relativos a GFIP dezembro/2001, contendo recibos de entregas da mesma em 25/01/2002 e 17/08/2006, os autos retornaram ao agente fiscal para manifestação quanto aos documentos que foram apresentados pela empresa e prestar os seguintes esclarecimentos; 1- considerando a data da lavratura do auto de infração (24/04/2007) e as datas de entregas da GFIP dezembro/2001 no código 906, consignar nos autos o(s) motivo(s) que respaldam a presente autuação para as competências janeiro/2002 a fevereiro/2007, informando se houve algum fato gerador de contribuições previdenciárias neste período; 2- em face da alegação da empresa de que apresentou GFIP correspondente a competência novembro/2001, confirmar se realmente houve a entrega; e 3- em caso negativo, ratificar o valor da multa aplicada relativa a competência novembro/2001, especialmente levando-se em conta todos os documentos, ora apresentados pela empresa, que podem alterar a informação quanto ao número de segurados existentes naquela competência, cujo dado serve de parâmetro para a aplicação do valor total da multa. 4- e concluir se a empresa corrigiu a falta de forma total ou parcialmente. A Auditoria ás fls.439/440 respondeu em 28/03/2008 a diligência prestando os seguintes esclarecimentos: - que na falta de apresentação de documentação pela empresa, o lançamento foi baseado na ausência da GFIP constante no Sistema Informatizado (Plenus/CNISA E Baixa WEB), fato que permanece até a data desta resposta; - que não é possível saber se a empresa apresentou a GFIP da competência 11/2001 pelo fato de a mesma não ter sido juntada na defesa e não constar no sistema; - que as cópias das GFIP’s apresentadas nas fls. 21 a 31 não foram processadas pelos sistemas. DA RESOLUÇÃO 932/2008 Em face ao princípio da verdade material, que rege o processo administrativo, foi feito consulta ao sistema de Arrecadação (fls.443 a 450) confirmando a apresentação, cm época própria, da GFIP referente a competência 12/2001 ( sem movimento) e de acordo com a informação obtida consulta formulada no sistema valores a recolher x valores recolhidos, fls.443, a situação da empresa é de paralisada desde 01/12/2001. Diante dos fatos apurados foi reencaminhado os autos para novo pronunciamento da auditoria, através da Resolução da 7º Turma de julgamento de n° 932 de 26 de junho de 2008, visando esclarecer os seguintes pontos: Fl. 503DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-005.416 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10630.000941/2007-65 1- confirmar se a empresa encontra-se com a atividade paralisada desde 01/12/2001, de acordo como registro constante no sistema de Arrecadação ( fls.443); 2- se existe indicio que indique a existência contribuições previdenciárias devidas no período de 01/2002 a 02/2007 com vistas a ratificar a multa aplicada neste período e desconstituir a declaração apresentada pela empresa de falta de movimentação na competência 12/2001. Lembrando que no lançamento consubstanciado na notificação (NFLD n° 37.094.714-2), não houve apuração de falo gerador de contribuições previdenciárias relativos a período posterior a março/2001. 3- no que se refere à GFIP apresentada em 10/12/2001, código 905, constando competência 12/2001 verificar se realmente diz respeito a esta competência ou pode referir-se à competência 11/2001, uma vez que a empresa alega ter rescindido os contratos neste e mês e ter apresentado outra GFIP em 21/01/2002, código 906 e em 17/08/2006 sem movimento para a competência 12/2001. Observe-se que pela consulta de falhas de entrega de documentos, tela de fls.444, pode se comprovar a entrega da GFIP da competência 12/2001, carreada aos autos pela defesa. - A Auditoria ás fls.458/459 respondeu em 16/09/2008 os questionamentos formulados Resolução 932, prestando os seguintes esclarecimentos: - com base na RAIS, tela de fls.455 existe massa salarial para as competências 11/2001 e 12/2001, não existindo para o período posterior ano 2002 a 2007. Com base no Sistema da Receita verificou que a autuada entrega as declarações de IRPJ com situação Normal, porém, sem declarar quaisquer valores nos anos calendários 2000 a 2007. Informa, ainda, que em 2000 e 2001 outras empresas declararam ser tomadoras dos serviços da ora autuada. Conclui que existe massa salarial para a competência 12/2001, fato que conflita com a GFIP sem movimento entregue pela empresa, mas não processada pelo sistema. - a Auditoria argumenta, ainda, que, tendo em vista que a empresa não apresentou os documentos solicitados ( folhas de pagamento, registro de empregados e as rescisões) não há mais nada que se possa informar, ratificando, em seguida, que a presente autuação se refere a não apresentação de GFIP, ainda que sem movimento. Em cumprimento à Diligência Fiscal Resolução n" 932, de 26 de junho de 2008 - requerida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento cm Belo Horizonte- DRJ/BH, às fls.451/453, na qual esse Órgão solicitou pronunciamento acerca dos argumentos e documentos juntados à impugnação, a Auditora Fiscal, após proceder à análise da documentação juntada aos presentes autos, presta a Informação Fiscal constante às fls.458/459. Desta forma, a DRJ/BH emitiu o Despacho de fls. 462/463, solicitando que o sujeito passivo, fosse cientificado das informações prestadas pela Auditoria Fiscal, abrindo-lhe o prazo de dez dias para se manifestar a respeito, se do seu interesse. MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE O contribuinte foi cientificado das informações fiscais conforme Aviso dos Correios- AR de tls.467, apresentando, dentro do prazo estipulado a manifestação de fls.468. Em sua manifestação o contribuinte ratifica sua declaração de que em novembro de 2001 não tinha funcionário em atividade, tinha apenas um funcionário que se encontrava afastado não havendo FGTS a recolher. Diz que por solicitação da Receita transmitiu a GFIP da competência 11/2001 e a GFIP da competência 12 de 2001 e a GFIP de janeiro de 2002, sem movimento, em virtude da paralisação da empresa, recibos de 25/08/2010 fls.469 a 491. A defendente junta, ainda, Fl. 504DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-005.416 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10630.000941/2007-65 a GPS de fls.48l referente a pagamento de contribuição previdenciária relativo a competência 13/2001 recolhida em 24/08/2010. A impugnação foi julgada improcedente, tendo mantido parcialmente o crédito tributário lançado, tendo em vista a aplicação da norma mais benéfica, no que se refere à aplicação da penalidade imposta, bem como a decadência das competências 11/2001 e 12/2001. A decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/11/2001 a 28/02/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO ENTREGA DE GFIP. Constitui infração deixar de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), através de Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), os dados cadastrais, os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo. SÚMULA VINCULANTE. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. REVISÃO DE OFÍCIO. A decadência das contribuições previdenciárias deve-se operar em 05 (cinco) anos consoante a recente Súmula Vinculante n" 8 do STF. No caso de lançamento motivado, exclusivamente, por descumprimento de um dever instrumental a regra para a definição do termo inicial do prazo de decadência há de ser o art. 173, inciso I, do CTN, devido à natureza jurídica da constituição desse credito, com fulcro no art. 149, inciso VI, do mesmo Código. Consoante, ainda, posicionamento da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional na Nota PGFN/CAT n- 856/2008, emitida em complemento ao Parecer PGFN/CAT nº 1617/2008. Por ser matéria de ordem pública a decadência deve ser conhecida de oficio. RELEVAÇÃO DA MULTA De acordo com a legislação vigente à época do lançamento, a relevação somente seria concedida se a correção da falta tivesse ocorrido até a data da impugnação, cumulada com o atendimento dos demais requisitos do art.291 do Regulamento da Previdência Social.-RPS. ALTERAÇÃO NORMATIVA. MP 449- LEI 11.491/2009. MUDANÇA NO CRITÉRIO DE APLICAÇÃO DA PENALIDADE. NORMA MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. APLICAÇÃO AOS CASOS PENDENTES DE JULGAMENTO. A referida norma incluiu, na Lei n° 8.212/91 o artigo 32-A, que alterou toda a sistemática de aplicação de multa relativa a infração em tela. De acordo com o CTN aplica-se a nova norma aos casos passados, pendentes de julgamento quando se tratar de norma que defina penalidade mais benéfica. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 26/07/2012 (fls. 494/495), alegando, em apertada síntese, no essencial, in verbis: (...) Fl. 505DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-005.416 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10630.000941/2007-65 • Conforme dispõe o Manual de uso da GFIP, notadamente em suas folhas 9,10,11 e 12 (doc. 1 - em anexo) e link para confirmação da veracidade do conteúdo das folhas: http://www.receita.fazenda.gov.br/previdencia/gfip/gfip3manform.htm; é obrigatória a transmissão da GFIP nos períodos em que houverem movimentações de alguma espécie na folha salarial e de pagamentos do contribuinte. Em não havendo tais movimentações deve ser informada uma GFIP sem movimento no período imediatamente posterior ao da última movimentação do empregador, • No caso em estudo, ocorreu exatamente esta situação, a partir do período de 01/2002 não haviam mais movimentações a serem informadas, conforme própria afirmação do Fisco as folhas 498 dos autos onde há a conclusão de não haver massa salarial após 12/2001, transmitindo assim uma GFIP sem movimento à época dos fatos, porém, conforme já explanado em todo o processo, ocorreram vários problemas para a confirmação desta transmissão culminando numa nova transmissão 25/08/2010, transmissão esta reconhecida pelo Fisco conforme folhas 501 do referido processo; • Embasado assim, pelo Manual GFIP onde se depreende a obrigatoriedade de transmissão da GFIP para o contribuinte sem movimentação apenas no período em que se inicia está situação ficando desobrigado até o período em que novamente retorna a movimentar sua massa salarial e aplicando o Principio da REALIDADE do Direito Administrativo, onde se informa que é injusto o administrador público exigir o cumprimento literal da legislação, sendo que a REALIDADE comprovada no processo destoa da aplicação formal das normas, concluindo, por este principio, no caso em tela que a aplicação das multas referentes aos períodos de 02/2002 a 02/2007 é contrária a REALIDADE ocorrida e comprovada no processo, pois, nestes períodos não houve movimentações e foram "cobertos" pela GFIP informada em 01/2002. Desta feita, o contribuinte entende que é cabível apenas a multa para a GFIP de 01/2002 e é o que espera que seja revisado no respeitoso acórdão. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo de Sousa Sáteles, Relator. O recurso foi apresentada tempestivamente, atendendo também aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A lide posta, em grau de recurso, se resume em verificar se a contribuinte se incumbiu de encaminhar uma GFIP sem movimento, em 01/2002, à época devida, antes do início do procedimento fiscal ora em análise, ou dentro do prazo de sua impugnação, sendo que neste caso implicaria na relevação da multa aplicada, com fulcro no parágrafo primeiro, do art. 291, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Verifica-se que de fato o presente auto de infração, foi lavrado em 24/04/2007, mesma data de ciência do contribuinte (efls. 03), portanto, a GFIP da competência 01/2002, sem movimento, foi encaminhada apenas em 25/08/2010, posterior a sua cientificação da infração, bem como bem posterior ao prazo previsto para sua impugnação de 30 (trinta dias). Somente, com a apresentação da GFIP, sem movimento, à época devida, estaria a empresa dispensada de encaminhar as GFIP’s do período 02/2002 até 02/2007, o que de fato não ocorreu no caso ora analisado. Fl. 506DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-005.416 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10630.000941/2007-65 No que pese o intuito do Recorrente, em consertar o equívoco cometido por sua parte, cabe a este órgão julgador aplicar o direto ao caso em concreto, não havendo espaço para ampliar os casos previstos no parágrafo 1 o do art. 29l (caput) do Regulamento da Previdência Social-RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/9°, assim dispõe: Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 - de 1º/02/2007 - DOU de 02/02/2007). § l º A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 - de 1º/02/2007 - DOU de 02/02/2007) (Grifo nosso). Desta forma, a multa deve ser mantida nas competências 01/2002 a 02/2007. Conclusão Ante o exposto, voto em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Fl. 507DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10921.000318/2009-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 10/01/2005 a 08/01/2006
INFRAÇÃO ADUANEIRA. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA.
Por expressa determinação legal, o agente marítimo, na condição de representante do transportador estrangeiro no País, é parte legítima para figurar no polo passivo de auto de infração, tendo em vista sua responsabilidade quanto à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira.
CERCEAMENTO DE DEFESA. IMPRECISÃO NA DELIMITAÇÃO DA INFRAÇÃO IMPUTADA. ANULAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO NO CASO CONCRETO.
No presente caso não há que se falar em vício na exigência por cerceamento de defesa, uma vez que a fiscalização discrimina, com rigor, quais os embarques que não foram submetidos ao correlato e tempestivo registro, bem como o tempo de atraso cometido pelo recorrente, havendo, pois, perfeita descrição do fato infracional cometido em concreto.
DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF N. 126
Nos termos da Súmula CARF n. 126, a denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
MULTA ADUANEIRA. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF N. 02.
É vedado ao CARF a realização de controle, ainda que difuso, de constitucionalidade de norma.
Numero da decisão: 3402-006.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em negar provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por maioria de votos, quanto à ilegitimidade passiva. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro (relator), que dava provimento ao recurso neste ponto. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Cynthia Elena de Campos; (ii) por unanimidade de votos, quanto aos demais pontos do recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, na condição de representante do transportador estrangeiro no País, é parte legítima para figurar no polo passivo de auto de infração, tendo em vista sua responsabilidade quanto à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. CERCEAMENTO DE DEFESA. IMPRECISÃO NA DELIMITAÇÃO DA INFRAÇÃO IMPUTADA. ANULAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO NO CASO CONCRETO. No presente caso não há que se falar em vício na exigência por cerceamento de defesa, uma vez que a fiscalização discrimina, com rigor, quais os embarques que não foram submetidos ao correlato e tempestivo registro, bem como o tempo de atraso cometido pelo recorrente, havendo, pois, perfeita descrição do fato infracional cometido em concreto. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF N. 126 Nos termos da Súmula CARF n. 126, a denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. MULTA ADUANEIRA. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF N. 02. É vedado ao CARF a realização de controle, ainda que difuso, de constitucionalidade de norma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 1. 00 03 18 /2 00 9- 07 Fl. 203DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-006.746 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10921.000318/2009-07 Acordam os membros do Colegiado, em negar provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por maioria de votos, quanto à ilegitimidade passiva. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro (relator), que dava provimento ao recurso neste ponto. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Cynthia Elena de Campos; (ii) por unanimidade de votos, quanto aos demais pontos do recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro- Relator. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos – Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório 1. Por bem retratar o caso em apreço, emprego como meu o relatório desenvolvido no âmbito do acórdão n. 07-27.450 (fls. 152/155), veiculado pela DRJ de Florianópolis, o que passo a fazer nos seguintes termos: O presente Auto de Infração (fls. 06/07), no valor de R$ 225.000,00, foi lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar as informações dos dados de embarque de mercadorias para exportação, no Siscomex, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com o que dispõe o art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto-Lei 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 08/12), as informações foram registradas pelo autuado após o prazo de sete dias estabelecido no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a interpretação da Notícia Siscomex n° 105, de 27 de julho de 1994 e Noticia Siscomex n° 2, de 07 de janeiro de 2005. Informa que a apuração da infração dá-se a cada viagem do veiculo transportador em que tenha havido o registro de dados de embarque fora do prazo estipulado pela RFB, cujas cargas estão amparadas nas Declarações de Despacho de Exportação (DDE) constantes da relação de fls. 14, na qual também consta os nomes dos navios, as datas dos embarques e as datas dos registros dos respectivos dados, extraídos das consultas ao sistema Siscomex anexadas. Frisa que não é determinante para o cálculo do valor da multa a quantidade de despachos de exportação cujos dados de embarques não foram informados tempestivamente. (...). 2. Uma vez notificado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 109/124, a qual foi julgada improcedente pelo sobredito acórdão assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 12/01/2005 a 08/01/2006 Fl. 204DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-006.746 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10921.000318/2009-07 AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. LEGITIMIDADE PASSIVA. Respondem pela infração à legislação aduaneira, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua pratica. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA. Em matéria de penalidades, a lei tributária, em sentido amplo, aplica-se a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 3. Não obstante, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 165/185, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em impugnação. 4. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O recurso voluntário interposto é tempestivo, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Preliminarmente (i) A ilegitimidade passiva do recorrente 6. O primeiro fundamento trazido pelo recorrente diz respeito a sua ilegitimidade passiva em relação à infração decorrente da incidência do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decreto-lei n. 37/66. 7. Neste sentido, convém destacar que, na qualidade de agente marítimo, poder- se-ia questionar a ilegitimidade passiva do recorrente para a exigência estampada no art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decreto-lei n. 37/66, que assim prescreve: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...). IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) (...). e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; e (...). 8. Isso porque, segundo o aludido dispositivo legal, o responsável pela sanção é a "empresa de transporte internacional", incluindo-se aí a "prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta", bem como o "agente de carga". Fl. 205DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-006.746 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10921.000318/2009-07 9. Por sua vez, em face do aludido dispositivo legal, assim estabeleceu o art. 37, § 1º da IN SRF n. 28/94, vigente à época: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. (...). 10. Em outros termos, hipoteticamente admitindo-se como válida a referida disposição, o que a citada IN fez foi estender a responsabilidade da multa capitulada no art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decreto-lei n. 37/66, também para o exportador. Nesse sentido, seriam responsáveis por tal infração (i) o exportador, (ii) a empresa de transporte internacional, incluindo-se aí a (ii.i) a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta e, ainda, (iii) o agente de carga. 11. Acontece que, no presente caso, o recorrente não apresenta a natureza jurídica de nenhuma das pessoas alhures referidas, na medida em que trata-se de agente marítimo, conforme dispõe a cláusula 3 a do seu contrato social (fls. 126/134). Sua função, portanto, é administrar o interesse de armadores e proprietários de navios em portos, o que enquadra sua atividade em uma função exercida por mandato, nos termos do art. 653 do Código Civil 1 . 12. Importante neste momento registrar que estamos diante de exigência de caráter infracional-aduaneiro e não de exigência tributária. Logo, não há que se falar em convocar as disposições do CTN para fins de justificar ou afastar a responsabilidade aqui tratada. Por conseguinte, tal análise deve pautar-se pelo disposto no art. 603 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (Decreto n. 4.543/02), in verbis: Art. 603. Respondem pela infração (Decreto-lei n o 37, de 1966, art. 95): I - conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie; II - conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorra do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; III - o comandante ou o condutor de veículo, nos casos do inciso II, quando o veículo proceder do exterior sem estar consignado a pessoa física ou jurídica estabelecida no ponto de destino; IV - a pessoa física ou jurídica, em razão do despacho que promova, de qualquer mercadoria; e V - conjunta ou isoladamente, o importador e o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por conta e ordem deste, por intermédio de pessoa jurídica importadora (Decreto-lei n o 37, de 1966, art. 95, inciso V, com a redação dada pela Medida Provisória n o 2.158-35, de 2001, art. 78). (...) (g.n.). 13. Dentre as hipóteses descritas no dispositivo acima, aquela que eventualmente poderia amparar a pretensão aduaneira seria a do inciso I, ou seja, por atribuir a recorrente o 1 "Art. 653. Opera-se o mandato quando alguém recebe de outrem poderes para, em seu nome, praticar atos ou administrar interesses. A procuração é o instrumento do mandato." Fl. 206DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-006.746 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10921.000318/2009-07 concurso na prática do ato infracional aqui tratado, qual seja, entregar intempestivamente as informações a respeito de determinados navios do seu mandante. 14. Não há, todavia, qualquer prova que ateste que de fato o recorrente concorreu para a o atraso na entrega de tais informações, uma vez que ele atua como mero executor de ordens por parte do mandatário. Logo, não há que se falar em sua responsabilidade pela infração aqui analisada. (ii) Do suposto cerceamento de defesa 15. Não obstante, caso a ilegitimidade do recorrente seja superada por este Colegiado, o recorrente ainda aduz outros fundamentos autônomos para afastar a presente exigência aduaneira. Nesse sentido, ainda de forma preliminar, a recorrente alega ter sido prejudicada em sua defesa, uma vez que: 16. Não há qualquer fundamento nas alegações da recorrente, o que fácil se observa do seguinte trecho do Auto de Infração: 17. Detalhando a acusação, a fiscalização apresentou a seguinte tabela (fls. 15 Fl. 207DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-006.746 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10921.000318/2009-07 18. Não obstante, também são acostados aos autos os respectivos dados de embarque (fls. 16/60), o que é suficiente para precisar as infrações cometidas pelo recorrente. Logo, não há que se falar em cerceamento de defesa em prejuízo a recorrente, motivo pelo qual refuto esta preliminar de mérito. I. Mérito (i) Da inexistência de prazo para o registro dos dados das embarcações 19. No mérito, o contribuinte alega que, à época dos fatos, inexistia previsão legal determinando qual seria o prazo para o registro dos dados pertinentes ao embarque no Fl. 208DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-006.746 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10921.000318/2009-07 SISCOMEX, prazo este que, segundo o contribuinte, só teria sido previsto com o advento do art. 37 da IN SRF n. 510/05. 20. Também não assiste razão ao contribuinte neste particular. 21. Para refutar o fundamento do contribuinte, convém analisar o disposto no art. 37, §2º do Decreto-lei n. 37/66, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal as informações sobre as cargas transportadas, bem assim sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado (...). §2º A Secretaria da Receita Federal estabelecerá a forma e os prazos para a prestação das informações de que trata este artigo. 22. Fazendo uso da sua competência regulamentar, assim estabeleceu a RFB, por intemédio da IN SRF n. 28/1994: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (grifos nosso). 23. Posteriormente, tal dispositivo passou a ter a seguinte redação, dada pela IN SRF n. 510/05: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (g.n.). 24. Em relação à redação originária do sobredito art. 37 da IN SRF n. 28/1994, a questão que se debatia era a amplitude semântica do termo "imediatamente", ou seja, se o mesmo seria compreendido como ato contínuo ou o equivalente a um prazo de 24 horas. Tal questão foi pacificada pela notícia Siscomex n ° 105, de 27 de julho de 1994, que esclareceu que o termo "imediatamente" deveria ser interpretado como em até 24 (vinte e quatro) horas. 25. Em outros termos, o que se constata é que, à época dos fatos aqui debatidos (01/2005 a 01/2006), havia sim disposição normativa estabelecendo o prazo para os citados registros. 26. Convém destacar que no presente lançamento o entendimento exarado pela fiscalização, inclusive, foi mais benéfico ao recorrente, uma vez a fiscalização considerou intempestivos os registros realizados após o sétimo dia, o que fez amparado na notícia Siscomex n ° 2, de 7 de janeiro de 2005, que estabeleceu o entendimento de que o prazo em apreço seria de 7(sete) dias para embarques por via marítima. 27. Com base em tais fundamentos, afasto as alegações do recorrente. (ii) Da suposta denúncia espontânea 28. Aqui o recorrente alega que, ainda que intempestivamente, promoveu a entrega das informações que ensejaram a incidência da infração aqui tratada, o que teria ocorrido antes do início de qualquer apuração fiscalizatória. Tal fato, por seu turno, configuraria a denúncia espontânea, nos termos do art. 102, § 2 o do Decreto-lei n. 37/66, com a redação atribuída pela lei n. 12.350/2010, in verbis: Fl. 209DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-006.746 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10921.000318/2009-07 Art. 102 - A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (...). § 2 o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. 29. O contribuinte ainda alega que, por se tratar de uma norma desonerativa de sanção, teria ela caráter retroativo, nos termos do art. 106 do CTN. 30. Ainda que se entenda aplicável o disposto no art. 106 do CTN, o que é passível de críticas, já que não se está diante de uma infração de natureza tributária, mas sim administrativo-aduaneira, mister se faz destacar que essa questão já está pacificada neste Tribunal administrativo por intermédio da sua Súmula n. 126, que assim prescreve: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. 31. Tal enunciado, por sua vez, tem caráter vinculante para este colegiado, nos termos da Portaria ME n. 129/2019. 32. Assim, com base em tais fundamentos, rechaço este fundamento desenvolvido pelo contribuinte em seu recurso voluntário. (iii) Da alegação de ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade 33. Por fim, o último fundamento invocado pelo recorrente seria a ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, uma vez que não haveria uma simetria razoável entre a pena imposta em prejuízo do contribuinte no caso em concreto e o ato infracional ele praticado. 34. Ressalvado meu entendimento pessoal, no sentido de que também é possível o exercício do controle difuso de constitucionalidade na instância administrativa de caráter judicativo 2 - 3 – exatamente como se afigura aqui no CARF – não posso deixar de reconhecer o disposto no art. 62 do Regimento Interno deste Tribunal 4 que, como regra, veda a possibilidade do sobredito controle. No mesmo sentido é o teor da Súmula n. 02 deste E. Tribunal Administrativo, a qual tem caráter vinculante para este julgador, nos termos do art. 42, inciso VI do RICARF 5 . 2 Ainda que o faça de forma atípica, o que é perfeitamente válido, haja vista a possibilidade dos diferentes Poderes do Estado (Executivo, Legislativo e Judiciário) desempenharem outras funções além daquelas que lhe foram tipicamente atribuídas pelo texto constitucional. 3 Não me parece lógico muito menos válido juridicamente, que um órgão administrativo de caráter judicativo possa reconhecer o descompasso de um ato jurídico em face de uma lei, instrução normativa ou portaria, mas não possa fazê-lo em relação à Constituição Federal, que, sob uma estrita perspectiva legal, é o fundamento de validade de todas as demais peças legislativas do ordenamento jurídico nacional. 4 "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." 5 "Súmula CARF nº 2 Fl. 210DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-006.746 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10921.000318/2009-07 35. Neste diapasão, por expressa vedação normativa, nego provimento ao recurso voluntário interposto também neste particular. Dispositivo 36 Diante do exposto, voto por reconhecer a ilegitimidade passiva do recorrente em relação à infração decorrente da incidência do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decreto-lei n. 37/66 e, com isso, dar provimento ao recurso voluntário interposto. 37. Superada tal questão pelo colegiado, em relação aos outros fundamentos desenvolvidos pelo contribuinte, voto por negar provimento ao recurso interposto. 38. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Fl. 211DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-006.746 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10921.000318/2009-07 Voto Vencedor Conselheira Cynthia Elena de Campos - Redatora designada. Nos termos relatados, o Recorrente foi autuado para exigência de multa no valor total de R$ 225.000,00 (duzentos e vinte e cinco mil reais), decorrente do descumprimento da obrigação acessória de prestar as informações dos dados de embarque de mercadorias para exportação, no Siscomex, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com o que dispõe o art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto-Lei 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003. O Ilustre Conselheiro Relator votou por reconhecer o fundamento trazido em defesa quanto a alegada ilegitimidade passiva do Recorrente em relação à infração prevista pelo artigo 107, inciso IV, alínea "e" do Decreto-lei n. 37/66, atribuindo a responsabilidade pela sanção ao exportador, à empresa de transporte internacional, incluindo-se aí a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta e, ainda, ao agente de carga. Com o devido respeito ao entendimento adotado pelo I. Conselheiro Relator, o Colegiado concluiu que o agente marítimo é responsável pela penalidade objeto da autuação. No caso, deve ser considerada a previsão do artigo 32 do Decreto-Lei n° 37/1966, que a partir das alterações através do Decreto-Lei nº 2.472/1988 e Medida Provisória nº 2.158- 35/2001, passou a vigorar com a seguinte redação: Art . 32. É responsável pelo imposto: I - o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; II - o depositário, assim considerada qualquer pessoa incumbida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. Parágrafo único. É responsável solidário I - o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto II - o representante, no País, do transportador estrangeiro; III - o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (sem destaques no texto original) Com isso, no que concerne ao período posterior à vigência do Decreto-Lei nº 2.472/88, sobreveio expressa hipótese legal de responsabilidade tributária solidária do representante, no país, do transportador estrangeiro 6 . Da mesma forma, os artigos 94, caput e 95, inciso I do Decreto-Lei n° 37/1966, estabelecem a responsabilidade por infrações aduaneiras nos seguintes termos: Art. 94 - Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decreto-Lei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá-los. 6 REsp 1.129.430/SP, Relator Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJE de 14/12/2010. Fl. 212DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3402-006.746 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10921.000318/2009-07 Art.95 - Respondem pela infração: I - conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. Tendo em vista que, no período autuado (10/01/2005 a 08/01/2006), já estava vigente a previsão da responsabilidade em análise, deve ser reconhecida a legitimidade passiva do agente marítimo para exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, independentemente de sua intenção (art. 94, § 2º - Decreto-lei 37/66). Observo que a Câmara Superior de Recursos Fiscais mantém o mesmo entendimento, como se constata das decisões abaixo colacionadas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 08/12/2008, 16/12/2008, 23/12/2008, 02/01/2009 ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, em caso de infração cometida responderá pela multa sancionadora da referida infração. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decret-oLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Acórdão nº 9303-008.393 – 3ª Turma - Conselheira Relatora Tatiana Midori Migiyama) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/05/2010 AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo do auto de infração. Recurso especial do Contribuinte negado. (Acórdão nº 9303-007.646 – 3ª Turma - Conselheiro Relator Jorge Olmiro Lock Freire) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 ILEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO. O Agente Marítimo, representante no país do transportador estrangeiro, é responsável solidário e responde pelas penalidades cabíveis. Recurso Especial da Fazenda provido. (Acórdão nº 9303-003.276 – 3ª Turma - Conselheiro Relator Joel Miyazaki) Por sua vez, não há que se falar em ausência de prova de que o Recorrente concorreu para o atraso na entrega de tais informações, tendo em vista que, enquanto representante do transportador estrangeiro no País, deveria ter exercido suas atribuições atendendo às previsões legais incidente sobre a administração da documentação da embarcação e da carga, bem como demais controles inerentes à sua função. Fl. 213DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3402-006.746 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10921.000318/2009-07 Portanto, está correto o lançamento da penalidade na forma exigida, motivo pelo qual deve ser mantido o auto de infração. É o voto vencedor. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 214DF CARF MF
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