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5056886 #
Numero do processo: 10680.915835/2009-54
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/09/2005 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA. É ineficaz a DCTF retificadora para efeitos de determinação da pertinência do direito creditório declarado, sobretudo, quando a alteração promovida pelo sujeito passivo reduza o débito originalmente confessado sem o acompanhamento de prova hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado.
Numero da decisão: 3802-001.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA   2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda  (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto  Gonçalves Pereira.   Relatório  A  contribuinte  GEMAPE  MÁQUINAS  E  PEÇAS  LTDA.,  se  insurge  no  presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 02­31.683, proferido em primeira instância  pela  1ª  TURMA  DA  DELEGACIA  DA  RECEITA  FEDERAL  DO  BRASIL  DE  JULGAMENTO  EM  BELO  HORIZONTE  –  DRJ/BHE,  que  julgou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade  apresentada,  negando  o  direito  creditório  pleiteado  e  indeferindo a compensação efetuada, conforme consignado na ementa abaixo:   “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL – COFINS  Data do fato gerador: 30/09/2005  AUSÊNCIA  DE  PROVAS  DA  EXISTÊNCIA  DO  CRÉDITO.  COMPENSAÇÃO INDEFERIDA.  Na ausência de outras provas, a DCTF retificadora não pode ser  considerada  instrumento  hábil  para  conferir  certeza ao  crédito  indicado na declaração de compensação.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido”  De acordo com o órgão  julgador a quo “a mera apresentação da declaração  retificadora,  com  redução  do  valor  do  débito  anteriormente  confessado,  não  basta  para  justificar a reforma da decisão de não homologação da compensação declarada; faz­se mister a  prova inequívoca de que houve erro de fato no preenchimento da DCTF, isto é, de que o valor  correto do débito é aquele constante da DCTF retificadora.”  Por bem explicitar os atos e  fases processuais ultrapassados até o momento  da  análise  da  Manifestação  de  Inconformidade  pela  1ª  TURMA  DA  DELEGACIA  DA  RECEITA  FEDERAL  DO  BRASIL  DE  JULGAMENTO  EM  BELO  HORIZONTE/BHE,  toma­se  de  empréstimo  o  relatório  proferido  pela  D.  Autoridade  julgadora  de  primeira  instância:   “O interessado transmitiu em 15/09/2006 Per/Dcomp visando a  compensar o(s) débito(s) nela declarado(s) com crédito oriundo  de  pagamento  a  maior  de  Cofins,  relativo  ao  fato  gerador  de  30/09/2005.  A Delegacia  da Receita Federal  em Belo Horizonte/MG emitiu  Despacho Decisório eletrônico (fl. 02) no qual não homologa a  compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi  utilizado  na  quitação  integral  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando saldo creditório disponível.  Irresignado  com  o  indeferimento  do  seu  pedido,  tendo  sido  cientificado  em  29/04/2009  (fl.  10),  o  contribuinte  apresentou,  em 28/05/2009, a manifestação de inconformidade de fl. 01, com  Fl. 39DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10680.915835/2009­54  Acórdão n.º 3802­001.465  S3­TE02  Fl. 5          3 os  argumentos  a  seguir  sintetizados,  fazendo  anexar  os  documentos de fls. 02/09.  Alega possuir créditos referentes ao PIS e à Cofins recolhidos a  maior  no  período  de  11/2002  a  09/2005  e  que,  após  a  constatação  da  existência  de  tais  créditos,  procedeu  a  sua  compensação com  impostos  federais,  por meio de PER/Dcomp,  conforme legislação em vigor.  Ressalta que na época, por lapso, não retificou a DCTF original,  mas  em  21/05/2009  apresentou  DCTF  retificadora  com  os  valores corretos de PIS e Cofins a serem recolhidos.  Por  fim,  requer  o  reconhecimento  do  crédito  a  que  faz  jus  e  a  conseqüente homologação da compensação realizada.  É o relatório.”  Cientificada  da  decisão  de  primeira  instância,  o  sujeito  passivo  interpôs  o  Recurso  Voluntário  alegando  como  razões  para  homologação  do  pedido  de  compensação  objeto do presente processo o cumprimento de todas as obrigações, quais sejam, a principal de  pagar o  tributo  e a  acessória de  informar,  e  a  comprovação cabal de  ter  recolhido  a maior o  valor do tributo compensado.  Acosta  aos  autos,  com  o  intuito  de  corroborar  suas  afirmações:  i)  relatório  sintético do valor total de peças sob alíquota zero faturadas diariamente no período entre 01 a  30 de setembro 2005; e ii) relatório analítico por dia com descrição detalhada de todas as peças  faturadas sob alíquota zero por cento.  É o relatório.   Voto             Tempestivamente  interposto e atendidos os  requisitos de admissibilidade do  Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais.  Compulsando  os  autos,  constata­se  que  a  Recorrente  busca  reformar  a  decisão de 1ª instância com base em precária e insubsistente argumentação, bem como através  da juntada intempestiva de pretensos documentos comprobatórios, motivos pelos quais, como  se demonstrará, não merece provimento o presente Recurso Voluntário.  Consoante  defendido  pela  interessada,  a  transmissão  de  DCTF  retificadora  para correção do montante devido a  título de COFINS em função da equivocada  inclusão na  apuração  do  tributo  de  peças  tributadas  pela  contribuição  à  alíquota  zero,  seria  conduta  suficiente para demonstrar a liquidez e certeza do crédito pleiteado.  Ocorre  que,  como  já  assentado  pela  autoridade  julgadora  a  quo,  a  simples  transmissão  de  declaração  retificadora  com  redução  do  valor  do  débito  anteriormente  confessado,  não  é  documentação  hábil  para  legitimar  a  compensação  efetuada,  sendo  necessária a juntada de prova inquestionável de que houve erro no preenchimento da DCTF e  de que o valor de COFINS efetivamente devido é aquele consignado na retificadora.  Fl. 40DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA   4 Ademais,  cumpre  observar  que  a  Recorrente  foi  notificada  do  Despacho  Decisório de não homologação da compensação declarada, procedendo à retificação da DCTF  apenas  em  21/05/2009,  sendo  ineficaz  a DCTF  retificadora  para  efeitos  de  determinação  da  pertinência  do  direito  creditório  declarado,  sobretudo,  quando  a  alteração  promovida  pelo  sujeito  passivo  reduza  o  débito  originalmente  confessado  sem  o  acompanhamento  de  prova  hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado.  Com  efeito,  a  contribuinte  já  em  sede  recursal  acostou  aos  autos  relatório  sintético do valor total de peças sob alíquota zero faturadas diariamente no período entre 01 a  30 de setembro de 2005; e relatório analítico por dia com descrição detalhada de todas as peças  faturadas sob alíquota zero; pretendendo, assim, demonstrar através de documentos internos a  exatidão do débito  indicado na declaração retificadora e, via de consequência, a  legitimidade  do direito creditório.  Todavia,  relatórios  sintéticos  internos não são oponíveis ao  fisco, por  si  só,  como elementos comprobatórios da materialidade do crédito do sujeito passivo, sendo sim um  arrazoado  destinado  a  permitir  a  compreensão  e  a  visualização  da  prova  a  ser  juntada  –  documentos fiscais e/ou contábeis que permitam a verificação do direito de crédito pleiteado.  Assim sendo,  tendo disposto de  todas as oportunidades para comprovar  seu  direito  creditório,  e  não  o  fazendo no momento devido,  limitando­se  a Recorrente  em  trazer  arguições perfunctórias  e destituídas de validade  jurídica para  fins de apuração da  liquidez e  certeza do direito creditório pleiteado e, por conseguinte, da compensação declarada, deve ser  negado provimento ao Recurso Voluntário ora analisado.  Conclusão  Pelo  exposto,  conheço  do  Recurso  Voluntário  para  NEGAR­LHE  provimento.   (assinado digitalmente)  Bruno Maurício Macedo Curi                                Fl. 41DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA

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5056960 #
Numero do processo: 16327.001397/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007 GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS. BASE NEGATIVA ORIGINÁRIA DESCONSTITUÍDA EM RAZÃO DO LANÇAMENTO. INSUFICIÊNCIA DE BASE NEGATIVA PARA COMPENSAÇÃO FUTURA. Deve ser cancelada a exigência se a autoridade lançadora não demonstra o motivo da insuficiência das bases negativas utilizadas em compensação no período autuado. PROVISÕES. INDEDUTIBILIDADE. Devem ser adicionadas ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, as provisões cuja dedução não é autorizada pela legislação tributária. Cancela-se a exigência apenas na parte em que os valores glosados estão comprovadamente vinculados a despesas efetivas no período fiscalizado. DESPESAS FINANCEIRAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Alegações acerca da natureza dos valores contabilizados não são hábeis a justificar a sua dedução na apuração do lucro tributável. É indispensável a apresentação de documentos que permitam correlacionar os fatos ocorridos com as despesas registradas na contabilidade. OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS. DIFERENÇAS EM SISTEMAS OPERACIONAIS. Somente podem afetar o lucro tributável os ajustes contábeis cuja causa e necessidade sejam devidamente comprovados pelo sujeito passivo. JUROS SOBRE PASSIVO ATUARIAL. A constatação de que a despesa corresponde à provisão de obrigações na contabilidade é insuficiente para justificar a glosa de valores destinados a ajustar a valor presente as obrigações decorrentes de plano de benefícios concedidos a ex-empregados e pagos diretamente pela empresa patrocinadora. ATUALIZAÇÃO DE DEPÓSITOS JUDICIAIS. As variações monetárias ativas decorrentes de depósitos judiciais com a finalidade de suspender a exigibilidade do crédito tributário devem compor o resultado do exercício, segundo o regime de competência, salvo se demonstrado que as variações monetárias passivas incidentes sobre o tributo objeto dos depósitos não tenham sido computadas na apuração desse resultado (Súmula CARF nº 58). Na medida em que a contribuinte autuada nada argumentou no sentido de que as variações monetárias passivas não teriam sido computadas no resultado, a exigência exonerada na decisão sob reexame deve ser restabelecida. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. BALANÇOS DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. Descabe a multa isolada se há tributo exigido com multa de ofício pela mesma infração. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 1101-000.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, na sessão de 08 de agosto de 2012, relativamente ao item 9 do relatório, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, votando pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro; e na sessão de 06 de novembro de 2012 em: 1) relativamente ao item 5 do relatório, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, votando pelas conclusões o Conselheiro Marcos Shigueo Takata; 2) relativamente ao item 1 do relatório, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário; 3) relativamente ao item 2 do relatório, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário; 4) relativamente ao item 3 do relatório, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 5) relativamente ao item 4 do relatório, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 6) relativamente ao item 6 do relatório, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 7) relativamente ao item 7 do relatório, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 8) relativamente ao item 8 do relatório, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 9) relativamente ao item 9 do relatório, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, divergindo o Conselheiro José Ricardo da Silva; 10) relativamente ao item 10.a do relatório, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, vencida a Conselheira Relatora Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelo Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que davam provimento parcial ao recurso voluntário e davam provimento ao recurso de ofício; 11) relativamente ao item 10.c do relatório, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; e 12) relativamente ao item 10.d do relatório, por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Marcos Shigueo Takata e José Ricardo da Silva. Designado para redigir o voto vencedor relativamente ao item 10.a do relatório o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior. Declarou-se impedida a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituída pelo Conselheiro Marcos Shigueo Takata em ambas as sessões. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Marcos Shigueo Takata.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA

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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007 GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS. BASE NEGATIVA ORIGINÁRIA DESCONSTITUÍDA EM RAZÃO DO LANÇAMENTO. INSUFICIÊNCIA DE BASE NEGATIVA PARA COMPENSAÇÃO FUTURA. Deve ser cancelada a exigência se a autoridade lançadora não demonstra o motivo da insuficiência das bases negativas utilizadas em compensação no período autuado. PROVISÕES. INDEDUTIBILIDADE. Devem ser adicionadas ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, as provisões cuja dedução não é autorizada pela legislação tributária. Cancela-se a exigência apenas na parte em que os valores glosados estão comprovadamente vinculados a despesas efetivas no período fiscalizado. DESPESAS FINANCEIRAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Alegações acerca da natureza dos valores contabilizados não são hábeis a justificar a sua dedução na apuração do lucro tributável. É indispensável a apresentação de documentos que permitam correlacionar os fatos ocorridos com as despesas registradas na contabilidade. OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS. DIFERENÇAS EM SISTEMAS OPERACIONAIS. Somente podem afetar o lucro tributável os ajustes contábeis cuja causa e necessidade sejam devidamente comprovados pelo sujeito passivo. JUROS SOBRE PASSIVO ATUARIAL. A constatação de que a despesa corresponde à provisão de obrigações na contabilidade é insuficiente para justificar a glosa de valores destinados a ajustar a valor presente as obrigações decorrentes de plano de benefícios concedidos a ex-empregados e pagos diretamente pela empresa patrocinadora. ATUALIZAÇÃO DE DEPÓSITOS JUDICIAIS. As variações monetárias ativas decorrentes de depósitos judiciais com a finalidade de suspender a exigibilidade do crédito tributário devem compor o resultado do exercício, segundo o regime de competência, salvo se demonstrado que as variações monetárias passivas incidentes sobre o tributo objeto dos depósitos não tenham sido computadas na apuração desse resultado (Súmula CARF nº 58). Na medida em que a contribuinte autuada nada argumentou no sentido de que as variações monetárias passivas não teriam sido computadas no resultado, a exigência exonerada na decisão sob reexame deve ser restabelecida. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. BALANÇOS DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. Descabe a multa isolada se há tributo exigido com multa de ofício pela mesma infração. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.

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secao_s : Primeira Seção de Julgamento

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, na sessão de 08 de agosto de 2012, relativamente ao item 9 do relatório, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, votando pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro; e na sessão de 06 de novembro de 2012 em: 1) relativamente ao item 5 do relatório, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, votando pelas conclusões o Conselheiro Marcos Shigueo Takata; 2) relativamente ao item 1 do relatório, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário; 3) relativamente ao item 2 do relatório, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário; 4) relativamente ao item 3 do relatório, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 5) relativamente ao item 4 do relatório, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 6) relativamente ao item 6 do relatório, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 7) relativamente ao item 7 do relatório, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 8) relativamente ao item 8 do relatório, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 9) relativamente ao item 9 do relatório, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, divergindo o Conselheiro José Ricardo da Silva; 10) relativamente ao item 10.a do relatório, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, vencida a Conselheira Relatora Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelo Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que davam provimento parcial ao recurso voluntário e davam provimento ao recurso de ofício; 11) relativamente ao item 10.c do relatório, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; e 12) relativamente ao item 10.d do relatório, por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Marcos Shigueo Takata e José Ricardo da Silva. Designado para redigir o voto vencedor relativamente ao item 10.a do relatório o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior. Declarou-se impedida a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituída pelo Conselheiro Marcos Shigueo Takata em ambas as sessões. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Marcos Shigueo Takata.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 97; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2700; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C1T1  Fl. 4.310          1 4.309  S1­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16327.001397/2009­51  Recurso nº             De Ofício e Voluntário  Acórdão nº  1101­000.824  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  06 de novembro de 2012  Matéria  IRPJ/CSLL ­ Glosa de despesas e outros  Recorrentes  BANCO SANTANDER BRASIL S/A              FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2004  RECEBIMENTOS “ESCROW”. Cancela­se a exigência se a acusação fiscal  não  aborda  aspectos  relevantes  dos  fatos  que  deram  ensejo  aos  registros  contábeis  dos  quais  foram  extraídas  os  créditos  classificados  como  receitas  tributáveis,  especialmente  no  que  tange  à  titularidade  destes  créditos  e  ao  fluxo contábil das demais operações a eles vinculadas.  DESCONTOS  EM  OPERAÇÕES  DE  CRÉDITO.  REQUISITOS  PARA  DEDUTIBILIDADE. Os descontos em operações de crédito submetem­se às  regras  para  dedução  de  perdas  no  recebimento  de  créditos,  sendo  indispensável,  para  eventual  glosa,  a  prévia  intimação  da  contribuinte  para  comprovação do atendimento aos requisitos legais.  PROVISÕES.  INDEDUTIBILIDADE.  Devem  ser  adicionadas  ao  lucro  líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, as  provisões cuja dedução não é autorizada pela legislação tributária. Cancela­se  a  exigência  apenas  na  parte  em  que  os  valores  glosados  estão  comprovadamente vinculados a despesas efetivas no período fiscalizado.  DESPESAS  FINANCEIRAS.  FALTA  DE  COMPROVAÇÃO.  Alegações  acerca da natureza dos valores contabilizados não são hábeis a justificar a sua  dedução na apuração do  lucro  tributável. É  indispensável a apresentação de  documentos que permitam correlacionar os  fatos ocorridos com as despesas  registradas na contabilidade.  OUTRAS  DESPESAS  OPERACIONAIS.  DIFERENÇAS  EM  SISTEMAS  OPERACIONAIS.  Somente  podem  afetar  o  lucro  tributável  os  ajustes  contábeis  cuja  causa  e  necessidade  sejam  devidamente  comprovados  pelo  sujeito passivo.  JUROS  SOBRE  PASSIVO  ATUARIAL.  A  constatação  de  que  a  despesa  corresponde  à  provisão  de  obrigações  na  contabilidade  é  insuficiente  para  justificar  a  glosa  de  valores  destinados  a  ajustar  a  valor  presente  as     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 97 /2 00 9- 51 Fl. 4438DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.311          2 obrigações decorrentes de plano de benefícios concedidos a ex­empregados e  pagos diretamente pela empresa patrocinadora.  ATUALIZAÇÃO  DE  DEPÓSITOS  JUDICIAIS.  As  variações  monetárias  ativas  decorrentes  de  depósitos  judiciais  com  a  finalidade  de  suspender  a  exigibilidade  do  crédito  tributário  devem  compor  o  resultado  do  exercício,  segundo  o  regime  de  competência,  salvo  se  demonstrado  que  as  variações  monetárias  passivas  incidentes  sobre  o  tributo  objeto  dos  depósitos  não  tenham sido computadas na apuração desse resultado (Súmula CARF nº 58).  Na medida em que a contribuinte autuada nada argumentou no sentido de que  as variações monetárias passivas não teriam sido computadas no resultado, a  exigência exonerada na decisão sob reexame deve ser restabelecida.  MULTA  ISOLADA.  ESTIMATIVAS  NÃO  RECOLHIDAS.  BALANÇOS  DE  SUSPENSÃO OU  REDUÇÃO.  Descabe  a  multa  isolada  se  há  tributo  exigido com multa de ofício pela mesma infração.  JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA  DE  OFÍCIO.  CABIMENTO.  A  obrigação  tributária  principal  compreende  tributo  e  multa  de  oficio  proporcional.  Sobre  o  crédito  tributário  constituído,  incluindo  a  multa  de  oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 2007  GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS.   BASE NEGATIVA  ORIGINÁRIA DESCONSTITUÍDA  EM RAZÃO  DO  LANÇAMENTO.  INSUFICIÊNCIA  DE  BASE  NEGATIVA  PARA  COMPENSAÇÃO FUTURA. Deve ser cancelada a exigência se a autoridade  lançadora  não  demonstra  o  motivo  da  insuficiência  das  bases  negativas  utilizadas em compensação no período autuado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  na  sessão  de  08  de  agosto  de  2012,  relativamente ao item 9 do relatório, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao  recurso  voluntário,  votando  pelas  conclusões  o  Conselheiro  Carlos  Eduardo  de  Almeida  Guerreiro;  e  na  sessão  de  06  de  novembro  de  2012  em:  1)  relativamente  ao  item  5  do  relatório,  por  unanimidade  de  votos,  DAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário,  votando  pelas  conclusões  o  Conselheiro  Marcos  Shigueo  Takata;  2)  relativamente  ao  item  1  do  relatório, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário;  3)  relativamente  ao  item  2  do  relatório,  por  unanimidade  de  votos,  DAR  PROVIMENTO  PARCIAL ao recurso voluntário; 4) relativamente ao item 3 do relatório, por unanimidade de  votos,  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário;  5)  relativamente  ao  item  4  do  relatório,  por  unanimidade  de  votos  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário;  6)  relativamente ao item 6 do relatório, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao  recurso  voluntário;  7)  relativamente  ao  item  7  do  relatório,  por  unanimidade  de  votos,  NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 8) relativamente ao  item 8 do relatório, por  unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 9) relativamente ao item 9  do relatório, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, divergindo o  Conselheiro José Ricardo da Silva; 10) relativamente ao item 10.a do relatório, por maioria de  Fl. 4439DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.312          3 votos, DAR PROVIMENTO ao  recurso voluntário e NEGAR PROVIMENTO ao  recurso de  ofício,  vencida  a  Conselheira  Relatora  Edeli  Pereira  Bessa,  acompanhada  pelo  Conselheiro  Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que davam provimento parcial ao recurso voluntário e  davam  provimento  ao  recurso  de  ofício;  11)  relativamente  ao  item  10.c  do  relatório,  por  unanimidade  de  votos,  DAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário;  e  12)  relativamente  ao  item 10.d do relatório, por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário,  divergindo  os  Conselheiros  Benedicto  Celso  Benício  Júnior, Marcos  Shigueo  Takata  e  José  Ricardo  da  Silva.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  relativamente  ao  item  10.a  do  relatório o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior. Declarou­se impedida a Conselheira  Nara Cristina Takeda Taga, substituída pelo Conselheiro Marcos Shigueo Takata em ambas as  sessões.   (documento assinado digitalmente)  VALMAR FONSECA DE MENEZES ­ Presidente.   (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA ­ Relatora  (documento assinado digitalmente)  BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR ­ Redator designado.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Valmar  Fonseca  de  Menezes  (presidente da  turma),  José Ricardo da Silva (vice­presidente), Edeli Pereira Bessa,  Benedicto  Celso  Benício  Júnior,  Carlos  Eduardo  de  Almeida  Guerreiro  e  Marcos  Shigueo  Takata.  Fl. 4440DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.313          4   Relatório  BANCO SANTANDER BRASIL S/A,  já  qualificado  nos  autos,  recorre  de  decisão proferida pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo –  I que, por unanimidade de votos, julgou PROCEDENTE EM PARTE a impugnação interposta  contra lançamento formalizado em 22/12/2009, exigindo crédito tributário no valor total de R$  111.244.738,07.  A autoridade lançadora promoveu ajustes à apuração do lucro real e da base  de cálculo da CSLL no ano­calendário 2004, revertendo para lucro os prejuízos/bases negativas  inicialmente declarados,  e  também reconstituindo a apuração de  estimativas mensais daquele  período. Registrou, ainda, que a base de cálculo negativa de CSLL originalmente apurada pela  contribuinte  já  havia  sido  aproveitada  no  ano­calendário  2007,  promovendo  a  glosa  correspondente.  Os documentos reunidos durante o procedimento fiscal integram os volumes  1 a 5 (fls. 1/921) e resultaram na constatação das infrações pontuadas um pouco mais abaixo,  enumeradas na forma em que serão tratadas nestes relatório e voto.   A  impugnação  foi  acompanhada  pelos  documentos  de  fls.  1001/1353.  Concluindo  a  análise  da  impugnação,  a  autoridade  julgadora  de  1a  instância  exonerou  parcialmente o crédito tributário exigido, submetendo tal decisão a reexame necessário, porque  ultrapassado o limite fixado na Portaria MF nº 3/2008 (fls. 1367/1440). As exonerações serão  resumidas abaixo, na indicação sintética das infrações aqui tratadas:  1.  PROVISÃO  PARA  CONTINGÊNCIAS  TRABALHISTAS:  valor  tributável de R$ 40.500.255,68, mantido integralmente;  2.  PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS CÍVEIS: valor  tributável de R$  2.579.643,92, mantido integralmente;  3.  PROVISÃO  PARA  PERDAS  DE  TARIFAS  A  RECEBER:  valor  tributável de R$ 2.175.309,03, mantido integralmente;  4.  DESPESAS  DE  OUTRAS  PROVISÕES:  valor  tributável  de  R$  3.189.772,66, mantido integralmente;  5.  DESCONTOS EM OPERAÇÕES DE CRÉDITO: valor tributável de R$  12.487.267,53, mantido integralmente;  6.  DESPESAS  COM  REMUNERAÇÃO  DE  INTERVENIÊNCIA  DE  TERCEIROS  –  SISTEMA  “EN”:  valor  tributável  de  R$  6.357.601,86,  mantido integralmente;  7.  DESPESAS AUTORIZADAS PARA RESULTADO DAS AGÊNCIAS:  valor tributável de R$ 2.134.716,19, mantido integralmente;  Fl. 4441DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.314          5 8.  JUROS  SOBRE  PASSIVO  ATUARIAL:  valor  tributável  de  R$  28.371.000,00, mantido integralmente;  9.  RECEBIMENTOS  ESCROW:  valor  tributável  de  R$  135.191.120,86,  mantido integralmente;   10. OUTRAS  EXCLUSÕES  –  ATUALIZAÇÃO  DE  DEPÓSITOS  JUDICIAIS:  valor  tributável  de  R$  7.339.747,13,  cancelado  integralmente;  11. DECORRÊNCIAS:   a.  Apuração  de  estimativas  de  IRPJ  e  CSLL  não  recolhidas  nos  meses de janeiro/2004 e de março/2004 a junho/2004, resultando  em aplicação de multa de ofício isolada, reduzida na proporção da  exclusão da base tributável de R$ 7.339.747,13;  b.  Desconstituição das apurações originais de prejuízo fiscal no valor  de R$ 141.403.442,49 e da base de cálculo negativa no valor de  R$ 140.868.403,66, não  afetada pela  exclusão da base  tributável  de R$ 7.339.747,13;  c.  Compensação  indevida  de base de cálculo negativa de CSLL no  ano­calendário 2007, no valor de R$ 197.304.251,95, não afetada  pela  exclusão  da  base  tributável  de  R$  7.339.747,13,  dada  a  desconstituição  de  bases  negativas  de  2006  por  lançamentos  posteriores.  d.  Juros de Mora.  A contribuinte foi cientificada da decisão de 1a  instância em 16/09/2010 (fl.  1446)  e  interpôs  recurso  voluntário,  tempestivamente,  em  15/10/2010  (fls.  1449/1549),  acompanhado  dos  documentos  de  fls.  1550/4135.  Consta  dos  autos,  também,  que  em  27/10/2010  a  contribuinte  apresentou  outros  documentos  para  complementar  sua  defesa  (fls.  4136/4226)  os  quais  foram  acompanhados  dos  instrumentos  de  mandato  dos  signatários  da  defesa, bem como que a Procuradoria da Fazenda Nacional formulou contrarrazões ao recurso  voluntário  (fls.  4229/4307). Não  foram  apresentadas  razões  para  acolhimento  do  recurso  de  ofício.  No  Termo  de  Verificação  Fiscal,  a  autoridade  lançadora,  para  que  não  restassem  dúvidas  quanto  ao  seu  esforço  em  obter  as  informações  e  a  documentação  probatória  pertinente,  apresentou  um  histórico  com  as  intimações  e  respostas  da  empresa,  constando  na  seqüência  a  análise  particularizada  das  infrações.  Ao  final  desta  introdução,  observou  que  foram  lavrados  19  termos  com  intimações  e  sucessivas  reintimações,  formalizadas ao longo de aproximadamente um ano e meio, de modo que o contribuinte dispôs  de  plenas  condições  para  a  apresentação  de  documentação  comprobatória  dos  temas  fiscalizados,  todavia,  em  diversas  oportunidades  foram  apresentadas  simples  alegações  ou  informações desprovidas de capacidade probatória.  Na decisão recorrida e sob reexame, além da análise do mérito de cada uma  das infrações, que será relatada juntamente com os fundamentos do lançamento, os argumentos  Fl. 4442DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.315          6 trazidos  no  recurso  voluntário  e  a  abordagem  contida  nas  contrarrazões  da  Procuradoria  da  Fazenda Nacional, consta que:  · O  requerimento  de  diligência  apresentado  pela  impugnante  não  especificou quesitos, além de pretender a comprovação da efetividade  de despesas, em que pese a Fiscalização tenha intimado e reintimado  a contribuinte a fazê­lo, e o Decreto nº 70.235/72 fixe a impugnação  como momento para apresentação de provas documentais.  · Consoante  doutrina,  a  escrituração  presta­se  como  prova  se  o  fato  estiver  registrado  regularmente;  as  despesas,  para  serem dedutíveis,  devem  estar  comprovadas;  e  reduções,  exclusões,  suspensão  ou  extinção do crédito tributário devem ser provados pelo contribuinte.  · Ao Fisco somente cabe o ônus de provar a  inveracidade de registros  contábeis se estes estiverem pautados em documentação  idônea, que  espelhe a realidade dos fatos e a situação patrimonial da empresa. O  sujeito passivo tem a obrigação não só de manter a escrituração com  observância da legislação comercial e fiscal, como também a guarda  dos  documentos  a  ela  pertinentes.  Na  falta  da  documentação  de  suporte  dos  lançamentos,  fica  o  Fisco  autorizado  a  desconsiderar  a  escrituração.   No recurso voluntário, a recorrente inicialmente argúi a nulidade da decisão  recorrida, por inovação do critério jurídico especificamente em relação à infração de descontos  em operações de crédito, e por ausência de fundamentação no que diz respeito à manutenção  desta mesma  glosa, motivo  pelo  qual  esta  preliminar  será  relatada  juntamente  com o mérito  desta infração.  Nas  contrarrazões,  a  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  aborda,  preliminarmente,  a preclusão do direito  à  apresentação de provas documentais,  na media  em  que,  no  presente  caso, não  se  comprovou  a  impossibilidade  de  apresentação  oportuna  ou  a  existência  de  fato  superveniente,  bem  como  se  opõe  à  arguição  de  nulidade  do  acórdão  recorrido, aspecto que será tratado na infração correspondente.  Os demais argumentos de mérito  trazidos no  recurso voluntário, bem como  nas  contrarrazões  da  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional,  serão  relatados  na  seqüência  da  descrição dos fundamentos da autuação e da decisão recorrida, individualizados por grupo de  infrações constatadas, como antes sintetizado.   1.  PROVISÃO  PARA  CONTINGÊNCIAS  TRABALHISTAS  (valor  tributável  de  R$  40.500.255,68)  A  autoridade  julgadora  assim  sintetiza  a  exposição  dos  fatos  e  a  argumentação jurídica que constam do Termo de Verificação Fiscal:  ­  a  contribuinte declarou na Ficha 05/Linha 30­  "Outras Despesas Operacionais"  da  DIPJ­  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  referente  ao  ano­calendário  de  2004  o  valor  de  R$  289.037.330,08.  Intimada  a  detalhar as "Outras Despesas Operacionais", apresentou inicialmente a planilha de  fls.  15  e  posteriormente  a  planilha  de  fls.  18,  detalhando  a  composição  da  conta  Fl. 4443DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.316          7 COSIF  8.1.9.99.00­6­  OUTRAS  DESPESAS  OPERACIONAIS.  Nessa  última  planilha,  consta na  conta  interna 946121 o  valor de R$ 53.864.838,35 a  título de  "DESP PROV CONTINGÊNCIAS TRABALHISTAS";  ­ intimada a detalhar as "Outras Adições" (Ficha 09/Linha 20 da DIPJ), a empresa  apresentou  a  planilha  de  fls.  30,  na  qual  consta  que,  em  relação  à  provisão  em  pauta, a empresa adicionou apenas a variação entre dezembro de 2003 e dezembro  de 2004 da conta 49935105, no valor de R$10.130.268,86;  ­  Para  tentar  esclarecer  a  diferença  entre  o  valor  efetivamente  adicionado  (R$10.130.268,86)  e  o  valor  que  deveria  ter  sido  adicionado,  correspondente  ao  valor  deduzido  a  título  de  provisão  para  contingências  trabalhistas  (R$  53.864.838,35), uma vez que tal provisão não é dedutível, a empresa apresentou, na  planilha de fl. 68, a informação de que o valor de R$ 43.734.569,49 se trataria de  "Pagamento  de  processo  com  ações  trabalhistas  (segue  razão  das  contas)".  Foi  apresentado  no  documento  de  fl.  59  o  fluxo  contábil  utilizado,  afirmando  a  contribuinte  que  "o  valor  de  R$  43.734.569,49  (movimentação  das  contas  de  provisão  e  de  despesa  trabalhista)  é  oriundo  do  fluxo  contábil  acima  (item  c)  e  refere­se a pagamento de ações trabalhistas demonstrado conforme planilha anexa  e  extrato  contábil  das  contas".  Posteriormente,  a  empresa  apresentou  (fls.  253)  razões contábeis para demonstrar "os lançamentos efetuados no fluxo contábil das  provisões trabalhistas";  ­ Nos Termos de intimação nºs 14 a 19 a contribuinte foi  intimada e reintimada a  justificar  a  diferença  em  pauta  e  a  apresentar  documentação  comprobatória  das  referidas  despesas,  incluindo  o  detalhamento  das  despesas  deduzidas  com  data,  valor, histórico e CPF ou CNPJ do beneficiário;  ­ Em resposta aos referidos termos, foram apresentados os documentos de fls. 87 a  111, que consistem em uma planilha totalizadora (fls. 87) e em relações mensais de  pagamentos  efetuados,  com  data,  reclamante,  processo,  vara/comarca,  evento  e  saldo.  2.1.1.  Quanto  ao  direito,  o  autuante  apresenta  o  conceito  de  provisões  extraído  do"Manual  de  Contabilidade  das  Sociedades  por  Ações"  da  FIPECAFI,  para  concluir que  enquanto as despesas  incorridas  já  se concretizaram e  são definidas  com relação ao seu valor, as provisões correspondem a uma expectativa de gasto e  são incertas quanto ao seu valor. Somente à medida em que tais perdas tornam­se  totalmente definidas, deixam de ser consideradas provisões. A seguir transcreve os  artigos 249, 335, 336, 337 e 338 do RIR/1999 (Decreto nº 3.000/1999), pertinentes  ao tratamento tributário dispensados às provisões.  2.1.2.  Relativamente  às  constatações  que motivam  o  lançamento,  o  auditor  fiscal  aponta que, em resposta às intimações, foram apresentados os documentos de fls. 87  a  111  que  consistem  numa  planilha  totalizadora  e  em  relações  mensais  de  pagamento  com  data,  reclamante,  processo,  vara/comarca,  evento  e  saldo.  E  adverte  que  nas  intimações  foi  solicitada  “documentação  comprobatória  ...  incluindo planilha”, ou seja, embora tal planilha consista em uma referência para a  documentação probatória, não se confunde com ela, sendo apenas parte da mesma.  Explica, ainda, que:  ▫  a  título  de  documentação  probatória,  a  empresa  apresentou  documentos  relacionados no quadro de fls. 176, no valor de R$ 7.173.239,20, frente a um total  de  R$  43.734.569,49  que  a  empresa  alega  tratar­se  de  pagamento  de  ações  trabalhistas. O  termo amostragem, utilizado pela contribuinte para os documentos  fornecidos,  não  é  adequado,  pois  se  trata  dos  únicos  documentos  por  ela  Fl. 4444DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.317          8 apresentados  frente  ao  universo  solicitado,  muito  mais  abrangente,  e  não  de  documentos  que  correspondam  integralmente  à  solicitação  de  uma  amostra  específica pela fiscalização, o que caracterizaria "amostragem";  ▫ não há como prescindirmos da totalidade da documentação probatória do valor de  R$  43.734.569,49,  dado  que  seu  número  permite  o  exame  e  o  valor  envolvido  o  justifica.  Dessa  forma,  ainda  que  os  documentos  apresentados  justificassem  os  correspondentes  dispêndios  (R$  7.173.239,20),  não  teriam  o  condão  de  validar  o  valor total deduzido pela empresa (R$ 43.734.569,49);  ▫ Em exame individualizado, validamos parcialmente a documentação apresentada  pela empresa (fls. 178/242) para justificar a dedução efetuada. O critério utilizado  foi  o  de  que  o  documento  demonstrasse  tratar­se  de despesa  efetiva,  com o  valor  perfeitamente  definido,  e  não  de  simples  expectativa  de  perda.  Caso  contrário,  ainda  que  exista  depósito  judicial,  trata­se  de  garantia  processual  ou  recursal,  atendendo  ao  conceito  de  provisão,  que  é  indedutível,  conforme  fundamentação  jurídica  apresentada  no  item  "DO DIREITO"  (exemplifica  à  fl.  849  caso  em  que  parte  do  depósito  judicial  caracterizou  despesa  e  caso  em  que  o  depósito  isoladamente considerado caracteriza, no máximo, garantia processual);  ▫ Foram validados os documentos relativos aos reclamantes relacionados em tabela  abaixo  do  parágrafo  31  do  TV,  às  fls.  849/850,  cuja  soma  dos  valores  perfaz R$  3.234.313,81;  ▫ Resta demonstrado que não foram atendidos os requisitos legais na dedução de R$  53.864.838,35, efetuada pela contribuinte na Linha 30 da Ficha 05 da DIPJ, a título  de  "DESP  PROV  CONTINGENCIAS  TRABALHISTAS",  com  a  correspondente  adição  nas  Fichas  09  e  17  da  DIPJ  de  apenas  R$  10.130.268,86.  Restando  R$  43.734.569,49  de  adição  não  efetuada  a  justificar  e  comprovar.  A  contribuinte  apresentou  justificativa  e  documentação  comprobatória  para  o  valor  de  R$  3.234.313,81,  do  que  se  conclui  que  R$  40.500.255,68  que  deveriam  ter  sido  adicionados  nas  Fichas  09  e  17  da  DIPJ  não  o  foram,  reduzindo  assim,  indevidamente  e  nesse  valor,  as  bases  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL  do  ano­ calendário  de  2004.  Pelo  exposto,  cabe  a  formalização  dos  correspondentes  lançamentos tributários nos autos de infração anexos. dos quais o presente termo de  verificação é parte integrante;  Ante  as  alegações  da  impugnante  de  que  os  valores  glosados  corresponderiam  a montantes  efetivamente  despendidos  e  que  os  documentos  apresentados  durante o procedimento de fiscalização estariam, assim, a comprovar a dedutibilidade dessas  despesas nos  termos do artigo 299 do RIR/99,  inclusive porque depositados  judicialmente, e  tendo em conta o pedido de diligência em face da apresentação de planilha com o número de  todas as reclamações trabalhistas que geraram as despesas no ano­base de 2004, bem como a  indicação dos eventos correspondentes a cada dispêndio, a autoridade julgadora observou que  a  contribuinte  apresenta  os  mesmos  argumentos  e  pauta­se  na  mesma  documentação  apresentada  na  fase  de  fiscalização,  e  recordou  os  dispositivos  do  RIR/99  que  vedam  a  dedução de provisões na apuração da base tributável do IRPJ e da CSLL, exceto nas hipóteses  específicas  previstas  em  lei,  e  reafirmou  a  necessidade  de  que  a  despesa  seja  efetiva  para  tornar­se dedutível.   Destacando o zelo do auditor fiscal autuante em apurar a diferença entre os  valores  das  provisões  e  os  valores  adicionados  ao  lucro  tributável,  bem  como na busca  das  justificativas  e  da  documentação  que  amparasse  a  dedução  das  provisões  em  comento,  transcreveu excertos do Termo de Verificação Fiscal nos quais a autoridade lançadora firma a  Fl. 4445DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.318          9 necessidade de apresentação dos documentos de  suporte de  todas as operações questionadas,  valida parcialmente a dedução promovida, em face dos elementos apresentados pela empresa, e  rejeita esta dedução ainda que exista depósito judicial, pois trata­se de garantia processual ou  recursal, atendendo ao conceito de provisão, que é indedutível.  De  outro  lado,  registrou  que  a  fiscalizada  trouxe  apenas  parte  da  documentação  solicitada  e  as  justificativas  apresentadas  não  encontram  respaldo  na  legislação de regência do IRPJ e da CSLL para que se procedesse à dedução pretendida. E,  quanto aos depósitos judiciais, aduziu que embora correspondam a desembolsos (retirada de  valores do Caixa), não se consubstanciam em despesas porquanto o valor da dívida não está  ainda  totalmente  definido,  aliás,  em  muitos  casos,  nem  está  definido  que  o  resultado  do  julgamento judicial resultará em dívida para a contribuinte (ela poderá ser vencedora na lide  judicial), mantendo, assim, seu caráter de provisão. Daí a manutenção da glosa vinculada a este  item.  Em  recurso  voluntário,  a  contribuinte  novamente  afirma  que  os  valores  glosados  corresponderiam  a  montantes  efetivamente  despendidos  consoante  demonstrado  e  comprovado por meio dos documentos apresentados durante o procedimento fiscal. Concorda  que  são  registrados  como  provisão  os  valores  referentes  às  obrigações  que,  muito  embora  sejam  condicionais  e  inexigíveis,  têm  ocorrência  provável,  e  assevera  que  registrou  em  sua  contabilidade provisões para contingências trabalhistas e cíveis, mas aduz ter comprovado e  demonstrado  que  não  houve  qualquer  exclusão  indevida,  já  que  os  valores  deduzidos  corresponderam  às  sucumbências  definitivas  nos  referidos  processos  judiciais,  que  foram  pagas aos reclamantes/autores.  Acrescenta que deduziu como despesas, na  apuração do  lucro  tributável,  os  pagamentos de  indenizações  trabalhistas em face de decisões  judiciais definitivas, bem como  nos casos em que foi necessária a realização de depósitos judiciais dos montantes discutidos.  A  retirada  de  valores  do  “caixa”  e  sua  disponibilização  em  contas  do  Tesouro  Nacional  representaria despesa efetiva.   Discorda  da  autoridade  julgadora,  que  afirmou  não  ter  sido  juntado  prova  capaz de afastar o lançamento, na medida em que foi apresentado à Fiscalização, nas respostas  de  12/11/2009,  19/11/2009  e  27/10/2009,  cópia  de  vários  processos  judiciais,  com  as  respectivas decisões, homologações, acordos,  comprovantes de pagamento, comprovantes de  depósito,  etc.  Inclusive,  foi  apresentada  planilha  com  informações  de  todas  as  reclamações  trabalhistas que geraram despesas em 2004, permitindo à Fiscalização diligenciar perante os  respectivos foros/cartórios, para confirmar as sucumbências que deram origem às despesas. A  autoridade  fiscal,  porém,  teria  agido  de  forma  arbitrária,  por  presunção,  sem  a  devida  investigação.  Reconhece que  seria extremamente difícil  obter  o  comprovante de  todos os  pagamentos e depósitos realizados, e por isso requereu a determinação de diligências para tais  confirmações e protestou pela juntada posterior de provas. Mas tais pedidos foram indeferidos  na decisão recorrida, escorado no art. 16, §4o do Decreto nº 70.235/72, em ofensa ao princípio  da verdade material. Cita doutrina e jurisprudência favoráveis a seu entendimento.  Invoca,  também,  os  princípios  da  oficialidade,  da  legalidade  e  a  autotutela  assegurada  à  Administração  Pública,  para  ressaltar  a  importância  da  diligência,  na  qual  certamente  comprovar­se­iam  que  os  montantes  deduzidos  representação  efetivas  despesas  decorrentes das diversas ações trabalhistas, nas quais a Recorrente é parte.  Fl. 4446DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.319          10 Pede,  assim,  a  reforma da decisão  recorrida  e o  cancelamento dos  autos de  infração.  Às  fls.  2233  (constante  do  volume  12,  pois  há  também  folha  com  este  número no volume 11)/3758 constam documentos capeados sob o título Contingências Cíveis e  Trabalhistas,  consistentes  em  relações  numeradas  de  1  a  5,  sem  título,  e  demonstrativos  intitulados “Indenizações Trabalhistas”, indicativos dos meses de janeiro a março/2004, maio a  agosto/2004, outubro/2004 e novembro/2004, as quais apontam o beneficiário e o valor pago,  seguidas de documentos que se referem aos beneficiários antes listados.   Observa  a  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  que  é  ônus  do  contribuinte  produzir  prova  de  que  as  provisões  não  dedutíveis  tornaram­se  perdas  efetivas  e  que  elas  atendem aos requisitos do artigo 299 do RIR/99. No que tange às contingências trabalhistas, a  contribuinte produziu apenas prova por amostragem, e do exame dos documentos apresentados  a  Fiscalização  convalidou  apenas  parte  das  operações.  Entende  inadmissível  a  prova  por  amostragem, e a tentativa de impor ao Fisco diligências para reunião dos elementos faltantes.  E, quanto, à exigüidade do tempo, recordou a regra processual que permite a juntada posterior  das provas, quando demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo  de força maior, preferindo a interessada manter­se inerte para, em recurso, juntar documentos  de forma injustificada. Por fim, acrescentou a insuficiência do Livro Razão como prova, se não  acompanhado da documentação que lhe deu suporte.    2.  PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS CÍVEIS (valor tributável de R$ 2.579.643,92)  A  autoridade  julgadora  assim  sintetiza  a  exposição  dos  fatos  e  a  argumentação jurídica que constam do Termo de Verificação Fiscal:  ­  a  contribuinte declarou na Ficha 05/Linha 30­  "Outras Despesas Operacionais"  da  DIPJ­  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  referente  ao  ano­calendário  de  2004  o  valor  de  R$  289.037.330,08.  Intimada  a  detalhar as "Outras Despesas Operacionais", apresentou inicialmente a planilha de  fls.  15  e  posteriormente  a  planilha  de  fls.  18,  detalhando  a  composição  da  conta  COSIF  8.1.9.99.00­6­  OUTRAS  DESPESAS  OPERACIONAIS.  Nessa  última  planilha. pode­se observar na conta interna 946123 o valor de R$ 71.072.756,35 a  título de "DESP PROV CONTINGENCIAS CÍVEIS";  ­ intimada a detalhar as "Outras Adições" (Ficha 09/Linha 20 da DIPJ), a empresa  apresentou a planilha de fls. 30, na qual consta que em relação à provisão em pauta  a empresa adicionou R$ 52.335.144,88, que é parte da variação entre dezembro de  2003  e  dezembro  de  2004  da  conta  49935909­  subconta  677681,  no  valor  R$  55.162.206,19 A diferença corresponde a duas variações negativas de provisão: R$  1.412.660,96 na subconta 677687­ FGTS DIFERENCIAL P COB PL ECONOMIC e  R$ 1.414.400,35 na subconta 677698­ PROV ASSALTOS/GOLPES­PENDÊNCIAS;  ­  Nos  Termos  de  Intimação  nºs  14  a  19,  a  empresa  foi  intimada  e  reintimada  a  justificar a diferença entre o valor da Provisão para Contingências Cíveis deduzido  na Ficha  05  da DIPJ  (R$  71.072.756,35­  conta  81999006/  subconta  946123)  e  a  respectiva  adição  efetuada  na  Ficha  09,  com  apresentação  de  documentação  comprobatória.  Como  justificativa  para  a  diferença  entre  o  valor  adicionado  na  Ficha  09  (R$  52.335.144,88)  e  o  valor  que  deveria  ter  sido  adicionado,  que  corresponde ao valor deduzido a título de provisão para contingências cíveis, uma  Fl. 4447DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.320          11 vez que tal provisão não é dedutível, a empresa apresentou justificativa na planilha  de fls. 69, posteriormente alterada em virtude de duplicidade na utilização do valor  de R$ 8.269.811,53. Foram apresentadas novas planilhas (fls. 133 e 248/249), nas  quais  observa­se  que  a  diferença  entre  o  valor  deduzido  (R$  71.072.756,35)  e  o  valor  de  R$  58.958.254,70  refere­se  a  uma  REVERSÃO  DE  PROVISÃO  CONTINGÊNCIA CíVEL no valor de R$ 12.114.501,65, que  transitou por  receita  (conta  7.1.9.90.99­8,  subconta  876294),  fez  parte  do  valor  declarado  na  Ficha  06/Linha 42 e não foi excluída na linha 22 da Ficha 09­ vide planilhas de fls. 48/49.  Por  sua  vez,  a  diferença  entre  o  valor  de  R$  58.958.254,70  e  o  valor  de  R$  55.162.206,19  (variação  entre  dezembro  de  2003  e  dezembro  de  2004  da  conta  49935909­  subconta  677681­  vide  item  anterior)  corresponde  a  R$  3.796.048,51,  que a empresa alega tratar­se de "Variações relativas a indenizações de processos  trabalhistas".  Posteriormente,  a  empresa  apresentou  (fls.  253)  razões  contábeis  para demonstrar "os lançamentos efetuados no fluxo contábil das provisões cíveis".  Desde já, esclareça­se que a alegação da contribuinte de que parcela da diferença  entre o valor deduzido a título de provisão e a respectiva adição corresponderiam a  despesas efetivas deve ser comprovada caso contrário, tal parcela da dedução terá  o tratamento de despesa de provisão tal como foi declarada em DIPJ;  ­ Em resposta aos referidos termos, foram apresentados ainda os documentos de fls.  112/132,  que  consistem  em  uma  planilha  totalizadora  onde  consta  o  valor  de  R$  3.796.048,51  e  em  relações  mensais  de  pagamentos  efetuados,  com  data,  reclamante, processo, vara/comarca, evento e saldo. Observe­se que nas intimações  consta  "documentação  comprobatória  ...  incluindo  planilha",  ou  seja,  embora  tal  planilha  consista  em  uma  referência  para  a  documentação  probatória,  não  se  confunde com a mesma. A título de documentação probatória, a empresa apresentou  documentos que serão objeto de análise no item "LANÇAMENTO".  2.2.1. Quanto ao direito, o autuante assinala serem válidos os mesmos fundamentos  jurídicos apresentados para a Provisão para Contingências Trabalhistas;  2.2.2.  Relativamente  às  constatações  que motivam  o  lançamento,  o  auditor  fiscal  aponta que, em resposta às  intimações,  foram apresentados os documentos de  fls.  112/132,  que  consistem  em  uma  planilha  totalizadora  (fls.  112)  e  em  relações  mensais de pagamentos efetuados, com data, reclamante, processo, vara/comarca,  evento  e  saldo.  E  adverte  que  nas  intimações  foi  solicitada  “documentação  comprobatória ... incluindo planilha”, ou seja, embora tal planilha consista em uma  referência para a documentação probatória, não se confunde com ela, sendo apenas  parte da mesma. Explica, ainda, que:  ▫  a  título  de  documentação  probatória,  a  empresa  apresentou  documentos  relacionados no quadro de fls. 254, que representam parcela (R$ 1.216.404,59) do  total  de  R$  3.796.048,51,  que  a  empresa  alega  tratar­se  de  pagamento  de  ações  trabalhistas/cíveis. O termo amostragem, utilizado pela contribuinte a fls. 253 para  os documentos fornecidos, não é adequado, pois se trata dos únicos documentos por  ele  apresentados  frente  ao  universo  solicitado,  muito  mais  abrangente,  e  não  de  documentos  que  correspondam  integralmente  à  solicitação  de  uma  amostra  específica pela fiscalização;  ▫ não há como prescindirmos da totalidade da documentação probatória do valor de  R$  43.734.569,49,  dado  que  seu  número  permite  o  exame  e  o  valor  envolvido  o  justifica.  Dessa  forma,  ainda  que  os  documentos  apresentados  justificassem  os  correspondentes  dispêndios  (R$  1.216.404,59),  não  teriam  o  condão  de  validar  o  valor total deduzido pela empresa;  Fl. 4448DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.321          12 ▫  Foi  efetuado  exame  individualizado  para  validar  a  documentação  apresentada  pela  empresa  (fls.  255/430)  e  justificar  a  correspondente  dedução  de  R$  1.216.404,59 efetuada. O critério utilizado foi o de que o documento demonstrasse  tratar­se de despesa efetiva, com o valor perfeitamente definido, e não de  simples  expectativa de perda. Caso contrário, ainda que exista depósito judicial, trata­se de  garantia processual, atendendo assim ao conceito de provisão, que é indedutível. De  acordo  com  esse  critério,  houve  a  validação  dos  documentos  relacionados  na  planilha de fls. 254, aos quais correspondem R$ 1.216.404,59. Do exposto, conclui­ se que resta o valor de R$ 2.579.643,92 sem justificativa e comprovação para sua  dedução.  ▫ Resta demonstrado que não foram atendidos os requisitos legais na dedução de R$  71.072.756,35, efetuada pela contribuinte na Linha 30 da Ficha 05 da DIPJ, a título  de  "DESP  PROV CONTINGENCIAS  CÍVEIS",  com  a  correspondente  adição  nas  Fichas 09 e 17 da DIPJ de apenas R$ 52.335.144,88. Restando R$18.737.611,47 de  adição  não  efetuada,  a  justificar  e  comprovar,  a  contribuinte  apresentou  justificativa e documentação comprobatória para os valores de R$ 1.412.660,96, R$  1.414.400,35, R$  12.114.501,65  e R$ 1.216.404,59,  totalizando R$ 16.157.967,55,  do  que  se  conclui  que  R$  2.579.643,92  que  deveriam  ter  sido  adicionados  nas  Fichas 09 e 17 da DIPJ não o foram, reduzindo assim, indevidamente e nesse valor,  as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do ano­calendário de 2004. Pelo exposto,  cabe  a  formalização  dos  correspondentes  lançamentos  tributários  nos  autos  de  infração anexos, dos quais o presente termo de verificação é parte integrante;  Frente à argumentação da defesa de que os valores glosados corresponderiam  a  montantes  efetivamente  despendidos  e  que  os  documentos  apresentados  durante  o  procedimento de fiscalização estariam, assim, a comprovar a dedutibilidade dessas despesas  nos  termos  do  artigo  299  do  RIR/99,  a  autoridade  julgadora  observou  que  a  contribuinte  apresenta os mesmos argumentos e pauta­se na mesma documentação apresentada na fase de  fiscalização,  e  recordou  os  dispositivos  do  RIR/99  que  vedam  a  dedução  de  provisões  na  apuração da base tributável do IRPJ e da CSLL, exceto nas hipóteses específicas previstas em  lei, e reafirmou a necessidade de que a despesa seja efetiva para tornar­se dedutível.   Destacando o zelo do auditor fiscal autuante em apurar a diferença entre os  valores  das  provisões  e  os  valores  adicionados  ao  lucro  tributável,  bem  como na busca  das  justificativas  e  da  documentação  que  amparasse  a  dedução  das  provisões  em  comento,  transcreveu excertos do Termo de Verificação Fiscal nos quais a autoridade lançadora firma a  necessidade de apresentação dos documentos de  suporte de  todas as operações questionadas,  valida parcialmente a dedução promovida, em face dos elementos apresentados pela empresa,  desde que o documento demonstrasse tratar­se de despesa efetiva, com o valor perfeitamente  definido, e não de simples expectativa de perda.  De  outro  lado,  registrou  que  a  fiscalizada  trouxe  apenas  parte  da  documentação  solicitada  e  as  justificativas  apresentadas  não  encontram  respaldo  na  legislação de regência do IRPJ e da CSLL para que se procedesse à dedução pretendida. Daí a  manutenção da glosa vinculada a este item.  Em  recurso  voluntário,  a  contribuinte  deduz  os  mesmos  argumentos  apresentados  contra  a  glosa  de  provisões  para  contingências  trabalhistas  e  pede,  também,  a  reforma da decisão recorrida e o cancelamento dos autos de infração.  A  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  também  reportou­se  às  mesmas  colocações apresentadas em relação à glosa de provisões para continências trabalhistas, apenas  Fl. 4449DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.322          13 especificando que da análise dos documentos apresentados à Fiscalização, restou apenas parte  das operações comprovadas.    3.  PROVISÃO  PARA  PERDAS  DE  TARIFAS  A  RECEBER  (valor  tributável  de  R$  2.175.309,03)  A  autoridade  julgadora  assim  sintetiza  a  exposição  dos  fatos  e  a  argumentação jurídica que constam do Termo de Verificação Fiscal:  ­  a  contribuinte declarou na Ficha 05/Linha 30­  "Outras Despesas Operacionais"  da  DIPJ  referente  ao  ano­calendário  de  2004  o  valor  de  R$  289.037.330,08.  Intimado a detalhar as "Outras Despesas Operacionais", apresentou inicialmente a  planilha de fls. 15 e posteriormente a planilha de fls. 18, detalhando a composição  da  conta  COSIF  8.1.9.99.00­6­  OUTRAS  DESPESAS  OPERACIONAIS.  Nessa  última  planilha,  pode­se  observar  na  conta  interna  947538  o  valor  de  R$  2.175.309,03 a título de "DESP PROV P/ PERDAS TARIFAS A RECEBER";  ­ Intimado a detalhar as "Outras Adições" (Ficha 09/Linha 20 da DIPJ), a empresa  apresentou  a  planilha  de  fls.  30.  Nessa  planilha,  observa­se  inexistir  qualquer  adição para a provisão em pauta;  ­  Nos  termos  14  a  19,  a  contribuinte  foi  intimada  a  "Esclarecer  a  natureza  e  apresentar  fundamento  legal  da  dedutibilidade,  acompanhados  de  documentação  comprobatória, dos valores deduzidos na Ficha 05 da DIPJ, no tocante às seguintes  subcontas  da  conta  81999006:  ...  947538­  DESP  PROV  P/PERDAS  TARIF  A  RECEBER­ R$ 2.175.309,03". No documento de fls. 140/141, datado de 11/11/2009,  a  contribuinte  assim  respondeu:  "Apresentamos  razões  das  contas  solicitadas. Os  esclarecimentos  da  natureza  e  o  fundamento  legal  da  dedutibilidade  enviaremos  posteriormente."  Em  1°/12/2009,  a  contribuinte  apresentou  documento  (fls.  434/435) esclarecendo que: "Trata­se de valores oriundos de provisão de tarifas a  receber  de  clientes  das  agências  que  o  sistema  realiza  sua  contabilização  até  a  baixa  definitiva  pelo  recebimento  da  tarifa".  Não  foi  apresentada  qualquer  fundamentação  legal  para  a  dedutibilidade  da  referida  provisão,  tampouco  documentação comprobatória.  2.3.1. Quanto ao direito, o autuante assinala serem válidos os mesmos fundamentos  jurídicos apresentados para a Provisão para Contingências Trabalhistas;  2.3.2.  Relativamente  às  constatações  que motivam  o  lançamento,  o  auditor  fiscal  aponta que, com fundamento no exposto no item­B”DO DIREITO” e considerando  a natureza da “Provisão para Perdas de Tarifas a Receber”, conclui­se que se trata  de  provisão  indedutível.  Ademais,  não  foi  apresentada  documentação  comprobatória  da  mesma.  Resta  assim  demonstrado  que  não  foram  atendidos  os  requisitos  legais  na  dedução  de  R$  2.175.309,03,  efetuada  pela  contribuinte  na  Linha  30  da  Ficha  05  da  DIPJ,  a  título  de  DESP  PROV  P/PERDAS  TARIF  A  RECEBER, sem que tenha havido qualquer adição correspondente nas Fichas 09 e  17 da DIPJ. Como R$ 2.175.309,03 que deveriam ter sido adicionados nas Fichas  09 e 17 da DIPJ não o  foram, houve redução indevida e nesse valor das bases de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL  do  ano­calendário  de  2004.  Pelo  exposto,  cabe  a  formalização  dos  correspondentes  lançamentos  tributários  nos  autos  de  infração  anexos, dos quais o presente termo de verificação é parte integrante.  Fl. 4450DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.323          14 A  autoridade  julgadora,  em  face  da  alegação  de  que  os  valores  glosados  corresponderiam  a montantes  efetivamente  despendidos  e  que  os  documentos  apresentados  durante o procedimento de fiscalização estariam, assim, a comprovar a dedutibilidade dessas  despesas nos termos do artigo 299 do RIR/99, e tendo em conta a alegação de que as perdas no  recebimento  de  tarifas  são  referentes  às  suas  agências  espalhadas  em  todo  o  país  e  se  tornaram perdas efetivas, conforme documentos apresentados no curso da fiscalização e que a  conta contábil relativa à provisão foi zerada em 2004, com o conseqüente reconhecimento da  despesa, observou que a contribuinte apresenta os mesmos argumentos e pauta­se na mesma  documentação apresentada na fase de fiscalização, e recordou os dispositivos do RIR/99 que  vedam a dedução de provisões na apuração da base tributável do IRPJ e da CSLL, exceto nas  hipóteses específicas previstas em lei, e reafirmou a necessidade de que a despesa seja efetiva  para tornar­se dedutível.   Destacando o zelo do auditor fiscal autuante em apurar a diferença entre os  valores  das  provisões  e  os  valores  adicionados  ao  lucro  tributável,  bem  como na busca  das  justificativas  e  da  documentação  que  amparasse  a  dedução  das  provisões  em  comento,  transcreveu excertos do Termo de Verificação Fiscal nos quais a autoridade lançadora firma a  necessidade de apresentação dos documentos de  suporte de  todas as operações questionadas,  valida parcialmente a dedução promovida, em face dos elementos apresentados pela empresa,  desde que o documento demonstrasse tratar­se de despesa efetiva, com o valor perfeitamente  definido, e não de simples expectativa de perda.  De  outro  lado,  registrou  que  a  fiscalizada  trouxe  apenas  parte  da  documentação  solicitada  e  as  justificativas  apresentadas  não  encontram  respaldo  na  legislação de regência do IRPJ e da CSLL para que se procedesse à dedução pretendida. Daí a  manutenção da glosa vinculada a este item.  Em  recurso  voluntário,  a  contribuinte  deduz  os  mesmos  argumentos  apresentados  contra  a  glosa  de  provisões  para  contingências  trabalhistas  e  cíveis,  mas  acrescenta:  No  que  diz  respeito  às  perdas  no  recebimento  de  tarifas,  também  relativas  às  agências  do  Recorrente  espalhadas  em  todo  o  país,  que  se  tornaram  efetivas,  verifica­se, pelos documentos contábeis apresentados durante a Fiscalização, que a  conta contábil "provisão para perdas em tarifas a receber" foi zerada no ano­base  de 2004, com o consequente reconhecimento da despesa.  Conclui, assim, que deve ser afastada a exigência correspondente.  A  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  também  reportou­se  às  mesmas  colocações apresentadas em relação à glosa de provisões para continências trabalhistas, apenas  especificando  que  não  foi  apresentada  à  Fiscalização  qualquer  documentação  comprobatória  para estas operações.    4.  DESPESAS DE OUTRAS PROVISÕES (valor tributável de R$ 3.189.772,66)  A  autoridade  julgadora  assim  sintetiza  a  exposição  dos  fatos  e  a  argumentação jurídica que constam do Termo de Verificação Fiscal:  Fl. 4451DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.324          15 ­  a  contribuinte declarou na Ficha 05/Linha 30­  "Outras Despesas Operacionais"  da  DIPJ  referente  ao  ano­calendário  de  2004  o  valor  de  R$  289.037.330,08.  Intimado a detalhar as "Outras Despesas Operacionais", apresentou inicialmente a  planilha de fls. 15 e posteriormente a planilha de fls. 18, detalhando a composição  da  conta  COSIF  8.1.9.99.00­6­  OUTRAS  DESPESAS  OPERACIONAIS.  Nessa  última  planilha,  pode­se  observar  na  conta  interna  946124  o  valor  de  R$3.189.772,66 a título de "DESP DE OUTRAS PROVISÕES";  ­  No  razão  da  conta  interna  946124  (fls.  467)  constam  no  histórico  (coluna  "Observação")  basicamente  "Provisão  para  Ativos"  e  "Ajustes",  estes  últimos  incluindo referências a provisões para ativos e para contingências administrativas,  totalizando R$3.189.772,66;  ­ Intimado a detalhar as "Outras Adições" (Ficha 09/linha 20 da DIPJ), a empresa  apresentou  a  planilha  de  fls.  30.  Nessa  planilha,  observa­se  que  para  o  item  em  pauta a empresa nada adicionou;  2.4.1. Quanto ao direito, o autuante assinala serem válidos os mesmos fundamentos  jurídicos apresentados para a Provisão para Contingências Trabalhistas;  2.4.2.  Relativamente  às  constatações  que motivam  o  lançamento,  o  auditor  fiscal  aponta que:  ▫  O  razão  da  conta  8.1.9.99.00­6­  OUTRAS  DESPESAS  OPERACIONAIS,  conta  interna 946124­ DESP DE OUTRAS PROVISÕES foi apresentado pela contribuinte,  constando no Histórico, dentre outros: provisões para ativos, ajustes  e acertos de  provisões,  ajustes  referentes  a  provisões  para  ativos  e  ajustes  referentes  a  outras  provisões para contingências administrativas. O total do Razão confere com o valor  deduzido,  todavia  o  exame  do  histórico  evidencia  tratar­se  de  provisões  não  dedutíveis, conforme fundamentação jurídica constante do item 8­ DO DIREITO;  ▫ Resta demonstrado que não foram atendidos os requisitos legais na dedução de R$  3.189.772,66, efetuada pela contribuinte na Linha 30 da Ficha 05 da DIPJ, a título  de  "DESP  DE  OUTRAS  PROVISÕES",  sem  que  tenha  havido  a  correspondente  adição nas Fichas 09 e 17 da DIPJ. Concluise que R$ 3.189.772,66 que deveriam  ter  sido  adicionados  nas  Fichas  09  e  17  da DIPJ  não  o  foram,  reduzindo  assim,  indevidamente  e  nesse  valor,  as  bases  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL  do  ano­ calendário de 2004, pelo que cabe a formalização dos correspondentes lançamentos  tributários nos autos de infração anexos, dos quais o presente termo de verificação  é parte integrante;  Ante  a  alegação  da  impugnante  de que  as  glosas  se  refeririam  a “despesas  administrativas”,  consubstanciadas  em  pagamentos  de  tecnologia  bancária,  contingências  administrativas,  juros,  impostos municipais,  corretagens, emolumentos,  taxa de avaliação de  imóveis, tendo indicado, em 27/11/2004, cada uma das despesas e valores que compuseram a  conta  8.1.9.99.00­6,  sem  que  fosse  efetuada  análise  individualizada  de  cada  dispêndio  e  a  situação objetiva em que foi realizado, a autoridade julgadora destacou que o razão da conta  81.999.00­6  conta  interna  946­124  (doc.  à  fl.  467),  refere­se,  como  apontou  o  autuante,  a  registro de diversas provisões, tais como: provisões para ativos, ajustes e acertos de provisões,  ajustes  referentes  a  provisões  para  ativos  e  ajustes  referentes  a  outras  provisões  para  contingências  administrativas,  ao  passo  que  a  impugnante  não  se  reporta  a  nenhum  outro  documento dos autos a demonstrar que os valores, ao contrário do apontado no documento de  fls. 467 referem­se sim a “despesas” efetivamente incorridas. Manteve, assim, a conclusão de  Fl. 4452DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.325          16 que as provisões registradas na conta 81.999.00­6 conta interna 946124 não são passíveis de  dedução, por falta de amparo legal.  Reafirma a recorrente que as despesas glosadas corresponderia a pagamentos  de  tecnologia  bancária,  contingências  administrativas,  juros,  impostos  municipais,  corretagens, emolumentos,  taxa de avaliação de imóveis, etc., como detalhado à Fiscalização  em  27/11/2004,  e  discorda  da  decisão  recorrida  porque,  conforme  já  alegado  na  peça  impugnatória, como instituição financeira e sociedade anônima, o regular  funcionamento do  Recorrente  está  condicionado  à  contratação  dos  serviços  administrativos  que  geraram  as  referidas despesas.  Assevera que tais despesas são operacionais e dedutíveis, porque necessárias,  usuais  e  normais  à  atividade  da  empresa  e  à  manutenção  da  respectiva  fonte  produtora.  Explicita o conteúdo dos requisitos legais de dedutibilidade de despesas, e reporta­se a julgados  administrativos  para  argumentar  que  as  despesas  serão  operacionais  (dedutíveis)  quando  forem justificáveis do ponto de vista gerencial e concluir que esse é o caso, obviamente, dos  montantes  despendidos  com  pagamento  das  despesas  administrativas  detalhadas  na  conta  "outras despesas operacionais", que são essenciais aos negócios do Recorrente.  Acrescenta que a Fiscalização não fez a necessária análise individualizada de  cada  dispêndio  e  a  situação  objetiva  em  que  foi  realizado,  adotando  interpretações  sem  fundamento, sem qualquer justificativa plausível para a glosa. Entende ser esse fato suficiente  para  o  cancelamento  das  autuações,  mas  reafirma  que  comprovou  que  tais  despesas  são  usuais, normais e necessárias à sua atividade.  A Procuradoria da Fazenda Nacional aduz que a alegação desacompanhada  de prova, não é  suficiente,  e que a cópia do razão  (fl. 467) apenas demonstra o  registro da  provisão. Na medida em que provisões não são dedutíveis, caberia à recorrente provar que tais  valores corresponderiam a despesas efetivas e dedutíveis.    5.  DESCONTOS EM OPERAÇÕES DE CRÉDITO (valor tributável de R$ 12.487.267,53)  A  autoridade  julgadora  assim  sintetiza  a  exposição  dos  fatos  e  a  argumentação jurídica que constam do Termo de Verificação Fiscal:  ­  a  contribuinte declarou na Ficha 05/Linha 30­  "Outras Despesas Operacionais"  da  DIPJ  referente  ao  ano­calendário  de  2004  o  valor  de  R$  289.037.330,08.  Intimado a detalhar as "Outras Despesas Operacionais", apresentou inicialmente as  planilhas  de  fls.  15  e  18.  Na  planilha  de  fls.  15,  pode­se  observar  na  subconta  8.1.9.52.10­8  o  valor  de  R$  28.843.227,18,  deduzido  a  título  de  Operações  de  Crédito.  Na  planilha  de  fls.  21,  fica  mais  claro  que  se  trata  efetivamente  de  "DESPESAS DE DESCONTOS CONCEDIDOS EM OPERAÇÕES DE CRÉDITO",  combinação do nome da conta 8.1.9.52.00­5 com o da subconta 8.1.9.52.10­8;  ­ Intimado a detalhar as "Outras Adições" (Ficha 09/Linha 20 da DIPJ), a empresa  apresentou a planilha de fls. 30. Nessa planilha, observa­se que a adição relativa  aos  descontos  concedidos  em  operações  de  crédito  corresponde  à  diferença  entre  R$28.538.134,71  e  R$12.182.175,06,  qual  seja:  R$16.355.959,65.  Como  o  valor  deduzido  na Ficha  05  foi  de R$  28.843.227,18  e  a  adição  na  ficha  09  de  apenas  R$16.355.959,65, restou um valor a adicionar de R$12.487.267,53.  Fl. 4453DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.326          17 ­  Complementarmente,  a  contribuinte  apresentou  relatório  com  a  composição  do  valor  que  considera  dedutível,  afirmando  a  fls.  141  que  "Item  6:  ...  O  enquadramento legal é o disposto na Lei nº 9.430/96, art. 9°, par. 1°, II, "a" e "b" e  são  despesas  operacionais  e  usuais  para  a  atividade  da  empresa  oriundas  de  descontos concedidos sobre operações de crédito.";  2.5.1. Quanto ao direito, o autuante tece considerações a respeito do fato gerador  do IRPJ, destacando, com base no art. 109 do CTN, que para fins fiscais, o conceito  expresso  em  leis  tributárias  deve  prevalecer.  Aponta  o  conceito  de  despesas  operacionais no artigo 47 e §§ da Lei nº 4.506, de 1964 (art. 299 do RIR/1999), a  qual  é  aplicada  quando  não  houver  norma  especial  regendo  a  matéria  de  forma  particularizada,  como  acontece  em  relação  às  perdas  na  realização  de  créditos,  cuja  norma  de  disciplinamento  encontra­se  nos  artigos  9º  a  12º  da  Lei  nº  9.430/1996,  os  quais  transcreve  e  comenta,  concluindo  que  restar  “claro  que  as  hipóteses de dedução tributária de “Perdas em Operações de Crédito” são aquelas  enumeradas  nos  artigos  9º  a  12  da  lei  nº  9.430/96,  que  regula  a matéria,  não  se  encontrando  dentre  elas  os  descontos  concedidos  em  renegociações.  Ademais,  a  aplicação do  disposto  nos  arts. 299  e  300  do RIR  só  teria  lugar  se  não houvesse  norma especial regendo a matéria de forma particularizada, dada a prevalência da  norma especial sobre a geral. Não há fundamento legal, portanto, para a dedução a  título de "Descontos Concedidos em Operações de Crédito" na Base de Cálculo do  IRPJ e da CSLL”;  2.5.2.  Relativamente  às  constatações  que motivam  o  lançamento,  o  auditor  fiscal  consigna  que  a  alegação  apresentada  pela  contribuinte  não  tem  o  condão  de  justificar a dedução dos “Descontos Concedidos em Operações de Crédito”. Assim,  por não terem sido atendidos os requisitos legais na dedução de R$ 28.843.227,18,  efetuada  pela  contribuinte  na  Linha  30  da  Ficha  05  da  DIPJ,  a  título  de  "DESPESAS DE DESCONTOS CONCEDIDOS EM OPERAÇÕES DE CRÉDITO",  com  a  correspondente  adição  nas  Fichas  09  e  17  da  DIPJ  de  apenas  R$16.355.959,65,  conclui­se  que  R$12.487.267,53  que  deveriam  também  ter  sido  adicionados nas Fichas 09 e 17 da DIPJ, motivo pelo qual cabe a formalização dos  lançamentos de IRPJ e CSLL correspondentes;  A impugnante afirmou que tais operações eram perfeitamente subsumíveis ao  conceito de despesa do artigo 299 do RIR/99, inclusive classificada pelo BACEN sob a rubrica  8.1.9.52.00­5, criada com o propósito de registrar despesas referentes a descontos concedidos  em  renegociações  de  operações  de  crédito  e  cita  ementas  de  julgados  administrativos  que  estariam a descaracterizar a concessão de desconto em comento como perda no recebimento  de  créditos.  Diante  destas  alegações,  a  autoridade  julgadora  invocou  arrazoado  apresentado  pela então julgadora daquela Turma, Selene Ferreira de Morais, contrária à classificação, como  desistência, de qualquer valor renunciado em acordo, judicial ou extrajudicial, na medida em  que é a lei quem explica e discrimina as hipóteses que constituem perdas no recebimento de  créditos dedutíveis para efeito de determinação do lucro real. Ou seja, o momento em que os  créditos podem ser registrados como perdas e os requisitos que devem ser observados em cada  caso decorrem exclusivamente das disposições nele contidas.   Prosseguindo na argumentação, aquela julgadora, no tocante ao disposto no §  1º  do  art.  10,  ou  seja,  a  hipótese  de  desistência  da  cobrança  pela  via  judicial,  firma  o  entendimento de que ela só pode ser aplicada aos casos em que a própria lei estabeleceu como  condição  de  dedutibilidade  o  início  e  a  manutenção  dos  procedimentos  judiciais  para  o  recebimento do  crédito.  Em  reforço, destaca o  tratamento  legal que o art.  11 dispensou aos  encargos  financeiros  incidentes  sobre o  crédito,  no qual o § 1º determinou que os  encargos  Fl. 4454DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.327          18 financeiros podem ser excluídos do lucro líquido desde que a pessoa jurídica tenha tomado as  providências  de  caráter  judicial  necessárias  ao  recebimento  do  crédito,  RESSALVANDO  EXPRESSAMENTE AS HIPÓTESES DAS ALÍNEAS “a” E “b” DO INCISO II DO § 1º, DO  ART.  9º.  Ou  seja,  a  própria  lei  permite  a  dedução  dos  encargos  sem  o  início  dos  procedimentos  judiciais,  nas  hipóteses  em  que  não  estabeleceu  como  requisito  a  cobrança  judicial  dos  créditos.  Observa,  ainda,  que  a  despesa  com  a  parcela  renunciada  em  acordo  judicial, anteriormente deduzida nos termos do art. 9º da Lei nº 9.430/1996, não precisa ser  estornada,  ex  vi  do  disposto  no  §  3º,  do  art.  10,  pois o  legislador,  ao  se  referir  apenas  ao  estorno da parcela recuperada, optou por permitir a dedução anterior da parte não recebida  nos momentos discriminados no art. 9º.  Frente a este contexto, aquela Julgadora, observando ser fato não controverso  nos  autos  que  as  perdas  glosadas  referem­se  a  descontos  concedidos  em  renegociações  de  operações de crédito, ou seja, foram objeto de acordos, judiciais ou extrajudiciais, reprisou as  hipóteses de dedutibilidade de perda no recebimento de créditos expostas no art. 9o, §1o, da Lei  nº  9.430/96,  e  concluiu  pela  inexistência  de  contrato  de  crédito,  nem  a  documentação  comprobatória  do  início  e  manutenção  dos  procedimentos  judiciais  e  administrativos  nos  casos  em  que  a  lei  os  considera  necessários,  ou  cópias  dos  acordos  celebrados,  comprobatórios dos descontos concedidos, a convalidar os valores deduzidos.   Na decisão recorrida, a autoridade julgadora também destacou que o acórdão  invocado pela  impugnante  referia­se  a  fato  gerador  anterior  à vigência da Lei nº 9.430/96,  e  que  a  orientação  contida  na  Carta  Circular  BACEN  nº  2.988,  de  04/12/2001,  não  altera  os  critérios de dedutibilidade  fixados no  âmbito  tributário. E, na medida em que a contribuinte  não logrou comprovar que as perdas no recebimento de crédito no valor de R$ 12.487.267,53  tenham atendido aos requisitos de dedutibilidade prescritos pelo artigo 9º da Lei nº 9.430, de  1996, manteve a glosa.  A  recorrente  argúi,  neste  ponto,  a  nulidade  da  decisão  de  1a  instância,  que  teria  inovado  quanto  aos  fundamentos  adotados  para  glosa  de  despesas. Assevera  que  o  Sr.  Agente  Fiscal  entendeu  pela  glosa  da  dedução  das  despesas  com  perdas  em  operações  de  crédito,  sob  o  fundamento  de  que  tais  despesas  não  seriam  dedutíveis  pois  não  estariam  contempladas  nas  hipóteses  trazidas  nos  incisos  dos  artigos  9o  a  12  da Lei  nº  9.430/96,  ao  passo  que  a  Turma  Julgadora  valendo­se  da  transcrição  de  texto  da  Sra.  Julgadora  Selene  Ferreira  de  Morais  (fls.  1.408/1.4183)  entendeu  por  manter  as  autuações  sob  outro  fundamento,  qual  seja,  o  de  que  o  Recorrente  não  teria  comprovado  que  a  dedução  das  despesas, com descontos em operações de crédito, teria atendido aos requisitos previstos pelo  artigo 9º da Lei no 9.430/1996.  Ou seja, o Sr. Agente Fiscal para  lavrar as autuações sustentou que  tais despesas  não  se  enquadrariam  nas  hipóteses  previstas  nos  artigos  9o  a  12  da  Lei  nº  9.430/1996, pelo que, no seu entender,  jamais poderiam ser deduzidas. Já, a DRJ,  para  manter  tais  autuações,  sustentou  que  referidas  despesas  poderiam  ser  deduzidas,  com  fundamento  no  artigo  9o  da  Lei  nº 9.430/1996, mas  o Recorrente  não  teria  comprovado  o  atendimento  dos  requisitos  previstos  nessa  legislação,  mantendo­se, portanto, a glosa.  Invoca jurisprudência deste Primeiro Conselho de Contribuintes, contrária à  inovação do  critério  jurídico que  fundamentou a  lavratura das  autuações. Acrescenta que  a  ausência, nos autos, dos contratos e acordos que deram ensejo a essas perdas decorre do fato  Fl. 4455DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.328          19 de eles nunca terem sido exigidos pela Fiscalização, ante o fundamento por ela utilizado para o  lançamento. Daí, também, o cerceamento ao seu direito de defesa.  De  toda  sorte,  se  não  for  declarada  a  nulidade  da  decisão  recorrida,  a  interessada  afirma  juntar diversas  planilhas  que demonstram que  os  valores  em questão  são  inferiores  a R$ 5.000,00  (cinco mil  reais),  ou  seja,  valores  que  nos  termos  da Lei  9.430/96  podem ser registrados como perda independentemente de iniciados os procedimentos judiciais  para  o  seu  recebimento.  Às  fls.  3760/4015  estão  juntados  relatórios  capeados  sob  o  título  Valores Inferiores a R$ 5.000,00.  Acrescenta,  ainda,  que não  foi  fundamentada,  pela DRJ,  a manutenção  da  glosa de despesas com descontos em operações de crédito. Apenas se transcreveu uma decisão  proferida em outro processo administrativo, mas sem motivar a decisão especificamente para  o presente caso.   Cita doutrina, a Lei nº 9.784/99 e o art. 31 do Decreto nº 70.235/72, acerca da  necessária motivação  dos  atos  administrativos,  e  afirma  a  necessidade  de  cancelamento  dos  atos inválidos, consoante, também, jurisprudência administrativa, cujas ementas transcreve.  No mérito,  argumenta  que  sua  principal  função  é  a  concessão  de  créditos,  motivo  pelo  qual,  no  desenvolvimento  de  suas  atividades  financeiras,  em  virtude  de  renegociação das obrigações, muitas vezes inadimplidas, promove a concessão de descontos e  o  perdão  de  parte  das  dívidas,  visando  a  liquidação  dos  débitos  pendentes.  Daí  porque  os  valores  das  perdas  incorridas  na  renegociação  de  dívidas,  objetivando  o  cumprimento  das  obrigações  por  parte  dos  clientes  do  Recorrente,  são  perfeitamente  aceitáveis  frente  ao  desenvolvimento de atividades dessa natureza.  Acrescenta  que  a  rubrica  8.1.9.52.00­5  foi  criada  pelo  BACEN  especificamente para registro destas despesas, argumento que não se presta a invocar o mesmo  tratamento  no  âmbito  fiscal, mas  sim  evidenciar  que  tais  despesas  são  inerentes  à  atividade  desenvolvida pelo Recorrente enquanto instituição financeira. Cita jurisprudência em abono à  sua  tese  de  que  tais  descontos  não  podem  ser  considerados  meras  liberalidades  da  pessoa  jurídica, e são perfeitamente subsumíveis ao conceito do citado art. 299, do RIR/99. Esclarece  que  alguns  julgados  citam  o  art.  43  da  Lei  nº  8.981/95  e  o  art.  9o  da  Lei  nº  9.430/96, mas  sempre  reconhecem a  dedutibilidade  destes  valores,  antes  como provisão,  agora  como perda  efetiva.  Ainda  que  haja  regra  específica  que  regule  as  perdas  no  recebimento  de  créditos das pessoas jurídicas em geral, defende que para as instituições financeiras nada seria  mais  apropriado  do  que  considerar  as  perdas  em  renegociação  de  dívidas  como  despesas  dedutíveis, ressaltando que é fato não controverso nos autos que as perdas glosadas referem­se  a descontos concedidos em operações daquela natureza. Entende que os arts. 9o a 12 da Lei nº  9.430/96 são regras destinadas a regular a antecipação da dedução de tais despesas, ao passo  que as despesas em comento são definitivas, porque não há mais meios de recebê­los.  Opõe­se  à  incidência  sobre  valores  que  não  configuram  acréscimo  patrimonial, e aponta a juntada de parecer elaborado pelo professor Ricardo Mariz de Oliveira,  que tratou de questão idêntica, verificada anos atrás em outra instituição do mesmo grupo (fls.  2210/2232).  Fl. 4456DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.329          20 Pretende, assim, o cancelamento das exigências correspondentes e a reforma  da decisão recorrida.  A  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  afirma  inexistir  inovação  na  decisão  recorrida, pois adota ela o mesmo fundamento legal do lançamento: artigos 9o e 12 da Lei nº  9.430/96.  Em  suas  palavras:  a  alteração  do  critério  jurídico  pressupõe  a  adoção  de  fundamento  legal  totalmente distinto do constante do auto de  infração. Porém, o Banco não  conseguiu demonstrá­la, ao contrário, ele mesmo confirma que os dispositivos aplicados são  exatamente iguais.  Complementa que a segunda arguição de nulidade da recorrente, por ausência  de  motivação  na  decisão  recorrida,  é  contraditória,  pois  não  é  possível  argüir  inovação  e  afirmar  que  a  decisão  não  tem  fundamento.  De  toda  sorte,  demonstrado  está  que  houve  motivação, de modo que a empresa pode até não concordar com as razões ou a forma adotada  no julgamento, mas é impossível reconhecer que lhe falta motivação.  No mérito, observa que o art. 9o da Lei nº 9.430/96 não regula apenas perdas  não definitivas, mas sim qualquer perda no recebimento de créditos decorrentes das atividades  das  pessoas  jurídicas.  A  autuada  teria  concedido  descontos  a  seus  clientes,  mas  inexiste  qualquer  prova  ou  mesmo  informação  de  que  tenha  adotado  previamente  alguma  medida  objetivando receber o crédito devido. Entende que não há outra conclusão possível, senão de  que  houve perdão  parcial  de dívida por mera  liberalidade,  e perdas  por  liberalidade  não  são  dedutíveis na apuração do lucro tributável, até porque não se trata de um dispêndio com vistas  a uma futura obtenção de receita. E defende a prevalência da norma especial (arts. 9o a 12 da  Lei nº 9.430/96) sobre a norma geral (art. 299 do RIR/99).    6.  DESPESAS  COM  REMUNERAÇÃO  DE  INTERVENIÊNCIA  DE  TERCEIROS  –  SISTEMA “EN” (valor tributável de R$ 6.357.601,86)  A  autoridade  julgadora  assim  sintetiza  a  exposição  dos  fatos  e  a  argumentação jurídica que constam do Termo de Verificação Fiscal:  ­  a  contribuinte declarou na Ficha 05/Linha 30­  "Outras Despesas Operacionais"  da  DIPJ  referente  ao  ano­calendário  de  2004  o  valor  de  R$  289.037.330,08.  Intimado a detalhar as "Outras Despesas Operacionais", apresentou inicialmente a  planilha de fls. 15 e posteriormente a de fls.18, detalhando a composição da conta  COSIF 8.1.9.99.00­6 OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS. Nessa última planilha,  pode­se observar na  conta  interna 946434 o  valor de R$ 6.357.601,86 a  título de  DESP FIN­INTERV TERCEIROS­SISTEMA “EN”;  ­ O razão da conta interna 946434 foi apresentado pela contribuinte (fls. 468/469).  No  histórico  (coluna  "Observação")  constam  basicamente  informações  em  código  que nada acrescentam, assim como ocorre com a descrição da função da conta;  ­ Intimado a detalhar as "Outras Adições" (Ficha 09/Linha 20 da DIPJ), a empresa  apresentou  a  planilha  de  fls.  30.  Nessa  planilha,  observa­se  inexistir  qualquer  adição para a provisão em pauta;  ­  Nos  termos  14  a  19,  a  contribuinte  foi  intimada  a  "Esclarecer  a  natureza  e  apresentar  fundamento  legal  da  dedutibilidade,  acompanhados  de  documentação  comprobatória, dos valores deduzidos na Ficha 05 da DIPJ, no tocante às seguintes  Fl. 4457DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.330          21 subcontas  da  conta  81999006:  ...  946434­  DESP  FIN­INTERV  TERCEIROS­ SISTEMA EN­ R$ 6.357.601,86”;  ­  Em  resposta  apresentada  em  1°/12/2009  (fls.  435),  após  inúmeras  intimações  e  reintimações,  informou  apenas:  "Conta  utilizada  para  registrar  as  despesas  referentes  à  equalização  de  taxa  paga  ao  cliente  relativo  a  contratos  de  CDCI.  CDCI  é  uma  linha  de  crédito  rotativa  que  permite  ao  cliente  (lojista)  faturar  e  receber "à vista" o valor de suas vendas, mesmo concedendo prazo de pagamento  aos seus compradores (consumidor final). Equalização de taxas: quando a taxa de  juros praticada pelo Banco na data da contratação de cada operação de CDCI for  inferior à taxa ajustada entre o cliente (lojista) e seus compradores (cliente final), o  Banco compromete­se a reembolsar ao cliente (lojista) a diferença resultante entre  as taxas." Foi fornecido também um modelo de contrato acompanhado de instruções  (fls. 444/458);  2.6.1. Quanto ao direito, o autuante reporta­se aos artigos 299, 300 e 251 do RIR/99  (Decreto  3.000/1999),  advertindo  que  a  manutenção  da  escrituração  com  observância das leis comerciais e fiscais é condição necessária mas não suficiente  para  a  dedutibilidade  de  despesas,  devendo  os  registros  contábeis  estarem  devidamente comprovados, respaldados em documentação hábil e idônea, sob pena  de serem desconsiderados pela fiscalização;  2.6.2.  Quanto  à  motivação  para  o  lançamento,  o  autuante  consignou  que  após  inúmeras oportunidades dadas à  contribuinte para  comprovação das despesas em  pauta,  foram fornecidos pela contribuinte apenas o razão e a descrição da  função  da  conta,  acompanhados  de  um  modelo  de  contrato.  No  razão  da  conta  interna  946434,  o  valor  total  coincide  com  o  deduzido,  mas  na  coluna  “Observação"  constam informações em código que nada acrescentam;  ▫ Na resposta da empresa, não foi apresentada a identificação dos beneficiários das  despesas  em  pauta,  tampouco  os  respectivos  contratos  ou  o  demonstrativo  das  diferenças  de  taxas.  Sem  a  apresentação  de  um  detalhamento  que  identifique  os  lojistas  beneficiários,  acompanhado  dos  respectivos  contratos,  bem  como  de  documentação  que  valide  os  valores  lançados,  trata­se  de  um  conjunto  de  informações  desprovido  de  capacidade  probatória.  Assim,  não  resta  outra  alternativa à Fiscalização que não a glosa do valor referente a DESP FIN­INTERV  TERCEIROSSISTEMA "EN".  ▫ não foram atendidos os requisitos legais na dedução de R$ 6.357.601,86, efetuada  pela contribuinte na Linha 30 da Ficha 05 da DIPJ, na conta COSIF 8.1.9.99.00­6­  OUTRAS  DESPESAS  OPERACIONAIS,  conta  interna  946434,  a  título  de  DESP  FIN­INTERV  TERCEIROS­SISTEMA  "EN",  observando­se  inexistir  qualquer  adição correspondente nas Fichas 09 e 17 da DIPJ, conclui­se que houve redução  indevida no valor de R$ 6.357.601,86 nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do  ano­calendário  de  2004,  pelo  que  cabe  a  formalização  dos  correspondentes  lançamentos tributários;  Argumentou  a  impugnante que  a  realização  da  despesa  estaria  comprovada  na  resposta  oferecida  à  fiscalização  (cópias  do  livro  razão,  explicação  acerca  da natureza da  conta  contábil  destinada  ao  registro  da  operação  e  a  minuta  do  contrato  padrão  de  CDCI).  Contudo,  além  de  reportar­se  aos  diversos  Termos  de  Intimação  lavrados  ao  longo  do  procedimento  fiscal,  a  autoridade  julgadora  destacou  o  Termo  de  Intimação  nº  19,  no  qual,  especificamente em relação a esta despesa, a autoridade fiscal exigiu que  fosse esclarecida  a  sua  natureza,  bem  como  apresentado  fundamento  legal  da  dedutibilidade,  acompanhados  de  documentação  comprobatória,  na  medida  em  não  havia  sido  apresentada  documentação  Fl. 4458DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.331          22 comprobatória – identificação dos lojistas beneficiários, respectivos contratos e demonstrativo  das diferenças de taxas.   Invocando  o  art.  149,  inciso  III  do  CTN,  que  determina  o  lançamento  de  ofício perante a prestação insatisfatória de informações/comprovação, e tendo em conta que é  ônus  da  interessada  a  comprovação  da  regularidade  da  sua  escrituração,  entendeu  a  autoridade julgadora estar demonstrado que, apesar de intimada a apresentar a documentação  comprobatória  da  realização  da  despesa  (relação  de  lojistas  beneficiários,  respectivos  contratos  e  demonstração  das  diferenças  de  taxas),  apresentou,  tão­somente,  as  cópias  do  Livro  Razão,  as  explicações  sobre  a  operacionalização  do  negócio  e  a  cópia  do  contrato  padrão CDCI,  que  por  si  só  não  demonstram  a  realização  da  despesa.  Acrescentou,  ainda,  que, por ocasião da impugnação, nada mais foi juntado,   Ressaltou que a autoridade fiscal analisou o modelo de contrato em branco  anexado  durante  o  procedimento  de  fiscalização,  tendo  considerado  os  elementos  então  colacionados  ­  um  simples  modelo  em  branco,  acompanhado  de  cópias  de  folhetos  informativos  –  insuficientes  para  comprovar  as  despesas  registradas,  e  concordou  com  esta  interpretação,  reputando  injustificada  a  conduta  da  impugnante,  que  não  anexou  sequer  um  contrato  efetivamente  pactuado,  acompanhado  de  registro  contábil  no  Livro  Diário,  o  que  tornaria possível verificar a ocorrência das diferenças de taxas previstas no modelo.   Restando incomprovados os requisitos legais de dedutibilidade das despesas,  o lançamento foi mantido na decisão recorrida.  Em  recurso  voluntário,  a  interessada  defende  que  as  despesas  foram  comprovadas  mediante  apresentação  do  Livro  Razão  e  do  contrato  padrão  utilizado  nestas  operações.  Esclarece  a  finalidade  dos  CDCI  –  Contrato  de  Abertura  de  Crédito  para  Financiamento a Consumidor Final, com Interveniência, assim consignando:  Em resumo, o lojista que desejasse vender à prazo, adquirindo este produto, tinha a  possibilidade de receber à vista a venda realizada à prazo. E, ainda, contava com  uma equalização da taxa de juros, de forma que "(..) caso a taxa de juros que estiver  sendo praticada pelo Banco na data da contratação de cada operação seja inferior  à taxa ajustada entre a Vendedora e a(s) Financiada(s), o Banco compromete­se a  reembolsar à Vendedora a diferença resultante entre as taxas".  Entende evidenciado que se trata de uma operação estritamente relacionada  ao  objeto  social  do  Recorrente  na  qualidade  de  instituição  financeira.  Estando  ela  demonstrada pela apresentação do Livro Razão e do contrato padrão desta operação,  conclui  que não se pode admitir que as despesas geradas por um produto amplamente comercializado  pelo  Recorrente,  estritamente  ligado  ao  seu  objeto  social  (concessão  de  crédito),  sejam  simplesmente desconsideradas e, assim, tidas como indedutíveis pela Fiscalização.  A  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  aponta  que,  também  aqui,  não  foi  trazida documentação comprobatória das despesas. Argumenta que um contrato em branco não  gera obrigação para empresa. Esclarecimentos sobre o funcionamento da conta também não  justificam  o  registro  da  despesa.  A  fiscalização  intimou  a  contribuinte  e  concedeu  diversas  oportunidades  para  que  ela  complementasse  a  prova,  o  que  não  foi  feito.  Com  certeza  a  interessada  possui  cópia  de  todos  os  contratos  firmados  com  os  beneficiários,  além  da  demonstração das diferenças de taxas, não sendo uma documentação difícil de ser produzida.  Porém, se não o fez, não há como autorizar a dedução pretendida.  Fl. 4459DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.332          23   7.  DESPESAS AUTORIZADAS PARA RESULTADO DAS AGÊNCIAS  (valor  tributável  de R$ 2.134.716,19)  A  autoridade  julgadora  assim  sintetiza  a  exposição  dos  fatos  e  a  argumentação jurídica que constam do Termo de Verificação Fiscal:  ­  a  contribuinte declarou na Ficha 05/Linha 30­  "Outras Despesas Operacionais"  da  DIPJ  referente  ao  ano­calendário  de  2004  o  valor  de  R$  289.037.330,08.  Intimado a detalhar as "Outras Despesas Operacionais", apresentou inicialmente a  planilha de fls. 15 e posteriormente a de fls.18, detalhando a composição da conta  COSIF 8.1.9.99.00­6 OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS. Nessa última planilha,  pode­se observar na  conta  interna 946488 o  valor de R$ 2.134.716,19 a  título de  DESP AUTORIZ P/RESULTADO­AGÊNCIAS;  ­  O  razão  da  conta  foi  apresentado  pela  contribuinte  (fls.  471),  constando  como  função: “REGISTRAR AS DESPESAS QUE CONSTITUAM CUSTO EFETIVO DA  INSTITUIÇAO  NO  PERÍODO  RELATIVO  A  AUTORIZ  P/RESULTADO­ AGENCIAS”;  ­ Intimado a detalhar as "Outras Adições" (Ficha 09/Linha 20 da DIPJ), a empresa  apresentou  a  planilha  de  fls.  30.  Nessa  planilha,  observa­se  inexistir  qualquer  adição para a provisão em pauta Nos termos 14 a 19, a contribuinte foi intimada a  "Esclarecer  a  natureza  e  apresentar  fundamento  legal  da  dedutibilidade,  acompanhados de documentação comprobatória, dos valores deduzidos na Ficha 05  da DIPJ, no tocante às seguintes subcontas da conta 81999006:  ... 946488­ DESP  AUTORIZ P/RESULTADO­AGENCIAS ­ R$ 2.134.716,19, a contribuinte limitou­se  a  informar:  “Registrar  as  despesas  com  pendências  oriundas  de  diferenças  apuradas pelos sistemas operacionais do banco nas agências e nos departamentos”.  Não  foi  apresentada  a  fundamentação  legal  para  a  dedutibilidade  das  referidas  despesas, tampouco documentação comprobatória das mesmas;  2.7.1. Quanto ao direito, o autuante assinala serem válidos os mesmos fundamentos  jurídicos apresentados para as DESP FIN­INTERV TERCEIROS­SISTEMA “EN";  2.7.2.  Relativamente  às  constatações  que motivam  o  lançamento,  o  auditor  fiscal  assinala  que  apesar  das  inúmeras  oportunidades  dadas  à  contribuinte,  a  mesma  limitou­se  a  apresentar  informações  desprovidas  de  capacidade  comprobatória  e  não fundamentou juridicamente a dedutibilidade das despesas em apreço, impondo­ se a glosa e, consequentemente, o lançamento do IRPJ e da CSLL correspondentes;  Aduziu  a  impugnante  que  a  fiscalização  desconsiderou  a  documentação  e  explicações  apresentadas,  e  que  caberia  ao  Fisco  provar  que  as  despesas  em  comento  não  atenderiam  aos  requisitos  do  artigo  299  do  RIR/99.  Novamente  reportando­se  aos  diversos  termos de intimação lavrados no curso do procedimento fiscal, a autoridade julgadora destacou  que no Termo de Intimação de nº 19, a autoridade fiscal exigiu que a contribuinte esclarecesse  a  natureza  e  apresentasse  fundamento  legal  da  dedutibilidade,  acompanhados  de  documentação  comprobatória,  dos  valores  assim  deduzidos,  observando  que  não  foi  apresentada  fundamentação  legal  da  dedutibilidade  e  documentação  comprobatória.  A  própria natureza da despesa necessita de maior esclarecimento.   Durante o procedimento fiscal, informara a interessada que a conta 946488­ Despesas  autorização  p/Resultado  Agências  prestava­se  a  registrar  as  despesas  com  Fl. 4460DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.333          24 pendências  oriundas  de  diferenças  apuradas  pelos  sistemas  operacionais  do  banco  nas  agências  e nos departamentos. E em  impugnação,  insistiu  em alegar que a  fiscalização não  teria  produzido  a  prova  de  que  as  despesas  em  análise  não  seriam  dedutíveis  e  não  traz  nenhuma  justificativa  ou  comprovação  pertinente  à  despesa,  olvidando­se  ser  seu  dever  comprovar a regularidade da sua escrituração.  Reiterando que apenas a escrituração acompanhada de documentação hábil  sujeita  a  fiscalização  à  prova  da  inveracidade  dos  fatos  registrados,  a  autoridade  julgadora  manteve a indedutibilidade dos valores registrados na conta COSIF 8.1.9.99.00­6/ conta interna  946488 – DESP AUTORIZ P/ RESULTADO­AGÊNCIAS (R$ 2.134.716,19).  No recurso voluntário, a interessada reporta­se novamente à documentação e  às  explicações  que  foram  ignoradas  pela  Fiscalização  e  pela  autoridade  julgadora  de  1a  instância: Livro Razão no qual foram registradas as despesas questionadas, e esclarecimentos  de  que  a  referida  conta  destina­se  a  registrar  as  despesas  com  pendências  oriundas  de  diferenças  apuradas  pelos  sistemas  operacionais  do  Recorrente  nas  agências  e  nos  departamentos.  Entende  que  tais  elementos  seriam  suficientes  para  comprovação  da  regularidade de sua escrita contábil.  Cita  jurisprudência  contrária  à  inversão  do  ônus  da  prova  promovida  pela  autoridade  lançadora,  defendendo  que  a  escrita  contábil  faz  sim  prova  em  favor  do  contribuinte, cabendo à fiscalização produzir provas em sentido contrário, ao invés de valer­ se, apenas, de meras presunções.  Espera,  assim,  o  cancelamento  dos  autos  de  infração,  em  vista  da  clara  presunção adotada pelo Sr. Agente Fiscal e ratificada pela Turma Julgadora.  A  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  aponta  que,  também  aqui,  não  foi  trazida  documentação  comprobatória  das  despesas,  além  de  a  interessada  sequer  indicar  o  fundamento legal para dedução.     8.  JUROS SOBRE PASSIVO ATUARIAL (valor tributável de R$ 28.371.000,00)  A  autoridade  julgadora  assim  sintetiza  a  exposição  dos  fatos  e  a  argumentação jurídica que constam do Termo de Verificação Fiscal:  ­  a  contribuinte declarou na Ficha 05/Linha 30­  "Outras Despesas Operacionais"  da  DIPJ  referente  ao  ano­calendário  de  2004  o  valor  de  R$  289.037.330,08.  Intimado a detalhar as "Outras Despesas Operacionais", apresentou inicialmente a  planilha de fls. 15 e posteriormente a de fls.18, detalhando a composição da conta  COSIF 8.1.9.99.00­6 OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS. Nessa última planilha,  pode­se observar na conta interna 945879 o valor de R$ 282.134.716,19 a título de  DESP AUTORIZ P/RESULTADO­AGÊNCIAS;  ­  o  razão  da  conta  interna  945879  (fls.  472)  foi  apresentado  pela  contribuinte,  constando informações que nada acrescentam, assim como ocorre com a descrição  da função da conta. Intimado a detalhar as "Outras Adições" (Ficha 09/Linha 20 da  DIPJ), a empresa apresentou a planilha de fls. 30. Nessa planilha, observa­se que  para o item em pauta a empresa nada adicionou;  Fl. 4461DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.334          25 ­  a  contribuinte  foi  intimada  (Termos  de  nºs  14  a  19)  a  "Esclarecer  a  natureza  e  apresentar  fundamento  legal  da  dedutibilidade,  acompanhados  de  documentação  comprobatória, dos valores deduzidos na Ficha 05 da DIPJ, no tocante às seguintes  subcontas  da  conta  81999006:  ...  945879­ DESP JUROS S/PASSIVO ATUARIAL­  R$  28.371.000,00".  Em  resposta  apresentada  em  1°/12/2009,  após  inúmeras  intimações  e  reintimações,  a  empresa  informou:  "São  despesas  assumidas  pelo  Banco  Santander  relativas  às  caixas  assistenciais  dos  ex­empregados  do  Banco  (Banco da Província do Rio Grande do Sul, Banco  Industrial  e Comercial do Sul  S/A  e  Banco  Nacional  de  Comércio),  antes  do  evento  da  privatização.  Essas  despesas  são  operacionais,  necessárias  e  obrigatórias  pois  constituem  complementação  de  aposentadoria,  de  direito  adquirido,  dos  ex­empregados  do  Banco  e  que  foram  assumidas  pelo  Banco  Santander  em  virtude  da  privatização  ocorrida  após  a  intervenção  do  Banco  Central  do  Brasil  nessa  instituição."  Complementarmente,  a  contribuinte  apresentou  Parecer  Técnico  da  empresa  MERCER  Human  Resource  Consulting  do  ano  de  2004,  não  assinado,  cabe  observar (fls. 477/484);  ­ Segundo o parecer, trata­se de Planos Informais de Aposentadoria mantidos pelo  Banco Santander Meridional. O valor presente das obrigações atuariais dos planos  DAB,  CACIBAN  e  DCA  é  de  R$  163.430.686  em  31/12/2004.,  estando  projetada  para  31/12/2004  uma  Folha  Anual  de  Benefício  de  R$  27.537.210  (fls.  480).  Na  planilha de fls. 482, consta o valor presente das obrigações atuariais a descoberto­  planos  sem  ativos  financeiros  (item  2.2:  R$163.431.000),  o  valor  de  ganhos  ou  perdas  não  reconhecidos  (item  2.6.a­  R$50.090.000)  e  o  consequente  "Passivo  atuarial líquido total a ser provisionado" (item 2.7­ R$.113.341.000);  2.8.1. Quanto  ao direito,  o  autuante  explica  que  no  parecer  (fls  482),  constata­se  que o valor em pauta (R$ 28.371.000,00) faz parte do total provisionado, sendo sua  natureza jurídica a de provisão para planos de aposentadoria, pelo que são válidos  os mesmos fundamentos jurídicos apresentados para a Provisão para Contingências  Trabalhistas.  Também  afasta  a  analogia  com  as  provisões  técnicas  previstas  no  art.336 do RIR/99, por não se tratar de companhia de seguro e de capitalização ou  de entidade de previdência privada. Pondera que, ainda que se tratasse de despesa  de contribuição pra a previdência (e não de provisão) não seria passível de dedução  integral  em  face  do  percentual  de  20%  estabelecido  no  §  1º  do  artigo  361  do  RIR/99;  2.8.2. O lançamento se impõe porquanto o valor deduzido a título de DESP JUROS  SOBRE PASSIVO ATUARIAL tem natureza jurídica de provisão cuja dedução não  está autorizada nos termos da legislação tributária   Defendeu  a  impugnante  que  tais  despesas  são  operacionais,  necessárias  e  obrigatórias, pois constituem complementação da aposentadoria dos ex­empregados do Banco  da  Província  do  Rio  Grande  do  Sul,  Banco  Industrial  e  Comercial  do  Sul  S/A  e  Banco  Nacional do Comércio, e foram assumidas pela Impugnante em virtude da aquisição do Banco  Meridional do Brasil S/A. Discordou, também, da classificação destas despesas como provisão  pois  estava  obrigada  a  reconhecê­las  por  determinação  do  próprio  Edital  de  Licitação  do  Banco Meridional Brasil S/ A. (originado da fusão de cinco instituições financeiras, uma das  quais­  Banco  Sul  Brasileiro­  constituída  de  bancos  fusionados  que  mantinham  Caixas  Assistenciais, que garantiam, aos seus funcionários, complementos em suas aposentadoria).   Invocou o disposto no art. 228 da Lei nº 6.404/76, destacou que o edital de  licitação faz lei entre as partes (vencedor do certame e Poder Público) e defendeu o registro do  complemento  da  aposentadoria  dos  ex  empregados  dos  bancos  sucedidos  pela  Impugnante,  Fl. 4462DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.335          26 assim como os juros dele decorrentes (objeto da glosa realizada pelo Sr. Auditor Fiscal), pelo  regime de competência. Opôs­se, também, à aplicação do § 1º do artigo 361 do RIR/99, o qual  estaria  limitado  às  contribuições,  destinadas  a  custear  planos  de  benefícios  complementares  aos  da  previdência  social,  não  são  compulsórias,  diversamente  do  dever  imposto  à  contribuinte, o que torna a despesa necessária, usual e normal em suas atividades.  Às  fls.  1131/1147  estão  juntados  documentos  capeados  sob  os  títulos:  1)  Constituição  do  Banco  Sul  Brasileiro  S/A;  2)  Lei  nº  7.315/85;  e  3) Edital  de  Licitação  do  Banco Meridional Brasil S/A.  A  autoridade  julgadora  não  admitiu  a  classificação  destes  valores  como  despesas,  e entendeu que os “juros  sobre o passivo atuarial”  têm natureza de provisão sem  previsão legal para a sua dedução. Observou que o Edital de Venda do Banco Meridional do  Brasil  S.A.,  elaborado  pelo Banco Central  do Brasil,  obrigava  os  adquirentes  a  assegurar  o  pagamento dos benefícios existentes, até a extinção dos mesmos, devidos pelo MERIDIONAL,  por  sucessão  nas  respectivas  obrigações,  aos  beneficiários  e  àqueles  que,  inscritos  nas  entidades assistenciais Associação dos Funcionários do Banco da Província do Rio Grande do  Sul  S.A.,  a  Caixa  de  Auxílio  dos  Funcionários  do  Banco  Nacional  do  Comércio  S.A.  e  o  Instituto Assistencial Sulbanco, ainda dependam de preenchimento das condições para obter  os benefícios. Mas destacou que não foi o valor do “pagamento” desse benefício que foi objeto  de glosa, mas sim, o valor deduzido a título de “DESP JUROS SOBRE PASSIVO ATUARIAL”  que faz parte do “passivo atuarial líquido total a ser provisionado”.  Acrescentou,  ainda,  que  como  apontado  pela  Fiscalização,  o  Parecer  da  Consultoria  Mercer,  às  fls.  478/484,  indicava  os  valores  a  serem  provisionados  a  título  de  passivo atuarial líquido, em conta contábil que representou a contrapartida da despesa glosada  pelo  autuante.  Assim,  estaria  confirmado  que  o  valor  glosado  teria  natureza  jurídica  de  provisão para planos de aposentadoria.  Transcrevendo doutrina, concluiu que a natureza dos valores em comento é  de provisão, pois decorrem de cálculo atuarial que tem por finalidade trazer a valor presente  desembolsos futuros necessários ao adimplemento de cláusula prevista no edital de licitação,  relacionada  especificamente  ao  pagamento  da  complementação  da  aposentadoria  dos  ex­ empregados  dos  bancos  sucedidos.  E  acrescentou  que  somente  são  dedutíveis  as  provisões  expressamente  contempladas  na  legislação  tributária  (provisões  técnicas  de  constituição  obrigatória  das  companhias  de  seguros,  de  capitalização  e  das  entidades  de  previdência  privada  (art.  13,  inciso  I,  da Lei  nº  9.249,  de  1995  e art.  336  do RIR/99);  a  provisão  para  pagamento  de  remuneração  de  férias  (art.  4º  do  Decreto­Lei  nº  1.730,  de  1979,  e  art.  13,  inciso  I,  da  Lei  nº  9.249,  de  1995  e  art.  337  do  RIR/99)  e  a  provisão  para  pagamento  de  remuneração correspondente ao 13º salário (art. 13, inciso I, da Lei nº 9.249, de 1995 e art.  338 do RIR/99)).  Por  fim,  declarou  prejudicada  a  pretensão  da  impugnante  de  deduzir  tais  valores como “despesas de contribuição para previdência privada”, por não ser esta a natureza  dos  valores  registrados,  e  invocou manifestação  do  Primeiro Conselho  de Contribuintes,  em  caso semelhante, tratado no Acórdão nº 101­93.6101.  Em  recurso  voluntário,  a  interessada  historia  a  aquisição  do  Banco  Meridional  do  Brasil  S/A,  em  procedimento  licitatório,  destacando  que  aquela  instituição  resultou  da  fusão  de  outras,  das  quais  o  Banco  da  Província  do  Rio Grande  do  Sul  S/A,  o  Banco Industrial e Comercial do Sul S/A e o Banco Nacional do Comércio, mantinham Caixas  Fl. 4463DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.336          27 Assistenciais cuja manutenção lhe foi imposta, em razão da aquisição em referência. Reitera o  poder  vinculatório  do  edital  de  licitação,  e  observa  que  a  Turma  Julgadora  reconheceu  sua  obrigação  de  pagar  a  complementação  da  aposentaria  aos  ex  funcionários  dos  bancos  sucedidos, de modo que não subsiste qualquer dúvida de que  tal pagamento decorre de uma  obrigação legal da recorrente.  A decisão de 1a instância, contudo, de forma contraditória e ilógica, negou a  dedutibilidade  dos  juros  decorrentes  desses  pagamentos,  não  observando  que  a  natureza  jurídica  dos  juros  é  idêntica  a  dos  pagamentos,  e  que  inexiste  incerteza  quanto  aos  pagamentos dos juros sobre passivo atuarial.   Defende que os juros também são obrigação legal assumida pela recorrente,  assim como o pagamento da complementação da aposentadoria aos ex­funcionários, na medida  em que a natureza do acessório é a mesma do principal,  consoante doutrina e  jurisprudência  que  cita,  e  acrescenta  que  o  principal  possui,  indiscutivelmente,  a  natureza  de  despesa  dedutível, e opõe­se à classificação dos juros como provisão.   Critica o fato de a decisão recorrida ter se baseado exclusivamente nos dados  extraídos do Parecer Técnico da  empresa Mercer Human Resources Consulting, observa que  este documento não está assinado, e entende que seria necessário uma investigação nas normas  contábeis aplicáveis às instituições financeiras para determinar a verdadeira natureza jurídica  dos juros sobre o passivo atuarial. Daí porque a afirmação fiscal seria mera suposição, e não  teria observado o princípio da verdade material.   Reporta­se  ao  Pronunciamento  IBRACON/NPC  nº  22,  aprovado  pela  Deliberação CVM nº 4899/05, que define provisão como passivo de prazo ou valor incertos e  obrigação  legal  aquela  que  deriva  de  um  contrato  (por  meio  de  termos  explícitos  ou  implícitos),  de  uma  lei  ou  de  outro  instrumento  fundamentado  em  lei.  Destaca  que  relativamente a esta não há qualquer incerteza, cita doutrina, e pede que não se dê guarida ao  entendimento da Fiscalização e da autoridade julgadora.  Subsidiariamente, defende que o limite imposto pelo art. 361, §1o do RIR/99  somente  se  aplica  a  contribuições  não  compulsórias  a  planos  de  previdência  privada,  inexistindo aqui qualquer liberalidade que pudesse afetar a dedução das despesas. Observa que  a  Turma  Julgadora  reconheceu  a  inaplicabilidade  do  referido  limite,  mas  questiona  a  interpretação,  ali  firmada,  de  que  a  interessada  pretenderia  deduzir  os  valores  em  comento  como  despesa  de  contribuição  para  previdência  privada.  Esclarece  que  o  fundamento  para  dedutibilidade  destes  valores  é  o  próprio  art.  299  do  RIR/99,  por  se  tratar  de  despesa  necessária, usual e normal, que lhe foi imposta pelo ente licitante.  A Procuradoria da Fazenda Nacional recorda que somente são dedutíveis as  provisões  expressamente  previstas  em  lei,  argumenta  que  não  é  a  obrigatoriedade  de  uma  cláusula constante do edital que vai definir a natureza de despesa ou provisão dos valores, se  eles são ou não dedutíveis, destaca que a Fiscalização observou que os valores destinavam­se a  provisões para manutenção do equilíbrio atuarial do plano e observa que mesmo se houvesse  transferência efetiva para o fundo, deveriam ser atendidos os requisitos específicos da matéria.  Acrescenta, ainda, que a manutenção de plano de previdência complementar  de  ex­funcionários  do  Banco  incorporado  não  guarda  qualquer  relação  com  a  atividade  desenvolvida pelo Santander. É uma obrigação que ele teve que assumir em razão da compra  de outra instituição, mas que não se relaciona com as suas operações.  Fl. 4464DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.337          28   9.  RECEBIMENTOS ESCROW (valor tributável de R$ 135.191.120,86)   A  autoridade  julgadora  assim  sintetiza  a  exposição  dos  fatos  e  a  argumentação jurídica que constam do Termo de Verificação Fiscal:  ­  a  contribuinte declarou na Ficha 05/Linha 30­  "Outras Despesas Operacionais"  da  DIPJ  referente  ao  ano­calendário  de  2004  o  valor  de  R$  289.037.330,08.  Intimado a detalhar as "Outras Despesas Operacionais", apresentou inicialmente a  planilha de fls. 15 e posteriormente a de fls.18, detalhando a composição da conta  COSIF 8.1.9.99.00­6 OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS. Nessa última planilha,  pode­se observar na conta interna 945884 o valor de R$ 38.036.042,48 a título de  “DESP ATUALIZAÇÃO ESCROW”. Em relação ao item em pauta, a planilha de fl.  30  apresentada  pela  contribuinte  informa  que  nada  foi  adicionado  na  Ficha  09/Linha 20 da DIPJ;  ­  a  função  da  conta  8.1.9.99.00­6  conta  interna  945884  informada  no  Razão  é  “Registrar a variação quanto a garantias constituídas fora do Brasil com o intuito  de garantir a compra dos bancos adquiridos pelo Santander em nosso país”;  ­  intimada  (Termos  de  nºs  14  a  19)  a  esclarecer  a  natureza  e  apresentar  o  fundamento  legal  da  dedução,  a  contribuinte  informou  (02/12/2009  –  fl.  443)  “Referida  despesa  corresponde  ao  registro  da  variação  cambial  incidente  sobre  direitos  a  receber  mantidos  em  moeda  estrangeira.  De  acordo  com  o  regime  de  competência,  foi  registrada  a  variação  cambial  decorrente  da  variação  do  Real  frente a moeda estrangeira (dólar americano) no período aplicada sobre os direitos  a receber no exterior (Agência Grand Cayman). Durante o ano de 2004 as receitas  com a variação cambial foram registradas na conta 875988 do cosif 7.1.9.99.00­9  no valor de R$ 14.784.689,28 decorrentes da desvalorização do Real sobre a moeda  estrangeira.  Os  direitos  a  receber  estão  registrados  em  conta  de  ativo  de  classificação  "cosif  1.8.8.8500­4305031­  Valores  a  receber  sociedades  ligadas­  Grand Cayman­ BSB.” Constata­se que efetivamente o valor da despesa registrado  na  conta  COSIF  8.1.9.99.00­6­  OUTRAS  DESPESAS  OPERACIONAIS­  conta  interna  945884­  DESPESAS  ATUALlZACAO  ESCROW  é  de  R$38.036.042,48,  enquanto  o  valor  de  receita  registrado  na  conta  COSIF  7.1.9.99.00­9­  RENDAS  ATUALlZACAO ESCROW­ conta interna 875988 é de R$ 14.784.689,28, compondo  uma  dedução  líquida  de  R$  23.251.353,20.  Posteriormente,  foi  apresentada  a  conciliação das referidas contas de resultado com a conta patrimonial 1.8.8.85.00­ 4­  VALORES  A  RECEBER  DE  SOCIEDADES  LIGADAS,  conta  interna  305031­  GRAND CAYMAN­BSB (fls. 720);  ­  Comparando­se  o  valor  da  conta  COSIF  1.8.8.85.00­4­  conta  interna  305031­  Valores  a  receber  sociedades  Ligadas­  Grand  Cayman­  BSB  em  31/12/2003  (R$  144.173.424,76)  e  em  31/12/2004  (253.909.394,09),  constantes  dos  respectivos  balancetes, fica evidenciado um acréscimo líquido de R$109.735.969,33 nesse ativo  no ano­calendário de 2004, já considerada a redução líquida de R$ 23.251.353,20 a  título de atualização cambial, acima referida. O valor de R$ 8.763.023,48, a título  de "Recebimento Escrow", constante do documento de fls. 460, é parte da variação  no valor da conta COSIF 1.8.8.85.00­4­ conta interna 305031, que caracteriza um  aumento  nos  referidos  direitos  a  receber  mantidos  em  moeda  estrangeira  (vide  conciliação a fls. 720);  ­  Em  decorrência,  a  contribuinte  foi  intimada  (Termo  nº  19)  a  (a)  Apresentar  demonstrativo  do  valor  deduzido  a  título  de  "Despesa  de  Atualização  Escrow",  Fl. 4465DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.338          29 acompanhado  de  extratos  da  conta  Grand  Cayman  BSB,  "Account  #1247",  de  janeiro a novembro (dezembro já fornecido); (b) Apresentar o razão da conta Cosif  1.8.8.85.00­4­  conta  interna  305031Valores  a  receber  sociedades  ligadas­  Grand  Cayman­  BSB,  em  planilha;  (c)  Esclarecer  a  que  título  se  deram  os  lançamentos  efetuados na conta Cosif 1.8.8.85.00­4­ conta interna 305031 no ano­calendário de  2004,  respectivos  valores  e  tratamento  contábil  e  fiscal  dado  aos  mesmos;  demonstrar  que  houve  trânsito  dos  valores  por  contas  de  resultado  e  que  foram  oferecidos à  tributação ou  justificar por que  isso não ocorreu; e  (d) Apresentar o  contrato de compra e venda do Grupo Meridional, que fundamentaria a existência  da conta Grand Cayman BSB acima citada;  ­ Em atendimento a contribuinte apresentou os documentos de fls. 485/496 relativos  à  conta  Grand  Cayman  BSB,  nos  quais  se  comprova  a  existência  das  receitas  elencadas  na  tabela  à  fl.  878,  no  total  de  R$  135.191.120,86,  denominadas  pela  contribuinte  “Recebimento  Escrow”.  Em  11/12/2004  foram  apresentados  novos  documentos, sendo que no doc, de fl. 512, a contribuinte esclarece que:   “945884­ Despesas Atualização Escrow c) Os  lançamentos efetuados na conta  cosif  1.8.8.85.00­4  conta  interna  305031  referem­se  exclusivamente  a  direitos  recebidos  em  conta  corrente  no  exterior  do  reembolso  de  valores  pagos  por  conta e ordem do antigo controlador da instituição relativo a obrigações de sua  responsabilidade.  Não  houve  trânsito  pelas  contas  de  resultado  dos  valores  depositados  e  não  foram oferecidos à tributação por não se tratar de renda tributável.  d)  Segue  contrato  de  compra  e  venda  do  Grupo  Meridional­  vide  item  5.1  e  alteração.”  ­  O  referido  contrato  tem  como  partes  (fls.  514):  Bozano,  Simonsen  Financial  Holdings  Ltd.  (vendedor);  Banco  Santander  Central  Hispano  S.A.  (comprador)  e  Julio Raphael de Aragão Bozano (garante);  ­ A  fl.  524 e  seguintes  fica  caracterizada a obrigação de  vender  e de comprar as  ações, bem como o preço de venda. A fls. 548 e seguintes, encontra­se a cláusula 5.1  do contrato, a que se referiu a contribuinte em sua resposta, e que embasa a conta  contábil COSIF 1.8.8.85.00­4 conta interna 305031, onde houve o lançamento dos  Recebimentos Escrow;  2.9.1. Quanto ao direito, a autoridade fiscal explica que:  ­­  No  documento  de  fls.  512,  a  contribuinte  informa  que  "c)  Os  lançamentos  efetuados  na  conta  cosif  1.8.8.85.00­4  conta  interna  305031  referem­se  exclusivamente a direitos recebidos em conta corrente no exterior do reembolso de  valores  pagos  por  conta  e  ordem  do  antigo  controlador  da  instituição  relativo  a  obrigações de sua responsabilidade. Não houve  trânsito pelas contas de  resultado  dos valores depositados e não  foram oferecidos à  tributação por não se  tratar de  renda tributável. d) Segue contrato de compra e venda do Grupo Meridional­ vide  item 5. 1 e alteração”;  ­­ Pretende a fiscalizada que sobre tais rendimentos, denominados de Recebimentos  Escrow, não incida tributação. Observamos que já houve autuação fiscal sobre tais  receitas,  formalizada  no  processo  nº  16327.002123/2007­17.  Em  sua  defesa,  a  empresa alega que tais rendimentos são reembolsos de caráter indenizatório, por se  tratar  de  dívida  de  outrem,  o  que  cai  por  terra  pela  aplicação  do  Princípio  da  Entidade.  Como  base  nesse  princípio,  que  afirma  a  autonomia  patrimonial  da  Fl. 4466DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.339          30 entidade,  não  há  que  se  falar  em  dívida  de  outrem,  pois  não  se  confundem  os  compromissos  do  vendedor  com  a  fiscalizada,  com  os  compromissos  desta  com  terceiros. No âmbito do Direito Tributário, destacou que nesses recebimentos existe  acréscimo  patrimonial,  pelo  que  tais  quantias  que  ingressaram  no  patrimônio  da  fiscalizada  a  título  de  "Recebimentos  Escrow"  são  passíveis  de  tributação,  em  virtude do disposto no inciso II do art. 43 do CTN, independentemente dos princípios  de direito privado que a contribuinte invoque em sua defesa, dado o disposto no art.  109 do CTN. Salientou ainda que inexiste qualquer hipótese legal de isenção de tais  rendimentos (art. 176 do CTN);  ­­ antes da aquisição do Grupo Meridional, houve uma avaliação, como de praxe,  baseada em pressupostos estratégicos, de mercado, patrimoniais etc. Como existem  fatores cuja avaliação precisa é inviável a priori, embora normais e típicos de uma  atividade  de  risco,  convencionaram  as  partes  incluir  em  contrato  cláusulas  de  garantia  e  ajuste  em  função  de  ocorrências  futuras,  englobando  diferenças  e  despesas  legais,  usuais  e  inerentes  à  atividade  da  empresa,  o  que  é  normal  em  aquisições  do  gênero.  Nada  existe,  portanto,  de  atípico  no  tocante  ao  condicionamento do preço ou aos recebimentos decorrentes do disposto na cláusula  5.1 do contrato. O que é incomum e juridicamente insustentável, como demonstrado,  é a  tentativa  de  caracterizar  tais  recebimentos  posteriores  à  aquisição  como  não  passíveis de tributação;  ­­ que os ingressos de recursos a título de Recebimentos Escrow geraram acréscimo  patrimonial  na  fiscalizada,  consistindo  em  receitas  passíveis  de  tributação,  que  necessariamente  deveriam  constar  da  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  da CSLL. Como  não  isso  não  ocorreu,  está  perfeitamente  caracterizada  omissão  de  Receita  não  Operacional, passível de lançamento tributário;  2.9.2. Não houve trânsito por resultado do ingresso de R$135.191.120,86, a título de  "Recebimentos  Escrow",  no  ano­calendário  de  2004,  que  acarretou  acréscimo  de  patrimônio,  materializado  na  conta  1.8.8.85.00­4­VALORES  A  RECEBER  DE  SOCIEDADES LIGADAS, conta interna 305031­ GRAND CAYMAN­BSB, tampouco  adição nas Fichas 09 e 17 da DIPJ. Embora a fiscalizada alegue que tais receitas  não operacionais não seriam passíveis de tributação,  tal afirmativa não dispõe de  fundamentação legal, motivo pelo qual devem ser formalizados os correspondentes  lançamentos da CSLL e do IRPJ.  Alegou  a  impugnante  que  os  valores  glosados  não  representam  qualquer  acréscimo patrimonial, mas  sim  reembolso  de  valores  que  foram por  ela  pagos  por  conta  e  ordem do antigo  controlador do Banco Meridional S.A,.  em  razão do contrato de  compra  e  venda  das  ações  do  Banco  Meridional  celebrado  entre  a  Bozano,  Simonsen  Financial  Holdings Ltd, sediado em Grand Cayman  (Vendedor) e o Banco Santander Central Hispano  S/A,  sediado na Espanha  (Comprador). Teria  efetuado o pagamento de despesas  relativas a  processos  fiscais,  trabalhistas  e  cíveis  instaurados  em  face  do  Banco Meridional  S/A  e  foi  posteriormente ressarcida pela transferência do dinheiro que estava depositado na Conta de  Caução.  Argumentou que se o valor  recebido  fosse, de  fato, considerado como uma  nova receita, o pagamento das dívidas decorrentes dos processos cíveis trabalhistas e fiscais  instaurados em face do Banco Meridional S/A também deveria, por conseqüência lógica, ser  considerado  como  uma  despesa  (o  que  não  ocorreu  no  presente  caso).  O  valor  de  R$  135.191.120,86 tratar­se­ia de “indenização” ou “reembolso.  Fl. 4467DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.340          31 Às  fls.  1131/1353  estão  juntados  documentos  capeados  sob  os  títulos:  1)  Constituição do Banco Sul Brasileiro S/A; 2) Lei nº 7.315/85; 3) Edital de Licitação do Banco  Meridional  Brasil  S/A;  4) Contrato  de  Compra  e  Venda  entre  Bozano  Simonsen  Financial  Holdings Ltda  e Banco Santander Central Hispano S/A;  e  5) 1o  Aditamento  ao Contrato  de  Compra e Venda.  Observou a autoridade  julgadora que o Banco Meridional S.A. era a antiga  denominação da contribuinte autuada (CNPJ nº 90.400.888), conforme exposto no extrato do  Sistema CNPJ à fl. 1356. Logo, se a dívida era da própria contribuinte, então, não há que se  falar  em  indenização,  consoante  doutrina  que  cita.  E  acrescentou  que  ainda  que  se  trate  de  reembolso  feito  pelo Bozano,  Simonsen Financial Holdings Ltd,  sediado  em Grand Cayman  (Vendedor)  ao  Banco  Santander  Central  Hispano  S/A,  sediado  na  Espanha  (Comprador),  decorrente  de  contrato  firmado  por  ocasião  da  operação  de  venda  das  ações  do  Banco  Meridional  S/A  (antiga  denominação  da  interessada),  anterior  e  atual  controlador  da  instituição  financeira  brasileira,  o  ingresso  de  recursos  no  patrimônio  da  impugnante  configura receita (não operacional) tributável nos termos do artigo 43, inciso II, do CTN.  Ressaltou  o  argumento  fiscal  de  que  não  existe  previsão  legal  de  isenção  para  tais  rendimentos,  e  afirmou  ser  totalmente  descabida  a  conclusão  da  impugnante  no  sentido  de  que  a  receita  por  ela  recebida  não  poderia  gerar  créditos  de  IRPJ  e  CSLL  porquanto, no seu entender, deveria ser neutralizada pela despesa incorrida, isto porque seria  necessário  avaliar  as  condições  de  dedutibilidade  destas  despesas,  exemplificando  que  uma  demanda  judicial  relativa  a  sanção de ato  ilícito  (multa)  não  seria  passível  de  tributação  e  portanto  não  iria  “neutralizar”  o  efeito  da  receita.  Demais  disso,  não  teria  sido  provada  a  alegação de que a  íntegra dos valores pagos  (e que  foram objeto de recebimento pela conta  Escrow) não  teriam  sido  levado ao  resultado como despesa,  e  ainda que não  tivessem sido,  inexistiria prejuízo ao lançamento, pois tais deduções são faculdades do contribuinte, ao passo  que o oferecimento de Receitas à tributação é sempre uma obrigação.  Concluiu,  assim,  ser  inconteste  a  aplicação  do  artigo  249,  inciso  II,  do  RIR/99 aos recursos, no valor de R$ 135.191.120,86, recebidos do exterior pela contribuinte e  que  geraram  acréscimo  em  seu  patrimônio,  e  registrou  que  tal  matéria  já  foi  objeto  de  lançamento  e  de  decisão  favorável  à  Fazenda  nos  autos  do  processo  administrativo  nº  16327.002123/2007­17.  No recurso voluntário, a  interessada reprisa os argumentos apresentados em  impugnação, mas  inicialmente descreve  a operação de  compra  e  venda das ações do Banco  Meridional S/A e suas controladas, realizada entre a Bozano, Simonsen Financial Holdings Ltd  (sediada em Grand Cayman) e o Banco Santander Central Hispano S/A (sediado na Espanha),  tendo por objeto a holding controladora direta do Banco Meridional S/A e indireta do Banco  Bozano Simonsen S/A. Destaca o item 1.4 do contrato firmado entre as partes, que fixa o preço  da operação, e a cláusula 5.1, alterada pela cláusula 7 do Termo Aditivo, por meio da qual o  vendedor  obrigou­se  a  indenizar  incondicionalmente  o  comprador  por  qualquer  obrigação  contingente  (obrigação  real  ou  potencial  não  prevista  ou  integralmente  prevista  nas  demonstrações financeiras auditadas).  Esclarece  que  foi  constituída  “Conta  de  Caução”  (“Escrow  Account”),  na  qual o  vendedor  tinha  o  dever  de  efetuar  os  depósitos  necessários  para  o  cumprimento  das  obrigações  referidas,  cabendo  ao  “Agente  de Caução”  (Banco Santander Brasil  International  Limited) retirar os recursos e transferi­los para o comprovador. Em conseqüência:  Fl. 4468DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.341          32 [...], no caso dos autos, o Comprador (Banco Santander Central Hispano S/A.), por  meio do ora Recorrente, efetuou o pagamento de despesas relativas aos processos  fiscais,  trabalhistas  e  cíveis  instaurados  em  face  do  Banco Meridional  S/A,  e  foi  posteriormente ressarcido pela transferência do dinheiro que estava depositado na  Conta de Caução.  Daí porque pagou dívidas/obrigações de  responsabilidade do antigo Grupo  Meridional (Bozano Simonsen) e foi reembolsado nos termos do contrato referido. Reporta­se a  doutrina  para  conceituar  reembolso,  traça  sua  relação  com  o  enriquecimento  sem  causa,  e  conclui que seu objetivo é  recompor o patrimônio afetado, e destaca que as dívidas quitadas  (ensejadoras do reembolso) decorreram de atos praticados sob a gestão de Bozano, Simonsen  Financial Holding Ltd.  Demonstra  as  semelhanças  entre  os  conceitos  de  reembolso  e  indenização,  destaca  a  presença  dos  fundamentos  fático  e  normativo  para  pagamento  da  indenização,  e  insiste que o  reembolso  recebido pelo Recorrente decorre,  exatamente,  do  cumprimento dos  termos  contratuais  e  da  responsabilidade  assumida  pelo  Vendedor  de  indenizar  incondicionalmente o Comprador pelas contigências.  Reafirma  que  a  tributação  pretendida  ofende  o  conceito  de  renda,  pois  há  apenas  uma  reposição  do  patrimônio  ou  capital  desgastados,  inexistindo  riqueza  nova,  consoante doutrina e jurisprudência que cita. Reforça a aplicação destes argumentos, também,  no âmbito da incidência da CSLL.  Historia a evolução societária das empresas do Grupo Santander envolvidas  neste caso, para evidencar que o ora Recorrente (Banco Santander (Brasil) S/A), que está sob a  gestão  do  “Grupo  Santander”,  teve  sua  origem  na  aquisição  do  Banco  Meridional  S/A,  posteriormente  Banco  Santander  Meridional  S/A  e  novamente  afirmar  que  não  pagou  “obrigações  próprias”  (decorrentes  de  atos  realizados  sob  sua  gestão)  mas,  sim,  de  obrigações originárias de atos praticados sob a gestão do Vendedor.  Descreve a contabilização dos eventos da seguinte forma:  1) Pelo pagamento das contingências a serem ressarcidas pelo ex­controlador:  (i)  Um  lançamento  a  crédito  na  conta  Caixa/Reserva  e  como  contrapartida  o  lançamento  a  débito  na  conta  COSIF  nº  1.8.8.65.99.0­ 309237/309238/309243/309255 (Valores a ressarcir Escrow);  (ii) Um lançamento a crédito na conta 1.8.8.65.99.0­ 309277 (Recebimento Escrow)  e  como  contrapartida  um  lançamento  a  débito  na  conta  1.8.8.85.00.4­305031  (Valores a Receber de Sociedades Ligadas —Cayman BSB);  2) Pela baixa dos  valores a  ressarcir,  após  ressarcimento pelo  ex­controlador,  os  lançamentos contábeis são os seguintes:  (i) Um lançamento a débito na conta 1.8.8.65.99.0­ 309277 (Recebimento Escrow) e  um lançamento a crédito na conta 1.8.8.65.99.0­309237/309238/309243/309255 no  mesmo valor (Valores a Ressarcir Escrow);  3)  Pelos  depósitos  a  serem  ressarcidos  pelo  ex­controlador  (não  há  pagamento  definitivo  e  sim  registro  contábil  no  ativo,  do  depósito  e  do  correspondente  ressarcimento pelo ex­controlador):  Fl. 4469DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.342          33 (i)  Um  lançamento  a  crédito  na  conta  Caixa/Reserva  e  como  contrapartida  o  lançamento  a  débito  na  conta  COSIF  n°  1.8.8.40.10.4­306963/1.8.8.40.20.7­ 307002/1.8.8.90.8­307037 (Depósitos para Garantia ­ Escrow);  (ii) Um lançamento a crédito na conta 1.8.8.65.99.0­ 309277 (Recebimento Escrow)  e  como  contrapartida  um  lançamento  a  débito  na  conta  1.8.8.85.00.4­305031  (Valores a Receber de Sociedades Ligadas —Cayman BSB);  (iii) Um lançamento a débito na conta 1.8.65.99.0­309277 (Recebimento Escrow) e  como  contrapartida  um  lançamento  a  crédito  na  conta  1.8.8.40.10.4­ 306961/1.8.8.40.20.7­307011/1.8.8.40.90.8­307032  (Recebimento Escrow — Fiscal  / Trabalhista / Cível)  Entende,  assim,  que  clara  está  a  mera  recomposição  do  patrimônio  do  Recorrente, e a desnecessidade de tais recebimentos transitarem por contas de resultado.  Contudo,  reporta­se  aos  anexos  1  a  9  de  sua  defesa,  para  tecer  algumas  considerações acerca da natureza específica dos valores ressarcidos,  relativas a: 1) depósito  para garantia (recebido em maio/2004 e devolvido em 2005, inexistindo qualquer justificativa  para  se  tratar  referidos  valores  como  receitas),  2) obrigações  de  outras  empresas  do Grupo  Meridional adquirido (que passaram a denominar­se Banco Santander S/A, Santander Leasing  e  Santander  Seguros,  e  receberam,  por  repasse,  os  reembolsos  creditados  em  favor  da  recorrente), 3) documentos denominados “Demonstração Contábil Completa” (apresentados à  fiscalização e novamente apresentados com a defesa), 4) exemplos de processos decorrentes de  fatos/períodos  que  se  encontravam  sob  a  gestão  do  vendedor,  5)  exemplo  prático  da  Fiscalização  que  revela  a  falsa  premissa  de  que  os  pagamentos  e  ou  depósitos  feitos  pelo  Recorrente teriam sido lançados como despesa.   Subsidiariamente,  portanto,  pede  que  seja  considerada  a  dedutibilidade  da  obrigação contratual prevista, em contraposição à receita que se pretende tributar. Discorda da  afirmação  da  autoridade  julgadora,  no  sentido  de  que  uma  despesa  é  uma  “faculdade  do  contribuinte”,  pois  é  função  da  Fiscalização  apurar  a  correta  base  de  cálculo  do  tributo,  consoante jurisprudência que cita.  Às  fls.  1565/2208  destes  autos,  constam  documentos  que  acompanharam  o  recurso voluntário, capeados sob o título Escrow e indicando os seguintes sub títulos: 1) atos  societários; 2) Anexos 1 a 9; 3) Processo de R$ 60.044.811,04; 4) Processos Administrativos  nº  19740.000663/2003­40  19740.000684/2005­65;  e  5) Processos Gerais.  Ao  complementar  sua  defesa,  a  contribuinte  juntou  outros  documentos  referentes  à  transformação  do  Bozano,  Simonsen Leasing S.A. – Arrendamento Mercantil  em Santander Leasing S.A. Arrendamento  Mercantil,  e  à  transformação  da  Meridional  Leasing  S.A.  –  Arrendamento  Mercantil  em  Santander  Leasing  S.A.  Arrendamento  Mercantil  (fls.  4098/4135),  bem  como  destinados  a  provar  que  em  nenhum  momento  os  pagamentos  e  os  depósitos  ressarcidos  pelo  Vendedor  transitaram pelo resultado do Requerente (fls. 4136/4226).  A Procuradoria da Fazenda Nacional aduz que para que ocorra o reembolso,  é necessário o dispêndio de determinada quantia pecuniária em nome de terceiro. Todavia, os  pagamentos  em  debate  foram  efetuados  em  nome  próprio,  e  embora  garantias  possam  ser  estipuladas  contratualmente,  a  convenção  particular  não  pode  ser  oposta  em  face  do Fisco,  sequer mascarar o recebimento de receitas.  Reporta­se ao efeito da estipulação do preço de aquisição na composição do  ágio,  demonstrada  na  autuação,  para  concluir  que  os  "recebimentos  escrow"  ocorrem  como  Fl. 4470DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.343          34 forma  de  extinção  de  obrigação  contraída  no  negócio  jurídico  de  compra  e  venda  do  Meridional,  gerando  o  acréscimo  patrimonial  do  Santander  e  não  mera  reposição  do  patrimônio.  Destaca  também  a  acusação  fiscal  de  que  o  pagamento  de  dívidas  cíveis,  trabalhistas ou fiscais acarreta redução patrimonial, de modo que o aumento de seu patrimônio,  decorrente do reembolso destes pagamentos, é tributável.    10. OUTRAS  EXCLUSÕES  –  ATUALIZAÇÃO  DE  DEPÓSITOS  JUDICIAIS  (valor  tributável de R$ 7.339.747,13)  A  autoridade  julgadora  assim  sintetiza  a  exposição  dos  fatos  e  a  argumentação jurídica que constam do Termo de Verificação Fiscal:  2.10.Quanto  aos  fatos,  o  autuante  expõe  que  intimada  a  apresentar  relatório  analítico do valor declarado em "Outras Exclusões" do IRPJ (Ficha 09/Linha 33 da  DIPJ)  e  da  CSLL  (Ficha  17/Linha  29  da  DIPJ),  a  comprovação  documental  das  referidas "Outras Exclusões" e sua fundamentação legal, a contribuinte apresentou  inicialmente os documentos de fls. 462/463. Na planilha de fls. 463, constatou­se a  presença do valor de R$ 7.339.747,13, a título de Atualização Judicial, excluído da  base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Não foi apresentada fundamentação legal para  as referidas exclusões, informando­se apenas que "Atualização de depósito judicial:  receitas  oriundas  de  atualização  de  depósito  judicial  de  processos  fiscais."  Posteriormente, a empresa apresentou os documentos de fls. 497/511, com vistas a  demonstrar  o  cálculo  do  valor  excluído.  Informou  também  que  a  conta  de  ativo  correspondente  ao  referido  depósito  é  1.8.8.40.10.4­  DEVEDORES  POR  DEPÓSITOS  EM GARANTIA­  PARA  INTERPOSIÇÃO DE RECURSOS  FISCAIS.  Em 16/12/2009, totalmente fora do prazo limite da intimação, apresentou o número  dos processos judiciais a que se referem as atualizações (f1s 725), bem como cópias  de peças dos processos. Informou por fim que "na avaliação da Instituição a receita  gerada com a atualização de depósito judicial não são receitas tributáveis".  2.10.1. Quanto ao direito, reportando­se aos artigos 247, caput,  e 250 do RIR/99,  conclui  o  autuante  não  se  encontrar  prevista  a  prescrição  ou  autorização  da  exclusão  das  receitas  correspondentes  à  “atualização  de  depósitos  judiciais”,  tratando­se, pois de exclusão indevida;  2.10.2.Pela  inexistência  de  fundamentação  legal  para  a  redução  de  R$  7.339.747,13, nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do ano­calendário de 2004,  como  parte  das  “Outras  Exclusões”,  devem  ser  formalizados  os  lançamentos  do  IRPJ e da CSLL correspondentes;  A autoridade  julgadora discordou desta exigência. Acolheu o argumento da  recorrente de que a variação monetária de depósitos  judiciais não se sujeita à  incidência do  IRPJ e da CSLL, porque não há disponibilidade econômica ou jurídica desses valores.  Observando  que  a  apuração  do  lucro  contábil  submete­se  ao  regime  de  competência  (arts.  177  e  187  da  Lei  nº  6.404/76),  destacou  que  as  receitas  devem  ser  reconhecidas  no  exercício  em  que  são  realizadas,  ou  seja,  no  período  em  que  sejam  efetivamente  ganhas,  jurídica  ou  economicamente,  não  havendo  porque  se  cogitar  em  realização  de  receita  quando  sua  percepção  estiver  condicionada  a  um  evento  futuro  a  ser  implementado, melhor dizendo, se houver qualquer condição que subordine seu recebimento a  situações futuras a serem implementadas.  Fl. 4471DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.344          35 Acrescentou que a apropriação de uma receita decorrente de ato ou negócio  jurídico condicional encontra­se regrada pelos artigos 116,  inciso II e 117  inciso I do CTN,  destacando que os depósitos judiciais efetuados com o intuito de suspender a exigibilidade do  crédito tributário, nos termos do art. 151 do CTN, a partir de 1º de dezembro de 1998, regem­ se pela Lei nº 9.703, de 17 de novembro de 1998, regulamentada pelo Decreto nº 2.850, de 27  de novembro de 1998, quanto aos tributos e contribuições federais administrados pela SRF. O  art.  2º,  inciso  I,  desse  Decreto,  determina  que  o  montante  depositado  seja  devolvido  ao  depositante  quando do  encerramento  da  lide  ou  do  processo  litigioso,  se  a  sentença  lhe  for  favorável ou na proporção em que o for, acrescido de juros.   Observando, ainda, que, com a sistemática introduzida pela Lei nº 9.703, de  1998,  os  depósitos  judiciais  são  diretamente  repassados  e  disponibilizados  para  a  Conta  Única  do  Tesouro  Nacional,  não  permanecendo  em  conta  de  titularidade  do  depositante  enquanto pendente a lide, concluiu que, nestes casos, a receita financeira só será efetivamente  receita do depositante quando, uma vez finda a pendência judicial com resultado favorável ao  contribuinte,  ou,  excepcionalmente,  por  decisão  judicial  que  o  autorize  antes  desse  evento,  sejam retomados pelo depositante, com os correspondentes acréscimos. Antes disso, não seria  correto  apropriá­los  de  plano  como  receita,  pois  tal  dependeria  de  um  evento  futuro  ­  a  decisão da lide favoravelmente ao contribuinte ­ cuja concretização não pode ser antecipada.   Abordou o  procedimento  contábil  adotado  pela  contribuinte,  atribuindo  aos  registros feitos caráter provisional, dada a simples mera expectativa ou possibilidade eventual  de  ganho,  pois  se  confirmado o  resultado  favorável  da  lide,  ou  se  retomado o  depósito  por  decisão judicial, caberá a reversão tais provisões e a sua apropriação como receitas. Ainda,  estendeu suas conclusões às  receitas decorrentes de outras  formas de depósito  judicial, desde  que correspondem a depósitos cujo valor seja feito em conta da qual o depositante não tenha  titularidade ou disponibilidade enquanto pender a lide e que só lhe sejam revertidos ao final  desta, caso o resultado lhe seja favorável, na proporção que o for, e complementou sua tese  defendendo que não apenas a atualização, mas também os juros incorridos sobre a obrigação  correlata, devem ser computados em provisão,  sem afetar o  lucro  tributável, muito embora a  fiscalização  não  tenha  verificado  a  dedução,  ou  não,  das  despesas  de  juros  passivos  sobre  depósitos judiciais.  Ao  final,  citou  ementas  de  acórdão  da  DRJ/Salvador  e  de  Solução  de  Consulta da  8a RF,  em suporte  à  sua  conclusão. Concluiu,  assim,  pela  exclusão,  da  base  de  cálculo do IRPJ, da CSLL e das Multas Isoladas (50%), do valor total de R$ 7.339.747,13.    11. DECORRÊNCIAS  a.  Multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas:  A autoridade julgadora assim relata a acusação fiscal:  2.11. O autuante  informa que, ao  longo do ano­calendário de 2004, o Cálculo do  Imposto de Renda Mensal por Estimativa­ Ficha 11 da DIPJ foi efetuado com Base  em  Balanço  ou  Balancete  de  Suspensão,  sendo  declarado  zero  de  "Imposto  de  Renda a Pagar" em todos os meses. Por sua vez, o Cálculo da Contribuição Social  sobre  o  Lucro  Líquido  Mensal  por  Estimativa­  Ficha  16  da  DIPJ,  também  foi  efetuado com Base em Balanço ou Balancete de Suspensão, sendo declarado zero de  Fl. 4472DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.345          36 "CSLL a Pagar" em  todos os meses. Como foi declarado zero em todos os meses,  inexistindo  qualquer  recolhimento  de  IRPJ  e  CSLL  por  Estimativa  no  ano­ calendário de 2004, aplica­se o disposto no art. 173 do CTN, e não o disposto no  art.  150,  que  pressupõe  a  existência  de  pagamentos.  As  infrações  descritas  neste  Termo de Verificação influenciaram as bases de cálculo da estimativa do IRPJ e da  CSLL no ano­calendário de 2004, pelo que existe necessidade de sua recomposição,  a partir dos valores declarados em DIPJ pela contribuinte, com base nos Balanços  ou Balancetes de Suspensão.  2.11.1. O artigo 44,  inciso II, “b”, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada  pela  Lei  nº  11.488,  de  2007,  estabelece  a  aplicação,  no  caso  de  lançamento  de  ofício, da multa de 50%, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal  na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/1996, que deixar de ser efetuado.  2.11.2. Pelo exposto, cabe o lançamento da multa  isolada de 50% prevista no art.  44,  inc.  II,  "b",  da Lei  nº 9.430/96  (redação dada pela Lei  11.488/2007),  sobre o  valor do pagamento mensal não efetuado, cujo cálculo é apresentado no ANEXO I  (fl.  889)  deste Termo de Verificação. Nas  planilhas,  são  apresentados:  os  valores  declarados  pela  contribuinte  em  DIPJ  (Fichas  11  e  16,  para  o  IRPJ  e  CSLL,  respectivamente), os valores relativos a cada infração e o valor total das infrações.  A partir deste, é calculado o valor do pagamento não efetuado e a respectiva multa.  A impugnante alegou decadência em razão de o lançamento cientificado em  22/12/2009 ter alcançado fatos geradores ocorridos em 2004, e discordou da aplicação da multa  depois  de  encerrado  o  período  base  (no  caso  2004),  além  de  sua  cobrança  cumulada  com  a  multa de ofício. Como não houve recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL, adotou a regra  do  art.  173,  inciso  I  do  CTN  para  contagem  do  prazo  decadencial,  validando  as  exigências  pertinentes  aos  períodos  de  janeiro,  março,  abril,  maio  e  junho/2004,  acrescentando  que  o  lançamento da multa isolada somente seria possível a partir de 31/12/2004, o que deslocaria o  termo inicial do prazo decadencial para 01/01/2006.  Reforçou que a contribuinte ao infringir a legislação de regência, deixando  de pagar ou recolher tributo (IRPJ/CSLL Estimativa e IRPJ/CSLL no ajuste) e não declarar ou  prestar declaração inexata, ficou sujeita à multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430,  de  1996,  com a  redação dada pela Lei  nº  11.488,  de 15/06/2007,  destacando que o próprio  texto do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 prevê a incidência da multa de ofício e da multa isolada  em razão de diferentes materialidades.   Verificada  falta  de  pagamento  do  imposto/da  contribuição  por  estimativa,  após o término do ano­calendário, o lançamento de ofício abrangerá tanto a multa sobre os  valores  devidos  por  estimativa  e  não  recolhidos,  como  o  imposto/contribuição  devidos  apurados ao término do exercício (31/12), acrescidos da multa de ofício (sobre o valor desse  imposto/contribuição) e juros de mora, consoante determina do art. 16 da Instrução Normativa  SRF nº 93/97.  Em  recurso  voluntário,  a  interessada  reafirma  a  decadência  e,  no  mérito,  mantém  a  mesma  linha  de  defesa,  e  pedindo  que  seja  reconhecida  a  impossibilidade  da  cobrança  da  multa  isolada  nos  autos  de  infração  ora  combatidos,  quer  em  razão  do  encerramento do ano­base, quer em razão da impossibilidade da cobrança cumulativa.  A Procuradoria da Fazenda Nacional defende a aplicação do art. 173, inciso I  do  CTN,  para  fins  de  contagem  do  prazo  decadencial,  dado  que  não  houve  pagamento  de  Fl. 4473DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.346          37 estimativas  no  período  fiscalizado,  bem como defende  a  possibilidade  de  cobrança  da multa  isolada após o encerramento do período, e sua aplicação concomitante com a multa de ofício.  b.  Efeitos  da  exigência  na  apuração  de  prejuízos  fiscais  e  bases  de  cálculo  negativas:   A autoridade julgadora relata que:  ● O  prejuízo  fiscal  (Ficha  09/Linha37)  apontado  na  DIPJ  do  ano­calendário  de  2004, no valor de R$ 141.103.442,49, foi alterado, em razão das infrações apuradas  pela fiscalização, para lucro real no valor de R$ 99.222.992,37. A base de cálculo  da  CSLL  (Ficha  17/Linha  36)  também  foi  alterada  em  razão  das  infrações  contatadas de BC Negativa no valor de R$ 140.868.403,66 para BC (positiva) de R$  99.458.031,20, sem considerar a compensação a seguir comentada;  A  desconstituição  do  valor  tributável  de  R$  7.339.747,13  resultou  na  exoneração, no julgamento de 1a instância, de crédito tributário principal de R$ 1.284.455,73, a  título  de  IRPJ,  e  R$  462.404,06,  a  título  de  CSLL,  acompanhados  dos  acréscimos  correspondentes, no ano­calendário 2004.  c.  Efeitos  da  exigência  na  compensação  de  prejuízos  fiscais  e  bases  de  cálculo  negativas:   ●  o  Saldo  de  Prejuízo  Fiscal  (IRPJ)  e  o  Saldo  de  Base  de  Cálculo  Negativa  de  Períodos  anteriores  (CSLL)  foram  alterados,  gerando  reflexo  na  CSLL  do  ano­ calendário de 2007;  ● Nesse ano­calendário, a contribuinte declarou na Ficha 17/Linha 43­ BC ANTES  COMPENS.  DE  BC  NEGATIVA  DE  PERÍODOS  ANTERIORES  o  valor  de  R$  907.552.382,55 e na linha 44­ BASE DE CALC NEG DA CSLL DE PER ANT­ ATIV  GERAL compensou R$272.265.714,76. Antes mesmo da consideração das infrações  descritas  neste  Termo  de  Verificação,  a  contribuinte  já  havia  extrapolado  em  R$26.598.438,93  o  valor  disponível  para  a  referida  compensação,  que  era  de  R$245.667.275,83, cabendo o correspondente lançamento tributário;  ●  Consideradas  as  infrações  relativas  ao  ano­calendário  de  2004  e  a  correspondente  compensação,  fica alterado o  saldo disponível de BC Negativa de  CSLL de Períodos Anteriores e assim a Base de Cálculo da CSLL do ano­calendário  de  2007,  cabendo  o  correspondente  lançamento  tributário,  no  valor  de  R$170.705.813,02  (parcelas  de  R$  140.868.403,66  e  R$  29.837.409,36,  conforme  "Demonstrativo  de  Apuração"  do  Auto  de  Infração  de  CSLL  relativo  ao  ano­ calendário de 2004).  ●  A  compensação  indevida  da  Base  Negativa  totaliza  pois  R$  197.304.251,95  (R$26.598.438,93 + R$ 170.705.813,02).  Reclamou  a  impugnante  que  em  nenhum  momento,  a  autoridade  fiscal,  “analisou os resultados tributáveis de 2005, 2006 e 2008 demonstrando os eventuais impactos  tributários  nos  valores  apurados  a  título  de  base  de  cálculo  nesses  períodos”  e  que  “não  restou demonstrado, em momento algum, que o valor ora exigido, correspondente ao ano­base  de  2007,  decorre  do  aproveitamento  da  base  de  cálculo  negativa  referente  a  2004  (R$  140.868.403,68), principalmente pelo fato de que no momento da autuação ainda se verificava  saldo acumulado de base negativa”. Ainda, quanto à CSLL exigida pela insuficiência de base  negativa no próprio ano­calendário de 2004, inexistiria qualquer demonstração e comprovação  Fl. 4474DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.347          38 pelo  agente  fiscal  acerca  da  utilização  de  base  de  negativa  de  CSLL.  A  Fiscalização  teria  desconsiderado as demonstrações  fiscais da  impugnante,  sem comprovar ou demonstrar suas  conclusões.  Observando  que  a  Fiscalização  teve  em  conta  os  registros  do  Sistema  de  Acompanhamento do prejuízo Fiscal e Lucro inflacionário e da Base de Cálculo Negativa da  CSLL  (SAPLI)  o  qual  registra  dados  alicerçados  em  informações  prestadas  pela  própria  contribuinte  em  suas  Declarações  (DIRPJ  e  DIPJ),  a  autoridade  julgadora  concluiu  que  as  informações seriam de conhecimento da impugnante.  Reproduzindo  as  informações  constantes  do  SAPLI,  a  autoridade  julgadora  constatou que segundo o histórico do SAPLI – CSLL às fls. 1359/1360, houve um lançamento  em 2010  (PA nº 16643.000055/2010­74 e P.A. nº 16643.000144/2010­11), em que a base de  cálculo do ano­calendário de 2006 foi alterada de um valor negativo de R$ 4.342.681,89, para  um valor positivo de R$ 341.741.672,62, repercutindo­se, assim, no saldo negativo de períodos  anteriores em 31/12/2006 que passou de R$ 74.961.462,81 para R$ 0,00. Por esta  razão, no  recálculo da exigência em razão da exoneração relativa às exclusões indevidas no valor de R$  7.339.747,13,  teve  em  conta,  também,  a  alteração  do  valor  do  saldo  da  Base  de  Cálculo  Negativa em 31/12/2006, conforme informado às fls. 1359/1360, o que resultou na inexistência  de CSLL  a  ser  exonerada quanto  às  exclusões  no  valor  de R$  7.339.747,13,  porquanto,  em  31/12/2006 deixou de existir base de cálculo negativa da contribuição a ser utilizada em 2007  (decorrência dos PA nºs 16643.000055/2010­74 e 16643.000144/2010­11– fls. 1359/1360).  No  recurso  voluntário,  a  interessada  reafirma  que  a  conclusão  fiscal  de  compensação indevida de bases negativas da CSLL em 2007 não está suportada por cálculos,  além  de  a  Fiscalização  não  ter  comprovado  que  a  utilização  indevida  decorreria  do  aproveitamento  da  base  negativa  de  2004,  revertida  no  procedimento  fiscal  (principalmente  porque  no momento  da  lavratura  do  auto  de  infração  em questão  (18/12/2009)  ainda  havia  saldo negativo de CSLL). Em suas palavras:  De fato,  tudo o que se sabe a respeito do cálculo realizado pela Fiscalização está  indicado  no  "Demonstrativo  da  Compensação  de  Bases  Negativas"  anexado  aos  autos de infração e nos itens 129 a 133 do Termo de Verificação Fiscal, que nada  esclarecem a respeito do cálculo utilizado pelo Sr. Agente Fiscal para exigência da  CSLL no ano­calendário de 2007.  Acrescenta, ainda, que em nenhum momento o Sr. Agente Fiscal analisou os  resultados  tributáveis  referentes  aos  anos­base  de  2005,  2006  e  2008,  demonstrando  os  eventuais  impactos  tributários  nos  valores  apurados  a  título  de  base  de  cálculo  nesses  períodos.  Conclui  que  houve  cerceamento  à  sua  defesa,  consoante  jurisprudência  administrativa que cita, além de carecer o lançamento de liquidez e certeza.  Complementa  que  houve  indevido  “aperfeiçoamento”  do  lançamento  pela  Turma  Julgadora”,  na medida  em  que  esta  se  reportou  a  prova  documental  (SAPLI)  obtida  após a lavratura do auto de infração (agosto/2010), para “justificar” o procedimento adotado  pela Fiscalização e “salvar” a autuação em questão. Classifica de mera suposição a referência  a  esta  prova,  na  medida  em  que  tal  documento  não  foi,  em  nenhum  momento,  citado  no  lançamento.  Questiona  a  competência  da  autoridade  julgadora  para  aperfeiçoar  o  lançamento,  bem  como  para  recompor  os  cálculos  da  CSLL  relativa  ao  ano­base  de  2007,  Fl. 4475DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.348          39 considerando, para tanto, os efeitos decorrentes de dois autos de infração,  lavrados em face  do  Recorrente  em  2010  (após  a  autuação  originária  do  presente  processo),  que  deram  nascimento  aos  processos  administrativos  n°s  16643.000055/2010­74  e  16643.000144/2010­ 11.  Ressalta que a conclusão da autoridade julgadora, diante destes fatos, foi de  que  o  valor  da  CSLL  devido  seria  maior  do  que  aquele  efetivamente  lançado,  mantendo  a  exigência fiscal, embora tivesse motivos para afastá­la. Classifica de arbitrária tal conduta, na  qual  a  autoridade  julgadora  assume  a  posição  de  autoridade  lançadora,  recompondo,  indevidamente, os cálculos para a apuração da “correta” base de cálculo da CSLL, referente  ao ano­base de 2007.  Pede, assim, o cancelamento da exigência de CSLL no ano­calendário 2007.  A  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  entende  que  não  há  surpresa  com  a  juntada do SAPLI, na medida em que o sistema é alimentado com informações extraídas das  declarações  apresentadas  pelo  próprio  contribuinte  (DIRPJ  e DIPJ).  Discorda,  também,  da  falta  de  certeza  e  liquidez  do  lançamento,  pois  todos  os  demonstrativos  que  resultaram  no  cálculo dos valores exigidos foram apresentados à contribuinte.  d.  Juros de Mora:   No que tange aos questionamentos contra à aplicação da taxa referencial do  Sistema Especial de Liquidação e de Custódia ­ SELIC como índice para efeitos do cômputo  dos  juros  de  mora,  a  autoridade  julgadora  invocou  as  disposições  legais  que  sustentam  o  lançamento  neste  ponto,  e  destacou  sua  submissão,  como  autoridade  administrativa,  a  estes  preceitos legais.  Quanto  à  aplicação  de  juros  de mora  sobre  a multa  de  ofício,  inicialmente  destacou  que  esta  ocorrência  não  integra  o  lançamento,  mas  acrescentou  que  a  teor  das  disposições  contidas  nos  artigos  113,  §  1º,  e  139  do  CTN,  depreende­se  que  a  penalidade  pecuniária,  a despeito de não  ser  tributo,  faz parte do  crédito  tributário  e,  por  conseguinte,  deve receber o tratamento dispensado pelo CTN ao crédito tributário não integralmente pago  no vencimento (art. 161 do CTN).  Em recurso voluntário, a interessada reafirmou a ilegalidade da cobrança de  juros sobre a multa de ofício, na medida em que só há previsão legal para sua incidência sobre  tributos, e multa não se confunde com tributo.   A Procuradoria da Fazenda Nacional defende a incidência dos juros de mora  sobre a multa de ofício, pois há previsão legal para sua aplicação sobre débitos decorrentes de  tributos e contribuições. Demais disso, a multa de ofício não teria qualquer impacto punitivo ou  educativo  se,  ao  final  do  contencioso  administrativo,  restasse  corroída  pela  inflação,  sendo  ilógica  a  pretensão  de  que  os  juros  incidam  apenas  sobre  o  principal  devido.  Cita  decisões  judiciais  favoráveis  à  sua  tese,  e  subsidiariamente  pede,  ao  menos,  a  manutenção  de  juros  calculados à taxa de 1% ao mês, com fundamento no art. 161 do CTN.  Fl. 4476DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.349          40 Voto Vencido  Conselheira EDELI PEREIRA BESSA  A  abordagem  dos  temas  tratados  nestes  autos  é  iniciada  pela  infração  abordada em sustentação oral por ocasião da primeira sessão de julgamento, em 08 de agosto  de 2012:  9.  RECEBIMENTOS ESCROW (valor tributável de R$ 135.191.120,86)   Argumenta  a  recorrente  que  pagou  dívidas/obrigações  de  responsabilidade  do  antigo  Grupo Meridional  (Bozano  Simonsen)  e  foi  reembolsado  nos  termos  do  contrato  referido. Em tais condições, imprópria se mostra a tributação dos valores assim recebidos, mas,  caso assim se entenda, o pagamento das dívidas decorrentes dos processos cíveis trabalhistas e  fiscais  instaurados  em  face  do  Banco  Meridional  S/A  também  deveria,  por  conseqüência  lógica, ser considerado como uma despesa (o que não ocorreu no presente caso).   Durante  o  procedimento  fiscal,  a  autoridade  lançadora  identificou  na  apuração  do  lucro  tributável  a  dedução,  no  conjunto  de  “Outras Despesas Operacionais”,  de  valores  registrados  na  conta  “DESP  ATUALIZAÇÃO  ESCROW”,  no  valor  total  de  R$  38.036.042,48.  A  função  da  referida  conta  seria  “Registrar  a  variação  quanto  a  garantias  constituídas  fora  do  Brasil  com  o  intuito  de  garantir  a  compra  dos  bancos  adquiridos  pelo  Santander em nosso país”. Esclareceu a contribuinte que ali estaria registrada variação cambial  incidente  sobre direitos a  receber mantidos  em moeda estrangeira,  ao passo que  receitas de  variação cambial teriam sido registradas na conta 875988 do cosif 7.1.9.99.00­9 no valor de R$  14.784.689,28 decorrentes da desvalorização do Real sobre a moeda estrangeira,  resultando  em dedução líquida de R$ 23.251.353,20.  A  autoridade  lançadora  identificou,  nos  registros  contábeis  de  2004,  o  acréscimo líquido de R$ 109.735.969,33 nos valores recebidos em moeda estrangeira em razão  destas  operações,  aí  já  computada  a  redução  líquida decorrente  da  atualização  cambial,  bem  como  confirmou  nos  documentos  de  fls.  485/496  a  existência  de  “recebimentos  escrow”  no  valor  total  de  R$  135.191.120,86.  Para  concluir  que  tais  valores  seriam  tributáveis,  assim  argumentou:  111.  No  documento  de  fls.  512,  o  contribuinte  informa  que  "c)  Os  lançamentos  efetuados  na  conta  cosif  1.8.8.85.00­4  conta  interna  305031  referem­se  exclusivamente a direitos recebidos em conta corrente no exterior do reembolso de  valores  pagos  por  conta  e  ordem  do  antigo  controlador  da  instituição  relativo  a  obrigações de sua responsabilidade. Não houve trânsito pelas contas de resultado dos  valores depositados e não foram oferecidos à  tributação por não se  tratar de renda  tributável. d) Segue contrato de compra e venda do Grupo Meridional­ vide item 5.1  e alteração." (sublinhamos)  112.  Pretende  a  fiscalizada  que  sobre  tais  rendimentos,  denominados  de  Recebimentos  Escrow,  não  incida  tributação.  Observamos  que  já  houve  autuação  fiscal  sobre  tais  receitas,  formalizada  no  processo  n°  16327.002123/2007­17.  Em  sua  defesa,  a  empresa  alega  que  tais  rendimentos  são  reembolsos  de  caráter  indenizatório, por se tratar de dívida de outrem, o que cai por terra pela aplicação  Fl. 4477DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.350          41 do Princípio  da Entidade  (vide  nota  2). Como  base  nesse  principio,  que  afirma  a  autonomia patrimonial da entidade, não há que se falar em dívida de outrem, pois  não  se  confundem  os  compromissos  do  vendedor  com  a  fiscalizada,  com  os  compromissos desta com terceiros. No âmbito do Direito Tributário, cabe destacar  que nesses  recebimentos existe acréscimo patrimonial, como demonstraremos, pelo  que  tais  quantias  que  ingressaram  no  patrimônio  da  fiscalizada  a  título  de  "Recebimentos  Escrow"  são  passíveis  de  tributação,  em  virtude  do  disposto  no  inciso  II  do art.  43  do CTN,  independentemente dos  princípios  de  direito privado  que  o  contribuinte  invoque  em  sua  defesa,  dado  o  disposto  no  art.  109  do  CTN.  Salientamos  ainda  que  inexiste  qualquer  hipótese  legal  de  isenção  de  tais  rendimentos.  Com  dois  exemplos,  ficará  patente  a  falta  de  fundamentação  jurídica  para  a  conduta  do  contribuinte.  Suponhamos  que  uma  empresa  possuísse  uma  provisão  para  contingências  trabalhistas  de  1003.  Em  decisão  judicial,  com  trânsito  em  julgado, define­se que a despesa trabalhista será de 150.  a) Numa situação usual, não há qualquer recebimento. A perda de riqueza efetiva  em decorrência da despesa  trabalhista é de 150 e a dedução para fins  tributários  também é de 150.  b)  No  caso  em  pauta,  considerada  a  despesa  trabalhista  de  150,  como  existe  um  Recebimento Escrow de 50 (valor que ultrapassa a provisão4), a perda de riqueza  efetiva da empresa será de 100.  Para  fins  tributários,  o  contribuinte  em  pauta  reconhece  a  despesa  de  150,  mas  pretende que a receita de Recebimentos Escrow não seja tributável. Ou seja, em sua  interpretação absolutamente inusitada, o contribuinte pretende que tributariamente  a perda de riqueza seja de 150, quando jurídica e economicamente é de 100. Isso  resulta  de  não  ter  sido  oferecido  à  tributação  o  Recebimento  Escrow  de  50,  que  caracteriza um evidente AUMENTO DE RIQUEZA nesse montante.  114.  Como  existe  aumento  de  riqueza,  ou  seja,  acréscimo  patrimonial  do  contribuinte,  em  decorrência  das  quantias  de  Recebimentos  Escrow,  tais  recebimentos  são  passíveis  de  tributação  nos  termos  do  inciso  II  do  art.  43  do  CTN­ Código Tributário Nacional­ Lei n° 5.172/66, transcrito a seguir (grifamos):  [...]  115. Ademais, a respeito dos recebimentos em pauta, inexiste qualquer hipótese legal  de isenção, cabendo transcrever o que dispõe o CTN a respeito:  [...]  116. Uma vez que existe efetivo acréscimo patrimonial, os recebimentos Escrow são  passíveis  de  tributação nos  termos  expostos,  independentemente  dos  princípios de  direito privado que o contribuinte venha a invocar em sua defesa, dado o disposto  no art. 109 do CTN:  [...]  117. Logicamente, antes da aquisição do Grupo Meridional, houve uma avaliação,  como  de  praxe,  baseada  em  pressupostos  estratégicos,  de  mercado,  patrimoniais  etc.  Como  existem  fatores  cuja  avaliação  precisa  é  inviável  a  priori,  embora  normais e  típicos de uma atividade de risco, convencionaram as partes  incluir em  contrato  cláusulas  de  garantia  e  ajuste  em  função  de  ocorrências  futuras,  englobando diferenças e despesas legais, usuais e inerentes à atividade da empresa,  o  que  é  normal  em  aquisições  do  gênero.  Nada  existe,  portanto,  de  atípico  no  tocante ao condicionamento do preço ou aos recebimentos decorrentes do disposto  na cláusula 5.1 do contrato. O que é incomum e juridicamente insustentável, como  Fl. 4478DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.351          42 demonstrado, é a tentativa de caracterizar tais recebimentos posteriores à aquisição  como não passíveis de tributação.5  118.  Demonstrado  está  que  os  ingressos  de  recursos  a  título  de  Recebimentos  Escrow  geraram  acréscimo  patrimonial  na  fiscalizada,  consistindo  em  receitas  passíveis de  tributação, que necessariamente deveriam constar da base de cálculo  do IRPJ e da CSLL. Como não isso não ocorreu, está perfeitamente caracterizada  omissão de Receita não Operacional, passível de lançamento tributário.  Desta argumentação extrai­se que:  · Os  direitos  recebidos  em  conta  corrente  no  exterior  não  transitaram  por conta de resultado e não foram oferecidos à tributação;  · Os compromissos da fiscalizada com terceiros são dívidas próprias;  · O reconhecimento das despesas pagas é incompatível com a pretensão  de são ser tributada a receita do recebimento correspondente;  · Há acréscimo patrimonial e não há hipótese de isenção;  · Recebimentos  posteriores  ao  contrato  de  aquisição  são  passíveis  de  tributação.  Os recebimentos em debate decorreriam da cláusula 5.1 do contrato juntado  às fls. 548 e seguintes, transcrita no Termo de Verificação Fiscal:  5.1. Responsabilidade do Vendedor, Indenização e Garantia   1. O Vendedor assume total  responsabilidade por quaisquer prejuízos que possam  surgir  para  o  Grupo  e/ou  para  o  Comprador  como  consequência  de  qualquer  violação pelo Vendedor de seus compromissos, de suas Declarações e Garantias ou  de ambos. Além disso, o Vendedor obriga­se a indenizar totalmente o Grupo ou o  Comprador,  de acordo com a  escolha do comprador  por  (i)  qualquer diferença a  menor entre a contraprestação líquida efetivamente obtida na alienação dos Ativos  não Operacionais e o seu respectivo Valor Intermediário, como mais precisamente  disposto  na  Cláusula  6.1.;  (ii)  quaisquer  prejuízos  (incluindo  honorários  ou  despesas) que possam surgir para o Grupo dos Processos Judiciais Remanescentes,  no valor que ultrapassar as provisões contidas nas Demonstrações Financeiras Pro  Forma  Auditadas  para  cada  Processo  Judicial  remanescente  e  (iii)  quaisquer  passivos contingentes .... "'  Como  também  aponta  a  Fiscalização,  o  referido  contrato  tem  como  partes  (fls.  514):  Bozano,  Simonsen Financial Holdings  Ltd.  (vendedor); Banco  Santander Central  Hispano  S.A.  (comprador)  e  Julio  Raphael  de  Aragão  Bozano  (garante).  Esclareça­se  que,  consoante consta do referido documento, o comprador, Banco Santander Central Hispano S.A.  é sociedade com sede social em Santander, Espanha, pessoa jurídica distinta da autuada e sua  controladora.  Nestes  termos, portanto, a obrigação de  indenizar, prevista contratualmente,  foi  estabelecida  em  face  da  sociedade  espanhola  e  não  da  fiscalizada,  aspecto  não  abordado  pela  Fiscalização,  que  também  não  avaliou  se  o  pagamento  dos  valores  indenizáveis  efetivamente  reduziram  o  lucro  tributável,  apesar  de  usar  este  argumento  nos  exemplos  que  construiu para demonstrar que a contribuinte auferira riqueza tributável.   Fl. 4479DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.352          43 Estas  imprecisões  já  haviam  sido,  em  parte,  observadas  no  julgamento  do  recurso voluntário interposto contra a decisão que manteve a exigência formalizada nos autos  do  processo  administrativo  nº  16327.002123/2007­17.  Do  voto  do  I.  Conselheiro  Valmir  Sandri,  que  conduz  o Acórdão  nº  1301­00.750,  colhe­se  a  seguinte  percepção  dos  fatos  que  resultaram em registros contábeis semelhantes aos aqui questionados:  Como se viu do relatório, a fiscalização acusa o contribuinte de, indevidamente, não  ter  computado  no  seu  resultado  “ingressos  não  decorrente  das  atividades  operacionais da pessoa jurídica, caracterizado pelo recebimento de valor contratual  e livremente avençado pelas partes”. No entender da fiscalização, trata­se de renda  tributável,  da espécie acréscimo patrimonial de que  trata o art. 43,  II,  do Código  Tributário Nacional.  O  questionado  valor  de  R$  623.488.849,71,  registrado  na  contabilidade  do  Recorrente, e que serviu de base ao lançamento, relaciona­se com uma operação de  compra  e  venda  do  controle  acionário  (96,91%  do  capital)  do  Banco Meridional  S/A.  (sede  no Brasil),  na qual  figura  como  vendedor Bozano,  Simonsen Financial  Holdings  Ltda.,  com  sede  em  Grand  Cayman  (doravante  chamada  Bozano  Holdings), e como comprador Banco Santander Central Hispano S/A, com sede na  Espanha (BSCH).  Identifiquemos, inicialmente, as sociedades envolvidas:  1. Bozano, Simonsen Holding Ltd., sociedade com sede nas Ilhas Cayman (Bozano  Holding Cayman) CONTRATANTE VENDEDOR);  2.  Banco  Santander Central Hispano S/A.,  com  sede  em Madri  (BSCH Espanha).  (CONTRATANTE COMPRADOR);  3. Banco Meridional S/A., com sede em Porto Alegre, Rio Grande do Sul (OBJETO  DO CONTRATO);  4.  Banco  Bozano,  Simonsen  S/A.,  CNPJ  33.517.640/0001­22,  (que  posteriormente  teve sua denominação alterada para Banco Santander S/A.), sociedade controlada  por Banco Meridional S/A.;  5.  Banco  Santander  S/A.  (o  Recorrente),  CNPJ  90.400.888/000142,  nova  denominação  adotada,  após  reestruturação  societária,  por  Banco  Santander  Banespa  S/A.,  que  por  seu  turno  era  nova  denominação  de  Banco  Santander  Meridional.  Essa  reestruturação  societária,  objeto  de  aprovação  na  AGE  de  31/08/2006 (fl. 79 e seguintes do processo), compreendeu a incorporação de várias  empresas  do  grupo,  entre  elas  a  referida  no  item  4  precedente  (Banco  Santander  S/A. CNPJ 33.517.640/0001­22).  A operação pode assim ser sintetizada:  Por contrato de compra e venda celebrado em 18/01/2000 e aditado em 05/05/2000,  Bozano Holdings (Cayman) vendeu para BSHC (Espanha) as ações que possuía do  Banco Meridional  (96,91%  do  capital).  Com  essa  operação,  a  BSHC  (Espanha)  passou  a  ser  controladora  direta  do  Meridional  e  indireta  do  Banco  Bozano,  Simonsen S/A.  Nos  termos  da  cláusula  5.1  do  referido  contrato,  o  vendedor  se  obrigou  “(...)  incondicionalmente a indenizar integralmente o Grupo ou o Comprador, conforme o  Comprador possa decidir, por (...) (iii) qualquer Obrigação Contingente (doravante,  todos os prejuízos e contingências serão designados os "Processos”).  A cláusula I do contrato, que contém as definições, dispõe:  "Obrigações  Contingentes  significa  (a)  qualquer  obrigação  real  ou  potencial  do  Grupo,  que  não  prevista  ou  não  prevista  integralmente  nas  Demonstrações  Fl. 4480DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.353          44 Financeiras  Pro  Forma  Auditadas  inclusive,  entre  outras,  quaisquer  obrigações  tributárias  ou  fiscais,  a  menos  que  outro  tipo  de  recurso  específico  para  compensação econômica esteja previsto neste Contrato (b) quaisquer prejuízos; reais  ou  potenciais,  que  o  Grupo  possa  sofrer  devido  a  qualquer  ativo  constante  das  Demonstrações  Financeiras  Pro  Forma  Auditadas  e  aos  quais  o  Grupo  não  tenha  legalmente  direito  ou  cujos  valores  sejam  inferiores  aos  consignados  nas  Demonstrações  Financeiras  Pro  Forma  Auditadas,  e  (c)  quaisquer  Obrigações  Trabalhistas referentes a quaisquer processos trabalhistas correlatos; desde que, em  todos  os  casos;  elas  (i)  tenham  sua  origem  em  eventos  ocorridos  antes  de  18  de  janeiro de 2000 ou se refiram a qualquer operação realizada ou a ser realizada entre  o Grupo e o Vendedor ou qualquer Parte Relacionada: do Vendedor, antes da data do  Fechamento;  (ii)  sejam  identificados  até  18  de  janeiro  de  2005  e  notificados,  conforme  disposto  na  Cláusula  6.3.1.,  salvo  quanto  às  contingências  de  natureza  fiscal  e  tributária,  que  possam  ser  identificadas  até  18  de  janeiro  de  2007.(...)(negritei)  Também nos  termos do contrato, o comprador e o vendedor se obrigaram a abrir  uma  conta  de  caução  no  exterior  (Escrow  Account),  sendo  Agente  de  Caução,  conforme  aditivo  de  05/05/2000,  fl.  244  do  processo,  o  Banco  Santander  Brasil  International Ltd.  Em 08 de maio de 2000, após a assinatura do contrato (original em 18/01/2000, e  aditivo  em  05/05/2000),  foi  lavrado  auto  de  infração  contra  o  Banco  Bozano,  Simonsen  S/A.  (que  mais  tarde  teve  sua  denominação  alterada  para  Banco  Santander S/A.), quanto a fatos ocorridos no período de 1995 a 1998. Surgiu, assim,  uma obrigação contingente que, nos termos do contrato, é de responsabilidade do  vendedor,  Bozano  Simonsen  Holdings  Ltd.  (Cayman):  obrigação  fiscal  relativa  a  fatos ocorridos antes de 18 de janeiro de 2000 e identificada antes de 18 de janeiro  de 2007.  Tornado definitivo o lançamento na instância administrativa, em 2003 o Recorrente,  na qualidade de sucessor do Banco Bozano, Simonsen S/A., quitou o débito, no total  de R$ 616.598.420,11, com o benefício concedido pela MP 66/2002.  Como,  nos  termos  do  contrato  de  compra  e  venda  firmado,  Bozano  Holdings  (Cayman) era responsável por essa obrigação fiscal, o comprador (BSCH­Espanha)  informou  ao  vendedor  (Bozano HoldingsCayman)  que  o Banco  Santander  S/A.  (o  Recorrente) adiantaria os recurso para o pagamento, e que esse valor seria retirado  da conta de caução.  O  Recorrente,  ao  efetuar  o  pagamento  da  obrigação  fiscal,  contabilizou  o  valor  correspondente como “Valores a Ressarcir de sociedades ligadas – BSB Cayman”.  Toda a questão discutida neste processo gira em torno desse valor, que corresponde  à  obrigação  fiscal  do  antigo  Banco  Bozano,  Simonsen  S/A.,  quitada  pelo  Recorrente.  Considerou  a  fiscalização  que,  ao  ser  ressarcido  do  valor  correspondente  ao  pagamento  dos  DARFs  por  uma  coligada  no  exterior,  o  Recorrente  obteve  um  acréscimo  patrimonial  (receita  não  decorrente  de  sua  atividade  operacional)  que  deveria ter sido oferecida à tributação.  Por  outro  lado,  argumenta  o  Recorrente  que  não  obteve  nenhum  acréscimo  patrimonial,  que  o  valor  recebido  foi  um  reembolso,  porque  teria  adiantado  os  recursos para fins de pagamento de responsabilidade de Bozano Hoding, recursos  esses que estavam depositados na conta de caução para esse fim.  Confira­se:  Fl. 4481DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.354          45 Portanto, claro está que, nos termos do Contrato celebrado em 18/01/00, bem como  do Aditivo celebrado em 05/05/00 e do Contrato de Caução, o Vendedor  (Bozano  Simonsen Financial Holdings Ltd.) está obrigado a indenizar  incondicionalmente o  Comprador  (Banco  Santander  Central  Hispano  S/A.)  por  qualquer  obrigação  contingente (quaisquer obrigações tributárias e fiscais) por meio da transferência dos  valores depositados na Conta de Caução (Escrow Account) ao Comprador.  Assim, no  caso dos  autos,  o Comprador  (Banco Santander Central Hispano S/A.),  por meio  do  ora  Recorrente  (conforme  consta  do  doc.  de  fls.74/75),  efetuou  o  pagamento dos valores constantes do processo administrativo ri° 10768.008506/00­ 95,  devidos  pelo  Banco  Bozano  Simonsen  S/A.  (objeto  do  contrato  de  compra  e  venda em questão sociedade controlada pelo Banco Meridional S/A.), o que gerou,  consequentemente, o reembolso dos valores em questão ao Recorrente.  A meu ver, o Recorrente está a confundir duas obrigações: (1) obrigação própria,  na  condição  de  sucessora  do  Banco  Bozano,  Simonsen  S.A.  (CNPJ  33.517.640/000122), de pagar o crédito tributário objeto do processo administrativo  fiscal nº 10768.008506/00­95; e  (2) obrigação de Bozano, Simonsen Holdings Ltd  (Cayman) de indenizar sua controladora Santander Central Hispano S/A (Espanha)  por obrigação contingente, nos termos do contrato.  O Recorrente traz Parecer Técnico Contábil do Professor Eliseu Martins, acerca do  correto  tratamento  contábil  dos  recursos  pagos  pelo Bozano,  Simonsen Financial  Holdings Ltd., e que deram origem aos lançamentos litigados.  A controvérsia foi situada pelo Ilustre Parecerista na “caracterização do montante  recebido  pelo  Banco  Santander  S.A.  em  uma  escrow  account  referente  ao  pagamento, pelo Bozano, Simonsen Financial Holdings Ltd., à conta da contingência  fiscal encontrada na instituição por ele alienada – Banco Bozano, Simonsen S.A.ao  Banco Santander Central Hispano S.A.”  Assenta  o  Parecerista  que  “(...)  se  a  empresa  adquirida  tinha  uma  contingência  fiscal, que todos davam como remota e que tenha dado origem a uma obrigação do  vendedor de reembolsar o comprador caso se transformasse em efetiva necessidade  de desembolso por parte da empresa adquirida,” ocorre o reembolso.  E conclui que:  “tal  reembolso  refere­se  a  recuperação  de  dinheiro  desembolsado,  dinheiro  devido  pela  vendedora,  e  não  a  acréscimo  patrimonial  legítimo.  Tal  desembolso  visa  recompor  situação  econômica  existente  originalmente  –  quando  da  aquisição  da  sociedade. Assim  sendo,  entendemos  que  não  há  que  se  falar  em  fato  gerador  de  imposto sobre a renda ou de contribuição social sobre o lucro líquido.”  Contudo, a conclusão do ilustre professor, com a devida vênia, restou equivocada,  por ter sua análise partido de uma premissa também equivocada, ou seja, de que a  indenização  (reembolso)  era  devida  ao  Banco  Santander  S.A.(pessoa  jurídica  domiciliada  no  Brasil),  quando,  na  realidade,  era  devida  ao  Banco  Santander  Central Hispano S.A. (pessoa jurídica domiciliada na Espanha).  Para  o  Santander  Central  Hispano  S/A.,  a  indenização  recebida  do  vendedor  Bozano, Simonsen Holding Ltd. (o valor sacado da conta de caução e repassado ao  Recorrente) equivale, em última análise, uma redução do preço pago pelas ações do  Meridional, para ajustá­lo ao valor líquido da contingência.  Todavia, para o Recorrente, não tem a natureza de indenização, ou reembolso por  encargos pagos em nome de terceiros, como entendeu a defesa. O encargo é seu, na  qualidade  de  sucessor  do  autuado.  O  contrato  pelo  qual  a  sociedade  espanhola  (BSCH)  adquiriu  de  Bozano  Holdings  as  ações  do  Meridional  (preço  de  venda,  condições  de  pagamento,  indenizações,  etc.),  produz  efeito  no  resultado  apurado  Fl. 4482DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.355          46 pelas  duas  partes  contratantes,  mas  não  influencia  o  resultado  da  sociedade  adquirida (e suas sucessoras).  Porém, não houve para o Recorrente, um acréscimo patrimonial  tributável, como  entendeu  a  fiscalização,  representado  por  ingresso  de  recursos  decorrentes  de  atividade  não  operacional.  De  fato,  as  despesas  com  tributos,  que  são  de  anos  anteriores  (1995  a  1998),  por  não  terem  sido  contabilizadas  naqueles  anos  (provisionados),  provocaram  aumento  indevido  do  resultado  daqueles  períodos  (podendo, eventualmente, tais resultados ter sido disponibilizado aos sócios).  Assim,  ao  prover  os  recursos  para  seu  pagamento,  o  sócio  não  proporcionou  nenhum acréscimo patrimonial ao Recorrente, mas apenas neutralizou o decréscimo  que lhe causara, ao serem­lhe atribuídos lucros a maior (ou prejuízos a menor) que  os existentes naqueles períodos.  Dessa  forma, a  formalização dos  registros contábeis dos  fatos que  compuseram a  operação não altera seus efeitos fiscais.  O  I.  Conselheiro  Valmir  Sandri  prossegue  traçando  hipoteticamente  os  efeitos  contábeis  do  pagamento  do  lançamento  de  ofício  de  IRPJ  e  CSLL  formalizado  nos  autos do processo administrativo nº 10768.008506/00­95, e afirma tratar­se, ali, de absorção de  prejuízo  à  conta  de  sócio,  o  qual  não  representa  ganho  tributável  consoante  jurisprudência  citada.  Na medida  em  que  a  despesa  com  os  tributos  não  afetou  o  resultado  dos  períodos  objeto do  lançamento,  conclui que os recursos que  ingressaram no caixa do Recorrente não  pode ser configurado como acréscimo patrimonial.  Observa­se  nessa  análise  que  a  Turma  Julgadora  dispunha  de  mais  informações  acerca da operação que ensejou o  recebimento  submetido  à  tributação. Sabia­se  tratar:  1)  de  tributos  originalmente  devidos  pelo  Banco  Bozano  Simonsen  S/A,  sociedade  controlada pelo Banco Meridional S/A, adquirido por Banco Santander Central Hispano S/A  (BSCH  Espanha);  2)  de  exigência  formalizada  contra  a  recorrente,  na  condição  de  incorporadora do Banco Bozano Simonsen S/A, depois da aquisição antes referida, mas tendo  por  referência  fatos  ocorridos  de  1995  a  1998;  3)  de  lançamento  que  tornou­se  definitivo,  sendo quitado pela recorrente em 2003, com o benefício concedido pela Medida Provisória nº  66/2002;  4)  de  pagamento  adiantado  para  posterior  retirada  dos  recursos  da  conta  caução,  consoante  comunicação  do  comprador  (BSCH­Espanha)  ao  vendedor  (Bozano  HoldingsCayman); 5) de pagamento  contabilizado como “Valores a Ressarcir de  sociedades  ligadas – BSB Cayman”.  Nestes  termos,  se  o  pagamento  foi  contabilizado  em  contrapartida  à  constituição  de  um  direito  em  face  de  sociedade  ligadas,  razoável  supor  que  os  tributos  quitados não foram contabilizados como despesas, ou contingenciados como passivo tributário.  Daí não haver como, a partir dos elementos dos autos, negar validade à afirmação da recorrente  de que teria assim contabilizado estas operações:  1) Pelo pagamento das contingências a serem ressarcidas pelo ex­controlador:  (i)  Um  lançamento  a  crédito  na  conta  Caixa/Reserva  e  como  contrapartida  o  lançamento  a  débito  na  conta  COSIF  nº  1.8.8.65.99.0­ 309237/309238/309243/309255 (Valores a ressarcir Escrow);  (ii) Um lançamento a crédito na conta 1.8.8.65.99.0­ 309277 (Recebimento Escrow)  e  como  contrapartida  um  lançamento  a  débito  na  conta  1.8.8.85.00.4­305031  (Valores a Receber de Sociedades Ligadas —Cayman BSB);  Fl. 4483DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.356          47 2) Pela baixa dos  valores a  ressarcir,  após  ressarcimento pelo  ex­controlador,  os  lançamentos contábeis são os seguintes:  (i) Um lançamento a débito na conta 1.8.8.65.99.0­ 309277 (Recebimento Escrow) e  um lançamento a crédito na conta 1.8.8.65.99.0­309237/309238/309243/309255 no  mesmo valor (Valores a Ressarcir Escrow);  3)  Pelos  depósitos  a  serem  ressarcidos  pelo  ex­controlador  (não  há  pagamento  definitivo  e  sim  registro  contábil  no  ativo,  do  depósito  e  do  correspondente  ressarcimento pelo ex­controlador):  (i)  Um  lançamento  a  crédito  na  conta  Caixa/Reserva  e  como  contrapartida  o  lançamento  a  débito  na  conta  COSIF  n°  1.8.8.40.10.4­306963/1.8.8.40.20.7­ 307002/1.8.8.90.8­307037 (Depósitos para Garantia ­ Escrow);  (ii) Um lançamento a crédito na conta 1.8.8.65.99.0­ 309277 (Recebimento Escrow)  e  como  contrapartida  um  lançamento  a  débito  na  conta  1.8.8.85.00.4­305031  (Valores a Receber de Sociedades Ligadas —Cayman BSB);  (iii) Um lançamento a débito na conta 1.8.65.99.0­309277 (Recebimento Escrow) e  como  contrapartida  um  lançamento  a  crédito  na  conta  1.8.8.40.10.4­ 306961/1.8.8.40.20.7­307011/1.8.8.40.90.8­307032  (Recebimento Escrow — Fiscal  / Trabalhista / Cível)  O I. Conselheiro Valmir Sandri discordou deste procedimento, por entender  que  a  dívida  fiscal  seria  da  própria  pessoa  jurídica  autuada  (ora  recorrente),  na  condição  de  sucessora do Banco Bozano, Simonsen S.A., autor dos fatos jurídicos tributários motivadores  do lançamento. O reembolso, por sua vez, seria devido ao BSCH – Espanha, e se prestaria a  reduzir  o  preço  pago  na  aquisição  do  Banco  Meridional,  não  se  caracterizando  como  indenização  em  face  da  recorrente.  Daí,  tendo  em  conta  que  a  exigência  paga  poderia  ter  ensejado  eventual  disponibilização  de  resultados  a  maior  aos  sócios,  concluiu  que  o  antigo  sócio não proporcionou nenhum acréscimo patrimonial ao Recorrente, mas apenas neutralizou  o decréscimo que lhe causara, ao serem­lhe atribuídos  lucros a maior  (ou prejuízos a menor)  que os existentes naqueles períodos.  No caso presente, deve subsistir a conclusão de que a obrigação contratual de  indenizar foi instituída em favor do adquirente do Banco Meridional S/A, o BSCH – Espanha,  na medida em que nenhuma outra evidência foi juntada aos autos quanto a eventual cessão, à  recorrente,  daquele  investimento.  Em  tais  condições,  o  reconhecimento  contábil  de  que  os  valores  caucionados  pelo  vendedor  no  exterior  representariam  direitos  de  propriedade  da  autuada  evidencia  que  a  sua  controladora,  BSCH  –  Espanha,  transferiu­lhe  recursos  para  recomposição das reduções de caixa experimentadas com pagamentos que seria indenizáveis à  sua controladora pelo Bozano, Simonsen Holding Ltd.  Referida cessão de direitos, por parte da controladora, poderia eventualmente  constituir­se  em  acréscimo  patrimonial  tributável,  como  inclusive  cogitou  a  autoridade  julgadora  de  1a  instância  ao  assim  observar:  “...ainda  que  se  trate  de  reembolso  feito  pelo  Bozano, Simonsen Financial Holdings Ltd, sediado em Grand Cayman (Vendedor) ao Banco  Santander  Central  Hispano  S/A,  sediado  na  Espanha  (Comprador),  decorrente  de  contrato  firmado  por  ocasião  da  operação  de  venda  das  ações  do  Banco  Meridional  S/A  (antiga  denominação da interessada), anterior e atual controlador da instituição financeira brasileira,  o  ingresso  de  recursos  no  patrimônio  da  impugnante  configura  receita  (não  operacional)  tributável nos termos do artigo 43, inciso II, do CTN.”  Fl. 4484DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.357          48 Contudo, este fato não poderia justificar a manutenção da presente exigência,  fundamentada no recebimento posterior de valores vinculados a contrato de aquisição no qual a  autuada não figurou como adquirente, e na recomposição de resultados que a Fiscalização não  demonstrou  terem  sido  reduzidos pelo  reconhecimento de despesas pagas  em  tais  condições.  De fato, a autoridade lançadora não detalhou as operações que deram ensejo aos recebimentos  em conta mantida no exterior, contabilizados pela interessada durante o ano­calendário 2004.  Os  relatórios  de  fls.  720/722  indicam  os  valores  registrados  nas  contas  relacionadas  às  operações em debate, mas não identificam a natureza ou a causa dos desembolsos que teriam  ensejado o reconhecimento contábil daqueles valores.   Em conseqüência, um dos aspectos questionados pela recorrente consiste no  fato de alguns pagamentos favorecidos pelo acordo de aquisição referirem­se a depósito para  garantia (recebido em maio/2004 e devolvido em 2005, inexistindo qualquer justificativa para  se  tratar  referidos  valores  como  receitas),  e  a  obrigações  de  outras  empresas  do  Grupo  Meridional adquirido (que passaram a denominar­se Banco Santander S/A, Santander Leasing  e  Santander  Seguros,  e  receberam,  por  repasse,  os  reembolsos  creditados  em  favor  da  recorrente).  Diante deste contexto, impõe­se concluir que a acusação fiscal é insuficiente  para  fundamentar  a  incidência  tributária  sobre  os  recebimento  escrow,  devendo  ser  DADO  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário,  neste  ponto,  para  cancelar­se  as  exigências  daí  decorrentes.  Retomando­se a  seqüência normal de  apreciação dos  aspectos questionados  pela  defesa,  considerando  a  arguição  de  nulidade  da  decisão  recorrida  apresentada  pela  recorrente, é pertinente passar,  inicialmente, à apreciação do  litígio pelo  item 5 do Relatório,  concernente à glosa de DESCONTOS EM OPERAÇÕES DE CRÉDITO (valor tributável de  R$ 12.487.267,53), para depois dar continuidade à análise do mérito na ordem do relatório das  infrações.    5.  DESCONTOS  EM  OPERAÇÕES  DE  CRÉDITO:  valor  tributável  de  R$  12.487.267,53, mantido integralmente;  Entende a recorrente que a decisão de 1a instância seria nula por ter adotado  fundamento  diverso  daquele  expresso  pelo  fiscal  autuante,  para  manutenção  da  exigência,  inclusive  exigindo  a  apresentação  de  provas  documentais  que  seriam  desnecessárias  no  entender  da Fiscalização,  o  que  claramente  cerceou  seu  direito  de  defesa.  Sob  outra  ótica,  a  decisão  também  seria  nula,  porque  não  fundamentada,  na  medida  em  que  apenas  se  transcreveu  uma  decisão  proferida  em  outro  processo  administrativo,  mas  sem  motivar  a  decisão especificamente para o presente caso.   Consoante relatado, a autoridade fiscal identificou que, na apuração do lucro  tributável de 2004, o montante de R$ 28.843.227,18 foi apropriado como descontos concedidos  em operações  de  crédito, mas  parcialmente  revertido mediante  adição,  na medida  em  que  a  contribuinte  reputou  dedutível  apenas  a  parcela  de  R$  12.182.175,06.  Tendo  em  conta  divergências nos montantes  informados pela contribuinte,  a parcela deduzida na apuração do  lucro tributável foi quantificada em R$ 12.487.267,53.  Fl. 4485DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.358          49 Integrando  esta  despesa  à  análise  das  perdas  no  recebimento  de  créditos,  a  autoridade fiscal intimou a contribuinte a (fl. 83):  6. Apresentar  planilha  em meio magnético  com o  detalhamento  por CNPJ  e CPF  dos  valores  excluídos  na  Ficha  09/Linha  29­  PERDAS  DEDUT.EM  OPER.DE  CRED.CONFORME LEI  9430/96,  na  qual  consta R$ 13.954.990,63. Esclarecer  a  fundamentação  legal  da  parcela  que  foi  considerada  dedutível  nos  descontos  concedidos  em  operações  crédito,  no  valor  de  R$  12.182.175,06  e  apresentar  o  correspondente  relatório  do  sistema.  Justificar  que  tenha  sido  considerado  na  adição o valor de R$ 28.538.134,71, quando a variação correspondente às contas  de "Descontos Concedidos" foi de R$ 28.898.489,38.  E, em resposta, disse a contribuinte  (fl. 88):  Item 6: apresentamos em meio  magnético  o  relatório  utilizado  para  exclusão  dos  descontos  concedidos  em  operações  de  crédito. Fundamento legal utilizado: Lei 9.430/96, art. 9o, II, a, b, quais sejam:  Art.9º As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa  jurídica  poderão  ser  deduzidas  como  despesas,  para  determinação  do  lucro  real,  observado o disposto neste artigo.  §1º Poderão ser registrados como perda os créditos:  [...]  II ­sem garantia, de valor:  a)até R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por operação, vencidos há mais de seis meses,  independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento;  b)acima  de  R$  5.000,00  (cinco mil  reais)até  R$  30.000,00  (trinta  mil  reais),  por  operação,  vencidos  há  mais  de  um  ano,  independentemente  de  iniciados  os  procedimentos  judiciais  para  o  seu  recebimento,  porém,  mantida  a  cobrança  administrativa;  [...]  Não consta dos autos o relatório referido. E, na reintimação de fls. 137/138,  cientificada à contribuinte em 04/11/2009, a Fiscalização reitera a exigência anterior e observa:  NOTA:  6.1­  não  foi  esclarecida  a  diferença  entre  a  adição  do  valor  de  R$  28.538.134,71 e a variação correspondente às contas de "Descontos Concedidos",  de R$ 28.898.489,38; 6.2­ não foi apresentada planilha com os valores excluídos na  Ficha  09/Linha  29  da DIPJ;  6.3­  não  foi  esclarecida  a  natureza  do  valor  de  R$  12.182.175,06  constante  da  planilha  apresentada  (parcela  considerada  dedutível  pela  empresa),  a  partir  da  qual  deve  ser  fundamentada  a  sua  dedução;  6.4­  a  planilha  referida  no  item  6.2  deve  ser  acompanhada  de  documentação  comprobatória.  A resposta a estes quesitos consta da petição de 11/11/2009, à fl. 141:  Item 6: Encaminhamos a planilha em meio magnético com a demonstração do valor  de  R$  13.954.990,63  referentes  as  Perdas  no  Recebimento  de  Créditos  utilizados  para exclusão na ficha 09 da linha 29 da DIPJ do ano de 2004. As perdas tomadas  como dedutíveis são as enquadradas na Lei 9.430/96, art. 9o  , § 1o  ,  II, "a" e "b",  com vencimento superior a 360 dias.  Apresentamos o  relatório com as operações de créditos dedutíveis no valor de R$  12.182.175,06. O enquadramento legal é o disposto na Lei 9.430196, art. 9°, § 1o,  Fl. 4486DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.359          50 II,  "a"  e  "b"  e  são  despesas  operacionais  e  usuais  para  a  atividade  da  empresa  oriundas de descontos concedidos sobre operações de crédito.  Sub­item 6.1 ­ A diferença de R$ 360.354,67 existente entre o valor da adição de R$  28.538.134,71 e a  variação correspondente às  contas de descontos  concedidos no  valor de R$ 28.898.489,38 deu­se em virtude de reprocessamento contábil que não  foi refletido no relatório de descontos concedidos.  Sub­item 6.2 e 6.4 ­ Estamos apresentando a planilha com o valor excluído na linha  29 da ficha 09 com a descrição das operações de desconto concedido.  Sub­item 6.3 ­ Esclarecemos a natureza do valor de R$ 12.182.175,06 no item 6.  As  planilhas  e  relatórios  acima  referidos  não  constam  dos  autos.  Após  a  referida  petição  constam,  apenas,  informações  pertinentes  a  ações  trabalhistas,  e  resumos  anuais das  contas que  tratam de provisões. Segue­se,  então,  nova  re­intimação cientificada  à  contribuinte  em  19/11/2009,  por  meio  da  qual  exige­se  a  apresentação  dos  mesmos  documentos  e  esclarecimentos  antes  transcritos,  sem  o  acréscimo  de  qualquer  anotação  (fls.  431/433).  Em 04/12/2009 a contribuinte é cientificada de nova re­intimação, na qual a  nota anterior é substituída pela de seguinte teor: aprofundar a fundamentação legal da dedução  do  valor  de  R$  12.182.175,06  constante  da  planilha  apresentada  (parcela  considerada  dedutível pela empresa) (fl. 475).  No  Termo  de  Verificação,  ao  tratar  a  matéria  em  referência,  a  autoridade  lançadora não citou estas re­intimações, mas apenas os esclarecimentos da contribuinte quanto  ao  valor  da  dedução  que  afetou  a  apuração  do  lucro  tributável  e  os  referentes  ao  enquadramento  legal  adotado  para  a  dedução.  E,  ao  expor  os  fundamentos  jurídicos  para  a  glosa, resta claro que a autoridade lançadora considerou irrelevantes os detalhes das eventuais  renegociações  que  ensejaram  os  descontos  deduzidos,  pois  enquadrando­os  como  perda  no  recebimento  de  créditos,  não  vislumbrou,  dentre  as  hipóteses  legais  desta  normatização  específica, a possibilidade de seu registro.  Na  extensa  argumentação  produzida  pela  autoridade  lançadora  às  fls.  857/869,  alguns  excertos  permitem  vislumbrar  as  principais  diretrizes  que  conduziram  à  conclusão adotada:  [...]  · A norma [Lei nº 9.430/96, arts. 9o a 12] introduziu a figura da "DESISTÊNCIA"  como gênero a envolver toda e qualquer situação que implique renúncia total  do  crédito.  É  a  desistência  de  levar  a  cabo o  processo  judicial  de  cobrança,  antes de decorrido o prazo de cinco anos de vencimento do crédito, a implicar  presunção  legal  de  ato  anormal  de  gestão  ­  por princípio,  de  ordem geral,  o  fisco não compactua com o ato anormal de gestão; esta é uma decorrência da  regra  contida  no  §1o  do  art.  10;  deste  preceito  legal  extrai­se  ainda,  como  consequência,  que  a  desistência,  no  sentido  da  lei,  implica  desfazimento  dos  efeitos produzidos ao tempo do registro da perda presumida ­ §2o do art. 10;  [...]  64.  Apenas  para  fins  de  raciocínio,  mesmo  que  se  aplicasse  a  regra  comum  de  dedutibilidade (artigo 299 do RIR/99), a dedução tributária dos descontos em pauta  também  não  poderia  ser  admitida,  por  caracterizar  mera  liberalidade,  não  se  Fl. 4487DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.360          51 configurando como despesa necessária, como já decidiu o E. Primeiro Conselho de  Contribuintes no Acórdão 103­8.218/88:  "PERDÃO  DE  DÍVIDA:  As  despesas  operacionais  são  aquelas  necessárias,  usuais  ou  normais,  não  se  enquadrando  nesse  conceito  qualquer  liberalidade,  como perdão de dívidas."  [...]  67. Por todo o exposto, claro está que as hipóteses de dedução tributária de "Perdas  em Operações de Crédito"  são aquelas enumeradas nos artigos 9o a 12 da Lei n°  9.430/96,  que  regula  a  matéria,  não  se  encontrando  dentre  elas  os  descontos  concedidos em renegociações. Ademais, a aplicação do disposto nos arts. 299 e 300  do RIR só teria lugar se não houvesse norma especial regendo a matéria de forma  particularizada,  dada  a  prevalência  da  norma  especial  sobre  a  geral.  Não  há  fundamento legal, portanto, para a dedução a título de "Descontos Concedidos em  Operações  de  Crédito"  na  Base  de  Cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL.[destaques  do  original]  A autoridade lançadora, portanto, vislumbra a desistência no recebimento de  um crédito como ato anormal de gestão, e classifica o perdão de dívida como liberalidade, de  modo  que  a  ausência,  na  lei,  de  referência  expressa  à  dedução  de  descontos  concedidos  em  renegociação de dívida, significa que tais valores são integralmente indedutíveis.  De outro lado, excertos do citado voto da então julgadora Selene Ferreira de  Morais deixam evidente que outra foi a interpretação adotada na decisão recorrida:  Data venia, não esposamos o entendimento da fiscalização, segundo o qual qualquer  valor  renunciado  em  acordo,  judicial  ou  extrajudicial,  configura  hipótese  de  desistência, devendo a ele ser aplicada a conseqüência prevista no § 1º do art. 10,  qual  seja,  estorno  ou  adição  ao  lucro  líquido  da  perda  eventualmente  registrada  para determinação do lucro real correspondente ao período de apuração em que se  der a desistência.   [...]  A leitura do art. 9º nos leva à conclusão de que é a lei quem explica e discrimina as  hipóteses que constituem perdas no recebimento de créditos dedutíveis para efeito  de determinação do lucro real. Ou seja, o momento em que os créditos podem ser  registrados  como perdas  e  os  requisitos  que  devem ser  observados  em  cada  caso  decorrem exclusivamente das disposições nele contidas.  [...]  Ao analisarmos os  incisos  I  a  IV, de plano constatamos que existem hipóteses  em  que  a  lei  permitiu  a  dedução  das  perdas  sem  a  necessidade  de  início  dos  procedimentos judiciais de cobrança, tal como no caso dos créditos sem garantia de  valor  até  R$  5.000,00,  por  operação,  vencidos  há mais  de  seis meses.  Em outras  palavras, a lei estabeleceu o momento em que o crédito poderia ser registrado como  perda – seis meses após o vencimento – sem estabelecer nenhum requisito adicional  a ser observado pelo contribuinte. Naturalmente, em vista do disposto no art. 12, na  hipótese de ocorrer  recuperação daquele crédito, o montante recuperado deve ser  computado na determinação do lucro real, no período de apuração em que ocorra a  quitação do débito por qualquer forma.  No  tocante  ao  disposto  no  §  1º  do  art.  10,  ou  seja,  a  hipótese  de  desistência  da  cobrança pela via judicial, entendemos que ela só pode ser aplicada aos casos em  que  a  própria  lei  estabeleceu  como  condição  de  dedutibilidade  o  início  e  a  manutenção dos procedimentos judiciais para o recebimento do crédito.  Fl. 4488DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.361          52 [...]  É  fato  não  controverso  nos  autos  que  as  perdas  glosadas  referem­se  a  descontos  concedidos  em  renegociações  de  operações  de  crédito,  ou  seja,  foram  objeto  de  acordos, judiciais ou extrajudiciais.   Conforme  anteriormente  ressaltado,  o  art.  9º  da  Lei  nº  9.430/1996,  em  seu  §  1º  prevê um tratamento distinto para cada hipótese discriminada nos incisos I a IV e  suas  respectivas alíneas. A  seguir  agrupamos  as  hipóteses  segundo o  critério  dos  procedimentos de cobrança:  a) Hipóteses do  inciso I, e “a”, do  inciso II: sem previsão expressa de adoção de  procedimentos  judiciais  ou  administrativos  necessários  para  o  recebimento  do  crédito.  b)  Hipótese  da  alínea  “b”,  do  inciso  II:  exigência  de  manutenção  da  cobrança  administrativa,  e  dispensa  expressa  de  adoção  dos  procedimentos  judiciais  necessários para o recebimento do crédito.  c)  Hipóteses  da  alínea  “c”,  do  inciso  II  e  incisos  III  e  IV:  exigência  de  início  e  manutenção dos procedimentos judiciais para o recebimento do crédito.  Neste ponto, cumpre ressaltar que não consta dos autos nenhum contrato de crédito,  nem  a  documentação  comprobatória  do  início  e  manutenção  dos  procedimentos  judiciais e administrativos nos casos em que a lei os considera necessários. Também  não consta dos autos cópias dos acordos celebrados, comprobatórios dos descontos  concedidos.   Em que pese, desde o início do procedimento fiscal, a contribuinte ter sido intimada  a apresentar a documentação,  conforme demonstrado no  tópico relativo à análise  do pedido de diligência, não foram anexados aos autos nenhum elemento de prova,  nem com a impugnação.”  Patente, portanto, que a Turma Julgadora adotou fundamento distinto daquele  expresso no lançamento: entendeu que descontos concedidos em renegociações de operação de  crédito são perdas sujeitas aos requisitos de dedutibilidade expressos nos arts. 9o a 12 da Lei nº  9.430/96.  Significa  dizer  que  tais  deduções  não  se  sujeitam  a  glosa  apenas  em  razão  de  sua  natureza – liberalidade, ato anormal de gestão – mas sim tendo em conta as características da  operação, especialmente  seu valor, paradigma que orienta as demais providências  legalmente  exigidas:  Art. 9º As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa  jurídica  poderão  ser  deduzidas  como  despesas,  para  determinação  do  lucro  real,  observado o disposto neste artigo.   § 1º Poderão ser registrados como perda os créditos:   I ­ em relação aos quais tenha havido a declaração de insolvência do devedor, em  sentença emanada do Poder Judiciário;   II ­ sem garantia, de valor:   a) até R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por operação, vencidos há mais de seis meses,  independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento;  b) acima de R$ 5.000,00  (cinco mil  reais) até R$ 30.000,00  (trinta mil reais), por  operação,  vencidos  há  mais  de  um  ano,  independentemente  de  iniciados  os  procedimentos  judiciais  para  o  seu  recebimento,  porém,  mantida  a  cobrança  administrativa;  c) superior a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), vencidos há mais de um ano, desde que  iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento;   Fl. 4489DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.362          53 III ­ com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde que iniciados e mantidos os  procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias;   IV  ­ contra devedor declarado  falido ou pessoa  jurídica declarada concordatária,  relativamente  à  parcela  que  exceder  o  valor  que  esta  tenha  se  comprometido  a  pagar, observado o disposto no § 5º.  §2º  No  caso  de  contrato  de  crédito  em  que  o  não  pagamento  de  uma  ou  mais  parcelas implique o vencimento automático de todas as demais parcelas vincendas,  os limites a que se referem as alíneas a e b do inciso II do parágrafo anterior serão  considerados  em  relação  ao  total  dos  créditos,  por  operação,  com  o  mesmo  devedor.  §3º Para os fins desta Lei, considera­se crédito garantido o proveniente de vendas  com reserva de domínio, de alienação fiduciária em garantia ou de operações com  outras garantias reais.  §4º No caso de  crédito com empresa  em processo  falimentar ou de  concordata,  a  dedução da perda será admitida a partir da data da decretação da falência ou da  concessão  da  concordata,  desde  que  a  credora  tenha  adotado  os  procedimentos  judiciais necessários para o recebimento do crédito.   §5º A parcela do crédito cujo compromisso de pagar não houver sido honrado pela  empresa  concordatária  poderá,  também,  ser  deduzida  como perda,  observadas  as  condições previstas neste artigo.   §6º Não será admitida a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa  jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como com  pessoa  física  que  seja  acionista  controlador,  sócio,  titular  ou  administrador  da  pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas.  Como  conseqüência  da  interpretação  diversa  atribuída  à  norma  legal,  a  autoridade  julgadora  manteve  a  exigência  por  não  ter  sido  provado  o  atendimento  a  estes  requisitos de dedutibilidade,  incorporando não só os fundamentos do voto da então julgadora  Selene Ferreira de Morais, como também suas conclusões, em que pese o contexto fático por  ela  analisado  fosse  totalmente  distinto  daquele  aqui  verificado.  De  fato,  na  parte  final  dos  excertos antes reproduzidos, diz­se não constar dos autos nenhum contrato de crédito, nem a  documentação  comprobatória  do  início  e  manutenção  dos  procedimentos  judiciais  e  administrativos nos casos em que a lei os considera necessários, além de cópias dos acordos  celebrados,  comprobatórios  dos  descontos  concedidos,  em  que  pese,  desde  o  início  do  procedimento fiscal, a contribuinte ter sido intimada a apresentar a documentação.  Contudo,  na  medida  em  que  o  procedimento  fiscal  não  fez  tais  questionamentos,  promovendo  a  glosa  pelos  motivos  antes  mencionados,  a  divergência  da  autoridade julgadora, quanto a estas premissas, deveria resultar na desconstituição da exigência  ou, eventualmente, na devolução dos autos em diligência, para complementação do lançamento  com  novos  fatos  que  pudessem  dar  substância  para  manutenção  do  lançamento  segundo  a  interpretação  dos  requisitos  legais  adotada  pela  autoridade  julgadora,  observado  o  prazo  decadencial e a regular ciência da interessada.  Assim,  tem  razão  a  recorrente  quando  reputa  inválida  a  decisão  recorrida,  neste  ponto  da  análise.  Todavia,  a  declaração  de  sua  nulidade  não  se  mostra  adequada,  em  razão do que dispõe o Decreto nº 70.235/72:  Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  Fl. 4490DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.363          54 II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente  ou  com  preterição do direito de defesa.  § 1º A nulidade de qualquer ato  só prejudica os posteriores que dele diretamente  dependam ou sejam conseqüência.  §  2º  Na  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  dirá  os  atos  alcançados,  e  determinará  as  providências  necessárias  ao  prosseguimento  ou  solução  do  processo.  §  3º  Quando  puder  decidir  do  mérito  a  favor  do  sujeito  passivo  a  quem  aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará  nem mandará  repetir  o  ato  ou  suprir­lhe  a  falta.  (Incluído  pela Lei  nº 8.748,  de  1993) (negrejou­se)   Isto  porque,  adentrando­se  ao mérito  da  exigência,  não  há  como deixar  de  reconhecer a pertinência dos argumentos desenvolvidos pela então julgadora Selene Ferreira de  Morais: descontos concedidos em renegociações de operação de crédito são perdas sujeitas aos  requisitos de dedutibilidade expressos nos arts. 9o a 12 da Lei nº 9.430/96. Tais renegociações,  quando administrativas, em nada se distinguem dos acordos judiciais, por meio dos quais cada  parte  faz  concessões  para  que  a  obrigação  seja  extinta.  Irrelevante,  portanto,  se  a  concessão  feita pela parte credora é denominada desconto, perdão, abatimento, dentre outros. Em todos  estes casos há perda, cuja dedução deve observar as exigências legais.  Em conseqüência, perdas com créditos sem garantia, de valor até R$ 5.000,00  por operação, vencidos  há mais de  seis meses,  são dedutíveis no momento da  renegociação,  pois a  lei  assim assegura,  independentemente de  iniciados os procedimentos  judiciais para o  seu recebimento. Em reforço, veja­se como o art. 10 da referida Lei determina o registro desta  perda:  Art.10.Os  registros  contábeis  das  perdas  admitidas  nesta  Lei  serão  efetuados  a  débito de conta de resultado e a crédito:  I ­ da conta que registra o crédito de que trata a alínea a do inciso II do § 1º do  artigo anterior;   II ­ de conta redutora do crédito, nas demais hipóteses.  [...] (negrejou­se)  O  direito,  nestas  condições,  deixa  de  existir  contabilmente,  pois  nenhuma  outra providência futura é exigida para fins de dedutibilidade da perda.  Diante  deste  contexto,  deveria  a  autoridade  lançadora  ter  investigado  as  operações que resultaram na redução do valor  tributável em 2004, e identificado aquelas que  não  atendiam  às  exigências  legais  para  sua  dedutibilidade.  Não  sendo  mais  possível  o  aperfeiçoamento da exigência, em razão do decurso do prazo decadencial, deve ser afastada a  exigência.  Portanto, deixa­se de declarar a nulidade da decisão recorrida para, no mérito,  cancelar  as  exigências  decorrentes  da  glosa  de  descontos  em  operações  de  crédito,  e  assim  DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao item 5 do Relatório.    Fl. 4491DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.364          55 1.  PROVISÃO  PARA  CONTINGÊNCIAS  TRABALHISTAS  (valor  tributável  de  R$  40.500.255,68)  Argumenta  a  recorrente  que  os  valores  glosados  não  corresponderiam  a  provisões, mas  sim  a montantes  efetivamente  despendidos, ou  seja,  sucumbências  definitivas  nos  referidos  processos  judiciais,  que  foram  pagas  aos  reclamantes/autores,  bem  como nos  casos em que foi necessária a realização de depósitos judiciais dos montantes discutidos, na  medida  em  que  houve  saída  de  caixa  e  disponibilização  em  contas  do  Tesouro  Nacional.  Complementa  que  teria  demonstrado  e  comprovado  por meio  dos  documentos  apresentados  durante o procedimento fiscal.   Constatou a autoridade lançadora que, do total de R$ 53.864.838,85 deduzido  a título de "DESP PROV CONTINGÊNCIAS TRABALHISTAS", no ano­calendário 2004, a  contribuinte adicionou apenas a parcela de R$ 10.130.268,86, motivou pelo qual intimou­a, em  17/09/2009 (fl. 78/79), a:  1. Justificar a diferença entre o valor das Despesas de Provisão para Contingências  Trabalhistas deduzidas na Ficha 05 da DIPJ (R$ 53.864.838,35­ conta 819990061  subconta  946121)  e  a  respectiva  adição  efetuada  na  Ficha  09  da  DIPJ  (R$  10.130.268,86). No tocante aos itens "c" e "d" do documento do contribuinte datado  de 03/08/09, demonstrar o fluxo contábil descrito com base na escrituração (razão  ou  diário,  acompanhado  das  fichas  contábeis,  com  data,  valor,  histórico  e  contrapartida  do  lançamento).  Apresentar  documentação  comprobatória  das  referidas despesas,  incluindo planilha com o detalhamento das despesas deduzidas  com data, valor, histórico e CPF ou CNPJ do beneficiário.  O  mencionado  documento  de  03/08/2009  consta  à  fl.  59,  presta­se  a  esclarecer a relação entre as “Outras Adições”  (Ficha 09/ Linha 20) e as contas COSIF de  despesas, e dele se extrai:  c) Dentre as diversas contas informadas na Ficha 09 / linha 20 da DIPJ do ano base  2004  destacamos  que  a  contabilização  da  Provisão  Trabalhista,  no  ano  base  de  2004, seguiu o fluxo abaixo:  (i), Pelo pagamento da indenização : Débito: 8.1.7.33.00­4 (952.400) Despesa  Pagamento de Ações Judiciais Trabalhista e Crédito: Caixa/Reserva Bancária;  (ii)  Pelo  estorno  da  Provisão  :  Débito:  4.9.9.35.10­5  (677.665)  Provisão  Trabalhista  e Crédito:  8.1.7.33.00­4  (952.400) Despesa Pagamento  de Ações  Judiciais Trabalhista;  (iii) Pela reconstituição da Provisão : Débito: 8.1.9.99.00­6 (946.121) Despesa  de  Provisão  Trabalhista  e  Crédito:  4.9.9.35.10­5  (677.665)  Provisão  Trabalhista;  d)  Informamos  que  o  valor  de  R$  43.734.569,49  (movimentação  das  contas  de  provisão  e  de  despesa  trabalhista)  é  oriundo  do  fluxo  contábil  acima  (item  c)  e  refere­se a pagamento de ações trabalhistas demonstrados conforme planilha anexa  e extrato contábil das contas. (destaques do original).  Após ser reintimada em 09/10/2009 (fls. 80/81) e 21/10/2009 (fls. 82/83), a  contribuinte teria encaminhado a documentação solicitada referente as Despesas de Provisão  para Contigências Trabalhistas, relatório impresso e em CD, conforme petição de fl. 84. Na  seqüência deste documento estão juntados (fls. 87/111):  Fl. 4492DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.365          56 · Somatório  de  registros  mensais  da  conta  nº  8.1.7.33.00.4  (Indenizações Trabalhistas); e  · Relatórios  mensais  de  indenizações  trabalhistas,  com  informações  dispostas  sob  os  títulos: data,  reclamante, processo, Vara/Comarca,  Evento (pagamento e levantamento de depósitos, pagamento de IRRF  e INSS, etc) e Saldo.  A autoridade  lançadora  lavrou, então, nova reintimação em 03/11/2009 (fls.  137/139), na qual exigiu as mesmas justificativas antes transcritas e acrescentou:  Notas: 1.1­ o fluxo contábil citado não foi demonstrado com base na escrituração;  1.2­  a  planilha  com  o  valor  total  de  R$  43.734.569,49  é  apenas  referência  para  parte da documentação comprobatória, que não foi apresentada.  Em  resposta,  a  contribuinte  apresentou  a  petição  de  fl.  140,  na  qual  fez  constar:  Item 1:  Sub­item 1.1 ­ Encaminhamos os razões contábeis que demonstram os lançamentos  efetuados no fluxo contábil das provisões trabalhistas apresentado no atendimento  anterior (CD);  Sub­item 1.2  ­ Apresentamos  documentação,  por  amostragem,  comprobatória  das  despesas de pagamento de ações judiciais trabalhistas (doc.01).  Às  fls.  142/175  constam  relatórios  idênticos  aos  de  fls.  88/112,  acompanhados de listagem dos casos selecionados por amostragem, os quais representariam R$  7.173.239,20 do total contabilizado de R$ 43.734.569,49, ou seja, 16,40% deste montante (fl.  176).  Os  documentos  de  fls.  178/242  seriam  as  provas  das  despesas  demonstradas  por  amostragem.   Outra  reintimação  é  lavrada  em 03/12/2009,  na  qual  as mesmas  exigências  inicialmente  descritas  são  acrescidas  da  seguinte  nota:  a  planilha  com  o  valor  total  de  R$  43.734.569,49 é apenas  referência para parte da documentação comprobatória,  que não  foi  integralmente apresentada (fls. 474/476). Não há notícia de seu atendimento.  A  autoridade  fiscal,  então,  formaliza  o  lançamento,  descrevendo  as  intimações  antes  mencionadas,  apontando  a  indedutibilidade,  no  âmbito  tributário,  das  provisões, e assim  reportando­se aos documentos apresentados pela contribuinte no curso do  procedimento fiscal:  26. Em resposta aos termos 14 a 19, foram apresentados os documentos de fls. 87 a  111, que consistem em uma planilha totalizadora (fls. 87) e em relações mensais de  pagamentos  efetuados,  com  data,  reclamante,  processo,  vara/comarca,  evento  e  saldo. Observe­se que nas intimações foi solicitada "documentação comprobatória  ... incluindo planilha", ou seja, embora tal planilha consista em uma referência para  a  documentação  probatória,  não  se  confunde  com  ela,  sendo  apenas  parte  da  mesma.  27.  A  título  de  documentação  probatória,  a  empresa  apresentou  documentos  relacionados no quadro de fls. 176, no valor de R$ 7.173.239,20, frente a um total  de  R$  43.734.569,49  que  a  empresa  alega  tratar­se  de  pagamento  de  ações  trabalhistas. O termo amostragem, utilizado pelo contribuinte para os documentos  Fl. 4493DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.366          57 fornecidos,  não  é  adequado,  pois  se  trata  dos  únicos  documentos  por  ele  apresentados  frente  ao  universo  solicitado,  muito  mais  abrangente,  e  não  de  documentos  que  correspondam  integralmente  à  solicitação  de  uma  amostra  específica pela fiscalização, o que caracterizaria "amostragem".  28. É necessário que a empresa comprove que os registros correspondem aos fatos.  No  caso  em  pauta,  não  há  como  prescindirmos  da  totalidade  da  documentação  probatória do valor de R$ 43.734.569,49, dado que seu número permite o exame e o  valor  envolvido  o  justifica.  Dessa  forma,  ainda  que  os  documentos  apresentados  justificassem os correspondentes dispêndios (R$ 7.173.239,20), não teriam o condão  de validar o valor total deduzido pela empresa (R$ 43.734.569,49).  29.  Em  exame  individualizado,  validamos  parcialmente  a  documentação  apresentada  pela  empresa  (fls.  178/242)  para  justificar  a  dedução  efetuada.  O  critério  utilizado  foi  o  de  que  o  documento  demonstrasse  tratar­se  de  despesa  efetiva, com o valor perfeitamente definido, e não de simples expectativa de perda.  Caso contrário, ainda que exista depósito judicial, trata­se de garantia processual  ou  recursal,  atendendo  ao  conceito  de  provisão,  que  é  indedutível,  conforme  fundamentação jurídica apresentada no item "DO DIREITO".  30. Exemplificando: no caso do reclamante "Arlindo Lobato Alves" (fls. 178), houve  inicialmente um depósito de R$ 90.154,59 (provisão), com a posterior definição em  Alvará  Judicial  do  valor  a  ser  recebido  pelo  reclamante  (R$  61.788,93),  que  caracteriza despesa efetiva e foi validado para fins de dedução tributária. No caso  do reclamante "Anastácio R. de Camargo e outro", consta no documento de fls. 179  o  depósito  de  R$  2.737.686,00,  "à  ordem  e  disposição  desse  juízo".  Tal  depósito  isoladamente caracteriza no máximo garantia processual, face a uma expectativa de  perda  , de valor  indefinido, atendendo ao conceito de provisão  , que é  indedutível  para  fins  tributários.  Portanto,  a  partir  desse  documento  isoladamente,  não  é  possível  validar  a  dedução  tributária  de  R$  2.737.686,00,  pretendida  pelo  contribuinte  sob  fiscalização.  No  caso  em  pauta,  não  existe  fundamentação  legal  para validar a dedução tributária com base em documentos que apresentem apenas  valores, ou que não os apresentem.  31. De acordo com o critério de validação exposto, foram validados os documentos  relativos aos seguintes reclamantes, com respectivos valores:  Reclamante            Valor (R$)  Arlindo Lobato Alves        61.788,93  Janaína Gonçalves Xavier        66.436,30  João Paulo La Porta Machado e outros (5)    1.062,40  João Paulo La Porta Machado e outros (5)    11.473,82  João Paulo La Porta Machado e outros (5)    147.353,67  João Paulo La Porta Machado e outros (5)    22.910,23  João Paulo La Porta Machado e outros (5)    7.648,13  João Paulo La Porta Machado e outros (5)     9.880,36  Lahires Jesus Martins Motta       92.645,52  Leandro de Oliveira Rodrigues       147.619,00  Mario Colares Moreira Leitão de Almeida     1.624.741,73  Mauro Fernando Flores Gonçalves      128.873,59  Paulo Renato Kikina         79.845,64  Rosane Cardoso Dornelles         420.821,61  Fl. 4494DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.367          58 Rosane Cardoso Dornelles         260.000,00   Tarcius Magnus Lopes de Macedo       151.212,84  TOTAL             3.234.313.81  32. Resta demonstrado que não foram atendidos os requisitos legais na dedução de  R$ 53.864.838,35, efetuada pelo contribuinte na Linha 30 da Ficha 05 da DIPJ, a  título de "DESP PROV CONTINGENCIAS TRABALHISTAS", com a correspondente  adição  nas  Fichas  09  e  17  da  DIPJ  de  apenas  R$  10.130.268,86.  Restando  R$  43.734.569,49  de  adição  não  efetuada  a  justificar  e  comprovar,  o  contribuinte  apresentou  justificativa  e  documentação  comprobatória  para  o  valor  de  R$  3.234.313,81,  do  que  se  conclui  que  R$  40.500.255,68  que  deveriam  ter  sido  adicionados  nas  Fichas  09  e  17  da  DIPJ  não  o  foram,  reduzindo  assim,  indevidamente  e  nesse  valor,  as  bases  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL  do  ano­ calendário  de  2004.  Pelo  exposto,  cabe  a  formalização  dos  correspondentes  lançamentos tributários nos autos de infração anexos, dos quais o presente termo de  verificação é parte integrante.  Não  há  reparos  ao  procedimento  fiscal:  a  autoridade  lançadora  intimou  e  reintimou, por mais de uma vez, a contribuinte a apresentar documentação comprobatória das  referidas despesas, incluindo planilha com o detalhamento das despesas deduzidas com data,  valor, histórico e CPF ou CNPJ do beneficiário. Em resposta,  inicialmente, apenas planilhas  foram apresentadas. Num segundo momento, a contribuinte ofertou documentos pertinentes a  algumas operações por ela selecionadas, amostragem que foi rejeitada pela autoridade fiscal na  última reintimação, ao destacar que a documentação não foi integralmente apresentada.  De  outro  lado,  a  autoridade  lançadora  examinou  os  documentos  que  lhe  foram  parcialmente  apresentados,  expondo  as  razões  para  admitir  demonstradas  apenas  algumas  operações,  e  permitindo  à  contribuinte  formular  sua  defesa.  Nesta  oportunidade,  porém,  a  contribuinte  não  logrou  evidenciar  qualquer  irregularidade  na  apreciação  da  prova  pela fiscalização, apenas discordando da inadmissibilidade das deduções que teriam sido objeto  de  depósito  judicial,  questionamento  validamente  rejeitado  na  decisão  recorrida,  cujos  fundamentos são, aqui, adotados:  8.6.6.Cumpre  apenas  acrescentar  que  os  depósitos  judiciais  realizados,  embora  correspondam a desembolsos (retirada de valores do Caixa), não se consubstanciam  em despesas porquanto o valor da dívida não está ainda totalmente definido, aliás,  em muitos casos, nem está definido que o resultado do julgamento judicial resultará  em dívida para a contribuinte (ela poderá ser vencedora na lide judicial). Como o  depósito judicial possui caráter de “provisão”, conclui­se pela sua indedutibilidade  da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, porquanto inexiste na legislação tributária  autorização para tal. E mesmo na hipótese de existência dessa autorização, haveria  que se averiguar de que tipo de despesa resultou a demanda judicial (ex. multas por  infração de trânsito não seriam dedutíveis).  Não  merece  acolhida,  também,  a  alegação  da  contribuinte  de  que  seria  extremamente difícil obter o comprovante de todos os pagamentos e depósitos realizados. Sua  escrituração  contábil  deve  refletir  os  fatos  jurídicos  que  influenciam  sua  atividade,  e  certamente  o  registro  das  despesas  aqui  questionadas  se  fez  à  vista  do  conjunto  probatório  exigido  pela  Fiscalização.  Assim,  se  a  interessada  não  cumpriu  com  o  dever  que  a  lei  lhe  impõe,  de  conservar  em  ordem,  enquanto  não  prescritas  eventuais  ações  que  lhes  sejam  pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos  ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (art. 264 do  Fl. 4495DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.368          59 RIR/99), não cabe ao Fisco, ou às autoridades julgadoras, promover diligências para suprir esta  falha.  O princípio da verdade material não é absoluto, e deve ser interpretado à luz  das normas processuais  e do contexto  fático. A dificuldade na obtenção da prova deveria  ter  sido oposta à Fiscalização, mediante a solicitação de prorrogação de prazo ou de requerimento  de prova por amostragem. A contribuinte, contudo, optou por selecionar uma amostragem das  operações  para  demonstração,  impondo­a  ao  Fisco,  e  ignorando  suas  exigências  acerca  da  necessidade de comprovação integral das operações.   Na  oportunidade  que  teve,  em  impugnação,  nenhum  outro  elemento  juntou  aos autos. Em recurso voluntário alterou, de certa forma, sua postura, pois embora reafirmando  ser dever do Fisco buscar estas informações junto à Justiça do Trabalho, anexou aos autos os  documentos de fls. 2233 (constante do volume 12, pois há também folha com este número no  volume  11)/3758,  capeados  sob  o  título Contingências  Cíveis  e  Trabalhistas,  apesar  de  não  fazer qualquer referência específica neste sentido em sua defesa. De fato, as indicações de que  existiriam provas juntadas ao recurso voluntário prestavam­se a reafirmar os documentos antes  apresentados à Fiscalização, consoante abaixo transcrita:  Ocorre  que,  ao  contrário  do  que  foi  afirmado  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  e  referendado  no  Acórdão  no  16­26.395,  o  Recorrente  comprovou  e  demonstrou  (docs.  anexos),  que  não  houve  qualquer  exclusão  indevida,  já  que  os  valores  deduzidos  corresponderam  às  sucumbências  definitivas  nos  referidos  processos  judiciais,  que  foram  pagas  aos  reclamantes/autores,  assim  como  à  perda  efetiva  com tarifas que deixaram de ser pagas pelos clientes.  Correto,  portanto,  o procedimento adotado pelo Recorrente.  Isso porque, a partir  do  momento  em  que  ocorre  o  efetivo  dispêndio,  o  valor  provisionado  deve  ser  reconhecido como despesa. Cite­se, nesse sentido, Rubens Gomes de Souza 7: "(..)  se  as  contingências  financeiras  acobertadas  pelas  provisões  se  tivessem  efetivado  (isto é, se tivessem tornado exigíveis) durante o exercício, elas não apareceriam no  Balanço como provisões, mas como despesas” (g. n)  De fato, diante da prolação de decisões definitivas nas  lides  judiciais em questão,  com o respectivo pagamento das indenizações trabalhistas e cíveis, conforme cópias  dos  processos  e  guias  de  recolhimento  apresentadas  (docs.  anexos),  o Recorrente  deduziu, corretamente, tais despesas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL.  [...]  Isso porque, o Recorrente apresentou cópia de vários processos  judiciais e cíveis,  com as respectivas decisões, homologações, acordos, comprovantes de pagamento,  comprovantes  de  depósito,  etc  —conforme  pode­se  verificar  pelas  respostas  à  fiscalização apresentadas em 12/11/2009; 19/11/2009, e 27/11/2009 (docs. anexos).  Especificamente,  no  que  diz  respeito  às  contingências  trabalhistas,  o  Recorrente  apresentou  à  Fiscalização  (em  12/11/2009)  planilha  com  o  número  de  todas  as  reclamações trabalhistas que geraram as despesas no ano­base de 2004, bem como  com a indicação dos eventos aos quais corresponderam cada dispêndio, como, por  exemplo, "pagamento de acordo", "pagamento de depósito judicial", "pagamento de  INSS" e "pagamento de IRRF" (docs. anexos). (destaques do original)  De  toda  sorte,  ainda  que  se  possa  superar  a  restrição  do  art.  16,  §4o  do  Decreto nº 70.235/72, admitindo­se que o volume de informações justificaria a  inobservância  da sua necessária juntada em impugnação, o fato é que a prova, como apresentada, pouco afeta  a  exigência.  De  fato,  em  raros  casos  apresentados  é  possível  estabelecer  correlação  entre  o  Fl. 4496DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.369          60 valor  contabilizado  (informado  à  Fiscalização  por  meio  dos  documentos  de  fls.  87/111),  o  beneficiário  e  o  processo  judicial  ali  indicados,  e  identificar  decisão  judicial  condenatória  definitiva ou acordo que justificasse o pagamento da despesa.   E  isto  especialmente  porque  os  documentos  estão  juntados  sem  qualquer  esclarecimento acerca de seu conteúdo, o que exigiu a análise individualizada das informações  neles  expressa,  e  seu  confronto  com os  demonstrativos  “Indenizações Trabalhistas” que  lhes  antecedem,  de  modo  a  tentar  extrair  o  fato  que  se  pretendia  provar.  Nesta  apreciação,  observou­se  que os  elementos  juntados  a partir  da  fl.  2940  corresponderiam  às  questionadas  provisões para contingências trabalhistas, mas, quando legíveis, expressavam ocorrências que  por si só não justificariam o registro da despesa, pois:  · Comprovantes de recolhimento de  imposto de renda retido na  fonte,  de  contribuições  previdenciárias  ou  de  FGTS  eventualmente  incidentes  sobre  remunerações  pagas  em  razão  de  condenação  no  âmbito  da  Justiça  do  Trabalho  somente  seriam  despesas  se  a  remuneração correspondente tivesse sido contabilizada pelo seu valor  líquido  (no  caso  de  tributos  descontados  do  beneficiário),  ou  se  tais  tributos  fossem  comprovadamente  encargo  da  fonte  pagadora,  além  de  devidamente  associados  a  uma  condenação  irrecorrível  e  líquida  em reclamatória trabalhista;  · Depósitos judiciais prestam­se como garantia para discussão do valor  pleiteado  pelo  reclamante,  assim  como  os  autos  de  penhora,  e  somente  com  a  definitividade  da  decisão  nos  embargos  à  execução  podem  ser  convertidos  em  despesa  dedutível,  desde  que  também  apresentado, minimamente, o alvará que autoriza o levantamento em  favor do reclamante, ou a liberação da penhora em razão da quitação  da dívida;  · Alvarás de levantamento de depósito judicial em favor do reclamante,  ou  determinantes  de  recolhimentos  de  IRRF  e  contribuições  previdenciárias  vinculadas  a  reclamatória  trabalhista,  expedidos  em  anos­calendário  diversos  daquele  fiscalizado,  exigem  justificativa  acerca da não contabilização destas despesas no período de apuração  pertinente;  · Recibos e cheques nominais de pagamentos em razão de acordo entre  as partes, sem homologação judicial, não se prestam como prova para  registro  de  despesa,  pois  devem  ser  associados,  minimamente,  à  juntada  da  reclamação  trabalhista  que  justificou  a  composição  em  torno do valor pago;  · Petições  que  comunicam  acordos  entre  as  partes  na  reclamação  trabalhista  somente  provam  despesa  dedutível  se  acompanhados  da  homologação judicial do acordo, dada a possibilidade de desistência.   Neste contexto, é possível admitir como comprovadas as seguintes despesas:  Fl. 4497DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.370          61 · R$  479.019,56,  do  total  de  R$  479.388,74  contabilizado  em  janeiro/2004 conforme fl. 2940, correspondente à autorização contida  em alvará expedido pela 13a Vara do Trabalho de Porto Alegre,  em  razão  de  reclamatória  trabalhista  ordinária  proposta  contra  a  contribuinte (fl. 2948);  · R$  1.500,00,  contabilizado  em  maio/2004  conforme  fl.  3015,  correspondente  a  acordo  homologado  judicialmente,  em  audiência  trabalhista  decorrente de  reclamatória  proposta  contra  a  contribuinte  (fl. 3070/3071);  · R$  125.600,00,  das  parcelas  contabilizadas  de  R$  90.450,49,  R$  27.029,73  e  R$  28.226,66  em  maio/2004,  conforme  fl.  3014,  correspondente ao valor bruto do  acordo homologado  judicialmente,  em audiência trabalhista decorrente de reclamatória proposta contra a  contribuinte (fl. 3049/3050);  · R$  136.377,92,  contabilizado  em  maio/2004  conforme  fl.  3014,  correspondente  a  acordo  homologado  judicialmente  em  audiência  trabalhista  decorrente de  reclamatória  proposta  contra  a  contribuinte  (fl. 3068);  · R$  4.500,00,  contabilizado  em  maio/2004  conforme  fl.  3015,  correspondente  a  acordo  homologado  judicialmente,  em  audiência  trabalhista  decorrente de  reclamatória  proposta  contra  a  contribuinte  (fl. 3077);  · R$  19.284,44,  contabilizado  em  junho/2004  conforme  fl.  3230,  correspondente  a  acordo  homologado  judicialmente  no  valor  de  R$  25.000,00,  em  audiência  trabalhista  decorrente  de  reclamatória  proposta contra a contribuinte (fl. 3236);  · R$  8.500,00,  contabilizado  em  junho/2004  conforme  fl.  3230,  correspondente  a  acordo  homologado  judicialmente,  em  audiência  trabalhista  decorrente de  reclamatória  proposta  contra  a  contribuinte  (fl. 3234);  · R$  13.350,00,  contabilizado  em  junho/2004  conforme  fl.  3230,  correspondente  a  acordo  homologado  judicialmente,  em  audiência  trabalhista  decorrente de  reclamatória  proposta  contra  a  contribuinte  (fl. 3260);  · R$  7.000,00,  contabilizado  em  novembro/2004  conforme  fl.  3707,  correspondente  a  acordo  homologado  judicialmente,  em  audiência  trabalhista  decorrente de  reclamatória  proposta  contra  a  contribuinte  (fl. 3735/3736).  Estas parcelas, que totalizam R$ 795.131,92, são distintas daquelas admitidas  como comprovadas pela Fiscalização,  e devem,  assim,  reduzir a base  tributável da exigência  principal, bem como ser excluídas na apuração dos montantes devidos a título de multa isolada.  Fl. 4498DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.371          62 Observe­se, ainda, que dentre os documentos  legíveis,  aqueles de fls. 3117,  3138,  3186,  3384/3390,  3403/3418,  3420/3425,  3498/3501,  3633/3634  e  3646/3650  não  guardam  qualquer  relação  com  o  demonstrativo  de  “Indenizações  Trabalhistas”  que  lhes  antecede,  os  quais  totalizam  os  valores  contabilizados  mensalmente  como  despesa  e  questionados pela fiscalização.  Quanto  ao  restante,  conclui­se  que  a  interessada  não  realizou  o  esforço  necessário para apresentar a documentação que, como dito, certamente existia e prestou­se de  suporte  à determinação  da  despesa  que  seria  contabilizada, mas  não  foi mantida  sob  regular  guarda, de modo a permitir seu exame posterior pela autoridade fiscal.  Inexiste  arbitrariedade  ou  presunção  no  procedimento  fiscal.  Apenas  que  a  contribuinte não logrou constituir em seu favor a presunção de regularidade que o art. 923 do  RIR/99  estabelece,  frente  à  escrituração  mantida  com  observância  das  disposições  legais,  relativamente  aos  fatos  nela  registrados  e  comprovados  por  meio  de  documentos  hábeis,  segundo  sua  natureza,  ou  assim  definidos  em  preceitos  legais.  Obviamente  despesas  com  indenizações trabalhistas não são provadas por meio de relatórios que apontam reclamantes e  processos  judiciais,  mas  sim  por  meio  de  decisões  judiciais  definitivas  ou  acordos  homologados  que  imponham  à  contribuinte  o  dever  de  pagar  por  serviços  que  lhe  foram  prestados.  Portanto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao  recurso  voluntário,  para  reduzir  a  infração  imputada  à  contribuinte  ao  valor  de  R$  39.705.123,76.    2.  PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS CÍVEIS (valor tributável de R$ 2.579.643,92)  Consoante relatado, a defesa da recorrente, neste ponto, fez uso dos mesmos  argumentos  apresentados  contra  a  glosa  de  provisões  para  contingências  trabalhistas.  O  procedimento  fiscal,  por  sua  vez,  apresenta  a  mesma  evolução  antes  descrita,  em  que  pese  tenha  sido  direcionado,  também,  ao  esclarecimento  dos  valores  que  corresponderiam  às  despesas contabilizadas/adicionadas:  · Intimação  para  justificar  a  diferença  entre  o  valor  das Despesas  de Provisão  para Contingências Cíveis deduzidas na Ficha 05 da DIPJ (R$ 71.072.756,35­  conta 81999006/ subconta 946123) e a respectiva adição efetuada na Ficha 09  da  DIPJ  (R$  50.688.443,17).  Apresentar  documentação  comprobatória  das  referidas  despesas,  incluindo  planilha  com  o  detalhamento  das  despesas  deduzidas  com  data,  valor,  histórico  e  CNPJ  ou  CPF  do  beneficiário,  bem  como para justificar a dupla dedução do valor de R$ 8.269.811,53, excluído na  Linha 22 da Ficha 09 e deduzido do total de R$ 71.072.756,35 das Despesas de  Provisão para Contingências Cíveis, quando do cálculo de adição na Linha 20  da Ficha 09 (fl. 78/79), seguida de reintimações (fls. 80/81 e 82/83);  · Resposta  conforme  petição  de  fl.  84,  que  diz  encaminhar  a  documentação  solicitada  e  esclarece  que o  valor  de R$  8.269.811,53  foi  excluído  apenas  na  linha  22  da  ficha  09.  Não  houve  a  dedução  do  valor  de  R$  8.269.811,53  na  linha 20 da ficha 09 conforme demonstrado na planilha em anexo e no item 1. A  movimentação da conta de Provisões Cíveis utiliza as contas de resultado: (a)  Fl. 4499DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.372          63 7.1.9.90.99­8 (876294) Reversão e (b) 8.1.9.99.00­6 (946123) Despesa; seguida  de  reintimação,  depois  da  qual  estão  juntados  os  documentos  de  fls.  112/132,  concernentes  a  somatório  de  registros  mensais  da  conta  nº  8.1.9.99.00.6  e  relatórios  mensais  de  valores  associados  a  reclamantes/processos,  em  decorrência  de  eventos  (depósito  judicial  defin,  crédito  cedido,  pagto  condenação, pagto acordo e outros);  · Reintimação  com  o  seguinte  acréscimo: Notas:  2.1­  o  fluxo  contábil  descrito  verbalmente necessita de descrição por  escrito,  bem como demonstração com  base na escrituração (razão ou diário, acompanhado das fichas contábeis, com  data,  valor,  histórico  e  contrapartida  do  lançamento);  2.2­  a  planilha  com  o  valor total de R$ 3.796.048,51 é apenas referência para parte da documentação  comprobatória, que não foi apresentada; 2.3­ justificar e demonstrar com base  na escrituração a diferença entre o valor adicionado de R$ 52.335.144,88 e o  valor de R$ 55.162.206,19, esclarecendo em especial a natureza dos valores de  R$ 1.412.660,96 e R$ 1.414.400,35 e a fundamentação legal para que reduzam  o  valor  da  adição;  2.4­  esclarecer  por  que  na  diferença  entre  o  valor  de R$  55.162.206,19  e  o  valor  da  despesa  de  R$  71.072.756,35  (conta  81999006),  havia  sido  utilizada  a  parcela  de  R$  8.269.811,53  e  posteriormente  a  justificativa mudou (fls. 137/139);  · Resposta  que  detalha  o  fluxo  contábil  das  provisões  cíveis,  esclarece  as  divergências de valores  acima apontadas mediante  juntada dos documentos de  fls.  248/252,  encaminha  razões  contábeis  e  observa:  estamos  finalizando  o  levantamento das documentações  comprobatórias das  despesas de pagamento  de  ações/processos  judiciais  cíveis  e  encaminharemos  posteriormente  (fls.  140/141);  · Complementação  da  resposta  anterior,  com  a  apresentação  de  documentos  vinculados à relação de fls. 254, na qual estão indicados casos selecionados por  amostragem,  sem  indicação  de  sua  representatividade,  documentos  aqueles  juntados às fls. 255/430;  · Reintimação na qual são excluídos os questionamentos acerca do fluxo contábil  das operações e das divergências de valores, e é acrescida nota de seguinte teor:  a planilha com o valor total de R$ 3.796.048,51 é apenas referência para parte  da  documentação  comprobatória,  que  não  foi  integralmente  apresentada  (fls.  474/476). Não há notícia de seu atendimento  A autoridade fiscal, então, formaliza o lançamento, apresentando os mesmos  argumentos antes descritos no âmbito das provisões de contingências trabalhistas. Apenas que  o fiscal autuante admitiu todas as provas juntadas por amostragem, reputando comprovadas as  operações  indicadas pela contribuinte, que  totalizariam R$ 1.216.404,59. Ao  final,  expressou  suas conclusões acerca das divergências de valores questionadas à contribuinte, e identificou a  necessidade de adição, ao lucro tributável, de R$ 2.579.643,92.  Por estas razões,  tudo o que antes deduzido acerca da necessidade de prova  das  despesas  que  reduziram  o  lucro  tributável  é  aqui  aplicável.  Quanto  aos  elementos  apresentados em recurso voluntário, as ressalvas antes feitas também têm lugar aqui, na medida  em que os documentos de fls. 2233 (constante do volume 12, pois há também folha com este  Fl. 4500DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.373          64 número no volume 11)/3758, reúnem, como dito, Contingências Cíveis e Trabalhistas, sendo  que os presentes até as fls. 2939 referem­se às contingências cíveis.   Pertinente  registrar,  porém,  algumas  peculiaridades  que  ensejam  a  imprestabilidade de provas reunidas neste segundo conjunto de ocorrências, em razão da falta  de esclarecimentos acerca dos documentos juntados aos autos, quando legíveis:  · Documentos que indicam operações com valores divergentes daqueles  contabilizados,  desacompanhados  de  qualquer  esclarecimento  complementar,  não  permitem  inferências  que  ensejem  a  exoneração  parcial da glosa;  · Decisões condenatórias ilíquidas são insuficientes para dar respaldo à  contabilização  de  uma  despesa  de  valor  determinado,  exigindo  a  juntada  de  outras  peças  processuais  que  evidenciem  o  valor  da  condenação;  · Depósitos judiciais prestam­se como garantia para discussão do valor  pleiteado pelos autores da demanda, e  somente com a definitividade  da  decisão  nos  embargos  à  execução  podem  ser  convertidos  em  despesa  dedutível,  desde  que  também  apresentado, minimamente,  o  alvará que autoriza o levantamento em favor do autor, ou a liberação  da penhora em razão da quitação da dívida;  · Mandados  de  citação  e  de  penhora  são  insuficientes  para  provar  a  efetividade  da  despesa,  na medida  em que  a  execução  judicial  pode  ser questionada por meio de embargos;  · Alvarás  de  levantamento  de  depósito  judicial  em  favor  de  determinado  beneficiário  devem  ser  acompanhados  de  elementos  mínimos que permitam verificar a natureza da ação judicial proposta e  a vinculação da contribuinte ao que nela decidido;  · Petições  que  comunicam  acordos  entre  as  partes  na  reclamação  trabalhista  somente  provam  despesa  dedutível  se  acompanhados  da  homologação judicial do acordo, dada a possibilidade de desistência,  e  devem  ser  acompanhadas  minimamente  de  prova  do  efetivo  pagamento do valor acordado.  Firmadas estas premissas, da análise dos documentos apresentados, somente  nos  itens  abaixo  é  possível  estabelecer  correlação  entre  o  valor  contabilizado  (informado  à  Fiscalização por meio dos documentos de fls. 112/132), o beneficiário e o processo judicial ali  indicados,  e  identificar  decisão  judicial  condenatória  com  correspondente  pagamento,  ou  acordo homologado que justificasse a contabilização da despesa:  · Item 8 da relação de fl. 2234: acordo homologado judicialmente para  pagamento  do  valor  de  R$  3.350,00  (fl.  2261),  contabilizado  em  setembro/2004, conforme planilha de fl. 125;  Fl. 4501DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.374          65 · Item 9 da relação de fl. 2234: acordo homologado judicialmente para  pagamento  do  valor  de  R$  3.500,00  (fl.  2262),  contabilizado  em  outubro/2004, conforme planilha de fl. 127;  · Item  14  da  relação  de  fl.  2234:  acordo  homologado  judicialmente  para pagamento do valor de R$ 1.500,00 (fl. 2275), contabilizado em  outubro/2004, conforme planilha de fl. 128;  · Item  16  da  relação  de  fl.  2234:  acordo  homologado  judicialmente  para pagamento do valor de R$ 525,20  (fl. 2277), contabilizado em  outubro/2004, conforme planilha de fl. 132;  · Item  19  da  relação  de  fl.  2234:  acordo  homologado  judicialmente  para pagamento do valor de R$ 550,00  (fl. 2282), contabilizado em  outubro/2004, conforme planilha de fl. 130;  · Item  25  da  relação  de  fl.  2234:  acordo  homologado  judicialmente  para pagamento do valor de R$ 2.000,00 (fl. 2294), contabilizado em  outubro/2004, conforme planilha de fl. 127;  · Item  27  da  relação  de  fl.  2234:  acordo  homologado  judicialmente  para pagamento do valor de R$ 6.000,00 (fl. 2299), contabilizado em  setembro/2004, conforme planilha de fl. 125;  · Item  30  da  relação  de  fl.  2234:  acordo  homologado  judicialmente  para  pagamento  de  R$  2.400,00  (fl.  2311),  contabilizado  em  outubro/2004, conforme planilha de fl. 128;  · Item 2 da relação de fl. 2313: acordo homologado judicialmente para  pagamento  de  R$  1.400,00  (fl.  2317),  contabilizado  em  setembro/2004, conforme planilha de fl. 124;  ·  Item 3 da relação de fl. 2313: acordo homologado judicialmente para  pagamento  de  R$  2.000,00  (fl.  2318),  contabilizado  em  outubro/2004, conforme planilha de fl. 128;  · Item 6 da relação de fl. 2313: acordo homologado judicialmente para  pagamento  de  R$  1.500,00  (fl.  2325/2326),  contabilizado  em  setembro/2004, conforme planilha de fl. 124;  · Item  13  da  relação  de  fl.  2313:  acordo  homologado  judicialmente  para  pagamento  de  R$  1.500,00  (fl.  2346),  contabilizado  em  outubro/2004, conforme planilha de fl. 129;  · Item  22  da  relação  de  fl.  2313:  acordo  homologado  judicialmente  para  pagamento  de  R$  600,00  (fl.  2371),  contabilizado  em  outubro/2004, conforme planilha de fl. 132;  · Item  23  da  relação  de  fl.  2313:  acordo  homologado  judicialmente  para  pagamento  de  R$  1.500,00  (fl.  2372),  contabilizado  em  outubro/2004, conforme planilha de fl. 130;  Fl. 4502DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.375          66 · Item 27 da  relação  fl. 2313: acordo homologado  judicialmente para  pagamento  de  R$  1.800,00  (fl.  2383),  contabilizado  em  outubro/2004, conforme planilha de fl. 128;  · Item 37 da  relação  fl. 2313: acordo homologado  judicialmente para  pagamento  de  R$  2.000,00  (fl.  2416),  contabilizado  em  outubro/2004, conforme planilha de fl. 130;  · Item 45 da  relação  fl. 2313: acordo homologado  judicialmente para  pagamento  de  R$  1.000,00  (fl.  2442/2443),  contabilizado  em  outubro/2004, conforme planilha de fl. 132;  · Item 62 da  relação  fl. 2313: acordo homologado  judicialmente para  pagamento  de  R$  2.000,00  (fl.  2490),  contabilizado  em  outubro/2004, conforme planilha de fl. 130;  · Item 72 da  relação  fl. 2313: acordo homologado  judicialmente para  pagamento  de  R$  1.600,00  (fl.  2552),  contabilizado  em  outubro/2004, conforme planilha de fl. 132;  · Item 73 da  relação  fl. 2313: acordo homologado  judicialmente para  pagamento  de  R$  3.000,00  (fl.  2553),  contabilizado  em  outubro/2004, conforme planilha de fl. 128;  · Item  2  da  relação  fl.  2741:  acordo  homologado  judicialmente  para  pagamento  de  R$  3.000,00  (fl.  2745),  contabilizado  em  setembro/2004, conforme planilha de fl. 125;  · Item 13 da relação de fl. 2741: petição que comunica ao Juízo acordo  entre  as  partes  no  valor  de  R$  1.070,46,  acompanhada  de  cheque  nominal  ao  beneficiário  (fl.  2779/2781),  contabilizado  em  agosto/2004, conforme planilha de fl. 123;  · Item 18 da  relação  fl. 2741: acordo homologado  judicialmente para  pagamento  de  R$  3.500,00  (fl.  2794),  contabilizado  em  outubro/2004, conforme planilha de fl. 130;  · Item 19 da  relação  fl. 2741: acordo homologado  judicialmente para  pagamento de R$ 1.000,00 (fl. 2795), contabilizado em agosto/2004,  conforme planilha de fl. 123;  · Item 4 da relação de fl. 2805: acordo homologado judicialmente para  pagamento  de R$  80,00  (fl.  2815),  contabilizado  em  outubro/2004,  conforme planilha de fl. 132;  · Item  10  da  relação  de  fl.  2805:  acordo  homologado  judicialmente  para  pagamento  de  R$  2.500,00  (fl.  2828),  contabilizado  em  outubro/2004, conforme planilha de fl. 126;  Fl. 4503DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.376          67 · Item  16  da  relação  de  fl.  2805:  acordo  homologado  judicialmente  para  pagamento  de  R$  1.300,00  (fl.  2839),  contabilizado  em  outubro/2004, conforme planilha de fl. 129;  · Item  20  da  relação  de  fl.  2805:  acordo  homologado  judicialmente  para  pagamento  de  R$  960,00  (fl.  2853),  contabilizado  em  outubro/2004, conforme planilha de fl. 129;  · Item  21  da  relação  de  fl.  2805:  acordo  homologado  judicialmente  para  pagamento  de  R$  1.200,00  (fl.  2854),  contabilizado  em  agosto/2004, conforme planilha de fl. 123;  · Item  131  da  relação  de  fl.  2805:  acordo  homologado  judicialmente  para  pagamento  de  R$  3.600,00  (fl.  2860),  contabilizado  em  outubro/2004, conforme planilha de fl. 131;.  · Item 3 da relação de fl. 2861: acordo homologado judicialmente para  pagamento  de R$ 843,84  (fl.  2869),  contabilizado  em  janeiro/2004,  conforme planilha de fl. 113;  · Item 8 da relação de fl. 2861: acordo homologado judicialmente para  pagamento de R$ 800,00 (fl. 2891), contabilizado em outubro/2004,  conforme planilha de fl. 130;  · Item  11  da  relação  de  fl.  2861:  acordo  homologado  judicialmente  para  pagamento  de  R$  4.000,00  (fl.  2895),  contabilizado  em  outubro/2004, conforme planilha de fl. 127;  · Item  15  da  relação  de  fl.  2861:  acordo  homologado  judicialmente  para  pagamento  de  R$  4.000,00  (fl.  2903/2907),  contabilizado  em  outubro/2004, conforme planilha de fl. 129;  · Item  18  da  relação  de  fl.  2861:  acordo  homologado  judicialmente  para  pagamento  de  R$  2.000,00  (fl.  2915),  contabilizado  em  outubro/2004, conforme planilha de fl. 126;  · Item  22  da  relação  de  fl.  2861:  acordo  homologado  judicialmente  para  pagamento  de  R$  70,00  (fl.  2924/2937),  contabilizado  em  agosto/2004, conforme planilha de fl. 123;  · Item  23  da  relação  de  fl.  2861:  acordo  homologado  judicialmente  para  pagamento  de  R$  3.000,00  (fl.  2866),  contabilizado  em  outubro/2004, conforme planilha de fl. 130;  Além destas ocorrências que estão indicadas nas relações numeradas de 1 a 5,  que capeiam os documentos juntados na seqüência, há elementos juntados entre eles que talvez  se  prestem  a  provar  outras  despesas  contabilizadas. Destes,  somente  dois  trazem  evidências  suficientes  para  legitimar  as  despesas  contabilizadas:  acordos  homologados  judicialmente  juntados  às  fls.  2881  e  2892,  nos  valores  de R$  1.560,00  e R$  2.500,00,  contabilizados  em  outubro/2004, conforme fls. 130 e 126, respectivamente.  Fl. 4504DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.377          68 Esclareça­se que as provas acima admitidas não se confundem com aquelas  apresentadas  à  Fiscalização,  mas  registre­se  que  às  fls.  2554/2740,  entremeados  com  os  documentos acima analisados, constam também aqueles que foram apresentados à Fiscalização  (fls. 254/430) e por ela admitidos.  Assim,  relativamente  às  operações  acima  enunciadas,  que  totalizam  R$  77.009,50, deve ser admitida a prova apresentada e afastada a exigência correspondente.  No  mais,  cabe  também  concluir  que  a  interessada  não  realizou  o  esforço  necessário para apresentar a documentação que, como dito, certamente existia e prestou­se de  suporte  à determinação  da  despesa  que  seria  contabilizada, mas  não  foi mantida  sob  regular  guarda, de modo a permitir seu exame posterior pela autoridade fiscal.  Em  conseqüência,  deve­se  DAR  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  recurso  voluntário,  para  que  a  exigência  seja  mantida  apenas  sobre  o  valor  tributável  de  R$  2.502.634,42.    3.  PROVISÃO  PARA  PERDAS  DE  TARIFAS  A  RECEBER  (valor  tributável  de  R$  2.175.309,03)  Neste  item,  também,  a  interessada  adota  a mesma  linha  de  defesa  descrita  para os dois itens anteriores, apenas acrescentando que:  No  que  diz  respeito  às  perdas  no  recebimento  de  tarifas,  também  relativas  às  agências  do  Recorrente  espalhadas  em  todo  o  país,  que  se  tornaram  efetivas,  verifica­se, pelos documentos contábeis apresentados durante a Fiscalização, que a  conta contábil "provisão para perdas em tarifas a receber" foi zerada no ano­base  de 2004, com o consequente reconhecimento da despesa.  O procedimento fiscal aqui desenvolvido foi um pouco mais simples, pois ao  analisar  as  contas  que  compunham  o  valor  informado  a  título  de  “Outras  Despesas  Operacionais”, na apuração do  lucro  tributável de 2004, a autoridade  lançadora  identificou a  provisão  aqui glosada,  sem qualquer  adição  correspondente.  Intimou,  assim,  a contribuinte  a  (fl. 78/79):  7.  Esclarecer  a  natureza  e  apresentar  fundamento  legal  da  dedutibilidade,  acompanhados de documentação comprobatória  ,  dos  valores deduzidos  na Ficha  05 da DIPJ, no tocante às seguintes subcontas da conta 81999006:  [...]  947538­ DESP PROV P/PERDAS TARIF A RECEBER­ R$ 2.175.309,03   Além  das  duas  primeiras  reintimações  (fls.  80/81  e  82/83),  foram  lavradas  outras duas, em 04/11/2009 (fls. 137/138) e 19/11/2009 (fls. 432/433), nas quais a autoridade  fiscal  observou:  não  foi  apresentado  qualquer  dos  elementos  acima.  Na  petição  de  fl.  254,  datada de 18/11/2009, consta a apresentação de  razões das contas  solicitadas no  formato do  sistema (txt) (CD) e, na resposta de 26/11/2009, disse a contribuinte (fl. 434/435):  Trata­se  de  valores  oriundos  de  provisão  de  tarifas  a  receber  de  clientes  das  agências  que  o  sistema  realiza  sua  contabilização  até  a  baixa  definitiva  pelo  recebimento da tarifa.  Fl. 4505DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.378          69 Em  nova  reintimação,  lavrada  em  03/12/2009,  exigiu­se  os  mesmos  esclarecimentos  anteriores,  acrescentando­se  a  seguinte  nota:  não  foi  apresentada  fundamentação legal da dedutibilidade e documentação comprobatória (fls. 474/476). Não há  notícia de seu atendimento.  A autoridade fiscal, então, formaliza o lançamento, apresentando os mesmos  argumentos antes descritos no âmbito das provisões de contingências trabalhistas. Entende que  não  há  previsão  legal  para  sua  dedução  e,  ademais,  não  foi  apresentada  documentação  comprobatória da mesma.  Transcorrido  o  contencioso  administrativo,  a  despesa  glosada  subsiste  sem  qualquer  esclarecimento  convincente. A  alegação  apresentada  à Fiscalização,  de  que o  valor  registrado corresponderia a um provisionamento feito até a baixa definitiva pelo recebimento  da  tarifa,  é  associada  a  outra,  de  que  a  conta  contábil  "provisão  para  perdas  em  tarifas  a  receber"  foi  zerada  no  ano­base  de  2004,  com  o  consequente  reconhecimento  da  despesa.  Além  de  incompreensíveis,  estes  esclarecimentos  estariam  suportados  por  documentos  contábeis apresentados durante a Fiscalização, o que, como relatado, não se verificou.  Inócua,  portanto,  a  referência  ao  fato  de  que  as  perdas  no  recebimento  de  tarifas seriam relativas às agências do Recorrente espalhadas em todo o país, o que dificultaria  sua  prova. Não há  nenhuma evidência,  para  além do  título  da  conta  contábil,  de que  esta  é,  efetivamente, a natureza dos valores contabilizados.  Correta,  portanto,  a  glosa  do  valor  deduzido,  a  este  título,  na  apuração  da  base de cálculo do IRPJ e da CSLL, motivo pelo qual deve ser NEGADO PROVIMENTO ao  recurso voluntário.    4.  DESPESAS DE OUTRAS PROVISÕES (valor tributável de R$ 3.189.772,66)  Argumenta  a  recorrente  que  as  despesas  glosadas  corresponderiam  a  pagamentos  de  tecnologia  bancária,  contingências  administrativas,  juros,  impostos  municipais, corretagens, emolumentos, taxa de avaliação de imóveis, etc.. Embora não afirme  textualmente,  parece  querer  fazer  crer que  os  valores  computados  na  conta  questionada  pela  Fiscalização não corresponderiam a provisões, mas sim a despesas necessárias, vinculadas aos  serviços por ela prestados.  O  procedimento  fiscal,  relativo  a  este  item,  distingue­se  do  que  até  aqui  demonstrado.  Em  que  pese  o  relatório  de  fls.  18/19  já  evidenciasse  à  Fiscalização  que  os  valores computados a título de “Outras Despesas Operacionais”, para fins de apuração do lucro  de  2004,  reuniam,  também,  os  registros  na  conta  946124  (Desp  de Outras  Provisões),  cujo  saldo  representava,  ao  final  de  2004,  R$  3.189.772,66,  a  autoridade  lançadora  não  exigiu  qualquer  esclarecimento  a  este  respeito  da  contribuinte.  No  encerramento  dos  trabalhos,  constatando  que  este  valor  não  foi  adicionado  ao  lucro  tributável,  e  tendo  em  conta  os  históricos dos  lançamentos contábeis, o  fiscal autuante afirmou sua  indedutibilidade, pois no  razão  da  conta  interna  946124  (fls.  467)  constam  no  histórico  (coluna  "Observação")  basicamente  "Provisão  para  Ativos"  e  "Ajustes",  estes  últimos  incluindo  referências  a  provisões para ativos e para contingências administrativas, totalizando R$3.189.772,66.  Fl. 4506DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.379          70 Na  medida  em  que  a  legislação  tributária  somente  admite  a  dedução  de  provisões  nela  expressamente  previstas,  concluiu  a  autoridade  lançadora  que  provisões  para  ativos e para  contingências administrativas,  e correspondentes  ajustes, não poderiam afetar o  lucro tributável.  Consta  no  cabeçalho  do  relatório  à  fl.  467,  que  a  função  da  conta  em  referência é REGISTRAR O VALOR DA DESPESA NECESSARIA PARA CONSTITUICAO DE  PROVISAO  PARA  CONTINGENCIA,  QUANDO NAO HOUVER  CONTA  ESPECIFICA.  As  observações  que  dão  conteúdo  aos  registros  confirmam  esta  função  residual,  pois  além  de  ajustes  decorrentes  de  provisões  de  ativos,  há  registros  associados  a  diferenças  de  sistema,  acertos,  ajustes de encerramento,  reclassificação e contingências. Logo, se a contribuinte não  fez uso desta conta para registros específicos, deveria ter adicionado seu saldo ao lucro real e à  base de cálculo da CSLL.  A  recorrente  reporta­se  aos  esclarecimentos  prestados  em  27/11/2004  (fls.  434/435),  mas  tais  informações  referiam­se  a  outras  despesas  que  também  foram  objeto  de  glosa  no  presente  procedimento  (juros  sobre  passivo  atuarial,  escrow,  despesas  financeiras  interv terceiros sistema EN, despesas autorização p/ resultado agências e provisão p/ perdas  tarifas a receber), e serão mais à frente analisadas.   Como se vê, a defesa não atentou para a acusação fiscal, que demonstrou a  natureza da conta contábil analisada, seu cômputo no resultado tributável e a ausência de sua  adição, e concluiu pela necessidade da glosa dos valores nela registrados. Em conseqüência, as  alegações  de  que  tais  registros  se  refeririam  a  pagamentos  de  tecnologia  bancária,  contingências administrativas, juros, impostos municipais, corretagens, emolumentos, taxa de  avaliação de imóveis, etc. em nada afetam a acusação fiscal, até porque desacompanhadas de  qualquer suporte documental.  É possível que esta natureza alegada para os dispêndios tenha sido extraída,  pela recorrente, dos títulos das contas que compõem o total computado, na DIPJ, como “Outras  Despesas  Operacionais”.  De  fato,  no  relatório  de  fls.  18/19  estão  descritas  várias  contas  contábeis cuja denominação faz referência a operações como as acima mencionadas. Contudo,  tais contas não foram objeto de glosa, destacando­se apenas os efeitos da conta 946124, dentre  tantas outras que compunham a dedução total de R$ 106.185.446,66.   Incabível,  portanto,  discutir  a  necessidade,  usualidade  e  normalidade  de  despesas  cuja  a  natureza  sequer  se  conhece. A  autoridade  lançadora  analisou,  sim,  todos  os  itens deduzidos a título de “Outras Despesas Operacionais” e dentre eles selecionou a conta em  referência que não apresentava qualquer  justificativa plausível para reduzir o lucro tributável.  Logo,  a  glosa  está  devidamente  fundamentada,  e  deve  ser  mantida,  NEGANDO­SE  PROVIMENTO ao recurso voluntário.    6.  DESPESAS COM REMUNERAÇÃO DE  INTERVENIÊNCIA DE TERCEIROS  –  SISTEMA “EN” (valor tributável de R$ 6.357.601,86)  A recorrente entende, em síntese, que estando a operação demonstrada pela  apresentação do Livro Razão e do contrato padrão desta operação, não se pode admitir que as  despesas geradas por um produto amplamente  comercializado pelo Recorrente,  estritamente  Fl. 4507DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.380          71 ligado  ao  seu  objeto  social  (concessão  de  crédito),  sejam  simplesmente  desconsideradas  e,  assim, tidas como indedutíveis pela Fiscalização.  Ao analisar as contas que compunham o valor informado a título de “Outras  Despesas  Operacionais”,  na  apuração  do  lucro  tributável  de  2004,  a  autoridade  lançadora  identificou  a  despesa  aqui  glosada,  sem  qualquer  adição  correspondente.  Em  17/09/2009  intimou a contribuinte a (fl. 78/79):  7.  Esclarecer  a  natureza  e  apresentar  fundamento  legal  da  dedutibilidade,  acompanhados de documentação comprobatória  ,  dos  valores deduzidos  na Ficha  05 da DIPJ, no tocante às seguintes subcontas da conta 81999006:  [...]  946434­ DESP FIN­INTERV TERCEIROS­SIST EN­ R$ 6.357.601,86   São lavradas reintimações em 09/10/2009 e 21/10/2009, nos mesmos termos  (fls. 80/81 e 82/83). Nas reintimações lavradas em 04/11/2009 (fls. 137/138) e em 19/11/2009  (fls.  432/433),  a  autoridade  fiscal  observou:  não  foi  apresentado  qualquer  dos  elementos  acima. Na petição de fl. 254, datada de 18/11/2009, consta a apresentação de razões das contas  solicitadas no formato do sistema (txt) (CD) e, na resposta de 26/11/2009, disse a contribuinte  (fl. 434/435):  Conta utilizada para registrar as despesas referente a equalização de taxa paga ao  cliente relativo a contratos de CDCI.  CDCI: É  uma  linha  de  crédito  rotativa  que  permite  ao  cliente  (lojista)  faturar  e  receber "a vista" o valor de suas vendas, mesmo concedendo prazo de pagamento  aos seus compradores (consumidor final).  Equalização  de  taxas: Quando  a  taxa  de  juros  praticada  pelo Banco  na  data  da  contratação de cada operação de CDCI for inferior à taxa ajustada entre o cliente  (lojista) e seus compradores (cliente final), o Banco compromete­se a reembolsar ao  cliente (lojista) a diferença resultante entre as taxas.   A interessada complementou sua resposta em 01/12/2009 apresentando cópia  de  um modelo  de  contrato  de  CDCI  para  apreciação  (fls.  443/458).  Em  nova  reintimação,  lavrada  em  03/12/2009,  exigiu­se  os mesmos  esclarecimentos  anteriores,  acrescentando­se  a  seguinte nota: não  foi apresentada documentação comprobatória –  identificação dos  lojistas  beneficiários,  respectivos  contratos  e  demonstrativo  das  diferenças  de  taxas  (fls.  474/476).  Não há notícia de seu atendimento.  A  autoridade  fiscal,  então,  formaliza  o  lançamento,  observando  que  a  manutenção  da  escrituração  com  observância  das  leis  comerciais  e  fiscais  é  condição  necessária mas não suficiente para a dedutibilidade de despesas, pois é igualmente necessário  que  os  valores  registrados  na  contabilidade  sejam  comprovados  cabalmente,  sob  pena  de  poderem vir a ser desconsiderados pela fiscalização, não sendo suficiente alegar que simples  registro os faz gozar de presunção de legitimidade.  A  Fiscalização  citou  excertos  da  decisão  contida  no Acórdão CSRF  nº  01­ 02.220,  bem  como  invocou  o  art.  264  do RIR/99,  para  concluir  que  cabe  exclusivamente  à  pessoa jurídica a prova de que os registros efetuados em sua escrituração correspondem aos  fatos realmente ocorridos em sua gestão, com base em documentação hábil e idônea pertinente  à matéria.  Fl. 4508DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.381          72 Na  medida  em  que,  na  resposta  da  empresa,  não  foi  apresentada  a  identificação dos beneficiários das despesas em pauta, tampouco os respectivos contratos ou o  demonstrativo  das  diferenças  de  taxas,  a  autoridade  lançadora  concluiu  pela  necessidade  de  glosa  da  despesa,  pois  sem  a  apresentação  de  um  detalhamento  que  identifique  os  lojistas  beneficiários, acompanhado dos respectivos contratos, bem como de documentação que valide  os  valores  lançados,  trata­se  de  um  conjunto  de  informações  desprovido  de  capacidade  probatória.  Transcorrido  o  contencioso  administrativo,  a  despesa  glosada  subsiste  sem  qualquer suporte material. A interessada defende a dedutibilidade do valor contabilizado com  base  na  natureza  dos  contratos  que  teriam  ensejado  os  valores  ali  registrados,  mas  sem  demonstrar a correlação entre os registros que resultaram no montante glosado e as operações  descritas.  Pertinente  observar  que  a  contabilidade  não  cria  fatos,  mas  apenas  os  reproduz em linguagem técnica competente. Nesse sentido são as  lições de Ricardo Mariz de  Oliveira,  em  seu  trabalho  Incidência  e  Apuração  do  PIS  e  da  COFINS,  que  integra  a  obra  Tributação  do  Setor  Comercial  –  Curso  de  Especialização,  coordenada  por  Eurico Marcos  Diniz de Santi et alli, Editora Quartier Latin, 2005, p. 303:    Ademais, tenha­se presente que receita não é um conceito contábil, mas sim, um  conceito jurídico, o que não comporta qualquer dúvida porque a contabilidade  não cria os fatos, mas tem por objetivo constatar a sua existência, interpretá­los  como  eles  são  e  registrá­los  pelo  método  e  pela  linguagem  das  partidas  dobradas.  Em  outras  palavras,  a  contabilidade  não  cria  coisa  alguma,  muito  menos  direitos  (portanto,  também  as  receitas),  devendo  simplesmente  refletir  fielmente a  realidade  fenomênica,  inclusive  como ela  está afetada pelo direito,  cuja  realidade  é  exterior  aos  registros  contábeis,  tanto  quanto  as  imagens  retratadas numa fotografia são externas ao papel fotográfico.  Daí  a  presunção  estabelecida  no  art.  923  do  RIR/99,  em  favor  do  sujeito  passivo, desde que os registros contábeis estejam suportados por documentos hábeis:  Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova  a  favor do contribuinte dos  fatos nela  registrados e comprovados por documentos  hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto­Lei  nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º).  Na medida em que nenhuma outra prova foi juntada em impugnação, ou em  recurso  voluntário,  não  é  possível  conferir  ao  montante  de  R$  6.357.601,86  a  natureza  de  despesa dedutível na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A autoridade lançadora,  depois de vários meses dialogando com a contribuinte para identificar as despesas que afetaram  o  resultado  do  período  e  não  foram  adicionadas  na  apuração  do  lucro  tributável,  exigiu  ao  longo  de  3  (três)  meses  a  demonstração  material  dos  valores  contabilizados  no  item  em  referência, mas a fiscalizada preferiu apenas alegar a natureza das operações que ensejaram os  registros contábeis, sem efetivamente prová­los.  Correta,  assim,  a  glosa  procedida,  razão  pela  qual  este  voto  é  por NEGAR  PROVIMENTO ao recurso voluntário.    Fl. 4509DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.382          73 7.  DESPESAS  AUTORIZADAS  PARA  RESULTADO  DAS  AGÊNCIAS  (valor  tributável de R$ 2.134.716,19)  A  recorrente  defende  a  dedutibilidade  dos  valores  glosados,  que  estaria  provados  pela  apresentação  do  Livro  Razão  no  qual  foram  registradas  as  despesas  questionadas, e esclarecimentos de que a referida conta destina­se a registrar as despesas com  pendências  oriundas  de diferenças  apuradas  pelos  sistemas  operacionais  do Recorrente nas  agências e nos departamentos. Argumenta que a escrita contábil  faz  sim prova em  favor do  contribuinte, cabendo à fiscalização produzir provas em sentido contrário, ao invés de valer­ se, apenas, de meras presunções.  O procedimento fiscal, neste item, assemelha­se ao descrito no item anterior:  · A autoridade fiscal  identifica o cômputo da despesa aqui glosada no  item “Outras Despesas Operacionais”, reduzindo o lucro tributável de  2004, sem qualquer adição correspondente, e intima a contribuinte em  17/09/2009 a esclarecer a natureza e apresentar fundamento legal da  dedutibilidade,  acompanhados  de  documentação  comprobatória  (fl.  78/79);  · Reintimações  são  lavradas  em  09/10/2009  (fls.  80/81),  21/10/2009  (fls.  82/83),  04/11/2009  (fls.  137/138)  e  em  19/11/2009,  sendo  que  nestas duas últimas a autoridade fiscal observou: não foi apresentado  qualquer dos elementos acima, dado que na petição de fl. 254, datada  de 18/11/2009, somente constara a apresentação de razões das contas  solicitadas no formato do sistema (txt) (CD);  · Na  resposta  de  26/11/2009,  a  contribuinte  informou  que  a  conta  946488  –  Despesas  Autorização  p/  Resultado  Agências  destina­se  disse a registrar as despesas com pendências oriundas de diferenças  apuradas  pelos  sistemas  operacionais  do  banco  nas  agências  e  nos  departamentos (fl. 434/435);  · Em nova  reintimação,  lavrada  em  03/12/2009,  exigiu­se  os mesmos  esclarecimentos anteriores, acrescentando­se a seguinte nota: não  foi  apresentada fundamentação legal da dedutibilidade e documentação  comprobatória.  A  própria  natureza  da  despesa  necessita  de  maior  esclarecimento (fls. 474/476). Não há notícia de seu atendimento.  A  autoridade  fiscal,  então,  formaliza  o  lançamento,  observando  que  a  contribuinte limitou­se a apresentar informações desprovidas de capacidade probatória e não  fundamentou juridicamente a dedutibilidade das despesas em questão.   De  fato,  a  contribuinte  limitou­se  a  apresentar  os  registros  contábeis,  alegando incompreensivelmente que eles corresponderiam a pendências oriundas de diferenças  apuradas pelos sistemas operacionais do banco nas agências e nos departamentos. Como se  vê, nem mesmo a descrição da função da conta contábil é capas de conectá­la minimamente às  atividades da contribuinte. Se a pessoa jurídica entende necessário manter uma conta contábil  de  ajustes  para manter  os  demais  registros  contábeis  equalizados,  aquele  resultado  não  pode  afetar o lucro tributável, salvo se demonstrada a causa do ajuste e sua necessidade, usualidade e  normalidade dentro de seu contexto operacional.  Fl. 4510DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.383          74  Veja­se  que  nem  mesmo  a  recorrente  consegue  defender  a  dedutibilidade  destes  valores,  limitando­se  a  invocar  a  presunção  de  regularidade  que  exsurgiria  de  sua  contabilidade, olvidando­se da necessária vinculação dos  registros  contábeis  à documentação  comprobatória, para que esta presunção seja oposta ao Fisco.  Não  há  reparos,  portanto,  à  glosa  realizada  pela  autoridade  lançadora,  devendo ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário.    8.  JUROS SOBRE PASSIVO ATUARIAL (valor tributável de R$ 28.371.000,00)  A  acusação  fiscal  pode  ser  resumida  no  seguinte  tópico  do  Termo  de  Verificação Fiscal:  94. Devidamente intimado e reintimado a apresentar a fundamentação legal para a  dedução  efetuada,  o  contribuinte  afirmou  que  tais  "despesas  são  operacionais,  necessárias  e  obrigatórias  pois  constituem  complementação  de  aposentadoria,  de  direito  adquirido,  dos  ex­empregados  do Banco." Apresentou  também a  conta  do passivo que  é a  contrapartida para o  valor deduzido:  conta  4999200­7,  conta  interna  615662­  CACIBAN­BENEFICIOS  CONCEDIDOS,  onde  consta  o  valor de R$ 113.340.856,08 (fls. 477).  95. O parecer da Consultoria Mercer dispõe no  item 2.7  (fls 482) que o "passivo  atuarial líquido total a ser provisionado" é de R$ 113.341.000). (sublinhamos), que  coincide com o  valor constante da  conta acima. No parecer  (fls  482),  constata­se  que o valor em pauta (R$ 28.371.000,00) faz parte do total provisionado, sendo sua  natureza jurídica a de provisão para planos de aposentadoria, pelo que são válidos  os mesmos fundamentos jurídicos apresentados para a Provisão para Contingências  Trabalhistas.  96.  Ainda  que  apresentando  analogia  com  as  provisões  técnicas  previstas  no  art.  336 do RIR/99, abaixo transcrito, cabe destacar que o mesmo não se aplica, por não  se  tratar  de  provisão  técnica  de  companhia  de  seguro  e  de  capitalização  ou  de  entidade  de  previdência  privada, mas  de  provisão  constituída  por  um  banco,  que  não está entre as entidades previstas na legislação. Conclui­se, pelo exposto, que se  trata de provisão indedutível:  Art.  336.  São  dedutíveis  as  provisões  técnicas  das  companhias  de  seguro  e  de  capitalização, bem como das  entidades de previdência privada,  cuja  constituição  é  exigida  pela  legislação  especial  a  elas  aplicável  (Lei  n°  9.249,  de  1995,  art.  13,  inciso 1).  97. Apenas para fins de raciocínio, ainda que se tratasse de despesa de contribuição  para  a  previdência  privada  e  não  de  provisão,  a  mesma  não  seria  passível  de  dedução integral, dado o disposto no § 1o do art. 361 do RIR/99, abaixo transcrito,  uma vez que o percentual de 20% não é obedecido no caso:  Art.  361.  São  dedutíveis  as  contribuições  não  compulsórias  destinadas  a  custear  planos  de  benefícios  complementares  assemelhados  aos  da  previdência  social,  instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica (Lei n° 9.249, de  1995, art. 13, inciso V).  § 1o Para determinação do lucro real, a dedução deste artigo, somada às de que trata  o art. 363, cujo ônus seja da pessoa jurídica, não poderá exceder, em cada período de  apuração, a vinte por cento do total dos salários dos empregados e da remuneração  Fl. 4511DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.384          75 dos dirigentes da empresa, vinculados ao referido plano (Lei n° 9.532, de 1997, art.  11, § 2o). (sublinhamos)  § 2o O somatório das contribuições que exceder o valor a que se refere o parágrafo  anterior deverá ser adicionado ao lucro líquido para efeito de determinação do lucro  real (Lei n° 9.532, de 1997, art. 11, § 3o).  O fiscal  autuante  também observa que após  inúmeras oportunidades dadas  ao  contribuinte  para  comprovar  e  apresentar  a  fundamentação  legal  para  as  deduções  em  pauta,  isso  ocorreu  de  forma  bastante  limitada.  Não  obstante,  claro  está  pelo  exame  do  material  fornecido  que  o  valor  deduzido  a  título  de  DESP  JUROS  SOBRE  PASSIVO  ATUARIAL  tem  a  natureza  jurídica  de  provisão,  que  faz  parte  do  "passivo  atuarial  líquido  total a ser provisionado" (sublinhamos­ vide fls 482), não constando tal provisão entre aquelas  cuja dedução tributária é admitida.  A recorrente opõe­se à classificação desta dedução como provisão, assevera  que  os  juros  decorrem  de  obrigação  que  lhe  foi  imposta  em  processo  licitatório  e,  subsdiariamente, defende que o limite imposto pelo art. 361, §1o do RIR/99 somente se aplica a  contribuições  não  compulsórias  a  planos  de  previdência  privada,  inexistindo  aqui  qualquer  liberalidade que pudesse afetar a dedução das despesas.   Em  que  pese  a  contribuinte  pretenda  desqualificar  o  documento  de  fls.  478/484,  porque  não  assinado,  não  há  dúvida  de  que  ele  se  prestou  como  suporte  para  a  contabilização  dos  valores  aqui  questionados,  especialmente  porque  apresentado  sob  esta  qualificação  em  atendimento  a  intimação  no  curso  do  procedimento  fiscal.  Demais  disso,  o  documento traz expresso que seu conteúdo consiste na avaliação atuarial em 31/12/2004 dos  Planos  de  Aposentaria  Informais  mantidos  pelo  Banco  Santander  Meridional,  e  indica  precisamente o valor contabilizado, no montante de R$ 28.371.000,00, como despesa líquida a  ser reconhecida.  A Fiscalização não questiona a existência dos Planos de Aposentadoria, ou a  obrigação  da  contribuinte  a  eles  vinculada.  Apenas  entende  que  os  juros  contabilizados  em  2004  teriam  caráter  de  provisão,  na medida  em  que  o  documento  de  fls.  478/484  orientava  valores a serem provisionados contabilmente. Invocou, ainda, os argumentos desenvolvidos em  itens  antecedentes  do  Termo  de  Verificação  Fiscal,  acerca  do  conceito  de  provisões,  quais  sejam:  23.  Para  esclarecer  o  conceito  de  provisões,  recorreremos  ao  "Manual  de  Contabilidade das Sociedades por Ações" da FIPECAFI:  "Provisões:  são  reduções  de  ativo  ou  acréscimos  de  exigibilidade  que  reduzem  o  Patrimônio  Líquido,  e  cujos  valores  não  são  ainda  totalmente  definidos.  Representam,  assim,  expectativas  de  perdas  de  ativos  ou  estimativas  de  valores  a  desembolsar que, apesar de financeiramente ainda não efetivadas, derivam de fatos  geradores contábeis  já ocorridos;  isto é, dizem respeito a perdas economicamente  incorridas (como a depreciação, a perda de valor de investimentos, o provável não  recebimento de créditos, a estimativa de não­recuperação de valores aplicados nos  estoques  etc.)  ou  a  prováveis  valores  a  desembolsar  originados  de  fatos  já  acontecidos....  À medida que essas perdas de ativos ou obrigações tornam­se totalmente definidas,  devem deixar de ser consideradas Provisões...." (sublinhamos)  24. Portanto, enquanto as despesas incorridas  já se concretizaram e são definidas  com relação ao seu valor, as provisões correspondem a uma expectativa de gasto e  Fl. 4512DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.385          76 são incertas quanto ao seu valor. Somente à medida em que tais perdas tornam­se  totalmente definidas, deixam de ser consideradas provisões.  Como se vê, a doutrina contábil determina o registro destes fatos em razão de  sua  provável  ocorrência,  mas  classifica­os  genericamente  como  provisões  em  razão  da  incerteza  quanto  ao  seu  valor.  Mas,  afirmar  que  um  valor  será  provisionado  não  significa,  necessariamente,  que  sua  contrapartida  será  uma  despesa  de  provisão,  e  se  submeterá  à  vedação  expressa  no  art.  336  do  RIR/99.  A  doutrina  acima  transcrita  cita,  por  exemplo,  a  depreciação como uma espécie de provisão, e ainda assim sua dedução é admitida dentro dos  limites estabelecidos pela lei tributária.  É  certo  que  a  doutrina  contábil  já  evoluiu  para  afastar  estas  imprecisões  técnicas,  como  se  vê  na  abordagem contida  na  edição  de  2010 do Manual  de Contabilidade  Societária da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras – FIPECAFI,  Editora Atlas, p. 334:  Vale ressaltar que o termo provisão foi amplamente utilizado pelos contadores como  referência  a  qualquer  obrigação  ou  redução  do  valor  de  um  ativo  (por  exemplo,  depreciação  acumulada  e  desvalorização  de  ativos),  no  qual  sua  mensuração  decorra de alguma estimativa. Entretanto, o termo provisão, como já estava tratado  na  Deliberação  nº  489/05,  conforme  a  referência  do  IASB,  refere­se  apenas  aos  passivos com prazo ou valor  incertos. O termo provisão para contas retificadoras  do  ativo  não  tem  sua  utilização  adequada  considerando  o  tratamento  na  atual  Deliberação da CVM nº 594/09 e nos conceitos que a suportam. No Brasil o termo  provisão  para  as  contas  retificadoras  do  ativo  foi  sempre  bastante  utilizado, mas  consideramos essa utilização  inadequada e neste Manual  faremos a adaptação do  termo para “perdas estimadas”. Assim passaremos a utilizar, por exemplo, “perdas  estimadas  para  créditos  de  liquidação duvidosa”  (PECLD)  e  não mais “provisão  para  créditos  de  liquidação  duvidosa”.  Essa  alteração  visa  reduzir  o  emprego  inadequado do termo provisão só para as obrigações e estar em consonância com o  IASB e com o conceito de “redução ao valor recuperável”.  Merece também destaque a diferenciação entre as provisões propriamente ditas e as  “provisões  derivadas  de  apropriações  por  competência”  (accruals).  Estas  são  caracterizadas  como  obrigações  já  existentes,  registradas  no  período  de  competência,  em que  não existe grau de  incerteza  relevante. Assim,  pode­se  dizer  que já se caracterizam como passivos genuínos e não devem ser reconhecidos como  “provisões”.  São  exemplos  desses  passivos:  férias  e  13o  salários  devidos  aos  funcionários,  bem  como  os  respectivos  encargos  sociais,  os  dividendos  mínimos  obrigatórios propostos, as gratificações e participações devidas aos empregados e  administradores, as participações de partes beneficiárias e outros. Esses devem ser  contabilizados  como  “férias  a  pagar”,  “décimo­terceiro  a  pagar”,  “encargos  sociais a pagar”, “dividendos a pagar”, etc.  No  caso  presente,  a  fiscalizada  registra  obrigações  em  seu  passivo,  decorrentes de deveres assumidos em razão de planos de previdência, e estas obrigações seriam  atualizadas  mediante  o  cômputo  de  juros.  Não  se  tratam  de  contribuições  a  planos  de  previdência  mantidos  por  outras  entidades,  mas  sim  de  uma  obrigação  própria,  em  face  de  benefícios concedidos por empresa adquirida, da qual ela é sucessora. Diante deste contexto, a  definição  da  natureza  dos  juros  glosados  exige,  antes,  que  se  compreenda  a  razão  do  reconhecimento do passivo atuarial no patrimônio da Fiscalizada.  Fl. 4513DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.386          77 O documento de fls. 478/484 apresenta,  inicialmente, dados estatísticos dos  participantes  em 30/09/2004, projetados para 31/12/2004  e  na  seqüência,  quantifica o  valor  presente  das  obrigações  atuariais,  separado  por  plano,  mas  que,  no  total,  representa  R$  163.430.686,00.  Expressa,  então  resultados  na  forma  definida  pela  NPC  26,  norma  de  contabilização de benefícios a empregados do Instituto Brasileiro de Contadores ­ IBRACON,  referendada pela Deliberação CVM n° 371, de 13 de dezembro de 2000, apontando que estes  resultados referem­se a Plano: Informal, patrocinado pelo Santander Meridional.   Os  cálculos  demonstrados  na  seqüência  evidenciam  que,  do  total  de  obrigações  no  valor  de  R$  163.430  mil,  o  passivo  a  ser  provisionado  deve  equivaler  a  R$  113.341 mil, na medida em que a parcela de R$ 50.090 mil representaria perdas atuariais não  reconhecidas. Indicam que o passivo atuarial no início do ano equivaleria a R$ 110.268 mil, e  tendo  em  conta  as contribuições  da  patrocinadora  vertidas  no  ano,  possivelmente  redutoras  daquele passivo, no montante de R$ 25.298 mil, quantifica em R$ 28.371 mil a despesa a ser  reconhecida no ano de 2004 para alcançar o saldo final antes mencionado de R$ 113.341 mil.   Na segunda parte dos cálculos, ao tratar especificamente dos  juros sobre as  obrigações atuariais para o próximo ano, os cálculos indicam o valor de R$ 25.433 mil, que  somado  a  custos  de  amortizações,  decorrentes  de  perdas  atuariais  não  reconhecidas  de  R$  2.938 mil, resultam na despesa aqui glosada de R$ 28.371 mil.  À  vista  do  que  estipulado  no  Pronunciamento  IBRACON  aprovado  pela  Deliberação CVM nº 371/2000, infere­se que a contribuinte é a única obrigada pelo pagamento  dos benefícios decorrentes do plano de aposentadoria complementar em referência. Os dados  estatísticos dos participantes do plano, a indicação apenas de contribuições da patrocinadora, a  inexistência  de  rendimentos  decorrentes  de  ativos,  a  ausência  de  custos  do  serviço  corrente  (aumento das obrigações em razão do serviço prestado pelo empregado no período corrente),  bem como a apuração de ganhos/perdas atuariais, permitem  inferir que o plano sob análise,  além  de  informal  como  expressamente  indicado,  é  um  plano  de  benefício  definido,  que  se  destina a benefícios pós­emprego, sem qualquer garantia em ativos, mantido atualmente apenas  com  contribuições  da  patrocinadora,  relativamente  ao  qual  os  beneficiários  já  adquiriram  integralmente o direito à percepção dos rendimentos do plano.  Em tais condições, nos termos da norma antes referida, a patrocinadora deve  manter o registro das obrigações em valor presente (descontando juros em razão do prazo de  pagamento),  e  evidenciando  ganhos/perdas  atuariais  que  serão  amortizadas  em  prazo  específico.  Diz  o  item  47  do  Pronunciamento  referido:  A  contabilização  para  planos  de  benefícios  definidos  é  complexa  porque  são  necessárias  premissas  atuariais  para  medir  a  obrigação  e  a  despesa,  e  porque  existe  a  possibilidade  de  ganhos  e  perdas  atuariais.  Além  disso,  as  obrigações  são  mensuradas  ao  seu  valor  presente  porque  podem  ser  liquidadas  muitos anos após os empregados terem prestado os serviços que lhes deram origem.   Observe­se,  ainda,  o  que  consta  na  descrição  dos  objetivos  do  Pronunciamento aprovado pela Deliberação CVM nº 371/2000:  3.  Este  pronunciamento  requer  que  a  Entidade  empregadora/patrocinadora  contabilize:  a.  Um passivo, quando o empregado prestou serviços e terá direito a benefícios a  serem pagos no futuro; e   Fl. 4514DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.387          78 b.  Uma despesa de benefício aos empregados, na medida em que ela se beneficia  dos serviços por eles prestados.  Significa dizer que a empresa patrocinadora deve reconhecer contabilmente a  despesa  pelos  futuros  benefícios  no  momento  em  que  os  serviços  são  prestados  pelos  empregados/beneficiários.  A  contrapartida  desta  despesa  é  a  constituição  de  um  passivo  equivalente  aos  benefícios  que  serão  pagos  no  futuro.  E,  segundo  o  já  citado  Manual  de  Contabilidade Societária – FIPECAFI, p. 522:  Essa Deliberação entrou em vigor a partir de 1o de janeiro de 2002, trazendo efeitos  quanto  à  contabilização  das  obrigações  (ou  de  ativos)  nas  patrocinadoras,  sendo  que  as  demonstrações  financeiras  de  2001  já  deveriam  conter  determinadas  informações em suas Notas Explicativas.  Possivelmente o plano de benefícios que ensejou a despesa aqui glosada foi  instituído antes da edição da Lei nº 6.435/77, que criou  as entidades de previdência privada,  consoante  esclarece  Hiromi  Higuchi  et  alli,  na  obra  Imposto  de  Renda  das  Empresas  ­  Interpretação e prática – Atualizado até 10­01­2011, IR Publicações Ltda, 36a Edição, 2011, p.  288:  COMPLEMENTAÇÃO DE PROVENTOS DE APOSENTADORIA  As complementações dos proventos da aposentadoria, pagas por ex­empregadores,  são despesas operacionais dedutíveis observados os termos, limites e condições da  Portaria nº 41/74 (PN nº 51/75).  Com  a  vigência  da  Lei  nº  6.435/77,  as  complementações  dos  proventos  da  aposentadoria  pagas  diretamente  aos  ex­empregados  somente  são dedutíveis  para  as  empresas  que  mantinham  plano  de  benefícios  antes  de  20­01­78  (art.  301  do  RIR/94).  Os  gastos  com  contribuições  para  complementação  de  aposentadoria,  pensão e auxílio­funeral são considerados despesas operacionais (PN nº 64/76).  Até  o  advento  da  Lei  nº  6.435,  de  15­07­77,  que  dispõe  sobre  as  entidades  de  previdência  privada  abertas  e  fechadas,  a  dedutibilidade  das  despesas  com  a  complementação  de  proventos  de  aposentadoria  estava  condicionada  ao  requisito  de ser paga indistintamente a todos os empregados.  Até  a  vigência  da Lei  nº  6.435/77,  pela  inexistência das  entidades  de  previdência  privada,  a  própria  empresa  instituía  os  planos  de  previdência,  assumindo  integralmente  o  ônus  pelo  pagamento  dos  benefícios.  Essa  modalidade  ficou  proibida por aquela lei, exceto para as empresas que já mantinham os planos.    Supondo­se, portanto, que tal plano de previdência foi instituído antes da Lei  nº 6.435/77 – hipótese possível na medida em que o documento de fl. 1134 acusa a existência  em  1972  da  Caixa  de  Auxílio  dos  Funcionários  do  Banco  Nacional  do  Comércio  S/A  –  CACIBAN, a qual constitui um dos planos citados no documento de fl. 480 – a pessoa jurídica  teria o direito de deduzir, na apuração do lucro tributável, as complementações dos proventos  de  aposentadoria  pagas  diretamente  aos  ex­empregados,  observados  limites  que  foram  assim  referidos no Parecer Normativo CST nº 64/76:  4.  Também,  pela  mesma  razão,  as  importâncias  pagas  aos  empregados  e  seus  dependentes,  com o  fim específico de  complementação de aposentadoria e pensão  concedidas  por  instituições  oficiais  de  previdência  social,  são  consideradas  despesas operacionais da empresa que suporta o encargo, desde que, observadas as  condições referidas no item 2, os proventos da aposentadoria ou pensão não atinjam  o  salário  médio  mensal  percebido  nos  últimos  12  (doze)  meses  da  atividade  do  Fl. 4515DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.388          79 empregado aposentado, nos precisos termos do § 6º do art. 162. do Regulamento do  Imposto de Renda/75. Essas complementações poderão ser  reajustadas de modo a  manter o valor correspondente ao salário médio mensal que o empregado teria em  atividade,  tomando­se por base o  salário da categoria e nível  a que o empregado  pertencia, conforme a política salarial do governo e os índices oficiais estabelecidos  pelos órgãos competentes.   5.  Por  fim,  cumpre  esclarecer  que  os  gastos  referidos  nos  itens  anteriores  são  admitidos  não  só  quando  os  serviços  são  oferecidos  diretamente  pela  empresa,  pública  ou  privada,  como  também  quando  são  prestados  por  estabelecimentos  especializados,  mediante  pagamento,  podendo,  ainda,  ditos  serviços  ficar  sob  a  responsabilidade  de  entidades,  com  personalidade  jurídica  própria  e  sem  fins  lucrativos,  constituídas  para  tal  fim  por  uma  ou  várias  empresas,  e  mantidas  mediante contribuições destas. Entretanto, qualquer que seja a forma da prestação  dos benefícios, deverão ser sempre obedecidos os requisitos previstos no § 8º do art.  162. do Regulamento do Imposto de Renda vigente.  Todavia, em razão das premissas contábeis impostas pela Deliberação CVM  nº  371/2000,  a  fiscalizada  possivelmente  reconheceu,  em  período  anterior,  as  despesas  correspondentes às obrigações que  tinha perante os ex­empregados beneficiários do plano de  aposentadoria, registrando­as a valor presente para liquidá­las na medida em que fizesse novas  contribuições  ao  plano,  mas  periodicamente  as  reavaliando,  em  razão  de  ganhos  e  perdas  atuariais,  e  ajustando­as,  em  razão  dos  juros  incorridos  pela  aproximação  da  data  dos  pagamentos  dos  benefícios  (apropriação  dos  “juros”  descontados  no  cálculo  do  valor  presente anterior, em função da fluência do prazo)  (in Manual de Contabilidade Societária –  FIPECAFI, 2010, p. 530).  Este exame preliminar já se presta evidenciar que a despesa glosada prestou­ se  a  ajustar  o  valor  presente  das  obrigações  da  recorrente  em  razão  do  plano  de  benefícios  concedido a seus ex­empregados, reunindo juros incorridos e amortização de perdas atuariais,  cuja  indedutibilidade  exigiria  argumentação mais  elaborada  da  Fiscalização,  do  que  a mera  afirmação de que se estaria tratando de uma provisão não dedutível, apenas porque resultante  de valores “provisionados”.  Eventualmente o aprofundamento da análise em torno do tema resultaria em  glosa sob o mesmo fundamento legal adotado pela Fiscalização, mas certamente assim se daria  com a  reunião de outros  fundamentos  fáticos  e  jurídicos,  que não  foram  antes  imputados no  lançamento  porque  a  autoridade  lançadora  entendeu  suficiente  o  apontamento  inicialmente  descrito. Não se trataria, portanto, de refutar alegações de defesa, mas sim avançar no alcance  do conteúdo das operações questionadas, para além do que a Fiscalização reputou necessário,  em clara inovação do lançamento, e evidente cerceamento ao direito de defesa do contribuinte.  Quanto  ao  argumento  subsidiário  da  Fiscalização,  no  sentido  de  que  a  dedução  integral  de  contribuições para previdência  complementar dependeria da observância  do  limite estabelecido no art. 361, §1o do RIR/99, basta observar que a autoridade lançadora  não materializou esta acusação subsidiária, apenas aventando a possibilidade de o limite legal  restringir,  em  alguma  parcela,  a  dedução  efetivada.  Assim,  também  sob  esta  ótica,  a  manutenção, ainda que parcial, da exigência, demandaria o acréscimo de motivação em fase de  julgamento administrativo.  Por  estas  razões,  deve­se DAR PROVIMENTO ao  recurso voluntário,  para  cancelar a glosa de juros sobre passivo atuarial.   Fl. 4516DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.389          80   9.  OUTRAS  EXCLUSÕES  –  ATUALIZAÇÃO  DE  DEPÓSITOS  JUDICIAIS  (valor  tributável de R$ 7.339.747,13)  A  autoridade  julgadora  de  1a  instância  exonerou  as  exigências  calculadas  sobre  a  base  tributável  de  R$  7.339.747,13,  excedendo  o  limite  fixado  na  Portaria  MF  nº  375/2001, e assim submetendo sua decisão a reexame necessário.  Trata­se, aqui, de receitas de atualização de depósitos judiciais excluídas do  lucro  tributável no ano­calendário 2004. Entendeu a autoridade  lançadora que a exclusão era  indevida por falta de previsão legal. Já na decisão recorrida, firmou­se o entendimento de que a  receita  financeira  só  será  efetivamente  receita  do  depositante  quando,  uma  vez  finda  a  pendência judicial com resultado favorável ao contribuinte, ou, excepcionalmente, por decisão  judicial  que  o  autorize  antes  desse  evento,  sejam  retomados  pelo  depositante,  com  os  correspondentes acréscimos.  Ocorre que tal matéria é objeto da Súmula CARF nº 58, de seguinte teor: As  variações monetárias ativas decorrentes de depósitos judiciais com a finalidade de suspender  a exigibilidade do crédito tributário devem compor o resultado do exercício, segundo o regime  de competência, salvo se demonstrado que as variações monetárias passivas incidentes sobre  o tributo objeto dos depósitos não tenham sido computadas na apuração desse resultado.  Argumentavam  os  contribuintes  que  as  variações  monetárias  de  depósitos  judiciais  não  se  constituem  renda  do  depositante,  na  medida  em  que  os  depósitos  judiciais  ficam  a  disposição  do  juízo,  inexistindo  disponibilidade  econômica  do  contribuinte,  o  que  contraria o conceito de renda.   A  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  acolheu  temporariamente  este  argumento:  VARIAÇÃO  MONETÁRIA  ­  DEPÓSITOS  JUDICIAIS  ­  Em  razão  de  sua  indisponibilidade  econômica,  sobre  os  valores  depositados  em  Juízo  não  deve  incidir correção monetária, já que não há fato gerador do tributo. Somente a partir  de  seu  ingresso  no  patrimônio  do  contribuinte,  em  razão  de  decisão  favorável  transitada  em  julgado,  é  que  devem  tais  valores  serem  incluído  no  lucro  líquido  para efeitos de apuração do  lucro real. Recurso conhecido e improvido.  (Acórdão  CSRF nº 01­02.917, data da sessão: 08/05/2000)  Todavia,  o Superior Tribunal  de  Justiça  reconheceu  que  depósitos  judiciais  são elemento integrante do patrimônio pecuniário dos depositantes para fins de penhora, como  se vê em voto do Ministro Herman Benjamim, no acórdão proferido em 20/08/2009 nos autos  do Recurso Especial nº 1.098.077:  Com efeito, é essencial relembrar que a penhora foi concretizada sobre os depósitos  judiciais  pela  impetrante  realizados,  isto  é,  sobre  o  seu  patrimônio  pecuniário  –  tanto é verdade que, uma vez  integralmente vencedora, o Alvará de Levantamento  seria  expedido  em  seu  favor.  Corrobora  esse  entendimento  o  fato  de  que,  a  seu  pedido  –  ou  seja,  porque  se  trata  de  seu  patrimônio  e,  nessa  medida,  de  bem  disponível – , parte dos valores depositados deveria ser reservada para pagamento  do procurador contratado. Note­se que, se se tratasse efetivamente dos honorários  contratuais, faltaria interesse e legitimidade à recorrente para o pleito.  Fl. 4517DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.390          81 E, no que concerne ao cômputo das variações monetárias daí decorrentes para  fins de apuração da base de cálculo do IRPJ, a ementa do acórdão proferido pelo Ministro João  Otávio de Noronha em 08/05/2007, nos autos do Recurso Especial nº 514.341/RJ, evidencia a  pacificação em torno do tema no âmbito do Superior Tribunal de Justiça:  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  DEPÓSITO  JUDICIAL.  IMPOSTO  DE  RENDA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES.  1. O STJ já firmou o entendimento de que os valores depositados judicialmente com  a finalidade de suspender a exigibilidade do crédito tributário, a teor do disposto no  art. 151, inciso II, do CTN, permanecem no âmbito patrimonial do contribuinte até  o  fim do  processo  judicial  inclusive  no que  diz  respeito  ao  acréscimo obtido  com  correção monetária  e  juros,  constituindo­se  assim em  fato  gerador  do  imposto  de  renda.  2. Recurso especial improvido.  Do voto  ali  contido  extrai­se  o  histórico  desta  definição,  fundamentada  em  referências que datam de 1997:  Sobre o tema, transcrevo excertos do voto proferido pelo Ministro José Delgado no  julgamento  do Recurso Especial  n.  129.249/RS  (publicado no DJ de  22.9.97) que  bem resumem a questão:  "O depósito de um tributo em juízo para discutir da sua exigência ou não pode ser  concebido,  para  qualquer  fim,  quer  seja  fiscal,  quer  seja  obrigacional,  como  pagamento do referido tributo. O pagamento se faz com o recolhimento e representa  uma  despesa,  um  custo  para  o  contribuinte.  O  depósito  não.  Ele  permanece  integrando  o  patrimônio  do  contribuinte,  vinculado,  apenas,  ao  fim  a  que  ele  se  destina: o de garantir o débito  fiscal  judicialmente discutido. Essa característica  se  apresenta  de  forma  tão  induvidosa  que  se  o  litígio  for  julgado  em  favor  do  depositante,  as  quantias,  por  lhe  pertencerem,  serão  liberadas  e  passam  a  ter  livre  movimentação no patrimônio do seu titular. Se, ao contrário, ocorrer a denegação do  pedido, o depósito se transformará em renda do Poder tributante e aí, sim, assume a  feição de despesa, podendo ser dedutível.  (...)  Conceituar essa operação como despesa, sem qualquer possibilidade de no futuro, no  caso  do  contribuinte  ser  o  vencedor  da  ação  e  o  depósito  voltar  para  o  seu  patrimônio,  receber  a  devida  tributação  com  os  acréscimos  decorrentes  da  diminuição do imposto pago é conceder uma benefício fiscal sem autorização legal.  Não há lei dizendo que o depósito judicial é despesa dedutível para fins de imposto  de renda. Logo, assim não se pode entender como sendo."  A fim de corroborar tal entendimento, destaco, ainda, os seguintes julgados:  "TRIBUTÁRIO.  IMPOSTO  DE  RENDA.  DEPÓSITO  JUDICIAL.SUSPENSÃO  DA  EXIGIBILIDADE  DO  CRÉDITO.  CORREÇÃO  MONETÁRIA.  INCIDÊNCIA.  1. Os valores depositados judicialmente com o escopo de suspender a exigibilidade  do  crédito  tributário não escapam ao âmbito patrimonial  do contribuinte,  inclusive  no  que  diz  respeito  ao  acréscimo  decorrente  de  correção  monetária  e  juros,  constituindo­se,  portanto,  em  fato  gerador  do  imposto  de  renda.  Precedentes  de  ambas as Turmas de Direito Público deste Sodalício.  Fl. 4518DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.391          82 2.  Recurso  especial  improvido."  (Segunda  Turma,  REsp  n.  464.570/SP,  relator  Ministro Castro Meira, DJ de 29.6.2006.)  "TRIBUTÁRIO  –  RECURSO  ESPECIAL  (ARTIGO  105,  III,  'A'  e  'C',  CONSTITUIÇÃO  DA  REPÚBLICA)  ­  RENDIMENTOS  DE  DEPÓSITO  JUDICIAL–  INCIDÊNCIA  DE  IMPOSTO  DE  RENDA  –  PRETENDIDA  VULNERAÇÃO  AOS  ARTIGOS  43,  114,  116,  INCISO  II  E  117,  INCISO  I,  TODOS DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL – ALEGADA DIVERGÊNCIA  JURISPRUDENCIAL.  ­ O depósito  judicial  não  é,  desde  logo,  pagamento  liberatório  da  obrigação,  pois,  visa a garantir o  juízo e demonstrar,  em princípio, a um  tempo, a  solvibilidade do  contribuinte e  seu propósito não procrastinatório. Enquanto permanece depositado,  dúvida não há que produz rendimentos que caracterizam o fato gerador do imposto  de renda. Inocorrência de violação ao artigo 43 do Código Tributário Nacional.  ­  Não  se  conhece  do  recurso  especial  quando  os  dispositivos  legais  tidos  por  violados sequer foram prequestionados, aplicando­se, por analogia, a Súmula n. 282  do Supremo Tribunal Federal.  ­ A divergência jurisprudencial não restou adequadamente apresentada, pois, apesar  das transcrições de trechos de v. arestos, não foram demonstradas suficientemente as  circunstâncias que identificassem ou assemelhassem os casos confrontados.  ­  Recurso  especial  não  conhecido,  por  ausência  de  afronta  ao  art.  105,  inciso  III,  letras 'a' e 'c', da Constituição da República.  ­ Decisão por unanimidade de votos." (Segunda Turma, REsp n. 142.031/RS, relator  Ministro Franciulli Neto, DJ de 12.11.2001.)  "TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. DEPÓSITO  JUDICIAL. RENDIMENTOS. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA.  ­ Os valores depositados judicialmente com a finalidade de suspender a exigibilidade  do crédito tributário, em conformidade com o artigo 151, do CTN, não refogem ao  âmbito  patrimonial  do  contribuinte,  constituindo­se  assim  em  fato  gerador  do  imposto de renda.  ­  'Os  valores  depositados,  para  os  fins  do  art.  151,  II,  do  CTN,  permanecem  no  patrimônio  do  contribuinte,  até  o  encerramento  do  processo.  Por  isto,  seus  rendimentos  constituem  fato  gerador  de  imposto  de  renda.'  (REsp  194.989/PR,  Relator Ministro Humberto Gomes de Barros, D.J.U 29/11/1999, Pág. 127).  ­ Precedentes.  ­ Agravo  regimental  improvido."  (Primeira  Turma,  AgRg  no REsp  n.  346.703/RJ,  relator Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ de 2.12.2002.)  "TRIBUTÁRIO  ­  IMPOSTO  DE  RENDA  ­  DEPÓSITO  JUDICIAL  PARA  SUSPENDER EXIGIBILIDADE DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO ­ LEI 8.541/92.  ­  Os  valores  depositados,  para  os  fins  do  art.  151,  II,  do  CTN,  permanecem  no  patrimônio  do  contribuinte,  até  o  encerramento  do  processo.  Por  isto,  seus  rendimentos constituem fato gerador de imposto de renda." (Primeira Turma, REsp  n. 194.989/PR, Primeira Turma,  relator Ministro Humberto Gomes de Barros, DJ  de 29.11.1999.)  Fl. 4519DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.392          83 Diante  deste  contexto,  há  registros  verificados  desde  2005,  na  Câmara  Superior de Recursos Fiscais, em favor da inclusão de tais receitas na base de cálculo do IRPJ.  Veja­se:  Acórdão nº 01­06.004, sessão de 12/08/2008, 1ª Turma da CSRF  VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS. DEPÓSITOS JUDICIAIS. A apropriação das  variações monetárias ativas na determinação do Lucro Operacional, auferidas em  depósito  judicial  para  garantia  de  instância,  encontrava  guarida,  à  época,  nas  disposições do art. 254 do RIR/80, devendo, pois, serem apropriadas no resultado  do exercício da empresa depositante segundo o regime de competência.   Acórdão nº 01­05.270, sessão de 20/9/2005, 1ª Turma da CSRF  VARIAÇÕES  MONETÁRIAS  DE  DEPÓSITOS  JUDICIAIS  —  As  variações  monetárias  decorrentes  de  depósitos  judiciais  com  a  finalidade  de  suspender  a  exigibilidade do crédito tributário devem compor o resultado do exercício, segundo  o regime de competência, tendo em vista que o valor depositado integra o conjunto  de bens e direitos do ativo do depositante  Acórdão nº 01­05.384, sessão de 6/12/2005, 1ª Turma da CSRF  VARIAÇÕES  MONETÁRIAS  DE  DEPÓSITOS  JUDICIAIS  —  As  variações  monetárias  decorrentes  de  depósitos  judiciais  com  a  finalidade  de  suspender  a  exigibilidade do crédito tributário devem compor o resultado do exercício, segundo  o regime de competência, tendo em vista que o valor depositado integra o conjunto  de bens e direitos do ativo do depositante.  Acórdão nº 01­05.388, sessão de 20/03/2006, 1ª Turma da CSRF  VARIAÇÕES  MONETÁRIAS  DE  DEPÓSITOS  JUDICIAIS  –  As  variações  monetárias  decorrentes  de  depósitos  judiciais  com  a  finalidade  de  suspender  a  exigibilidade do crédito tributário devem compor o resultado do exercício, segundo  o regime de competência, tendo em vista que o valor depositado integra o conjunto  de  bens  e  direitos  do  ativo  do  depositante.  Tendo  o  contribuinte  corrigido  a  obrigação  no  passivo  deveria  da mesma  forma  corrigir  os  depósitos  sob  pena de  desequilíbrio indevido no resultado da correção monetária.  Acórdão nº 01­05.777, sessão de 04/12/2007, 1a Turma da CSRF  VARIAÇÃO MONETÁRIA ATIVA – Cabível a exigência da variação monetária dos  depósitos  judiciais  com  a  finalidade  de  suspender  a  exigibilidade  do  crédito  tributário, em conformidade com o art. 151, do CTN. O valor depositado representa  um ativo da empresa que tem dois destinos possíveis: primeiro, quitar o tributo caso  a  Justiça  o  entenda  devido  ou,  segundo,  ser  incorporado  ao  caixa  da  empresa  quando  considerado  indevido.  Em  ambas  as  opções,  esse  recurso  irá  gerar  acréscimo patrimonial para empresa, seja aumentando um ativo (ingresso no caixa)  ou  reduzindo  um  passivo  (quitação  de  débito  tributário).  Recurso  voluntário  negado.   Durante o procedimento fiscal, a contribuinte apenas alegou que na avaliação  da  Instituição  a  receita  gerada  com  a  atualização  de  depósito  judicial  não  são  receitas  tributáveis. Em impugnação, questionou a exigência na medida em que não há disponibilidade  econômica  ou  jurídica  desses  valores  enquanto  não  houver  decisão  definitiva  transitada  em  julgado em  favor do  contribuinte.  Logo,  em momento  algum a  contribuinte  argumentou que  não  teriam  sido  computadas,  na  apuração  do  resultado,  as  variações  monetárias  passivas  Fl. 4520DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.393          84 incidentes  sobre  o  tributo  objeto  dos  depósitos  judiciais,  o  que  torna  desnecessária  qualquer  investigação a este respeito.  Assim, tendo em conta a Súmula CARF nº 58, as exigências exoneradas na  decisão  recorrida  devem  ser  restabelecidas,  inclusive  no  que  tange  às multas  isoladas,  pelas  razões  que  serão  expostas  adiante.  Por  estas  razões,  o  presente  voto  é  no  sentido  de  DAR  PROVIMENTO ao recurso de ofício.    10. DECORRÊNCIAS  a.  Multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas:  A  autoridade  lançadora  recompôs  a  apuração  das  estimativas  mensais,  adicionando o valor mensal acumulado das infrações acima tratadas ao resultado inicialmente  determinado pela contribuinte, a partir de balancetes de suspensão/redução. Identificou, assim,  falta  de  recolhimento  de  estimativas  de  IRPJ  e  CSLL  nos  períodos  de  apuração  de  janeiro,  março, abril, maio e junho/2004 (fl. 889).  Tais valores  foram parcialmente exonerados na decisão  recorrida,  em  razão  da reconstituição dos cálculos decorrente do afastamento da infração tratada no item 9, acima.  A autoridade  julgadora de 1a  instância  também afastou a alegação de decadência, na medida  em  aplicou  o  art.  173  do  CTN  para  contagem  do  prazo  decadencial,  ante  a  ausência  de  recolhimentos.  A  recorrente  questiona  a  exigência  das  penalidades,  quer  em  razão  do  encerramento  do  ano­base,  quer  em  razão  da  impossibilidade  da  cobrança  cumulativa.  Reafirma,  também, a decadência dos valores  lançados após 5  (cinco) anos da ocorrência dos  fatos geradores mensais.  Ocorre que a legislação fixa como regra a apuração trimestral do lucro real ou  da base de cálculo da CSLL, e faculta aos contribuintes a apuração destes resultados apenas ao  final do  ano­calendário  caso  recolham as  antecipações mensais devidas,  com base na  receita  bruta  e  acréscimos,  ou  justifiquem  sua  redução/dispensa  mediante  balancetes  de  suspensão/redução.   Se assim não procedem, desde a  redação original da Lei nº 9.430/96 estava  assim disposto:  Art.44.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes multas,  calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição:   I ­ de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento,  pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa  moratória,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração  inexata,  excetuada  a  hipótese do inciso seguinte;   [...]  §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas:   [...]  Fl. 4521DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.394          85 IV ­isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de  renda  e  da  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  na  forma  do  art.  2º,  que  deixar  de  fazê­lo,  ainda  que  tenha  apurado  prejuízo  fiscal  ou  base  de  cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário  correspondente;   [...]   Conclui­se, daí, que o legislador estabeleceu a possibilidade de a penalidade  ser  aplicada  mesmo  depois  de  encerrado  o  ano­calendário  correspondente,  e  ainda  que  evidenciada  a  desnecessidade  das  antecipações,  nesta  ocasião,  por  inexistência  de  IRPJ  ou  CSLL  devidos  na  apuração  anual.  Para  exonerar­se  da  referida  obrigação,  cumpria  à  contribuinte levantar balancetes mensais de suspensão, e evidenciar a  inexistência de base de  cálculo para recolhimento das estimativas durante todo o ano­calendário.   Desconstituída  tal  demonstração,  em  razão das  infrações  aqui  identificadas,  resta patente a inobservância da obrigação imposta àqueles que optam pela apuração anual do  lucro. Logo, para não se sujeitar à multa de ofício isolada, deveria a contribuinte ter apurado e  recolhido corretamente os valores estimados, com os acréscimos moratórios calculados desde a  data  de  vencimento  pertinente  a  cada mês,  não  sendo  suficiente  determinar,  apenas,  o  valor  que, ao final, ainda remanesceria devido nos cálculos do ajuste anual.   Ou seja, para desfazer espontaneamente a  infração de  falta de  recolhimento  das estimativas, deveria a contribuinte quitá­las, ainda que verificando que os tributos devidos  ao  final  do  ano­calendário  seriam  inferiores  à  soma  das  estimativas  devidas.  Apenas  que  a  quitação destas estimativas, porque posteriores ao encerramento do ano­calendário,  resultaria  em um saldo negativo de  IRPJ ou CSLL, passível de  compensação com débitos de períodos  subseqüentes,  à  semelhança  do  que  viria  a  ocorrer  se  a  contribuinte  houvesse  recolhido  as  antecipações no prazo legal.  Já  se  a  contribuinte  assim  não  age,  o  procedimento  a  ser  adotado  pela  Fiscalização  difere  desta  regularização  espontânea.  Isto  porque  seria  incongruente  exigir  os  valores  que  deixaram  de  ser  recolhidos  mensalmente  e,  ao  mesmo  tempo,  considerá­los  quitados  para  recomposição  do  ajuste  anual  e  lançamento  de  eventual  parcela  excedente  às  estimativas mensais.  Assim, optou o legislador pela dispensa de lançamento do valor principal não  antecipado,  e  reconhecimento  dos  efeitos  de  sua  ausência  no  ajuste  anual,  com  conseqüente  exigência  apenas  do  valor  apurado  em  definitivo  neste  momento,  sem  levar  em  conta  as  estimativas,  porque  não  recolhidas.  E,  para  que  a  falta  de  antecipação  de  estimativas  não  ficasse  impune,  fixou­se,  no  art.  44,  §1º,  inciso  IV, da Lei nº 9.430/96,  a penalidade  isolada  sobre esta ocorrência, distinta da falta de recolhimento do ajuste anual, como já explicitado.   Observe­se, ainda, que a norma antes citada recebeu a seguinte redação pela  Medida Provisória n.º 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007:  Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com  a seguinte redação, transformando­se as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e  III:  “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:  Fl. 4522DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.395          86 I ­ de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração e nos de declaração inexata;  II  ­  de  50%  (cinqüenta  por  cento),  exigida  isoladamente,  sobre  o  valor  do  pagamento mensal:  a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de  ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de  ajuste, no caso de pessoa física;  b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido  apurado  prejuízo  fiscal  ou  base  de  cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário  correspondente,  no  caso  de  pessoa  jurídica.  §  1o  O  percentual  de  multa  de  que  trata  o  inciso  I  do  caput  deste  artigo  será  duplicado  nos  casos  previstos  nos  arts.  71,  72  e  73  da  Lei  nº  4.502,  de  30  de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais cabíveis.  [...]  V ­ (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998).  § 2o Os percentuais de multa a que se  referem o  inciso  I do caput e o § 1o deste  artigo  serão  aumentados  de  metade,  nos  casos  de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo, no prazo marcado, de intimação para:  I ­ prestar esclarecimentos;  II  ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que  tratam os arts. 11 a 13 da Lei no  8.218, de 29 de agosto de 1991;  III ­ apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei.  ................................................. ”   Nestes termos, em ambos os dispositivos estão presentes idênticos elementos  para  aplicação  da  penalidade:  permanece  ela  isolada,  aplicável  aos  casos  de  falta  de  recolhimento  de  estimativas mensais  de  IRPJ  e CSLL  por  pessoa  jurídica  (art.  2o  da  Lei  nº  9.430/96), mesmo se apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL ao final do  ano­calendário. A única distinção é o percentual aplicado, agora de 50% e não mais de 75%, o  que  inclusive motivou  a  aplicação  de  retroatividade  benigna,  prevista  no  art.  106,  inciso  II,  alínea “c” do CTN, pela autoridade lançadora.  Impróprio, assim, falar em aplicação concomitante de penalidades em razão  de  uma mesma  infração:  a hipótese  de  incidência da multa  isolada  é  o  não  cumprimento  da  obrigação  correspondente  ao  recolhimento  das  estimativas  mensais  –  obrigação  acessória  imposta aos optantes pela apuração anual das bases tributáveis – e a hipótese de incidência da  multa  proporcional  é  o  não  cumprimento  da  obrigação  referente  ao  recolhimento  do  tributo  devido ao final do período.   A  interessada também argúi, subsidiariamente, a decadência do direito de o  Fisco constituir as multas isoladas, quando já transcorrido o prazo previsto no art. 150, § 4o do  Fl. 4523DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.396          87 CTN, na medida em que o lançamento lhe foi cientificado em dezembro/2009 e teve em conta  penalidades aplicadas até o período de apuração de junho/2004.  Ocorre  que,  como  dito,  o  recolhimento  de  estimativas  nada mais  é  do  que  obrigação acessória imposta àqueles que optam pela apuração anual do IRPJ e da CSLL. Não  se trata, pois, de pagamento do próprio tributo e, por esta razão, não se sujeita à homologação  tácita prevista no art. 150, §4o do CTN.   A  regra  de  contagem  do  prazo  decadencial  para  lançamento  das  multas  isoladas por falta de recolhimento de estimativas é definida em razão do regime a que se sujeita  o  tributo devido no ajuste  anual. Se há  apuração, declaração ou  recolhimento que  autorize  a  aplicação do art. 150 do CTN, e a exigência de eventual diferença apurada no ajuste anual é  possível em até 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, o mesmo prazo terá a  autoridade lançadora para aplicar a multa isolada decorrente de eventual falta de recolhimento  de estimativas durante o correspondente ano­calendário.  E,  no  presente  caso,  na  medida  em  que  o  lançamento  se  deu  antes  de  expirados  5  (cinco)  anos  contados  a  partir  da  ocorrência  do  encerramento  do  período  de  apuração  anual  (31/12/2004),  é  desnecessário  perquirir  se  a  contagem  do  prazo  decadencial  para lançamento de diferenças apuradas no ajuste anual poderia ser feita com base no art. 150  do CTN, pois, mesmo nestas circunstâncias, não teria se verificado a decadência.  Assim,  cabe  apenas  reduzir  as  penalidades  aplicadas  na  proporção  das  exigências  que  foram  mantidas/restabelecidas  no  presente  julgamento,  consoante  a  seguir  demonstrado, na reconstituição dos cálculos elaborados pela Fiscalização à fl. 889:    IRPJ    Janeiro    Fevereiro    Março    Abril    Maio    Junho    DIPJ    (414.345,62)   (18.624.284,49)  (9.927.985,48)  (1.007.949,78)  (5.954.314,73)  (14.304.790,35)   Item 1    296.370,46    1.078.319,47    2.576.769,59    1.006.931,30    4.301.921,14    9.082.202,53    Item 2    101.993,21    142.774,45    365.176,62    132.342,31     58.585,14     105.188,02    Item 3    216.489,74    199.550,81      ­    204.366,32    197.611,96     195.106,59    Item 4    438.124,33     (42.141,83)   570.074,68    (149.888,23)   385.473,79    1.154.390,89    Item 5      ­      ­      ­      ­      ­      ­    Item 6      ­      ­      ­      ­      ­    3.405.959,96    Item 7      ­      ­      ­      ­      ­     964.372,91    Item 8      ­      ­      ­      ­      ­      ­    Item 9      ­      ­      ­      ­      ­      ­    Item 10    675.925,24    622.594,44    529.450,38    676.519,94    578.473,57     602.985,16    Total Infr.    1.728.902,98    2.001.097,34    4.041.471,27    1.870.271,64    5.522.065,60    15.510.206,06    Infr. Acum.    1.728.902,98    3.730.000,32    7.771.471,59    9.641.743,23    15.163.808,83   30.674.014,89    BC Corrig    1.314.557,36    (14.894.284,17)  (2.156.513,89)  8.633.793,45    9.209.494,10    16.369.224,54    IR Ap. 15%    197.183,60      ­      ­    1.295.069,02    1.381.424,12    2.455.383,68    Adicional    129.455,74      ­      ­    855.379,35    910.949,41    1.624.922,45    IR Apurado    326.639,34      ­      ­    2.150.448,36    2.292.373,53    4.080.306,14    IR Mês Ant.      ­      ­      ­    (326.639,34)   (2.150.448,36)  (2.292.373,53)   IR a Pagar    326.639,34      ­      ­    1.823.809,02    141.925,16    1.787.932,61    Multa    163.319,67      ­      ­    911.904,51    70.962,58    893.966,31                 Fl. 4524DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.397          88  CSLL   Janeiro    Fevereiro    Março    Abril    Maio    Junho    DIPJ    (421.652,05)   (18.621.284,49)  (9.830.411,09)  (875.855,38)   (5.803.295,05)  (14.120.280,76)   Item 1    296.370,46    1.078.319,47    2.576.769,59    1.006.931,30    4.301.921,14    9.082.202,53    Item 2    101.993,21    142.774,45    365.176,62    132.342,31     58.585,14     105.188,02    Item 3    216.489,74    199.550,81      ­    204.366,32    197.611,96     195.106,59    Item 4    438.124,33     (42.141,83)   570.074,68    (149.888,23)   385.473,79    1.154.390,89    Item 5      ­      ­      ­      ­      ­      ­    Item 6      ­      ­      ­      ­      ­    3.405.959,96    Item 7      ­      ­      ­      ­      ­     964.372,91    Item 8      ­      ­      ­      ­      ­      ­    Item 9      ­      ­      ­      ­      ­      ­    Item 10    675.925,24    622.594,44    529.450,38    676.519,94    578.473,57     602.985,16    Total Infr.    1.728.902,98    2.001.097,34    4.041.471,27    1.870.271,64    5.522.065,60    15.510.206,06    Infr. Acum.    1.728.902,98    3.730.000,32    7.771.471,59    9.641.743,23    15.163.808,83   30.674.014,89    BC Corrig    1.307.250,93    (14.891.284,17)  (2.058.939,50)  8.765.887,85    9.360.513,78    16.553.734,13    CSLL    117.652,58      ­      ­    788.929,91    842.446,24    1.489.836,07    CS Mês Ant.      ­      ­      ­    (117.652,58)   (788.929,91)   (842.446,24)   CSLL a Pagar  117.652,58      ­      ­    671.277,32     53.516,33     647.389,83    Multa    58.826,29      ­      ­    335.638,66    26.758,17    323.694,92   Portanto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao  recurso voluntário e DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício.    b.  Efeitos  da  exigência  na  apuração  de  prejuízos  fiscais  e  bases  de  cálculo  negativas:   O presente lançamento resultou na reversão para lucro do prejuízo fiscal e da  base de cálculo negativa da CSLL inicialmente apurados pela contribuinte nos valores de R$  141.103.442,49  e  R$  140.868.403,66.  Apurou­se  lucro  tributável  de  R$  99.222.992,37  no  âmbito do  IRPJ e de R$ 99.458.031,20 no âmbito da CSLL, os quais ainda  foram reduzidos  pela utilização de prejuízos/bases negativas de períodos anteriores.  A decisão recorrida e sob reexame apenas reduziu os lucros tributáveis assim  apurados,  mantendo  inalteradas  a  reversão  de  prejuízos/bases  negativas  em  2004  e  a  compensação de prejuízos/bases negativas de períodos anteriores.  Aqui, porém, em que pese o restabelecimento da  infração desconstituída na  decisão de 1a instância, as demais infrações canceladas ensejam o restabelecimento de parte do  prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa inicialmente apurados pela contribuinte em 2004,  consoante a seguir demonstrado:          Fl. 4525DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.398          89        Lançamento   DRJ   CARF      Saldo de Prejuízos Anteriores   (456.591.601,12)   (456.591.601,12)   (456.591.601,12)     Prejuízo Operacional   (141.103.442,49)   (141.103.442,49)   (141.103.442,49)     Infrações Operacionais           1  Prov. Cont. Trabalhistas   40.500.255,68    40.500.255,68    39.705.123,76   2  Prov. Cont. Cíveis   2.579.643,92    2.579.643,92    2.502.634,42   3  Prov. Perdas Tarif. Rec.   2.175.309,03    2.175.309,03    2.175.309,03   4  Despesas de Outras Prov.   3.189.772,66    3.189.772,66    3.189.772,66   5  Desc. Oper. Crédito   12.487.267,53    12.487.267,53     ­   6  Desp. Rem. Interv. Terc.   6.357.601,86    6.357.601,86    6.357.601,86   7  Desp. Autoriz. Res. Ag.   2.134.716,19    2.134.716,19    2.134.716,19   8  Juros Passivo Atuarial   28.371.000,00    28.371.000,00     ­   10 Atualiz. Dep. Judiciais   7.339.747,13     ­    7.339.747,13      Infrações Não Operacionais           9  Recebimentos Escrow   135.191.120,86    135.191.120,86     ­      Lucro Real Ajustado   99.222.992,37    91.883.245,24    (77.698.537,44)     Compensação de prejuízos   (29.766.897,71)   (27.564.973,57)        Lucro Real Tributado   69.456.094,66    64.318.271,67    (77.698.537,44)     IRPJ (15%)   10.418.414,19    9.647.740,75         Adicional (10%)   6.921.609,46    6.407.827,17         IRPJ total   17.340.023,64    16.055.567,92     ­                     Saldo de BCN Anteriores   (82.682.654,40)   (82.682.654,40)   (82.682.654,40)     Prejuízo Operacional   (140.868.403,66)   (140.868.403,66)   (140.868.403,66)     Infrações Operacionais           1  Prov. Cont. Trabalhistas   40.500.255,68    40.500.255,68    39.705.123,76   2  Prov. Cont. Cíveis   2.579.643,92    2.579.643,92    2.502.634,42   3  Prov. Perdas Tarif. Rec.   2.175.309,03    2.175.309,03    2.175.309,03   4  Despesas de Outras Prov.   3.189.772,66    3.189.772,66    3.189.772,66   5  Desc. Oper. Crédito   12.487.267,53    12.487.267,53     ­   6  Desp. Rem. Interv. Terc.   6.357.601,86    6.357.601,86    6.357.601,86   7  Desp. Autoriz. Res. Ag.   2.134.716,19    2.134.716,19    2.134.716,19   8  Juros Passivo Atuarial   28.371.000,00    28.371.000,00     ­   9  Recebimentos Escrow   135.191.120,86    135.191.120,86     ­   10 Atualiz. Dep. Judiciais   7.339.747,13     ­    7.339.747,13      Base de Cálculo Ajustada   99.458.031,20    92.118.284,07    (77.463.498,61)     Compensação de BCN   (29.837.409,36)   (27.635.485,22)        BC da CSLL Tributada   69.620.621,84    64.482.798,85    (77.463.498,61)     CSLL (9%)   6.265.855,97    5.803.451,90      Logo, o acolhimento do  recurso de ofício não enseja o  restabelecimento de  qualquer  crédito  tributário  exigido  a  título de  IRPJ  e CSLL, na medida  em que  foi  acolhido  parcialmente o  recurso voluntário. O resultado do  julgamento, assim, é a exoneração  integral  do  crédito  tributário  principal  de  IRPJ  e  CSLL  lançados  no  ano­calendário  2004,  e  Fl. 4526DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.399          90 correspondentes multa de ofício proporcional, subsistindo apenas a redução parcial do prejuízo  fiscal e da base negativa de CSLL até os valores acima demonstrados.    c.  Efeitos da exigência na compensação de prejuízos  fiscais e bases de cálculo  negativas:   Consoante  relatado,  a  autoridade  lançadora  averiguou  a  repercussão  da  reversão  para  lucro  do  prejuízo  fiscal  e  da  base  de  cálculo  negativa  declarados  no  ano­ calendário 2004. E, ao fazê­lo, identificou que a contribuinte, independentemente das infrações  aqui  constatadas,  já  havia  excedido  em  R$  26.598.438,93  o  saldo  de  bases  negativas  disponíveis para compensação em 2007, o qual quantificou em R$ 245.667.275,83.  Assim,  promoveu  a  exigência  de  CSLL  sobre  aquele  excesso  de  R$  26.598.438,93, bem como sobre as compensações indevidas decorrentes da desconstituição da  base  de  cálculo  negativa  originalmente  declarada  em  2004,  de  R$  140.868.403,66,  e  da  utilização, neste lançamento, de bases negativas acumuladas em compensação, no montante de  R$ 29.637.409,36. A base de cálculo autuada em 2007 totalizou R$ 197.304.251,95.  A  autuada  questionou  não  ter  restado  demonstrado  o  aproveitamento,  em  2007, de bases negativas  apuradas  em 2004,  e destacou a ausência de análise dos  resultados  tributáveis de 2005, 2006 e 2008, que entendeu indispensáveis para a exigência formalizada em  2007.   A  autoridade  julgadora  de  1a  instância  juntou  aos  autos  os  registros  do  Sistema de Acompanhamento do prejuízo Fiscal e Lucro  inflacionário e da Base de Cálculo  Negativa da CSLL (SAPLI), e afastou os argumentos da autuada, na medida em que tal sistema  registra  dados  alicerçados  em  informações  prestadas  pela  própria  contribuinte  em  suas  Declarações  (DIRPJ  e  DIPJ),  cujo  conhecimento  a  contribuinte  não  poderia  negar.  Além  disso, tendo em conta lançamentos formalizados em 2010, que alteraram a base de cálculo da  CSLL  em  2006,  concluiu  que  a  exoneração  relativa  às  exclusões  indevidas  no  valor  de R$  7.339.747,13 não ensejaria CSLL a ser exonerada em 2007.  A  recorrente  reiterou  os  argumentos  apresentados  em  impugnação,  e  questionou, também, o aperfeiçoamento promovido na decisão recorrida, em razão do cômputo  de efeitos de lançamento formalizado após o presente.  Observa­se  no Termo de Verificação Fiscal  que  a  autoridade  lançadora,  de  fato,  não  indica  qual  a  origem da  informação  que  lastrei  a  glosa  parcial  de  compensação  de  bases negativas em 2007, no sentido de que a contribuinte somente disporia, antes do presente  lançamento,  de  saldo  acumulado  de  R$  245.667.275,83.  É  possível,  sim,  que  a  autoridade  lançadora tenha feito uso das informações disponíveis nos sistemas informatizados da Receita  Federal, mas é  fundamental que esclareça ao contribuinte que assim procedeu, para permitir­ lhe comparar seus registros fiscais com as transcrições que alimentam o SAPLI, e produzir sua  defesa.  Apenas  indicar  determinado  saldo  acumulado  como  justificativa  para  glosa  de  compensação,  sem  descrição  de  sua  composição  e  sem  o  lastro  documental  correspondente,  impõe a conclusão de que o lançamento não reunia motivação suficiente para sua formalização,  e a conseqüente exclusão da glosa da compensação que excederia aquele saldo, no montante de  R$ 26.598.438,93.  Fl. 4527DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.400          91 Esclareça­se  que,  embora  o  SAPLI  seja  inicialmente  alimentado  com  informações extraídas das DIPJ apresentadas pelos sujeitos passivos, existe a possibilidade de  retificações  destas  apurações  pelos  próprios  contribuintes  e  pela  Fiscalização,  bem  como  a  utilização de prejuízos e bases negativas como redutores de dívidas fiscais em parcelamentos  especiais. Assim, é  fundamental que a autoridade  lançadora dê conhecimento ao contribuinte  da  origem  das  informações  das  quais  se  valeu  para  concluir  pela  glosa  de  compensações  e  conseqüente falta de recolhimento de tributo.   Quanto  à  repercussão  atribuída  à  reversão  da  base  de  cálculo  negativa  inicialmente declarada pela contribuinte em 2004, decorrente das infrações aqui constatadas, a  inferência  feita  pela  autoridade  lançadora,  no  sentido  de  que  seus  efeitos  deveriam  ser  reconhecidos  no  ano­calendário  2007,  seria  válida  se  neste  período  a  contribuinte  tivesse  esgotado  a  utilização  de  bases  de  cálculo  acumuladas  em  períodos  anteriores.  Todavia,  o  documento de fl. 838 demonstra que em tal período a compensação foi feita dentro de limite de  30%  permitido  pela  legislação,  indício  de  que  a  contribuinte  poderia  ainda  dispor,  em  seus  controles, de bases negativas acumuladas em períodos anteriores.  Diante deste contexto, é possível concluir que o lançamento formalizado em  2007  teve  em  conta,  também,  as  informações  disponíveis  no  SAPLI,  indicativas  de  que  as  bases  negativas  de  CSLL  originalmente  apuradas  já  eram  insuficientes  para  a  compensação  promovida  em  2007,  e  assim  restariam  ainda mais minoradas  pela  reversão  promovida,  em  2004,  por  meio  da  presente  exigência.  Desta  forma,  a  deficiência  acusatória  inicialmente  demonstrada neste item acaba por contaminar, também, a glosa de compensação das parcelas  de R$ 140.868.403,66 e R$ 29.637.409,36.  Assim, em que pese a desconstituição parcial das infrações aqui imputadas à  contribuinte já exigisse a reversão da glosa de R$ 29.637.409,36, e a redução da glosa de R$  140.868.403,66 para R$ 77.463.498,61, o contexto no qual se fez a acusação impede que até  mesmo esta parcela da infração imputada no ano­calendário 2007 subsista.  Em conseqüência,  desnecessário  se mostra  a  apreciação  do  questionamento  da recorrente quanto ao aperfeiçoamento promovido pela autoridade julgadora de 1a instância,  ao considerar, no  recálculo da exigência, outro  lançamento formalizado contra a contribuinte  em 2010.  Em  conclusão,  pelas  razões  aqui  expostas,  a  exigência  de  CSLL  no  ano­ calendário  2007  deve  ser  integralmente  cancelada,  e  assim  ser  DADO  PROVIMENTO  ao  recurso voluntário.    d.  Juros de Mora:   Quanto aos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, as alegações da  recorrente são rejeitadas com fundamento nas razões de decidir da I. Conselheira Viviane Vidal  Wagner  expressas  em  voto  vencedor  em  julgamento  proferido  em  11/03/2010  na  Câmara  Superior de Recursos Fiscais, formalizado no Acórdão nº 9101­00.539:  Com  a  devida  vênia,  ouso  discordar  do  ilustre  relator  no  tocante  à  questão  da  incidência de juros de mora sobre a multa de oficio.  Fl. 4528DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.401          92 De fato, como bem destacado pelo relator, ­ o crédito tributário, nos termos do art.  139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária.  Em  razão  dessa  constatação,  ao  meu  ver,  outra  deve  ser  a  conclusão  sobre  a  incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio.  Uma  interpretação  literal e  restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que  regula  os  acréscimos  moratórios  sobre  débitos  decorrentes  de  tributos  e  contribuições,  pode  levar  à  equivocada  conclusão  de  que  estaria  excluída  desses  débitos a multa de oficio.  Contudo, uma noima não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro  do sistema tributário nacional.  No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar  o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação  da totalidade do direito."  Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio:  "Não  se  deve  considerar  a  interpretação  sistemática  como  simples  instrumento  de  interpretação  jurídica.  É  a  interpretação  sistemática,  quando  entendida  em  profundidade,  o  processo  hermenêutico  por  excelência,  de  tal  maneira  que  ou  se  compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não  se alcançará compreendê­los sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar,  com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é  interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo:Malheiros,  2002, p. 74).  Daí,  por  certo,  decorrerá  uma  conclusão  lógica,  já  que  interpretar  sistematicamente  implica  excluir  qualquer  solução  interpretativa  que  resulte  logicamente contraditória com alguma norma do sistema.  O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve  incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente  no seu ­ vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos  do inadimplemento.  Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de  ser uniforme.  De  acordo  com  a  definição  de  Hugo  de  Brito Machado  (2009,  p.172),  o  crédito  tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado  (sujeito  ativo)  pode  exigir  do  particular,  o  contribuinte  ou  responsável  (sujeito  passivo),  o  pagamento  do  tributo  ou  da  penalidade  pecuniária  (objeto  da  relação  obrigacional)."  Converte­se em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio  a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN:  "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória  § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o  pagamento  de  tributo  ou  penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito tributário dela decorrente.  A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e  tem  por  objeto  tanto  o  pagamento  do  tributo  como  a  penalidade  pecuniária  decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional.  A  multa  de  oficio  é  prevista  no  art.  44  da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  e  é  exigida  "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§1o).  Fl. 4529DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.402          93 Assim,  no  momento  do  lançamento,  ao  tributo  agrega­se  a  multa  de  ofício,  tomando­se ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal.  A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio,  tem  natureza  punitiva,  incidindo  sobre  o  montante  não  pago  do  tributo  devido,  constatado após ação fiscalizatória do Estado.  Os  juros  moratórios,  por  sua  vez,  não  se  tratam  de  penalidade  e  têm  natureza  indenizatória,  ao  compensarem  o  atraso  na  entrada  dos  recursos  que  seriam  de  direito da União.  A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de  juros sobre a  multa isolada.  Eventual alegação de  incompatibilidade  entre os  institutos  é de  ser afastada pela  previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora  sobre  a  multa  exigida  isoladamente.  O  parágrafo  único  do  art.  43  da  Lei  n°  9.430/96  estabeleceu  expressamente  que  sobre  o  crédito  tributário  constituído  na  forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente  ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês de pagamento.  O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de ­ tributos e  contribuições,  alcança  os  débitos  em  geral  relacionados  com  esses  tributos  e  contribuições  e  não  apenas  os  relativos  ao  principal,  entendimento,  dizia  então,  reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência  de juros sobre a multa exigida isoladamente.  Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda  aprovado  pelo  Decreto  n°  3.000,  de  26  de  março  de  1999  (RIR/99)  exclui  a  equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da  Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio.  Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na  legislação especifica serão  acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento  por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61).  §  1o  A  multa  de  que  trata  este  artigo  será  calculada  a  partir  do  primeiro  dia  subseqüente ao do vencimento do prazo 13 ­ previsto para o pagamento do imposto  até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1o).  §  2o O  percentual  de multa  a  ser  aplicado  fica  limitado  a  vinte  por  cento  (Lei  nº  9.430, de 1996, art. 61, § 2o).  §  3o A multa  de mora  prevista  neste  artigo  não  será  aplicada  quando  o  valor  do  imposto  já  tenha  servido  de  base  para  a  aplicação  da  multa  decorrente  de  lançamento de oficio.  A partir do  trigésimo primeiro dia do  lançamento, caso não pago, o montante do  crédito  tributário  constituído  pelo  tributo  mais  a  multa  de  ofício  passa  a  ser  acrescido dos  juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos  nos cofres da União.  No  mesmo  sentido  já  se  manifestou  este  E.  colegiado  quando  do  julgamento  do  Acórdão n° CSRF/04­00.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa:  JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A  obrigação  tributária  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador  e  tem  por  objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu  não  pagamento,  incluindo  a  multa  de  oficio  proporcional.  O  crédito  tributário  corresponde  a  toda  a  obrigação  tributária  principal,  incluindo  a  multa  de  oficio  proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.  Fl. 4530DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.403          94 Nesse  sentido,  ainda,  a  Súmula  Carf  n°  5:  "São  devidos  juros  de  mora  sobre  o  crédito  tributário  não  integralmente  pago  no  vencimento,  ainda  que  suspensa  sua  exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral."  Diante  da  previsão contida  no  parágrafo  único do art.  161  do CTN,  busca­se na  legislação  ordinária  a  norma  complementar  que  preveja  a  correção  dos  débitos  para com a União.  Para esse fim, a partir de abril de 1995, tem­se a taxa Selic, instituída pela Lei nº  9.065, de 1995.  A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança  do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo:  REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/0239572­8  Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125)  Órgão Julgador T2 ­ SEGUNDA TURMA   Data do Julgamento 04/12/2008  Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008  Ementa  PROCESSUAL  CIVIL.  OMISSÃO.  NÃO  OCORRÊNCIA.  LANÇAMENTO.  DÉBITO  DECLARADO  E  NÃO  PAGO.  PROCEDIMENTO  ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE.  1.  É  infundada  a  alegação  de  nulidade  por  maltrato  ao  art.  535  do  Código  de  Processo  Civil,  quanto  o  recorrente  busca  tão­somente  rediscutir  as  razões  do  julgado.  2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaraçã o do  contribuinte  e  na  falta  de  pagamento  da  exação  no  vencimento,  a  inscrição  em  dívida ativa independe de procedimento administrativo.  3. É  legítima a utilização da  taxa SELIC como  índice de correção monetária  e de  juros  de  mora,  na  atualização  dos  créditos  tributários  (Precedentes:  AgRg  nos  EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06  e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de  12.02.07).(g.n)  No  âmbito  administrativo,  a  incidência  da  taxa  de  juros  Selic  sobre  os  débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal  foi pacificada com a  edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos:  Súmula CARFn° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso  do  contribuinte  e  DAR  PROVIMENTO  ao  recurso  da  Fazenda  Nacional  para  considerar aplicável a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, devidos  à taxa Selic.  Logo, neste ponto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO  ao recurso voluntário.  Finalizando,  por  todo  o  exposto,  o  presente  voto  é  no  sentido  de  DAR  PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário e DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício,  mas  sem  restabelecer  o  crédito  tributário  exonerado,  em  razão  da  repercussão  das  demais  exonerações propostas neste voto.  Fl. 4531DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.404          95   (documento assinado digitalmente)    EDELI PEREIRA BESSA – Relatora  Fl. 4532DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.405          96 Voto Vencedor  Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR  Cuidamos da parcela de lançamentos respeitante às multas isoladas aplicadas,  ao  contribuinte,  em  decorrência  do  não  recolhimento  suficiente  das  estimativas  mensais  de  IRPJ e de CSLL.  Como  é  de  conhecimento  de  todos  os  que  operam  na  esfera  fiscal,  os  recolhimentos  mensais  estimados  configuram  mero  adiantamento  de  numerário  aos  cofres  públicos,  com  vistas  à  consecução  do  desiderato  governamental  de  manutenção  da  homogeneidade da arrecadação, dentro do mesmo ano­calendário.  Os  fatos  geradores  do  IRPJ  e  da  CSLL,  anualmente  apurados,  são,  nesse  cenário,  reputados  complexivos,  eis  se  aperfeiçoarem  fictamente  em  um  único  átimo,  identificado  ao  último  dia  do  exercício  fiscal.  No momento  em  que  se  esgota  o  período  de  apuração anual, tem­se, pois, o efetivo deslinde das bases de cálculo pertinentes, com o desvelo  do montante de exação a ser recolhido.  Em tal ocasião, deixam os recolhimentos antecipados de ter qualquer função,  salvo no que se refere ao cotejamento de eventuais cifras a serem pagas (saldo positivo) ou a  serem  restituídas  ou  compensadas  (saldo  negativo).  Noutras  palavras,  tão  logo  findo  o  exercício,  há  apenas  de  se  aventar  a  cobrança  do  tributo  complexivamente  computado,  deixando de ser importante eventual inadimplemento dos pagamentos mensais estimados.  Ora, se não pode ser cobrado qualquer valor estimado, é evidente que não se  faz  possível,  da  mesma  maneira,  imputar  sanções  pecuniárias  derivadas  do  não  pagamento  tempestivo. Seria ilógico punir o sujeito passivo, por força da falta de antecipação de tributo,  depois de já se ter certeza da inexistência de exação complexiva a ser quitada. A multa isolada  ora lançada, pois, é incabível.  O entendimento ora exposto vigora,  a pleno vapor, no seio da 1ª Turma da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  este  colegiado,  consoante  se  pode  depreender  das  elucidativas ementas adiante transcritas:    “MULTA ISOLADA. ANO­CALENDÁRIO DE 2000, FALTA DE  RECOLHIMENTO  POR  ESTIMATIVA.  CONCOMITÂNCIA  COM  MULTA  DE  OFÍCIO  EXIGIDA  EM  LANÇAMENTO  LAVRADO  PARA  A  COBRANÇA  DO  TRIBUTO,  Incabível  a  aplicação  concomitante  da  multa  por  falta  de  recolhimento  de  tributo  sobre  bases  estimadas  e  da  multa  de  oficio  exigida  no  lançamento  para  cobrança  de  tributo,  visto  que  ambas  penalidades  tiveram  como  base  o  valor  da  receita  omitida  apurado  em  procedimento  fiscal.”(Ac.  n.  910100.112,  1ªTurma  CSRF, de 11 de maio 2009)  Fl. 4533DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001397/2009­51  Acórdão n.º 1101­000.824  S1­C1T1  Fl. 4.406          97 “MULTAISOLADA  .  ANOS­CALENDÁRIO  DE  1997  A  2001.  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  POR  ESTIMATIVA.  CONCOMITÂNCIA  COM  MULTA  DE  OFÍCIO  EXGIDA  EM  LANÇAMENTO  LAVRADO  PARA  A  COBRANÇA  DO  TRIBUTO.  Incabível  a  aplicação  concomitante  da  multa  por  falta de recolhimento de tributo sobre base estimadas e da multa  de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto  que ambas penalidades tiveram como base os valores apurados  em procedimento fiscal para lançamento de IRPJ e CSLL.” (Ac.  n. 910100.196,1 ª Turma de CSRF, 27 de julho de 2009).    Imperioso, pois, o cancelamento das penas isoladas lançadas.  BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Conselheiro                    Fl. 4534DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES

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5051474 #
Numero do processo: 10183.004512/2008-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA - IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada a comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, não podendo ser acolhidos recibos que não indicam o paciente ou quando não esteja provado o seu efetivo pagamento e prestação do serviço.
Numero da decisão: 2101-001.454
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1463; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C1T1  Fl. 1          1             S2­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10183.004512/2008­63  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2101­001.454  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  07 de fevereiro de 2012  Matéria  IRPF  Recorrente  NICOLINA DE ARRUDA E SILVA DORILEO            Recorrida  FAZENDA NACIONAL      ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  FISICA ­  IRPF   Exercício: 2006   DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.   A dedução  de  despesas médicas  na  declaração de ajuste  anual  do  contribuinte  está  condicionada  a  comprovação  hábil    e  idônea  dos gastos efetuados, não podendo ser acolhidos recibos  que não  indicam  o   paciente ou quando não esteja provado   o   seu efetivo pagamento  e prestação  do serviço.     Recurso Voluntário Negado Provimento  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  ___________________________________  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente.         Fl. 65DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     2 (assinado digitalmente)  ___________________________________  Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa  ­ Relator.     Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta  Santos, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de  Oliveira Sousa, Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage.      RELATÓRIO    AUTUAÇÃO  Contra  a  contribuinte  acima  identificada  foi  lavrada  a  Notificação  de  Lançamento de  fls. 4 a  6,  referente  a  Imposto de Renda Pessoa Física,  exercício 2006,  ano­ calendário  2005,  para  lançar  infrações  de  irregularidades  na  declaração  de  ajuste  anual,  formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 3.283,36, acrescido de multa  de ofício e juros de mora.    IMPUGNAÇÃO  Cientificado do  lançamento,  o  contribuinte  apresentou  impugnação  (fls.  1  a  3), acatada como tempestiva, onde apresentou cópias dos recibos alusivos às despesas médicas.   ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente  a impugnação, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 27 a 33):  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FiSICA ­   IRPF   Exercício: 2006   INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS   Não   se configura hipótese de nulidade do lançamento   o   fato  de  a  contribuinte  não  ter  tido  a  possibilidade  de  atender  a  intimação na  fase de  fiscalização, pois a  fase do  contraditório,  instaurada  com  a    impugnação,  abre  oportunidade  para    o   oferecimento de todos os esclarecimentos por parte do autuado,  não  se  configurando,  tampouco,  a  hipótese  de  cerceamento  do  direito de defesa.   DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.   Fl. 66DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10183.004512/2008­63  Acórdão n.º 2101­001.454  S2­C1T1  Fl. 2          3 A dedução  de  despesas médicas  na  declaração de ajuste  anual  do  contribuinte  está  condicionada  a  comprovação  hábil    e  idônea  dos gastos efetuados, não podendo ser acolhidos recibos  que não  indicam  o   paciente ou quando não esteja provado   o   seu efetivo pagamento  e prestação  do serviço.     Impugnação  Improcedente   Crédito  Tributário  Mantido  O julgador de 1a instância entendeu que a notificada não comprovou o efetivo  pagamento  das  despesas  glosadas,  isso  em  razão  de  não  terem  sido  apresentados  quaisquer  documentos probatórios das referidas despesas, comprovando­se o desembolso dos valores.    RECURSO  AO  CONSELHO  ADMINISTRATIVO  DE  RECURSOS  FISCAIS (CARF)  Cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  em  29/09/2010  (fl.  38),  a  Recorrente apresentou, em 03/11/2010, o recurso de fls. 40.     O  processo  foi  distribuído  a  este  Conselheiro,  numerado  até  a  fl.  61,  que  também trata do envio dos autos a este Conselho.  É o relatório.  VOTO  Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Relator.  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade,  portanto merece ser conhecido.  Não há arguição de qualquer preliminar.  A  contribuinte  apresentou  a  declaração  de  ajuste  de  ajuste  do  exercício  de  2006, com irregularidades, e foi autuada sofrendo glosas relativas às despesas médicas.   O julgador a quo manteve a glosa relativa às referidas despesa.  No voluntário, a recorrente alega que:  a) Os recibos foram emitidos, pelos profissionais que efetivamente prestaram  os serviços, ou por quem de direito;  b) Só   tem a acatar os recibos, confiando como certos, uma vez que tem os  nomes dos profissionais,  CPF  e  número  dos respectivos Conselhos de Classes de cada;  Fl. 67DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     4 c) O artigo   80, parágrafo 1°,    inciso    iii, do Decreto 3.000/99,    limita­se a  pagamentos  específicos e  comprovados, com nome  endereço  e número  de  CPF, podendo na   FALTA,  desse documento, ser feita  indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado  o   pagamento, se  o  pagamento for feito em dinheiro resta apenas  e tão  somente apresentar  o   recibo para tal  comprovação  que  é o caso em discussão.    d)  No  mesmo  sentido,  a    Instrução    Normativa    SRF  n°  15    de    06    de  fevereiro de 2001,  em seu   Art. 46. A dedução a titulo de despesas médicas  é condicionada  a  que  os  paqamentos    selam  especificados  e  comprovados    com  documentos  originais  que  indiquem nome, endereço   e número   de  inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas  (CPF)   ou  Cadastro Nacional da Pessoa  Jurídica (CNPJ)  de quem os recebeu,  podendo, na  FALTA  de  documentação, a comprovação ser  feita com a  indicação do cheque nominativo pelo qual  foi  efetuado  o pagamento.      Por  fim,  apresentou  ilustrações  de  acórdãos  jurisprudenciais,  requerendo  o  acolhimento dos recibos objetos de glosa.  Para  fazer  jus  a  deduções  na  Declaração  de  Ajuste  Anual,  torna­se  indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores  pleiteados  glosados.  Afinal,  todas  as  deduções,  inclusive  as  despesas  médicas,  por  dizerem  respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do  disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97,  inciso IV.  Por oportuno, confira­se o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro  de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas:  Art.  8º  A  base  de  cálculo  do  imposto  devido  no  ano­calendário  será  a  diferença  entre  as  somas:  (...).  II ­ das deduções relativas:  a)  aos  pagamentos  efetuados,  no  ano  calendário,  a  médicos,  dentistas,  psicólogos,  fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas  com  exames  laboratoriais,  serviços  radiológicos,  aparelhos  ortopédicos  e  próteses  ortopédicas e dentárias;  (...).  § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II:  (...).  II ­ restringe­se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos  ao próprio tratamento e ao de seus dependentes;  III  ­  limita­se  a  pagamentos  especificados  e  comprovados,  com  indicação  do  nome,  endereço  e  número  de  inscrição  no  Cadastro  de  Pessoas Físicas ­ CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes ­ CGC  de  quem  os  recebeu,  podendo,  na  falta  de  documentação,  ser  feita  indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;    Fl. 68DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10183.004512/2008­63  Acórdão n.º 2101­001.454  S2­C1T1  Fl. 3          5 Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do  Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe:  Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação,  a  juízo  da  autoridade  lançadora  (Decreto­Lei  nº  5.844,  de  1943,  art.  11, §3º).    Verifica­se,  portanto,  que  a dedução  de  despesas médicas  na  declaração  do  contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais. Observe­se  que a dedução exige a efetiva prestação do serviço,  tendo como beneficiário o declarante ou  seu  dependente,  e  que  o  pagamento  tenha  se  realizado  pelo  próprio  contribuinte.  Assim,  havendo  qualquer  dúvida  em  um  desses  requisitos,  é  direito  e  dever  da  Fiscalização  exigir  provas adicionais da efetividade do serviço, do beneficiário deste e do pagamento efetuado. E é  dever  do  contribuinte  apresentar  comprovação  ou  justificação  idônea,  sob  pena  de  ter  suas  deduções  não  admitidas  pela  autoridade  fiscal.  Sobre  a  questão  vejam­se  as  ementas  dos  seguintes acórdãos exarados por este Conselho:  Acórdão nº : 102­48789  DESPESAS MÉDICAS  ­  RECIBOS  ­  REQUISITOS  ESSENCIAIS  ­  Quanto  aos requisitos essenciais que devem constar do recibo, para fins de dedução  da base de cálculo do imposto de renda, o valor, a natureza da prestação dos  serviços, o nome de quem pagou e a assinatura identificando quem recebeu  são  pressupostos  essenciais  à  sua  validade.  O  endereço,  o  CPF  do  profissional  e  a  identificação  do  beneficiário  dos  serviços,  caso  ausentes,  podem  ser  completados,  posteriormente,  pelo  tomador  dos  serviços,  adotando­se  procedimento  semelhante  ao  do  pagamento  com  cheque  nominal.  Acórdão nº : 106­16.890  DESPESAS MÉDICAS ­ COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS COM RECIBOS  ACOSTADOS AOS AUTOS  ­ FISCALIZAÇÃO NÃO LOGROU INFORMAR  A HIGIDEZ DOS RECIBOS ­ CABIMENTO DA DEDUÇÃO ­ O único óbice  aventado pela fiscalização para rejeitar os recibos das despesas médicas foi  a ausência do número de inscrição do profissional emitente no seu órgão de  classe.  Na  via  recursal,  o  recorrente  trouxe  recibo  emitido  em  ano  precedente  com o número  de  inscrição  referido.  Superado o  óbice,  é  de  se  deferir  a  dedução  das  despesas  médicas  na  declaração  de  renda  do  recorrente.    Resta­nos  agora  demonstrar  o  efetivo  atendimento  aos  preceitos  estabelecidos na legislação aplicável, onde, no quadro abaixo, sintetiza­se os dados constantes  nos recibos apresentados pela Recorrente:      BENEFICIÁRIO/Quem  Recebeu  CONSELHO/Nº  Valor  Natureza da  Prestação  Nome de Quem Pagou  CPF de quem  Recebeu    Adriana Glória P. de  Arruda  CREFITO­MT­ 42166  3.500,00  Tratamento  Fisioterápico  Nicolina de Arruda e  Silva Dorileo  630.474.921­34    Jocineide Maria de  Almeida     1.894,68     Nicolina A. S. Dorileo  514.185.331­49  (*)  Fl. 69DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     6   Jocineide Maria de  Almeida     1.974,55     Nicolina A. S. Dorileo  514.185.331­49  (*)  Nelson Souza Rangel     2.721,00  Tratamento  Médico  Nicolina de Arruda Silva  Dorileo  364.333.067­72  (*)    Cerenela Francisca  C.Mendes  CREFITO­MT  9/35455  2.279,00  Serviço de  Fisioterapia  Nicolina de Arruda E  Dorileo  581.686.051­87  Roberta Gadret Ebeling  CRO­MT 2872  4.987,00  Serviço  Odontológico  Nicolina Arruda S.Dorileo  872.282.381­68  (*) Informado no Recurso Voluntário.    Fácil  é  perceber  que  apenas  os  recibos  de  Adriana  Gloria  P.  de  Arruda,  Cerenela Francisca C. Mendes e Roberta Gadret Boeling preencheram os requisitos necessários  ao acolhimento pleiteado, no entanto restou prejudicada a comprovação do efetivo pagamento  de todas as despesas médicas listadas.    Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário.    Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa  (assinado eletronicamente)                                                Relatório  Fl. 70DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10183.004512/2008­63  Acórdão n.º 2101­001.454  S2­C1T1  Fl. 4          7 Voto                                             Fl. 71DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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Numero do processo: 15374.907968/2008-53
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. INDEFERIMENTO. No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferi-las, quando prescindíveis ou impraticáveis. Pedido de diligência indeferido. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ART. 16, § 4º, DO DECRETO Nº 70.235/1972. NATUREZA DO INDÉBITO NÃO DEMONSTRADA. RECURSO DESPROVIDO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. Se a prova é insuficiente, inviável a homologação da compensação. O contribuinte deve instruir o pedido de compensação com a prova da liquidez e da certeza do direito creditório. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-001.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Paulo Sergio Celani, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi e Solon Sehn.
Nome do relator: SOLON SEHN

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2134; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE02  Fl. 515          1 514  S3­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15374.907968/2008­53  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3802­001.848  –  2ª Turma Especial   Sessão de  25 de junho de 2013  Matéria  PIS­COMPENSAÇÃO  Recorrente  RÁDIO O DIA FM LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003  DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE  CONVENCIMENTO MOTIVADO. INDEFERIMENTO.  No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou  do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29  do  Decreto  nº  70.235/1972,  a  liberdade  para  formar  a  sua  convicção,  deferindo  as  diligências  que  entender  necessárias  ou  indeferi­las,  quando  prescindíveis ou impraticáveis. Pedido de diligência indeferido.  PER/DCOMP.  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF  APÓS  A  PROLAÇÃO  DO  DESPACHO  DECISÓRIO.  POSSIBILIDADE.  PROVA  DO  CRÉDITO.  ART.  16,  §  4º,  DO  DECRETO  Nº  70.235/1972.  NATUREZA  DO  INDÉBITO NÃO DEMONSTRADA. RECURSO DESPROVIDO.  O  contribuinte,  a despeito  da  retificação  extemporânea  da Dctf,  tem direito  subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do  crédito  compensado.  Se  a  prova  é  insuficiente,  inviável  a  homologação  da  compensação. O contribuinte deve  instruir o pedido de compensação com a  prova da liquidez e da certeza do direito creditório.  Recurso Voluntário Negado.  Direito Creditório Não Reconhecido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.  (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 79 68 /2 00 8- 53 Fl. 515DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS     2 FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  SOLON SEHN ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Francisco  José  Barroso  Rios  (Presidente),  Waldir  Navarro  Bezerra,  Paulo  Sergio  Celani,  Claudio  Augusto  Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi e Solon Sehn.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da  Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II/RJ, que julgou improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pelo  Recorrente,  com  base  nos  fundamentos  resumidos na ementa seguinte (fls. 230):  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTAŔIO  Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003  CRÉDITO  NÃO  COMPROVADO.  COMPENSAÇÃO.  NÃO  HOMOLOGAR.  Não é de se homologar a compensação declarada em DCOMP,  cujo crédito utilizado não tenha sido devidamente comprovado.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003  ONUS  DA  PROVA.  ALEGAÇÃO  DESACOMPANHADA  DE  PROVA.  Cabe  ao  impugnante  trazer  juntamente  com  suas  alegações  impugnatórias  todos  os  documentos  que  dêem  a  elas  força  probante.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Por bem resumir a controvérsia até a presente fase processual, transcreve­se o  relatório do acórdão da DRJ (fls. 228):  Trata  o  presente  processo  de  apreciação  de  compensação  declarada  no  PER/DCOMP  n°  29018.17563.310304.1.3.04­0123,  em  31/03/2004,  de  crédito  no  valor de R$ 6.002,62, referente a recolhimento que teria sido efetuado a maior, em  15/04/2003, a titulo de Contribuição para o PIS (cód. 8109), atinente ao período de  apuração  03/2003,  com  débito  da  mesma  contribuição  referente  ao  período  de  apuração 06/2003, no valor de R$ 4.380,85.  2. Por meio do Despacho Decisório n° 775522384,  emitido  eletronicamente  (fl.  09),  o  Delegado  da  Derat/  Rio  de  Janeiro,  naõ  homologou  a  compensac ão  declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento  do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para guitar outros débitos da  Contribuinte.  Fl. 516DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15374.907968/2008­53  Acórdão n.º 3802­001.848  S3­TE02  Fl. 516          3 3.  Cientificada,  em  30/07/2008  (fl.  07),  a  Interessada,  inconformada,  ingressou,  em  27/08/2008,  com  a  manifestação  de  inconformidade  de  fl.  11/12  (acompanhada da documentação de fls. 13 a 212), na qual alega, em síntese, que:  3.1  O  crédito  original  informado  no  PER/DCOMP  n°  29018.17563.310304.1.3.04­0123  no  valor  de R$  6.002,62,  6,  de  fato,  oriundo  do  pagamento efetuado por meio do Darf informado na referida declaração;  3.2 Foi estimado e recolhido o valor da Contribuição para o PIS (cód. 8109)  referente ao mês 03/2003, no montante de R$ 10.812,08;  3.3  O  valor  correto  da  referida  Contribuição  corresponde  ao  informado  na  DIPJ, no montante de R$ 4.361,97; e  3.4  Em  08/08/2008,  foi  transmitida  DCTF  retificadora  informando  o  valor  correto da contribuição.  5. O processo foi encaminhado a esta Delegacia para julgamento.  Em suas razões recursais (fls. 241 e ss.), o sujeito passivo, após alegar que o  erro material  contido  na Dctf  original  (indicação  equivocada  do  valor  do  tributo  devido)  foi  devidamente  retificado,  sustenta  que  a  Dctf  retificadora  produz  os  mesmos  efeitos  que  a  declaração  retificada.  Aduz  que,  em  decorrência  do  princípio  da  verdade  material,  a  Administração  tem  o  dever  de  buscar  a  compatibilidade  entre  os  fatos  ocorridos  e  sua  representação  meramente  formal,  pesquisando  e  apurando  os  fatos  tributários  com  vistas  a  verificar  em  que  circunstâncias  estes  efetivamente  ocorreram,  independente  das  afirmações  apresentadas pelo contribuinte. Requer a reforma da decisão recorrida e, sucessivamente, caso  se  considere  que  os  documentos  apresentados  são  insuficientes  para  demonstrar  a  existência  dos créditos compensados, a conversão do julgamento em diligência.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Solon Sehn  A  ciência  da  decisão  se  deu  no  dia  24/10/2011  (fls.  239)  e  o  protocolo  do  recurso,  em  22/11/2011  (fls.  241).  Trata­se,  portanto,  de  recurso  tempestivo  que  pode  ser  conhecido,  uma  vez  que  versa  sobre matéria  da  competência  da  Terceira  Seção  e  reúne  os  demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972.  Inicialmente, cumpre destacar que, no processo administrativo fiscal, vigora  o  princípio  da  persuasão  racional  ou  do  livre  convencimento  motivado,  o  que  garante  ao  julgador, nos termos dos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua  convicção,  deferindo  as  diligências  que  entender  necessárias  ou  indeferindo­as,  quando  prescindíveis ou impraticáveis:  “Art.  18.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  Fl. 517DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS     4 impraticáveis,  observando  o  disposto  no  art.  28,  in  fine.  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)”  “Art.  29.  Na  apreciação  da  prova,  a  autoridade  julgadora  formará  livremente  sua  convicção,  podendo  determinar  as  diligências que entender necessárias.”  No  presente  caso,  por  sua  vez,  é  prescindível  a  realização  da  diligência,  porquanto o feito pode ser decidido à luz das regras de distribuição do ônus da prova.  Com efeito, nota­se que a Recorrente, ao transmitir o PER/Dcomp, deixou de  retificar  a  Dctf  (Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais)  do  período  correspondente,  o  que  fez  com  que  a  mesma  continuasse  atrelada  à  quitação  do  débito  originário,  inviabilizando a homologação da  compensação,  consoante o despacho decisório  a  seguir (fls. 14):  “3  ­  FUNDAMENTAÇÃO,  DECISÃO  E  ENQUADRAMENTO  LEGAL  [...]  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais  pagamentos,  abaixo  relacionados, mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP.”  Em casos dessa natureza, a Turma tem reconhecido o direito à compensação,  desde que o contribuinte comprove, de plano, a existência do crédito compensado.  Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes acórdãos:  “PER/DCOMP.  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF  APÓS  A  INSCRIÇÃO  DO  DÉBITO  EM  DÍVIDA  ATIVA  DA  UNIÃO.  PRINCÍPIO  DA  VERDADE  MATERIAL.  AUSÊNCIA  DE  PROVA  DO  DIREITO  CREDITÓRIO.  COMPENSAÇÃO  NÃO  HOMOLOGADA.  O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf,  tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova  da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução  Normativa  SRF  nº.  583/2005,  vigente  à  época  da  transmissão  das  DCTF’s  retificadoras).  A  retificação,  porém,  não  produz  efeitos quando o débito já foi enviado à Procuradoria­Geral da  Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa.  Recurso Voluntário Negado.  Direito Creditório Não Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão  nº 3802­01.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012).  “PER/DCOMP.  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF.  PROLAÇÃO  DO  DESPACHO  DECISÓRIO.  APRESENTAÇÃO  DA  PROVA  DO  CRÉDITO  APÓS  DECISÃO  DA  DRJ.  HIPÓTESE  PREVISTA  NO  ART.  16,  §  4º,  “C”,  DO  DECRETO  Nº  70.235/1972.  PRINCÍPIO  DA  VERDADE  MATERIAL.  COMPENSAÇÃO.  POSSIBILIDADE.  Fl. 518DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15374.907968/2008­53  Acórdão n.º 3802­001.848  S3­TE02  Fl. 517          5 A  prova  do  crédito  tributário  indébito,  quando  destinada  a  contrapor  razões  posteriormente  trazidas  aos  autos,  pode  ser  apresentada após a decisão da DRJ, por  força do princípio da  verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto  nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve  ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf.  Recurso Voluntário Provido  Direito Creditório Reconhecido.”(Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº  3802­01.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012. No mesmo sentido,  cf.: Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802­01.125. Rel. Conselheiro  Solon Sehn. S. 28/07/2012;   “PER/DCOMP.  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF  APÓS  O  DESPACHO  DECISÓRIO.  PRINCÍPIO  DA  VERDADE  MATERIAL.  AUSÊNCIA  DE  PROVA  DO  DIREITO  CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.  O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf,  tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova  contábil  da  existência  do  crédito  compensado.  A  simples  retificação  após  o  despacho  decisório  não  autoriza  a  homologação da compensação do crédito tributário.   Recurso Voluntário Negado.  Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3­TE02. Acórdão  nº 3802­01.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012).  “COMPENSAÇÃO.  REQUISITOS  FORMAIS.  AUSÊNCIA  DE  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF.  IMPOSSIBILIDADE  DE  RETIFICAÇÃO  PELO  CONTRIBUINTE  APÓS  DECORRIDOS  CINCO  ANOS  DA  EXTINÇÃO  DO  CRÉDITO.  EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF.  A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte,  ao  efetuar  pedido  de  compensação  com  base  em  créditos  decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório  (DACON,  DIPJ,  dentre  outros).  Assim,  a  ausência  de  apresentação  da  DCTF  retificadora  é  causa  para  negação  do  crédito  pleiteado.  Todavia,  excepcionalmente  se  permite  a  compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só  foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos  contados  da  extinção  do  crédito,  sendo  certo  que  a  negativa  importaria  em  situação  excepcional  de  restrição  formal  à  verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo  administrativo tributário.  Recurso voluntário provido.  Direito  creditório  reconhecido.”  (Carf.  S3­TE02.  Acórdão  nº  3802­001.642.  Rel.  Conselheiro  Bruno  Macedo  Curi.  S.  28/02/2013)  Fl. 519DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS     6 No  presente  caso,  o  Recorrente  alega  que,  em  15/04/2003,  recolheu  R$  10.812,08 a  título de contribuição ao PIS/Pasep  (período de apuração de 03/2003), quando o  correto seria R$ 4.361,97. Daí  teria  resultado um pagamento a maior de R$ 6.002,62, o que,  por sua vez, foi demonstrado por meio das planilhas de cálculo de fls. 489 e ss.  Referida  memória  de  cálculo  apresentada,  contudo,  não  é  amparada  por  qualquer  documentação. As  páginas  dos  livros  razão  (fls.  349  e  ss.)  e  diário  (fls.  276  e  ss.)  apresentadas não refletem a totalidade das informações contidas na referida planilha. E, mesmo  que  refletisse,  seria  necessária  a  apresentação  da  a  documentação  que  lastreia  a  escrituração  fiscal, porquanto esta, de acordo com o art. 9.º, § 1.º, do Decreto­Lei n.º 1.598/1977, apenas  “faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela  registrados e comprovados por documentos  hábeis segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”.  Vota­se, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso.  (assinado digitalmente)  Solon Sehn ­ Relator                                Fl. 520DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS

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5150102 #
Numero do processo: 10469.721376/2009-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Ano-calendário: 2005 RECURSO VOLUNTÁRIO - INTEMPESTIVIDADE - Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2202-002.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso por intempestivo, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Camilo Balbi (Suplente Convocado), Guilherme Barranco (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1646; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 2          1 1  S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10469.721376/2009­54  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2202­002.443  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de setembro de 2013  Matéria  ITR  Recorrente  SEBASTIÃO AMBRÓSIO DE MELO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Ano­calendário: 2005  RECURSO VOLUNTÁRIO  ­  INTEMPESTIVIDADE  ­ Não  se  conhece de  recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando  apresentado  depois  de  decorrido  o  prazo  regulamentar  de  trinta  dias  da  ciência da decisão.   Recurso não conhecido.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer  o recurso por intempestivo, nos termos do voto do Relator.  (Assinado digitalmente)  Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente  (Assinado digitalmente)  Antonio Lopo Martinez – Relator  Composição  do  colegiado:  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Camilo Balbi (Suplente Convocado),  Guilherme Barranco (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 13 76 /2 00 9- 54 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ     2   Relatório  Em  desfavor  da  contribuinte,  SEBASTIÃO  AMBRÓSIO  DE  MELO,  foi  lavrado  o Auto  de  Infração  de  fls.  11/14,  no  qual  é  cobrado  o  Imposto  sobre  a  Propriedade  Territorial  Rural  ­  ITR,  exercício  2005,  relativo  ao  imóvel  denominado  "Fazendas  Serra  Pelada",  localizado  no município  de Taipu  ­ RN,  com  área  total  de 540,0  ha,  cadastrado  na  RFB sob o n° 1.248.010­0, no valor de R$ 6.392,00 (seis mil trezentos e noventa e dois reais),  acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora perfazendo um crédito tributário  total de R$ 14.286,12 (catorze mil duzentos e oitenta e seis reais e doze centavos).  O contribuinte foi  intimado a apresentar esclarecimentos e documentos para  comprovação  dos  valores  declarados  na  Declaração  do  ITR  ­  DITR/2005,  pelo  Termo  de  Intimação Fiscal ­ TIF n° 04201/00022/2009, fls. 01/03.  No  procedimento  de  análise  e  verificação  das  informações  declaradas  na  DITR/2005 e dos documentos coletados no curso da ação fiscal, conforme Demonstrativo de  Apuração  do  Imposto  Devido  ITR,  fl.  13,  a  fiscalização  apurou  as  seguintes  infrações:  a) declaração, indevida, de 170,0 ha de área de preservação permanente;  b) declaração, indevida, de 100,0 ha de área de reserva legal;  c) subavaliação do Valor da Terra Nua.  O Auto de Infração foi postado nos correios tendo o contribuinte tomado ciência  em 21/08/2009, conforme fls. 15/16.  Não concordando com a exigência o contribuinte apresentou impugnação de fl.  18, em 22/09/2009, fl. 18, alegando ipsi  litteri: "Venho através desta  justificar por motivo de  erro  no  preenchimento  da  Declaração  Imposto  Territorial  Rural,  colocou  na  Preservação  Permanente e não na Area Pastagem e requerer que esta  forma de penalidade seja analisada,  esses valores estão fora da nossa realidade ".  A  DRJ  a  partir  da  analise  dos  argumentos  do  interessado,  julgou  a  impugnação improcedente   Insatisfeito  com  o  resultado,  o  interessado  interpõe  recurso  voluntário,  reiterando basicamente as mesmas razões da impugnação.  É o relatório.  Fl. 78DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10469.721376/2009­54  Acórdão n.º 2202­002.443  S2­C2T2  Fl. 3          3 Voto             Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator  Do exame dos autos verifica­se que existe uma questão prejudicial à análise  do mérito  da  presente  autuação,  relacionada  com  a  preclusão  do  prazo  para  interposição  de  recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.   A  decisão  de  Primeira  Instância  foi  cientificada  ao  contribuinte  através  do  correio  em  04/08/2011  (fls.35).  Entretanto  a  peça  recursal,  somente,  foi  protocolada  em  29/09/2011, fora do prazo fatal. Acrescente­se que a autoridade lançadora já havia indicado a  intempestividade do recurso nas fls.75.   Caberia  ao  suplicante  adotar medidas  necessárias  ao  fiel  cumprimento  das  normas legais, observando o prazo fatal para interpor o recurso.   Nestes  termos,  posiciono­me  no  sentido  de  não  conhecer  do  recurso  voluntário, por intempestivo.   (Assinado digitalmente)  Antonio Lopo Martinez                                Fl. 79DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ

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Numero do processo: 11516.000924/2009-69
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 ACÓRDÃO. PARTE EXPOSITIVA E EMENTA. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e visam a sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento e motivação do julgado. São parcialmente cabíveis quando oportunizem o aperfeiçoamento do acórdão em ponto não conexo com a obscuridade apontada entre a ementa e os fundamentos.
Numero da decisão: 3803-004.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a ementa do acórdão, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1825; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 305          1 304  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11516.000924/2009­69  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  3803­004.498  –  3ª Turma Especial   Sessão de  24 de setembro de 2013  Matéria  COFINS NÃO CUMULATIVA ­ COMPENSAÇÃO  Embargante  CONSELHEIRO ALEXANDRE KERN  Interessado  INDÚSTRIA CARBONÍFERA RIO DESERTO LTDA.    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2007  ACÓRDÃO.  PARTE  EXPOSITIVA  E  EMENTA.  OBSCURIDADE.  INOCORRÊNCIA.  Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e visam a  sanar  obscuridade,  contradição  ou  omissão,  de  maneira  a  permitir  o  exato  conhecimento  e  motivação  do  julgado.  São  parcialmente  cabíveis  quando  oportunizem  o  aperfeiçoamento  do  acórdão  em  ponto  não  conexo  com  a  obscuridade apontada entre a ementa e os fundamentos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso,  para  retificar  a  ementa  do  acórdão,  nos  termos  do  voto  do  Relator.  (assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Belchior Melo de Sousa ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Corintho  Oliveira  Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano  Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 09 24 /2 00 9- 69 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     2 Trata  o  presente  de  embargos  de  declaração  interpostos  pelo  Conselheiro  Alexandre Kern, contra o Acórdão nº o Acórdão nº 3803­003.873, de 31 de janeiro de 2013,  com fulcro no art. 65, I, da Portaria MF nº 256, de 9 de junho de 2009 (RI/CARF), requerendo  o saneamento da obscuridade que aponta.  A obscuridade diz com a falta de exposição do conceito de insumo no voto  condutor, em determinados termos, o que o incompatibiliza com o enunciado que conformou a  ementa,  transcrita  a  seguir,  não  havendo  como  o  Colegiado  tê­la  votado  conforme  ficou  assentada.  Disse ele: “Compulsando o voto condutor do acórdão, constato que o mesmo  não  declinou  o  conceito  de  insumo,  para  fim  de  creditamento  de  contribuição  social  não  cumulativa,  nesses  termos,  de  sorte  que  não  há  como  o Colegiado  ter  votado  a  ementa  nos  termos  em  que  constou  na  parte  inicial  do  trecho  acima  transcrito.”.  Os  termos  são  os  que  destacam o signo “sic” ao final de cada oração.  REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE  INSUMOS.  [...]  Insumo  dedutível  para  efeito  de  Cofins  não  cumulativa,  [sic]  são  todos  aqueles  relacionados  diretamente  com  a  produção  do  contribuinte  e  afetem  as  receitas  tributadas  pela contribuição social. [sic] E quando o cumprimento das  obrigações ambientais  impostas pelo Poder Público, como  condição  para  o  funcionamento  da  empresa,  gerem  despesas, estas devem ser consideradas insumos.  É o relatório.  Voto             Admissibilidade  Reza o art. 65 do RI/CARF[1]  ,  regulamentando o art. 535, caput,  I  e  II, do  CPC, que os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade ou  contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou quando há omissão de ponto sobre o qual  devia  pronunciar­se  a  turma. Visa  este  recurso  à  inteireza,  à  harmonia  lógica  e  à  clareza  da  decisão,  suprimindo  dificuldades  e  óbices  à  boa  compreensão  e  eficaz  execução  do  julgado,  exercendo, assim, uma função corretiva e integradora.  Deve­se ter presente que o pedido contido nos embargos submete­se ao juízo  de  admissibilidade.  Este,  por  sua  vez,  deve  se  ater  aos  pressupostos  recursais,  que  são  objetivos,  em  face  dos  quais  são  examinadas  a  existência  e  adequação  do  recurso,  a                                                              1 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a  decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar­se a turma.  § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da  Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: (Redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21 de  dezembro de 2010)  [...]  III ­ pelo Procurador da Fazenda Nacional; (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010)    Fl. 306DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.000924/2009­69  Acórdão n.º 3803­004.498  S3­TE03  Fl. 306          3 tempestividade, a motivação e a regularidade procedimental, e subjetivos, que em sua virtude  são examinados o interesse e a legitimação para recorrer, bem como a inexistência de obstáculo  ao poder de recorrer.  O Conselheiro  embargante  recebeu  o  processo  em  3  de  abril  de  2013  e  na  mesma data interpôs os presentes embargos. Portanto, os embargos são tempestivos.  O pressuposto de existência vê­se na alegação do vício de obscuridade que  estaria presente no acórdão embargado, presente na falta de exposição do conceito de insumo  no voto condutor o que o incompatibiliza com o enunciado da ementa.  O  pressuposto  da  adequação  está  presente  por  se  ajustar  o  recurso  apresentado  à  previsão  legal  para  a  espécie  impugnada,  a  permitir  a  sua  recepção  e  o  seu  desenvolvimento válido e regular.   Dessa forma, os embargos devem ser conhecidos.  Mérito  Segundo  Marinoni[2],  a  obscuridade  significa  falta  de  clareza  no  desenvolvimento das idéias que norteiam a fundamentação da decisão. Representa ela hipótese  em  que  a  concatenação  do  raciocínio,  a  fluidez  das  idéias,  vem  comprometida,  ou  porque  exposta de maneira confusa ou porque lacônica, ou ainda porque a redação foi mal feita, com  erros  gramaticais,  de  sintaxe,  concordância  etc.,  capazes  de  prejudicar  a  interpretação  da  motivação.  No acórdão embargado, a controvérsia que fora deslindada com o provimento  do recurso foi o reconhecimento do direito a créditos decorrentes das  [...]despesas ocorridas em razão das prestações de serviços  vinculados  ao  meio  ambiente,  dado  que  estas  despesas  somente ocorreram em função das  imposições decorrentes  do Acordo Judicial de Conduta e dos Termos de Ajuste de  Conduta  celebrados  com  Ministério  Público  Federal,  Ministério Público Estadual e FATMA.  No voto condutor o direito a tais créditos foi reconhecido sobre a afirmação  do Relator  [...]por  compreender  que  estes  são  essenciais  para  o  processo produtivo da empresa e ainda por estas despesas  terem decorrido de imposição do Poder Público:[...]  Esta posição foi arrematada adiante, no voto, na forma como segue:  Logo, compreendo que deve ser  reconhecido o direito aos  créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de  alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda  que  não  estejam  relacionadas  na  planilha  elaborada  pela                                                              2 MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART,   Sérgio Cruz. Processo de Conhecimento. 8. ed., v.2. São Paulo:  Ed. Revista dos Tribunais, 2010, p. 556.  Fl. 307DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     4 repartição  de  origem,  uma  vez  que  esses  serviços  são  essenciais ao funcionamento da empresa, ou seja (...)  Observe­se  que  o  conceito  de  insumo  como  aquele  que  está marcado  pela  essencialidade  à  própria  atividade,  sem  o  qual  esta  a  empresa  não  goza  de  licença  para  desenvolvê­la está presente na exposição.  Este  entendimento  assentado  no  acórdão  teve  o  reforço  de  precedente  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  no  bojo  do  qual  dispêndios  realizados  com  indumentárias,  exigidas  pelo  Poder  Público  para  o  regular  desenvolvimento  do  processo  produtivo  na  indústria  alimentícia,  foram  considerados  insumos  inerentes  à  produção.  Está  referenciado nos termos abaixo:  Questão semelhante já foi analisada pelo CARF no PAF n.º  13053.000112/200518  pela Câmara  Superior  de Recursos  Fiscais, por meio do Acórdão n.º 930301.740,  julgado em  09.11.2011 – 3ª Turma:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO  DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004  COFINS.  INDUMENTÁRIA.  INSUMOS.  DIREITO  DE  CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03.  Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins  não  cumulativa,  são  todos  aqueles  relacionados  diretamente  com  a  produção  do  contribuinte  e  que  participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela  referida contribuição social. A  indumentária imposta pelo  próprio Poder Público na  indústria  de processamento  de  alimentos  exigência  sanitária  que  deve  ser  obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção  da  indústria  avícola,  e,  portanto,  pode  ser  abatida  no  cômputo de referido tributo. (grifo)  Recurso Especial do Procurador Negado.  Note­se que o conceito de insumo como aquele que possui inerência, também  foi demarcado no voto condutor, com o destaque do negrito na ementa do acórdão paradigma  pelo próprio Relator.   Ao perscrutar o conteúdo da decisão acima, o Relator colheu o contorno dos  insumos  que  se  tornam  aptos  a  gerar  creditamento,  tendo  apontado  para  a  sua  sorte  de,  em  hipótese alguma estar restrito às matérias­primas, aos produtos intermediários e aos materiais  de  embalagem e outros  bens  que  sofram  alterações  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre o produto em fabricação, conforme excerto do seu voto, abaixo:  Conforme se extrai do  julgado acima, o  insumo não deve  em hipótese alguma estar  restrito às matérias­primas, aos  produtos  intermediários  e  aos  materiais  de  embalagem  e  outros  bens  que  sofram  alterações  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  em  Fl. 308DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.000924/2009­69  Acórdão n.º 3803­004.498  S3­TE03  Fl. 307          5 razão  do  caráter  restritivo  não  imposto  pela  lei  e  pelo  Texto Constitucional.[g.n.]  Não  obstante  reconhecer  o  Relator  a  distinção  da  atividade  econômica  sob  análise  no  acórdão  paradigma,  indicou  a  semelhança  da  causa  de  decidir  naquele  com  a  inclusão na base de cálculo dos créditos dos dispêndios relativos à proteção do meio ambiente  realizados por  imposição do Poder Público. Neste particular, o Relator destacou,  inclusive, a  inexigibilidade  de  conduta  diversa  por  parte  da Contribuinte  e  a  essencialidade  do  serviços  contratados,  que  os  habilitam  a  serem  definidos  como  insumo,  que  geram  crédito.  Restou  implícita na exposição a consideração do insumo como inerente à produção, uma vez que esta  qualificação encontra­se no acórdão paradigma e na parte grifada da ementa:  Evidentemente que no caso em tela não se está tratando de  insumos  aplicados  na  produção  alimentícia,  conforme  o  julgado  administrativo  colacionado,  todavia,  por  outro  lado,  as  despesas  com  a  proteção  do  meio  ambiente  são  geradas em  função de uma  imposição do Poder Público e  neste  caso  é  inexigível  conduta  diversa  por  parte  do  contribuinte. Além do que, é verdade que sem cumprir ao  rígido  controle  ambiental,  por  certo  que  a  empresa  não  estaria  autorizada  a  extrair  o  carvão  mineral,  ou  seja,  estaria  impossibilitada  de  realizar  o  seu  processo  produtivo.[inerência]  Logo, compreendo que deve ser  reconhecido o direito aos  créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de  alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda  que  não  estejam  relacionadas  na  planilha  elaborada  pela  repartição  de  origem,  uma  vez  que  esses  serviços  são  essenciais ao  funcionamento da empresa,  (...)  [apócrifo e  g.n.]  O  vício  da obscuridade  ­  categorizado  pela melhor  doutrina  como  falta  de  clareza  no  desenvolvimento  das  idéias  que  norteiam  a  fundamentação  da  decisão,  por  comprometimento da concatenação do raciocínio, da fluidez das idéias, ou por decisão exposta  de  maneira  confusa  ou  lacônica,  ou  ainda,  porque  a  redação  foi  mal  feita,  com  erros  gramaticais, de sintaxe, concordância etc.. capazes de prejudicar a interpretação da motivação,  não  se  compadece  com  o  predicamento  que  lhe  deu  o  Conselheiro  embargante  ao  termo  obscuridade,  consistente  na  ausência  do  conceito  de  insumo.  Aonde  se  pode  enquadrar  o  apontamento  do  vício  presente  no  acórdão  embargado  no  conceito  doutrinário  –  a  falta  de  clareza no desenvolvimento das ideias ou decisão exposta de maneira confusa – este tropeço  não existe na exposição que tenha prejudicado a interpretação da motivação.   Por estas razões, vejo que o voto condutor foi colmatado sem nebulosidades,  tendo justificado com suficiência o encaminhamento ofertado, em específico quanto à matéria  objurgada, e acompanhado pela quase integralidade pela turma.  A ementa do acórdão embargado está alinhavada com a do acórdão da CSRF,  ambas vazadas no bojo de decisões em torno de fatos jurídicos de mesma natureza. A mácula  de uma é a da outra.  Fl. 309DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     6 Entrementes, os embargos oportunizam a seguinte consideração: as  leis que  instrumentalizam a não cumulatividade do PIS e da Cofins (Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003)  preceituam em seu art. 3º, II: “Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá  descontar créditos calculados em relação a:  II  ­ bens e  serviços, utilizados como  insumo na  prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda,  inclusive (...)”  Repare­se que ao estipular que bens e serviços creditáveis  são os utilizados  como insumo na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados à venda, a  norma  legal  não  discriminou  o  grau  de  aderência  do  insumo  na  atividade  exercida  pela  empresa.   Ao  interpretar  o  dispositivo  legal,  no  Resp.  nº  1.246.317/MG,  em  sede  de  recurso  repetitivo  que  se  tornou  paradigmático  para  aplicação  pelos  conselheiros,  nos  julgamentos no âmbito do CARF, o Superior Tribunal de Justiça deu a configuração da norma  e  dispôs  que  os  insumos  passíveis  de  creditamento  são  tanto  os  que  se  ligam  ao  processo  produtivo  ou  à  prestação  de  serviços  como  os  que  os  viabilizam,  vale  dizer,  insumos  empregados seja direta ou indiretamente na atividade  A decisão está projetada no item “5” da ementa como segue:  5.  São  "insumos",  para  efeitos  do  art.  3º,  II,  da  Lei  n.  10.637/2002,  e  art.  3º,  II,  da  Lei  n.  10.833/2003,  todos  aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o  processo  produtivo  e  a  prestação  de  serviços,  que  neles  possam  ser  direta  ou  indiretamente  empregados  e  cuja  subtração importa na impossibilidade mesma da prestação  do serviço ou da produção,  isto é,  cuja  subtração obsta a  atividade da empresa, ou implica em substancial perda de  qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Ter­se  como  referência  estas  disposições  (legal  e  judicial),  leva­nos  a  perceber uma imprecisão na ementa do acórdão embargado (assim como na ementa da CSRF):  afirmar que o creditamento se dá apenas relativamente aos insumos aplicados diretamente na  prestação do serviço ou na produção de bens, ao tempo em que afirma que os dispêndios com o  cumprimento  das  obrigações  ambientais  (ou  da  obrigação  para  uso  da  indumentária  na  indústria de alimentos) impostas pelo Poder Público como condição para o funcionamento da  empresa  devem  ser  consideradas  insumos  (ou  é  insumo  inerente  à  produção  da  indústria  avícola), não é outra coisa senão fixar um conceito errôneo quanto à forma de incidência desse  insumo na atividade­fim da empresa.  Noutra  forma  de  dizê­lo:  se  a  lei  não  discrimina  a  forma  de  aderência  do  insumo  na  atividade­fim;  e  se  o  STJ  definiu  que  essa  forma  pode  dar­se  direta  ou  indiretamente,  não  é necessário definir  o que é  indireto  como direto para que o  insumo  seja  alvo de creditamento.   Nesse diapasão, os dispêndios com o cumprimento de obrigações normativas  do Poder Público, que ­ não obstante se os caracterize como essenciais e inerentes –, mas que  apenas  viabilizem  a  atividade  produtiva  sem  dela  intrinsecamente  participarem,  são  insumos  aplicados  indiretamente  no  processo  produtivo  (seja  a  proteção  ambiental,  seja  o  uso  de  indumentárias na indústria alimentícia).  Fl. 310DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.000924/2009­69  Acórdão n.º 3803­004.498  S3­TE03  Fl. 308          7 A elucidação acima não se compadece com a balda de obscuridade aplicada  ao  acórdão  ­  segundo  a orientação da melhor doutrina  ­  representando o  termo diretamente,  consignado na  ementa,  não mais  que  uma  imprecisão  conceitual  que  o  julgado  (também na  CSRF)  fez  advir  dos  predicados  essencialidade  e  inerência  (ao  processo  produtivo  ou  prestação  do  serviço),  que  são  exigidos  dos  insumos  para  serem  base  de  cálculo  créditos,  adequadamente evocados no voto condutor.  Por tudo, voto por acolher parcialmente os embargos para retificar a ementa  do acórdão, sem efeitos infringentes, nos termos abaixo:  REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE  INSUMOS.  Insumo  dedutível  para  efeito  de  Cofins  não  cumulativa  é  todo  aquele  relacionado  direta  ou  indiretamente  com  a  produção do contribuinte e que afete as receitas tributadas  pela  contribuição  social.  E  quando  o  cumprimento  das  obrigações ambientais  impostas pelo Poder Público, como  condição para o funcionamento da empresa, gere despesas,  estas devem ser consideradas insumo.  Sala das sessões, 24 de setembro de 2013  (assinado digitalmente)  Belchior Melo de Sousa                                Fl. 311DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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Numero do processo: 16327.720131/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2006 SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO - DISCUSSÃO NO STF - DESNECESSIDADE - Somente devem ser sobrestados, nos termos do art. 62-A, § 1.º, do RI CARF, os processos cuja matéria tenha esteja em discussão no Supremo Tribunal Federal sob o rito do art. 543-B do Código de Processo Civil. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - Os pagamentos de verbas à título de PLR que descumprem os requisitos previstos na Lei 10.101/2000 devem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias, devendo ser excluídos do levantamento apenas os valores que cumpriram as determinações da referida norma legal. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.835
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: I) rejeitar o pedido de sobrestamento do julgamento; e II) negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2006 SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO - DISCUSSÃO NO STF - DESNECESSIDADE - Somente devem ser sobrestados, nos termos do art. 62-A, § 1.º, do RI CARF, os processos cuja matéria tenha esteja em discussão no Supremo Tribunal Federal sob o rito do art. 543-B do Código de Processo Civil. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - Os pagamentos de verbas à título de PLR que descumprem os requisitos previstos na Lei 10.101/2000 devem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias, devendo ser excluídos do levantamento apenas os valores que cumpriram as determinações da referida norma legal. Recurso Voluntário Negado

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secao_s : Segunda Seção de Julgamento

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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: I) rejeitar o pedido de sobrestamento do julgamento; e II) negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2138; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 5.297          1 5.296  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16327.720131/2009­19  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2401­002.835  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de janeiro de 2013  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  BANCO ITAUCARD S.A. SUCESSOR POR INCORPORAÇÃO DO  BANCO FININVEST S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2006  SOBRESTAMENTO  DO  JULGAMENTO  ­  DISCUSSÃO  NO  STF  ­  DESNECESSIDADE  ­  Somente  devem  ser  sobrestados,  nos  termos  do  art.  62­A, § 1.º, do RI CARF, os processos cuja matéria tenha esteja em discussão  no Supremo Tribunal Federal sob o rito do art. 543­B do Código de Processo  Civil.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL  ­  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  ­  Os  pagamentos  de  verbas  à  título  de  PLR  que  descumprem  os  requisitos  previstos  na  Lei  10.101/2000  devem  sofrer  a  incidência  de  contribuições  previdenciárias,  devendo  ser  excluídos  do  levantamento  apenas  os  valores  que cumpriram as determinações da referida norma legal.  Recurso Voluntário Negado      Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos:  I) rejeitar o  pedido de sobrestamento do julgamento; e II) negar provimento ao recurso.  Elias Sampaio Freire ­ Presidente  Marcelo Freitas de Souza Costa ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire,  Kleber  Ferreira  de  Araújo,  Igor  Araújo  Soares,  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira,  Marcelo  Freitas  de  Souza  Costa  e  Rycardo  Henrique  Magalhães  de  Oliveira.    AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 01 31 /2 00 9- 19 Fl. 851DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES     2    Relatório  Trata­se  de  Notificação  Fiscal  de  Lançamento  de  Débito­  NFLD,  lavrada  contra a empresa acima identificada, referentes à contribuição social correspondente à parte da  empresa, bem como às destinadas ao INCRA E FNDE.  De acordo com o Relatório Fiscal de fls 283/326, o lançamento teve por fatos  geradores:  a)  o  pagamento  de  Participação  nos  Resultados  em  desacordo  com  a  Lei  10.101/2000,  no  período  de  01/2005  a  12/2006  (descontínuo);  b)  as  parcelas  de  despesas  custeadas  pela  empresa,  relativas  aos  valores  pagos  em  benefício  dos  dependentes  dos  seus  segurados empregados a título de assistências médica e odontológica contratadas; c) as parcelas  de despesas custeadas pela empresa relativas a valores pagos em benefício de seus empregados  a título de previdência privada complementar.  Sobre a Participação nos Lucros ou Resultados informa a fiscalização que a  autuada optou por distribuir valores a este título nos anos de 2005, 2006, 2007 e 2008 adotando  duas modalidades previstas na Lei 8212/91, quais sejam: Convenção Coletiva e Comissão de  Negociação.  Entendeu  o  Auditor  Fiscal  que  as  CCTs  não  continham  regras  claras  e  objetivas quanto ao direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, principalmente  quanto aos mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado e  os  programas  de  metas  a  serem  atingidos  de  modo  a  aferir  a  parcela  do  esforço  laboral  individual  que  cada  trabalhador  contribuiu  para  alcançar  as  metas  de  lucros  ou  resultados  auferidos pela empresa.  Desta forma, considerou as distribuições efetuadas com base naquelas CCT’s  como  sendo pagamentos  efetuados  em desacordo com os  requisitos  legais para  exclusão das  contribuições previdenciárias, ou seja, mera verba que complementa o salário.  Já sobre os PPR’s pagos em face de programas próprios relativos aos biênios  de  2003/04;  2005/06  e  2007/08,  foram  considerados  como  salários  pela  fiscalização  pelos  seguintes motivos:  PPR  2003­2004  – O  plano  utilizou  um  programa  próprio  de  pagamento  de  PLR  firmado  por  outra  empresa  (UNIBANCO)  e  não  consta  a  assinatura  de  representante  indicado pelo sindicato dos bancários.  PPR  2005­2006–  Na  negociação  estabelecida  com  uma  comissão  de  empregados  não  houve  a  participação  de  nenhum  empregado  da  FININVEST  (instituição  incorporada pela autuada); não consta a assinatura de representante indicado pelo sindicato dos  bancários e a autuada não teria apresentado os instrumentos de aferição de metas e parâmetros  estabelecidos no PPR para todos os empregados.  PPR2007­2008  ­  Embora  neste  plano  constar  a  assinatura  de  um  representante  da  CONTEC  (Confederação  Nacional  dos  Trabalhadores  das  Empresas  de  Crédito)  a  empresa  apresentou  pedidos  de  registro  e  arquivamento  da  DRT  de  São  Paulo,  porém,  a  exigência  legal  é  o  arquivamento  do PPR  no  sindicato  da  respectiva  categoria. Na  negociação  estabelecida  com  uma  comissão  de  empregados  não  houve  a  participação  de  nenhum  empregado  da  FININVEST,  não  consta  a  assinatura  de  representante  indicado  pelo  Fl. 852DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16327.720131/2009­19  Acórdão n.º 2401­002.835  S2­C4T1  Fl. 5.298          3 sindicato dos bancários e a autuada não teria apresentado os instrumentos de aferição de metas  e parâmetros estabelecidos no PPR para todos os empregados.  A fiscalização informa que realizou diligências nos Sindicatos dos Bancários  de SP e RJ, solicitando esclarecimentos acerca da participação dos respectivos sindicatos nos  PPR’s e o arquivamento dos referidos instrumentos. Em resposta os sindicatos informaram que  não participaram com representantes nas comissões de negociação dos Planos e não receberam  os instrumentos resultantes das negociações para arquivamento.  A  fiscalização conclui  acerca destas  rubricas que os pagamentos a  título de  PLR durante o período  fiscalizado ocorreu  em periodicidade  inferior  a um semestre  civil  ou  mais de duas vezes no mesmo ano civil.  A empresa apresentou defesa e com relação aos valores cobrados a título de  previdência complementar, reconheceu e recolheu tais valores.  O Acórdão 12­30.915 ­ 10ª Turma da DRJ/RJ1 julgou procedente em parte o  a  autuação  excluindo  do  débito  os  valores  dos  levantamentos  relativos  ao  pagamento  das  parcelas a título de PLR previsto nas CCT, bem como os levantamentos referentes aos valores  pagos  em benefício  dos  dependentes  dos  seus  segurados  empregados  a  título  de  assistências  médica e odontológica.  Inconformada  com  referida  Decisão  (fls.  674/686),  a  empresa  apresentou  recurso onde alega em apertada síntese:  Inicialmente faz um breve relato sobre a presente autuação e relembra que as  exigências  mantidas  pelos  julgadores  a  quo  referem­se  exclusivamente  aos  Planos  de  Participação nos Resultados – PPR’s firmados entre a recorrente e seus colaboradores.  Tece  comentários  acerca  de  imunidade  tributária  para  inserir  dentro  deste  conceito o pagamento de PLR garantido pela Constituição Federal  em seu  art.  7º,  inciso XI,  cuja finalidade é a melhoria das condições sociais dos trabalhadores.  A  recorrente  afirma  que  a DRJ manteve  parte  do  lançamento  por  entender  que: (i) os pagamentos foram efetuados em periodicidade superior a duas vezes no ano; (ii) os  PPR  foram  firmados  sem  a  participação  dos  Sindicatos  e  não  houve  seu  arquivamento  nas  entidades  sindicais  e  (iii)  por  não  ter  sido  juntado  aos  autos  os  instrumentos  de  aferição  de  metas e parâmetros estabelecidos nos PPR para todos os empregados.  Concorda que de fato em alguns períodos a recorrente realizou três ou quatro  pagamentos  de  participação  nos  lucros  e  resultados  por  estar  obrigada  a  cumprir  as  CCT’s  celebradas entre a Federação Nacional dos Bancos – FEBRABAN e a Confederação Nacional  dos Bancários – CUT que já continham a previsão de dois pagamentos.   Que em razão dos valores negociados entre aquelas entidades serem bastante  diminutos,  a  recorrente  e o  conglomerado a qual  pertence celebraram os PPR’s que previam  pagamentos semestrais ou anuais para beneficiar e permitir uma participação ainda maior nos  lucros do que aquela negociada entre a FEBRABAN e a CUT, fazendo com que, por vezes, em  razão da cumulação da CCT e do PPR se chegasse a mais de um pagamento no semestre.  Fl. 853DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES     4  Sustenta  que  tal  fato  não  tem  o  condão  de  invalidar  a  natureza  dos  pagamentos  feitos  a  título  de  PLR,  não  podendo  caracterizá­los  como  salário  indireto,  isto  porque,  as  CCT  celebradas  pela  FEBRABAN  eram  comuns  a  todo  o  setor  bancário  e  de  obediência obrigatória por todos os bancos e as PPR tem pagamento limitado a duas vezes por  ano.  Colaciona jurisprudência do TST para demonstrar que o pagamento de PLR  em mais de duas parcelas, por  si  só, não descaracterizaria  a natureza  indenizatória da verba.  Defende  ainda  que,  mesmo  que  se  entenda  de  forma  diferente,  poder­se  ia,  no  máximo,  descaracterizar aqueles pagamentos que excederam o limite semestral ou anual.  No  que  diz  respeito  a  falta  de  participação  dos  sindicatos  e  o  devido  arquivamento nestas entidades, a recorrente afirma que houve a notificação dos sindicatos para  participar  das  Comissões  de  Negociação,  bem  como  foram  solicitados  os  registros  e  arquivamento no Sindicato e Ministério do Trabalho, conforme se depreende dos documentos  de fls. 464 a 486; fls. 4754 a 4758 e 4772 a 4785 dos autos.  Aduz  que  o  não  comparecimento  dos  sindicatos  ocorreu  por  negligência  destes que, por razões que a recorrente desconhece não teriam atendido as notificações a eles  enviadas.  Entende  ainda  que  a  falta  de  assinatura  do  representante  sindical  não  motiva  a  invalidade dos  PPR’s  que  foram pagos  exatamente nos  termos  livremente  acordados  entre  a  recorrente e a comissão e atendendo a finalidade da norma constitucional em sua substância.  Que em recente julgado o ainda Ministro do STJ Luiz Fux proferiu voto no  Resp  865.489/RS  de  26/10/2010,  cuja matéria  é  idêntica  a  ora  debatida  onde  foi  firmado  o  entendimento de que a falta de participação de representante do sindicato na negociação bem  como  o  arquivamento  do  acordo  na  respectiva  entidade  sindical  não  afetam  a  natureza  dos  pagamentos.  Quanto  a  suposta  inexistência  de  instrumentos  de  aferição  de  metas  e  parâmetros  estabelecidos  no  PPR  para  todos  os  empregados,  a  recorrente  assevera  que  em  nenhum momento  a  Lei  10.101/2000  contempla  a  necessidade  de  que  os  acordos  coletivos  estabeleçam aspectos pertinentes ao cômputo das participações individuais.  Que referida Lei  simplesmente alude a um  rol  exemplificativo dos critérios  que podem ser empregados na tessitura de uma programa de PLR, sem vedação em relação a  utilização de norte diverso para tanto, desde que essa diretriz permita de maneira induvidosa a  fruição desse benefício por aqueles empregado que preencham os requisitos estipulados como  condição ao seu gozo.  Requer o provimento do recurso cancelando o presente Auto de Infração.  É o relatório.  Fl. 854DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16327.720131/2009­19  Acórdão n.º 2401­002.835  S2­C4T1  Fl. 5.299          5 Voto             Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa ­ Relator  O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade.  Do Pedido de Sobrestamento  O pedido suspensão do processo até que o pronunciamento definitivo do STF  sobre a matéria, não deve ser acolhido. Não é de se aplicar o § 1.º do art. 62­A do Regimento  Interno  do CARF,  aprovado pela Portaria MF n.º  256/2009,  com  redação  dada  pela Portaria  MF n.º 586/2010, que assim dispõe:  Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria,  até  que  seja  proferida  decisão nos termos do art. 543­B.  (...)  Veja­se  que,  em  que  pese  o  tema  sob  análise  se  encontrar  sob  o manto  da  repercussão geral no STF, nos termos do artigo 543­A, § 1o, do CPC, c/c artigo 323/§ 1°, do  Regimento  Interno  do  STF,  não  houve  sobrestamento  dos  recursos  atinentes  a  matéria  sob  questão  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  com  esteio  no  artigo  543­B  daquele  Código,  não  cabendo, portanto, a providência de sobrestar o feito administrativo.  Do mérito  Inicialmente  cumpre  esclarecer  que,  como  já  dito  no  recurso,  as  exigências  mantidas  pelos  julgadores  a  quo  referem­se  exclusivamente  aos  Planos  de  Participação  nos  Resultados  –  PPR’s  firmados  entre  a  recorrente  e  seus  colaboradores,  uma  vez  que  a  DRJ  manteve  parte  do  lançamento  por  entender  que:  (i)  os  pagamentos  foram  efetuados  em  periodicidade superior a duas vezes no ano; (ii) os PPR foram firmados sem a participação dos  Sindicatos e não houve seu arquivamento nas entidades sindicais e (iii) por não ter sido juntado  aos autos os instrumentos de aferição de metas e parâmetros estabelecidos nos PPR para todos  os empregados.  A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais  as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de  contribuições  previdenciárias,  seja  por  sua  natureza  indenizatória  ou  assistencial,  nestas  palavras:  Fl. 855DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES     6  Art. 28 (...)  § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  Lei,  exclusivamente:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10/12/97)  j)  a participação nos  lucros ou  resultados da  empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica;  A legislação específica de que trata referido a alínea acima transcrita é a Lei  10.101/2000. No presente caso, transcrevemos os dispositivos da lei que a fiscalização e a DRJ  entenderam ter sido infringidos:  Art.2o  A  participação  nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo:  I­  comissão  escolhida  pelas  partes,  integrada,  também,  por  um  representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;  II­ convenção ou acordo coletivo.  §1o  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de  vigência e prazos para  revisão do acordo, podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  I­  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;  II­  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.  §2­  O  instrumento  de  acordo  celebrado  será  arquivado  na  entidade sindical dos trabalhadores.  (...)  Art.3º­  A  participação  de  que  trata  o  art.  2o  não  substitui  ou  complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem  constitui  base  de  incidência  de  qualquer  encargo  trabalhista,  não se lhe aplicando o princípio da habitualidade.  (...)  §2º  É  vedado  o  pagamento  de  qualquer  antecipação  ou  distribuição  de  valores  a  título  de  participação  nos  lucros  ou  resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre  civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil  Tratemos então da análise apartada das razões que levaram o órgão julgador  de primeira instância a manter os levantamentos ora combatidos.  I – Pagamentos em periodicidade inferior a um semestre civil.  Fl. 856DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16327.720131/2009­19  Acórdão n.º 2401­002.835  S2­C4T1  Fl. 5.300          7 Quanto  a  este  argumento  entendo  que  a  decisão  de  primeira  instância  tem  razão  parcial. O §  2º  do  art.  3º  da Lei  10.101/00  é  claro  ao  vedar  o  pagamento  de PLR em  periodicidade inferior a seis meses. Contudo, o entendimento da jurisprudência administrativa  e do STJ é no sentido de que apenas as parcelas que não obedecerem esta regra é que sofrerão a  incidência de contribuições;  Vejamos alguns julgados neste sentido:  “Quanto  ao  pagamento  de  PLR  efetuado  aos  empregados  nas  localidades  em  que  a  recorrente  firmou  acordo  coletivo  com  o  sindicato  da  categoria,  entendo  que  a  recorrente  deixou  de  cumprir  os  requisitos  legais  apenas  no  exercício  de  2000,  quando efetuou pagamento de PLR três vezes no exercício, sendo  duas delas dentro do mesmo semestre civil.  A  recorrente  efetuou  pagamentos  em  05/2000,  06/2000  e  12/2000.  A  meu  ver,  a  parcela  que  representou  o  descumprimento do requisito legal corresponde àquela efetuada  em  06/2000  e  sobre  esta  devem  incidir  as  devidas  contribuições.”1  “No  caso  que  se  analisa  há  uma  única  discrepância  da  legislação,  apontada  pela  fiscalização,  motivadora  da  integração da PLR ao SC: o pagamento em mais de duas vezes  ao ano.  (...)  O que caracteriza o momento do surgimento do fato gerador da  contribuição previdenciária, no caso, deve ser o pagamento ou o  crédito em desacordo com a legislação.  Assim,  devemos  analisar  os  pagamento  e  os  créditos  que  ocorreram.  Pela  análise  dos  acordos,  verificamos  que  há  previsão  para  pagamentos conforme a legislação: pagamentos ou antecipações  em periodicidade superior a um semestre civil, ou mais em duas  vezes no mesmo ano civil (§ 2°, Art. 3°, Lei 10.101/2000).  O  que  ocorreu,  que  corretamente  fez  com  que  a  fiscalização  desconsiderasse  esses  pagamentos  como  SC,  foi  que  o  acordo  previu a possibilidade de, a pedido dos segurados, a antecipação  de  parte  do  PLR  em  diversas  parcelas,  o  que  afronta  a  legislação.  Assim,  acreditamos  que  há  pagamento  em  acordo  com  a  legislação,  como  também  há  pagamentos  em  desacordo  com  a  legislação.  Portanto,  os  pagamentos  que  estão  em  conformidade  com  a  legislação devem ser excluídos do lançamento.                                                              1  excertos  do  voto  condutor  do  Acórdão  206­01.025,  da  6ª  Câmara  do  2º  Conselho  de  Contribuintes,  de  02/07/2008, de relatoria da conselheira Ana Maria Bandeira.  Fl. 857DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES     8  (...)  Ressalte­se  que  acordos  prevêem  os  pagamentos  da  PLR  em  junho e dezembro e, conseqüentemente, antecipação nas demais  competências.  Portanto,  os  pagamentos  que  originaram  lançamentos  nas  competências junho e dezembro devem ser excluídos do presente  lançamento, mantendo­se os demais”  Também:  “TRIBUTÁRIO.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS.  PERIODICIDADE MÍNIMA DE  SEIS MESES.  ART.  3º,  §  2º,  da  Lei  10.101/2000  (CONVERSÃO  DA  MP  860/1995)  C/C  O  ART.  28,  §  9º,  "j",  DA  LEI  8.212/1991.  REDUÇÃO DA MULTA MORATÓRIA. ART.  27,  §  2º, DA LEI  9.711/1998.  EXIGÊNCIA DE  PAGAMENTO  INTEGRAL.  ART.  35  DA  LEI  8.212/1991.  REDAÇÃO  DADA  PELA  LEI  9.528/1997.  DISCUSSÃO  ACERCA  DA  CONSTITUCIONALIDADE. NÃO­CONHECIMENTO.  1.  Hipótese  em  que  se  discute  a  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  parcelas  distribuídas  aos  empregados  a  título de participação nos lucros e resultados da empresa.  2.  O  Banco  distribuiu  parcelas  nos  seguintes  períodos:  a)  outubro e novembro de 1995, a título de participação nos lucros;  e b) dezembro de 1995 a junho de 1996, como participação nos  resultados.  3. As participações nos lucros e resultados das empresas não se  submetem  à  contribuição  previdenciária,  desde  que  realizadas  na forma da lei (art. 28, § 9º, "j", da Lei 8.212/1991, à luz do art.  7º, XI, da CF).  4.  O  art.  3º,  §  2º,  da  Lei  10.101/2000  (conversão  da  MP  860/1995)  fixou  critério  básico  para  a  não­incidência  da  contribuição  previdenciária,  qual  seja  a  impossibilidade  de  distribuição de lucros ou resultados em periodicidade inferior a  seis meses.  5.  Caso  realizada  ao  arrepio  da  legislação  federal,  a  distribuição  de  lucros  e  resultados  submete­se  à  tributação.  Precedentes do STJ.  6. A  norma do  art.  3º,  §  2º,  da Lei  10.101/2000  (conversão  da  MP 860/1995), que veda a distribuição de  lucros ou resultados  em periodicidade inferior a seis meses, tem finalidade evidente:  impedir  aumento  salarial  disfarçado  cujo  intuito  tenha  sido  afastar ilegitimamente a tributação previdenciária.  7.  O  Banco  realizou  pagamentos  aos  empregados  de  modo  absolutamente contínuo durante nove meses, de outubro de 1995  a  junho  de  1996,  o  que  implica  submissão  à  contribuição  previdenciária, nos  termos do art. 3º,  § 2º,  da Lei 10.101/2000  (conversão  da  MP  860/1995)  c/c  o  art.  28,  §  9º,  "j",  da  Lei  8.212/1991.  Fl. 858DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16327.720131/2009­19  Acórdão n.º 2401­002.835  S2­C4T1  Fl. 5.301          9 8.  Irrelevante  o  argumento  de  que  as  parcelas  de  outubro  e  novembro  de  1995  referem­se  à  participação  nos  lucros,  e  as  demais, nos resultados.   9.  As  expressões  "lucros"  e  "resultados",  ainda  que  não  indiquem  realidades  idênticas  na  técnica  contábil,  referem­se  igualmente  a  ganhos  –  percebidos  pelo  empregador  em  sua  atividade  empresarial  –  que,  na  forma  da  lei,  são  compartilhados com seus empregados.  10.  Para  fins  tributários  e  previdenciários,  importa  o  percebimento  de  parcela  do  ganho  empresarial  pelos  funcionários,  seja  ela  contabilizada  como  lucro  ou  como  resultado.  11.  Ademais,  in  casu,  ainda  que  houvesse  distinção  entre  a  participação  nos  lucros  (outubro  e  novembro  de  1995)  e  a  participação  nos  resultados  (dezembro  de  1995  a  junho  de  1996),  ocorreram  múltiplos  pagamentos  em  periodicidade  inferior  a  seis  meses  em  ambos  os  casos,  o  que  afasta  o  argumento recursal.  12. Escapam da tributação apenas os pagamentos que guardem,  entre si, pelo menos seis meses de distância. Vale dizer, apenas  os  valores  recebidos  pelos  empregados  em  outubro  de  1995  e  abril  de  1996  não  sofrem  a  incidência  da  contribuição  previdenciária, já que somente esses observaram a periodicidade  mínima prevista no art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão  da MP 860/1995).  13.  O  Recurso  do  Banco  deve  ser  parcialmente  provido,  exclusivamente  para  afastar  a  tributação  sobre  o  pagamento  realizado  em  abril  de  1996.  O  Recurso  do  INSS  deve  ser  parcialmente  provido  para  reconhecer  a  incidência  da  contribuição  sobre  aquele  ocorrido  em  novembro  de  1995.  (REsp  496949  /  PR,  SEGUNDA  TURMA,  Ministro  HERMAN  BENJAMIN, DJe 31/08/2009  II – PPR sem a participação dos Sindicatos  Também discordo parcialmente da decisão de primeira instância com relação  a ausência de assinatura do representante sindical nos Planos realizados pela recorrente. É certo  que tanto a legislação quanto a jurisprudência administrativa são direcionadas no sentido de ser  obrigatória  a  participação  do  sindicato  na  negociação  de  PLR,  para  que  não  incida  contribuições sobre as parcelas pagas à este título.  Este assunto foi tratado no Acórdão nº 9202­00503, da 2ª Turma da Câmara  Superior de Recursos Fiscais, de 09/03/2010, de relatoria do conselheiro Elias Sampaio Freire,  que assim tratou a matéria:  “PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. PARTICIPAÇÃO NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS.  OBSERVÂNCIA  DA  LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA.  Fl. 859DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES     10  A  teor  do  art.  7º,  XI,  da  Constituição,  constitui  direito  dos  trabalhadores  urbanos  e  rurais  a  "participação  nos  lucros,  ou  resultados,  desvinculada da  remuneração,  e,  excepcionalmente,  participação na gestão da empresa, conforme definido em lei".  Devem  set  tributadas  parcelas  distribuídas  a  título  de  participação nos  lucros ou  resultados  ao  arrepio  da  legislação  federal.  Os  critérios  para  a  fixação  dos  direitos  de  participação  nos  resultados da empresa devem ser fixados, soberanamente, pelas  partes  interessadas.  O  termo  usado  ­  podendo  ­  é  próprio  das  normas  facultativas,  não  das  normas  cogentes.  A  lei  não  determina que, entre tais critérios, se incluam os arrolados nos  incisos  I  (índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa)  e  II  (programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados previamente) do § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/00,  apenas o autoriza ou sugere.  A  Constituição  reconhece  amplamente  a  validade  das  convenções  e  acordos  coletivos  de  trabalho  (art.  7º, XXVI)  e  a  função  da  negociação  coletiva  é  obter  melhores  condições  de  trabalho e cobrir os espaços que a lei deixa em branco.  O  legislador  ordinário,  procurando  não  interferir  nas  relações  entre  a  empresa  e  seus  empregados  e  atento  ao  verdadeiro  conteúdo  do  inciso  XI  do  art.  7º  da  Constituição,  limitou­se  a  prever que dos instrumentos decorrentes da negociação deverão  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de vigência e prazos para revisão do acordo.  A  lei  não  prevê  a  obrigatoriedade  de  que  no  acordo  coletivo  negociado  haja  a  expressa  previsão  fixação  do  percentual  ou  montante a ser distribuído em cada exercício.  Existe  sim,  a  obrigação  de  se  negociar  com  os  empregados  regras  claras  e  objetivas,  combinando  de  que  forma  e  quando  haverá  liberação  de  valores,  caso  os  objetivos  e  metas  estabelecidas e negociadas forem atingidas.  Considerando as cláusulas do acordo coletivo firmado há de se  concluir  que  foram  atendidas  as  exigências  de  que  dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  entre  empregador  e  empregados constem regras claras e objetivas quanto à fixação  dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas,  inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período  de  vigência  e  prazos  para  revisão  do  acordo  O  legislador  não  fez  previsão  de  exigência  no  sentido  de  que  as  parcelas pagas a  título de participação de  lucros ou resultados  fossem extensivas a  todos os  empregados da  empresa para que  houvesse a não incidência de contribuição previdenciária.  Para que não haja incidência de contribuições previdenciárias,  a PLR paga a empregados deve resultar de negociação entre a  empresa  e  seus  empregados,  por  comissão  escolhida  pelas  Fl. 860DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16327.720131/2009­19  Acórdão n.º 2401­002.835  S2­C4T1  Fl. 5.302          11 partes, integrada, também, por um representante indicado pelo  sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo  coletivo.(grifei)  O  enquadramento  sindical  deve  levar  em  consideração  a  base  territorial  do  local  da  prestação  dos  serviços.  Esta  regra  deve  ser  ressalvada  quando  se  tornar  necessária  a  observância  dos  princípios  constitucionais  que  prescrevem  a  irredutibilidade  de  salários  e  do  direito  adquirido  e,  ainda,  na  hipótese  de  transferência temporária do empregado.  (...)  Neste mesmo acórdão é tratada a exigência de arquivamento do resultado da  negociação na entidade sindical dos  trabalhadores, onde não se verifica o estabelecimento de  um prazo determinado para tanto.  “A  Lei  10.101/00  não  determina  o  prazo  para  o  protocolo  do  acordo junto ao Sindicato, ela prevê a necessidade da previsão  em  Convenção  Coletiva,  regulamentação  através  de  Acordo  Coletivo  com  a  presença  de  uma  comissão  de  empregados  e  o  arquivo do respectivo documento no Sindicato da Categoria.  Cabe  ressaltar que a Convenção Coletiva de Trabalho  também  não  prevê  qualquer  prazo  para  protocolo  do  Acordo  Coletivo  junto à Entidade.  (...)    Com  relação  aos  planos  de  2003/2004  e  2005/2006,  embora  a  recorrente  tenha  juntado  documentos  de  convocações  de  sindicatos  para  integrar  as  comissões  de  trabalhadores para a elaboração dos planos, a negativa ou omissão deles não pode ser entendida  como apta a legitimar o instrumento de negociação, tendo em vista que a recorrente deveria ter  utilizado de procedimentos legais para sanar esta ausência, dentre eles o art. 616 da CLT que  assim dispõe:  “..."os  sindicatos  representativos  de  categorias  econômicas  ou  profissionais  e  as  empresas,  inclusive  as  que  não  tenham  representação sindical, quando provocados, não podem recusar­ se à negociação coletiva.  §  I°  Verificando­se  recusa  à  negociação  coletiva,  cabe  aos  sindicatos  ou  empresas  interessadas  dar  ciência  do  fato,  conforme o caso, ao Departamento Nacional do Trabalho ou aos  órgãos  regionais  do  Ministério  do  Trabalho  e  Previdência  Social,  para  convocação  compulsória  dos  sindicatos  ou  empresas recalcitrantes.  §  2°No  caso  de  persistir  a  recusa  à  negociação  coletiva,  pelo  desatendimento  às  convocações  feitas  pelo  Departamento  Nacional  do  Trabalho  ou  órgãos  regionais  do  Ministério  do  Trabalho  e  Previdência  Social,  ou  se  malograr  a  negociação  Fl. 861DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES     12  entabulada, é facultada aos sindicatos ou empresas interessadas  a instauração de dissídio coletivo.  Também  temos  decisões  administrativas  neste  sentido,  como  no  caso  do  Acórdão nº 206­00853 da 6a Câmara do 2o Conselho de Contribuintes, de Relatoria conselheira  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira:  PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ­ DESCUMPRIMENTO DA LEI  10.101/2000­ PARCELA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA DE  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.  Nos  termos  do  art.  2°  da  Lei  10.101/2000,  duas  são  as  possibilidades  legais  de  legitimar  a  participação  nos  lucros  e  resultados de forma a afastar a sua natureza salarial: Comissão  escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante  indicado pelo sindicato da respectiva categoria; E Convenção ou  acordo coletivo de trabalho.  Empresa realizou acordo diretamente com os empregados sem a  interveniência do sindicato, descumprimento legal.”2  “No  acordo  que  firmou  a  PLR,  em  que  há  uma  comissão  representativa, não há a participação de representante indicado  pelo sindicato da respectiva categoria.  Há, na defesa, juntada de declaração de representantes sindicais  que  afirmam,  posteriormente  ao  lançamento,  fls.  0230  e  0231,  que foram realizadas diversas negociações coletivas de trabalho  com a recorrente que resultaram, a cada ano, em PLR e que os  termos estão arquivados no sindicato.  Pela legislação, verifica­se que o diploma legal determina que o  sindicato  se  faça  presente  na  celebração  do  termo  que  fundamenta  a  PLR,  seja  por  indicação  de  representante  na  comissão  representativa  dos  segurados  empregados,  seja  por  termo firmado por acordo ou convenção coletiva.  Assim,  a  legislação  nãoobedecida,  e  os  pagamentos  de  PLR  devem ser conceituados como SC.  III  –  Da  falta  de  instrumentos  de  aferição  de  metas  e  parâmetros  estabelecidos nos PPR para todos os empregados  Com relação a este argumento adotado pela Decisão ora combatida, entendo  como correta a irresignação da recorrente.  Em  primeiro  lugar  não  vislumbro  na  Lei  10.101/00,  a  exigência  de  individualização  na  aferição  de  metas.  A  lei  não  condiciona  a  cumprimento  de  critérios  específicos individuais. O que há na legislação é uma espécie de orientação e exemplificação  do  que  seriam  critérios  claros  e  objetivos,  cabendo  às  partes  a  escolha  dos  requisitos  que  entenderem ser necessários para cumprimento das metas.  Analisando os acordos, verifica­se que eles contém regras e critérios contidos  em seus anexos e possibilitam ao trabalhador a conhecer as metas a serem atingidas por cada  setor  da  empresa para  que  haja  o  direito  de  participação  nos  resultados  a  serem  alcançados.                                                              2  Acórdão  nº  206­00853  da  6a  Câmara  do  2o  Conselho  de  Contribuintes,  Relator:  conselheira  Elaine  Cristina  Monteiro e Silva Vieira  Fl. 862DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16327.720131/2009­19  Acórdão n.º 2401­002.835  S2­C4T1  Fl. 5.303          13 Este fato é facilmente verificado nos planos, como por exemplo nos anexos do PPR 2005/2006  fls. 444 e 2007/2008 fls. 472.  Desta forma, chegamos à seguinte situação:  Com  relação  ao  PPR  2003/2004  –  Embora  entenda  que  o  fato  do  acordo  firmado  pelo  UNIBANCO  e  a  sucedida  da  recorrente  pertencer  a  este  conglomerado  não  macular a PLR, a ausência de um representante sindical da categoria dos trabalhadores faz com  que fique caracterizado o descumprimento da legislação de regência bem como o entendimento  da jurisprudência administrativa.  PLR 2005/2006 – Também discordando dos demais argumentos que levaram  a fiscalização a descaracterizar a PLR deste período, verifica­se a ausência do representante do  sindicato da categoria dos trabalhadores, devendo ser mantido o levantamento.  PLR 2007/2008 – Discordo do levantamento efetuado neste acordo tendo em  vista  que  neste  caso,  houve  a  representação  de  entidade  de  classe  representativa  dos  trabalhadores, CONTEC e pelos demais argumentos contidos no voto em apreço. Como foram  lançados  pagamentos  de  PLR’s  nas  competências  02;  04  e  08  de  2008,  o  lançamento  deve  persistir apenas com relação à competência 04/2008, que está fora do prazo legal.  Contudo,  temos  que  o  presente  levantamento  refere­se  ao  pagamento  de  Participação nos Resultados, no período de 01/2005 a 12/2006, onde não houve o cumprimento  de  todos  os  requisitos  contidos  na  Lei  10.101/00,  razão  pela  qual  o  levantamento  deve  ser  mantido.  Ante  ao  exposto,  VOTO  no  sentido  de  CONHECER  DO  RECURSO,  Rejeitar o pedido de sobrestamento e no mérito NEGAR­LHE PROVIMENTO.  Marcelo Freitas de Souza Costa ­ Relator                            Fl. 863DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES

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Numero do processo: 13657.000347/2006-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2201-000.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Odmir Fernandes, Walter Reinaldo Falcao Lima, Nathalia Mesquita Ceia. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano-calendário 2002, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 04/07, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 171.717,18, calculados até 04/2006. Adoto o relatório da Conselheira Rayana Alves de Oliveira França por bem traduzir os fatos da presente lide. DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração (fls. 04/07), decorrente da revisão interna da sua declaração de ajuste anual retificadora, referente ao exercício 2002, sendo apurado imposto suplementar, calculado conforme demonstrativos de fls.08/12 no valor de R$69.834,96, acrescido de multa de ofício de R$52.376,22 e juros de mora calculados até 04/2006 de 49.506,00, perfazendo um crédito tributário de R$171.717,18. O Demonstrativo das Infrações demonstra os valores alterados na declaração (fls.06/07): O total dos rendimentos isentos e não-tributáveis foi alterado em razão da exclusão de rendimentos tributáveis decorrentes de reclamatória trabalhista, indevidamente informados na linha de rendimentos isentos e não-tributáveis. Foram excluídos do total o valor de R$ 80.913,73 (ação trabalhista – Petrobrás, sendo que já existe despacho judicial não reconhecendo a isenção) e R$ 23.430,12 (incidência do IR reconhecida no Comprovante de Rendimentos da Petros e confirmada nas informações da DIRF entregue pela fonte pagadora). Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício. O valor de R$ 320.060,86 é composto conforme segue: R$ 39.749,34 (Petrobrás) + R$ 38.975,17 (Petros) + R$ 3.058,04 (Bradesco Prev. Priv.) + R$ 80.913,73 (ação trabalhista – Petrobrás, declarado como isento no exercício sob análise) + R$ 157.364,58 (ação trabalhista – Petrobrás, declarado indevidamente no exercício de 2001, como isento). Ressalte-se que o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região/SP indeferiu o pedido de isenção (que alegava tratar-se de indenização por anistia política) do IR para a indenização recebida. Dedução indevida de imposto de renda retido na fonte. Segundo as DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras e comprovantes de rendimentos juntados, o valor do IRRF é de R$ 11.661,77, assim sendo: R$ 5.347,00 (Petrobrás) + R$ 6.101,07 (Petros) + R$ 213,70 (Bradesco Prev. Priv.). O contribuinte apresentou DARF para comprovar o recolhimento sobre a ação trabalhista, mas este refere-se ao ano-base de 2002, informação esta confirmada na DIRF entregue pela fonte pagadora Petrobrás. Trata-se portanto, de 3 (três) fontes de rendimentos distintas, sob as quais versa a omissão: 1. Petrobrás, contestada pelo contribuinte e sob a qual versa ação judicial trabalhista; 2. Petros, contestada pelo contribuinte; 3. Bradesco Previdência, sob a qual não se insurge o contribuinte. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado com o lançamento, em 07/06/2006, o contribuinte apresentou impugnação (fls.01/03), acompanhada dos documentos de fls. 04/46, argumentando em síntese que: cujos principais argumentos estão sintetizados pelo relatório do Acórdão de primeira instância, o qual adoto, nesta parte: Tanto os valores por ele recebidos da Petros, como os recebidos da Petrobrás, decorrem de ato de anistia e, portanto, são isentos de tributação na forma da lei. Com relação aos rendimentos pagos pela Petros, há que se observar os seguintes documentos, que junta à sua defesa: 1) correspondência OP/CL-598/2004 da Petros, na qual a instituição informa ter efetuado consulta à SRF sobre como proceder para restituir o imposto retido indevidamente sobre os proventos pagos; 2) ofício SRF/GABIN nº 772/2004, no qual a Receita Federal informa os procedimentos que os abrangidos pela isenção devem adotar, caso em que se enquadra este contribuinte. As verbas indenizatórias recebidas da Petrobrás são oriundas do processo trabalhista nº 1992/94 com trâmite na 66ª Vara do Trabalho de São Paulo – SP. Tais verbas foram tributadas indevidamente pela Petrobrás, uma vez que se referem a indenização concedida por ato de anistia e, portanto, são isentas de tributação, na forma da lei. Tanto isso é verdade que o E. TRT da 2ª Região declarou a isenção, conforme cópia, em anexo, do Acórdão nº 20060187322. Em função dos valores envolvidos solicitou, há alguns anos, a restituição do imposto na própria ação trabalhista e, paralelamente, a está requerendo diretamente na Receita Federal. Pelo lado jurídico, o processo continua em andamento e se encontra, atualmente, no E. TRT da 2ª Região, em grau de recurso por conta de embargos interpostos pela Fazenda Nacional. No auto de infração foram incluídos tão-somente os rendimentos acima mencionados, mas não se considerou, dentre outros aspectos, os seguintes fatos relevantes: os impostos já pagos quando da apresentação das declarações originais dos exercícios de 2001 e 2002, nos valores de R$ 4.449,12 e R$ 4.308,43, respectivamente, totalizado R$ 8.757,55; os descontos legais a que esses rendimentos estariam sujeitos se realmente fossem rendimentos tributáveis, como é o caso dos honorários advocatícios, do IRRF e da contribuição previdenciária. DA PRIMEIRA DECISÃO DA DRJ Após analisar a matéria, os Membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente em parte o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/JFA n° 09-16.879, de 10 de agosto de 2007, fls.196/203. Encaminhado o processo para Agência da Receita Federal do Brasil em Pouso Alegre/MG para cumprimento do referido Acórdão foi constatada contradição e reencaminhado o processo para Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, para reexame do mesmo (fls.204/205). DA SEGUNDA DECISÃO DA DRJ Ao apreciar os argumentos apresentados, os Membros da 4ª Turma de Julgamento, resolveu substituir o Acórdão precedente pelo Acórdão DRJ/JFA n° 0917.135, de 11 de setembro de 2007, fls. 206/216, nos termos do art.32 do Decreto 70.235/1972, c/c o art. 22§1º, da Portaria MF n.58/2006, assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002 INEXATIDÕES MATERIAIS. SUBSTITUIÇÃO DE ACÓRDÃO. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes no Acórdão poderão ser corrigidos de ofício, ou a requerimento do sujeito passivo, havendo para tanto que ser proferido novo Acórdão. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Em face do princípio constitucional de unidade de jurisdição, a existência de ação judicial em nome do interessado, tratando da mesma matéria do auto de infração, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo de se aplicar o que for definitivamente decidido pelo Poder Judiciário. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ALTERAÇÃO DO LANÇAMENTO. Retifica-se o valor dos rendimentos tributáveis, objeto do lançamento, quando comprovada a ocorrência de erro, por parte do autuante, na sua mensuração. RENDIMENTOS ISENTOS E NÃOTRIBUTÁVEIS. A isenção de rendimentos pretendida pelo contribuinte deve ser comprovada mediante documento hábil para tanto, à luz da legislação tributária que rege a matéria. Lançamento Procedente em Parte.” DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado da decisão de primeira instância, em 10/10/2007 (“AR”fls. 221), o interessado apresentou na data de 05/11/2006, tempestivamente, o recurso de fls.223/229, acompanhado dos documentos de fls.230/257, no qual apresenta síntese do Acórdão de 1ª instância, ratifica os fatos e fundamentos legais da peça impugnatória e requer que os valores pagos pela Petros sejam declarados isentos, assim como os foram os valores recebidos pela Petrobrás, por ambos tratarem de Anistia Política. O processo em apreço foi incluído em pauta dia 13 de maio de 2010 e os membros da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, resolveram converter o julgamento em diligência, conforme se extrai da Resolução nº 220100.037-A: No entanto, na busca da verdade material do processo administrativo e em respeito aos princípios da ampla defesa e para evitar qualquer julgamento precipitado e equivocado do caso concreto, encaminho meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que: a) o contribuinte seja intimado a apresentar cópia da petição inicial e da sentença do processo trabalhista movido contra a Petrobrás, e caso já haja, a certidão de trânsito em julgado do processo; b) o contribuinte esclareça se moveu alguma ação civil ou trabalhista contra a Petros, apresentando em caso positivo, cópia da petição inicial, da sentença e da certidão de transito em julgado do processo; c) o contribuinte apresente cópia de eventual Convênio firmado pela Petros; d) seja intimada a Petros, para esclarecer se os rendimentos, relativos ano-calendário de 2001, pagos ao contribuinte foram feitos na condição de “anistiado político”, nos termos da Lei nº 10.559, de 2002, arts. 9º e 19, e do Decreto nº 4.897, de 2003; e) autoridade administrativa se manifeste sobre a documentação apresentada, formulando parecer conclusivo sobre a mesma e a fatos pertinentes ao deslinde desta questão; f) Por fim, conceda prazo de 10 (dez) dias ao contribuinte, para querendo, se manifestar. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Voto
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH

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Adoto o relatório da Conselheira Rayana Alves de Oliveira França por bem traduzir os fatos da presente lide. DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração (fls. 04/07), decorrente da revisão interna da sua declaração de ajuste anual retificadora, referente ao exercício 2002, sendo apurado imposto suplementar, calculado conforme demonstrativos de fls.08/12 no valor de R$69.834,96, acrescido de multa de ofício de R$52.376,22 e juros de mora calculados até 04/2006 de 49.506,00, perfazendo um crédito tributário de R$171.717,18. O Demonstrativo das Infrações demonstra os valores alterados na declaração (fls.06/07): O total dos rendimentos isentos e não-tributáveis foi alterado em razão da exclusão de rendimentos tributáveis decorrentes de reclamatória trabalhista, indevidamente informados na linha de rendimentos isentos e não-tributáveis. Foram excluídos do total o valor de R$ 80.913,73 (ação trabalhista – Petrobrás, sendo que já existe despacho judicial não reconhecendo a isenção) e R$ 23.430,12 (incidência do IR reconhecida no Comprovante de Rendimentos da Petros e confirmada nas informações da DIRF entregue pela fonte pagadora). Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício. O valor de R$ 320.060,86 é composto conforme segue: R$ 39.749,34 (Petrobrás) + R$ 38.975,17 (Petros) + R$ 3.058,04 (Bradesco Prev. Priv.) + R$ 80.913,73 (ação trabalhista – Petrobrás, declarado como isento no exercício sob análise) + R$ 157.364,58 (ação trabalhista – Petrobrás, declarado indevidamente no exercício de 2001, como isento). Ressalte-se que o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região/SP indeferiu o pedido de isenção (que alegava tratar-se de indenização por anistia política) do IR para a indenização recebida. Dedução indevida de imposto de renda retido na fonte. Segundo as DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras e comprovantes de rendimentos juntados, o valor do IRRF é de R$ 11.661,77, assim sendo: R$ 5.347,00 (Petrobrás) + R$ 6.101,07 (Petros) + R$ 213,70 (Bradesco Prev. Priv.). O contribuinte apresentou DARF para comprovar o recolhimento sobre a ação trabalhista, mas este refere-se ao ano-base de 2002, informação esta confirmada na DIRF entregue pela fonte pagadora Petrobrás. Trata-se portanto, de 3 (três) fontes de rendimentos distintas, sob as quais versa a omissão: 1. Petrobrás, contestada pelo contribuinte e sob a qual versa ação judicial trabalhista; 2. Petros, contestada pelo contribuinte; 3. Bradesco Previdência, sob a qual não se insurge o contribuinte. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado com o lançamento, em 07/06/2006, o contribuinte apresentou impugnação (fls.01/03), acompanhada dos documentos de fls. 04/46, argumentando em síntese que: cujos principais argumentos estão sintetizados pelo relatório do Acórdão de primeira instância, o qual adoto, nesta parte: Tanto os valores por ele recebidos da Petros, como os recebidos da Petrobrás, decorrem de ato de anistia e, portanto, são isentos de tributação na forma da lei. Com relação aos rendimentos pagos pela Petros, há que se observar os seguintes documentos, que junta à sua defesa: 1) correspondência OP/CL-598/2004 da Petros, na qual a instituição informa ter efetuado consulta à SRF sobre como proceder para restituir o imposto retido indevidamente sobre os proventos pagos; 2) ofício SRF/GABIN nº 772/2004, no qual a Receita Federal informa os procedimentos que os abrangidos pela isenção devem adotar, caso em que se enquadra este contribuinte. As verbas indenizatórias recebidas da Petrobrás são oriundas do processo trabalhista nº 1992/94 com trâmite na 66ª Vara do Trabalho de São Paulo – SP. Tais verbas foram tributadas indevidamente pela Petrobrás, uma vez que se referem a indenização concedida por ato de anistia e, portanto, são isentas de tributação, na forma da lei. Tanto isso é verdade que o E. TRT da 2ª Região declarou a isenção, conforme cópia, em anexo, do Acórdão nº 20060187322. Em função dos valores envolvidos solicitou, há alguns anos, a restituição do imposto na própria ação trabalhista e, paralelamente, a está requerendo diretamente na Receita Federal. Pelo lado jurídico, o processo continua em andamento e se encontra, atualmente, no E. TRT da 2ª Região, em grau de recurso por conta de embargos interpostos pela Fazenda Nacional. No auto de infração foram incluídos tão-somente os rendimentos acima mencionados, mas não se considerou, dentre outros aspectos, os seguintes fatos relevantes: os impostos já pagos quando da apresentação das declarações originais dos exercícios de 2001 e 2002, nos valores de R$ 4.449,12 e R$ 4.308,43, respectivamente, totalizado R$ 8.757,55; os descontos legais a que esses rendimentos estariam sujeitos se realmente fossem rendimentos tributáveis, como é o caso dos honorários advocatícios, do IRRF e da contribuição previdenciária. DA PRIMEIRA DECISÃO DA DRJ Após analisar a matéria, os Membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente em parte o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/JFA n° 09-16.879, de 10 de agosto de 2007, fls.196/203. Encaminhado o processo para Agência da Receita Federal do Brasil em Pouso Alegre/MG para cumprimento do referido Acórdão foi constatada contradição e reencaminhado o processo para Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, para reexame do mesmo (fls.204/205). DA SEGUNDA DECISÃO DA DRJ Ao apreciar os argumentos apresentados, os Membros da 4ª Turma de Julgamento, resolveu substituir o Acórdão precedente pelo Acórdão DRJ/JFA n° 0917.135, de 11 de setembro de 2007, fls. 206/216, nos termos do art.32 do Decreto 70.235/1972, c/c o art. 22§1º, da Portaria MF n.58/2006, assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002 INEXATIDÕES MATERIAIS. SUBSTITUIÇÃO DE ACÓRDÃO. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes no Acórdão poderão ser corrigidos de ofício, ou a requerimento do sujeito passivo, havendo para tanto que ser proferido novo Acórdão. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Em face do princípio constitucional de unidade de jurisdição, a existência de ação judicial em nome do interessado, tratando da mesma matéria do auto de infração, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo de se aplicar o que for definitivamente decidido pelo Poder Judiciário. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ALTERAÇÃO DO LANÇAMENTO. Retifica-se o valor dos rendimentos tributáveis, objeto do lançamento, quando comprovada a ocorrência de erro, por parte do autuante, na sua mensuração. RENDIMENTOS ISENTOS E NÃOTRIBUTÁVEIS. A isenção de rendimentos pretendida pelo contribuinte deve ser comprovada mediante documento hábil para tanto, à luz da legislação tributária que rege a matéria. Lançamento Procedente em Parte.” DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado da decisão de primeira instância, em 10/10/2007 (“AR”fls. 221), o interessado apresentou na data de 05/11/2006, tempestivamente, o recurso de fls.223/229, acompanhado dos documentos de fls.230/257, no qual apresenta síntese do Acórdão de 1ª instância, ratifica os fatos e fundamentos legais da peça impugnatória e requer que os valores pagos pela Petros sejam declarados isentos, assim como os foram os valores recebidos pela Petrobrás, por ambos tratarem de Anistia Política. O processo em apreço foi incluído em pauta dia 13 de maio de 2010 e os membros da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, resolveram converter o julgamento em diligência, conforme se extrai da Resolução nº 220100.037-A: No entanto, na busca da verdade material do processo administrativo e em respeito aos princípios da ampla defesa e para evitar qualquer julgamento precipitado e equivocado do caso concreto, encaminho meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que: a) o contribuinte seja intimado a apresentar cópia da petição inicial e da sentença do processo trabalhista movido contra a Petrobrás, e caso já haja, a certidão de trânsito em julgado do processo; b) o contribuinte esclareça se moveu alguma ação civil ou trabalhista contra a Petros, apresentando em caso positivo, cópia da petição inicial, da sentença e da certidão de transito em julgado do processo; c) o contribuinte apresente cópia de eventual Convênio firmado pela Petros; d) seja intimada a Petros, para esclarecer se os rendimentos, relativos ano-calendário de 2001, pagos ao contribuinte foram feitos na condição de “anistiado político”, nos termos da Lei nº 10.559, de 2002, arts. 9º e 19, e do Decreto nº 4.897, de 2003; e) autoridade administrativa se manifeste sobre a documentação apresentada, formulando parecer conclusivo sobre a mesma e a fatos pertinentes ao deslinde desta questão; f) Por fim, conceda prazo de 10 (dez) dias ao contribuinte, para querendo, se manifestar. 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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13657.000347/2006­83  Resolução nº  2201­000.168  S2­C2T1  Fl. 3          2 DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS  Contra  o  contribuinte  acima  identificado,  foi  lavrado  Auto  de  Infração  (fls.  04/07),  decorrente  da  revisão  interna  da  sua  declaração  de  ajuste  anual  retificadora,  referente  ao  exercício 2002,  sendo apurado  imposto suplementar,  calculado conforme  demonstrativos de fls.08/12 no valor de R$69.834,96, acrescido de multa de ofício de  R$52.376,22  e  juros  de  mora  calculados  até  04/2006  de  49.506,00,  perfazendo  um  crédito tributário de R$171.717,18.  O  Demonstrativo  das  Infrações  demonstra  os  valores  alterados  na  declaração  (fls.06/07):  O  total  dos  rendimentos  isentos  e  não­tributáveis  foi  alterado  em  razão  da  exclusão  de  rendimentos  tributáveis  decorrentes  de  reclamatória  trabalhista,  indevidamente  informados  na  linha  de  rendimentos  isentos  e  não­tributáveis.  Foram  excluídos do total o valor de R$ 80.913,73 (ação trabalhista – Petrobrás, sendo que já  existe despacho judicial não reconhecendo a isenção) e R$ 23.430,12 (incidência do IR  reconhecida no Comprovante de Rendimentos da Petros e confirmada nas informações  da DIRF entregue pela fonte pagadora).  Omissão  de  rendimentos  recebidos  de  pessoa  jurídica,  decorrentes  de  trabalho  com vínculo empregatício. O valor de R$ 320.060,86 é composto conforme segue: R$  39.749,34 (Petrobrás) + R$ 38.975,17 (Petros) + R$ 3.058,04 (Bradesco Prev. Priv.) +  R$  80.913,73  (ação  trabalhista  –  Petrobrás,  declarado  como  isento  no  exercício  sob  análise)  +  R$  157.364,58  (ação  trabalhista  –  Petrobrás,  declarado  indevidamente  no  exercício de 2001, como isento). Ressalte­se que o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª  Região/SP  indeferiu  o  pedido  de  isenção  (que  alegava  tratar­se  de  indenização  por  anistia política) do IR para a indenização recebida.  Dedução  indevida  de  imposto  de  renda  retido  na  fonte.  Segundo  as  DIRF  apresentadas pelas  fontes pagadoras e comprovantes de rendimentos juntados, o valor  do  IRRF  é  de  R$  11.661,77,  assim  sendo:  R$  5.347,00  (Petrobrás)  +  R$  6.101,07  (Petros)  +  R$  213,70  (Bradesco  Prev.  Priv.).  O  contribuinte  apresentou  DARF  para  comprovar o recolhimento sobre a ação  trabalhista, mas este  refere­se ao ano­base de  2002, informação esta confirmada na DIRF entregue pela fonte pagadora Petrobrás.  Trata­se portanto, de 3 (três) fontes de rendimentos distintas, sob as quais versa a  omissão:  1.  Petrobrás,  contestada  pelo  contribuinte  e  sob  a  qual  versa  ação  judicial  trabalhista;  2. Petros, contestada pelo contribuinte;  3. Bradesco Previdência, sob a qual não se insurge o contribuinte.  DA IMPUGNAÇÃO  Inconformado  com  o  lançamento,  em  07/06/2006,  o  contribuinte  apresentou  impugnação (fls.01/03), acompanhada dos documentos de fls. 04/46, argumentando em  síntese que: cujos principais argumentos estão sintetizados pelo relatório do Acórdão de  primeira instância, o qual adoto, nesta parte:  Tanto  os  valores  por  ele  recebidos  da  Petros,  como  os  recebidos  da  Petrobrás,  decorrem de ato de anistia e, portanto, são isentos de tributação na forma da lei.  Fl. 507DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13657.000347/2006­83  Resolução nº  2201­000.168  S2­C2T1  Fl. 4          3 Com relação aos rendimentos pagos pela Petros, há que se observar os seguintes  documentos, que junta à sua defesa: 1) correspondência OP/CL­598/2004 da Petros, na  qual  a  instituição  informa  ter  efetuado  consulta  à  SRF  sobre  como  proceder  para  restituir  o  imposto  retido  indevidamente  sobre  os  proventos  pagos;  2)  ofício  SRF/GABIN nº 772/2004, no qual a Receita Federal informa os procedimentos que os  abrangidos pela isenção devem adotar, caso em que se enquadra este contribuinte.  As  verbas  indenizatórias  recebidas  da  Petrobrás  são  oriundas  do  processo  trabalhista nº 1992/94 com trâmite na 66ª Vara do Trabalho de São Paulo – SP.  Tais  verbas  foram  tributadas  indevidamente  pela  Petrobrás,  uma  vez  que  se  referem a indenização concedida por ato de anistia e, portanto, são isentas de tributação,  na forma da  lei. Tanto isso é verdade que o E. TRT da 2ª Região declarou a isenção,  conforme cópia, em anexo, do Acórdão nº 20060187322.  Em  função  dos  valores  envolvidos  solicitou,  há  alguns  anos,  a  restituição  do  imposto na própria ação trabalhista e, paralelamente, a está requerendo diretamente na  Receita Federal.  Pelo lado jurídico, o processo continua em andamento e se encontra, atualmente,  no E. TRT da 2ª Região, em grau de  recurso por conta de embargos  interpostos pela  Fazenda Nacional.   No  auto  de  infração  foram  incluídos  tão­somente  os  rendimentos  acima  mencionados,  mas  não  se  considerou,  dentre  outros  aspectos,  os  seguintes  fatos  relevantes: os impostos já pagos quando da apresentação das declarações originais dos  exercícios de 2001 e 2002, nos valores de R$ 4.449,12 e R$ 4.308,43, respectivamente,  totalizado R$ 8.757,55; os descontos legais a que esses rendimentos estariam sujeitos se  realmente fossem rendimentos tributáveis, como é o caso dos honorários advocatícios,  do IRRF e da contribuição previdenciária.  DA PRIMEIRA DECISÃO DA DRJ  Após  analisar  a  matéria,  os  Membros  da  4ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, acordaram, por unanimidade de votos, em  julgar  procedente  em  parte  o  lançamento,  nos  termos  do  Acórdão  DRJ/JFA  n°  09­ 16.879, de 10 de agosto de 2007, fls.196/203.  Encaminhado o processo  para Agência  da Receita Federal  do Brasil  em Pouso  Alegre/MG  para  cumprimento  do  referido  Acórdão  foi  constatada  contradição  e  reencaminhado o processo para Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de  Fora/MG, para reexame do mesmo (fls.204/205).  DA SEGUNDA DECISÃO DA DRJ  Ao  apreciar  os  argumentos  apresentados,  os  Membros  da  4ª  Turma  de  Julgamento,  resolveu  substituir  o  Acórdão  precedente  pelo  Acórdão  DRJ/JFA  n°  0917.135, de 11 de setembro de 2007,  fls.  206/216, nos  termos do  art.32 do Decreto  70.235/1972, c/c o art. 22§1º, da Portaria MF n.58/2006, assim ementado:  “Assunto:  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Física  IRPF  Exercício:  2002  INEXATIDÕES  MATERIAIS.  SUBSTITUIÇÃO  DE  ACÓRDÃO.  As  inexatidões  materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes no  Acórdão  poderão  ser  corrigidos  de  ofício,  ou  a  requerimento  do  sujeito  passivo,  havendo para tanto que ser proferido novo Acórdão.  Fl. 508DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13657.000347/2006­83  Resolução nº  2201­000.168  S2­C2T1  Fl. 5          4 PROPOSITURA  DE  AÇÃO  JUDICIAL.  RENÚNCIA  À  INSTÂNCIA  ADMINISTRATIVA. Em  face  do  princípio  constitucional  de  unidade  de  jurisdição,  a  existência  de  ação  judicial  em  nome  do  interessado,  tratando  da mesma matéria  do  auto de infração, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo de se aplicar o  que for definitivamente decidido pelo Poder Judiciário.  RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ALTERAÇÃO DO LANÇAMENTO.  Retifica­se  o  valor  dos  rendimentos  tributáveis,  objeto  do  lançamento,  quando  comprovada a ocorrência de erro, por parte do autuante, na sua mensuração.  RENDIMENTOS ISENTOS E NÃOTRIBUTÁVEIS.  A  isenção  de  rendimentos  pretendida  pelo  contribuinte  deve  ser  comprovada  mediante documento hábil para tanto, à luz da legislação tributária que rege a matéria.  Lançamento Procedente em Parte.”  DO RECURSO VOLUNTÁRIO  Cientificado da decisão de primeira instância, em 10/10/2007 (“AR”fls. 221), o  interessado  apresentou  na  data  de  05/11/2006,  tempestivamente,  o  recurso  de  fls.223/229, acompanhado dos documentos de fls.230/257, no qual apresenta síntese do  Acórdão de 1ª instância, ratifica os fatos e fundamentos legais da peça impugnatória e  requer que os valores pagos pela Petros sejam declarados isentos, assim como os foram  os valores recebidos pela Petrobrás, por ambos tratarem de Anistia Política.  O processo  em  apreço  foi  incluído  em  pauta  dia  13  de maio  de  2010  e  os  membros da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, resolveram converter o  julgamento em diligência, conforme se extrai da Resolução nº 220100.037­A:  No entanto, na busca da verdade material do processo administrativo e  em  respeito  aos  princípios  da  ampla  defesa  e  para  evitar  qualquer  julgamento precipitado e equivocado do caso concreto, encaminho meu  voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que:  a) o contribuinte seja intimado a apresentar cópia da petição inicial e  da sentença do processo trabalhista movido contra a Petrobrás, e caso  já haja, a certidão de trânsito em julgado do processo;  b) o contribuinte esclareça se moveu alguma ação civil ou trabalhista  contra  a  Petros,  apresentando  em  caso  positivo,  cópia  da  petição  inicial, da sentença e da certidão de transito em julgado do processo;  c)  o  contribuinte  apresente  cópia  de  eventual  Convênio  firmado pela  Petros;  d) seja intimada a Petros, para esclarecer se os rendimentos, relativos  ano­calendário  de  2001,  pagos  ao  contribuinte  foram  feitos  na  condição  de  “anistiado  político”,  nos  termos  da  Lei  nº  10.559,  de  2002, arts. 9º e 19, e do Decreto nº 4.897, de 2003;  e)  autoridade  administrativa  se  manifeste  sobre  a  documentação  apresentada,  formulando parecer conclusivo sobre a mesma e a  fatos  pertinentes ao deslinde desta questão;  Fl. 509DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13657.000347/2006­83  Resolução nº  2201­000.168  S2­C2T1  Fl. 6          5 f)  Por  fim,  conceda  prazo  de  10  (dez)  dias  ao  contribuinte,  para  querendo,  se  manifestar.  Após  vencido  o  prazo,  os  autos  deverão  retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento.   É o relatório.    Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator   O  recurso  é  tempestivo  e  reúne  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  portanto, dele conheço.    Cuidam os autos de lançamento decorrente da revisão interna da Declaração de  Ajuste  Anual  retificadora,  referente  ao  ano­calendário  de  2001,  relativo  à  omissão  de  rendimentos  recebidos  de  pessoa  jurídica  e  dedução  indevida  de  imposto  de  renda  retido  na  fonte.  De início, cumpre reproduzir a  informação da Delegacia da Receita Federal de  Varginha/MG, em cumprimento a diligência proposta pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da  2ª Seção do CARF, nos termos da Resolução nº 220100.037­A, de 13 de maio de 2010:  O  presente  processo  foi  remetido  a  esta  DRF­VARGINHA­MG,  pelo  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF, em 03/05/2013,  conforme despacho de fl. 502.  Consta dos autos que a ARF/PAR, através do Memorando nº 719/2009,  datado  de  15/09/2009  (fl.  485),  endereçado  ao CARF,  comunicou  ao  mesmo a remissão total do débito deste processo, em razão do disposto  no art. 14 da Medida Provisória nº 449, de 04/12/2008, o que culminou  no encerramento dos autos, conforme Extrato do Processo juntado à fl.  488.  No  entanto  o  CARF,  em  13/05/2010,  emitiu  a  Resolução  nº  2201­ 00.037­A (fls. 496/501), a qual só foi juntada e autenticada no presente  processo digital em 17/04/2013. Através de tal Resolução, os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  resolveram  converter  o  julgamento em diligência.  Face  ao  exposto,  proponho  o  retorno  deste  processo  ao CARF,  para  esclarecimentos  sobre  a  pertinência  da  Resolução,  tendo  em  vista  o  encerramento automático do processo no sistema SIEF em 12/05/2009,  com extinção do débito por remissão.  Varginha, 03 de maio de 2013.  Do  exposto,  entendeu  a  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Varginha/MG  que  restou prejudicada a diligência proposta por meio da Resolução nº 220100.037­A, em razão da  remissão total do débito deste processo, conforme disposto no art. 14 da Medida Provisória nº  449,  de  04/12/2008. Com  efeito,  a  aludida  remissão  ocorreu  em  função  do  débito  tributário  Fl. 510DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13657.000347/2006­83  Resolução nº  2201­000.168  S2­C2T1  Fl. 7          6 remanescente, após o julgamento de primeira instância, que considerou como imposto a pagar  o valor de R$ 4.308,43.  Entretanto, em sua peça recursal, reafirma o suplicante que os valores recebidos  da Petros  são  isentos do  imposto de  renda, por  se  tratar verbas  indenizatórias decorrentes de  Anistia Política. Veja­se:  Apesar  de  ter  aceitada  decisão  de  renúncia  às  instâncias  administrativas  pela  Receita  Federal  para  este  processo,  considero  importante  mencionar  que  a  Justiça  do  Trabalho  reconheceu  direito  que  tenho  à  "isenção  do  Imposto  de  Renda  sobre  as  verbas  indenizatórias decorrentes de Anistia Política", conforme determinado  na legislação vigente.  Gostaria  que  a  Receita  Federal  tivesse  o  mesmo  entendimento  no  sentido de ter meu direito e pleito  reconhecidos quanto à  restituição  do Imposto de Renda retido nos proventos da PETROS ou indicasse o  procedimento  necessário  para  o  seu  deferimento,  termos  em  que  apresento o meu pedido de  recurso, além de  solicitar o cancelamento  da cobrança indevida da multa de oficio. (grifei)  Pelo  que  se  vê,  insurge  o  recorrente,  fundamentalmente,  contra  a  tributação  sobre os rendimentos pagos pela Petros, bem como pela multa de ofício imposta.   Ora, conforme bem pontuou a autoridade recorrida, a isenção pleiteada mediante  Declaração de Ajuste Anual retificadora, apresentada dentro do prazo legal, deve ser objeto de  exame pela autoridade administrativa. Confira­se:  3)  já a omissão da Petros foi contestada pelo autuado e rebatida por  esta  relatora  (vide  fl.  200),  sendo  mantido  o  lançamento  correspondente, o que dá ao impugnante, se houver interesse, o direito  de recurso voluntário ao 1° CC;  Assim sendo, proponho novamente  converter o  julgamento  em diligência para  que  o  contribuinte  seja  intimado  para  apresentar  os  documentos  comprobatórios  de  que  o  pagamento efetuado pela Petros foi na condição de “anistiado político”, nos termos da Lei n°  10.559, de 2002, arts. 9° e 19, e do Decreto n° 4.897, de 2003.  Ante a todo o exposto, voto por converter o processo em diligência.    Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah    Fl. 511DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH

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Numero do processo: 10980.927113/2009-68
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543-B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS A` DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3802-001.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, determinando-se o retorno dos autos à instância “a quo” para fins de apreciação do mérito. (assinado eletronicamente) FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Paulo Sergio Celani, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi e Solon Sehn.
Nome do relator: SOLON SEHN

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543-B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS A` DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, determinando-se o retorno dos autos à instância “a quo” para fins de apreciação do mérito. (assinado eletronicamente) FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Paulo Sergio Celani, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi e Solon Sehn.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS     2     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado,  determinando­se o retorno dos autos à instância “a quo” para fins de apreciação do mérito.  (assinado eletronicamente)  FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  SOLON SEHN ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Francisco  José  Barroso  Rios  (Presidente),  Waldir  Navarro  Bezerra,  Paulo  Sergio  Celani,  Claudio  Augusto  Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi e Solon Sehn.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Curitiba/PR,  que  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pelo  Recorrente,  assentada  nos  fundamentos  resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 33):  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002  ALEGAÇÕES  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS.  O  julgador da esfera administrativa deve  limitar­se a aplicar a  legislação  vigente,  restando,  por  disposição  constitucional,  ao  Poder  Judiciário  a  competência  para  apreciar  inconformismos  relativos à sua validade ou constitucionalidade.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Por bem resumir a controvérsia até a presente fase processual, transcreve­se o  relatório do acórdão da DRJ (fls. 34):  Trata  o  processo  de  manifestac ão  de  inconformidade  apresentada  em  28/07/2009, em face da não homologac aõ da compensac ão declarada por meio  do  Per/Dcomp  no  09576.61570.120307.1.7.04­3524,  nos  termos  do  despacho  decisório  emitido  em  07/07/2009  pela  DRF  em  Curitiba/PR  (rastreamento  no  843134531).  Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 12/03/2007 para retificar  a Dcomp no 05437.78729.121206.1.3.04­4127, a contribuinte indicou um crédito de  R$ 81,18 (que corresponde a parte de um pagamento efetuado em 14/06/2002, sob o  Fl. 51DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10980.927113/2009­68  Acórdão n.º 3802­001.861  S3­TE02  Fl. 51          3 código  8109,  no  valor  de R$  203,94),  e  um  deb́ito  de  PIS  (8109),  do  período  de  apurac aõ 11/2006, vencido em 15/12/2006, no valor original de R$ 143,92.  Segundo o despacho decisório, cientificado em 14/07/2009, a compensac ão  não  foi  homologada  porque  o  crédito  indicado  para  a  compensac aõ  havia  sido  totalmente  utilizado  na  extinc ão,  por  pagamento,  do  deb́ito  de  PIS  de  maio  de  2002, no valor de R$ 203,94.  Na  manifestac ão  apresentada,  a  interessada  diz  que  o  crédito  decorre  da  declarac ão de inconstitucionalidade pelo STF do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718,  de 1998 no RE 357950, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da  Lei no 9.430, de 1996. Demonstra numericamente a origem do cred́ito  e diz estar  amparada pelo art. 170 do CTN. Cita e transcreve jurisprude ncia administrativa e,  ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no direito à restituic aõ. Ao final,  pede a homologac ão da compensac aõ.    A  Recorrente,  nas  razões  de  fls.  43­47,  sustenta  que  o  Supremo  Tribunal  Federal  (STF)  reconheceu  a  inconstitucionalidade  do  art.  3º,  §  1º,  da  Lei  nº  9.718/1998,  no  julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 585.235, na sistemática prevista pelo art. 543­B  do Código de Processo Civil (CPC). Portanto, o entendimento em questão seria obrigatório nos  termos do art. 62­A do Regimento Interno do Carf.  É o relatório. Voto             Conselheiro Solon Sehn  O  sujeito  passivo  teve  ciência  da  decisão  no  dia  24/05/2012  (fls.  41),  interpondo recurso tempestivo em 08/06/2012 (fls. 43). Assim, presentes os demais requisitos  de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido.  O  exame  dos  autos  mostra  que  razão  assiste  ao  Recorrente,  porque,  até  o  início  da  vigência  da  não­cumulatividade  do  PIS,  a  hipótese  de  incidência  da  contribuição  encontrava­se disciplinada pela Lei no 9.718/1998 e pela Lei Complementar n.o 70/1991. Estas,  por sua vez, definiam o “fato gerador” do tributo nos seguintes termos:  Lei Complementar no 70/1991:  Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois  por  cento  e  incidirá  sobre  o  faturamento  mensal,  assim  considerado  a  receita  bruta  das  vendas  de  mercadorias,  de  mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza.  Lei no 9.718/1998:  Art.2o As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas  pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com  base  no  seu  faturamento,  observadas  a  legislação  vigente  e  as  alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº  2158­35, de 2001)  Fl. 52DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS     4 Art.3o  O  faturamento  a  que  se  refere  o  artigo  anterior  corresponde  à  receita  bruta  da  pessoa  jurídica.  (Vide  Medida  Provisória nº 2158­35, de 2001)  §1º  Entende­se  por  receita  bruta  a  totalidade  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  sendo  irrelevantes  o  tipo  de  atividade  por  ela  exercida  e  a  classificação  contábil  adotada  para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009)  A Lei Complementar nº 70/1991, como se vê,  restringia  a materialidade do  tributo ao faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias ou  da  prestação  de  serviço  de  qualquer  natureza.  Não  havia  previsão  para  a  incidência  sobre  receitas financeiras, o que somente ocorreu após a Lei nº 9.718/1998, que, através do seu art.  3º, §1º, ampliou o âmbito normativo da contribuição, de modo a compreender a totalidade das  receitas auferidas pela pessoa jurídica.  O §1º do art. 3o da Lei no 9.718/1998, porém, foi declarado inconstitucional  pelo STF no julgamento do RE no 346.084/PR:  CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE  ­ ARTIGO 3º,  §  1º,  DA  LEI  Nº  9.718,  DE  27  DE  NOVEMBRO  DE  1998  ­  EMENDA CONSTITUCIONAL Nº  20, DE  15 DE DEZEMBRO  DE 1998. O sistema  jurídico brasileiro não contempla a  figura  da  constitucionalidade  superveniente.  TRIBUTÁRIO  ­  INSTITUTOS  ­  EXPRESSÕES  E  VOCÁBULOS  ­  SENTIDO.  A  norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional  ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição,  o  conteúdo  e  o  alcance  de  consagrados  institutos,  conceitos  e  formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente.  Sobrepõe­se  ao  aspecto  formal  o  princípio  da  realidade,  considerados  os  elementos  tributários.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  ­  PIS  ­  RECEITA  BRUTA  ­  NOÇÃO  ­  INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI  Nº  9.718/98.  A  jurisprudência  do  Supremo,  ante  a  redação  do  artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional  nº  20/98,  consolidou­se  no  sentido  de  tomar  as  expressões  receita  bruta  e  faturamento  como  sinônimas,  jungindo­as  à  venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços.  É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que  ampliou o  conceito de  receita bruta para envolver a  totalidade  das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente  da  atividade  por  elas  desenvolvida  e  da  classificação  contábil  adotada.  (STF.  T.  Pleno.  RE  346.084/PR.  Rel.  Min.  ILMAR  GALVÃO.  Rel.  p/  Acórdão  Min.  MARCO  AURÉLIO.  DJ  01/09/2006).  Esse entendimento foi reafirmado pela jurisprudência do STF no julgamento  de questão de ordem no RE no 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral  (CPC,  art. 543­B), no qual também foi deliberada a edição de súmula vinculante sobre a matéria:  RECURSO.  Extraordinário.  Tributo.  Contribuição  social.  PIS.  COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº  9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº  346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006;  REs  nos  357.950/RS,  358.273/RS  e  390.840/MG,  Rel.  Min.  MARCO  AURÉLIO,  DJ  de  15.8.2006)  Repercussão  Geral  do  tema.  Reconhecimento  pelo  Plenário.  Recurso  improvido.  É  Fl. 53DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10980.927113/2009­68  Acórdão n.º 3802­001.861  S3­TE02  Fl. 52          5 inconstitucional  a  ampliação  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.  (STF. RE  585235 RG­QO. Rel. Min. CEZAR PELUSO. DJ 28/11/2008).  Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o  disposto  no  art.  62­A  do  Regimento  Interno,  reproduzido  anteriormente,  o  que  implica  o  reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998.  Não  é  possível,  entretanto,  o  provimento  integral  do  recurso,  porquanto  a  DRJ,  ao  acolher  a  questão  prejudicial  relacionada  à  incompetência  para  a  declaração  de  inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da  existência do direito  creditório,  isto  é,  o valor do  crédito  e do débito  e  outras  circunstâncias  relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de  cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado.  Logo, impõe­se o afastamento da questão prejudicial acolhida pela DRJ, com  o consequente prosseguimento do exame do mérito da compensação realizada pelo Recorrente,  o que, por sua vez, deve ser realizado pela instância a quo, sob pena de supressão de instância.  Vota­se,  assim,  pelo  conhecimento  e  parcial  provimento  do  recurso,  determinando­se o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do meŕito.  (assinado digitalmente)  Solon Sehn ­ Relator                                  Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS

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Numero do processo: 10880.684342/2009-19
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 INTIMAÇÃO POR EDITAL. POSSIBILIDADE. É válida a intimação por edital quando resultarem ineficazes as intimações feitas pessoalmente ou via edital, nos termos do art. 23 do Decreto n.º 70.235/72. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. Correto o não conhecimento da manifestação de inconformidade, quando esta for protocolada fora do prazo previsto na legislação, não se instaurando litígio.
Numero da decisão: 3803-004.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Guilherme Delourede e Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1822; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 75          1 74  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.684342/2009­19  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­004.146  –  3ª Turma Especial   Sessão de  24 de abril de 2013  Matéria  PIS­PERD/COMP  Recorrente  EDITORA GRÁFICOS BURTI LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2007   INTIMAÇÃO POR EDITAL. POSSIBILIDADE.   É  válida  a  intimação  por  edital  quando  resultarem  ineficazes  as  intimações  feitas  pessoalmente  ou  via  edital,  nos  termos  do  art.  23  do  Decreto  n.º  70.235/72.   MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE.   Correto  o  não  conhecimento  da manifestação  de  inconformidade,  quando  esta  for  protocolada fora do prazo previsto na legislação, não se instaurando litígio.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.   (assinado digitalmente)  Belchior Melo de Sousa ­ Presidente   (assinado digitalmente)  Juliano Eduardo Lirani ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Belchior  Melo  de  Sousa,  Juliano  Eduardo  Lirani,  Hélcio  Lafetá  Reis,  João  Alfredo  Eduão  Ferreira,  Paulo  Guilherme Delourede  e  Adriana Oliveira  e Ribeiro. Ausente  justificadamente  o  Conselheiro  Jorge Victor Rodrigues.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 43 42 /2 00 9- 19 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 12/08/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 21/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA     2 Relatório  Trata  de  PER/DCOMP  transmitido  em  19.12.2008  com  a  finalidade  de  compensar  débitos  de  PIS  de  agosto/2008,  com  crédito  de  COFINS  recolhido  a  maior  ou  indevidamente em 19.10.2007.   À  fl.  02  está  anexo  Despacho  Decisório,  por  meio  do  qual  não  foi  homologado o pedido de compensação, sob o argumento de que foram localizados pagamentos  integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte.   Cumpre  esclarecer  que  o  citado  Despacho  Decisório  foi  encaminhado  via  correio, mas o contribuinte não tomou ciência, tendo em vista que a correspondência retornou  com a informação de que o mesmo havia se mudado, conforme se retira do documento juntado  à fl. 05.   Assim,  uma  vez  não  cientificado  o  sujeito  passivo,  a  Fazenda  Nacional  promoveu em 17.12.2009 a citação por edital, nos termos do art. 23 do Decreto n.º 70.235/72,  consoante se comprova por intermédio dos documentos anexos à fl. 38/39. Importante observar  que neste edital consta expressamente que o contribuinte possui o prazo de 30 dias contados do  16º dia da afixação para apresentar manifestação de  inconformidade,  sendo que passado este  prazo sem que o contribuinte tenha se manifestado, o débito será inscrito em Dívida Ativa.   Ocorre que somente em 18.02.2010, a Recorrente apresentou a manifestação  de inconformidade às fls. 11/26, sob o argumento de que o Despacho Decisório eletrônico não  trouxe a correta fundamentação do motivo pelo qual a Receita Federal deixou de homologar o  PER/DCOMP apresentado, além do que os documentos não foram analisados por um Auditor  Fiscal e o crédito não foi devidamente apreciado.   Em  sede  de  preliminar,  o  contribuinte  se  insurgiu  na  manifestação  de  inconformidade  contra  o  motivo  da  ausência  da  ciência  da  decisão  que  não  homologou  a  compensação. Alega que jamais mudou de endereço, bem como que tomou ciência do referido  despacho  na  repartição  de  origem,  por  iniciativa  própria.  Destaca  que  sempre  esteve  estabelecido  na  Rua  Dias  Leme,  130, Mooca,  São  Paulo­SP  e  que  este  endereço  consta  no  Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas – CNPJ.    No mérito,  afirma que na base de  cálculo da COFINS há  receitas  sobre  as  quais não incide a contribuição e por este motivo possui direito a compensação pleiteada, com  fulcro na declaração de inconstitucionalidade da Lei n.º 9.430/96.   Às  fls. 48/53  foi exarado o Acórdão nº 16­27.724 – 6ª Turma da DRJ/SP1,  por  intermédio  do  qual  foi  indeferido  o  pedido  formulado  e  não  reconhecido  o  direito  creditório, sob o argumento de que a manifestação de inconformidade é INTEMPESTIVA e de  que  é  válida  a  intimação  realizada  por  edital  quando  a  Receita  Federal  não  obter  êxito  na  intimação feita por outros meios.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Ano­calendário: 2007   INTIMAÇÃO POR EDITAL. CABIMENTO É válida a intimação  por  edital  quando  resultarem  improfícuas  as  intimações  feitas  pessoalmente ou via edital.  Fl. 104DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 12/08/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 21/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10880.684342/2009­19  Acórdão n.º 3803­004.146  S3­TE03  Fl. 76          3 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA.   A  manifestação  de  inconformidade  apresentada  fora  do  prazo  estabelecido  na  legislação  não  instaura  a  fase  litigiosa  do  procedimento administrativo fiscal, não podendo ser conhecida.  Com efeito, os julgadores de primeiro grau fundamentaram a decisão no art.  74  da Lei  n.º  9.430/96,  que  por  sua  vez  apregoa  que  a manifestação  de  inconformidade  e o  recurso obedecerão ao rito processual trazido pelo Decreto n.º 70.235/72 e sendo intempestiva  a defesa não se  instaura a  fase  litigiosa do processo administrativo, motivo pelo qual não foi  apreciado o mérito do pedido.  Comentam  ainda  os  julgadores  que  o Despacho Decisório  foi  devidamente  encaminhado para o endereço cadastrado pelo contribuinte junto a Receita Federal e que este é  coincidente com aquele que consta no CNPJ, ou seja, Rua Dias Leme, 130, Mooca, São Paulo­ SP. Assim, uma vez devolvida a correspondência, envida para o endereço do contribuinte com  a informação de que este mudou­se, considera­se regular a notificação por edital.   O contribuinte, tempestivamente, interpõe Recurso Voluntário às fls. 48/53 e  faz inicialmente breve resumo dos fatos e depois afirma que desde 2005 está estabelecido no  mesmo  endereço  e  que  a  Receita  Federal  está  pautando  seus  atos  em  presunção  de  um  funcionário dos Correios de que a empresa mudou­se. Alega que até a presente data a Fazenda  Nacional não realizou diligência na Rua Dias Leme, 130, Mooca, São Paulo­SP para confirmar  que a empresa está estabelecida neste endereço.   Vale  comentar  que  a  ciência  do  acórdão  questionado  foi  realizada  pessoalmente pelo advogado, por meio de sua assinatura no corpo da decisão.   Em seu recurso voluntário, o contribuinte ainda argumenta que a decisão “a  quo” não atendeu o art. 28 do Decreto n.º 70.235/1972 no sentido de que na decisão em que for  julgada questão preliminar será julgado também o mérito. Neste sentido, reclama em relação a  falta de apreciação do direito creditório.   No  mérito,  ataca  a  “suposta”  ausência  de  fundamentação  do  Despacho  Decisório eletrônico e destaca que ao citar simplesmente que foi verificada a indisponibilidade  de créditos para homologar a compensação não é suficiente, quando é necessário demonstrar  em  que  consistiu  esta  indisponibilidade.  Alega  que  a  indevida  fundamentação  do  Despacho  Decisório, transgride o art. 50 da Lei n.º 9.784/99 e o torna nulo de pleno direito, pois viola o  princípio da ampla defesa.  O  contribuinte  compreende  ainda  que  a  Receita  Federal  possui  o  dever  de  intimá­lo a esclarecer  a origem do crédito pleiteado e não  ter  simplesmente  indeferido o  seu  pedido por meio de despacho eletrônico.   Sublinha  que  o  crédito  declarado  no  PER/DCOMP  é  legitimo  e  que  a  Administração Pública deve pautar seus atos no princípio da legalidade, nos termos do art. 37  da Constituição Federal e do art. 2º da Lei n.º 9.784/99.   Afirma que não teve condições de promover a sua defesa, com a apresentação  de documentos que comprovem o seu direito creditório, uma vez que nem mesmo a Fazenda  Nacional sabe ao certo o motivo do indeferimento. Deste modo, requer que seja possível trazer  as  provas  posteriormente  a  apresentação  da  manifestação  de  inconformidade,  já  que  teria  Fl. 105DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 12/08/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 21/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA     4 demonstrado  a  impossibilidade  de  as  ter  apresentado  oportunamente,  por  motivo  de  força  maior.   Nestes termos, requer a declaração de nulidade do Despacho Decisório, bem  como  que  o  presente  recurso  seja  recebido  nos  efeitos  suspensivo  e  devolutivo  e  que  seja  reformado o acórdão atacado.   Este é o relatório.   Voto             Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani  Verifica­se  que  o  motivo  da  lide  gira  em  torno  da  impossibilidade  da  intimação  do Despacho Decisório  ter  ocorrido  por meio  de  edital  e  depois  em  torno  na  sua  deficiente fundamentação, o que teria causado violação ao princípio da ampla defesa.  Primeiramente  em  relação  a  forma  pela  qual  ocorreu  a  intimação  do  Despacho Decisório, data vênia, não devem prosperar os argumentos trazidos pelo procurador  da empresa, basicamente por 3 (três) motivos.  Primeiro,  porque  a  Receita  Federal  fez  cumprir  o  art.  74  do  Decreto  n.º  70.235/72 e o art. 23 da Lei n.º 9.430/96, em razão de  ter sido  ineficaz a  intimação pela via  postal. Deste modo, se admite que a intimação seja realizada por meio de edital publicado, pois  o  retorno  da  correspondência  enviada  pela  Fazenda  Nacional,  com  a  informação  de  que  o  contribuinte mudou­se deve ser considerado como circunstância legitimadora para que ocorra a  intimação por edital.   No caso em exame o edital foi afixado na repartição pública em 02.12.2009,  conforme se retira das fls. 38/39, logo se retira do art. 23 da Lei n.º 9.430/96 que se considera  ocorrida  a  intimação  em  17.12.2009.  Todavia,  a  manifestação  de  inconformidade  foi  protocolizada somente em 18.02.2010, ou seja, fora do prazo previsto em lei.  O segundo motivo que conduz ao caminho de que não há vício na intimação  realizada  por  meio  de  edital,  decorre  da  observação  de  que  o  contribuinte  não  apresentou  nenhuma  prova  de  que  estava  estabelecido  na  Rua Dias  Leme,  130, Mooca,  São  Paulo­SP,  salvo de que este era o endereço que constava no CNPJ.   Neste  passo,  caso  o  contribuinte  tivesse  demonstrado  provas  cabais  de  que  estava  de  fato  estabelecido  no  endereço  em  exame,  certamente  que  lhe  assistiria  razão, mas  somente caso restasse comprovado o erro por parte do funcionário dos Correios. Neste aspecto,  a juntada de correspondências, ou comprovantes de entrega de mercadorias no citado endereço,  na data em que o aviso de recebimento retornou, talvez mudasse a conclusão do voto.   Entretanto, ao  invés do procurador da empresa  se esforçar  em comprovar o  “suposto”  erro  cometido  pelo  funcionário  do  Correio,  optou  por  discorrer  a  respeito  da  nulidade do Despacho Decisório por falta de motivação.  O terceiro e último motivo, diz respeito ao fato de que a correspondência foi  enviada para a Rua Dias Leme, 130, Mooca, São Paulo­SP, ou seja, a Administração Pública  não se equivocou. Além do que, consta nos autos de que este endereço foi o  informado pelo  contribuinte.   Fl. 106DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 12/08/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 21/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10880.684342/2009­19  Acórdão n.º 3803­004.146  S3­TE03  Fl. 77          5 Já  em  relação  a  não  apreciação  do  mérito  por  parte  dos  julgadores  de  primeiro grau, deve ser comentado que o art. 14 do Decreto n.º 70.235/72, determina que não  se  instaura  a  fase  litigiosa  do  processo  administrativo,  quando  a  manifestação  de  inconformidade for apresentada intempestivamente.  Assim, agiram com acerto os julgadores de primeiro grau, já que por força da  legislação não se  instaurou a  fase  litigiosa no presente processo  administrativo. Deste modo,  não é necessário adentrar ao mérito da discussão referente a nulidade do Despacho Decisório,  por ausência de motivação, bem como quanto a necessidade da Administração Pública intimar  o contribuinte a comprovar a origem do crédito transmitido em PER/DCOMP e ainda quanto a  inconstitucionalidade da Lei n.º 9.430/96.   Ante  o  exposto,  não  conheço  do  recurso  em  face  da  intempestividade  da  manifestação de inconformidade.  Sala das sessões, 24 de abril de 2013  (assinado digitalmente)  Juliano Eduardo Lirani ­ Relator                              Fl. 107DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 12/08/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 21/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA

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