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Numero do processo: 13971.000732/2001-53
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1996
Ementa:
NORMAS PROCESSUAIS - RECURSO ESPECIAL - NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÕES - Se os casos confrontados apresentam especificidades que justificam decisões diversas, não resta caracterizado o dissídio jurisprudencial.
Numero da decisão: 9101-001.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por maioria dos votos, NÃO CONHECER do recurso. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão e o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto).
(documento assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres
Presidente Substituto
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, João Carlos de Lima Júnior e Suzy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1996 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - RECURSO ESPECIAL - NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÕES - Se os casos confrontados apresentam especificidades que justificam decisões diversas, não resta caracterizado o dissídio jurisprudencial.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1996 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS RECURSO ESPECIAL NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÕES Se os casos confrontados apresentam especificidades que justificam decisões diversas, não resta caracterizado o dissídio jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FFIISSCCAAIISS, por maioria dos votos, NÃO CONHECER do recurso. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão e o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto). (documento assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 07 32 /2 00 1- 53 Fl. 958DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.000732/200153 Acórdão n.º 9101001.827 CSRFT1 Fl. 3 2 Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, João Carlos de Lima Júnior e Suzy Gomes Hoffmann. Relatório Em sessão plenária de 24 de janeiro de 2008 a Primeira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão 10196.537, deu provimento ao recurso voluntário de Plus Serviços e Cobranças Ltda., cancelando o lançamento litigado, em decisão assim ementada: IRPJ — DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL NULIDADE A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. Recurso Provido. Tempestivamente, a douta Procuradoria da Fazenda Nacional ingressou com Recurso Especial alegando divergência jurisprudencial entre Câmaras dos Conselhos de Contribuintes, em relação à. possibilidade de nulidade do auto de infração no caso de erro na apuração da matéria tributável. A Recorrente apresenta à lide transcrição das ementas dos Acórdãos paradigmas 10320451, 10319105 e 10514302, cujas ementas, no que interessa ao especial, estão assim redigidas: Acórdão 10320451 "Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL Comprovado, por meio de diligência fiscal, equívocos na determinação da matéria tributável, sua revisão pela autoridade julgadora é medida que se impõe. Acórdão 10319105 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. ERRO NA APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL Provada a ocorrência de erro na determinação da matéria tributável, é de se excluir da tributação os correspondentes valores. Acórdão 10514302 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREVALÊNCIA DA NORMA ESPECIFICA SOBRE A NORMA GENÉRICA . AUTO DE INFRAÇÃO EXIGINDO TRIBUTO JÁ INCLUÍDO NO Fl. 959DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.000732/200153 Acórdão n.º 9101001.827 CSRFT1 Fl. 4 3 REFIS. OPÇÃO PELO REFIS DURANTE PROCESSO FISCALIZATÓRIO. ESPONTANEIDADE READQUIRIDA. APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO . APLICAÇÃO DE JUROS PARAMETRADOS PELA TAXA SELIC EM PERÍODO POSTERIOR .À OPÇÃO PELO REEIS – Estando a empresa sob fiscalização e tendo optado pela inclusão do crédito tributário no Refis, ao final do prazo de opção, é de se reconhecer a prevalência da norma específica instituidora do Refis, garantindose a opção. Readquire a espontaneidade o contribuinte, após decorridos sessenta dias de intimação escrita (§ 2°, Art. 7°, do Dec. 70.235/72), não tendo havido em tal tempo o encerramento da ação fiscal nem a lavratura de novo ato escrito pela autoridade fiscalizadora, reputandose espontâneo o procedimento de parcelamento realizado durante a ação fiscal. Advindo a formalização posterior, decorridos oito meses da opção pelo Refis, de exigência de idêntico valor, pela via do auto de infração, deve ser respeitada a multa de 20% adotada pelo Comitê Gestor na consolidação do débito, mercê da espontaneidade readquirida, e também os juros parametrados pela variação da TJLP a partir da data da opção, afastado o cálculo da fiscalização com adoção da Taxa Selic. Não é de se declarar nulo o auto de infração lavrado após a declaração do crédito tributário por sua inclusão no Refis, apesar de despiciendo, servindo como ato homologatório dos cálculos do contribuinte, não podendo, porém, gerar qualquer efeito jurídico além daqueles decorrentes da própria legislação instituidora e reguladora do Refis. Recurso conhecido e parcialmente provido. O Presidente da Primeira Câmara comparou as ementas e considerou que a divergência estava configurada pelo fato de o recorrido entender que o erro na delimitação da matéria tributável é caso de nulidade do auto de infração, enquanto os paradigmas têm entendimento no sentido de que seria o caso de excluir os valores decorrentes do erro na determinação da matéria tributável. Ciente do recurso, a interessada apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator. Inicialmente, é preciso estabelecer os contornos fáticos dos casos confrontados, para precisar se houve divergência de interpretações. Os acórdãos 10320451 e 10319105 originaramse de recurso de ofício em que a exigência foi reduzida em primeira instância por ter sido comprovado, ou mediante diligência, ou pelos documentos juntados à impugnação (cópia dos Livros Caixa e dos documentos), que a autoridade lançadora cometeu erros na apuração da matéria tributável. Fl. 960DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.000732/200153 Acórdão n.º 9101001.827 CSRFT1 Fl. 5 4 Tais acórdãos não se prestam para comparação com o recorrido, que trata de situação totalmente distinta. De fato, no presente processo (Acórdão 10196.537, recorrido) a fiscalização, em procedimento de revisão da declaração do ano calendário de 1996 (Malha) levado a efeito em 2001, constatou a compensação integral de prejuízos, sem respeitar o limite legal. Intimado a explicar o fato, o contribuinte informou que assim procedeu ao abrigo de liminar concedida pelo Poder Judiciário, e que em 1998, quando a liminar foi cassada, calculou os tributos devidos e os incluiu no Refis. A fiscalização apurou que o contribuinte utilizou uma metodologia errônea nos cálculos para fins de inclusão dos débitos no REFIS, e que os valores informados não guardam, necessariamente, coerência com aqueles decorrentes da apuração anual do IRPJ no anocalendário 1996. O auditor fiscal encarregado da Malha assentou que seria lícito ao contribuinte solicitar a revisão dos débitos consolidados em sua declaração no REFIS, retificando a forma pela qual chegou aos valores dos débitos incluídos, provando que incluiu valores já corrigidos e solicitando o recálculo do débito consolidado. Aduziu que poderia ocorrer a redução do valor dos débitos, mas ponderou que mesmo que a SRF detecte eventuais diferenças à época de um eventual pedido de revisão do REFIS, se for constatado que caberia a cobrança de valores adicionais devidos à compensação acima dos 30% para o ano de 1996, estes débitos já poderiam estar abrangidos pelo instituto da decadência, impossibilitando a cobrança dos mesmos. Concluiu, afinal, que “mesmo vislumbrando que a intenção do contribuinte foi a de incluir no REFIS os débitos de IRPJ e CSLL apurados em decorrência da compensação a maior da BC negativa da CSLL e do Prejuízo Fiscal, não há como negar que é possível, no futuro, mesmo que judicialmente, ocorrer o pedido de revisão do REFIS, haja vista, repetindo, que os débitos informados estão em desacordo com as instruções do REFIS.”. Tomado de “incertezas quanto à liberação da declaração DIRPJ/97”, optou pela lavratura dos autos de infração do IRPJ e da CSLL para garantir o crédito tributário, e ainda, proporcionar a oportunidade ao contribuinte de rever sua metodologia adequandoa ao que dispõe a legislação do REFIS. Como visto, no caso específico, ao lavrar o auto de infração a autoridade fiscal sabia, com certeza, que parte do crédito tributário que estava lançando era indevido, por já estar sendo pago no Refis. Essa situação em nada se assemelha aos casos julgados pela Terceira Câmara, em que o crédito foi lançado a maior por erro cometido pelo autuante na apuração da matéria tributável, e a exoneração de parte do crédito decorreu exclusivamente de prova. O julgado no presente processo nada tem a ver com matéria de prova, mas apenas com erro na apuração do valor incluído no REFIS. O Acórdão 10514302 envolve lançamento de crédito incluído no Refis, tal como no presente processo, e, diferentemente, não cancelou o lançamento. Assim, aparentemente, haveria dissídio jurisprudencial. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.000732/200153 Acórdão n.º 9101001.827 CSRFT1 Fl. 6 5 A questão posta à apreciação da Quinta Câmara envolvia autos de infração lavrados relativamente a tributos que, no curso do procedimento fiscal, foram incluídos no Refis com multa de 20%, e a autoridade fiscal fez o lançamento exigindo novamente o tributo e fazendo incidir sobre ele a multa de 75%, fazendo a ressalva de que "quando da execução do acórdão, atentese que o contribuinte em epígrafe aderiu ao REFIS (...) fez adicionar aos valores originalmente devidos a multa de mora, limitada ao patamar de 20% .” O voto condutor do Acórdão 10514302 assentou que o lançamento era desnecessário, porque o débito já estava confessado, e se a discordância do autuante fosse quanto à multa, poderia têla lançado isoladamente. Limitouse, assim, a decidir quanto à multa. A Câmara entendeu que, embora despiciendo, não seria nulo o auto de infração lavrado após a declaração do crédito tributário por sua inclusão no Refis, servindo como ato homologatório dos cálculos do contribuinte. Como se vê, também esse caso não se presta para caracterizar o dissídio, pois não envolve qualquer incerteza quanto à determinação da matéria tributável. A autoridade cumpriu todos os requisitos intrínsecos do lançamento previstos no art. 142 do CTN, determinou a matéria tributável, calculou o tributo e aplicou a multa julgada devida, e destacou que na execução deverseia observar o valor incluído no Refis. Não há controvérsia quanto à matéria tributável e ao valor do principal. No acórdão recorrido, ao contrário, a autoridade fiscal omitiuse de determinar a matéria tributável, deixando de cumprir requisito essencial do lançamento. O autuante admite incerteza quanto à suficiência do principal incluído no Refis, mas não o apura. Esse fato foi que justificou a decisão da Primeira Câmara, de cancelar o lançamento. Assim, entendo não configurada a divergência de interpretações, pois os posicionamentos diferentes estão justificados pelas especificidades dos casos. Isto posto, não conheço do recurso especial interposto pela D. Procuradoria da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 20 de novembro de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator. Fl. 962DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 11065.000027/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
CESSÃO DE ICMS - INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS .
A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até 1° de janeiro de 2009, nos termos do disposto nos arts. 7°, 8° e 90, da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008.
Recurso Voluntário conhecido e não provido.
Numero da decisão: 3102-001.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho e Helder Massaaki Kanamaru.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Winderley Morais Pereira, Luciano Pontes de Maya Gomes, Fábio Miranda Coradini, Álvaro Almeida Filho e Helder Massaaki Kanamaru. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ricardo Paulo Rosa e Nanci Gama.
Nome do relator: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 CESSÃO DE ICMS - INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS . A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até 1° de janeiro de 2009, nos termos do disposto nos arts. 7°, 8° e 90, da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. Recurso Voluntário conhecido e não provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho e Helder Massaaki Kanamaru. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Winderley Morais Pereira, Luciano Pontes de Maya Gomes, Fábio Miranda Coradini, Álvaro Almeida Filho e Helder Massaaki Kanamaru. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ricardo Paulo Rosa e Nanci Gama.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1805; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 98 1 97 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.000027/200919 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102001.571 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de julho de 2012 Matéria COFINS Ressarcimento Recorrente HG INDUSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 CESSÃO DE ICMS INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS . A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até 1° de janeiro de 2009, nos termos do disposto nos arts. 7°, 8° e 90, da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. Recurso Voluntário conhecido e não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho e Helder Massaaki Kanamaru. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Winderley Morais Pereira, Luciano Pontes de Maya Gomes, Fábio Miranda Coradini, Álvaro Almeida Filho e Helder Massaaki Kanamaru. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ricardo Paulo Rosa e Nanci Gama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 00 27 /2 00 9- 19 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 8/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11065.000027/200919 Acórdão n.º 3102001.571 S3C1T2 Fl. 99 2 Tratase de Recurso Voluntário que chega para exame deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF em razão da insurgência do contribuinte epigrafado ao Acórdão nº. 1023.742 (fls. 8586), da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre/RS. Em instante prévio à apreciação da manifestação recursal, convém que sejam revisitados os atos e fases processuais já vencidas. Pois bem. Conforme bem descrito no relato empreendido pela autoridade julgadora de origem: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho de Decisório proferido pela DRF Nova Hamburgo que glosou parcialmente o direito creditório relativo à Cofins não cumulativa, ressarcindo o contribuinte até o limite do direito creditório reconhecido. Inconformada, a interessada apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade, onde discorda da glosa efetuada, insurgindose contra a inclusão na base de cálculo da contribuição das receitas provenientes de transferências de ICMS.” Após delimitar a matéria impugnada, a 2a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre/RS, através do acórdão já referenciado, manteve a linha do Despacho Decisório de fls. 66, o que se colhe da ementa clara e precisa do julgado guerreado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 CESSÃO DE ICMS INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS . A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até 1° de janeiro de 2009, nos termos do disposto nos arts.7°, 8° e 90 da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. TAXA SELIC VEDAÇÃO LEGAL De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833/2003, não incide correção monetária e juros sobre os créditos de PIS e de Cofins objeto de ressarcimento”. Regularmente intimado, o contribuinte manejou o Recurso Voluntário em análise, pelo qual basicamente reitera os argumentos já deduzidos em sua manifestação de inconformidade, continuando sua defesa quanto: (i) à inexistência da natureza de receita do resultado das operações de cessão de ICMS nascido de operação de exportação dotada de imunidade ou isenção; (ii) à aplicação da taxa SELIC como índice de correção monetária e juros sobre os crédito de PIS e Cofins. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 8/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11065.000027/200919 Acórdão n.º 3102001.571 S3C1T2 Fl. 100 3 Em face do encerramento do mandato do conselheiro relator e de que, até a presente data, não foi formalizado o acórdão, me autodesignei para tal tarefa. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Redator Designado Reproduzo o voto que foi discutido em sessão e referendado pela maioria dos presentes: Verificado o preenchimento dos pressupostos de admissibilidade recursal, dele tomo conhecimento. No que concerne ao primeiro ponto abordado no recurso voluntário, quanto à natureza de receita do resultado das operações de transferência dos créditos do ICMS, o recorrente busca sustentar que este não se caracterizaria como receita, uma vez que consistiria em uma operação de mera mutação patrimonial, pela simples transferência a terceiros nas hipóteses legais. Cabe destacar, de início, que em relação ao ICMS, o art. 155, §2º, inciso X, da Constituição Federal de 1988, dispõe que este não incidirá sobre as operações que destinem mercadorias para o exterior, sendo assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações anteriores. Dando complementação a esse dispositivo constitucional, a Lei Complementar 87/1996, em seu artigo 25, § 1°, II, permite que os saldos credores acumulados possam ser transferidos a outros contribuintes do mesmo estado, mediante a emissão pela autoridade competente de documento que reconheça o crédito. Para o caso em tela, portanto, pela legislação do ICMS no Rio Grande do Sul, o saldo credor, poderá ser transferido para outro estabelecimento seu dentro do Estado do Rio Grande do Sul ou para outro contribuinte, também no interior desse. Desta forma, no que se refere à exclusão da receita oriunda desses créditos, a argumentação oferecida pelo recorrente, todavia, não se mostra suficiente para a alteração do entendimento dado pela instância a quo. Uma interpretação histórica da legislação relacionada à contribuição ao PIS e à Cofins demonstra claramente que a exclusão em referência só passou a ser possível a partir de janeiro de 2009, com a alteração promovida nas Leis n ºs 10.637/2002 e 10.833/2003 pela Lei n º 11.945/2009. Confirase: “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas Fl. 109DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 8/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11065.000027/200919 Acórdão n.º 3102001.571 S3C1T2 Fl. 101 4 auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis nº 9.990, de 21 de julho de 2000, nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória n° 413, de 3 de janeiro de 2008)(Vide art. 42 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI–não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) VII (Vide Art. 8º e Art. 22 da Medida Provisória nº 451, de 15/12/2008) VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, Fl. 110DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 8/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11065.000027/200919 Acórdão n.º 3102001.571 S3C1T2 Fl. 102 5 conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009) (Grifos nossos)” Enfim, da leitura da legislação pertinente ao PIS e à Cofins, extraise que estas contribuições possuem como fato gerador o faturamento mensal, o qual pode ser entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, de forma a compreender a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, a exceção das receitas a que a lei autoriza a exclusão. Outrossim, ainda que se pudesse aderir ao entendimento do contribuinte, estarseia a afrontar ao próprio princípio da legalidade, pois não obstante a alteração realizada pela Lei 11.945/2009, resultante da conversão em Lei da Medida Provisória 451/2009, que introduziu o inciso VI do §3º do artigo 1º da Lei 10.833/2003 e o inciso VII do §3º da Lei 10.637/2002, o próprio artigo 33 do aludido diploma legal realiza modulação dos efeitos destas modificações, condicionando sua eficácia para os fatos ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2009, tal como se extrai do dispositivo abaixo: “Art. 33. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1o de janeiro de 2009, em relação ao disposto: a) nos arts. 4o a 6o, 18, 23 e 24; b) no art. 15, relativamente ao inciso V do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998; c) no art. 16, relativamente ao inciso VII do § 3o do art. 1o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002; d) no art. 17, relativamente ao inciso VI do § 3o do art. 1o e ao art. 58J da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; e) no art. 19, relativamente aos §§ 11 e 12 do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004; f) no art. 20, relativamente ao § 6o do art. 64 e ao § 8o do art. 65 da Lei no 11.196, de 21 de novembro de 2005 (…)”(grifos nossos) Por conseguinte, não é possível enquadrar o período de apuração da recorrente, que remete àquele de 01/07/2008 a 30/09/2008, no âmbito de vigência do referido dispositivo acima aludido, ao qual não foi conferido efeitos retroativos e, por logo, não prospera a pretensão do contribuinte, haja vista que o produto da cessão de créditos de ICMS não estão excluídos da base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins antes de 1º de janeiro de 2009. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 8/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11065.000027/200919 Acórdão n.º 3102001.571 S3C1T2 Fl. 103 6 Prejudicado, ademais, o pedido referente à correção monetária, pois os créditos para os quais se pleiteou o ressarcimento não foram reconhecidos pela instância a quo ou por este Colegiado. Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do presente recurso voluntário para lhe negar provimento. Sala das Sessões, em 18 de julho de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 112DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 8/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10435.722052/2009-21
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Dec 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE IRPJ/CSLL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. IRRELEVÂNCIA.
Não se reconhece o crédito a título de pagamento indevido de estimativa de IRPJ/CSLL, quando ele se esgota na quitação da antecipação, ainda que seja apurado saldo negativo ao final do período.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE IRPJ/CSLL. RECOLHIMENTO FEITO APÓS ENCERRAMENTO DO PERÍODO. REPETIÇÃO. DESCABIMENTO. OBRIGAÇÃO NATURAL.
Tal qual a dívida prescrita e a obrigação natural a estimativa de IRPJ/CSLL após o encerramento do período são inexigíveis juridicamente, mas, uma vez quitadas, não cabe repetição, o que impede a utilização do pagamento da estimativa como crédito na compensação, quando ele se esgota na quitação da antecipação, descaracterizando o caráter indevido do pagamento.
Numero da decisão: 1801-001.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Massao Chinen - Relator
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques, Maria de Lourdes Ramirez e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ROBERTO MASSAO CHINEN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE IRPJ/CSLL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. IRRELEVÂNCIA. Não se reconhece o crédito a título de pagamento indevido de estimativa de IRPJ/CSLL, quando ele se esgota na quitação da antecipação, ainda que seja apurado saldo negativo ao final do período. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE IRPJ/CSLL. RECOLHIMENTO FEITO APÓS ENCERRAMENTO DO PERÍODO. REPETIÇÃO. DESCABIMENTO. OBRIGAÇÃO NATURAL. Tal qual a dívida prescrita e a obrigação natural a estimativa de IRPJ/CSLL após o encerramento do período são inexigíveis juridicamente, mas, uma vez quitadas, não cabe repetição, o que impede a utilização do pagamento da estimativa como crédito na compensação, quando ele se esgota na quitação da antecipação, descaracterizando o caráter indevido do pagamento.
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CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE IRPJ/CSLL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. IRRELEVÂNCIA. Não se reconhece o crédito a título de pagamento indevido de estimativa de IRPJ/CSLL, quando ele se esgota na quitação da antecipação, ainda que seja apurado saldo negativo ao final do período. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE IRPJ/CSLL. RECOLHIMENTO FEITO APÓS ENCERRAMENTO DO PERÍODO. REPETIÇÃO. DESCABIMENTO. OBRIGAÇÃO NATURAL. Tal qual a dívida prescrita e a obrigação natural a estimativa de IRPJ/CSLL após o encerramento do período são inexigíveis juridicamente, mas, uma vez quitadas, não cabe repetição, o que impede a utilização do pagamento da estimativa como crédito na compensação, quando ele se esgota na quitação da antecipação, descaracterizando o caráter indevido do pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 20 52 /2 00 9- 21 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Roberto Massao Chinen Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques, Maria de Lourdes Ramirez e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o processo de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n° 34053.30745.200807.1.3.046228, às fls. 02/06, em que foram declarados crédito de pagamento de estimativa de IRPJ (código 5992) do período 11/2001, pago em 13/12/2002, no valor originário de R$ 2.938,43, e débito de estimativa de CSLL do período 10/2003. Por meio do despacho decisório de fls. 34/36, emitido em 16/12/2009, a DRF/Sete Lagoas não homologou a compensação. Foi interposta manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente pela DRJ/Belo Horizonte, conforme acórdão de fls. 74/80, prolatado em 30/08/2012, sendo mantida a decisão de não homologação. Cientificada da decisão em 10/12/2012, conforme AR de fl. 82, tempestivamente, em 09/01/2013, o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário de fls. 84/93, que se resume a seguir: a. Destaca que contencioso administrativo orientase pelo princípio da verdade material, por meio do qual a autoridade tributária, por exemplo, ao analisar as discussões acerca dos procedimentos de compensação e, por conseguinte, da higidez do direito de crédito, deve se pautar pela ampla e irrestrita apreciação dos fatos e das provas carreadas ao processado, com a mitigação dos formalismos, como sedimentado na jurisprudência do CARF; b. Alega ser incontroverso, porque admitido no despacho decisório de nãohomologação da compensação e na própria decisão recorrida, que a Recorrente efetuou o recolhimento da estimativa mensal da competência de novembro/2001 do IRPJ em 13 de dezembro de 2002 no valor de R$ 2.161,88, ou seja, após o encerramento do anobase de 2001 e, por inferência lógica, a apuração da aludida contribuição social efetivamente devida com base no lucro real; c. Afirma que recolheu em excesso as antecipações das estimativas mensais (R$ 35.391,92), tendose em consideração o valor devido ao final do respectivo anobase (R$ 32.391,92), dando ensejo à formação de saldo negativo do IRPJ no importe de R$ 2.969,02 (cinco mil e novecentos e setenta reais e quarenta e sete centavos); d. Pondera que disto resulta que o recolhimento da estimativa do IRPJ da competência de novembro/2001 em 13 de dezembro de 2002 representa indiscutível pagamento indevido e, pois, indébito tributário passível de compensação, uma vez que compõe o excesso de recolhimento das aludidas antecipações efetuadas no anobase de 2001 acima apontado e apenas recolhido aos cofres públicos tardiamente, ou melhor, em 13 de dezembro de 2002; e. Argumenta que o indevido recolhimento realizado em 13 de dezembro mostrouse absolutamente desnecessário, haja vista que, encerrado o anobase de 2001, com a apuração do valor de IRPJ com fincas no lucro real já se confirmara o excesso das antecipações mensais ante a apuração anual e final. E corrobora a natureza de indébito deste montante o entendimento consagrado na jurisprudência administrativa de que, encerrado o período de apuração, descabe o lançamento de ofício, como sedimentado no verbete sumular Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10435.722052/200921 Acórdão n.º 1801001.784 S1TE01 Fl. 3 3 aprovado na sessão de 10 de dezembro de 2012 pela Primeira Turma da egrégia CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. E que a situação retratada no presente contencioso administrativo, exige a aplicação do mesmo posicionamento no tocante à lançamento de multa isolada, como sedimentado no âmbito desta Corte Administrativa; f. Aduz que a caracterização como indébito do recolhimento de IRPJ em apreço se deve ao fato de ter sido efetuado em 13 de dezembro, quando já apurado o tributo devido nos parâmetros do lucro real e, por conseguinte, conhecido que o pagamento efetuado excedia o montante devido a tal importante. De tal sorte que, outra vez mais, o raciocínio expendido pela Recorrente encontra respaldo na Solução de Consulta Interna n° 19, de 05 de dezembro de 2011; g. Entende ser indene de dúvidas que o recolhimento da estimativa de IRPJ da competência de novembro/2001 em 13 de dezembro, configura pagamento a maior/indevido, sendo passível de repetição, com esteio nos artigos 165, inciso I e 168 inciso I do CTN, inclusive com a incidência da taxa SELIC, como assentado na jurisprudência do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS; h. Anota que, na sistemática do IRPJ de estimativa1 mensal, portanto, o pagamento em referência foi realizado após o fim do exercício fiscal de 2001, não podendo, em razão disso, ser tratado como um pagamento antecipado por estimativa. Não havia o quê se estimar, de modo que o referido pagamento somente pode ser tido como pagamento indevido, nos termos da Solução de Consulta Interna n° 19/2011, e que constitui norma de natureza tributária a ser observada pela administração fazendária, a teor do art. 100, III, do CTN. Logo, não resta dúvida de que o valor pago a título de estimativa de IRPJ referente à competência de novembro de 2001 em 13 de dezembro de 2002 foi indevido. O anocalendário havia já se encerrado e a Recorrente não apenas encontravase plenamente regular perante o Fisco, como tinha valores a dele receber, valores estes, aliás, muito superiores ao do indébito em voga; i. Conclui que, ao contrário da conclusão assentada na decisão exarada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, o prazo prescricional correlato somente se extinguiria daí a 05 (cinco) anos, logo na data de 13 de dezembro de 2007. Como em 22 de agosto de 2007, anteriormente ao decurso do mencionado prazo, a Recorrente, segundo já relatado, transmitiu eletronicamente a Declaração de Compensação n° 34053.30745.200807.1.3.046228, o seu direito de crédito ainda era suscetível de ser apropriado por aproximadamente mais 04 (quatro) meses. Em que pese o entendimento manifesto na decisão administrativa ora recorrida, o prazo de 05 (cinco) anos para a repetição de indébito, expresso nos arts. 165, I, e 168, I, do CTN, não se perfez. A decisão ora impugnada, portanto, deve ser reformada. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Massao Chinen, Relator. Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Mérito. Inicialmente, convém mencionar a existência de diversos processos do mesmo contribuinte tratando do mesmo fato, qual seja, a compensação com crédito de pagamento indevido de estimativas de IRPJ ou CSLL do mesmo ano calendário de 2001. Esses processos foram distribuídos para julgamento nesta Primeira Turma Especial da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF. Como a solução do litígio é a mesma, opto por julgar todos esses processos, concomitantemente. PER/DCOMP PROCESSO PERÍODO DE APURAÇÃO MOTIVO DA SITUAÇÃO DA DECLARAÇÃO GRUPO DE TRIBUTO 34053.30745.200807 .1.3.046228 10435.722052/200921 11/2001 INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO IRPJ 02583.36356.200807 .1.3.048052 10435.722050/200931 11/2001 INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO IRPJ 09573.07503.200807 .1.3.046403 10435.721965/200920 11/2001 INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO CSLL 34041.49144.200807 .1.3.043588 10435.722051/200986 11/2001 INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO IRPJ 10555.89488.220807 .1.3.041652 10435.722024/200911 11/2001 INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO CSLL Verificase que a DRF de origem não homologou a compensação sob a justificativa de que o indigitado pagamento compôs o valor de estimativa de IRPJ do período novembro de 2001, que foi apurado na DIPJ/2002 no valor total de R$ 10.087,30. A autoridade administrativa também informou que ao final do período a empresa apurou saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 2.969,02, mas que o aproveitamento desse crédito não seria mais possível em vista do transcurso da decadência, já que a declaração de compensação foi transmitida em 20/08/2007, mais de cinco anos, portanto, da data da apuração do crédito. Na impugnação, o contribuinte alegava que havia se equivocado na natureza do crédito, que, em vez de ser pagamento indevido, seria de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2001. E que a utilização desse crédito em compensação não estaria decaído, por força de decisões do STJ, baseadas na tese dos cinco mais cinco, que ainda seriam aplicáveis para pagamentos indevidamente recolhidos antes da Lei Complementar n° 118/2005. A DRJ refutou esse entendimento, com base em decisão do STF, posteriormente acolhida pelo STJ, no sentido de que o prazo qüinqüenal se aplica para as ações ajuizadas após a entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/2005, ainda que os pagamentos tenham sido efetuados anteriormente à vigência da referida lei. Colacionouse o seguinte julgado do STJ: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. ARTIGO 4° DA LC 118/2005. RE N. 566.621/RS. REPERCUSSÃO GERAL. PRAZO PRESCRICIONAL QUINQUENAL. AÇÕES AJUIZADAS APÓS A VIGÊNCIA DA LC N. 118/2005. DIREITO INTERTEMPORAL. AÇÃO AJUIZADA EM DATA POSTERIOR. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando a decisão padece de omissão, contradição ou obscuridade, consoante dispõe o art. 535 do CPC, bem como para sanar a ocorrência de erro material. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10435.722052/200921 Acórdão n.º 1801001.784 S1TE01 Fl. 4 5 2. Os embargos aclaratórios não se prestam a adaptar o entendimento do acórdão embargado à posterior mudança jurisprudencial. Excepcionase essa regra na hipótese do julgamento de recursos submetidos ao rito do artigo 543C do Código de Processo Civil, haja vista o escopo desses precedentes objetivos, concernentes à uniformização na interpretação da legislação federal. Nesse sentido: EDcl no AgRg no REsp 1.167.079/PE, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, Dje 4/3/2011; EDcl na AR 3.701/BA, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe 4/5/2011; e EDcl.nos EDcl nos EDcl nos Edcl no REsp.790.318/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, Dje 25/5/2010. 3. Pelas mesmas razões, estendese esse entendimento aos processos julgados sob o regime do artigo 543B do Código de Processo Civil. 4. O Supremo Tribunal Federal, ao reconhecer a repercussão geral da matéria no RE 566.621/RS, proclamou que o prazo prescricional de cinco anos, previsto na Lei Complementar n. 118/20005, somente se aplica às ações ajuizadas após 9.6.2005. 5. Na espécie, a ação de repetição de indébito foi ajuizada em 13.1.2010, data posterior à vigência da LC n° 118/2005, sendo aplicável, portanto, o prazo prescricional de cinco anos. 6. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para reconhecer a prescrição das parcelas anteriores ao quinquênio do ajuizamento da ação. (STJ, EDcl no Agravo em REsp 8.122/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma, julgado em 27/09/2011) No recurso voluntário, a recorrente mudou sua estratégia, e volta a pedir a compensação com crédito de pagamento indevido de estimativa de IRPJ do período 11/2001. O pleito é insubsistente, pois, como já explicou a DRF/Sete Lagoas, no despacho decisório, o pagamento foi utilizado para quitação das estimativas de novembro de 2001. De fato, conforme consta na DIPJ/2002, à fl. 11, o contribuinte apurou suas estimativas com base na receita bruta, e obteve, para o mês de novembro de 2001, o valor de R$ 10.087,30. A relação de pagamentos efetuados pelo contribuinte encontrase às fls. 12/13. Somandose a parcela do principal de todos os pagamentos de estimativas, temse o seguinte demonstrativo: CÓDIGO RECEITA PERÍODO VENCIMENTO DATA ARRECADAÇÃO VALOR PRINCIPAL 5993 Novembro/2001 28/12/2001 19/12/2001 5.133,95 2089 Novembro/2001 28/12/2001 18/10/2002 629,60 2089 Novembro/2001 28/12/2001 25/11/2002 2.161,88 5993 Novembro/2001 28/12/2001 13/12/2002 2.161,88 TOTAL 10.087,30 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 No caso, o pagamento que foi oferecido como crédito da presente Per/Dcomp foi o efetuado na data de 13/12/2002, com valor total de R$ 2.938,43 e principal de R$ 2.161,88, que foi totalmente utilizado para quitar a estimativa de IRPJ do período 11/2001, o que derruba a alegação de que teria havido pagamento indevido. Na peça de defesa a recorrente argumenta que o recolhimento foi desnecessário, porque, encerrado o anobase de 2001, com a apuração do valor de IRPJ com já se confirmara o excesso das antecipações mensais ante a apuração anual e final. Que, conforme entendimento sumulado do CARF, encerrado o período de apuração, descabe o lançamento de ofício. Os argumentos não convencem. O fato de a empresa ter apurado saldo negativo de IRPJ não implica que houve pagamento indevido de estimativa. Tratase de duas grandezas fiscais de naturezas distintas. A estimativa é uma antecipação do tributo, devida em cada mês do ano em que o contribuinte optou pelo regime do lucro real anual. Já o IRPJ apurada ao final do ano é o próprio tributo. Cada uma dessas duas obrigações tem seu próprio regime de apuração e formas de exigibilidade. A estimativa pode ser calculada tanto em função da receita bruta como com base em balancete de redução e suspensão. No caso, o contribuinte optou pela primeira alternativa, que resultou num valor a pagar de R$ 10.087,30. E o imposto devido ao final do ano é calculada na forma da ficha 12 da DIPJ, que leva em conta uma série de deduções, entre elas as estimativas quitadas. Quanto à exigibilidade, enquanto o imposto pode ser constituído de ofício, é certo que a estimativa não comporta essa forma de lançamento, cabendo somente multa isolada pela falta de recolhimento, conforme art. 16 da Instrução Normativa SRF nº 093, de 24/12/1997 e súmula 82 do CARF. Entretanto, a impossibilidade da exigência não induz ao direito de repetição, como pensa equivocadamente a recorrente. O regime de exigibilidade da estimativa guarda nítida semelhança com aquilo que a doutrina denomina de obrigação natural. Em apertada síntese, tratase de obrigações imperfeitas ou incompletas, justamente por lhes faltar o atributo da exigibilidade jurídica; contudo, uma vez pagas espontaneamente pelo devedor, não cabe repetição. O exemplo clássico da obrigação natural é a dívida prescrita, a qual, apesar de o credor estar impossibilitado de cobrála judicialmente, não pode ser restituída se o devedor, espontaneamente, quitoua. Confirase o seguinte trecho doutrinário, da lavra de Sílvio de Salvo VENOSA, que anota que essa figura foi contemplada no Código Civil, em seu artigo 882: As obrigações naturais são obrigações incompletas. Apresentam como características essenciais as particularidades de não serem judicialmente exigíveis, mas, se forem cumpridas espontaneamente, será tido por válido o pagamento, que não poderá ser repetido (há a retenção do pagamento, soluti retentio). [...] A legislação é quase inteiramente omissa quanto ao regime dessa classe de obrigação, o que transporta para a doutrina a missão de fixar seus parâmetros. [...] O atual Código substitui a terminologia obrigação natural por “obrigação juridicamente inexigível” (art. 882). (VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil: Teoria Geral das Obrigações e Teoria Geral dos Contratos. São Paulo: Atlas, 2006, 6ª ed. p. 3031). Art. 882. Não se pode repetir o que se pagou para solver dívida prescrita, ou cumprir obrigação judicialmente inexigível. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10435.722052/200921 Acórdão n.º 1801001.784 S1TE01 Fl. 5 7 Tampouco socorre a litigante a Solução de Consulta Interna Cosit n° 19/2011, cuja ementa se transcreve abaixo, que deu natureza interpretativa ao art. 11 da IN RFB n° 900/2008, possibilitando a aplicação retroativa da supressão da vedação da compensação de crédito de pagamento indevido de estimativa de IRPJ e CSLL. Ou seja, é possível oferecer como crédito o pagamento de estimativa, mas, claro, desde que ele seja indevido, o que não é o caso em apreço. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. CONCLUSÃO. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10805.901256/2006-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 2003
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO.
O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve-se apreciar as provas trazidas pelo contribuinte.
Numero da decisão: 3302-002.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 24/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas trazidas pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 24/01/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 12 56 /2 00 6- 28 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Campinas : Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de crédito com origem em suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada do despacho decisório, a interessada alegou que a Administração Fiscal fiouse apenas em confronto entre a DCOMP e a DCTF, deixando de examinar também as informações constantes da DIPJ e do DACON originais, que sustentariam o montante do crédito compensado. Afirma que o valor do débito ao qual foi vinculado o pagamento informado como origem do direito de crédito constante da DCTF original foi corrigido em DCTF retificadora. Documentos extraídos de sua contabilidade também sustentariam o crédito utilizado na declaração de compensação. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem julgala improcedente em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário:2003 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 158DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10805.901256/200628 Acórdão n.º 3302002.080 S3C3T2 Fl. 158 3 Direito Creditório Não Reconhecido Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário, onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Como se verifica do sintético relatório reproduzido acima, a controvérsia tratada no presente processo versa sobre a existência dos créditos alegados pelo Recorrente tendo em vista que as informações constantes da DCTF originalmente transmitida alocavam a totalidade dos pagamentos efetuados. A Recorrente, por sua vez, advoga a existência de pagamentos indevidos e junta ao processo a DCTF, DACON e DIPL retificadoras, transmitidas em data posterior ao despacho decisório exarada pela DRF de Santo André. Entendo assistir razão ao Recorrente. A existência de pagamento indevido ou a maior em nenhum momento foi avaliada pela DRF de Santo André, que se limitou a analisar o balancete analítico juntado pela Recorrente e informar que o alegado crédito estava totalmente alocado a outros débitos conforme informado em DCTF . Ora, como tenho me manifestado em diversas ocasiões, no âmbito do processo administrativo impera o princípio da verdade material, que obriga a autoridade administrativa a analisar exaustivamente os fatos alegados pelos contribuintes, solicitando inclusive diligencias e apresentação de novas provas das alegações existentes no processo administrativo fiscal. A existência de informação na DCTF em nada altera a existência ou não do pagamento a maior, ainda mais quando se tratar a DCTF de instrumento de controle da própria Receita Federal. Veja que se indeferiu a solicitação apenas porque, antes do despacho decisório, não houve a retificação da declaração originalmente apresentada. Se esta tivesse ocorrido no momento que as autoridades julgadoras entendem por adequado, o crédito alegado pelo Recorrente teria sido analisado. Sobre este tema, são elucidativas as conclusões exaradas pelo eminente Conselheiro Walber José da Silva, que assim se manifestou no processo nº 10283.900064/200983, julgado recentemente por esta turma: Concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, ou a sua apresentação após a emissão do Fl. 159DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o indeferimento do pedido de restituição e, conseqüentemente, para a não homologação da compensação declarada pela Recorrente. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apurar a verdade material e formar sua convicção. Nesta linha de pensar, a autoridade preparadora deve promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários tendo por norte o principio da verdade material, e, no caso de serem os créditos suficientes, homologar as compensaçãoes fefetuadas. Caso contrário, sejam compensados os débitos declarados até o limite dos créditos existentes e intimada a contribuinte para a apresentação de manifestação de inconformidade contra a homologação parcial das compensações. Pro todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 160DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13561.000089/2009-47
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2009
DCTF. MULTA POR ATRASO. PRORROGAÇÃO DO PRAZO.
A prorrogação do prazo de entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) relativa ao 1º semestre de 2008 só se aplica às pessoas jurídicas cujo cadastro no CNPJ indicava os códigos de natureza jurídica 309-3 ou 311-5, especificados no Ato Declaratório Executivo RFB nº 62, de 12 de dezembro de 2008, que, por isso, não conseguiram transmitir a declaração devido a problemas técnicos no aplicativo que validava as declarações.
Numero da decisão: 1803-001.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Raimundo Parente de Albuquerque Júnior.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2009 DCTF. MULTA POR ATRASO. PRORROGAÇÃO DO PRAZO. A prorrogação do prazo de entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) relativa ao 1º semestre de 2008 só se aplica às pessoas jurídicas cujo cadastro no CNPJ indicava os códigos de natureza jurídica 309-3 ou 311-5, especificados no Ato Declaratório Executivo RFB nº 62, de 12 de dezembro de 2008, que, por isso, não conseguiram transmitir a declaração devido a problemas técnicos no aplicativo que validava as declarações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Raimundo Parente de Albuquerque Júnior.
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MULTA POR ATRASO. PRORROGAÇÃO DO PRAZO. A prorrogação do prazo de entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) relativa ao 1º semestre de 2008 só se aplica às pessoas jurídicas cujo cadastro no CNPJ indicava os códigos de natureza jurídica 3093 ou 3115, especificados no Ato Declaratório Executivo RFB nº 62, de 12 de dezembro de 2008, que, por isso, não conseguiram transmitir a declaração devido a problemas técnicos no aplicativo que validava as declarações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 56 1. 00 00 89 /2 00 9- 47 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13561.000089/200947 Acórdão n.º 1803001.955 S1TE03 Fl. 46 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidentesubstituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Raimundo Parente de Albuquerque Júnior. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13561.000089/200947 Acórdão n.º 1803001.955 S1TE03 Fl. 47 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 30): Tratase de Notificação de Lançamento exigindo a multa pelo atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, com base no art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, alegando que as suas informações no CNPJ ainda não estavam adequadas ao código da natureza jurídica de Unidade Executora do Programa Dinheiro na Escola, mas retificou o referido código após o envio da DCTF. Desta forma, considerandose que a impugnante, desde sua constituição, é Unidade Executora, faz jus à prorrogação do prazo até 15/02/2009, para apresentação da DCTF referente ao 1º semestre de 2008, conforme Ato Declaratório Executivo RFB nº 62, de 12 de dezembro de 2008. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 29): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 DCTF. MULTA POR ATRASO. PRORROGAÇÃO DO PRAZO. A prorrogação do prazo de entrega da DCTF relativa ao 1º semestre de 2008 só se aplica às pessoas jurídicas cujo cadastro no CNPJ indicava o código de natureza jurídica 3093 ou 3115, especificadas no ADE RFB nº 62, de 2008, que não conseguiram transmitir a declaração devido a problemas técnicos no aplicativo que valida as declarações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificada da referida decisão (fls. 36 numeração digital ND), em 22/02/2012 apresenta a interessada Recurso de fls. 37 e 38 (ND), instruído com os documentos de fls. 39 a 42 (ND), nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13561.000089/200947 Acórdão n.º 1803001.955 S1TE03 Fl. 48 4 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator 4. Não tendo sido indicada a data de ciência no Aviso de Recebimento (A.R.) de fls. 36 – ND, considerase tempestivo o Recurso Voluntário interposto. 5. Pela argumentação da Recorrente, observase que incorre, ela, em equívoco, ao entender que, tratandose de Unidade Executora do Programa Dinheiro Direto na Escola, estaria “abrangida pelo benefício da prorrogação de prazo para a apresentação da DCTF referente ao 1º semestre 2008, conforme Ato Declaratório Executivo RFB nº 62, de 12 de dezembro de 2008, que prorrogou referido prazo para 15/02/2009” (fls. 38 – ND). 6. Na verdade, o que ocorreu foi o seguinte: a referida prorrogação de prazo deuse, excepcionalmente, em face de que, devido a problemas técnicos no aplicativo que validava as declarações, aquelas pessoas jurídicas que constavam do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) com os códigos 3093 ou 3115 não conseguiram transmitir as Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTFs) do 1º semestre de 2008 no prazo originário de até o 5º (quinto) dia útil do mês de outubro de 2008 (correspondente a 07/10/2008), previsto na alínea “a” do inciso II da Instrução Normativa SRF nº 786, de 19 de novembro de 2007. 7. Ora, se a Recorrente como ela mesma reconhece , estava, à época, inscrita no CNPJ sob código 3999, nenhum problema técnico teria na transmissão da referida DCTF naquele prazo originário. 8. Se o fez posteriormente, fêlo fora de prazo, já que aquele excepcional problema técnico não a poderia alcançar. 9. Por outro lado, como bem ressalta a decisão recorrida (fls. 31): Não há, também, no processo qualquer prova de que a impugnante tenha tentado entregar sua declaração e que não conseguiu transmitila em decorrência de problemas técnicos no aplicativo que valida as declarações. 10. Reiterese: a notificação de lançamento não foi gerada pelo fato de a Recorrente ter deixado de alterar o seu código de atividade para 3093; foi gerada, sim, pelo fato de, possuindo código diverso (3999), não estar sujeita aos problemas técnicos ocorridos com aquele primeiro código, e, pois, não ter qualquer justificativa plausível para o atraso na entrega de sua DCTF. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13561.000089/200947 Acórdão n.º 1803001.955 S1TE03 Fl. 49 5 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 49DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 11030.002757/2004-39
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2004
AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. RELATIVIZAÇÃO.
È permitida a compensação do PIS com outros tributos administrados pela SRF, não obstante a decisão judicial tenha se apenas permitido a compensação de PIS com parcelas do próprio PIS.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-002.226
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto)
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto).
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2004 AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. RELATIVIZAÇÃO. È permitida a compensação do PIS com outros tributos administrados pela SRF, não obstante a decisão judicial tenha se apenas permitido a compensação de PIS com parcelas do próprio PIS. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto) (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto).
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COISA JULGADA. RELATIVIZAÇÃO. È permitida a compensação do PIS com outros tributos administrados pela SRF, não obstante a decisão judicial tenha se apenas permitido a compensação de PIS com parcelas do próprio PIS. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto) (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 27 57 /2 00 4- 39 Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), apresentado, tempestivamente, em face de acórdão que negou, por unanimidade, provimento ao recurso voluntário, sob a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2004 COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. As decisões proferidas pelo Poder Judiciário têm prevalência sobre as proferidas pelas autoridades administrativas, devendo, estas, cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas Recurso Voluntário Negado O litígio se resume à possibilidade de a empresa compensar débitos seus relativos a outros tributos que não o PIS com créditos desta última contribuição decorrentes da declaração de inconstitucional idade dos DecretosLeis n°s 2.445 e 2.449. A empresa é beneficiária de decisão transitada em julgado em ação própria. A DRF reconheceu o direito creditório no valor de R$ 2.063.749,07 relativo à Ação Ordinária n° 98.12030506; homologou as compensações declaradas pela empresa até o limite do direito creditório reconhecido, desde que com débitos do PIS; não homologou as demais compensações, objeto de Dcomps, que envolvessem tributos diversos do PIS. Cientificada a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade arguindo: • discorre sobre os fatos; • traça panorama da evolução da legislação versando sobre compensação, mais especificamente, Lei n° 8.383/91, Lei n° 9.430/96, Lei n° 10.637/02; • na época das compensações realizadas (2004) a regra válida era aquela estabelecida pelo art. 74 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 10.637/02, segundo a qual era possível realizar compensações entre tributos de diferentes espécies, sem prévia autorização do Fisco, inclusive com créditos reconhecidos em decisão judicial transitada em julgado; • no momento do ajuizamento da ação judicial em questão não poderia ter pedido compensação entre diferentes espécies de tributo já que a legislação vigente impunha, nestes casos, prévia autorização do Fisco, o que só veio a ser abolido com a edição da Lei n° 10.637/02; Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11030.002757/200439 Acórdão n.º 9303002.226 CSRFT3 Fl. 506 3 • o Fisco reconheceu o montante de créditos apurados, bem como as regras de compensação aplicáveis ao caso, de modo que não há de ser feito qualquer reparo ao procedimento adotado pela empresa; • o indeferimento não se deu por inexistência de direito creditório, mas sim por não haver sido aplicada a regra da compensação vigente na época do encontro de contas, conforme entendimento esposado pela PFN e pelo STJ; • a decisão judicial não vedou a compensação entre tributos de diferentes espécies; • havendo decisão judicial transitada em julgado declarando a inexigibilidade das cobranças efetuadas pelo Fisco não resta dúvida de que está garantido o direito de compensar seus créditos de acordo com a legislação vigente no momento da compensação, desde que cumpridas as regras vigentes na época da compensação; • o ato praticado pelo Fisco ao deixar de homologar as compensações efetuadas pela empresa afronta a legislação tributária; e a SRRF 10ª RF em processo de consulta sobre a viabilidade de compensação entre tributos de diferentes espécies por força de legislação superveniente àquela em vigor na data de publicação da decisão judicial transitada em julgado, respondeu de forma vaforável ao contribuinte, em situação exatamente análoga à presente. A autoridade julgadora de primeira instância manifestouse no sentido de indeferir a solicitação da contribuinte. Cientificada em 05/09/07, fl. 963, a contribuinte interpôs, em 03/10/07, recurso voluntário alegando em síntese as mesmas razões da inicial, que foi negado, por unanimidade de votos, conforme ementa transcrita supra. Foram apresentados o recurso especial pelo sujeito passivo e contrarrazões pela Fazenda Nacional. É o Relatório. Voto O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. A única matéria admitida pelo presidente da quarta Câmara da 3ª Sejul foi a questão da compensação do indébito com débitos de tributos diferentes, ainda que a decisão judicial tenha restringido tal compensação apenas com débitos da mesma contribuição. Em que pese a nossa discordância quanto à limitação da compensação descrita acima, o fato é que existe uma decisão judicial transitada em julgado que impede essa compensação, conforme descrito no relatório. Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 Porém essa limitação se deu por uma sentença transitada em julgado em que o beneficiado já havia, por normas internas, aceitado e aplicado a legislação posterior em processos de restituição sob sua análise. É o que se depreende da Nota Cosit nº 141, de 23 de maio de 2003. Também existe uma solução de consulta, no mesmo sentido, proferida pela SRRF da 4ª RF. MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DA RECEITA FEDERAL/4ª REGIÃO FISCAL SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 93, DE 04 DE NOVEMBRO DE 2004 ASSUNTO: Processo Administrativo Fiscal EMENTA: Os créditos de Finsocial, reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, poderão, em princípio, ser utilizados para compensação com débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observados, ainda, os procedimentos previstos na IN SRF n° 460, de 2004. DISPOSITIVOS LEGAIS: Arts. 170 e 170A do CTN, com a redação do art. 1° da Lei Complementar n° 104, de 2001; art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação do art. 49 da Lei n° 10.637, de 2002, e do art. 17 da Lei n° 10.833, de 2003; INSRF n° 460, de 2004; Nota Cosit n° 141, de 2003. VIRGÍNIA BRAGA DE SANTANA Chefe da Disit Da leitura do texto acima transcrito, percebese que a própria Administração Fazendária compartilha do mesmo entendimento esposado pela Recorrente, não havendo razão plausível para o indeferimento de sua pretensão compensatória. E nem poderia ser diferente, na forma do artigo 74 da lei n° 9.430/96, in verbis: Art. 74 O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11030.002757/200439 Acórdão n.º 9303002.226 CSRFT3 Fl. 507 5 § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. §2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3º Além das hipóteses previstas nas leis especificas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º... (Redação dada pela Lei n°10.833, de 29/12/2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual cio Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação § 4º as pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão consideradas declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os eleitos previstos neste artigo. § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Portanto, apesar de o PIS ser espécie diferente e natureza jurídica diversa de outros tributos, cada qual com destinações orçamentárias próprias, não há mais que se impor limites à compensação, em razão da nova legislação que rege a espécie, podendo, pois, serem compensados entre si ou com quaisquer outros tributos administrados e/ou arrecadados pela SRF. Com efeito, o vencedor da contenda já dispõe de outros meios para se proceder a compensação de indébitos tributários. Não há porque haver vinculação àquela sentença judicial transitada em julgado. Se a decisão tivesse sido contrária à Fazenda, aí sim, não caberia à administração outra solução, senão acatar a decisão judicial. Assim cabe à administração pública, por meio de seu tribunal administrativo, o CARF, relativizar a decisão judicial transitada em julgado e proceda à análise do pleito em questão. A ação judicial foi proposta antes da alteração da Lei 9.430/96, que ampliou as hipóteses de compensação para autorizar a compensação de crédito reconhecido judicialmente com débitos de quaisquer tributos administrados pela então SRF, o fato é que toda a análise e decisão do processo judicial foram feitas sob a égide da nova lei. A própria RFB já aplica a lei posterior mais benéfica no caso das compensações, mesmo o Poder Judiciário tendo analisado os fatos com a vigência da nova legislação acerca das compensações. Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 O CARF tem farta jurisprudência permitindo a compensação do PIS com outros tributos administrados pela SRF, não obstante a decisão judicial tenha se adstrito a possibilitar a compensação de PIS com parcelas do próprio PIS. PIS. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DECISÃO JUDICIAL RECURSO PARCIAL. COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS DIFERENTES. A interpretação sistemática do art. 66 da Lei nº 8.383, c/c os arts. 39 da Lei nº 9250/95, 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 e 12 da IN nº 21/97, nos leva a concluir ser possível, no processo administrativo, assegurar ao contribuinte a compensação de seus créditos de PIS com débitos de quaisquer outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, não obstante a decisão judicial tenha se adstrito a possibilitar a compensação de PIS com parcelas do próprio PIS. Recurso Provido. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO, DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS DIFERENTES. Na forma da Nota COSIT nº 141/03, é possível, no processo administrativo, assegurar ao contribuinte a compensação de seus créditos de PIS com débitos de quaisquer outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, não obstante a decisão judicial tenha se adstrito a possibilitar a compensação de PIS com parcelas do próprio PIS. O art. 5º da CF, no capítulo que trata dos direitos fundamentais, coloca a imutabilidade da coisa julgada em seu rol. Ocorre que os direitos fundamentais servem para resguardar o cidadão contra possíveis arbitrariedades cometidas pelo Estado. São remédios de defesa do indivíduo, pela tendência opressora do Estado. Essas proteções se dirigem ao cidadão. O Estado pode mudar a legislação e estabelecer que se aplica a nova legislação em benefício do administrado, em que pese haver decisão transitada em julgado. O próprio STJ já entende que os tribunais não podem julgar fora da legislação vigente à época da propositura da ação, pois se estaria desviando da cauda de pedir inserta na petição inicial, mas a administração pública pode fazêlo. Com efeito a administração pode usar uma legislação superveniente em que pese haver coisa julgada em sentido oposto. A própria PGFN exarou parecer recente (PGFN/CRJ/nº 958/20012) sobre o assunto, admitindo a relativização da coisa julgada emdesfavor do fisco. Eis uma parte do parecer: Ementa: Consulta acerca da prevalência ou não da coisa julgada material em favor da União sobre orientação administrativa posterior da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN e da AdvocaciaGeral da União – AGU que, Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11030.002757/200439 Acórdão n.º 9303002.226 CSRFT3 Fl. 508 7 em tese, é benéfica ao contribuinte. Exame em tese sob oprisma jurídico. (...) É sabido que a relativização da coisa julgada em desfavor do contribuinte é absolutamente vedada em razão dos princípios do direito adquirido e da segurança jurídica. Por outro lado, a relativização da coisa julgada em desfavor do Fisco parece não encontrar tais óbices. É no mínimo questionável alegarse que o Estado possui direito adquirido ou que precisa ser salvaguardado pelo princípio da segurança jurídica. Ora, o Estado é, por excelência, o produtor da norma jurídica, e, como tal, não pode alegar ausência de segurança para descumprir as normas que ele próprio modificou, seja no âmbito do Poder Judiciário ou dos seus demais Poderes. 10. Desse modo, é perfeitamente possível que os efeitos de uma decisão judicial acobertada pela coisa soberanamente julgada (aquela que se forma pelo transcurso do prazo decadencial da ação rescisória) cessem, de modo a ensejar um novo regime jurídico entre as partes envolvidas acerca de determinado objeto. Assim sendo, a cessação ou modificação desses efeitos podem advir: i) das alterações fáticojurídicas em relações de trato sucessivo; ii) de ato unilateral ou bilateral das partes envolvidas (renúncia ou novação, por exemplo); e iii) retroação dos efeitos da lei. 23. Por fim, cabe analisar a hipótese de desconstituição da coisa julgada pela retroação da lei. Evidentemente que para o contribuinte, a garantia da coisa julgada não pode ser atingida pela retroação da lei, do contrário seria ela inconstitucional. Mas para o ente político, embora seja ele titular de direitos e garantias fundamentais, entendo que há possibilidade de mitigação dessa garantia. A lei, em tese, não poderia estabelecer, sob pena de inconstitucionalidade, que as decisões favoráveis ao ente público, mesmo que transitadas em julgado, não se revestiriam da coisa julgada. Entretanto, poderia, ao meu ver sem o vício da inconstitucionalidade, retroagir de maneira a tornar sem efeito coisas julgadas já formadas e em matérias específicas, pois estaríamos, na verdade, diante de uma hipótese de renúncia à coisa julgada pelo ente político por meio de seu Poder Legislativo. Não caberia ao advogado público sustentar em juízo a inconstitucionalidade da lei, mas tãosomente adotar a vontade legislativa. No presente caso o Estado foi vitorioso em uma contenda judicial e, esse mesmo Estado abre mão desse direito à imutabilidade da coisa julgada, ao expedir a Nota Cosit nº 141, em 23 de maio de 2003. A legislação mudou e após o início do processo judicial sobreveio uma legislação mais benéfica ao contribuinte e a própria Receita Federal, que dispõe de um modo mais rápido de receber os seus créditos. Tal solução diminuiu muito os processos em contencioso administrativo. Não há violação legal e não há prejuízo para nenhuma parte. Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 Se o próprio credor admite receber as suas dívidas de outro modo, não há porque esse tribunal administrativo, em um formalismo exacerbado, impedir que o contribuinte solva seus débitos de uma forma que a própria legislação já permitia quando da ocorrência dos fatos, ou seja, da compensação. Do exposto, voto pelo provimento do presente recurso. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10830.906822/2011-48
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS.
Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos.
RESSARCIMENTO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA.
Inexiste previsão legal para aplicar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de créditos de IPI.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos. RESSARCIMENTO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Inexiste previsão legal para aplicar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de créditos de IPI. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 68 22 /2 01 1- 48 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906822/201148 Acórdão n.º 3801002.297 S3TE01 Fl. 165 2 Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906822/201148 Acórdão n.º 3801002.297 S3TE01 Fl. 166 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Despacho Decisório (Eletrônico) – DDE do Delegado da Receita Federal do Brasil em Campinas/SP que reconheceu integralmente o direito de crédito pleiteado pelo interessado através do PER/DCOMP nº 42362.97897.300810.1.1.014894, transmitido em 30/08/2010, no valor de R$ 33.611,58, relativo ao 3º trimestre de 2007, o qual, todavia, foi insuficiente para quitar integralmente os débitos declarados, resultando em homologação parcial e não homologação das compensações vinculadas ao crédito, e na exigência de saldo devedor de R$ 10.208,75, à data da emissão do citado DDE.. Foi apresentada manifestação de inconformidade tempestiva, na qual o contribuinte observa inicialmente que a exigibilidade do crédito tributário está suspensa em observância ao disposto no art. 151, inc. III do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966) combinado com o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Quanto ao mérito, afirma que não foi considerada a espontaneidade da manifestante, nem a correção dos créditos de IPI. A seguir informa que sua principal atividade consiste na indústria, comércio, importação e exportação de etiquetas e que adquire matéria prima e produtos intermediários onerados pelo IPI, dando saída a produtos tributados com alíquota zero quanto ao referido imposto. Discorre sobre o princípio da nãocumulatividade do IPI e a aplicação ao seu caso do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, concluindo ser legítimo o aproveitamento dos créditos para compensação com débitos administrados pela RFB. Esclarece que as diferenças apontadas decorrem de multa moratória de 20%, que entende indevida, por aplicarse ao caso a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), uma vez que efetuou compensação, extinguindo o crédito tributário “sob ulterior verificação”. Posteriormente, e antes de qualquer procedimento de ofício do Fisco, declarou em DCTF originais e/ou retificadoras os valores devidos. Cita argumentos da doutrina e jurisprudência, e a Súmula 360 do Superior Tribunal de Justiça – STJ – concluindo que no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação a espontaneidade somente seria aplicada no caso de recolhimento a destempo, sem multa de mora, antes da constituição do crédito Fl. 166DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906822/201148 Acórdão n.º 3801002.297 S3TE01 Fl. 167 4 tributário pelo sujeito passivo, ou seja, antes da apresentação de qualquer tipo de declaração prevista na legislação de regência. Prossegue defendendo a atualização monetária do crédito pela Taxa Selic, a fim de neutralizar os efeitos da inflação, alegando que negála equivaleria a uma sanção e afrontaria os princípios da nãocumulatividade, equidade e da moralidade pública que proíbe o enriquecimento ilícito do Estado em detrimento do contribuinte. Aponta que não obstante a RFB venha negando sistematicamente a atualização, o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (atual CARF) e mesmo a Câmara Superior de Recursos Fiscais estariam reconhecendo tal direito. Observa que o argumento da Fazenda – falta de previsão legal para a atualização monetária – ofenderia o princípio constitucional da igualdade e que o industrial que dê saída a produtos não incentivados pode aproveitar os créditos na escrita fiscal, enquanto outro contribuinte que produza somente bens isentos está obrigado a pleitear ressarcimento de créditos sem correção. E mais, a lacuna existente no art. 66, § 3º da Lei nº 8.383, de 1991 autorizaria, face ao disposto no art. 108 do CTN o emprego da analogia, para estender a correção monetária ao ressarcimento pleiteado. Recorre ainda ao Parecer da Advocacia Geral da União nº 96, de 11/06/1996, que conclui que “a correção monetária não constitui ‘plus’ a exigir expressa previsão legal”. Insurgese contra a aplicação da Taxa SELIC para cálculo dos juros moratórios, considerandoa ilegal e inconstitucional. Finaliza solicitando a reforma do despacho decisório, para que seja homologada a compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), às fls. 106/114, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para apreciação de aspectos relacionados com a inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS EM ATRASO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. A compensação de débitos já vencidos na data de transmissão da DCOMP deve ser acompanhada dos respectivos juros e multa de mora. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906822/201148 Acórdão n.º 3801002.297 S3TE01 Fl. 168 5 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LEGAL. A exigência de juros moratórios calculados pela taxa Selic encontra respaldo na legislação de regência, não podendo a autoridade administrativa afastar a sua aplicação. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. 1. Pagamentos/compensações efetuados em atraso, sem o recolhimento de juros de mora não configuram denúncia espontânea. 2. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, não ilide o pagamento de multa moratória. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 119 a 141, no qual, reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação. É o Relatório. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906822/201148 Acórdão n.º 3801002.297 S3TE01 Fl. 169 6 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme já relatado, o direito creditório pleiteado pela Recorrente relativo ao ressarcimento de credito de IPI apurado no 3º trimestre de 2007 foi integralmente deferido e as compensações vinculadas homologadas até o limite do crédito reconhecido. No entanto, o valor dos débitos objeto de compensação excederam ao valor pleiteado, sendo declarados não homologados e resultando na homologação parcial da Declaração de Compensação, razão pela qual a Recorrente se insurge. Como se verifica no Demonstrativo Detalhamento da Compensação, às fls. 46, e reconhecido pela recorrente, a homologação parcial se deu em razão da incidência de acréscimos moratórios sobre os débitos compensados que já se encontravam vencidos na data do pedido de ressarcimento. Alega a Recorrente que não foi considerada a espontaneidade da manifestante, nem a correção dos créditos de IPI, insurgindose ainda contra a aplicação da Taxa SELIC para cálculo dos juros moratórios, considerandoa ilegal e inconstitucional. Não assiste razão à Recorrente, vejamos: A incidência de juros e multa de mora decorrente do não pagamento do tributo no seu vencimento tem previsão expressa no artigo 61, da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1' de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1" A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5° a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento Fl. 169DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906822/201148 Acórdão n.º 3801002.297 S3TE01 Fl. 170 7 A IN/SRF 900, de 30/12/2008, vigente à época, que disciplinava o procedimento de compensação, definiu as datas de valoração tanto do crédito como do débito do contribuinte, in verbis: Art. 36 . Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 72 e 73 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção; (...) Art. 38 . O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. A compensação, assim como o pagamento, é um instituto de extinção de obrigações conforme disposto no Código Tributário Nacional, em seus arts. 156, inciso II, e 170, no qual os créditos e débitos do contribuinte serão confrontados, num acerto de contas: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II – A compensação; (...) Art. 170. A lei pode nas condições e garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de crédito tributário com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo, contra a Fazenda Pública. Se considerada a extinção do crédito tributário pelo pagamento do tributo, a sua ausência no prazo legal acarreta a incidência de juros e multa de mora. Da mesma forma, se utilizada a compensação para a extinção do crédito tributário, sua formalização deve ocorrer no vencimento da parcela a ser compensada, sob pena de incidência de juros e multa de mora. No presente caso, o que fez a Administração Tributária foi valorar os débitos vencidos compensados até a data do ingresso do pedido de ressarcimento, conforme a legislação vigente, acrescendolhes os respectivos encargos moratórios. A autoridade administrativa reconheceu a existência do crédito tributário e o atendimento do procedimento de apresentação do pedido de compensação, contudo, não foi Fl. 170DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906822/201148 Acórdão n.º 3801002.297 S3TE01 Fl. 171 8 possível a homologação integral do pedido em decorrência da insuficiência de crédito, devido a incidência de juros e multa de mora. Portanto, correta a decisão recorrida. Alega a recorrente que é indevida a multa moratória de 20% por aplicarse ao caso a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), uma vez que efetuou compensação, extinguindo o crédito tributário “sob ulterior verificação”. Posteriormente, e antes de qualquer procedimento de ofício do Fisco, declarou em DCTF originais e/ou retificadoras os valores devidos. Consoante entendimento da Administração Tributária, a multa moratória destinase a compensar o sujeito ativo pelo atraso no pagamento do que lhe era devido e não tem sua aplicação excluída pela denúncia espontânea, sendo exigida sempre que o pagamento do tributo for efetuado espontaneamente, mas fora do prazo previsto na legislação específica. Por sua vez, o STJ tem entendido que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se o contribuinte promove o pagamento de tributos posteriormente ou concomitantemente incluídos ou alterados em declaração retificadora, faz jus ao benefício da denúncia espontânea, sem a multa de mora. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360∕STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423∕SP, Rel. Ministro Fl. 171DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906822/201148 Acórdão n.º 3801002.297 S3TE01 Fl. 172 9 Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127∕138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (STJ, REsp 1.149.022, j. em 09/06/2010, DJ de 24/06/2010) Não obstante a discussão travada nos Tribunais judiciais e órgãos julgadores administrativos sobre o alcance do art. 138 do CTN e o entendimento de alguns doutrinadores de que a denuncia espontânea exclui a aplicação de qualquer multa, inclusive a moratória, que teria natureza punitiva e não indenizatória ou compensatória, no caso em tela, pelo que consta nos autos, tratamse de débitos compensados e posteriormente declarados pelo contribuinte em DCTF. Entretanto, admitindose a compensação como apta a produzir o efeito da denúncia espontânea, no cálculo do valor compensado deveriam ter sido computados os respectivos juros de mora, o que não ocorreu, não se aplicando assim o benefício da denúncia espontânea, estando o contribuinte, portanto, sujeito ao pagamento da multa moratória prevista no art. 61 da Lei 9.430/1996. Conforme consta no próprio caput do art. 138 do CTN, a aplicação do instituto da denuncia espontânea não elide o recolhimento do tributo e dos juros de mora. Esta também é a lição de Luciano Amaro (Direito Tributário Brasileiro. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 1999. p. 427428),: Fl. 172DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906822/201148 Acórdão n.º 3801002.297 S3TE01 Fl. 173 10 Uma questão de difícil equacionamento diz respeito à exigibilidade da multa de mora, nos casos de denúncia espontânea de infração que tenha implicado falta de pagamento de tributo. O Código Tributário Nacional, no art. que estamos examinando, prevê que, nesses casos, a denúncia seja acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, silenciando quanto à exigência de multa de qualquer espécie. À vista disso, sustentouse, com apoio em acórdão do Supremo Tribunal Federal, que a multa de mora não é exigível se se trata de denúncia espontânea acompanhada do pagamento do tributo devido. O Superior Tribunal de Justiça reafirmou o anterior entendimento do Supremo. Poderseia, então, concluir que a multa de mora teria sido proscrita pelo Código Tributário Nacional, sendo inexigível em qualquer situação? Parece que não, pois o próprio Código se reporta às multas de mora no parágrafo único do art. 134, para dizer que, nas hipóteses ali referidas, somente são devidas penalidades de caráter moratório. Na opinião de Mitsuo Narahashi, o meio de compatibilizar os dois dispositivos do Código é entender que somente é exigível a multa de mora quando, notificado pelo Fisco, o devedor incorra em mora. Nesse caso (nãopagamento de tributo lançado, de cuja existência, pois, o Fisco tem efetivo conhecimento), não há o que’ denunciar’ espontaneamente. Ou seja, não é hipótese de aplicação do art. 138. Se, porém, se trata de infração, voluntária ou não, que tenha implicado ocultar ao Fisco o conhecimento do tributo devido, sua denúncia espontânea seria premiada com a exclusão da responsabilidade, afastandose inclusive a multa de mora, desde que haja, em contrapartida, o efetivo pagamento do tributo e dos juros de mora. No tocante à atualização monetária do crédito de IPI objeto do pedido de ressarcimento, como pleiteia a recorrente, inexiste previsão legal para aplicar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de créditos de IPI. Não obstante, esta questão foi objeto do recurso representativo da controvérsia REsp.nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009, conforme ementa abaixo: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906822/201148 Acórdão n.º 3801002.297 S3TE01 Fl. 174 11 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Sobre a questão, dispõe ainda a Súmula nº 411, do STJ: “É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco.” No entanto, no presente caso não se caracteriza a “resistência ilegítima”, exigida pela citado Tribunal para a atualização monetária do crédito em questão, visto que o crédito foi integralmente reconhecido, em prazo razoável, apesar de não haver disposição legal específica para tanto, bem como todo o entendimento aqui esposado está em consonância com aquele emanado dos tribunais superiores, proferidas na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C do CPC, não se verificando qualquer ofensa às normas ou decisões judiciais relativas à matéria. Desta forma, concluise que a correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal, nos termos do julgado proferido nos autos do Resp nº 1.035.847. Por derradeiro, no que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Fl. 174DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.906822/201148 Acórdão n.º 3801002.297 S3TE01 Fl. 175 12 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 175DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
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Numero do processo: 10380.100832/2008-17
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS NO EXTERIOR. PROVAS.
Para caracterizar a omissão de rendimentos recebidos no exterior deve restar comprovado que o contribuinte recebeu rendimentos no exterior, transferidos ou não para o Brasil, decorrentes de atividade desenvolvida no exterior ou de capital situado no exterior.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada (Relator) que davam provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência tributária da multa isolada por falta de recolhimento do carnê-leão. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Pschoalin Presidente e Redatora Designada.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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PROVAS. Para caracterizar a omissão de rendimentos recebidos no exterior deve restar comprovado que o contribuinte recebeu rendimentos no exterior, transferidos ou não para o Brasil, decorrentes de atividade desenvolvida no exterior ou de capital situado no exterior. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada (Relator) que davam provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência tributária da multa isolada por falta de recolhimento do carnêleão. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Tânia Mara Pschoalin – Presidente e Redatora Designada. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada – Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 10 08 32 /2 00 8- 17 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10380.100832/200817 Acórdão n.º 2801003.332 S2TE01 Fl. 414 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativo ao ano calendário de 2003, exercício de 2004, por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 110.285,94 a título de imposto, acrescido de R$ 148.621,90 de multa proporcional e mais juros de mora com base na taxa Selic, além da multa de ofício exigida isoladamente (R$ 44.163,01). Observase que existem duas infrações identificadas. A primeira, conforme descrito no Auto de Infração, referese a (fl. 5): Omissão de rendimentos de capital mantido no exterior, conforme disposto no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante deste Auto de Infração. O valor identificado como omissão foi de R$ 322.724,00, calculandose o imposto e aplicandose multa no percentual de 150%. A segunda infração autuada diz respeito a (fl. 5/6): OMISSÃO DE RENDIMENTOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS JUROS REMUNERARIOS RECEBIDOS NO ANO CALENDÁRIO 2006 Omissão de rendimentos apurado conforme disposto no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante deste Auto de Infração. E para essa o montante apurado como omissão foi de R$ 84.000,00, tendo sido aplicada multa proporcional no percentual de 75%. A razão apontada para o lançamento da multa isolada foi (fl. 6): Falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a titulo de carnêleão, tendo em vista que o contribuinte ora fiscalizado recebeu de fonte situada no exterior, rendimentos que não foram tributados na fonte, no Pais. No Termo de Verificação Fiscal que consta da fl. 12 e seguintes, podese verificar que o lançamento da primeira infração descrita acima é decorrente da apuração de omissão de rendimentos de capital mantido no exterior, materializado em um depósito bancário de R$ 322.724,00 feito em 13/08/2003, relacionado a um contrato de câmbio, feito junto ao Banco Industrial e Comercial (BIC). O recurso veio do exterior, cidade de Montevidéu no Uruguai, e foi enviado pela empresa Ticemill Sociedad Anonima. Em seu trabalho, a Autoridade Fiscal objetivou demonstrar que “a Ticemill S/A é pano de fundo a esconder a verdadeira causa do ingresso de numerário no País.”(fl. 13) A autuada informou que o depósito correspondia a um recebimento pela alienação de sua participação societária na empresa Freitas Empreendimentos Ltda. Esclareceu que os sócios da empresa Freitas Empreendimentos Ltda. (Juliana Matos de Freitas, Eveline Teixeira de Freitas, Renato Matos de Freitas, Raquel Matos de Freitas e Felipe Teixeira de Fl. 414DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10380.100832/200817 Acórdão n.º 2801003.332 S2TE01 Fl. 415 3 Freitas) alienaram em conjunto à empresa Ticemill Sociedad Anonima, situada na cidade de Montevidéu no Uruguai, suas quotas de capital. A Fiscalização, entretanto, descaracterizou a operação de alienação de quotas de capital pelo fato dos Títulos Representativos das Ações ao Portador e dos Certificados de Custódia, relacionados às pessoas jurídicas Ticemill Sociedad Anonima e Venopell Sociedad Anonima, se encontrarem em poder de cada sócio da empresa Freitas Empreendimentos e, também, pelo fato de haver intervenção administrativa nas pessoas jurídicas uruguaias por pessoas físicas ligadas ao Grupo Empresarial Marcelo Freitas (Luciano Faria Bezerra, Juliana Matos de Freitas e José Marcelo Matos de Freitas). Apresentou sua justificativa para tal, conforme Termo de Verificação, explicando que a pessoa jurídica principal do grupo capitaneado pelo Sr. José Marcelo Matos de Freitas, do qual era integrante a contribuinte Eveline Teixeira de Freitas, alienou, em conjunto, suas participações societárias, pelo próprio valor de custo, à empresa Uruguaia Ticemill. O negócio jurídico, então, transformou radicalmente a composição do capital da Freitas Empreendimentos, que passou a comporse de 99,9465% das quotas da Ticemill. Entendeu a Autoridade Fiscal que a operação representou “mera substituição daquele grupo de pessoas físicas (que detinha, até então, os mesmos 99,9465% do capital) pela mencionada empresa uruguaia TICEMILL S/A. Ou seja, pelos Contratos de Cessão de Quotas de Capital de Freitas Empreendimentos Ltda, as referidas pessoas físicas teriam se despedido da titularidade e do controle do capital da Freitas Empreendimentos, deixando lugar para a TICEMILL S/A.”(fl. 14) Enumera diversas considerações sobre a empresa Ticemill, para concluir que (fl. 17): Demonstrado que a adquirente (compradora) é, finalisticamente, uma ficção (pessoa jurídica) representativa, na prática, dos próprios alienantes, a operação em análise não é de verdadeira Compra e Venda, pelos vícios enumerados. 0 que houve — a bem da verdade — foi a alegação de realização de um negócio jurídico pretensamente válido (Contrato de Compra e Venda), mediante a utilização de interposta pessoa (a Ticemill S/A) com o objetivo de encobrir a verdadeira causa origem e natureza dos recursos ingressados no Pais. Ou seja, cada uma daquelas pessoas físicas, mantenedoras que eram de capital situado no exterior não oferecido tributação — fato comprovado pela efetiva titulação de AÇÕES AO PORTADOR da empresa Ticemill S/A — engendrou Contrato de Compra e Venda para encobrir a verdadeira causa e natureza da internação de recursos no Pais. Note que o intento só fora possível porque a "compradora" é efetivamente titulada pelo conjunto de alienantes. Em sua DIRPF/2004 a contribuinte tratou essa alienação de participação societária e o recebimento dos R$ 322.724,00 em apuração de Ganho de Capital. Como alienou pelo mesmo valor do “custo de aquisição” a apuração de imposto resultou em “zero”. (fl. 30) No que toca á segunda infração, esclarece a Fiscalização que (fl. 21): Fl. 415DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10380.100832/200817 Acórdão n.º 2801003.332 S2TE01 Fl. 416 4 A contribuinte recebeu um montante de R$ 84.000,00, em 18.05.06, a titulo de juros sobre financiamento do empreendimento imobiliário "Village Del Leste I" da Construtora Montenegro Ltda, CNPJ 06.917.587/000184, mediante a contratação de Mútuo entre essas partes, em 21.03.2002, no valor de R$ 650.000,00, cujo valor efetivamente aportado pela Sra. Eveline Teixeira de Freitas fora R$ 689.855,02, conforme diligência fiscal junto a mencionada construtora. (...) Como bem explicitado, não resta dúvida que a Sra. Eveline Teixeira de Freitas auferiu um montante de R$ 84.000,00 (OITENTA E QUATRO MIL REAIS) a titulo de Remuneração pelo Capital Aplicado (R$ 400.000,00), classificados corretantente pela legislação do Imposto de Renda como JUROS E QUAISQUER INTERESSES PRODUZIDOS PELO CAPITAL APLICADO, conforme previsto no artigo 55, inciso XVI do RIR/99, dado que esse plus ao valor financiado fora realmente produzido dentro de relação jurídica de cunho financeiro/comercial. 0 contrato envolvendo o imóvel era instrumental, acessório e mero elemento de facilitação diante do negócio jurídico principal querido pelas partes, que era o financiamento de empreendimento imobiliário mediante pagamento de juros pela remuneração do capital aplicado. Não há de se falar de animus em contratar negócio imobiliário, o que, se presente, daria ensejo à incidência das normas relativas à tributação do Ganho de Capital. Essa segunda operação em caso também foi tratada em apuração de Ganho de Capital, conforme DIRPF/2007 (fl. 36). Considerouse um imóvel adquirido por R$ 400.000,00 e alienado por R$ 484.000,00, chegando a um imposto devido de R$ 9.427,13, quando a Fiscalização, “reenquadrando” a operação, conforme acima transcrito, apurou um imposto devido de R$ 22.409,34 (fl. 9). Em sua impugnação (fl. 210), a contribuinte apresentou, em síntese, as seguintes razões de defesa: · Suscitou a decadência, aduzindo que o fato gerador relacionado à omissão de rendimentos ocorreu quando do envio dos recursos para o exterior, que teria ocorrido nos anoscalendário de 2001 e 2002, e não quando do retorno que se deu no anocalendário de 2003, através de alienação de quotas de capital; · Defendeu a legalidade da alienação e ausência de fraude. Afirmou que a alienação das quotas de capital ocorreu de fato, e que ela e os demais sócios da empresa Freitas Empreendimentos Ltda. não eram proprietários da empresa Ticemill Sociedad Anonima, situada na cidade de Montevidéu, no Uruguai, não possuindo Ações ao Portador dessa empresa, mas tãosomente a guarda dos certificados de custodia das ações, em garantia de pagamento pela alienação das quotas de capital, que se deu, em 13/08/2003, data posterior, ao evento da Fl. 416DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10380.100832/200817 Acórdão n.º 2801003.332 S2TE01 Fl. 417 5 alienação, que ocorreu em 05/03/2003. Disse, ainda, que as ações ao portador estavam custodiadas na empresa C.H.T. AUDITORES Y CONSULTORES, situada na cidade de Montevidéu, Uruguai; · Discorreu, em extenso arrazoado, sobre os temas: omissão de rendimentos de capital mantido no exterior, aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica, ausência de fraude, etc. Não contestou a infração relativa aos R$ 84.000,00 apurados, no ano de 2006, exercício de 2007. Inclusive, anexou pedido para que fosse considerado DARF comprovando o pagamento da infração apontada, conforme folhas 260 e 263. A 1ª Turma da DRJ/FOR/CE, conforme Acórdão de fls. 284 a 315, julgou procedente o lançamento sob os fundamentos consubstanciados nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2003 FATO GERADOR. RECURSO DO EXTERIOR DEPOSITADO EM CONTA CORRENTE BANCÁRIA. A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Verificandose que o depósito bancário é originário do exterior e que o contribuinte é titular de empresa, sediada no exterior, o depósito bancário é tido como rendimento tributável na Declaração de Ajuste Anual, salvo a comprovação de que o rendimento se sujeita à tributação específica. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Comprovada a origem do depósito bancário, como sendo rendimento de capital existente no exterior, e verificandose que o rendimento não foi oferecido à tributação, farseá o lançamento de ofício conforme as regras de tributação do rendimento. RENDIMENTOS DE CAPITAL DO EXTERIOR. Os rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior por residente no Brasil, transferidos ou não para o País, estão sujeitos à tributação sob a forma de recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), no mês de recebimento e na Declaração de Ajuste Anual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 RENDIMENTO DO EXTERIOR. DECADÊNCIA. DATA DO FATO GERADOR. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10380.100832/200817 Acórdão n.º 2801003.332 S2TE01 Fl. 418 6 Comprovado que o depósito bancário originouse do exterior e que o contribuinte é titular de empresa no exterior, é lícito ao fisco considerar que o depósito bancário seja rendimento tributável oriundo do exterior e que o fato gerador ocorreu na data do depósito bancário, mormente se o fato alegado pelo contribuinte como causador da remessa do exterior foi descaracterizado pela fiscalização. O lançamento de tributo é procedimento exclusivo da autoridade administrativa. Tratandose de lançamento de ofício o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 MEIOS DE PROVA. DOCUMENTO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. Não se admitem como meios de prova no processo administrativofiscal documentos redigidos em língua estrangeira, desacompanhados de tradução firmada por profissional juramentado. Regularmente cientificada daquele Acórdão em 19/10/2009 (fl. 318), a interessada, representada por seus advogados (fl. 235), interpôs recurso voluntário de fls. 319 a 357, em 18/11/2009. Em sua defesa, suscita a decadência do lançamento constituído em 2008, sobre fatos acontecidos anteriormente a 2003, sustentando que não é possível cobrar o tributo referente ao anocalendário de 2003, quando esse tributo não incide sobre o patrimônio, mas sobre a sua aquisição, que é anterior a 2003. Aduz que a internação de dinheiro, o seu transporte do exterior para o Brasil, não constitui fato gerador do Imposto de Renda. Entende que é inaceitável qualquer restrição quanto à compreensão do idioma dos documentos expedidos pelos países integrantes do MERCOSUL, em face dos princípios que norteiam a cooperação internacional entre os países membros. Argumenta que não houve nenhuma simulação destinada à "internação" de recursos, os quais pertenciam de fato à empresa existente, regularmente constituída segundo as leis uruguaias. Afirma que não há prova de que a recorrente integrava o quadro societário da empresa no momento da venda das quotas, salientando que a posterior aquisição dos títulos (ações) ao portador se deu exatamente como garantia de pagamento das quotas vendidas. Solicita a juntada de cópia do Laudo de Exame de Dispositivo de Armazenamento Computacional Laudo nº 287/2009 Setor TécnicoCientífico do Departamento de Polícia Federal do Ceará (cujo original está presente nos autos 2006.81.00.00171072 – 11ª Vara Federal da Seção Judiciária do Ceará), como elemento de prova decisivo quanto à regularidade das operações fiscalizadas e à correlata inexistência de qualquer ilícito fiscal, eis que nele consta o resultado da perícia realizada no âmbito da Polícia Federal, cuja conclusão foi no sentido de que não foram encontrados "provas ou indícios" da prática de crimes de sonegação fiscal, não subsistindo, assim, as supostas operações dissimuladas de "internalização" de rendimentos tributáveis originários do exterior, que é o objeto do presente lançamento. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10380.100832/200817 Acórdão n.º 2801003.332 S2TE01 Fl. 419 7 Requer que seja pronunciada a decadência do direito de lançar. Eventualmente, que sejam reconhecidas a ilegalidade e improcedência das ações ficais, para fins de declarálas nulas. Na folha 363 consta um “Relatório de Pesquisa e Investigação”, elaborado pelo Escritório de Pesquisa e Investigação na 3ª Região Fiscal da RFB, em novembro de 2006, onde se discorre sobre operações do Grupo “Freitas”, tanto pessoas jurídicas quanto físicas, dentre as quais a contribuinte aqui Recorrente. Anexou ainda decisão da justiça federal no processo nº 2006.81.00.0171072 (fl. 359), que trata das ações do grupo, envolvendoo no notório Caso Banestado, e cópias de documentos tratando das relações do país no Mercosul, especialmente sobre o idioma utilizado. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. As folhas a que me refiro são as identificadas após a digitalização processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf) Em relação à infração lançada e descrita como “omissão de rendimentos juros remuneratórios recebidos no anocalendário 2006” é matéria não questionada e não será tratada, a teor do artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972. Preliminarmente, o recorrente alega que o crédito tributário teria sido alcançado pela decadência. Esclareçase que o fato gerador da obrigação tributária, em relação ao imposto sobre a renda das pessoas físicas (IRPF), completase em 31 de dezembro de cada ano. No presente caso, a disponibilidade econômica da renda deuse quando da realização do depósito bancário na conta corrente da contribuinte, em 13/08/2003. Assim, completouse o fato gerador, complexo anual, em 31 de dezembro de 2003. Temos, seguidamente, citado o Resp nº 973.733 do STJ, de relatoria do Ministro Luiz Fux, ao qual foi atribuída a sistemática dos “recursos repetitivos”: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10380.100832/200817 Acórdão n.º 2801003.332 S2TE01 Fl. 420 8 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Isso porque, no mérito, analisando os autos, entendo no sentido em que dispôs o Acórdão recorrido. Em seu Voto, no que diz respeito ao cerne da controvérsia instaurada, ou seja, a substância do depósito de R$ 322.724,00 ocorrida na conta corrente da Impugnante em 13/08/2003, discorre o Julgador de 1ª instância que (fl. 302): A contribuinte intimada a comprovar a origem do depósito bancário esclareceu que o depósito bancário correspondia a um recebimento da empresa uruguaia por pagamento de uma alienação de quotas de capital da empresa Freitas Empreendimentos Ltda. Para o presente caso, houve uma descaracterização da alegada operação de alienação de quotas de capital. A fiscalização considerou o depósito bancário como de origem comprovada e o tributou como rendimento de capital mantido no exterior sem tributação. Não tendo a contribuinte demonstrado a data de percepção dos rendimentos no exterior, é licito que se tome a data de internação dos recursos como a data de ocorrência do fato gerador. Como se verá no mérito, os fatos e documentos que instruem o Auto de Infração demonstram uma falsa alienação de quotas de capital por parte dos sócios da empresa Freitas Empreendimentos Ltda. Os documentos e os fatos demonstram que o depósito bancário, em conta corrente da cada sócio, não poderia ser justificado como originário de uma operação de alienação de quotas de capital, mas como de uma disponibilidade de rendimento de capital, mantido no exterior. (...) Comprovouse que a percepção desse rendimento foi camuflada em uma operação de alienação de quotas de capital. Nesse contexto é que a infração de omissão de rendimentos foi enquadrada no inciso VII do artigo 55 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999. Nesse entendimento, reprise se que não se está tributando fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2001 e 2002, anos de provável envio do recurso para o exterior. Também não se Fl. 420DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10380.100832/200817 Acórdão n.º 2801003.332 S2TE01 Fl. 421 9 está tributando a internação de recursos mantidos no exterior, pelo fato desses recursos terem sido enviados para o exterior sem autorização do Banco Central do Brasil e sem reconhecimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Comprovada a origem do depósito bancário, recurso advindo do exterior em nome da empresa Ticemill S/A, e a descaracterização da alienação de quotas de capital, pelo fato de não ter havido transferência das quotas de capital, haja vista que o alienante e o adquirente se confundiam em uma única pessoa, a fiscalização caracterizou o depósito bancário, feito em 2003, como rendimento percebido no exterior sem tributação. A data de constituição da empresa, Ticemill Sociedad Anonima, em 31/12/2001, não pode ser tomada como data de ocorrência do fato gerador, sob o entendimento de que na data da constituição dessa empresa consubstanciou a disponibilidade econômica e jurídica. Conforme entendimento já objeto de Súmula deste Conselho (Súmula CARF nº 72), havendo as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, não deve ser aplicado o artigo 150 do CTN, passando a regra de contagem a ser aquela estipulada pelo art. 173, inciso I, do CTN, in verbis: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Deste modo, diferentemente da tese do recorrente, em 07/10/2008, data da ciência do auto de infração, o lançamento foi efetuado tempestivamente, posto que, conforme será explicitado a seguir, quando da análise do mérito, restou configurado nos autos o apontado “evidente intuito de fraude”, vez que o contribuinte visou ocultar o fato gerador do imposto. Aplicandose as disposições do art. 173, inciso I, do CTN, tratandose de omissão de rendimentos ocorrida no anocalendário 2003, temse 01/01/2005 como termo inicial do prazo decadencial, primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado, e 31/12/2009 como termo final. Rejeito, portanto, a preliminar de decadência do direito de a Fazenda constituir crédito tributário relativo ao anocalendário albergado pela autuação. No mais, registrese que não restou configurado o cerceamento de direito de defesa alegado pela Recorrente, posto que a decisão recorrida de forma escorreita e fundamentada apresentou a razão pela qual rejeitou a documentação redigida em língua estrangeira acostada aos autos na impugnação, pelo que também rejeito essa preliminar. Quanto ao mérito, diante da análise das peças processuais, entendo suficientes as provas elencadas na autuação para descaracterizar a operação de alienação de quotas de capital alegada pela Recorrente, uma vez que se verificou o recebimento de rendimento de capital situado no exterior, sem tributação. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10380.100832/200817 Acórdão n.º 2801003.332 S2TE01 Fl. 422 10 Deste modo, havendo esta comprovação, ou seja, em face das provas produzidas que atestam não haver a alienação de quotas de capital alegada, a autoridade fiscal não somente tem o poder de efetuar de ofício o lançamento, como também o dever. Conforme destacado pela autoridade lançadora, não obstante a pessoa jurídica Ticemill S/A tenha domicílio no Uruguai e ser tida no negócio jurídico de compra e venda das cotas de capital da empresa Freitas Empreendimentos Ltda. como terceiro independente, ocupando a posição de adquirente (compradora), apurouse que o contribuinte e os demais sócios da empresa Freitas Empreendimentos Ltda. participavam do capital da empresa Ticemill S/A, e, deste modo, apesar dos atos formais de transferência de quotas de capital, a empresa Freitas Empreendimentos Ltda. permanecia com os mesmos sócios, sem que, na verdade, tivesse ocorrido qualquer substituição, fato comprovado pela efetiva titulação de Ações ao Portador da empresa Ticemill S/A. Demonstrou a fiscalização, portanto, tratarse de uma operação “ficta” visando a internação de recursos, mantidos no exterior, pelo conjunto de alienantes (referidos sócios), visto que, essas pessoas físicas não se retiraram, de fato, da condição de titulares majoritários das cotas de capital da empresa Freitas Empreendimentos Ltda.. Os Títulos Representativos das Ações ao Portador e os Certificados de Custódia foram obtidos através do Mandado de Busca e Apreensão efetuado nas pessoas físicas dos sócios da empresa Freitas Empreendimentos, e apontam que os sócios da empresa Freitas Empreendimentos possuíam Ações ao Portador, emitidas pela empresa Ticemill S/A. Os referidos Certificados, como se pode verificar da tradução juramentada, às fls. 113/116, atestam as custódias das ações ao portador do capital da empresa Ticemill S/A por conta e ordem de cada sócio da empresa Freitas Empreendimentos Ltda., todavia, o atestado no Certificado de Custódia não coaduna com o argumento de que as ações ao portador foram dadas em garantia do pagamento pela alienação das quotas de capital. Deste modo, como demonstrado pelo Fisco, a Recorrente percebeu em 13/08/2003, através de crédito em sua conta bancária, rendimento de capital mantido no exterior. Assim, quanto à alegada natureza do rendimento, ressaltese que a infração de omissão de rendimentos foi enquadrada no inciso VII do artigo 55 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999. Seria ocioso mencionar que todos os valores recebidos são passíveis de comprovação. E, no tocante a adiantamentos, doações, dinheiro em espécie, empréstimos, ou mesmo quaisquer recebimentos de créditos, os quais, eventualmente, justifiquem acréscimos patrimoniais, sua comprovação se processa mediante observação de uma conjunção de procedimentos que permitam a livre formação de convicção do julgador. Na espécie, não há dúvidas de que a responsabilidade pela apresentação das provas a descaracterizar a omissão apontada pelo Fisco compete ao contribuinte que praticou a irregularidade fiscal. O Código Tributário Nacional prevê na distribuição do ônus da prova nos lançamentos de ofício que sempre recairá sobre o Fisco o ônus da comprovação dos fatos constitutivos do direito de efetuar o lançamento (artigo 149, inciso IV). É ao Fisco que cabe a comprovação da falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. Deste modo, havendo esta comprovação, ou Fl. 422DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10380.100832/200817 Acórdão n.º 2801003.332 S2TE01 Fl. 423 11 seja, em face das provas produzidas que atestam não haver ocorrido a operação de ganho de capital como declarado pelo contribuinte, a autoridade fiscal efetuou o devido lançamento de ofício. Deveras, não vejo reparos a ser feito na decisão recorrida, pelos quais adoto os fundamentos ali esposados, os quais peço vênia para transcrevêlos em excertos a seguir: fls. 311/313 dos autos (...) Os fatos e documentos demonstram, ainda, que as empresas situadas no Uruguai eram administradas, gerenciadas e representadas por sócios ou representantes de empresas pertencentes ao grupo Empresarial Marcelo Freitas, tal como os senhores: Luciano Faria Bezerra, José Marcelo Matos de Freitas e Juliana Matos de Freitas, conforme Atas de Assembléias redigidas por cada uma das pessoas jurídicas situadas no Uruguai, documentos anexados às fls. 71/94. (...) A argumentação do contribuinte de que os sócios da empresa Freitas Empreendimentos Ltda pediram transferência de custódia (relativamente às ações ao portador da empresa uruguaia Ticemill Sociedad Anonima, da empresa C.H.T. Auditores Y Consultores para a empresa Greencross Corporation) reforça o entendimento da fiscalização e não sustenta o argumento da impugnação, uma vez que esse tipo de pedido somente seria admitido se feito por parte do detentor e proprietário das Ações ao Portador, ou seja, pelos acionistas originários, Daniel Angel Perez Blanco e Mansa Cristina Gonzalez Silvestri ou pelos sócios da empresa Freitas Empreendimentos Ltda. Ademais, não se verifica nos autos documento que demonstre que os fundadores ou o presidente da empresa Ticemill Sociedad Anonima tenham repassado a custódia para os sócios da empresa Freitas Empreendimentos Ltda em garantia de pagamento pela camuflada aquisição de quotas de capital. O fato de ter havido um espaço de tempo de mais de cinco meses entre os atos formais, feitos para materialização das transferências de quotas de capital dos sócios da empresa Freitas Empreendimentos Ltda para a empresa Ticemill Sociedad Anonima, que se deu em 05/03/2003, e a efetivação do pagamento pela aquisição das quotas, que se deu em 13/08/2003, não implica que tenha havido garantia pelo pagamento com repasse de Títulos Representativos de Ações ao Portador. Os Títulos Representativos de Ações ao Portador, acostados aos autos, fls. 100/105, e correspondente tradução juramentada, acostada aos autos, fls. 95/99, demonstram que os títulos foram emitidos no mês de julho de 2002, denotando que os sócios da Fl. 423DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10380.100832/200817 Acórdão n.º 2801003.332 S2TE01 Fl. 424 12 empresa Freitas Empreendimentos Ltda. possuíam ações ao portador, desde 2002. Os Certificados de Custódia, documentos anexados às fls. 110/115, e correspondente tradução juramentada, documento anexado às fls. 106/109, emitidos pela empresa uruguaia C.H.T. — Auditores e Consultores, demonstram que os sócios da empresa Freitas Empreendimentos possuíam Ações ao Portador da empresa Uruguaia Ticemill Sociedad Anonima. No Contrato de Cessão de Quotas de Freitas Empreendimentos Ltda não se verifica cláusula de que haveria posse de ações ao portador em garantia de pagamento. Por tudo isso, portanto, remanesce o entendimento da fiscalização de que, embora a empresa Ticemill Sociedad Anonima, sediada no Uruguai, apresentese, pelos atos formais, como sócia da empresa Freitas Empreendimentos Ltda, sediada no Brasil, os sócios da empresa Freitas Empreendimentos Ltda são de fato as pessoas físicas Juliana Matos de Freitas, Eveline Teixeira de Freitas, Renato Matos de Freitas, Raquel Matos de Freitas e Felipe Teixeira de Freitas, por serem proprietários da empresa Ticemill Sociedad Anonima, possuindo titularidade de ações ao portador, em custódia no Uruguai. Assim, não merecem aceitação os atos de alienação de quotas de capital, notadamente o Contrato de Cessão de Quotas de Freitas Empreendimentos Ltda.. (...)” No meu entendimento, a ausência de elementos factuais que possam elidir a infração apontada na autuação persiste nesta fase recursal. As conclusões advindas do Laudo n° 287/2009 – SETEC/SR/DPF/CE, cuja cópia foi anexada pela Recorrente às fls. 391 a396, não vinculam o presente julgamento, tampouco afastam a fundamentação posta no trabalho fiscal que resultou no presente lançamento. Pelo que se denota, o referido exame pericial referese à análise do conteúdo de material apreendido em face de Relatório emitido pela RFB, não fazendo, assim, o mencionado Laudo, referência ao procedimento fiscal em apreço. Além disso, como indicado no item 5 deste documento pericial, a análise ali desenvolvida indicou a possibilidade de necessidade de realização posterior de outros exames, face os arquivos protegidos por senhas e extração de informações de bases de dados, entre outros, o que, segundo estes, demandaria um procedimento pericial específico. Assim, não vejo tal documentação colacionada pela Recorrente como elemento suficiente a desconstituir o lançamento. Voltando à questão da materialidade da infração, cabe salientar que a regra básica é que a percepção de rendimentos pode gerar a obrigação de ser pago o tributo correspondente; para tanto, a legislação ordinária fixa os parâmetros que, uma vez atingidos, dão lugar ao nascimento da obrigação tributária. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10380.100832/200817 Acórdão n.º 2801003.332 S2TE01 Fl. 425 13 Dentre as regras traçadas pela lei tributária, está a que marca o momento em que se considera ocorrida à disponibilidade da renda ou dos proventos e, conseqüentemente, em que nasce a obrigação tributária correspondente. Dada a riqueza de informações das diversas peças dos autos, afigurase legítima a decisão do órgão julgador a quo, já que sobre a matéria em discussão, aplicase o disposto no art. 30, § 4°, da Lei n° 7.713/88, segundo o qual a tributação independe, entre outros motivos ali elencados, da denominação dos rendimentos e da forma de sua percepção, bastando para a incidência do imposto, o benefício ao contribuinte, de qualquer maneira e a qualquer título, ressalvadas apenas as hipóteses de isenção e não incidência expressamente definidas em lei, acompanhadas de provas irrefutáveis. E mais, é fato inconteste que em momento algum o legislador excepcionou o rendimento recebido pela Recorrente de fonte situada no exterior, até porque, se assim o fizesse, o autuado estaria desobrigado do recolhimento do imposto de renda. Assim, interpretar em matéria de leis, quer dizer não só descobrir o sentido que está por detrás da expressão, como também, dentre as várias significações que estão cobertas pela expressão, eleger a verdadeira e decisiva. Não há, pois, previsão legal sustentável para esta alegação apresentada na defesa, sendo o valor R$ 322.724,00 percebido, pela contribuinte, tributável de imediato à época do recebimento. Muito se ressalta o princípio da verdade material nos processos administrativos. Lembro, entretanto, que não pode ser empregado apenas em favor de um lado. E o que me salta aos olhos, da leitura dos autos, é a simulação de uma operação para ilidir a tributação. Os próprios argumentos preliminares do mérito, em relação à decadência, assumem que se articulou um capital no exterior, que depois retornou ao país na forma dos depósitos bancários nas datas e valores identificados, considerando o conjunto de pessoas envolvidas. Tenta entretanto deslocar a ocorrência do fato gerador para data anterior, em 2001 ou 2002. Vejamos a construção efetuada na peça recursal (fl. 324): Não resta dúvida de que o Fisco arquitetou uma estrutura de argumentos para demonstrar que as operações de 2003 não aconteceram, porque tudo "pano) de fundo" e "fantasia". Demonstrou, sim — aqui, o primeiro bônus —, que os fatos lhe são anteriores. Acatada a premissa, o Fisco esquece o respectivo ônus de deslocar temporalmente a operação de 2003, a pretexto de negála, para os anos calendários anteriores a 2003. Não parece razoável, perante a mínima lógica, exercitar toda uma demonstração de inexistência de operações e pretender, ao mesmo tempo, tributar as inexistências. De fato, se as operações de 2003 são inexistentes em 2003 porque oriundas de recursos enviados para o exterior em anos calendários anteriores a 2003; não possível, assim mesmo, cobrar o tributo sobre 2003, quando esse tributo não incide sobre o patrimônio, mas sobre a sua aquisição, que é anterior a 2003. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10380.100832/200817 Acórdão n.º 2801003.332 S2TE01 Fl. 426 14 Fato é que em 2003, na data demarcada, houve um ingresso de recursos na conta da Recorrente, que acresceram seu patrimônio, já que não se demonstra nem prova que esses recursos um dia saíram do país e essa operação em caso tratouse apenas de “retorno”. A simulação de negócios jurídicos, aliás, não ocorreu apenas em relação a esse caso. Lembro que houve outra transferência ficta de patrimônio, apontada pelo Fisco, em 2006, aqui relatada, e da qual a contribuinte não Recorreu, portanto admitindo o procedimento e as imputações fiscais. A substância do ingresso de recursos que não estavam na esfera de disponibilidade da contribuinte, a meu ver, está demonstrada. Portanto, configurada a hipótese de incidência do tributo. Não se pode desprezar a matéria em função da forma. As formalidades, aliás, existem como mero instrumento. Verificase que houve uma articulação, “uma arquitetura” dos contribuintes, e não do Fisco, para alcançar numerário, que se encontrava no exterior, sem a incidência de tributação. E se não suficientes todos os argumentos aqui expostos, que se lembre da igualdade e da capacidade contributiva, como princípios basilares a informar todo o sistema tributário. Assim, seria preciso, configurada a situação fática aqui verificada, mais que literalidades e visões estritamente formais do lançamento tributário, para desconstituir a exigência. DA MULTA QUALIFICADA. Quanto à multa qualificada, os fatos e os documentos acostados aos autos demonstram conduta de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A fundamentação da multa qualificada encontrase no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 10/20. Como se denota, os fatos e provas levantados pelo Fisco revelam que a conduta perpetrada pela Recorrente revela uma intenção clara de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ocultando, por meio de uma “ficta” operação de alienação de quotas de capital, a verdadeira causa de ingresso de rendimentos no País. Verificase legítima, portanto, a aplicação da multa qualificada de 150%. DA MULTA ISOLADA. Neste aspecto, entretanto, é preciso contextualizar a situação ora analisada, para se verificar as conseqüências e sanções a serem aplicadas, dentre as previstas no nosso ordenamento jurídico. A ausência de declaração de um rendimento, ou seu reconhecimento a menor, demanda a constituição da respectiva obrigação tributária pelo Fisco, mediante lançamento de ofício, e traz como corolário direto a aplicação da multa chamada “multa de ofício”, que encontra sua legitimidade no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. A conduta realizada pela contribuinte, pelo que do processo consta, evidencia contraditório exigirse dela, nesse contexto, o recolhimento do IRPF antecipado (carnê leão). Fl. 426DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10380.100832/200817 Acórdão n.º 2801003.332 S2TE01 Fl. 427 15 Embora pudesse ser, hipoteticamente, desdobrada em etapas, a conduta da contribuinte possui indissociável unidade lógica. Assim, sua segmentação, para fins de aplicação de penalidade, implicaria em injustificável bis in idem, pois significaria a aplicação de duas sanções sobre o mesmo suporte fático. Outrossim, tendo em vista que a interpretação do regime de aplicação de penalidade tributária é regida pelos preceitos contidos no art. 112 do CTN, dispositivo abaixo reproduzido: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II – à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação Não se pode, desse modo, interpretar literalmente cada enunciado, desprezando a análise sistemática e sua implicação sobre o mesmo contexto fático. Da mesma forma a natureza punitiva do vínculo estabelecido pela autoridade fiscal exige que, dentre as alternativas de interpretação possíveis, seja acolhida aquela mais favorável ao contribuinte. A alteração do artigo 44, II, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 11.488, de 2007, resultante da conversão da Medida Provisória 351, de 2007, não teve o condão de cumular a multa de ofício com a multa isolada, mas sim reduzir o percentual desta por se tratar de infração de menor gravidade. Assim, se estamos falando de multa isolada ela não pode ser cumulada com outra multa, sendo a primeira exigida, no decorrer do ano calendário, nas circunstâncias em que o contribuinte deixar de recolher os valores devidos a título carnê leão ou de estimativas e a segunda quando verificada omissão após o período de apuração e prazo para entrega da declaração. Desta feita, encerrado o ano calendário, não há o que se falar em recolhimento de carnê leão, mas sim no efetivo imposto devido. Aqui, diferentemente do carnê leão ou das estimativas, temse infração que diz respeito ao não pagamento de tributo e, portanto, cominada com penalidade mais grave. Nestes casos a multa devida é a de ofício incidente sobre o tributo devido e não pago. Quando se fala em multa isolada, esta só pode estar relacionada ao não recolhimento do carnê leão devidos durante o ano calendário. Nada obstante, esse é o entendimento já assentado no âmbito deste Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício 2003, 2004, 2005 (...) MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10380.100832/200817 Acórdão n.º 2801003.332 S2TE01 Fl. 428 16 A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. [...]” (Processo n.º 10909.000897/200786 82C1T1; Acórdão n.º 210100.281 fl. 647,2011) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art.44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso voluntário provido. (Processo n.º 18471.000571/200586; Acórdão n.º 2802002.160, 2013) MULTA ISOLADA – DUPLA INCIDÊNCIA – A omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas deve ser punida com a multa isolada prevista no art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430, de 1996. Indevida sua exigência conjunta com a multa de ofício por declaração inexata, com a mesma base de cálculo.(CSRF/0400105,de 22/09/2005, da 4ª Turma, relatora Leila Maria Scherrer Leitão) MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art.44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo.( CSRF/0400832, de 04/03/2008 da 4ª Turma, relatora Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e CSRF/0104987, de 15/06/2004 da 1 Turma, relatora Leila Maria Scherrer Leitão) Sendo assim, entendo indevida a cobrança da multa isolada, que deve ter sua exigência cancelada.. Portanto, no tocante às multas lançadas, cabível, neste caso, apenas a multa de ofício de 150% exigida juntamente com o tributo. Ante ao acima exposto, VOTO por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária tãosomente a multa isolada por falta de recolhimento do carnêleão. Assinado digitalmente. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10380.100832/200817 Acórdão n.º 2801003.332 S2TE01 Fl. 429 17 Marcio Henrique Sales Parada. Voto Vencedor Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Redatora Designada. Com a devida vênia do Nobre Relator, Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, permitome divergir de seu voto, diante dos fatos constantes deste processo. Entendo que antes mesmo de se analisar as questões trazidas pela defesa no recurso, vale examinar se restou comprovada nos autos a ocorrência do fato gerador do imposto de renda exigido no lançamento. Ou seja, se constam dos autos elementos suficientes para comprovar que a contribuinte, de fato, auferiu rendimentos de fontes situadas no exterior. O inciso VII do art. 55 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) determina que são também tributáveis os rendimentos recebidos no exterior, transferidos ou não para o Brasil, decorrentes de atividade desenvolvida ou de capital situado no exterior. Do dispositivo acima mencionado inferese que para caracterizar a omissão de rendimentos recebidos no exterior devem restar comprovadas duas hipóteses: (i) que o contribuinte recebeu rendimentos no exterior e (ii) que tais rendimentos sejam decorrentes de atividade desenvolvida no exterior ou de capital situado no exterior. Este não é o caso que se apresenta. Ainda que se considere que as provas juntadas aos autos sejam suficientes para comprovar que a contribuinte recebeu recursos provenientes do exterior, bem como descaracterizar a alienação de quotas de capital, pelo fato de não ter havido transferência das quotas de capital, não se pode, por presunção, considerar comprovado que os recursos movimentados nas referidas operações sejam fruto de rendimentos decorrentes de atividade desenvolvida no exterior ou de capital situado no exterior. Ressaltese que não existem nos autos nenhuma prova que conduza à conclusão de que a contribuinte recebeu rendimentos decorrentes de atividades desenvolvidas no exterior ou de capital situado no exterior. Isto é, não ficou comprovada a natureza dos rendimentos creditados do Banco Industrial e Comercial – BIC, em 13/08/2003, de modo a evidenciar a omissão de rendimentos recebidos no exterior. Na descrição dos fatos, à fl. 05, o autuante afirma que se trata de omissão de rendimentos de capital mantido no exterior. Entretanto, sequer identifica a espécie dos rendimentos, se lucros distribuídos, juros, dividendos, etc. No Termo de Verificação Fiscal, à fl. 19, consta que: “procedese ao lançamento de ofício de IRPF, na infração tipo do artigo 55. inciso VII do RIR/99, a título de "Outros Rendimentos"' do valor internado no País, em 13.08.2003, pela contribuinte EVELINE TEIXEIRA DE FREITAS, no montante de R$ 322.724,00. Nos casos de omissão de rendimentos, provas específicas devem ser produzidas. Indícios veementes de cometimento de ilícitos coletados no decorrer da ação fiscal não têm o condão de, por si sós, comprovar a omissão de rendimentos da forma como proposta no auto de infração. Importa observar que não se trata, na espécie, de lançamento baseado em presunção legal ou com base em provas indiretas, como, por exemplo, é o lançamento com Fl. 429DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10380.100832/200817 Acórdão n.º 2801003.332 S2TE01 Fl. 430 18 base em demonstrativos de evolução patrimonial, em que deve restar devidamente comprovado o acréscimo não justificado por rendimentos declarados, e do lançamento fundamentado por depósitos bancários de origem não comprovada. Nessa conformidade, não pode prosperar a infração de omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior, dada a inexistência de documentação hábil e idônea que comprove a natureza da percepção dos recursos transferidos ao Brasil, para que fosse possível aferir, se, de fato, referemse a rendimentos tributáveis recebidos de fontes no exterior. Nesse mesmo sentido, é o entendimento manifesto nos Acórdãos 2102 00.379 e 210200.547 da 2ª Turma Ordinária da 2ªSeção do CARF, conforme se extrai dos excertos a seguir transcritos: Acórdão 210200.379, de 30/10/2009, relatora a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. “Para ilustrar o entendimento esposado na decisão recorrida quanto à omissão de rendimentos recebidos do exterior, e então analisar seu acerto (ou não), é importante que se transcreva o trecho abaixo, o qual ilustra com perfeição o que motivou os membros da DRJ em São Paulo a exonerar esta parcela do lançamento, verbis: No caso em exame, a tese a ser demonstrada é, necessariamente, a “Omissão de Rendimentos” e, data vênia, tal demonstração não foi feita. Seguindo as palavras do professor Alfredo Augusto Becker, poderseia dizer que “não houve a realização integral da hipótese de incidência” pela demonstração nos autos de “todos os fatos nela previstos e que formam a composição específica àquela hipótese de incidência”. Ou, no dizer de Paulo de Barros Carvalho, não houve a demonstração da “ocorrência da vida real, descrita no suposto da norma individual e concreta expedida pelo órgão competente”, pois há necessidade de que satisfaça “a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese da norma geral e abstrata”. Ora, imputar a alguém a infração tributária de omissão de rendimentos pressupõe que o sujeito passivo tenha auferido rendimentos tributáveis e não os tenha oferecido à tributação. Para demonstrar que o contribuinte não ofereceu rendimentos à tributação basta uma breve comparação entre os rendimentos comprovadamente recebidos e à declaração de ajuste. Por outro lado, a comprovação da percepção destes rendimentos é que requer provas específicas. No caso de omissão de rendimentos, seja recebido de pessoa física ou de pessoa jurídica, tem que ser identificada a fonte dos pagamentos, a natureza destes rendimentos, e comprovada a efetiva percepção dos valores recebidos. Neste caso, a prova é direta e os autos devem trazer todas estas demonstrações de forma clara. Operase de maneira diferente a demonstração da incidência tributária quando o lançamento se dá com base em presunção legal ou com base em provas indiretas. São os casos, Fl. 430DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10380.100832/200817 Acórdão n.º 2801003.332 S2TE01 Fl. 431 19 por exemplo, do lançamento com base em demonstrativos de evolução patrimonial, em que deve restar devidamente comprovado o acréscimo não justificado por rendimentos declarados, e do lançamento fundamentado por depósitos bancários de origem não comprovada. Para cada caso de omissão detectada no procedimento fiscal, estas específicas demonstrações devem vir descritas seja no auto de infração, seja no Termo de Verificação Fiscal, e os documentos que a fundamentam devem estar juntados aos autos. São elementos necessários que devem obrigatoriamente subsidiar o lançamento tributário. No caso em questão, data vênia, não se encontram os elementos que permitam concluir pela omissão de rendimentos recebidos do exterior, porquanto, não foram identificadas a natureza e a fonte dos rendimentos. Não se pode garantir sequer que estes rendimentos foram pagos por fonte no exterior. O fato de as transações terem sido feitas entre contas mantidas no exterior não é suficiente para se afirmar que os rendimentos tenham como origem fonte situada no exterior. Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 747/753), a autoridade lançadora relata que “o contribuinte é identificado como beneficiário final das transações, valores estes considerados como rendimentos brutos recebidos, transferidos ou não para o Brasil, decorrentes de atividade desenvolvida ou de capital situado no exterior”. Não se vislumbra o nexo causal entre constar o contribuinte como beneficiário final de transferências financeiras e a omissão de rendimentos atribuída. Notese que no citado Termo, expressamente, se admite o desconhecimento acerca da natureza e da fonte dos rendimentos, uma vez que menciona tratarse de rendimentos decorrentes de atividade exercida ou de capital situado no exterior. Em que pese haver em tais operações indícios veementes de cometimento de ilícitos não só fiscais como também cambiais, não há como se concluir pela omissão de rendimentos da forma como proposta no auto de infração. Como visto acima, nos casos de omissão de rendimentos, provas específicas devem ser produzidas. Indícios coletados no decorrer da ação fiscal não têm o condão de, por si sós, comprovar este tipo de infração. Entendo que ordens de pagamento entre contas no exterior, ainda que os titulares sejam terceiras pessoas, e cuja origem dos recursos restou não comprovada pelo real beneficiário da transferência, poderiam servir como subsídios para se apurar eventual omissão de rendimentos com base na presunção contida no art. 42, da Lei 9.430/96. No entanto, tal não foi o caso do presente lançamento. Dessa forma deverão ser retirados da base de cálculo os seguintes valores: (...) Fl. 431DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Processo nº 10380.100832/200817 Acórdão n.º 2801003.332 S2TE01 Fl. 432 20 Como se vê, o fundamento para a exoneração destes valores do lançamento foi a falta de provas da ocorrência do fato gerador na hipótese, já que a autoridade fiscal deixou de comprovar a efetiva omissão de rendimentos da qual o Recorrente é acusado.” Acórdão 210200.547, de 15/04/2010, relatora a Conselheira Núbia Matos Moura. “O inciso VII do art. 55 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) determina que são também tributáveis os rendimentos recebidos no exterior, transferidos ou não para o Brasil, decorrentes de atividade desenvolvida ou de capital situado no exterior. Do dispositivo acima mencionado inferese que para caracterizar a omissão de rendimentos recebidos no exterior devem restar comprovadas duas hipóteses: (i) que o contribuinte recebeu rendimentos no exterior e (ii) que tais rendimentos sejam decorrentes de atividade desenvolvida no exterior ou de capital situado no exterior. Este não é o caso que se apresenta. Ainda que se considere que as provas juntadas aos autos sejam suficientes para comprovar que o contribuinte realizou as operações de remessas de recursos ao exterior, não se pode extrapolar tal conclusão para considerar comprovado que os recursos movimentados nas referidas operações sejam fruto de rendimentos decorrentes de atividade desenvolvida no exterior ou de capital situado no exterior.” Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 432DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
score : 1.0
Numero do processo: 11030.902165/2012-29
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 21 65 /2 01 2- 29 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902165/201229 Acórdão n.º 3803005.260 S3TE03 Fl. 70 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Porto Alegre/RS que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o pedido de restituição formulado, relativo a indébito da Cofins devida em novembro de 2002, apurada com base na Lei nº 9.718, de 1998, no montante de R$ 1.818,73. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da Cofins, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS1, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de parte do livro Registro de Apuração do ICMS, de planilha de apuração da contribuição por ele elaborada, do Pedido Eletrônico de Restituição (PER) e do DARF, que, segundo ele, comprovariam a origem do direito creditório pleiteado. A DRJ Porto Alegre/RS não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 7 de agosto de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 5 de setembro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. 1 ICMS: Imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902165/201229 Acórdão n.º 3803005.260 S3TE03 Fl. 71 3 Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 2, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. 2 ADC n° 18/DF Fl. 71DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902165/201229 Acórdão n.º 3803005.260 S3TE03 Fl. 72 4 Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998, as contribuições para o PIS e a Cofins incidem sobre o faturamento, encontrandose previstas no § 2º do art. 3º da mesma lei as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão do ICMS (inciso I do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998) quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; mas somente nessa hipótese. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902165/201229 Acórdão n.º 3803005.260 S3TE03 Fl. 73 5 Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 73DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.018588/2003-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 28/02/1999 a 31/07/2002
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO CONFIGURADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não deve ser conhecido recurso especial interposto com base em acórdão prolatado diante de situação fática que não corresponde à hipótese figurada nos autos em que foi prolatado o acórdão recorrido. Ao passo que o presente processo trata da eficácia da realização de depósito judicial para atender à condição necessária ao gozo da anistia prevista no artigo 12 da MP nº 75/2002, o acórdão utilizado como paradigma refere-se à análise sobre a possibilidade de que o depósito judicial seja considerado como pagamento para fins da dispensabilidade da lavratura de auto de infração para prevenir a decadência.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-002.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Otacílio Dantas Cartaxo.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 28/02/1999 a 31/07/2002 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO CONFIGURADA. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido recurso especial interposto com base em acórdão prolatado diante de situação fática que não corresponde à hipótese figurada nos autos em que foi prolatado o acórdão recorrido. Ao passo que o presente processo trata da eficácia da realização de depósito judicial para atender à condição necessária ao gozo da anistia prevista no artigo 12 da MP nº 75/2002, o acórdão utilizado como paradigma refere-se à análise sobre a possibilidade de que o depósito judicial seja considerado como pagamento para fins da dispensabilidade da lavratura de auto de infração para prevenir a decadência. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
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DIVERGÊNCIA NÃO CONFIGURADA. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido recurso especial interposto com base em acórdão prolatado diante de situação fática que não corresponde à hipótese figurada nos autos em que foi prolatado o acórdão recorrido. Ao passo que o presente processo trata da eficácia da realização de depósito judicial para atender à condição necessária ao gozo da anistia prevista no artigo 12 da MP nº 75/2002, o acórdão utilizado como paradigma referese à análise sobre a possibilidade de que o depósito judicial seja considerado como pagamento para fins da dispensabilidade da lavratura de auto de infração para prevenir a decadência. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Otacílio Dantas Cartaxo. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 85 88 /2 00 3- 51 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por NANCI GAMA 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em face ao acórdão de número 340200.572, proferido pela Segunda Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para considerar que a obrigação tributária relativa ao pagamento da COFINS referente ao período de setembro de 2001 a julho de 2002 teria sido satisfeita, por meio de depósito judicial realizado pelo contribuinte (entidade previdenciária) em 30/09/2002, no montante do principal da COFINS, sem juros e multa, em consonância à anistia concedida no período por meio do artigo 12 da MP nº 75/2002, conforme ementa a seguir: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO. A realização de depósito cujos valores são repassados à conta única do Tesouro Nacional, no mesmo prazo de repasse dos tributos pagos, satisfaz a obrigação tributária e configura o exercício da faculdade de pagar o tributo deferida pelo art. 12 da Medida Provisória nº 75, de 2002. Recurso Provido.” Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência por meio do qual aduziu, em síntese, a impossibilidade de que o depósito judicial realizado pelo contribuinte pudesse ser considerado como efetivo pagamento do tributo para fins de extinção do crédito tributário e para efeitos de cumprimento das condições para se fazer jus ao benefício previsto no artigo 12 da MP nº 75/2002, tendo suscitado, para tanto, como acórdão paradigma, o de nº 20214.940, a seguir ementado: “NORMAS PROCESSUAIS – DEPÓSITO JUDICIAL: Não se confunde com pagamento, dele juridicamente se externa, pois justamente exprime a recusa ao pagamento de parte do depositante. Não possibilita o lançamento por homologação em relação ao valor depositado, nem torna dispensável a constituição do crédito tributário pelo lançamento formal para prevenir a decadência e garantir a exequibilidade do crédito tributário. Afasta a comunicação de multa e juros moratórios neste lançamento, já que elide os efeitos da mora em face das obrigações de prazo certo. DCTF – Os créditos tributários nela declarados, com exigibilidade suspensa por força de dpósitos judiciais, prejudica, inclusive, a sua utilidade como instrumento de “confissão de dívida”, pois nessa circunstância retrata a rejeição do sujeito passivo aos débitos ali declarados. Recurso negado.” Fl. 350DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10680.018588/200351 Acórdão n.º 9303002.452 CSRFT3 Fl. 350 3 Em despacho de nº 34001219, o i. Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, na qual suscitou a inadmissibilidade do recurso especial, aduzindo, para tanto, que as premissas fáticas e de direito objeto do acórdão recorrido (relativo à validade do depósito judicial para fins de fruição do benefício instituído pela MP nº 75/2002) seriam distintas daquelas constantes do acórdão utilizado como paradigma (relativo à validade de depósito judicial como meio hábil de excluir um lançamento lavrado para prevenir a decadência), ou, caso assim não se entendesse, que fosse julgado totalmente improcedente o recurso especial para que fosse integralmente mantido o acórdão a quo. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e passo a analisar a sua admissibilidade no que se refere à configuração da divergência. Conforme se infere do voto proferido nos autos do acórdão recorrido, a Câmara a quo analisou se a realização de depósito judicial pelo contribuinte teria o condão de atender à condição necessária ao gozo da anistia prevista no artigo 12 da MP nº 75/2002, qual seja: a de “pagar em parcela única, até o último dia útil o mês de novembro de 2002, com dispensa de juros e multa, os débitos relativos à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins”. Paralelamente, o acórdão utilizado como paradigma pela Fazenda Nacional referese à análise acerca da possibilidade de que o depósito judicial seja considerado como pagamento para fins de que seja tido como “dispensável a constituição do crédito tributário pelo lançamento formal para prevenir a decadência e garantir a exequibilidade do crédito tributário”. A meu ver, a análise acerca dos efeitos do depósito judicial em cada uma das hipóteses será diferenciada a depender do caso concreto. Ao passo que o presente caso concreto se refere aos efeitos do depósito judicial para fins de subsunção do fato à norma constante do artigo 12 da MP nº 75/2002, o caso utilizado como paradigma se refere aos efeitos do depósito judicial como instrumento suficiente para a confissão da dívida pelo contribuinte para fins de dispensabilidade de auto de infração lavrado para prevenir a decadência. Tratamse, a meu ver, de premissas fáticas completamente distintas que não se prestam para delinear a divergência pretendida pela Fazenda Nacional. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por NANCI GAMA 4 Face ao exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional por não ter sido configurada a divergência. Nanci Gama Fl. 352DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por NANCI GAMA
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