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Numero do processo: 10840.003786/2004-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
DEPÓSITO JUDICIAL - ANTECIPAÇÕES DE PAGAMENTO - APLICAÇÃO DA SISTEMÁTICA DO ARTIGO 154, § 4º DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL
O depósito judicial corresponde a antecipações de pagamento nos termos da Lei de modo que na sua ocorrência aplica-se a sistemática de prescrição disposta no artigo 154, § 4º do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3801-001.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conheceu-se dos embargos para acolher a alegação de omissão no Acórdão e retificá-lo nos termos do voto do relator, todavia sem alterar a decisão embargada.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
EDITADO EM: 23/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conheceuse dos embargos para acolher a alegação de omissão no Acórdão e retificálo nos termos do voto do relator, todavia sem alterar a decisão embargada. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM: 23/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 37 86 /2 00 4- 11 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela União, através da Procuradora da Fazenda Nacional, com fulcro no art. 65 e ss. do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, observando sanar eventual contradição no acórdão proferido nesse processo — Acórdão n° 380100.185, de 06 de julho de 2009, pleiteando o esclarecimento no que tange a declaração de decadência do período de apuração em discussão, posto que a autoridade autuante teria até 01/01/2005 para constituição do respectivo crédito tributário, cuja notificação do lançamento ocorreu em 27/12/2004, dentro, portanto, do prazo decadencial de 5 (cinco) anos. Nesse sentido alega a Embargante que inexistindo a comprovação de pagamento parcial do tributo, consoante se depreende do presente auto de infração, impõese a aplicação da regra de contagem constante do art. 173, I, do CTN, nos termos da jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o que importa relatar. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003786/200411 Acórdão n.º 3801001.579 S3TE01 Fl. 211 3 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Os Embargos são tempestivos e satisfazem os demais requisitos de admissibilidade, portanto deles conheço. Revisando o acórdão embargado é clara a distinção que o mesmo faz entre a aplicação do prazo decadencial do direito de lançar tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplicandose o artigo 173 do Código Tributário Nacional somente quando não há pagamento e o disposto no artigo 154, § 4º do Código Tributário Nacional, quando há antecipações de pagamento. No caso em questão, consoante o disposto no próprio auto de infração a contribuinte efetuou depósitos judiciais no montante dos débitos, sendo que esses débitos foram apurados tendo como base de cálculo, os valores informados na DIPJ/99. O depósito desde os primórdios teve, sempre, como fulcro a garantia do juízo. O valor consignado visava prestar um conforto ou caução ao magistrado. Mediante a garantia o autor demonstra que a recusa de pagar a obrigação exigida não se deve ao fato de ausência do numerário suficiente, mas por entendêla indevida. Porém, com a edição da Lei nº 9.703/98 o depósito deixou de ser, exclusivamente, uma garantia do juízo, pois absorveu características de pagamento prévio, que o contribuinte faz mediante a tutela judicial, constando expressamente no seu artigo 2A que “aos depósitos efetuados antes de 1º de dezembro de 1998 será aplicada a sistemática prevista nesta Lei de acordo com um cronograma fixado por ato do Ministério da Fazenda, sendo obrigatória a sua transferência à conta única do Tesouro Nacional” de modo que os valores anteriores passaram também a ser antecipações de pagamento. A lei trata a conversão do depósito em renda como pagamento definitivo, o implica em dizer que o depósito, em si, é um pagamento provisório ou antecipado, tal qual ocorre com o pagamento no lançamento por homologação. O acórdão embargado concluiu que “no caso em apreço, verificase que os fatos geradores da COFINS autuados remotamse a janeiro/1998 a dezembro/1998 (fls. 05/06), o inicio da fiscalização através do MPF n° 08.1.09.002004000916 se deu em 14/12/2004 (fls. 01), e a constituição do crédito tributário através da ciência ao contribuinte da lavratura do Auto de Infração se deu em 27/12/2004 (fls. 141) Concluise, facilmente, que o lançamento foi efetuado fora do prazo permitido à Fazenda Nacional para essa exigência (art. 150, §4, do CTN).” Realizado o depósito correto o entendimento do acórdão em aplicar o prazo do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional ao caso presente. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Diante do exposto, conheço dos embargos para acolher a alegação de omissão no Acórdão, no entanto, por ausência de justificativas satisfatórias, nego provimento ao pedido, para manter a decisão embargada. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13820.000349/2004-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTOS.
Inexistindo os pressupostos regimentais estabelecidos no art. 65 do RICARF, rejeitam-se os embargos de declaração.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3403-001.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
[Assinado com certificado digital]
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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PRESSUPOSTOS. Inexistindo os pressupostos regimentais estabelecidos no art. 65 do RICARF, rejeitamse os embargos de declaração. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. [Assinado com certificado digital] Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo Contribuinte ao Acórdão 3403001.460, de 20 março de 2012, por meio do qual o Colegiado, por maioria de votos, desproveu o recurso voluntário. Naquela assentada prevaleceu o entendimento de que antes do advento da lei nº 10.865/2004 a receita proveniente das vendas de veículos automotores estava sujeita à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 0. 00 03 49 /2 00 4- 71 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/11/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 incidência monofásica (Lei nº 10.485/2002) e, portanto, submetida ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e Cofins por força dos artigos 1º, § 3º, IV das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, combinado com o disposto no art. 8º, VII, “a” da Lei nº 10.637/2002 e do art. 10, VII, “a”, da Lei nº 10.833/2003. Em tempo hábil o contribuinte apresentou embargos de declaração, alegando a existência de omissões no acórdão recorrido em razão de que: 1) não teria sido analisada a aplicação dos artigos 5º, § 1º da Lei nº 10.637/2002 (PIS) e art. 6º, § 1º da Lei nº 10.833/2003 (Cofins), que tratam especificamente de hipóteses de exportação de produtos e reconhece nesses casos, o direito do contribuinte manter e aproveitar créditos decorrentes das etapas anteriores. Considerando que a Lei nº 10.485/2002 não disciplinou as receitas de exportação, é evidente a aplicação dos citados dispositivos; 2) somente foram aproveitados créditos relativos a insumos inseridos na sistemática da nãocumulatividade, ou seja, que não estavam sujeitos à alíquota zero da Lei nº 10.485/2002. O crédito só foi apurado e aproveitado em relação a insumos tributados pelo PIS e Cofins na etapa anterior à venda do veículo para o exterior; e 3) o acórdão embargado deixou de analisar que o crédito em discussão visa dar cumprimento ao art. 149, § 2º, I, da CF/88, que pretendeu desonerar as operações de exportação. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator ad hoc. Tendo em vista a aposentadoria da Conselheira Liduína Maria Alves Macambira, Redatora designada para o voto vencedor do acórdão embargado, passo a relatar os embargos de declaração. Os documentos anexados aos autos comprovam que o recurso foi manejado com a guarda do prazo regimental de cinco dias. A leitura do inteiro teor da decisão embargada revela que ela englobou implicitamente as três “omissões” alegadas. Vejamos. O voto condutor do acórdão embargado considerou que antes do advento da lei nº 10.865/2004 a receita proveniente das vendas de veículos automotores estava sujeita à incidência monofásica (Lei nº 10.485/2002) e, portanto, estava submetida ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e Cofins por força da exclusão prevista nos artigos 1º, § 3º, IV das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, combinado com o disposto no art. 8º, VII, “a” da Lei nº 10.637/2002 e do art. 10, VII, “a”, da Lei nº 10.833/2003. Ao citar expressamente os arts. 8º, VII, “a” da Lei nº 10.637/220 e 10, VII, “a” da Lei nº 10.833/2003, o acórdão deixou explícito que o contribuinte não tem direito ao crédito almejado, pois a redação desses dispositivos deixa bem claro que as receitas provenientes da venda de produtos sujeitos à incidência monofásica submetiamse, à época dos fatos, ao regime cumulativo não se lhes aplicando os artigos 1º a 6º da Lei nº 10.637/2002 e nem as artigos 1º a 8º da Lei nº 10.833/2003. Ora, dizer que os arts. 1º a 6º da Lei nº 10.637/2002 e 1º a 8º da Lei nº 10.833/2003 não são aplicáveis à receitas provenientes de operações com produtos sujeitos à incidência monofásica equivale a dizer que receitas submetidas ao regime cumulativo não dão Fl. 259DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/11/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13820.000349/200471 Acórdão n.º 3403001.795 S3C4T3 Fl. 4 3 direito à apuração de crédito do regime nãocumulativo, ainda que as receitas sejam decorrentes de exportação. Assim, é óbvio que não houve “omissão” no julgado nem quanto à aplicabilidade dos artigos 5º, § 1º da Lei nº 10.637/2002 (PIS) e do art. 6º, § 1º da Lei nº 10.833/2003; nem quanto à natureza dos créditos aproveitados (o fato de os insumos não estarem sujeitos à alíquota zero); e, tampouco, quanto ao cumprimento do art. art. 149, § 2º, I, da CF/88, uma vez que o Colegiado decidiu que as receitas do contribuinte estavam sujeitas ao regime cumulativo, no qual nunca existiu direito de crédito. É pacífico o entendimento segundo o qual o julgador não está obrigado a decidir a lide da forma como foi colocada pelas partes e nem é obrigado a rebater ponto a ponto todas as teses da defesa, conforme já decidiu o STJ nos acórdãos cujas ementas transcrevese a seguir: “Processo RESP 361026 / PI ; RECURSO ESPECIAL 2001/01380451 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 02/02/2006 Data da Publicação/Fonte DJ 20.02.2006 p. 261 TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. CSSL. COMPENSAÇÃO DE RESULTADOS NEGATIVOS ANTERIORES A 1992 IMPOSSIBILIDADE LEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA 90/92. 1. Ao Juiz cabe apreciar a lide de acordo com o seu livre convencimento, não estando obrigado a analisar todos os pontos suscitados pelas partes nem a rebater, um a um, todos os argumentos levantados nas razões ou nas contrarazões de recurso. Ausência de violação ao art. 535 do Código de Processo Civil. 2. "No STJ é firme o posicionamento no sentido de que não é possível ao contribuinte proceder à compensação de prejuízos anteriores ao exercício de 1992, inexistindo qualquer ilegalidade nas IN's 198/88 e 90/92 SRF" REsp 605.593/DF, Rel. Eliana Calmon, DJU 02.05.05 ). Súmula 83/STJ. 3. Recurso especial improvido.” (...) “RESP 677585 / RS ; RECURSO ESPECIAL 2004/01268898 Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 06/12/2005 Data da Publicação/Fonte DJ 13.02.2006 p. 679 RECURSO ESPECIAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. TUTELA ANTECIPADA. TRANSPORTADORAS DE VEÍCULOS. "CEGONHEIROS". INDÍCIOS DE ABUSO DE PODER ECONÔMICO E FORMAÇÃO DE CARTÉIS. 1. A violação do art. 535 do CPC ocorre quando há omissão, obscuridade ou contrariedade no acórdão recorrido. Inocorre o referido vício in procedendo posto não estar o juiz obrigado a tecer comentários exaustivos sobre todos os pontos alegados pela parte, mas antes, a analisar as questões relevantes para o deslinde da controvérsia. (....)” Inexistindo a obrigatoriedade de que sejam rebatidas ponto a ponto todas as alegações da defesa e tendo constado expressamente no acórdão embargado os dispositivos legais que determinam a sujeição das receitas provenientes de operações com produtos sujeitos Fl. 260DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/11/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 à incidência monofásica ao regime cumulativo, não há que se falar em omissão que renda ensejo aos embargos de declaração. Com essas considerações, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração. Antonio Carlos Atulim Fl. 261DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/11/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10680.723628/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/07/2010
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL - DECADÊNCIA. -NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO DA CONSTRUÇÃO EM PERÍODO DECADENTE - EXISTÊNCIA DE LAUDO
Havendo laudo demonstrando que parte da área já se encontrava construída, a decadência deve ser declarada.
Os documentos constantes dos autos demonstram a existência de toldo, cuja compra e instalação encontra-se comprovada, inclusive, tendo a instalação do mesmo ocorrido em período decadente.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-002.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para que se desconsidere da base de cálculo o valor de reforma em relação aos 370,19m2 e do toldo de 56,25m2, mantendo o restante do lançamento.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 31/07/2010 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL - DECADÊNCIA. -NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO DA CONSTRUÇÃO EM PERÍODO DECADENTE - EXISTÊNCIA DE LAUDO Havendo laudo demonstrando que parte da área já se encontrava construída, a decadência deve ser declarada. Os documentos constantes dos autos demonstram a existência de toldo, cuja compra e instalação encontra-se comprovada, inclusive, tendo a instalação do mesmo ocorrido em período decadente. Recurso Voluntário Provido em Parte
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NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO DA CONSTRUÇÃO EM PERÍODO DECADENTE EXISTÊNCIA DE LAUDO Havendo laudo demonstrando que parte da área já se encontrava construída, a decadência deve ser declarada. Os documentos constantes dos autos demonstram a existência de toldo, cuja compra e instalação encontrase comprovada, inclusive, tendo a instalação do mesmo ocorrido em período decadente. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 36 28 /2 01 0- 17 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para que se desconsidere da base de cálculo o valor de reforma em relação aos 370,19m2 e do toldo de 56,25m2, mantendo o restante do lançamento. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10680.723628/201017 Acórdão n.º 2401002.754 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório A presente NFLD, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social em virtude da utilização de mãodeobra assalariada, na edificação de obra de construção civil de responsabilidade do notificado, fls. 15 e 16. Conforme descrito no relatório o lançamento originouse nos seguintes fatos: Em 17/02/2006, o contribuinte em epígrafe, através de sua procuradora Rosilene Maria dos Santos, Carteira de Identidade nº M3.262.099 emitida pela SSPMG, entregou na unidade da Receita Federal do Brasil – RFB, situada na rua Levindo Lopes, 357, em Belo Horizonte MG, a Declaração e Informação Sobre Obra de Construção Civil – DISO, visando a regularização da obra com matrícula CEI nº 40.990.04353/60, situada na av. Raja Gabaglia 361 – lote 004 – Quart.12 – Cidade Jardim em Belo Horizonte – MG. 2 Com base no parágrafo quarto do artigo 33 da Lei nº 8.212/91, combinado com o Título IV, Capítulo IV da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13/11/2009 – DOU 17/11/2009, a RFB, em 20/02/2006, emitiu o Aviso para Regularização de Obra –ARO, aferindo R$ 27.535,73 como o valor da remuneração da mão de obra não decadente e R$ 10.133,15 como a contribuição a ser recolhida, referentes aos valores da contribuição patronal, dos segurados e à devida a Outras Entidades e Fundos – Terceiros, tendo sido o mesmo assinado pela procuradora da contribuinte, naquela data. 3 Tendo o contribuinte recolhido apenas parte do valor apontado pelo ARO, como devido, para a regularização da obra em questão, atendendo à determinação da IN/971/2009, art.340, §6º e art. 383, §4º, inciso I, foi o mesmo, encaminhado para esta fiscalização. 4 Foi emitido Termo de Início de Ação Fiscal e recebido pelo contribuinte em 15/09/2010. Nesta data, foramnos mostradas as guias de recolhimento da contribuição previdenciária, cópias em anexo, pagas em 23/02/2006 nos valores de R$1.909,49 e R$272,32 para a matrícula da obra, CEI nº 40.990.04353/60, as quais foram descontadas do valor do débito, conforme Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA. 5 Os valores apurados no ARO foram emitidos com base na Certidão de Baixa e Habitese de nº 00025/2006, em anexo, considerando que em 1981 a construção no citado endereço, já existia com 370,19 m2, conforme ali citado e que em 03/01/2006 foram concedidos o Habitese e a Baixa de construção (Processo 014100/0195), para modificações da área existente e acréscimos de 85,58 m2, de acordo com Alvará de Construção, em anexo e projeto visado pela prefeitura em 05102005. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Foi tomada como data de início da obra a competência outubro de 2005(data em que o projeto foi visado pela prefeitura) e término da obra a competência fevereiro de 2006 (data da Certidão de Baixa e Habitese da reforma e acréscimo da construção). Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa, fls. 28 a 37, tendo o recorrente alegado que a obra encontrase decadente em sua totalidade, mesmo considerando a realização do acréscimo. Foi emitida Decisão de Primeira Instancia, confirmando a procedência integral do lançamento, fls. 62 a 66. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2005 a 28/02/2006 REFORMA E DECADÊNCIA EM CONSTRUÇÃO CIVIL. Para provar a inexistência de reforma declarada em DISO, é necessária a juntada de Laudo Técnico emitido por profissional habilitado. A decadência deve ser comprovada por outros documentos oficiais, em que conste a área construída, quando a DISO e a Certidão de Baixa e Habitese constam áreas a regularizar em período não alcançado por aquele instituto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão da autarquia previdenciária, foi interposto recurso, conforme fls. 73 a 85 . Em síntese, o recorrente em seu recurso alega o seguinte: 1. O reconhecimento da decadência, tendo em vista que a obra inicial, com área construída de 370,19 m2, está regularizada desde 1981, e a área de acréscimo de 85,58 m2 (29,33 m2 canil, escritório e churrasqueira + 56,25 m2 toldo) concluída em 2003; 2. Alternativamente, que sejam acolhidos os recolhimentos através das GPS constantes do anexo nº 11 para o fim de se declarar extinto todo e qualquer valor relativo à regularização da obra matrícula CEI n° 40.990.04353/60. 3. Alega que o laudo técnico demonstra que a área de 56,25 é verdadeiramente de um toldo, podendo o fato ser constatado por meio de fotos e diligências por parte da fiscalização. 4. Requer alternativamente sejam considerados os recolhimentos realizados, bem como sejam apreciados os documentos constantes do recurso. É o Relatório. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10680.723628/201017 Acórdão n.º 2401002.754 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 238. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO QUANTO A APROPRIAÇÃO DE GUIAS Quanto a apropriação de recolhimentos entendo que razão não assiste ao considerando que no relatório fiscal o auditor destacou o aproveitamento das Guias recolhidas pelo recorrentes, senão vejamos: Foi emitido Termo de Início de Ação Fiscal e recebido pelo contribuinte em 15/09/2010. Nesta data, foramnos mostradas as guias de recolhimento da contribuição previdenciária, cópias em anexo, pagas em 23/02/2006 nos valores de R$1.909,49 e R$272,32 para a matrícula da obra, CEI nº 40.990.04353/60, as quais foram descontadas do valor do débito, conforme Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA. QUANTO A DECADÊNCIA Quanto a alegação da pretensa decadência do direito de lançar, entendo que primeiro deva ser analisado as alegações quanto a apresentação de documentos que comprovam a área construída para só então determinar o alcance da decadência. A base das alegações do recorrente são no sentido de que não realizou nenhuma reforma na área de 370,19 m2, tendo a mesma sido concluída em período decadente. Neste ponto, assiste razão ao mesmo, na medida que os documentos colacionados aos autos demonstram que já existia a referida construção, fl. 86 e 87 dos autos. O lançamento deve consubstanciarse em documentos e constatações. Discordo do entendimento descrito pela autoridade julgadora de que a de se presumir que um imóvel com 20 anos deve ter sofrido inúmeras reformas seja elétricas ou mesmo hidráulicas. Não vislumbro essas indicações nos autos, pelo contrário apesar de informar no DISO área a regularizar de 370m2, o contribuinte insurgiuse quanto a este fato e apresentou diversos documentos que demonstram suas alegações. Porém quanto a alegações de inexistência de acréscimo de 85,58 m2, argumentando que 56,25m2 correspondem a um toldo, razão confiro em parte ao recorrente. Observamos que a base para o lançamento foi documento emitido pela prefeitura, contudo demonstra o recorrente que o toldo existente no local (instalado em período alcançado pela decadência qüinqüenal), corresponde exatamente a metragem de 56, 25, sendo que o laudo e as provas acostados aos autos constatam a existência do mesmo. Assim, considerando que o lançamento deuse em 30/09/2010, tendo a cientificação ocorrido em 07/10/2010, e restando Fl. 133DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 comprovado a conclusão da obra ainda em 2003, independente do dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173, I ou art. 150, §4 do CTN, a decadência deve ser declarada. Contudo, não identifiquei pelos documentos a comprovação de que toda a área já se encontrava construída, razão porque deve ser excluído apenas a área referente ao toldo, bem como a parcela já efetivamente construída, conforme constante do autos (370 m2). A fiscalização previdenciária no exercício de atividade vinculada aferiu de forma indireta, na forma dos ditames legais, a mãodeobra utilizada na edificação da obra. A competência para realizar tal enquadramento advém de dispositivo legal, art. 33, § 4º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 33 – omissis (...) § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. Pelo exposto, entendo que não consegui o recorrente, em sua totalidade, afastar a exigência de contribuições, devendo ser excluída a parcela de reforma, referente aos 370, 19 m2, bem como os 56,25 m2 referente ao toldo. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se desconsidere da base de cálculo o valor de reforma em relação aos 370,19m2 e do toldo de 56,25m2, mantendo o restante do lançamento. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 134DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10380.012948/2006-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
Ementa:
OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. DESISTÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 01 DO CARF.
A opção pelo ajuizamento de ação judicial de demanda com o mesmo objeto da via administrativa importa renúncia desta última pela Contribuinte, em atendimento à Súmula no 01, in verbis:
SÚMULA No 01
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da consoante do processo judicial.
PIS. PESSOA JURÍDICA INVESTIDORA. FATURAMENTO.
As receitas financeiras compõem o faturamento das empresas que têm como objeto a participação em outras pessoas jurídicas, de modo que incide o PIS cumulativo e não-cumulativo sobre essas receitas.
Numero da decisão: 3401-001.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária do terceira seção de julgamento, em não conhecer parte do Recurso cuja matéria foi levada à apreciação do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negar provimento.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA
Vice-Presidente e Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça (Vice-Presidente), Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Emanuel Carlos Dantas de Assis e Ângela Satori. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 Ementa: OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. DESISTÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 01 DO CARF. A opção pelo ajuizamento de ação judicial de demanda com o mesmo objeto da via administrativa importa renúncia desta última pela Contribuinte, em atendimento à Súmula no 01, in verbis: SÚMULA No 01 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da consoante do processo judicial. PIS. PESSOA JURÍDICA INVESTIDORA. FATURAMENTO. As receitas financeiras compõem o faturamento das empresas que têm como objeto a participação em outras pessoas jurídicas, de modo que incide o PIS cumulativo e não-cumulativo sobre essas receitas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária do terceira seção de julgamento, em não conhecer parte do Recurso cuja matéria foi levada à apreciação do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negar provimento. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Vice-Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça (Vice-Presidente), Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Emanuel Carlos Dantas de Assis e Ângela Satori. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
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DESISTÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 01 DO CARF. A opção pelo ajuizamento de ação judicial de demanda com o mesmo objeto da via administrativa importa renúncia desta última pela Contribuinte, em atendimento à Súmula no 01, in verbis: “SÚMULA No 01 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da consoante do processo judicial”. PIS. PESSOA JURÍDICA INVESTIDORA. FATURAMENTO. As receitas financeiras compõem o faturamento das empresas que têm como objeto a participação em outras pessoas jurídicas, de modo que incide o PIS cumulativo e nãocumulativo sobre essas receitas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária do terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, em não conhecer parte do Recurso cuja matéria foi levada à apreciação do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negar provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 29 48 /2 00 6- 38 Fl. 637DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 17 /11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA 2 JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA VicePresidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça (VicePresidente), Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Emanuel Carlos Dantas de Assis e Ângela Satori. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 17 /11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10380.012948/200638 Acórdão n.º 3401001.993 S3C4T1 Fl. 638 3 Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado em 21/12/2000 (fls.03/16) lançando a diferença entre o valor escriturado e o valor pago do PIS cumulativo, cujos fatos geradores ocorreram entre janeiro e novembro e 2002 (fl.04); e do PIS não cumulativo dos fatos geradores ocorridos entre dezembro de 2002 e dezembro de 2005 (fls. 05/07). A autuada apresentou impugnação (fls.61/101), mas a DRJ em Fortaleza/CE manteve parte do lançamento, ao proferir acórdão (fls.481/487) com a seguinte ementa: “PIS CUMULATIVO E NÃO CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. PESSOA JURÍDICA. OBJETO SOCIAL. PARTICIPAÇÃO EM OUTRAS SOCIEDADES. A pessoa jurídica que tem por objeto social a participação, como cotista ou acionista, em outras sociedades aufere receita decorrente de sua atividade empresarial típica, quando obtém juros sobre o capital próprio, resgata ações ou recebe dividendos em função de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial, de modo que o valor de tais operações integra a base de calculo do PIS. PIS CUMULATIVO E NÃO CUMULATIVO. VARIAÇÃO CAMBIAL. As variações cambiais ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte integram a base de cálculo do PIS, quando da liquidação da correspondente operação, a não ser que o contribuinte tenha optado pela sua tributação de acordo com o regime de competência, o que se verifica no pagamento realizado. PIS NÃO CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. A partir de dezembro de 2002, a base de cálculo da contribuição é o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou c1assificação contábil. PIS NÃO CUMULATIVO. RECEITAS FINANCEIRAS. DECRETO Nº 5.164/2004. ALÍQUOTA ZERO. A partir de agosto de 2004, estão sujeitas à alíquota zero as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas submetidas ao regime nãocuinulativo, não se aplicando, todavia, àquelas oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte”. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 17 /11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA 4 A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 19/10/2011 (fl. 571) e interpôs Recurso Voluntário em 18/11/2011 (fls. 572/605), com as alegações resumidas abaixo. 1 O PIS incide somente sobre a receita de venda de bens e prestação de serviços, mas as receitas, objeto do lançamento, são oriundas de aplicação financeira, pagamento de juros sobre capital próprio e resgate de ações, de modo que não há incidência do PIS; 2 “A COELCE, controladora da ora Recorrente, iniciou a amortização do ágio objeto da incorporação pela própria COELCE, de sua controladora, Distriluz Energia Elétrica S.A (Distriluz), nos idos de 1999 (...). Assim, a COELCE efetuou pagamento a todos os seus investidores, inclusive à Impugnante, por intermédio do mecanismo de ‘desdobramento e resgate de ações’, revertendo para seus acionistas valores que de outra forma seriam enquadráveis como dividendos. Nesses termos, a substância esses valores de ‘desdobramento e resgate de ações’ de forma alguma representa receita tributável, e sim recuperação patrimonial das aplicações econômicas fulcradas na compra da COELCE, não perfazendose, portanto, base de cálculo das Contribuições para o PIS/PASEP e para a COFINS”.; 3 Os juros sobre capital própria têm natureza jurídica de dividendos e como tal não são tributados pelo PIS por determinação expressa do §1o, do art. 3o, da Lei nº 9.718/98 e inciso V, alínea “b”, do §3o, do art. 3o, da Lei nº 10.637/02. Ao fim, a Recorrente pediu o reconhecimento de seus argumentos para que seja integralmente cancelado o auto de infração. É o Relatório. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 17 /11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10380.012948/200638 Acórdão n.º 3401001.993 S3C4T1 Fl. 639 5 Voto Conselheiro JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, Relator O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente foi autuada em decorrência de não ter recolhido o PIS sobre aplicações financeiras, pagamentos de juros sobre capital próprio e resgate de ações. As matérias devolvidas para apreciação deste Conselho são referentes à incidência do PIS sobre receitas oriundas de aplicações financeiras; sobre o recebimento de juros sobre o capital próprio; e sobre o resgate de ações. 1. PIS do período entre janeiro e novembro de 2012. No período em questão, para o presente caso, era aplicada a Lei nº 9.718/98. Compulsando os autos, encontrouse nas fls. 526/538 (digitais) decisão do TRF da 5a Região, em Mandado de Segurança impetrado pela Recorrente, cuja ementa traz o seguinte conteúdo: “CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. PIS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA BRUTA. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA. LEI N.° 9.718/98. EC N° 20/98. INCONSTITUCIONALIDADE. PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. (...) 2. Quanto ao mérito da matéria em apreço, impendese seguir a orientação firmada pelo Supremo Tribunal Federal no bojo do RE 357950/RS, rei. orig. Min. Marco Aurélio e RE 346084/PR, rei. orig. Min. limar Galvão, datado de 09.11.2005 e consoante publicado no Informativo STF n° 408, no qual se declara, por maioria, a inconstitucionalidade do § 1o, do art. 3o, da Lei n° 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS, definindo o conceito de faturamento como sendo a receita bruta da pessoa jurídica, consoante se verifica na transcrição do Informativo aludido: "O Tribunal, por unanimidade, conheceu dos recursos e, por maioria, deulhes provimento para DECLARAR A inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei 9.718/98. Entendeuse que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, b, da CF, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, conforme reiterada jurisprudência do STF. Ressaltouse que, a despeito de a norma constante do texto atual do art. 195,1, b, da CF, na redação dada pela EC 20/98, ser conciliável com o disposto no art. 3o, do § 1o da Lei 9.718/97, Fl. 641DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 17 /11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA 6 não haveria se falar em convalidação nem recepção deste, já que eivado de nulidade original insanável, decorrente de sua frontal incompatibilidade com o texto constitucional vigente no momento de sua edição. Afastouse o argumento de que a publicação da EC 20/98, em data anterior ao início de produção dos efeitos da Lei 9.718/97 — o qual se deu em 1°.2.99 em atendimento à anterioridade nonagésima (CF, art. 195, § 6o —, poderia conferirlhe fundamento de validade, haja vista que a lei entrou em vigor na data de sua publicação (28.11.98), portanto, 20 dias antes da EC 20/98. Reputouse, ademais, afrontado o § 4o do art. 195 da CF, se considerado para efeito de instituição de nova fonte de custeio de seguridade, eis que não obedecida, para tanto, a forma prescrita no art. 154, I, da CF (‘Art. 154. A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição;)'. 3. Acompanhase a orientação traçada pelo Pretório Excelso, em que se firmou a inconstitucionalidade do § 1o , do art. 3o , da Lei n° 9.718/98, decisum este que, mesmo sem eficácia erga omnes, merece ser prestigiado. 4. Ressaltese que a inconstitucionalidade em comento há de ser reconhecida até o advento das Leis n°s 10.637/2004 e 10.833/03, respectivamente com relação ao PIS e à COFINS, que já sob a vigência da EC n° 20/98, tais leis passaram a impor sem nenhum vício de inconstitucionalidade as exações em questão. Assim, após a vigência das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, as contribuições para o PIS/COFINS podem incidir sobre a receita bruta. (...) 9. Remessa Oficial e Apelação da Fazenda parcialmente providas e Apelação do contribuinte improvida”. Como se verifica, a matéria acerca da composição da base de cálculo do PIS na vigência da Lei nº 9.718/98 já foi lavada ao Poder Judiciário pela Recorrente, ocorrendo a concomitância da matéria, o que leva à aplicação da Súmula nº 01 do CARF, a qual tem o seguinte enunciado: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Sendo assim, não conheço dessa parte do Recurso Voluntário. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 17 /11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10380.012948/200638 Acórdão n.º 3401001.993 S3C4T1 Fl. 640 7 2. PIS Nãocumulativo entre dezembro de 2002 e dezembro de 2005 Conforme descrito no art. 4o do Contrato Social da Recorrente (fl.608), o seu objeto social é “participar do capital da Companhia Elétrica do Ceará – Coelce e em outras sociedades, no Brasil e no exterior, na qualidade de sócia, quotista ou acionista”. Portanto, o investimento em capital é a atividade principal da empresa. No tocante ao período de dezembro de 2002 a dezembro de 2005, o qual a apuração foi feita pela nãocumulatividade, ou seja, pela Lei nº 10.637/02, a incidência do PIS é evidente, haja vista a norma estar em pleno vigor, com a seguinte redação no seu art.1o: “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. A alegação de não incidência de PIS sobre os juros sobre o capital próprio, por determinação expressa do §1o, do art. 3o, da Lei nº 9.718/98 e inciso V, alínea “b”, do §3o, do art. 3o, da Lei nº 10.637/02, por ter natureza jurídica de dividendo, não prevalece. As recentes decisões do Superior Tribunal de Justiça são pacíficas no sentido de que os juros sobre o capital próprio e os dividendos têm natureza distinta, conforme se verifica abaixo: “AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO BRASIL TELECOM S.A. CONTRATO DE PARTICIPAÇÃO FINANCEIRA – DIVIDENDOS – JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO CUMULAÇÃO POSSIBILIDADE RECURSO MANIFESTAMENTE IMPROCEDENTE IMPOSIÇÃO DE MULTA ART. 557, § 2º, DO CPC 1 A existência de pedido de pagamento de juros sobre capital próprio na petição inicial da ação de complementação acionária possibilita a condenação da parte demandada ao pagamento desse consectário. 2 É possível a cumulação de indenizações a título de juros sobre o capital próprio e de dividendos, tendo em vista a natureza jurídica distinta das referidas rubricas. 3 Os dividendos decorrem do lucro apurado pela sociedade empresária no período de um ano, cuja parcela é, conforme o caso, distribuída a seus sócios e os juros sobre capital próprio consistem no pagamento de uma remuneração aos acionistas a título de retribuição pelo investimento, calculados sobre as contas do patrimônio líquido da pessoa jurídica. 4 A interposição de recurso manifestamente inadmissível ou infundado autoriza a imposição de multa com fundamento no art. 557, § 2º, do CPC . 5 Agravo regimental desprovido com a condenação da parte agravante ao pagamento de multa no percentual de 1% (um por cento) sobre o valor corrigido da causa, ficando condicionada a interposição de qualquer outro recurso ao depósito do respectivo valor”. ( art. 557, § 2º, do CPC ). (STJ AgRgAI 1.411.085 Fl. 643DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 17 /11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA 8 (2011/00955848) Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira DJe 01.02.2012 p. 2891)(grifo nosso) “AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO – JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E DIVIDENDOS CUMULAÇÃO POSSIBILIDADE NATUREZAS DISTINTAS ENUNCIADO Nº 83/STJ AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO – 1 Possibilidade de cumulação de dividendos com juros sobre capital próprio, por possuírem naturezas jurídicas distintas. Enunciado nº 83/STJ . 2 AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO”. (STJ AgRgAI 1.373.796 (2010/02210888) 3ª T. Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino DJe 20.03.2012 p. 542)(grifo nosso) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES CUMPRIMENTO DE SENTENÇA – INCLUSÃO DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO NATUREZA JURÍDICA QUE NÃO SE CONFUNDE COM DIVIDENDOS EXCESSO DE EXECUÇÃO OCORRÊNCIA AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO COM APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 557, § 2º, DO CPC 1 Os juros sobre o capital próprio possuem natureza jurídica distinta à dos dividendos. Precedentes. 2 Não contemplados pelo título exeqüendo, não cabe a inserção dos juros sobre capital próprio em sede de cumprimento de sentença, sob pena de ofensa ao instituto da coisa julgada. 3 Embargos de declaração recebidos como agravo regimental, a que se nega provimento, com aplicação da multa. (STJ EDcl REsp 1.273.419 (2011/02012076) Rel. Min. Luis Felipe Salomão DJe 27.04.2012 p. 537) Em suma, as receitas oriundas de aplicações financeiras, do recebimento de juros sobre o capital próprio e de resgate de ações estão no campo de incidência do PIS, motivo de manutenção do auto do lançamento. Ex positis, não conheço do Recurso Voluntário referente à parte do lançamento do período entre janeiro e novembro de 2002 e, na parte conhecida, nego provimento. É como voto. Sala das Sessões, em 21 de agosto de 2012. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Fl. 644DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 17 /11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10380.012948/200638 Acórdão n.º 3401001.993 S3C4T1 Fl. 641 9 Fl. 645DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 17 /11/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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Numero do processo: 11080.725897/2010-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO.
Não se conhece Recurso Voluntário protocolizado após trinta dias da data da ciência do Acórdão da DRJ, conforme previsto no art. 33 do Decreto n. 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2403-001.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Leôncio Nobre de Medeiros.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. Não se conhece Recurso Voluntário protocolizado após trinta dias da data da ciência do Acórdão da DRJ, conforme previsto no art. 33 do Decreto n. 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido
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RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. Não se conhece Recurso Voluntário protocolizado após trinta dias da data da ciência do Acórdão da DRJ, conforme previsto no art. 33 do Decreto n. 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Leôncio Nobre de Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 58 97 /2 01 0- 31 Fl. 434DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Relatório Tratase de crédito lançado contra o contribuinte acima identificado, através de AI n° 37.294.6380. A autuação se deu em face da empresa ter deixado de arrecadar, mediante desconto da remuneração dos segurados empregados, avulsos e contribuintes individuais, a contribuição por eles devida, totalizando a importância de R$ 1.431,79 (hum mil, quatrocentos e trinta e um reais e setenta e nove centavos). DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração, por meio do instrumento de fls. 78/90, a qual não logrou êxito. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto AlegreRS, por meio da 7ª Turma da DRJ/POA, prolatou o Acórdão n° 1036.699 de fls. 313/321 mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. A constitucionalidade e a legalidade das leis são vinculadas para a Administração Pública. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus da prova em relação àquilo que alega, devendo fazêlo oportunamente por ocasião da impugnação. PRAZO PARA JUNTADA DE DOCUMENTOS. Não comprovada nenhuma das hipóteses previstas na legislação para a concessão de prazo para a juntada de documentos após a impugnação. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADOS. ARRECADAÇÃO. Cabe à empresa contratante dos serviços a arrecadação das contribuições dos segurados empregados, avulso e contribuinte individual, mediante desconto de sua remuneração. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11080.725897/201031 Acórdão n.º 2403001.606 S2C4T3 Fl. 3 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 MULTA. Inexistente nova previsão legal de multa para a conduta praticada, não há que se falar em aplicação de multa mais benéfica, devendo esta obedecer a legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se considera denúncia espontânea da infração as medidas tomadas pelo contribuinte para sanar a irregularidade após o iniciado o procedimento fiscal. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. Extinguese o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo às obrigações acessórias quando transcorrido o prazo de cinco anos a contar do exercício seguinte ao da prática da infração. PRESCRIÇÃO. Não há que se falar em prescrição sem a constituição definitiva do crédito tributário. JUROS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Somente a partir da constituição dos créditos por descumprimento de obrigação acessória correm os juros equivalentes à taxa SELIC. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, intempestivamente (fls. 431), Recurso Voluntário (fls. 313/321), requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, com os seguintes argumentos, após resumir os fatos: Preliminarmente Da Decadência Alega a Recorrente que em relação ao período de crédito compreendido entre 2006 a 2008 parte estaria decaído, em face do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional – CTN. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Alega que o período de 2006 em diante jamais poderia ser alvo do lançamento tributário, já que estaria extinto o direito da Fazenda cobrar o suposto débito. Do Direito Das Obrigações Acessórias e a Inconformidade Quanto à Multa Ante a Extensão dos Efeitos da MP 449 – Retroatividade da Lei Mais Benéfica. O efeito mais importante que teria dado o art. 24 da MP 449/2008 não seria a redução da multa de ofício, proporcionada a partir da edição da referida MP, mas sim o efeito retroativo a todos os débitos dessa natureza que ainda não tenham sido julgados definitivamente na esfera administrativa ou judicial. Dessa forma, no caso de multa por erro ou omissão na GFIP, que seria uma obrigação acessória, também deveria ser aplicada a mencionada retroatividade mais benéfica, conforme preceitua o art. 106 do CTN, sendo no presente caso aplicado o art. 32A da lei 8.212/91 que seria mais benéfico ao contribuinte em detrimento da norma aplicada no momento da autuação. Da Multa Moratória e da Ilegalidade da Taxa Selic Insurgese a Recorrente contra a cobrança de multas nos percentuais de acordo com os moldes previstos no art. 35A da lei 8.212/91 c/c o art. 44 da lei 9.430/96, bem como contra a aplicação da Taxa Selic, por estar sendo utilizado pelo governo federal como índice de correção monetária juros moratórios. Das Contribuições Individuais Que haveria divergência entre os cálculos elaborados pela Receita Federal e a efetiva contribuição devida para comparação da multa, dos valores apurados pela contabilidade. Do Pedido Ao final requer, a reforma da r. decisão de fls. 313/321, a fim de que seja reconhecido a insubsistência do Auto de infração e a consequente extinção do crédito tributário. Que não sendo assim entendido, que seja procedido novo cálculo, tendo por base a perícia que em anexo. É o relatório. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11080.725897/201031 Acórdão n.º 2403001.606 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Conforme constante na fl. 324, a empresa tomou conhecimento do Acórdão da DRJ, no dia 07/03/2012 (quartafeira), tendo iniciado o prazo para interposição do Recurso Voluntário no primeiro dia útil seguinte, nos termos do art. 5o do Decreto n. 70.235/72, qual seja, o dia 08/03/2012 (quintafeira). O prazo para a interposição de Recurso Voluntário é de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 33 do Decreto n. 70.235/72, verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Diante disso, os trinta dias para a interposição do Recurso Voluntário terminaram no dia 06/04/2012 (sextafeira). Logo, o Recurso Voluntário foi apresentado fora do prazo, vez que, conforme consta na fl. 325 do protocolo do Recurso, fls. 325/335, a petição fora protocolizada no dia 19/04/2012 (quintafeira), 43 dias após o recebimento do AR dando ciência do acórdão da Delegacia Regional de Julgamento DRJ. CONCLUSÃO Diante do exposto, manifestome pelo não conhecimento do Recurso Voluntário, face a sua intempestividade. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 438DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 19740.000111/2003-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Houve a ocorrência da questionada antecipação de pagamento
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM: 19/11/2012
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: DCTF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada(TODOS)
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 19/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Houve a ocorrência da questionada antecipação de pagamento Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 01 11 /2 00 3- 31 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 19/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 106 17.166, proferido pela 6ª Câmara 1º Conselho de Contribuintes em 06/11/2008, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência do lançamento levantada de ofício pelo Conselheiro relator. Segue abaixo sua ementa: “IRRF DECADÊNCIA — FATO GERADOR COM PERIODICIDADE DIÁRIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO — NÃO COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO — PRAZO DECADENCIAL CONTADO NA FORMA DO ART. 150, § 4°, DO CTN A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda retido na fonte é por homologação, com fato gerador ocorrido na data do pagamento ao beneficiário. Para esse tipo de lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu inicio na data do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando tem aplicação o art. 173, I, do CTN. 0 lançamento que não respeita o prazo decadencial na forma antes exposta deve ser considerado extinto pela decadência. Decadência reconhecida.” A PGFN afirma que a decisão recorrida, quanto à decadência, diverge dos paradigmas que apresenta, cujas ementas serão descritas a seguir: "NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. Nos casos de ausência de pagamento antecipado e de dolo, fraude ou simulação, a regra para determinação do termo inicial do prazo decadencial dos tributos Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19740.000111/200331 Acórdão n.º 9202002.439 CSRFT2 Fl. 7 3 sujeitos ao lançamento por homologação deslocase da prevista no art. 150, § 4º , do CTN, para a do seu art. 173, I." (AC 201 79221) "DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Se não houve pagamento antecipado pelo contribuinte, é cabível o lançamento direto substitutivo, previsto no art. 149, V, do CTN, e o prazo decadencial regese pela regra geral do art. 173, I, do CTN." (AC 20217401) Explica que, quanto ao lançamento em que não há antecipação do pagamento, a Câmara a quo entendeu irrelevante a circunstância de não ter havido pagamento do tributo, para fins de aplicação do Art. 173, I do CTN, enquanto o paradigma entendeu que tal fato conduz à aplicação do Art. 173, I, ao invés do Art. 150, § 4º. Diz que a tese que defende foi recentemente firmada pelo STJ. Frisa que o lançamento de oficio de tributo que deveria ter sido recolhido mediante o sistema de "lançamento por homologação", observa o prazo decadencial disposto no art. 173, I do CTN, e não o prazo do art. 150, §º pois não haveria nada a homologar. Sustenta que a simples DIPJ não pode ser considerada como atividade do contribuinte passível de homologação, como bem pretendeu a Câmara a quo. Isto porque, somente seria possível detectar os tributos não revelados pela declaração de rendimentos, através de ação fiscal direta, onde se analisam todos os elementos de prova capazes de ratificar o que foi declarado pelo contribuinte. Nesse raciocínio, se o autuado emite declaração inexata, deixando de recolher tributo devido, não há que se falar em homologação, e o prazo qüinqüenal deverá ser contado conforme prescreve o art. 173 , inciso I, do CTN. Ao final, requer o conhecimento e provimento de seu recurso especial. Nos termos do Despacho n.º 920200.140, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarazões. Afirma que, no caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a homologação expressa praticamente inexiste, sendo os lançamentos homologados após o decurso do prazo de cinco anos sem que o fisco se manifeste acerca do lançamento efetuado. Entende que o qüinqüênio decadencial deve ser contado a partir da data do fato gerador da obrigação tributária, ou apenas e tão somente caso seja comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, contarseia o prazo a partir do primeiro dia do exercício seguinte, o que não restou configurado no caso em tela. Do exposto, declara que não há que se falar em deslocamento do comando legislativo inserto no art. 150, §4º do CTN para o 173, I do mesmo diploma legal. Requer que o recurso especial da Fazenda não seja provido. Eis o breve relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Fl. 4DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19740.000111/200331 Acórdão n.º 9202002.439 CSRFT2 Fl. 8 5 inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Em suma, inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No presente caso, foi imputada ao contribuinte a ausência de pagamentos de fatos geradores de IRRF (códigos 0561, 0588 e 1708) no 2° trimestre de 1998 (fls. 32). Ademais, percebese que o contribuinte apresentou a DCTF original do 2° trimestre de 1998 em 05/08/1998, complementandoa em 29/10/1998. Ocorre que ambas as DCTF citadas, original e complementar, confessaram os mesmos valores a titulo de IRRF (fls. 71). Por relevante, transcrevo trecho do acórdão recorrido: “Para comprovar que os débitos foram confessados em duplicidade, o contribuinte acostou uma cópia do Livro Razão, extraído de seu sistema contábilorçamentário (fls. 240 a 246). Essa prova é extremamente frágil, pois não há qualquer documentação de suporte dos lançamentos contábeis. Ademais, Fl. 5DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 sequer há a demonstração da integridade do Livro Razão em debate, bem como a assinatura do profissional contábil que o confeccionou. Apesar da fragilidade da prova produzida, devese reconhecer que não é plausível defender a idéia de que os fatos geradores confessados em ambas as declarações não tenham identidade. Ora, todos os fatos geradores das DCTF em debate têm identidade de data e valor até os centavos (fls. 71), o que é um indicio claro do equivoco perpetrado pelo recorrente. Entretanto, este relator percebeu que há uma questão de ordem pública que deve ser aventada de oficio, qual seja, a decadência, que, por si só, como na seqüência se verá, tem o condão de obstar qualquer discussão sobre as demais questões de mérito.” Portanto, concluo que, pelo menos, houve a ocorrência da questionada antecipação de pagamento. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 6DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10882.000037/2008-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A vedação contida na Constituição Federal sobre a utilização de tributo, e não da multa, com efeito de confisco é dirigida ao legislador, não se aplicando aos lançamentos de ofício efetuados em cumprimento das leis tributárias regularmente aprovadas.
JUROS DE MORA. SELIC A exigência da taxa SELIC como juros moratórios encontra respaldo na legislação regente, não podendo ser dispensada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A vedação contida na Constituição Federal sobre a utilização de tributo, e não da multa, com efeito de confisco é dirigida ao legislador, não se aplicando aos lançamentos de ofício efetuados em cumprimento das leis tributárias regularmente aprovadas. JUROS DE MORA. SELIC A exigência da taxa SELIC como juros moratórios encontra respaldo na legislação regente, não podendo ser dispensada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 00 37 /2 00 8- 79 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.000037/200879 Acórdão n.º 1402001.224 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório BRASALPLA BRASIL IND. DE EMBAL. LTDA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Tratase de autos de infração à legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, lavrados em 09/01/2008 (fls. 33/43), contra a contribuinte em epígrafe, em decorrência do procedimento de fiscalização autorizado pelo Registro de Procedimento Fiscal — RPF n° 08.1.13.00.200700373 0 — Revisão Interna da DIPJ/2004, anocalendário de 2003. Conforme DEMONSTRATIVOS CONSOLIDADOS DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DO PROCESSO (fls. 02/03) foi formalizada a exigência no total de R$ 2.233.388,09, já incluídos o principal, a multa de oficio de 112,50% e os juros de mora calculados até a data da lavratura, assim discriminados: 0 trabalho fiscal encontrase sintetizado no TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO FISCAL de fls. 27/29, sendo adiante reproduzido parcialmente: No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil lavro o presente Termo de Verificação e Constatação Fiscal para relatar as irregularidades apuradas no procedimento de r evisão interna determinada atrav és do Registro de Procedimento Fiscal n° 08.1.13.002007003730. 0 referido RPF determinou revisão no IRPJ e CSLL relativos ao ano calendário de 2003. Segundo determinações da IN SRF n° 94/97, a revisão sistemática das declarações apresentadas pelos contribuintes deverá ser realizada mediante a utilização de malhas. 0 Auditor Fiscal responsável pela revisão da declaração deve intimar o co ntribuinte a prestar esclarecimentos sobre eventuais inconsistências apuradas, fixando prazo para atendimento da solicitação. J, ainda, o AFRI.73, caso a infração esteja claramente demonstrada e apurada, proceder ao lançamento de oficio, mediante lavratura de auto de infração, dispensando a realização de intimações. Demos inicio aos trabalhos ern 23.11.2007. Em Revisão da Declaração de Informações EconômicoFiscais do IRPJ e da CSLL relativas ao exercício de 2004, ano calendário 2003, foram constatadas as seguintes ocorrências: Fl. 276DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.000037/200879 Acórdão n.º 1402001.224 S1C4T2 Fl. 0 3 1. Os valores informados em DIPJ, na Linha 19 (Imposto de Renda a Pagar) da Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, estão superiores aos informados em DCTF ou superiores aos valores recolhidos aos cofres públicos, conforme tabela abaixo: (...) TOTAL 1.186.245,55 (...) 2. 0 lançamento tributário deuse corn base na diferença apurada entre os valores informados em DIPJ e os declarados em DCTF, tendo em vista a Solução de Consulta Interna N° 08, de 30/04/2007, conforme consta dos quadros abaixo: (...) TOTAL 431.368,40 (...) Assim, com base nas informações acima, em 30.11.2007, para atingir os objetivos determinados pelo RPF, lavramos Termo de Intimação, através do qual o contribuinte intimado a esclarecer as diferenças apontadas no prazo de 05 (cinco) dias fiteis. En: contato telefônico coin o contador da fiscalizada, Sr Celso Pedro, fora acordado que o mesmo compareceria a este Serviço de Fiscalização para entrega de documentação no dia 13.12.2007. Entretanto, devido ao não comparecimento na data e hora marcada, foi lavrado Termo de Reintimação em 14.12.2007, concedendo novo prazo de cinco dias, o qual também foi enviado pela via postal e recebido pelo contribuinte em 20.12.2007. Dentro do prazo estipulado para atendimento da reintimação, o contribuinte entrou novamente em contato com esta fiscalização, porém até a presente data não apresentou esclarecimentos por escrito. Elll pesquisa aos Sistemas da SRF constatamos que não constam recentes alterações, sendo a situação atual do contribuinte com relação ás declarações e pagamentos do IRPJ e da CSLL as descritas nas tabelas acima. Dessa forma, em atenção ao disposto no caput do artigo 2° da Instrução Normativa no 77/98 c/c artigo 841 do RIR/99, para salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, procedemos ao lançamento de oficio e a conseqüente constituição dos créditos tributários por meio da lavratura de Autos de Infração de IRPJ e CSLL, em razão da insuficiência de declaração e recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido relativos ao ano calendário de 2003. Art. 2° Os débitos apurados nos procedimentos de auditoria interna, decorrentes de verificação dos dados informados na DCTF, a que se refere o art. 2o da Instrução Normativa SRF n° 45, de 1998, na declaração de rendimentos da pessoa fisica ou jurídica e na declaração do ITR, serão exigidos por meio de auto de infração, com o acréscimo da multa de lançamento de oficio e dos juros morat6rios, previstos, respectivamente, nos arts. 44 e 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observado o disposto nas Instruções Normativas SRF n° 94, de 24 de dezembro de 1997, e 45, de 1998. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.000037/200879 Acórdão n.º 1402001.224 S1C4T2 Fl. 0 4 Art. 841. 0 lançamento sell efetuado de (Akio quando o sujeito passivo (Decreto Lei n° 5.844, de 1943, art. 77, Lei n° 2.862, de 1956, art. 28, Lei n° 5.172, de 1966, art. 149, Lei 8.541, de 1992, art. 40, Lei n°9.249, de 1995, art. 24, Lei n°9.317, de 1996, art. 18, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 42): II deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for dirigido, recusarse a prestálos ou não os prestar satisfatoriamente; IV não efetuar ou efetuar com inexatidão o pagamento ou recolhimento do imposto devido, inclusive na fonte; (grifo nosso) O lançamento de oficio implica em imposição de multa de 75% conforme inteligência do inciso Ido artigo 44 da Lei 9430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Coube, ainda, o agravamento da referida multa, coin base no §2°, inciso I do artigo supra citado e artigo 959 do RIR/99, devido à ausência de respostas do contribuinte regularmente intimado. (...) O lançamento tributário deuse com base na diferença apurada entre os valores informados em DIPJ e os declarados em DCTF, tendo em vista a Solução de Consulta Inferno n° 08, de 30/04/2007, conforme consta dos quadros abaixo: (...) À critério do contribuinte e através de expressa manifestação de vontade, os valores recolhidos e não vinculados cis DCTF entregues, poderão ser alocados aos presentes Autos de Infração por meio de impugnação ao lançamento. Salientese que este Termo de Verificação e Constatação é parte integrante e indissociável do respectivo Auto de Infração. Para produzir os efeitos legais, lavro o presente Termo em 03 (três) vias de igual forma e teor, assinado por mim Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, sendo que unia das vias é enviada neste ato para a ciência do contribuinte, pela via postal com aviso de recebimento. (...) Tendo sido dada ciência da autuação, por via postal, em 12/01/2008 (Aviso de Recebimento à fl. 46), a fiscalizada interpôs, em 13/02/2008, a impugnação juntada as fls. 52/57, alegando as razões de fato e de direito a seguir reproduzidas: I — DAS RAZOES DA IMPUGNAÇÃO Observese que a Autoridade Fiscal, quando do lançamento tributário, não considerou os valores pagos pelo contribuinte. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.000037/200879 Acórdão n.º 1402001.224 S1C4T2 Fl. 0 5 Entretanto, informou através do Termo de Verificação e Constatação Fiscal, bem como das intimações constantes dos Autos de Infração que: "A critério do contribuinte e através de expressa man ifestaç5o de vontade, os valores recolhidos e no vinculados As DCTF entregues, poder5o ser alocados aos presentes Autos de Infraq5o por meio de impugnaçfto ao lançamento." Assim, requer a Impugnante. II DA ALOCAÇÃO DOS VALORES PAGOS A Impugnante efetuou pagamentos conforme consta das tabelas abaixo: (...) Os valores acima foram recolhidos nesta data, sob os códigos 2917 (IRPJ) e 2973 (CSLL), sendo que os comprovantes encontramse anexos ix presente. III DA TAXA REFERENCIAL — SELIC Independente da matéria exposta anteriormente, corn relação ao saldo remanescente do imposto é preciso observar quanto à taxa SELIC cobrada a título de juros de mora, com fundamento no §3°, do artigo 61, da Lei n° 9.430/96, cuja redação é a seguinte: (...) A decisão recorrida está assim ementada: EXIGÊNCIAS DE OFÍCIO. RECOLHIMENTOS. Consolidamse administrativamente as exigências relativas aos valores extintos por pagamento. TRIBUTOS APURADOS NA DIPJ. FALTA DE DECLARAÇÃO EM DCTF E RECOLHIMENTO. FORMALIZAÇÃO DE OFÍCIO. Correta a constituição do crédito tributário pelo Fisco no período fiscalizado, relativo a tributos submetidos à modalidade de lançamento por homologação, apurados como devidos na DIPJ entregue pela contribuinte, mas não declarados em DCTF. TRIBUTOS RECOLHIDOS MAS NÃO DECLARADOS. Quando confirmado o recolhimento dos tributos sem a correspondente declaração em DCTF, antes da exigência formalizada pelo Fisco, cumpre afastar a multa de oficio, mantendose apenas a exigência do valor principal do tributo, e correspondentes juros de mora após a data de vencimento do débito, ao qual deve ser alocado o valor comprovadamente recolhido. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. PAGAMENTO. INCOMPATIBILIDADE COM 0 LITÍGIO. Incabível o pleito para que sejam admitidos como excedentes os valores recolhidos pela autuada a titulo de juros de mora, legalmente exigíveis sobre tributos recolhidos após a data de vencimento, sobretudo quando já extintos os débitos por pagamentos, circunstância que conflita com a instauração do litígio na esfera administrativa. Impugnação Procedente em Parte Credito Tributário Mantido em Parte Fl. 279DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.000037/200879 Acórdão n.º 1402001.224 S1C4T2 Fl. 0 6 Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento, aduzindo que: (...) Fl. 280DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.000037/200879 Acórdão n.º 1402001.224 S1C4T2 Fl. 0 7 . É o relatório. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.000037/200879 Acórdão n.º 1402001.224 S1C4T2 Fl. 0 8 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, tratase de exigência do IRPJ e CSLL devido em períodos do anocalendário de 2003, com multa de 112,5%. O lançamento tem origem em revisão interna, tendo sido constatado que o contribuinte, optante pelo lucro real trimestal, deixou de recolher/declarar em DCTF parte dos valores devidos em março e dezembro de 2003. A DRJ manteve parcialmente a exigência subtraindo valores que foram recolhidos espontaneamente,antes do inicio do procedimento fiscal. Em seu recurso o contribuinte inicialmente reitera que o valor correto do tributo devido seria o declarado na DCTF, ocorre que na DIPJ é demonstrada, detalhadamente, a apuração do lucro liquido, lucro real, calculo do tributo a pagar e saldos a recolher. Em principio as informações da DIPJ, no que tange ao IRPJ e CSLL, refletem os registros contábeis e fiscais da empresa. Uma vez que desde a auditoria fiscal o contribuinte foi intimado a comprovar eventuais erros na apuração dos tributos devidos, ou no preenchimento da DCTF, mas nada o fez, entendo que o lançamento e a decisão de 1a. instância não merecem reparos nessa parte, até porque foram considerados todos os recolhimentos. Nesse sentido peço vênia para transcrever e adotar os fundamentos da decisão recorrida. “(...) Em breve síntese, o litígio restringese ao pleito da autuada para que sejam alocados ao lançamento os valores já recolhidos pela pessoa jurídica no mesmo período, conforme menciona o auditor fiscal no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, , bem como afastar a apuração de juros com base na taxa SELIC da exigência formalizada, retornando o excedente à impugnante sob forma de compensação, objetivando, ainda, que sejam considerados os novos valores constantes dos DARF recentemente juntados aos autos. Por conseguinte, constatase que o questionamento da impugnante é dirigido à existência de valores de tributos já declarados/pagos no período, não considerados no lançamento, bem como aos juros de mora apurado com base na taxa Selic, que entende indevidos. Consignese, de plano, que eventuais pagamentos realizados no período relativos aos tributos ora exigidos, após certificados, devem, obrigatoriamente, ser aproveitados para amortizar o valor principal dos tributos lançados, afastandose a multa de ofício sobre ele imposta. Atentese que o lançamento tornase improcedente tãosomente Fl. 282DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.000037/200879 Acórdão n.º 1402001.224 S1C4T2 Fl. 0 9 quando o tributo houver sido declarado e recolhido pela contribuinte antes da formalização de ofício. Importa também destacar a parcialidade da impugnação visto que a defesa não contesta a imposição da multa majorada no percentual de 112,50% incidente sobre os tributos devidos, conforme determina o §2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 e art. 959 do RIR/1999, ficando definitivamente constituída a exigência assim formalizada na esfera administrativa. Quanto aos valores principais devidos dos tributos ora em análise, verificase que a consulta aos sistemas da RFB indica que no anocalendário de 2003 a contribuinte apurou tributos com base no lucro real trimestral, conforme informado na DIPJ/2004 nº 0798055, única processada no período, entregue em 28/06/2004 (fl. 173), submetida ao procedimento de revisão em análise (malha). Nas Fichas 12A – Cálculo do IRPJ sobre o Lucro Real e 17 – Cálculo da CSLL (fls. 85/87) a pessoa jurídica apurou valores devidos de IRPJ e de CSLL nos 1º e 4º trimestres, conforme já relatado, apresentando nos 2º e 3º trimestres prejuízo fiscal e bases de cálculo negativas de CSLL. No que concerne aos valores de IRPJ e de CSLL apurados com saldo a pagar (1º e 4º quatro trimestres/2003), nos extratos de DCTF relativas ao ano de 2003 (fls. 174/175) constatase que do IRPJ (código 0220) apurado como devido no 1º trimestre/2003 no valor de R$ 923.597,27 (DIPJ/2004), a contribuinte declarou somente a parcela no valor de R$ 813.075,94, a qual foi vinculada à compensação no valor de R$ 730.342,90 (fl. 176) e ao recolhimento no valor de R$ 82.733,04. Entretanto, nas DCTF processadas para os períodos de apuração de fatos geradores ocorridos em 2003 não constaram o débitos do IRPJ do 4º trimestre/2003 (R$ 262.651,28) e aqueles da CSLL relativos aos 1º e 4º trimestres, respectivamente nos valores de R$ 334.653,94 e R$ 96.714,46. Por outro lado, quando consultados os dados processados referentes às DCTF trimestrais do ano de 2004, observase que na declaração do 1º trimestre/2004, retificadora nº 1000.000.2006.1750469122, entregue em 11/09/2006 e atualmente ativa (fls. 180/187), é possível verificar que para o trimestre anterior constam débitos de IRPJ e de CSLL apurados no 4º trimestre/2003, parcelados em três quotas, nos seguintes valores: Código Tributo PA Débito DCTF Nº QUOTA S Valor Quota Valor DIPJ 02201 IRPJ 4º trim/ 2003 225.575,85 3 75.191,95 262.651,28 60121 CSLL 4º trim/ 2003 90.381,72 3 30.127,94 96.714,46 Acentuese que no sistema SIEF – Consulta Documento de Arrecadação (fls. 178 e 195) foram confirmados os recolhimentos das quotas declaradas como devidas pela contribuinte, devidamente alocados aos débitos declarados, conforme se demonstra: Débito na DCTF Valor da Quota Vencimento Data da Arrecadação Total Pago 225.575,85 75.191,95 30/01/2004 27/02/2003 82.395,32 75.191,95 27/02/2004 27/02/2004 75.943,86 75.191,95 31/03/2004 31/03/2004 76.755,96 Fl. 283DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.000037/200879 Acórdão n.º 1402001.224 S1C4T2 Fl. 0 10 90.381,72 30.127,94 30/01/2004 27/02/2003 33.013,42 30.127,94 27/02/2004 27/02/2004 30.428,51 30.127,94 31/03/2004 31/03/2004 30.753,88 Por conseguinte, dos débitos de IRPJ e de CSLL apurados na DIPJ/2004 referentes aos fatos geradores ocorridos no 4º trimestre/2003, antes do lançamento de ofício foram declarados em DCTF e recolhidos pela contribuinte parte dos valores principais devidos, restando procedente apenas parte das exigências lançadas: Código Tributo PA Valor DIPJ Débito DCTF Diferença Não declarada/Paga 02201 IRPJ 4º trim/2003 262.651,28 225.575,85 37.075,43 60121 CSLL 4º trim/2003 96.714,46 90.381,72 6.332,74 Assim, com relação ao IRPJ remanescem exigíveis nos autos as parcelas apontadas pela impugnante, nos valores principais dos tributos devidos, acrescidos da multa de ofício de 112,50% e juros de mora apurados com base na taxa Selic: Código Tributo Vencimento Valor DIPJ Débito DCTF Principal não Declarado/Pago 02201 IRPJ 30/04/2003 923.594,27 813.075,94 110.518,33 02201 IRPJ 30/01/2004 262.651,28 225.575,85 37.075,43 TOTAIS 1.186.245,55 1.038.651,79 147.593,76 No que concerne às exigências de CSLL foi localizado no sistema SIEF o recolhimento no código 6012 – CSLL – Demais PJ que Apuram o IRPJ com Base em Lucro Real – Balanço Trimestral, efetuado em 31/03/2003, com data de vencimento em 30/04/2003, no valor principal de R$ 292.981,99 e total pago de R$ 365.729,41, atualmente disponível tendo em conta a inexistência de débito correspondente declarado em DCTF. Desta forma, com referência às exigências de CSLL ficam mantidas nos autos as parcelas adiante especificadas: Vencimento Valor DIPJ Débito DCTF Não Declarado Recolhido A Pagar 30/04/2003 334.653,94 0,00 334.653,94 292.981,99 41.671,95 30/01/2004 96.714,46 90.381,72 6.332,74 0,00 6.332,74 431.368,40 90.381,72 340.986,68 292.981,99 48.004,69 Logo, em relação à exigência de CSLL, no 1º trimestre/2003 fica mantida a importância lançada de R$ 334.653,94, tendo em vista a não localização de qualquer débito declarado na DCTF do período, devendo o pagamento não utilizado nos sistemas ser vinculado aos autos, de forma que a multa de ofício de 112,50% incide apenas sobre a diferença não recolhida de R$ 41.671,95, vencida em 30/04/2003. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.000037/200879 Acórdão n.º 1402001.224 S1C4T2 Fl. 0 11 Já no 4º trimestre/2003, como antes de iniciado o procedimento fiscal a contribuinte já havia declarado em DCTF e recolhido a CSLL no valor de R$ 90.381,72, o qual deve ser vinculado pela unidade preparadora aos autos, resta a exigir de ofício a diferença não declarada nem paga de R$ 6.332,74, vencida em 30/01/2004, acrescida da multa de ofício de 112,50% e de juros de mora após a data de vencimento da contribuição. Consignese, por oportuno que também foram localizados nos sistemas de processamento de DARF os recolhimentos efetuados pela autuada em 13/02/2008, relativos aos lançamentos de ofício em litígio, ora mantidos, nos valores principais de IRPJ, somadas as exigências relativas ao 1º e 4º trimestres, no montante de R$ 147.593,74, e de CSLL no montante de R$ 48.004,69, referentes aos 1º e 4º trimestres, os quais serão aproveitados para quitação das exigências mantidas, no momento da cobrança pela unidade de jurisdição da contribuinte, nos termos da legislação vigente. Por fim, quanto aos questionamentos acerca dos juros de mora, observese que, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento para extinção dos débitos, tornase injustificada a pretensão de discutir na esfera administrativa a respectiva exigência. De todo modo, ainda que assim não fosse, convém afastar as alegações da impugnante acerca da apuração dos juros de mora com base na taxa SELIC. DA COMPETÊNCIA DOS ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS Estando o lançamento de conformidade com a legislação tributária vigente à época de ocorrência dos fatos geradores, não cabe qualquer alegação de inconstitucionalidade e legalidade no contencioso administrativo, vez que não compete à autoridade administrativa examinar a validade de dispositivo regularmente inserido no sistema tributário nacional, sendo tal atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Isto porque a apreciação das autoridades administrativas limitase às questões de sua competência, estando fora de seu alcance o debate sobre aspectos da validade, constitucionalidade ou legalidade da legislação, vez que o controle da constitucionalidade das normas é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no Supremo Tribunal Federal art. 102, I, “a”, III da CF de 1988. Enquanto a norma não é declarada inconstitucional pelos órgãos competentes do Poder Judiciário e não é afastada do sistema normativo, tem presunção de validade, presunção esta que é vinculante para a administração pública. Portanto, é defeso aos órgãos administrativos jurisdicionais, de forma original, reconhecer alegação de inconstitucionalidade de disposições que fundamentam o lançamento, ainda que sob o pretexto de deixar de aplicála ao caso concreto. Somente aos membros do Poder Judiciário permitese negar aplicação à lei a pretexto de ser ela contrária à Constituição. No âmbito do processo administrativo não cabe, à autoridade fiscal, emitir juízo de valor a respeito de legalidade ou constitucionalidade de normas legais que embasam o ato praticado, sob pena de responsabilidade funcional por desrespeito aos comandos legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico, em observância ao já citado artigo 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Consignese que atualmente se encontra em vigor o artigo 59 do Decreto nº 7.574, de 2011, que dispõe: Seção II Do Julgamento Disposições Gerais Fl. 285DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.000037/200879 Acórdão n.º 1402001.224 S1C4T2 Fl. 0 12 Art. 59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, § 6o, incluído pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25): I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de junho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 1993. Por conseguinte, não serão aqui apreciadas as questões suscitadas pela impugnante a respeito da constitucionalidade e/ou legalidade dos preceitos que fundamentam a exigência fiscal, notadamente quanto à ofensa aos princípios constitucionais dos percentuais dos consectários legais que compõem o crédito tributário em litígio, por não serem da alçada dos órgãos administrativos, cumprindo aos órgãos julgadores apenas verificar se no ato administrativo foram devidamente observadas as previsões contidas na legislação tributária. Reforça o entendimento ora expresso, a Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF adiante reproduzida: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, resta prejudicada a análise no contencioso administrativo das argüições da impugnante de afronta da legislação tributária aos princípios constitucionais, visto que a exigência fiscal fundamentase em leis regularmente inseridas no sistema tributário nacional, não havendo nos lançamentos dispositivos cuja inconstitucionalidade já tenha sido declarada por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. (...) DOS JUROS DE MORA E DA MULTA DE OFICIO Quanto aos protestos da recorrente com relação a suposta extrapolação de limites constitucionais para aplicação das penalidades e cobrança de juros de mora, que seria inconstitucional a multa aplicada, reitero qunão compete à autoridade administrativa apreciar a argüição e declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade/ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário, pela CF, art. 102. A mais abalizada doutrina escreve que toda atividade da Administração Pública passase na esfera infralegal e que as normas jurídicas, quando emanadas do órgão Fl. 286DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.000037/200879 Acórdão n.º 1402001.224 S1C4T2 Fl. 0 13 legiferante competente, gozam de presunção de constitucionalidade, bastando sua mera existência para inferir a sua validade. Vale dizer que, inovado o sistema jurídico com uma norma emanada do órgão competente, ela passa a pertencer ao sistema, cabendo à autoridade administrativa tão somente velar pelo seu fiel cumprimento até que seja expungida do mundo jurídico por uma outra superveniente, ou por declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado de constitucionalidade, ou em controle difuso, neste caso, após a publicação de resolução do Senado Federal. Como, no caso concreto, essas hipóteses não ocorreram, as normas inquinadas de inconstitucionais pelo impugnante continuam válidas, não sendo lícito à autoridade administrativa absterse de cumprilas e nem declarar sua inconstitucionalidade, sob pena de violar o princípio da legalidade, na primeira hipótese, e de invadir seara alheia, na segunda. De qualquer forma, convém esclarecer, que o princípio do não confisco insculpido na Constituição, em seu art. 150, IV, dirigese ao legislador infraconstitucional e não à Administração Tributária, que não pode furtarse à aplicação da norma, baseada em juízo subjetivo sobre a natureza confiscatória da exigência prevista em lei. Ademais, tal princípio não se aplica às multas, conforme entendimento já consagrado na jurisprudência administrativa, como exemplificam as ementas transcritas na decisão recorrida e que ora reproduzo: "CONFISCO – A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal (Ac. 102 42741, sessão de 20/02/1998). MULTA DE OFÍCIO – A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringese ao valor do tributo, não extravasando para o percentual aplicável às multas por infrações à legislação tributária. A multa deve, no entanto, ser reduzida aos limites impostos pela Lei nº 9.430/96, conforme preconiza o art. 112 do CTN (Ac. 20171102, sessão de 15/10/1997)." Por sua vez, a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora também está prevista em normas legais em pleno vigor, regularmente citada no auto de infração (artigo 61, § 3º da Lei 9.430 de 1996), portanto, deve ser mantida. Nesse sentido dispõe a Súmula nº 4 do CARF: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou. O lançamento é uma atividade vinculada. Registrese, por fim, que o contribuinte não contestou expressamente os motivos que levaram a fiscalização a agravar a multa de oficio de 75% para 112,5%, mas restou claro nos autos o embaraço à fiscalização, consoante asseverado no Termo de Fl. 287DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10882.000037/200879 Acórdão n.º 1402001.224 S1C4T2 Fl. 0 14 Verificação de fls. 24: “Coube, ainda, o agravamento da referida multa, com base no §2°, inciso I do artigo supra citado e artigo 959 do RIR/99, devido à ausência de respostas do contribuinte regularmente intimado.” Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 288DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 15889.000255/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
CONHECIMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO. SUMULA CARF Nº 01
Não se conhece de matéria suscitada em sede de recurso voluntário, a qual seja objeto de demanda judicial. Incidência da Sumula CARF nº 01.
MULTA DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVINIR DECADÊNCIA. DECISÕES FAVORÁVEIS AO SUJEITO PASSIVO. AFASTAMENTO.
De acordo com o § 2º do artigo 63 da Lei nº 9.460/96 a interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição.
Numero da decisão: 2301-003.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer em parte do recurso, nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir do lançamento a multa; c) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Thiago Barbosa Wanderley. OAB: 307.046/SP.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Correa.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer em parte do recurso, nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir do lançamento a multa; c) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Thiago Barbosa Wanderley. OAB: 307.046/SP. Marcelo Oliveira - Presidente. Adriano Gonzales Silvério - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Correa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1994; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15889.000255/201081 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2301003.210 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de novembro de 2012 Matéria SENAR Exportações Indiretas Recorrente COSAN S/A INDUSTRIA E COMERCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 CONHECIMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO. SUMULA CARF Nº 01 Não se conhece de matéria suscitada em sede de recurso voluntário, a qual seja objeto de demanda judicial. Incidência da Sumula CARF nº 01. MULTA DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVINIR DECADÊNCIA. DECISÕES FAVORÁVEIS AO SUJEITO PASSIVO. AFASTAMENTO. De acordo com o § 2º do artigo 63 da Lei nº 9.460/96 a “interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer em parte do recurso, nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir do lançamento a multa; c) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Thiago Barbosa Wanderley. OAB: 307.046/SP. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 02 55 /2 01 0- 81 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Correa. Relatório Tratase de AI DEBCAD nº 37.297.9912, por meio do qual o Fisco exige contribuições destinadas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR incidentes sobre receita de exportação da produção rural realizada via trading companies. Aponta o relatório fiscal que tanto o § 1º do artigo 245 da Instrução Normativa SRP nº 03/2005, bem como o § 1º do artigo 170 da Instrução Normativa 971/09, exigem que para o usufruto da isenção a produção deve ser comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. Aponta, ainda, que a empresa não procedeu aos recolhimentos incidentes sobre os valores das exportações indiretas, eis que amparado em decisão judicial nos autos do Mandado de Segurança nº 2005.61.08.0100714, que tramitou pelo Juízo Federal da 3ª Vara de Bauru. Diante dessa autuação, o sujeito passivo, regularmente intimado, apresentou impugnação alegando, basicamente, o direito à imunidade prevista no artigo 149 da CF/88, mesmo quando a exportação da produção rural for efetuada via trading companies, bem como seja afasta a multa aplicada haja vista que o auto de infração fora lavrado apenas para previnir a decadência. A 6ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto determinou a realização de diligência para a autoridade autuante se manifestasse sobre a inclusão ou não da contribuição destinada ao SENAR na discussão judicial travada pelo sujeito passivo. As fl. 163/164 a autoridade fiscal discorreu sobre as dúvidas que o cercaram quando do lançamento, isto é, acerca da inclusão ou não da contribuição destinada ao SENAR no processo judicial, entendendo que essa questão deveria ser submetida a julgamento pela DRJ. Em 25/07/2011 o sujeito passivo foi intimado a manifestarse sobre a informação fiscal e às fl. 179 afirma que “resta patente que o mandamus nº 2005.61.08.0100714 engloba também a discussão relativa à contribuição ao SENAR....” A DRJ em Ribeirão Preto manteve o lançamento, o que motivou a interposição de recurso voluntário, no qual se renovam os argumentos anteriores. É o relatório.. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério Fl. 359DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 15889.000255/201081 Acórdão n.º 2301003.210 S2C3T1 Fl. 3 3 O recurso há de ser conhecido parcialmente, isto porque, a questão de mérito, exigibilidade ou não da contibuição destinada ao SENAR está sendo alvo de discussão na esfera judicial, especificamente no mandado de segurança nº 2005.61.08.0100714. Essa questão inclusive, a meu ver, é fato incontroverso nos autos, na medida em que o relatório fiscal no item 6.5.3 (fl. 61) informa que o lançamento foi efetuado com a exigibilidade suspensa, pois se entendeu que haveria influência do quanto a ser decidido na esfera administrativa e o sujeito passivo, deixa patente em sua manifestação de fl. 179 dos autos que a questão está sub judice. Assim, é de rigor aplicar a Súmula CARF nº 01, cuja redação é a seguinte: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Por outro lado, há de conhecer o recurso voluntário em relação à questão da multa. Nos termos do artigo 61 da Lei n° 9.430/96, “Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” Em razão deste dispositivo, os débitos previdenciários pagos em atraso estão sujeitos à incidência da multa de mora. Já o § 2°, do artigo 63, da Lei n° 9.430/96, estabelece o seguinte: Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1º. O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º. A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Portanto, em lançamentos destinados a prevenir a decadência, cujo débito esteja com a exigibilidade suspensa, entre outras hipóteses, por força de liminar em mandado de segurança, conforme ocorre neste caso, não cabe multa de ofício e a incidência da multa de Fl. 360DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 mora fica interrompida desde a concessão da medida judicial até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo. Dessa forma, no caso em julgamento, não há que se cogitar na incidência da multa de mora, pois desde o início da ação fiscal até este momento o débito continua inexigível, pois o sujeito passivo, conforme consta dos autos, obteve decisão liminar, sentença procedente e acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região também favorável, estando, no presente momento, na VicePresidência daquele E. Tribunal aguardando juízo de admissibilidade de recursos com destino aos Tribunais Superiores, conforme consulta realizada em seu sítio. Nesse sentido destaco precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 28/02/2003 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS REMUNERAÇÃO INDIRETA DÉBITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA CONFIRMADA POR SENTENÇA APELAÇÃO PENDENTE DE JULGAMENTO MULTA DE MORA NÃO INCIDÊNCIA. De acordo com o artigo 63, § 2°, da Lei n° 9.430/96, em lançamentos destinados a prevenir a decadência, cujo débito esteja com a exigibilidade suspensa, entre outras hipóteses, por força de liminar em mandado de segurança, conforme ocorre neste caso, não cabe multa de ofício e a incidência da multa de mora fica interrompida desde a concessão da medida judicial até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo. Assim, neste feito, sobre o débito lançado não incide multa de mora, pois desde o início da ação fiscal até este momento ele continua inexigível. O contribuinte nunca esteve em mora. Recurso especial negado. (Processo nº 35564.003929/200511, Relator Conselheiro GONCALO BONET ALLAGE) Pelo exposto, voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE O RECURSO VOLUNTÁRIO e, na parte conhecida DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para afastar a aplicação da multa aplicada. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 361DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.900855/2011-45
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. ADMISSIBILIDADE.
Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de IRPJ decorrente do ajuste anual.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente.
Numero da decisão: 1801-001.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1ª instância para apreciar o mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. ADMISSIBILIDADE. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de IRPJ decorrente do ajuste anual. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1ª instância para apreciar o mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes.
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SALDO NEGATIVO. ADMISSIBILIDADE. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de IRPJ decorrente do ajuste anual. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1ª instância para apreciar o mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 08 55 /2 01 1- 45 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900855/201145 Acórdão n.º 1801001.229 S1TE01 Fl. 97 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 26.06.2007, fls. 6670, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor total de R$41,13 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), determinada sobre a base de cálculo estimada, código nº 2484, efetuado em 29.04.2005, relativamente ao período de apuração de 31.03.2005. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 65, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Cientificada em 22.02.2011, fl. 71, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 24.03.2011, fls. 0205, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que se trata de Per/DComp com utilização de crédito de pagamento a maior para fins de compensação com os débitos ali indicados (inciso I do art. 156 do Código Tributário Nacional). Defende que incorreu em erro no recolhimento do tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. Conclui Ante o exposto requer a manifestante seja declarada a extinção do débito [...] protesta pela produção de provas [ e ] que todas as intimações [...] se façam [na] Rua Paraíba nº 1.352, 12º andar, bairro Savassi, CEP 30.130141 Belo Horizonte MG. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0235.452, de 11.10.2011, fls. 7377:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900855/201145 Acórdão n.º 1801001.229 S1TE01 Fl. 98 3 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CANCELAMENTO APÓS DESPACHO DECISÓRIO. VEDAÇÃO. Não há previsão legal para cancelamento da DComp após já ter sido proferido o Despacho Decisório competente e em sede de manifestação de inconformidade. Notificada em 18.11.2011, fl. 81, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 14.12.2011, fls. 8386, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos legais de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser deferida. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. O regime de tributação com base no lucro real anual, prevê que a pessoa jurídica que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal pode utilizálo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza. A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das leis. Como têm caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, temse que o permissivo regulamentar de Fl. 98DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900855/201145 Acórdão n.º 1801001.229 S1TE01 Fl. 99 4 utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência.1 Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 2. A presente 1ª Turma Especial da 1º Seção do CARF examinando esta mesma questão de direito, pacificou o entendimento, de acordo com o Acórdão nº 180100.597 proferido pela Conselheira Relatora Maria de Lourdes Ramirez na sessão de julgamento de 28.06.2011 no processo nº 19647.010657/200610, no seguinte sentido: A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do ano calendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Nesse sentido registro que a questão é tormentosa e não se encontra pacificada neste Órgão Colegiado. Muito longe disso, há divergências inúmeras acerca da questão. Há aqueles que comungam do entendimento esposado pelas autoridades administrativas da DRF e DRJ, consignado nas decisões proferidas nestes autos, no sentido de que para as pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Antes do encerramento do anocalendário não haveria, pois, que se falar em tributo a restituir, já que até o último momento poderiam ocorrer eventos 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009, Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 2 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900855/201145 Acórdão n.º 1801001.229 S1TE01 Fl. 100 5 que viriam a alterar o quantum devido a título de IRPJ e CSLL. Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretizaria no final de cada anocalendário, seria a partir deste evento que se encontraria o saldo do imposto a pagar ou a recuperar, nos termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº. 9.430, de 1996: Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Por conta dessa interpretação não haveria que se falar em fluência de juros a partir do recolhimento indevido da estimativa, mas, somente a partir do mês subseqüente do ano calendário seguinte, dado que a geração do indébito somente ocorreria em 31/12 de cada ano, com o surgimento do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. A interpretação é válida e encontra robustos fundamentos. Ao afastar entendimentos contrários no sentido de que o artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, que regula a compensação, ao se referir as vedações, não dispôs expressamente acerca de qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior ou indevidamente, essa corrente teoriza o entendimento de que não haveria necessidade de se inserir dispositivo específico nessa sentido, pois se estaria a registrar o óbvio já previsto na própria legislação que regulamenta a apuração e o pagamento de estimativas mensais. Nesse contexto, em relação às críticas quanto às restrições contidas em atos normativos infralegais, como por exemplo, o discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005 (também previsto na IN SRF n° 460, de 2004), destacam que tais normas administrativas não se prestariam a criar, modificar ou extinguir direitos, mas sim disciplinar ou regulamentar o exercício de prerrogativas previstas em Lei, esta em sentido formal. Seria possível, assim, fazer referência a um ato administrativo subseqüente em relação à situação pretérita, desde que a situação fosse prevista em lei. Esta relatora por muito tempo comungou desse entendimento. Entretanto, surgem interpretações em outros sentidos, também apoiadas em fortes e sólidos argumentos. Depois de refletir sobre o assunto e sobre os posicionamentos doutrinários estudados, passo a fazer minhas considerações. Nesse sentido peço permissão para reproduzir as palavras da Ilustre Fl. 100DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900855/201145 Acórdão n.º 1801001.229 S1TE01 Fl. 101 6 Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferidas em recentes julgados nesta 1a. Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. Cumpre ressaltar, assim, que é certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº. 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que se verifica ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900855/201145 Acórdão n.º 1801001.229 S1TE01 Fl. 102 7 indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900855/201145 Acórdão n.º 1801001.229 S1TE01 Fl. 103 8 contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; Fl. 103DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900855/201145 Acórdão n.º 1801001.229 S1TE01 Fl. 104 9 IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. [...] É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900855/201145 Acórdão n.º 1801001.229 S1TE01 Fl. 105 10 §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual da CSLL/IRPJ – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na Fl. 105DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900855/201145 Acórdão n.º 1801001.229 S1TE01 Fl. 106 11 data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: Fl. 106DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900855/201145 Acórdão n.º 1801001.229 S1TE01 Fl. 107 12 I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: Fl. 107DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900855/201145 Acórdão n.º 1801001.229 S1TE01 Fl. 108 13 a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzilos por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou Fl. 108DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900855/201145 Acórdão n.º 1801001.229 S1TE01 Fl. 109 14 utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Aproveito, ainda, o desfecho do retro mencionado Acórdão, adotandoo neste voto, mutatis mutandis, em virtude de ser outro o valor da estimativa ora discutido nos autos: Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do Fl. 109DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900855/201145 Acórdão n.º 1801001.229 S1TE01 Fl. 110 15 indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito [...] e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. O fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do direito creditório pleiteado. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, nos termos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19723. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso4. 3 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 e Instrução Normativa RFB 973, de 27 de novembro de 2009. 4 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.900855/201145 Acórdão n.º 1801001.229 S1TE01 Fl. 111 16 Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de CSLL, determinada sobre a base de cálculo estimada efetuado em 29.04.2005, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em Per/DComp, inclusive no que diz respeito à juntada por anexação dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso. A autoridade preparadora deve verificar se houve pedido de reconhecimento do direito creditório em outros autos referente ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2005 e se ali foi admitido como correto esse valor, para evitar a utilização em duplicidade do crédito tributário pleiteado nesses autos. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 111DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10380.012956/2006-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/2002 a 31/01/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO IMPRORROGÁVEL DE TRINTA DIAS. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO.
O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias contados da intimação da decisão recorrida.
Numero da decisão: 3401-001.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Voluntário interposto.
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS
Presidente
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Odassi Guerzoni Filho, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO IMPRORROGÁVEL DE TRINTA DIAS. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias contados da intimação da decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Voluntário interposto. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 29 56 /2 00 6- 84 Fl. 742DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Odassi Guerzoni Filho, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori. Relatório Trata o presente processo de auto de infração (fls.03/16) lançando, com base na Lei nº 9.718/98, a diferença entre o valor escriturado e o valor pago da COFINS relativa ao período de janeiro de 2002 a janeiro de 2004; e, com base no decreto nº 4.524/02, a diferença da COFINS nãocumulativa de fevereiro de 2004 a dezembro de 2005. O Auto de infração foi lavrado em 21/12/2006, conforme fl.03. A Autuada apresentou impugnação (fls.61/105), a qual foi julgada procedente pela DRJ em FortalezaCE, que, após diligência, reduziu o valor do auto de infração (fls.474/480). A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 14/07/2011 (fl.644) e interpôs Recurso Voluntário em 16/08/2011 (fls.489/532). A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 727/740. É o Relatório. Voto Conselheiro JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, Relator A Recorrente foi intimada do acórdão da DRJ em 14/07/2009 (fls.644) e interpôs Recurso Voluntário somente no dia 16/08/2011 (fls.392). Compulsandose os autos é possível verificar que o AR foi devidamente recebido e assinado e, conforme Súmula n. 6 do CARF, basta a intimação ser entregue no domicílio eleito, não sendo necessário que o recebedor seja representante legal da empresa para que seja considerada a ciência: “SÚMULA Nº 06 CARF É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” O art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, dispõe que o prazo para interpor Recurso Voluntário é de 30 (trinta) dias, senão, vejase: Fl. 743DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10380.012956/200684 Acórdão n.º 3401001.838 S3C4T1 Fl. 743 3 “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão”. Como a Recorrente foi cientificada da decisão da DRJ no dia 14 de julho de 2011, quintafeira, seu prazo para interpor o Recurso Voluntário venceria no dia 13 de agosto de 2011, mas esse dia foi um sábado, de modo que seu prazo final foi prorrogado para o primeiro dia útil seguinte, segundafeira, dia 15 de agosto de 2011. Como o Recurso foi interposto somente no dia 16 de agosto de 2011 é intempestivo e, portanto, não preencheu o requisito de admissibilidade, razão pela qual não deve ser conhecido. Ex positis, não conheço do Recurso Voluntário interposto. É como voto. Sala das Sessões, em 26 de junho de 2012. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Fl. 744DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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