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Numero do processo: 11634.001112/2007-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
DESCONTOS INCONDICIONAIS. IPI
Mercadorias dadas a título de bonificação, de forma incondicional, não integram a base de cálculo do IPI, pois consoante explica o artigo 47 do CTN, a base de cálculo do tributo é o valor da operação consubstanciado no preço final da operação de saída de mercadoria do estabelecimento, não podendo subsistir, desta forma a alteração do artigo 14, da Lei nº 4.502/64, pelo artigo 15 da Lei nº 7.798/89.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL
Acatada a classificação fiscal indicada pelo Recorrente, não há que se falar em reclassificação fiscal.
MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO PARA AFASTAR APLICAÇÃO DA MULTA
Multa não é tributo, é penalidade. A aplicação da multa ao autor do ilícito fiscal é lícita. Incompetência do Conselho para afastar a aplicação da multa.
JUROS DE MORA. SELIC
Aplica-se a taxa SELIC, a partir de 01/01/1996, na atualização monetária do indébito, não podendo ser cumulada, porém com qualquer outro índice.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir os descontos incondicionais da base de cálculo do IPI, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente.
(assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO Relator.
EDITADO EM: 30/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 DESCONTOS INCONDICIONAIS. IPI Mercadorias dadas a título de bonificação, de forma incondicional, não integram a base de cálculo do IPI, pois consoante explica o artigo 47 do CTN, a base de cálculo do tributo é o valor da operação consubstanciado no preço final da operação de saída de mercadoria do estabelecimento, não podendo subsistir, desta forma a alteração do artigo 14, da Lei nº 4.502/64, pelo artigo 15 da Lei nº 7.798/89. CLASSIFICAÇÃO FISCAL Acatada a classificação fiscal indicada pelo Recorrente, não há que se falar em reclassificação fiscal. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO PARA AFASTAR APLICAÇÃO DA MULTA Multa não é tributo, é penalidade. A aplicação da multa ao autor do ilícito fiscal é lícita. Incompetência do Conselho para afastar a aplicação da multa. JUROS DE MORA. SELIC Aplica-se a taxa SELIC, a partir de 01/01/1996, na atualização monetária do indébito, não podendo ser cumulada, porém com qualquer outro índice. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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IPI Mercadorias dadas a título de bonificação, de forma incondicional, não integram a base de cálculo do IPI, pois consoante explica o artigo 47 do CTN, a base de cálculo do tributo é o valor da operação consubstanciado no preço final da operação de saída de mercadoria do estabelecimento, não podendo subsistir, desta forma a alteração do artigo 14, da Lei nº 4.502/64, pelo artigo 15 da Lei nº 7.798/89. CLASSIFICAÇÃO FISCAL Acatada a classificação fiscal indicada pelo Recorrente, não há que se falar em reclassificação fiscal. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO PARA AFASTAR APLICAÇÃO DA MULTA Multa não é tributo, é penalidade. A aplicação da multa ao autor do ilícito fiscal é lícita. Incompetência do Conselho para afastar a aplicação da multa. JUROS DE MORA. SELIC Aplicase a taxa SELIC, a partir de 01/01/1996, na atualização monetária do indébito, não podendo ser cumulada, porém com qualquer outro índice. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 11 12 /2 00 7- 22 Fl. 4325DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11634.001112/200722 Acórdão n.º 3302002.715 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir os descontos incondicionais da base de cálculo do IPI, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO – Relator. EDITADO EM: 30/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. Trata o presente processo de lançamento de auto de infração de fls. 1.768/1.795 para exigir R$ 11.888.122,16 de IPI, R$ 4.787.482,26 de juros de mora e R$ 8.916.091,34 de multa proporcional, perfazendo o crédito tributário R$ 25.591.695,76. É parte integrante do auto de infração o Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal as fls. 1.762/1.767. Por força do art. 9°, combinado com o art. 14, ambos do RIPI/2002, o estabelecimento acima qualificado foi equiparado a estabelecimento industrial. Consequentemente, cabe ao estabelecimento (filial 0002) no momento da entrada da mercadoria recebida por transferência de outros estabelecimentos da mesma empresa, escriturar como crédito o valor do IPI destacado na nota fiscal de transferência e, no momento da emissão de nota fiscal de venda, destacar o IPI devido na saída, escriturandoo como débito e apurando ao final de cada período o saldo, que deveria ser recolhido caso resultasse em saldo devedor. Entretanto, constatouse que o estabelecimento não efetuou qualquer apuração e recolhimento do IPI devido. Portanto, a fiscalização lavrou o auto de infração em questão, conforme descrição e procedimentos do Termo de Verificação de fls. 1.762/1.767, na qual constam as alterações das classificações fiscais de mercadorias especificadas à fl. 1.765 e inclusão dos valores dos descontos incondicionais na base de cálculo do IPI. Regularmente cientificada em 29/11/07, apresentou a impugnação de fls. 1.800/1.828, acompanha da documentação de fls. 1.829/1.833, alegando em síntese o seguinte: A impugnante não pode ser enquadrada como contribuinte do IPI, uma vez que não industrializa os produtos que vende; Não pode ser equiparada a estabelecimento industrial, pois o art. 9° do Decreto 4.544/2002 (RIPI/2002) desrespeita dispositivo hierarquicamente superior, Fl. 4326DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11634.001112/200722 Acórdão n.º 3302002.715 S3C3T2 Fl. 4 3 qual seja, o inciso I do art. 121 do CTN, que exige relação pessoal e direta entre o contribuinte e a situação que constitua o verdadeiro fato gerador do imposto. Cita diversos ensinamentos e entendimentos de doutrinadores sobre o caso em tela; Pelo principio da eventualidade, os valores dos descontos incondicionais não podem ser incluídos na base de cálculo do IPI exigido no auto de infração. Neste sentido, já é o posicionamento firmado pelo próprio Superior tribunal de Justiça; Em virtude do presente auto de infração, a contribuinte solicitou um Laudo Técnico para classificar fiscalmente os seguintes produtos: selador acrílico hydronorth (3209.10.10), selador acrílico pigmentado hydronorth (3209.10.10), selador acrilico hidrolux (3209.10.10), fundo preparador hydronorth (3209.10.10), zarcão universal hidrolux (3208.90.10), fundo nivelador hydronorth (3208.90.10), fundo nivelador hidrolux (3208.90.10). A autoridade fiscal considerou a classificação 3211.00.00 para os produtos, consequentemente, foram tributados com alíquota de 10%. Entretanto, de acordo com o laudo, deveriam ser tributados com alíquota de 5% desde 02/2006, Conforme Decreto n° 5.697/2006; Constatase que não ocorreu a hipótese de incidência para a aplicação da multa, entretanto, no caso de aplicação de multa a mesma deve ser a prevista no art. 61 da Lei n° 9.430/96, limitada a 20%. Ou ainda, a multa deve ser reduzida em vista do seu caráter confiscatório, conforme pronunciamentos do Supremo Tribunal Federal; É indevida a utilização da taxa SELIC como índice de aplicação de juros, sendo aplicado, se for o caso, o índice de 1% ao mês; Por fim, pugnase pelo prazo de 30 dias para a juntada do Laudo de Classificação, bem como de qualquer outra documentação que entenda necessária para instruir a impugnação ao auto de infração. Os Membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJ de Ribeirão Preto SP, por unanimidade de votos, resolveram considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Intimada em 06/08/2008, a Recorrente, interpôs Recurso Voluntário em 28/08/2008. Encaminhado os autos para este E. Conselho foi proferida decisão, conforme Resolução nº 210100.002 (fls. 5587/5597), no sentido de converter o julgamento em diligência para melhor elucidar algumas questões. Realizada diligência (fls. 6138/6142), restou constatado que: · não existe classificação específica para os produtos em questão; · não houve reclassificação fiscal, sendo que a classificação fiscal utilizada no auto de infração é a mesma classificação fiscal utilizada pelo Contribuinte nas saídas do estabelecimento industrial; · de 01/01/2003 a 07/02/2006 às alíquotas referentes à nova classificação dos produtos são iguais as da classificação anterior, ou seja 10% (Decreto 4.542/2002); · a partir de 08/02/2006 passaram a ser de 5% nos termos do Decreto 5.697/2006; · os valores devidos em cada período foram recalculados, com a consequente recomposição da escrita fiscal; Fl. 4327DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11634.001112/200722 Acórdão n.º 3302002.715 S3C3T2 Fl. 5 4 · fora elaborado demonstrativo de valores a serem excluídos do auto de infração em virtude de divergência de classificação fiscal; Intimada a se manifestar a Recorrente apresentou petição (fls. 6148/6150) informando que em face de sua adesão ao Refis IV, Lei 11.941/09, requereu a desistência parcial do recurso voluntário, excluindose da renúncia/desistência, a matéria relativa ao desconto incondicional e à classificação fiscal de produtos. Em face dessa desistência foram realizados novos cálculos dos créditos tributários, pela fiscalização, não havendo qualquer contestação por parte da Recorrente, quanto à diligência apresentada pela Delegacia da Receita Federal. Conforme petição de fls. 6220, a Recorrente concorda com os cálculos apresentados pela fiscalização, no que tange aos valores ainda em litígio. Realizada diligência, bem como requerida a desistência parcial do recurso voluntário, os autos foram reencaminhados para este E. Conselho para homologação da desistência, bem como para julgamento da parcela cujo litígio foi mantido pela Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Dos Descontos Incondicionais do IPI A legislação define que a saída do produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, constitui o fato gerador do IPI, o qual por força do artigo 47, inciso II, alínea “a” do CTN, tem como base de cálculo: “Art. 47. A base de cálculo do imposto é: (...) II no caso do inciso II do artigo anterior: a) o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria”. Nas saídas de produtos de estabelecimentos de contribuinte de IPI, a base de cálculo desse imposto é o valor da operação, assim entendido o que reflita o preço efetivamente praticado no negócio jurídico. Esta é a determinação na esfera da legislação complementar, assim como o era na ordinária, conforme se depreende do art. 14 da Lei nº 4.502/64, que cuida da base de cálculo do IPI, especialmente de seu inciso II e de seu parágrafo único, que tratam da tributação das operações com produtos nacionais: “Art . 14. Salvo disposição especial, constitui valor tributável: I (...); Fl. 4328DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11634.001112/200722 Acórdão n.º 3302002.715 S3C3T2 Fl. 6 5 II quanto aos de produção nacional, o preço da operação de que decorrer a saída do estabelecimento produtor, incluídas todas as despesas acessórias debitadas ao destinatário ou comprador, salvo, quando escritura das em separado, os de transporte e seguro nas condições e limites estabelecidos em Regulamento. Parágrafo único. Incluemse no preço do produto, para efeito de cálculo do imposto, os descontos, diferenças ou abatimentos, concedidos sob condição.” Porém, o art. 15 da Lei nº 7.798/89 tentou modificar o texto desta norma, nos termos seguintes: “Art. 15. O art. 14 da Lei nº 4.502, com a alteração introduzida pelo art. 27 do DecretoLei nº. 1.593, de 21 de dezembro de 1977, mantido o seu inciso I, passa a vigorar a partir de 1° de julho de 1989 com a seguinte redação: ‘Art. 14. Salvo disposição em contrário, constitui valor tributável: I .......................................... II quanto aos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. § 1º. O valor da operação compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. § 2º. Não podem ser deduzidos do valor da operação os descontos, diferenças ou abatimentos, concedidos a qualquer título, ainda que incondicionalmente.’” Todavia, o Superior Tribunal de Justiça, de forma correta, pacificou o entendimento quanto ao fato de que as mercadorias entregues a título de bonificação de forma incondicional não devem integrar a base de cálculo do IPI, uma vez que consoante o artigo 47 do CTN a base de cálculo do IPI é o valor da operação consubstanciado no preço final da operação de saída de mercadoria do estabelecimento, não podendo subsistir, desta forma a alteração do artigo 14, da Lei nº 4.502/64, pelo artigo 15 da Lei nº 7.798/89, em que se modificou o texto legal para que os descontos, ainda que incondicionais, fossem sujeitos à exação. Essa questão restou consolidada no âmbito do E. Superior Tribunal de Justiça, tendo sido objeto de recurso submetido à sistemática do 543C do Código de Processo Civil, nos seguintes termos: PROCESSUAL CIVIL TRIBUTÁRIO RECURSO ESPECIAL – IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS INCIDÊNCIA SOBRE O VALOR DA OPERAÇÃO DEDUÇÃO DE DESCONTOS INCONDICIONAIS ILEGITIMIDADE DA DISTRIBUIDORA PARA AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO POSSIBILIDADE. AFETAÇÃO DO RECURSO À SISTEMÁTICA DE JULGAMENTO DE RECURSOS REPETITIVOS (ART. 543C DO CPC). Fl. 4329DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11634.001112/200722 Acórdão n.º 3302002.715 S3C3T2 Fl. 7 6 1. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp. 903.394/AL (julgado em 24.3.2010, DJ de 26.4.2010) submetido à sistemática dos recursos repetitivos, alterou a sua jurisprudência considerando a distribuidora de bebidas, intitulada de contribuinte de fato, parte ilegítima para pleitear repetição de indébito. 2. A base de cálculo do IPI, nos termos do art. 47, II, "a", do CTN, é o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria. 3. A Lei 7.798/89, ao conferir nova redação ao § 2º do art. 14 da Lei 4.502/64 (RIPI) e impedir a dedução dos descontos incondicionais, permitiu a incidência da exação sobre base de cálculo que não corresponde ao valor da operação, em flagrante contrariedade à disposição contida no art. 47, II, "a", do CTN. Os descontos incondicionais não compõem a real expressão econômica da operação tributada, sendo permitida a dedução desses valores da base de cálculo do IPI. 4. A dedução dos descontos incondicionais é vedada, no entanto, quando a incidência do tributo se dá sobre valor previamente fixado, nos moldes da Lei 7.798/89 (regime de preços fixos), salvo se o resultado dessa operação for idêntico ao que se chegaria com a incidência do imposto sobre o valor efetivo da operação, depois de realizadas as deduções pertinentes. 5. Recurso especial não provido. Sujeição do acórdão ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008. (STJ – Resp nº 1.149.424. Rel. Min. Eliana Calmon. DJ 07/05/2010) grifos nossos No mesmo sentido temos o seguinte julgado: RECURSO ESPECIAL IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. DESCONTOS INCONDICIONAIS. ART. 14, §2º, DA LEI N. 4.502/64 (REDAÇÃO DADA PELO ART. 15, DA LEI N. 7.798/89). BASE DE CÁLCULO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. CORREÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. 1. A demanda é de repetição de indébito e não se confunde com o mero pedido de creditamento de IPI, pois se trata de IPI já pago na operação de saída, na qualidade de contribuinte de direito, e não de creditamento do IPI pago na qualidade de contribuinte de fato para fazer jus ao princípio da nãocumulatividade. 2. A jurisprudência dominante deste Tribunal Superior afasta a incidência do IPI sobre os descontos incondicionais, que não integram o preço final, porquanto a base de cálculo do imposto é o valor da operação da qual decorre a saída da mercadoria. Por isso que, tendo ocorrido incidência indevida da exação, os valores a serem restituídos deverão ser corrigidos monetariamente. Precedentes: REsp 510.551/MG, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Segunda Turma, julgado em 10/04/2007, DJ 25/04/2007 p. 299; REsp 554.490/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/08/2006, DJ 17/08/2006 p. 337; REsp 477525/GO, Rel. Fl. 4330DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11634.001112/200722 Acórdão n.º 3302002.715 S3C3T2 Fl. 8 7 Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/06/2003, DJ 23/06/2003 p. 258; MC nº 15.218 SP, Primeira Turma, Rel. Min.Luiz Fux, julgado em 2.12.2009. 3. Recurso especial provido. (STJ – Resp nº 1.161.208. Rel. Min. Mauro CampbellMarques. Dje 15/10/2010) Finalmente, foi julgado em 05/09/2014 o RE 567935 pelo E. STF (Acórdão ainda não disponível no site) no sentido de reconhecer o direito do contribuinte de “excluir o valor dos abatimentos incondicionais do cálculo do IPI”. Destacou o Min. Marco Aurélio, de acordo com o informativo do STF, “que sob a ótica contábil ou jurídica, desconto incondicional é aquele concedido independentemente de qualquer condição, não sendo necessário que o comprador pratique qualquer ato subseqüente ao de compra para fazer jus ao benefício e que, uma vez concedido, não será pago.” Argumentou que, “ao incluir esta modalidade de abatimento de preços no cálculo do imposto por meio de lei ordinária foi invadida a competência da lei complementar.” Ora, a base de cálculo tem por finalidade delimitar quantitativamente a hipótese de incidência do tributo, razão pela qual deve expressar o real conteúdo econômico do seu objeto. Assim, o valor da operação deve ser entendido como aquele que reflete o preço efetivamente praticado no negócio jurídico. No presente caso, havida a concessão de descontos incondicionais, houve recebimento de preço menor que o de venda, sendo, pois, menor o ingresso de numerário nessa operação, resultando, assim, redução da base de cálculo do IPI. A regra que veda a dedução de descontos, introduzida pela Lei nº 7.798/89, não se compatibiliza com o disposto no art. 47 do Código Tributário Nacional. Não há margem para interpretação no sentido de que, tendo havido desconto incondicional no preço da mercadoria, possa o IPI incidir sobre essa parcela, posto que esse quantum não fez parte do valor de saída daquela. Assim, se no momento da ocorrência do fato gerador do IPI entregue definitivamente a bonificação, não há que se falar em sua tributação por este tributo, pois para a determinação da base de cálculo do IPI devese considerar, repisese, o valor da operação, isto é, o preço consistente naqueles valores efetivamente recebidos pelo vendedor (e pagos pelo comprador) no momento da venda, sob pena de a base de cálculo dissociarse do aspecto material tributável, alterando indevidamente a natureza jurídica do próprio tributo. Pelo exposto, neste tópico entendo existir razão à Recorrente. Classificação Fiscal dos Produtos No que concerne à classificação fiscal dos produtos entendo não assistir razão à Recorrente, pois conforme restou constatado pelo Termo de Diligência (fls. 6138/6142), o qual não foi objeto de contestação, a recorrente não mais se manifestou por contestar o resultado da diligência, já que afirmouse inexistir a classificação específica para o produto, e tendo sido refletido no lançamento o eventual recálculo decorrente dessa realidade. Ademais expõe que: A classificação fiscal utilizada no auto de infração, relativa aos produtos objeto da contestação e do laudo de classificação, é a mesma classificação fiscal que o contribuinte havia utilizado nas Fl. 4331DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11634.001112/200722 Acórdão n.º 3302002.715 S3C3T2 Fl. 9 8 saídas do estabelecimento industrial, com a consequente entrada no estabelecimento comercial atacadista. Vide notas fiscais da filial 0006 às fls. 1454, 1456 e 1458. De 01/01/2003 até o dia 07/02/2006 as alíquotas referentes a nova classificação dos produtos são iguais as da classificação anterior 10%, de acordo com o Decreto 4.542/2002. A partir de 08/02/2006 passam a ser de 5% de acordo com o Decreto 5.697/2006”. Portanto, em face do exposto entendo não assistir razão à Recorrente, neste tópico. Multa de Ofício. Incompetência do Conselho para afastar aplicação da multa A Recorrente em seu recurso voluntário ataca o valor da multa aplicada no presente auto de infração. Alega que a multa aplicada se caracteriza como confiscatória, tendo em vista afrontar diversos princípios constitucionais, dentre eles o da proibição de tributo com efeito de confisco, da proporcionalidade, da moralidade e razoabilidade. Primeiramente, há de se salientar que multa não é tributo. É penalidade, ainda que esse valor integre o crédito tributário em sentido lato. Não existe vedação constitucional ao confisco do produto de atividade contrária à lei, como se vê ao ler o artigo 243 da Constituição Federal em vigor. Desta forma, a aplicação de multa ao autor do ilícito fiscal é lícita, pois a lei destinase a proteger a sociedade, não o patrimônio do autor do ilícito. O E. Superior Tribunal de justiça já decidiu pela inexistência de efeito de confisco na aplicação da multa de ofício, tendo em vista ter sido fixada por lei: “ Tributário. Fraude. Notas Fiscais Paralelas. Parcelamento de Débito. Redução de Multa. Lei 8.218/91. Aplicabilidade. Inocorrência de Confisco. Taxa Selic. Lei nº 9.065/95. Incidência. 1. Recurso Especial contra v. Acórdão que considerou legal a cobrança de multa fixada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) e determinou a incidência da Taxa Selic sobre os débitos objeto do parcelamento. 2. A aplicação da Taxa Selic sobre débitos tributário objeto de parcelamento está prevista no art. 13 da Lei 9.065 de 20/07/95. 3. É legal a cobrança de multa, reduzida do percentual de 300% (trezentos por cento) para 150% (cento e cinqüenta por cento), ante a existência de fraude por meio de uso de notas fiscais paralelas, comprovada por documentos juntados aos autos. Inexiste na multa efeito de confisco, visto haver previsão legal (art. 4, II da Lei nº 8.218/91). 4.Não se aplica o artigo 920 do Código Civil, ao caso, porquanto a multa possui natureza própria, não lhe sendo aplicáveis as restrições impostas no âmbito do direito privado. 5. A exclusão da multa ou a sua redução somente ocorrem com suporte na legislação tributária. Fl. 4332DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11634.001112/200722 Acórdão n.º 3302002.715 S3C3T2 Fl. 10 9 6. Recurso não provido.” (STJ. REsp 419.156. Rel Min. José Delgado. DJ 07/05/2002) Veja, portanto a ausência de efeito de confisco, uma vez que esse efeito é vedado pela Constituição Federal, na aplicação da multa. A referida multa tem caráter de penalidade. Outrossim, não é de competência desta Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento afastar aplicação de multa, sob o argumento de que essa seria confiscatória, uma vez que tratase de exigência legal. Neste sentido o Conselheiro José Henrique Longo reconheceu, no Acórdão nº 10806.571, da Oitava Câmara, a incompetência desta Câmara para afastar a aplicação da multa isolada, nos seguintes termos: “ Por fim, no tocante ao caráter confiscatório, não é permitido a este tribunal administrativo contrapor a escala de valores que o legislador ordinário aplicou, frente aos comandos da Constituição Federal. Cabe apenas ao Poder Judiciário essa prerrogativa de declarar ilegítima determinada norma, formalmente introduzida no sistema jurídico de modo válido. Desse modo nego seguimento ao recurso.” Juros de Mora – SELIC No que tange a aplicação da Taxa Selic, também não assiste razão à Recorrente, na medida em que a partir de 01 de abril de 1995 os juros moratórios incidentes sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência à taxa referencial SELIC. Esta questão dos juros incidentes sobre tributos já está pacificado nos termos da Súmula CARF nº 4, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão Por todo exposto, conheço do recurso e doulhe parcial provimento para excluir da base de cálculo do IPI os descontos incondicionais. É como voto Sala das Sessões, em 16 de setembro de 2014 (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. Fl. 4333DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11634.001112/200722 Acórdão n.º 3302002.715 S3C3T2 Fl. 11 10 Fl. 4334DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 19515.001348/2006-46
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/07/2006
ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA.
O processo administrativo fiscal não é foro hábil para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade, por se tratar de matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da legislação tributária. (Súmula CARF nº 2)
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3403-003.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa para R$ 1.500,00 por mês calendário ou fração, com base no princípio da retroatividade benigna. Vencido o Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern. Sustentou pela recorrente o Dr. Pedro Capelossi, OAB/SP 288.044..
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
[assinado digitalmente]
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Redator designado
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/07/2006 REGISTRO ESPECIAL DE PAPEL IMUNE. ALTERAÇÃO CADASTRAL. COMUNICAÇÃO. FALTA. A falta de comunicação das alterações cadastrais após a concessão do registro especial sujeita o declarante à imposição da penalidade cominada para os casos de atraso no cumprimento dessa obrigação acessória. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/2006 NORMA PENAL MAIS BENIGNA. RETROAÇÃO. Reduzse a penalidade aplicada em face da edição posterior de norma penal mais benigna. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2006 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. O processo administrativo fiscal não é foro hábil para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade, por se tratar de matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da legislação tributária. (Súmula CARF nº 2) Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 48 /2 00 6- 46 Fl. 444DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 15/11/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa para R$ 1.500,00 por mês calendário ou fração, com base no princípio da retroatividade benigna. Vencido o Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern. Sustentou pela recorrente o Dr. Pedro Capelossi, OAB/SP 288.044.. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente [assinado digitalmente] Luiz Rogério Sawaya Batista Relator (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Redator designado Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra a Recorrente., no valor de R$ 1.285.000,00, referente a Multa Regulamentar de IPI "por atraso na prestação de informações ou esclarecimentos solicitados", de que trata o art. 9º da Instrução Normativa SRF nº 71/2001. A Autoridade Fazendária se baseou no art. 57, inc. I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art. 9° da IN SRF n° 71/2001, com as alterações processadas pela IN SRF n° 101/2001. Segundo o Termo de Verificação Fiscal ficou constatado que após a publicação do Ato Declaratório Executivo n° 353 de 11/04/2002 (Inscrição no Regime Especial de Usuário de Papel destinado a impressão de livros, jornais e periódicos) e Ato Declaratório Executivo n° 360 de 11/04/2002, ocorreram 15 (quinze) alterações contratuais até a data em que houve a comunicação, em 09/09/2005, e após esta comunicação houve também mais 3 (três) alterações não informadas ao órgão competente. De acordo com o Termo, a Recorrente, em 02/05/2006, justificou as alterações contratuais à Secretaria da Receita Federal por meio de Documentos Básicos de Entrada do CNPJ – DBEs e anexa os pedidos de alterações. Porém a falta de comunicação das alterações efetuadas pelo contribuinte não atende o artigo 9º da IN SRF nº 71/2001 de 24/08/2001, com nova redação dada nos termos do parágrafo 1º, artigo 9º da IN SRF 101/2001. A Recorrente apresentou Impugnação, em que alega que as informações de alterações de contratos foram efetivamente comunicadas ao Fisco por meio de todos os atos praticados perante o cadastro da Impugnante no CNPJ, que foi devidamente atualizado para refletir todas as alterações sociais promovidas durante os anos. Que a Recorrente, sempre agindo de forma clara e concisa, informou durante a fiscalização, mais exatamente em 16 de mais de 2006, que o seu cadastro no CNPJ estava atualizado, juntando todos os documentos que atestam sua alegação. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 15/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.001348/200646 Acórdão n.º 3403003.386 S3C4T3 Fl. 445 3 Diz a Impugnante que por mais que não tenha utilizado exatamente o meio de informação requerido pela IN 71/01, o fato é que a sua finalidade foi atingida uma vez que a Receita Federal teve efetivo acesso a todas informações por meio da atualização do cadastro da Recorrente no CNPJ. Aduz ainda que, mesmo que fosse devida a multa ora combatida, o que se admite apenas para argumentar, o valor exigido fere frontalmente os princípios da proporcionalidade, razoabilidade e do nãoconfisco que norteiam a aplicação de qualquer sanção tributária, pelo que a exigência dessa multa é manifestamente ilegal. Não há como se conceber a aplicação de uma multa dessa dimensão para descumprimento de uma obrigação acessória de somenos importância em termos de arrecadação tributária. Diz ainda que o princípio da proporcionalidade não foi atendido, e que a multa aplicada teve a finalidade sancionatória e não arrecadatória, sendo claro o detrimento ao patrimônio da Recorrente e ao ordenamento jurídico pátrio, além de desproporcional e irrazoável, a multa tem clara natureza confiscatória. Alternativamente, defende a aplicação da multa de R$ 5.000,00 uma única vez para cada alteração social não informada, e não esse mesmo valor aplicado a cada mês de atraso. E se volta contra a aplicação da Taxa SELIC sobre a multa. A DRJ fundamenta a sua Decisão no sentido de que a Recorrente não teria contestado a acusação fiscal quanto à falta de expressa comunicação das suas alterações sociais, conforme constam indicadas pela autoridade fiscal à fl. 231 (no Termo de Verificação Fiscal). Aduz que a Recorrente não trouxe ela aos autos provas de que tenha efetuado protocolos de específicas comunicações acerca daquelas alterações. Limitouse a asseverar que tais alterações foram comunicadas ao Fisco por meio de atualização dos seus dados cadastrais junto ao CNPJ. Segundo a DRJ, acatar a tese da Recorrente implica esvaziar o integral conteúdo do dispositivo infringido, conforme disposto no art. 9º da IN SRF nº 71/2001 bem como o art. 20 da IN SRF nº 200/2002. Neste sentido, entende a DRJ que o cumprimento da obrigação em debate só se consubstancia por meio de comunicação por escrito protocolizada na repartição que jurisdiciona o contribuinte, acompanhada de cópia dos documentos que comprovam a alteração realizada, o que, como visto, não foi feito pelo sujeito passivo. A DRJ afasta a alegação de aplicação única da multa para cada obrigação descumprida, pois, segundo seu entendimento a penalidade se aplica por mêscalendário de atraso: Art. 57.0 descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei n° 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente as pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; Fl. 446DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 15/11/2014 por ALEXANDRE KERN 4 Relativamente às alegações fundadas no princípio da razoabilidade, proporcionalidade e da vedação ao confisco, a DRJ assevera que não é tarefa do julgador administrativo analisar arguições de ilegalidade ou inconstitucionalidade do direito positivado. A DRJ não analisou o pleito de não aplicação da taxa SELIC sobre a multa, sob o fundamento de que seria impertinente na presente fase processual. Nesse sentido, a DRJ manteve intacta a autuação. Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em que repete as alegações constantes em sua Impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista O Recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Conforme constou no Relatório, tratase de Auto de Infração, em que a Autoridade Fazendária, às fls. 259, multiplicou o número de meses de cada alteração contratual da Recorrente tomando como referência 09 de setembro de 2005, e o valor de multa de R$ 5.000,00, chegando ao valor de R$ 1.285.000,00, pois, em sua visão, a Recorrente teria incorrido em atraso ao não informar especificamente as alterações contratuais para a Secretaria da Receita Federal. É interessante notar que a Autoridade Fazendária se guia nas Instruções Normativas da Receita Federal do Brasil, então vigentes, n 71/2001 e 101/2001, que prevêem em seus artigos 3 a necessidade de registro de pessoas jurídicas que atuam no segmento da Recorrente. Art. 3º O pedido de registro será apresentado à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) referida no caput do artigo anterior, instruído com os seguintes elementos: I dados de identificação: nome empresarial, número de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e endereço; II cópia do estatuto, contrato social ou declaração de firma individual, bem assim das alterações posteriores, devidamente registrados e arquivados no órgão competente de registro de comércio; III indicação da atividade desenvolvida no estabelecimento, conforme previsto no § 1º do art. 1º. IV indicação do titular da firma individual ou relação dos sócios, pessoas físicas, bem assim dos diretores, gerentes, administradores e procuradores, com indicação do número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no CNPJ, conforme o caso, e respectivos endereços; e Fl. 447DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 15/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.001348/200646 Acórdão n.º 3403003.386 S3C4T3 Fl. 446 5 V relação das pessoas jurídicas controladoras, com indicação de número de inscrição no CNPJ, bem assim de seus respectivos sócios, pessoas físicas, diretores, gerentes, administradores e procuradores, com indicação do número de inscrição no CPF ou no CNPJ, conforme o caso, e respectivos endereços. Parágrafo único. Quando se tratar de empresa jornalística, editora ou gráfica, deverão, ainda, ser indicadas as oficinas próprias de impressão e, na hipótese de terceirização dos serviços, indicados os proprietários e o estabelecimento impressor. Parágrafo único. Quando se tratar de empresa jornalística, editora ou gráfica, dever , ainda, ser informado se as oficinas de impressão são próprias ou de terceiros." O Artigo 9 das IN 71/2001, na redação dada pela IN n 101/2001, seria o fundamento para a aplicação da penalidade, vez que a Recorrente deveria, segundo o entendimento da Autoridade Fazendária, comunicar em 30 dias as alterações constantes nos elementos do artigo 3 (contrato social): Art. 9º Após a concessão do registro especial, as alterações verificadas nos elementos constantes do art. 3º deverão ser comunicadas pela pessoa jurídica à DRF ou Defic do seu domicílio fiscal, no prazo de trinta dias, contado da data de sua efetivação ou, quando for o caso, do arquivamento no registro do Comércio, juntando cópia dos documentos de alteração. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 101, de 21 de dezembro de 2001) § 1º A falta de comunicação de que trata o caput sujeitar a empresa à penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória Nº 2.15835, de 2001. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 101, de 21 de dezembro de 2001) A Autoridade Fazendária, portanto, baliza seu procedimento no artigo 16 da Lei n 9.779/1999, cuja redação segue abaixo transcrita, para, conjungandoo com o artigo 57 da Medida Provisória n 2.15835/2001, aplicar a multa de R$ 5.000,00 por mês de atraso, resultando no exagerado valor de R$ 1.285.000,00 de multa pela ausência de protocolo de alteração contratual perante a Receita! Dispõe o artigo 16 da Lei n 9.779/1999: Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Pois bem. A autuação não tem condições de subsistir. A Autoridade Fazendária fundamenta o Auto de Infração exclusivamente no artigo 9 da IN RFB n 71/2001, sendo que tal Instrução Normativa não tem força de Lei, devendo, obrigatoriamente, para ter efetividade, buscar validade em anterior previsão legal Fl. 448DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 15/11/2014 por ALEXANDRE KERN 6 específica que disponha sobre a obrigatoriedade dos contribuintes protocolarem suas alterações contratuais perante a Receita Federal no prazo de 30 dias após registro na Junta Comercial do respectivo Estado. Não! Esse dispositivo simplesmente inexiste! Não há fundamento legal para a aplicação da multa. O que existe e foi utilizado como fundamentação, como se tal fosse possível, é o genérico artigo 16 da Lei n 9.779/1999, dispondo sobre competência da Receita Federal dispor sobre obrigações acessórias acerca de impostos e contribuições. A IN n 71/2001 dispõe sobre: Dispõe sobre registro especial para estabelecimentos que realizem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, e institui a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune). Contudo, além do artigo 16 da Lei n 9.779/1999 não dispor sobre a obrigatoriedade da Recorrente entregar contrato social após sua alteração na Receita Federal do Brasil, ele apenas trata da atribuição da Receita Federal de dispor sobre obrigações acessórias de impostos e contribuições, matéria totalmente distinta do conteúdo da IN n 71/2001, sendo que dentre as atribuições da Receita não consta a previsão de penalidade. Há necessidade de prévia disposição legal da conduta antijurídica! Por essa razão, que a Recorrente, que deve manter seus cadastros atualizados na Receita Federal, para praticar as suas mais comezinhas operações diárias, por meio de alteração e atualização de seu DBE, constante nos próprios cadastros da Receita Federal, que detém exclusividade sobre o Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas CNPJ, foi apenada por não ter protocolado em papel as suas alterações contratuais, conforme supostamente determinaria o artigo 9 da IN n 71/2001. Por outro lado, não posso deixar de observar que mesmo que se considerasse válida a aplicação da multa no presente caso, a multa aplicada necessariamente deveria ser reduzida em razão da aplicação retroativa da pena mais benigna, conforme determina a alínea "c", do inciso II, do artigo 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 15/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.001348/200646 Acórdão n.º 3403003.386 S3C4T3 Fl. 447 7 Isso porque, a multa de R$ 5.000,00, anteriormente aplicada nesse valor, por mês de atraso ou fração, foi totalmente modificada, em razão de alteração no artigo 57 da MP n° 2.15835/2001, passando a se aplicar por aplicação extemporânea e em valores reduzidos: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) I por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que estiverem em início de atividade ou que sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; Assim, aplicarseia a multa de R$ 1.500,00 sobre cada apresentação extemporânea do Contrato Social. De qualquer maneira, pelas razões anteriormente expostas, dou provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Sala de sessões, em 12 de novembro de 2014 (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Kern, redator designado Conforme relatado, a matéria em litígio trata da aplicação de multa em razão do descumprimento de obrigação acessória prescrita no art. 9°, § 1°, da Instrução Normativa SRF n° 71 de 24 de agosto de 2001, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF n° 101, de 21 de dezembro de 2001. No que respeita aos brados da recorrente contra a natureza confiscatória, desproporcional, não razoável e ofensiva à sua capacidade contributiva da penalidade aplicada, repito aqui o que já foi bem destacado na decisão recorrida: o julgamento administrativa não se pauta por alegações tendentes a negar vigência a normas regularmente introduzidas no ordenamento jurídico. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 15/11/2014 por ALEXANDRE KERN 8 A propósito da carência de base legal, inquinada pelo recorrente, destaco que a obrigação acessória de que se trata decorre de deferência legal à Secretaria da Receita Federal – SRF, operada pelo art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, matriz legal do art. 212 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 – RIPI/2002, abaixo transcrito: Art. 212. A SRF poderá dispor sobre as obrigações acessórias relativas ao imposto, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável (Lei n° 9.779, de 1999, art.16). Munida dessa autorização legal, cuja constitucionalidade escapa da competência desse colegiado questionar, a teor da Súmula CARF nº 21, a extinta SRF editou a Instrução Normativa SRF nº 71, de 24 de agosto de 2001, mais tarde alterada pela Instrução Normativa SRF nº 101, de 21 de dezembro de 2001, para instituir, entre outras, a obrigação acessória de comunicação à Autoridade Fiscal de qualquer alteração nos elementos requeridos para a concessão do registro especial, elencados no art. 3º, e remeter a sanção para os que a descumprirem ao art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, matriz legal do art. 505 do RIPI/2002: Art. 505. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 212 acarretará a aplicação da multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por mêscalendário, aos contribuintes que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 57). Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante Pelo SIMPLES, a multa de que trata o caput será reduzida em setenta por cento (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art.57, parágrafo único). O recorrente não foge à regra e, assim como todos os inadimplentes do cumprimento de obrigação acessória, penalizados com a multa regulamentada pela INSRF nº 71, de 2001, inquina tal sanção de nulidade. O recorrente cita excertos de jurisprudência que rechaçam a possibilidade de instituição da obrigação acessória em apreço por instrumento normativo infralegal. Não penso assim. O Código Tributário Nacional [CTN], no título II, “Da Obrigação Tributária” ao conceituar a obrigação acessória indica que ela decorre da legislação tributária. O próprio CTN, no art. 96, define o que vem a ser a expressão “legislação tributária" afirmando que “compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Portanto, criar uma obrigação acessória não é prerrogativa de lei strictu sensu, nos termos do que rege o CTN. Toda essa digressão é, no entanto, despicienda, no caso vertente. É que a multa de que se trata não foi instituída pela INSRF nº 71, de 2001. Essa penalidade, aplicável a todas as hipóteses de descumprimento de obrigações acessórias estabelecidas pela SRF, foi instituída pelo artigo 58 da MP nº 2.15834, de 2001, que, por força do art. 2º da Emenda Constitucional nº 32, de 2001, encontrase em vigor até a presente data, com força de lei. 1 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 15/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 19515.001348/200646 Acórdão n.º 3403003.386 S3C4T3 Fl. 448 9 Assim, creio ter demonstrado, ainda que de forma concisa, a base em que se sustenta a aplicação da penalidade, ousando discordar do voto do relator, ilustre Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista. Nada obstante, a base legal da penalidade tem recebido sucessivas alterações, a mais recente, o voto vencido já o registrou, foi introduzida pela Lei n° 12.873, de 24 de outubro de 2013, reduzindo a multa para R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por apresentação extemporânea por mês ou calendário ou fração. Incide, no caso, a norma de retroação de norma penal mais benigna, prevista no art. 106, II, “c” da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional CTN. Aplicandose a redução da pena aos dados constantes da fl. 2592, teremos: ALTERAÇÃO DATA DESCRIÇÃO MÊS(ES)‐CALENDÁRIO 1ª 23.12.02 Aumento de capital 33 meses x R$ 1.500,00 = R$ 49.500,00 2ª 20.01.03 Designação dos atuais Diretores 32 meses x R$ 1.500,00 = R$ 48.000,00 3ª 03.02.03 Alterar valor nominal das quotas 31 meses x R$ 1.500,00 = R$ 46.500,00 4ª 04.08.03 Eleger cargo de Diretor Presidente 25 meses x R$ 1.500,00 = R$ 37.500,00 5ª 03.10.03 Aumento capital 19 meses x R$.1.500,00 = R$ 28.500,00 6ª 22.03.04 Retificação da 5ª alteração contratual 18 meses x R$ 1.500,00 = R$ 27.000,00 7ª e 8ª 11.02.04 Aumento de capital 23 meses x R$ 1.500,00 = R$ 34.500,00 9ª 27.04.04 Abertura de nova filial 17 meses x R$ 1.500,00 = R$ 25.500,00 10ª 23.07.04 Retificação da 9ª e alteração do endereço da filial 14 meses x R$ 1.500,00 = R$ 21.000,00 11ª 23.12.04 Abertura de novas filiais 09 meses x R$ 1.500,00 = R$ 13.500,00 12ª 01.02.05 Alteração no Contrato Social 07 meses x R$ 1.500,00 = R$ 10.500,00 13ª 14.04.05 Abertura nova filial 05 meses x R$ 1.500,00 = R$ 7.500,00 14ª 30.05.05 Abertura de 5 novas filiais 04 meses x R$ 1.500,00 = R$ 6.000,00 15ª 30.06.05 Exclusão e nomeação de diretores 03 meses x R$ 1.500,00 = R$ 4.500,00 16ª 10.09.05 Abertura filiais e mudança de endereço 09 meses x R$ 1.500,00 = R$ 13.500,00 17ª 24.01.06 Transferência de endereço 05 meses x R$ 1.500,00 = R$ 7.500,00 18ª 11.03.06 Abertura de filial 03 meses x R$ 1.500,00 = R$ 4.500,00 Com essas considerações, voto por que se provimento parcial ao recurso, reduzindo a penalidade aplicada para R$ 385.500,00 (trezentos e oitenta e cinco mil e quinhentos reais). Sala de sessões, em 12 de novembro de 2014 Alexandre Kern Redator designado. 2 Segundo a numeração das folhas do processo eletrônico. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 15/11/2014 por ALEXANDRE KERN 10 Fl. 453DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 15/11/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10980.901545/2010-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
Ementa:
DESPACHO DECISÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA.
Não merece reparo a decisão de primeira instância que não toma conhecimento das razões de defesa suscitadas em Manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal e, portanto, intempestiva.
Numero da decisão: 3202-001.408
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Assinado digitalmente
LUIS EDUARDO GARROSINO BARBIERI Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri (Presidente Substituto), Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Stocco Portes, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 Ementa: DESPACHO DECISÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. Não merece reparo a decisão de primeira instância que não toma conhecimento das razões de defesa suscitadas em Manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal e, portanto, intempestiva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 Ementa: DESPACHO DECISÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. Não merece reparo a decisão de primeira instância que não toma conhecimento das razões de defesa suscitadas em Manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal e, portanto, intempestiva. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Assinado digitalmente LUIS EDUARDO GARROSINO BARBIERI – Presidente Substituto. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri (Presidente Substituto), Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Stocco Portes, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 15 45 /2 01 0- 82 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/12/2 014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIG IYAMA Processo nº 10980.901545/201082 Acórdão n.º 3202001.408 S3C2T2 Fl. 328 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 1044.833, de 28 de junho de 2013, proferido pela 3ª Turma da DRJ/POA, que acordou por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de tempestividade e, consequentemente, não tomar conhecimento da manifestação de inconformidade. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “Tratase de Despacho Decisório (Eletrônico) do Delegado da Receita Federal do Brasil em Fortaleza/CE que indeferiu o pedido de ressarcimento de crédito formulado através do PER/DCOMP nº 39549.76759.240306.1.1.015484 transmitido em 24/03/2006, no valor de R$ 286.057,29, e não homologou a compensação a ele vinculada, declarada através do PER/DCOMP nº 30626.73753.120406.1.3.011530. Irresignado o contribuinte protocolizou manifestação de inconformidade cuja alegação inicial é a tempestividade, tendo em vista que a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 21/07/2010, iniciandose em 22/07/2010 o prazo de trinta dias para a apresentação de defesa. Prossegue arrolando suas razões quanto ao mérito e, por fim, solicita a reforma do DDE, com o consequente reconhecimento do crédito e homologação da compensação vinculada. É o relatório.” A DRJ, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de tempestividade e, consequentemente, não tomou conhecimento da manifestação de inconformidade, em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 Ementa: DESPACHO DECISÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. Manifestação de inconformidade intempestiva não pode ser conhecida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Outros Valores Controlados” Cientificado do referido acórdão em 5 de julho de 2013, apresentou recurso voluntário em 2 de agosto de 2013 ao Conselho Administrativo Fiscal – CARF. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Fl. 328DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/12/2 014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIG IYAMA Processo nº 10980.901545/201082 Acórdão n.º 3202001.408 S3C2T2 Fl. 329 3 Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pela Mondelez Brasil, sucessora por incorporação de Kraft Foods Brasil S/A. Depreendendose da análise do processo, vêse que a lide original envolve autuação fiscal recepcionada pela empresa Kraft Foods Brasil S/A (incorporada pela Mondelez Brasil Ltda) tratando do indeferimento do ressarcimento de crédito de IPI apurado no 4º trimestre de 2002, no valor de R$ 286.057,29. Não obstante à essa discussão, vêse que a DRJ não tomou conhecimento da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, considerando sua intempestividade. Eis que, no caso vertente, o contribuinte foi cientificado do Despacho Decisório por meio de Aviso de Recebimento (fl. 248), no dia 21 de julho de 2010 e, nos termos dos diplomas legais, a contagem do prazo iniciouse em 22 de julho de 2010 (sextafeira), tendo o termo final do prazo de 30 (trinta) dias ocorrido no dia 20 de agosto de 2010 (sextafeira). Porém, apresentou a manifestação e inconformidade somente no dia 23 de agosto de 2010 (fl. 02), quando já havia se esgotado o prazo regulamentar fixado pelo Decreto nº 70.235, de 1972. Dessa forma, em vista da decisão de 1ª instância, a contribuinte pede a reforma do Acórdão da DRJ, descrevendo julgados do CARF, solicitando que a administração fazendária aprecie todos os fatos e provas que possam influenciar a sua decisão para que, por conseguinte, seja reconhecido o direito ao crédito presumido de IPI e homologada a compensação requerida anteriormente. Requer também a recorrente que, caso se entenda necessário, seja deferido o pedido anteriormente formulado de diligência especialmente com vistas a comprovar a natureza de empresa produtora e para posterior juntada dos documentos que se fizerem necessários. Quanto à intempestividade da manifestação de inconformidade alegada pela DRJ, notase que, de acordo com o disposto nos arts. 14 e 151 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Fl. 329DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/12/2 014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIG IYAMA Processo nº 10980.901545/201082 Acórdão n.º 3202001.408 S3C2T2 Fl. 330 4 somente a impugnação da exigência apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. No caso vertente, resta claro que a recorrente apresentou a impugnação fora do prazo legal. Logo, a controvérsia cingese apenas ao conhecimento da impugnação suscitada pela recorrente, que deve ser conhecida por este Colegiado, em razão do disposto no art. 56, § 3º, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamenta o processo administrativo fiscal, a seguir transcrito (destaques meus): “Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no70.235, de 1972, arts. 14 e 15). § 1º Apresentada a impugnação em unidade diversa, esta a remeterá à unidade indicada no caput. § 2º Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. § 3º No caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. § 4º Na hipótese do § 3o, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que cada um deles tiver sido cientificado do lançamento. 5º Na hipótese de remessa da impugnação por via postal, será considerada como data de sua apresentação a da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, o qual deverá trazer a indicação do destinatário da remessa e o número do protocolo do processo correspondente. §6º Na impossibilidade de se obter cópia do aviso de recebimento, será considerada como data da apresentação da impugnação a constante do carimbo aposto pelos Correios no envelope que contiver a remessa, quando da postagem da correspondência. §7ºNo caso previsto no § 5o, a unidade de preparo deverá juntar, por anexação ao processo correspondente, o referido envelope. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/12/2 014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIG IYAMA Processo nº 10980.901545/201082 Acórdão n.º 3202001.408 S3C2T2 Fl. 331 5 No recurso voluntário, a recorrente pleiteou o conhecimento das razões de fato e de mérito apresentadas, com base no argumento de que, no âmbito do processo administrativo fiscal, deve prevalecer o princípio da verdade material. Porém, entendo que não assiste razão a recorrente, pois tal princípio somente poderiam ser invocados quando o processo administrativo fiscal tenha sido regulamente instaurado à fase contenciosa do procedimento. Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente o recurso e, na parte conhecida, negar provimento, rejeitando o conhecimento das razões dos fatos e de mérito, para manter na íntegra a decisão recorrida. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 331DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/12/2 014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por TATIANA MIDORI MIG IYAMA
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Numero do processo: 10166.720148/2014-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
PROCESSO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 05
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3201-001.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 10/12/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator. EDITADO EM: 10/12/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Daniel Mariz Gudiño.
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PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 05 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 10/12/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Daniel Mariz Gudiño. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 01 48 /2 01 4- 39 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de exigência, mediante Autos de Infração, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS/Pasep), no regime cumulativo, respectivamente, nos valores de R$ 15.734.025,24 e R$ 3.419.070,53, acrescidos de juros de mora, relativos aos fatos geradores de janeiro, março, abril, junho, agosto, setembro, novembro e dezembro de 2009. Os dispositivos legais infringidos e o enquadramento legal da infração constam dos respectivos autos de infração. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às folhas 260 a 261 e 266 a 267, e no Relatório de Verificação Fiscal, às folhas 253 a 259, a autoridade fiscal relata que, em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo, efetuou o lançamento em razão da apuração da insuficiência de recolhimento, no regime cumulativo. A autoridade fiscal fundamenta, em síntese, que a contribuinte aproveitou créditos de Cofins e PIS/Pasep, apurados no regime não cumulativo, para abater (reduzir) débitos das mesmas contribuições no regime cumulativo, amparado por sentença judicial favorável. Desta forma, com objetivo de prevenir a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, explica a autoridade fiscal, é que foram formalizados os lançamentos de ofício, sem multa de ofício nem multa de mora. A autoridade fiscal ressalta que os créditos tributários constituídos nestes autos se encontram com sua exigibilidade suspensa enquanto perdurarem os efeitos da decisão proferida no processo judicial nº 2008.34.00.0202372 do TRF da 1ª Região Fiscal. Inconformada com os lançamentos, a contribuinte apresenta Impugnação, às folhas 278 a 290, na qual expõe suas razões de contestação. No tópico Da Inconsistência das Razões para Constituição dos Autos de Infração, a contribuinte alega que são legítimas as compensações financeiras efetuadas entre os créditos apurados no regime não cumulativo com os débitos apurados no regime cumulativo das contribuições sociais – Cofins e PIS/Pasep. Explica a contribuinte que tem por atividade principal a prestação de serviços de telecomunicações, porém também comercializa aparelhos celulares. E, que as receitas decorrentes de sua atividade principal (prestação de serviços de telefonia) sujeitamse ao regime cumulativo, enquanto as receitas decorrentes da atividade secundária (revenda de aparelhos celulares) sujeitamse ao regime não cumulativo. Como os aparelhos celulares são revendidos por valores inferiores ao de Fl. 349DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10166.720148/201439 Acórdão n.º 3201001.792 S3C2T1 Fl. 286 3 aquisição (com objetivo de fomentar o uso dos serviços de telecomunicação permitindo a compensação do prejuízo na venda subsidiada), o crédito com a aquisição de aparelhos celulares é superior ao débito apurado decorrente da revenda, no regime não cumulativo, por conseguinte, afirma a interessada, há um acúmulo sistemático de créditos sem que consiga esgotálos no regime não cumulativo. Portanto, utiliza o crédito apurado no regime não cumulativo para compensar débitos do regime cumulativo, em razão de que, independentemente da forma de apuração, a Cofins e o PIS/Pasep, sob qualquer regime, não perdem o seu caráter de unicidade. Neste ponto, passa a contribuinte a tecer diversas considerações com objetivo de validar seu procedimento. E conclui que na sentença judicial que lhe foi favorável, o judiciário deferiu o pedido de antecipação dos efeitos da tutela, com aproveitamento dos créditos no próprio mês de apuração. Sob o título Do descabimento de Incidência de Juros Moratórios, a contribuinte alega que em razão da existência de decisão judicial favorável, não há que se falar em incidência de juros moratórios, vez que não está configurada inadimplência da contribuinte, diante da inexigibilidade do tributo, nos termos do §2º do artigo 63 da Lei nº 9.430/96. Em sua defesa, a contribuinte cita ementa do Superior Tribunal de Justiça (STJ). No terceiro tópico – Da Suspensão da Exigibilidade. Impossibilidade de Registro Restritivo contra a Contribuinte – a contribuinte alega que, em decorrência da suspensão da exigibilidade, devem ser adotados todos os expedientes necessários para que não sejam lançados registros restritivos que impeçam a obtenção de certidão negativa. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza/CE indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/FOR n.º 34.644: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2009 DECISÃO JUDICIAL FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO AINDA NÃO TRANSITADA EM JULGADO. EFEITOS SOBRE O LANÇAMENTO A existência de decisão judicial favorável ao sujeito passivo ainda não transitada em julgado, não faz lei entre as partes e não obriga a Fazenda Nacional a, na oportunidade do lançamento para prevenir a decadência, subordinarse aos termos do decisum ainda não definitivo. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. EFEITOS Fl. 350DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 4 A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao procedimento administrativo, importa em renúncia às instâncias administrativas no que se refere à matéria levada concomitantemente à apreciação das duas vias. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. EXIGÊNCIA DE JUROS DE MORA No lançamento destinado à prevenção da decadência, a existência ou não de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário não importa no afastamento da incidência dos juros de mora. Impugnação Improcedente. Em face da decisão, o contribuinte é intimado, interpondo recurso voluntário. Após, foi dado seguimento ao recurso interposto. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. O presente processo se refere a lançamento para evitar a decadência referente a COFINS e PIS. A recorrente, a seu turno, alega em recurso voluntário de que os créditos realizados estavam corretos, motivo pelo qual o lançamento é indevido. Ocorre que, como bem julgado pela DRJ, esta discussão já é travada judicialmente, o que denota a concomitância: Da leitura da contestação da contribuinte, concluise que dela não se pode tomar conhecimento. Isto porque a discussão trazida pela interessada é objeto de apreciação judicial, nos autos do processo nº 2008.34.00.0202372 – Ação Ordinária com pedido de Tutela Antecipada , conforme petição inicial às folhas 62 a 83. Na sentença que deferiu a antecipação dos efeitos da tutela, se conclui que as alegações da contribuinte foram levadas ao poder judiciário, como se lê: [...] Por todo o exposto, defiro o pedido de antecipação dos efeitos da tutela, nos moldes em que requerido – com o aproveitamento no próprio mês de apuração – e julgo o pedido procedente para Fl. 351DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10166.720148/201439 Acórdão n.º 3201001.792 S3C2T1 Fl. 287 5 declarar o direito da Autora à dedução dos créditos de PIS e COFINS resultantes da revenda subsidiada de aparelhos celulares na composição do valor final desses tributos a ser pago sobre a prestação do serviço de telefonia no próprio mês de apuração dos créditos. Assim, há a incidência da súmula n. 01 desta Corte: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso interposto, prejudicados os demais argumentos. Sala de sessões, 15 de outubro de 2014. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 352DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
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Numero do processo: 10660.900370/2006-22
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 10/06/1999
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado provar os fatos que tenha alegado.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado provar os fatos que tenha alegado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 03 70 /2 00 6- 22 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900370/200622 Acórdão n.º 3801004.588 S3TE01 Fl. 12 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900370/200622 Acórdão n.º 3801004.588 S3TE01 Fl. 13 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo contra o acórdão julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora (DRJ/JFA), na sessão de julgamento de 27 de fevereiro de 2014, em que indeferiu as preliminares e julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 41976784 emitido eletronicamente em 03/01/13, referente ao PER/DCOMP nº 30649.18212.170408.1.3.040461. “Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição (Per) que visou à restituição de crédito de Cofins (código de arrecadação 2172) oriundo de pagamento indevido/a maior. Referido Per foi indeferido à razão de que, dadas as características do Darf ali discriminado, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição postulada. Na manifestação de inconformidade foi defendido em síntese que: a Medida Provisória nº 2.15835/ 2001 determinou que a partir de 1º/02/1999, as fundações de direito privado estão isentas da Cofins sobre as receitas provenientes de suas atividades próprias; “Por se tratar de isenção, a contribuinte passou a ser exonerada da obrigação de efetuar o pagamento do tributo, surgindo, incontinenti, o direito de ser restituída dos valores que recolheu aos cofres públicos à título de COFINS”; “providenciou o requerimento através do PER/DCOMP número15693.47903.150703.1.2.047803) sendo surpreendida com o indeferimento do Pedido de Restituição”; “os rendimentos indevidamente tributados não se referem a ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável ou à receitas estranhas às suas atividades próprias”; Ao final, requer: alternativamente “lhe seja reconhecido e autorizado o direito de compensar o seu crédito com outros débitos de competência da Receita Federal do Brasil”; “produção de prova técnica pericial, com a finalidade de demonstrar que se trata de tributo calculado e recolhido tendo em conta as receitas provenientes de suas atividades próprias” Fl. 341DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900370/200622 Acórdão n.º 3801004.588 S3TE01 Fl. 14 4 Em razão de Resolução dessa 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, o julgamento foi convertido em diligência, em síntese, no sentido de que fossem determinadas quais as receitas isentas da contribuinte, nos termos do § 2º do art. 47 da IN/SRF nº 247/2002. Na Informação Processual da DRFVAR/SAORT/GEDOC, em resumo, foram contextualizados os procedimentos fiscais visando ao cumprimento daquela Resolução, dentre os quais: a solicitação de esclarecimento endereçada à contribuinte a apresentar documentos/informações, bem como a insuficiência dos documentos apresentados em decorrência. Aberta a oportunidade para tanto, em face daquela Informação Processual, a contribuinte apresentou suas razões adicionais de defesa. É o relatório.” A DRJ de Juiz de Fora (DRJ/JFA) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 10/06/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO PAGAMENTO INDEVIDO/A MAIOR. INOCORRÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não comprovado documentalmente o direito creditório postulado, malgrado as oportunidades conferidas à contribuinte para esse mister, há que se manter o indeferimento operado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, enfatizando que deve ser reformada a decisão de primeira instância, sendo injusto o indeferimento da restituição por não haver juntado as notas fiscais que embasaram o lançamento. É o sucinto relatório. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900370/200622 Acórdão n.º 3801004.588 S3TE01 Fl. 15 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares de Nulidade O recorrente afirma que a decisão não respeitou os princípios basilares do processo administrativo, assim como carece de fundamentação aviltando o direito a ampla defesa e contraditório, sendo, portanto, nulo. Preliminarmente cabe serem afastadas as alegações de nulidade. A recorrente invoca genericamente que o auto de infração é nulo por desatender os princípios basilares do processo administrativo fiscal, dentre eles: o da verdade material, da legalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência. Apesar de discorrer longamente sobre a ausência de fundamentação do ato administrativo e o seu desvio de finalidade, por ausência do dever administrativo de instruir, tenho consagrado que compete ao requerente de crédito líquido e certo que traga os elementos essenciais para a prova de sua certeza e liquidez. Não considero assim, que no presente caso, que o princípio da verdade material entre em contradição com o princípio da iniciativa da prova. Por fim, cabe afastar a alegação de inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional de vedação de confisco. Cabe esclarecer que a multa aplicada possui natureza moratória e não punitiva. De outro lado, determina a Súmula n. 02 a vedação à apreciação por este órgão julgador das matérias constitucionais em conflito. Sendo assim, deixo de apreciar esta matéria por expressa proibição no CARF. Razões de Mérito Analisandose os autos, verificase que o processo se iniciou com uma PER/DCOMP transmitida pela contribuinte, no qual informou ela ter realizado pagamento indevido ou a maior de COFINS. A RFB constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. O contribuinte foi intimado, via solicitação de Esclarecimento, a fornecer nova documentação em que contasse descritivamente: 1 – Planilhas e/ou demonstrativos de apuração das receitas próprias (isentas da COFINS com base no artigo 14, inciso X, c/c o artigo 13, inciso VIII da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001) e das demais receitas, referentes aos períodos de apuração dos supostos créditos objetos das Manifestações de Inconformidades, constantes dos processos acima citados. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900370/200622 Acórdão n.º 3801004.588 S3TE01 Fl. 16 6 2 – Cópias dos Livros Contábeis / Fiscais onde constem os lançamentos das receitas mencionadas no item “1”, acompanhados dos documentos que embasaram os lançamentos e que comprovem a natureza das referidas receitas; 3 – Maiores esclarecimentos, que entenderem necessários, para subsidiar as análises e os julgamentos. Em resposta ao solicitado, o contribuinte limitouse a colacionar os mesmos documentos e informa que não possui mais as notas fiscais pertinentes ao fato gerador objeto do pedido de restituição, por entender ser desobrigado de manter esta documentação tão logo tenha decorrido 5 anos. Em divergência do alegado a Nota Cosit nº 338/2007 estabelece que a obrigatoriedade da guarda de documentos fazse necessária até o término da decisão, conforme abaixo, parcialmente transcrito: “A Nota COSIT nº 338, de 2 de outubro de 2007, ratifica a SCI COSIT nº 11 de, 24 de julho de 2006 (...) 2.10 Quanto ao prazo estabelecido que o contribuinte tem obrigação de guardar os documentos relativos a DIRPF apresentada, não se pode olvidar a necessidade do exame dos saldos de Imposto a Restituir apurados pelo contribuinte mesmo após o prazo decadencial para o lançamento, considerando que toda restituição envolve saída de valores dos Cofres Públicos e deve, portanto, ser respaldada em procedimentos capazes de verificar a procedência ou não da respectiva restituição, e, portanto, a restituição pleiteada mediante a DIRPF deve ser pautada nos mesmos procedimentos a que estão sujeitos os demais pedidos de restituição, no sentido de que o interessado deve manter todos os documentos relativos à restituição solicitada enquanto o pedido não tiver sido analisado e decidido.”. Deste modo, carece de direito creditório o contribuinte, não havendo, pois, apresentando a documentação idônea, completa e capaz de comprovar o direito creditório alegado, devendo ser ressaltado que a delegacia de julgamento propiciou ao contribuinte oportunidade para fazêlo e o recorrente se limitou a apresentar os mesmos documentos outrora colacionados no processo. Assim, com base nestas constatações, no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972), a DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900370/200622 Acórdão n.º 3801004.588 S3TE01 Fl. 17 7 Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, no recurso voluntário afirmase apenas que são infundadas as alegações da RFB de que não resta crédito disponível para compensação e que o DARF informado no PER/DCOMP seria suficiente para comprovar a existência do crédito. A recorrente nada diz sobre ter retificado a DCTF, tampouco sobre eventual erro na DCTF considerada pela DRF na verificação da existência de crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Logo, não foi contestada a utilização do crédito para compensação de crédito confessado em DCTF. Diante dos fatos, passível de conclusão de que a recorrente concorda, haja vista não ter apresentado em suas razões recursais impugnação específica, quanto à necessidade de comprovação documental por meio de apresentação da escrituração contábil e fiscal na data final para apresentação da manifestação de inconformidade. Portanto, restarseá, tão somente, verificar se é procedente a alegação de que o DARF citado no PER/DCOMP é suficiente para comprovar a existência do crédito. Contudo, o despacho decisório é claro ao atestar que o pagamento informado como indevido ou a maior foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte e que não sobrou crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Conforme afirmou a Auditora Relatora do acórdão recorrido, a conclusão emitida pela autoridade fiscal da DRF de origem baseouse em dados constantes dos sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelos próprios contribuintes por meio de declarações fiscais próprias. Assim, temse que, no caso, o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido. Por consequência, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. A contribuinte não comprovou possível erro na DCTF original que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior. Não tendo ficado provado o fato constitutivo do direito de crédito alegado, então, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, devese considerar correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Compartilho do entendimento de que o fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito. Logo, entendo como indispensável à apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147”. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.”. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900370/200622 Acórdão n.º 3801004.588 S3TE01 Fl. 18 8 Ocorre que a contribuinte não logrou êxito ao apresentar provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do crédito, carreando aos autos tão somente cópia do DARF e cópia do PER/DCOMP, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido sem os elementos de prova indispensáveis. Logo, deixou transcorrer a contribuinte a sua oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, não sendo os documentos juntados em anexo ao recurso voluntário suficientes para provar o direito alegado. Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do CPC: “Art. 333 O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. II – ao réu, quanto à existência de fato impeditiva, modificativa ou extintiva do direito do autor.” Observo que a turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, porém, somente quando acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis, o que não ocorreu no caso dos autos por silente o contribuinte. Assim, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho, somente se admite a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, quando a contribuinte apresentar a documentação adequada e suficiente para provar que houve pagamento indevido ou maior. Quanto ao argumento do contribuinte de que por se tratar de isenção, a contribuinte passou a ser exonerada da obrigação de efetuar o pagamento do tributo, entendo que esse fato não afasta o seu dever de cumprimento de obrigações acessórias. Determina o art. 14, inc. III do CTN que as entidades protegidas pela imunidade e mais ainda aquelas abrangidas pela isenção possuem o dever de: “III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão”. Este dever implica não somente a escrituração e guarda dos livros, mas também dos documentos correspondentes que confirmem as informações contábeis registradas. Deste modo, deixando o contribuinte de trazer aos autos elemento que possa comprovar a sua pretensão, concluo por não ter sido comprovado o direito creditório pretendido, ainda que invocado o princípio da verdade material. Assim, entendo inaplicável ao presente caso o princípio da verdade material, pois ciente a contribuinte de seu dever de trazer aos autos documentação hábil para comprovar seu direito, optou por assim não o fazer. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900370/200622 Acórdão n.º 3801004.588 S3TE01 Fl. 19 9 Desta forma, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, entendo que deve ser negado provimento ao presente recurso voluntário, mantendose a decisão que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação a ele vinculada. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.904805/2009-68
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2004
COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO.
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência.
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO.
Numero da decisão: 9303-002.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 48 05 /2 00 9- 68 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela pelo sujeito passivo, contra acórdão proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que deu provimento, por maioria de votos, ao Recurso Voluntário, sob a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. É o relatório. Voto Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF. Os objetos da presente lide são o ônus probatório nos casos de repetição de indébito e também o momento legal para a apresentação das provas (preclusão temporal), nos termos do art. 16 do decreto 70.235/72. Primeiramente cabe dizer que todo direito pleiteado deve ser acompanhado das provas que trazem a certeza daquele direito, principalmente quando se trata de um direito creditório pleiteado por um particular contra o Estado. Aqui o ônus probante é daquele que pleiteia o direito creditório, nos exatos termos do art. 333 do CPC. A comprovação de uma das partes de determinado fato ou situação jurídica decorre das distribuição legal do ônus da prova. Há que se “convencer” o julgador da existência do direito e a parte contrária dos fatos impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do sujeito ativo. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.904805/200968 Acórdão n.º 9303002.573 CSRFT3 Fl. 423 3 O que ocorre é a assunção dos riscos de uma decisão desfavorável de quem efetivamente tinha o ônus probatório, ou seja, o encargo jurídico de demonstrar a veracidade de fatos ou a existência de situações jurídicas que ensejassem que os julgadores tomassem uma decisão que lhe fosse favorável. Não há a obrigatoriedade das partes em se produzir a prova. È interesse de ambas as parte em fazêlo. Mas se o ônus decaí em uma parte e ela não o faz, assume os riscos e as conseqüências estabelecidos no arcabouço jurídico relacionado àquela matéria. O ônus da prova não é um dever e nem um comportamento necessário da parte interessada, mas um direito de a parte poder convencer os julgadores acerca da veracidade de suas alegações, aumentando as chances de uma decisão favorável. In casu, o titular do direito creditório, em tese, é que tem que provar, por meio de provas sufuciciente para demosntrar a certeza e liquidez do direito. A meu ver o contribuinte não se desimcimbiu desse ônus. Destarte, apenas com a retificação da DCTF não gera direito creditório. Mesmo que haja uma retificação a destempo, o fato é que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem relativizando o entendimento da preclusão tanto da retificação da DCTF quanto ao momento da apresentação de provas, desde sejam provas cabais, necessárias e suficientes. A prova deve exaurir em si mesma, ou seja, a sua simples apresentação é suficiente para a comprovação do direito , não tento que se fazer outras averiguações. Reforçando: quando demonstrado pelo contribuinte, que o seu direito creditório é líquido e certo, tudo em homenagem ao Princípio da Verdade Material, desde que sejam apresentadas as provas necessárias e sufucientes para embasar a operação, temse relativizado a ocorrência da preclusão temporal. Nesse sentido, há diversos julgados, tais como: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento, como no caso, os dados da escrita fiscal do contribuinte, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido (Acórdão 130201.015– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Fl. 143DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. A simples retificação, desacompanhada de suporte probatório, não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acórdão3802001.550– 2ª Turma Especial) Observese que para que seja aceito o direito creditório, ainda que a DCTF não tenha sido retificada espontaneamente, deve ser comprovado de maneira cabal o direito creditório, mediante a comprovação dos valores pagos a maior pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam. É dizer, planilha confeccionada pela empresa, desacompanhada de quaisquer outros documentos, não se prestam à finalidade almejada. Aliás, a consulta ao banco de dados da jurisprudência deste Conselho, demonstra que há diversos pedidos de compensação da Recorrente, que foram denegados pela ausência de prova, como os Acórdãos 3802001.602, 3801001.660, 3801001.659, 3802 001.598, 3802001.599, 3802001.593, entre outros. Tampouco procede a argumentação da Recorrente no sentido de que haveria a obrigação do Fisco em comprovar a inexistência de indébito, pois não se está diante de lançamento de ofício. Não há motivos para a pleiteada inversão do ônus da prova. Também não se verificou nehumas da exceções previstas no PAF para apresentação a posteriori das provas alegadas. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 144DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.904805/200968 Acórdão n.º 9303002.573 CSRFT3 Fl. 424 5 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001840/2010-86
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009
CONFISSÃO E PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Quando o contribuinte confessa e parcelando o débito, demonstra a desistência, mesmo que tácita, do recurso voluntário. Logo, o mesmo não deve ser conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-003.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso pela desistência do contribuinte.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 CONFISSÃO E PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Quando o contribuinte confessa e parcelando o débito, demonstra a desistência, mesmo que tácita, do recurso voluntário. Logo, o mesmo não deve ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido - Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso pela desistência do contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
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DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Quando o contribuinte confessa e parcelando o débito, demonstra a desistência, mesmo que tácita, do recurso voluntário. Logo, o mesmo não deve ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso pela desistência do contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 18 40 /2 01 0- 86 Fl. 671DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.001840/201086 Acórdão n.º 2803003.645 S2TE03 Fl. 671 2 Tratase de Recurso Voluntário que busca a reforma de decisão que manteve o lançamento impugnado. O autos vieram à apreciação da presente turma, mas após a indicação de pauta, foi protocolizado no dia 29.08.2014 pedido de desistência dos mesmos. É o relatório. Fl. 672DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.001840/201086 Acórdão n.º 2803003.645 S2TE03 Fl. 672 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Preliminarmente, os recurso voluntário não deve ser conhecido. Indiferente das alegações da parte, a mesma apresentou pedido de desistência, para fins de parcelamento, não havendo mais questões a serem conhecidas administrativamente. O disposto art. 78,§§2º e 3º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF/MF, é claro: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Isso posto, voto em não conhecer o recurso voluntário, em razão de desistência. É como voto. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 673DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.001840/201086 Acórdão n.º 2803003.645 S2TE03 Fl. 673 4 Fl. 674DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 13709.002012/88-31
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 1990
Ementa: IPI - CRÉDITO DO IMPOSTO. Notas fiscais emitidas por empresas inidôneas e inexistentes de fato. O aproveitamento do crédito do imposto delas constantes, pelo destinatário, no caso dos autos, implica a exigência do imposto creditado indevidamente, além da multa do art. 364, II.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 202-03.282
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Osvaldo Tancredo de Oliveira
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Numero do processo: 10980.002741/2008-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2003, 2004
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ARGÜIÇÃO DE INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO CONTRA VÍNCULO DE RESPONSABILIDADE.
NULIDADE. A teor da Súmula CARF nº 71, todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade, razão pela qual é nula a decisão de 1a instância que, sob o fundamento de incompetência do órgão administrativo de julgamento, deixa de apreciar impugnação contra vínculo de responsabilidade. EXIGÊNCIA REFLEXA EXONERADA POR RAZÕES DE MÉRITO. A relação de causa e efeito entre a exigência principal e a reflexa aqui formalizada impõe que a mesma solução lá adotada seja transposta para estes autos, pois somente assim será assegurado que os lançamentos tenham o mesmo destino.
Numero da decisão: 1101-001.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ANULAR a decisão de 1a instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: Relator
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ANULAR a decisão de 1a instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
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ARGÜIÇÃO DE INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO CONTRA VÍNCULO DE RESPONSABILIDADE. NULIDADE. A teor da Súmula CARF nº 71, todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade, razão pela qual é nula a decisão de 1a instância que, sob o fundamento de incompetência do órgão administrativo de julgamento, deixa de apreciar impugnação contra vínculo de responsabilidade. EXIGÊNCIA REFLEXA EXONERADA POR RAZÕES DE MÉRITO. A relação de causa e efeito entre a exigência principal e a reflexa aqui formalizada impõe que a mesma solução lá adotada seja transposta para estes autos, pois somente assim será assegurado que os lançamentos tenham o mesmo destino. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ANULAR a decisão de 1a instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 27 41 /2 00 8- 58 Fl. 2179DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.002741/200858 Acórdão n.º 1101001.213 S1C1T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 2180DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.002741/200858 Acórdão n.º 1101001.213 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório A 2a Turma da DRJ/Ribeirão Preto submete a reexame necessário decisão que declarou improcedente lançamento formalizado contra BSD COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA no valor total de R$ 32.545.378,61. Consta da decisão sob reexame o seguinte relato: Contra a empresa em epígrafe foram lavrados autos de infração (fls. 1756/1820) pelo fato de o estabelecimento industrial ter dado saída de produtos tributados pelo IPI sem emissão de nota fiscal, em decorrência de omissão de receitas de origem não comprovada. O crédito tributário lançado totalizou R$ 32.545.378,61, nos anoscalendário 2003 e 2004, inclusos juros de mora e multa de oficio. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 1748/1755 descreve em detalhes a ação fiscal, destacando, ainda, os seguintes fatos: 1. Interposição de pessoas: todos os elementos e documentos apontam na direção de que a fiscalizada foi mais uma das empresas constituídas para dar continuidade às operações de sonegação fiscal e importação fraudulenta do Grupo Sundown (posteriormente denominada Exteima), de propriedade e administrada pela família Rozenblum Trosman; 2. A família Ronzenblum Trosman, de nacionalidade uruguaia, nas pessoas de Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Ronzenblum Elpern, Noemi Elpern Kotliarevski de Rozenblum e Karina Rozenblum, tinham como modus operandi a constituição de empresas com pessoas de poucos recursos financeiros, que geralmente possuíam uma pequena parte das quotas de capital, sendo que a sócia majoritária geralmente é uma empresa de fachada do Uruguai, sempre com o intuito de ocultar os verdadeiros donos do negócio, que administravam a empresa por intermédio de procurações; 3. Ficou caracterizada a sujeição passiva solidária dos Srs. Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Ronzenblum Fluem, Noemi Elpem Kotliarevski de Rozenblum e Karina Rozenblum, nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), art. 124, tendo em vista a ligação de interesse comercial entre a fiscalizada e as empresas do grupo Sundown, e as ligações pessoais entre os sócios da BSD e os proprietários e administradores das empresas do grupo Sundown; 4. Da análise dos extratos bancários, ficou constatado que os valores creditados nas contas da empresa, nos anos de 2003 e 2004 (R$ 58.861.317,98 e R$ 53.048.946,65, respectivamente), a titulo de depósitos, cobrança, descontos de duplicatas e outros créditos, é superior aos valores declarados pela empresa (R$ 18.685.994,18 e R$ 9.208.108,70), na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ); 5. Tendo em vista que a empresa fiscalizada é constituída por interposta pessoa, empresa off shore com sede no Uruguai, e pelo fato de que as irregularidades apontadas tratarem de infrações continuadas, nos períodos de janeiro/2002 a dezembro/2004, operações bancárias não contabilizadas, fatos esses que evidenciam ação ou omissão dolosa, tendente a impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador da obrigação tributária principal, fica caracterizada a sonegação fiscal, prevista na Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 71, caput e inciso I, Fl. 2181DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.002741/200858 Acórdão n.º 1101001.213 S1C1T1 Fl. 5 4 ficando a contribuinte sujeita à multa qualificada prevista no art. 44, II, e art. 80 da Lei n° 9.430, de 1996; 6. A fiscalização foi encerrada parcialmente, com referência ao anocalendário de 2002 por meio dos processos administrativos n° 10980.016004/200751 e 10980.016007/200795; 7. Foi elaborada Representação Fiscal para fins penais, cuja comunicação ao Poder Judiciário será formalizada, conforme determinação da Portaria SRF n°326, de 15 de março de 2002, art. 1o, § 7°. Notificada do lançamento em 29/02/2008, conforme autos de infração, a interessada, por intermédio de seu sócio Paulo Oscar Goldstein, ingressou, em 01/04/2008, com a impugnação de fls. 1860/1885, alegando, em suma: • Ofensa ao artigo 149 do Código Tributário Nacional (CTN), tendo em vista que o auto impugnado é resultado de fiscalização de revisão de anterior procedimento, realizado nos autos do Processo n° 10980.014135/200532, e não houve motivação suficiente e idônea a autorizar essa fiscalização; • Cumpria aos autuantes demonstrar também a ocorrência de erro de fato ou erro de direito, hábil a justificar a necessidade e a legalidade da revisão; • Em face do auto de infração do processo n° 15165.002003/200757, com imposição de multa correspondente ao valor das mercadorias importadas pela empresa, a partir de 29 de setembro de 2002, ante a impossibilidade de sua apreensão, os valores exigidos no presente auto de infração são manifestamente indevidos, pois não subsiste a base fáticoeconômica sobre a qual incidiu o tributo; • Não há balizas e parâmetros legais estabelecidos em lei para que se utilize da modalidade de arbitramento no lançamento de IPI, ao contrário do ocorre, por exemplo com o 1RPJ. A fiscalização efetuou o lançamento do IP1 levando em consideração fato gerador e base de cálculo próprios de outras espécies tributárias, tais como o IRPJ, COFINS e PIS, contrariando dispositivos legais que descrevem o fato gerador e a base de cálculo do IPI; • Está fora de discussão a possibilidade de se estipular aleatoriamente alíquotas do imposto, ou de "rateio" de alíquotas diferenciadas, na qual não encontram suporte na lei. Isso significa dizer que o lançamento se deu a partir de critérios arbitrários, estabelecidos originariamente pelos auditores fiscais da ausência de parâmetros legais para sua realização, invalidando o lançamento; • Ausência de compensação do IPI lançado com os valores pagos por ocasião do desembaraço aduaneiro e dos valores lançados no auto de infração constante do processo n° 15165.002046/200732, desobedecendo a regra de nãocumulatividade do IPI; • No que se refere à multa aplicada no auto de infração, a sanção imposta desobedeceu aos preceitos normativos, "ao não lhe possibilitar a ciência de no curso do procedimento de fiscalização poderia ocorrer não apenas a constituição de crédito tributário, mas também a imposição de grave sanção administrativa", tendo em vista que se encontravam em poder da fiscalização desde o inicio dos trabalhos, em dezembro de 2006, que se decidiu autorizar o procedimento em questão; • Aplicamse ao presente caso as disposições contidas nos arts. 2°, X, 3° e 38, caput, da Lei n°9.784, de 29 de janeiro de 1999, que asseguram aos interessados a ciência e tramitação e a apresentação de razões de fato e de direito que deverão ser consideradas pela Administração antes de ser proferida decisão administrativa que venha a afetar direitos ou interesses do particular; Fl. 2182DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.002741/200858 Acórdão n.º 1101001.213 S1C1T1 Fl. 6 5 • Está caracterizada a ofensa aos dispositivos legais supracitados, às garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa (art. 5o, LV), corolários do devido processo legal (art. 5°, LIV); • A imposição da multa prevista no art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, deverá ser invalidada pela inexistência de motivação idônea a demonstrar a ocorrência da conduta típica infracional; • A motivação exposta no auto de infração, quanto à presença de empresa off shore com sede no Uruguai nos seus atos constitutivos não reflete, minimamente, a prática de qualquer conduta tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, conduta essa prevista no tipo infracional indicado no auto de infração como tendo sido violado; • Nada há no ordenamento jurídico pátrio dispositivo que vede a possibilidade de empresa estrangeira integrar a constituição de uma empresa nacional; • A referência genérica a infrações continuadas nos períodos de janeiro de 2002 a dezembro de 2004, operações bancárias não contabilizadas, é igualmente incapaz de sustentar a imposição de multa agravada, pois o auto de infração impugnado tratou unicamente do período relativo ao exercício financeiro de 2003, assim a referência a fatos supostamente ocorridos nos exercícios de 2002 e 2004 jamais poderia ter sido invocada no lançamento ora em discussão; • A mera referência genérica a suposta ocorrência de dolo ou, ainda, a simples transcrição do dispositivo legal indicado não constitui motivação idônea à imposição de multa, especialmente quando se trata de sanção relacionada a possível intuito de sonegação e no patamar da que foi imposta à impugnante, uma vez que se trata de privação de direitos patrimoniais do particular; • O dolo deve ser devidamente provado, não bastando, para sua caracterização, a simples opinião do agente fiscal responsável pela lavratura do ato, como está ocorrendo, pois a fiscalização contestada se deu sob a modalidade de arbitramento, diante da impossibilidade da apresentação dos documentos contábeis, ou seja, a contabilidade não foi analisada, tendo eles afirmado a existência de operações bancárias não contabilizadas; • Tudo indica que os auditoresfiscais trabalharam com uma mera presunção, porém o dolo não se presume, não pode resultar de uma mera conjectura, cabendo à Administração o ônus da prova relativa ao dolo, entendimento pacificado no âmbito do Conselho de Contribuintes; • A conduta da empresa BSD, durante todo o curso da fiscalização, foi no sentido de atender, na medida do que lhe era possível, a todas as solicitações formalizadas pelos autuantes, dentro dos prazos que lhe foram assinalados, comportamento claramente oposto àquele que descrito pela fiscalização para justificar a imposição da multa agravada; • Não havendo prova da efetiva ocorrência de dolo por parte da empresa impugnante, ou ainda havendo elementos concretos que demonstram justamente a nãocaracterização desse tipo de comportamento, não pode prevalecer a imposição da multa qualificada. Requereu o provimento da impugnação, para o fim de proceder à invalidação do lançamento ou, subsidiariamente, a redução dos valores encontrados pelos autuantes. Os responsáveis solidários também foram notificados, sendo que Karina Rozenblum, em 10/03/2008, por meio do aviso de recebimento de fl. 2046, e Isidoro Fl. 2183DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.002741/200858 Acórdão n.º 1101001.213 S1C1T1 Fl. 7 6 Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpern e Noemi Elpern Kotliarevski de Rozenblum, por meio dos editais de fls. 1837/1839, afixados em 05/03/2008, e ingressaram, representados pelo advogado Julio Assis Gehlen (procurações de fls. 1918, 1920, 1922 e 1924), em 07/04/2008, com a impugnação de fls. 1886/1915, alegando, em suma: • Preliminarmente, impossibilidade de prosseguimento do processo administrativo até a conclusão da Ação Penal Pública n° fl, 2006.70.000122997, pois a questão relativa à possibilidade de inclusão dos impugnantes na condição de responsáveis tributários é oriunda do que está sendo debatido naquela ação proposta pelo Ministério Público Federal e em trâmite na 2a Vara Criminal de CuritibaPR; • Nulidade do auto de infração, por cerceamento de defesa, pois os impugnantes não participaram das diligências realizadas anteriormente à lavratura do auto de infração; • Decadência do direito de lançar, para os fatos geradores ocorridos antes de março de 2003, nos termos do CTN, art. 150, § 4o uma vez que a ciência do auto de infração ocorreu somente em 10/03/2008. • A exigência do fisco em imputar a incidência de IPI a produtos importados e revendidos sem que haja processo de industrialização, viola o art. 153, IV, §3°, da Constituição Federal, bem como aos princípios da capacidade contributiva e primordialmente ao princípio da isonomia; • A multa incidente sobre o IPI não lançado, com cobertura de créditos, é indevida, uma vez que inexiste previsão legal que a estabeleça. Caso seja mantida a exigência estará sendo negada vigência ao artigo 97, V, do Código Tributário Nacional, bem como violando o art. 5o, II, da Constituição Federal que prescrevem o principio da legalidade; • Inaplicabilidade da multa majorada, pois não houve ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; • A suposição de que a empresa fiscalizada é constituída por interposta pessoa, empresa off shore com sede no Uruguai, não é motivo determinante para configuração de sonegação fiscal; • Não prospera também a afirmação de que houve infrações continuadas nos períodos de janeiro de 2002 a dezembro de 2004, pois a autuação semente se refere a março de 2003 a dezembro de 2004; • O arbitramento do lucro não é penalidade, sendo apenas mais uma forma de apuração dos resultados; sendo assim, a não apresentação da escrituração contábil é que motivou o arbitramento dos lucros, não se justificando o agravamento da penalidade; • Ofensa ao princípio constitucional do nãoconfisco, implícito na CF, art. 5°, XXII, na aplicação da multa equivalente a 150%; • Inaplicabilidade da taxa Selic como taxa de juros, pois essa taxa não se presta à utilização como equivalente aos juros moratórios incidentes sobre os débitos de natureza fiscal, seja porque carente de legislação que a institua (contrariando o disposto no art. 161, § 1°, do CTN) ou porque os valores acumulados de tal taxa em nada coadunam com o dispositivo constitucional (art. 192, § 3°); e ainda porque sua natureza é de juros remuneratórios, e não moratórios, contrariando mais uma vez o dispositivo do CTN, norma de hierarquia superior à que traz a taxa Selic como aplicável aos débitos de natureza fiscal (Lei n°9.065, de 1995). Fl. 2184DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.002741/200858 Acórdão n.º 1101001.213 S1C1T1 Fl. 8 7 Requereram: a determinação do sobrestamento do feito até que seja concluído o trâmite da Ação Penal Pública n° 2006.70.000122997, ou que o teor das alegações finais apresentadas ao juízo criminal e as razões de defesa eventualmente apresentadas pela empresa BSD sejam consideradas como parte de sua defesa; a declaração da improcedência da autuação ou, em caso negativo, que a multa aplicada não ultrapasse 20% dos tributos exigidos e que seja determinada a exclusão da taxa Selic; que as intimações sejam realizadas exclusivamente na pessoa do advogado subscritor. A Turma Julgadora reportouse às razões de decidir expostas pela 3a Turma da DRJ/Ribeirão Preto em face da exigência principal de IRPJ e Reflexos, formalizada nos autos do processo administrativo nº 10980.002743/200847, adotandoas integralmente, inclusive quanto aos questionamentos referentes às preliminares, caracterização da omissão de receita, fraude, multa de ofício qualificada e juros de mora. Naqueles autos, a Turma Julgadora declarouse incompetente para apreciar as questões relativas à imputação de responsabilidade tributária, rejeitou as alegações de cerceamento ao direito de defesa e de nulidade do lançamento, bem como a alegação de decadência parcial, e afirmou a validade da exigência em relação aos principais lançados, bem como da penalidade e dos juros de mora acrescidos ao lançamento. Nestes autos, além de incorporar aquelas razões de decidir, a Turma Julgadora acompanhou o voto do Julgador Relator nos seguintes termos: A omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, rendeu ensejo ao lançamento na órbita do IPI, decorrente do lançamento de oficio concernente ao IRPJ e reflexos. Com relação ao tema fazse crucial transcrever o dispositivo do artigo 423, do R1PI/98, aprovado pelo Decreto n°2.637, de 25 de junho de 1998, (atual artigo 448 RIPI/2002) principalmente no que pertine ao § 2°, já que trata de apuração de omissão de receitas com origem inexistente ou não comprovada, com a aplicação da aliquota mais elevada Art. 423. Constituem elementos subsidiários, para o cálculo da produção, e correspondente pagamento do imposto, dos estabelecimentos industriais, o valor e quantidade das matériasprimas, produtos intermediários e embalagens adquiridos e empregados na industrialização e acondicionamento dos produtos, o valor das despesas gerais efetivamente feitas, o da mãodeobra empregada e dos demais componentes do custo de produção, assim como as variações dos estoques de matériasprimas, produtos intermediários e embalagens (Lei n° 4.50Z de 1964, art. 108). § 1°. Apurada qualquer falta no confronto da produção resultante do cálculo dos elementos constantes deste artigo com a registrada pelo estabelecimento, exigirseá o imposto correspondente, o qual, no caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento. § 2°. Apuradas, também receitas cuja origem não seja comprovada, considerarseão provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o imposto, mediante adoção do critério estabelecido no parágrafo anterior. (grifos meus) Pela simples leitura do dispositivo legal acima transcrito, depreendese que a base de cálculo do IPI, nos casos de receitas cuja origem não seja comprovada é o valor da receita omitida, mesmo porque o imposto também foi omitido. Tratase de uma presunção legal de omissão de receitas com repercussão no campo de incidência do IPI, por ser a empresa contribuinte deste tributo; o sobredito dispositivo legal autoriza a cobrança do IPI se for o caso de verificação de receitas não comprovadas na órbita do IRPJ. Dado um fato juridicotributário (hipótese de Fl. 2185DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.002741/200858 Acórdão n.º 1101001.213 S1C1T1 Fl. 9 8 omissão de receita), presumese que tenham ocorrido saídas, do recinto industrial, de produtos sem registro contábilfiscal. Com fundamento no parágrafo 2° c/c o parágrafo 1°, transcritos acima, que determinam que não sendo possível separar, pelos elementos da escrita fiscal, os produtos saídos do estabelecimento por alíquota, devese calcular o imposto com base na aliquota mais elevada. E é justamente este o caso da contribuinte, pois como já relatado, não houve emissão de nota fiscal nas operações, o que impede a identificação dos produtos saídos. Como o contribuinte vende produtos sujeitos a diferentes alíquotas, a autoridade fiscal calculou o IPI devido utilizandose de um rateio tomandose como base a participação de cada aliquota em relação ao total de saídas, demonstrativo de fls. 1723/1725, constante das fichas n° 35 da DIPJ (fls. 615 e 645), nos anos calendários de 2003 e 2004. Em sua impugnação, o contribuinte contesta pela impossibilidade da estipulação aleatória de alíquotas ou de "rateio" de alíquotas diferenciadas, na qual não encontram suporte na lei. Assiste razão ao contribuinte quanto à metodologia de cálculo utilizada para fins de determinação do valor do crédito tributário apurado. O "rateio" utilizado pela autoridade fiscal é inexistente, por falta de previsão legal, tomando insubsistente o auto de infração. Em respeito aos princípios da economia processual, da eficiência, da razoabilidade e da finalidade, deixo de analisar outras questões levantadas pelo interessado a respeito da improcedência do lançamento quanto ao IPI, pois, como exposto acima, o lançamento é improcedente. Conclusão Pelo exposto e considerando que esta autoridade julgadora não pode modificar/agravar o crédito tributário impugnado, voto por considerar improcedente o lançamento. A ciência da decisão de 1a instância foi tentada por via postal, mediante envio de intimações a Rolando Rozemblum Elpern, Noemi Elpern Koliarevski Rozemblum, Isidoro Rozemblum Trosman e a BSD Comercial Importadora e Exportadora Ltda, todas devolvidas com a informação de “mudouse” (fls. 2067/2075). Apenas Karina Rozemblum foi cientificada, por via postal, em 09/10/2008 (fls. 2076). Em 10/11/2008 foi desafixado o edital para ciência da decisão de 1a instância a BSD Comercial Importadora e Exportadora Ltda, cujo representante compareceu à Receita Federal para ciência pessoal em 29/10/2008 (fls. 2077/2078). Em 03/11/2008 Rolando Rozemblum Elpern, Noemi Elpern Koliarevski Rozemblum, Isidoro Rozemblum Trosman e Karina Rozemblum Elpern apresentaram recurso voluntário conjunto (fls. 2079/2118). Observese que Rolando Rozemblum Elpern, Noemi Elpern Koliarevski Rozemblum e Isidoro Rozemblum Trosman se declararam cientificados da decisão de 1a instância por meio do edital de fls. 2077. Argumentam que embora reconhecida a improcedência do lançamento, a interposição do recurso se fez necessária em razão da análise desfavorável de outros elementos levados em impugnação, mormente tendo em conta a reprodução do que decidido pela 3a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em Ribeirão Preto/SP, nos autos do processo administrativo nº 10980.002743/200847, e expressa adoção, no voto condutor do julgado recorrido, das razões expressas naquela decisão. Invocam, ainda, o princípio da Fl. 2186DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.002741/200858 Acórdão n.º 1101001.213 S1C1T1 Fl. 10 9 eventualidade, observando que eventual alteração da decisão de 1a instância neste Conselho exigirá a análise dos outros fundamentos apresentados em sede de impugnação que acabaram sendo apreciados de forma contrária ao contribuinte, inexistindo outro meio para as partes se manifestarem, dada a impossibilidade de apresentação de contrarrazões. Desenvolvem a defesa estruturada nos seguintes tópicos: III – PRELIMINARMENTE III.1 – DA IMPOSSIBILIDADE DE PROSSEGUIMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO ATÉ A CONCLUSÃO DA AÇÃO PENAL PÚBLICA Nº 2006.70.000122997 III. 2 – DA RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS III.3 – DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA DA NULIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO QUE AUTORIZOU A REVISÃO DE LANÇAMENTO III.3 – DA DECADÊNCIA IV – DO DIREITO IV.1 – DA EQUIPARAÇÃO DA EMPRESA AUTUADA À INDUSTRIAL DA SUPREMACIA CONSTITUCIONAL – ANTINOMIA DOS ARTS. 46, II, E 51, II E PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN, DO ART. 9O DO DECRETO 2.637/98 (RIPI), E EM FACE DA CF/88 E DO ART. 4o DA LEI 4.502/94 EM FACE DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 IV.2 – DOS VALORES ACESSÓRIOS DA MULTA SOBRE IPI NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITOS V – DA INEXIGIBILIDADE DA MULTA V.1 – DA INAPLICABILIDADE DA MULTA MAJORADA V.2 – DA OFENSA AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DO NÃOCONFISCO VI – INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC Pediram, assim, que o presente recurso fosse admitido para que, caso haja reforma da decisão de primeira instância em decorrência do recurso de ofício, sejam considerados todos os argumentos aduzidos na impugnação, cujo conhecimento devolve a esse Egrégio Conselho por meio do presente recurso voluntário. Os autos foram originalmente distribuídos à 3a Câmara da 3a Seção de Julgamento, que declinou competência em favor da 1a Seção de Julgamento (fl. 2157/2159). Nesta 1a Seção os autos foram sorteados para relatoria do Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Fl. 2187DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.002741/200858 Acórdão n.º 1101001.213 S1C1T1 Fl. 11 10 Filho, integrante da 2a Turma Ordinária desta 1a Câmara. Aquele Colegiado, por meio da Resolução nº1102000.158, determinou o encaminhamento destes autos a este Colegiado em razão da intrínseca conexão desta autuação com aquela tratada no processo administrativo nº 10980.002743/200847, antes distribuído para relatoria desta Conselheira. Fl. 2188DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.002741/200858 Acórdão n.º 1101001.213 S1C1T1 Fl. 12 11 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Consoante relatado, a autoridade julgadora de 1a instância rejeitou as preliminares argüidas em impugnação valendose das razões de decidir expostas pela 3a Turma da DRJ/Ribeirão Preto em face da exigência principal de IRPJ e Reflexos, formalizada nos autos do processo administrativo nº 10980.002743/200847. Contudo, aquela decisão foi anulada por este Colegiado nos termos do voto condutor do acórdão proferido naqueles autos, a seguir reproduzido: Cumpre, preliminarmente, apreciar a argüição de nulidade da decisão recorrida, apresentada pelos responsáveis tributários em razão da não apreciação de matéria aduzida em sede de impugnação acerca da responsabilidade que lhes foi imputada no lançamento. Vejase que tais recorrentes estruturam sua defesa de modo a primeiramente pleitear a suspensão do processo administrativo até a conclusão da ação penal pública nº 2006.70.0001229977, na medida em que seria esse o procedimento próprio para aferição de responsabilidade tributária da pessoa física. Todavia, tal suspensão também foi argüida em impugnação, e à semelhança dos demais argumentos atinentes à responsabilidade tributária, também não apreciada. Por esta razão, aquela argüição é prejudicial à análise do pedido de suspensão do processo. No voto condutor da decisão recorrida constam os seguintes argumentos para afirmar a incompetência da Turma Julgadora para apreciação da responsabilidade tributária imputada aos recorrentes: Necessário se faz recordar que o processo administrativotributário materializa um instrumento de controle da legalidade do ato administrativo. Por sua vez, legalidade significa obediência aos expressos termos da lei. Assim sendo, o controle da legalidade abrange não só o exame da forma do ato (lançamento), como também a análise de todos os seus elementos: manifestação de vontade, motivo, forma, objeto, inclusive e, especialmente, o seu conteúdo e mérito. No campo tributário, o mérito deverá ser visto sob a perspectiva da realidade fática subsumida aos comandos da hipótese descrita na lei. Daí decorre que o controle passe efetivamente pelo exame da legalidade, legitimidade, regularidade e conformidade com os precisos termos da lei que autoriza e regula a sua forma e conteúdo, competência para a sua execução e até mesmo a correção do ato original, quando houver inexatidão ou incorreção na apuração do fato jurídico tributável pela autoridade fiscal. Todos esses aspectos, contudo, dizem respeito à relação de natureza tributária objeto do lançamento. Este, aliás, na dicção do art. 142 do Código Tributário Nacional, é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Significa, portanto, que o exame da legalidade do lançamento a ser exercido na esfera administrativa fica restrito a esses aspectos. Não pode o julgador administrativo, encontrandose o contribuinte perfeita e incontroversamente identificado – como no caso em questão, na empresa BSD –, ir além e declarar a existência ou inexistência de responsabilidade solidária de terceiros. Fl. 2189DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.002741/200858 Acórdão n.º 1101001.213 S1C1T1 Fl. 13 12 Em princípio, a circunstância de haverem sido arrolados responsáveis solidários autoriza a formação de litisconsórcio passivo no momento da cobrança do crédito. Nesse momento, portanto, será apropriado discutir se aquelas pessoas físicas possuem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. É necessário registrar, portanto, que não somente o momento, mas também a autoridade incumbida de decidir essa questão, será outra, ou seja, o Poder Judiciário. Assim, o registro constante do termo de declaração de sujeição passiva é uma mera informação destinada a subsidiar a Procuradoria da Fazenda Nacional para a inscrição do débito em dívida ativa. Como se sabe, o CTN, art. 202, I, determina que o termo de inscrição da dívida ativa indicará o nome do devedor e, sendo o caso, o dos coresponsáveis. Essa mesma disposição consta do § 5º do art. 2º da Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, que regula o processo de inscrição e cobrança judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública. Por outro lado, o § 4º do mesmo artigo estipula que a Dívida Ativa da União será apurada e inscrita na Procuradoria da Fazenda Nacional. Assim sendo, fácil é de concluir que caberá à Procuradoria da Fazenda Nacional, órgão incumbido da inscrição da dívida ativa, a análise das circunstâncias relatadas pela fiscalização e, entendendo que aqueles senhores realmente se encontram na condição prevista no CTN, art. 124, I, fazer constar seus nomes como responsáveis. Em hipótese contrária, proceder de forma diversa. Por óbvio, esse é um juízo de valor dos senhores Procuradores, em face dos elementos carreados para os autos pelo Fisco, ou de outros a que vierem ter acesso. Assim sendo, não estão dependentes de entendimentos anteriormente emanados a respeito, seja pelas Delegacias de Julgamento, seja pelo Conselho de Contribuintes. Demonstrado está, portanto, que não se trata de matéria que deva ser apreciada por qualquer dessas instâncias julgadoras. É necessário recordar, ainda, que o fato de constar da Certidão de Dívida Ativa o nome de alguém como coresponsável não significa que essa pessoa estará definitivamente revestida dessa condição. Isso porque, como se sabe, por força do art. 3º da Lei nº 6.830, de 1980, a Dívida Ativa regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez. Todavia, o parágrafo único desse mesmo artigo ressalva que essa presunção é relativa e pode ser ilidida por prova inequívoca em contrário. Concluise, portanto, que, ainda que a Procuradoria da Fazenda Nacional entenda que as pessoas mencionadas como coresponsáveis pelo crédito tributário devem efetivamente por ele responder, a última palavra a respeito caberá ao Poder Judiciário. Apenas nesse momento será cabível discutir se a situação fática determina a existência desse vínculo obrigacional. Assim, este Colegiado não dispõe da necessária competência para analisar a pretendida exclusão daqueles senhores do pólo passivo do auto de infração e afastar a imputação de responsabilidade solidária, como solicitado. Assim sendo, devese abster de emitir julgamentos a respeito. Também, pelo mesmo motivo, desnecessário o sobrestamento do feito até a conclusão da ação penal citada na impugnação. (negrejouse) Por outro lado, a autoridade lançadora relata que a pessoa jurídica autuada é constituída por interpostas pessoas, uma delas, inclusive, pessoa jurídica de origem uruguaia (Vizzel Corp. Sociedade Anônima), prática comum do Grupo Sundown (posteriormente denominada Exteima), de propriedade da família Rozenblum Trosman, para promover sonegação fiscal e importação fraudulenta. Acrescenta que a pessoa jurídica autuada sofreu apreensão de mercadorias estrangeiras em 2003, por ocultação do sujeito passivo, e submeteuse a conseqüente processo de inaptidão iniciado em 30/07/2004 e concluído em 25/05/2005; recebeu estoques transferidos de outra empresa do grupo em 2002; firmou contrato de licença de uso de marcas com outra empresa do grupo; e apresentava evidências de ser administrada por Rolando Rozenblun Elpern e Isidoro Rozenblum Trosman. Fl. 2190DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.002741/200858 Acórdão n.º 1101001.213 S1C1T1 Fl. 14 13 Assim, tendo em vista a ligação de interesse comercial entre a fiscalizada e as empresas do grupo Sundown e as ligações pessoais entre os sócios da BSD Industrial Importadora e Exportadora Ltda e os proprietários e administradores das empresas do grupo Sundown, a autoridade fiscal concluiu pela sujeição passiva solidária dos recorrentes em relação aos créditos tributários apurados nos anos calendário 2003 e 2004. Ainda, a interposição de pessoas, associada às infrações continuadas, motivou a qualificação da penalidade. Resulta, daí, que o procedimento fiscal promoveu a inclusão dos responsáveis tributários no pólo passivo da obrigação tributária, e de forma solidária, ou seja, ao lado da pessoa jurídica e no momento da prática do fato gerador. Tais pessoas, portanto, foram integradas à relação jurídica tributária como sócios ocultos, praticantes do fato gerador, e não apenas como responsáveis pelo crédito tributário. Neste sentido, inclusive, questionaram o próprio crédito tributário constituído em suas impugnações, e não meramente o vínculo de responsabilidade. A autoridade julgadora de 1a instância, porém, limitou a análise das defesas aos aspectos de mérito do crédito tributário. Em tais condições, a própria Receita Federal do Brasil, por meio da Portaria RFB nº 2274/2010, posteriormente à decisão recorrida, determinou a ciência dos autos aos responsáveis, bem como a abertura de prazo de impugnação para questionamento não só do crédito tributário, como também do vínculo de responsabilidade: Art. 1º Os processos de determinação e exigência de créditos tributários relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nas hipóteses em que houver pluralidade de sujeitos passivos, serão disciplinados conforme o disposto nesta Portaria. Art. 2º Os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, na formalização da exigência, deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. § 1º A autuação deverá conter a descrição dos fatos e o enquadramento legal das infrações apuradas e do vínculo de responsabilidade. § 2º Na hipótese de que trata o caput, não será exigido Mandado de Procedimento Fiscal para os responsáveis. Art. 3º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. Parágrafo único. Na hipótese do caput, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tiver sido cientificado do lançamento. [...] Art. 7º A impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. § 1º O disposto neste artigo não se aplica na hipótese em que a impugnação versar exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, caso em que só produzirá efeitos em relação ao impugnante. § 2º Os autos somente serão encaminhados para julgamento depois de transcorrido o prazo para apresentação de impugnação ou recurso para todos os autuados ou impugnantes, conforme o caso. § 3º No caso de impugnação quanto ao crédito tributário e quanto ao vínculo da responsabilidade e, posteriormente, recurso voluntário apenas no tocante ao vínculo, a exigência quanto ao crédito tributário tornase definitiva para os demais autuados que não recorreram. § 4º A desistência de impugnação ou recurso não prejudica os demais autuados que também impugnaram ou recorreram. Fl. 2191DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.002741/200858 Acórdão n.º 1101001.213 S1C1T1 Fl. 15 14 § 5º A decisão definitiva que afasta o vínculo de responsabilidade opera efeitos imediatos. § 6º Se um dos autuados pedir parcelamento ou compensação do crédito tributário lançado, aplicase o disposto no art. 5º ou no art. 6º, respectivamente. [...] (negrejouse) E, nesta esteira, também o CARF já apresenta jurisprudência pacificada por meio da recente edição da Súmula CARF nº 71: Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade. Necessário se faz, portanto, o retorno dos autos à 1a instância administrativa de julgamento, para apreciação dos questionamentos dos responsáveis acerca das demais imputações feitas pela Fiscalização. Considerando que, dentre os argumentos não apreciados está a própria suspensão do processo administrativo, imperioso se mostra anular integralmente o julgamento de 1a instância. Por esta razão, é desnecessário apreciar, neste momento, o recurso interposto pela autuada BSD Comercial e Exportadora Ltda, devendo serlhe oportunizada nova defesa caso a nova decisão de 1a instância lhe seja desfavorável. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de ANULAR a decisão recorrida. Frente a tal contexto, necessário se faz, também, a anulação da decisão de 1a instância aqui proferida. Isto porque, embora no mérito a decisão tenha sido favorável à pessoa jurídica autuada, não seria possível eventualmente dar provimento ao recurso de ofício nestes autos sem antes a autoridade julgadora de 1a instância ter apreciado as razões de defesa dos responsáveis tributários. De outro lado, caso a solução fosse negar provimento ao recurso de ofício, restaria à Fazenda Nacional a possibilidade de interpor recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, postergando para aquele momento a hipótese antes cogitada. Em outras palavras, a relação de causa e efeito entre aquela e esta exigência impõe que a mesma solução lá adotada seja transposta para estes autos, pois somente assim será assegurado que os lançamentos tenham o mesmo destino. Além disso, convém destacar que desde a alteração regimental promovida pela Portaria MF nº 256/2009, compete à 1a Seção deste Conselho julgar, também, as exigências de IPI decorrentes de infrações constatadas no âmbito do IRPJ, como no presente caso, de modo que desde então os autos deste e do processo administrativo nº 10980.002743/200847 poderiam ter sido reunidos para observar o mesmo rito processual. Por tais razões, o presente voto é no sentido de ANULAR decisão de 1a instância para que o litígio aqui presente seja novamente apreciado tendo em conta os efeitos do que vier a ser decidido nos autos do processo principal nº 10980.002743/200847, inclusive, se possível, promovendo a juntada dos autos. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 2192DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.002741/200858 Acórdão n.º 1101001.213 S1C1T1 Fl. 16 15 Fl. 2193DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 15504.017999/2009-79
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2006, 2007
DECISÃO JUDICIAL - Não cabe exame por parte da Autoridade Administrativa quando o Contribuinte optou pela esfera judicial. Cabe a Administração cumprir o que restou decidido pelo Poder Judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3403-003.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não tomou conhecimento do recurso voluntário em razão de concomitância com o processo judicial.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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E DE ASSIST. SOCIAL Recorrida fAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2006, 2007 DECISÃO JUDICIAL Não cabe exame por parte da Autoridade Administrativa quando o Contribuinte optou pela esfera judicial. Cabe a Administração cumprir o que restou decidido pelo Poder Judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não tomou conhecimento do recurso voluntário em razão de concomitância com o processo judicial. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 79 99 /2 00 9- 79 Fl. 620DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Tratase de lançamento relativo à exigência de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS do período de apuração exercício de 2006 e 2007, constituído o crédito tributário com exigibilidade em face de a entidade deixar de apresentar tempestivamente cópias das ações judiciais propostas. A fiscalização informa que se refere uma a sociedade civil sem fins lucrativos de educação, que a mesma apresentou os documentos de comprovação, conforme se vê: “a fiscalizada apresentou os documentos comprobatórios de sociedade civil, sem fins lucrativos, Declaração de Utilidade Pública Federal, Estadual e Municipal, de Registro e Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, protocolo de renovação do CEAS, junto ao Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, comprovante de Isenção fornecida pelo INSS e Certificado Beneficente de Assistência Social (das fls.137 a 139)”. A Recorrente interpôs duas ações judiciais, segundo a Fiscalização, sendo que o assunto se refere à isenção e imunidade, onde discute o direito de não contribuir para a COFINS por força da Lei nº 9.718/98 e da Lei nº 9.732/98 nos autos de nº 1999.38.00.022588 1 e 2002.38.00.0038542, cópias que deixaram de ser apresentadas. O motivo para o lançamento consta do Termo de Verificação Fiscal: “2 CONSIDERAÇÕES SOBRE OS FATOS CONSTATADOS E LEGISLAÇÃO APLICÁVEL O contribuinte ingressou com duas ações Ordinárias (Processos Judiciais n°s.1999.38.00.0225881 e 2002.38.00.0038542), contra a Fazenda Nacional, para que a mesma se abstenha da exigência do recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, sobre os seus faturamentos mensais ou suas receitas brutas mensais com base nas Leis n° 9.718/98 e 9.732/98, já que estaria amparada pelo art. 150, VI, "c", da CF/88, pela isenção prevista no art. 6o , inciso III, da Lei Complementar 70/91 e § 7o, do art. 195, da CF/88, combinado com o disposto no art. 14 do CTN. Alega que possui isenção do pagamento da COFINS, estabelecida pelo artigo6º o inciso III, da Lei Complementar n° 70/91, que este inciso não foi revogado pelo disposto nas leis n° 9.718/98 e 9.732/98, que são leis ordinárias e, portanto, de categoria hierárquica inferior à Lei Complementar. Em 30/06/2000, relativamente ao Processo Judicial n°. 1999.38.00.0225881, foi proferida a sentença n°. 321 A/2000 em 1a . instância, com os seguintes dizeres : "DEVOLVIDOS C/SENTENÇA Cl EXAME DO MÉRITO PEDIDO PROCEDENTE EM PARTE" (doc. de fl.75), e em 09/05/01 o referido processo foi remetido para o TRF 1 a RF, onde está aguardando julgamento da matéria, pelo Juiz Relator (doc. de fl.74). Em 01/08/2003, relativamente ao Processo Judicial n°. 2002.38.00.0038542, foi proferida a sentença em 1a . Instância, com os seguintes dizeres: "DEVOLVIDOS Cl SENTENÇA Cl EXAME DO MÉRITO PEDIDO IMPROCEDENTE" (doc. de Fl. 621DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 15504.017999/200979 Acórdão n.º 3403003.401 S3C4T3 Fl. 12 3 fl. 81) e em 20/01/2004 o referido processo foi remetido para o TRF 1a RF, onde está aguardando julgamento da matéria, pelo Juiz Relator (dc. de fl.80). Cumprenos observar, quais são os requisitos estabelecidos pela legislação em vigor, para que uma entidade enquadrese na situação de imunidade das contribuições sociais. A Constituição Federal prevê a imunidade das contribuições sociais no seu artigo 195, § 7o , que assim dispõe: "Art. 195... § 7° São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." Como se vê, são instituições de educação sem fins lucrativos todas aquelas entidades que prestam serviços de ensino em qualquer grau e em qualquer área do conhecimento humano, com vistas a promover os fins elencados no artigo 205 da Constituição Federal. Pouco importa se cobram ou não pelos serviços prestados. A imunidade prevista para esse tipo de instituição é aquela descrita no artigo 150, VI, "c" da CF/88 e foi instituída pelo Poder Constituinte originário, porque a educação é reconhecida, pelo artigo 205, como direito público subjetivo do cidadão, além de ser um pilar para a construção da sociedade idealizada pelo artigo 3o. de nossa Carta Magna. De outro lado, o conceito de entidade beneficente de assistência social é muito mais amplo, não confundindose com o conceito de instituição de educação sem fins lucrativos, A entidade beneficente de assistência social é aquela que presta serviços relevantes, de cunho social, à parte carente de nossa sociedade. Pode ser qualquer tipo de serviço de natureza social, como, aqueles prestados nas áreas de saúde, educação, espiritual, etc. Como estamos tratando, "in casu", especificamente, de entidade que presta serviços na área de educação, consideremos uma entidade beneficente de assistência social que presta serviço na área de educação. Qual seria a principal diferença entre ela e uma instituição de educação sem fins lucrativos? A grande diferença sería o caráter gratuito dos serviços prestados. Portanto, fácil é concluir que não há que confundirse a imunidade do artigo 150, VI, "c", com a imunidade do artigo 195, § 7°., posto que atingem entidades diversas, possuem requisitos próprios, foram introduzidas em nosso ordenamento jurídico por diferentes razões e, por isso mesmo, possuem uma repercussão na arrecadação tributária completamente diferente. De outro lado, a Constituição Federal, ao contrário do que faz em relação às instituições de educação, não exige, relativamente Fl. 622DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 às entidades beneficentes de assistência social, sequer que esteja ausente qualquer finalidade lucrativa. Assim é, porque, como vimos acima, os serviços prestados pela entidade beneficente são todos de caráter gratuito, o que implica dizer que a ausência de fins lucrativos já é inerente à própria definição de entidade beneficente. Sendo assim, paro o gozo da imunidade em comento, somente deverão ser preenchidos os requisitos do artigo 55, da Lei n° 8.212, de 24 julho de 1991 (Lei Orgânica da Seguridade Social), cujo o inciso III, assim dispõe: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes," 0 referido inciso teve sua redação alterada pela Lei n° 9.732/98, tendo sido retirada a menção aos serviços assistenciais educacionais, conforme abaixo transcrita: "III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência (grifo acrescentado; esta redação encontrase suspensa pela ADIn n" 2.028, de 20/11/98)." Ao suspender o inciso III mencionado acima, o STF não disse que deixou de ser característica da entidade beneficente a prestação de serviços gratuitos, apenas tal prestação gratuita não necessita ser feita com exclusividade, de modo que a entidade pode tanto prestar serviços gratuitos, quanto remunerados. Quanto à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, temos que a sua incidência é definida pelos arts. 1 o e 2° da Lei Complementar n° 70/91, que dispõem: "Art. 1o Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfim das áreas de saúde, previdência e assistência social."(Grifo acrescentado). "Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza." Com base nesses artigos, temse que a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS é, nos estritos termos da Lei Complementar n° 70/91, devida por todas as pessoas jurídicas, inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda (art. 1o), em atenção ao princípio Fl. 623DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 15504.017999/200979 Acórdão n.º 3403003.401 S3C4T3 Fl. 13 5 da universalidade no financiamento da seguridade social, incidindo sobre o faturamento mensal decorrente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza (art. 2o). Delimitado o campo de sujeição e de incidência da contribuição, foram excepcionadas, pelo art. 6o da lei complementar, mediante isenção subjetiva, restrita a algumas pessoas jurídicas, nos seguintes termos: "Art. 6o São isentas da contribuição: 1 as sociedades cooperativas que observarem ao disposto na legislação específica, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades; Receita Federal // as sociedades civis de que trata o art.V do Decretolei n" 2.397, de 21 de dezembro de 1987; as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." As exigências citadas no inciso III acima foram estabelecidas no artigo 55 da Lei n° 8.212/91. Com a publicação da Lei n° 9.718/1998, a base de cálculo da Cofins foi alterada, determinandose a incidência da contribuição sobre todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, trazendo em conseqüência para o campo de incidência até mesmo as receitas típicas dessas entidades. Com a edição da Medida Provisória n° 1.8586, de 29 de junho de 1999 (atualmente MP n° 2.15835, de 2001), relativamente à COFINS, tornouse possível a tributação de somente parte das receitas da instituição, qual seja, aquela não relacionada com seus objetivos institucionais, conforme se depreende dos artigos 13, 14 e 15 da referida Medida Provisória, atualmente artigos 13, 14 e 17 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, abaixo reproduzidos: "Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lein0 9.532, de 10 de dezembro de 1997;" "Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13". "Art. 17. Aplicamse às entidades filantrópicas e beneficentes de assistência social, para efeito de pagamento da contribuição para PIS/PASEP na forma do art. 13 e do gozo da isenção da COFINS, o disposto no art. 55 da Lei n° 8.212, de 1991." Fl. 624DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 Dessa forma, verificase que tais entidades têm direito ao benefício do art. 14, X, da Medida Provisória n° 1.8586/1999, ou seja, têm isentas da COFINS as receitas relativas às suas atividades próprias, contanto que atendam às condições estabelecida no art. 55 da Lein° 8.212, de 1991 (com as alterações introduzidas pelo art. 10 da Lei n° 9.718/1998; art. 15 da Lei n° 8.212/91 e §§, alterada pela Lei n° 9.732/98). Concluise, pois, que, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1 o de fevereiro de 1999, sujeitamse à incidência da Cofins todas as demais receitas que não se enquadrem no mencionado conceito de receita típica. Cabenos agora definir qual seria o alcance da exclusão conferida pela expressão "receitas relativas às atividades próprias", de maneira a determinar os limites do benefício. "Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9o desta Instrução Normativa: II são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias." "§ 1o Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei rf 8.212, de 1991." § 2 Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais." instituições de educação e de assistência social sem fins lucrativos que prestem serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, referemse apenas às receitas típicas dessas entidades, como as decorrentes de contribuições, doações e subvenções por elas recebidas, bem assim mensalidades ou anuidades pagas por seus associados, destinadas à manutenção da instituição e consecução de seus objetivos sociais, sem caráter contraprestacional. Portanto, a isenção não alcança as receitas que são próprias de atividade de natureza econômicofinanceira ou empresarial. Por isso, sujeitamse à incidência da contribuição, as receitas decorrentes de atividades comuns às dos agentes econômicos, como as resultantes da venda de mercadorias e prestação de serviços, inclusive as receitas de matrículas e mensalidades dos cursos ministrados pelas entidades educacionais, ainda que exclusivamente a seus associados e em seu benefício, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, piscinas, campos esportivos, dependências e instalações, serviços de mensageiro, convênios e serviços de vídeocomunicação, atividades complementares e, receitas de Fl. 625DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 15504.017999/200979 Acórdão n.º 3403003.401 S3C4T3 Fl. 14 7 aplicações financeiras, conforme o disposto nos arts. 2o e 3o, §1°, da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998. A seguir, passamos a relatar a irregularidade apurada: I COFINS INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A luz do disposto no presente termo, concluise que a empresa fiscalizada, sendo uma instituição sem fins lucrativos, com atividades educacionais e de assistência social, está sujeita ao pagamento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Em atendimento ao Temo de Início de Fiscalização TIAF, a fiscalizada apresentou planilhas que discriminam a composição total das receitas mensais auferidas no período, bem como a consolidação mensal e anual das receitas auferidas pelo grupo durante o período de 2006 e 2007, conforme planilhas constantes do ANEXO I fls. 13 a 162 e 174 a 333. Considerando que a Sociedade de Educação Integral e de Assistência Social não declarou em DCTF e nem fez recolhimentos da contribuição referente ao período sob fiscalização (janeiro de 2006 a dezembro de 2007 does. fls. /^C a procedemos ao levantamento dos valores da Cofins devidos pela empresa decorrentes das receitas recebidas em caráter de contraprestação pelos serviços prestados e produtos vendidos, apurados com base nos registros contábeis e planilhas,por ela apresentadas em respostas aos Termos de Inicio de Fiscalização TIAF (does fls. H $ a Ço ), e ao Termo de Intimação Fiscal n°. 01 (doe. fis. çy I T¿ ). Através dessas planilhas e conferências, por amostragem, dos registros contábeis, verificamos, de modo geral, que devem constituir a base de cálculo da COFINS as receitas auferidas pela fiscalizada representativa de mensalidades escolares, Taxas de Serviços, receitas assistências mensalidades, contribuições assistenciais, convênios, receitas diversas hospedagens e refeições, receitas financeiras juros e correção Monetária, receitas patrimoniais aluguéis, receitas de outras atividades clube social, costura, cursos, excursões, material de ensino e comissões. Dessa forma, a partir dos valores informados nas mencionadas planilhas, elaboramos o demonstrativo da base de cálculo mensal da COFINS, segundo a natureza de cada receita auferida, sendo consideradas as seguintes contas: Grupo 4.1 1. Receitas Ordinárias 4.1.1.01 Receitas de Ensino 4.1 1.01.0001 Mensalidades Escolares 4.1 1.01.0003 Taxas de Serviços 4.1 1.02 Receitas Assistenciais 4.1 1.02.0001 Mensalidades 4.1 1.02.0002 Contribuição Assistencial 4.1 1.02.0003 Taxas de Serviços 4.1 2 Receitas Extraordinárias 4.1 2.02 Convênios 4.1 2.02.0001 Convênios Municipais 4.1 2.05 Diversas 4.1 2.05.0002 Hospedagem 4.1 2.05.0003 Refeições _____ 4.2 Receitas Não Operacionais 4.2 1.01 Receitas Financeiras / 4.2 1.01.0001 Juros / 4.2 1.01.0002 Correção Fl. 626DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 Monetária——4.2 1.02 Receita Patrimoniais 4.2 1.02.0001 Aluguéis 4.2 1.03 Receitas de Outras Atividades4.2.1.03.0002 Clubes Sociais 4.2.1.03.0003 Cozinha 4.2.1.03.0004 Costura 4.2.1.03.0005 Cursos 4.2.1.03.0006 Excursões 4.2.1.03.0007 Material de Ensino 4.2.1.03.0009 ...” Em síntese a fiscalização entendeu que deveria compor a base de cálculo as receitas provenientes de: mensalidades escolares, Taxas de Serviços, receitas assistências mensalidades, contribuições assistenciais, convênios, receitas diversas hospedagens e refeições, receitas financeiras juros e correção Monetária, receitas patrimoniais aluguéis, receitas de outras atividades clube social costura cursos, excursões, material de ensino e comissões. A Impugnação foi rechaçada ao argumento de que a matéria teria sido submetida ao poder judiciário, conforme se verifica da ementa do Acórdão: “Ação Judicial A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, tornandose definitiva a exigência discutida”. decisão judicial assegurandolhe o direito, tanto no campo da imunidade, quanto da isenção. Mesmo assim teria invocado em sua Impugnação a condição de entidade ISENTA, não sujeita à incidência das contribuições apuradas e lançadas por preencher todos os requisitos necessários para gozar dessa condição, conforme restou firmado pela fiscalização quando do recebimento dos documentos. Frisa que ações ajuizadas versam sobre limitação ao poder de tributar, imunidade tributária, sendo essa de cunho constitucional, motivo pelo qual entende que a Administração tem o dever de decidir a matéria de cunho legal, in casu, isenção da contribuição social, pois não há renúncia à instância administrativa, como restou demonstrado no Acórdão hostilizado. Sustenta também Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário art. 151, V, do CTN, pois entende que a constituição do crédito tributário ocorreu com único objetivo, qual seja, prevenir à decadencial. Em síntese diz Em sede recursal debate a Interessada em demonstrar o desacerto do julgado de piso, afirmando a necessidade de reforma, que fosse devolvido a DRJ; MG para apreciar a questão de mérito relativa à isenção tributária que é assegurada a recorrente. A conduta do julgador, segundo a Recorrente, que ele estava se exonerando do dever de decidir enxergando a renúncia administrativa. Desconsiderando, ainda, os aspectos constitucionais relativos à imunidade tributária, matéria essa discutida nas ações judiciais, que certamente não guardam relação com isenção então usufruída, vez que, é sabido que imunidade e isenção são institutos absolutamente distintos. Além disso, assevera que possui que os dois pontos a serem enfrentados na questão relativa ao mérito são: A Inexistência da Propalada Concomitância e; Da Isenção da COFINS a que tem Direito a Recorrente. Esse Colegiado decidiu baixar o feito à origem para que fossem providenciadas peças processuais das ações judiciais relativas aos autos de nº 1999.38.00.0225881 e 2002.38.00.0038542, necessário para conhecer a matéria submetida ao Fl. 627DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 15504.017999/200979 Acórdão n.º 3403003.401 S3C4T3 Fl. 15 9 judiciário e a extensão dos pedidos, bem como saber se houve provimento cautelatório, diante de menção nos autos de indeferimento, além disso, conhecer as decisões proferidas, caso existam. Assim, decidiu pela juntada dos documentos, cópias das petições iniciais, decisões proferidas, sentenças, recursos aos tribunais e certidões do estado que se encontram os processos. Retornam os autos com cópias das peças processuais, sentença e decisão em sede de apelação. (Em sede recursal a Interessada mantém os mesmos argumentos da fase de impugnação, em síntese: a) Impossibilidade jurídica na decisão proferida e do nítido cerceamento ao direito de defesa; b) Impossibilidade de se proceder com o lançamento do débito em das ações judiciais propostas; c) Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário – art.151, V, CTN; d) Inexistência da Concomitância; e) Da Isenção da COFINS. É o relatório. Voto Conselheiro Relator, Domingos de Sá Filho. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual tomo conhecimento. A resistência de submeter à exação da contribuição para a COFINS está ancorada no tema de imunidade e isenção. O primeiro ponto a ser enfrentado, antes de adentrar no mérito, é a Concomitância. Caso seja ultrapassada essa barreira, examinase o alegado quanto à isenção. .Inicialmente cabe examinar as preliminares argüidas. a) Impossibilidade jurídica na decisão proferida e do cerceamento ao direito de defesa. Essa preliminar decorre do fato da DRJ/MG entender que as matérias submetidas ao Poder Judiciário continham o mesmo objeto da impugnação. E, assim sendo, concluiu tratarse renúncia administrativa. No sentido oposto, entende a Recorrente que a imunidade buscada nada tem haver com a isenção por tratar de instituto de direito absolutamente distintos, motivo pelo qual ao seu juízo, visto que, a matéria discutida nas ações judiciais se refere à imunidade tributária, esse seria o assunto submetido ao crivo do Judiciário. Esclarece em sua peça recursal (fl.219) e (220) ser possuidora de decisão judicial assegurandolhe o direito tanto da imunidade quanto da isenção. Afastando quaisquer dúvidas, afirma ter invocado a sua condição de entidade ISENTA, não sujeita à incidência da contribuição para a COFINS. Sendo assim, implica necessariamente examinar as decisões judiciais colecionadas e trazidas com o resultado da diligência. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 10 As fls.597 constatase cópia da ementa e o acórdão do julgado nos autos de número 1999.38.000225881, apelação, dos quais se verifica tratarse de apelo contra a sentença que lhe reconheceu a qualidade de isenta, quando buscava a imunidade. Passase ao exame da decisão nos autos da apelação cível 2002.38.00.0038542/MG. Apelante é a Sociedade de Educação Integral e de Assistência Social, apelado são Instituto Nacional do Seguro Social – INSS e a Fazenda Nacional. Nesse processado, lendo a ementa, item 1, se refere ao assunto como sendo de isenção e não de imunidade, cuja apelação foi interposta pela ora Recorrente, a qual resultou provida, veja: “O beneficio fiscal erigido em favor das entidades filantrópicas tem contornos de isenção e não de imunidade quanto às condições legais para seu gozo, pois o legislador constitucional ressalvou expressamente o atendimento “às exigências estabelecidas em lei” (CF, art. 195, § 7º), sendo válidas, portanto, as disposições insertas no art. 55 da Lei 8.212/91. Descabe exigirse a edição de lei complementar para tanto. Nesse sentido: STF, ADIMG nº 1802/DF, Pleno, Relator Min. Sepúlveda Pertence, DJ de 12/02/2004. ’ Em declaração de voto, acompanhando o Relator, colecionou jurisprudência no mesmo sentido: “CONSTITUCIONAL. ENTIDADE CIVIL, SEM FINS LUCRATIVOS. PRETENDE QUE LEI COMPLEMENTAR DISPONHA SOBRE A IMUNIDADE À TRIBUTAÇÃO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL, COMO REGULAMENTAÇÃO DO ART. 195, § 7º DA CF. A HIPÓTESE É DE ISENÇÃO. A MATÉRIA JÁ FOI REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91, COM AS ALTERAÇÕES DA LEI 9.732/98. PRECEDENTE. IMPETRANTE JULGADA CARECEDORA DA AÇÃO.” (MI 616/SP, Relator Min. Nelson Jobim, DJU de 25.10.2002, p.25). A notícia das ações judiciais são as aqui referenciadas, certo que em ambas o provimento em grau de recurso de apelação a favor da Recorrente. Examinando detidamente cada uma delas, concluise que a matéria submetida ao judiciário, independentemente de se referir à imunidade ou isenção, é a mesma discutida em sede administrativa. Tenho que não merece prevalecer a irresignação demonstrada em referência a decisão hostilizada, extraíse da peça do processo judicial trazida à fl. 599 pela diligência, que os assuntos são os mesmos deste caderno. As peças processuais, tanto da apelação, quanto do recurso ao Tribunal Federal, não deixam dúvida de que o tema é idêntico. De modo que, a Recorrente já obteve perante o Poder Judiciário a tutela buscada nesta seara administrativa. A existência de ação judicial com o mesmo objeto do Processo Administrativo Fiscal inibe apreciação na esfera administrativa, pois dizendo o direito se torna definitiva. Essa matéria já foi objeto da Súmula número 1 do CARF, veja: Fl. 629DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 15504.017999/200979 Acórdão n.º 3403003.401 S3C4T3 Fl. 16 11 “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Em sendo assim, não há como acudir o pleito da Recorrente, impõe desse modo não conhecer o recurso na parte submetida ao crivo do Poder Judiciário. Diante do exposto, não conheço do recurso por concomitância entre a matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e a administrativa. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 630DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
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