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Numero do processo: 10920.003023/2003-07
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
MULTA QUALIFICADA DE 150% - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - INOCORRÊNCIA - LANÇAMENTO FORMALIZADO TENDO POR BASE OMISSÃO DE RECEITAS.
A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 44, inciso II, da Lei 9430/96. O fato de o contribuinte ter omitido receitas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada e que não tenham sido contabilizadas não caracteriza, por si só, evidente intuito de fraude.
REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF
Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
DECADÊNCIA
O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual, inexistindo dolo ou declaração, para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 9101-002.080
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento parcialmente ao recurso da fazenda. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora), Valmir Sandri e Antonio Carlos Guidoni Filho no tema do arbitramento. Designado para redigir o voto vencedor, em relação ao arbitramento, o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado).
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias Relatora
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Leonardo de Andrade Couto Redator designado
Participaram da presente sessão os Conselheiros MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, sendo substituído pelo MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI (Suplente Convocado).
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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BASE DE CÁLCULO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. A pessoa jurídica, ainda que reconhecida como entidade financeira exercendo em tese a atividade de desconto de duplicatas e cheques pósdatados em favor de terceiros, não está isenta de demonstrar que os depósitos em contascorrentes de sua titularidade representam efetivamente operações dessa natureza. Não logrando fazêlo, o valor dos depósitos é considerado receita omitida e compõe a base de cálculo do lucro arbitrado ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 MULTA QUALIFICADA DE 150% EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE INOCORRÊNCIA LANÇAMENTO FORMALIZADO TENDO POR BASE OMISSÃO DE RECEITAS. A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 44, inciso II, da Lei 9430/96. O fato de o contribuinte ter omitido receitas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada e que não tenham sido contabilizadas não caracteriza, por si só, evidente intuito de fraude. REGIMENTO INTERNO CARF DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ ARTIGO 62A DO ANEXO II DO RICARF Segundo o artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 30 23 /2 00 3- 07 Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/02 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10920.003023/200307 Acórdão n.º 9101002.080 CSRFT1 Fl. 3 2 infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. DECADÊNCIA O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual, inexistindo dolo ou declaração, para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, devese aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento parcialmente ao recurso da fazenda. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora), Valmir Sandri e Antonio Carlos Guidoni Filho no tema do arbitramento. Designado para redigir o voto vencedor, em relação ao arbitramento, o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado). (ASSINADO DIGITALMENTE) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias – Relatora (ASSINADO DIGITALMENTE) Leonardo de Andrade Couto – Redator designado Participaram da presente sessão os Conselheiros MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, sendo substituído pelo MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI (Suplente Convocado). Relatório Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/02 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10920.003023/200307 Acórdão n.º 9101002.080 CSRFT1 Fl. 4 3 Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão de n° 10322.834, proferido em sessão de 08 de dezembro de 2006, pela Terceira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes. Originalmente, tratase de Auto de Infração (fls. 584/605), para a cobrança de IRPJ, CSLL e PIS, devido a depósitos bancários supostamente não contabilizados e de origem não comprovada. O lucro foi arbitrado, devido a não apresentação dos documentos requeridos pela Fiscalização, bem como houve a qualificação da multa devido à suposta omissão de receitas. O Contribuinte apresentou Impugnação às fls. 635/677, argumentando pela nulidade do lançamento, que estaria fundamentado em presunções. Contestou também o agravamento da multa, alegando que só seria cabível em casos de manifesta intenção fraudatória e criminosa. Asseverou, ainda, ao contrário da conclusão da Fiscalização, que suas atividades não são típicas de pessoa jurídica, tampouco poderiam ser caracterizadas como “operações similares e privativas às de uma instituição financeira”. O Contribuinte disse exercer atividades de fomento comercial (“factoring”) como pessoa física e afirmou que tal atividade não era exclusiva de instituição financeira. No mérito, contestou a acusação de omissão de receitas, dizendo que não auferia lucro com a atividade. Contestou, ainda, o arbitramento do lucro e o índice de percentual de lucro utilizado de 45% (para instituições financeiras). A Delegacia da Receita Federal julgou improcedente a Impugnação, mantendo integralmente o lançamento, conforme o Acórdão nº 4.402 (fls. 887/922), de 12 de agosto de 2004, cuja ementa segue transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS — Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. PESSOA JURÍDICA OBRIGADA A APURAÇÃO PELOLUCRO REAL. FALTA DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. APLICABILIDADE — Impõese a apuração pelo lucro arbitrado à pessoa jurídica obrigada à apuração pelo lucro real que deixar de apresentar a escrituração comercial e fiscal. LUCRO ARBITRADO. ATIVIDADE FINANCEIRA. BASE DE CÁLCULO — A base de cálculo da pessoa jurídica que exerce atividade privativa de instituição financeira, sujeita ao lucro arbitrado, é 45% sobre o total da receita declarada ou omitida. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998 Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/02 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10920.003023/200307 Acórdão n.º 9101002.080 CSRFT1 Fl. 5 4 Ementa: PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA – As presunções legais relativas obrigam à autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. MULTA QUALIFICADA — Configurada a existência de dolo, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada de 150% prevista na legislação de regência. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1998 Ementa: AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO — O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostramse como meras alegações, processualmente inacatáveis. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO — As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. JUNTADA DE PROVAS. LIMITE TEMPORAL A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO — Estando presentes nos autos todos os elementos essenciais ao lançamento, é de se indeferir o pedido de diligência, não podendo este servir para suprir a omissão do contribuinte na produção de provas que a lei lhe atribui o dever de produzir. LANÇAMENTOS DECORRENTES — Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos. Lançamento Procedente Irresignado, o Contribuinte interpõe Recurso Voluntário (fls. 927/937), em que reafirmou suas razões apresentadas em sede de Impugnação, especialmente nos seguintes pontos: (i) impossibilidade de se realizar um lançamento com base em presunções; (ii) as receitas supostamente omitidas, que circulavam em sua conta corrente, referemse às operações de factoring, que o Contribuinte exercia como pessoa física, o que foi provado à fiscalização, Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/02 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10920.003023/200307 Acórdão n.º 9101002.080 CSRFT1 Fl. 6 5 que, mesmo assim, inscreveu o contribuinte de ofício no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica; (iii) impossibilidade de arbitramento do lucro, tendo em vista que não faltaram elementos suficientes para o lançamento de ofício “que não tomasse o arbitramento como base”; (iv) a atividade de factoring não é inerente a instituições financeiras, o que impede que o fiscal arbitre o lucro com o percentual de 45%; (v) impossibilidade de aplicação da multa qualificada, por conta da inexistência do evidente intuito de fraude. Sobreveio, então, o Acórdão nº 10322.834, proferido pela Terceira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, em que se reconheceu de ofício a decadência dos tributos referentes aos fatos geradores ocorridos até o 3º trimestre de 1998, inclusive, desqualificou a multa e, no mérito, deu provimento ao recurso do Contribuinte. A decisão ficou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1999 Ementa: DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, tal como o IRPJ, o termo inicial para a contagem do prazo qüinqüenal de decadência para constituição do crédito tributário é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, § 4, do CTN. No caso dos autos, lavrado o lançamento tributário em 03.10.2003, é de se reconhecer a decadência do direito do Fisco de constituir crédito tributário relativo aos primeiros três trimestres do anocalendário de 1998. Decadência que se reconhece de oficio. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. FRAUDE. DEPÓSITOS EM CONTA CORRENTE DO CONTRIBUINTE DE VALORES NÃO IDENTIFICADOS E NÃO CONTABILIZADOS. Não caracteriza o evidente intuito de fraude indispensável à qualificação da multa de oficio a existência de depósitos de valores de origem não comprovada em conta corrente de titularidade do contribuinte, ainda que tais quantias não tenham sido por ele contabilizadas. CONTRATO DE FACTORING. CARACTERIZAÇÃO. Para caracterização do contrato de factoring, é indispensável que o ajuste: (i) trate da aquisição de créditos e prestação de serviços relacionados à assessoria creditícia, mercadológica, de gestão de crédito, de seleção de riscos e de acompanhamento de contas a pagar e a receber; (ii) atribua os riscos para o faturizador de receber os valores cedidos pelo faturizadocliente; (iii) estabeleça cláusula de não regresso contra o cedente dos créditos; (iv) conceda liberdade de escolha ao faturizador sobre quais faturas ou títulos serão negociados devido ao risco existente; (v) estabeleça a cobrança de taxa ou comissão em favor do faturizador. No caso dos autos, a ausência de prestação de serviços e a previsão de direito de regresso do cessionário face ao cedente por inadimplemento do devedor principal descaracterizam a natureza do contrato de factoring, caracterizandoo como mero contrato de desconto de duplicatas e cheques pósdatados, atividade típica de instituições financeiras e assemelhadas. DESCONTOS DE CHEQUES E DUPLICATAS. RECEITA TRIBUTÁVEL DIFERENÇA ENTRE O VALOR DE FACE DOS TÍTULOS E AS IMPORTÂNCIAS REFERENTES À CESSÃO RESPECTIVA. No caso das pessoas jurídicas que exercem atividade de desconto de duplicatas e cheques pósdatados, não há como admitir que os depósitos bancários, sem origem Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/02 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10920.003023/200307 Acórdão n.º 9101002.080 CSRFT1 Fl. 7 6 comprovada, reflitam a receita sonegada, como se presume, de ordinário, em relação às empresas comerciais ou prestadoras de serviço. Em relação a tais empresas, os depósitos bancários só podem refletir os valores de face dos títulos adquiridos, enquanto a receita bruta resulta da subtração entre tais valores e as importâncias referentes à aquisição dos respectivos títulos. Nesse sentido, foi colhido o seguinte resultado do julgamento: “ACORDAM os membros da TERCEIRA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos até o 3 0 trimestre de 1998, inclusive, vencidos os Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber que não a acolheu e o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que não a acolheu em relação às exigências da COFINS (sic: não consta lançamento) e CSLL; por maioria de votos, DESQUALIFICAR a multa de 41, lançamento ex officio de 150% (cento e cinqüenta por cento) ao seu percentual normal de 75% (setenta e cinco por cento), vencido o Conselheiros Flávio Franco Corrêa que não admitiu a desoneração da exasperadora e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que negou provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” A Procuradoria da Fazenda Nacional, por sua vez, interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, alegando, com fundamento no art. 7º, inciso I, do Anexo II, do antigo Regimento Interno (contrariedade à lei e a prova nos autos), que: (i) a desqualificação da multa, segundo o fundamento de não estar caracterizado evidente intuito de fraude, nega vigência ao disposto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, e contraria as provas constantes nos autos do processo; (ii) consequentemente, comprovado o intuito doloso do contribuinte, deve ser aplicado a contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional e não a contagem prevista no art. 150, § 4º, do mesmo diploma legal; e (iii) no mérito, deve ser mantida a base tributável utilizada no lançamento (omissão de receita caracterizada por depósito bancário e arbitramento do lucro). No Despacho nº 1030.392/2008 (fls. 1016/1017), foi analisada a admissibilidade do r. recurso, para o qual se deu seguimento. O Contribuinte apresentou, então, Contrarrazões ao Recurso Especial (fls. 1221/1037), alegando que o Recurso Especial da Fazenda Nacional não pode ser admitido, pois restou amplamente demonstrado que inexistiu intuito de fraude, a decisão recorrida não está em contrariedade com a Lei. Colaciona acórdãos desta Câmara que não admitem Recurso Especial, em que seja necessário o reexame de provas. Assevera que a decadência, reconhecida de ofício, deve ter seu termo inicial conforme o art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, visto que não houve conduta fraudulenta, o que, por sua vez, também corrobora com a desqualificação da multa, que deve permanecer. É o relatório. Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/02 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10920.003023/200307 Acórdão n.º 9101002.080 CSRFT1 Fl. 8 7 Voto Vencido Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O recurso é tempestivo e foi objeto de despacho de admissibilidade às fls. 1016/1017. Delimitando a lide, a questão versa sobre a qualificação da penalidade, nos termos do artigo 44, inciso II da Lei 9.430/96, em razão de conduta reiterada de omissão de receitas e, como consequência, a determinação do dies a quo do prazo decadencial pela regra do artigo 150, § 4° ou se pela regra do artigo 173, I, ambos do Código Tributário Nacional. Adicionalmente, há a questão da possibilidade de arbitramento do lucro. Sobre a admissibilidade e o objeto do Recurso Especial da d. Fazenda Nacional, inicio por esclarecer que o Recurso Especial, nos três itens em discussão, é interposto com fundamento em contrariedade à lei ou evidência de prova. Sobre esse aspecto, de um lado, adianto que não assiste razão ao contribuinte quando assevera em suas contrarrazões a impossibilidade de análise dos fatos em sede de Recurso Especial. Isso porque, os recursos especiais intentados pela Fazenda Nacional na vigência do Regimento anterior poderiam ser interpostos simplesmente com base em contrariedade à lei ou à prova nos autos, admitindose nesse caso e nessa via estreita do Recurso Especial exclusivamente fazendário à análise probatória. Contudo, referida modalidade de Recurso Especial, além de privativo do Procurador da Fazenda Nacional, tinha como requisito a interposição em razão de decisão não unânime da Câmara. Sobre a decisão da Câmara a quo, da leitura da transcrição do resultado do julgamento, depreendese que não houve unanimidade em relação ao mérito (um voto vencido), em relação à qualificação da penalidade (um voto vencido) e, em relação à preliminar de decadência da COFINS (sic: não consta lançamento) e da CSLL (dois votos vencidos). Ou seja, em relação à preliminar de decadência do IRPJ e do PIS a decisão foi unânime, tratando se de matéria preclusa a decadência em relação a tais tributos, IRPJ e PIS, e, portanto, considerada definitivamente julgada. Pelo exposto, proponho que: o recurso especial seja integralmente conhecido em relação ao mérito e à multa, e parcialmente conhecido em relação à decadência, conhecido apenas para a CSLL. Feitas essas considerações passo à análise primeiramente quando à multa qualificada para, então, ter condições de analisar o Recurso Especial quanto à decadência. Qualificação da penalidade O v. acórdão recorrido afastou a qualificação da multa, aplicandose a jurisprudência reiterada desse Conselho, no sentido de que a omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, por si só, não é suficiente para se demonstrar o “evidente intuito de fraude”, indispensável à qualificação da multa. Posteriormente à prolação do acórdão recorrido foi, inclusive, publicada a Súmula nº 25 (aprovada em sessão do dia 08/12/2009), a qual dispõe: Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/02 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10920.003023/200307 Acórdão n.º 9101002.080 CSRFT1 Fl. 9 8 “A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária à comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64.” Da leitura do acórdão recorrido, depreendese que, como menciona a própria Recorrente, a ilustre maioria dos membros da Câmara a quo entendeu por desqualificar a multa de oficio aplicada, ao argumento de que "a omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, por si só, não é suficiente para demonstrar a existência do "evidente intuito defraude" indispensável à qualificação da multa de oficio". Lembro, ainda, que a Câmara ponderou que "não foi apontado pela fiscalização qualquer fato que justificasse a qualificação da multa de oficio. Conforme salientado acima, o fato de a Recorrente ter apresentado declarações de rendimentos eletrônicas inexatas ou sequer possuir escrita contábil antes do início do procedimento de fiscalização são suficientes para justificar o lançamento por arbitramento de lucro, mas não a qualificação da multa de ofício a ele inerente. Por sua vez, eventual exercício ilegal de atividade privativa de instituições financeiras é suscetível de sanções próprias, obviamente não relacionadas ao âmbito tributário em que ora se discute." A d. Procuradoria porcura demonstrar que existe divergência quanto à prova dos autos e, para tanto, menciona que a fiscalização teria apontado outra razão que não aquelas já devidamente enfrentadas pelo acórdão recorrido apra afastar a qualificaçõa da penalidade. Ocorre que, ao se reportar a acusação fiscal, o recurso da d. Procuradoria milita a favor do Contribuinte quando argumenta que: “Em verdade, a exasperadora se deu em virtude da conduta do contribunte, que realizou operações relativas a desconto de duplicatas e cheques, típicas de pessoa jurídica, à margem de qualquer tributação, fazendo uso de sua conta pessoal apra movimentar recursos, reiteradamente, ao longo de todo o anocalendário de 1998, e com isso retardando o conhecimento por parte do fisco da ocorrência do fato gerados da obrigação tributária.” O que se depreende da passagem acima, destacada, inclusive, no r. recurso é que a qualificação da multa se deu devido à omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, o que, conforme exposto acima, não caracteriza, por si só, o evidente intuito de fraude. O r. acórdão recorrido também bem enfrentou o fato da suposta atividade de factoring, entendendo que eventual ilicitude nessa questão em nada contamina a ocorrência do fato gerador e não está atrelada a qualificação da penalidade, no âmbito estritamente fiscal. Por fim, entendo que não é o caso de se falar em reiteração por se tratar de período exclusivo de um ano, muito menos de valores expressivos, dado o percentual de arbitramento e dado o montante do lançamento e o percentual de valor utilizado no arbitramento, adiante a tratado. Não bastasse, não é caso de se falar de utilização de conta pessoal e não da pessoa jurídica. Conforme se verifica do Item VI.3 do Termo de Verificação Fiscal às fls. 631, a empresa individual foi criada de ofício pela própria Fiscalização, não tendo como prosperar as alegações da d. Procuradoria em relação a utilização da conta da pessoa física como se de interposta pessoa se tratasse. Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/02 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10920.003023/200307 Acórdão n.º 9101002.080 CSRFT1 Fl. 10 9 Por todo o exposto, tratandose de lançamento de omissão de receita por presunção legal de depósito bancário (quebra de sigilo) e não ocorrendo, como bem mencionado no acórdão recorrido, qualquer acusação específica de dolo pessoal em relação ao fato gerador, bem como inexistindo utilização de conta de interposta pessoa (porquanto a conta era da pessoa física, titular dos rendimentos, sendo criada de ofício a pessoa jurídica por equiparação), de se aplicar a iterativa jurisprudência desse conselho de contribuintes para afastar a qualificação da multa de ofício, negandose provimento ao Recurso Especial da Fazenda, porque não merece reparos, nesta parte, o acórdão recorrido. Decadência A segunda questão cingese a lide é a regra aplicável ao termo inicial para a contagem do prazo decadencial, sobre esse aspecto, lembro que a preliminar de decadência desse Recurso Especial, só há de ser acolhida em relação à CSLL. No que tange ao conflito quanto à aplicação da regra decadencial, tendo em vista a alteração do Regimento Interno desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com o acréscimo do o art. 62A, no Anexo II, que tornou necessário que este colegiado adotasse o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, quando a matéria tenha sido julgada por meio de Recurso Representativo de Controvérsia, nos termos do artigo 543B e 543C, do Código de Processo Civil. Eis a redação do artigo 62A do Anexo II do Ricarf: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No tocante ao prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n° 973.733 – SC (2007/01769940), sessão em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, pacificou entendimento a ser adotado por aquele colegiado, em acórdão assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/02 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10920.003023/200307 Acórdão n.º 9101002.080 CSRFT1 Fl. 11 10 do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Negritei. Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, inaludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Assim sendo, contrariamente ao posicionamento por essa relatora sempre adotado, por força de previsão regimental do CARF, curvome por acolher os critérios estipulados pelo Superior Tribunal de Justiça para aplicação de uma ou outra regra decadencial prevista no Código Tributário Nacional. Voltando ao presente caso, como se decidiu, tanto no acórdão recorrido, quanto na análise acima, que não houve evidente intuído de fraude, a questão aqui se cinge à análise de haver ou não pagamento parcial de CSLL. Considerando que houve, como afirma a própria fiscalização, a criação de ofício de pessoa jurídica, no curso da fiscalização, é obvio que não há pagamento de CSLL no período em questão. O que se verifica é, tão somente, o pagamento de imposto de renda de pessoa física, conforme Declaração de Ajuste Anual Simplificada de Pessoa Física às fls. 11/12. Assim sendo, por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno desta Câmara e dos acórdãos prolatados pelo Poder Judiciário nos termos do art. 543C do CPC, tudo Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/02 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10920.003023/200307 Acórdão n.º 9101002.080 CSRFT1 Fl. 12 11 posteriormente à prolação do acórdão recorrido, o mesmo deve ser reformado para aplicar in casu, o art. 173 do CTN, sendo, para a CSLL, nessa parte, provido o Recurso da Fazenda. Considerando que, de acordo com as fls. 598, a ciência dos autos ocorreu em outubro de 2003, assim, não estava decaído o direito do fisco de lançar a CSLL em relação ao primeiro trimestre de 1998. Arbitramento Sobre essa questão, o acórdão recorrido entendeu que, apesar de estar correta a tributação do atribuída ao contribuinte na forma prevista pela legislação vigente às instituições financeiras, o arbitramento não se sustenta, vez que a Fiscalização deveria ter aprofundado as investigações para a correta quantificação da base de cálculo. Confirase: “Incumbiria à Fiscalização aprofundar a investigação para a correta quantificação da base de cálculo dos tributos lançados, mormente se considerado o fato de que os elementos constantes dos autos comprovavam de forma segura a natureza da atividade econômica desenvolvida pela Recorrente. Ao deixar de fazêlo, a Fiscalização procedeu ao arbitramento do lucro com base em receitas que sabidamente não eram de titularidade do contribuinte, o que afasta a legitimidade dos lançamentos nos moldes em que lavrados.” De outro lado, a Procuradoria da Fazenda Nacional afirma que, apesar de ter sido dada a oportunidade ao Contribuinte de apresentar os documentos necessários para a devida apuração da base de cálculo dos tributos, o contribuinte não os apresentou, conforme o seguinte trecho do Recurso Especial: “Do início da ação fiscal até a lavratura do presente auto de infração, decorreu cerca de um ano, ao longo do qual, o contribuinte teve diversas oportunidades (todas as prorrogações solicitadas foram concedidas) de apresentar os documentos que comprovassem as operações por ele realizadas, porém não o fez. Ademais, o autuante, indo além do ônus que a lei lhe atribui, realizou uma circularização com diversos clientes do contribuinte, sendo que nenhum deles foi capaz de apresentar qualquer documentação que comprovasse o valor recebido (descontado) por cada título, sem o qual não se pode aferir o rendimento obtido em cada transação.” Verifico nos autos do processo que, de fato, ao contribuinte foram concedidas todas as prorrogações de prazo para que ele apresentasse os documentos. Verifico, ainda, que há a apresentação dos documentos nos autos, conforme extratos bancários às fls. 23/107, carteiras de movimentação de títulos às fls. 113/347, “Relatório de Cobrança” às fls. 365/401, cheques às fls. 419/434. A despeito da apresentação desses documentos, a Fiscalização atevese apenas em tentar caracterizar a atividade do contribuinte como comercial, mas não os levou em consideração para o cálculo correto das bases de cálculos do tributo. E mais, destaco que o contribuinte entregou todos os documentos, tendo em vista que no Termo de Verificação e Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/02 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10920.003023/200307 Acórdão n.º 9101002.080 CSRFT1 Fl. 13 12 Intimação Fiscal às fls. 450, a Fiscalização não constata que as intimações não foram respondidas. Confirase: “No curso da ação fiscal o contribuinte para comprovar parte das origens de créditos realizados em sua conta corrente no ano calendário de 1998, relativos a cobranças, apresentou no dia 12/02/2003, conforme expediente de encaminhamento de mesma data, 233 folhas de relatórios (francesinhas) de sua carteira de cobrança de títulos no Banco BCN, conta corrente 190.3492, referente ao ano de 1998. A documentação da carteira de cobrança de títulos entregue pelo contribuinte LUCAS SCHUELTER apresenta o mesmo como CEDENTE dos títulos (duplicatas) e diversas empresas como SACADO, além de informações como o valor, número, data de emissão, vencimento e recebimento de cada um dos títulos listados. Conforme expediente de entrega de 11/04/2003 foi encaminhado, pelo contribuinte, "Relatório de Cobrança por sacado e cedente" (dos títulos), do qual constam informações das francesinhas entregues anteriormente pelo mesmo, em 12/02/2003, acrescido de uma nova informação: o nome da EMPRESA CEDENTE (SACADOR) de cada uma das duplicatas. No dia 20/05/2003 o contribuinte entregou, por meio de um expediente de mesma data, cópias de 15 cheques de sua conta corrente no banco BRADESCO S/A (c/c 0548235, agência 3344) emitidos no ano de 1998. A partir do relatório de duplicatas e das cópias de cheques entregues pelo contribuinte, selecionamos algumas empresas e pessoas físicas para fins de circularização, objetivando confirmar as operações realizadas pelo contribuinte. Das informações e documentos fornecidos por LUCAS SCHUELTER e por contribuintes intimados nos trabalhos de circularização verificamos a existência de atividade comercial de desconto de duplicatas e de cheques por trás dos depósitos bancários das contas correntes mantidas junto ao BANCO BCN S/A, BANCO BRADESCO S/A e UNIBANCO S/A.” Adicionalmente, verifico que, em análise aos autos deste processo, os documentos apresentados parecem ter servido apenas para caracterizar a atividade do contribuinte como típica de pessoa jurídica, quando deveriam também ter sido utilizados para a apuração correta da base de cálculos dos tributos lançados. De mais a mais, é ponto incontroverso nos autos que o contribuinte praticava, de fato, atividade econômica de desconto de duplicatas e cheques pósdatados em favor de terceiros, permanecendo certo que, nesse caso, o valor da receita não pode jamais corresponder ao montante da integralidade do depósito bancário, pelo que a consequência aplicada conflita com a própria premissa dos fatos adotados. Em reforço, valhome de trecho do acórdão recorrido, no qual, apesar de não citado e não contraditado no recurso especial da fazenda, bem explica as razões adotadas por aquela turma julgadora para dar provimento quanto ao mérito. De acordo com o Ilustre Conselheiro Relator Antonio Carlos Guidoni Filho: “No caso das pessoas jurídicas que exercem atividade de desconto de duplicatas e cheques pósdatados, ainda que seja na condição de instituição financeira e não de verdadeira factoring (tal como ocorre com a Recorrente), Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/02 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10920.003023/200307 Acórdão n.º 9101002.080 CSRFT1 Fl. 14 13 não há como admitir que os depósitos bancários, sem origem comprovada, reflitam a receita sonegada, como se presume, de ordinário, em relação às empresas comerciais ou prestadoras de serviço. Em situações análogas à desses autos, os depósitos bancários só podem refletir os valores de face dos títulos adquiridos, enquanto a receita bruta resulta da subtração entre tais valores e as importâncias referentes à aquisição dos respectivos títulos. De fato, a receita bruta das empresas em referência corresponde sempre à diferença entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito creditório adquirido, não se prestando o somatório dos depósitos bancários não contabilizados como base de cálculo de arbitramento de lucros.” Nesse sentido, não merece reforma o acórdão recorrido, que, conforme colacionado acima, entendeu que a fiscalização deveria ter aprofundado a investigação para proceder com a correta quantificação da base de cálculo dos tributos lançados. Como não realizou essas análises, procedeu ao arbitramento de receitas que sabidamente não eram do contribuinte, o que retira a legitimidade dos lançamentos realizados. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Especial da d. Fazenda Nacional, para afastar a decadência da CSLL, mantendo a decadência acolhida para os tributos que não foram, nesse ponto, objeto de recurso; para manter a desqualificação da penalidade; e para afastar o arbitramento. Sala das Sessões, em (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/02 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10920.003023/200307 Acórdão n.º 9101002.080 CSRFT1 Fl. 15 14 Voto Vencedor Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Minha divergência em relação ao bem fundamentado voto da I. Relatora envolve exclusivamente a questão do arbitramento. Ratificase que a apuração do resultado pelo lucro arbitrado não é matéria controversa, mas sim a base de cálculo utilizada pelo Fisco. Isso porque, segundo a Relatora, a interessada praticava atividade econômica de desconto de duplicatas e cheques pósdatados em favor de terceiros, implicando nesses caso que o valor da receita não poderia jamais corresponder ao montante da integralidade dos depósitos bancários. Em tese, esse posicionamento mostrase coerente. Entretanto, pelo conteúdo dos autos constatase que o procedimento da fiscalização foi correto, como a seguir explicarei. A ação fiscal teve duas etapas distintas, ainda que intrinsecamente ligadas. A primeira delas direcionada contra a pessoa física do Sr. Lucas Schuelter, quando a apuração implicou em reconhecer que ele exercia atividades típicas de instituições financeiras. Nesse momento, o Fisco intimou o Sr. Lucas Schuelter a inscreverse no CNPJ nessa atividade comercial e requereu a apresentação da escrituração contábilfiscal. Não atendida a intimação, o Fisco efetuou de ofício a inscrição no CNPJ e a partir desse momento iniciouse a segunda etapa do procedimento fiscal, com a lavratura do Termo de Início de Fiscalização contra a pessoa jurídica, onde foi solicitada: a apresentação de documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, da origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias junto ao BANCO BCN S/A, BANCO BRADESCO S/A e UNIBANCO S/A; e: a apresentação da escrituração contábil/fiscal relativa à atividade comercial desenvolvida pelo contribuinte no ano de 1998, desconto de duplicatas e de cheques por trás dos depósitos bancários das contas correntes mantidas junto ao BANCO BCN S/A, BANCO BRADESCO S/A e UNIBANCO S/A Foi ressaltado que a escrituração deveria abranger todas as operações do contribuinte e estar comprovada com documentos hábeis e idôneos. Vêse que não está mais em discussão a natureza da atividade exercida. Ainda assim, para efeitos fiscais e tributários a pessoa jurídica não está isenta de demonstrar a realização das operações a que se propõe, com o devido registro na escrituração embasada nos documentos pertinentes. Ainda que reiteradamente intimado a fazêlo, o sujeito passivo não forneceu as informações solicitadas. Na ausência da escrituração, o arbitramento do lucro é conseqüência lógica e prevista em lei o que, ratifico, não está em discussão. Quanto à base de cálculo do arbitramento , que em regra é apurada a partir da receita auferida, o sujeito passivo também não atendeu à intimação para apresentação dos documentos comprobatórios da origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias. Afirmou não reconhecer a movimentação financeira como ganho. Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/02 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10920.003023/200307 Acórdão n.º 9101002.080 CSRFT1 Fl. 16 15 Ressaltese que a autoridade fiscal já havia deixado claro que os documentos apresentados pelo sujeito passivo (“francesinhas”) não seriam hábeis e idôneos a justificar os depósitos, eis que de emissão da própria interessada. Ora, a previsão legal contida no art. 42, da Lei nº 9.430/96 não dá margem a dúvidas: depósitos bancários sem origem comprovada representam omissão de receitas. Sob essa ótica caberia a demonstração individualizada dessa origem. Conforme ressaltado pela autoridade lançadora, o Sr. LUCAS SCHUELTER não logrou êxito em justificar, de forma individualizada, a origem dos depósitos bancários em sua conta, tampouco o efetivo rendimento obtido em cada operação. Assim, registrou aquela autoridade a impossibilidade de tributação somente sobre os juros ou ágios recebidos, pois em nenhum momento isto teria sido quantitativamente demonstrado pelo autuado. Do exposto, voto por dar provimento em maior extensão ao recurso da Fazenda Nacional, reconhecendo como correta a base de cálculo utilizada pela Fiscalização na apuração do resultado. Leonardo de Andrade Couto – RedatorDesignado. Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/02 /2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10880.677986/2009-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto. RELATÓRIO Trata o presente de declaração de compensação, relativa a crédito de junho/2004 indeferida pela autoridade administrativa sob o fundamento de que o DARF informado como origem do crédito fora utilizado para quitação de outros débitos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 77 98 6/ 20 09 -4 2 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677986/200942 Resolução nº 3302000.480 S3C3T2 Fl. 291 2 A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que: 1. A maior parte das receitas decorrem da prestação do serviço de transmissão de energia elétrica de acordo com contrato firmado em 13/09/1999 (CONTRATO CPST Nº 006/1999), firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico ONS; 2. Estas receitas estariam sujeitas à incidência cumulativa da Lei nº 9.718/98, por decorrerem de contratos de longo prazo, a preço predeterminado e firmado anteriormente a 31/10/2003, por disposição prevista no inciso XI, alíneas "b" e "c", do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; 3. A Nota Técnica nº 224/2006, expedida pela SFF/ANEEL, apresentou entendimento sobre o tema, concluindo que as receitas decorrentes dos Contratos de Prestação de Serviço de Trasmissão CPST, firmados anteriormente a 31/10/2003, e reajustados anualmente pelo IGPM, se sujeitam à incidência cumulativa das contribuições prevista na Lei nº 9718/98; 4. Recolheu, equivocadamente, as contribuições para o PIS e Cofins no regime nãocumulativo, não separando as sujeitas ao regime cumulativo, e, posteriormente, transmitiu várias DCOMPs para aproveitar o crédito originado do pagamento indevido; 5. Estava providenciando a retificação das DCTF e Dacons, quando foi surpreendida com a ciência dos despachos decisórios, não homologando as compensações; 6. Foi necessária a retificação dos Dacons e das DCTF, após a ciência dos despachos decisórios, para corrigir o erro de fato cometido e que as DCOMPs não foram retificadas em razão da intimação para ciência dos despachos decisórios, de acordo com a vedação constante nos artigos 77 e 95 da IN RFB nº 900/2008; 7. Os erros cometidos no preenchimento dos DARFs, DCTFs, Dacons e DCOMP não causaram prejuízo ao erário e devem ser reconhecidos pela Administração Tributária, nos termos do art. 147 do CTN e em atendimento ao princípio da verdade material; 8. Poderá disponibilizar os documentos como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, Contratos, normas da ANEEL para realização de diligência, caso seja necessária; A Terceira Turma da DRJ/BEL em Belém proferiu decisão nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2004 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. DCTF E DACON RETIFICADORES. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677986/200942 Resolução nº 3302000.480 S3C3T2 Fl. 292 3 A DCTF e o DACON Retificadores, na condição de documentos confeccionados pelo próprio interessado, não exprimem nem materializam, por si só, o indébito fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, alegando resumidamente que: 1. O IGPM deve ser considerado índice que reflete a variação ponderada dos custos e, portanto, enquadrado no art. 109 da Lei nº 11.196/2005; 2. Ainda que se negue a inclusão do IGPM no art. 109 da Lei n 11.196/2005, tal índice é mero reajuste do preço contratado, e não modificação deste preço, e que se o art. 109 da Lei nº 11.196/2005 estipulou que a variação dos custos não descaracteriza o preço predeterminado, com maior razão, um índice geral de correção não deveria descaracterizálo; 3. As IN SRF 468/2004 e 658/2006 consistem em flagrante ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 150, inciso I da Constituição Federal; 4. O indébito decorre de erro na aplicação da alíquota; 5. Não disponibilizou toda a documentação, como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, normas da ANEEL em razão do grande volume, vez que foram apresentadas 51 defesas administrativas; 6. Em momento algum, afirmou que a retificação do DACON e da DCTF constituem o direito creditório líquido e oponível à RFB, mas que pretendeu apenas cumprir os deveres instrumentais quanto ao erro alegado e que tais informações estão consubstanciadas em sua escrituração contábil; Cita, ainda, jurisprudência deste Conselho e do STJ e apresenta cópia do balancete, demonstrativos das receitas, indicação da conta contábil, de modo a corroborar suas alegações. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A autoridade administrativa indeferiu a homologação pelo fato de o DARF apontado como origem do crédito pleiteado estava alocado a débitos em DCTF. Após a ciência do despacho, a recorrente providenciou a retificação do Dacon e da DCTF, demonstrando os valores alegados como corretos. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677986/200942 Resolução nº 3302000.480 S3C3T2 Fl. 293 4 A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente, sob os argumentos de que o contrato CPST 006/1999, apresentado pela recorrente, não era apto a demonstrar que não houve após 31/10/2003 a implementação de quaisquer das ocorrências que descaracterizassem o preço predeterminado; que a Cláusula 53 assegurava às partes a prerrogativa de solicitar a revisão das cláusulas e condições avençadas; que a competência da ANEEL não alcança a interpretação da legislação tributária; que o IGPM não constitui índice que reflete a variação dos custos de produção nem reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que a desconstituição dos créditos confessados não se efetiva com a apresentação da DCTF e Dacon retificadores, mas com a apresentação da escrita fiscal e contábil e respectiva documentação de suporte. Por sua vez, a recorrente, em recurso voluntário, alega que o reajuste pelo IGP M não descaracteriza o preço determinado, e apresenta cópias dos balancetes e demonstrativos de forma a comprovar seu direito. Vêse que a lide se refere ao alcance da expressão "preço predeterminado", e, consequentemente, da sujeição das receitas auferidas à incidência nãocumulativa ou cumulativa das contribuições. Passase, assim, à análise dos requisitos para exclusão das receitas em questão da incidência nãocumulativa das contribuições e da definição de preço predeterminado. As receitas decorrentes de determinados contratos firmados antes de 31/10/2003 foram excluídas da incidência nãocumulativa das contribuições, a partir da vigência do inciso XI do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicado ao PIS/Pasep pelo art. 15 da referida lei: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) [...]XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; [...]Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677986/200942 Resolução nº 3302000.480 S3C3T2 Fl. 294 5 V nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Regulamentando o dispositivo, a RFB editou a IN SRF 468/2004, que, em seu art.2º, estipulou que a implementação do primeiro reajuste ou a revisão para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos, após 31/10/2003, descaracterizariam o preço predeterminado, nos seguintes termos: Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 o Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 o Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1 o . § 3 º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1 º . Posteriormente, a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 109, dispôs que o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos não será considerado para fins de descaracterização do preço determinado: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Novamente, regulamentando a matéria, a RFB editou a IN SRF nº 658/2006, revogando a IN SRF nº 468/2004 e incorporando as disposições do art. 109 acima mencionado, nos seguintes termos: Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677986/200942 Resolução nº 3302000.480 S3C3T2 Fl. 295 6 § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º1, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.(grifo não original) Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições. Verificase que a Receita Federal considerou que as hipóteses de reajuste e de revisão dos contratos administrativos, destinados à manutenção do equilíbrio econômico financeiro, expressos no art. 55, inciso III, 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93, descaracterizariam o preço predeterminado, excetuando o reajuste não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. A revisão contratual decorre de fatos imprevisíveis, ou previsíveis, porém de conseqüências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual2. Já o reajuste é cláusula necessária nos contratos administrativos3 e "objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômicos". A legislação distingue as duas figuras, como se observa na Lei nº 8.987/95, que, dispondo sobre o regime de concessão de serviços públicos, especifica em seu art. 9º, §3º4, a 1 A data é 31/10/2003. 2 Art. 65, inciso II, alínea "d" da Lei nº 8.666/93 3 Art. 55, inciso III da Lei nº 8.666/93 4 Lei 8.987/95: Art. 9o A tarifa do serviço público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora da licitação e preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital e no contrato. [..~] § 2o Os contratos poderão prever mecanismos de revisão das tarifas, a fim de manterse o equilíbrio econômicofinanceiro. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677986/200942 Resolução nº 3302000.480 S3C3T2 Fl. 296 7 possibilidade de revisão da tarifa decorrente da criação ou alteração de tributos. Já o artigo 18 da referida lei dispõe que o edital de licitação deverá prever os critérios de reajuste e revisão da tarifa, também ocorrendo a referida distinção nos artigos 23 e 29. A situação aqui tratada referese a reajuste e não a revisão contratual e se o procedimento altera o preço predeterminado. A definição desta expressão adotada pela RFB era a disposta na IN SRF nº 21/79: 3 Produção em Longo Prazo O contrato de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços a serem produzidos, com prazo de execução física superior a 12 (doze) meses, terá seu resultado apurado, em cada períodobase, segundo o progresso dessa execução: 3.1 Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso de construções, bens ou serviços divisíveis, o preço predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade. A instrução normativa acima foi utilizada como fundamento em diversas soluções de consulta da RFB, após a edição do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. O entendimento era pacífico neste sentido até a edição da IN SRF 468/2004. Porém a RFB editou a referida instrução, modificando o entendimento sobre a definição de preço predeterminado, sem que qualquer lei tenha sido publicada alterando tal definição. Foi meramente nova interpretação normativa que suscitou rebates por parte dos contribuintes, tendo o STJ se pronunciado sobre a ilegalidade da IN SRF 468/2004: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.310.284 PR (2012/00355487) EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. § 3o Ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a apresentação da proposta, quando comprovado seu impacto, implicará a revisão da tarifa, para mais ou para menos, conforme o caso. [...] Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: [...] IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; Art. 29. Incumbe ao poder concedente: [...] V homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas na forma desta Lei, das normas pertinentes e do contrato; Fl. 296DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677986/200942 Resolução nº 3302000.480 S3C3T2 Fl. 297 8 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034 PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, Dje 13/5/2009. RECURSO ESPECIAL Nº 1.169.088 MT (2009/02357184) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. [...]4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.998 RJ (2008/02056082) EMENTA TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a Fl. 297DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677986/200942 Resolução nº 3302000.480 S3C3T2 Fl. 298 9 implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômico financeiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. De fato, a IN SRF nº 468/2004 extrapolou a legislação vigente ao estipular que o reajuste implicaria em descaracterização do preço predeterminado. Entretanto, o advento do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 alterou a configuração legislativa sobre a matéria. O art. 109 mencionou expressamente que "o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069/95, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado". Se a intenção da modificação era permitir que o reajuste não descaracterizasse o preço predeterminado, não foi o que restou publicado. O art. 109 faz referência à Lei 9.069/95, conversão das MPs que criaram o Plano Real, na qual estipulava que a correção monetária, em virtude de estipulação legal ou em negócio jurídico, deveria darse pelo Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr, de acordo com o art. 27 da Lei nº 9.069/95, mas ressalvadas as hipóteses de seu parágrafo primeiro: § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; III às hipóteses tratadas em lei especial. Foi justamente sobre o inciso II do §1º que o art. 109 fez a ressalva quanto ao reajuste não descaracterizar o preço predeterminado e não sobre o IPCr. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677986/200942 Resolução nº 3302000.480 S3C3T2 Fl. 299 10 Salientase que a Lei nº 10.192/2001, conversão de MPs que se originaram da MP nº 1.503/95, extinguiu o IPCr em seu art. 8º: Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo. A mesma lei, em seu artigo 2º, dispôs que: Art. 1o As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exeqüíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. Parágrafo único. São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de: I pagamento expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2o e 3o do DecretoLei no 857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6o da Lei no 8.880, de 27 de maio de 1994; II reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza; III correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte. Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. § 1o É nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano. § 2o Em caso de revisão contratual, o termo inicial do período de correção monetária ou reajuste, ou de nova revisão, será a data em que a anterior revisão tiver ocorrido. § 3o Ressalvado o disposto no § 7o do art. 28 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, e no parágrafo seguinte, são nulos de pleno direito quaisquer expedientes que, na apuração do índice de reajuste, produzam efeitos financeiros equivalentes aos de reajuste de periodicidade inferior à anual. O Decreto nº 1.544/95 estipulou que, na hipótese de não existir previsão de índice para substituir o IPCr e na falta de acordo entre as partes, deveria ser utilizada a média Fl. 299DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677986/200942 Resolução nº 3302000.480 S3C3T2 Fl. 300 11 aritmética entre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC do IBGE e o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna IGPDI da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Art. 1º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, a média de índices de preços de abrangência nacional a ser utilizada nas obrigações e contratos anteriormente estipulados com reajustamentos pelo IPCr, a partir de 1º de julho de 1995, será a média aritmética simples dos seguintes índices: I Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); II Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Observase que a própria legislação, já em 1995, cuidou de diferenciar o reajuste em função de índices gerais ou setoriais do reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, inicialmente no art. 27 da Lei 9.069/95 e posteriormente nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.192/2001 (na realidade, a diferença temporal entre as disposições é de apenas 10 dias). O art. 109, ao se referir apenas ao reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, acabou inovando a definição de preço predeterminado, estabelecendo uma distinção até então inexistente. Quisesse apenas referirse a reajuste em geral, bastaria têlo feito nos termos do art. 2º da Lei nº 10.192/2001. Reforçam este entendimento, as emendas feitas à MP 252/2005, citadas na Nota Técnica 224/2006 SFFANEEL: Emendas n° 224 (Dep. Eduardo Gomes), 225 (Dep. Eduardo Sciarra), e 353 (Dep. Max Rosenmann): EMENDA ART. 44A. O art. 10, inciso XI,da Lei nº 10.833, de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 10........................................................................... ........................................................................................ XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais." JUSTIFICATIVA: a redação proposta , com adição da locução "independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais" fazse necessária, visto que o Poder Executivo através da Instrução Normativa nº 468/2004, da SRF, mudou a interpretação do conceito de "preço predeterminado" passando a impedir que os contratos abrigados pela Lei nº 10.833/2003, deixem de usufruir o direito de permanecer sob o regime da cumulatividade. A IN em questão entende que o simples reajuste de preço por índices oficiais já caracteriza uma mudança da base do preço e desta forma afasta a eficácia do dispositivo legal. No fundo o que a IN faz é, na prática, Fl. 300DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677986/200942 Resolução nº 3302000.480 S3C3T2 Fl. 301 12 equiparar o conceito de preço predeterminado " ao conceito de preço fixo, uma vez que praticamente não existe contrato com prazo superior a um ano sem previsão de reajustamento. Tivesse sido assim publicado o artigo 109, a interpretação forçosamente retornaria ao texto da IN SRF nº 21/79, mas não foi o ocorrido. Todavia, a redação da IN SRF 658/2006 modificou, sutilmente, a redação do art. 109, ao dispor no §3º do art. 3º: § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. A redação da lei que era "reajuste de preços em função do" foi regulamentada como "reajuste de preços em percentual não superior". Esta redação não exclui, a priori, a utilização de qualquer índice, desde que ele não ultrapasse o acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assim, se a fórmula de reajuste utilizada não ultrapassar aqueles limites, deve tal fórmula de reajuste não descaracterizar o preço predeterminado. Ressaltase que o art. 109 está em consonância com o fundamento econômico para o reajuste que é a variação dos custos, como dispõe o inciso XI do art. 40 da Lei nº 8.666/93 e o inciso XVIII do art. 3º da Lei nº 9.427/96, que instituiu a Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL: Lei nº 8.666/93: Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: [...]XI critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) Lei nº 9.427/96: Art. 3o Além das atribuições previstas nos incisos II, III, V, VI, VII, X, XI e XII do art. 29 e no art. 30 da Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, de outras incumbências expressamente previstas em lei e observado o disposto no § 1o, compete à ANEEL: (Redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004) (Vide Decreto nº 6.802, de 2009). [...]XVIII definir as tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição, sendo que as de transmissão devem ser baseadas nas seguintes diretrizes: (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Fl. 301DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677986/200942 Resolução nº 3302000.480 S3C3T2 Fl. 302 13 a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para cobertura dos custos dos sistemas de transmissão; e (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para a cobertura dos custos dos sistemas de transmissão, inclusive das interligações internacionais conectadas à rede básica; (Redação dada pela Lei nº 12.111, de 2009) b) utilizar sinal locacional visando a assegurar maiores encargos para os agentes que mais onerem o sistema de transmissão; (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Estabelecidas as condições para a definição de preço predeterminado, passase à análise do contrato apresentado. A recorrente auferiu receitas decorrentes da prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL instituída pela Lei nº 9.427/1996, e pelo contrato firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS em 13/09/1999, intitulado Contrato de Prestação de Serviço de Transmissão de Energia Elétrica (CONTRATO CPST Nº 006/1999). O ONS é entidade de direito privado sem fins lucrativos, cabendolhe, dentre outras atribuições, a de contratar e administrar os serviços de transmissão de energia elétrica e respectivas condições de acesso, bem como dos serviços ancilares, nos termos do art. 13, parágrafo único, alínea “d” da Lei nº 9.648/98, sob fiscalização e regulação da ANEEL (Resolução nº 351/98 e Decreto nº 2.655/98). O contrato celebrado denominase CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSMISSÃO e tem por objeto regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão pela Transmissora (recorrente). Seu prazo de vigência é a partir de 13/09/1999 e permanece até a extinção da concessão da transmissora. A claúsula 36º dispõe que a recorrente teria direito a receber dos usuários, mediante os Contratos de Uso do Sistema de Transmissão, um duodécimo da receita anual permitida, e seu parágrafo 1º dispôs que os serviços de operação de rede básica, serviços de telecomunicações e serviços ancilares seriam remunerados pela RAP até a assinatura de contratos específicos, a serem assinados até 30/06/2000 e 31/12/2002. A cláusula 37º menciona ainda a existência de Contrato de Concessão de Serviço Público de Transmissão de Energia Elétrica. A cláusula 40º estipula que o pagamento mensal à transmissora será realizado de acordo com as datas e condições definidas nos Contratos de Uso do Sistema de Transmissão. Cláusula 40º O pagamento mensal, definido na Cláusula 36*, devido pelos USUÁRIOS à TRANSMISSORA pela Prestação dos Serviços de Transmissão, será realizado em 3 (três) vencimentos, cada um equivalente a 1/3 (um terço) do valor global devido, nas datas e condições definidas nos CONTRATOS DE USO DO SISTEMA DE TRANSMISSÃO. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677986/200942 Resolução nº 3302000.480 S3C3T2 Fl. 303 14 Verificase que o contrato apresentado é entre o ONS e a recorrente e destinase a regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão, mas não corresponde aos contratos dos quais decorrem as receitas auferidas. Assim, nestes contratos é que estão previstos as condições que permitem aferir sua caracterização como de longo prazo e do preço predeterminado, como: data de assinatura, prazo de vigência, data em que ocorreu o primeiro reajuste, fórmula estabelecida para cálculo do reajuste, e outros. Por outro lado, a Nota Técnica nº 224/2006, elaborada pela Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira – SFF/ANEEL, apresenta os modelos de contratos utilizados na concessão do serviço público de transmissão, contratos de prestação de serviços de transmissão CPST e contratos de uso do sistema de transmissão CUST. Da análise das cláusulas dos modelos apresentados, são necessários alguns esclarecimentos por parte da recorrente para melhor compreendêlos, bem como detalhar a receita auferida, vinculando cada parcela ao contrato que lhe deu origem. Diante do exposto, voto para converter o presente julgamento em resolução para que a autoridade administrativa intime a recorrente a: 1. Relacionar as receitas auferidas ao contrato do qual decorrem; 2. Apresentar o Contrato de Concessão do Serviço Público de Transmissão, especificando a data de assinatura, o prazo de vigência, as condições contratadas para o reajustamento fórmula e datas de reajuste; 3. Identificar o primeiro reajustamento ocorrido após 31/10/2003, relativamente às receitas auferidas; 4. Esclarecer se houve alguma revisão do contrato visando a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro; 5. Apresentar as resoluções da ANEEL relativas a novos acréscimos ao preço originalmente contrato Receita Anual Permitida identificando a origem destes acréscimos; 6. Esclarecer se na receita auferida constam revisões de que trata a cláusula abaixo reproduzida: Oitava Subcláusula A ANEEL procederá, anualmente, à revisão da RECEITA ANUAL PERMITIDA do SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSMISSÃO, pela execução de modificações, reforços e ampliações nas INSTALAÇÕES DE TRANSMISSÃO, inclusive as decorrentes de novos padrões de desempenho técnico determinados peia ANEEL, conforme procedimentos definidos na Oitava Subcláusula da Cláusula Quarta deste CONTRA TO DE CONCESSÃO 7. Esclarecer se na receita auferida há parcela recebida devida à ultrapassagem do sistema de transmissão e da sobrecarga; 8. Informar a existência de Contratos de Conexão à Transmissão firmados após 31/10/2003, de acordo com a Resolução nº 489/2002; Fl. 303DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677986/200942 Resolução nº 3302000.480 S3C3T2 Fl. 304 15 9. Se houve parcela de ajuste na Receita Anual Permitida, relacionada com a majoração das alíquotas de PIS e Cofins, nos termos do disposto no item 69 da Nota Técnica 224/2006: PA (PIS/COFINS) = parcela a ser adicionada a PA de cada concessionária de serviço público de transmissão de energia elétrica, resultante do impacto financeiro decorrente da majoração das alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS 10. Esclarecer se consta receita auferida de novas instalações de transmissão, de acordo com o item 70 da Nota Técnica 224/2006 e a data em que foram autorizadas pela ANEEL: Dessa forma, é possível, e freqüentemente ocorre, a necessidade da realização de obras visando a implantação de novas instalações de transmissão de energia elétrica integrantes da Rede Básica do Sistema Interligado Nacional SIN. Tais obras são então autorizadas por esta ANEEL, mediante a publicação de Resoluções Autorizativas, nas quais é fixada respectiva receita.. 11. Esclarecer se existe algum índice setorial que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; 12. Elaborar comparativo entre a evolução dos custos da prestação do serviço e da variação do índice mencionado no item anterior e o reajuste adotado, relativo ao período correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência do crédito objeto da DCOMP. Após concluída a resposta à intimação, elaborar relatório fiscal, separando as receitas que entender sujeitas à incidência nãocumulativa das sujeitas à incidência cumulativa, a partir das premissas contidas nesta resolução, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre as conclusões obtidas, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 304DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 10855.909685/2009-09
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba SP (domicílio tributário da Recorrente), para que com base nos documentos e informações anexados aos autos, como o arquivo não paginável e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02, elaborar parecer demonstrando os valores, após analisado se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS, conforme consta no voto.
Após, retornem-se os autos a esta 2ª Turma Especial, para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Proferiu sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Dr. Leonardo Romeiro, OAB/DF nº 28.944.
Relatório
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba – SP (domicílio tributário da Recorrente), para que com base nos documentos e informações anexados aos autos, como o “arquivo não paginável” e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02, elaborar parecer demonstrando os valores, após analisado se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS, conforme consta no voto. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Proferiu sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Dr. Leonardo Romeiro, OAB/DF nº 28.944. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .9 09 68 5/ 20 09 -0 9 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10855.909685/200909 Resolução nº 3802000.360 S3TE02 Fl. 202 2 Relatório Tratase o presente processo, que a Recorrente transmitiu em 27/04/2009, o PER/DCOMP nº 02465:41593.270409.1.3.041899, através da qual compensou o crédito de COFINS, no valor original de R$ 164.406,56, proveniente do DARF no mesmo valor, com o PIS (código 6912) no valor de R$ 49.575,37 e COFINS no valor de R$ 137.181,80, referente ao período de março/2009, considerando o crédito indicado acima em virtude de recolhimento indevido. A DRF de Sorocaba (SP), conforme o Despacho Decisório, com número de rastreamento 848720445 (fl. 5), emitido eletronicamente em 07/10/2009, concluiu que a partir das características do DARF descrito no PER/DComp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. Inconformada, a Recorrente em 13/11/2009, protocolou sua Manifestação de Inconformidade às fls. 8/9. A DRJ de Belo Horizonte (MG), conforme Acórdão de fls. 37/40, julgou IMPROCEDENTE, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório com número de rastreamento 848720445, emitido eletronicamente em 07/10/2009, referente ao PER/DCOMP nº 02465.41593.270409.1.3.041899. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor de R$164.406,56, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 20/02/2008. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade, alegando que alegando que apurou saldo credor de COFINS, conforme DACON retificador apresentado em 10/11/2009. Argumenta, também, que a Fl. 202DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10855.909685/200909 Resolução nº 3802000.360 S3TE02 Fl. 203 3 DCTF retificadora apresentada em 13/07/2009 justifica o crédito utilizado. É o relatório. Em 10/04/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (ciência eletrônica – fl. 46). Inconformada com a decisão da DRJ, em 09/05/2014, apresentou recurso voluntário ao CARF (fls. 48/64), no qual argumenta em suas razões, em resumo: a) que a Recorrente sempre diligenciou no sentido de bem cumprir suas obrigações perante a Fazenda Pública, notadamente no tocante ao adimplemento das obrigações tributárias às quais está sujeita no regular desenvolvimento de suas atividades; b) que no anocalendário 2009, contratou a PricewaterhouseCoopers (PwC Brasil) para realizar um trabalho de auditoria, cujo resultado encontrase no relatório sintético que acompanha o presente recurso e, também, todo seu detalhamento (notas fiscais analisadas, natureza do dispêndio, conta contábil, etc) encontrase no arquivo anexo. Nesse trabalho apuraramse créditos extemporâneos de PIS e COFINS referentes a determinados períodos, dentre eles, de janeiro a abril de 2008. Tais créditos extemporâneos, resumidamente, são oriundos de (i) bens utilizados como insumos; (ii) serviços utilizados como insumos; (iii) despesas de aluguéis de prédios locados de pessoa jurídica; (iv) despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados; e (v) bens do ativo imobilizado; portanto, dispêndios passíveis de apropriação de crédito para essas contribuições conforme previsão expressa contida no artigo 3o das Leis n° 10.833/03 e 10.637/02; c) ante a identificação dos referidos créditos, recompôs sua apuração de PIS e COFINS a partir de janeiro de 2008, de modo que, ao invés dos originais saldos devedores de PIS e COFINS calculados em janeiro de 2008, apurou saldo credor em janeiro de 2008, o qual repercutiu nos meses seguintes, até abril de 2008, conforme registros de apuração, resumidos no escopo deste recurso; d) que a nova apuração evidenciou os recolhimentos a maior, viabilizou a compensação e ensejou a retificação das obrigações acessórias Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais "DCTF" e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais "DACON", de modo a ratificar o recolhimento a maior passível de restituição e compensação; e) no mês de janeiro de 2008, apurou originalmente a COFINS a recolher no montante de R$ 444.394,66. Tal valor foi recolhido por meio de DARF no valor de R$ 164.406,56, cuja arrecadação se deu em 20.02.2008 e PER/DCOMPs nos valores de R$ 173.492,45 e R$ 106.495,65. Esse mesmo valor original de débito foi informado no DACON e na DCTF originais, apresentadas nesse processo em momento anterior. Consequentemente, para o mês de janeiro de 2008, ocorreu o pagamento indevido de COFINS no montante de R$ 164.406,56, gerando desta forma um crédito a ser utilizado; f) Desta forma, a Recorrente verificou que, por mero erro de procedimento, não havia retificado o DACON e a DCTF do mês de janeiro de 2008. Assim, em 10/11/2009 e 13/07/2009 (notese, que a DCTF antes do despacho decisório), os referidos DACON e DCTF foram retificados (docs. anexados), respectivamente, o que confirmou o crédito pleiteado no PER/DCOMP ora em discussão, mesmo que a retificação do DACON tenha sido efetivada posteriormente ao despacho decisório; Fl. 203DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10855.909685/200909 Resolução nº 3802000.360 S3TE02 Fl. 204 4 g) Assim, argumenta que ao contrário do alegado no Acórdão recorrido, a autoridade administrativa possuía meios suficientes para confirmar a existência dos créditos por meio da DCTF retificadora, devidamente apresentada dentro do prazo, alegando violação do Princípio da Verdade Material pela desconsideração do DACON e da DCTF retificadores apresentados. Cita diversos julgados administrativos do CARF nesse sentido; h) solicita, ainda, a conversão do Julgamento em Diligência, caso se entenda que as obrigações acessórias retificadoras não sejam suficientes para evidenciar o equívoco das informações prestadas originalmente e que a apuração do crédito compensando se encontra lastreado em documento elaborado de maneira detalhada no estudo desenvolvido pela idônea empresa de auditoria PwC. Por fim, ante todo o exposto, e considerando o Princípio da Verdade Material, visto que o direito da Recorrente à compensação resta devidamente comprovado nos autos, o Acórdão recorrido deve ser reformado, homologandose, por conseguinte, a compensação pretendida no PER/DCOMP nº 02465.41593.270409.1.3.041899. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. No caso sob análise, temos que a controvérsia trata de questão de fato, atinente à ausência de prova reputada indispensável pela Fazenda Nacional, para fim de análise dos requisitos da certeza e liquidez do crédito informado na PER/DComp colacionada aos autos. Na fase de instrução probatória, portanto, antes da prolação do Despacho Decisório, a Recorrente trouxe aos autos a documentação – cópia da DCTF retificadora (fls. 11/12) e também cópia do DACON retificado, este, porém, entregue ao fisco, após a ciência do Despacho Decisório (fl. 13). Quanto a estes ocorridos, a decisão a quo, analisando os autos a luz dos fatos constantes na manifestação de inconformidade, concluiu da seguinte maneira: (...) É condição indispensável para a homologação da compensação pretendida, que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo (art. 170 do CTN). Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que incumbirá a ele – o contribuinte – demonstrar seu direito. Levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo, cabe à RFB não homologar a compensação, quando não há certeza e liquidez, como ocorre nos casos de contradição do próprio contribuinte em suas declarações. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no Fl. 204DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10855.909685/200909 Resolução nº 3802000.360 S3TE02 Fl. 205 5 demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. A retificação do DACON não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal (inciso II do art. 10 da IN n.º 1.015, de 2010). Os novos dados só podem ser considerados como argumento de impugnação. No caso, o contribuinte não comprova o erro da declaração anteriormente entregue (grifouse). Repisese que a controvérsia trata de questão de fato, uma vez que, ficou consignado no Despacho Decisório que “a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp”. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. Tal decisão, que foi integralmente mantida pelo Acórdão recorrido, fica reforçada quando foi constatado que: (...) A retificação do DACON não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal (inciso II do art. 10 da IN n.º 1.015, de 2010). Os novos dados só podem ser considerados como argumento de impugnação. No caso, o contribuinte não comprova o erro da declaração anteriormente entregue. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo podem ser assim consolidadas: (...). Por outro lado o recorrente, aduz em seu recurso que em 13/07/2009, RETIFICOU a DCTF em momento oportuno e correto (doc. fls. 133/149), ou seja, anteriormente ao Despacho Decisório (datado de 07/10/2009 – doc. fl. 10) e que o DACON – retificador (fls. 150/168), entregue em 10/11/2009, mesmo após o Despacho Decisório, não tem o condão de modificar débitos confessados e que possui apenas informações de caráter meramente informativas, como a DIPJ por exemplo, e que, portanto, não seria motivo para a não comprovação do direito do crédito do PIS e da COFINS. Ademais, aduz em seu recurso, que no anocalendário 2009, contratou a PricewaterhouseCoopers (PwC Brasil) para realizar um trabalho de auditoria, cujo resultado encontrase no relatório sintético que acompanha o presente recurso e, também, todo seu detalhamento (notas fiscais analisadas, natureza do dispêndio, conta contábil, etc.), encontrase no arquivo anexado aos autos. Que nesse trabalho apuraramse créditos extemporâneos de PIS e COFINS referentes a determinados períodos, dentre eles, de janeiro a abril de 2008. Tais créditos extemporâneos, resumidamente, são oriundos de dispêndios com insumos, conforme relacionados e passíveis de apropriação de crédito para essas contribuições, conforme previsão expressa contida no artigo 3º das Leis n° 10.833/03 e 10.637/02. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10855.909685/200909 Resolução nº 3802000.360 S3TE02 Fl. 206 6 Neste passo, considerando os dados e informações registrados nos documentos anexo aos autos (arquivo não paginável), visto que os mesmos foram trazidos extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo agente fazendário, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal consiste em uma providência que resulta na melhor aplicação do Direito e da Justiça e por isso deve sempre ser perseguida. Com base nessas considerações, devido às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), voto pela conversão do julgamento em diligência, devendo os autos retornarem à DRF de Sorocaba – SP (domicílio tributário da Recorrente), para com base nos documentos de fls. 86 a 168 e das planilhas (formato Excel) e informações anexados aos autos como “arquivo não paginável”, e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02, elaborar parecer demonstrando os valores, após analisado se os dispêndios com os itens abaixo indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS e do PIS, levandose em conta o conteúdo das informações constantes do relatório da empresa PwC Brasil PriceWaterhouseCoopers (fls 86/91), fatos estes que se encontram resumidos em seu recurso voluntário às fl. 51, onde a Recorrente alega que tais dispêndios são oriundos de: i) bens utilizados como insumos; ii) serviços utilizados como insumo; iii) despesas de aluguéis de prédios alugados de pessoa jurídica; iv) despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados; e v) bens do ativo imobilizado. Após a conclusão da diligência, devem ser intimados sucessivamente a Recorrente e a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestaremse sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 206DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10480.902528/2008-89
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ.
Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade.
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado:
I - Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância;
II - Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
FLÁVIO DE CASTRO PONTES Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FLÁVIO DE CASTRO PONTES – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 25 28 /2 00 8- 89 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.902528/200889 Acórdão n.º 3801004.649 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.902528/200889 Acórdão n.º 3801004.649 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por meio de PER/Dcomp (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação) a requerente postula a compensação de débitos de diversos tributos com crédito referente a valor que teria sido recolhido indevidamente a título da contribuição Cofins (cód. 2172). A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife (PE), conforme Despacho Decisório Eletrônico, não reconheceu o direto creditório e não homologou as compensações efetuadas. Após ter sido cientificado dessa decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade. Aduziu, em resumo, que ocorreu apenas uma falha de procedimento da empresa em não retificar as DCTFs onde constavam as informações dos débitos cuja compensação era solicitada. Tal erro de procedimento não anula a existência dos créditos, vez que estes decorrem da existência de decisão judicial favorável à OABPE, da qual a empresa é sindicalizada, garantindo a isenção de Cofins para as empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas. A fim de comprovar a veracidade das suas alegações, anexou cópia da ação judicial impetrada pela OABPE que garantiu o direito de isenção de Cofins da empresa, assim como a certidão de trânsito em julgado relativa a mesma ação. A DRJ no Recife (PE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa transcrita abaixo: COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. A compensação, nos termos em que definida pelo artigo 170 do CTN só poderá ser homologada se o crédito do contribuinte em relação à Fazenda Pública estiver revestido dos atributos de liquidez e certeza. E o artigo 170A do mesmo diploma legal veda a compensação mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Após comentar a decisão da DRJ, sustenta a incoerência entre a decisão da DRF/Recife e a DRJ/Recife. Argumenta que referidas decisões são totalmente diferentes. A decisão da DRF/Recife que considerou não homologadas as compensações baseouse no fato de que os DARFS aos quais estavam vinculados os créditos estarem totalmente utilizados, razão pela qual, em nosso argumento de defesa, apresentamos as informações obtidas no CAC/Recife de que houve apenas um problema de não retificação das respectivas DCTFS da empresa. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.902528/200889 Acórdão n.º 3801004.649 S3TE01 Fl. 5 4 Pontua que a decisão da DRJ/Recife procedeu em uma inovação completa do conteúdo do indeferimento inicial das compensações. Insiste que toda a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Concluiu este tópico afirmando que por estes fatos merece reparo a decisão proferida pela Turma da DRJ/Recife, por ter cerceado o direito de defesa da empresa, ao inovar juridicamente os argumentos sem prévia comunicação de prazo para alegações da empresa sobre os novos fatos e informações apresentadas ao processo e que seriam objeto de análise, ofendendo frontalmente o art. 5º, Constituição Federal de 1988, quanto ao direito de defesa da empresa. Quanto ao direito creditório, discorda do entendimento da decisão da DRJ/Recife de que não seria possível à empresa a utilização dos créditos para compensação em razão de existir liminar em sede de Reclamação suspendendo os efeitos da decisão que garantia aos filiados à OAB/PE o direito de isenção de Cofins. Argumenta que a decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício da isenção da empresa da Cofins já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5a. Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos exnunc à decisão, ou seja, a rescisão da decisão que concedia o benefício da isenção da Cofins somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos. Esclarece que apenas contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. Aduz que liminar, como o próprio nome diz, é decisão precária e não anulou, como quer fazer crer a decisão da DRJ/Recife, os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar. Por fim requer que seja processado regularmente o presente Recurso Voluntário, e, ao final, julgado integralmente procedente para, reformando as decisões proferidas pela DRF/Recife e DRJ/Recife reconhecer o direito de crédito da empresa relativo aos pagamentos indevidos, realizados a título da Cofins e, conseqüentemente, homologar a compensação realizada na PERDCOMP relacionada a este processo que utilizaram tais créditos. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.902528/200889 Acórdão n.º 3801004.649 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento.. De início, examinase a tese de irregularidade na decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife. A interessada sustenta cerceamento no direito de defesa em relação à decisão da DRJ/Recife, uma vez que esta inovou no conteúdo do indeferimento inicial das compensações, pois a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Exemplificando, o julgado “a quo” motivou a decisão em relação a argumentação da recorrente em relação ao fato de que seu direito creditório era decorrente da ação judicial impetrada pela OABPE. Ora, foi a recorrente que trouxe ao litígio essa tese, de sorte que a decisão de primeira intância não inovou juridicamente no julgamento. Destarte, o órgão julgador administrativo estava obrigado a apreciar essa tese da interessada de maneira motivada e fundamentada. Assim, não há reparos a serem feitos na decisão a quo. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial a eficácia das decisões judiciais apresentadas pela própria interessada. Assim, o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta as razões da não homologação das compensações, de sorte que não ficou caracterizado qualquer prejuízo à recorrente. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.902528/200889 Acórdão n.º 3801004.649 S3TE01 Fl. 7 6 Por tais razões não há que se falar em qualquer irregularidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. O litígio tem como principal controvérsia eventual direito creditório em razão de ação judicial. Transcrevo de uma decisão da DRJ o histórico das ações judiciais em debate: 10.1. A OABPE impetrou ação de mandado de segurança coletivo em nome dos seus Escritórios de Advocacia associados, autuada em 31/05/2001, sob o nº 2001.83.00.0145250, objetivando, principalmente, em síntese, a isenção do recolhimento da Cofins prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar (LC) nº 70, de 30 de dezembro de 1991, e a compensação dos valores pagos indevidamente. A segurança foi denegada pelo juízo de primeiro grau, com fundamento em que não havia obstáculo para a revogação da isenção concedida pela LC nº 70, de 1991, pela Lei (Ordinária) nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, tendo em vista que a isenção não é matéria reservada à lei complementar. O magistrado considerou, então, prejudicada a análise do pleito de compensação. 10.2. À apelação da OABPE junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5ª Região) – que obteve o nº AMS 80.558PE – foi pela Quarta Turma concedido provimento, por unanimidade, nos termos do voto do relator, que esposou entendimento diametralmente oposto ao do juiz singular, dando pela impossibilidade da revogação da referida isenção com fundamento no princípio da hierarquia das leis. 10.3. De tal decisão, foi interposto pela Fazenda Nacional Recurso Especial (REsp), que foi inadmitido. Irresignada, a Fazenda Nacional manejou agravo de instrumento, ao qual foi negado provimento. Assim, a decisão transitou em julgado em 09/09/2004, restando reconhecido o direito à isenção postulada. 10.4. Posteriormente, a OABPE atravessou petição alegando que a edição da Lei nº 10.833, de 30 de dezembro de 2003, em seu art. 30, poderia obstruir o cumprimento da decisão judicial que reconheceu a isenção da Cofins para as sociedades civis dedicadas ao exercício da advocacia, mediante a retenção na fonte da referida contribuição. Requereu, na ocasião, fosse oficiada a Receita Federal para que se abstivesse de exigir o pagamento da Cofins sobre as receitas auferidas pela prestação de serviços de advocacia, bem como de exigir a retenção na fonte de tal contribuição pelas pessoas jurídicas tomadoras dos referidos serviços. O pleito foi deferido monocraticamente e, ao depois, atacado por agravo regimental aviado pela Fazenda Nacional, o qual foi provido com base nos fatos de não ter sido debatida, nos autos, a Lei nº 10.833, de 2003, e de que não seria admissível, naquele momento processual, inovar a actio, transmudandoa. 10.5. Contra essa decisão, recorreu a OABPE, mediante o REsp nº 739.784 (nº 2005/00540062), cujo provimento foi negado por Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.902528/200889 Acórdão n.º 3801004.649 S3TE01 Fl. 8 7 unanimidade pela Segunda Turma do STJ em sessão de 19/11/2009, tendose, em resumo, concluído que a superveniência da Lei nº 10.833, de 2003, não pode ser alcançada pelos efeitos da coisa julgada que concedera a segurança pleiteada, de modo a ampliar o objeto da lide. Registrese que, no decorrer do voto, o ministro relator, Mauro Campbell Marques, após afirmar, a título ilustrativo, que a tese adotada pela instância de origem para reconhecer a isenção postulada pela recorrente não mais subsistia em razão de o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 377.457 3/PR, relator o Ministro Gilmar Mendes, ter proclamado que a revogação da isenção da Cofins concedida pela LC nº 70, de 1991, pelo art. 56 da lei nº 9.430, de 1996, foi plenamente válida e eficaz, porquanto o referido diploma, não obstante formalmente complementar, ostenta, materialmente, caráter de lei ordinária , esclareceu que Primeira Seção do STJ, ao julgar a Ação Rescisória (AR) nº 3.761/PR, na sessão de 12/11/2008, deliberara pelo cancelamento da Súmula nº 276, que enunciava a isenção da Cofins perante as ditas sociedades, independentemente do regime tributário adotado. 10.6. Da decisão do STJ referida no subitem 10.3, a ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional na 5ª Região propôs Ação Rescisória (AR) nº 5.471PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) junto ao TRF5ª Região, que foi parcialmente procedente, por lhe terem sido dados efeitos ex nunc. No acórdão exarado, aquele tribunal regional afirmou que o acórdão rescindendo fora proferido antes da manifestação do STF sobre ser a matéria constitucional ou não. 10.7. Contra os efeitos exnunc da decisão do TRF5ª Região – que, em tese, daria aos escritórios de advocacia filiados à OAB PE o direito de não pagarem a Cofins no período abrangido pela ação coletiva até a publicação da decisão na ação rescisória –, a Fazenda Nacional protocolou Reclamação (Rcl) nº 6.917 junto ao STF, tendo o Ministro Joaquim Barbosa deferido, em 10/12/2008, liminar para suspender o acórdão da ação rescisória na parte em que conferiu efeitos meramente prospectivos ao acórdão que julgou procedente a ação rescisória. Encontrase o processo aguardando apreciação desse Colegiado. 10.8. Embargos de declaração opostos pelas partes – OABPE e Fazenda Nacional – contra a decisão proferida pelo TRF5ª Região no bojo da Ação Rescisória nº 5471/PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) foram julgados, não tendo, no entanto, ocorrido nenhuma alteração no resultado do julgamento originário por essa corte. Do exame das ações judiciais, constatase que a matéria está sub judice, uma vez que este processo administrativo tem o mesmo objeto da ação judicial em referência, homologação de compensação em face de pedido de restituição decorrente da legalidade da revogação da isenção do pagamento da Cofins, por parte das sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, pela Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que, em seu art. 56, revogou a veiculada pelo art. 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70, de 30/12/1991. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.902528/200889 Acórdão n.º 3801004.649 S3TE01 Fl. 9 8 Como se nota, o direito creditório está dependendo do desfecho da Reclamação no Supremo Tribunal Federal. Destarte, incide no caso vertente o parágrafo único do art. 38, da Lei nº. 6.830/80, que dispõe: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.(grifouse) O excelso Supremo Tribunal Federal já manifestou acerca da constitucionalidade desse dispositivo, conforme decidido no recurso extraordinário nº 233.582: EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESTINADO À DISCUSSÃO DA VALIDADE DE DÍVIDA ATIVA DA FAZENDA PÚBLICA. PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO QUE TAMBÉM TENHA POR OBJETIVO DISCUTIR A VALIDADE DO MESMO CRÉDITO. ART. 38, PAR. ÚN., DA LEI 6.830/1980.(...). É constitucional o art. 38, par. ún., da Lei 6.830/1980 (Lei da Execução Fiscal LEF), que dispõe que "a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo [ações destinadas à discussão judicial da validade de crédito inscrito em dívida ativa] importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento.(STF, RE 233582, DJe088 de 1605 2008).(grifouse) Em relação ao conteúdo desse dispositivo legal, Leandro Paulsen, René Bergmann e Ingrid Schroder explicam: O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. Considerando que o contribuinte tem direito a se defender na esfera administrativa mas que a esfera judicial prevalece sobre a administrativa, não faz sentido a sobreposição dos processos administrativo e judicial. A opção pela discussão judicial, antes do exaurimento da esfera administrativa, demonstra que o contribuinte desta abdicou, levando o seu caso diretamente ao Poder ao qual cabe dar a última palavra quanto à interpretação e à aplicação do Direito, o Judiciário. Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.902528/200889 Acórdão n.º 3801004.649 S3TE01 Fl. 10 9 nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 447 e 448). De fato, se o sujeito passivo recorre ao Poder Judiciário, por uma questão de lógica, ele está desistindo tacitamente da esfera administrativa, visto que a decisão do Poder Judiciário é soberana. Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão será decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Corroborando esta teoria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do recurso especial nº 840.556, assim se pronunciou: TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA.AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2.(...) 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência.4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior(pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato).5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. (...) (STJ, REsp 840556/AM, DJ 20/11/2006) (grifouse) Assim sendo, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera administrativa. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.902528/200889 Acórdão n.º 3801004.649 S3TE01 Fl. 11 10 do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifouse) Além disso, os Conselheiros têm o dever de observar as súmulas, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. Em caso análogo da mesma recorrente, esta tese também foi acolhida, em outro julgado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: TRIBUTÁRIO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA AO DIREITO DE RECORRER. CONFIGURAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca matéria veiculada em processo administrativo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto, não competindo ao CARF se manifestar acerca do alcance, efeitos e forma de cumprimento de decisões judiciais cuja execução não lhe caiba. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não configura inovação de motivação do despacho decisório a fundamentação da decisão que, acolhendo ou rechaçando a pretensão deduzida em manifestação de inconformidade, examina elementos novos introduzidos na lide administrativa pelo próprio recorrente e que, até então, eram desconhecidos da Administração Tributária (CARF. 3ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão 3401002.634, de 29/05/2014, rel. Robson José Bayerl, Processo nº 10480.905883/200818) Em remate, não se toma conhecimento das alegações decorrentes do direito creditório, isenção ou não da Cofins, visto que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário esta matéria. Ante ao exposto voto no sentido de: I – negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 87DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.902528/200889 Acórdão n.º 3801004.649 S3TE01 Fl. 12 11 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11516.003549/2006-66
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO POR OBSCURIDADE.
Não configurada a alegada obscuridade no acórdão embargado, devem ser rejeitados os embargos.
Numero da decisão: 1802-002.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em REJEITAR os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Não configurada a alegada obscuridade no acórdão embargado, devem ser rejeitados os embargos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em REJEITAR os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 35 49 /2 00 6- 66 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11516.003549/200666 Acórdão n.º 1802002.411 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de embargos de declaração, às efls. 325 a 361, interpostos pela Contribuinte acima identificada, visando sanar alegado vício de obscuridade presente no Acórdão nº 1802002.178, proferido por este colegiado na sessão de 08/05/2014, às efls. 309 a 318. No presente processo, a Contribuinte questionou decisão que homologou apenas parcialmente declaração de compensação por ela apresentada, em que utilizou crédito referente a saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2002, no valor de R$ 376.421,26. Dos R$ 376.421,26 pleiteados, a Delegacia de origem reconheceu o montante de R$ 248.686,23. Desde o início, a controvérsia diz respeito ao montante de retenções na fonte que poderiam contribuir para a formação do referido saldo negativo de CSLL em 31/12/2002. Na seqüência, a Delegacia de julgamento reconheceu retenções adicionais de R$ 61.373,88, e o direito creditório passou a ter o valor de R$ 310.060,11 (R$ 248.686,23 + R$ 61.373,88). Posteriormente, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário da Contribuinte, por meio do acórdão ora embargado, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 SALDO NEGATIVO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. O saldo negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido é apurado pela existência de pagamento de estimativas em montante superior ao efetivamente devido no final do ano calendário, considerandose inclusive o tributo retido na fonte por terceiros, validado pelo constante na DIRF. COMPENSAÇÃO. DISPONIBILIDADE. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO RETIDA NA FONTE. COMPROVAÇÃO. A compensação de saldo negativo é possível à luz da legislação. A disponibilidade do crédito é considerada pela consistência do constante na DIPJ da pessoa jurídica, e, quando o caso, da comprovação do montante retido na fonte, através de Informe de Rendimentos da DIRF. In casu, ficou evidenciado que o cálculo a partir da base declarada pelo Cedente é insuficiente para suportar o direito creditório pleiteado. Observase porém, um pequeno ajuste no crédito parcialmente reconhecido pela DRJ, pelo cálculo que deve ser procedido pela Lei. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11516.003549/200666 Acórdão n.º 1802002.411 S1TE02 Fl. 4 3 As retenções na fonte abrangeram outros tributos além da CSLL, e o provimento parcial ao recurso teve apenas o escopo de ajustar os arredondamentos feitos na proporcionalização dessas retenções, para apartar corretamente o valor referente à CSLL. Com tais ajustes, o direito creditório foi modificado de R$ 310.060,11 para R$ 310.094,14. Ainda foram feitas considerações sobre a impossibilidade do cômputo de retenções referentes a períodos anteriores: Quanto aos demais documentos arrolados nos autos que supostamente denotam a existência de valor superior aos ora reconhecidos, se referem a períodos anteriores, fator que condiciona sua utilização aos respectivos períodos, não cabendo seu cômputo neste período. A Contribuinte tomou ciência do referido acórdão em 18/08/2014, e os Embargos de Declaração foram apresentados em 22/08/2014. A Embargante alega que o acórdão proferido por esta Turma Julgadora incorreu em obscuridade e apresenta os seguintes argumentos: em caso semelhante e tendo por parte o próprio Embargante, restou convertido o julgamento em diligência, para que a DRF de origem demonstrasse a disponibilidade do crédito relativo à retenção de novembro/2001, sob pena de enriquecimento ilícito da Fazenda (Anexo 2); aí reside a obscuridade no julgado, pois tramita nessa Turma o processo n° 11516.003475/200668 (Anexo 2), onde se discute o crédito de saldo negativo de IRPJ de 2002, código 6188 (alíquota de 2,4%), que para demonstração do crédito e de forma complementar, foi apresentado o comprovante de retenção de novembro/2001, do INSS CNPJ: 29.979.036/000140, no valor de R$ 501.969,61 (7,05%), que, por sua vez, foi integrado ao saldo negativo de 2002, cuja discussão suscitada é a mesma do presente feito; ao apreciar aquela demanda, essa 2ª Turma Especial, seguindo o voto proferido pelo mesmo relator, Dr. Marciel Eder Costa, deliberou pela conversão do julgamento em diligência, determinando à DRF de origem que promovesse a demonstração da disponibilidade do crédito relativo à retenção de novembro de 2001, sob pena de enriquecimento ilícito da Fazenda; fica evidente a disparidade das decisões proferidas, e pelo mesmo órgão julgador (essa 2ª Turma Especial), em processos análogos que partilham o mesmo fato gerador, visto tratarse da base de cálculo para IRPJ e CSLL — com destaque especial para os rendimentos pagos pelo INSS ao Banco/Embargante como prestador de serviços — cujos informes comprobatórios que apontam a período anterior (2001), acolá aceitos, não foram computados na formação dos períodos futuros em relação ao presente feito; com efeito, a exemplo da decisão paradigma proferida (Anexo 2) e pela dúvida suscitada caberia a adoção do mesmo procedimento no presente feito. Ou seja, a conversão do julgamento em diligência, para análise do comprovante relativo à retenção ocorrida em novembro de 2001, ao invés de se decidir, de plano, pela glosa das retenções do INSS, mantendose incólume, neste ponto, o acórdão proferido pela DRJ; Fl. 367DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11516.003549/200666 Acórdão n.º 1802002.411 S1TE02 Fl. 5 4 o certo é que, com o injusto e indevido indeferimento das retenções realizadas, ante a não aceitação dos comprovantes de rendimentos do INSS relativo ao ano de 2001 (parcela de novembro/2001 registrada pelo Embargante em 2002), restaria integralmente demonstrado a suficiência do crédito de saldo negativo de CSLL, ano base de 2002 (conforme demonstrativo contido nos embargos); com efeito, ante o conflito suscitado — entre julgados dessa 2ª Turma Julgadora proferidos pelo mesmo relator — que podem resultar em deliberações divergentes para a mesma matéria, cuja situação é altamente prejudicial ao Embargante, urge a manifestação desse Juízo, no sentido de sanear o vício apontado para que se possa extrair do julgado a sua necessária homogeneidade; pela obscuridade (divergência de deliberações para tributos decorrentes da situação fática) presente no julgado, e visando dar ao litígio a melhor solução, devem os embargos ser acolhidos, ficando assim integralmente prestada a tutela jurisdicional, sob pena de estar privilegiando o enriquecimento ilícito da Administração Pública, repudiado por todo o direito, bem como de restar infringidos, dentre outros, os princípios da legalidade, da razoabilidade, da prestação jurisdicional, do devido processo legal e, sobretudo, do não confisco; a Contribuinte requer que sejam acolhidos os presentes Embargos, eis que o acórdão embargado se mostra obscuro, diante dos provimentos díspares para situações eminentemente análogas e similares, ambos proferidos por essa 2ª Turma Especial e relatadas, inclusive, pelo mesmo Conselheiro — visto se tratar da mesma base de cálculo para IRPJ e CSLL, em virtude de rendimentos pagos pelo INSS ao Embargante como prestador de serviços — inclusive atribuindo efeito infringente ao julgado, por ser medida de Direito. Este é o Relatório. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11516.003549/200666 Acórdão n.º 1802002.411 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. Os embargos são tempestivos e dotados dos demais pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, deles tomo conhecimento Conforme relatado, o processo versa sobre declaração de compensação em que a Contribuinte utiliza crédito referente a saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2002, no valor de R$ 376.421,26. Desde o início, a controvérsia diz respeito ao montante de retenções na fonte que poderiam contribuir para a formação do referido saldo negativo de CSLL em 31/12/2002. Dos R$ 376.421,26 pleiteados, a Delegacia de origem reconheceu o montante de R$ 248.686,23. Na seqüência, a Delegacia de julgamento reconheceu retenções adicionais de R$ 61.373,88, e o direito creditório passou a ter o valor de R$ 310.060,11 (R$ 248.686,23 + R$ 61.373,88). Posteriormente, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário da Contribuinte, por meio do acórdão ora embargado. As retenções na fonte abrangeram outros tributos além da CSLL, e esse provimento parcial teve apenas o escopo de ajustar os arredondamentos feitos na proporcionalização dessas retenções, para apartar corretamente o valor referente à CSLL. Com tais ajustes, o direito creditório foi modificado de R$ 310.060,11 para R$ 310.094,14. Essa mesma decisão entendeu que retenções referentes a período anterior não poderiam ser computadas na formação do saldo negativo de CSLL em 2002. Em sede embargos, a Contribuinte alega que há obscuridade no acórdão proferido por este colegiado. A obscuridade decorreria do fato de que esta mesma 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, ao examinar o recurso voluntário contido no processo nº 11516.003475/200668, em 11/02/2014, que trata da mesma questão do presente processo, ou seja, do aproveitamento em 2002 de retenções referentes a novembro/2001 (naquele outro caso, para apuração de saldo negativo de IRPJ), decidiu por converter o julgamento em diligência, e não indeferir de imediato o aproveitamento das retenções, pelo fato de corresponderem ao ano anterior. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11516.003549/200666 Acórdão n.º 1802002.411 S1TE02 Fl. 7 6 Realmente, essa turma julgadora exarou em 11/02/2014 a Resolução nº 1802 000.443 no processo nº 11516.003475/200668, que trata do saldo negativo de IRPJ no ano calendário de 2002. Naquele outro processo, que foi julgado alguns meses antes deste, o relator encaminhou seu voto no sentido de verificar se o tributo retido em novembro/2001 já havia ou não sido utilizado pelo Contribuinte, e ainda se estava disponível para suportar os débitos arrolados na compensação: [...] Diante destes fatores, devese analisar se o tributo retido na fonte concernente ao CNPJ 29.979.036/000140 na DIRF do ano calendário de 2001, em seu mês de Novembro, já foi ou não utilizado pelo contribuinte. Por merecida análise dessa questão, sob pena de enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional, converto o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem, através de relatório circunstanciado demonstre se o crédito relativo ao IRPJ deste CNPJ (29.979.036/000140) do mês de novembro de 2001 está disponível para suportar os débitos arrolados nestes autos. Do relatório proferido pela autoridade, deverá ser intimado o contribuinte para que exerça o contraditório, caso desejar. Após a diligência e o prazo para manifestação do contribuinte, retornemse os autos para julgamento. É como voto. Em tal julgamento, optouse por não antecipar a decisão de mérito, visando, antes disso, sanar dúvida suscitada por quem admite a possibilidade de utilização direta de retenções na fonte em período distinto daquele em que elas ocorreram. É que quem admite o cômputo de retenções fora do seu próprio período, precisa antes verificar se elas já foram utilizadas para outros fins, porque se isso ocorreu, caberia manter a negativa do pleito em razão desse último fundamento. Mas essa diligência não afeta a decisão de quem não admite o cômputo de retenções em período distinto daquele em que elas ocorreram. Nada impede, entretanto, que se busque esclarecer aspecto suscitado por um ou alguns julgadores, para que melhor encontrem suas razões de decidir, ainda que esse aspecto não seja relevante para os demais. A conversão do julgamento do recurso do processo nº 11516.003475/200668 em diligência não implicou em decisão antecipada de questões de mérito, como entendeu a embargante. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11516.003549/200666 Acórdão n.º 1802002.411 S1TE02 Fl. 8 7 Nesse sentido, registro que o próprio regimento interno do CARF traz regra específica para evitar que questões preliminares ou prejudiciais acabem por obstar a realização de diligência que vise esclarecer aspectos considerados relevantes (ainda que por alguns): Art. 63 [...] [...] § 6° No caso de resolução, as questões preliminares ou prejudiciais já examinadas serão reapreciadas quando do julgamento do recurso, após a realização da diligência. A diligência demandada no processo nº 11516.003475/200668 ainda não foi realizada, e quando o processo retornar ao CARF todas as questões referentes ao crédito serão, aí sim, examinadas sob os vários aspectos suscitados. O importante é deixar claro que não houve decisão desta 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF validando a utilização direta de retenções na fonte para a formação de saldo negativo em período distinto daquele em que as retenções ocorreram. Quanto ao presente processo, alvo dos embargos sob exame, e cujo acórdão foi proferido alguns meses depois da Resolução nº 1802000.443 (exarada no processo nº 11516.003475/200668), cabe mencionar que o mesmo relator de ambos os processos passou a não mais admitir a formação de saldo negativo (CSLL) de determinado período com retenções de outros períodos de apuração, e esta turma julgadora, por unanimidade, acompanhou tal entendimento. Não verifico, portanto, a alegada obscuridade no acórdão deste colegiado. A obscuridade foi apontada com o argumento de uma divergência entre decisões desta 2ª Turma Especial que não ocorreu, porque, como já bastante explicitado, a questão do aproveitamento das retenções de IRPJ que remanesceram em litígio no processo nº 11516.003475/200668 ainda será objeto de julgamento, nos vários aspectos que ela abrange (pertinência de período, disponibilidade, etc.), após a conclusão da diligência demandada. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 371DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11516.003549/200666 Acórdão n.º 1802002.411 S1TE02 Fl. 9 8 Fl. 372DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 13909.000035/2003-18
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES NÃO SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS.
É cabível o ressarcimento do crédito presumido do IPI sobre as aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da Cofins conforme entendimento do STJ. O artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STJ em matéria infraconstitucional proferidas na sistemática da recursos especiais repetitivos,.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente o Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente)..
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES NÃO SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. É cabível o ressarcimento do crédito presumido do IPI sobre as aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da Cofins conforme entendimento do STJ. O artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STJ em matéria infraconstitucional proferidas na sistemática da recursos especiais repetitivos,”. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente o Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 9. 00 00 35 /2 00 3- 18 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13909.000035/200318 Acórdão n.º 3801004.708 S3TE01 Fl. 325 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13909.000035/200318 Acórdão n.º 3801004.708 S3TE01 Fl. 326 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou as compensações declaradas, em razão da exclusão das aquisições de pessoas não contribuintes do PIS e da COFINS. Alega a manifestante que excluir as aquisições efetuadas junto a pessoas não contribuintes do PIS e da COFINS, com base em uma IN, seria ir contra a própria lei instituidora do crédito presumido, na medida que mesmo as pessoas físicas pagariam o PIS e a COFINS na aquisição dos insumos destinados à produção dos bens vendidos ao contribuinte, bem como ir contra assunto já pacificado, conforme julgados que cita, um deles, inclusive, da CSRF a seu favor na mesma matéria.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E DA COFINS. As aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da Cofins, não se incluem na base de cálculo do crédito presumido do IPI.. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e colacionando precedentes. É o Relatório. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13909.000035/200318 Acórdão n.º 3801004.708 S3TE01 Fl. 327 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão cingese a inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da Cofins. Esta questão foi objeto do recurso representativo da controvérsia REsp.nº 993.164 MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13.12.2010, conforme ementa abaixo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA.. 1.O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2.A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1° A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13909.000035/200318 Acórdão n.º 3801004.708 S3TE01 Fl. 328 5 Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3.O artigo 6°, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4.O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5.Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2° Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. 1° O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2o O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2o da Lei n° 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas k jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6.Com efeito, o § 2°, do artigo 2°, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7.Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos Fl. 328DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13909.000035/200318 Acórdão n.º 3801004.708 S3TE01 Fl. 329 6 limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8.Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2°), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11.Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13909.000035/200318 Acórdão n.º 3801004.708 S3TE01 Fl. 330 7 12.A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13.A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14.Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15.Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16.Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17.Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Tal decisão fixou o entendimento no sentido da ilegalidade da IN/SRF 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas , extrapolou os limites do art. 1º da Lei n. 9.363/1996. Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STJ em matéria infraconstitucional proferidas na sistemática da recursos especiais repetitivos, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13909.000035/200318 Acórdão n.º 3801004.708 S3TE01 Fl. 331 8 Assim faz jus a recorrente ao ressarcimento do crédito presumido do IPI sobre as aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da Cofins, ressalvando que compete a autoridade administrativa, com base na documentação acostada aos autos e na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar as compensações vinculadas até o limite do crédito disponível. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 331DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11020.001196/2003-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
IRPJ. SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO.
O prazo para requerer a restituição de tributos pagos indevidamente é de cinco anos, contado do pagamento antecipado do impostoAno-calendário: 2002
Numero da decisão: 1202-001.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.Ausente momentaneamente a conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima- Presidente.
(documento assinado digitalmente
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheçalveiros: Plínio Rodrigues Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Marcos Antonio Pires, Geraldo Valentim Neto, Cristiane Silva Costa, Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: Orlando José Gonçalves Bueno
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SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. O prazo para requerer a restituição de tributos pagos indevidamente é de cinco anos, contado do pagamento antecipado do impostoAnocalendário: 2002 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.Ausente momentaneamente a conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (documento assinado digitalmente Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheçalveiros: Plínio Rodrigues Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Marcos Antonio Pires, Geraldo Valentim Neto, Cristiane Silva Costa, Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 11 96 /2 00 3- 99 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 09 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 2 O presente processo trata de Declarações de Compensação – DCOMPs apresentadas pela contribuinte INCOGREL INDÚSTRIA DE COMPENSADOS GREGOLETTO LTDA, nas quais buscou utilizar saldo negativo do IRPJ e da CSLL apurados no anocalendário de 2002, para quitar débitos apurados em períodos subsequentes. A decisão da DRJ, em exame de declaração de compensação, deixou de reconhecer parte do crédito pleiteado relativamente aos saldos negativos do IRPJ e da CSLL apurados no ano calendário de 2002, sendo de R$ 40.421,18 e R$ 47.095,21, respectivamente. De acordo com o despacho decisório n° 674DRF/CXL, de 12/09/08, tendo em vista que parte das estimativas que geraram os saldos negativos foi extinta mediante compensação com saldo negativo do ano anterior, a autoridade promoveu exame dos saldos negativos a partir do anocalendário de 1993, apurando uma série de divergências nos valores apurados pelo contribuinte a partir do anocalendário de 1995. Essas diferenças culminaram com sucessivas reduções nos saldos apurados em cada ano, de modo que o saldo negativo do IRPJ apurado em 2001 foi revertido para saldo a pagar, e o saldo negativo da CSLL foi reduzido para R$ 817.280,91, homologandose as compensações efetuadas até o limite deste valor. Diante disso, após ficar ciente da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual pedia: a) em relação ao anocalendário de 1997, que fossem considerados os valores do IRPJ e da CSLL recolhidos em janeiro de 1998, as quais, embora não tenham sido informados em DIPJ, foram efetivamente pagos conforme comprovam os DARF que anexou; (fl. 53) b) em relação aos períodos de outubro, novembro e dezembro de 1999, alega, apresentando cópia dos respectivos DARF, ter efetuado pagamento das estimativas em valores pouco superiores àqueles declarados em DCTF, pleiteando que essa diferença seja incluída na composição dos saldos negativos. (fls. 211 a 213) Com isto, requereu que fossem reanalisadas as compensações objeto do processo. Ante a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, a 1ª Turma de Julgamento da DRJ/POA, por unanimidade de votos, decidiu indeferir a solicitação, conforme a EMENTA a seguir: Interessado: INCOGREL IND. DE COMPENSADOS GREGOLETTO LTDA CNPJ/CPF: 88.583.5881000102 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: IRPJ. SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. O prazo para requerer a restituição de tributos pagos indevidamente é de cinco anos, contado do pagamento antecipado do imposto. Solicitação Indeferida. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 09 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 11020.001196/200399 Acórdão n.º 1202001.229 S1C2T2 Fl. 8 3 Segundo a decisão da DRJ, em relação aos pagamentos apresentados, efetuados em 31/01/98, verificada as DCTF apresentadas pelo contribuinte que parte do valor ora pleiteado já foi utilizado para quitação das estimativas do IRPJ e da CSLL devidas em dezembro de 1997 e que as estimativas assim extintas foram reconhecidas pela autoridade administrativa. Entendendo assim, diz que ainda que o pedido do contribuinte fosse passível de deferimento não poderia sêlo na totalidade do valor pleiteado. Entendo, porém, que a reclamação do contribuinte não merece acolhida. O exame da DIPJ apresentada pelo contribuinte demonstra que os pagamentos efetuados em janeiro de 1998 não correspondem à liquidação das estimativas apuradas em dezembro de 1997, mas sim, recolhimentos indevidos, em face da apuração de saldos negativos por ocasião do ajuste anual. Deste modo sua restituição não estava sujeita à apuração anual, cabendo sua restituição já do recolhimento indevido. Neste aspecto, o prazo para a restituição (e compensação) teve sua contagem iniciada na data do pagamento indevido, 31/01/98, encerrandose em janeiro de 2003, ex vi art. 168 do Código Tributário Nacional c/c o art. 3° da Lei complementar n° 118, de 09/02/05. Incabível, assim, a pretensão de restituição dos pagamentos indevidos quando já extinto o direito do contribuinte de fazêlo. O mesmo ocorre com os pagamentos das estimativas de outubro a dezembro de 1999: os valores pagos a maior que o devido (R$251,63) não foram reclamados à época própria, não podendo fazêlo agora, em sede de manifestação de inconformidade, haja vista o transcurso do prazo legal para requerer a restituição do indébito. Dessa forma, após apresentar os argumentos a respeito do transcurso do prazo, decidiram por indeferir o pedido do contribuinte, mantendo assim a decisão de origem. Notificada da decisão administrativa negativa, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, solicitando que seja cancelado, ainda que parcialmente, seu débito junto a RFB, trazendo a tona os seguintes argumentos: 1. A empresa não se considera devedora de qualquer valor junto aReceita Federal do Brasil, tendo quitado todos seus débitos 2. A notificação em questão, segundo despacho decisório n°. 674 DRF/CXL teve como base a análise de saldos negativos a partir do ano calendário de 1993, surgindo saldo negativo de IRPJ e de CSLL apurado em 2001; (fl. 2 do relatório acórdão n°. 10.18.044) 3. O contribuinte em 31.01.1998 efetuou pagamento de IRPJ no valor de R$ 18.848,76 e de CSLL, no valor de R$ 10.169,84, conforme DARFs anexos, valores estes reconhecidos pela autoridade administrativa, embora não informados em DCTF; 4. É sobre estes valores recolhidos em 31.01.1998, que agora recai a discussão do débito cobrado pela RFB, senão vejamos: a. Os valores foram efetivamente pagos e reconhecidos pela autoridade administrativa; b. A autoridade administrativa salienta, e o contribuinte concorda, que parte deste valor já havia sido compensado com débitos de Fl. 365DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 09 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 4 tributos, conforme se constata na tela de "demonstração de saldo a pagar", (anexa), trazida ao processo por ocasião da manifestação do julgamento administrativo, conforme demonstra: Data do pagamento Valor pago em R$ Valor devido e compensado Saldo a Compensar 31/01/1998 10.169,84 2.507,20 7.662,84 31/01/1998 18.848,76 3.370,15 15.478,61 Total 23.141,25 c. A autoridade administrativa salienta que a diferença não pode ser pleiteada, pois, sua prescrição ocorreu em janeiro de 2003, conforme legislação em vigor. Reforçando o seguinte entendimento, se a composição do saldo a pagar teve sua análise a partir do ano calendário de 1993, e se apurou saldo negativo de IRPJ e CSLL em 2001, conforme argumenta a autoridade fiscal, os valores pagos em 31.01.1998, deverão sim ser considerados, deduzindose apenas o valor devido. Ademais alega haver incoerência no entendimento da autoridade fiscal quando comenta que os valores pleiteados poderiam ser passíveis de deferimento, mesmo que parcialmente, ao mesmo tempo em que, por entendimento pessoal, afirma que a reclamação não merece ser acolhida. Dessa forma, entende que o débito do contribuinte em 13/05/2005, passa a ser R$ 10.520,41, conforme se demonstra em planilha anexa, o qual o contribuinte assume a responsabilidade de recolhimento. Voto Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, relator Presentes os pressuposto de admissibilidade recursal dele tomase conhecimento. Notase do relatório que os autos tratamse de Declarações de Compensação – DCOMPs apresentadas pela contribuinte INCOGREL INDÚSTRIA DE COMPENSADOS GREGOLETTO LTDA, nas quais buscou utilizar saldo negativo do IRPJ e da CSLL apurados no anocalendário de 2002, para quitar débitos apurados em períodos subsequentes. Em sede recursal, o ora recorrente alegou novamente fatos já trazidos aos autos no ato Manifestação de Inconformidade. Aduz, preliminarmente, que não se considera devedor de qualquer valor junto a Receita Federal do Brasil, tendo quitado todos os débitos, alegando que em 31/01/1998, Fl. 366DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 09 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 11020.001196/200399 Acórdão n.º 1202001.229 S1C2T2 Fl. 9 5 efetuou pagamento de IRPJ no valor de R$ 18.848,76 e de CSLL, no valor de R$ 10.169,84, conforme DARFs que anexou, alegando inclusive que estes valores são reconhecidos pela autoridade administrativa, embora não informados em DCTF. Afirma então, que é sobre estes valores recolhidos em 31/01/1998, que agora recai a discussão do débito cobrado pela RFB. Diz que a autoridade administrativa salienta que parte deste valor já havia sido compensado com débitos de tributos, situação com a qual também concorda o recorrente, entretanto, a autoridade administrativa informa que a diferença não pode ser pleiteada, uma vez que sua prescrição ocorreu em janeiro de 2003, conforme legislação em vigor. Referente a repetição ou compensação de indébitos, a Lei Complementar 118/2005, alterou a interpretação que se dava até então ao artigo 168 do Código Tributário Nacional, conhecido como “cinco mais cinco”, o que possibilitava o lapso temporal de 10 anos para pedido de restituição e compensação. Ocorre que a supracitada Lei Complementar inovou, e reduziu o prazo de 10 anos contados do fato gerador, para 5 anos contados a partir da data do pagamento indevido, devendo portanto a prescrição obedecer o lustro. Com tamanha mudança ocorrida acerca do assunto em pauta, a LC 118/2005 teve vacacio legis de 120 dias, o que permitiu que os contribuintes tomassem ciência do novo prazo, bem como ajuizassem ações pleiteando o direito percorrido. Assim, após o período de vacacio legis, o novo prazo de 5 anos passou a valer para todas as ações que fossem ajuizadas a partir de então, 09 de junho de 2005, independente de se referirem a tributos posteriores a vigência da Lei. Assim, verificase que é este o objeto de discussão em tela, não cabendo outra interpretação a não ser a já dada como paradigma por nossos Tribunais, que entendem como prescritos em 5 anos a ação de compensação ou restituição de indébito, daquelas compensações pleiteadas após a data de 09 de junho de 2005. Senão vejamos: RE 566621 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 04/08/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação: DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273Parte(s) RECTE.(S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES): PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : RUY CESAR ABELLA FERREIRA ADV.(A/S): JORGE NILTON XAVIER DE SOUZA E OUTRO(A/S) Fl. 367DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 09 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 6 INTDO.(A/S): ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROC.(A/S)(ES): PROCURADORGERAL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL Ementa DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Decisão Após os votos da Senhora Ministra Ellen Gracie (Relatora) e dos Senhores Ministros Ricardo Lewandowski, Ayres Britto, Celso de Mello e Cezar Peluso (Presidente), conhecendo e negando provimento ao recurso, e os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Fl. 368DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 09 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 11020.001196/200399 Acórdão n.º 1202001.229 S1C2T2 Fl. 10 7 Mendes, dandolhe provimento, foi o julgamento suspenso para colher o voto do Senhor Ministro Eros Grau. Ausente, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Falaram, pela recorrente, o Dr. Fabrício Sarmanho de Albuquerque e, pelo recorrido, Ruy Cesar Abella Ferreira, o Dr. Marco André Dunley Gomes. Plenário, 05.05.2010. Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, negou provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. Ausente, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidiu o julgamento o Senhor Ministro Cezar Peluso. Plenário, 04.08.2011. Assim, verificase, que o prazo para pleitear a referida compensação, não se esgotou no ano de 2003 como alega a DRJ, mas sim em 09 de junho de 2005, data limite para que o prazo de “5 + 5” fosse aplicado ao caso em comento. Ocorre que conforme se verifica a Recorrente apenas se deu conta do que não havia sido compensado, após a notificação que recebeu a qual informava o débito pendente, ocorrida apenas no ano de 2008, ou seja, muito após a vacatio legis da LC 118/2005, se enquadrando, portanto, nas novas regras versadas por esta lei, já tendo seu prazo prescrito na data em que apresentou sua “Manifestação de Inconformidade”, em 08 de outubro de 2008. Ante o exposto, não sendo outro o objeto da discussão trazida aos autos, há que se considerar prescritos em 09/06/2005 (data do início da vigência da Lei Complementar em comento), a possibilidade de pleitear a compensação dos valores pagos indevidamente em 31/01/1998. Uma vez que embora se trate de tributo anterior a novatio legi,a data limite para adentrar com a ação se esgotava com o fim da vacatio legis. Por derradeiro, considerando o acima exposto, e tudo o que mais consta nos autos, negase provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 369DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 09 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO
score : 1.0
Numero do processo: 10840.001871/00-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos).
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA.
A Lei 9363 autoriza a inclusão das variações monetárias na receita de exportação para fins de cálculo do valor do crédito presumido.
RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO
Numero da decisão: 9303-003.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencido o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, que negava provimento; e II) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Fez sustentação oral a Dra. Roberta Bordini Prado Landi, OAB/SP nº 236.181, advogada do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente)
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. A Lei 9363 autoriza a inclusão das variações monetárias na receita de exportação para fins de cálculo do valor do crédito presumido. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencido o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, que negava provimento; e II) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Fez sustentação oral a Dra. Roberta Bordini Prado Landi, OAB/SP nº 236.181, advogada do sujeito passivo. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 18 71 /0 0- 59 Fl. 584DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente) Relatório Ambas as partes apresentaram recurso especial. O primeiro se trata de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — RICARF, aprovado pela Portaria MF n 2 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 310200.912, de 01/03/2011, cuja ementa se transcreve a seguir, na parte que interessa ao presente exame: CREDITO PRESUMIDO DO IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. DATA DO EMBARQUE PARA O EXTERIOR. Para efeito de apuração do crédito presumido do IPI, a conversão do valor da receita de exportação é calculada com base na taxa de câmbio de compra, em vigor na data do embarque dos produtos nacionais para o exterior que, no transporte por via marítima, corresponde a data da cláusula shipped on board ou equivalente, constante do Conhecimento de Carga e averbada no Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex. Por outro lado, enquadrase na definição de despesa ou receita financeira, respectivamente, a variação cambial passiva ou ativa decorrente da alteração do valor do crédito de exportação resultante da variação da taxa de câmbio ocorrida após a data do embarque até o fechamento do contrato de câmbio. (..) Recurso Voluntário Provido em Parte Já o segundo, foi interposto pelo contribuinte ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n ° 256, de 25 de junho de 2009, também em face do Acórdão n° 310200.912, de 01/03/2011, cuja ementa se transcreve a seguir, na parte que interessa ao presente exame: Fl. 585DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10840.001871/0059 Acórdão n.º 9303003.043 CSRFT3 Fl. 191 3 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. ATO ADMINISTRATIVO OU NORMATIVO IMPEDITIVO DO DIREITO AO CRÉDITO. NECESSIDADE. Somente a oposição constante de ato da Administração tributária, impedindo a utilização do direito de crédito presumido do IPI, descaracteriza o referido crédito como escritural, dando ensejo a incidência da taxa Selic a partir da data da ciência do citado ato (aplicação da jurisprudência STJ, por força do art. 62A do RICARF). Recurso Voluntário Provido em Parte. Preliminarmente, cumpre registrar que a decisão acima foi objeto de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, ao qual foi dado seguimento por intermédio do Despacho n° 3100270, de 19/08/2013 (fls 329 a 330). A empresa MONTECITRUS, após tomar ciência do mencionado despacho, protocolou suas contrarrazões, que foram anexadas ao processo. É o relatório. Voto Os recursos atendem aos pressupostos de admissibilidade e devem ser admitidos. A Fazenda Nacional apresentou o seu recurso somente em relação inclusão da variação cambial ativa na receita de exportação para fins de apuração da receita bruta a ser usado no coeficiente de cálculo do crédito presumido. Não assiste razão à fazenda nacional. Vejamos a fundamentação exposta no voto condutor do acórdão recorrido, que uso como minhas razões de decidir. Para efeito de apuração da receita bruta de vendas nas exportações, existe ato normativo específico, disciplinando a matéria. Refirome ao disposto nos itens I e II da Portaria MF nº 356, de 05 de dezembro de 1988, a seguir transcritos: I A receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais será determinada pela conversão, em cruzados, de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior. I.1 Entendese como data de embarque dos produtos para o exterior aquela averbada pela autoridade competente, na Guia de Exportação ou documento de efeito equivalente. II As diferenças decorrentes de alteração na taxa de câmbio, ocorridas entre a data do fechamento do contrato de câmbio e a data do embarque, serão consideradas como variações monetárias passivas ou ativas. (grifos não originais) Fl. 586DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 De acordo, com os referidos comandos normativos, o valor da receita de venda na exportação é determinado com base na taxa de câmbio em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior. Somente a variação no preço em moeda nacional decorrente da alteração da taxa câmbio, ocorrida após a referida data e o fechamento do contrato de câmbio, será tratada como variação monetária passiva ou ativa, conforme o caso. Corrobora o asseverado, o disposto no inciso I do art. 6º da Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, que em complemento ao estabelecido na lei instituidora do incentivo fiscal em destaque, determinou que a relação das notas fiscais relativas às exportações diretas deveria conter, dentre outros dados, a data do embarque da mercadoria para o exterior, a qual, nas exportações por via marítima (caso em apreço), corresponde a data da cláusula shipped on board ou equivalente, constante do Conhecimento de Carga e averbada no Comprovante de Exportação, emitido pelo Siscomex, conforme determinado no inciso I do art. 39 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 27 de abril de 1994. O mesmo entendimento foi manifestado pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação (Cosit), conforme exposto no excerto da Solução de Consulta nº 10, de 17 de junho de 2002, a seguir transcrito: A receita de vendas nas exportações de bens, com o valor expresso em moeda estrangeira, será convertida em reais à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos bens para o exterior. Considerase como data de embarque dos bens para o exterior aquela averbada no Sistema Integrado de Comércio Exterior – Siscomex. Assim, embora a lei instituidora do incentivo determine que a apuração da receita de exportação seja feita com base na legislação que rege a contribuição para o PIS e a Cofins e, subsidiariamente, com base na legislação do Imposto de Renda e do IPI (art. 3º da Lei nº 9.363, de 1996), por ser específica, o disposto no itens I e II da Portaria MF nº 356, de 1988, não conflita com o estabelecido no art. 9º5 da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que trata das variações monetárias concernentes apenas aos “direitos de crédito e das obrigações do contribuinte”. Como na operação de exportação, os direitos de crédito surgem após o embarque da mercadoria para o exterior, logo, somente após a referida data, eventual variação na taxa de câmbio será tratada como despesa ou receita financeira, respectivamente, de variação monetária passiva ou ativa, itens que integram a receita operacional da pessoa jurídica, segundo a legislação do Imposto de Renda. Logo, para efeito do benefício fiscal em apreço, a receita de exportação é considerada efetivada, no ato da entrega do bem ao comprador, ou seja, na data de embarque da mercadoria, que nas exportações por via marítima (caso em apreço), corresponde a data da cláusula shipped on board ou equivalente, constante do Conhecimento de Carga e averbada no Comprovante de Exportação, emitido pelo Siscomex. Em decorrência, qualquer variação no preço do produto, especialmente, em decorrência da variação na taxa câmbio entre a data de emissão da nota fiscal de saída dos Fl. 587DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10840.001871/0059 Acórdão n.º 9303003.043 CSRFT3 Fl. 192 5 produtos do estabelecimentos e a data de embarque, deve ser objeto de nota fiscal complementar de preço, conforme expressamente determinado no parágrafo único do art. 19 da Lei nº 4.502, de 1964. Embora com fundamentação um pouco distinta, essa decisão corrobora o entendimento já pacificado nessa turma que considera legal a inclusão das variações monetárias na receita de exportação para fins de cálculo do valor do crédito presumido. A matéria devolvida ao Colegiado, agora pelo contribuinte, cingese à aplicação da Selic sobre os créditos presumidos de IPI serem ressarcidos. Esse tema tem sido objeto de acirrados debates no CARF, ora prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Turmas de Julgamento. Todavia, com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do Carf, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu1 que, A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Essa decisão foi proferida, justamente, em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, de que trata a lei 9.363/1996, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas e cooperativas. Com essas considerações, em que pese a minha discordância quanto ao tratamento da matéria pelo STJ, por força regimental, curvome a decisão do STJ, e passo a admitir, sobre os créditos a ressarcir, a incidência da Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Não posso aceitar a tese do acórdão recorrido que somente a partir do despacho decisório, sendo o ato que obstaculizou o ressarcimento, é que começa a incidir a selic, para fins de correção do crédito a ser ressarcido. 1 AgRg no AgRg no REsp 1088292 / RS AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2008/02047717 Fl. 588DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Em face do exposto, voto pelo não provimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e dou provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 589DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 11610.000901/2002-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/1997 a 30/06/1997
COFINS. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS NÃO CONFESSADOS.
Os débitos compensados em Pedido de Compensação entregue anteriormente à vigência da MP n° 135/2003, publicada em 31/10/2003, não constituem confissão de divida, ensejando sua constituição mediante lançamento mediante Auto de Infração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3101-000.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente.
(assinado digitalmente)
MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS - Redatora designada.
EDITADO EM: 02/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Vanessa Albuquerque Valente e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/1997 a 30/06/1997 COFINS. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS NÃO CONFESSADOS. Os débitos compensados em Pedido de Compensação entregue anteriormente à vigência da MP n° 135/2003, publicada em 31/10/2003, não constituem confissão de divida, ensejando sua constituição mediante lançamento mediante Auto de Infração. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente. (assinado digitalmente) MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS - Redatora designada. EDITADO EM: 02/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Vanessa Albuquerque Valente e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1997 a 30/06/1997 COFINS. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS NÃO CONFESSADOS. Os débitos compensados em Pedido de Compensação entregue anteriormente à vigência da MP n° 135/2003, publicada em 31/10/2003, não constituem confissão de divida, ensejando sua constituição mediante lançamento mediante Auto de Infração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. (assinado digitalmente) MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Redatora designada. EDITADO EM: 02/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Vanessa Albuquerque Valente e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 09 01 /2 00 2- 18 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11610.000901/200218 Acórdão n.º 3101000.821 S3C1T1 Fl. 114 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: "Em auditoria fiscal levada a efeito em face do contribuinte acima identificado foi constatado "Proc. Inexist. no Profisc" da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins dos fatos geradores ocorridos no período de 03/1997 a 06/1997, declarados na DCTF, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 12 e 13 integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário composto de contribuição, multa de oficio e juros de mora com cálculos válidos até 30/11/2001 perfazendo o total de R$ 969.155,26 (novecentos e sessenta e nove mil, cento e cinquenta e cinco reais e vinte e seis centavos), com o seguinte enquadramento legal: Arts 1 a 4 LC 70/91; Art 1 L 9249/95; Art 57 L 9069/95; Arts 56 e par Un, 60 e 66, L 9430/96. 2. Inconformado com a autuação, da qual foi devidamente cientificado, o contribuinte protocolizou, em 04/01/2002 a impugnação de fl. 1, acompanhada dos documentos de fls. 233, na qual alega: 2.1. Informa que os débitos lançados por falta de pagamento foram devidamente pagos conforme os respectivos darfs, xerox autenticadas relacionadas no Anexo Ia — Relatório de Auditoria Interna de Pagamento Informados da DCTF da Receita Federal, valores devidos a titulo de COFINS os quais foram compensados nos Termos da Instrução Normativa N. 32 de 09/04/1997, relativo a Crédito que teve origem na Declaração de Inconformidade de Majoração de alíquotas do Finsocial, conforme pedido protocolado sob N. 10.880.031538/9758 3. " A DRJ de São Paulo I julgou a impugnação procedente em parte, nos termos do Acórdão 1626.827, de 23 de setembro de 2010, que traz a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1997 a 30/06/1997 C COFINS PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DÉBITOS NÃO CONFESSADOS. Os débitos compensados no Pedido de Compensação entregue anteriormente à vigência da MP n° 135/2003 publicada em 31/10/2003, não constituem confissão de 'divida, portanto enseja a manutenção do lançamento no Auto de Infração. MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI N° 10.833/2003. Com a edição da MP n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose Fl. 114DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11610.000901/200218 Acórdão n.º 3101000.821 S3C1T1 Fl. 115 3 os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP n° 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, "c" do CTN), impõese o cancelamento da multa de oficio lançada. Impugnação Procedente em Parte Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário a este Conselho, argumentando, em síntese: “Concluise que o AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO está eivado de nulidades, por não observar formalidades essenciais, especialmente a obrigatoriedade de conter o dispositivo legal infringido e o que lhe comine a sanção ou justifique a exigência do cumprimento da obrigação, na forma da lei, porquanto não determina, com segurança, a infração cometida, com evidente prejuízo do direito de defesa. (...) No presente caso, é certo que, os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório estão sendo feridos, já que, ao que diz respeito a defesa da Recorrente a mesma não teve a oportunidade de saber com certeza do que está sendo autuada." Ao final, o contribuinte se insurge contra a imposição da multa, centrando seus argumentos na inexistência de dolo na sua conduta, não se justificando a exigência da multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios – redatora ad hoc Por intermédio do Despacho de efolhas 112, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar o Acórdão 3101000.821, não entregue pela relatora original, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pela relatora original, que foi acompanhada, por unanimidade, pelos demais integrantes do colegiado. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 115DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11610.000901/200218 Acórdão n.º 3101000.821 S3C1T1 Fl. 116 4 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele se tomou conhecimento. As alegações de nulidade do auto de infração não foram acatadas pelo colegiado, por considerar que não houve cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega que o Auto de Infração não trouxe os dispositivos legais infringidos, o que teria ocasionado prejuízo à sua defesa. Não é o que se constata dos autos. Além de trazer as disposições legais infringidas, amparo legal da autuação (fls. 13 quadro 10 Código de Capitulação, Descrição dos fatos e Enquadramento Legal), o auto de infração veio acompanhado de uma série de demonstrativos que indicam, com precisão, os motivos da autuação. Da análise dos demonstrativos de fls. 14 a 16 fica claro que a autuação decorreu de falta de comprovação de compensações informadas pelo contribuinte em DCTF, vinculadas ao processo administrativo nº 10880.031538/9758. E com base nessas informações o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01, na qual ataca exatamente o motivo da autuação, como atesta a seguinte transcrição de sua peça impugnatória (fls. 01): "(...) informando que os débitos lançados por falta de pagamento foram devidamente pagos conforme os respectivos darfs, xerox autenticadas relacionadas no Anexo Ia Relatório de Auditoria Interna de Pagamento Informados da DCTF da Receita Federal, valores devidos a titulo de COFINS os quais foram compensados nos Termos da Instrução Normativa N. 32 de 09/04/1997, relativo a Crédito que teve origem na Declaração de Inconstitucionalidade de Majoração de Alíquotas do Finsocial, conforme pedido protocolado sob. N. 10.880.031538/9758." Portanto, não houve qualquer prejuízo ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte, não havendo que se falar em nulidade ao auto de infração. No mérito, o colegiado não promoveu qualquer reparo na decisão recorrida, cujos fundamentos se aproveitam ao presente julgamento. Merecem transcrição os seguintes fragmentos da decisão recorrida: "5.2. No tocante ao processo administrativo n° 10.880.031538/9758, abrangendo todo o seu conteúdo, cabe salientar que: 5.2.1. Os débitos de COFINS referentes aos PA de 03/97 a 06/97 lançados no presente Auto de Infração foram objetos de compensação sem DARF conforme declarado nas DCTF apresentadas (fls. 4047) e extrato do sistema "SINCOR — PROFISC" (fls. 36). 5..2.2. O Pedido de Restituição do Finsocial (fl. 21) e o Pedido de Compensação (fls. 2223) foram protocolados em 30/10/1997 formando o referido Processo n° 10.880.031538/97 58 (fl. 20). 5.2.2.1. No referido processo consta o Acórdão n° 16 17.230 de 21/05/2008 (fls. 4852) nos seguintes termos: (...) Fl. 116DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11610.000901/200218 Acórdão n.º 3101000.821 S3C1T1 Fl. 117 5 5.2.2. Acima exposto, não tendo o direito creditório decaído e verificandose que ainda não está definido o seu limite de disponibilidade para extinguir os débitos do presente Auto de Infração e no que se refere ao Pedido de Compensação (fl. 22 23), tendo sido protocolado em 30/10/1997 (fl. 20), portanto anteriormente à vigência da MP n° 135/2003 publicada em 31/10/2003, não constitui confissão de divida (item "e" das conclusões do Parecer PGFN/CDA/CAT n° 1499/05), ensejando então a manutenção do lançamento no Auto de Infração." Correto o entendimento da DRJ. O que está em julgamento no presente processo é o lançamento do crédito tributário, ou seja, sua formalização mediante procedimento de ofício. No caso, os débitos foram informados em Pedido de Compensação protocolado antes da vigência da MP 135/2003, pedido este que não se reveste da condição de ser confissão de dívida. Daí a necessidade de efetuar o lançamento dos débitos informados no pedido de compensação, apenas como medida de salvaguarda dos interesses da Fazenda Nacional. Ou seja, não há qualquer ilegalidade quanto ao presente lançamento. Todavia, a legalidade do presente lançamento não implica, inequivocamente, a exigência dos valores da Cofins em pauta, pois, como bem salientou a DRJ São Paulo I, a exigência do crédito tributário deste processo vinculase ao que restar decidido no processo 10880.031538/9758, no qual se discute a legitimidade da compensação efetuada pela empresa. Desta forma, se ao final, naqueles autos, restar comprovado que a empresa possuía o direito creditório alegado, que ampare a totalidade das compensações efetuadas, nada será exigido da contribuinte nos presentes autos. Ao revés, se naqueles autos não se reconhecer a legitimidade da compensação em foco, os débitos da Cofins indevidamente compensados estarão devidamente constituídos neste lançamento, de forma a permitir sua cobrança. Por último, no que diz respeito à multa de ofício, a DRJ afastou sua exigência, sem interposição de recurso de ofício, o que torna a questão definitivamente resolvida na esfera administrativa. Ou seja, a contribuinte foi eximida da exigência da multa de ofício, o que torna seus argumentos contrários à exigência da penalidade, apresentados em seu recurso voluntário, destituídos de sentido. Não cabe, portanto, qualquer apreciação de suas razões de insurgência contra a multa de ofício. Com base nesses fundamentos, votouse por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. E são essas as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. Mônica Monteiro Garcia de los Rios – Redatora ad hoc Fl. 117DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 15374.904431/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002
DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de seu direito creditório que pretende compensar com outros débitos tributários.
EXAME DO DIREITO CREDITÓRIO. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE.
O instituto da decadência é aplicável apenas aos casos de lançamento ou constituição do crédito tributário. Inexiste previsão legal estipulando prazo para o fisco proceder ao exame da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado pelo contribuinte para fins de sua homologação expressa.
IRRF. COMPROVAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Conforme teor da Súmula CARF n. 80, a dedução do IRRF na composição do saldo do IRPJ, por expressa disposição legal, somente pode ser efetivada se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos e se as correspondentes receitas forem comprovadamente oferecidas à tributação.
Numero da decisão: 1302-001.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Leonardo Mendonca Marques, Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de seu direito creditório que pretende compensar com outros débitos tributários. EXAME DO DIREITO CREDITÓRIO. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. O instituto da decadência é aplicável apenas aos casos de lançamento ou constituição do crédito tributário. Inexiste previsão legal estipulando prazo para o fisco proceder ao exame da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado pelo contribuinte para fins de sua homologação expressa. IRRF. COMPROVAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Conforme teor da Súmula CARF n. 80, a dedução do IRRF na composição do saldo do IRPJ, por expressa disposição legal, somente pode ser efetivada se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos e se as correspondentes receitas forem comprovadamente oferecidas à tributação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de seu direito creditório que pretende compensar com outros débitos tributários. EXAME DO DIREITO CREDITÓRIO. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. O instituto da decadência é aplicável apenas aos casos de lançamento ou constituição do crédito tributário. Inexiste previsão legal estipulando prazo para o fisco proceder ao exame da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado pelo contribuinte para fins de sua homologação expressa. IRRF. COMPROVAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Conforme teor da Súmula CARF n. 80, a dedução do IRRF na composição do saldo do IRPJ, por expressa disposição legal, somente pode ser efetivada se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos e se as correspondentes receitas forem comprovadamente oferecidas à tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 44 31 /2 00 8- 31 Fl. 866DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Leonardo Mendonca Marques, Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 867DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.904431/200831 Acórdão n.º 1302001.591 S1C3T2 Fl. 867 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado por PROCOSA PRODUTOS DE BELEZA LTDA contra o Acórdão no 1244.729, de 27/03/2012, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro, (fls. 799/816). Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Versa o presente processo sobre as Declarações de Compensação apresentadas através dos PER/DCOMP 34340.87631.281106.1.3.027062, 25625.72115.230104.1.3.020106, 02334.77350.271006.1.7.023933, 33164.18996.271006.1.7.022071, 31337.75530.271006.1.7.025400, 28721.54192.271006.1.7.028788, 15249.55983.271006.1.7.029090, 33729.94131.271006.1.7.020242, 07719.58963.271006.1.7.020131 e 14602.81021.291106.1.7.026607 por meio dos quais a interessada pleiteia compensar crédito que alega possuir decorrente de saldo negativo de IRPJ referente ao ano calendário de 2002 com débitos nele declarados. De acordo com o Despacho Decisório nº 781154423 emitido em 12/08/2008 (fl.04/07), não foram homologadas as compensações declaradas nos PER/DCOMP anteriormente relacionados, tendo em vista que: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito – R$ 4.451.718,57; Valor do saldo negativo informado na DIPJ – R$ 3.644.170,26” Consta à fl. 09 cópia do A.R. datado de 25/08/2008 atestando a recepção do referido Despacho Decisório pela interessada. Em 28/07/2010, a interessada apresentou as petições de fl. 17/20, 62/65,107/110, 152/155, 197/200, 242/245, 290/293,335/338 e 380/383, juntamente com os documentos de fl. 21/60, 66/105, 111/150, 156/195, 201/240, 246/288, 294/333, 339/378 e 384/423, nas quais, em síntese, argumenta que: Em procedimento de obtenção de certidão negativa, ao consultar os dados de sua conta corrente junto à RFB, identificou que o Fl. 868DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 valor do tributo que motivou pedido de compensação apresenta a anotação “devedor”; No entanto, entende que a indicação deste status é equivocada, pois o pedido de compensação integrou um despacho decisório que contemplou diversos pleitos de natureza idêntica, por estarem ligados a um mesmo crédito originário de titularidade da requerente; Ocorre que no PER/DCOMP nº 25625.72115.230104.1.3.020106, o primeiro da série em que a requerente utilizou o mesmo crédito originário, foi exarado um Despacho Decisório que concluiu pela não homologação da compensação ali pretendida, por que não teria sido possível confirmar o crédito alegado pela requerente (doc. 03); E, em razão dessa circunstância de impossibilidade pontual da confirmação do crédito, houve por bem o ilustre Sr. Auditor Fiscal que procedeu à análise do pleito estender a negativa de homologação a todos os pedidos de compensação derivados do saldo do crédito da requerente; Intimada do despacho decisório anteriormente citado em 25/08/2008 (doc. 04), a requerente protocolou, tempestivamente, em 24/09/2008, a correspondente manifestação de inconformidade (doc. 05), ainda pendente de apreciação; Em assim sendo, e considerando que todos os pedidos de compensação que alcançados pelo já citado despacho decisório foram veiculados na manifestação de inconformidade apresentada, não procede tratar os seus valores como “devedores”; Solicita correção dos status dos referidos débitos De acordo com a Intimação DICAT/DEMAC/RJO nº 518/2010 (fl. 426), a interessada foi instada a apresentar petição de juntada de cópia autenticada da manifestação de inconformidade. Por meio do requerimento de fl. 428, foi juntada aos autos cópia autenticada da manifestação de inconformidade (fl. 456/465) datada de 24/09/2008, na qual a interessada alega, em síntese, que: No PER/DCOMP nº 25625.72115.230104.1.3.020106, foi informado corretamente o valor do seu crédito na data da compensação: R$ 3.644.170,41; No entanto, por questão de interpretação das regras de preenchimento de tal formulário, ao invés de repetir este valor na linha identificada como “valor do saldo negativo”, inseriu em tal espaço o valor do seu crédito atualizado pela SELIC; Vale notar que o valor do crédito constou corretamente na linha 18, da página 11, da ficha 12A da DIPJ 2003, ano calendário 2002, transmitida em 30/06/2003; Fl. 869DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.904431/200831 Acórdão n.º 1302001.591 S1C3T2 Fl. 868 5 No PER/DCOMP 33164.18996.271006.1.7.022071, informou corretamente o valor do seu crédito original na data da transmissão; No entanto, ao invés de indicar o valor do seu crédito original na linha identificada como “valor do saldo negativo”, inseriu em tal espaço o valor do saldo do seu crédito atualizado pela SELIC; Já os demais PER/DCOMP transmitidos para a compensação com o crédito apresentado pelo saldo negativo do IRPJ, ano base 2003, foram transmitidos sem se aplicar a interpretação acima; Cabe salientar que, apesar da aplicação da interpretação anteriormente citada, não houve qualquer excesso nas compensações realizadas, conforme demonstra; Não procede, desta forma, a conclusão que motivou a decisão denegatória das compensações realizadas sob o entendimento de que não foi possível confirmar a apuração do crédito utilizado, considerando que não só eles constaram dos PER/DCOMP transmitidos, como também que o documento de que se originou o saldo negativo do IRPJ anobase 2002, qual seja a DIPJ 2003, já se encontrava na base de dados da Receita Federal desde 30/06/2003; Como consequência, o despacho decisório deverá ser integralmente revisto; E, ainda que assim não fosse, e se houvesse eventual excesso de compensação, o que não ocorreu in casu, não caberia à negativa total das compensações em análise. Se fosse o caso, elas deveriam ser admitidas proporcionalmente ao saldo negativo do IRPJ – anobase 2002, cuja existência já estava noticiada ao Fisco, na forma da DIPJ. Conforme Acórdão 1233.945 – 1ª Turma da DRJ/RJ1, de 28/10/2010 (fl.471/477), o Despacho Decisório nº 781154423 (fl. 09/14) foi declarado nulo e os autos foram restituídos à DIORT/DEMAC/RJ para a que autoridade competente proferisse nova decisão, com ampla análise do direito creditório pleiteado. Em 05/10/2011, foi proferido o Despacho Decisório de fl. 680/681 que, tendo por fundamento o contido no Parecer Conclusivo Diort/Demac/RJ nº 176/2011 (fl. 661/669), reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado referente ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2002, exercício de 2003, no valor de R$ 3.249.620,76, homologando as compensações efetuadas através das DCOMP eletrônicas 25625.72115.230104.1.3.020106, 02334.77350.271006.1.7.023933, 33164.18996.271006.1.7.022071, 31337.75530.271006.1.7.025400, 28721.54192.271006.1.7.028788 e 14602.81021.291106.1.7.026607, homologando parcialmente a Fl. 870DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 compensação efetuada através da DCOMP nº 15249.55983.271006.1.7.029090 e não homologando as compensações efetuadas através das DCOMP nº 33729.94131.271006.1.7.020242, 07719.58963.271006.1.7.020131 e 34340.87631.281106.1.3.027062. No Parecer Conclusivo nº 176/2011 consta que: Em pesquisa aos sistemas informatizados RFB, constatasse em DIPJ/2003, ano calendário 2002, retificadora liberada de nº 0954451, que a interessada apurou saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 3.644.170,26, oriundo de dedução de IRRF, no valor de R$ 2.395.038,07 e de estimativas no valor de R$ 3.234.009,81, conforme informado em ficha 12A, fl. 484; Visando subsidiar a análise do possível direito creditório em tela, a interessada foi intimada, através do Termo de Intimação nº 1.382/2011, a esclarecer e apresentar a documentação conforme ali solicitado às fl. 592/593; Em resposta apresentou a petição de fl. 595/596 e documentação juntada em fl. 597/645; No que diz respeito à dedução com IRRF no ano de 2002, esta só ocorreu no ajuste final, no valor de R$ 2.395.038,07, fl. 484/488. Consultandose as Declarações de Retenções na Fonte – DIRF relativas ao ano de 2002, verificasse que as fontes pagadoras, os valores dos rendimentos e as retenções declaradas em ficha 43 “Demonstrativo do IRRF” da DIPJ/2003, fl. 489, coincidem com o declarado em DIRF pelas fontes retentoras, conforme fl. 492 e 494. O valor das receitas financeiras informado em DIPJ, fl. 541, é compatível com o declarado em DIRF pelas fontes pagadoras, fl. 490. Portanto, o valor de R$ 2.395.038,07 deduzido no ajuste final será considerado como composição do saldo negativo em análise; Quanto às estimativas deduzidas no ajuste, verificase, da ficha 11 “Cálculo do IR mensal – Estimativas” (fl. 485/488) e de pesquisa ao sistema DCTFGER (fl. 495/499), que foram apuradas estimativas a pagar nos meses de janeiro, março, maio a julho, tendo sido as relativas aos períodos de janeiro, março, maio, junho e parte de julho pagas através de compensação com saldo negativo de IRPJ do ano de 1999 (nos valores de R$ 345.052,48, R$ 99.216,32, R$ 266.681,74, R$ 937.981,90 e R$ 1.106.231,09, respectivamente) e a outra parte correspondente a julho (no valor de R$ 478.846,28) paga com compensação com saldo negativo de IRPJ do ano de 2000; Analisandose o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1999, constatasse o que segue; Consultas aos sistemas informatizados da RFB informam que foi apurado em DIPJ/2000, ano calendário 1999, retificadora liberada de nº 1089188, saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 2.180.293,38, oriundo de deduções de IRRF no valor de R$ 1.013.614,12 e de estimativas mensais no valor total de R$ 1.575.501,12 (fl. 542/544); Fl. 871DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.904431/200831 Acórdão n.º 1302001.591 S1C3T2 Fl. 869 7 Conforme DIPJ/2000, houve retenção na fonte deduzida na estimativa de fevereiro no valor de R$ 310.431,98 e no ajuste final no valor de R$ 1.013.614,12, totalizando R$ 1.324.046,10; O valor total da receita financeira oferecida à tributação na ficha 06A da DIPJ/2000 foi de R$ 7.203.841,00. Em pesquisa às DIRF, constatasse que o valor total dos rendimentos declarados pelas fontes pagadoras corresponde a R$ 7.583.287,32. Tendo em vista a diferença dos rendimentos declarados e não havendo em DIPJ demonstrativo das retenções na fonte, foi à interessada intimada a esclarecer os fatos através do Termo de Intimação nº 1.382/2011 (fl. 592/593); Em resposta, apresentou demonstrativo parcial da composição da linha 24, confirmando através da documentação de fl. 636/640 (demonstrativo e respectivos comprovantes de rendimentos) as retenções ocorridas somente com relação à fonte detentora do CNPJ nº33.479.023/000180. Portanto, somente o IRRF total referente a essa fonte no valor de R$875.714,80 será considerado para efeito de dedução no ano de 1999, tendo em vista que a interessada, muito embora intimada a fazêlo, não identificou todas as fontes retentoras; Quanto às estimativas, consideramse pagas com DARF/compensação com DARF as estimativas de janeiro, no valor de R$ 999.076,30 e a de fevereiro, no valor de R$ 265.992,85, cujo somatório perfaz o valor de R$ 1.265.069,15; Não foram encontradas DCOMP eletrônicas vinculadas ao crédito de saldo negativo de IRPJ do ano de 1999, conforme extratos dos sistemas informatizados RFB, tanto se pesquisando por exercício, quanto por ano calendário, fl. 556/557; Portanto, o saldo negativo de IRPJ a ser considerado para o ano de 1999 corresponde ao valor de R$ 1.731.962,09, conforme demonstrado abaixo: Ficha 12A AC 99 IR 266.079,01 Adicional 153.386,01 PAT 10.643,16 IRRF a ser deduzido 875.714,80 Estimativas a deduzir 1.265.069,15 Saldo de IR 1.731.962,09 Após os cálculos efetuados, conforme Demonstrativos de fl. 647/649, concluise que o saldo negativo de IRPJ relativo ao ano de 1999 apurado mostrasse suficiente para cobrir as estimativas de 2002 relativas aos meses de janeiro, março, maio, junho e parte de julho, restando ainda um saldo a descoberto relativo à estimativa de julho no valor de R$ 316.602,72; Fl. 872DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Assim, os valores de estimativas a serem considerados para compor o saldo negativo de IRPJ do ano de 2002 serão os que seguem: IRPJ Período de Apuração Estimativa IRPJ compensada com saldo negativo IRPJ AC 1999 consideradas Jan/02 345.052,48 Mar/02 99.216,31 Mai/02 266.681,75 Jun/02 937.981,90 Jul/02 789.628,37 Total 2.438.560,81 Analisandose o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2000, apurase o que segue; Consultas aos sistemas informatizados da RFB informam que foi apurado em DIPJ/2001,anocalendário 2000, original liberada de nº 0955458, saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 575.994,62, oriundo de deduções de IRRF no valor de R$ 315.693,76 e de estimativas mensais no valor total de R$ 260.300,86 (fl. 543 e 572); Em ficha 11 “Cálculo do IR mensal – estimativas”, fl. 573/576, constatasse que a interessada apurou estimativas a pagar nos meses de setembro no valor de R$ 41.086,03 e outubro no valor de R$ 219.214,83. Entretanto, extratos dos sistemas informatizados desta RFB demonstram que não foi apresentada a DCTF dessas estimativas, tampouco foram encontrados os recolhimentos das referidas antecipações (fl. 582 e 588/590); Intimada a esclarecer as inconsistências, conforme petição e documentação apresentada, fl. 595/645, a interessada não comprovou os referidos recolhimentos e/ou compensação, não podendo essas antecipações serem consideradas efetivamente pagas para efeito de dedução no ajuste final do ano de 2000; Quanto às deduções de IRRF, estas só ocorreram no ajuste final, no valor de R$ 315.693,76. Consultandose as Declarações de Retenções na Fonte – DIRF relativas ao ano de 2000, verificasse que as fontes pagadoras, os valores dos rendimentos e as retenções declaradas em ficha 43 “Demonstrativo de IRRF” da DIPJ/2001 em tela coincidem com o declarado em DIRF pelas fontes retentoras, conforme fl. 578/581. As receitas financeiras informadas em DIPJ, fl. 577, são compatíveis com o declarado em DIRF pelas fontes pagadoras, fl. 579. Assim sendo, o valor de R$ 315.693,76 deduzido no ajuste final será considerado como composição do saldo negativo em análise; Portanto, constatasse que o saldo negativo de IRPJ relativo ao ano de 2000 deve ser composto apenas da dedução das fontes confirmadas, o que resulta no valor de R$ 315.693,76; Como já mencionado, a interessada confessou em DCTF o pagamento de parte da estimativa relativa a julho/2002, no valor de R$ 478.846,28, com suposto crédito de saldo negativo de Fl. 873DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.904431/200831 Acórdão n.º 1302001.591 S1C3T2 Fl. 870 9 IRPJ do ano de 2000. Entretanto, consultandose os sistemas informatizados RFB, fl. 583/586, demonstram que, além da citada compensação, a interessada também efetuou compensações com o mesmo crédito de saldo negativo de IRPJ do ano de 2000, através de DCOMP eletrônicas que lista; Após os cálculos efetuados, conforme Demonstrativos de fl. 650/652, concluise que o saldo negativo de IRPJ relativo ao ano de 2000 apurado sequer se mostra suficiente para cobrir a totalidade da estimativa de R$ 478.846,28 relativo a julho/2002, existindo ainda um saldo remanescente do débito no valor de R$ 77.946,78. Por conseguinte, também não cobriria os débitos compensados através das DCOMP anteriormente citadas; Tendo em vista que a interessada apresentou a comprovação da compensação de referido débito em sua contabilidade, fl. 624, forma de compensação permitida na época, vêse que a mesma ocorreu antes das compensações efetuadas através das DCOMP eletrônicas, razão pela qual, o valor de R$ 400.899,50 relativo à parte da estimativa de julho/2002 compensada com saldo negativo de 2000 é que será considerado como efetivamente pago, e, assim, passível de dedução para compor o saldo negativo de IRPJ de 2002; Após as análise efetuadas, tendo em conta que o presente procedimento de análise do direito creditório não possui o alcance e a abrangência de uma auditoria fiscal, é de se concluir pela existência de saldo negativo de IRPJ relativo ao ano calendário de 2002, exercício de 2003, no valor de R$ 3.249.620,76, conforme tabela abaixo: Ficha 12A AC 2002 IR 1.234.965,75 Adicional 799.310,50 PAT 49.398,63 IRRF a ser deduzido 2.395.038,07 Estimativas a deduzir 2.839.460,31 Saldo de IR 3.249.620,73 Cientificada em 19/10/2011 (cópia dos A.R. – fl. 749/750) do Despacho Decisório de fl. 680/681 e do Parecer Conclusivo Diort/Demac/RJ nº 176/2011 (fl. 661/669), apresentou a interessada, em 17/11/2011, a manifestação de inconformidade de fl. 751/765, juntamente com os documentos de fl. 766/795, por meio da qual alega, em síntese, que: Ocorreu à decadência do direito da Fazenda Pública rever as Declarações de Renda da requerente relativas aos anosbase 1999 e 2000, bem como as quitações de parcelas de estimativas do IRPJ via compensação efetuadas no anobase de 2000; Em que pese já ter se exaurido o direito da Fazenda Pública de questionar os saldos negativos de IRPJ dos anosbase 1999 e 2000, ainda que superável fosse à conclusão de estar fulminado Fl. 874DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 o direito do fisco em revêlos em razão da decadência, ainda assim não há elementos que sustentem a decisão alvo desta manifestação de inconformidade; Foram refutados créditos de R$ 448.331,30 referentes à parte de imposto de renda retido por fontes que pagaram rendimentos financeiros à requerente em 1999 e R$ 260.300,86 referentes a estimativas de IRPJ dos meses de setembro (R$ 41.086,03) e outubro (R$ 219.214,83) de 2000, cujas liquidações se deram mediante compensações com créditos da requerente oriundos do ano de 1999; A decisão de não aceitar parte do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre receitas financeiras da requerente está sustentada, tão somente, no fato de não terem sido apresentados os comprovantes de rendimentos e de retenção emitidos por uma das fontes pagadoras, como também por uma suposta falta de informação sobre a composição dos rendimentos que os originou, como relatado pela própria decisão; Esta fundamentação afastasse da verdade dos autos por que: Na resposta à intimação, a requerente, no item 3, apresentou a composição da origem das suas receitas financeiras que compuseram o saldo de R$ 7.203.841,00, conforme a linha 24 (outras receitas financeiras) da ficha 07A (demonstração de resultado) da DIPJ do ano calendário 1999, exercício 2000, além de especificar, através de planilha, os valores com origem na fonte pagadora Citibank (R$ 4.568.638,60), cujos comprovantes de rendimento e retenção fez acompanhála (item 4 da intimação). Cabe salientar que as DIPJ da época não permitiam a abertura dos valores por fonte pagadora; O próprio julgador consultou as DIRF das fontes que pagaram rendimentos financeiros à requerente e lá constatou o montante de R$ 7.583.287,32 declarado pelas mesmas, e suas respectivas retenções. Logo, o próprio fiscal constatou no Banco de Dados da RFB retenção maior do que a declarada pela requerente, porém resolveu não acatar sequer o próprio banco de dados da RFB; A contrário senso, negar o crédito retido informado pelas fontes pagadoras e constante do banco de dados da RFB é injusto e improcedente; Nada obstante a improcedência de se negar crédito constante do banco de dados da RFB, o argumento da não apresentação dos comprovantes de rendimentos e retenção não é suficiente para tal negativa. Efetivamente existem outros elementos já apresentados aos representantes do fisco que comprovam todos os rendimentos e retenções ocorridos durante o ano de 1999, incluindo os créditos originários do Banco de Boston S/A, conforme a resposta da Requerente à intimação recebida sobre o tema, aos quais, para que não persistam dúvidas, a requerente agrega os seguintes elementos, devidamente validados pelo seu contador responsável: Fl. 875DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.904431/200831 Acórdão n.º 1302001.591 S1C3T2 Fl. 871 11 Demonstrativo das aplicações financeiras realizadas em 1999 no Banco de Boston, cujas informações foram extraídas do Razão Contábil desta época (doc. 03); Razão Contábil do Banco de Boston – Conta Contábil 100.015 e 111.1310 (doc. 04); Razões Contábeis de 1999 das contas de resultado onde as receitas financeiras estão registradas (doc. 05); Ademais, a omissão da fonte pagadora, ao não fornecer o comprovante físico dos rendimentos financeiros e respectivas retenções, além do fato destes datarem de mais de 10 anos, não pode prejudicar o contribuinte e o aproveitamento do crédito do imposto retido, na medida em que existem outros elementos fiscais e contábeis que os embasem, como é o caso (i) dos já apresentados quando da resposta à intimação, (ii) os acima indicados e ora juntados, e (iii) das DIRF’s das fontes pagadoras, consultadas pelo julgador; Recentes decisões do CARF corroboram este entendimento como se pode verificar nas ementas que cita; Sem prejuízo do que já se alegou em relação ao direito da Fazenda de rever a homologação da DIPJ da requerente, ano calendário 2000, e não ocorrendo qualquer dolo, fraude ou simulação que a justifique, o que por si só já é suficiente para a reforma desta parte da decisão, é de todo conveniente que se apresentem as justificativas que convalidam a liquidez e certeza do saldo negativo do IRPJ do ano de 2000, já homologado, reforçando a lisura e transparência do comportamento da requerente, além de justificar a utilização deste saldo negativo em compensações, como é a hipótese dos autos; Durante o ano calendário de 1999, a requerente acumulou créditos de IRPJ de rubricas diversas (saldo de R$ 1.575.501,12 em 31/12/1999) dos quais parte foi utilizada para liquidar, via compensação, as estimativas de IRPJ devidas pelas competências de setembro de 2000 (R$ 41.086,03) e outubro de 2000 (R$ 219.214,83), num total de R$ 260.300,86; Naquela oportunidade, em 2000, era permitido fazer essas compensações intra livros da requerente, como se procedeu, sem a necessidade de apresentação formal às autoridades fiscais de comunicação documental específica da compensação; É certo, entretanto, que esta compensação não deixou de ser levada ao conhecimento do fisco, posto ter constado expressamente da DIPJ 2000; E mais. Essas movimentações de débito e crédito, nesse controle de créditos acumulados e aptos para utilização em compensação, não foram realizadas a contento, ou seja, nos momentos próprios (setembro e outubro de 2000); Fl. 876DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 No entanto, ao se dar conta disso, e para efeito de não perpetuar este valor de R$ 260.300,86 não deduzido de imediato na sua escrita no ano de 2000, tratou de refletir esta redução do montante dos seus créditos utilizáveis para compensação; E nessa linha, embora tenha apresentado um crédito de DIPJ no ano calendário de R$ 575.994,62, ao transportálo para o seu controle de créditos a compensar no ano de 2001, o que fez com a exclusão dos R$ 260.300,86, utilizados para liquidar aquelas estimativas de setembro e outubro de 2000, somente se apropriando do valor de R$ 315.693,76, que corresponde à diferença entre os R$ 575.994,62 e R$ 260.300,86; A planilha anexa (doc. 06) demonstra a evolução dos créditos e o procedimento adotado em cada exercício no seu controle, como também indica os documentos que suportaram a sua confecção. Logo, o crédito é líquido e certo; A simples constatação de não se encontrar nos controles físicos do fisco uma DCTF que corresponda à informação das estimativas pagas sob a forma de compensação não tem o condão de invalidar o saldo negativo de IRPJ aproveitado pela requerente, sobretudo quando o conjunto da escrituração fiscal e contábil e os seus documentos base confirmam a existência do crédito; A possível inexistência da DCTF nos controles da Receita e, desde que, comprovada a ausência de sua apresentação na época própria (o que caberia ao fisco) quando muito poderia ensejar uma penalização por descumprimento de obrigação acessória e, ainda assim, dentro do prazo de 5 anos, já encerrado há bastante tempo; Logo, também não procede à glosa do crédito relacionado às estimativas dos meses de setembro e outubro de 2000, realizadas intracontroles da requerente e constantes da sua DIPJ ano base 2000, como permitido pela legislação vigente quando das suas efetivações; Diante do anteriormente exposto, requer que seja acolhida a presente manifestação de inconformidade para fim de reconhecer a integralidade dos créditos utilizados e, consequentemente, modificada a decisão denegatória para o fim de homologar a totalidade das compensações veiculadas através dos PER/DCOMP objeto do processo em epígrafe. A manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, como trouxe o relatório da DRJ acima transcrita, foi julgada totalmente improcedente, nos termos da ementa do acórdão n° 1244.729, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamentos (DRJ), que adiante segue transcrita (fl. 799): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2002 DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Fl. 877DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.904431/200831 Acórdão n.º 1302001.591 S1C3T2 Fl. 872 13 Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública que pretenda compensar com débitos apresentados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada da decisão supratranscrita em 12/09/2012 (fl. 822/823), a recorrente apresentou, então, recurso voluntário em 08/10/2012 (fl. 826/847), no qual ventila as seguintes razões, em resumo: i) Preliminarmente, que o presente processo Administrativo é proveniente da não homologação dos PER/DCOMP’s n°s. 34340.87631.281106.1.3.02 7062, 25625.72115.230104.1.3.020106, 02334.77350.271006.1.7.023933, 33164.18996.271006.1.7.022071, 31337.75530.271006.1.7.025400, 28721.54192.271006.1.7.028788, 15249.55983.271006.1.7.029090, 33729.94131.271006.1.7.020242, 07719.58963.271006.1.7.020131 e 14602.81021.291106.1.7.026607. ii) Que a não homologação dos PER/DECOMP’s se derivou de mera interpretação de regras formais de preenchimento de formulário, qual foi preenchido equivocadamente no campo do crédito atualizado pela SELIC ao invés do espaço determinado para o valor de saldo negativo. iii) Que o despacho de decisão de primeira instancia foi anulado por vicio material, sendo determinado que os autos retornassem a unidade competente para que a mesma proferisse nova decisão. iv) Que em razão da decisão proferida em primeira instancia, foi lavrado termo de intimação n° 1.382/2011, qual foi recebido em 08/09/2011, solicitando cópias de documentos que demonstrassem o registro das compensações das estimativas de IRPJ do ano de 2002 com saldos negativos de IRPJ relativos aos anoscalendários de 1999 e 2000, conforme já declarados em DCTF, dentre outros documentos específicos. v) Que da análise da documentação apresentada, foi emitido parecer conclusivo nº 176/2011, recebido no dia 18/10/2011, homologando parcialmente a compensação dos PER/DCOMP’s. vi) Que a fiscalização entende necessário a analise dos fatos ocorridos nos anos de 1999 e 2000, por que o saldo utilizado pelo contribuinte para as compensações se refere a crédito negativo de IRPJ do ano de 2002 exercício de 2003, cujas estimativas apuradas foram quitadas através de compensações de saldo negativo referentes aos anos de 1999 e 2000. vii) Que por consequência, o fisco concluiu que o saldo de IR relativo ao ano de 1999, apresentado na DIPJ/2000, teve retenção na fonte pelo contribuinte, ou seja, teve valores superiores aos que foram indicados na DIPJ. viii) Que apresentou comprovantes de rendimentos necessários à comprovação das retenções na fonte declaradas, sendo somente o IRRF que Fl. 878DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 poderia ser considerado para efeito da formação total do saldo negativo do ano de 1999. ix) Que apurou estimativas a pagar de saldo negativo de IR relativo ao ano de 2000, apesar do fisco alegar que não se apresentou a DCTF das mesmas, tampouco se fez o recolhimento das antecipações. x) Que diante da homologação parcial dos pedidos de compensações, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o direito de o fisco se insurgir contra os dados contidos nas DIPJ’s exaurese no prazo de 05 anos, contados a partir do fato gerador, e que houve apresentação dos documentos e elementos suficientes para suprir a ausência de possíveis documentos não apresentados. xi) Que em face da manifestação de inconformidade, foi proferido pela 1° Turma da DRJ/RJ1, acordão n° 12/44.729, que julgou improcedente a inconformidade apresentada. xii) Que o acórdão supramencionado, carece de qualquer fundamentação legal, e distorce por completo os dispositivos que regem a matéria em comento. xiii) Que a decisão proferida nega por completo os elementos que fundamentam as retenções de IRRF e a liquidação de estimativas do IRPJ, que foram realizadas em 2000, com efeitos refletidos na DIPJ’s apresentadas há mais de 12 anos, regularmente e tempestivamente. xiv) Que as DIPJ’s dos anos de 1999 e 2000, exercícios de 2000/2001, tratam de hipóteses de lançamento por homologação, como definido pelo art. 150, do CTN. xv) Que o direito do fisco se insurgir contra os dados contidos nas DIPJ’s exaurese no prazo de 05 anos, contados a partir do fato gerador e que houve apresentação dos documentos e elementos suficientes para suprir a ausência de possíveis documentos não apresentados. xvi) Que em nenhum momento a Fazenda Publica comprovou, mencionou ou sugeriu a existência de dolo, fraude ou simulação, por tanto, não pode o acórdão considerar os créditos apresentados como sendo meramente virtuais ou escriturais, pois os mesmos perduraram até o presente momento, devendo ser considerados plenamente homologados. xvii) Que por terse extinta a decadência da fazenda em questionar os créditos, os saldos indicados são integralmente válidos e homologados, sendo assim, liquido e certo, devendo ser compensações aceita nos termos do Art. 170, do CTN. xviii) Que efetivamente houve a homologação tácita das DIPJ’s e consequentemente conferiu liquidez e certeza aos saldos negativos de IRPJ. xix) Que para o fisco obter êxito na demanda, deveria provar a existência de fraude ou simulação, o que não está presente no processo em tela. Sendo assim o acórdão desprovido de qualquer fundamento legal. Fl. 879DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.904431/200831 Acórdão n.º 1302001.591 S1C3T2 Fl. 873 15 xx) Que o acórdão recorrido traz diversas interpretações que não guardam coerência com a legislação pertinente, a ponto de questionar as disposições do Código Tributário Nacional. xxi) Que a decisão em comento não considera hábeis a comprovação pretendida através dos documentos auferidas do Banco de Boston bem como os demonstrativos das aplicações financeiras e contábeis de 1999. xxii) Que o próprio fiscal constatou no banco de dados da RFB que a retenção foi maior do que a declarada, porém resolveu de modo próprio não acatar os dados da RFB. xxiii) Que existem outros elementos, já apresentados ao fisco e que se encontram presente nos autos (livros diários, lançamentos contábeis, razões contábeis e planilhas resumo), que comprovam todos os rendimentos e retenções ocorridos durante o ano de 1999, incluindo os créditos originários do Banco de Boston S/A. xxiv) Que durante o ano calendário de 1999, acumulou créditos de IRPJ de rubricas diversas, dos quais parte foi utilizada para liquidar as estimativas de IRPJ devidas em setembro e outubro de 2000. xxv) Que na oportunidade a cima mencionada, era permitido fazer essas compensações intralivros, de modo que assim foi feito, sem a necessidade de apresentação de documentação formal as autoridades fiscais. xxvi) Que a compensação não deixou de ser levada ao conhecimento do fisco, tanto que a mesma encontrase expressamente na DIPJ 2000, quando o julgador proferiu parecer exclusivo. xxvii) Que o simples fato de não se encontrar nos controles físicos do fisco uma DCTF, qual não era obrigatória à época, não tem o poder de invalidar o saldo negativo de IRPJ aproveitado pela recorrente, pois há documentos base que confirmam a existência do crédito. xxviii) que não se procede à glosa do crédito relacionado às estimativas dos meses de setembro e outubro de 2000, pois as mesmas foram realizadas via intracontroles, constantes na DIPJ do ano base de 2000, como permitido na legislação vigente a época. xxix) Que desta forma, seja reformada a decisão que se recorre, uma vez que o direito da Fazenda Pública em fazer apurações de lucro real decaiu, cabendolhe tão somente avaliar a formação, utilização e a transposição do saldo negativo de um exercício a outro. É o relatório. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 16 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. Inicialmente, conforme já descrito no relatório acima, temse no presente caso que a Recorrente pleiteou, na origem, a homologação de crédito de saldo negativo de IRPJ referente ao ano calendário de 2002. Nesse contexto, eis que após a análise realizada pela autoridade da Receita Federal do Brasil, parcela considerável do crédito pretendido se viu homologada, restando, no entanto, quantia correspondente a R$ 394.549,50 a qual não foi homologada pela autoridade competente em virtude da não comprovação quanto à liquidez e certeza do mencionado crédito. Dito isso, pois, passo à análise da matéria arguida pela Recorrente. 1. Da decadência Em primeiro lugar, temse que a Recorrente alega suposta decadência do direito do fisco em revisar suas apurações de lucro real referente aos anos calendário de 1999 e 2000. Pelo raciocínio traçado pela Recorrente, a autoridade fiscal não poderia mais negar a homologação dos créditos pleiteados sob o fundamento de que estes não se mostram em conformidade com a escrituração mantida pela empresa, posto que, transcorrido o prazo quinquenal previsto em lei, nada mais poderia ser arguido sobre a adequação da mencionada escrituração. No entanto, em que pese o argumento tecido pela Recorrente, entendo que tal assertiva não deve ser acatada por este Conselho, posto que parece a recorrente se confundir sobre a devida interpretação quanto ao fenômeno da decadência. Nesse sentido, importa salientar que o procedimento do pedido de restituição e compensação previsto na normativa tributária nacional depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos pleiteados pelo Contribuinte como, aliás, é a redação do artigo 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifos não originais). Dessa maneira, devese consignar que é dever da autoridade fiscalizadora efetuar a verificação quanto à certeza e liquidez dos créditos pleiteados por ocasião da emissão do despacho decisório que concede ou nega a homologação dos mesmos, sendo dever do Contribuinte fornecer à RFB a documentação necessária a tal comprovação, nos ditames do § 1°, do artigo 74, da Lei 9.430 de 1996. Fl. 881DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.904431/200831 Acórdão n.º 1302001.591 S1C3T2 Fl. 874 17 Dito isso, vejase que a verificação realizada pelo fisco quanto à conformidade do direito creditório da Recorrente independe do fato de estarem os valores escriturados resguardados pelo prazo decadencial previsto no artigo 173, do CTN, o qual implica apenas na perda do direito do fisco em efetuar o lançamento de ofício de obrigação tributária a eles referentes, nada tendo a ver com as prerrogativas quanto à verificação da conformidade dos créditos apurados. Explico. Uma coisa seria a autoridade fiscal, durante o processo de avaliação do direito creditório da Requerente, efetuar qualquer lançamento quanto à suposta inadequação dos tributos recolhidos no período analisado – o que seria plenamente ilegal, posto que o período encontrase atingido pela decadência prevista no artigo 173, do CTN. Outra coisa completamente distinta é o caso dos autos, onde a negativa do reconhecimento dos créditos pleiteados se deu em virtude da falta de comprovação pela recorrente da sua liquidez e certeza, mesmo que sua origem seja de período do qual já se passou mais de cinco anos. Nesse sentido, aliás, já se pronunciou este Egrégio Conselho conforme se apreende das decisões colacionadas a seguir: EXAME DO DIREITO CREDITÓRIO. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. O instituto da decadência é aplicável apenas aos casos de lançamento ou constituição do crédito tributário. Inexiste previsão legal estipulando prazo para o fisco proceder ao exame da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado pelo contribuinte. (...) (CARF, Acórdão n. 1202 000.699 do Processo n. 13807.000831/200307, Cons. Rel. FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, data da publicação: 18/01/2012). (grifo não original). SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL NA DIPJ. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Os artigos 150 e 173 do CTN estabelecem o prazo decadencial aplicável às hipóteses de constituição do crédito tributário pelo lançamento, mas não implicam a homologação tácita dos saldos negativos de IRPJ e CSLL informados nas declarações apresentadas, os quais são passíveis de verificação, quanto à sua certeza e liquidez, no âmbito da análise dos pedidos de restituição ou das declarações de compensação apresentadas. (...) (CARF, Acórdão n. 1102 000.614 do Processo n. 10875.000725/200313, Cons. Rel. FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, data da publicação: 24/11/2011). (grifo não original) Assim, em que pese o fato de o direito creditório pleiteado ter sua gênese em fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos, não prospera a alegação da Recorrente quanto suposta decadência do direito do Fisco em realizar a averiguação da conformidade do mencionado crédito – sua liquidez e certeza – o qual nada tem a ver com a vedação temporal feita pelo artigo 173, do CTN, que se destina, repitase, à possibilidade de a RFB efetuar lançamentos que possuam como fundamento fatos ocorridos em período anterior a cinco anos – hipótese que, deveras, não se vislumbra no presente caso. Fl. 882DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 18 Por essa razão, voto no sentido de negar provimento à alegação quanto a decadência do direito do Fisco em averiguar a conformidade das operações que deram gênese ao direito creditório pleiteado pela Recorrente. 2. Dos créditos não homologados pela RFB Em seguida, a Recorrente alega que a não homologação dos créditos por ela pleiteados se deu de maneira irregular em virtude do fato de que, segundo ela, a não comprovação quanto à efetiva retenção dos valores referentes ao IRRF pela fonte pagadora, por si, não se mostra suficiente à negativa do seu direito aos créditos (§ 6.18 do Recurso Voluntário). Mais ainda, a Recorrente aduz, em item 6.17 do Recurso Voluntário interposto (fls. 840), sobre a existência nos autos de elementos suficientes à comprovação da retenção dos valores de IRRF que deram origem aos créditos pretendidos (livros diários, lançamentos contábeis, razões contábeis e planilhas resumos). Entretanto, também aqui se equivoca a Recorrente, na medida em que, ao contrário do que sustenta, a comprovação quanto à retenção dos valores referentes ao IRRF pela(s) fonte(s) pagadora(s) se trata de exigência legal expressa, constante de artigo 943, do Decreto 3.000 de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR) – o qual assim determina: Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942(DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). § 1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 1º). § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). (grifo não original). Vejase, outrossim, que a manutenção de documentação capaz de comprovar a efetiva retenção do IRRF corresponde a um dever do Contribuinte, previsto em artigo 815 do RIR/1999: Art. 815. As pessoas jurídicas que compensarem com o imposto devido em sua declaração o retido na fonte, deverão comprovar a retenção correspondente com uma das vias do documento fornecido pela fonte pagadora. Nesse sentido, aliás, vejase que a súmula CARF n.º 80 é clara ao deixar consignado que a dedução do imposto devido fica atrelada à comprovação da efetiva retenção do IRRF pela fonte pagadora: Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Fl. 883DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.904431/200831 Acórdão n.º 1302001.591 S1C3T2 Fl. 875 19 No mesmo rumo, ainda, notese que em outras oportunidades este Conselho já decidiu que a comprovação da efetiva retenção do IRRF pela fonte pagadora se trata de elemento indispensável à dedução dos respectivos valores no IRPJ devido: SALDO NEGATIVO DO IRPJ. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. IRRF. DOCUMENTO HÁBIL. FALTA DE APRESENTAÇÃO. A dedução do IRRF na composição do saldo do IRPJ, por expressa disposição legal, somente pode ser efetivada se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos e se as correspondentes receitas forem comprovadamente oferecidas à tributação. Não apresentadas provas do cumprimento dessas exigências, o IRRF informado na declaração DIPJ não pode ser considerado e deduzido do IRPJ devido. (...) (CARF, Acórdão n. 1202001.178 do Processo n. 13603.900756/201174, Cons. Rel. FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, data da publicação: 08/08/2014). (grifo não original) SALDO NEGATIVO DE IRPJ. REQUISITOS DE DEDUTIBILIDADE DA RETENÇÃO NA FONTE. A retenção na fonte sobre rendimentos declarados somente poderá ser compensado na declaração da pessoa jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Não apresentados os comprovantes é plausível a apuração do valor retido mediante pesquisa em DIRF. O saldo negativo de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica apurado em Declaração de Rendimentos, decorrente de retenção na fonte, só pode ser reconhecido como direito creditório, até o montante efetivamente confirmado, se comprovado que as receitas que lhe deram origem foram oferecidas à tributação. (...) (CARF, Acórdão n. 1402001.535 do Processo n. 19740.720142/2009 06, Cons. Rel. FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, data da publicação: 20/03/2014). (grifo não original) SALDO NEGATIVO. IRRF. AUSÊNCIA OU INSUFICIÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. DEDUÇÃO DO IRPJ. IMPOSSIBILIDADE. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, salvo se houver comprovação por outros meios de prova. Na ausência de elementos comprobatórios, não se reconhece o direito crédito pleiteado. (...) (CARF, Acórdão n. 1402001.540 do Processo n. 16027.000071/200991, Cons. Rel. FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, data da publicação: 07/01/2014).(grifo não original) SALDO NEGATIVO. IRRF. DEDUÇÃO REFERENTE A RECEITAS OFERECIDAS À TRIBUTAÇÃO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTO COMPROBATÓRIO DE RETENÇÃO. COMPROVAÇÃO POR OUTROS MEIOS E FORMAS. DEDUÇÃO DO IRPJ. POSSIBILIDADE. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a Fl. 884DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 20 retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80). O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, salvo se houver comprovação por outros meios de prova. (CARF, Acórdão n. 1402001.696 do Processo n. 10880.689817/200955, Cons. Rel. FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, data da publicação: 16/06/2014).(grifo não original) Assim, tendo em vista que a Recorrente, embora intimada a apresentar documentação hábil e idônea, não comprovou a efetiva retenção pelas fontes pagadoras dos valores referentes ao Imposto de Renda Retido em Fonte, não há como reconhecer a procedência dos direitos creditórios por ela pleiteados, devendo se manter a decisão proferida pela DRJ no que se refere a essa questão. 3. DA CONCLUSÃO Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto, mantendose integralmente o crédito tributário. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 885DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/12/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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