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Numero do processo: 11543.002497/2002-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002
Ementa:
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE.
Ausentes elementos que permitam aferir a liquidez e certeza do crédito indicado para fins de compensação tributária, há que se denegar a homologação correspondente.
Numero da decisão: 1301-001.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. Ausentes elementos que permitam aferir a liquidez e certeza do crédito indicado para fins de compensação tributária, há que se denegar a homologação correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 24 97 /2 00 2- 50 Fl. 624DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11543.002497/200250 Acórdão n.º 1301001.687 S1C3T1 Fl. 625 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição, cumulado com Pedido de Compensação, relativo a “pagamento de imposto de renda a maior, conforme apurado no exercício de 2001”. A Delegacia da Receita Federal em Vitória, Espírito Santo, unidade administrativa que primeiro analisou o pedido formalizado pela contribuinte, deixou de homologar a compensação com base na constatação de que, no anocalendário de 2001, considerados os elementos reunidos ao processo, o resultado foi IMPOSTO DE RENDA A PAGAR, isto é, não foi apurado SALDO NEGATIVO (Parecer SEORT nº 233/2006 e Despacho Decisório – fls. 79/82). Em sede de Manifestação de Inconformidade (fls. 88/90), a contribuinte procurou demonstrar que efetivamente era detentora do crédito apontado para compensação tributária e, ao final, argumentou que “se houve erro no preenchimento da DIPJ do contribuinte ele deve ser sanado com a retificação da declaração e não com a desconstituição do crédito tributário”. O julgamento em primeira instância foi convertido em diligência, concluindo a Delegacia da Receita Federal em Vitória, mais uma vez, pelo não reconhecimento do direito creditório (fls. 173/180). Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte trouxe aos autos o documento de fls. 190/201, alegando: que lhe estaria sendo negada a utilização de um crédito legítimo; que o Despacho Decisório faz menção a vários documentos que não acompanham a intimação; que iniciou o ano calendário de 2001 com crédito de saldo negativo no valor de R$3.997.275,44 (originado de saldo negativo acumulado de anos anteriores), tal como registrado na conta denominada IRPJ a Recuperar, que foi desconsiderado pela DRF, indevidamente (pois tem o direito de compensar o saldo negativo de exercícios anteriores); que, partindo deste saldo, apurou crédito, em 31/12/2001, no valor de R$1.022.386,28; que, relativamente à falta de comprovação do pagamento por estimativa no valor de R$3.315.680,60, esclarecia que, de fato, não apresentou DCTF, porque a apuração não era definitiva; que eventuais falhas ao prestar informações não poderiam impedir de exercer um direito líquido e certo. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, apreciando as razões trazidas pela contribuinte, decidiu, por meio do Fl. 625DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11543.002497/200250 Acórdão n.º 1301001.687 S1C3T1 Fl. 626 3 acórdão nº 1242.974, de 14 de dezembro de 2011, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantémse a decisão recorrida, se não apresentado elemento de prova ou de direito capaz de elidila. Diante do não acolhimento da pretensão deduzida na Manifestação de Inconformidade, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 540/557, por meio do qual sustenta: que a decisão recorrida “não veio fundamentada nas provas documentais contidas no presente processo administrativo, mas tão somente na questão de que, nos dois casos referidos acima, as compensações deveriam constar da DCTF e como isso não ocorreu, negase o direito da ora Recorrente”; que as compensações foram efetuadas por meio dos seus lançamentos contábeis e eles devem ser considerados para análise da questão; que, se a compensação não se deu na forma determinada pela legislação, caberia apenas a aplicação de uma multa pelo descumprimento de obrigação acessória (falta de entrega de DCTF); que encontrase devidamente comprovada a compensação contábil por meio da cópia dos Livros Diário e Razão apresentados. É o Relatório. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11543.002497/200250 Acórdão n.º 1301001.687 S1C3T1 Fl. 627 4 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Em conformidade com o Parecer e Despacho Decisório de fls. 79/82, a contribuinte pretende extinguir débitos de sua titularidade com crédito relativo a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurado no ano calendário de 2001, no valor de R$ 4.204.215,69. Entretanto, analisando a DIPJ apresentada e a documentação carreada ao processo, a Delegacia da Receita Federal em Vitória concluiu que o resultado final no referido ano foi IMPOSTO DE RENDA A PAGAR no montante de R$ 1.604.917,13, motivo pelo qual deixou de homologar as compensações pleiteadas. Apresentada Manifestação de Inconformidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Vitória, por meio da Resolução de fls. 118, converteu o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem se pronunciasse sobre o direito creditório indicado para compensação, haja vista o cancelamento da declaração que serviu de base para a expedição do Despacho Decisório em virtude da apresentação de declaração retificadora. Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em Vitória emitiu o Parecer e Despacho Decisório de fls. 164/171, em que são apresentadas as seguintes conclusões: i) foi constatada incompatibilidade entre os valores dos créditos informados nos pedidos e o montante informado na DIPJ, mesmo considerando a declaração retificadora; ii) na declaração retificadora apresentada, a contribuinte, promovendo alteração substancial em relação ao anteriormente declarado, registrou na FICHA 12 A (CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO REAL) retenção na fonte de R$ 39.904,77 e estimativas de R$ 3.315.680,60, resultando em um saldo negativo de R$ 593.175,59; iii) com o intuito de confirmar os valores correspondentes às estimativas, vez que a contribuinte alegara que detinha saldos negativos de IRPJ de períodos anteriores em montante suficiente para extinguílas, foram emitidas intimações para que fosse apresentada comprovação contábil da quitação das referidas antecipações obrigatórias; iv) analisada a documentação apresentada, restou verificado: a) que, contabilmente, todos os débitos de estimativas antes lançados, bem como as compensações, foram revertidos, restando apenas o débito final apurado no ano de 2001, que teria sido liquidado por compensação; b) nenhum valor pode ser considerado na linha 16 da Ficha 12 A (IMPOSTO DE RENDA MENSAL PAGO POR ESTIMATIVA); c) durante o ano de 2001 a única antecipação a ser considerada está representada pela retenções na fonte no valor de R$ 1.157.492,65, de modo que o resultado fiscal final é IMPOSTO A PAGAR no total de R$ 2.830.928,05; d) para liquidação do imposto apurado ao final do período de apuração, foi utilizado, dentre outros, créditos de imposto de renda na fonte relativos ao ano de 2001; e) as Fl. 627DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11543.002497/200250 Acórdão n.º 1301001.687 S1C3T1 Fl. 628 5 alegações da contribuinte que tomaram por base a declaração retificadora apresentada não guardam correspondência com os registros contábeis; f) a afirmação da contribuinte de que ao longo do ano calendário o crédito inicial disponível era de R$ 3.997.275,44, relativo a períodos anteriores, não corresponde a realidade, vez que referido saldo foi sendo utilizado por outras compensações registradas contabilmente, restando tão somente saldo disponível de R$ 126.763,90 em 31/01/2002, passível de utilização em outras compensações, mas não nas tratadas no presente processo, que trata de saldo negativo do ano calendário de 2001, que, como visto, é inexistente; v) a conclusão final é no sentido de que os registros contábeis não indicam a realização das compensações alegadas, não havendo sequer registro em DCTF acerca delas. Apreciando as razões trazidas pela contribuinte a partir da ciência do resultado da diligência, a Turma Julgadora de primeira instância as rejeitou, servindose dos seguintes fundamentos: 1. embora a contribuinte alegue que o Despacho Decisório faz menção a documentos que não foram juntados à intimação que lhe foi dirigida, consta dos autos, às fls. 186, que ela solicitou e recebeu cópia integral dos autos; 2. a eventual existência de crédito correspondente a saldo negativo de períodos anteriores, embora pudesse ser utilizado para compensar estimativas relativas ao ano calendário de 2001 ou até mesmo para extinguir o imposto a pagar apurado ao final do referido ano, não pode gerar diretamente crédito de saldo negativo do ano calendário de 2001, bem como não se presta para compensar os débitos informados no presente processo, revelandose correta, assim, a análise efetuada pela Delegacia da Receita Federal; 3. as compensações, sejam as efetuadas até setembro de 2002, em que, tratandose de tributos de mesma espécie, podiam se feitas por meio da contabilidade, sejam as realizadas a partir de outubro de 2002, necessariamente deveriam constar das DCTF. Em sede de recurso voluntário, a contribuinte argumenta, inicialmente, que a decisão recorrida “não veio fundamentada nas provas documentais contidas no presente processo administrativo, mas tão somente na questão de que, nos dois casos referidos acima, as compensações deveriam constar da DCTF e como isso não ocorreu, negase o direito...”. Com o devido respeito, não é exatamente isso que as peças processuais retratam. Embora se possa, de fato, ter como sintético o pronunciamento da autoridade julgadora a quo, é relevante destacar que ele está lastreado na diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal em Vitória, procedimento requerido pela própria autoridade julgadora e que objetivou oportunizar à contribuinte meios para que ela comprovasse, de forma efetiva, o que havia alegado acerca do direito creditório indicado para compensação tributária. Cabe destacar que a análise inicial promovida pela Delegacia da Receita Federal em Vitória foi efetuada com base em declaração que indicava apuração de IMPOSTO A PAGAR, logo, revelouse absolutamente improcedente a informação registrada nos Pedidos de Restituição no sentido de o crédito decorria de PAGAMENTO DE IMPOSTO DE RENDA A MAIOR, CONFORME APURADO NO EXERCÍCIO 2001 – CONFORME DEMONSTRAÇÃO DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL, ANO BASE 2001 (fls. 26). Fl. 628DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11543.002497/200250 Acórdão n.º 1301001.687 S1C3T1 Fl. 629 6 Embora tenha sido apresentada em data posterior à emissão do Despacho Decisório, a autoridade julgadora, efetivando o princípio da verdade material, restituiu os autos à unidade administrativa de origem para que fossem aferidas a liquidez e certeza do crédito indicado em declaração retificadora apresentada pela Recorrente. A partir daí, como já visto, a Delegacia da Receita Federal em Vitória, após inúmeras intimações e exaustiva análise dos registros contábeis apresentados, concluiu que a contribuinte não promoveu as compensações que lhe autorizava considerar estimativas na apuração do resultado final do imposto, e sequer declarou em DCTF os débitos correspondentes. Portanto, foi baseada nas informações trazidas pela diligência fiscal que a autoridade julgadora de primeiro grau firmou seu juízo acerca da improcedência da compensação tributária pretendida. O registro acerca da ausência de informação em DCTF sobre a alegada extinção das estimativas por meio de compensação tem caráter meramente supletivo, eis que o crucial para o indeferimento foi a constatação, por meio da diligência fiscal, de que a contribuinte não efetuou os registros contábeis pertinentes. As alegações da Recorrente de que as compensações foram efetuadas por meio dos seus lançamentos contábeis e que estes devem ser considerados para análise da questão, foram devidamente rejeitadas pelo Parecer/Despacho Decisório de fls. 164/171, como restou demonstrado anteriormente. Tendo por irretocável a análise empreendida em sede de diligência fiscal e, não identificando nos autos elementos capazes de infirmar as conclusões trazidas pelo documento de fls. 164/171, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 629DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
score : 1.0
Numero do processo: 10314.000513/2009-87
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 06/01/2009
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE.
É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
Numero da decisão: 3803-006.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 06/01/2009 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/01/2009 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 05 13 /2 00 9- 87 Fl. 350DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: Fl. 351DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.000513/200987 Acórdão n.º 3803006.580 S3TE03 Fl. 351 3 a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: : 06/01/2009 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 02/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 15/10/2013, em que reitera os mesmos termos da impugnação. É o relatório. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Fl. 353DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.000513/200987 Acórdão n.º 3803006.580 S3TE03 Fl. 352 5 Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e Fl. 355DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.000513/200987 Acórdão n.º 3803006.580 S3TE03 Fl. 353 7 concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.000513/200987 Acórdão n.º 3803006.580 S3TE03 Fl. 354 9 § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e por não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 358DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 15586.000845/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO ÚNICO PREVISTO EM ACORDO COLETIVO. NÃO INCIDÊNCIA.
Não incide contribuição previdenciária sobre a importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados a título de abono único previsto em Acordo Coletivo de Trabalho. Ato Declaratório nº 16/2011 c.c. Parecer PGFN/CRJ nº 2114/2011.
ALIMENTAÇÃO. PARCELA FORNECIDA NA FORMA DE TICKET ALIMENTAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Os valores despendidos pelo empregador em dinheiro ou na forma de ticket/vale alimentação fornecidos ao trabalhador integram o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91.
AUXÍLIO MATERIAL ESCOLAR. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
As verbas pagas pela empresa em favor de seus empregados a título de Auxílio Material Escolar consubstanciam-se remuneração indireta, pois representam exatamente a importância que o Beneficiário deixou de desfalcar o seu patrimônio próprio para cobrir as despesas de aquisição de material escolar para si ou para seus dependentes, representando, ao fim, um ganho patrimonial auferido pelo trabalho e não para o trabalho.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. REEMBOLSO EDUCACIONAL SUPERIOR. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
As despesas efetuadas com reembolso educacional superior, quando não comprovadas que se referem a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, integram o Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.
ATOS PROCESSUAIS. INTIMAÇÃO. HIPÓTESES LEGAIS. ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72.
As intimações dos Atos Processuais devem ser feitas de maneira pessoal, pelo autor do procedimento, como também por via postal ou por meio eletrônico, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado, respectivamente, o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária, ou o endereço eletrônico atribuído pela administração tributária ao Sujeito Passivo, desde que por este autorizado, a teor dos incisos I, II e III do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, inexistindo ordem de preferência.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para excluir do lançamento as contribuições previdenciárias incidentes sobre a verba "abono único", com suporte no Ato Declaratório nº 16/2011, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional.
Por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos a título de "alimentação em pecúnia". Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a verba não integra o salário de contribuição.
Por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos a título de "reembolso educacional superior". Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a verba não integra o salário de contribuição.
Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título "auxílio material escolar".
Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título "participação nos lucros e resultados", por não restar comprovada a negociação prévia entre a recorrente e os segurados empregados quanto às metas e quanto ao seu cumprimento.
Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja aplicada a multa de mora considerando às disposições contidas no artigo 35, II, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96).
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO ÚNICO PREVISTO EM ACORDO COLETIVO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuição previdenciária sobre a importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados a título de abono único previsto em Acordo Coletivo de Trabalho. Ato Declaratório nº 16/2011 c.c. Parecer PGFN/CRJ nº 2114/2011. ALIMENTAÇÃO. PARCELA FORNECIDA NA FORMA DE TICKET ALIMENTAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores despendidos pelo empregador em dinheiro ou na forma de ticket/vale alimentação fornecidos ao trabalhador integram o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. AUXÍLIO MATERIAL ESCOLAR. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. As verbas pagas pela empresa em favor de seus empregados a título de Auxílio Material Escolar consubstanciam-se remuneração indireta, pois representam exatamente a importância que o Beneficiário deixou de desfalcar o seu patrimônio próprio para cobrir as despesas de aquisição de material escolar para si ou para seus dependentes, representando, ao fim, um ganho patrimonial auferido pelo trabalho e não para o trabalho. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. REEMBOLSO EDUCACIONAL SUPERIOR. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. As despesas efetuadas com reembolso educacional superior, quando não comprovadas que se referem a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, integram o Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. ATOS PROCESSUAIS. INTIMAÇÃO. HIPÓTESES LEGAIS. ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72. As intimações dos Atos Processuais devem ser feitas de maneira pessoal, pelo autor do procedimento, como também por via postal ou por meio eletrônico, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado, respectivamente, o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária, ou o endereço eletrônico atribuído pela administração tributária ao Sujeito Passivo, desde que por este autorizado, a teor dos incisos I, II e III do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, inexistindo ordem de preferência. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO ÚNICO PREVISTO EM ACORDO COLETIVO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuição previdenciária sobre a importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados a título de abono único previsto em Acordo Coletivo de Trabalho. Ato Declaratório nº 16/2011 c.c. Parecer PGFN/CRJ nº 2114/2011. ALIMENTAÇÃO. PARCELA FORNECIDA NA FORMA DE TICKET ALIMENTAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores despendidos pelo empregador em dinheiro ou na forma de ticket/vale alimentação fornecidos ao trabalhador integram o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. AUXÍLIO MATERIAL ESCOLAR. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. As verbas pagas pela empresa em favor de seus empregados a título de “Auxílio Material Escolar” consubstanciamse remuneração indireta, pois representam exatamente a importância que o Beneficiário deixou de desfalcar o seu patrimônio próprio para cobrir as despesas de aquisição de material escolar para si ou para seus dependentes, representando, ao fim, um ganho patrimonial auferido pelo trabalho e não para o trabalho. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. REEMBOLSO EDUCACIONAL SUPERIOR. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 08 45 /2 01 0- 19 Fl. 682DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 As despesas efetuadas com reembolso educacional superior, quando não comprovadas que se referem a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, integram o Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. ATOS PROCESSUAIS. INTIMAÇÃO. HIPÓTESES LEGAIS. ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72. As intimações dos Atos Processuais devem ser feitas de maneira pessoal, pelo autor do procedimento, como também por via postal ou por meio eletrônico, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado, respectivamente, o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária, ou o endereço eletrônico atribuído pela administração tributária ao Sujeito Passivo, desde que por este autorizado, a teor dos incisos I, II e III do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, inexistindo ordem de preferência. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para excluir do lançamento as contribuições previdenciárias incidentes sobre a verba "abono Fl. 683DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000845/201019 Acórdão n.º 2302003.469 S2C3T2 Fl. 677 3 único", com suporte no Ato Declaratório nº 16/2011, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos a título de "alimentação em pecúnia". Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a verba não integra o salário de contribuição. Por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos a título de "reembolso educacional superior". Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a verba não integra o salário de contribuição. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título "auxílio material escolar". Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título "participação nos lucros e resultados", por não restar comprovada a negociação prévia entre a recorrente e os segurados empregados quanto às metas e quanto ao seu cumprimento. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja aplicada a multa de mora considerando às disposições contidas no artigo 35, II, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Relatório Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Data de lavratura do Auto de Infração: 27/08/2010 Data da ciência do Auto de Infração: 30/08/2010 Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ no Rio de Janeiro I/RJ que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 37.249.0905, consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre verbas de natureza remuneratória, conforme descrito no relatório fiscal a fls. 70/80. De acordo com a Resenha Fiscal, integram o presente lançamento os seguintes fatos geradores de contribuições previdenciárias: · A remuneração paga aos empregados a título de abono, lançada no Levantamento AB – Abono; · A remuneração paga a empregados a título de alimentação, fornecida mediante ticket/cartões eletrônico, lançada no Levantamento AL – Alimentação; · A remuneração paga a empregados, relativa a diferenças de pagamento do mês anterior, lançada no Levantamento DI – Dif. mês anterior; · A remuneração paga a empregados a título de material escolar, lançada no Levantamento ME – Material Escolar; · A remuneração paga a empregados a título de participação nos resultados, realizada em desacordo com a Lei nº 10.101/2000; · A remuneração paga a empregados, relativa a reembolso educacional superior, paga em desacordo com a lei, lançada no Levantamento RE – Reembolso Educacional. Informa a Autoridade Lançadora que para a aplicação alternativamente da multa de ofício e da multa de mora, pelo descumprimento da obrigação principal, foram comparados, mês a mês, os dispositivos da Lei 8.212/91 à época dos fatos geradores e os dispositivos da mesma Lei 8.212/91 após as alterações introduzidas pela Lei 11.941/2009, prevalecendo sempre a forma mais benéfica ao contribuinte, conforme demonstrado no comparativo de fls. 110. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Autuado impugnação Administrativa em face do Lançamento em debate, a fls. 204/243, instaurando a fase contenciosa do Processo Administrativo Fiscal. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000845/201019 Acórdão n.º 2302003.469 S2C3T2 Fl. 678 5 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1254.841 12ª Turma da DRJ/RJ1, a fls. 596/605, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 09/10/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 607. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário a fls. 609/645, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que a verba fornecida pela empresa a título de abono a seus funcionários possui efetivamente natureza indenizatória e, portanto, não integra O saláriode contribuição; · Que as verbas relativas ao fornecimento de alimentação não estão inclusas no conceito de Salário de Contribuição; · Que as verbas relativas ao fornecimento de auxílio material escolar não estão inclusas no conceito de Salário de Contribuição; · Que as verbas relativas ao reembolso educacional superior não estão inclusas no conceito de Salário de Contribuição; · Que as verbas relativas à Participação nos Resultados não estão inclusas no conceito de Salário de Contribuição; · Que a sistemática adotada pela fiscalização no cálculo dos acréscimos legais não considerou a forma de cálculo mais benéfica para o contribuinte, posto que na comparação da multa mais benéfica utilizouse multas com naturezas jurídicas diferentes como se fossem equivalentes; · Requer que todas as intimações e publicações sejam feitas exclusivamente em nome de João Dácio Rolim, inscrito na OAB/RJ sob o n° 2.056A. Ao fim, requer o cancelamento do crédito tributário consubstanciado no lançamento fiscal ou, alternativamente, que a multa de natureza moratória seja limitada a 20%. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 09/10/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 08/11/2013, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DOS FATOS GERADORES. Alega o Recorrente que as verbas fornecidas pela empresa a título de abono a seus funcionários possui efetivamente natureza indenizatória e, portanto, não integra o saláriode contribuição. Acrescenta que as verbas relativas ao fornecimento de alimentação, de auxílio material escolar, reembolso educacional e à Participação nos Resultados não estão inclusas no conceito de Salário de Contribuição. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000845/201019 Acórdão n.º 2302003.469 S2C3T2 Fl. 679 7 Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452/43 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) §1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do salário mínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante seguro saúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) §3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de coabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Fl. 688DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustamnas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000845/201019 Acórdão n.º 2302003.469 S2C3T2 Fl. 680 9 Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições previdenciárias não se restringe ao salário, mas, sim, a “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, por todos os lançamentos efetuados em favor do trabalhador em contraprestação direta pelo trabalho efetivo prestado à empresa, acrescido dos “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”, parcela esta que abraça todas as demais rubricas devidas ao trabalhador em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Nessa perspectiva, todo e qualquer lançamento a conta de despesa da empresa representativa de rubrica paga, devida ou creditada a segurado obrigatório do RGPS, que tiver por motivação e origem o trabalho realizado pela pessoa física em favor do Contribuinte, ostentará natureza jurídica remuneratória, e como tal, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Na prática, inexiste dificuldade em tal discernimento. Basta hipoteticamente suprimir o trabalho realizado pela pessoa física na consecução do objeto social da sociedade. A importância que deixar de ser vertida a essa pessoa corresponderá, assim, à parcela do trabalho que o obreiro dedicou à empresa. Ao revés, a fração que ainda for devida à pessoa, independentemente do eventual labor físico ou intelectual por ela realizado, representará mera liberalidade do empregador. Como visto, o próprio Legislador Constituinte honrou deixar consignado no Texto Constitucional a real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque: as contribuições previdenciárias incidem não somente a “folha de salários”, como também, sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência da base de incidência das contribuições previdenciárias aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Portanto, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do seguinte julgado: TRT7 Recurso Ordinário: Processo: RECORD 53007520095070011 CE 00053007520095070011 Relator (a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO Órgão Julgador: TURMA 2 Publicação: 22/03/2010 DEJT RECURSO DA RECLAMANTE CTVA NATUREZA SALARIAL CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir de compromisso aos ganhos mensais do empregado, detém natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os fins, inclusive para o cálculo da contribuição a entidade de previdência privada. RECURSO DO RECLAMADO CEF CTVA. Com efeito, se referidas gratificações são pagas com habitualidade se incorporam ao patrimônio jurídico do reclamante, de forma definitiva, compondo sua remuneração para todos os efeitos. Atentese que a natureza de tal verba não mais será de "gratificação", mas, sim, de "Adicional Compensatório de Perda de Função" A norma constitucional acima citada não exclui da tributação as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, os INCENTIVOS SALARIAIS, assim como os BENEFÍCIOS. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000845/201019 Acórdão n.º 2302003.469 S2C3T2 Fl. 681 11 Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Leinº8.212,de24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Em verdade, até mesmo a remuneração referente ao tempo ocioso em que o empregado permanecer à disposição do empregador não escapa da amplitude do conceito de salário de contribuição. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua Fl. 692DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; Fl. 693DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000845/201019 Acórdão n.º 2302003.469 S2C3T2 Fl. 682 13 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (grifos nossos) l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 694DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no §8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Conjuguese ainda, nesse mister, que o preceito encartado no art. 176 do CTN exige previsão legal para a concessão de isenção, não podendo tal requisito ser suprido por acordo coletivo de trabalho, os quais produzem efeitos, unicamente, entre as partes que os celebram, sendo imprestáveis para vincular o Estado aos termos pactuados em suas cláusulas. Código Tributário Nacional Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração. (grifos nossos) 2.1.1. DO ABONO SALARIAL Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que o item 7 da alínea ‘e’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 Fl. 695DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000845/201019 Acórdão n.º 2302003.469 S2C3T2 Fl. 683 15 estatui de forma expressa que não integram o Salário de contribuição os abonos expressamente desvinculados do salário. De acordo com o inciso VI do art. 97 do CTN, constituise matéria de reserva legal as hipóteses de exclusão do crédito tributário, como assim se revela a isenção. Dessarte, somente os abonos desvinculados do salário por força expressa de lei stricto sensu se ajustam na hipótese de não incidência legal prevista no supratranscrito art. 28, §9º, ‘e’, 7, da Lei nº 8.212/91. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. (...) Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente. Outra não é a diretriz traçada pela Consolidação das Leis do Trabalho, à luz do que emana, com extrema clareza, do §1º, in fine, do seu art. 457, que estatui, expressamente, que os abonos pagos pelo Empregador configuramse parcelas integrantes do salário, in verbis: Consolidação das Leis do Trabalho Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999/53) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999/53) (grifos nossos) Não procede, por óbvio, a alegação recursal de que os abonos ora em debate teriam natureza indenizatória. Atentese que o dever de indenizar pressupõe a existência de um ato ilícito e de um dano dele diretamente decorrente, sem o qual não há o que se reparar. Dessai dos termos dos Acordos Coletivos de Trabalho que os valores pagos a título de abono salarial não possuem qualquer natureza indenizatória, como assim argumenta o Recorrente, haja vista não terem sido instituídos para ressarcir qualquer dano eventualmente sofrido pelos obreiros, mas sim, uma contrapartida financeira, na forma de um acréscimo patrimonial, paga ao empregado em razão Fl. 696DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 da alteração da database e adiantamento dos efeitos da negociação da Cláusula Primeira do acordo coletivo 2005/2006, fatos esses que não se configuram como “atos ilícitos”. Acordo Coletivo de Trabalho – ACT 2006 a 2008. “2. INDENIZAÇÃO Em contrapartida pela alteração da database e pelo adiantamento dos efeitos da negociação da Cláusula Primeira do acordo coletivo 2005/2006, a empesa pagará para cada empregado com contrato de trabalho vigente em 31 de agosto de 2006 uma indenização no valor de R$ 1.200,00 (um mil e duzentos reais)," a) A indenização prevista no item anterior será realizada através de pagamento único em até 05 (cinco) dias úteis após a celebração deste acordo devendo o acerto ser feito no primeiro pagamento mensal subsequente; b) O efetivo pagamento da indenização quita integralmente todas as eventuais perdas decorrentes das alterações acima estabelecidas.” A matéria ora em apreciação já foi bater às portas da Suprema Corte de Justiça, havendo o Egrégio STJ, de há muito, iluminado em seus arestos, a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, consoante dessai dos seguintes julgados. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VERBAS SALARIAIS. INCIDÊNCIA. AUXÍLIO DOENÇA. NÃOINCIDÊNCIA. (...) 4. É pacífico no Superior Tribunal de Justiça o entendimento de que o saláriomaternidade não tem natureza indenizatória, mas sim remuneratória, razão pela qual integra a base de cálculo da Contribuição Previdenciária. Precedentes: AgRg no REsp 973.113/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques e REsp 803.708/CE, Rel. Min. Eliana Calmon. Da mesma forma, o saláriopaternidade deve ser tributado, por se tratar de licença remunerada prevista constitucionalmente, não se incluindo no rol dos benefícios previdenciários. (...) 6. Incide contribuição previdenciária sobre adicionais noturno (Enunciado 60/TST), insalubridade e periculosidade por possuírem caráter salarial. 7. O benefício residência é salárioutilidade (art. 458, §3º, da CLT) e, como tal, integra o salário para todos os efeitos, inclusive quanto às contribuições previdenciárias. 8. As verbas pagas por liberalidade do empregador, conforme consignado pelo Tribunal de origem (gratificação especial liberal não ajustada, gratificação aposentadoria, gratificação especial aposentadoria, gratificação eventual liberal paga em rescisão complementar, gratificação assiduidade e complementação tempo aposentadoria), possuem natureza salarial, e não indenizatória. Inteligência do art. 457, § 1º, da CLT. 9. Dispõe o enunciado 203 do TST: "A gratificação por tempo de serviço integra o salário para todos os efeitos legais". 10. O abono salarial e o abono especial integram o salário, nos moldes do art. 457, §1º, da CLT. (grifos nossos) 11. Com efeito, a Lei 8.212/1991 determina a incidência da Contribuição Previdenciária sobre o total da remuneração paga, com exceção das quantias expressamente arroladas no art. 28, § 9º, da mesma lei. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000845/201019 Acórdão n.º 2302003.469 S2C3T2 Fl. 684 17 12. Enquanto não declaradas inconstitucionais as Leis 9.032/1995 e 9.129/1995, em controle difuso ou concentrado, sua observância é inafastável pelo Poder Judiciário (Súmula Vinculante 10/STF). 13. O STJ pacificou o entendimento de que não incide Contribuição Previdenciária sobre a verba paga pelo empregador ao empregado durante os primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença, porquanto não constitui salário. 14. Agravos Regimentais não providos. (AgRg nos EDcl no REsp 1098218 / SP, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 09/11/2009) TRIBUTÁRIO – IRRF – ABONO SALARIAL CONCEDIDO POR MEIO DE CONVENÇÃO COLETIVA – NATUREZA SALARIAL – INCIDÊNCIA DO TRIBUTO – PRECEDENTES. A jurisprudência desta Corte há muito se cristalizou no sentido de que as verbas recebidas a título de abono salarial em virtude de acordo ou convenção trabalhista possuem natureza remuneratória, porquanto substituem reajuste salarial e, assim, constituem fato gerador do imposto de renda, sendo passíveis, portanto, de incidência do imposto de renda na fonte. 2. Precedentes: REsp 696.677/CE, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ 7.3.2007; AgRg no REsp 766.016/CE, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ 12.12.2005; REsp 449.217/SC, Rel. Min. Francisco Peçanha Martins, DJ 6.12.2004. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 885006 / MG, Rel. Min. Humberto Martins, 2ª Turma, DJ 31/05/2007 p. 424) Nessa linha de análise, constatase que os valores pagos pela empresa aos seus empregados a título de abono não se ajustam à hipótese de não incidência tributária consagrada no art. 28, §9º, ‘e’, item 7, da Lei nº 8.212/91, urgindo prevalecer a regra segundo a qual, na ausência de disposição legal em contrário, todo abono ostenta cunho salarial. Ocorre, todavia, que os ventos que insuflavam o entendimento a Suprema Corte de Justiça sofreu mudança radical de direção nos campos do Planalto Central, conforme se depreende dos seguintes julgados: EMENTA: PROCESSO CIVIL E PREVIDENCIÁRIO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA ABONO ÚNICO NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO. 1. (...) 2 "Por expressa determinação legal o abono único não integra a base de cálculo do saláriodecontribuição (Lei nº 8212/91, artigo 28 da, § 9º, acrescentado pela Lei 9528/97, letra 'e', item 7, acrescentado pela Lei 9711/98)". RESp. 434471/MG, 2ª T., Min. Eliana Calmon, DJ de 14.02.2005 3. Recurso especial provido. (grifouse) (STJ, REsp 840.328/MG, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ 25/9/2009) Fl. 698DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 EMENTA: PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E FGTS. ABONO ÚNICO PREVISTO EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. ART. 28, § 9º, 'E', ITEM 7, DA LEI 8.212/91. EVENTUALIDADE E DESVINCULAÇÃO DO SALÁRIO, NO CASO. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS DA 1ª SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. VOTOVISTA O EXMO. SR. MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI: 1. Tratase de recurso especial interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região que, em mandado de segurança preventivo visando à afastar a incidência da contribuição previdenciária e do FGTS sobre o abono único pago em função da Cláusula 46ª da Convenção Coletiva de Trabalho 2002/2003, deu provimento às apelações do INSS e da Fazenda Nacional e à remessa oficial, reformando a sentença que concedera a ordem. (...) Pedi vista. 2. Acompanho o relator apenas quanto à inexistência de violação ao artigo 535 do CPC. Divirjo, todavia, em relação à questão da incidência ou não da contribuição previdenciária e do FGTS sobre os valores pagos a título de "abono único" decorrentes de convenção coletiva de trabalho. (...) Ora, considerando a disposição contida no art. 28, § 9º, 'e', item 7, da Lei 8.212/91, é possível concluir que o referido abono não integra a base de cálculo do salário de contribuição, já que o seu pagamento não é habitual observese que, na hipótese, a previsão de pagamento é única, o que revela a eventualidade da verba , e não tem vinculação ao salário notese que, no caso, o benefício tem valor fixo para todos os empregados e não representa contraprestação por serviços, tendo em vista a possibilidade dos empregados afastados do trabalho também receberem a importância. Nesse contexto, é indevida a incidência da contribuição previdenciária sobre as importâncias recebidas a título de "abono único" previstas na cláusula acima referida. (...) (grifouse) (STJ, REsp 819.552/BA, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, Rel. p/ acórdão Teori Albino Zavascki, DJe 18/5/2009) EMENTA: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO ÚNICO. NÃOINTEGRAÇÃO AO SALÁRIO. 1. Segundo iterativa jurisprudência construída por esta Corte em torno do art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, o abono único previsto em convenção coletiva não integra o saláriodecontribuição. Precedentes. 2. A Primeira Turma deste STJ entendeu que "considerando a disposição contida no art. 28, § 9º, 'e', item 7, da Lei 8.212/91, é possível concluir que o referido abono não integra a base de cálculo do salário de contribuição, já que o seu pagamento não é habitual observese que, na hipótese, a previsão de pagamento é única, o que revela a eventualidade da verba , e não tem vinculação ao salário". (REsp 819.552/BA, Min. Luiz Fux, rel. p. acórdão Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 02.04.2009). 2. Recurso especial não provido. (grifouse) Fl. 699DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000845/201019 Acórdão n.º 2302003.469 S2C3T2 Fl. 685 19 (STJ, REsp 1.125.381/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe 29/4/2010) Nesse diapasão, ressaltamse excertos do voto proferido pela Min. Eliana Calmon, nos autos do Recurso Especial nº 434.471/MG, publicado no DJ em 14/2/2005, cujos termos bem elucidam a questão: EMENTA: PROCESSO CIVIL E PREVIDENCIÁRIO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA ABONO ÚNICO NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO. 1. (...) 2. Por expressa determinação legal o abono único não integra a base de cálculo do saláriodecontribuição (Lei nº 8212/91, artigo 28 da, § 9º, acrescentado pela Lei 9528/97, letra "e", item 7, acrescentado peal Lei 9711/98). 3. Recurso especial provido. RELATÓRIO A EXMA. SRA. MINISTRA ELIANA CALMON: Tratase de recurso especial, interposto com fulcro na alínea "a" do permissivo constitucional, contra acórdão do TRF da 1ª Região assim ementado: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO ÚNICO. INCIDÊNCIA. 1. Sobre o abono pago pelo empregador, mesmo em única parcela, aos empregados, incide contribuição previdenciária. 2. Apelação improvida. (fl. 114) (...) No mérito, afirma violados os arts. 457, §1º, da CLT e 28, § 9º, da Lei 8.212/91 e ao art. 1º, da Lei 9.528/97, buscando afastar a incidência da contribuição previdenciária sobre o abono único porque não habitual e não integrante da remuneração de seus empregados. (...) VOTO A EXMA. SRA. MINISTRA ELIANA CALMON (RELATORA): Preliminarmente, analiso o especial pela suposta violação aos arts. 515 e 535 do CPC, verificando que as teses em torno da revogação da alínea "b" do § 8º, do art. 28 da Lei 8.212/91 pelo art. 1º, da Lei 9.528/98 e da nova redação dada ao § 9º, item 7, da Lei 8.212/91 pela Lei 9.711/98, foram analisadas, ainda que implicitamente na sentença de primeiro grau, tendo o acórdão recorrido adotado as mesmas razões. (...) No mérito temos um abono único concedido pelo empregador, por força de convenção coletiva, praticamente imposto pela categoria, através do sindicato, ficando expresso que ele não se integraria à remuneração, deixando assim de compor a base de cálculo do salário. Entretanto não é suficiente para afirmar a não incidência a previsão em convenção coletiva, a qual não passa de um acordo de vontades da categoria, representada pelo sindicato, e do empregador, também representada pelo seu órgão de classe. No plano infraconstitucional, a fonte legislativa primeira do ABONO é a CLT, diploma que no art. 457, §1º, devidamente prequestionado neste especial, explicita que se integra ao salário os abonos pagos pelo empregador. Entretanto, este artigo se contrapõe ao disposto no art. 144 da mesma CLT, o qual, com a redação dada pela Lei 9.528/97, considera não integrativo da remuneração do empregado, para os efeitos da legislação do Fl. 700DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 trabalho, o abono de férias e o abono concedido por força de acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário. Entendo que a linguagem direta e cronologicamente posterior é a norma que deve prevalecer na avaliação do instituto do abono. A partir daí, na interpretação da legislação previdenciária, temos no artigo 28 da Lei 8.212/91, o universo das parcelas que integram o saláriode contribuição, deixando o § 9º, do mesmo artigo, acrescentado pela Lei 9.528/97, explicitadas as parcelas que não o integra, estando na alínea "e", 7: "as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. Assinalese que o item 7 foi acrescentado pela Lei 9.711/98. Entendo, portanto, que não há o que se discutir, diante do texto expresso de lei. No direito pretoriano desta Corte, temos como precedente o julgado da 1ª Turma no Recurso Especial 201.936/MG, relatado pelo Ministro José Delgado, dentro da mesma compreensão, como demonstra a ementa que segue: TRIBUTÁRIO E TRABALHISTA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE O CHAMADO "ABONO" DE FÉRIAS PREVISTO EM ACORDO COLETIVO (ART. 144 DA CLT). INADMISSIBILIDADE. 1 A redação do art. 144, da CLT, possui dicção cristalina ao dispor que "O abono de férias de que trata o artigo anterior, bem como o concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente a vinte dias do salário, não integrarão a remuneração do empregado para os efeitos da legislação do trabalho e da previdência social" (redação anterior à Lei nº 9.528/97, que suprimiu a expressão "e da previdência social" da parte final do dispositivo). 2 O acordo coletivo celebrado pela empresa ora recorrida e o sindicato representante da categoria de seus empregados, que previu a possibilidade, em sua cláusula nº 23, de concessão de um "prêmio", por ocasião do primeiro pagamento após o retorno das férias, de um valor máximo correspondente a 80 (oitenta) horas sobre o salário nominal, possuiu vigência apenas no período de 01/09/86 a 31/08/87, durante a eficácia, portanto, da antiga redação do art. 144, da CLT, que admitia a não incidência da contribuição previdenciária desde que o abono não excedesse vinte dias do salário. 3 Há de ser respeitado, na hipótese, o ato jurídico perfeito, o qual se consumou segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou (art. 6º, da LICC, e 5º, XXXVI, da CF/88), sendo perfeitamente aplicável o Princípio da Irretroatividade da Lei. 4 Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, improvido. (REsp 201.936/MG, Relator Ministro José Delgado, Primeira Turma, unânime, julgado em 27/04/1999, DJ 01/07/1999, página 00138) Com estas considerações, dou provimento ao recurso especial. É o voto. (grifouse) Tal entendimento encontrase plasmado no Parecer PGFN/CRJ nº 2.114/2011, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, de 10 de novembro de 2011, cuja Ementa encontrase vazada nos seguintes termos: PARECER PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011 Fl. 701DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000845/201019 Acórdão n.º 2302003.469 S2C3T2 Fl. 686 21 Tributário. Contribuição previdenciária. Abono único. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. Nessa esteira, mediante o ATO DECLARATÓRIO Nº 16/2011, a PROCURADORA GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011 desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011, declarou que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: REsp nº 434.471/MG (DJ 14/2/2005), REsp nº 1.125.381/SP (DJe 29/4/2010), REsp nº 840.328/MG (DJ 25/9/2009) e REsp nº 819.552/BA (DJe 18/5/2009). No caso dos autos, o Acordo Coletivo de Trabalho – ACT 2006 a 2008, em contrapartida à alteração da database e em razão do adiantamento dos efeitos da negociação da Cláusula Primeira do acordo coletivo 2005/2006, estatuiu a obrigação da empresa de pagar, para cada empregado com contrato de trabalho vigente em 31 de agosto de 2006, uma indenização no valor de R$ 1.200,00 (um mil e duzentos reais),o qual seria realizada através de pagamento único, em até 05 (cinco) dias úteis após a celebração deste acordo, devendo o acerto ser feito no primeiro pagamento mensal subsequente. Nessa vertente, estando o pagamento da rubrica em questão aprumado à hipótese prevista no Ato Declaratório nº 16/2011 c.c. Parecer PGFN/CRJ nº 2114/2011, pugnamos pela exclusão da rubrica em pauta do lançamento ora em exame. 2.1.2. DA ALIMENTAÇÃO No caso em arguição, a alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatui, de forma expressa, que não integra o Salário de contribuição a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. Extraise dos preceitos legais acima aludidos que as importâncias despendidas pela empresa em louvor à alimentação de seus trabalhadores, para se subsumir à hipótese de não incidência legal em apreço, necessitam atender, cumulativamente, a duas condições essenciais: a) Que a alimentação seja fornecida “in natura” pela empresa aos seus empregados, ou seja, pronta para consumo imediato. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 b) Que a alimentação fornecida esteja de acordo com os programas de alimentação do trabalhador – PAT, aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/76; No caso ora em foco, a disciplina da matéria em relevo, no plano infraconstitucional, restou a cargo da Lei nº 6.321/76, a qual dispõe sobre os Programas de Alimentação do Trabalhador. Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976: Art. 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. " (grifos nossos) Ressaltese que os preceptivos aqui enunciados não conflitam com as linhas traçadas pelo art. 5º do Decreto nº 5/1991, que aponta para o mesmo norte. Decreto nº 5, de 14 de janeiro de 1991 Regulamenta a Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, que Trata do Programa de Alimentação do Trabalhador. Art. 3º Os Programas de Alimentação do Trabalhador deverão propiciar condições de avaliação do teor nutritivo da alimentação. Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (redação dada pelo Dec. 2.101/96) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Art. 5º A pessoa jurídica que custear em comum as despesas definidas no Art. 4, poderá beneficiarse da dedução prevista na Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, pelo critério de rateio do custo total da alimentação. Art. 6º Nos Programas de Alimentação do Trabalhador PAT, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a parcela paga "in natura" pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. (grifos nossos) Visando a brindar executoriedade ao Programa de Alimentação do Trabalhador, a Secretaria de Inspeção do Trabalho e o Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego baixaram a Portaria nº 03, de 1º de março de 2002, cujo art. 2º estatuiu como exigência formal para a fruição dos benefícios fiscais a devida inscrição no programa em foco, mediante o preenchimento de formulário adrede, cuja cópia e o respectivo comprovante oficial de postagem ao DSST/SIT ou o comprovante da adesão via Internet deve ser mantida nas dependências da empresa, matriz e filiais, à disposição da fiscalização federal. PORTARIA Nº 03, DE 1º DE MARÇO DE 2002 Fl. 703DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000845/201019 Acórdão n.º 2302003.469 S2C3T2 Fl. 687 23 II – DAS PESSOAS JURÍDICAS BENEFICIÁRIAS Art. 2º Para inscreverse no Programa e usufruir dos benefícios fiscais, a pessoa jurídica deverá requerer sua inscrição à Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), através do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho (DSST), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em impresso próprio para esse fim a ser adquirido nos Correios ou por meio eletrônico utilizando o formulário constante da página do Ministério do Trabalho e Emprego na Internet (www.mte.gov.br). (grifos nossos) §1º A cópia do formulário e o respectivo comprovante oficial de postagem ao DSST/SIT ou o comprovante da adesão via Internet deverá ser mantida nas dependências da empresa, matriz e filiais, à disposição da fiscalização federal do trabalho. §2º A documentação relacionada aos gastos com o Programa e aos incentivos dele decorrentes será mantida à disposição da fiscalização federal do trabalho, de modo a possibilitar seu exame e confronto com os registros contábeis e fiscais exigidos pela legislação. §3º A pessoa jurídica beneficiária ou a prestadora de serviços de alimentação coletiva registradas no Programa de Alimentação do Trabalhador devem atualizar os dados constantes de seu registro sempre que houver alteração de informações cadastrais, sem prejuízo da obrigatoriedade de prestar informações a este Ministério por meio da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) Com efeito, a inscrição no PAT não se constitui mera formalidade ou capricho da Administração. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, através de seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: o fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. De fato, a Portaria nº 03/2002 estabeleceu as instruções para a perfeita execução do Programa de Alimentação do Trabalhador, estabelecendo de forma taxativa que a execução inadequada do Programa de Alimentação do Trabalhador acarretará o cancelamento da inscrição ou registro no Ministério do Trabalho e Emprego, com a consequente perda do incentivo fiscal, sem prejuízo da aplicação das penalidades cabíveis. Revelase de extrema importância chamar a atenção para o fato de que a hipótese de não incidência legal de contribuições previdenciárias prevista alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, referese, exclusivamente, à parcela recebida "in natura" pelo empregado, ou seja, quando o próprio empregador fornece diretamente a alimentação pronta aos seus empregados, e desde que tal fornecimento esteja de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/76. Deflui do exame dos dispositivos legais suso selecionados, apreciados segundo a exegese restritiva exigida pelo art. 111 do CTN, que para os valores despendidos pela empresa a título de alimentação aos empregados serem excluídos da base de incidência das contribuições sociais em foco é necessária a satisfação de dois requisitos fundamentais: a) Que a alimentação seja fornecida in natura, isto é, seja entregue pela empresa ao empregado pronta para consumo imediato; Fl. 704DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 b) Que o fornecimento de alimentação seja efetuado de acordo com o programa de alimentação ao trabalhador, aprovado pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/76, o qual exige como formalidade indispensável, a inscrição formal do empregador, em atenção ao art. 2º, caput, da Portaria nº 03/2002 da Secretaria de Inspeção do Trabalho e do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, que estabelece as instruções para a execução do Programa de Alimentação do Trabalhador. Nada obstante, ambos os requisitos fixados como essenciais pela lei de custeio da seguridade social não se encontram presentes no caso em debate. Isto porque a empresa autuada não possuía inscrição no PAT, tampouco a alimentação em apreço houvese por fornecida in natura, mas, sim, mediante cartões alimentação, no valor mensal de R$ 96,00 durante a vigência do Acordo Coletivo, os quais possuem liquidez e circulabilidade equiparadas a dinheiro. ACORDO COLETIVO DE TRABALHO – 2005 a 2006 2. CARTÃO ALIMENTAÇÃO CONVÊNIO O TVV fornecerá 12 (doze) créditos mensais no valor de R$ 96,00 (noventa e seis reais) em cartão eletrônico, a título de cesta alimentação, durante a vigência deste acordo. 2.1. A cesta alimentação será fornecida para 100% dos empregados TVV. 2.2. O beneficio da cesta alimentação não possui natureza salarial, não integrando o salário para nenhum efeito legal, regendose pelas instruções do PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador) instituído pela Lei 6321/76. 2.3. A participação do empregado fica limitada a 5% (cinco por cento) do custo do benefício. 2.4. Para os empregados que vierem a ser admitido na empresa e para os que se desligarem durante a vigência deste Acordo, será pago o valor proporcional ao número de meses trabalhados. Merece ser destacado que a parcela referente à participação dos empregados houvese por subtraída da base de cálculo em questão, conforme se observa no Relatório de Lançamentos, a fls. 16/25. Conforme já enaltecido alhures, tratandose de hipótese de renúncia fiscal, urge emprestarse exegese restritiva à fórmula isentiva acima abordada. Inferese, portanto, dos preceptivos ora revisitados, que a natureza “in natura” da alimentação fornecida e a adesão ao PAT constituemse condições sine qua non para a fruição dos benefícios fiscais tributários e previdenciário, conforme expressamente previsto na alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, verbatim: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) (...) c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; (grifos nossos) Fl. 705DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000845/201019 Acórdão n.º 2302003.469 S2C3T2 Fl. 688 25 Cumpre alertar que as disposições insculpidas no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 não projetam efeitos sobre o caso em apreciação, uma vez que tal documento possui âmbito de influência restrito ao fornecimento de alimentação in natura, não alcançando as hipóteses de fornecimento ser realizado em espécie, ou na forma de reembolso de refeição, ticket alimentação ou cartão eletrônico. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. É de se salientar que a formulação do citado Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional decorreu da sedimentação da jurisprudência em torno da matéria no Superior Tribunal de Justiça, que pacificou o entendimento de que a alimentação in natura oferecida pela empresa ao trabalhador, ou seja, quando o próprio empregador fornece diretamente a alimentação pronta aos seus empregados, não se subsume à hipótese de incidência de contribuições previdenciárias, mesma que a empresa não esteja inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador, como assim se depreende dos seguintes julgados a seguir ementados: REsp nº 1.119.787SP Relator: Ministro Luiz Fux DJe 13/05/2010 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. FGTS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. 1. O pagamento do auxílioalimentação in natura, ou seja, quando a alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, razão pela qual não integra as contribuições para o FGTS. Precedentes: REsp 827.832/RS, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/11/2007, DJ 10/12/2007 p. 298; AgRg no REsp 685.409/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/06/2006, DJ 24/08/2006 p. 102; REsp 719.714/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/04/2006, DJ 24/04/2006 p. 367; REsp 659.859/MG, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/03/2006, DJ 27/03/2006 p. 171. 2. Recurso especial a que se nega seguimento. Por outro lado, quando o auxílio alimentação for pago em espécie ou na forma de vales ou cartões, em caráter habitual, assume feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Nesse sentido, ressaltamse excertos do julgado proferido pelo Min. Luiz Fux, nos autos do Recurso Especial nº 433.230/RS, publicado no DJe em 13/05/2010, cujos termos bem elucidam a questão: REsp nº 433.230/RS Relator: Ministro Luiz Fux Fl. 706DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 DJe 17/02/2003 EMENTA: TRIBUTÁRIO. FGTS. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PAT. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. NÃO INSCRIÇÃO. TICKETS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO RELATIVA AO FGTS. 1. O auxílio alimentação, quando pago em espécie e com habitualidade, passa a integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, assumindo, pois, feição salarial, afastandose, somente, de referida incidência quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, estando ou não inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. Aplicação ao Enunciado n° 241, do TST. Há incidência da contribuição social, do FGTS, sobre o valor representado pelo fornecimento ao empregado, por força do contrato de trabalho, de vale refeição. 3. Recurso Especial desprovido. Tal entendimento é esposado pelo Colendo Tribunal Superior do Trabalho, cujo verbete do Enunciado nº 241 exorta que “o vale para refeição, fornecido por força do contrato de trabalho, tem caráter salarial, integrando a remuneração do empregado, para todos os efeitos legais”. TST Enunciado nº 241 Vale Refeição Remuneração do Empregado SalárioUtilidade – Alimentação. O vale para refeição, fornecido por força do contrato de trabalho, tem caráter salarial, integrando a remuneração do empregado, para todos os efeitos legais. No caso em debate, além de a parcela referente à alimentação ter sido fornecida aos empregados na forma de “cartão eletrônico”, no valor mensal de R$ 96,00, a Fiscalização apurou que, no período de lançamento do débito, a empresa não estava inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador, como assim relata a Autoridade Lançadora, in verbis: “A empresa forneceu habitualmente alimentação aos seus empregados sem estar inscrita no referido programa, contrariando assim o artigo 28, §9°, “c”, da Lei 8.212, de 24/07/1991.”. A lei é de precisão cirúrgica ao excluir da hipótese de incidência tributária somente, e tão somente, a parcela “in natura” recebida de acordo com o PAT. Assim, na visão oclusiva exigida pelo art. 111 do CTN, a parcela fornecida em espécie, em ticket alimentação ou cartões eletrônicos integra o conceito de Salário de Contribuição para os fins colimados pela Lei nº 8.212/91. Se nos antolha auspicioso assinalar que as questões atinentes à isenção tributária constituemse matéria de interesse público, figurando a lei stricto sensu como o único instrumento normativo com aptidão para determinar as hipóteses de renúncia fiscal, não previstas constitucionalmente, não irradiando efeitos na seara pública qualquer disposição pactuada entre empregador e empregado em seus contratos de trabalho ou em acordos coletivos, sendo impensável e inconcebível que interesses particulares venham a se sobrepor aos públicos. O contrário, sim. Não se deve olvidar que, sendo a isenção tributária uma norma legal de exceção, de interpretação restritiva e em benefício do Contribuinte, o adimplemento cumulativo de todas as condições e requisitos previstos na lei para a sua concessão não se presume, se comprova mediante documentos idôneos. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000845/201019 Acórdão n.º 2302003.469 S2C3T2 Fl. 689 27 As disposições inseridas Convenções ou Acordos Coletivos de Trabalho faz “lei”, exclusivamente, entre as partes pactuantes, não tendo o condão derrogar tampouco subjugar as disposições inseridas no ordenamento jurídico mediante lei “stricto sensu”. 2.1.3. DO AUXÍLIO MATERIAL ESCOLAR Pondera o Recorrente que as verbas relativas ao fornecimento de auxílio material escolar não estão inclusas no conceito de Salário de Contribuição. Conforme já enaltecido anteriormente, deflui dos preceitos normativos insculpidos na Carta de 1988 que a base de incidência das contribuições previdenciárias abarca não somente o salário, aqui incluídos os ganhos habituais do empregado, auferidos a qualquer título, por força do §11º do art. 201 da CF/88, como também os demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que preste serviço à empresa, mesmo sem vínculo empregatício, a teor do art. 195, I, ‘a’, da Constituição Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) (grifos nossos) Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) (grifos nossos) Nessa prumada, compreendemse no conceito legal de Salário de Contribuição os três componentes do gênero “Remuneração”, adiante especificados, sejam ela paga diretamente, ou mesmo indiretamente, na forma de incentivos salariais ou de benefícios, ressalvadas as hipóteses legais de exclusão. 1. Remuneração Básica Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Refere se à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de Fl. 708DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 trabalho. Diz respeito ao pagamento que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2. Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3. Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades, ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Com efeito, nos sistemas retributivos complexos, a composição da remuneração dos empregados pode ser constituída por múltiplas parcelas, das mais variadas espécies e formas, que resultam ao fim em um ganho patrimonial do trabalhador, quer pelo que ele efetivamente auferiu, em espécie, em utilidades, em benefícios, quer pelo que ele deixou de desfalcar seu patrimônio inercial para a aquisição/fruição da vantagem econômica (bem, serviço ou direito) recebida. No episódio ora em pauta, em razão da obrigação assumida por termo do item 13.1. do Acordo Coletivo de Trabalho ACT 2005/2006, a Autuada efetuou o pagamento de R$ 160,00 por beneficiário para custeio de material escolar. Acordo Coletivo de Trabalho ACT 2005/2006 “13.1 O TVV no inicio do ano letivo de 2006, fornecerá um crédito para custeio de material escolar, no valor de R$ 160, 00 (cento e sessenta reais) por beneficiário. 13.2. O crédito, a critério da empresa, será disponibilizado através de convênios com estabelecimentos comerciais ou de crédito em cartão eletrônico a ser utilizado em rede credenciada para tal fim. 13.3. O valor do benefício por empregado será definido multiplicando o valor definido no item 13.1 pelo número de pessoas na condição abaixo: a) empregados matriculados no ensino fundamental, médio e superior em curso de graduação; b) dependentes matriculados na educação infantil em préescolas e nos ensinos fundamental, médio e superior. 13.4. Consideramse dependentes, para efeitos dessa cláusula, o filho, o enteado, o menor sob guarda e o cônjuge (ou o companheiro(a)), desde que cadastrados no Sistema MAS”. Os valores dos créditos relativos ao auxílio material escolar concedidos aos empregados foram demonstrados pela empresa, e encontramse discriminados no Anexo IV consolidados por competência e lançados como saláriodecontribuição no Relatório de Lançamentos RL. De fato, as verbas pagas pela empresa em favor de seus empregados a título de “Auxílio Material Escolar” consubstanciamse remuneração indireta, pois representam exatamente a importância Fl. 709DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000845/201019 Acórdão n.º 2302003.469 S2C3T2 Fl. 690 29 que o Beneficiário deixou de desfalcar o seu patrimônio próprio para cobrir as despesas de aquisição de material escolar para si ou para seus dependentes, representando ao fim um ganho patrimonial auferido pelo trabalho e não para o trabalho. Verificase que as importâncias pagas pela empresa aos seus empregados sob o rótulo de “Auxílio Material Escolar” não se ajustam a qualquer hipótese de não incidência tributária consagrada no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, circunstância que implica a prevalescência da regra geral de incidência. 2.1.4. DO REEMBOLSO EDUCACIONAL SUPERIOR Pondera o Recorrente que as verbas relativas ao reembolso educacional superior não estão inclusas no conceito de Salário de Contribuição. Quem disse ? Com efeito, a alínea ‘t’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatuiu, de forma expressa, que não integram o Salário de contribuição, o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394/96, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham a ele tenham acesso. Deflui da redação da alínea ‘t’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 que a fruição do benefício fiscal ali encartado não decorre de forma automática, mas, sim, mediante o cumprimento rigoroso e concomitante das condições de gozo nela expressamente previstas. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n2 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei n° 9.711/98). Nesse panorama, para que os valores relativos ao auxílioeducação pagos pela Recorrente a seus empregados deixem de integrar o conceito legal de saláriodecontribuição, exige a lei que a benesse concedida pela Recorrente refirase a educação básica ou a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, e alcance, dentre outras condições, a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 No caso em exame, os cursos a que se referem as verbas ora em debate são de educação superior, os quais não se confundem com planos educacionais que visem à educação básica, tampouco com cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. O Órgão Julgador de 1ª Instância, de forma fundamentada e devidamente consignada em seu acórdão, apreciando as alegações de defesa e os elementos de prova contidos nos autos, já havia rechaçado a pretensão do Impugnante ao fundamento de que esta não havia apresentado “qualquer comprovante no sentido de que os cursos de ensino superior por ela custeados estariam vinculados às atividades da empresa, tendo a fiscalização procedido de acordo com as normas legais vigentes”. Dessai do item 20.7 do Acordo Coletivo de Trabalho – 2005/2006 que para ter direito ao reembolso de curso de graduação do ensino superior, o empregado teria que submeter sua intenção ao curso pretendido à análise e aprovação prévia do TVV, de onde se depreende que a empresa teria plenas condições de demonstrar, se fosse o caso, que os citados cursos superiores estariam vinculados às atividades da empresa. Todavia, nem lá, nem cá, nenhum documento houvese por apresentado que comprovasse tal condição. Nada obstante, retorna à carga o Recorrente, agora em grau de Recurso Voluntário, formulando exatamente os mesmos argumentos de defesa, como que não acreditando nos fundamentos aduzidos pela DRJ, sem acostar aos autos qualquer elemento de convicção, tão menos indícios de prova material, com aptidão a demonstrar que os mencionados cursos superiores estariam vinculados às atividades da empresa. A prática de se “ganhar no grito” conheceu sua primazia nas partidas de futebol realizadas fora dos estádios, conhecidas coloquialmente como “peladas de várzea”, nas quais o time da casa, ou aquele cujos jogadores eram dotados de um volume mais avantajado de bíceps e tríceps, impunham na partida o regramento e/ou a interpretação das ocorrências de jogo que mais lhe convinham, mesmo que contrários às regras oficiais do futebol estatuídas pela International Football Association Board da FIFA. Mas no Processo Administrativo Fiscal a Charanga toca num tom diferente. A defesa por negativa geral não se apruma com a dinâmica do PAF cujo mecanismo de contradita às autuações do Fisco exige que o sujeito passivo instrua o instrumento de bloqueio à imputação fiscal com todos os motivos de fato e de direito em que se fundamentar a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de rechear a peça de defesa com todas as provas documentais garantidoras de seu direito, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em lei. Se nos antolha auspicioso assinalar que as questões atinentes à isenção tributária constituemse matéria de interesse público e de reserva legal, figurando a lei stricto sensu como o único instrumento normativo com aptidão para determinar as hipóteses de renúncia fiscal, não previstas constitucionalmente, não irradiando efeitos na seara pública qualquer disposição pactuada entre empregador e empregado em seus contratos de trabalho e/ou Acordos Coletivos de Trabalho, sendo inconcebível que interesses particulares venham a se sobrepor aos públicos. O contrário, sim. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) Fl. 711DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000845/201019 Acórdão n.º 2302003.469 S2C3T2 Fl. 691 31 VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. (...) Não se deve olvidar que, sendo a isenção tributária uma norma legal de exceção, de interpretação restritiva e em benefício do Contribuinte, o adimplemento cumulativo de todas as condições e requisitos previstos na lei para a sua concessão não se presume, se comprova mediante documentos idôneos. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Dessarte, ao beneficiário da isenção recai o ônus de demonstrar e comprovar o cumprimento cumulativo de todos os requisitos legais para a fruição da isenção pretendida, sob pena de manutenção da regra geral, isto é, a tributação. Nas oportunidades em que teve para se manifestar nos autos do processo, em sede de Impugnação e agora, em grau de Recurso Voluntário, o Sujeito Passivo não honrou produzir as provas necessárias à contradita das razões erigidas pelo Órgão Julgador a quo para o não acatamento de suas pretensões de defesa, gravitando à distância do núcleo sensível do qual se irradiaram os fundamentos de fato e de Direito que forneceram esteio ao levantamento ora em debate, não logrando se desincumbir, dessarte, do ônus que lhe pesava e lhe era avesso, nem, tampouco elidir a imputação que lhe fora infligida pela fiscalização previdenciária. Tal vazio, não permite a lei que seja preenchido com alegações filosóficas ou principiológicas, tampouco com argumentações de fatos e de ações desprovidas de esteio em indício de prova material idônea. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Ostentando, todavia, a presunção de veracidade dos Atos Administrativos eficácia relativa, esta admite prova em sentido contrário a ônus da parte interessada, encargo este não adimplido pelo Recorrente, o qual não logrou afastar a fidedignidade do conteúdo da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em debate. Assim, havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 Por todo o exposto, concluise que os valores despendidos pela Recorrente para o custeio de “despesas educacionais” não se ajustam à hipótese de não incidência tributária assentada na alínea “t” do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, uma vez que não atendem aos requisitos exigidos pela norma de exclusão acima citada. Nessa perspectiva, não estando albergada pela hipótese legal de renúncia fiscal em realce, há que se reconhecer que os valores pagos a título de Despesas Educacionais sujeitamse às obrigações tributárias estabelecidas na Lei de Custeio da Seguridade Social. 2.1.5. DA PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS O Recorrente alega que as verbas relativas à Participação nos Resultados não estão inclusas no conceito de Salário de Contribuição. Desde que pagas em consonância com a Lei nº 10.101/2000. Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que a alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatuiu, de forma expressa, que não integram o Salário de contribuição, as importâncias recebidas a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. O Programa de Participação nos Lucros ou Resultados PLR consubstanciase numa ferramenta de gestão que visa ao alinhamento das estratégias organizacionais com as atitudes e desempenho dos empregados dentro do ambiente de trabalho. Tratase de um instrumento gerencial bastante utilizado pelas empresas, mundialmente disseminado, que auxilia no cumprimento das metas e diretrizes das organizações, permitindo uma maior participação e empenho dos empregados na produtividade da empresa, além do seu esforço ordinário decorrente do contrato de trabalho, proporcionando, dessarte, atração, retenção, motivação e comprometimento dos funcionários na busca de melhores resultados empresariais. Constituise o PLR num tipo de remuneração variável a ser oferecida àqueles que efetivamente colaboram na obtenção de lucros e/ou no atingimento das metas préestabelecidas pelo empregador. Tratase de um Direito Social de matriz constitucional, tendo o Constituinte Originário, taxativamente, outorgado à lei ordinária a competência para a estipulação dos parâmetros legais da conformação do Direito dos trabalhadores, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Sendo um instrumento de integração capitaltrabalho e de estímulo à produtividade das empresas, buscase por meio da regra imunizante e da consequente redução da carga tributária Fl. 713DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000845/201019 Acórdão n.º 2302003.469 S2C3T2 Fl. 692 33 proporcionar vantagens competitivas às empresas que, regularmente, implementam mecanismos efetivos de integração e participação de seus empregados, sem que, com isso, haja substituição da remuneração devida. Decorre daí a norma de desvinculação do pagamento a titulo de PLR da remuneração em geral. A Participação nos Lucros é norma constitucional de eficácia limitada. Nesse sentido dispõe o Parecer CJ/MPAS nº 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, ad litteris et verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Tais diretivas não atritam com entendimento esposado no Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99, cujo teor transcrevemos na sequência: DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita, portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 34 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Tratandose de norma constitucional de eficácia limitada, esta depende da integração de documento normativo editado pelo órgão legislativo competente para que suas disposições possam produzir os efeitos jurídicos colimados pelo Constituinte. Tal matéria já foi bater às portas da Suprema Corte, cuja Segunda Turma, no julgamento do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n° 505.597, pacificou o entendimento que deve prevalecer nas situações desse jaez. EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. MP 794/94. Com a superveniência da MP n. 794/94, sucessivamente reeditada, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito à participação dos trabalhadores no lucro das empresas [é o que extrai dos votos proferidos no julgamento do MI n. 102, Redator para o acórdão o Ministro Carlos Velloso, DJ de 25.10.02]. Embora o artigo 7º, XI, da CB/88, assegure o direito dos empregados àquela participação e desvincule essa parcela da remuneração, o seu Fl. 715DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000845/201019 Acórdão n.º 2302003.469 S2C3T2 Fl. 693 35 exercício não prescinde de lei disciplinadora que defina o modo e os limites de sua participação, bem como o caráter jurídico desse benefício, seja para fins tributários, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento. (grifos nossos) Na mesma linha de entendimento: RE 398.284 / RJ Rel. Min. MENEZES DIREITO Órgão Julgador: Primeira Turma DJe de 19122008 Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido. Deflui dos termos dos julgados suso transcritos que o exercício do direito social em debate sujeitase às disposições estabelecidas na lei disciplinadora, à qual foi confiada a definição do modo e dos limites de sua participação, bem como do caráter jurídico desse benefício, seja para fins tributários, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Atentese, por relevante, que o direito social estampado no inciso XI do art. 7º da CF/88 é dirigido à classe de trabalhadores que laboram mediante o vínculo jurídico de uma relação de emprego, não abraçando as pessoas físicas que, assumindo o risco da atividade econômica, exercem por conta própria, determinada atividade profissional de natureza urbana, como é o caso dos Diretores não empregados e demais segurados contribuintes individuais, eis que entre estes e as respectivas empresas não se formaliza vínculo empregatício. Das disposições plasmadas no caput do art. 2º do Diploma Legal acima desfiado ergue se como fato incontroverso que o direito social objeto de regulamentação abarca, tão somente, os empregados da empresa, assim compreendidos os trabalhadores vinculados mediante um liame empregatício com a entidade empresarial em questão, não irradiando efeitos sobre as demais categorias de obreiros, aqui incluídos os segurados contribuintes individuais. A assertiva ora alinhada encontra amparo, igualmente, nas disposições insculpidas no §4º do art. 218 de nossa Lei Soberana, cuja norma de caráter programático prevê o apoio e estímulo às empresas que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. Constituição Federal de 1988 Art. 218 O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológicas. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 36 (...) §4° A lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa, criação de tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos e que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. (grifos nossos) Com efeito, a Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional em testilha, honrou materializar na alínea “j” do §9º do seu art. 28 a hipótese de não incidência tributária assinalada no inciso XI, in fine, do art. 7º da CF/88, excluindo do campo de tributação das contribuições previdenciárias as importâncias pagas, creditadas ou devidas a título de PLR, sempre que estas verbas forem pagas de acordo com a lei própria de regência, in casu, a Lei nº 10.101/2000, como assim prevê a Norma Matriz. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28 – (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Relembrando, a edição da Medida Provisória nº 794/94 veio ao atendimento do comando constitucional em tela, introduzindo no Ordenamento Jurídico os primeiros traços definidores do direito social ora em debate, vindo a sofrer, ao longo do tempo, em suas reedições e renumerações, um volume pouco expressivo de modificações legislativas, até a sua definitiva conversão na Lei nº 10.101/2000. Lei nº 10.101 de 19 de dezembro de 2000 Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (grifos nossos) I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. (grifos nossos) §1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Fl. 717DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000845/201019 Acórdão n.º 2302003.469 S2C3T2 Fl. 694 37 Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1o Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. §3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. §4o A periodicidade semestral mínima referida no §2o poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. §5o As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. §1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. §2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. §3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. §4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Colhemos dos princípios idealizadores da rubrica em pauta, que a verba paga a título de PLR tem por espírito e essência de sua instituição servir como um instrumento de incentivo à produtividade dos trabalhadores e, consequentemente, da empresa, mediante o pagamento de um plus remuneratório além do salário e dos demais benefícios devidos ao trabalhador, como forma de estimular o empregado a ter um rendimento operacional que exceda ao desempenho ordinário que lhe é exigido habitualmente como decorrência comum, inerente e direta do contrato de trabalho. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 38 O plano de incentivo à produtividade tem que traduzir, portanto, de maneira clara e objetiva, um fim extraordinário a ser alcançado pelo desempenho emproado do trabalhador, estimulado que está pela promessa de um ganho adicional remuneratório consistente na PLR. Nos termos do §1º, in fine, do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, tal fim extraordinário pode ser estabelecido como um índice de produtividade, de qualidade da produção ou de lucratividade da empresa. Pode, igualmente, ser traduzido por um programa de metas, de resultados ou de prazos, ou por qualquer uma outra ferramenta gerencial que, efetivamente, encoraje, deflagre e estimule o trabalhador a produzir mais e melhor do que aquele desempenho ordinário que ele vinha apresentando cotidiana e rotineiramente, decorrente do seu compromisso laboral celebrado no contrato de trabalho. Assim: · O desempenho regular e ordinário do trabalhador decorrente do compromisso laboral pactuado no contrato de trabalho é remunerado mediante salário; · O desempenho extraordinário e túmido do trabalhador, visando a atingir objetivos de excelência fixados previamente pela empresa que excedam aos resultados históricos, é remunerado mediante participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa, em valores previamente fixados nas negociações coletivas. Realizase, assim, a integração Capital vs Trabalho: A empresa ganha com o aumento da produtividade, qualidade, lucratividade, volume de produção, prazos, etc. O trabalhador ganha também, mediante o auferimento do plus remuneratório consubstanciado na PLR. Conforme dessai dos incisos I e II do §1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, optou o legislador infraconstitucional por não engessar na Lei os fins extraordinários a serem almejados nos planos de incentivo à produtividade, delegando às próprias empresas a prerrogativa de estabelecer nos seus planos de PLR os objetivos que melhor de adequem à realidade e às características intrínsecas de cada pessoa jurídica. Dentre tais fins extraordinários, elencou a lei, exemplificativamente, dentre outros possíveis e viáveis, os seguintes critérios e condições: · Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; · Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Mas não se iludam, caros leitores. Muito embora a legislação infraconstitucional não obrigue a empresa a seguir este ou aquele objetivo específico, a existência e delimitação clara e precisa, no plano de PLR, de um fim extraordinário específico a ser atingido pelo quadro funcional da Entidade é mandatória e indispensável para a caracterização da PLR legal. Assim, mesmo que a empresa decline de optar por qualquer um dos critérios ilustrativamente descritos nos incisos I e II do §1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, ela tem que, necessariamente, descrever em detalhes, e de maneira prévia, um objetivo extraordinário específico a ser almejado pelo seu corpo funcional na consecução e realização do plano de participação nos lucros e resultados da empresa, sob pena de descaracterização da PLR legal. Almeja com isso a Lei um comprometimento efetivo dos empregados no sentido de oferecer uma dedicação, um cuidado e um Fl. 719DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000845/201019 Acórdão n.º 2302003.469 S2C3T2 Fl. 695 39 empenho de excelência, superior ao ordinário, usual e cotidiano, na busca pela consecução dos objetivos fixados no acordo e na obtenção do direito subjetivo estipulado no plano. Isso porque, conforme já salientado, qualquer verba paga em razão do desempenho regular e ordinário do trabalhador decorrente do compromisso laboral pactuado no contrato de trabalho tem natureza jurídica de salário, remuneração direta e inescusável pelo labor rotineiro e usual oferecido cotidianamente pelo trabalhador à empresa e, nessas condições, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Dessarte, sem o estabelecimento prévio no plano de PLR de um objetivo especial, que incentive e alavanque a produtividade, a ser atingido pelo operariado, o qual, se atingido satisfatoriamente, tem o condão de premiar os trabalhadores que efetivamente envidaram esforços supranormais na sua consecução, o plano de PLR recai na tábula rasa do trabalho comum e ordinário, o qual é remunerado mediante salário, sofrendo a incidência, assim, das obrigações previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social. O pagamento de verba com o rótulo de PLR Legal em retribuição ao trabalho comum, ordinário, usual e cotidiano do empregado, desconectado a qualquer incentivo à produtividade, é expressamente vedado pela Lei nº 10.101/2000, cujo art. 3º obsta o pagamento de tal rubrica em substituição ou complementação à remuneração devida a qualquer empregado. As regras claras e objetivas quanto ao direito substantivo referemse ao direito dos trabalhadores de conhecerem, previamente, no corpo do próprio instrumento de negociação, o quanto irão receber a depender do lucro auferido pelo empregador se os objetivos forem cumpridos, o que terá que fazer para receber tal quantia e como irá recebêla. Quanto às regras adjetivas, deve o trabalhador ter ciência dos mecanismos de aferição de seu desempenho, de como aferilo em determinado momento e situação, das metas e índices de produtividade a serem alcançados e o que falta para alcançálos, etc. A inexistência de tais regras, de forma clara e objetiva, no instrumento de negociação, implica a sua estipulação e avaliação dos trabalhadores por ato unilateral do empregador, circunstância que colide com o objetivo almejado pelo legislador. A exigência de regras claras e objetivas justificase como forma de inviabilizar a discriminação de empregados e de se consumar a própria finalidade do instituto criado. Sendo o resultado finalístico almejado pela norma o fomento da produtividade da mão de obra, nada mais compreensível e pertinente que os empregados tenham o real conhecimento da exata dimensão do direito a eles concedido e do esforço e dedicação que eles devem empreender para alcançálo. Exige a Lei n° 10.101/2000 que do acordo constem os “mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado", de modo a assegurar aos empregados a transparência nas informações por parte da empresa, o fornecimento dos dados necessários à definição das metas, a adoção de indicadores de produtividade, qualidade ou lucratividade que sejam compreendidos por todos, a possibilidade de fiscalização do regular cumprimento das regras pactuadas e o acompanhamento progressivo da constituição do direito em debate por parte do empregado. Da pena de Sergio Pinto Martins (in Participação dos Empregados nos Lucros das Empresas, Editora Atlas, 2009, pág. 150) já se escreveu: "Os critérios da participação nos resultados não poderão ficar sujeitos apenas a condições subjetivas, mas objetivas, determinadas, para que todos Fl. 720DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 40 as possam conhecer e para que não haja dúvida posteriormente sobre se o empregado atingiu o resultado almejado pela empresa". Exsurge a todo ver que a regulamentação legal pautase no desígnio da proteção do trabalhador para que sua participação nos lucros seja concreta, justa e impessoal. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º da Lei de regência, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. Visa o Legislador Ordinário a impedir que condições ou critérios subjetivos obstem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados ou que a empresa utilize a rubrica em foco como forma dissimulada de remuneração, o que é expressamente vedado pelo art. 3º do Diploma Legal Regulador. Assim, devem as regras conformadoras do direito em palco ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos objetivamente, de modo que o obreiro possa exigir do empregador o seu efetivo cumprimento, eis que, alcançados os termos assentados no acordo, o trabalhador passa a ser titular do direito subjetivo ao recebimento da importância a que faz jus. Concretizase, dessarte, a integração entre o capital e o trabalho e o incentivo à produtividade tão visados pela lei. Mas a Lei não se contenta só com a explicitação dos direitos objetivos dos trabalhadores. Ela exige que o instrumento de acordo coletivo especifique os critérios e procedimentos a serem seguidos para a mensuração do quanto do acordado já se houve por cumprido, bem como para a aferição de quanto cada empregado já contribuiu para o alcance das metas propostas. Em primoroso trabalho doutrinário, Kertzman e Cyrino (KERTZMAN, Ivan e CYRINO, Sinésio. In Salário de contribuição; Salvador, Editora Jus Podivm, 2ª edição, 2010) realçaram as notas características da hipótese de não incidência de contribuições previdenciárias ora em trato: “A exigência de regras claras é uma forma de impossibilitar a discriminação dos empregados e de alcançar a própria finalidade do instituto criado. Se o objetivo é estimular a produtividade dos empregados, nada mais correto do que se exigir que estes tenham conhecimento das regras do benefício proposto, pois, se assim não fosse, não seria possível a promoção de um esforço adicional para alcançar a meta estabelecida, e o programa seria apenas uma forma de remuneração disfarçada”. A lei exige que nos instrumentos decorrentes da negociação constem as regras adjetivas do plano de PLR, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, para que o trabalhador possa saber, de antemão, como ele será avaliado e como será apurado o cumprimento das metas previamente estabelecidas, não se contentando a Lei com a mera divulgação, a posteriori, na internet ou em outro meio qualquer de comunicação da empresa, da consolidação dos resultados alcançados. A Lei preconiza um enfoque proativo, de natureza dinâmica, antecipando de maneira clara e precisa qual será efetivamente o mecanismo de avaliação dos trabalhadores quanto às metas estabelecidas e de qual será o critério e metodologia de apuração do cumprimento das metas estabelecidas no acordo. Não se satisfaz com a mera postura estática, retroativa, de apenas medir e relatar os resultados alcançados. Alertese que a estipulação de metas e a divulgação estática dos resultados alcançados no final do período de apuração não se confundem com descrição dos mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. A Lei nº 10.101/2000 exige ambas. Não se basta só com a primeira. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000845/201019 Acórdão n.º 2302003.469 S2C3T2 Fl. 696 41 De outro eito, decorre por dedução lógica e, principalmente, pelas disposições expressas na lei, que a definição e formalização em documento próprio das condições de contorno do plano de PLR têm que estar concluídas e tornadas públicas aos empregados previamente ao período de apuração dos objetivos pactuados entre as partes, de maneira que o trabalhador tenha o perfeito e exato conhecimento daquilo que precisa fazer, de como precisa fazer, do quanto e quando precisa fazer, de como serão mensurados e avaliados os objetivos estabelecidos pela empresa e de como o empregado será avaliado pela empresa para fazer jus ao ganho patrimonial especificamente consignado e prometido na negociação coletiva REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. Tendo por finalidade a norma em tela a integração entre capital e trabalho e o ganho de produtividade, exige a lei a negociação prévia entre empresa e os empregados, mediante acordo coletivo ou comissão de trabalhadores, da qual resulte clareza e objetividade das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direito substantivo). Tendo a PLR a finalidade de incentivar o trabalhador a realizar e oferecer à empresa um plus de produtividade que exceda ao resultado rotineiro e ordinário decorrente do contrato de trabalho, avulta que acordo tem que ser assinado antes do início do período de apuração, para que os trabalhadores saibam, com precisão, o quê, como, quando e quanto precisam fazer para auferir o ganho patrimonial que lhes é prometido por intermédio do plano ajustado. Por isso, os trabalhadores, antes do início do período de apuração, necessitam ter o claro e preciso conhecimento de quanto e quando irão ganhar, sob que forma, e como serão avaliados, para poderem decidir se vale ou não a pena se empenhar de maneira excessiva à ordinária e comum. São as tais das REGRAS CLARAS E OBJETIVAS quanto aos direitos substantivos dos trabalhadores. O espirito da lei pautase na transparência, conhecimento e registro documental prévio dos direitos subjetivos dos trabalhadores na participação nos lucros e resultados da empresa, bem como das condições e dos fins excepcionais que deverão de ser atingidos com o empenho incentivado pelo plano, para a consecução de tal ganho patrimonial. Deve ser enaltecido que o instrumento de acordo celebrado não figura como mera peça decorativa na indigitada lei específica, mas, sim, como documento formal para o registro dos fins extraordinários a serem alcançados pelo corpo funcional da empresa, das regras claras e objetivas referentes aos direitos substantivos dos empregados, ou seja, do incentivo contraprestacional que irão auferir caso atinjam os objetivos do plano, e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Deflui da simbiose dos fundamentos jurídicos e principiológicos dimanados dos dispositivos legais ora revisitados que o instrumento de negociação celebrado entre patrões e empregados seja arquivado PREVIAMENTE na entidade sindical da categoria, como garantia dos direitos dos trabalhadores, porquanto os sindicatos ostentam, como uma de suas principais funções, a defesa dos interesses econômicos, profissionais, sociais e políticos dos seus associados. A Lei nº 10.101/2000 não se satisfaz com o mero convite ou carta de convocação aos sindicatos. Ela exige a participação efetiva dos sindicatos na mesa de negociações! Fl. 722DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 42 A eventual escusa dos sindicatos de participar da celebração do plano de PLR não é excludente da exigência estatuída no Diploma Legal ora em foco, uma vez que o Ordenamento Jurídico prevê caminhos alternativos de sanatória de tal ausência, fixados no art. 616 da Consolidação das Leis do Trabalho, ad litteris et verbis: Consolidação das Leis do Trabalho Art. 616 Os Sindicatos representativos de categorias econômicas ou profissionais e as empresas, inclusive as que não tenham representação sindical, quando provocados, não podem recusarse à negociação coletiva. (Redação dada pelo Decretolei nº 229/67) §1º Verificandose recusa à negociação coletiva, cabe aos Sindicatos ou empresas interessadas dar ciência do fato, conforme o caso, ao Departamento Nacional do Trabalho ou aos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, para convocação compulsória dos Sindicatos ou empresas recalcitrantes. (Incluído pelo Decretolei nº 229/67) §2º No caso de persistir a recusa à negociação coletiva, pelo desatendimento às convocações feitas pelo Departamento Nacional do Trabalho ou órgãos regionais do Ministério de Trabalho e Previdência Social, ou se malograr a negociação entabolada, é facultada aos Sindicatos ou empresas interessadas a instauração de dissídio coletivo. (Incluído pelo Decretolei nº 229/67) §3º Havendo convenção, acordo ou sentença normativa em vigor, o dissídio coletivo deverá ser instaurado dentro dos 60 (sessenta) dias anteriores ao respectivo termo final, para que o novo instrumento possa ter vigência no dia imediato a esse termo. (Redação dada pelo Decretolei nº 424/69) §4º Nenhum processo de dissídio coletivo de natureza econômica será admitido sem antes se esgotarem as medidas relativas à formalização da Convenção ou Acordo correspondente. (Incluído pelo Decretolei nº 229/67) Nessa esteira, não atendendo os sindicatos à convocação levada a efeito pela Recorrente, deveria esta ter dado ciência do fato ao órgão responsável do Ministério do Trabalho, ou ao órgão governamental competente que lhe faça as vezes, para que procedesse à convocação compulsória dos Sindicatos recalcitrantes. Dessarte, sem a presença de um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria e enquanto não se promover o efetivo arquivamento do instrumento de acordo celebrado na entidade sindical dos trabalhadores, irregular, incompleta e em desacordo com a Lei nº 10.101/2000 estará a negociação entre patrões e empregados, circunstância que exclui toda e qualquer verba paga a título de PLR do campo de não incidência tributária delimitado na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido §9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Fl. 723DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000845/201019 Acórdão n.º 2302003.469 S2C3T2 Fl. 697 43 Dado à exegese restritiva exigida pelo CTN, somente serão extirpadas da base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas pagas sob o rótulo de participação nos lucros e resultados (PLR) que forem pagas ou creditadas a segurados empregados, e em estreita e inafastável consonância com a lei específica que rege o benefício em pauta. Do contrário, não. Permanecerão qualificadas como Salário de Contribuição. Diante dos aludidos dispositivos, deflui que o efeito sublime da desoneração prevista na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei de Custeio da Seguridade Social somente toma vulto na exclusiva condição de as verbas pagas ou creditadas a título de participação nos lucros e resultados atenderem cumulativamente aos seguintes requisitos: · A verba paga a título de participação nos lucros e resultados da empresa tem que ser representativa de um plano gerencial de incentivo à produtividade, consoante art. 1º da Lei nº 10.101/2000. · O plano de incentivo à produtividade tem que traduzir, portanto, de maneira clara e objetiva, um fim extraordinário a ser alcançado pelo desempenho emproado do trabalhador, estimulado que está pela promessa de um ganho adicional remuneratório consistente na PLR, de maneira que, efetivamente, encoraje, deflagre e estimule o trabalhador a produzir mais e melhor do que aquele desempenho ordinário que ele vinha apresentando cotidiana e rotineiramente, decorrente do seu compromisso laboral celebrado no contrato de trabalho. Ø O desempenho regular, rotineiro e ordinário do trabalhador decorrente do compromisso laboral pactuado no contrato de trabalho é remunerado mediante salário; Ø O desempenho extraordinário e túmido do trabalhador, visando a atingir objetivos de excelência fixados previamente pela empresa que excedam aos resultados históricos, é remunerado mediante participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa, em valores previamente fixados nas negociações coletivas. · Tem que resultar de negociação formal entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, obrigatoriamente, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria ou de convenção/acordo coletivo; · Das negociações suso citadas, deverão resultar instrumentos formais que registrem o plano de incentivo à produtividade adotado pela empresa, os objetivos a serem alcançados na execução de tal plano, as regras claras e objetivas definidoras dos direitos substantivos dos trabalhadores, bem como a regras adjetivas, abarcando os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, etc. · A negociação entre empresa e trabalhadores tem que ser concluída e assinada previamente ao período de execução do plano, de modo que os empregados dele participem com a perfeita e exata noção do que, do quanto, do quando e do como Fl. 724DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 44 fazer para o atingimento dos objetivos pactuados, do quanto receberão pelo seu sucesso, e de como serão avaliados para fazerem jus à PLR prometida; · O instrumento formal resultante do acordo em realce tem que ser arquivado previamente ao período de execução do plano na entidade sindical dos trabalhadores; · A PLR não pode substituir, tampouco complementar a remuneração devida a qualquer empregado; · A PLR não pode ser distribuída em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil; No caso em apreço, apurou a Fiscalização a ocorrência de pagamentos de Participação nos Resultados PR em fevereiro, março e abril de 2006, relativos ao período aquisitivo de cumprimento das metas durante o exercício de 2005. A empresa foi então intimada, mediante Termo próprio, a apresentar o regulamento da participação nos lucros ou resultados da empresa, sendo apresentada cópia do Acordo de Participação nos Resultados/Exercício 2005, sem constar a data de assinatura. O contribuinte foi então intimado, mediante Termo de Intimação Fiscal, a apresentar o original do referido acordo, ao que a empresa apresentou o documento original, a fls. 176/190, porém, outra vez, sem data de assinatura. Compulsando os autos, em especial o “TERMO DE ACORDO SOBRE A PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS RESULTADOS DO TERMINAL VILA VELHA – TVV, exercício 2005, verificamos que neste não consta consignada a data de assinatura, o que inviabiliza a aferição do requisito de assinatura prévia do Acordo. Merece ser mencionado que carimbo aposto na Folha de Rosto do citado Termo de PLR indica que o acordo houvese por arquivado no Sindicato Unificado da Orla Portuária do Espírito Santo (Suport ES) tão somente em 21/10/2005, ou seja, após percorrido quase 5/6 do período de apuração das metas e do desempenho de cada trabalhador. Malgrado o Termo de PLR tenha sido levado ao SUPORTES, inexiste no Termo de Acordo qualquer indício da efetiva participação de representante indicado pelo sindicato da categoria na Comissão da PR, escolhida pelas partes para a Negociação entre Empresa e Empregados. A cláusula 2.3 do acordo estatui que “A apuração da participação nos resultados far seá de forma proporcional à frequência do empregado no exercício de 2005, obedecidas, para tanto, e no particular, as mesmas regras e critérios utilizados para o pagamento da gratificação natalina”. Ou seja, basta não faltar ao trabalho para fazer jus ao PLR. Como visto, inexiste no plano de PLR da Recorrente qualquer animus de incentivo à produtividade ou de dedicação de excelência, superior à habitual, por parte dos trabalhadores, na medida em que tal comprometimento pessoal com os resultados da empresa é irrelevante para o cálculo do ganho que cada trabalhador irá auferir. A única regra existente que vincula a quota que cada um irá receber tem relação direta com a fração do ano que cada trabalhador frequentou os estabelecimentos da empresa. Se trabalhou o ano inteiro, recebe o benefício integral. Se teve faltas não justificadas ao serviço, recebe na mesma proporção Fl. 725DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000845/201019 Acórdão n.º 2302003.469 S2C3T2 Fl. 698 45 da gratificação natalina. Se produziu pouco ou se produziu muito, é irrelevante. Se operou com substantiva eficiência ou se com total desmazelo ou desleixo, é indiferente. Tais parâmetros não influenciam o quantum que cada trabalhador irá receber a esse título. A única coisa que importa, no caso, é a fração do ano em que o trabalhador se manteve vinculado à empresa. Recebem participação nos lucros até se a empresa não tiver lucros !!!! Onde estará o incentivo à produtividade exigido pela Lei ? Perdeuse no caminho ! A Fiscalização apurou, igualmente, que no Termo de Acordo de PLR não havia critérios nem mecanismo de aferição do pactuado, etc. A PLR era paga, meramente, pela realização do trabalho ordinário, usual e rotineiro decorrente do contrato de trabalho. Tal trabalho é remunerado mediante salário, e não por meio de PLR. Por tais razões, os valores pagos foram considerados pela Fiscalização como Salário de Contribuição, nos termos do art. 28, I, da Lei nº 8.212/1991. 2.2. DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Alega o Recorrente que a sistemática adotada pela fiscalização no cálculo dos acréscimos legais não considerou a forma de cálculo mais benéfica para o contribuinte, posto que na comparação da multa mais benéfica utilizouse multas com naturezas jurídicas diferentes como se fossem equivalentes. E para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio iuris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 46 A questão ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício. Iluminese, inicialmente, que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Com efeito, o regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 727DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000845/201019 Acórdão n.º 2302003.469 S2C3T2 Fl. 699 47 II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício consubstanciado no Auto de Fl. 728DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 48 Infração de Obrigação Principal nº 37.249.0905, referente a fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro a dezembro/2006. Nessa perspectiva, tratandose de lançamento de ofício formalizado mediante o Auto de Infração de Obrigação Principal acima indicado a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que até o organismo cognitivo mais rudimentar em existência – o computador – consegue, sem margem de erro, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, determinar qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: IF lançamento de ofício THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91 ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de ofício, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000845/201019 Acórdão n.º 2302003.469 S2C3T2 Fl. 700 49 Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 730DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 50 §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 731DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000845/201019 Acórdão n.º 2302003.469 S2C3T2 Fl. 701 51 Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora se encontram dispostos em separado, diga se, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Nesse novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: IF lançamento de ofício THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de ofício, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 52 Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O Recorrente defende a aplicação retroativa, para as competências anteriores a dezembro/2008, do limite de 20% para a multa de mora previsto no §2º do art. 61 da Lei nº 9.430/96, por entender tratarse de hipótese de retroatividade benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. De outro eito, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Ocorre que ao efetuar o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), quer se promover data venia a comparação de nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica (penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’, do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000845/201019 Acórdão n.º 2302003.469 S2C3T2 Fl. 702 53 Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. De outro eito, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) preveem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de ofício, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio, em que tal percentual é duplicado. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Fl. 734DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 54 Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. De fato, encerrado o Processo Administrativo Fiscal e restando definitivamente constituído, no âmbito administrativo, o crédito tributário, não sendo este satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo, tal crédito é inscrito em Dívida Ativa da União, pra subsequente cobrança judicial. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c" do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. Nestas hipóteses, somente irá se operar o teto de 75% nos casos em que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Da conjugação das normas tributárias acima revisitadas concluise que, nos casos de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, a penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação principal deve ser calculada de acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se vos segue: a) Para os fatos geradores ocorridos até novembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, observado o limite máximo de 75%, desde que não estejam presentes situações de sonegação, fraude ou conluio, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. b) Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal Fl. 735DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000845/201019 Acórdão n.º 2302003.469 S2C3T2 Fl. 703 55 formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada de acordo com o critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. No caso dos autos, considerando ser de janeiro a dezembro de 2006 o período de apuração do crédito tributário, e considerando não haver sido verificada a presença dos elementos objetivos e subjetivos de conduta que, em tese, qualificase como fraude e sonegação, tipificadas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, resulta que a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante o presente lançamento de ofício deve ser aplicada de acordo com o art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum. 2.3. DA INTIMAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS. Quanto ao pedido para que as publicações e intimações sejam efetivadas em nome dos advogados que subscrevem o presente recurso, deve ser mencionado que a lei processual determina que as intimações sejam feitas de maneira pessoal, pelo autor do procedimento, ou por via postal, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária, ou ainda por meio eletrônico, com prova de recebimento, a teor dos incisos I, II e III do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196/2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196/2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196/2005) §1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §2° Considerase feita a intimação: Fl. 736DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 56 I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196/2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196/2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196/2005) §4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196/2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §7o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subsequente à formalização do acórdão. (Incluído pela Lei nº 11.457/2007) §8o Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação. (Incluído pela Lei nº 11.457/2007) §9o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do §8o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457/2007) Registrese que a conveniência e comodidade do Patrono do Autuado não possui poderio suficiente para subjugar a vontade da lei. O contrário sim. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do lançamento as contribuições previdenciárias incidentes sobre Fl. 737DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.000845/201019 Acórdão n.º 2302003.469 S2C3T2 Fl. 704 57 a verba "abono único", com suporte no Ato Declaratório n.º 16/2011, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Outrossim, o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, in casu, art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99,observado o limite máximo de 75%, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’, do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. . Fl. 738DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10735.000244/2009-06
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ERRO NA DIRF E NA DIRPF. VALOR COMPROVADO CORRESPONDE A 50% DO INFORMADO PELA FONTE. DOIS BENEFICIÁRIOS. PAGAMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA INFORMADOS COMO RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA.
Deve ser revista a infração de omissão de rendimentos quando se demonstra nos autos que a fonte pagadora informou o total dos rendimentos em nome de apenas um dos beneficiários, que os recebe, entretanto, na proporção de 50%. Também, aponta o Recorrente que declarou tais valores como recebidos de pessoas físicas, quando a fonte é uma pessoa jurídica. Entretanto, o montante não foi informado corretamente, faltando pequena parte, reputada como de fato omitida.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir o valor da omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica Prefeitura Municipal de Mesquita, CNPJ 04.132.090/0001-25, para R$ 2.319,00, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ERRO NA DIRF E NA DIRPF. VALOR COMPROVADO CORRESPONDE A 50% DO INFORMADO PELA FONTE. DOIS BENEFICIÁRIOS. PAGAMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA INFORMADOS COMO RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. Deve ser revista a infração de omissão de rendimentos quando se demonstra nos autos que a fonte pagadora informou o total dos rendimentos em nome de apenas um dos beneficiários, que os recebe, entretanto, na proporção de 50%. Também, aponta o Recorrente que declarou tais valores como recebidos de pessoas físicas, quando a fonte é uma pessoa jurídica. Entretanto, o montante não foi informado corretamente, faltando pequena parte, reputada como de fato omitida. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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ERRO NA DIRF E NA DIRPF. VALOR COMPROVADO CORRESPONDE A 50% DO INFORMADO PELA FONTE. DOIS BENEFICIÁRIOS. PAGAMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA INFORMADOS COMO RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. Deve ser revista a infração de omissão de rendimentos quando se demonstra nos autos que a fonte pagadora informou o total dos rendimentos em nome de apenas um dos beneficiários, que os recebe, entretanto, na proporção de 50%. Também, aponta o Recorrente que declarou tais valores como recebidos de pessoas físicas, quando a fonte é uma pessoa jurídica. Entretanto, o montante não foi informado corretamente, faltando pequena parte, reputada como de fato omitida. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir o valor da omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica Prefeitura Municipal de Mesquita, CNPJ 04.132.090/000125, para R$ 2.319,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 02 44 /2 00 9- 06 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10735.000244/200906 Acórdão n.º 2801003.752 S2TE01 Fl. 102 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Este processo foi analisado por esta Turma Especial, em Sessão de 20 de março de 2014, decidindose, por unanimidade, pela conversão do julgamento em diligência. Na ocasião, como Relator, elaborei o seguinte relatório, que copio: Contra o contribuinte identificado foi lavrada Notificação de Lançamento, conforme fl. 07, onde se verifica lançamento do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, do exercício de 2007, ano calendário de 2006. Existem discriminados os seguintes créditos: IRPFsuplementar no montante de R$ 13.002,54, sujeito a multa de ofício no percentual de 75%, importando em R$ 9.751,90, e juros de mora, perfazendo a exigência o total de R$ 24.059,89. Na descrição dos fatos (fl. 05/06), relata a Autoridade Fiscal que constatou as seguintes infrações: 1 – Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Confrontando o valor dos rendimentos tributáveis recebidos de PJ declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em DIRF, constatouse omissão de rendimentos no valor de R$ 60.519,72 recebidos das fontes listadas a seguir. Na apuração do imposto devido, foi compensado o IRfonte sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 7.280,76. a) Prefeitura Municipal de Mesquita – rendimento omitido R$ 48.000,00, IR compensado de R$ 7.280,76; b) Igreja Universal do Reino de Deus – rendimento omitido R$ 6.322,80; c) Instituto Nacional do Seguro Social – rendimento omitido R$ 6.196,92. 2 – Compensação Indevida de Carnê Leão. Glosa do valor de R$ 3.640,38, pleiteado indevidamente a título de CarnêLeão, correspondente à diferença entre o valor declarado e os valores efetivamente recolhidos com o código de receita devido, conforme informações constantes dos sistemas da RFB. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação (fl. 02) acompanhada de documentação, procurando explicar, em suma, que: Fl. 102DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10735.000244/200906 Acórdão n.º 2801003.752 S2TE01 Fl. 103 3 o valor referente ao rendimento recebido da Prefeitura de Mesquita (CNPJ 04.132.090/000125) que deveria ter sido lançado da declaração como rendimento tributável recebido de pessoa jurídica foi incluído em rendimentos tributáveis recebidos de pessoa físicas, e o valor do imposto retido na fonte foi incluído como “carnêleão”; os rendimentos em questão são recebidos na proporção de 50%, divididos entre esse contribuinte e Osmar Gonçalves, CPF 198.321.96791, que declarou da mesma forma, acima explicada; com relação aos rendimentos recebidos das outras fontes listadas (Igreja Universal e INSS), não questiona a omissão apontada na Notificação e propõese a efetuar o pagamento. A manifestação de inconformidade parcial foi conhecida e assim tratada pela DRJ 1ª instância, em resumo (fl. 45): 1 –. Primeiro assentouse que não houve impugnação em relação aos rendimentos recebidos da Igreja Universal e do INSS, bem assim em relação à glosa do carnê leão, determinandose a apartação da matéria não impugnada, que foi quantificada em R$ 3.442,92, segundo demonstrativo elaborado; 2 – Em relação à omissão de rendimentos recebidos da Prefeitura de Mesquita, considerouse que não restou provado nos autos que eram devidos na proporção de 50% entre esse contribuinte e Osmar Gonçalves, sugerindose, ao menos, a apresentação de cópia da matrícula do imóvel e do contrato de locação; 3 – Quanto ao alegado engano de classificação dos mesmos rendimentos, observando que o contribuinte apresentou uma DIRPF original e outra retificadora, alterando o valor dos rendimentos recebidos de pessoas físicas, verificou que os valores não correspondem à soma apontada como omissão de rendimentos. Dessa feita deuse a decisão de 1ª instância, para manter o crédito tributário lançado, determinando que o valor de R$ 3.442,92 fosse imediatamente objeto de cobrança, uma vez que não foi impugnado e portanto não era passível de recurso administrativo. Na folha 47 verificase que o valor não impugnado foi transferido para outro processo, restando nestes autos R$ 9.559,62, mais a multa proporcional de 75%. Cientificado da decisão de 1ª instância em 17/11/2011, conforme AR na folha 50, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 05/12/2011 (fl. 51) onde assim manifesta suas razões: alugou imóvel à Prefeitura de Mesquita, em contrato de locação onde figuram como locadores ele e Osmar Gonçalves, que ora anexa; Fl. 103DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10735.000244/200906 Acórdão n.º 2801003.752 S2TE01 Fl. 104 4 entende que o Órgão Municipal deva ter enviado DIRF que comprova o ocorrido, com a devida retenção de IRRF; com relação ao engano existente na DIRPF, podese observar que o valor lançado como “carnêleão” é o mesmo correspondente ao IRRF e o valor bruto recebido está contido nos rendimentos recebidos de pessoas físicas; Assim, entendendo esclarecido que não houve omissão de rendimentos, requer que seja recebido seu recurso cancelando se a Notificação de Lançamento. No Voto, em resumo, assim ficou delimitada a lide posta a nossa apreciação: A controvérsia resumese aos rendimentos recebidos em decorrência de contrato de aluguel celebrado entre o contribuinte Recorrente e Osmar Gonçalves, como locadores, e a Prefeitura de Mesquita/RJ, como locatária. Os demais itens da Notificação de Lançamento não foram impugnados e, conforme determinado na decisão de 1ª instância, o valor proporcional do débito foi transferido para outro processo. Concluiuse então: ... no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que: a) o Recorrente, sendo intimado desta Resolução, esclareça como chegou aos valores listados como rendimentos recebidos de pessoas físicas, considerando a DIRPF/2007 original e retificadora, e a que se referem os R$ 13.119,00 listados originalmente, comprovandoos, haja vista o destacado na decisão recorrida e ratificado aqui; b) o Recorrente apresente a Certidão de matrícula do imóvel que foi locado à Prefeitura de Mesquita, demonstrando o condomínio com o Sr. Osmar Gonçalves e também esclareça porque não se encontra declarado em sua DIRPF ou, se está declarado, o relacione a qual item, haja vista que os endereços são diversos. Cumprida a diligência, retornou o processo ao CARF para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10735.000244/200906 Acórdão n.º 2801003.752 S2TE01 Fl. 105 5 A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Na primeira análise, entendi necessário, como também o fizera o Julgador de 1ª instância, que o contribuinte comprovasse que detinha o imóvel objeto do aluguel em co propriedade com o Sr. Osmar Gonçalves e também que indicasse, discriminadamente, os rendimentos declarados como sendo recebidos de pessoa física, no ano em questão, para que se pudesse formar juízo sobre sua alegação de haver assim declarado 50% dos rendimentos de aluguel recebidos da Prefeitura de Mesquita. A primeira parte da diligência foi atendida, constando da folha 91 cópia de Escritura de Promessa de Cessão de Direitos onde o cedente REDE FERROVIÁRIA FEDERAL S/A confere ao cessionário PÁTRIA UNIDA MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO E TRANSPORTES LTDA, do qual são sócios Fernando Barbosa e Osmar Gonçalves, "todo o direito, ação e posse" sobre o terreno localizado na Avenida Costa e Silva, nº 1898, no Município de Mesquita/RJ, mesmo endereço do imóvel alugado à Prefeitura Municipal, conforme contrato de aluguel na folha 94. Assim, Fernando Barbosa e Osmar Gonçalves representam a pessoa jurídica cessionária da posse do imóvel objeto dos rendimentos de aluguel pagos, conjuntamente. Isso somado ao contrato de aluguel (fls. 57 ss) e às planilhas elaboradas pela JGM IMÓVEIS, que constam das folhas 19 e 20, levam à convicção de que realmente o Recorrente recebeu apenas 50% do valor indicado na DIRF, no total de R$ 48.000,00. Pelo valor do contrato de 2005 (R$ 4.000,00/mês) e do segundo aditivo em 2010 (fl. 60 R$ 4.808,29) não é possível admitir que em 2006 o Município houvesse pago R$ 96.000,00 pelo valor total, sendo R$ 48.000,00 a cada um dos contratantes. O mais certo é que tenha pago R$ 48.000,00 no total (R$ 4.000,00/mês), cabendo uma metade a Fernando Barbosa e outra a Osmar Gonçalves. Assim, a DIRF apresentada, que serviu de parâmetro para o lançamento, realmente encontrase errada. (Notificação, fl. 05) A outra parte da diligência objetivava verificar se realmente os R$ 24.000,00, recebidos por Fernando Barbosa, haviam sido equivocadamente declarados como rendimentos recebidos de pessoa física, conforme alega no recurso. Na folha 28, consta a DIRPF/2007 original, entregue em 04/04/2007, onde constam rendimentos recebidos de pessoas físicas no valor de R$ 13.119,00, sem informação de antecipação de imposto (carnê leão). Na folha 31, consta declaração "retificadora" àquela, entregue em 19/04/2007, onde os rendimentos recebidos de pessoas físicas passaram a R$ 34.800,00, com informação de "carnê leão" no importe de R$ 3.640,38. A diferença entre as duas quantidades não dá exatamente R$ 24.000,00, por isso pediuse a discriminação dos valores, que em resposta, durante a diligência, o contribuinte disse não poder efetuar (fl. 82), apesar do valor informado como "carnê leão" na 'retificadora' corresponder exatamente à metade do valor informado como IRRF na DIRF, que serviu de parâmetro para a revisão de ofício da declaração. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10735.000244/200906 Acórdão n.º 2801003.752 S2TE01 Fl. 106 6 Não tendo o contribuinte explicado porque reduziu o valor originalmente declarado como rendimentos recebidos de pessoas físicas, concluise então que não declarou ali, integralmente, os R$ 24.000,00 recebidos da Prefeitura de Mesquita. Ou seja, admitindo corretos os R$ 13.119,00 da declaração original, mais R$ 24.000,00, deveriam constar como recebidos de pessoas físicas, admitindose também o equívoco que alega no recurso, R$ 37.119,00, quando constam R$ 34.800,00. CONCLUSÃO Considerando que as demais infrações apuradas na Notificação não foram impugnadas, conforme cálculo elaborado pelo Julgador a quo, foram transferidas para outro processo, segundo extrato na folha 47, e pelo todo aqui exposto, VOTO por dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o valor da omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica Prefeitura Municipal de Mesquita, CNPJ 04.132.090/000125, para R$ 2.319,00 (R$ 37.119,00 menos R$ 34.800,00). Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 106DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 11516.720344/2011-14
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009, 2002
DESFAZIMENTO DE CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE COTAS SOCIETÁRIAS. INEXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL.
Havendo acontecido, na rescisão de contrato de compra e venda de cotas societárias, redução da obrigação na proporção exata em que se verifica a diminuição em ativo àquela vinculado, inexiste acréscimo patrimonial a ser tributado.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ART. 42 DA LEI 9.430/96.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2802-003.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para cancelar as exigências relativas ao ano-calendário 2008, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente Convocado), Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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INEXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. Havendo acontecido, na rescisão de contrato de compra e venda de cotas societárias, redução da obrigação na proporção exata em que se verifica a diminuição em ativo àquela vinculado, inexiste acréscimo patrimonial a ser tributado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ART. 42 DA LEI 9.430/96. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para cancelar as exigências relativas ao ano calendário 2008, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 03 44 /2 01 1- 14 Fl. 534DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente Convocado), Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC) DRJ/FNS, que julgou Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 335.137,30 relativo aos anoscalendário 2007 e 2008. O lançamento deuse em virtude da constatação das seguintes infrações: – Omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior (anocalendário 2008), no valor de R$ 178.001,99; – Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada no anocalendário 2007; Falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão (anocalendário 2008). No que se refere à omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior, vale esclarecer que a contribuinte e seu esposo José Bonifácio Fontana, casados em comunhão de bens, alienaram 95% das cotas sociais que detinham na empresa CCR Empreendimentos Turísticos Ltda. para a empresa uruguaia Erisel S/A., em 3/9/2007. Ocorreu, porém, somente o adimplemento da primeira das duas parcelas previstas no contrato, o qual foi rescindido em 20/12/2007. Apesar de ter recebido US$ 750 mil como primeira parcela da venda, os referidos devolveram ao comprador somente US$ 584.747,25 em 20/11/2008, tendo sido a diferença de US$ 165.714,35 objeto de lançamento pela fiscalização como omissão de rendimentos, bem como sido imputada a infração de falta de recolhimento do carnêleão sobre esse montante. Em sua impugnação, a autuada aduziu que recebeu a parcela inicial do preço da cessão das cotas da empresa CCR empreendimentos Turísticos Ltda., todavia, em 28/12/2007, a adquirente, a empresa Erisel S/A rescindiu o contrato. Mencionou que na cláusula 3 do termo de extinção do instrumento de venda de cotas sociais (fls. 180/181) consta que seria abatido o valor das perdas monetárias de aplicação financeira do montante a ser devolvido à compradora, no caso, o valor de US$ 584,747.25, pois este era o saldo total existente na conta, conforme demonstrado nos extratos e previsto na cláusula 4 do termo de extinção. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.720344/201114 Acórdão n.º 2802003.205 S2TE02 Fl. 319 3 Afirmou que da análise dos extratos bancários a questão resta esclarecida, vez que demonstram que não houve pela autuada apropriação do valor recebido, que não incrementou o seu patrimônio com o valor deixado de devolver a Erisel S/A, eis que houveram significativas perdas financeiras, as quais foram suportadas pela empresa que desejou rescindir o contrato. Frisou que a Fazenda Pública não foi lesada ou prejudicada pelo não recolhimento de tributos, uma vez que não houve ganho algum pela contribuinte por ter transferido para a empresa Erisel S/A o encargo de suportar as perdas financeiras ocorridas pela desvalorização das cotas dos fundos de aplicação junto ao Banco Merrill Lynch, conforme se depreende da leitura dos extratos bancários acostados nos autos. Disse que é mera suposição e sem fundamento algum considerar a diferença (U$ 165.714,65) entre o valor recebido e o que foi devolvido quando da rescisão como sendo uma multa contratual, uma vez que tal diferença não representa um acréscimo patrimonial, e, ainda, que supor que um prejuízo não absorvido seja tributável pelo imposto de renda seria o mesmo que tributar uma não renda. Enfatizou que o imposto de renda só incide quando ocorre um acréscimo patrimonial, o que não houve no caso presente, em que se verificou a transferência de um prejuízo (desvalorização das cotas dos fundos) para o comprador (Erisel S/A) mediante cláusula contratual válida entre as partes, como reconhecido pela própria fiscalização no corpo do Auto de Infração. Asseverou que com o desfazimento do negócio não houve um acréscimo ao patrimônio da contribuinte, apenas um retorno ao seu status quo ante, ou seja, o mesmo número de cotas da empresa CCR existente antes da venda. Quanto aos depósitos de origem não comprovada, afirmou que eram provenientes da distribuição de lucros da empresa Paramicro Ltda. Esclareceu que esta empresa locava máquinas de jogos e diversões eletrônicas e parte do valor dos aluguéis recebidos em cheque e/ou dinheiro era repassado diretamente à impugnante a título de distribuição/antecipação de lucros, evitando o dispêndio desnecessário com a contribuição/imposto sobre movimentação financeira. Alegou que os depósitos eram globais, ou seja, quando era depositado mais de um cheque no mesmo momento, o valor no extrato é o somatório de todos os cheques, motivo pelo qual não há coincidência entre datas e valores com os informados na relação da Paramicro, e, ainda, que os bancos, solicitados a fornecer a relação de cheques que foram depositados nas contas, informaram que não possuem esse controle. Disse que apresentou à fiscalização as listagens das receitas da empresa Paramicro Ltda, denominado ''Relatório e Recibo de Aluguéis recebido pela Locadora" (fls. 108 a 118), que serviu de base para os lançamentos das receitas na contabilidade da empresa e conferem com os valores lançados no livro Diário e Razão apresentados à Fiscalização. Que esses relatórios contém todos os dados indispensáveis e exigidos pela lei, caso houvesse a exigência de emissão de nota fiscal, pois a empresa era desobrigada de emissão, quais sejam, o emitente, o tipo de receita, período de recebimento, locatário e valor do serviço/locação. Entendeu que a fiscalização ignorou os lançamentos contábeis constantes dos livros Diário e Razão, e que os depósitos bancários de R$ 441.834,92 são compatíveis com todos os rendimentos já declarados de R$ 984.113,20, e, também, estão lastreados no valor de R$ 722.700,00 recebidos da empresa Paramicro a título de distribuição de lucros, registrados Fl. 536DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 no Livro Diário. Ademais, “os valores da distribuição de lucros constam nos recibos firmados pela Impugnante" (fls. 39 a 45). A instância recorrida manteve a autuação, consubstanciando seu entendimento no acórdão assim ementado: RENDIMENTOS RECEBIDOS DO EXTERIOR. Está sujeita ao pagamento mensal do imposto a pessoa física que receber de fontes situadas no exterior rendimentos que não tenham sido tributados na fonte, no País. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ONUS PROBANDI A CARGO DO CONTRIBUINTE. A comprovação da origem dos depósitos bancários no âmbito do artigo 42 da Lei n.º 9.430/96 deve ser feita de forma individualizada (depósito a depósito), por via de documentação hábil e idônea. AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade Fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostramse como meras alegações, processualmente inacatáveis. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 10/4/2012, alegando, em síntese: 1. Quanto à omissão de rendimentos recebidos do exterior: que em 28/12/2007 o casal Fontana readquiriu da Erisel S/A. as cotas pelo mesmo valor que as haviam vendido, R$ 1,00 cada, gerando o valor total de R$ 2.185.000,00 consoante Sexta Alteração Contratual, não havendo diferença entre o valor da venda e da recompra das cotas da CCR que justificasse a suposta multa contratual; Fl. 537DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.720344/201114 Acórdão n.º 2802003.205 S2TE02 Fl. 320 5 que após essa data, deveria ser devolvido à Erisel o equivalente a US$ 750 mil, mas esta empresa achou conveniente que o valor continuasse nos fundos de investimento em que estava aplicado; que desde 28/12/2007 a quantia em questão não mais lhe pertencia por força da alteração contratual, e que, com as perdas financeiras no fundo ocorridas em 2008, foi providenciado o resgate do que restara e formalizada extinção do contrato de compra e venda em 20/11/2008; que inexistia a previsão de multa rescisória no contrato, que no termo de extinção ficara acertado que todo o valor na conta bancária deveria ser devolvido ao comprador, e que no período entre a rescisão verbal (28/12/2007) e a assinatura do termo de extinção, o valor continuou nos fundos por decisão da Erisel, que assumiu e suportou os riscos da perda de US$ 165.252,75; que não há acréscimo patrimonial, e sim prejuízo não absorvido, e que o registrado no Termo de Extinção vale em relação a terceiros, cabendo ao Fisco desconstituir seus termos, sendo o caso. 2. Quanto à omissão de rendimentos (depósitos bancários): não há exigência legal de coincidência entre datas e valores para comprovação da origem, a qual ficou demonstrada ser a distribuição de lucros da empresa Paramicro Ltda.; que essa empresa não fazia movimentação bancária para evitar a CPMF, e que os relatórios trazidos atestam as receitas por ela auferidas, dado que estava desobrigada a emitir nota fiscal; que trouxe notas fiscais de aquisição de máquinas, sendo então lógico que estava locandoas, e que a escrituração contábil e os recibos apresentados corroboram seus argumentos, havendo sido distribuídos lucros em montante maior do que os depósitos sujeitos à comprovação e sendo descabida a exigência de comprovantes bancários de transferência de valores; os contratos de locação eram verbais, o que não é vedado, e deveria a fiscalização ter diligenciado junto às empresas constantes dos relatórios para confirmar as operações. Demanda, ao final, a desconstituição do auto de infração e que seja tornada insubsistente a decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Da omissão de rendimentos recebidos do exterior. Consoante relatado, a contribuinte e seu esposo José Bonifácio Fontana venderam parte de suas cotas societárias na CCR Empreendimentos Turísticos Ltda. para a empresa uruguaia Erisel S/A. O negócio foi desfeito após o adimplemento da entrada, sendo que na operação de devolução dessa parcela foi apurada, pela fiscalização, omissão de rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior no montante de US$ 165.252,75. Como as cotas da empresa eram bem comum do casal, o valor da omissão foi tributado à razão de 50% para cada cônjuge, o que levou ao lançamento de R$ 178.001,99 a título da referida omissão em desfavor da recorrente. Para melhor entendimento dos fatos, convém analisar cada etapa dos negócios entabulados entre o casal Fontana e a Erisel S/A. 1. Venda das cotas da CCR Ltda. para a Erisel S/A. (3/9/2007). A venda de 2.185.000 cotas da CCR Ltda. (95% do total das cotas) à Erisel S/A. foi ajustada no Instrumento Particular de Compra e Venda datado de 3/9/2007 (fls. 198 a 200), sendo estipulado o preço de R$ 2.185.000,00, equivalente, nessa data, a US$ 1.117.819,00. Esse valor seria pago nas seguintes condições: entrada no valor de R$ 1.466.025,00 (US$ 750 mil), a pagar até 31/10/2007, e saldo de R$ 718.975,00 (US$ 367.819,00), a ser pago até 30/11/2007. Ambas as parcelas seriam quitadas por meio de depósito em conta no Uruguai ou nos E.U.A, a ser indicada pelos vendedores (cláusula terceira do contrato). A entrada de US$ 750 mil foi transferida em 29/10/2007 (fl. 279) para conta mantida pelos vendedores no Banco Merrill Lynch no Uruguai. Em decorrência da alienação das cotas, deuse a Quinta Alteração e Consolidação Contratual (fls. 192/193), datada de 5/11/2007 (registro na Junta Comercial em 6/11/2007), na qual José Bonifácio Fontana e Nara Boff Martins Fontana admitiram como sócia a pessoa jurídica Erisel Sociedad Anônima, pessoa jurídica uruguaia, retirandose da sociedade a ora recorrente. Neste momento, cabe observar dois pontos que restaram incontroversos nos autos: primeiro, não houve apuração de ganho de capital nessa alienação, por terem sido as cotas alienadas pelo valor constante nas DIRPF (fls. 3/24 e 131/162) e no contrato social (fls. 188/191). Segundo, não constou no contrato cláusula de arrependimento ou multa contratual pelo inadimplemento das obrigações nele consolidadas. 2. Devolução aos vendedores das cotas societárias adquiridas pela Erisel S/A. (28/12/2007). Consoante a Sexta Alteração e Consolidação Contratual (fls. 194 a 196), datada de 28/12/2007 (registro na Junta Comercial em 4/1/2008) Nara Boff Martins Fontana recebeu de volta as 460.000 cotas que havia anteriormente cedido da CCR Empreendimentos Turísticos Ltda., e José Bonifácio Fontana, 1.748.000 cotas que havia cedido dessa empresa, pelo mesmo valor combinado quando da alienação em 3/9/2007, R$ 1,00 para cada cota. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.720344/201114 Acórdão n.º 2802003.205 S2TE02 Fl. 321 7 De acordo com a contribuinte, o contrato de compra e venda não foi levado a seu termo porque ambos os cônjuges foram envolvidos em inquérito junto à Polícia Federal, o que levou a adquirente Erisel S/A. a desistir da aquisição da empresa. A autuada assevera também que após tal alteração contratual, deveria ter sido devolvido o valor da entrada já paga pela Erisel S/A., porém esta teria achado melhor manter os US$ 750 mil nos fundos em que estavam aplicados, de titularidade do casal Fontana. Não há prova desse acerto nos autos, contudo é fato que o montante em tela permaneceu aplicado em conta específica do Banco Merrill Lynch, não havendo sido efetuados resgates desses valores (fls. 279/283 e 287/297) até o advento da rescisão contratual abordada na sequência. 3. Formalização do Termo de Rescisão da Venda das cotas da CCR Ltda. para a Erisel S/A. (20/11/2008) e devolução da entrada paga por esta empresa. Segundo a contribuinte, em razão de crise financeira mundial iniciada em setembro de 2008, os fundos em que estava aplicado o valor pago a título de entrada passaram a apresentar perdas, e assim foi acordado com a Erisel S/A. o resgate do valor naqueles restante para sua devolução à empresa. Só então foi providenciada a lavratura de Termo de Rescisão do contrato de cessão das cotas da CCR Ltda. para a Erisel S/A., fls. 285 a 286, datado de 20/11/2008 e não 20/12/2007, como erroneamente entendeu a instância de primeiro grau por meio do qual as partes extinguiram o já mencionado Instrumento Particular de Compra e Venda de Cotas Societárias. Constou no referido Termo que o saldo de R$ 718.975,00, equivalente a US$ 367,819.00 não foi pago pela compradora, sob a alegação de que não lhe interessava mais o negócio, e que pela não quitação da cessão das cotas, as partes resolveram desfazêlo e de comum acordo transacionaram e ajustaram que os custos de intermediação, despesas com envio do dinheiro depositado na conta dos vendedores, custos de alteração contratual da CCR, despesas com inscrição no CNPJ da compradora, tradução dos estatutos e da procuração, honorários de advogado e demais custos inerentes à efetivação e extinção da negociação e perfectibilização do mesmo, além de outras perdas monetárias de aplicação financeira, seriam abatidos do valor a ser restituído à compradora (item 3) . Também foi consignado que o saldo total da conta nº 19520Y80 dos vendedores seria restituído à compradora, e, para tanto, o titular da conta assinou, no ato, a requisição bancária a ser apresentada junto ao Banco Merrill Lynch para a transferência de US$ 584.747,25, o que veio a acontecer em 20/11/2008 (fl. 283). Pois bem, diante dos fatos acima narrados, a fiscalização, após salientar que o Termo de Rescisão contratual não está registrado em cartório, assim expôs seus motivos para a autuação: Além disso e mais importante, apesar de existir no contrato de rescisão uma cláusula permitindo o abatimento das perdas financeiras ocorridas é evidente que tais perdas não guardam qualquer relação com o negócio realizado, não tendo o adquirente nenhuma responsabilidade sobre tais perdas incorridas em aplicações financeiras efetuadas pelo casal Fontana, não sendo, portanto, custo comprovado na realização da operação cancelada. Face ao exposto, fica evidente que o valor que o casal deixou de devolver a Erisel S/A foi, na realidade, uma multa por rescisão do Fl. 540DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 contrato, motivo pelo qual, no presente auto de infração, o valor desta multa esta sendo tributada como omissão de rendimentos. (grifos do original) Tais conclusões não trilham o melhor caminho. No contrato de compra e venda das cotas societárias restou assinalado que os valores dele decorrentes seriam depositados em contacorrente dos vendedores, a qual restou aberta, como visto, no Banco Merrill Lynch sob o nº 19520Y80 em outubro de 2007, especificamente para esse fim (fls. 202/207). Com o primeiro pagamento de US$ 750 mil em 29/10/2007, o casal Fontana passou a ter um ativo nesse valor, depositado em banco, e um direito a receber os restantes US$ 367.819,00 pactuados, não passando mais a deter US$ 1.117.819,00 em cotas da CCR Ltda. Houve assim, uma mera troca de ativos. A Erisel S/A., por sua vez, passou a titularizar essas cotas da CCR Ltda., mas ficou com a obrigação de pagar os US$ 367.819,00. Com o advento da alteração societária de 28/12/2007, os US$ 1.117.819,00 (R$ 2.185.000, 00) voltaram a integrar o patrimônio dos vendedores, mas não foram estipulados de imediato os termos em que seria devolvido o montante já pago pelo comprador desistente. Destarte, aqueles passaram a ser detentores do valor acima em cotas societárias da CCR Ltda., mais US$ 750 mil dantes creditados na conta da Merrill Lynch, ficando com a obrigação de pagar US$ 750 mil à Erisel S/A. em data não definida no momento da alteração contratual; esta empresa, por seu turno, passou a ser detentora do direito a receber esse mesmo valor do casal Fontana. Apesar disso, o valor já pago continuou segregado do restante do patrimônio desse casal e mantido na precitada conta do Merrill Lynch, na qual não ingressaram quantias de outra origem e cuja movimentação cingiuse, basicamente, em contrapartidas de aplicações/resgates de fundos daquela instituição (fls. 279/283). Com a ulterior formalização do fim do negócio em 20/11/2008, foi acordado que o saldo da conta em que os US$ 750 mil haviam sido originalmente depositados seria devolvido, finalmente, à Erisel S/A., admitindose expressamente que fossem descontadas as perdas monetárias de aplicação financeira, do que resultou na devolução de apenas US$ 584.747,25 dos US$ 750 mil a que tinha, a empresa a princípio, direito. É incontestável que esses termos pactuados implicaram em uma perda patrimonial de US$ 165.252,75 para a Erisel S/A. Sem embargo, tal constatação não significa que tenha havido um acréscimo patrimonial para o casal Fontana. A redução no valor devido à Erisel S/A. se deu na exata proporção em que o ativo que detinha em seu patrimônio, devidamente individualizado na conta nº 19520Y80 do Merrill Lynch, perdeu valor, US$ 165.252,75. Importa destacar que o fato de a Erisel S/A. ter assumido o prejuízo patrimonial em questão não é evidência, por si só, de que tal valor tenha a natureza de multa contratual, a qual, inclusive, não se revela estipulada formalmente no contrato de compra e venda. Na espécie, a versão dos fatos tal como apresentada pela recorrente se mostra perfeitamente plausível, e os documentos colacionados vão ao seu encontro, ainda que não na completude idealmente desejável.Temse que ocorreu um desconto/abatimento em uma dívida, Fl. 541DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.720344/201114 Acórdão n.º 2802003.205 S2TE02 Fl. 322 9 repitase, na exata medida em que se reconheceu a diminuição em um patrimônio a ela distintamente associado. E, ao contrário do referido no julgamento a quo, o determinante no caso não é a caracterização ou não dos US$ 165.252,75 como custo de transação. O que prepondera, na realidade, é a ausência de acréscimo patrimonial para a contribuinte passível de constituir fato gerador da obrigação tributária do imposto de renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional: Código Tributário Nacional: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. §1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Ressalvese, por oportuno, que a conclusão ora traçada seria diversa, caso não fosse possível estabelecer uma correlação clara entre o montante de dívida perdoada e a perda incorrida no ativo vinculado à operação. Houvesse a primeira parcela do contrato passado a integrar, indistintamente, o patrimônio dos vendedores, não poderia ser firmado tal liame, e eventual desconto na obrigação traduzirseia em efetivo rendimento a ser tributado. Por conseguinte, devem ser canceladas as exigências relativas à omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior e à multa isolada por falta de recolhimento do carnêleão, ambas atinentes ao anocalendário 2008. Da omissão de rendimentos decorrente de depósitos de origem não comprovada. A autuação relativa ao anocalendário 2007 teve como base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Desde o início da vigência desse preceito, a existência de depósitos bancários sem comprovação da origem, após a regular intimação do sujeito passivo, passou a constituir hipótese legal de omissão de rendimentos e ou/receita. Portanto, cabe ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de presunção legal relativa, bastando assim que a autoridade lançadora comprove o fato definido em lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada essa omissão. Intimada a comprovar a origem dos depósitos listados às fls. 95/103, a autuada trouxe razões que ensejaram a exclusão de alguns desses créditos, e com relação aos restantes asseverou serem decorrentes da distribuição de lucros da Paramicro Ltda. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Examinando os livros contábeis dessa empresa, verificase não ser possível associar os registros de distribuição de lucros ali constantes (fls. 46/52) aos depósitos, providência, aliás, da qual deveria ter se desincumbido a recorrente, pois, em que pese não haver previsão legal para que a justificação da origem se dê com coincidência de datas e valores, o § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 exige que a comprovação demandada aconteça de maneira individualizada. Por sua vez, nos recibos de fls. 39/45 consta tão somente a assinatura da recorrente, sendo eles inaptos para comprovar o recebimento dos supostos lucros distribuídos, trazendo em seu bojo, ademais, dados que não guardam correspondência com os depósitos questionados. À evidência, na medida em que a indigitada distribuição tenha sido efetivada por meio de cheques de clientes da empresa ou com a entrega de dinheiro em espécie, e não por transferência ou cheque emitido pela pessoa jurídica, como alega a recorrente (fl. 89), correu esta o risco de ficar em dificuldades para comprovar os fatos em questão, encargo que lhe incumbia. Noutro giro, sequer a efetividade da percepção das receitas que deram azo à indigitada distribuição de lucros pôde ser constatada. O "Relatório e Recibo de Aluguéis recebidos pela Locadora" (fls. 108/118) traz valores que não permitem associação com as receitas lançadas na contabilidade (fls. 226/244), e se trata, na verdade, de documento narrativo e de lavra própria, mera declaração acerca de determinados fatos que é inábil para fazer prova de sua efetiva ocorrência perante terceiros, nos termos dos arts. 368 e 373 do Código de Processo Civil. E, ainda que a empresa estivesse desobrigada à emissão de notas fiscais, o que não ficou comprovado, poderiam ter sido apresentados os contratos que lastrearam o recebimento das receitas de aluguéis e os respectivos recibos de pagamento ônus da contribuinte, não da fiscalização, repitase. A afirmação de que não há vedação a que os contratos fossem verbais em nada lhe favorece, frente ao gizado no parágrafo único do art. 195 do CTN: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. (grifei) Resta claro que é necessária prova documental das mutações patrimoniais lançadas na escrituração, preferencialmente produzida com a participação de terceiros instituições financeiras, clientes, fornecedores, partes não relacionadas para atestar a veracidade e conformidade das operações registradas nos livros contábeis. Nesse passo, também não prospera o argumento de que os lucros distribuídos superam o total de depósitos sujeitos à comprovação de origem, pois não há prova nem da real apuração de lucros, nem de sua distribuição. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.720344/201114 Acórdão n.º 2802003.205 S2TE02 Fl. 323 11 Em resumo, não foram trazidas provas de que a empresa Paramicro Ltda. tenha efetivamente auferido receitas, ao menos nos termos em que escrituradas. Deve ser frisado outrossim que não há evidências concretas de que tenha havido distribuição de lucros de acordo com o registrado na contabilidade, não tendo sido apresentado, tampouco, qualquer tipo de associação consistente entre tal suposta distribuição e os depósitos sujeitos a comprovação. Destarte, intimada a recorrente a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados, devidamente discriminados pela fiscalização, e não se desincumbindo desse ônus probatório que lhe foi legalmente transferido, ficou caracterizada a omissão de rendimentos. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de cancelar as exigências relativas ao anocalendário 2008. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 544DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 19311.000200/2009-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1402-000.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar a redistribuição do processo ao Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar, para julgamento em conjunto com o processo nº 19311.000203/2009-67, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar a redistribuição do processo ao Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar, para julgamento em conjunto com o processo nº 19311.000203/2009-67, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar a redistribuição do processo ao Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar, para julgamento em conjunto com o processo nº 19311.000203/200967, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 93 11 .0 00 20 0/ 20 09 -2 3 Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.162 2 Relatório ALESSANDRA ORLANDI BARBOSA MACHADO recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Tratase de auto de infração à legislação do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, lavrado em 11/05/2009, para constituição do crédito tributário de R$5.443.637,68, relativo ao principal, multa de ofício de 75% e 150% e juros de mora, por falta de retenção e recolhimento do IRPF, tendo em conta as irregularidades descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 864/900, parte integrante da peça acusatória. Transcrevese o excerto relativo à exigência em apreço: Em 07/11/2008 foi iniciada, sob Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 08.1.24.002008010840, fiscalização da contribuinte Alessandra Orlandi Barbosa Machado, CPF nº 137.623.00895, domiciliado à R. Prefeito José Carlos, 750, Jardim Santa Julia, Itupeva, SP. A fiscalização teve por objetivo verificar o cumprimento das obrigações relativas ao IRPF dos exercícios 2006 e 2007, anoscalendário 2005 e 2006, decorrentes de reorganização societária que implicou aumento de participação societária do contribuinte fiscalizado na empresa IFC International Food Company Indústria de Alimentos S.A., CNPJ n° 04.136.746/000188, nova denominação social de Jack Link’s do Brasil Ltda. Foram constatados os fatos narrados a seguir. 1. Introdução Sócios remanescentes da empresa IFC (novo nome da empresa Jack Link's) adquiriram quotas que pertenceram a sócios retirantes. A aquisição, de valor superior ao patrimônio líquido da empresa, foi paga com recursos da própria empresa. Foi concedido empréstimo a empresa investidora, seguido de incorporação sem restituição da quantia emprestada, com assunção de dívida remanescente e transferência das quotas às pessoas físicas. Os efeitos tributários são diferentes dos imaginados pelo contribuinte. Nesta introdução será feito um resumo dos principais fatos e das implicações tributárias conforme entendimento da fiscalização. Posteriormente os fatos serão detalhados e qualificados. São partes relacionadas ao negócio: 1. Jack Link's do Brasil Ltda, CNPJ n° 02.473.696/000107, que teve seu nome alterado para IFC International Food Company Indústria de Alimentos SA e a quem chamaremos Jack Link's ou IFC; 2. Jay E. Link Cattle Ranches L.L.C., a quem chamaremos Jay LLC; 3. Troy J. Link Entreprises L.L.C., a quem chamaremos Troy LLC; 4. José Barbosa Machado Neto, CPF n° 119.417.35860, a quem chamaremos José; Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.163 3 5. Alessandra Orlandi Barbosa Machado, CPF n° 137.623.00895, a quem chamaremos Alessandra; 6. Eduardo Jacinto Gonçalves, CPF n° 584.241.56820, a quem chamaremos Eduardo; 7. Zest Investimentos, Participações e Negócios Ltda, CNPJ 07.273.468/000107, a quem chamaremos Zest; 8. Links Japan Holdings, K.K., a quem chamaremos Japan. Os cinco antigos sócios da empresa Jack Link's são partes em contrato de Compra e Venda de Quotas. São vendedores Jay LLC e Troy LLC, e compradores José, Alessandra e Eduardo. A venda tem por objeto as quotas de propriedade de Jay LLC e Troy LLC, representativas de 60% do capital da Jack Link's. O contrato de Compra e Venda de Quotas obriga as partes e seus sucessores. Jay LLC e Troy LLC cederam suas quotas a empresa Japan, que passou a ser a vendedora. José e Alessandra constituíram a empresa Zest, integralizando o capital com as quotas da Jack Link's (35% do capital) que lhes pertenciam. A Zest adquiriu as quotas da Jack Link's pertencentes à Japan. Eduardo não adquiriu quotas. A aquisição foi contratada para ser paga em 4 parcelas. A primeira parcela foi financiada pela Jack Link's, que emprestou recursos para a Zest. As parcelas seguintes deveriam ser pagas em 3 anos. A Jack Link's contratou fiança bancária em favor dos vendedores. São garantidores solidários José e Alessandra (então sócios da Zest e não mais sócios da Jack Link's) e Eduardo, que ofereceram ao banco como garantia 100% das quotas da Jack Link's. O capital da Jack Link's por ocasião do contrato de compra e venda de quotas era cerca de 25,6 milhões. Detinha reservas de reavaliação de cerca de 13 milhões e lucros acumulados de 6,5 milhões. O patrimônio líquido era cerca de 45,3 milhões. O preço acertado para 60% das quotas foi de 20 milhões de dólares, que correspondia a cerca de 52 milhões de reais. Além desse valor, consta do contrato ainda o cancelamento de faturas (‘acordo invoices’: contas a pagar dos sócios retirantes para a Jack Link's) no valor de cerca de 3,1 milhões de reais e a cessão pela Jack Link's de marcas e patentes. A Zest contabilizou ainda como ágio todas as despesas incorridas, pagas com empréstimos da Jack Link's. A Jack Link's transferiu à Zest embalagens no valor de cerca de 4,6 milhões, tendo como contrapartida conta de empréstimo a receber. A Zest contabilizou o valor das embalagens como ágio, em contrapartida a investimentos a pagar. A Zest contabilizou como custo de aquisição cerca de 59,1 milhões de reais, dos quais cerca de 33,7 milhões correspondiam a ágio na aquisição de quotas. As marcas e patentes foram cedidas pela Jack Link's a terceiros. Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.164 4 Com a aquisição, a Zest, de propriedade de José e Alessandra, passou a ser possuidora de 95% das quotas da Jack Link's, que teve o nome alterado para IFC. Um mês após a aquisição das quotas, a Zest foi incorporada pela IFC. No momento da incorporação, a Zest tinha como únicos ativos R$1.000,00 em caixa e o investimento de 95% das quotas da IFC. O patrimônio líquido da Zest era seu capital, integralizado com R$1.000,00 mais 35% das quotas da Jack Link's pelo valor nominal. O passivo exigível correspondia ao custo de aquisição de 60% das quotas da Jack Link's, parte financiado pela Jack Link's, parte a ser paga em parcelas. Com a incorporação, a IFC recepcionou um acervo líquido negativo de cerca de 59,1 milhões, correspondente ao passivo da Zest menos R$1.000,00. Extinguiuse a dívida da Zest para com a IFC, correspondente ao financiamento da 1ª parcela da compra e das despesas computadas como custo de aquisição de investimento, no valor total de cerca de 23,6 milhões. A IFC assumiu as dívidas da Zest para com a Japan, correspondente às demais parcelas da compra, e com prestadores de serviços relacionados à aquisição, no valor total de cerca de 35,5 milhões de reais. A IFC passou a apresentar em seu balanço, impropriamente, no grupo Patrimônio Líquido, uma conta de título ‘Outras’, no valor negativo de cerca de 25,4 milhões. Esse valor resulta da soma do valor de reserva de ágio de cerca de 33,7 milhões e o valor negativo de cerca de 59,1 milhões relativos ao acervo líquido recebido da ZEST. O Patrimônio Líquido resultante, de cerca de 19,1 milhões, inferior ao capital de 25,6 milhões, só ficou positivo devido à Reserva de Ágio. O ágio ativado gerou benefícios fiscais de 12,5 milhões. A participação societária na IFC passou a ser de 81,434% para José, 13,566% para Alessandra e 5% para Eduardo. Após a incorporação, a IFC baixou faturas a receber no valor de cerca de 3,1 milhões, em contrapartida à conta ágio. No que respeita à aquisição de quotas, a questão central de interesse fiscal é a transferência de recursos da empresa aos sócios. A operação realizada contém, em tese, uma simulação relativa com interposição fictícia de pessoa. O mútuo entre a IFC e a Zest é, em tese, um negócio simulado. O negócio dissimulado é a transferência não onerosa de recursos da IFC para José e Alessandra, estes sim os verdadeiros compradores das quotas. O ilícito societário é a retirada pelos sócios, sem reposição, de recursos da empresa em prejuízo do capital. O ilícito tributário é o não recolhimento de: a) Imposto de Renda Pessoa Física IRPF e Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF incidentes sobre recursos distribuídos além do lucro contábil apurado; b) Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL decorrentes da distribuição disfarçada de lucros (DDL) através da transferência gratuita de ativos (invoices e intangíveis) para os sócios; c) IRPJ e CSLL decorrentes da dedução indevida de despesas de amortização de ágio na aquisição de investimentos, glosa de despesas de juros e variações monetárias ativas e passivas. Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.165 5 Para o contribuinte José Barbosa Machado Neto, a desconsideração do ato simulado tem como conseqüência o lançamento do IRPF, incidente sobre os recursos transferidos da IFC para o contribuinte, para aquisição de quotas, uma vez que tais valores superam os lucros apurados pela contabil idade. A base de cálculo corresponde à proporção da participação de José nas quotas adquiridas, aplicada aos pagamentos efetuados pela empresa IFC para aquisição das quotas em benefício dos sócios José e Alessandra. Constatouse ainda a existência de pagamentos ao sócio, relativos a uso de patentes e não relacionados à aquisição de quotas, sem retenção de IRRF. Também são objeto de lançamento de IRPF. 2. Atos relativos à f iscalização Inicialmente foram feitas diligência e fiscalização na IFC, além desta fiscalização. Cópias dos documentos obtidos nos procedimentos fiscais foram juntadas ao processo. Os atos relativos à fiscalização desenvolveramse conforme descrito a seguir. a) Atos relativos à dil igência na IFC: Em 06/06/2007 foi iniciado procedimento fiscal de diligência junto ao contribuinte com o objetivo de levantar informações sobre alterações societárias de 2002 a 2005 e reavaliação de ativos em 2003. O contribuinte apresentou cópias de diversos documentos juntadas ao processo, relacionadas abaixo: 1. Alterações contratuais da empresa IFC; 2. Contrato social e alterações contratuais da ZEST; 3. Documentos de origem da reserva de reavaliação do intangível e reversão (juntada ao processo cópia de parecer); 4. Demonstrativo do valor do ágio; 5. Folhas do Livro Razão da Zest; 6. Tradução para o português da versão de execução do Contrato de Compra e Venda de Quotas entre, de um lado, Jay E. Link Cattle Ranches, LLC e Troy J. Link Entreprises, LLC, e de outro lado, José Barbosa Machado Neto, Alessandra Orlandi Barbosa Machado e Eduardo Jacinto Gonçalves; 7. Comprovante de pagamento da primeira parcela da dívida; 8. Registros contábeis do ágio na IFC; 9. Registros contábeis de reavaliação de patente e seu estorno; 10. Contrato em inglês de compra de 60% do capital da IFC (parcial); 11. Contrato Social (constituição) da Jack Link's; 12. Comprovante de pagamento da primeira parcela da dívida com dados da recebedora; 13. Contrato de mútuo entre Zest e IFC; Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.166 6 14. Contrato de Prestação de Garantia Fidejussória G n° 1073/05 de 14/04/2005; 15. Carta de Fiança G1 073/05; 16. Documentos justificando a transferência de recursos referente à primeira parcela à conta de Jay Earl Link. Em 06/12/2007 foi encerrada a diligência que recolheu cópias de documentos para análise, conforme Termo de Encerramento juntado ao processo. b) Atos relativos à f iscalização na IFC: Em 18/02/2008 foi dado início à fiscalização do contribuinte, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ do exercício 2006, ano calendário 2005. Em 26/02/2008 o contribuinte informou que não houve aditamento ao contrato de compra e venda e apresentou cópia dos elementos listados abaixo: 1. Livros Razão e Diário da Zest; 2. Comprovantes de pagamentos das 2ª, 3ª e 4ª parcelas do contrato de compra e venda de quotas. Em 10/03/2008 o contribuinte apresentou cópia dos elementos listados abaixo: 1.Anexo 4.8 Relação da propriedade intelectual transferível; 2.Cláusula 4.8 que documenta a cessão dos ativos intangíveis; 3.Contas razão de reserva de reavaliação dos anos 2003 a 2005; 4.Lista de ativos intangíveis em uso (marcas que substituíram as transferidas); 5.Contrato e lista de patentes de terceiros exploradas pela IFC; 6.Cláusula 4.14 e anexo 4.14 que listam embalagens destruídas. Em 04/04/2008 o Termo de Intimação Fiscal n° 0002 solicitou: 1) cópia do termo de acompanhamento de destruição de mercadorias emitido por Auditor Fiscal da Receita Federal, relativo à destruição de embalagens prevista em contrato; 2) cópia dos instrumentos de transferência de marcas e patentes; 3) confirmação de inexistência de aditamento ao contrato; 4) cópia de documento em que as partes compradores e vendedores indicam às demais partes quem serão seus sucessores no negócio; e 5) cópia de laudo de reavaliação das marcas estornadas. Em 11/04/2008 o contribuinte reafirmou que não tem aditamento do contrato de compra e venda de quotas e que não tem termo de acompanhamento de destruição de produtos emitido pela Receita Federal. Apresentou cópia do detalhe de um processo de transferência de marcas no INPI. Informa que no contrato social os sócios são Zest e Link's Japan, e que não existe outro documento que informe sucessão. Informou que essas empresas são citadas no contrato de compra e venda. Entretanto, constatase que o contrato é anterior à criação da Japan e à participação da Zest na IFC, e que nele não existe menção a esses nomes. Em 26/06/2008, ante a informação do contribuinte, datada de 26/02/2008, de que não houve aditamento do contrato de compra e venda, contrariando informações constantes do Contrato de Prestação de Garantia Fidejussória G n° 1073/05 e também da 8ª alteração contratual da IFC, solicitamos emissão de requisição de informação Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.167 7 sobre movimentação financeira, requisitando ao Banco ABN AMRO Real S.A. cópia dos documentos relativos ao contrato de prestação de garantia. Em 06/08/2008 e em 24/09/2008 o banco apresentou cópias de documentos diversos, entre os quais ‘Release Letter’ datada de 20/09/2006 e sua tradução, onde consta item 2.i que faz referência ao contrato de aquisição de quotas ‘aditado em 18 de abril de 2005 para nele incluir como partes as empresas Zest Investimentos, Participações e Negócios Ltda. e Links Japan Holdings Limited Y.K.’. Em 04/09/2008 o contribuinte tomou ciência do Termo de Retenção n° 0005 e em 27/10/2008 do Termo de Ciência e de continuação de procedimento fiscal n° 0006. Em 07/11/2008 o contribuinte tomou ciência do Termo de Ciência e de continuação de procedimento fiscal n° 0007, que informou a ampliação da fiscalização para os exercícios 2007 e 2008. Em 08/12/2008, o contribuinte tomou ciência do Termo de Retenção n° 0008. Apresentou cópias de documentos e contas de Livro Razão conforme lista abaixo: Investimentos a pagar 2.2.03.01.02 Investimentos 3.2.01.01.05 Variação Cambial Ativa Juros passivos 6.4.01.01.03 Variação Cambial Passiva 1.5.01.01.01 Incorporação IFC/Zest 1.1.02.04.05 Mútuo entre sócios 2.4.03.01.05 () Saldo Incorporação 2.1.01.01.01 Capital Social Nacional 1.1.01.02.02 Banco Real SA 2.1.02.03.05 Empréstimo de Sócios 1.1.02.04.07 Imobiliz Destinados a Venda 1.3.02.05.01 Imóvel (Chácara) 1.3.02.05.02 Reavaliação da Chácara Instrumento particular de mútuo entre os sócios e a IFC; Contrato particular de cessão e transferência de direitos e obrigações sobre imóvel para liquidação de mútuo; 1.3.04.02.02 () Amortização Ágio Planilhas relativas ao ágio; Contrato de fiança e memorando de entendimento, onde consta proibição de distribuição de dividendos; Em 12/12/2008 foi lavrado Termo de Retenção n° 0009 e em 17/12/2008 o Termo de Retenção n° 0010. Em 23/12/2008 foi dada ciência do Termo de Intimação Fiscal n° 0011, que solicitou demonstrativo de pagamentos das despesas com carta de fiança no valor de R$725.349,21 e demonstrativo de valores residuais das marcas e patentes transferidas para os antigos sócios. Informase ao contribuinte que foi constatado que esses valores não foram baixados da contabilidade. Em 12/01/2009 o contribuinte apresentou os elementos solicitados na intimação n° 0011. Em 12/02/2009 foi dada ciência do Termo de Ciência e de Continuação do Procedimento Fiscal n° 0012, de mesma data. Em 08/04/2009 foi dada ciência do Termo de Intimação Fiscal n° 0013, que solicitou cópia do aditamento ao contrato de compra e venda de quotas. Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.168 8 Em 14/04/2009 recebemos resposta do contribuinte em que informa que a inclusão das empresas Zest e Japan no contrato se deu através de troca de correspondência entre as partes. c) Atos relativos à fiscalização do contribuinte José Barbosa Machado Neto: Em 07/11/2008 foi dada ciência do Termo de Início do Procedimento Fiscal relativo à fiscalização objeto do MPF nº 0812400.2008.01084, conforme Aviso de Recebimento – AR juntado ao processo. Em 09/12/2008 o contribuinte protocolizou resposta ao referido Termo. Informou que ele e sua esposa receberam 24.320.000 quotas da empresa IFC em decorrência da incorporação da empresa ZEST pela IFC; que não apuraram ganho de capital na operação; que a informação da participação na declaração de ajuste traduz o valor nominal das quotas recebidas; que o rendimento correspondente (no seu entender isento) foi informado sob a rubrica ‘acréscimo patrimonial’ e ‘lucros e dividendos recebidos’ por falta de classificação mais adequada. Informou que a compra da gleba de terras foi paga mediante compensação de crédito. Em 24/12/2008 o contribuinte tomou ciência do Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal nº 0002 e em 28/02/2009 do Termo de número 0003. Em 18/04/2009 o contribuinte tomou ciência do Termo de Intimação Fiscal nº 0004, que solicitou cópia do aditamento ao contrato de compra e venda das quotas da Jack Link’s, datado de 18 de abril de 2005. Até a presente data não recebemos a resposta à intimação. Entretanto, o documento nos foi entregue pela empresa IFC em procedimento fiscal próprio, que juntamos ao processo. 3. FATOS CONSTATADOS Os documentos obtidos na diligência e na fiscalização permitiram constatar os fatos descritos a seguir. Reproduzimos partes dos documentos. Negritamos trechos que julgamos mais relevantes. FATO 1 Em 16/04/1998 é criada a empresa JACK LINK'S DO BRASIL LTDA, com capital de R$35.000,00, sendo seus sócios Alessandra Orlandi Barbosa Machado e José Barbosa Machado Neto. FATO 2 Em 01/06/1998 dáse a primeira alteração contratual na JACK LINK'S, quando ingressa na sociedade Eduardo Jacinto Gonçalves, que recebe quotas cedidas por José, e o capital é aumentado para R$155.000,00. A participação societária passa a ser de 75% para José, 10% para Alessandra e 15% para Eduardo. O item V estabelece que a administração da sociedade caberá aos sócios José e Alessandra, ‘em conjunto ou isoladamente, porém unicamente em negócios da sociedade, ficando expressamente proibido o uso em cartas de fianças, abonos, endossos, ou em quaisquer transações alheias e estranhas ao ramo designado neste contrato’. O item VI estabelece que somente os sócios José e Alessandra terão direito a uma retirada mensal a título de Pró Labore. FATO 3 Em 08/05/2000 dáse a segunda alteração contratual na JACK LINK'S, quando são admitidas no quadro societário as empresas norte americanas JAY E. LINK CATTLE RANCHES L.L.C. e TROY J. LINK ENTRERPRISES L.L.C., estabelecidas nos endereços P. O. Box 210 e 579, 54859, Minong, Wisconsin, EUA, e representadas por José Barbosa Machado Neto. O ingresso dáse através de cessão de Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.169 9 quotas dos antigos sócios. A participação societária passa a ser de 30% para a JAY LLC, 30% para a TROY LLC, 30% para José, 5% para Alessandra e 5% para Eduardo. O item VI altera os objetivos da sociedade ‘que passa a explorar o ramo de produção de snack (carne defumada), ficando assim o objeto da sociedade: industrialização, fabricação, comercialização, importação e exportação de produtos alimentícios em geral, innatura, processados ou industrializados, inclusive snack’. O item VIII mantém os administradores, nos termos do item VI da alteração anterior. FATO 4 Em 16/06/2003 dáse a quarta alteração contratual na JACK LINK'S. A empresa JAY LLC é representada por seu sócio Jay Earl Link, e a empresa TROY LLC é representada por seu sócio Troy John Link. Ambos são representados no ato por José Barbosa Machado Neto, procurador de ambas. O capital é aumentado para R$12.000.000,00, com aproveitamento de reservas de lucros acumulados no valor de R$11.045.000,00. A redação do contrato social é adaptada ao novo Código Civil, enquadrandose a sociedade como empresarial do tipo Sociedade Limitada. A cláusula 7ª do contrato social dispõe que ‘é vedado aos sócios caucionar ou, de qualquer forma, penhorar ou onerar suas quotas de capital, no todo ou em parte, salvo em favor do outro sócio’. A cláusula 12ª dispõe que ‘em operações estranhas aos negócios da sociedade e ao objeto social, é vedado aos administradores conceder, em nome da sociedade, fianças, avais ou outras formas de garantias que comprometam a sociedade’. A cláusula 13ª dispõe que os sóciosadministradores (José e Alessandra) receberão um valor mensal a título de prólabore que será determinado pelos quotistas, por maioria. A cláusula 16ª dispõe que o exercício social coincidirá com o ano civil. A cláusula 17ª dispõe que os sócios, por deliberação da maioria do capital, poderão antecipar a distribuição de lucros, baseada nos balanços que venham a ser levantados em períodos extraordinários. Os lucros serão partilhados aos sócios na proporção de suas quotas no capital social. A cláusula 19ª dispõe que ‘o sócio que desejar alienar suas quotas de capital, no todo ou em parte, a qualquer título, deverá comunicar os demais sócios sua intenção, por escrito, indicando o nome do pretendente e o valor ajustado da alienação’. ‘No prazo de 30 (trinta) dias a contar do recebimento da notificação, os demais sócios poderão exercer o direito de preferência para a aquisição das quotas ofertadas, na proporção de sua participação no capital social, nas mesmas condições’. A cláusula 22ª dispõe que os casos omissos no contrato serão regulados pelo capítulo IV Da Sociedade Limitada, do Código Civil, (artigos 1052 a 1087) e legislação pertinente, e subsidiariamente pelas normas das sociedades anônimas. FATO 5 Em 09/03/2004 dáse a quinta alteração contratual na JACK LINK'S. O capital é aumentado para R$25.600.000,00, com aproveitamento de reservas de lucros acumulados no valor de R$14.400.000,00. Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.170 10 FATO 6 Em 21/07/2004 dáse a constituição da empresa ZEST. São sócios a empresa SHAMA e José. O capital social é de R$1.000,00. A participação da SHAMA é de 99,9% e a de José de 0,1%. O objeto social é a participação como acionista ou quotista em outras sociedades de qualquer natureza, no Brasil e/ou no exterior; a exploração de atividades imobiliárias, incluindo corretagem; a administração de móveis e imóveis próprios. FATO 7 Em 29/09/2004 dáse a sexta alteração contratual na JACK LINK'S, quando os sócios deliberam readaptar a redação do Contrato Social às normas do novo Código Civil. É acrescentado à cláusula 17ª, §3°, que ‘a menos que seja estipulada quantia superior, a Sociedade deverá distribuir lucros obrigatórios aos sócios no valor de 25% (vinte e cinco por cento) do lucro líquido, consoante estabelecido no artigo 202, §2°, da Lei 6.404/76’. FATO 8 Em 02/01/2005 é celebrado contrato de mútuo entre JACK LINK'S, mutuante, e ZEST, mutuária. A cláusula 21 dispõe: ‘Os empréstimos feitos pela MUTUANTE deverão ser liquidados em até 180 (cento e oitenta) dias contados a partir da data de cada desembolso, pela MUTUÁRIA sempre que esta liquidação for requerida pelos primeiros, independente de qualquer outra condição’. A cláusula 31 dispõe: ‘Sobre os recursos emprestados pela MUTUANTE à MUTUÁRIA, em conjunto ou individualmente, a MUTUANTE cobrará juros da MUTUÁRIA desde o momento do empréstimo até o dia de sua devolução. Estes juros serão apurados e pagos no dia do pagamento ou liquidação do principal pela MUTUANTE e deverão refletir no mínimo o custo médio que a MUTUANTE eventualmente teve para captar recursos equivalentes de instituições financeiras durante o prazo dos empréstimos...’. FATO 9 Em 16/03/2005 é assinado CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE QUOTAS tendo de um lado Jay LLC e Troy LLC, em conjunto declarados ‘vendedores’ e de outro lado José, Alessandra e Eduardo, em conjunto declarados ‘compradores’. Participam como intervenientes JACK LINK'S (chamada de Sociedade), Jay Earl Link e Troy John Link. Lêse nos considerandos que os ‘Vendedores desejam vender aos compradores, e os Compradores desejam comprar dos Vendedores, todas as Quotas’ da JACK LINK'S que os vendedores possuem (folha 10 da tradução do documento). A definição de ‘Curso normal de Negócio Provisório’ à folha 16 da tradução do contrato, prevê, no item (vii), a não adoção de qualquer fusão ou reorganização envolvendo a Jack Link's, salvo o disposto na cláusula 8.9, que trata de Reestruturação Corporativa de compradores e de vendedores e que já prevê que ambos agirão de boa fé para implementar as reestruturações. A folha 11 da tradução traz definição de ‘coligada’: significará, a respeito de qualquer Pessoa, qualquer outra Pessoa que, direta ou indiretamente, seja Controlada, Controle ou esteja sob o Controle comum da referida Pessoa. Existem no contrato definições de controle, partes, pessoa, subsidiárias. Em diversas cláusulas as condições estabelecidas obrigam as partes e sua coligadas ou subsidiárias. Assim por exemplo, a definição de ‘Informações Confidenciais’ à folha 13 da tradução referese à Jack Link's, aos quotistas, suas coligadas e subsidiárias. Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.171 11 A cláusula 1.2.5 (folha 25 da tradução) dispõe que ‘Uma referência a qualquer parte deste Contrato ou a qualquer outro contrato ou documento incluirão os sucessores e cessionários autorizados da referida parte’. A cláusula 1.2.6 dispõe que ‘Qualquer referência à Sociedade neste Contrato, compreenderá as respectivas Coligadas e/ou Subsidiárias da Sociedade, a menos que expressamente indicado ao contrário’. A cláusula 2.2 trata do preço de compra, estipulado em vinte milhões de dólares americanos. Serão pagas uma parcela inicial de 6,75 milhões na data de encerramento do contrato, uma parcela de 5 milhões em 330 dias, outra parcela de 5 milhões em mais 360 dias e outra de 3,35 milhões em mais 360 dias, conforme cláusula 2.3. A cláusula 2.3.5 dispõe que os vendedores entregarão aos compradores a cada parcela um documento contendo os cálculos feitos pelos vendedores dos impostos sobre ganho de capital devidos pelos vendedores no Brasil (‘Declaração de Ganho de Capital’). A cláusula 3.2 Entregas pelos Compradores dispõe que os compradores entregarão garantia ‘abrangendo totalmente (i) todos e qualquer pagamentos relacionados às Prestações do Preço de Compra até o pagamento integral das mesmas pelos Compradores aos Vendedores, e (ii) o valor total de juro para efetuar os referidos pagamentos (a ‘Garantia’)’. O item (e) da cláusula 3.2 dispõe que no encerramento os compradores entregarão (i) instrumentos de cessão relacionados ‘à cessão e transferência pelos Compradores e/ou Sociedade aos Vendedores ... de toda Propriedade Intelectual Transferível relacionada no Anexo 4.8...’ e (ii) o respectivo certificado de registro emitido pelo INPI. O item (i) dispõe que no encerramento ‘considerando que o Preço de Compra represente o valor justo, razoável e adequado para liquidar de forma incondicional e irrevogável tanto o Valor da Dívida dos Vendedores quanto o Valor da Dívida dos Compradores, que forem existentes reciprocamente entre os Compradores, Vendedores e a Sociedade, conforme mencionado nos Anexos 5.6 e 4.10...’. O item (a) da cláusula 3.3 Entregas pelos Vendedores repete o texto acima A Seção 2.2 Nenhum outro valor, do Anexo 3.2 (i) Formulário de Contrato Quitação (folha 102 da tradução), dispõe que ‘Exceto quanto ao Valor da Dívida das Vendedoras (conforme definido abaixo) relacionado no Anexo B ao presente instrumento, não há outros valores devidos (sejam devidos atualmente ou a se tornarem devidos futuramente) pela Empresa e/ou as Vendedoras às Compradoras na data do presente instrumento’. A cláusula 4.1 dispõe que ‘Cada um dos compradores possui plenos poderes e autoridade para assinar e cumprir este Contrato e efetuar todas as Transações estabelecidas no presente, bem como cumprir todas as obrigações assumidas nos termos deste documento, tendo tomado todas as medidas necessárias para autorizar sua assinatura. Nenhuma outra medida será necessária para autorizar a assinatura e a conformidade com este Contrato por cada um dos Compradores’. A cláusula 5.6 Dívida Pendente dos Vendedores dispõe que ‘O Anexo 5.6 especifica uma relação de dívida pendente possuída pelos Vendedores à Sociedade e/ou pelos Vendedores aos Compradores, condicionadas à ocorrência do Fechamento (o ‘Montante da Dívida dos Vendedores’). Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.172 12 A cláusula 6.4 dispõe que as partes ‘concordam a: a) dentro de um (1) ano a partir da data deste, alienar inteiramente de todos os Itens de Embalagem; e (b) ...fornecer evidências satisfatórias aos Vendedores, a seu exclusivo critério, que (i) todos os Itens de Embalagem foram inteiramente alienados pela Sociedade; e (ii) todos os custos, honorários e despesas relacionados com esta Cláusula 6.4 foram exclusivamente suportados pelos Compradores e/ou pela Sociedade’. FATO 10 Em 22/03/2005 dáse a primeira alteração contratual da empresa ZEST, com a retirada da sócia SHAMA e cessão de suas quotas para José e Alessandra. A participação de José passa a ser 95% e a de Alessandra 5%. FATO 11 Em 05/04/2005, correspondência assinada por José, Alessandra e Eduardo comunica aos vendedores a substituição dos signatários pela Zest como compradora das quotas, conforme cópia apresentada em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 0013. FATO 12 Em 11/04/2005 dáse a segunda alteração contratual da empresa ZEST, com aumento de capital de R$1.000,00 para R$8.961.000,00, com a subscrição e integralização de capital através da transferência de quotas que os sócios detinham na JACK LINK'S. Estabeleceuse que a integralização de capital deveria ser realizada até 31/05/2005. A participação de José passa a ser 85,72% e a de Alessandra 14,28%. FATO 13 Em 12/04/2005 dáse a sétima alteração contratual da JACK LINK'S, ocorrendo a transferência de quotas dos sócios para empresas constituídas por esses mesmos sócios. Os sócios José e Alessandra ‘cedem e transferem a totalidade de suas quotas representativas do capital social da Sociedade como integralização ao capital social da sociedade ZEST INVESTIMENTOS, PARTICIPAÇÕES E NEGÓCIOS LTDA’. Os sócios JAY LLC e TROY LLC ‘em decorrência de reorganização societária ocorrida no exterior, cedem e transferem a totalidade de suas quotas representativas do capital social da Sociedade à sociedade LINKS JAPAN HOLDINGS, KK’. A participação societária passa a ser de 60% para a LINKS JAPAN, 35% para a ZEST e 5% para Eduardo. Os administradores, agora não sócios, continuam sendo José e Alessandra. FATO 14 Em 14/04/2005, documento interno enviado pelo Banco Real intitulado ‘Solicitação de Operação Específica’, contendo aprovação dos executivos do banco ao Contrato de Garantia Fidejussória, estabelece as Garantias a serem exigidas para assinatura do contrato. Lêse na terceira página do documento, no subtítulo ‘Garantias conforme abaixo’, item 6: ‘Proibição de distribuição de dividendos durante todo o período de operação’. O texto é repetido no documento seguinte, que tem como referência ‘Proposta nº. 2004/2.387.853 Aprovada nas seguintes condições:’. A proibição consta também à folha 5 de documento emitido pelo Banco Real com título ‘Memorando de Entendimento sobre Fiança de Longo Prazo para:’, subtítulo ‘Obrigações nãopecuniárias’, apresentado à fiscalização pelo contribuinte após nossa visita à empresa em 08/12/2008. FATO 15 Em 14/04/2005 é assinado Contrato de Prestação de Garantia Fidejussória G N° 1073/05, entre ABN AMRO (BANCO) e JACK LINK'S (CLIENTE), tendo José, Alessandra e Eduardo como intervenientes solidários. O beneficiário é a LINKS JAPAN, o afiançado é a ZEST, o objeto da fiança é ‘garantir o cumprimento das obrigações de pagamento das parcelas do preço de compra estabelecido na Cláusula 2.3.1, letras (b), (c) e (d) do ‘Contrato de Compra e Venda de Quotas’ firmado em 16 de março de 2005 e seu aditamento a ser firmado, limitada a responsabilidade do BANCO à quantia em moeda corrente nacional equivalente a US$ 14.655.000,00...’. Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.173 13 No item V GARANTIAS, quadro Descrição das Garantias, consta subitem ‘5. Penhor da totalidade das quotas representando o capital social do CLIENTE a ser constituído dentro do prazo de quinze (15) contados da data de emissão da FIANÇA;’. Nas cláusulas contratuais, o item 1.1 declara que o Contrato de Compra e Venda é o ‘único documento comprobatório do objeto da Fiança’. O item 1.1.1 obriga a IFC a entregar ao banco cópia autenticada do aditamento do contrato. O item 3 estabelece que ‘Na hipótese de o BANCO vir a ser chamado para satisfazer, total ou parcialmente, a FIANÇA prestada (‘PEDIDO DO BENEFICIÁRIO’), fica desde já pactuado que o BANCO não se encontra, para realizar o pagamento abonado, sujeito a nenhuma comunicação prévia do ou para o CLIENTE, bem como o BANCO não está sujeito à verificação da legitimidade do PEDIDO DO BENEFICIÁRIO, tendo em vista que a FIANÇA é prestada em caráter incondicional’. O item 4 dispõe que a IFC obrigase perante o BANCO a: ‘a) reembolsar o BANCO, independentemente de qualquer questionamento, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas contadas do recebimento de solicitação do BANCO nesse sentido de quaisquer pagamentos efetuados pelo BANCO ao BENEFICIÁRIO...’; ‘b) efetuar ao BANCO o pagamento de todos e quaisquer valores que sejam devidos pelo CLIENTE ao BANCO de acordo com este contrato’. O item 5 dispõe sobre custos adicionais (juros, comissões, multa) a serem arcados pela IFC ‘no caso de mora e/ou inadimplemento, por parte do CLIENTE e/ou dos INTERVENIENTES GARANTIDORES SOLIDÁRIOS, de qualquer obrigação por eles assumida perante o BANCO por força deste contrato...’. O item 13.1 dispõe que o CLIENTE obrigase também: ‘a) a informar imediatamente o BANCO de qualquer negociação que possa resultar em qualquer alteração de sua atual composição acionária, imediatamente após o início da referida negociação; b) informar o BANCO bem como obter a sua anuência prévia e por escrito acerca de qualquer negociação que possa resultar em aquisição, pelo CLIENTE, de participação no capital social de outras empresas, imediatamente após o início da referida negociação; c) informar o BANCO bem como obter a sua anuência prévia e por escrito de qualquer negociação com BENEFICIÁRIO que possa resultar em novação do BENEFICIÁRIO ao CLIENTE;’ O item 16, obrigações especiais do cliente, dispõe: ‘16. A contar da data de assinatura deste Contrato e até que todos os valores devidos ao BANCO tenham sido pagos, o CLIENTE e os INTERVENIENTES GARANTIDORES SOLIDÁRIOS individualmente obrigamse relativamente ao CLIENTE: (i) Veracidade das Declarações e Efetividade das Garantias. Tomar todas as providências e atitudes necessárias para que, durante todo prazo do Contrato e até que suas obrigações dele decorrentes tenham sido totalmente liquidadas, todas as declarações por ela prestadas permaneçam verdadeiras e precisas bem como as garantias por ela prestadas permaneçam íntegras e em vigor; e (viii) Não Contratação/Concessão de Mútuos. Não contratará ou concederá mútuos de ou a favor Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.174 14 de controladas, coligadas e/ou sócios bem como terceiros, exceto relativamente ao mútuo a ser concedido a favor do AFIANÇADO para efetuar o pagamento do preço de compra estabelecido no Contrato de compra e Venda de Quotas referido no item IV do preâmbulo; e (ix) Pagamento de Dividendos. Limitar o pagamento dos dividendos líquidos eventualmente apurados do seu lucro líquido, aplicandose tal limitação também ao eventual pagamento de juros sobre o capital próprio; (x) Redução do capital social. Não reduzirá tampouco permitirá a redução do capital social por retirada dos sóciosquotistas; e (xii) NãoAlteração do Controle Acionário. Não alterar bem como não permitir alteração do controle acionário do CLIENTE que importe em uma alteração equivalente do controle societário do CLIENTE; e’ FATO 16 Até 18/04/2005 a JACK LINK'S emprestou R$25.372.643,00 a ZEST, conforme lançamentos contábeis em Livro Diário da Zest. FATO 17 Em 18/04/2005 dáse a oitava alteração contratual na JACK LINK'S, quando se dá a transferência das quotas da sócia LINKS JAPAN para ZEST. A participação societária passa a ser de 95% para a ZEST e 5% para Eduardo. A transação se dá ‘pelo preço estipulado no Contrato de Compra de Quotas, assinado pelas partes em 16 de março de 2005, aditado em 18 de abril de 2005’. O sócio Eduardo Jacinto Gonçalves declara que foram atendidas as exigências para o exercício do direito de preferência estipulado no Contrato Social e renuncia a ele. A sociedade passa a se chamar IFC International Food Company Indústria de Alimentos Ltda. FATO 18 Em 25/04/2005 é assinado ‘Termo de Prestação de Garantia Penhor de Quotas N° 1073/05’, em que figura como contratante a IFC e como garantidores a Zest e Eduardo. Dispõe o item 3: ‘Integrarão a garantia ora constituída os dividendos atribuídos às quotas empenhadas, bem como aquelas quotas que vierem ser atribuídas em decorrência do pagamento de bonificações, ou resultantes de desdobramentos.’ Dispõe o item 8: ‘Integrarão a garantia todos os rendimentos ou vantagens que forem atribuídos às quotas empenhadas, respectivos rendimentos e quaisquer outros bens eventualmente adquiridos com o produto da realização da garantia prestada’. FATO 19 Em 25/04/2005 dáse a nona alteração contratual na IFC. Os sócios quotistas ZEST e Eduardo empenham cada uma de suas quotas ‘em favor do Banco ABN AMRO Real S.A., de acordo com os termos e condições estabelecidos no Termo de Prestação de Garantia Penhor de Quotas n° 1073/05’, firmado em 14/04/2005. É acrescentado o parágrafo 3° à cláusula 5ª do contrato social informando que as quotas foram empenhadas em favor do Banco ABN AMRO Real S.A. FATO 20 Em 31/05/2005 o balanço patrimonial da ZEST constante da DIPJ de incorporação apresenta 33,7 milhões de ágio. Inclui como custo do investimento as despesas incorridas para aquisição até aquela data. FATO 21 Em 29/06/2005 dáse a décima alteração contratual na IFC. A Sociedade e a ZEST decidiram em 26/06/2005 pela junção das duas empresas, com a incorporação da ZEST pela Sociedade. O Protocolo e Justificação de Incorporação (‘Protocolo’), parte integrante da 10ª alteração do contrato social, estipula os termos e as condições da operação de incorporação. Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.175 15 O ‘Protocolo’ foi elaborado com base em ‘Laudo de Avaliação Contábil do Patrimônio Líquido’ da ZEST. Lêse no Protocolo, no item 1. JUSTIFICATIVA: ∙‘os sócios da ZEST INVESTIMENTOS e IFC concluíram que não se justifica mais a manutenção da ZEST INVESTIMENTOS como sociedade independente, tendo decidido promover a reunião dos patrimônios por meio da incorporação da ZEST INVESTIMENTOS pela IFC;’ ∙‘as administrações da ZEST INVESTIMENTOS e da IFC entendem que esta proposta atende plenamente aos interesses de ambas as sociedades’. Já no item III. DO ACERVO INCORPORADO E SUA AVALIAÇÃO, lemos: ‘Para a realização da presente operação, está sendo adotado o critério de avaliação do patrimônio líquido contábil da ZEST INVESTIMENTOS, conforme faculta o artigo 8° da Lei 6.404/76, com base no balanço patrimonial levantado em 31 de maio de 2005, que é considerada a database da operação. As variações patrimoniais posteriores à database acima estipulada constituirão resultados da IFC e serão por esta escrituradas, efetuandose os competentes lançamentos contábeis nos seus livros.’ ‘Assim, por meio da operação de incorporação, a IFC absorverá a totalidade do patrimônio líquido da ZEST INVESTIMENTOS, no valor de R$8.961.000,00....’. No item VI. OUTRAS CONDIÇÕES, lemos: ‘A IFC sucederá a ZEST INVESTIMENTOS em todos os direitos e obrigações relacionados ao patrimônio incorporado, nos termos do artigo 227 da Lei 6.404/76’. Já no ‘LAUDO DE AVALIAÇÃO CONTÁBIL DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO’ da Zest Investimentos, lemos no item 7. CONCLUSÃO: ‘Em decorrência do trabalho realizado concluímos que o valor contábil correspondente ao acervo da INCORPORADA, avaliado na database de 31 de maio de 2005, de acordo com as práticas de contabilidade emanadas da legislação societária brasileira, valor contábil este a ser vertido para fins de incorporação ao capital da INCORPORADORA, nos termos do ‘Protocolo e Justificação de Incorporação da Zest Investimentos, Participações e Negócios Ltda pela IFC International Food Company Indústria de Alimentos Ltda’, datado de junho de 2005, monta em R$8.961.000,00...’. A cláusula 5ª da alteração do contrato social dispõe que ‘Por meio da operação de incorporação mencionada nos itens 1 e 2 anteriores, a Sociedade absorverá a totalidade do patrimônio líquido da ZEST INVESTIMENTOS, no montante de R$8.961.000,00...’. A cláusula 7ª dispõe que ‘Por meio da já destacada operação de incorporação, a Sociedade absorve a totalidade do acervo líquido incorporado, anteriormente pertencente à ZEST INVESTIMENTOS, tudo conforme estabelecido no Protocolo’. A cláusula 8ª dispõe que ‘Fica estabelecido, ainda, que a operação de incorporação da ZEST INVESTIMENTOS acarretará a manutenção do capital social atual da IFC, nos termos previstos no item V do Protocolo, no valor de R$25.600.000,00 ....’. Após a incorporação o Patrimônio Líquido da IFC declarado em DIPJ passa a ser de R$20.138.866,27, e portanto inferior ao Capital. Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.176 16 A participação societária passa a ser de 81,434% para José, 13,566% para Alessandra e 5% para Eduardo. FATO 22 Em 29/06/2005 dáse a terceira alteração contratual da empresa ZEST, quando a empresa é declarada extinta, tendo como sucessora a IFC. Lêse no Protocolo, item III. DO ACERVO INCORPORADO E SUA AVALIAÇÃO: ‘Para a realização da presente operação, está sendo adotado o critério de avaliação do patrimônio líquido contábil da ZEST INVESTIMENTOS, conforme faculta o artigo 8° da Lei 6.404/76, com base no balanço patrimonial levantado em 31 de maio de 2005, que é considerada a database da operação. As variações patrimoniais posteriores à database acima estipulada constituirão resultados da IFC e serão por esta escrituradas, efetuandose os competentes lançamentos contábeis nos seus livros’. ‘Assim, por meio da operação de incorporação, a IFC absorverá a totalidade do patrimônio líquido da ZEST INVESTIMENTOS, no valor de R$8.961.000,00...’. No item VI. OUTRAS CONDIÇÕES lêse que: ‘A IFC sucederá a ZEST INVESTIMENTOS em todos os direitos e obrigações relacionados ao patrimônio incorporado, nos termos do artigo 227 da Lei 6.404/76’. ‘A IFC promoverá todos os atos necessários para a averbação da sucessão dos bens incorporados’. O Laudo de Avaliação Contábil do Patrimônio Líquido concluiu que o valor contábil do acervo da incorporada era de R$8.961.000,00. Após a incorporação da Zest, a IFC apresenta Capital de R$25.600.000,00 e Patrimônio Líquido de R$20.138.866,27, conforme Balancete Consolidado Parcial do período 01/05/2005 a 31/05/2005. FATO 23 Em 31/10/2005 a IFC baixa de seu ativo contas a receber no valor de R$3.192.298,52, referente a acordo invoices na aquisição das quotas, lançando a contrapartida diretamente à conta ágio na aquisição de investimento. As amortizações, que vinham sendo feitas no valor mensal de R$280.547,65, passam a ser de R$307.150,13. Ou seja, a empresa está amortizando o ágio em 10 anos. Até 31/10/2005 considerou ágio de R$33.735.392,81, que é o valor determinado na incorporação. Então, passou a considerar ágio de R$36.858.015,98, acrescentando os recebíveis baixados, exceto variação cambial referente a carta de fiança (planilha do contribuinte ‘Demonstrativo do Cálculo do Ágio Estimado’). FATO 24 Em 01/01/2006 dáse a décima segunda alteração contratual na IFC, que delibera sobre sua transformação em sociedade anônima. As quotas são canceladas e substituídas por ações de mesmo valor. FATO 25 Em 31/01/2007 é realizada Assembléia Geral Extraordinária que, entre outros, altera disposição sobre criação de ações preferenciais com direito a voto e decide aumentar o capital da companhia. As novas ações preferenciais serão resgatáveis em 31/01/2012, garantindo uma taxa interna de retorno anual de 22,5% sobre o preço de emissão. O capital será aumentado de R$25.600.000,00 para R$29.344.478,00, por meio de uma emissão de 3.744.478 ações preferenciais com direito a voto, resgatáveis e Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.177 17 conversíveis em ações ordinárias, no valor total de R$44.610.300,00, sendo que desse valor R$3.744.478,00 são destinados à formação do capital social e R$40.865.822,00 para a criação de Reserva de Ágio. FATO 26 Em 23/02/2007 é realizada Assembléia Geral Extraordinária que delibera aumentar o capital de R$29.344.478,00 para R$31.840.796,00, por meio de uma emissão de 2.496.318 ações preferenciais com direito a voto, resgatáveis e conversíveis em ações ordinárias, no valor total de R$29.072.400,00, sendo que desse valor R$2.496.318,00 são destinados à formação do capital social e R$26.848.160,00 para a criação de Reserva de Ágio. 4. QUALIFICAÇÃO DOS FATOS José e Alessandra pretenderam adquirir quotas. Sem dispor dos recursos necessários, pretenderam utilizar recursos da própria empresa. O negócio de aquisição de quotas contém um mútuo realizado entre IFC e Zest que é, em tese, uma simulação relativa com interposição fictícia de pessoa. O ato simulado é o empréstimo de recursos da IFC para a Zest. O ato dissimulado é a transferência não onerosa de recursos da IFC para José e Alessandra. A simulação foi realizada para fornecer os recursos necessários à aquisição das quotas realizada por José e Alessandra, verdadeiros adquirentes das quotas. 4.1 MOTIVOS PARA SIMULAR Identificamos motivos de ordem societária e tributária, interligados e indissociáveis, que explicam, em tese, o interesse das partes na simulação. 4.1.1. MOTIVOS DE ORDEM SOCIETÁRIA: Um primeiro motivo da simulação é a transferência patrimonial, da empresa para sócios, de recursos em valor superior às reservas, ao capital e ao próprio patrimônio líquido, proibida pela legislação societária. Para argumentar, tomaremos como base o balanço patrimonial da empresa em 31/03/2005, último mês antes da assinatura do contrato de compra e venda. A ordem de grandeza dos números não muda e não invalida o raciocínio aqui apresentado se fosse considerado outro mês qualquer. Em 31/03/2005 a Jack Link's apresentava o seguinte balancete resumido (balancete escriturado em diário): ATIVOPASSIVO Ativo Circulante24.841.052Passivo Circulante22.404.962 Realizável LP585.922Exigível LP24.597.694 Permanente63.863.421Patrimônio Líquido Capital Social25.600.000 Reservas Reaval.13.218.952 Reservas Lucros7.523 Lucros Acumulados6.570.402 45.396.877 TOTAL ATIVO89.290.39 TOTAL PASSIVO92.399.533 Obs.: o balancete de março/2005 escriturado em diário apresenta Passivo superior ao Ativo. O demonstrativo apresentado pelo contribuinte informa contas de Reservas no valor de R$16.687.739 e Patrimônio Líquido de R$42.287.739. Para efeito de demonstrar nossas conclusões adotamos o valor escriturado. O valor da compra (sem contar despesas, perdão de dívida e outros) de 20 milhões de dólares, à taxa de 2,6157 vigente em 18/04/2005, data de fechamento do negócio, correspondia a R$52.314.000,00, claramente superior às reservas e lucros acumulados, e a todo o patrimônio líquido da empresa. Existem três formas de sócios adquirirem quotas com recursos da própria empresa: 1) A empresa comprar suas próprias quotas para manutenção em tesouraria e posterior alienação aos sócios. Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.178 18 Não existe impedimento legal para uma sociedade limitada adquirir suas próprias quotas para manutenção em tesouraria. O Novo Código Civil (NCC), Lei n° 10.406/2002, não contém regras nesse sentido. O permissivo legal consta do artigo 30 da Lei n° 6.404/76, que rege as sociedades por ações. A cláusula 22ª do contrato social consolidado, objeto da 4ª alteração contratual da Jack Link's, de 16/06/2003, dispõe que os casos omissos no contrato social serão regulados pelo capítulo Da Sociedade Limitada, do Código Civil, (artigos 1052 a 1087) e legislação pertinente, e subsidiariamente pelas normas das sociedades anônimas (Fato 4). As alterações contratuais posteriores, até a transformação em sociedade anônima, mantiveram essa cláusula. Ocorre que, nos termos da alínea b) do artigo 30 da Lei n° 6.404/76, a aquisição de ações para manutenção em tesouraria só é permitida ‘desde que até o valor do saldo de lucros ou reservas, exceto a legal; e sem diminuição do capital social, ou por doação’. Ainda que não constasse do contrato social a regulação subsidiária pela Lei da Sociedades Anônimas, ainda assim a limitação de seu artigo 30 deveria ser respeitada. O capital social é mecanismo de garantia de credores, conceito básico e fundamental do direito societário. A validade da aquisição de quotas pela própria empresa sempre dependerá da existência de lucros acumulados e/ou reservas disponíveis que dêem suporte à aquisição. Portanto, dispondo de lucros e reservas de lucros de cerca de 19,7 milhões e PL de 45,3 milhões, a compra pela empresa de suas próprias quotas aos valores contratados de 52 milhões seria uma transação ilícita. 2) A empresa entregar recursos aos sócios para eles comprarem as quotas. A redução do ativo teria como contrapartida uma redução do Patrimônio Líquido. O artigo n° 1.059 do NCC limita a entrega de recursos financeiros da sociedade limitada aos sócios, dispondo que estes ‘serão obrigados à reposição dos lucros e das quantias retiradas, a qualquer título, ainda que autorizados pelo contrato, quando tais lucros ou quantia se distribuírem com prejuízo do capital’. Mais uma vez verificase a impossibilidade da transferência patrimonial. Considerando o patrimônio líquido existente (cerca de 45,3 milhões), a distribuição dos recursos necessários à aquisição (cerca de 52 milhões) sem previsão de reposição implicaria reduzir o capital a zero e ainda registrar uma conta que retrataria um patrimônio líquido negativo. Do mesmo modo que na forma de aquisição anterior, a transação seria ilícita. 3) A empresa emprestar dinheiro aos sócios. Não haveria transferência patrimonial da empresa para os sócios. Os sócios não incorporariam ao seu patrimônio parte do patrimônio da empresa, pois restaria a obrigação de pagar. O empréstimo poderia ser pago pelos sócios no futuro, com rendimentos recebidos da empresa na forma de lucros distribuídos. Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.179 19 A desvantagem é que os sócios poderiam não receber os lucros esperados. Os lucros previstos poderiam não ocorrer, e caso a empresa admitisse novos sócios, os lucros seriam distribuídos entre mais pessoas. Concluímos que, neste caso, a única forma legal dos sócios adquirirem as quotas com recursos da empresa seria através de empréstimo concedido pela empresa, com reposição dos recursos pelos sócios. Como o resultado dos atos praticados não é esse, concluise que essa não era uma opção desejada. No caso, houve contratação de mútuo, houve fornecimento de recursos, mas não houve reposição dos recursos emprestados. O negócio foi realizado de forma a tornar definitiva e sem ônus para os sócios uma transferência de recursos que deveria ter sido a título de empréstimo com reposição dos recursos emprestados. 4.1.2. MOTIVOS DE ORDEM TRIBUTÁRIA: Um segundo motivo para simulação é a obtenção de economia tributária no valor de cerca de 26 milhões de reais relativos a: a) Imposto de Renda Pessoa Física incidente sobre rendimentos tributáveis recebidos pelos sócios: a.1) Caso a Jack Link's entregasse aos sócios os recursos financeiros necessários à aquisição das quotas e quitação dos invoices, o rendimento dos sócios seria tributável. A lei isenta do imposto de renda lucros e dividendos pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real quando calculados com base nos resultados apurados, conforme artigos 39, inc. XXIX, e 654 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99). Uma vez que os rendimentos distribuídos ultrapassariam em muito os lucros apurados pela contabilidade, e não sendo contemplados nas hipóteses de isenção dos artigos 39 a 42 do RIR/99, incidiriam os artigos 37 e 38 do RIR/99. O valor de IRPF estimado seria de cerca de 15,8 milhões, considerando alíquota de 27,5% da tabela progressiva incidindo sobre o valor de aquisição atribuído pelo contribuinte exceto embalagens. (Lei 7713, art 30, § 4°; IN SRF n° 15/2001, art.5°, §§ 7° e 8°). a.2) Caso a Jack Link's comprasse as quotas sem ter lucros e reservas para tanto e as entregasse aos sócios, o benefício dos sócios seria rendimento tributável, incidindo os artigos 37, 38 e 55 inciso IV do RIR/99 (rendimentos recebidos na forma de bens ou direitos). O benefício dos sócios seria idêntico aos custos de aquisição contabilizados pela empresa. O valor de IRPF estimado seria igualmente de cerca de 15,8 milhões. Em ambos os casos ‘a.1’ e ‘a.2’ a empresa cometeria ilícito societário. Os atos seriam nulos e o benefício dos sócios seria rendimento tributável decorrente de transação ilícita e percebido com infração à lei, incidindo os artigos 37, 38, e 55 inciso X do RIR/99. O benefício dos sócios seria idêntico aos custos de aquisição arcados pela empresa. O valor de IRPF seria igualmente de cerca de 15,8 milhões. a.3) Se o negócio simulado fosse válido, José e Alessandra, que possuíam quotas da Zest no valor de 8,96 milhões, receberiam quotas da IFC no valor nominal de 24,32 milhões. Seriam beneficiados pelo negócio realizado pelas empresas, uma vez que, na relação de troca estabelecida, as novas participações têm valor maior que o custo da participação societária originária. Esse benefício constitui ganho de capital tributável previsto no artigo 117 do RIR/99 (alienação de ações; ações recebidas em valor superior às entregues; conforme Parecer Normativo CST n° 39 de 1981). Entretanto Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.180 20 aqui não haveria um custo de aquisição de quotas registrado pela IFC. O valor do rendimento seria igual ao valor nominal das quotas recebidas (24,32) menos o custo da participação societária originária (8,96), resultando 15,36 milhões. Incidindo alíquota de 15%, o imposto devido seria cerca de 2,3 milhões. Portanto, se o negócio simulado fosse válido e os sócios recolhessem o IRPF no valor de 2,3 milhões incidentes sobre o negócio simulado, e uma vez que as alternativas possíveis teriam um custo tributário de 15,8 milhões, haveria uma economia tributária de 13,5 milhões de IRPF. b) Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido decorrente da dedução de despesas de amortização de ágio na aquisição de investimento: Essa economia decorre de permissivo legal do artigo 386 do RIR/99, aplicável unicamente nas incorporações de investida por investidora, ou viceversa, nos casos em que o investimento foi adquirido com ágio cujo fundamento econômico seja o valor de rentabilidade com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros. Essa economia não seria possível caso a aquisição se desse diretamente pelas pessoas físicas ou pela própria pessoa jurídica. Se o negócio simulado fosse válido, ao final o ágio pago na aquisição das quotas permaneceria na empresa, sob a forma de ativo diferido, tendo como contrapartida a reserva de ágio. Poderia ser amortizado em até cinco anos, e a despesa de amortização seria dedutível na apuração do IRPJ e CSLL, trazendo economia tributária de 34% sobre o ágio pago, igual a cerca de 12,5 milhões de reais. 4.2 RELAÇÃO DE TROCA NA INCORPORAÇÃO Na incorporação as quotas da empresa incorporada são extintas. Ao entregarem quotas da empresa a ser extinta, seus sócios estão na verdade entregando o acervo (bens, direitos e obrigações) que estas quotas representam. Esse acervo normalmente irá aumentar o acervo da incorporadora, que aumentará seu capital na mesma medida. O balanço de incorporação da ZEST em 31/05/2005 apresentava os seguintes valores: Ativo Circulante1.000,00Financiamentos CP13.209.449,60 Participações IFC34.332.643,00Outros725.349,21 Ágio Inv. IFC33.735.392,81Financiamentos LP21.579.525,00 Créditos P. ligadas23.593.712,00 Capital8.961.000,00 Total68.069.035,81Total68.069.035,81 O Protocolo, no item ‘III Do acervo incorporado e sua avaliação’, informa que ‘está sendo adotado o critério de avaliação do patrimônio líquido contábil’ da ZEST e que a IFC absorverá a totalidade do Patrimônio Líquido. Já o item VI fala em ‘direitos e obrigações relacionados com o patrimônio incorporado’ (Fato 21). O laudo de avaliação conclui que ‘o valor contábil correspondente ao acervo da INCORPORADA ... a ser vertido para fins de incorporação ao capital da INCORPORADORA’ é de R$8.961.000,00. Tanto o laudo quanto o protocolo não utilizam o termo ‘acervo líquido’, referindose apenas a acervo e patrimônio líquido. Apenas na 10ª alteração do contrato social encontramos referência a essa distinção entre patrimônio líquido e acervo líquido, onde a cláusula 5ª informa que ‘a Sociedade absorverá a totalidade do patrimônio líquido da ZEST INVESTIMENTOS, Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.181 21 no montante de R$8.961.000,00’ e a cláusula 7ª informa que ‘a Sociedade absorve a totalidade do acervo líquido incorporado’, sem entretanto especificar o valor (Fato 21). O Patrimônio Líquido corresponde à diferença entre Ativo e Passivo. No caso, o Patrimônio Líquido da ZEST tem o valor do seu capital. Entretanto, é o acervo líquido transferido que permite visualizar a relação de troca estabelecida entre as partes. O acervo líquido corresponde ao valor dos bens e direitos, líquidos das obrigações, efetivamente transferidos da incorporada à incorporadora. Corresponde à riqueza efetivamente acrescida ao patrimônio da incorporadora. O capital da incorporadora será aumentado na medida dessa riqueza acrescida. Na operação de incorporação em que não existe participação de uma empresa em outra, o valor do acervo líquido é igual ao valor do patrimônio líquido da incorporada. Já no caso em que a incorporada detém participação na incorporadora, o acervo líquido corresponde à diferença entre ativo e passivo da incorporada, reduzido ainda do valor dessa participação. A participação não é transferida de uma empresa para outra. Ocorre que o custo dessa participação societária é registrado em balanço segregado em investimento e ágio. Embora sejam duas contas, ambas representam o mesmo investimento. Da mesma forma que a participação da incorporada na incorporadora não faz parte do acervo líquido transferido, também o ágio não faz parte do acervo líquido transferido. O ágio contabilizado na incorporadora como ativo diferido terá como contrapartida uma conta credora de reserva de ágio, distinta e segregada da contrapartida do acervo líquido, e não poderá ser utilizada para aumentar o capital da empresa. (IN SRF 11/99). Verificase então que o acervo líquido recebido pela IFC tem o valor negativo de R$59.107.035,81, que corresponde às dívidas assumidas pela ZEST para aquisição das quotas, menos R$1.000,00 em caixa. Por outro lado, como não houve redução nem aumento de capital da incorporadora, a IFC nada exigiu para se compensar da recepção desse acervo negativo. A incorporação realizada pela IFC, que no dizer do Protocolo e Justificação de Incorporação ‘atende plenamente aos interesses de ambas as sociedades’ (Fato 21), resultou na assunção das dívidas da investidora ZEST, no valor de R$59.108.035,81, dos quais R$23.593.712,00 correspondem às dívidas da ZEST para com a própria IFC que se tornaram irrecuperáveis, e R$35.514.323,81 correspondem às dívidas da ZEST para com a Japan e fornecedores. O que a IFC fez foi simplesmente assumir o passivo da ZEST, contraído na única transação da vida dessa empresa. Na relação de troca estabelecida na incorporação, a Zest entregou uma dívida líquida de R$59.107.035,81, e as 24.320.000 quotas da IFC antes pertencentes à Zest foram transferidas para José e Alessandra, os verdadeiros e únicos beneficiados na transação. Quem lê apenas os contratos sociais e o laudo de avaliação da Zest, imagina que a IFC incorporou ativos de R$8.961.000,00. Quem analisa a contabilidade das empresas, constata que a IFC incorporou dívidas de R$59.107.035,81. O balanço patrimonial do contribuinte não retrata de forma transparente a operação realizada. Na verdade, esconde a assunção da dívida dos sócios. Suas contas Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.182 22 patrimoniais apresentam sob título ‘Outras’ o valor negativo de R$25.372.643,00, que resulta da soma do valor de reserva de ágio de R$33.735.392,81, e do valor negativo de R$59.107.035,81 relativos ao acervo líquido recebido da ZEST e uma diferença indevida de R$1.000,00 relativa à conta caixa da Zest. Os valores de reserva de ágio e acervo líquido deveriam aparecer segregados no patrimônio líquido, conforme Instrução Normativa SRF n° 11/1999. Verificase ainda que o Patrimônio Líquido apenas ficou positivo no valor de R$20.138.866,27 devido à reserva de ágio. Se excluída a reserva, o PL resultaria R$13.596.526,54 negativos. Concluise que: 1) a IFC assumiu o prejuízo pelo não recebimento do empréstimo concedido e ainda o saldo devedor da dívida assumida pela Zest; 2) não é verdadeira a afirmação de que a incorporação da ZEST atende aos interesses da IFC; 3) um dos objetivos de se concretizar a aquisição de quotas através da Zest era adicionar um valor (Reserva de Ágio) ao Patrimônio Líquido para que este não f icasse negativo. (...) 4.4 CONDIÇÕES DOS CONTRATOS A substituição dos compradores signatários do contrato de compra e venda de quotas pela Zest foi comunicada aos vendedores em correspondência de 05/04/2005 assinada por José, Alessandra e Eduardo (fato 11). Verificase no item 3. do documento que os compradores estavam em processo de reestruturação corporativa que envolveria a transferência das quotas dos compradores para uma afiliada dos compradores e que essa afiliada se tornaria a única proprietária de todas as quotas representativas da participação dos compradores na Jack Link's. Essa afiliada era a Zest. Entretanto, a transferência de quotas ocorreu em 12/04/2005 apenas com o aumento de capital da Zest pelos seus antigos sócios, José e Alessandra. Eduardo não ingressou na sociedade (fato 13), ficando portanto excluído da aquisição. A renúncia de Eduardo à aquisição ocorreu em 18/04/2005 (fato16). O contrato de mútuo (Fato 8), onde a Jack Link's é mutuante e a Zest é mutuária, estabelecia que ‘os empréstimos feitos pela MUTUANTE deverão ser liquidados em até 180 (cento e oitenta) dias contados a partir da data de cada desembolso, pela MUTUÁRIA sempre que esta liquidação for requerida pelos primeiros, independente de qualquer outra condição’. Portanto, o contrato estabelece prazo mínimo para pagamento de mútuo, mas não estabelece prazo máximo. A data final do pagamento seria determinada a critério da IFC, controlada por José e Alessandra. O contrato de compra e venda de quotas (Fato 9) estabelecia o preço a ser pago de vinte milhões de dólares, equivalente a cerca de 52 milhões de reais. A Zest claramente não tinha essa quantia, daí o contrato de mútuo. A razão do mútuo é exclusivamente o financiamento da aquisição. De fato, a única operação realizada pela Zest foi essa aquisição, e todos os custos incorridos pela empresa foram pagos com recursos do mútuo desde janeiro/2005 e motivados pela aquisição e considerados ágio. Já o contrato de garantia (Fato 15) dispunha que a IFC ‘Não contratará ou concederá mútuos de ou a favor de controladas, coligadas e/ou sócios bem como Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.183 23 terceiros, exceto relativamente ao mútuo a ser concedido a favor do AFIANÇADO para efetuar o pagamento do preço de compra estabelecido no Contrato de compra e Venda de Quotas referido no item IV do preâmbulo’. Constatase que desde o início estava definido que a compra das quotas seria feita pela Zest e totalmente paga com recursos da IFC e que a reposição do empréstimo f icaria a critério de José e Alessandra. O contrato de garantia contém o item 16, de obrigações especiais, em que ‘o CLIENTE e os INTERVENIENTES GARANTIDORES SOLIDÁRIOS individualmente obrigamse relativamente ao CLIENTE...’ É o banco exigindo garantias para conceder a carta de fiança. Ocorre que cliente é a IFC e intervenientes são as pessoas físicas. A Zest, que é a controladora da IFC, não é chamada pelo banco para garantir os atos da IFC (efetividade das garantias, ausência de ônus, não contratação de dívida, não contratação de mútuo, não pagamento de dividendos). São os garantidores solidários que obrigamse a cumprir a garantia de penhora de quotas que pertencem a Zest, e não a própria Zest. Constatase que o próprio banco desconsiderou a Zest como controladora da IFC e compradora das quotas. A Zest era uma empresa de participações, cujo único investimento era a participação na IFC. Logo, os lucros distribuídos pela IFC constituiriam sua única receita. Entretanto, o contrato de garantia estipulava outra restrição à IFC: ‘Limitar o pagamento dos dividendos líquidos eventualmente apurados do seu lucro líquido, aplicandose tal limitação também ao eventual pagamento de juros sobre o capital próprio’. O texto não especifica a quanto estaria limitado o pagamento de dividendos. O contrato social da Jack Link's estabelecia dividendo mínimo de 25% do lucro (Fato 7). Documentos enviados pelo Banco Real (Fatos 14 e 18) estabelecem as condições para assinatura do contrato de garantia, incluindo ‘Proibição de distribuição de dividendos durante todo o período de operação’ e penhorando os dividendos atribuíveis às quotas. E de fato não houve distribuição de dividendos no período. Concluíse portanto que limitar o pagamento significa não distribuir dividendos. Essa cláusula retira da Zest durante a duração do contrato de garantia sua única fonte de receita, que lhe permitiria amortizar a dívida. Entretanto, essa cláusula não é motivo relevante para a incorporação da Zest, uma vez que os sócios poderiam renunciar a seu direito de receber 95% dos lucros passíveis de distribuição em troca da amortização da dívida. Da mesma forma, a cláusula do contrato de garantia que não permitia a redução do capital também não é motivo relevante para a incorporação. A redução do capital em si não é relevante para o banco, pois receberia todas as quotas da empresa como garantia. Seria indiferente a quantidade ou o valor das quotas. O que interessa é ter garantia de 100% do patrimônio da empresa, que esse patrimônio não se reduziria, que não haveria redução de capital por retirada de sócios após a realização do negócio. O banco aceitou a relação de troca na incorporação. Entendemos que se as proibições de distribuição de dividendos e de redução de capital fossem motivos relevantes para a incorporação que se seguiu, os sócios teriam Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.184 24 obrigação de recusar essas cláusulas. Isso porque a incorporação com recepção das dívidas da Zest, sem compensação pelo ônus, teria o mesmo efeito de distribuição de recursos aos sócios e implicaria fraude à lei. Sendo o contrato de garantia parte integrante do contrato de compra e venda de quotas, não se trata de fato superveniente. Se essas cláusulas foram aceitas é porque não afetavam os planos das partes. Uma vez que o mútuo tinha prazo indeterminado, a não amortização da dívida poderia continuar indefinidamente. Se existisse a intenção de quitar o empréstimo com dividendos recebidos da IFC pela Zest, o tempo de duração do contrato de mútuo seria o necessário para a IFC gerar recursos para o pagamento do restante da aquisição (2ª, 3ª e 4ª parcelas) e distribuição de dividendos equivalentes ao custo de aquisição das quotas. Por outro lado, a demora na incorporação da Zest acarretaria a demora no aproveitamento da amortização do ágio. O contrato de garantia continha restrição de ‘Não alterar bem como não permitir alteração do controle acionário do CLIENTE que importe em uma alteração equivalente do controle societário do CLIENTE’ (Fato 15). Controle acionário é participação direta (art 116 da Lei das SA); controle societário pode ser participação indireta. A cláusula previa que a Zest deixaria de ser controladora direta, mas a participação de José e Alessandra continuaria sendo de 95% do capital. Concluíse que já estava previsto que a incorporação da Zest ocorreria ainda durante a vigência do contrato de garantia, e antes mesmo de obter os recursos necessários para honrar seus compromissos. Resulta da incorporação em 31/05/2005, anterior ao pagamento das 2ª e 3ª parcelas, que o ágio começou a ser amortizado antes mesmo do pagamento total da aquisição. (...) 4.6 SEPARAÇÃO PATRIMONIAL Os atos praticados são gravíssimos. É legalmente impossível retirar de uma empresa recursos superiores ao seu patrimônio líquido. Conceito básico e fundamental da economia moderna é o de separação patrimonial entre pessoa jurídica e seus sócios. Edmar Oliveira Andrade Filho, em Sociedade de Responsabilidade Limitada, ed. Quartier Latin, 2004, bem coloca a questão: ‘A criação de uma personalidade jurídica pressupõe a existência de um patrimônio que será a ela afetado. Esse patrimônio, antes pertencente aos membros da sociedade, é posto a serviço desta, debaixo de um complexo de relações que se formam entre a pessoa jurídica e seus membros, para cumprir uma função específica e determinada. Nas sociedades empresárias, o fim determinado é a exploração de atividade econômica e a apuração de um resultado que será repartido entre os sócios’. (pág. 35) ‘Nas sociedades empresárias, a transferência patrimonial é feita, via de regra, a título de contribuição para o capital social da pessoa jurídica’. (pág. 36) ‘Feita a separação do patrimônio, os bens e direitos transferidos em pagamento da subscrição do capital passam para a esfera de poder da pessoa jurídica, que sobre Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.185 25 eles adquire direitos de proprietário, isto é, adquire poderes de disposição, fruição e gozo e de ação erga omnes, inclusive contra os sócios. Portanto, os membros da pessoa coletiva que entregam bens em pagamento de capital não o fazem para formar condômino juntamente com a sociedade já que não têm poderes de disposição sobre aqueles bens...’(pág. 36) ‘A possibilidade de criação de personalidades jurídicas e de realizar a separação patrimonial tem uma contrapartida: a responsabilidade’. (pág. 36) ‘A noção de ‘responsabilidade’ tem íntima conexão com a idéia de ‘separação patrimonial’ antes exposta. A separação só tem sentido se o patrimônio a ser separado o for para a realização de alguma finalidade, uma das quais é a criação de um centro de responsabilidade limitada. A mais importante conseqüência dessa separação é a possibilidade de criação de sociedades (e empresas) com limitação da responsabilidade dos sócios, nas hipóteses e condições previstas no ordenamento jurídico. Quando os sócios elegem constituir uma sociedade de responsabilidade limitada, eles criam um patrimônio social que, em princípio, responderá sozinho pelas dívidas da sociedade. Pela autoatribuição de uma responsabilidade limitada, os subscritores de quotas de uma sociedade empresária indicam o montante de bens que pretendem afetar a uma atividade econômica, de modo que preestabelecem o montante do que, em última instância, estão dispostos a perder. O índice desse montante é o valor do capital social, ou seja, o valor do capital social ‘manifesta o risco que os sócios assumem’, ou o que é o mesmo , ‘as perdas a que se sujeitam no exercício da atividade empresarial’. Assim, por intermédio desse mecanismo, os subscritores transferem uma parte dos riscos da atividade empresarial a terceiros que vierem a contratar com a sociedade constituída. Por tais razões, a possibilidade de separação e afetação de uma parcela patrimonial a um negócio, representa, de certa maneira, um privilégio’. (pág. 38, 39)• ‘Ora, a diminuição do capital real implica retirar garantias de credores que têm no capital um relativo mecanismo de garantia’. (pág. 119) A equação básica contábil ‘ATIVO = PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO’ bem expressa a separação patrimonial. A transferência de recursos do ativo para os sócios pode ocorrer em contrapartida a uma redução do passivo (pagamento de exigível), ou pela substituição por outra conta de ativo (por exemplo, empréstimo a receber) ou pela redução do Patrimônio Líquido em conta de Capital ou de Reservas. A transferência patrimonial realizada é legalmente impossível. O negócio realizado simplesmente criou um ‘buraco’ no Patrimônio Líquido, uma conta negativa que pelo cálculo do contribuinte deveria ter sido contabilizada no valor de R$59.107.035,81. Enquanto essa conta existir, haverá prejuízo na garantia de terceiros. Aqueles que contratarem com a sociedade, que assumirem parte dos riscos da atividade empresarial da IFC, estarão menos amparados, em benefício dos sócios que retiraram recursos da empresa. E como será coberto esse ‘buraco’? Eventual compensação com lucros acumulados implicará apropriação de lucros pertencentes potencialmente aos acionistas minoritários, que não receberam os benefícios do negócio. Constatase nas demonstrações financeiras da IFC informadas nas DIPJ que, ainda em dezembro de 2007, constava de seu patrimônio líquido a conta negativa decorrente da incorporação da Zest. Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.186 26 Constatase assim a definit ividade da transferência patrimonial para José e Alessandra. 4.7 INTERPOSIÇÃO FICTÍCIA Entendemos que os quatro contratos realizados (de compra e venda de quotas, de mútuo, de garantia e de incorporação) constituem um negócio cuja causa é a aquisição de quotas por José e Alessandra com recursos retirados gratuitamente da empresa IFC com economia tributária. A causa pode ser declarada textualmente ou não. O componente de aquisição de quotas está declarado no contrato de compra e venda. O componente de pagamento com recursos da IFC está declarado no contrato de garantia. O componente de transferência de recursos não onerosa aos sócios, não declarada textualmente, está evidenciado pela interligação dos contratos e pela função da incorporação no negócio. A incorporação transfere o ônus do custo da aquisição totalmente para a IFC e o bônus das quotas adquiridas totalmente para José e Alessandra. Se houvesse intenção de repor os recursos emprestados, a relação de troca da incorporação seria estabelecida em bases eqüitativas, com a IFC recebendo dos sócios ativos que a compensassem do ônus assumido, ainda que para recebimento futuro (por exemplo, capital a integralizar no valor da conta negativa de patrimônio líquido recepcionada). Como não há bem transferido para a incorporadora na incorporação, e o pagamento da aquisição independia da situação financeira da Zest, pois seria financiada pela IFC, a incorporação, nos moldes em que realizada, só se justifica devido à causa que identificamos no negócio: 1) aproveitamento do ágio; 2) transmissão não onerosa das quotas aos sócios com economia tributária. Entendemos que a causa do negócio é ilícita porque implica retirada de recursos da IFC em benefício dos sócios José e Alessandra em valor superior ao Patrimônio Líquido da IFC. O objetivo do planejamento, no caso, foi contornar essa ilicitude através de negócio jurídico indireto. 4.7.1 Inexistência de negócio jurídico indireto Entendemos que o negócio indireto não pode substituir negócio direto proibido por lei (transferência patrimonial maior que o patrimônio líquido). No caso, constatase de plano a incompatibilidade do negócio jurídico adotado para transferência de recursos (mútuo) com o objetivo pretendido de transferência gratuita. No negócio indireto, a causa pretendida é diferente da causa do negócio típico escolhido, mas o negócio substituto é verdadeiramente realizado, cumprindo as características de sua tipicidade. Por exemplo, alguém que não podendo doar, vende por valor simbólico. Através da venda atinge os fins da doação. Mas a venda é efetivamente realizada, há transferência de coisa em troca de recursos. Aqui, pretendese transferir recursos graciosamente utilizando contrato de mútuo, cuja definição legal exige a devolução, na mesma qualidade e quantidade, do bem fungível entregue (art. 586 do NCC). A incompatibilidade entre mútuo e transferência gratuita pode ser vencida pela interposição de pessoa, que deve ser real. Se a IFC emprestasse à Zest, a Zest restituísse os recursos à IFC e depois transferisse as quotas a José e Alessandra de forma eqüitativa, a interposição teria sido real, teria havido negócio indireto: teriam sido utilizados recursos da IFC, o mútuo efetivamente se realizaria com a reposição dos recursos, e a transferência seria não onerosa para José e Alessandra. Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.187 27 A incorporação contratada pela Zest, da forma como foi feita, impediu a realização efetiva do contrato de mútuo, pois a IFC não recebeu de volta os recursos fornecidos. Portanto, a Zest não se submeteu à disciplina jurídica do contrato de mútuo e não existiu negócio indireto. Entendemos que se a incorporação decorresse de contingências externas à empresa, teria havido simplesmente fraude à lei societária, que não exige intencionalidade. A simples ocorrência por meios indiretos de resultado que a lei proíbe (a retirada de recursos da IFC em benefício dos sócios em valor superior ao Patrimônio Líquido) torna o negócio nulo (art. 166, inc. VI do NCC). Entretanto, entendemos que a incorporação da Zest faz parte de um conjunto pré ordenado de atos jurídicos, intencional, e que nunca houve intenção de restituir a IFC o valor emprestado. Se houvesse intenção de restituição, a relação de troca na incorporação teria sido eqüitativa, com a IFC recebendo ativos dos sócios para compensar as dívidas assumidas e impedir a conta negativa do patrimônio líquido. José e Alessandra obtiveram benefícios de R$74.646.420,01, conforme demonstrado ao final do item 4. Aumentaram seu patrimônio no valor de R$53.359.767,59 (custo total de aquisição das quotas) em detrimento dos sócios minoritários e da segurança dos que transacionaram com a empresa. Se os atos praticados fossem válidos teriam obtido economia tributária de R$21.286.652,82 (amortização do ágio e redução do imposto de renda ao ganho de capital). Não foi a sorte que os premiou. Foi o planejamento que lhes permitiu alcançar tais benefícios. 4.7.2 Pacto Simulatório É possível identificar no mútuo e nos atos realizados a existência, em tese, de um pacto simulatório entre José e Alessandra (interponentes), a Zest (interposta) e a IFC. O acordo tripartite no mútuo é óbvio, na medida em que as empresas que o contrataram representavam interesses das mesmas pessoas. Os fatos se sucederam na seguinte ordem: contrato de mútuo (Fato 8), contrato de compra e venda (Fato 9), comunicação que a Zest efetuaria a compra (fato 11), reorganização societária com entrada da Japan e Zest na IFC (Fato 13), contrato de garantia (Fato 15), transação das quotas (Fato 17) e incorporação da Zest (fato 21). A utilização de recursos da IFC é o motivo do mútuo; a participação da Zest na compra foi comunicada aos vendedores pelos sócios; ao contratar a incorporação a Zest não se submeteu à disciplina jurídica do contrato de mútuo e transferiu um ônus à IFC em benefício dos sócios. Todos os atos estavam previstos ou indicados nos contratos assinados. Portanto, existe um préordenamento dos atos, consensual entre as partes (José e Alessandra, Zest e IFC) e desde 02/01/2005, indicando que José e Alessandra comprariam as quotas com recursos fornecidos pela IFC, que a compra seria formalizada pela Zest e que as quotas adquiridas seriam transferidas aos sócios pela incorporação da Zest. 4.7.3 Ato simulado José Beleza dos Santos, em A Simulação em Direito Civil, Ed. Lejus, 1999, faz distinção entre interposição fictícia e interposição real. O texto apresenta aspectos relevantes que ajudam a identificar a ocorrência de interposição fictícia: ‘O intermediário real procede como verdadeiro outorgante no negócio jurídico, diz Ferrara, a relação em vez de se estabelecer entre as partes estabelecese entre três Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.188 28 pessoas, ocupando o interposto a posição intermédia para receber e tornar a transferir ou para obrigarse e ser exonerado. O efeito último do negócio realizarseá entre os interessados, mas antes é necessário que passe pela pessoa interposta que, transitória mas necessariamente, deve adquirir para o seu patrimônio a propriedade ou os créditos transmitidos pelo contrato e sujeitarse à responsabilidade e débitos correlativos’. ‘Na interposição fictícia a intervenção do intermediário é, portanto, meramente aparente; na interposição real é verdadeira e efetiva; na interposição fictícia há necessariamente um conluio entre os diretamente interessados e o intermediário, porque aqueles são os reais outorgantes e este só com o seu nome colabora nos atos realizados; pelo contrário, a interposição real exclui a existência desse conluio, e exige apenas o acordo quanto à mediação real do intermediário entre uma das partes que é o interponente e a pessoa interposta. Na interposição fictícia, desfeita a simulação, aparecem os reais outorgantes no ato jurídico e é apenas à capacidade destes e à suas vontades que se deve atender; na interposição real, como o intermediário foi parte nos atos em que interveio, há que atender também à sua capacidade e vontade para determinar a eficácia dos negócios jurídicos em que foi outorgante’. Haveria interposição real, lícita, se a Zest tivesse restituído os recursos a IFC, e se a relação de troca na incorporação tivesse ocorrido em bases eqüitativas, e não com a assunção de dívidas pela IFC sem nenhuma contrapartida. Em tese existe interposição fictícia de pessoa no contrato de mútuo entre IFC e Zest porque: a) a Zest não sujeitouse à responsabilidade e débitos decorrentes do negócio, nem jamais houve pretensão de que o fizesse; a Zest contratou a incorporação antes de repor o mútuo e pagar as dívidas assumidas; contrato de mútuo foi motivado pela compra contratada por José e Alessandra; havia previsão no contrato de garantia de que o valor total das quotas adquiridas seria pago com recursos fornecidos pela IFC e de que o controle acionário da IFC seria substituído sem alteração do controle societário; com a incorporação encerrouse o mútuo e a própria Zest; b) a intervenção da Zest é aparente na medida em que era controlada pelas pessoas que controlavam também a IFC e que ao final receberam as quotas cuja aquisição motivou os empréstimos; o contrato de compra e venda se deu entre José e Alessandra e os vendedores; José e Alessandra comunicaram aos vendedores que a compra seria realizada pela Zest; A Zest não tinha recursos para a compra; contrato de garantia permitia alteração de controle acionário da IFC (participação direta, art. 116 da Lei da SA) se mantido o controle societário (participação indireta), já prevendo que ocorreria a transmissão das quotas para José e Alessandra via incorporação; Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.189 29 a incorporação fatalmente teria que ocorrer antes da admissão de novos sócios/acionistas, pois se assim não fosse estes poderiam demandar contra a incorporação (artigo 117, §1 °, incisos ‘b’ e’f' da lei das SA); ∙a incorporação da Zest ocorreu durante a vigência do contrato, e portanto antes do pagamento das 2ª e 3ª parcelas; ∙próprio banco nem considerou a Zest como controladora e compradora verdadeira das quotas da IFC; ∙não houve efetiva entrega de recursos da Zest na aquisição; ∙negócio realizado fraudou lei proibitiva; c) existe acordo entre as partes, José e Alessandra (interponentes), Zest (interposta) e IFC porque: ∙José e Alessandra são compradores no contrato de aquisição de quotas; ∙José e Alessandra comunicam aos vendedores que a compra seria realizada pela Zest; ∙José e Alessandra são partes ou intervenientes em todos os contratos; ∙José e Alessandra são controladores, sócios e administradores das empresas Zest e IFC e, portanto os atos das empresas refletem a vontade das mesmas pessoas; ∙O motivo do mútuo é fornecer recursos para a aquisição das quotas; ∙Os motivos da aquisição de quotas pela Zest são o aproveitamento do ágio, a transmissão dos custos para a IFC e a transmissão das quotas para os sócios José e Alessandra; ∙Não há interesse negocial da Zest nos atos praticados; Os únicos beneficiários são José e Alessandra; d) não existe capacidade e vontade da Zest para determinar a eficácia do negócio jurídico, na medida em que não tem capacidade financeira nem atividade geradora de lucros para honrar os compromissos que assumiu; e) desfeita a simulação, verificase que apenas é atendida a vontade de José e Alessandra, destinatários finais das quotas adquiridas com os recursos do mútuo e únicos beneficiários das transações, realizadas em prejuízo da sociedade investida e do sócio minoritário (participação de 5% nas perdas); ∙não existe interesse negocial da Zest nos atos praticados, uma vez que ela não tem capacidade financeira, não tem atividade econômica além da aquisição realizada, é encerrada por incorporação ao final do negócio; ∙não existe interesse negocial da IFC nos atos praticados, uma vez que ao final apenas assume os custos da transação, não recebendo nenhuma compensação pelos mesmos; ∙os sócios promoveram uma transferência patrimonial ilícita da empresa para si no valor de R$53.359.767,19, superior ao patrimônio líquido; Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.190 30 ∙os sócios obtiveram benefício tributário de R$21.286.652,82, dos quais R$11.411.458,94 referemse a tributos não recolhidos e R$9.875.193,88 a obrigações criadas para o Estado (dedutibilidade do ágio); ∙os sócios quase triplicaram sua participação na empresa desembolsando apenas R$1.000,00 na constituição da Zest; ∙a recepção pela IFC do acervo líquido negativo e a entrega das quotas a José e Alessandra revela os verdadeiros interessados no negócio. A prova definitiva da, em tese, interposição fictícia é a falta de capacidade econômica da Zest, aliada ao não pagamento do empréstimo e o fato de o acervo líquido transferido na incorporação ser o valor da dívida de aquisição das quotas. Mostra que a Zest apenas emprestou seu nome para intermediar uma transação em benefício dos sócios administradores. Também não é verdadeira a afirmação de que a incorporação da ZEST atende aos interesses da IFC. Os fatos constatados, em tese, permitem enquadrar a aquisição realizada na previsão do artigo 167, § 1°, incisos 1 e II da Lei n° 10.406/2002 (Novo Código Civil), implicando o lançamento previsto no art. 149, inc. VII da Lei n° 5.172/66 (CTN). 4.7.4 Ato dissimulado O ato dissimulado é a transferência gratuita a José e Alessandra dos recursos necessários à aquisição das quotas. O empréstimo não é uma simulação absoluta e contamina os outros atos. Se fosse simulação absoluta, não teria havido negócio algum e não teria saído dinheiro da IFC. Entretanto saíram recursos da IFC, pessoas foram beneficiadas e, portanto algum negócio houve. A participação da Zest no conjunto de atos praticados, se válida, permitiria: a) viabilizar o empréstimo simulado; b) viabilizar a aquisição de quotas pela Zest; c) aproveitar o benefício fiscal do ágio; d) tornar o patrimônio líquido positivo; e) obter economia fiscal de IRPF incidente sobre o ganho das pessoas físicas, transformando o ganho da tabela progressiva (27,5%) em ganho de capital (15%), conforme descrito no item 4.1.2.a.3 anterior; e f) legitimar ato nulo praticado. Afastado o empréstimo, afastase também a aquisição de quotas pela Zest. Se ela nada pagou, nem ficou com o produto da compra, então ela não realizou o negócio jurídico de compra e venda contratado por José e Alessandra. Portanto afastase também o benefício fiscal do ágio: não existe Reserva de Ágio a contabilizar no patrimônio líquido, que no cálculo do contribuinte deve ser reduzido ao valor negativo de cerca de 13,5 milhões; não existe ativo diferido a amortizar; as despesas de amortização do ágio não são dedutíveis. Cabe perguntar se a participação que a Zest detinha na IFC, decorrente do aumento do capital, permitiria alcançar os resultados e) e f) citados. Afastar o empréstimo não quer dizer que o negócio dissimulado é a aquisição de quotas pela IFC e sua posterior distribuição aos sócios, via incorporação da Zest ou diretamente. A aquisição das quotas pela IFC seria ato nulo conforme art. 30 da Lei 6.404/76 c/c art. 166, II do NCC. Entender que seria possível transferir quotas adquiridas ilegalmente aos sócios via incorporação seria legitimar o ato nulo praticado e prestigiar Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.191 31 a ilegalidade, principalmente tendo em conta que os objetivos dos atos têm também natureza tributária (mudança da alíquota de 27,5% para 15%). A transferência das quotas da IFC aos sócios via incorporação da Zest seria também um ato simulado. Uma das funções da Zest no negócio foi tornar positivo o patrimônio líquido via adição da Reserva de Ágio. O único negócio/investimento realizado pela Zest foi a aquisição de quotas da IFC contratada por José e Alessandra, com recursos recepcionados em empréstimo que demonstramos ser, em tese, simulado. Excluída a aquisição decorrente do empréstimo simulado, a Zest não cumpriu seu objeto social de aquisição de investimentos. Portanto sua participação como investidora da IFC é totalmente artificial. Sua incorporação nada acrescentaria ao patrimônio da IFC e seria apenas um veículo para fraudar a lei societária e transformar IRPF da tabela progressiva em ganho de capital. Também a transferência das quotas diretamente da IFC aos sócios seria motivo de desconsideração porque a aquisição seria ato nulo. Uma vez que falamos em interposição fictícia de pessoa, devese descobrir quem é o interponente, a pessoa a quem a Zest substituiu. Uma vez que a simulação é uma declaração enganosa de vontade, devese descobrir qual é a vontade verdadeira. Entendemos que os interponentes são José e Alessandra e que a vontade verdadeira é a transferência gratuita a José e Alessandra dos recursos e conseqüente aquisição das quotas por José e Alessandra porque: 1) o contrato de compra e venda de quotas foi assinado por José e Alessandra. Os atos que se seguiram ao contrato foram préordenados para atingir a finalidade da aquisição. Assim, a entrada da Zest na IFC e o mútuo são elementos da aquisição de quotas. José e Alessandra aparecem como partes ou intervenientes em todos os contratos; 2) José e Alessandra comunicaram aos vendedores que a compra seria finalizada pela Zest e que suas quotas seriam entregues à Zest. Portanto, a Zest substituiu José e Alessandra na aquisição; 3) a decisão de investimento é uma decisão do investidor e não da empresa investida. É o dono que manda na propriedade, e não a propriedade que manda no dono. Admitir que o interponente é a IFC seria admitir que a IFC decidiu ser investida da Zest, sendo que a Zest ingressou na sociedade ao recepcionar quotas entregues pelos sócios em aumento de capital; 4) quando a empresa investida atua, ela realiza a vontade de seu investidor. Os atos praticados pela Zest e IFC visam atender a vontade de seus investidores José e Alessandra; 5) a causa confere unicidade aos atos praticados. Quando da assinatura do contrato de compra e venda a Zest não era sócia da Jack Link's. A participação da Zest na Jack Link's e sua posterior incorporação fazem parte da simulação para tornar o patrimônio líquido positivo e obter economia tributária, e igualmente devem ser afastadas. Não tem sentido imaginar que os atos praticados têm uma parte dolosa (o mútuo) e uma parte inocente (a transferência das quotas); 6) Se José e Alessandra tivessem adquirido as quotas diretamente, teriam efetuado os dispêndios que a empresa efetuou, registrando a aquisição em seu patrimônio pelo regime de caixa. Se a aquisição fosse feita pela IFC o regime adotado seria de competência. O regime de caixa traz um custo tributário menor que o regime de Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.192 32 competência porque exclui as variações cambiais, que no caso representaram ganho tributável líquido de R$6.332.443,62; 7) A única forma lícita de aquisição das quotas com recursos da IFC seria através de empréstimo da IFC aos sócios. A simulação buscou alcançar transferência definitiva de recursos. A conclusão lógica é que os recursos para aquisição das quotas foram transferidos da IFC para José e Alessandra e que a aquisição das quotas foi feita por José e Alessandra. O demonstrativo abaixo apresenta os benefícios dos sócios com a simulação: Valor Contratado52.314.000,00 Variação cambial do investimento(6.245.901,35) Juros Pagos1.789.509,10 Pagamento aos vendedores47.857.607,75 Despesas Incorridas Carta Fiança958.327,09 Variação cambial fiança(86.542,27) Serviços1.145.003,99 Despesas em benefício dos sócios2.016.788,81 TOTAL DOS PAGAMENTOS49.874.396,16 Distribuição Disfarçada de Lucros Acordo Invoices3.192.298,52 Valor residual intangíveis293.072,51 Total DDL3.485.371,03 Benefícios do custo de aquisição53.359.767,19 Economia Fiscal de amortização do ágio calculado (34% x 29.044.687,68)9.875.193,88 IRPF (0,275 x total dos pagam)13.715.458,94 () IRPF s/ ganho de capital (0,15 x 15.360.000,00)2.304.000,00 Imposto de Renda não recolhido11.411.458,94 Benefícios Tributários21.286.652,82 TOTAL DO BENEFÍCIO74.646.420,01 5. CONCLUSÃO Antes da assinatura do contrato de compra e venda de quotas (Fato 3), José possuía 30% das quotas da Jack Link's e Alessandra possuía 5%. A participação relativa de cada cônjuge nas quotas da Jack Link's pertencentes ao casal era respectivamente de 85,714% (30/35) e 14,286% (5/35). Após a 2ª alteração contratual da Zest (Fato 11), o contribuinte José Barbosa Machado Neto passou a deter 85,72% das quotas da Zest, e sua esposa passou a deter 14,28%. Após a incorporação da Zest pela IFC (Fato 20), o contribuinte passou a deter 81,434% das quotas da IFC, e sua esposa passou a deter 13,566%. Juntos, o casal passou a deter 95% das quotas da IFC. A participação relativa de cada cônjuge nas quotas da IFC pertencentes ao casal não foi alterada (81,434 = 85,72% x 95, e 13,566 = 14,28% x 95). Portanto, a sócia Alessandra Orlandi Barbosa Machado foi beneficiada com 14,28% dos pagamentos efetuados pela IFC para aquisição das quotas. a) Implicação tributária da desconsideração dos atos simulados Alessandra beneficiouse dos custos arcados pela IFC, conforme planilha "Pagamentos realizados em benefício da sócia Alessandra" anexa, onde os custos estão discriminados conforme registrados em conta Empréstimo de Sócios da empresa Zest e parcelas pagas pela IFC após a incorporação. Esses pagamentos constituem distribuição de recursos ao sócio em valor superior ao lucro apurado pela contabil idade . Portanto, não se incluem na isenção prevista no artigo 39, inc. XXIX, e 654 do RIR/99. Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.193 33 O aumento da riqueza da sócia, embora realizado em contrapartida a uma diminuição da riqueza da empresa, constitui rendimento tributável , conforme disposto na Lei 7.713/88, art 30, §4°; Decreto 3.000/99 RIR arts 37 e 38; e IN SRF n° 15/2001, art 5, §§ 7° e 8°. Tratandose de fraude a lei societária com util ização, em tese, de simulação, incide o artigo 55, inciso X do RIR/99 . Está sujeito à retenção na fonte, conforme arts 620 e 639 do RIR/99. Não houve retenção na fonte, como se verifica na DIRF emitida pela IFC juntada ao processo. Efetuamos o lançamento do IRPF incidente sobre os rendimentos omitidos, aplicando a multa qualificada de 150% prevista no artigo 44 da Lei n° 9.760/96, em virtude da prática, em tese, de simulação. Tendo em vista os valores mensais das retiradas individuais da sócia (DIRF juntada ao processo) a aplicação da tabela progressiva do imposto dáse pela alíquota de 27,5%. Encerramos nesta data a ação fiscal levada a efeito no sujeito passivo acima identificado tendo sido verificado, por amostragem, o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA nos anoscalendário de 2005 e 2006, onde foram constatadas as irregularidades mencionadas nos Demonstrativos de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos Autos de Infração Lavrados e neste Termo. Da referida ação fiscal foi apurado o Crédito Tributário abaixo descrito. CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO: Imposto de Renda Pessoa Física R$5.443.637,68 Serão formalizados três processos: a) de lançamento tributário; b) de representação fiscal para fins penais, tendo em vista a prática, em tese, de simulação; e c) de Arrolamento de Bens, tendo em vista o valor da autuação superar 30% do patrimônio conhecido do sujeito passivo. E, para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, em 03 (três) vias de igual forma e teor, assinado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e pelo contribuinte/preposto, que neste ato recebe uma das vias. Cientificada do lançamento, em 18/05/2009, a contribuinte protocolizou a impugnação de fls. 913/962, em 17/06/2009, alegando em sua defesa, basicamente, as mesmas razões de fato e de direito apresentadas em relação aos lançamentos de IRPJ e CSLL (Processo nº 19311.000203/200967), lavrados em face dos mesmos elementos de prova, e abaixo reproduzidas. Preliminares Invoca a necessidade de apensamento aos presentes autos dos processos nº 19311.000203/200967 (Matéria: IRPJ/CSLL; Interessado: IFC), 19311.000202/200912 (Matéria: Multa Isolada IRRF; Interessado: IFC), e 19311.000201/200978 (Matéria: IRPF; Interessado: José Barbosa Machado Neto), tendo em conta a identidade dos fundamentos fáticos e jurídicos das diversas autuações. Requer a nulidade das autuações, em razão da ausência de previsão legal a amparar o procedimento adotado pela fiscalização de desconsideração do negócio jurídico praticado pela Impugnante. Segundo a defesa, o Parágrafo único do art. 116 do CTN, dispositivo que ampara a desconsideração, pelas autoridades fiscais, dos atos ou negócios jurídicos, seria norma de eficácia limitada, dependente de outro instrumento legal para que pudesse produzir efeitos. Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.194 34 Mérito No mérito, defende a existência de propósito negocial, afirmando que toda a operação encontravase devidamente justificada, sem qualquer desvio ou ocultação do real objetivo. E explica: 38. Com efeito, no decorrer do ano de 2004, a Impugnante passou a enfrentar uma série de dificuldades nas negociações com seu único cl iente , envolvendo o preço dos produtos produzidos, aumento de sua área de atuação dentre outros fatores. 39. Referidas dificuldades originaramse em virtude do fato de seu único cl iente ser, também, seu sócio majoritário , na medida em que os Sr. Jay E. Link e Troy J. Link eram os detentores e distribuidores exclusivos da marca Jack Link’s. 40. A manutenção da condições impostas pelo único cliente da Impugnante passou a impossibilitar o crescimento das empresa, na medida em que esta estaria impossibilitada de expandir seus negócios, ficando atrelada por prazo indeterminado às negociações com um único cliente, que importaria em sensível redução de sua lucratividade em virtude de preços e condições impostas, o que levaria a Impugnante a passar a ser uma mera coadjuvante na cadeia de produção dos produtos Jack Link’s. Assim a retirada dos sócios Jay E. Link e Troy J. Link foi apresentada como a solução para os problemas enfrentados pela empresa, o que garantiria maior liberdade de negociação dos produtos e possibilidade de expansão de seu campo de atuação no mercado. Nesse sentido, os sócios remanescentes teriam dado início às negociações para a aquisição das quotas representativas de 60% (sessenta por cento) do capital da empresa. Diz que teria sido efetivada pesquisa para levantamento dos recursos necessários e elaborado laudo de avaliação das quotas, o qual teria concluído pelo valor de mercado de 30 milhões de dólares em 16/03/2005. Diante das dificuldades enfrentadas para levantamento dos recursos necessários pelas pessoas físicas junto às instituições financeiras, fato que teria levado à desistência do Sr. Eduardo em adquirir as quotas dos sócios retirantes, a única alternativa teria sido a captação de recursos por meio de investimento decorrente de ingresso de novo sócio na IFC. E explica: 52. Para tanto, admitindo a possibilidade de ingresso de novo sócio, investidor, para viabilizar a aquisição das quotas em questão, por razões de ordem negocial, o Sr. José Barbosa e Sra. Alessandra Orlandi resolveram criar uma estrutura societária que permitisse a entrada de novos sócios, por meio de integralização de capital com recursos f inanceiros , e que, ao mesmo tempo, viabilizasse a preservação do valor de mercado de suas participações societárias, mesmo com diluição destas últimas, haja vista a diferença entre o valor patrimonial da IFC, com base em registros contábeis, e o seu valor de mercado. 53. Para tanto, o Sr. José Barbosa e Sra. Alessandra Orlandi decidiram utilizar a ZEST Investimentos, Participações e Negócios Ltda., pessoa jurídica constituída em julho de 2004, e que, naquele momento, tinha como sócios SHAMA Investimentos, Participações e Negócios Ltda. e o Sr. José Barbosa Machado Neto. A intenção, portanto, era transferir, a título de integralização de capital da ZEST, a participação societária que detinham na IFC, como de fato foi feito, e posteriormente, por meio de solicitação, que foi tacitamente aceita, na medida em que nunca se opuseram, habilitar a ZEST a exercer o direito de aquisição da participação dos vendedores na IFC, de maneira a viabilizar a entrada dos novos sócios, agora, diretamente na ZEST e, indiretamente, na IFC. Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.195 35 54. Com a estrutura apresentada acima montada, o próximo passo seria transformar a ZEST em Sociedade Anônima e fazer uma chamada de capital com ágio a ser integralizada totalmente pelos novos sócios investidores, que contribuiriam para integralização de capital os recursos necessários para aquisição das quotas da IFC dos Vendedores. 55. Ocorre que, às vésperas da concretização do negócio, o investidor que seria admitido como novo sócio da ZEST, fornecendo os recursos necessários para a aquisição das quotas, impôs uma série de novas condições que inviabilizaria a aquisição como planejada. 56. Em virtude das exigências realizadas pelo provável novo sócio da ZEST, não foi finalizada a operação de aumento de capital da ZEST com subscrição e integralização de capital pelo novo investidor, o que acarretou conseqüências quase que irremediáveis a todo processo de aquisição das quotas dos Srs. Jay E. Link e Troy J. Link. 57. Tendo em vista a proximidade da concretização da venda, com o pagamento da primeira parcela, a já demonstrada impossibilidade, inclusive agravada pela urgência de captação de recursos perante as Instituições Financeiras, o Sr. José Barbosa e a Sra. Alessandra Orlandi foram compelidos a fazer uso da única solução que a atual conjuntura possibilitaria, a saber, captação de recursos, por meio de mútuo, diretamente da empresa Jack Link’s . Explica que a IFC possuía recursos disponíveis e sua transferência a título de empréstimo aos sócios configuravase plenamente legal. Da mesma forma, haveria propósito negocial e ausência de desvio ou ocultação de outra operação na incorporação da ZEST (investidora) pela IFC (investida). Em suas palavras: 62. Referida incorporação teve por razão a desnecessidade de manutenção da estrutura societária resultante da operação anterior, na medida em que, conforme demonstrado acima, a aquisição das quotas pela ZEST decorreu do fato de esta estrutura ter sido considerada a que melhor poderia atender à necessidade de captação de recursos com terceiros (novos sócios), bem como à preservação do valor de mercado da participação remanescente do Sr. José Barbosa e da Sra. Alessandra Orlandi, a despeito de sua eventual diluição, sendo certo que, diante dos novos fatos ocorridos (novas exigências por parte do potencial novo sócio) a não efetivação de admissão de novo sócio tornou desnecessária a manutenção de referida estrutura societária. Diz que esta justificativa integra o Protocolo e Justificação de Incorporação, parte integrante da 10ª alteração do contrato social. Contesta a imputação de simulação, na medida em que a intenção da empresa não foi enganar o fisco ou fraudar a Lei, e ocultar o fato jurídico tributário. Também afirma não ter havido transmissão de direitos a pessoas diversas das contratantes, qualquer declaração cláusula ou condição não verdadeira, ou documentos antedatados ou pós datados. Em suma, como todas as operações praticadas teriam observado os preceitos constitucionais e legais, não apresentando qualquer conteúdo irreal ou falso, não teriam sido preenchidos os requisitos do art. 167 do Código Civil – Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que suportariam a qualificação da operação como simulada. Justificadas as operações de constituição e de incorporação da ZEST, defende não ser possível a imputação de simulação. Em suas palavras: Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.196 36 83. Assim sendo, é inconteste que, ao contrário do Sr. Fiscal, nunca houve a simulação de ‘empréstimo de recursos da IFC para a ZEST’, tampouco a dissimulação de ‘transferência não onerosa de recursos da IFC para José e Alessandra’ e, se não houve tais irregularidades na operação, a desconsideração do negócio praticado é descabida. Contradita as afirmações da fiscalização de que o mútuo seria uma operação simulada, por ter prazo indeterminado, tendo em conta que à luz do Código Civil, a ausência de prazo expresso não tornaria o contrato irregular, nem permitiria a presunção de ausência de intenção de devolução dos recursos. Alega ainda que a empresa sempre teria dado publicidade de seus atos, tanto que teria encaminhado correspondência aos vendedores das quotas, informando que a aquisição se daria por intermédio da ZEST. Não aceita a argumentação do Fisco de que “já estava previsto que a incorporação da ZEST ocorreria ainda durante a vigência do contrato de garantia, e antes mesmo de obter os recursos necessários para honrar seus compromissos” Reitera que a intenção da empresa não teria sido ocultar o fato jurídico tributário, mas criar condições com a retirada dos sócios Jay E. Link e Troy E Link, para exercer suas atividades em condições mais competitivas. Defendese com base nos preceitos constitucionais, regentes da atividade econômica de valorização do trabalho e da livre iniciativa. Aduz ainda que se houve propósito negocial/substrato econômico na operação praticada, não pode ser desconsiderado o negócio praticado, e que de acordo com o art. 170 da Constituição Federal – CF, “o contribuinte não é obrigado, de acordo com a legislação pátria, a exercer suas atividades optando pelo modo mais oneroso”. Não acata assim a imputação de abuso de direito ou a utilização da teoria do “propósito negocial”, “segundo a qual o Fisco não estaria obrigado a aceitar os efeitos fiscais que decorreriam dos atos utilizados sem fins civis ou comerciais, mas exclusivamente com o objetivo de obter vantagem fiscal”. E assevera: 98. Isto porque, estão devidamente justificados os seguintes atos: a existência da ZEST e seu propósito negocial; a necessidade da aquisição das quotas da Impugnante por meio dessa pessoa jurídica; a ausência da razão de existir da ZEST diante do não ingresso de recursos pelos potenciais investidores; a incorporação da ZEST pela IFC. No caso do abuso de direito, “deveria ser demonstrado que a Impugnante teria se utilizado de formas jurídicas anormais, insólitas ou inadequadas, com o único fim de obter vantagem fiscal”. Conclui daí que os lançamentos estariam amparados em presunções para caracterização dos atos como simulados ou dissimulados, tendo em conta que não preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência: (i) o intuito do agente de fraudar a Lei ou enganar o Fisco; (ii) a existência de negócio que aparente conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas realmente intencionadas; (iii) a existência de negócio com dados irreais ou falsos; e (iv) instrumentos particulares antedatados ou pósdatados. Referese ainda ao Parecer dos Auditores Independentes relativo ao ano calendário de 2005 a corroborar que as operações estariam devidamente justificadas, com a aprovação das demonstrações financeiras. Em suas palavras: 108. Verificase, assim que, diante da existência de propósito negocial, bem como da legitimidade de todos os atos praticados, fato corroborado pelo Parecer fornecido pelos Auditores Independentes, é evidente a inexistência de qualquer fundamento que possa legitimar a alegação de simulação por parte da D. Fiscalização. Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.197 37 Questiona, nos seguintes termos, a autuação com base em operação presumida pela fiscalização: (...) poderia o Sr. Fiscal ter considerado que o ato simulado seria ‘o empréstimo de recursos da IFC para a ZEST’ e o ato dissimulado ‘a transferência não onerosa de recursos da IFC para José e Alessandra”, recompondo e qualificando a operação, estabelecendo o possível fato gerador ocorrido com base nas próprias presunções? Como não admite a presunção como meio de prova do fato jurídico tributário, em face do princípio da estrita legalidade que rege o sistema tributário nacional, argumenta. 128. Assim, o lançamento pautado em presunções não pode prosperar, eis que meras presunções, interpretações, conclusões, são elementos insuficientes para caracterizar a ocorrência do fato gerador e, em decorrência, sujeitar a Impugnante ao recolhimento de exação tributária apurada ao arrepio da Lei. Assevera ainda que “não se pode ter por legítimo o ato do Sr. Fiscal de desconsiderar a operação praticada pela Impugnante com o único intuito de que haja o recolhimento de tributos”. Ainda que houvesse simulação e a fiscalização pudesse desconsiderar o ato praticado, defende que “não se pode ter por legítima sua presunção de que houve, no caso, ‘mútuo realizado entre IFC e ZEST que é, em tese, uma simulação relat iva com interposição f ict ícia de pessoa’”. 132. Conforme mencionado, não é dado ao D. Fiscal a discricionariedade de, a seu bel prazer, recortar os fatos e adequálos às hipóteses de incidência previstas, mormente quando o intuito é, única e exclusivamente, aumentar a arrecadação. Em seu entender o Fisco não poderia desconsiderar uma operação legítima, praticada pelo contribuinte, por entendêla como a solução mais eficiente, do ponto de vista econômico e empresarial, apenas porque, para o Fisco, seria melhor que o contribuinte tivesse praticado uma outra operação que garantisse aos cofres públicos maior arrecadação. Admitida a ocorrência de simulação, no caso, no máximo teria havido um mútuo entre a IFC e os Srs. José e Alessandra, uma vez que, conforme reconhecido pela própria fiscalização, seriam ilícitas as outras duas formas de aquisição de quotas pelos sócios com recursos da empresa (alienação de ações em tesouraria e entrega de recursos aos sócios). Tal opção teria sido desconsiderada pela fiscalização, com base na presunção de que esta não seria “uma opção desejada”, porque “embora tenha havido a contratação do mútuo, o fornecimento dos recursos, ‘não houve reposição dos recursos emprestados’”. Defende a legitimidade da operação praticada, e conclui: 142. (...) Assim sendo, se a operação inicialmente praticada era legítima, por óbvio que não existiria registro de reposição dos recursos emprestados por parte dos sócios. 143. Esta seria (e foi) uma situação criada apenas por decorrência lógica da desconsideração da operação inicialmente praticada. 144. De se apontar, inclusive que o Sr. Fiscal considera dispensável a existência da ZEST na operação de aquisição das quotas da Impugnante por José e Alessandra, entendendo, inclusive, que constitui um ato simulado, por que considera que o Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.198 38 mútuo foi realizado entre IFC e ZEST, e não entre IFC e José e Alessandra se, frisese, esta é uma operação legal? Assevera afronta ao art. 112 do CTN quando o Fisco desconsidera a operação praticada, e presume como verdadeira a conduta mais gravosa, principalmente quando a suposta vontade da Impugnante poderia ter sido enquadrada em outra operação legal, mais benéfica. Reputa ilegítimas as presunções da fiscalização de interposição fictícia de pessoa, e de que a vontade verdadeira do negócio seria a transferência gratuita dos recursos a José e Alessandra para aquisição das quotas dos sócios retirantes. E pontua: 149. Ao que tudo indica, deixou o D. Fiscal de considerar que a ‘verdadeira’ operação seria o mútuo entre a Impugnante e seus sócios, em razão dos efeitos tributários que decorrem de tal operação, com o que não podemos concordar, seja em razão do artigo 112 do Código Tributário Nacional, seja em razão do uso indevido da presunção in casu, tendo em vista que, a seu bel prazer, entendeu o Fiscal que o mútuo entre a Impugnante e seus sócios ‘não era uma opção desejada’. Acrescenta ainda que: 150. (...) o fato de não ter o registro da reposição de valores não é justificativa hábil para consignar que esta não seria a operação praticada, pois este registro somente não existe porque o negócio praticado, no entender da Impugnante, era legítimo, e este não seria um efeito dele decorrente. Enfim, é no mínimo i lógico justif icar a falta de adoção de uma determinada atitude por parte dos sócios da IFC, tendo como base para referida justif icação uma situação jurídica decorrente de uma operação tida como simulada e, portanto, desconsiderada . No entender da defesa, se considerada simulada a operação, a Impugnante deveria ter sido intimada a retificar seus registros fiscais para retratar essa nova realidade (mútuo realizado entre a Impugnante e seus sócios). Fundamentase na intimação fiscal para retificação dos registros do Lalur, em função das autuações, para advogar: 153. Ora, se em razão da nova realidade apresentada pelo Fisco a Impugnante deveria retificar seus livros fiscais, por óbvio que, desconsiderada a operação, pode ser autorizada a retificar seus registros contábeis para adequálos à nova realidade decorrente do julgamento da presente manifestação – mútuo entre a Impugnante e seus sócios. Da aplicação da multa qualificada pela fraude Assevera que dada a inexistência dos débitos de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF e a validade formal e material das operações, indevida a aplicação da multa qualificada. Em suas palavras: 168. No presente caso, não foi possível à D. Fiscalização infirmar a validade, regularidade e eficácia dos atos praticados, na medida em que estes se revestiram de todas as exigências legais. 169. Desta forma, ainda que se pudesse afirmar que o real objetivo era a aquisição das quotas pela pessoa física dos sócios Sr. José Barbosa e Sra. Alessandra Orlandi, o ato de comprova, na forma em que foi estruturado, é legítimo e atingiu seu objetivo, razão pela qual não se poderia considerálo hipótese de simulação absoluta. 170. Apenas a simulação absoluta demonstraria o dolo dos agentes em fraudar a Administração Tributária; a simulação relativa não visaria a fraude, na medida em que Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.199 39 não busca o ilícito, sendo eventuais feitos dela decorrentes apenas conseqüências normais previstas e autorizadas pela legislação, não havendo que se falar em intuito de fraude. 171. Neste sentido, ainda que se pudesse admitir que o real objetivo da operação foi diverso do aparente, sendo a simulação relativa, não haveria que se falar em presunção de fraude. Deveria, portanto, a D. Fiscalização ter comprovado de forma cabal que os atos praticados seriam ilícitos, pois é seu o ônus da prova, nos termos do artigo 333 do Código de Processo Civil. Conclui que a imputação de fraude estaria respaldada também em meras presunções, não havendo prova do dolo da empresa ou de que os atos teriam sido praticados com objetivo de fraudar a Administração Tributária. Ademais, todos os atos teriam sido levados a registro nos órgãos competentes e informados à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, com a contabilização das operações. Novamente faz remissão ao art. 112 do CTN para concluir: 179. Neste sentido, não havendo comprovação do evidente intuito de fraude, os fatos devem ser analisados de maneira mais favorável à Impugnante, aplicandose dentre as possíveis penalidades, a de menor gradação, restando, portanto, afastada a aplicação qualificada de 150%, devendo incidir apenas a multa de ofício de 75%. Do caráter confiscatório das multas exigidas As multas aplicadas afrontariam o princípio do nãoconfisco. Em suas palavras: 186. A multa tem caráter nitidamente punitivo e não pode ser aplicada arbitrariamente, com evidente descompasso com a infração supostamente cometida. É imprescindível, nesses casos, que haja uma nítida correlação entre a infração cometida e a penalidade imposta, sob pena de anulação da multa lavrada, dada a sua patente abusividade, além da evidente afronta ao princípio da vedação ao confisco, bem como ao direito de propriedade, constitucionalmente previstos (...) Faz remissão à doutrina e à jurisprudência, para ao final, requerer a redução para 20% (vinte por cento) das multas aplicadas com base nos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Contesta a legalidade e a constitucionalidade da cobrança dos juros de mora com base na variação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic. Com fundamento no princípio da verdade material, protesta por todos os meios de prova em direito admitidos. A decisão recorrida está assim ementada: Nulidade. Falta de Lei Ordinária. Desconsideração de Negócio Jurídico. Simulação. De acordo com os preceitos do art. 149, VII, do CTN, o lançamento deve ser efetuado pela autoridade administrativa, quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deve a autoridade fiscal proceder ao competente lançamento dos efeitos tributários dos atos que o sujeito passivo pretendeu, dolosamente ocultar, por meio da simulação. Comprovada a simulação, prescindível o procedimento de desconsideração de negócio jurídico. Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.200 40 Simulação. Alienação de Quotas Sociais. Interposição de Pessoa. Incorporação. A interposição de pessoa jurídica fictícia, sem patrimônio e atividade empresarial, em operação de aquisição de quotas sociais, seguida de incorporação da interposta pessoa, com o intuito de ocultar a transferência gratuita de recursos da Sociedade a seus sócios, reais adquirentes das quotas, e para garantir a dedutibilidade do ágio pago pela própria Sociedade, caracteriza simulação. Fato Gerador. Pagamentos Efetuados Em Favor dos Sócios Administradores. Os pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, vinculados à operação de aquisição de quotas sociais, em favor dos sócios administradores, configuram acréscimo patrimonial tributado pelo imposto de renda. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Multa Qualificada. Fraude. Simulação. Provada que a simulação na operação de aquisição das quotas sociais, por interposta pessoa, seguida de incorporação desta última, visou impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência de diversos fatos geradores, suas naturezas ou circunstâncias materiais, e das condições pessoais dos contribuintes, suscetíveis de afetar as obrigações tributárias e os créditos tributários correspondentes, cabível a aplicação da multa qualificada. Constitucionalidade de Lei. Competência do Órgão Administrativo de Julgamento. O julgamento administrativo está estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade, não podendo negar os efeitos à lei vigente, pelo que estaria o Tribunal Administrativo indevidamente substituindo o legislador e usurpando a competência privativa atribuída ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento nos seguintes termos: “V. DO PEDIDO 254. Diante de todo o exposto, protestando pela posterior juntada de eventuais documentos adicionais que sé fizerem necessários, e demais provas que podem vir a ser produzidas, requer Seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, para que seja determinada a reforma da r. decisão recorrida, com o consequente cancelamento integral do Auto de Infração, dada a sua nulidade. 255. Caso não seja anulado o Auto de Infração, requer seja reformada a r. decisão recorrida, determinadose seu integral cancelamento, em face das razões de mérito expostas. 256. Na remota hipótese de ser mantida autuação, a Recorrente requer que, em razão dos argumentos expostos, seja relevada ou, ao menos, reduzida a multa qualificada aplicada em virtude de sua ilegitimidade, bem como diante do nítido caráter confiscatório, e afastada a aplicação da taxa SELIC na atualização do valor intentado. 257. Por fim, protesta pela realização de sustentação oral do alegado. (...)” Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19311.000200/200923 Resolução nº 1402000.184 S1C4T2 Fl. 1.201 41 O processo foi sorteado à conselheira Núbia Matos de Moura, da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF, que mediante despacho de fls. 1155 propos o encaminhamento à 1a. Seção nos seguintes termos: “(...) Trata o presente processo de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF). Entretanto, os fatos que deram causa ao presente lançamento são os mesmos que lastrearam a apuração do Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, lavrado contra IFC International Food Company Indústria de Alimentos S/A, que se encontra formalizado no processo 19311.000203/200967. Nesse sentido, vale transcrever trecho do Acórdão DRJ/CPS nº 0527.075, de 07/10/2009, fls. 1005/1035: ‘Cumpre reconhecer a conexão entre o presente lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, e aqueles formalizados no âmbito dos processos administrativos n° 19311.000203/200967 (Matéria: IRPJ e CSLL; Interessado: IFC), 19311.000202/200978 (Matéria: IRRF Multa e Juros Isolados; Interessado: IFC) e 19311.000201/200978 (Matéria: IRPF; Interessado: José Barbosa Machado Neto), tendo em conta a identidade dos fundamentos fáticos e jurídicos das diversas autuações, no que tange à caracterização, como simuladas, das operações societárias de aquisição de quotas, por interposta pessoa, e de subseqüente incorporação desta última, devendo ser decididos simultaneamente, nos termos do art. 105 do Código de Processo Civil (Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973). Nestes termos, e considerando o disposto no art. 2º, inciso IV, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, temse que a competência para julgamento do recurso interposto pelo recorrente pertence à Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF).” É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Conforme acima relatado, este processo deve ser redistribuído ao conselheiro Frederico Augusto de Alencar, haja vista que o lançamento principal, tratado no processo 19311.000203/200967, encontrase com aquele Conselheiro e foi distribuído ao tempo deste. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 10830.002733/2005-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/1995 a 31/10/1996, 01/12/1996 a 31/12/1996, 01/01/1997 a 31/08/1997, 01/01/1998 a 31/03/1998
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PRAZO DECADENCIAL.
O prazo para constituição de crédito tributário relativo às contribuições sociais é de cinco anos. Súmula Vinculante nº 8 do STF.
Numero da decisão: 1301-001.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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PRAZO DECADENCIAL. O prazo para constituição de crédito tributário relativo às contribuições sociais é de cinco anos. Súmula Vinculante nº 8 do STF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 27 33 /2 00 5- 82 Fl. 455DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 Relatório Contra a contribuinte acima foi lavrado, com ciência em 08/06/2005 (fl. 19), auto de infração pertinente à Cofins (fls. 18/22, 46/51). Consta do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 09/17: I A Fiscalizada [...] [...] tendo optado pela tributação através da sistemática do Lucro Real mensal para os anoscalendário 1995 e 1996 e pela sistemática do Lucro Real Trimestral para os anoscalendário 1997 e 1998. II — A Ação Fiscal A ação fiscal teve início em 06/10/2004, mediante lavratura de Termo de Recusa. Na mesma data foram requisitados vários elementos através de TERMO DE INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. Para os anos calendário 1995 a 1998, a fiscalização foi executada da seguinte forma e amplitude: Verificação da regularidade dos lançamentos contábeis dos documentos de despesas, Notas Fiscais, Recibos e outros documentos de pagamentos, apreendidos em 01/06/2004, mediante "MANDADO DE BUSCA E APREENSÃO" (processo judicial n° 2003.61.27.0023709), na sede da empresa; No período de junho de 1995 a março de 1998, foram examinados os livros Diário da fiscalizada. Para o período compreendido entre 06/95 e 12/96 também foram examinados os seus Livros Razão; Conferencia da escrituração de pagamentos e compras para os I anos calendário 1995 (meses 06,a 12), 1996, 1997 e 1998 (meses 01 a 03), referentes aos documentos apreendidos na sede da empresa. Das Apurações Efetuadas Em 01/06/2004, através do "MANDADO DE BUSCA E APREENSÃO" [...], foram retidos os seguintes documentos do contribuinte: • Livros Diário de 1997 e 1998; • Notas Fiscais, Recibos e outros comprovantes de pagamentos efetuados pela empresa no período de 06/1995 a 03/1998, controlados paralelamente à contabilidade através do "CAIXA 2", cujos documentos apreendidos pela fiscalização do INSS foram repassados posteriormente à Secretaria da Receita Federal, através do Termo de Entrega de Documentos lavrado em 19/10/2004; Fl. 456DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10830.002733/200582 Acórdão n.º 1301001.565 S1C3T1 Fl. 12 3 • Listagens denominadas "CONTA CORRENTE" — "CAIXA CARLOS" e "EDGARD", onde parte dos pagamentos dos documentos referidos no tópico anterior eram relacionados. Em 11/03/2005 foram solicitados à fiscalizada os Livros Diário e Razão relativos aos anoscalendário 1995 e 1996, os quais foram apresentados de imediato. I Pelo confronto entre os Livros Diário e Razão da fiscalizada contra os documentos de despesas e pagamentos apreendidos em 01/06/2004, não foi encontrada a contabilização dos mesmos durante os anoscalendário 1995 (meses 06 a 12), 1996, 1997 e 1998 (meses 01 a 03). Estes documentos estão relacionados nos ANEXOS I (lançamentos em negrito) e II dos Autos dos autos; Em 10/05/2005, a fiscalizada foi intimada a apontar em seus livros contábeis, individualmente, os lançamentos desses documentos ou justificar a ausência de sua contabilização. Foram fornecidas na oportunidade cópias de todos os documentos cuja contabilização deveria ser comprovada, em conjunto com listagens em meio magnético e em papel relacionando todos os documentos e seus respectivos valores. Ainda em 10/05/2005, foram devolvidos à fiscalizada os originais dos Livros Diário e Razão relativos aos anoscalendário 1995, 1996, 1997 e 1998. Em resposta datada de 20/05/2005, a fiscalizada não logrou êxito em comprovar a regular escrituração contábil dos documentos relacionados no anexo ao Termo de Intimação de 10/05/2005 (Notas Fiscais, recibos e outros). Ainda quanto a esta resposta, ressaltamos que: • Os registros de valores, acompanhados da descrição das operações, cuja cópia integral foi fornecida em anexo ao Termo de Intimação lavrado em 10/05/2005, representam a efetiva saída de recursos de titularidade da empresa, controladas a partir de conta CAIXA escriturada paralelamente à contabilidade oficial da fiscalizada; • A descrição dos documentos utilizada nos anexos ao Termo de Intimação representam o real teor dos documentos apreendidos na sede da empresa, sendo que, em grande parte continham visto com a autorização para dispêndio dos numerários objetos dessa autuação, I mediante aposição de rubrica de próprio punho por parte do sócio proprietário da fiscalizada, Sr. Olivo Simoso, tanto nos documentos como nas listagens denominadas "CONTA CORRENTE" — "CAIXA CARLOS" e "EDGARD"; • Não prospera a alegação da fiscalizada de que a descrição sintética dos documentos não permite conhecer a natureza da efetiva operação, pois a descrição foi extraída dos próprios documentos e os dispêndios eram de conhecimento do proprietário da empresa; • Não prospera também a alegação de que s documentos referemse a fatos pessoais dos sócios da empresa, tendo em vista que tais documentos forma apreendidos na sede da empresa, estão Fl. 457DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 contabilizados paralelamente em planilhas eletrônicas impressas com o nome da empresa e indicam os funcionários responsáveis pelo controle desse caixa paralelo, tais como: "CAIXA CARLOS", "CAIXA i EDGARD", ou simplesmente "CAIXA EX"; • Os fatos pessoais citados pela fiscalizada em sua resposta datada de 20/05/2005 revelam claramente que parte dos recursos movimentados através do "CAIXA 2" eram carreados diretamente para os sócios ou indiretamente, através do pagamento de suas despesas pessoais e parte para pagamento de obrigações próprias da empresa, mantidas à margem de sua escrituração contábil; • Não merece fé o apontamento de que esses recursos seriam decorrentes de meros adiantamentos de custos posteriormente apropriados, pois a fiscalizada deixou de indicar em sua contabilidade as alegadas apropriações nas referidas contas. Assim sendo, baseado nos documentos apreendidos e nos livros contábeis da fiscalizada, este Serviço de Fiscalização (SEFIS): chegou à convicção de que houve a existência de pagamentos por parte da fiscalizada quitadas com recursos não figurantes em sua escrituração contábil (Livros Diário). Durante os procedimentos de auditoria e, como resultado do confronto dos documentos apreendidos com a escrituração contábil, identificamos que a fiscalizada apresentava desvios de recursos para alimentar o "CAIXA 2", por intermédio do qual os pagamentos eram efetuados. Os comprovantes de pagamentos (saídas do "CAIXA 2") são esclarecedores da condição da informalidade, constando em grande parte deles as expressões "por fora", "caixa 2", "sem vínculo empregatício", conforme cópias das "Comunicações Internas". Do Saldo Credor de Caixa (anoscalendário 1995 a 1996) Para os anoscalendário 1995 e 1996, os valores pagos pela fiscalizada, constantes dos documentos não contabilizados em Livro Diário e Razão, foram lançados por esta fiscalização federal a crédito: da conta caixa (conta contábil 01.01.001.001.00010). Disso resultou o surgimento de SALDO CREDOR DE CAIXA em vários períodos de apuração, conforme ANEXO I — "Recomposição da Conta Caixa após a inclusão de Pagamentos não contabilizados", parte integrante e indissociável deste Auto de Infração. [...] O Saldo Credor de Caixa evidencia a Omissão de Receitas, conforme o caput do artigo 228 do RIR/94 (artigo 180 do RIR/80) o qual é, por oportuno, reproduzido abaixo: "Art. 228. O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção.(Decreto lei n° 1.598/77, art. 12, §2°). A fim de seguir estritamente o estabelecido em lei, optouse por procurar nas decisões administrativas anteriores a forma mais objetiva de aplicar o mandamento instituído pelo caput do artigo 228 do RIR/94. Desta pesquisa, resultou a adoção dos dois critérios a seguir: O primeiro critério adotado foi o de tomar como omissão de receita o maior saldo credor de caixa existente em cada período de apuração. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10830.002733/200582 Acórdão n.º 1301001.565 S1C3T1 Fl. 13 5 No caso da fiscalizada, todos os períodos de apuração dos anoscalendário 1995 e 1996 foram mensais. Desta forma, tomouse, por analogia à tributação do Lucro Real, sempre o maior saldo credor diário existente dentro de cada mês. Neste sentido, pronunciouse o 1° Conselho de Contribuintes através do Acórdão 10189.495/96 publicado no Diário Oficial da União em 11/06/96. "Demonstrada a existência de saldo credor da Conta Caixa em diversos momentos do períodobase, é permitido computar o maior saldo credor do período como valor da receita omitida para fins de determinação do lucro real". O segundo critério adotado foi o de tomar, dentro de cada dia, sempre o saldo apresentado após o lançamento de todos fatos contábeis na conta. Ou seja, tomouse, para efeito de comparação com os outros dias do mês, o saldo de fechamento de caixa diário. Nesse sentido pronunciouse o Conselho de Contribuintes através do Acórdão 1055.142/90, publicado no Diário Oficial da União em 06/03/91. "Em face de a cronologia de contabilização das operações no mesmo dia não obedecer à ocorrência fática ou dinâmica de recebimentos e pagamentos no mesmo lapso temporal, a omissão de receita, através do intitulado "estouro de caixa", somente pode ser quantificada ao final das operações de determinado dia". O maior saldo credor diário apurado dentro de cada período de apuração mensal, tributado como omissão de receita, foi concedido como origem de recursos na recomposição da conta caixa do mês seguinte. Da Omissão de Pagamentos (anoscalendário 1997— 1998) O tratamento a ser aplicada para os valores pagos e não escriturados durante os anoscalendário 1997 e 1998 é aquele previsto no artigo 40 da Lei 9.430/96 de 1996, por se tratar de previsão específica no caso da existência de Omissão de Pagamentos: "Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita." O valor da Omissão de Receita, derivado da Omissão de Pagamentos, foi determinado partindo do somatório de todas as Notas Fiscais, Recibos, e documentos equivalentes relativos a pagamentos não contabilizados, conforme ANEXO II — "Pagamentos não contabilizados", parte integrante e indissociável deste Auto de Infração. Da Apuração da Base de Cálculo ANOCALENDÁRIO 1995 Tendo em vista que a fiscalizada possui escrituração comercial completa para o anocalendário 1995, a tributação será feita tomandose como embasamento a legislação do 1RPJ na forma do caput do artigo 892 do RIR/94, aprovado pelo Decreto 1.041 de 11/01/1994, o qual, por oportuno, é citado abaixo: Fl. 459DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 "Art. 892. Verificada omissão de receita, a autoridade tributária lançará o imposto de renda, à alíquota de 25%, de ofício, com os acréscimos e as penalidades de lei, considerando como base de cálculo o valor da receita omitida (Lei n° 8.541/92, art. 43, com a redação dada pelo art. 3° da Medida Provisória 492/94). Para o anocalendário 1995, o tratamento a ser aplicado às Contribuições Sociais devidas sobre a omissão de receita, CSLL, PIS e COFINS, está previsto no dispositivo abaixo citado: "O valor apurado nos termos deste artigo constituirá base de cálculo para lançamento quando for o caso, das contribuições para a seguridade social." (§ 1° do art. 43 da Lei n°8.541/92, com a redação dada pelo art. 3° da Medida Provisória 492/94). Utilizouse, dessa forma, a receita omitida como base de cálculo das contribuições, conforme previsto na legislação do Imposto sobre a Renda, atendendo ao disposto no parágrafo único do art. 6° da Lei 7.689/88 (CSLL), no parágrafo único do art. 10 da Lei Complementar n° 70/91 (COFINS), no art. 9° da Medida Provisória n° 1.212/95 e no art. 9° da Medida Provisória n° 1249/95 (PIS). ANOSCALENDÁRIO 1996, 1997 e 1998 1 Para os anoscalendário 1996, 1997 e 1998, tendo em vista as infrações cometidas pelo contribuinte e a edição de nova legislação, aplicouse o artigo 24 e § 2° da Lei 9.249/95 para efetuar o cálculo de todos os tributos para os quais a fiscalizada se apresentava como sujeito passivo; mandamento esse ora explicitado: "A partir de 1° de janeiro de 1996 [art. 35], verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão [art. 24, caput], sendo o valor da receita omitida considerado também na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP" [art. 24, § 2°]. [...1 Foi aplicada sobre as infrações apuradas a multa qualificada de 150%, prevista no inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96, por entendermos configurado evidente intuito de fraude. Cópias dos documentos que instruem a lavratura destes Autos de Infração serão encaminhadas ao Ministério Público Federal com a finalidade de instruir o processo judicial no 2003.61.27.0023709,da Vara Federal de São João da Boa Vista — SP. A autuação somou a importância de R$ 286.143,27, aí incluídos juros mora e multa de ofício, esta última no patamar de 150%. Em 04/07/2005, veio a impugnação, onde o contribuinte desfia os seguintes argumentos: 4.1. Os fatos geradores considerados na presente autuação já estariam sob o abrigo da decadência, por força do CTN, art. 150, § 4o., ou mesmo ainda, art. 173, do mesmo CTN. Nesse sentido, ainda, estaria a jurisprudência administrativa colhida do Conselho Fl. 460DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10830.002733/200582 Acórdão n.º 1301001.565 S1C3T1 Fl. 14 7 Contribuinte. Mais, a Portaria SRF n° 3.007, de 26 de novembro de 2001, DOU de 07/01/2002, no seu art. 7o., § 1°, com a redação conferida pela Portaria SRF n° 1.468, de 6 de outubro 2003, DOU de 08/10/2003, limitaria o alcance investigativo da fiscalização aos "cinco anos que antecedem a emissão do MPF e no período de execução do procedimento fiscal". 4.2. [...] ao contrário do que registram os AuditoresFiscais, a receita tributada num mês não foi considerada como origem para recomposição da conta "caixa" no mês seguinte. Essa contradição está claramente evidenciada nos demonstrativos que compõem o mencionado ANEXO I — Recomposição da Conta Caixa, acostados às fls. 24/40. Vejase logo na apuração do mês de junho/95, em que se tributou o valor de R$ 112.236,80 (fls. 24, verso) como maior saldo credor. A despeito desse valor ter sido indicado na linha subseqüente como "origem" para o mês seguinte, na verdade esse montante não foi levado em consideração, pois o demonstrativo acusa ponto de partida com saldo igual a zero. Estando demonstrada que essa contradição se repetiu em todos os meses dos anos calendários de 1995 e 1996, é imperativo que seja decretada a imprestabilidade do questionado lançamento tributário. (fls. 219/220) 4.3. A relação de saídas da conta caixa (lançamentos a crédito), para efeito de identificação do saldo credor de caixa (fls. 23/39; 06/1995 a 12/1996), bem como a relação de pagamentos não contabilizados (fls. 40/45; 01/1997 a 03/1998): 4.3.1. Contemplariam elementos/valores não correspondentes "a efetiva saídas de numerário do patrimônio da empresa", mas senão a ".'simples movimentação financeira interna", "como aqueles indicados pelo histórico 'DÉBITO SAQUE' e outros e que o histórico é 'DÉBITO ITAUOLIVO (fl. 220). 4.3.2. Não teriam levado em consideração a origem pregressa dos recursos que, então e agora, são identificados pela fiscalização como saídos da sociedade empresária. Entre as origens estariam empréstimos feitos a esta última pelos sócios e/ou terceiros. 4.4. Seria só a partir da Lei n° 9.430/96, art. 40, que restaria tipificada a hipótese de omissão de receita por "falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica". Logo, para junho/1995 até dezembro/1996, período em que a fiscalização imputou e creditou à conta caixa pagamentos igualmente não contabilizados, não subsistiria a autuação por de omissão de receita ''pela absoluta ausência de tipicidade". 4.5. A analogia não se prestaria a fundamentar qualquer autuação. Também impossível a exigência de COFINS, adotandose, por analogia, a norma que regula o IRPJ, como registrou a fiscalização, por expressa afronta ao § 1° do art. 108 do CTN. 4.6. A imputação da multa de ofício no patamar de 150% demandaria a comprovação direta do fato omissão de receita, isto é, não poderia dita multa de ofício (150%) estar calçada apenas na comprovação indireta, por via de presunção, do fato omissão de receita. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 8 I , Ou seja, em vez de investigar para provar as operações de receitas não contabilizadas ditas encobertas, presumiuse a prática de omissão de receitas partindo de outros fatos indiciários, de pagamentos não registrados. No entanto, a despeito de a acusação tributária (omissão de receitas) estar calcada em simples presunção, foi indevidamente aplicada a multa agravada de 150%, que só é possível mediante a precisa identificação e comprovação da conduta fraudulenta do sujeito passivo, que certamente não pode estar relacionada dom o fato indiciário de existência de pagamentos não contabilizados. Fraude não se presume, comprovase. A DRJ/CAMPINAS (SP) decidiu a matéria por meio do Acórdão 11.666, de o6/12/2005 (fls. 237), julgando o lançamento procedente, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/06/1995 a 31/10/1996, 01/12/1996 a 31/12/1996, 01/01/1997 a 31/08/1997, 01/01/1998 a 31/03/1998 Ementa: COFINS. DECADÊNCIA. O prazo de decadência, no que importa à Cofins, respeita a regra do art. 45 da Lei n° 8.212/91. PAGAMENTOS NÃO; REGISTRADOS NA o CONTABILIDADE. EFEITOS. Até o anocalendário de 1996, inclusive, a identificação de pagamentos não contabilizados somada à circunstância de estouro de caixa, consubstanciava condição suficiente à incidência da presunção legal do art. 228 do RIR/94, este suportado pelo DecretoLei n° 1.598/77, conducente à assertiva da existência de receita omitida. Do anocalendário de 1997 em diante, por força do art. 40 da Lei n° 9.430/96, a só identificação de pagamentos não contabilizados permite a conclusão de omissão de receita. Nessa seara, não importa perquirir sobre a origem dos recursos que teriam dado suporte a tais pagamentos. CSLL. PIS. COFINS. OMISSÃO DE RECEITA. A receita omitida é base de cálculo para a formalização de exigências de CSLL, Contribuição ao PIS e Cofins, segundo dispunha o art. 43, § 1°, da Lei n° 8.541/92, bem como agora dispõe o art. 24, § 2o., da Lei n° 9.249/95. MULTA DE OFÍCIO EM 150%. Se há nos autos indicação forte da existência de fraude civiltributária, então é pertinente a multa majorada. É o relatório. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10830.002733/200582 Acórdão n.º 1301001.565 S1C3T1 Fl. 15 9 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Da Alegação de Decadência No que concerne à decadência, pede a recorrente seja ela reconhecida relativamente a todo o período fiscalizado (de 01/06/95 a 31/03/98), haja visto que superado a tese dos 10 anos, por qualquer ângulo de análise, fica evidenciado que o questionado lançamento está fulminado pela decadência. De fato, o STF julgou inconstitucional o citado art. 45 da Lei nº 8.212/91, tendo editado súmula vinculante, nos seguintes termos: STF Súmula Vinculante nº 8 (Sessão Plenária de 12/06/2008 Constitucionalidade Prescrição e Decadência de Crédito Tributário São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decreto lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Isso posto, as contribuições também ficam sujeitas ao prazo decadencial de cinco anos estabelecido no CTN. Ademais, como no caso sob exame mesmo considerando a multa qualificada para estabelecer o termo inicial da contagem do prazo decadencial é aquele previsto no art. 173, I, do CTN, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo ou contribuição poderia ter sido lançado, relativamente à COFINS cujos fatos geradores ocorreram nos períodos de 01/06/1995 a 31/03/1998, temse que o lançamento poderia ter sido realizado a partir ano de 1996 ((no caso de 1995), a contagem do prazo decadencial de cinco anos iniciouse em 01/01/1997 e encerrouse em 31/12/2001, no caso do ultimo ano lançado (1998) o início seria 01/01/2000 e, encerramento em 31/12/2004. Como o lançamento foi cientificado à ora recorrente apenas em 08/06/2005, é imperioso de se reconhecer a decadência para todo o período fiscalizado. Restando, destarte, prejudicado as demais demandas em lide no presente processo. Pelo exposto, voto por se reconhecer a decadência ao direito de lançar a COFINS nos termos deste auto de infração, pelo que DOU provimento total ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 463DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 10 Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 464DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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Numero do processo: 10935.906411/2012-65
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/08/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 25/08/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 25/08/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de COFINS que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/08/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 64 11 /2 01 2- 65 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.859, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 07245.53585.181010.1.2.042308, rastreamento nº 041907639, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 26.192,51, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 5856), do período de 31/07/2010, efetuado em 25/08/2010, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906411/201265 Acórdão n.º 3802002.709 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 25/08/2010 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906411/201265 Acórdão n.º 3802002.709 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906411/201265 Acórdão n.º 3802002.709 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906411/201265 Acórdão n.º 3802002.709 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10875.003342/2002-16
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/08/1997 a 30/09/1999
OMISSÃO DE RECEITA.
LEVANTAMENTO QUANTITATIVO DO
ESTOQUE. COMBUSTIVEIS.
Com a finalidade de comprovar seus estoques, as
distribuidoras de combustíveis têm a obrigação de
demonstrar no Mapa de Controle de Movimento
Diário - MCMD ou Livro de Movimentação de
Combustíveis - LMC, ao final de cada mês, o
abatimento do percentual de quebra por evaporação e
manuseio, admitido pelo órgão competente, em
relação ao estoque médio registrado.
Além do mais, quebras superiores ao percentual
acima devem restar devidamente comprovadas, nos
termos da legislação vigente, sob pena de contribuir
para a apuração de omissão de receita, em virtude da
falta de comprovação das diferenças levantadas no
estoque.
Se do confronto da escrituração da contribuinte forem
apurados declaração e recolhimento a menor da
contribuição, correta é a apuração do lucro omitido
para a formalização da exigência devida.
Lançamento Procedente
Numero da decisão: 1802-002.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente.
LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA - Relator.
EDITADO EM: 20/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, (Presidente), Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, José de Oliveira Ferraz Correa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/08/1997 a 30/09/1999 OMISSÃO DE RECEITA. LEVANTAMENTO QUANTITATIVO DO ESTOQUE. COMBUSTIVEIS. Com a finalidade de comprovar seus estoques, as distribuidoras de combustíveis têm a obrigação de demonstrar no Mapa de Controle de Movimento Diário - MCMD ou Livro de Movimentação de Combustíveis - LMC, ao final de cada mês, o abatimento do percentual de quebra por evaporação e manuseio, admitido pelo órgão competente, em relação ao estoque médio registrado. Além do mais, quebras superiores ao percentual acima devem restar devidamente comprovadas, nos termos da legislação vigente, sob pena de contribuir para a apuração de omissão de receita, em virtude da falta de comprovação das diferenças levantadas no estoque. Se do confronto da escrituração da contribuinte forem apurados declaração e recolhimento a menor da contribuição, correta é a apuração do lucro omitido para a formalização da exigência devida. Lançamento Procedente
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1782; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 1.234.567 1 1.234.566 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.003342/200216 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802002.280 – 2ª Turma Especial Sessão de 26 de agosto de 2014 Matéria Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS Recorrente TOWER BRASIL PETRÓLEO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/08/1997 a 30/09/1999 OMISSÃO DE RECEITA. LEVANTAMENTO QUANTITATIVO DO ESTOQUE. COMBUSTIVEIS. Com a finalidade de comprovar seus estoques, as distribuidoras de combustíveis têm a obrigação de demonstrar no Mapa de Controle de Movimento Diário MCMD ou Livro de Movimentação de Combustíveis LMC, ao final de cada mês, o abatimento do percentual de quebra por evaporação e manuseio, admitido pelo órgão competente, em relação ao estoque médio registrado. Além do mais, quebras superiores ao percentual acima devem restar devidamente comprovadas, nos termos da legislação vigente, sob pena de contribuir para a apuração de omissão de receita, em virtude da falta de comprovação das diferenças levantadas no estoque. Se do confronto da escrituração da contribuinte forem apurados declaração e recolhimento a menor da contribuição, correta é a apuração do lucro omitido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 33 42 /2 00 2- 16 Fl. 698DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA 2 para a formalização da exigência devida. Lançamento Procedente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente. LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA Relator. EDITADO EM: 20/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, (Presidente), Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, José de Oliveira Ferraz Correa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa. Relatório RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário em face do Acórdão 8168, proferido pela 4ª Turma da DRJ/CPS, em sessão de 24 de janeiro de 2005, que manteve autuação de PIS, relativa aos fatos geradores de 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997, 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 31/10/1998, 31/11,1998, 31/12/1998, 31/01/1999, 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999 e 30/09/1999, nos quais foi constatada diferença entre o montante adquirido e o montante declaradamente vendido de combustível, diferenças essas que não estavam esclarecidas nos documentos pertinentes para demonstração das quebras e perdas. Do Lançamento O Auto de Infração relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS foi lavrado em 18/06/2002 e formalizou crédito tributário no valor total de R$ 26.188,09, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes calculados até 31/05/2002. A autuação decorreu da constatação de irregularidades, consoante discriminado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 223/224, de onde se extrai que, com base na escrituração e demais documentos e controles apresentados pelo contribuinte, foram elaborados Demonstrativos da Movimentação de Compras, Vendas e Estoques, relativamente a quantidades e valores financeiros, sendo apuradas diferenças nos períodos de agosto a outubro de 1997, julho a dezembro de 1998, janeiro a junho e setembro de 1999 que, segundo a fiscalização, caracterizam a omissão de receitas, cujos valores deram origem à base de cálculo para a constituição do crédito tributário de ofício, mediante lavratura do Auto de Infração. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.003342/200216 Acórdão n.º 1802002.280 S1TE02 Fl. 1.234.568 3 Da Impugnação Cientificada da decisão da DRJ, a contribuinte protocolizou impugnação aduzindo em sua defesa as seguintes razões, em resumo: Informa que em suas bases mantinha o armazenamento de combustíveis juntamente com outras distribuidoras, face a capacidade ociosa disponível, e esclarece que para aferir a variação do estoque é preciso considerar dois pontos fundamentais que não foram observados pelo agente fiscal, quais sejam: o primeiro, a variação do volume, no limite de 0,6%, para mais ou para menos, em razão da correção de temperatura para a referência 20ºC, e o segundo, em relação à própria capacidade de armazenamento da Base, já que numa Base Primária, onde a movimentação de volumes é grande, maiores são as diferenças encontradas. Afirma que o fiscal limitouse a presumir as diferenças de estoque como omissão de receitas, a despeito de ter examinado as planilhas de movimentação elaboradas e verificado que nelas foram apontadas as perdas e sobras de estoques, identificadas como ganhos e perdas de movimentação física. Aduz ainda que o agente fiscal considerou também como receita não declarada a compra do total de 844.050 litros de Óleo Diesel, gerando diferença negativa no estoque de abril/99 e positiva no estoque de maio/99, porém, a impugnante informa que o Óleo Diesel somente teria ingressado no estabelecimento em maio/99, e justificase dizendo que o faturamento antecipado é procedimento largamente utilizado no mercado de combustíveis. Reitera ainda que os combustíveis sofrem a ação da temperatura ambiente, bem como de sua movimentação, e que os instrumentos de medição utilizados são defasados tecnologicamente e imprecisos. Informa que a própria autuada formalizou diversas correspondências à Petrobrás, solicitando esclarecimentos acerca de diferenças consideradas por essa produtora como perdas e sobras, sem que houvesse manifestação escrita da mesma, e inclui tabela com os resultados dos levantamentos para aquele ano. Sobre a compensação de prejuízo fiscal, faz um breve histórico do tratamento tributário, dizendo que as grandes controvérsias situaramse sempre em torno de matérias de direito intertemporal e sobre a própria existência de um direito à compensação, inatingível por quaisquer restrições legais em nível de lei ordinária. Contesta a legalidade da limitação de 30%, imposta pelo art. 42 da Lei n.8.981, de 1995, alterado pelo art. 15 da Lei n” 9.065, de 1995, e complementa, alegando que ainda que seja juridicamente válido limitar a dedução do prejuízo, conclui que a Lei nº 8.981, de 1995, só pode alcançar fatos futuros, ou seja, a partir de 1995, vedado retroagir para impor limitações aos prejuízos apurados até 31.12.1994. Finaliza requerendo a anulação dos presentes autos por falta de requisitos básicos para imposição das penalidades. Do Acórdão da DRJ A 4ª Turma da DRJ/CPS proferiu Acórdão DRJ/CPS n° 8.168 julgando o lançamento procedente e determinando que as distribuidoras de combustíveis têm a obrigação de demonstrar no Mapa de Controle de Movimento Diário MCMD ou Livro de Movimentação de Combustíveis LMC, ao final de cada mês, o abatimento do percentual de quebra por evaporação e manuseio, a fim de comprovar seu estoque, e que quebras superiores ao percentual de 0,6% devem ser devidamente comprovadas, sob pena de contribuir para a apuração de omissão de receita. Se do confronto da escrituração da contribuinte forem apurados declaração e recolhimento a menor da contribuição, correta é a apuração do lucro omitido para a formalização da exigência devida. As razões de decidir refletidas no Acórdão ora recorrido, no que se refere à omissão de receitas, foram as seguintes: Fl. 700DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Admitese a omissão de receitas em valor equivalente à multiplicação das diferenças, positivas ou negativas, apuradas no estoque de quantidade de produtos pelos respectivos preços médios de venda ou compra. A quebra de estoques no comércio de combustíveis é inevitável, havendo, inclusive, regulamentação legal, admitindo a existência da perda natural por evaporação e manuseio em até 0,6% (seis décimos por cento), no caso de destilados leves e médios. Nesse percentual já estão embutidas as perdas decorrentes da movimentação do produto. A tabela trazida pela impugnante destinase a comercialização de combustíveis e não à atividade de distribuição, como pretende demonstrar a contribuinte. Ainda em relação ao percentual de quebra admitido legalmente, na apuração do Lucro Real permitese a sua apropriação como custo, e este para ser computado na apuração do Lucro Real deve estar devidamente escriturado nos registros contábeis e fiscais da pessoa jurídica, sendo imprescindível sua regular vinculação à receita correspondente. Para comprovar seus estoques, as distribuidoras de combustíveis devem demonstrar no Mapa de Controle de Movimento Diário MCMD ou Livro de Movimentação de Combustíveis LMC, mês a mês, o abatimento do percentual de quebra por evaporação e manuseio, admitido pelo órgão competente, em relação ao estoque médio registrado. As quebras superiores ao percentual acima devem restar devidamente comprovadas, sob pena de contribuir para apuração de omissão de receita, em virtude da falta de comprovação das diferenças levantadas no estoque. Na fiscalização, a contribuinte recorrente não demonstrou o preenchimento dos requisitos acima para comprovação do seu estoque, tampouco o fez na impugnação apresentada. Ao contrário, apenas fundamentouse nas planilhas indicativas de fls. 165/168, 182/185 e 199/202, as quais não têm o condão de formar prova consistente da escrituração regular, levada a efeito pela pessoa jurídica. As correspondências feitas pela autuada à Petrobrás solicitando esclarecimentos acerca de diferenças apontadas durante o exercício de 1998, consideradas como perdas e sobras, não preenchem, de igual forma, os requisitos legais, mesmo porque sequer foram objeto de resposta escrita pela empresa interpelada, conforme acusa a própria contribuinte. Afirma que a contribuinte se justifica informando que também contribuiu para a divergência apontada pela fiscalização, nos meses de abril/99 e maio/99, a compra de 844.050 litros de Óleo Diesel, efetuada por meio das notas fiscais de n°s 28.753 e 40.268, emitidas pela Petrobrás em 19/04/99 e 30/04/99, respectivamente, e que essa compra somente teria ingressado em seu estoque em maio/99, em razão do faturamento antecipado. Afirma que as notas fiscais trazidas na defesa correspondem aos números de emissão 28.753 e 41.363, de 19/04/99 e 24/05/99, as quais se reportam à compra de 652.050 litros e 1.000.000 litros de Óleo Diesel, respectivamente e que a natureza dessa operação corresponde, de fato, a faturamento antecipado, porém, apenas esse documento não confirma as assertivas da recorrente. Finalmente, alega que o momento da contabilização de compras de itens do estoque, bem como o das vendas a terceiros, deve ser o mesmo momento da transmissão do direito de propriedade dos mesmos. Assim, o importante não é sua posse física, mas, sim, o direito de sua propriedade. Do Recurso Voluntário Cientificada da decisão em 28/12/2007, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 28/01/2008, aduzindo, basicamente o quanto segue: Que a Recorrente tem como atividade social a distribuição de combustíveis, e mantinha Base Primária para o recebimento de combustíveis diretamente da Petrobrás. Que a legislação permite, quando da apuração de valores para oferecimento à tributação, a quebras de estoque fisico até o limite de 0,6%, para mais ou para menos, em virtude da Fl. 701DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.003342/200216 Acórdão n.º 1802002.280 S1TE02 Fl. 1.234.569 5 correção de temperatura para a referência de 20°C, mas que essa variação de 0,6% pode ser maior ou menor, dependendo da localidade da Base de Armazenamento. Que o tamanho e a capacidade de armazenamento do estoque físico de combustíveis devem ser levados em conta, pois numa Base Primária onde a movimentação de volumes é bastante grande, a variação das diferenças apontadas certamente será maior. Que esses requisitos não foram observados pela fiscalização. Que ficou caracterizado como receita não declarada a diferença negativa em abril de 1999 e positiva em maio de 1999, referente ao Faturamento Antecipado, sobre a compra de 844.050 litros de Óleo Diesel. Alega que a norma é muito utilizada no mercado de combustíveis, com posteriores emissões de Notas Fiscais de Simples Remessa. Que foram considerados como receita valores estranhos à base de cálculo da Contribuição ao PIS, o que enseja a nulidade do Auto de Infração. Que a legislação sobre o tema referese a totalidade da receita auferida, na qual não se devem incluir os faturamentos antecipados, já que os mesmos ainda não compõem o patrimônio do contribuinte, o que somente irá ocorrer após o pagamento e recebimento da mercadoria. Que a lei tributária não pode alterar a regra matriz e a hipótese de incidência, desvirtuando o conceito da base de cálculo dos tributos, e que a Contribuição ao PIS está submetida à aplicação da legislação referente ao Imposto de Renda. Que conforme estabelecido no CTN, as empresas podem deduzir as receitas faturadas, mas não recebidas, ou seja, que não signifiquem ingresso de caixa e não integram o patrimônio da empresa. Que não existe fato gerador no caso em tela, pois sem a efetivação do pagamento pela mercadoria ou bens/serviços adquiridos não há que se falar em receita passível de tributação para fins de Contribuição ao PIS, ante a ausência da concretização de um dos elementos do fato gerador, qual seja, o pagamento do preço convencionado. Que a multa aplicada é ilegal, pois foi imposta com base no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, porém o contribuinte forneceu todos os elementos ao Fisco, cumprindo regularmente suas obrigações acessórias, devendo a multa ser reduzida para o mínimo legal, qual seja, 20%. Junta jurisprudência sobre o tema. Que a taxa SELIC, para fins tributários, é ilegal, pois possui natureza remuneratória e não indenizatória, sendo impossível a sua utilização. Pleiteia, por fim, a reforma da decisão de 1ª Instância, declarandose a extinção do crédito tributário ou a redução do valor da exigência fiscal, conforme razões aduzidas. Do Acórdão da 1ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF Os autos foram distribuídos à 3ª Seção de Julgamento deste CARF, para análise do Recurso Voluntário. Em sessão de 24 de agosto de 2010, foi proferido o Acórdao 380100499, não conhecendo o Recurso, com base no art. 2º, inciso IV do Anexo II da Portaria MF nº 256/2009, segundo o qual o julgamento de casos envolvendo tributos ou contribuições decorrentes ou reflexos de fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ é de competência da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Diante do exposto, a 3ª Seção declinou da competência de julgamento para a Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força da Portaria MF n° 256/2009 (Anexo II), para onde o presente processo foi então encaminhado. Esse o Relatório. Segue o meu VOTO. Voto Fl. 702DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Antes de decidir sobre o mérito da questão, cabe analisar a questão da competência para conhecer e julgar a matéria conexa ou decorrente ou reflexa de fatos que reflitam também em IRPJ. O art. 2°, Inciso IV da Portaria MF n°256/2009 dispõe: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Diante da norma supra citada, entendo ser correta a decisão da 1ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF, declinando da competência para esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção. Em relação ao Recurso, a Recorrente foi cientificada do Acórdão da DRJ/CPS em 28/12/2007 e apresentou seu Recurso em 28/01/2008. Por ser tempestivo e dotado dos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Recorrente foi autuada por ter efetuado o recolhimento a menor do PIS, fato constatado mediante o confronto dos valores escriturados e aqueles declarados/pagos pela pessoa jurídica, onde se apurou diferenças no levantamento do estoque, a qual gerou a apuração de omissão de receita. Em sua defesa, a Recorrente insurgese alegando, basicamente, que as diferenças encontradas no estoque pelo Fisco decorrem: a) da inobservância das regras que regem o faturamento antecipado, procedimento largamente utilizado; e b) da perda por evaporação e manuseio do produto (ganhos e perdas na movimentação física), eis que se trata de combustível derivado de petróleo e álcool. Insurgese, também, quanto à compensação de prejuízo fiscal. Contudo, em razão dessa matéria não ser objeto dos presentes autos, deixase de apreciar as respectivas razões de defesa. Entendo que não assiste razão nenhuma à contribuinte recorrente, senão vejamos. Como bem fundamentado pela DRJ, embora a legislação autorize a quebra de até 0,6% (seis décimos por cento), para mais ou para menos, cabe ressaltar que a diferença apontada pelo agente fiscal foi superior a esse volume, sem que houvesse por parte da recorrente justificativa ou comprovação das diferenças do seu estoque, embora esta tenha tido a oportunidade de fazê lo tanto na fiscalização quanto na impugnação apresentada. Não obstante, as planilhas apresentadas não formam prova consistente nem justificam as diferenças apontadas pela fiscalização, já que como bem observou a DRJ, a tabela trazida pela recorrente referese a comercialização de combustíveis e não à atividade de distribuição. Aduz ainda que o agente fiscal considerou como diferença a compra de 844.050 litros de Óleo Diesel, efetuada por meio das notas fiscais de n°s 28.753 e 40.268, emitidas pela Petrobrás em 19/04/99 e 30/04/99, porém, essa compra somente teria ingressado em seu estoque em maio/99, em razão do faturamento antecipado. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.003342/200216 Acórdão n.º 1802002.280 S1TE02 Fl. 1.234.570 7 Entretanto, a recorrente não junta prova consistente do alegado, limitandose a anexar em sua defesa as notas ficais que afirma corresponder aos números de emissão 28.753 e 41.363, de 19/04/99 e 24/05/99, referentes à compra de 652.050 litros e 1.000.000 litros de Óleo Diesel, operação decorrente do faturamento antecipado. Além do mais, o tempo da contabilização de compras de itens do estoque, bem como o das vendas a terceiros, deve ser o tempo da transmissão do direito de propriedade dos mesmos, sendo relevante o seu direito de propriedade e não a sua posse física. Assim, entendo que não assiste razão nenhuma à recorrente, e adoto integralmente as razões da DRJ, para negar provimento ao recurso voluntário e manter integralmente a decisão de primeira instância. Esse o meu voto. Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator Fl. 704DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10283.721100/2009-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007.
MULTA QUALIFICADA.
A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação de que o
contribuinte ocultou sua divida tributária do Fisco.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1101-000.806
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio.
Nome do relator: CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2013-02-07T13:43:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-02-07T13:43:59Z; Last-Modified: 2013-02-07T13:43:59Z; dcterms:modified: 2013-02-07T13:43:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:43ae987c-4d68-4914-8dda-9d74e9b43124; Last-Save-Date: 2013-02-07T13:43:59Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-02-07T13:43:59Z; meta:save-date: 2013-02-07T13:43:59Z; pdf:encrypted: true; modified: 2013-02-07T13:43:59Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-02-07T13:43:59Z; created: 2013-02-07T13:43:59Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2013-02-07T13:43:59Z; pdf:charsPerPage: 1407; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2013-02-07T13:43:59Z | Conteúdo => SI-CITI Fl. 2.292 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10283.721100/2009-44 Recurso n° De Oficio Acórdão n° 1101-00.806 — la Camara / la Turma Ordinária Sessão de 13/09/2012 Matéria Auto Infração IRPJ Recorrente Itautinga Agro Industrial SA Interessado la Turma da DRJ em Belém El Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007. MULTA QUALIFICADA. A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação de que o contribuinte ocultou sua divida tributária do Fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio. /UXU-0 LI PEREIRA BESSA — Presidente substituta. CARLOS EDUARQ,D ALMEIDA GUERREIRO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), José Ricardo da Silva (vice- presidente), Nara Cristina Takeda Taga e Plinio Rodrigues Lima que substituiu o Presidente Valmar Fonseca de Menezes. Ausente, temporariamente, o Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior. 1 Fl. 2292DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 10283.721100/2009-44 SI-C ITI Acórdão n.° 1101-00.806 Fl. 2.293 Relatório Trata-se de recurso de oficio contra decisão que considerou parcialmente procedente impugnação. Em 23/09/2009, o contribuinte é cientificado do auto de infração de IRPJ (proc. fls. 3 a 87) e dos autos de infração de IRRF, PIS (não-cumulativo), Cofins (não- cumulativo) e CSLL (proc. fls. 130 a 296). Conforme descrição dos fatos do auto de IRPJ (proc. fls. 4 a 33), no decorrer da fiscalização o contribuinte obstaculizou a auditoria de forma velada e por esta razão foi lavrado termo de embaraço a fiscalização. A fiscalização relata que a Itautinga foi motivo de Comissão Parlamentar de Inquérito da Camara Municial de Manaus (CPI do Cimento). 0 Fisco informa que apurou as seguintes infrações: 1 0) diferença de IRPJ apurado em DIPJ e declarado em DCTF; 2°) não comprovação de despesas; 3°) Glosa de despesas por pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado. Quanto a diferença de declaração DIPJ e DCTF, a fiscalização relata que, nos anos-calendários de 2006 e 2007, o contribuinte declarou IRPJ em DIPJ, mas não declarou em DCTF. Diz que a infração foi cometida dolosamente porque foi repetida em todos os trimestres dos anos de 2006 e 2007. Quanto a não comprovação de despesas, diz que o contribuinte foi intimado a apresentar todos os elementos que comprovassem a efetividade da despesas relativas a CBE - COMPANHIA BRASILEIRA DE EQUIPAMENTO e a Itabira Agro Industrial SA referentes aos anos de 2003 a 2007. Informa que o contribuinte respondeu de forma lacônica e que não apresentou documentos suficientes para demonstrara a efetividade das despesas. Adiciona que os documentos fornecidos são simples folhas de papel onde se reconheceria a despesa e que são assinados pelo próprio diretor da autuada. Informa que as 3 empresas são ligadas. Considera não comprovadas as despesas e faz a glosa. Aplica a multa qualificada pela sonegação. Quanto a glosa de despesas por pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado, diz que de 2003 a 2007 foram feitos pagamentos para a Incentive House, que os repassou para as pessoas indicadas pela Itautinga por meio de cartões magnéticos. Explica que a Itautinga não identificou os beneficiários e nem atendeu as intimações que pediam a comprovação de que os valores correspondiam à aquisição de bens ou pagamento de serviços. Informa que os únicos documentos apresentados foram as notas fiscais da Incentive House. Considera a despesa não dedutivel e aplica multa de 150% a esta infração porque a empresa dolosamente deixou de identificar o beneficiário do pagamento. Conforme descrição dos fatos no auto de infração de IRRF (proc. fls. 130 a 215 e 279 a 296), os pagamentos feitos para a Incentive House caracterizam-se como pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Conforme descrição dos fatos nos autos de infração do PIS e Cofins não cumulativos (proc. fls. 216 a 237), a glosa de despesas por falta de comprovação, descrita no 2 Fl. 2293DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 10283.721100/2009-44 , SI-CI TI Acórdão n.° 1101-00.806 Fl. 2.294 auto de infração do IRPJ, tem seus efeitos no cálculo dessas contribuições na sistemática não cumulativa por meio da glosa dos créditos correspondentes. Conforme descrição dos fatos no auto de infração de CSLL (proc. fls. 238 a 278), o lançamento decorre da glosa de despesas por falta de comprovação e da glosa de despesas por pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, descritas no auto de infração do IRPJ. 0 contribuinte apresenta impugnação (proc. fls. 1907 a 1926). Diz que o auto é nulo por ter motivação política. Afirma que as despesas glosadas por falta de comprovação decorrem de operações entre empresas do mesmo grupo. Alega que, na verdade, o que ocorreu foi empréstimos e pagamentos feitos entre as empresas do grupo e depois acertados. Informa que o contribuinte recebeu valores emprestados pela Itabira e pela CBE, remunerados com juros, e que parte das despesas glosadas eram o pagamentos destes juros. Explica que estes fatos estão indicados na contabilidade. Adiciona que não havia razão para a glosa das despesas referente aos pagamentos para a Incentive House porque as notas fiscais comprovavam tais pagamentos. Diz que não cabe a multa qualificada de 150%. 0 contribuinte também apresenta impugnação especifica para o auto de IRRF, onde repete seus argumentos contra a acusação de pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado e diz que está provado que fez o pagamento para a empresa e que a fiscalização apenas presumiu que o beneficiário tenha sido outra pessoa (proc. fls. 1927 a 1934). Apresenta impugnação para o auto de CSLL, Cofins e PIS, onde se reporta aos argumentos já apresentados (proc. fls. 1935 a 1979). Em 14/01/2010, a la Turma da DRJ em Belém decide pela procedência parcial da impugnação para reduzir a multa de 150% para 75%, recorrendo de oficio de sua decisão (proc. fls. 2059 a 2066). A turma decide que o lançamento não é nulo. Também, diz que os documentos apresentados não conseguem comprovar a efetividade das despesas glosadas e nem das operações que o contribuinte diz terem ocorrido. Quanto as glosas por pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, diz que o contribuinte não conseguiu demonstrar a causa ou a identificar o beneficiário. Argumenta que mesmo que se identifique que o beneficiário imediato tenha sido a Incentive House, os beneficiários indiretos não são conhecidos. Sustenta que os lançamentos reflexos de IRRF, CSLL, PIS e Cofins estão corretos. Em 01/03/2010, o contribuinte junta comunicação ao Carf, requerendo a desistência parcial do processo, em relação aos valores lançados de 1RPJ e CSLL dos anos de 2004 a 2007 (proc. fls. 2107 a 2109), com as seguintes palavras: ...requerer desistência parcial do processo e, ao mesmo tempo, declarar que renuncia as alegações de direito sobre as quais se fundamenta o mesmo, em relação aos fatos geradores e valores a seguir indicados, pertinentes a IRPJ e CSLL. Antes porém, respeitada a decisão proferida pela la Turma da DRF/BEL, objeto do Acórdão 01-15.983 - em fase de recurso ex- oficio para esse Egrégio Conselho -, vale dizer que, a falta de recurso voluntário, o presente pedido de desistência parcial refere-se ao processo, no que toca aos seguintes fatos geradores e valores: .?-'"'--- 3 Fl. 2294DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n°10283.721100/2009-44 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.806 Fl. 2.295 0 pedido de desistência parcial que ora se faz prende-se ainda, aos seguintes eventos: I) ser condição indispensável para efeito do parcelamento desistir do processo administrativo e renunciar ás alegações de direito que os fundamenta; 2) ocorrência de prescrição/decadência do IRPJ e da CSLL em face de lançamento após cinco anos do fato gerador, tal como determina o art. 150, sS' 40, e 174 do Código Tributário Nacional Consta dos auto que o contribuinte apresentou, em 26/02/2010, os seguintes requerimentos à DRJ, nos mesmos termos acima retratados: 1) processo n° 19647.012751/2009-48, referente a desistência parcial da defesa administrativa da CSLL, de 2004 a 2007 (proc. fls. 2129 e 2130); 2) 19647.012755/2009-26, referente a desistência parcial da defesa administrativa da Cofins, de outubro de 2004 a dezembro de 2007 (proc. fls. 2152 e 2153); 3) 19647.012750/2009-01, referente a desistência parcial da defesa administrativa do IRRF, de outubro de 2004 a dezembro de 2007 (proc. fls. 2174 a 2181); 4) processo n° 19647.012747/2009-80, referente a desistência parcial da defesa administrativa do IRPJ, de 2004 a 2007 (proc. fls. 2225 e 2126). Também, consta a desistência relativa ao processo 19647.012749/2009-79, datada de 26/02/2010 (proc. fl. 2228). Conforme informação da DRF, os créditos referentes aos tributos lançados, de 2003 à 2007, com a multa de 75%, foram transferidos para o processo 10283.720290/2010- 16 (proc. fls. 2250 a 2269). Voto Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. Constata-se nos autos que o lançamento do IRPJ, CSLL, IRRF, e PIS, alcançam fatos de 2003 até 2007 e que o lançamento da Cofins alcança fatos de janeiro de 2004 a 2007. Também, se constata que a desistência do contribuinte é apenas quanto a fatos de todos os trimestres de 2004 para o IRPJ e CSLL e a partir de outubro de 2004 para o IRRF e Cofins. Dessarte, não houve desistência de parte do lançamento mantido pela DR.I. Mas, também não houve recurso voluntário do contribuinte quanto a estas parcelas. Inclusive, todo o lançamento que ficou inconteste foi transferido para o processo 10283.720290/2010-16 (proc. fls. 2250 a 2269). Deste modo, o presente litígio versa apenas sobre a redução da multa de 150% para 75%, objeto do recurso de oficio. Para tratar da questão, cabe a transcrição do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; 4 Fl. 2295DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 10283.721100/2009-44 , SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.806 Fl. 2.296 5S' 1' 0 percentual de multa de que trata o inciso Ido caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis Como visto, a aplicação da multa de 150% depende de ficar configurada algumas das situações previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°4.502, de 1964, in verbis: Art. 71 - Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendciria: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 - Fraude é toda ação ou omissão, dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou deferir o seu pagamento. Art. 73 — Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no art. 71 e 72. (grifou-se) Como se depreende dos dispositivos transcritos, só é aplicável a multa de 150% quando fica caracterizado que o contribuinte sonegou. Ou seja, quando fica comprovado que o contribuinte escondeu os fatos tributáveis do Fisco, por qualquer meio. No caso presente, as infrações apuradas e submetidas à multa de 150% foram as seguintes: 1°) diferença de IRPJ apurado em DIPJ e declarado em DCTF; 2°) não comprovação de despesas; 3°) Glosa de despesas por pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado. Quanto A. primeiro infração, é preciso considerar que, embora a divida formalizada em DCTF seja menor do que a declarada em DIPJ, o Fisco foi informado pelo contribuinte do fato tributável. Assim, não há razão para a aplicação da multa de 150%. Quanto à segunda infração, o Fisco considerou não comprovadas as despesas e levantou suspeitas sobre os documentos apresentados pelo contribuinte para justificar tais despesas. No entanto, não ficou comprovada a falsidade da documentação, dos registros contábeis, ou da efetividade do informado pelo contribuinte. Portanto, também aqui não cabe a multa qualificada. Quanto 6. terceira infração, a fiscalização considerou como pagamento sem causa ou para beneficiário não identificado os pagamentos feitos para a Incentive House, registrou que a empresa não comprovou a efetividade do serviço, e levantou suspeitas de que os pagamentos seria para empregados da fiscalizada. Tais suspeitas decorrem da observação ------ 5 Fl. 2296DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 10283.721100/2009-44 , SI-CIT1 Acórdao n.° 1101-00.806 Fl. 2.297 das notas fiscais entregues pelo contribuinte que informam que a Incentive House recebia uma comissão de 4,39% do valor da nota, o que demonstraria que o valor era repassado para outra pessoa. Em reforço, a fiscalização obteve o contrato social da Incentive House e constatou que esta emitia vales, cupons e cartões magnéticos, dotados de valores pecuniários, utilizados para premiação dos funcionários ou prestadores de serviços de seus clientes. Nessa situação, frente a não apresentação do contrato entre o contribuinte e a Incentive House e dos outros elementos solicitados pela fiscalização para a demonstração do serviço prestado, resta caracterizada a não dedutibilidade e também a falta de causa para o pagamento. Esses fatos são suficientes para efetuar a glosa dessas despesas e mesmo para determinar a cobrança do IRRF por pagamento sem causa, mas não para afirmar que o contribuinte tenha ocultado algum fato tributável do IRPJ ou do IRRF. Para tanto, seria preciso demonstrar ou que não houve o dispêndio ou que a nota fiscal fosse material ou ideologicamente falsa. Já a hipótese de que os beneficiários dos pagamentos para a Incentive House sejam outros que não a Incentive House, não foi provada. Portanto, apenas com este argumento não seria possível o lançamento do IRPJ e do IRRF e muito menos afirmar que houve sonegação. Em resumo, não houve uma desqualificação do beneficiário indicado na contabilidade, mas apenas a não comprovação da despesa ou da causa do pagamento. Nessas circunstância, não é possível afirmar que houve sonegação dos fatos tributáveis. Por estas razões, voto por negar provimento ao recurso de oficio, para manter a multa de 75% conforme decisão da turma da DRJ. Sala das Sessões, 13 de setembro de 2012. Carlos Eduardo d meida Guerreiro 6 Fl. 2297DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS
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