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Numero do processo: 10120.000447/2010-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
ENTIDADE BENEFICENTE. REMUNERAÇÃO PAGA A EMPREGADO.
A vedação legal ao pagamento de remuneração atinge diretores, conselheiros, sócios, instituidores, relacionados no inciso I, do artigo 29 da Lei 12.101/2009 ou mesmo do anterior inciso IV do artigo 55 da Lei 8.212/91.
VANTAGEM. NEGOCIAÇÃO RELATIVA A CANAL DE TELEVISÃO.
Não houve recebimento de vantagem do sujeito passivo a fazer incidir a regra do inciso IV, do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, pois as partes não estão vedadas pela norma em adquirir conjuntamente canal de TV.
ISENÇÃO. REQUISITOS. CONSTITUIÇÃO FEDERAL. LEI 8.212/1991. OBSERVÂNCIA.
A Constituição Federal (CF/1988) determina, § 7º, Art. 195, que são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.
O Código Tributário Nacional (CTN), em seus Arts. 9º e 14, referem-se à imunidade tributária quanto a impostos, espécie do gênero tributo assim como as contribuições.
Consequentemente, são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas na Lei 8.212/1991.
Com a vigência da Lei 12.101/2009, nas competências posteriores, são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas nesta Lei.
A partir da vigência da Lei 12.101/2009 os motivos para o cancelamento da isenção devem constar nos lançamentos efetuados em data posterior a esse diploma legal, devido à determinação contida.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO.
Os requisitos para conhecimento do recurso voluntário estão de acordo com a legislação.
ISENÇÃO. VANTAGENS OU BENEFÍCIOS A DIRETORES, CONSELHEIROS, SÓCIOS, INSTITUIDORES OU BENFEITORES. COMPROVAÇÃO.
Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei 8.212/1991 a entidade beneficente de assistência social que não conceda a diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração ou usufruto de vantagens ou benefícios a qualquer título.
Vantagens e benefícios são características de algo privilegiado.
No presente caso, não há a demonstração pela fiscalização de vantagem (privilégio) concedida a suposto dirigente.
No presente caso, não há como conceituar como vantagem a percepção de direito existente antes da data de posse como dirigente.
No presente caso, não está demonstrado nos autos que a função de integrante da assembleia geral tenha poder de decisão para a obtenção de vantagem.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-004.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que a multa seja limitada a prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Daniel Mendes Bezerra e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em dar provimento ao recurso, no que tange à suposta remuneração de dirigente (Leonardo Cairo Rizzo), em relação à negociação relativa ao estacionamento, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Mauro José Silva, que entenderam que é vedada à contratação, em qualquer hipótese, de empresa de dirigente; c) em dar provimento ao recurso, no que tange à suposta remuneração de dirigente (Leonardo Cairo Rizzo), em relação à negociação relativa à comercialização de imóveis, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Mauro José Silva, que entenderam que é vedada à contratação, em qualquer hipótese, de empresa de dirigente ; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, no que tange à suposta remuneração de dirigente (Onofre Guilherme dos Santos Filho), nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento ao recurso, no que tange à suposta remuneração de dirigente (Leonardo Cairo Rizzo), em relação à negociação relativa à canal de televisão, nos termos do voto do Relator. Sustentação: Antônio Fernando dos Santos Barros, OAB: 25.858/GO. Redator: Marcelo Oliveira.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Presidente e Redator
(assinado digitalmente)
Adriano Gonzáles Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, MAURO JOSE SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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REMUNERAÇÃO PAGA A EMPREGADO. A vedação legal ao pagamento de remuneração atinge diretores, conselheiros, sócios, instituidores, relacionados no inciso I, do artigo 29 da Lei 12.101/2009 ou mesmo do anterior inciso IV do artigo 55 da Lei 8.212/91. VANTAGEM. NEGOCIAÇÃO RELATIVA A CANAL DE TELEVISÃO. Não houve recebimento de vantagem do sujeito passivo a fazer incidir a regra do inciso IV, do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, pois as partes não estão vedadas pela norma em adquirir conjuntamente canal de TV. ISENÇÃO. REQUISITOS. CONSTITUIÇÃO FEDERAL. LEI 8.212/1991. OBSERVÂNCIA. A Constituição Federal (CF/1988) determina, § 7º, Art. 195, que são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. O Código Tributário Nacional (CTN), em seus Arts. 9º e 14, referemse à imunidade tributária quanto a impostos, espécie do gênero tributo assim como as contribuições. Consequentemente, são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas na Lei 8.212/1991. Com a vigência da Lei 12.101/2009, nas competências posteriores, são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas nesta Lei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 04 47 /2 01 0- 56 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 A partir da vigência da Lei 12.101/2009 os motivos para o cancelamento da isenção devem constar nos lançamentos efetuados em data posterior a esse diploma legal, devido à determinação contida. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO. Os requisitos para conhecimento do recurso voluntário estão de acordo com a legislação. ISENÇÃO. VANTAGENS OU BENEFÍCIOS A DIRETORES, CONSELHEIROS, SÓCIOS, INSTITUIDORES OU BENFEITORES. COMPROVAÇÃO. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei 8.212/1991 a entidade beneficente de assistência social que não conceda a diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração ou usufruto de vantagens ou benefícios a qualquer título. Vantagens e benefícios são características de algo privilegiado. No presente caso, não há a demonstração pela fiscalização de vantagem (privilégio) concedida a suposto dirigente. No presente caso, não há como conceituar como vantagem a percepção de direito existente antes da data de posse como dirigente. No presente caso, não está demonstrado nos autos que a função de integrante da assembleia geral tenha poder de decisão para a obtenção de vantagem. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que a multa seja limitada a prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Daniel Mendes Bezerra e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em dar provimento ao recurso, no que tange à suposta remuneração de dirigente (Leonardo Cairo Rizzo), em relação à negociação relativa ao estacionamento, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Mauro José Silva, que entenderam que é vedada à contratação, em qualquer hipótese, de empresa de dirigente; c) em dar provimento ao recurso, no que tange à suposta remuneração de dirigente (Leonardo Cairo Rizzo), em relação à negociação relativa à comercialização de imóveis, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Mauro José Silva, que entenderam que é vedada à contratação, em qualquer hipótese, de empresa de dirigente ; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, no que tange à suposta remuneração de dirigente (Onofre Guilherme dos Santos Filho), nos termos do voto do Fl. 248DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.000447/201056 Acórdão n.º 2301004.131 S2C3T1 Fl. 793 3 Relator; b) em dar provimento ao recurso, no que tange à suposta remuneração de dirigente (Leonardo Cairo Rizzo), em relação à negociação relativa à canal de televisão, nos termos do voto do Relator. Sustentação: Antônio Fernando dos Santos Barros, OAB: 25.858/GO. Redator: Marcelo Oliveira. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente e Redator (assinado digitalmente) Adriano Gonzáles Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, MAURO JOSE SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Relatório Tratase de Auto de Infração nº 37.267.4127 o qual exige contribuições sociais destinadas aos terceiros sobre os valores pagos a segurados empregados e segurados contribuintes individuais. De acordo com o relatório fiscal a isenção que gozava o sujeito passivo foi cancelada por meio de Ato Cancelatório de Isenção, que culminou com a instauração do processo administrativo nº 10120.006427/200955. Fazendo transcrição do Despacho Decisório nº 1225/DRF/GOI de 16/12/2009 que cancelou a isenção, o Fisco aponta que houve violação ao artigo 55, inciso IV da Lei nº 8.212/91, atual artigo 29, inciso I da Lei 12.101/09, uma vez que os Srs. Onofre Guilherme dos Santos Filho e Leonardo Cairo Rizzo obtiveram vantagens ou benefícios a qualquer título da entidade. Diante dessa autuação o sujeito passivo, regularmente intimado, apresentou impugnação alegando, basicamente, a nulidade do ato cancelatório de isenção; que o artigo 55 da Lei 8.212/91 fora revogado pela Lei 12.101/09; e que não houve a concessão de remuneração ou vantagens a diretor da entidade. A DRJ de Brasília julgou a impugnação improcedente, mantendo, assim, o crédito tributário, sendo que dessa decisão o contribuinte foi intimado em 02/06/2010. Inconformado com a decisão, o Recorrente apresentou recurso voluntário, sustentando a inconstitucionalidade do artigo 55 da Lei 8.212/91, atual artigo 29 da Lei 12.101/09, bem como que não teria havido qualquer pagamento ou vantagem conferida a diretor da entidade. É o relatório. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.000447/201056 Acórdão n.º 2301004.131 S2C3T1 Fl. 794 5 Voto Vencido Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso voluntário reúne as condições de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Mandado de Segurança nº 2010.35.00.0032417 Durante a análise dos autos constatei que a autoridade administrativa de jurisdição do contribuinte fez menção ao processo judicial acima, bem como anexou cópia da petição inicial, por meio da qual o sujeito passivo contesta a perda da isenção. Consultando o sitio da Justiça Federal de Goiás, perante a qual foi distribuída a ação supra, verifiquei que os autos foram extintos sem julgamento de mérito e encontramse arquivados, razão pela qual não vejo o óbice da Súmula CARF 01. Inconstitucionalidade do artigo 55 da Lei 8.212/91 e posterior artigo 29 da Lei 12.101/09. Nessa questão incide a Sumula CARF nº 02 segundo a qual não compete ao órgão dizer acerca da inconstitucionalidade das leis. Portanto, afasto essa preliminar suscitada em sede de recurso voluntário. Mérito No tocante ao mérito, entendo que para melhor análise e compreensão do caso, devemos separar as situações referentes a cada uma das pessoas físicas, cuja acusação fiscal, afirma terem recebido vantagens do sujeito passivo. Sr. Onofre Guilherme dos Santos Filho Nesse ponto, alega o Fisco que o Sr. Onofre Guilherme dos Santos Filho recebe remuneração e que este ocupa cargo de direção na medida em que é secretário geral da Sociedade Goiana de Cultura (“SGC”), um dos cargos que compõe a Presidência. Analisando os artigos 24, 28 e 29 do Estatuto da SGC, compilados pelo Fisco no Relatório Fiscal, os quais versam sobre as funções da Secretaria Geral e do respectivo Secretário, verifico que: i) a Secretaria Geral é órgão de assessoria das atividades administrativas do Gabinete da Presidência; ii) nesse sentido, compete ao secretário geral assessorar o presidente e os dirigentes; administrar, de acordo com o Presidente, os recursos humanos, materiais e financeiros da Secretaria Geral; dar apoio à Assembléia Geral etc. Como se vê, a atividade exercida pelo secretário geral é meramente de gestão administrativa, de apoio à Presidência e à Assembléia Geral, não detendo poderes para dar as diretrizes da entidade, tais como diretores, conselheiros, sócios, instituidores, relacionados no inciso I, do artigo 29 da Lei 12.101/2009 ou mesmo do anterior inciso IV do artigo 55 da Lei 8.212/91. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 O cargo de direção da entidade deve ser comprovado mediante documentos que demonstrem os poderes inerentes a esse cargo, o que não foi o caso. O estatuto da SGC não nos leva a concluir dessa forma, mas tão somente que compete à secretaria geral e respectivo secretário cuidar de assuntos de organização interna, administrativa da entidade e não de determinar os seus objetivos, suas funções enquanto pessoa jurídica, o que compete à sua Assembléia Geral, órgão máximo da SGC, conforme artigo 30 do seu estatuto, a qual é formada apenas pelos associados efetivos. Sr. Leonardo Cairo Rizzo Em relação ao Sr. Leonardo Cairo Rizzo a primeira acusação fiscal é no sentido de que este, conselheiro da SGC, teria obtido vantagem na aquisição do canal 24 de TV, na medida em que este deteria 10% do canal televisivo. De acordo com o Contrato de Transação de Direitos Para a Exploração dos Serviços de Radiodifusão firmados entre a SGC e o Sr. Leonardo Cairo Rizzo, fls. 222/223 do Processo Administrativo conexo nº 10120.000446/201010, ambos adquiriram o canal de TV, sendo que a primeira pagou por 90% e o segundo por 10%. Nesse Contrato ambos acordam em firmar com a empresa SISTEMA LAGEADO DE COMUNICAÇÃO LTDA um contrato de comodato 'para uso e exploração dos Serviços de Radiofusão de sons e imagem (TV) para a localidade de Goiânia, Estado de Goiás. Às fls. 224 e 225 do referido Processo Administrativo nº 10120.000446/201010, as partes acordam em fazer a resilição contratual referente aos direitos televisivos, sendo que a SGC se oferece a comprar a parte que detém o Sr. Leonardo de acordo com os valores ajustados às fls. 225. Nesse cenário, não vejo que o Sr. Leonardo tenha recebido qualquer vantagem do sujeito passivo a fazer incidir a regra do inciso IV, do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, pois as partes não estão vedadas pela norma em adquirir conjuntamente canal de TV. O Sr. Leonardo, de acordo com a documentação acostada não recebeu qualquer montante ou vantagem para a aquisição do canal de TV. O fato de posteriormente as partes, de comum acordo, encerrar o contrato existente e a SGC adquirir a participação de 10% que detinha o Sr. Leonardo, mediante a combinação de preço, foi efetuado nos moldes da legislação civil. Aponta o Fisco, outrossim, que ao Sr. Leonardo teria sido concedida a administração do estacionamento pago pela clientela da entidade, bem como a administração, comercialização e recebimento de três loteamentos de terrenos urbanos da entidade. Acerca da administração do estacionamento, este foi firmado entre a SGC (via Universidade Católica de Goiás) e a L & R Estacionamento Ltda., da qual faz parte o Sr. Leonardo Rizzo, fato este incontroverso nos autos, sendo que às fls. 226 a 228 dos autos do Processo Administrativo nº 10120.000446/201010 as partes tratam dos valores devidos em razão de demandas trabalhistas movidas por exempregados. Às fls. 229 a 234 dos autos do Processo Administrativo nº 10120.000446/201010 está o contrato firmado entre a SGC e a Leonardo Rizzo Participações Imobiliárias Ltda., por meio do qual esta se incumbe a comercializar 237 lotes do loteamento denominado Jardim das Acácias, sendo que por esta obrigação receberá 13% de comissão sobre a venda financiada de lotes, mais o valor de sinal do negócio que será de 7% do valor de venda. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.000447/201056 Acórdão n.º 2301004.131 S2C3T1 Fl. 795 7 Às fls. 236 a 238 dos autos do Processo Administrativo nº 10120.000446/201010 está o contrato firmado entre a SGC e a Leonardo Rizzo Participações Imobiliárias Ltda., por meio do qual esta se incumbe a comercializar lotes do loteamento denominado Parque Trindade, sendo que por esta obrigação receberá 10% de comissão sobre a venda dos lotes. Às fls. 239 a 241 dos autos do Processo Administrativo nº 10120.000446/201010 está o contrato firmado entre a SGC e a Leonardo Rizzo Participações Imobiliárias Ltda., por meio do qual esta se incumbe a administrar carteira de créditos gerada em decorrência da venda financiada de 1.154 lotes urbanos do empreendimento Parque Trindade, sendo que por esta obrigação receberá 16;5 % sobre o valor das prestações efetivamente recebidas. A meu ver, o Sr. Leonardo Cairo Rizzo, ainda que de forma indireta, recebeu vantagem da recorrente, na medida em que as empresas em que é sócio foram beneficiadas com negócios jurídicos que lhe permitiram receber valores relativos a comissões, pagamentos. Não é necessário, a meu ver, como pretende a recorrente, que a vantagem seja efetuada diretamente à pessoa física do Sr. Leonardo, enquanto conselheiro, pois essa distinção não fazia o inciso IV do artigo 55 da Lei 8.212/91, aplicado ao caso concreto (lançamento do crédito previdenciário compreendido no período de 01/2005 a 13/2006). Assim, a meu ver, nas situações supra descritas houve violação ao inciso IV, do artigo 55 da Lei nº 8.212/91. Multa Em relação à multa há de se registrar que o dispositivo legal que lhe dá supedâneo foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o artigo 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Contudo, deixo de aplicar a novel disposição do artigo 35 caput da Lei 8.212/91, uma vez que, de acordo com o Discriminativo de Débito anexado aos autos, a multa foi fixada em montante menor, qual seja, 12%, inferior, portanto, a 20% previsto no citado dispositivo. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 8 Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que não houve violação ao inciso IV, do artigo 55 da Lei nº 8.212/91 em relação ao Sr. Onofre Guilherme dos Santos Filho e em relação ao Sr. Leonardo Cairo Rizzo somente no tocante às negociações empreendidas em relação a aquisição do canal de TV, sendo que houve descumprimento à legislação na questão relativa aos negócios jurídicos firmados em relação ao estacionamento e venda de loteamentos. (assinado digitalmente) Adriano Gonzales Silvério – Relator Fl. 254DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.000447/201056 Acórdão n.º 2301004.131 S2C3T1 Fl. 796 9 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Redator Designado. Com todo respeito ao nobre relator, divirjo de seu entendimento e, conseqüentemente, de sua decisão para o caso, pelos motivos abaixo. A imunidade da contribuição patronal previdenciária, para as entidades de assistência social está prevista, na Constituição Federal, de 1988. CF/1988: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: ... § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Como claramente prevê a Lei Magna, a isenção de contribuição para a seguridade social – como é a contribuição previdenciária – só deve ser concedida para as entidades “que atendam as exigências estabelecidas em lei”. Na legislação pátria, a lei que estabelece as exigência para a isenção é a Lei 8.212/1991, até as competências anteriores à vigência da Lei 12.101/2009. Importante destacar – apesar de não estar em debate no presente processo – que não se aplica ao caso o Código Tributário Nacional (CTN). O CTN, em seu art. 14, disciplina a isenção a ser dadas a entidades, mas em outro tipo de tributo, os impostos. CTN: Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: ... IV cobrar imposto sobre: c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos Fl. 255DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 10 trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lei Complementar nº 104, de 10.1.2001) § 1º O disposto no inciso IV não exclui a atribuição, por lei, às entidades nele referidas, da condição de responsáveis pelos tributos que lhes caiba reter na fonte, e não as dispensa da prática de atos, previstos em lei, assecuratórios do cumprimento de obrigações tributárias por terceiros. ... Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Destaquese que o CTN está de acordo com o que determina a Constituição Federal, que veda – em seu Art. 150 – instituir imposto sobre patrimônio, renda e serviços de instituições de assistência social. CF/1988: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: .. VI instituir impostos sobre: (Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) ... c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das Fl. 256DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.000447/201056 Acórdão n.º 2301004.131 S2C3T1 Fl. 797 11 instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; § 4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. Por fim, que a própria Constituição Federal diferencia – como é correto fazer – imposto e contribuição, espécies do gênero tributo. CF/1988: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: ... § 7.º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) Importante salientar a posição firma do Poder Judiciário sobre a questão, pois o Supremo Tribunal Federal (STF) já se posicionou, por diversas vezes, que só é exigível Lei Complementar quando a Constituição expressamente assim determina. Portanto, pelas decisões reiteradas do STF, quando a CF/1988 determina no § 7º, Art. 195, que "são isentas de contribuições para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”, sem exigir “lei complementar” essa lei pode ser ordinária, como o é a Lei 8.212/1991. Seguem, abaixo, decisões nesse sentido: "EMENTA: CONSTITUCIONAL. ENTIDADE CIVIL, SEM FINS LUCRATIVOS. PRETENDE QUE LEI COMPLEMENTAR DISPONHA SOBRE A IMUNIDADE A TRIBUTAÇÃO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL, COMO REGULAMENTAÇÃO DO ART. 195, § 7° DA CF. A HIPÓTESE É DE ISENÇÃO. A MATÉRIA JÁ FOI REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI N° 8.212/91, COM AS ALTERAÇÕES DA LEI 9.732/98. PROCEDENTE. IMPETRANTE JULGADA CARECEDORA DA AÇÃO” (STF, MI, 616, 17/06/2002, Relator: Nelson Jobim) ... Fl. 257DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 12 DECISÃO: Agravo regimental de decisão pela qual, por entender não prequestionado a questão referente à ausência de regulamentação do artigo 195, § 7º, da Constituição Federal, neguei provimento ao recurso extraordinário. Sustenta o agravante que a questão suscitada no RE não é a inexistência de regulamentação do referido dispositivo constitucional, mas a aplicação, pelo acórdão recorrido, do artigo 14 do CTN como norma regulamentadora, quando deveria ser aplicado o artigo 55 da L. 8.212/91. Tem razão o agravante. Reconsidero a decisão de fl. 329, e passo à análise do recurso extraordinário. Decido. RE, a, contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 4a Região que, em razão do disposto no artigo 195, § 7º da Constituição, reconheceu a inexigibilidade de contribuição previdenciária a entidade de natureza beneficente e assistência social, preenchidos os requisitos do artigo 14 do CTN. Alega o RE que, para a concessão de isenção de contribuição social, as entidades beneficentes de assistência social devem preencher os requisitos do artigo 55 da L. 8.212/91, com as alterações da L.9.732/98; entende que o acórdão recorrido, ao afastar a aplicação dos referidos dispositivos legais, violou os artigos 97, 146, II, e 195, § 7º, da Constituição Federal. Tem razão o recorrente. O acórdão recorrido dissente da orientação estabelecida pelo Plenário deste Tribunal no julgamento do MI 616, 17.06.2002, Nelson Jobim, assim ementado: “CONSTITUCIONAL. ENTIDADE CIVIL, SEM FINS LUCRATIVOS. PRETENDE QUE LEI COMPLEMENTAR DISPONHA SOBRE A IMUNIDADE À TRIBUTAÇÃO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL, COMO REGULAMENTAÇÃO DO ART. 195, § 7º DA CF. A HIPÓTESE É DE ISENÇÃO. A MATÉRIA JÁ FOI REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91, COM AS ALTERAÇÕES DA LEI 9.732/98. PRECEDENTE. IMPETRANTE JULGADA CARECEDORA DA AÇÃO.” Na linha do precedente, dou provimento ao recurso extraordinário (art. 557, § 1ºA, do C.Pr.Civil). Brasília, 2 de outubro de 2006. Ministro SEPÚLVEDA PERTENCE Relator ... RECURSO EXTRAORDINÁRIO MATÉRIA FÁTICA INVIABILIDADE — DESPROVIMENTO DO AGRAVO. 1. O Tribunal Regional Federal da 5 ' Região, por unanimidade, negou provimento ao recurso de apelação, mediante o acórdão de folha 46 a 55,assim resumido: ... Fl. 258DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.000447/201056 Acórdão n.º 2301004.131 S2C3T1 Fl. 798 13 TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ENTIDADE BENEFICENTE. IMUNIDADE. INOCORRÉNCIA. 1. O § 7° do art. 195 da CF/88 aduz que não estão sujeitas à contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos previstos em lei, parâmetros estes que estão dispostos no art. 55 da Lei n°8.212/91. 2. É bem verdade que a imunidade constitui uma das formas de limitação constitucional ao poder de tributar, o que, nos termos do art. 146, II, CF, exigiria lei complementar para tratar do tema. 3. Ocorre que, in casu, há regra especifica a requerer tãosó lei ordinária (art. 195, § 7°, já mencionado), pois quando a Constituição faz alusão genérica a "lei", não há necessidade de que a matéria seja disciplinada por lei complementar. 4. Hipótese em que a associação autora não comprovou o cumprimento das exigências insculpidas na citada lei ordinária, pelo que não merece as benesse constitucional, ainda que se entendesse aplicável ao caso a lei complementar (Código Tributário Nacional, art. 14). 5. Apelação improvida. 2. A recorribilidade extraordinária é distinta daquela revelada por simples revisão do que decidido, na maioria das vezes procedida mediante o recurso por excelência a apelação. Atua se em sede excepcional a luz da moldura fática delineada soberanamente pela Corte de origem, considerandose as premissas constantes do acórdão impugnado. A jurisprudência sedimentada é pacifica a respeito, devendose ter presente o Verbete n°279 da Súmula deste Tribunal: Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário. As razões do extraordinário partem de pressupostos fáticos estranhos à decisão atacada, buscandose, em última análise,.conduzir esta Corte ao reexame dos elementos probatórios para, com fundamento em quadro diverso, assentar a viabilidade do recurso. A Corte de origem assentou que não houve a comprovação do enquadramento das atividades desenvolvidas pela recorrente, mesmo que se entendesse aplicável ao caso o artigo 14 do Código Tributário Nacional (folha 49). 3. Conheço do agravo e o desprovejo. 4. Publiquem. Brasília, 15 de março de 2007. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 14 Assim, pelos mandamentos constitucionais, claro está que a Lei 8.212/1991, nas competências até a vigência da Lei 12.101/2009, é a regra que disciplina, de forma constitucional, as exigências para a isenção das entidades de assistência social, no que tange às contribuições para a seguridade social. Na Lei 8.212/1991, na época dos fatos geradores (01/2005 a 12/2007), as exigências para o gozo da isenção estavam disciplinadas em seu Art. 55, conforme corretamente esclarece o Relatório Fiscal (RF), fls. 029. Lei 8.212/1991: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2.0285) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) Fl. 260DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.000447/201056 Acórdão n.º 2301004.131 S2C3T1 Fl. 799 15 § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 6o A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Também de extrema relevância destacar que na época da lavratura do lançamento, 27/01/2010, fls. 01, já vigorava a lei 12;101/2009, que “dispõe sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social; regula os procedimentos de isenção de contribuições para a seguridade social; altera a Lei no 8.742, de 7 de dezembro de 1993; revoga dispositivos das Leis nos 8.212, de 24 de julho de 1991, 9.429, de 26 de dezembro de 1996, 9.732, de 11 de dezembro de 1998, 10.684, de 30 de maio de 2003, e da Medida Provisória no 2.18713, de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências”, com destaque para a nossa análise que: 1. Em seu Art. 44, revogou o art. 55 da lei 8.212/1991, citado acima; e 2. Os artigos 29 a 32 disciplinaram nova lista de requisitos, exigências para o gozo da isenção do tributo constante neste lançamento (Art. 29 e 30) e nova forma para a exigência das contribuições (Art. 31 e 32). Lei 12.101/2009: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I não percebam, seus dirigentes estatutários, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; (Redação dada pela Lei nº 12.868, de 2013) II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; Fl. 261DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 16 IV mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizados que impliquem modificação da situação patrimonial; VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; VIII apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006. § 1o A exigência a que se refere o inciso I do caput não impede: (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) I a remuneração aos diretores não estatutários que tenham vínculo empregatício; (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) II a remuneração aos dirigentes estatutários, desde que recebam remuneração inferior, em seu valor bruto, a 70% (setenta por cento) do limite estabelecido para a remuneração de servidores do Poder Executivo federal. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) § 2o A remuneração dos dirigentes estatutários referidos no inciso II do § 1o deverá obedecer às seguintes condições: (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) I nenhum dirigente remunerado poderá ser cônjuge ou parente até 3o (terceiro) grau, inclusive afim, de instituidores, sócios, diretores, conselheiros, benfeitores ou equivalentes da instituição de que trata o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) II o total pago a título de remuneração para dirigentes, pelo exercício das atribuições estatutárias, deve ser inferior a 5 (cinco) vezes o valor correspondente ao limite individual estabelecido neste parágrafo. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o não impede a remuneração da pessoa do dirigente estatutário ou diretor que, cumulativamente, tenha vínculo estatutário e empregatício, exceto se houver incompatibilidade de jornadas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) Fl. 262DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.000447/201056 Acórdão n.º 2301004.131 S2C3T1 Fl. 800 17 Art. 30. A isenção de que trata esta Lei não se estende a entidade com personalidade jurídica própria constituída e mantida pela entidade à qual a isenção foi concedida. Seção II Do Reconhecimento e da Suspensão do Direito à Isenção Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. Esclarecendo, até a vigência da lei 12.101/2009 havia a exigência – para o cancelamento de isenção – que a fiscalização lavrasse ato administrativo intitulado “Informação Fiscal”, que poderia gerar ato administrativo intitulado “Ato Cancelatório de Isenção”, conforme as determinações abaixo: Lei 8.212/1991: Art. 55. ... ... § 4º O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei 9.732, de 1998) Decreto 3.048/1999: Art. 206. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 201, 202 e 204 a pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: (Revogado pelo Decreto nº 7.237, de 2010). Fl. 263DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 18 I seja reconhecida como de utilidade pública federal; II seja reconhecida como de utilidade pública pelo respectivo Estado, Distrito Federal ou Município onde se encontre a sua sede; III seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação da pelo Decreto nº 4.032, de 2001) IV promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando, anualmente, relatório circunstanciado de suas atividades ao Instituto Nacional do Seguro Social; e VI não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores, benfeitores, ou equivalentes, remuneração, vantagens ou benefícios, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes são atribuídas pelo respectivo estatuto social. VII esteja em situação regular em relação às contribuições sociais. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) § 1º Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem destes necessitar. § 2º Considerase pessoa carente a que comprove não possuir meios de prover a própria manutenção, nem têla provida por sua família, bem como ser destinatária da Política Nacional de Assistência Social, aprovada pelo Conselho Nacional de Assistência Social. § 3º Para efeito do parágrafo anterior, considerase não possuir meios de prover a própria manutenção, nem têla provida por sua família, a pessoa cuja renda familiar mensal corresponda a, no máximo, R$ 271,99 (duzentos e setenta e um reais e noventa e nove centavos), reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento do benefício de prestação continuada da assistência social. § 4º Considerase também de assistência social beneficente a pessoa jurídica de direito privado que, anualmente, ofereça e preste efetivamente, pelo menos, sessenta por cento dos seus serviços ao Sistema Único de Saúde, não se lhe aplicando o disposto nos §§ 2º e 3º deste artigo. § 5º A isenção das contribuições é extensiva a todas as entidades mantidas, suas dependências, estabelecimentos e obras de construção civil da pessoa jurídica de direito privado Fl. 264DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.000447/201056 Acórdão n.º 2301004.131 S2C3T1 Fl. 801 19 beneficente, quando por ela executadas e destinadas a uso próprio. § 6º A isenção concedida a uma pessoa jurídica não é extensiva e nem abrange outra pessoa jurídica, ainda que esta seja mantida por aquela, ou por ela controlada. § 7º O Instituto Nacional do Seguro Social verificará, periodicamente, se a pessoa jurídica de direito privado beneficente continua atendendo aos requisitos de que trata este artigo. § 8º O Instituto Nacional do Seguro Social cancelará a isenção da pessoa jurídica de direito privado beneficente que não atender aos requisitos previstos neste artigo, a partir da data em que deixar de atendêlos, observado o seguinte procedimento: I se a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social verificar que a pessoa jurídica a que se refere este artigo deixou de cumprir os requisitos nele previstos, EMITIRÁ INFORMAÇÃO FISCAL na qual relatará os fatos que determinaram a perda da isenção; II a pessoa jurídica de direito privado beneficente será cientificada do inteiro teor da Informação Fiscal, sugestões e conclusões emitidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social e terá o prazo de quinze dias para apresentação de defesa e produção de provas; III apresentada a defesa ou decorrido o prazo sem manifestação da parte interessada, o Instituto Nacional do Seguro Social decidirá acerca do cancelamento da isenção, emitindo Ato Cancelatório, se for o caso; e IV cancelada a isenção, a pessoa jurídica de direito privado beneficente terá o prazo de quinze dias, contados da ciência da decisão, para interpor recurso com efeito suspensivo ao Conselho de Recursos da Previdência Social. IV cancelada a isenção, a pessoa jurídica de direito privado beneficente terá o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão, para interpor recurso com efeito suspensivo ao Conselho de Recursos da Previdência Social. (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) § 9º Não cabe recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social da decisão que cancelar a isenção com fundamento nos incisos I, II e III do caput. § 10. O Instituto Nacional do Seguro Social comunicará à Secretaria de Estado de Assistência Social, à Secretaria Nacional de Justiça, à Secretaria da Receita Federal e ao Conselho Nacional de Assistência Social o cancelamento de que trata o § 8º. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 20 § 11. As pessoas jurídicas de direito privado beneficentes, resultantes de cisão ou desmembramento das que se encontram em gozo de isenção nos termos deste artigo, poderão requerêla, sem qualquer prejuízo, até quarenta dias após a cisão ou o desmembramento, podendo, para tanto, valerse da mesma documentação que possibilitou o reconhecimento da isenção da pessoa jurídica que lhe deu origem. § 12. A existência de débito em nome da requerente, observado o disposto no § 13, constitui motivo para o cancelamento da isenção, com efeitos a contar do primeiro dia do segundo mês subseqüente àquele em que a entidade se tornou devedora de contribuição social. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) § 13. Considerase entidade em débito, para os efeitos do § 12 deste artigo e do § 3º do art. 208, quando contra ela constar crédito da seguridade social exigível, decorrente de obrigação assumida como contribuinte ou responsável, constituído por meio de notificação fiscal de lançamento, autodeinfração, confissão ou declaração, assim entendido, também, o que tenha sido objeto de informação na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social.(Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) Já a partir da Lei 12.101/2009, os fatos para o cancelamento da isenção devem estar presentes no lançamento, conforme as determinações abaixo: Lei 12.101/2009: Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil LAVRARÁ O AUTO DE INFRAÇÃO RELATIVO AO PERÍODO correspondente e RELATARÁ os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.000447/201056 Acórdão n.º 2301004.131 S2C3T1 Fl. 802 21 De forma correta, pois todos sabemos que, em relação à matéria processual, a regra é que as novas regras já se aplicam aos processos que estão em trâmite, a fiscalização lavrou o lançamento com todas as informações sobre os motivos que em seu entender levaram ao cancelamento da isenção, fls. 031 a 033. Por fim, de forma diversa do que já se decidiu em outros processos, como discutido e decidido, o presente lançamento foi lavrado de forma correta, como determina a legislação, tanto no direito material com a análise e aplicação do Art. 55, da Lei 8.212/1991, como no direito processual com a aplicação da forma determinada na Lei 12.101/2009. Quanto à admissibilidade, conforme analisado e discutido, concordo com o Relator quanto á tempestividade do recurso, pois; “o recorrente foi intimado do acórdão da DRJ em 02/06/2010. No dia 03/06/2010 foi feriado nacional (Corpus Christi), sendo que o prazo recursal iniciouse em 04/06/2010, uma sextafeira. Assim, protocolado o recurso voluntário em 1º de julho de 2010, foi atendido o trintídio legal”. Sobre a existência de “Ato Cancelatório de Isenção” (10120.006427/2009 55), em trâmite, já analisamos, acima, que, devido a data de ciência do lançamento, 27/01/2010, após a vigência da Lei 12.101/2009, os motivos para a exigência das contribuições, devido ao cancelamento da isenção, devem estar descritas no lançamento, como corretamente está, possibilitando sua análise, aliás, como corretamente fez a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que analisou e decidiu a questão, sem prevalecer dependência entre processos. Por fim, quanto à existência de Mandado de Segurança, nº 2010.35.00.0032417, não há a concomitância entre processo administrativo e judicial: a) pelos pedidos constantes da ação judicial; b) pelas razões expressas na decisão de primeira instância e; c) pelo motivo constante do voto do Relator. Esclarecemos, em primeiro lugar, só há concomitância entre processos administrativo e judicial quando seus pedidos, suas solicitações, seus objetos, o direito que se busca forem idênticos. No presente processo discutese a exigência, ou não, de obrigações tributárias principais, por descumprimento de regras isentivas. Já no processo judicial citado, o sujeito passivo busca conforme pleitos constantes da ação judicial acostada aos autos. fls. 0556 – objetivos diversos da exigência, ou não, de obrigações tributárias principais, por descumprimento de regras isentivas: “Em face pois, de todo o exposto, estando presentes todos os pressupostos exigidos para a propositura do presente Mandamus, requer a concessão de liminar Inaudita altera part para determiner aos Impetrados: Fl. 267DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 22 a) suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente do Processos Administrativos na forma do art. 151, V, do CTN, de acordo com as modificações introduzidas pela Lei Complementar n. 104/2001; b) exclusão, junto aos registros dos imóveis acima citados, do arrolamento de bens, expedindose em conseqüência notificação ao Cartório de Registro de Imóveis da 4ª Circunscrição de Goiânia — Go; c) que os Impetrados se abstenha de negar a expedição da CND quanto à divida ativa da União (CTN, art. 205), com efeitos de negativa (CTN, art. 206); d) que se abstenham de inscrever o nome da Impetrante junto ao CADIN, enquanto perdurar a discussão judicial do débito objeto do presente. DOS REQUERIMENTOS Por todo o exposto, a Autora requer: a) sejam os Impetrados notificados dos termos do presente, para, querendo, no prazo legal, prestarem as informações que julgarem necessárias; b) a oitiva do Ministério Público Federal; c) Ao final, seja concedida a segurança pleiteada por ser medida de justiça, confirmando assim a liminar pleiteada que, acredita, será concedida. Atribuise à presente para efeito de pagamento de custas, o valor de R$ 200,00(duzentos reais). Termos em que, P. Deferimento.” Assim, está claro – pelos pleitos constantes nos processos administrativo e judicial – que não há renúncia à instância administrativa, pois os objetos constantes das ações são distintos. Em segundo lugar, concordo com a análise e solução feita e dada pela decisão de primeira instância, fls. 0566, que não verifica à renúncia e decide que a ação citada busca a suspensão do crédito tributário. Em terceiro e último lugar, sobre a concomitância, concordo com o nobre Relator que decidiu que, “consultando o sitio da Justiça Federal de Goiás, perante a qual foi distribuída a ação supra, verifiquei que os autos foram extintos sem julgamento de mérito e encontramse arquivados, razão pela qual não vejo o óbice da Súmula CARF 01”. Portanto, pelo exposto, conheço e admito o recurso interposto. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.000447/201056 Acórdão n.º 2301004.131 S2C3T1 Fl. 803 23 Quanto ao mérito, esclareço que o colegiado concordou, de forma unânime, com o Relator, pelas razões e provas analisadas, que se deve dar provimento ao recurso quanto à suposta remuneração de dirigente (Onofre Guilherme dos Santos Filho) e à suposta remuneração de dirigente (Leonardo Cairo Rizzo), em relação à negociação relativa à canal de televisão. Discordei do Relator em três pontos: 1. suposta remuneração de dirigente (Leonardo Cairo Rizzo), em relação à negociação relativa ao estacionamento; 2. suposta remuneração de dirigente (Leonardo Cairo Rizzo), em relação à negociação relativa à comercialização de imóveis; e 3. aplicação de retroatividade benigna (Art; 106, CTN), nas multa, para aplicação do disposto no Art. 61, da Lei 9.430/1996, se mais benéfica à recorrente. Devo, conseqüentemente, fazer o voto vencedor somente quanto aos dois primeiros pontos, que acarretam o provimento do recurso voluntário do sujeito passivo, pois o voto do Relator, foi vencedor – dentre as posições que não concordei – somente em relação ao terceiro (multa). Pois bem, quanto ao primeiro ponto, suposta remuneração de dirigente (Leonardo Cairo Rizzo), em relação à negociação relativa ao estacionamento, já me manifestei em outros processos e mantenho minha convicção que, em síntese, a determinação legal veda que diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, percebam remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título, ou seja, não obtenham “privilégios”,em razão de sua posição na organização. As razões do Fisco constam do RF, fls. 033: “ 38) Foi concedido ao Sr. Leonardo Rizzo a administração do estacionamento pago pela clientela da UCG, o que configura também uma vantagem financeira.” Para o sujeito passivo, em sua impugnação, fls. 0564, e em seu recurso, fls. 0590, em síntese, não ficou evidenciado em nenhum momento, que os associados, conselheiros, mantenedores, diretores, benfeitores tenham recebido remuneração, em razão de funções ou atividades que lhes são atribuídas pelo Estatuto Social, ou que tenham usufruído de dividendos ou vantagens.. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 24 Pois bem, no entender de nossa análise, a legislação veda o recebimento de privilégios por parte de diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, o que não foi demonstrado e comprovado no presente lançamento, motivo do provimento do recurso neste ponto. Vantagens e benefícios são características de algo privilegiado e, em nosso entender, esse privilégio no contrato está demonstrado. Questão semelhante já foi analisada antes pelo colegiado, que chegou – neste ponto – a mesma decisão. “Portanto, pela determinação da legislação, os diretores, conselheiros, sócios instituidores ou benfeitores da entidade beneficente de assistência social, para a entidade usufruir da isenção, não podem perceber, auferir: 1. Remuneração; 2. Vantagens; e 3. Benefícios a qualquer título. A legislação, portanto, não veda contratos entre empresas e as entidades beneficentes, para parceria e terceirização de serviços, o que a legislação determina é que não pode haver benefícios ou vantagens para o diretor, conselheiro, sócio, instituidor ou benfeitor. Em nosso entender, nesse caso, a vantagem, o benefício à empresa do diretor está claramente demonstrada, pois não há ressarcimento aa recorrente quando este encaminha seus pacientes para serem atendidos pela empresa do diretor. Já o contrário ocorre. Vantagens e benefícios são características de algo privilegiado e, em nosso entender, esse privilégio no contrato está demonstrado. Portanto, caso a entidade desejasse manter sua isenção, ela poderia realizar negócio com empresa que possui como sócio um de seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, mas não poderia conceder vantagens ou benefícios, como demonstrado pelo Fisco e presente nos contratos.. Por fim, não há ilegalidade alguma na parceira, contrato, o que há é o claro benefício a uma empresa de um diretor, o que configura motivo relevante para o cancelamento da isenção, pelo que determina a legislação. Assim, há razão no argumento do Fisco nesta questão. Já na empresa que atua em oftalmologia, fls. 035, o Fisco verificou, em síntese, que: 1. A empresa do diretor presta serviços ao hospital para atendimento de empregados de empresa que contratou hospital; e Fl. 270DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.000447/201056 Acórdão n.º 2301004.131 S2C3T1 Fl. 804 25 2. A empresa do diretor é responsável pelo atendimento oftalmológico em área de checkup. Destaquese, preliminarmente, pois importante, para respeito à Sumula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal (STF), que há notas fiscais de pagamentos a empresa do diretor a partir do ano de 2005, fls. 0343 em diante. Portanto, como a IF foi lavrada em 2006, fls. 039, os fatos não foram afetados pela decadência qüinqüenal determinada pelo STF, na Súmula citada, expressa no CTN. Já neste ponto, analisando de forma total as informações do Fisco, fls. 035 a 037, não encontramos demonstração cabal do Fisco de que ocorreram vantagens ou benefícios. Há, até, item que busca demonstrar, talvez, uma remuneração, mas não de forma taxativa, mas sim de forma duvidosa: 194. A utilização genérica da expressão "Serviços Médicos Prestados" não se faz suficiente para comprovar especificamente os serviços que realmente foram prestados. Assim não pode ser excluída a hipótese de ser este um artifício para encobrir a remuneração d diretor em questão. Foi solicitado então esclarecimentos a entidade conforme TIAD anexo. 195. A entidade informou que o HIAE celebrou um contrato com a empresa Rhodia Brasil Ltda. para a realização de exames, inclusive oftalmológicos, (contrato não anexado por tratar de assuntos confidenciais da empresa) e que o diretor C. L. L. foi o médico escolhido para realizar estes exames em função do seu horário no consultório ser compatível aos horários escolhidos pela contratante. Examinandose o contrato entre esta empresa e o HIAE não se encontra nenhuma menção ao horário em que as consultas oftalmológicas deveriam ser realizadas, portanto, em tese, podese considerar que foram concedidas VANTAGENS ao diretor em questão.” Com todo respeito ao excelente trabalho do Fisco, não entendemos o motivo da ausência de horário em contrato ser considerado um benefício, uma vantagem. Acusações fiscais não podem ser caracterizadas “em tese”, devem possuir certeza absoluta. Em respeito ao devido processo legal. Por essa razão, nesse ponto, não ficou demonstrado o descumprimento ao IV, Art. 55, da Lei 8.212/1991. Em outro argumento da fiscalização para a configuração de vantagens ou benefícios a diretores, item 0199 o Fisco informa, ao final, que a empresa não conseguiu provar a “não remuneração” ao seu diretor, em contrato para a realização de checkups. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 26 Novamente, com todo respeito, quem tem que provar a remuneração, o benefício, a vantagem é a fiscalização e não a recorrente. Por essa razão, nesse ponto, não ficou demonstrado o descumprimento ao IV, Art. 55, da Lei 8.212/1991. Por fim, a fiscalização argumenta que “é de se estranhar e refutar que empresas de diretores sejam contratadas para prestarem serviços que, em principio, deveriam ser prestados pelo Corpo Clínico Aberto” (item 0201). E conclui: “202. Em tese, podese afirmar que estas empresas são contratadas como forma de encobrir a remuneração dos diretores da SBIBHAE o que fere o inciso IV do art. 55 da Lei 8212 de 1991.” Novamente, com todo respeito à fiscalização, a acusação fiscal, não pode concluir “em tese”. Na atividade do Fisco ou o descumprimento da legislação ocorreu, ou não, sem espaço algum para qualquer subjetividade. Por essa razão, nesse ponto, não ficou demonstrado o descumprimento ao IV, Art. 55, da Lei 8.212/1991. Assim, vantagens, benefícios somente ficaram demonstrados na contratação com empresa de diretor que atua na área de oncologia, o que acarreta a demonstração descumprimento ao IV, Art. 55, da Lei 8.212/1991. (Processo 44023.000017/2007 59) Para o nobre Relator, a fiscalização tem razão, pois: “Acerca da administração do estacionamento, este foi firmado entre a SGC (via Universidade Católica de Goiás) e a L & R Estacionamento Ltda., da qual faz parte o Sr. Leonardo Rizzo, fato este incontroverso nos autos, sendo que às fls. 226 a 228 dos autos as partes tratam dos valores devidos em razão de demandas trabalhistas movidas por exempregados. ... A meu ver, o Sr. Leonardo Cairo Rizzo, ainda que de forma indireta, recebeu vantagem da recorrente, na medida em que as empresas em que é sócio foram beneficiadas com negócios jurídicos que lhe permitiram receber valores relativos a comissões, pagamentos. Não é necessário, a meu ver, como pretende a recorrente, que a vantagem seja efetuada diretamente à pessoa física do Sr. Leonardo, enquanto conselheiro, pois essa distinção não fazia o inciso IV do artigo 55 da Lei 8.212/91, aplicado ao caso concreto (lançamento do crédito previdenciário compreendido no período de 01/2005 a 13/2006).” Fl. 272DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.000447/201056 Acórdão n.º 2301004.131 S2C3T1 Fl. 805 27 Concordo com o Relator quando este afirma que a vantagem pode ser conceituada quando pessoa jurídica que o dirigente faz parte recebe a vantagem, mas essa vantagem tem que ser demonstrada pelo Fisco. O sujeito passivo sempre afirmou que não houve vantagem, privilégio, e esses não foram comprovados, por indícios ou provas, nos autos, ponto que concordo e motivo para o provimento do recurso neste ponto. Quanto ao segundo ponto suposta remuneração de dirigente (Leonardo Cairo Rizzo), em relação à negociação relativa à comercialização de imóveis – não há razão nos argumentos da fiscalização. A fiscalização fundamenta sua acusação, neste ponto, da seguinte forma, fls. 033: “35) Conforme consta da própria defesa da SGC, o Sr. Leonardo Cairo Rizzo passou a integrar o plenário na mantenedora — SGC em 04/07/2002, inicialmente, na condição de conselheiro e, posteriormente, em face das alterações estatutárias, na condição de associado. 36) Nada tem a ver o primeiro contrato celebrado entre SGC e Sr. Leonardo Rizzo ser anterior a sua posse no cargo de conselheiro. Não há esta previsão legal. Faltou cautela a SGC quando concedeu vantagens ao seu conselheiro e posteriormente associado. O inciso IV do art. 55 da Lei n° 8.212/91 é claro ao exigir que os diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores não percebam remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer titulo para que a entidade possa usufruir da isenção das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei n°8.212/91. Voltamos a transcrever o inciso IV do art. 55 da Lei n°8.212/91, para que não pairem dúvidas sobre a controvérsia: ... 38) ... . O Sr. Leonardo Rizzo foi também beneficiado com o repasse da administração, comercialização e recebimento de três loteamentos de terrenos urbanos da SGC — Loteamentos São José, Acácias e Trindade. Leonardo Rizzo Participações Imobiliárias Ltda é remunerada com o percentual de 20% a 26,5 % dos valores pagos pelos adquirentes, desde 1996 até o ano de 2010. 1001 a 1029. 39) Portanto, dúvida não resta pela própria documentação anexada aos autos pela Autoridade Fiscal que o Sr. Leonardo Rizzo se beneficiou, usufruiu de vantagens, o que impede a SGC de usufruir do beneficio da isenção de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei n° 8.212/91 a partir de 04/07/2002, data em que o Sr. Leonardo Rizzo se tornou conselheiro da SGC.” Fl. 273DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 28 A impugnação defendese da acusação, fls. 0432: “Esclareceu que a Empresa Leonardo Rizzo Participações Imobiliárias Ltda., por ser uma das mais antigas empresas de intermediação e administração de Imóveis de terceiros estabelecida nesta Capital, e por não possuir contra a mesma, nada que venha desabonar a sua conduta no trato com os negócios imobiliários, foi a escolhida pela Sociedade Goiana de Cultura para intermediação da venda de alguns imóveis de sua propriedade. Afirmou e documentou que o primeiro contrato firmado com a empresa LEONARDO RIZZO PARTICIPAÇÕES IMOBILIÁRIAS LTDA., o foi em mesmo de 1995, portanto há quase 15(quinze) anos, para a venda de lotes urbanos do empreendimento PARQUE TRINDADE. E que em face da qualidade, competência e seriedade com que os serviços foram prestados pela empresa em questão, em maio de 2000 foi firmando novamente novo contrato com a mesma, desta feita para a venda de lotes no empreendimento JARDIM DAS ACÁCIAS. E em agosto de 2003, pelos mesmos motivos acima, novo contrato foi firmado para intermediação na venda do empreendimento Loteamento Parque São José.” O acórdão de primeira instância não dá razão às razões da defesa, fls. 0565 a 0574. O sujeito passivo reafirma seus argumentos em seu recurso, fls. 0592. Em primeiro lugar, de extremo destaque, é o fato incontroverso nos autos que a maioria dos contratos de estacionamento, dois, Loteamentos Acácia e Trindade, foram celebrados antes da posse do dirigente citado na acusação. O Fisco afirma que a posse como dirigente ocorreu em 04/07/2002 e esses dois contratos foram celebrados entes da posse do dirigente, pois o Trindade foi em 1995, fls. 236, e o Acácias foi em 2000, fls. 0229, como demonstram as provas, contratos. Portanto, não há que se falar em percebimento, obtenção de vantagem, benefício, privilégio (IV, Art. 55, Lei 8.212/1991) em relação há direito que já se possuía antes da data da suposta posse como dirigente. Assim, por essa razão, totalmente descabida a razão do Fisco em relação a esses dois loteamentos (Acácias e Trindade), motivo do provimento do recurso neste ponto. Em segundo lugar, novamente de grande destaque, é que o sujeito passivo e a pessoa jurídica citada já possuíam relação comercial antes da posse do dirigente. Ou seja, já existia um histórico comercial entre as duas pessoas jurídicas, o que é um forte indício de que o contrato para a comercialização do outro loteamento (São Fl. 274DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.000447/201056 Acórdão n.º 2301004.131 S2C3T1 Fl. 806 29 José), em agosto de 2003, não foi resultado de uma vantagem, privilégio, obtido, percebido pelo suposto dirigente, mas sim resultado de uma parceria comercial histórica, devido a resultados obtidos por ambas as partes, como por exemplo, confiança. Somase a esse forte indício a total ausência de comprovação por parte do Fisco de que houve algum privilégio no contrato e de que este resultou da ocupação do suposto cargo de direção por parte da pessoa física. Como já citamos acima, a comprovação da vantagem, do privilégio percebido é obrigação para que o Fisco acuse o sujeito passivo de descumprimento do IV, Art. 55, da Lei 8.212/1991, o que não restou comprovado na acusação. Assim, pelos motivos citados neste segundo tópico, também damos razão ao recurso do sujeito passivo, neste tópico. Em terceiro lugar, e igualmente relevante, ou até mais, para que a fiscalização motive sua acusação, é a necessidade de comprovação de que a função, cargo, ocupado pela pessoa física tenha poder e seja determinante para a obtenção, percepção, da vantagem, do privilégio. Como já citamos, a fiscalização afirma, em seu relatporio: “35) Conforme consta da própria defesa da SGC, o Sr. Leonardo Cairo Rizzo passou a integrar o plenário na mantenedora — SGC em 04/07/2002, inicialmente, na condição de conselheiro e, posteriormente, em face das alterações estatutárias, na condição de associado”. O estatuto do sujeito passivo, fls. 0113, define os cargos, funções e suas competências, poder, na organização “Art 23 A Administração da SGC é constituída dos seguintes órgãos' a) Presidência; e b) Assembléia Geral. Art. 24 A Presidência da SGC é composta pelo: a) Presidente; b) VicePresidente; c) Secretário Geral. Art 25O Presidente da SGC é o Arcebispo Metropolitano de Goiânia, que tem as seguintes atribuições, além das que forem admitidas pelo direito e conferidas por outros dispositivos deste Estatuto ou pela Assembléia Geral: a) dirigir a SGC, segundo os dispositivos das leis civis e canônicas e deste Estatuto; Fl. 275DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 30 b) convocar e presidir a Assembléia Geral, com poder de decidir nas situações de empate; c) supervisionar a administração superior das Instituições da SGC; d) presidir as reuniões das Instituições Mantidas a que comparecer; e) homologar o Estatuto e o Regimento Geral da SGC; f) representar a SGC e suas Instituições Mantidas em juizo e fora dele, por si pó por delegado seu; g) convocar e presidir as reuniões do Conselho Consultivo; h) definir o documentos que asseguram a orientação, a supervisão e a manutenção das atividades das suas Instituições Mantidas; i) aplicar os dispositivos que regem as relações entre a Mantenedora e suas Instituições; j) propor à Assembléia Geral o orçamento da SGC necessário para a manutenção de suas finalidades e objetivos institucionais; k) escolher, nomear e dar posse ao Reitor, ao ViceReitor e aos PróReitores da UCG, os dirigentes das demais Instituições Mantidas, bem como receber dos mesmos o compromisso de fidelidade eclesial e institucional; l) aprovar em última instância os pianos de ação das Instituições Mantidas e suas propostas orçamentárias, acompanhando sua execução, por intermédio de relatórios da própria administração, enviados ao Presidente da SGC pelos Dirigentes das Instituições Mantidas pela SGC; m) deliberar sobre as propostas para a alienação de bens, aceitação de legados e doações; n) deliberar sobre a assembléia de encargos financeiros que onerem, direta ou indiretamente, o patrimônio confiado is mesmas; o) decidir sobre a criação, incorporação e extinção de Instituições Mantidas de educação, cultura, bemestar social, saúde e comunicação; p) decidir sobre o afastamento e destituição de membros da Administração Superior das Instituições Mantidas, no caso de infidelidade e discordância de procedimentos e objetivos da SGC; q) vetar as decisões de &silo colegiado ou singular das Instituições Mantidas sobre matéria institucional que contrariem este Estatuto, o Estatuto e/ou o Regimento Geral das Mantidas, as normas da Doutrina Cristã, as orientações publicadas pela Santa Sé, pela Congregação da Educação Católica, o Código de Direito Canônico, as diretrizes da Fl. 276DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.000447/201056 Acórdão n.º 2301004.131 S2C3T1 Fl. 807 31 Igreja pata as instituições educacionais, emanadas pela CNBB, bem como as Diretrizes Pastorais da Arquidiocese de Goiânia; r) aprovar as políticas de salário e preços de bens e serviços prestados pelas Instituições Mantidas; s) homologar, inclusive exercendo poder de veto, os Estatutos e Regimentos das Instituições Mantidas; t) deliberar sobre a extinção ou cessação das atividades das Instituições Mantidas; u) supervisionar as atividades beneficentes de assistência social, de concessão de bolsas de estudo, incentivos e beneficias a saem concedidos pelas Instituições Mantidas, bem como o controle contábil das mesmas. ... Art. 30 A Assembléia Geral, composta pelos Associados Efetivos, é o órgão superior de deliberação da SGC e se reúine: a) ordinariamente, uma vez por ano, em data marcada pelo Presidente b) extraordinariamente, por convocação do Presidente ou por um quinto dos Associados Efetivos e c) em sessões plenárias, por convocação do Presidente, segundo critérios estabelecidos no Regimento Geral. ... Art. 32 Compete à Assembléia Geral: a) aprovar o Estatuto e o Regimento Geral da SGC, exigindo, para tanto, voto favorável de 2/3 dos Associados, em Assembléia especialmente convocada para tal fim; b) deliberar sobre a alteração do presente Estatuto e dos Estatutos das Instituições Mantidas; c) deliberar sobre pianos de gestão, proposta do orçamento, prestação de contas da SGC, bem como os relatórios da Presidência e, quando cabíveis, sobre os relatórios apresentados pelo Reitor e pela Administração das demais Mantidas, dando as orientações qtie julgar convenientes a respeito; d) deliberar sobe os limites da administração ordinária do patrimônio da SGC e os poderes a ela inerentes, necessários para o cumprimento das finalidades da suas Instituições Mantidas; e) deliberar, em grau de recurso, sobre as sanções aplicadas pelo Presidente aos Associados; Fl. 277DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 32 f) decidir sobre incorporação, fusão, cisão, dissolução e extinção da Entidade, nos termos do presente Estatuto, exigindo, para tanto, voto favorável de 2/3 dos Associados, em Assembléia especialmente convocada para tal fim. Pela análise do Estatuto do sujeito passivo, não concordamos com o Relator em sua afirmação de que a a direção da entidade é exercida pela assembléia geral pois esta possui poderes para tanto. Como se nota no estatuto do sujeito passivo, até pelo extenso rol de atribuições, quem administra o sujeito passivo é a Presidência, pois ali estão as atividades com poder de decisão na administração da organização. Portanto, para que o Fisco afirme que a entidade descumpriu o IV, Art. 55 da Lei 8.212/1991 é obrigatória a demonstração cabal de que o cargo, a função ocupada pela pessoa física possuía atribuições capazes de definir ações para a obtenção de sua vantagem, de seu privilégio. Como não há na acusação fiscal demonstração cabal de que o cargo, a função ocupada pela pessoa física possuía atribuições capazes de definir ações para a obtenção de sua vantagem, de seu privilégio, deve ser dado provimento ao recurso, também por essa razão. Assim, pelas razões expostas, deve ser dado provimento ao recurso no item relativo à suposta remuneração de dirigente (Leonardo Cairo Rizzo), em relação à negociação relativa à comercialização de imóveis, nos termos acim.a Em relação à aplicação de multas, pela aplicação do voto do Relator, que foi vencedor, não concordo com sua decisão, que não prevalece, pelo recurso ter, pela conjugação de votos, obtido provimento integral nas questões de mérito relativas à exigência de obrigação tributária principal. CONCLUSÃO: Pelo exposto, conheço e dou integral provimento ao recurso do sujeito passivo, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 278DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720123/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Exercício: 2004, 2005, 2006
CSLL. COFINS. PIS.
Subsistindo o lançamento principal sobre determinados fatos que restaram constituídos ou caracterizados, acompanham a mesma sorte os demais lançamentos decorrentes dos mesmos fatos.
Verificado que o contribuinte auferiu receitas não escrituradas e não declaradas caracteriza-se a omissão de receitas.
MULTA AGRAVADA. FALTA DE ESCLARECIMENTOS.
Não demonstrada a recusa injustificada do contribuinte, que durante o procedimento fiscal disponibilizou toda a documentação exigida e atendeu as intimações recebidas, incabível o agravamento da multa.
Numero da decisão: 1302-001.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Helio Eduardo de Paiva Araujo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Exercício: 2004, 2005, 2006 CSLL. COFINS. PIS. Subsistindo o lançamento principal sobre determinados fatos que restaram constituídos ou caracterizados, acompanham a mesma sorte os demais lançamentos decorrentes dos mesmos fatos. Verificado que o contribuinte auferiu receitas não escrituradas e não declaradas caracteriza-se a omissão de receitas. MULTA AGRAVADA. FALTA DE ESCLARECIMENTOS. Não demonstrada a recusa injustificada do contribuinte, que durante o procedimento fiscal disponibilizou toda a documentação exigida e atendeu as intimações recebidas, incabível o agravamento da multa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Helio Eduardo de Paiva Araujo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2013; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.180 1 1.179 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.720123/200931 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.527 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de outubro de 2014 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente FÁBRICA DE EVENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS NÃO ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS. Comprovado que parte da receita bruta do contribuinte verificada pela fiscalização tratase de mero repasse financeiro, esta deve ser excluída da base de cálculo do lucro da empresa pelo regime presumido. Verificado que o contribuinte auferiu receitas não escrituradas e não declaradas caracterizase a omissão de receitas. MULTA AGRAVADA. FALTA DE ESCLARECIMENTOS. Não demonstrada a recusa injustificada do contribuinte, que durante o procedimento fiscal disponibilizou toda a documentação exigida e atendeu as intimações recebidas, incabível o agravamento da multa. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 2004, 2005, 2006 CSLL. COFINS. PIS. Subsistindo o lançamento principal sobre determinados fatos que restaram constituídos ou caracterizados, acompanham a mesma sorte os demais lançamentos decorrentes dos mesmos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 01 23 /2 00 9- 31 Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Helio Eduardo de Paiva Araujo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.720123/200931 Acórdão n.º 1302001.527 S1C3T2 Fl. 1.181 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto por FÁBRICA DE EVENTOS LTDA, contra o acórdão nº 0125484, da 1ª Turma da DRJ/BEL. A autuação (fls. 202/281) se deu a partir do cumprimento de Mandado de Procedimento Fiscal nº 02.2.01.002008003022 (fls. 4/5), expedido para fiscalização dos tributos federais dos anoscalendários de 2004, 2005 e 2006, sendo constituído créditos tributários de IRPJ (R$ 3.244.098,88), CSLL (R$ 1.215.388,23), PIS (R$ 276.036,51) e COFINS (R$ 1.274.017,12), totalizando R$ 6.009.540,74. Em 05/11/2007, o AFRFB expediu ofício à Secretaria da Fazenda do Município de Manaus/AM requerendo cópia de toda a documentação referente à apuração de Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN) da recorrente no período fiscalizado (fls. 75/76). O pedido foi atendido em 28/11/2007, conforme documentação anexa aos autos (fls. 77/180). Dentre a documentação fornecida, destacase o demonstrativo denominado Autorização de Impressão de Documentos Fiscais de Diversões Públicas (AIDDP), o qual serviu de base para a autuação fiscal. Este demonstrativo (AIDDP) é de emissão obrigatória para a impressão de ingressos para cada evento realizado na cidade de Manaus/AM pela recorrente, expedido em nome desta, e traz informações como: data, nome e local do evento; horário de início; tipo de ingresso; número de ordem; quantidade de ingressos impresso, vendidos e devolvidos; preço unitário dos ingressos e valor total da bilheteria. Posteriormente, em 08/04/2008, a fiscalização intimou a recorrente acerca da instauração do procedimento fiscal, momento em que requereu a apresentação de diversos documentos (fls. 06/07). A intimação foi atendida pela recorrente, oportunidade em que deixou de apresentar apenas o registro de inventário (fls. 11/74). Em 09/01/2009, o AFRFB intimou a recorrente para em 05 (cinco) dias “Justificar o não oferecimento à tributação dos valores integrais referentes a venda de ingressos nos eventos autorizados pela Prefeitura Municipal de Manaus, nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, conforme demonstrado nos seguintes documentos e relatórios encaminhados à DRF/MNS pelo referido órgão público” (fls. 182). A recorrente requereu, em 14/01/2009, a prorrogação do prazo para prestar os esclarecimentos solicitados, em função da quantidade de documentos para serem analisados (fls. 183), contudo tais esclarecimentos não foram apresentados. Desta forma foi lavrado o auto de infração em 26/03/2009, pois o AFRFB apurou as seguintes irregularidades, segundo consta no termo de verificação fiscal (fls. 185/188): Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Que nos períodos fiscalizados a recorrente optou pelo regime e tributação pelo lucro presumido; Que realizado o cotejo entre as planilhas de AIDDPs recebidas da Prefeitura Municipal de Manaus e os valores registrados no livro de apuração de ISS e no livro caixa da recorrente, não se verifica a correlação entre os registros; Que no livro de apuração de ISS da recorrente estão registrados diversas notas fiscais não relacionados à venda de ingressos; Que no livro caixa estão registrados recebimentos vinculados aos documentos fiscais emitidos e registrados no livro de apuração de ISS; Que não há outros registros no livro caixa que correspondam, em data e valor, aos montantes demonstrados nas planilhas de AIDDPS; Que as receitas omitidas foram apuradas a partir dos demonstrativos das AIDDPs, autenticados pela prefeitura de Manaus/AM e encaminhados à DRFB/Manaus, os quais demonstravam receitas auferidas mas que não foram escrituradas ou oferecidas à tributação pela recorrente; Que existiam valores escriturados e não oferecidos à tributação, conforme demonstrativos que acompanharam o termo de verificação fiscal (fls. 189/196); Que em virtude do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos sobre a referida omissão, agravouse a multa de ofício para 112,5%, com supedâneo no art. 44, I, § 2º, da Lei nº 9.430/96; A recorrente foi intimada, em 30/03/2009 (fls. 184), da lavratura do auto de infração por omissão de receita, na forma dos artigos 228, 528 § 1º, III, “a”, do Decreto nº 3.000/99 (fls. 202/281), no qual se lavrou também multa de 112,5%, com fulcro no art. 44, I e § 2º da Lei nº 9.430/96, por não atender a recorrente à intimação para prestar esclarecimentos. Inconformada, a recorrente apresentou defesa em 28/04/2009, pugnando pela improcedência do auto de infração (fls. 620/920). Em 24/08/2012, a 1ª Turma da DRJ de Belém/PA proferiu acórdão nº 0125.484, julgando improcedente a impugnação apresentada, nos seguintes termos (fls. 927/946): ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ AnoCalendário: 2004, 2005 e 2006 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional (CTN). DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRATIVA. Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.720123/200931 Acórdão n.º 1302001.527 S1C3T2 Fl. 1.182 5 É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, salvo quando tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n. 45, DOU de 31/12/2004. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos lançamentos por homologação, havendo pagamento antecipado do imposto, ou da contribuição, e ausentes o dolo, fraude ou simulação, realizase a contagem do prazo decadencial pelo disposto no §4º do art. 150 do CTN. De outra forma, aplica se a regra ordinária da decadência estampada no art. 173, inciso I, do CTN. PROVA. As declarações oferecidas pelo sujeito passivo ao ente tributante gozam de presunção de veracidade, podendo serem utilizadas na apuração da obrigação tributária de competência de outro ente, salvo se restar comprovada sua inveracidade. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. É inaplicável o conceito de confisco e de ofensa à capacidade contributiva em relação à aplicação da multa de ofício, que não se reveste do caráter de tributo. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. A realização de diligência/perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Impugnação procedente em parte. Crédito tributário mantido em parte. A recorrente foi intimada do acórdão proferido pela DRJ em 07/11/2012 (fls. 955), apresentando o respectivo recurso voluntário em 07/12/2012, oportunidade em que alegou em síntese o que segue (fls. 958/981): Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Houve cerceamento do direito de defesa, na medida em que haveria necessidade de ampla produção de prova de que as receitas provenientes da venda de ingressos são meros repasses financeiros; Nulidade do auto de infração por não apreciar as provas trazidas pela recorrente que comprovam não haver omissão de receita; Impossibilidade de fundamentar o auto de infração inerente à Imposto de Renda baseado exclusivamente em documento relativo ao ISSQN, denominado de Autorização de Impressão de Documentos Fiscais de Diversões Públicas (AIDDP), conforme feito pelo AFRFB; Necessidade de realização de diligência para o cruzamento de dados constantes no documento expedido pela fiscalização municipal (AIDDP) com outras informações (inclusive as bancárias, trazidas voluntariamente pela recorrida) para verificar a efetiva base de cálculo do IRPJ; No mérito, alega que a via empregada para auferir a base de cálculo do tributo é inadequada, vez que ela é usada para apuração de tributo diverso (ISSQN), com conceitos, termos e obrigações distintas do Imposto de Renda Pessoa Jurídica; Que a opção pelo lucro presumido não seria a melhor escolha para o tipo de atividade e os tipos de contratos celebrados pela recorrente. Com base nesta premissa, sustenta a necessidade da fiscalização utilizarse da prerrogativa para proceder com o arbitramento do lucro; Que a apuração da receita auferida pela recorrida nos exercícios fiscalizados se dera de forma completamente arbitrária e, portanto, ilícita, resultando na nulidade do lançamento feito pelo AFRFB; Sustenta que o lançamento de ofício realizado nos autos viola inúmeros princípios inerentes à administração pública, a saber, a razoabilidade, proporcionalidade, legalidade, verdade material, vedação ao enriquecimento do erário, capacidade contributiva, e da interpretação benéfica ao contribuinte (art. 112, CTN). Ao final a recorrente pede a exoneração do crédito tributário. Remetido os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, uma vez distribuído o processo a este relator, decidiuse pela conversão dos autos em diligência (fls. 1.018/1.026) para: Conceder à recorrente prazo de 30 (trinta) dias para a juntada de todos os contratos de realização de eventos realizados no período fiscalizado (além de outros documentos que entender pertinentes), Esclarecer qual montante de cada contrato não faz parte de sua receita por ser valor de terceiros, identificando os respectivos terceiros. A finalidade da diligência foi a de permitir a comprovação de que parcela dos valores referentes à venda de ingressos, emitidos a partir das Autorizações de Impressão de Documentos Fiscais e Diversões Públicas (AIDDP), representam mero repasse e que não podem ser considerados como receita própria, conforme defendido em seu recurso voluntário. Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.720123/200931 Acórdão n.º 1302001.527 S1C3T2 Fl. 1.183 7 Intimada, a recorrente compareceu aos autos esclarecendo que grande parte dos contratos celebrados para realização de eventos era feito em forma de parceria, geralmente de forma verbal ou tácita. Para corroborar estas circunstâncias, apresentou os seguintes documentos: Declaração, por instrumento público, do Sr. Vagner Ramos, CPF nº 054.862.94719, que em determinados eventos, devidamente especificados no instrumento, foram feitos contratos verbais nos quais a receita resultante da venda de ingressos seria dividida em 50% para ele e 50% para a recorrente (fls. 1.038/1.039); Declaração, por instrumento público, do Sr. Antônio José Ribeiro, CPF nº 058.149.52253, que em determinados eventos, devidamente especificados no instrumento, foram feitos contratos verbais nos quais a receita resultante da venda de ingressos seria dividida em 50% para ele e 50% para a recorrente (fls. 1.040/1.041); Reiterou ainda que todos os contratos escritos, celebrados para a realização de eventos, já foram juntados aos autos; Que à época foram feitos diversos contratos de mútuos para cobrir o capital de giro da empresa, o que corroboraria a circunstância de o montante resultante da venda de ingressos não integrarem sua receita bruta; Apresentou, na oportunidade, planilha demonstrando os percentuais de sua participação na receita da venda de ingressos em cada um dos eventos, corroborados pela movimentação do livro caixa (fls. 1.070/1.110). Encerrada a diligência, os autos foram novamente remetidos a este Conselho. É o relatório. Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os demais requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. DA OMISSÃO DE RECEITAS A fim de realizar a análise do presente caso através de uma metodologia que permita deixar clara a situação da recorrente, bem como de evidenciar os fundamentos em que me apoio, farei uma breve abordagem da documentação que serviu de base para o lançamento tributário e, posteriormente, daquela que foi juntada nos autos através das defesas (impugnação e recurso voluntário) e da resposta à diligência solicitada por este Conselho. 1.1 Dos Documentos que Embasam a Autuação Fiscal Verificase que o AFRFB baseouse única e exclusivamente nos documentos denominados de Autorizações de Impressão de Documentos Fiscais de Diversões Públicas (AIDDP), fornecidas pelo município de Manaus/AM, para efetuar o lançamento de ofício objeto dos presentes autos (fls. 185/188). Como esclarecido acima, este demonstrativo (AIDDP) é de emissão obrigatória para a impressão de ingressos para cada evento realizado na cidade de Manaus/AM e é utilizado para a apuração de ISSQN incidente sobre a receita do evento correspondente. Importante rememorar, também, que o chamado AIDDP traz informações relevantes dos eventos, quais sejam: data, nome e local do evento; horário de início e término; tipos de ingressos emitidos (cortesias, meias, VIPs, etc.); quantidade de ingressos impressos, vendidos e devolvidos; numeração e preço unitário dos ingressos e valor total da bilheteria do evento. É certo que a possibilidade de colaboração mútua entre as Fazendas Públicas, com a permuta de informações, tem supedâneo no art. 199, do CTN, que assim dispõe: Art. 199. A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio. Entretanto, mesmo diante desta disposição legal, a utilização das informações obtidas perante outra administração tributária deve ser feita com cautelas, para que se verifique a efetiva ocorrência do fato imponível descrito na hipótese de incidência tributária. No caso dos autos, o AFRFB tomou por base de cálculo para a apuração de imposto sobre renda e contribuições sociais incidentes sobre o lucro líquido e o faturamento (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), informações e documentos úteis à apuração de Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN, ou ISS). Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.720123/200931 Acórdão n.º 1302001.527 S1C3T2 Fl. 1.184 9 É certo que a organização e realização de eventos culturais e/ou recreativos inexoravelmente subsome ao conceito de serviço de qualquer natureza, sujeito ao tributo ISSQN, de competência do ente municipal. No entanto, é igualmente certo que muitas vezes estes eventos não são organizados e realizados por uma única pessoa (física ou jurídica). Sobretudo no caso dos autos, em que os eventos organizados pela recorrente destinamse a apresentação de artistas nacionais e internacionalmente conhecidos. Como o ISS é de competência municipal, a fim de facilitar a fiscalização, a legislação local imputa a responsabilidade tributária a uma única pessoa, isto é, à empresa responsável pela encomenda de ingressos. Segundo dispõe a legislação do município de Manaus/AM, a confecção e impressão de ingressos na realização de eventos congêneres são, por lei, de responsabilidade do promotor do evento, subordinada à prévia autorização, vejase: Decreto Municipal nº 3.18, de 24 de julho de 1996 Art. 22 A confecção de ingressos e similares para a promoção de "shows", bailes, apresentações, rifas, buletas de jogos, bingos (cartelas) ou eventos de qualquer natureza, está subordinada à prévia autorização da Secretaria Municipal de Economia e Finanças. § 1º A obrigação de que trata este artigo é de responsabilidade dos promotores dos eventos e jogos, sendo solidariamente responsáveis os locadores, os cedentes ou comodantes de espaços ou de estabelecimentos, sem excluir as penalidades aplicáveis aos responsáveis pelas vendas de ingressos irregulares, bem como à gráfica que confeccionou irregularmente os ingressos. […] (grifo não original) Decreto Municipal nº 7007, de 17 de outubro de 2003 Art. 35 – A confecção e/ou impressão de ingressos, cartão magnético e similares para a realização e/ou promoção de “shows”, espetáculos, festivais, desfiles, bailes, apresentações em geral, rifas, bulletas de jogos, bingos (cartelas), ou eventos de qualquer natureza está subordinada a prévia Autorização de Impressão de Documento de Diversões Públicas – AIDDP, fornecida pela Divisão de Fiscalização da SEMEF ao promotor/realizador de evento, mediante o cumprimento do conjunto da legislação municipal e ainda: I – Solicitação específica firmada pelo promotor/realizador do evento, identificado mediante apresentação do contrato de promoção/realização original e fornecimento da respectiva cópia autenticada, com reconhecimento de firmas; II – Fornecimento de cópia autenticada do contrato de locação ou cessão do imóvel onde o evento será realizado, firmado em nome do seu promotor/realizador, exigência esta aplicável quando o imóvel pertencer a terceiros; Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 III – Certidão Negativa de Débitos Mercantil, expedida pela SEMEF, do promotor/realizador do evento. […] Portanto, a impressão de ingressos e demais trâmites legais para a realização de evento é imposta por lei à recorrente (organizador local dos eventos), o que permite à prefeitura municipal melhor fiscalizar o valor sobre o qual deverá incidir o ISS. Entretanto, não se pode concluir de pronto, para fins de incidência de IRPJ e reflexos, que toda receita com a venda de ingressos para os eventos é integralmente da recorrente. Voltandose para os autos, observase que o AFRFB considerou como receita bruta da recorrente o valor total dos ingressos emitidos para os eventos, baseado nas Autorizações de Impressão de Documentos Fiscais e Diversões Públicas (AIDDPs). Ou seja, o fiscal considerou que a receita bruta da recorrente equivaleria à receita integral oriunda da venda de ingressos de cada evento por ela organizado. No entanto, ressalto, é deveras precipitado concluir que a receita decorrente da venda de ingressos, consubstanciados nos AIDDPs, seja integralmente da recorrente, até porque é certo que existem oportunidades em que ela não é a única envolvida na realização dos eventos. Ainda que a forma de apuração do lucro da recorrente se dê de forma presumida, onde há a aplicação de um percentual predefinido em lei sobre a receita bruta, não é lícito incluir nesse conceito os meros repasses financeiros. Daí o motivo pelo qual se entendeu prudente, na primeira análise do caso, a conversão dos autos em diligência, oportunizando a recorrente comprovar quais receitas efetivamente lhe pertenceram, seja através da apresentação de contratos em que restaram previamente pactuadas as repartições de receitas, seja por outros elementos convenientes para a comprovação do alegado. Não se diga que as convenções particulares não são oponíveis ao fisco (art. 123, do CTN), pois como já consignado, o documento utilizado para fundamentar a autuação (AIDDP), segundo legislação pertinente, não permite concluir que a receita decorrente da venda de ingressos necessariamente é da recorrente. Assim, a documentação que instrui a defesa da recorrente é de suma relevância para dirimir a dúvida que circunda sobre a ocorrência do fato imponível descrito na hipótese de incidência dos tributos fiscalizados. 1.2. Dos Documentos que Embasam a Defesa da Recorrente Como registrado, o julgamento destes autos foi convertido em diligência para oportunizar à recorrente a comprovação de suas alegações em recurso voluntário, ou seja, que a receita decorrente da venda de ingressos não pertencia necessariamente à sua receita bruta. Na oportunidade, a recorrente trouxe aos autos os seguintes documentos e esclarecimentos: Que os contratos celebrados formalmente para a realização de eventos foram juntados aos autos; Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.720123/200931 Acórdão n.º 1302001.527 S1C3T2 Fl. 1.185 11 Que em determinados eventos, o contrato de parceria era realizado de forma tácita ou verbal; Apresentou declaração, por instrumento público, do Sr. Vagner Ramos, CPF nº 054.862.94719, que nos eventos especificados naquele instrumento as receitas resultantes da venda de ingressos eram divididas em 50% para ele e 50% para a recorrente; Apresentou declaração, por instrumento público, do Sr. Antônio José Ribeiro, CPF nº 058.149.52253, que nos eventos especificados naquele instrumento, as receitas resultantes da venda de ingressos eram divididas em 50% para ele e 50% para a recorrente; Que à época foram feitos diversos contratos de mútuos para cobrir o capital de giro da empresa, o que corroboraria a circunstância de o montante resultante da venda de ingressos não integrarem sua receita bruta; Apresentou planilha elaborada demonstrando os percentuais de sua participação na receita da venda de ingressos em cada um dos eventos, corroborados pela movimentação do livro caixa (fls. 1.070/1.110). Analisemos de forma individualizada cada um destes elementos de prova. 1.2.1 Dos contratos formais de parceria para realização de eventos Em análise aos contratos apresentados, celebrados para a realização de eventos, verificase em alguns deles que à recorrente pertencia apenas uma fração da receita auferida pela venda de ingressos dos respectivos eventos (fls. 831/855). Vale dizer, grande parte do valor dos ingressos vendidos cabia aos artistas, como se observa do contrato para a apresentação artística do “Bloco as Piranhas” (fls. 851/853): CLÁUSULA III – PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS Caberá à “ASSOCIAÇÃO” o direito a 80% (oitenta por cento) e à “FÁBRICA”, 20% (vinte por cento) do valor total da bilheteria bruta arrecadada (“cabeça”) com a venda de ingressos. […] CLÁUSULA VIII – OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS Parágrafo Primeiro – será de inteira responsabilidade da “FÁBRICA” os encargos relativos aa tributos devidos à municipalidade de Manaus. Parágrafo Segundo – No que concerne ao recolhimento dos tributos federais, cada uma das partes arcará com a tributação sobre sua respectiva receita, resultantes da apuração dos valores descritos na CLAUSULA III. Também com relação ao evento denominado “Música Sertaneja” (fls. 854/855): Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 CLÁUSULA II – DA PARCERIA Os PARCEIROS acordam entre si que cada um terá direito a 50% (cinquenta por cento) do valor total da bilheteria bruta arrecadada (“cabeça”) com a venda de ingressos, cuja prestação de contas do respectivo pagamento deverá ocorrer no mesmo dia e ainda no local do show. [….] CLAUSULA IX – DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS Tendo em vista que a única empresa localizada no município onde se darão os eventos, a “FÁBRICA” arcará com as despesas relativas com a municipalidade de Manaus quanto ao pagamento dos tributos municipais, permitida a dedução do total arrecadado. No que concerne ao pagamento de tributos federais, cada uma das partes CONVENENTES arcará com a tributação de sua respectiva renda, resultante da apuração dos valores descritos na CLAUSULA II. Assim, por estas estipulações contratuais, é evidente que a receita da venda de ingressos dos respectivos eventos não pertencia em sua totalidade à recorrente, mas também aos artistas e/ou parceiros, razão pela qual esses valores não podem ser considerados como receita própria da recorrente. Como amplamente abordado no tópico destinado à análise do documento que embasa a autuação fiscal, a legislação pertinente ao AIDDP não autoriza concluir que, de maneira absoluta, a receita da venda de ingressos pertence única e exclusivamente ao sujeito que encomendou a confecção dos bilhetes. Na verdade a lei exige que a encomenda de ingressos e o recolhimento do ISSQN se deem na pessoa do responsável pela organização do evento. É dizer, subtraída o percentual da remuneração da recorrente, contratualmente previsto, o restante da receita auferida pela venda de ingressos não faz parte de sua receita bruta. Pelas disposições contratuais, os próprios artistas se sujeitam aos riscos do evento, o que é comum nesse meio. Na verdade, os artistas seriam parceiros do evento que a recorrente promove, dividindo a receita bruta oriunda da venda de ingressos. Deste modo, temse que a fração da receita da venda de ingressos pertencente ao artista ou parceiro na realização do evento, segundo previsão contratual, nada representa senão repasses financeiros, motivo pelo qual esta monta não deve ser considerada como receita bruta da recorrente para fins da incidência tributária combatida. No caso dos autos, os eventos dos quais a recorrente logrou êxito em comprovar essa repartição de receita são os seguintes: AIDDP Fls. Data evento Particip. da recorrente Receita do evento Receita da recorrente Disposição contratual Valor a Excluir da B.C. do Lucro 006/04 90/91 31/01/04 20,0% 311.330,00 62.266,00 Fls. 851/853 249.064,00 059/04 94/95 22/02/04 20,0% 116.715,00 23.343,00 Fls. 851/853 93.372,00 049/06 149 06/02/06 20,0% 98.140,00 19.628,00 Fls. 851/853 78.512,00 375/06 167/168 28/07/06 50,0% 743.050,00 371.525,00 Fls. 831/842 371.525,00 TOTAL: R$ 792.473,00 Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.720123/200931 Acórdão n.º 1302001.527 S1C3T2 Fl. 1.186 13 Registrase que estes contratos reúnem todos os requisitos exigidos pela legislação civil para a validade do negócio jurídico, inclusive são títulos hábeis à execução em caso de descumprimento por qualquer das partes. Por este motivo, entendo comprovado que a receita da recorrente com relação a estes eventos corresponde apenas parte do valor da venda dos ingressos, pelo que deve ser ajustada a base de cálculo do lançamento ora combatido. Assim, voto no sentido de excluir da base de cálculo do lucro presumido da recorrente o valor de R$ 792.473,00 (Coluna “Valor a Excluir da B.C. do Lucro”), pois este não compõe o montante de sua receita bruta. 1.2.2. Dos contratos verbais de parceria para realização de eventos A recorrente defende, também, a inexistência de vedação legal para a celebração verbal de contratos de parcerias para a realização de eventos. Desta maneira, a recorrente apresentou declarações prestadas por meio de instrumento público pelas quais pretende demonstrar que em determinados eventos (devidamente individualizados nas declarações) apenas 50% do da receita auferida com a venda de ingressos lhe pertenciam (fls. 1.038/1.041). Não se ignora a inexistência de vedação à celebração de contratos verbais no ordenamento jurídico brasileiro (art. 107, CC). Ocorre, porém, que em relação aos contratos especificados neste item, a irresignação da recorrente não merece amparo. A simples declaração dos sujeitos indicados pela recorrente, não permite auferir a efetividade e o cumprimento das estipulações contratuais, sobretudo na cláusula relacionada à repartição de receitas relacionada à venda de ingressos. Deveria a recorrente, juntamente com as declarações por instrumento público, ter demonstrado a efetiva transferência de numerários, por exemplo, com a apresentação de declaração de rendimentos dos declarantes, apresentação dos comprovantes de transferência bancária, recibo de quitação, entre outros. Contudo, não há qualquer indício probatório suficiente para demonstrar o repasse parcial das receitas da bilheteria dos eventos como declarado. Também não é possível verificar se ao menos os sujeitos declarantes são empresários dos grupos musicais que se apresentaram nos respectivos eventos ou qual sua relação com os eventos ou com a recorrente, pois tais circunstâncias não foram esclarecidas. Ou seja, a pura e simples declaração de celebração de contrato verbal não é hábil e suficiente a comprovar que a receita pela venda de ingressos tenha sido auferida por outro sujeito que não a recorrente. Por este motivo, voto no sentido de manter na base de cálculo do lucro presumido da recorrente os valores resultantes da venda de ingressos dos eventos cujo contrato de parceria tenha sido celebrado verbalmente e que não se tenha comprovado a efetividade e o cumprimento das estipulações contratuais alegadas, mormente em relação à repartição da receita da bilheteria, mantendose incólume o lançamento sobre esta parcela. Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 1.2.3. Dos eventos realizados exclusivamente pela recorrente Importante observar que, quando da conversão dos autos em diligência, determinouse à recorrente que demonstrasse detalhadamente em cada contrato/evento por ela realizado qual parte da receita era sua e qual parte da receita era diretamente de terceiros, identificando estes terceiros, tudo acompanhado das respectivas provas. Em atendimento à determinação, a recorrente trouxe aos autos planilha individualizada reconhecendo que em determinados eventos, o resultado da bilheteria seria 100% pertencente à sua receita bruta, quais sejam (fls. 1073/1074): AIDDP DATA EVENTO % CONTRATO RECEITA RECORRIDA 025/2004 06/02/2004 100,0% 99.020,00 113/2004 14/03/2004 100,0% 5.010,00 106/2004 20/03/2004 100,0% 53.890,00 107/2004 02/04/2004 100,0% 149.520,00 139/2004 24/04/2004 100,0% 75.807,50 164/2004 07/05/2004 100,0% 87.060,00 212/2004 25/05/2004 100,0% 79.340,00 296/2004 31/07/2004 100,0% 88.250,00 298/2004 13/08/2004 100,0% 145.625,00 333/2004 20/08/2004 100,0% 85.875,00 432/2004 01/10/2004 100,0% 2.790,00 462/2004 22/10/2004 100,0% 58.805,00 488/2004 06/11/2004 100,0% 133.630,00 544/2004 05/12/2004 100,0% 42.530,00 146/2005 14/05/2005 100,0% 23.482,50 191/2005 03/06/2005 100,0% 77.775,00 262/2005 06/08/2005 100,0% 154.925,00 386/2005 30/09/2005 100,0% 37.925,00 402/2005 29/10/2005 100,0% 38.737,50 458/2005 12/11/2005 100,0% 112.750,00 519/2005 09/12/2005 100,0% 72.880,00 093/2006 17/03/2006 100,0% 79.977,50 165/2006 21/04/2006 100,0% 110.445,00 182/2005 22/04/2006 100,0% 131.630,00 226/2006 14/05/2006 100,0% 4.085,00 282/2006 09/06/2006 100,0% 20.965,00 304/2006 12/08/2006 100,0% 137.773,00 358/2006 04/08/2006 100,0% 153.520,00 401/2005 02/09/2006 100,0% 125.095,00 547/2006 01/12/2006 100,0% 6.915,00 585/2006 30/12/2006 100,0% 30.025,00 Segundo relatório de receita bruta apurada, que acompanha o termo de verificação fiscal, estes valores não haviam sido oferecidos à tributação em momento oportuno, motivo pelo qual a autuação deve ser mantida (fls. 189/200). Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.720123/200931 Acórdão n.º 1302001.527 S1C3T2 Fl. 1.187 15 Ademais, quanto ao contrato de fls. 843/850, para apresentação da banda “Babado Novo” (contratada), observo que não há sinal de pagamento mínimo ou parceria, sendo que todos os custos e o risco do negócio são atribuídos à recorrente (contratante). Inclusive a remuneração da banda contratada, pelo percentual da bilheteria, neste caso caracterizase como custo da recorrente, pelo que toda receita do evento é por consequência receita da recorrente, como no quadro abaixo: AIDDP Fls. Data evento Particip. da recorrente Receita do evento Receita da recorrente Disposição contratual Valor a Excluir da B.C. do Lucro 267/06 160 14/07/06 100,0% 409.780,00 409.780,00 Fls. 843/850 0,00 Assim, voto no sentido de manter na base de cálculo do lucro presumido da recorrente, os valores resultantes da venda de ingressos dos eventos relacionados acima, tendo em vista que a própria recorrente reconheceu ter auferido 100% desta receita e também pelo que se denota dos termos contratuais, mantendose igualmente o lançamento sobre esta parcela. 2. DA MULTA DE MAJORADA À recorrente foi aplicada multa de 112,5%, consoante as seguintes razões consignadas no termo de verificação fiscal (fls. 188): Procedemos ao agravamento da multa de ofício para 112,5%, com relação ao lançamento das receitas omitidas, mencionadas no item II. 1 acima, com fundamento no art. 44, inciso I, § 2º da Lei nº 9.430/96, uma vez que o sujeito passivo não atendeu à intimação para prestar esclarecimentos sobre a referida omissão lavrada e cientificada em 09/01/2009, conforme mencionado no item “I” acima. Como extraído do termo de verificação fiscal, a aplicação da multa de majorada no percentual de 112,5%, teve como fundamento o art. 44, I, § 2º, da Lei nº 9.430/96, cuja redação dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 16 Observase, todavia, que a recorrente foi intimada uma única vez, para no prazo de cinco dias, manifestarse acerca da não escrituração das receitas decorrentes da venda de ingressos para os eventos por ela organizados ao longo dos três anoscalendário fiscalizados, conforme apurado nos documentos fornecidos pela fazenda municipal de domicílio da recorrente (Manaus/AM). Primeiramente, verificase que a recorrente compareceu aos autos pleiteando a dilação do prazo para o cumprimento da intimação (fls. 183). Não consta nos autos qualquer resposta por parte da administração tributária, a não ser a própria lavratura do auto de infração. Esta circunstância já prejudica sustentar a ocorrência de não atendimento à fiscalização, pois atendimento à intimação houve. Demais disso, verificase que essa omissão por parte da recorrente não ofereceu qualquer embaraço a fiscalização. Ora não há que se falar em recusa injustificada, vez que o autuado simplesmente não se manifestou. Independente se teve ou não ciência da intimação, vez que ela foi realizada dentro das previsões legais, o recorrente não se recusou em momento algum a prestar esclarecimentos. O que houve foi uma mera omissão. É vital que se veja que o AFRFB procedeu ao lançamento de ofício, utilizandose de documentos levantados antes mesmo da intimação da recorrente do início do procedimento fiscal, pelo que a falta de manifestação da recorrente não causou nenhum embaraço a fiscalização. Ademais, devese ressaltar que quando intimada acerca do início da fiscalização, a recorrente disponibilizou ao AFRFB toda a documentação exigida (fls. 08/71), quais sejam os livros e documentos fiscais de manutenção obrigatória nos termos da lei. Outrossim, o AFRFB teve acesso a outros documentos que supriram a falta de esclarecimentos por parte do recorrente, de forma que o lançamento tributário foi feito sem qualquer prejuízo ou empecilho. Portanto, voto no sentido de afastar o agravamento da multa de majorada na forma do § 2º, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, reduzindose a sanção na forma do inciso I, do mencionado artigo. 3. DA CONCLUSÃO Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação acima. Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 13678.000138/2007-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas.
Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente é suficiente para comprová-las em parte.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-002.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo do imposto o valor de R$ 8.000,00.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Odmir Fernandes e Heitor de Souza Lima Junior.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente é suficiente para comproválas em parte. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo do imposto o valor de R$ 8.000,00. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Odmir Fernandes e Heitor de Souza Lima Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 8. 00 01 38 /2 00 7- 72 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 29/44) interposto em 14 de setembro de 2009 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) (efls. 20/25), do qual o Recorrente teve ciência em 13 de agosto de 2009 (e fl. 27), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de efls. 07/10, lavrado em 18 de dezembro de 2006, em decorrência de dedução indevida de despesas médicas, verificada no anocalendário de 2004. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2004 GLOSA DE DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS. Mantidas as glosas de despesas médicas, visto que o direito às suas deduções condicionase à comprovação da efetividade dos serviços prestados bem como dos correspondentes pagamentos, a juízo da autoridade fiscal. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte e não ao fisco a comprovação das deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual. Lançamento procedente” (efl. 20). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 29/44), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Tratase de notificação de lançamento decorrente de dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 18.208,00. Em relação à glosa de despesas médicas, a norma aplicável ao caso (Lei n.º 9.250/95) preceitua o seguinte: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: Fl. 50DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13678.000138/200772 Acórdão n.º 2101002.571 S2C1T1 Fl. 50 3 a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Já o Decreto n.º 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), introduziu o seguinte comando normativo: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n.º 5.844, de 1.943, art. 11, § 3º). § 1º. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” ... “Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1º. O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; (...) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento”. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Cabe mencionar, ainda, que, no entender deste Relator, a autoridade fiscalizadora deve fazer a prova necessária para infirmar os recibos de despesas dedutíveis eventualmente acostados aos autos pela fiscalizada, comprovando a não prestação do serviço ou o não pagamento. Não se pode, simplesmente, glosar as despesas médicas pelo fato de a fiscalizada não comprovar documentalmente o pagamento, já que o contribuinte, em relação a este ponto, não está obrigado a liquidar as obrigações representativas dos serviços por títulos de créditos, podendo fazer a liquidação em espécie. Salvo em casos excepcionais, quando a autoria do recibo for atribuída a profissional que tenha contra si súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, devidamente homologada e com cópia nos autos para que o contribuinte possa exercer seu direito de defesa ou, quando efetivamente existirem nos autos elementos que possam afastar a presunção de veracidade dos recibos, não se pode recusar recibos que preenchem os requisitos legais e que vêm acompanhados de declarações dos profissionais confirmando a prestação dos serviços, o respectivo recebimento, o beneficiário do tratamento e os dados completos do prestador. Nesse sentido a determinação contida no art. 845, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, in verbis: "§ 1° Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão” (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79, §12)." Por fim, cabe ressaltar que os documentos que comprovam a contraprestação dos serviços médicos prestados e deduzidos pelo contribuinte devem ser devidamente armazenados pelo mesmo lapso de tempo que as autoridades fiscais têm para constituir possível crédito. Nesse sentido, colacionamos alguns acórdãos que elucidam tal entendimento: “NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – PROVA – No processo administrativo tributário os fatos devem evidenciarse com provas documentais. A documentação dos fatos havidos no transcorrer do anocalendário tem prazo para guarda igual àquele em que possível a constituição do correspondente crédito tributário.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 146.926, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 04/07/2007) *** “DOCUMENTOS – GUARDA – O prazo para guarda de documentos é o mesmo que o permitido ao sujeito ativo para exigir o tributo ou rever de ofício o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – A presunção legal de renda com suporte na existência de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada tem fundamento legal na norma do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo caráter relativo e transfere o ônus da prova em contrário ao contribuinte.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 140.839, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 21/06/2006) Feitos os esclarecimentos prévios, cumpre mover à análise específica dos documentos apresentados pelo Recorrente, de maneira a aferir se, de fato, a glosa das despesas que foi mantida pelo acórdão recorrido, tal como realizada, afigurase válida, ou, em sentido Fl. 52DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13678.000138/200772 Acórdão n.º 2101002.571 S2C1T1 Fl. 51 5 contrário, se os documentos apresentados seriam suficientes para o fim de demonstrar a legitimidade dos gastos apontados in casu. No presente caso, depreendese do relatório fiscal que a exigência do imposto se fez em virtude de o contribuinte ter efetuado dedução indevida a título de despesas médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. O Recorrente apresentou, em sua impugnação, cópia de recibo do Dr. Sergio Polloni, no valor de R$ 9.000,00, bem como nota fiscal de serviços da empresa Periostium S/C Ltda., no montante de R$ 8.000,00. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento analisou os documentos apresentados da seguinte forma (fl. 23): “Da análise dos documentos juntados à impugnação pelo contribuinte verificase que o recibo de pagamento do Dr. Sergio Polloni (fl. 04), no valor de R$ 9.000,00, além de não atender todos os requisitos legais, pois não informa o CPF do profissional, não veio acompanhado de prova do efetivo pagamento por parte do contribuinte e da prestação dos serviços. Também a Nota Fiscal de Serviços em nome de Periostium S/C Ltda, por si só não comprova o efetivo pagamento e a prestação dos serviços.” Aduz o Recorrente que o recibo apresentado é idôneo, fornecido por profissional de saúde, pessoa sequer investigada e contra a qual o Fisco Federal nada tem que possa autorizar a glosa das despesas de que tratam os recibos por ele emitidos. Em seu recurso, o Recorrente apresentou declaração do Sr. Sergio Polloni, confirmando a prestação do serviço e o respectivo pagamento (no valor de R$ 17.000,00), contendo desta vez o CPF do cirurgião dentista (fl. 46). Quanto à prova do pagamento e da realização do serviço, a nota fiscal de serviço emitida pela Periostium S/C Ltda. tem o condão de comproválos. Já no que se refere ao Sr. Sergio Polloni, apesar da declaração apresentada, há divergência entre esta e o recibo apresentado, não sendo aptos, portanto, a corroborar as alegações do Recorrente. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento EM PARTE ao recurso, para excluir da base de cálculo do imposto o valor de R$ 8.000,00. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 53DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 05/10/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10925.722517/2011-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3201-000.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros:Joel Miyazaki (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño. O Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto declarou-se impedido.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros:Joel Miyazaki (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño. O Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto declarouse impedido. Referese o presente processo a pedido de ressarcimento de PIS e Cofins e consectários legais, relativo à aquisição de insumos. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Tratase o presente processo de manifestação de inconformidade frente a despacho decisório de indeferiu pedido de ressarcimento de créditos apresentado pela contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .7 22 51 7/ 20 11 -4 6 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10925.722517/201146 Resolução nº 3201000.482 S3C2T1 Fl. 94 2 O pedido de ressarcimento referese a créditos no regime da não cumulatividade da Cofins referente ao terceiro trimestre de 2004, no valor de R$ 2.626.982,91. O indeferimento do pedido de ressarcimento foi motivado pela falta de comprovação da interessada de seu direito creditório. A autoridade fiscal esclarece ter intimado a contribuinte para comprovação da procedência de seu crédito, tendo a interessada solicitado por duas vezes a prorrogação de seu prazo para apresentação dos documentos. Conclui com a informação de que teriam se passado mais de 108 dias da data de ciência da Intimação Fiscal até a formalização do despacho decisório, não tendo sido apresentado nenhum dos documentos probatórios solicitados. A contribuinte, irresignada, apresentou manifestação de inconformidade ao despacho decisório com os argumentos abaixo expostos. Aduz a que teria ocorrido a decadência do direito do Fisco de questionar as compensações realizadas, pois teria transcorrido o prazo de 5 anos previsto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Baseia seu argumento no fato da notificação da glosa ter sido realizada em 13/02/2012, e o crédito dizer respeito ao 2º trimestre de 2005. Entende que há cerceamento de defesa da impugnante, com conseqüente violação ao devido processo legal administrativo, tendo em vista a glosa decorrer de suposta ausência de comprovação de seus créditos. Argumenta que, diante das circunstâncias específicas do caso concreto, com a fiscalização exigindo documentos referentes a período significativamente antigo, a empresa sendo uma das maiores empresas de alimentos do mundo, e da impugnante ter sofrido em torno de 60 procedimentos de fiscalização por mês, deveria ter o Fisco aguardado mais um período antes de realizar a glosa. Defende ainda que, diante da não comprovação dos créditos, deveria a fiscalização proceder com o lançamento de ofício, e não com a glosa de seu pedido de ressarcimento. Entende ser fundamental a conversão do julgamento em diligência com o objetivo de se confirmar a falta de comprovação ou a legitimidade de seus crédito. Quanto aos juros, entende que estes são devidos à razão de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do artigo 161, § 1º, do Código Tributário Nacional, sendo de total improcedência o lançamento realizado. Ressaltar a impossibilidade de incidir juros sobre a multa. Argumenta que o valor da multa imputado é de evidente irrazoabilidade e confisco. Requer o reconhecimento da nulidade ou da improcedência do ato decisório. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10925.722517/201146 Resolução nº 3201000.482 S3C2T1 Fl. 95 3 Requer ainda prova pericial destinada à avaliar, especialmente, se os bens, produtos/serviços e materiais adquiridos e glosados pela Fiscalização, diante da peculiaridade da atividade econômica despenhada pela impugnante se enquadram no conceito de insumo de PIS e Cofins, excluindose o critério exclusivo da legislação do IPI. Nomeia como assistente do perito Sérgio Luiz Lazzari, CPF: 423.505.30949. Requer, por fim, a juntada posterior de documentos, laudos, pareceres, perícias, caso seja necessário ao deslinde do presente caso, em cumprimento ao devido processo legal e verdade material A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE É ônus do contribuinte a comprovação minudente da existência do direito creditório. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. DESCARACTERIZAÇÃO. Os atos anteriores a emissão do despacho decisório referemse à investigação fiscal que tem caráter inquisitório e se destina a verificação da situação fiscal da contribuinte, sendo que o contraditório e a ampla defesa referemse a momento posterior à emissão da decisão administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em síntese, entendeuse ausente a nulidade do ato administrativo, uma vez que fornecido à contribuinte todas as informações que embasaram a glosa de seus créditos, bem como lhe foi concedido o direito a se defender desta decisão. Sobre a decadência, entendeuse que em relação a pedidos de ressarcimento inexiste previsão específica, sendo incorreto o entendimento da contribuinte, além de que, as Declarações de Compensação, além de que, da sua apresentação até a ciência do despacho Fl. 382DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10925.722517/201146 Resolução nº 3201000.482 S3C2T1 Fl. 96 4 decisório à contribuinte, não teria decorrido o prazo estabelecido pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Quanto ao ônus probatório, afirma que incumbe ao contribuinte provar fatos impeditivos do nascimento da obrigação tributária ou de sua extinção, ou requisitos constitutivos de uma isenção ou outro benefício tributário. Ademais, não se pode usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes. Em sede de recurso voluntário, reiterouse os argumentos iniciais, sendo que o patrono da Recorrente, apresentou nesta data, protocolo de juntada de laudo técnico, no qual se descreveria e demonstraria, a aplicação dos itens em relação aos quais se pleiteia os créditos, protocolado aos presentes autos. É o relatório. Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Conforme relatado, parte da controvérsia refere –se à comprovação do direito creditório da Recorrente, por se tratar de matéria profundamente imbricada com a questão probatória, e em sintonia como o posicionamento que vem adotando este E.Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no âmbito do qual se formou jurisprudência que diverge do posicionamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil, sobre o tema. Nesse contexto, a Recorrente apresenta laudo técnico, de instituição abalizada, que suportaria essas alegações. Ademais, do andamento processual, verificase que , em 31/08/2012, há termo de juntada física aos autos, de CDs que, em tese, conteriam as informações requeridas pela fiscalização, conforme se verifica do teor do documento: Informo que em data de 31/08/2012 foi incluído um ANEXO (Processo Papel) nº. 10925.722.208/201257 para guarda e arquivo de 06 CDR , contendo respostas da Intimação nº. 544 referente ao III trimestre 200 PIS/COFINS em nome da empresa SADIA S.A. Tais arquivos se referem aos processos 10925.722515/201157; 10925.722517/201146; 10925.722516/201100; 10925.722518/201191 E 10925.722519/201135. O posicionamento adotado por essa Relatora é no sentido de prestigiar a Verdade Material, como importante vetor do processo administrativo fiscal, e, por conseguinte, aceitar a juntada, ainda que extemporânea, de documentação que seja relevante para o deslinde da controvérsia. Não obstante, e, especialmente, por se tratar de fase adiantada do rito processual administrativo, essa exceção, deve, da mesma forma, resguardar os interesses fazendários, de sorte que deve ser aberta a oportunidade para que a Fazenda Nacional manifestese, em homenagem ao Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10925.722517/201146 Resolução nº 3201000.482 S3C2T1 Fl. 97 5 Em face do exposto, proponho a conversão do presente processo em diligência, a fim de que a autoridade preparadora disponibilize o conteúdo dos CDs anexados no e processo, para que seja possível analisar o seu conteúdo. Após, seja dada ciência à Procuradoria da Fazenda Nacional para que, querendo, manifestese, e após, retornem os autos a essa Turma de Julgamento, para o prosseguimento da apreciação do litígio. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 384DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 15771.720710/2012-48
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 19/01/2012
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
Numero da decisão: 3803-006.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 19/01/2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 07 10 /2 01 2- 48 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: Fl. 295DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720710/201248 Acórdão n.º 3803006.487 S3TE03 Fl. 295 3 a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 19/01/2012 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 02/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 15/10/2013, em que reitera os termos da impugnação. É o relatório. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Fl. 297DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720710/201248 Acórdão n.º 3803006.487 S3TE03 Fl. 296 5 Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e Fl. 299DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720710/201248 Acórdão n.º 3803006.487 S3TE03 Fl. 297 7 concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 301DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10670.720179/2007-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. IMÓVEL EM PARQUE ESTADUAL.
Deve ser restabelecida área de preservação permanente quando comprovado que o imóvel rural está integralmente inserido dentro dos limites de Parque Estadual, especialmente quando o ADA foi apresentado tempestivamente e a desapropriação de que trata a lei já ocorreu.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 2101-002.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Realizou sustentação oral o patrono da recorrida, Dr. Augusto Robson Berlini Dornas - OAB-MG: 111981.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. IMÓVEL EM PARQUE ESTADUAL. Deve ser restabelecida área de preservação permanente quando comprovado que o imóvel rural está integralmente inserido dentro dos limites de Parque Estadual, especialmente quando o ADA foi apresentado tempestivamente e a desapropriação de que trata a lei já ocorreu. Recurso de ofício negado.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. IMÓVEL EM PARQUE ESTADUAL. Deve ser restabelecida área de preservação permanente quando comprovado que o imóvel rural está integralmente inserido dentro dos limites de Parque Estadual, especialmente quando o ADA foi apresentado tempestivamente e a desapropriação de que trata a lei já ocorreu. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Realizou sustentação oral o patrono da recorrida, Dr. Augusto Robson Berlini Dornas OABMG: 111981. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 01 79 /2 00 7- 61 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior e Eivanice Canário da Silva. Relatório Tratase de recurso de ofício interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) (fls. 165/174), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a notificação de lançamento de fls. 02/06, lavrada em 17 de dezembro de 2007, em virtude da falta de recolhimento do ITR, verificada no exercício de 2004. O acórdão que restabeleceu a área de preservação permanente de 5.117,3 ha. e o VTN declarado pelo contribuinte teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2004 DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE PARQUES Cabe considerar como área de preservação permanente, para fins de exclusão de tributação, a área do imóvel comprovadamente localizada dentro dos limites de Parque Estadual, criado antes da data do fato gerador do imposto, além de comprovada a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA), junto ao IBAMA. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) Cabe restabelecer o VTN declarado pela Contribuinte, quando restar provado que a totalidade da área está fora do campo de incidência Tributária. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado” (fl. 165). É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator Tratase de notificação de lançamento lavrada em decorrência da falta de recolhimento do ITR, verificada no exercício de 2004. Segundo a fiscalização, apesar de intimado, o contribuinte não teria apresentado documentos que comprovassem a área de preservação permanente e o VTN declarado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília julgou procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, para restabelecer tanto a área de preservação permanente de 5.117,3 ha. como o VTN declarado de R$ 2.500.000,00. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10670.720179/200761 Acórdão n.º 2101002.499 S2C1T1 Fl. 179 3 Isto porque, com base na documentação acostada aos autos, verificouse que foi comprovado nos autos que toda a área do imóvel (5.117,3 ha.) encontrase localizada dentro dos limites do "Parque Estadual da Lagoa do Cajueiro", criado em 09/10/1998, por meio do Decreto n° 39.954, de 08/10/1998, do Estado de Minas Gerais. Se isso não bastasse, o contribuinte fez prova do protocolo tempestivo do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao IBAMA, nos termos do documento de fl. 100. Além disso, a DITR de 2007 já foi apresentada pelo próprio Instituto Florestal Estadual, após a desapropriação administrativa do imóvel, determinada por lei. Assim, a fundamentação do acórdão recorrido quanto à área de preservação permanente deve ser mantida in totum: “Na análise das peças do presente processo, verificase que a autoridade fiscal glosou integralmente a área de preservação permanente declarada, de 5.117,3 ha, por considerar ser necessária a protocolização de um novo ADA, face as divergências de áreas constantes no ADA protocolado tempestivamente, em 10.09.2001, junto ao IBAMA e as áreas informadas na DITR/2004. Apesar de a autoridade fiscal ter se apegado a essa divergência de dados, para justificar a glosa da área ambiental declarada, entendo que tal exigência não se faz necessária, quando comprovado nos autos que toda a área do imóvel está localizada dentro dos limites do "Parque Estadual da Lagoa do Cajueiro", criado em 09.10.1998, por meio do Decreto n° 39.954, de 08.10.1998, do Estado de Minas Gerais. Portanto, à época do fato gerador do ITR, do exercício de 2004, ocorrido em 10 de janeiro de 2004, nos termos do art. 1° da Lei n° 9.393/1996, as áreas localizadas dentro dos seus limites já possuíam relevante interesse ecológico, nos termos da legislação ambiental de regência. Pois bem. A Lei n° 9.985, de 18.07.2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, que revogou o art. 5° da Lei n° 4.771/1965, passou a estabelecer os critérios e normas para a criação, implantação e gestão das unidades de conservação, assim definidas e categorizadas: "Art. 2º. Para os fins previstos nesta Lei, entendese por: I unidade de conservação: espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção; (...) Art. 7° As unidades de conservação integrantes do SNUC dividemse em dois grupos, com características específicas: I Unidades de Proteção Integral; II Unidades de Uso Sustentável. §1º. O objetivo básico das Unidades de Proteção Integral é preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais, com exceção dos casos previstos nesta Lei. (...) Fl. 180DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Essa mesma Lei categorizou o Parque como Unidade de Proteção Integral, isto em razão das restrições de uso das terras localizadas dentro dos limites de tais unidades de conservação ambiental PARQUES, seja ele Federal, Estadual ou Municipal , impostas pelo poder público, como se segue: Art. 8º. 0 grupo das Unidades de Proteção Integral é composto pelas seguintes categorias de unidade de conservação: ... III Parque Nacional; ...( Nesse aspecto, é preciso entender o significado e a abrangência legal dos Parques Ecológicos, conforme previsto no art. 11 da Lei n° 9.985/2000: "Art. 11. 0 Parque Nacional tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas cientificas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico. § 1º. O Parque Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei. ... § 4º. As unidades dessa categoria, quando criadas pelo Estado ou Município, serão denominadas, respectivamente, Parque Estadual e Parque Natural Municipal." Portanto, somente se admite a existência de terras particulares dentro dos limites dos parques estaduais, enquanto não concluído o necessário processo de regularização fundiária, mediante a desapropriação das áreas localizadas dentro dos seus limites, declaradas de utilidade pública, mesmo assim sem que o proprietário possa desenvolver, nessas terras, qualquer tipo de exploração econômica. São admitidas apenas as medidas necessárias à recuperação de seus sistemas alterados e as ações de manejo para recuperação e preservação do equilíbrio natural, a diversidade biológica e os processos naturais, conforme estabelecido em seu plano de manejo. Até mesmo as pesquisas científicas, quando autorizadas pelo órgão responsável pela sua administração, estão sujeitas às condições e restrições determinadas por este, bem como ao que for definido em seu plano de manejo. Neste diapasão, cabe transcrever o art. 6° do Decreto Estadual no 39.954, de 08.10.1998: "Art. 6° Até que as terras destinadas ao Parque estejam sob efetiva jurisdição e administração do Instituto Estadual de Florestas IEF , fica proibida qualquer forma de desmate de vegetação nativa." (grifamos) Por essas razões entendo que não faz sentido exigir, para fins de exclusão do ITR, a apresentação de novo Ato Declaratório Ambiental (ADA), relativamente às áreas comprovadamente localizadas dentro dos limites dos Parques Nacionais, Estaduais e Municipais. É de ressaltar que o Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, também, comunga do mesmo entendimento, de que não se faz necessária à apresentação de ADA, para justificar a exclusão de tributação, em relação às áreas comprovadamente localizadas dentro dos limites dos Fl. 181DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10670.720179/200761 Acórdão n.º 2101002.499 S2C1T1 Fl. 180 5 Parques Nacionais, Estaduais e Municipais do ITR, conforme manifestado no Acórdão n. 30236.980, Sessão de 10.08.2005, cuja ementa ora se transcreve: "ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ADA. Não é cabível a exigência da apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA, para fins de exclusão do ITR, quando comprovado que as áreas estão localizadas dentro dos limites dos Parques Nacionais, Estaduais e Municipais". De fato, consta dos autos, além do Decreto de criação do Parque, às fls. 133/134, com os seus limites e confrontações, o Ofício COORD. Especia1/032/2001, de 17.07.2001, da Fundação Rural Mineira Colonização e Desenvolvimento Agrário RURALMINAS, às fls. 137, declarando que a área de 5.517,5 ha do imóvel da requerente foi incorporada ao referido Parque, mapa com a planta de situação das áreas de propriedade da impugnante inseridas no "Parque Estadual da Lagoa do Cajueiro", às fls. 137, assim como a Certidão do IEF, de 03.06.2008, às fls. 139/141, que confirma que a totalidade do imóvel da impugnante se encontrava incorporada ao citado Parque Estadual. Cabe ressaltar que área da fazenda da impugnante, inserida nos limites do referido Parque, foi reconhecida como de 5.517,5 ha pela Ruralminas, em 17.06.2001, às fls. 136, área essa idêntica a informada no ADA, protocolado tempestivamente, em 10.09.2001, e, portanto, maior que a área declarada na DITR/2004 de 5117,3 ha. Posteriormente, o IEF certifica, às fls. 139/141, que a integralidade da área do imóvel está inserida no Parque e que essa área é de 4.295,8 ha, como resultado, ao que tudo indica, de trabalho de georreferenciamento, para fins de identificação da área do imóvel rural, prevista nos §§ 3º e 4° do art. 176 da Lei n° 6.015, de 1973 e do art. 10 do Decreto n° 4.449/02. Tanto é que a contribuinte a partir do ITR/2005 passou a declarar como área total do imóvel a dimensão de 4.239,3 ha, às fls. 154/155, e na DITR/2006 passou a declarar a área total de 4.292,6 ha, às fls. 156/157. Além disso, consta no sistema ITR que a impugnante, além do imóvel rural do presente processo, somente possuía, até 2004, outro imóvel de NIRF 1.320.9507 de 0,1 ha, às fls. 158, não restando dúvidas que as divergências citadas das áreas não se referem a outro imóvel ou outra área remanescente fora do Parque Estadual, e sim de nova medição georreferenciada da área total do imóvel. É de se destacar que a área em questão já foi inclusive objeto de desapropriação administrativa, conforme Escritura Pública de fls. 104/106, e que o IEF já fez a DITR/2007 em seu nome, às fls. 159/160. Ademais, a impugnante, também, comprovou a exigência da informação de uma área de preservação permanente de 5.517,5 ha, no requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado tempestivamente junto ao IBAMA, não obstante a divergência da dimensão da área declarada de 5.117,3 ha, já analisada neste voto. Observada a legislação de regência da matéria, em se tratando do exercício de 2004 e considerado, especificamente, o parágrafo 3° do art. 9º. da IN/SRF n° 256/2002, o prazo para a protocolização, junto ao IBAMA, do Ato Declaratório Ambiental (ADA) expirou em 31 de março de 2005, ou seja, seis meses após o prazo final para a entrega da DITR/2004, até 30.09.2004, de acordo com a IN/SRF n. 435/2004. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 No presente caso, a requerente comprovou nos autos, que o competente ADA foi protocolado no IBAMA, em 10/09/2001, doc./cópia de fls. 97, portanto, tempestivamente. Portanto, o conjunto probatório constante dos autos forma a convicção de que a área declarada de 5.117,3 ha, do imóvel em questão, já que era a totalidade do imóvel à época, está realmente inserida nos limites do Parque Estadual da Lagoa do Cajueiro e, conseqüentemente, cabe ser considerada como de área de preservação permanente, para fins de exclusão do ITR/2004. Por fim, temse que ao julgador administrativo, com fulcro no art. 29 do Decreto n° 70.235, de 1972, é permitido formar livremente convicção quando da apreciação das provas trazidas aos autos seja pela fiscalização, de um lado, seja pelo contribuinte, de outro , com o intuito de se chegar a um juízo quanto às matérias sobre as quais versa a lide. Assim, entendo que deve ser restabelecida, para fins de exclusão do ITR, a área de preservação permanente de 5.117,3 ha, comprovadamente localizada dentro dos limites do Parque Estadual da Lagoa do Cajueiro, além do cumprimento da exigência de protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA), junto ao IBAMA, para o exercício em questão, com as ressalvas apontadas anteriormente, que não podem justificar a manutenção da glosa.” Finalmente, não merece reparo a decisão quanto ao VTN, pois, no presente caso, a área tributável será sempre igual a zero, já que a área total do imóvel está integralmente inserida em área de preservação permanente. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 183DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10166.912624/2009-89
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO. TRIBUTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. STF NO RE 566.621. CPC, ART. 543-B. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ART. 62-A. RI-CARF. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. PRESCRIÇÃO AFASTADA.
O prazo prescricional para a repetição do indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, em face do disposto no art. 62-A do Regimento Interno , deve ser pautado pelo entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário no RE 566.621/RS, julgado no regime do art. 543-B do Código de Processo Civil. Portanto, para as ações ajuizadas e pedidos administrativos formulados a partir de 09/06/2005, aplica-se o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, adotando-se como termo inicial do prazo de cinco anos para repetição do indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Já para as ações e pedidos anteriores o termo inicial será a data da homologação. Assim, nos casos de homologação tácita pelo decurso de cinco anos, o interessado tem um prazo final de dez anos contados do evento imponível (CTN, arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I). Prescrição afastada.
PER/DCOMP. PEDIDOS DE RETIFICAÇÃO SUCESSIVOS. INDEFERIMENTO DO ÚLTIMO. SUBSISTÊNCIA DO PRIMEIRO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CONHECIMENTO.
O indeferimento do segundo pedido de retificação do PER/Dcomp não justifica o não-conhecimento da manifestação de inconformidade, porque a irresignação do veiculada por meio desta não foi dirigida ao despacho que indeferiu a retificação. Ademais, mesmo que se desconsidere o último PER/Dcomp retificador, em razão de seu indeferimento, subsiste o primeiro, que alterou o valor do creditório originário. A decisão da DRJ deve ser reformada, para que se profira novo julgamento, considerando as razões apresentadas na manifestação de inconformidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3802-003.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Acompanhamento pelo Recorrente, advogado Dr. José Carlos Zanforlin, OAB/PE 4791.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO. TRIBUTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. STF NO RE 566.621. CPC, ART. 543-B. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ART. 62-A. RI-CARF. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. PRESCRIÇÃO AFASTADA. O prazo prescricional para a repetição do indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, em face do disposto no art. 62-A do Regimento Interno , deve ser pautado pelo entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário no RE 566.621/RS, julgado no regime do art. 543-B do Código de Processo Civil. Portanto, para as ações ajuizadas e pedidos administrativos formulados a partir de 09/06/2005, aplica-se o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, adotando-se como termo inicial do prazo de cinco anos para repetição do indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Já para as ações e pedidos anteriores o termo inicial será a data da homologação. Assim, nos casos de homologação tácita pelo decurso de cinco anos, o interessado tem um prazo final de dez anos contados do evento imponível (CTN, arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I). Prescrição afastada. PER/DCOMP. PEDIDOS DE RETIFICAÇÃO SUCESSIVOS. INDEFERIMENTO DO ÚLTIMO. SUBSISTÊNCIA DO PRIMEIRO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CONHECIMENTO. O indeferimento do segundo pedido de retificação do PER/Dcomp não justifica o não-conhecimento da manifestação de inconformidade, porque a irresignação do veiculada por meio desta não foi dirigida ao despacho que indeferiu a retificação. Ademais, mesmo que se desconsidere o último PER/Dcomp retificador, em razão de seu indeferimento, subsiste o primeiro, que alterou o valor do creditório originário. A decisão da DRJ deve ser reformada, para que se profira novo julgamento, considerando as razões apresentadas na manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Acompanhamento pelo Recorrente, advogado Dr. José Carlos Zanforlin, OAB/PE 4791.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2529; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 113 1 112 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.912624/200989 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802003.647 – 2ª Turma Especial Sessão de 16 de setembro de 2014 Matéria COFINSCOMPENSAÇÃO Recorrente EMPRESA GESTORA DE ATIVOS EMGEA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO. TRIBUTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. STF NO RE 566.621. CPC, ART. 543B. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ART. 62A. RICARF. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. PRESCRIÇÃO AFASTADA. O prazo prescricional para a repetição do indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno , deve ser pautado pelo entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário no RE 566.621/RS, julgado no regime do art. 543B do Código de Processo Civil. Portanto, para as ações ajuizadas e pedidos administrativos formulados a partir de 09/06/2005, aplicase o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, adotando se como termo inicial do prazo de cinco anos para repetição do indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Já para as ações e pedidos anteriores o termo inicial será a data da homologação. Assim, nos casos de homologação tácita pelo decurso de cinco anos, o interessado tem um prazo final de dez anos contados do evento imponível (CTN, arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I). Prescrição afastada. PER/DCOMP. PEDIDOS DE RETIFICAÇÃO SUCESSIVOS. INDEFERIMENTO DO ÚLTIMO. SUBSISTÊNCIA DO PRIMEIRO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CONHECIMENTO. O indeferimento do segundo pedido de retificação do PER/Dcomp não justifica o nãoconhecimento da manifestação de inconformidade, porque a irresignação do veiculada por meio desta não foi dirigida ao despacho que indeferiu a retificação. Ademais, mesmo que se desconsidere o último PER/Dcomp retificador, em razão de seu indeferimento, subsiste o primeiro, que alterou o valor do creditório originário. A decisão da DRJ deve ser AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 26 24 /2 00 9- 89 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 reformada, para que se profira novo julgamento, considerando as razões apresentadas na manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Acompanhamento pelo Recorrente, advogado Dr. José Carlos Zanforlin, OAB/PE 4791. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF, que não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 RETIFICAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO. DECISÃO DEFINITIVA. NÃO CABIMENTO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A decisão de não admitir o Pedido de Retificação do PER Pedido de Restituição é definitiva, não cabendo manifestação de inconformidade para esta Delegacia de Julgamento. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Outros Valores Controlados.” Portanto, como se vê, a manifestação de inconformidade não foi conhecida com fundamento no art. 78 da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012. O Recorrente, nas razões de fls. 99 e ss., alega que, nos termos do art. 42, I, do Decreto nº 70.235/1972, é definitiva a decisão de primeira instância quando esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto. Assim, considerando que, por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade ainda não havia decisão definitiva, Fl. 114DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10166.912624/200989 Acórdão n.º 3802003.647 S3TE02 Fl. 114 3 nada impedida a retificação do PER/Dcomp. Por fim, apresenta argumentos relacionados à liquidez e a certeza do direito de crédito, requerendo a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn, Relator O Recorrente teve ciência da decisão no dia 30/07/2013 (fls. 97), protocolizando tempestivamente sua petição recursal em 30/08/2013 (fls. 99). A nãohomologação da compensação foi assentada na ausência de crédito disponível para extinção do débito informado no PER/Dcomp: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original da data de transmissão informado no PER/DCOMP 372.849,40. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” (fls. ). A DRJ, entretanto, não conheceu da manifestação de inconformidade, sob a alegação de que a decisão que indefere pedido de retificação do PER/Dcomp seria irrecorrível, consoante estabelece o art. 78 da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012: “Art. 78. É definitiva a decisão da autoridade administrativa que indeferir pedido de retificação ou cancelamento de que tratam os arts. 87 a 90 e 93”. O acórdão recorrido ressaltou ainda a prescrição do direito creditório, assentado nos seguintes fundamentos: “Por outro lado, constatase que o sujeito passivo somente pode apresentar Dcomp que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há menos de cinco anos, caso o referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição apresentado a RFB antes do transcurso do referido prazo. Assim, a Dcomp deste processo, final 5735, transmitida em 22/04/2009, cujo saldo de crédito decorre de Darf arrecadado em 15/03/2002, está fora de prazo para utilizar aquele crédito para fins de compensação.” Inicialmente, no tocante à prescrição, cumpre destacar que o exame da matéria, em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno1, deve ser pautado pelo 1 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." Fl. 115DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário no RE 566.621/RS, julgado no regime do art. 543B do Código de Processo Civil: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10166.912624/200989 Acórdão n.º 3802003.647 S3TE02 Fl. 115 5 Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (STF. Tribunal Pleno. RE nº 566.621/RS. Rel. Min. ELLEN GRACIE. DJe11/10/2011. g.n.). Portanto, para as ações ajuizadas e pedidos administrativos formulados a partir de 09/06/2005, deve ser aplicado o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, adotando se como termo inicial do prazo de cinco anos para repetição do indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Para as ações e pedidos anteriores, por sua vez, o termo inicial será a data da homologação. Assim, nos casos de homologação tácita pelo decurso de cinco anos, o interessado tem um prazo final de dez anos contados do evento imponível (CTN, arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I). No presente caso, o alegado pagamento indevido ocorreu em 15/03/2002, ao passo que o primeiro PER/Dcomp assim como sua retificação foi transmitido em 15/03/2007, dentro do prazo legal (fls. 07). Por fim, em relação às demais questões de mérito, entendo que o indeferimento do segundo pedido de retificação, transmitido em de 24/12/2007 (PER/Dcomp retificador nº 29941.06039.241207.1.6.042540), não justifica o nãoconhecimento da manifestação de inconformidade. A irresignação veiculada por meio desta não foi dirigida ao despacho que indeferiu a retificação do PER/Dcomp. Ademais, mesmo que se desconsidere o PER/Dcomp retificador de 24/12/2007, subsiste o primeiro PER/Dcomp retificador de 15/03/2007, que alterou o direito creditório de R$ 7,20 para R$ 2.893.585,03. Votase, assim, pelo parcial provimento do recurso, para fins de anulação da decisão da DRJ deve ser reformada, para que se profira novo julgamento, considerando as razões apresentadas pelo Recorrente na manifestação de inconformidade. (assinado digitalmente) Solon Sehn Fl. 117DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10380.731826/2011-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Cleberson Alex Friess e Marcelo Oliveira, que votaram em analisar e decidir o recurso. Impedido: Daniel Melo Mendes Bezerra. Sustentação oral: Felipe Barreira Uchoa. OAB: 12.639/CE.
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira Dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Cleberson Alex Friess e Marcelo Oliveira, que votaram em analisar e decidir o recurso. Impedido: Daniel Melo Mendes Bezerra. Sustentação oral: Felipe Barreira Uchoa. OAB: 12.639/CE. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira Dos Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Cleberson Alex Friess e Marcelo Oliveira, que votaram em analisar e decidir o recurso. Impedido: Daniel Melo Mendes Bezerra. Sustentação oral: Felipe Barreira Uchoa. OAB: 12.639/CE. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira Dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 31 82 6/ 20 11 -1 0 Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10380.731826/201110 Resolução nº 2301000.491 S2C3T1 Fl. 1.727 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa NACIONAL GÁS BUTANO DISTRIBUIDORA LTDA., em face de acórdão proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE), que julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa (Debcad’s nº 37.042.5472, 37.303.493 8 e 37.303.4946). 2. Por bem retratar os acontecimentos referidos nos presentes autos, passo a adotar, em parte, o Relatório do acórdão recorrido (fls. 1556/1560): 2.1. Conforme consta do item 3 do relatório fiscal (fl. 137), as exigibilidades em análise correspondem às contribuições previdenciárias incidentes sobre (i) Pagamento de remunerações aos segurados empregados e aos contribuintes individuais; (ii) Pagamento de Patrocínio aos Clubes de Futebol Profissional; e Pagamento a Cooperativa de Trabalho (UNIMED). 2.2. O AIOP DEBCAD N°. 37.042.5472, referese às contribuições previdenciárias patronais (art.22, inciso I , inciso III , inciso IV e parágrafo 9° da Lei nº 8.212/91) e à parte destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes de acidentes de trabalho (art.22, II, da Lei 8.212/91), cujos recolhimentos não foram efetuados pela empresa e também não foram declarados em GFIP Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, incidentes sobre : · Remunerações pagas aos segurados empregados Pagamento de Pro labore. · Pagamento de Cooperativas de Trabalho. · Pagamento de Patrocínio a Clubes de Futebol Profissional. Segundo consta no Relatório Fiscal: O período do débito abrange as competências 01/2008 a 12/2008, inclusive 13° salário; totalizando o valor de R$ 485.868,83, consolidado em 17/11/2011. 2.3. O AIOP DEBCAD N°. 37.303.4938, referese à diferenças apuradas de contribuições previdenciárias dos segurados empregados, cujos recolhimentos não foram efetuados pela empresa e também não foram declarados em GFIP Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, incidentes sobre: · Remunerações pagas aos segurados empregados. · Salário "in natura" referente ao pagamento de "Vale Gás”, sendo a contribuição do empregado aferida no percentual de 8%. Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10380.731826/201110 Resolução nº 2301000.491 S2C3T1 Fl. 1.728 3 O período do débito abrange as competências 01/2008 a 12/2008, inclusive 13° salário, totalizando o valor de R$ 129.207,61, consolidado em 17/11/2011. 2.4. O AIOP DEBCAD N°. 37.303.4946, referese às contribuições devidas a outras entidades e fundos: SESC, SENAC, SEBRAE, e FNDE/Salárioeducação, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados. A empresa efetuou o Depósito Judicial do Montante Integral do INCRA, conforme Sentença nº. 00006 /2007 Proc. n.° 2003.81.00.0143786 AÇÃO ORDINÁRIA, e comprovantes anexos. 2.4.1 foram examinados os documentos apresentados pela empresa, entre eles: Folhas de pagamento de salários e seus resumos (meio papel e meio digital), Recibos de pagamentos de férias e rescisões de contrato; Guias da Previdência Social GPS; os livros contábeis Diário e Razão (meio digital); Balancetes contábeis e Balanço Patrimonial (meio digital), Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. GFIP; Processos Judiciais do INCRA: AÇÃO DECLARATÓRIA CUMULADA COM PEDIDO DE DEPÓSITO E REPETIÇÃO DE INDÉBITO; AÇÃO ORDINÁRIA Sentença n.° 00006 /2007 e APELAÇÃO CÍVEL n.° 42.4748CE do Processo n.° 2003.81.00.0143786 e depósitos. 2.4.2 O período do débito abrange as competências 01/2008 a 12/2008, inclusive 13° salário, totalizando o valor de R$ 71.023,65, consolidado em 17/11/2011. 2.4.3 O relatório "FLD Fundamentos Legais do Débito" apresenta, de forma discriminada, por época de vigência, todos os dispositivos legais relacionados ao débito ora lançado. 3. A contribuinte, após ter sido em 24/11/2011 devidamente e pessoalmente intimada dos referidos AIOP’s (fls. 02, 35 e 58), apresentando seu inconformismo, tempestivamente, impugnou os lançamentos, em 23/12/2011 (fls. 1524/1543). 4. Ao analisar os argumentos constantes na peça impugnatória, o julgador a quo considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido (fls. 1556/1567), nos seguintes termos: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECUPERAÇÃO DA ESPONTANEIDADE. ARGUIÇÃO PRELIMINAR DE NULIDADE. Iniciada ação fiscal, se passarem mais de sessenta dias sem ato escrito da autoridade fiscal que indique o prosseguimento dos trabalhos, recupera o sujeito passivo a espontaneidade com que pode recolher/pagar os tributos/contribuições com multa de mora (em vez da multa de ofício), além dos juros, ainda que o pagamento/recolhimento se refira ao objeto ou período do procedimento. A mera recuperação da espontaneidade pelo sujeito passivo não implica extinção do procedimento fiscal por decurso de prazo. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPROCEDÊNCIA Não ocorre cerceamento do direito de defesa quando os fatos descritos nos relatórios dos Autos de Infração permitem a exata compreensão Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10380.731826/201110 Resolução nº 2301000.491 S2C3T1 Fl. 1.729 4 dos elementos que os compõem e dos valores apurados no cômputo da multa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL. ELEMENTO DE PROVA. ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. Inicialmente cabe ao Fisco demonstrar e provar o descumprimento das obrigações previdenciárias. Ao sujeito passivo, entretanto, compete igualmente apresentar os elementos que provam o direito alegado, comprovando a irregularidade no lançamento fiscal. Em obediência ao Princípio da Verdade Material, admitese o erro de fato para conduzir à revisão do lançamento; contudo, a existência do erro deve ser cabalmente demonstrada pelo contribuinte Alegações genéricas, desprovidas de provas não são hábeis a ilidir o lançamento fiscal ou de inverter o ônus da prova. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. SALÁRIO UTILIDADE. INTEGRAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A integração à base de cálculo de contribuições previdenciárias dos valores pagos aos segurados a título de ValeGás vem da própria definição legal de salário de contribuição, previsto no art. 28, inciso I da Lei nº 8.212/91. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” (fls. 1556/1567). 5. Informa a recorrente que no curso do feito, houve a “concordância das exigências fiscais relativas às contribuições previdenciárias incidentes sobre:, contratos de patrocínio de futebol, pagamento de participação nos lucros e resultado à sócia da empresa em desobediência à Lei n° 10101/2000 e diferença de remunerações pagas a segurados empregados constantes nas folhas de pagamento e não declaradas em GFIP, a Recorrente promoveu ao pagamento parcial dos citados Debcad's.”. 6. A recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância em 16/12/2013 (segundafeira) e, tempestivamente, interpôs o competente recurso voluntário em 10/01/2014 as fls. 1576/1610, no qual aduz em síntese: a) preliminarmente, a nulidade do lançamento, por falta de ciência tempestiva do Termo de Continuidade da ação fiscal, o que eiva de vício insanável o procedimento fiscal, por ferir os princípios da publicidade, da ampla defesa e da legalidade; b) cerceamento a ampla defesa e ao contraditório, por ausência de clareza e detalhamento sobre a acusação fiscal, que tornou impossível a identificação do enquadramento legal utilizado na ação fiscal e importa em nulidade do processo; c) houve ofensa ao princípio da verdade material, eis que a decisão de primeira instância limitou sua análise apenas em relação às informações prestadas pela fiscalização; Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10380.731826/201110 Resolução nº 2301000.491 S2C3T1 Fl. 1.730 5 d) no mérito, a inexistência de divergência quanto aos valores devidos em face dos pagamentos realizados a cooperativa de trabalho, tendo em vista que a simples diferença entre o valor lançado na contabilidade como registro do valor pago a Unimed e o valor declarado na GFIP não representa a existência de valores pagos e não declarados a incidir a cobrança de contribuição previdenciária; e) os valores relativos ao repasse do vale gás não configuram salário indireto e, consequentemente, salário de contribuição, pois não estão presentes os requisitos dispostos em lei para a configuração desta verba como tal, diante da ausência de gratuidade desta, previsão em Convenção Coletiva da categoria, tratandose de uma obrigação e não uma liberalidade patronal, e ausência de habitualidade, pois só é concedido aos empregados que não possuem gás canalizado em suas residências e não tenham faltas injustificadas no mês; e f) por fim, realização de perícia contábil para a comprovação do direito alegado. 7. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10380.731826/201110 Resolução nº 2301000.491 S2C3T1 Fl. 1.731 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA 2. Em seu recurso voluntário, a recorrente afirma que procedeu ao pagamento parcial do débito, tendo em vista sua concordância com as exigências fiscais. Assim traz o recurso: “Conforme as autuações fiscais acima mencionadas, exigese da Recorrente contribuições previdenciárias incidentes sobre: contratos de patrocínio de futebol, pagamento de participação nos lucros e resultado à sócia da empresa em desobediência à Lei nº 10101/2000, pagamentos de cooperativas de trabalho (UNIMED) não informados em GFIP, diferença de remunerações pagas a segurados empregados constantes nas folhas de pagamento e não declaradas em GFIP e salário indireto referente ao fornecimento de Vale Gás (fornecimento de botijões de gás). Diante da concordância das exigências fiscais relativas às contribuições previdenciárias incidentes sobre: contratos de patrocínio de futebol, pagamento de participação nos lucros e resultado à sócia da empresa em desobediência à Lei 10101/2000 e diferença de remunerações pagas a segurados empregados constantes nas folhas de pagamento e não declaradas em GFIP, a Recorrente promoveu ao pagamento parcial dos citados Debcad’s.” (grifo nosso). 3. Apesar de trazer esta informação no recurso, não consta nos autos qualquer documento que comprove a realização deste pagamento pela recorrente. Ademais, não consta informação de que a empresa efetuou este pagamento aproveitandose da ausência do Termo de Continuidade do Mandado de Procedimento Fiscal. 4. Em busca do princípio da verdade material, mister se faz certificar se o sujeito passivo efetivamente pagou parcialmente os valores exigidos na ação fiscal para que se possa dar continuidade ao julgamento do feito quanto à parte remanescente do lançamento tributário. CONCLUSÃO 5. Diante disto, proponho que os autos sejam baixados em diligência, para que a autoridade de origem verifique: a) se houve pagamento parcial dos valores lançados no presente auto de infração; e Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10380.731826/201110 Resolução nº 2301000.491 S2C3T1 Fl. 1.732 7 b) em caso positivo, se a parte remanescente da exigibilidade tributária referese apenas aos pagamentos efetuados a UNIMED e a incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos efetuados a título de vale gás. Após a conclusão da diligência, seja a recorrente intimada do seu resultado, concedendolhe prazo para manifestação, e, posteriormente, sejam os autos novamente remetidos a este Conselho, para apreciação das questões remanescentes. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Numero do processo: 10935.906386/2012-10
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 24/04/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 24/04/2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de COFINS que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/04/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 63 86 /2 01 2- 10 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.834, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 22587.60113.111209.1.2.045004, rastreamento nº 041907165, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 32.102,16, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 5856), do período de 31/03/2009, efetuado em 24/04/2009, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906386/201210 Acórdão n.º 3802002.684 S3TE02 Fl. 122 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 24/04/2009 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906386/201210 Acórdão n.º 3802002.684 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906386/201210 Acórdão n.º 3802002.684 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906386/201210 Acórdão n.º 3802002.684 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 70DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10640.720699/2010-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2201-000.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral pela Contribuinte o Dr. Remis Almeida Estol, OAB/RJ 45.196.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Nathália Mesquita Ceia - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA, EDUARDO TADEU FARAH. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral pela Contribuinte o Dr. Remis Almeida Estol, OAB/RJ 45.196. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA, EDUARDO TADEU FARAH. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Por meio do Auto de Infração de fls. 02 a 10, lavrado em 09/12/2010, exigese da Contribuinte MARIA DAS GRAÇAS VITA AREDES o montante de R$ 525.724,68 de imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), R$ 263.177,77 de juros de mora e R$ 394.293,51 de multa de ofício, totalizando um crédito tributário de R$ 1.183.195,96 (atualizado até a data da autuação), referente ao ano calendário de 2005 e decorrente de Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .7 20 69 9/ 20 10 -2 6 Fl. 292DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10640.720699/201026 Resolução nº 2201000.187 S2C2T1 Fl. 3 2 O Relatório Fiscal (fls. 29 e seguintes) relata que: · O início da fiscalização decorreu do fato de a Contribuinte ter movimentado em contas bancárias de sua titularidade no exercício de 2006 valores superiores a R$ 3 milhões e ter reportado em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA) rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 31.517,82 e recebidos da atividade rural na monta de R$ 795.168,00; não sendo reportados outros rendimentos. Ou seja, os rendimentos reportados não eram condizentes com a sua movimentação financeira. · A Contribuinte foi intimada a justificar a relação que mantinha com a empresa CDB Comércio e Derivados de Bovinos Ltda., por restar caracterizada transferências bancárias (DOC e cheques) entre ela e a CDB. A Contribuinte alegou que não existem documentos ou comprovantes fiscais que embasem a relação negocial. · A Contribuinte também foi intimada a apresentar extratos bancários de sua titularidade e a mesma atendeu à intimação com a entrega da informação solicitada. A autoridade fiscalizadora, também, expediu Requisição de Movimentação Financeira (RMF) às instituições bancárias requerendo os extratos da Contribuinte. · A fiscalização intimou a Contribuinte para que apresentasse justificativa acerca da origem dos depósitos em suas contas bancária, bem como informasse se os depósitos na conta de cotitularidade com o Sr. Márcio Malafaia Aredes poderiam ser discriminados como sendo dela ou dele. · A Contribuinte informou que se tratam de depósitos exclusivamente referentes à sua atividade rural, não apresentou documentação alguma que assim indicasse e complementou que não há como discriminar se os depósitos são de responsabilidade dela ou do Sr. Márcio Malafaia Aredes. · A fiscalização efetuou o lançamento considerando metade dos depósitos sem origem comprovada em face da cotitularidade da conta bancária. A Contribuinte apresentou Impugnação (de fls. 166 e seguintes), em 12/01/2011, na qual trouxe as seguintes alegações, requerendo a nulidade do crédito tributário: · Indevida quebra do sigilo bancário por ausência de autorização judicial. · Cerceamento do direito de defesa por imprecisão do enquadramento legal e ausência à resposta da última correspondência encaminhada pela Contribuinte. · O lançamento com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430/96 deve ser efetuado mensalmente e o imposto apurado é definitivo. · A decadência dos lançamentos correspondentes aos fatos geradores ocorridos até 30/11/2005. · O exercício da atividade rural está devidamente comprovado. Há erros no levantamento dos depósitos em duplicidade e as notas fiscais apresentadas se prestam a comprovar a origem dos depósitos. A 4ª Turma da DRJ/JFA na sessão de 28/03/2013 pelo Acórdão 0943.253 de fls. 192 e seguintes julgou a Impugnação procedente em parte para eximir a Contribuinte do IRPF Fl. 293DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10640.720699/201026 Resolução nº 2201000.187 S2C2T1 Fl. 4 3 no valor de R$ 66.445,63, por verificar que: (i) houve cobrança de imposto em duplicidade sobre os depósitos em cheque e desbloqueio de depósito por se tratarem de mesmo valor e data e (ii) restar comprovada a origem de alguns depósitos por meio de Notas Fiscais (venda de garrotes referentes à atividade rural), nos seguintes termos: NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar em nulidade, uma vez que o lançamento foi levado a efeito por autoridade competente, tendo sido concedido ao contribuinte amplo direito à defesa e ao contraditório, mediante a oportunidade de apresentar, no curso da ação fiscal e na impugnação, provas capazes de refutar os pressupostos em que se baseou o lançamento de ofício. SIGILO BANCÁRIO. PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A legislação em vigor autoriza o Fisco a solicitar diretamente às instituições financeiras informações referentes à movimentação bancária de seus clientes mediante a emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, desde que haja procedimento de fiscalização em curso e esta seja precedida de intimação ao sujeito passivo, sendo desnecessária a autorização judicial prévia. IRPF. TRIBUTAÇÃO. AJUSTE ANUAL. Nos termos da legislação em vigor, ocorre a apuração mensal dos rendimentos omitidos, sendo o somatório desses sujeitos à tributação anual, ou seja, o montante da omissão apurada compõe a base de cálculo do IRPF na Declaração de Ajuste Anual. IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A tributação das pessoas físicas sujeitase ao ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, no caso, o lançamento é por homologação. Na hipótese de pagamento de imposto, o prazo decadencial deve ser contado a partir da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de fraude, dolo ou simulação. Na ausência de pagamento, o prazo decadencial tem seu início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Com a edição da Lei 9.430/96, a partir de 1/1/1997, passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, de forma inconteste, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Excluemse do lançamento os valores relativos a depósitos originados em rendimentos espontaneamente declarados. Excluemse também os valores relativos a créditos considerados em duplicidade no levantamento do imposto devido. TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO DA RECEITA DA ATIVIDADE. Somente com a apresentação de documentos hábeis e idôneos que comprovem que a omissão de receita foi proveniente da atividade rural, é possível efetuar a tributação com base nas regras próprias desta atividade. A Contribuinte foi notificada do Acórdão pelo AR de fls. 211 em 11/04/2013, vindo apresentar Recurso Voluntário, às fls. 213 e seguintes, com os argumentos a seguir sumarizados: Fl. 294DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10640.720699/201026 Resolução nº 2201000.187 S2C2T1 Fl. 5 4 · Indevida quebra de sigilo bancário sem a devida autorização judicial, especialmente porque a RMF foi efetuada, mesmo com a Contribuinte apresentando a documentação solicitada pela autoridade fiscal. · Cerceamento do direito de defesa da Contribuinte em face do enquadramento legal impreciso por parte da autoridade fiscal. · Cerceamento do direito de defesa da Contribuinte em face da ausência de resposta da última correspondência encaminhada pela mesma à autoridade fiscal. Assevera a Contribuinte que solicitou esclarecimentos à fiscalização acerca da nomenclatura utilizada na planilha produzida pela fiscalização, especialmente acerca da abrangência das expressões: DEPÓSITO CHEQUE LIBERADO e DESBLOQUEIO DE DEPÓSITO. Pondera que a ausência de esclarecimentos acerca da abrangência dos referidos termos prejudicou sua defesa. · Alegação de que há depósitos considerados em duplicidade pela fiscalização quando do lançamento. Há proximidade de datas e correspondência de valores. · Alegação de que o IRPF devido com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96 é mensal e definitivo. Logo, resta equivocado o lançamento que considerou o IRPF no ano calendário de 2005. · Decadência do lançamento referente aos depósitos efetuados até 30/11/2005, por entender que o IRPF é devido mensalmente. · Alegação que o exercício da atividade rural está devidamente comprovado, pleiteando a adoção da alíquota de 20% sobre a receita alegadamente omitida. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. No Recurso Voluntário apresentado à fls. 213 (PDF) e seguintes não resta legível a data de seu protocolo, não sendo possível aferir a tempestividade do mesmo. Ademais, não há no processo administrativo sob análise outra indicação que comprove a data de protocolo do Recurso Voluntário pela Contribuinte. Desta feita, proponho a conversão do processo em diligência para que a autoridade preparadora informe a data do protocolo do Recurso Voluntário de fls. 213 e seguintes (PDF) e posteriormente intime o contribuinte para promover eventual manifestação acerca da diligência. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 295DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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