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Numero do processo: 10166.911831/2009-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes- Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .9 11 83 1/ 20 09 -1 6 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.911831/200916 Resolução nº 3801000.808 S3TE01 Fl. 182 2 Trata o presente processo de compensação declarada que, conforme apontado pela Recorrente, tem origem em crédito referente a valor indevidamente recolhido a título de CIDE, apurada no período de janeiro de 2006 a janeiro de 2007 sobre remessas ao exterior para pagamento de licença de uso ou de direitos de comercialização de programas de computador. A compensação não foi homologada, sob a alegação de inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da contribuinte. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade apontando os aspectos legais estabelecidos em conformidade com o artigo 21 da Lei 11.452, de 27 de fevereiro de 2007, que contemplou a nãoincidência da referida contribuição a partir de janeiro de 2006 e informou que feito o pagamento tem direito à devolução dos mesmos. A DRJ, em seu julgamento, não reconheceu o direito creditório da contribuinte, entendendo improcedente sua Manifestação de Inconformidade. Baseou seu entendimento no fato de a contribuinte não ter juntado aos autos documentos fiscais e contábeis imprescindíveis à constatação da existência do crédito solicitado, fazendose o conjunto probatório incapaz de aferir certeza e liquidez do crédito pretendido, bem assim, entende que a DCTF retificadora apresentada o foi em data posterior à ciência do despacho decisório. O acórdão de fls. restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2006 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a inexistência do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignada com a decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário fundamentandose no princípio da verdade material, juntou aos autos documentos relativos às compensações com o fito de demonstrar que foram devidamente registradas na Fl. 182DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.911831/200916 Resolução nº 3801000.808 S3TE01 Fl. 183 3 contabilidade do sujeito passivo, ponderando serem suficientes para constatação da certeza e liquidez do crédito ora pretendido, quais sejam: a) DARF comprobatória do recolhimento indevido, comprovando o pagamento indevido no período de junho de 2006, instruído na PER/DCOMP; b) Cópia do Livro Razão Analítico do exercício de 2007, em que se verifica o estorno do montante recolhido na subconta CIDE – Remessas Exterior, também instruído na PER/DCOMP; c) Cópia do Livro Razão Consolidado do exercício de 2006, em que se verifica o lançamento referente ao mês de junho de 2006; d) Cópias das DCTFs original e retificadora. Requereu seja a presente compensação homologada. É o que importa relatar. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.911831/200916 Resolução nº 3801000.808 S3TE01 Fl. 184 4 Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Primeiramente, é preciso apontar que não há impedimento para retificação da DCTF após o despacho decisório e antes de remessa dos créditos para inscrição em dívida ativa da União. Vejamos que a Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008 no seu artigo 11 prescreve : Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou, III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. A norma é clara a estabelecer que a DCTF somente não poderia ser retificada nas situações em que já houvesse remessa dos montantes para inscrição do montante declarado em dívida ativa ou houvesse início de procedimento fiscal, o que não ocorreu no presente caso. Conforme relatado, o ponto crucial da lide consiste na ausência de elementos probatórios capazes de aferir o direito ao crédito solicitado decorrente do suposto pagamento indevido a título de CIDE incidente sobre remessas ao exterior de remunerações pagas pela licença de uso ou de direitos de comercialização de softwares, com base nos artigos 20 e 21 da Lei 11.452/2007 que delimitou expressamente o campo de abrangência da Lei 10.168/2000 ao instituir a nãoincidência da CIDE a partir de janeiro de 2006, assim expresso: Art. 20. O art. 2º da Lei n.º 10.168, de 29 de dezembro de 2000, alterado pela Lei n.º 10.332, de 19 de dezembro de 2001, passa a vigorar acrescido do seguinte § 1º A: "Art. 2º ................................................................................. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.911831/200916 Resolução nº 3801000.808 S3TE01 Fl. 185 5 § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (...) Art. 21. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos em relação ao disposto no art. 20 a partir de 1º de janeiro de 2006. Certo é que a supracitada norma contempla a nãoincidência da CIDE para remunerações pagas ao exterior vinculadas a contratos de licenciamento de uso de programas de computador e, nesta esteira, fazse necessário averiguar o objeto da relação contratual, ou seja, é certo que os pagamentos dos contratos relativos ao licenciamento de uso ou direito de software, não obrigam ao pagamento da CIDE, desde 1º de janeiro de 2006, sendo que, tendo havido tal pagamento a Recorrente possui indébito possível de creditamento. Entretanto, apesar da Recorrente ter juntado documentos e comprovantes de pagamento tenho que os mesmos são insuficientes para se apurar se realmente se relacionam a remunerações pagas ao exterior vinculadas a contratos de licenciamento de uso de programas de computador, de modo que apenas mediante o confronto dos documentos contábeis com o contrato de licenciamento, licença de uso de software ou documento semelhante é que essa Turma poderá evidenciar se o pagamento efetivamente se deu por esse motivo. Nesse sentido, voto para baixar em diligência à Delegacia de origem para determinar ao contribuinte que apresente: 1. A cópia autenticada do Contrato referente de Licença de Uso ou de Direito de Programas de Computador ou documento que ateste o efetivo motivo do pagamento e cópia das notas fiscais (ou invoices, devidamente traduzidas) correspondentes; 2. Retorne o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Fl. 185DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10660.720149/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracterizasse
Omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO.
A vedação contida na Constituição Federal sobre a utilização de tributo, e não da multa, com efeito de confisco é dirigida ao legislador, não se aplicando aos lançamentos de ofício efetuados em cumprimento das leis tributárias regularmente aprovadas.
Uma vez que há expressa previsão legal a prever a penalidade aplicada, a autoridade administrativa a ela está vinculada, não cabendo a esta apreciar questões atinentes a ofensas a princípios constitucionais.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
NULIDADE. LANÇAMENTOS. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Descabe a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa/falta de motivação, uma vez que os Autos de Infração e os Termos de Sujeição Passiva Solidária foram formalizados com motivação e descrição dos fatos compatíveis com o enquadramento legal, em estrita observância aos requisitos legais.
SUJEIÇÃO PASSIVA. SOLIDARIEDADE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRI PESSOAL. ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO À LEI.
Não me parece suficiente a imputação realizada, de disporem as pessoas físicas de poderes gerenciais, suficiente a desencadear a solidarização levada a efeito. A Fiscalização não comprovou, aliás, nem mesmo argumentou, qual seria o preciso interesse na situação que constituiu o fato gerador (regra do 124, I), nem mesmo qual a relação direta e pessoal com tal situação (regra do 121).
Numero da decisão: 1301-001.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizasse Omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. A vedação contida na Constituição Federal sobre a utilização de tributo, e não da multa, com efeito de confisco é dirigida ao legislador, não se aplicando aos lançamentos de ofício efetuados em cumprimento das leis tributárias regularmente aprovadas. Uma vez que há expressa previsão legal a prever a penalidade aplicada, a autoridade administrativa a ela está vinculada, não cabendo a esta apreciar questões atinentes a ofensas a princípios constitucionais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE. LANÇAMENTOS. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Descabe a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa/falta de motivação, uma vez que os Autos de Infração e os Termos de Sujeição Passiva Solidária foram formalizados com motivação e descrição dos fatos compatíveis com o enquadramento legal, em estrita observância aos requisitos legais. SUJEIÇÃO PASSIVA. SOLIDARIEDADE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRI PESSOAL. ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO À LEI. Não me parece suficiente a imputação realizada, de disporem as pessoas físicas de poderes gerenciais, suficiente a desencadear a solidarização levada a efeito. A Fiscalização não comprovou, aliás, nem mesmo argumentou, qual seria o preciso interesse na situação que constituiu o fato gerador (regra do 124, I), nem mesmo qual a relação direta e pessoal com tal situação (regra do 121).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2285; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.720149/201311 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.400 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de fevereiro de 2014 Matéria SIMPLES. Recorrente JS COMÉRCIO REPRESENTAÇÕES E TRANSPORTE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizasse Omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. A vedação contida na Constituição Federal sobre a utilização de tributo, e não da multa, com efeito de confisco é dirigida ao legislador, não se aplicando aos lançamentos de ofício efetuados em cumprimento das leis tributárias regularmente aprovadas. Uma vez que há expressa previsão legal a prever a penalidade aplicada, a autoridade administrativa a ela está vinculada, não cabendo a esta apreciar questões atinentes a ofensas a princípios constitucionais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE. LANÇAMENTOS. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Descabe a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa/falta de motivação, uma vez que os Autos de Infração e os Termos de Sujeição Passiva Solidária foram formalizados com motivação e descrição dos fatos compatíveis com o enquadramento legal, em estrita observância aos requisitos legais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 01 49 /2 01 3- 11 Fl. 585DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 SUJEIÇÃO PASSIVA. SOLIDARIEDADE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRI PESSOAL. ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO À LEI. Não me parece suficiente a imputação realizada, de disporem as pessoas físicas de poderes gerenciais, suficiente a desencadear a solidarização levada a efeito. A Fiscalização não comprovou, aliás, nem mesmo argumentou, qual seria o preciso interesse na situação que constituiu o fato gerador (regra do 124, I), nem mesmo qual a relação direta e pessoal com tal situação (regra do 121). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG. Extraise do presente processo administrativo que em desfavor da ora recorrente foram lavrados autos de infração referentes ao IRPJ (Simples Nacional), à CSLL, ao PIS/Pasep e à Cofins, cujos fatos geradores se deram entre os meses de janeiro a dezembro do anocalendário 2008. Consta do Termo de Verificação Fiscal – TVF, que a empresa, optante pelo SIMPLES, foi selecionada para o procedimento fiscal por apresentar movimentação financeira incompatível com a receita declarada, nos anoscalendário 2008 e 2009, sendo que no período do procedimento fiscal, a empresa foi intimada por diversas vezes, sendo lavrados Termo de Início de Procedimento Fiscal, Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, Termo de Fl. 586DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10660.720149/201311 Acórdão n.º 1301001.400 S1C3T1 Fl. 3 3 Notificação e Termo de Constatação Fiscal e pela análise de toda a documentação coletada, segundo a Fiscalização, o sujeito passivo teria cometido infrações a dispositivos e normas legais pertinentes ao SIMPLES NACIONAL e demais dispositivos legais aplicáveis, fundamentandose a exigência no art. 34 da Lei Complementar n.º 123/2006 e no art. 42 da Lei n.º 9.430/96, que trata da omissão de receita por presunção legal. Diante de tais constatações (omissão de receitas), passou a Fiscalização a delinear os aspectos impeditivos da permanência da empresa no Regime de Tributação SIMPLES NACIONAL, para depois tratar dos acréscimos legais devidos, dentre os quais majoração de alíquotas, multa e juros de mora aplicáveis, assinalandose ainda, a sujeição passiva solidária, com fundamentação legal nos arts. 124, 135, inciso III, e 137, inciso I, todos do CTN. Inconformada, a contribuinte tem alegado que os créditos que ingressaram em suas contascorrentes no anocalendário 2008 foram provenientes de intermediação de negócios e que se resguarda no direito de demonstrar a veracidade de suas alegações, através de todos os meios de prova admitidos em direito, seja em sede administrativa ou judicial, justificando se tratar de empresa comercial de produtos agropecuários, que possui como atividade principal Comércio Atacadista de Mercadorias em Geral com Predominância de Insumos Agropecuário e desta forma seu CNAE principal é 4692300, mas também opera em outras atividades dentre as quais Representantes Comerciais e Agentes do Comércio de matérias primas agrícolas e animais vivos e cujo CNAE secundário é 4611 700 e ainda trabalha com o Transporte Rodoviário de Carga cujo CNAE secundário é 4930201. Seguiu aduzindo que com estes objetivos, além de sua atividade principal realiza intermediação de venda de produtos agropecuários e durante o anocalendário de 2008 realizou diversas intermediações de venda, e apesar do produto não lhe pertencer o numerário ingressava em sua conta corrente para posterior repasse aos proprietários da mercadoria, com o ganho de comissão, justificando que quando uma pessoa interessada desejava vender seu produto, ela impugnante efetuava a intermediação, oferecendo a mercadoria para diversos compradores, e, na concretização da compra e venda, a nota fiscal era emitida diretamente para o adquirente e, posteriormente, recebia o valor total do lote vendido em suas contascorrente, mas antes de fazer a remessa da quantia ao produtor, equivalente ao preço do produto, deduzia a comissão contratada, e, em alguns casos o valor do transporte da mercadoria e demais despesas inerentes à intermediação realizada (contratada pelos vendedores). Insistiu que os valores que ingressaram em suas contascorrentes a título de recebimento da operação havida entre o vendedor e o comprador foram efetivamente repassados a seus legítimos donos, não permanecendo como quer fazer crer o Auto de Infração que lhe fora imposto, em sua posse. Defendeu que não pode a Fiscalização pretender tributar como "renda" valores que ingressaram nas contascorrentes quando essas mesmas quantias tiveram outro destino, ou seja, foram repassadas aos produtores que delas faziam jus, sendo que funcionava apenas como um elo que interligava vendedor e comprador e que na condição de empresa atuante no mercado agrícola, vários eram os negócios realizados dia a dia, entre produtores, comerciantes, destinatários industriais de mercadorias. Seguiu dando conta de que atuava interligando esses vários componentes da cadeia produtiva, no entanto, operando nessas condições como intermediária que ganhava comissão pelos negócios consumados entre um (vendedor) e outro (comprador), sendo certo Fl. 587DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 que detinha confiança dos vendedores que visualizavam sua sólida atuação no mercado, e por essa razão, os créditos provenientes desta operação de compra e venda promovida entre terceiros acabavam por ser lançados em suas contascorrentes, porém, não se apoderava das somas em dinheiro que eram tão somente creditadas e quando as quantias ingressavam como pagamento dos produtos intermediados cabialhe proceder ao desconto de sua comissão ajustada e outras despesas eventuais, sendo certo que o valor principal (devido em virtude da venda do produto) era destinado ao seu legítimo dono. Reputou que acaso todo o valor que ingressou em conta corrente lhe pertencesse, a empresa se tornaria uma megapotência no mercado agrícola, no entanto, a situação é outra, muito diversa da visualização que lhe deu o Auto de Infração, pois como em todo negócio tem seus ápices e suas quedas, a empresa, apesar da confiança que os produtores ainda lhe depositavam, foi perdendo mercado para outros concorrentes, sendo que tal situação de retrocesso econômico atingiu não só o setor de intermediação, atingindo também o seu setor comercial e de transporte. Diante desse contexto, em que as despesas passaram a exibir mais dígitos que as receitas, reputou a contribuinte que outro caminho não lhe sobrou senão fechar suas portas reafirmando que apenas intermediava negócios e que se haveria de considerar para todos os fins que lhe coube, dos valores que ingressaram em suas contas correntes no ano de 2008, um percentual variável entre 2% e 3%, que era normalmente a comissão ajustada entre o vendedor do produto e o adquirente deste, arrazoando que sugerir tenha se apoderado de todas as quantias que lhe foram creditadas é absurdo e não representa sua atual condição de exempresa. Aduziu, por fim, que não tendo permanecido os valores nas contas correntes não haveria razão para que seja tributada pelo excesso, mas somente pelo percentual variável entre 2 e 3%, que era efetivamente os percentuais que recebiam como comissão pela intermediação dos negócios. Na sequência do seu inconformismo, a recorrente protestou contra sua exclusão do Simples Nacional, afirmando que acaso tivesse sido notificada à época (2009), certamente seria possível comprovar a origem dos créditos, já que a empresa ainda estava em funcionamento, sendo que como o desfecho da apuração somente a posteriori, não poderia a Fiscalização impingirlhe a exclusão ao argumento de que houve excesso na apuração da Receita Bruta Anual. Por fim, requereu a improcedência do lançamento efetuado e da majoração de 20% imposta sobre as alíquotas máximas do Simples Nacional e a multa aplicada no percentual de 75%, alegando, com relação a esta última, ofensa ao princípio constitucional do não confisco. Consta dos autos que as pessoas físicas solidarizadas, apresentaram Impugnações separadamente da empresa autuada, sendo que o Sr. Sílvio de Souza Filho, após um breve relato dos fatos, requereu a nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária, por alegada ausência de motivação do ato administrativo. Nessa linha de argumentação, entende que a sujeição passiva tributária, como elemento essencial do lançamento, subordinase ao princípio da legalidade estrita. Sendo assim, o referido termo de sujeição há que ser analisado à luz da legislação e não a meros ‘achismos’ da fiscalização. Entende que o princípio da motivação obriga a autoridade administrativa a indicar as razões, quais foram os fatos, qual é o fundamento de direito, qual o resultado almejado, em suma, a autoridade vai dar a justificativa do ato. Aduz ainda que não se poderia aceitar que os fundamentos do ato administrativo deixem de constar em seu bojo, já que o ato é dirigido a ele impugnante, a situação deve ser Fl. 588DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10660.720149/201311 Acórdão n.º 1301001.400 S1C3T1 Fl. 4 5 avaliada em relação à sua pessoa, não de forma genérica como se vê no indicado item 4 do TVF. Reputou assim, que a decisão que atribui sujeição passiva por responsabilidade deve ser adequadamente motivada e fundamentada, não apenas em relação à norma jurídica, mas em relação especialmente ao preenchimento dos requisitos de fato para a aplicação de tal norma. Não pode o contribuinte ou o responsável solidário depender de presunções e ficções em relação à motivação de sua inclusão no polo passivo da obrigação, sendo que tais presunções são inadmissíveis, pois acabam impondo ao autuado deveres probatórios ontologicamente impossíveis, não razoáveis e desproporcionais. Defendeu que o apontamento genérico de que era sócio/sócioadministrador da empresa, por si só, não esclarece a motivação do ato administrativo, que deveria estar embasado em atos irregulares na prática da administração, atos este que devem ser dolosos e reais, jamais presumidos. Conclui dizendo que o ato jurídico administrativo não aponta a situação de fato que nos leva a reconhecer o motivo para sua consecução pela autoridade fiscal, devendo ser declarado nulo o referido Termo. Em suas razões de mérito, o Sr. Sílvio de Souza Filho alegou que, independentemente do cargo ocupado na administração, nunca foram praticados atos com excesso de poder ou mesmo com infração de lei, pelo que entendem indevida a autuação da pessoa física do sócio, pois esta não se confunde com a personalidade jurídica da empresa, defendendo que a fiscalização o responsabilizou sem apontar as razões ou qualquer motivação em relação aos requisitos de fato para a aplicação da norma. Dessa forma, para ele o fundamento utilizado para a lavratura do TSPS foi unicamente o alegado “interesse comum”, já que não há indicação de atos previstos no caput do art. 135. No mais, arrazoou acerca da legitimidade para atribuir responsabilidade a terceiro, citando precedentes do então Conselho de Contribuintes, suscitando o total descabimento da aplicação do art. 137 do CTN ao caso, porquanto, como já demonstrado, não agiu de forma a lhe incidir o art. 135 e não houve qualquer ato ilícito, irregularidade, na gestão da empresa. O Sr. José Dias, igualmente requereu a nulidade do auto de infração, no tocante a alegada total inexistência de justa causa para a sua lavratura contra ele, ante a inocorrência de qualquer ilicitude. Cita o inciso II do art. 5º, da Constituição Federal e demais dispositivos que entende aplicáveis, para depois mencionar o princípio da legalidade tributária. Alegou ainda, ilegitimidade passiva, eis que à época dos fatos, anocalendário 2008, era sócio minoritário da empresa, consoante atestam os atos contratuais de fls. 423/424 e 425/426, sendo que para configurar sua total ilegitimidade bastaria aferirse os documentos de fls. 160/167, que se referem aos documentos apresentados pelo Banco Bradesco, mais especificamente o Cadastro de Clientes, dos quais se notaria as pessoas autorizadas a movimentar as contas correntes em questão, entre as quais ele impugnante não estaria. Por fim, aduziu que o auto de infração padeceria de vícios materiais, porquanto entende que a movimentação financeira de suas contas corrente jamais foi uma forma de receita, mas sim, uma mera movimentação do dinheiro do cliente para o fornecedor. Depois passa a tecer comentários sobre a atividade de Representação Comercial e questiona a base de cálculo do auto de infração, porquanto entende que os valores recolhidos aos cofres Fl. 589DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 públicos a título de ICMS/ISS jamais poderão ser considerados faturamento/lucro da empresa. Solicitou a produção de prova pericial contábil, indicando perito e quesitos. A 1ª Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG, nos termos do acórdão e voto de folhas 524 a 546, julgou o lançamento parcialmente procedente para os fins de manter a exigência consubstanciada nos autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, períodos de apuração fevereiro a dezembro de 2008, com respectivas multas e juros de mora, exonerar a exigência consubstanciada nos autos de infração IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, ref. ao período de apuração janeiro de 2008, pela ocorrência de decadência e manter a responsabilização tributária atribuída ao Srs. Silvio de Souza Filho e ao Sr. José Dias. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fl. 556), arguindo preliminar de nulidade da decisão impugnada, por alegada ausência de fundamentação, porquanto o aresto impugnando não teria se manifestado acerca da sua justificativa de as movimentações financeiras em sua conta corrente seriam fruto da intermediação de negócios. Quanto ao mérito, reiterou os argumentos já relatados e pugnou por provimento. É o relatório. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10660.720149/201311 Acórdão n.º 1301001.400 S1C3T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Apresentase para julgamento típico caso de presunção de omissão de receitas fundada, em presunção, em depósitos bancários cuja origem, intimado a fazêlo, o contribuinte não comprova. Houve ainda a solidarização dos sócios e a exclusão do SIMPLES em razão da receita omitida ultrapassar o limite legal. Tal como se denota do relatório acima circunstanciado, a decisão primitiva julgou os lançamentos parcialmente procedentes, acatando a presunção legal e a solidarização, afastando apenas parcela do lançamento cujo crédito tributário foi extinto pela decadência. Em sua peça recursal a contribuinte reafirma sua insurgência, alegando, em resumo, que os valores tidos como receita omitida, não lhe pertenceriam na medida em que intermediava negócios em nome de terceiros, alegando ainda, que a decisão recorrida seria nula por não enfrentado tal questão. Com este cenário, considerando ainda o tema afeito à solidarização dos sócios, de bom alvitre o enfretamento segregado dos temas. I – PRELIMINAR DE NULIDADE. I.1 – Vício de fundamentação da decisão recorrida Reputa a contribuinte que a decisão seria nula porquanto não apreciouse seus argumentos no sentido de que os depósitos bancários considerados como receita omitida seriam frutos de intermediação de negócios, pertencentes, portanto, a terceiros. O inconformismo preliminar da contribuinte, no entanto, não prospera. Verificase que a decisão recorrida está fundamentada e articulada de forma clara e precisa, fundandose na presunção legal de omissão de receitas decorrente da manutenção de depósitos bancários cuja origem não teria sido comprovada. Ora, se a decisão recorrida considerou os depósitos bancários como se “origem não comprovada”, é sobremodo claro que rejeitou as justificativa da contribuinte de que seriam os tais depósitos meras movimentações pertencentes a terceiros. Considero hígida e fundamentada a decisão recorrida, não vislumbrase qualquer nulidade ou omissão que impliquem em nulidade, mesmo que o conteúdo material venha a ser reformado, razão pela qual, rejeito a preliminar de nulidade. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 II – MÉRITO II.1 – Omissão de receitas – depósitos bancários de origem não comprovada. Como bem descrito no relatório, a recorrente, optante pelo SIMPLES, foi selecionada para o procedimento fiscal por apresentar movimentação financeira incompatível com a receita declarada, nos anoscalendário 2008 e 2009, sendo que no período do procedimento fiscal, a empresa foi intimada por diversas vezes, a comprovar a origem dos depósitos bancários, porém não o teria feito, fundamentandose a exigência no artigo 42 da Lei n.º 9.430/96. A contribuinte tem justificado que os créditos que ingressaram em suas contascorrentes no anocalendário 2008 foram provenientes de intermediação de negócios, justificando se tratar de empresa comercial de produtos agropecuários, que possui como atividade principal Comércio Atacadista de Mercadorias em Geral com Predominância de Insumos Agropecuário e desta forma seu CNAE principal é 4692300, mas também opera em outras atividades dentre as quais Representantes Comerciais e Agentes do Comércio de matérias primas agrícolas e animais vivos e cujo CNAE secundário é 4611 700 e ainda trabalha com o Transporte Rodoviário de Carga cujo CNAE secundário é 4930201, e que com estes objetivos, além de sua atividade principal realiza intermediação de venda de produtos agropecuários e durante o anocalendário de 2008 realizou diversas intermediações de venda, e apesar do produto não lhe pertencer o numerário ingressava em sua conta corrente para posterior repasse aos proprietários da mercadoria, com o ganho de comissão, justificando que quando uma pessoa interessada desejava vender seu produto, ela recorrente efetuava a intermediação, oferecendo a mercadoria para diversos compradores, e, na concretização da compra e venda, a nota fiscal era emitida diretamente para o adquirente e, posteriormente, recebia o valor total do lote vendido em suas contascorrente, mas antes de fazer a remessa da quantia ao produtor, equivalente ao preço do produto, deduzia a comissão contratada, e, em alguns casos o valor do transporte da mercadoria e demais despesas inerentes à intermediação realizada (contratada pelos vendedores). Com efeito as justificativas da contribuinte carecem de comprovação documental que permitam aferir que de fato os valores contidos nas contas bancárias, objeto da autuação, de fato pertenciam a terceiros e que cabia a ela recorrente apenas os valores referentes a eventuais comissões. Tirante o argumento de que gozava de grande prestígio entre os produtores, e por isso intermediava seus negócios, a contribuinte não juntou aos autos qualquer evidência material, contratos, correspondências, ou coisa que o valha, capaz de afastar a presunção contida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Aliás, bem reconheceu a decisão recorrida que a Fiscalização valeuse da presunção legal diante da negativa, da recorrente, em prestar esclarecimentos, efetuando o lançamento com os elementos de que dispunha, extratos bancários e declarações apresentadas pela empresa – DASN, sendo que a própria contribuinte declarou não ter como fornecer a documentação fiscal/comercial solicitada, apesar da obrigatoriedade de escrituração, guarda e apresentação, nos termos da legislação de regência. Rejeitada a justificativa de intermediação de negócios, ausente qualquer elemento de prova que atestasse o postulado da contribuinte, de rigor reconhecer a prevalência Fl. 592DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10660.720149/201311 Acórdão n.º 1301001.400 S1C3T1 Fl. 6 9 da exigência, dada a a matriz sobre a qual repousa a autuação, consistente no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual, presumese receita omitida, os valores mantidos em conta bancária cuja origem, intimado a fazêlo, o contribuinte não comprova. Sendo assim, para além de alegar tratarse de intermediação de negócio em nome de terceiros, cumpria à contribuinte demonstrar o fidedigno liame documental que assim traduzisse os tais depósitos, situação que não verifico na espécie. Convém registrar que não se desconhece que os depósitos bancários por natureza e de imediato, não se constituem em sinônimos de receita. Por outro turno, como já registrado acima, também não é lícito olvidar a expressa disposição do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 consagrador de que caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Temse na espécie, portanto, perfeita subsunção das circunstâncias fáticas à abstrata previsão de presunção legal de omissão de receitas, de sorte que o fato relevante para autuação, não foi a simples existência dos depósitos, o critério legal se dá com a ausência de comprovação, por documentação hábil e idônea, da origem da indigitada movimentação financeira, esta sim, a ensejar por disposição legal a presunção de que se omitiu receita. Para infirmar os trabalhos fiscalizatórios, portanto, cumpria à Recorrente afastar o motivo pelo qual se implementou a presunção, que como visto no parágrafo precedente, não era a existência dos depósitos ou sua natureza jurídica incompatível com a definição de receita, consistindo sim, na prova documental das origens de tais depósitos e a consequente demonstração de não se constituírem em parcela tributável. Ausente qualquer comprovação documental quanto à origem dos depósitos considerados pela Fiscalização, está incidir na espécie a presunção legal versada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 e consoante pacífico entendimento desse Conselho Administrativo Fiscal, observado, por exemplo, no verbete da Súmula CARF nº 26 abaixo reproduzida, o Fisco está dispensado até mesmo de comprovar o consumo da renda representada pelos aludidos depósitos, confirase: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. SÚMULAS VINCULANTES Acórdão nº CSRF/04 00.157, de 13/12/2005. Por essas razões, consideramse hígidas e suficientes as imputações realizadas pela Fiscalização, amparadas em presunção disposta na legislação de regência, considerandose suficientemente demonstrada a materialidade tributável apontada e reconhecida pela decisão recorrida. II.2 – Exclusão do SIMPLES, multa aplicada e majoração de alíquota No que toca à consequente exclusão do SIMPLES, de igual forma se apresenta correto o conteúdo da decisão recorrida. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 Bem esclareceu a decisão recorrida que a contribuinte afirma que para a fixação da base de cálculo da contribuição para o Pis e da Cofins utilizase o faturamento, neste não incluídos o ICMS e o ISS, porquanto os valores referentes a tais tributos irão diretamente para os cofres públicos, pelo que não podem ser considerados faturamento e em relação ao Imposto de Renda e à CSLL, alega ser ainda maior a impropriedade. Porém, o enquadramento legal utilizado pela fiscalização para o lançamento do crédito tributário foi o §1º do art. 3º da LC n.º 123/2006, matéria que trata do SIMPLES NACIONAL: Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideramse microempresas ou empresas de pequeno porte a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei nº10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: (Redação dada pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011) (Produção de efeitos – vide art. 7º da Lei Complementar nº 139, de 2011) [...] §1º Considerase receita bruta, para fins do disposto no caput deste artigo, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Torno a dizer, correta a decisão da DRJ, ao assentar que o conceito de receita bruta, para os fins da lei em exame, compreende o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, deduzidas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, ou seja, não há previsão legal para a dedução dos impostos ICMS/ISS dos tributos apurados e lançados pela sistemática, IRPJ/CSLL/Pis/Cofins – Simples Nacional, razão pela qual não há que se excluir qualquer valor a título de ICMS/ISS da base de cálculo dos tributos lançados pela fiscalização. No que toca à majoração de alíquota, igualmente acertada a decisão ao dispor que a lei de regência assim o prevê, sendo certo que o Comitê Gestor do Simples Nacional, por meio da Resolução CGSN nº 05/2007, regulamentou expressamente a aplicação da referida majoração em seu artigo 9º, razão pela qual subsiste a exigência. Igualmente se dá em relação à multa aplicada, que o foi no patamar mínimo de 75%. As questões atreladas à constitucionalidade ou mesmo pertinência da Lei, são matérias sabidamente vedadas de apreciação pelo órgão administrativa, presente o verbete da Súmula CARF nº 02, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” III – DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Relembrase por oportuno que a recorrente JS Comércio, foi autuada em razão de não comprovar, a despeito de intimada a fazêlo, a origem dos indicados depósitos bancários mantidos em contas correntes de sua titularidade. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10660.720149/201311 Acórdão n.º 1301001.400 S1C3T1 Fl. 7 11 Em virtude da referida constatação, os sócios (pessoas físicas) foram responsabilizados nos termos do artigo 124 do CTN, sendo necessário, portanto, analisar a inclusão das pessoas físicas como corresponsáveis e a consequente insurgência em sede de Recurso Voluntário contra a tal responsabilização. Nesta oportunidade, em vista da recente modificação do entendimento do Supremo Tribunal Federal quanto à necessidade de participação na esfera administrativa das pessoas responsabilizadas e solidarizadas, tenho por bem rever meu posicionamento quanto a matéria objeto do inconformismo aqui apreciado. Firmei entendimento em casos anteriores de que vigorando a jurisprudência de que bastaria à Fazenda a inclusão na CDA para responsabilização pessoal e solidarização, e tendo o auto de infração sido lavrado contra a pessoa jurídica, não seria de grande relevo o enfretamento, na sede administrativa, das circunstâncias materiais que redundaram na lavratura do Termo de Solidarização com fulcro no inciso I, do artigo 124 do CTN, eis que cumpriria à fase de eventual cobrança judicial tais enfrentamentos. Repensando estas circunstâncias, no entanto, e com maior razão contemplando as questões materiais que envolvem o caso concreto, de bom alvitre perquirir minudentemente a solidarização das pessoas físicas levadas a efeito no presente processo. Prioritariamente, a questão deve ser brevemente analisada pelo viés da responsabilidade e da solidariedade tributária. Hugo de Brito Machado, em artigo intitulado “A Solidariedade na Relação Tributária e a Liberdade do Legislador no art. 124, II, do CTN, publicado recentemente na Revista Dialética de Direito Tributário, cuidadosamente assentou que “para que seja cabível o lançamento com a consequente cobrança do tributo e da penalidade pecuniária correspondente, o sujeito passivo há de ter, além do dever de pagar o tributo, que não cumpriu, também a responsabilidade, assim compreendido como o estado de sujeição, de sorte que não se situará a discussão na esfera da liberdade, mas na esfera da coerção”. (Revista Dialética de Direito Tributário, edição 195, página 61). Ora, do raciocínio acima deduzido vêse que para que se possa exigir a obrigação tributária de determinada pessoa, imperioso que se afira o estado de sujeição passiva, para análise do consequente dever e responsabilidade. A questão que se põe, no entanto, dáse em panorama um tanto distinto, precisase aferir a sujeição passiva decorrente da solidarização, de sorte que alguns elementos extras, necessariamente, precisarão ser analisados. Como bem se sabe, tratandose de solidariedade no contexto da obrigação tributária, presente a unicidade da sujeição ativa do tributo, podese definila, falo da solidariedade, como vínculo estabelecido entre os sujeitos passivos da respectiva obrigação, que os une de tal forma que os aspectos matérias oponíveis a um (ou por um) aproveita os demais. Dito isso, não é despiciendo lembrar que o Código Tributário Nacional estabeleceu duas espécies de sujeição passiva, os ditos contribuintes, e os responsáveis tributários. Para os casos de solidarização, a exemplo do que aqui se analisa, interessa a modalidade de sujeição passiva “contribuinte”, também chamado de sujeito passivo por excelência. Tratando, portanto, de sujeição passiva por solidarização na modalidade contribuinte, de bom alvitre visitar o que dispõe o artigo 121 do CTN, consagrador de que é Fl. 595DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 12 contribuinte a pessoa que tenha relação direta e pessoal com o fato gerador do tributo, sendo este o liame que se terá de atingir para classificação de determinada pessoa como contribuinte, não sendo diferente para o contribuinte solidarizado. Verificado que o norte para caracterização do contribuinte é a sua relação direta e pessoal com o fato gerador, devese mencionar que o artigo 124 do CTN, dispõe em seu inciso I, que são solidariamente responsáveis as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Comungando ambas as regras, podese dizer que a figura da solidariedade não se afasta daquela contida no Código Civil, Livro I, Título I, Capítulo VI, “Das Obrigações Solidárias”, ou seja, há solidariedade quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com um direito, ou obrigado, à dívida toda. Sendo assim, caso se tenha pluralidade de pessoas com interesse na situação que constitua o fato gerador (regra do 124, I) e todas tenham mantido relação direta e pessoal com tal situação (regra do 121), apresentase possibilidade de solidarização. Luiz Antonio Caldeira Miretti in Comentários ao Código Tributário Nacional, 6ª edição, editora Saraiva, pág. 242 em diante, assevera que “o instituto da solidariedade em matéria tributária, assegura o interesse do Fisco para a busca de seu direito de exigir do sujeito passivo o cumprimento da obrigação tributária, ocorrendo a solidariedade, consoante afirma o indigitado autor, sempre que se der a presença de mais de um sujeito passivo na mesma relação tributária, destacandose como premissa a existência de “interesse comum” das pessoas que participam da situação fática geradora da obrigação”. Importante registrar, na ordem daquilo que argumentaram os recorrentes responsabilizados, que a solidariedade advinda do interesse comum, tal como esquadrinhada acima e prevista no CTN, dispensa previsão específica na lei que regular o determinado tributo, para apontar os devedores solidários, porquanto a distinção do CTN é de caráter geral, aplicandose aos tributos contidos no sistema tributário nacional. Feitas essas ponderações de ordem conceitual, observase que as pessoas físicas foram solidarizadas nos moldes dos Termos de Sujeição Passiva Solidária encartados das folhas 339 à 342, sendo que a Fiscalização apresentou a genérica justificativa de as pessoas físicas em questão participaram ativamente da gerência dos negócios da pessoa jurídica. Não me parece suficiente a imputação realizada, de disporem as pessoas físicas de poderes gerenciais, suficiente a desencadear a solidarização levada a efeito. A Fiscalização não comprovou, aliás, nem mesmo argumentou, qual seria o preciso interesse na situação que constituiu o fato gerador (regra do 124, I), nem mesmo qual a relação direta e pessoal com tal situação (regra do 121). A imputação genérica, tal como feita, levaria à impensável ideia de sujeitar todo e qualquer administrador, mesmo em caso de singela omissão de receitas, desprestigiando as regras claras e induvidosas que permitem a solidarização, mas que a seu turno, exigem comprovação dos fatos capazes de desencadeála. Sendo assim, entendo que neste tópico específico a decisão recorrida está a merecer reforma, devendose excluir a solidarização das pessoas físicas arroladas neste processo. IV – CONCLUSÃO Fl. 596DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10660.720149/201311 Acórdão n.º 1301001.400 S1C3T1 Fl. 8 13 Diante do que foi exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar as preliminares, assentar a procedência do auto de infração, considerada a omissão de receitas decorrente de presunção legal, afastando, no entanto, a sujeição passiva solidária das pessoas físicas arroladas, motivo pelo qual dou PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. Sala das Sessões, em 12 de fevereiro de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10715.007657/2009-41
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 01/07/2005, 02/07/2005, 12/07/2005, 13/07/2005, 16/07/2005, 21/07/2005, 22/07/2005, 23/07/2005
MULTA ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA
Aplica-se retroativamente a norma tributária penal que comina penalidade mais benéfica que a prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração.
Numero da decisão: 3803-006.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
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INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DO EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas após o desembaraço da mercadoria e antes do início de qualquer atividade de fiscalização, relativamente ao dever de se informarem, no Siscomex, os dados referentes aos embarques anteriormente declarados em Declarações de Exportação. Inaplicáveis quaisquer das exceções previstas na legislação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 01/07/2005, 02/07/2005, 12/07/2005, 13/07/2005, 16/07/2005, 21/07/2005, 22/07/2005, 23/07/2005 MULTA ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA Aplicase retroativamente a norma tributária penal que comina penalidade mais benéfica que a prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado que negava provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 76 57 /2 00 9- 41 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.007657/200941 Acórdão n.º 3803006.286 S3TE03 Fl. 145 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo contribuinte, esta manejada em oposição ao auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário referente à multa regulamentar no valor de R$ 80.000,00, decorrente da prestação intempestiva de informações relativas a 16 embarques aéreos realizados no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Consta do auto de infração que o contribuinte registrara no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) os dados de embarques de exportação fora do prazo legal de 2 (dois) dias, infração essa sujeita a multa, nos termos do art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei n ° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n ° 10.833, de 2003. De acordo com o autuante, a obrigação do transportador encontrase estabelecida no art. 37 do mesmo Decretolei, com observância do prazo estipulado no art. 39, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994. Ainda de acordo com o agente fiscal, o referido prazo deveria ser observado pelo transportador por veículo, cada um identificado pelo respectivo voo, em que se transportaram as cargas amparadas pelas Declarações de Exportação (DE). Cientificado do auto de infração, o contribuinte apresentou Impugnação e requereu o cancelamento do auto de infração, alegando (i) erro na tipificação do auto de infração, (ii) ausência de prova da intempestividade, (iii) prova imperfeita em razão de indisponibilidades do Siscomex, (iv) inexistência de embaraço à fiscalização, (v) violação da finalidade do ato administrativo e (vi) violação à proporcionalidade e à razoabilidade. A DRJ Florianópolis/SC julgou improcedente a Impugnação, tendo o acórdão sido ementado nos seguintes termos: Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2005 Ementa: Registro dos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação. Realização. Intempestiva. Infração. Penalidade. O registro dos dados de embarque, no Siscomex, relativo à mercadoria destinada à exportação realizado fora do prazo fixado constitui infração pelo descumprimento da obrigação Fl. 145DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.007657/200941 Acórdão n.º 3803006.286 S3TE03 Fl. 146 3 acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994 sujeitando o transportador à multa prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Destacou o julgador administrativo que “a norma do art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005, aumentou o prazo para o transportador registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria”, aplicandose retroativamente com base no disposto no art. 106, II, do CTN. Quanto às demais alegações do contribuinte, a Delegacia de Julgamento afastouas, ora por falta de comprovação, ora em razão da necessária observância do princípio da legalidade por parte da Administração Pública, cuja atividade é vinculada e obrigatória. Cientificado da decisão em 09/12/2010, o contribuinte interpôs, no dia 16 de dezembro do mesmo ano, Recurso Voluntário e reiterou seu pedido de cancelamento total do auto de infração, repisando os argumentos de defesa apresentados na Impugnação, sendo acrescentadas as seguintes alegações: (i) caráter confiscatório da multa e (ii) impossibilidade de retroação da IN n° 510, de 2005. O Recorrente arguiu, também, a ocorrência de direito superveniente, autorizando a aplicação do instituto da denúncia espontânea às multas administrativas. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre o auto de infração lavrado em decorrência da prestação intempestiva de informações relativas a embarques de mercadorias para o exterior, transportadas por via aérea, durante o mês de julho de 2005. Em relação às alegações do Recorrente que coincidem com aquelas formuladas na primeira instância, reafirmo o que foi dito pelo julgador de piso quanto à ausência de comprovação dos fatos apontados e à necessidade de observância, pela Administração Pública, cuja atividade é vinculada, do princípio da legalidade em matéria tributária. Contudo, dois dos argumentos trazidos pelo Recorrente na segunda instância mostramse cabíveis no presente julgamento. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.007657/200941 Acórdão n.º 3803006.286 S3TE03 Fl. 147 4 O auto de infração sob comento encontrase fundamentado no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei nº 37, de 1966, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, e no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994, alterado pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005, verbis: Decretolei nº 37, de 1966 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994 Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN 510, de 2005) Considerando o teor dos excertos supra e o fato de que a autuação se refere a embarques ocorridos no mês de julho de 2005, é possível constatar que, no momento da ocorrência das infrações apontadas pela Fiscalização, vigia a redação do art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994, dada pela IN SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005, que fixava o prazo de dois dias para a prestação das informações no Siscomex. Contudo, posteriormente, a IN RFB n.º 1.096 de 2010, alargou para sete dias o prazo para a prestação das informações de embarque, em razão do que, considerando os dados apurados pela Fiscalização presentes no anexo do auto de infração, devem ser canceladas as parcelas da multa exigidas com base no prazo de dois dias, que não excederem o prazo de sete dias, tendo em vista o contido no art. 106, II, do Código Tributário Nacional (retroatividade benigna). Quanto ao restante da autuação, relativamente à prestação de informações em prazo superior a sete dias, há que se considerar a normatividade do art. 102 do DecretoLei nº Fl. 147DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.007657/200941 Acórdão n.º 3803006.286 S3TE03 Fl. 148 5 37, de 1966, que trata da aplicação da denúncia espontânea na exclusão de penalidades de natureza administrativa. Eis o teor do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento." (grifei) Constatase do § 2º supra que a denúncia espontânea regida pelo DecretoLei nº 37, de 1966, exclui a aplicação de penalidades tanto de natureza tributária quanto de natureza administrativa, havendo exceção em relação à penalidade aplicada na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento, o que não corresponde ao elemento fático deste processo, qual seja, atraso do registro no Siscomex de informações relativas a embarques de mercadorias informadas em Declarações de Exportação (DE). A denúncia espontânea encontrase disciplinada no art. 138 do CTN da seguinte forma: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Com base no art. 138 do CTN, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem decidido1 que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 1 AgRg no REsp 1279038, 2ª T., j. 2/2/2012; AgRg no AREsp 11340, 2ª T., j. 13/9/2011; REsp 1129202, 2ª T., j. 17/6/2010; etc. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.007657/200941 Acórdão n.º 3803006.286 S3TE03 Fl. 149 6 Nesse mesmo sentido, temse a súmula nº 49 do CARF que estipula que “[a] denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Os acórdãos paradigmas que ensejaram a aprovação da súmula referemse às declarações do imposto de renda (DIRPF e DIPJ), de retenção na fonte (DIRF) e DCTF. Consoante tais entendimentos, a denúncia espontânea do art. 138 do CTN alcança apenas as obrigações principais e não as acessórias. Contudo, no presente caso, temse uma regra expressa específica determinando que a denúncia espontânea abrange as multas administrativas (§ 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966), disposição legal essa válida e vigente a reclamar por sua observância por parte da Administração Pública. Tal regra encontrase inserida no corpo da mesma lei (DecretoLei nº 37, de 1966) que estipula a multa administrativa sob comento, o que corrobora com a conclusão de que se aplica à inobservância da obrigação acessória destes autos. Conforme consta da descrição dos fatos no auto de infração, a ação fiscal iniciarase após as datas dos voos, ou seja, após o desembaraço das mercadorias e, também, após o registro no Siscomex dos dados de embarque pelo transportador, registro esse efetuado, portanto, antes de qualquer procedimento da fiscalização tendente a apurar a infração, o que torna, a princípio, o fato sob exame consentâneo com a previsão normativa supra reproduzida. Registrese que o referido § 2º inexistia originariamente no art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, vindo a ser incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, para abranger apenas as penalidades de natureza tributária. Com o advento da Medida Provisória nº 497, de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 2010 (art. 40, que alterou o art. 32, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966), passouse a prever a aplicação da denúncia espontânea às multas administrativas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias. Mostrase evidente a intenção do legislador de estimular o cumprimento espontâneo da obrigação acessória por parte do contribuinte ou responsável, adotando o entendimento que vem sendo difundido nos tribunais inferiores e na doutrina de que o instituto da denúncia espontânea alcança, sim, as obrigações acessórias. Por se tratar de matéria relativa a responsabilidade infracional, a inovação promovida em 2010 pela Medida Provisória nº 497 aplicase a fatos pretéritos, por força do contido no art. 106, inciso II, alínea “b”, do CTN, em que se estipula que a lei se aplica retroativamente ao ato não definitivamente julgado, quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo. Não se pode perder de vista que a atuação da Administração Pública é vinculada e obrigatória, sob pensa de responsabilidade funcional do agente, não podendo ela agir em desconformidade com o sistema jurídico. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.007657/200941 Acórdão n.º 3803006.286 S3TE03 Fl. 150 7 O Tribunal Regional Federal da 4ª Região entende que “a exclusão da multa fiscal aplicase tanto ao descumprimento de obrigação principal como de obrigação acessória, visto que o art. 138 do CTN não faz qualquer alusão à natureza da infração” 2. Conforme apontou o Relator Desembargador na aludida decisão, o descumprimento de obrigação acessória constitui infração à legislação tributária, podendo ensejar a aplicação de multa prevista em lei, sendo do interesse da Administração tributária o seu cumprimento por parte dos contribuintes e responsáveis. De acordo com a ressalva do mesmo art. 138 do CTN, ao destacar a expressão “se for o caso”, a denúncia espontânea não se restringe às obrigações principais, pois a referida expressão evidencia que nem sempre o cumprimento da obrigação tributária acarreta o pagamento de tributo. A expressão “se for o caso” explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). 3 A súmula CARF nº 49, no meu entendimento, não estará sendo inobservada com a adoção desse entendimento, pois, tendo em vista o teor dos acórdãos paradigmas que a orientaram, a sua disciplina abrange as declarações periódicas a que os contribuintes se encontram obrigados a apresentar, seja em razão de sua condição de sujeito passivo ou de responsável, para repassar à Administração tributária as informações necessárias à análise do cumprimento da obrigação tributária principal. Além disso, a previsão legal específica (§ 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966) diferencia este caso dos demais, não se vislumbrando possibilidade de inobservância do imperativo legal. Contudo, necessário se torna analisar, uma por uma, as exceções impostas pela legislação tributária relativamente à aplicação da denúncia espontânea, a saber: a) não se considera espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria (§ 1º, alínea “a”, do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966); b) não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração (§ 1º, alínea “b”, do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966); c) não se considera espontânea a denúncia relativamente a penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento (§ 2º do art. 102 do Decreto lei nº 37, de 1966); 2 AC 2001.70.00.0268477/PR, 1ª T., excerto do voto do Rel. Des. Fed. Wellington Mendes de Almeira, j. 17/10/2002. 3 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2006, p. 451. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.007657/200941 Acórdão n.º 3803006.286 S3TE03 Fl. 151 8 d) não se considera espontânea a denúncia depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior (§ 3º do art. 612 do Decreto nº 4.543, de 2002 – Regulamento Aduaneiro). Considerando que as informações foram prestadas intempestivamente pelo Recorrente mas antes de qualquer atividade da fiscalização e alguns dias depois das datas dos voos em que as mercadorias exportadas foram transportadas, temse que nenhuma das exceções acima referenciadas se aplica ao presente caso. No caso sob análise, no momento da prestação de informações pelo transportador, as Declarações de Exportação já haviam sido apresentadas, restringindose a obrigação acessória aos registros dos embarques no Siscomex, medida essa de controle meramente administrativo, o que em nada afeta o cumprimento das obrigações tributárias principais. Nesse contexto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso, para cancelar o auto de infração, com base na retroatividade benigna de norma tributária penal mais benéfica e na denúncia espontânea. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 151DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10680.725101/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS- REPLEG. MEDIDA ADMINISTRATIVA.
Constitui peça de instrução do processo administrativo-fiscal previdenciário o Anexo REPLEG, que lista todos os representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação, medida meramente administrativa, que não implica na atribuição de responsabilidade pelo crédito tributário às pessoas nele listadas.
GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PELO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES COM A SEGURIDADE SOCIAL
As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social.
Na espécie a empresa não contestou a afirmação do fisco quanto à existência de grupo econômico, tornando-se incontroverso este fato, portanto, cabível a imputação da responsabilidade solidária.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA DO ÓRGÃO JULGADOR.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes ao Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS. PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS EM CONVENÇÃO COLETIVA. ESTABELECIMENTO DE METAS INDIVIDUAIS. PAGAMENTO DE VALORES SUPERIORES AO ESTABELECIDO EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO.
A ausência de participação dos empregados na elaboração de Convenção Coletiva de Trabalho não se configura ofensa à Lei n. 10.101/2000, tendo em vista que, nesse caso, a participação do empregado se manifesta indiretamente, através do seu Sindicato. A participação direta do empregado só é exigida caso o Programa de PLR seja estabelecido por acordo firmado entre Comissão de Empregados e Empregadores, não por Convenção Coletiva de Trabalho.
O art. 2º, §1º, da Lei nº 10.101/00 determina que as regras para apuração da participação nos lucros sejam claras e objetivas. Entretanto, não há necessidade de que tais regras sejam criadas de forma individual, sendo possível a criação de regras a serem aplicadas ao grupo ou setor da empresa.
Além de a Convenção Coletiva de Trabalho estipular a possibilidade de pagamento de valores superiores através de Plano Próprio de PLR, os valores foram pagos dentro dos limites estabelecidos no denominado Programa Participar. Não há vedação à estipulação, em Plano Próprio, de valores superiores aos previstos em Convenção Coletiva de Trabalho.
ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS DA AUTUAÇÃO PELA DRJ. VEDAÇÃO. ARTIGOS 145 E 146 DO CTN.
O órgão julgador não pode se valer de argumentos que não foram aduzidos pelo auditor fiscal autuante para manter a autuação, devendo julgar a lide nos estritos limites estabelecidos pelo relatório fiscal. Devem ser ignorados os motivos adicionais aduzidos pela DRJ para caracterização dos pagamentos efetuados a título de PLR como remuneração.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) rejeitar a preliminar de exclusão da lista dos corresponsáveis; e b) rejeitar a preliminar de nulidade da Representação Fiscal para Fins Penais. II) Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de inexistência de sujeição passiva solidária. Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim (relatora), Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que a acolhiam. III) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negava. Votou pelas conclusões o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, por entender que o levantamento foi realizado por arbitramento sem a devida motivação. Designado para redigir o voto vencedor na parte referente à sujeição passiva solidária o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim Relator
Kleber Ferreira de Araújo Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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MEDIDA ADMINISTRATIVA. Constitui peça de instrução do processo administrativofiscal previdenciário o Anexo REPLEG, que lista todos os representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação, medida meramente administrativa, que não implica na atribuição de responsabilidade pelo crédito tributário às pessoas nele listadas. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PELO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES COM A SEGURIDADE SOCIAL As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. Na espécie a empresa não contestou a afirmação do fisco quanto à existência de grupo econômico, tornandose incontroverso este fato, portanto, cabível a imputação da responsabilidade solidária. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA DO ÓRGÃO JULGADOR. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes ao Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS. PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS EM CONVENÇÃO COLETIVA. ESTABELECIMENTO DE METAS INDIVIDUAIS. PAGAMENTO DE VALORES SUPERIORES AO ESTABELECIDO EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. A ausência de participação dos empregados na elaboração de Convenção Coletiva de Trabalho não se configura ofensa à Lei n. 10.101/2000, tendo em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 51 01 /2 01 0- 19 Fl. 808DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 vista que, nesse caso, a participação do empregado se manifesta indiretamente, através do seu Sindicato. A participação direta do empregado só é exigida caso o Programa de PLR seja estabelecido por acordo firmado entre Comissão de Empregados e Empregadores, não por Convenção Coletiva de Trabalho. O art. 2º, §1º, da Lei nº 10.101/00 determina que as regras para apuração da participação nos lucros sejam claras e objetivas. Entretanto, não há necessidade de que tais regras sejam criadas de forma individual, sendo possível a criação de regras a serem aplicadas ao grupo ou setor da empresa. Além de a Convenção Coletiva de Trabalho estipular a possibilidade de pagamento de valores superiores através de Plano Próprio de PLR, os valores foram pagos dentro dos limites estabelecidos no denominado Programa Participar. Não há vedação à estipulação, em Plano Próprio, de valores superiores aos previstos em Convenção Coletiva de Trabalho. ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS DA AUTUAÇÃO PELA DRJ. VEDAÇÃO. ARTIGOS 145 E 146 DO CTN. O órgão julgador não pode se valer de argumentos que não foram aduzidos pelo auditor fiscal autuante para manter a autuação, devendo julgar a lide nos estritos limites estabelecidos pelo relatório fiscal. Devem ser ignorados os motivos adicionais aduzidos pela DRJ para caracterização dos pagamentos efetuados a título de PLR como remuneração. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) rejeitar a preliminar de exclusão da lista dos corresponsáveis; e b) rejeitar a preliminar de nulidade da Representação Fiscal para Fins Penais. II) Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de inexistência de sujeição passiva solidária. Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim (relatora), Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que a acolhiam. III) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negava. Votou pelas conclusões o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, por entender que o levantamento foi realizado por arbitramento sem a devida motivação. Designado para redigir o voto vencedor na parte referente à sujeição passiva solidária o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim – Relator Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Fl. 809DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.725101/201019 Acórdão n.º 2401000.537 S2C4T1 Fl. 3 3 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Relatório Tratase de Auto de Infração DEBCAD nº 37.315.6472, lavrado em 20/12/2010, através do qual são exigidas Contribuições Sociais Previdenciárias – quota patronal – sobre as parcelas pagas a título de Participação nos Lucros e Resultados – PLR, pela empresa autuada, no ano de 2007. De acordo com o Relatório Fiscal de Lançamento de Débito (fls. 3442), o Fiscal Autuante aduziu que: · O Fato Gerador da Contribuição Social Previdenciária, lançada neste Auto de Infração, é o total das remunerações pagas ou creditadas, a título de Participação nos Lucros ou Resultados, no decorrer do ano de 2007. É válido notar que, em regra, os valores foram pagos nas competências de abril e outubro, havendo, entretanto, pagamento de valores a título de PLR, de forma residual, nos meses de janeiro, fevereiro, março, maio, novembro e dezembro de 2007. · No exercício de 2007, a Empresa pagou aos seus empregados o montante de R$ 4.407.411,69 a título de “Participação nos Lucros ou Resultados”. No mesmo período, pagou a título de “salário mensal", o valor correspondente a R$ 14.326.015,52. · A PLR paga pela empresa está prevista em instrumentos de Convenção Coletiva de Trabalho CCT, database setembro de 2005/2007 e 2007/2009 entre o SINDICATO DOS EMPREGADOS EM EMPRESAS DE PROCESSAMENTO DE DADOS, SERVIÇOS DE INFORMÁTICA E SIMILARES DO ESTADO DE MINAS GERAIS SINDADOS/MG e o SINDICATO DAS EMPRESAS DE PROCESSAMENTO DE DADOS, INFORMÁTICA, SOFTWARE E SERVIÇOS EM TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO DO ESTADO DE MINAS GERAIS SIND INFOR. Entretanto, embora a negociação do PLR tenha sido conduzida pelo sindicato patronal e pelo sindicato dos trabalhadores, não houve a participação direta dos empregados. · Além da previsão em CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO CCT (fl. 77/96), a Empresa apresentou também “Programa de Participação nos Lucros e Resultados 2007” “PARTICIPAR 2007” (fl.97/121). · Nesse programa estão definidos os objetivos, os participantes de forma global dos empregados diretores, gerentes, profissionais de nível superior PNS e técnicos, as metas de resultado global e por gerência e os critérios para a concessão da participação, o modelo de acompanhamento e o cálculo do valor da participação. · Foi solicitado à empresa, por meio de Termos de Intimação Fiscal nº 02 (fl. 16),que ela esclarecesse: a) como foi realizada a avaliação das metas individualizadas de cada empregado; b) qual o percentual que cada empregado atingiu; c) o valor pago a cada empregado e o “plus” recebido por cada um deles. · A empresa, diante de tais questionamentos, informou que apenas dois empregados não atingiram 100% das metas estabelecidas, atingindo cada um deles 90% da sua meta. A empresa não se manifestou sobre as avaliação/aferições individuais do desempenho das metas. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.725101/201019 Acórdão n.º 2401000.537 S2C4T1 Fl. 4 5 · A Participação nos Lucros ou Resultados prevista na Convenção Coletiva de Trabalho CCT, “CLÁUSULA QUARTA corresponde a 1/12 (um doze avos) de 20% (vinte por cento) do valor do salário ajustado no mês de setembro/2007, por mês ou fração igual ou superior a 15 dias de efetivo trabalho durante o exercício de 2007 (1º de janeiro a 31 de dezembro), sem prejuízo do período de afastamento por motivo de férias ou ausências aceitas pela empresa observandose [...]”. · A empresa estabeleceu que o montante máximo para o pagamento do “PARTICIPAR 2007” seria superior aos sugeridos pela CCT/2007. Para gerentes: 4 salários base, para líderes: 3 salários base e para profissionais de nível superior e técnicos: 2,5 salários base. · Não restaram claros quais os critérios de avaliação/aferição individual dos indicadores propostos (metas) aplicados para que os empregados recebessem o PLR. · Na ação fiscal, além do presente Auto de Infração, foram lavrados os seguintes documentos: NATUREZA DOCUMENTO DEBCAD COMPROT DESCRIÇÃO VALORES R$ Auto de Infração 37.315.6480 10680.725102/201063 Contribuições dos segurados 57.845,78 Auto de Infração 37.315.6499 10680.725.103/201016 Contribuições de outras entidades 410.194,71 Auto de Infração 37.315.6502 10680.725.104/201052 Descumprimento de obrigação acessória CFL 30 1.431,79 Auto de Infração 37.315.5510 10680.725.105/201005 Descumprimento de obrigação acessória CFL 59 1.431,79 Auto de Infração 37.315.6529 10680.725.106/201041 Descumprimento de obrigação acessória CFL 68 42.953,70 · Em função do princípio da retroatividade benigna foi elaborado quadro comparativo entre as multas previstas na legislação atual e anterior, consoante Anexo II fl. 115. O referido quadro demonstrou que a aplicação da multa de ofício de 75% foi a mais benéfica para o contribuinte nas competências de janeiro, fevereiro, março, novembro e dezembro de 2007. · Foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária contra a empresa ARCELORMITAL BRASIL S/A CNPJ: 17.469.701/000177, por se tratar de Grupo Econômico, nos termos do art. 124 da Lei nº 5.172 de 1966 e nos termos da seguinte legislação: Lei nº 8.212/91, art. 30, IX; Regulamento da Previdência Social RPS, art. 222. A Autuada foi notificada em 23/12/2010 e apresentou impugnação às fls. 136161, através da qual alegou preliminarmente: 1. A exclusão dos corresponsáveis: · A Autuada alegou que, de acordo com a jurisprudência do STJ, os Diretores apenas respondem, por substituição, pelo crédito correspondente à obrigação tributária quando esse resulte de ato ou fato praticado com excesso de poderes ou com infração à lei, contrato social ou estatuto. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 · Assim, considerando que não consta nos autos qualquer fundamentação legal ou justificativa fática para tal inclusão, requereu a exclusão dos diretores relacionados na autuação. 2. A inexistência de sujeição passiva solidária no caso em tela Exclusão da solidariedade: · A impugnante aduziu que é inaplicável a sujeição passiva solidária pretendida, tendo em vista que a interpretação adotada pelos Tribunais Superiores é no sentido de que as pessoas solidariamente obrigadas devam constituirse em sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível, sob pena de ferirse a lógica jurídicotributária, integrando, no polo passivo da relação jurídica, alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador. · Apenas sob uma interpretação sistemática do CTN, pode a lei ordinária, autorizada pelo inciso II do art. 124 do CTN, dispor sobre hipóteses de solidariedade passiva, de modo que toda e qualquer previsão legal sobre o tema deve resultar em expressa vinculação do responsável solidário ao fato gerador da obrigação tributária, conforme preconiza o art. 128 do CTN. · Por fim, a empresa autuada possui plena capacidade econômica de arcar integralmente com as verbas pleiteadas no presente AI. 3. A nulidade da Representação Fiscal para fins Penais. Ausência de conduta típica. Inexigibilidade dos valores cobrados. Ausência de débito. · A Impugnante alegou que o direito penal não pode ser utilizado como coerção para pagamento e nem tampouco para imputar ilícito penal a dirigentes que seguem estritamente o que determina o ordenamento jurídico. · Os responsáveis legais da empresa não podem sofrer nenhum tipo de constrangimento enquanto não houver uma decisão administrativa definitiva transitada em julgado. · O ilícito penal sempre deve ter como elemento subjetivo a conduta de máfé e sonegação, o que, em definitivo, não restou caracterizado no caso dos autos. No mérito, aduziu: 1. Participação dos empregados nos lucros ou resultados: · A Impugnante alegou a inépcia da peça fiscal, diante da ausência de motivação, considerando que a Fiscalização equivocouse ao adotar as seguintes premissas: a) A fiscalização afirmou que não houve participação direta dos empregados, porém a Lei nº 10.101/00 não exige tal participação, podendo as normas, que estabelecem a distribuição dos lucros, serem criadas via comissão, ACT ou CCT; b) Os fiscais alegaram que a empresa não se manifestou sobre as avaliações/aferições individuais do desempenho das metas. Entretanto, uma vez esclarecido que o cálculo do referido plano não era individualizado, mas, sim, realizado por cada gerência, os fiscais não indicaram em que pontos discordaram dos procedimentos adotados pela empresa. c) Afirmou que, embora a CCT estabelecesse que o pagamento da PLR deveria corresponder a 20% do salário reajustado de setembro/2007, o Programa Participar Fl. 813DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.725101/201019 Acórdão n.º 2401000.537 S2C4T1 Fl. 5 7 estabeleceu valores superiores aos sugeridos pela CCT/2007, quais sejam: 04 salários base para gerente; 03 saláriosbase para líderes e 2,5 saláriosbase para profissionais de nível superior e técnico. Tal afirmação foi sustentada sem observância da própria CCT, juntada pela fiscalização, que previa a possibilidade de pagamento a maior. Por fim, requereu a procedência da impugnação para de forma preliminar (i) excluir os Diretores e Contador elencados na autuação no Relatório de Vínculos, para todos os fins de direitos; (ii) anular o termo de sujeição passiva solidária lavrado em nome da ARCELOMITTAL BRASIL S/A, uma vez que inaplicável a sujeição passiva solidária pretendida; (iii) cancelar ou suspender o Processo de Representação Fiscal para Fins Penais instaurado, até o término do presente Processo Administrativo, vez que, até então, o crédito tributário é inexigível e (iv) anular o presente auto de infração por ausência de motivação da autoridade administrativa, já que os motivos por ela postos não coadunam com a realidade fática e jurídica constante dos autos e dos documentos entregues pela empresa fiscalizada. No mérito, declarar a insubsistência total da presente autuação, pois, conforme restou demonstrado, a empresa cumpriu todos os ditames constitucionais e legais. Instada a manifestarse acerca da matéria, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) entendeu por bem julgar improcedente a impugnação, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PREVISÃO CONSTITUCIONAL. O dispositivo constitucional que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros e resultados desvinculada da remuneração é de eficácia limitada, eis que expressamente prevê regulamentação por meio de lei ordinária, em consequência, a citada verba só deixou de integrar a base de contribuição a partir da edição da norma infraconstitucional e desde que em cumprimento da mesma. NATUREZA SALARIAL DE PARCELA. INCIDÊNCIA. Verificandose que, embora denominada “participação nos lucros”, a parcela paga ao trabalhador tem natureza remuneratória, não se enquadrando nas hipóteses legalmente excluídas da tributação, deve ser reconhecida como integrante do salário de contribuição, base de incidência da contribuição exigida, não sendo admissível a prevalência do rótulo sobre o conteúdo. RELATÓRIO DE VÍNCULOS NÃO LISTA RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS. As informações constantes do “Relatório de Vínculos”, não tem o condão de imputar responsabilidade tributária prevista no CTN às pessoas físicas e jurídicas ali incluídas em razão de se enquadrarem na situação pessoas físicas ou jurídicas de Fl. 814DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não. IMPUGNAÇÃO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS FEITA EM PROCESSO DE DÉBITO: NÃO CABIMENTO. O processo de exigência de crédito fiscal não é o fórum adequado para apresentação de impugnação a processo de Representação Fiscal para fins penais. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Em razão de expressa disposição legal e do interesse comum na situação que constitui o fato gerador da contribuição previdenciária, as empresas do mesmo grupo econômico respondem solidariamente pelas referidas contribuições; Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Dentre os principais argumentos para a incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de participação nos lucros e resultados, a DRJ identificou que a condição para o pagamento da verba garantida na CCT era a assiduidade de, no mínimo, 15 dias por mês, conforme disposto na sua cláusula quarta. Sendo assim, entendeu que o pagamento assegurado pela CCT exibida pela autuada não depende de critério relacionado ao trabalho, não tendo qualquer vinculação ao cumprimento de metas, resultados ou fatores ligados ao trabalho, razão pela qual o referido instrumento negocial não teria preenchido os requisitos do §1º do art. 2º e incisos, da Lei 10.101/00. Além disso, aduziu que os parágrafos 7º e 12º da CCT autorizam “as empresas a terem planos próprios e compensálos por conta do avençado naquele instrumento coletivo”. Entretanto, tal “autorização” é incapaz de suprir a ausência dos requisitos do §1º do art. 2º, e incisos, da Lei 10.101/00 no instrumento de negociação coletiva juntados aos autos, uma vez que, embora as Convenções Coletivas de Trabalho façam lei entre as partes signatárias do contrato de trabalho não têm força normativa de alterar dispositivo legal e de excluir a parcela do campo legal de incidência tributária. Alegou, ainda, que não poderia a CCT fazer das imposições legais letra morta, autorizando que o valor da Participação dos Lucros e Resultados, as metas ou resultados para o seu pagamento e os mecanismos de aferição do implemento dos mesmos fossem definidas, não através de comissão escolhida pelas partes ou através de acordo ou convenção coletiva, mas unilateralmente pelo empregador, como é o caso sob análise, cujas normas adjetivas e substantivas legalmente exigidas são encontradas apenas no “programa próprio da empresa”, denominado “PARTICIPAR”, conforme documento de fl. 97/121. Logo, o conteúdo do “programa próprio da empresa”, denominado “PARTICIPAR”, também não é capaz de suprir as exigências da Lei 10.101/00, eis que não resultou de negociação coletiva entre a empresa e os empregados, mas sim de estipulação unilateral do empregador. Devidamente intimada em 21/03/2012 (AR fls. 754), a Recorrente apresentou recurso voluntário de fls. 756/777 em 20/04/2012, rebatendo a decisão proferida pela DRJ com Fl. 815DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.725101/201019 Acórdão n.º 2401000.537 S2C4T1 Fl. 6 9 base nos mesmos argumentos já trazidos na impugnação, aduzindo, apenas, que a PLR distribuída aos empregados da empresa autuada teve por base um plano bem estruturado de participação nos lucros e resultados, e não a assiduidade do empregado, conforme aduzido pela DRJ, que decerto é um critério importante para aferição do merecimento, mas que nesse caso foi utilizada como mero critério de regulamentação da base da PLR ajustada. É o relatório. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 Voto Vencido Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Passamos, então, à análise das questões trazidas nos Recurso Voluntário, que ora serão examinadas. 1. Da preliminar de exclusão dos corresponsáveis: A Recorrente requereu a exclusão dos nomes dos Diretores do Relatório Fiscal, uma vez que não restou comprovado que eles agiram com excesso de poder ou infringiram a lei. De fato, para a inclusão de determinado nome no Relatório de Representantes Legais não é necessário provar a prática de ato com excesso de poder ou infração à lei, já que tal relatório não imputa aos representantes a condição de devedores. A responsabilização é da pessoa jurídica em nome de quem foi lavrado o Auto de Infração e não dos seus sócios e gerentes, que, por serem representantes legais do sujeito passivo, constam no relatório apenas para o cumprimento das formalidades exigidas pela Administração. Inclusive, esse entendimento já foi pacificado por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais com a edição da súmula nº 88. Vejamos: Súmula CARF nº 88: “A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Sendo assim, considerando que a existência do relatório tem caráter meramente informativo, entendo pela sua manutenção. 2. Da preliminar de inexistência de sujeição passiva solidária: De acordo com o Relatório Fiscal (fl. 85), entendeu a fiscalização pela caracterização de grupo econômico, imputando a responsabilidade pelo crédito tributário lançado também à pessoa jurídica ARCELORMITTAL BRASIL S/A. Vejamos a conclusão alcançada pela Fiscalização: Foi lavrado o devido Termo de Sujeição Passiva Solidária contra a empresa: ARCELORMITTAL BRASIL S/A CNPJ: 17.469.701/000177, por se tratar de Grupo Econômico, nos termos do art. 124 da Lei nº 5.172 de 1966 (Código Tributário Nacional), e nos termos da seguinte legislação: Lei nº 8.212 de 24.07.91, art. 30, IX; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 06.05.99, art. 222 (com a redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 26.11.01). Fl. 817DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.725101/201019 Acórdão n.º 2401000.537 S2C4T1 Fl. 7 11 Em que pesem os argumentos trazidos na impugnação, já mencionados em linhas acima, a decisão de primeira instância manteve a responsabilidade solidária declarada no auto de infração, tendo em vista que a referida solidariedade estaria prevista no art. 30, inciso IX da Lei 8.212/91 e que as empresas arroladas teriam interesse comum na situação que constitui o fato gerador, nos termos do art. 124, incisos I e II do CTN. A Recorrente, por sua vez, aduziu a ausência de embasamento fático e jurídico na sujeição passiva solidária. Isso porque, a sujeição passiva solidária apenas restaria configurada diante do interesse jurídico resultante da realização comum ou conjunta do fato gerador da obrigação em discussão, jamais na hipótese de existir interesse econômico no resultado, como se dá quanto à sujeição passiva solidária de empresas de mesmo grupo econômico. Como se sabe, o art. 30, inciso IX, da Lei 8.212/911, utilizado pela fiscalização como um dos fundamentos legais para a imputação da responsabilidade aqui comentada, define que as empresas que integram o grupo econômico respondem, entre si, solidariamente, pela arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social. Foi invocado também o artigo 124 do CTN, ao alegar que a caracterização de grupo econômico decorre da existência de interesse comum na construção e situação que constituiu os fatos geradores das obrigações principais das contribuições sociais. Vejamos o que dispõe o artigo 124 do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Ocorre, no entanto, que, para a aplicação do referido dispositivo não basta a existência de “interesse comum” na conclusão do negócio. O interesse comum a que a lei se refere é o da situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, ou seja, o interesse no cumprimento da obrigação tributária. Por exemplo, dois coproprietários de imóvel têm interesse comum na propriedade do imóvel e, como tal, são corresponsáveis no pagamento do IPTU. Não é outro o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, senão vejamos: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: […] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei. Tal disposição foi reiterada no art. 222 do Decreto n. 3.048/991, que dispõe: As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 1. A solidariedade passiva ocorre quando, numa relação jurídicotributária composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, cada uma delas está obrigada pelo pagamento integral da dívida. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a copropriedade élhes comum. 2. A Lei Complementar 116/03, definindo o sujeito passivo da regramatriz de incidência tributária do ISS, assim dispõe: "Art. 5º. Contribuinte é o prestador do serviço." 6. Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124 do CTN, verbis: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; [...] Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no polo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. [...] 9. Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o polo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível.(Grifos nossos) [...](REsp 884.845/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/02/2009, DJe 18/02/2009). Desse modo, caberia à Fiscalização comprovar, através dos elementos de fato e de direito, como chegou à conclusão da existência do grupo econômico. Isto porque, nos casos de autuação de empresa, como responsável solidária, com fundamento no inciso IX do art. 30 da Lei 8.212/91, existe a obrigatoriedade inicial de a fiscalização se desincumbir do ônus de comprovar que a empresa autuada e a empresa responsabilizada fazem parte, ou faziam parte, de um grupo econômico de empresas, apontando clara e precisamente, os elementos de fato e de direito que levaram o fiscal autuante a concluir pela formação do grupo. No caso em tela, verificase que o fiscal autuante mantevese silente quanto a tal necessidade de fundamentação, restringindose apenas a citar os dispositivos invocados para caracterizar a responsabilidade solidária atribuída aos grupos econômicos. Ademais, o art. 142 do CTN2 estabelece que o crédito tributário deva ser constituído em face do sujeito passivo da obrigação, logo, para imputálo também a outras 2Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.725101/201019 Acórdão n.º 2401000.537 S2C4T1 Fl. 8 13 pessoas, que não o sujeito passivo, é preciso comprovar, de forma contundente, os elementos necessários à formação do grupo econômico. Nesse sentido, manifestase o Conselheiro Igor Araújo Soares, em artigo que analisa o tema. A necessidade de autuação clara e precisa da fiscalização encontra fundamento, ainda, no próprio Código de Processo Civil, no art. 333, I, que impõe ao autor o ônus em comprovar fato constitutivo de seu direito, no caso, o direito de crédito, bem como da condição de responsável solidário de qualquer pessoa física ou jurídica que venha a ser considerada como devedora dos cofres públicos. [...] O que há de se concluir, dessa forma, é a necessidade de constarem dos autos – especialmente do relatório fiscal, onde se deve pormenorizar toda a fundamentação de fato e de direito que irá sustentar a imposição da solidariedade pelo Fisco – a precisa demonstração das provas consideradas como aptas a determinar a unidade de comando estratégico3. Diante do exposto, em virtude de não ser elucidada de forma satisfatória a existência do grupo econômico por parte do fiscal autuante, entendo que deve ser acolhida a presente preliminar, para ser reconhecida a inexistência de solidariedade e ser excluído do pólo passivo da autuação a empresa ARCELORMITTAL BRASIL S/A. 3. Da preliminar de nulidade da Representação Fiscal para fins penais: Requereu a Recorrente a impossibilidade de prosseguimento da representação fiscal para fins penais, pelo menos enquanto não encerrado o processo fiscal, haja vista a ausência de justa causa de uma eventual ação penal, fundada nas autuações ora impugnadas. A decisão de primeira instância, contudo, deixou de apreciar a questão alegando que, além de se tratar de matéria estranha aos autos – a qual deveria ser arguida nos autos específicos da representação fiscal – o assunto fugiria à alçada das Delegacias de Julgamento. Abstenhome de apreciar também tais alegações, vez que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes ao Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais, conforme estabelece súmula nº 28. Vejamos: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Face o acima exposto, não conheço da preliminar aventada. 3SOARES, Igor Araújo (Conselheiro do CARF). A formação dos grupos econômicos de empresas e a responsabilidade tributária solidária ao adimplemento de contribuições sociais previdenciárias. Contribuições previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF. Coordenadores Elias Sampaio Freire e Marcelo Magalhães Peixoto. Pg. 125. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 14 4. Mérito da Participação dos empregados nos lucros ou resultados: Como se sabe, a Constituição Federal de 1988, no inciso XI, do art. 7º, incluiu entre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, a participação nos lucros ou resultados dos seus empregados. O texto constitucional, neste ponto, é enfático ao assegurar a sua desvinculação da remuneração percebida pelo empregado, de acordo com os critérios legais. Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Nesse sentido, a Lei de Custeio da Seguridade Social, em seu art. 28, §9º, alínea “j”, condicionou a não incidência de contribuição previdenciária ao atendimento dos critérios fixados em lei específica: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Deste modo, para que uma empresa possa efetuar pagamentos aos seus funcionários do referido benefício, é necessário que sejam preenchidos alguns requisitos mínimos dispostos no art. 2º da Lei 10.101/2000: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria. II convenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Conforme já acima mencionado, no caso ora analisado, o fato gerador da referida autuação foi o pagamento de “remunerações”, a título de Participação nos Lucros ou Fl. 821DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.725101/201019 Acórdão n.º 2401000.537 S2C4T1 Fl. 9 15 Resultados, no ano de 2007. Em regra, os pagamentos foram realizados nas competências de abril e outubro de 2007, havendo pagamentos residuais nos meses de janeiro, fevereiro, março, maio, novembro e dezembro. Inicialmente, é importante registrar que, em relação à constatação de pagamento residual da Participação nos Lucros e Resultados nos meses acima referidos, o fiscal apenas constata a existência de tais pagamentos, mas não motiva a autuação em eventual ofensa ao § 2o do art. 3o, que determina a periodicidade semestral dos pagamentos. Esclarecida essa questão, passemos à análise das alegações trazidas pela fiscalização. De acordo com o relatório fiscal, a fiscalização entendeu que: (i) a negociação do PLR (convenção coletiva) foi conduzida pelo sindicato patronal e o sindicato dos trabalhadores, não havendo, portanto, a participação direta dos empregados; (ii) no curso do procedimento fiscal, foi solicitado que a empresa esclarecesse: a) a avaliação das metas individuais de cada empregado; b) qual o percentual que cada empregado atingiu; c) o valor pago a cada empregado e o “plus” separados, não tendo a empresa se manifestado sobre as avaliações/aferições individuais dos desempenhos das metas. Diante disso, não teria ficado claro para a Fiscalização quais os critérios de avaliação/aferição individual dos indicadores propostos (metas) para os empregados receberem a PLR; e (iii) a empresa estabeleceu montante máximo para o pagamento do “PARTICIPAR 2007” superior ao valor sugerido pela CCT/2007. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), por seu turno, ao apreciar a matéria, acrescentou que a condição para o pagamento da verba garantida na CCT é a assiduidade de, no mínimo, 15 dias por mês e que o pagamento para a participação nos lucros e resultados não se confunde com o pagamento feito a título de assiduidade, de modo que o referido instrumento negocial não preenche os requisitos do §1º do art. 2º e incisos da Lei nº 10.101/2000, por não ter a CCT estabelecido regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos de participação nos lucros e resultados. Passemos, assim, à análise dos argumentos aduzidos pela fiscalização para, após, adentrar no julgamento proferido pela DRJ. a. A ausência de participação direta dos empregados na negociação da PLR: Como já visto, o fiscal autuante alegou que a negociação da PLR prevista na CCT foi conduzida pelo sindicato patronal e o sindicato dos trabalhadores, não havendo, portanto, a participação direta dos trabalhadores. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 16 Ocorre, no entanto, que, como bem pontuado pelo Recorrente, a Lei nº 10.101/00, em seu art. 2º, estabelece que as empresas que distribuem a participação nos lucros e resultados lastreiemse em uma negociação coletiva, podendo optar pelos seguintes instrumentos: comissão escolhida pelas partes, convenção coletiva de trabalho ou acordo coletivo. Vejamos: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. A leitura do dispositivo acima denota uma acentuada preocupação do legislador em se garantir que o pagamento da PLR seja, antes de mais nada, discutido entre as partes diretamente envolvidas. A Lei prestigia a participação dos empregados, seja indiretamente por intermédio dos respectivos sindicatos, seja diretamente por intermédio de comissão escolhida por eles. Dessa forma, verificase que, nos termos da lei, pode a empresa optar pela participação direta dos empregados, através de comissão escolhida por eles, sendolhe facultada também a possibilidade de participação indireta dos empregados por intermédio dos respectivos sindicatos. Em se tratando de PLR previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, não é correto exigir a participação direta dos empregados, vez que estes estão representados pelo Sindicato da sua categoria. Conforme consta no próprio Relatório Fiscal (fl. 36), o fiscal reconhece que a PLR paga pela empresa está prevista em instrumentos de Convenção Coletiva de Trabalho CCT, data base setembro de 2005/2007 e 2007/2009, convenção esta negociada entre o SINDICATO DOS EMPREGADOS EM EMPRESAS DE PROCESSAMENTO DE DADOS, SERVIÇOS DE INFORMÁTICA E SIMILARES DO ESTADO DE MINAS GERAIS SINDADOS/MG e o SINDICATO DAS EMPRESAS DE PROCESSAMENTO DE DADOS, INFORMÁTICA, SOFTWARE E SERVIÇOS EM TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO DO ESTADO DE MINAS GERAIS SIND INFOR. Não se exige, portanto, a presença direta dos empregados. A esse respeito, é válida a transcrição de trecho do artigo do Ilustre Conselheiro Elias Sampaio Freire4, presidente desta 4a Câmara da 2a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: A jurisprudência das Câmaras do 2º Conselho de Contribuintes e, atualmente, das Turmas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, com incumbência de julgar recursos referentes às contribuições previdenciárias é no sentido de que a Lei nº 10.101/2000 assim como a MP nº794/1994 e suas reedições não traz regras detalhadas, justamente porque privilegiam a participação dos empregados, seja indiretamente por intermédio dos respectivos sindicatos, seja diretamente por intermédio de comissão escolhida por eles, dandolhes liberdade para fixarem critérios e condições por meio de negociação. (grifos nossos) 4 A repercussão da adoção de programas de participação nos lucros ou resultados sobre a incidência de contribuições Previdenciárias (pg. 9 à 50) em Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.725101/201019 Acórdão n.º 2401000.537 S2C4T1 Fl. 10 17 Face ao exposto, não merece prosperar a alegação do Fisco quanto à ausência de participação dos empregados, visto que a Convenção Coletiva de Trabalho foi devidamente elaborada com a participação dos respectivos sindicatos. b. A não apresentação dos critérios de avaliação/aferição individual das metas propostas. Como já mencionado, o fiscal autuante afirma que a Recorrente não apresentou as metas individualizadas por empregado e sua aferição, diante do que entendeu que não ficaram claros quais os critérios de avaliação/aferição individual dos indicadores propostos (metas) para os empregados no recebimento da PLR. A Recorrente, por seu turno, afirma que não apresentou à fiscalização as aferições do cumprimento de metas individuais porque o programa não as estabeleceu. As metas foram fixadas e aferidas por gerência e de modo global, conforme documentação disponibilizada à fiscalização e anexada aos seus recursos. De fato, analisando o Programa Participar, constatase que foram estabelecidas metas claras e objetivas, as quais foram aferidas periodicamente. Porém, foram estabelecidas metas corporativas e metas por cada gerência, e não por empregado, razão pela qual não seria possível apresentar à fiscalização a avaliação individual dos empregados. Conforme consta no Programa de Participação nos Lucros e Resultados, referente ao ano de 2007 (fls. 98/121), o desempenho do funcionário dependeria da soma dos resultados corporativos com o resultado de equipe. Tais metas eram aferidas conforme indicadores previamente estabelecidos no Participar, como, por exemplo, a manutenção da rentabilidade mínima da empresa, a implantação de programas e projetos desenvolvidos por cada gerência. Para cada meta, era estabelecida uma pontuação específica, a qual era ponto de partida para a aplicação de fórmula de cálculo do PLR, fórmula esta também constante do programa. Verificase, portanto, que a medição do desempenho é baseada em metas corporativas e por gerência, que, uma vez analisadas, dão origem ao percentual que será aplicado sobre o saláriobase, também previamente definido, para a definição da participação nos resultados. Vale notar que a Lei nº 10.101/00, ao estabelecer os critérios para elaboração dos Planos de Participação nos Lucros e Resultado, não definiu como exigência a necessidade de metas individuais para cada empregado, estabelecendo apenas a necessidade de tais metas serem claras e objetivas. Vejamos: § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 824DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 18 I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Observese que o legislador sequer exige que seja estabelecido necessariamente um programa de metas, resultados e prazos – como fez a Recorrente – mas admitiu outros critérios, como índice de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa. Ao admitir expressamente a adoção de critérios que tomam como base índices da empresa, a Lei deixa clara a possibilidade de serem criados critérios e condições globais, por grupo, e não unicamente individuais. Por outro lado, as empresas têm valorizado cada vez mais o trabalho em equipe, em que todos os integrantes de determinado grupo devem conjuntamente trabalhar para se atingir um objetivo comum. A exigência de metas individualizadas não me parece razoável e nem mesmo desejável, levando em conta a estrutura de trabalho das empresas e a valorização da capacidade de o empregado trabalhar em equipe. Ademais, se, por um lado, cabe ao Fisco verificar se os requisitos legalmente estabelecidos estão sendo cumpridos pela empresa, por outro lado, não cabe ao Fisco exigir também a observância de requisitos desprovidos de previsão legal. A respeito da impossibilidade de se exigir critério não previsto em lei, vale observar trecho do voto do ilustre Conselheiro Rycardo Oliveira proferido no acórdão de nº 240100.828, desta 1º Turma da 4º Câmara da 2º Seção do CARF. Vejamos: Nessa esteira de entendimento, é de fácil conclusão que as importâncias pagas aos segurados empregados intituladas de PLR somente sofrerão incidência das contribuições previdenciárias se não estiverem revestidas dos requisitos legais da aludida verba. Melhor elucidando, a tributação não se dá sobre o valor da PLR, mas, tão somente, quando assim não restar caracterizada. Por sua vez, a interpretação do caso concreto deve ser levada a efeito de forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e, bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais de caracterização de tal verba, sendo defeso, igualmente, a atribuição de requisito/condições que não estejam contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades, sobretudo quando arrumadas em premissas que não constam dos autos, sob pena, inclusive, de afronta ao princípio da legalidade. Os artigos 111, inciso II e 176, do CTN, inobstante tratarem de isenção, traduzem muito bem os limites que a legislação tributária impõe quando da subsunção da norma ao caso concreto, in verbis: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: Suspensão ou exclusão do crédito tributário; Outorga de isenção; Fl. 825DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.725101/201019 Acórdão n.º 2401000.537 S2C4T1 Fl. 11 19 Dispensa do cumprimento de obrigações acessórias (...)” “Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.” Extraise dos dispositivos legais supracitados que qualquer tipo de isenção, in caso, imunidade, que o Poder Público pretenda conceder deve decorrer de lei disciplinadora, sendo sua interpretação literal, não podendo o contribuinte, o fisco ou o julgador impor condições que não decorrem da lei seca. Outro não é o entendimento do eminente doutrinador Leandro Paulsen que, ao discorrer sobre a matéria, assim preleciona: “Não se pode exigir senão o cumprimento dos requisitos previstos na lei isentiva. O artigo 111 do CTN também se presta ao afastamento de requisitos não estabelecidos, por lei, como condição de gozo da isenção.” (PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10 ed. rev. Atual Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2008. P. 876). Em virtude de ausência de vedação legal, poderia a Recorrente ter elaborado o seu plano contendo regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, porém de forma coletiva, para cada equipe. Desse mesmo entendimento compartilha o ilustre Conselheiro Elias Sampaio Freire5, ao aduzir que: A lei não prevê a obrigatoriedade de que no acordo coletivo negociado haja a expressa previsão de fixação do percentual ou montante a ser distribuído em cada exercício ou a fixação de critérios de avaliação individual do trabalhador. Existe, sim, a obrigatoriedade de se negociar com os empregados regras claras e objetivas, combinando de que forma e quando haverá liberação de valores, caso os objetivos e metas estabelecidas e negociadas forem atingidas.(grifos nossos) Ademais, a jurisprudência também já se manifestou nesse sentido, vejamos: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores pagos a título de participação nos lucros, quando atendidos os requisitos legais. 5A repercussão da adoção de programas de participação nos lucros ou resultados sobre a incidência de contribuições Previdenciárias (pg. 9 à 50) em Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 20 O programa da participação nos resultados e lucros, previsto no instrumento de negociação, prescinde de critérios de avaliação individual do trabalhador. Recurso voluntário provido. (Processo n° 35464.001900/200514, acórdão nº 20500.563, da 5º Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, de relatoria do Conselheiro Marcelo Oliveira). Além disso, compulsando os documentos anexados, contatase que a Recorrente ofereceu à fiscalização planilha de fls. 245/261, por meio da qual é possível se constatar o valor da meta, o percentual atingido e o valor recebido correspondente a cada empregado. Ademais, verificase que às fls. 669/715 constam as apurações dos indicadores da empresa com os critérios objeto de avaliação para cada mês, chegando ao percentual acumulado por área. Inferese, então, que a alegação aduzida pelo Fisco não é suficiente para que se conclua que as parcelas pagas pela empresa aos seus trabalhadores a título de “Participação nos Lucros ou Resultados” estão em desacordo com a legislação pertinente. c. No Programa Participar, a empresa estabeleceu valores superiores aos sugeridos pela CCT/2007 para pagamento da PLR Aduziu a fiscalização que a empresa estabeleceu montante máximo para pagamento do plano “Participar 2007” superior ao sugerido pela CCT/2007. Ocorre, entretanto, que a possibilidade de pagamento superior ao sugerido na CCT/2007 era prevista na própria cláusula quarta, parágrafo 12º da Convenção, razão pela qual, além de não haver óbice, houve respaldo normativo para que a Recorrente efetuasse tais pagamentos. Vejamos o que determina a referida cláusula: Cláusula Quarta Parágrafo 12º Reafirmase que o cumprimento das condições e obrigações previstas nesta cláusula satisfaz integralmente as disposições contidas na Lei nº 10.101/2001 e encerra discussões quanto ao exercício de 2007. Assegurese à empresa o direito de conceder valor superior ao ajustado no “caput” da presente cláusula quarta, desde que as épocas para pagamento das parcelas continuem sendo aquelas previstas no parágrafo 4º desta cláusula (ressalvado o disposto no parágrafo 5º) e, no prazo de 15 (quinze) dias subsequentes a cada pagamento em valor superior, a empresa disso dê ciência ao SINDADOS/MG e ao SINDINFOR. Dessa forma, constatase que a CCT respaldava o pagamento de PLR, sendo que o próprio instrumento coletivo de trabalho fixava um valor mínimo, mas permitia à empresa o pagamento de valores a maior. Nesse caso, o sindicato deveria ser comunicado, o que foi feito conforme carta de fl. 263. Ademais, é livre à empresa elaborar os seus próprios planos de pagamento de lucros e resultados, estabelecendo as metas, critérios de avaliação e valores a serem pagos, não existindo nenhuma vedação legal ao fato do plano Participar 2007 prever pagamento de valores superiores à CCT, desde que atendidos aos critérios estabelecidos. Fl. 827DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.725101/201019 Acórdão n.º 2401000.537 S2C4T1 Fl. 12 21 Isto porque a Lei nº 10.101/00 deu total espaço para negociações que ajustem os interesses específicos das partes, na medida em que permite que estas escolham os critérios para pagamento da participação, não podendo a fiscalização interferir nos critérios legitimamente eleitos pelas partes. Ora, a vontade da fiscalização não pode substituir ou prevalecer sobre a vontade das partes. Face ao exposto, também não merece prosperar a acusação fiscal, quanto a este particular. d. A alteração do fundamento jurídico da autuação pela DRJ. Como se sabe, o lançamento é um procedimento vinculado e obrigatório da Administração Pública, a quem compete analisar os fatos e demonstrar a ocorrência do fato gerador diante da sua subsunção à norma e, em seguida, intimar o contribuinte dando início ao procedimento fiscal. O lançamento é regido pelo princípio da imodificabilidade, previsto nos arts. 145[1] e 146[2] do CTN. O primeiro deles, o art. 145 do CTN, define que o lançamento, regularmente notificado ao sujeito passivo, só pode ser alterado em razão da impugnação, recurso de ofício ou alguma das hipóteses legais previstas no art. 149 do CTN[3], que correspondem ao limite temporal da revisão, a ocorrência de erro de fato, fraude ou falta funcional da autoridade ou omissão da formalidade funcional. O art. 146 do CTN, por sua vez, estabelece limite quanto à possibilidade de alteração do lançamento, impedindo a mudança do critério jurídico adotado pela autoridade administrativa no momento do lançamento. Verificase, portanto, que o objetivo da norma é proteger o contribuinte, preservando a relação jurídica e o vínculo entre sujeitos fixado pelo lançamento. Vejamos, então, a sucessão de fatos que ocorreu no presente processo. Da análise do relatório fiscal, verificase que as alegações em relação à convenção coletiva e ao plano de metas para a distribuição da participação nos lucros foram nitidamente segregadas na autuação, isto é: primeiro, os fiscais alegaram que não houve a participação direta dos empregados na elaboração da convenção coletiva; em seguida, alegaram que o plano de metas não estabeleceu critérios de avaliação a serem aplicados, de forma [1]Art. 145 O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de:I impugnação do sujeito passivo;II recurso de ofício;III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no Art. 149. [2]Art. 146 A modificação introduzida, de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. [3] Art. 149 O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos:I quando a lei assim o determine;II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária;III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade;IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória;V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte;VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária;VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação;VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior;IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade essencial.Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Fl. 828DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 22 individual, aos empregados. E, por fim, entendeu que os valores pagos foram superiores aos estabelecidos em CCT. 4.2.4. A PLR paga pela empresa está prevista em instrumentos de Convenção Coletiva de Trabalho — CCT, database setembro de 2005/2007 e 2007/2009 entre o SINDICATO DOS EMPREGADOS EM EMPRESAS DE PROCESSAMENTO DE DADOS, SERVIÇOS DE INFORMÁTICA E SIMILARES DO ESTADO DE MINAS GERAIS — SINDADOS/MG e o SINDICATO DAS EMPRESAS DE PROCESSAMENTO DE DADOS, INFORMÁTICA, SOFTWARE E SERVIÇOS EM TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO DO ESTADO DE MINAS GERAIS — SIND INFOR.(documentos anexos). Portanto, a forma de negociação do PLR foi conduzida pelo sindicato patronal e o sindicato dos trabalhadores. Não houve portanto a participação direta dos empregados. 4.2.5. Além da previsão em CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO — CCT, a Empresa apresentou também "Programa de Participação nos Lucros e Resultado 2007" — "PARTICIPAR 2007" (documento anexo). 4.2.5.1. Neste programa estão definidos os objetivos, os participantes de forma global — diretores, gerentes, profissionais de nível superior — PNS — e técnicos, as metas de resultado global e por gerência e os critérios para a concessão da participação, o modelo de acompanhamento e o cálculo do valor da participação. 4.3. Entretanto, foi solicitado à empresa por meio de Termos de Intimação Fiscal T.I.F. que esclarecesse: a) a avaliação das metas individualizadas de cada empregado; b) qual o percentual que cada empregado atingiu, C) o valor pago a cada empregado e o "plus" separados. A empresa informou, por meio de relação (documento anexo) que apenas 02 (dois) empregados não atingiram o 100% (cem por cento) das metas estabelecidas, mas apenas 90%(noventa por cento) da meta de cada um. A empresa não se manifestou sobre as avaliações/aferições individuais do desempenho das metas. (...) 4.4. B Importante destacar que a Participação nos Lucros ou Resultados prevista na Convenção Coletiva de Trabalho — CCT, "CLAUSULA QUARTA corresponde a 1/12 (um doze avos) de 20% (vinte por cento) do valor do salário reajustado no mês de setembro/2007,por mês ou fração igual ou superior a 15 (quinze) dias de efetivo trabalho durante o exercício de 2007 (1 °./janeiro a 31/dezembro), sem prejuízo do período de afastamento por motivo de férias ou ausências aceitas pela empresa observando se:" ... 4.4.1. A empresa estabeleceu que o montante máximo para o pagamento do "PARTICIPAR 2007", valores superiores aos sugeridos pela CCT/2007. Para gerente, salários base; para lideres: 3 salários base e para profissionais de nível superior e técnicos: 2,5 salários base.: Fl. 829DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.725101/201019 Acórdão n.º 2401000.537 S2C4T1 Fl. 13 23 Ocorre, no entanto, que, no momento em que a DRJ apreciou a questão, ela entendeu por bem manter a autuação com base em fundamento distinto daquele trazido no momento do lançamento. Vejamos. Da leitura do trecho acima transcrito, notase que as falhas indicadas pela fiscalização foram: (i) a ausência de regras que possibilitassem a avaliação individual dos empregados, em relação ao plano de metas; (ii) a ausência de participação direta dos empregados na elaboração da convenção coletiva; (iii) o pagamento de PLR em valor superior ao estabelecido na CCT. Entretanto, a DRJ, ao julgar pela manutenção do lançamento, entendeu que houve falha na elaboração do plano de metas por conta da ausência de participação dos sindicatos na elaboração das regras para distribuição da participação dos lucros e resultados. Nos autos não consta qualquer indício de que o programa “Participar” tenha sido elaborado por comissão escolhida pelas partes, com representante do sindicato ou por convenção ou acordo coletivo de trabalho. Pelo que se vê, a DRJ alterou por completo o fundamento da autuação, o qual deixou de ser ausência de avaliação individual das metas e ausência de participação direta dos empregados na elaboração das normas de distribuição do PLR previstas na Convenção Coletiva, para se tornar a ausência de participação do sindicado na elaboração do Participar, o que, em momento algum, foi questionado pela autuação. Até porque, da análise da autuação, verificase que os próprios fiscais entenderam que a participação do sindicato, por si só, não seria requisito suficiente para não incidência da contribuição previdenciária sobre os valores distribuídos a título de PLR, sendo necessária, no entender dos fiscais, a participação direta dos empregados. Daí se vê que, com base no próprio entendimento sustentado pelos fiscais, jamais a ausência de participação dos sindicatos seria utilizada para fundamentar a autuação. Sendo assim, em observância ao exposto nos arts. 145 e 146 do CTN, já analisados, não é possível aceitar que o fundamento da autuação seja alterado. A decisão proferida pelo órgão julgador de primeira instância também inova ao afirma que a condição para o pagamento da verba garantida em CCT foi a assiduidade de, no mínimo, 15 dias por mês, por ser este o único requisito previsto na CCT a ser analisado no momento da distribuição dos lucros e resultados. Quanto a esse argumento, também deixo de me pronunciar, vez que em momento algum o auditor fiscal autuante aponta como falha no programa de PLR instituído através da CCT a eleição da assiduidade como critério para pagamento dos lucros ou resultados. 4. Conclusão Diante do acima exposto, rejeito as preliminares de exclusão da lista de corresponsáveis e de nulidade da Representação Fiscal para fins penais, acolho a preliminar de inexistência de sujeição passiva solidária; e, no mérito, DOU PROVIMENTO AO RECURSO, para determinar a não incidência de contribuições previdenciárias sob os valores pagos a título Fl. 830DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 24 de participação dos empregados nos lucros ou resultados, julgando IMPROCEDENTE o Auto de Infração cadastrado sob o DEBCAD nº 37.315.6472. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 831DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.725101/201019 Acórdão n.º 2401000.537 S2C4T1 Fl. 14 25 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Redator Designado Ouso discordar do brilhante voto da Ilustre Relatora, porém, apenas na parte relativa à colocação no polo passivo da empresa Acelormittal Brasil S/A, para a qual foi atribuída a responsabilidade solidária pela satisfação do crédito lançado, em razão da suposta formação de grupo econômico com a empresa autuada. Para a Relatora, o fisco não se desincumbiu do ônus de demonstrar a existência de grupo econômico composto pelas duas empresas, bem como não comprovou que estas tiveram interesse comum na situação que constituiu os fatos geradores que ensejaram a lavratura. Verifico que tanto no Termo de Sujeição Passiva Solidária, como no relatório fiscal, de fato, o fisco limitouse a mencionar que a justificativa para a atribuição da responsabilidade solidária era a existência de grupo econômico. Essa fato, todavia, tornouse incontroverso no processo, haja vista que a recorrente em nenhum momento argüiu que não fazia parte do mesmo conglomerado empresarial que a empresa Acelormittal Brasil S/A. A única alegação para afastar a solidariedade foi no sentido de que este vínculo somente poderia ser firmado caso se comprovasse que as duas empresas atuaram para configuração da situação jurídica que deu azo à ocorrência da hipótese de incidência tributária. O art. 121 do CTN, que trata da sujeição passiva na relação jurídico tributária, distingue duas espécies de sujeito passivo. O contribuinte é aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que dá ensejo ao fato gerador, enquanto que o responsável é aquele que, não sendo contribuinte, deve suportar o ônus da obrigação tributária em razão de expressa disposição legal. Na sequência do mesmo Código, o art. 124 apresenta o instituto jurídico da responsabilidade solidária tributária. Ali são elencadas duas possibilidades: a) a solidariedade decorrente da existência de interesse comum na situação que constitua o fato gerador e b) a dita solidariedade legal, que se refere aos casos em que a própria lei determina a vinculação das pessoas ao crédito tributário na condição de devedoras solidárias. O inciso IX do art. 30 da Lei n. 8.212/1991, invocado pelo fisco no presente lançamento, é um caso típico da responsabilidade tributária por determinação legal. O dispositivo em tela determina que as empresas que integram grupo econômico respondem solidariamente pelas obrigações para com a Seguridade Social. Assim, para que haja a responsabilidade solidária é suficiente que o fisco demonstre a configuração do grupo de empresas. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 26 Conforme já afirmei, a existência do grupo econômico é fato que tornouse incontroverso na presente lide, assim, é legítima a atribuição da responsabilidade solidária à Acelormittal Brasil S/A, Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 833DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 10880.990668/2009-74
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/04/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 06 68 /2 00 9- 74 Fl. 30DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.990668/200974 Acórdão n.º 3801004.571 S3TE01 Fl. 4 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01 e 02) relativa ao pagamento indevido ou maior de PIS/PASEP cód. 8109, no montante de R$ 28,34, ocorrido em 15/04/2004, com débito próprio de IRPJ — cód. 2089.. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 19/01/2006, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 06, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 07, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2o da Lei n° 10.209/2001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdenciarias. Portanto os valores recebidos a título de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o § único do mesmo artigo 2o da Lei n° 10.209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tendo tomado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a título de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP n° 21047. 65509. 241 I 05. 1.2. 049207, relativo ao período de apuração mar/2004. Nesse período, Fl. 31DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.990668/200974 Acórdão n.º 3801004.571 S3TE01 Fl. 5 3 conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a R$ 4. 359,54, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/04/2004 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, solicitando ainda que o julgamento seja transformado em diligência, a fim de que sejam devidamente comprovadas todas as alegações da Recorrente. É o Relatório. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.990668/200974 Acórdão n.º 3801004.571 S3TE01 Fl. 6 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração do PIS e da Cofins que teriam sido pagos a maior. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A recorrente alega que o crédito em debate teve origem na inclusão na base de cálculo de PIS e COFINS de valores recebidos a título de pedágio pela Requerente mas que por força do artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001 não é considerado como receita operacional ou rendimento tributável da empresa, não constituindo base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. De fato, o Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que regulamenta a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral, previa a exclusão da receita bruta das empresas transportadoras de carga do valor recebido a título de ValePedágio instituído pela Lei nº 10.209, de 2001, in verbis: Art. 34. As empresas transportadoras de carga, para efeito da apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor recebido a título de ValePedágio, quando destacado em campo específico no documento comprobatório do transporte (Lei nº 10.209, de 23 de março de 2001, art. 2º , alterado pelo art. 1º da Lei nº 10.561, de 13 de novembro de 2002). Parágrafo único. As empresas devem manter em boa guarda, à disposição da SRF, os comprovantes de pagamento dos pedágios cujos valores foram excluídos da base de cálculo. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito ou mesmo cópia dos conhecimentos de transporte, nos quais estivessem destacados os Fl. 33DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.990668/200974 Acórdão n.º 3801004.571 S3TE01 Fl. 7 5 valores recebidos do ValePedágio, conforme prevê o artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001. Se limitou, tãosomente, a apresentar uma planilha na qual estaria a relação dos conhecimentos de transporte onde os valores de pedágio foram destacados, porém sem nenhum documento que a embasasse. Apesar da prevalência do princípio da Verdade Material no âmbito do processo administrativo, o pedido de diligência da requerente deveria estar acompanhado dos elementos que pudéssemos considerar como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência dos argumentos apresentados, o que não se verifica no caso em tela. A mera inércia da requerente não pode ser suprida por diligência. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 34DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13931.000397/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ANTUNES TRANSPORTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire – Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 31 .0 00 39 7/ 20 10 -5 1 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE Processo nº 13931.000397/201051 Resolução nº 2401000.398 S2C4T1 Fl. 138 2 Relatório L. ANTUNES TRANSPORTES LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre tempestivamente a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Curitiba/PR, Acórdão nº 0632.124/2011, às fls. 66/68, que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra a empresa, nos termos do artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, mais precisamente as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, em relação ao período de 01/2006 a 12/2007, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 07/10, e demais documentos constantes dos autos. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 12/08/2010, nos moldes do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor consignado na folha de rosto da autuação, calculada com base nos artigos 284, inciso II, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91. De conformidade com o Relatório Fiscal, item 4, em virtude da mesma ação fiscal, foram lavradas outras autuações de obrigação principal decorrentes de Representação Fiscal – Processo Administrativo n° 12571.000018/200962, em que a contribuinte fora excluída do regime de tributação do SIMPLES, com a emissão do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/PTG n° 09, de 11/03/2009. Ressalta, ainda, que os efeitos do ato de exclusão do SIMPLES se operam a partir de 01/01/2006. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 127/131, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo, suscita a ilegalidade do procedimento eleito pela autoridade lançadora no sentido de promover o presente lançamento com base em ato de exclusão do regime de tributação do SIMPLES sem que tenha havido julgamento definitivo da manifestação de inconformidade oposta nos autos do processo n° 12571.000018/200962. Em defesa de sua pretensão, transcreve a legislação de regência reconhecendo que a interposição de manifestação de inconformidade contra ato de exclusão do regime de tributação do SIMPLES suspende os seus efeitos, impedindo, assim, a lavratura de auto de infração. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE Processo nº 13931.000397/201051 Resolução nº 2401000.398 S2C4T1 Fl. 139 3 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte durante todo processo administrativo fiscal, especialmente no seu recurso voluntário, há nos autos questão preliminar, prejudicando, dessa forma, a análise do mérito da demanda nesta oportunidade, senão vejamos. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, o lançamento inscrito no auto de infração sob análise guarda vinculação com outras autuações decorrentes de procedimento de exclusão da empresa do regime de tributação do SIMPLES, consubstanciado no processo administrativo n° 12571.000018/200962, com a emissão do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/PTG n° 09, de 11/03/2009, operando efeitos a partir de 01/01/2006. Em que pese a autoridade julgadora de primeira instância haver reconhecido o nexo causal do presente lançamento com o processo que trata da exclusão do SIMPLES, achou por bem dar seguimento ao feito, inferindo que: “[...] Podese até mesmo concordar que a tributação, neste caso, é precária no sentido de que depende diretamente da conclusão do processo de exclusão, mas ainda que precária, a constituição do crédito é obrigatória assim que passe a ser exigível da empresa excluída. Assim, tendo a autoridade fiscal notícia da exclusão e tendo condições de apurar que haveria créditos tributários a serem constituídos pelo lançamento, restalhe obrigatória essa atividade. [...]” Extraise daí inexistir dúvida de que o processo sob análise encontrase atrelado ao resultado final a ser levado a efeito nos autos do processo de exclusão do SIMPLES, em evidente prejudicial do exame da demanda, em face do nexo de causa e efeito que os vincula. Neste sentido, somente após a decisão administrativa definitiva exarada em face da manifestação de inconformidade oposta nos autos do processo n° 12571.000018/200962, é que se poderá adentrar a análise da regularidade deste feito. Dessa forma, existindo referido processo de exclusão do SIMPLES, esse, por guardar íntima relação de causa e efeito com a autuação sub examine, deverá ser julgada primeiramente, para que, somente assim, reste corroborado o entendimento da fiscalização constante deste lançamento. Ocorre que, em consulta formulada no site do CARF (www.carf.fazenda.gov.br), constatamos que o processo n° 12571.000018/200962 encontrase pendente de julgamento, mais precisamente aguardando distribuição de Câmara/Turma da Fl. 140DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE Processo nº 13931.000397/201051 Resolução nº 2401000.398 S2C4T1 Fl. 140 4 Primeira Seção de Julgamento do Conselho, competente para julgamento de processos pertinentes ao regime de tributação do SIMPLES, o que impõe o sobrestamento deste feito até seja proferida decisão definitiva nos autos daquele processo. Assim, ao contrário do entendimento encampado pelo julgador de primeira instância, em face do caráter de prejudicialidade do mencionado processo frente o Auto de Infração em epígrafe, deve o presente julgamento ser convertido em diligência, para que os autos retornem à origem e somente venham para apreciação por esse Colegiado após o trânsito em julgado do processo n° 12571.000018/200962, onde se discute a situação da recorrente perante o regime simplificado de recolhimento – SIMPLES. Nesse diapasão, VOTO NO SENTIDO DE CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, sobrestando o exame meritório do presente Auto de Infração, até que seja proferida decisão definitiva nos autos do processo n° 12571.000018/200962, devendo estes autos ser encaminhado para a DRF de origem para as providências cabíveis. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 29/08/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAI O FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10768.004863/2006-31
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE.
Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º), inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos do encerramento do ano-calendário. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL.
O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas.
Trata-se de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos.
Restando identificada a origem dos recursos, não há que se falar em omissão de rendimentos a que alude o caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00. LIMITE DE R$80.000,00.
Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Súmula CARF nº 61)
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Tânia Mara Paschoalin que davam provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração o valor de R$ 108.925,00. Designado Redator do voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º), inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos do encerramento do ano-calendário. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. Trata-se de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. Restando identificada a origem dos recursos, não há que se falar em omissão de rendimentos a que alude o caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00. LIMITE DE R$80.000,00. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Súmula CARF nº 61) Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Tânia Mara Paschoalin que davam provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração o valor de R$ 108.925,00. Designado Redator do voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Redator Designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º), inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos cinco anos do encerramento do anocalendário. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 48 63 /2 00 6- 31 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10768.004863/200631 Acórdão n.º 2801003.671 S2TE01 Fl. 232 2 Tratase de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. Restando identificada a origem dos recursos, não há que se falar em omissão de rendimentos a que alude o caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00. LIMITE DE R$80.000,00. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Súmula CARF nº 61) Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Tânia Mara Paschoalin que davam provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração o valor de R$ 108.925,00. Designado Redator do voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Redator Designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Fl. 232DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10768.004863/200631 Acórdão n.º 2801003.671 S2TE01 Fl. 233 3 Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ/RJOII/RJ. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração de fls. 126/132, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2001, anocalendário 2000, no valor total de R$ 118.768,90 (cento e dezoito mil reais, setecentos e sessenta e oito reais e noventa centavos), sendo: Imposto R$ 34.536,89 Juros de Mora (calculados até 29/09/2006) R$ 32.426,68 Multa Proporcional (passível de redução) R$ 51.805,33 A Fiscalização apurou omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários, por falta de comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações. O enquadramento legal da infração encontrase à fl. 129. No que se refere à atualização monetária e às penalidades aplicáveis, o enquadramento legal correspondente consta do Demonstrativo de Multa e Juros de Mora de fl. 131. Cientificado em 03/11/2006 (fl. 240), o interessado, através de seu procurador, apresentou, em 24/11/2006, a impugnação de fls. 143/157, acompanhada dos documentos de fls. 158/175 através da qual apresentou as considerações reproduzidas, em síntese, a seguir: Contesta a aplicação da multa de oficio no percentual de 150%, defendendo que não ocorreu e nem foi provada pela fiscalização a existência das hipóteses legais previstas no inciso I (sonegação) e II (fraude) da Lei n° 4.502/64, que autorizam a qualificação. Sustenta que a qualificação foi um artifício encontrado pela fiscalização para deslocar o prazo decadencial do artigo 150, § 40 para o art. 173, ambos do CTN, objetivando desconsiderar o seu término. Suscita a decadência do lançamento, lavrado em 27/10/2006, relativo a fato gerador de 31/12/2000, considerando que o IRPF é tributo sujeito ao lançamento sob a modalidade de homologação, previsto no § 40 do artigo 150 do C1N, e portanto o prazo decadencial se exauriu em 31/12/2005. Quanto aos depósitos bancários, ao contrário o entendimento da autoridade fiscal, alega que logrou êxito em comprovar a origem de determinados depósitos, demonstrado por cheques e transferências recebidos de pessoas perfeitamente identificadas, todos com coincidência de datas e valores, atendendo o que determina o art. 42 da Lei n° 9.430/96. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10768.004863/200631 Acórdão n.º 2801003.671 S2TE01 Fl. 234 4 Entende que havendo a comprovação, mediante documentação hábil, no caso os comprovantes de depósitos bancários, cai por terra a presunção júris tantum de omissão de receitas, não havendo que se fazer elucubrações diversas acerca dos fatos comprovados, eis que a simples comprovação inibe a presunção. Com base nas exclusões da base de cálculo do imposto que propõe, defende que estaria amparado pelos limites estabelecidos no inciso II do § 3° do art. 42 da Lei n° 9.430/96, uma vez que não existiria mais nenhum depósito cujo valor individual ultrapassasse R$ 12.000,00 assim como o total seria inferior a R$ 80.000,00. A impugnação foi considerada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 192/201, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito Tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. A comprovação do evidente intuito de fraude, por meio de conduta dolosa, é necessária para caracterização da multa qualificada no montante de 150% do imposto devido. Lançamento Procedente em Parte Regularmente cientificado daquele Acórdão em 27/10/2008 (fl. 207), o interessado, representado por seus advogados, interpôs recurso voluntário de fls. 212/223, em 19/11/2008, no qual, em síntese, apresenta os seguintes argumentos de defesa: · O lançamento ocorreu em 27/10/2006 e, portanto, há mais de 5 (cinco) anos do fato gerador, que ocorreu em 31/12/2000, sendo imperioso o reconhecimento da decadência, vez que o prazo para constituição do crédito tributário se exauriu em 31/12/2005; · Em atenção ao Termo de Intimação n°396/2006, foi comprovada a origem dos depósitos abaixo, recebidos de pessoas perfeitamente identificadas e nos seguintes valores: Fl. 234DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10768.004863/200631 Acórdão n.º 2801003.671 S2TE01 Fl. 235 5 Depósito de R$.10.000,00 efetuado em25/01/2000 por Ângela Regina Oliveira Garcia; Depósito de R$.10.000,00 efetuado em 21/03/2000, e R$.15.000,00 efetuado em 03/08/2000, por Eduardo Mariani Bittencourt; Depósitos de R$.4.600,00 efetuado em 27/03/2000, R$.4.600,00 efetuado em 18/04/2000, R$.2.197,00 efetuado em 23/08/2000, e R$.2.197,00, efetuado em 26/09/2000, por Gloria Maria Mariani Bittencourt; Depósito de R$.30.000,00 efetuado em 31/10/2000 por Álvaro Luiz Alves de Lima de Álvares Otero. · Ainda que se ignorasse a prova, apenas restariam tributáveis os depósitos de R$.30.000,00 e R$.15.000,00, vez que os demais, inferiores a R$.12.000,00, não alcançam o limite anual de R$.80.000,00 previsto na Lei. Conforme despacho de fl. 230, foi sobrestado o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF, tendo em vista que a quebra de sigilo bancário é matéria reconhecida de repercussão geral e aguarda julgamento pelo STF (RE 601314). Com a revogação dos §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF, conforme Portaria nº 545 de 18 de novembro de 2013, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013, o recurso voluntário foi incluído em pauta para julgamento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada em que a fiscalização se valeu de RMF para obtenção de informações bancárias do contribuinte. Ratificando decisões reiteradas desta Turma Julgadora, rejeito a preliminar suscitada, em sessão de julgamento, pelo Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, que foi vencido quanto à nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários do contribuinte. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10768.004863/200631 Acórdão n.º 2801003.671 S2TE01 Fl. 236 6 De acordo com o entendimento do STJ no julgamento de recurso especial Resp n° 1.134.665SP, tramitado sob o procedimento dos recursos repetitivos, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º), inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis. Ou seja, a autoridade fazendária pode ter acesso direto às operações bancárias do contribuinte anteriores a 10.01.2001, como preconiza a Lei Complementar nº 105/01, sem o crivo do Judiciário, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da irretroatividade da lei tributária, porquanto a Lei Complementar nº 105/01, como a Lei nº 10.174/01, não instituem ou majoram tributos, mas apenas dotaram a Administração Tributária de instrumentos legais aptos a promover a agilização e o aperfeiçoamento dos procedimentos fiscais. Assim, até que o STF decida a questão de forma definitiva, o entendimento do STJ é de observância obrigatória pelos julgadores do CARF, a teor do que dispõe o art. 62 A do Regimento Interno do Conselho, verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O recorrente suscita a ocorrência da decadência do lançamento, cuja multa de oficio qualificada, conforme relatado, foi afastada pela decisão primeira instância. Quanto à decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário, o Superior Tribunal de Justiça STJ firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do Fl. 236DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10768.004863/200631 Acórdão n.º 2801003.671 S2TE01 Fl. 237 7 débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada por este Colegiado, em obediência ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10768.004863/200631 Acórdão n.º 2801003.671 S2TE01 Fl. 238 8 Assim, considerando que o fato gerador do IRPF é complexivo, completandose apenas em 31 de dezembro do anocalendário, qualquer pagamento do imposto, seja como retenção da fonte, seja como antecipação obrigatória ou voluntária, ou ainda como ajuste, desloca a contagem da decadência para o fato gerador. Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra geral do art. 173, inciso I, do CTN. No presente caso, verificase que não houve pagamento antecipado no ano calendário 2000, conforme consta da cópia da DIRPF/2001 (fls. 06/07). Portanto o prazo decadencial contase a partir de 01/01/2002. Como o contribuinte foi cientificado do auto de infração em 03/11/2006 (fl. 142), não há que se falar em decadência, porquanto o lançamento se completou dentro do prazo de cinco anos previsto para constituição do crédito tributário. No que tange à exigência do IRPF sobre omissão de rendimentos caracterizada pela existência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Essa presunção em favor do Fisco transfere ao Contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, da origem dos recursos. Assim, após devidamente intimado a esclarecer a origem dos depósitos, passou a ser do Recorrente o ônus dessa comprovação, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com os depósitos bancários. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. A decisão recorrida considerou comprovada a origem do depósito de R$ 10.000,00 realizado em 25/01/2000 por Ângela Regina Oliveira Garcia, tendo em vista que consta dos autos a transferência do numerário pelo DOC bancário de fl. 90, que demonstra a saída do recurso da conta da mutuante para a do mutuário, conforme declarado tanto pela mutuante quanto pelo mutuário em suas Declarações de Ajuste Anual do Exercício 2001. Quanto aos depósitos de R$.4.600,00 em 27/03/2000, R$.4.600,00 em 18/04/2000, R$.2.197,00 em 23/08/2000 e R$.2.197,00 em 26/09/2000, verificase que, durante o procedimento fiscal, ficou evidente nos comprovantes de depósitos de fl. 106 que a Sra. Gloria Maria Mariani Bittencourt foi a depositante, apesar de não ter sido comprovado o motivo do depósito. Da mesma forma, em relação ao depósito de R$.30.000,00 efetuado em 31/10/2000, verificase que, durante o procedimento fiscal, ficou evidente no comprovante de depósito de fl. 100 que o Sr. Álvaro Luiz Alves de Lima de Álvares Otero foi o depositante, apesar de não ter sido comprovado o motivo do depósito. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10768.004863/200631 Acórdão n.º 2801003.671 S2TE01 Fl. 239 9 Com a identificação dos depositantes, entendo que foi comprovada a origem dos depósitos mencionados anteriormente, que totalizam R$ 43.594,00, razão pela qual não há que se falar em omissão de rendimentos a que alude o caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, até porque o §2º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispõe que os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Portanto, cabe à autoridade lançadora implementar o disposto no §2º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e não a autoridade julgadora sob pena de fazer um novo lançamento. Nessa linha de raciocínio, também decidiu, por unanimidade, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, conforme Acórdão 22010001.801, julgado na sessão de 16 de agosto de 2012, que foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 1999, 2000, 2001 Ementa: CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA DEFESA NULIDADE Não há que se falar em preterição do direito de defesa se o contribuinte não faz prova dos fatos que o impediram de contestar as acusações que lhe foram imputadas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada” (Súmula CARF n. 26) OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO– Não cabe o lançamento com base no art. 42 da Lei n. 9.430, de 1996, quando claramente identificado o depositante, devendo ser aplicada a tributação específica aplicável ao tipo de rendimento, se for o caso. Observase, ainda, que somente restou um depósito acima de R$ 12.000,00, qual seja: R$ 15.000,00 (03/08/2000). Os depósitos de valores inferiores a R$ 12.000,00 somam a quantia R$ 65.331,00, portanto, não deverão ser considerados para efeito de determinação da receita omitida, conforme expressa determinação do § 3º, inciso II, do artigo 42 da Lei º 9.430, de 1996, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) Fl. 239DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10768.004863/200631 Acórdão n.º 2801003.671 S2TE01 Fl. 240 10 §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: (...) II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).” (Redação inserida pela Lei nº 9.481, de 1997.) Nesse sentido, foi editada a Súmula CARF no 61, de aplicação obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010). Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração o valor de R$ 108.925,00. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 240DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10768.004863/200631 Acórdão n.º 2801003.671 S2TE01 Fl. 241 11 Voto Vencedor Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Redator Designado. Apesar do brilhante voto da Conselheira Relatora, peço permissão para discordar do seu entendimento quanto a parte da questão de mérito. Conforme se verifica nos autos, a Ilustre Conselheira Relatora entendeu que somente restaria não comprovada a origem do depósito do valor de R$ 15.000,00 (03/08/2000). Contudo, ouso discordar deste entendimento e penso que a origem de tal depósito restou comprovada ainda no decorrer do procedimento fiscal. É que, devidamente intimado, o Sr. Eduardo Mariani Bittencourt afirmou categoricamente que pagou ao Recorrente os valores de R$.10.000,00 efetuado em 21/03/2000, e R$.15.000,00 efetuado em 03/08/2000. Segundo o Sr. Eduardo Mariani Bittencourt , tais valores seriam referentes ao reembolso de despesas diversas e administração de serviços de manutenção, em imóveis de sua propriedade. Ora, o conjunto probatório indica claramente que o Recorrente realmente prestava serviços desta natureza. Ademais, todos os demais depósitos, que se referem a pagamentos da mesma natureza para outros clientes, foram entendidos como comprovados pela DRJ ou pela Conselheira Relatora; não se mostrando razoável que pense que a declaração prestada pelo Sr. Eduardo Mariani Bittencourt não reflete a realidade dentro do contexto dos fatos. Assim, em relação ao depósito de do valor de R$ 15.000,00 (03/08/2000), entendo que, durante o procedimento fiscal, ficou evidente ser o Sr. Eduardo Mariani Bittencourt o depositante. De resto, penso como a Ilustre Relatora, no sentido de que, com a identificação do depositante, resta comprovada a origem do depósito. Razão pela qual não há que se falar em omissão de rendimentos a que alude o caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, até porque o §2º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispõe que os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Portanto, cabe à autoridade lançadora implementar o disposto no §2º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e não a autoridade julgadora sob pena de fazer um novo lançamento. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10768.004863/200631 Acórdão n.º 2801003.671 S2TE01 Fl. 242 12 Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 242DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 12670.000211/2009-85
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea.
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. INSTRUÇÃO.
Somente são dedutíveis na Declaração de Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia e instrução dos filhos sob a guarda do cônjuge, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
DEDUÇÃO DEPENDENTE.
Não comprovada a relação de dependência é dever manter as glosas das deduções a ela relativas.
Recurso Voluntária Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 2801-003.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução de despesas médicas no valor de R$ 932,28, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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DESPESAS MÉDICAS. É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. INSTRUÇÃO. Somente são dedutíveis na Declaração de Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia e instrução dos filhos sob a guarda do cônjuge, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. DEDUÇÃO DEPENDENTE. Não comprovada a relação de dependência é dever manter as glosas das deduções a ela relativas. Recurso Voluntária Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução de despesas médicas no valor de R$ 932,28, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 67 0. 00 02 11 /2 00 9- 85 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 12670.000211/200985 Acórdão n.º 2801003.754 S2TE01 Fl. 70 2 Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 10a Turma da DRJ/SP2 (Fls. 47 a 51), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: O sujeito passivo do lançamento insurgese contra o lançamento de fls. 02 e seguintes, emitido em 02/02/09, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas DIRPF EX2006/AC2005, que glosou os valores pleiteados na declaração de ajuste a titulo de dedução de despesas médicas, dependentes, instrução e pensão alimentícia. Totalizando R$23.777,60 de deduções glosadas (R$2.175,60 + R$1.404,00 + R$2.198,00 + R$18.000,00, respectivamente). Na impugnação apresentada as fls. 01 e seguintes se requer, em síntese, sem prejuízo da leitura integral da impugnação, a análise da documentação juntada a fim de se comprovar o direito aos valores que foram glosados. Passo adiante, a 10a Turma da DRJ/SP2 entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. O direito a dedução é condicionado a comprovação dos requisitos exigidos na legislação.. DEDUÇÃO DE DEPENDENTE. GLOSA. O direito a dedução é condicionado a comprovação dos requisitos exigidos na legislação. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. GLOSA. O direito a dedução é condicionado a comprovação dos requisitos exigidos na legislação. PENSÃO JUDICIAL. GLOSA. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 12670.000211/200985 Acórdão n.º 2801003.754 S2TE01 Fl. 71 3 O direito a dedução é condicionado a comprovação dos requisitos exigidos em lei. Cientificado em 08/07/2011 (Fls.55), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 28/07/2011 (fls. 56 a 57), argumentando em síntese: (...) a DA ANALISE DAS PROVAS APRESENTADAS (DESPESAS MÉDICAS), o relator . Sr. Renato A. T. Piza informou que o recibo da psicóloga não poderia ser aceito como prova, de acordo com o inc. III, § 2° do art. 8° da Lei 9.250/95, apenas porque no recibo não consta o endereço da mesma? Porque no recibo consta, o nome, o CPF, a assinatura, o valor legível. 0 endereço consta no cadastro da Receita Federal. b Quanto aos recibos do plano de Saúde da Santa Casa de Misericórdia de Santos, foi solicitado a mesma, uma declaração de pagamento, pois todos os recibos foram quitados pela internet. Quanto aos valores foi declarado o que estava no syte da Santa Casa, porém ali estava incluso o valor de sua mãe, que é do mesmo plano. Portanto apresento a declaração com o valor correto emitida pela Santa Casa de Misericórdia de Santos. c Quanto a guarda do filho, bem como, a decisão do pagamento da pensão alimentícia, peço um prazo de 90 (noventa dias), que é o mesmo prazo dado pelo Fórum para emitir a cópia da decisão lavra na época da separação, enquanto isso apresento a Certidão de Casamento com a devida averbação de separação. d Quanto as despesas de instrução, apesar de comprovadas, estarão dependendo da apresentação da cópia da ação judicial de separação, portando fica vinculada ao item "c" deste instrumento. e Em último caso, acho que a Receita Federal deveria pelo menos aceitar ou o dependente e suas despesas, ou ainda a pensão alimentícia, não glosando os dois tipos de descontos. (...) É o Relatório. Voto Relator Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início verifico que tratase de glosa relativa à despesas médicas não comprovadas com o profissional Pedro Garcia Fernandes Neto (R$ 320,00) e com a Santa Casa Fl. 71DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 12670.000211/200985 Acórdão n.º 2801003.754 S2TE01 Fl. 72 4 de Misericórdia de Santos (R$ 1855,60); dedução indevida de dependentes(R$ 1404,00), instrução(R$ 2198,00) e pensão alimentícia(R$ 18.000,00). Totalizam, então, uma glosa no valor de R$ 23.777,60. Também constato que o contribuinte, mesmo regularmente intimado, não apresentou qualquer documento para a fiscalização; apresentandoos, contudo, quando por ocasião de sua impugnação. Desta feita, coube a DRJ apreciar os documentos apresentados pelo contribuinte. Deduções com Despesas Médicas. Primeiramente, cumpre mencionar que quanto à despesa realizada com o profissional Pedro Garcia Fernandes Neto a DRJ entendeu que não seria possível a dedução tendo em vista que faltava um dos requisitos para validade do recibo apresentado, qual seja o endereço do profissional. Analisandose os documentos trazidos pelo contribuinte quando da apresentação do recurso, verificase que este não juntou aos autos qualquer documento capaz de suprir a omissão apontada pela DRJ. Sendo assim, a glosa relativa àquele profissional deve ser mantida. Por outro lado, no que diz respeito a despesa relativa à Santa Casa de Misericórdia de Santos, a DRJ manteve a glosa por entender não comprovado o pagamento alegado pelo contribuinte, bem como por apresentar nos recibos valor diferente do declarado. Após análise dos documentos juntados pelo recorrente por ocasião deste recurso, verifico que nas fls 59 o contribuinte trouxe declaração da Santa Casa atestando o pagamento de R$932,28. Por esta razão, entendo que deve ser restabelecida a glosa de despesa médica no valor de R$932,28. Das Deduções com Dependentes, Instrução e Pensão Alimentícia. Sobre as deduções com dependente, instrução e pensão alimentícia, a DRJ assim se manifestou, após a análise dos documentos apresentados pelo contribuinte: Da análise das provas apresentadas (Dependentes). O documento de fl.30 (certidão de nascimento 09/03/1998) comprova que Gabriel Carvalho Frangetto é filho do contribuinte. Contudo, nenhuma prova de que detenha a guarda de seu filho foi trazido aos autos (não apresentação de acordo ou decisão judicial). Mantenho a glosa. Da análise das provas apresentadas (Instrução). Os documentos de fls.12 a 14 comprovam o pagamento de despesa a titulo de instrução do dependente Gabriel Frangetto em valor superior ao que foi glosado. Contudo, A nenhuma Fl. 72DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 12670.000211/200985 Acórdão n.º 2801003.754 S2TE01 Fl. 73 5 prova de que o contribuinte estava obrigado ao pagamento das despesas de instrução de seu filho foi trazido aos autos (não apresentação de acordo ou decisão judicial). Mantenho a glosa. Da análise das provas apresentadas (Pensão alimentícia). A previsão da alínea "f' do inciso II do art.8° da Lei n° 9.250/95 informa de modo explicito que o pagamento da pensão alimentícia deve ocorrer em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Em que pese a documentação trazida pelo contribuinte (recibos), não vejo como concluir que tal indicio de transferência financeira atenda a determinação expressa em decisão judicial ou em acordo homologado judicialmente. Neste sentido: "DEDUÇÃO DE PENSÃO JUDICIAL A pensão alimentícia, além da comprovação do seu efetivo pagamento, deve estar definida em sentença ou acordo homologado judicialmente, para que seja considerada como dedução na declaração. Recurso negado. 1° CC/4a.Ceimara/Acórdeio 104 22.131 em 07.12.2006. Mantenho a glosa. Verifico, então, que a comprovação de qualquer destas deduções depende de sentença judicial ou acordo homologado que os determine. Desta feita, apesar de solicitado pela DRJ, o contribuinte não apresentou qualquer documentação nova por ocasião de seu recurso, limitandose apenas a solicitar prazo de 90 dias para a juntada de cópia de sentença judicial que os estabeleça. Por esta razão, entendo que devem ser mantidas as glosas relativas as deduções com dependente, instrução e pensão alimentícia, por não estarem devidamente comprovadas. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar parcial provimento ao recurso, para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 932,28. Assinado digitalmente Relator Carlos César Quadros Pierre Fl. 73DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 12670.000211/200985 Acórdão n.º 2801003.754 S2TE01 Fl. 74 6 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 15504.004416/2010-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes - Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .0 04 41 6/ 20 10 -8 3 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 15504.004416/201083 Resolução nº 2402000.468 S2C4T2 Fl. 58 2 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 23/03/2010 (fl. 1) para exigência de contribuições previdenciárias destinadas a outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE, SEST e SENAT), no período de 01/2005 a 12/2005. Este processo foi apensado ao principal de nº 14404.004417/201028, decorrente da mesma ação fiscal (fls. 27 a 94). A Recorrente interpôs Impugnação (fls. 28/42), requerendo o cancelamento do Auto de Infração e a extinção da exigência lançada e, alternativamente, a redução dos montantes lançados. A DRJ/BHE julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário (fls. 95/103), sob o argumento de que o processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis. Intimada da referida decisão em 21/05/2012 (fls. 107/108), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 20/06/2012 (fls. 111/126), no qual essencialmente repisa os argumentos já apresentados na Impugnação, sustentando, em síntese: (i) a decadência parcial do período de 01/2005 a 03/2005, com fulcro no art. 150, § 4º, do CTN; (ii) os pagamentos efetuados a título de PLR se baseiam em convecção coletiva de trabalho e ocorreram de acordo com a Lei nº 10.101/00; (iii) as contribuições destinadas a terceiros não são devidas, só incidem sobre remuneração de empregado e não há obrigatoriedade de retenção e recolhimento relativo a transportador autônomo; (iv) a não incidência de juros sobre multa; requerendo, ao final, a reforma do acórdão recorrido, o cancelamento do auto de infração com a extinção da exigência lançada, e, alternativamente, a redução dos montantes lançados. Quando do início do julgamento do recurso por esta C. Turma, especificamente no tocante à alegação de decadência apresentada pela Recorrente, foi levantada a necessidade de se apurar com maior precisão se a empresa Recorrente teria efetuado ou não pagamentos, ainda que parciais, de contribuições previdenciárias no período objeto da autuação, para que se pudesse julgar com maior precisão e segurança a aplicação do art. 150, § 4º do CTN ao caso, tendo sido solicitada diligência (fls. 128/132). Em resposta aos questionamentos (fls. 236/238), o auditor fiscal trouxe o detalhamento em planilha dos valores recolhidos a título de contribuição previdenciária no período objeto da autuação, esclarecendo que os valores das remunerações pagas pela Recorrente aos contribuintes individuais como salário de contribuição (transportadores autônomos) e o valor das remunerações pagas aos segurados empregados a titulo de PLR, não teriam sido incluídas na base de cálculo para apuração das contribuições previdenciárias pagas no período. Intimada, não houve manifestação da Recorrente quanto ao resultado da diligência. É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 15504.004416/201083 Resolução nº 2402000.468 S2C4T2 Fl. 59 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Em 20 de junho de 2013, o julgamento do presente recurso foi convertido em diligência, a fim de que restasse melhor esclarecido nos autos se a Recorrente teria efetuado ou não pagamentos, ainda que parciais, de contribuições previdenciárias no período objeto da autuação (01/2005 a 12/2005), para que se pudesse julgar com maior precisão e segurança a aplicação do art. 150, § 4º do CTN ao caso, ante a alegação de decadência do direito de cobrança referente aos períodos de 01/2005 a 03/2005. Conforme se verifica na resposta elaborada pelo auditor fiscal (fls. 134/136), há registros de GPS no Sistema da Receita Federal do Brasil que indicam que houve o pagamento de contribuições previdenciárias por parte da Recorrente no período de 01/2005 a 03/2005. Em que pese os questionamentos propostos terem sido devidamente respondidos pela fiscalização, verificouse no processo principal de nº 14404.004417/201028 e no apenso de nº 14504.004416/201083, a necessidade de se obter outros esclarecimentos por parte da fiscalização, a fim de que sejam especificadas quais as rubricas referentes aos levantamentos constantes no Relatório Fiscal daquele processo a título de “FP1 – FOLHA DE PAGAMENTO” nos períodos de 05/2005, 06/2005, 07/2005, 08/2005, 09/2005, 10/2005, 11/2005 e 12/2005. Considerando que as exigências do presente processo (contribuições a terceiros) são decorrentes das exigências constantes nos processos de nº 14404.004417/201028 e nº 14504.004416/201083, o resultado da diligência apresentado em tais processos será aplicado também ao presente caso. Desta forma, o julgamento do recurso voluntário interposto no presente processo deve aguardar o resultado da diligência requerida no processo principal, o qual deverá ser juntado nestes autos. Diante disso, considerando a necessidade de nova diligência nos processos de nº 14404.004417/201028 e nº 14504.004416/201083, reconheço a prejudicialidade para o presente julgamento e determino que este processo fique suspenso até o julgamento dos referidos processos. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que este processo acompanhe os demais até que a providência acima seja realizada. Após a realização da diligência, deve ser aberto prazo de 30 dias para manifestação do contribuinte, em atenção ao princípio da ampla defesa e do contraditório. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 10680.724662/2010-09
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/10/2009
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
A empresa é obriga a arrecadar as contribuições devidas em razão do pagamento a segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, ex vi art. 30,I da lei 8.212/91. A parcela devida pelos segurados é de recolhimento obrigatório das empresas optantes do SIMPLES.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.728
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 30/10/2009 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A empresa é obriga a arrecadar as contribuições devidas em razão do pagamento a segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, ex vi art. 30,I da lei 8.212/91. A parcela devida pelos segurados é de recolhimento obrigatório das empresas optantes do SIMPLES. Recurso Voluntário Negado
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SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A empresa é obriga a arrecadar as contribuições devidas em razão do pagamento a segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, ex vi art. 30,I da lei 8.212/91. A parcela devida pelos segurados é de recolhimento obrigatório das empresas optantes do SIMPLES. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 46 62 /2 01 0- 09 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.724662/201009 Acórdão n.º 2803003.728 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.724662/201009 Acórdão n.º 2803003.728 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos a segurados a seu serviço parte do segurado. O r. acórdão – fls 154 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · A decisão de exclusão do SIMPLES não era definitiva quando da lavratura do auto, resultando em sua nulidade. · Requer o provimento do recurso, com o cancelamento da autuação. É o relatório. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.724662/201009 Acórdão n.º 2803003.728 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A recorrente alega nulidade da autuação pois o processo de exclusão do SIMPLES não foi definitivamente julgado. O presente auto de infração se refere a contribuições devidas por segurados obrigatórios da seguridade social, cujo recolhimento é de responsabilidade das respectivas empresas. Tais parcelas são igualmente devidas pelos optantes do SIMPLES, conforme Lei Complementar 123, de 14 de dezembro 2006, art. 13, § 1º, IX,X. Reproduzo. Art. 13. O Simples Nacional implica o recolhimento mensal, mediante documento único de arrecadação, dos seguintes impostos e contribuições: § 1º O recolhimento na forma deste artigo não exclui a incidência dos seguintes impostos ou contribuições, devidos na qualidade de contribuinte ou responsável, em relação aos quais será observada a legislação aplicável às demais pessoas jurídicas: ... IX Contribuição para manutenção da Seguridade Social, relativa ao trabalhador; X Contribuição para a Seguridade Social, relativa à pessoa do empresário, na qualidade de contribuinte individual; Dessa feita, desinfluente a decisão porventura exarada em processo de exclusão do SIMPLES, uma vez que a obrigação tributária sub examine se manterá incólume, devendo o auto ser mantido em sua integralidade. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.724662/201009 Acórdão n.º 2803003.728 S2TE03 Fl. 6 5 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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