Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,808)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,881)
- Primeira Turma Ordinária (16,417)
- Primeira Turma Ordinária (16,224)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,171)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,198)
- Terceira Câmara (67,866)
- Segunda Câmara (56,637)
- Primeira Câmara (20,749)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,702)
- Segunda Seção de Julgamen (115,207)
- Primeira Seção de Julgame (77,078)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,966)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,573)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,612)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,680)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 15374.001042/00-89
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1998
APURAÇÃO BASE DE CÁLCULO DA CSLL.
As despesas consideradas indedutíveis para apuração de Imposto de Renda não devem, necessariamente, ser consideradas para apuração da Base de Cálculo da CSLL. Não existe na legislação dispositivo que determine a adição à base de cálculo da Contribuição Social sobre lucro de despesas efetivas, tidas como indedutíveis na apuração do lucro real.
Numero da decisão: 9101-001.510
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais,
por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente convocado), Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1998 APURAÇÃO BASE DE CÁLCULO DA CSLL. As despesas consideradas indedutíveis para apuração de Imposto de Renda não devem, necessariamente, ser consideradas para apuração da Base de Cálculo da CSLL. Não existe na legislação dispositivo que determine a adição à base de cálculo da Contribuição Social sobre lucro de despesas efetivas, tidas como indedutíveis na apuração do lucro real.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 15374.001042/00-89
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5182902
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Feb 02 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 9101-001.510
nome_arquivo_s : Decisao_153740010420089.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 153740010420089_5182902.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente convocado), Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
id : 4463403
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041216775389184
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1924; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 886 1 885 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15374.001042/0089 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.510 – 1ª Turma Sessão de 20 de novembro de 2012 Matéria CSLL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TOURIST CARD ASSISTANCE LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1998 APURAÇÃO BASE DE CÁLCULO DA CSLL. As despesas consideradas indedutíveis para apuração de Imposto de Renda não devem, necessariamente, ser consideradas para apuração da Base de Cálculo da CSLL. Não existe na legislação dispositivo que determine a adição à base de cálculo da Contribuição Social sobre lucro de despesas efetivas, tidas como indedutíveis na apuração do lucro real. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO – Presidente (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente convocado), Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 10 42 /0 0- 89 Fl. 864DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 2 Relatório Tratase de Recurso Especial (fls. 853/856) interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho 2007. O presente processo administrativo é decorrente de lançamento do IRPJ e CSLL relativo à glosa de despesas por falta de comprovação da efetividade e necessidade das despesas relativas a serviços prestados por pessoa jurídica e de comissões, conforme auto de infração de fls. 242/250. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 254/260. A DRJ do Rio de Janeiro considerou o lançamento procedente em parte porque: (1) considerou improcedente o lançamento do IRPJ relativo à glosa das despesas pela contratação de seguros e pela contratação de serviços de assistência em viagem ao exterior, isto porque os documentos apresentados foram suficientes à demonstração das despesas incorridas, (2) considerou procedente o lançamento do IRPJ relacionado à glosa de despesas de comissões, isto porque entendeu pela indedutibilidade de tais despesas nos termos do artigo 247 do RIR/94 e, (3) considerou improcedente o lançamento reflexo, pois a glosa efetuada em valores que compõem tãosomente a apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, em nada interfere na base de cálculo da CSLL, pois tais despesas não são excluídas do lucro contábil, segundo o definido no art. 2° da Lei n° 7.689/88. O acórdão proferido pela DRJ foi assim ementado: (...) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1998 Ementa: COMPROVAÇÃO DE DESPESAS. Computamse, na apuração do resultado do exercício os dispêndios de custos ou despesas que forem documentalmente comprovados e guardem estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita. DESPESAS DE COMISSÕES. São indedutíveis as importâncias pagas a título de comissões, sem a indicação da operação ou da causa que lhes deu origem. Assunto: Outros Tributos Exercício: 1998 Ementa: CSLL. DECORRÊNCIA. Deve ser considerado improcedente o lançamento que promove a glosa de despesas incluídas na apuração do lucro líquido e, Fl. 865DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 15374.001042/0089 Acórdão n.º 9101001.510 CSRFT1 Fl. 887 3 conseqüentemente, na base de cálculo da CSLL, se a glosa se fundamentou tãosomente na falta de comprovação da necessidade e da vinculação das despesas à fonte produtora de recursos, pois estas exigências somente se aplicam à dedução de valores na apuração do lucro real. Lançamento Procedente em Parte Da decisão de primeira instância administrativa foi interposto Recurso de Ofício nos termos do inc. I do art. 34 do Decreto 70.235/72, em função do qual sobreveio o acórdão n° 10709.247 proferido pelos membros da Sétima Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, negaram provimento ao recurso. O acórdão proferido foi assim ementado: GLOSA DE DESPESAS — COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE. Computase na apuração do resultado do exercício, os dispêndios de custos ou despesas que forem documentalmente comprovados e guardem estreita conexão com a atividade explorada e Com a manutenção da respectiva fonte de receita. Excluise da glosa, á parte das despesas cuja necessidade foi comprovada. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. O decidido em relação ao lançamento principal estendese ao lançamento da CSLL, por decorrer da mesma situação fática. Nos termos do voto vencido houve discordância em relação ao julgado anteriormente apenas quanto à exclusão da CSLL relacionada com a glosa de despesas com comissões, cujo lançamento do IRPJ foi mantido e, isto porque, nos termos do art. 2. ° da Lei 7.689/88 a base de cálculo da CSLL é o valor do resultado do exercício antes da provisão para o imposto de renda e este é obtido após a exclusão das receitas operacionais. Do exposto, o voto vencido foi no sentido de restabelecer CSLL em relação à glosa de despesas com comissões. Diferentemente, nos termos do voto vencedor, restou consignado que não há na legislação dispositivo que determine a adição à base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro de despesas efetivas, tidas como indedutíveis na apuração do Lucro Real. Assim, foi negado provimento ao recurso de ofício e mantida a exclusão da glosa das despesas tanto para o IRPJ quanto para a CSLL. Nesse contexto, insurgiuse a Recorrente contra o acórdão n° 10709.247 proferido pelos membros da Sétima Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, negaram provimento ao recurso de ofício. A Recorrente, em sede de Recurso Especial, afirmou que o acórdão proferido deve ser reformado na parte que excluiu o lançamento da CSLL sob o fundamento de que não há dispositivo que determine a adição à base de cálculo da CSLL de despesas consideradas indedutíveis na apuração do lucro real. Fl. 866DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 4 Argumentou que a despesa considerada indedutível para apuração da base de cálculo do IRPJ influencia na base de cálculo da CSLL porque esta corresponde ao resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda (art. 2 º Lei n. 7.689/88), a depender das despesas operacionais consideradas indedutíveis na apuração do lucro real. Afirmou, ainda, que no presente caso deve ser observado o artigo 13 da Lei n. 9.249/95, o qual veda deduções à base de cálculo da CSLL, sem prejuízo do disposto no art. 47 da Lei n. 4.506/64 que dispõe: Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. Nesse sentido, sustentou que as despesas desnecessárias não podem ser consideradas como despesas operacionais e por isso não podem ser deduzidas da base de cálculo da CSLL, ou seja, não podem interferir no resultado do exercício para fins de apuração da base de cálculo da contribuição. Pugnou, por fim, pela reforma do acórdão para manutenção do lançamento da CSLL. O contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. Inicialmente cumpre destacar que para o perfeito deslinde do caso se faz necessário a exata compreensão do cerne da questão. O lançamento tributário baseouse na glosa de despesa da apuração do IRPJ e da CSLL no valor de R$ 3.175.383,68, composto da seguinte forma: Item Descrição R$ 1 Contratação de seguros para seus clientes 376.213,83 2 Prestação de serviço de assistência em viagem ao exterior pela empresa Wordwide 2.146.332,34 3 Despesas de comissões a agências de viagens 652.837,51 Total 3.175.383,68 Com relação aos itens 1 e 2, a Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro entendeu que o contribuinte conseguiu comprovar o pagamento e a efetividade dos serviços prestados, julgando improcedente o lançamento que efetuou a glosa dos referidos valores. No que tange ao item 3 “Despesas com Comissões agência de viagens” a DRJ aduziu que, embora o contribuinte tenha apresentado as notas fiscais respectivas, bem como os lançamentos contábeis correspondentes, tais documentos não são suficientes para comprovação do pagamento das comissões. Isso porque, diferentemente das demais despesas, o Fl. 867DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 15374.001042/0089 Acórdão n.º 9101001.510 CSRFT1 Fl. 888 5 pagamento de comissões exige controles específicos e individualizados para a sua dedutibilidade na apuração do Lucro Real, conforme determina o artigo304 do RIR/99. Art. 304. Não são dedutíveis as importâncias declaradas como pagas ou creditadas a título de comissões, bonificações, gratificações ou semelhantes, quando não for indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário do rendimento (Lei nº 3.470, de 1958, art. 2º). Assim, a DRJ julgou procedente o lançamento em relação ao IRPJ, contudo, em relação à CSLL entendeu que as despesas com comissões apesar de não serem dedutíveis da apuração do Lucro Real, tendo em vista que não atenderam os requisitos previstos no artigo 304 do RIR, são despesas que não são excluídas do lucro contábil, razão pela qual continuariam a compor a base de cálculo da CSLL. Sendo que a Lei 7.689/88 não leva em consideração razões de necessidade para permitir que as despesas sejam deduzidas da Base de Cálculo da CSLL, bastando que sejam despesas incorridas. Nesse sentido, não restou dúvidas para a DRJ de que as despesas glosadas foram incorridas, já que comprovadas por meio de notas fiscais, segundo constatado pela própria autuante. Dessa forma a DRJ julgou improcedente o lançamento em relação à CSLL referente às despesas com comissões. O entendimento da Delegacia Regional de Julgamento foi mantido pelo extinto Primeiro Conselho através do Acórdão nº 10709.247º o qual foi objeto de Recuso Especial interposto pela a Procuradoria da Fazenda Nacional. Assim, a questão a ser resolvida nos autos se resume em definir se as despesas consideradas indedutíveis para apuração de Imposto de Renda necessariamente devem ser consideradas para apuração da Base de Cálculo da CSLL. Para elucidação da questão é indispensável a análise da legislação acerca do tema. A Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL foi instituída pela Lei 7.689 de 15 de dezembro de 1988, sendo que em seu artigo 2º determina: Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço; Fl. 868DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 6 c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Incluído pela Lei nº 8.034, de 1990) 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. (Incluído pela Lei nº 8.034, de 1990) § 2º No caso de pessoa jurídica desobrigada de escrituração contábil, a base de cálculo da contribuição corresponderá a dez por cento da receita bruta auferida no período de 1º janeiro a 31 de dezembro de cada ano, ressalvado o disposto na alínea b do parágrafo anterior. Em 26 de dezembro de 1995, foi publicada a lei nº 9.249/95 que altera a legislação do imposto de renda das pessoas jurídicas, bem como da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, sendo que em seu artigo 13 traz o rol das deduções vedadas para apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de Fl. 869DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 15374.001042/0089 Acórdão n.º 9101001.510 CSRFT1 Fl. 889 7 previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (Vide Lei 9.430, de 1996) II das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços; III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; IV das despesas com alimentação de sócios, acionistas e administradores; V das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica; VI das doações, exceto as referidas no § 2º; VII das despesas com brindes. § 1º Admitirseão como dedutíveis as despesas com alimentação fornecida pela pessoa jurídica, indistintamente, a todos os seus empregados. § 2º Poderão ser deduzidas as seguintes doações: I as de que trata a Lei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991; II as efetuadas às instituições de ensino e pesquisa cuja criação tenha sido autorizada por lei federal e que preencham os requisitos dos incisos I e II do art. 213 da Constituição Federal, até o limite de um e meio por cento do lucro operacional, antes de computada a sua dedução e a de que trata o inciso seguinte; III as doações, até o limite de dois por cento do lucro operacional da pessoa jurídica, antes de computada a sua dedução, efetuadas a entidades civis, legalmente constituídas no Brasil, sem fins lucrativos, que prestem serviços gratuitos em benefício de empregados da pessoa jurídica doadora, e respectivos dependentes, ou em Fl. 870DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 8 benefício da comunidade onde atuem, observadas as seguintes regras: a) as doações, quando em dinheiro, serão feitas mediante crédito em conta corrente bancária diretamente em nome da entidade beneficiária; b) a pessoa jurídica doadora manterá em arquivo, à disposição da fiscalização, declaração, segundo modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal, fornecida pela entidade beneficiária, em que esta se compromete a aplicar integralmente os recursos recebidos na realização de seus objetivos sociais, com identificação da pessoa física responsável pelo seu cumprimento, e a não distribuir lucros, bonificações ou vantagens a dirigentes, mantenedores ou associados, sob nenhuma forma ou pretexto; c) a entidade civil beneficiária deverá ser reconhecida de utilidade pública por ato formal de órgão competente da União. O artigo 47 da lei 4.506 de 30 de novembro de 1.964 aduz em seu “caput” que são operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. § 3º Somente serão dedutíveis como despesas os prejuízos por desfalque, apropriação indébita, furto, por empregados ou terceiros, quando houver inquérito instaurado nos termos da legislação trabalhista ou quando apresentada queixa perante a autoridade policial. § 4º No caso de empresa individual, a administração do imposto poderá impugnar as despesas pessoais do titular da empresa que não forem expressamente previstas na lei como deduções admitidas se esse não puder provar a relação da despesa com a atividade da empresa. § 5º Os pagamentos de qualquer natureza a titular, sócio ou dirigente da empresa, ou a parente dos mesmos, Fl. 871DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 15374.001042/0089 Acórdão n.º 9101001.510 CSRFT1 Fl. 890 9 poderão ser impugnados pela administração do imposto, se o contribuinte não provar: a) no caso de compensação por trabalho assalariado, autônomo ou profissional, a prestação efetiva dos serviços; b) no caso de outros rendimentos ou pagamentos, a origem e a efetividade da operação ou transação. § 6º Poderão ainda ser deduzidas como despesas operacionais as perdas extraordinárias de bens objeto da inversão, quando decorrerem de condições excepcionais de obsolescência de casos fortuitos ou de força maior, cujos riscos não estejam cobertos por seguros, desde que não compensadas por indenizações de terceiros. § 7º Incluemse, entre os pagamentos de que trata o § 5º, as despesas feitas, direta ou indiretamente, pelas empresas, com viagens para o exterior, equipandose os gerentes a dirigentes de firma ou sociedade. Pela análise da legislação é possível identificar os seguintes pontos: 1) A Lei 7.689 de 15 de dezembro de 1988 diz que a Base de Cálculo da Contribuição será o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado pela por diversas adições dentre as quais não estão previstas as despesas consideradas indedutíveis para apuração do Imposto de renda; 2) A definição de despesa operacional está previsto no Artigo 47 da Lei 4.506/64, lei que regulamenta o IRPJ conforme a própria introdução: “Dispõe sobre o imposto que recai sobre as rendas e proventos de qualquer natureza”. Neste ponto cumpre ressaltar que a Lei é de 1964, enquanto que a CSLL foi criada em 1988. 3) O Artigo 13 da Lei 9.249/95 traz o rol das deduções vedadas para apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. 4) O Caput do Artigo 13 citado acima ressalta a expressão “independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964”: Sendo que o disposto no artigo 47 dispõe apenas sobre as despesas operacionais relacionadas ao IRPJ. O principal argumento apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional é que o Artigo 13 da Lei 9.249/95 ao citar o Artigo 47 da Lei 4.506/64 incluiu a obrigatoriedade das despesas serem consideradas operacionais para serem deduzidas tanto da Base de Cálculo do IRPJ, quanto da CSLL. Contudo, não assiste razão à Procuradoria, isso porque, o Artigo 47 da Lei 4.506/64 dispõe apenas sobre as despesas operacionais relacionadas ao IRPJ. Além disso, as despesas com comissões não foram aceitas pela DRJ tão somente porque não cumpriram os requisitos de dedutibilidade previstos no Artigo 304 do RIR, requisitos estes previstos apenas para apuração da Base de Cálculo do Imposto de Renda. Fl. 872DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 10 Assim, verificase que não existe na legislação dispositivo que determine a adição à base de cálculo da Contribuição Social sobre lucro de despesas efetivas, tidas como indedutíveis na apuração do lucro real. Ressaltase que não estamos falando de despesas não comprovadas, mas sim despesas efetivamente incorridas pela empresa, no entanto, não podem ser consideradas dedutíveis para apuração do lucro real apenas e tão somente por força de lei, lei esta que não determina a sua exclusão da Base de Cálculo da CSLL. Face ao exposto nego provimento o Recurso Especial apresentado. É como voto. JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Fl. 873DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR
score : 1.0
Numero do processo: 10983.905045/2008-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Emanuel Carlos Dantas de Assis - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fábia Regina Freitas e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10983.905045/2008-75
anomes_publicacao_s : 201302
conteudo_id_s : 5186404
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3401-000.607
nome_arquivo_s : Decisao_10983905045200875.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
nome_arquivo_pdf_s : 10983905045200875_5186404.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte. Júlio César Alves Ramos - Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fábia Regina Freitas e Júlio César Alves Ramos.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
id : 4492134
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041216779583488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1748; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 142 1 141 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.905045/200875 Recurso nº Resolução nº 3401000.607 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 27 de novembro de 2012 Assunto Determinação de Diligência Recorrente CENTRAIS ELETRICAS DE SANTA CATARINA SA Recorrida FLORIANÓPOLISSC Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte. Júlio César Alves Ramos Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fábia Regina Freitas e Júlio César Alves Ramos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão que manteve Despacho Decisório eletrônico não homologando compensação constante de PER/DCOMP, cujo crédito tem origem, segundo a contribuinte, em retenções feitas pela Universidade Federal de Santa Catarina. Segundo o Despacho denegatório o DARF não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. O processo retorna a este Colegiado após duas diligências: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 05 04 5/ 20 08 -7 5 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.905045/200875 Resolução nº 3401000.607 S3C4T1 Fl. 143 2 a primeira determinou ao órgão de origem se pronunciar sobre a DCTF retificadora e a existência de pagamento a maior ou não, quando a DRF de Florianópolis entendeu não caber qualquer revisão no Despacho Decisório que não reconheceu o crédito e, além do mais, afirmou que o recurso voluntário não devia ser conhecido porque firmado por pessoa sem poderes de representação para tanto; a segunda visou sanar a falha na representação e intimar a contribuinte a se pronunciar sobre o entendimento da DRF FlorianópolisSC, exposto na primeira diligência. Intimado por ocasião da segunda diligência, a contribuinte insiste na compensação, referindose a outros dois processos semelhantes a este – os de nºs 10983.901218/200886 e 10983.901097/200872 – e afirmando que as telas SIAFI demonstram a retenção pelos órgãos públicos. Requer a reforma do acórdão recorrido ou, então, nova diligência para que se proceda à juntada dos “Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS”, expedidos pelos órgãos públicos pagadores, que são espelhos das telas SIAFI, tal como adotado nos dois processos acima referidos, nos quais o valor compensado decorrente das retenções foi confirmado pela DRF. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator Diante da insuficiência das diligências realizadas até agora, e por ter sido regularizada a representação processual, carece realizar uma nova, desta feita para que a unidade de origem adote procedimentos semelhantes aos realizados nos processos nºs 10983.901218/200886 e 10983.901097/200872, investigando a fundo a existência de pagamento a maior ou não. Para tanto, deve buscar junto ao SIAFI os dados das retenções e, se necessário, solicitar à contribuinte os Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS fornecidos por órgãos públicos (incluindo autarquias e fundações da administração pública federal) a pessoas jurídicas fornecedoras de bens ou prestadoras de serviços, nos termos do art. 64 da Lei nº 9.430/96. A Recorrente possui inúmeros processos semelhantes ao presente, sendo em que alguns foram comprovadas, ao menos em parte, as retenções alegadas. Diante dessas comprovações, reforçase a necessidade de nova investigação. Pelo exposto, voto por converter o presente julgamento em nova diligência para que a unidade de origem, primeiro, verifique as retenções alegadas, seja por meio do sistema SIAFI, seja obtendo junto à contribuinte os Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, e segundo, emita parecer conclusivo sobre a compensação, respondendo: a) se restaram comprovadas tais retenções, discriminando os seus valores em caso positivo, e b) se houve ou não compensação com os montantes devidos, elaborando demonstrativo com os valores retidos, compensados e os saldos porventura disponíveis. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.905045/200875 Resolução nº 3401000.607 S3C4T1 Fl. 144 3 Do parecer deve ser dada ciência à contribuinte, abrindoselhe o prazo de trinta dias para, querendo, se manifestar sobre o resultado desta nova diligência. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 144DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 13971.900219/2010-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3102-000.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Leonardo Mussi da Silva, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13971.900219/2010-55
anomes_publicacao_s : 201302
conteudo_id_s : 5185866
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3102-000.237
nome_arquivo_s : Decisao_13971900219201055.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13971900219201055_5185866.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Leonardo Mussi da Silva, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
id : 4487424
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041216791117824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1453; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 273 1 272 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.900219/201055 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3102000.237 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 29 de novembro de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente LULI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Leonardo Mussi da Silva, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de Imposto de Produtos Industrializado – IPI, previsto no art. 11 da Lei nº 9.779/99. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .9 00 21 9/ 20 10 -5 5 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/02/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13971.900219/201055 Resolução nº 3102000.237 S3C1T2 Fl. 274 2 O pedido foi objeto de auditoria eletrônica com deferimento parcial, sendo glosando os créditos referentes a aquisições de empresas optantes do SIMPLES. Inconformada, a empresa impugnou a decisão, alegando que a legislação permite a apuração de créditos referentes as aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem e não exclui deste rol as aquisições realizadas de empresas optantes do SIMPLES. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve o despacho decisório. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem emitidas por empresas optantes pelo SIMPLES, nos termos de vedação legal expressa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificada da decisão, a empresa interpôs recurso, alegando que as aquisições glosadas foram realizadas de empresas não optantes do Simples e todas com destaque do IPI nas Notas Fiscais, trazendo aos autos cópias de Notas Fiscais. Ao analisar o Recurso, a Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara, resolveu determinar a baixa dos autos em diligência para que a Unidade Preparadora verificasse a existência do suposto erro no preenchimento do pedido de compensação e se a Recorrente faria jus ao crédito de IPI, referente ao tributo destacado nas Notas Fiscais às fls. 74 a 99. A partir dos fatos apurados e caso fosse identificado alguma divergência em relação ao despacho decisório deveria ser realizado nova apuração do crédito de IPI, a luz das informações obtidas. Em atendimento a diligência, a Unidade Preparadora intimou a Recorrente a apresentar os documentos comprobatórios do erro no preenchimento do PER/DCOMP. A Recorrente, em atendimento a intimação, apresentou Planilhas demonstrando a relação de CNPJ preenchidos erroneamente no PER/DCOMP, os CNPJ corretos e as notas fiscais relacionadas, despacho decisório que indeferiu o pedido de crédito, a PER/DCOMP em questão e Notas Fiscais relativas às operações em que houve equívoco. Após a resposta da Recorrente, foi lavrado termo de informação fiscal, em que a Autoridade Fiscal, informa sobre a apresentação dos documentos e conclui por não se manifestar quanto aos documentos apresentados, por entender que cabe somente ao julgador, manifestação quanto à comprovação ou não do suposto erro. Do termo de informação fiscal, extraio o trecho abaixo, que descreve a posição da Unidade Preparadora. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/02/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13971.900219/201055 Resolução nº 3102000.237 S3C1T2 Fl. 275 3 " Nesse compasso, buscando a verdade material, oportunizouse à recorrente a produção de qualquer prova capaz de comprovar o suposto erro cometido no preenchimento do Pedido de Ressarcimento. Tendo em vista as provas suso apresentadas, não cabe ao órgão preparador manifestação no sentido de serem tais provas suficientes para o deslinde da questão, tampouco colmatar eventual lacuna, cabendo tão somente ao julgador manifestação quanto à comprovação ou não do suposto erro." Dada por concluída a diligência, retornaram os autos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. A teor do relatado, a discussão trata de matéria de fato, qual seja, a comprovação ou não da opção pelo SIMPLES das empresas que tiveram as suas operações glosadas na apuração do credito de IPI. Analisando os autos, verificase que as Notas Fiscais, apresentadas pela Recorrente, possuem a mesma data, o valor total e o IPI destacado, constante do relatório à fl. 48. Divergindo somente no número do CNPJ, o que leva a crer na possibilidade de um erro de digitação, quando do pedido de ressarcimento, sendo informado um CNPJ diverso daquele constante da Nota Fiscal. A decisão da turma julgadora, em baixar os autos em diligência, ocorreu com o objetivo de confirmar os erros alegados pela Recorrente no preenchimento do pedido de ressarcimento/compensação. Entendo que a diligência não atendeu de forma satisfatória os objetivos pretendidos. Assim, voto no sentido de baixar novamente os autos em diligência para que a Unidade Preparadora, realize os seguinte procedimentos: a) Verifique se as Notas Fiscais informadas pela Recorrente estão escrituradas nos Livros Fiscais, nos períodos correspondentes; b) Verificar se as empresas informadas nas Notas Fiscais seriam optantes do Simples; Fl. 275DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/02/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13971.900219/201055 Resolução nº 3102000.237 S3C1T2 Fl. 276 4 c) Se as Notas Fiscais estiverem corretamente escrituradas, e os seus emitentes não forem empresas optantes do Simples, refazer os cálculos do crédito a que teria direito a Recorrente, considerando estas Notas Fiscais em substituição àquelas informadas erroneamente; d) Lavrar Relatório Fiscal detalhando os procedimentos adotados e as conclusões obtidas, dando ciência à Recorrente, para em querendo, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias. Ao final dos trabalhos o processo deverá ser devolvidos a este Conselho para a retomada do julgamento. Winderley Morais Pereira Fl. 276DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 13/02/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15940.000992/2010-11
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2006, 2007
Ementa:
Embargos não acolhidos por não se verificar a alegada omissão ou contradição entre a decisão embargada e os seus fundamentos.
Numero da decisão: 1802-001.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2006, 2007 Ementa: Embargos não acolhidos por não se verificar a alegada omissão ou contradição entre a decisão embargada e os seus fundamentos.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 15940.000992/2010-11
anomes_publicacao_s : 201211
conteudo_id_s : 5175086
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 1802-001.410
nome_arquivo_s : Decisao_15940000992201011.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 15940000992201011_5175086.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
id : 4368294
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:54:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041216794263552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1866; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15940.000992/201011 Recurso nº 913.918 Embargos Acórdão nº 1802001.410 – 2ª Turma Especial Sessão de 6 de novembro de 2012 Matéria PIS e Cofins Embargante UBIRATÃ MERCANTIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006, 2007 Ementa: Embargos não acolhidos por não se verificar a alegada omissão ou contradição entre a decisão embargada e os seus fundamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os Embargos de Declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no acórdão nº. 1802001.385, de 2/10/2012, opôs os Embargos de Declaração, com fulcro no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº. 256, de 22 de junho de 2009. O acórdão foi recepcionado na Procuradoria da Fazenda Nacional, e protocolizados os embargos em 9/10/2012 conforme despacho/CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 09 92 /2 01 0- 11 Fl. 641DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Assevera a Embargante que, a 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, com base na decisão do STF no RE 346.084, deu provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento do PIS e Cofins, as receitas distintas das vendas de bens e/ou prestações de serviços durante a vigência da Lei nº 9.718/98. Contudo, deixou o colegiado de analisar todo o contexto do julgamento proferido pelo STF na matéria em questão, motivo pelo qual o acórdão é omisso neste ponto. Aduz que a tendência que vem se delineando na Suprema Corte é no sentido de que faturamento não é conceito que se encerra na mera venda de mercadorias e serviços, estendendose, pois, às receitas decorrentes da soma de outras atividades empresariais. Eis a íntegra da argumentação da embargante: Nesse sentido, invocase 2 (dois) precedentes da lavra do eminente Ministro Cezar Peluso, um dos quais, inclusive, foi afetado ao plenário e está pendente de apreciação: “O conceito de receita bruta sujeita à incidência da COFINS envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas também a soma das receitas oriundas do exercício de outras atividades empresariais." (RE 444.601ED, Rel. Min. Cezar Peluso, julgamento em 7/11/06, DJ de 15/12/06). “Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominadas prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e Cofins, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. (AG. REG. no RE 400.4798/ RJ, Rel. Min.Cezar Peluso, julgamento em 10.10.2006). A declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, s.m.j., não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência da COFINS e do PIS como o resultado econômico da atividade empresarial vinculada aos seus objetivos sociais. Portanto, para o STF, até a EC n. 20/98, a COFINS e o PIS somente poderiam incidir sobre os ingressos patrimoniais oriundos de sua atividade empresarial típica; isto é, as demais receitas atípicas (não operacionais)estariam fora da hipótese de incidência de tais tributos, posto que, nesse caso, não são faturamento da empresa. Como visto, não se depreende da declaração de inconstitucionalidade do Supremo Tribunal Federal que o conceito de faturamento é restrito e, muito menos, que ele está encastelado nas disposições literais da LC nº. 70/91. Tudo isto impele esse Colegiado a analisar a natureza das receitas porventura excluídas. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15940.000992/201011 Acórdão n.º 1802001.410 S1TE02 Fl. 3 3 Desta forma, para apontar concretamente que tipos de receitas podem ser classificadas como receita operacional, é preciso ter se em vista qual a atividade social da empresa. Se for ela uma empresa prestadora de serviços, uma receita proveniente de uma ocasional venda de mercadorias consistirá em uma receita não operacional; se for uma empresa comercial, a eventual prestação de serviços, dará origem a receita não operacional. É, assim, destituído de sentido definirse esta ou aquela modalidade de receita como receita operacional sem que se tenha em vista qual seja o objeto social da empresa, tornandose imprescindível a análise em cada processo administrativo ou judicial, sob pena de ensejar novo litígio no momento da execução do julgado para definição de quais rubricas deverão ou não ser retiradas da base de cálculo. Não se pode olvidar também que, atreladas ao complexo conjunto de atividades operacionais e sua respectiva contabilização, aparecem ainda rubricas que aumentam o patrimônio líquido da empresa (receitas) e compõem acessoriamente suas operações. A literatura chama tais ingressos de “receitas operacionais acessórias”, pois sua origem está intrinsecamente ligada ao objeto social da empresa, o que demonstra seu caráter operacional, sem corresponder, no entanto, a receitas diretamente decorrentes da atividade fim. Neste sentido, colacionase a seguinte decisão judicial proferida pelo TRF da 3ª Região: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CONSTITUCIONAL.TRIBUTÁRIO. PIS. EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 17/97. OFENSA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA ANTERIORIDADE MITIGADA E DA IRRETROATIVIDADE. DEFINIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCISO V DO ARTIGO 72 DO ADCT.RECEITA BRUTA OPERACIONAL. 1Cuidandose de nítida contribuição destinada ao financiamento do sistema de seguridade social, aplicase à contribuição ao PIS a regra da anterioridade mitigada, estabelecida no § 6º do artigo 195 da Constituição Federal. 2Considerando que a Emenda Constitucional nº 17/97 foi publicada em 25 de novembro de 1997 e pretendeu retroagir para alcançar fatos socorridos a partir de 01 de julho do mesmo ano, flagrante sua inconstitucionalidade, por violar o artigo 195 § 6º da Carta de 1988. 3No período compreendido entre julho de 1997, quando extinto o Fundo Social de Emergência, até 90 dias após a publicação da Emenda Constitucional nº 17/97, a contribuição ao PIS deve ser recolhida na forma da Lei Complementar nº 07/70. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 4A partir de 23 de fevereiro de 1998, a base de cálculo da contribuição ao PIS foi definida pelo inciso V do artigo 72 do ADCT, como sendo a receita bruta operacional, tal como definida na legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. 5Prevê o Decretolei nº 1.598/77 que a receita bruta operacional não é só a receita decorrente da venda dos serviços prestados, como também aquela proveniente dos juros, ganhos cambiais, correção monetária e variações monetárias das operações com recursos financeiros, entre outros. Resta claro, portanto, que a base de cálculo da contribuição ao PIS é composta pela soma destas parcelas. 6Apelação da impetrante e remessa oficial desprovidas. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA – 220140 Processo:200103990308627 DJF3 DATA: 06/10/2008 TRIBUNAL TERCEIRA REGIÃO/ JUIZ LAZARANO NETO (Grifos nossos) Dessa forma, visando à correção da omissão existente no acórdão, a União requer o conhecimento e o provimento do presente recurso para que sejam analisadas as receitas financeiras excluídas à luz do objeto social da empresa, na medida em que tais rubricas podem estar incluídas no conceito de faturamento, sendo tributada pela Cofins e pelo PIS, mesmo após a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo STF. (Grifei) É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Os embargos de declaração são tempestivos. Deles conheço. A questão trazida nos embargos restringese ao fato de haver o acórdão embargado decidido pela exclusão das receitas advindas de descontos obtidos e juros de mora auferidas nos meses de 2006 e 2007, por considerar que tais receitas financeiras não integram a receita bruta da empresa autuada. A exigência do PIS e da Cofins sobre a falta de inclusão das receitas financeiras advindas de descontos obtidos e juros de mora nos trimestres de 2006 e 2007, auferidas nos meses de 2006 e 2007 (demonstrativos fls.454/455 e 457), apurada pela fiscalização nos respectivos autos de infração tem como fundamentação legal os artigos 2° e 3° da Lei 9.718/98. A conclusão chegada no acórdão embargado é que tal matéria já se encontra pacificada no âmbito desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) quanto ao entendimento de que a decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a Fl. 644DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15940.000992/201011 Acórdão n.º 1802001.410 S1TE02 Fl. 4 5 inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 deve ser estendida aos julgamentos efetuados pelo CARF, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins outras receitas que não sejam as receitas da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta) da pessoa jurídica, conforme se extrai da ementa do Acórdão nº 20218.536 de 22 de novembro de 2007: (...) BASE DE CÁLCULO. AMPLIAÇÃO. ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Ao julgar os recursos extraordinários nºs 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, em 09/11/2005, o Pleno do STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 12, da Lei nº 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins por meio de lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA. Nos termos do art. 42, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Excluemse, portanto, da tributação, as variações monetárias e demais receitas financeiras. No julgamento ( RE 346.084 ) em que se decretou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins, estabelecida no referido § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, o redator do acórdão ministro Marco Aurélio entendeu que somente poderia incidir a mencionada contribuição, àquela época, antes do advento da Emenda Constitucional n. 20/98, sobre a Receita bruta ou faturamento: o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita diversa. A embargante traz à baila, AG. REG. no RE 400.4798/ RJ, sob a relatoria do ministro Rel. Min.Cezar Peluso, no qual se discute a incidência da Cofins sobre as receitas financeiras operacionais das companhias seguradoras. Trata o recurso, da incidência do PIS e Cofins sobre receitas decorrentes de prêmios de seguro ou de intermediação financeira, em que o faturamento é a receita decorrente das atividades empresariais típicas da pessoa jurídica. As receitas financeiras das instituições financeiras são as suas receitas operacionais típicas e sobre elas devem incidir o PIS e a COFINS. Não é o caso dos presentes autos, pois, nestes o faturamento decorre de vendas de mercadorias, conforme o objeto social da empresa “Comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios – minimercados, mercearias e armazéns, comércio varejista de gás liquefeito de petróleo (GLP)”. Conforme salientado no acórdão embargado, a matéria se encontra em lista de RE e RESP julgados em desfavor da Fazenda Nacional na forma dos arts. 543B e 543C do CPC, Fl. 645DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 com dispensa para recurso da PFN, nos termos da Portaria PGFN 292/2010, disponível na página da internet da PGFN (http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoenormas/listasde dispensadecontestarerecorrer/lista%20de%20dispensa.pdf), de seguinte teor: 1.1 – Lista de temas julgados pelo STF sob a forma do art. 543B do CPC, e que não mais serão objeto de contestação/recurso pela PGFN 1 RE n. 585.235 Relator: Min. Cezar Peluso Recorrente: UNIÃO Recorrido: IRMAZI – Administração e Participações LTDA. Data de julgamento: 10/09/2008 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98,eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). Observação: Como visto, o STF entendeu que a COFINS/PIS somente pode incidir sobre receitas operacionais das empresas (ligadas às suas atividades principais), sendo inconstitucional a sua incidência sobre as receitas não operacionais (p.ex. aluguel de imóvel). Sendo assim, percebese que a COFINS/PIS incidem sobre as receitas oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira), eis que as mesmas possuem natureza de receitas operacionais. Ou seja, a declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, não impede que a COFINS/PIS incidam sobre as receitas decorrentes dos serviços financeiros prestadas pelas instituições financeiras. Tal entendimento restou firmado no Parecer PGFN/CAT n. 2773/2007,e, posteriormente, foi reiterado pelas Notas PGFN/CRJ n.178/2009 e n. 842/2009. Assim, diante disso, as unidades da PGFN devem continuar contestando/recorrendo em face de demandas/decisões que invoquem o precedente acima referido (declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98) a fim de afastar a incidência de PIS/COFINS sobre as receitas oriundas dos serviços financeiros prestadas pelas instituições financeiras. Sobre o tema, confiramse as ME/PGFN/CRJ 554, 642 e 748, disponíveis na intranet Grifei. A pessoa jurídica autuada não é companhia seguradora, tampouco instituição financeira que presta serviços financeiros. Portanto, as receitas financeiras advindas de descontos obtidos e juros de mora nos trimestres de 2006 e 2007 são diversas das receitas decorrentes das atividades empresariais típicas da pessoa jurídica. Ademais, em 28/5/2009 foi publicada a Lei nº 11.941/09, a qual, em seu artigo 79, inciso XII, revogou o inciso I do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que determinava a incidência do PIS e da Cofins sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas, e não apenas sobre os valores relativos ao seu faturamento, decorrente da venda de bens e serviços. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15940.000992/201011 Acórdão n.º 1802001.410 S1TE02 Fl. 5 7 As hipóteses para interposição de embargos de declaração estabelecidas no artigo 65 do RICARF são as seguintes: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Diante das considerações acima, entendo não estarem presentes no acórdão embargado qualquer das situações previstas no mencionado dispositivo regimental. Assim, resta improcedente a alegação suscitada pela Embargante, razão pela qual VOTO no sentido de que sejam os embargos de declaração, REJEITADOS, por não se verificar a alegada omissão ou contradição entre a decisão embargada e os seus fundamentos. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 15215.720003/2012-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008
FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.
As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa.
JUSTIÇA DO TRABALHO. COMPETÊNCIA.
A partir da Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98 a Justiça do Trabalho passou a ser exercer a competência para executar de ofício as contribuições previdenciárias decorrentes de suas sentenças ou homologação de acordos trabalhistas.
JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-003.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário que sejam excluídas do lançamento as parcelas remuneratórias contidas em sentença ou acordo trabalhista.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Walter Murilo Melo Andrade, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008 FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa. JUSTIÇA DO TRABALHO. COMPETÊNCIA. A partir da Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98 a Justiça do Trabalho passou a ser exercer a competência para executar de ofício as contribuições previdenciárias decorrentes de suas sentenças ou homologação de acordos trabalhistas. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 15215.720003/2012-67
anomes_publicacao_s : 201211
conteudo_id_s : 5175965
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 2402-003.145
nome_arquivo_s : Decisao_15215720003201267.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : JULIO CESAR VIEIRA GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 15215720003201267_5175965.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário que sejam excluídas do lançamento as parcelas remuneratórias contidas em sentença ou acordo trabalhista. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Walter Murilo Melo Andrade, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
id : 4391027
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041216809992192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1904; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 445 1 444 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15215.720003/201267 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.145 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2012 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente MUNICÍPIO DE DIVINO DAS LARANJEIRAS PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008 FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa. JUSTIÇA DO TRABALHO. COMPETÊNCIA. A partir da Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98 a Justiça do Trabalho passou a ser exercer a competência para executar de ofício as contribuições previdenciárias decorrentes de suas sentenças ou homologação de acordos trabalhistas. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 21 5. 72 00 03 /2 01 2- 67 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/11/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário que sejam excluídas do lançamento as parcelas remuneratórias contidas em sentença ou acordo trabalhista. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Walter Murilo Melo Andrade, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/11/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15215.720003/201267 Acórdão n.º 2402003.145 S2C4T2 Fl. 446 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal com ciência em 17/01/2012 sobre valores informados em folhas de pagamento. A recorrente não teria descontado dos segurados contribuintes individuais a contribuição previdenciária. Também foram lançadas diferenças de contribuições de GILRAT. Seguem transcrições da ementa e trechos do relatório/voto que compõem o acórdão recorrido: JUROS SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. Sobre as contribuições sociais em atraso incidem JUROS equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, aplicados sobre o valor atualizado. Compete privativamente ao Poder Judiciário decidir acerca de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de leis. ... DEBCAD 37.362.7955, no valor de R$ 548,49, referente as contribuições sociais não descontadas dos segurados empregados e contribuintes individuais, destinadas a Seguridade Social, não declaradas em GFIP. ... Conforme Relatório Fiscal, a Prefeitura deixou de apresentar no prazo previsto no Termo de Intimação Fiscal 002, de 4/1/2012, os processos trabalhistas e/ou cível solicitados para verificação de incidência de contribuição previdenciária. Assim, foram considerados como base de cálculo, os valores totais pagos aos exeqüentes informados nos documentos encaminhadas à Receita Federal do Brasil pelo Juízo da Comarca de Galilea – MG _ Planilha 002, utilizando como competência para os fatos geradores o mês do depósito efetuado pelo Banco ao exeqüente. Informa ainda a fiscalização no tocante à alíquota RAT que o Município declarou incorretamente, em suas GFIPs, o código de Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE. O enquadramento correto é o da Administração Pública em geral 84.11/600, correspondente à alíquta de 2%, sendo que o declarado pelo autuado foi 75.11/6 (alíquota 1%), gerando diferença de contribuição a recolher. ... O contribuinte não impugna o lançamento fiscal, questionando tão somente a aplicação dos juros com base na taxa SELIC. Entende ser inconstitucional e ilegal a aplicação da taxa SELIC nos autos de infração. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/11/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: Faz ampla explanação sobre juros moratórios, taxa SELIC, cita os artigos 146 e 150, inciso I, da Constituição Federal, 161, § 1º, do CTN, para concluir que a matéria relativa a juro moratório é reservada à Lei Complementar e que a aplicação da taxa SELIC aos débitos fiscais é inconstitucional e ilegal. Alega que o Código Tributário Nacional não veda a mera atualização do tributo, desde que o critério atualizador esteja previsto em lei, o mesmo ocorrendo com os juros de mora, que, na ausência de lei em sentido contrário, devese ater à taxa de 1% ao mês. Diz que a SELIC é uma taxa de remuneração de capital investido. Quando o contribuinte deixa de recolher impostos e contribuições é obrigação do Fisco efetuar o lançamento e não agir como agente financeiro e cobrar juros. Elabora à fl. 410, quadro comparativo, calculando sobre uma dívida de R$100,00 a aplicação de juros de 1% am. versus taxa SELIC, deduzindo pela evidência da natureza remuneratória da taxa SELIC, que tem o fim de recompensar o investidor que se dispõe a aplicar em títulos públicos com o ânimo de obter lucro, fim que não se compatibiliza com a atividade estatal de cobrar tributo. É o Relatório. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/11/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15215.720003/201267 Acórdão n.º 2402003.145 S2C4T2 Fl. 447 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 449DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/11/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. No mérito As folhas de pagamentos e escrituração contábil foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais e pro labore no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições Fl. 450DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/11/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15215.720003/201267 Acórdão n.º 2402003.145 S2C4T2 Fl. 448 7 sociais lançadas pela fiscalização. E não se insurge o recorrente quanto a cobrança das parcelas que deveria ter sido descontadas dos contribuintes individuais. Quanto às diferenças de contribuintes ao GILRAT, o lançamento explicita os critérios para apuração da atividade preponderante e a recorrente também não se insurge contra a cobrança. No que refere às reclamatórias trabalhistas, embora não alegado pelo recorrente, entendo que o lançamento contraria a regra de competência, devendo a matéria ser conhecida de ofício. O que passo a fazêlo. Antes de quaisquer das demais questões, fazse necessário o exame da competência para constituição e cobrança de créditos relativos às contribuições previdenciárias que decorram de sentenças ou homologação de acordos na Justiça do Trabalho. A partir da Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98 a Justiça do Trabalho passou a ser competente para executar de ofício as contribuições previdenciárias decorrentes de suas sentenças, verbis: Constituição Federal: Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). ... VIII. a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a, e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). A reconhecimento de vínculos empregatícios ou de direitos a parcelas remuneratórias tem repercussão tributária – são devidas contribuições previdenciárias sobre as remunerações. Antes da EC nº 20/98, A fiscalização comparecia às Varas da Justiça do Trabalho para realizar os lançamentos tributários, mas desde então a competência passou a ser exercida com exclusividade pelos juízes do trabalho. O eventual não exercício da competência pela Justiça do Trabalho, inclusive conferida pela própria Constituição Federal, não a defere para outro órgão, sendo improcedente a parte do lançamento que constitui crédito sobre as parcelas remuneratórias contidas em sentença ou acordo trabalhista. SELIC Ressaltase que recentemente o Supremo Tribunal Federal decidiu pela constitucionalidade da incidência da taxa SELIC para fins de acréscimos legais de tributos: RE 582461 / SP SÃO PAULO RECURSO EXTRAORDINÁRIORelator(a): Min. GILMAR MENDESJulgamento: 18/05/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe158 DIVULG 17082011 PUBLIC 18082011 EMENT VOL02568 02 PP00177 Parte(s) RELATOR : MIN. GILMAR MENDES Fl. 451DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/11/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 RECTE.(S) : JAGUARY ENGENHARIA, MINERAÇÃO E COMÉRCIO LTDA ADV.(A/S) : MARCO AURÉLIO DE BARROS MONTENEGRO E OUTRO(A/S)RECDO.(A/S) : ESTADO DE SÃO PAULO PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR GERAL DO ESTADO DE SÃO PAULO INTDO.(A/S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL Ementa 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu a alínea “i” no inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar “fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, se o texto dispõe que o ICMS deve ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. 4. Multa moratória. Patamar de 20%. Razoabilidade. Inexistência de efeito confiscatório. Precedentes. A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Decisão O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, conheceu do recurso extraordinário, contra o voto da Senhora Ministra Cármen Lúcia, que dele conhecia apenas em parte. No mérito, o Tribunal, por maioria, negou provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Em seguida, o Presidente apresentou proposta de Fl. 452DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/11/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15215.720003/201267 Acórdão n.º 2402003.145 S2C4T2 Fl. 449 9 redação de súmula vinculante, a ser encaminhada à Comissão de Jurisprudência, com o seguinte teor: “É constitucional a inclusão do valor do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS na sua própria base de cálculo.” Falaram, pelo recorrido, o Dr. Aylton Marcelo Barbosa da Silva, Procurador do Estado e, pelo amicus curiae, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa e, em viagem oficial à Federação da Rússia, o Senhor Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 18.05.2011. A recorrente, embora tenha declarado em seus documentos como devidas as contribuições, insurgese contra a cobrança em tese – seriam inconstitucionais os dispositivos legais. No entanto, o artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por tudo, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário que sejam excluídas do lançamento as parcelas remuneratórias contidas em sentença ou acordo trabalhista. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 453DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/11/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10920.903723/2008-08
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
CRÉDITO. REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. PROVA. ÔNUS DA RECORRENTE. DOCUMENTOS INEXISTENTES. DESPROVIMENTO.
Inexistente nos autos demonstração da redução da base de cálculo mediante documentação contábil e/ou fiscal, da qual avultou o crédito, em face do pagamento efetuado, há de se manter a decisão de primeira instância, não obstante tenha circunscrito sua razão de decidir a aspecto formal do litígio.
Numero da decisão: 3803-003.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e Fábia Regina Freitas (suplente).
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 CRÉDITO. REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. PROVA. ÔNUS DA RECORRENTE. DOCUMENTOS INEXISTENTES. DESPROVIMENTO. Inexistente nos autos demonstração da redução da base de cálculo mediante documentação contábil e/ou fiscal, da qual avultou o crédito, em face do pagamento efetuado, há de se manter a decisão de primeira instância, não obstante tenha circunscrito sua razão de decidir a aspecto formal do litígio.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10920.903723/2008-08
anomes_publicacao_s : 201302
conteudo_id_s : 5185340
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3803-003.832
nome_arquivo_s : Decisao_10920903723200808.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : BELCHIOR MELO DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10920903723200808_5185340.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e Fábia Regina Freitas (suplente).
dt_sessao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
id : 4485489
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041216821526528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2021; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 1 72 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.903723/200808 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803003.832 – 3ª Turma Especial Sessão de 30 de janeiro de 2013 Matéria COMPENSAÇÃO PIS Recorrente GRADUAL BENEFICIAMENTOS TEXTEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO DECORRENTE DE ERRO NA DCTF. Nos casos em que a existência do indébito utilizado em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, a retificação prévia desta não é requisito para reconhecimento do direito ao crédito, no âmbito dos órgãos judicantes, no exercício do controle de legalidade dos atos administrativos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 CRÉDITO. REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. PROVA. ÔNUS DA RECORRENTE. DOCUMENTOS INEXISTENTES. DESPROVIMENTO. Inexistente nos autos demonstração da redução da base de cálculo mediante documentação contábil e/ou fiscal, da qual avultou o crédito, em face do pagamento efetuado, há de se manter a decisão de primeira instância, não obstante tenha circunscrito sua razão de decidir a aspecto formal do litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 37 23 /2 00 8- 08 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/02/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/02/2013 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e Fábia Regina Freitas (suplente). Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0725.562, da DRJ/FlorianópolisSC, de 10 de agosto de 2011, fls. 24/26 (da imagem digitalizada, como doravante se indicará), que considerou improcedente a manifestação de inconformidade. O processo foi constituído a partir da DComp transmitida em 26 de março de 2004, por meio da qual a Contribuinte acima identificada compensou crédito resultante do pagamento indevido ou a maior de PIS referente ao período de apuração janeiro de 2003. Mediante o Despacho Decisório eletrônico de fl. 14, a DRF/Joinville não homologou a compensação, com base na constatação da inexistência do crédito informado, visto que o pagamento correspondente já teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, conforme o DARF discriminado na DComp. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou, em síntese, que o não reconhecimento do direito creditório e não homologação da compensação declarada deveuse ao preenchimento incorreto da DCTF do 1°. trimestre de 2003, a qual já foi retificada. Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis considerou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento, segundo transcrição abaixo, de que a transmissão da DComp não poderia ser procedida sem a retificação antecedente da DCTF: Por óbvio que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem. 0 que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passou a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação já efetuada pode produzir efeitos em relação a DCOMP apresentadas posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores. De se dizer que débitos anteriores, não adimplidos no prazo legal, podem ser incluídos em DCOMP, mas neste caso, por óbvio, tais débitos deverão ser declarados com a devida adição da multa e dos juros de mora legalmente previstos (aliás, está aqui mais uma razão para a impossibilidade de validação retroativa da compensação: como só posteriormente à data de vencimento do tributo e à data de prolação do Despacho Decisório é que houve retificação da DCTF, estarseia permitindo, com a validação retroativa, o adimplemento a destempo da obrigação tributária, sem o acréscimo da penalidade e encargos legais previstos). Cientificada da decisão em 17 de outubro de 2011, irresignada, a Interessada apresentou o recurso voluntário de fls. 30/33, em 07 de novembro de 2011, em que alegou: Fl. 74DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/02/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/02/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10920.903723/200808 Acórdão n.º 3803003.832 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 3 a) ser o débito de PIS de janeiro de 2003 no valor de R$ 114, 92; para esse período de apuração efetuou pagamento na importância de R$ 525,10, resultando disso um crédito de R$ 410,18; b) efetuou a retificação da DCTF dentro do prazo legal de 5 anos, 30 de setembro de 2008, e que o fato de têlo feito após a transmissão da DComp, 26 de março de 2004, não tem o condão de anular o direito ao crédito da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Com efeito, a decisão de primeira instância circunscrevese ao aspecto formal de assentar, em seus próprios termos, “... que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passou a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei [...] como só posteriormente à data de vencimento do tributo e à data de prolação do Despacho Decisório é que houve retificação da DCTF, estarseia permitindo, com a validação retroativa, o adimplemento a destempo da obrigação tributária, sem o acréscimo da penalidade e encargos legais previstos.”. Arrimado nesse fundamento, o Colegiado a quo não se mostrou inclinado a admitir a existência material de crédito ante a hipótese de inocorrência de retificação prévia da DCTF. Este formalismo levado a efeito pela decisão de piso, na apreciação do direito ao crédito utilizado em declaração de compensação, não tem sido contemplado nos julgamentos conduzidos por esta Turma. Precedentes há fixando entendimento de que o argumento de cunho material deve ser enfrentado pelo dito Colegiado e apreciadas as provas então já coligidas na defesa. Este deveria ser, a princípio, o encaminhamento do presente voto. Contudo, no caso presente, percebo que a então Manifestante não formulou a sua defesa adequadamente, deixando de demonstrar as razões que levaram à redução de sua base de cálculo na apuração do PIS cumulativo, no mês em tela, o valor do seu real faturamento e a consequente comprovação das alegações que deveria ter feito. No recurso voluntário é que a Recorrente especifica os valores, porém, pretendendo comprovar a alegação de direito ao crédito apenas com o DARF e a DCTF retificada a destempo, compreendendose esta extemporaneidade como sendo o fato de ter feito a retificação, não após a transmissão da DComp o que haveria de ser irrelevado mas após a ciência do despacho decisório. Ausente na defesa a tentativa de comprovar documentalmente a redução da base de cálculo da contribuição em apreço, inócua seria a decisão de anulação da decisão de primeira instância que aproveitaria à Recorrente afastandose o excesso de formalismo da Fl. 75DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/02/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/02/2013 por ALEXANDRE KERN 4 exigência de retificação prévia da DCTF, uma vez que a DRJ/Florianópolis não disporia de documentos sobre os quais se debruçar para apreciar a verossimilhança material do crédito reivindicado na DComp. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 30 de janeiro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 76DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/02/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/02/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004684/2009-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em analisar e decidir o recurso. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
(assinado digitalmente)
Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes.
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério, Damião Cordeiro de Moraes , Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 19515.004684/2009-93
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5182982
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Feb 02 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2301-000.293
nome_arquivo_s : Decisao_19515004684200993.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MAURO JOSE SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 19515004684200993_5182982.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em analisar e decidir o recurso. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva - Relator. (assinado digitalmente) Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério, Damião Cordeiro de Moraes , Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
id : 4463483
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041216836206592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1514; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 246 1 245 S2C3T1 SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004684/200993 Recurso nº 999.999 Resolução nº 2301000.293 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 20 de setembro de 2012 Assunto CONT. PREV. Recorrente ROCHE DIAGNOSTICA BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em analisar e decidir o recurso. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. (assinado digitalmente) Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério, Damião Cordeiro de Moraes , Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 68 4/ 20 09 -9 3 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004684/200993 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.293 S2C3T1 Fl. 247 2 Relatório e Voto: O presente processo trata do descumprimento da obrigação acessória de apresentar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social (GFIP), com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O processo que cuida da obrigação principal não foi distribuído para este Relator. Observamos que os fatos que ensejaram o presente lançamento ensejam a conexão do presente com o processo que cuida da obrigação principal pelos motivos que abaixo serão expostos. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) determina que seja feita a distribuição dos processos conexos para a mesma Câmara (art. 47, caput) e para o mesmo Relator (art. 49, § 7º). Vejamos o teor dos dispositivos: Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. (...) Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. (...) § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. (...) O desafio para a interpretação de tais dispositivos é estabelecer em que situações ocorre a conexão entre processos. Para enfrentálo, buscamos a disciplina existente no Processo Civil. No Código Processual temos os arts. 103 a 106 que tratam da matéria: Art.103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Art.104. Dáse a continência entre duas ou mais ações sempre que há identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004684/200993 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.293 S2C3T1 Fl. 248 3 Art.105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente. Art.106. Correndo em separado ações conexas perante juízes que têm a mesma competência territorial, considerase prevento aquele que despachou em primeiro lugar. O art. 103 do CPC, acima transcrito, exige, portanto, que haja objeto comum ou causa de pedir comum entre duas ou mais ações para que lhes seja reconhecida a conexidade. Tomando a lição de Cândido Rangel Dinamarco, assumimos que objeto do processo consiste no pedido formulado pelo demandante (Cf. DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de direito processual civil. Vol. II. 2ª ed. revista e atualizada. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 184). A causa de pedir, segundo o mesmo autor, é a descrição dos fatos caracterizadores da crise jurídica lamentada( op. cit., p. 126). Em resumo, portanto, há conexão quando há um pedido comum ou os fatos narrados são comuns a dois processos. Ou, nas palavras de Cândido Rangel Dinamarco: ”ocorre conexidade quando duas ou várias demandas tiverem por objeto o mesmo bem da vida ou forem fundadas no contexto de fatos”(op. cit., p. 149) No caso do processo administrativo fiscal, as situações mais comuns de conexão advirão da identidade de fatos narrados. Em situações nas quais determinados fatos dão ensejo a lançamento para cobrança da obrigação principal e penalidade por descumprimento de obrigação acessória teremos nítida conexão. Outro exemplo comum diz respeito a fatos que estão capturados na hipótese de incidência de mais de um tributo. Caso do IRPJ e da CSLL, por exemplo. A jurisprudência deste Colegiado já acolheu em diversos julgados a existência de conexão em situações similares a essas. Vejamos: Acórdão nº 20401549 do Processo 13364000073200375 Data 27/07/2006 Ementa PIS. COMPETÊNCIA DO 1º CONSELHO DE CONTRIBUINTES. Quando lastreada, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu para determinar a prática de infração à legislação pertinente à tributação de pessoa jurídica, a competência para julgamento do recurso do PIS conexo será do Primeiro Conselho de Contribuintes. Acórdão nº 20401655 do Processo 13603002864200370 Data 22/08/2006 Ementa NORMAS PROCESSUAIS. Havendo matéria idêntica a ser decidida em processos conexos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, a responsabilidade pelo crédito tributário sob exação, mesmo que estes últimos decorram de lançamento isolado, oriundas de mesma base fática e decorrentes de mesma verificação fiscal, a competência para análise e julgamento dos mesmos é de mesmo órgão julgador do Primeiro Conselho de Contribuintes. Recurso não conhecido. Acórdão nº 20212088 do Processo 138080049149630 Data 09/05/2000 Ementa NORMAS PROCESSUAIS CONEXÃO PROCESSUAL DECORRÊNCIA: O exame da exigência principal e da acessória, Fl. 248DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004684/200993 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.293 S2C3T1 Fl. 249 4 quando processadas em autos distintos, deve observar os efeitos da prevenção a fim de evitar decisões contraditórias em processos nitidamente conexos, cabendo à exigência acessória o mesmo destino da exigência principal, em face da inquestionável relação de causa e efeito que as entrelaça. Recurso provido. o Acórdão nº 20500720 do Processo 37284007953200410 Data 04/06/2008 Ementa Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias. Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/200. Ementa(...) AUTO DE INFRAÇÃO CONEXO À NFLD. Sendo o descumprimento de obrigação acessória conexo a matéria tratada em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, deve seguir a decisão emanada para aquela. Processo Anulado Acórdão nº 10708449 do Processo 16327000591200242 Data 22/02/2006 Ementa MULTA ISOLADA Considerada não cabível a exigência do próprio Imposto de Renda Pessoa Jurídica, formalizada em processo conexo, incabível a aplicação da multa isolada, por falta de recolhimento do IRPJ, sobre base de cálculo estimada, referente ao mesmo períodobase de apuração. Recurso provido. Acórdão nº 10808585 do Processo 10680000555200435 Data 10/11/2005 Ementa IRPJ e CSL DEDUÇÕES DE OFÍCIO PIS E COFINS JUROS DE MORA Deve se admitir a dedução, das bases tributáveis do IRPJ e da CSL, dos valores do PIS e da COFINS lançados de ofício, assim como dos juros de mora sobre eles incidentes até o encerramento do período de apuração dos tributos, de forma a se adequar o lançamento de ofício ao valor que efetivamente influiu na apuração do lucro líquido. ADESÃO AO PAES Não logrando o contribuinte correlacionar os débitos informados no PAES com os valores autuados não há como se exonerar os valores pleiteados. LANÇAMENTOS CONEXOS PIS E COFINS Os efeitos do decidido no lançamento principal do IRPJ, se estendem, por decorrência aos processos conexos. Da leitura dos julgados acima podemos observar que a identidade de causa de pedir, de fatos narrados, não precisa ser completa, podendo ser parcial. Identificada as situações ensejadoras da conexidade, restanos identificar as conseqüências processuais daí advindas . Ocorrendo a conexão, o CPC determina a distribuição por dependência: Art. 253. Distribuirseão por dependência as causas de qualquer natureza: (Redação dada pela Lei nº 10.358, de 2001) I quando se relacionarem, por conexão ou continência, com outra já ajuizada; (Redação dada pela Lei nº 10.358, de 2001) (...) De modo similar, o RICARF, como já ressaltamos, determina a distribuição por dependência para a Câmara e para o Relator. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004684/200993 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.293 S2C3T1 Fl. 250 5 Mas deveria tal distribuição por dependência ocorrer em todos os casos? Ou haveria casos nos quais esta seria dispensável? A doutrina de Cândido Rangel Dinamarco (op. cit., p. 151) aponta a utilidade como critério suficiente para impor a reunião dos processos. Tal utilidade está presente naquelas situações nas quais as providências a tomar (reunião de processos) sejam aptas a proporcionar a harmonia de julgados ou a convicção única do julgador em relação a duas ou mais demandas. Ainda que a identidade dos fatos seja parcial, a utilidade da providência de reunião dos processos se justifica. De modo similar ao que acontece no processo civil, no processo administrativo a reunião dos processos tem por objetivo evitar a contradição de julgados e está sujeita à avaliação do julgador de sua utilidade. Ressaltamos que a utilidade não se esgota na possibilidade ou não de decisões contraditórias, mas diz respeito também ao interesse das partes. Assim, se nos autos não constam todos os elementos que permitem a compreensão da crise jurídica a ser sanada, permitindo que seja prejudicado o fisco na sua pretensão de cobrança do crédito tributário ou o contribuinte na sua ampla defesa, há utilidade na indicação de reunião dos processos. Nesses casos, diante do eminente prejuízo para uma das partes, a reunião dos processos é obrigatória, sob pena de nulidade do decisum que a desconsiderar. Situação diversa temos quando não há prejuízo possível para quaisquer das partes advindo diretamente do trâmite separado dos processos, mas subsiste a possibilidade de decisões contraditórias. Nesses casos, a reunião dos processos para julgamento simultâneo é providência que tem óbvio apelo para a segurança jurídica, na medida em que assegura que não haverá decisões contraditórias. A mesma situação contribui para a concretização da eficiência que está consagrada no art. 37 como princípio da administração pública, pois evita que as análises sejam totalmente refeitas por relatores distintos. Porém, nessa situação, caso não tenha ocorrido a reunião dos processos não haveria nulidade processual a ser declarada. No caso em análise, continuarmos com o julgamento isolado do presente poderá resultar em prejuízo para a defesa, ou para o fisco, se optássemos pela nulidade ou provimento por falta de provas nos autos, uma vez que, em geral, o processo que cuida da obrigação principal traz a totalidade dos documentos citados pela fiscalização. Como cuidamos de julgamento de penalidade por deixar apresentar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social (GFIP), com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, a identidade com o contexto dos fatos que envolvem a obrigação principal é óbvia de modo a restar evidenciada a conexão. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER o RECURSO VOLUNTÁRIO e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA de modo que sejam cumpridos os arts. 47, caput e 49, §7º do RICARF. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Fl. 250DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004684/200993 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.293 S2C3T1 Fl. 251 6 Declaração de Voto: Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes 1. O nobre Conselheiro relator votou no sentido de converter o presente julgamento em diligência para realização de conexão, por considerar que existe conexão entre os processos, e, por essa razão, seria necessária a reunião do presente processo aos demais, no intuito de serem julgados simultaneamente. 2. No entanto, em que pese o bom arrazoado trazido pelo douto Conselheiro, peço vênia para nesse ponto divergir do seu posicionamento. Isso por que o Decreto 70.235, que rege o Processo Administrativo Fiscal (PAF), em seu artigo 9º, é categórico ao determinar que “a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. 3. Além desse diploma, o recente Decreto 7.574, de 29 de setembro de 2011, manteve a necessidade de que cada processo (autos de infração ou notificações) seja instruído de maneira que possa ser analisado separadamente: “Art. 38. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 9º, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, art. 25). §1º Os autos de infração ou as notificações de lançamento, em observância ao disposto no art. 25, deverão ser instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do fato motivador da exigência.” 4. Assim, tendo em vista que a norma enveredou pelo lançamento individualizado para cada tributo ou penalidade, é certo que o processo instaurado, que ocorre quando o contribuinte apresenta impugnação, deve corresponder aos fatos geradores individualizados, garantindose a ampla defesa e o contraditório na esfera administrativa. 5. Dessa sorte, muito embora a conexão no processo civil reunir duas ou mais ações para julgamento em conjunto a fim de evitar sentenças conflitantes, o efeito jurídico é a limitação do direito de defesa, como demonstrado anteriormente. 6. É certo que o cerceamento de defesa não ocorreria nos casos que o julgador verificar como necessária a conexão, como no momento em que esse se depara com fato importante para o deslinde da controvérsia presente em outro processo. 7. Porém, conforme venho me posicionando, os dados constantes nos processos devem ser suficientes para o deslinde da controvérsia, o que afasta a necessidade de apreciação conjunta com outros autos lavrados contra o mesmo sujeito passivo. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004684/200993 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.293 S2C3T1 Fl. 252 7 8. Tornase necessário, ainda, que seja observado o princípio da celeridade processual trazido pelo inciso LXXVIII, do artigo 5º, da Constituição Federal, de 1998, o qual dispõe que “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”. 9. Logo, com base também no referido princípio, devese buscar a solução dos conflitos suscitados no processo da forma mais breve possível, evitandose as dilações indevidas, concretizando, assim, a eficiência da Administração (art. 2º da Lei 9.784/99). E, como os processos já se encontram distribuídos à relatoria de diferentes Conselheiros, a pausa em seus julgamentos para a redistribuição dos autos poderia acarretar em um atraso desnecessário. 10. Dessa forma, in casu, voto por JULGAR o presente processo, uma vez que os autos contêm as informações necessárias para o julgamento do feito, sendo despicienda a realização da diligência. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 252DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10983.911761/2009-72
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Sun Sep 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente e Relator
Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10983.911761/2009-72
anomes_publicacao_s : 201211
conteudo_id_s : 5174683
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 3803-003.588
nome_arquivo_s : Decisao_10983911761200972.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : ALEXANDRE KERN
nome_arquivo_pdf_s : 10983911761200972_5174683.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Sun Sep 23 00:00:00 UTC 2012
id : 4360201
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:54:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041216852983808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1845; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 107 1 106 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.911761/200972 Recurso nº 00.000.00000000001 Voluntário Acórdão nº 3803003.588 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de setembro de 2012 Matéria COFINS PAGAMENTO A MAIOR PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente COMPANHIA ENERGÉTICA MERIDIONAL CEM (sucedida por Tractebel Energia SA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 17 61 /2 00 9- 72 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório COMPANHIA ENERGÉTICA MERIDIONAL CEM (sucedida por Tractebel Energia SA) formulou, 07/02/2007, Declaração de Compensação Dcomp, por meio da qual pretendeu extinguir débitos próprios de IRPJ e CSLL com crédito relativo a pagamento indevido ou efetuado a maior a título de Cofins, com apuração em 30/11/2006, no valor de R$ 692.247,43. A compensação não foi homologada porque o valor do DARF discriminado no PER/DCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP (Despacho Decisório Eletrônico – DDE nº 848654558, fl. 15). Em Manifestação de Inconformidade (fls. 2 a 14), alegouse, em síntese, que o pagamento a maior das estimativas mensais do IR e da CSLL derivam da inclusão indevida na receita de valores relativos a Conta Consumo de Combustível CCC e a Conta de Desenvolvimento Energético CDE. Defende que, em sendo injurídico o recolhimento, exsurge de imediato para o sujeito passivo a faculdade de pleitear imediatamente a sua restituição, à vista do que dispõe o art. 165, I, c/c art. 168, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN. Pede a suspensão da a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários não compensados com fundamento no art. 74, 11, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme a redação do art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, c/c o art. 151, III, do CTN. 4ª Turma da DRJ/FNS julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 0726.053, de 23 de setembro de 2011, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. ANÁLISE DO CRÉDITO. LIMITE A análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte/pleiteante limitase ao escopo do que consta na DCOMP, não sendo permitido a autoridade administrativa conceder crédito diverso do pedido. COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO ASSOCIADO A VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10983.911761/200972 Acórdão n.º 3803003.588 S3TE03 Fl. 108 3 Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 5ª Turma da DRJ/FNS. Transcrevo em sua íntegra o arrazoado de fls. 102 a 105, com os grifos do original para maior clareza: Tratase de recurso voluntário contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contra a não homologação interposta pelo contribuinte. Segundo o despacho decisório referendado pela decisão da e. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis o crédito utilizado para compensação é inexistente, pois o valor recolhido via DARF foi integralmente apropriado a débito do período conforme DCTF. Consoante prescreve o art. 147, do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § Io A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2° Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. No presente caso concreto, uma vez que a DCTF foi objeto de despacho decisório não pode mais o contribuinte retificála para o propósito de exclusão dos valores identificados pelo mesmo como indevidos e declarados na mesma. Deste modo, observando a divergência, ao revés de simplesmente indeferir a compensação informada a partir do pagamento indevido, deveria ter a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC ter intimado o contribuinte a ratificar ou não a DCTF. Cumpre observar, preliminarmente, que quando se inicia um procedimento fiscal contribuinte e fiscalização devem harmoniosamente buscar o esclarecimento das situações que possam consistir em fato gerador da obrigação tributária ou não. Não se pode perder de vista, nesse passo, que a lei determina que o Auditor Fiscal da Receita Federal deva examinar todos os elementos que contribuam a denotar a ocorrência do fato jurídico tributário ou não, conforme prescreve o Decreto n.° 24.239, de 22 de dezembro de 1947, in verbis: Fl. 109DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN 4 Art. 140. Os funcionários do Imposto de Renda, mediante ordem escrita do diretor ou dos delegados, procederão a exame nos livros e documentos de contabilidade dos contribuintes e farão todas as investigações necessárias para apurar a veracidade das declarações e balanços apresentados e das informações prestadas/Grifo em sublinha não consta do original.) Oportuno se torna dizer que esta investigação leal da Verdade Material é inerente ao Estado de Direito. Nessa vereda, qualquer afastamento desta orientação ou desvio alternativo à Verdade Material transita em Regime de Exceção, e com certeza nenhuma pessoa quer estar sujeita à Regime de Exceção, seja quem for, ninguém se sente respeitado em sua dignidade, em seus direitos, tendo sua intimidade e privacidade invadidas tão somente para a coleta de informações parciais, tendenciosas, viesadas de um caminho digno de comprometimento com a Verdade Material. Ex positis, requer: a. A produção de todos os meios de prova em direito admitidas, hábeis a provar a verdade dos fatos em que se funda o presente recurso, com fundamento no art. 16, do Decretolei n.° 70.235/72. b. Seja o presente recurso voluntário total, conhecido e provido e, conseqüentemente, determinada a anulação do lançamento tributário, com fundamento no art. 145,1, do Código Tributário Nacional. Pede deferimento. Florianópolis, 21 de dezembro de 2011. Carlos Rodrigues Barzan OAB/SC 12.623 O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 102 a 107 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFNS4ª Turma nº 0726.053, de 23 de setembro de 2011. Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente Fl. 110DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10983.911761/200972 Acórdão n.º 3803003.588 S3TE03 Fl. 109 5 comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo PAF, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras 5 do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3°A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § I' A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2' Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição. constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN 6 apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. É certo que as normas acima transcritas prevêem a realização de diligências, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos contribuintes, mas é preciso ter em conta que tal previsão não existe com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante; em outras palavras, as diligências servem para esclarecer pontos duvidosos específicos, e não para que a autoridade fiscal, diante da falta de comprovação da existência do crédito, supra tal omissão do contribuinte. No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, acima parcialmente transcrita, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca; neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10983.911761/200972 Acórdão n.º 3803003.588 S3TE03 Fl. 110 7 Por fim, da mesma forma que não se pode usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes, também não se pode exigir que o julgador da questão controversa promova, ele próprio, a contextualização dos elementos de prova juntados ao processo. Por exemplo, usandose o caso já acima referido, se o contribuinte, para consubstanciar seu pleito repetitório, limitase a fornecer um demonstrativo de créditos em que não aparecem individualmente associados registros e documentos, não cabe ao julgador deter se sobre a massa de documentos e buscar, ele próprio, fazer aquilo que o contribuinte deveria ter feito. Ao julgador não cabe fazer a associação dos, não raramente, inúmeros registros e documentos; a ele deve ser oferecido o registro vinculado ao documento que o respalda, para que verifique se aquela operação especifica dá ou não direito ao crédito pleiteado (esta é a sua função: apresentados os documentos que instrumentam um registro, analisar a natureza da operação para fins de deferimento ou não do pleito). A razão pela qual estas considerações são feitas é a de que, além da improcedente alegação da contribuinte de que a autoridade fiscal deve exaurir todos os meios de prova, o contribuinte não apresenta qualquer comprovação de sua alegações de erro na confissão de dívida consubstanciada na DCTF. O que se quer aqui firmar, portanto, é que quando tal imprecisão na identificação da origem e natureza do crédito atinge de modo generalizado o pedido formulado pelo contribuinte, não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus onus probandi) por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. O recorrente invoca o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. De acordo com as normas processuais do PAF, com aplicação analógica determinada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008, é no momento processual da reclamação que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio, não se permitindo, a partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser nas situações legalmente excepcionadas. No caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Fl. 113DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN 8 Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e/ou fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse (01/11/2006 a 30/11/2006) não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor cuja restituição se pretendeu com a transmissão da Dcomp ora sub judice. Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de setembro de 2012 Alexandre Kern Fl. 114DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 14098.000345/2009-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo do ITR é o proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. No caso de contribuinte proprietário, o Registro Público é o elemento necessário e suficiente à comprovação desta condição.
RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO. O § 8º do art. 16 da lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal) traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel da área de reserva legal. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal, condição indispensável para a exclusão dessas áreas na apuração da base de cálculo do ITR. Sendo a área averbada menor que a declarada, acolhe-se a dedução apenas da área averbada.
ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel.
ITR. VTN. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. O arbitramento do VTN com base no SIPT, nos casos de falta de apresentação de DITR ou de subavaliação do valor declarado, requer que o sistema esteja alimentado com informações sobre aptidão agrícola, como expressamente previsto no art. 14 da Lei nº 9393, de 1996 c/c o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993. É inválido o arbitramento feito com base apenas na média do VTN declarado pelos imóveis da região de localização do imóvel.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-001.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para restabelecer a área de Reserva Legal correspondente a 50% da área total e o VTN-Valor da Terra Nua declarado.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
EDITADO EM: 12/07/2012
Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Eivanice Canário da Silva (Suplente Convocada). Ausente justificadamente a conselheira Rayana Alves de Oliveira França.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201206
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 ITR. SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo do ITR é o proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. No caso de contribuinte proprietário, o Registro Público é o elemento necessário e suficiente à comprovação desta condição. RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO. O § 8º do art. 16 da lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal) traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel da área de reserva legal. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal, condição indispensável para a exclusão dessas áreas na apuração da base de cálculo do ITR. Sendo a área averbada menor que a declarada, acolhe-se a dedução apenas da área averbada. ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. ITR. VTN. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. O arbitramento do VTN com base no SIPT, nos casos de falta de apresentação de DITR ou de subavaliação do valor declarado, requer que o sistema esteja alimentado com informações sobre aptidão agrícola, como expressamente previsto no art. 14 da Lei nº 9393, de 1996 c/c o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993. É inválido o arbitramento feito com base apenas na média do VTN declarado pelos imóveis da região de localização do imóvel. Recurso parcialmente provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 14098.000345/2009-82
anomes_publicacao_s : 201211
conteudo_id_s : 5175110
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 2201-001.667
nome_arquivo_s : Decisao_14098000345200982.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 14098000345200982_5175110.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para restabelecer a área de Reserva Legal correspondente a 50% da área total e o VTN-Valor da Terra Nua declarado. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator EDITADO EM: 12/07/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Eivanice Canário da Silva (Suplente Convocada). Ausente justificadamente a conselheira Rayana Alves de Oliveira França.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
id : 4368318
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:54:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041216859275264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2581; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14098.000345/200982 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201001.667 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2012 Matéria ITR Recorrente AGROPECUÁRIA JACARÉ S/A Recorrida DRJCAMPO GRANDE/MS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ITR. SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo do ITR é o proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. No caso de contribuinte proprietário, o Registro Público é o elemento necessário e suficiente à comprovação desta condição. RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO. O § 8º do art. 16 da lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal) traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel da área de reserva legal. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal, condição indispensável para a exclusão dessas áreas na apuração da base de cálculo do ITR. Sendo a área averbada menor que a declarada, acolhese a dedução apenas da área averbada. ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. ITR. VTN. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. O arbitramento do VTN com base no SIPT, nos casos de falta de apresentação de DITR ou de subavaliação do valor declarado, requer que o sistema esteja alimentado com informações sobre aptidão agrícola, como expressamente previsto no art. 14 da Lei nº 9393, de 1996 c/c o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993. É inválido o arbitramento feito com base apenas na média do VTN declarado pelos imóveis da região de localização do imóvel. Recurso parcialmente provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 03 45 /2 00 9- 82 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para restabelecer a área de Reserva Legal correspondente a 50% da área total e o VTNValor da Terra Nua declarado. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 12/07/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Eivanice Canário da Silva (Suplente Convocada). Ausente justificadamente a conselheira Rayana Alves de Oliveira França. Relatório AGROPECUÁRIA JACARÉ S/A interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJCAMPO GRANDE/MS (fls. 136) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 02/10, para exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, referente ao exercício de 2004, no valor de R$ 880.980,77, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 2.124.220,82. Segundo o relatório fiscal o lançamento decorre da revisão da DITR/2004 da qual foram glosados os valores declarados como área de preservação permanente (221,7ha) e reserva legal (8.871,0ha) e foi alterado o Valor da Terra Nua – VTN, de R$ 221.776,00 para R$ 4.405.802,01. A autoridade lançadora informa em seu relatório que a Contribuinte foi intimada a apresentar documentos comprobatórios dos dados informados na DITR, especialmente quanto às áreas ambientais, sem resposta. Pela falta de comprovação dessas áreas, as mesmas foram glosadas. Sobre o VTN, da mesma forma, por não ter sido atendida a intimação para prestar esclarecimentos, o valor foi arbitrado com base no SIPT, a partir dos preços médios. Foi adotado este critério devido à ausência de informações sobre preços de terras com base na aptidão agrícola, tendo sido oficiada a Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado do Mato Grosso para que fornecesse estes dados, sem resposta. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 14098.000345/200982 Acórdão n.º 2201001.667 S2C2T1 Fl. 3 3 A Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que o imóvel em questão foi vendido para Assis Silvério da Silva e que somente foi declarado em nome da Interessada devido ao cumprimento de trâmites burocráticos que somente foram concluídos em 2009; que é ilegal a exigência de ADA e averbação para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal; que o SIPT, é um sistema interno da Receita Federal e não pode ser utilizado como parâmetro de arbitramento de valores de imóveis, e assevera que o valor declarado é o compatível com os preços praticados na região. Insurgese contra a multa invocando o princípio constitucional da vedação ao confisco. A DRJCAMPO GRANDE/MS julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Sobre a identificação do sujeito passivo, observou que, até que seja concluído o processo de transferência do imóvel, o Contribuinte do imposto é aquele que figura como titular da Propriedade, no caso, o Interessado. Quanto às áreas de preservação permanente e de reserva legal, após ressaltar que o Contribuinte não apresentou provas da existência dessas áreas ambientais e destacar a necessidade do ADA e da averbação como condições para a exclusão dessas áreas na apuração do imposto, concluiu pela regularidade da exigência. Relativamente ao VTN, após sustentar que o SIPT pode ser utilizado como parâmetro para fins de arbitramento do VTN, nos casos em que se verifique a existência de subavaliação do imóvel, concluiu pela manutenção do valor arbitrado, uma vez que o Contribuinte não apresentou elementos que infirmassem o valor arbitrado. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 21/09/2011 (fls. 160) e, em 13/10/2011, interpôs o recurso voluntário de fls. 02/25 do V.02 (pdf), que ora se examina e no qual argui, preliminarmente, a nulidade do auto de infração por contrariar decisão judicial que lhe favoreceria. Quanto ao mérito, insurgese contra a exigência do ADA como condição para a exclusão das áreas ambientais e diz que a área de reserva legal está averbada. Por fim, formula pedido nos seguintes termos: 1. seja o presente recurso recebido como tempestivo, para em seguida ordenar a manutenção da suspensão da exigibilidade do Auto de Infração demandado. 2. seja reconhecida a suspensão judicial ordenada pela sentença do Mandado de Segurança Coletivo impetrado pela Federação da Agricultura do Estado de Mato Grosso, processo 2005.36.00.0087250 da Seção Judiciária de Mato Grosso (TRF1), a fim de inibir a cobrança do ITR sobre a reserva legal e APP declarada pela Recorrente, suspendendo os andamentos do presente feito até final decisão por trânsito em julgado daquela Ação. 3. seja declarado procedente todos os fundamentos das preliminares, reconhecendo a nulidade absoluta do Auto de Infração combatido, extinguindo a exigibilidade do crédito tributário lançado. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 4. não sendo reconhecidos os fundamentos das preliminares, seja dado provimento total aos fundamentos de mérito, para cancelar o Auto de Infração tornando definitiva a suspensão da exigibilidade do crédito tributário por ele criado. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Cumpre examinar, inicialmente, a arguição de erro na identificação do sujeito passivo. Afirma o Recorrente que o imóvel foi vendido para Assis Silvério da Silva, porém as negociações somente se concluíram em 2009, razão pela qual o imóvel foi declarado em nome da Contribuinte. A alegação, todavia, não merece prosperar. Se, de fato, o imóvel foi vendido, como afirma a Contribuinte, o fato é que a operação não foi registrada por meio de instrumento público e, portanto, para todos os efeitos, a propriedade permanece sob sua titularidade. E tanto é assim, que a DITR foi apresentada em seu nome. Nessas condições, o lançamento teria de ser feito, como foi, em nome do titular da propriedade. Não há falar, portanto, neste caso, em erro de identificação do sujeito passivo. Sobre a alegação de nulidade do lançamento, por contrariedade a decisão judicial, ainda que se considerasse a ação de mandado de segurança coletiva como fator impeditivo do lançamento, não seria o caso de invalidade o lançamento neste caso. É que, segundo os elementos apresentados pelo próprio Contribuinte, a ação em referência diz respeito a situação diversa da que se tem neste processo. O mandado de segurança em questão concluiu pela aplicação retroativa da regra introduzida pela Medida Provisória nº 2.166/2001, que alterou o art. 170 da Lei n° 6.938, de1981, sendo que o lançamento, neste caso, referese a período posterior a 2002, quando estava em vigor novo regime jurídico para a questão, como se exporá com mais detalhes adiante. Não vislumbro, portanto, quanto a este aspecto, nada que pudesse afetar a higidez da autuação. Relativamente às glosas das áreas de preservação permanente e de reserva legal, cumpre examinar, inicialmente, a questão da necessidade ou não do ADA como condição para a exclusão dessas áreas na apuração do ITR. O dispositivo que trata da obrigatoriedade do ADA, e que é o fundamento legal da autuação, é o art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, in verbis: Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Fl. 192DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 14098.000345/200982 Acórdão n.º 2201001.667 S2C2T1 Fl. 4 5 Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. [...] § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. [...] Inicialmente, embora admitindo como possibilidade a interpretação de que o dispositivo esteja a prescrever a necessidade do ADA para todas as situações de áreas ambientais como condição para a redução dessas áreas para fins de apuração do valor do ITR a pagar, conforme os atos normativos da RFB e do Ibama, não me parece que este sentido e alcance da norma estejam claramente delineados, a ponto de dispensar o esforço de interpretação. Isto é, não me parece que se aplique aqui o brocardo in claris cessat interpretatio. Não basta, portanto, simplesmente dizer que a lei impõe a necessidade do ADA, é preciso expor as razões que levam a esta conclusão. O que chama a atenção no dispositivo em apreço é que o mesmo tem como escopo claro a instituição de uma Taxa de Vistoria que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, de uma taxa que tem como fato gerador o serviço público específico e divisível de realização da vistoria, que presumivelmente será realizada nos casos de apresentação do ADA, e não de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou de regular procedimentos de apuração do ITR. Também não se deve desprezar o fato de que a referência à obrigatoriedade do ADA vem apenas no parágrafo primeiro e, portanto, deve ser entendido levando em conta o quanto disposto no caput. E este, como se viu, restringe a tal taxa às situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, o que implica no reconhecimento da existência de reduções que não sejam baseadas no ADA. Aliás, a função sintática da expressão “com base em Ato Declaratório Ambiental” é exatamente denotar uma circunstância do fato expresso pelo verbo”beneficiar”. Ora, entendendose o chamado “benefício de redução” como sendo a exclusão de áreas ambientais para fins de apuração da base de cálculo do ITR, indagase se a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorre diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. Penso que não. Vejase o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 2º da lei nº 4.771, de 1965, e que existe “pelo só efeito desta lei”, in verbis: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: (sublinhei) E também o caso da área de reserva legal do art. 16 da mesma lei, a saber; Fl. 193DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) No caso da área de preservação permanente, a lei define, objetivamente, por exemplo, que tanto metros à margem dos rios, conforme a largura deste, é área de preservação permanente, independentemente de qualquer ato do Poder Público. É a própria lei que impõe ao proprietário o dever de preservar essa área e, para tanto, este não deve esperar qualquer ato determinação do Poder Público. O mesmo ocorre com relação à área de reserva legal. A lei impõe que, conforme certas circunstâncias de localização etc. da propriedade, um mínimo das florestas e outras formas de vegetação nativa devem ser preservadas de forma permanente. E a lei também exige que estas áreas, identificadas mediante termo de compromisso com o órgão ambiental competente, sejam averbadas à margem da matricula do imóvel, vedada sua alteração em caso de transmissão a qualquer título. Também neste caso o proprietário não deve esperar qualquer ato do Poder Público determinando que tal ou qual área deve ser preservada. Por outro lado, a Lei nº 9.393, de 1996, ao cuidar da apuração do ITR define a área tributável como sendo a área total do imóvel subtraída de áreas diversas, dentre elas as de preservação permanente e de reserva legal, sem impor qualquer condição, in verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; Fl. 194DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 14098.000345/200982 Acórdão n.º 2201001.667 S2C2T1 Fl. 5 7 d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) Se as áreas de preservação permanente e as de reserva legal independem de manifestação do Poder Público, outras áreas ambientais, passíveis de exclusão, para fins de apuração do ITR, dependem da manifestação de vontade do proprietário ou da imposição do próprio órgão ambiental, observadas certas circunstâncias específicas do imóvel. Vejase, por exemplo, o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 3º da Lei nº 4.771, de 1965, in verbis: Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. Aqui, a declaração da área como de preservação permanente deve ocorrer em cada caso, conforme entenda o órgão ambiental, considerada a necessidade específica em face de alguma circunstância de risco ao meio ambiente ou de preservação da fauna ou da flora. O mesmo se pode dizer das áreas de que trata a alínea “b” do § 1º do inciso II da lei nº 9.393, de 1996. Ali a área deve ser declarada de interesse ecológico visando à proteção de um determinado ecossistema. Ela não existe “pelo só efeito da lei”, e nem decorre de uma imposição legal genérica de preservação, de uma fração determinada da floresta ou mata nativa. Decorre do entendimento por parte do Poder Público, com base no exame do caso concreto, que aquela área deve ser preservada. Existe, portanto, uma clara diferença entre áreas ambientais: umas cujas existências decorrem diretamente da lei, sem necessidade de prévia manifestação por parte do Fl. 195DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Poder Público por meio de qualquer ato, e outras que devem ser declaradas ou reconhecidas pelo poder Público por meio de ato próprio. Dito isto, não me parece minimamente razoável que a exclusão, prevista em lei, de uma área ambiental, cuja existência independe de manifestação do Poder Público, fique condicionada a um ato formal de apresentação do tal ADA. Mas não há dúvida de que a lei poderia criar tal exigência: A questão aqui, entretanto, é se o art. 170, em que se baseiam os que defendem esta posição, permite esta interpretação; se é este o sentido e o alcance que se deve extrair da norma que melhor a harmonize com os demais princípios e normas que regem a tributação do ITR e a preservação do meio ambiente. Assim, em conclusão, penso que o art. 170 da Lei nº 6.938/81 impõe a exigência da apresentação tempestiva do ADA apenas nos casos em que a existência da área ambiental dependa de declaração ou reconhecimento por parte do Poder Público. Ocorre que a exclusão das áreas ambientais pela autoridade lançadora não foi definida apenas pela falta de apresentação do ADA. A Contribuinte foi previamente intimada a apresentar vários documentos, entre eles laudo técnico que comprovasse a existência das áreas ambientais, e nada apresentou, conforme se pode ver da intimação às fls. 30/31. Assim, com relação à área de preservação permanente e parte da área de reserva legal, embora concordando com a defesa quanto à inexigibilidade do ADA, entendo que, pela falta de comprovação da efetividade da área ambiental, a glosa deve ser mantida. Sobre a área de reserva legal, a Contribuinte afirma que a mesma foi averbada, conforme registro. E, de fato, às fls. 132v consta a AV2/15.186 pela qual foi averbada uma área de reserva legal correspondente a 50% da área total do imóvel, sendo a averbação suficiente para comprovar a existência da reserva legal. Todavia 50% do imóvel corresponde a 5.544,0 hectares e não o 8.871,0ha, como declarado. Deve ser restabelecida, portanto, apenas a área de reserva legal comprovada, de 5.544,0 hectares. Quanto ao VTN, embora esteja evidente neste caso a subavaliação do imóvel, dada a enorme discrepância entre o valor declarado e a média dos valores declarados para a região, conforme se pode constatar do extrato do SIPT de fls. 29, é forçoso reconhecer que, neste caso, o arbitramento não foi feito de acordo com as orientações normativas. É que o art. 14 da Lei nº 9393, de 1996, combinado com o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993, definem que os critérios para a alimentação do sistema de preços de terras a ser utilizado como parâmetro para o arbitramento, deve levar em consideração, entre outras informações, a aptidão agrícola, senão vejamos: Lei nº 9.393, de 1996: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, Fl. 196DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 14098.000345/200982 Acórdão n.º 2201001.667 S2C2T1 Fl. 6 9 de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. E o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993, cuja redação foi alterada pela Medida Provisória nº 2.18256, de 2001: Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) III dimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) No caso concreto, como se pode verificar do extrato do SIPT às fls. 29, o sistema foi alimentado apenas com base nos valores médios das declarações do ITR para a região, sem levar em conta a aptidão agrícola. E, portanto, o dado do sistema não poderia ser utilizado como parâmetro para o arbitramento do VTN. Cumpria à autoridade lançadora, na ausência de informação adequada no SIPT, valerse de outros meios mais razoáveis para estimar ou arbitra o VTN. Nestas condições, penso que não deve prevalecer o valor arbitrado devendo ser restabelecido, portanto, o valor declarado. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de reserva legal correspondente a 50% da área total do imóvel e restabelecer o VTN declarado. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 197DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CÂMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Fl. 198DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 14098.000345/200982 Acórdão n.º 2201001.667 S2C2T1 Fl. 7 11 Processo nº: 14098.000345/200982 1 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 2201001.667. Brasília/DF, 12 de julho de 2012. ______________________________________ Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Fl. 199DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/ 10/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 13678.000001/2009-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REPASSE A OUTROS ADVOGADOS QUE PARTICIPARAM DAS AÇÕES.
Havendo nos autos documentos que atestam a participação de mais de um advogado nos processos judiciais tributa-se os honorários recebidos da justiça por um deles deduzindo-se os valores comprovadamente repassados aos demais.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES INFORMADOS EM DIRF.
Considerando que a DIRF é uma declaração unilateral da fonte pagadora, quando o contribuinte nega o recebimento dos rendimentos declarados, cabe a fiscalização diligenciar junto à empresa a fim de buscar outros elementos de prova para caracterizar a omissão de rendimentos. A simples informação em DIRF não dá suporte ao lançamento.
Numero da decisão: 2202-001.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$67.489,71.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Odmir Fernandes, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REPASSE A OUTROS ADVOGADOS QUE PARTICIPARAM DAS AÇÕES. Havendo nos autos documentos que atestam a participação de mais de um advogado nos processos judiciais tributa-se os honorários recebidos da justiça por um deles deduzindo-se os valores comprovadamente repassados aos demais. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES INFORMADOS EM DIRF. Considerando que a DIRF é uma declaração unilateral da fonte pagadora, quando o contribuinte nega o recebimento dos rendimentos declarados, cabe a fiscalização diligenciar junto à empresa a fim de buscar outros elementos de prova para caracterizar a omissão de rendimentos. A simples informação em DIRF não dá suporte ao lançamento.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 13678.000001/2009-80
anomes_publicacao_s : 201210
conteudo_id_s : 5173710
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 2202-001.993
nome_arquivo_s : Decisao_13678000001200980.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
nome_arquivo_pdf_s : 13678000001200980_5173710.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$67.489,71. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Odmir Fernandes, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
id : 4328582
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:54:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041216864518144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1939; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 182 1 181 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13678.000001/200980 Recurso nº 924.463 Voluntário Acórdão nº 2202001.993 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de setembro de 2012 Matéria Omissão de Rendimentos Recorrente JULLYO CEZZAR DE SOUZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REPASSE A OUTROS ADVOGADOS QUE PARTICIPARAM DAS AÇÕES. Havendo nos autos documentos que atestam a participação de mais de um advogado nos processos judiciais tributase os honorários recebidos da justiça por um deles deduzindose os valores comprovadamente repassados aos demais. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES INFORMADOS EM DIRF. Considerando que a DIRF é uma declaração unilateral da fonte pagadora, quando o contribuinte nega o recebimento dos rendimentos declarados, cabe a fiscalização diligenciar junto à empresa a fim de buscar outros elementos de prova para caracterizar a omissão de rendimentos. A simples informação em DIRF não dá suporte ao lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$67.489,71. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 8. 00 00 01 /2 00 9- 80 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13678.000001/200980 Acórdão n.º 2202001.993 S2C2T2 Fl. 183 2 Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Odmir Fernandes, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13678.000001/200980 Acórdão n.º 2202001.993 S2C2T2 Fl. 184 3 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 11 a 13, pela qual se exige a importância de R$20.368,84, a título de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, anocalendário 2006, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora. Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal à fl. 12, verifica se que o lançamento decorre de omissão de rendimentos recebidos da Caixa Econômica Federal – CEF e do Banco do Brasil, nos valores de R$70.199,10 e R$4.503,21, respectivamente, apurada pelo confronto entre os valores declarados e os informados em DIRF pela fonte pagadora. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte sobre os rendimentos omitidos, no valor de R$174,29. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1 a 7, instruída com os documentos de fls. 8 a 60, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 73 e 74): Em 07.01.2009 o notificado impugnou o lançamento, doc. de fls. 02 e 04 a 07 destes autos, argumentando, em síntese que: os valores apontados na notificação têm origem em recebimento de honorários advocatícios apurados em ações judiciais movidas contra o Instituto Nacional do Seguro Social; que o impugnante exerce a profissão de advogado e foi contratado para trabalhar em conjunto com os também advogados Carlos Alberto Fernandes e Reinaldo Garcia Fernandes no escritório de propriedade destes últimos, tendo sido pactuada divisão de honorários de advogado na proporção fixada em acordo firmado entre as partes no ano de 2005; que no mesmo ano de 2005 constituiu seu próprio escritório, porém, reservou o direito ao recebimento de sua parte nos honorários, à proporção de 15% dos valores recebidos nos processos em que havia trabalhado e que a parte recebida pelos outros dois advogados constituiu em 42,5% dos valores devidos; que por ter atuado nos processos em sua fase final, os honorários advocatícios foram depositados em conta judicial de sua titularidade sendo que a ele coube tão somente 15% dos valores creditados, conforme consta dos recibos de divisão de honorários assinados pelas partes, valores que foram lançados na declaração de ajuste; que os documentos juntados aos autos demonstram suas alegações; que por equívoco, declarou o INSS como fonte pagadora do rendimento no valor de R$4.495,49, ao invés de Banco do Brasil S/A que foi a real fonte pagadora deste valor cuja origem são honorários advocatícios e que o valor realmente pago pela CEF foi de R$83.641,64 e não R$85,160,17, conforme constou da Notificação; Fl. 184DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13678.000001/200980 Acórdão n.º 2202001.993 S2C2T2 Fl. 185 4 que os valores declarados foram aqueles de fato recebidos, conforme provam os documentos que junta à defesa. Ao final requer a apreciação das provas com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70235, de 1972 e o cancelamento da notificação. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte (MG) julgou procedente em parte lançamento, proferindo o Acórdão no 0234.723 (fls. 72 a 76), de 19/09/2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTO. OCORRÊNCIA PARCIAL. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E LEGALIDADE. APLICAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. Restando provado nos autos que a omissão de rendimento apurada pela autoridade lançadora é parcial, porque demonstrado que uma parcela do rendimento foi oferecida à tributação, deve o lançamento ser revisto com fundamento nos princípios da verdade material e legalidade que norteiam o processo administrativo tributário e os atos praticados pelos agentes da administração pública. A decisão a quo, considerando que o contribuinte declarou como recebido do INSS o valor de R$4.495,49, que não foi entregue DIRF pelo INSS em seu nome e que os rendimentos declarados coincidem com os rendimentos recebidos do Banco do Brasil tributados pela fiscalização, acatou a alegação do contribuinte de erro no preenchimento da declaração e excluiu tais valores da base de cálculo do imposto, mantendo a omissão de rendimentos no valor de R$70.199,10 (fl. 75). DO RECURSO Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 10/10/2011 (vide AR de fl. 78), o contribuinte apresentou, em 08/11/2011, tempestivamente, o recurso de fls. 79 a 180, no qual reitera os argumentos de sua impugnação e aduz, em síntese, que: 1. Visto que a decisão recorrida considerou a comprovação do rateio de honorários insuficiente, o contribuinte requer a juntada de cópias autenticadas de peças processuais das ações judiciais que ensejaram o recebimento dos honorários advocatícios em conjunto, a fim de demonstrar que foi apenas mais um colaborador nos referidos processos judiciais e já na sua fase final (fase de execução). 2. Sustenta que os clientes e as ações pertenciam aos Drs. Carlos Alberto Fernandes e Reinaldo Garcia Fernandes, que elaboraram as petições iniciais e eventuais recursos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, razão pela qual sua cota nos honorários advocatícios foi de apenas 15%. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13678.000001/200980 Acórdão n.º 2202001.993 S2C2T2 Fl. 186 5 3. Defende que não se aplica a restrição do art. 16, §4o, do Decreto no 70.235, de 1972, pois a complementação das provas se deve exclusivamente pela não aceitação dos elementos apresentados na impugnação, os quais, no seu entender, já seriam mais que suficientes para a comprovação dos fatos e reconhecimento da verdade material, notadamente os recibos de divisão dos honorários firmados pelos advogados que atuaram nos processos. 4. Afirma que no anocalendário em discussão, recebeu honorários advocatícios em seis ações judiciais que tramitaram na Justiça Federal de Franca, contra o INSS: · Anália de Souza Cardoso (Processo 95.14029097), com ingresso do recorrente no processo a partir de 22/07/2003 (substabelecimento à fl. 96); · Antônio Coimbra (Processo 97.14061253), com ingresso do recorrente no processo a partir de 02/09/2003 (substabelecimento à fl. 114); · Elete da Silva Lourenço (Processo 97.14005710), com ingresso do recorrente no processo a partir de 16/07/2003(substabelecimento à fl. 144); · Iracy Aguiar Vieira (Processo 1999.03.99.0806096 (96.14041447)), com ingresso do recorrente no processo a partir de 17/06/2003 (substabelecimento à fl. 132); · Maria Aparecida Silva (Processo 2004.61.13.0015563) com ingresso do recorrente no processo a partir de 04/08/2004 (substabelecimento à fl. 156); e · Neuza Aparecida Pereira (Processo 1999.03.99.0830669 (98.14018457)), com ingresso do recorrente no processo a partir de 02/09/2003 (substabelecimento à fl. 175). 5. Reitera que os valores dos honorários advocatícios foram requisitados nos processos judiciais acima, em nome do recorrente, pelo fato de ter ingressado nos processos na fase de execução por ser especializado em cálculos de liquidação e que somente era possível a requisição de pagamento e a abertura de uma conta judicial vinculada a um único CPF dos advogados do processo, conforme determinado na Resolução 373/2004 do CJF/STJ e 117/2002 do TRF 3ª Região. 6. Alega que o total dos honorários advocatícios recebidos nas mencionadas ações foi de R$ 80.322,25, sendo que somente 15% pertenciam ao recorrente, ou seja, R$11.641,88, e que o restante foi repassado aos outros dois advogados na proporção de 42,5%. 7. Esclarece que a soma dos valores indicados na parte final dos recibos de divisão dos honorários para cada um dos advogados acima perfaz R$ 32.985,59, que corresponde ao valor de R$ 34.136,95 abatidos o IRRF (3%) e as despesas bancárias (CPMF) devidamente indicadas nos demonstrativos de pagamentos. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 15, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 28/11/2011, veio digitalizado até à fl. 1811. 1 Processo digital. O processo físico foi numerado até a fl. 66 (fl. 71 da digitalização). Fl. 186DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13678.000001/200980 Acórdão n.º 2202001.993 S2C2T2 Fl. 187 6 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. 1 Limites do litígio Importante destacar que a matéria a ser apreciada por este Colegiado restringese à omissão parcial de rendimentos no valor de R$70.199,10, conforme indicado na decisão recorrida e expressamente consignado no recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. 2 Omissão de rendimentos O recorrente alega que o valor omitido referese a parte de honorários advocatícios recebidos em seis ações judiciais tramitaram na Justiça Federal de Franca, contra o INSS, pagos pela Caixa Econômica Federal – CEF, e que teriam sido repassados aos Drs. Carlos Alberto Fernandes e Reinaldo Garcia Fernandes, que elaboraram as petições iniciais e eventuais recursos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Aduz, ainda, que o total dos rendimentos pagos pela CEF, no anocalendário fiscalizado, foi de R$83.641,64 e não R$85,160,17, conforme constou da Notificação de Lançamento em discussão. A decisão recorrida não acolheu os argumentos do contribuinte, com a seguinte motivação (fl. 75): Temse neste processo que o notificado não comprovou, de forma inequívoca que repassou parte dos honorários recebidos, o que poderia ter sido feito por intermédio de apresentação de cheques nominais compensados, cópias de extratos bancários onde constasse o registro de saques nos valores citados nos documentos de fls. 27, 45, 49, 52, 56, 59 e 63, de cópias de documentos de transferências bancárias ou de comprovantes de depósitos on line realizados nos valores que se quer provar que não constituíram rendimentos do impugnante. Portanto, na ausência de provas inequívocas de que o rendimento considerado omitido não foi auferido pelo contribuinte, com fundamento na legislação acima apontada, considerase o valor de R$70.199,10 recebido da Caixa Econômica Federal como rendimento do notificado, mantendose, pois o respectivo lançamento. [...] Nesta data, consultando os registros contidos na DIRF – Declaração de Imposto Retido na Fonte, entregue em nome do impugnante, constatase que, de fato, não há DIRF entregue pelo INSS em seu nome e que a fonte pagadora do valor de R$4.495,49 foi o Banco do Brasil, constando, também, daquele documento que a Caixa Econômica Federal informou que pagou ao impugnante o valor de R$85.160,17. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13678.000001/200980 Acórdão n.º 2202001.993 S2C2T2 Fl. 188 7 Para se contrapor aos argumentos do julgador a quo, o contribuinte junta cópias autenticadas de peças processuais das ações judiciais que ensejaram o recebimento dos honorários advocatícios em conjunto (fls. 88 a 177). Examinandose os documentos de fls. 88 a 177, verificase que tratase petições, procurações, substabelecimentos e outras peças dos processos judiciais nos 95.14029097, 97.14061253, 97.14005710, 1999.03.99.0806096 (96.14041447), 2004.61.13.0015563 e 1999.03.99.0830669 (98.14018457), tendo como autores Anália de Souza Cardoso, Antônio Coimbra, Elete da Silva Lourenço, Iracy Aguiar Vieira, Maria Aparecida Silva e Neuza Aparecida Pereira, respectivamente, a partir dos quais evidenciase que os procuradores iniciais das referidas ações eram os Drs. Carlos Alberto Fernandes e Reinaldo Garcia Fernandes, que posteriormente substabeleceram, com reservas, os poderes que lhes foram outorgados para o contribuinte. Além disso, encontrase anexada às fls. 32 a 34, relação dos processos em comum que se encontravam em fase de liquidação, firmada pelos Drs. Carlos Alberto Fernandes, Reinaldo Garcia Fernandes e Jullyo Cezzar de Souza (contribuinte), estabelecendo que os honorários advocatícios seriam rateados nos seguintes percentuais de 42,5% para os dois primeiros e 15% para o contribuinte. Constase que nesse documento firmado pelos três advogados encontramse os seis processos judiciais anteriormente mencionados e que teriam dado origem a omissão de rendimentos apurada pela fiscalização. Foram juntados, também, os Demonstrativos de Pagamentos (Honorários de Sucumbência), às fls. 40, 44, 47, 51, 54 e 58, firmados pelos três advogados, referentes às seis ações judiciais retro mencionadas. Embora o contribuinte não tenha apresentado prova da transferência efetiva de numerário (cópia de cheque, saque da conta corrente do contribuinte ou depósito feito na conta do beneficiário etc), entendo que as cópias dos processos judiciais acostadas aos autos (fls. 88 a 177) e o documento firmado pelos três advogados de fls. 32 a 34 (relação de processos em comum, com descriminação da forma de rateio dos honorários) reforçam o conteúdo dos Demonstrativos de Pagamento (fls. 40, 44, 47, 51, 54 e 58), razão pela qual entendo que ficou comprovado nos autos que apenas parte dos rendimentos recebidos pelo contribuinte da CEF lhe pertenciam. Contudo, há que se fazer algumas considerações quanto aos valores apurados pela fiscalização. Compulsandose a Planilha dos Rendimentos Recebidos de fls. 8 e 9, elaborada pelo próprio contribuinte, com os Demonstrativos de Pagamentos (fls. 40, 44, 47, 51, 54 e 58), observase que o contribuinte declarou apenas o valor líquido, deduzido o IRRF e as despesas bancárias, o que está em descordo com a legislação de regência uma vez que as referidas despesas não são dedutíveis e que o rendimento deve ser informado bruto, visto que o IRRF será deduzido, como o foi, do imposto devido apurado no ajuste anual. Ademais, não cabe a pessoa física reter ou descontar IRRF de outra pessoa física (exceção feita apenas em relação aos rendimentos do trabalho assalariado), e, portanto, devese descontar da omissão apurada pela fiscalização o valor efetivamente repassado pelo contribuinte aos demais advogados, no montante de R$65.971,18, conforme a seguir demonstrado: Fl. 188DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13678.000001/200980 Acórdão n.º 2202001.993 S2C2T2 Fl. 189 8 Valores em reais Repassado Autor da ação Total Recebido Dr. Carlos Dr. Reinaldo Total Folha Maria Aparecida da Silva 12.010,02 4.932,32 4.932,32 9.864,64 40 Antonio Coimbra 35.513,39 14.583,04 14.583,04 29.166,08 44 Neuza Aparecida Pereira 9.560,06 3.926,46 3.926,46 7.852,92 47 Anália de Souza Cardoso 5.514,97 2.264,90 2.264,90 4.529,80 51 Elete da Silva Lourenço 9.658,96 3.966,77 3.966,77 7.933,54 54 Iracy Aguiar Vieira 8.064,85 3.312,10 3.312,10 6.624,20 58 80.322,25 32.985,59 32.985,59 65.971,18 No que diz respeito aos rendimentos pagos pela CEF, o recorrente anexa Comprovante de Rendimentos Pagos e de IRRF fornecidos pela instituição financeira (fls. 35 e 36), no qual consta que o total levantado pelo contribuinte, referente aos depósitos judiciais, no anocalendário 2006, foi de R$83.641,64. As bases de cálculos indicadas nas guias de retenção IRRF também confirmam esse total (fls. 38, 39, 43, 46, 50, 53, 56, 57 e 60). Não se pode olvidar que, no caso de omissão de rendimentos, afora as hipóteses de presunção legalmente previstas, compete ao fisco comprovar a infração, ou seja, apresentar elementos de prova que demonstrem a percepção de rendimentos não oferecidos à tributação. O lançamento em discussão está baseado na DIRF apresentada pela fonte pagadora, enquanto que o contribuinte apresenta documento fornecido pela mesma fonte pagadora atestando que o valor recebido foi menor do que o informado na referida declaração. Considerando que a DIRF é uma declaração unilateral da fonte pagadora que eventualmente pode conter erros, ante a divergência entre os dois documentos fornecidos pela CEF, caberia a fiscalização ter diligenciado junto à instituição financeira solicitando outros elementos de prova, como por exemplo, comprovante de pagamento ou depósito em conta corrente, a fim de comprovar diferença entre os valores informados na DIRF (R$85,160,17) e no Comprovante de Rendimentos (R$83.641,64). Por sua vez, a decisão de primeira instância limitouse a consultar as informações contidas na DIRF apresentada pela fonte pagadora, sem fazer qualquer consideração quanto ao comprovante de rendimentos apresentado pelo contribuinte, ignorando a divergência nas informações. Destarte, diante da precariedade das provas carreadas aos autos pela fiscalização, entendo que deve prevalecer o valor constante do Comprovante de Rendimentos fornecido pela fonte pagadora e, portanto, devese excluir também da base de cálculo o valor de R$1.518,53 (diferença entre o valor informado em DIRF e o informado no Comprovante de Rendimentos). Fl. 189DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13678.000001/200980 Acórdão n.º 2202001.993 S2C2T2 Fl. 190 9 3 Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$67.489,71. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 190DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
score : 1.0
