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Numero do processo: 16004.000720/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/05/2007
PREVIDENCIÁRIO. APRESENTAÇÃO DE GFIP EM DESCONFORMIDADE COM O MANUAL DE ORIENTAÇÃO. AUTUAÇÃO.
Configura-se infração à legislação previdenciária a apresentação da GFIP com desobediência ao que estabelece o respectivo Manual de Orientação.
Recurso Voluntário Negado
Caracterizado o grupo econômico de fato, dada a existência de comando único e confusão patrimonial, financeira e operacional entre as empresas integrantes, respondem estas solidariamente pelas contribuições sociais não recolhidas.
Numero da decisão: 2401-002.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso para rejeitar a preliminar de exclusão dos responsáveis solidários.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/12/2003 a 31/05/2007 PREVIDENCIÁRIO. APRESENTAÇÃO DE GFIP EM DESCONFORMIDADE COM O MANUAL DE ORIENTAÇÃO. AUTUAÇÃO. Configura-se infração à legislação previdenciária a apresentação da GFIP com desobediência ao que estabelece o respectivo Manual de Orientação. Recurso Voluntário Negado Caracterizado o grupo econômico de fato, dada a existência de comando único e confusão patrimonial, financeira e operacional entre as empresas integrantes, respondem estas solidariamente pelas contribuições sociais não recolhidas.
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LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2003 a 31/05/2007 GESTÃO DE EMPRESAS POR INTERPOSTAS PESSOAS. INTERESSE COMUM.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física, que sendo titular de fato, exerce a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios, posto que possui interesse comum na situação que configura o fato gerador de contribuições sociais. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIAS DAS EMPRESAS INTEGRANTES PELAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO ADIMPLIDAS. Caracterizado o grupo econômico de fato, dada a existência de comando único e confusão patrimonial, financeira e operacional entre as empresas integrantes, respondem estas solidariamente pelas contribuições sociais não recolhidas. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/05/2007 PREVIDENCIÁRIO. APRESENTAÇÃO DE GFIP EM DESCONFORMIDADE COM O MANUAL DE ORIENTAÇÃO. AUTUAÇÃO. Configurase infração à legislação previdenciária a apresentação da GFIP com desobediência ao que estabelece o respectivo Manual de Orientação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 07 20 /2 00 9- 11 Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso para rejeitar a preliminar de exclusão dos responsáveis solidários. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.000720/200911 Acórdão n.º 2401002.815 S2C4T1 Fl. 1.235 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.180.5562, lavrado contra o sujeito passivo acima, para aplicação de multa por descumprimento da obrigação acessória de apresentar a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP em conformidade com o Manual de Orientações. O relatório fiscal informa que a empresa declarou a maior as remunerações dos trabalhadores que formalmente estavam a serviço da empresa Atual Carnes (integrante do mesmo grupo econômico) mas, de fato, trabalhavam para a Agro Carnes (planilha fls. 147/151). O relato do fisco dá conta de operação deflagrada pela Polícia Federal, que identificou suposta organização criminosa, cujo objetivo maior era fraudar à administração tributária. Afirmase que as práticas criminosas eram efetuadas por grupo econômico de fato, denominado Grupo Itarumã, do qual fazia parte a autuada. Foram arrolados como devedores solidários, em razão da existência de grupo econômico, as seguintes pessoas físicas e jurídicas: a) Ari Félix Altomari; b) João do Carmo Lisboa Filho; c) João Carlos Altomari; d) Itarumã S/A; e) Indústria e Comércio de Carnes Grandes Lagos Ltda; f) Unidos Agroindustrial Ltda; g) J & T Administração e Participação Ltda; h) JL Administração e Participação Ltda; i) AFA Administração e Participação Ltda; j) Mafrico Matadouro e Frigorífico Ltda; k) Transportadora Agro Ltda; l) Atual Carnes Ltda. A Autoridade Fiscal afirmou que os líderes do referido grupo econômico criaram empresas em nome de “laranjas”, a exemplo da autuada, para desviar faturamento das empresas legalmente constituídas. Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Foram apresentados pelo fisco argumentos e provas quanto à existência do Grupo Itarumã, em razão da interdependência existente entre as empresas componentes e do comando destas centralizado nas mão dos senhores Ari Félix Altomari, João do Carmo Lisboa Filho e João Carlos Altomari. São apresentadas como evidências da existência de grupo econômico de fato o custeio de plano de saúde pelo Grupo Itarumã de segurados pertencentes às diversas empresas que o compunham, além da rotatividade de empregados entre estas. Foi apresentada impugnação pela autuada, a qual não foi acatada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que declarou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário. Desta decisão, interpuseram recursos voluntários as empresas Itarumã S.A.; AFA Administração e Participação Ltda; J & T Administração e Participação Ltda; JL Administração e Participação Ltda; Unidos Agroindustrial S.A. e Atual Carnes Ltda, além das pessoas físicas Ari Félix Altomari; João Carlos Altomari e João do Carmo Lisboa Filho. Nas peças de igual teor, as recorrentes alegaram: a) malgrado o extenso relatório fiscal, a auditoria não conseguiu demonstrar a relação existente entre o(a) recorrente e a empresa Agro Carnes Alimentos; b) não faz parte do Grupo Itarumã, não possui relação com a autuada, nem tem sócio comum com esta; c) não se pode inferir que o simples fato de uma empresa firmar contrato com outra seria suficiente para tornála parte de esquema supostamente fraudulento; d) o fisco se baseou apenas em ilações, não conseguido demonstrar a relação entre as empresas e pessoas arroladas como devedoras juntamente com a autuada; e) não restou demonstrado o interesse comum entre a autuada e o(a) recorrente, não podendo prevalecer a solidariedade pela satisfação do crédito tributário; f) a doutrina entende que somente se caracteriza o interesse comum quando se demonstra que o contribuinte autuado e o solidário deram causa em conjunto para ocorrência do fato gerador; g) da forma como se apresenta o relato do fisco, não há como se delimitar com precisão qual a fraude acarretou a solidariedade entre as partes envolvidas; h) a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a mera existência de grupo econômico é insuficiente para justificar a solidariedade tributária; i) a melhor doutrina tem ensinado que o encargo de provar a ocorrência do fatos gerador e as circunstâncias em que se deu é do fisco, além de que, não existe na espécie justificativa legal para inversão do ônus da prova; j) é nulo o AI, por falta de motivação quanto à imputação da responsabilidade solidária à(o) recorrente; Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.000720/200911 Acórdão n.º 2401002.815 S2C4T1 Fl. 1.236 5 Ao final, requereram a declaração de nulidade do AI ou, alternativamente, a exclusão do polo passivo. É o relatório. Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os recursos merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. A responsabilidade solidária De acordo com o fisco, foi constatada a existência de grupo econômico de fato, o qual era formado por empresas, cuja titularidade pertencia aos reais proprietários Ari Félix Altomari, João do Carmo Lisboa Filho e João Carlos Altomari; e por outras registradas em nomes de “laranjas”. A autuada fazia parte do segundo grupo. As afirmações da Autoridade Fiscal foram lançadas em relatório de 188 páginas, onde se tenta demonstrar, com esteio em farta documentação, coletada principalmente em documentos apreendidos pela Policia Federal, a existência de organização empresarial que sistematicamente fraudava administração tributária. Para tomarmos partido acerca da contenda, iniciemos fazendo um breve resumo dos fatos relatados pela fiscalização para justificar a inclusão no polo passivo de diversos responsáveis na condição de solidários. Afirma o relato do fisco que, provocada por denúncias da Receita Federal e do INSS, a Polícia Federal deflagrou a “Operação Grandes Lagos”, no intuito de desbaratar organização que há cerca de quinze anos vinha praticando sonegação fiscal, com envolvimento de frigoríficos localizados principalmente nos municípios paulistas de Jales e Fernandópolis. Indicase que foram criadas diversas empresas “de fachada” para acobertar desvios de faturamento das empresas pertencentes ao “Grupo Itarumã”, de modo a fraudar a Fazenda Pública. As empresas Indústria e Comércio de Carnes Grandes Lagos e a Agro Carnes Alimentos AT. C Ltda, segundo a auditoria, teriam sido criadas em nome de interpostas pessoas, para receber grande volume de faturamento do grupo empresarial, sem, no entanto, recolher os tributos devidos. São apresentados documentos, principalmente contratos, os quais comprovariam a estreita relação entre as empresas do grupo e entre estas e os sócios de fato do grupo, Ari Félix Altomari, João do Carmo Lisboa Filho e João Carlos Altomari. Ressaltase a existência de notas fiscais de saída de carne emitidas pelas empresas Indústria e Comércio de Carnes Grandes Lagos e Agro Carnes Alimentos AT. C Ltda (a autuada) com propaganda e garantia do Frigorífico Itarumã. Havia, conforme relato do fisco, procurações da autuada outorgando poderes para pessoas que trabalhavam para o “Grupo Itarumã”. Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.000720/200911 Acórdão n.º 2401002.815 S2C4T1 Fl. 1.237 7 A Autoridade Fiscal indica a existência de notas fiscais de aquisição de animais pela autuada, todavia, com pagamentos aos produtores efetuados pela empresa Mafrico – Matadouro e Frigorífico Irmãos Costa Ltda. Essa fato levou à conclusão da existência de interdependência entre as empresas envolvidas. Foram apresentados diversos exemplos de trabalhadores que atuavam em determinada empresa, todavia, o custeio do plano de saúde era suportado por outra, o que levou o fisco a reforçar sua conclusão pela existência de grupo econômico de fato. Também foram assinaladas as frequentes transferências de trabalhadores entre as diversas empresas do grupo, em que a última empregadora assumia integralmente os encargos trabalhistas e previdenciários. Foi detalhada pelo fisco a situação de todas as empresas envolvidas – regulares e irregulares, dos sócios de direito (laranjas) e dos sócios de fato acima mencionados. São apontadas ainda coincidência de endereços entre os estabelecimentos da empresa autuada e outras empresas do grupo. Afirmase que os recursos para integralização do capital da empresa autuada foram repassados aos sócios “de fachada” por empresas pertencentes ao “Grupo Itarumã”, conforme demonstrado mediante cruzamento de extratos bancários. Essas pessoas, que foram presas no decorrer da operação policial, afirmaram em seus depoimentos que outorgaram poderes a procuradores para gerir a empresa. Ressaltase também a incompatibilidade entre o faturamento da autuada e a situação financeira de seus sócios. Dáse conta que uma das formas de reverter para o “Grupo Itarumã” os resultados financeiros da autuada era a realização de benfeitorias de grade vulto em instalações industriais arrendadas a esta pelo Frigorífico Itarumã, que eram, por força de contrato, incorporadas ao imóvel arrendado. Consta do relato fiscal que a empresa Unidas Agroindustrial S/A tinha uma filial instalada no mesmo endereço da Indústria e Comércio de Carne Grandes Lagos e que neste local centralizavase todo o controle financeiro e operacional das empresas do grupo. Citase que o imóvel foi adquirido pelos Senhores Ari Félix Altomari, João do Carmo Lisboa Filho e João Carlos Altomari, todavia, com recursos oriundos da empresa Grandes Lagos. A seguir, o fisco relata a relação existente entre o “Grupo Itarumã” e as empresas J & T Administração e Participação Ltda, JL Administração e Participação Ltda e AFA Administração e Participação Ltda, buscando demonstrar que as mesmas teriam sido criadas apenas para transferir patrimônio dos sócios do grupo para seus filhos. Um dos sócios da empresa Indústria e Comércio de Carne Grandes Lagos, Senhor Cláudio Freitas, confessou, conforme o fisco, que os verdadeiros donos desta empresa eram os Senhores Ari Félix Altomari, João do Carmo Lisboa Filho e João Carlos Altomari, proprietários do “Grupo Itarumã”, e que aquele era apenas pessoa interposta para esconder a real titularidade da empresa. Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Informase que a empresa Transportadora Agro Ltda é uma extensão da autuada e que foi criada para simular o arrendamento de veículos da empresa Itarumã S/A. O Mafrico – Matadouro e Frigorífico Irmãos Costa Ltda, segundo a auditoria, foi constituído com recurso oriundos da distribuição de lucros efetuada pela autuada. Afirmase que a empresa Atual Carnes, que absorveu todos os empregados demitidos pela Wood Comercial Ltda, rescindiu os contratos com estes, os quais foram imediatamente absorvidos pela autuada. Ressaltase também que a folha de pagamento da Atual Carnes era paga com recursos da Comercial Grandes Lagos, da Agro Carnes Alimentos e da Coferfrigo AT. C Ltda. A seguir, os Auditores fizeram inúmeras considerações sobre os titulares de fato e os titulares de direito (laranjas) das empresas em questão para demonstrar que faziam parte do conglomerado “Grupo Itarumã”. São também lançadas observações sobre pessoas, cujos serviços prestados ao grupo indicam a interligação entre as empresas. Depois são tecidas considerações sobre as evidências reveladas pelos documentos apreendidos na “Operação Grandes Lagos”, quando à ocorrência dos crimes tributários. O fisco também fundamentou suas conclusões mediante análises da movimentação financeira entre as empresas e pessoas envolvidas, bem como do cruzamento de dados bancários obtidos por ordem judicial. Ressaltese que os dados constantes nos cadastros das instituições financeiras demonstram que os sócios da autuada não passavam de prepostos dos verdadeiros proprietários do “Grupo Itarumã”. Também está evidenciado no relato a ocorrência de pagamentos de despesas pessoais dos sócios verdadeiros pelas empresas “de fachada”, demonstrandose que estas eram de fato pertencentes aos Senhores Ari Félix Altomari, João do Carmo Lisboa Filho e João Carlos Altomari. Mesmo diante desses argumentos, todos lastreados em farto conjunto probatório, as recorrentes se limitaram a negar a existência do grupo econômico de fato, sem, no entanto, apresentar qualquer argumento específico ou elemento de prova que pudesse infirmar as conclusões da auditoria. Não há dúvida de que o inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a responsabilização na condição de devedores solidários dos Senhores Ari Félix Altomari, João do Carmo Lisboa Filho e João Carlos Altomari, posto que estes se beneficiaram da falta de pagamento dos tributos exigidos no presente AI. Eis o dispositivo invocado: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) É para esse lado que tem se inclinado a jurisprudência do CARF, como se pode ver dos julgados abaixo reproduzidos: Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.000720/200911 Acórdão n.º 2401002.815 S2C4T1 Fl. 1.238 9 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002, 2003 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Atribuise a responsabilidade solidária a terceira pessoa quando comprovado o nexo existente entre os fatos geradores e a pessoa a quem se imputa a solidariedade passiva, nos termos do art. 124, inciso I do CTN. O interesse comum na constituição do fato gerador da obrigação principal fica bem caracterizado quando o sócio majoritário deixa a sociedade colocando em seu lugar interposta pessoa, tornandose a partir daí um sócio oculto. (1.ª Turma Ordinária da 4.ª Câmara da 1.ª Seção de Julgamento, Acórdão n.º 1401000.878, de 06/11/2012, Rel. Conselheiro Antônio Bezerra Neto) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2006 MULTA QUALIFICADA A prática de ocultar do fisco a ocorrência do fato gerador mediante a falta de apresentação de DIPJ/2007, a falta de apresentação de livros e documentos fiscais aliada à constatação de atividade durante o período fiscalizado e à ausência da pessoa jurídica no domicilio tributário, constituem fatos que evidenciam o intuito de impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, pelo que se impõe a multa de 150% sobre a totalidade do tributo lançado de ofício. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS TRIBUTÁRIAS MATÉRIA SUMULADA Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Evidenciado o vinculo de fato de pessoa física estranha ao quadro societário e a empresa autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações infringidas, como estabelece o inciso I do artigo 124 do CTN. LANÇAMENTOS REFLEXOS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS CSLL, PIS e COFINS. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. (2.ª Turma Especial da 1.ª Seção de Julgamento, Acórdão n.º 1802001.401, de 04/10/2012, Rel. Conselheira Ester Marques Lima de Souza) Portanto, uma vez comprovado que as pessoas físicas citadas, que eram os controladores do “Grupo Itarumã”, constituíram empresas com a interposição de sócios fictícios, tirando proveito da fraude perpetrada, devem os mesmos ser chamados ao polo Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 passivo do presente crédito na condição de devedores solidários, em face do claro interesse comum na ocorrência dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Quanto às pessoas jurídicas arroladas como solidárias, o fisco fundamentou o seu proceder no inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...) Conforme o relato do fisco acima reproduzido em breve síntese, as diversas empresas compunham o grupo econômico de fato denominado “Grupo Itarumã”, conclusão esta que se baseou na confusão financeira, operacional e patrimonial que se dava entre as empresas, além de comando único representado pelas pessoas físicas acima mencionadas. É assim que tem entendido a jurisprudência pátria, como se pode ver do julgado do Superior Tribunal de Justiça, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO RECORRIDO. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL E TESTEMUNHAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. REVISÃO. SÚMULA N. 7 DO STJ. GRUPO ECONÔMICO. COMANDO ÚNICO. EXISTÊNCIA DE FATO. SOLIDARIEDADE. ART. 124, INC. II, DO CTN C/C ART. 30, INC. IX, DA LEI N. 8.212/91. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. AJUDA DE CUSTO. DIÁRIAS. DESCARACTERIZAÇÃO. NATUREZA SALARIAL CONFIGURADA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. SÚMULA N. 306 DO STJ. 1. Não havendo no acórdão omissão, contradição ou obscuridade capaz de ensejar o acolhimento da medida integrativa, tal não é servil para forçar a reforma do julgado nesta instância extraordinária. Com efeito, afigurase despicienda, nos termos da jurisprudência deste Tribunal, a refutação da totalidade dos argumentos trazidos pela parte, com a citação explícita de todos os dispositivos infraconstitucionais que aquela entender pertinentes ao desate da lide. 2. A jurisprudência desta Corte firmou o entendimento de que não constitui cerceamento de defesa o indeferimento da produção de prova testemunhal e pericial quando o magistrado julgar suficientemente instruída a demanda, esbarrando no óbice da Súmula n. 7 do STJ a revisão do contexto fáticoprobatórios dos autos para aferir se o acervo probatório é ou não Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.000720/200911 Acórdão n.º 2401002.815 S2C4T1 Fl. 1.239 11 satisfatório. Precedentes. 3. O Tribunal de origem declarou que "é fato incontroverso nos autos que as três embargantes compartilham instalações, funcionários e veículos. Além disso, a fiscalização previdenciária relatou diversos negócios entre as empresas como empréstimos sem o pagamento de juros e cessão gratuita de bens, que denotam que elas fazem parte de um mesmo grupo econômico. O sóciogerente da Simóveis, Sr. Écio Sebastião Back tem um procuração que o autoriza a praticar atos de gerência em relação às outras empresas, sendo irmão do sóciogerente delas. Ou seja, no plano fático não há separação entre as empresas, o que comprova a existência de um grupo econômico e justifica o reconhecimento da solidariedade entre as executadas/embargantes". 4. Incide a regra do art. 124, inc. II, do CTN c/c art. 30, inc. IX, da Lei n. 8.212/91, nos casos em que configurada, no plano fático, a existência de grupo econômico entre empresas formalmente distintas mas que atuam sob comando único e compartilhando funcionários, justificando a responsabilidade solidária das recorrentes pelo pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos trabalhadores a serviço de todas elas indistintamente. 5. "O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito" (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e da Res. STJ n. 8/08). 6. A Corte a quo, soberana no delineamento das circunstâncias fáticas, observou que, apesar de denominadas como diárias e ajuda de custo, as verbas eram pagas de forma habitual, em valores fixos e expressivos, aos mesmos empregados e sem que fosse comprovada a execução dos serviços a que elas se destinavam ou a realização de viagens, "simplesmente para aumentar a sua remuneração". Correta, pois, a conclusão pela natureza salarial para fins de incidência da contribuição previdenciária. 7. "Os honorários advocatícios devem ser compensados quando houver sucumbência recíproca, assegurado o direito autônomo do advogado à execução do saldo sem excluir a legitimidade da própria parte" (Súmula n. 306 do STJ). 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido.(grifei) (2.ª Turma, Resp. 200901142420, DJE 03/02/2011, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques) Assim, cabível a colocação de todos os responsáveis tributários arrolados pelo fisco na condição devedores solidários. Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 A infração Não foi questionado nos recursos o mérito da autuação, qual seja o descumprimento da obrigação acessória de apresentar a GFIP em desconformidade com o Manual de Orientações, assim, deve ser declarada procedente a lavratura. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso, para rejeitar a preliminar de exclusão dos responsáveis solidários. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10875.001026/99-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2001, 2002
COMPENSAÇÃO - CRÉDITOS DE TERCEIROS - INSTRUÇÃO NORMATIVA 21/97
A cessão de crédito para terceiro realizada quando existia permissão normativa deve ser admitida. Atendidos os pressupostos da Instrução Normativa/SRF nº 21/91 e inexistindo qualquer impedimento legal ou judicial, garante-se a transferência de crédito entre contribuintes. A homologação da compensação, todavia, depende da existência de crédito tributário, a qual deverá ser apurada pela autoridade administrativa competente.
LEGITIMIDADE - LEI Nº 9.784/99 - INTERESSE PROCESSUAL - TERCEIRO
O inciso II do artigo 9º da lei nº 9.784/99 é claro ao entender como legítimo interessado no processo administrativo aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada.
Recurso Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3302-001.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do vota da Relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Fabia Regina Freitas, Alexandre Gomes, José Antonio Francisco
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Atendidos os pressupostos da Instrução Normativa/SRF nº 21/91 e inexistindo qualquer impedimento legal ou judicial, garantese a transferência de crédito entre contribuintes. A homologação da compensação, todavia, depende da existência de crédito tributário, a qual deverá ser apurada pela autoridade administrativa competente. LEGITIMIDADE LEI Nº 9.784/99 INTERESSE PROCESSUAL TERCEIRO O inciso II do artigo 9º da lei nº 9.784/99 é claro ao entender como legítimo interessado no processo administrativo aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada. Recurso Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do vota da Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 10 26 /9 9- 71 Fl. 323DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 15/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Fabia Regina Freitas, Alexandre Gomes, José Antonio Francisco Relatório Por retratar a realidade dos fatos passo a transcrever o relatório da decisão de primeira instância administrativa (Fls. 264/269), a saber: “Tratase de processo de cobrança originado do indeferimento do pedido de compensação de débitos da empresa supra, com créditos da empresa Química Industrial Paulista S/A, CNPJ nº 60.889.326/000124, que teve negado seu pedido de compensação de créditos do IPI com débitos de terceiros no processo nº 10880.001238/9905, conforme cópia de fls. 07/08, em razão de a autoridade competente concluir que a autorização, obtida em antecipação de tutela, não amparava tal possibilidade, limitandose seu direito a realizar a compensação de seu suposto débito com seus próprios créditos. Conforme prevê a IN nº 21/97, o interessado acima identificado, qualificado nos autos como terceiro detentor do débito a ser compensado, foi cientificado do indeferimento do pedido e intimado a recolher os créditos tributários arrolados, com os devidos acréscimos legais. Embora o titular do suposto crédito a ser ressarcido não tenha se manifestado contrariamente à citada decisão, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, o seguinte: 1. Tem o legítimo interesse e legitimidade de agir no tocante à presente impugnação, uma vez que os créditos a que se refere este procedimento lhe foram regular e validamente cedidos, tanto que subscreveu, juntamente com a empresa cedente, Química Industrial Paulista S/A, os pedidos de compensação; 2. A decisão judicial favorável à Química Industrial Paulista não restringiu ou vetou a compensação de créditos da autora com Fl. 324DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 15/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10875.001026/9971 Acórdão n.º 3302001.812 S3C3T2 Fl. 11 3 débitos de terceiros, como equivocadamente constou na decisão administrativa; 3. Afirma que, reconhecido o direito ao crédito, a compensação poderia ser efetivada de acordo com qualquer das modalidades previstas na IN nº 21/97; 4. Inexistindo óbices legais, que desamparem a compensação pleiteada, requer que seja reformado o despacho decisório, com o deferimento dos pedidos de compensação. Conforme o despacho de fl. 130, a manifestante foi considerada inabilitada para contestar o despacho decisório relativo ao processo da cedente do crédito, porém , obteve liminar no MS nº 2004.61.19.0035074 que determinou a conclusão da apreciação do recurso administrativo protocolizado. Assim, o processo foi encaminhado para esta instância.” Em síntese, a Recorrente compensou débitos seus com créditos de terceiros, decorrentes da ação judicial nº 98.00030590 (fls. 127 e segs); cumprindo para tanto os procedimentos administrativos previstos pela Instrução Normativa 21/97, vigente à época do procedimento de compensação (ano de 1999). Ocorre que, nos autos do processo administrativo em que a fiscalização acompanhava o processo judicial, bem como as compensações que vinham sendo efetuadas com os créditos decorrentes daquele processo (nº 10880.001238/9905) as autoridades administrativas entenderam que a decisão judicial não permitia a cessão do crédito a terceiros e, por isso, indeferiram o pedido de compensação realizado pela Recorrente. Este indeferimento foi juntado ao processo ora em análise, e a Recorrente passou a discutir neste processo esta decisão que indeferiu a compensação pleiteada. As autoridades administrativas indeferiram os recursos apresentados porque entenderam que este não era o foro de discussão, que apenas o titular original do crédito poderia discutir a transferência de crédito a terceiros. A Recorrente obteve, então, liminar em mandado de segurança (processo nº 2004.61.19.00030590), que determinou que seu recurso fosse apreciado. Em vista deste fato, a 2ª Turma da DRJ/POR proferiu o acórdão nº 14 35.529, por meio do qual manteve o indeferimento do pedido de compensação, in verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Anocalendário: 2001, 2002 TERCEIRO PREJUDICADO. Indeferida a compensação de débitos com terceiros, este não tem previsão de legitimidade, no processo administrativo fiscal, para apresentar manifestação de inconformidade, ainda que alegue ter sido prejudicado, mormente se o sujeito passivo não a apresentou.” Em resumo, os julgadores de primeira instância administrativa analisaram o vínculo da Recorrida na condição de terceira com a Receita Federal e concluíram que este Fl. 325DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 15/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 inexistia; sendo que a cessão de crédito constituiu vínculo apenas entre as partes (cessionário e cedente). Ademais, afasta a aplicação do artigo 58 da Lei nº 9.784/99, o qual prevê, genericamente, a legitimidade de terceiro interessado para interpor recurso administrativo, sobrepondo o art. 69 do mesmo diploma legal, que dispõe que os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria. Neste particular a decisão recorrida finaliza concluindo que a simples negativa da fiscalização não gera direito ao contencioso e menos ainda de terceiros. A decisão ainda adentrou ao mérito, para o caso deste E. Conselho entender superada a preliminar, negando o direito da Recorrente por interpretar que a decisão judicial restringiu o aproveitamento do crédito com débitos próprios, impossibilitando a transferência a terceiros. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 292/320), por meio do qual reiterou os argumentos trazidos em sua impugnação, inovando quanto às alegações acerca da possibilidade de interpor recurso mesmo sendo terceiro, direito este obtido por autorização judicial; bem como acerca da aplicação da verdade material ao caso. Reiterou ainda, expressamente, os termos das decisões judiciais, defendendo a possibilidade de transferência do crédito tributário. É o relatório. Voto O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, uma das questões em tela referese à possibilidade de análise do presente recurso voluntário, uma vez que a Recorrente não é titular do crédito em discussão, mas terceira que obteve aproveitou o crédito por meio de cessão. Tratase de matéria de análise preliminar. O primeiro fato relevante a ser considerado nesta questão é a decisão judicial proferida nos autos do mandado de segurança nº 2004.61.19.0035074 (fls. 249 e segs.). De acordo com os termos da decisão acostada aos autos, constato que o ínclito julgador entendeu que a Recorrente possuía direito a ter seu recurso conhecido e julgado, ainda que particularmente entendesse que o recurso seria negado por ter sido direcionado a pessoa incompetente (DRF Guarulhos). Todavia, a questão da competência da autoridade administrativa foi resolvida pela própria administração pública, que ao invés de negar por incompetência, saneou a deficiência recursal encaminhado o recurso para a autoridade competente que proferiu válida decisão. Neste sentido, uma vez que a irregularidade foi saneada e as autoridades administrativas analisaram e julgaram o recurso administrativo da Recorrente, abrindo a via recursal de segunda instância, haja vista que contra decisão de turma de DRJ cabe recurso a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, entendo que o recurso é cabível e deve ser conhecido. No que se refere à interpretação de que a Recorrente não teria interesse em discutir a decisão que negoulhe a transferência de créditos, entendo que não compete razão a decisão recorrrida. Certamente, se tivéssemos discutindo a quantificação/existência de crédito, Fl. 326DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 15/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10875.001026/9971 Acórdão n.º 3302001.812 S3C3T2 Fl. 12 5 daria razão à negativa. Todavia, a questão em discussão referese apenas à possibilidade de transferência de créditos, e quanto a isso o interesse jurídico da Recorrente é cristalino. É a própria lei que versa sobre processo administrativo (Lei nº 9.784/99) que esclarece o interesse processual daqueles que tiverem legítimo interesse no deslinde do feito, in verbis: Lei nº 9.784/99 “Art. 9o São legitimados como interessados no processo administrativo: I pessoas físicas ou jurídicas que o iniciem como titulares de direitos ou interesses individuais ou no exercício do direito de representação; II aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada; III as organizações e associações representativas, no tocante a direitos e interesses coletivos; IV as pessoas ou as associações legalmente constituídas quanto a direitos ou interesses difusos.” destaquei O efeito da decisão do crédito no débito da Recorrente é indiscutível. Afora este fato, concordo que a questão deveria ser decidida no processo principal, em que foi proferida a decisão (processo administrativo nº 10880.001238/9905), mas sou da opinião que este processo deveria estar anexado aquele e que a Recorrente, naquela oportunidade, também estaria apta a apresentar suas razões de indignação. Todavia não foi o que ocorreu e os processos foram apartados. Como pelo que consta dos autos a cedente não apresentou recurso quanto a decisão ora debatida, por outro giro, como não há discussão sobre a possibilidade de cessão do no processo administrativo principal, não há que se falar em decisões contraditórias, razão pela qual entendo que é possível a análise do recurso aqui neste processo acessório, sem a necessidade de conexão deste ao principal. Logo, discordo do entendimento da decisão recorrida de que a Recorrente não teria direito ou interesse em oporse à decisão que lhe negou o aproveitamento de crédito tributário. Passada esta premissa, adentro ao mérito. De acordo com o v. acórdão recorrido, a decisão judicial utilizada pelas empresas para o procedimento de cessão não lhes garantis este direito. Concluem as autoridades administrativas que a empresa titular do crédito (Química Industrial Paulista S/A) estava autorizada a compensar seus créditos apenas com débitos próprio. Discordo da interpretação apresentada. Dos termos da decisão judicial constato que a decisão que deferiu a tutela antecipada foi genérica1, autorizando a empresa 1 Fls. 119 (eletrônica) – Trecho da decisão da tutela antecipada: “Diante disso, defiro a antecipação da tutela, declarando compensáveis os créditos supramencionados, de acordo com as disposições dos arts. 73 e 74 da L. 9.430/96, e do art. 7°, § 1°, do DI. 2.28786, cuja compensação farseá por conta e risco da parte autora, com observância do art. 150, §§ 1° a 4, do CTN, sem prejuízo, portanto, da Fl. 327DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 15/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 Química Industrial Paulista a aproveitar seus créditos nos termos da Lei nº 9.430/96 e do DecretoLei nº 2.287/86, a saber: Lei nº 9.430/96 – redação de 1999, ano da compensação “Art.73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art.74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração.” Decretolei 2.287/86 “Art 7º A Secretaria da Receita Federal, antes de proceder a restituição ou ao ressarcimento de tributos, deverá verificar se o contribuinte é devedor à Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito em nome do contribuinte, o valor da restituição ou ressarcimento será compensado, total ou parcialmente, com o valor do débito. § 2º O Ministério da Fazenda disciplinará a compensação prevista no parágrafo anterior.” Não havia, portanto, restrição quando à forma de compensação escolhida pelo contribuinte. Por outro aspecto, a legislação em vigor à época permitia a cessão de créditos, logo, de se concluir que a empresa Química Industrial Paulista poderia realizar a transferência de crédito da forma como lhe conviesse. Tal fato foi ainda reforçado pela sentença proferida neste processo nº 98.0030590; que não apenas confirmou a tutela antecipada concedida, como mencionou expressamente as formas de compensação permitidas, registrando como regulares as transferências de crédito que tivessem ocorrido sob a égide da Instrução Normativa nº 21/97, in verbis: Trecho da Sentença – Fls. 127/128 (eletrônica) “Os créditos presumidos são compensáveis com débitos do IPI da própria pessoa jurídica. Também poderão ser ressarcidos, como créditos liquidos e certos que são, em espécie e sob a forma de compensação com seus débitos de qualquer espécie, relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF (CTN, art. 170; L. 8.38391, art. 66; L. 9.06995, art. 58; L. autoridade efetuar a devida fiscalização, sem a qual estará, decerto, impedida de tomar medidas punitivas contra o contribuinte, ora parte autora.” Fl. 328DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 15/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10875.001026/9971 Acórdão n.º 3302001.812 S3C3T2 Fl. 13 7 9.25095, art. 39; L. 9.43097, arts. 73 e 74; D. 2.13897; IN SRF 2197; INSRF 7397). Excluise o ressarcimento, sob a forma de compensação, na hipótese de débitos de tributos incidentes nas importações, que somente são compensáveis com créditos de tributos decorrentes de pagamento indevido ou a maior que o devido na importação (INSRF no 2197, art. 19). Até o advento da INSRF n°41, de 07.04.2000 (DOU, 16.04.2000), a parcela do crédito presumido a ser ressarcido que excedesse o total de débitos de um contribuinte era passivel de ser utilizado para a compensação com débitos de outro contribuinte, a teor do art. 15, § § 1° a 6°, da INSRF n° 21, de 10.03.1997 (DOU, 11.03.97). (...) Isto posto, julgo procedente o pedido para declarar o direito da parte autora aos créditos presumidos do IPI, relativamente às aquisições de insumos e matérias primas sujeitos à isenção ou aliquota zero, bem assim o direito de ressarcimento em espécie e, sob a forma de compensação, no recolhimento do IPI nas operações subseqüentes ou no recolhimento de outros tributos federais de qualquer espécie, administrados pela SRF, exceto o imposto de importação, vencidos ou vincendos, seus ou de outros contribuintes, cujo montante deverá ser atualizado na forma retrocitada.” – destaquei. Pareceme cristalino que desde sempre o Juiz de primeira instância judicial autorizou a Recorrente a compensar seus créditos da forma que lhe conviesse, sem prejuízo da autoridade efetuar a devida fiscalização, ou seja, desde que respeitadas as disposições legais então vigentes. Neste sentido, com razão a Recorrente, que tem interesse jurídico para se opor à decisão que lhe foi imputada, bem como direito à transferência do crédito tributário. Ressalto que, com esta decisão, não estou homologando a compensação efetuada, até porque sequer foi realizada a análise da quantificação do crédito pleiteado, seria preciso ainda avaliar o andamento do processo judicial nº 98.0030590, considerandoo para o cômputo do crédito. Da mesma forma, não houve análise específica do procedimento de cessão (consta da decisão judicial acostada aos autos que apenas o Banco Rural foi reconhecido como terceiro no processo judicial). Neste autos discutese apenas a possibilidade ou não do procedimento de cessão do crédito. Assim, para a homologação da compensação pretendida a autoridade administrativa deverá analisar o processo judicial que discute o crédito (98.0030590), considerando as decisões proferidas; quantificar o crédito da empresa Química Industrial Paulista contrapondoo com as respectivas cessões realizadas. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 15/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 Ante o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado reconhecendo o procedimento de cessão de créditos, posto que foram realizados quando havia permissão normativa para tanto; ressalvada à fiscalização a apuração do crédito da cessionária, bem como as transferências realizadas a outros contribuintes anteriormente à cessão aqui validada. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 330DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 15/1 2/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 11080.003120/2007-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/05/2003
Para efeito da aplicação do instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, inexiste diferença entre multa moratória e multa punitiva. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. Ato Declaratório nº Ato Declaratório nº 4 de 20/12/2011, da Procuradora-Geral da Fazenda Nacional. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-001.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Adriana Oliveira e Ribeiro, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. Ato Declaratório nº Ato Declaratório nº 4 de 20/12/2011, da ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Adriana Oliveira e Ribeiro, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: A contribuinte supracitada foi lançada de oficio de multa de mora isolada por ter feito recolhimento de PIS em atraso sem a respectiva multa de mora nos meses de março a maio de 2003. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 31 20 /2 00 7- 17 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11080.003120/200717 Acórdão n.º 3102001.513 S3C1T2 Fl. 56 2 Resultou num crédito tributário de R$ 1.309,60, conforme Auto de Infração de fl.09, cientificado em 03/04/2007. A legislação infringida consta de fl.10, compondo o Auto de Infração. Irresignada, a contribuinte questiona a cobrança de multa de mora, pois somente seriam devidos os juros de mora, sendo a multa de mora excluível pela existência de denúncia espontânea, já que houve o pagamento antes de qualquer procedimento fiscalizatório, nos moldes do art.138 do Código Tributário Nacional Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2003 a 31/05/2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA INEXISTÊNCIA. Os tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que não forem pagos até a data de vencimento ficarão sujeitos multa de mora, calculada sobre o valor do tributo ou contribuição devidos, sendo que a espontaneidade, nos termos do art. 138 do CTN, somente exclui as penalidades de natureza punitiva, não se aplicando às de natureza moratória, derivada do inadimplemento puro e simples de obrigação tributária. Impugnação Improcedente Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. A matéria em litígio, como se viu, cingese à incidência ou não de multa de mora sobre créditos tributários recolhidos espontaneamente, mas a destempo. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11080.003120/200717 Acórdão n.º 3102001.513 S3C1T2 Fl. 57 3 Sobre o tema, foi editado recentemente o Ato Declaratório nº 4 de 20/12/20111 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2113/2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, declara que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "com relação às ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da exclusão da multa moratória quando da configuração da denúncia espontânea, ao entendimento de que inexiste diferença entre multa moratória e multa punitiva, nos moldes do art. 138 do Código Tributário Nacional" . Com base em tal manifestação, resta definida, a meu ver, a inaplicabilidade do art. 61, caput e §§ da Lei nº 9.430, de 19962 às hipóteses em que o recolhimento é promovido espontaneamente. Noutro giro, ainda que se considerase tal dispositivo aplicável, restaria configurada a hipótese prevista no parágrafo único, II, “a”, do art. 62 do Regimento Interno do CARF3. 1 DOU de 22 /12 /2011, p. 00036 2 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. 3 Artigo 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11080.003120/200717 Acórdão n.º 3102001.513 S3C1T2 Fl. 58 4 Com essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 24 de maio de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 58DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 11030.001718/2010-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PRELIMINAR DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA E DA VERDADE MATERIAL.
Deve ser declarada nula a decisão da DRJ que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, sem ter analisado criteriosamente os documentos comprobatórios apresentados juntamente com a peça impugnatória. O método adotado pelo julgador de primeira instância acarretou violação aos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal, quais sejam, Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa e Princípio da Verdade Material. O julgador só pode concluir o julgamento quando tiver elementos suficientes que comprovem a verdade dos fatos, não sendo permitido julgar por presunção, principalmente quando não analisada, de forma criteriosa, toda a documentação apresentada. Acolhida a preliminar de nulidade a fim de anular a decisão da DRJ. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1202-000.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a preliminar de nulidade do acórdão de primeira instância e, em consequência, anular todas as peças processuais a partir dessa decisão, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro-relator Carlos Alberto Donassolo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Geraldo Valentim Neto.
(documento assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Relator.
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto Redator-Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA E DA VERDADE MATERIAL. Deve ser declarada nula a decisão da DRJ que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, sem ter analisado criteriosamente os documentos comprobatórios apresentados juntamente com a peça impugnatória. O método adotado pelo julgador de primeira instância acarretou violação aos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal, quais sejam, Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa e Princípio da Verdade Material. O julgador só pode concluir o julgamento quando tiver elementos suficientes que comprovem a verdade dos fatos, não sendo permitido julgar por presunção, principalmente quando não analisada, de forma criteriosa, toda a documentação apresentada. Acolhida a preliminar de nulidade a fim de anular a decisão da DRJ. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a preliminar de nulidade do acórdão de primeira instância e, em consequência, anular todas as peças processuais a partir dessa decisão, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro-relator Carlos Alberto Donassolo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Geraldo Valentim Neto. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Relator. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Redator-Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA E DA VERDADE MATERIAL. Deve ser declarada nula a decisão da DRJ que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, sem ter analisado criteriosamente os documentos comprobatórios apresentados juntamente com a peça impugnatória. O método adotado pelo julgador de primeira instância acarretou violação aos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal, quais sejam, Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa e Princípio da Verdade Material. O julgador só pode concluir o julgamento quando tiver elementos suficientes que comprovem a verdade dos fatos, não sendo permitido julgar por presunção, principalmente quando não analisada, de forma criteriosa, toda a documentação apresentada. Acolhida a preliminar de nulidade a fim de anular a decisão da DRJ. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a preliminar de nulidade do acórdão de primeira instância e, em consequência, anular todas as peças processuais a partir dessa decisão, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheirorelator Carlos Alberto Donassolo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Geraldo Valentim Neto. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 17 18 /2 01 0- 62 Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assin ado digitalmente em 09/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202000.872 S1C2T2 Fl. 1.770 2 (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Relator. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto – RedatorDesignado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Relatório Tratase de examinar o lançamento fiscal para exigência do IRPJ e reflexos na CSLL, no PIS e na Cofins, relativo ao 4º trimestre de 2005, com multa de ofício, no percentual de 150% e juros de mora, com base na taxa Selic. Nos termos do Contrato Social e alterações, fls. 247 a 306, a empresa autuada, Oniz Distribuidora Ltda., foi fundada no ano de 1986, tem como atividade principal a distribuição de produtos alimentícios, cosméticos, de limpeza, medicamentos, atuando também como operadora logística no transporte rodoviário de cargas e apurou, no ano de 2005, o lucro tributável com base no lucro real trimestral. Uma segunda empresa, CD Sul Logística Ltda., ligada à Oniz Distribuidora Ltda., teria sido constituída para assumir o desempenho das atividades de operadora logística no transporte rodoviário de cargas, antes desempenhada pela primeira. Segundo relatado no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 23 a 67, os mesmos sócios da autuada, José Luiz Turmina e Ieda Maria Bonafé Turmina, teriam criado em 2004, com início das operações em 2005, essa segunda empresa, tributada pelo lucro presumido, que presta serviços quase que exclusivamente à autuada, na proporção de 96,20% de suas receitas, tendo como único objetivo criar despesas fictícias para a primeira e distribuir lucros aos sócios comuns. Após uma detalhada análise dos documentos e livros contábeis e fiscais das duas empresas, a fiscalização concluiu que a empresa CD Sul Logística Ltda faz parte de uma simulação, não passando de mera ficção, face as seguintes constatações retratadas no relatório do Acórdão nº 1032.539 da DRJ/Porto Alegre, de fls. 1048 a 1056, que, por bem descrever os fatos ocorridos, adoto e passo a transcrever na parte que mais interessa: “(...) 3 O objeto social da CD Sul Logística Ltda é a prestação de serviços de transporte e logística, tendo como principal cliente a Oniz Distribuidora Ltda (96,20% das receitas no anocalendário de 2005). 4 O entendimento do autuante foi de que a fundação da CD Logística foi uma simulação fraudulenta, não passando de uma ficção, sem propósito negocial algum, Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assin ado digitalmente em 09/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202000.872 S1C2T2 Fl. 1.771 3 cujo real objetivo foi de gerar falsas despesas para reduzir a tributação da Oniz Distribuidora (apuração de prejuízos, conforme DIPJ 2005, fls. 82/91) e aumentar a distribuição de lucros isentos aos sócios por meio da pessoa jurídica gestada, conforme se extrai do expressivo número de evidências a seguir tratadas: 4.1 Mesmo quadro social, Ieda Maria Bonafé Turmina (integralização do capital R$ 80.000,00 em dinheiro) e José Luiz Turmina (integralização em dinheiro R$ 191.000,00 9,95% do capital subscrito), sendo que os registros contábeis apontam que até 31/12/2006 não havia sido integralizado o restante do capital social (R$ 1.729.000,00). No entanto, até essa data os registros contábeis apontam a distribuição de lucros, em dinheiro, no montante de R$ 7.939.200,00 (fls. 347, 420, 428, 595). Na declaração da pessoa física do anocalendário de 2004 o Sr. José Luiz Turmina informa a existência da dívida, no valor de R$ 1.920.000,00, descrita como capital a integralizar de 96% da participação na CD Logística Ltda. e que correspondem aos registros contábeis e contrato social da sociedade (fls. 334/336, 347 e 595). Em janeiro de 2005 foi integralizado o valor de R$ 191.000,00, restando para a integralizar o valor de R$ 1.729.000,00 (fls. 347). Na declaração da pessoa física do anocalendário de 2005 não é informada tal dívida, entretanto os registros contábeis da CD Logística apontam que o valor foi integralizado (fls. 136). Consta o registro contábil da distribuição e pagamento, em dinheiro, dos lucros ao sócio no valor total de R$ 4.396.800,00 (R$ 1.248.000,00, pagos em 22/11/05 e R$ 3.148.800,00, pagos em 31/12/05fls. 358/360) e de R$ 3.542,000,00, também em moeda corrente, em 2007 (fls. 420, 424/426). Somente em 2007, após o recebimento, em dinheiro, de R$ 1.296.000,00, em 04/01, é registrada a integralização do restante do capital subscrito em 31/01/2004 (fls. 664/665). 4.2 Mesmo objeto social. Constam em ambos os contratos sociais como ramo de atividade a prestação de serviços de logísticas e transporte rodoviário de cargas (fls. 286, 334/335). 4.3 Mesmo endereço de funcionamento. Em todas as unidades de funcionamento, matriz e filiais, os estabelecimentos funcionam no mesmo endereço, variando apenas em relação aos blocos. A justificativa apresentada pelo contribuinte é que a CD Sul utiliza a estrutura da Oniz Distribuidora em Passo Fundo e Cachoeirinha em comodato e possui, em São José dos Pinhais (PR), depósito próprio, do qual sede parte à Oniz, também em comodato. 4.4 O Ativo Permanente da CD Sul Logística Ltda., no anocalendário de 2005, era composto somente de veículos (20 caminhões) oriundos da Oniz Distribuidora Ltda., conforme informações extraídas dos livros fiscais das sociedades (fls. 145/148 e 347) e Detran/RS (fls. 488/523). A contabilidade da Oniz Distribuidora registra a venda a prazo (fls. 145/147, 156 e 673) enquanto a contabilidade da CD Sul Logística o registro foi de uma transação à vista (fls. 347), não havendo qualquer registro de dívidas a pagar dessa natureza, o que demonstra que não houve compra e venda de veículos, mas sim, a simulação da compra e venda dos mesmos. 4.5 Imóveis. De acordo com os livros fiscais apresentados pela CD Sul, não há qualquer registro de propriedade de imóveis ou pagamento de locação no ano calendário de 2005 (fls. 578/662), fato justificado pela utilização dos imóveis da Oniz Distribuidora em comodato (fls. 433/434). (...) Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assin ado digitalmente em 09/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202000.872 S1C2T2 Fl. 1.772 4 4.6 MãodeObra. Quando foi intimado a apresentar a relação de empregados registrados contratados no anocalendário de 2005, a CD Sul Logística apresentou a relação de folhas 477 a 480, na qual consta a contratação de motoristas nos meses de janeiro e fevereiro de 2005, porém não há qualquer registro contábil de pagamento de salários ou encargos até 14/04/2005. Somente em 15/04/2005 há o registro de pagamento de adiantamento de salários relativo ao mês de abril/05 (fls. 347/350). Em 20/04/2005 a CD Sul emitiu a nota fiscal de serviços n° 01, na qual, segundo a discriminação de serviços, referese a serviços prestados no mês de março de 2005 em armazenagem e logística (fls. 369). De acordo com a relação de empregados apresentada não há funcionários contratados para a prestação dos serviços descritos. Embora tivesse a sua disposição vinte e três motoristas, somente em agosto/05 a CD Sul emitiu o primeiro conhecimento rodoviário de cargas. Na GFIP/FGTS apresentada pela CD Sul, referente ao mês 04/2005 (fls. 524/527), verificase que havia funcionários admitidos e que não foram informados na relação apresentada. Curiosamente, todos esses funcionários eram empregados da Oniz (GFIP/FGTS 03/2005, fls. 528/538) demitidos em 03/2005, alguns deles, inclusive, mantinham contratos simultâneos com as duas empresas (fls. 539/575). Vários empregados da Oniz tiveram suas verbas trabalhistas pagas pela CD Sul, conforme dados obtidos nos livros contábeis e constantes no Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS (fls. 350/357). 4.7 Serviços prestados pela CD Sul Logística Ltda. As receitas declaradas pela CD Sul Logística Ltda no anocalendário de 2005 provieram de três fontes: Ajinomoto Interamericana e Comércio Ltda., Bunge Alimentos S.A. e Oniz Distribuidora Ltda. (fls. 445/466). As receitas decorrentes do contrato com a Ajinomoto totalizaram R$ 153.231,97 e com a Bunge Alimentos R$ 133.095,30, enquanto que as receitas decorrentes do contrato com a Oniz Alimentos totalizaram R$ 7.313.693,91, correspondente a 96,20% do total das receitas declaradas (fls. 369/380,596/598). Os Conhecimentos de Transporte Rodoviários de Cargas CTRC foram emitidos englobando todos os serviços prestados no mês, outros CTRC foram emitidos englobando os serviços prestados em vários meses, o que os torna inidôneos perante a legislação do ICMS (Convênio SINIEF 06/89 e alterações, e Decreto RS n° 37.699, de 1996). A referida legislação permite a dispensa da emissão do CTRC a cada prestação de serviços, desde que sejam atendidos certos requisitos, como o período de apuração do imposto. Nesse aspecto os CTRC foram emitidos extemporaneamente. Todos os pagamentos foram efetuados em moeda corrente nacional ou cheques de terceiros, conforme afirmação do impugnante (fls. 188), e não foram elaborados recibos de quitação, tendo como justificativa o não pagamento da CPMF. Interpelada a demonstrar quais pagamentos foram efetuados em moeda ou cheques, o contribuinte afirmou não possuir controles paralelos que possibilitassem a discriminação, somente os livros e documentos já entregues (fls. 310). Os livros contábeis registram os pagamentos em moeda corrente. Por sua vez, os documentos, que segundo o contribuinte serviriam de comprovantes da quitação, por vezes expressam que os valores foram pagos através de depósito em conta (fls. 149/155). Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assin ado digitalmente em 09/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202000.872 S1C2T2 Fl. 1.773 5 (...) Outro aspecto a ser considerado em relação aos pagamentos em moeda corrente é o volume físico das notas, o que tornaria prudente a contratação de transportadora de valores a um custo maior, é claro, do que a economia da CPMF. Talvez o transporte não se apresentasse tão necessário, uma vez que as pessoas jurídicas dividem o mesmo espaço físico, porém, um bom sistema de segurança se faria necessário, já que envolve valores dignos de um estabelecimento bancário. Até mesmo o mais ingênuo contribuinte preferiria pagar em cheques, ou transferência bancária, para evitar não somente os problemas de segurança, mas principalmente para fins de prova frente à prestadora de serviços. (...) As duas pessoas jurídicas pertencem aos mesmos sócios e com a mesma gestão, seria lógico que o desejo de economia de CPMF se aplicasse às duas sociedades, mas não é isso que se observa. Por exemplo: No dia 28/04/05 a Oniz Distribuidora contabiliza o pagamento da nota fiscal n° 01 em dinheiro, no valor de R$ 462.046.61 (fls. 149/155), enquanto a CD Sul deposita tal valor no banco. No dia seguinte a CD Sul contabiliza a retirada de R$ 220.000,00 de bancos para o depósito em caixa (fls. 351). (...) 4.8 Pagamento das contas. Mesmo com veículos e funcionários registrados, a CD Sul recorreu a serviços de descarga e fretes efetuados por terceiros. O mesmo expediente foi usado pela Oniz, que utilizou os mesmos prestadores de serviços. De acordo com a contabilidade da CD Sul, todos os valores foram pagos em moeda corrente, totalizando R$ 230.923,58 para serviços e R$ 743.280, 01 para fretes e carretos. Nos meses de abril, maio e junho foram contabilizados expressivos valores a título de despesas de fretes e carretos, combustíveis, manutenção de veículos, salários de motoristas e, no entanto, não há nenhum documento da CD Sul que ateste a realização de serviços de transporte nesse período. Observase que o somatório das despesas de manutenção, tributos e distribuição de lucros da CD Sul (R$ 7.302.681,91) se assemelha ao valor das Receitas auferidas pela Oniz. A explicação para esses fatos é que quem paga as despesas da CD Sul Logística é a Oniz Distribuidora, pois as despesas são efetivamente dela. A CD Sul nada mais é do que a Oniz operando com o nome fantasia de CD Sul Logística Ltda. 5 Planejamento tributário. Segundo o autuante, os fatos acima demonstram que a CD Sul Logística Ltda. (lucro presumido) foi criada para gerar despesas para reduzir o resultado fiscal da Oniz Distribuidora Ltda. (lucro real) e para geração de créditos fraudulentos na apuração do PIS e da Cofins. Afirma o autuante que o planejamento tributário não pode ser efetuado por meios abusivos ou gerarem situações simuladas ou puramente artificiais. Nesse aspecto, o planejamento tributário deve se alinhar à tendência mundial de combate, com vigor, não só a sonegação, mas também os negócios jurídicos artificiosos, fraudulentos, simulados ou desprovidos de quaisquer propósitos econômicos ou negociais, que colaboram com a ausência de sentido ou de justiça no sistema tributário. Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assin ado digitalmente em 09/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202000.872 S1C2T2 Fl. 1.774 6 Com base na doutrina de Marco Aurélio Greco, afirma que o direito ao planejamento tributário elisivo não pode ser absoluto, ou seja, há de se haver uma conformação entre a existência do direito e o modo que se deu seu exercício. No caso do contribuinte, admite a existência do direito de utilizar a dedução das despesas de fretes, porém, entende que o que não se deve admitir é a dedução de despesas prestadas por pessoa jurídica inexistente de fato, criada com a estrita finalidade de fraudar o fisco e de usufruir benefícios para se submeter a uma carga tributária menor. 6 Conclusão. Conclui o autuante afirmando que a CD Sul Logística Ltda., embora tenha personalidade jurídica, não existe de fato. Que é uma fantasia criada pelos sócios da Oniz Distribuidora Ltda. com o único intuito de evadir tributos, evasão que representou, no anocalendário de 2005, R$ 2.644.920,96. Assim, não pode ser admitida a utilização de despesas criadas para reduzir o resultado fiscal de outrem, pela simples razão da inexistência de tais despesas, corroborada pela não comprovação de seu pagamento. Afirma que não se trata de desconstituir o ato jurídico de criação da pessoa jurídica CD Sul Logística Ltda., mas sim, tratase de desconsideração dos efeitos tributários dos negócios efetuados entre essa empresa e a sua criadora, a Oniz Distribuidora Ltda. 7 Crédito tributário apurado. Como a CD Sul foi considerada inexistente de fato e que os atos praticados foram realizados pela Oniz Distribuidora, foram eliminadas, para fins tributários, as transações entre as partes, acrescentandose as receitas obtidas pela CD Sul com terceiros e os custos e despesas incorridos ao resultado obtido pela Oniz Distribuidora. Nas planilhas de folhas 64 e 65 é apresentada a Demonstração do Resultado do Exercício Recomposto e o cálculo do IRPJ e da CSLL. Na planilha de folhas 66 a Apuração da Contribuição para o PIS/PASEP e na planilha de folhas 67 a Apuração da Contribuição para a Cofins. 8 Da multa de ofício. O autuante entendeu que os fatos relatados dão conta da existência de simulação na criação da empresa de logística, uma vez que não existe de fato, com a finalidade de reduzir fraudulentamente o montante de tributos devidos, o que se enquadra nos conceitos de fraude e sonegação, definidos pelos arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 1964, e enseja a duplicação da multa de ofício, conforme previsto no § Io do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 680/762, alegando, em síntese, o seguinte: 9 Preliminarmente: A nulidade dos autos de infração em razão da confusão criada em torno dos conceitos e denúncias constantes do Termo de Verificação Fiscal, como fraude, simulação, abuso de direito, o que veio a limitarlhe o direito de defesa, previsto constitucionalmente. A nulidade dos autos de infração em face da violação ao art. 10, inc. III e IV, e art. 59, inc. II, do Decreto n° 70.235, de 1972. A decadência do IRPJ e reflexos em relação aos fatos geradores ocorridos nos meses de outubro e novembro de 2005. A nulidade do lançamento da CSLL em face da ausência de suporte autorizativo no MPFF. Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assin ado digitalmente em 09/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202000.872 S1C2T2 Fl. 1.775 7 10 Mérito. A criação da CD Sul Logística Ltda. se deu dentro da legalidade. O planejamento tributário, além da proteção constitucional à liberdade de iniciativa, é um dever, pois a própria Lei 6.404, de 1976, arts. 153 e 154, impõe ao administrador a incumbência de empregar todos os recursos (obviamente legais) que estiverem ao seu alcance a fim de lograr os fins econômicos e alcançar os interesses da entidade. Não há no ordenamento jurídico vedação alguma ao procedimento adotado. Causa estranheza se pensar, tão só por haver desmembramento de atividades de uma empresa em prol de outra administrada pelos mesmos proprietários, que tal prática configure, de pronto evasão fiscal. A própria Petrobrás S/A, como empresa pública, se fragmento em diferentes atividades. A "empresa inexistente" tem sua marca registrada no Instituto Nacional de Propriedade Industrial INPI, desde 22.02.2005, não fazendo sentido nenhuma supor que os proprietários/administradores se dessem ao trabalho de criar outra pessoa jurídica de "fachada", ou só para "existir no papel", preocupandose em proteger a marca que conceberam. Ainda, no ano de 2005, faz parte da EXPOAGAS (exposição da Associação de Supermercados do Rio Grande do Sul) realizada na FIERGS, com estande próprio onde já oferecia os serviços de logística e transporte (com sua marca e estrutura própria) aos supermercados de todo o Estado, buscando captar clientes. Para ilustrar, anexa algumas fotografias do evento, onde é possível identificar o estante ocupado pela nominada pessoa jurídica. Também, anexa um CD com vídeo de divulgação comercial, para ser reproduzido a título de prova, para melhor compreensão de suas alegações. Verseá, contrariamente às suposições fiscais, que a Oniz distribuidora e a CD Sul Logística são pessoas jurídicas autônomas, ainda que seus proprietários/administradores sejam os mesmos, com empregados próprios, contabilidades separadas, frotas de caminhões que não se confundem, logomarcas, clientes, exploração independente de objeto social, o que se afasta em absoluto a rasa ilação de trataremse de uma só entidade para efeitos fiscais/tributários. A não configuração de evasão fiscal no caso vertente. O fiscalizador tem duplo ônus probatório, (i) não pode pautarse por conjecturas, subjetivismos, presunções ou ilações superficiais, mesmo porque, faltalhe fundamento legal autorizativo para tanto. Ele tem que apresentar provas contundentes e conclusivas de que o contribuinte agiu de forma contrária ao ordenamento jurídico, que ofendeu alguma disposição legal imperativa, que seus negócios jurídicos foram artificiosos e que não refletem a verdade de seus resultado, e (ii) que o correto é a forma como por ele próprio definida. Nesse aspecto, o autuante não se desincumbiu de nenhum dos ônus probatórios. A integralização do capital social na CD Sul Logística se deu na forma do artigo 6 do Contrato Social, que estipulava que as cotas subscritas poderiam ser integralizadas até 31 de dezembro de 2010. O que houve foi um erro de preenchimento da DIRPF, só corrigido na declaração do exercício de 2008. No tocante à distribuição dos lucros, esta se deu nos termos da legislação aplicável ao lucro presumido, vigente à época. A identidade de objeto social entre a Oniz Distribuidora e a CD Sul Logística, que é alvo da discórdia fazendária, é mais uma das tantas atividades que incluiu em seu estatuto no curso dos mais de vinte anos de sua existência e que, como tantas outras, optou por abandonar, paulatinamente, quando mais depois da constituição da CD Sul. Constar formalmente (e desde há muito tempo) no objeto social da Oniz Distribuidora a possibilidade de, querendo, desenvolver transporte e logística não dignifica que o faça, tampouco que isso tenha o condão de confundir Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assin ado digitalmente em 09/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202000.872 S1C2T2 Fl. 1.776 8 suas atividades com as atividades exploradas pela CD Sul, o que comprova que o entendimento fiscal a respeito do mesmo objeto social não merece guarida. O ativo permanente da CD Sul Logística e a titularidade dos caminhões. Inexistem elementos que configurem prática de simulação, fraude ou sonegação fiscal. A interpretação do autuante é tendenciosa, na medida em que se transferindo a execução de parte do objeto social (transporte e logística) em favor da CD Sul, precisamente para que pudesse explorar exclusivamente essa atividade, fosse compelida adquirir nova frota de caminhões no mercado, quando tais equipamentos pouca ou nenhuma utilidade teriam na Oniz Distribuidora. A aquisição dos veículos foi devidamente escriturada, embora exista a discrepância entre o registro de venda à prazo, enquanto a CD Sul fez o registro à vista, ela não é justificativa para crer que o negócio não tenha existido, fato que só comprova que a contabilidade de uma e de outra é confeccionada de forma autônoma. (...) A inexistência de propriedade imóvel no ativo imobilizado da CD Sul. Não há impedimento legal algum para que duas empresas compartilhem o mesmo espaço geográfico para promover suas atividades econômicas de forma distinta, a exemplo de prédios comerciais onde inúmeros estabelecimentos situamse sob o endereço da mesma, distinguindose por "salas", "lojas", "blocos", etc. Não há como desqualificar os contratos de comodato estabelecido entre as duas empresas, por inexistência de registro e, tampouco, por falta de reconhecimento das firmas signatárias. Dos contratos trabalhistas da CD Sul Logística. Houve um equívoco na interpretação do Termo de Diligência Fiscal n° 04 (fls. 430), segundo o qual ao invés de se apresentar uma lista com todos os funcionários contratados ao longo do anocalendário de 2005 (como requerido pelo autuante), o atendeu somente com àqueles que ainda mantinham relação trabalhista em 31 de dezembro, excetuados os demitidos ou dispensados, o que ocasionou a diferença tida como omissão planejada. A contratação dos empregados da Oniz não se deu por rescisão/admissão, mas por transferência, como certificam as anotações do Livro de Registro de Funcionários, com registros em 01/04/2005. Daí que não há qualquer registro contábil de pagamento de salários e encargos até o dia 14/04/2005. A data de admissão mencionada não é pela CD Sul, mas sim pela Oniz Distribuidora. Portanto, nos meses de janeiro a março os 31 empregados eram funcionários da Oniz, de forma que foi ela quem honrou seus pagamentos, basta contrastar a RAIS2005 de ambas as empresas (anexos 9 e 10). Do momento da constituição da CD Sul até a sua estruturação definitiva e consolidação de suas operações, houve o aproveitamento mútuo do corpo de funcionários em transferência, a figura do "consórcio de empregados", que nada mais é do que um ajuste de vontade de pessoas jurídicas (ou físicas) empregadoras, objetivando a admissão e utilização em comum de empregados para execução de seus respectivos objetos sociais, sob subordinação individualizada de cada uma, sem configurar aí uma sociedade ou grupo econômico propriamente dito. O próprio Código Civil admite a reunião de empresas, que se conjugam das mais diversas formas para se fortalecerem e alcançar objetivos de mercado, o que resolveu se chamar grupo econômico, fruto das denominadas sociedades coligadas, o que é também admitido pela jurisprudência trabalhista. A alegada discrepância entre a remuneração dos serviços prestados pela CD Sul Logística à Oniz Distribuidora, quando contrastada com àqueles determinados Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assin ado digitalmente em 09/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202000.872 S1C2T2 Fl. 1.777 9 com as demais contratantes (Ajinomoto e Bunge), não procede. Primeiro, as grandezas sobre as quais incidem os percentuais contratados pela Oniz Distribuidora e pela Bunge junto à CD Sul Logística são absolutamente idênticas. Segundo, como é sabido, os custos logísticos dos serviços de transporte são definidos pela distância a ser percorrida, número de entregas e números de movimento na expedição. (...) Por outro lado, em relação à Oniz existem outras peculiaridades, como o elevado número de entregas com valores baixos, que fazem com que os custos de transporte e entrega (média de 22.976) se elevem consideravelmente. Também, a exigência, por parte da Oniz, de que todos os municípios sejam atendidos remete a custos elevados para a efetivação do trabalho. Como o valor de faturamento do produto é muito baixo, inviabilizaria o contrato de entrega caso o percentual cobrado pelos serviços da CD Sul não fossem rateados em toda a operação. Também, o número de movimentos dos produtos é um agregador de custos. A emissão extemporânea dos CTRC se justifica em razão da demora em ser deferido os pedidos de impressão de documentos fiscais e a impressão pelas gráficas. De qualquer forma, somente o Fisco Estadual tem competência para se pronunciar sobre as irregularidades formais dos documentos fiscais em questão, conforme art. 3o da Lei Estadual n° 8.118, de 1985. Além disso, os CTRC emitidos nas mesmas condições para os outros tomadores de serviço não foram contestados. Em relação aos pagamentos, considerados inexistentes por terem sido efetuados, em sua maioria, via contacaixa, não evidencia qualquer irregularidade fiscal. Os pagamentos muitas vezes transitaram pelas contas bancosmovimento do Banrisul (duas contascorrente, uma da matriz e outra da filial). A escrituração contábil faz prova a seu favor, e deve ser considerada na apuração da renda efetiva a ser tributada. Por questões de praticidade procedimental e economia tributária com CPMF, os pagamentos foram realizados pela Oniz e recebidos pela CD Sul pela via da conta Caixa. (...) Ademais, inexiste no sistema jurídicotributário limites de quaisquer natureza acerca do uso da conta Caixa para recebimentos e pagamentos, desde que os fatos econômicos, financeiros e fiscais depreendam as disponibilidades sacadas e recebidas, tal como ocorre no presente caso. Muito menos, que os pagamentos e recebimentos sejam feitos pela via de entrega de moeda manual. Essa prática não se amolda a nenhuma espécie de indício de prática de anomalia fiscal. (...) As suposições de que os pagamentos não ocorreram são graves e demandam prova robusta por conta de quem o faz, no caso, o Auditor Fiscal responsável pelos autos de infração, que no caso não provou. Os principais motivos para a adoção dessa sistemática de pagamentos foram (i) de ordem prática, uma vez que as empresas pertencem aos mesmos sócios, onde a Oniz realiza os pagamentos para a CD Sul a crédito da conta Caixa, mormente porque ostenta disponibilidades dessa estirpe, tem liberdade para fazêlo e não há nenhum impeditivo legal que a impeça, e (ii) de ordem financeira, vez que ao assim agir, considerados os representativos valores, evitou sobremaneira a tributação pela CPMF. Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assin ado digitalmente em 09/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202000.872 S1C2T2 Fl. 1.778 10 No que se refere aos comprovantes de pagamento, de fato, nas notas fiscais e CTRCs emitidos pela prestadora (CD Sul), efetivamente, corporificam, do ponto de vista legal, a prova das obrigações, e, ipso facto, uma vez pagas, sua extinção. Afinal, não é de se supor que, sendo os mesmos proprietários de ambas, se empregasse formalismos exagerados para a quitação dos compromissos, como se uma fosse exigir da outra a o pagamento da mesma obrigação, já outrora quitada, ao argumento de não existir outro comprovante que não o documento fiscal emitido, os lançamentos contábeis a crédito da conta Caixa na pagadora e os lançamentos contábeis a débito da mesma conta na recebedora. Quanto ao pagamento de contas, que o autuante alega, em razão da proximidade de valores repassados, que seria para satisfazer compromissos seus, o raciocínio é inconsistente, pois foram desconsiderados diversos valores, o que representou a semelhança entre as despesa/custos suportados pela CD Sul e as receitas derivadas da prestação de serviços à Oniz. Também desconsidera que seria impossível à Oniz saber ao certo o quantum deveria verter à CD Sul, ao longo de todo o anocalendário, para efeito de interferir no resultado de modo a tornar distribuíveis aos sócios o lucro líquido de R$ 4.580.000,00. Além disso, o resultado obtido pela CD Sul foi de R$ 4.800.000,00, dos quais poderia dispor integralmente aos sócios quotistas, optando por não fazêlo. A comparação revelase superficial também porque o autuante não considera que os custos e despesas serviram de suporte para a obtenção das receitas operacionais brutas, também, das contratantes Ajinomoto e Bunge. (...) Multa de ofício. Inexiste suporte factual para a exasperação da multa, pois todas as suas operações foram devidamente contabilizadas, sempre atendeu as intimações, entregando, sempre que possível, todos os elementos solicitados. Todos os recursos advindos da sua atividade social estão contabilizados, pelo que inadmissível se tornaria, só por isso, o agravamento a título de evidente intuito de fraude.Tudo foi feito às claras, sem adulterações, sem utilização de documentos falsos, emprego de ardis ou outros comportamentos capazes de traduzir o objetivo de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal ou reduzir o montante do imposto devido. No campo das sanções tributárias, em especial daquelas que dependem da figura criminalizante, vigora o equivalente ao princípio in dúbio pro reo que disciplina as relações na esfera do Direito Penal. Por isso, o Código Tributário Nacional, no seu art. 112, prescreve a interpretação benigna, ou seja, mais favorável ao acusado sempre que houver dúvidas sobre a conduta fraudulenta. Por último, requer o acolhimento da impugnação para sejam declarados nulos os lançamentos ou a improcedência dos mesmos.” Na sequência, foi emitido o Acórdão nº 1032.539 da DRJ/Porto Alegre, de fls. 1048 a 1056, mantendo integralmente os lançamentos fiscais, cuja ementa abaixo se reproduz: IRPJ/CSLL/PIS/COFINS NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do art. 142 do Código Tributário Nacional e do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, e não ocorrerem as hipóteses previstas no art. 59 do mesmo Decreto. Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assin ado digitalmente em 09/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202000.872 S1C2T2 Fl. 1.779 11 CSLL MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE INDICAÇÃO DO TRIBUTO FISCALIZADO. NULIDADE DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. A falta de indicação do tributo ou contribuição em Mandado de Procedimento Fiscal não dá causa à nulidade do lançamento. PIS/COFINS DECADÊNCIA Nos casos de dolo, fraude ou simulação o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário tem seu termo de início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não alcançando os fatos geradores tratados nos autos. IRPJ/CSLL/PIS/COFINS SIMULAÇÃO As declarações de vontade de mera aparência, reveladoras da prática de ato simulado, uma vez afastadas, fazem emergir os atos que se buscou dissimular. No caso dos autos, as operações do sujeito passivo com pessoa jurídica constituída de modo meramente formal, que lhe geraram custos, despesas e créditos artificiais, devem ser desconsideradas, recompondose as bases de cálculo reduzidas em decorrência de tal prática. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os principais fundamentos do acórdão recorrido podem ser assim sintetizados: quanto ao alegado cerceamento do direito de defesa, o próprio impugnante demonstra à saciedade que não ocorreu, pois sua impugnação apresentase ampla, rica em argumentação e abrangente em todos os aspectos da acusação formalizada no Termo de Verificação Fiscal. Sob os aspectos formais, exigidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional e pelo art. 10 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, os autos de infração estão perfeitos. também não se constata a nulidade do auto de infração da CSLL por falta de autorização no MPFF, pois esse documento é um ato de controle interno da administração tributária, de caráter gerencial, utilizado para a determinar a realização do procedimento fiscal relativos aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. A competência atribuída ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil para efetuar o lançamento do crédito tributário administrado pela Receita Federal do Brasil, foi atribuída pelo art. 6o, I, a, da Lei n° 10.593, de 2002, com a redação dada pela Lei n° 11.457, de 2007, cuja atividade é vinculada pelos arts 3o e 142 do Código Tributário Nacional. havendo dolo, fraude ou simulação, não se homologa o pagamento e, consequentemente, o Fisco fica atrelado à regra decadencial prevista no art. 173, I do Código Tributário Nacional, ou seja, o Fisco tem cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, para constituir o crédito tributário. Assim, considerandose que o lançamento pode ser efetuado somente depois de vencido o prazo para o pagamento espontâneo, ocorrendo o vencimento do PIS em 20/11/2005, Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assin ado digitalmente em 09/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202000.872 S1C2T2 Fl. 1.780 12 o lançamento poderia ser efetuado a partir de 21/11/2005. Logo, o termo de início de contagem do prazo decadencial foi em 01/01/2006 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado) e o termo final de contagem do prazo em 31/12/2010. Assim é para os demais fatos geradores. reconhecese que o contribuinte tem o direito de estruturar o seu negócio de maneira que melhor lhe convém, com vistas à redução de custos e despesas, inclusive a redução dos tributos, sem que isso implique em qualquer ilegalidade. Entretanto, o que não se admite é que os atos e negócios praticados se baseiem numa aparente legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial, para disfarçar o real objetivo da operação, unicamente o de reduzir o pagamento de tributos. o planejamento tributário não é visto como uma ilicitude. O que é repelido é a forma artificiosa desse planejamento, quando visivelmente de cunho tributário, sem efeito econômico ou negocial, como é o caso dos autos em que a nova empresa, constituída pelos mesmos sócios da autuada, passa a realizar, nas mesmas instalações físicas desta, as atividades até então realizadas pela antiga pessoa jurídica, transformandoa em sua maior cliente, com 96,2 % do faturamento total. não existe nenhum fluxo financeiro entre as duas sociedades. Todas as operações de pagamentos são efetuadas mediante lançamentos contábeis na conta Caixa, justificados pelo impugnante como de ordem prática, já que as sociedades pertencem aos mesmos sócios, e de ordem financeira, uma vez que ao assim agir, considerados os representativos valores, evitou sobremaneira a tributação pela CPMF no ano de 2005. ao analisar os fatos e contrarrazões, concluiuse que ocorreu uma estreita ligação econômica, financeira, administrativa e patrimonial entre as duas pessoas jurídicas. A única separação, a formal, é utilizada para fins de redução da carga tributária. não se pode admitir que o planejamento tributário lastreado exclusivamente na liberdade negocial e no respeito às formas, mas com mascaramento dos atos e negócios praticados para disfarçar o real objetivo da operação, unicamente para esquivarse do pagamento dos tributos. a constituição formal da CD Logística Ltda., embora aceitável sob os aspectos legais, na prática, se apresenta de forma artificiosa e simulada, configurandose numa extensão operacional da Oniz Distribuidora, geradora de custos e créditos que reduzem o seu resultado tributável e a base de cálculo das contribuições sociais. As evidências nesse sentido são fartas, conforme demonstrado à saciedade pelo autuante, pois (i) o seu patrimônio foi vertido da Oniz Distribuidora, (ii) o quadro de funcionários originário da Oniz Distribuidora, (iii) as atividades desmembradas da Oniz Distribuidora, (iv) principal cliente, representando 96,2% de sua receita, é a Oniz Distribuidora, (v) possui o mesmo endereço de funcionamento da Oniz Distribuidora, (vi) possui o mesmo quadro societário, apenas dois sócios, (vii) mesmo quadro de administradores da Oniz Distribuidora, (viii) os pagamentos são efetuados apenas formalmente, mediante o registro contábeis das operações na conta Caixa, dentre outras. correta a aplicação da multa de ofício duplicada, pois os fatos relatados pelo autuante deixaram claro o evidente o intuito doloso do sujeito passivo de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, mediante a criação de nova pessoa jurídica, meramente formal. Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assin ado digitalmente em 09/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202000.872 S1C2T2 Fl. 1.781 13 Irresignado, o contribuinte apresentou seu recurso voluntário a este colegiado, mediante arrazoado, de fls. , repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na peça impugnatória. Adicionalmente, alega que o acórdão recorrido teria sido omisso ao não apreciar as provas trazidas com a impugnação, com violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Portanto, dele tomo conhecimento. A questão principal a ser examinada no presente processo diz respeito à ocorrência de planejamento tributário baseado em aparente legalidade mas que, no entanto, apresenta aspectos de “simulação”. De acordo com o que consta dos autos, os mesmos sócios da pessoa jurídica autuada, que tem como atividade principal a distribuição de produtos alimentícios, cosméticos, de limpeza, medicamentos, atuando também como operadora logística no transporte rodoviário de cargas, criaram uma segunda empresa, a CD Sul Logística Ltda., com o objetivo de assumir o desempenho das atividades de operadora logística no transporte rodoviário de cargas, antes desempenhada pela fiscalizada. Essa segunda empresa, tributada pelo lucro presumido, presta serviços quase que exclusivamente para a autuada, o que geraria despesas e reduziria o lucro real tributável nessa última. Ao longo do procedimento fiscal, a autoridade lançadora teria identificado que a CD Sul Logística Ltda. confundiase patrimonialmente com a Oniz Distribuidora Ltda (autuada), o que levou a fiscalização a concluir que a criação daquela empresa era na verdade uma “simulação” com o objetivo de reduzir os tributos devidos nas operações da recorrente. Por oportuno, registrese, inicialmente, que não há no processo evidência de que tenha havido, mesmo no curso da fiscalização, eventual ato praticado com abuso de poder ou qualquer procedimento adotado que fosse ilegal ou que pudesse causar eventual constrangimento à interessada ou a terceiro. Verificase que o agente fiscal agiu nos estritos limites impostos pela legislação, tendo feito várias intimações à interessada durante a fiscalização, oferecendolhe, assim, oportunidades diversas para apresentar esclarecimentos e os documentos requisitados. Passo à análise dos pontos questionados pela recorrente. Nulidade dos Autos de Infração Inicialmente, cumpre afastar a preliminar de nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa. Alega a recorrente que a descrição dos fatos ocorridos pela fiscalização não teria sido clara, o que veio a limitarlhe o direito de defesa previsto constitucionalmente. Com isso, teriam sido violados os arts. 10, inc. III e IV, e 59, inc. II, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assin ado digitalmente em 09/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202000.872 S1C2T2 Fl. 1.782 14 Creio não assistir razão à defesa. Compulsando os autos, verifico que o auto de infração contém todos os elementos previstos no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN e no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. Além disso, a autuada teve a oportunidade de se defender do lançamento efetuado pela fiscalização ao apresentar as suas razões de defesa, na impugnação e no recurso ora examinado, demonstrando estar plenamente ciente dos motivos da autuação. Esclareçase à recorrente que as nulidades dos atos administrativos somente ocorrem se lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, fatos que definitivamente não ocorreram no presente caso: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente: II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Em relação à nulidade do lançamento da CSLL, por falta de autorização no Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização – MPFF, cumpre dizer que a mesma não é razão suficiente para anular a exigência da contribuição. O MPFF é mero instrumento de controle administrativo do desempenho das atividades fiscais. Já a atividade de constituição do crédito tributário é privativa da autoridade administrativa, revelandose vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos exatos termos do art. 142 e seu parágrafo único do CTN, descabendose falar em nulidade por falta de preenchimento no MPFF. Além disso, o lançamento da CSLL é reflexo do lançamento do IRPJ, com os mesmos fatos apurados, bem como relativo ao mesmo período de apuração, nada podendo ser reclamado pela defesa nesse sentido. Assim, uma vez que os autos de infração foram lavrados por autoridade competente e contêm todos os elementos previstos nos arts. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e 142 do CTN, e não provada violação das disposições contidas no art. 59 do mesmo Decreto, é de se rejeitar a preliminar de nulidade levantada. Acórdão de primeira instância – pretensas omissões no exame das provas Em sua peça recursal, a defesa alega que o acórdão recorrido teria sido omisso ao ignorar os efeitos das provas trazidas com a impugnação, com violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Requer, também, a conversão do julgamento em diligência para comprovação da licitude das operações. No que concerne à omissão na apreciação das provas, cumpre esclarecer ao recorrente que o julgador não tem a obrigação de apreciar, uma a uma, as provas trazidas aos autos. O conjunto dos fatos narrados e das provas juntadas é que levam à convicção do julgador para decidir. No caso em análise, o julgador de primeira instância considerou que as provas trazidas com a impugnação não eram suficientes para descaracterizar a ocorrência da simulação. Por isso, considerou desnecessário o exame aprofundado de todos os documentos relacionados pela defesa. Se o julgador entendeu que as provas trazidas aos autos não eram suficientes para lhe convencer do contrário, significa que foi exercido o seu direito à livre Fl. 1782DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assin ado digitalmente em 09/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202000.872 S1C2T2 Fl. 1.783 15 convicção. A conclusão do voto encontrase devidamente acompanhada do raciocínio e da respectiva motivação que o conduziram aos fundamentos apresentados na decisão. Por seu turno, o art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações é claro no sentido de que a autoridade julgadora, na apreciação da prova, formará livremente a sua convicção: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Na lição de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez Lopes, in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, São Paulo, Dialética, 2002, p. 307, o julgador é soberano na análise das provas, adotando as diligências que entender necessárias: “No momento de prolação da sentença, o julgador poderá, segundo seu convencimento pessoal, formar a sua livre convicção sobre os elementos trazidos aos autos, podendo, se assim o quiser, adotar as diligências que entender necessárias à apuração da verdade material no que concerne tãosomente aos fatos que constituem o processo. Em assim sendo, temse que o julgador é soberano na análise das provas produzidas nos autos, devendo decidir conforme o seu convencimento.” No presente caso, verificase que o acórdão recorrido apresentou os fundamentos em sua decisão com base, principalmente, na caracterização da ocorrência da “simulação”. O farto conjunto probatório trazido aos autos pela fiscalização levou o julgador a concluir nesse sentido. Caracterizada a “simulação”, o órgão julgador de primeira instância entendeu que estava correta a glosa dos custos, despesas e créditos artificiais, decidindo como correta a recomposição das bases de cálculo dos tributos em decorrência de tal prática Já a autuada demonstrou ter plena compreensão das infrações apuradas e teve a oportunidade de se defender do lançamento fiscal e do que foi decidido no acórdão recorrido, ao apresentar suas provas e ampla argumentação nas suas razões, o que afasta qualquer prejuízo na sua defesa. O fato das provas juntadas pela autuada não terem sido suficientes para convencer o julgador de primeira instância das suas alegações, não significa que se esteja diante de ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Nessa mesma linha de entendimento encontramse as decisões proferidas pelo extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, dentre elas, reproduzse o ementário do Acórdão nº 10421255, proferido pela 4ª Câmara na sessão de 08/12/2005 (em parte): NULIDADE DA DECISÃO FALTA DE EXAME DE PROVAS E RAZÕES INOCORRÊNCIA Apresentando o julgador com clareza os fatos e elementos de convicção que entendeu suficientes e relevantes para a conclusão do julgado, não se pode exigir e/ou não é indispensável que se manifeste sobre cada detalhe da impugnação. Por fim, entendo que o pedido de diligência formulado no recurso não deve ser conhecido, a teor do § 1º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. Primeiramente, porque não foram atendidas as condições previstas no inciso IV do referido art. 16 (expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados) e, em segundo lugar, porque os documentos constante dos autos são suficientes para o exame das matérias contestadas, mostrandose desnecessária para a solução do litígio. Fl. 1783DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assin ado digitalmente em 09/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202000.872 S1C2T2 Fl. 1.784 16 Art. 16. A impugnação mencionará: [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Em face do exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade da autuação e do acórdão de primeira instância e por não conhecer do pedido de diligência. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Voto Vencedor Conselheiro Geraldo Valentim Neto – RedatorDesignado. Em que pesem os argumentos utilizados pelo Conselheiro Relator para rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão de primeira instância, peço vênia para discordar de seu posicionamento, conforme passo a demonstrar. Ao examinar os presentes autos foi possível observar a boafé da Recorrente em demonstrar por todos os meios aparentemente existentes a inexistência de simulação na prática de suas atividades, seja em relação à empresa CD Sul Logística Ltda. seja quanto à Oniz Distribuidora Ltda. Juntamente com a peça impugnatória (fls. 680/762), a Recorrente apresentou um dossiê com diversos documentos (fls. 763/1046) na tentativa de comprovar a licitude das operações realizadas por referidas empresas. Constatase, assim, à luz da decisão de primeira instância que julgou improcedente a Impugnação apresentada, que os documentos comprobatórios apresentados pela Recorrente não foram minuciosamente analisados, o que prejudicou o julgamento do presente caso. Por se tratar de matéria preliminar e que deve ser examinada com cautela, em que há alegação de indícios de ocorrência de simulação e aplicação de multa qualificada, é dever do julgador analisar todos os documentos apresentados pelo sujeito passivo, na tentativa de justificar as operações realizadas e afastar a imputação de infrações. Entretanto, conforme se observa da decisão recorrida, o julgamento ocorreu por presunção, o que não pode prosperar no ordenamento jurídico. Fl. 1784DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assin ado digitalmente em 09/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202000.872 S1C2T2 Fl. 1.785 17 Primeiramente, vale ressaltar que a falta de análise criteriosa do dossiê apresentado pela Recorrente feriu frontalmente o Princípio Constitucional do Contraditório e da Ampla defesa, previsto no artigo 5º, inciso LV da Carta Magna. Referido princípio também encontrase previsto na Lei nº 9.784/99 que regulamenta o Processo Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, especificamente em seu artigo 2º, incisos VII e X, que asseguram, respectivamente, a “indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão” e “ a garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio”. Com relação ao Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa, a Professora ODETE MEDAUAR, assevera que “a Constituição Federal de 1988 alude, não ao simples direito de defesa, mas, sim, à ampla defesa. O preceito da ampla defesa reflete a evolução que reforça o princípio e denota a elaboração acurada para melhor assegurar a observância. Significa, então, que a possibilidade de rebater acusações, alegações, argumentos, interpretações de fato, interpretações jurídicas, para evitar sanções ou prejuízos, não pode ser restrita, no contexto em que se realiza. Daí a expressão final do inciso LV, ‘com os meios e recursos a ela inerentes’, englobados na garantia, refletindo todos os desdobramentos, sem interpretação restritiva”. (MEDAUAR, Odete. Processualidade no Direito Administrativo, RT, São Paulo, 1993). Ademais, a decisão recorrida violou também o Princípio da Verdade Material, exclusivo do Processo Administrativo Fiscal, que tem como principal alicerce a busca pela Administração Pública, através dos julgadores, de um grau máximo de certeza para conduzir o julgamento dos processos. Nos casos em que não há provas suficientes ou faltam elementos para o julgador decidir sobre a controvérsia existente no processo, o mesmo deve buscar o preenchimento dos elementos faltantes através de perícia, intimação para apresentação de documentos, etc. A doutrina já se posicionou a respeito desse princípio, no sentido de que “em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado ou provado.” (NEDER, Marcos Vinicius e LOPES, Maria Teresa Martínez, in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, São Paulo, Dialética, 2010, 3ª edição, p. 78) (não grifado no original) Portanto, resta incontroverso que a decisão recorrida não deve prosperar por ter afrontado princípios constitucionais e causado prejuízos ao sujeito passivo. A fim de corroborar todo o acima exposto, segue entendimento da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, que dispõe sobre a importância da busca da certeza pelo julgador. Vejamos: “Recurso voluntário – Omissão de Receita – Presunção Simples – Cabe a fiscalização apresentar um conjunto de indícios que permita ao julgador alcançar a certeza necessária para seu convencimento, afastando possibilidades contrárias, mesmo que improváveis. A Fl. 1785DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assin ado digitalmente em 09/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202000.872 S1C2T2 Fl. 1.786 18 certeza é obtida quando os elementos de prova confrontados pelo julgador estão em concordância com a alegação trazida aos autos. Se remanescer uma dúvida razoável da improcedência da exação, o julgador não poderá decidir contra o acusado. No estado da incerteza, o Direito preserva a liberdade em sua acepção mais ampla, protegendo o contribuinte da interferência do Estado sobre seu patrimônio. Recurso Provido.” (Acórdão CSRF/01 05.095 de 18.10.2004) Tendo em vista que a decisão recorrida deixou de analisar os documentos comprobatórios apresentados pela Recorrente, resta claro que houve cerceamento do seu direito de defesa e, por isso, a decisão da DRJ deve ser anulada, nos termos do artigo 59, inciso II do Decreto 70.235/72, abaixo transcrito: Art. 59. São nulos: II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Este E. Conselho já decidiu diversas vezes neste sentido. Vejamos: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. Nulo o ato administrativo praticado com cerceamento de direito de defesa do contribuinte, por não terem sido analisados pela DRF de origem os documentos trazidos aos autos pela contribuinte para elidir lançamento decorrente de auditoria interna de DCTF, como determinam as normas internas da SRF, e a decisão recorrida haver mantido o lançamento sob fundamento diverso do qual se fundou a acusação fiscal, com base nos referidos documentos. Processo anulado. (Segundo Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 20401193 do Processo 13005001017200256, Data: 26/04/2006) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. Nulo o ato administrativo praticado com cerceamento de direito de defesa do contribuinte, por não terem sido analisados pela Derat de origem os documentos trazidos aos autos pela contribuinte para elidir lançamento decorrente de auditoria interna de DCTF, como determinam as normas internas da SRF, e a decisão recorrida haver mantido o lançamento sob fundamento diverso do qual se fundou a acusação fiscal, com base nos referidos documentos. Anulase a decisão de primeira instância. (Segundo Conselho de Contribuintes. 4ª Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assin ado digitalmente em 09/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11030.001718/201062 Acórdão n.º 1202000.872 S1C2T2 Fl. 1.787 19 Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 20401949 do Processo 16327001154200246, Data: 07/11/2006) NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É nula, por cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, a decisão de primeira instância que deixa de apreciar argumentos expendidos pelo contribuinte em sede de impugnação. Decisão de primeira instância anulada. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10615271 do Processo 10120006114200140, Data: 26/01/2006). Em razão de tudo quanto o acima exposto, voto no sentido de acolher a preliminar de nulidade, a fim de declarar nula a decisão da DRJ/Porto Alegre. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 1787DF CARF MF Impresso em 18/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/12/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assin ado digitalmente em 09/01/2013 por GERALDO VALENTIM NETO
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Numero do processo: 10980.004877/2009-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/08/2005
MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. LEI Nº 11.051, DE 2004. EXIGÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO.
A Lei nº 11.051/04, previa a aplicação de multa isolada unicamente aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal em que houvesse a prática de evidente intuito de fraude. Tal situação vigorou até a publicação da Lei nº 11.196/05.
Numero da decisão: 1401-000.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/08/2005 MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. LEI Nº 11.051, DE 2004. EXIGÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. A Lei nº 11.051/04, previa a aplicação de multa isolada unicamente aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal em que houvesse a prática de evidente intuito de fraude. Tal situação vigorou até a publicação da Lei nº 11.196/05. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 48 77 /2 00 9- 83 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 309312): Em decorrência da realização de auditoria interna de compensações declaradas pela interessada, foi lavrado, em 19/09/2009, o auto de infração de multa regulamentar de fls. 02 04, que exige R$ 1.400.283,39 de multa isolada por compensação indevida declarada no PER/DCOMP n° 16949.73715.310805.1.3.028189 (fls. 0913), retificado pelo PER/DCOMP nº 28784.68463.300307.1.7.024770 (fls. 1419), em face da utilização de créditos de terceiro, conforme previsto no art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, com a redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004, e descrito no Relatório Fiscal de fls. 106 116. Impugnação 2. Regularmente intimada, com ciência do lançamento por via postal (AR recebido em 25/06/2009, à fl. 117), a interessada, por intermédio de seu representante legal (mandato às fls. 147149) apresentou, em 24/07/2009, a tempestiva impugnação de fls. 119142, cujo teor é sintetizado a seguir. a) relata que em 19/11/2008 foi cientificada do Despacho Decisório proferido nos autos do processo n" 10980.720402/200857, por meio do qual se considerou não declarada a compensação declarada na DCOMP n° 28784.68463.300307.1.7.024770, a qual era retificadora da DCOMP n° 16949.73715.310805.1.3.028189, em face da utilização de crédito de terceiro, com fulcro no art. 74, § 12, "a", da Lei n° 9.430, de 1996; b) que a autoridade fiscal exigiu o débito confessado e tomou as medidas necessárias ao lançamento da multa isolada prevista no art. 18, §4º, da Lei n" 10.833, de 2003, com a redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004, a qual foi qualificada com fundamento nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n`4.502, de 1964; C) aponta erro da fundamentação legal do lançamento fiscal, porquanto, como o suposto fato gerador da multa isolada (prática de fraude em procedimento de compensação considerada não declarada) ocorreu em 30/03/2007, deveria ser aplicada a legislação então vigente, conforme dispõe o art. 144 do CTN; d) foi aplicada a norma constante do art. 18 da Lei n" 10.833, de 2003, com a redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004, a qual não mais vigia em 30/03/2007 em face da edição da Medida Provisória n" 351, de 2007 (convertida na Lei no 11.488, de 2007), que deu nova rcda o ao caput e §§ 2°, 4° e 5° do art. 18 da Lei no 10.833, de 2003, e revogou as disposições introduzidas Fl. 387DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10980.004877/200983 Acórdão n.º 1401000.863 S1C4T1 Fl. 379 3 pela Lei no 11.051, de 2004, fato que torna nulo do lançamento fiscal em litígio; e) acrescenta que a autoridade lançadora fundamento a aplicação da multa isolada na IN SRF nº 460, de 2004, alterada pela IN SRF nº 534, de 2005, embora tais instruções normativas tenham sido formalmente revogadas pela IN SRF nº 600, de 2005; f) argúi que não restou configurada a hipótese de aplicação de multa isolada, uma vez que não houve a prática de fraude; o caput do art. 18 da Lei no 10.833, de 2003, sob a égide da Lei no 11.051, de 2004, estabelece como condição para que se configure a hipótese de incidência da multa a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, conforme definido pela Lei no 4.502, de 1964; o § 4 0 desse art. 18, por sua vez, traz uma complementação ao estabelecer que a multa isolada será devia não apenas nos casos de não homologação da compensação, mas também nos casos de compensação tida por não declarada; g) a autoridade fiscal considerou equivocadamente que a fraude cometida pela impugnante consistiria no fato de ela saber estar realizando compensação com crédito de terceiro, o que é vedado pela legislação; para que ficasse caracterizada a prática fraudulenta seria necessário que a autoridade fiscal demonstrasse, por intermédio, da apresentação de provas inequívocas, que a impugnante agiu com evidente intuito de fraude, ou seja, que se comprove a existência de intenção de se praticar o ato para retardar ou impedir o surgimento da obrigação tributária; h) que a demonstração da intenção dolosa de utilizar um crédito vedado, por ser de terceiro, para deixar de recolher os tributos, não foi efetuada pela fiscalização, e nem poderia ter sido feita, tendo em vista que jamais poderá ser considerada dolosa uma conduta praticada de forma aberta e declarada ao fisco; i) o que distingue os institutos viciantes dos negócios jurídicos do erro e do dolo, é que enquanto no erro a circunstancia que acarreta o vício é espontânea, no dolo o vício e provocado, é praticado intencionalmente por uma das partes; para que se caracterize o vício do dolo em uma relação jurídica não basta que uma das partes atue com a vontade de prejudicar outrem, sendo necessária, também, a prova cabal de que houve a malfadada intenção perniciosa; j) a operação de incorporação do Banco HSBC S/A pela impugnante foi devidamente celebrada conforme determinava a legislação societária, mediante os competentes atos societários, com a elaboração de laudo de avaliação e protocolo de justificação (doe. 03), além de ter sido requerida ao Bacen a homologação da operação, o que foi concedido por tal órgão regulador (doe. 04); que todas essas providências foram tomadas antes da transmissão, em 0/03/2007, da DCOMP que originou o presente imbróglio fiscal; Fl. 388DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 4 k) conforme já esclarecido no processo 10980.720402/200857, a impugnante vinha, há muito tempo, tentando obter o registro dos atos societários da incorporação em junta comercial, o que lhe foi sistematicamente negado sob a alegação de falta de certidão de regularidade fiscal, cuja expedição vinha sendo indeferida pelas autoridades fiscais, conforme despacho da PFN (doc. 05); 1) ressalta, por oportuno, a invalidade de exigência de regularidade fiscal como condição para que se proceda ao arquivamento de atos societários, tanto é que o STF julgou procedentes as ADIN nº 1736 e 3941, para declarar a inconstitucionalidade, entre outros dispositivos, do art. 1 0, I11 e §§ 2° e 31 da Lei n° 7.711, de 1988, que trazia a comprovação de regularidade fiscal como requisito para o registro ou arquivamento de contrato social, alteração contratual e distrato social perante o registro público competente, dado o seu caráter de sanção política; m) depois de superada tal exigência, a Jucesp e a Jucepar efetuaram, respectivamente, em 17/04/2009 e 02/04/2009, os competentes registros dos atos societários relativos à operação em questão (docs. 06 e 07), o que atesta e confirma a validade e existência dos atos de incorporação pela impugnante do Banco HSBC S/A (detentor do direito creditório objeto da aludida DCOMP); n) diante da inconstitucional exigência de regularidade fiscal, como único entrave ao procedimento de arquivamento de seus atos societários, os efeitos desse arquivamento efetuado tardiamente devem retroagir à data dos respectivos atos, nítida que está a culpa exclusiva dos órgãos de registro; o) em que pesem todos esses fatos, afirma a autoridade fiscal que a impugnante agiu dolosamente com base apenas na alegação de que "sabia que a inexistência do arquivamento dos atos relativos à cisão e incorporação no competente órgão de registro previsto na Lei n° 8.934, de 1994, requisito essencial à sua validade, não produziria os efeitos legais pretendidos"; P) a fiscalização afirma, categoricamente, que a impugnante não apenas sabia que a incorporação não produziu qualquer efeito legal, como também induziu a Receita Federal do Brasil a acreditar que o crédito era próprio, para concluir que houve fraude; no entanto, o fisco nada demonstra ou comprova a respeito, ficando apenas no plano da mera suposição; q) menciona que a compensação declarada em DCOMP foi também devidamente informada em DCTF, o que reforça o fato de que sempre agiu de forma aberta e declarada, jamais ocultando qualquer informação do fisco; r) que caso prevaleça o entendimento da fiscalização, a impugnante acabará por sofrer a mesma penalidade dos que falsificam documentos, omitem e simulam operações, deixam de prestar declarações ao fisco, enfim, praticam atos notoriamente dolosos e fraudulentos, o que não se coaduna com a mais elementar noção de justiça; Fl. 389DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10980.004877/200983 Acórdão n.º 1401000.863 S1C4T1 Fl. 380 5 s) contesta o argumento constante do Relatório Fiscal, de que a Receita Federal do Brasil teria sido induzida a acreditar que o crédito da impugnante era próprio, pois este órgão já possuía a informação da incorporação em seus sistemas desde, pelo menos, 29/07/2005, data da transmissão da DIPJ 2005, situação especial, referente ao período de 01/05/2005 a 30/06/2005 (doc. 06) e relativa ao evento de incorporação; t) embora a incorporação não tenha sido registrada no sistema CNPJ, tal fato não impediu o conhecimento acerca desse evento pelo fisco, que dispõe de diversos outros meios para acompanhar a atividade dos contribuintes, mormente em se tratando de uma conhecida instituição financeira; u) que o crédito de saldo negativo utilizado na DCOMP foi apurado justamente ao final do período encerrado em 30/06/2005 e declarado na aludida DIPJ especial de incorporação; é possível afirmar que os atos de incorporação podem ser opostos ao fisco independentemente do cumprimento de todas as formalidades, já que está cabalmente demonstrado que tais atos eram de seu conhecimento, como autoriza o art. 1154 do Código Civil; que a própria DCOMP informa que se trata de crédito de empresa sucedida; v) aduz que o Ato Declaratório Interpretativo n" 17, de 2002, invocado pela autoridade fiscal para fundamentar o entendimento de que o suposto uso de crédito de terceiro, por si só, configura fraude, não pode servir de fundamento para tanto; w) os atos declaratórios interpretativos, espécie de norma infralegal, têm por função expressar o entendimento oficial da RFB acerca da legislação tributária vigente, uniformizando, assim, o entendimento de todos os seus servidores sobre o assunto; contudo, a Lei no 10.833, de 2003, na qual se baseia a presente exigência fiscal, sequer existia quando da edição do ADI nº 17, de 2002; X) anteriormente à edição da Lei no 10.833, de 2002, e as alterações que se seguiram, não havia a previsão de multa específica para as compensações praticadas com dolo para sonegar ou fraudar, razão pela qual foi necessário, à época, que se editasse um ato declaratório interpretativo afirmando que a tais compensações se devia aplicar a multa agravada então prevista no art. 44, 11, da Lei nº 9.430, de 1996; y) a toda vista, com a publicação da Lei no 10.833, de 2003, e as redações seguintes, criouse a figura jurídica das compensações consideradas não declaradas e as respectivas hipóteses de exigência de multa isolada, razão pela qual perdeu a razão de existir o ADI nº 17, de 2002; z) ao final requer seja dado provimento à presente impugnação, determinando o cancelamento integral do auto de infração em questão e, consequentemente, o seu arquivamento definitivo, como medida de Direito e Justiça. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 6 A 1ª Turma da DRJ Curitiba, por maioria de votos, julgou procedente o lançamento, por meio do Acórdão 0624.692, assim ementado (fls. 310): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Aplicase multa isolada, sobre o débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada em face da utilização de crédito de terceiro. RETROATIVIDADE BENIGNA. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista em lei vigente ao tempo de sua prática. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Como se vê, por considerar que o presente caso não configurava nenhuma hipótese prevista nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, o colegiado julgador a quo reduziu a multa isolada em litígio para o percentual de 75% em face de não se tratar dos casos previstos nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Tal decisão baseouse na constatação de que o §4º do art. 18 da Lei n" 10.833/03, teve sua redação posteriormente alterada pelas Leis nº 11.196/05, e 11.488/07, ambas prevendo a aplicação tanto da multa de ofício de 75% como a de 150%, conforme o caso. O colegiado julgador considerou que a nova norma legal deve ser aplicada retroativamente em face do disposto no art. 106, II, "c", do CTN. Cientificada do Acórdão em 28/12/2009 (fls. 374), a contribuinte interpôs em 27/01/2010 o recurso voluntário de fls. 316343, reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10980.004877/200983 Acórdão n.º 1401000.863 S1C4T1 Fl. 381 7 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Legislação aplicável Conforme relatado, a PER/DCOMP nº 16949.73715.310805.1.3.02 818931/08/2005, foi apresentada em 31/08/2005 (fls. 0913) e retificada em 30/03/2007 por meio da PER/DCOMP retificadora n° 28784.68463.300307.1.7.024770 (fls. 1419) Para fins de aplicação da multa isolada, por irregularidades no aludido pedido de compensação, prevalece a data do PERD/DCOMP original, ou seja, 31/08/2005. Consequentemente, a aplicação da aludida penalidade deve ser analisada com base na legislação tributária então vigente, qual seja, o art. 18 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com a redação dada pela Lei no 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Sobre este tema, manifestouse com grande propriedade o acórdão recorrido, fls. 313314: 20. A Declaração de Compensação retificadora não substitui integralmente a declaração original, sendo admitida apenas na hipótese de inexatidões materiais verificadas no seu preenchimento, sendo vedada a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado (arts. 58 e 59 da IN SRF n° 600, de 2005), ao contrário da DCTF retificadora, que tem a mesma natureza da declaração originalmente apresentada e serve para declarar novos débitos e aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados (IN SRF n° 695, de 14 de dezembro de 2006). 21. A data de apresentação do PER/DCOMP retificador deve ser observada apenas como termo inicial da contagem do prazo de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação, para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, nos termos do art. 60 desse diploma legal. 22. Desconsiderar a compensação declarada em 31/08/2005 redundaria na apresentação, em 30/03/2007, do PER/DCOMP retificador com débito de IRPJ (estimativa do mês de julho/2005) já vencido, hipótese em que caberia a exigência da multa de mora e dos juros de mora. 23. Portanto, como o débito de IRPJ devido por estimativa do mês de julho/2005 foi extinto sob condição resolutória de sua ulterior homologação em 31/08/2005, data da apresentação do PER/DCOMP no 16949.73715.310805.1.3.028189, devese observar a legislação tributária então vigente, qual seja, o art. 18 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com a redação Fl. 392DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 8 dada pela Lei no 11.051, de 29 de dezembro de 2004, para aplicação da multa isolada em litígio, [...] Inexistência de base legal para a exigência da multa isolada Com efeito, o embasamento legal utilizado para o lançamento foi o art. 18 da Lei n° 10.833/2003. Vejamos a redação do citado artigo, dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051/2004 (verbis, grifado): Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da.Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. [...] § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. [...] § 4° A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso lI do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Conforme já esclarecido, o caso dos autos enquadrase na hipótese de compensação considerada não declarada. Como facilmente se percebe, após o advento do art. 25 da Lei n° 11.051/2004, somente remanesceu no ordenamento jurídico a multa isolada de 150%, nos casos em que ficasse caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da.Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Esclareçase, por oportuno, que o colegiado julgador a quo reconheceu expressamente que, no caso presente, não se verificou nenhum das hipóteses previstas nos retrocitados arts. 71 a 73 da.Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, como se observa por meio do seguinte trecho da decisão recorrida (fls. 316, grifado): 39. Tendo o §4º do art. 18 da Lei n" 10.833, de 2003, tido sua redação posteriormente alterada pelas Leis no 11.196, de 2005, e 11.488, de 2007, ambas prevendo a aplicação tanto da multa de ofício de 75% como a de 150%, conforme o caso, e considerando que a nova norma legal deve ser aplicada retroativamente em face do disposto no art. 106, II, "c", do CTN, que prevê a aplicação de lei superveniente quando comine penalidade menos severa que a prevista ao tempo da infração, é de se reduzir a multa isolada em litígio para o percentual de 75% em face de não se tratar dos casos previstos nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10980.004877/200983 Acórdão n.º 1401000.863 S1C4T1 Fl. 382 9 Somente com a publicação da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, que se previu, novamente, a aplicação da multa não qualificada, o que força o entendimento de que não havia previsão para a aplicação da referida multa após a publicação da Lei nº 11.051, de 2004. Consequentemente, revelase indevida a exigência da referida multa para fatos geradores ocorridos antes da vigência da aludida Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005. Neste sentido, existem inúmeros precedentes no âmbito desta Corte: MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. LEI Nº 11.051, DE 2004. EXIGÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. A Lei nº 11.051, de 2004, previa a aplicação de multa isolada unicamente aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal em que houvesse a prática de evidente intuito de fraude, situação que vigorou até a publicação da Lei nº 11.196, de 2005. (Acórdão nº 20179.389, DOU 15/02/2007) COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. LEI Nº 11.051, DE 2004. EXIGÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. A Le inº 11.051; de 2004, previa a aplicação de multa isolada unicamente aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal em que houvesse a prática de evidente intuito defraude. (Acórdão nº 20179.666, DOU 18/2/2007) Diante do exposto, considero procedente a alegação da Recorrente relativa à inexistência de base legal para imposição da multa isolada, na data de apresentação do PER/DCOMP original (31/08/2005). Consequentemente, o presente recurso voluntário merece ser provido. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 394DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 10 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
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Numero do processo: 10665.720406/2006-46
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2006
MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA, COM BASE NA FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL POR ESTIMATIVA. INADMISSIBILIDADE. CARACTERIZAÇÃO DE INDEVIDO BIS IN IDEM.
Não se admite, sob pena de se configurar dupla punição por um mesmo fato, a aplicação concomitante da multa de ofício, pela falta de recolhimento da CSLL, e da multa isolada, pela ausência de pagamento da CSLL sobre a base estimada.
Numero da decisão: 9101-001.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo
Presidente
(assinado digitalmente)
Susy Gomes Hoffmann
Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Susy Gomes Hoffmann, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2006 MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA, COM BASE NA FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL POR ESTIMATIVA. INADMISSIBILIDADE. CARACTERIZAÇÃO DE INDEVIDO BIS IN IDEM. Não se admite, sob pena de se configurar dupla punição por um mesmo fato, a aplicação concomitante da multa de ofício, pela falta de recolhimento da CSLL, e da multa isolada, pela ausência de pagamento da CSLL sobre a base estimada.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2006 MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA, COM BASE NA FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL POR ESTIMATIVA. INADMISSIBILIDADE. CARACTERIZAÇÃO DE INDEVIDO BIS IN IDEM. Não se admite, sob pena de se configurar dupla punição por um mesmo fato, a aplicação concomitante da multa de ofício, pela falta de recolhimento da CSLL, e da multa isolada, pela ausência de pagamento da CSLL sobre a base estimada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 04 06 /2 00 6- 46 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10665.720406/200646 Acórdão n.º 9101001.519 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Susy Gomes Hoffmann, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. No caso, lavrouse o auto de infração contra o contribuinte para a exigência de multa isolada decorrente da apuração de falta de recolhimento da CSLL sobre a base estimada, no valor de R$ 57.302,30, em relação a fatos geradores ocorridos em 2006. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 109/136 dos autos. Salientou que os fatos apurados e discutidos nos presentes autos guardam relação com a CSLL calculada com base nas infrações tratadas nos processo n° 10665.720403/200611, concernente a omissão de receitas, e no qual já foi aplicada multa de ofício. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 166/172) julgou procedente em parte o lançamento, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2006 MULTA ISOLADA PAGAMENTO POR ESTIMATIVA RETROATIVIDADE BENIGNA. É legitima a exigência de multa isolada, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento da Contribuição Social determinada sob base de calculo estimada, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado base negativa no anocalendário correspondente, cujo percentual deve ser reduzido em face do advento de lei nova que impôs penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Lançamento Procedente em Parte O contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 175/178. A antiga Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso voluntário, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10665.720406/200646 Acórdão n.º 9101001.519 CSRFT1 Fl. 4 3 CSLL. MULTA ISOLADA NÃO CUMULATIVIDADE COM A MULTA DE OFÍCIO Se aplicada a multa de oficio ao tributo apurado em lançamento de oficio, a ausência de anterior recolhimento mensal, por estimativa, do IRPJ ou CSLL não deve ocasionar a aplicação cumulativa da multa isolada, já que esta somente é aplicável de forma isolada, de modo a se evitar a dupla penalização sobre a mesma base de incidência. Recurso Voluntário Provido. Salientouse, como base para tal decisão, que o caso dos autos tem conexão com o processo administrativo n° 10665.720403/200611, em que se discute a exigência do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, e no qual já se deu a aplicação da multa de ofício de 75%. A Procuradoria da Fazenda Nacional, então, interpôs o presente recurso especial, com fundamento em divergência jurisprudencial. Sustentou a possibilidade de incidência concomitante da multa isolada e da multa de ofício, tendo em vista que incidente sobre bases fáticas diferentes. O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 198/205. O contribuinte, às fls. 209, requereu a desistência das contrarrazões apresentadas, bem como renunciou às respectivas alegações de direito, em vista da adesão a programa de parcelamento. Postulou, também, pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário exigido nos autos, nos seguintes termos: MINASBEB COMÉRCIO DE BEBIDAS LTDA, inscrita no CNI3,1 sob o n° 00.907.750/000141, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em referência, vem mui respeitosamente perante Vossa Senhoria, através de seu procurador firmatário e representante legal, REQUERER, para efeito do que dispõe o artigo 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 06/2009 c artigo 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 2/2011, a desistência total das contrarrazões interpostas em face do recurso especial da Fazenda Nacional renunciando a quaisquer alegações de direito sobre as quais elas fundamentam. Nestes termos, requerse a suspensão da exigibilidade do crédito tributário exigido nesses autos, em razão do parcelamento e, ao final do pagamento, a sua extinção. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10665.720406/200646 Acórdão n.º 9101001.519 CSRFT1 Fl. 5 4 Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou comprovar a divergência jurisprudencial suscitada. Ressaltese, antes de ingressar no mérito recursal, que a desistência das contrarrazões por parte do contribuinte em nada interfere na análise do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Isto porque as contrarrazões não têm natureza de recurso. Nela, o contribuinte apenas defende a decisão recorrida, contra o recurso especial da Fazenda, não tendo, portanto, qualquer pleito recursal perante a Câmara Superior de Recursos Fiscais. Esta analisará o recurso da Fazenda, de modo que a renúncia às alegações de direito feitas pelo contribuinte em suas contrarrazões não poderia impedir o seu julgamento. Feitas essas considerações, passo à analise do mérito do recurso especial da Fazenda Nacional. No caso, discutese acerca da possibilidade, ou não, de aplicação concomitante da multa isolada e da multa de ofício. Sobre o tema, já tenho firmado entendimento no sentido de que tal aplicação simultânea das multas de ofício e isolada caracteriza, inequivocamente, inadmissível bis in idem. Com efeito, o bis in idem, conceitualmente, consiste na imposição de mais de uma punição pela prática de um mesmo fato por parte da pessoa punida. É vedada no sistema brasileiro, ainda que o fato afigurese enquadrável pelas normas prescritivas das duas punições. Diante disso, não há dúvida de que a hipótese dos autos, ao contrário do que postula a recorrente, configura a ocorrência de bis in idem. A base fática para a imposição de ambas as multas é a mesma. A falta de recolhimento da CSLL sobre a base estimada é decorrência necessária da falta de recolhimento desse mesmo tributo apurada nos autos do processo administrativo n° 10665.720403/200611, no qual já se aplicou a multa de ofício. Se houve falta de recolhimento da CSLL, concluise, logicamente, que houve falta de recolhimento do mesmo tributo por estimativa. Não há que se impor, ao mesmo fato, duas punições diferentes, ainda que aquele mesmo fato, em tese, aparentemente, venha a subsumirse nas duas infrações. É nesse sentido que tem entendido esta Câmara Superior de Recurso Fiscais, quando enfrenta o tema: “Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF/ Primeira Turma/ Acórdão CSRF/ 0105.503 em 18.09.2006. PENALIDADE MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10665.720406/200646 Acórdão n.º 9101001.519 CSRFT1 Fl. 6 5 Não comporta a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de ofício, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. Recurso especial provido. Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros José Henrique Longo, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antônio Gadelha Dias que deram provimento parcial ao recurso para reduzir o percentual da multa isolada para 50%. Manoel Antônio Gadelha DiasPresidente. Publicado no DOU em 07.08.2007. Relator José Clóvis Alves. Recorrente: COPENE PETROQUÍMICA DO NORDESTE S.A (nova denominação BRASKEM S.A.). Interessado: FAZENDA NACIONAL Diante disso, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 20 de novembro de 2012 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 216DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN
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Numero do processo: 10680.913254/2009-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 19/07/2004
INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE PARA LEGITIMAR COMPENSAÇÃO DE OUTROS DÉBITOS FEDERAIS. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO
A compensação de outros tributos federais com eventual crédito decorrente de recolhimento indevido de Imposto de Renda Retido na Fonte deve preceder de legitimação deste, através de regular processo administrativo, onde as razões do equívoco que lhe deram causa devem estar documentalmente evidenciadas. A simples apresentação de DCTF retificadora em data posterior ao indeferimento da compensação formalizada, por inexistência do crédito, não é suficiente para o seu reconhecimento.
Numero da decisão: 2102-002.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
Presidente
Assinado digitalmente
ATILIO PITARELLI
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Mauricio Carvalho.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 19/07/2004 INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE PARA LEGITIMAR COMPENSAÇÃO DE OUTROS DÉBITOS FEDERAIS. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO A compensação de outros tributos federais com eventual crédito decorrente de recolhimento indevido de Imposto de Renda Retido na Fonte deve preceder de legitimação deste, através de regular processo administrativo, onde as razões do equívoco que lhe deram causa devem estar documentalmente evidenciadas. A simples apresentação de DCTF retificadora em data posterior ao indeferimento da compensação formalizada, por inexistência do crédito, não é suficiente para o seu reconhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 32 54 /2 00 9- 88 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10680.913254/200988 Acórdão n.º 2102002.183 S2C1T2 Fl. 83 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Mauricio Carvalho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 3a Turma da DRJ/BHE, de 02 de fevereiro de 2011 (fls. 46/49), que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente às fls. 01/06, que teve como origem a não homologação de pedido de compensação de tributos, pela inexistência de crédito a título de Imposto de Renda Retido na Fonte decorrente de pagamento em valor maior que o devido. O despacho denegatório consta da fl. 34. A pretexto de ter recolhido em 19/07/2004, o valor total de R$ 225.947,13 a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, sendo R$ 173.193,01 através do DARF de fl. 39, quando o correto seria R$ 146.802,36, destes, indevidamente, a importância de R$ 26.390,65, a Recorrente buscou compensálo com débitos de Contribuição Social Retida na Fonte cujo valor principal foi de R$ 2.440,63, multa de R$ 488,12 e juros de mora de R$ 1.106,58, conforme Pedido de Restituição de fl. 34. Na peça de impugnação o Recorrente fez constar o valor de R$ 2.046,14. Na referida manifestação de inconformidade a Recorrente narrou os fatos acima resumidos, segundo ela, o crédito não foi reconhecido em razão de escusável equívoco no preenchimento de sua DCTF relativa ao 3o trimestre de 2.004, quando informou como devido a título de IRRF o valor total de R$ 225.947,13, quando o correto seria R$ 199.556,48, o que foi sanado com declaração retificadora. Alegou ainda, que com os documentos apresentados e em obediência ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo fiscal, a DRJ deveria analisálo e reformar a decisão denegatória de existência do crédito. Ao apreciar o expediente da Recorrente, como fundamento de seu voto, o Relator da decisão recorrida destacou que os valores recolhidos correspondem a débitos confessados em DCTF pelo contribuinte, e que eventual equívoco nos valores declarados e recolhidos deveriam estar evidenciados e não apenas serem objeto de DCTF retificadora, entregue em data posterior à decisão que deixou de reconhecer alegado crédito. Em grau de Recurso Voluntário a este colegiado, às fls. 55/61, reiterou os termos da manifestação de inconformidade apresentada inicialmente, expondo os fatos, alegando equívoco na apresentação da DCTF e requerendo observância ao princípio da verdade material para que seja reconhecido o crédito e consequentemente, a homologação da compensação realizada. É o Relatório. Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O Recurso Voluntário é apresentado tempestivamente e está assinado por procurador com instrumento de mandato incluso aos autos, dele conhecendo. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10680.913254/200988 Acórdão n.º 2102002.183 S2C1T2 Fl. 84 3 A decisão recorrida está devidamente fundamentada, não merecendo qualquer reparo. Através de DCTF a Recorrente confessou débitos relativos ao Imposto de Renda Retido na Fonte e efetuou os pagamentos dos respectivos valores, que totalizaram R$ 225.947,13, dentre eles o valor de R$ 173.193,01, através do DARF de fl. 36, quitado no dia 19/07/2004. Se equivocadamente confessou e recolheu a maior do que o devido, na ordem de R$ 26.390,65, a simples apresentação de DCTF retificadora não é suficiente para reconhecer tal alegação, a ponto de legitimar compensação com outros tributos federais. Como mencionado, a decisão recorrida bem apreciou a questão, quando destacou à fl. 48: Quanto ao mérito, não se confirma a existência do crédito indicado no PER/DCOMP analisado. Diferente do alegado, a DCTF retifícadora invocada, apresentada em 19/05/2009, não comprova que o recolhimento identificado no PER/DCOMP foi efetuado a maior. Conforme fls. 38 a 40, na DCTF original, foi confessado débito de IRRF de código 0422, com fato gerador em 19/07/2004, no valor de R$ 225.947,13, ao qual foram vinculados dois pagamentos com DARF, nos valores de R$ 52.754,12 e R$ 173.193,01. A soma dos valores recolhidos é igual ao valor do débito confessado, não restando crédito passível de restituição ou compensação. As declarações presumemse verdadeiras em relação ao declarante (art.131 do CC e art. 368 do CPC). Como essa presunção não é absoluta, admitese que o signatário possa impugnar sua veracidade, alegando serem ideologicamente falsas, isto é, que os seus dizeres são falsos, embora sejam materialmente verdadeiras. Entretanto, a presunção de veracidade faz com que o declarante tenha que provar o que alega e, na falta de prova, prevalece o teor do documento. Noutras palavras, referidas declarações fazem prova contra o sujeito passivo e em favor do fisco, da existência do débito e de seu valor. Para contrariar sua própria palavra, dada como expressão da verdade, deve o impugnante comprovar o erro ou a falsidade de sua declaração. Não é o que ocorre no caso. Conforme fls. 42 e 43, na DCTF retifícadora apresentada em 19/05/2009, o valor do débito foi reduzido para R$ 199.556,48. Referida DCTF retifícadora não têm nenhuma força de convencimento, porque apresentadas após a ciência do despacho decisório, ocorrida em 30/04/2009 (fl. 47). De acordo com o inciso III do § 2 o do art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 903, de 30 de dezembro de 2008, a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando alterar débitos relativos a impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada do início de procedimento fiscal. Portanto, ela só pode ser aqui considerada como argumento de impugnação, uma vez que só foi apresentada em razão da não homologação da compensação pretendida. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10680.913254/200988 Acórdão n.º 2102002.183 S2C1T2 Fl. 85 4 Com efeito, a pretexto de ter recolhido indevidamente valor a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, a Recorrente buscou compensação com outros débitos, porém, sem qualquer comprovação ou evidencia do equivoco cometido no recolhimento, antes ou depois da decisão que declarou inexiste alegado crédito, não merecendo assim, outra consideração senão o indeferimento, quer do pleito original, da manifestação de inconformidade e como não poderia ser diferente, do presente Recurso Voluntário. Os documentos relacionados à fl. 07 não demonstram a origem do alegado equívoco pela Recorrente, que legitimaria o suposto crédito, pois consistem, basicamente, na representatividade para este processo e cópias dos documentos referidos nas peças, como Declaração de Compensação, despacho denegatório e DCTFs, incapazes de comprometer as decisões até então proferidas, portanto, não restando a este colegiado, a não ser, ratificálas. Pelas razões acima expostas, NEGO PROVIMENTO ao Recurso da Recorrente. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Fl. 96DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10183.906095/2009-76
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS. RECURSO VOLUNTÁRIO. DESCUMPRIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. MATÉRIA. CONCOMITÂNCIA COM A VIA JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso voluntário apresentado intempestivamente não pode ser conhecido. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1.
Numero da decisão: 3803-003.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS. RECURSO VOLUNTÁRIO. DESCUMPRIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. MATÉRIA. CONCOMITÂNCIA COM A VIA JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO. O recurso voluntário apresentado intempestivamente não pode ser conhecido. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS. RECURSO VOLUNTÁRIO. DESCUMPRIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. MATÉRIA. CONCOMITÂNCIA COM A VIA JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO. O recurso voluntário apresentado intempestivamente não pode ser conhecido. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 60 95 /2 00 9- 76 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0427.915, da DRJ/Campo GrandeMS, de 29 de março de 2012, fls. 80/83, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade. A Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação nº 25015.77473.180708.1.3.048503, fls. 02/05, por meio da qual utilizou suposto crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu despacho decisório eletrônico de não homologação da compensação, fls. 07, fundamentada no fato de o DARF discriminado no PeR/DComp ter sido integralmente utilizado para quitação de débito anterior declarado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para compensação ora sob análise. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 20, a interessada alegou, de forma sucinta, que a DCTF deve ser reanalisada haja vista a existência do crédito devidamente indicado na referida declaração, e trouxe aos autos o que seria a prova para sustentar a sua argumentação quanto ao erro na identificação do pagamento: a DCTF retificadora, em que corrigiu o valor do débito, sendo a diferença entre o pagamento e este novo valor do débito o seu alegado crédito. Em consequência, pleiteou a suspensão dos débitos cobrados. Em julgamento da lide, a DRJ/CGE, consultou o sistema IRPJ e verificou divergência entre os valores informados na DIPJ e os valores da DCTF retificadora, constatando serem os valores constantes do sistema mais próximos dos informados na DCTF original. De outro lado, a par da divergência acima, a decisão de piso considerou a inexistência, na defesa, de qualquer prova de que efetuara recolhimento a maior ou indevido, competindo à Interessada fazêlo por meio da escrituração contábil e fiscal, bem assim observou ausentes os documentos que lhe dariam sustentação. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Modificações efetuadas na DCTF após a ciência do Despacho Decisório Eletrônico, desacompanhadas dos elementos de prova do erro alegado, ou seja, a escrituração contábil e os documentos que lhe dão sustentação, não têm o condão de tornar a DCTF original irregular. DCTF RETIFICADORA POSTERIOR À CIÊNCIA DE DESPACHO DECISÓRIO. Não cabe reparo a despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório tendo em vista que o recolhimento alegado Fl. 107DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10183.906095/200976 Acórdão n.º 3803003.621 S3TE03 Fl. 107 3 como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessados. Cientificada da decisão em 11 de abril de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário em 14 de maio de 2012, em que: a) informa ter manejado o mandado de segurança nº 2008.36.00.73360, em que pleiteia a exclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para o PIS e da COFINS, com pedido de liminar, deferida em 10 de junho de 2008; b) amparada pela liminar, reapurou as contribuições devidas e utilizou a diferença em cada mês na compensação de débitos próprios por meio da transmissão de DComp, somente retificando os DACONs e DCTFs após despacho decisório de não homologação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator Conforme relatado a empresa foi cientificada da decisão em 11 de abril de 2012, quartafeira, irresignada, e apresentou o recurso voluntário em 14 de maio de 2012. Não há no recurso preliminar de tempestividade, nem consta a existência de feriado(s) de que resulte a extensão da contagem do prazo a permitir a sua apresentação na data do recebimento. Portanto, o recurso é intempestivo, deixando de atender a requisito para sua admissibilidade. Não bastasse o descumprimento desse requisito processual, a matéria que suscitou a reapuração do débito, da qual teria resultado crédito, o ICMS na base de cálculo da contribuição, foi levada à apreciação do Poder Judiciário, configurando a concomitância dos pedidos de tutela, não podendo vir a ser apreciada por esta Corte, conforme teor da Súmula CARF nº .1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em face do exposto, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 24 de outubro 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 108DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10183.906095/200976 Interessada: BIGOLIN MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803003.621, de 24 de outubro de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 24 de outubro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 109DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10580.012190/2003-39
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2003
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. DIVERSIDADE DE SITUAÇÕES FÁTICAS.
Nos casos em que não há similitude fática entre os acórdãos comparados não deve ser conhecido o Recurso Especial, pois não se caracteriza a divergência jurisprudencial - requisito de admissibilidade.
Numero da decisão: 9101-001.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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E TREINAMENTO EMPRESARIAL LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. DIVERSIDADE DE SITUAÇÕES FÁTICAS. Nos casos em que não há similitude fática entre os acórdãos comparados não deve ser conhecido o Recurso Especial, pois não se caracteriza a divergência jurisprudencial requisito de admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO – Presidente (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 21 90 /2 00 3- 39 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 2 Tratase de recurso especial de divergência (fls. 343/349) interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional com fundamento no art. 7º, inciso II, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n.° 147, de 25/06/2007 contra o acórdão nº 30132.347 proferido pelos membros da Primeira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, deram provimento ao recurso do contribuinte. No presente caso, o contribuinte foi excluído do SIMPLES a partir de 01/01/2002, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/SDR nº 416.206, de 07 de agosto de 2003 (fl. 55), em razão do exercício de atividade econômica vedada pelo artigo 9º, XIII, da Lei 9.317/96, nos seguintes termos: Situação excludente (evento 306): Descrição: atividade econômica vedada: 74993/07 Serviços de organização de festas e eventos exceto culturais e desportivos. Data da ocorrência: 04/12/1998 Fundamentação legal: Lei n° 9.317, de 05/12/1996: art. 9°, XIII. art. 12; art. 14, 1; art. 15, II. Medida Provisória n°2.15834, de 27/07/2001: art. 73. Instrução Normativa SRF n° 355, de 29/08/2003: art. 20, XII; art. 21; art. 23, I; art. 24, II, c/c parágrafo único. O contribuinte solicitou revisão da exclusão, entretanto o pedido foi indeferido pela SRF (fls. 22/23). Foi apresentada impugnação ao indeferimento do pedido de revisão de exclusão do SIMPLES (fls. 04/18), por meio da qual o contribuinte argumentou, em síntese, que nunca exerceu atividade vedada pela legislação do SIMPLES. Nesse sentido transcreveu as atividades cujo exercício leva a vedação da opção pelo SIMPLES (art. 9º, XIII, Lei 9317/96) e concluiu que a atividade exercida de “Planejamento e organização de congressos e feiras, seminários e congêneres e assessoria empresarial” não se encontra no rol das vedações. Observou, ainda, que mesmo que se tenha como exemplificativa a relação de atividades e profissões constantes do art. 9º, XIII, da Lei 9317/96, temse que a atividade desenvolvida não se enquadra em nenhum dos grupos de atividades relacionadas, nem por semelhança. Insurgiuse, também, contra a retroatividade da lei e, isto porque, entende que não podem ser prejudicadas as pessoas jurídicas que optaram pelo regime simplificado de tributação antes da vigência da Lei n° 9.528/97 que alterou dispositivos da Lei do Simples (Lei n°9.317/96). Por fim, pugnou pelo cancelamento da exclusão. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 10580.012190/200339 Acórdão n.º 9101001.540 CSRFT1 Fl. 374 3 Os membros da 4ª Turma de Julgamento da DRJ de Salvador, às fls. 19/21, por unanimidade de votos, indeferiram a impugnação apresentada. Nos termos do voto condutor do acórdão proferido pela DRJ temse que o contribuinte presta serviço de “Planejamento e organização de congressos, feiras, seminários e congêneres e assessoria empresarial” e, apesar do artigo 9º, XIII, da Lei 9.317/96 não vedar a opção pelo SIMPLES pela pessoa jurídica que preste serviços de organização, produção e promoção de eventos, desde que não haja contratação de atores, cantores, dançarinos ou assemelhados (solução de divergência Cosit 10/02), veda a opção pela pessoa jurídica que preste serviço de “consultoria”, sendo a atividade de “assessoria empresarial”, exercida pelo contribuinte, a este assemelhada, razão pela qual foi mantida a exclusão. O Contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 80/102), reafirmando os argumentos já suscitados em sede impugnação. Postulou, também, pela nulidade da decisão por cerceamento de defesa e por infringência aos princípios da legalidade, da motivação e da segurança jurídica. No mérito, aduziu que a exclusão deve ser julgada improcedente, vez que a recorrente não pratica assessoria empresarial. Por fim, destacou a necessidade de diligência fiscal; da busca da verdade real, posto que sua exclusão do SIMPLES foi equivocada. Os membros da Primeira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deram provimento ao recurso e o acórdão (301 32.347) proferido foi assim ementado: Simples — exclusão indevida. Organização de eventos gerais – exceto culturais e desportivos. Não incidência do artigo 9º, inciso XIII, da lei nº 9317/96. Ato declaratório interpretativo nº 30 de 2004. impossibilidade de alteração do critério da exclusão na decisão da delegacia de julgamentos. Critério inicial mantido. julgamento que deve ficar restrito aos termos do ato declaratório de exclusão. Possibilidade de permanecer no regime do simples. RECURSO PROVIDO Consta no voto condutor do mencionado acórdão que houve modificação do critério material que fundamentou a exclusão do contribuinte do SIMPLES e o critério adotado pela DRJ para indeferir a impugnação apresentada, isto porque o primeiro foi fundamentado no exercício da atividade de “SERVIÇOS DE ORGANIZAÇÃO DE FESTAS E EVENTOS — EXCETO CULTURAIS E DESPORTIVOS" e o segundo no exercício de "ASSESSORIA EMPRESARIAL”. Concluiu que não é possível aceitar a alteração do fundamento do Ato Declaratório que deu ensejo à exclusão do contribuinte ao longo do processo administrativo, sob pena de ferir os princípios da legalidade, da motivação e da segurança jurídica. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 4 Nesse passo, considerou apenas o Ato declaratório executivo e a atividade que, de fato, deu ensejo à exclusão e concluiu que, nos termos do artigo 9º, XIII, da Lei 9713/96, não há vedação legal quanto ao anotado no critério inicial de exclusão, ou seja, concluiu que as empresas que prestem serviços de organização de promoções e eventos podem ser optantes pelo Simples, excetuando eventos culturais e desportivos. Por fim, consignou que tal entendimento foi corroborado pelo Ato interpretativo nº 30 de 2004. A Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial de divergência (fls.345/349), por meio do qual afirmou que o entendimento do acórdão recorrido diverge da jurisprudência deste Conselho e transcreveu as seguintes ementas dos acórdãos paradigma: SIMPLES ORGANIZAÇÃO DE CURSOS LIVRES. REALIZAÇÃO DE EVENTOS CULTURAIS. TREINAMENTO DE PESSOAL. As pessoas jurídicas que se dediquem às atividades e organização de cursos livres e eventos culturais, por se assemelhar à atividade de produtor de espetáculo, estão impedidas de optar pelo SIMPLES. Também não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que se dediquem à atividade de treinamento de pessoal, por se assemelhar à atividade de professor. NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE. (Acórdão 30235.988. Processo 13811.001299/9949). Argumentou, em suas razões recursais, que os contribuintes que exercem atividade profissional de empresário, diretor ou produtor de espetáculos e assemelhados, por ser profissão regulamentada prevista na vedação do art. 9°, XIII, da Lei n. 9.317/96, não podem optar pelo SIMPLES. Nesse sentido afirmou que deve ser reformado o acórdão proferido e mantido o ato declaratório de exclusão. Por fim, pugnou pela reforma do acórdão recorrido. Em sede de exame de admissibilidade (fls.358/359) foi dado seguimento ao recurso. O contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. O presente recurso especial é tempestivo, entretanto não preenche os demais requisitos de admissibilidade. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 10580.012190/200339 Acórdão n.º 9101001.540 CSRFT1 Fl. 375 5 Com efeito, não se caracterizou a divergência jurisprudencial suscitada pela Fazenda Nacional, senão vejamos. No acórdão recorrido restou consignado que deve ser considerado o fundamento do Ato declaratório executivo que deu ensejo à exclusão do contribuinte do SIMPLES, que foi o exercício de atividade de organização de festas e eventos exceto culturais e desportivos. Por fim, concluiu que tal atividade não é vedada pela lei 9317/96, inciso XIII e observou que tal entendimento foi corroborado pelo Ato interpretativo nº 30 de 2004. Por outro lado, o acórdão paradigma tratou de exclusão do SIMPLES em relação a pessoas jurídicas que se dediquem a atividades de organização de cursos livres e eventos culturais, por se assemelhar à atividade de produtor de espetáculo. Desta forma, temse que as questões enfrentadas em ambos os acórdãos cotejados são diversas, tanto que o fundamento da exclusão no caso dos autos e no caso do acórdão paradigma não é similar, no caso dos autos a exclusão se deu em função do exercício de atividade de organização de festas e eventos exceto culturais e desportivos e no caso do acórdão paradigma a exclusão se deu pelo exercício de atividade de organização de cursos livres e eventos culturais, por se assemelhar à atividade de produtor de espetáculo. Situações fáticas diferentes, pois tratam de atividades diferentes. Não há, portanto, como se reconhecer por caracterizada a divergência jurisprudencial. É nesse mesmo sentido o entendimento adotado por este Conselho, conforme julgados cujas ementas seguem transcritas: RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS COTEJADOS. Não se conhece de recurso especial, se os acórdãos comparados não tratam da mesma questão fática. (Acórdão nº 9202001.784, de 28/09/2011) RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA. Não deve ser conhecido o recurso especial, quando não há divergência entre os acórdãos paradigma e recorrido. A única divergência jurisprudencial que desafia recurso especial é aquela cuja solução tenha potencial para reformar o acórdão recorrido. (Acórdão nº 9101001.314, de 24 de abril de 2012) Do exposto, não comprovada a divergência jurisprudencial, voto no sentido de não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 6 JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Fl. 378DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR
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Numero do processo: 10730.008704/2008-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sun Mar 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR.
Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos.
Hipótese em que os recibos foram rejeitados pelo julgador de 1a instância por não constarem o endereço dos profissionais, não tendo a recorrente suprido essa deficiência com base em documentação complementar.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-002.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
_____________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Carlos Andre Rodrigues Pereira, Célia Maria de Souza Murphy, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Hipótese em que os recibos foram rejeitados pelo julgador de 1a instância por não constarem o endereço dos profissionais, não tendo a recorrente suprido essa deficiência com base em documentação complementar. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 87 04 /2 00 8- 03 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10730.008704/200803 Acórdão n.º 2101002.047 S2C1T1 Fl. 49 2 (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Carlos Andre Rodrigues Pereira, Célia Maria de Souza Murphy, Eivanice Canario da Silva, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 5 a 8, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, para glosar dedução indevida de despesas médicas, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$4.565,00, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 3), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 31v a 32): A impugnante esclarece que, em 25/07/08, compareceu voluntariamente à DRF Niterói para verificar os motivos do não processamento de sua DIRPF do exercício de 2005, quando lhe foi entregue cópia da NL objeto desta impugnação, contendo a glosa das deduções médicas. Declarou que, “para minha surpresa, complementouse o agravamento dos fatos pelo não atendimento à intimação postal e por fim à intimação do edital nº 01/2008, publicado em 7 de janeiro de 2008”. Reproduziu trechos do art. 23 do Dec. nº 70.235/72, que trata da intimação via postal e do domicílio tributário, alegando que “... não poderia tomar ciência e atender à intimação postal uma vez que a mesma foi encaminhada para um endereço inválido, diferente daquele por mim informado na seção Identificação do Contribuinte, da Declaração de Ajuste Anual em anexo, referente ao Exercício 2005 ...”, e solicitando que os documentos anexados sejam analisados, desconsiderandose a intempestividade desta impugnação (fl. 2). Reproduz trecho do art. 8º da Lei nº 9.250/95, que trata da base de cálculo do imposto de renda anual e das deduções permitidas para seu cálculo, dentre elas as médicas. Assim, esclarece que foram deduzidas despesas com tratamento fisioterapêutico e odontológico, anexando seus respectivos comprovantes (fls. 10/11). Requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10730.008704/200803 Acórdão n.º 2101002.047 S2C1T1 Fl. 50 3 ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 31 a 33v): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 PRELIMINAR. TEMPESTIVIDADE. EDITAL. É tempestiva a impugnação apresentada dentro do prazo de 30 dias da ciência da Notificação de Lançamento. A publicação do edital é condicionada à tentativa de entrega da notificação anterior e improfícua no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. DESPESAS MÉDICAS. A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados com documentação hábil e idônea, que indique o nome, endereço, e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 7/6/2011 (fl. 39), a contribuinte apresentou, em 7/7/2011, o recurso de fls. 43 a 46, onde: a) informa qual o endereço profissional da Dra. Rafaela Sodré Ferreira; b) esclarece que não sabe qual o endereço profissional de Dra. Paula Saavedra Almeida porque os serviços eram prestados domiciliarmente; c) reclama que, como se obteve seu endereço nos sistemas da Receita Federal do Brasil, poderia ter sido feito o mesmo com o endereço dos profissionais; d) questiona se há dúvidas na veracidade dos recibos; e) afirma que, havendo dúvidas quanto aos recibos, deveriam ter sido os profissionais intimados. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 47, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10730.008704/200803 Acórdão n.º 2101002.047 S2C1T1 Fl. 51 4 Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. A contribuinte informou, em sua declaração de ajuste do exercício de 2005 (fl. 18), ter auferido rendimentos tributáveis de R$65.753,77, e deduziu despesas médicas no valor de R$ 16.600,00 a seguir discriminadas: NOME DO BENEFICIÁRIO VALOR RAFAELA SODRÉ FERREIRA 10.600,00 PAULA SAAVEDRA ALMEIDA 6.000,00 TOTAL 16.600,00 Essas deduções foram glosadas porque o sujeito passivo não respondeu à intimação realizada por meio de edital. Em sede de impugnação, foram apresentados os recibos de fls. 10 e 11, que informavam que a despesa com a Dra. Rafaela Sodré Ferreira era referente à tratamento odontológico e aquela com a Dra. Paula Saavedra Almeida era relativa à tratamento fisioterapêutico entre janeiro e dezembro de 2004. O julgador a quo não admitiu a dedução das despesas por falta da indicação do endereço das profissionais nos recibos. No voluntário, a recorrente informa o endereço da odontóloga, sem documentação comprobatória, e diz desconhecer o da fisioterapeuta, que a atendeu em domicílio. Para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Por oportuno, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: Fl. 56DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10730.008704/200803 Acórdão n.º 2101002.047 S2C1T1 Fl. 52 5 a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais. Observese que a dedução exige a efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, e que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Assim, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é direito e dever da Fiscalização exigir provas adicionais da efetividade do serviço, do beneficiário deste e do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. No caso sob análise, julgo que as despesas médicas deduzidas necessitariam ser comprovadas com documentação complementar, por envolverem valores significativos e por estarem sucintamente descritas nos recibos. Contudo, devido ao erro no endereço na intimação para prestar esclarecimentos, o contraditório foi bastante reduzido, e não se exigiu da contribuinte nada além de recibos que atendam ao requisitos da legislação. Nesse sentido, impossível rejeitar a dedução sob o argumento de falta de comprovação da efetividade do serviço ou da realização do pagamento, em especial pela recorrente desconhecer essa necessidade, e de não haver outro momento processual para se satisfazer essa exigência. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10730.008704/200803 Acórdão n.º 2101002.047 S2C1T1 Fl. 53 6 Na verdade, o único óbice levantado contra os recibos foi a falta do endereço do profissional. Mas, mesmo diante de tão simples empecilho, que poderia ter sido facilmente suprido com uma simples emissão de recibos complementares pelas profissionais, a recorrente optou por simplesmente mencionar o endereço que guardava de memória, sem qualquer comprovação documental, e por transferir ao Fisco a obrigação pelo complemento das informações. Ora, o endereço do profissional é requisito explícito do inciso III, do §2o, do art. 8o da Lei nº 9.250, de 1995, e não pode ser excluído por uma interpretação da legislação em face das novas ferramentas tecnológicas, que, no entender da recorrente, tornam desnecessária a informação do endereço no recibo. E a obrigação de produzir as provas das deduções na base de cálculo é do contribuinte, e não do Fisco. Diante do exposto, não tendo trazido a recorrente novos elementos para suprir as irregularidades formais apontadas pelo acórdão recorrido, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 58DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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