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Numero do processo: 17546.000176/2007-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2003
IMCOPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE.
Conforme a Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ARTIGO 150, §4º, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
Consoante a Súmula CARF nº 99, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
JUROS SELIC.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
Numero da decisão: 2301-005.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares, reconhecer a decadência do poder-dever de constituir o crédito tributário dos períodos anteriores a 02/2002 e negar provimento ao recurso voluntário nas demais questões de mérito.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada), João Mauricio Vital e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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Conforme a Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ARTIGO 150, §4º, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Consoante a Súmula CARF nº 99, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. JUROS SELIC. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares, reconhecer a decadência do poderdever de constituir o crédito tributário dos períodos anteriores a 02/2002 e negar provimento ao recurso voluntário AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 01 76 /2 00 7- 81 Fl. 804DF CARF MF 2 nas demais questões de mérito. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada), João Mauricio Vital e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão n.º 0517.978 da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campinas (SP), f. 672690, com ciência ao sujeito passivo em 15/02/2008, que julgou improcedente a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) lavrada sob o Debcad nº 37.076.1855, da qual a autuada teve ciência em 26/02/2007. De acordo com o relatório fiscal, fls. 250297, tratase de lançamento substitutivo à NFLD nº 35.639.4905 (item 5 do relatório fiscal). A presente NFLD trata de exigência do adicional da contribuição social destinada ao financiamento da aposentadoria especial prevista nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213/91, nas competências 04/1999 a 13/2003, incidente sobre a remuneração dos trabalhadores expostos de modo permanente ao agente nocivo ruído, acima dos níveis de tolerância, encontrado em todos os estabelecimentos fiscalizados, além do agente físico calor e dos agentes químicos cromo, cobalto, benzeno e tolueno, encontrados em alguns estabelecimentos, devida em razão do ineficaz gerenciamento dos riscos ambientais por parte da empresa. O lançamento foi feito com base nos relatórios ambientais parcialmente apresentados pela empresa, quais sejam, Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e Relatório Anual de Exames Médicos, Laudo Técnico de Condições Ambientais de Trabalho (LTCAT), Laudo de Higiene Ocupacional, laudo de iluminância, laudo técnico de ruído ocupacional, monitoramento de agentes químicos, avaliação de riscos físicos, e outros elementos, como atestados de saúde, atas de reunião da CIPA e livro de inspeção do trabalho. A fiscalização informou que não foram apresentados os relatórios ambientais relativos a todo o período e a todos os estabelecimentos fiscalizados. Fl. 805DF CARF MF Processo nº 17546.000176/200781 Acórdão n.º 2301005.453 S2C3T1 Fl. 3 3 No relatório fiscal também ficou consignado que a autuada não demonstrou quais trabalhadores estavam expostos de modo permanente aos agentes nocivos prejudiciais à saúde, e, em razão disso, a fiscalização adotou a técnica do arbitramento, aferindo a base de cálculo na proporção de quarenta por cento da folha de pagamento do estabelecimento, que é o percentual de Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR) em metalúrgicas, reconhecido na literatura específica. Contra o lançamento, a autuada apresentou impugnação, requerendo a nulidade do lançamento ou sua improcedência, e, alternativamente a conversão do julgamento em diligência para verificação da regularidade do gerenciamento do ambiente do trabalho. Os pontos controvertidos podem ser assim sintetizados: a) decadência do período anterior a 02/2002; b) invalidade do lançamento por ofensa ao princípio da verdade material, por cerceamento de defesa, por se tratar de lançamento feito com base em presunção e desprovido dos pressupostos legais para adoção da aferição indireta; b) ilegalidade da exigência do PPRA e o PCMSO; c) os meios adotados pela empresa são eficazes para neutralizar e até reduzir a exposição dos funcionários aos agentes nocivos a pontos toleráveis pela legislação; d) o critério de arbitramento é irrazoável e ilegal; e) não ficou comprovado o gerenciamento ineficaz dos agentes por parte da empresa, a inexistência de equipamentos de controle de exposição dos trabalhadores, e a exposição permanente, não ocasional e intermitente desses trabalhadores; e) a exigência para a apresentação anual do LTCAT não tem respaldo legal; f) quanto à filial em Valinhos (calor, ruído e agentes químicos): os agentes nocivos são neutralizados pela utilização dos equipamentos de proteção coletiva (isolamento térmico, ventilação exaustão, controle automático de máquinas) e EPI para proteção ao ruído, e demais medidas corretivas aplicadas nos setores de forjaria e o rodízio nos postos de trabalho, bem assim, não há presença de benzeno no estabelecimento de Valinhos e o tolueno se encontra em nível abaixo do limite de tolerância. g) quanto à filial em Mogi Mirim (calor e ruído): os agentes são controlados pela adoção de mecanismos de proteção (isolamento térmico, ventilação, exaustão) e EPI para proteção ao ruído. h) Filial em São José dos Campo (agentes químicos e calor): as áreas de risco foram automatizadas, a estação onde havia calor foi desativada e demolida, foi implementado sistema de corte úmido neutralizando a poeira provocada por corte abrasivo, os locais da forjaria e caldeiraria foram modificados em maio de 2000, atenuando a concentração de manganês e cromo; i) Filiais em Guarulhos e Guaratinguetá (calor, ruído e agentes químicos): reitera as alegações expendidas em relação à filial de São José dos Campos, além disso, o hidrocarboneto era neutralizado pelo uso de EPI e os óleos sintéticos atualmente adotados em seu processo de produção, não têm mais a presença de tal componente químico em sua fórmula; j) Filial em Diadema: as atividades dessa unidade foram encerradas em 2001; k) Filial Rio de Janeiro: não houve alteração na estrutura física no período de 1998 a 2003, o que dispensa novo LTCAT.; l) ilegalidade da cobrança de juros à taxa SELIC. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário, cujo julgado restou assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2003 LANÇAMENTO FISCAL. ADICIONAL PARA CUSTEIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. LANÇAMENTO POR AFERIÇAO. JUROS. TAXA SELIC. Fl. 806DF CARF MF 4 A empresa que tiver trabalhador sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde deste, ou sua integridade física, estará sujeita ao pagamento de contribuição adicional na forma da Lei. A ausência, incoerência ou incompatibilidade dos documentos apresentados pela empresa, relativos aos riscos ambientais do trabalho, enseja o lançamento, por aferição indireta, das alíquotas adicionais na forma da lei, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Os débitos previdenciários, por comando da Lei n° 8.212/91, sujeitamse ao cômputo de juros equivalentes à taxa SELIC e a multa moratória, aplicados em caráter irrelevável. Lançamento Procedente Em 18/03/2008, a autuada interpôs recurso voluntário, fls. 693762, apresentado suas razões, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Em preliminar, alega decadência do período anterior a 02/2002 e invalidade do lançamento por ofensa ao princípio da verdade material e cerceamento de defesa, eis que: a) a fiscalização não buscou a verdade material, tendo se baseado apenas em documentos (PCMSO, PPRA e LTCAT), deixando de realizar inspeção no local das fábricas das unidades da empresa, imprescindível para identificar a eficácia do gerenciamento dos potenciais riscos ambientais; b) o lançamento foi feito com base em indícios de danos à saúde dos trabalhadores, sem indicação de qualquer caso concreto de dano; c) não foi demonstrada a existência dos pressupostos legais para adoção da aferição indireta. Ainda, em preliminar, suscita a inconstitucionalidade dos arts. 57 e 58 da Lei 8.213/91, que fundamentam o lançamento tributário. No mérito, afirma que não existem os pressupostos legais para adoção da aferição indireta: foram apresentados documentos hábeis a identificar quais funcionários estariam supostamente expostos aos agentes nocivos, conforme organogramas das filiais da recorrente que demonstram os centros de custo de cada unidade; o PPRA e o protocolo dos equipamentos de proteção individual (EPI) evidenciam quais segurados estão diretamente vinculados ao setor produtivo; a fiscalização deixou de solicitar a listagem dos funcionários que trabalham nos estabelecimentos fabris. Ademais, entende que é ilegal e irrazoável o critério de arbitramento, que culminou na base de calculo de 40% do total da remuneração dos trabalhadores da empresa, inclusive dos funcionários dos setores administrativos, primeiro, porque não há fundamentação legal no artigo 195, I, da Constituição Federal/88, nem na Lei n° 8.213/91; segundo, porque o adicional para financiamento de aposentadoria especial incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais; terceiro, a adoção de percentagem encontrada em literatura especifica não tem relação com a realidade da Recorrente. Sustenta que a alíquota de 6%, 9% ou 12%, correspondente à contribuição adicional para financiamento das aposentadorias especiais, incide sobre a alíquota do SAT (art. 22, II, da Lei 8.212/91). Assim, para uma empresa com alíquota SAT de 2%, caso incidente a contribuição para concessão de aposentadoria especial em 25 anos, a alíquota seria de 2,12% (acréscimo de 6% sobre a alíquota de 2% do SAT). Afirma que o lançamento decorreu da mera constatação da existência de agentes nocivos no ambiente de trabalho, pois não houve comprovação do gerenciamento Fl. 807DF CARF MF Processo nº 17546.000176/200781 Acórdão n.º 2301005.453 S2C3T1 Fl. 4 5 ineficaz por parte da recorrente, da inexistência de equipamentos de controle de exposição dos trabalhadores, nem prova da exposição do trabalhador de modo permanente, não ocasional ou intermitente, como exigido pelo artigo 57, § 3º, da Lei n° 8.213/91. Cita, a título de exemplo, que, em relação ao agente nocivo calor na atividade de tratamento térmico de peças para automóveis, que consiste na introdução de peças em fomos aquecidos a mais de 800°C, desenvolveu seus equipamentos de forma que a introdução das peças nos fornos é feita de forma automática, reduzindo o tempo de exposição ao calor para 2 minutos a cada 12 minutos. Alega que a eficácia dos EPIs não pode ser afastada com base em ausência de exame médico, considerando que, por natureza, o EPI tem a função de reduzir a intensidade dos agentes nocivos presentes no ambiente de trabalho, conforme consta da CLT, arts. 166 e 191, e da Norma Regulamentadora NR6 do Ministério do Trabalho e Emprego, afastando, inclusive, o pagamento de adicional de insalubridade, conforme jurisprudência. Sua eficácia somente poderia ser afastada diante da ausência do uso ou da falta de eficácia dos EPIs pelos trabalhadores. Afirma que fornece os EPIs necessários a cada uma das atividades, os quais estão amparados por certificados de aprovação e são freqüentemente submetidos a testes de eficácia, ainda, visando à conscientização de seus trabalhadores, fornece folhetos e profere palestras sobre instruções de segurança e utilização dos EPI, e, por fim, exige o uso permanente desses equipamentos por parte dos trabalhadores, o que se comprova pelos recibos dos equipamentos com declaração de uso sob pena de sanções internas. O documentos comprobatórios dessas alegações foram anexados à impugnação. Explica que são realizados exames em razão da natureza do trabalho desenvolvido por cada empregado. Por exemplo, exames audiométricos são realizados nos trabalhadores sujeitos a ruídos e não são feitos nos trabalhadores dos setores administrativos. Esclarece que os estabelecimentos da notificada possuem programas de monitoramento da saúde no ambiente do trabalho, em especial Valinhos e Mogi Mirim, a partir dos quais são realizados os demais programas PPRA e PCMSO de forma integrada. Sustenta que não cabe exigir elaboração anual do LTCAT, pois a IN INSS/DC 78/2002, em julho de 2003, exigia a elaboração desse documento diante da ocorrência de alterações no ambiente do trabalho que trouxessem conseqüências para os trabalhadores e a partir de 1o de janeiro de 2004, a IN INSS nº 99, de 10/12/2003, passou a exigir apenas o Perfil Profissiográfico Profissional (PPP). Afirma que o ambiente de trabalho em suas filiais é perfeitamente gerenciado: Com relação à filial deValinhos: a) agente nocivo calor: afirma que todos os laudos indicam que o agente nocivo calor está abaixo do limite de tolerância; que no ambiente de forjaria os equipamentos geradores de calor são isolados termicamente, as portas dos fornos possuem sistema de ventilação local exaustora e o prédio é dotado de sistema de ventilação e exaustão artificial; que é feito o controle do período de abertura dos fornos e rodízio nos postos de trabalho, além de terem sido feitas melhorias nas instalações: instalação de telhas com revestimento acústico e antitérmico, eliminação de fornos com aquecimento a óleo combustível, instalação de ventiladores no piso, dentre outras; que há utilização dos Fl. 808DF CARF MF 6 equipamentos de proteção coletiva (isolamento térmico, ventilação exaustão, controle automático de máquinas), medidas corretivas e rodízio nos postos de trabalho; b) agente nocivo ruído: alega que os laudos indicam que este agente estava dentro dos limites de tolerância; que a fiscalização desconsiderou, em sua análise, a redução dos níveis de ruído proporcionada pela utilização de equipamentos de proteção individual; que ao analisar o PCMSO, a fiscalização não observou que alguns centros de custo não estão expostos ao agente nocivo ruído, o que dispensa, em relação a estes, a realização do exame audiométrico; que os resultados alterados dos exames audiométricos decorrem de causas não relacionadas ao trabalho, como admissões de trabalhadores com perdas auditivas de inúmeras etiologias e de quadros de perdas auditivas transitórias; c) agentes químicos (benzeno e tolueno): afirma que não há presença de benzeno no estabelecimento de Valinhos e o tolueno se encontra em nível abaixo do limite de tolerância. Quanto à filial em Mogi Mirim: a) agente nocivo calor: alega que as medições realizadas comprovam a adequação abaixo dos limites de tolerância, conforme laudos, e a fiscalização desconsiderou os mecanismos de proteção adotados (isolamento térmico, ventilação, exaustão); b) agente nocivo ruído: a fiscalização desconsiderou os EPI adotados, não observou que alguns centros de custo não estão expostos ao agente nocivo ruído, o que dispensa, em relação a estes, a realização do exame audiométrico; que os resultados alterados dos exames audiométricos decorrem de causas não relacionadas ao trabalho, como admissões de trabalhadores com perdas auditivas de inúmeras etiologias e de quadros de perdas auditivas transitórias. Filial em São José dos Campos: a) agente nocivo calor: argumenta que a fiscalização partiu de informações obsoletas, pois as áreas de solda de plasma, pintura (chumbo soldador), caldeiraria (manganês) foram totalmente automatizadas, que a estação de tratamento de efluentes foi desativada e demolida, o que levou a conclusões incorretas; que não foram consideradas as diversas modificações nas áreas de produção e distribuição das linhas e células, tendo sido instalados sistemas de exaustão nas áreas de solda e caldeiraria, e ventiladores foram instalados no setor de usinagem; que foi desconsiderado laudo recente sobre a área de forno, apresentado na impugnação; b) agente nocivo ruído: a fiscalização deixou de considerar o uso de EPI, em especial, o suo de protetores auriculares, capazes de atenuar o ruído em até 35db; c) agentes químicos (poeria, manganês, cromo): explica que, nas duas áreas de coletas de poeira do corte abrasivo foi implementado sistema de corte úmido, reduzindo o número de partículas suspensas no ar; que as áreas de forjaria e caldeiraria foram modificadas em maio de 2000, com a inclusão de sistema de exaustão para atenuar a concentração de manganês e cromo; que ocorre a limpeza regular das tubulações dos sistemas de ar condicionado da empresa, conforme laudos anexados à impugnação. Filial em Guarulhos e Guaratinguetá: a) agentes nocivos calor e ruído: reitera as alegações expendidas em relação aos estabelecimentos de Valinhos, Mogi Miriam e São José dos Campos, solicitando que os documentos sejam reanalisados. Filial em Diadema: afirma que as atividades dessa unidade foram encerradas em 2001, não sendo procedente a exigência de adicional de aposentadoria especial. Filial Rio de Janeiro: a) agentes químicos: entende que é competência do médico do trabalho avaliar se os relatórios anuais do PCMSO dos anos de 1998 e 1999 refletem ou não a quantidade de exames clínicos e audiométricos necessários; reitera as alegações expendidas em relação aos demais estabelecimentos; afirma que não houve alteração na estrutura física no período de 1998 a 2003, portanto, não há exigência legal para apresentação de novo LTCAT. Fl. 809DF CARF MF Processo nº 17546.000176/200781 Acórdão n.º 2301005.453 S2C3T1 Fl. 5 7 Suscita a ilegalidade da exigência do PPRA e do PCMSO, pois a Portaria MTb n° 3.214/78 extrapolou o poder normativo conferido pelo artigo 200 da CLT, em afronta ao princípio da legalidade, constitucionalmente previsto. Em 8 de dezembro de 2015, a 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF emitiu a Resolução n, 2301000.545 para que seja anexado o processo relativo ao lançamento anulado (NFLD nº 35.639.4905), a fim de se conhecer a extensão e a natureza do vício do lançamento anteriormente efetuado, e os termos da decisão definitiva que o desconstituiu. O acórdão relativo ao lançamento anulado foi juntado ao processo (fls. 784 e ss). É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator O recurso é tempestivo, no entanto, no Recurso Voluntário é mencionada a potencial inconstitucionalidade da contribuição adicional do SAT (fls. 722 e ss). Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, conheço em parte do recurso voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade. Preliminar de Nulidade em Razão do Arbitramento Em seu Recurso Voluntário, o Recorrente suscita a nulidade do Auto de Infração, diante da precariedade do procedimento fiscalizatório. O regime jurídico da nulidade do processo administrativo está previsto nos artigos 59 e 60 do DecretoLei n. 70.235/71, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 810DF CARF MF 8 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como se vê, as hipóteses de nulidade se restringem aos atos e termos lavrados por pessoa incompetente e aos despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso em tela, não há que se falar em preterição do direito de defesa, uma vez que o Recorrente consegue inclusive se defender de maneira detalhada e analítica. Ante o exposto, enfatizando que o caso em exame não se enquadra nas hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, é incabível a pretendida nulidade, por não se vislumbrar qualquer vício capaz de invalidar o procedimento administrativo adotado. Da Questão da Aferição Indireta e seus respectivos efeitos (possível afronta da verdade material, potencial ilegalidade da base de cálculo utilizada e potencial equívoco na determinação da alíquota do adicional) O PPRA e o PCMSO são documentos instituídos pelo Ministério do Trabalho e Emprego, encontrandose os parâmetros a serem seguidos consubstanciados nas Normas Regulamentadoras NR n° 07 e 09, ambas aprovadas pela Portaria do MTE n° 3.214, de 08/06/1978. Pelas Portarias n° 24 e 25 do MTE, ambas de 29 de dezembro de 1994 e pela Portaria n° 04 do MTE, de 04 de julho de 1995, foram criados o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional PCMSO com seus relatórios anuais (NRO7) e o Programa de Prevenção em Riscos Ambientais PPRA com suas avaliações anuais (NRO9). Referidos documentos, também, trazem informações necessárias ao desenvolvimento das averiguações efetuadas pelos Auditores Fiscais da Previdência Social, na medida que demonstram a existência, no ambiente de trabalho dos estabelecimentos da empresa, de agentes nocivos prejudiciais à saúde dos seus operários. Caso sejam detectados estes agentes nocivos, em concentrações superiores aos limites de tolerância determinados pela legislação previdenciária, podem dar ensejo à aposentadoria especial dos segurados a eles expostos. Esta situação acarreta ainda à empresa a obrigatoriedade de recolher ao INSS a contribuiçao adicional ao SAT, prevista no art. 57, § 6° da Lei 8.213/91, c/ redação dada pela Lei 9.732/98,. Fl. 811DF CARF MF Processo nº 17546.000176/200781 Acórdão n.º 2301005.453 S2C3T1 Fl. 6 9 O lançamento baseouse, conforme explicitado no Relatório Fiscal (fls. 293/294), em arbitramento das contribuições sociais, face à apresentação deficiente de documentos, elencados no segundo parágrafo do Relatório deste Acórdão (fl. 653 verso). Assim sendo, de acordo com 0 disposto no § 3° do artigo 33, da Lei n.° 8.212/91, combinado com o artigo 233 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, o ônus da prova em contrário cabe à empresa. Também, a Instrução Normativa MPS/SRP n° 3, de 14/07/2005 e, digase, em pleno vigor à data do presente lançamento, confirmou O entendimento preconizado pelas normas antigas (IN/INSS/DC N° 100/2003, IN/INSS/DC N° 70/2002, IN/INSS/DC N° 71/2002), vejamos o que disciplina o artigo 387, da referida norma. Demonstrada a legalidade do procedimento do lançamento em tela, passamos à análise das alegações contidas na defesa apresentada. No Relatório Fiscal consta que a empresa não gerencia adequadamente os riscos ambientais existentes em suas unidades fabris, sendo que os documentos apresentados foram insuficientes para formar convicção a respeito da boa administração dos riscos ambientais, de modo que não foram apresentados PPRA e PCMSO das filiais de Mogi Mirim e São José dos Campos. Tais omissões já seriam fundamento fático para o auditor Fiscal lançar a contribuição adicional normatizada no art. 57, § 6° da Lei 8.213/91, c/ redação dada pela Lei 9.732/98. Assim, não há que se falar em inobservância da verdade material, mas pelo contrário, a Recorrente não conseguiu demonstrar adequadamente que a verdade material seria diferente daquela informada nos documentos que serviram de base para a autuação. Em outras palavras, a materialidade está ali estampada, seja no relatório fiscal que contém ampla demonstração da apresentação irregular dos documentos PCMSO, PPRA, LTCAT, PPP, CAT e GFIP o que comprova o não gerenciamento das condições ambientais do pátio industrial. No item “Parâmetros de Arbitramento Tributário” do relatório fiscal, às fls. 293/294, a auditoria fiscal expôs os motivos para o arbitramento da base de cálculo em quarenta por cento (40%) do total das remunerações, vez que os documentos, laudos avaliados e folhas de pagamento se baseavam em centros de custos, não havendo como distinguir os funcionários vinculados diretamente ao setor produtivo, dos que não eram vinculados à produção, conforme informações da própria empresa, fl. 206, não havendo identificação precisa das funções expostas aos riscos, além da alta rotatividade de trabalhadores dentro destes centros de custos. Vêse, pois que o arbitramento da base de cálculo ocorreu em virtude da deficiência dos documentos apresentados pela empresa, além da impossibilidade de distinção individualizada dos trabalhadores expostos aos agentes nocivos. Ainda, foram utilizadas para a composição da base de cálculo estimativa na proporção de 40%, as remunerações mensais de cada estabelecimento auditado, extraídas das guias GFIP fornecidas pelo contribuinte número esse decorrente da aplicação do Critério explicitado no item 7.1 do Relatório Fiscal , não divergindo, portanto, do prescrito no artigo 195, I “a”, da Constituição pátria. Fl. 812DF CARF MF 10 Dentre os elementos apreciados pelo auditor fiscal que comprovam o inadequado gerenciamento de riscos, e que as atividades exercidas pelos trabalhadores a serviço da empresa ensejam a concessão de aposentadoria especial, conforme previsão do artigo 57, § 6°, da Lei 8.213/91. Ademais, não há necessidade de verificação in loco do inadequado gerenciamento dos agentes nocivos no trabalho, pois os documentos apresentados à fiscalização demonstram por si só este fato, máxime quando houve omissão na apresentação dos documentos obrigatórios referidos no início desta Decisão, e ainda porque, em sua apresentação houve omissão de formalidades legais, sendo considerada deficiente a documentação apresentada consoante o previsto no parágrafo único do artigo 233, do decreto n° 3.048/99. Restou comprovado na ação fiscal que os Programas de Controle Médico PCMSO e de Prevenção de RiscosPPRA não seguem o estabelecido nas Normas Regulamentadoras relativas à Segurança e Medicina do Trabalho aprovadas pela Portaria MTB n° 3.214/78, dentre estas a NR9, que trata sobre o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (item 9.2.1 e 9.3.5 e subitens) e NRO7, relativa ao Controle Médico de Saúde Ocupacional (item 7.4.6 e Quadro III), conforme já demonstrado nesta Decisão. Perfeitamente, pois, definidos os contornos legais e materiais da exação, não havendo que se falar em ilegalidade e ofensa ao princípio da verdade material, pois fornecidos ao contribuinte todos os elementos que fundamentaram a exação, descritos detalhadamente no relatório fiscal de fls. 248/295. Cumpre esclarecer que o PPRA e o PCMSO são documentos instituídos pelo Ministério do Trabalho e Emprego, encontrandose os parâmetros a serem seguidos consubstanciados nas Normas Regulamentadoras NR n° 07 e O9, ambas aprovadas pela Portaria do MTE n° 3.214, de O8/06/1978. Pelas Portarias n° 24 e 25 do MTE, ambas de 29 de dezembro de 1994 e pela Portaria n° 04 do MTE, de 04 de julho de 1995, foram criados o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional PCMSO e seus relatórios anuais (NR07) e o Programa de Prevenção em Riscos Ambientais PPRA e suas avaliações anuais (NRO9). Referidos documentos trazem informações necessárias ao desenvolvimento das averiguações efetuadas pelos Auditores Fiscais, na medida que demonstram a existência no ambiente de trabalho da empresa, de agentes nocivos prejudiciais à saúde dos seus trabalhadores. Caso sejam detectados estes agentes nocivos, em concentrações superiores aos limites de tolerância determinados pela legislação previdenciária, podem dar ensejo à aposentadoria especial dos segurados a eles expostos. Esta situação, acarreta à empresa a obrigatoriedade de recolher ao INSS a contribuição adicional ao SAT, prevista no art. 57, § 6° da Lei 8.213/91, c/ redação dada pela Lei 9.732/98. Não há como inferir que houve um adequado gerenciamento dos riscos no ambiente do trabalho, vez que a notificada sequer apresentou a documentação mínima para o acompanhamento e monitoramento dos agentes nocivos a que os trabalhadores estão expostos, não havendo como validar a afirmação de não haver exposição dos trabalhadores aos riscos detectados em seus próprios relatórios, quando estes foram apresentados. Fl. 813DF CARF MF Processo nº 17546.000176/200781 Acórdão n.º 2301005.453 S2C3T1 Fl. 7 11 Não há que se falar, tampouco, que a fiscalização deveria comprovar o tempo de exposição do trabalhador para verificar o ensejo de concessão de aposentadoria especial, pois aqui não se discute se haverá concessão do benefício individual, mas se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa enseja a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, estando estas atividades especiais presentes no ambiente de trabalho da notificada, como demonstrado exaustivamente no relatório fiscal. Diante de todo o exposto, tomo aqui as razões utilizadas no Acórdão recorrido para manter o crédito tributário. Decadência Quinquenal Considerando que foi declarada a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal STF na Súmula Vinculante nº8, de 12/06/2008, de eficácia retroativa para os contribuintes com solicitações administrativas apresentadas até a data do julgamento da referida Súmula, os créditos da Seguridade Social somente não estarão decaídos caso eles tenha sido lançados dentro do prazo quinquenal. Aplicação da Regra Decadencial do Artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional Vale ressaltar, ainda, que a regra decadencial a ser aplicada é a do artigo 150, §4º, do CTN, uma vez que houve recolhimentos de contribuição previdenciária nos referidos períodos pela Recorrente, uma vez que se trata de lançamento de adicional da contribuição ao SAT, sendo que o entendimento de aplicação do artigo 150, §4º, do CTN quando houver recolhimentos consta inclusive na Súmula CARF nº 99, "in verbis": Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Ante o exposto, aplicase a regra decadencial do artigo 150, §4º, do CTN, de modo que todos os fatos geradores anteriores a fevereiro de 2002 se encontram atingidos pela decadência, uma vez que o prazo de cinco anos para constituição do crédito tributário se encerrou em fevereiro de 2002, ao passo que a cientificação do auto de infração se deu em 26/02/2007 (fls. 297). Juros Selic O uso da Taxa Selic como taxa de juros não pode ser afastado, pois trata de matéria pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), abaixo transcrito, de observância obrigatória, por força do art. 45, VI, do Regimento Interno do CARF1, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. 1 RICARF: Art. 45. Perderá o mandato o conselheiro que: Fl. 814DF CARF MF 12 Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Ademais, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos, que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, conforme ementa abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA.REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/ STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade e, na parte conhecida, darlhe parcial provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo a aplicação da decadência quinquenal e da regra decadencial do artigo 150, §4º, do CTN. ... VI deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, bem como o disposto no art. 62; Fl. 815DF CARF MF Processo nº 17546.000176/200781 Acórdão n.º 2301005.453 S2C3T1 Fl. 8 13 (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 816DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720752/2016-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/12/2011, 31/12/2012
DESPESAS. GRATIFICAÇÃO A ADMINISTRADORES. DEDUTIBILIDADE.
Para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, são dedutíveis as gratificações ou participações no resultado atribuídas aos dirigentes ou administradores da pessoa jurídica.
Numero da decisão: 1402-003.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, mantendo a decisão recorrida
(Assinado Digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, mantendo a decisão recorrida (Assinado Digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (Assinado Digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
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GRATIFICAÇÃO A ADMINISTRADORES. DEDUTIBILIDADE. Para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, são dedutíveis as gratificações ou participações no resultado atribuídas aos dirigentes ou administradores da pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, mantendo a decisão recorrida (Assinado Digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (Assinado Digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 07 52 /2 01 6- 13 Fl. 368DF CARF MF 2 Tratase de autuação de CSLL decorrente de exclusões promovidas pela contribuinte das gratificações pagas a seus administradores na base de cálculo da CSLL, que impugnada foi promovida a exoneração pela DRJ do crédito tributário ora submetendose a decisão ao presente Recurso de Ofício. Dada exatidão do relatório formulado pela DRJ transcrevoo em sua integralidade complementandoo ao final no que necessário: A contribuinte acima identificada foi autuada em conclusão a procedimento fiscal realizado para apuração de IRPJ, referente ao anocalendário 2011, e CSLL, referente aos anoscalendário 2011 e 2012, conforme segue: 1) Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), lavrado em 09/11/2016, no valor total de R$ 418.662,94 (quatrocentos e dezoito mil, seiscentos e sessenta e dois reais e noventa e quatro centavos); 2) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), lavrado em 09/11/2016, no valor total de R$ 17.691.361,00 (dezessete milhões, seiscentos e noventa e um mil, trezentos e sessenta e um reais). No intuito de compor o presente relatório e para melhor esclarecer o caso em apreço transcrevemos parcialmente o Relatório Fiscal, de fls. 161/169. 3. Dos Fatos Geradores 3.1 Constituem fatos geradores do imposto e contribuição ora lançados os valores pagos a título de “Gratificação” a administradores sem vínculo empregatício, os quais não foram devidamente adicionados ao lucro líquido do exercício para a apuração do lucro real do anocalendário 2011 e para a apuração da base de cálculo da CSLL dos anoscalendário 2011 e 2012, contrariando as normas legais. 3.2 Foram examinados, durante a auditoria fiscal, documentos tais como Balancetes, Livros Razão (excertos), Folhas de Pagamento, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF. 3.3 Os valores apurados foram obtidos de dados constantes em planilha (formato Excel) fornecida pela empresa, contendo todos os pagamentos efetuados aos administradores, dentre eles as gratificações, e confirmados com as respectivas folhas de pagamento e contabilidade do sujeito passivo. 4. Das Gratificações Pagas a Administradores – Não Dedutibilidade 4.1 A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que alterou a legislação tributária federal, definiu as pessoas jurídicas obrigadas à apuração do lucro real, com a seguinte redação: Art. 14. Estão obrigadas à apuração do lucro real as pessoas jurídicas: (...) Fl. 369DF CARF MF Processo nº 16327.720752/201613 Acórdão n.º 1402003.207 S1C4T2 Fl. 1.112 3 II cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de previdência privada aberta; 4.2 O DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, ao disciplinar sobre a determinação do lucro real, mais precisamente no que se refere às adições que devem ser realizadas, assim dispõe (com grifos nossos): Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. (...) § 2º Na determinação do lucro real serão adicionados ao lucro líquido do exercício: a) os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; 4.3 Esse mesmo regramento também pode ser encontrado no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, que aprovou o Regulamento do Imposto de Renda –RIR, com grifos nossos: Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 2º): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; 4.4 Dentre os valores que não são dedutíveis, encontramse as gratificações pagas aos administradores, conforme preceitua o art. 45 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, com grifos nossos: Art. 45. Não serão consideradas na apuração do lucro operacional as despesas, inversões ou aplicações do capital, quer referentes à aquisição ou melhorias de bens ou direitos, quer à amortização ou ao pagamento de obrigações relativas àquelas aplicações. § 1º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um exercício deverá ser capitalizado para ser depreciado ou amortizado. § 2º Aplicamse aos custos e despesas operacionais as disposições sobre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros. Fl. 370DF CARF MF 4 § 3º O disposto no parágrafo anterior não se aplica às gratificações ou participações no resultado, atribuídas aos dirigentes ou administradores de pessoa jurídica, que não serão dedutíveis como custos ou despesas operacionais. 4.5 Da mesma forma, preceitua o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, que aprovou o Regulamento do Imposto de Renda – RIR, em seu art. 303 (com grifos nossos): Art. 303. Não serão dedutíveis, como custos ou despesas operacionais, as gratificações ou participações no resultado, atribuídas aos dirigentes ou administradores da pessoa jurídica (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 3º, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 58, parágrafo único). 4.6 Por sua vez, a Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, que instituiu a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), estabelece em seu art. 2º: Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. 4.7 O Resultado do Exercício das sociedades é apurado de acordo com a lei comercial, art. 187 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, in verbis: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV – o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) V o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI – as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) VII o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. (grifos nossos) Fl. 371DF CARF MF Processo nº 16327.720752/201613 Acórdão n.º 1402003.207 S1C4T2 Fl. 1.113 5 4.8 Dos dispositivos acima transcritos verificase que o “resultado do exercício”, base de cálculo da CSLL, é apurado após o “lucro operacional” da pessoa jurídica. Além disso, o § 3º do artigo 45 da Lei nº 4.506/1964 é claro ao estabelecer que não serão consideradas no “lucro operacional” as despesas com as “gratificações atribuídas aos dirigentes ou administradores”: § 3º O disposto no parágrafo anterior não se aplica às gratificações ou participações no resultado, atribuídas aos dirigentes ou administradores de pessoa jurídica, que não serão dedutíveis como custos ou despesas operacionais. (grifos nossos) 4.9 Assim, como as despesas com as “gratificações atribuídas aos dirigentes ou administradores” não devem fazer parte do “lucro operacional”, conseqüentemente também não fazem parte do “resultado do exercício”, base de cálculo da CSLL, de modo que também devem não poder ser deduzidas para fins de apuração da CSLL. 4.10 Nesse mesmo entendimento, foi proferido em 10 de abril de 2014, o Acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF n° 1202001.141 –2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, do qual reproduzimos parcialmente a ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2006, 2007 PAGAMENTOS DE GRATIFICAÇÕES E PARTICIPAÇÕES A DIRETORES. EXERCÍCIO DE ATIVIDADES DE DIRIGENTE/ADMINISTRADOR. INDEDUTIBILIDADE. IRPJ E CSLL. Evidenciado que os diretores da autuada exerciam atividades de dirigentes e administradores dos negócios da pessoa jurídica, cabível o enquadramento no art. 303 do RIR/99, que prevê a indedutibilidade dos valores com despesas de “gratificações” e “participações no resultado” atribuídas aos mesmos na apuração do lucro real. A indedutibilidade dessas despesas é também aplicável na apuração do resultado do exercício, base de cálculo da CSLL. 4.11 Vale ainda destacar o disposto no item 10 da Solução de Consulta n° 89 da COSIT, proferida em 24 de março de 2015, que dispõe que se aplica à CSLL as mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o IRPJ, por força do comando do art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 10. Registrese que as conclusões até aqui expostas afetam, na mesma medida, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), uma vez que se aplica a essa contribuição as mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o IRPJ, por força do comando do art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com a redação dada pela Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995 (…) 4.12 E reproduzindo o art. 57 da Lei nº 8.981/1995 temos: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) Fl. 372DF CARF MF 6 4.13 Tratase de uma faculdade da empresa efetuar pagamento de gratificações aos seus administradores, que compreendem os diretores e conselheiros consoante o art. 145 da Lei 6.404, de 15 de dezembro de 1976: Art.145. As normas relativas a requisitos, impedimentos, investidura, remuneração, deveres e responsabilidade dos administradores aplicamse a conselheiros e diretores. 4.14 Utilizandose dessa faculdade, no caso em concreto, o banco efetuou pagamentos de gratificações a diretores sem vínculo empregatício (não empregados), cujos valores pagos individualmente encontramse em planilha fornecida pela empresa, contendo todos os valores pagos componentes da remuneração dos administradores (dentre eles as gratificações), em anexo. Da análise das Folhas de Pagamento, constatouse que tais pagamentos ocorreram sob as rubricas nº 0211 – Gratificação Diretoria e nº 4849 – Gratificação Diretoria – Diferida e que foram registrados nas contas contábeis nº 8.1.7.33.00.93.00.000 – Gratificações –Administradores e nº 8.1.7.27.00.89.00.009 – Benefícios Pós Desligamento. 4.15 Em 2011, o valor total das gratificações pagas aos diretores do banco foi de R$ 34.758.194,45. Desse montante, o valor de R$ 1.062.421,06 não foi adicionado ao lucro líquido para efeito de apuração do lucro real do ano calendário 2011, isto é, foi considerado como despesa dedutível pela empresa, ferindo assim os ditames legais, o que ensejou a lavratura do Auto de Infração relativo ao IRPJ. Já o total pago de gratificações aos diretores em 2012, no valor de R$ 29.063.256,05, foi integralmente adicionado ao lucro líquido para efeito de apuração do lucro real do anocalendário 2012. 4.16 No que se refere à CSLL, constatamos que na apuração de sua base de cálculo nos anos de 2011 e 2012 a empresa não efetuou a adição dos valores pagos de gratificações aos diretores (de R$ 34.758.194,45 e de R$ 29.063.256,05, respectivamente), ou seja, tais valores foram considerados pelo banco como despesas dedutíveis, contrariando a legislação tributária, razão pela qual foi lavrado o correspondente Auto de Infração. Cientificada pessoalmente da autuação e do encerramento da ação fiscal em 24/11/2016, a contribuinte protocola, em 23/12/2016, impugnação parcial, de fls. 177/206, por meio da qual solicita que seja revisto o auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário relativo à CSLL. Para melhor relatar a impugnação, transcrevemos os trechos da petição que resumem a solicitação efetuada: 8. São dois, portanto, os fundamentos dos autos de infração impugnados: (i) a vedação da dedutibilidade de gratificações pagas a diretores atinge o IRPJ e a CSLL em função do o § 3o do artigo 45 da Lei n° 4.506/1964; e (ii)subsidiariamente, o artigo 57 da Lei n° 8.981/1995 tornaria aplicável à CSLL a regra do § 3o do artigo 45 da Lei n° 4.506/1964. 9. A Impugnante reconhece que as Autoridades Fiscais aplicaram corretamente a legislação tributária para exigência do IRPJ devido no anocalendário de 2011, pois, efetivamente, há regra explícita que determina a indedutibilidade dos pagamentos de gratificações e benefícios, o que torna mandatória sua adição ao lucro líquido para apuração do Lucro Real. (grifouse) Fl. 373DF CARF MF Processo nº 16327.720752/201613 Acórdão n.º 1402003.207 S1C4T2 Fl. 1.114 7 10. Por esse motivo, a Impugnante efetuou o recolhimento do IRPJ, multa de ofício e juros, conforme documentos de quitação anexos (Doc_Comprobatorios0002). Contudo, com relação à CSLL, a Impugnante entende pela incorreção do lançamento, razão pela qual impugna o auto de infração respectivo com fundamento nas seguintes alegações: (i) as regras de dedutibilidade de IRPJ e CSLL são diversas e não necessariamente idênticas (item II.1); (ii) no caso concreto, há necessidade de regra expressa que determine a indedutibilidade das despesas com gratificações da base de cálculo da CSLL (item II.2); (iii) subsidiariamente, caso se entenda pela aplicação do § 3o do artigo 45 da Lei n° 4.506/1964 também para a CSLL, a vedação à dedutibilidade atingiria somente os pagamentos das gratificações, pois os benefícios pós desligamento são verbas distintas das gratificações e não estão abrangidos pela vedação desse dispositivo; (iv) em caráter alternativo, não aceitar a dedutibilidade das despesas com gratificações infringe o artigo 146 do Código Tributário Nacional, pois, em autuações anteriores, foram exigidos créditos de CSLL da Impugnante exatamente pelo entendimento das Autoridades Fiscais de que IRPJ e CSLL teriam bases de cálculo distintas (item II.3); (v) é ilegítima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício (item III). A impugnante salienta que, apesar de similares, as bases de cálculo e mecanismos de apuração da CSLL e do IRPJ são distintos em diversos pontos. 22. É verdade que ambos os tributos têm um ponto de partida contábil comum: o lucro líquido. Contudo, apesar da semelhança, a aplicação das regras tributárias que tratam do IRPJ e da CSLL não levam ao mesmo ponto de chegada, pois as adições, exclusões e compensações previstas pela legislação tributária não são idênticas para o imposto e a contribuição. 23. Não por outra razão, quando da publicação da Lei n° 8.981/1995, seu artigo 57 veio determinar que as normas de apuração e pagamento da CSLL fossem as mesmas do IRPJ, mantendo, contudo, sua base de cálculo: "Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n° 7.689. de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38. mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei." 24. Há, assim, no artigo 57 da Lei n° 8.981/1995, uma clara diferenciação entre as bases de cálculo da CSLL e do IRPJ. Portanto, a interpretação dada pelas Autoridades Fiscais que lavraram o auto de infração ora impugnado, que também se baseia no artigo 57 da Lei n° 8.981/1995, é deturpada, sendo explícita a diferença de tratamento conferida às bases desses tributos mencionada na Lei. A contribuinte alega divergência de entendimentos entre a autuação em apreço e autuação anteriormente sofrida. Fl. 374DF CARF MF 8 25. Prova de que a interpretação dada no presente auto de infração, ao artigo 57, é deturpada, está contida em autos de infração passados lavrados contra a Impugnante por Agentes Fiscais também vinculados à DEINF/SP. Com efeito, a DEINF/SP já autuou a Impugnante sob o argumento de que IRPJ e CSLL são tributos distintos, com bases de cálculo distintas, o que estaria expresso no artigo 57 da Lei n° 8.981/1995 e impediria, naqueles casos concretos, a aplicação de Tratados para Evitar a Dupla Tributação (Doc_Comprobatorios0003): "O imposto de renda e a CSLL nem ao menos são substancialmente semelhantes, uma vez que possuem bases de cálculo distintas. As adições, exclusões e compensações relativas à apuração da base de cálculo do imposto de renda não são automaticamente computáveis na apuração da base de cálculo da CSLL, devendo existir previsão em normas específicas da contribuição, o que, logicamente, torna esta exação não idêntica ou substancialmente semelhante ao imposto sobre a renda das pessoas jurídicas. (grifos da impugnante) Tal situação fica clara na redação do art. 57 da Lei n° 8.981/1995, cuja redação, foi alterada pela Lei n° 9.065/1995: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n° 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei.' (Grifos nossos)" (páginas 06 e 07 do Relatório Fiscal relativo ao processo administrativo n° 16327.721302/201486, grifos da Impugnante e no original) O imposto de renda e a CSLL nem ao menos são substancialmente semelhantes, uma vez que possuem bases de cálculo distintas. As adições, exclusões e compensações relativas à apuração da base de cálculo do imposto de renda não são automaticamente computáveis na apuração da base de cálculo da CSLL, devendo existir previsão em normas específicas da contribuição, o que, logicamente, torna esta exação não idêntica ou substancialmente semelhante ao imposto sobre a renda das pessoas jurídicas. (grifos da impugnante) Tal situação fica clara na redação do art. 57 da Lei n° 8.981/1995, cuja redação, foi alterada pela Lei n° 9.065/1995: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n° 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei.' (Grifos nossos)" (página 07 do Relatório Fiscal relativo ao processo administrativo n° 16327.720511/201593) 26. O cotejo entre autuações passadas e a presente demonstra que a interpretação dos dispositivos legais está a serviço da arrecadação e não do Direito , havendo, no mínimo, adoção de critérios jurídicos distintos para um mesmo contribuinte, tratamento vedado pelo artigo 146 do Código Tributário Nacional (o que será objeto do item 11.2.1 desta Impugnação). Alega que as semelhanças entre os tratamentos dados aos dois tributos são determinadas de maneira expressa pela legislação. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 16327.720752/201613 Acórdão n.º 1402003.207 S1C4T2 Fl. 1.115 9 34. Portanto, em todas as ocasiões em que o legislador quis equiparar a apuração da base de cálculo da CSLL com a do IRPJ, ele o fez de maneira expressa e específica. 35. A doutrina, ao analisar a questão da igualdade entre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, também reconhece a existência de diferenças e a necessidade de que haja regra expressa determinando a indedutibilidade de uma despesa para fins de apuração da base de cálculo da CSLL: "Quanto aos ajustes no lucro líquido, para determinação da base de cálculo da CSL, já vimos acima que são apenas os prescritos expressamente pela respectiva legislação, de tal sorte que nem todo ajuste previsto para fins do lucro real tributável pelo IRPJ se aplica à CSL" (MARIZ DE OLIVEIRA, Ricardo. Fundamentos do Imposto de Renda, Quartier Latin: São Paulo, 2008, p. 979, grifos da Impugnante). 36. Esse entendimento também se espraia pelos tribunais administrativos. Por todos os casos, a Impugnante menciona o decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais ("CSRF") no acórdão n° 9101002.310 (Doc_Comprobatoríos0004), em julgamento recentíssimo, ocorrido em maio de 2016, assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CSLL. BASE DE CÁLCULO E LIMITES À DEDUTIBILIDADE. A amortização contábil do ágio impacta (reduz) o lucro líquido do exercício. Havendo determinação legal expressa para que ela não seja computada na determinação do lucro real, o respectivo valor deve ser adicionado no LALUR, aumentando, portanto, a base tributável. Não há, porém, previsão no mesmo sentido, no que se refere à base de cálculo da Contribuição Social, o que, a nosso sentir, torna insubsistente a adição feita de ofício pela autoridade lançadora. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N 8.981/1995. Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial. Inaplicabilidade, ao caso, do art. 57 da Lei n 8.981/1995, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ. IRPJ. CSLL BASES DE CÁLCULO. IDENTIDADE. INOCORRÊNCIA. A aplicação, à Contribuição Social sobre o Lucro, das mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, por expressa disposição legal, não alcança a sua base de cálculo. Assim, em determinadas circunstâncias, para que se possa considerar indedutível um dispêndio na apuração da base de cálculo da contribuição, não é suficiente a simples argumentação de que ele, o dispêndio, é indedutível na determinação do lucro real, sendo necessária, no caso, disposição de lei nesse sentido." 37. Com efeito, a CSRF decidiu que uma despesa considerada indedutível pela legislação que trata do IRPJ somente será indedutível para a CSLL se houver menção expressa quanto à extensão da indedutibilidade para a contribuição. Isto é, a CSRF entendeu que não há reflexividade automática das regras de restrição Fl. 376DF CARF MF 10 de dedutibilidade contidas na legislação do IRPJ para a CSLL: deve haver dispositivo expresso. 38. A ratio decidendi é simples: IRPJ e CSLL são tributos distintos, com bases de cálculo próprias e qualquer restrição de direitos (limitação da dedutibilidade) deve ser expressa, nunca "emprestada" de outros tributos. Serão, assim, consideradas indedutíveis somente as seguintes despesas: (i) aquelas listadas no artigo 13 da Lei n° 9.249/1995, expressamente indedutíveis; e (ii) aquelas mencionadas no artigo 28 da Lei n° 9.430/1996, dentre outros, que não atenderem os critérios de dedutibilidade previstos na legislação, isto é, despesas cuja dedutibilidade é condicionada. 39. Portanto, concluise que IRPJ e CSLL têm bases de cálculo distintas e a limitação de dedutibilidade de despesas específicas da apuração da base de cálculo da CSLL deve estar prevista de maneira expressa em legislação própria o que não é o caso das gratificações e benefícios de administradores, como se verá a seguir. A impugnante argumenta que a fundamentação da não dedutibilidade das despesas com gratificações a diretores/administradores da base de cálculo da CSLL, feita pela autoridade fiscal, não se sustenta uma vez que se ampara no §3º do art. 45 da Lei nº 4.506, de 1964. 43. Talvez a par da aceitação da tese, as Autoridades Fiscais modificaram sutilmente a motivação do auto de infração para dizer que não é exatamente o § 3o do artigo 45 da Lei n° 4.506/1964 que determina a indedutibilidade das gratificações pagas a administradores da base de cálculo da CSLL e de benefícios pós desligamento, mas que tal dispositivo determina não integrarem o resultado do exercício tais despesas4. Isto é, utilizandose de um subterfúgio, as Autoridades Fiscais sustentam que esse dispositivo tem, a princípio, um conteúdo "contábil", e não tributário, na medida em que ele determinaria que tipo de despesa poderia ser considerada operacional ou não. 44. O esforço hermenêutico não se sustenta, pois o caput do artigo 45 da Lei n° 4.506/1964 trata de itens que são considerados custos (e não despesas) e seu § 3o, fundamento do auto de infração, limitase a trazer a indedutibilidade das gratificações, que não poderão ser deduzidas do Lucro Real tais como outras despesas operacionais, não versando sobre conteúdo contábil: "Art. 45. Não serão consideradas na apuração do lucro operacional as despesas, inversões ou aplicações do capital, quer referentes à aquisição ou melhorias de bens ou direitos, quer à amortização ou ao pagamento de obrigações relativas àquelas aplicações. § 1o Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um exercício deverá ser capitalizado para ser depreciado ou amortizado. § 2o Aplicamse aos custos e despesas operacionais as disposições sobre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros. § 3o O disposto no parágrafo anterior não se aplica às gratificações ou participações no resultado, atribuídas aos dirigentes ou administradores de Fl. 377DF CARF MF Processo nº 16327.720752/201613 Acórdão n.º 1402003.207 S1C4T2 Fl. 1.116 11 pessoa jurídica, que não serão dedutíveis COMO custos ou despesas operacionais." (grifos da Impugnante) 45. Em nenhum momento o § 3o determina que as gratificações não fazem parte das espécies de despesas operacionais. Na verdade, ele traz a indedutibilidade específica dessas despesas, que não são equiparadas, para efeitos fiscais, às demais despesas operacionais, o que é reforçado pela remissão ao § 2o do mesmo dispositivo, que trata da dedutibilidade de custos e despesas operacionais. 46. Portanto, as gratificações pagas a administradores estão contempladas no conceito de despesa operacional e, consequentemente, integram o resultado do exercício. Não fosse assim, os contribuintes sequer adicionariam as gratificações ao Lucro Real para fins de apuração do IRPJ (o que é correto) por meio do LALUR, pois a própria contabilização dessas despesas resultaria já na não inclusão delas no resultado do exercício. A necessidade de adição dessas despesas é prova de que, contabilmente, elas integram as despesas operacionais de toda e qualquer companhia, mas, para fins fiscais, não são dedutíveis na apuração do IRPJ. 47. Além disso, é, no mínimo, duvidosa a aplicação do § 3o do artigo 45 da Lei n° 4.506/1964 na medida em que tal dispositivo foi promulgado décadas antes da criação da CSLL. Se o legislador que instituiu a contribuição efetivamente quisesse conferir o mesmo tratamento dado ao IRPJ a ela, ele o teria feito mediante remissão integral da legislação que tratava do imposto, o que abrangeria inclusive o mencionado dispositivo como ocorre, por exemplo, com a técnica legislativa utilizada pelo artigo 28 da Lei n° 9.430/1996. A interessada alega, subsidiariamente, que o § 3º do art. 45 da Lei nº 4.506, de 1964, não veda a dedutibilidade de benefícios pós emprego. 52. No caso concreto, conforme informado pela Impugnante no curso da fiscalização (fl. 40) as gratificações pagas a seus administradores eram realizadas a título de liberalidade, enquadrandose na típica definição de gratificação, não integrante do salário. 53. Os benefícios pós desligamento, por sua vez, envolviam uma necessária contrapartida do ex administrador por um período certo de tempo após o encerramento de seu vínculo com a Impugnante. Tal característica foi informada na Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 07, onde a Impugnante descreveu a que título eram realizados os pagamentos sob a rubrica "benefícios pós emprego": "Como contrapartida a esta remuneração extraordinária o diretor em questão assumia alguns compromissos com a organização por determinado período de tempo mediante assinatura de contrato. Os diretores durante a vigência do contrato estavam comprometidos a manter sigilo absoluto sobre dados e informações da empresa, absterse de contratar funcionários do conglomerado, preservar a carteira de clientes, entre outros. Em alguns contratos, houve previsão de pagamento parcelado dos benefícios, com incidência de correção monetária (CDI)" (fl. 39) 54. Há, portanto, uma nítida diferença, no caso concreto, entre as gratificações e benefícios pós desligamento, verbas efetivamente distintas. Por serem distintas, a vedação da dedutibilidade a gratificações pagas a administradores, contida no § 3o da Lei n° 4.506/1964, não pode ser estendida aos benefícios pós desligamento por falta de previsão legal. Fl. 378DF CARF MF 12 Alternativamente, sugere a aplicação do art. 146 do Código Tributário Nacional para reconhecimento da dedutibilidade das gratificações, por entender que houve mudança de entendimento da legislação por parte da fiscalização conforme já relatado no presente documento. 57. Referido dispositivo veda a modificação retroativa de critérios jurídicos do lançamento, os quais podem ser aplicados somente a fatos jurídicos tributários posteriores a sua adoção. Confirase sua redação: "Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo. quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução." 58. A regra derivada do texto do artigo 146 do Código Tributário Nacional dispõe que no exercício do lançamento (isto é, as atividades que precedem e culminam no lançamento, inclusive esse) relativo a um mesmo contribuinte, todo e qualquer critério jurídico anteriormente utilizado para a constituição ou não de créditos tributários deve ser mantido. A modificação é permitida apenas para os fatos jurídicos tributários posteriores à sua introdução e à ciência do contribuinte dessa alteração. (...) 65. Ou seja, a Autoridade Fiscal, no exercício de lançamentos relativos aos anos calendário de 2009 e 2010, adotou para o mesmo contribuinte (a Impugnante), critério jurídico diverso daquele utilizado no lançamento referente ao ano calendário de 2011. Em outras palavras, adotou, no corrente ano de 2016, novo critério jurídico (identidade entre IRPJ e CSLL) para fato jurídico tributário anterior a sua adoção, ocorrido nos anoscalendário de 2011 e 2012. Por fim, alega a ilegitimidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, fls 203/206. Solicita, portanto, que seja provida a impugnação, cancelado o auto de infração para a exigência da CSLL e de seus acréscimos legais. A DRJ ao apreciar as razões da impugnação da contribuinte entendeu que pertinentes as alegações trazidas julgandoas procedentes exonerando, assim, o crédito tributário em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2011, 31/12/2012 DESPESAS. GRATIFICAÇÃO A ADMINISTRADORES. DEDUTIBILIDADE. Para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, são dedutíveis as gratificações ou participações no resultado atribuídas aos dirigentes ou administradores da pessoa jurídica. Considerando que o crédito tributário exonerado em muito ultrapassa o valor de alçada previsto na Portaria n.63/2016 submetese a decisão ao presente Recurso de Ofício. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 16327.720752/201613 Acórdão n.º 1402003.207 S1C4T2 Fl. 1.117 13 Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator 1. DA ADMISSIBILIDADE: O presente Recurso de Ofício merece ser processado e julgado dado que a decisão da DRJ promoveu exoneração de crédito tributário de praticamente 20 milhões de reais. 2. DO MÉRITO: O enfrentamento do caso ora posto a julgamento demanda discernir a pretensão fazendária da aplicação de regras próprias do IRPJ, que vedam a dedutibilidade das gratificações pagas aos administradores, na apuração da CSLL. Muito embora a CSLL seja considerada por alguns, não sem razão, um adicional do IRPJ ao momento em que instituída como uma espécie tributária autônoma dúvida não há que a apuração de sua base de cálculo deve observar regras próprias sendo atentatório à segurança jurídica na tributação tomar emprestadas regras de tributo outro para justificar a a (in)dedutibildiade das gratificações pagas a administradores. Como se observa, a Fiscalização adota posição interpretativa na qual, alicerçada centralmente no art. 57 da Lei nº 8.981/95, estariam as limitações à dedutibilidade das despesas com o pagamento das gratificações dos administradores abrangidas na suposta extensão, promovida por tal dispositivo, das regras de apuração e pagamento do IRPJ à formação da base de cálculo da CSLL. A autoridade fiscal valese também de normativo infralegal (art.303, do RIR), em conjunto com Solução de Consulta/ COSIT n.89/2015 para a confirmação de tal posição adotada, inclusive ressaltandose suposta vinculação da fiscalização às consultas da Receita Federal do Brasil. Ao seu turno, a Recorrente mantém sua posição apresentada desde a Ação Fiscal, de ausência de previsão legal para tal vedação de dedutibilidade, agora lhe imposta, aprofundandose tecnicamente em tal demonstração. Em primeiro lugar, é certo que a base de cálculo dos tributos deve ter respaldo em Lei propriamente dita, não podendo prevalecer exação que representa incremento de oneração fiscal do contribuinte em normativo que amplia conteúdo legal ou lhe contraria. Assim, entendese dispensável uma análise aprofundada do previsto no art.303 do RIR, como fundamento do lançamento, devendo o julgamento se focar nas previsões do art. 57 da Lei nº 8.981/95 e outros dispositivos legais, que própria e devidamente arrimaram a exação e a sua manutenção, até o presente momento processual. Ainda que em termos práticos, financeiros e econômicos, a CSLL possa ser encarada como um adicional do IRPJ, para todos os fins legais e jurídicos, tratase de tributo Fl. 380DF CARF MF 14 próprio, até de espécie diversa do Imposto sobre a Renda, devendose sempre se atribuir toda a autonomia e individualidade aos seus critérios de incidência. E tanto assim é que o art. 2º[1] da Lei nº 7.689/88 trata da base de cálculo desse tributo sem qualquer utilização objetiva ou remissão direta a aspectos quantitativos ou materiais da legislação IRPJ, trazendo previsões próprias de ajustes sobre o resultado do períodobase para a sua obtenção efetiva. Mesmo que, com o passar dos anos, desde a sua instituição, o Legislador tenha adotado, por muitas vezes, técnica de promoção do aplainamento de alguns elementos da base de cálculo da CSLL com a do IRPJ, ainda assim é necessário que haja a expressa e individual determinação de inclusão de elementos que lhe incrementam., bem como, eventuais vedações a dedução de sua base de cálculo. A DRJ ao apreciar a impugnação do contribuinte identificou com precisão trataremse de tributos diversos, logo, com regras de dedutibidade também diversas tomando com estribo decisão proferida pela CSRF que, mutatis mutandis, traz importante fundamento para decisão adotada: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CSLL. BASE DE CÁLCULO E LIMITES À DEDUTIBILIDADE. A amortização contábil do ágio impacta (reduz) o lucro líquido do exercício. Havendo determinação legal expressa para que ela não seja computada na determinação do lucro real, o respectivo valor deve ser adicionado no LALUR, aumentando, portanto, a base tributável. Não há, porém, previsão no mesmo sentido, no que se refere à base de cálculo da Contribuição Social, o que, a nosso sentir, torna insubsistente a adição feita de ofício pela autoridade lançadora. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N 8.981/1995. Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial. Inaplicabilidade, ao caso, do art. 57 da Lei n 8.981/1995, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ. IRPJ. CSLL BASES DE CÁLCULO. IDENTIDADE. INOCORRÊNCIA. A aplicação, à Contribuição Social sobre o Lucro, das mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, por expressa disposição legal, não alcança a sua base de cálculo. Assim, em determinadas circunstâncias, para que se possa considerar indedutível um dispêndio na apuração da base de cálculo da contribuição, não é suficiente a simples argumentação de que ele, o dispêndio, é indedutível na determinação do lucro real, sendo necessária, no caso, disposição de lei nesse sentido." (Acórdão n° 9101002.310) O fundamento decisório adotado pela CSRF ao inadmitir a identidade de bases de cálculo do IRPJ e CSLL tem repercussão imediata no caso ora em julgamento; o que afasta a pretensão da Fiscalização de vedar a dedutibilidade das gratificações pagas aos administradores com base em normativo do IRPJ. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 16327.720752/201613 Acórdão n.º 1402003.207 S1C4T2 Fl. 1.118 15 A decisão da DRJ caminha neste sentido ao que afigurase, portanto, irretocável ao que peço vênia aos colegas para adotála como razões de decidir, sobretudo, na parte em que se posiciona quanto aplicação da IN1700, vejamos: (...) Todo o exposto até o momento guarda consonância com entendimento da CSRF, manifesto por meio do Acórdão de Recurso Especial nº 9101 002310, trazido pela impugnante e relatado no presente acórdão. No citado acórdão, a CSRF declara que a legislação manteve a base de cálculo da CSLL independente da base de cálculo do IRPJ, e, por esse motivo, não bastaria a simples alegação de que tal despesa/receita é adicionável à/dedutível da base do IRPJ para o ser automaticamente para a CSLL. Devese haver previsão expressa para tanto. Entendimento com o qual concordamos. CSLL. GRATIFICAÇÕES PAGAS A ADMINISTRADORES A IN RFB nº 1700, de 2017, em seu Anexo I, afirma expressamente que as gratificações pagas a diretores e administradores devem ser adicionadas ao lucro líquido para a apuração do Lucro Real, porem não devem ser adicionadas ao lucro líquido para apuração da base de cálculo da CSLL. Diante de todo o exposto voto por negar provimento ao Recurso de Ofício para manter a decisão proferida pela DRJ incólume. É como voto. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 382DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.722840/2014-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2014
PARCELAMENTO PREVISTO NA LEI Nº 11.941/2009 E NA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 470/2009. LIQUIDAÇÃO DE JUROS E MULTA UTILIZANDO PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA DA CSLL. INOCORRÊNCIA DE OMISSÃO NA RECUPERAÇÃO DE DESPESAS.
Inocorre omissão na recuperação de despesas quando da liquidação de débitos fiscais mediante utilização de saldos de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL. A hipótese não equivale a perdão de dívida, na medida em que há um sacrifício patrimonial, que consiste na redução na mesma proporção do ativo diferido formado a partir dos saldos de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL acumulados. Ativo e passivo se compensam em igual valor.
DIFERENÇA ENTRE TAXAS DE JUROS ATIVAS E PASSIVAS. INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTO PARA CARACTERIZAR PARTE DAS DESPESAS FINANCEIRAS INCORRIDAS COMO DESNECESSÁRIAS. IMPROCEDÊNCIA.
A constatação da existência de passivos financeiros onerados a taxas mais altas do que aquelas aplicadas a ativos financeiros mantidos pela pessoa jurídica não é suficiente para ensejar a glosa das despesas financeiras incorridas, sob o fundamento de serem as mesma desnecessárias.
O fato de determinado investimento, ulteriormente, revelar-se ruim ou pouco proveitoso para a sociedade não justifica a glosa das despesas correspondentes.
A quantificação das despesas glosadas não pode se sustentar apenas em cálculos próprios da Fiscalização, mormente quando se valem de presunções e estimativas, baseadas em valores de períodos anteriores à sua ocorrência.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL E DE BASE NEGATIVA DA CSLL. RESTABELECIMENTO DO SALDO APÓS JULGAMENTO.
Descabe a autuação sob o fundamento de compensação indevida de bases de cálculo, quando no julgamento são recompostos os valores dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL apuradas pelo contribuinte, resultando no restabelecimento de saldos suficientes para as compensações promovidas.
CSLL. DECORRÊNCIA.
Decorrendo a exigência da CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda.
Numero da decisão: 1402-003.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em i) negar provimento ao recurso de ofício em relação às infrações nºs 0001, 0002 e 0004 do auto de infração de IRPJ; ii) por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício relativamente à infração nº 0003 do auto de infração de IRPJ, vencidos, neste item, o Relator e o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Designado para redigir o voto vencedor deste tópico o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rogério, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2014 PARCELAMENTO PREVISTO NA LEI Nº 11.941/2009 E NA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 470/2009. LIQUIDAÇÃO DE JUROS E MULTA UTILIZANDO PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA DA CSLL. INOCORRÊNCIA DE OMISSÃO NA RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. Inocorre omissão na recuperação de despesas quando da liquidação de débitos fiscais mediante utilização de saldos de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL. A hipótese não equivale a perdão de dívida, na medida em que há um sacrifício patrimonial, que consiste na redução na mesma proporção do ativo diferido formado a partir dos saldos de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL acumulados. Ativo e passivo se compensam em igual valor. DIFERENÇA ENTRE TAXAS DE JUROS ATIVAS E PASSIVAS. INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTO PARA CARACTERIZAR PARTE DAS DESPESAS FINANCEIRAS INCORRIDAS COMO DESNECESSÁRIAS. IMPROCEDÊNCIA. A constatação da existência de passivos financeiros onerados a taxas mais altas do que aquelas aplicadas a ativos financeiros mantidos pela pessoa jurídica não é suficiente para ensejar a glosa das despesas financeiras incorridas, sob o fundamento de serem as mesma desnecessárias. O fato de determinado investimento, ulteriormente, revelarse ruim ou pouco proveitoso para a sociedade não justifica a glosa das despesas correspondentes. A quantificação das despesas glosadas não pode se sustentar apenas em cálculos próprios da Fiscalização, mormente quando se valem de presunções e estimativas, baseadas em valores de períodos anteriores à sua ocorrência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 28 40 /2 01 4- 47 Fl. 2253DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.254 2 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL E DE BASE NEGATIVA DA CSLL. RESTABELECIMENTO DO SALDO APÓS JULGAMENTO. Descabe a autuação sob o fundamento de compensação indevida de bases de cálculo, quando no julgamento são recompostos os valores dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL apuradas pelo contribuinte, resultando no restabelecimento de saldos suficientes para as compensações promovidas. CSLL. DECORRÊNCIA. Decorrendo a exigência da CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em i) negar provimento ao recurso de ofício em relação às infrações nºs 0001, 0002 e 0004 do auto de infração de IRPJ; ii) por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício relativamente à infração nº 0003 do auto de infração de IRPJ, vencidos, neste item, o Relator e o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Designado para redigir o voto vencedor deste tópico o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rogério, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 2254DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.255 3 Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil que decidiu exonerar as exigências perpetradas nos Autos de Infração. A autuação se refere a fatos geradores ocorridos nos exercícios de 2010 e 2014, anoscalendário de 2009 e 2013, exigindo crédito de IRPJ e CSLL, com multa de 75%. As infrações são referentes a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. 1 a Recorrida aderiu ao plano de parcelamento previstos na Lei 11.941/2009 e pela Medida Provisória 470/2009 e liquidou débitos tributários com utilização de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL. De acordo com a Lei 11.941/2009, existe a possibilidade de liquidação de valores correspondentes à multa (mora ou de ofício) e aos juros de mora, incidentes sobre os débitos pagos ou parcelados pelo sujeito passivo, nas condições dispostas na mencionada lei, com a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL próprios (art. 1o. §. 7o da Lei nº 11.941, de 2009). Nos termos do § único do art. 4º da Lei nº 11.941/2009, a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal (artigos 1º a 3º da sobredita lei) não é computada na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Uma vez que esses dispositivos não mencionaram a liquidação de multa e juros por meio de utilização de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL, sendo assim, a autoridade lançadora entendeu que o benefício deveria ser acrescido ao resultado tributável, uma vez que implicou em acréscimo patrimonial à empresa. Segundo a fiscalização, a liquidação de passivos fiscais com utilização de PF e BCN constitui receita tributável, e sob a ótica da correta prática contábil a Recorrida deveria ter reduzido seu passivo tributário (debitado as contas patrimoniais passivas) e reconhecido uma receita correspondente (creditado conta de resultado). Diz ainda que a liquidação das dívidas tributárias exigiria desembolsos de caixa ou equivalentes de caixa. No entanto, a interessada pode liquidar esses passivos sem comprometer quaisquer ativos de livre uso e/ou representativos de direitos disponíveis naquele momento valendose do benefício da Lei nº 11.941 e da Medida Provisória nº 470. Então, de um lado, operouse a extinção de obrigações líquidas e certas (dívidas tributárias); de outro, foram sacrificados saldos de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL, elementos estes que, além de serem extrapatrimoniais, até então representavam uma mera expectativa de direito para a interessada, na medida em que poderia utilizálos se (e somente se) houvesse lucros tributáveis em períodos de apuração subseqüentes. A Recorrida, por sua vez, argumenta que os montantes recuperáveis de IRPJ e CSLL utilizados por ela nos termos da Lei nº 11.941/09 e da MP nº 470/09, vinculados aos seus saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, já estavam refletidos em sua contabilidade, em conta de ativo fiscal diferido, em conformidade com diversas orientações Fl. 2255DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.256 4 contidas no Pronunciamento do Instituto Brasileiro de Contadores — IBRACON aprovado pela Deliberação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) n° 273, de 20.08.1998, na Instrução CVM n° 371, de 27.06.2002, e ainda de acordo com os itens 19.2.3.8 a 19.2.3.26 da Resolução do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) n° 998, de 21.05.2004, fato que torna despropositada a tese da fiscalização de que a baixa dos passivos fiscais teria ocorrido sem uma contrapartida de um ativo. Diz ainda que não há fundamento para se exigir dela o reconhecimento de uma receita (tributável) quando da liquidação de seus débitos fiscais incluídos nos programas de anistia/parcelamento da Lei n° 11.941/09 e da MP n° 470/09 com a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, e que sustentar o contrário implica em frustrar e desvirtuar os objetivos do legislador, que aprovou tais programas e seus respectivos benefícios buscando incentivar os contribuintes a regularizarem as suas pendências fiscais. Aplicar o entendimento da fiscalização seria conceder um benefício e, ao mesmo tempo, retirar o efeito de 34% do benefício concedido (alíquotas de IRPJ e CSLL sobre eles aplicáveis). Assim, para este item do Auto de Infração, vêse, portanto, que a questão se cinge em saber se o procedimento de liquidação de juros e de multa incidentes sobre os débitos parcelados pelo interessado, por meio da utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, deve ou não resultar em reconhecimento de receita tributável. 2 Da glosa de despesas financeiras consideradas indedutíveis, por serem consideras desnecessárias pela fiscalização, relacionadas à coexistência de passivos financeiros e desconto antecipado de títulos com empréstimos concedidos a partes relacionadas: No anocalendário 2009 a interessada concedeu empréstimos não remunerados a partes relacionadas e manteve, concomitantemente, passivos financeiros e títulos descontados, gerando despesas financeiras à taxa média de 17,7517% ao ano. A fiscalização entende que parte dessas despesas financeiras são indedutíveis para fins tributários, haja vista não atender ao requisito legal de necessidade, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, em especial o tópico 4. Adotando o critério do limite de dedutibilidade ser a diferença entre as taxas passiva e ativa, a seguir é demonstrado o cálculo das despesas financeiras indedutíveis no Ano Calendário de 2009: Despesa indedutível = Saldo médio dos empréstimos concedidos X diferença entre as taxas passiva e ativa = R$ 22.327.717,79 X (17,7517% ao ano – zero) = R$3.963.549,48 Segundo a fiscalização, tratandose de despesa indedutível, o valor deveria ter sido adicionado ao lucro líquido para fins de determinação das bases de cálculo, a teor do art. 249, I, do RIR/1999. Tal providência, porém, não foi adotada pela interessada. Por todo o exposto, procedeuse à inclusão de R$3.963.549,48 nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2009. 3 Adições não computadas na apuração do lucro real. Despesas indedutíveis. Despesas financeiras desnecessárias: No anocalendário 2009 a interessada detinha mais de R$ 145 milhões em debêntures emitidas por sua controladora indireta, investimento este que lhe proporcionou uma rentabilidade de 0,0728% ao ano. Concomitantemente, a interessada manteve passivos financeiros e descontou títulos antecipadamente incorrendo em despesas financeiras à taxa média de 17,7517% ao ano. Consequentemente, parte dessas despesas financeiras são indedutíveis para fins tributários, haja vista não atender ao requisito legal de necessidade, Fl. 2256DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.257 5 conforme Termo de Verificação Fiscal, em especial o tópico 5. A seguir é demonstrado o cálculo das despesas financeiras indedutíveis no AC 2009: Despesa indedutível = Saldo médio do investimento em debêntures X diferença entre as taxas passiva e ativa Despesa indedutível = R$145.809.757,90 X (17,7517% ao ano – 0,0728% ao ano) Despesa indedutível = R$25.777.561,29 Segundo a fiscalização, tratandose de despesa indedutível, o valor deveria ter sido adicionado ao lucro líquido para fins de determinação das bases de cálculo, a teor do art. 249, I, do RIR/1999. Tal providência, porém, não foi adotada pela interessada. Por todo o exposto, procedeuse à inclusão de R$ 25.777.561,29 nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do AC 2009. 4 Compensação indevida de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL. Saldo insuficiente: A Fiscalização concluiu que após a interessada ter aderido aos programas da Lei nº 11.941 e da Medida Provisória nº 470 inexistia saldo de prejuízo fiscal (PF) e de base de cálculo negativa de CSLL (BCN) compensável, na forma dos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065, e que o saldo que a interessada entendia ter então disponível foi integralmente utilizado para liquidar passivos tributários. No AC 2009 a interessada teria apurado originalmente um prejuízo fiscal de R$28.306.156,68. Porém, as infrações apuradas na presente ação fiscal fizeram com que o resultado tributável do AC 2009 passasse a ser um lucro real de R$78.853.072,89, conforme demonstrado no quadro colacionado as fls. 2189 do v. acórdão da DRJ. Em relação aos anocalnedários de 2010, 2011 e 2012 a interessada apurou sucessivos prejuízos fiscais. Já no AC 2013 a interessada apurou lucro líquido ajustado de R$57.889.759,80, o qual foi compensado com PF e BCN de períodos de apuração anteriores, no montante de R$17.366.927,9445, de forma que o resultado tributável declarado pela interessada para o AC 2013 foi de R$40.522.831,8646. No entanto, como consequência da correção do resultado fiscal do AC 2009, o saldo de PF e BCN compensável no AC 2013 tem valor inferior ao compensado pela interessada. Assim, ao invés dos R$17.366.927,94 compensados pela interessada, o saldo de PF e BCN disponível para compensação no AC 2013, na forma dos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065, é de apenas R$16.805.782,22. No tocante ao AC 2013, o procedimento fiscal atevese à glosa parcial da compensação de PF e BCN, na proporção do que excedeu o saldo efetivamente disponível para tal, o que resultou na inclusão de R$561.145,72 (R$17.366.927,94 – R$16.805.782,22) nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do AC 2013, valor correspondente à compensação indevida efetivada pela interessada naquele período. Para evitar repetições, utilizo o relatório do v. acórdão recorrido. O presente processo trata de ação fiscal promovida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis – DRF/Florianópolis/SC junto à interessada acima identificada, referente aos fatos geradores ocorridos nos exercícios de 2010 e Fl. 2257DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.258 6 2014, anoscalendário de 2009 e 2013, que resultaram na apuração de ofício de crédito tributário através dos autos de infração do imposto de renda da pessoa jurídica – IRPJ, de fls. 03/13, no valor de R$19.829.554,65 de imposto, e da contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, de fls. 15/23, no valor de R$7.147.279,67 de contribuição, ambos acrescidos de multa de ofício no percentual de 75% e de juros de mora. 2. A fiscalização entendeu que a interessada, na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL incorreu nas infrações descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 26/76, parte integrante dos lançamentos, adiante discriminadas: 2.1. Omissão na recuperação de despesas. Liquidação de débitos tributários com utilização de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL: 2.1.1. No ano calendário 2009 a interessada aderiu aos programas de pagamento e parcelamento instituídos pela Lei nº 11.941/2009 e pela Medida Provisória nº 470/2009. Nestes parcelamentos optou por liquidar débitos tributários no montante de R$77.418.118,80 mediante a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL próprios, nos termos do art. 1º, §§ 7º e 8º, da Lei nº 11.941, e art. 3º, §§ 2º e 3º, da Medida Provisória nº 470. A fiscalização defende que são tributáveis as receitas correspondentes à liquidação de débitos tributários com a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL, conforme esclarecimentos constantes do Termo de Verificação Fiscal, em especial no tópico 3. 2.1.2. Adiante segue resumo do que consta no mencionado Termo de Verificação Fiscal, no que diz respeito a este item da autuação: 2.1.2.1. Que os programas da Lei nº 11.941 e da Medida Provisória nº 470 trouxeram três consentimentos: a) O primeiro consistiu em benefício de redução das multas, dos juros e dos encargos legais relativos aos débitos tributários incluídos nesses programas de parcelamento e pagamento. Dessa forma, a interessada contabilizou, no AC 2009, a crédito da conta de resultado (receita) “13910200001 – ITENS EXTRAORDINARIOS” e a débito de contas do passivo, os ganhos decorrentes das reduções de sua dívida tributária, que aumentaram o resultado contábil do AC 2009 em R$ 130.116.923,86, conforme demonstração a seguir: (+) Lei nº 11.941, art. 1º, § 3º, inciso V: R$ 41.380.584,04 (+) Medida Provisória nº 470, art. 3º, § 1º: R$ 88.736.339,82 (=) TOTAL: R$ 130.116.923,86 b) O segundo consentimento do programa instituído pela Lei nº 11.941/2009 é a permissão de que não fossem computadas na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL as receitas Fl. 2258DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.259 7 oriundas da redução do valor das multas, juros e encargo legal incluídos especificamente nesse programa. Este benefício, porém, não foi estendido às reduções concedidas no âmbito da Medida Provisória nº 470. Nesse aspecto, a interessada corretamente excluiu apenas as receitas oriundas das reduções concedidas em razão da Lei nº 11.941/2009; c) O terceiro benefício concedido, tanto pela Lei nº 11.941 quanto pela Medida Provisória nº 470, foi a possibilidade de liquidação dos débitos tributários incluídos nesses programas com a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL próprios. Ou seja, os débitos incluídos nos programas da Lei nº 11.941 e da Medida Provisória foram inicialmente reduzidos (“primeiro benefício”) e as dívidas remanescentes ainda puderam ser liquidadas com prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL (“terceiro benefício”). A interessada liquidou, então, débitos tributários no montante de R$77.418.118,80 utilizando saldos de prejuízo fiscal (PF) e de base de cálculo negativa da CSLL (BCN). 2.1.2.2. Que com o advento da Lei nº 11.941 e da Medida Provisória nº 470 passaram a existir duas possibilidades de utilização dos saldos de PF e BCN, sendo importante distinguir as duas situações de utilização de PF e BCN, quais sejam: 1ª) para “compensação de bases de cálculo” prevista nos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065, de 1995; e 2ª) para “liquidação de débitos tributários” prevista no art. 1º, § 7º, da Lei nº 11.941, e no art. 3º, § 2º, da Medida Provisória nº 470; 2.1.2.3. Que a compensação de PF e BCN na forma autorizada pelos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/95 diz respeito à apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, na qual promovese um confronto de prejuízos anteriores com o lucro líquido ajustado do próprio período de apuração, até o limite de 30%. Como atua para reduzir a própria base de cálculo dos tributos sobre o lucro, não há sentido em considerála como receita sujeita à incidência do IRPJ e da CSLL; 2.1.2.4. Que situação muito distinta foi a propiciada àqueles que aderiram aos programas da Lei nº 11.941 e da Medida Provisória nº 470 e optaram pela liquidação dos débitos tributários com PF e BCN. Nesta hipótese (liquidação de débitos tributários com PF e BCN), o contribuinte beneficiado deveria reconhecer a receita correspondente, tendo em vista o que preconizava o item 77 da Resolução CFC nº 1.121, de 2008, ao definir receita: “[...] A receita também pode resultar da liquidação de passivos. Por exemplo, a entidade pode fornecer mercadorias e serviços a um credor em liquidação da obrigação de pagar um empréstimo”. Sobreveio a Resolução CFC nº 1.374, de 2011, mas esta manteve os mesmos dizeres em seu item 4.32; 2.1.2.5. Que em decorrência da adesão aos referidos programas de pagamento e parcelamento a interessada reconheceu e contabilizou, no AC 2009, vários débitos tributários por meio de lançamentos na conta de resultado (despesa) “14910500001 Fl. 2259DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.260 8 ITENS EXTRAORDINARIOS”, os quais reduziram o resultado contábil do AC 2009 em R$129.276.056,66; 2.1.2.6. Que a liquidação das dívidas tributárias com utilização de PF e BCN nas formas autorizadas pela Lei nº 11.941 e pela Medida Provisória nº 470 não sensibilizou o resultado contábil da interessada no AC 2009, uma vez que os lançamentos contábeis não transitaram por contas de resultado: debitaramse contas patrimoniais passivas em que foram consolidadas as dívidas tributárias e creditaramse contas patrimoniais de ativos fiscais diferidos. Assim, como a interessada também não efetuou qualquer ajuste em razão do “terceiro benefício”, este acabou não repercutindo na determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do AC 2009. Ocorre que a liquidação de passivos fiscais com utilização de PF e BCN constitui receita tributável; 2.1.2.7. Que sob a ótica da correta prática contábil, portanto, a interessada deveria ter reduzido seu passivo tributário (debitado as contas patrimoniais passivas) e reconhecido uma receita correspondente (creditado conta de resultado). Embora se trate de ganho (que, inclusive, é tributável), a interessada sequer reconheceu contabilmente a liquidação dos passivos fiscais como receita. Ela os baixou diretamente contra ativos fiscais diferidos (contas “11280600001 IR S/PREJUIZOS FISCAIS” e “11280600002 C.SOCIAL S/BASE CALC.NEGATIVA”); 2.1.2.8. Que a receita correspondente à liquidação de passivos fiscais com a utilização de PF e BCN deve integrar o resultado tributável porque a) se trata de recuperação de despesas dedutíveis e efetivamente deduzidas pela interessada, as quais devem ser computadas na determinação do lucro operacional (RIR/1999, art. 392, II). Vale lembrar que, no próprio AC 2009, a interessada reconheceu e contabilizou débitos tributários em razão da adesão aos programas da Lei nº 11.941 e da Medida Provisória nº 470, os quais reduziram o resultado contábil do período em R$129.276.056,66. Embora parte desse montante fosse composto de despesas indedutíveis, estas já haviam sido ou extintas por conta do benefício da redução (de 100% das multas de ofício e de 90% da multa isolada); ou afastadas da tributação (exclusão no LALUR), por se tratar de recuperação de despesa não dedutível (a contrario sensu do RIR/1999, art. 392, II); e b) toda e qualquer exclusão do lucro líquido para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL exige autorização expressamente prevista na legislação tributária, o que não ocorre no caso; 2.1.2.9. Que a liquidação dos débitos tributários com PF e BCN não se confunde com a redução das multas, juros e encargos legais, no que diz respeito ao efeitos fiscais. Tal distinção é essencial pois, como antes mencionado, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL o parágrafo único do art. 4º da Lei nº 11.941 autorizou a exclusão das receitas decorrentes da redução do valor das multas, juros e encargos legais incluídos especificamente naquele programa. Ou seja, o benefício da não tributação previsto no parágrafo único do art. Fl. 2260DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.261 9 4º da Lei nº 11.941 aplicase exclusivamente à parcela de receita oriunda da redução dos débitos tributários incluídos no programa da mencionada Lei nº 11.941. Por sua vez, a parcela de receita correspondente à liquidação dos débitos restantes com a utilização de PF e BCN não recebeu o mesmo tratamento legal, não havendo previsão legal para esta receita ser excluída da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Se fosse a intenção do legislador eximir também essa receita, o faria expressamente como fez no caso das receitas advindas da redução. No entendimento da fiscalização, o art. 111 do Código Tributário Nacional não admite dar interpretação ampliativa a norma que confere benefício fiscal; 2.1.2.10. Que embora os saldos de PF e BCN e os ativos fiscais diferidos sejam equivalentes sob o aspecto quantitativo do benefício econômico propiciado, eles têm naturezas distintas. Enquanto os ativos fiscais diferidos são reconhecidos contabilmente em razão da expectativa de direito de serem compensados com eventuais lucros tributáveis futuros, os saldos de PF e BCN são elementos extrapatrimoniais e controlados no LALUR, que é um livro fiscal. A Deliberação CVM n° 273/1998 (itens 19 e 31), a Instrução CVM n° 371/2002 (artigo 2º), a Resolução CFC n° 998/2004 (itens 19.2.3.8 e 19.2.3. 23) e a Resolução CFC n° 1.189/2009 (itens 34 e 58) determinam(vam) às pessoas jurídicas que possuem a perspectiva de apurar lucros tributáveis em períodos de apuração futuros (e apenas tais pessoas jurídicas) o reconhecimento dos ativos fiscais diferidos, correspondentes aos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, com contrapartida em contas de receita; 2.1.2.11. Que em condições normais, a liquidação das dívidas tributárias exigiria desembolsos de caixa ou equivalentes de caixa. No entanto, valendose do benefício da Lei nº 11.941 e da Medida Provisória nº 470, a interessada pode liquidar esses passivos sem comprometer quaisquer ativos de livre uso e/ou representativos de direitos disponíveis naquele momento. Então, de um lado, operouse a extinção de obrigações líquidas e certas (dívidas tributárias); de outro, foram sacrificados saldos de PF e BCN, elementos estes que, além de serem extrapatrimoniais, até então representavam uma mera expectativa de direito para a interessada, na medida em que poderia utilizálos se (e somente se) houvesse lucros tributáveis em períodos de apuração subsequentes. A Nota Explicativa nº 9 das demonstrações financeiras do AC 2008 (fls. 1054 e 1055) e a Nota Explicativa nº 9 das demonstrações financeiras do AC 2009 (fls. 1096 e 1097) informavam sobre a FISCALIZADA manter estudos técnicos de viabilidade em consonância com a Instrução CVM nº 371/02 indicando serem os ativos fiscais diferidos existentes totalmente recuperáveis por “lucros tributáveis futuros”; 2.1.2.12. Que tendo optado pela liquidação dos débitos tributários, o contribuinte beneficiado deveria também baixar os ativos fiscais diferidos nos valores correspondentes, haja vista os “direitos” que lhes davam suporte (saldos de PF e BCN controlados na parte B do LALUR) terem sido utilizados para Fl. 2261DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.262 10 fim diverso daquele que fundamentou seu reconhecimento contábil (compensação com lucros futuros). A baixa dos ativos fiscais diferidos corresponde a uma despesa, haja vista seu conceito contábil incluir também as perdas que representem decréscimos nos benefícios econômicos. Essa despesa (baixa dos ativos fiscais diferidos) certamente não deve influenciar o resultado tributável. Isso porque o IRPJ e a CSLL são despesas não dedutíveis na determinação das respectivas bases de cálculo e nem da base de cálculo um do outro. Ora, se as despesas com IRPJ e CSLL incorridas nos períodos lucrativos não são dedutíveis, então as receitas que resultam do reconhecimento dos ativos fiscais diferidos podem ser afastadas da tributação (como de fato foram no caso da FISCALIZADA). E, por conseguinte, a despesa com a baixa (perda) do ativo fiscal diferido também não é dedutível. No entanto a interessada não reconheceu a baixa dos ativos fiscais diferidos como despesa. Ela os debitou diretamente contra as contas patrimoniais passivas em que foram consolidadas as dívidas tributárias incluídas nos programas da Lei nº 11.941 e da Medida Provisória nº 470; 2.1.2.13. Que no quadro a seguir reproduzido são apresentados os saldos inicial e final desses ativos no AC 2009 e o valor que, no entendimento da interessada, foi aplicado (ou aproveitado) na liquidação dos passivos tributários por conta da Lei nº 11.941 e da Medida Provisória nº 470 (R$ 77,418 milhões). Detalhe da Nota Explicativa nº 9 – Ativos fiscais diferidos da FISCALIZADA no AC 2009: [...] 2.1.2.14. Que resumidamente ocorreu o seguinte: a interessada não reconheceu a receita decorrente da liquidação dos passivos tributários, tampouco a despesa pela baixa dos ativos fiscais diferidos. O reflexo tributário advém do fato de a receita ser tributável, ao passo que a despesa não é dedutível. Podese sistematizar a liquidação de passivos fiscais com a utilização de PF e BCN no quadro abaixo: [...] 2.1.2.15. Que ao aderir aos programas da Lei nº 11.941 e da Medida Provisória nº 470, a interessada liquidou R$ 77.418.118,80 em passivos fiscais com PF e BCN, utilizando R$221.349.944,63 de prejuízos fiscais e R$245.340.362,54 de base de cálculo negativa da CSLL. A interessada cometeu uma imprecisão ao relacionar diretamente os ativos fiscais diferidos com os passivos fiscais liquidados. Na verdade, foram utilizados para liquidação dos passivos os saldos de PF e BCN, os quais são controlados na parte B do LALUR (são extracontábeis), e não ativos fiscais diferidos; 2.1.2.16. Que se chega a conclusão idêntica ao analisar esses mesmos fatos sob a ótica da ocorrência do fato gerador do Fl. 2262DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.263 11 Imposto de Renda, posto que materializaram a efetiva e imediata aquisição da disponibilidade econômica de um acréscimo patrimonial para a interessada (CTN, art. 43, II). Por todo o exposto, procedeuse à inclusão de R$77.418.118,80 nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do AC 2009. Enquadramento Legal: Lei nº 9.249/95, art. 3º; arts. 247, § 1º, 248, 251, 277, 288, e 392, II, todos do RIR/99; Lei nº 4.506/64, art. 44, III; DecretoLei nº 1.598/77, art. 6º, § 1º, arts. 7º e 11; Lei nº 8.981/95, art. 37, § 1º; Lei nº 9.249/95, art. 24; Lei nº 7.689/1988, art. 2º, com a redação dada pela Lei nº 8.034/1990; Lei nº 8.981/1995, art. 57, com a redação dada pela Lei nº 9.065/1995; Lei nº 9.430/1996, art. 28. 2.2. Despesas indedutíveis. Despesas financeiras desnecessárias: 2.2.1. No anocalendário 2009 a interessada concedeu empréstimos não remunerados a partes relacionadas e manteve, concomitantemente, passivos financeiros e títulos descontados, gerando despesas financeiras à taxa média de 17,7517% ao ano. A fiscalização entende que parte dessas despesas financeiras são indedutíveis para fins tributários, haja vista não atender ao requisito legal de necessidade, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, em especial o tópico 4. Adotando o critério do limite de dedutibilidade ser a diferença entre as taxas passiva e ativa, a seguir é demonstrado o cálculo das despesas financeiras indedutíveis no Ano Calendário de 2009: Despesa indedutível = Saldo médio dos empréstimos concedidos X diferença entre as taxas passiva e ativa = R$ 22.327.717,79 X (17,7517% ao ano – zero) = R$3.963.549,48 2.2.2. Tratandose de despesa indedutível, o valor deveria ter sido adicionado ao lucro líquido para fins de determinação das bases de cálculo, a teor do art. 249, I, do RIR/1999. Tal providência, porém, não foi adotada pela interessada. Por todo o exposto, procedeuse à inclusão de R$3.963.549,48 nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do Ano Calendário de 2009. Enquadramento legal: RIR/1999, arts. 247, 249, inciso I, e art. 299; DecretoLei nº 1.598/1977, art. 6º, § 2º; Lei nº 4.506/1964, art. 47; Lei nº 7.689/1988, art 2º, com a redação dada pela Lei nº 8.034/1990; Lei nº 8.981/1995, art. 57, com a redação dada pela Lei nº 9.065/1995; Lei nº 9.249/1995, art. 2º; Lei nº 9.430/1996, art. 28. 2.3. Adições não computadas na apuração do lucro real. Despesas indedutíveis. Despesas financeiras desnecessárias: 2.3.1. No anocalendário 2009 a interessada detinha mais de R$ 145 milhões em debêntures emitidas por sua controladora indireta, investimento este que lhe proporcionou uma rentabilidade de 0,0728% ao ano. Concomitantemente, a interessada manteve passivos financeiros e descontou títulos antecipadamente incorrendo em despesas financeiras à taxa Fl. 2263DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.264 12 média de 17,7517% ao ano. Consequentemente, parte dessas despesas financeiras são indedutíveis para fins tributários, haja vista não atender ao requisito legal de necessidade, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, em especial o tópico 5. A seguir é demonstrado o cálculo das despesas financeiras indedutíveis no AC 2009: Despesa indedutível = Saldo médio do investimento em debêntures X diferença entre as taxas passiva e ativa Despesa indedutível = R$145.809.757,90 X (17,7517% ao ano – 0,0728% ao ano) Despesa indedutível = R$25.777.561,29 2.3.2. Tratandose de despesa indedutível, o valor deveria ter sido adicionado ao lucro líquido para fins de determinação das bases de cálculo, a teor do art. 249, I, do RIR/1999. Tal providência, porém, não foi adotada pela interessada. Por todo o exposto, procedeuse à inclusão de R$25.777.561,29 nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do AC 2009. Enquadramento Legal: Lei nº 9.249/95, art. 3º; RIR/99, arts. 247, 249, inciso I, e art. 299; DecretoLei nº 1.598/77, art. 6º, § 2º; Lei nº 4.506/64, art. 47. 2.4. Compensação indevida de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL. Saldo insuficiente: 2.4.1. A Fiscalização concluiu que após a interessada ter aderido aos programas da Lei nº 11.941 e da Medida Provisória nº 470 inexistia saldo de prejuízo fiscal (PF) e de base de cálculo negativa de CSLL (BCN) compensável, na forma dos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065, e que o saldo que a interessada entendia ter então disponível foi integralmente utilizado para liquidar passivos tributários. 2.4.2. No AC 2009 a interessada teria apurado originalmente um prejuízo fiscal de R$28.306.156,68. Porém, as infrações apuradas na presente ação fiscal fizeram com que o resultado tributável do AC 2009 passasse a ser um lucro real de R$78.853.072,89, conforme adiante demonstrado: [...] 2.4.3. Nos ACs 2010, 2011 e 2012 a interessada apurou sucessivos prejuízos fiscais. Já no AC 2013 a interessada apurou lucro líquido ajustado de R$57.889.759,80, o qual foi compensado com PF e BCN de períodos de apuração anteriores, no montante de R$17.366.927,9445, de forma que o resultado tributável declarado pela interessada para o AC 2013 foi de R$40.522.831,8646. No entanto, como consequência da correção do resultado fiscal do AC 2009, o saldo de PF e BCN compensável no AC 2013 tem valor inferior ao compensado pela interessada. Assim, ao invés dos R$17.366.927,94 compensados pela interessada, o saldo de Fl. 2264DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.265 13 PF e BCN disponível para compensação no AC 2013, na forma dos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065, é de apenas R$16.805.782,22. 2.4.4. No tocante ao AC 2013, o procedimento fiscal atevese à glosa parcial da compensação de PF e BCN, na proporção do que excedeu o saldo efetivamente disponível para tal, o que resultou na inclusão de R$561.145,72 (R$17.366.927,94 – R$16.805.782,22) nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do AC 2013, valor correspondente à compensação indevida efetivada pela interessada naquele período. Enquadramento Legal: RIR/1999, arts. 247, 250, III, 509 e 510; DecretoLei nº 1.598/1977, art. 6º; Lei nº 9.065/1995, arts. 15 e 16; Lei nº 9.249/1995, art. 2º; Lei nº 9.430/1996, art. 28. 3. Sobre as diferenças de imposto e contribuição apurada se fez incidir a multa de ofício no percentual de 75%, na forma do art. 44 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. 4. Inconformada com a exigência, a interessada impugnou os lançamentos através da petição de fls. 2075/2115, na qual alega, em síntese, o seguinte: 4.1. Que é tempestiva a impugnação; 4.2. Quanto ao procedimento contábil para baixa de débitos fiscais compensados com prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL: 4.2.1. Que os montantes recuperáveis de IRPJ e CSLL utilizados por ela nos termos da Lei nº 11.941/09 e da MP nº 470/09, vinculados aos seus saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, já estavam refletidos em sua contabilidade, em conta de ativo fiscal diferido, o que se justificava pelo fato de ter reais expectativas de auferir lucros em períodos futuros, que lhe gerariam despesas de IRPJ e CSLL e que poderiam ser reduzidas pela compensação de seus prejuízos e bases negativas; 4.2.2. Que a conta de ativo fiscal diferido correspondente aos prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL foi registrada e mantida em conformidade com as orientações contidas no Pronunciamento do Instituto Brasileiro de Contadores — IBRACON aprovado pela Deliberação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) n° 273, de 20.08.1998, em vigor à época dos fatos em discussão e invocado pela fiscalização, na Instrução CVM n° 371, de 27.06.2002, e ainda de acordo com os itens 19.2.3.8 a 19.2.3.26 da Resolução do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) n° 998, de 21.05.2004; 4.2.3. Que a fiscalização alega que, na medida em que tal ativo fiscal diferido teria sido contabilizado para evidenciar o benefício econômico da esperada compensação dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL com débitos de IRPJ e CSLL sobre seus lucros futuros, o mesmo não poderia ter Fl. 2265DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.266 14 sido baixado como contrapartida da utilização dos referidos prejuízos e bases negativas na quitação de débitos fiscais de natureza outra, incluídos nos programas de anistia / parcelamento da Lei n° 11.941/09 e da MP n° 470/09; 4.2.4. Que segundo a fiscalização deveria ter procedido: (i) à baixa de seus débitos fiscais incluídos nos referidos programas de anistia/parcelamento em contrapartida ao reconhecimento de uma receita tributável de mesmo valor; e (ii) à baixa da conta de ativo fiscal diferido (que perderia a razão de existir) em contrapartida ao reconhecimento de uma despesa indedutível de mesmo valor; 4.2.5. Que não se discute que o mencionado ativo fiscal diferido foi constituído para sua posterior utilização na compensação de valores devidos de IRPJ e CSLL sobre lucros futuros. À época, era essa a sua única possível destinação. Ocorre que as normas legais posteriores passaram a expressamente permitir a utilização dos saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL dos contribuintes na liquidação de valores correspondentes a principal, multa e juros de débitos fiscais incluídos em programas de anistia/parcelamento. Essa nova possibilidade de utilização do saldo de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL não alterou, de forma alguma, a natureza ou o valor econômico do ativo fiscal diferido anteriormente registrado. Tal ativo representava e continuou representando o benefício econômico do potencial e esperado aproveitamento de prejuízos fiscais e bases negativas; 4.2.6. Que se a manutenção dessa conta já se justificava pela simples expectativa de obtenção de lucros futuros, mais ainda se justificava com o advento da Lei n° 11.941/09 e MP n° 470/09, que previram a possibilidade da utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL na compensação de débitos fiscais incluídos nos seus programas de anistia/parcelamento. Entende que mais do que nunca o benefício econômico correspondente à referida utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL deveria estar refletido em sua contabilidade, e a conta para se registrar tal direito só poderia mesmo ser esta de ativo fiscal diferido; 4.2.7. Que o mero fato de os prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL acumulados terem passado a poder ser utilizados de forma mais ampla (embora quantificados e valorizados da mesma forma) não poderia trazer qualquer impacto à correspondente conta de ativo. Argumenta que, por hipótese, se fosse proprietária de um imóvel ou titular de um direito de crédito registrado em sua contabilidade e fosse baixada uma norma autorizando a utilização de tais ativos como moeda de pagamento de débitos fiscais, tal norma teria modificado a natureza dos referidos ativos? Entende a interessada que não deveria reclassificar estes bens em sua contabilidade, em razão da simples possibilidade de utilização dos ativos para esse novo propósito; Fl. 2266DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.267 15 4.2.8. Que o que a fiscalização quer fazer crer é que as baixas de passivo e de ativo registradas pela ora impugnante deveriam ter resultado em lançamentos contábeis independentes e autônomos, tendo como contrapartida o reconhecimento de receitas (tributáveis) e despesas (indedutíveis). Mas isso equivaleria a dizer que, caso os seus débitos fiscais tivessem sido quitados com dinheiro, espécie, também teria que ter registrado uma despesa em contrapartida a sua conta caixa e uma receita em contrapartida a seus débitos fiscais, o que seria totalmente irrazoável; 4.2.9. Que estivesse ou não contabilizado, o direito de se aproveitar de seus prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL nasceu e restou assegurado desde o momento em que tais resultados negativos foram apurados e registrados em seus livros fiscais. Seria absurdo considerar que o simples fato de determinada lei passar a permitir a sua utilização para liquidação de obrigações outras devidas a um mesmo credor (a União) transformaria em tributável um ativo já existente e disponível. Entende a interessada que o direito representativo dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL estava inequivocamente refletido em sua contabilidade (em conta de ativo fiscal diferido), o que torna ainda mais despropositada a tese da fiscalização de que a baixa dos passivos fiscais teria ocorrido sem uma contrapartida de um ativo; 4.2.10. Que ao ter assegurada pelo Governo a possibilidade de utilização de seus prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL para quitação de débitos fiscais passados, a impugnante, por aplicação dos principios gerais de contabilidade, e independentemente de suas perspectivas de lucros futuros, poderia ter registrado em sua contabilidade o valor econômico representativo de tal direito. Por conseguinte, também nesse cenário, a baixa dos passivos fiscais incluidos nos programas de anistia / parcelamento concedidos pelo Governo seria feita em contrapartida a um ativo (que acabaria de ter sido registrado); 4.2.11. Que restaria à fiscalização alegar que o simples registro dessa conta de ativo implicaria no reconhecimento de uma receita, mas tributar tal receita corresponderia a tributar os próprios prejuízos fiscais e bases negativas, o que, como já dito, é inaceitável; 4.2.12. Que não há fundamento para se exigir dela o reconhecimento de uma receita (tributável) quando da liquidação de seus débitos fiscais incluídos nos programas de anistia/parcelamento da Lei n° 11.941/09 e da MP n° 470/09 com a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, e que sustentar o contrário implica em frustrar e desvirtuar os objetivos do legislador, que aprovou tais programas e seus respectivos benefícios buscando incentivar os contribuintes a regularizarem as suas pendências fiscais. Seria conceder um benefício e, ao mesmo tempo, retirar o efeito de Fl. 2267DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.268 16 34% do benefício concedido (alíquotas de IRPJ e CSLL sobre eles aplicáveis), o que não parece razoável. 4.3. Quanto à glosa de despesas financeiras tidas por desnecessárias, relacionadas à coexistência de passivos financeiros e desconto antecipado de títulos com empréstimos não remunerados concedidos a partes relacionadas: 4.3.1. Que os juros decorrentes de operações de crédito relacionadas às atividades operacionais de uma pessoa jurídica tais como aquelas celebradas para financiar os negócios conduzidos pelo contribuinte evidentemente qualificamse como necessários, pois os recursos captados são aplicados em sua fonte produtora de renda, exatamente como exige o art. 299 do RIR; 4.3.2. Que a mera existência de passivos financeiros onerados a taxas mais altas do que aquelas aplicáveis a ativos financeiros mantidos pela pessoa jurídica não é suficiente para ensejar a indedutibilidade das despesas financeiras incorridas. Para tanto, é necessário a demonstração de uma efetiva vinculação entre a captação e o subsequente repasse dos recursos captados, realizado a uma taxa de juros inferior. Somente neste cenário pode ser considerada como evidenciada a desnecessidade da despesa incorrida, o que justificaria a sua indedutibilidade; 4.3.3. Que o cálculo das despesas glosadas partiu de uma análise global e consolidada dos ativos e passivos financeiros mantidos no período em questão, sem vincular, de forma individualizada, as operações financeiras ativas e passivas contratadas. Com efeito, despesas oriundas de operações de crédito celebradas com instituições financeiras e empresas de factoring, em condições de mercado, foram glosadas simplesmente em razão de a interessada ter créditos em aberto contra empresas a ela relacionadas oriundas de operações contratadas anos antes. Entende que admitir a linha desenvolvida pela fiscalização é admitir uma indesejada intromissão da fiscalização na administração dos negócios das empresas e atribuir um total subjetivismo à análise do requisito da necessidade das despesas, a ser observado para fins da sua dedutibilidade; 4.3.4. Que a própria sistemática de cálculo utilizada pela fiscalização já deveria levar ao cancelamento dos autos. Argumenta a interessada que a apuração da indedutibilidade de despesas financeiras a partir dos supostos saldos médios e taxas de juros médias de ativos e passivos financeiros é algo inteiramente sem precedentes e não tem suporte em nenhuma norma legal, e que não é razoável tratar de forma uniforme e consolidada operações celebradas em períodos distintos e com taxas de juros absolutamente discrepantes. Ademais, o procedimento adotado pela fiscalização quantifica a glosa efetuada com foco nos ativos financeiros em aberto no período, e não nos passivos financeiros contratados e nas despesas incorridas; Fl. 2268DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.269 17 4.3.5. Que o procedimento constitui um inaceitável arbitramento de despesas indedutíveis, uma indedutibilidade apurada por vias transversas, a partir de ativos, e não de passivos. A glosa assemelharseia, assim, à atribuição de uma receita ficta para a interessada, sem qualquer base legal para tanto; 4.3.6. Que a fiscalização ainda inclui no cálculo do saldo médio de passivos da interessada as operações de desconto de títulos por ela celebradas no periodo, que não representam necessariamente um passivo para a interessada. Assim, na remota hipótese de ser reputada válida a sistemática de cálculo adotada pela fiscalização para fins de quantificação da glosa a ser efetuada (o que se admite apenas para fins de argumentação), ao menos deveriam ser excluídas do cálculo do suposto saldo médio de passivos da interessada as operações de desconto de títulos por ela celebradas, na medida em que não representam um efetivo passivo; 4.3.7. Que na remota hipótese de validação da sistemática de cálculo adotada pela fiscalização, teriam que ser também ajustados os saldos médios dos ativos da interessada. No que se refere primeiramente ao saldo médio dos empréstimos concedidos pela interessada, a fiscalização incluiu em tal conta não só os valores efetivamente transferidos a empresas ligadas a título de mútuo (contacorrente), cujo saldo no final de 2009 correspondia a R$3.221.621,65 (=R$111.751,52 + R$221.277,12 + R$2.781.896,11 + R$106.696,90), como também incluiu os créditos mantidos pela interessada contra a CECRISA S.A. PISOS E AZULEJOS oriundos de operações de compra e vendade ações e de imóveis contratadas "a prazo" e representados por notas promissórias, cujo saldo no final de 2009 correspondia a R$11.900.000,00 (=R$5.431.250,00 + R$6.468.750,00) (vide extrato das respectivas contas contábeis e contratos anexados ao DOC. 02). Ora, na medida em que esses créditos não resultaram de uma efetiva transferência de recursos financeiros da interessada para a mencionada empresa, não há qualquer sentido em se vincular esta operação às operações de crédito celebradas pela interessada com instituições e empresas de factoring, que originaram as despesas em discussão; 4.3.8. Que igualmente não poderiam ter sido incluídas no cálculo do saldo médio dos ativos da interessada o crédito (R$145.809.757,90) referente às debêntures emitidas pela MDF ADMINISTRAÇÃO DE BENS S.A., adquiridas pela interessada da própria CECRISA S.A. PISOS E AZULEJOS, porque tal aquisição se deu por meio de operação de "dação em pagamento", acordada como forma de quitação de dívida que a referida empresa tinha em favor da interessada, vinculada a ações de outra empresa do grupo adquiridas pela CECRISA S.A. PISOS E AZULEJOS da IMPUGNANTE em 2004 (vide contratos anexados ao DOC. 03). Sustenta que também nessa operação não houve uma efetiva transferência de recursos financeiros da interessada para a CECRISA S.A. PISOS E AZULEJOS, que pudesse justificar a pretendida glosa; Fl. 2269DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.270 18 4.4. Quanto à glosa de despesas financeiras tidas por desnecessárias, relacionadas à coexistência de passivos financeiros e desconto antecipado de títulos com investimento em debêntures emitidas pela controladora: 4.4.1. Que no que se refere às debêntures por ela mantidas, o saldo médio de tais ativos foi obtido com base no cálculo da média aritmética simples dos saldos finais diários da correspondente conta patrimonial ativa (R$145.809.757,90); já a taxa média de juros ativos auferidos foi calculada a partir da divisão do referido saldo médio pelo total das receitas financeiras de juros reconhecidas no período (R$106.166,32), o que resultou em uma taxa média anual de 0,0728%. Entende a interessada que essa lógica jamais poderia ter sido aplicada às operações de debentures, como aplicada às operações de empréstimo por ela concedidos, na medida em que as debentures em questão correspondiam a ativos de renda variável, e não de renda fixa; 4.4.2. Que conforme previsto na cláusula 3.9. do Instrumento Particular de Escritura das referidas debêntures, estas proporcionavam a seus titulares o direito a 5% (cinco por cento) dos lucros líquidos anuais distribuíveis da sua emissora. Ou seja, a remuneração a ser obtida pela interessada variava na proporção do lucro auferido pela empresa emissora (MDF ADMINISTRAÇÃO DE BENS S.A.). No período em discussão, a empresa emissora acabou não auferindo nenhum lucro, razão pela qual a interessada nada reconheceu a título de juros remuneratórios. O valor reconhecido de R$106.166,32, na realidade, decorreu de mora incorrida pela empresa emissora no pagamento de um resgate parcial que havia sido programado nos termos da cláusula 3.11. do Instrumento Particular de Escritura e foi pago conforme previsto na Ata de Assembléia Geral Extraordinária de Debenturistas da MDF ADMINISTRAÇÃO DE BENS S.A. realizada em 31.12.2009. De toda forma, ainda que o efetivo retorno obtido pela interessada no anocalendário de 2009 em seu investimento nas debêntures fosse de 0,00%, é fato que esse retorno poderia ter sido muito superior caso a empresa emissora das debêntures tivesse auferido um lucro significativo no período. Essa mera possibilidade de retorno em valor significativo é suficiente para assegurar a dedutibilidade das despesas financeiras incorridas pela interessada e associadas pela fiscalização às operações de debêntures. Tratase, exclusivamente, de uma decisão empresarial da interessada, sobre a qual o Fisco não pode ter qualquer ingerência; 4.4.3. Que a legislação fiscal (art. 31 da Lei n° 11.727/08) expressamente reconhece a possibilidade de as sociedades holding obterem financiamentos para viabilizar a aquisição de participações societárias, chegando até mesmo a autorizar que os juros então incorridos sejam em vez de tratados como despesas computados nos custos de tais investimentos, para fins de diferimento do reconhecimento das respectivas despesas. Ao autorizar o diferimento das despesas com juros e o cômputo dos Fl. 2270DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.271 19 mesmos no custo das participações societárias, o art. 31 evidencia que os mesmos são despesas dedutíveis, ainda que as empresas investidas não apurem lucro e que esses investimentos se revelem deficitários. A mera possibilidade de obtenção de lucro já é suficiente para justificar a dedutibilidade das despesas incorridas para a aquisição dessas participações societárias, assim como também deve ser considerada suficiente para justificar a aquisição de debêntures participativas em discussão; 4.4.4. Que no caso concreto, mesmo que a empresa emissora das debêntures jamais viesse a auferir lucro, e, por conseguinte, a interessada jamais viesse a auferir receitas de juros oriundas de tal investimento, o mesmo já terá sido altamente lucrativo para ela, porque, conforme evidenciado no contrato ora anexado como DOC. 03, as debêntures em questão, cujo valor de face correspondia a R$145.810.000,00, foram adquiridas pela interessada pelo valor de apenas R$90.000.000,00, ou seja, com um deságio de R$55.810.000,00, e essa diferença já foi inclusive reconhecida e incluída no resultado contábil de 2007 (vide lançamento contábil ora anexado como DOC. 06), que de alguma forma deveria ser levado consideração na apuração da rentabilidade do investimento em questão; 4.4.5. Que a glosa das despesas financeiras oriundas dos passivos financeiros supostamente vinculados ao crédito da interessada relacionado às debêntures participativas emitidas pela MDF ADMINISTRAÇÃO DE BENS S.A. se justificaria ainda pelo não atendimento dos requisitos de usualidade e normalidade exigidos pelo art. 299, § 2°, RIR, em razão de um conjunto de fatos, que evidenciaria uma certa atipicidade das operações contratadas. Alega a interessada que não há nada de irregular no fato de as debêntures adquiridas (i) terem previamente pertencido a outras empresas do grupo, (ii) terem sido adquiridas por meio de dação em pagamento, (iii) serem meramente participativas e sem garantias, e (iv) terem sido emitidas por sua controlada indireta. Sustenta que tais elementos jamais seriam suficientes para justificar a pretendida glosa e que as despesas incorridas somente poderiam ser reputadas indedutíveis por alegada atipicidade se as operações de empréstimo, financiamento e desconto de títulos, celebradas com instituições financeiras e empresas de factoring, pudessem ser caracterizadas como não usuais ou normais. Aliás, alega a interessada que até mesmo porque tiveram como contraparte instituições financeiras e empresas de factoring, tais operações foram celebradas em condições de mercado e por meio de contratos absolutamente usuais e normais, razão pela qual não há qualquer fundamento para a manutenção da glosa em questão; 4.5. Da inaplicabilidade dos requisitos do art. 299 do RIR à CSLL: 4.5.1. Que o eventual não atendimento dos requisitos previstos no art. 299 do RIR, analisados nas seções precedentes, somente poderia levar à indedutibilidade das despesas em questão para Fl. 2271DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.272 20 fins de IRPJ, porque tal dispositivo do RIR aplicase apenas ao IRPJ, e não há na legislação de CSLL dispositivo que condicione a dedutibilidade de despesas à comprovação de sua necessidade, normalidade ou usualidade. Com efeito, nem todas as normas de IRPJ são aplicáveis automaticamente à CSLL, o sendo apenas aquelas referentes "à administração, ao lançamento, à consulta, à cobrança, às penalidades, às garantias e ao processo administrativo" (art. 6° da Lei n° 7.689, de 15.12.1988). Nos termos dos arts. 1º e 2º da referida lei, a alíquota e a base de cálculo da contribuição são definidas a partir de regras próprias, o que afasta, de plano, a possibilidade de aplicação subsidiária do mencionado artigo do RIR; 4.5.2. Que, para fins de CSLL, podem ser deduzidas quaisquer despesas que tenham sido levadas em consideração na apuração do lucro líquido do exercício, ou seja, que tenham sido pagas ou incorridas, o que não se discute no caso concreto. Esta é a única condição à qual as mesmas se subordinam, visto que as regras relativas à apuração da base de cálculo de IRPJ não são aplicáveis para fins de CSLL, o que já foi confirmado em diversos precedentes do Conselho de Contribuintes e do CARF, como evidenciado nas ementas dos acórdãos trazidos à colação; 4.5.3. Que ainda que fosse considerada procedente para fins de IRPJ a glosa das despesas financeiras no anocalendário de 2009 por ela incorridas, o que admite apenas para fins de argumentação, ao menos deveria ser reconhecido que tal glosa não seria aplicável no que se refere à CSLL; 4.6. Da suposta compensação a maior de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL no anocalendário de 2013: 4.6.1. Que após utilizar todo o seu saldo de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL referentes a períodos anteriores a 2009 para quitar débitos fiscais incluídos nos programas de anistia/parcelamento concedidos pela Lei n° 11.941/09 e pela MP n° 470/09, registrou ao final do ano calendário de 2009 um resultado fiscal negativo de R$28.306.156,68. Em razão das supostas infrações descritas nas alíneas (a), b) e (c) do item 2.1. dos AUTOS, tal resultado foi reajustado em R$107.159.229,57 (=R$77.418.118,80 + R$3.963.549,48 + R$25.777.561,29), o que resultou em uma base de cálculo positiva de IRPJ e CSLL no período de R$78.853.072,89 (=R$107.159.229,57 R$ 28.306.156,68). Argumenta que o reconhecimento da procedência de suas alegações em relação às demais infrações levará também ao cancelamento do suposto crédito oriundo desta última infração, porque, em sendo revertido o resultado apurado pela fiscalação no anocalendário de 2009 e novamente reconhecido que esta teria incorrido em prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL no período (em montantes iguais ou superiores a R$561.145,72), esse resultado negativo passaria a ter que ser levado em consideração na compensação realizada no ano calendário de 2013; Fl. 2272DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.273 21 4.6.2. Que o cancelamento deste último item do lançamento se justifica ainda pelo simples fato de a fiscalização ter questionado a compensação realizada por ela no anocalendário de 2013 tomando como definitivo os seus resultados fiscais reajustados referentes ao anocalendário de 2009, mas que ainda estão sujeitos a discussão neste processo, e que somente após considerados definitivamente constituídos os créditos fiscais lançados referente a 2009, é que a fiscalização poderia ter questionado a compensação realizada em 2013; 4.7. Que é descabida a incidência de juros sobre a multa porque isso implicaria numa indireta majoração da própria penalidade e não se pode falar em mora na exigência de multa. Ato contínuo, a DRJ proferiu v. acórdão mantendo integralmente a exigência do Auto de Infração, registrando a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010, 2014 PARCELAMENTO PREVISTO NA LEI Nº 11.941/2009 E NA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 470/2009. LIQUIDAÇÃO DE JUROS E MULTA UTILIZANDO PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA DA CSLL. INOCORRÊNCIA DE OMISSÃO NA RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. Inocorre omissão na recuperação de despesas quando da liquidação de débitos fiscais mediante utilização de saldos de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL. A hipótese não equivale a perdão de dívida, na medida em que há um sacrifício patrimonial, que consiste na redução na mesma proporção do ativo diferido formado a partir dos saldos de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL acumulados. Ativo e passivo se compensam em igual valor. DIFERENÇA ENTRE TAXAS DE JUROS ATIVAS E PASSIVAS. INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTO PARA CARACTERIZAR PARTE DAS DESPESAS FINANCEIRAS INCORRIDAS COMO DESNECESSÁRIAS. A constatação da existência de passivos financeiros onerados a taxas mais altas do que aquelas aplicadas a ativos financeiros mantidos pela pessoa jurídica não é suficiente para ensejar a glosa das despesas financeiras incorridas, sob o fundamento de serem as mesma desnecessárias. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL E DE BASE NEGATIVA DA CSLL. RESTABELECIMENTO DO SALDO APÓS JULGAMENTO. Fl. 2273DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.274 22 Descabe a autuação sob o fundamento de compensação indevida de bases de cálculo, quando no julgamento são recompostos os valores dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL apuradas pelo contribuinte, resultando no restabelecimento de saldos suficientes para as compensações promovidas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2010, 2014 CSLL. DECORRÊNCIA. Decorrendo a exigência da CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda. A DRJ interpôs Recurso de Ofício para que a r. decisão seja revista por este E. CARF/MF. É o relatório. Fl. 2274DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.275 23 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator 1 Da tributação do IRPJ e da CSLL sob fundamento de omissão na recuperação de despesas: Neste item do Auto de Infração, a questão cingese em saber se o procedimento de liquidação de juros e de multa incidentes sobre os débitos parcelados pelo interessado, por meio da utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, deve ou não resultar em reconhecimento de receita tributável. Neste ponto, entendo que a razão se encontra com a Recorrida e utilizo os fundamentos do v. acórdão recorrido para fundamentar meu voto. 6. Da tributação do IRPJ e da CSLL sob fundamento de omissão na recuperação de despesas: 6.1. De imediato transcrevo os dispositivos da Lei nº 11.941/2009 em foco, para melhor compreensão da questão: [...] 6.2. Da leitura do texto legal reproduzido, percebemse duas situações distintas: 6.2.1) a redução de valores correspondentes à multa (mora, de ofício ou isolada), aos juros de mora e aos encargos legais incidentes sobre os débitos pagos ou parcelados pelo sujeito passivo nas condições dispostas na mencionada lei; e 6.2.2) a liquidação de valores correspondentes à multa (mora ou de ofício) e aos juros de mora, incidentes sobre os débitos pagos ou parcelados pelo sujeito passivo, nas condições dispostas na mencionada lei, com a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL próprios (art. 1o. §. 7o da Lei nº 11.941, de 2009). 6.3. Nos termos do § único do art. 4º da Lei nº 11.941/2009, a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal (artigos 1º a 3º da sobredita lei) não é computada na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Uma vez que esses dispositivos não mencionaram a liquidação de multa e juros por meio de utilização de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL, a autoridade lançadora entendeu que benefício deveria ser acrescido ao resultado tributável, uma vez que implicou em acréscimo patrimonial à empresa. Fl. 2275DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.276 24 6.4. Segundo a fiscalização, a liquidação de passivos fiscais com utilização de PF e BCN constitui receita tributável, e sob a ótica da correta prática contábil a interessada deveria ter reduzido seu passivo tributário (debitado as contas patrimoniais passivas) e reconhecido uma receita correspondente (creditado conta de resultado). Diz ainda que a liquidação das dívidas tributárias exigiria desembolsos de caixa ou equivalentes de caixa. No entanto, a interessada pode liquidar esses passivos sem comprometer quaisquer ativos de livre uso e/ou representativos de direitos disponíveis naquele momento valendose do benefício da Lei nº 11.941 e da Medida Provisória nº 470. Então, de um lado, operouse a extinção de obrigações líquidas e certas (dívidas tributárias); de outro, foram sacrificados saldos de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL, elementos estes que, além de serem extrapatrimoniais, até então representavam uma mera expectativa de direito para a interessada, na medida em que poderia utilizálos se (e somente se) houvesse lucros tributáveis em períodos de apuração subseqüentes. 6.5. A interessada, por sua vez, argumenta que os montantes recuperáveis de IRPJ e CSLL utilizados por ela nos termos da Lei nº 11.941/09 e da MP nº 470/09, vinculados aos seus saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, já estavam refletidos em sua contabilidade, em conta de ativo fiscal diferido, em conformidade com diversas orientações contidas no Pronunciamento do Instituto Brasileiro de Contadores — IBRACON aprovado pela Deliberação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) n° 273, de 20.08.1998, na Instrução CVM n° 371, de 27.06.2002, e ainda de acordo com os itens 19.2.3.8 a 19.2.3.26 da Resolução do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) n° 998, de 21.05.2004, fato que torna despropositada a tese da fiscalização de que a baixa dos passivos fiscais teria ocorrido sem uma contrapartida de um ativo. Diz ainda que não há fundamento para se exigir dela o reconhecimento de uma receita (tributável) quando da liquidação de seus débitos fiscais incluídos nos programas de anistia/parcelamento da Lei n° 11.941/09 e da MP n° 470/09 com a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, e que sustentar o contrário implica em frustrar e desvirtuar os objetivos do legislador, que aprovou tais programas e seus respectivos benefícios buscando incentivar os contribuintes a regularizarem as suas pendências fiscais. Aplicar o entendimento da fiscalização seria conceder um benefício e, ao mesmo tempo, retirar o efeito de 34% do benefício concedido (alíquotas de IRPJ e CSLL sobre eles aplicáveis). 6.6. Vêse, portanto, que a questão se cinge em saber se o procedimento de liquidação de juros e de multa incidentes sobre os débitos parcelados pelo interessado, por meio da utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, deve ou não resultar em reconhecimento de receita tributável. 6.7. A Solução de Consulta nº 21 da Cosit, de 2013, cujo excerto se transcreve a seguir, traz importante colaboração ao dispor Fl. 2276DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.277 25 que a redução de dívidas tributárias possui a natureza de perdão/remissão de dívida e, assim, configura receita para a pessoa jurídica devedora, dando origem ao fato gerador do imposto de renda (art. 43, inciso II, e § 1º, do CTN), pois se está diante de um acréscimo patrimonial resultante da diminuição de um passivo. Solução de Consulta nº 21 – Cosit, de 6 de novembro de 2013 (DOU 22.11.2013) (...) 10.3 Vale comentar que a redução de dívidas tributárias possui a natureza de perdão/remissão de dívida. O perdão de dívidas, consabidamente, configura receita para a pessoa jurídica devedora e caracteriza o fato gerador do imposto de renda, nos termos do art. 43, inciso II, e § 1º, do CTN, pois se está diante de um acréscimo patrimonial – resultante da diminuição de um passivo. Essa receita, igualmente, integra a base de cálculo da CSLL (art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988) e, em princípio, da Contribuição para o PIS/Pasep (art. 1º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002) e da Cofins (art. 1º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). (...) 6.8. Embora a redução de dívidas tributárias configure receita para a pessoa jurídica devedora e caracterize fato gerador do IRPJ, o parágrafo único do art. 4o da Lei nº 11.941, de 2009, determinou que a redução do valor das multas, juros e encargo legal, incidentes sobre os débitos parcelados na forma da referida lei, não fosse computada na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, razão por que a ementa da sobredita solução de consulta assim dispôs: Solução de Consulta nº 21 – Cosit, de 6 de novembro de 2013 (DOU 22.11.2013) LUCRO REAL. REDUÇÃO DE MULTA E JUROS. LEI Nº 11.941, DE 2009. A receita oriunda da redução de multa de mora e juros de mora decorrente da fruição do benefício previsto no art. 1º, § 3º, inciso I, da Lei nº 11.941, de 2009, pode ser excluída do lucro líquido, para efeito de apuração do lucro real, nos termos do art. 4º, parágrafo único, da Lei nº 11.941, de 2009. Em razão de as multas de ofício serem indedutíveis na apuração do lucro real, a receita oriunda da redução de multa de ofício decorrente da fruição do benefício previsto no art. 1º, § 3º, inciso I, da Lei nº 11.941, de 2009, não é computada no lucro real, pois ela não terá sido deduzida em períodos de apuração anteriores. É inócuo, neste ponto, o comando do art. 4º, parágrafo único, da Lei nº 11.941, de 2009. (destaques não constam no original) Fl. 2277DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.278 26 6.9. Por outro lado, a liquidação de juros e de multa por meio da utilização de saldos de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL não corresponde a perdão de dívida. Isso porque, esse prejuízo (ou base negativa da CSLL) poderia ser utilizado em períodos subsequentes para reduzir a apuração do lucro real por meio de compensação, ou seja, para também reduzir o montante devido do tributo, sendo que essa redução não se caracterizaria como receita tributária. 6.10. Vale notar que, diferentemente do perdão de dívida, na liquidação dos juros e da multa na hipótese ora tratada há um sacrifício patrimonial, que consiste na redução na mesma proporção do ativo diferido formado a partir dos saldos de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL acumulados. Ativo e passivo se compensam em igual valor. Por isso entendo que improcede a alegação da fiscalização de que valendose do benefício da Lei nº 11.941 e da Medida Provisória nº 470 a interessada pode liquidar esses passivos sem comprometer quaisquer ativos de livre uso e/ou representativos de direitos disponíveis naquele momento. 6.11. Ademais, não vislumbro qualquer imprecisão da interessada em relacionar diretamente os ativos fiscais diferidos com os passivos fiscais liquidados. Em primeiro lugar, porque o procedimento é expressamente autorizado pelo § 7º do art. 1º da Lei nº 11.941/2009. Ademais, a Resolução do Conselho Federal de Contabilidade nº 998/2004, publicada no DOU de 09/06/2004, ao tratar da “Compensação de Ativos e Passivos Fiscais” dispôs no item 19.2.4.4 que, verbis, “a entidade deve compensar ativo e passivo fiscais se, tendo direito legal para tanto, quitálos em bases líquidas, ou simultaneamente realizar o ativo e liquidar a obrigação.” O direito legal existia e a quitação se deu em bases líquidas, compensando ativo e passivo em igual proporção. Cito ainda a Resolução CFC nº 1.121, de 2008, que no item 55 esclarece as formas que um ativo pode gerar benefícios para a entidade, sendo um deles que um ativo pode ser usado para liquidar um passivo. A mesma Resolução esclarece, no item 92, que nem todo aumento de ativo ou redução de passivo corresponde a uma receita. 6.12. Por último, entendo que qualquer interpretação contrária a essa implicaria a redução do benefício fiscal estabelecido pela Lei 11.941 de 2009 (art. 1º, §7º). 6.13. Pelo exposto, entendo improcedente os lançamentos que exigem o IRPJ e a CSLL sobre o fundamento de omissão na recuperação de despesas. Desta forma, como não há fundamento legal para se exigir da Recorrida o reconhecimento de uma receita (tributável) quando da liquidação de seus débitos fiscais incluídos no programa de parcelamento da Lei n° 11.941/09 e da MP n° 470/09 com a Fl. 2278DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.279 27 utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, entendo que a glosa não se sustenta, devendo ser mantida esta parte do v. acórdão recorrido. Ademais, como muito bem apontado no v. acórdão recorrido a liquidação de juros e de multa por meio da utilização de saldos de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL não corresponde a perdão de dívida. Isso porque, esse prejuízo (ou base negativa da CSLL) poderia ser utilizado em períodos subsequentes para reduzir a apuração do lucro real por meio de compensação, ou seja, para também reduzir o montante devido do tributo, sendo que essa redução não se caracterizaria como receita tributária. Sustentar o contrário implicaria em frustrar e desvirtuar os objetivos da norma, eis que o intuito de tais programas e seus respectivos benefícios busca incentivar que os contribuintes regularizarem as suas pendências fiscais. Sendo assim, em relação a esta acusação do Auto de Infração voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. 2 Da glosa de despesas financeiras consideradas indedutíveis, devido a fiscalização entende que são desnecessárias por serem relacionadas à coexistência de passivos financeiros e desconto antecipado de títulos com empréstimos concedidos a partes relacionadas: No anocalendário 2009 a interessada concedeu empréstimos não remunerados a partes relacionadas e manteve, concomitantemente, passivos financeiros e títulos descontados, gerando despesas financeiras à taxa média de 17,7517% ao ano. A fiscalização entende que parte dessas despesas financeiras não são dedutíveis para fins tributários, haja vista não atender ao requisito legal de necessidade, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, em especial o tópico 4. A DRJ entendeu que no presente caso não restou definitivamente comprovado que as despesas glosadas não estão vinculadas às transações ou operações exigidas pela atividade da interessada e à manutenção da respectiva fonte produtora dos recursos ou rendimentos. Os Julgadores "a quo" entenderam também que a fiscalização adotou um critério para apurar o valor das despesas glosadas que é, em princípio, pouco usual e não encontra guarida no ordenamento jurídico, haja vista que a apuração dos valores de despesas financeiras desnecessárias se deu a partir da média aritmética diária dos valores dos ativos mantidos pela interessada contra pessoas jurídicas a ela relacionadas. Ativos estes que, digase, em grande parte dos casos gerados em anos anteriores ao fiscalizado. Assim, a DRJ proferiu decisão no sentido de que o critério utilizado pela fiscalização não se presta a determinar que as despesas são desnecessárias e, portanto, indedutíveis no lucro real e na base de cálculo da CSLL do ano calendário de 2009, eis que não houve a necessária análise individualizada das despesas, com fundamentos sólidos que levassem a considerálas indedutíveis/desnecessárias, deixando de satisfazer condição que entende como fundamental neste tipo de autuação. A partir da metodologia estabelecida pela Fl. 2279DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.280 28 fiscalização um percentual global das despesas foi considerada desnecessária, sem fundamentos individualizados por gastos. Também afirma não ter encontrado elementos de prova de que ocorreu repasse de empréstimos a terceiros com a manutenção dos custos financeiros para a interessada, até porque foram consolidadas operações (ativas e passivas) celebradas em períodos distintos e com taxas de juros discrepantes. Ademais, a DRJ aduz que o saldo médio dos ativos, que é a média aritmética simples dos saldos finais diários das contas patrimoniais analíticas referentes aos empréstimos concedidos a partes relacionadas, é fortemente influenciado por valores referentes a operações acontecidas em anos anteriores, que constituíram o saldo inicial das respectivas contas analíticas em 01/01/2009, bem como que o valor tido por indedutível partiu, portanto, de um exercício de raciocínio lógico por parte da Auditoria Fiscal, que flexibilizou indevidamente a estrita vinculação à lei a que deve se submeter obrigatoriamente a atividade administrativa do lançamento tributário. Sendo assim, face os argumentos da DRJ acima indicados, entendo que a razão está com a Recorrente e utilizo os fundamentos do v.acórdão recorrido para fundamentar meu voto. Vejamos a parte do voto condutor do v. acórdão "a quo". 7. Da glosa de despesas financeiras consideradas indedutíveis, por desnecessárias, relacionadas à coexistência de passivos financeiros e desconto antecipado de títulos com empréstimos concedidos a partes relacionadas: 7.1. Segundo a fiscalização, a interessada concedeu empréstimos não remunerados a partes relacionadas e manteve, concomitantemente, passivos financeiros decorrentes de empréstimos contraídos perante instituições financeiras e despesas com o desconto antecipado de títulos, gerando despesas financeiras à taxa média de 17,7517% ao ano. 7.2. A fiscalização entende que parte do valor dessas despesas financeiras são indedutíveis para fins tributários, tanto no lucro real quanto na base de cálculo da CSLL, haja vista não atender ao requisito legal da necessidade. O valor total considerado indedutível apurado é de R$3.963.549,48, resultante da multiplicação do valor do saldo médio dos empréstimos concedidos pelo valor da diferença entre as taxas de juros passivas e ativas. O saldo médio dos empréstimos concedidos foi obtido a partir da média aritmética simples dos saldos finais diários das contas patrimoniais analíticas referentes aos empréstimos concedidos a partes relacionadas. 7.3. Argumenta a interessada o seguinte: a) os juros decorrentes de operações de crédito relacionadas às atividades operacionais de uma pessoa jurídica qualificamse como necessários, pois os recursos captados são aplicados em sua fonte produtora de renda; b) as despesas oriundas de operações de crédito celebradas com instituições financeiras Fl. 2280DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.281 29 e empresas de factoring, em condições de mercado, foram glosadas simplesmente em razão de deter créditos em aberto contra empresas relacionadas oriundas de operações contratadas anos antes; c) seria necessário a demonstração de uma efetiva vinculação entre a captação e o subsequente repasse dos recursos captados realizado a uma taxa de juros inferior, para evidenciar a desnecessidade da despesa incorrida, o que justificaria a sua indedutibilidade; d) a mera existência de passivos financeiros onerados a taxas mais altas do que aquelas aplicáveis a ativos financeiros mantidos pela pessoa jurídica não é suficiente para ensejar a indedutibilidade das despesas financeiras incorridas; e) admitir a linha desenvolvida pela fiscalização é atribuir um total subjetivismo à análise do requisito da necessidade das despesas, a ser observado para fins da sua dedutibilidade, além de admitir uma indesejada intromissão da fiscalização na administração dos negócios das empresas; f) a apuração da indedutibilidade de despesas financeiras a partir dos supostos saldos médios e taxas de juros médias de ativos e passivos financeiros não tem suporte em norma legal; g) não é razoável tratar de forma uniforme e consolidada operações celebradas em períodos distintos e com taxas de juros absolutamente discrepantes; h) o procedimento adotado pela fiscalização quantifica a glosa efetuada com foco nos ativos financeiros em aberto no período, e não nos passivos financeiros contratados e nas despesas incorridas e constitui um inaceitável arbitramento de valores de despesas indedutíveis, uma indedutibilidade apurada por vias transversas, a partir de ativos, e não de passivos. 7.4. Do enquadramento legal mencionado no termo de verificação fiscal, convém citar o artigo 299 do RIR/99, verbis: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização de transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. 7.5. Vêse que a legislação cuidou de definir que para enquadrar determinadas despesas como operacionais e, conseqüentemente, dedutíveis, o alcance do termo “necessárias” se dá no sentido de estarem ou não as referidas despesas vinculadas às transações ou operações exigidas pela atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora dos recursos ou rendimentos. 7.6. A intenção do legislador ao editar as normas previstas no art. 299 do RIR/99 foi a de não permitir que os contribuintes Fl. 2281DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.282 30 deduzissem no lucro real despesas não relacionadas à sua atividade, ou que igualmente computassem na base de cálculo do IRPJ despesas relacionadas a pagamentos em favor de sócios, pessoas físicas ou jurídicas, sem que tais desembolsos guardem nexo direto com as atividades produtivas. 7.7. É neste sentido que se posicionou a Administração Tributária através do Parecer Normativo CST nº 32/81, quando opinou por ser dedutível na formação do lucro real das empresas adquirentes de fumo, segundo os critérios de necessidade e usualidade, as despesas com reembolso aos produtores rurais dos encargos de financiamentos bancários, contratados especificamente para a aquisição de suprimentos agrícolas e para a construção de equipamentos da atividade, quando tais valores foram comprovadamente ressarcidos ao produtor rural. 7.8. Ainda sobre a necessidade de despesas, vale citar Edmar Oliveira Andrade Filho (Andrade Filho, Edmar Oliveira. “Imposto de Renda das Empresas” 2ª ed. – São Paulo: Atlas, 2005, p. 144), segundo o qual, verbis: “a necessidade ou normalidade do gasto é questão de fato que só pode ser aquilatada diante de casos concretos. Um gasto não usual ou não ordinário pode, em certas circunstâncias, ser útil para a sociedade e para a empresa se visa à boa marcha ou ao incremento de suas atividades ou se tem por finalidade proteger bens tangíveis e intangíveis afetos aos interesses delas. Dentro dessa perspectiva, mesmo os gastos realizados a título de liberalidade podem, em certas circunstâncias, ser admitidos como dedutíveis; basta que o gasto tenha alguma relação com a função social da empresa, princípio pelo qual o empreendimento econômico é visto como um centro de aglutinação de interesses dos sócios, dos empregados, dos entes públicos e, enfim, de toda a comunidade.” 7.9. Por tudo isso, entendo que quesitos como necessidade, usualidade e normalidade são critérios subjetivos e que dependem de boa dose de razoabilidade na análise da dedutibilidade de determinado gasto. Devese ter em conta que a imaginação humana é ilimitada. Por isso, abrir precedentes para que a fiscalização questione decisões empresariais, analisando a necessidade de determinadas despesas exclusivamente sob a ótica do benefício financeiro advindo para o empreendimento, descaracteriza o lançamento de tributos como atividade administrativa plenamente vinculada, conforme previsto no art. 142 do CTN. Como conseqüência, toda decisão empresarial criadora de despesas estaria sujeita a questionamentos pela fiscalização, sob argumentos de que outra decisão seria a mais correta, ou mais econômica que a adotada, e que a despesa criada seria, por isso, desnecessária. Nesse sentido, os fundamentos em que se baseiam eventuais glosas de despesas não devem invadir a esfera das decisões empresariais para enquadrar as mesmas como desnecessárias. Fl. 2282DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.283 31 7.10. É certo que no Direito existe o princípio de que “a prova cabe a quem alega”. Tal princípio se aplica também ao direito tributário e está inserido na legislação do imposto de renda. De acordo com o art. 923 do RIR/99, “a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”, e que o art. 924 do RIR/99 determina que “cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior”. Assim, salvo nos casos das presunções legais, onde há inversão do ônus da prova, que é transferida expressamente ao contribuinte, entendo que cabe ao Fisco provar que os fatos registrados na contabilidade do contribuinte são inverídicos; no caso concreto, se a interessada escriturou as despesas entendendo as mesmas necessárias, deveria a fiscalização apresentar provas concretas e irrefutáveis que provassem o contrário. 7.11. No presente caso, entendo que não restou definitivamente comprovado que as despesas glosadas não estão vinculadas às transações ou operações exigidas pela atividade da interessada e à manutenção da respectiva fonte produtora dos recursos ou rendimentos. 7.12. Resta dizer ainda que a fiscalização adotou um critério para apurar o valor das despesas glosadas que é, em princípio, pouco usual e não encontra guarida no ordenamento jurídico, haja vista que a apuração dos valores de despesas financeiras desnecessárias se deu a partir da média aritmética diária dos valores dos ativos mantidos pela interessada contra pessoas jurídicas a ela relacionadas. Ativos estes que, digase, em grande parte dos casos gerados em anos anteriores ao fiscalizado. 7.13. Entendo que este critério não se presta a determinar a priori que as despesas são desnecessárias e, portanto, indedutíveis no lucro real e na base de cálculo da CSLL do ano calendário de 2009, porque: 7.13.1. não houve a necessária análise individualizada das despesas, com fundamentos sólidos que levassem a considerá las indedutíveis, por serem desnecessárias, condição que entendo como fundamental neste tipo de autuação. A partir da metodologia estabelecida pela fiscalização um percentual global das despesas foi considerada desnecessária, sem fundamentos individualizados por gastos; 7.13.2. não há elementos de prova de ter havido repasse de empréstimos a terceiros com a manutenção dos custos financeiros para a interessada, até porque foram consolidadas operações (ativas e passivas) celebradas em períodos distintos e com taxas de juros discrepantes; Fl. 2283DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.284 32 7.13.3. o saldo médio dos ativos, que é a média aritmética simples dos saldos finais diários das contas patrimoniais analíticas referentes aos empréstimos concedidos a partes relacionadas, é fortemente influenciado por valores referentes a operações acontecidas em anos anteriores, que constituíram o saldo inicial das respectivas contas analíticas em 01/01/2009. 7.14. O valor tido por indedutível partiu, portanto, de um exercício de raciocínio lógico por parte da Auditoria Fiscal, que flexibilizou indevidamente a estrita vinculação à lei a que deve se submeter obrigatoriamente a atividade administrativa do lançamento tributário. 7.15. Neste sentido, voto pela improcedência dos lançamentos quanto a este item, pois entendo que faltam argumentos suficientes para formar convicção de que as despesas são, de fato, desnecessárias à atividade da interessada, de modo a justificar a inclusão do valor de R$3.963.549,48 nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Desta forma, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício, mantendo o v. acórdão recorrido em relação a esta acusação. 3 Da glosa de despesas financeiras consideradas indedutíveis, devido a fiscalização considerálas desnecessárias por serem relacionadas à coexistência de investimento em debêntures emitidas pela controladora com passivos financeiros e desconto antecipado de títulos: Segundo o TVF de fls. 26/77, nas Demonstrações Contábeis do ano calendário de 2009 (fls. 1098 e 1099) consta que a Recorrida mantinha ativos referentes a investimentos em debêntures nos montantes indicados no quadro abaixo: Fl. 2284DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.285 33 De acordo com o constatado pela Fiscalização, a Recorrida mantinha no AC 2009 mais de R$ 145 milhões em debêntures emitidas por MDF ADMINISTRAÇÃO DE BENS S.A., títulos esses dados em pagamento por outra empresa ligada, a CECRISA S/A PISOS E AZULEJOS. No item 1.4 do TIF nº 1 (fls. 93 e 94) foi solicitado à Recorrida que apresentasse o contrato que deu suporte à transferência das debêntures da CECRISA S.A. PISOS E AZULEJOS para a autuada, a cópia da escritura de emissão das debêntures e informação acerca da receita auferida no anocalendário de 2009 por conta do investimento em análise. Ao responder a Recorrida apresentou os seguintes documentos: Instrumento Particular de Escritura da 1ª emissão privada de debêntures não conversíveis em ações (fls. 112 a 117); Primeiro Aditivo ao Instrumento Particular de Escritura da emissão privada de debêntures (fl. 118); Instrumento Particular de Compra e Venda de Ações (fls. 108 e 109); e Instrumento Particular de Dação em Pagamento (fls. 110 e 111). Ao analisar tal documentação, a fiscalização constatou o seguinte: (1) Em 30/11/2002, a MDF ADMINISTRAÇÃO DE BENS S.A., CNPJ 85.300.903/000140 (à época denominada SANTA CLARA – ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A) emitiu 145.810 debêntures não conversíveis em ações com o valor nominal de R$ 145.810.000,00, as quais foram subscritas pela CERÂMICA CRICIÚMA S/A, CNPJ 83.647.289/000162 (atualmente denominada DINISA DISTRIBUIDORA DE INSUMOS INDUSTRIAIS S/A) e integralizadas com 2.151.440 ações da ANGRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, CNPJ 01.731.153/000171. (2) Em 23/07/2004, a CERÂMICA CRICIÚMA S/A (atual DINISA) transferiu as debêntures para CECRISA S/A PISOS E AZULEJOS, CNPJ 01.264.162/000108, nos mesmos termos e condições na Escritura de Emissão. Fl. 2285DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.286 34 (3) Também em 23/07/2004, a CECRISA S/A PISOS E AZULEJOS adquiriu da Recorrida ações da empresa KLACE S/A PISOS E AJULEJOS, CNPJ 50.629.385, pelo valor de R$ 95.431.250,00 (atualizados até dezembro de 2004) – vide fl. 110. A fiscalização também analisou o Parecer dos Auditores Independentes relativo ao AC 2004 (fl. 996) onde consta mais detalhes acerca da origem da dívida da CECRISA S/A PISOS E AZULEJOS perante a Recorrida, o qual colaciono trecho pertinente e utilizado no TVF: 5 Conforme mencionado na nota explicativa 10 às demonstrações financeiras [do AC 2004], durante o exercício de 2003 e de 2004 a companhia vendeu, para a empresa relacionada Cecrisa S.A. Pisos e Azulejos, imóvel integrante da unidade industrial 2 localizado na cidade de Tubarão e ações da controlada Klace S.A. Pisos e Azulejos. O valor de venda do imóvel, no montante de R$ 30.000 mil, em 2003, foi definido com base em laudo de avaliação emitido por perito independente, tendo sido apurado ganho no montante de R$ 24.669 mil, registrado na rubrica de receitas não operacionais daquele exercício, conforme mencionado na nota explicativa 20 às demonstrações financeiras. Já a venda das ações, ocorrida em 2004, no montante de R$ 67.232 mil, foi efetuada pelo seu valor contábil sem a geração de ganhos ou perdas. Durante o exercício de 2004, a companhia procedeu à atualização desses valores, reconhecendo receitas financeiras no montante de R$ 6.468 mil registradas no resultado do exercício. Em 31 de dezembro de 2004, o valor total de R$ 107.777 mil ainda a receber de referida empresa relacionada encontrase registrado na rubrica partes relacionadas, no ativo realizável a longo prazo. A efetiva realização desse valor depende de ações da administração conforme descrito na nota explicativa 10 às demonstrações financeiras. (4) Em 31/12/2007, a CECRISA S/A PISOS E AZULEJOS quitou parte de sua dívida perante a Recorrida (mais precisamente R$ 90 milhões) mediante a dação em pagamento das 145.810 debêntures emitidas pela MDF ADMINISTRAÇÃO DE BENS S.A. Conforme ATA de Reunião do Conselho de Administração (fls.2054) quem subscreveu o Instrumento Particular de Dação em Pagamento, tanto por parte da CECRISA S/A PISOS E AZULEJOS quanto da CECRISA REVESTIMENTOS CERÂMICOS S.A., foram diretores da Autuada, quais sejam, o então Presidente ROGÉRIO GUSTAVO ARNS SAMPAIO e o Diretor de Relações com Investidores SCHAJE SANTIAGO STERNBERG GUINEZ. Frente a tais fatos e documentos, a fiscalização verificou que as operações com as debêntures envolveram, direta ou indiretamente, cinco empresas. Quatro delas já constavam do rol de “partes relacionadas” indicadas pela Recorrida na Nota Explicativa nº 10 do anocalendário de 2009 (vide Figura 4 e fl. 1097), a saber: DINISA DISTRIBUIDORA DE INSUMOS INDUSTRIAIS S/A (antes denominada CERÂMICA CRICIÚMA S/A), CECRISA S/A PISOS E AZULEJOS, ANGRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A e KLACE S/A PISOS E AJULEJOS. A quinta empresa – MDF ADMINISTRAÇÃO DE BENS Fl. 2286DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.287 35 S.A. – que é a emissora das debêntures, controlava indiretamente a Autuada à época das operações, como mostrado na Figura 7, a seguir. Figura 7 Controle societário da FISCALIZADA no AC 2009 (fonte: DIPJs do AC 2009 Ficha 60 – Identificação de sócios ou titular) A fiscalização também destacou no TVF (fl.23 do TVF) algumas características das debêntures tais como, 1 a não incidência de correção monetária; 2 não possuírem garantias; 3 remuneração com 5% dos lucros líquidos anuais distribuíveis pela emissora; 4 carência de cinco anos e 5 prazo de vinte anos (vencimento em 30/11/2022). Outro ponto importante destacado pela fiscalização reside no fato de as então controladoras direta e indireta da Recorrida (ANGRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A e MDF ADMINISTRAÇÃO DE BENS S.A., respectivamente) serem empresas com atividade operacional inexistente ou pouco relevante. Seus principais ativos consistiam, basicamente, em participações detidas noutras empresas. A fiscalização também constatou que a Recorrida recebeu debêntures emitidas por sua controladora indireta (MDF ADMINISTRAÇÃO DE BENS S.A.) dadas em pagamento por uma empresa ligada (CECRISA S/A PISOS E AZULEJOS) em razão da venda de ações de outra empresa ligada (KLACE S/A PISOS E AJULEJOS) e considerando a estrutura societária daquela época, conforme figura acima, a remuneração dessas debêntures era preponderantemente sensibilizada pelos lucros da própria debenturista e correspondia a 5% dos lucros líquidos distribuíveis, “assim considerados os lucros efetivamente realizados a cada exercício social e desde que a emissora disponha de recursos financeiros próprios para efetuar o pagamento [...]” (vide item 3.9 da Escritura de Emissão à fl. 113) Em resposta ao item 1.4.c do TIF nº 1 (fl. 94), a Recorrida informou ter auferido receita de R$ 106.166,32 a título de remuneração das debêntures no AC 2009 (fl. 119), conforme os lançamentos contábeis transcritos na Tabela 7 colacionada as fl.24 do TVF. Desta forma, frente as constatações da fiscalização acima indicadas no meu voto, percebese a artificialidade e atipicidade das operações que culminaram com o recebimento das debêntures no ano de 2007, sendo que a Recorrida trocou R$ 90 milhões em notas promissórias a receber da CECRISA S/A PISOS E AZULEJOS (conforme Nota Fl. 2287DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.288 36 Explicativa 10 da Demonstrações Contábeis do anocalendário 2007) por um “investimento” em debêntures de emissão de sua própria controladora, sem incidência de correção monetária, sem garantias resgatáveis até o ano de 2022 e remuneradas com, apenas, 5% dos lucros líquidos distribuíveis pela emissora. Assim, devido a tais constatações da fiscalização, entendo que a glosa das despesa relativa as operações com as debêntures não preenchia os requisitos de usuallidade, necessidade e normalidade do artigo 299 do RIR/99, eis que no anocalendário de 2009 a Recorrida detinha mais de R$ 145 milhões em debêntures emitidas por sua controladora indireta, títulos esses não sujeitos à correção monetária, desprovidos de garantia e com uma rentabilidade baixa (de 0,0728% ao ano no AC 2009). Desta forma, voto por conhecer do Recurso de Ofício e dar provimento em relação a esta parte, para reformar a r. decisão "a quo" e restabelecer a glosa das despesas em comento. Por fim, entendo que os autos devem retornar para a DRJ para que as outras alegações feitas na impugnação em relação a esta matéria, tais como a de erros cometidos pela fiscalização no cálculo da apuração da despesa considerar indedutível, sejam analisadas, sob pena de supressão de instância. 4 Das compensações de prejuízos: Em relação a compensação de prejuízos, entendo que o julgamento deste item deve ser revisto após o julgamento dos outros argumentos postos na impugnação referentes a glosa de despesas relativas as operações com debêntures, eis que pode ser alterado conforme o que for decidido pela DRJ. Caso vencido, então acolho os fundamentos do v. acórdão recorrido e colaciono abaixo a parte pertinente. 9. Das compensações de prejuízos: 9.1. As infrações apuradas na presente ação fiscal fizeram com que o resultado tributável do AC 2009 passasse de prejuízo fiscal de R$28.306.156,68 para lucro real de R$78.853.072,89. No ano calendário de 2013 a interessada apurou lucro líquido ajustado de R$57.889.759,80, o qual foi compensado com PF e BCN de períodos de apuração anteriores, de forma que o resultado tributável declarado pela interessada para o AC 2013 foi de R$40.522.831,8646. 9.2. Entretanto, como consequência da mencionada correção do resultado fiscal do ano calendário de 2009, o saldo de PF e BCN compensável no ano calendário de 2013 passou a ter valor inferior ao compensado pela interessada, e ao invés dos R$17.366.927,94 compensados pela interessada, o saldo de PF e Fl. 2288DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.289 37 BCN disponível para compensação no ano calendário de 2013, na forma dos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065, passou a ser de R$16.805.782,22. 9.3. Assim, no tocante ao ano calendário de 2013 o procedimento fiscal atevese à glosa parcial da compensação de PF e BCN, na proporção do que excedeu o saldo efetivamente disponível para tal, o que resultou na inclusão de R$561.145,72 (R$17.366.927,94 – R$16.805.782,22) nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do ano calendário de 2013, valor correspondente à compensação indevida efetivada pela interessada naquele período. 9.4. Tendo em vista que o presente voto entendeu por considerar integralmente improcedente os lançamentos do IRPJ e da CSLL, temse que fica restabelecido o resultado do anocalendário de 2009, na forma e no valor (prejuízo fiscal de R$28.306.156,68) apurado pela interessada. Como conseqüência, o estoque de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL passa a ser suficiente para as compensações efetuadas pela interessada, não havendo mais compensação indevida das respectivas bases de cálculo em 2013. 9.5. Pelo exposto, restam improcedentes os lançamentos que promoveram a adição de R$561.145,72 (R$17.366.927,94 – R$16.805.782,22) nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do AC 2013. 9.6. Esclareço que não se demonstraram necessários eventuais ajustes no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil que controla os saldos de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL, Sapli, pois quando da fiscalização tais ajustes não foram efetuados. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso de Ofício e dou parcial provimento, para reformar a acusação indicada no item 3 relativa a glosa de despesas com debêntures, determinando o retorno do processo para a Instância "a quo" para que as outras alegações feitas pela Recorrida relativas ao item 3 sejam analisadas. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Fl. 2289DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.290 38 Voto Vencedor Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, Redator Designado. Com a devida vênia, ouso discordar do entendimento adotado pelo I. Conselheiro Relator, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, em seu profundo e preciso voto, especificamente em relação à Infração nº 0003 da Autuação em tela, referente à glosa de despesas financeiras consideradas indedutíveis, por desnecessárias, relacionadas à coexistência de investimento em debêntures emitidas pela controladora com passivos financeiros e desconto antecipado de títulos. Primeiramente, como fundamento primordial, para todos os fins e efeitos, adotase o art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, pela concordância meritória absoluta com o v. Acórdão recorrido, quando trata deste tema. Confirase suas razões: 8.1. A Auditoria Fiscal apurou que no AC 2009 a interessada detinha mais de R$ 145 milhões em debêntures emitidas por sua controladora indireta, investimento este que teria lhe proporcionado uma rentabilidade de 0,0728% ao ano, taxa esta muito inferior àquela incidente sobre os empréstimos contraídos perante instituições financeiras e sobre os descontos antecipados de títulos, que foi de 17,7517% ao ano. A fiscalização entende que parte das despesas financeiras incorridas pela interessada é indedutível para fins tributários, haja vista não atender ao requisito legal de necessidade. A parte indedutível foi apurada a partir da aplicação da diferença entre as taxas passiva e ativa sobre o saldo médio dos investimentos em debêntures, resultando no montante de R$25.777.561,29, valor que foi incluído de ofício nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do AC 2009. 8.2. A interessada contesta o lançamento, alegando que a mera possibilidade de obtenção de lucro já é suficiente para justificar a aquisição de debêntures participativas em discussão, e ainda que o efetivo retorno obtido no anocalendário de 2009 em seu investimento nas debêntures fosse de 0,00%, é fato que esse retorno poderia ter sido muito superior caso a empresa emissora das debêntures tivesse auferido um lucro significativo no período, o que a interessada entende ser suficiente para Fl. 2290DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.291 39 assegurar a dedutibilidade das despesas financeiras incorridas e associadas pela fiscalização às operações de debêntures. Alega que se trata, exclusivamente, de uma decisão empresarial, sobre a qual o Fisco não pode ter qualquer ingerência. A interessada também contesta a sistemática de cálculo do montante de despesas financeiras tidas por desnecessárias, argumentando ainda que mesmo que jamais viesse a auferir receitas de juros oriundas de tal investimento em debêntures, o mesmo já terá sido altamente lucrativo para ela (interessada), porque as debêntures em questão possuíam valor de face de R$145.810.000,00, porém foram adquiridas pelo valor de apenas R$90.000.000,00, ou seja, com um deságio de R$55.810.000,00, diferença essa já inclusive reconhecida e incluída no resultado contábil de 2007. Entende a interessada que este valor deveria ser levado consideração na apuração da rentabilidade do investimento em questão. 8.3. Constatase, assim como na infração abordada no item 7 do presente voto, que a fiscalização entendeu que parte das despesas financeiras incorridas pela interessada são desnecessárias em virtude de a mesma ser detentora de ativos remunerados a taxas de juros inferiores às aplicadas sobre seus passivos financeiros. Por isso, os mesmos argumentos que utilizei para entender como improcedente o lançamento referente à infração abordada no item 7 do presente voto são aplicáveis à infração ora analisada. Em particular e principalmente, porque se chegou ao montante de despesa desnecessária através de uma presunção simples, onde despesas financeiras são tidas por desnecessárias mediante comparação com rentabilidade de um ativo adquirido dois anos antes do ano calendário fiscalizado. Deixouse de individualizar cada uma das despesas, com a apresentação de fundamentos sólidos que levassem ao entendimento que as mesmas são desnecessárias. 8.4. No caso ora analisado a fiscalização adentra mais ainda no mérito de decisões empresariais para entender como desnecessárias as despesas. Ocorre que as decisões empresariais são tomadas, na maioria das vezes, com graus variados de incerteza quanto ao sucesso ou insucesso de determinada alternativa. Já a fiscalização ocorre tempos após, quando já se tem como avaliar se a decisão tomada à época foi ou não a mais correta sob a ótica financeira. Ademais, entendo que o fato de ocorrer baixa remuneração financeira de ativos não significa, necessariamente, que despesas financeiras devam ser tidas por desnecessárias. Surgem daí dois questionamentos: Ainda haveria infração, com a consequente autuação fiscal, se os ganhos financeiros com as debêntures fossem superiores às despesas financeiras relacionadas aos empréstimos suportadas pela interessada? As despesas financeiras relacionadas aos passivos, que foram incluídas de ofício nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, deixariam a condição de não necessárias caso os ativos (debêntures) fossem mais lucrativos financeiramente? 8.5. Ressalto ainda que o retorno financeiro das debêntures calculado pela fiscalização não considerou eventual ganho Fl. 2291DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.292 40 relacionado à diferença entre o custo de aquisição do ativo, que girou em torno de R$90 milhões, e o valor de face das debêntures, que é de R$145 milhões. 8.6. Pelo exposto, entendo que é improcedente o lançamento que incluiu nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL o valor de R$25.777.561,29, por falta de fundamentos sólidos que não deixem sombras de dúvidas que as despesas financeiras são desnecessárias. Reforçando aquilo exposto pelo I. Julgador a quo, temos que a fundamentação para a glosa de tais despesas, mediante a conclusão obtida pela Autoridade Fiscal de sua desnecessidade, é baseada em cálculo da média da rentabilidade obtida com as debêntures, considerando inclusive anos anteriores, em confronto com as taxas de empréstimos contraídos. E sequer a quantificação da glosa baseouse em verificação concreta das despesas efetivamente incorridas, consideradas, então, desnecessárias (e, logo, indedutíveis). Na verdade, o que houve foi uma estimativa, baseada em presunções e cálculos finalísticos, que observaram cenário posterior à contração dos investimentos correspondentes à despesas, procedido pela própria Fiscalização. Data maxima venia, não pode ser convalidada tal manobra para se perpetrar lançamento de ofício arrimado em glosa de despesas, como se extrai do art. 142 do CTN, quando trata de determinar a matéria tributável. Também é certo que, quando se procede a investimento com retorno variável, sujeito a risco, é totalmente incerto o seu sucesso financeiro (e frisese que, no presente caso, como apontado pela DRJ, a Contribuinte comprova vantajoso deságio na aquisição de tais papeis, fato esse desconsiderado na análise da Autoridade Fiscal na ponderação do resultado financeiro percebido). Nesse sentido, a constatação ulterior de que um investimento foi ruim ou pouco proveitoso não pode ser a justificativa para a glosa das despesas correspondentes mesmo quando as taxas de financiamento da sociedade mostramse maiores do que o retorno de tal aposta financeira. Por fim, em momento algum foi comprovado qualquer desvio no seu endividamento e na motivação dos seus investimentos, favorecendo outra companhia ou terceiro, ainda que a emissora das debêntures fosse empresa do mesmo grupo societário fato este que, isoladamente, não basta para motivar legalmente a glosa procedida. Posto isso, deve ser mantido o v. Acórdão recorrido em relação ao cancelamento de tal Infração. Fl. 2292DF CARF MF Processo nº 11516.722840/201447 Acórdão n.º 1402003.281 S1C4T2 Fl. 2.293 41 Diante do exposto, nego provimento ao Recurso de Ofício em relação à Infração nº 0003, que trata da glosa de despesas financeiras consideradas indedutíveis, por desnecessárias, relacionadas à coexistência de investimento em debêntures emitidas pela controladora com passivos financeiros e desconto antecipado de títulos, mantendo o cancelamento da exação fiscal. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 2293DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002911/2010-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
MULTA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 2401-005.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira, que acolhiam os embargos, dando-lhes efeitos infringentes, para tornar insubsistente o lançamento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Cleberson Alex Friess, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira, que acolhiam os embargos, dando-lhes efeitos infringentes, para tornar insubsistente o lançamento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Cleberson Alex Friess, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira, que acolhiam os embargos, dandolhes efeitos infringentes, para tornar insubsistente o lançamento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Cleberson Alex Friess, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 29 11 /2 01 0- 80 Fl. 557DF CARF MF Processo nº 19515.002911/201080 Acórdão n.º 2401005.703 S2C4T1 Fl. 558 2 Relatório Cuidase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, encartado às 362/370, em face do Acórdão nº 2401003.827, prolatado pela 1ª Turma da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, cuja ementa restou assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Considerando que o objeto da autuação é a ausência de declaração do fato gerador em GFIP, é devida a aplicação da multa nos termos da atual redação do artigo 32A da Lei 8.212/91, por se tratar de penalidade mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, alínea c, do CTN). Tal penalidade aplicase apenas parte remanescente da obrigação principal (janeiro/2007 a março/2007). PREJUDICIALIDADE. JULGAMENTO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RECONHECIMENTO. IMUNIDADE/ISENÇÃO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DESTINADA A TERCEIROS. NÃO SUBSISTE MULTA PUNITIVA DIANTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Reconhecida o benefício da imunidade/isenção à Recorrente no período compreendido entre abril/2007 e dezembro/2007, não subsiste a cobrança de obrigação acessória em relação a tal período. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS REPLEG. MEDIDA ADMINISTRATIVA. Constitui peça de instrução do processo administrativofiscal previdenciário o Anexo REPLEG, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de autuação, medida meramente administrativa, com a finalidade de subsidiar a Procuradoria da Fazenda Nacional em eventual necessidade de execução judicial. Recurso Voluntário Provido em Parte.Entende a embargante que ocorreu omissão quanto ao reconhecimento da imunidade tendo em vista o cumprimento dos requisitos doa artigo 14 do Código Tributário Nacional, bem assim erro material quanto à data de protocolo do pedido de CEBAS realizado pelo sujeito passivo. Entende a embargante que ocorreu omissão quanto ao reconhecimento da imunidade tendo em vista o cumprimento dos requisitos doa artigo 14 do Código Tributário Nacional. Às fls. 546/549, consta despacho de admissibilidade dos presentes aclaratórios que, em resumo, concluiu: Da alegada omissão Fl. 558DF CARF MF Processo nº 19515.002911/201080 Acórdão n.º 2401005.703 S2C4T1 Fl. 559 3 Segundo os embargos, o presente acórdão nada teria disposto “acerca da alegação da Embargante quanto à inadequação do tratamento que lhe foi conferido pelas autoridades fiscais, enquanto entidade imune, nos termos previstos pela Constituição Federal”, em especial quanto ao cumprimento dos requisitos previstos no art. 14 do CTN. Pois bem, compulsando o Recurso Voluntário, fls. 195 a 225, constatase que, em vários momentos, o Recorrente alega ter cumprido os requisitos previstos no art. 14 do CTN, para gozo da imunidade, conforme se observa no excerto a seguir transcrito: Desta forma, no que se refere ao Período de 01/01/2007 a 18/04/2007, no qual a Recorrente não comprovou ser portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS previsto pela Lei ordinária nº 8.212/91, e no que se refere ao Período de 19/04/2007 a 31/12/2007, no qual apesar de ter havido deferimento do certificado pelo CNAS, a Recorrente não apresentou o Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias previsto pelo Decreto nº 3.048/99 não há que se falar que a Recorrente não faz jus à imunidade das contribuições sociais uma vez que, conforme acima explicitado, tratase de entidade comprovadamente imune que deve atender apenas aos requisitos do art. 14 do Código Tributário Nacional, que é a lei complementar competente para regular o benefício constitucional ora analisado. No voto condutor do acórdão embargado, porém, para o período de 1º/1/07 a 18/4/07, é feita referência apenas ao art. 55 da Lei 8.212/91, sem qualquer menção ao art. 14 do CTN, em que pese ter sido invocado no Recurso Voluntário. Portanto, temse por configurada a omissão no acórdão embargado quanto à aplicação do art. 14 do CTN ao presente caso. Do pedido de sobrestamento do processo Quanto ao pedido de sobrestamento do presente processo, insta destacar que não cabe a análise de tal demanda em sede de Embargos de Declaração, os quais visam, tãosomente, o saneamento de eventual omissão, contradição e obscuridade na decisão embargada. Conclusão Diante do exposto, admitemse os embargos, para que sejam incluídos em pauta de julgamento e apreciada a omissão e o erro material apontados. Ressaltese, todavia, que a presente análise se restringe à admissibilidade dos embargos, sem uma apreciação exauriente das questões apresentadas, a qual será procedida quando do julgamento pelo colegiado. Considerando que a Relatora não integra mais a Turma Julgadora, o processo deverá ser sorteado para relatoria, no âmbito da Turma, nos termos da Portaria CARF nº 34, de 31/08/2015, art. 5º, inciso II, alínea "a". É o relatório. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 19515.002911/201080 Acórdão n.º 2401005.703 S2C4T1 Fl. 560 4 Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator De início, convém destacar que por força de Liminar em Mandado de Segurança (Processo nº 101178881.2018.4.01.3400), em face da autoridade coatora Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção, o presente processo foi distribuído para minha relatoria e incluído na pauta do mês de agosto de 2018, considerando que a decisão judicial determinou o prazo de 30 (dias) para julgamento dos Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passiva passivo. Os embargos de declaração atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. No âmbito do processo administrativo fiscal, os embargos de declaração representam instrumento processual com a finalidade de eliminar do julgamento obscuridade, contradição ou omissão entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma, prestando, assim, como instrumento de aperfeiçoamento do julgado (art. 65 do Regimento Interno do CARF). Também serve para correções de alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão (art. 66 do RICARF). Portanto, não se prestam para o reexame de matéria decidida em acórdão ou ainda para incluir novos argumentos jurídicos, considerando que o efeito infringente deve ser admitido em situações excepcionais. O crédito tributário (debcad nº 37.162.7524), controlado nos autos, abrange a multa aplicada a pessoa jurídica por apresentar documento com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, previsto na Lei nº 8.212, de 1991, art. 32, IV e parágrafo 5, também acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Em sede de impugnação, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Brasil de origem manteve a integralidade do lançamento. Este colegiado no julgamento realizado em sessão do dia 21 de janeiro de 2015, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir do Auto de Infração DEBCAD n° 37.162.7524 a obrigação acessória referente aos fatos geradores compreendidos entre os meses de abril a dezembro de 2007, em decorrência do resultado do julgamento dos DEBCAD de nºs 37.304.0555 (Processo Administrativo n. 19515002909201019) e 37.180.0854 (Processo Administrativo n. 19515002910201035). II) Por maioria de votos, dar provimento parcial, em relação ao período compreendido entre janeiro/2007 e março/2007, para recalcular a multa aplicada com base na norma contida na atual redação do art. 32A da Lei n. 8.212/91, em face da retroatividade benigna, vencidos os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira votaram para que a multa ficasse limitada ao valor calculado conforme o art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, deduzidas as multas aplicadas nas NFLD correlatas. Matéria dos embargos Fl. 560DF CARF MF Processo nº 19515.002911/201080 Acórdão n.º 2401005.703 S2C4T1 Fl. 561 5 Omissão quanto ao reconhecimento da imunidade O acórdão combatido reconheceu à embargante a condição de entidade imune às contribuições previdenciárias, pelo período de 19/04/2007 a 31/12/2007, por ser portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, afastando, portanto, a multa em relação ao referido período. No que toca ao período de 01/01/2007 a 18/04/2007, aduz que o acórdão nada dispõe acerca da alegação da Embargante quanto à inadequação do tratamento que lhe foi conferido pelas autoridades fiscais. Salienta que a imunidade às contribuições previdenciárias deve ser reconhecida a partir do cumprimento dos requisitos exigidos pelo art. 14 do Código Tributário Nacional. Analisando o acórdão recorrido, verificase claramente que não houve manifestação do colegiado sobre à aplicação dos requisitos art. 14 do Código Tributário Nacional. Portanto, está caracterizada a omissão nos fundamentos do voto condutor, o que implica, necessariamente, um posicionamento dessa turma. Nos termos do parágrafo 7º do art. 195 da Constituição Federal, as entidades beneficentes de assistência social para usufruírem da imunidade devem atender os requisitos estabelecidos em lei. Neste ponto, entendo como necessária a transcrição dos fundamentos do voto do acórdão recorrido, que reconheceu o benefício no período de 19/04/2007 a 31/12/2007, assim disposto: A Recorrente, em seu recurso, pretende ver reconhecida a sua condição de imune, para, assim, ver desconstituída a cobrança contra si perpetrada diante da ausência de descumprimento da obrigação acessória que lhe foi imputada. Sendo assim, preliminarmente à análise do referido auto de infração que objetiva a cobrança de multa por descumprimento de obrigações acessórias, fazse necessário levar em consideração as conclusões tomadas no bojo dos processos administrativos que discutiam a cobrança das obrigações principais. Nos processos administrativos nºs 19515.002909/201019 e 19515.002910/201035, referentes à contribuição da empresa e terceiros, respectivamente, foi reconhecido que a Recorrente era titular do benefício no período compreendido entre abril/2007 e dezembro/2007, de modo que, naquele período, a Recorrente estava dispensada do recolhimento das contribuições exigidas. Desse modo, em relação ao período de abril/2007 a dezembro/2007, não há que se falar em descumprimento de obrigação acessória por ausência de declaração dos fatos geradores em GFIP, considerando que restou reconhecido o direito da Recorrente de fazer faz jus à imunidade/isenção no referido período. Entretanto, considerando a manutenção da autuação em relação ao período inicial da autuação (janeiro/2007 a março/2007), passemos à análise da obrigação acessória, objeto do presente processo. Entendo que, considerando a observância da multa punitiva mais benéfica ao contribuinte (art. 106, inciso II, alínea c, do CTN), deveria ter sido Fl. 561DF CARF MF Processo nº 19515.002911/201080 Acórdão n.º 2401005.703 S2C4T1 Fl. 562 6 aplicada a norma contida no art. 32A da Lei 8.212/91 de forma retroativa, como requerido pela Recorrente. Ora, a análise da multa mais benéfica ao contribuinte demanda a comparação entre a multa por descumprimento de obrigação acessória da nova sistemática com multa de mora por descumprimento de obrigação acessória da sistemática anterior. Desse modo, tendo em vista a aplicação da multa mais benéfica à Recorrente, entendo que deve ser aplicada retroativamente a atual redação do art. 32A da Lei n. 8.212/91, ou seja, R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorreras ou omissas, no período em que não foi reconhecido o benefício da imunidade/isenção à Recorrente (janeiro/2007 a março/2007). Pois bem. Entendo que restou claro, a partir da decisão do colegiado, que referente ao período 19/04/2007 a 31/12/2007, o sujeito passivo preencheu os requisitos previstos em lei, nos termos do que dispõe o §7º do art. 195 da Constituição Federal. Por outro lado, necessário concluir que, em relação ao 01/01/2007 a 18/04/2007, a turma entendeu que a pessoa jurídica recorrente não preenchia as condições para gozo do benefício fiscal, ainda que não tenha se manifestado explicitamente sobre a aplicação do art. 14 do CTN. Considerando que o crédito tributário dos autos (obrigação acessória) está vinculado aos processos nºs 19515002909201019 e 19515002910201035 (obrigações principais), reproduzo os fundamentos adotados nos respectivos processos: É certo que no caso a isenção estava condicionada ao cumprimento dos requisitos estabelecidos no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações dos arts. 29 e 30 da Lei nº 12.101, de 2009, a qual revogou o art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. Dentre os requisitos e as condições previstos em lei, destacase que a entidade seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. Neste sentido, é o Recurso Extraordinário (RE) nº 636.941/RS, de relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado na sistemática da repercussão geral, no qual o Supremo Tribunal Federal (STF) reafirma o entendimento da Corte no sentido de que lei ordinária pode regulamentar requisitos sobre constituição e funcionamento das entidades para que usufruam a imunidade do § 7º do art. 195, a exemplo da exigência de registro e certificação como entidade beneficente de assistência social. Para melhor compreensão, reproduzo parcialmente a ementa desta decisão: (...) 15. A Suprema Corte, guardiã da Constituição Federal, indicia que somente se exige lei complementar para a definição dos seus limites objetivos (materiais), e não para a fixação das normas de constituição e de funcionamento das entidades imunes (aspectos formais ou subjetivos), os quais podem ser veiculados por lei ordinária, como sois ocorrer com o art. 55, da Lei nº 8.212/91, que pode estabelecer requisitos formais para o gozo da imunidade sem caracterizar ofensa ao art. 146, II, da Constituição Federal, ex vi dos incisos I e II, verbis: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência Fl. 562DF CARF MF Processo nº 19515.002911/201080 Acórdão n.º 2401005.703 S2C4T1 Fl. 563 7 social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009); II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996). (grifei) (...) Portanto, quanto à aplicação do art. 14 do Código Tributário Nacional, necessário esclarecer que, mesmo preenchidos os requisitos do citado artigo, é imprescindível para o gozo da isenção, relativo ao lançamento do crédito tributário, que a entidade seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social. Cabe salientar que o referido processo encontravase sobrestado considerando a decisão do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 566.622/RS que, reconhecendo repercussão geral, implementou medida acauteladora, suspendendo, nos termos do artigo 1.035, § 5º, do Código de Processo Civil, o curso de processos que veiculem o tema, obstaculizando o acionamento, pela Administração Pública, do artigo 55 da Lei nº 8.212/1991. Conclusão Face ao exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para concluir que a omissão deve ser sanada pelos fundamentos do voto, considerando que, em relação ao período compreendido entre janeiro/2007 e março/2007, a multa aplicada foi recalculada com base na norma contida na atual redação do art. 32A da Lei n. 8.212/91, em face da retroatividade benigna. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 563DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.009647/2008-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 30/04/2003 a 22/12/2004
REMESSAS AO EXTERIOR DE ROYALTIES PELA LICENÇA DE USO OU DE DIREITOS DE COMERCIALIZAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR, DE JANEIRO/2002 A DEZEMBRO/2005. INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DESNECESSIDADE.
De 1º de janeiro de 2002, com as alterações promovidas pela Lei nº 10.332/2001 na Lei nº 10.168/2000, a 31 de dezembro de 2005, data após a qual passou a ter vigência o art. 20 da Lei nº 11.452/2007, a contribuição passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas que remetessem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, havendo ou não transferência de tecnologia, aí incluída a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador.
EFEITOS RETROATIVOS SOBRE COBRANÇA DE TRIBUTO. LEI EXPRESSAMENTE INTERPRETATIVA. ART. 20 DA LEI Nº 11.452/2007. FIXAÇÃO EXPRESSA DA SUA EFICÁCIA, NA MESMA LEI (ART. 21), A PARTIR DE 01/01/2006.
A teor do art 106, I, do CTN, para que uma lei retroaja seus efeitos, no que tange à cobrança de tributo, ela tem que ser expressamente interpretativa, o que não ocorre com a Lei nº 11.452/2007, que é expressa, outrossim, ao fixar, em seu art. 21, a data a partir da qual passou a ter efeitos o seu art. 20 (1º de janeiro de 2006), que exige, para a incidência da contribuição sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, que esteja envolvida a transferência de tecnologia.
Numero da decisão: 9303-007.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 30/04/2003 a 22/12/2004 REMESSAS AO EXTERIOR DE ROYALTIES PELA LICENÇA DE USO OU DE DIREITOS DE COMERCIALIZAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR, DE JANEIRO/2002 A DEZEMBRO/2005. INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DESNECESSIDADE. De 1º de janeiro de 2002, com as alterações promovidas pela Lei nº 10.332/2001 na Lei nº 10.168/2000, a 31 de dezembro de 2005, data após a qual passou a ter vigência o art. 20 da Lei nº 11.452/2007, a contribuição passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas que remetessem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, havendo ou não transferência de tecnologia, aí incluída a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador. EFEITOS RETROATIVOS SOBRE COBRANÇA DE TRIBUTO. LEI EXPRESSAMENTE INTERPRETATIVA. ART. 20 DA LEI Nº 11.452/2007. FIXAÇÃO EXPRESSA DA SUA EFICÁCIA, NA MESMA LEI (ART. 21), A PARTIR DE 01/01/2006. A teor do art 106, I, do CTN, para que uma lei retroaja seus efeitos, no que tange à cobrança de tributo, ela tem que ser expressamente interpretativa, o que não ocorre com a Lei nº 11.452/2007, que é expressa, outrossim, ao fixar, em seu art. 21, a data a partir da qual passou a ter efeitos o seu art. 20 (1º de janeiro de 2006), que exige, para a incidência da contribuição sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, que esteja envolvida a transferência de tecnologia. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 96 47 /2 00 8- 12 Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10680.009647/200812 Acórdão n.º 9303007.406 CSRFT3 Fl. 593 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 492 a 516), contra o Acórdão 3201001.737, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 482 a 490), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 30/04/2003 a 22/12/2004 LICENÇA DE USO DE MARCA. INCIDÊNCIA. Não se confunde cessão de marca com licença de uso de marca. A licença de uso de marca é expressamente mencionada na legislação como objeto dos contratos cuja contrapartida financeira sujeitase à incidência da CIDE. SERVIÇOS TÉCNICOS, DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA, ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. INCIDÊNCIA. A partir de 1º de janeiro de 2002, está sujeita à incidência da CIDE a remuneração prevista em contratos que tenham por objeto serviços técnicos, de assistência administrativa e semelhantes. AQUISIÇÃO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR. AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DESPESAS RELACIONADAS. NÃO INCIDÊNCIA. Despesas relacionadas com a aquisição de programas de computador, em que não há a transferência de tecnologia, não se sujeitam à incidência da CIDE conquanto não sejam relativas à prestação pura de serviços de manutenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10680.009647/200812 Acórdão n.º 9303007.406 CSRFT3 Fl. 594 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso ... No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 519 a 521), a PGFN defende que “aplicandose ... a legislação da CIDE em vigor antes da alteração trazida pela Lei 11.452/07, concluise que era devida a contribuição sobre as remessas desses valores (royalties a qualquer título) ao exterior, em razão do pagamento pela licença de uso de software, independentemente da transferência ou não de tecnologia”, argumentando que a citada lei não teria caráter interpretativo – e, assim, sem os efeitos retroativos do art. 106, I, do CTN –, sendo que seu art. 21 prevê expressamente que o art. 20, que afastou a incidência da CIDERemessas nestes casos, só passou a produzir efeitos a partir de 1º de janeiro de 2006. O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 533 a 549). Em 15/01/2018, solicitou a juntada de Petição (fls. 566 e 567), consignando que “Deste modo, além de apresentar Contrarrazões ao Recurso Especial ... referente à parcela ainda em discussão, a Peticionante optou por realizar o pagamento à vista do crédito tributário incontroverso” (devidamente comprovado) e “Assim, pugna pelo reconhecimento, em relação à parcela incontroversa, da extinção do crédito tributário pelo pagamento ...” É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Preenchidos todos os requisitos e respeitadas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial. No mérito, a discussão cingese à incidência ou não da CIDERemessas na remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador, que não impliquem transferência de tecnologia, no período de 30/04/2003 a 22/12/2004. A Jurisprudência majoritária desta 3ª Turma é no sentido da incidência da contribuição, para os fatos geradores sob análise, conforme Acórdão recente, de minha lavra (nº 9303006.251, de 24/01/2018), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de Apuração: 31/07/2004 a 31/12/2004 REMESSAS AO EXTERIOR DE ROYALTIES PELA LICENÇA DE USO OU DE DIREITOS DE COMERCIALIZAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR, DE JANEIRO/2002 A DEZEMBRO/2005. INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DESNECESSIDADE. De 1º de janeiro de 2002, com as alterações promovidas pela Lei nº 10.332/2001 na Lei nº 10.168/2000, a 31 de dezembro de 2005, data após a qual passou a ter vigência o art. 20 da Lei nº Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10680.009647/200812 Acórdão n.º 9303007.406 CSRFT3 Fl. 595 4 11.452/2007, a contribuição passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas que remetessem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, havendo ou não transferência de tecnologia, aí incluída a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador. EFEITOS RETROATIVOS SOBRE COBRANÇA DE TRIBUTO. LEI EXPRESSAMENTE INTERPRETATIVA. ART. 20 DA LEI Nº 11.452/2007. FIXAÇÃO EXPRESSA DA SUA EFICÁCIA, NA MESMA LEI (ART. 21), A PARTIR DE 01/01/2006. A teor do art 106, I, do CTN, para que uma lei retroaja seus efeitos, no que tange à cobrança de tributo, ela tem que ser expressamente interpretativa, o que não ocorre com a Lei nº 11.452/2007, que é expressa, outrossim, ao fixar, em seu art. 21, a data a partir da qual passou a ter efeitos o seu art. 20 (1º de janeiro de 2006), que exige, para a incidência da contribuição sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, que esteja envolvida a transferência de tecnologia. O período de apuração, no caso sob análise, iniciase antes (30/04/2003), mas, como a vigência da Lei nº 10.332/2001, que alterou a Lei nº 10.168/2000, se deu a partir de 1º de janeiro de 2002, adoto como razões de decidir as mesmas do Voto Condutor do acórdão citado, afirmando, de início, que a transferência de tecnologia não é, como regra, pressuposto para a incidência da CIDE, considerando, em especial, que a alteração legislativa ampliou (e muito) o campo de incidência da contribuição. Vejamos a redação dada à lei que originalmente instituiu a CIDERemessas: Art. 2º Para fins de ... ................... § 2º A partir de 1º de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação da pela Lei nº 10.332, de 2001) Quanto aos serviços técnicos, a Súmula CARF nº 127 espancou qualquer dúvida a respeito: Súmula CARF nº 127: A incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) na contratação de serviços técnicos prestados por residentes ou domiciliados no exterior prescinde da ocorrência de transferência de tecnologia. Tratando agora mais especificamente dos programas de computador, passo a transcrever literalmente excertos do referido Voto: Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10680.009647/200812 Acórdão n.º 9303007.406 CSRFT3 Fl. 596 5 “E norma legal superveniente ... deixa ainda mais claro o que aqui defendo, se vista a contrario sensu, que é o § 1ºA do art. 2º da Lei nº 10.168/2000, incluído pelo art. 20 da Lei nº 11.452/2007: § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. Ora, se a transferência de tecnologia fosse pressuposto para a incidência da contribuição, qual a razão de ser desta norma ?? Se a CIDE já não incidisse pelo fato de que não estivesse envolvida na operação a transferência de tecnologia, por óbvio, seria ela totalmente desnecessária. O contribuinte alega que o dispositivo teria caráter interpretativo, ou seja, seus efeitos seriam retroativos, mas a própria lei (nº 11.452/2007), em seu art. 21, como já visto, tratou logo de afastar este entendimento: Art. 21. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos em relação ao disposto no art. 20 a partir de 1º de janeiro de 2006. O CTN é claríssimo ao exigir que, para ser retroativa, a lei seja expressamente interpretativa (por exemplo, que diga, como em regra ocorre, “para fins de interpretação do art. ....): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Não estamos aqui diante de aplicação pretérita de penalidades, mas tãosomente de cobrança de tributo. Absolutamente, então, não vejo nenhuma razão para que alguém entenda que esta lei seja retroativa até janeiro de 2002, pois ela fixa, outrossim, expressamente, a data em que o seu art. 20 passaria a produzir efeitos, qual seja, 1º de janeiro de 2006. ................... Muito recentemente (23/10/2017), foram publicados dois Acórdãos do STJ, exatamente com o mesmo teor (REsp nº 1.642.249SP e nº 1.650.115SP, respectivamente, das empresas SYMANTEC e TELEFONICA), que convergem para tudo o que aqui defendo – e ainda vão além, tratando das mais recorrentes discussões quanto à incidência ou não da CIDERemessas em casos análogos. Transcrevo, no que interessa, a Ementa do segundo, cuja simples leitura dispensa maiores comentários ...: Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10680.009647/200812 Acórdão n.º 9303007.406 CSRFT3 Fl. 597 6 ... CIDE REMESSAS. ART. 2°, CAPUT E § 1°, DA LEI N. 10.168/2000 E ART. 10, I, DO DECRETO N. 4.195/2002. INCIDÊNCIA SOBRE O PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NO EXTERIOR PELA EXPLORAÇÃO DE DIREITOS AUTORAIS RELATIVOS A PROGRAMAS DE COMPUTADOR (SOFTWARE) AINDA QUE DESACOMPANHADOS DA "TRANSFERÊNCIA DA CORRESPONDENTE TECNOLOGIA ". ISENÇÃO APENAS PARA OS FATOS GERADORES POSTERIORES A 31.12.2005. ART. 20, DA LEI N. 11.452/2007. SIGNIFICADOS DAS EXPRESSÕES: "TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA ", "TRANSFERÊNCIA DA CORRESPONDENTE TECNOLOGIA ", "FORNECIMENTO DE TECNOLOGIA " E "ABSORÇÃO DE TECNOLOGIA ". (...) 3. O fato gerador da CIDE Remessas é haver pagamento a residente ou domiciliado no exterior a fim de remunerar (art. 2°, caput e §§ 2° e 3°, da Lei n. 10.168/2000): a) a detenção da licença de uso de conhecimentos tecnológicos (art. 2°, caput, da Lei n. 10.168/2000); b) a aquisição de conhecimentos tecnológicos (art. 2°, caput, da Lei n. 10.168/2000); c) a "transferência de tecnologia" (art. 2°, caput, da Lei n. 10.168/2000) que, para este exclusivo fim, compreende c.1) a exploração de patentes (art. 2°, § 1°, primeira parte, da Lei n. 10.168/2000); ou c.2) o uso de marcas (art. 2°, § 1°, primeira parte, da Lei n. 10.168/2000); ou c.3) o "fornecimento de tecnologia" (art. 2°, § 1°, segunda parte, da Lei n. 10.168/2000); ou c.4) a prestação de assistência técnica (art. 2°, § 1°, terceira parte, da Lei n. 10.168/2000); d) a prestação de serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes (art. 2°, § 2°, da Lei n. 10.168/2000); ou e) royalties, a qualquer título (art. 2°, § 2°, da Lei n. 10.168/2000). 4. Por especialidade (expressão "para fins desta Lei" contida no art. 2°, § 1°, da Lei n. 10.168/2000 Lei da CIDE Remessas), o conceito de "transferência de tecnologia" previsto no art. 2°, caput, da Lei n. 10.168/2000 não coincide com aquele adotado pelo art. 11 e parágrafo único, da Lei n. 9.609/98 ("Lei do software "). O primeiro não exige a "absorção da tecnologia", já o segundo, sim. 5. Desse modo, exclusivamente para os fins da incidência da CIDE Remessas, o art. 2°, § 1°, da Lei n. 10.168/2000 expressamente não exigiu a entrega dos dados técnicos necessários à "absorção da tecnologia" para caracterizar o fato gerador da exação, contentandose com a existência do mero "fornecimento de tecnologia" em suas mais variadas formas. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10680.009647/200812 Acórdão n.º 9303007.406 CSRFT3 Fl. 598 7 6. Nessa linha, o "fornecimento de tecnologia" de que fala o art. 2°, § 1°, da Lei n. 10.168/2000 também engloba a aquisição dos direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, isto porque para ser comercializada a tecnologia precisa primeiramente ser de algum modo fornecida a quem a comercializará. Não há aqui, por especialidade, a necessidade de "absorção da tecnologia" (exigência apenas do art. 11 e parágrafo único, da Lei n. 9.609/98). 7. Consoante o art. 2°, § 5°, da Lei n. 9.609/98, os direitos de autor abrangem qualquer forma de transferência da cópia do programa (software). O que há, portanto, nos contratos de distribuição de software proveniente do estrangeiro, é uma remuneração pela exploração de direitos autorais, seja diretamente ao autor, seja a terceiro a título de royalties, o que se enquadra no conceito de "fornecimento de tecnologia" previsto no art. 2°, § 1°, da Lei n. 10.168/2000, pois há o fornecimento a adquirente no Brasil da cópia do programa pelo autor ou por terceiro que explora os direitos autorais no estrangeiro. Em suma: o fornecimento de cópia do programa (software) é "fornecimento de tecnologia", ainda que não haja a "absorção da tecnologia" (acesso ao código fonte) por quem a recebe. 8. A isenção para a remessa ao exterior da remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador (software) desacompanhada da "transferência da correspondente tecnologia" ("absorção da tecnologia") somente adveio a partir de 1° de janeiro de 2006, com o art. 20, da Lei n. 11.452/2007, ao adicionar o § 1°A ao art. 2°, da Lei n. 10.168/2000. 9. Não há qualquer contradição deste raciocínio com as finalidades da Lei n. 10.168/2000 de incentivar o desenvolvimento tecnológico nacional, visto que a contribuição CIDE Remessas onera a importação da tecnologia estrangeira nas mais variadas formas. O objetivo então é fazer com que a tecnologia (nas várias vertentes: licença, conhecimento/comercialização, transferência) seja adquirida no mercado nacional e não no exterior, evitandose as remessas de remuneração ou royalties. Tal a intervenção no domínio econômico. Precedente: REsp 1.186.160SP, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 26.08.2010. 10. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp nº 1.650.115SP, Relator Min. Mauro Campbell Marques, Dje 23/10/2017)” À vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10680.009647/200812 Acórdão n.º 9303007.406 CSRFT3 Fl. 599 8 Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Depreendendose da análise dos autos do processo, peço vênia ao ilustre relator, que tanto admiro, para trazer meu entendimento acerca da matéria em debate. Recordo, para tanto, que se trata de auto de infração lavrado com exigência de CIDE relativo à aquisição de software de prateleira. O cerne da lide posta em recurso versa sobre a discussão acerca do caráter a ser dado ao art. 20 da Lei 11.5421/07 para fins de se definir se o r. dispositivo ao prever que a CIDE não incide sobre as remessas para a aquisição de softwares sem transferência de tecnologia, inovou no plano tributário, instituindo uma norma de isenção, não retroagindo a fatos pretéritos, OU se reconheceu/esclareceu uma hipótese de não incidência tributária com alcance, por conseguinte, a fatos geradores ocorridos anteriormente à sua vigência, considerando a disposição contida no art. 2º da Lei 10.168/00. A priori, importante destacar que não há dúvida de que o software objeto do processo que ensejou a remessa ora discutida não ensejou transferência de tecnologia, eis que, se tratam de software de prateleira. Tratase de programas de computador produzidos em larga escala e que não tinham por objetivo serem customizados ou encomendados pelo sujeito passivo. Ventiladas tais considerações, passo a analisar as normas para elucidar o meu entendimento. Para tanto, importante trazer que a Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico foi instituída pela Lei 10.168/00 para financiar o Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação. Para fins de atendimento ao Programa, então, foi instituída a CIDE que, nos termos do “caput” do art. 2º da r. Lei, seria devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. Nesse ínterim, vêse que o próprio “caput” do art. 2º da Lei já trazia que a CIDE não incidiria sobre a remuneração pela aquisição de software de prateleira que não envolva transferência de tecnologia. Ora, a CIDE somente foi instituída para onerar a pessoa jurídica adquirente de conhecimentos tecnológicos em contratos que impliquem a transferência de tecnologia Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10680.009647/200812 Acórdão n.º 9303007.406 CSRFT3 Fl. 600 9 firmados com não residentes, eis que tinha como intuito basilar motivar à inovação NACIONAL utilizando nosso capital humano e científico NACIONAL. Para tanto, deveria haver um estímulo para a utilização de recursos humanos, científicos nacional com aplicação ao capital nacional, quer seja, através de “criação de pedágio tributário” para as pessoas jurídicas que, ao invés de se utilizarem ou disporem oportunidades aos residentes ou domiciliados no país – motivando a inovação nacional, firmavam contratos ou adquiriam conhecimentos tecnológicos que implicassem transferência de tecnologia com residentes ou domiciliados no exterior. Nesse diapasão, vêse que que, independentemente do advento do art. 20 da Lei 11.452/07 – que trouxe o § 1ºA ao art.2º da Lei 10.168/00 – já era possível se extrair que sobre a remessa para a aquisição de software que não envolvesse transferência de tecnologia não seria devida a CIDE. Eis que não tal evento não conferiria fato gerador passível de incidência da r. contribuição. Tanto é assim que, visando buscar a segurança jurídica para não se tributar pela CIDE as remessas de aquisição de software que não envolva transferência de tecnologia, vários sujeitos passivos formularam consultas à Receita Federal do Brasil. Essa autoridade fazendária, assim, emitiu entendimento pela não tributação da contribuição tratando da mesma hipótese ora discutida nesse processo. Frisese tal constatação a Soluções de Consulta emitidas pela Receita Federal (Grifos meus): “Solução de Consulta DISIT/SRRF 8 nº 513/06: Ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF REMESSAS PARA O EXTERIOR Programas de Computador (Software) Não estão sujeitas à incidência do imposto de renda na fonte as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior pela aquisição de programas de computadorsoftware produzidos em larga escala e de maneira uniforme, colocados no mercado para aquisição por qualquer interessado, sem licença para reprodução no Brasil, por tratar se de mercadorias. Dispositivos Legais: Art. 710 do Decreto nº 3.000, de 26.03.1999 (republicado em 17.06.1999); e Portaria MF nº 181, de 28.09.1989. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições CIDE Não ocorre a incidência da Cide sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior pela aquisição de programas de computadorsoftware produzidos em larga escala e de maneira uniforme, colocados no mercado para aquisição por qualquer interessado, sem licença para reprodução no Brasil, por não caracterizar hipótese de Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10680.009647/200812 Acórdão n.º 9303007.406 CSRFT3 Fl. 601 10 incidência da referida contribuição. Dispositivos Legais: Art. 2º da Lei nº 10.168, de 29.12. 2000 (alterado pelo art. 6º da Lei nº 10.332, de 19.12.2001); e art. 10 do Decreto nº 4.195, de 11.04.2002” E as Soluções de Consulta 20/04, 15/04, 290/03, 133/03, 81/03 e 298/02 emitidas pela Receita Federal do Brasil no mesmo sentido. Cabe trazer ainda que tais atos administrativos foram emitidos anteriormente à publicação da Lei 11.452/07 – o que reforça que já era possível afastar, somente observando o art. 2º, caput, da Lei 10.168/00, a CIDE sobre tais remessas. Sendo assim, vêse que o art. 20 da Lei 11.452/07 transcritos abaixo – apenas veio a “ESCLARECER” a aplicação do art. 2º, “caput”, da Lei 10.168/00 para os casos inerentes as remessas para aquisição de software de prateleira que não envolva transferência de tecnologia (Grifos meus): “Art. 20. O art. 2º da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, alterado pela Lei no 10.332, de 19 de dezembro de 2001, passa a vigorar acrescido do seguinte § 1oA: “Art. 2º .................................................................................. .................................................................................. § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia.” Tanto é assim que trouxe “textualmente” o termo “não incide”, deixando claro que se trata de norma “esclarecedora”, e não norma institutiva de “isenção”. Não se trata de norma isentiva, pois caso assim fosse, traria literalmente o termo “isenção” para fins de outorgála, em respeito ao art. 111, inciso II, do CTN. Sendo assim, por óbvio, resta estranho considerar o art. 2º, § 1ºA, da Lei 10.168/00 – trazida pelo art. 20 da Lei 11.452/07 como norma isentiva, vez que se trata especificamente de norma ESCLARECEDORA das hipóteses de incidência referendadas no caput do art. 2º da Lei 10.168/00. Recordo que no dispositivo em questão traz o termo “não incide” – o que reforça tal entendimento. Entender, assim, que o dispositivo esclarecedor seria, em verdade, norma inovadora por ser norma de isenção e, por conseguinte, aplicar tal “isenção” apenas a partir de 2007, usurparia o art. 111, inciso II, do CTN. Reforço que não se trata de norma isentiva, pois sem o r. dispositivo também poderíamos entender que a CIDE nesse caso não seria devida, pois não poderíamos ignorar a regra matriz de incidência da contribuição que trouxe claramente que a incidência da contribuição abarcaria aquisição e contratos que impliquem transferência de tecnologia. Ou seja, sobre as aquisições e contratos que não impliquem transferência de tecnologia não haveria a INCIDÊNCIA da CIDE. Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10680.009647/200812 Acórdão n.º 9303007.406 CSRFT3 Fl. 602 11 Sendo assim, a norma “esclarecedora”, que apenas clarifica hipótese de incidência já abarcada pela lei original, não deve ser tratada como norma isentiva e inovadora, pois nada inova no ordenamento jurídico. Apenas clarifica que NÃO INCIDE a CIDE sobre remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador quando não envolverem a transferência da correspondente tecnologia. Dizse que tal norma é somente esclarecedora, pois tem o condão de “esclarecer”, até mesmo aos julgadores e à autoridade fazendária, as hipóteses de incidência e não incidência da CIDE – que já estavam abarcadas e previstas no art. 2º da Lei 10.168/00. Não obstante, podese ainda inferir que tal dispositivo teria o condão de interpretar norma anterior – o que, nos termos do art. 106 do CTN, poderia ser aplicável a fatos pretéritos. Com efeito, independentemente de ser norma “esclarecedora” – que automaticamente aplicaria a fatos pretéritos, se entendêssemos como norma interpretativa, ainda que restasse transparente a não incidência da CIDE no evento em discussão, poderseia insurgir quando da análise do caráter interpretativo da r. norma se essa seria “expressamente” interpretativa para tentar afastar a não tributação para fatos pretéritos. No entanto, vejo que tal insurgência poderia ser demasiadamente ignorada, eis que tal norma poderia ser vista como “expressamente interpretativa”. Ora, ressurgindo ao dispositivo (Grifos meus): ““Art. 2º .................................................................................. .................................................................................. § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia.” Com efeito, resta claro que “expressamente” traz que a CIDE NÃO INCIDE sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, SALVO QUANDO ENVOLVEREM A TRANSFERÊNCIA DA CORRESPONDENTE TECNOLOGIA. Expressamente, então, traz que NÃO INCIDE A CIDE nesses casos – e repete regra já posta na Lei 10.168. Portanto, não há como se entender que tal norma não seria esclarecedora ou interpretativa – com aplicação retroativa. No direito positivo, temse que somente devem observar regras constitucionais de anterioridade quando se tratar de instituição ou majoração de tributos. O que, por conseguinte, vêse não ser o caso em comento. Ademais, é de se esclarecer que também não se trata de norma de isenção com aplicação a partir da publicação da lei, eis que tal norma deverá trazer literalmente a outorga de isenção – conforme pressupõe o próprio art. 111 do CTN. Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10680.009647/200812 Acórdão n.º 9303007.406 CSRFT3 Fl. 603 12 Continuando, se fosse norma isentiva, em respeito ao art. 176 do CTN, vêse ainda que a lei que traria tal norma, deveria especificar as condições e requisitos exigidos para a sua concessão e não há nada que pudesse nos fazer levála a esse direcionamento. Além disso, a norma de não incidência, ao contrário da isenção, traz enunciado de inexistência de relação jurídica entre as partes. O QUE FEZ!! E a norma isentiva dispensa o pagamento do tributo em razão de determinado ato ou fato jurídico – O que não fez!! Sendo assim, por essas razões, dou provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Proveitoso ainda trazer, com a devida vênia, meu entendimento acerca do recente julgamento da mesma questão pelo STJ, vez que a 2ª Turma daquele tribunal superior se posicionou em sentido contrário ao meu entendimento, quando da apreciação do REsp 1.642.249, pois decidiu que incide CIDE sobre contratos de licença de uso e comercialização ou distribuição de software em que há remessa de valores ao exterior, independentemente de absorção de tecnologia. Tal julgado envolveu o período de 2000 a 2006. O relator Ministro Mauro Campbell Marques trouxe em ementa: “[...] 4. O fato gerador da CIDE Remessas é haver pagamento a residente ou domiciliado no exterior a fim de remunerar (art. 2º, caput e §§2º e 3º, da Lei n. 10.168/2000): a) a detenção da licença de uso de conhecimentos tecnológicos (art. 2º, caput, da Lei n. 10.168/2000); b) a aquisição de conhecimentos tecnológicos (art. 2º, caput, da Lei n. 10.168/2000); c) a "transferência de tecnologia" (art. 2º, caput, da Lei n. 10.168/2000) que, para este exclusivo fim, compreende c.1) a exploração de patentes (art. 2º, §1º, primeira parte, da Lei n. 10.168/2000); ou c.2) o uso de marcas (art. 2º, §1º, primeira parte, da Lei n. 10.168/2000); ou c.3) o "fornecimento de tecnologia" (art. 2º, §1º, segunda parte, da Lei n. 10.168/2000); ou c.4) a prestação de assistência técnica (art. 2º, §1º, terceira parte, da Lei n. 10.168/2000); d) a prestação de serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes (art. 2º, §2º, da Lei n. 10.168/2000); ou e) royalties, a qualquer título (art. 2º, §2º, da Lei n. 10.168/2000). 5. Por especialidade (expressão "para fins desta Lei" contida no art. 2º, §1º, da Lei n. 10.168/2000 Lei da CIDE Remessas), o conceito de "transferência de tecnologia" previsto no art. 2º, Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10680.009647/200812 Acórdão n.º 9303007.406 CSRFT3 Fl. 604 13 caput, da Lei n. 10.168/2000 não coincide com aquele adotado pelo art. 11 e parágrafo único, da Lei n. 9.609/98 ("Lei do software "). O primeiro não exige a "absorção da tecnologia", já o segundo, sim. 6. Desse modo, exclusivamente para os fins da incidência da CIDE Remessas, o art. 2º, §1º, da Lei n. 10.168/2000 expressamente não exigiu a entrega dos dados técnicos necessários à "absorção da tecnologia" para caracterizar o fato gerador da exação, contentandose com a existência do mero "fornecimento de tecnologia" em suas mais variadas formas. 7. Nessa linha, o “fornecimento de tecnologia” de que fala o art. 2º, §1º, da Lei n. 10.168/2000 também engloba a aquisição dos direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, isto porque para ser comercializada a tecnologia precisa primeiramente ser de algum modo fornecida a quem a comercializará. Não há aqui, por especialidade, a necessidade de "absorção da tecnologia" (exigência apenas do art. 11 e parágrafo único, da Lei n. 9.609/98). 8. Consoante o art. 2º, §5º, da Lei n. 9.609/98, os direitos de autor abrangem qualquer forma de transferência da cópia do programa (software ). O que há, portanto, nos contratos de distribuição de software proveniente do estrangeiro, é uma remuneração pela exploração de direitos autorais, seja diretamente ao autor, seja a terceiro a título de royalties, o que se enquadra no conceito de “fornecimento de tecnologia” previsto no art. 2º, §1º, da Lei n. 10.168/2000, pois há o fornecimento a adquirente no Brasil da cópia do programa pelo autor ou por terceiro que explora os direitos autorais no estrangeiro. Em suma: o fornecimento de cópia do programa (software ) é "fornecimento de tecnologia", ainda que não haja a "absorção da tecnologia" (acesso ao código fonte) por quem a recebe. 9. A isenção para a remessa ao exterior da remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador (software ) desacompanhada da "transferência da correspondente tecnologia" ("absorção da tecnologia") somente adveio a partir de 1º de janeiro de 2006, com o art. 20, da Lei n. 11.452/2007, ao adicionar o §1ºA ao art. 2º, da Lei n. 10.168/2000. 10. Não há qualquer contradição deste raciocínio com as finalidades da Lei n. 10.168/2000 de incentivar o desenvolvimento tecnológico nacional, visto que a contribuição CIDE Remessas onera a importação da tecnologia estrangeira nas mais variadas formas. O objetivo então é fazer com que a tecnologia (nas várias vertentes: licença, conhecimento/comercialização, transferência) seja adquirida no mercado nacional e não no exterior, evitandose as remessas de remuneração ou royalties . Tal a intervenção no domínio Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10680.009647/200812 Acórdão n.º 9303007.406 CSRFT3 Fl. 605 14 econômico. Precedente: REsp 1.186.160SP, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 26.08.2010. 11. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido.” Vêse que o ministro relator entendeu que o conceito de “transferência de tecnologia” de que trata o art. 2º da Lei 10.168/00 não coincide com a Lei do Software – Lei 9.609/98 – que, por sua vez, exige a “absorção” de tecnologia. O que, por conseguinte, entende que ainda que não haja acesso ao código fonte por quem a recebe, o fornecimento de cópia de programa comercializável seria fornecimento de tecnologia. Para tanto, traz que: “Para ser comercializada, a tecnologia precisa ser de algum modo fornecida a quem vai comercializar. Não há necessidade de absorção de tecnologia”. E ainda ao mencionar o art. 2º, § 1ºA, da Lei 10.168 – dispositivo incluído pela Lei 11.452/07, reflete que o enunciado está abarcado pelo instituto da “isenção”. Como havia refletido anteriormente, entendo que esse dispositivo não estaria abarcado pelo instituto da isenção, pois se trata de norma de hipótese de NÃO INCIDÊNCIA. Recordo o § 1ºA: “§ 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia” A norma de “não incidência” esclarece que a situação do fato, quando realizada, não faz nascer a obrigação tributária, vez que não está enquadrado na hipótese de incidência do tributo. O art. 2º, caput, da Lei 10.168/00 contempla expressamente a hipótese de incidência – qual seja, no caso, que a CIDE INCIDE sobre, entre outros, contratos que IMPLIQUEM TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. Sendo assim, os contratos que não envolvam transferência de tecnologia NÃO INCIDEM a CIDE. Enquanto o instituto da isenção, por sua vez, exclui da lei parcela da hipótese de incidência tributária. Ou seja, caso haja algum fato que se subsume à hipótese de incidência, a lei poderá excluíla da tributação, ainda que se trate de um fato que se enquadre na hipótese de incidência. Vêse claro no presente caso que o art. 2º, § 1ºA, da Lei 10.168/00 não confere o instituto da isenção, pois o fato de adquirir software sem transferência de tecnologia já NÃO se encontra na hipótese de incidência. Ademais, importante trazer que a transferência de tecnologia de que trata a lei envolve efetivamente o acesso ao código fonte, pois somente com essa “inteligência” é que teríamos a transferência de tecnologia para o desenvolvimento de produtos. A transferência de tecnologia implica de per si a absorção da tecnologia, justamente para ser utilizável para o desenvolvimento de novos produtos. A transferência de tecnologia envolve a “absorção” dessa inteligência para a criação ou customização de novos produtos. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10680.009647/200812 Acórdão n.º 9303007.406 CSRFT3 Fl. 606 15 Na aquisição de software de prateleira não há implicação de transferência de tecnologia. A mera aquisição, sem a absorção da inteligência (tecnologia) e, para fins comerciais, confere a situação de mera aquisição de mercadorias. Se entendêssemos que o software de prateleira tem tecnologia e, portanto, implica transferência de tecnologia, ainda que não seja essa absorvida pelo adquirente, já não faríamos mais distinção do que seria “serviço” ou mercadoria. Do que seria customizável ou não. Do que poderia incidir ISS ou ICMS. IPI? E, se assim pensássemos, por que então o dispositivo em questão traria “salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia”, já que toda a aquisição de software possui “internamente” tecnologia e seria tributável pela CIDE? Seja software de prateleira ou não? Por isso, entendo que a Lei 9.609/98 trouxe corretamente o conceito de contratos de licença de uso, de comercialização e de transferência de tecnologia. A implicação de transferência de tecnologia implica efetivamente a absorção da tecnologia. Como pode haver “transferência” sem absorção da tecnologia? Em vista de todo o exposto, entendo que assiste razão ao sujeito passivo. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 627DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.008561/2007-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 85 61 /2 00 7- 68 Fl. 2651DF CARF MF Processo nº 10380.008561/200768 Acórdão n.º 2402006.346 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 2652DF CARF MF Processo nº 10380.008561/200768 Acórdão n.º 2402006.346 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 2653DF CARF MF Processo nº 10380.008561/200768 Acórdão n.º 2402006.346 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator. Fl. 2654DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.005028/2009-51
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. CONTRABANDO E DESCAMINHO.
A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á quando restar configurada a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho.
ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE
Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor. De igual forma, não cabe ao e. CARF a análise de eventual incidência do princípio da insignificância.
Numero da decisão: 1002-000.348
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
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EXCLUSÃO DO SIMPLES. INFRAÇÃO LEGAL Recorrente SILVESTRE MIKALOVICZ ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. CONTRABANDO E DESCAMINHO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando restar configurada a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. De igual forma, não cabe ao e. CARF a análise de eventual incidência do princípio da insignificância. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 50 28 /2 00 9- 51 Fl. 64DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 52 à 61) interposto contra o Acórdão n° 0829.227, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE (efls. 44 à 48), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo ora Recorrente. O âmago da irresignação consiste em contestar o Ato Declaratório Executivo n° 035, de 19 de janeiro de 2010, o qual excluiu o Contribuinte do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES Nacional). O desenquadramento ao SIMPLES decorreu da apreensão de 153 (cento e cinquenta e três) maços de cigarros de origem estrangeira, sem provas de sua regular importação, os quais foram encontrados no estabelecimento comercial do Recorrente durante fiscalização da Receita Federal (efls. 31 à 39). Tal irregularidade foi identificada como comercialização de produtos oriundos de contrabando ou descaminho, razão pela qual recaiu à empresa os termos do art. 29, VII, da Lei Complementar n° 123/06. Vale transcrever os termos do Despacho Decisório SECAT n° 039/2010 (efls. 7 e 8): RELATÓRIO Trata o presente de representação fiscal para que se procedesse à exclusão da empresa Silvestre Mikalovicz ME da modalidade de arrecadação do SIMPLES Nacional (Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006) pela comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho (fl. 1). A empresa citada consta como optante pelo SIMPLES Nacional desde 1° de julho de 2007, sistema ao qual continua vinculada até a presente data (fl. 4). No texto da representação apresentada pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil temos que por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/J01 n° 214 (fl. 2), de 13 de outubro de 2009, foi determinado, de forma definitiva, o perdimento de mercadorias estrangeiras relacionadas nos autos do processo 10920.003036/200963, e encontradas sob posse do contribuinte, por estarem desacompanhadas de documentação comprobatória de sua importação regular, devendo, assim, ser excluída a empresa do SIMPLES Nacional nos termos do inciso VII do artigo 29 da Lei Complementar n° 123. FUNDAMENTAÇÃO A Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006, regulamenta o tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável as microempresas e as empresas de pequeno porte relativo d apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, ao cumprimento de obrigações trabalhistas e Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10920.005028/200951 Acórdão n.º 1002000.348 S1C0T2 Fl. 65 3 previdenciárias, inclusive obrigações acessórias e ao acesso a crédito e ao mercado, inclusive quanto el preferência nas aquisições de bens e serviços pelos Poderes Públicos, d tecnologia, ao associativismo e as regras de inclusão. Quanto (11 exclusão das empresas optantes pelo tratamento tributário diferenciado da Lei Complementar n° 123; de 14 de dezembro de 2006; temos: (...) Para efetivarse esta exclusão, determina o § 1° do artigo 40 da Resolução CGSN no 15, de 23 de julho de 2007 que será expedido termo de exclusão pelo ente federativo que iniciar o processo de exclusão de oficio. DECISÃO Em face do exposto, com base na documentação anexada ao presente processo e considerando a legislação que rege a matéria (Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN n° 4, de 30 de maio de 2007 e Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007), concluise pela ocorrência de infração à legislação pela COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS ORIUNDAS DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO o que, por conseqüência, exige que se EXCLUA A EMPRESA da sistemática de arrecadação do SIMPLES Nacional com efeitos contados a partir de 1 0 DE OUTUBRO de 2009, PERMANECENDO IMPEDIDA DE OPTAR novamente por aquele regime diferenciado NOS EXERCÍCIOS DE 2010, 2011 E 2012. O Acórdão n° 0829.277, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE (efls. 44 à 48), por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo ora Recorrente. Decisão essa ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. CONTRABANDO E DESCAMINHO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando restar configurada a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Os argumentos outrora apresentados na Manifestação de Inconformidade são reiterados em sede de Recurso Voluntário, a saber: não ocorrência de prática de contrabando; malferimento ao princípio da legalidade; violação dos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e do livre exercício da atividade econômica; bem como a aplicação do princípio da insignificância, oriundo do Direito Penal. Fl. 66DF CARF MF 4 Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário apresentase tempestivo, tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Isto porque, trata de exclusão do Simples, desvinculado do crédito tributário. Eventual crédito tributário não é exigido nestes autos, bem como não visualizo qualquer critério que justifique a vinculação destes autos a eventual processo de exigibilidade do crédito tributário, não verificando a aplicação de quaisquer das formas de vinculação constantes do art. 6.º, § 1.º, do Anexo II, do RICARF. Sendo assim, a competência é desta Colenda Turma Extraordinária por cuidar os autos de exclusão do Simples, desvinculado de exigência de crédito tributário, a indicar a aplicação do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. Mérito 1. Da violação ao princípio da legalidade decorrente da exclusão do SIMPLES A Recorrente alega ter ocorrido violação ao princípio da legalidade, quando de seu desenquadramento do SIMPLES Nacional. Em sua percepção, não o ato de exclusão não se sustenta, pois não houve comercialização dos cigarros apreendidos; algo que seria condição necessária para a aplicação do art. 29, VII, da LC n° 123/06. Colaciono os principais argumentos: III.I. DO NÃO ENQUADRAMENTO DA CONTRIBUINTE NO ARTIGO 29, VII DA LC N.° 123/2006 AFRONTA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE Da leitura do dispositivo em comento se extrai que será excluída do Simples Nacional a empresa que comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. Em outros termos: é necessária a prática do comércio com a mercadoria objeto de crime para que se possa determinar a exclusão de uma empresa do regime do Simples. (...) Assim, apesar de supostamente enquadrarse no inciso VII, do artigo 29, da LC 123/2006, a Recorrente não cometeu em nenhum momento a infração contida no dispositivo em comento, Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10920.005028/200951 Acórdão n.º 1002000.348 S1C0T2 Fl. 66 5 apta a resultar na sua exclusão do Simples. Isso porque, como já delineado na exposição dos fatos, no momento da aquisição dos produtos do revendedor, este não forneceu as respectivas notas fiscais que indicavam a regularidade fiscal da importação. Por esta razão, a Recorrente jamais expôs os produtos à venda, mantendoos em depósito até que as aludidas notas fiscais lhe fossem entregues, certificando a origem desses produtos. O ato de apreensão deuse justamente neste interregno, ou seja, antes das notas fiscais serem entregues pelo importador e dos produtos serem colocados à venda. No entanto, conforme se pode perceber, o fisco sequer considerou o fato de que os produtos em questão não foram e não seriam comercializados até a apresentação das notas pelo revendedor e decidiu pela exclusão da empresa do Simples Nacional, mesmo sem fundamento legal para tanto. Destacase o fato que no termo de início de apreensão da mercadoria, lavrado pela Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina, constar que os valores arbitrados foram retirados de operações realizadas por outros contribuintes, o que apenas demonstra que os produtos não estavam a venda, pois caso estivessem seria desnecessário fazer o arbitramento, já que o preço de venda constaria para o cliente. (...) Entretanto, conforme já esclarecido no tópico destinado à síntese dos elementos fáticos a que se relaciona a presente demanda, a Recorrente não era parte legítima para questionar a validade do processo de importação das mercadorias apreendidas, e sim os legítimos importadores que venderam a mercadoria para a Recorrente. (...) III.II DOS CONCEITOS DE CONTRABANDO E DESCAMINHO E DA SUA INAPLICABILIDADE AO CASO EM DESTAQUE Conforme já reiteradamente esclarecido, o fundamento da exclusão da Recorrente do regime do Simples Nacional foi a sua suposta conduta de comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. É de se deixar assente que, de acordo com o entendimento dos julgadores de primeiro grau, tratarseia de prática equiparável ao contrabando (e, portanto, não ao descaminho), conforme se infere do item 22 da decisão Recorrida ("Dessa forma, restou caracterizado o contrabando"). Em que pese a lavratura do ADE de exclusão contra a recorrente, há que se consignar que: i) os julgadores de primeiro grau enquadram a conduta imputada à Recorrente de equiparável a contrabando, o que não pode ser aceito; ii) não restou comprovada a ocorrência do contrabando ou do descaminho; iii) não houve sequer a lavratura de processo administrativo preliminar que permitisse imputar à Recorrente Fl. 68DF CARF MF 6 conduta equiparável a contrabando ou descaminho; iii) a Delegacia da Receita Federal carece de competência para classificar determinada conduta como crime. (...) Muito embora os julgadores de primeiro grau tenham afirmado veementemente que a conduta da Recorrente seria equiparável ao contrabando (conforme se infere da seguinte frase contida no item 22 da decisão recorrida: "Dessa forma, restou caracterizado o contrabando), essa conclusão não pode ser aceita. (...) Como já ponderado, no item destinado à síntese dos elementos fáticos, o contribuinte adquiriu os cigarros de revendedores brasileiros que afirmavam ter sido o processo de importação dessas mercadorias devidamente realizado. Entretanto, as notas fiscais não foram fornecidas à contribuinte adquirente, que acreditava ter adquirido mercadorias regulares. Essa circunstância e a ausência de dolo por parte da contribuinte afastam a possibilidade, de se rechaçar sua conduta de equiparável ao descaminho. (...) É de se destacar ainda que muito embora tenha sido imputada à contribuinte a conduta de comercializar mercadorias provenientes de contrabando ou descaminho, não houve a instauração de qualquer processo administrativo preliminar tendente a apurar especificamente a efetiva ocorrência de tal situação. Por mais esse motivo deve ser cancelado o ADE em consideração. Noutro giro, o Auto de Infração (o qual foi inclusive citado pela Recorrente em sua defesa) evidencia a apreensão dos cigarros, bem como a autoria e materialidade do contrabando, haja vista os bens terem sido encontrados sem a documentação comprobatória de regular importação. O respectivo trâmite de perdimento ocorreu nos autos processo nº 10920.003034/200974, cuja legitimidade e ocasião para debate sobre o feito eram incontestes, e a Recorrente escolheu se abster em sua defesa. Conforme se nota no deslinde do presente PAF, quedouse plenamente comprovado o enquadramento nas circunstâncias do art. 29, VII, da LC n° 123/06. Não há que se cogitar em violação ao princípio da legalidade, em virtude de suposta comercialização do produto contrabandeado; por suposto, vale ressaltar que a Autoridade Fiscal flagrou a existência dos maços irregulares no estabelecimento comercial da Contribuinte, o que conduz à conclusão de que seriam destinados ao comércio. Ademais, o Acórdão da DRJ também expôs o tema com solar clareza, cujo teor utilizo como parte da fundamentação do presente Voto, conforme autoriza o § 1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999, e no § 3° do artigo 57 do Anexo II do RICARF: 13. Cabe observar que o contribuinte não impugnou oportunamente o referido auto de infração, de modo que lhe foi decretada a revelia, conforme afirma o reclamante. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10920.005028/200951 Acórdão n.º 1002000.348 S1C0T2 Fl. 67 7 14. Em vista disso, está preclusa a possibilidade de discussão do referido auto de infração. 15. Nada obstante, o representante legal do impugnante alega que manteve os cigarros em depósito, não os expondo à venda até que o importador lhe remetesse as notas fiscais. 16. A esse respeito, cumpre observar que o argumento é pertinente ao processo de apreensão e perdimento, não lhe comportando o exame no processo de exclusão do Simples Nacional. 17. Em endosso, no entanto, Maria Helena Diniz esclarece, a respeito da destinação comercial das mercadorias apreendidas, que comercializar é: 1: Colocar algo no comércio; 2: Criar objeto com possibilidade de ser explorado comercialmente, de ser vendido, fabricado ou exposto, de modo que possa render dinheiro. 18. Vislumbrase que o conceito do termo “comercializar” abrange não só o produto efetivamente vendido ao consumidor, mas também aquele produto criado com essa finalidade. Dessa forma, o fato das mercadorias serem apreendidas no estabelecimento comercial do manifestante já é suficiente à demonstração do caráter comercial envolvido na situação, não devendo ser acolhidas as alegações apresentadas pela defesa desprovidas de qualquer elemento probatório em sentido contrário. 19. Na espécie, as mercadorias foram apreendidas no estabelecimento comercial do impugnante e se destinavam à comercialização. Se se encontravam desacompanhadas de nota fiscal, isso não é sequer indício de que não seriam ou não estavam sendo comercializadas. Bem ao contrário, prova sim que foram adquiridas irregularmente, em desdobramento natural da ação de contrabando. 20. Ademais, o empresário individual desenvolve atividade de bar e mercearia, inserindose claramente nesse âmbito a venda de cigarros (fl 27). 21. Na sequência, alega o manifestante ser imprescindível à aplicação da sanção de exclusão a existência de processo administrativo voltado para a caracterização do contrabando, pressuposto que é da aplicação da norma administrativa. 22. Ora, esse fundamento foi o que ensejou a apreensão e a aplicação da pena de perdimento, as quais não foram contestadas ou elididas no processo específico. Dessa forma, restou caracterizado o contrabando. Portanto, a intelecção do Acórdão de piso foi inteiramente consentânea com a realidade material apresentada nestes autos, razão pela qual merece integral manutenção. O enquadramento legal foi correto e não merece retoques. Fl. 70DF CARF MF 8 De arremate, este Colendo CARF já teve a oportunidade de examinar caso bastante semelhante, o qual transcrevo abaixo trecho do Voto da Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa (Acórdão n° 1802002.008): No entendimento da decisão recorrida, com o qual concordo, as objeções quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos, que dão ensejo a pena de perdimento de bens, devem ser apresentadas no correspondente Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias. Deixando a defendente de oferecêlas no prazo que lhe foi oportunizado, operase a preclusão temporal. Indubitavelmente, nos presentes autos, não cabe discutir o cerceamento ao direito de defesa ocorrido ou não naquele processo administrativo referente ao Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias nº 10935.004139/200981. Ainda que revel naquele processo, poderia a contribuinte, nos presentes autos, fazer a contraprova de que não comercializara mercadorias objeto de contrabando ou descaminho e, assim, não seria excluído do Simples Nacional. A Recorrente não alega com provas de que não se subsume na hipótese prevista no artigo 29, inciso VII, da Lei Complementar nº 123/2006, que motivou a exclusão do Simples Nacional, que assim dispõe: Lei Complementar nº 123/2006 Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; Desse modo, não constatada a nulidade aventada pela Recorrente e, não havendo a Recorrente trazido aos autos a prova de que não praticara o ato (comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, descrito no auto de infração) de exclusão da empresa do Simples Nacional há de ser mantido o Ato Declaratório Executivo em comento . 2. Da violação aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e do livre exercício da atividade econômica Outro aspecto delineado pela defesa foi a suposta violação aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e do livre exercício da atividade econômica: III.III. DA APLICAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DO LIVRE EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA, DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE Como cediço, é de interesse da sociedade como um todo que uma pessoa jurídica permaneça ativa, gerando emprego, renda e receita para o fisco. Baseada nesse entendimento e na realidade Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10920.005028/200951 Acórdão n.º 1002000.348 S1C0T2 Fl. 68 9 do Brasil no tocante à informalidade de inúmeras microempresas e empresas de pequeno porte, a Constituição Federal expressamente pretendeu a tais empresas a institucionalização de um regime tributário especial, com diminuição da carga tributária. Notese que diversos artigos de seu texto tratam da temática, em especial os artigos 146,170 e 179. Do exame dos dispositivos supra transcritos, temse hialina a pretensão da Constituição em conceder às microempresas e empresas de pequeno porte tratamento diferenciado, de modo a fomentar a formalização de suas atividades econômicas. Impende observar, inclusive, que ao tratar sobre o assunto em seu artigo 170, a Carta Magna eleva a princípio da ordem econômica, dito tratamento diferenciado, o qual, atualmente, se dá por meio do "Simples Nacional", instituído pela Lei Complementar n. 123/2006. (...) Ocorre que, como se depreende da exposição dos fatos, os produtos em questão, além de não terem sido comercializados (o que será objeto de impugnação em item próprio), equivalem a pequena monta (em tópico específico também se analisará a aplicação do princípio da insignificância ao caso concreto). Para melhor visualização, a multa aplicada no bojo do processo administrativo n. 10920.003037/200916, com fundamento no artigo 716 do Regulamento Aduaneiro (decreto n. 6.759/2009), alcançou o valor de R$78,00 (setenta e oito reais), o que pode ser considerado ínfimo se considerarmos os nefastos efeitos causados pela exclusão da impugnante do Simples. (...) Por tudo quanto exposto, diante dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, requerse a reforma da decisão recorrida, para que seja declarado o direito da Recorrente de se manter no regime do Simples Nacional. O viés defensivo carreado não merece guarida. A exclusão do SIMPLES obedeceu estritamente os termos da Lei, cuja margem hermenêutica é assaz limitada, haja vista a clareza solar de suas disposições sobre o caso. Ademais, a jurisprudência do CARF é farta no sentido de proceder com a exclusão do SIMPLES Nacional quando do malferimento ao art. 29, VII, da Lei Complementar n° 123/06, reiterando a postura da Corte com relação à matéria ora em debate, sem que isso viole os princípios constitucionais sustentados pela Recorrente: 1. Processo n° 10935.004296/200997, Rel. Ester Marques Fl. 72DF CARF MF 10 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando constatada a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. (Inteligência do artigo 29, inciso, VII da Lei Complementar nº 123/2006). 2. Processo n° 13971.005060/200849, Rel. Ester Marques EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando constatada a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. (Inteligência do artigo 29, inciso, VII da Lei Complementar nº 123/2006). APREENSÃO DE MERCADORIAS. As objeções quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos que ensejam a pena de perdimento de bens devem ser apresentadas no correspondente Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 3. Processo n° 10811.000087/201012, Rel. Carmen Saraiva CIGARRO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA, SEM DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DA IMPORTAÇÃO REGULAR. Caracteriza infração às medidas de controle fiscal a posse e circulação de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira, sem documentação comprobatória da importação regular, sendo irrelevante, para tipificar a infração, a propriedade da mercadoria. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. OPÇÃO. CAUSA IMPEDITIVA LEGAL. A legislação expressamente não admite o recolhimento dos tributos na forma do Simples Nacional pela microempresa ou Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10920.005028/200951 Acórdão n.º 1002000.348 S1C0T2 Fl. 69 11 empresa de pequeno porte que comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. DEVER FUNCIONAL. No caso de a pessoa jurídica optante incorrer em hipótese legal de vedação e não comunicar espontaneamente o fato, há exclusão de ofício mediante emissão do termo pela autoridade competente, sob pena de responsabilidade funcional. Por fim, a suposta violação constitucional conduziria ao desiderato da inconstitucionalidade reflexa da norma cotejada, o que acarreta a incidência da Súmula CARF n° 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Isso porque não cumpre ao CARF exercer qualquer forma de controle de constitucionalidade ou cotejo constitucional. Logo, não há que se argüir nessa instância a suposta violação de princípios quando da estrita aplicação e observância da norma infraconstitucional pela Administração Pública. 3. Do princípio da insignificância No exercício de seu direito de defesa, o Contribuinte elenca uma série de elementos que entende por aplicáveis ao caso. Em que pese a clareza de exposição e o louvável trabalho na fundamentação de suas teses, observo que a abordagem ao caso buscou um viés muito mais próximo ao Direito Penal que ao próprio processo administrativo tributário e fiscal: III.IV. DA APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA Inicialmente, cabe ressaltar que a noção de insignificância surgiu no âmbito do Direito Penal, propagandose posteriormente para os demais ramos do direito punitivo, por força do princípio constitucional implícito da razoabilidade. De acordo com o princípio em consideração é imperativa a efetiva proporcionalidade entre a gravidade da conduta que se pretende punir e a drasticidade da punição a ser aplicada. Assim, para que haja a responsabilização de alguém por uma falta (seja ela penal, civil ou administrativa) é necessário que exista ofensa de alguma gravidade a bem jurídico e/ou instituição tutelada pelo ordenamento jurídico, pois nem sempre qualquer ofensa a esses bens ou interesses é suficiente para configurar a ocorrência de uma infração passível de severa punição (como a exclusão de uma empresa do regime do Simples). No caso vertente, caso refutadas todas as argumentações expendidas nos itens acima, deve ser considerada a seguinte situação: a Recorrente foi excluída do regime do Simples por suposta comercialização de 39 (trinta e nove) maços de cigarro Fl. 74DF CARF MF 12 importados sem a comprovação do recolhimento dos tributos devidos. Ou seja: a punição é excessiva para uma falta mínima e não suficientemente comprovada, caso que demanda a aplicação do princípio da insignificância. É de se ressaltar que o próprio Ministério a que se vincula a Receita Federal oferece os parâmetros para a aplicação do princípio da insignificância, quando fixa um valor mínimo como piso para justificar a execução fiscal ou a inscrição em dívida ativa. Nesse contexto, a Portaria MF n° 75, de 29/03/2012, determina, em seu artigo 1o, inciso II, "o não ajuizamento de execuções fiscais de débitos com a Fazenda Nacional, cujo valor consolidado seja igual ou inferior a R$ 20.000,00 (vinte mil reais). Em rebate, observando o entrelace sistêmico dos ramos do Direito, cuidouse em não fugir dos principais tópicos da infração, razão pela qual o Acórdão a quo os rechaçou com igual maestria: 23. A seu turno, não há como ver aplicado o princípio da insignificância às infrações administrativas formais que tutelem bens jurídicos vários, além do Erário Público, em que pese a evasão fiscal envolvida ser de pequena monta. 24. Cumpre observar, inicialmente, que a aplicação da pena de perdimento sobre as mercadorias apreendidas implica considerar que tais mercadorias ingressaram no País irregularmente, mediante contrabando ou descaminho, de maneira que a soma destas duas circunstâncias preenche integralmente o que a norma definiu hipoteticamente como infração passível de exclusão de oficio da empresa do Simples Nacional. 25. Por sua vez, os crimes de contrabando e descaminho são eminentemente formais e não dependem da apuração dos valores iludidos para restarem configurados segundo a melhor doutrina. 26. A importação de cigarros de marca proibida constitui crime de contrabando, hipótese em que a jurisprudência judicial tem rechaçado a aplicação do princípio da insignificância por considerar que a objetividade jurídica não se resume pura e simplesmente no interesse arrecadador do Fisco e sim no direito de a Administração Pública controlar o ingresso de mercadorias no território nacional, por questão de segurança e saúde públicas. 27. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça já se pronunciou: Ementa: PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPORTAÇÃO DE PRODUTO DE PROIBIÇÃO RELATIVA. CIGARRO. CONTRABANDO. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA COM BASE NO VALOR DA EVASÃO FISCAL. INAPLICABILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. Em sede de contrabando, ou seja, importação ou exportação de mercadoria proibida, em que, para além da sonegação tributária há lesão à moral, Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10920.005028/200951 Acórdão n.º 1002000.348 S1C0T2 Fl. 70 13 higiene, segurança e saúde pública, não há como excluir a tipicidade material tãosomente à vista do valor da evasão fiscal, ainda que eventualmente possível, em tese, a exclusão do crime, mas em face da mínima lesão provocada ao bem jurídico ali tutelado, gizese, a moral, saúde, higiene e segurança pública. 2. Não tem aplicação o princípio da insignificância na hipótese de contrabando de produto de proibição relativa em quantidade suficientemente expressiva para afastar a lesividade mínima à saúde pública. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp 1405930 SC 2013/03259446, publicado em 24.10.2013) 28. Por fim, se a cumulação das penas de perdimento, multa e exclusão é excessiva para quem praticou contrabando, essa questão é de ordem constitucional, não podendo a Administração Tributária negar eficácia ao dispositivo legal que serviu de fundamento ao ato de exclusão (art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972). Faço aqui especial reiteração à revelia, derivada da ausência de defesa ao Auto de Infração no momento oportuno. Esse aspecto, por si só, impede a análise casuística do fato que serviu de supedâneo à exclusão do SIMPLES Nacional. Reforço, portanto, que o cerne do presente processo busca o afastamento da indigitada exclusão, e não o combate aos elementos fáticos do Auto de Infração, os quais foram aplacados pelos efeitos da preclusão. Portanto, nenhum argumento hábil foi apresentado para mitigar ou reformar os termos do Acórdão da DRJ; outrossim, consta nos autos do processo uma consistente coletânea documental, apta a amparar a retirada da empresa do SIMPLES Nacional nos termos do art. 29, VII, da Lei Complementar n° 123/06. Ademais, nos termos do art. 136 do CTN, rememoro que a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Nesse sentido, restou configurado que a Recorrente foi qualificada como sujeito passivo da obrigação e não observou as determinações legais pertinentes à matéria; por esta razão está submetido à conseqüência legal de sua conduta decorrente da prática do ato ilícito. Logo, a proposição afirmada pela defesa não tem cabimento. De arremate, a Súmula do CARF nº 90 também trata diretamente do tema: Caracteriza infração às medidas de controle fiscal a posse e circulação de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira, sem documentação comprobatória da importação regular, sendo irrelevante, para tipificar a infração, a propriedade da mercadoria. Apenas por amor ao debate e em respeito ao trabalho formulado na peça defensiva, destaco que a jurisprudência dos Tribunais Superiores tem afastado a incidência do princípio da insignificância aos crimes de contrabando. Nos casos especificamente envolvendo cigarro, ocorre um crime em que há uma lesão “bifronte”, que atinge não só a atividade arrecadatória do Estado, mas interesses públicos como a saúde e a atividade industrial. O crime de contrabando, segundo o Ministro Luiz Fux, é o que incide no caso, uma vez que há a proibição da importação da mercadoria pelas autoridades nacionais de saúde. Transcrevo abaixo a ementa da decisão proferida por aquele ilustre magistrado: Fl. 76DF CARF MF 14 PENAL E PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS . CONTRABANDO DE CIGARROS (ART. 334, § 1º, “C ”, DO CP). DESCLASSIFICAÇÃO PARA O CRIME DE DESCAMINHO. IMPOSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. NÃO INCIDÊNCIA. ORDEM DENEGADA. 1. O cigarro posto mercadoria importada com elisão de impostos, incorre em lesão bifronte não só ao erário e à atividade arrecadatória do Estado, mas a outros interesses públicos como a saúde e a atividade industrial internas, configurandose contrabando, e não descaminho. Precedentes: HC 100.367, Primeira Turma, DJe de 08.09.11 e HC 100.367, Primeira Turma, Relator o Ministro Luiz Fux, DJe de 08.09.11. 2. O crime de contrabando incide na proibição relativa sobre a importação da mercadoria, presentes as conhecidas restrições dos órgãos de saúde nacionais incidentes sobre o cigarro. 3. In casu, a) o paciente denunciado como incurso nas sanções do artigo 334, § 1º, alínea c, do Código Penal, por ter adquirido, para fins de revenda, mercadorias de procedência estrangeira – 1.401 (um mil quatrocentos e um) maços de cigarros – desacompanhadas da documentação fiscal comprobatória do recolhimento dos respectivos tributos; b) o valor total do tributo, em tese, não recolhido aos cofres públicos é de R$ 1.401,00 (um mil quatrocentos e um reais); c) o juiz singular, reconheceu a aplicabilidade, in casu, do princípio da insignificância, e, por conseguinte, rejeitou a denúncia; d) a Corte Regional deu provimento ao recurso em sentido estrito do Ministério Público para determinar o recebimento da peça acusatória. 4. O princípio da insignificância não incide na hipótese de contrabando de cigarros, tendo em vista que “não é o valor material que se considera na espécie, mas os valores ético jurídicos que o sistema normativopenal resguarda” (HC 118.359, Segunda Turma, Relatora a Ministra Cármen Lúcia, DJ de 11.11.13). No mesmo sentido: HC 119.171, Primeira Turma, Relatora a Ministra Rosa Weber, DJ de 04.11.13; HC 117.915, Segunda Turma, Relator o Ministro Gilmar Mendes, DJ de 12.11.13; HC 110.841, Segunda Turma, Relatora a Ministra Cármen Lúcia, DJ de 14.12.12. 5. Ordem denegada. HABEAS CORPUS 121.916/MG (rel. Min. Luiz Fux) Por fim, impera destacar que o Superior Tribunal de Justiça inclusive sumulou o tema, em seu enunciado nº 599: "O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a Administração Pública". Dispositivo Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO por Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10920.005028/200951 Acórdão n.º 1002000.348 S1C0T2 Fl. 71 15 CONHECER do Recurso Voluntário, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 78DF CARF MF
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Numero do processo: 13062.000002/98-85
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2001
Ementa: PIS — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — PRESCRIÇÃO - INOCORRÊNCIA - O direito de pleitear a restituição, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, em ação
direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta — PIS — SEMESTRALIDADE — De acordo com o parágrafo único, do art. 6°, da Lei Complementar 07/70, a base de cálculo da Contribuição para o PIS é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, conforme entendimento do STJ - FATURAMENTO — Há de se considerar para o cálculo do valor a ser restituído o faturamento levantado pelo FISCO mediante diligência — CORREÇÃO MONETÁRIA — a correção monetária constitui simples resgate da expressão real do valor a ser restituído, sem constituir "plus", é simples atualização do valor real da moeda, e deve ser calcula da de acordo com os mesmo índices adotados pela administração tributária para a exigência de débitos tributários.
Recurso especial parcialmente provido.
Numero da decisão: CSRF/02-01.058
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Supeiror de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao
recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Otacilio Dantas Cartaxo
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Recurso especial parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Supeiror de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. 5 ON PE 41-'1 w • IGUES PRESIDENTE - Processo : 13062.00002/98-85 Acórdão n° : CSRF/02-01.058 OTACÍLIO DATA CARTAXO RELATOR FORMALIZADO EM: 2 ,4 otyr 2001 Participaram, ainda do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, JORGE FREIRE, SÉRGIO GOMES VELLOSO, MARCOS VINÍCIUS NEDER DE LIMA e FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA. Processo : 13062.00002/98-85 Acórdão n° : CSRF/02-01.058 Recurso n° : RP/201-0.384 Recorrente : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO A empresa pleiteia restituição de Contribuição ao PIS paga em valor maior que o devido, por força dos Decretos-Leis n°s 2.445/88 e 2.449/88, no período de 1988 a 1994. Enquanto não recebe resposta final, apresenta os pedidos de compensação com tributos e contribuições vincendos, dentro dos respectivos prazos de vencimento. A empresa não tinha débitos vencidos para com a Fazenda Nacional, conforme consta do certificado emitido pelo Fisco às fls. 67. Os pedidos estão apresentados nos formulários e moldes instituídos pelas IN SRF n°s 21 e 73, ambas de 1997. A autoridade local da Receita Federal determina a realização de diligência no estabelecimento da empresa, que confirma haver ela recolhido a contribuição, conforme DARF que anexa aos autos, sendo que há pedido de parcelamento concedido e quitado relativamente ao período de outubro de 1990 a abril de 1991, conforme se vê a fls. 108/117. A fiscalização verifica, ainda, que os valores dos faturamentos mensais constantes da planilha de cálculo anexada pela empresa não coincidem com os valores constantes da contabilidade da empresa, e nem é rigorosamente igual aos faturamentos indicados nas declarações de renda apresentadas no período. Realiza o levantamento dos valores desses faturamentos na contabilidade da recorrente e traz aos autos seu demonstrativo do direito em questão, às fls. 135 e seguintes. Às fls. 177/194, está o Despacho DRF/SAN n° 56/98, pelo qual o Delegado da Receita Federal em Santo Ângelo indefere o pedido de restituição e considera prejudicadas as solicitações de compensação apresentadas. A empresa interpõe recurso à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de fls. 200/210. Inicialmente, contesta preliminar de decadência do direito suscitada pela autoridade local, argumentando que somente a partir da publicação da Resolução n° 49 do Senado Federal pode começar a contar o prazo decadencial, posto que somente esse ato estende erga omnes o efeito da decisão incidental prolatada no Supremo Tribunal Federal. Transcreve a lição de Alberto Xavier, no sentido de que, enquanto existe o pressuposto de legalidade da lei, não corre o prazo de que trata o artigo 168, pois ele somente pode ter início com a decretação válida erga omines da inconstitucionalidade do diploma legal. Reporta-se, ainda, à jurisprudência dos Tribunais Superiores do País, posta no sentido de que, nos casos dos tributos lançados pela 5_7. Processo :13062.00002/98-85 Acórdão n° : CSRF/02-01.058 homologação tácita do procedimento do contribuinte, o prazo prescricional para pedir restituição é de cinco anos contados da homologação, expressa ou tácita. Assim, conclui, mesmo que se o prazo não houvesse iniciado com a publicação da Resolução n° 49, persistem válidos e eficientes seu pedido e o direito correspondente. No mérito, a empresa argumenta que o art. 6° da Lei Complementar 07170 trata de base de cálculo da contribuição, e não de prazo de recolhimento. Aponta, ainda, que o artigo 11 da mesma Lei Complementar remete ao regulamento a atribuição de dispor sobre o prazo de recolhimento. Reporta- se, também, à jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, farta nesse sentido de que a base de cálculo da contribuição era o faturamento do sexto mês anterior ao de competência do pagamento, na vigência da Lei Complementar n° 07/70. Quanto aos cálculos, diz que é irrelevante o fato de os pagamentos terem sido efetuados parceladamente ou à vista, pois sempre decorreram de cobrança indevida e ilegal. Quanto ao único pagamento efetuado espontaneamente mas com atraso, e aos objeto de parcelamento, aponta que, refeitos os cálculos com base na Lei Complementar n° 07/70, apurar-se-á crédito contra a Fazenda e não débito, e, portanto, nenhum atraso. A empresa prossegue afirmando que a única forma lícita de apuração do valor a ser restituído é o confronto dos valores efetivamente pagos, constantes dos DARF com os valores que devem ter sido pagos com base na Lei Complementar n° 07/70, alterada pela Lei Complementar n° 17/73, vale dizer, 0,75% do faturamento do sexto mês anterior ao mês de competência. Abordando alegação de ausência de comprovante de um pagamento efetuado em 29.08.91, relativo ao mês de competência agosto/90, bem como de incorreção de valores e datas de pagamento informados para os meses de competência outubro/90 a abril/91, diz que esses valores correspondem à consolidação dos débitos para fins de parcelamento e que estão nos autos as cópias dos DARF de pagamento (fls. 14/16). Sobre os juros e correção monetária, afirma que os primeiros são devidos, conforme reconhecem regra de lei e Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08, de 27.06.97, enquanto que a atualização monetária está igualmente correta, pois corresponde à aplicação dos índices fixados no Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos na Justiça Federal, baixado pelo Conselho de Justiça Federal, através da Resolução n° 187, de 19 de fevereiro de 1997. Às fls. 326/335, o julgador singular, diz, na preliminar, que o prazo decadencial é regido pelo artigo 168 do CTN, de sorte que o direito à restituição se limita ao período relativo aos últimos cinco anos contados a partir da formulação do pedido. No mérito, a autoridade julgadora mantém a decisão recorrida, fundamentando-se nas razões que constam do Parecer da t/ Processo : 13062.00002/98-85 Acórdão n° : CSRF/02-01.058 Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional n° 437/98, segundo o qual o artigo 6° da Lei Complementar n° 07/70 cuida de prazo de recolhimento e não de base de cálculo. Além disso, nega acolhida ao pedido também ao fundamento de que os valores dos faturamentos constantes da planilha apresentada pela empresa não coincidem com os apurados pela fiscalização com base na contabilidade da empresa e demonstrados na planilha fiscal de fls. 135/138, que deve prevalecer. Além disso, diz que não há comprovação do recolhimento da parcela supostamente paga em 29.08.91, e que estão incorretos os valores dos pagamentos relativos ao período de outubro de 1990 a abril de 1991. Recusa, ainda, a aplicabilidade dos juros e da atualização monetária adotada pela recorrente, no que abrange períodos não tratados na Norma de Execução Conjunta SRF/COS IT/COSAR/COF IS n° 08/97, argumentando que essa norma é a referência interna utilizada pelas repartições arrecadadoras e que a utilização de outros índices, inclusive os consagrados no Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos na Justiça Federal, baixado pelo Conselho de Justiça Federal, só cabe nos casos em que houver proposição de ação judicial de repetição de indébito. Aponta, ainda, que, além de calcular o valor da contribuição com base no faturamento do sexto mês anterior, a empresa não considera o prazo efetivamente utilizado para o recolhimento, posto que não reconhece a correção monetária e os juros relativo a esse atraso. Inconformada, a empresa recorre ao Conselho de Contribuints, reiterando as razões trazida na impugnação. Quanto à decadência, repete a lição de Alberto Xavier, no sentido de que não se inicia o prazo do artigo 168 antes da extensão erga omnes da decisão que proclama a inconstitucionalidade da lei, seja por pronunciamento do Supremo Tribunal Federal em Ação Direta de lnconstitucionalidade ou Ação Direta de Constitucionalidade, ou, ainda em decisão incidental, esta a partir da Resolução do Senado que extrai a norma do ordenamento jurídico. Só a partir de então tem início o prazo do contribuinte para agir no exercício de seus direitos, dentro da sistemática afinal definida como legal. No mérito, alega que o texto do artigo 6° da Lei Complementar n° 07/70 determinou explicitamente que a contribuição de julho se calculasse com base no faturamento de janeiro, o de agosto com base no faturamento de fevereiro e assim por diante, o que demonstra que tratava de definição de base de cálculo. Opõe-se ao argumento fiscal de que a base de cálculo foi fixada no artigo 3° da mesma lei, afirmando que esse dispositivo apenas menciona o faturamento, sem especificá-lo de sorte que é imprestável para definir a base de cálculo da contribuição. Quanto ao prazo de recolhimento, acentua que a Lei Complementar delegou ao regulamento sua fixação, o que foi feito. RV"? Processo : 13062.00002/98-85 Acórdão n° : CSRF/02-01.058 Invoca os julgados reiterados dos Conselhos de Contribuinte, no sentido de que a base de cálculo da contribuição é o faturamento do sexto mês anterior. Quanto à suposta falta de comprovação de pagamento e incorreção dos valores recolhidos relativamente ao período de outubro de 1990 a abril de 1991, diz que esse pagamento e o período indicado dizem respeito exatamente ao processo de parcelamento, deferido e quitado, conforme já reconhecido nos autos pelo Fisco. No que concerne aos acréscimos por atraso, a empresa argumenta que não é possível cobrar encargos sobre tais acréscimos e nem mesmo caracterizá-los como atrasos, uma vez que a impontualidade somente se caracteriza em relação à legislação inconstitucional. Quanto aos faturamentos mensais, alega que é irrelevante o fato de os recolhimentos da contribuição terem sido efetuados com base em valores superiores aos apontados na planilha de cálculo que apresentou, pois a restituição é devida no montante da diferença entre os recolhimentos efetivos e os que deveriam ter ocorrido pela aplicação das normas da Lei Complementar n° 07/70, com a alteração de alíquota fixada na Lei Complementar n° 17/70. Sobre o direito à correção monetária, a recorrente invoca o Parecer da Advocacia Geral da União n° 01/96, aprovada pela Presidência da República e publicado no DOU n° 13, de 18.01.96, que conclui no sentido de que "a correção é mera atualização de valor, que não pode ser recusada, pena de enriquecimento ilícito. "No que se refere aos índices, argumenta que não é possível subordinar a aplicação dos índices ao ingresso em juízo, nem é possível concluir que os índices de atualização devem ser diferentes, conforme aplicados no Judiciário ou no Executivo, relativamente aos períodos não abrangidos por norma legal específica, especialmente porque o Parecer n° AGU/MF-01/96 (Anexo ao Parecer n° GQ-96) reconhece dispensável a existência de norma legal para a matéria. Insiste em que é absurdo obrigar cada contribuinte a ingressar na via judicial para ver reconhecidos índices de correção monetária já consagrados, especialmente quando a norma de cumprimento obrigatório baixada pela Presidência da República proclama a desnecessidade de norma legislativa específica para a matéria. Conclui pedindo o deferimento do pleito de restituição e compensação. Os membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dão provimento ao recurso do contribuinte. A ementa do Acórdão n° 109.686 possui a seguinte redação: PIS - Na forma da Lei Complementares n c's 07, de 07.09.70, e 17, de 12.12.73, a Contribuição para o PIS/Faturamento tem como fato gerador o faturamento e como base de cálculo o (07 Processo : 13062.00002/98-85 Acórdão n° : CSRF/02-01.058 faturamento de seis meses atrás, sendo apurado mediante aplicação da aliquota de 0,75%. Alterações introduzidas pelo Decretos-Leis n°s 2.445 e 2.449, de 1988, não acolhidas pelo STF. Recurso Provido. A Fazenda Nacional, pelo seu procurador, inconformada com a decisão consubstanciada no mencionado Acórdão, interpõe recurso especial com seguintes fundamentos: I - Quanto à extinção do direito de pleitear a restituição: "SIC" - Deve-se dizer, preliminarmente, que o artigo 168, em combinação com o artigo 165, ambos do Código Tributário Nacional, definem em cinco anos o prazo para extinção do direito de pleitear a restituição de eventuais pagamentos indevidos realizados à Fazenda Pública (O grifo não consta do original). Na situação dos autos, os alegados créditos de PIS que a requerente tenciona ver restituídos e depois utilizados na compensação de diversos tributos e contribuições federais devidos à Fazenda Nacional, referem-se a pagamentos efetuados no período de 11/10/88 a 13/10/95. Considerando que o pedido de restituição foi protocolado em 07.01.98, forçoso concluir-se que a decadência afetou todas as parcelas recolhidas anteriormente a 07.01.93, as quais correspondem - conforme demonstrativo de cálculos e DARF anexos (fls. 05/53) - aos meses de competência entre julho de 1998 a novembro de 1992". II - Quanto ao mérito: - Alega que a Lei Complementar n° 07/70 estabelece prazo de recolhimento de seis meses para a contribuição ao Pis e não base de calculo. Aduz que o assunto já foi objeto de estudo pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, através do Parecer PGFN/CAT n° 437/98, de 30.03.98, aprovado pelo Senhor Ministro da Fazenda para o fim de uniformização de entendimento no âmbito do Ministério da Fazenda; - Argui que o demonstrativo de cálculos elaborado pela requerente contém incorreções significativas, mostrando-se inviável seu aproveitamento no processo; - SIC" - que "... outrossim, apenas para argumentar, houvesse valores a serem restituídos, seriam eles corrigidos monetariamente pelas regras estabelecidas pela Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 8, de 27.06.97 (apontada pela contribuinte à fl. 210), que é a referência interna utilizada pelas repartições arrecadadoras nesses casos ct7 Processo :13062.00002/98-85 Acórdão n° : CSRF/02-01.058 O Presidente da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, às fls. 383, dá seguimento ao apelo da Fazenda Nacional. A interessada, cientificada da interposição do recurso especial, apresenta suas contra-razões, às fls. 393/400, onde, em síntese, aduz quanto a preliminar de decadência levantada, que a contagem do prazo para pleitear a restituição do indébito, somente começa a contar da declaração de inconstitucionalidade da norma. Que, no mérito, são infundados os argumentos contidos no Parecer PGFN 437. Que, quanto aos supostos erros, argumenta o seguinte: "Adiante, alega-se no recurso que os cálculos do valor a ser ressarcido estão errados, em primeiro lugar porque os faturamentos apontados no demonstrativo da empresa não coincidem com os registrados na escrita e nas Declarações de Rendimentos apresentadas à Fazenda; em segundo lugar que os valores a restituir deveriam ser corrigidos monetariamente pelas regras estabelecidas pela Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT-COSAR 8, de 27.06.97 (apontada pela contribuinte a fls. 210)"; em terceiro lugar, que os faturamentos do sexto mês anterior deveriam ter sido corrigidos monetariamente para o cálculo da contribuição devida. Ora, a decisão recorrida foi impecável, no que concerne à divergência entre os faturamentos apresentados e os escriturados. Apontou o v. acórdão que a contribuição havia que ser efetuada com base no faturamento real, de sorte que, se existe discrepância, ela indica irregularidade na escrita, ou incorreção nos dados objeto do demonstrativo. E concluiu no sentido de que a empresa deve demonstrar ao Fisco os valores dos faturamentos efetivos, prevalecendo o cálculo constante do pedido, se comprovados os valores de faturamento nele apontados. Não efetuada essa comprovação, devem ser utilizados os dados constantes da escrita e das Declarações de Rendimentos. Em nenhum momento a fiscalização, no curso do processo, afirmou que a utilização dos dados constantes das Declarações de Rendimentos e dos livros da empresa resultaria em montante inferior ao postulado. Nessas condições, não há como fazer reparo ao v. julgado recorrido, naquilo que concerne à correção dos valores pleiteados e à solução dada nesse particular. O Acórdão é simplesmente inatacável quando trata da matéria." Processo :13062.00002/98-85 Acórdão n° : CSRF/02-01.058 Que, quanto a correção monetária dos montantes a serem restituídos, defende que: "Quanto à utilização das regras de correção monetária fixadas na Norma de Execução da Receita Federal, é elementar que essa norma administrativa não cria direitos, e apenas reproduz essas regras de Lei, conforme interpretação constante e uniforme fixada nos Tribunais Superiores de Justiça. O direito não nasce nesse ato administrativo, mera norma de execução, que, como o próprio nome indica, dirige-se aos órgãos hierarquizados da Receita e visa orientá-los no rumo do melhor Direito." É o relatório. Processo : 13062.00002/98-85 Acórdão n° : CSRF/02-01.058 VOTO CONSELHEIRO RELATOR — OTACíLIO DANTAS CARTAXO. O recurso especial cumpre todos os requisitos necessários para o seu conhecimento. Conforme relatado, trata-se de pedido de restituição/compensação, de valores pagos sob a égide dos decretos leis 2445 e 2448, ambos de 1988. O recurso especial, de fls. 372/382, apresentado pelo Representante da Fazenda Nacional, com fulcro no inciso I, do art. 32, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, Anexo II, da Portaria n° 55/98, trata de quatro questões específicas: 1) da prescrição quanto ao direito de pleitear a restituição do indébito; 2) da semestralidade do PIS (base de cálculo/prazo de recolhimento); 3) do levantamento do faturamento para o cálculo da restituição; e 4) da correção monetária dos montantes a serem restituídos. 1) Quanto à prescrição; Questão levantada pela autoridade singular, e contestada igualmente pela Fazenda Nacional, diz respeito ao prazo que o contribuinte possui para a solicitar restituição de valores pagos indevidamente. Em primeiro lugar, muito embora admita existirem divergências doutrinárias, reconhecida até mesmo nos tribunais, ora denominando o direito de pleitear a restituição/compensação como o de "decadência" ora como o de "prescrição", adoto, como princípio, na corrente majoritária do próprio Tribunal Superior, a figura da "prescrição". Segundo a autoridade singular o pedido de restituição (matéria dos autos) formulado em 07/01/98 só pode contemplar recolhimentos efetuados no decurso do prazo de cinco anos, (sic) "contados da data de extinção do crédito tributário". No presetne caso, os recolhimentos foram realizados no período compreendido entre 11/10/88 a 13/10/95 razão pela qual entende não ser possível o pleito do contribuinte. Sobre o assunto, a 2 a Câmara do Conselho de Contribuintes, já teve oportunidade de se pronunciar, em voto da lavra da Ilustre Conselheira Maria Teresa Martínez López, cujo Acórdão n°202-10.883 está assim ementado: "De outro lado, também nos casos de declaração de inconstitucionalidade operados pelo Supremo Tribunal Federal a contagem de prazo para a recuperação de importâncias despendidas indevidamente sujeita-se a 'regra Processo :13062.00002/98-85 Acórdão n° : CSRF/02-01.058 especial', pois a jurisprudência tem-se orientado no sentido de reconhecer que o lapso prescricional de cinco anos somente começa a fluir após a publicação da decisão do STF que declarar tal inconstitucionalidade, nos casos de controle concentrado de constitucionalidade (efeito vinculante e erga omnes), e apenas após a Resolução do Senado Federal que suspender a vigência do dispositivo legal, cuja desvalio constitucional foi reconhecida pelo STF, nos casos de controle difuso de constitucionalidade (efeito inter partes)." No mesmo sentido é o entendimento exarado pelo ilustre relator, José Antonio Minatel, então Conselheiro da 8 a Câmara do 1° CC., em voto proferido no Acórdão n° 108-05.791, in verbis: "O mesmo não se pode dizer quando o indébito é exteriorizado no contexto de solução jurídica conflituosa, uma vez que o direito de repetir o valor indevidamente pago só nasce para o sujeito passivo com a decisão definitiva daquele conflito, sendo certo que ninguém poderá estar perdendo direito que não possa exercita-lo. Aqui, está coerente a regra que fixa o prazo de decadência para pleitear a restituição ou compensação só a partir "da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa, ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória" (art. 168, II, do CTN). Pela estreita similitude, o mesmo tratamento deve ser dispensado aos casos de soluções jurídicas ordenadas com eficácia erga omnes, como acontece na hipótese de edição de resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida. Na verdade, a matéria já está pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça, que vem decidindo que em matéria de tributos declarados inconstitucionais, o prazo de 5 anos, para repetição do indébito ou compensação, se inicia a partir da declaração de inconstitucionalidade, como se pode ver do julgado abaixo: Embargos de Divergência em RE n° 43.995 - 5 RS, relator o Ministro César Asfor Rocha: "Ementa - TRIBUTÁRIO, EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO SOBRE AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. DECRETO LEI N ° 2.288186.RESTITUIÇÃO.DECADÊNCIA.PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Processo : 13062.00002/98-85 Acórdão n° : CSRF/02-01.058 Consoante o entendimento fixado pela egrégia Primeira Seção, sendo o empréstimo compulsório sobre a aquisição de combustíveis sujeito a lançamento por homologação, ã falta deste, o prazo decadencial só começará a fluir após o decurso de cinco anos da ocorrência do fato gerador, somados mais cinco anos contados estes da homologação tácita do lançamento. Por sua vez, o prazo prescricional tem como termo inicial a data da declaração de inconstitucionalidade da Lei em que se fundamentou o gravame Embargos de divergência rejeitados" Os Ministros do STJ, em despachos monocráticos, dados com fulcro nos artigos 120, § único, c.c. 557, do Código de Processo Civil, na redação da Lei n° 9.756/98, que pressupõe a existência de jurisprudência pacífica a propósito do tema, vem negando seguimento a recursos da União, como se pode ver no julgado abaixo: "Recurso Especial n° 233.090 - Rio Grande do Sul Relator: Ministro Garcia Vieira Cuida-se de recurso especial interposto pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS contra acórdão proferido pelo Co/endo Tribunal Regional Federal da 4a Região, que reconheceu o direito do autor à compensação dos valores indevidamente recolhidos sobre a remuneração paga aos autônomos, administradores e avulsos com tributos de mesma espécie incidentes sobre a folha de salários. A jurisprudência desta Corte de Justiça uniformizou-se no sentido de que o prazo prescricional de cinco anos para a cobrança do crédito correspondente à contribuição previdenciária incidente sobre o pagamento de pró-labore só começa a fluir da data das decisões do Supremo Tribunal Federal na ADIn n° 1.102-2-DF e no Recurso Extraordinário n° 166.722-9-RS, que declararam a inconstitucionalidade das expressões "autônomos, administradores e avulsos". Precedentes jurisprudenciais: Resps. n°s 202.176-PR e 205.232-SP. Pelo exposto, com fulcro no art. 557, caput, do Código de Processo Civil, com nova redação dada pela Lei n° 9.756, de 17 de dezembro de 1998, nego seguimento ao recurso." (in Revista Dialética de Direito Tributário n° 53, pg. 189) Assim, há de se concluir que o pedido de restituição da empresa interessada não está prescrito, pois foi protocolizado em 07/01/98, dentro do Processo : 13062.00002/98-85 Acórdão n° : CSRF/02-01.058 período dos 5 anos da data da Resolução n° 49/95 do Senado Federal, que reconheceu a inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n° 2.445/88 e 2.449/88. 2) Da semestralidade do PIS (base de cálculo/prazo de recolhimento): Entende o Acórdão n° 201-72.317, ora em exame, que o sexto mês versado no artigo 6°, § único, da Lei Complementar 07/70, trata-se da base de cálculo do PIS, ou seja, o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador do tributo, que vem a ser o faturamento no mês de referência; enquanto que a recorrente, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, defende o sexto mês como prazo de recolhimento do tributo. Esse assunto já foi bastante discutido nesta Câmara, e, considerando as recentes decisões do Superior Tribunal de Justiça que entenderam o sexto mês anterior como a base de cálculo do tributo, concluo que neste assunto o Acórdão recorrido não merece reforma. Dessa forma, empresto-me das razões adotada no voto de, Exma. Sra. Ministra do Superior Tribunal de Justiça, Dra. Eliana Calmon, recentemente proferido no RE n° 144.708- Rio Grande do Sul (1997/0058140-3): "Discute-se nestes autos o real alcance do artigo 6° da Lei Complementar 07/70 e seu parágrafo único. A empresa afirma que o parágrafo único do artigo 6° do diplomo mencionado identifica a base de cálculo do PIS não podendo ser alterado, senão por lei complementar. A FAZENDA, deferentemente, entende que o dispositivo não se reporta á base cálculo, e sim prazo de recolhimento, não alterando a base de cálculo pode ser feita pelo Fisco. Para melhor análise, transcrevo o inteiro teor do art. 6° e seu parágrafo único: Art. 6° - A efetivação dos depósitos no Fundo, corresponde à contribuição referida na alínea "h" do art. 3° será processada mensalmente a partir de 1° de julho de 1971. Parágrafo único — A contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro: a de agosto com base no faturamento de fevereiro, e assim sucessivamente. Antes de analisar as Leis 8.218/91 (art. 15)e a 8.383/91 (art. 52, IV) é preciso que se estabeleça, como já mencionado no início do voto, o real alcance da norma em comento. Processo : 13062.00002/98-85 Acórdão n° : CSRF/02-01.058 Sabe-se que, em relação ao PIS, é a Lei Complementar que, instituindo a exação, estabeleceu o fato gerador, base de cálculo e contribuintes, porquanto o Decretos-leis 2.445 e 2.449 de 1988 são desinfluentes, por terem sido considerados inconstitucionais pelo STF (RE 148.754-2/210/RS) e, consequentemente, banidos da ordem jurídica pela Resolução 49/1995 do Senado Federal. A referência feita ao episódio deve-se ao fato de terem ambos os decretos-leis alterado substancialmente a sistemática de apuração do PIS, contrariamente ao estabelecido na LC 07/1970, alteração esta que, por força da inconstitucionalidade, com já mencionado, não tem nenhuma importância no deslinde desta demanda. Voltando à análise da norma do nosso interesse, não é demais que se relembre o que seja base de cálculo. Doutrinariamente, diz-se que a base de cálculo é a expressão econômica do fato gerador. É, em termos práticos, o montante, ou a base numérica que leva ao cálculo do quantum devido, medido este montante pela alíquota estabelecida. Assim, cada exação tem o seu fato gerador e a sua base de cálculo próprios. Em relação ao PIS, a Lei Complementar 07/70 estabeleceu duas modalidades de cálculo, ou forma de chegar-se ao montante a recolher: a) mediante dedução do Imposto de Renda devido, ou como se devido fosse, modalidade que se destinou às empresas que, não operando com venda de mercadorias, como sói acontecer com as instituições financeiras, sociedades seguradoras e outras, não poderiam apurar faturamento mensal. Chamou-se de PIS REPIQUE, efetuando-se o pagamento quando do recolhimento do imposto de renda (art. 3°, letra "a", da LC 07/70); e b) mediante cálculo baseado no faturamento da empresa, tomando-se como quantitativo o faturamento semestral antecedente. Assim, em julho, o primeiro mês em que se pagou o PIS no ano de 1971, a base de cálculo foi o faturamento do mês de janeiro, no mês de agosto a referência foi o mês de fevereiro e assim sucessivamente (parágrafo único do art. 6). Esta Segunda forma de cálculo do PIS ficou conhecida como PIS semestral, embora fosse mensal o seu pagamento. Este entendimento veio expresso no Parecer Normativo CST n. 44/80, em cujo item 3.2 está dito: Processo : 13062.00002/98-85 Acórdão n° : CSRF/02-01.058 Como respaldo do afirmado no subitem anterior cabe aduzir que no ano de 1971, primeiro ano de recolhimento do PIS, as empresas sujeitas ao PIS-FATURAMENTO começaram a efetuar esse recolhimento em julho de 1971, tendo por base de cálculo o faturamento de janeiro de 1971, (...) Mas não é só, pois o Manual de Normas e Instruções do Fundo de participação PIS/PASEP, editado pela Portaria n. 142 do Ministro da Fazenda, em data de 15/07/1982 assim deixou explicitado no item 13: A efetivação dos depósitos correspondentes à contribuição referida a alínea "b", do item 1, deste capítulo é processada mensalmente, com base na receita bruta do 6° (sexto) mês anterior (Lei Complementar n. 07, art. 6° e § único, e Resolução do CMN n. 174, art. 7° e § 1°). A referência deixa evidente que o artigo 6°, parágrafo único não se refere a prazo de pagamento, porque o pagamento do PIS, na modalidade da alínea "h" do artigo 3° da LC 07/70, é mensal, ou seja, esta é a modalidade do recolhimento. E de acordo com a definição do que seja base de cálculo, tida como sendo o montante, o quantitativo, a base numérica sobre a qual incida a aliquota, não pode Ter dúvida de que a BASE DE CÁCULO DO PIS FATURAMENTO está descrita no artigo 6°, parágrafo único. A FAZENDA não mudou o seu entendimento ou fundamentação, pois continua a insistir com a tese de que o parágrafo único do art. 6° da LC 07/70 não define a base de cálculo, e sim prazo de recolhimento, o que não procede, como explicitado e examinado a partir dos atos normativos internos do próprio FISCO. O que mudou foi o dispositivo legal que serve de respaldo à tese. Abandonando a absurda alegação de que a mudança no prazo de recolhimento ocorreu por força dos DL's 2.445 e 2.449 ambos de 1988, no presente recurso invoca como suporte legislativo: a) art. 15 da lei 8.218/91; e b) art. 52, IV, da lei 8.383/91. Pela nova tese afirma-se ter havido revogação tácita do art. 6° da LC 07/70, a partir da Lei 7.681/88 e depois pela Leis 7.799/89, 8.218/91 e 8.383/91. Processo : 13062.00002/98-85 Acórdão n° : CSRF/02-01.058 Vejamos a questão a luz dos dois últimos diplomas: LEI 8.218/91 A recorrente, FAZENDA NACIONAL, diz ter sido vulnerado pelo acórdão o artigo 15 da lei em destaque. O artigo 2° da referida lei efetivamente cuida da mudança de prazo de recolhimento da exação, a partir de agosto de 1991, estabelecendo no inciso IV que, relativamente ao FINSOCIAL, PIS/PASEP e Contribuição sobre Açúcar e Álcool, deveria ser ele feito até o quinto dia útil do mês subsequente ao de ocorrência dos fatos geradores. Em outras palavras, cinco de agosto foi o último dia para que a empresa recolhesse o PIS devido no mês de julho, mas a medida do pagamento, pelo dispositivo, não se alterou, ou seja, a base de cálculo continuou a ser o faturamento da empresa no mês de fevereiro. O problema surge, entretanto, no art. 15 do dispositivo, assim redigido: O pagamento da contribuição para o PIS/PASEP, relativo aos fatos geradores ocorridos nos meses de maio e junho de 1991 será efetuado até o dia cinco do mês de agosto do mesmo ano. A base econômica para o cálculo do PIS só veio a ser alterada pela Medida Provisória 1.212 de 28/11/95, eis que o diploma em referência disse textualmente que o PIS/PASEP seria apurado mensalmente, com base no faturamento do mês. Consequentemente, da data de sua criação até o advento da MP 1.212/95, a base de cálculo do PIS FATURAMENTO manteve a característica de semestral idade. Este entendimento foi também adotado na Primeira Turma, no Resp 240.938/RS, relator Ministro José Delgado, o qual ficou assim ementado, na essencialidade: PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO INEXISTENTE. VIOLAÇÃO AO ART. 535, 11, DO CPC, QUE SE REPELE. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL — PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE: PARÁGRAFO ÚNICO, DO ART. 6°, DA LC 07/70. MENSALIDADE: MP 1.212/95. 1 — omissis. Processo : 13062.00002/98-85 Acórdão n° : CSRF/02-01.058 2 — omissis. 3 — A base de cálculo da contribuição em comento, eleita pela LC 7/70, art. 6°, parágrafo único ("A contribuição de julho será calculada com base do faturamento de janeiro; a de agosto, com base no faturamento de fevereiro, e assim sucessivamente"), permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP 1.212/95, quando a partir desta, a base de cálculo do PIS passou a ser considerado "o faturamento do mês anterior" (art. 2°) 4 — Recurso especial parcialmente provido. (Resp n. 240.938/RS, Rel. Min. José Delgado, i a Turma, dec. Unânime, publ. No DJ de 15/05/2000, pág. 143) Temos, então, como pacificado pelas turmas oi e Direito Público o entendimento quanto á base de cálculo do PIS. Contudo, um segundo aspecto passou a ser discutido, e o enfoque vem prequestionado neste especial, que pode ser resumido à indagação: a base de cálculo tomada no mês que antecede o semestre, sofre correção no período, de modo a ter-se o faturamento do mês do semestre anterior devidamente corrigido? A Primeira Turma tem precedentes, os primeiros, julgados em 06/06/2000, sendo relatores os Ministros Garcia Vieira e José delgado — Recursos Especiais 249.470/PR e 249.645/RS, respectivamente. O entendimento constante dos acórdãos era o de que "o crédito tributário deve ser corrigido monetariamente". O ministro José Delgado, deforma explícita, disse no item 02 da ementa: 2 — A base de cálculo do PIS deve sofrer atualização até a data do recolhimento. A Lei 7.681/88, em seu art. 1°, inciso III, dispôs: "Art. 1° - em relação aos fatos geradores que vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1989, far-se-á a conversão em quantidade de obrigações do Tesouro Nacional — OTN, do valor: III — das contribuições para o Fundo de Investimento Social FINSOCIAL, para o Programa de Integração Social — PIS e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público — PASEP, no 3° (terceiro) dia do mês subsequente ao do fato gerador". Processo : 13062.00002/98-85 Acórdão n° : CSRF/02-01.058 Em outras palavras, a Primeira Turma entendia, à unanimidade, que a correção monetária, como instrumento para manter o poder aquisitivo da moeda, não apresentava aumento da carga tributária, sendo impossível afastar a sua incidência, o que só poderia ocorrer com expressa determinação legal. Divergi do entendimento da Primeira Turma, o que motivou o voto-vista do Ministro Paulo Gallotti. No interregno do meu pronunciamento e do voto-vista, houve significativa evolução na posição da Primeira Turma, como registrou o Ministro Paulo Gallotti, ao proferir o voto-vista no Resp 246.841/SC. A primeira alteração de entendimento veio no Recurso Especial 249.038/Sc, em 16/10/2000, quando o Ministro Milton Luiz Pereira proclamou: Deveras, compreendendo-se que a base de cálculo do PIS cristaliza-se no momento da hipótese de incidência — conteúdo econômico = a atualização monetária sobre "valor da receita bruta do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador", via oblíqua, significará aumento da carga tributária. É dizer, a atualização não se amolda às disposições do artigo 97, § 2°, CTN. Daí comungar com a sustentação feita pela Recorrente, cônsono as idéias desenvolvidas pelo seu ilustre advogado, a falar: "...nascida a obrigação tributária pela ocorrência do fato gerador, quando calcula-se a base de cálculo do tributo, a correção monetária dessa base de cálculo não apresenta acréscimo (art. 97, § 2°, CTN). Mas, a correção de valor gerado da obrigação jurídica obrigacional tributária representa alteração da própria base de cálculo. Enfim, constitui a sistemática do PIS, sob o labéu da inconstitucionalidade declarada pela excelsa Corte (Decretos-leis ns. 2.445 e 2.449, de 1988)". A seguir, ainda na Primeira Turma, veio o Ministro José Delgado a proferir voto no Resp 255.520/RS, revendo entendimento anterior. Entendeu Sua Excelência, assim como o Ministro Milton Luiz Pereira, eu a incidência da correção monetária não refletirá simples atualização da moeda, mas sim aumento da carga tributária, sem lei expressa que a autorize. Com maestria de entendimento, disse o Ministro José Delgado: Incide correção monetária sobres os valores dessa base de cálculo, sem que lei expressamente determine VY1 Processo : 13062.00002/98-85 Acórdão n° : CSRF/02-01.058 essa atualização? A homenagem devida ao princípio da legalidade tributária exige resposta negativa, por força do resultado agravante que tal correção provocará ao contribuinte, aumentando a carga tributária. Afirmei, em parágrafo anterior, que, por opção política tributária, o legislador estatuiu, no parágrafo único, do art. 6°, da LC n. 7/70, benefício ao sujeito passivo tributário, permitindo que tomasse como base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador do PIS, para efeito de calcular o valor devido. A incidência da correção monetária anula, por inteiro, esse benefício fiscal, podendo até provocar o pagamento do PIS a maior do que realmente devido em função do fato gerador. Não teria sentido a disposição da adoção da semestralidade se não buscasse ensejar a possibilidade de ser atenuada a carga tributária da mencionada contribuição. Na acomodação do direito pretoriano sobre o tema relativamente novo, quero lembrar três pontos de importância fundamental: 1°) a questão —e episódica e circunstancial, porque o FISCO, ao sentir a falta de base legal para a tese que defende, providenciou, pela Medida Provisória 1.212, de 28/11/95, a apuração mensal do PIS/PASEP mensalmente, com base no faturamento do mês; 2°) segundo informações oficiosas, o Conselho de Contribuintes aguarda o pronunciamento do Judiciário para dar o seu entendimento último sobre a questão; 3°) a Segunda Turma desta Corte não tem ainda posição definitiva, senão votos do Ministro Paulo Gallotti que agora não mais pertence a esta Seção, enquanto na Primeira Turma quebrou-se a unanimidade, com a mudança de entendimento dos Ministros Luiz Pereira e José Delgado. Pontuei os três aspectos acima para demonstrar que o tema merece reflexão. Daí ter afetado à Seção o julgamento deste processo, porque a classe jurídica brasileira aguarda com ansiedade a posição final do "Tribunal da Cidadania". Esclarecidas assim as razões da afetação, retorno aos argumentos jurídicos para mergulhara na matriz do PIS/PASEP, a Lei Complementar 7 de 1970, na qual não há referência alguma à correção monetária. %.1 Processo : 13062.00002/98-85 Acórdão n° : CSRF/02-01.058 A compreensão exata do tema deve Ter início a partir do exame do fato gerador do PIS, pois este não ocorre para trás e sim para frente. O fato gerador da exação ocorre mês a mês, com indicação de pagamento para o terceiro dia útil do mês subsequente. Se assim é, a correção só pode ser devida da data do fato gerador à data do pagamento. Sabendo-se até aqui qual é o fato gerador do PIS SEMESTRAL (faturamento) e a data do seu pagamento, resta saber qual é a sua base de cálculo, ou o quantitativo que determinará a incidência da alíquota. Aí é que bate o ponto, pois o legislador, por questão de política fiscal, o que não interessa ao Judiciário, disse que a base de cálculo (faturamento) seria o anterior a seis meses do fato gerador. O normal seria a coincidência da base de cálculo com o fato gerador, de modo a Ter-se como tal o faturamento do mês, para pagamento no Mês seguinte, até o terceiro dia. Contudo, a opção legislativa foi outra. E se o Fisco, de modo próprio, sem lei autorizadora, corrige a base de cálculo, não se tem dúvida de que está, por via oblíqua, alterando a base de cálculo, o que só a lei pode fazer. Como vemos, não há que se confundir fato gerador com base de calculo. Sofre correção o montante apurado em relação ao fato gerador, considerando-se como base de cálculo o faturamento mensal do semestre antecedente, porque assim está previsto em lei. A base de cálculo, entretanto, não é corrigida monetariamente, eis que silencia a LC 07/70 e a Lei 7.691/88, que previu expressamente: Ficará sujeito exclusivamente à correção monetária, na forma do art. 1°, o recolhimento que vier a ser efetuado nos seguintes prazos; III — contribuições para: b) o PIS — até o dia 10 do terceiro mês subsequente ao da ocorrência do fato gerador. (art. 2°) Lembre-se aqui, só para argumentar, que a Lei 7.799/89 disciplinou o imposto de renda e estabeleceu, sem rodeios, a correção da base de cálculo. E assim o fez porque somente a lei pode estabelecer correção monetária sobre a base de cálculo, diante da impossibilidade de ser alterada a mesma por exercício de interpretação. Processo : 13062.00002/98-85 Acórdão n° : CSRF/02-01.058 Não tenho dúvida que o legislador pretendeu beneficiar o contribuinte, ao eleger como base de cálculo o faturamento de seus meses anteriores ao fato gerador, agindo dentro da sua discricionária competência constitucional. Peço licença ao Ministro José Delgado para trazer o exemplo com que Sua Excelência ilustrou o seu voto no Resp 255.520/R S, quando concluiu que o legislador pretendeu, deveras, atenuara a carga tributária da contribuição: a) a empresa X, no final do mês de agosto de 1988, tornou-se sujeito passivo obrigacional do PIS porque, nesta data, ocorreu o ato gerador da contribuição. Por força da lei que beneficia, não toma para base de cálculo o faturamento total do mês de agosto, que foi de R$ 100.000,00, porém o de seis meses antes, que também foi de R$ 100.000,00. Aplica-se sot3re o valor do faturamento no- sexto mês anterior a aliquota do PIS, na base de 0,75% o que determinará o pagamento de tributo no valor de R$ 750,00, em moeda de hoje. A mesma carga tributária seria assumida pelo contribuinte se considerasse, em uma situação de legislação normal que determinasse, no aspecto temporal, harmonização entre o fato gerador e a base de cálculo, o faturamento do mês, isto é, os mesmos R$ 100.000,00, pagaria idêntico imposto. Se a base de cálculo do sexto mês anterior for corrigida, haverá um aumento de carga tributária sem lei que autorize e em desconformidade com o propósito do parágrafo único, do art. 6°, da LC n. 7/70. LEI 8.383/1991 A recorrente, FAZENDA NACIONAL, prequestionou, ainda, a Lei 8.383/91, diploma que previu no art. 52,dito violado, a correção monetária a que se imputa pertinente ao PIS. Vejamos o teor do dispositivo: Em relação aos fatos geradores que vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1992, os pagamentos dos tributos e contribuições relacionados a seguir deverão ser efetuados nos seguintes prazos: (...) Processo : 13062.00002/98-85 Acórdão n° : CSRF/02-01.058 IV — contribuição para o F INSOCIAL, O PIS/PASEP e sobre o Açúcar e Álccol, até o dia 20 do mês subsequente ao de ocorrência dos fatos geradores. Ora, neste dispositivo, de forma ainda mais cristalina, está evidenciada a intenção do legislador de alterar a data de recolhimento, mantendo incólume a base de cálculo estabelecida no art. 6°, parágrafo único da lei Complementar 07/70. A base econômica para o cálculo do PIS só veio a ser alterada pela Medida Provisória 1.212 de 28/11/95, eis que o diploma em referência disse textualmente que o PIS/PASEP seria apurado mensalmente, com base no faturamento do mês,. Consequentemente, da data de sua criação até o advento da MP 1.212/95, a base de cálculo do PIS FATURAMENTO manteve a característica de semestral idade." 3) Quanto ao levantamento do faturamento para o cálculo do montante a ser restituído: A questão cinge-se sobre qual faturamento deve ser calculado o tributo devido para que se possa apurar a restituição pleiteada, já que os apresentados pela contribuinte na inicial do presente processo e na sua declaração de imposto de renda não coincidem entre si e nem com o levantado pelo FISCO na contabilidade da empresa. Discorre o acórdão recorrido: "Enfim, o montante originário a que faz jus a empresa consiste na diferença entre os valores pagos e os que haviam de ser recolhidos pela aplicação da alíquota de 0,75% sobre os faturamentos do sexto mês anterior de competência. A fala fiscal não contesta os pagamentos feitos, e sim os valores dos faturamentos mensais apontados na planilha da empresa. Embora esse fato tenha sido repetidamente assinalado desde o início pela fiscalização, a empresa silenciou na matéria. Os valores dos faturamentos mensais foram levantados pela autoridade fiscal, com base na contabilidade da empresa, e consta a fls. 136/137, onde está o demonstrativo correspondente.(...)" Apesar do relato anterior, no seu fechamento o voto do ilustre relator conclui de forma a tornar o aresto em questão ilíquido, portanto inexequivel, ao condicionar a sua execução à nova apuração de dados, como a seguir demonstro: Processo : 13062.00002/98-85 Acórdão n° : CSRF/02-01.058 "À toda evidência, deve prevalecer o valor do faturamento efetivo nos períodos de competência, verificado à vista da documentação que serviu de lastro às operações realizadas pela empresa. Deve a recorrente ser intimada a demonstrar seu faturamento efetivo e justificar, por consequência, os valores constantes de sua planilha. Constatando-se a coincidência, vale dizer, a correção dos valores dos faturamentos mensais apontados na planilha que acompanha o pleito inicial, deve ser procedida a restituição do montante ali especificado, abatidos os valores já compensados no curso deste processo. Caso contrário, confirmando-se os valores constantes da contabilidade, os cálculos devem ser refeitos, com os mesmos critérios, mas com base nos faturamentos constantes do Levantamento Fiscal de fls. 136/137." Não pode o julgador administrativo exarar sentença condicional a evento futuro sob pena de torná-la ilíquida, sujeita à liquidação, e o direito tributário não abriga o instituto da liquidação em execução de sentença. Assim sendo, deveria a autoridade julgadora optar pelas provas produzidas nos autos ou diligenciar para elucidar todas as questões necessárias para a solução da lide. Isso posto, vejo que no presente caso o FISCO já apurou o faturamento da empresa, mediante diligência consolidada no relatório de fls. 134/140, e são esses os dados corretos para o cálculo da restituição pleiteada, face da imprestabilidade das informações fornecidas pela empresa interessada. 4) Da correção monetária: O próprio governo, no Parecer da Advocacia Geral da União n° 96, de 11.06.96, que após extensa interpretação sistemática de nosso ordenamento jurídico, conclui: "a correção monetária não constitui "plus" a exigir expressa previsão legal" (grifo meu). É pacífico o entendimento neste Colegiado que há aplicabilidade da correção nos montantes a serem restituídos a título de indébito tributário. Nesse mesmo sentido entende a jurisprudência de nossos tribunais superiores, e transcrevo, como exemplo, parte com voto da lavra do eminente Ministro José Delgado, no RESP n° 0146678 (STJ), de 02 de fevereiro de 1998: "(...) Incontrovertido o direito a restituição do valor indevidamente recolhido, a correção monetária constitui simples resgate da sua expressão real, sabidamente não constituindo acréscimo ou imposição punitiva, sem constituir "plus" ou sanção pecuniária, fomenta simples atualização do valor real da moeda, estancando a possibilidade do enriquecimento sem causa pelo devedor, não espelhando a "reformatio in pejus". V3-) Processo : 13062.00002/98-85 Acórdão n° : CSRF/02-01.058 Entretanto o índice de correção monetária a ser adotado na restituição de indébito tributário deve ser o mesmo utilizado pela administração tributária para a cobrança de tributo devido. Dessa forma devem ser utilizadas em ambos o casos as regras de correção monetária fixadas na norma de execução da Receita Federal, Isso posto vejo que assiste razão a recorrente ao repudiar a aplicação de índices de correção monetária diferentes aos adotados pela Secretaria da Receita Federal. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional para que se calcule a restituição pleiteada com base no faturamento apurado às fls. 135/138 e a correção monetária de acordo com as regras fixadas na norma de Execução da Receita Federal, devendo ser respeitados todos os demais critérios firmados no Acórdão n° 201- 72.317. É assim como voto. Sala de S :es DF — 19 de junho de 2001 111[M, Otacílio Dant.; Cartaxo Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10880.920374/2009-85
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008
COMPENSAÇÃO. INCLUSÃO DE NOVOS CRÉDITOS NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. INOVAÇÃO PROCESSUAL. VEDAÇÃO.
Os valores referente a pagamento a maior ou indevido devem ser informados no PER/Dcomp pelo contribuinte. Descabe a retificação da declaração de compensação após a ciência do despacho decisório para inclusão de novos créditos, pois tal alteração do pedido original configura inovação processual vedada.
Numero da decisão: 3002-000.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 COMPENSAÇÃO. INCLUSÃO DE NOVOS CRÉDITOS NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. INOVAÇÃO PROCESSUAL. VEDAÇÃO. Os valores referente a pagamento a maior ou indevido devem ser informados no PER/Dcomp pelo contribuinte. Descabe a retificação da declaração de compensação após a ciência do despacho decisório para inclusão de novos créditos, pois tal alteração do pedido original configura inovação processual vedada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem. Relatório Trata o processo da Declaração de Compensação de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, no valor de R$ 32.785,43, relativo ao período de apuração maio/2008, com débitos também de Cofins (fls. 2 a 4). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 03 74 /2 00 9- 85 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10880.920374/200985 Acórdão n.º 3002000.398 S3C0T2 Fl. 172 2 Por meio de Despacho Decisório à fl. 7, a Delegacia de Administração Tributária em São Paulo (Derat) decidiu pela não homologação da compensação porque concluiu que o pagamento relativo ao Darf informado no PER/Dcomp havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos, não restando crédito para compensar. A recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fl. 9), na qual informou que, de acordo com a DCTF retificadora, seu débito era de R$ 79.045,97. Para efetuar essa compensação ele dispunha de 5 Darfs com pagamento a maior, que totalizam R$ 111.831,40. Dessa diferença proviria o direito à restituição a ser utilizada na compensação. Juntou, a título de prova, o Despacho Decisório, os 5 Darfs, o PER/Dcomp, a DCTF retificadora e atos constitutivos da empresa (fls. 10 a 79). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 14 49.918 (fls. 82 a 84), por meio do qual decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, tendo em vista que o contribuinte informou um único Darf no PER/Dcomp, integralmente utilizado para a quitação de outros débitos; que o procedimento correto neste caso teria sido pedir a retificação do PER/Dcomp para incluir os demais Darfs, conforme previsto na IN RFB nº 900/2008; e que o contribuinte não juntou aos autos documentação fiscal e/ou contábil que demonstrasse a certeza e liquidez do crédito pleiteado. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2008 RESTITUIÇÃO. VALORES INDICADOS NO PER/DCOMP. Deixase de homologar a compensação quando o valor do recolhimento havido por maior que o devido não foi inserido no PER/DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 24/09/2015, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem à fl. 91, e protocolizou seu recurso voluntário em 22/10/2015, conforme Termo de Solicitação de Juntada à fl. 92. Em seu Recurso Voluntário (fls. 93 a 96), o contribuinte explica que a Cofins paga a maior decorre de ter a empresa apurado a contribuição como Lucro Presumido (regime cumulativo), quando já havia optado pelo Lucro Real (regime nãocumulativo). Aponta que a DRJ não teria considerado a DCTF retificadora, na qual consta o débito correto, e afirma que seu Recurso está instruído com todos os documentos necessários para a comprovação do seu direito. Junta, a título de prova, a DCTF retificadora de maio/2008 e abril/2009 (fls. 97 a 155), demonstrativo da apuração de crédito de PIS/Cofins relativo a abril/2009 (fl. 156), Livro Razão Analítico relativo a algum período de 2008 e 2009 – a data está visível apenas parcialmente (fls. 157 a 163), relação de Darfs pagos no mês de abril/2008 (fl. 164) e tabela Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10880.920374/200985 Acórdão n.º 3002000.398 S3C0T2 Fl. 173 3 comparativa do cálculo das contribuições segundo a sistemática do Lucro Presumido e do Lucro Real (fl. 167). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Entendo que a questão posta para decisão neste Colegiado diz respeito, em um primeiro momento, à possibilidade de correção do pedido inicial de compensação após a emissão do despacho decisório e, eventualmente, à produção de provas no processo administrativo fiscal. O fato é que, ao formular sua declaração de compensação, o contribuinte informou apenas um dos cinco Darfs pagos em maio/2008, no valor de R$ 78.688,68, do qual deveriam ser utilizados R$ 32.785,43 na compensação. Cuidou de retificar a DCTF a tempo, antes do despacho decisório, de tal forma que, quando o processo chegou para análise na Derat, o débito de Cofins, ainda que reduzido, alcançava o valor de R$ 79.045,97 na DCTF (fls. 43 e 44), ao passo que o crédito informado no PER/Dcomp era de R$ 78.688,68 (fls. 17 e 18). Diante dessas informações, é inquestionável o acerto do Despacho Decisório, tanto que a Manifestação de Inconformidade consistiu unicamente em solicitar que fosse considerado o valor constante dos demais Darfs, que não constam do PER/Dcomp, no valor total de R$ 33.142,72 (fl. 9). Em sendo aceito esse acréscimo de Darfs, haveria saldo suficiente para quitar os débitos declarados em DCTF e para compensar. Na sequência, tivemos a decisão denegatória da DRJ, que se assentou sobre dois fundamentos: caberia ao contribuinte ter retificado o PER/Dcomp para incluir os demais Darfs, como previsto no art. 76 da IN RFB nº 900/2008, e ter demonstrado a certeza e liquidez dos indébitos por meio da juntada de livros contábeis e fiscais, revestidos das formalidades legais, que justificassem a redução dos débitos declarados em DCTF. A Manifestação de Inconformidade foi instruída apenas com o Despacho Decisório, os 5 Darfs, o PER/Dcomp, a DCTF retificadora e atos constitutivos da empresa. O julgamento em primeira instância define com propriedade a forma pela qual o contribuinte deveria corrigir a declaração – o pedido administrativo deve ser retificado perante a Receita Federal, quando possível, jamais em sede recursal. Isso porque, além da determinação legal para que seja feito dessa forma, o pedido formulado pelo contribuinte delimita a análise a ser realizada pela unidade da Receita Federal, o que, por consequência, delimita também o objeto do processo, ao qual está restrita tanto a primeira como a segunda instâncias. Portanto, em não se tratando de inexatidão material decorrente de lapso manifesto, situação em que pode haver inclusive retificação de ofício, não se admite a mudança no pedido após o despacho decisório para incluir novos créditos por configurar inovação processual vedada. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10880.920374/200985 Acórdão n.º 3002000.398 S3C0T2 Fl. 174 4 Em não sendo possível incluir novos créditos, esgotase a discussão neste processo, pois o Darf de R$ 78.688,68 não é suficiente para fazer frente aos débitos de R$ 79.045,97 da DCTF retificada e ainda compensar débitos de R$ 32.785,43 declarados na Dcomp. O contribuinte protesta que a DRJ não teria considerado as informações prestadas na DCTF retificada. De fato, as considerações da DRJ sobre a necessidade de prova para fins de aceitação da retificação da DCTF me parecem deslocadas, uma vez que o contribuinte promoveu a sua alteração antes do Despacho Decisório. Nessa condição, deve ser acatada como se original fosse, que foi a forma como se procedeu neste voto. Em agindo dessa maneira, chegase à mesma conclusão que consta no Despacho Decisório: o valor de R$ 78.688,68 foi utilizado integralmente para quitar os débitos de R$ 79.045,97 constantes da DCTF retificada. Uma vez acatada a retificação da DCTF, a discussão sobre prova relacionada ao direito de redução dos débitos da DCTF promovido pelo contribuinte perde o objeto. Em conclusão, a decisão vai repousar unicamente sobre a primeira parte das alegações, no sentido de não caber a inclusão de novos créditos na declaração de compensação, após o despacho decisório, por configurar inovação processual vedada. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 174DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001313/2005-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. FUNÇÃO DO INSTRUMENTO. HIPÓTESES. ARTIGO 66 DO RICARF. NÃO CONHECIMENTO.
De acordo com o artigo 66 do RICARF, o que se busca é a correção de inexatidão material devida a lapso manifesto e de erros de escrita ou de cálculo. Portanto, trata-se de instrumento para correção questões objetivas, sobre as quais não pairam dúvidas.
Não se trata, destarte, de instrumento que pode ser manejado livremente, de forma exorbitante à sua função, trazendo ao colegiado questões que não foram objeto do Acórdão embargado, numa busca de alterar o resultado do pretérito julgamento proferido pelo CARF.
Numero da decisão: 1301-003.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer dos embargos, vencido o Conselheiro Nelso Kichel que votou por conhecê-los.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001 EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. FUNÇÃO DO INSTRUMENTO. HIPÓTESES. ARTIGO 66 DO RICARF. NÃO CONHECIMENTO. De acordo com o artigo 66 do RICARF, o que se busca é a correção de inexatidão material devida a lapso manifesto e de erros de escrita ou de cálculo. Portanto, trata-se de instrumento para correção questões objetivas, sobre as quais não pairam dúvidas. Não se trata, destarte, de instrumento que pode ser manejado livremente, de forma exorbitante à sua função, trazendo ao colegiado questões que não foram objeto do Acórdão embargado, numa busca de alterar o resultado do pretérito julgamento proferido pelo CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer dos embargos, vencido o Conselheiro Nelso Kichel que votou por conhecê-los. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. FUNÇÃO DO INSTRUMENTO. HIPÓTESES. ARTIGO 66 DO RICARF. NÃO CONHECIMENTO. De acordo com o artigo 66 do RICARF, o que se busca é a correção de inexatidão material devida a lapso manifesto e de erros de escrita ou de cálculo. Portanto, tratase de instrumento para correção questões objetivas, sobre as quais não pairam dúvidas. Não se trata, destarte, de instrumento que pode ser manejado livremente, de forma exorbitante à sua função, trazendo ao colegiado questões que não foram objeto do Acórdão embargado, numa busca de alterar o resultado do pretérito julgamento proferido pelo CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer dos embargos, vencido o Conselheiro Nelso Kichel que votou por conhecêlos. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 13 /2 00 5- 55 Fl. 596DF CARF MF Processo nº 16327.001313/200555 Acórdão n.º 1301003.215 S1C3T1 Fl. 597 2 José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Trata o presente processo de Embargos Inominados opostos pela Delegacia da Receita Federal em Curitiba/PR contra Acórdão nº 180201.310, de 05/07/2012, proferido pela extinta 2ª Turma Especial da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste Conselho, por meio do qual o colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, e nesta ocasião adotouse a seguinte ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE PREJUÍZO FISCAL DISCUTIDO EM PROCESSO AUTÔNOMO. HOMOLOGAÇÃO. Respeitados os prazos legais de prescrição e decadência, o saldo negativo apurado pode ser objeto de compensação. Caso em que se discutia sobre a existência ou não de prejuízo fiscal do anocalendário de 1997, o que restou comprovado. Confirmada a existência de saldo negativo, merecida que a compensação seja levada a efeito. [...] Acordam os membros do colegiado, por unanimidade DAR provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator. Devidamente cientificada, a DRF/Curitiba/PR opôs embargos inominados, sustentando haver inexatidões materiais, conforme excertos a seguir reproduzidos: Esta Delegacia da Receita Federal em CuritibaPR, órgão encarregado da execução dos Acórdãos do CARF, vem interpor os presentes Embargos de Declaração, de acordo com o disposto no [...] Regimento Interno do CARF, tendo em vista inexatidão material. Ao apreciar o recurso voluntário, o CARF lhe deu provimento ao recurso voluntário, conforme acórdão n° 180201.310 (fls. 459/462), ao argumento de que "o prejuízo fiscal declarado pelo Recorrente do anocalendário 1997 no montante de R$ 4.038.156,33, permaneceu irretocável, dado que o auto de infração controlado pelo processo n° 16327.004471/200214 não se mostrou suficiente para de ofício alterar a condição do prejuízo fiscal supracitado, a um lucro de R$ 95.101.150,14". Contudo, de acordo com a informação fiscal de fls. 546/547, do montante de prejuízo fiscal mencionado no acórdão do CARF (R$ 4.038.156,33), "somente R$ 638.810,48 são considerados Fl. 597DF CARF MF Processo nº 16327.001313/200555 Acórdão n.º 1301003.215 S1C3T1 Fl. 598 3 prejuízo fiscal operacional, sendo o restante, R$ 3.399.345,85, são considerados prejuízo fiscal não operacional, podendo ser compensados apenas com resultado não operacional, conforme artigo 31 da Lei 9.249/95". De fato, o artigo 31 da lei n° 9.249/95 tem a seguinte redação: "Art. 31. Os prejuízos não operacionais, apurados pelas pessoas jurídicas, a partir de 1o de janeiro de 1996, somente poderão ser compensados com lucros de mesma natureza, observado o limite previsto no art. 15 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995." O SEFIS informa ainda que o prejuízo fiscal operacional foi totalmente utilizado pelo interessado na DIPJ do anocalendário 1998, na ficha 10, linha 23, em que a compensação de prejuízo fiscal informada pelo contribuinte foi de R$ 666.617,29, excedendo o prejuízo operacional então disponível em R$ 27.806,01. Isso posto, não havendo prejuízo operacional disponível, o recurso voluntário deveria ser improvido e não provido. Diante do exposto, Digníssimo Senhor Presidente, a autoridade encarregada da execução das decisões do CARF encaminha o presente embargos, para apreciação da inexatidão material apontada. Em 23 de março de 2016, foi proferido Despacho de Admissibilidade de Embargos (fls. 583 a 586), mediante o qual o Sr. Presidente da 2ª Câmara admitiu os embargos inominados opostos, e determinou a inclusão do processo em lote para sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Alega o embargante inexatidão material no Acórdão nº 180201.310, em cuja ementa consta: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE PREJUÍZO FISCAL DISCUTIDO EM PROCESSO AUTÔNOMO. HOMOLOGAÇÃO. Respeitados os prazos legais de prescrição e decadência, o saldo negativo apurado pode ser objeto de compensação. Caso em que se discutia sobre a existência ou não de prejuízo fiscal do anocalendário de 1997, o que restou comprovado. Confirmada a existência de saldo negativo, merecida que a compensação seja levada a efeito. [...] Fl. 598DF CARF MF Processo nº 16327.001313/200555 Acórdão n.º 1301003.215 S1C3T1 Fl. 599 4 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade DAR provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator. Nos termos do Regimento Interno deste Conselho, os embargos podem ser opostos quando, no acórdão, houver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma, admitindo se ainda embargos inominados na hipótese de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto. No caso, a embargante entendeu ser hipótese de inexatidão material em razão de, em data posterior ao Acórdão embargado, ter sido juntado aos autos (fls. 546/547) informação de que o prejuízo fiscal mencionado no Acórdão embargado inexiste. O então Presidente da 2ª Câmara/1ªSeção, deste Conselho, acordou, admitindo os embargos inominados opostos. Com a devida vênia, não identifico hipótese de inexatidão material, que autorize o manejo dos embargos. .Confirase o teor do artigo 66 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Do texto supra transcrito, constatase que, no caso de embargos inominados, o que se busca é a correção de inexatidão material, devida a lapso manifesto e de erros de escrita ou de cálculo. Portanto, tratase de instrumento para correção questões objetivas, sobre as quais não pairam dúvidas. Ou seja, os embargos inominados tem função bastante singela e específica, nunca podendo ser manejado como forma de rever o quanto decidido pelo acórdão embargado. Logo, tal de instrumento não que pode ser manejado livremente, de forma exorbitante à sua função, trazendo ao colegiado questões que não foram objeto do Acórdão embargado, numa busca de alterar o resultado do pretérito julgamento proferido pelo CARF No presente caso, a Delegacia da Receita Federal em CuritibaPR, aproveitandose de informação e documentos apresentados nos autos após prolatado o Acórdão nº 180201.310, sustenta inexatidão material, ao argumento de que do montante de prejuízo fiscal mencionado no referido Acórdão CARF (R$ 4.038.156,33), "somente R$ 638.810,48 são considerados prejuízo fiscal operacional, sendo o restante, R$ 3.399.345,85, são considerados prejuízo fiscal não operacional, podendo ser compensados apenas com resultado não operacional, conforme artigo 31 da Lei 9.249/95". .Assim, a utilização do instrumento pelo embargante exorbita claramente a sua função. Assim, com estes fundamentos, não conheço dos embargos inominados. Conclusão Fl. 599DF CARF MF Processo nº 16327.001313/200555 Acórdão n.º 1301003.215 S1C3T1 Fl. 600 5 Pelo exposto, voto por não conhecer dos embargos opostos. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 600DF CARF MF
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